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Guimarães - Casa de Sarmento

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Guimarães - Casa de Sarmento
Guimarães
Apontamentos para a sua História
Padre António José Ferreira Caldas
2.ª Edição, Guimarães, CMG/SMS, 1996, parte I, pp. 129/136
NOMES ANTIGOS E MODERNOS DAS RUAS E LARGOS DE GUIMARÃES
Em vereação de 4 de Abril de 1807, para acalmar várias
desordens, que continuamente se davam nos diferentes pontos da vila,
resolveu a câmara dividi-la em oito bairros, nomeando para cada um
deles um juiz, que rondasse com os seus homens o seu bairro
respectivo. Ficaram assim compostos estes oito bairros:
1º bairro - Ruas do Cano de Baixo e de Cima até à Cruz de
Argola, ruas de Santo António e de Santa Cruz.
2º - Campo da Feira, Trigais, Hortas, Ramada, rua das Pretas,
Soalhães, Carvalhas de S. Francisco, rua de S. Dâmaso e Traz do Muro.
3º - Campo de S. Francisco, rua de Couros, S. Sebastião,
Caldeiroa e Relho.
4º - Rua Nova das Oliveiras, Molianas, rua Travessa, rua de
Gatos até aos Pombais, S. Domingos, Toural e Traz do Mosteiro.
5º - Rua da Fonte Nova, Santa Luzia até à Ponte, Picoto,
Palheiros.
6º - Rua Nova, Açougues, S. Paio, Tulha, Alcobaça, rua dos
Mercadores, rua Donães, Eirado, rua Sapateira, rua Escura, praça da
Oliveira e rua do Postigo.
7º - Largo da Misericórdia, ruas de Santa Maria, do Espírito
Santo, praça de S. Tiago, rua dos Fornos, Val de Donas, rua do Gado,
Carmo até Santa Margarida, com as duas ruas do lado da igreja.
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8º - Madroa, Arquinho, Cruz da Pedra, Sabacho e Trás-Gaia.
Neste mesmo ano, e por determinação da câmara em 31 de
Janeiro, principiou a adoptar-se aqui o sistema de numerar as casas, e
indicar nas esquinas os nomes das ruas.
Actualmente não tem a cidade divisão policial; compõe-se de
quatro freguesias urbanas, que são:
Nossa Senhora da Oliveira, S. Miguel do Castelo, anexa àquela,
S. Paio e S. Sebastião.
Mas além destas, é para saber-se, que ainda outras cinco
freguesias suburbanas metem no aro da cidade lugares mais ou menos
importantes, e são elas:
Ao nascente, Santa Marinha da Costa; Santo Estevão de Urgeses
a sul; S. Miguel de Creixomil a poente; S. Pedro de Azurém a norte, e
Santa Eulália de Fermentões.
Dou aqui a nomenclatura moderna das ruas, colocando em frente
a designação antiga; e indico com o sinal * aquelas ruas e largos, que
ficam extramuros, para assim provar aos nossos detractores, que - se
D. Afonso Henriques viesse a Guimarães, por certo não conheceria o
burgo, que lhe fora berço.
DENOMINAÇÃO NOVA
Rainha (rua da)
Senhora da Guia (rua da)
Nova do Comércio (rua)
Santa Maria(rua de)
S. Torcato (rua de)
Arcela * (rua)
Santa Margarida (rua de)
D. Luís Primeiro (rua de)
DENOMINAÇÃO ANTIGA
Mercadores, Sapateira, Porta da Vila (rua dos).
Largo do Postigo da Guia - parte *.
Rua Nova do Muro.
Santa Maria, Infesta, Porta de Santo António - hoje rua
do Conde D. Henrique1.
Cano de Baixo *, rua de Além *.
Cano de Cima *, Arcela *.
Santa Barbara.
Largo de S. Bento, Laranjais, rua do Gado, rua do Poço.
1Esta
rua do Conde D. Henrique assim como a de Gil Vicente, largo dos Duques de
Bragança, rua de Paio Galvão, e campo de D. Afonso Henriques, foram deste modo
baptisadas numa sessão de câmara do mês de Abril de 1880, por proposta do
vereador António Joaquim de Melo. A rua de Camões foi assim denominada, a
pedido da comissão dos festejos do tricentenário do imortal épico, em sessão
solene de 10 de 1880; e por esta mesma ocasião deu-se ao largo do Pelourinho o
nome de largo do Trovador, em honrosa comemoração do nosso primeiro trovador
Manuel Gonçalves, ali nascido.
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Lamelas (rua das)
Val de Donas (rua de)
Nova do Carmo (rua)
S. Tiago (rua de)
Espirito Santo (rua do)
S. Paio (rua de)
Alcobaça (rua de)
Anjo (rua do)
D. João I (rua de)
Nova de Santo António *
(rua).
Santa Luzia * (rua de)
Nova do Mercado * (rua)
Alegria * (rua da)
Nova das Oliveiras *
(rua)
S. Sebastião * (rua de)
Vila Flor * (rua de)
Vila Verde * (rua de)
Vila Pouca * (rua de)
Terceiros * (rua dos)
S. Dâmaso * (rua de)
Costa * (rua da)
Retiro (rua do)
Santa Rosa de Lima *
(rua de)
N. S. da Oliveira (largo)
S. Tiago (largo de)
Santa Margarida (largo
de)
Duques
de
Bragança*(largo dos)
Paio Galvão
Pelourinho * (largo do)
S. Sebastião * (largo de)
Toural * (campo do)
Misericórdia (campo da)
S. Francisco * (campo
de)
Salvador * (campo do)
Cadeia (travessa da)
Anjo (travessa do)
Monte Pio (travessa do)
Rua Escura, Fornos, largo
das Lamelas, rua das
Lamelas.
Rua e largo de Val de Donas.
Sabugal.
Rua de S. Tiago.
Espirito Santo.
Rua da Tulha, largo do Postigo de S. Paio.
Alcobaça, Torre Velha.
Rua dos Açougues.
Rua de S. Domingos *, rua de Gatos *, S. Lázaro *.
Rua da Fonte Nova *, Palheiros *, Campo Santo *.
Rua de Santa Luzia *, Bargas *.
Aberta em 1863 (hoje rua de Gil Vicente).
Rua das Molianas *, Madroa*, Cruz da Pedra *.
Rua das Lages *, e Nova das Oliveiras * - hoje rua de
Camões.
Trás dos Oleiros *.
Rua de Relho *.
Além do Rio *,Vila Verde *.
Rua das Pretas *.
Ruas de Soalhães *,Carvalhas de S. Francisco *.
S. Dâmaso, Trás do Muro *.
Fraga *.
Ourado do Forno.
Rua Travessa *.
Praça da Oliveira.
Praça de S. Tiago.
Largo do Castelo.
Largo dos Quarteis.
Preposto.
Largo da rua de Couros *- hoje largo do Trovador.
Traz de S. Sebastião *, Guardal *, Alfândega *.
Praça * e Lages do Toural *.
Terreiro da Misericórdia - hoje Campo da -.
Terreiro de S. Francisco * -
hoje Campo de -.
Oliveiras de Santa Cruz *,
Senhora do Amparo * hoje Campo de D. Afonso Henriques.
Largo da Cadeia, Serralho.
Viela do Anjo.
Viela do Estorpão.
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Trigais * (travessa dos)
Donães (travessa de)
Enjeitados (travessa dos)
Portelos das Hortas *.
Rua Donães.
Rua dos Açoutados2.
Servem actualmente de limites ou barreiras:
1.º Fim da rua do Cano Cima (Arcela) e do Cano de Baixo (rua de
S. Torcato).
2.º Casa das Hortas, na rua da Costa.
3.º Capuchas.
4.º Casa de Vila Verde.
5.º Fim da rua de Relho (Vila-Flor).
6.º Portal do Sabacho.
7.º Estrada de Santo Tirso, acima da meia-laranja.
8.º Pombais.
9.º Ponte de Santa Luzia.
10.º As casas do Portelo, ao norte de Margaride.
11.º Preposto (fim da Praça Nova).
12.º Casa do Canto, na estrada de Fafe.
Esta designação de barreiras foi extraída do CÓDIGO DE
POSTURAS, aprovado pela comissão distrital a 26 de Maio de 1880.
Para se ajuizar do que a cidade se tem alastrado no seu âmbito,
em todas as extremidades, dou para comparação as barreiras, que lhe
estavam designadas em 1843:
1.º Porta de Santo António, na embocadura que sobe para os
Quarteis.
2.º Viela do Campo Santo, na embocadura do terreiro do Carmo.
3.º Rua do Sabugal, na embocadura da rua de Santa Maria e na
embocadura da viela das Freiras de Santa Clara, no terreiro de Santa
Clara.
4.º Rua de Santa Cruz e rua das Hortas, à Fonte da Barrela, na
rua dos Trigais, e embocadura dos caminhos que ali desembocam.
2Como
se vê, a denominação moderna inclui debaixo dum só título duas, três e
mais ruas, que dantes eram muito distintas e naturalmente separadas por largos e
travessas; ficando por este motivo muito considerável e inconvenientemente
reduzido o seu número.
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5.º Campo da Feira, à ponte do lado da vila, e desembocadouro
de Soalhães no dito terreiro, bem como o desembocadouro da travessa
da Fonte do Abade.
6.º Rua de Couros, à ponte do lado da vila.
7.º Rua de S. Francisco, no pontilhão da Cidade do lado da vila.
8.º Largo das Carvalhas de S. Francisco, à porta de carro do
extinto convento.
9.º Rua da Caldeiroa, no fundo da calçada, na extrema da
freguesia de S. Sebastião, onde corre o rego de água.
10.º Rua da Madroa, à ponte do lado da vila.
11.º Rua de Relho, na embocadura do largo de S. Sebastião.
12.º Rua de S. Lázaro, na esquina da casa, que faz frente para a
rua de Entre os Regatos, e para o pontilhão das Lameiras.
13.º Rua de Traz do Mosteiro, à porta de carro do extinto
convento de S. Domingos.
14.º Rua de Santa Luzia, à ponte do lado da vila, e todas as
travessas, que na mesma desembocam dum lado e outro.
15.º Rua Nova de Santo António, vulgarmente dos Palheiros, na
embocadura da travessa do Picoto.
Pelos anos de 1665 e 1666, foram as ruas da vila, na sua maior
parte, mandadas calçar - umas, a pedra de alvenaria grossa; e outra, a
esquadria.
Este sistema, de que ainda nos restam algumas amostras, foi
mais tarde substituído pelo macadame; e ultimamente pela calcetaria,
de que se acham já calçadas a maior parte, e as melhores ruas e largos
da cidade.
Não pode dizer-se, como geralmente se diz, que Guimarães
ficará num estacionamento indolente, em face do movimento
progressivo das mais cidades do país; pois estudada esta terra, na sua
parte material, depressa nos convenceremos que, há uma década de
anos, a maior parte das suas ruas e largos têm experimentado
importantes reformas, dando-se-lhes um aspecto completamente novo
e agradável.
Se principiarmos pela parte norte, aí veremos as ruas, que
convergem para o hospital geral, de novo alinhadas, e com os seus
prédios recentemente levantados desde os alicerces.
A rua do Poço, e a maior parte da rua de Santa Maria,
desapareceram com os seus velhíssimos casebres, para darem lugar ao
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alegre largo de Carmo, o qual cercado de elegantes palacetes será,
com mais algum esforço da câmara, - e não muito - um dos mais
espaçosos e belos da cidade.
A rua de Santa Cruz é nova na maior parte das casas da linha
septentrional.
A rua Nova do Mercado, arrematada a 23 de Julho de 1873; e a
Praça Nova, que principiou a funcionar em 1872; converteram o sitio
solitário do Preposto num dos bairros mais concorridos.
A rua de D. João I, apesar de muito defeituoso por sua antiga
origem, está muito longe de ser a antiga, húmida e escura rua de
Gatos.
O campo de S. Francisco ficou transformado numa alameda
aprazível, ladeada, por quatro espaçosas ruas, obra a que se deu
princípio a 2 de Setembro de 18783.
O campo de Toural ainda há pouco, até 1873, quase intransitável
em tempos invernosos, oferece agora para recreio e descanso um
pequeno, mas elegante jardim.
Este campo, que em 1681 era considerado o melhor rocio da
vila, tinha sido em 1585 enriquecido com um formoso chafariz de três
taças, sendo de três metros de diâmetro a maior: o qual foi demolido a
3 de Junho de 1873.
Defronte, levantava-se majestoso, como obra de arte igualmente
digna de atenção, o cruzeiro da irmandade do Rosário, também pouco
tempo depois demolido e inutilizado.
A fachada oriental deste campo, com o aspecto de um só edifício
regular e simétrico, de quarenta e quatro portas e cento e vinte e cinco
janelas, foi levantada por iniciativa particular, no fim do século
passado. No centro desta fachada, alçava-se um majestoso frontão,
pousando-lhe no vértice a estátua colossal da Fama, empunhando um
clarim de metal. Tanto esta porém, como o frontão, foram
posteriormente abatidos; porque o seu peso considerável ia fazendo
afastar as paredes da linha de prumo.
3Neste campo teve lugar em 1803 a famosa cerimónia do Descendimento da Cruz,
em que se gastaram 12 contos de réis, vindo ali prégar os primeiros oradores do
reino.
A guarda romana era composta de estudantes; e as figuras, de padres e
frades, notando-se entre estes fr. Bernardo Rola, que na posição de S. João se
conservara junto à cruz, imóvel pelo espaço de três horas - parecendo mais uma
estátua, que um vivo!
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Depois do pavoroso incêndio, que na noite de 4 de Junho de
1869 reduzira a cinzas quase todas as casas do lado norte ocasionando a morte a quatro pessoas - foi ainda este campo
aformoseado com a edificação de novos prédios, que se levantaram
donairosos nas cinzas dos antigos.
Já em 1834 havia planos de restaurar e ornar de qualquer modo
este campo, o mais regular e o mais importante de Guimarães; e a este
respeito oferecerei aos meus leitores a seguinte notícia:
Em sessão de 2 de Outubro de 1834, o vereador Manuel António
Moreira de Sá apresenta a seguinte proposta:
Proponho, que em lugar de solenes exéquias, que se deveriam
fazer por ocasião do falecimento do incomparável Duque de Bragança
se lhe erga na Praça do Toural uma pirâmide quadrangular de pedra
fina, cujo ápice sustente um livro, representando a Carta Constitucional
que ele nos outorgou; e uma espada, representando aquela com que o
herói libertou a pátria. Em um dos lados do pedestal, que deve
sustentar a pirâmide, haverá esta inscrição:
Ao Rei Legislador, ao Herói General
do Exército Libertador:
Os Vimaranenses agradecidos.
No segundo lado, haverá uma embarcação - em relevo representando a que conduziu o príncipe às praias do Mindelo; e por
baixo:
8 de Julho de 1834.
No terceiro lado, a seguinte inscrição:
De Alexandre e Solon reunindo os louros,
Um Rei foi cidadão: pasmai, vindouros!
No quarto lado enfim, haverão - em relevo - duas coroas,
representando as que abdicou o príncipe filósofo; e por baixo delas se
lerá:
D. Pedro de Alcântara, Bragança e Bourbon,
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nasceu em Lisboa a 12 de Outubro de 1798 Príncipe Real
de Portugal; e havendo sido depois
Imperador do Brasil e Rei de Portugal, ambas
as coroas abdicou para bem dos povos,
reservando só para si seu grande génio, com que veio
a Portugal em 1832,
à frente de 7:500 bravos, resgatar a Pátria
do jogo opressor do inepto tirano
e vil usurpador Miguel:
conseguiu com imortal glória tão generoso fim
à custa dos maiores sacrifícios,
e de sua própria existência, que terminou cheio de glória
e de fadigas
em 27 de Setembro de 1834,
na mesma cidade onde nasceu.
Esta proposta não chegou a realizar-se; e parece-me, que é a
respeito dela - ou do monumento de Lisboa - que nas vereações de
1843 se encontra o seguinte:
A 8 de Fevereiro de 1843, em resposta a um ofício do governo
civil que pedia à câmara conta da subscrição para o monumento de D.
Pedro IV, fez-se-lhe saber:
Que para tal fim tinha a câmara oficiado em 28 de Dezembro de
1842 aos presidentes de todas as juntas de paróquia do concelho, e
que até hoje nada tinha obtido da tal diligência; e que havendo esta
câmara determinado, em sessão de 9 de Novembro, concorrer para o
mesmo fim com a quantia de dez mil réis, e porque até agora se não
tinha realizado o pagamento de tal oferta, se realizasse agora.
Deixando isto, concluo dizendo, que se me quisesse ocupar de
todos os melhoramentos ultimamente realizados nas ruas, campos,
largos e travessas, teria de levar o leitor a percorrer fastidiosamente a
cidade inteira, mostrando-lhe as diferenças importantes dos
melhoramentos modernos.
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