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soluções de internamento temporário na região edv

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soluções de internamento temporário na região edv
SOLUÇÕES DE
INTERNAMENTO
TEMPORÁRIO
NA REGIÃO EDV
PROJECTO
cuidar de quem cuida
Óscar Ribeiro
Daniela Brandão
Margarida Pinto
José Ignacio Martín
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2
SOLUÇÕES DE
INTERNAMENTO
TEMPORÁRIO
NA REGIÃO EDV
PROJECTO
cuidar de quem cuida
LINHA 4 - SERVIÇOS DE DESCANSO AO CUIDADOR
Óscar Ribeiro
Daniela Brandão
Margarida Pinto
José Ignacio Martín
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DE INTERNAMENTO
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3
Esta publicação surge no âmbito da linha 4 do projecto
Cuidar de quem Cuida, que tem como entidade promotora
o Centro de Assistência Social à Terceira Idade e Infância de
Sanguêdo (CASTIIS) e entidades co-promotoras a Câmara
Municipal de Santa Maria da Feira e a Unidade de Investigação e Formação sobre Adultos e Idosos (UNIFAI). Este projecto conta com o apoio financeiro da Fundação Calouste
Gulbenkian (FCG), do Alto Comissariado para a Saúde (ACS)
e da Câmara Municipal de Santa Maria da Feira. Possui uma
vasta lista de parceiros locais da região EDV, que, no geral,
é constituída por Câmaras Municipais, Centros de Saúde,
Instituições de Voluntariado, Santas Casas da Misericórdia
e IPSS’s de apoio à Terceira Idade, bem como o Instituto de
Emprego e Formação Profissional de São João da Madeira
(IEFP), o Centro de Formação Profissional de Rio Meão e o
Hospital de São Sebastião.
Projecto Cuidar de quem Cuida
http://www.cuidardequemcuida.com
Serviços de descanso ao cuidador - soluções de internamento
temporário
UNIFAI
Universidade do Porto
Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar
Largo Prof. Abel Salazar, 2
4099-003 Porto Portugal
T.: 222 062 200 Ext. 274
F.: 222 062 232
www.unifai.eu
[email protected]
Esta unidade de investigação é financiada pela Fundação para a
Ciência e a Tecnologia (FCT)
Concepção
Oscar Ribeiro, Daniela Brandão, Margarida Pinto, Ignacio Martín
Grafismo
Pedro Simões
Esta publicação é protegida pelas leis internacionais de © copyright.
Todos os direitos reservados pelos autores da publicação.
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SOLUÇÕES
DE INTERNAMENTO
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ÍNDICE
INTRODUÇÃO
pág. 6
SERVIÇOS DE DESCANSO AO CUIDADOR:
CONSIDERAÇÕES TEÓRICAS
pág. 6
METODOLOGIA
pág. 7
ESTUDO 1 | ESTRUTURAÇÃO E
FUNCIONAMENTO DOS SAT NA ÓPTICA
pág. 10
ESTUDO 2 | SAT NA REGIÃO EDV
pág. 17
ESTUDO 3 | POTENCIAL DE UTILIZAÇÃO
DO SAT
pág. 20
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
pág. 24
ANEXOS
pág. 25
4
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ÍNDICE DE QUADROS E TABELAS
QUADRO 1. ÁREAS DE INQUIRIÇÃO RELATIVAS AO FOCUS GROUP SOCIAL
pág. 8
QUADRO 2. ÁREAS DE INQUIRIÇÃO RELATIVAS AO FOCUS GROUP SAÚDE
pág. 8
TABELA 1. CARACTERIZAÇÃO SÓCIO-DEMOGRÁFICA DOS CUIDADORES INFORMAIS
pág. 9
TABELA 2. CARACTERIZAÇÃO SÓCIO-DEMOGRÁFICA DOS RECEPTORES DE CUIDADOS
pág. 9
TABELA 3. ANÁLISE DESCRITIVA DA SITUA-
pág. 10
QUADRO 3. CATEGORIZAÇÃO DA INFORMAÇÃO RECOLHIDA ATRAVÉS DE FOCUS GROUP
pág. 12/14
QUADRO 4. CATEGORIZAÇÃO DA INFORMAÇÃO RECOLHIDA ATRAVÉS DO FOCUS GROUP
pág. 15/16
QUADRO 5. INSTITUIÇÕES SOCIAIS DA REGIÃO EDV E RESPECTIVAS VALÊNCIAS
pág. 17
QUADRO 6. CARACTERIZAÇÃO DA PROCURA
E OFERTA DOS SAT NA REGIÃO EDV
pág. 19
TABELA 4. RAZÕES PARA A NÃO UTILIZAÇÃO
pág. 20
TABELA 5. CIRCUNSTÂNCIAS EM QUE OS
pág. 20
TABELA 6. CONDIÇÕES DA POSSÍVEL UTILIZAÇÃO (DURAÇÃO E CUSTOS/DIA)
pág. 21
TABELA 7. RESULTADOS DA ANÁLISE DE REGRESSÃO LOGÍSTICA BINÁRIA NÃO AJUSTADA
pág. 21
ÇÃO DE PRESTAÇÃO DE CUIDADOS
DO SAT
CUIDADORES UTILIZARIAM SAT
ÍNDICE DE FIGURAS
FIGURA 1. UTILIZAÇÃO DE SAT E POSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO
pág. 20
5
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INTRODUÇÃO
Os Serviços de Descanso ao Cuidador englobam um conjunto de intervenções que pretendem proporcionar uma
pausa efectiva, mas temporária da prestação de cuidados(1).
Desse modo, reduzem a sobrecarga ou a quantidade de cuidado providenciado pelos cuidadores informais e possibilitam a restituição das suas estratégias de coping(2). Inclusive
a nível económico, pode ser um serviço vantajoso, uma vez
que pode retardar a institucionalização permanente do receptor de cuidados(3). Entre as tipologias mais referenciadas
na literatura destacam-se os Serviços de Descanso no Domicílio, os Serviços de Descanso Diário e os Serviços de Acolhimento Temporário(4-5).
Concretamente em Portugal, este tipo de serviços são
uma solução recente e que ainda não está consagrada enquanto resposta na Segurança Social. A aposta é nos serviços que apoiem directamente os receptores de cuidados e
não os cuidadores informais. Não obstante esse facto, existem no sector social algumas soluções de Serviços de Acolhimento Temporário (SAT), a nível privado que têm sobretudo
um carácter informal e partiram da iniciativa das próprias
instituições. Por sua vez, no sector público de saúde, as Unidades de Longa Duração e Manutenção da Rede Nacional
de Cuidados Continuados Integrados podem também proporcionar internamento em situações temporárias, nomeadamente para descanso do cuidador até 90 dias por ano
(Decreto - lei nº101/2006).
Dada a escassez de investigações realizadas sobre esta
temática em Portugal, o projecto Cuidar de quem Cuida
pretende responder à necessidade de uma melhor compreensão destes serviços e da sua importância na região Entre
Douro e Vouga (municípios de Arouca, Oliveira de Azeméis,
Santa Maria da Feira, São João da Madeira e Vale de Cambra). Este projecto tem como principal objectivo promover
respostas de apoio especializadas aos cuidadores informais
de idosos com demência ou em situação de pós-avc e conta
com o financiamento do Alto Comissariado para a Saúde,
da Fundação Calouste Gulbenkian e da Câmara Municipal
de Santa Maria da Feira. Engloba um conjunto de linhas de
investigação, das quais aqui se destaca a linha 4 referente
aos Serviços de Descanso ao Cuidador, que pretende realizar o diagnóstico social das respostas existentes nos cinco municípios abrangidos pelo projecto, bem como da sua
adequação e receptividade junto dos cuidadores informais.
(a)
SOLUÇÕES
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TEMPORÁRIO NA REGIÃO EDV
6
O presente relatório resulta do trabalho desenvolvido
em duas teses de mestrado(6;7) das segunda e terceira autoras, pretende sumariar os principais resultados de três
estudos realizados no âmbito desta linha do projecto. Inclui
assim:
(I) o estudo 1, que tem como objectivo estudar a visão
dos profissionais da área social e da saúde da área geográfica considerada relativamente a este tipo de serviços;
(II) o estudo 2, que objectiva realizar um levantamento
das instituições de carácter social da região EDV que disponibilizava SAT para descanso do cuidador;
(III) o estudo 3, que pretende analisar o potencial de utilização de SAT e quais as variáveis que influencia a possibilidade de utilização dos mesmos(a).
Após apresentar algumas considerações teóricas acerca
dos Serviços de Descanso ao Cuidador, o relatório avança
com a descrição de cada um dos estudos do ponto de vista
metodológico com apresentação dos principais resultados
obtidos, aos quais se sucede uma discussão geral e respectivas conclusões. Finaliza com algumas recomendações específicas à implementação destes serviços na região EDV e
com a sistematização das principais ideias-chave do relatório.
SERVIÇOS DE DESCANSO AO CUIDADOR:
CONSIDERAÇÕES TEÓRICAS
Os Serviços de Descanso ao Cuidador surgiram nos anos
60 como resposta a uma preocupação crescente com a dinâmica dos cuidados informais(8). Englobam intervenções
que pretendem proporcionar uma quebra/pausa efectiva,
temporária, nas tarefas de cuidado realizadas pelos cuidadores, permitindo que esse tempo seja utilizado para restituir as suas estratégias de coping e para tempo de lazer(3; 9),
diminuindo a sobrecarga sentida pelos cuidadores(10-11). Contudo, a literatura científica não é consensual quanto à sua
definição, com vários autores a defender uma visão mais
abrangente, considerando que se trata da provisão temporária de cuidados em casa, ou numa instituição, por outro
que não o cuidador principal(12; 13). Esta inconsistência conceptual acentua ainda mais a dificuldade na diferenciação
entre estes serviços e os principais serviços sociais actual-
As análises relativas a este estudo são provisórias, uma vez que se trata de um estudo com continuidade, e que vai acompanhar o desenrolar do projecto até 2013. Os dados apresentados são referentes aos dados disponíveis em Dezembro de 2010.
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mente existentes, nomeadamente os Centros de Dia, os Serviços de Apoio Domiciliário e os Lares. Contudo, os Serviços
de Descanso ao Cuidador são especificamente destinados
aos cuidadores informais, tendo como objectivo primordial
o descanso
do mesmo. Por outro lado, possui a singularida.
de de ser um serviço de apoio por curtos períodos, o que
não acontece com as principais respostas sociais.
Trata-se de um tipo de resposta bem desenvolvido em
países como a França, Holanda e Dinamarca, onde existe
reconhecimento formal do papel dos cuidadores informais,
enquanto nos países do Sul da Europa, onde se integra Portugal, esta resposta é ainda escassa, com a família a ter o
dever de salvaguardar o bem-estar dos seus elementos mais
frágeis e dependentes(14). Assim, em Portugal, a aposta ocorre sobretudo em serviços de apoio directo aos receptores
de cuidados e não naqueles que beneficiem directamente
os cuidadores informais, na sua grande maioria familiares.
Apesar disso, entre as principais necessidades apontadas
pelos cuidadores (9; 15; 16), está precisamente a necessidade
de algum tempo livre e de poder ser temporariamente dispensado das suas tarefas e responsabilidades(17), o que indica a necessidade de investir no crescimento deste tipo de
resposta, justificada também pela procura crescente destes
serviços(18).
Ainda assim, importa destacar que pese embora a sua
baixa expressividade enquanto resposta, continua a verificar-se uma sub-utilização destes serviços, com os cuidadores a utilizá-los apenas como último recurso, quando já não
se encontram em condições de continuar a cuidar ou quando o receptor de cuidados se encontra numa fase severa de
dependência(19). Esta utilização tardia pode suscitar visões
negativas destes serviços, pelo que é fundamental controlar
a tentativa de os cuidadores os utilizarem como um caminho
para a institucionalização permanente. Como justificação
para esta utilização condicionada, os cuidadores apontam
a pouca qualidade dos serviços, os custos onerosos associados, a preocupação com as críticas de terceiros, bem como
a própria relutância dos receptores de cuidados(20).
Por fim, atendendo à referida inconsistência conceptual
que está associada aos Serviços de Descanso ao Cuidador,
também os benefícios associados à sua utilização são contraditórios e inconsistentes. Apesar disso, a sua utilização
parece estar associada a uma diminuição da sobrecarga
subjectiva e stress psicológico do cuidador, melhorando
os seus níveis de satisfação e bem-estar (18). Ainda que seja
um serviço destinado aos cuidadores informais, também
o receptor de cuidados pode beneficiar de tempo fora do
ambiente familiar, da redução do stress e sobrecarga do
7
cuidador e aceder a cuidados especializados, contribuindo
para a melhoria da sua qualidade de vida(11). A utilização de
Serviços de Descanso ao Cuidador está ainda associada a
um uso mais sustentado e responsável do cuidado informal,
pois permite que os cuidadores mantenham a execução do
seu papel, adiando a institucionalização permanente do receptor de cuidados. Para potenciar os benefícios alcançados
com a sua utilização, será importante que sejam utilizados
de uma forma preventiva e consistente (19), o que reforça a
importância de investigações acerca da pertinência e aceitação deste tipo de serviços.
METODOLOGIA
Conforme exposto, o presente relatório engloba três
estudos, que apesar de terem objectivos diferenciados, são
complementares. Pretende-se, através da análise dos dados
obtidos, tirar-se conclusões acerca da oferta e funcionamento destes serviços na região EDV, do conhecimento por
parte dos profissionais da área social e da saúde e do seu
potencial de utilização. As opções metodológicas adoptadas
em cada estudo tiveram em conta a adequação ao objectivo
específico de cada um.
O estudo 1 tem uma base qualitativa e utiliza como metodologia específica o focus group, que contou com a participação de profissionais da área social e da saúde de cada
um dos municípios da região EDV. É um método particularmente relevante quando se pretende investigar relações
sociais e perspectivas individuais/colectivas, assentando no
pressuposto de que existem diversos pontos de vista que
devem ser identificados e posteriormente estudados(21).
Pretendia-se, assim, conhecer a perspectiva dos profissionais enquanto informantes privilegiados no que diz respeito ao conceito de “alívio” ou “descanso” do cuidador, bem
como qual a extensão percepcionada da oferta de serviços
que o promovem na região EDV e respectiva caracterização.
Foram realizadas duas sessões que decorreram na sede
da Unidade de Investigação e Formação sobre Adultos e Idosos (UnIFai), situada no Porto (ICBAS-UP), nos dias 12 e 13
de Janeiro de 2010. A selecção dos participantes teve em
conta os seguintes critérios: (I) estar ao abrigo do projecto
Cuidar de quem Cuida e (II) conhecer as dinâmicas municipais de apoio directo e indirecto aos cuidadores informais
da sua área geográfica. O focus group da área social teve
a participação de seis profissionais da área social (três as-
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sistentes sociais, um psicólogo, um gerontólogo e um animador sócio-cultural), enquanto o focus group da área da
saúde contou com a participação de cinco enfermeiros.
Quadro 1.
Áreas de inquirição relativas ao Focus Group Social
Definição de soluções de descanso ao cuidador;
Proporção, caracterização e pertinência dos serviços de alívio
na região EDV;
SOLUÇÕES
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TEMPORÁRIO NA REGIÃO EDV
8
do projecto. Previamente ao contacto, realizou-se um levantamento das instituições existentes na região, das valências
que disponibilizam, assim como do número de utentes que
abrangem, através da consulta das Cartas Sociais. Com este
estudo, pretendeu-se realizar um levantamento exaustivo
do número de instituições da região EDV que disponibilizavam a resposta de SAT, bem como quais as suas principais
características e qual o seu potencial de desenvolvimento
nas instituições que ainda não os disponibilizam, sendo de
carácter descritivo.
Estabelecimento de custos;
Conhecimento e divulgação dos serviços de descanso;
Procura e utilização por parte dos cuidadores das respostas de
alívio;
Previamente à realização das sessões, foram elaborados
dois guiões de entrevista, um para cada focus group (Quadros 1 e 2), a partir de revisão bibliográfica e de entrevista exploratória a um elemento da Direcção do Hospital D.
Pedro - Aveiro. As ideias referenciadas pelos intervenientes
foram gravadas em formato vídeo e áudio, permitindo assim
a posterior transcrição e análise da informação recolhida.
Para salvaguardar as questões éticas, todos os participantes
foram informados dos objectivos do estudo e da gravação
áudio e vídeo das sessões. Posteriormente, a informação recolhida foi analisada através da categorização semântica do
discurso (análise de conteúdo).
Quadro 2.
Áreas de inquirição relativas ao Focus Group Saúde
Definição de soluções de descanso ao cuidador;
Estruturação e desenvolvimento dos serviços de alívio ao
cuidador dentro da RNCCI;
Processos de sinalização, admissão e avaliação dos casos;
Procura e utilização por parte dos cuidadores das respostas de
alívio;
O estudo 2 é quantitativo e desenvolveu-se a partir da
aplicação de um breve questionário (Anexo 1) aos directores técnicos das instituições de carácter social da região
EDV, através de contacto telefónico e teve em consideração
a informação que havia sido previamente recolhida nos focus group. A utilização deste meio justifica-se pelo elevado
número de instituições, assim como pela grande dimensão
Finalmente, o estudo 3, de carácter exploratório, utilizou como instrumento de recolha de dados o protocolo
de avaliação do projecto Cuidar de quem Cuida (Anexo 2).
Este protocolo é constituído (I) por uma versão adaptada
do questionário CUIDE; (II) pelo questionário de avaliação
dos serviços de apoio ao cuidador, (III) pelo questionário do
Estado de Saúde (SF-12v2); (IV) pela Escala de Saúde Geral
(GHQ 12); (V) pela escala Aspectos Positivos do Cuidar (PAC)
e (VI) pela Escala de Sobrecarga do Cuidador - versão modificada (CSI-M).
Para a recolha da amostra, a sinalização dos cuidadores
informais esteve a cargo das entidades parceiras do projecto, designadamente os centros de saúde, as câmaras municipais e as organizações promotoras de serviços sociais da
região EDV. Após a sinalização, os cuidadores foram contactados telefónica ou pessoalmente, sendo auscultado o seu
interesse em participar no projecto e responder ao protocolo de avaliação. Na maioria dos casos, a aplicação do protocolo foi realizada por entrevista ou por auto-preenchimento
com orientação de um técnico (96,8% dos casos) e, em média, a aplicação de cada protocolo demorou trinta minutos.
As questões éticas foram também salvaguardadas, uma
vez que todos os respondentes assinaram um termo de consentimento livre e informado de acordo com a Declaração
de Helsínquia (22). Desse modo, os participantes foram informados dos objectivos e circunstâncias da sua participação,
assim como da confidencialidade dos dados e da sua participação voluntária. Os dados recolhidos foram inseridos
numa base de dados, e posteriormente foram realizadas
análises descritivas e análise de regressão logística binária
com o auxílio do software estatístico SPSS-17, para conhecer quais as variáveis que influenciavam a possibilidade de
utilização de SAT.
Os dados apresentados resultam da análise dos dados
de uma amostra constituída por 115 cuidadores informais
de pessoas dependentes da região EDV (21 do concelho de
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Arouca, 16 do concelho de Oliveira de Azeméis, 19 do concelho de Santa Maria da Feira, 19 do concelho de São João
da Madeira e 39 do concelho de Vale de Cambra). Uma vez
que apenas foram incluídos prestadores de cuidados informais de uma região específica, constitui uma amostra não
aleatória por conveniência.
Tabela 1. Caracterização sócio-demográfica dos cuidadores informais
n (%)
Concelho (%)
Arouca
Oliveira de Azeméis
Santa Maria da Feira
São João da Madeira
Vale de Cambra
21 (18,4%)
16 (14,0%)
19 (16,7%)
19 (16,7%)
39 (34,2%)
Sexo (%)
Masculino
Feminino
19 (16,7%)
95 (83,3%)
Idade (anos)
Média (SD)
Mínima - Máxima
55,41 (14,4)
22 - 83
Grau de Escolaridade (%)
Não frequentou ensino formal
1º ciclo do Ensino Básico
2º ciclo do Ensino Básico
3º ciclo do Ensino Básico
Ensino Secundário
Ensino Superior
6 (5,3%)
67 (58,8%)
17 (14,9%)
10 (8,8%)
6 (5,3%)
8 (7,0%)
Estado Civil (%)
Casado / União de facto
Divorciado / Separado
Viúvo
Solteiro
88 (77,9%)
10 (8,8%)
4 (3,5%)
11 (9,7%)
Situação Ocupacional (%)
Empregado a tempo inteiro
Empregado a tempo parcial
Aposentado / Reformado
Desempregado
Doméstica
Outra
19 (16,5%)
6 (6,5%)
30 (26,1%)
16 (13,9%)
42 (36,5%)
2 (1,7%)
No que diz respeito às principais características dos cuidadores informais (Tabela 1), verificou-se que predominam
os indivíduos do sexo feminino (83,3%), casados ou em
união de facto (77,9%), com baixos níveis de escolaridade
e parcos rendimentos. Grande parte dos cuidadores não
está activo do ponto de vista profissional sendo domésticas
(36,5%) ou aposentados/reformados (26,1%). Na sua maioria são filhos ou cônjuges/companheiros daqueles de quem
cuidam, ou seja, indivíduos com uma relação muito próxima. Entre os receptores de cuidados (Tabela 2), predominam também os indivíduos do sexo feminino (67,5%), que
vivem com a família (61,1%), que possuem tanto algum tipo
de patologia mental como física (43,9%) e que apresentam
um grau de dependência grave (63,5%).
Tabela 2. Caracterização sócio-demográfica dos receptores de cuidados
n (%)
Idade (anos) (c)
Média (SD)
Mínima - Máxima
Sexo (%)
Masculino
Feminino
Circunstância em que vive (%)
Sozinho
Com a família (em casa de familiares)
Com a família (em casa da pessoa idosa /
dependente)
Outra
49 (49,5%)
40 (40,4%)
4 (4,0 %)
6 (6,1%)
Relação com o Receptor de Cuidados (%)
Cônjuge / Companheiro
Filho
Irmão
Genro / Nora
Amigo / Vizinho
Outra
30 (26,1%)
55 (47,8%)
5 (4,3%)
9 (7,8%)
4 (3,5%)
12 (10,4%)
(b)
O valor do Salário Mínimo Nacional estava fixado em 475 € no ano de
2010.
75,59 (15,51)
(c)
11 - 102
37 (32, 5%)
77 (67, 5%)
14 (12, 4%)
69 (61, 1%)
29 (25, 7%)
1 (0,9)
Presença de patologia (%)
Física
Mental
Ambas
31 (27, 2%)
33 (28, 9%)
50 (43, 9%)
Grau de dependência do Receptor de Cuidados (%)
Gravemente dependente
Moderadamente dependente
Parcialmente dependente
Independente
73 (63,5%)
19 (16,5%)
19 (19,5%)
4 (3,5%)
(c)
Rendimentos (%)
Menos que o SMN (b)
Entre 1 a 2 SMN
Entre 2 a 3 SMN
Mais de três SMN
9
Em apenas 5 casos, a idade do receptor de cuidados era menor que 50
anos.
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Tabela 3. Análise descritiva da situação de prestação
de cuidados
n (%)
Há quanto tempo presta cuidados (meses)
Média (SD)
Mínimo - Máximo
69,06 (72,953)
1 - 372
Horas por dia de prestação de cuidados
Média (SD)
Mínimo - Máximo
15,92 (8,094)
1 - 24
Periodicidade do cuidado (%)
Sempre
Durante a semana
Fins-de-semana
Rotativo (“a meses”)
Durante o final da tarde e/ou noite
Pontualmente (1 a 2 vezes por mês)
87(77,7%)
6 (5,4%)
4 (3,6%)
4(3,6%)
9 (8,0%)
2 (1,8%)
Presença de cuidador secundário (%)
Sim
Não
22 (19,8%)
89 (80,2%)
Presença de apoio institucional ao RC (%)
Sector social
Apoio Domiciliário
Centro de dia
Centro de convívio
Sector da saúde
Cuidados em ambulatório
Enfermagem domiciliária
Fisioterapia
Terapia da fala
Terapia ocupacional
26 (22,6%)
31 (27,0%)
0 (0%)
3 (2,6%)
30 (26,1%)
16 (13,9%)
3 (2,6%)
2 (1,7%)
Por sua vez, quanto à situação de prestação de cuidados
(Tabela 3), constatou-se que na sua maioria os cuidadores
tendem a prestar os cuidados com uma periodicidade contínua, desempenhando esse papel, em média, há 6 anos.
Grande parte aponta a existência de um cuidador secundário que o auxilia (70,2%). A maior parte dos receptores de
cuidados, beneficia de apoio institucional, seja do sector de
saúde e/ou do sector social.
ESTUDO 1
ESTRUTURAÇÃO E FUNCIONAMENTO DOS
SAT NA ÓPTICA DOS PROFISSIONAIS
FOCUS GROUP SOCIAL
Da análise dos dados obtidos neste focus group foi possível verificar que a definição de Serviços de Descanso ao
Cuidador não é consensual para os profissionais da área social. Alguns consideram que os SAD e os CD podem apoiar
directamente os cuidadores informais, nomeadamente com
10
a maior especialização destes serviços e com o alargamento
do horário de funcionamento, enquanto outros defendem
que apesar de poderem facilitar a prestação de cuidados,
os SAD e os CD não aliviam necessariamente a pessoa que
cuida. Estes profissionais indicaram que os SAT não são uma
resposta comparticipada pela Segurança Social (Expressões
8, 9 e 10), contudo, apesar disso, referiram a existência tanto de respostas formais de carácter privado com vagas específicas para acolhimento temporário, como de soluções
informais, que providenciam descanso ao cuidador aquando da existência de camas livres e/ou em casos urgentes (Expressões 11, 12 e 13). Além disso, estes profissionais apontam para a existência de uma elevada procura deste tipo de
resposta (Expressão 7), quer em situações de emergência,
quer de forma periódica (Expressões 18, 19 e 20), sendo a
oferta na região insuficiente. A procura deste serviço é justificada sobretudo com o aumento da sobrecarga associada à
prestação de cuidados, com a necessidade de férias ou pela
existência de problemas de saúde, quer do cuidador quer
do receptor de cuidados (Expressões 14, 15, 16 e 17).
No que diz respeito à forma de conhecimento da existência do serviço, pode ocorrer porque os cuidadores conhecem à partida a instituição e os serviços que disponibiliza, porque vão à procura de uma resposta e o técnico
sugere os SAT, ou ainda porque são encaminhados através
de outros serviços na comunidade (Expressões 22, 23 e 24).
Os profissionais indicaram também que cuidadores que vivem em meio urbano e de um nível sócio-económico mais
elevado são mais receptivos à utilização destes serviços.
Os custos praticados pelas instituições são variáveis,
dependendo do carácter formal ou informal. Enquanto as
instituições que oferecem SAT formalizado têm preços definidos, pagos ao dia (Expressão 33), as instituições que oferecem de forma informal os SAT têm preços variáveis consoante as circunstâncias de utilização (Expressão 23).
Normalmente quando existe carácter formal da resposta de SAT, existem períodos de internamento máximos entre
2 a 3 meses, renováveis (Expressões 37 e 38), assegurando
assim a continuidade do cuidado informal (Expressões 39,
40 e 42). Quanto à pertinência do crescimento desta resposta na região, os profissionais indicam a necessidade de
aumentar a oferta no sector privado e de criar respostas de
alívio protocoladas e comparticipadas pela Segurança Social
(Expressões 51, 52 e 53). Será, contudo, importante que
estes serviços estejam próximos da população, nomeadamente que sejam associados às instituições já existentes na
comunidade (Expressão 55).
Os temas, categorias e expressões relativas ao Focus
Group social, estão presentes no quadro 3.
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FOCUS GROUP SAÚDE
Da análise dos dados obtidos neste focus group foi possível verificar que entre os profissionais da área da saúde dos
vários municípios, estes consideram, unanimemente, que as
respostas de SAD e CD não proporciona alívio ao cuidador
(Expressões 1, 2 e 3).
A Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados
(RNCCI) prevê que as Unidades de Manutenção e Longa
Duração possam ser utilizadas para descanso do cuidador
até 90 dias por ano (Decreto lei nº 101/2006). Contudo, não
existem critérios prioritários para o ingresso na rede nestes casos, sendo a resposta disponibilizada de acordo com
a data de entrada no sistema (Expressões 12 e 13) o que
normalmente faz com que o processo seja muito moroso
(Expressões 22, 23, 24, 25 e 26). Não obstante este facto,
os profissionais entendem que o internamento não poderá
ocorrer contra a vontade do receptor de cuidados (Expressão 20), e consideram que estes têm de se encontrar doentes ou dependentes da assistência de terceiros (Expressões
15, 16, 17 e 18).
Concretamente na região EDV, o pedido de apoio à RNCCI para internamento temporário pode ser solicitado independentemente do seu estado físico ou psicológico, assim
como das motivações inerentes ao pedido (Expressão 21). A
oferta de unidades de Cuidados Continuados circunscreve-se nos municípios de Arouca e São João da Madeira, apesar de, objectivamente, não existirem vagas para alívio dos
cuidadores (Expressão 28), sendo uma tipologia com pouca
expressão dentro da RNCCI (Expressões 29 e 30).
Entre as motivações apontadas pelos cuidadores para a
procura do serviço de alívio temporário, os profissionais indicaram a intenção de usufruírem de férias, a existência de
problemas de saúde quer do cuidador quer do receptor de
cuidados e a exaustão do cuidador (Expressões 36, 37, 38 e
39), salientando-se que são motivações comuns às apresentadas pelos profissionais da área social.
Os profissionais prevêem também que a oferta de SAT
na região EDV dentro da RNCCI aumente, acompanhando
o próprio crescimento dessas unidades (Expressões 43, 44
e 45). Para além disso, indicam a necessidade de ampliar
os critérios de admissão e de oferecer a resposta independentemente do contexto, permitindo, assim, dar resposta a
mais casos (Expressões 46 e 47).
Os temas, categorias e expressões relativas ao Focus
Group saúde, estão presentes no quadro 4.
SOLUÇÕES
DE INTERNAMENTO
TEMPORÁRIO NA REGIÃO EDV
11
TEMAS
8) “…resposta formal que são os quartos que nós chamamos de temporários para o idoso…” (Formal)
9) “É uma resposta formal mas sem apoios.” (Formal)
10) “Em relação ao descanso do cuidador (…) a resposta existe (…) temos um espaço que não é da gestão da Segurança Social.” (Formal)
11) “… informal há ali o Lar, pelo menos, que me disse que eventualmente e pontualmente uma ou outra cama vai cedendo (…) Nada formal, nada de
rigoroso nem protocolado com a Segurança Social.” (Informal)
12) “…por aí vai-se dando resposta, portanto, todos os concelhos acabam por ter, em termos pontuais, resposta para situações de aflição.” (Informal)
13) “…em termos informais, essa resposta até existe e nós damo-la.” (Informal)
14) “O stress começa a ser muito à medida que a doença vai avançando (no cuidar). Há famílias que vão convivendo, convivendo, convivendo até que
há um desgaste porque realmente a doença se agravou.”
15) “…temos muita afluência nas férias, na altura de Natal, na altura de passagem de ano estamos sempre cheios …”
16) “…outra filosofia que serve também os interesses do cuidador, quando ele (RC) por exemplo, tem um problema de saúde grave e o cuidador já
não consegue em casa tomar conta dele (…) o idoso muitas vezes vai para ali 15 dias/3 semanas até recuperar e depois volta para casa…”
17) “…é mais na situação do cuidador fazer uma intervenção cirúrgica, estar por exemplo com doença súbita que precise de descansar algum tempo…”
C.
Criação da resposta
D.
Respostas (in) formais
E.
Férias, problemas de saúde e
sobrecarga
H.
Directa ou indirecta de SAT
G.
Procura vs Oferta
22) “Ou vai à procura da valência até de Lar ou até de SAD ou de qualquer coisa, ou nós sugerimos, dependendo do diagnóstico sugere-se…”
23) “Ou conhecem a instituição e sabem ou por intermédio de outros serviços.”
24) “Por intermédio de outros serviços.”
21) “…temos resposta e não chega.”
18) “Nós temos uma dificuldade, que é, por vezes, estes internamentos temporários são urgentes pedem hoje e se for possível ele vir cá hoje, dormir
já, que venha…”
19) “…já repetimos a mesma experiência com os mesmos idosos, ou seja ao fim de um ano voltam a ir e voltam-nos a procurar.”
20) “…ano após ano na passagem de ano e igual nas festas, Julho, Agosto e Setembro estamos sempre cheios…”
7) “…quando esta resposta surgiu (…) há 4/5 anos (…) todos os dias entravam idosos, famílias a pedir para descansar, todos os dias, todos os dias,
não tinha resposta em termos de Lar, então criámos esta resposta.”
B.
Serviços para o cuidador ≠
Serviços para o RC
<<
F.
Programada e SOS
5) “…temos também o CD e SAD que na minha perspectiva, não me parece que o CD sirva para descanso do cuidador, parece-me sim que normalmente é usado para quando a pessoa ainda trabalha e não vai lá estar porque estou a descansar o dia inteiro…”
6) “…nós estamos aqui a falar de descanso ao cuidador e eu tenho as minhas dúvidas que a filosofia da resposta de SAD possa servir, para mim
parece-me um apoio, portanto é apoio domiciliário, facilita a tarefa de cuidador.”
A.
Serviços de apoio aos idosos
como soluções de alívio ao
cuidado
EXPRESSÕES
1) “…um Serviços de Apoio Domiciliário Integrado, não era só um apoio dado pela IPSS por si com a ajudante do SAD, mas era uma resposta integrada, existia o Enfermeiro, a Ajudante de Geriatria, o Médico, o Fisioterapeuta (…) noutros moldes mas acaba por ser um serviço de descanso…”
2)“…temos o CD (…) como temos Lar ele é alargado, portanto as pessoas entram antes das 9h e saem depois das 20h (…) nós temos situações de
pessoas já com alguma idade que precisam de aliviar precisam de ir às compras, precisam de ir ao cabeleireiro, precisam de ir tomar o seu cafezinho
e não conseguem, se tiverem o idoso em casa dia e noite (…) deixam o idoso no CD e quando o idoso chega às 17h/18h já estão mais aliviadas. Eu
entendo isto como um descanso.”
3) “…temos o SAD que parece que não, ajuda o cuidador mas também ajuda em termos de descanso (…) o cuidador fica muito mais liberto e muito
menos preocupado…”
4) “…o complemento de CD com o SAD, o utente está durante o dia em casa e depois ao fim do dia e ao fim-de-semana vai a refeição a casa e vai
alguém da instituição ajudar o cuidador (…) a figura do cuidador realmente tem menos expressão mas vai ajudar a cuidar dessa pessoa…”
CATEGORIAS
Quadro 3. Categorização da informação recolhida através de Focus Group Social
Definição de Serviços de descanso ao
cuidador
Existência e tipologia
>>
Procura
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SOLUÇÕES
DE INTERNAMENTO
TEMPORÁRIO NA REGIÃO EDV
12
TEMAS
44) “Temos que pôr prazo conforme as várias situações.”
45) “… para cada situação tipificada existe um período de tempo, há 19 dias, há 1 mês… Teria de ser estabelecido de acordo com o diagnóstico…”
46) “Uma coisa é concretamente uma limitação física ou orgânica do cuidador (…) outra coisa é descanso enquanto férias mesmo, que é um direito que eu
acho que eles têm (…) As duas situações e com prazos diferentes.”
47) “Com algumas ou outras excepções por exemplo vamos supor que o cuidador que fez uma fractura do fémur e precisa de mais tempo para se recuperar aí
já será uma outra.”
48) “…se é descanso do cuidador (…) ao fim de 30 dias o utente vai embora. Agora vamos supor que aquela pessoa que foi internada por uma situação de
incapacidade do cuidador, ainda que seja por um período de referência de 30 dias, pode-se renovar.”
O.
Avaliação
individualizada
37) “…período de 3 meses (…) Pode ser renovável, depois tem de avaliar novamente as condições.” (Serviço Formal)
38) “…60 dias renováveis.” (Serviço Formal)
M.
Condições actuais
N.
Delimitação temporal
34) “Não têm capacidade para pagar.”
35) “…pessoas com recursos muito limitados quer dizer a 45€/dia pagavam 4 dias… ponto final. Não estavam lá mais do que isso e ficavam sem vencimento…”
36) “…de facto nem toda a gente tem acesso a ela …”
L.
Entraves à utilização
39) “Se renovarmos de 3 em 3 meses, meio ano, 9 meses, 12 meses estamos com o quarto ocupado um ano e está internado. Já não é temporário…”
40) “Já não era um descanso do cuidador. Já passava a ser uma resposta efectiva de internamento em Lar…”
41) “Até mesmo para o cuidador e para o cuidado tem de ser algo transitório de certeza …”
42) “…na perspectiva de descanso, 3 meses é uma eternidade, 3 meses não (…) 15 dias se a perspectiva é descanso (…) nunca ultrapassaria os 15 dias.”
43) “Mas se fosse uma resposta financiada (…) sendo financiado depois também estaria sempre ocupado porque no fundo estar a financiar, tinha que ser
estabelecido um período razoável.”
32) “…é à volta disso, 35/40€ (dia) (…) isto quando não fazemos gratuitamente (…) muitas vezes acabamos por não cobrar a esse novo utente que vem, porque
realmente o outro também não deixou, por 3/4 dias nós não quisemos a redução da mensalidade. Não estamos a receber duas vezes pela mesma cama.”
33) “47,5€/dia.”
K.
Valores
29) “Nas zonas urbanas há maior receptividade, mais abertura.”
30) “Nos meios rurais existe muito a noção de que´ é minha obrigação cuidar do meu pai´…”
31) “De parte a parte quer dos cuidadores, quer dos receptores de cuidados.” (mais receptividade nas zonas urbanas)
25) “Muito diversificada.” (Cuidadores)
26) “...são pessoas que têm posses.” (Cuidadores)
27) “…é perfeitamente normal que o cuidador queira descansar e não possa levar o idoso e não queira deixá-lo sozinho em casa, não é porque tenha alguma
doença ou esteja acamado ou coisa parecida, é simplesmente porque precisa de ter aquele espaço durante o ano…” (RC)
28) “Pode não ter nenhuma patologia, eu tenho lá idosos sem nenhuma patologia, simplesmente estão lá porque o cuidador foi de férias.” (RC)
I.
Características da díade
(cuidador e RC)
J.
Receptividade da
resposta: realidade
urbana vs rural
EXPRESSÕES
CATEGORIAS
Quadro 3. Categorização da informação recolhida através de Focus Group Social (cont.)
Utilizadores
Custos
>>
Período de Internamento
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SOLUÇÕES
DE INTERNAMENTO
TEMPORÁRIO NA REGIÃO EDV
13
TEMAS
56) “Em relação ao Lar, aquilo que nós pensamos que poderia acontecer era realmente existirem algumas camas de retaguarda, ou seja aquelas vagas não
serem ocupadas e existirem única e simplesmente para situações pontuais, claro que isso implicaria… ou nós abdicarmos das nossas vagas do acordo que
temos ou então um alargamento mas também isso não é muito viável…”
57) “…mas realmente era mais uma valência com o seu digno protocolo portanto nunca me referiram que seria do ponto de vista privado, porque lá está esta
questão monetária iria logo pesar naquele quarto que poderia estar disponível um ano inteiro.”
58) “…quem sai de casa por pouco tempo que seja, falando do idoso, quando mais perto de casa for, melhor ele se sente.”
59) “…o mais próximas possíveis, quer para o cuidado, quer para o cuidador.”
60) “…se for uma instituição mais próxima, é mais fácil controlar esta questão de que se esquecem deles ou de que os deixam lá, porque é mais próximo há
mais conhecimento.”
61) “Localizada, dentro das respostas que já existem.”
62) “…já estar perto de casa é bom para eles, o tipo estar perto “se eu sair com o meu próprio pé chego num instante a casa” é uma segurança.””
63) “…temos uma Unidade de Cuidados Continuados que terá os seus 5/6 anos mas que neste caso está portanto integrada numa rede, não é uma resposta
local, digamos assim portanto o idoso é inscrito ou a pessoa que necessita destes cuidados é inscrita na rede (…) portanto a Unidade de Cuidados Continuados pode parecer uma resposta muito fácil, localizada e não é, portanto é fácil, é excelente mas funciona em rede.”
S.
Serviço “de proximidade”
55) “…na vertente do descanso do cuidador porque o cuidador está doente, por exemplo uma das excelentes redes é os médicos de família (…) padre.”
49) “…é uma resposta que não se consegue dar hoje mas se calhar daqui a 2/3 anos seja possível.”
50) “…futuramente pode modificar um pouquinho porque com a abertura de outros Lares (…) vão-nos procurar menos vezes e se calhar esta ocupação sempre intensa de todas as camas, também não vai ser para sempre (…) as camas não vão poder ficar livres não é, mas se calhar poderão funcionar para essas
situações.”
51) “…as colegas consideram que esta é mais uma valência que deverá ser integrada. Como valência que funciona o CD, como funciona Lar, com o seu próprio protocolo, protocolo que irá definir os custos para ambas partes…”
52) “…duas respostas iguaizinhas, mas uma social, eu acho que se justifica sempre haver a privada, haver sempre os dois tipos de oferta.”
53) “…o que me parece é que essa resposta no privado, mas depois tem de se pensar em respostas sociais…”
54) “Mas o internamento temporário será cada vez mais o futuro, agora será o futuro em termos de resposta social…”
EXPRESSÕES
R.
Entraves
Q.
Divulgação dos SAT:
recursos comunitários
P.
Previsões: aumento da
oferta
CATEGORIAS
Quadro 3. Categorização da informação recolhida através de Focus Group Social (cont.)
>>
Evolução
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SOLUÇÕES
DE INTERNAMENTO
TEMPORÁRIO NA REGIÃO EDV
14
1) “Não (considerar SAD e CD como respostas de descanso aos cuidadores) (…) Tem que se afastar (…) é no mínimo 15 dias. Eu acho que um fim-de-semana é
pouco, uma semana é pouco. No mínimo 15 dias de descanso, e é retirar (…) o cuidador deve ser afastado do meio que lhe causa stress, porque aquilo é um
meio de stress.”
2) “Consensual” (SAD’s e CD’s não são respostas de alívio)
3) “Não, o descanso do cuidador tem que ser com um certo período (…) se nós, profissionais, precisamos de férias de um mês, e devíamos ter um mês seguido
para descansar, porque a maior parte de nós temos 15 dias quando temos, e chegamos ao fim de 15 dias e continuamos, entre aspas, cansados, por isso…”
4) “O doente está em casa, o médico, o enfermeiro de família ou o assistente social referenciam para a ECL respectiva…”
5) “Quando são alvo dos cuidados domiciliários, parte da enfermagem, normalmente quando há uma situação que começa a ser grave, os enfermeiros
referenciam…”
6) “… é introduzido numa lista de espera regional, neste caso é a Norte, e o doente pode seleccionar 3 Unidades…”
7) “…porque eles têm que dar 3 Unidades, a família tem que dizer. Ou diz que vai para qualquer uma e entra na primeira vaga que aparecer, ou então tem
que falar em três Unidades.”
8) “…só se aceitar (…) deixar ir para as Unidades do Norte (…) para qualquer Unidade, Norte ou Sul.”
9) “…preferem mais perto, e vão para S. João ou para Arouca. Que é onde há.”
10) “É grande.” (preferência por Unidades próximas)
11) “…querem visitá-los.”
12) “…não há prioridades (…) A única prioridade na RNCCI é a entrada no computador.”
13) “…Eu posso estar a meter um processo, mesmo para descanso do cuidador, e pode haver um em Murça a meter um processo para descanso do cuidador
que queira Arouca, e ele entra primeiro e o meu em segundo.”
14) “O processo é o mesmo, o processo entra no mesmo. “Eu quero ir de férias”, ou “eu vou fazer uma cirurgia”, o processo é exactamente a mesma coisa.
Não há a mínima distinção.”
15) “…o receptor dos cuidados tem que estar doente para ingressar na RNCCI.”
16) “Para o descanso do cuidador (…) o utente pode não precisar de cuidados permanentes médicos nem de enfermagem, mas está doente. É preciso
mudar-lhe a fralda, é preciso isto, é preciso aquilo.”
17) “Pode só estar dependente, e não estar doente…”
18) “…O único critério é que tenha lá uma pessoa acamada, semi-acamada, dependente, semi-dependente.”
19) “…tem de haver dependência, quer seja física, quer seja outra… tem de haver uma dependência. Porque só a dependência é que justifica a exaustão do
cuidador.”
20) “… é que se o utente estiver consciente dentro de casa, mesmo que o cuidador queira ir passar um mês de férias, ou tenha que fazer uma cirurgia, e o
utente não queira sair de casa, não vamos pegar no utente e vamos obrigar o utente a ir para uma Unidade, sem ele querer.”
21) “…o descanso do cuidador (…) não precisa de ter nada, nem precisa de estar em stress (…) qualquer pessoa pode pedir o Descanso do Cuidador, tenha
ou não tenha uma cirurgia, precisam ou não precisam de férias, precisam ou não de pintar a casa, precisam ou não de fazer as obras… não há critérios para o
cuidador pedir o descanso dele.”
22) “…processo é um bocadinho burocrático.”
23) “Não é uma resposta para amanhã, é uma resposta que tem que ser pensada, se calhar, em meados do ano, para ter uma resposta e nunca é uma data
certa, porque depende da vaga que exista…”
24) “…não é uma resposta imediata porque não nos dá aquela resolução rápida…”
25) “…a resposta não é nas datas em que eles pretendem, nem com a brevidade que eles pretendem.”
26) “…o processo é muito moroso na Rede, para ir para a Rede.”
27) “Cada vez que eles dizem “ai não queremos”, é um processo por completo.”
A.
Serviços para o
cuidador ≠ Serviços
para o RC
B.
Referenciação
C.
Prioridade de ingresso
D.
Características do RC
E.
Critérios para solicitar
SAT
F.
Tempo de espera para
admissão
EXPRESSÕES
CATEGORIAS
TEMAS
Definição de
serviços de
descanso ao
cuidador
Quadro 4. Categorização da informação recolhida através do Focus Group Saúde
>>
Admissão na RNCCI
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SOLUÇÕES
DE INTERNAMENTO
TEMPORÁRIO NA REGIÃO EDV
15
TEMAS
G.
Oferta
40) “Os cuidadores (…) conhecem, são eles que pedem esta resposta.”
41) “… noto que as pessoas desconhecem o descanso ao cuidador, também porque não há oferta.”
42) “…eu penso que nos sítios, ou nos concelhos, onde há ECL’s, que é o caso de Arouca e Feira, o serviço está mais divulgado, mesmo nos profissionais de
saúde.”
43) “…depois vamos ter muito Descanso do Cuidador, daqui a 2 ou 3 anos…”
44) “Para já não (alívio efectivo para tirar férias ou um fim-de-semana), agora também não me admira que, havendo mais camas como está previsto, por
exemplo, só na Feira estão previstas 140 camas a curto/médio prazo, a curto/médio será a 1 e 3 anos, 140 camas…”
45) “Agora, daqui a algum tempo, eu penso que possa ser uma resposta mais acessível…”
46) “…temos é que ter os serviços, ter as ofertas (…) mesmo nos meios mais rurais, as pessoas… as pessoas não querem muito (…) se nós oferecermos descanso às pessoas elas vão aceitar, vão aceitar.”
47) “…eu acho que estar acamado não pode ser critério para ter descanso do cuidador, eu acho que temos que ir mais longe.”
48) “…eu acho que uma das soluções, e infelizmente o Estado Português já dificultou um bocado isso, era as famílias de acolhimento…”
49) “… nós vimos que um cuidador está mais exausto, tentar libertá-lo uma tarde, duas por semana, para ele, e até pô-lo em algumas actividades, poderá
ser um preventivo muito grande (Voluntariado).”
50) “…uma das respostas, e na linha da formação avançada, até que ponto não poderia haver profissionais, pagos, não é, pelas famílias, que ficaria mais
barato, ficariam em casa do utente ou dessa família, enquanto a família…”
51) “…nas IPSS faz sentido, agora, o problema é o poder material que os utentes vão pagar.”
I.
Férias, problemas de
saúde e sobrecarga
J.
Divulgação dos SAT na
RNCCI
K.
Dentro da RNCCI
L.
Alternativas à RNCCI
36) “…sobretudo para o cuidador descansar, às vezes para ir de férias com os filhos (…) para descansar.”
37) “…até hoje nunca me apareceu ninguém a pedir para férias, não, o que eu noto é que quando há, realmente, um estado muito debilitado do receptor dos
cuidados, as pessoas nem vêm procurar o apoio para o tratamento das feridas, ou o que seja, vêm exaustas e já não sabem o que é que hão-de fazer…”
38) “…são por cirurgia, pessoas que têm de ser operadas e precisam de cuidados de reabilitação, fisioterapia durante... meses…”
39) “…há procura (…) situações de doença.”
34) “… 3 meses por ano.” (limite de internamento)
35) “…é pedido 30 dias, ou 60 dias, o doente tem até 90 dias por ano…”
28) “Nos 5 municípios, os únicos que têm descanso do cuidador é Arouca e S. João da Madeira, só que nunca há vagas…”
29) “… principalmente a região Norte não está a dar acesso a camas para o descanso do cuidador.”
30) “…não há Unidades nenhumas que tenham camas só para o descanso ao cuidador.” (Zona Norte)
31) “…RNCC, há Unidades que têm contrato com as Administrações Regionais de Saúde em que têm 1 ou 2 camas, mas são muito poucas as Unidades, no
Norte não conheço nenhuma, no Sul, no Centro.”
32) “…há Unidades em Portugal (…) na zona Centro, principalmente, que tem camas só, exclusivamente, para o Descanso do Cuidador.”
33) “… na zona Centro eu fui ver a listagem da ocupação das camas e estava lá 1 ou 2 vagas numa Unidade.”
H.
Tempo de internamento
EXPRESSÕES
CATEGORIAS
Quadro 4. Categorização da informação recolhida através do Focus Group Saúde (cont.)
AEstruturação dos SAT na
RNCCI
Procura
Des
(conhecimento)
>>
Evolução
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SOLUÇÕES
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TEMPORÁRIO NA REGIÃO EDV
16
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SOLUÇÕES
DE INTERNAMENTO
TEMPORÁRIO NA REGIÃO EDV
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ESTUDO 2
SAT NA REGIÃO EDV
Este estudo procurou traçar um perfil da realidade dos
SAT na região EDV, e a análise dos dados indicou que das 50
instituições da área social com respostas dirigidas à população idosa nessa região, apenas 8 instituições disponibilizavam aquele serviço (Quadro 5). Entre as 50 instituições
17
de apoio social, 88% têm a valência de SAD, 78% a valência
de CD e 36% a valência de lar. Contudo, é de salientar que
entre as instituições que ainda não têm a valência de lar, um
número significativo (56,3%) estão a construir a estrutura
ou estão a aguardar resposta à candidatura.
Quadro 5. Instituições sociais da região EDV e respectivas valências
MUNICÍPIO
INSTITUIÇÃO
VALÊNCIAS
Nº DE UTENTES
(TOTAL)
SERVIÇOS DE DESCANSO
AO CUIDADOR
1.Arouca
Casa do Povo**
SAD
26
Não
2.Arouca
SCM
SAD/Lar
130
Não
3.Oliveira Azeméis
A. Sl. Loureiro
SAD/CD
60
Não
4.Oliveira Azeméis
A. Melhoramento Pró-Outeiro**
SAD
95
Não
5.Oliveira Azeméis
C. 3ª Idade de S. Roque
SAD/CD/Lar
65
Não
6.Oliveira Azeméis
C. Infantil de César
SAD/CD/Lar
83
Não
7.Oliveira Azeméis
C. Sc. Cultural R. Carregosa**
SAD
45
Não
8.Oliveira Azeméis
C. Sc. Dra. Leonilda Aurora Silva Matos*
SAD/CD
62
Não
9.Oliveira Azeméis
C. Sc. P. Nogueira do Cravo**
SAD/CD
32
Não
10.Oliveira Azeméis
C. Sc. P. Pinheiro da Bemposta*
SAD/CD
80
Não
11.Oliveira Azeméis
C. Sc. P. S. André
SAD/CD
42
Não
12.Oliveira Azeméis
F. Manuel Brandão
SAD/CD/Lar
13.Oliveira Azeméis
Obra Sc. S. Martinho Gândara
SAD/CD
60
Não
14.Oliveira Azeméis
SCM
SAD/CD/Lar
185
Sim (Formal)
15.Oliveira Azeméis
Comissão Melhoramentos de Azeméis
CD
25
Não
16.Oliveira Azeméis
C. P. S. Miguel
Lar
45
Não
17.Oliveira Azeméis
Obra Missionária de Acção Sc. Cucujães
Lar
40
Sim (Informal)
18. Sta. Mª Feira
A. Apoio Sc. Sanfins*
SAD/CD
54
Não
19. Sta. Mª Feira
A. Bem Estar Santa Maria de Lamas
SAD/CD/Lar
80
Não
20. Sta. Mª Feira
A. Sl. Sc. Padre Osório
SAD
15
Não
21. Sta. Mª Feira
A. C. Sc. Escapães
SAD/Lar
71
Não
22. Sta. Mª Feira
A. Pelo Prazer de Viver
SAD
12
Não
23. Sta. Mª Feira
A. Pôr do Sol
SAD/CD/Lar
35
Não
24. Sta. Mª Feira
C. Assist. Sc. 3ª Idade e Infância
Sânguedo
SAD/CD/Lar
53
Sim (Informal)
25. Sta. Mª Feira
C. Apoio Sc. Mozelos*
SAD/CD
71
Não
26. Sta. Mª Feira
C. Sc. Lourosa
SAD/CD
90
Não
Sim (Informal)
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SOLUÇÕES
DE INTERNAMENTO
TEMPORÁRIO NA REGIÃO EDV
<<
18
Quadro 5. Instituições sociais da região EDV e respectivas valências (cont.)
MUNICÍPIO
INSTITUIÇÃO
VALÊNCIAS
Nº DE UTENTES
(TOTAL)
SERVIÇOS DE DESCANSO
AO CUIDADOR
27. Sta. Mª Feira
C. Sc. Souto
SAD/CD/Lar
68
Não
28. Sta. Mª Feira
C. Sc. Dr. Crispim Borges de Castro
SAD/CD/Lar
104
Sim (Informal)
29. Sta. Mª Feira
C. Sc. P. Argoncilhe*
SAD
42
Não
30. Sta. Mª Feira
C. Sc. P. Arrifana
SAD/CD
105
Não
31. Sta. Mª Feira
C. Sc. P. Caldas S. Jorge**
SAD/CD
42
Não
32. Sta. Mª Feira
C. Sc. P. Fornos
SAD/CD
30
Não
33. Sta. Mª Feira
C. Sc. P. Romariz
SAD/CD
33
Não
34. Sta. Mª Feira
C. Sc P. Vale*
SAD/CD
45
Não
35. Sta. Mª Feira
SCM
CD/Lar
68
Sim (Formal)
36. Sta. Mª Feira
C. Sc. Paços de Brandão**
SAD/CD
90
Não
37. Sta. Mª Feira
C. Sc. Padre José Coelho
SAD/CD
95
Não
38. Sta. Mª Feira
C. Sc. S. Tiago de Lobão*
SAD/CD
50
Não
39. Sta. Mª Feira
MACUR - Movimento de Assist. à
Cultura, Urbanismo e Recreio
SAD/CD
60
Não
40. Sta. Mª Feira
O Abrigo - C. Sl. Sc.*
SAD/CD
55
Não
41. Sta. Mª Feira
O Jardim - C. Sl. Sc. Canedo*
SAD/CD
53
Não
42. Sta. Mª Feira
F. Comendador Joaquim Sá Couto
Lar
60
Não
43. Sta. Mª Feira
Centro Social São Cristóvão de Nogueira
de Regedoura***
***
***
***
44. Sta. Mª Feira
Liga dos Amigos do Hospital
S. Sebastião***
***
***
***
45. Sta. Mª Feira
O Cantinho dos Avós (Sousa & Nunes,
Lda)***
***
***
***
46. S.J. Madeira
A. C. Apoio aos Idosos Sanjoanenses
SAD/CD
55
Não
47. S.J. Madeira
SCM
SAD/Lar
163
Não
48. Vale Cambra
C. Promoção Sc. Cultural de Junqueira
SAD/CD
32
Não
49. Vale Cambra
C. Sc. P. Arões**
SAD
62
Não
50. Vale Cambra
C. Sc. P. S. João Baptista de Cepelos*
SAD/CD
55
Não
51. Vale Cambra
C. Sc. P. S. Pedro de Castelões**
SAD/CD/CC
98
Não
52. Vale Cambra
F. Luiz Bernardo de Almeida
SAD/CD/Lar
145
Sim (Informal)
53. Vale Cambra
SCM
SAD/CD/CC/
Lar
131
Sim (Formal)
* Instituições candidatas para o desenvolvimento da valência de Lar
** Instituições com valência de Lar em construção
*** Informação indisponível
Legenda:
A. = Associação; Assist. = Assistência; C. = Centro;
F. = Fundação; P. = Paroquial; R. = Recreativo;
S. = São; Sc. = Social; Sl. = Solidariedade
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SOLUÇÕES
DE INTERNAMENTO
TEMPORÁRIO NA REGIÃO EDV
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Entre as 8 instituições que oferecem SAT, procurou-se
aferir o carácter formal (vagas específicas para descanso ao
cuidador) ou informal (disponibilidade da resposta aquando da existência de vagas) desses serviços, a extensão e circunstâncias da procura, a periodicidade da oferta, as condições de acesso e os custos associados (Quadro 6).
Assim, no que diz respeito às principais características da
resposta, verifica-se que prevalece o carácter informal dos
SAT (n=5), com a oferta a depender da existência de camas
disponíveis na valência de lar. Por seu lado, as instituições
que providenciam SAT formalmente têm periodicidade de
oferta contínua, existindo camas específicas para descanso
do cuidador.
Os profissionais inquiridos indicam, na sua globalidade,
que a procura destes serviços é elevada e decorre essencialmente para usufruto de férias, por problemas de saúde do
cuidador ou receptor de cuidados ou, ainda, por situações
de emergência. Já no que diz respeito à condição de acesso
aos SAT, os directores técnicos referiram que ocorre sobretudo porque já tinham conhecimento da instituição e respectivas respostas, porque dirigiram-se a várias entidades
até encontrarem o SAT ou porque foram encaminhados por
outros serviços da comunidade.
Entre as instituições que não têm SAT (42 instituições),
foi possível aferir que é considerável o número de directores técnicos que desconhecia a existência de SAT, com 16
destes profissionais a revelar total desconhecimento deste
serviço e características associadas. A este facto pode estar subjacente a pouca expressão destes serviços na região,
assim como as dúvidas conceptuais associadas ao termo
“descanso do cuidador”. Apesar disso, em alguns casos os
directores técnicos após uma explicação mais detalhada do
serviço apontaram que havia historial de solicitação do serviço, pese embora a inexistência de oferta do mesmo. Este
dado não foi passível de quantificação.
Quanto à razão para a não oferta de SAT, o desconhecimento da existência desta tipologia, a falta de vagas disponíveis e o facto de o protocolo com a Segurança Social não
contemplar a sua criação são apontados como os principais
motivos. A possibilidade de desenvolvimento é inviabilizada
também pela falta de condições estruturais, designadamente pelo reduzido número de quartos disponíveis nas instituições.
Quadro 6. Caracterização da procura e oferta dos SAT na região EDV
Instituição
Formal
Informal
Procura
Circunstâncias
da procura
Periodicidade da
oferta
Acesso aos SAT
X
Elevada
Férias/SOS
Quando há vagas
Conheciam a instituição
ND
Elevada
Férias/Problemas de saúde
Contínua
Conheciam a instituição
45
12
14
X
Custos
(€/dia)
17
X
Elevada
Férias
Quando há vagas
Percorrem várias instituições até
encontrar SAT
30
24
X
Elevada
Férias
Quando há vagas
Vão à procura de outros serviços
40
28
X
Razoável
Férias
Quando há vagas
Conheciam a instituição
ND
Elevada
Férias/Problemas de saúde
Contínua
Encaminhamento de outros
serviços da comunidade
60
Elevada
Férias/Problemas de saúde
Quando há vagas
Percorrem várias instituições até
encontrar SAT
27
Elevada
Problemas de
saúde
Contínua
Vão à procura de outros serviços
60
35
X
49
50
X
X
ND = Informação não disponível
19
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SOLUÇÕES
DE INTERNAMENTO
TEMPORÁRIO NA REGIÃO EDV
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ESTUDO 3
POTENCIAL DE UTILIZAÇÃO DOS SAT
Este estudo resulta da importância de conhecer também
a perspectiva dos cuidadores informais acerca da utilização
de SAT e qual a sua aceitação. Da amostra de 115 cuidadores informais considerada, verificou-se que a grande maioria (90,1%) ainda não utilizou este serviço, apesar de, entre
os não utilizadores, grande parte indicar a possibilidade de
vir a utilizá-los (Fig. 1).
Entre os cuidadores que indicaram a possibilidade de
utilização do SAT, estes referiram que esta ocorreria sobretudo pela existência de problemas de saúde (81,7%), se sentissem estar incapazes para cuidar (41,7%) ou se sentissem
estar num nível elevado de cansaço físico ou psicológico
(40%) (Tabela 5).
Tabela 5. Circunstâncias em que os cuidadores utilizariam SAT
Circunstâncias da possível utilização (n = 100)
N = 115
Não
n = 100
Sim utilizaria
n = 60
Sim
n = 11
Não utilizaria
n = 32
NR
n=8
Figura 1. Utilização de SAT e possibilidade de utilização
Entre as justificações mais prevalentes para a não utilização do serviço (tabela 4), destaca-se o desconhecimento
da sua existência (50,0%), a falta de necessidade (18,9%) e o
facto de a pessoa cuidada não querer beneficiar do mesmo
(12,2%). De igual modo, alguns cuidadores indicaram a não
adequação às suas necessidades (5,4%) e o sentido de dever, considerando que é deles a responsabilidade de cuidar
(5,4%).
Tabela 4. Razões para a não utilização de SAT
Razões para a não utilização (n = 100)
n (%)
Desconhecia a existência
37 (50, 0%)
Não sinto necessidade
14 (18, 9%)
Pessoa que cuido não quer
9 (12, 2%)
É minha responsabilidade cuidar
4 (5, 4%)
Não se adequa às minhas necessidades
4 (5, 4%)
Censura de familiares/amigos
2 (2, 7%)
Não posso pagar
2 (2, 7%)
Não obtive vaga
1 (1, 4%)
Estou em lista de espera
1 (1, 4%)
20
n (%)
Problemas de saúde
49 (81,7%)
Incapaz de continuar a cuidar
25 (41,7%)
Nível elevado de cansaço físico ou psicológico
24 (40,0%)
Aumentasse o grau de dependência
22 (36,7%)
Prevenção sobrecarga
15 (31,9%)
Se diminuísse o nº de pessoas que apoiam
14 (23,3%)
Por compromissos familiares ou laborais
14 (23,3%)
Lazer
13 (21,7%)
Outro. Tratar de assuntos quotidianos
1 (1,0%)
Por sua vez, no que diz respeito à duração de tempo na
qual gostariam de usufruir destes serviços, a opção mais
apontada foi “1 semana” (30,2%), seguida de “1 fim-de-semana” (17,0%) e “1 mês” (17,0%).
Relativamente ao custo diário que estariam dispostos a
suportar, a maioria dos cuidadores indicou “menos de 10€”
(56,9%), seguindo-se a opção “entre 10-15€” (23,5%) e ainda com 3 cuidadores a indicarem que teria de ser um serviço gratuito (Tabela 6). Constata-se, assim, que os cuidadores
gostariam de usufruir de SAT por curtos períodos e com custos de utilização diminutos.
No que concerne às variáveis que influenciam de forma significativa a possibilidade de os cuidadores informais
utilizarem SAT, três variáveis revelaram significância estatística (Tabela 7). Em primeiro lugar, a presença de apoio de
enfermagem domiciliária para o receptor de cuidados, que
indicou que quem não usufrui deste serviço tem cerca de 3
vezes mais probabilidade de utilizar SAT. Quanto à segunda
variável (possibilidade de o receptor de cuidados ir para um
lar), os dados indicam que os cuidadores que já consideram
essa possibilidade têm cerca de 10 vezes mais probabilidade
de utilizarem SAT. Por fim, a presença de sintomas depressivos parece também favorecer a utilização de SAT.
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SOLUÇÕES
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TEMPORÁRIO NA REGIÃO EDV
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Tabela 6. Condições da possível utilização (duração e
custos/dia)
Durante quanto tempo? (n = 100)
n (%)
Fim-de-semana
9 (17,0%)
1 Semana
16 (30,2%)
2 Semanas
7 (13,2%)
3 Semanas
2 (3,8%)
1 Mês
9 (17,0%)
2 Meses
1 (1,9%)
Outro
9 (17,0%)
1 tarde/manhã ou algumas horas por dia
1
Tempo necessário p/recuperação total
2
Dependia da situação
5
Tempo possível
1
Custos por dia? (n = 100)
n (%)
Menos de 10€
29 (56,9%)
10-15€
12 (23,5%)
20-25€
2 (3,9%)
25-30€
Outro
8 (15,7%)
40-60€
1
50-60€
1
Não tem rendimentos, rendimentos do RC
1
Gratuito
2
Qualquer
2
NR
1
Tabela 7. Resultados da análise de regressão logística
binária não ajustada
(variável dependente: possibilidade de utilização)
Variável independente
(OR não
ajustado)
IC (95%)
1
3.0*
1.1 - 8.0
Possibilidade de RC ir para um
estabelecimento de idosos (lar)
Possibilidade não considerada
Possibilidade considerada
1
10.2*
2.7 - 37,9
Sub-escala Saúde Mental (SF-12v2)
0.6*
0,4 - 0,9
Presença de apoio de enfermagem
domiciliária ao RC
Sim
Não
* p ≤ 0,05
21
DISCUSSÃO GERAL
A linha 4 do Projecto Cuidar de quem Cuida pretende
dar um contributo para colmatar a escassez de investigações realizadas em Portugal sobre os Serviços de Descanso
ao Cuidador. Estes serviços constituem uma resposta muito
importante, decorrente do papel cada vez mais relevante
dos cuidadores informais, no entanto ainda pouco é conhecido o valor acerca da sua pertinência. Os três estudos apresentados constituem, então, uma primeira aproximação à
necessidade e procura destes serviços na área geográfica
considerada.
Primeiramente, foi possível verificar que entre os profissionais da área social e da saúde, o termo descanso ao
cuidador suscita dúvidas, não existindo acordo quanto aos
serviços que abrangem (estudo 1). Enquanto alguns profissionais consideram que apenas as intervenções que proporcionam uma pausa efectiva na prestação de cuidados
podem ser consideradas Serviços de Descanso ao Cuidador,
outros defendem que a maior especialização dos serviços
prestados e o alargamento de horários dos SAD e dos CD
podem também contribuir para o descanso dos cuidadores.
Esta dificuldade em definir e operacionalizar o “descanso ao
cuidador” é também já verificada na literatura, e pode constituir um entrave ao desenvolvimento e melhor compreensão deste tipo de serviços, seja no âmbito da área geográfica considerada, como, potencialmente, a nível nacional.
Concretamente na região EDV, constatou-se a existência
de respostas formais de carácter privado com vagas específicas para acolhimento temporário, assim como de soluções
informais que providenciam descanso ao cuidador aquando da existência de camas livres e/ou em casos urgentes
(estudo 2). No entanto, a oferta destes serviços na região
EDV é escassa e sobretudo de carácter informal, o que pode
justificar o significativo desconhecimento da sua existência
tanto por parte dos profissionais na direção técnica das instituições inquiridas, como dos cuidadores informais. A não
compatibilidade entre procura e oferta pode traduzir-se na
indisponibilidade da resposta aquando do pedido, nomeadamente em situações de emergência, o que pode, por sua
vez, condicionar a existência/formulação de novos pedidos.
Para além do desconhecimento destes serviços, também o reduzido número de camas disponíveis condiciona
a possibilidade de uma sua maior oferta na área geográfica
considerada. Efectivamente, entre as instituições que disponibilizam este serviço parece existir uma elevada procura,
sobretudo para usufruto de férias ou pela existência de problemas de saúde, ainda que os custos diários da sua utiliza-
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<<
ção sejam significativos. Não obstante esse facto, também
entre os cuidadores que ainda não utilizaram SAT (que constituem a grande maioria da amostra), um significativo número de cuidadores revela potencial de utilização (estudo
3). Desse modo, numa primeira instância parece pertinente
apostar no crescimento e desenvolvimento desta resposta na região EDV, embora existam algumas condicionantes
como a falta de condições estruturais e a não regulamentação legal destas respostas por parte da Segurança Social.
Este último aspecto seria importante não só para divulgar
a resposta, mas também para controlar as situações de potencial/possível abandono do receptor de cuidados, para reduzir e supervisionar os custos, bem como para aumentar o
número de instituições com oferta contínua de camas para
este efeito. De modo semelhante, para potenciar e agilizar
o crescimento deste tipo de resposta, seria também importante resolver a inconsistência conceptual associada aos
Serviços de Descanso ao Cuidador.
Sendo pertinente não só analisar se os cuidadores utilizariam SAT, mas também em que circunstâncias o fariam,
constatou-se que a utilização ocorreria sobretudo pela existência de problemas de saúde em qualquer um dos elementos da díade cuidador - receptor de cuidados (81,7%) ou por
se sentirem incapazes de continuar a cuidar (41,7%). São,
assim, razões semelhantes àquelas que foram enunciadas
pelos profissionais da área social e da saúde (cf. estudo 1).
Estes resultados reflectem uma utilização que tende a ocorrer apenas em situações limite e não de uma forma preventiva, o que pode contribuir para uma visão negativa destes
serviços, sobretudo se encarados como um passo precursor
da institucionalização permanente ao invés de um meio que
permita prolongar a prestação de cuidados informais no
domicílio, como é seu objectivo. Os dados indicam também
que os cuidadores tendem a utilizar os serviços por curtos
períodos e se os custos diários da sua utilização fossem reduzidos. Isto pode estar associado ao receio do receptor de
cuidados ser institucionalizado permanentemente e, sobretudo, aos parcos recursos económicos dos cuidadores informais que constituem a amostra.
Por sua vez, no que diz respeito às variáveis que influenciam a possibilidade de utilizar SAT, três variáveis revelaram
ser determinantes: em primeiro lugar, os cuidadores que
não têm apoio de enfermagem domiciliária para o receptor
de cuidados têm cerca de três vezes mais probabilidade de
utilizarem SAT, o que pode ser explicado por estes sentirem
uma maior necessidade de apoio, enquanto aqueles que já
usufruem deste serviço, recebem apoio emocional e prático,
e, portanto, podem sentir uma menor necessidade de des-
SOLUÇÕES
DE INTERNAMENTO
TEMPORÁRIO NA REGIÃO EDV
22
canso; em segundo lugar, os cuidadores que já consideram
a possibilidade de o receptor de cuidados ir para um lar têm
cerca de dez vezes mais probabilidade de utilizarem SAT, facto que resulta altamente compreensível, dado que a consideração da institucionalização permanente faz antever uma
maior receptividade à institucionalização temporária do
receptor de cuidados; finalmente, em terceiro lugar, a presença de sintomas depressivos parece também aumentar a
possibilidade de utilização do SAT. Os sintomas depressivos
podem ser indicativos de sobrecarga e de que os cuidadores
não estão a conseguir lidar com a prestação de cuidados,
o que pode explicar uma maior necessidade de descanso.
Estes últimos dados reforçam a importância de acompanhar
não só os receptores de cuidados, mas também os cuidadores informais, avaliando a presença de sintomas indicativos
de sobrecarga. Uma vez que os cuidadores tendem apenas
a pedir ajuda em situações limite, será importante que os
profissionais sejam sensibilizados para a importância de intervir aos primeiros indícios de burnout/stress, auxiliando o
cuidador a criar estratégias de coping.
Em síntese, os estudos realizados indicaram um significativo desconhecimento dos Serviços de Descanso ao Cuidador, uma parca oferta desses serviços na região considerada, e um potencial bastante significativo de utilização.
Parece, então, ser importante apostar no crescimento e desenvolvimento de Serviços de Acolhimento Temporário, tendo em conta a elevada procura apontada pelos profissionais
e a receptividade demonstrada pelos cuidadores informais
para a sua utilização. A existência de uma maior oferta destes serviços poderia contribuir para permitir a oferta contínua dessa resposta, assim como para reduzir os preços praticados pelas ainda poucas instituições que disponibilizam
esta resposta.
Para potenciar esse crescimento, deve-se não só aumentar a oferta a nível privado, mas também de respostas
sociais protocoladas e consagradas na Segurança Social.
Aconselha-se que, aproveitando a criação de novos lares
na região, seja possível que sejam criadas camas específicas
para descanso do cuidador a título experimental. Além de
facilitar o conhecimento da instituição e assegurar a proximidade da população, permite também diminuir os custos que estariam associados à criação de novas estruturas.
Será igualmente importante informar adequadamente os
cuidadores informais sobre os critérios de elegibilidade, a
disponibilidade local dos Serviços de Acolhimento Temporário, bem como acerca das listas de espera existentes, das
condições da sua utilização e dos custos que lhes estão associados. Importará, de futuro, perceber melhor o potencial
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<<
de utilização por concelho. Esta análise por concelho permitirá conhecer quais as zonas da região EDV em que é mais
urgente o crescimento deste tipo de resposta. Apesar de em
todos os municípios existir pelo menos uma instituição de
saúde ou social que pode oferecer Serviços de Descanso ao
Cuidador, formal ou informalmente, o número de cuidadores que conseguem abranger é muito reduzido. Assim, inicialmente será importante que estes serviços cresçam nos
municípios que apresentam um maior número de cuidadores receptivos à possibilidade de vir a utilizar a SAT, aumentando, assim, a sua efectiva probabilidade de utilização.
IDEIAS CHAVE
1. A denominação Serviços de Descanso ao Cuidador
suscita dúvidas entre os profissionais da área social e da
área da saúde, não havendo consenso quanto às intervenções que abrangem.
2. Entre as instituições de carácter social da região EDV
com respostas dirigidas para pessoas idosas (n = 50), apenas
8 instituições têm Serviços de Acolhimento Temporário para
descanso do cuidador.
3. A oferta de SAT na região EDV é muito escassa e sobretudo de carácter informal.
4. Existe um grande desconhecimento da existência destes serviços na região EDV, tanto por parte dos cuidadores
informais, como dos próprios profissionais.
5. Cerca de 90% dos cuidadores ainda não utilizou SAT,
contudo, entre os não utilizadores grande parte admite essa
possibilidade (65.2%).
6. A possibilidade de vir a utilizar SAT ocorreria sobretudo pela existência de problemas de saúde da díade cuidador - receptor de cuidados, e tenderia a ocorrer por curtos
períodos de tempo.
7. A presença de apoio de enfermagem domiciliária para
o receptor de cuidados, a possibilidade de este ir viver para
um lar e a presença de sintomas depressivos, influenciam
significativamente a possibilidade de utilização de SAT.
SOLUÇÕES
DE INTERNAMENTO
TEMPORÁRIO NA REGIÃO EDV
23
8. Parece existir um potencial de utilização de SAT bastante significativo na região EDV, tendo em conta a crescente procura destes serviços reportada pelos profissionais.
9. É importante resolver primeiramente a inconsistência conceptual dos Serviços de Descanso ao Cuidador, assim
como enquadrar e regulamentar legalmente esta resposta
na Segurança Social, permitindo assim potenciar o crescimento destas respostas.
10. Deve-se apostar no crescimento destas respostas em
instituições já existentes, assegurando a proximidade da população com este tipo de serviços.
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<<
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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Gerontologia. Universidade de Aveiro, Secção Autónoma de Ciências da
Saúde (n/pub).
7 Brandão, D. (2010). Potencial de utilização de Serviços de Descanso ao
Cuidador. Dissertação de Mestrado em Gerontologia. Universidade de
Aveiro, Secção Autónoma de Ciências da Saúde (n/pub).
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care: impact on quality of life (pp. 75-94). New York: Springer Publishing.
10 van Exel, J., Graaf, G., Brouwer, W. (2007). Care for a break? An
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Q-methodology. Health Policy, 83 (2-3): 332-342.
11 Montgomery, R .J. V., Marquis, J., Schaefer, J. P. & Kosloski, K. (2002).
Inicial Findings from the Evaluation of the Alzheirmer’s Disease Demonstration Grants to States Program. In R .J. V. Montgomery (Ed.). A New
Look at Community-Based Respite Programs: Utilization, Satisfaction and
Development (pp. 5-32). New York: Haworth Press.
12 Mason, A., Weatherly, H., Spilsbury, K., Golder, S., Arksey, H., Adamson,
J. & Drummond, M. (2007). The effectiveness and cost-effectiveness of
Respite for caregivers of frail older people, Journal of American Geriatrics
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13 Lee, H. & Cameron, M. (2004). Respite care for people with dementia
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14 Sousa, L. & Figueiredo, D. (2004). National Background Report for Portugal. “Services for Supporting Family Carers of Elderly People in Europe:
Characteristics, Coverage and Usage”- EUROFAMCARE.
15 Jani-Le Bris, H. (1994). Responsabilidade familiar pelos dependentes
idosos nos países das comunidades europeias. Dublin: Conselho Económico e Social.
SOLUÇÕES
DE INTERNAMENTO
TEMPORÁRIO NA REGIÃO EDV
24
16 NAC/AARP - National Alliance of Caregiving and American Association
of Retired Persons (1997). Family caregiving in US: Findings from a national survey. Final report. Bethesda, MD: National Alliance for Caregiving.
17 Koopmanschap, M., van Exel, J., van den Bos, G., van den Berg, B. &
Brouwer, W. (2004). The desire for support and respite care: preferences
of Dutch informal caregivers. Health Policy, 68 (3), 309-320.
18 Jeon, Y., Brodaty, H. & Chesterson, J. (2005). Respite revisited: critical
review of respite care for people with dementia and their caregivers.
Journal of Advanced Nursing, 49 (3), 297-306.
19 Roberto, K. & Jarrot, S. (2008). Family caregiver of older adults: A lifespan perspective. Family Relations, 57, 100-111.
20 Jardim, C. & Pakenham, K. (2009). Pilot investigation of the effectiveness of respite care for carers of an adult with mental illness. Clinical
Psychologist, 13 (3), 87-93.
21 Flick, U. (2002). Métodos Qualitativos na Investigação Científica.
Lisboa: Monitor.
22 World Medical Organization (1996). Declaration of Helsinki. British
Medical Journal, 313 (7070), 1448-1449
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ANEXO 1
Questionário aplicado aos Directores
Técnicos
SOLUÇÕES
DE INTERNAMENTO
TEMPORÁRIO NA REGIÃO EDV
25
SOLUÇÕES
DE INTERNAMENTO
TEMPORÁRIO NA REGIÃO EDV
26
Conhecimento do serviço
Razões da não existência
Possibilidade de desenvolvimento
Solicitação por parte dos cuidadores (Sim/Não)
Observações
Tempo de existência
Procura vs. Oferta (nº de camas)
Periodicidade da oferta e procura
Perfil dos utilizadores e circunstâncias da procura
Acesso aos SAT (Divulgação)
Observações
Possibilidade de alargamento
Custos (dia)
>>
Tempo médio de internamento
NÃO
SIM (Formal/Informal)
Pessoa de contacto (Director Técnico)
Número de utentes
MUNICÍPIO/INSTITUIÇÃO
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SOLUÇÕES
DE INTERNAMENTO
TEMPORÁRIO NA REGIÃO EDV
27
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ANEXO 2
Protocolo do Projecto Cuidar de quem Cuida
SOLUÇÕES
DE INTERNAMENTO
TEMPORÁRIO NA REGIÃO EDV
28
SOLUÇÕES
DE INTERNAMENTO
TEMPORÁRIO NA REGIÃO EDV
29
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SOLUÇÕES
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Unidade de Investigação e Formação sobre Adultos e Idosos - UNIFAI
Instituto de Ciência Biomédicas Abel Salazar - Universidade do Porto (ICBAS-UP)
Projecto Cuidar de Quem Cuida
30
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SOLUÇÕES
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38
Questionário de Avaliação dos Serviços de Apoio ao Cuidador
1)
ENQUANTO CUIDADOR INDIQUE SE OBTEVE ALGUMA DAS AJUDAS APRESENTADAS POR PARTE DOS
SERVIÇOS SOCIAIS OU SERVIÇOS DE SAÚDE, E SE AS CONSIDERA IMPORTANTES PARA ALIVIAR O TRABALHO
DAS PESSOAS COM IDOSOS/PESSOAS DEPENDENTES A CARGO.
Sim
Não
NS/NR
Muito
Importante
Import.
a) Recebe ou recebeu informação sobre direitos e obrigações das
pessoas que cuidam de idosos/pessoas dependentes
b) Recebe ou recebeu aconselhamento/formação sobre como tratar
do seu familiar/amigo/vizinho e proteger a sua própria saúde
c) Recebe ou recebeu ajudas técnicas para melhor tomar conta do
seu familiar/amigo/vizinho
d) Recebe ou recebeu apoio psicológico devido à sua situação
e) Recebe ou recebeu ajudas financeiras para cuidar do seu
familiar/amigo/vizinho (ex. complementos sociais)
f) Recebe ou recebeu ajudas para tomar conta do seu
familiar/amigo/vizinho quando precisou de tratar dos seus assuntos
g) Recebe ou recebeu apoio de voluntários para ficar com o idoso
e/ou levá-lo a sair
(ex. companhia)
h) Recebe ou recebeu apoio domiciliário(ex. alimentação, ajuda doméstica)
Outro tipo de ajudas. Especifique
2)
EM RELAÇÃO ÀS AJUDAS QUE NÃO RECEBEU, INDIQUE AS PRINCIPAIS RAZÕES
(pode escolher mais do que uma opção)
Não sentiu necessidade
Não sabe onde se dirigir
Não tem com quem deixar o idoso/pessoa dependente
Não gosta de deixar o idoso/pessoa dependente
O idoso / pessoa dependente não quereria
Não pode pagar
Outra razão (pf. indentificar)
3)
NO GERAL, SENTE QUE O APOIO QUE RECEBE NA SUA SITUAÇÃO DE CUIDADOR...
É pobre
É razoável
É bom
É excelente
Arouca | Oliveira de Azeméis | Santa Maria da Feira | São João da Madeira | Vale de Cambra _ Código
Pouco
Import.
NS/NR
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SOLUÇÕES
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40
SOLUÇÕES
DE INTERNAMENTO
TEMPORÁRIO NA REGIÃO EDV
Unidade de Investigação e Formação sobre Adultos e Idosos - UNIFAI
Instituto de Ciência Biomédicas Abel Salazar - Universidade do Porto (ICBAS-UP)
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