...

Questões de Saúde Bucal na Paciente Grávida

by user

on
Category: Documents
2

views

Report

Comments

Transcript

Questões de Saúde Bucal na Paciente Grávida
Questões de Saúde Bucal
na Paciente Grávida
Alterações físicas e emocio-
nais durante a gravidez afetam
a saúde bucal das mulheres (ver
Figura 1, próxima página)1.
Entretanto, essas questões de
saúde bucal não são específicas
do sexo feminino, e sim aspectos de condições que podem
afetar diferentemente as mulheres 2. Nesta revisão são apresentados aspectos das questões de
saúde bucal na paciente grávida, aspectos das manifestações
bucais comuns da gravidez, a
associação entre doença
periodontal e nascimento
prematuro e as experiências
dentais e os comportamentos
da mulher grávida. Fatores
relacionados à gravidez, que
afetam as estruturas orofaciais
dos filhos, também são brevemente discutidos.
Manifestações
Bucais Comuns
da Gravidez
Existem várias manifestações bucais comuns da gravidez
(ver Tabela 1, próxima página)3,
a gengivite sendo a mais
prevalente, ocorre em 60% a
75% das mulheres grávidas.
Alterações gengivais,
observáveis a partir do segundo
mês de gestação, geralmente
ocorrem em associação com a
má higiene bucal e com irritantes locais, como a flora
bacteriana da placa3; alterações
hormonais e vasculares associadas à gravidez exageram a
resposta inflamatória aos agentes irritantes locais. Mulheres
com doença gengival não
tratada durante a gravidez provavelmente apresentarão doença
gengival após a gravidez, embora a gravidade possa ser reduzida3. Mulheres que tomam
contraceptivos orais, que imitam
a característica hormonal da
gravidez por aumentar os níveis
de estrógeno e progesterona,
também podem experimentar
problemas de saúde bucal como
maior inflamação gengival
causada por uma resposta
exagerada à placa2.
Doença Periodontal e
Nascimento Prematuro
Áreas remotas de infeção
foram apontadas de influenciarem a saúde sistêmica através
Nesta edição
Questões de
SaúdeBucal na
Paciente Grávida
1
Na Prática
4
Prática Clínica
5
Página de Higiene
8
Tendências do
Tratamento
Odontológico
10
Atualização Colgate
11
Editor Chefe
Chester Douglass, DMD, PhD; E.U.A.
Professor de Política de Saúde Oral e
Epidemiologia, Harvard School of Dental
Medicine e School of Public Health
Editores Associados
John J. Clarkson, BDS, PhD; Irlanda
Saskia Estupiñan-Day, DDS, MPH Organização Pan-Americana de Saúde; Washington, D.C.
Joan I. Gluch, RDH; E.U.A.
Kevin Roach, BSc, DDS, FACD; Canadá
Zhen-Kang Zhang, DDS, Hon. FDS, RCS
(Edin.); China
Conselho Internacional
Per Axelsson, DDS, Odont. Dr.; Suécia
Irwin Mandel, DDS; E.U.A.
Roy Page, DDS, PhD; E.U.A.
Gregory Seymour, BDS, MDSc, PhD,
MRCPath; Austrália
EXPEDIENTE
Informativo publicado pelo departamento de
Relações Profissionais da Colgate-Palmolive
R. Rio Grande, 752 - V. Mariana São Paulo/SP CEP 04018-002. Coordenação: Regina Antunes.
Jornalista responsável: Maristela Harada
Mtb. 28.082.
Produção: Cadaris comunicação
e-mail: [email protected]
Fotolito e impressão: Typelaser. Tiragem: 25 mil
exemplares. Distribuição gratuita. Proibida
reprodução total ou parcial sem prévia autorização.
Volume 12, número 3
Proporcionando Educação Profissional a Serviço da Odontologia Mundial
página 1
Figura 1. Características da Gravidez e Seus Efeitos na Saúde Bucal
Alterações
Hormonais
Alterações da
Dieta e Nutrição
Materna
Náusea e Vômito
· O aumento da ingestão de
· O aumento de progesterona e estrógeno afeta
o tecido gengival
· Tumores da gravidez
podem se desenvolver
na boca
carboidratos aumenta o
risco de cárie
· O aumento da absorção
intestinal e a diminuição
da excreção renal da mãe
ajuda a manter a
disponibilidade de cálcio
para a saúde bucal
· O vômito excessivo
poderia afetar o esmalte
dos dentes
· Efeito desconhecido do
desequilíbrio eletrolítico
da mãe sobre a saúde
bucal do feto
Tabela 1. Manifestações Bucais Comuns da Gravidez3
Gengivite
· Manifestação bucal mais comum da gravidez. Caracterizada por
vermelhidão da gengiva marginal e papilas interdentais. O tecido
apresenta-se edemaciado, com a superfície lisa e brilhante, perda de
resiliência e tendência a sangrar facilmente. O aumento da profundidade
das bolsas periodontais e uma pequena perda do aparelho de inserção
também podem estar presentes.
Tumor
Gravídico
· A freqüência dessa condição varia de 0% a 9,6%. Geralmente ocorre em
Mobilidade Dental
Generalizada
· Provavelmente relacionada ao grau de doença gengival que compromete
Xerostomia
áreas de gengivite e a má higiene bucal invariavelmente está associada. O
tumor cresce rapidamente e pode necessitar de excisão cirúrgica para a
completa resolução. O tumor regride parcialmente após o parto.
o aparelho de inserção, e também às alterações minerais da lâmina dura
do osso alveolar. Essa condição geralmente regride após o parto.
· As alterações hormonais associadas à gravidez podem causar secura da
boca. Cerca de 44% das participantes grávidas apresentavam secura
persistente da boca em um estudo. O consumo freqüente de água e balas
ou gomas de mascar sem açúcar pode aliviar o problema.
da ativação sistêmica de mediadores da inflamação. Esses
mediadores, como as citocinas
proinflamatórias interleucina1, interleucina-6 e fator de
necrose tumoral alfa, estimulam a prostaglandina E2, um
agente que pode iniciar o
trabalho de parto4. Estudos
com animais mostraram que
áreas de infecção local, como
ocorre na doença periodontal,
afetam a unidade
fetoplacentária causando o
parto de um bebê prematuro
de baixo peso ao nascimento
(PBPN)4.
Sugeriu-se que a doença
periodontal pudesse ser um
fator de risco independente
para o parto de bebês
PBPN4. Um estudo de conpágina 2
trole de caso envolvendo 93
mães mostrou que, após
ajuste para idade mas não
para tabagismo, mães com
infecção periodontal apresentavam risco sete vezes
maior de dar à luz um bebê
PBPN4. Um estudo realizado
em 2001 envolvendo 1.313
grávidas sugeriu uma associação entre infecção
periodontal crônica e nascimento prematuro; a doença
periodontal pré-existente no
segundo trimestre de gravidez aumentou o risco de
nascimento prematuro em
quatro vezes e meia a sete
vezes5. Em contraste, um
estudo de 2002 do Reino
Unido não encontrou evidências para uma associação
entre PBPN e doença
periodontal 6.
Até agora, não existem
estudos que mostrem que a
doença periodontal causa
nascimento prematuro. No
entanto, evitar o desenvolvimento de doença periodontal
é aconselhável para mulheres
que querem engravidar, baseado na probabilidade das alterações hormonais citadas
anteriormente5. Evidências de
grandes estudos prospectivos e
de estudos intervencionais
serão necessárias antes de que
a periodontite possa ser considerada um fator causal para o
parto de bebês PBPN4 (ver
também Prev News Volume 11,
No. 3, artigo da capa).
Continuação de Prática Clínica (p. 5)
Experiências Dentárias e
Comportamentos da
Grávida
O Pregnancy Risk Assessment
Monitoring System – PRAMS
(Sistema de Monitoramento da
Avaliação do Risco da Gravidez) é
um levantamento populacional
feito em quatro estados dos Estados Unidos envolvendo mães que
deram à luz recentemente7. A
pesquisa relaciona as experiências
e comportamentos antes, durante
e após a gravidez, considerando
questões como tratamento
odontológico. Uma análise das
informações levantadas pelo
PRAMS mostrou que 22,7% a
34,7% das mulheres procuraram
tratamento odontológico durante
a gravidez7. Entre 12,2% e 25,4%
das mulheres grávidas relataram
problemas odontológicos, mas
dessas apenas 44,7% a 54,9%
buscaram tratamento. Em geral, as
mães que não tiveram assistência
pré-natal feita por seguradoras
privadas e adiaram o acompanhamento pré-natal até a fase final da
gravidez apresentaram menor
probabilidade de buscar tratamento odontológico7. Resultados
da pesquisa indicam a necessidade de esforços coordenados das
comunidades odontológica e
obstétrica para estabelecer formas
de melhorar a saúde bucal materna e os resultados perinatais.
Eventos Relacionados com
a Gravidez e seu Efeito no
Feto em Desenvolvimento
Eventos relacionados com
a gravidez, como toxemia,
parto invertido e parto prolongado ou difícil são associados com hipoplasia de esmalte no recém-nascido1. Incompatibilidade de fator Rhesus
pode causar manchas nos
dentes do recém-nascido.
A gravidez é um período em
que os cuidados com a saúde
materna e a educação da paciente têm um efeito profundo na
saúde bucal da mãe e filho1.
Dada a possível associação entre
doença periodontal materna e
parto de bebês prematuros, bem
como do acesso não ideal a
tratamento odontológico pelas
grávidas4,5,7, é preciso que haja
uma coordenação entre profissionais da odontologia e obstetrícia para melhorar a saúde bucal
das mulheres grávidas. PN
Referências
1. Casamassimo PS. Maternal oral health.
Dent Clin North Am 2001;45(3):469-478, v-vi.
Review.
2. Markovic N. Women’s oral health across the
lifespan. Dent Clin North Am 2001;45(3): 513521.
3. Steinberg BJ. Women´s oral health issues. J
Dent Educ 1999;63(3):271-275.
4. McGraw T. Periodontal disease and
preterm delivery of low-birth-weight infants.
J Can Dent Assoc 2002;68(3):165-169.
5.Jeffcoat MK, Geurs NC, Reddy MS, Cliver SP,
Goldenerg RL, Hauth JC. Periodontal infection
and preterm birth: Results of a prospective
study. JADA 2001;132(7):875-880.
6. Davenport ES, Williams CE, Sterne JA, Murad
S, Sivapathasundram V, Curtis MA. Maternal
periodontal disease and preterm low
birthweight: Case-control sutdy. J Dent Res
2002:81(5):313-318.
7. Gaffield ML, Gilbert BJ, Malvitz DM,
Romaguera R. Oral health during pregnancy:
An analysis of information collected by the
pregnancy risk assessment monitoring system.
JADA 2001;132(7):1009-1016
página 3
Esse relacionamento
dentista-paciente envolve
questões psicológicas complexas. Pesquisas continuadas
sobre odontologia
comportamental podem
oferecer estratégias melhores
para tratamento do paciente
que, por sua vez, melhoram a
prática odontológica. PN
Referências
1. Parker E. The psychology of dental patient
care: An introduction. Br Dent J
1999;186(9):449.
2. Freeman R. A psychodinamic
understanding of the dentist-patient
interaction. Br Dent J 1999;186(10):503506.
3. Freeman R. Reflections on professional
and lay perspectives of the dentist-patient
interaction. BR Dent J 1999;186(11):546550.
4. Freeman R. The psychology of dental care.
1 The common-sense approach. Br Dent J
1999;186(9):450-452.
5. ter Horst G, de Wit CA. Review of
behavioural research in dentistry 19871992: Dental anxiety, dentist-patient
relationship, compliance and dental
attendance. Int Dent J 1993;43 (3 Suppl
I):265-278.
6. Christensen GJ. Educating patients about
dental procedures. JADA 1995;126(3):371372.
7. Stoeckle JD. Adult patient-dentist
relationship. Dent Clin Am 1988;32(4):763769.
8. Gerbert B, Bleecker T, Saub E. Risk
perception and risk communication:
Benefits of dentist-patient discussions.
JADA 1995;126(3):333-339.
Acesse e cadastre-se
para para receber em
primeira mão as novidades
da Colgate.
www.colgateprofissional.com.br
NA PRÁTICA
Compósitos à Base
de Resina para
Restauração Direta
em Dentes
Posteriores
P
reocupações bastante
difundidas com a saúde e
meio ambiente envolvendo
materiais restauradores que
contêm mercúrio
(amálgama), embora ainda
não comprovadas (ver
PrevNews Volume 9, No, 2),
levaram ao desenvolvimento acelerado de alternativas
para o amálgama1,2. As
expectativas para essas
alternativas incluem a fácil
manipulação pelo clínico,
custo moderado, adequação
para Classe 2 e uma
longevidade de oito anos de
acordo com as diretrizes de
qualidade da Swiss Dental
Society para restaurações
diretas1. Geralmente buscase uma cor esteticamente
agradável, mas isso não é
um pré-requisito1.
Encontrar a alternativa
correta para o amálgama para
dentes posteriores, que rece-
bem grande carga de esforços,
é um desafio3. Por razões de
custo, as restaurações diretas,
ao invez das indiretas, são
cada vez mais freqüentes.
Alternativas para o amálgama,
sao restauracoes diretas e
esteticamente aceitáveis, aplicáveis a dentes sujeitos a esforços oclusais, e que incluem o
cimento de ionômero de vidro
(CIV), ionômeros compômeros
de vidro modificados por
resina e compósitos a base de
resina (CBR)2. Um estudo
recente, resumido na tabela a
seguir, revelou significativamente menos falhas nas restaurações a amálgama e produtos CBR comparados ao
CIV2, com cáries secundárias,
deficiências marginais, fratura
e desgaste dados como razões
para o insucesso2.
A gama de produtos de
CBR disponíveis é grande e
nem um pouco homogênea.
Além do custo e estética, a consideração de vários fatores é a
chave para a seleção ideal1. A
resistência ao desgaste, a adaptação marginal, a fratura da restauração e também a sensibilidade
ou dificuldade da técnica devem
ser cuidadosamente avaliadas1,2.
Índice Anual de Insucesso de Restaurações em Estudos Selecionados
Material
n
Mediana (%)
Faixa(%)
95% IC*
Resina direta
19
2,2
0,3-6,5
1,8-3,3
Amálgama
30
3,3
0,6-7,0
2,5-3,9
CIV*
10
7,7
1,9-14,4
5,2-10,9
*IC = intervalo de confiança; CIV = cimento de ionômero de vidro
(adaptado de Hickel e col., 2000)2
A resistência ao desgaste
é definida como a perda
máxima vertical de substância na área de contato
oclusal e na cúspide antagonista1. Melhoras recentes na
tecnologia restauradora e
formulação das restaurações
de CBR tornaram o material
mais resistente ao desgaste1,2,3. Alguns produtos de
CBR autopolimerizáveis
podem alcançar graus de
resistência ao desgaste iguais
ou superiores aos do
amálgama e atenderam às
exigências da Swiss Dental
Society para restrição e
manutenção da forma e
função da restauração1.
Apesar do grande avanço
na tecnologia dos CBRs, um
selamento marginal perfeito
ainda não foi conseguido, e
uma incidência relativamente alta de cáries secundárias
ocorre nas margens cavitárias
dos CBRs comparado às
restaurações de amálgama e
CIV2. Embora estudos de
longo prazo estejam pendentes, essa limitação pode ser
superada pelos CBRs “inteligentes” que estão surgindo,
que permitem a liberação
funcional de íons por partículas especiais que neutralizam os ácidos produzidos
por microorganismos, assim
reduzindo a capacidade da
placa de aderir nas margens
da restauração2.
Continua na página 9
página 4
PRÁTICA
C
L
Í
N
I
C
A
nessa interação é uma característica importante.
A Psicologia no
Tratamento do
Paciente
Odontológico
Barreiras ou resistência ao
tratamento odontológico foram
explorados a partir do ponto
de vista psicologico ou de uma
perspectiva psicológica1. Sugestões para ajudar o profissional
da odontologia a alcançar as
metas de tratamento ideais
para o paciente foram desenvolvidas através da investigação
da relação dentista-paciente1-5.
Perspectiva Psicológica
do Relacionamento
Dentista-Paciente
A abordagem
psicodinâmica considera o
tratamento odontológico da
seguinte forma: como o dentista trabalhando com o paciente, e o paciente, por sua vez,
sendo capaz de aceitar o
tratamento oferecido realizado pelo dentista2; a igualdade
O tratamento
odontológico é um
esforço de duas pessoas
baseado na igualdade
entre os participantes1-4.
A aplicação do modelo
psicodinâmico à prática geral
promove três modelos básicos
para a interação dentistapaciente (ver tabela a seguir)2.
Importância da
Igualdade no
Relacionamento
Dentista-Paciente
A igualdade no relacionamento dentista-paciente estimula a prática odontológica
eficaz4. As perspectivas diferentes do tratamento
odontológico vistas pelo paciente e pelo profissional contribuem para desigualdades
entre os dois. Por exemplo, os
Modelos de Interação Dentista-Paciente
Protótipo do
Aplicação
Modelo
Clínica
Tratamento
Pai para
dentário operatório
filho
AtividadePassividade
Papel do
Dentista
Faz algo para
o paciente
Papel do
Paciente
Recebe o
tratamento
OrientaçãoCooperação
Fala ao paciente
o que fazer
Segue as
orientações
Consulta
odontológica
para check-up
Pai para
filho
Participação
mútua
Aconselha e
negocia com
o paciente
Paciente
participa do
tratamento
Negociação do
tratamento ou
plano preventivo
Adulto para
adulto
Modelo
dentistas pensam em sintomas
dentais em termos físicos,
enquanto os pacientes consideram seus sintomas dentro de
seu próprio contexto psicológico e social1. Geralmente essas
diferenças levam a resultados
de tratamento decepcionantes
e à não realização das metas3.
Diminuindo a
Distância entre o
Dentista e o Paciente
A educação do paciente,
com uma boa comunicação
com o dentista, é um método
importante para diminuir a
distância entre o dentista e o
paciente, levando à igualdade
entre os participantes6,7. Essa
educação deve ser feita no
momento do diagnóstico,
capacitando o paciente a
entender a base para seleção
de um plano de tratamento
em particular6. Alternativas de
tratamento, se existirem,
devem ser discutidas. O paciente deve ser orientado sobre
as vantagens e desvantagens
de cada alternativa, sobre os
riscos, o custo e as conseqüências do não tratamento6. Em
casos em que os profissionais
implantaram essas estratégias
de tratamento foram relatadas
reducao na ansiedade do
paciente em relação aos procedimentos dentais e também
melhoras na aceitacao do
tratamento pelo paciente 5,8.
Continua na página 3
página 5
PÁGINA
D E
O Uso Cada Vez Maior
de Verniz com Flúor
A prevenção da cárie em
crianças está na linha de frente
das estratégias de saúde pública1.
Já em 1942, o flúor aplicado topicamente mostrou-se
eficaz na prevenção e controle
da progressão da cárie por
aumentar a mineralização da
superfície dental e inibir a
desmineralização2. Muitas
evidências da eficácia da intervenção precoce com vernizes
com flúor surgiram na Europa
ocidental, Escandinávia e
Canadá, onde seu uso foi
padrão de tratamento por
quase 30 anos1,3.
Concomitantemente, nos
Estados Unidos, nos últimos 20
anos, o flúor fosfato acido (FFA)
em forma de gel se estabeleceu
como o agente profissional
mais amplamente utilizado e
aceito no controle da cárie.
Desde 1994, os vernizes com
flúor têm sido utilizados como
forramento de cavidade e
desensibilizante, embora outros
tratamentos, como os
polímeros de resinas, também
sejam amplamente utilizados4.
Vantagens dos Vernizes
com Flúor
Os vernizes com flúor
apresentam diversas propriedades clínicas e práticas importantes em comparação ao gel FFA:
H I G I E N E
1. Os vernizes são de aplicação
fácil e rápida (geralmente 1
minuto por paciente em vez
dos 4 minutos para o gel);
2. Os vernizes não apresentam
o gosto amargo do gel e
podem ser facilmente aplicados em casos mais difíceis,
como crianças muito pequenas ou pessoas deficientes;
3. A quantidade de flúor
ingerida é pequena. Tipicamente, os níveis plasmáticos
de flúor raramente mudam
após aplicação do verniz,
mas podem aumentar de
maneira significativa após
aplicação do gel FFA. Entretanto, recomenda-se que os
profissionais examinem o
aspecto do verniz ao retirálo do tubo para verificar
qualquer sinal de separação
do ingrediente (aspecto
não-uniforme) para garantir que a concentração do
flúor esteja correta3.
Embora algumas reações
adversas — principalmente
reações alérgicas — tenham sido
atribuídas ao uso de verniz com
flúor*, a única desvantagem
geralmente atribuída aos vernizes é uma coloração marrom
amarelada dos dentes que desaparece após um ou dois dias.
* Em caso de predisposição a reações alérgicas, edemas
foram relatados apenas em casos raros, especialmente
após aplicação em áreas extensas. Em casos extremamente raros, ataques de dispnéia ocorreram em crianças
asmáticas. Pacientes com estômago sensível podem
ocasionalmente experimentar náusea após aplicações em
áreas extensas. Em qualquer caso de intolerância, a
camada de verniz pode ser facilmente removida com
escovação e enxágüe.
página 8
Agente de Prevenção
da Cárie
Demonstrou-se recentemente
que o verniz com flúor é no mínimo tão eficaz quanto o gel FFA, se
não mais eficaz, e superior à
ausência de tratamento com flúor.
Dados de um estudo5 são apresentados na figura na próxima página. Cento e quarenta e duas crianças, com idades entre 3 e 5 anos,
foram randomizadas para se
avaliar o efeito do verniz de flúor
nas cáries de esmalte na primeira
dentição versus nenhum tratamento com flúor feito por um
profissional. Depois de duas
aplicações de verniz no início do
estudo e depois de quatro meses, a
diferença na redução da
prevalência de cárie medida aos
nove meses após o início entre os
dois grupos foi estatisticamente
significante5. Resultados promissores também foram relatados para a
eficácia do verniz de flúor na
prevenção de cáries radiculares
em paciente mais idosos6. Os
vernizes de flúor podem ser considerados como parte de qualquer
estratégia de prevenção, independentemente da idade do paciente.
O uso de verniz de flúor como
agente tópico continua a crescer
aceleradamente. Alguns programas
do Medicaid nos EUA agora aprovaram o uso de verniz como um
agente preventivo, e a American
Dental Association recentemente
concedeu seu Selo de Aprovação
para um verniz de flúor como
Prevalência de Cárie Incluindo Lesões em Esmalte
Início do estudo
c Epso
8,2
4,6
5,3
9 meses
5,7
cEpso: cariados com
lesões de esmalte
iniciais, perdidos e
superfícies obturadas
c E pdo
5,2
cEs
7,0
2,5
4,2
1,2
Verniz de flúor
(n=59)
5,2
4,0
cEpdo: cariados com
lesões iniciais de
esmalte, dentes
perdidos e obturados
cEs: superfícies
cariadas com lesões
iniciais de esmalte
3,0
Nenhum tratamento
(n=83)
agente de prevenção da cárie2. Com
o uso amplamente difundido entre
diversos departamentos da
odontopediatria, os vernizes de
flúor estão se tornando o padrão de
tratamento nos Estados Unidos. PN
Referências
1. Vaikuntam J. Fluoride varnishes: Should we
be using them? Pediatr Dent 2000;22(6):513516.
2. Bawden JW. Fluoride varnish: A useful new
tool for public health dentistry. J Public Health
Dent 1998;58(4):266-269.
3. Shen C, Autio-Gold J. Assessing fluoride
concentration uniformity and fluoride release
from three varnishes. JADA 2002;133(2):
176-182.
4. Gaffar A. Treating hypersensitivity with
fluoride varnish. Compend Cont Educ Dent
1999;20 (Suppl):27-33.
5. Autio-Gold JT, CourtsF. Assessing the effect
of fluoride varnish on early enamel carious
lesions in the primary dentition. JADA
2001;132(9):1247-1253.
6. Angelopoulos CL. The efficacy of fluoride
varnish in preventing root caries in the
elderly. Doctoral dissertation 2001. Boston,
Massachusetz, USA: Harvard School of Dental
Medicine, 2001.
From Autio-Gold and Courts5
* p < .001
Continuação de Na Prática (p. 4)
Atualmente, a melhor
maneira de evitar fendas
marginais que causam cáries
secundárias é através de técnica operatória apropriada para
CBR, sendo a compatibilidade
com classe III uma recomendação comum1,4. Conhecendo as
dificuldades inerentes à obtenção desse nível, fabricantes
concentraram-se no desenvolvimento de material compósito
na cor do dente com boas
propriedades e comportamento clínico semelhante ao do
amálgama1,4. Diz-se que os
CBRs condensáveis de alta
viscosidade recomendados
para cavidades posteriores
página 9
sujeitas a esforço necessitam
uma técnica similar àquela
utilizada para restaurações de
amálgama2. Infelizmente,
estudos indicaram que a
polimerização de grandes
porções de CBRs condensáveis
em cavidades profundas leva a
resultados sub-ótimos2.
Conforme os métodos de
tratamento continuam a
evoluir e o estado
odontológico geral do paciente melhora, as cavidades
encontradas serão cada vez
menores2. Nessa situação,
restaurações posteriores com
CBR facilmente atingem o
grau desejado de desempenho e de longevidade2. Para
cavidades profundas, desenvolvimentos promissores dos
CBRs em materiais
condensáveis e “inteligentes”
irão provavelmente fornecer
as soluções necessárias2,4. PN
Referências
1. Lutz F, Krejci I. Resin composites in the
post-amalgam age. Compend Cont Educ Dent
1999;20(12): 1138-1144, 1146, 1148.
2. Hickel R, Manhart J, Garcia-Godoy F.
Clinical results and new developments of
direct posterior restorations. Am J Dent
2000;13 (Spec No):41D-54D.
3. Manhart J, Chen HY, Hickel R. The
suitability of packable resin-based
composites for posterior restorations. JADA
2001;132(5):639-645.
4. Nash RW, Lowe RA, Leinfelder K. Using
packable composites for direct posterior
placement. JADA 2001;132(8): 1099-1104.
TENDÊNCIAS DO TRATAMENTO ODONTOLÓGICO
Aumenta a Demanda pelo
Clareamento Dental Feito por
Profissional da area
O
Editor chefe Chester Douglass, DMD,
PhD; E.U.A.
Professor de Política de Saúde Oral e
Epidemiologia da Harvard School of Dental
Medicine e School of Public Health
© 2001 Colgate-Palmolive Company.
Todos os direitos reservados.
O Oral Care Report/Prev News tem o apoio da
Colgate-Palmolive Company para os
profissionais da área de saúde bucal.
Dirija seus comentários, perguntas e mudanças
de endereço para:
Oral Care Report/Prev News
Centro de Atendimento de Profissionais
0800-162966
Departamento de Relações Profissionais
Rua Rio Grande, 752
São Paulo – SP- CEP 04018-002.
O programa de Educação
Continuada da faculdade de
Odontologia da universidade de
Havard está disponível no site
www.colgateprofessional.com,
somente no idioma inglês. Essa
mudança atende às diretrizes globais
da Colgate em padronizar a
elaboração dos testes.
Com essa novidade, os dentistas
poderão fazer o teste online e
acompanhar seu desempenho pela
internet. Os participantes poderão
receber um certificado de educação
continuada emitido por Harvard,
uma das universidades mais
conceituadas no mundo.
Não perca essa oportunidade
de enriquecer o seu currículo.
uso de vários agentes,
concentrações e métodos para tornar
os dentes mais brancos e remover
manchas intrínsecas tornou-se um
procedimento odontológico popular.
Embora o clareamento dental tenha
sido relatado inicialmente ha mais de
100 anos, somente após 1989 é que
se tornou prontamente disponível.
Nos últimos dez anos, um número
cada vez maior de pacientes se
interessa pelo procedimento.
A principal queixa da estética de
um paciente geralmente é uma cor
inaceitável ou irregularidades da cor.
Na ausência de outros problemas
dentais como formato, cáries ou
deficiências de tamanho (que necessitariam de procedimentos restauradores), a modificação da cor é um
tratamento que pode oferecer
resultados satisfatórios e, portanto,
merece consideração.
Vários sistemas e métodos profissionais de clareamento foram introduzidos, estes que agora atendem às
necessidades e demandas dos pacientes.
Além disso, a segurança e eficácia dos
agentes branqueadores para uso
profissional foram amplamente
testados e estão relatados na literatura.
Categorias de Métodos de
Clareamento
Os sistemas profissionais de
clareamento dentário podem ser
divididos em três categorias gerais1:
1. Clareamento feito pelo dentista.
Esse método, também chamado de
power bleaching, envolve a utilização
de uma concentração bastante alta
de peróxido de hidrogênio (geralmente 35-50%) e um método
ativador como calor ou laser para
intensificar e acelerar o efeito de
clareamento. É feito sob a tecnica de
página 10
isolamento absoluto.
2. Clareamento com supervisão do
dentista. Altas concentrações de peróxido
de carbamida (35-40%) gel são colocadas
em uma moldeira de clareamento e
utilizados por um período de 30 minutos
a duas horas. O paciente pode permanecer na cadeira do dentista ou sentar-se na
recepção do consultório enquanto a
moldeira estiver em posição na boca.
3. Clareamento fornecido pelo dentista. Agentes clareadores utilizados neste
método contêm uma baixa concentração
de peróxido de carbamida (5-22%) e são
aplicados pelo próprio paciente em casa,
com auxílio de uma moldeira. A
moldeira de clareamento (placa noturna)
é utilizada à noite ou por várias horas
durante o dia por um período de duas a
seis semanas, dependendo da natureza e
grau da descoloração. O peróxido de
carbamida 10% contém 3% de peróxido
de hidrogênio e 7% de uréia. A concentração mais baixa de peróxido de
carbamida é menos propensa a despertar
sensibilidade pulpar, e seus efeitos
citotóxicos parecem ser neutralizados
pela saliva saudável. É importante que o
paciente siga as instruções do dentista
quanto a segurança e eficácia.
Avanços na Segurança
e Eficácia
Os efeitos de desmineralização e
sensibilização pulpar foram corretamente identificados como questões que
merecem preocupação. Entretanto, o
desenvolvimento mais recente de agentes
de concentração mais baixa utilizados
por período de tempo mais longo,
juntamente com agentes de
remineralização com flúor, parecem ter
superado a maioria desses problemas2.PN
Referências
1. Fergusson MB. Teeth bleaching.
L’Information Dentaire 1999; 81(41):1019.
2. Attin T, Kielbassa AM, Schwanenberg M,
Hellwig E. Effect of fluoride treatment
on remineralization of bleached enamel.
J Oral Rehabil 1997;24(4):282-286
Atualização
AS NOTÍCIAS MAIS RECENTES SOBRE PESQUISAS, PRODUTOS E TECNOLOGIAS
Força Tarefa Nacional nos Serviços Preventivos Comunitários
Chester W. Douglass, DMD, PhD
Uma força tarefa nacional nos serviços preventivos comunitários reafirmou que a fluoretação da
água comunitária, combinada com agentes tópicos
para fissuras e fóssulas como os selantes, é a estratégia mais eficaz para reduzir a cárie dental em toda a
população. O relato da força tarefa, “Guide to
Community Preventive Services”, foi publicado na
edição de julho de 2002 do prestigiado American
Journal of Preventive Medicine1. A força tarefa enfatizou
que os serviços preventivos comunitários constituem
um complemento essencial para os serviços preventivos individuais recebidos em uma clínica
odontológica ou centro de saúde.
Os autores enfatizam que soluções para os
problemas de saúde bucal são desenvolvidos com a
cooperação em nível local.
“Através do trabalho com membros da comunidade,
profissionais, organizações religiosas e políticos, intervenções adequadas podem ser desenvolvidas para maximizar
os bens e recursos disponíveis em nível local/regional. O
que tem faltado no campo da saúde bucal é o reconhecimento de que a saúde bucal é uma questão de preocupação para a comunidade como um todo. Saúde bucal não é
simplesmente uma questão de odontologia, mas deve
envolver aqueles que tradicionalmente negligenciam a
boca como parte do corpo2”.
Um grande interesse na saúde bucal de crianças
surgiu a partir de muitos médicos locais e responsáveis
por escolas: “Onde há falta de assistência odontológica,
as comunidades estão procurando assistência médica
para fornecer triagem e tratamento preventivo. Denver
Health e FirstHealth of the Carolinas trabalham com
seus médicos para realizar exames básicos, vernizes com
flúor e encaminhar para dentistas3”.
O relato da força tarefa estabelece quatro
objetivos dos esforços abrangentes baseados na
comunidade para prevenir a cárie dental4. São eles:
1. aumentar a consciência pública e profissional
das oportunidades para ação organizada;
2. promover práticas que melhorem o ambiente bucal (p. ex., reduzir o consumo de
açúcar refinado e escovar com creme dental
fluoretado);
3. garantir ótima exposição ao flúor de todas as
fontes (incluindo a água da comunidade); e
4. garantir acesso e uso regular de assistência
odontológica, tanto preventiva como restauradora, incluindo o uso de selantes em
escolas ou ambientes ligados às escolas.
Programas de aplicação de selantes em escolas
ou clínicas relacionadas são “intensamente recomendados”. É preciso estar atento a identificação de
crianças com alto risco de cárie que de outra forma
provavelmente não receberiam selantes. Direcionar
esses programas para dentes com alto risco de
comprometimento (primeiros e segundos molares
permanentes) também é recomendado. Uma estratégia dirigida é necessária porque os programas de
selantes não são custo-eficazes a menos que molares
não selados no grupo alvo estejam cariando numa
proporção média de + de 0,47 superfícies por ano4.
A prevenção da cárie é uma prioridade de saúde
nacional e deve ser reconhecida como tal. Através de
uma estratégia preventiva bem organizada em
colaboração com comunidades de todo o país, a
profissão irá garantir o apoio necessário para controle da cárie, particularmente entre aquelas crianças de maior risco.
Referências
A saúde bucal não é simplesmente
uma questão para o campo da
odontologia, mas deve envolver
aqueles que tradicionalmente
negligenciaram a boca como parte
do corpo.
1. The guide to community preventive services:
Interventions to prevent dental caries, oral and
pharyngeal cancers, and sports-realted craniofacial
injuries. Truman BI, Gooch BF, Evans CA, eds. Am J
Prev Med 2002,23(IS).
2. Op cit. p. 11.
3. Op cit. p.10.
4. Op cit. pp. 16-17.
O Prev News está disponível na internet no site www.colgateprofissional.com.br
página 11
Fly UP