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Fundamentos do Planejamento

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Fundamentos do Planejamento
FUNDAMENTOS DO PLANEJAMENTO
O trabalho do administrador não se restringe ao presente, ao atual, ao corrente. Ele precisa
extrapolar o imediato e se projetar para frente. O administrador precisa tomar decisões estratégicas
e planejar o futuro de sua organização. Ao tomar decisões, o administrador configura e reconfigura
continuamente a sua organização ou a unidade organizacional que administra. Ele precisa saber em
qual rumo deseja que sua organização vá em frente, tomar as decisões necessárias e elaborar os
planos para que isso realmente aconteça. O planejamento está voltado para o futuro. E o futuro
requer uma atenção especial. É para ele que a organização deve estar preparada a todo instante.
Planejamento é a função administrativa que define objetivos e decide sobre os recursos e tarefas
necessários para alcançá-los adequadamente. Como principal decorrência do planejamento estão os
planos. Os planos facilitam a organização no alcance de suas metas e objetivos. Além disso, os
planos funcionam como guias ou balizamentos para assegurar os seguintes aspectos:
1. Os planos definem os recursos necessários para alcançar os objetivos organizacionais.
2. Os planos servem para integrar os vários objetivos a serem alcançados em um esquema
organizacional que proporciona coordenação e integração.
3. Os planos permitem que as pessoas trabalhem em diferentes atividades consistentes com os
objetivos definidos. Eles dão racionalidade ao processo. São racionais porque servem de
meios para alcançar adequadamente os objetivos traçados.
4. Os planos permitem que o alcance dos objetivos possa ser continuamente monitorado e
avaliado em relação a certos padrões ou indicadores a fim de permitir a ação corretiva
necessária quando o progresso não seja satisfatório.
O primeiro passo do planejamento consiste na definição dos objetivos para a organização. Objetivos
são resultados específicos que se pretende atingir. Os objetivos são estabelecidos para cada uma das
subunidades da organização, como suas divisões ou departamentos etc. Uma vez definidos, os
programas são estabelecidos para alcançar os objetivos de maneira sistemática e racional. Ao
selecionar objetivos e desenvolver programas, o administrador deve considerar sua viabilidade e
aceitação pelos gerentes e funcionários da organização.
Planejar significa olhar para a frente, visualizar o futuro e o que deverá ser feito, elaborar bons
planos e ajudar as pessoas a fazer hoje as ações necessárias para melhor enfrentar os desafios do
amanhã. Em outros termos, o planejamento constitui hoje uma responsabilidade essencial em
qualquer tipo de organização ou de atividade.
O Planejamento como uma Função Administrativa
A primeira das funções administrativas – o planejamento – é um processo de estabelecer objetivos e
definir a maneira como alcançá-los. Objetivos são os resultados específicos ou metas que se deseja
atingir. Um plano é uma colocação ordenada daquilo que é necessário fazer para atingir os
objetivos. Os planos identificam os recursos necessários, as tarefas a serem executadas, as ações a
serem tomadas e os tempos a serem seguidos. Os planos servem para facilitar a ação requerida e as
operações da organização. Geralmente, prevêem como as ações que apontam para os objetivos
devem ser tomadas. Na verdade, os planos consistem em ações consistentes dentro de uma estrutura
adequada de operações que focalizam os fins desejados. Sem planos, a ação organizacional se
tornaria meramente casual e randômica, aleatória e sem rumo, conduzindo simplesmente ao caos.
O planejamento pode estar voltado para a estabilidade, no sentido de assegurar a continuidade do
comportamento atual em um ambiente previsível e estável. Também pode estar voltado para a
melhoria do comportamento para assegurar a reação adequada a freqüentes mudanças em um
ambiente mais dinâmico e incerto. Pode ainda estar voltado para as contingências no sentido de
antecipar-se a eventos que podem ocorrer no futuro e identificar as ações apropriadas para quando
eles eventualmente ocorrerem.
Como todo planejamento se subordina a uma filosofia de ação, Ackoff aponta três tipos de filosofia
do planejamento:
1. Planejamento conservador. É o planejamento voltado para a estabilidade e para a
manutenção da situação existente. As decisões são tomadas no sentido de obter bons
resultados, mas não necessariamente os melhores possíveis, pois dificilmente o
planejamento procurará fazer mudanças radicais na organização. Sua ênfase é conservar as
práticas atualmente vigentes. O planejamento conservador está mais preocupado em
identificar e sanar deficiências e problemas internos do que em explorar oportunidades
ambientais futuras. Sua base é predominantemente retrospectiva no sentido de aproveitar a
experiência passada e projetá-la para o futuro.
2. Planejamento otimizante. É o planejamento voltado para a adaptabilidade e inovação dentro
da organização. As decisões são tomadas no sentido de obter os melhores resultados
possíveis para a organização, seja minimizando recursos para alcançar um determinado
desempenho ou objetivo, seja maximizando o desempenho para melhor utilizar os recursos
disponíveis. O planejamento otimizante geralmente está baseado em uma preocupação em
melhorar as práticas atualmente vigentes na organização. Sua base é predominantemente
incremental no sentido de melhorar continuamente, tornando as operações melhores a cada
dia que passa.
3. Planejamento adaptativo. É o planejamento voltado para as contingências e para o futuro da
organização. As decisões são tomadas no sentido de compatibilizar os diferentes interesses
envolvidos, elaborando uma composição capaz de levar a resultados para o desenvolvimento
natural da empresa e ajustá-la às contingências que surgem no meio do caminho. O
planejamento adaptativo procura reduzir o planejamento retrospectivo voltado para a
eliminação das deficiências localizadas no passado da organização. Sua base é
predominantemente aderente no sentido de ajustar-se às demandas ambientais e preparar-se
para as futuras contingências.
Em todos os casos, o planejamento consiste na tomada antecipada de decisões. Trata-se de decidir
agora o que fazer antes da ocorrência da ação necessária. Não se trata simplesmente da previsão das
decisões que deverão ser tomadas no futuro, mas da tomada de decisões que produzirão efeitos e
conseqüências futuras.
O Processo de Planejamento
O planejamento é um processo constituído de uma séria seqüencial de seis passos, a saber:
• DEFINIR OS OBJETIVOS. O primeiro passo do planejamento é o estabelecimento de
objetivos que se pretende alcançar. Os objetivos da organização devem servir de direção a todos
os principais planos, servindo de base aos objetivos departamentais e a todos os objetivos das
áreas subordinadas. Os objetivos devem especificar resultados desejados e os pontos finais onde
se pretende chegar, para conhecer os passos intermediários.
• VERIFICAR QUAL A SITUAÇÃO ATUAL EM RELAÇÃO AOS OBJETIVOS.
Simultaneamente à definição dos objetivos, deve-se avaliar a situação atual em contraposição
aos objetivos desejados, verificar onde se está e o que precisa ser feito.
• DESENVOLVER PREMISSAS QUANTO ÀS CONDIÇÕES FUTURAS. Premissas
constituem os ambientes esperados dos planos em operação. Como a organização opera em
ambientes complexos, quanto mais pessoas estiverem atuando na elaboração e compreensão do
planejamento e quanto mais se obter envolvimento para utilizar premissas consistentes, tanto
mais coordenado será o planejamento. Trata-se de gerar cenários alternativos para os estados
futuros das ações, analisar o que pode ajudar ou prejudicar o progresso em direção aos objetivos.
A previsão é um aspecto importante no desenvolvimento de premissas. A previsão está
relacionada com pressuposições antecipatórias a respeito do futuro.
• ANALISAR AS ALTERNATIVAS DE AÇÃO. O quarto passo do planejamento é a busca
e análise dos cursos alternativos de ação. Trata-se de relacionar e avaliar as ações que devem ser
tomadas, escolher uma delas para perseguir um ou mais objetivos, fazer um plano para alcançar
os objetivos.
• ESCOLHER UM CURSO DE AÇÃO ENTRE AS VÁRIAS ALTERNATIVAS. O
quinto passo é selecionar o curso de ação adequado para alcançar os objetivos propostos. Tratase de uma tomada de decisão, em que se escolhe uma alternativa e se abandona as demais. A
alternativa escolhida se transforma em um plano para o alcance dos objetivos.
• IMPLEMENTAR O PLANO E AVALIAR OS RESULTADOS. Fazer aquilo que o
plano determina e avaliar cuidadosamente os resultados para assegurar o alcance dos objetivos,
seguir através do que foi planejado e tomar as ações corretivas à medida que se tornarem
necessárias.
Nem sempre o planejamento é feito por administradores ou por especialistas trancados em salas e
em apenas algumas épocas determinadas. Embora seja uma atividade voltada para o futuro, o
planejamento deve ser contínuo e permanente e, se possível, abrangendo o maior número de pessoas
na sua elaboração e implementação. Em outras palavras, o planejamento deve ser constante e
participativo. A descentralização proporciona a participação e o envolvimento das pessoas em todos
os aspectos do seu processo. É o chamado planejamento participativo.
Para fazer o planejamento, é vital que se conheça o contexto em que a organização está inserida.
Em outras palavras, qual é o microambiente, qual a sua missão e quais os seus objetivos básicos.
Sobretudo, quais os fatores-chave para o seu sucesso. A partir daí, pode-se começar a pensar em
planejamento.
Fatores críticos de sucesso
Para que o planejamento seja bem-sucedido, torna-se necessário verificar quais os fatores críticos de
sucesso para atingir os objetivos propostos. Os fatores críticos de sucesso são os elementos
condicionantes no alcance dos objetivos da organização. Ou seja, são aspectos ligados diretamente
ao sucesso da organização. Se eles não estiverem presentes, os objetivos não serão alcançados. Para
identificar os fatores críticos de sucesso em qualquer negócio, deve-se fazer a seguinte pergunta: O
que se deve fazer para ser bem-sucedido? Em uma empresa lucrativa, o sucesso significa fazer
lucros. Os fatores críticos de sucesso dependerão de quais negócios que fazem lucro. Se o negócio é
produzir roupas a baixo custo, os fatores críticos de sucesso estarão localizados em operações de
baixo custo e elevado volume de vendas. Se o negócio é produzir vestidos de luxo, os custos não
serão tão importantes quanto a alta qualidade dos materiais, da confecção aprimorada e do desenho
criativo. Em uma empresa de pesquisa e desenvolvimento orientada para o futuro, altos lucros hoje
não são aspectos críticos, mas sim o desenvolvimento de uma tecnologia de ponta capaz de produzir
no futuro novos produtos inovadores e construir uma boa reputação que atraia investidores.
A identificação dos fatores críticos de sucesso é fundamental para a realização dos objetivos
organizacionais. Existem duas maneiras de identificar os fatores críticos de sucesso. A primeira é
dissecar os recursos organizacionais e o mercado de maneira imaginativa para identificar os
segmentos que são mais decisivos e importantes. A segunda é descobrir o que distingue as
organizações bem-sucedidas das organizações malsucedidas e analisar as diferenças entre elas. Aqui
se aplica o benchmarking.
Benchmarking
Benchmarking é o processo contínuo e sistemático de pesquisa para avaliar produtos, serviços e
processos de trabalho de organizações que são reconhecidas como líderes empresariais ou como
representantes das melhores práticas, com o propósito de aprimoramento organizacional. Isso
permite comparações de processos e práticas entre empresas para identificar “o melhor do melhor”
e alcançar um nível de superioridade ou vantagem competitiva.
O benchmarking encoraja as organizações a pesquisar os fatores-chaves que influenciam a
produtividade e a qualidade em qualquer função ou área de atividade. Na verdade, o benchmarking
constitui uma fonte inesgotável de idéias proporcionadas por outras organizações.
A palavra benchmarking significa um marco de referência, um padrão de excelência que precisa ser
identificado para servir de base ou de alvo para a mudança. O benchmarking foi introduzido pela
Xerox em 1979 como prática para comparações com as melhores empresas a fim de desenvolver
seus produtos e tornar-se mais competitiva no mercado, ultrapassando e não somente copiando os
seus concorrentes. Se voltarmos à história da administração, veremos que Taylor havia feito algo
semelhante quando comparou as melhores práticas dos operários para escolher o método de
trabalho que todos eles deveriam seguir.
Benefícios do Planejamento
As organizações se defrontam com uma variedade de pressões provindas de muitas fontes.
Externamente, existem as regulamentações governamentais, a tecnologia cada vez mais complexa, a
incerteza decorrente de uma economia globalizada e a necessidade de reduzir custos de
investimentos em trabalho, capital e outros recursos importantes. Internamente, a necessidade de
operar com maior eficiência, novas estruturas organizacionais e novos arranjos de trabalho, maior
diversidade da força de trabalho e uma infinidade de desafios administrativos. Como se poderia
prever, planejamento oferece uma série de vantagens nessas circunstâncias, inclusive melhorando a
flexibilidade, coordenação e administração do tempo. Vejamos cada uma dessas vantagens do
planejamento.
Foco e Flexibilidade
O planejamento permite aumentar o foco e a flexibilidade. O foco é o ponto de convergência dos
esforços. Flexibilidade é a maleabilidade e facilidade de sofrer adaptações e ajustamentos à medida
que o andamento das coisas o requeira. Uma organização com foco conhece o que ela faz melhor,
conhece as necessidades de seus clientes e conhece como servi-las bem. Uma organização com
flexibilidade opera dinamicamente e com um senso de futuro, Ela é rápida e ágil, podendo mudar
em resposta a, ou antecipar-se em relação a problemas emergentes ou oportunidades. O
planejamento ajuda o administrador em todos os tipos de organização a alcançar o melhor
desempenho, porque:
1. O planejamento é orientado por resultados. Cria um senso de direção, isto é, de
desempenho orientado para metas e resultados a serem alcançados.
2. O planejamento é orientado para prioridades. Assegura que as coisas mais importantes
receberão atenção principal.
3. O planejamento é orientado para vantagens. Ajuda a alocar e a dispor recursos para sua
melhor utilização e desempenho.
4. O planejamento é orientado para mudanças. Ajuda a antecipar problemas que certamente
aparecerão e a aproveitar oportunidades à medida que se defronta com novas situações.
Melhoria na coordenação
O planejamento melhora a coordenação. Os diferentes subsistemas e grupos nas organizações, em
que cada qual persegue uma variedade de objetivos em um dado período, precisam ser
adequadamente coordenados. Uma hierarquia de objetivos é uma série de objetivos interligados
juntos de modo que os objetivos em níveis mais elevados são apoiados e suportados por objetivos
de nível mais baixo. Quando definidos ao longo de uma organização, os objetivos hierarquizados
criam uma rede integrada de cadeias de meios-fins. Os objetivos de nível mais elevado – os fins –
são claramente interligados aos objetivos de nível mais baixo – que são os meios – para o seu
alcance. A figura 7.5 dá uma idéia de uma hierarquia de objetivos.
Melhoria no controle
O planejamento melhora o controle. O controle administrativo envolve medição e avaliação dos
resultados do desempenho e a tomada de ação corretiva para melhorar as coisas quando necessário.
O planejamento ajuda a tornar isso possível através da definição dos objetivos – resultados de
desempenho desejados – e identificação das ações específicas por meio das quais eles devem ser
perseguidos. Se os resultados estiverem abaixo do esperado, os objetivos ou os planos de ação, ou
ambos, devem ser ajustados ao processo de controle. Naturalmente, ambos os processos de
planejamento e controle funcionam melhor se os objetivos são claramente estabelecidos em
primeiro lugar. O progresso em relação ao alcance dos objetivos pode ser facilmente medido para
assegurar que eles estão sendo cumpridos antes da data prefixada.
Administração do tempo
A planejamento melhora a administração do tempo. É difícil balancear o tempo disponível para
atender as responsabilidades e aproveitar as oportunidades pela frente. Cada dia, o administrador é
bombardeado por uma multiplicidade de tarefas e demandas em um conjunto de freqüentes
interrupções, crises e eventos inesperados. Isso facilita o esquecimento da trilha dos objetivos e a
perda de tempo precioso com atividades não essenciais e que tumultuam a atividade do
administrador. Além da melhoria do foco e flexibilidade, coordenação e controle, o planejamento
permite uma forma de administrar o tempo.
Tipos de Planejamento
O planejamento é feito através de planos. O administrador deve saber lidar com diferentes tipos de
planos. Estes podem incluir períodos de longo a curto prazo, como podem envolver a organização
inteira, uma divisão ou departamento ou ainda uma tarefa. O planejamento é uma função
administrativa que se distribui entre todos os níveis organizacionais. Embora o seu conceito seja
exatamente o mesmo, em cada nível organizacional, o planejamento apresenta características, como
mostra a Figura 7.6.
O planejamento envolve uma volumosa parcela da atividade organizacional. Com isso, queremos
dizer que toda organização está sempre planejando: o nível institucional elabora genericamente o
planejamento estratégico, o nível intermediário segue-o com planos táticos e o nível operacional
traça detalhadamente os planos operacionais. Cada qual dentro de sua área de competência e em
uníssono com os objetivos globais da organização. O planejamento impõe racionalidade e
proporciona o rumo às ações da organização. Além disso, estabelece coordenação e integração de
suas várias unidades, que proporcionam a harmonia e sinergia da organização no caminho em
direção aos seus objetivos principais.
Os planos podem abranger diferentes horizontes de tempo. Os planos de curto prazo cobrem um ano
ou menos, os planos intermediários um a dois anos e os planos de longo prazo abrangem cinco ou
mais anos. Os objetivos do planejamento devem ser mais específicos no curto prazo e mais abertos
no longo prazo. As organizações precisam de planos para todas as extensões de tempo. O
administrador do nível institucional está mais voltado para planos de longo prazo que atinjam a
organização inteira para proporcionar aos demais administradores um senso de direção para o
futuro.
Uma pesquisa desenvolvida por Elliot Jaques mostra como as pessoas variam em sua capacidade de
pensar, organizar e trabalhar com eventos situados em diferentes horizontes de tempo. Muitas
pessoas trabalham confortavelmente com amplitudes de apenas três meses, um pequeno grupo
trabalha melhor com uma amplitude de tempo de um ano; e somente poucas pessoas podem
enfrentar o desafio de 20 anos pela frente. Como o administrador pode trabalhar em vários níveis de
autoridade, ele deve planejar em função de diferentes períodos de tempo. Enquanto o planejamento
de um supervisor desafia o especo de três meses, um gerente pode lidar com períodos de um ano,
enquanto um diretor lida com uma amplitude que pode ir de três, cinco, dez anos ou mais. O
progresso nos níveis mais elevados da hierarquia administrativa pressupõe habilidades conceituais a
serem trabalhadas, bem como uma visão projetada a longo prazo de tempo.
Planejamento estratégico
O planejamento estratégico é um processo organizacional compreensivo de adaptação através da
aprovação, tomada de decisão e avaliação. Procura responder a questões básicas, como: por que a
organização existe, o que ela faz e como faz. O resultado do processo é um plano que serve para
guiar a ação organizacional por um prazo de três a cinco anos.
O planejamento estratégico apresenta cinco características fundamentais:
1. O planejamento estratégico está relacionado com a adaptação da organização a um
ambiente mutável. Está voltado para as relações entre a organização e seu ambiente de
tarefa. Portanto, sujeito à incerteza a respeito de eventos ambientais. Por se defrontar com a
incerteza, tem suas decisões baseadas em julgamentos e não em dados concretos. Reflete
uma orientação externa que focaliza as respostas adequadas às forças e pressões que estão
situadas do lado de fora da organização.
2. O planejamento estratégico é orientado para o futuro. Seu horizonte de tempo é o longo
prazo. Durante o curso do planejamento, a consideração dos problemas atuais é dada apenas
em função dos obstáculos e barreiras que eles possam provocar para um desejado lugar no
futuro. É mais voltado para os problemas do futuro do que daqueles de hoje.
3. O planejamento estratégico é compreensivo. Ele envolve a organização como uma
totalidade, abarcando todos os seus recursos, no sentido de obter efeitos sinergísticos de
todas as capacidades e potencialidades da organização. A resposta estratégica da
organização envolve um comportamento global, compreensivo e sistêmico.
4. O planejamento estratégico é um processo de construção de consenso. Dada a diversidade
dos interesses e necessidades dos parceiros envolvidos, o planejamento oferece um meio de
atender a todos eles na direção futura que melhor convenha a todos.
5. O planejamento estratégico é uma forma de aprendizagem organizacional. Como está
orientado para a adaptação da organização ao contexto ambiental, o planejamento constitui
uma tentativa constante de aprender a ajustar-se a um ambiente complexo, competitivo e
mutável.
O planejamento estratégico se assenta sobre três parâmetros: a visão do futuro, os fatores
ambientais externos e os fatores organizacionais internos. Começa com a construção do consenso
sobre o futuro que se deseja: é a visão que descreve o mundo em um estado ideal. A partir daí
examinam-se as condições externas do ambiente e as condições internas da organização.
Planejamento tático
Enquanto o planejamento estratégico envolve toda a organização, o planejamento tático envolve
uma determinada unidade organizacional: um departamento ou divisão. Enquanto o primeiro se
estende ao longo prazo, o planejamento tático se estende pelo médio prazo, geralmente o exercício
de um ano. Enquanto o primeiro é desenvolvido pelo nível institucional, o planejamento tático é
desenvolvido pelo nível intermediário. Na verdade, o planejamento estratégico é desdobrado em
vários planejamentos táticos, enquanto estes se desdobram em planos operacionais para sua
realização.
Assim, o planejamento tático é o planejamento focado no médio prazo e que enfatiza as atividades
correntes das várias unidades ou departamentos da organização. O médio prazo é definido como o
período que se estende por um ano. O administrador utiliza o planejamento tático para delinear o
que as várias partes da organização, como departamentos ou divisões, devem fazer para que a
organização alcance sucesso no decorrer do período de um ano de seu exercício. Os planos táticos
geralmente são desenvolvidos para as áreas de produção, marketing, pessoal, finanças e
contabilidade. Para ajustar-se ao planejamento tático, o exercício contábil da organização e os
planos de produção, de vendas, de investimentos etc. abrangem geralmente o período anual.
Os planos táticos geralmente envolvem:
1. Planos de produção. Envolvendo métodos e tecnologias necessárias para as pessoas em seu
trabalho, arranjo físico do trabalho e equipamentos como suportes para as atividades e
tarefas.
2. Planos financeiros. Envolvendo captação e aplicação do dinheiro necessário para suportar as
várias operações da organização.
3. Planos de marketing. Envolvendo os requisitos de vender e distribuir bens e serviços no
mercado e atender ao cliente.
4. Planos de recursos humanos. Envolvendo recrutamento, seleção e treinamento das pessoas
nas várias atividades dentro da organização. Recentemente, as organizações estão também
se preocupando com a aquisição de competências essenciais para o negócio através da
gestão do conhecimento corporativo.
Contudo, os planos táticos podem também se referir à tecnologia utilizada pela organização
(tecnologia da informação, tecnologia de produção etc.), investimentos, obtenção de recursos etc.
POLÍTICAS
As políticas constituem exemplos de planos táticos que funcionam como guias gerais de ação. Elas
funcionam como orientações para a tomada de decisão. Geralmente refletem um objetivo e orienta
as pessoas em direção a esses objetivos em situações que requeiram algum julgamento. As políticas
servem para que as pessoas façam escolhas semelhantes ao se defrontarem com situações similares.
As políticas constituem afirmações genéricas baseadas nos objetivos organizacionais e visam
oferecer rumos para as pessoas dentro da organização.
As políticas definem limites ou fronteiras dentro dos quais as pessoas podem tomar suas decisões.
Nesse sentido, as políticas reduzem o grau de liberdade para a tomada de decisão das pessoas. As
organizações definem uma variedade de políticas, como de recursos humanos, de vendas, de
produção, de crédito etc. Cada uma dessas políticas geralmente é desdobrada em políticas mais
detalhadas. As políticas de recursos humanos são divididas em políticas de seleção, de
remuneração, de benefícios, de treinamento, de segurança, de saúde etc. As políticas de vendas são
divididas em políticas de atendimento ao cliente, de pós-vendas, de assistência técnica, de garantia
etc. Em cada política, a organização especifica como os funcionários deverão se comportar frente ao
seu conteúdo.
Planejamento Operacional
O planejamento operacional é focalizado para o curto prazo e abrange cada uma das tarefas ou
operações individualmente. Preocupa-se com “o que fazer” e com o “como fazer” as atividades
quotidianas da organização. Refere-se especificamente às tarefas e operações realizadas no nível
operacional. Como está inserido na lógica de sistema fechado, o planejamento operacional está
voltado para a otimização e maximização de resultados, enquanto o planejamento tático está voltado
para a busca de resultados satisfatórios. Os aspectos de maximização e satisfação serão tratados em
maiores detalhes no Capítulo 9, dedicado à tomada de decisão.
O planejamento operacional é constituído de uma infinidade de planos operacionais que proliferam
nas diversas áreas e funções dentro da organização. Cada plano pode consistir em muitos subplanos
com diferentes graus de detalhamento. No fundo, os planos operacionais cuidam da administração
da rotina para assegurar que todos executem as tarefas e operações de acordo com os procedimentos
estabelecidos pela organização, a fim de que esta possa alcançar os seus objetivos. Os planos
operacionais estão voltados para a eficiência (ênfase nos meios), pois a eficácia (ênfase nos fins) é
problema dos níveis institucional e intermediário da organização.
Apesar de serem heterogêneos e diversificados, os planos operacionais podem ser classificados em
quatro tipos, a saber:
1.
2.
3.
4.
Procedimentos. São os planos operacionais relacionados com métodos.
Orçamentos. São os planos operacionais relacionados com dinheiro.
Programas (ou programações). São os planos operacionais relacionados com o tempo.
Regulamentos. São os planos operacionais relacionados com comportamentos das pessoas.
Cada um desses quatro tipos de planos operacionais merece uma explicação.
Procedimentos
O procedimento é uma seqüência de etapas ou passos que devem ser rigorosamente seguidos para a
execução de um plano. Constitui séries de fases detalhadas indicando como cumprir uma tarefa ou
alcançar uma meta previamente estabelecida. Assim, os procedimentos são subplanos de planos
maiores. Devido ao seu detalhamento, são geralmente escritos para perfeita compreensão daqueles
que devem utilizá-los.
Os procedimentos constituem guias para a ação e são mais específicos do que as políticas. Em
conjunto com outras formas de planejamento, os procedimentos procuram ajudar a dirigir todas as
atividades da organização para objetivos comuns, a impor consistência ao longo da organização e
fazer economias eliminando custos de verificações recorrentes e delegando autoridade às pessoas
para tomar decisões dentro de limites impostos pela administração. Enquanto as políticas são guias
para pensar e decidir, os procedimentos são guias para fazer. Referem-se aos métodos para executar
as atividades quotidianas. Um método descreve o processo de executar um passo ou uma etapa do
procedimento e pode ser considerado um plano de ação, mas é genericamente um subplano do
procedimento.
Os procedimentos são geralmente transformados em rotinas e expressos na forma de fluxogramas.
Fluxogramas são gráficos que representam o fluxo ou a seqüência de procedimentos ou rotinas. As
rotinas constituem procedimentos padronizados e formalizados. Os fluxogramas podem ser de
vários tipos. Os três mais importantes são o fluxograma vertical, o fluxograma de blocos e a lista de
verificação.
1. Fluxograma vertical. Retrata a seqüência de uma rotina por meio de linhas (que traduzem as
diversas tarefas ou atividades necessárias para a execução da rotina) e de colunas (que
representam, respectivamente, os símbolos das tarefas ou operações, os funcionários
envolvidos na rotina, o espaço percorrido para a execução e o tempo despendido). É também
chamado de gráfico de análise do processo.
No fluxograma vertical da Figura 7.11, a rotina de montagem de uma peça é constituída de
12 etapas, envolvendo quatro funcionários (A, B, C e D), demandando sete operações, três
transportes e duas verificações, com um tempo médio de 23 minutos, dos quais seis são
despendidos no transporte da peça. A linha que interliga os diversos símbolos traduz a
seqüência vertical do fluxograma.
Os símbolos universais utilizados no fluxograma vertical são os seguintes:
Operação. Representada por um círculo. É uma etapa ou subdivisão do processo. Uma
operação é realizada quando algo é criado, alterado, acrescentado ou subtraído. Geralmente
agrega valor ao processo, ao produto ou ao serviço. Exemplo: emissão de um documento,
anotação de um registro, colocação de uma peça.
Transporte. Representada por um círculo pequeno ou por uma seta. É a tarefa de levar algo
de um lugar para outro. Ocorre quando um objeto, uma mensagem ou documento é
movimentado de um lugar para outro. Não agrega valor nenhum ao processo, produto ou
serviço. Apenas agrega custos adicionais.
Inspeção (verificação ou controle). Representada por um quadrado. É uma verificação ou
fiscalização (de quantidade ou de qualidade) sem que haja realização de operação. Também
não agrega valor, mas agrega custos adicionais. Exemplo: conferência de um documento,
verificação de uma assinatura.
Arquivamento ou armazenamento. Representados por um triângulo. Pode se referir a algum
documento (arquivamento) ou a algum material ou produto (armazenamento).
2. Fluxograma de blocos. É um fluxograma que se baseia em uma seqüência de blocos, cada
um com um significado próprio, encadeados entre si. Apresenta uma simbologia mais rica e
não se restringe apenas a linhas e colunas preestabelecidas no gráfico. O fluxograma de
blocos é utilizado por analistas de sistemas para representar graficamente as entradas,
operações e processos, saídas, conexões, decisões, arquivamentos, que constituem o fluxo
ou seqüência das atividades de um sistema.
3. Lista de verificação. É um procedimento rotinizado no nível operacional. Constitui uma
listagem de itens que devem ser obrigatoriamente considerados em uma determinada rotina
de trabalho. Recebe o nome de check-list e serve como roteiro para cobrir toda a seqüência
de uma tarefa sem omissão de qualquer detalhe que possa prejudicá-la.
A lista de verificação é freqüentemente utilizada pelo pessoal de vôos aéreos na subida ou descida
de aviões ou em situações de emergência. É comum nos hospitais, nas oficinas mecânicas de
automóveis e em todas as operações complexas em que a seqüência de todos os detalhes envolvidos
é importante para que o trabalho seja executado com sucesso.
Orçamentos
São planos operacionais relacionados com dinheiro dentro de um determinado período de tempo.
Também são denominados budgets. São gráficos de dupla entrada: nas linhas estão os itens
orçamentários e nas colunas os períodos de tempo, em dias, semanas, meses ou anos. No nível
operacional, os orçamentos têm geralmente a extensão de um ano, correspondendo ao exercício
fiscal da organização. Podem também se referir a um determinado e específico serviço ou atividade.
Quando os valores financeiros e os períodos de tempo se tornam maiores, ocorre o planejamento
financeiro, definido e elaborado no nível intermediário da organização. Suas dimensões e seus
efeitos são mais amplos do que os orçamentos, cuja dimensão é meramente local e cuja
temporalidade é limitada.
O fluxo de caixa (cash flow), os orçamentos departamentais de despesas, os de encargos sociais
referentes aos funcionários, os de reparos e manutenção de máquinas e equipamentos, os de custos
diretos de produção, os de despesas de promoção e propaganda etc. constituem exemplos de
orçamentos no nível operacional.
Programas
Programas ou programações constituem planos operacionais relacionados com o tempo. Consistem
em planos que correlacionam duas variáveis: tempo e atividades que devem ser executadas ou
realizadas. Os métodos de programação variam amplamente, indo desde programas simples (em que
pode utilizar apenas um calendário para agendar ou programar atividades) até programas complexos
(que exigem técnicas matemáticas avançadas ou processamento de dados através de computador,
para analisar e definir intrincadas interdependências entre variáveis que se comportam de maneiras
diferentes). A programação, seja simples ou complexa, constitui uma importante ferramenta de
planejamento no nível operacional das organizações.
Os programas podem ser de vários tipos. Os mais importantes são o cronograma, o gráfico de Gantt
e o PERT.
1. Cronograma. O programa mais simples é denominado cronograma (do grego, cronos:
tempo; grama: gráfico): um gráfico de dupla entrada em que as linhas configuram as
atividades ou tarefas a serem executadas, e as colunas definem os períodos, geralmente dias,
semanas ou meses. Os traços horizontais significam a duração das atividades ou tarefas, com
início e término bem definidos, conforme sua localização nas colunas.
O cronograma permite que os traços horizontais que definem a duração das atividades sejam
sólidos para o que foi planejado e cortados para o que foi realmente executado. Isso permite
uma fácil comparação visual entre o planejado e a sua execução.
2. Gráfico de Gantt. É um tipo de plano operacional igual ao cronograma simples, em que as
colunas são predeterminadas em semanas, dispensando a utilização de calendário para a sua
execução.
3. PERT – (Program Evaluation Review Technique): a técnica de avaliação e revisão de
programas é outro modelo de planejamento operacional. É bastante utilizada em atividades
de produção e projetos de pesquisa e desenvolvimento. O modelo básico de PERT é um
sistema lógico baseado em cinco elementos principais, a saber: uma rede básica, a alocação
de recursos, considerações de tempo e de espaço, a rede de caminhos e o caminho crítico. A
rede básica é um diagrama de passos seqüenciais que devem ser executados a fim de realizar
um projeto ou tarefa. A rede consiste em três componentes: eventos, atividades e relações.
Eventos representam os pontos de decisão ou cumprimento de alguma tarefa (são os círculos
do PERT com números dentro deles). As atividades ocorrem entre os eventos e constituem
os esforços físicos ou mentais requeridos para completar um evento e são representadas por
flechas com números. As relações entre as tarefas básicas são indicadas pela seqüência
desejada de eventos e de atividades na rede. Para sua elaboração, o gráfico de PERT exige a
montagem inicial de um quadro preparatório.
Com o quadro preparatório, pode-se desenhar o gráfico de PERT como na Figura 7.18.
O PERT é um plano operacional que também permite acompanhar e avaliar o progresso dos
programas e projetos em relação aos padrões de tempo predeterminados, constituindo também um
esquema de controle e avaliação. Além de uma ferramenta de planejamento, serve como ferramenta
de controle, por facilitar a localização de desvios e indicar as ações corretivas necessárias para
redimensionar toda a rede que ainda não foi executada. Embora não possa impedir erros, atrasos,
mudanças ou eventos imprevistos, o PERT dá margem a ações corretivas imediatas.
Regras e regulamentos
Constituem planos operacionais relacionados com o comportamento solicitado às pessoas.
Especificam como as pessoas devem comportar-se em determinadas situações. Geralmente
especificam o que as pessoas devem ou não fazer e o que elas podem fazer. São diferentes das
políticas pelo fato de serem bastante específicos. Visam a substituir o processo decisorial
individual, restringindo geralmente o grau de liberdade das pessoas em determinadas situações
previstas de antemão. O regulamento interno que as organizações estabelecem quanto ao
comportamento dos seus funcionários, os regulamentos de segurança que proíbem o fumo em
determinados locais de alta periculosidade, os regulamentos de prevenção de acidentes para
prevenir atos inseguros são exemplos desses planos operacionais.
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