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índice de anomalia de chuva (iac) dos municípios do rio
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA
CENTRO DE CIÊNCIAS NATURAIS E EXATAS
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM GEOGRAFIA E
GEOCIÊNCIAS
ÍNDICE DE ANOMALIA DE CHUVA (IAC) DOS
MUNICÍPIOS DO RIO GRANDE DO SUL AFETADOS
PELAS ESTIAGENS NO PERÍODO DE 1991 A 2012
DISSERTAÇÃO DE MESTRADO
Joceli Augusto Gross
Santa Maria, RS, Brasil
2015
ÍNDICE DE ANOMALIA DE CHUVA (IAC) DOS
MUNICÍPIOS DO RIO GRANDE DO SUL AFETADOS
PELAS ESTIAGENS NO PERÍODO DE 1991 A 2012
Joceli Augusto Gross
Dissertação apresentada ao Curso de Mestrado do Programa de Pós-Graduação
em Geografia e Geociências, Área de Concentração em Análise Ambiental e
Dinâmica Espacial, da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM, RS), como
requisito parcial para a obtenção do grau de Mestre em Geografia.
Orientador: Prof. Dr. Roberto Cassol
Santa Maria, RS, Brasil
2015
Ficha catalográfica elaborada através do
Programa de geração automática da Biblioteca Central da UFSM.
Dados fornecidos pelo autor.
_______________________________________________________
© 2015 Todos os direitos autorais reservados a Joceli Augusto Gross.
A reprodução de partes ou do todo deste trabalho só poderá ser feita mediante citação da
fonte. Endereço Eletrônico: [email protected]
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA
CENTRO DE CIÊNCIAS NATURAIS E EXATAS
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM GEOGRAFIA E
GEOCIÊNCIAS MESTRADO EM GEOGRAFIA
A Comissão Examinadora, abaixo assinada,
aprova a Dissertação de Mestrado
ÍNDICE DE ANOMALIA DE CHUVA (IAC) DOS MUNICÍPIOS
DO RIO GRANDE DO SUL AFETADOS PELAS ESTIAGENS NO
PERÍODO DE 1991 A 2012
elaborada por
Joceli Augusto Gross
como requisito parcial para obtenção do grau de
Mestre em Geografia
Comissão Examinadora:
__________________________________
Roberto Cassol, Dr. (UFSM) (Orientador)
___________________________________
Janete Teresinha Reis, Dra. (UFRGS)
__________________________________
Carlos Alberto da Fonseca Pires, Dr. (UFSM)
Santa Maria, 06 de março de 2015
AGRADECIMENTOS
À toda minha família e amigos.
À Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) pelo fomento que
viabilizou a realização deste trabalho.
EPÍGRAFE
“A ciência está atrás do que o
universo realmente é, não do que
nos faz sentir bem. A vida é apenas
uma visão momentânea das
maravilhas deste assombroso
universo, e é triste que tantos se
desgastem sonhando com fantasias
espirituais. Somos todos feitos do
mesmo pó de estrelas. Nós somos
uma maneira do Cosmos conhecer
a si mesmo. Eu não quero
acreditar, eu quero conhecer.
Em algum lugar, algo incrível
está esperando para ser descoberto"
(Carl Sagan)
RESUMO
Dissertação de Mestrado
Programa de Pós-Graduação em Geografia e Geociências
Universidade Federal de Santa Maria
ÍNDICE DE ANOMALIA DE CHUVA (IAC) DOS MUNICÍPIOS
DO RIO GRANDE DO SUL AFETADOS PELAS ESTIAGENS NO
PERÍODO DE 1991 A 2012
AUTOR: JOCELI AUGUSTO GROSS
ORIENTADOR: ROBERTO CASSOL
Data e Local da Defesa: Santa Maria, 06 de março de 2015
O presente trabalho de pesquisa teve como objetivo analisar as relações entre os
municípios do Estado do Rio Grande do Sul afetados pelas estiagens de acordo com os
decretos de situação de emergência e o Índice de Anomalia de Chuva (IAC) no período de
1991 a 2012. A metodologia consistiu na análise de dados de precipitação pluviométrica
adquiridos junto ao site HidroWeb da Agência Nacional das Águas (ANA) e no site do
Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) utilizando o Índice de Anomalia de Chuva
(IAC) desenvolvido por Rooy (1965) e dados de decretos de situação de emergência oriundos
da Defesa Civil-RS. Os dados foram avaliados visando à identificação dos municípios
afetados pelas estiagens e a caracterização destes considerando as ocorrências de anomalias
negativas de precipitação de acordo com o IAC. Com a utilização dos dados do IAC, foram
verificados, os períodos de duração, intensidades e frequências dos eventos de estiagem por
município. Os decretos de situação de emergência foram avaliados de forma a verificar o
número total de decretos registrados no Estado, e em cada município. Por fim, realizou-se a
análise integrada das variáveis, para determinar o período de duração e intensidade das
estiagens por decretos de situação de emergência emitidos pelos municípios do Estado no
período de análise. Os resultados mostraram, que a maioria dos decretos de situação de
emergência avaliados foram registrados após três meses consecutivos de estiagem com
intensidades variando de suave a moderada, e que os eventos de estiagem de acordo com o
IAC ocorreram em sua maioria no setor Oeste do Estado, principalmente nas estações do
verão, outono e inverno. Ademais, foram observados na segunda metade do período de
análise, um maior número de meses com estiagem por município, maiores percentuais de
áreas afetadas por anomalias negativas de precipitação, índices de anomalia de chuva anuais
negativos em sua maioria, além de um maior número de decretos de situação de emergência
registrados, o que indica uma tendência de diminuição das precipitações pluviométricas no
Estado do Rio Grande do Sul na última década do período de análise.
Palavras-Chave: Estiagem. Índice de Anomalia de Chuva (IAC). Rio Grande do Sul.
ABSTRACT
Master’s Degree Dissertation
Graduate Program in Geography and Geosciences
Federal University of Santa Maria
INDEX OF RAIN ANOMALY IN THE MUNICIPALITIES OF RIO
GRANDE DO SUL AFFECTED BY THE DROUGHTS IN THE PERIOD
OF 1991 TO 2012
AUTHOR: JOCELI AUGUSTO GROSS
ADVISOR: ROBERTO CASSOL
Defense’s date and place: Santa Maria, March 6th of 2015.
The present research work had as objective to analyse the relation between the municipalities
of the State of Rio Grande do Sul affected by the droughts according to the emergency decrets
and to the index of rain anomaly (IAC) in the period of 1991 to 2012. The motodology
constituted of the analysis of pluviometric preciptation data acquired in the website HidroWeb
of National Agency of Water (ANA) and in the National Institute of Meteorology (INMET)
website using the Index of rain anomaly developed by Rooy (1965) and data of emergency
decrets provided by the Civil Defense - RS. Data were analysed in order to identiy the
municipalities affected by the droughts and its caracterization considering nagatives
preciptation anomalies occurences according to IAC. Utilizating data from IAC, it was
verified duration periods, itensity and droughts frequency by municipality. The emergency
decrets where analysed in order to verify the total amount in the State, and on each
municipality. In the end, it was realized an integrated variable analisys, to determinate the
period of duration and intensity of the droughts by minicipalities issued emergency decrets in
the analisys’ period. The results showed, that the majority of the emergency decrets analyzed
were recorded after three consecutive months of droughts ranging from smooth to moderate,
and the droughts acording to IAC occured mostly in the western State, mainly on summer,
autun and winter. Furthermore, it was observed that the second hald of the analised period, a
greater doughts month number by municipalieties, higher percentual of affected areas by
negatives anomalies of preciptation, mostly negative rain anomaly rates, besides a greater
number of recorded emergency decrets, that indicates a tendency a decrese on pluviometrics
preciptations in the State of Rio Grande do Sul in the last decade, in the analised period.
Key words: dourgts, Index of rain anomalies (IAC), Rio Grande do Sul
LISTA DE TABELAS
Tabela 1: Classificação do Índice de Anomalia de Chuva (IAC). ........................................................ 32
Tabela 2: Estações meteorológicas - Municípios e coordenadas de localização................................... 40
Tabela 3: Classificações das intensidades das anomalias de precipitação de acordo com o Índice de
Anomalia de Chuva (IAC).. .................................................................................................................. 45
Tabela 4: Classificação da intensidade das estiagens e suas variações. ................................................ 46
Tabela 5: Classificação da intensidade dos eventos de estiagem suas variações. ................................. 48
Tabela 6: Médias mensais dos dados de precipitação para séries históricas avaliadas, utilizadas para o
cálculo do Índice de Anomalia de Chuva (IAC). .................................................................................. 58
Tabela 7: Análise de correlação linear entre o número de meses com estiagem e o número de decretos
de situação de emergência por município, n = 496............................................................................... 83
Tabela 8: Análise de correlação linear entre o número de meses com estiagem e o número de decretos
de situação de emergência por município para uma amostra com n = 285. .......................................... 83
Tabela 9: Análise de correlação linear entre o número de meses com estiagem e o número de decretos
de situação de emergência por município para uma amostra com n = 120. .......................................... 84
Tabela 10: Análise de correlação linear entre o número de meses com estiagem e o número de decretos
de situação de emergência por município para uma amostra com n = 30. ............................................ 84
Tabela 11: Resultado ANOVA para os dados referentes aos números de meses em que os município
foram afetados pelas estiagens de acordo com o IAC em cada grupo de municípios e respectivos
números de decretos de situação de emergência. .................................................................................. 86
Tabela 12: Teste de Kruskal-Wallis para as médias dos números de meses em que os municípios de
cada grupo, referentes aos números de decretos de situação de emergência registrados, foram afetados
pelas estiagens. ...................................................................................................................................... 87
LISTA DE FIGURAS
Figura 1: Aspecto de açude localizado no município de Pinhal no Norte do Estado do Rio Grande do
Sul afetado pela estiagem no ano de 2012. ........................................................................................... 14
Figura 2: Localização da área de estudo. .............................................................................................. 18
Figura 3: Mesorregiões do Estado do Rio Grande do Sul. .................................................................... 19
Figura 4: Estrutura do Valor Adicionado Bruto do Rio Grande do Sul por setores de atividade
econômica, 2010. .................................................................................................................................. 20
Figura 5: Regiões hidrográficas do Rio Grande do Sul......................................................................... 21
Figura 6: Desastres naturais ocorridos no mundo e seus respectivos prejuízos. ................................... 23
Figura 7: Estágios das secas. ................................................................................................................. 28
Figura 8: Sequência de ocorrência e impactos da seca. ........................................................................ 29
Figura 9: Procedimentos metodológicos realizados. ............................................................................. 39
Figura 10: Localização das estações meteorológicas. ........................................................................... 42
Figura 11: Espacialização do número de decretos de situação de emergência por estiagem nos
municípios do Estado do Rio Grande do Sul no período de 1991 a 2012. ............................................ 50
Figura 12: Percentuais de decretos de situação de emergência em decorrência de estiagem por estação
do ano no Rio Grande do Sul para o período de 1991 a 2012. .............................................................. 51
Figura 13: Percentuais de decretos de situação de emergência em decorrência de estiagem por ano do
período de 1991 a 2012 no Rio Grande do Sul. .................................................................................... 51
Figura 14: Número de decretos de situação de emergência por municípios do Estado do Rio Grande do
Sul de 1991 a 2012, considerando a contribuição do setor da economia agropecuária no PIB
municipal, por intervalos percentuais do PIB de acordo com os critérios para decretação de situação de
emergência. ........................................................................................................................................... 52
Figura 15: Percentuais de decretos de situação de emergência registrados nos municípios do Estado
Rio Grande do Sul de 1991 a 2012, considerando nos mesmos as principais culturas agrícolas em área
plantada. ................................................................................................................................................ 53
Figura 16: Verificação da consistência dos dados das estações de Sananduva-RS, Ijuí-RS, Dom
Pedrito-RS e Arroio Grande-RS pela técnica da Dupla Massa. ............................................................ 54
Figura 17: Correlação entre coeficientes de correlação gerados a partir dos dados de precipitação das
estações pluviométricas e as distâncias entre as mesmas. ..................................................................... 55
Figura 18: Relação entre os coeficientes de correlação gerados a partir dos dados de precipitação da
estação pluviométrica de Alegrete-RS com as demais estações e as respectivas distâncias entre as
mesmas. ................................................................................................................................................. 56
Figura 19: Coeficientes de correlação gerados entre os dados de precipitação das estações com as
menores distâncias verificadas (A e B), e os maiores coeficientes de correlação linear observados (C e
D). ......................................................................................................................................................... 57
Figura 20: Variograma referente as médias das séries históricas de dados de precipitação. ................ 59
Figura 21: Precipitação pluvial média no Estado do Rio Grande do Sul no período de 1991 a 2012. . 60
Figura 22: Índice de Anomalia de Chuva (IAC) mensal médio do Estado do Rio Grande do Sul para o
período de 1991 a 2012. Cada coluna refere-e a um mês do ano. ......................................................... 61
Figura 23: Índice de Anomalia de Chuva anual do Estado do Rio Grande do Sul para o período de
1991 a 2012. .......................................................................................................................................... 62
Figura 24: Escala de cores utilizada na espacialização do Índice de Anomalia de Chuva (IAC)
conforme a classificação estabelecida por Rooy (1965). ...................................................................... 63
Figura 25: Índice de Anomalia de Chuva do Estado do Rio Grande do Sul no período de 1991 a 2001.
............................................................................................................................................................... 64
Figura 26: Índice de Anomalia de Chuva do Estado do Rio Grande do Sul no período de 2002 a 2012.
............................................................................................................................................................... 65
Figura 27: Percentuais de área afetada pelas estiagens no Estado do Estado do Rio Grande do Sul no
período de 1991 a 2012 de acordo com o Índice de Anomalia de Chuva. ............................................ 66
Figura 28: Número de meses com ocorrência de estiagem por município do Estado do Rio Grande do
Sul no período de 1991 a 2012. ............................................................................................................. 68
Figura 29: Número de meses com ocorrência de estiagem por município de 1991 a 2001 e de 2002 a
2012 no Estado do Rio Grande do Sul. ................................................................................................. 69
Figura 30: Número de meses com ocorrência de estiagem por município por estação do ano no Estado
do Rio Grande do Sul no período de 1991 a 2012. ............................................................................... 70
Figura 31: Número de meses com ocorrência de estiagem suave por município do Estado do Rio
Grande do Sul no período de 1991 a 2012. ........................................................................................... 71
Figura 32: Número de meses com ocorrência de condições de precipitação normal a estiagem suave
por município do Estado do Rio Grande do Sul no período de 1991 a 2012. ....................................... 72
Figura 33: Número de meses com ocorrência de estiagem moderada por município do Estado do Rio
Grande do Sul no período de 1991 a 2012. ........................................................................................... 73
Figura 34: Número de meses com ocorrência de estiagem suave à moderada por município do Estado
do Rio Grande do Sul no período de 1991 a 2012. ............................................................................... 74
Figura 35: Número de meses com ocorrência de estiagem alta por município do Estado do Rio Grande
do Sul no período de 1991 a 2012. ........................................................................................................ 75
Figura 36: Número de meses com ocorrência de estiagem moderada à alta por município do Estado do
Rio Grande do Sul no período de 1991 a 2012. .................................................................................... 76
Figura 37: Número de períodos de estiagem em meses consecutivos de duração, por município do
Estado do Rio Grande do Sul no período de 1991 a 2012. ................................................................... 78
Figura 38: Percentuais de decretos de situação de emergência por período de duração e intensidades
das estiagens. ......................................................................................................................................... 79
Figura 39: Número de decretos de situação de emergência por município por período de duração das
estiagens em meses consecutivos até a data de registro dos decretos de situação de emergência ........ 81
Figura 40: Número de decretos de situação de emergência por município por intensidade dos eventos
de estiagem. ........................................................................................................................................... 82
Figura 41: Gráfico de dispersão entre número de decretos e número de meses com estiagem por
município de acordo com o IAC. .......................................................................................................... 85
Figura 42: Gráfico de efeitos relacionados aos resultados do teste de Kruskal-Wallis. ........................ 88
Figura 43: Correlação linear entre as médias de decretos de situação de emergência e as médias dos
números de meses com estiagem, por grupos de municípios e respectivos números de decretos. ....... 88
SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 12
2. OBJETIVOS ......................................................................................................................................... 17
3. ÁREA DE ESTUDO - CARACTERÍSTICAS GERAIS .................................................................................. 18
4. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ............................................................................................................. 22
4.1. Desastres Naturais ..................................................................................................................... 22
4.2. Estiagens e Secas: Conceitos e Classificações ............................................................................ 24
4.4. Rainfall Anomaly Index – RAI (Índice de Anomalia de Chuva - IAC) ........................................... 31
4.3. Situação de Emergência ou Estado de Calamidade Pública: Critérios para a decretação ......... 35
4.5. A ciência estatística - fundamentos e trabalhos relacionados aos procedimentos estatísticos
utilizados no presente trabalho ........................................................................................................ 36
5. METODOLOGIA.................................................................................................................................. 39
6. RESULTADOS E DISCUSSÃO ............................................................................................................... 50
6.2. Análise dos dados de precipitação ............................................................................................. 53
6.3. Avaliações referentes ao Índice de Anomalia de Chuva (IAC) ................................................... 57
6.4. Espacialização do Índice de Anomalia de Chuva no Estado do Rio Grande do Sul .................... 62
6.5. Caracterização dos municípios no Estado, segundo a frequência, períodos de duração e
intensidades das estiagens de acordo com o Índice de Anomalia de Chuva (IAC) ........................... 67
6.6. Número de meses com estiagem por município por intensidade do fenômeno climático....... 71
6.7. Períodos de duração dos eventos de estiagem em meses por município ................................. 77
6.8. Número de decretos de situação de emergência por período de duração das estiagens e por
intensidades do fenômeno climático ................................................................................................ 79
6.9. Relação entre o número de decretos de situação de emergência e número de meses com
estiagem de acordo com o IAC por município .................................................................................. 83
7. CONSIDERAÇÕES FINAIS .................................................................................................................... 89
8. REFERÊNCIAS ..................................................................................................................................... 93
1. INTRODUÇÃO
Responsáveis por expressivos danos e perdas, de caráter social, econômico e
ambiental, os desastres naturais tem tido recorrência e efeitos cada vez mais intensos.
Segundo Tominaga et al. (2009) estudos indicam que a variabilidade climática atual, com
tendência para o aquecimento global, está associada a um aumento de extremos climáticos.
Neste sentido, os temporais, os altos índices pluviométricos, os tornados ou estiagens severas,
entre outros fenômenos climáticos podem tornar-se mais frequentes aumentando a incidência
de desastres naturais.
Os desastres naturais constituem uma ameaça para a sociedade e representam uma
potencial interação entre os seres humanos e suas atividades socioeconômicas e eventos
naturais extremos. De forma simplificada, os desastres naturais são o resultado do impacto de
um fenômeno natural extremo sobre um sistema social, ocasionando danos e prejuízos que
excedem a capacidade da população afetada de saná-los (TOBIN et al., 1997).
Dentre os desastres naturais considerados na atualidade de maior ocorrência e impacto
no mundo estão aqueles desencadeados pelas estiagens. Este fenômeno afeta grandes áreas da
superfície terrestre, e caracteriza-se por períodos prolongados de déficit de precipitação ou até
mesmo de sua ausência, quando a perda de umidade do solo é superior à sua reposição,
comprometendo as reservas hidrológicas e causando prejuízos à agricultura, a pecuária e
consequentemente a sociedade, tanto rural como urbana (CASTRO, 2003).
No Brasil, os termos estiagem e seca são utilizados para referir-se a fenômenos de
intensidades diferentes. A seca é definida como um fenômeno de longa duração onde ocorre
redução sustentada das reservas hídricas, sendo esta, de acordo com Campos (1997) a forma
crônica da estiagem.
Na visão da American Meteorological Society (AMS, 2012), a seca (Drought) é um
período anormal de baixa pluviosidade, suficientemente longo para causar um sério
desequilíbrio hidrológico. São cumulativos déficits de precipitação seguidos por um deficiente
fornecimento de água, ocasionando efeitos em diferentes escalas de tempo e espaço. Estes, na
agricultura podem se desencadear de forma rápida, principalmente quando falta umidade em
momentos decisivos para a produtividade das culturas, como nos períodos de floração e
enchimento de grãos.
As consequências das secas vão além da área física e atingem os vários setores da
economia seja de forma direta ou indireta. O primeiro setor a ser prejudicado é o agropecuário
13
pelos baixos índices de água no solo ocasionando perdas de produtividade as culturas
agrícolas. Este fenômeno resulta em um cenário de descapitalização e baixo poder de
consumo dos agricultores junto aos fornecedores de insumos e consequentemente a
diminuição dos rendimentos no comércio urbano, e provavelmente em desempregos
(PONCE, 2012).
E termos de produtividade agrícola a estiagem é um fator determinante a exemplo do
Estado do Rio Grande do Sul que na safra 2004/2005 verificou a perda de 744,4 mil hectares
plantados com grãos, em função da falta de chuvas. No que diz respeito às áreas de lavoura
não irrigadas, das estimadas 14,4 milhões de toneladas de grãos, apenas 4 milhões foram
colhidas. Na produção de soja, os prejuízos em relação à safra anterior (2003/2004) foram da
ordem de 53% com apenas 655 kg/ha. Esse cenário resultou na falta do produto nas indústrias,
como as de óleo. Estas passando a importar a soja de Estados vizinhos e de outros países do
MERCOSUL, além de que as exportações do grão in natura ou de derivados como o farelo e
o próprio óleo de soja declinaram 78,8% em volume e 82,8% em valor (LAZZARI, 2005).
Berlato e Cordeiro (2005) expõem em seu trabalho, Variabilidade Climática e
Agricultura do Rio Grande do Sul, estudo desenvolvido pela EMATER sobre as causas das
perdas nas lavouras das principais culturas agrícolas gaúchas no período de 1992 a 1997. Foi
verificado que para a soja e o milho em 96,6% e 88,4% dos casos, respectivamente, a
estiagem foi a responsável. Os autores destacam, que no período estudado não houve grandes
estiagens, sendo a mais significativa a dos anos que remetem a safra 1995/1996 originada por
evento fraco de La Niña. Neste sentido, Gross (2013) em trabalho sobre o uso da terra e
economia dos estabelecimentos agropecuários dos municípios do Rio Grande do Sul afetados
pelas estiagens, verificou que dos 2183 decretos de situação de emergência por estiagem
registrados no período de 2000 à 2012, 88,6% foram emitidos por municípios que tem a soja
ou o milho como suas principais culturas agrícolas em área plantada, indicando a ocorrência
de grandes prejuízos às atividades econômicas desenvolvidas no setor da economia
agropecuário e consequentemente as comunidades que delas obtém suas rendas.
O grande número de decretos de situação de emergência registrados é um indicativo
da gravidade dos danos e prejuízos causados pela incidência das estiagens sobre as áreas dos
municípios do Estado do Rio Grande do Sul. No período de 2000 a 2010, apenas 42
municípios não decretaram situação de emergência. No verão do ano de 2005, um dos mais
severos em se falando de eventos de estiagem, somente alguns municípios do litoral Norte e
da Região metropolitana de Porto Alegre incluindo a capital Porto Alegre não registraram
14
decretos, sendo que 23 municípios localizados na Região Norte, já tinham decretado situação
de emergência em dezembro de 2004, devido aos danos e prejuízos ocasionados pela
estiagem, somando 397 municípios em situação de emergência naquele ano de um total de
496 no Estado (GROSS, 2012).
Reis et al. (2012), pesquisou os desastres naturais ocorridos no Estado do Rio Grande
do Sul no período de 2007 a 2011 considerando aqueles ocasionados por inundação gradual,
inundação brusca, estiagem, vendaval, granizo, deslizamentos e vendaval mais granizo. Deste
estudo constatou-se que dos 1678 desastres naturais verificados, 510 foram devido a danos e
prejuízos em decorrência de estiagem.
De acordo com a Agência Brasil (Empresa Brasil de Comunicação) em noticia ao
jornal Folha de São Paulo do dia 08/05/2009, cerca de 1 milhão de pessoas foram afetadas
pela estiagem no Estado do Rio Grande do Sul neste mesmo ano. As lavouras de soja, milho e
feijão já tinham sido prejudicadas até a data citada e o mesmo iniciava com a pastagem
afetando o gado bovino, causando prejuízos significativos à produção leiteira em 160
municípios que se encontravam em situação de emergência. Para esta população destes foram
enviadas 32 mil cestas básicas e também distribuída água em carros pipa.
Cenários como estes expostos acima ou como na Figura 1 são cada vez mais comuns
no Rio Grande do Sul, sejam com danos e prejuízos sociais, ambientais ou econômicos nos
municípios afetados.
Figura 1— Aspecto de açude localizado no município de Pinhal no Norte do Estado do Rio Grande do Sul
afetado pela estiagem no ano de 2012.
Fonte: Fotografia de Éder Calegari/RBS TV.
Neste sentido ressalta-se, que os decretos de situação de emergência, certamente
indicam que municípios foram afetados significativamente pelas estiagens, mas não indicam a
15
intensidade do evento natural medida em termos de déficit de precipitação. Os decretos
refletem condições socioeconômicas e até ambientais, mais ou menos vulneráveis frente a
eventos naturais de estiagem. Portanto, a intensidade ou período de duração das estiagens
necessárias para ocasionar danos e prejuízos e conseqüentemente os decretos de situação de
emergência, podem não ser as mesmas, em áreas com diferentes características
socioeconômicas e ambientais.
Os conhecimentos sobre a intensidade e período de duração dos eventos naturais de
estiagem que levaram os municípios a decretar situação de emergência, podem ajudar na
execução de medidas preventivas visando à minimização dos danos e prejuízos, e
principalmente em adequados sistemas de alerta. Com estas informações e monitoramento
constante, há a possibilidade de direcionar ações de mitigação dos efeitos do fenômeno
climático sobre as comunidades e as atividades econômicas por elas desenvolvidas, de
maneira mais efetiva.
Além dos estudos visando medir às intensidades e períodos de duração, a frequência
dos eventos de estiagem podem indicar áreas preferenciais ou de recorrência do fenômeno.
Neste sentido, Tsakiris et al. (2007) afirmam que vários métodos têm sido propostos para a
identificação, quantificação e controle dos fenômenos de estiagem ou secas. Entre eles, os
mais conhecidos são os índices de seca, que se configuram em combinações especiais de
indicadores que abrangem dados meteorológicos, hidrológicos dentre outros. Os índices de
seca são elementos importantes e úteis para o monitoramento e avaliação das secas, uma vez
que simplificam as inter-relações complexas entre muitos parâmetros relacionados com o
clima. Os índices facilitam a comunicação de informações sobre anomalias climáticas para
diversos públicos de usuários e permitem aos cientistas avaliar quantitativamente anomalias
climáticas em termos de sua intensidade, período de duração, extensão espacial e frequência.
Isso permite analisar eventos históricos de secas e sua probabilidade de recorrência.
Os índices de seca fornecem representações espaciais e temporais das secas e,
portanto, colocam as condições atuais em perspectiva histórica. Eles são importantes para
proporcionar aos tomadores de decisões uma medida da anormalidade do tempo em uma
determinada área da superfície terrestre. Um destes índices é o Rainfall Anomaly Index (RAI)
(Índice de Anomalia de Chuva, IAC) desenvolvido por Rooy (1965) e adaptado por Freitas
(2004; 2005) em estudos de precipitação no Nordeste do Brasil. Este tem como principal
característica, apenas a necessidade de dados de precipitação para ser gerado, e outros, como
por exemplo, o de Palmer (Palmer Drought Severity Index-PDSI) é calculado com base em dados
16
de evapotranspiração, infiltração, escoamento superficial, dentre outras variáveis, e expressa uma
medida para a diferença acumulada entre a precipitação normal e a precipitação necessária à
evapotranspiração. Já o IAC, além de só necessitar de dados de precipitação, é simples de ser
calculado e visa tornar o desvio da precipitação em relação à condição normal de diversas regiões
passíveis de comparação.
O Índice de Anomalia de Chuva (IAC) de acordo com Repelli et al. (1998), é uma
potencial ferramenta para aplicações de monitoramento, tendo em vista a facilidade de acesso
aos dados de precipitação mensais em tempo real. O autor salienta que este índice parece ser
apropriado para a utilização em regiões semiáridas e ou tropicais, especialmente para o
Nordeste do Brasil. Neste sentido, Marcuzzo et al. (2012) observaram a necessidade de mais
estudos sobre a precipitação pluviométrica utilizando o IAC nos demais Estados e Regiões do
Brasil, sendo esta uma das motivações da escolha do referido índice para as avaliações a
serem efetuadas na presente pesquisa,
Frente ao exposto, infere-se que a economia exercida nas áreas afetadas pelas
estiagens é um dos principais condicionantes a danos e prejuízos, logo a desastres. Municípios
com economias totalmente apoiadas na produção agrícola, por exemplo, podem sofrer
prejuízos econômicos proporcionalmente grandes. Ressalta-se que, as diferenciadas
características socioeconômicas e ambientais dos municípios do Estado, refletem maiores ou
menores vulnerabilidades frente a eventos de estiagem, logo, indicam também maiores ou
menores intensidades ou períodos de duração do fenômeno climático, para que ocorram danos
e prejuízos significativos e os consequentes decretos de situação de emergência.
2. OBJETIVOS
O presente trabalho de pesquisa teve como objetivo geral analisar as relações entre os
municípios do Estado do Rio Grande do Sul afetados pelas estiagens de acordo com os
decretos de situação de emergência e o Índice de Anomalia de Chuva (IAC) no período de
1991 a 2012. Os objetivos específicos são:
1. Identificar os municípios afetados pelas estiagens de acordo com os decretos de
situação de emergência registrados no período em análise;
2. Caracterizar os municípios do Estado considerando as ocorrências de estiagem de
acordo com o Índice de Anomalia de Chuva (IAC) desenvolvido por Rooy (1965);
3. Gerar informações para auxiliar na elaboração de possíveis projetos que visem a
mitigação dos efeitos das estiagens sobre as comunidades do Estado do Rio Grande do
Sul.
3. ÁREA DE ESTUDO - CARACTERÍSTICAS GERAIS
O presente trabalho tem como área de estudo o Estado do Rio Grande do Sul. Este,
localizado no Sul do Brasil, mantém fronteiras a Oeste com a República Argentina, ao Sul
com o Uruguai, ao Norte com o Estado brasileiro de Santa Catarina e a Leste é banhado pelo
Oceano Atlântico (Figura 2). Dentro do território brasileiro o Rio Grande do Sul forma
juntamente com os Estados de Santa Catarina e Paraná a Região Sul do Brasil. Esta é a única
região do Brasil situada na zona extratropical conferindo à mesma, características climáticas
diferenciadas das demais regiões do país.
O Rio Grande do Sul está situado na Região Sudeste da América do Sul, a qual é
formada pelo Sul do Brasil, Nordeste da Argentina, Uruguai e Paraguai. Em relação a fatores
climáticos, esta região é caracterizada por receber forte influencia do fenômeno El Niño
Oscilação Sul (ENOS). Este, determina períodos de baixa pluviosidade em sua fase fria, o LA
Nina, e altos índices de pluviométricos em sua fase quente, o EL Niño (BERLATO e
FONTANA, 2004).
Figura 2 — Localização da área de estudo.
Fonte: Elaboração do autor do presente trabalho.
19
A área territorial do Rio Grande do Sul tem 268.781,896 km², subdividida em sete
Mesorregiões (Figura 3) que abrigam no total 10.693,929 habitantes (IBGE 2010). O Estado é
a quarta economia do Brasil, sendo que o Produto Interno Bruto (PIB) chega a R$ 296,3
bilhões, com uma participação de 6,7% no PIB nacional. Neste aspecto é superado apenas
pelos Estados de São Paulo (33,1%), Rio de Janeiro (10,8% e) e Minas Gerais (9,3%). Com
relação ao PIB per capita o Estado com 27.514 reais, está em um patamar acima da média
nacional, sendo este de 19.766 reais (CARGNIN et al., 2013).
Figura 3 — Mesorregiões do Estado do Rio Grande do Sul.
Fonte: Elaboração do autor do presente trabalho.
O crescimento do Estado com relação a sua economia deve-se ao impulso
ocasionado por dois setores hegemônicos, a agropecuária e a indústria de transformação,
mesmo que a estrutura setorial do Valor Adicionado Bruto (VAB) do Estado em 2010
confirme forte participação do setor dos serviços (Figura 4) (CARGNIN et al., 2013).
20
Figura 4 — Estrutura do Valor Adicionado Bruto do RS por setores de atividade econômica, 2010.
Fonte: Adaptado de: Atlas Socioeconômico do Rio Grande do Sul e da FEE. Centro de Informações
Estatísticas/Núcleo de Contas Regionais e IBGE/Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Contas Nacionais.
O setor agropecuário gaúcho apresentou, de acordo com os dados do ano de
2010, uma participação de 8,7% da estrutura do Valor Adicionado Bruto (VAB) com forte
associação com o setor agroindustrial. De acordo com estudos existentes, se somadas
às atividades agroindustriais, esta participação chega a 30% da estrutura econômica, além de
ser o setor econômico mais desconcentrado no território. Deve-se ressaltar que o setor
agropecuário tem sido fortemente impactado pelas estiagens que, em grande medida,
explicam os maus resultados de algumas safras que impactam negativamente no PIB, como
no caso dos anos de 2004 e 2005. Em anos de condições pluviométricas favoráveis, o Rio
Grande do Sul tem a capacidade de produzir cerca de 20% dos grãos produzidos no Brasil. As
principais culturas agrícolas são a soja, o milho, o trigo e o arroz. Destaca-se também na
pecuária principalmente de bovinos nas regiões da Campanha gaúcha e Fronteira Oeste. Já o
setor industrial, participa com 29,21% do Valor Adicionado Bruto, destacando-se neste setor
a Indústria de Transformação, que participa com 21,28% no VAB Estadual, com destaque
para as atividades desenvolvidas na mecânica e produtos alimentares (CARGNIN et al.,
2013).
Em termos de recursos hídricos, o território do Rio Grande do Sul é drenado por uma
densa malha hidrográfica superficial e conta com 3 grandes regiões hidrográficas, sendo elas a
do Uruguai, a do Guaíba e a Litorânea. A primeira faz parte da Bacia do Rio da Prata e
abrange cerca de 57% da área territorial do Estado. A região hidrográfica do Guaíba é a
21
segunda maior abrangendo 30% do território, e a região hidrográfica Litorânea perfaz 13% do
total da área do Estado (Figura 5) (FEPAM, 2013).
Figura 5 — Regiões hidrográficas do Rio Grande do Sul.
Fonte: Elaboração do autor do presente trabalho.
O uso da terra na região hidrográfica do Uruguai está vinculado principalmente às
atividades agrícolas, pecuárias e agroindustriais. A do Guaíba apresenta áreas de grande
concentração industrial e urbana, sendo a mais densamente povoada do Estado, além de sediar
o maior número de atividades diversificadas, incluindo as atividades agrícolas, pecuárias,
agroindustriais, industriais, comerciais e de serviços. A região hidrográfica litorânea apresenta
usos da terra predominantemente vinculados às atividades agropecuárias, agroindustriais e
industriais (FEPAM, 2013).
4. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
Este item da presente dissertação, esta dividido em quatro subtítulos. O primeiro trata
da conceituação de desastre natural, sendo esta a classificação de desastre onde se inserem os
desastres ocasionados pelas estiagens ou secas de acordo com Castro (2003). O segundo
aborda as conceituações de seca ou estiagem e outros temas relacionados. No terceiro
subtítulo são apresentados os critérios estabelecidos para a decretação de situação de
emergência ou estado de calamidade pública devido a eventos adversos, de acordo com os
manuais da Secretaria Nacional de Defesa Civil (2007) e posteriormente ressaltam-se os
fundamentos referentes ao Índice de Anomalia de Chuva (IAC), com destaque alguns
trabalhos de pesquisa que onde foram realizadas avaliações de dados históricos de
precipitações pluviométricas.
4.1. Desastres Naturais
Desastres Naturais são causados por fenômenos e desequilíbrios da natureza agravados
ou não pela atividade humana. Em geral, considera-se como desastre natural todo aquele que
tem como gênese um fenômeno natural, atingindo áreas ou regiões habitadas pelo homem,
causando-lhes danos e prejuízos. São exemplos de fenômenos naturais que podem causar
desastres: inundações, escorregamentos, erosão, terremotos, tornados, furacões, tempestades,
estiagem ou secas. (TOMINAGA et al. 2009).
Para Kobiyama et al. (2006) as inundações, escorregamentos, secas, furacões, entre
outros, são fenômenos naturais severos, fortemente influenciados pelas características
regionais, tais como, rocha, solo, topografia, vegetação, condições meteorológicas. Quando
estes fenômenos intensos ocorrem em locais onde os seres humanos vivem, resultando em
danos (materiais e humanos) e prejuízos (socioeconômicos) são considerados como ―desastres
naturais‖.
A conceituação adotada pela UN-ISDR (2009) considera desastre como uma grave
perturbação do funcionamento de uma comunidade ou de uma sociedade envolvendo perdas
humanas, materiais, econômicas ou ambientais de grande extensão, cujos impactos excedem a
capacidade da comunidade afetada de arcar com seus próprios recursos.
23
Segundo Alcántara-Ayala (2002), a susceptibilidade de ocorrência de desastres
naturais, não está somente ligada as características geoambientais das áreas afetadas por
determinado fenômeno natural, mas também à vulnerabilidade do sistema social afetado, isto
é, o sistema econômico-social-politico-cultural. Para os autores, normalmente os países em
desenvolvimento não possuem boa infraestrutura, sofrendo muito mais com os desastres do
que os países desenvolvidos, principalmente quando relacionado com o número de vítimas.
No mundo, ocorre um aumento dos desastres naturais, a partir da década de 50 e dos
prejuízos econômicos, a partir da década de 70 (Figura 6) provavelmente devido ao aumento
populacional e maior número de pessoas residindo em situação de risco. Neste sentido,
Goerl et al. (2013) ressaltam que além do aumento populacional ocorre a possibilidade de um
acréscimo de eventos naturais extremos em virtude do processo de restabelecimento do
equilíbrio do meio ambiente ou sistema natural, já que as ocorrências e características dos
fenômenos naturais estão condicionadas ao equilíbrio do sistema.
Figura 6 — Desastres naturais ocorridos no mundo e seus respectivos prejuízos.
Fonte: Adaptado de Kobiyama (2012).
Mais de 80% dos tipos de desastres naturais que ocorrem no planeta tem sua gênese
derivada dos fenômenos e processos climáticos. Destes, as secas, os ciclones tropicais e
tornados, os vendavais, as chuvas intensas, os episódios de inundações e geadas, entre outros,
24
além de provocarem enormes perdas econômicas, são responsáveis por milhares de mortes
todos os anos (HERMANN, et al., 2006).
Segundo Kobiyama et al. (2006) deve ser realizada prevenção dos desastres naturais
para que possa-se ter uma vida mais segura com a diminuição das vulnerabilidades. Para o
autor, o ideal seria o impedimento total de qualquer tipo de dano e prejuízo. No entanto,
atualmente o que é possível de ser realizado é a mitigação, ou seja, a redução máxima
possível dos danos e prejuízos causados pelos desastres naturais. Neste sentido, uma das
ações possíveis de serem tomadas é a retirada das pessoas residentes em áreas de risco, como
as Áreas de Preservação Permanente (APP) as margens de rios, que segundo Kobiyama et. al.
(2012) "apresentam alto risco de serem atingidas por fluxos de escombros, além de serem os
primeiros locais a serem inundados em época de cheia".
4.2. Estiagens e Secas: Conceitos e Classificações
De acordo com Carvalho (1988) a estiagem ocorre em um determinado intervalo de
tempo, sendo um fenômeno natural não permanente e em muitos casos de intensidade ou
severidade inferior as secas, considerando o ressecamento da atmosfera e dos solos. Para
Silveira et al. (2006) a estiagem é um fenômeno atmosférico de origem natural, caracterizada
pela escassez de água, associada a períodos extremos de déficit de precipitação mais ou
menos longos, que repercute negativamente sobre as atividades socioeconômicas e
ecossistemas naturais. Os autores ressaltam que no caso do Rio Grande do Sul, as estiagens
configuram-se em condições climáticas, determinadas pelo fenômeno El Niño Oscilação Sul
em suas fases fria, o La Niña e quente, o El Niño, que ocorrem predominantemente nas
estações da primavera e verão. E ainda destacam, que no Estado mesmo as chuvas sendo bem
distribuídas nas quatro estações do ano, as precipitações pluviais são caracterizadas pela
elevada variabilidade interanual e espacial, contribuindo para acentuar as estiagens em
determinadas regiões.
Para Campos (1997) a estiagem é caracterizada por um breve período de seca. Esta
pode ser classificada em três tipos de acordo com o autor:

Seca climatológica – ocorre quando há um déficit de precipitação em relação a normal
de determinada área;
25

Seca edáfica – ocorre quando se identifica um déficit de umidade no solo;

Seca hidrológica – ocorre quando há deficiência das reservas de água em reservatórios
e rios.
Segundo Castro et al. (2003) a estiagem ocorre a partir de 15 dias sem precipitações ou
atraso destas, ou quando as médias das precipitações alcançam limites inferiores a 60% das
médias de longo período.
Como ressaltado na introdução do presente trabalho, os termos estiagem e seca no
Brasil são utilizados para referir-se a fenômenos de intensidades diferentes. Neste sentido em
consulta a dicionários sobre os termos em questão, obteve-se os seguintes significados para o
termo ―estiagem‖:

Dicionário Aurélio online: Falta prolongada de chuva. Tempo sereno e seco após
uma temporada de chuva. O mais fraco débito de uma corrente de água.
(http://www.dicionariodoaurelio.com//);

Dicionário Michaelis online: Nível mais baixo das águas de um rio, lago ou canal.
Escassez de água em rios, fontes etc. Falta de chuva; seca.
(http://michaelis.uol.com.br/moderno/portugues/index.php);

Dicionário online de português online: Falta prolongada de chuva. Tempo sereno e
seco após uma temporada de chuva. O mais fraco débito de uma corrente de água.
(http://www.dicio.com.br/).

Pequeno Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa, Aurélio (1963): Tempo sereno
ou seco depois de tempo chuvoso ou tempestuoso; Falta ou cessação de chuva;
Escassez de água em rios, fontes etc.

Dicionário Escolar da Língua Portuguesa, Bueno (1983): Tempo sereno ou seco
depois de tempo chuvoso ou tempestuoso; Falta ou cessação de chuva; Período que
dura o estio, sendo ―Estio‖ definido como verão ou calor.

Dicionário da Língua Portuguesa Bueno (1996): Tempo sereno ou seco depois de
tempo chuvoso ou tempestuoso;
Com relação ao termo ―seca‖ nos mesmos dicionários, com exceção do Aurélio online,
no qual o termo seca não foi encontrado obtiveram-se os seguintes significados:

Dicionário Michaelis online e Dicionário de português online: Largo período em que
não chove; estiagem: Estação da seca. Ausência de chuvas na época própria e que,
em certas regiões, é flagelo periódico: As secas do Nordeste.

Pequeno Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa, Aurélio (1963): Estiagem;
Falta de chuvas;

Dicionário Escolar da Língua Portuguesa, Bueno (1983): Estiagem; Falta de chuvas.

Dicionário da Língua Portuguesa Bueno (1996): Estiagem; Falta de chuvas.
26
No glossário online do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET, 2013), o termo
Estiagem não está incluído dentre a terminologia oficial utilizada e sim o termo seca, que está
definido como sendo um ―clima excessivamente seco numa região específica, devendo ser
suficientemente prolongado para que a falta de água cause sério desequilíbrio hidrológico‖, o
que foi destacado também por Gonçalves et al (2004) no trabalho intitulado ―Distribuição dos
desastres naturais no Estado de Santa Catarina: estiagem (1980 – 2003)‖.
Existem muitas definições de seca, no entanto não há uma definição universalmente
aceita, sendo uma definição mais geral, aquela que considera a seca como uma diminuição
significativa da disponibilidade de água durante um longo período de tempo e sobre grandes
áreas da superfície terrestre. Isto implica que a seca deve ser considerada como um evento
tridimensional, caracterizado pela sua gravidade ou intensidade, período de duração e a área
afetada (TSAKIRIS et al., 2007).
Do ponto de vista meteorológico a seca é uma estiagem prolongada, caracterizada por
provocar uma redução sustentada das reservas hídricas existentes. Numa visão
socioeconômica, a seca depende muito mais das vulnerabilidades dos grupos sociais afetados
que das condições climáticas. De maneira geral é um fenômeno climático caracterizado pela
ausência prolongada, deficiência acentuada ou fraca distribuição de precipitação. É um grave
desequilíbrio hidrológico provocado por um período de tempo seco suficientemente
prolongado (CASTRO, 2003).
As secas podem ser percebidas de modo diferente em regiões com diferenciadas
características climáticas e ambientais ou socioeconômicas, e com variados níveis de
utilização da água. Isso ocorre em função de que tais regiões de características distintas,
constituem ―situações extremas resultantes de inter-relações entre os sistemas naturais,
sujeitos a flutuações climáticas, e os sistemas construídos pelo homem, com especificidades e
vulnerabilidades próprias‖. Estes fatores contribuem para a dificuldade de uma definição de
seca mais rigorosa e universal e consequentemente de um modelo de abordagem para seu
estudo (RODRIGUES et al,. 1993).
Para Yevjevich (1967), o conceito de seca está intimamente relacionado ao ponto de
vista do observador. Para a engenharia, por exemplo, ―a seca é um conjunto de variáveis
afetando precipitações, escoamento superficial e armazenamento de água de formas
diferenciadas.‖ Os economistas vêem as secas considerando as atividades humanas que
podem ser afetadas. Para eles existem as secas agrícolas, sendo esta, a que compromete o
montante de água disponível para a descendentação humana e as várias atividades econômicas
27
que dela se utilizam. Já o agrônomo vê as secas fortemente relacionadas com as necessidades
de água para os variados cultivos agrícolas, sendo que uma seca para uma cultura de batatas,
por exemplo, pode nãos ser para uma cultura do tomate de crescimento rápido.
Santos (1998) considera a seca como uma situação excepcional quando a
disponibilidade hídrica é incapaz de satisfazer as necessidades de água em determinada área
da superfície terrestre. O autor destaca que estes fenômenos climáticos ocasionam situações
de escassez de água por períodos prolongados de tempo e atingem grandes extensões
territoriais com repercussões negativas sobre as atividades socioeconômicas e ecossistemas
naturais.
No Relatório de Moçambique da Food and Agricultural Organization (FAO, 2009) a
seca é definida como uma característica recorrente do clima que ocorre em todas as zonas
climáticas. É um período de tempo anormalmente seco, que ao permanecer sobre determinada
área poderá provocar sérios desequilíbrios hidrológicos, tais como a danificação das culturas
agrícolas e a limitação no fornecimento de água dentre outros.
A seca é um fenômeno com contornos mal definidos que se desenvolve lentamente no
tempo. É resultado de uma acumulação de efeitos ao longo de uma série de intervalos de
tempo e não resultam apenas de um acentuado déficit de precipitação em curto período de
tempo. O inicio e o fim de um evento de seca, só poderão ser detectados posteriormente, haja
vista que um déficit de precipitação pode não significar uma situação de seca. Destaca-se
também, que a ocorrência de chuva durante uma seca em andamento não necessariamente
demarcará o final da mesma, pois as precipitações pluviais ocorridas podem não suprir a
demanda para a estabilização hídrica do sistema receptor (VAZ, 1993).
Na visão do National Drought Mitigation Center (NDMC, 2011) as secas (Drought)
podem ser diferenciadas em quatro fases, a meteorológica, a agrícola, a hídrica e a
socioeconômica (Figura 7). A primeira é determinada por um período sem registros de
precipitação ou estas são consideradas abaixo das medias mensais para determinado período.
A seca agrícola é determinada quando o solo não é suprido pela umidade necessária
que satisfaz as necessidades das culturas ou cobertura vegetal. Ocorrendo o prolongamento da
seca, com déficit hídrico mais acentuado e diminuição dos níveis de rios e reservatórios dentre
outros, tem-se a seca hidrológica.
28
Figura 7 — Estágios das secas.
Fonte: Adaptado de National Drought Mitigation Center (NDMC, 2011).
Estes três primeiros tipos de seca de acordo com a NDMC (2011) referem-se à
diminuição da quantidade disponível de água e são tratadas como fenômenos físicos. A seca
socioeconômica refere-se não somente a estes déficits hídricos, mas principalmente as
consequências dos mesmos nas comunidades atingidas, quer dizer, os impactos sociais,
econômicos e ambientais (Figura 8). Este tipo de seca se inicia quando ocorre o déficit de
água do solo prejudicando o desenvolvimento das culturas agrícolas e consequentemente a
produtividade no setor da economia agropecuária. O NDMC (2011) destaca que este tipo de
seca ocorre quando a demanda por um bem econômico excede a oferta, como resultado de um
déficit no abastecimento de água relacionado com o clima.
29
Figura 8 — Sequência de ocorrência e impactos da seca.
Fonte: Adaptado de NDMC (2011).
Ayoade (1998) tratando do clima e a agricultura, destaca que a seca ―é um grave risco
para a agricultura, tanto nas regiões temperadas quanto nas regiões tropicais‖. Para o autor a
seca pode ocorrer sempre que a umidade das precipitações ou a umidade armazenada nos
solos é insuficiente para atender as necessidades hídricas das plantas. Para Ayoade (1998)
quatro tipos de secas podem ser identificadas, a saber:

Seca Permanente – Neste tipo de seca as precipitações de nenhuma das estações do
ano é suficiente para satisfazer as necessidades hídricas das plantas. Nas áreas onde
ocorre este tipo de seca a agricultura é impossível de ser praticada sem a utilização de
irrigação;

Seca Sazonal – A seca sazonal ocorre em áreas com estações secas e úmidas bem
definidas, nestas áreas, seca é esperada todos os anos, pois esta se deve as variações
sazonais nos padrões de circulação atmosférica;
30

Seca Contingente – Este tipo de seca é característica de regiões subúmidas e úmidas e
caracteriza-se por um déficit de precipitação num dado período de tempo, sendo que
de acordo com o autor a seca contingente constitui-se em um sério risco para
agricultura, devido a sua imprevisibilidade;

Seca Invisível – A seca invisível diferencia-se dos outros tipos de seca devido à
dificuldade de reconhecê-la. Esta seca ocorre sempre que a disponibilidade hídrica dos
solos ou das precipitações deixa de ser igual ao das necessidades hídricas das plantas,
resultando em uma lenta secagem dos solos, fazendo com que as plantas deixem de
crescer em um índice ótimo e consequentemente ocasionando uma baixa
produtividade das culturas agrícolas.
A seca pode ocorrer em qualquer tipo de clima do mundo. Em geral, este fenômeno
natural, é tido como uma condição relacionada com o clima, diferenciada do que é percebido
como "normal". Ao contrário de outros desastres naturais, como inundações, furacões,
tornados e terremotos, que ocorrem ao longo de períodos finitos de tempo e resultam em
danos visualmente óbvios, a seca se desenvolve lentamente e silenciosamente, sem impactos
altamente visíveis e estruturais. O desenvolvimento das condições de seca muitas vezes
passam despercebidos até que a escassez de precipitação se torna grave e os impactos
começam a ocorrer. O ritmo lento e a longa duração da seca normalmente faz com que seja
difícil quantificar os efeitos econômicos globais (DING et al. 2011).
Os efeitos das secas resultam da relação entre eventos naturais e as atividades
socioeconômicas desenvolvidas. As atividades econômicas que compõe o setor agropecuário
são geralmente as primeiras a serem afetadas. As consequências dos prejuízos causados neste
setor se desencadearão, por um período, muitas vezes maior que o da própria seca. Quando
esta se prolonga, gera escassez de água inclusive para consumo humano promovendo
racionamentos no meio urbano. Além de que as cidades dos municípios afetados já vêm
sofrendo pelo baixo consumo no comércio, por parte dos agricultores descapitalizados devido
à baixa produtividade em suas lavouras (NDMC, 2011).
Além das perdas no setor da economia agropecuário, relacionados diretamente com o
déficit de precipitação e o não suprimento da demanda de água para as variadas culturas
agrícolas, os efeitos das secas ocasionam infestações de insetos, doenças das plantas e erosão
eólica. Estes por sua vez agravam ainda mais os prejuízos nas lavouras, além do perigo de
31
incêndios provocados sejam por queimadas ou altas temperaturas do ambiente, onde o evento
adverso incide, tornando a própria vegetação um poderoso combustível (PONCE, 2012).
Principalmente com relação à seca socioeconômica, os efeitos diferenciam-se de
região para região. Estes diferenciais refletem o grau de vulnerabilidade ou de poder de
resiliência das mesmas. A população de uma região pode sofrer graves danos e prejuízos ao
passo que outra, mesmo afetada por uma seca de mesma intensidade pode ter respondido
positivamente aos seus efeitos, ou pelo menos, em decorrência de suas ações antecedentes,
durante e depois ao evento adverso, minimizado os danos e prejuízos, sendo esta uma
população resiliente (DUARTE, 2008) que segundo a UNISDR (2012) tem a habilidade ou
capacidade, "de resistir, absorver, acomodar e se recuperar dos efeitos das ameaças de
maneira eficiente, incluindo a preservação e restauração das suas estruturas básicas e
funcionais."
Muitos dos impactos das secas relacionados como econômicos ou ambientais tem
componentes sociais. Os danos e prejuízos ocasionados à economia e no próprio ambiente de
vivência das populações atingidas podem gerar migrações destas para áreas onde ocorre maior
oferta de água e alimentos. Estas migrações na maioria das vezes são para áreas urbanas
dentro ou até fora das áreas afetadas. Este processo causa pressão na infraestrutura social
urbana, levando ao aumento da pobreza e agitação social (PONCE, 2012).
4.4. Rainfall Anomaly Index – RAI (Índice de Anomalia de Chuva - IAC)
O Índice de Anomalia de Chuva (IAC) foi desenvolvido por Rooy (1965) e incorpora
um procedimento de classificação para ordenar magnitudes de anomalias de precipitações
positivas e negativas (Tabela 2). Esse índice é considerado muito simples, dada a sua
facilidade de procedimento computacional, que consiste da determinação de anomalias
extremas. O IAC é calculado na escala de tempo semanal, mensal ou anual. A escolha da
escala de tempo é feita com base na distribuição da precipitação. Em áreas com longos
períodos de seca deve ser usada uma escala de tempo maior, do que em áreas com curtos
períodos de seca. A classificação é efetuada com base nos 10 eventos mais extremos de seca
dos registros de longo prazo (Oladipo, 1985; Keyantash & Dracup, 2002). A precipitação
média de uma semana, mês ou ano é usada para calcular a seca relativa.
32
Tabela 1 — Classificação do Índice de Anomalia de Chuva (IAC).
IAC (valores calculados indicando a
magnitude dos desvios negativos e
positivos em relação a média da série
histórica de dados precipitação mensal)
≥ 4,00
3,00 a 3,99
2,00 a 2,99
0,50 a 1,99
-0,49 a 0,49
-1,99 a -0,5
-2,00 a -2,99
-3,00 a -3,99
≤ -4,00
Fonte: Adaptado de Fernandes et al. (2009).
CLASSIFICAÇÃO
Extremamente úmido
Umidade alta
Umidade moderada
Umidade baixa
Normal
Seca suave
Seca moderada
Seca alta
Seca extrema
Pesquisas foram desenvolvidas com o objetivo de comparar os resultados obtidos por
meio do Índice de Anomalia de Chuva (IAC) com aqueles de índices tradicionalmente
utilizados na avaliação das secas. Loukas et al. (2003) em estudo sobre o monitoramento das
secas na Grécia, encontraram alta correlação entre o IAC
e o Índice de Precipitação
Padronizada (SPI). Wanders et al. (2010) em trabalho intitulado Indicators for Drought
Characterization on a Global Scale,
ressaltam que Oladipo (1985) verificou diferenças
insignificantes entre o Índice de Anomalia de Chuva e os mais complicados índices de Palmer
e Bhalme-Mooley.
De acordo com Byun et al. (1999) além de dados de precipitação, os índices de seca
atuais são calculados a partir dos dados de umidade do solo, entrada e saída de água,
evaporação e evapotranspiração, dentre outros. No entanto, a maioria dos parâmetros não são
observados, sendo os mesmos estimados a partir de dados meteorológicos. Durante a
avaliação, a simplificação e generalização são inevitáveis, pois estes parâmetros dependem
fortemente da natureza do solo e da topografia, que variam amplamente. Além disso, segundo
o autor, um fato importante é que a origem da água incluída nestes parâmetros não é senão a
própria chuva, e pode ser desconsiderada. O autor relata também a comparação efetuada entre
o PDSI (Palmer, 1965), o RAI (Rooy 1965) e BMDI (Bhalme e Mooley, 1980) no estudo
desenvolvido por Oladipo (1985) e destaca que apenas a utilização de dados de precipitação é
melhor para fins de análises meteorológicas e Alley (1984) fez considerações similares.
Segundo Da Silva (2009) um ponto crucial no emprego de um índice como o IAC,
bem como de qualquer outro, reside na escolha do patamar a ser estabelecido para a definição
33
de um período de seca. Neste sentido o autor destaca, que a escolha do patamar para a
separação entre anos secos e úmidos não deve ser arbitrária, mas sim escolhido com base no
conhecimento climático da região, na análise das características dos períodos históricos de
secas e das correspondentes consequências à população e meio ambiente atingidos. Esses
efeitos dependem, por sua vez, da infraestrutura hídrica existente, isto é, variam com o tempo.
Araujo et. al. (2011) utilizou o Índice de Anomalia de Chuva (IAC) para o estudo da
climatologia da sub-bacia do Alto Paraíba. Neste estudo foi calculado IAC para verificação
dos anos secos e chuvosos no período entre 1926 a 2004. Os autores constataram um ponto de
inflexão entre as décadas de 1950 e 1960, e identificaram uma modificação no padrão das
precipitações na região. Após o ponto de inflexão foi detectado a diminuição da frequência de
anos secos, no entanto, as ocorrências destes são mais severas.
O índice de Anomalia de Chuva (IAC) foi utilizado para avaliar a intensidade e
extensão da área afetada por eventos extremos de chuvas na Bacia Hidrográfica do Rio São
Francisco em trabalho realizado por Gurjão et al. (2012). Neste, econtram-se espacilizados os
dados de IAC, para os anos de 1997, 1998, 2007 e 2008 mostrando a distribuição das
anomalias positivas e negativas para os meses de janeiro, fevereiro, março e abril dos anos
citados. Estes dados foram comparados com as ocorrências das fases fria e quente do El Niño
Oscilação Sul ou La Niña e El Niño respectivamente. De acordo com os autores, o uso do
IAC representou um método eficiente na determinação da intensidade e área afetada por
eventos extremos de chuva.
Utilizando séries históricas de 30 anos de dados de precipitação (1977 a 2006) de 43
estações meteorológicas, Marcuzzo et al. (2012) analisaram a variação do Índice de Anomalia
de Chuva (IAC) da precipitação pluvial no Estado do Tocantins. Calculando o IAC mensal,
encontraram uma grande variação nos índices interanuais precipitados em cada mês, com um
total de 13 anos úmidos e 17 secos, e concluíram que ocorre uma maior tendência de
diminuição das chuvas para o Estado. Segundo os resultados obtidos, que o IAC pode ser
utilizado como uma ferramenta para o acompanhamento interanual da precipitação
pluviométrica do estado do Tocantins, para determinar mudanças em seu regime de chuvas.
Marcuzzo et al. (2011) objetivando a análise da variação espacial, temporal e sazonal
da precipitação pluvial no Estado do Mato Grosso, utilizaram 30 anos de dados de
precipitação de 75 estações pluviométricas. Neste trabalho verificou-se que a distribuição das
chuvas no Estado do Mato Grosso apresenta uma grande variação nos índices precipitados. As
localidades situadas no extremo Noroeste e Norte apresentaram os maiores valores de chuvas
34
e as localidades situadas ao Sul com os menores índices pluviais. De maneira geral verificouse um maior número de anos secos no período em análise. Os autores ressaltam que o Índice
de Anomalia de Chuva (IAC) destaca-se entre os métodos estatísticos utilizados em estudos
de precipitação pluviométrica, pois o referido índice permite o acompanhamento climático e
as comparações entre as condições atuais de precipitação com os valores pluviométricos
históricos.
Gonçalves et al. (2006) estudaram os eventos extremos de chuvas e suas influências na
ocorrência de cheias e secas na bacia hidrográfica do Rio São Francisco, utilizando o Índice
de Anomalia de Chuva e dados de 15 estações meteorológicas. O estudo das precipitações por
meio do cálculo do IAC, possibilitou a explicação da ocorrência das cheias e inundações no
sertão pernambucano e também a verificação de grande predominância de secas em áreas,
igualmente vulneráveis à ocorrência de cheias e inundações.
Freitas (2004; 2005) por meio de conhecimentos adquiridos no estudo das secas em
regiões do Estado Ceará, destaca que, as informações obtidas com o Índice de Anomalia de
Chuva (IAC) possibilitam comparações das condições atuais de precipitação em relação aos
valores históricos, e avaliar a distribuição espacial dos eventos de seca, e a intensidade das
mesmas. Neste sentido, o autor relata as vantagens práticas, no uso não apenas do IAC, mas
também de outros índices, que se configuram no acompanhamento direto do grau de
severidade e duração dos períodos secos, permitindo, com isso, tomar medidas efetivas e em
tempo hábil, objetivando a minimização dos impactos ocasionados pelos mesmos.
Nikolova et al. (2005) em estudo sobre a variabilidade das precipitações durante a
estação do verão, encontrou um longo período de seca (1983 a 1993) na Planície Danúbio,
uma das mais importantes regiões agrícolas da Bulgária. Neste estudo, utilizando o Rainfall
Anomaly Index (RAI) e o Cumulative Anomaly (CA), os autores ressaltam, a importância das
técnicas utilizadas para estudos da variabilidade das precipitações. Em seu trabalho, as
informações levantadas possibilitaram uma melhor compreensão da relação entre as
precipitações e os processos fiscos da área de estudo. Além de que, o conhecimento sobre as
ocorrências espaciais e temporais de períodos extremamente secos e úmidos ajudarão no
desenvolvimento de estratégias para mitigação e adaptação às alterações climáticas futuras, e
com uma abordagem mais eficaz relacionada aos problemas ambientais.
35
4.3. Situação de Emergência ou Estado de Calamidade Pública: Critérios para a
decretação
Para o reconhecimento de situação de emergência ou estado de calamidade pública
foram estabelecidos critérios, sendo estes caracterizados como preponderantes e agravantes.
Os primeiros relacionam-se à intensidade dos desastres e com a comparação entre a
necessidade e a disponibilidade de recursos, para o restabelecimento da situação de
normalidade de determinada área afetada pelo desastre. A intensidade dos desastres é medida
em função da avaliação dos danos e dos prejuízos provocados pelos mesmos. Os danos são
classificados como humanos, materiais ou ambientais e os prejuízos são classificados como
econômicos e sociais. A seca, na condição de desastre cíclico, contribui para intensificar os
desequilíbrios inter-regionais e intrarregionais e desencadeando numerosos desastres
secundários de natureza humana. Os prejuízos econômicos, ocasionando desemprego, fome e
a desesperança, provocam agitações sociais e promovem migrações de parcelas da população
afetada para outras regiões em busca de melhores condições de vida. Como exemplo, o sertão
nordestino é a região semiárida mais densamente povoada do mundo, desta maneira, as
migrações devido às consequências das secas sobre as comunidades que lá vivem, contribuem
para o aumento do contingente populacional, vulnerável, resultando em bolsões de pobreza na
periferia das grandes cidades. Essas populações vulneráveis, residindo em áreas de riscos
intensificados de desastres naturais e humanos de natureza social, contribuem para deteriorar
os níveis de segurança coletiva das cidades brasileiras. Sobre este ponto de vista, os desastres
secundários relacionados às secas são importantes critérios de agravamento dos desastres,
pois afetam, não apenas os cenários da seca, mas o Brasil como um todo.
O grau de vulnerabilidade das áreas de ocorrência de desastres e das comunidades
residentes, depende do senso de percepção de risco da população local, do grau de prioridade
que a segurança global da população ocupa entre os formadores da opinião pública (líderes
comunitários e políticos locais), da vontade política e da determinação da administração
municipal em aumentar os níveis de segurança da população e garantir a incolumidade das
pessoas, e do sentido de responsabilidade e nível de competência da administração municipal.
36
4.5. A ciência estatística - fundamentos e trabalhos relacionados aos procedimentos
estatísticos utilizados no presente trabalho
Na análise de fenômenos espaciais contínuos, sobre os quais tem-se apenas dados
atribuídos a pontos amostrais na superfície ou área de estudo, torna-se necessário o uso de
interpoladores para a estimação dos valores desconhecidos ou não amostrados.
Considerando uma superfície em três dimensões tem-se coordenadas (x,y,z) onde "z"
representa os valores atribuídos ao fenômeno a ser espacializado. Desta maneira as
coordenadas bidimensionais (x,y) estão distribuídas uniformemente no espaço (um plano) e a
coordenada (z) varia no sentido vertical a partir do plano cartesiano bidimensional (x,y). Os
pontos amostrais por mais que sejam aleatórios se inserem dentro de uma grade regular, a
qual pode ser gerada e visualizada a partir da aplicação de um método de interpolação.
A Krigagem é considerada uma boa metodologia de interpolação de dados. Utilizando
o princípio da Primeira Lei de Geografia de Tobler, que diz que unidades de análise mais
próximas entre si são mais parecidas do que unidades mais afastadas, a e funções matemáticas
para acresentar pesos maiores nas posições mais próximas aos pontos amostrais e pesos
menores nas posições mais distantes, e criar assim os novos pontos interpolados com base
nessas combinações lineares de dados (JAKOB, 2002).
Kulman et al. (2014) utilizou o método da krigagem para a espacilização das
ocorrências de estiagem no Estado do Rio Grande do Sul no período de 1981 à 2011. Os
autores destacam que " o método da Krigagem respondeu o objetivo proposto, permitindo a
espacialização em áreas homogêneas, saindo de uma visão unitária por município.
De acordo com Landim et al. (2002) o método de krigagem "é considerado o melhor
estimador linear não enviezado (Best Linear Unbiased Estimator, BLUE), em que a variância
da krigagem é utilizada para definir intervalos de confiança do tipo gaussiano". De acordo
com o autor a minimização da variância estimada é uma das finalidades deste método de
interpolação. A partir de uma série de técnicas de análise de regressão e de um modelo prévio,
levando em consideração a dependência estocástica entre os dados distribuídos no espaço são
estimados os valores desconhecidos, destacando o uso de variogramas para a estimação de
pesos ótimos, o quais devem ser associados aos valores conhecidos.
A diferença da krigagem para outros métodos de interpolação de acordo com o autor
citado no parágrafo anterior, está na "estimação de uma matriz de covariância espacial que
determina os pesos atribuídos às diferentes amostras, o tratamento da redundância dos dados,
37
a vizinhança a ser considerada no procedimento inferencial e o erro associado ao valor
estimado".
Em Pires et al. (2011) verifica-se que a krigagem diferencia-se dos outros métodos
pela forma de atribuição dos pesos, sendo estimada além da distância entre os vizinhos ao
ponto considerado, a distância entre os pontos vizinhos. Desta maneira os autores destacam
que "no método da krigagem os pesos são atribuídos de acordo com a variabilidade espacial
expressa no semivariograma", sendo que este método tem a característica de fornecer
estimativas não tendenciosas e com variância mínima. Esta condição significa que para um
mesmo ponto a diferença entre os valores estimados e aqueles medidos deve ser nula ou
mínima.
Para Andrioti (2002) a krigagem fornece a informação de quão longe o valor adquirido
por estimativa está do valor real. Este método fornece uma medida da acuracidade de tal
estimativa. O autor ressalta que:
A krigagem é descrita na bibliografia inglesa como um estimador do tipo BLUE,
que é uma palavra formada pelas letras iniciais de Best Linear Unbiased Estimator,
melhor estimador linear não enviesado, significando que o erro de estimação
produzido pelo método seja mínimo (variância mínima, significando melhor) e não
enviesado (significando que a distancia média entre valores e originais seja igual a
zero).
Outra técnica utilizada no presente trabalho é a análise de correlação linear. Com esta
técnica pode-se saber o quanto duas variáveis estão associadas ou qual é a semelhança na
distribuição das mesmas. Em outras palavras, é uma medida da variância compartilhada entre
duas variáveis. Desta maneira, espera-se que para uma mudança na variável X ocorra uma
mudança proporcional na variável Y, sendo a reta, falando-se em termos gráficos a melhor
maneira de ilustrar a associação entre as duas variáveis (FILHO et al., 2009).
Em uma correlação positiva, maiores valores de X resultarão em maiores valores de Y.
Quando o coeficiente de correlação for negativo ter-se-á para menores valores de X, também
menores valores de Y. Esta técnica fornece valores de correlação entre +1 e -1. Uma
correlação perfeita, sendo ela negativa ou positiva teria valor de coeficiente igual a +1 ou -1.
Um valore de zero para o coeficiente indica a não correlação (NETO, 1977). Cohen (1988),
definiu uma classificação para os resultados do coeficiente de correlação. Valores entre 0,10 e
0,29 podem ser considerados pequenos; escores entre 0,30 e 0,49 podem ser considerados
como médios; e valores entre 0,50 e 1 podem ser interpretados como grandes.
38
Cohen (1988) definiu uma classificação para os resultados do coeficiente de
correlação linear, que será utilizada na apresentação dos resultados dos coeficientes de
correlação a serem obtidos na análise de consistência dos dados. Nesta classificação está
definido que valores do coeficiente de correlação entre 0,10 e 0,29 podem ser considerados
pequenos; escores entre 0,30 e 0,49 podem ser considerados como médios; e valores entre
0,50 e 1 podem ser interpretados como grandes.
Cunha et al. (2013) analisaram comparativamente a espacialização de dados de
precipitação utilizando-se das técnicas de krigagem e cokrigagem no Estado do Espírito
Santo. Os autores concluíram que a cokrigagem produziu resultados mais acurados do que a
krigagem, verificados por pequenas diferenças nos erros médios absolutos, capazes de
produzir mapas estatisticamente diferentes.
Para a análise de consistência dos dados, usualmente é utilizada a técnica da dupla
massa. Com esta técnica, de acordo com Villela et al. (1975) pode ser efetuada a verificação
de ocorrência ou não de anormalidade na estação pluviométrica, tais como mudança de local
ou das condições do aparelho, modificação no método de observação ou de alterações
climáticas ocasionando eventos extremos de precipitação e regimes pluviométricos diferentes,
nas áreas de localização das estações. Essa técnica consiste na geração de uma curva dupla
acumulativa ou curva de dupla massa, na qual são relacionados os totais anuais ou mensais
acumulados de um determinado posto e a média acumulada dos totais anuais ou mensais de
todos os postos da região, considerada homogênea, sob o ponto de vista meteorológico.
Neste sentido, destaca-se de acordo com Fragoso et al. (2012) que se a correlação
linear entre as chuvas de dois postos pluviométricos forem altas, o preenchimento de
possíveis falhas pode ser realizado com regressão linear simples e desta maneira a
consistência dos dados é tida como satisfatória. Garcez et al. (2012) ressalta que esta técnica,
da dupla massa, comparativa entre os dados de uma estação com a média das estações
vizinhas, somente tem valor apreciável, quando há uma certa homogeneidade das
precipitações e as estações meteorológicas são bastante próximas umas das outras.
Além das técnicas estatísticas apresentadas anteriormente, no presente trabalho,
utilizar-se-á as analises de variância ANOVA e o teste de Kruskal-Wallis. Devore (2006)
define ANOVA como sendo um teste que contempla um conjunto de situações experimentais
e procedimentos estatísticos para a análise de respostas quantitativas de unidades
experimentais.
.
5. METODOLOGIA
Para a realização da análise das relações entre os municípios do Estado do Rio Grande
do Sul afetados pelas estiagens, além do levantamento bibliográfico, os seguintes
procedimentos metodológicos foram efetuados, conforme fluxograma exposto na Figura 9.
Figura 9 — Procedimentos metodológicos realizados.
40
Primeiramente foram avaliados os números de total de decretos de situação de
emergência em decorrência de estiagem registrados no Estado e por município. Hierarquizouse os municípios de acordo com o número de decretos registrados. Ressalta-se, que os
municípios que não registraram decretos de situação de emergência também foram integrados
à análise.
Os dados de decretos de situação de emergência utilizados no presente trabalho, são
oriundos da Defesa Civil do Estado do Rio Grande do Sul para o período de 1991 a 2012. No
entanto, somente os dados referentes ao período de 2003 a 2012 foram adquiridos junto ao
site da mesma (http://www.defesacivil.rs.gov.br/). Os dados referentes ao período de 1991 a
2002 foram coletados no Geodesastres-Sul do Centro Regional Sul do Instituto Nacional de
Pesquisas Espaciais (CRS/INPE) mediante autorização de utilização dos mesmos.
Os dados de precipitação utilizados para o cálculo do índice de Anomalia de Chuva
(IAC) foram adquiridos junto ao site HidroWeb da Agência Nacional das Águas (ANA;
http://hidroweb.ana.gov.br/)
e
no
Instituto
Nacional
de
Meteorologia
(INMET-
http://www.inmet.gov.br/portal/) oriundos de 57 estações meteorológicas, observando as
séries históricas de dados com o menor número de falhas. Estas, compreendem um período de
22 anos (1991 a 2012). Das estações ou pontos amostrais definidos, 44 localizam-se no
Estado Rio Grande do Sul e 13 no Estado de Santa Catarina conforme Tabela 3.
Tabela 2 — Estações meteorológicas - Municípios e coordenadas de localização.
N°
Nome da Estação
Localização (município)
Coordenada
Latitude (N)
Coordenada
Longitude (W)
Coordenada (Z)
Altitude (m)
1
Alegrete
Alegrete – RS
-29°47’04‖
-55°46’26‖
80
2
Anita Garibaldi
Anita Garibaldi – SC
-27°41’32‖
-51°07’46‖
800
3
Granja Coronel Pedro Osório
Arroio Grande – RS
-32°00’22‖
-52°39’10‖
20
4
Estância do Espantoso
Bagé – RS
-31°32’02‖
-54°17’41‖
120
5
Barra do Quaraí
Barra do Quarai – RS
-30°12’48‖
-57°33’12‖
40
6
Bom Jardim da Serra
Bom Jardim da Serra - SC
-28°20’23‖
-49°37’17‖
1200
7
Camaquã
Camaquã – RS
-30°51’57‖
-51°47’45‖
65
8
Candelária
Candelária – RS
-29°40’10‖
-52°47’25‖
40
9
Canguçu
Canguçu –RS
-31°24’16‖
-52°40’24‖
400
10
Carazinho
Carazinho – RS
-28°17’36‖
-52°43’27‖
570
11
Passo Migliavaca
Casca – RS
-28°37’10‖
-51°52’00‖
380
12
Boa Vista
Catuípe – RS
-28°06’40‖
-53°59’35‖
447
13
Caxias do Sul
Caxias do Sul – RS
-29°09’36‖
-51°12’00‖
759
14
Chapada
Chapada – RS
-28°03’31‖
-53°03’58‖
450
15
Condor
Condor – RS
-28°13’32‖
-53°28’13‖
440
16
Cruz Alta
Cruz Alta – RS
-28°37’48‖
-53°36’00‖
472
17
Dom Pedrito
Dom Pedrito – RS
-30°58’41‖
-54°40’33‖
120
(Continua)
41
Continuação da Tabela 3 — Estações meteorológicas - Municípios e coordenadas de localização.
18
Encruzilhada do Sul
Encruzilhada do Sul – RS
19
Erebango
Erebango – RS
20
Passo Faxinal
Ijuí – RS
21
Agradável
Ipumirim – SC
22
Iraí
Iraí – RS
23
Itatiba do Sul
24
Joaçaba
25
26
-30°31’48‖
-52°30’36‖
427
-27°51’15‖
-52°18’17‖
763
-28°19’54,6‖
-53°54’5,8’
200
-27°01’49,51‖
-52°09’37‖
600
-27°14’34,67‖
-53°14’0,2‖
247
Itatiba do Sul – RS
-27°23’20‖
-52°27’16‖
350
Joaçaba – SC
-27°10’18‖
-51°30’01‖
560
Rio Bonito
Lages – SC
-28°09’08‖
-50°26’27‖
900
Clemente Argolo
Lagoa Vermelha - RS
-28°00’21‖
-51°27’16‖
950
27
Liberato Salzano
Liberato Salzano - RS
-27°35’57‖
-53°04’17‖
378
28
Manoel Viana
Manoel Viana – RS
-29°35’38‖
-55°29’09‖
80
29
Meleiro
Meleiro – SC
-28°49’56‖
-49°38’12‖
80
30
Iporã
Mondaí – SC
-27°05’3.23‖
-53°26’35‖
557
31
Montenegro
Montenegro – RS
-29°40’07‖
-51°25’41‖
15
32
Solidão
Mostardas – RS
-30°40’06‖
-50°32’27‖
2
33
Passinhos
Osório – RS
-30°02’12‖
-50°23’38‖
15
34
Paim Filho
Paim Filho – RS
-27°42’45‖
-51°44’16‖
600
35
Palmeira das Missões
Palmeira das Missões - RS
-27°53’00‖
-53°26’00‖
634
36
Palmitos
Palmitos – SC
-27°03’52‖
-53°09’25‖
400
37
Praia Grande
Praia Grande – SC
-29°11’45‖
-49°57’48‖
60
38
Rio Grande
Rio Grande – RS
-32°18’00‖
-52°06’36‖
2
39
Rosário do Sul
Rosário do Sul – RS
-30°14’49‖
-54°55’03‖
100
40
Sananduva
Sananduva – RS
-27°58’58‖
-51°47’01‖
687
41
Santana do Livramento
Santana do Livramento – RS
-30°49’48‖
-55°36’00‖
328
42
Santa Vitória do Palmar
Santa Vitória do Palmar – RS
-33°30’36‖
-53°21’00‖
24
43
Santiago
Santiago – RS
-29°06’52,41‖
-54°49’17‖
420
44
Santo Antônio das Missões
Santo Antônio das Missões-RS
-28°29’33‖
-55°13’51‖
200
45
Garruchos
São Borja – RS
-28°34’22,94‖
-55°55’37‖
60
46
Passo Tainhas
São Francisco de Paula - RS
-29°11’33,64‖
-50°33’49‖
640
47
São José do Cerrito
São José do Cerrito - SC
-27°40’39,42‖
-50°32’8,1‖
920
48
São Sepé
São Sepé – RS
-30°11’00‖
-53°33’00‖
60
49
Linha Sescon
Sarandi – RS
-27°48’42‖
-53°01’40‖
350
50
SS
Sombrio
Sombrio – SC
-29°02’45‖
-49°36’24‖
18
51
Tapejara
Tapejara – RS
-28°03’47,16‖
-52°00’40‖
672
52
Timbé do Sul
Timbé do Sul – SC
-28°47’57,79‖
-49°50’29‖
115
53
Alto Uruguai
Tiradentes do Sul – RS
-27°18’07‖
-54°08’22‖
120
54
Tucunduva
Tucunduva – RS
-27°39’14‖
-54°26’32‖
120
55
Tupaciretã
Tupaciretã – RS
-29°05’08‖
-53°49’09‖
469
56
Ubirici
Ubirici – SC
-28°00’26‖
-49°35’32‖
853
57
Uruguaiana
Uruguaiana – RS
-29°45’00‖
-57°04’48‖
62
Fonte dos dados: Agência Nacional das Águas (ANA) e Instituto Nacional de Meteorologia (INMET).
As estações meteorológicas ou pontos amostrais estão distribuídos na área de estudo
conforme Figura 10 identificados pelos nomes dos municípios onde estão localizados. O
período de análise (1991 a 2012) foi definido de acordo com a disponibilidade de dados de
42
decretos de situação de emergência, os quais foram comparados com os dados de Índice de
Anomalia de Chuva (IAC). Neste sentido, destaca-se que a Defesa Civil do Estado do Rio
Grande do Sul tem dados de decretos de situação de emergência disponíveis, apenas a partir
de 1991 e desta maneira o período a ser analisado terá 22 anos, mesmo sabendo-se que o ideal
seriam no mínimo 30 anos de dados.
Figura 10 — Localização das estações meteorológicas.
Fonte: Elaboração do autor do presente trabalho.
Vários métodos são utilizados para o preenchimento de falhas, destacando-se os
Métodos da Ponderação Regional e da Regressão Linear, que foram utilizados na presente
pesquisa. Com relação a este último, Fragoso (2012) destaca que se for encontrado alta
correlação linear entre os dados de duas estações meteorológicas, pode-se preencher as
possíveis falhas nos dados de uma estação com os dados da outra, utilizando a regressão
linear
O Método de Ponderação Regional segundo Tassi et al. (2010) é simplificado, de fácil
aplicação, e normalmente utilizado para o preenchimento de séries mensais ou anuais de
precipitação. Neste método, de acordo com Mendonça (2009) costuma-se utilizar dados de 3
estações meteorológicas próximas, da seguinte forma:
43
 =
1 1  2  3 
+
+
3 1
2
3
Onde:
N1, N2, N3 e Nx = As médias de precipitações nas 3 estações e na que estamos preenchendo
falhas;
P1, P2, P3 e Px = As precipitações respectivas na data da falha.
No Método da Regressão Linear, o preenchimento das falhas se dá por meio de uma
equação, obtida com o correlacionamento entre os dados da estação com falhas (y) e da
estação vizinha (x) mais próxima. A correlação produzirá uma equação analítica cujos
parâmetros podem ser estimados graficamente em plotagens cartesianas de pares de valores
(x, y). No gráfico uma reta que passa pelos pontos médios x e y definirá a equação
(APOSTILA... , 2010):
 =  + 
(eq. 2)
Onde:
y = variável dependente;
x = Variável independente;
a = coeficiente linear;
b = coeficiente angular.
A técnica da dupla massa será aplicada aos dados de estações meteorológicas
utilizados na presente pesquisa. No entanto, presumindo-se que estações meteorológicas
próximas devem apresentar dados similares, no presente trabalho calculou-se os coeficientes
de correlação linear (eq. 3) entre os dados das séries históricas das estações meteorológicas.
Estes resultados foram correlacionados com as distâncias (km) entre as respectivas estações
meteorológicas de cada correlacionamento efetuado, em um diagrama de dispersão. Esta
avaliação foi realizada para a verificação da existência ou não de correlação, ou em outras
palavras de similaridade entre os dados de estações meteorológicas próximas.
O diagrama de dispersão foi gerado para sintetizar as relações existentes entre os
dados de precipitação pluviométrica de todas as estações meteorológicas avaliadas em função
das distâncias entre as mesmas. Esta análise foi concretizada pelos cálculos dos coeficientes
de determinação e correlação, sobre os quais foi aplicado o teste t de Student (eq. 4) para a
verificação da existência ou não de correlação entre os dados analisados.
44
Equação para a obtenção do coeficiente de correlação linear:
=

(eq. 3)
 ∗
Onde:
 = Coeficiente de correlação linear;
 = Soma dos valores obtidos com a multiplicação entre os valores de x e y, menos a
multiplicação entre os resultados das somas dos valores de x e y dividida pelo número de
pares amostrais;
 = Soma dos quadrados dos valores de x, menos o resultado da soma dos valores de x ao
quadrado dividida pelo número de pares amostrais;
 = Soma dos quadrados dos valores de y, menos o resultado da soma dos valores de y ao
quadrado dividida pelo número de pares amostrais;
Equação para o teste do coeficiente de correlação t de Student:
−2 =  ∗
−2
1 − 2
(. 4)
Onde:
−2 = Teste do coeficiente correlação de Student com  − 2 graus de liberdade indicando o
valor crítico de acordo com o número de pares amostrais (x, y);
 = Coeficiente de correlação linear;
 = Número de pares amostrais (x, y);
O Índice de Anomalia de Chuva (IAC) mensal ou anual é calculado de acordo com as
equações 5 e 6 desenvolvidas por Rooy (1965). Para anomalias de precipitação positivas, o
parâmetro  é a média dos dez valores mais elevados de precipitação do período estudado;
para as anomalias negativas, o parâmetro  representa os dez valores mais baixos de
precipitação do mesmo período. Os valores do índice são ordenados em um esquema de
classificação de nove categorias (Tabela 4) variando de extremamente úmido a extremamente
seco (FERNANDES et al. 2009).
45
 = 3
 = −3
−
 −
−
 −
Para anomalias positivas
(eq. 5)
Para anomalias negativas
(eq. 6)
Onde:
N = precipitação (mm) observada atual ou do mês que será calculado o IAC;
 = precipitação média da série histórica (mm);
 = média dos dez valores mensais ou anuais mais altos;
 = média dos dez valores mensais ou anuais mais baixos.
Tabela 3 — Classificações das intensidades das anomalias de precipitação de acordo com o Índice de Anomalia
de Chuva (IAC)..
IAC
CLASSIFICAÇÃO
≥ 4,00
Extremamente úmido
3,00 a 3,99
Umidade alta
2,00 a 2,99
Umidade moderada
0,50 a 1,99
Umidade baixa
-0,49 a 0,49
Normal
-1,99 a -0,5
Estiagem suave
-2,00 a -2,99
Estiagem moderada
-3,00 a -3,99
Estiagem alta
≤ -4,00
Estiagem extremamente alta
Fonte: Adaptado de: Fernandes et al. (2009). Destaca-se, que originalmente a tabela apresenta o termo
―Seca‖, onde se verifica o termo "estiagem".
O Índice de Anomalia de Chuva (IAC) foi calculado de forma mensal e também anual
para todo o período de 22 anos e sobre os dados de precipitação de cada uma das 57 estações
meteorológicas ou pontos amostrais.
Os valores do Índice de Anomalia de Chuva gerados a partir dos dados de precipitação
de cada estação meteorológica foram organizados em tabelas do Software Microsoft Office
Excel 2003 e posteriormente importados em tabela do Software Surfer 8.0. Nesta tabela, além
dos dados do Índice de Anomalia de Chuva (IAC) de cada ponto amostral foram inseridas as
coordenadas
geográficas,
o que possibilitou
a interpolação,
a
espacialização
e
conseqüentemente a estimação dos dados do IAC para os pontos não amostrados sobre a área
de estudo. A interpolação foi efetuada pelo método de Krigagem, a partir do qual obteve-se
uma grade regular com 80 linhas e 100 colunas mantendo distâncias de 9.000 m entre si e
contendo os dados do IAC que contemplaram todo o território do Estado, subdividida por
isolinhas que demarcam as áreas afetadas por anomalias de precipitação em valores de Índice
de Anomalia de Chuva de acordo com a classificação exposta na tabela 4 do item anterior.
46
Para tanto, os resultados desta avaliação possibilitaram as medições em percentuais de áreas
afetadas pelas estiagens no território do Rio Grande do Sul independentemente de suas
intensidades, além da identificação e caracterização dos municípios afetados pelas estiagens
de acordo com o IAC em todo período de análise, sendo estas obtidas com o cruzamento entre
as espacialiazações do Índice de Anomalia de Chuva sobre o Estado e a malha municipal do
mesmo.
Para a caracterização dos municípios afetados pelas estiagens de acordo com o Índice
de Anomalia de Chuva (IAC) foram definidas as seguintes avaliações:

Hierarquização dos municípios de acordo com o número total de meses com estiagem
em todo o período de análise.

Número de meses com estiagem por município por intensidade do fenômeno
climático, considerando todas as classificações expostas na Tabela 5 baseada na
classificação estabelecida por Rooy (1965) e adaptada por Fernandes et al (2009).
Ressalta-se que esta classificação, diferenciada daquela da tabela 4 do item 5.5, foi
determinada devido ao fato de muitos municípios apresentarem dados, gerados na
interpolação dos valores do Índice de Anomalia de Chuva, referentes a mais de uma
classificação de intensidade de estiagem, em uma única observação.
Tabela 4 — Classificação da intensidade das estiagens e suas variações.
ORDENAMENTO
CLASSIFICAÇÃO
1
Normal a Estiagem Suave
2
Estiagem Suave
3
Estiagem Suave à moderada
4
Estiagem Suave à alta
5
Estiagem Suave a extremamente alta
6
Estiagem Moderada
7
Estiagem Moderada a alta
8
Estiagem Moderada a extremamente alta
9
Estiagem Alta
10
Estiagem Alta a extremamente alta
11
Estiagem Extremamente alta
Fonte: Adaptado de Fernandes et al. 2009.

Períodos de duração das estiagens em meses por município. Foram avaliados períodos
a partir de 1 mês ou mais com estiagem consecutivamente. Os municípios foram
47
hierarquizados de acordo com o número de períodos de estiagem em meses de
determinada ordem (1, 2, 3... meses ou mais consecutivamente).
 Ex: Número de períodos de 2 meses consecutivos de estiagem por município.
Os resultados destas avaliações serviram de base para outras, onde foram verificados
os números de decretos de situação de emergência por período de duração e intensidade das
estiagens. Pretende-se buscar a informação do período de duração das estiagens e a
intensidade das mesmas até o mês do ano que os municípios decretaram situação de
emergência, ou em outras palavras, qual o período de duração e intensidade das estiagens que
ocasionou danos e prejuízos, e em conseqüência os decretos de situação de emergência nos
municípios. Também será possível verificar as áreas do Estado onde as estiagens ocorreram
com maior frequência, os maiores períodos de duração das estiagens, a as intensidades das
mesmas.
Uma análise integrada das variáveis decretos de situação de emergência e IAC
também foi realizada. Para esta etapa da pesquisa, destaca-se que nas avaliações dos períodos
de duração das estiagens, foram consideradas as datas (meses) de registro dos decretos de
situação de emergência. Os meses com ocorrência de estiagem (períodos de duração) foram
contados regressivamente, a partir do mês de registro dos decretos ou do anterior. Este,
também foi definido como ponto de início de contagem dos períodos de duração das
estiagens, devido a possibilidade de que muitos municípios podem ter efetuado os decretos de
situação de emergência no início de determinado mês, quando já enfrentavam condições de
tempo úmido sem a presença de estiagem, pois os decretos refletem uma condição adversa em
decorrência de estiagem enfrentada pelos municípios anteriormente, logo, o mês anterior
possivelmente apresentará índice de anomalia de chuva negativo indicando evento de
estiagem. Neste sentido, destaca-se que os dados de decretos de situação de emergência
adquiridos junto ao Geodesastres-Sul do INPE, não contém a informação sobre a data exata
do decreto. Ressalta-se ainda, que os períodos de estiagem de mais de um mês de duração
foram considerados apenas de forma consecutiva, quer dizer, sem intercalações de meses
úmidos. As avaliações efetuadas foram as seguintes:

Número de decretos de situação de emergência por período de duração das estiagens
até o mês de registro dos decretos ou o anterior. Nesta avaliação verificou-se após
48
quais períodos de estiagem em meses consecutivos os decretos de situação de
emergência foram registrados em sua maioria;

O número de decretos de situação de emergência por município por intensidade das
estiagens, considerando os períodos de estiagem até o mês de registro dos decretos ou
anterior. Busca-se nos períodos de estiagem, a variação das intensidades do fenômeno
climático, baseadas na classificação estabelecida por Rooy (1965) e adaptada por
Fernandes et al. (2009) e discriminada em variações de intensidade para esta avaliação
de acordo com Tabela 6.
Tabela 5 — Classificação da intensidade dos eventos de estiagem suas variações.
ORDENAMENTO
CLASSIFICAÇÃO
1
Normal / Estiagem Suave
2
Normal / Estiagem Suave a estiagem suave
3
Normal / Estiagem Suave a estiagem moderada
4
Normal / Estiagem Suave a estiagem alta
5
Normal / Estiagem Suave a estiagem extremamente alta
6
Estiagem Suave
7
Estiagem Suave à estiagem moderada
8
Estiagem Suave à estiagem alta
9
Estiagem Suave a estiagem extremamente alta
10
Estiagem Moderada
11
Estiagem Moderada a estiagem alta
12
Estiagem Moderada a estiagem extremamente alta
13
Estiagem Alta
14
Estiagem Alta a estiagem extremamente alta
15
Estiagem Extremamente alta
Fonte: Adaptado de Fernandes et al. (2009).

O número de decretos de situação de emergência por número de meses com estiagem
por município. Com esta avaliação pretende-se verificar, se municípios com os
maiores números de meses sob estiagem foram aqueles com os maiores números de
decretos de situação de emergência registrados em todo período de análise;
As formas de apresentação dos resultados da presente pesquisa, englobaram mapas,
tabelas e gráficos. Os dados foram avaliados utilizando-se dos Softwares Microsoft Office
Excel 2007, Surfer 8 e do Sistema de Processamento de Informações Georeferenciadas
(SPRING 4.3.3). Para algumas avaliações dos dados foram utilizadas outras as técnicas
estatísticas além das já citadas, como a Análise de variância ANOVA e os testes de
49
normalidade dos dados Shapiro-Wilk e de homogeneidade das variâncias de Barlett, sendo
estes dois últimos necessários para a realização da ANOVA.
Na análise de variância ANOVA, a média geral de toda a população de dados é gerada
e comparada com as médias dos grupos, que neste trabalho referem-se aos grupos de
municípios e respectivos números de decretos de situação de emergência. Quanto mais
próximos da média geral estão as médias dos grupos menor será a variância. No entanto a
definição de um erro para a análise deve ser efetuada. Este se refere-se ao "α" (alfa) de
maneira que o valor de prova ou P-valor gerado na análise deverá ser maior que o erro ou α
para que a hipótese H0 seja aceita e vice-versa.
O teste de Shapiro-Wilk foi utilizado para verificar se os dados mantém uma
distribuição , sendo este um dos critérios para a realização da análise de variância ANOVA. Já
o teste de Barlett foi utilizada para verificar se as variâncias observadas em cada grupo de
dados são homogêneas, sendo esta condição também exigida para a efetuação da ANOVA.
Também foi realizada uma análise para dados não-paramétricos, sendo esta referente
ao teste de Kruskal-Wallis para verificar hipóteses de igualdade entre médias. Neste teste é
efetuada a soma destas amostras para verificar se as mesmas diferem entre si, quer dizer, o
teste verifica se é provável que as amostras tenham sido retiradas ou não de uma mesma
população.
Também buscou-se informações junto ao IBGE (http://www.ibge.gov.br/home/)
referentes as condições socioeconômica dos municípios do Estado para serem utilizadas na
discussão dos resultados.
Para as avaliações onde foram consideradas as estações do ano destaca-se que neste
trabalho as análise foram efetuadas considerando períodos em meses, sendo que as quatro
estações do ano foram consideradas da seguinte forma:




Verão - janeiro, fevereiro e março;
Outono - abril, maio e junho;
Inverno - Julho, agosto e setembro;
Primavera - outubro, novembro e dezembro.
Para análises de correlação entre decretos e número de meses com estiagem por
município, foi realizada amostragem sobre a população total utilizando-se da função
"ALEATÓRIOENTRE" do Excel, para um nível de confiança de 99%, sendo esta definida, de
acordo com cálculo amostral efetuado em calculadora on-line desenvolvida por SANTOS
(2009). Também utilizou-se amostras menores do que primeira calculada, para comparações.
6. RESULTADOS E DISCUSSÃO
Na hierarquização dos municípios de acordo com o número de decretos de situação de
emergência observou-se que os municípios de Seberi no Norte e Piratini no Sul do Estado,
registraram 14 decretos de situação de emergência (Figura 11). Este, é o maior número de
decretos registrados por um único município, devido aos danos e prejuízos ocasionados pelas
estiagens no período de 1991 a 2012 verificados no presente trabalho.
De maneira geral, a maioria dos decretos de situação de emergência foram registrados
pelos municípios da Região Norte do Estado destacando-se também aqueles localizados na
Região Sudoeste Rio-Grandense (Campanha Gaúcha), Sudeste Rio-Grandense e Centro
Ocidental Rio-Grandense. Os municípios que não decretaram situação de emergência somam
37 no total. Estes se concentram no setor Leste, Nordeste, Litoral Norte, adjacências da
Região metropolitana de Porto Alegre e as margens do setor Norte da Laguna dos Patos.
Apenas o município de Chuí que não decretou situação de situação de emergência, está fora
das regiões citadas, sendo a localização deste, no extremo Sul do Estado (Figura 11).
Figura 11 — Espacialização do número de decretos de situação de emergência por estiagem nos municípios do
Estado do Rio Grande do Sul no período de 1991 a 2012.
Fonte dos dados de decretos: Defesa Civil – RS.
51
O total de decretos de situação de emergência avaliados no Estado de 1991 a 2012 foi
de 3005. Neste sentido, observou-se que a maioria dos decretos foram registrados nos meses
de verão com cerca de 68% e outono com 26,3% (Figura 12).
Figura 12 — Percentuais de decretos de situação de emergência em decorrência de estiagem por estação do ano
no Rio Grande do Sul para o período de 1991 a 2012.
Fonte dos dados: Defesa Civil - RS.
De todo período de análise, os anos com os maiores números de decretos de situação
de emergência por estiagem foram 2004, 2005 e 2012, onde observou-se que 82,45, 84,01 e
84,21% dos municípios do Estado do Rio Grande do Sul, respectivamente, decretaram
situação de emergência (Figura 13). Além destes, nos anos de 1991 e 2009 mais de 50% dos
municípios do Estado foram afetados pelas estiagens de acordo com os decretos de situação
de emergência registrados.
Figura 13 — Percentuais de decretos de situação de emergência em decorrência de estiagem por ano do período
de 1991 a 2012 no Rio Grande do Sul.
Fonte dos dados: Defesa Civil - RS.
52
Considerando os critérios para decretação de situação de emergência, cerca de 92%
dos decretos foram registrados por municípios que tem mais de 10% do PIB no setor da
economia agropecuária (IBGE, 2010) e somente aqueles que tem mais de 30% registraram
68,6% dos 3005 decretos avaliados (Figura 14). Destaca-se que prejuízos a partir de 10% do
PIB, são caracterizados como situação de emergência pela Secretaria Nacional de Defesa
Civil. A agropecuária é um dos primeiros setores econômicos a verificarem danos na
ocorrência de estiagem, desencadeando a seca socioeconômica NDMC (2011). Esta pode ser
considerada a conseqüência mais grave em decorrência de déficit hídrico e que provavelmente
perdura de uma safra de grãos a outra, promovendo acúmulos de danos, ou seja, a próxima
safra pode servir para cobrir os prejuízos da anterior.
Figura 14 — Número de decretos de situação de emergência por municípios do Estado do Rio Grande do Sul de
1991 a 2012, considerando a contribuição do setor da economia agropecuária no PIB municipal, por intervalos
percentuais do PIB de acordo com os critérios para decretação de situação de emergência.
Fonte dos dados: Defesa Civil - RS.
Com relação as atividades econômicas desenvolvidas no setor agropecuário, cabe
ressaltar que dos 3005 decretos de situação de emergência registrados no período de análise,
90% foram efetuados por municípios que tem a soja e o milho como a principal cultura
agrícola em área plantada (Figura 15). Destaca-se que estes municípios, somam uma
53
população rural de 1.194.965 habitantes de acordo com dados do IBGE no ano de 2010 e que
provavelmente verificaram danos e prejuízos em suas atividades econômicas.
Figura 15 — Percentuais de decretos de situação de emergência registrados nos municípios do Estado Rio
Grande do Sul de 1991 a 2012, considerando nos mesmos as principais culturas agrícolas em área plantada.
Fonte dos dados: Defesa Civil - RS e IBGE.
6.2. Análise dos dados de precipitação
A primeira avaliação efetuada com relação aos dados precipitação pluviométrica, foi a
análise de consistência dos mesmos. Na Figura 16 estão expostos os resultados da dupla
massa para os dados das estações localizadas nos municípios de Sananduva, Ijuí, Dom Pedrito
e Arroio Grande no Estado do Rio Grande do Sul, onde de acordo com Bertoni & Tucci
(2002) não haveria consistência dos dados devido ao não alinhamento dos pontos segundo
uma reta. No entanto, todos os coeficientes de correlação são altos segundo Cohen (1988) e
significativos para α=0,001, indicando a existência de uma correlação linear positiva entre os
dados, pois aplicando-se o teste t de Student para o menor coeficiente de correlação observado
(0,866) com n = 264 - 2 graus de liberdade e tcrítico;∞ = 3,290 , obteve-se  = 28,1 o que
possibilitou a rejeição da hipótese H0 e pela conclusão pela existância de correlação linear
positiva entre os dados.
54
Figura 16 — Verificação da consistência dos dados das estações de Sananduva-RS, Ijuí-RS, Dom Pedrito-RS e
Arroio Grande-RS pela técnica da Dupla Massa.
A menor distância entre as estações pluviométricas, das quais utilizou-se os dados para
a verificação de sua consistência pela técnica da Dupla Massa é de 19 km (estações de Ijuí-RS
e Catuípe-RS) e a maior de 140 km (estações de Arroio Grande-RS e Bagé-RS). Neste
sentido, destaca-se que provavelmente a inconsistência observada na aplicação da técnica da
Dupla Massa deve-se a regimes pluviométricos diferentes, ressaltando-se que Barnetche
(2006) encontrou resultados similares na aplicação desta técnica, no correlacionamento dos
dados de 3 postos pluviométricos instalados na Bacia hidrográfica do Rio Inferninho em
Biguaçu-SC com dados de estações meteorológicas em localidades adjacentes a bacia, com
distâncias de 12 até 36 km entre estações pluviométricas. Destaca-se de acordo com Garcez et
al. (2012) que a técnica da Dupla Massa é apreciável principalmente quando as estações
meteorológicas ou postos pluviométricos são bastante próximas umas das outras.
Desta maneira, para verificar o grau de proporcionalidade entre os dados, ou seja, a
verificação da existência ou não de uma tendência linear entre os dados de determinada
estação com as suas vizinhas realizou-se uma análise de correlação linear em função da
distância entre estações meteorológicas. Para esta análise, como salientado na metodologia
foram gerados coeficientes de correlação entre os dados de precipitação das estações
meteorológicas, totalizando 1596 coeficientes e estes foram correlacionados com as distâncias
(km) entre as mesmas para a verificação da existência ou não de coeficientes de correlação
55
altos de acordo com a classificação de Cohen (1988) entre os dados de estações
meteorológicas mais próximas, o que indicaria maior ou menor proporcionalidade, e
provavelmente a consciência dos mesmos.
Na Figura 17 fica demonstrado que as correlações entre os dados de estações
meteorológicas mais próximas geraram maiores coeficientes de correlação, e desta maneira
pode-se inferir em princípio pela similaridade entre os dados de estações vizinhas. Observouse no diagrama uma maior coesão entre os pontos referentes as estações mais próximas em
relação a reta da equação. Esta avaliação resultou em um coeficiente de correlação (R) de
0,868 classificado como grande de acordo com Cohen (1988). Aplicando-se o teste t de
Student para n = 1596 - 2 graus de liberdade, α = 0,001 e tcrítico;∞ = 3,290 obteve-se  = 70
o que possibilitou rejeitar a hipótese H0, concluindo-se pela existência de correlação linear
negativa entre os dados. Em princípio, quanto menor a distância entre as estações
meteorológicas maior é a correlação entre os dados de precipitação.
Figura 17 — Correlação entre coeficientes de correlação gerados a partir dos dados de precipitação das estações
pluviométricas e as distâncias entre as mesmas.
Uma amostra (56 pares amostrais) também foi coletada nas Tabelas A e B do Anexo 1
- CD para verificação de similaridade entre os dados de estações mais próximas. Nesta
avaliação considerou-se as correlações entre os dados da estação meteorológica localizada no
município de Alegrete-RS e os dados das demais estações, e as distâncias (km) entre as
mesmas.
Os resultados estão expostos na Figura 18 onde fica demonstrado a alta correlação
entre os dados de estações mais próximas e consequentemente menores correlações entre os
56
dados de estações distantes. Esta avaliação resultou em um coeficiente de correlação de 0,951
classificado como grande de acordo com Cohen (1988). Aplicando-se o teste t de Student,
para n = 56 - 2 graus de liberdade, α = 0,001 e tcrítico;54 = 3,496 obteve-se  = 22,6 o que
possibilitou rejeitar a hipótese H0, concluindo-se pela existência de correlação linear negativa
entre os dados. Quanto menor a distância entre as estações meteorológicas, maior é a
correlação entre os dados de precipitação.:
Figura 18 — Relação entre os coeficientes de correlação gerados a partir dos dados de precipitação da estação
pluviométrica de Alegrete-RS com as demais estações e as respectivas distâncias entre as mesmas.
Como já salientado, a menor distância observada entre duas estações meteorológicas
em todos os correlacionamentos foi de 19 km, entre as estações localizadas nos municípios de
Catuípe-RS e Ijuí-RS, e também Sarandi-RS e Chapada-RS. Além destas também destacamse as correlações que geraram os maiores coeficientes observados, entre os dados das estações
de Lagoa Vermelha-RS e Sananduva-RS (distância entre estações de 40 km) e entre os dados
das estações de Sananduva-RS e Tapejara-RS (distância entre estações de 25 km). Os dados
de precipitação destas estações meteorológicas foram correlacionados. Os resultados destes
correlacionamentos estão expostos na Figura 19 em diagramas de dispersão, onde fica
evidenciado os altos coeficientes de correlação entre os dados de estações próximas, no
entanto, com pode ser verificado na Figura 19, os coeficientes nem sempre obedecem o fator
distância, mas os dados avaliados tendem a uma maior similaridade em função deste fator, o
que esta de acordo com a teoria de Tobler (1970) " Todas as coisas estão relacionadas, mas as
coisas mais próximas se relacionam melhor do que coisas distantes.". Aplicando-se o teste t
de Student para o menor coeficiente de correlação observado 0,886 (Figura 19-D) e para
n = 264 - 2 graus de liberdade, α = 0,001 e tcrítico;∞ = 3,290 obteve-se  = 30,9 o
57
possibilitou rejeitar a hipótese H0, concluindo-se pela existência de correlação linear positiva
entre os dados.
Figura 19 — Coeficientes de correlação gerados entre os dados de precipitação das estações com as menores
distâncias verificadas (A e B), e os maiores coeficientes de correlação linear observados (C e D).
6.3. Avaliações referentes ao Índice de Anomalia de Chuva (IAC)
As médias obtidas dos dados de precipitação das 57 séries históricas avaliadas, e
utilizadas para o cálculo do Índice de Anomalia de Chuva, estão expostas na Tabela 7, onde
observou-se que o maior valor médio de precipitação mensal foi de 175,4 mm e refere-se a
estação meteorológica localizada no município de Timbé do Sul - SC. No Estado do Rio
Grande do Sul, a maior média de precipitação mensal calculada é de 170,7 mm verificada na
série histórica da estação meteorológica localizada no município de Erebango
na
Mesorregião Noroeste Rio-Grandense.
As menor média calculada foi de 88 mm e refere-se a série histórica de dados de
precipitação pluviométrica coletados na estação meteorológica localizada no município de
Barra do Quaraí - RS. A diferença entre a maior e a menor média calculada para o Estado do
Rio Grande do Sul, é de 82,7 mm. Estes fatos evidenciam a grande variabilidade das
58
precipitações no Estado observadas no período de 1991 a 2012 com a metade Norte do Estado
com altas médias de precipitação pluviométrica e Sul com as menores médias observadas.
Tabela 6 — Médias mensais dos dados de precipitação para séries históricas avaliadas, utilizadas para o cálculo
do Índice de Anomalia de Chuva (IAC).
Municípios de
Localização
das Estações
Precipitação média da série
histórica (mm)
Alegrete
Anita Garibaldi
Arroio Grande
Bagé
Barra Do Quaraí
Bom Jardim da Serra
Camaquã
Candelária
Canguçu
Carazinho
Casca
Catuípe
Caxias Do Sul
Chapada
Condor
Cruz Alta
Dom Pedrito
Encrizilhada do Sul
Erebango
Ijuí
Ipumirim
Iraí
Itatiba Do Sul
Joaçaba
Lages
Lagoa Vermelha
Liberato Salzano
Manoel Viana
Meleiro
Fonte dos dados de precipitação:
(INMET).
126,50
154,20
116,40
117,40
88,60
129,40
120,70
150,70
152,00
168,10
163,20
161,10
142,50
159,30
165,10
138,60
132,10
134,30
170,70
157,00
164,20
123,40
152,20
150,20
144,20
159,50
166,20
132,20
138,50
Agência Nacional
Localização
das Estações
Precipitação média da série
histórica (mm)
Mondaí
174,60
Montenegro
124,40
Mostardas
100,50
Osório
129,20
Paim Filho
153,00
Palmeiras das Missões
150,70
Palmitos
159,30
Praia Grande
156,90
Rio Grande
116,40
Rosário do Sul
131,80
Sananduva
156,60
Santa Vitória do Palmar
99,00
Santana do Livramento
120,60
Santiago
153,20
Santo Antônio das Missões
155,00
São Borja
159,90
São Francisco de Paula
138,00
São José do Cerrito
141,70
São Sepé
131,50
Sarandi
152,00
Sombrio
132,90
Tapejara
157,80
Timbé do Sul
175,40
Três Passos
143,20
Tucunduva
154,70
Tupaciretã
157,50
Ubirici
134,50
Uruguaiana
125,40
--------------------------das Águas (ANA) e Instituto Nacional de Meteorologia
As médias calculadas e apresentadas na Tabela 7 foram espacializadas e interpoladas
pelo método de krigagem sobre o território do Estado do Rio Grande do Sul. Na Figura 20 é
apresentado o variograma e a seguir a tabela com os dados referente a análise estatística para
os dados utilizados na krigagem.
59
Figura 20 — Variograma referente as médias das séries históricas de dados de precipitação.
Variograma
Distância Máxima Lag: 3.4
Divisões angulares: 180
Divisões radiais: 100
Efeito pepita: (Erro variância = 90.4) (Micro variância= 0)
Estatística uni-variada
————————————————————————————————————————————
X
Y
Z
————————————————————————————————————————————
Mínimo:
-57.64219
-33.74725
88.6
Mediana:
-52.794788
-28.645684
150.2
Máximo:
-49.592862
-27.071329
175.4
Centro do inter. de variação:
-53.617526
-30.4092895
132
Alcance:
8.049328
6.675921
86.8
Faixa Interquartís:
2.413846
1.889032
26
Desvio mediano:
1.265875
0.955824
13
Média:
-52.783281982456
-29.010094754386
143.23157894737
Desvio padrão
1.912800405687
1.4936556843768
19.385295954618
Variação:
3.6588053919964
2.2310073034712
375.78969924812
Coeficiente de variação:
0.13534233230607
Coeficiente de assimetria:
-0.62445721036393
———————————————————————————————————————————
Da avaliação das médias da séries históricas de dados de precipitação resultou o mapa
da Figura 21, onde ficam demonstradas as diferenças de precipitação observadas nas metades
Sul e Norte do Estado. No Norte ocorreram as maiores médias, cerca de 150 mm pelo menos
para a maioria das estações meteorológicas, e na metade Sul as precipitações possibilitaram o
cálculo de médias inferiores. Neste sentido, destaca-se que determinado volume
pluviométrico tido com normal na metade Sul do Estado pode ser considerada anormal na
60
metade Norte, o que provavelmente indica ambientes adaptadamente diferenciados,
principalmente com relação aos seus aspectos naturais e para com estes, os aspectos
antrópicos.
Figura 21 — Precipitação pluvial média no Estado do Rio Grande do Sul no período de 1991 a 2012.
Fonte dos dados de precipitação: Agência Nacional das Águas (ANA) e Instituto Nacional de Meteorologia
(INMET).
Com a utilização das médias das séries históricas de precipitação, efetuou-se o cálculo
do Índice de Anomalia de Chuva (IAC) e sobre este uma das avaliações realizadas consistiu
na obtenção de valores do IAC representativos das anomalias de precipitação para todo o
Estado para cada mês do ano em todo período de análise de todas a séries históricas de dados
de precipitação. Desta maneira calculou-se as médias dos Índices de Anomalia de Chuva de
todas as séries históricas, o que possibilitou a observação das ocorrências de anomalias
negativas de precipitação no decorrer do período de análise e um maior número de meses
secos na última década.
Neste sentido, o período de 1991 a 2012 foi dividido em dois para melhor
apresentação dos resultados. Na Figura 22 esta exposto os dados referentes ao período de
1991 a 2001 onde verificou-se uma maior alternância entre períodos secos e úmidos, e as
menores diferenças entre os números de meses com ocorrência de anomalias negativas e
positivas de precipitação. Este fato justifica os resultados observados na figura 29 da página
61
67, onde verificou-se menores números de meses com estiagem por município neste período.
De 1991 a 2001 analisou-se 132 meses, e destes 86 apresentaram anomalias negativas de
precipitação e 46 anomalias positivas com uma diferença de 40 meses.
Figura 22 — Índice de Anomalia de Chuva (IAC) mensal médio do Estado do Rio Grande do Sul para o período
de 1991 a 2012. Cada coluna refere-e a um mês do ano.
Fonte dos dados para o cálculo do IAC: Agência Nacional das Águas (ANA) e Instituto Nacional de
Meteorologia (INMET).
Destaca-se de acordo com o Nacional Weather Services - Climate Predition Center
(http://www.cpc.noaa.gov/data/indices/) dois eventos do fenômeno El Niño Oscilação Sul em
sua fase fria o La Niña de 1995 a 1996 e de 1998 a 2001 com intensidades variando de fraco a
forte, que provavelmente influenciaram nos índices negativos de precipitação observados nos
anos de 1996 a 1997 e do final do ano de 1998 até o início do ano de 2000, porém estes ainda
com intercalações de meses úmidos.
No período de 2002 a 2012 observou-se menor alternância entre meses úmidos e secos
predominando os últimos, com ocorrência de períodos maiores de precipitações abaixo da
média, em meses consecutivos (Figura 21). Neste período obteve-se 93 meses secos e 39
úmidos de um total de 132 meses, com uma diferença observada de 54. Considerando apenas
a última década, de 2003 a 2012 observou-se 29 meses úmidos e 91 secos o que indica uma
diminuição das precipitação neste período, onde verificou-se pelo menos dois grandes eventos
de La NIña conforme o National Weather Services - Climate Predition Center, de
62
2007 à 2009 e de 2010 a 2012 com intensidades variando de fraco a forte, que provavelmente
estão associados aos períodos de anomalias negativas de precipitação de acordo com o IAC
observados a partir do final do ano de 2007 até o mês de julho de 2009 e novembro de 2011 à
outubro de 2012. Destaca-se que nos anos de 2004 e 2005 foi observada ocorrência da fase
quente do El Niño Oscilação Sul, o El Niño que ocasionaria maiores pluviosidades. Neste
sentido, as intensas estiagens verificadas naqueles dois anos, provavelmente tiveram
influências de outras massas de ar que incidiram sobre o Estado do Rio Grande do Sul.
A partir da observação de um maior número de meses secos na última década do
período de análise, e para a verificação de uma tendência negativa com relação aos volumes
precipitados neste período, foi calculado o Índice de Anomalia de Chuva (IAC) anual. Nesta
avaliação fica demonstrado a ocorrência de um ponto de inflexão do ano de 2002, mudando
significativamente a climatologia da precipitação pluvial do Estado do Rio Grande do Sul na
última década do período de análise, com a predominância das anomalias negativas de
precipitação de acordo com o IAC. A partir do ano de 2003 foram observados 7 anos secos e
3 úmidos, e nos 12 anos anteriores de 1991 a 2002, 8 anos úmidos e 4 secos (Figura 23).
Figura 23 — Índice de Anomalia de Chuva anual do Estado do Rio Grande do Sul para o período de 1991 a
2012.
6.4. Espacialização do Índice de Anomalia de Chuva no Estado do Rio Grande do Sul
Como já salientado na metodologia, para os valores de anomalia de precipitação de
acordo com o Índice de Anomalia de Chuva (IAC) foram utilizadas as classificações de
intensidades dos eventos de estiagem determinadas por Rooy (1965). Além disso gerou-se
uma escala de cores para representar as classificações na espacialização dos dados sobre o
território do Estado do Rio Grande do Sul, conforme Figura 24.
63
Figura 24 — Escala de cores utilizada na espacialização do Índice de Anomalia de Chuva (IAC) conforme a
classificação estabelecida por Rooy (1965).
Os valores mínimo e máximo do IAC observados foram de -3,6 e 7,2 ocorridos nos
meses de Maio e Julho de 1995 e classificados como seca alta e umidade extremamente alta,
respectivamente. Neste sentido, destaca-se que na grande maioria dos casos, as ocorrências de
estiagem tiveram intensidades variando de suave à moderada. Com relação aos eventos de
anomalias negativas de precipitação de alta intensidade destaca-se os meses de maio de 1996,
onde verificou-se que todo o território da Mesorregião Sudeste Rio-Grandense e parte das
mesorregiões Sudoeste Rio-Grandense, Metropolitana de Porto Alegre, Centro Ocidental RioGrandense e Centro Oriental Rio-Grandense foram afetadas, e o mês de abril de 2009 quando
principalmente, partes das mesorregiões Sudeste Rio-Grandense, Metropolitana de Porto
Alegre e Noroeste Rio-Grandense foram atingidas por estiagem de alta intensidade.
Em 8 dos 264 meses avaliados, todo o Estado do Rio Grande do Sul foi afetado por
anomalias negativas de precipitação de acordo com o Índice de Anomalia de Chuva (IAC),
sendo eles, fevereiro de 1991, julho de 2005, abril de 2009 e destacando-se duas ocorrências
no ano de 2012 nos meses de maio e novembro, além de três ocorrências em meses de agosto
nos anos de 1999, 2004 e 2010. Em outros meses também foram verificadas grandes áreas
afetadas por anomalias negativas de precipitação com apenas pequenos pontos do Estado
onde as precipitações mostraram-se um pouco superiores acarretando em classificações do
IAC indicativas de umidade ou de normalidade das precipitações.
Nas Figuras 25 e 26 estão expostos uma série de cartogramas com a distribuição das
anomalias de precipitação de acordo com o Índice de Anomalia de Chuva calculado para o
Estado do Rio Grande do Sul no período de 1991 a 2012 e posteriormente a avaliação
quantitativa
das
áreas
de
ocorrências
de
anomalias
negativas
de
precipitação.
64
Figura 25 — Índice de Anomalia de Chuva do Estado do Rio Grande do Sul no período de 1991 a 2001.
65
Figura 26 — Índice de Anomalia de Chuva do Estado do Rio Grande do Sul no período de 2002 a 2012.
66
Como salientado na metodologia do presente trabalho buscou-se verificar no Estado
do Rio Grande do Sul como um todo, as extensões de áreas afetadas pelas estiagens,
independentemente das suas intensidades de acordo com os dados gerados a partir do cálculo
do Índice de Anomalia de Chuva (IAC). Neste sentido, considerando todo o território do
Estado do Rio Grande do Sul, como já salientado anteriormente, em 8 dos 264 meses
avaliados, 100% de sua área foi afetada por anomalias negativas de precipitação, destacandose o ano de 2012 com duas ocorrências e os meses de agosto com 3 ocorrências observadas
(Figura 27).
Figura 27 — Percentuais de área afetada pelas estiagens no Estado do Estado do Rio Grande do Sul no período
de 1991 a 2012 de acordo com o Índice de Anomalia de Chuva.
67
Em termos de valores médios de área afetada por ano, destacam-se os de 2004 e 2012
com mais de 60% do território do Estado sob estiagem. Os meses ano com as maiores médias
de área afetada foram os de março, agosto e novembro, com mais de 50% do território do
Estado sob estiagem destacando-se aqueles de agosto com 59,7% e os meses de outubro com
as menores áreas, cerca de 20%. Das estações do ano, no verão, outono e inverno observou-se
similaridade entre as médias de áreas afetadas, ultrapassando na maioria dos casos os 40%,
somente na estação da primavera os percentuais de área afetada foram significativamente
menores, quando comparadas com as demais, chegando a menos de 20% no mês de outubro.
Das menores médias anuais de áreas afetadas por anomalias negativas de precipitação,
destaca-se o ano de 2002, com cerca de 15% (Figura 27). Este ano pode ser visto como um
ponto inflexão para maiores percentuais de extensões de áreas afetadas na última década do
período de análise. Neste sentido, ressalta-se a ocorrência de uma tendência de aumento das
áreas de ocorrência de anomalias negativas de precipitação no Estado do Rio Grande do Sul
principalmente após o ano de 2002. Este fato já foi observado, na análise do Índice de
Anomalia de Chuva anual e médio mensal, onde verificou-se uma significativa mudança nos
regimes pluviométricos no Estado do Rio Grande do Sul a partir do ano de 2003.
Neste sentido, destaca-se que em média as maiores áreas afetadas por anomalias
negativas de precipitação foram observadas após o ano 2002, principalmente nos anos de
2004 e 2012 fazendo com que a linha de tendência mantenha-se positiva. A média geral de
área afetada para o período de 1991 a 2001 foi 39,5% e para o período de 2002 a 2012 obtevese um percentual médio de 43,3% o que indica um pequeno aumento e não constante, já que
ocorreram anos na segunda metade do período de análise em que a média de área afetada
chegou a um máximo de 35,3%. Desta maneira, considerando o ano de 2002, como um ponto
de inflexão, obteve-se um tendência de diminuição das áreas afetadas no período de 1991 a
2002 e um tendência de aumento das mesmas de 2002 a 2012 com oscilações dos percentuais
em ambos os períodos, como pode ser verificado na Figura 27.
6.5. Caracterização dos municípios no Estado, segundo a frequência, períodos de
duração e intensidades das estiagens de acordo com o Índice de Anomalia de Chuva
(IAC)
O cruzamento das espacializações do Índice de Anomalia de Chuva sobre o Estado do
Rio Grande do Sul com a malha municipal do mesmo, possibilitou a verificação dos
municípios e áreas do Estado com maior frequência de eventos de Estiagem. Neste sentido,
68
destaca-se o setor Oeste do Rio Grande Sul, onde determinados municípios, como Alegrete,
Itaqui, Quaraí, Santana do Livramento e Uruguaiana, foram afetados pelas estiagens em mais
de 60% dos 264 meses avaliados, com um máximo de 172 meses com anomalias negativas de
precipitação no município de Alegrete (Figura 28). De maneira geral, os municípios da
Mesorregião Sudoeste Rio-Grandense e Centro Ocidental Rio-Grandense foram os mais
afetados, tais como o já citado município de Alegrete, e os de Uruguaiana, Itaqui, Quaraí e
Santana do Livramento. Os municípios com o menor número de meses com ocorrência de
estiagem, localizam-se em partes das mesorregiões Centro Oriental Rio-Grandense, Nordeste
Rio-Grandense, Metropolitana de Porto Alegre e Noroeste Rio-Grandense.
Figura 28 — Número de meses com ocorrência de estiagem por município do Estado do Rio Grande do Sul no
período de 1991 a 2012.
Na análise das extensões de áreas afetadas por estiagem, e do Índice de Anomalia de
Chuva anual no Estado do Rio Grande do Sul salientou-se sobre uma tendência de aumento
de áreas com ocorrência de anomalias negativas de precipitação após o ano de 2002 e uma
modificação significativa na climatologia da precipitação pluvial, com 7 anos secos para
apenas 3 úmidos de acordo com o IAC anual calculado. Neste sentido, para verificar a
ocorrência ou não de um maior número de meses com estiagem por município principalmente
na última década do período de análise em comparação com o maior número de meses secos
observados na Figura 22 da página 59 na última década, dividiu-se o período de análise em
69
dois, sendo o primeiro a partir de 1991 até 2001 e o segundo de 2002 a 2012 para avaliar nos
mesmos a frequência de meses com estiagem por município.
Com esta avaliação fica demonstrado que o número de meses em que os municípios do
Estado foram afetados por anomalias negativas de precipitação foi maior no período de 2002
a 2012 pelo menos para a maioria dos casos (Figura 29). No entanto, mesmo com a diferença
observada, o setor Oeste do Estado do Rio Grande do Sul mantém-se como aquele com o
maior número de ocorrências de anomalias negativas de precipitação, tanto de 1991 a 2001
como de 2002 a 2012. Destaca-se, que este maior número de meses com ocorrência de
estiagem após o ano de 2002 justifica os 2098 decretos de situação de emergência registrados,
principalmente nos anos de 2004, 2005, 2009 e 2012, por municípios do Estado em
decorrência dos danos e prejuízos verificados, de acordo com dados da Defesa Civil - RS.
Figura 29 — Número de meses com ocorrência de estiagem por município de 1991 a 2001 e de 2002 a 2012 no
Estado do Rio Grande do Sul.
Também foi realizada uma avaliação com relação ao número de meses com ocorrência
de estiagem por município por estação do ano, onde ficou demonstrado as diferenças sazonais
nos números de meses com ocorrência de anomalias negativas de precipitação nos municípios
do Estado do Rio Grande do Sul (Figura 30). Na estação do verão praticamente todo o Estado
foi grandemente afetado, somente nos municípios da Mesorregião Nordeste Rio-Grandense, a
70
frequência de meses com estiagens é visivelmente menor, o que se modifica na estação do
outono, quando os municípios desta mesma mesorregião foram grandemente afetados pelas
estiagens. Destaca-se os municípios do setor Oeste, onde a frequência de meses com estiagem
já tinha sido alta no verão, aumentou na estação do outono e novamente no inverno aparecem
como aqueles com o maior número de meses com ocorrência de estiagens. Na primavera, os
municípios mais afetados foram os localizados no setor Sul, destacando-se ainda nesta estação
do ano, a Mesorregião Noroeste com as menores ocorrências de estiagem.
Figura 30 — Número de meses com ocorrência de estiagem por município por estação do ano no Estado do Rio
Grande do Sul no período de 1991 a 2012.
71
6.6. Número de meses com estiagem por município por intensidade do fenômeno
climático
Nas avaliações sobre as intensidades das estiagens por município e a frequência de
ocorrência das mesmas, foram verificadas seis das classificações determinadas na
metodologia no decorrer do período de análise, sendo elas a estiagem suave, normal à
estiagem suave, moderada, suave à moderada, alta e moderada à alta. Para as condições de
precipitação classificadas como estiagem suave, destaca-se os municípios de Mata e Nova
Esperança do Sul com 100 ocorrências observadas. De maneira geral, os municípios
localizados nas mesorregiões Centro Oriental e Centro Ocidental Rio-Grandense foram
grandemente afetados por estiagem suave (Figura 31).
Figura 31 — Número de meses com ocorrência de estiagem suave por município do Estado do Rio Grande do
Sul no período de 1991 a 2012.
A classificação de condições de precipitação consideradas normais à estiagem suave,
afetaram principalmente os municípios da Mesorregião Sudoeste Rio-Grandense (Figura 32).
O número máximo e mínimo de meses com ocorrência nos municípios foram de 62 e 3 meses,
respectivamente, destacando-se os municípios de Santa Vitória do Palmar com 62 e Alegrete
com 56 ocorrências. Nas demais regiões do Estado os municípios de Caiçara e Vicente Dutra
72
localizados no Noroeste Rio-Grandense, tiveram 54 e 52 meses com ocorrências de condições
de precipitação classificadas como normal a estiagem suave, respectivamente. Destaca-se
ainda os municípios de Bom Jesus e São Francisco de Paula no setor Nordeste do Estado com
até 47 ocorrências.
Figura 32 — Número de meses com ocorrência de condições de precipitação normal a estiagem suave por
município do Estado do Rio Grande do Sul no período de 1991 a 2012.
Os eventos de estiagem com intensidade moderada ocorreram principalmente em
municípios localizados na Mesorregião Noroeste Rio-Grandense destacando-se os de Porto
Mauá, Novo Machado e Porto Vera Cruz, com 43, 42 e 40 meses com ocorrências de
estiagem de intensidade moderada (Figura 33). Os números máximo e mínimo de meses com
estiagem moderada nos municípios foram de 10 e 43, respectivamente. As menores
frequências de ocorrências foram verificadas nos municípios localizados no setor Sul do
Estado, chegando ao um máximo de 19 para a maioria dos municípios. Na Mesorregião
Sudoeste destaca-se o município de Barra do Quaraí com até 43 ocorrências.
73
Figura 33 — Número de meses com ocorrência de estiagem moderada por município do Estado do Rio Grande
do Sul no período de 1991 a 2012.
A classificação de intensidade das estiagens de suave à moderada foi observada com
maior frequência principalmente nos municípios da Mesorregião Sudoeste Rio-Grandense
(Figura 34). O máximo de ocorrências foram de 30 meses destacando-se os municípios de
Uruguaiana, Dom Pedrito, São Borja, Bagé, Santa Vitória do Palmar e Rosário do Sul com
30, 29, 27, 27, 26 e 25 meses com ocorrências de anomalias negativas de precipitação
classificadas como estiagem suave à moderada, respectivamente. Nas demais Regiões do
Estado do Rio Grande do Sul destacam-se os municípios de Encruzilhada do Sul, localizado
na Mesorregião Sudeste Rio-Grandense com 22 ocorrências, o município de Alpestre com 21
ocorrências de estiagem suave à moderada e situado na Mesorregião Noroeste Rio-Grandense,
além do município de Ijuí tambem localizado nesta última mesorregião citada e com 21 meses
com ocorrências de anomalias negativas de precipitação classificadas como estiagem suave à
moderada. E ainda na Mesorregião Nordeste Rio-Grandense destaca-se o município de Caxias
do Sul com 24 ocorrências observadas.
74
Figura 34 — Número de meses com ocorrência de estiagem suave à moderada por município do Estado do Rio
Grande do Sul no período de 1991 a 2012.
As estiagens de alta intensidade foram observadas principalmente no Sudeste RioGrandense, sendo os municípios de Arroio Grande, Pedro Osório, Capão do Leão e Cerrito
aqueles com o maior número de ocorrências, sendo 5 no total por município (Figura 35). O
número máximo e mínimo de ocorrências observadas por município em todo o período de
análise foram de 5 e 1, respectivamente. Destaca-se também os municípios de Heval,
Jaguarão, Morro Redondo e Tramandaí com 4 ocorrências verificadas em cada município.
Além destes, os municípios de Maçambará, Unistalda, Nova Esperança do Sul, Capão do
Cipó e Garruchos localizados nas Mesorregiões Centro Ocidental e Sudoeste Rio-Grandense
nas proximidades da fronteira com a República Argentiva, tiveram 3 ocorrências de estiagem
de alta intensidade observadas no período de 1991 a 2012. Na Mesorregião Noroeste RioGrandense, também com 3 ocorrências de estiagem de alta intensidade no decorrer do período
de análise, destaca-se os municípios de Novo Barreiro, São José das Missões, São Pedro das
Missões, Barra Funda, Coqueiros do Sul, Pontão, Ibiaçá, Charrua, Santo Expedito do Sul e
São João da Urtiga. Dos municípios com uma à duas ocorrências de estiagem de alta
intensidade, destaca-se que foram afetados:

63,43% dos municípios da Mesorregião Noroeste Rio-Grandense;

61,11% dos municípios da Mesorregião Sudoeste Rio-Grandense;
75

90,32% dos municípios da Mesorregião Centro Ocidental Rio-Grandense;

50% dos municípios da Mesorregião Centro Oriental Rio-Grandense;

57,69% dos municípios da Mesorregião Sudeste Rio-Grandense;

44,90% dos municípios da Mesorregião Metropolitana de Porto Alegre;

58,49% dos municípios da Mesorregião Nordeste Rio-Grandense;
Os municípios onde não foram observadas ocorrências, somam ao todo 165 e
localizam-se principalmente nas mesorregiões Metropolitana de Porto Alegre e Noroeste RioGrandense, os quais estão representados no mapa da Figura 34 com a tonalidade de cor mais
clara.
Figura 35 — Número de meses com ocorrência de estiagem alta por município do Estado do Rio Grande do Sul
no período de 1991 a 2012.
Para as condições de precipitação consideradas como estiagem moderada à alta,
observou-se números máximo e mínimo de ocorrências de 6 e 1, destacando-se o município
de Alegrete, localizado na Mesorregião Sudoeste Rio-Grandense, com seis ocorrências
(Figura 36). Além deste, os municípios de Santiago no Sudoeste Rio-Grandense e Osório na
Mesorregião Metropolitana de Porto Alegre, tiveram ao todo 5 ocorrências de anomalias
negativas de precipitação classificadas como moderada à alta. Na Mesorregião Noroeste Rio-
76
Grandense, o maior número de meses com estiagem moderada à alta foram observados nos
municípios de Sarandi, Quatro Irmãos, Floriano Peixoto, Sananduva e Lagoa Vermelha, todos
com 4 ocorrências verificadas no período de 1991 a 2012. De uma à três ocorrências de
estiagem moderada à alta, observou-se que foram afetados:
58,33% dos municípios da Mesorregião Noroeste Rio-Grandense;
77,78% dos municípios da Mesorregião Sudoeste Rio-Grandense;
64,52% dos municípios da Mesorregião Centro Ocidental Rio-Grandense;
35,19% dos municípios da Mesorregião Centro Oriental Rio-Grandense;
42,41% dos municípios da Mesorregião Sudeste Rio-Grandense;
36,53% dos municípios da Mesorregião Metropolitana de Porto Alegre;
46,17% dos municípios da Mesorregião Nordeste Rio-Grandense;
Os municípios que não foram afetados por estiagem classificada com intensidades
variando de moderada à alta somam ao todo 234, e estão representados na tonalidade de cor
mais clara no mapa da Figura 35.
Figura 36 — Número de meses com ocorrência de estiagem moderada à alta por município do Estado do Rio
Grande do Sul no período de 1991 a 2012.
77
6.7. Períodos de duração dos eventos de estiagem em meses por município
Com relação aos períodos de duração dos eventos de estiagem em meses consecutivos
de ocorrência e independentemente de suas variações de intensidades observou-se períodos de
anomalias negativas de precipitação de até 17 meses consecutivos, este verificado no
município de São Francisco de Assis, localizado na Mesorregião Sudoeste Rio-Grandense. De
maneira geral, no setor Oeste do Estado foram verificados os maiores períodos de duração das
estiagens, destacando-se que somente períodos de 6 meses consecutivos foram os de menor
ocorrência naqueles municípios (Figura 36).
Os períodos de 1, 2, 3, 4 e 5 meses, foram os mais frequêntes. Aqueles períodos de um
mês de anomalia negativas de precipitação, entre meses úmidos, ocorreram principalmente
nos setores Norte e Nordeste do Estado. Os períodos de dois meses consecutivos de estiagem
incidiram sobre todo o Estado de maneira mais ou menos similar, com uma frequência um
pouco mais acentuada em municípios do Noroeste e Sudeste. Três meses consecutivos de
estiagem foram observados em maior número na metade Sul do Rio Grande do Sul onde os
municípios de Cachoeira do Sul e Santana da Boa Vista verificaram 16 ocorrências. Para os
períodos com 4 meses consecutivos de estiagem, destaca-se o setor Oeste do Estado, onde
verificou-se até 9 ocorrências no município de Uruguaiana. Os períodos de 5 meses
consecutivos de estiagem foram observados principalmente no setor Oeste destacando-se os
municípios de Alegrete e São Borja com 8 ocorrências, e no Sul os municípios de Arroio
Grande e Herval com 7 ocorrências (Figura 36).
Os períodos de 6 meses de estiagem ocorreram principalmente em municípios do setor
Sul, e aqueles com 7 meses consecutivos de anomalias negativas de precipitação foram
observados nos setores Oeste e Norte destacando-se neste último os municípios de Lagoa
Vermelha e Capão Bonito do Sul com 4 ocorrências. Para os períodos de 8 meses
consecutivos de estiagem verificou-se maiores incidências no setor Oeste e Central do Estado
com um máximo de duas ocorrências em determinados municípios (Figura 36).
As ocorrências de períodos de estiagem a partir de 9 meses consecutivos foram
verificados principalmente no setor Oeste do Estado do Rio Grande do Sul. Em alguns
municípios do Norte e Sul também verificou-se ocorrências. Destaca-se além do município de
São Francisco de Assis, já citado com 17 meses consecutivos de estiagem, os municípios de
Santa Vitória do Palmar com um período de 15 meses consecutivos e Nova Esperança do Sul,
Jguarí e Santiago com um período de 14 meses consecutivos de estiagem (Figura 36).
78
Figura 37 — Número de períodos de estiagem em meses consecutivos de duração, por município do Estado do Rio Grande do Sul no período de 1991 a 2012.
79
6.8. Número de decretos de situação de emergência por período de duração das estiagens
e por intensidades do fenômeno climático
Nestas avaliações foram verificados os períodos de duração (em meses consecutivos)
das estiagens até a data (mês) de registro dos decretos de situação de emergência e as
variações de intensidades das anomalias negativas de precipitação no decorrer de tais
períodos, por município. Neste sentido, observou-se que a maioria dos decretos foram
registrados após três meses consecutivos de estiagem, totalizando 45,77% dos decretos
registrados em todo o período de análise de 1991 a 2012 e também após 2 e 4 meses
consecutivos, porém, com menores percentuais cerca de 26 e 11% respectivamente
(Figura 38).
Figura 38 — Percentuais de decretos de situação de emergência por período de duração e intensidades das
estiagens.
Com relação as intensidades das anomalias negativas de precipitação e suas variações
no decorrer dos períodos, após os quais os municípios decretaram de situação de emergência,
80
destaca-se que a maioria dos decretos foram registrados após períodos de estiagem com
intensidades variando de suave a moderada, totalizando 53,47% dos decretos (Figura 38).
Decretos registrados após períodos de estiagem com variações de intensidade chegando a alta,
somam cerca de 3%. Em nenhum caso foi observado decretos de situação de emergência
registrados somente sob estiagem de alta intensidade. Estes eventos extremos, foram pouco
frequêntes de acordo com os dados gerados pelo cálculo do Índice de Anomalia de Chuva.
O maior período de estiagem em meses consecutivos de duração observado até a data
de decretação de situação de emergência, foi de 14 meses, sendo este referente ao município
de São Luiz Gonzaga localizado na Mesorregião Noroeste Rio-Grandense. No entanto, este
mesmo município também registrou decretos após 1, 2, 3, 4 e 5 meses consecutivos de
anomalias negativas de precipitação. Este fato ocorreu para a grande maioria dos municípios
que decretaram situação de emergência, com exceção daqueles que registraram apenas um
decreto em todo período de análise (Figura 38). Os únicos municípios que tiveram a totalidade
de seus decretos registrados após determinado período de duração das estiagens foram
Camaquã, Dois Irmãos, Garibaldi e Taquara que registraram dois decretos após 2 meses
consecutivos de estiagem, e os municípios de Campestre da Serra, Charqueadas, Cristal e
Forquetinha com três decretos após 3 meses consecutivos de estiagem, além dos municípios
de Dilermando de Aguiar, Paulo Bento e Santa Maria que registraram quatro decretos após 4
meses consecutivos de estiagem.
Com relação a comparação entre os dados de decretos de situação de emergência e
aqueles referentes ao Índice de Anomalia de Chuva (IAC) ressalta-se que dos 3005 decretos
de situação de emergência registrados pelos municípios do Estado, 97,34% tiveram
concordância com as ocorrências de estiagem observadas nos dados do Índice de Anomalia de
Chuva (IAC) e apenas 2,66% conflitaram com os mesmos (Figura 38). Com este resultado e
considerando a metodologia e o número de séries históricas utilizadas sobre a área de estudo,
pode-se se inferir pela eficiência do IAC para análises de dados de precipitação e
monitoramento de eventos extremos de estiagem no Estado do Rio Grande do Sul.
Nas Figuras 39 e 40, são apresentadas as espacializações dos dados que levou aos
resultados expostos na Figura 37, onde fica demonstrado que a maioria dos decretos de
situação de emergência foram registrados por municípios após 3 meses consecutivos de
estiagem, com intensidades variando de suave à moderada e com ocorrência similar em
praticamente todas as Regiões do Estado, com exceção da Mesorregião Metropolitana de
Porto Alegre e parte da Mesorregião Nordeste Rio-Grandense.
81
Figura 39 — Número de decretos de situação de emergência por município por período de duração das estiagens em meses consecutivos até a data de registro dos decretos de situação de emergência
82
Figura 40 — Número de decretos de situação de emergência por município por intensidade dos eventos de estiagem.
83
6.9. Relação entre o número de decretos de situação de emergência e número de meses
com estiagem de acordo com o IAC por município
Para esta avaliação, foram considerados os números de meses com estiagem por
município como a variável fator e os decretos de situação de emergência a variável resposta.
A análise de correlação linear resultou em um coeficiente de 0,260 (Tabela 8). De acordo com
Cohen (1988) este coeficiente é considerado pequeno, quer dizer, a relação entre as variáveis
é baixa. No entanto, aplicando-se o teste t de student para n = 496 - 2 graus de liberdade,
α = 0,001 e tcrítico;∞ = 3,290 obteve-se  = 5,98 o que possibilitou rejeitar a hipótese H0,
concluindo-se pela existência de correlação linear positiva entre os dados.
Tabela 7: Análise de correlação linear entre o número de meses com estiagem e o número de decretos de
situação de emergência por município, n = 496.
Nº decretos
Nº decretos
1
Nº meses com estiagem
0,260
Nº meses com estiagem
1
A partir do resultado antagônico obtido na análise de correlação, com um coeficiente
linear baixo de acordo com Cohen (1988) e com o teste t de student demonstrando a
existência de correlação positiva a um alto nível de significância, provavelmente devido ao n
muito grande, buscou-se efetuar a mesma análise com uma amostra menor, porém
estatisticamente significativa para observar um resultado similar ou não ao primeiro obtido.
Na Tabela 9 está exposto o resultado do correlacionamento entre os número de meses
com estiagem e o número de decretos de situação de emergência por município, para a
amostra com n = 285 sobre a qual obteve-se um coeficiente de correlação = 0,241.
Aplicando-se o teste t de Student obteve-se:
tcalc = 4,184 > t0,001;∞ = 3,290, o que
possibilitou rejeitar a hipótese H0 e concluir pela existência de correlação linear positiva entre
os dados.
Tabela 8: Análise de correlação linear entre o número de meses com estiagem e o número de decretos de
situação de emergência por município para uma amostra com n = 285.
Nº decretos
Nº decretos
1
Nº meses com estiagem
0,241
Nº meses com estiagem
1
84
Na Tabela 10 está exposto o resultado do correlacionamento entre os número de meses
com estiagem e o número de decretos de situação de emergência por município, para a
amostra com n = 120 sobre a qual obteve-se um coeficiente de correlação = 0,340.
Aplicando-se o teste t de Student obteve-se tcalc = 3,930 > t0,001;118 = 3,316, o que possibilitou
rejeitar a hipótese H0 e concluir pela existência de correlação linear positiva entre os dados.
Tabela 9: Análise de correlação linear entre o número de meses com estiagem e o número de decretos de
situação de emergência por município para uma amostra com n = 120.
Nº decretos
Nº meses com estiagem
Nº decretos
Nº meses com estiagem
1
0,340
1
Na Tabela 11 está exposto o resultado do correlacionamento entre os número de meses
com estiagem e o número de decretos de situação de emergência por município, para a
amostra com n = 30 sobre a qual obteve-se um coeficiente de correlação = 0,198. Aplicandose o teste t de Student obteve-se tcalc = 1,068 < t0,001;28 = 3,674, o que possibilitou a aceitação da
hipótese H0 e concluir pela não existência de correlação linear positiva entre os dados.
Tabela 10: Análise de correlação linear entre o número de meses com estiagem e o número de decretos de
situação de emergência por município para uma amostra com n = 30.
Nº decretos
Nº meses com estiagem
Nº decretos
Nº meses com estiagem
1
0,198
1
Como demonstrado na análise de correlação linear, somente quando a amostra foi
razoavelmente reduzida (n = 30) aceitou-se a hipótese H0 e pela não existência de correlação
entre os dados das variáveis. Neste sentido, destaca-se o resultado da Figura 41, onde esta
exposto o correlacionamento entre as variáveis considerando toda a população, ou seja,
n = 496. Neste diagrama de dispersão, os pontos que representam os municípios que
registraram entre 1 e 3 decretos situaram-se na faixa de 110 à 135 meses com estiagem na
maioria dos casos e, os pontos que representam os municípios que registraram a partir de 4
decretos situaram-se na faixa de120 e 150 meses com estiagem na maioria das observações.
Neste sentido, a nuvem de pontos estabeleceu-se mais ou menos alongada horizontalmente
conforme o número de decretos por município aumenta. Além disso, os pontos ficaram
85
alinhados horizontalmente conforme cada grupo de municípios e respectivos números de
decretos registrados no período de análise, sendo que as médias de meses em que os
municípios foram afetados pelas estiagens em cada grupo e as médias de decretos por cada
grupo, podem gerar um melhor resultado no que se refere ao coeficiente de correlação obtido
na correlacionamento entre as variáveis apresentado na Figura 41 e na Tabela 8, que de
acordo com Cohen (1988) é tido como um coeficiente pequeno.
Figura 41 — Gráfico de dispersão entre número de decretos e número de meses com estiagem por município de
acordo com o IAC.
As constatações acerca dos resultados expostos na Figura 40 levaram a análise das
médias do número de meses em que os municípios foram afetados pelas estiagens, por grupos
de municípios de acordo com seus respectivos números médios de decretos de situação de
emergência. Desta maneira buscou-se observar a existência ou não de variação das médias de
números de meses que os municípios foram afetados pelas estiagens, entre os grupos de
municípios de acordo com respectivos números de decretos, e na existência de variação
observar, se esta proporciona uma tendência, que no caso das variáveis aqui avaliadas deve
ser positiva, logo, um aumento em X deverá ocasionar um aumento em Y e vice versa.
86
Visando a análise de variância ANOVA, os dados foram testados quanto a sua
normalidade pelo teste de Shapiro-Wilk e quanto a homogeneidade das variâncias utilizando
do teste de Barlett:

O teste de normalidade foi realizado para α = 0,05 obtendo-se:
P-valor = 1,28E-13 < α = 0,05 o que possibilitou a rejeição da hipótese de
normalidade dos dados.

O teste de homogeneidade das variâncias foi realizado para α = 0,05, onde obteve-se:
P-valor = 0,059296832 > α = 0,05 o que possibilitou a aceitação da hipótese
H0, concluindo-se pela homogeneidade das variâncias.
Mesmo com um resultado negativo referente ao teste de normalidade dos dados a
análise de variância ANOVA foi realizada, e posteriormente realizou-se também uma análise
para dados não-paramétricos.
A ANOVA foi realizada com fator único (número de meses com estiagem por
município) e para α = 0,05. Na Tabela 12 está exposto o resultado da ANOVA, que
demonstrou a existência de variância entre as médias, referentes aos números de meses em
que os municípios foram afetados pelas estiagens, pois P-valor = 1,05E-13 < α = 0,05 e,
Fcrítico = 1,739072 < Fcalc
=
7,534865. Destaca-se novamente, que as médias analisadas
referem-se aos números de meses que os municípios foram afetados, em cada grupo de
municípios e respectivos números de decretos de situação de emergência.
Tabela 11: Resultado ANOVA para os dados referentes aos números de meses em que os município foram
afetados pelas estiagens de acordo com o IAC em cada grupo de municípios e respectivos números de decretos
de situação de emergência.
Fonte da variação
SQ
gl
MQ
Entre grupos
8197,459
13
630,5737
Dentro dos grupos
43350,11
518
83,68746
Total
51547,56
531
F
7,534865
valor-P
1,05E-13
F crítico
1,739072
Tendo em vista que os critérios para a realização da ANOVA não foram totalmente
atendidos, e como já salientado, foi realizada uma análise para dados não-paramétricos. Esta
compreende o teste de Kruskal-Wallis para verificar a hipótese de igualdade entre as médias
87
referentes aos números de meses em que os municípios foram afetados pelas estiagens de
acordo com o IAC.
O teste de Kruskal-Wallis foi aplicado para α = 0,05 considerando os dados de cada
grupo de municípios e respectivos números de decretos, que se referem aos números de meses
em que os mesmos foram afetados pelas estiagens de acordo com o IAC. Na Tabela 13 esta
exposto o resultado do teste, que possibilitou a rejeição da hipótese H0 ou nula de que, em
média os grupos de municípios de acordo com seus respectivos números de decretos de
situação de emergência, tiveram números iguais ou similares de meses com estiagem no
decorrer do período de análise, pois, P-valor = 1,23E-08 < α = 0,05.
Tabela 12: Teste de Kruskal-Wallis para as médias dos números de meses em que os municípios de cada grupo,
referentes aos números de decretos de situação de emergência registrados, foram afetados pelas estiagens.
Informação
Valor
Graus de Liberdade
13
P-valor
4,23E-08
Na Figura 42 está exposto o gráfico de efeitos referente ao teste de Kruskal-Wallis,
onde observou-se que os grupos de municípios que registraram de 1 à 3 decretos de situação
de emergência, e aqueles que não decretaram, tiveram em média de 125 à 126 meses com
estiagem no decorrer do período de análise. Os grupos de municípios que registraram a partir
de 4 até 12 decretos de situação de emergência tiveram em média de 129 à 133 meses com
estiagem. Os municípios que registraram 14 decretos de situação de emergência no decorrer
do período de análise, tiveram em média 141 meses com estiagem de acordo com o Índice de
Anomalia de Chuva. No gráfico de efeitos, fica demonstrado uma tendência positiva com
relação ao numero de meses com estiagem e o número de decretos, quer dizer que, em média
quanto maior o número de meses em que os municípios foram afetados pelas estiagens de
acordo com o Índice de Anomalia de Chuva (IAC) maior foi em média o número de decretos
de situação de emergência. Neste sentido, os valores médios do número de meses com
estiagem e o número médio de decretos de situação de emergência, por grupo de municípios e
respectivos número de decretos foram plotados em um plano cartesiano para observar o
coeficiente de correlação entre os mesmos.
88
Figura 42 — Gráfico de efeitos relacionados aos resultados do teste de Kruskal-Wallis.
Neste sentido, as médias dos números de meses em que os municípios foram afetados
pelas estiagens e as médias dos números de decretos, por grupo de municípios e respectivos
número de decretos foram correlacionados, resultando em um coeficiente de 0,817
considerado grande de acordo com Cohen (1988) (Figura 42). Aplicando-se os teste t de
Student para n = 14 - 2 graus de liberdade e α = 0,001e obteve-se  = 4,911 o que
possibilitou rejeitar a hipótese H0 e concluir pela existência de correlação linear positiva entre
os dados.
Figura 43 — Correlação linear entre as médias de decretos de situação de emergência e as médias dos números
de meses com estiagem, por grupos de municípios e respectivos números de decretos.
7. CONSIDERAÇÕES FINAIS
No presente trabalho de pesquisa objetivou-se analisar as relações entre os municípios
do Estado do Rio Grande do Sul afetados pelas estiagens de acordo com os decretos de
situação de emergência emitidos pelo mesmos e o Índice de Anomalia de Chuva (IAC) no
período de 1991 a 2012. Neste sentido, os resultados das avaliações realizadas no presente
trabalho demonstraram que na maioria dos casos, os decretos de situação de emergência
foram registrados por municípios com a economia apoiada no setor da economia
agropecuária, tendo como principais atividades agrícolas o cultivo da soja e do milho. Unidos
a estes fatos, destaca-se que a grande parte das ocorrências de estiagem nos municípios foram
verificadas nos meses de verão, sendo esta, a estação de cultivo das culturas agrícolas citadas,
que provavelmente foram prejudicadas pelas estiagens, condicionando os danos e prejuízos e
as consequentes respostas das comunidades afetadas ao evento adverso, na forma de decretos
de situação de emergência.
A avaliação das médias de precipitação mensais utilizadas para o cálculo do Índice de
Anomalia de Chuva (IAC) demonstrou as diferenças nos volumes de precipitação
pluviométrica entre as metades Norte e Sul do Estado. Este fato indica, além de volumes
pluviométricos distintos, a possibilidade de sistemas ambientais adaptadamente diferentes ou
em adaptação, para se manterem estáveis frente as baixas pluviosidades, como é o caso da
metade Sul do Estado, e as precipitações de maior volume na metade Norte do Rio Grande do
Sul. Com estes resultados, infere-se que pode ser de relevância a divisão do Estado para
estudos futuros sobre as precipitações pluviométricas, em suas metades Norte e Sul para uma
melhor compreensão destes diferentes ambientes provavelmente adaptados a regimes
pluviométricos distintos.
Verificou-se na análise do Índice de Anomalia de Chuva (IAC) médio para o Estado
do Rio Grande do Sul, que na maioria dos meses avaliados ocorreram anomalias negativas de
precipitação, principalmente na última década do período de análise, sendo este com os
maiores períodos em meses consecutivos de anomalias negativas de precipitação. Este fato,
teve maior consistência na análise do IAC anual para o Estado, onde observou-se uma
significativa mudança na climatologia da precipitação pluvial após o ano de 2003, com a
predominância de anos secos e, além de que, nas avaliações do número de meses com
estiagem por município, as maiores frequências foram verificadas na segunda metade do
período de análise. Destaca-se ainda, as avaliações das áreas afetadas pelas estiagens no
90
Estado, onde observou-se uma tendência de aumento das mesmas, para todo período de
análise, e considerando o ano de 2002 como um ponto de inflexão, obteve-se duas tendências,
sendo a primeira negativa de 1991 a 2002 com a diminuição das áreas afetadas, e a segunda
positiva demonstrando o aumento das áreas de ocorrência de anomalias negativas de
precipitação de 2002 a 2012.
As avaliações referentes ao número de meses com estiagem por município possibilitou
a identificação do setor Oeste do Estado como sendo o mais afetado pelas estiagens
principalmente nas estações do verão, outono e inverno. Soma-se a este mesmo setor, os
maiores períodos das estiagens em meses consecutivos de duração, e ainda um considerável
número de decretos de situação de emergência registrados pelos municípios que lá se
localizam.
A relação entre o número de decretos de situação de emergência registrados pelos
municípios e o número de meses que os mesmos foram afetados pelas estiagens de acordo
com o IAC, no período de análise, mostrou-se mais significativa somente quando considerouse as médias de decretos e de meses em que os municípios foram afetados pelas estiagens por
grupo de municípios e respectivos número de decretos. A análise dos dados originais,
referentes a cada um dos 496 municípios avaliados gerou resultados pouco satisfatórios com
relação aos coeficientes de correlação calculados. De maneira geral, pode-se inferir que
existiu uma tendência de que, em média aqueles municípios que foram grandemente afetados
pelas estiagens foram os que registraram os maiores números de decretos, no entanto, isto não
é válido para todos os casos, já que foram verificados municípios que tiveram um grande
número de decretos, e porém, os menores números de meses com estiagem observados. Estes
fatos indicam que o número de decretos de situação de emergência está relacionado também a
outros fatores, sejam eles meteorológicos, físico ambientais, ou como demonstrado nas
avaliações do presente trabalho, as condições econômicas municipais, além do período de
ocorrência das anomalias negativas de precipitação, coincidindo com o cultivo das principais
culturas agrícolas no Estado. Neste sentido, o menor número de meses em que os municípios
foram afetados pelas estiagens (114 meses) deve também ser considerado significativo, pois
totalizou mais de 40% do total de meses avaliados no período de análise, e dependendo de
seus períodos de ocorrência podem ter ocasionado danos o suficiente para a decretação de
situação de emergência por parte dos municípios.
A análise integrada das variáveis, referentes aos decretos de situação de emergência e
ocorrência de anomalias negativas de precipitação de acordo com o Índice de Anomalia de
91
Chuva (IAC), demonstrou que a grande maioria dos decretos de situação e emergência foram
registrados após três meses consecutivos de anomalias negativas de precipitação com
intensidades variando de suave à moderada. Neste sentido, infere-se que mesmo os maiores
períodos de estiagem observados, não foram necessários para a decretação de situação de
emergência por parte dos municípios, mas sim a estação ou estações do ano de ocorrência dos
mesmos, já que a grande maioria dos decretos foram registrados nos meses de verão e outono,
onde provavelmente, além dos déficits de precipitação, outras características intrínsecas a
estas estações, como por exemplo, as temperaturas mais elevadas, menor umidade relativa do
ar, maior evaporação e evapotranspiração, favoreceram a um acentuado déficit de água do
solo, prejudicando as culturas agrícolas.
Apesar de que os resultados obtidos com a aplicação da técnica da Dupla Massa terem
demonstrado uma inconsistência dos dados, provavelmente devido a regimes pluviométricos
distintos e decorrentes das distâncias entre as estações pluviométricas, os correlacionamentos
dos dados de precipitação das estações meteorológicas em função da distância entre as
mesmas, resultou em coeficientes de correlação altos de acordo com Cohen (1988). Neste
sentido, presume-se, em princípio, pela consistência dos dados de precipitação utilizados no
presente trabalho, já que a técnica da Dupla Massa, conforme Garcez (2012) somente é
apreciável, se as estações de coleta de dados pluviométricos estiverem bastante próximas uma
das outras, o que não foi o caso das estações observadas no presente trabalho.
Por fim, destaca-se que a análise comparativa entre os dados de decretos de situação
de emergência e aqueles referentes ao Índice de Anomalia de Chuva (IAC) demonstrou que
na grande maioria dos casos, as variáveis concordaram entre si, quer dizer, as ocorrências de
estiagens nos municípios de acordo com os decretos de situação de emergência, foram
também observadas nos dados do IAC. Com este resultado e considerando a metodologia
utilizada, pode-se se inferir pela eficiência do Índice de Anomalia de Chuva para análises de
dados de precipitação e monitoramento de eventos extremos de estiagem no Estado do Rio
Grande do Sul.
Recomenda-se:

Que sejam feitas análises das precipitações pluviométricas nos municípios do Estado
do Rio Grande do Sul com a mesma metodologia utilizada no presente trabalho, e para
os dados da década após o ano de 2012, para fins de comparações com os resultados
92
obtidos no presente trabalho e a verificação ou não das mesmas áreas com maior
ocorrência de estiagem de acordo com o Índice de Anomalia de chuva (IAC);

Que sejam feitas também análises observando regiões homogêneas em se tratando das
precipitações pluviométricas mensais, já que, foram verificadas médias de
precipitações pluviométricas significativamente distintas entre o Norte e Sul do Estado
do Rio Grande do Sul.

O cálculo do Índice de Anomalia de Chuva pode também ser realizado sobre os dados
das séries históricas das precipitações pluviométricas por meses do ano. O cálculo dos
índices estarão atrelados as médias das séries históricas de precipitação de cada mês
do ano, o que resultará nas séries históricas de precipitação e índices calculados para
os meses de janeiro, fevereiro, março, abril, maio, junho, julho, agosto, setembro,
outubro, novembro e dezembro.
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