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avaliação do mercado de frutas e hortaliças embaladas
AVALIAÇÃO DO MERCADO DE FRUTAS E HORTALIÇAS
EMBALADAS, MINIMAMENTE PROCESSADAS, ORGÂNICAS
E DESIDRATADAS NA CAPITAL DE MINAS GERAIS
Contagem
2010
ESTUDO TÉCNICO
AVALIAÇÃO DO MERCADO DE FRUTAS E HORTALIÇAS
EMBALADAS, MINIMAMENTE PROCESSADAS, ORGÂNICAS
E DESIDRATADAS NA CAPITAL DE MINAS GERAIS
Trabalho de pesquisa quantitativa aplicada junto
a comerciantes de supermercados e “sacolões”
de Belo Horizonte para avaliação do mercado
de frutas e hortaliças embaladas, minimamente
processadas, orgânicas e desidratadas.
Contagem
2010
AVALIAÇÃO DO MERCADO DE FRUTAS E HORTALIÇAS EMBALADAS, MINIMAMENTE
PROCESSADAS, ORGÂNICAS E DESIDRATADAS NA CAPITAL DE MINAS GERAIS
DIRETORIA EXECUTIVA
JOÃO ALBERTO PAIXÃO LAGES
Diretor Presidente
MÁRCIO LUIZ DA SILVA CUNHA
Diretor Administrativo-Financeiro
ANA PASCHOAL DOS ANJOS
Diretora Técnico-Operacional
EQUIPE TÉCNICA
WILSON GUIDE DA VEIGA JUNIOR
Chefe do Departamento Técnico
ÊNIO DE PAULA ROSA
Coordenador da Seção de Estudos Estratégicos
JOAQUIM OSCAR ALVARENGA
Coordenador da Seção de Agroqualidade
TARCÍSIO DA SILVA
Estatístico da Seção de Estudos Estratégicos
ROMEU SILVEIRA DINIZ
Técnico da Seção de Agroqualidade
MARA CRISTINA DO AMARAL SANTOS
Estagiária de Engenharia de Alimentos
AVALIAÇÃO DO MERCADO DE FRUTAS E HORTALIÇAS EMBALADAS, MINIMAMENTE
PROCESSADAS, ORGÂNICAS E DESIDRATADAS NA CAPITAL DE MINAS GERAIS
AUTORES DO PROJETO
MARA CRISTINA DO AMARAL SANTOS
Estagiária de Engenharia de Alimentos
TARCÍSIO DA SILVA
Estatístico da Seção de Estudos Estratégicos
Permitida a reprodução total ou parcial, desde que citada a fonte.
Avaliação do mercado de frutas e hortaliças embaladas, minimamente
processadas, orgânicas e desidratadas na capital de Minas Gerais /
autores, Mara Cristina do Amaral Santos, Tarcísio Silva. - Contagem:
CEASAMINAS/MG, 2010. 113 p. : il.
Estudo técnico realizado pela CEASAMINAS – Unidade Grande BH
1. Embaladas 2. Minimamente Processadas 3. Orgânicas
4. Desidratadas 5. Comercialização I. Santos, Mara Cristina do Amaral
II. Silva, Tarcísio da III. Título
AGRADECIMENTOS
Aos responsáveis pelos “sacolões” e supermercados de Belo Horizonte, pela disponibilidade e
comprometimento de nos fornecer informações.
RESUMO
AVALIAÇÃO DO MERCADO DE FRUTAS E HORTALIÇAS EMBALADAS, MINIMAMENTE
PROCESSADAS, ORGÂNICAS E DESIDRATADAS NA CAPITAL DE MINAS GERAIS
Santos, Mara Cristina do Amaral; Silva, Tarcísio da
A busca por alimentos saudáveis, com melhor qualidade e mais convenientes tem demonstrado
tendência de expansão em supermercados e “sacolões” de grandes centros urbanos. As frutas
e hortaliças embaladas, minimamente processadas, orgânicas e desidratadas, nesse contexto,
surgiram como alternativas que, além de agregar valor ao alimento in natura e disponibilizar
para a venda produtos de melhor qualidade, reduzem de maneira significativa as perdas que
ocorrem diariamente, desde a colheita até a mesa do consumidor. Entretanto, apesar das
grandes vantagens que esses alimentos trazem para produtores, varejistas e consumidores,
ainda há diversos fatores que retardam o crescimento desse mercado potencial. Um dos que
merece destaque é a falta de conhecimento e planejamento dos produtores rurais quanto à
comercialização de seus produtos de maneira mais rentável, fato que causa uma série de
consequências em cadeia, como falta de estrutura na colheita e pós-colheita, que gera impactos
nas áreas de armazenamento, transporte, embalagem, manipulação e processamento dos
produtos hortícolas, desencadeando, assim, dificuldades na comercialização, como reduzida
vida de prateleira (shelf-life), baixa qualidade, escassez de oferta e preços elevados. Diante
disso, o presente trabalho apresenta informações importantes que possibilitam conhecer a
dimensão do mercado consumidor desses produtos, onde eles estão concentrados e os
principais problemas enfrentados na comercialização, tornando possível verificar falhas e propor
alternativas para aumentar o consumo, reduzir o desperdício e agregar valor às frutas e
hortaliças.
Palavras-chave: consumo, hortifrutigranjeiros, comercialização.
LISTA DE FIGURAS
FIGURA 1 - MAPA DAS NOVE REGIONAIS ADMINISTRATIVAS DE BELO HORIZONTE. ........................... 17
FIGURA 2 - REPRESENTAÇÃO ESPACIAL DA ÁREA PESQUISADA. ..................................................... 19
FIGURA 3 - BANANA DESCARTADA NA LAVOURA. ........................................................................... 11
FIGURA 4 - CEBOLA DESCARTADA NA PRODUÇÃO. ........................................................................ 21
FIGURA 5 - PROGRAMA “5 A DAY” INSERIDO NO BRASIL COMO “5 AO DIA”........................................ 22
FIGURA 6 - PROGRAMA 5 AO DIA.................................................................................................. 22
FIGURA 7 - EXPOSIÇÃO INADEQUADA DE UVAS.............................................................................. 26
FIGURA 8 - EXPOSIÇÃO INADEQUADA DE HORTALIÇAS. .................................................................. 26
FIGURA 9 - SETOR DE HORTIFRUTIGRANJEIROS EM LONDRES – INGLATERRA. ................................. 27
FIGURA 10 - HORTALIÇAS EMBALADAS. ........................................................................................ 28
FIGURA 11 - FRUTAS E HORTALIÇAS MINIMAMENTE PROCESSADAS NO VAREJO DE BELO HORIZONTE.
................................................................................................................................................. 29
FIGURA 12 - FRUTAS E HORTALIÇAS MINIMAMENTE PROCESSADAS EM LONDRES – INGLATERRA. ..... 29
FIGURA 13 - ALIMENTOS ORGÂNICOS. .......................................................................................... 31
FIGURA 14 - FRUTAS DESIDRATADAS – MAÇÃ, À ESQUERDA, E MORANGO, À DIREITA. ...................... 33
FIGURA 15 - SALADA DE FRUTAS DESIDRATADAS. ......................................................................... 33
FIGURA 16 - ABACAXI DESIDRATADO – R$ 59,80 O QUILO. ............................................................ 34
FIGURA 17 - TOMATE SECO – EMBALAGEM DE 180 GRAMAS. ......................................................... 35
FIGURA 18 - INJÚRIA PELO FRIO EM MELÃO, À ESQUERDA, E NA POLPA DO PÊSSEGO, À DIREITA. ...... 37
FIGURA 19 - PÊRA ARMAZENADA A TEMPERATURA AMBIENTE. ....................................................... 38
FIGURA 20 - HORTALIÇAS EMBALADAS. ........................................................................................ 52
FIGURA 21 - SALADA DE FRUTAS.................................................................................................. 53
FIGURA 22 - SALADA DE FOLHOSAS. ............................................................................................ 54
FIGURA 23 - SOPINHA BABY - EMBALAGEM DE 422 GRAMAS........................................................... 54
FIGURA 24 - KITS SOPÃO E MAIONESE E LEGUMES MINIMAMENTE PROCESSADOS............................ 55
FIGURA 25 - CHUCHU E ABACATE ORGÂNICOS. ............................................................................. 56
FIGURA 26 - RÚCULA E ERVAS ORGÂNICAS................................................................................... 56
FIGURA 27 - PREÇO DAS EMBALAGENS DE 125 GRAMAS DE FRUTAS DESIDRATADAS. ...................... 57
FIGURA 28 - PRINCIPAIS SELOS DE CERTIFICADORAS DE PRODUTOS ORGÂNICOS DO BRASIL. .......... 61
FIGURA 29 - ALIMENTOS COM SELOS DE CERTIFICAÇÃO DE PRODUÇÃO ORGÂNICA ENCONTRADOS NO
VAREJO......................................................................................................................................
61
FIGURA 30 - GARGALOS AINDA ENFRENTADOS NA CADEIA COMERCIAL DE FRUTAS E HORTALIÇAS. ..... 1
FIGURA 31 - DIAGRAMA DO CÍRCULO VICIOSO CRIADO EM TODA A CADEIA DOS REFERIDOS PRODUTOS.
................................................................................................................................................. 63
FIGURA 32 - FORMAS DE DIVULGAÇÃO DE ALIMENTOS ORGÂNICOS NO VAREJO DE BELO HORIZONTE.
................................................................................................................................................. 64
FIGURA 33 – VARIAÇÕES DE SALADAS PROCESSADAS................................................................... 67
FIGURA 34 – ABACAXI E MANDIOCA PROCESSADOS, RESPECTIVAMENTE. ....................................... 67
FIGURA 35 - MELANCIA E ABÓBORA MORANGA PROCESSADAS. ...................................................... 68
FIGURA 36 - BANNER DAS ETAPAS DO PROCESSAMENTO MÍNIMO AFIXADO ACIMA DO BALCÃO
REFRIGERADO DE UM “SACOLÃO ..................................................................................................
72
FIGURA 37 - DEGUSTAÇÃO DE FRUTAS MP NO VAREJO DA CAPITAL MINEIRA................................... 73
FIGURA 38 - QUIABO EMBALADO. ................................................................................................. 74
FIGURA 39 – VAGEM E UVA EMBALADAS. ...................................................................................... 74
FIGURA 40 – BAROA CLASSIFICADA E PADRONIZADA NA EMBALAGEM ............................................. 75
FIGURA 41 - MORANGO E TOMATE CEREJA. .................................................................................. 76
FIGURA 42 - FRUTAS EMBALADAS. ............................................................................................... 78
FIGURA 43 – HORTALIÇAS EMBALADAS. ....................................................................................... 78
FIGURA 44 - EMBALAGEM DE MANDIOCA QUE PERDEU O VÁCUO..................................................... 81
FIGURA 45 - ALIMENTOS “IN NATURA” ARMAZENADOS JUNTAMENTE COM MP E EMB....................... 82
FIGURA 46 - SALADAS ARMAZENADAS À TEMPERATURA PRÓXIMA DE 20 OC. ................................... 82
FIGURA 47 - MINIMAMENTE PROCESSADOS ARMAZENADOS DE MANEIRA CORRETA.......................... 83
FIGURA 48 - BAROA ARMAZENADA DE MANEIRA INCORRETA........................................................... 84
FIGURA 49 - CEBOLA ENRAIZANDO DEVIDO AO ARMAZENAMENTO INCORRETO. ............................... 85
FIGURA 50 - BANANA MAÇÃ MOFADA. ........................................................................................... 85
FIGURA 51 - EXPOSIÇÃO DE FLV EMBALADOS NO VAREJO DE B.H. ................................................ 86
FIGURA 52 - FOLHOSAS EMBALADAS SOB ATMOSFERA MODIFICADA. .............................................. 87
FIGURA 53 - ALIMENTOS MINIMAMENTE PROCESSADOS EMBALADOS À VÁCUO. ............................... 87
FIGURA 54 - FRUTAS EMBALADAS EM BANDEJAS COBERTAS POR FILME PLÁSTICO. .......................... 88
FIGURA 55 - FRUTAS EMBALADAS EM RECIPIENTES PLÁSTICOS COM TAMPA.................................... 88
FIGURA 56 - PREÇOS PRATICADOS NO MERCADO NACIONAL DE FRUTAS DESIDRATADAS.................. 97
FIGURA 57 - PREÇOS PRATICADOS NO MERCADO NACIONAL DE FRUTAS DESIDRATADAS .................. 98
FIGURA 58 - PREÇOS PRATICADOS NO MERCADO NACIONAL DE FRUTAS DESIDRATADAS .................. 98
FIGURA 59 - BANANA PASSA INDUSTRIALIZADA, R$ 5,89 A EMBALAGEM DE 84 GRAMAS, À ESQUERDA,
E ARTESANAL, R$ 9,83 A BANDEJA COM 318 GRAMAS, À DIREITA. ..................................................
99
FIGURA 60 - PÊRA (R$28,50 O QUILO) E GOIABA (R$ 59,80 O QUILO) DESIDRATADAS ..................... 99
FIGURA 61 - CASCA DE LARANJA DESIDRATADA, R$ 62,99 O QUILO, E FIGO SECO TURCO, R$ 4,99 A
EMBALAGEM DE 250 GRAMAS ....................................................................................................
100
LISTA DE GRÁFICOS
GRÁFICO 1 - PESO MÉDIO CARACTERÍSTICO DAS EMBALAGENS OFERTADAS NO VAREJO.................. 52
GRÁFICO 2 - QUANTIDADE MÉDIA COMERCIALIZADA SEMANALMENTE APENAS DO PRINCIPAL PRODUTO
MP. ........................................................................................................................................... 69
GRÁFICO 3 - FREQÜÊNCIA DE COMERCIALIZAÇÃO DE MP. ............................................................. 69
GRÁFICO 4 - FREQÜÊNCIA DE COMERCIALIZAÇÃO DE EMB. ........................................................... 77
GRÁFICO 5 - FREQÜÊNCIA DE COMERCIALIZAÇÃO DE OR. ............................................................. 93
LISTA DE QUADROS
QUADRO 1 - COMPORTAMENTO DO CONSUMIDOR NO MOMENTO DA COMPRA.................................. 25
QUADRO 2 - CONDIÇÕES DE ARMAZENAMENTO DE HORTALIÇAS..................................................... 39
QUADRO 3 - CONDIÇÕES DE ARMAZENAMENTO DE FRUTAS. .......................................................... 40
QUADRO 4 - PRAZO MÉDIO DE VALIDADE DAS HORTALIÇAS MINIMAMENTE PROCESSADAS. ............... 42
QUADRO 5 - COMPARAÇÃO DE PREÇO ENTRE PRODUTOS ORGÂNICOS E CONVENCIONAIS "IN NATURA"
NO RIO DE JANEIRO. ...................................................................................................................
92
LISTA DE TABELAS
TABELA 1 - DIVISÃO DOS ESTABELECIMENTOS VISITADOS POR REGIÃO DE BELO HORIZONTE. .......... 15
TABELA 2 - DIVISÃO DOS ESTABELECIMENTOS VISITADOS POR CATEGORIA E POR REGIONAIS
ADMINISTRATIVAS DE B.H............................................................................................................
17
TABELA 3 - PERCENTUAL DE COMERCIALIZAÇÃO DOS PRODUTOS MP, OR, DES E EMB ANALISADOS
NA REDE VAREJISTA DA CAPITAL DE MINAS GERAIS.......................................................................
49
TABELA 4 - SITUAÇÃO ATUAL DO MERCADO DE PRODUTOS MP, OR, DES E EMB, SEGUNDO REGIÕES
DE BELO HORIZONTE. .................................................................................................................
51
TABELA 5 - SITUAÇÃO DAS VENDAS DE PRODUTOS EMB, MP, OR E DES. ..................................... 58
TABELA 6 - FATORES LIMITANTES DA COMERCIALIZAÇÃO. .............................................................. 60
TABELA 7 - PRINCIPAIS MOTIVOS QUE AINDA IMPEDEM A COMERCIALIZAÇÃO. .................................. 63
TABELA 8 - PRINCIPAIS ALIMENTOS MINIMAMENTE PROCESSADOS COMERCIALIZADOS EM B.H. ........ 66
TABELA 9- FATORES QUE INTENSIFICAM O COMÉRCIO DE MP. ....................................................... 66
TABELA 10 - ORIGEM DA AQUISIÇÃO DOS MINIMAMENTE PROCESSADOS
...................................... 70
TABELA 11 - PROCEDÊNCIA DAS FRUTAS E HORTALIÇAS................................................................ 71
TABELA 12 - DIFICULTADORES DA COMERCIALIZAÇÃO DE MP. ....................................................... 72
TABELA 13- ALIMENTOS EMBALADOS MAIS COMERCIALIZADOS....................................................... 75
TABELA 14- MOTIVOS DO SUCESSO NA COMERCIALIZAÇÃO DOS EMBALADOS .................................. 77
TABELA 15- ORIGEM DO EMBALAMENTO ....................................................................................... 79
TABELA 16 - AQUISIÇÃO DOS ALIMENTOS A SEREM EMBALADOS..................................................... 80
TABELA 17 - TEMPERATURA MÉDIA DE ACONDICIONAMENTO DOS MP............................................. 80
TABELA 18 - TEMPERATURA MÉDIA DE ARMAZENAMENTO DOS ALIMENTOS EMB. ............................ 83
TABELA 19 - TIPOS DE EMBALAGENS COMUMENTE UTILIZADAS PARA MP........................................ 86
TABELA 20- PRINCIPAIS PRODUTOS ORGÂNICOS ENCONTRADOS.................................................... 89
TABELA 21 - ORIGEM DA AQUISIÇÃO DOS ORGÂNICOS ................................................................... 90
TABELA 22 - PREÇO MÉDIO DOS ALIMENTOS ORGÂNICOS .............................................................. 91
TABELA 23 - ACEITAÇÃO DOS ALIMENTOS ORGÂNICOS DEVIDO À APARÊNCIA .................................. 93
TABELA 24 - PRODUTOS DESIDRATADOS MAIS COMERCIALIZADOS EM BELO HORIZONTE ................. 95
TABELA 25 - ORIGEM DA AQUISIÇÃO DOS ALIMENTOS DESIDRATADOS ............................................ 96
TABELA 26 - PREÇO MÉDIO PRATICADO PARA EMBALAGENS DE 100 - 125 GRAMAS ......................... 98
TABELA 27- INFLUÊNCIA DA APARÊNCIA DO PRODUTO NA COMERCIALIZAÇÃO................................ 100
TABELA 28 - MOTIVADORES DO SUCESSO NA COMERCIALIZAÇÃO ................................................. 101
SUMÁRIO
Páginas
1 INTRODUÇÃO
11
2 OBJETIVO E JUSTIFICATIVA
14
3 MATERIAIS E MÉTODOS
15
3.1 ANÁLISE DE DADOS
16
3.2 REPRESENTAÇÃO DA ÁREA PESQUISADA NO MUNICÍPIO DE B. H.
16
4 REVISÃO DE LITERATURA
20
4.1 A DINÂMICA DO MERCADO DE FRUTAS E HORTALIÇAS IN NATURA
20
4.2 PANORAMA DO MERCADO DAS VARIAÇÕES DE FRUTAS E HORTALIÇAS
24
4.2.1 O mercado de embalados
28
4.2.2 O mercado de minimamente processados
28
4.2.3 O mercado de orgânicos
30
4.2.4 O mercado de desidratados
32
4.3 GARANTIA DE BOA QUALIDADE
35
4.3.1 A importância da temperatura
36
4.3.1.1 Os “fresh cut”
41
4.3.1.2 Os embalados
42
4.3.2 A importância da embalagem
43
4.4 COMERCIALIZAÇÃO DE ORGÂNICOS NO BRASIL
45
4.5 COMERCILAIZAÇÃO DE FRUTAS DESIDRATADAS NO BRASIL
46
5 RESULTADOS E DISCUSSÃO
48
5.1 ASPECTOS GERAIS
48
5.2 COMÉRCIALIZAÇÃO DE FLV – UMA ESTIMATIVA DA REDE VAREJISTA
48
5.2.1 Nível de comercialização estratificado por regionais
5.3 PESO MÉDIO ADOTADO NO VAREJO
49
50
5.4 TENDÊNCIA DE CRESCIMENTO NAS VENDAS
57
5.5 DIFICULTADORES DA COMERCIALIZAÇÃO
61
5.6 PRINCIPAIS PRODUTOS MINIMAMENTE PROCESSADOS ENCONTRADOS NO
VAREJO DE BELO HORIZONTE
65
5.7 QUANTIDADE MÉDIA DE MP COMERCIALIZADA SEMANALMENTE
68
5.8 ORIGEM DA AQUISIÇÃO DOS ALIMENTOS MINIMAMENTE PROCESSADOS
70
5.9 PRINCIPAIS DIFICULDADES ENFRENTADAS NA COMERCIALIZAÇÃO DOS MP
72
5.10 PRINCIPAIS PRODUTOS EMBALADOS COMERCIALIZADOS
73
5.10.1 Motivos do sucesso de comercialização
76
5.10.2 procedência dos alimentos embalados
78
5.11 ARMAZENAMENTO
80
5.11.1 Os minimamente processados
80
5.11.2 os embalados
83
5.11.2.1 Os “fresh cut”
86
5.12 PRINCIPAIS ALIMENTOS ORGÂNICOS COMERCIALIZADOS
89
5.13 ORIGEM DA AQUISIÇÃO DOS ORGÂNICOS
89
5.14 PREÇO MÉDIO ENCONTRADO PARA OS ALIMENTOS ORGÂNICOS
91
5.15 ACEITAÇÃO DOS ALIMENTOS ORGÂNICOS
92
5.16 PRINCIPAIS ALIMENTOS DESIDRATADOS COMERCIALIZADOS
94
5.17 ORIGEM DOS DESIDRATADOS
95
5.18 PREÇO MÉDIO ENCONTRADO PARA OS ALIMENTOS DESIDRATADOS
96
5.19 FREQUENCIA DE COMERCIALIZAÇÃO E ACEITAÇÃO DOS DESIDRATADOS EM
BELO
HORIZONTE
10
0
5.20
MOTIVADORES
DO
SUCESSO
NA
COMERCIALIZAÇÃO
10
1
6 CONCLUSÃO
103
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
106
11
1 INTRODUÇÃO
O Brasil, país potencialmente agrícola, com uma área de terras agricultáveis férteis de 388
milhões de hectares e quase 13% de toda a água doce disponível no planeta (Ministério da
Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA, [200-]) vem se revelando uma peça importante
para o abastecimento de alimentos no mundo. Dados da Rede de Informação & Prospecção
Tecnológica para o Agronegócio – RIPA (2008) – apontam uma expansão de 15,0% do setor de
agronegócio entre 2000 e 2006 e estimam que até 2023 haverá crescente interesse por
alimentos funcionais - que atuam na promoção da saúde por serem capazes de reduzir o risco
de certas doenças - produtos diferenciados, naturais e orgânicos, frutas e hortaliças, além de
alimentos processados e semiprontos.
Entretanto, a evolução tecnológica e as alternativas para a comercialização e o consumo de
vegetais no país é incipiente. Dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), do Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2002-2003) mostram que o consumo de frutas e
hortaliças no país ainda é muito baixo e se concentra em regiões de população com maior
poder aquisitivo, como sul e sudeste. Na região sul se consomem, per capita, 31,0 quilos e 39,3
quilos de frutas e hortaliças, respectivamente, ao ano. Na mesma ordem, o consumidor do
sudeste adquire 27,6 quilos e 32,4 quilos, valores maiores que os encontrados para a média
nacional, que é, por habitante, de apenas 24,5 quilos de frutas ao ano e 29,0 quilos de
hortaliças, números irrisórios perante a capacidade de produção e variedade que o Brasil
apresenta.
Contudo, essa realidade vem demonstrando mudanças significativas ao longo do tempo e
alguns dos motivos que aparecem com maior relevância para esse fato são alterações nos
hábitos de vida, preocupação por uma alimentação mais saudável, estabilização na economia e
consequente aumento na renda familiar, redução do número de pessoas por família e falta de
tempo disponível para o preparo de refeições.
Segundo Souza (2001), a participação feminina na população economicamente ativa que, em
1971 era apenas 23,0%, em 1998 já atingia 40,0%. No mesmo período, os gastos com
alimentação fora do lar cresceram de 7,5% para 11,9% e o tempo gasto estimado pela mulher
para o preparo de uma refeição passou de 30 minutos em 1974 para 15 minutos em 1994
consequência do maior tempo dispensado para trabalho fora de casa e da manutenção do
paradigma de que a administração do lar e a execução das atividades domésticas são funções
específicas de mulheres.
12
Além disso, o aumento real do salário mínimo atrelado à elevação da oferta de crédito e a
diminuição do nível de desemprego somam consideráveis fatores para o sucesso desse nicho
de mercado. De acordo com Toviansk (2010), com o avanço da renda, um número crescente de
famílias experimenta uma dinâmica de prosperidade inédita e concretiza desejos cultivados ao
longo da vida. Entre 2003 e 2008, 34 milhões de pessoas encorparam as classes A, B e C no
Brasil. De 2009 a 2014, outros 30 milhões deverão se juntar a esse grupo. Isso significa que,
em dez anos, a dimensão do mercado consumidor brasileiro será compatível com a população
da França.
Segundo projeções da consultoria LCA, publicadas na Revista Exame, edição 972, de 2010, em
2020 os lares brasileiros irão gastar, de forma geral, 5 trilhões de reais – 130% a mais que
atualmente. Antes disso, já em 2014, o Brasil passará a ser o quinto maior mercado consumidor
do mundo, atrás apenas de Estados Unidos, Japão, China e Alemanha. Se tudo se concretizar,
significa que, em quatro anos, 72% da população – um total de 144 milhões de pessoas –
serão, no mínimo, da classe média baixa.
Essa classe é aquela que está incluindo o
consumidor em ambientes que não faziam parte do seu dia a dia, explorando mercados em
ascensão e promovendo um ciclo de consumo nunca visto no país.
Diante do exposto, o desenvolvimento de mecanismos que estimulem estratégias para
fortalecer, de maneira sustentável, toda a cadeia produtiva, torna-se primordial para o setor de
alimentos alcançar as tendências que o mercado propõe.
Frutas e hortaliças embaladas, minimamente processadas, orgânicas e desidratadas, nesse
contexto, se destacam por ganhar cada vez mais espaço nas gôndolas de supermercados e
“sacolões” dos grandes centros urbanos. Esses produtos, além de aliar praticidade, variedade e
qualidade, reduzem de maneira significativa as perdas que ocorrem no campo devido à
introdução de tecnologias e processos em alimentos que estão aptos para o consumo, mas não
atendem às exigências do mercado consumidor.
Em Belo Horizonte, Minas Gerais, esse nicho de mercado tem se mostrado crescente,
atendendo ao novo perfil de consumidor. No entanto, ainda não há estudos que permitam inferir
como se dá esse crescimento e de que forma ele vem atendendo a demanda da população.
Dessa forma, o presente trabalho apresenta uma caracterização de processos na cadeia
comercial dos referidos produtos, permitindo dimensionar o tamanho do mercado consumidor,
identificar a origem dos alimentos, entraves à comercialização, principais produtos
13
comercializados e outros fatores que possam contribuir com o avanço dos mesmos no âmbito
comercial.
Os dados gerados suprirão o mercado de informações atualizadas e que servirão de base para
a tomada de decisões que permitirão melhorar a qualidade e aumentar o consumo dos vegetais
analisados, beneficiando produtores, atacadistas, varejistas e consumidores.
14
2 OBJETIVO E JUSTIFICATIVA
O presente trabalho tem como objetivo avaliar a cadeia de comercialização dos produtos
minimamente processados, embalados, orgânicos e desidratados, com estimativas oriundas de
amostra probabilística aplicada nas nove regionais administrativas da cidade de Belo Horizonte
- MG. Podem ser citados na estrutura de investigação do estudo os seguintes tópicos.
Frequência de comercialização da rede varejista;
Motivos que levam a não comercialização dos produtos;
Principais frutas e hortaliças comercializadas dentro das variações citadas;
Produto com maior frequência de comercialização e o que determina seu nível de venda;
Frequência com que o supermercado/”sacolão” comercializa essas classes de alimentos;
Quantidade média comercializada;
Tipo de embalagem mais utilizada;
Peso médio comercializado em cada embalagem;
Temperatura de armazenamento;
Origem dos produtos;
Tendência de crescimento nas vendas e o principal problema enfrentado na
comercialização dos produtos.
De acordo com recente anúncio da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e
Alimentação (FAO), ainda existe um grande paradoxo quando se fala em oferta e demanda de
alimentos. Estima-se que a produção mundial precisa crescer 70,0% até 2050 para erradicar a
fome, no entanto, cerca de 40,0% do que produzimos é desperdiçado (FAO, 2010-2011).
Nesse sentido, propõe-se que a análise dos resultados encontrados nesse trabalho de pesquisa
torne possível traçar estratégias que auxiliem o crescimento contínuo e o fortalecimento desse
importante setor da economia, o agronegócio, visto que, não basta apenas considerar o país
um potencial fornecedor mundial de alimentos se não houver investimentos que possibilitem a
aplicação de tecnologias sustentáveis e economicamente viáveis.
15
3 MATERIAIS E MÉTODOS
Empregou-se neste estudo uma análise direta, ou seja, uma abordagem quantitativa realizada
por pesquisa amostral probabilística (AAS - Amostragem Aleatória Simples), que produz
estimativas sobre parâmetros de interesse dos quatro tópicos objetos deste estudo. O nível de
confiança adotado foi de 95,0%, com um erro amostral máximo de 7,2%.
A coleta de dados se deu por meio de aplicação de um questionário aos responsáveis pelo
setor de frutas, legumes e verduras – FLV, nos estabelecimentos que compuseram a amostra.
O questionário, composto por 56 questões, foi utilizado para estimativa das informações
propostas neste trabalho. Eles foram aplicados em 133 unidades amostrais, extraídas de uma
população composta por 535 unidades de varejo que trabalham com FLV, dentre
supermercados e “sacolões”, distribuídas nas nove regionais administrativas da cidade de Belo
Horizonte (Tab. 1).
Tabela 1 - Divisão dos estabelecimentos visitados por região de Belo Horizonte.
Regiões analisadas - Belo Horizonte
Identificação
Região
1
2
3
4
5
6
7
8
9
Norte
Pampulha
Barreiro
Oeste
Venda Nova
Leste
Nordeste
Centro Sul
Noroeste
Total
Frequência
absoluta
11,00
11,00
12,00
13,00
14,00
16,00
16,00
19,00
21,00
133,00
Percentual
8,27
8,27
9,02
9,77
10,53
12,03
12,03
14,29
15,79
100,00
Fonte: DETEC - CeasaMinas (2010)
Foram avaliados também, neste trabalho, os tipos de embalagens primárias - aquelas que estão
em contato direto com o produto e são normalmente responsáveis pela sua conservação e
contenção (GONÇALVES, PASSOS e BIEDRZYCKI, 2008) - encontrados no varejo de Belo
Horizonte para as frutas e hortaliças minimamente processadas, embaladas e desidratadas.
16
É importante salientar que as embalagens dos produtos orgânicos não foram avaliadas porque
esses alimentos são comercializados apenas embalados - a fim de diferenciá-los dos nãoorgânicos - em embalagens plásticas ou bandejas de isopor revestidas por filme plástico, e por
haver uma grande polêmica que envolve os tipos de embalagens utilizadas na comercialização
desses alimentos. Segundo Ormond et al. (2002) os recipientes plásticos e de isopor são
derivados de petróleo, não biodegradáveis, logo o fato de usá-los entra em desacordo com os
princípios de produção orgânica, contradizendo a filosofia de preservação ambiental.
3.1 ANÁLISE DE DADOS
Na análise que se segue são apresentados os resultados do estudo por meio de gráficos,
tabelas e estatísticas descritivas. Para efeito de simplificação, os produtos MINIMAMENTE
PROCESSADOS, ORGÂNICOS, DESIDRATADOS e EMBALADOS serão referenciados, no
texto que se segue, respectivamente, pelas siglas MP, OR, DES e EMB.
É importante ressaltar que, exceto algumas fotos que ilustram o mercado externo, como
Londres, que foram tiradas no ano de 2010, as fotos ilustrativas presentes nesse trabalho foram
tiradas nos estabelecimentos visitados na cidade de Belo Horizonte. No entanto, os nomes dos
estabelecimentos não são revelados em função do acordo de sigilo firmado com os
entrevistados.
3.2 REPRESENTAÇÃO DA ÁREA PESQUISADA NO MUNICÍPIO DE B. H.
Na Fig. 1 está representado o município de Belo Horizonte disposto em suas nove regionais
administrativas.
A distribuição da amostra obtida neste trabalho buscou representar o contingente de
supermercados e “sacolões” de Belo Horizonte seguindo uma proporcionalidade compatível
com o número de estabelecimentos que trabalham com FLV de cada região (Tab. 2). Cabe
ressaltar que o número de habitantes por regional não foi levado em consideração para calcular
o peso da amostra desse estudo devido à falta de informação. A prefeitura de Belo Horizonte
tem os dados específicos de densidade demográfica ou número de habitantes de todas as
regionais, porém para acesso restrito. E, para o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IBGE, as cidades são divididas, a título de estudo, em setores censitários e não em bairros ou
regionais. Dessa forma, o erro amostral calculado de 7,2% é compatível com resultados globais
17
do estudo e apresenta valores mais acentuados caso seja feita leitura de resultados por
regional.
Figura 1 - Mapa das nove regionais administrativas de Belo Horizonte.
Fonte: Belotur (1998).
Tabela 2 - Divisão dos estabelecimentos visitados por categoria e por regionais administrativas
de B.H.
18
Região
Norte
Pampulha
Barreiro
Oeste
Venda Nova
Leste
Nordeste
Centro Sul
Noroeste
Total
Fonte: DETEC - CEASAMINAS (2010)
Categoria do estabelecimento
Sacolão
Supermercado
3,00
8,00
4,00
7,00
3,00
9,00
6,00
7,00
8,00
6,00
7,00
9,00
8,00
8,00
11,00
8,00
7,00
14,00
57,00
76,00
Totallll
11,00
11,00
12,00
13,00
14,00
16,00
16,00
19,00
21,00
133,00
A amostra contém uma proporção maior de supermercados que “sacolões”, resultado esperado
de acordo com a revista Frutifatos (2003), que verificou que os consumidores mineiros têm os
supermercados como primeira opção para comprar frutas, legumes e verduras devido à maior
diversidade de oferta num mesmo lugar, às melhores condições de pagamento quando
comparados aos “sacolões” e à facilidade de estacionamento que, nos supermercados, na
grande maioria dos casos, é próprio. Além disso, as lojas mais nobres utilizam várias técnicas
de venda no setor, considerado “vip”, a fim de conquistar e fidelizar sua clientela. Já os
“sacolões”, invenção tipicamente mineira, aparecem em segundo lugar e investem em
promoções e qualidade para se manter nesse mercado tão competitivo.
No mapa de Belo Horizonte, ilustrado na Fig. 2, adaptado de uma versão do Google Earth,
observa-se a presença de alguns municípios limítrofes à área da pesquisa, como Contagem e
Ibirité. Os pontos verdes destacados representam os 133 estabelecimentos visitados. E, para
permitir uma estrutura mais precisa de registro geográfico das unidades pesquisadas utilizou-se
a tecnologia GPS em cada estabelecimento visitado. Logo, todos os pontos apresentam registro
das coordenadas de latitude e longitude.
Observa-se no mapa, ainda, boa representação espacial da área pesquisada, tendo sido
respeitada a dinâmica econômico-social e demográfica da cidade. Os locais que não foram bem
representados, sem a presença dos pontos verdes, não figuraram a amostra porque não são
áreas habitáveis; configuram-se, muitas vezes, como estradas de terra, loteamentos
abandonados ou matas. Dessa forma, os dados obtidos por meio desse estudo podem ser
interpretados para toda a cidade de Belo Horizonte.
19
Figura 2 - Representação espacial da área pesquisada.
Fonte: DETEC - CeasaMinas (2010).
20
4 REVISÃO DE LITERATURA
4.1 A DINÂMICA DO MERCADO DE FRUTAS E HORTALIÇAS IN NATURA
As frutas e hortaliças, fornecedores insubstituíveis de minerais (potássio, zinco cobre,
magnésio, cálcio, entre outros), vitaminas (especialmente vitamina C), fibras e outros
compostos, como favonóides, além de saborosas, são amplamente recomendadas para
prevenção de doenças cardiovasculares, diabetes mellitus tipo 2 e alguns tipos de câncer (FAO
et al., 2005).
Entretanto, o consumo ainda está muito abaixo do necessário em todo o mundo e estima-se
que essa seja a causa de cerca de 2,7 milhões de mortes a cada ano e está entre os 10
maiores fatores de risco que contribuem para a mortalidade (WHO, 2003).
De acordo com dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares, do IBGE (2002-2003), o
brasileiro consome apenas 24,5 quilos de frutas e 29,0 quilos de hortaliças por ano, o que
resulta em uma média de 146,5 gramas por dia, sendo que o recomendado seria, no mínimo,
400 gramas/dia desses alimentos – exceto batatas e outros tubérculos (WHO, 2002).
No Brasil, ocorrem perdas entre 30,0 a 40,0% da produção de frutas e hortaliças na fase de
pós-colheita. Essas perdas são causadas por fatores patogênicos, fisiológicos e físicos; e por
manuseio, transporte e armazenamento incorretos que, aliados aos custos de distribuição e
comercialização, elevam os preços de venda e penalizam produtores e consumidores
(ANDRADE et al., 2008).
As Fig. 3 e 4 ilustram o desperdício que ocorre com frequência nas lavouras. Industrialização,
processamento e melhoria da exposição e qualidade das frutas e hortaliças são algumas das
soluções que se mostram altamente viáveis para reduzir esses números.
A comercialização mundial de produtos derivados de frutas cresceu mais de cinco vezes nos
últimos quinze anos no Brasil, no entanto, ainda há muito a ser explorado (RAMOS, SOUZA e
BENEVIDES, 2004).
21
Figura 3 - Banana descartada na lavoura.
Figura 4 - Cebola descartada na produção.
Diante desse cenário e impulsionados pelo projeto criado em 1991 nos Estados Unidos, o “5 a
Day” (Fig. 5), a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) e a
Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciaram, em novembro de 2002, no Rio de Janeiro,
estratégias para aumentar o consumo de frutas e hortaliças devido à grande preocupação com
a saúde e qualidade de vida da população (WHO, 2002).
22
Figura 5 - Programa “5 a day” inserido no Brasil como “5 ao dia”.
Fonte: Eat your way...
Figura 6 - Programa 5 ao dia.
Fonte: Programa 5 ao dia...(2009)
Outra iniciativa também lançada com o apoio da OMS foi a denominada “Estratégia Global de
Alimentação Saudável, Atividade Física e Saúde”, aprovada por 192 países, incluindo o Brasil,
na última Assembléia Mundial de Saúde, em 2004. Essa iniciativa teve como objetivo a
promoção e proteção à saúde com o desenvolvimento de ações sustentáveis e de orientação
sobre prática de exercícios físicos e alimentação adequada (PROMOÇÃO do consumo..., 2005)
23
Dessa forma, ações que estimulem a melhoria da qualidade de produção e pós-colheita e
intensivo marketing a respeito dos benefícios do consumo e da prática de atividades físicas,
principalmente entre crianças e idosos, vem sendo inseridas no cotidiano da sociedade, por
meio de escolas, creches e asilos, já que, de acordo com os profissionais da área, não basta
apenas informar a população sobre a importância da alimentação saudável e da prática regular
de atividade física se não houver intervenção sobre o ambiente a fim de torná-lo adequado à
execução dos programas (O programa...).
Nos EUA, por exemplo, de 1970 a 1995, o consumo de vegetais passou de 64 para 140
Kg/hab/ano. No total de gastos com produtos alimentícios, os vegetais e frutas frescas giram
em torno de 10% nos EUA, 11% na Alemanha, 13% na França, 20% na Holanda e 25% na Itália
(SATO, MARTINS e BUENO, 2006).
Segundo Belick e Chaim (1999), os FLV representavam, no país, em média, 6,4% do
faturamento dos supermercados, chegando a ter participação de 10% em algumas redes. Já em
2006, o setor representa entre 8% e 12% do faturamento dos supermercados, sendo que o
segmento pode ser considerado o cartão de visitas do estabelecimento (APAS, 2006).
No entanto, em diversos países as frutas e as hortaliças são consumidas principalmente na
forma in natura. No Brasil, devido à abundância na produção de hortigranjeiros, frequentemente
há excedente que, infelizmente, não é valorizado como deveria, sendo descartado na própria
lavoura, como ilustrado anteriormente (RAMOS, SOUZA, BENEVIDES, 2004).
Ainda segundo esses autores, as tentativas para industrialização em grande escala não foram
bem sucedidas por diversas razões, dentre elas:
- falta de matéria-prima uniforme e em grande quantidade;
- dificuldades de transporte, amadurecimento e conservação antes do processamento;
- safra curta, não justificando a instalação de uma planta específica para determinados
produtos;
- falta de divulgação dos processos adequados para elaboração de variações dos alimentos in
natura.
De fato, três das quatro justificativas acima realmente representam problemas que ainda devem
ser solucionados. No entanto, o fato de a safra ser de curta duração deveria ser um incentivo ao
processamento e à industrialização e não um entrave, pois permite a absorção do excesso de
24
produção e dos alimentos fora de padrão, além de possibilitar o consumo do produto
industrializado durante todo o ano, independente das épocas de grande oferta.
4.2 PANORAMA DO MERCADO DAS VARIAÇÕES DE FRUTAS E HORTALIÇAS
De acordo com Neves e Castro (2003), a parcela da população que consome apenas produtos
básicos e pouco elaborados, sem experimentar as novidades que surgem no mercado, é muito
relevante, cerca de 77,0%, correspondente às classes C e D; e as classes mais consumistas, A
e B, representam apenas 23,0%, mas que tem um poder de consumo que alcançou, em 1999,
US$ 200 bilhões, enquanto as classes C, D e E, juntas, alcançaram cerca de US$ 170 bilhões.
Como consequência disso, alimentos diferenciados, como é o caso dos minimamente
processados, embalados, orgânicos e desidratados, alcançam, ainda, pouca fatia da população.
Contudo, há um espiral de consumo que atinge todas as classes sociais. O quadro 1 apresenta
um modelo adaptado do comportamento do cliente no momento da compra proposto por Neves
e Castro (2003).
Gonçalves, Passos e Biedrzycki (2008) endossam os itens registrados no quadro dizendo que,
no caso específico de alimentos, cada vez mais o consumo está associado à quantidade e à
qualidade das informações presentes na mente dos consumidores, fazendo com que as
pessoas consumam não apenas por necessidade, mas por valores e identificação. Os autores
ainda afirmam que cerca de 70,0% de todas as compras resultam de decisões tomadas no
ponto de venda, 50,0% são feitas por impulso, e o tempo que o consumidor dedica à decisão de
compra é de aproximadamente 4 segundos.
Ainda sabe-se que 70,0% da decisão de compra de produtos como frutas e hortaliças se
baseiam na aparência (GOTO, 2010). Dessa forma, conclui-se que o mercado é fortemente
influenciado pela preferência dos consumidores, devendo ser bastante dinâmico e inovador
(VILELA e HENZ, 2000).
Segundo Neves, Lopes e Cônsoli (2003), o atacado e o varejo são os principais canais de
distribuição de alimentos no mundo. No Brasil, o primeiro corresponde a 4,0% do Produto
Interno Bruto (PIB) e o segundo, 6,1%, o que representa um faturamento na ordem de R$52,8
bilhões no atacado e R$73,6 bilhões no varejo.
25
Quadro 1 - Comportamento do consumidor no momento da compra.
Estímulos de
marketing
(controláveis)
Outros estímulos
(Incontroláveis)
Características do
consumidor
Produto
Político
Culturais
Preço
Sóciocultural
Sociais
Distribuição
Econômico
Pessoais
Comunicação
Tecnológico
Psicológicas
As decisões do
consumidor
As oportunidades
para o varejo
Ousadia no
lançamento de
produtos
Investimento na
qualidade e
Escolha da marca
segurança dos
alimentos
Entendimento do
desejo e da
Escolha do vendedor
necessidade do
consumidor
Oferecer alimentos
diferenciados e
Tempo de compra
segmentar mercados
variados
Aumento na geração
de renda, de
Montante gasto
empregos e redução
nas perdas
Escolha do produto
Fonte: Adaptada de Neves e Castro (2003).
No entanto, um dos maiores gargalos existente na comercialização de FLV é a falta de
qualidade, desencadeada por escassez de higiene na manipulação, uso de embalagens
inadequadas, falta de fiscalização dos setores competentes e exposição de maneira incorreta
nas gôndolas (Fig. 7 e 8) (QUALIDADE..., 2009).
Comparativamente a esse gargalo existente no Brasil, pode-se citar a organização do setor na
Europa, que caracteriza o comércio varejista desses alimentos como uma verdadeira olimpíada,
onde os participantes competem em três especialidades: tamanho, consumidor e diferenciação
(Fig. 9) (IEA, 1999).
26
Figura 7 - Exposição inadequada de uvas.
Figura 8 - Exposição inadequada de hortaliças.
Ainda de acordo com dados do Instituto de Economia Agrícola – IEA (1999), para concorrer no
tamanho, os varejistas, no Brasil, abrem lojas cada vez maiores, fortalecem sua cadeia de
abastecimento, concentram o seu sistema de compra e se tornam multinacionais. Já para
concorrer nos quesitos consumidor e diferenciação, o setor investe em qualidade. Nas lojas,
27
não é necessário que o consumidor selecione os melhores produtos para comprar, o varejista já
cuidou desse detalhe antes mesmo de expô-los nas prateleiras.
A Fig. 9 ilustra a exposição de frutas e vegetais em uma loja de Londres, capital da Inglaterra.
Observa-se a expressiva diferença de qualidade e atratividade dos produtos entre o mercado
brasileiro e o europeu.
Figura 9 - Setor de hortifrutigranjeiros em Londres – Inglaterra.
Diante desse cenário, é clara a necessidade de especializar toda a cadeia produtiva a fim de
atender às demandas do mercado. Nesse sentido, variações de frutas, legumes e verduras já
existentes “in natura”, que promovem a absorção de excedentes de produção e atraem a
atenção do consumidor emergem no setor a fim de atender às exigências daquele público que
requer praticidade e qualidade aliadas à boa saúde no momento da compra.
Vegetais embalados, minimamente processados, orgânicos e desidratados são algumas das
alternativas que vem ocupando cada vez mais espaço nas gôndolas e prateleiras dos
supermercados e “sacolões” dos grandes centros urbanos.
28
4.2.1 O MERCADO DE EMBALADOS
Os vegetais embalados, comumente encontrados em supermercados e “sacolões”, apresentamse, na maioria das vezes, selecionados e embalados em bandejas de isopor recobertas com
filmes plásticos, devidamente identificados com códigos de barra e prazo de validade. Quase
sempre vendidos por preço superior ao dos produtos a granel, demonstram melhor qualidade e
aparência, além de reduzirem drasticamente as perdas durante a comercialização (VILELA e
HENZ, 2000).
Surgiram de maneira discreta nas gôndolas e prateleiras de supermercados e sacolões há
alguns anos e hoje fazem parte de quase 100% dos estabelecimentos pesquisados que
trabalham com frutas, legumes e verduras.
A Fig. 10 mostra a disposição de hortaliças embaladas em um dos estabelecimentos visitados
na pesquisa.
Figura 10 - Hortaliças embaladas.
4.2.2 O MERCADO DE MINIMAMENTE PROCESSADOS
Os alimentos minimamente processados, em sua maioria hortaliças, são aqueles que foram
submetidos a processos de seleção, classificação, pré-lavagem, corte, fatiamento, sanitização,
enxágue, centrifugação, embalagem e rotulagem (EMBRAPA, 2003). Esses, apesar do
29
processamento, mantêm as características sensoriais do alimento fresco e são bastante
atraentes aos olhos do consumidor devido à praticidade e apresentação, em embalagens a
vácuo ou embalagens plásticas com atmosfera modificada, com um jogo de cores fortes e
nomes que se referem a pratos ou refeições prontas, como kit yakissoba, sopinha baby, salada
mista, entre outros (Fig. 11 e 12).
Figura 11 - Frutas e Hortaliças minimamente processadas no varejo de Belo Horizonte.
Figura 12 - Frutas e hortaliças minimamente processadas em Londres – Inglaterra.
30
De acordo com informações da EMBRAPA (2003), os minimamente processados, no Brasil,
representam cerca de 5,0 a 8,0% da comercialização de produtos frescos, enquanto que no
mundo a parcela é bem mais significativa, entre 20,0 e 25,0%.
Foram introduzidos no país há aproximadamente 20 anos, trazidos pelas lojas de refeição "fast
food" e, de maneira rápida e silenciosa têm ocupado cada vez mais espaço nas gôndolas de
“sacolões” e supermercados (EMATER, 2007).
4.2.3 O MERCADO DE ORGÂNICOS
Os alimentos orgânicos são todos aqueles produzidos em sistemas que não utilizam
agrotóxicos ou insumos artificiais em sua produção, como inseticidas, herbicidas, fungicidas,
nematicidas ou adubos químicos (Fig. 13). Por conceito, eles também não podem ser
organismos geneticamente modificados, como os transgênicos. Além de o cultivo priorizar a
preservação da saúde do homem, dos animais e do meio ambiente (Guia do..., 2008).
Sua definição na lei nº 10.831, de 23 de dezembro de 2003, ainda afirma que o sistema
orgânico de produção é aquele que busca aperfeiçoar o uso de recursos naturais e
socioeconômicos, respeitar a integridade cultural das comunidades rurais e reduzir a
dependência de energias não-renováveis (Guia do..., 2008).
São definidos pela Instrução Normativa n° 007, de 17 de maio de 1999 e na portaria MA n°
505, de outubro de 1998, do MAPA e se diferem dos “sem agrotóxico”, que são aqueles que
somente não levam pesticidas, herbicidas e adubos químicos em seu cultivo (FRUTIFATOS,
2002).
31
Figura 13 - Alimentos orgânicos.
Os primeiros orgânicos começaram a surgir no comércio da Europa na década de 70. No Brasil,
com o crescimento da demanda devido à busca por alimentação saudável e à conscientização
por preservação ecológica, surgiram a partir da década de 80. Nesse momento, cooperativas de
produção e consumo começaram a se organizar e, no final da década de 90 já faziam parte das
refeições ofertadas em restaurantes e das gôndolas de supermercados e “sacolões” (ORMOND
et al., 2002).
De acordo com os autores, o mercado mundial de orgânicos, até 2002, ainda era muito difuso,
não possuía dados consistentes de produção e comercialização. No entanto, devido à grande
preocupação com resíduos de agrotóxicos e pesticidas em frutas e hortaliças, o modo de
produção oferecia amplas perspectivas de crescimento. Em 1997, a Europa se consolidava
como o maior mercado consumidor mundial, seguida pelos EUA e Japão. E, nos últimos 10
anos, o crescimento era estimado em 25% nas três potências, com perspectiva de alcance de
15% do consumo total de alimentos até 2005.
Ainda segundo Ormond et al. (2002), no Brasil, no ano de 2001, havia um total de 822
produtores de cultura orgânica certificados, sendo 549 de hortaliças e 273 de frutas. E, a fim de
incentivar a produção no país, através da criação da lei de número 10831, de 2003,
regulamentada pelo decreto 6323, de 2007 e do Programa de Desenvolvimento da Agricultura
Orgânica (Pró-Orgânico) pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA),
foram implantadas a Comissão Nacional da Produção Orgânica (CNPOrg) e outras comissões
estaduais, que tem como objetivo possibilitar o fortalecimento dos segmentos de produção,
processamento e comercialização, auxiliando no desenvolvimento da atividade.
32
Com a criação do Pró-Orgânico, ações como implantação de um selo oficial do Sistema
Brasileiro de Avaliação da Conformidade Orgânica e a adoção de mecanismos de controle para
a garantia da qualidade dos produtos serão tomadas a partir de 1º de janeiro de 2011. Além
disso, conscientização de crianças e adolescentes nas escolas e creches e divulgação nos
meios de comunicação tem sido implementadas pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e
Abastecimento, por meio das comissões estatais de produção orgânica.
Os orgânicos movimentam, no Brasil, cerca de 500 milhões de reais por ano e esse valor tende
a aumentar 30,0% a partir de 2011, com a inserção do controle de qualidade proposto pelas
comissões criadas (VEJA, 2010).
4.2.4 O MERCADO DE DESIDRATADOS
Industrialmente, a desidratação é definida como secagem (retirada de água) pelo calor
produzido artificialmente sob condições de temperatura, umidade e corrente de ar
cuidadosamente controlado. O aumento da temperatura do produto força a evaporação da
água, enquanto a circulação do ar remove a umidade evaporada. O teor de umidade final dos
produtos varia, em geral, com as características almejadas pelo fabricante, como vida útil,
garantia de sabor e aroma agradáveis, manutenção das características visuais, entre outros. Já
a secagem natural tem a mesma finalidade da desidratação, mas é geralmente realizada ao sol.
(RODRIGUES, 2004).
De acordo com Meloni ([200-]) dentre os benefícios da produção de frutas e hortaliças
desidratadas (Fig. 11), destacam-se:
A semelhança das características sensoriais e nutricionais comparada à versão in natura;
Estímulo à produção contínua porque há escoamento imediato da matéria-prima;
A oferta em qualquer época do ano, independente do período de safra;
Redução das perdas na lavoura, já que podem ser ingressados diretamente em uma
agroindústria, sem restrições de tamanho e cor ideais;
Aumento da vida de prateleira, de dias, do produto “in natura”, para meses;
Agregação de valor aos alimentos;
Maior variedade ofertada aos consumidores a preços mais baixos devido ao maior volume
ofertado.
33
Figura 14 - Frutas desidratadas – maçã, à esquerda, e morango, à direita.
Em geral, o consumo de frutas secas é elevado em países como Reino Unido, Alemanha, EUA,
China, Japão e Canadá, maiores importadores desses produtos (FAO, 2003). A Fig. 15 mostra
um pacote de salada de frutas desidratadas comercializado em Londres (Reino Unido).
Figura 15 - Salada de frutas desidratadas.
34
A fruta desidratada é vantajosa para a indústria, pois além de ter maior vida de prateleira e
manter sabor e nutrientes do alimento natural, é de fácil transporte e armazenagem, apresenta
qualidade uniforme e, por haver pouca manipulação durante a fabricação e redução da
atividade de água do produto (Aw), o risco de contaminação é baixo (PEREIRA, 2007).
Entretanto, a tecnologia de desidratação, apesar de bastante estudada em universidades, ainda
é pouco conhecida e explorada por produtores e indústrias, o que resulta em escassez de
investimento nesse tipo de processamento (MELONI [200-]).
Segundo Rodrigues (2006), a fruticultura é essencial para o agronegócio brasileiro, que, em
2005, produziu mais de 45 milhões de toneladas. O país possui uma diversidade enorme de
frutas e ainda poucos investimentos na área, onde a comercialização do fruto é feita
basicamente in natura, sem agregação de valor. Nesse sentido, segmentação de mercado,
incentivo ao consumo, divulgação do produto e melhoria da produção para garantir qualidade e
sanidade dos produtos são estratégias que oferecem amplas perspectivas de crescimento do
setor.
Minas Gerais, Paraíba e Pará, respectivamente, são os estados que mais se destacam na
produção de abacaxi, levando o Brasil à 1ª posição no ranking mundial (AGRIANUAL, 2010).
Entretanto, essa fruta, rica em açúcares, sais minerais e vitaminas, na forma desidratada, é
importada de países como China Rússia, Alemanha e Malásia (FAO, 2003) e vendida a preços
bastante elevados quando comparados aos preços do produto fresco (Fig. 16).
Figura 16 - Abacaxi desidratado – R$ 59,80 o quilo.
35
Figura 17 - Tomate seco – embalagem de 180 gramas.
O tomate, dentre os desidratados, é o mais conhecido e consumido devido à culinária italiana
inserida no país, em pizzas e massas. O Brasil se destaca na produção da hortaliça, ocupando
o 11º lugar no ranking mundial e o 1º na América do Sul. Goiás, São Paulo e Minas Gerais,
respectivamente, são os estados responsáveis pelo destaque (AGRIANUAL, 2010). No entanto,
a produção do fruto é destinada ao consumo in natura ou industrializado na forma de molhos,
extratos e sucos, ficando o tomate seco, produto exótico, saboroso e com alto valor agregado,
concentrado em importações e produções artesanais (Fig. 17).
4.3 GARANTIA DE BOA QUALIDADE
O Brasil é o terceiro maior produtor de frutas do mundo, mas no ranking das exportações figura
em 20º lugar. As exportações representam apenas 1,8% do total de 38 milhões de toneladas
produzidas por ano (EXPORTAÇÃO..., 2006). Tal fato se deve à má qualidade dos produtos,
que pode ser classificada como resultante dos processos fisiológicos, dos efeitos físicos de
manuseio e das doenças pós-colheita; à falta de prospecção de novos mercados, às barreiras
fito-sanitárias, à burocracia relacionada aos desembaraços aduaneiros e às exigências fiscais,
principalmente (CCRCOP, 2009).
36
As deteriorações resultantes da fisiologia do produto podem ser agrupadas como as causadas
pelas atividades normais da respiração e transpiração, pelas transformações químicas, pelo
amadurecimento e pela fisiologia anormal de frutos e hortaliças. Perdas provocadas por injúrias
mecânicas, resultantes de impacto, compressão e/ou vibração, durante o manuseio ou
transportes inadequados, armazenamento impróprio e exposição prolongada no varejo também
se destacam na cadeia de comercialização. Dessa forma, o controle da temperatura e a escolha
da embalagem adequada são primordiais para manutenção da qualidade desses alimentos tão
sensíveis (CCRCOP, 2009).
4.3.1 A importância da temperatura
Segundo Tanabe e Cortez (1998), poucos alimentos ficam refrigerados em toda a cadeia, desde
o momento em que sai da produção até chegar à mesa do consumidor. Dentre esses, encontrase com facilidade carnes, leite e derivados e sorvetes, onde a refrigeração é imprescindível,
ficando em segundo plano as frutas e hortaliças. Em consequência disso, é comum o cliente
encontrar nas gôndolas produtos como maçã, pêra e morango, que deveriam estar em balcão
refrigerado.
Em linhas gerais, quanto mais rapidamente frutas e hortaliças sofrerem uma redução na
temperatura, maior será o tempo para que se possa comercializá-las. Estima - se que uma
queda de 10°C aumente a vida de prateleira em torno de 2 a 3 vezes. O morango, por exemplo,
sem refrigeração precisa ser comercializado em, no máximo 3 dias, enquanto que se estiver
refrigerado chega a uma semana (TANABE E CORTEZ, 1998).
Segundo Ramos, Sousa e Benevides (2004), as temperaturas baixas são utilizadas para
retardar as reações químicas e a atividade enzimática, bem como retardar ou inibir o
crescimento e a atividade dos microrganismos, sem, no entanto, destruí-los. Quanto mais baixa
for a temperatura, menores serão a ação química, enzimática e o crescimento microbiano.
Todavia, há alguns produtos que sofrem de chilling - friagem que provoca uma perturbação
fisiológica ou um dano fisiológico no fruto, causado por baixas temperaturas, que pode resultar
em alteração na coloração da casca, decomposição da polpa e maturação anormal. Assim, é
essencial que funcionários do setor conheçam as temperaturas ideais de armazenamento de
frutas, legumes e verduras.
De acordo com Ferreira Neto et al. (2006) o maior problema ainda existente e pouco
identificado pelos produtores e varejistas é a quebra da cadeia do frio, muitas vezes ocasionada
37
pela falta de informação e instrução de quem trabalha no ramo. De maneira geral, no Brasil, as
frutas e hortaliças são mantidas à temperatura ambiente após a colheita, sendo poucas
exceções, como a maçã – segmento mais estruturado quando comparado aos outros –
refrigeradas. Logo em seguida, são transportados à temperatura ambiente – a grande maioria
de produtos e outros em caminhões baú refrigerados, como morango, pêra, pêssego e
nectarina. No entanto, quando são armazenados em Centrais de Abastecimento (CEASA`s) são
novamente alocados em espaços sem refrigeração.
Destaca-se ainda a existência de lojas atacadistas mais especializadas, dentro ou fora das
CEASA`s que, embora tenham estrutura suficiente de armazenamento, possuem funcionários
com pouca instrução sobre a fisiologia de cada alimento, logo o armazenamento muitas vezes é
feito em câmaras frias independente do produto. No entanto, nos supermercados e “sacolões”,
toda a exposição é feita em gôndolas à temperatura ambiente e o consumidor, ao estocar em
casa, mais uma vez quebra a cadeia do frio, colocando os alimentos em cestas e/ou na
geladeira (FERREIRA NETO et al., 2006).
Ainda de acordo com os autores, todo esse desencontro de temperaturas que expõe os
mesmos alimentos à etapas frias e quentes (temperatura ambiente) causa danos irreparáveis,
como manchas, apodrecimento, murchamento, dentre outros, que afetam significativamente a
qualidade sensorial do produto.
Figura 18 - Injúria pelo frio em melão, à esquerda, e na polpa do pêssego, à direita.
Fonte: Alimentos vegetais...
38
De acordo com Ferreira Neto et al. (2006), temperaturas abaixo do nível recomendado podem
causar danos pelo frio (chilling injury), perda de sabor e aroma, escurecimento da casca ou
polpa e perda da capacidade de maturação. Dessa forma, a preocupação com a conservação
da qualidade do produto ao longo da cadeia de distribuição é um aspecto fundamental no
sistema de comercialização.
Cabe lembrar também que frutos e vegetais armazenados à temperatura ambiente também
sofrem com o calor, como ilustrado na figura abaixo. Logo, é de extrema importância conhecer
as características fisiológicas de cada produto para evitar perdas ao longo da cadeia comercial.
Figura 19 - Pêra armazenada a temperatura ambiente.
39
Os quadros 2 e 3, adaptados de CHITARRA e CHITARRA (2005), informam as condições de
armazenamento ideais para conservação das frutas e hortaliças.
Quadro 2 - Condições de armazenamento de hortaliças.
40
Fonte – Adaptada de Chitarra e Chitarra, 2005
Quadro 3 - Condições de armazenamento de frutas.
Fonte – Adaptada de Chitarra e Chitarra, 2005
41
As perdas de alimentos no Brasil, segundo Medeiros Neto e Mota (2006), podem ser
caracterizadas sob dois aspectos: perdas quantitativas e perdas qualitativas. As quantitativas
são as mais visíveis e podem ser medidas na quantidade de produtos desperdiçados, que vão
para o lixo ou são novamente incorporados a terra. Já as qualitativas são aparentemente mais
difíceis de serem quantificadas. Revelam-se em termos de redução na qualidade do produto,
resultando na queda do preço de comercialização e de competitividade no mercado.
De acordo com os autores, uma das maneiras de reduzir essas perdas seria utilizando-se a
refrigeração durante todas as etapas, por meio da "cadeia do frio", que consiste em resfriar o
produto a partir da colheita e mantê-lo à baixa temperatura ao longo de toda a cadeia.
No entanto, embora o resfriamento seja um dos processos mais indicados para a preservação
das propriedades químicas, nutricionais e sensoriais desses alimentos, ele apresenta o
inconveniente de ter o custo elevado de implantação e manutenção, além de necessitar da
aquisição, por parte dos atacadistas e produtores, de caminhões frigorificados para o transporte
(HORTIFRUTI BRASIL, 2011).
Em função disso, no Brasil, é comum o produto receber refrigeração apenas nas geladeiras
domésticas, desrespeitando as temperaturas adequadas, como exposto nas tabelas propostas
por Chitarra e Chitarra (2005), ocasionando elevadas perdas de qualidade e alto índice de
desperdício (HORTIFRUTI BRASIL, 2011).
4.3.1.1 Os “fresh cut”
Frutas e hortaliças intactas se deterioram alguns dias após a colheita. As mesmas,
minimamente processadas, devido a danos físicos, como corte, fatiamento, descascamento e
centrifugação, possuem uma vida útil ainda menor e exigem maior controle microbiológico. De
acordo com Aquino, Domingos e Carvalho (2010), a taxa respiratória dos alimentos
minimamente processados é aumentada de 3 a 7 vezes em relação ao tecido intacto e a
produção de etileno incrementada em até 20 vezes.
Nesse sentido, o controle de fatores extrínsecos, como a temperatura e a composição
atmosférica no interior das embalagens são fundamentais para retardar desordens fisiológicas,
bioquímicas e microbiológicas que afetam as características sensoriais dos chamados “fresh
cut” (AQUINO, DOMINGOS E CARVALHO, 2010).
42
Em geral, os vegetais, quando armazenados em embalagens adequadas e mantidas à
temperatura ideal, entre 0 e 5oC, apresentam um tempo de vida útil prolongado, como mostra o
quadro 4.
Quadro 4 - Prazo médio de validade das hortaliças minimamente processadas.
Prazo médio de validade das hortaliças minimamente processadas
Produto
Prazo de validade (dias)
Acelga picada
5
Alface folha
5
Alface picada
5
Beterraba cubo
4
Beterraba ralada
4
Beterraba rodela
4
Brócolis picado
7
Vcenoura cubo
6
Cenoura ralada
7
Cenoura rodela
6
Couve picada
7
Couve-flor picada
7
Mistura para sopa
5
Pepino rodela
4
Repolho picado
7
Saladas prontas
5
Vagem picada
7
Yakisoba
5
Fonte: Ministério da Agricultura e do Desenvolvimento Rural / FAO, 2003.
4.3.1.2 Os embalados
De forma semelhante ao armazenamento das frutas e hortaliças a granel deveria estar as
embaladas. O conhecimento das características fisiológicas dos frutos e vegetais é uma
importante arma para garantir a manutenção da qualidade pós colheita. De acordo com Ferreira
Neto et al., (2006), a maçã (temperatura de estocagem indicada 0,0 ± 1,0°C), o morango (0,0 ±
43
0,5°C), a alface (0,0°C) e a uva (1,0°C) não são sensíveis a danos pelo frio, enquanto a laranja
e a banana são. A primeira deve ser estocada em temperaturas entre 3,0 e 8,0°C por três
meses, dependendo da cultivar e grau de maturação. Já a segunda, tem estabelecida a
temperatura de estocagem e transporte, que varia de 13,0 a 14,0°C e a de amadurecimento
entre 15,0 e 20,0°C. Abaixo de 12,0°C, a banana perde seu valor comercial devido ao
escurecimento da casca.
O autor afirma que as frutas e hortaliças são sensíveis a mudanças indesejáveis de temperatura
e umidade relativa do ambiente onde se encontram. As alterações podem não ser notadas de
imediato, mas serão observadas ao longo do processo de comercialização por meio da
mudança de sabor, odor, firmeza e demais características de qualidade inerentes ao produto.
Dessa forma, não é possível expor, em um mesmo balcão, todas as frutas mencionadas. No
entanto, nos estabelecimentos visitados, foi comum encontrar bandejas, com produtos que
deveriam estar refrigerados, expostas à temperatura ambiente, que no Brasil apresenta valores
médios incompatíveis com essa prática.
4.3.2 A importância da embalagem
De forma bastante visível, as embalagens nos alimentos reduzem significativamente as perdas
quando se compara com os produtos expostos a granel nas gôndolas. De acordo com pesquisa
realizada em Minas Gerais pela revista Frutifatos (2004), as quebras nos produtos comprados e
vendidos a granel na capital chegam a 10,6%, enquanto que nos embalados, a quebra fica em
3,3%; no minimamente processado, em 1,2%; no orgânico, em 1,1% e nos produtos
agroindustrializados, não ultrapassa 0,3%.
A industrialização e o desenvolvimento de embalagens adequadas e inovadoras tem
possibilitado não só a redução da perda de alimentos e o aproveitamento de subprodutos
industriais, mas também o aumento da segurança alimentar e a popularização de produtos
antes restritos a algumas parcelas da sociedade (GONÇALVES, PASSOS e BIEDRZYCKI,
2008).
Sua principal função é proteger o alimento. No entanto, outras funções se incorporam às
embalagens, como informar sobre o produto, transportá-lo e vendê-lo de maneira silenciosa,
visto que menos de 10% dos produtos expostos nas gôndolas e prateleiras de supermercados
tem apoio de propaganda. Cabe a ela atrair a atenção, despertar o interesse e o desejo,
44
mostrar a qualidade do produto, ganhar do concorrente e fechar a venda em segundos.
(GONÇALVES, PASSOS e BIEDRZYCKI, 2008).
Ainda segundo os autores, uma embalagem corresponde a um comercial de cinco minutos na
gôndola do supermercado. E, se considerarmos que aproximadamente 18 mil novos produtos
chegam ao mercado anualmente e que cerca de 90,0% não aparece em comerciais de qualquer
espécie, a embalagem se torna o principal motivo de escolha do consumidor pelo produto numa
primeira compra, tornando-se o sinônimo da marca.
Além disso, a embalagem possibilita o uso de rótulos, que orientam e transmitem confiança ao
consumidor por conter detalhes básicos como peso, ingredientes e instruções e data de
fabricação e validade, de acordo com regulamentações governamentais (GONÇALVES,
PASSOS e BIEDRZYCKI, 2008).
Segundo a ABRE – Associação Brasileira de Embalagens, (2003), apud Gonçalves, Passos e
Biedrzycki, (2008), existe algumas recomendações para que a embalagem continue sendo uma
importante ferramenta de preservação de produtos e recursos naturais, ao mesmo tempo que
se adeque às novas necessidades ambientais que surgem constantemente:
Escolha de material, levando em consideração fatores como toxidez, escassez,
renovabilidade, reciclabilidade;
Disponibilização de todas as informações referentes à embalagem ao consumidor;
Consideração da "desmontagem" da embalagem;
Redução da espessura das paredes da embalagem;
Desenvolvimento de tecnologias de similaridade de materiais;
Priorização de embalagens incolores;
Priorização de rótulos que não utilizam cola;
Intensificação do uso de refil;
Cuidado ao imprimir diretamente na embalagem, pois a tinta pode não ser quimicamente
compatível com o material, prejudicando a reciclagem.
Produção limpa e otimização da logística;
Prolongamento do tempo de vida útil do produto;
Maximização da possibilidade de reaproveitamento;
45
Eliminação de desperdícios.
O atendimento a estes requisitos se constitui de um processo gradativo de reformulação
tecnológica e industrial.
4.3.2.1 Os fresh cut
A combinação de processos que visam aumentar a vida de prateleira dos alimentos
minimamente processados é extremamente necessária para manter a qualidade e assegurar
que esses produtos chegarão à mesa do consumidor livres de deterioração microbiológica e
mudanças fisiológicas e bioquímicas, que podem resultar na degradação da cor, textura e
sabor. Nesse sentido, a embalagem se torna um dos principais aliados na preservação das
características sensoriais e na segurança dos produtos (PEREIRA et al., 2003).
Os produtos MP são mais perecíveis do que seus similares in natura, o que se traduz em maior
taxa respiratória, maior perda de água e alterações fisiológicas mais rápidas e mais intensas.
Nesse sentido, o uso de embalagens especiais que auxiliem na manutenção do frescor desses
alimentos é imprescindível (MORAES, 2006).
As embalagens com atmosfera modificada passiva tem a modificação criada em seu interior
como resultado direto do consumo de O2, da produção de CO2 e da permeabilidade da
embalagem. Já as embalagens sob atmosfera modificada ativa são obtidas a partir da injeção
de gases com concentrações pré-determinadas (SANTOS, 2004) por meio de seladoras
equipadas com sistemas de injeção de gases, sendo que a proporção desses depende da taxa
respiratória do produto, da natureza e espessura do material de embalagem, da relação entre a
quantidade de produto e a área superficial do material de embalagem e da temperatura de
armazenamento (JACOMINO e ARRUDA, 2004).
4.4 COMERCIALIZAÇÃO DE ORGÂNICOS NO BRASIL
Segundo Ormond et al. (2002), as hortaliças e as frutas se destacam ocupando o segundo e o
quarto lugares, respectivamente, no ranking dos alimentos orgânicos mais produzidos e
comercializados no Brasil.
Dados do relatório publicado no site Planeta Orgânico, a produção de folhosas, legumes, ervas
e temperos, quando comparada com a oferta de carnes, cereais e grãos orgânicos, foi a grande
46
responsável pela divulgação do alimento orgânico para o consumidor, que faz uma relação
direta da agricultura orgânica com o consumo de hortaliças (RELATÓRIO sobre...).
Relativamente ao assunto preço praticado no varejo para alimentos orgânicos, a discussão é
complexa, pois eles variam de acordo com o segmento de mercado que está sendo ofertado.
Em canais de comercialização diretos entre o produtor e o consumidor, como no caso das feiras
livres, a tendência é de o consumidor encontrar produtos com uma diferença menor quando
comparado com os canais indiretos, como os supermercados e “sacolões” (RELATÓRIO
sobre...).
Segundo pesquisa publicada pela revista Frutifatos (2003), tanto no Rio de Janeiro quanto em
Minas Gerais, o "preço alto", é considerado pelos consumidores como um importante ponto de
estrangulamento para o aumento do consumo dos FLV orgânicos.
4.5 COMERCILAIZAÇÃO DE FRUTAS DESIDRATADAS NO BRASIL
Apesar de ser um grande produtor de frutas, o Brasil importa mais frutas desidratadas do que
exporta, mesmo dispondo de uma produção de 38 milhões de toneladas de frutas in natura por
ano. Em 2002, a importação foi de 172.000 toneladas de frutas desidratadas, no valor de US$
738.000, enquanto a exportação foi de apenas 12.000 toneladas, no valor de US$ 42.000
(RODRIGUES, 2004).
Segundo dados da FAO (2007), apud Rodrigues (2004) o principal exportador de frutas
desidratadas, em 2007, foi a China, com 8,5% da produção, o equivalente a mais de 31.854
toneladas, seguida de Afeganistão (3,4%), Espanha (2,9%), Indonésia (2,8%), Alemanha (2,4%)
e Índia (2,3%).
Ainda de acordo com a FAO (2007), apud Rodrigues (2004) a evolução das exportações
brasileiras, em toneladas, de 2000 a 2004, sofreu uma oscilação muito intensa, ilustrando a falta
de estruturação do mercado brasileiro desse nicho de mercado. Em 2000, a exportação chegou
a valores próximos de 35 toneladas, caindo para 10 toneladas em meados de 2001 e
permanecendo nesse patamar até meados de 2003, quando voltou a subir, chegando a 30
toneladas em 2004. Justificativas para esse fato são: falta de agroindústrias de grande porte
capaz de manter o abastecimento do produto, e o aumento do consumo interno, com
diminuição da oferta do produto para exportação.
47
O gráfico 6 ilustra os valores gastos, em diversos países, com importações de frutas
desidratadas em 2003. Apesar de a informação ser de alguns anos atrás, ainda não é
perceptível mudanças significativas nos resultados. O mercado consumidor de alimentos DES
ainda se concentra em países desenvolvidos, como Reino Unido, EUA e Alemanha, além de
China, país em franco crescimento. Dessa forma, é possível inferir que ainda há um grande
mercado a ser explorado pelo Brasil, uma vez que esse se destaca na produção de diversas
frutas e hortaliças “in natura” e possui, através de estudos de universidades e instituições de
pesquisa, tecnologia suficiente para realizar o processamento.
Ch
i
Em
na
Países
Gráfico 6 - Importação de frutas desidratadas em US$ 1000
Fonte: Adaptado da FAO, 2003, apud Rodrigues (2004).
an
da
Ho
l
Ko
ng
-H
on
g
Un
id
o
no
EU
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ha
em
na
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Ca
na
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Ja
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o
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Rú
ss
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do
s
Fr
an
ça
40.000
35.000
30.000
25.000
20.000
15.000
10.000
5.000
Ár
ab
es
US$ 1.000
Importação de frutas desidratadas
48
5 RESULTADOS E DISCUSSÃO
5.1 ASPECTOS GERAIS
Os percentuais apresentados nesse trabalho podem ser interpretados de maneira confiável
como uma tendência para os grandes centros urbanos, com comportamentos semelhantes à
capital mineira. Nesse sentido, os dados coletados constituem importante subsídio para uma
pesquisa de maior abrangência, que possibilite estabelecer um índice com representatividade
para todo o estado mineiro.
É importante ressaltar que as fotos que ilustram o presente trabalho são, em grande parte, dos
estabelecimentos visitados, salvo algumas retiradas no presente ano no mercado de Londres.
Entretanto, os nomes desses locais não serão revelados nesse trabalho a fim de manter o sigilo
estabelecido com os entrevistados.
5.2 COMÉRCIALIZAÇÃO DE FLV – UMA ESTIMATIVA DA REDE VAREJISTA
Na tabela 3 são apresentados os dados referentes à comercialização das variações de frutas e
hortaliças presentes na rede varejista de Belo Horizonte. Observa-se que embalar as
mercadorias já é prática bastante comum na rede de supermercados e “sacolões” de Belo
Horizonte (94,0%). Esse dado enfatiza a matéria publicada pela revista Frutifatos (2004)
dizendo que os embalados já se consolidaram no mercado e continuarão convivendo com o a
granel porque existe público para os dois, uma vez que, enquanto alguns consumidores
preferem escolher e manusear os produtos, outros optam pela praticidade de somente pegar
uma bandeja com alimentos já selecionados.
Cabe ressaltar, no entanto, que alguns dos estabelecimentos pesquisados possuíam
embalados apenas aqueles alimentos que não são comercializados de outra maneira, tais como
morango, tomate cereja, caqui e figo. Esse fato eleva a representação desse nicho no mercado,
mas não garante, necessariamente, a qualidade e aparência dos outros alimentos que têm o
embalado como opção ao produto a granel.
Foi possível observar também que os locais que comercializam somente os produtos citados
em bandejas e não tem o embalado como opção ao alimento a granel se encontram
concentrados em periferias, onde a população tem menor poder aquisitivo e consome somente
os produtos que estão na safra devido ao baixo preço.
49
Tabela 3 - Percentual de comercialização dos produtos MP, OR, DES e EMB analisados na
rede varejista da capital de Minas Gerais.
Tipo de produto comercializado
Percentual de
comercialização
Sim
Embalado
Minimamente processado
Orgânico
Desidratado
Fonte: DETEC - CeasaMinas (2010)
94,00
18,80
14,30
30,10
Total
Não
6,00
81,20
85,70
69,90
100,00
100,00
100,00
100,00
Os alimentos minimamente processados, apesar das grandes vantagens que apresentam,
como praticidade e porções individualizadas, podem ser encontrados em apenas 18,8% dos
estabelecimentos, sendo que na maioria dos casos em supermercados mais nobres e raras
vezes em “sacolões”. Eles requerem investimento de produção e armazenagem para
manutenção da qualidade, devendo cumprir normas da Vigilância Sanitária e, devido a isso,
ainda não alavancaram em vários estabelecimentos onde existe demanda de clientes.
Muitas vezes confundidos com alimentos hidropônicos pelos comerciantes e consumidores, os
orgânicos alcançam parcela pouco representativa da população, apenas 14,3%. Esses
alimentos são comumente encontrados em lojas nobres, em área exclusiva e com explicações
sobre o modo de produção e/ou as vantagens de consumo, de modo que o consumidor, ao
entrar na seção de FLV, se sinta motivado a levá-los no lugar dos convencionais.
As frutas e hortaliças desidratadas, apesar de serem encontradas em 30,1% da rede varejista
de BH, ainda representam um mercado incipiente no Brasil e a procedência, segundo os
entrevistados, se concentra em importações de países como Turquia, China, Chile, Tailândia,
Estados Unidos, entre outros. O número relativamente alto de estabelecimentos que as
comercializam se deve ao tomate seco, encontrado mais facilmente quando comparado a frutas
como mamão, manga e abacaxi.
5.2.1 Nível de comercialização estratificado por regionais
A tabela 4 mostra, para os produtos MP, OR, DES e EMB, o nível de comercialização
estratificado por região geográfica. Os dados sugerem que os produtos EMB e DES são
50
encontrados mais facilmente em todas as regionais da cidade, mesmo que em porções pouco
representativas, como é o caso das regiões Barreiro, Leste, Norte e Venda Nova. Cabe
ressaltar que nessas regiões em que a população possui menor poder aquisitivo, o alimento
desidratado encontrado mais facilmente é o tomate seco, seguido da banana, sendo as demais
frutas totalmente desconhecidas.
Já os produtos minimamente processados e orgânicos não são encontrados tão facilmente na
cidade. Há indicações de que os produtos OR são inexpressivamente comercializados em
quatro regiões da cidade e os MP em três regionais, consideradas as mais periféricas e de
menor renda per capita. Nesses locais é unânime o desconhecimento desses tipos de
alimentos, que normalmente são confundidos com outras variações, como hidropônicos para os
OR e industrializados, como polpas, para os MP.
5.3 PESO MÉDIO ADOTADO NO VAREJO
De acordo com dados do IBGE (2001) o tamanho das famílias brasileiras na década de 80 foi
de 4,5 pessoas em média, e, nos anos 90 apenas 3,4 pessoas. A família tradicional, composta
pelo casal com filhos, caiu de quase 60,0%, em 1992, para 55,0%, em 1999, ao mesmo tempo
em que aumentou a proporção de mulheres sem cônjuge e com filhos (de 15,1% para 17,1%) e
de casal sem filhos (de 12,9% para 13,6%). A pesquisa também revela o crescimento do
número de pessoas vivendo sozinhas, 8,6% em todo o País. Em função disso, é perceptível a
tendência de se encontrar alimentos embalados em porções individuais, as chamadas
embalagens “single”.
Analisando o Graf. 1 é possível caracterizar o peso médio encontrado para as embalagens
comercializadas. Ressalta-se a pouca ou nenhuma representatividade das embalagens com
peso acima de 500 g para cada variação dos alimentos tratados nesse trabalho, fato que
endossa os dados do IBGE citados acima.
51
Tabela 4 - Situação atual do mercado de produtos MP, OR, DES e EMB, segundo regiões de Belo Horizonte.
Resposta
Sim
Não
Sim
Não
Sim
Não
Sim
Não
Frequência
Barreiro
Centro Sul
Frequência absoluta
Frequência (%)
Frequência absoluta
Frequência (%)
Total
12,00
100,00
12,00
18,00
94,70
1,00
5,30
19,00
Frequência absoluta
Frequência (%)
Frequência absoluta
Frequência (%)
Total
12,00
100,00
12,00
8,00
42,10
11,00
57,90
19,00
Frequência absoluta
Frequência (%)
Frequência absoluta
Frequência (%)
Total
12,00
100,00
12,00
9,00
47,40
10,00
52,60
19,00
Frequência absoluta
Frequência (%)
Frequência absoluta
Frequência (%)
Total
3,00
25,00
9,00
75,00
12,00
11,00
57,90
8,00
42,10
19,00
Fonte: DETEC - CeasaMinas (2010)
Região
Nordeste
Noroeste
Embalado
15,00
15,00
19,00
93,80
93,80
90,50
1,00
1,00
2,00
6,30
6,30
9,50
16,00
16,00
21,00
Minimamente processado
Leste
2,00
12,50
14,00
87,50
16,00
3,00
18,80
13,00
81,30
16,00
Orgânico
1,00
6,30
16,00
15,00
100,00
93,80
16,00
16,00
Desidratado
2,00
4,00
12,50
25,00
14,00
12,00
87,50
75,00
16,00
16,00
Norte
Oeste
Pampulha
Venda Nova
Total
10,00
90,90
1,00
9,10
11,00
12,00
92,30
1,00
7,70
13,00
11,00
100,00
11,00
13,00
92,90
1,00
7,10
14,00
133,00
4,00
19,00
17,00
81,00
21,00
11,00
100,00
11,00
3,00
23,10
10,00
76,90
13,00
5,00
45,50
6,00
54,50
11,00
14,00
100,00
14,00
133,00
1,00
4,80
20,00
95,20
21,00
11,00
100,00
11,00
4,00
30,80
9,00
69,20
13,00
4,00
36,40
7,00
63,60
11,00
14,00
100,00
14,00
133,00
6,00
28,60
15,00
71,40
21,00
1,00
9,10
10,00
90,90
11,00
7,00
53,80
6,00
46,20
13,00
5,00
45,50
6,00
54,50
11,00
1,00
7,10
13,00
92,90
14,00
133,00
52
Peso médio característico das embalagens
100,00%
90,00%
87,50%
87,20%
80,00%
70,00%
57,90%
60,00%
48,00%
50,00%
40,00%
40,00%
31,60%
30,00%
20,00%
10,00%
12,00%
6,40%
10,50%
12,50%
6,40%
0,00%
Embalado
Min. Process.
100 a 300 g
301 a 500 g
Orgânico
Desidratado
acima de 500 g
Gráfico 1 - Peso médio característico das embalagens ofertadas no varejo.
Os EMB se concentram em porções de 301 a 500 g. Tal fato pode ser explicado por esses não
apresentarem preço muito superior ao do produto exposto na gôndola e por disponibilizar
alimentos frescos e que ainda suportam, em média, uma semana na casa do consumidor, se
armazenados de maneira correta, logo não exige consumo imediato (Fig. 20).
Figura 20 - Hortaliças embaladas.
53
Para os MP detectou-se grande preferência por embalagens de 100 a 300 g, geralmente salada
de frutas (Fig. 21) e salada de folhas (Fig. 22), disponibilizadas para o consumo imediato e
ainda parcela significativa de porções de 301 a 500 g, normalmente hortaliças como abóbora
moranga e mandioca ou kits para pratos como maionese, sopas e yakissoba (Fig. 23 e 24).
Figura 21 - Salada de frutas.
54
Figura 22 - Salada de folhosas.
Figura 23 - Sopinha baby - embalagem de 422 gramas.
55
Figura 24 - Kits sopão e maionese e legumes minimamente processados.
Os alimentos ORG se distribuem em embalagens de 301 a 500 g, em sua maioria, legumes e
frutas (Fig. 25) e parcela significativa na faixa compreendida entre 100 e 300 g, onde se
encontram concentradas as folhosas e ervas (Fig. 26).
56
Figura 25 - Chuchu e abacate orgânicos.
Figura 26 - Rúcula e ervas orgânicas.
57
Os DES tem como destaque de venda embalagens de menor peso (100 a 300 gramas), fato
explicado pelo alto valor agregado que esses tem no mercado. Algumas frutas, como abacaxi,
mamão, manga e morango alcançam valores expressivos, cerca de R$ 69,00 o quilo (Fig. 27).
Figura 27 - Preço das embalagens de 125 gramas de frutas desidratadas.
5.4 TENDÊNCIA DE CRESCIMENTO NAS VENDAS
Dados da Pesquisa de Orçamento Familiar (POF), divulgados pelo Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE, 2008/2009), demonstram que as despesas de consumo das
famílias brasileiras chegaram à média mensal de R$ 2.134,77. Os gastos com habitação
lideram a lista, com 35,9% do total, seguidos por alimentação (19,8%) e transporte (19,6%).
De acordo com a tabela 5, pode-se inferir que, além do aumento dos gastos com alimentação, o
consumidor tem se tornado mais criterioso e exigente, em busca de produtos saudáveis e de
qualidade. O brasileiro, nesse contexto, já se posiciona na décima colocação no ranking dos
maiores consumidores de frutas do mundo, 57 kg/per capita/por ano. (CHITARRA e
CHITARRA, 2005), logo todas as variações das frutas e hortaliças possuem larga tendência de
evolução no mercado.
No entanto, apesar da ascensão de um público mais criterioso e consumista, o maior desafio
das redes é aprimorar procedimentos e tecnologias em toda a cadeia de abastecimento, criando
58
padrões de qualidade que devem ser seguidos desde a pré e pós-colheita, passando pelo
transporte, logística, embalagens, manuseio, armazenagem e exposição, até chegar ao
consumidor final (QUALIDADE..., 2009).
Tabela 5 - Situação das vendas de produtos EMB, MP, OR e DES.
Crescimento nas vendas
Sim
Não, tem se mantido constante
Não, tem havido declínio
Total
Fonte: DETEC - CeasaMinas (2010)
Frequência percentual por tipo de produto
Minimamente
Embalado
Orgânico Desidratado
processado
60,00
76,00
73,70
73,70
39,20
8,00
15,80
15,80
0,80
16,00
10,50
10,50
100,00
100,00
100,00
100,00
O fato dos produtos embalados terem tido alto percentual de respostas “Não, tem se mantido
constante” se deve não ao insucesso desse nicho, pelo contrário. O sucesso já está
consolidado e os estabelecimentos que trabalham com esses produtos há mais tempo não
observam crescimento, pois os embalados deixaram de ser mais uma opção do consumidor
para se tornarem a primeira opção escolhida ou a única ofertada, como é o caso do quiabo e da
vagem, em alguns estabelecimentos. Confirmação disso é a reclamação de que são ofertadas
poucas variedades embandejadas, já que quanto mais variedade o varejo oferece, mais
motivado o consumidor se sente a comprar.
Entretanto, de acordo com a pesquisa, o preço ainda é o fator decisivo no momento da compra,
tornando os produtos embalados inviáveis para determinadas classes sociais (Tab. 6). A falta
de confiança do consumidor quanto à qualidade do produto adquirido também afeta
significativamente o crescimento das vendas. Que cliente nunca se deparou com uma bandeja
de quiabo que, ao abri-la, se encontravam todos duros; ou então comprou uma bandeja de
morangos de excelente aparência na superfície, mas com vários frutos mofados ou verdes no
fundo?
Os varejistas ainda não possuem uma visão estratégica de mercado que possibilite atender à
demanda do consumidor de maneira adequada. Segundo o AGRIANUAL (2010), em geral, a
competitividade pelo melhor preço se sobressai ao fornecimento de frutas e hortaliças com
aspectos decentes.
59
O declínio na venda de minimamente processados (16,0%) se deve, em grande parte, à falta de
qualidade dos produtos disponíveis nos balcões refrigerados. Em função do desconhecimento
dos funcionários dos setores de hortifrutigranjeiro, o armazenamento é feito de maneira
incorreta, resultando em produtos de má qualidade para o consumidor e perdas significativas
para o produtor que vende seu produto de forma consignada, ou seja, se o varejo vender, o
produtor recebe pela venda, mas se não vender, os alimentos que se deterioram são devolvidos
sem ressarcimento algum, prática que também contribui para a manutenção dos elevados
preços dos produtos ofertados.
Segundo relatos do gerente de uma grande rede de supermercados da região metropolitana de
Belo Horizonte, o setor de FLV ainda é o menos especializado de um estabelecimento. Os
funcionários que chegam sem experiência são alocados nesse setor e, logo que começam a
responder às expectativas da loja são direcionados para a padaria, açougue, controle de
estoque, entre outras funções. O responsável pelos estabelecimentos ressaltou ainda que o
pré-requisito para ser funcionário do setor é apenas força física e agilidade, indispensáveis para
descarregar as caixas de frutas e legumes.
No entanto, o primeiro passo para a seção de produtos hortícolas ser eficiente, lucrativa e
valorizada pelo cliente é ter funcionários capacitados, que saibam manusear frutas, verduras e
legumes e reconhecer quando esses estão em desacordo com o exigido pelo estabelecimento e
pelo consumidor. Garantia de procedência, exposição atraente e manutenção constante no
ponto-de-venda são primordiais para incentivar o cliente a comprar (QUALIDADE...,2009).
O crescimento dos alimentos orgânicos é justificado no fato de que os consumidores tem em
mente que esses são mais nutritivos. Em relação a isso, dois estudos realizados, um pela
London School of Higiene & Tropical Medicine e outro pela Faculdade de Medicina de Marselha,
na França, se opuseram nos resultados. O primeiro estudo afirma que as diferenças nutritivas
entre os alimentos orgânicos e convencionais são irrelevantes. Já o segundo estudo concluiu
que as plantas orgânicas contêm mais ferro e manganês, minerais essenciais na alimentação
(VEJA, 2010).
Ainda de acordo com a reportagem publicada na Veja (2010), estudos sobre o controle do
câncer indicam que a ingestão de substâncias antioxidantes inibem o desenvolvimento de
células cancerosas e essas substâncias, chamadas de quimiopreventivas, são encontradas em
maior concentração nas frutas e vegetais orgânicos e em menor nos convencionais.
60
A Tab. 6 mostra que a falta de conhecimento sobre a existência de frutas e hortaliças
minimamente processadas ainda é o maior entrave, seguido da pouca variedade, falta de
qualidade e preço.
Tabela 6 - Fatores limitantes da comercialização.
Frequência percentual por tipo de produto
Fatores limitantes das vendas
Pouca variedade de produtos
Preço
Qualidade dos produtos
Falta de conhecimento das pessoas
Falta de confiança das pessoas
NS
Outros
Total
Fonte: DETEC - CeasaMinas (2010)
Embalado
18,75
31,25
2,08
6,25
18,75
22,92
100,00
Minimamente
Desidratado
processado
20,00
20,00
20,00
40,00
100,00
21,70
69,60
8,70
100,00
Orgânico
80,00
20,00
100,00
É fato que, se os MP não se apresentam em embalagens adequadas e visualmente
chamativas, deixam de conquistar o consumidor e acabam o afastando.
Com relação aos orgânicos, dos 26,3% dos estabelecimentos que declararam não haver
crescimento nas vendas (soma dos fatores “tem se mantido constante” e “declínio nas
vendas”), 80,0% enfatizam o elevado preço como principal entrave, que chega a ultrapassar
100,0% do preço convencional. Até mesmo as classes A e B se intimidam com os preços
elevados dos alimentos orgânicos (VEJA, 2010); e 20,0% afirmam não confiarem no modo de
produção orgânica, nem mesmo quando o produto é comercializado em embalagens com o selo
de certificação (Fig. 28 e 29).
Já dos 26,3% daqueles que não obtiveram sucesso com a comercialização de desidratados,
69,6% dizem que é devido ao desconhecimento da população sobre a existência dos mesmos,
enquanto outros 21,7% afirmam que o preço ainda é a maior barreira.
61
Figura 28 - Principais selos de certificadoras de produtos orgânicos do Brasil.
Figura 29 - Alimentos com selos de certificação de produção orgânica encontrados no varejo.
5.5 DIFICULTADORES DA COMERCIALIZAÇÃO
A Fig. 30 ilustra o atual descaso em toda a cadeia de comercialização de FLV, desencadeado
pelo fato de que a cadeia de produção ainda não conhece o consumidor e esse não conhece os
benefícios do consumo de frutas e hortaliças.
62
O varejo não investe em
produtos diferenciados, não
exibe seus produtos de
maneira sensorialmente
atrativa, tão menos
adequados aos tamanhos
das famílias
DESCONHECIMENTO DO
MERCADO
CONSUMIDOR PELO
AGRICULTOR E PELA
REDE VAREJISTA
O atacado não oferece a
qualidade e a variedade
requeridas
Falta de percepção do varejo
quanto às preferências do
consumidor
Figura 30 - Gargalos ainda enfrentados na cadeia comercial de frutas e hortaliças.
Relativamente aos fatores que inibiriam a comercialização dos alimentos estudados nessa
pesquisa, nota-se que, segundo os entrevistados, os preços praticados seriam o maior entrave
para um eventual sucesso do comércio. Esse alto valor se deve, principalmente, à pequena
escala de oferta dessas frutas e hortaliças no mercado, trazendo como maior conseqüência a
elitização de produtos que poderiam fazer parte da dieta de qualquer consumidor, independente
de classe social. Em geral, pode-se destacar a formação de um círculo vicioso, como ilustra a
Fig. 31.
Em geral, os responsáveis pelas lojas pesquisadas só identificam os alimentos EMB, MP, OR e
DES após explicações sobre cada um e exemplos típicos. Esse fator eleva não só o percentual
de respostas “desconhece esses produtos”, mas também o percentual do item ”ainda não foi
analisada a venda desses produtos”, que foi escolhida por aqueles que conhecem, mas não
com afinidade, logo nunca planejaram vendê-los (Tab. 7). Entretanto, o alto número de
respostas para o último item citado não significa impedimento numa futura oferta dos mesmos
no local.
O percentual de desconhecimento de alimentos desidratados, aqui representado por uma
parcela significativa da amostra, só não é maior devido ao tomate seco, já tradicionalmente
63
utilizado na culinária brasileira devido ao grande consumo de pizzas e demais comidas
italianas, que utilizam esse ingrediente com frequência.
Falta de
fornecimento
constante,
impulsionando as
importações
Preços elevados e falta
de informação sobre o
produto
Desincentivo à produção
por escassez de mercado
consumidor
Elitização do
consumo
Exclusão de
consumidores
com baixo poder
aquisitivo
Figura 31 - Diagrama do círculo vicioso criado em toda a cadeia dos referidos produtos.
Tabela 7 - Principais motivos que ainda impedem a comercialização.
Frequência percentual
Motivação
Embalado
Minimamente
processado
Orgânico Desidratado
Nesta região estes produtos não
teriam boa saída devido ao preço
25,00
34,26
27,19
40,86
Ainda não foi analisada a venda
desses produtos
25,00
25,00
16,67
23,66
Desconhece estes produtos
-
7,41
21,93
25,81
Falta de fornecedores
-
1,85
11,40
1,08
Ainda não fui procurado por
fornecedores
-
0,93
2,63
-
Outros
50,00
30,56
20,18
8,60
Total
100,00
100,00
100,00
100,00
Fonte: DETEC - CeasaMinas (2010)
64
Ainda de acordo com a Tab. 7, para os orgânicos, o alto número de respostas classificadas
como “desconhece esses produtos” deve-se essencialmente à falta de divulgação, fator que
leva o consumidor a confundi-lo com hidropônicos1, na maioria das vezes, ou transgênicos2.
Como exemplo da falta de esclarecimento da população sobre orgânicos, notou-se que em
determinados estabelecimentos visitados, eles são expostos na gôndola com a seguinte
chamada: “ALIMENTOS SEM AGROTÓXICO”, uma vez que dessa maneira a venda é muito
mais representativa do que se estivessem identificados como “ALIMENTOS ORGÂNICOS”.
Alguns pontos de venda ainda apelam pela utilização de televisores que ficam ligados durante
todo o dia passando informações sobre cultivo orgânico e benefícios que trazem à saúde e ao
meio ambiente, atitude que transmite confiança ao cliente no momento da compra (Fig. 32).
Contudo, isso só é perceptivo em regiões de maior poder aquisitivo, com grande fluxo de venda.
Figura 32 - Formas de divulgação de alimentos orgânicos no varejo de Belo Horizonte.
__________________________________________________________________________
1
Hidropônicos são alimentos produzidos sem a presença do solo e sempre em ambiente protegido, ou
seja, em estufa. Cultivado sobre suportes artificiais, em água, recebe soluções químicas para nutrição e
tratamento de eventuais doenças. Erroneamente interpretado como um alimento mais saudável que o
cultivado no solo, tanto no modo convencional, como no modo de produção orgânica, visto que há
adição, na água, de grande quantidade de produtos químicos e hormônios para garantir produtos de
perfeita qualidade (NÃO..., [200-]).
2
Transgênicos são aqueles que tiveram genes estranhos, de qualquer outro ser vivo, inseridos em seu
código genético. O processo consiste na transferência de um ou mais genes responsáveis por
determinada característica num organismo para outro organismo ao qual se pretende incorporar esta
característica (ESPLAR, 2010).
65
A opção “Nesta região estes produtos não teriam boa saída devido ao preço”, com grande
freqüência de respostas, é motivada por uma noção comercial de que os produtos MP, DES,
OR e DES chegariam a custar até 200,0% a mais que a fruta e hortaliça convencional
(ORMOND et al., 2002) .
No entanto, é importante ressaltar que os varejistas que optaram por essa alternativa de
resposta nunca testaram comercializar os produtos, logo as respostas partiram de conclusão
não pautada efetivamente por mau desempenho nas vendas dos mesmos.
Em pesquisa realizada em Goiânia, em junho de 2005, os fatores que limitavam a
comercialização dos orgânicos nos supermercados eram semelhantes aos encontrados em
Belo Horizonte na atual pesquisa, sendo que a falta de fornecedores era o principal dificultador,
seguido pela baixa procura dos mesmos pelo consumidor, do preço elevado, da pouca
divulgação e da falta de conhecimento sobre esses alimentos (FLEURY e LIMA, 2005).
5.6 PRINCIPAIS PRODUTOS MINIMAMENTE PROCESSADOS ENCONTRADOS NO
VAREJO DE BELO HORIZONTE
Jacomino et al. (2004) concluíram que, de maneira geral, no Brasil, hortaliças como alface,
rúcula, agrião, couve, cenoura, beterraba e abóbora são encontradas com maior frequência
minimamente processadas. As frutas são encontradas com menor frequência, sendo o abacaxi,
o melão, mamão e melancia os mais requisitados. No varejo de Belo Horizonte, informações
semelhantes às encontradas por esses autores foram constatadas. A pesquisa revelou uma
presença significativa de salada de folhas, seguida de abóbora, mandioca, cenoura e beterraba
(Tab. 8) nos estabelecimentos pesquisados. No entanto, no mercado de frutas, apenas abacaxi
e melancia se destacam entre os alimentos mais comercializados, juntamente com a salada de
frutas.
Cabe ressaltar que as frutas, além de possuir preço mais elevado que as hortaliças, em geral,
não demonstram ser viáveis na forma processada, pois são muito sensíveis a danos mecânicos
e possuem menor vida útil, fatores que elevam ainda mais o valor do produto, que chega a
custar R$12,90 o quilo (preço verificado para salada de frutas processada). Contudo, tem
elevado poder de venda quando ofertadas.
66
Tabela 8 - Principais alimentos minimamente processados comercializados em B.H.
Produto mais comercializado
Salada de Folhas
Frequência
5,00
Percentual
20,83
Abóbora Moranga
Mandioca
Abacaxi
Abóbora Moranga, Baroa
Alface
Cenoura, Batata
2,00
2,00
1,00
1,00
1,00
1,00
8,33
8,33
4,17
4,17
4,17
4,17
Cenoura, Beterraba
Couve
Couve, Mostarda
Melancia, Salada de Frutas
Morango, Couve, Acelga
Pimentão
Quiabo, Beterraba
Salada de frutas e de folhas
Salada de Frutas, Sopão
Salada de Legumes ( yakisoba )
Sopão
1,00
1,00
1,00
1,00
1,00
1,00
1,00
1,00
1,00
1,00
1,00
4,17
4,17
4,17
4,17
4,17
4,17
4,17
4,17
4,17
4,17
4,17
24,00
100,00
Total
Fonte: DETEC/CeasaMinas (2010)
A praticidade é apontada como o fator que torna os produtos da tabela anterior os mais
comercializados (72,0%), seguida por qualidade (20%), marca do produto (4%) e não soube
responder – NS (4%). Assim, o fato de a salada já vir com folhas variadas, selecionadas,
lavadas, higienizadas e muitas vezes associadas a frutas, legumes e outros diferenciais, a torna
atrativa (Tab. 9). A Fig. 33 ilustra a diversidade de saladas disponíveis no varejo de Belo
Horizonte.
Tabela 9- Fatores que intensificam o comércio de MP.
Motivo
Frequência
Praticidade
18,00
Qualidade
5,00
Marca
1,00
NS
1,00
Total
25,00
Fonte: DETEC - CeasaMinas (2010)
Percentual
72,00
20,00
4,00
4,00
100,00
67
Figura 33 – Variações de saladas processadas.
A decisão pela compra de frutas processadas pelo consumidor, como proposto por Jacomino et
al. (2004) leva em consideração fatores como tamanho do fruto (melancia e melão), dificuldade
de descascamento (abacaxi, mandioca, abóbora moranga), garantia de produto de qualidade,
sem podridões (manga, inhame) e transferência de odor ou cor para as mãos ao descascar
(tangerina, laranja, manga, cebola, alho), como ilustrado nas Fig. 34 e 35.
Figura 34 – Abacaxi e mandioca processados, respectivamente.
68
Figura 35 - Melancia e abóbora moranga processadas.
Todos os fatores mencionados por Jacomino et al. (2004), aliados, chegam à mesma conclusão
encontrada em Belo Horizonte, por essa pesquisa, para os atributos que elevam a
comercialização de alimentos minimamente processados, que são, essencialmente, praticidade
e qualidade.
5.7 QUANTIDADE MÉDIA DE MP COMERCIALIZADA SEMANALMENTE
Em Belo Horizonte, dos locais pesquisados que comercializam frutas e hortaliças minimamente
processadas, 36,0% vendem acima de 10 quilos do produto mais comercializado na loja
semanalmente, quantidade considerada elevada por se tratar de apenas um produto. É
importante levar em consideração que o alimento processado mais vendido em vários locais é a
salada de folhas, que não ultrapassa 250 gramas a embalagem. É notória a participação
apenas dos grandes supermercados e “sacolões”, localizados em regiões nobres da capital
quando se trata do sucesso desse segmento de mercado.
Há ainda grande parcela dos estabelecimentos que comercializa entre 5,1 e 10 quilos, onde
estão concentrados os estabelecimentos de médio porte; e aqueles que comercializam até 5
69
quilos de minimamente processados semanalmente, representada normalmente pelos
pequenos supermercados e raras vezes alguns “sacolões”.
Cabe ressaltar que as lojas que identificaram como os mais vendidos a abóbora moranga e a
mandioca ultrapassam 10 quilos de produto vendido em apenas 2 dias (Graf. 2). E, em 8% dos
estabelecimentos pesquisados, o responsável pelo setor não soube responder (NS) qual o
volume comercializado semanalmente.
Quantidade média comercializada semanalmente
40%
36%
35%
30%
28%
28%
25%
20%
15%
8%
10%
5%
0%
0 a 5 Kg
5,10 a 10 Kg
Acima de 10 Kg
NS
Gráfico 2 - Quantidade média comercializada semanalmente apenas do principal produto MP.
Fonte: DETEC – CeasaMinas (2010).
Frequencia de comercialização (%)
8
Frequentemente
De vez em quando
92
Gráfico 3 - Freqüência de comercialização de MP.
Fonte: DETEC – CeasaMinas (2010).
70
Em geral, dos estabelecimentos que experimentaram comercializar alimentos minimamente
processados, 92,0% oferecem esses produtos frequentemente, fato que demonstra a
consolidação desse nicho de mercado (Graf. 3).
5.8 ORIGEM DA AQUISIÇÃO DOS ALIMENTOS MINIMAMENTE PROCESSADOS
A origem das frutas e hortaliças MP na rede varejista da capital mineira é bastante variada,
como ilustrado na Tab. 10. Os postos de venda mais estruturados e que possuem mão-de-obra
suficiente e especializada, para reduzir custos e aproveitar as alguns produtos que já estavam
expostos nas gôndolas, processam os alimentos no próprio estabelecimento, de acordo com a
demanda. Já alguns varejistas, apesar de comercializar frutas e hortaliças minimamente
processadas em larga escala, preferem terceirizar o setor ou adquiri-los de empresas
especializadas em processamento.
Tabela 10 - Origem da aquisição dos minimamente processados.
Origem
Direto do fabricante
Parte no estabelecimento/ Parte do fornecedor
Fornecedor
É feito no próprio estabelecimento
Fabricante e fornecedor
Total
Fonte: DETEC - CeasaMinas (2010)
Frequência Percentual
7,00
28,00
7,00
28,00
5,00
20,00
5,00
20,00
1,00
4,00
25,00
100,00
Algumas lojas ainda optam por processar os alimentos que são mais sensíveis, como as frutas,
para ofertá-las frescas diariamente e comprar de fornecedores todas as hortaliças.
Outro fator relevante que impulsiona os gerentes das lojas a processar frutas, legumes e
verduras no próprio estabelecimento é a falta de fornecedores com produtos variados e de boa
qualidade.
É importante ressaltar que geralmente há um grande equívoco quando se pensa em alimentos
minimamente processados. Consumidores e varejistas tratam o processamento como uma
“válvula de escape” para aqueles produtos que estão expostos nas gôndolas, mas que não
estão obtendo sucesso nas vendas. Entretanto, quando se diz que processar alimentos reduz
71
perdas, significa que serão aproveitadas aquelas frutas e hortaliças fora de tamanho e cor
padrão, que não teriam boa aceitação no varejo ou que ficariam na área de cultivo, mas que
estão totalmente apropriadas para o consumo.
Contudo, a maioria dos locais visitados, 75,0%, utilizam os alimentos que já estavam expostos
nas gôndolas e não foram vendidos para serem levados à sala de processamento (Tab. 11).
Embora isso também seja uma maneira de reduzir perdas, não é a mais adequada, pois a vida
útil e a qualidade do produto processado que já sofreu injúrias e danos mecânicos, enquanto
estava exposto, é muito inferior. Além disso, o processamento sem a adoção de Boas Práticas
de Fabricação – BPF – pode resultar em intoxicação alimentar nos consumidores devido à
contaminação por micro-organismos provenientes da falta de higiene dos manipuladores e do
processo.
Somente 16,7% agem de maneira correta, adquirindo a matéria-prima especialmente para
processamento. Logo, além de obterem produtos significativamente de melhor qualidade, ainda
conseguem mantê-los expostos nos balcões refrigerados por um período maior.
Tabela 11 - Procedência das frutas e hortaliças.
Procedência
Frutas e hortaliças já estavam expoxtas nas gôndolas
Frutas e hortaliças já destinadas ao processamento
Ambos
Total
Fonte: DETEC - CeasaMinas (2010)
Percentual
75,00
16,70
8,30
100,00
Em apenas um dos estabelecimentos visitados, a fim de conquistar a confiança do consumidor,
o gerente expõe sua sala de processamento através de uma janela de vidro. Desse modo, o
cliente pode observar como o processo é realizado e compará-lo com o cartaz afixado logo
acima do balcão refrigerado, como mostra a Fig. 36.
72
Figura 36 - Banner das etapas do processamento mínimo afixado acima do balcão refrigerado
de um “sacolão
5.9 PRINCIPAIS DIFICULDADES ENFRENTADAS NA COMERCIALIZAÇÃO DOS MP
O preço aparece como o maior dificultador na comercialização de produtos minimamente
processados. No entanto, é importante observar que o desconhecimento da população e a falta
de fornecedores são também importantes entraves à popularização dos MP (Tab. 12).
Tabela 12 - Dificultadores da comercialização de MP.
Dificuldades enfrentadas na comercialização
Preço
Desconhecimento da população
Falta de fornecedores
Baixa qualidade dos produtos
Pequena variedade de produtos
Outros
Total
Fonte: DETEC - CeasaMinas (2010)
Percentual
48,00
16,00
12,00
8,00
4,00
12,00
100,00
73
Diante disso, sistemas logísticos eficazes com vistas à adequação do setor de FLV tornam-se
evidentes. O aumento do número de empresas especializadas em processamento que
possibilitem o fornecimento frequente de produtos de boa qualidade, além de estratégias de
marketing como degustação, folhetos explicativos e preços promocionais são algumas das
técnicas que incentivam o aumento das vendas (Fig. 37).
Figura 37 - Degustação de frutas MP no varejo da capital mineira.
5.10 PRINCIPAIS PRODUTOS EMBALADOS COMERCIALIZADOS
As frutas e hortaliças contam com a agregação de valor proveniente da embalagem. Além
disso, perdas significativas que ocorrem devido à exposição a granel deixam de acontecer
quando o alimento está embalado. Segundo alguns entrevistados, cerca de 30,0% do quiabo
comercializado a granel é jogado fora, principalmente porque os clientes insistem em quebrar a
extremidade mais fina da hortaliça para verificar se está apropriada ou não ao consumo.
Consequência disso é a grande frequência de quiabo embalado como alimento mais
comercializado nos estabelecimentos da cidade. Ao impedir a seleção, em bandejas lacradas, o
varejista reduz a taxa de perda em valores próximos a 0,0%, além de fidelizar clientes, pois,
alguns estabelecimentos ainda dão a garantia de que, se o consumidor comprar uma
embalagem que contem quiabos duros, poderá trocá-la por outra.
O quiabo também representa alto valor de perda quando comercializado a granel devido à
quebra das pontas, também realizada pelos clientes como critério de seleção (Fig. 38). Já a uva
representa alta taxa de perda devido à “degustação” que o cliente realiza, retirando bagas do
74
cacho sem levá-lo para casa. Dessa forma, o cacho de uva incompleto não tem aceitação pelo
próximo consumidor e é descartado no lixo.
Figura 38 - Quiabo embalado.
Fatos como esses intensificam a comercialização dos alimentos embalados, principalmente do
quiabo, da vagem e da uva, alimentos que vem se destacando nesse nicho de mercado (Fig.
39).
Figura 39 – Vagem e uva embaladas.
75
A Tab. 13 mostra os dez alimentos mais procurados pelos consumidores nos estabelecimentos
visitados.
Tabela 13- Alimentos embalados mais comercializados.
Ordem
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
Produto mais comercializado
Quiabo
Quiabo, Vagem
Tomate cereja
Uva
Baroa
Morango
Ervilha, Quiabo
Quiabo, Jiló
Quiabo, Uva
Quiabo, Vagem, Baroa
Frequência
33,00
9,00
6,00
6,00
5,00
4,00
3,00
3,00
3,00
3,00
Percentual
26,40
7,20
4,80
4,80
4,00
3,20
2,40
2,40
2,40
2,40
Fonte: DETEC - CeasaMinas (2010)
A batata baroa, também conhecida como mandioquinha salsa ou cenoura amarela, também
bastante procurada nos estabelecimentos analisados, desperta a atenção do consumidor por
apresentar melhor qualidade e padronização de tamanho quando comparada àquela que fica
exposta a granel nas gôndolas (Fig. 40).
Figura 40 – Baroa classificada e padronizada na embalagem
76
Cabe lembrar que o tomate cereja e o morango, que também figuram a lista dos embalados
mais comercializados, só são ofertados dessa maneira, sem a opção a granel (Fig.41).
Figura 41 - Morango e tomate cereja.
5.10.1 Motivos do sucesso de comercialização
Em geral, o consumidor mineiro já tem o quiabo como alimento indispensável no dia a dia, em
receitas típicas como frango com quiabo, quiabo com carne moída, costelinha de porco com
quiabo e ora pro nobis, dentre outras. Por esse motivo, os entrevistados acreditam que 40,8%
da população que compra o produto, o faz porque o consumo é alto independente de estar
embalado ou não. No entanto, 31,2% dos varejistas acreditam que o fato dos produtos mais
comercializados já estarem selecionados em bandejas influencia bastante (39%) no poder de
decisão do consumidor (Tab. 14).
Todavia, apesar do alto percentual de respostas classificadas como “são mais consumidos”, é
possível caracterizar a comercialização de embalados como consistente, já que, dos 94,0% dos
estabelecimentos que ofertam essa variação, 89,6% frequentemente a disponibiliza para os
seus clientes e apenas 9,6% a oferece em algumas épocas do ano (característica de lojas
localizadas em regiões habitadas por população de baixa renda e que comercializam apenas
produtos de época, como morango, caqui, carambola e pequi, nos períodos de safra, quando a
oferta é elevada e o preço baixo), conforme ilustra o Graf. 4.
77
Tabela 14- Motivos do sucesso na comercialização dos embalados
Resposta
São mais consumidos
Já vem selecionado
Qualidade melhor
Só vende embalado, não tem opção
Praticidade
Preço mais acessível
Produto de safra
Já vem selecionado e em porções
Depende da semana
É o único comercializado
Melhor preço da região
Pouca variedade - vende tudo
Produto de safra / já vem selecionado
Único estabelecimento que comercializa nessa região
Vende muito para restaurante
Frequencia
51,00
39,00
8,00
7,00
5,00
3,00
3,00
2,00
1,00
1,00
1,00
1,00
1,00
1,00
1,00
Percentual
40,80
31,20
6,40
5,60
4,00
2,40
2,40
1,60
0,80
0,80
0,80
0,80
0,80
0,80
0,80
125,00
100,00
Total
Fonte: DETEC - CeasaMinas (2010)
Frequencia de comercialização (%)
0,8
9,6
Frequentemente
De vez em quando
89,6
Gráfico 4 - Freqüência de comercialização de EMB.
Fonte: DETEC – CeasaMinas (2010).
Raramente
78
5.10.2 Procedência dos alimentos embalados
A origem das frutas e hortaliças embaladas na rede varejista varia em função do tipo de produto
e do preço de custo do mesmo. Produtos como quiabo, vagem e uva frequentemente são
embalados nas lojas devido ao alto valor agregado e à facilidade de seleção e garantia de boa
qualidade por parte do gerente da loja. Já frutas como maçã, nectarina, pêra, Kiwi, pêssego e
mamão papaia; e hortaliças como cebola, pimentão, tomate, pepino e baroa são comumente
adquiridos de empresas especializadas, como ilustra as Fig. 42 e 43.
Figura 42 - Frutas embaladas.
Figura 43 – Hortaliças embaladas.
79
De acordo com pesquisa realizada pela revista Frutifatos (2004), 42,0% dos supermercados da
capital mineira realizam a operação de embalagem na própria loja, prática exclusiva de
estabelecimentos compactos. Já neste estudo, realizado em supermercados e “sacolões”, foi
possível verificar que o percentual de lojas que já possuem a logística de embalagem é ainda
mais baixo, apenas 15,2% (Tab. 15). No entanto, possui tendência de crescimento, pois o
estabelecimento que adota o procedimento de embalar FLV agrega valor aos seus produtos a
granel e absorve margens de lucro na comercialização que poderiam ser adquiridas pelos
produtores e suas associações.
Já aquelas que terceirizam o setor ou compram de fornecedores os produtos já embalados
(31,2%), em sua maioria superlojas e hipermercados, não embalam nenhum item na própria
loja, preferem adquirir todos os alimentos embalados devido à praticidade (Tab. 15).
No entanto, 53,6% dos varejistas acreditam que embalar alguns produtos e adquirir outros já
embalados é a melhor opção para aumentar os lucros. E, fatores como qual produto possui
maior volume de vendas, mais fácil de embalar, disponibilidade de funcionários para realizar tal
procedimento e custo do mesmo já embalado pelo produtor, dentre outros, influenciam
significativamente nos benefícios da mescla feita entre produtos já adquiridos embalados e
aqueles embalados no próprio estabelecimento.
Tabela 15- Origem do embalamento
Origem do embalamento
Frequencia Percentual
Embalados no próprio estabelecimento
19,00
15,20
Comprados já embalados
39,00
31,20
Ambos
67,00
53,60
Total
125,00
100,00
Fonte: DETEC - CeasaMinas (2010)
Diferente do que ocorre com os minimamente processados, quase a totalidade de alimentos
que são embalados no próprio estabelecimento, como ilustra a Tab. 16, são adquiridos
especificamente para isso (93,0%), sendo uma pequena parcela reaproveitada de mercadorias
que já estavam expostas nas gôndolas (5,8%).
80
Tabela 16 - Aquisição dos alimentos a serem embalados.
Categoria de resposta
Comprados para serem embalados
Reaproveitados
Ambos
Total
Fonte: DETEC - CeasaMinas (2010)
Frequencia Percentual
80,00
93,02
5,00
5,81
1,00
1,16
86,00
100,00
5.11 ARMAZENAMENTO
5.11.1 Os minimamente processados
Depois de embalados, os MP deveriam ser armazenados em câmaras frias e, posteriormente
em balcões refrigerados no varejo, com temperatura variando de 2°C a 5°C (EMBRAPA, 2003).
Entretanto, os resultados encontrados na rede varejista de Belo Horizonte, expressos na Tab.
17, evidenciam que 40,0% dos estabelecimentos que comercializam MP os mantêm em
temperatura inadequada e 4,0% sequer sabe qual é a temperatura de armazenamento dos seus
produtos.
Tabela 17 - Temperatura média de acondicionamento dos MP
Temperatura (ºC)
0a5
6a8
9 a 12
Temperatura ambiente
Não sabe
Total
Fonte: DETEC - CeasaMinas (2010)
Frequencia Percentual
14,00
56,00
3,00
12,00
3,00
12,00
4,00
16,00
1,00
4,00
25,00
100,00
Fatores como falta de conhecimento sobre as características fisiológicas das frutas e hortaliças,
custo elevado de manutenção da baixa temperatura no balcão frigorífico, escassez de espaço
para inserir balcões refrigerados nos estabelecimentos, resultante da falta de planejamento de
expansão do negócio, e pouco capital para investir em sistemas de refrigeração levam ao
armazenamento em temperaturas incorretas.
81
As Fig. 44, 45, 46 e 47 ilustram produtos processados que estavam expostos para serem
comercializados no varejo da capital. É notável a grande diferença de qualidade entre os
alimentos armazenados de maneira correta e incorreta.
Na Fig. 44 há um pacote de mandioca que perdeu o vácuo feito na embalagem devido ao
armazenamento em gôndolas, à temperatura ambiente.
Figura 44 - Embalagem de mandioca que perdeu o vácuo.
Na Fig. 45 há, em um mesmo balcão refrigerado, diversos alimentos armazenados, o que
impulsiona o gerente da loja a deixar a temperatura fora do ideal para cada tipo em particular,
deixando-a em um valor médio para todos. Em função disso, alimentos que sofrem com o frio –
chilling - ficam à mesma temperatura daqueles que necessitam de frio para manter a qualidade.
82
Figura 45 - Alimentos “in natura” armazenados juntamente com MP e EMB.
Na Fig. 46, observa-se escurecimento da alface e crescimento de bolores (pequenos pontos
brancos na beterraba) na salada de cenoura, beterraba e repolho.
Figura 46 - Saladas armazenadas à temperatura próxima de 20 oC.
Na Fig. 47 vê-se saladas de folhas embaladas sob atmosfera modificada e kits sopão
embalados à vácuo e posteriormente revestidos por filme plástico em bandejas de isopor
(poliestireno expandido). Por estarem armazenados à temperatura ideal, estão todos expostos
em perfeita qualidade.
83
Figura 47 - Minimamente processados armazenados de maneira correta.
5.11.2 Os embalados
Como ilustrado na tabela abaixo, é representativo o percentual de lojas pesquisadas na capital
mineira que armazena os alimentos do setor de FLV a essa temperatura (71,2%), seja por
economia, desconhecimento ou falta de estrutura.
Tabela 18 - Temperatura média de armazenamento dos alimentos EMB.
Forma de armazenamento
Temperatura Ambiente
Ambos
Refrigeração
Total
Percentual
71,20
15,20
13,60
100,00
Fonte: DETEC - CEASAMINAS (2010)
A parcela pouco representativa de estabelecimentos que armazenam sob refrigeração (13,6%),
ainda não está, em sua totalidade, agindo de maneira correta. Esses locais armazenam todos
os produtos embalados em baixa temperatura, inclusive os que sofrem por chilling.
De maneira mais estrutural, os estabelecimentos que se adéquam melhor às condições de
armazenamento representam apenas 15,2%. Nesses locais, há uma separação entre as
bandejas de frutas e hortaliças de acordo com as necessidades de cada variedade.
84
É possível encontrar produtos ofertados ao consumidor belo horizontino nas condições
ilustradas pelas Fig. 48, 49, 50 e 51.
Na Fig. 48 se observa que a raiz já está em processo de fermentação e apodrecimento devido
ao armazenamento à temperatura ambiente.
Podem-se destacar também situações de enraizamento de bulbos e tubérculos, resultante de
armazenamento em temperaturas abaixo do suportado pela hortaliça. Isso acelera a
deterioração e provoca o murchamento do produto, reduzindo seu valor comercial e nutritivo
(Fig. 49).
Figura 48 - Baroa armazenada de maneira incorreta.
85
Figura 49 - Cebola enraizando devido ao armazenamento incorreto.
Ou ainda produtos de má qualidade sendo embalados e expostos para o consumidor, como
ilustra a Fig. 50.
Figura 50 - Banana maçã mofada.
86
Cabe ressaltar também que a extrema falta de organização do setor em diversos
estabelecimentos, além da temperatura de armazenamento, reduz de maneira significativa a
qualidade dos produtos, acelera o processo de senescência (apodrecimento) e exerce bastante
influência no processo de escolha do consumidor (Fig. 51).
Figura 51 - Exposição de FLV embalados no varejo de B.H.
5.11.2.1 Os “fresh cut”
No varejo da capital mineira, bandejas de isopor revestidas por filme plástico são as mais
utilizadas nesses alimentos, seguidas das embalagens plásticas, que tem como representantes
as embalagens com atmosfera modificada, passiva ou ativa, e as embalagens a vácuo (Tab.
19).
Tabela 19 - Tipos de embalagens comumente utilizadas para MP
Tipo de embalagem
Frequência
Percentual
Bandeja de isopor/filme
13,00
52,00
Embalagem plástica
12,00
48,00
Total
Fonte: DETEC - CeasaMinas (2010)
25,00
100,00
87
Embalagens com atmosfera modificada ativa são utilizadas, principalmente, para armazenar
folhosas, como alface, couve, rúcula, repolho, salada de folhas, dentre outras, como ilustra a
Fig. 52.
Figura 52 - Folhosas embaladas sob atmosfera modificada.
Nas embalagens a vácuo encontram-se, com freqüência, tubérculos e raízes, além de quiabo,
berinjela e vagem (Fig. 53). Esse tipo de embalagem plástica é feita com filmes apropriados,
com baixa taxa de permeabilidade a gases.
Figura 53 - Alimentos minimamente processados embalados à vácuo.
No entanto, Jacomino e Arruda (2004) afirmam que é imprescindível que se conheça o nível
mínimo de oxigênio requerido para a respiração aeróbica dos vegetais, a fim de evitar
condições anaeróbicas (fermentação) no interior das embalagens, com conseqüente formação
de compostos orgânicos indesejáveis, como etanol, cetonas e aldeídos, que promovem a perda
de qualidade do produto.
88
Frutas como manga, mamão, kiwi, melancia, morango, mamão e diversas outras são
comumente encontradas em bandejas de isopor (poliestireno expandido) cobertas por filme
plástico de PVC (Fig. 54) ou em copos plásticos (PET) com tampas (Fig. 55).
Figura 54 - Frutas embaladas em bandejas cobertas por filme plástico.
Figura 55 - Frutas embaladas em recipientes plásticos com tampa.
89
5.12 PRINCIPAIS ALIMENTOS ORGÂNICOS COMERCIALIZADOS
De acordo com dados da Empresa de Pesquisa de Opinião e Mercado Ltda, EPOM, (2005),
hortaliças tipo folhas, flor e haste são mais procuradas que as raízes, tubérculos, bulbos e
frutos, sendo as frutas pouco procuradas.
Tabela 20- Principais produtos orgânicos encontrados
Produto mais comercializado
Alface
Alface, couve
Banana
Beterraba, quiabo
Cenoura, cebola, repolho, tomate
Morango
Morango, pimentão
Vagem
Quiabo
Quiabo, folhosas
Quiabo, mandioquinha
Quiabo, vagem
Tomate cereja, alface americana
Tomate
Não sabe
Total
Fonte: DETEC - CeasaMinas (2010)
Frequencia
5,00
1,00
1,00
1,00
1,00
1,00
1,00
1,00
1,00
1,00
1,00
1,00
1,00
1,00
1,00
19,00
Percentual
26,32
5,26
5,26
5,26
5,26
5,26
5,26
5,26
5,26
5,26
5,26
5,26
5,26
5,26
5,26
100,00
Em Belo Horizonte, os dados obtidos no varejo (Tab. 20) enfatizam as informações encontradas
pela empresa, sendo que, dentre as folhosas, a alface se destaca, 26,3%, seguida dos demais
alimentos expostos na tabela abaixo, que são comercializados com a mesma freqüência. E,
dentre as frutas, o morango é o único que se destaca, como esperado.
5.13 ORIGEM DA AQUISIÇÃO DOS ORGÂNICOS
Em 2003, 27,0% dos consumidores mineiros alegaram não encontrarem produtos orgânicos
para comprar (FRUTIFATOS, 2003). De acordo com esse estudo, o excesso de demanda e a
escassez de oferta ainda representam um grande entrave ao sucesso da comercialização dos
orgânicos.
90
Segundo o coordenador-geral de Diversificação Econômica do Ministério do Desenvolvimento
Agrário (MDA), José Batista, a produção orgânica nacional vem crescendo mais de 20,0% ao
ano e cerca de 70,0% dela é exportada para a Europa. O coordenador afirma que a agricultura
não está conseguindo atender a demanda (AUMENTO de...).
A Tab. 21 revela a origem da aquisição dos alimentos orgânicos pelos varejistas de Belo
Horizonte.
Tabela 21 - Origem da aquisição dos orgânicos
De onde adquirem os produtos
MG
Outros estados
MG e outros estados
Total
Frequencia
12,00
4,00
3,00
19,00
Percentual
63,20
21,00
15,80
100,00
Fonte: DETEC - CeasaMinas (2010)
Observa-se que há dificuldades de encontrar fornecedores no próprio estado, principalmente de
determinadas frutas, sendo necessário adquirir mercadoria de outros estados. De todos os
estabelecimentos que comercializam orgânicos, 63,2% adquirem todos os produtos de
fornecedores do estado, 21,0% em outros estados, como São Paulo e Goiás e 15,8% adquirem
alguns em Minas Gerais e o restante em outros estados, de acordo com os responsáveis pelos
estabelecimentos pesquisados.
Pesquisa realizada nos supermercados de Goiânia também aponta resultados semelhantes. Em
2005, verificava-se que 66,7% dos orgânicos comercializados eram adquiridos no estado de
Goiás, sendo o restante adquirido de estados como Minas Gerais e São Paulo (FLEURY e
LIMA, 2005).
Diante do exposto, é necessário que o número de produtores de alimentos orgânicos se amplie
e que, aqueles que já produzem frutas e hortaliças nessa dinâmica, aumentem a quantidade
ofertada e ampliem a diversidade da sua produção para se adequarem às expectativas dos
supermercados, dos “sacolões” e dos consumidores. Caso contrário, é provável que esse nicho
de mercado fique estagnado por falta de mercadoria.
91
5.14 PREÇO MÉDIO ENCONTRADO PARA OS ALIMENTOS ORGÂNICOS
A pesquisa ainda analisou o limite de preços que os consumidores estavam dispostos a pagar a
mais na compra do FLV orgânico, em comparação com os mesmos produtos de cultivo
tradicional. Foi constatado que 35,0% dos consumidores mineiros não estão dispostos a pagar
mais caro pelos orgânicos, 39,0% aceitam pagar até 5,0% a mais e 16,0% dos entrevistados
pagariam preços até 10,0% superiores.
No entanto, os produtos orgânicos chegam a custar até 760,0% acima do valor do alimento
convencional (RELATÓRIO sobre...). Os dados a seguir expressam os valores encontrados no
varejo da capital mineira para os alimentos orgânicos.
Tabela 22 - Preço médio dos alimentos orgânicos
Preço médio, em reais, dos alimentos orgânicos
Número de observações
Mínimo Máximo
Média
Desvio padrão
19,00
2,00
6,00
3,81
1,25
Fonte: DETEC - CeasaMinas (2010)
Embora os dados obtidos não permitam analisar cada alimento separadamente, ainda é
possível inferir que a média de preço, para cada embalagem, é bastante elevada, pois, como
verificado, as embalagens de produtos orgânicos comumente encontradas no varejo
compreendem pesos de até 500 gramas e os produtos mais comercializados são folhosas.
Em geral, os menores valores encontrados foram para ervas e folhosas (cada molho) e os
maiores para bandejas de frutas e legumes.
Nos supermercados da cidade do Rio de Janeiro, segundo maior mercado consumidor de
vegetais do Brasil, foram verificadas as diferenças de preço entre alguns alimentos
convencionais e orgânicos. O quadro com essas informações apenas comprova os dados
acima, de que há um alto valor agregado nos alimentos orgânicos que torna a comercialização
ainda elitizada, sendo que, essa diferença significativa de valores, tendo como média uma
elevação de 250% em relação aos preços praticados para os alimentos convencionais, faz com
que o consumidor crie barreiras de compra do produto.
Explicações sobre o elevado preço encontrado para o tomate, tanto no Rio de Janeiro (Quadro
5) como em Belo Horizonte, segundo entrevistados, são as mesmas: elevada dificuldade
92
técnica no cultivo, hábito de consumo da hortaliça em saladas e, principalmente, a divulgação
entre os consumidores que o cultivo do tomate é o que mais leva agrotóxicos, seguido da
produção de morango.
Produto
Média de preço do orgânico (R$)
Média de preço do convencional (R$)
Diferença
Alface americana (und)
2,48
1,94
-28%
Alface crespa (und)
1,89
0,94
-102%
Alface lisa (und)
1,89
0,76
-148%
Alface roxa (und)
2,05
0,75
-173%
Brócolis (molho)
4,27
1,61
-165%
Cenoura (kg)
6,20
1,80
-245%
Beterraba (kg)
6,89
1,71
-304%
Rúcula (molho)
3,47
0,64
-443%
Rtomate cereja (kg)
13,58
9,36
-45%
Vagem (kg)
13,69
8,35
-64%
Chuchu (kg)
4,82
1,65
-192%
Inhame (kg)
8,70
1,48
-488%
Agrião (molho)
3,27
0,69
-373%
Espinafre (molho)
2,70
0,69
-291%
11,96
1,39
-760%
2,16
0,79
Média
-173%
-250%
Tomate salada (kg)
Couve comum (molho)
Quadro 5 - Comparação de preço entre produtos orgânicos e convencionais "in natura" no Rio
de Janeiro.
Fonte: (RELATÓRIO sobre...)
Em decorrência dos elevados preços praticados, há grandes perdas nas gôndolas de “sacolões”
e supermercados, principalmente das verduras. No entanto, varejistas da capital mineira
acreditam na potencial comercialização desses alimentos se houver redução nos preços
praticados.
5.15 ACEITAÇÃO DOS ALIMENTOS ORGÂNICOS
A aparência dos produtos orgânicos é menos vistosa, já que não é usado nenhum tipo de
aditivo para garantir cor e tamanho. No entanto, pesquisas revelam que esses são superiores
em características nutricionais quando comparados aos convencionais, pois são cultivados em
solos que contém mais nutrientes e são naturalmente férteis (ORMOND et al., 2002) .
93
Em função disso, consumidores que conhecem os benefícios do consumo de orgânicos não os
rejeitam pela aparência, como em 13,0% dos estabelecimentos; embora em alguns locais os
clientes ainda demonstrem resistência quanto a isso, 6,0%.
Tabela 23 - Aceitação dos alimentos orgânicos devido à aparência
Rejeição devido à aparência
Frequência Percentual
Sim
6
31,58
Não
13
68,42
Total
19,00
100,00
Fonte: DETEC - CeasaMinas (2010)
É comprovado, portanto, que os fatores que interferem na decisão final dos consumidores, a
respeito do que irão ou não adquirir, são relevantes para o sucesso de qualquer negócio.
Na capital mineira, os consumidores tem se tornado fiéis ao consumo dessas frutas e hortaliças,
e conseguem realizar suas compras frequentemente em 73,0% dos estabelecimentos da
cidade, pois 11,0% ofertam esses alimentos apenas em algumas épocas do ano, e 16,0%
somente comercializa quando algum fornecedor visita a loja.
O Gráf. 5 ilustra a freqüência de comercialização de orgânicos na rede varejista de Belo
Horizonte.
Frequência de comercialização (%)
16
11
Frequentemente
De vez em quando
73
Gráfico 5 - Freqüência de comercialização de OR.
Fonte: DETEC - CeasaMinas (2010)
Raramente
94
Resultado semelhante foi encontrado em Ilhéus, na Bahia, onde 68,0% dos consumidores
adquirem as hortaliças orgânicas no mínimo uma vez por semana, 13,2% diariamente, 7,6%
mensalmente e 11,2% consomem esporadicamente (NOGUEIRA et al., 2009).
5.16 PRINCIPAIS ALIMENTOS DESIDRATADOS COMERCIALIZADOS
Com a onda recente em torno da demanda por produtos naturais, o consumo mundial de fruta
desidratada aumentou nos últimos anos. Industrialmente, os principais produtos desidratados
de frutas são farinhas, flocos, pó ou granulado e fruta seca ou passa (RODRIGUES, 2004).
Ainda segundo a autora, o consumo de frutas secas é comum na Europa, nos Estados Unidos e
em outros países onde a produção de frutas só ocorre em parte do ano. O mercado japonês,
por exemplo, importou, em 1999, 66.246 toneladas de frutas secas, no valor de 15.175 milhões
de ienes, dentre elas figo, caqui, kiwi, ameixa, pêra, jujuba, tâmaras, abacaxi, banana, mamão
papaia, damasco, uva, manga, pêssego e longans.
Já no Brasil, o consumo ainda é bastante incipiente, embora as indústrias procurem cada vez
mais esse produtos, em pedaços, flocos ou pó para uso em produção de recheios para bolos,
doces, bolachas, barras de cereais, panetones, iogurtes, sucos, doces em barra, chocolates
recheados, dentre outros; os consumidores ainda não os conhece (SPERS et al., 2008).
Ainda de acordo os autores, o mercado brasileiro de alimento desidratado ainda está
concentrado nas classes sociais de maior renda nos grandes centros urbanos. A ausência de
marcas, a escassez de oferta, a carência de marketing e o baixo padrão de qualidade dificultam
o desenvolvimento do mercado. Atualmente, é possível encontrar no país, com freqüência,
apenas banana-passa e tomate seco, produzidos de maneira artesanal ou industrializados em
pequena escala. No entanto, há espaço e demanda para frutas tropicais brasileiras, tais como
mamão, abacaxi, caqui, maçã, morango, melão, laranja, manga, entre outras.
95
Tabela 24 - Produtos desidratados mais comercializados em Belo Horizonte
Produto mais comercializado
Tomate
Banana
Maçã
Figo
Tomate, banana
Abacaxi
Alho
Casca de limão, laranja
Figo e banana
Tomate sweet grape, mamão com limão
Total
Fonte: DETEC - CeasaMinas (2010)
Frequencia
23,00
5,00
3,00
2,00
2,00
1,00
1,00
1,00
1,00
1,00
40,00
Percentual
57,50
12,50
7,50
5,00
5,00
2,50
2,50
2,50
2,50
2,50
100,00
Endossando esse fato, a presente pesquisa identificou que, em Belo Horizonte, frutas
desidratadas exóticas como kiwi, caqui, morango, casca de limão e laranja, mamão, tomate
sweet grape, manga, cereja, pêra e pêssego são dificilmente encontradas em algum
estabelecimento (Tab. 23), sendo que apenas lojas nobres as detém. Já o tomate seco,
disparado, alcança maior parcela da população (57,5%), seguido da banana passa (12,5%).
5.17 ORIGEM DOS DESIDRATADOS
No varejo de Belo Horizonte, os resultados encontrados confirmam esses dados. Os gerentes
das lojas afirmaram que há grande dificuldade em encontrar esse tipo de produto no mercado
nacional, sendo que em Minas Gerias só é possível encontrar produção de tomate seco e
banana passa, de maneira artesanal ou em pequena escala. Em função disso, alguns apelam
por adquirir frutas secas, como o tomate seco, banana e maçã de outros estados, como Paraná
e São Paulo (32,5%) e as frutas mais exóticas do mercado internacional (30,0%), segundo os
entrevistados.
96
Tabela 25 - Origem da aquisição dos alimentos desidratados
De onde adquirem os produtos
Frequência
Outros estados
13,00
Importado
12,00
MG
11,00
MG e outros estados
4,00
Total
40,00
Fonte: DETEC - CeasaMinas (2010)
Percentual
32,50
30,00
27,50
10,00
100,00
5.18 PREÇO MÉDIO ENCONTRADO PARA OS ALIMENTOS DESIDRATADOS
Rezende et al. (2007) sugerem que o alimento desidratado significa um aumento de até 20
vezes na receita quando comparado à comercialização do mesmo in natura”.
Em um site de compras de alimentos especiais, como light e diet; cereais, orgânicos,
castanhas, frutas desidratadas, entre outros, foi possível encontrar valores praticados no
mercado atual desses alimentos. A consulta foi realizada em novembro de 2010 e, a partir das
fotos abaixo, é possível endossar os dados obtidos pela pesquisa, como existência de demanda
e falta de oferta, através dos alimentos que se encontram esgotados, e o alto preço praticado,
que alcança valores de R$75,60 para apenas um quilo de fruta, como é o caso da manga.
A maçã, como exposto na Fig. 56, é uma das campeãs de vendas. Na imagem, a fruta
encontra-se esgotada mesmo sendo comercializada a um valor bastante elevado comparandose com o valor da fruta in natura. De acordo com uma pesquisa de aceitação de maçãs
desidratadas realizada por Treptow, Queiroz e Antunes (1997), a fruta, principalmente das
variedades Fuji e Gala, agradaram muito 74% dos consumidores que participaram do teste.
97
Figura 56 - Preços praticados no mercado nacional de frutas desidratadas.
Nas Fig. 57 e 58, há ainda variações das frutas desidratadas a fim de conquistar o cliente, como
as versões mamão com mel, melão verde e pêssego inteiro e em pedaços.
98
Figura 57 - Preços praticados no mercado nacional de frutas desidratadas
Figura 58 - Preços praticados no mercado nacional de frutas desidratadas
A Tab. 26 ilustra o preço médio praticado nas lojas da capital e endossam os valores expostos
anteriormente. Observa-se que a variação é alta, sendo que o valor mínimo é comumente
encontrado para embalagens de figo turco e banana passa artesanal e o máximo para frutas
exóticas, como manga, kiwi, mamão e morango, sendo a banana industrializada, o tomate, a
maçã, a pêra e o pêssego, de preços intermediários, entre R$25,00 e R$ 45,00 o quilo.
Tabela 26 - Preço médio praticado para embalagens de 100 - 125 gramas
Preço médio dos alimentos desidratados
Número de observações
Mínimo
Máximo
Média
40,00
1,80
9,98
4,88
Fonte: DETEC - CeasaMinas (2010)
Desvio padrão
1,25
99
As Fig. 59, 60 e 61 enfatizam os valores expressos na tabela 26.
Figura 59 - Banana passa industrializada, R$ 5,89 a embalagem de 84 gramas, à esquerda, e
artesanal, R$ 9,83 a bandeja com 318 gramas, à direita.
Figura 60 - Pêra (R$28,50 o quilo) e goiaba (R$ 59,80 o quilo) desidratadas
100
Figura 61 - Casca de laranja desidratada, R$ 62,99 o quilo, e figo seco turco, R$ 4,99 a
embalagem de 250 gramas
5.19 FREQUENCIA DE COMERCIALIZAÇÃO E ACEITAÇÃO DOS DESIDRATADOS EM
BELO HORIZONTE
Fatores complexos influenciam a aceitação de alimentos pelo consumidor. É difícil determinar o
quanto as propriedades sensoriais influenciam as decisões do consumidor. Inicialmente a
aparência externa é provavelmente o atributo de qualidade que determina o valor comercial de
um produto. O consumidor associa a qualidade com o aspecto do alimento, como tamanho,
forma e cor, sendo a última uma das principais características de aceitação pelo consumidor
(TREPTOW, QUEIROZ e ANTUNES, 1997).
Entretanto, o aspecto visual afeta a venda de apenas 25,0% dos estabelecimentos visitados
(Tab. 27). Os entrevistados afirmam que o consumidor que conhece esse tipo de alimento
processado sabe que a cor e a textura modificam devido ao processo de secagem e que os
benefícios do consumo são diversos, logo não demonstram resistência no momento da compra.
Tabela 27- Influência da aparência do produto na comercialização
Rejeição devido à aparência
Frequência Percentual
Sim
10
25,00
Não
30
75,00
Total
40,00
100,00
Fonte: DETEC - CeasaMinas (2010)
101
Frequência de comercialização (%)
5
Frequentemente
De vez em quando
95
Gráfico 7 - Frequência de comercialização de DES.
Em função disso, 95,0% dos locais que já experimentaram comercializar os alimentos
desidratados, os ofertam frequentemente, pois há demanda, sendo que apenas 5,0% da rede
varejista os disponibilizam para a venda somente no período natalino (Graf. 7).
5.20 MOTIVADORES DO SUCESSO NA COMERCIALIZAÇÃO
Apesar das dificuldades, o mercado de frutas secas está em expansão. As instituições de
pesquisa se empenham para promover novas tecnologias de desidratação, apesar do pouco
investimento no setor. As redes atacadistas e varejistas, aos poucos, apresentam interesse na
comercialização do produto. Os produtores contam com uma chance de garantir a venda da sua
produção, embora ainda desconheçam o processo de secagem e os benefícios do
processamento; e os consumidores tem sido atraídos pelas vantagens e benefícios do
consumo.
Alguns motivos, como os listados na Tab. 28, foram observados na capital mineira como
propulsores da venda desses alimentos.
Tabela 28 - Motivadores do sucesso na comercialização
102
Motivo do sucesso na comercialização
É o único ofertado
É o mais conhecido
Não sabe
Mais tradicional
Mais usado na culinária
Clientela de restaurante - maior consumidor
Curiosidade
São exóticos
Mais saboroso
São os únicos ofertados
Total
Fonte: DETEC - CeasaMinas (2010)
Frequência
15,00
12,00
4,00
2,00
2,00
1,00
1,00
1,00
1,00
1,00
40,00
Percentual
37,50
30,00
10,00
5,00
5,00
2,50
2,50
2,50
2,50
2,50
100,00
Como já discutido anteriormente, o tomate seco e a banana passa são os principais
responsáveis por respostas como: “é o único ofertado”, “é o mais conhecido”, “mais
tradicional”, “mais usado na culinária” e “clientela de restaurante é o maior consumidor”.
Já respostas como “curiosidade”, “são exóticos” e “mais saborosos” foram adquiridas
através do comportamento de consumidores das frutas importadas, observado pelos gerentes
das lojas.
O que é exótico, se apresentado em embalagens atrativas e através de degustação, estimula os
sentidos do consumidor. A visão, o olfato e o paladar, responsáveis pelo apelo sensorial, são os
aliados mais fiéis que o varejista pode ter quando se refere a frutas e hortaliças. Logo, para
influenciar no comportamento de seus clientes e estimular a compra basta adotar estratégias
que despertem esses sentidos de forma positiva, principalmente a visão, já que, de acordo
Baxter, 1998, apud Gonçalves, Passos e Biedrzycki, (2008), quando se fala de um produto
atrativo, raramente se refere ao seu som, cheiro ou tato, a percepção humana é amplamente
dominada pela visão.
103
6 CONCLUSÃO
Como se pode observar através deste trabalho, há um nicho de mercado a ser explorado pelo
mercado varejista que pode oferecer ao consumidor produtos com qualidade e praticidade.
A comercialização de produtos minimamente processados, embalados, orgânicos e
desidratados, acaba por impactar positivamente toda a cadeia produtiva de várias frutas e
hortaliças. Porém, para que isso se torne uma realidade é necessário transpor inúmeros
obstáculos, dentre os quais é válido destacar:
a) Falta de fornecedores com produtos variados e de boa qualidade.
Através dessa pesquisa observa-se que há carência de empresas especializadas em fornecer
produtos minimamente processados, orgânicos e desidratados, principalmente. Soluções
criativas que resultem em maior integração entre os elos campo e varejo deverão ser buscadas.
Uma das alternativas para este problema é a organização de uma ação conjunta entre a
Associação Brasileira de Supermercados - ABRAS, a Companhia Nacional de Abastecimento CONAB, as Ceasas, Secretaria da Agricultura e Ministério da Agricultura, Emater’s e
Universidades, objetivando articular com pequenos produtores rurais (agricultores familiares) a
fim de aumentar a produção e facilitar o acesso à esses tipos de alimentos ainda pouco
difundidos. Dessa maneira, vários benefícios poderiam ser alcançados, tais como:
1) Disponibilização de recursos advindos do PRONAF com juros subsidiados pelo Governo
Federal;
2) Acompanhamento e orientações técnicas da EMATER e de universidades através de
projetos de extensão;
3) Garantia de compra do produto por parte da CONAB, a preço de mercado, através do
Programa de Aquisição de Alimentos – PAA;
4) Minimização das perdas pós-colheita através da desidratação;
5) Estímulo à produção contínua porque há escoamento imediato da matéria-prima;
6) Valorização da colheita devido à exigência de matéria prima qualificada;
7) Fixação da mão-de-obra no local criando novos empregos com consequente interrupção dos
fluxos migratórios.
104
8) Aumento da renda do agricultor familiar, uma vez que esse passa a ter aumento dos
benefícios por se transformar também em empresário, já que visualiza novas alternativas de
venda para seus produtos;
9) Oferta de maior volume de alimentos e principalmente de maior diversificação dos alimentos
ao consumidor regional, o que resulta em fortalecimento do mercado interno no que se refere
ao abastecimento alimentar urbano;
10) Surgimento de novos pólos vocacionais de desenvolvimento em regiões ainda não
exploradas.
b) No que tange à limitação de investimento que distribuidores e varejistas devem fazer para
adquirirem caminhões com baús refrigerados, os Governos Federal e Estadual devem criar
linhas de crédito especiais, com juros subsidiados para este tipo de investimento, via Banco
Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social- BNDES ou através dos Bancos de
Desenvolvimento Estaduais, respectivamente.
c) Quanto à questão do alto custo com energia elétrica, o setor varejista deve buscar junto à
área acadêmica o desenvolvimento de soluções mais sustentáveis, contribuindo, assim, não só
para a redução de custos como também para o meio ambiente. Parcerias com universidades
são primordiais para que, através dos cursos de Engenharia de Alimentos, Engenharia Elétrica,
Agronomia, Nutrição, Marketing e Economia, entre outros afins, soluções viáveis para toda a
cadeia produtiva, possam, além de abrir um leque de vagas de estágio e empregos para
estudantes da área, contribuir para a melhoria da logística de processos e controle de qualidade
de toda a operação, já que foi notória a pouca ou nenhuma participação de profissionais
especializados nas lojas visitadas, o que impactou toda a gestão dos estabelecimentos.
d) Por fim, no que concerne ao desconhecimento da população quanto aos produtos
minimamente processados, orgânicos e desidratados, devem-se adotar várias estratégias de
marketing, como promoções, propagandas dentro dos estabelecimentos, folhetos promocionais,
degustações, dentre outras ferramentas que o setor varejista possui, a fim de demonstrar que
está atento a esse importante ponto da gestão de negócios.
E, apesar de ser um desafio investir nesses nichos de mercado, eles se mostram bastante
promissores no atual momento econômico-social do país.
Inúmeras possibilidades de tomada de ações beneficiarão todos os atores da cadeia produtiva.
Os produtores rurais poderão produzir alimentos em maior escala, uma vez que haverá maior
105
demanda no mercado. Dessa forma, obterão um substancial aumento na renda familiar,
principalmente devido ao processamento.
Os varejistas, devido ao aumento do volume de vendas, melhoria da qualidade dos produtos
ofertados e processamento, reduzirão significativamente as perdas e aumentarão os lucros.
Logo, se destacarão no setor alimentício.
Ganha a sociedade, que vê uma diminuição substancial do desperdício de alimentos em um
país que ilustra uma enorme incoerência, que é a de ser um dos maiores produtores de
alimentos do mundo e, concomitantemente, ter milhares de pessoas famintas.
E, por fim, ganha o elo mais importante da cadeia, o consumidor. Este terá, à disposição,
produtos práticos, devidamente embalados, com um melhor padrão de qualidade, nutritivos e a
um preço adequado, atendendo, assim, as expectativas de milhares de consumidores que
estão mudando diariamente seus hábitos alimentares.
106
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