...

DESEMPREGO: REPERCUSSÕES NA SATISFAÇÃO CONJUGAL

by user

on
Category: Documents
2

views

Report

Comments

Transcript

DESEMPREGO: REPERCUSSÕES NA SATISFAÇÃO CONJUGAL
DESEMPREGO: REPERCUSSÕES NA SATISFAÇÃO
CONJUGAL, NA IDEAÇÃO SUICIDA E NAS EMOÇÕES
EXPERIENCIADAS
JOANA FILIPA CORREIA SOUSA
Orientador de Dissertação:
PROFESSORA DOUTORA MARIA GOUVEIA-PEREIRA
Coordenador do Seminário de Dissertação:
PROFESSORA DOUTORA MARIA GOUVEIA-PEREIRA
Tese submetida como requisito parcial para obtenção do grau de:
MESTRE EM PSICOLOGIA
Especialidade em Psicologia Clínica
2015
i
Dissertação de Mestrado realizada sob a orientação de
Professora
Doutora
Maria
Gouveia-Pereira,
apresentada no ISPA – Instituto Universitário para
obtenção de grau de Mestre na especialidade de
Psicologia Clínica
ii
Agradecimentos
O culminar do meu percurso académico só foi possível graças às pessoas que ao longo
destes cinco anos (e da minha vida) me acompanharam.
Aos meus pais, por todo o apoio e por tornarem este sonho possível. Obrigada pelo
vosso amor incondicional, suporte, dedicação, carinho e por sempre acreditarem em mim.
Obrigada por todo o vosso esforço e por me possibilitarem voar mais alto. Vocês são o meu
pilar!
À minha família, por estar presente e me apoiar sempre! Aos meus avós, “velhinhos do
meu coração”, que cuidaram de mim, viram-me crescer e estiveram sempre lá. Sou uma felizarda
por tê-los comigo e estarem a ver a vossa “netinha” terminar o curso. Às minhas queridas tias (e
madrinhas!) e ao padrinho por todo o vosso apoio. Obrigada por estarem sempre lá para me
amparar, encorajar e felicitar. Gosto muito de vocês! Se tive uma infância feliz e se hoje sou feliz,
é graças a vocês.
Ao meu anjo da guarda. Onde quer que estejas, sei que estás a me iluminar e a proteger.
Mesmo não estando connosco fisicamente, estás sempre no nosso pensamento e no coração.
Espero que estejas orgulhosa de mim… Eu sei que estás.
A ti César. Estes dois anos foram a nossa prova de fogo. Obrigada por todo o apoio,
compreensão e por estares sempre lá para mim. Mas sem perceberes nada de psicologia, ouvisteme e acreditaste que chegaria mais longe.
Porque estar longe de casa não foi fácil, não quero deixar de agradecer aos amigos de
sempre. Obrigada pela amizade, pelo apoio e por compreenderem a minha ausência. Obrigada
pela recepção sempre que voltava a casa e aqueles verões inesquecíveis. A ti Joana, por todo o
apoio, por estares sempre disponível para me ouvires e teres sempre algo a dizer, mesmo quando
as coisas não parecem fáceis e o caminho difícil. Companheira, amiga, “irmã”, obrigada por toda
a ajuda, pelas tuas palavras, garra e motivação, e a tua constante preocupação. À Carolina, por
estar sempre presente e pela amizade que fomos construindo ao longo destes cinco anos. E à
Joana R., porque mesmo estando algum tempo sem nos vermos, a amizade é para a vida! Vocês
são as melhores.
Lisboa mostrou-me igualmente o seu encanto! A ti Rita, agradeço-te por tudo. Foste o
meu suporte, a amiga que não estava à espera encontrar e que levo para a vida. Obrigada por
todas as partilhas, pelas conversas infindáveis e por me tornares uma pessoa melhor. À Joana
Frazão, pela amizade, por estares sempre atenta e lá quando é preciso. O chocolate é o nosso
melhor amigo! As três, somos muito mais família que algumas famílias de sangue.
iii
Não quero deixar de agradecer às restantes pessoas que fizeram parte deste meu percurso
por Lisboa: Aos amigos de medicina, pelas festas e bons momentos partilhados; às colegas e
amigas do curso. Ao Sr. Carlos e Regina Maia, pelos “pais” que foram para mim. Têm todos um
lugar no meu coração.
A todos os professores, da UMa e do ISPA, pelas aprendizagens e conhecimentos, e pela
inspiração. À professora Maria João Beja, que me despertou na licenciatura o gosto pela visão
sistémica e que me fez querer aprofundar mais os meus conhecimentos nesta perspectiva. Um
agradecimento especial à professora Maria Gouveia-Pereira, por todos os seus conhecimentos e
ensinamentos. Obrigada pela orientação e motivação para a realização desta investigação!
A todas as instituições e organizações que estiveram envolvidas, pela ajuda preciosa na
recolha de dados.
Por fim, obrigada a todos os casais que se mostraram disponíveis a participar nesta
investigação e sem os quais, esta não teria sido possível.
“Cada pessoa que passa na nossa vida,
Passa sozinha, porque cada pessoa é única e nenhuma substitui a outra.
Cada pessoa que passa pela nossa vida
Passa sozinha, não nos deixa só,
Porque deixa um pouco de si e leva um pouquinho de nós. Essa é a mais bela
Responsabilidade da vida e a prova de
Que as pessoas não se encontram por acaso.”
Charles Chaplin
iv
Resumo
A actual situação económica nacional e internacional torna relevante e justificativo o
estudo do impacto do desemprego na satisfação conjugal e na ideação suicida. Dada a escassez de
estudos relativos às consequências do desemprego, pretendeu-se analisar se a satisfação conjugal
e os níveis de ideação suicida variam consoante a situação profissional do casal (com/sem
emprego) e dos seus membros (homem/mulher). Simultaneamente, objectivou-se averiguar se as
emoções experienciadas variam conforme a situação profissional e os elementos do casal. Além
disso, tentou-se perceber se existem diferenças quando é apenas um dos elementos do casal a se
encontrar desempregado ou quando se encontram ambos nesta situação. Neste sentido, seria
interessante perceber como o desemprego é vivenciado pelo homem e pela mulher.
A amostra deste estudo é constituída por 48 casais – 22 em situação de desemprego (com
pelo menos um dos cônjuges desempregado) -, perfazendo um total de 96 participantes. Aos
participantes foi solicitado que respondessem ao Questionário das Emoções, à Escala de
Avaliação da Satisfação em Áreas da Vida Conjugal – EASAVIC (Narciso & Costa, 1996) e ao
Questionário da Ideação Suicida – QIS (Ferreira & Castela, 1999).
Os resultados indicam-nos que não existem diferenças, ao nível da satisfação conjugal,
entre os casais com e sem emprego, nem entre homens e mulheres desempregadas. Todavia,
quando ambos os membros do casal se encontram desempregados, apurou-se que experienciam
maior privacidade e autonomia do que quando é apenas um deles (homem ou mulher) a se
encontrar desempregado. Concluiu-se, também, que os casais desempregados apresentam
maiores níveis de ideação suicida e de emoções negativas, embora não hajam diferenças entre
homens e mulheres desempregadas. Consequentemente, estas emoções negativas encontram-se
correlacionadas com a ideação suicida.
Palavras-chave: Desemprego; Satisfação Conjugal; Ideação Suicida; Emoções Negativas
v
Abstract
The current national and international economic situation makes the study of the impact
of unemployment in marital satisfaction and suicidal ideation relevant and justificatory. Given the
lack of studies on the consequences of unemployment, we intended to analyse whether or not
marital satisfaction and levels of suicidal ideation vary according to the professional status of the
couple (with/without employment) and its members (man/woman). Simultaneously, we
objectified to ascertain if the experienced emotions vary depending on the professional status and
couple elements. Furthermore, we attempted to understand whether or not there are differences
when only one member of the couple is unemployed or when both members are in this situation.
In this respect, it would be interesting to comprehend how unemployment is experienced by men
and women.
The trail sample consists of 48 couples – 22 unemployed (with at least one of the spouses
unemployed) -, making a total of 96 participants. Participants were asked to answer the Emotions
Questionnaire, the Evaluation Scale Regarding Areas of Marital Life Satisfaction – EASAVIC
(Narciso & Costa, 1996) and the Suicidal Ideation Questionnaire – QIS (Ferreira & Castela,
1999).
The results indicate that there are no differences in marital satisfaction, between couples
with ot without employment nor between unemployed men or women. However, it was found
that when both members of the couple are unemployed they experience higher privacy and
autonomy, in comparison to when it’s only one spouse (man or woman) unemployed. Moreover,
it was revealed that unemployed couples present higher levels of suicidal ideation and negative
emotions, although there are no differences between unemployed men or women. Consequently,
these negative emotions are positively correlated with suicidal ideation.
Keywords: Unemployment; Marital Satisfaction; Suicidal Ideation; Negative Emotions
vi
Índice
Introdução .................................................................................................................................................... 1
Enquadramento Teórico
O Mundo e a Crise Económica ................................................................................................................. 3
A perspectiva europeia ....................................................................................................................... 3
A realidade de Portugal ...................................................................................................................... 3
Impacto social e psicológico da crise económica e do desemprego ........................................... 4
Subsídio de desemprego e o rendimento social de inserção (RSI) ................................... 7
Duração do desemprego e as suas consequências............................................................... 8
O impacto do desemprego na ideação suicida .................................................................... 9
A Relação Conjugal.................................................................................................................................... 12
Crise e stress familiar ......................................................................................................................... 14
Impacto do desemprego na relação conjugal ............................................................................. 16
Consequências
do
desemprego
na
satisfação
conjugal
e
na
ideação
suicida........................................................................................................................................................... 20
Objectivos e Hipóteses de Estudo ......................................................................................................... 23
Método
Participantes ............................................................................................................................................... 24
Instrumentos............................................................................................................................................... 31
Questionário Sociodemográfico ................................................................................................... 31
Questionário das Emoções ............................................................................................................ 31
Escala
de
Avaliação
da
Satisfação
em
Áreas
da
Vida
Conjugal
(EASAVIC)................................................................................................................................................. 32
Questionário de Ideação Suicida (QIS) ....................................................................................... 33
Procedimento ............................................................................................................................................. 33
Resultados
Análise dos Resultados ............................................................................................................................. 35
Satisfação conjugal e situação profissional dos casais (com emprego/sem emprego)
....................................................................................................................................................................... 35
Ideação suicida e situação profissional dos casais (com emprego/sem emprego)
....................................................................................................................................................................... 36
vii
Emoções positivas e negativas experienciadas e situação profissional dos casais (com
emprego/sem emprego)............................................................................................................................ 36
Correlação
entre
a
ideação
suicida
e
as
emoções
negativas
experienciadas
....................................................................................................................................................................... 37
Discussão dos Resultados ................................................................................................................... 39
Considerações Finais.............................................................................................................................. 47
Referências Bibliográficas ................................................................................................................... 50
viii
Índice de Figuras
Figura 1 – Frequência das habilitações literárias de acordo com a situação profissional
Figura 2 – Número de filhos consoante a situação profissional
Figura 3 – Duração do desemprego de acordo com o sexo
Figura 4 – Valor do subsídio de desemprego de acordo com o sexo
Figura 5 – Expectativa dos desempregados voltarem a ter emprego
Gráfico 1 – Percentagem da situação profissional do casal
Gráfico 2 – Percentagem do agregado familiar
Gráfico 3 – Gráfico do Rendimento de Inserção Social
ix
Índice de Tabelas
Tabela 1 – Média e desvio padrão das idades segundo o sexo
Tabela 2 – Distribuição do casal consoante a sua situação de desemprego
Tabela 3 – Distribuição por sexo da condição Primeira vez no Desemprego
Tabela 4 – Média da duração do desemprego
Tabela 5 – Consistência interna do Questionário das Emoções
Tabela 6 – Consistência interna da EASAVIC
Tabela 7 – Consistência interna do QIS
Tabela 8 – T-Student entre a Situação Profissional e a Ideação Suicida
Tabela 9 – T-Student entre a Situação Profissional e as Emoções Negativas
Tabela 10 - Correlação de Pearson entre as Emoções negativas e a Ideação Suicida
x
Lista de Abreviaturas
BCE – Banco Central Europeu
CE – Comissão Europeia
EUA – Estados Unidos da América
FMI – Fundo Monetário Internacional
INE – Instituto Nacional de Estatística
OCDE – Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico
OIT – Organização Internacional do Trabalho
OMS – Organização Mundial de Saúde
PIB – Produto Interno Bruto
RSI – Rendimento Social de Inserção
EU – União Europeia
xi
Introdução
Actualmente, os efeitos provenientes da recessão económica mundial, fazem com
que Portugal se encontre a atravessar uma das piores crises dos últimos anos. Apesar das
inúmeras tentativas que têm sido feitas para o crescimento económico do país, a verdade é
que somos confrontados com o aumento do desemprego, bem como com a redução do
rendimento disponível, acarretando repercussões na vida dos indivíduos (Banco de
Portugal, 2014; Paulo, 2011).
Como consequência dos efeitos negativos da crise, durante a última década foram
cada vez mais o número de agregados familiares sem trabalho, diminuindo deste modo, o
rendimento disponível para as famílias, e inevitavelmente o consumo destas, aumentando o
stress financeiro e as taxas de poupança, perante as dificuldades inerentes. Não só aumentou
o número de indivíduos no desemprego, como também os períodos de desemprego são
cada vez mais longos (Cooper, 2013; Valletta, 2013). Estas implicações afectam, não apenas
toda a condição subjectiva do indivíduo (Knabe & Rätzel, 2011), mas também estendem-se
aos restantes membros da família (Pinheiro & Monteiro, 2007). Deste modo, o desemprego
e a pressão económica acabam por exercer influência na satisfação e na qualidade conjugal,
reflectindo-se na dinâmica conjugal e familiar (Maisel & Karney, 2012).
Perante o aumento das taxas de desemprego, são poucos os estudos a nível
nacional que procuram perceber as implicações que o desemprego acarreta nas famílias
portuguesas. Além disso, também se verifica uma escassez de estudos que tentam
compreender o impacto na própria dinâmica do casal e na ressonância que detém na
satisfação conjugal. Torna-se, ainda, interessante tentar compreender como é que o
desemprego é vivenciado pelo homem e pela mulher, e qual o impacto que o desemprego
detém quando é apenas um dos elementos do casal a se encontrar desempregado ou
quando são os dois membros do casal em situação de desemprego. Deste modo, nesta
dissertação tentar-se-á compreender qual a relação do desemprego com a satisfação
conjugal e com a ideação suicida, assim como as emoções experienciadas.
Neste sentido, o presente trabalho inicia-se por uma revisão da literatura sobre as
temáticas que nos propomos estudar, nomeadamente a crise económica e o desemprego, a
relação e satisfação conjugal, a ideação suicida, bem como o impacto que o desemprego
acarreta nestas mais diversas dimensões.
A partir da revisão da literatura, são apresentados os objectivos e as hipóteses de
estudo. De seguida, é realizada a caracterização dos participantes e, posteriormente são
expostos os resultados obtidos neste estudo, visando facultar respostas às hipóteses
1
formuladas. Por fim, realiza-se a discussão desses mesmos resultados, expõem-se algumas
considerações finais e limitações do estudo, bem como sugere-se um conjunto de
propostas para investigações futuras.
2
Enquadramento Teórico
O Mundo e a Crise Económica
A crise económica que se instalou nos últimos anos eclodiu uma colossal
desarticulação e recessão na economia mundial, sobretudo após o seu ineludível colapso
em 2008 (Banco de Portugal, 2014; FMI, 2009, citado por Stein, Abraham, Bonar, Leith,
Kraus, Hamill, Gumber, Hoffman & Fogo, 2011; Paulo, 2011).
As suas nefastas repercussões difundiram-se pelo Mundo, pela Europa e, claro está,
por Portugal sob diversas formas, impingindo a travessia por um período penosamente
duradouro e economicamente deteriorante, somado de bastantes incertezas. Notoriamente,
todo um conjunto de relações políticas, económicas e sociais são alvo de impacto e de
metamorfose (Banco de Portugal, 2014).
A perspectiva europeia.
Precedida por consideráveis desequilíbrios macroeconómicos, a crise económica
originária no sistema financeiro dos EUA, conjuntamente com inconstâncias de hegemonia
económica e de domínio político, provocou uma contracção nas economias ocidentais.
Consequentemente, tal repercutiu-se no decréscimo do PIB e da importância outorgada à
UE no panorama mundial (Leite, 2010; Paulo, 2011).
Inevitavelmente, este fenómeno não é susceptível de explicação por causalidade
linear (Paulo, 2011). Assim, um conjunto intrincado de causas correlativas torna-se
elucidativo das razões subjacentes: problemas internos à Europa, nomeadamente, a
estagnação económica associada à moeda única, défices na balança económica, a crise
prolongada das finanças públicas dos estados-membros, o envelhecimento da população, a
perda do poder competitivo e o crescimento económico dos países asiáticos e do
hemisfério sul (Leite, 2010; Paulo, 2011). Tal culminou numa situação crescente de
endividamento externo, face às ineficientes respostas nacionais, europeias ou mundiais, e
numa perda de competitividade e desempenho económicos (Leite, 2010).
A realidade de Portugal.
Enquanto membro semiperiférico da UE, Portugal insere-se numa zona,
globalmente, desprovida de relevância e nutrida de obstruções específicas, fruto das suas
próprias particularidades e à sua vulnerabilidade a pressões externas (Leite, 2010). Neste
sentido, os efeitos emergentes da recessão económica mundial, o ambiente frenético dos
3
mercados financeiros internacionais, a dívida da zona euro e uma má gestão das finanças
públicas revelaram instabilidades macroeconómicas na economia portuguesa (Banco de
Portugal, 2014). Portugal estava, assim, instalado na pior crise dos últimos anos, compelido
a recorrer a um programa de assistência económica e financeira da UE, do FMI e do BCE
(Banco de Portugal, 2014; Paulo, 2011). Embora as avaliações tenham revelado avanços no
crescimento económico do país, efectivamente o aumento do desemprego e do
endividamento, e a redução do rendimento disponível repercutem-se adversamente na
cobrança de impostos, na economia e no apoio político e social tributário da efectuação
deste programa (Paulo, 2011).
O baixo crescimento económico português provém de problemas estruturais,
evidenciados na fraca competitividade face a mercados externos (Banco de Portugal, 2014).
Por sua vez, predomina uma dicotomia entre o robusto endividamento das famílias, devido
ao consumo e obtenção de bens imóveis, e a débil autonomia financeira das empresas
portuguesas (Leite, 2010; Reis, Rodrigues, Santos & Teles, 2013).
Impacto social e psicológico da crise económica e do desemprego.
Com o despontar do novo século, a erosão da grande recessão enraizou-se nos
anos recentes, sob a austeridade, convertendo o empobrecimento no seu recurso
privilegiado e configurando uma tela indeclinável de redefinição de relações económicas e,
principalmente, sociais (Reis, Rodrigues, Santos & Teles, 2013). Estas repercutem-se na
supressão de emprego e aumento de desemprego, na carência de protecção social a
desempregados e a outros sectores populacionais mais fragilizados, no incentivo à
emigração e no aumento das desigualdades de rendimentos (Costa & Caldas, 2013).
Assim, o desemprego é entendido como uma situação que implica uma ausência de
carga de trabalho, quase sempre involuntária, sendo uma condição potencialmente adversa
de trabalho, com consequências ao nível pessoal e relacional da vida dos indivíduos (Vaz
Serra, 2007).
Numa altura em que é perceptível a necessidade de aumento de investimento e
diminuição da dívida externa, torna-se fundamental elevar o número de exportações, de
modo a criar mais emprego e reforçar a inclusão social em Portugal (OCDE, 2014).
Todavia, o número máximo de empregos criados registou-se em 2008, com 5 198 milhões
de indivíduos empregados. Entretanto, até 2012 destruíram-se cerca de 479 mil postos de
trabalhos, mantendo-se o ritmo durante o primeiro trimestre de 2013 (Costa & Caldas,
2013; Reis, Rodrigues, Santos & Teles, 2013). No que respeita à taxa média de desemprego,
4
repare-se que esta expandiu de 6,1%, em 2008, para 10%, em 2010 (Leite, 2010; OCDE,
2014; Paulo, 2011). No início de 2013 atingiu o ponto mais elevado da última década,
situando-se nos 17,5% e decrescendo para 14% ao longo de 2014 (INE, 2015; OCDE,
2014). Assim, neste último ano, o número de desempregados correspondia a mais de 700
mil pessoas, das quais, no terceiro trimestre, 570 mil encontravam-se nesta situação há 8
anos ou menos (INE, 2015). Ressalve-se que, estes valores só não são mais arrebatadores
atendendo à emigração de mais de 120 mil pessoas, em 2013, e de mais de 130 mil em 2014
(Costa & Caldas, 2013; INE, 2015).
O robusto crescimento das taxas de desemprego atingiu, significativamente, os
indivíduos com idades compreendidas entre os 25 e os 34 anos (Banco de Portugal, 2014).
Com efeito, tal deve-se a características dos fluxos de entrada e saída do desemprego dos
indivíduos mais jovens (i.e., tentativas em encontrar o primeiro emprego ou a procura de
um emprego melhor), existindo, naturalmente, uma maior instabilidade ocupacional (Banco
de Portugal 2014). De acordo com o estudo realizado por Lundin, Lundber, Allebeck e
Hemmingsson (2012), a experiência de desemprego encontra-se fortemente relacionada
com a idade, apresentando um risco mais elevado os indivíduos com idades compreendidas
entre os 20 e os 39 anos. Relativamente ao sexo, são as mulheres que apresentam níveis
inferiores de desemprego, em todas as idades. Segundo os dados do INE (2015), em 2014,
eram 350 mil as mulheres desempregadas, comparativamente a 363 mil homens. Quanto ao
estatuto socioeconómico, verifica-se uma maior acentuação em indivíduos de nível
socioeconómico mais baixo (Lundin, Lundber, Allebeck & Hemmingsson, 2012).
Apesar das tentativas de implementação de reformas estruturais, os valores
apresentam-se, ainda, elevados, patenteando um factor gerador de desigualdade e pobreza
no nosso país (OCDE, 2014). Note-se que, nesta última década, o número de agregados
familiares sem emprego aumentou, exponencialmente, traduzindo-se no decréscimo
permanente do rendimento disponível para as famílias e no seu consumo, o que, por sua
vez, aumentou as taxas de poupança (Banco de Portugal, 2014; OIT, 2013).
Inevitavelmente, o desemprego afecta toda a condição subjectiva do indivíduo,
podendo, ainda, impactar na estabilidade do seu psiquismo, numa espécie de montanha
russa produtora de diferentes reações emocionais, dependendo das experiências e
atendendo à valorização laboral elaborada (Cook, 1991; Guilland & Monteiro, 2010; Knabe
& Rätzel, 2011).
Os indivíduos desempregados, geralmente, experienciam três grandes tipos de stress:
o financeiro, a saúde física e a saúde mental, sendo esta última mais comum entre os
5
desempregados (Chen, Li, He, Wu, Yan & Tang, 2012). Em consonância, a perda de
emprego pode reverter-se num choque psicológico profundo, cujas consequências atingem
o indivíduo e todo o seu contexto familiar. Estas não se limitam apenas a factores
económicos, mas repercutem-se em prejuízos na auto-estima, e no desenvolvimento de
doença mental depressiva e ansiedade (Chen et al., 2012; Classen & Dunn, 2009; Classen &
Dunn, 2012; Cooper, 2013).
Ademais, a vastidão de literatura evidencia o impacto psicológico desta situação,
que se faz acompanhar por uma diversificada vulnerabilidade de pensamentos e
sentimentos negativos de tristeza, angústia, desânimo, desespero, medo, pânico, pavor,
raiva,
frustração,
indignação,
revolta,
irritação,
agressividade,
vergonha,
culpa,
ressentimento e infelicidade. Progressivamente, assiste-se, também, a sentimentos de
desvalorização pessoal, desilusão, derrotismo, fracasso, inutilidade, incompetência,
inferioridade, inadequação e injustiça, que, por sua vez, traduzem-se numa perda gradual de
optimismo, esperança, (auto)confiança e identidade. Face a estas indigências, a labilidade
emocional apresenta-se pictórica de desorientação, desorganização, degradação, apatia,
impotência, inibição, incerteza e ausência de perpectivação futura. Por último, sentimentos
de desamparo e abandono repercutem-se num maior isolamento social e menor integração
comunitária, culminando numa gradativa insatisfação com a vida (Alvaro, 1992; Borrero,
2014; Caleiras, 2008; Caleiro, 2011; Chahad & Chahad, 2005; Cook, 1991; Guilland &
Monteiro, 2010; Hayes & Nutman, 1981; Hayhoe, 2006; Howe, Levy & Caplan, 2004;
Kelvin, 1980, citado por Glyptis, 1989; Knabe & Rätzel, 2011; Lopes, 2011; Paul & Moser,
2009; Rodrigues & Rodrigues, 1987; Scheve, Esche & Schupp, 2013; Tumolo, 2002;
Tumolo & Tumolo, 2004; Warr, Jackson & Banks, 1988).
Porém, a existência de factores protectores auxiliam os indivíduos no lidar com
certos eventos de vida geradores de stress, como o desemprego, evitando consequências
negativas. Neste caso, destaque-se características particulares como a auto-estima, a
inteligência, as habilidades sociais, as estratégias de coping, a capacidade de resolução de
problemas, o apoio familiar e o apoio social externo (Cunradi, Todd, Duke & Ames, 2009;
Ramirez & Cruz, 2009).
Ainda que em exígua escala, existem também algumas reações positivas perante o
desemprego, justificada pela perspectiva dos indivíduos em atribuir um novo rumo à sua
carreira e diminuir a distância entre o seu mundo ideal e a realidade (Hayes & Nutman,
1981; Thomas, McCabe & Berry, 1980).
6
Indubitavelmente, a situação de desemprego abala a sensibilidade individual.
Atendendo a que os pensamentos, emoções e sentimentos supramencionados revelam-se
preditores da probabilidade de consequências para tendências de ação social e
comportamental, e face ao propósito do presente estudo, tal evoca o alerta da possibilidade
de sofrimento psicológico e cometer suicídio (Chen et al., 2012; Classen & Dunn, 2009;
Classen & Dunn, 2012; Cooper, 2013; Scheve, Esche & Schupp, 2013).
O trabalho consiste numa condição sine qua non para a vida do indivíduo, quer em
termos materiais, quer pelo próprio estatuto, identidade e reconhecimento social. Em
situação de desemprego, torna-se evidente um distanciamento ou rupturas de sociabilidade,
estabelecidas no trabalho, que afastam o indivíduo das suas referências quotidianas
(Pinheiro & Monteiro, 2007).
Subsídio de desemprego e o rendimento social de inserção (RSI).
Em conformidade com o programa de assistência financeira estabelecido com o
FMI, a CE e o BCE, Portugal teve de adoptar medidas alusivas à reforma das prestações de
desemprego. Com efeito, o período contributivo mínimo para que o indivíduo aufira de
subsídio de desemprego alterou de 15 para 12 meses, assim como abrangeram-se novos
grupos de trabalhadores, designadamente, os independentes e que prestam serviços,
maioritariamente, a uma entidade contratante (OIT, 2013). Adicionalmente, as famílias
desempregadas e as famílias monoparentais, com menores a cargo, mereceram especial
atenção, usufruindo de um aumento provisório de 10% no subsídio de desemprego de cada
titular, desde que não recebam pensão de alimentos. Também o limite e o período máximo
de atribuição deste subsídio sofreram uma redução: o primeiro, com um decréscimo de
10% após seis meses de desemprego; e, o segundo alterou de 900 para 540 dias, isto é, de
30 para 18 meses (OIT, 2013).
Irrefutavelmente, e atendendo aos dados do INE (2015), o número de indivíduos
beneficiários do subsídio de desemprego tem vindo a aumentar. Em 2013, cerca de 655 mil
pessoas usufruíram do mesmo e a sua duração média correspondeu a 224 dias.
Face ao aumento do número de desempregados, à precariedade do emprego, ao
empobrecimento e a todas estas mudanças nas condições de atribuição das prestações
sociais de desemprego, as suas taxas de cobertura têm diminuído. Por outras palavras, as
famílias apresentam quebras nos seus rendimentos e têm recebido menor protecção social,
dada a redução do número de titulares de abono familiar e do RSI (Costa & Caldas, 2013;
Hespanha, Ferreira & Pacheco, 2013). Este último funciona como complemento do
7
subsídio mensal de desemprego, embora esteja condicionado à participação dos indivíduos
num programa de inclusão social obrigatório, contendo formações de curta duração,
diligências de retorno ao mercado laboral, frequência nas instituições de ensino das crianças
do agregado familiar e o cumprimento dos planos de vacinação das mesmas. No ano de
2013 cerca de 360 mil pessoas receberam este rendimento, evidenciando a instância em
aperfeiçoar e reforçar este tipo de programas, visando a integração destes indivíduos no
mercado de trabalho (OCDE, 2014).
Teoricamente, o subsídio de desemprego eleva a continuidade de procura de
emprego e, analogamente, o número de indivíduos à procura de emprego tem vindo a
aumentar com o tempo (INE, 2015; Lim, 2011). Além disso, verifica-se um incremento
acentuado da probabilidade de sair do desemprego previamente ao término do subsídio de
desemprego (Røed & Zhang, 2005). Todavia, o número de indivíduos a tentar ingressar no
mercado laboral, beneficiários de subsídio de desemprego, aumentou, significativamente
(OIT, 2013). Ou seja, a procura de emprego intensifica-se aquando da aproximação do
término de usufruto dos benefícios do subsídio de desemprego.
Duração do desemprego e as suas consequências.
A assolação da crise económica confrontou o panorama nacional e internacional
com o aumento das taxas de desemprego e, concomitantemente, ampliou a durabilidade do
mesmo (Cooper, 2013; Fountoulakis, Gonda, Dome, Theodorakis & Rihmer, 2014; Khang,
Lynch & Kaplan, 2005; Valletta, 2013). Mais precisamente, verifica-se uma relação entre a
queda acentuada do emprego e o incremento da incidência do desemprego de longa
duração (igual ou superior a 12 meses), o que intensifica a inactividade laboral dos
indivíduos, edificando-lhes barreiras no alcance de um novo emprego (Banco de Portugal,
2014; Chen et al., 2012; OIT, 2013; Valletta, 2013).
Evidentemente, o desemprego de longa duração afecta as capacidades individuais e
acarreta custos sociais consideráveis (Banco de Portugal, 2014; Cooper, 2013). No que
concerne às primeiras, assiste-se à paralisação dos indivíduos, apesar do seu dinamismo e
qualificação, desvalorizando-se competências sociais, patrocinando-se a emigração como
solução e fomentando-se, cada vez mais, fenómenos de pobreza e exclusão social (Banco
de Portugal, 2014; Costa & Caldas, 2013). Quanto aos custos sociais, a própria sociedade é
impedida de adoptar quaisquer posições estruturais transformadoras efectivas (Banco de
Portugal, 2014). Simultaneamente, corrobora-se uma relação, expressiva, entre o impacto
da duração do desemprego na satisfação com a vida. Deste modo, os indivíduos não se
8
preocupam somente com o risco de ficar ou estar desempregados, mas, também, com a
hipótese de extensa durabilidade desta situação. Tal remete-nos para o impacto psicológico
do desemprego, sendo este menor em indivíduos que já tenham experienciado a situação
no passado (Knabe & Rätzel, 2011; Ochsen & Welsh, 2011).
O impacto do desemprego na ideação suicida.
A nível mundial, o suicídio é a segunda causa de morte mais comum entre os
adultos com idades compreendidas entre os 24 e os 35 anos (OMS, 2013), e na Europa é
dos principais problemas instigadores de morte prematura (Xavier, Baptista, Mendes,
Magalhães & Caldas-de-Almeida, 2013). Denota-se, assim, a complexidade deste fenómeno
(Gouveia-Pereira, Abreu & Martins, 2014), afectante de todas as culturas e sociedades e
projectivo de uma realidade social (Gonçalves, Freitas & Sequeira, 2011).
Visando uma melhor intelecção do impacto do desemprego nos comportamentos
suicidários, torna-se importante, primeiramente, explicitá-los e distingui-los.
Os comportamentos suicidários englobam formas distintas, como a ideação suicida,
a tentativa de suicídio, o para-suicídio e o suicídio, cada uma com diferenças a nível do
planeamento, motivação, psicopatologia associada e intencionalidade experimentada
(Moreira, 2008). Este tipo de comportamento emerge quando o indivíduo se depara com
diferentes situações geradoras de stress e ansiedade, sentindo-se incapaz de lidar com elas e
resolvê-las (Khang, Lynch & Kaplan, 2005). Assim, abrange todo e qualquer acto por meio
do qual o indivíduo provoca uma lesão em si próprio, independentemente do grau de
intenção fatal e do conhecimento das verdadeiras razões (Moreira & Gonçalves, 2010).
Naturalmente
ambivalentes
e
relacionais,
os
comportamentos
suicidários
são,
concomitantemente, pensamentos autodestrutivos, tentativas de comunicação e pedidos de
ajuda para a mudança (Gouveia-Pereira, Abreu & Martins, 2014).
A ideação suicida reporta ao conjunto de cognições e comportamentos, em que o
indivíduo intenciona terminar com a sua vida. Estas cognições vão desde pensamentos
genéricos sobre a morte até ao planeamento do consumar do suicídio (Sampaio, 1991).
O para-suicídio diz respeito a uma tentativa de suicídio não concretizado,
diferenciando-se pela intenção de morte nula ou muito baixa (Gonçalves, Freitas &
Sequeira, 2011).
Relativamente ao suicídio, este relaciona-se com os comportamentos e
pensamentos suicidas, conceptualizando-se como um acto voluntário, a partir do qual o
indivíduo possui intenção e termina com a sua própria vida (Vieira, 2008).
9
O contexto social do indivíduo e as restrições associadas aos períodos de crise
económica, tais como a perda de emprego, o lidar com a mudança de papéis influenciadora
no reconhecimento identitário e no encaixe em grupos sociais, a queda do estatuto social e
profissional, a incapacidade em alcançar objectivos profissionais, o endividamento, a
necessidade de conter despesas e as privações económicas associam-se, positivamente, ao
aumento do suicídio (Fountoulakis, Gonda, Dome, Theodorakis & Rihmer, 2014; Hayes &
Nutman, 1981; Khang, Lynch & Kaplan, 2005; Lundin, Lundber, Allebeck &
Hemmingsson, 2012; Stuckler, Basu, Suhrcke, Coutts & McKee, 2009). Outros factores de
risco inerentes reportam ao consumo abusivo de álcool e substâncias, à doença mental, à
dificuldade de acesso aos cuidados de saúde e ao divórcio (Classen & Dunn, 2009; Classen
& Dunn, 2012; Garcy & Vågerö, 2013; Yur’yev, Värnik, Värnik, Sisask & Leppik, 2010).
Na Europa, verifica-se um aumento das taxas de morte por suicídio desde 2007
(Karanikolos, Mladovsky, Cylus, Thomson, Basu, Stuckler, Mackenbach & McKee, 2013),
correspondendo a 68% para os homens e a 34% para as mulheres, com idades
compreendidas entre os 35 e os 64 anos (Khang, Lynch & Kaplan, 2005). Em Portugal, no
ano de 2012, a taxa de suicídio correspondia a 6,3% (INE, 2015).
Uma associação da taxa de mortalidade com o desemprego é realçada por Serra
(2011), sendo esta 20% a 30% superior à que se verifica na população geral.
Concordantemente, Chang, Stuckler, Yip e Gunnel (2013) demonstram que indivíduos
desempregados têm 2/3 de maior risco de suicídio. Um outro estudo efectuado a 26 países
da UE, acerca dos efeitos das crises nos últimos 30 anos, atestou as relações existentes
entre a perda de emprego e o aumento da taxa de suicídio, e entre o aumento do
desemprego e o incremento de mortes prematuras por violência intencional. Constatou-se,
ainda, que um aumento de 1% na taxa de desemprego implicava um rápido aumento de
0,79% na taxa de suicídio em idades inferiores a 65 anos (Stuckler, Basu, Suhrcke, Coutts &
McKee, 2009). Existe, ainda, uma preponderância dessas taxas em homens com idades
compreendidas entre os 35 e os 64 anos (Khang, Lynch & Kaplan, 2005; Yur’yev, Värnik,
Värnik, Sisask & Leppik, 2010), verificando-se um possível efeito de sexo nas tendências
suicidas e nos efeitos psicossociais dos desempregados (Garcy & Vågerö, 2013).
Neste sentido, inúmeros estudos na literatura evidenciam-nos que a perda de
emprego exerce grande influência e revela-se predictiva de comportamentos suicidas e
ideação suicida, corroborando a relação causal entre a perda de emprego/desemprego e a
saúde mental/suicídio (Classen & Dunn, 2012; Fergusson, Boden & Horwood, 2007;
10
Fountoulakis, Gonda, Dome, Theodorakis & Rihmer, 2014; Lundin, Lundber, Allebeck &
Hemmingsson, 2012; Yur’yev, Värnik, Värnik, Sisask & Leppik, 2010).
Simultaneamente, o estudo de Garcy e Vågerö (2013) sugere um papel directo do
desemprego, cuja perda de controlo e stress resultantes, aumentam a vulnerabilidade de
suicídio, especialmente em situações de longa duração. Deste modo, verifica-se que a
duração do desemprego constitui o determinante mais importante no aumento do risco de
suicídio, não se relacionando de forma tão expressa com as experiências de desemprego ou
a perda de emprego em si (Fountoulakis, Gonda, Dome, Theodorakis & Rihmer, 2014).
Isto é, a probabilidade de cometer suicídio não se encontra relacionada ao período imediato
à perda de emprego. Pelo contrário, quanto maior a duração do desemprego, mais elevadas
são as taxas de ideação suicida, tentativas de suicídio e de suicídio, tanto em homens como
em mulheres (Classen & Dunn, 2012; Fergusson, Boden & Horwood, 2007). Todavia,
períodos de desemprego superiores a 90 dias associam-se ao suicídio de indivíduos do sexo
masculino, enquanto durações iguais ou inferiores a 90 dias associam-se ao suicídio de
indivíduos do sexo feminino (Lundin, Lundber, Allebeck & Hemmingsson, 2012).
Ainda mais, a evidência empírica revela o impacto do desemprego no para-suicídio,
ao demonstrar que este tipo de situação profissional conduz os indivíduos a uma maior
propensão para aumentar os consumos de álcool, tabaco, drogas e outro tipo de hábitos de
risco, como forma de mitigar os sentimentos de sofrimento psíquico (Vijayasiri, Richman
& Rospenda, 2012; Yur’yev, Värnik, Värnik, Sisask & Leppik, 2010). Saliente-se, ainda, o
incremento da mortalidade associada a estes consumos (Murali & Oyebode, 2004), e a
diminuição da qualidade de vida, bem-estar e de saúde geral e mental. Adicionalmente, o
desemprego cultiva a incerteza perante o futuro, traduzindo-se num aumento significativo
dos níveis de stress, comportamentos de risco e suicidas (Yur’yev, Värnik, Värnik, Sisask &
Leppik, 2010).
A medição do risco de suicídio é auxiliada por factores de protecção e de risco, já
que a sua prevenção efectua-se através do reforço dos primeiros e redução dos segundos.
Considerando o desemprego um factor de risco, no seu invólucro protector, destacam-se
um suporte familiar e social, as boas relações interfamiliares, padrões de vinculação
seguros, competências e vínculos sociais (Gonçalves, Freitas & Sequeira, 2011). Por outro
lado, uma fraca capacidade de procura de emprego, períodos longos de desemprego,
dificuldades financeiras e pouca disponibilidade para o trabalho constituem-se sérios
factores de risco na adaptação ao desemprego (Dimas, Pereira & Canavarro, 2013).
Geralmente, indivíduos com comportamentos suicidas exibem ausência ou um fraco
11
suporte social e familiar. Contrariamente, aqueles que vivem com um companheiro e
possuem uma rede ou vinculação social revelam uma menor probabilidade deste tipo
comportamental (Gonçalves, Freitas & Sequeira, 2011).
Atendendo a estes aspectos, o risco de suicídio aumenta ou diminui em função das
estratégias empregues pelo indivíduo no enfrentar dos seus problemas, fomentadores do
seu sofrimento (Gonçalves, Freitas & Sequeira, 2011).
A Relação Conjugal
O ciclo vital da família inicia-se com a formação do casal, momento coincidente
com o nascimento de um novo sistema familiar com funções e padrões transacionais
peculiares. Atendendo à perspectiva sistémica, é construída uma outra unidade ou entidade
com características próprias, o que não implica uma secessão definitiva entre o novo
sistema e a família de origem (Relvas, 1996).
A formação de um casal surge aquando do comprometimento de dois indivíduos
numa relação duradoura no tempo, consistindo o casamento na assunção do compromisso
e na criação de um novo modelo relacional próprio. Este é um processo de mudança
contínua e de co-construção desse mesmo modelo, envolvendo, além dos dois indivíduos,
um equilíbrio relacional constante com terceiros (Relvas, 1996). Todavia, ocorre, prévia e
concomitantemente, a escolha do parceiro, aquele com quem se quer construir uma família,
e a selecção da família de origem do mesmo. Isto é, não se trata apenas da união entre dois
indivíduos, mas na interligação de dois sistemas resultante de reações conscientes e
inconscientes que permitem entender as expectativas relevantes no momento da escolha
(Relvas, 1996).
Entre a multiplicidade de funções do casal destaque-se, primeiramente, a criação de
um sentimento de pertença, remetendo a aspectos como a complementaridade e a
adaptação recíproca. Em segundo plano, releve-se o desenvolvimento de limites e
fronteiras que salvaguardem o casal de outros elementos (e.g., família de origem e/ou
filhos) e que contribuam para a satisfação das suas necessidades psicológicas. Estes
auxiliam, ainda, no lidar com o stress intra e extrafamiliar e servem de modelo relacional no
estabelecimento de futuras relações de intimidade e no crescimento dos filhos (Alarcão,
2006; Relvas, 1996). Embora a parentalidade toque de perto com a conjugalidade, não se
confunde com esta (Relvas, 1996).
Em consonância, a formação do casal implica negociação e estabelecimento de
regras. Tal visa a definição de uma estrutura inter-relacional integradora das normas,
12
expectativas e valores provenientes de cada família de origem, e a delimitação concreta do
espaço físico e psicológico do casal (Relvas, 1996). A criação desta estrutura relaciona-se
com a resolução do conflito conjugal, surgente em maior ou menor grau inelutavelmente, e
não com a sua presença ou ausência. Neste sentido, o conteúdo do conflito reside,
essencialmente, nas principais áreas de redefinição dos limites ou fronteiras do subsistema.
Torna-se, assim, relevante o equilíbrio entre a maior ou menor abertura destes, pois quando
o subsistema conjugal é invadido por terceiros pode converter-se numa relação
disfuncional; e, caso seja demasiado fechado (e.g., corte com a família de origem e com a
rede de suporte), dificulta o cumprimento de tarefas (Relvas, 1996). Destarte, a relação
única e exclusiva com o parceiro poderá encaminhar-se no sentido de fusão-dependência
ou de conflitualidade permanente. Porém, qualquer que seja o conflito, a tentativa de
resolvê-lo subordina-se à possibilidade e capacidade metacomunicativa entre os elementos
do casal (Relvas, 1996).
Inevitavelmente, o desempenho dos papéis conjugais requer um conjunto de
pressupostos respeitantes à sexualidade, maturidade, fidelidade e divisão do trabalho.
Contudo, a existência de uma série de mitos em torno do casamento e da formação do
novo casal poderão decepcionar e impedir a resolução de conflitos emergentes e a
adequada evolução da relação conjugal. Na sociedade atual, o casamento é ainda
percepcionado como factor de estabilidade e enriquecimento individual (Relvas, 1996).
Existem inúmeras relações conjugais em que o casamento coadjuva como compensador de
um sentimento de vazio ou de falta (e.g., procura de companhia, necessidade de segurança
relacional e convivência), como forma de libertação da família de origem e por necessidade
de satisfação de expectativas criadas (Bornstein, citado por Relvas, 1996; Relvas, 1996).
Também é possível salientar que alguns indivíduos decidem casar-se acreditando que é por
amor, mas este, por si só, não responde a todas as exigências da vida conjugal. Na
realidade, fazem-no por necessidades inconscientes (i.e., de sexo, apoio e aprovação),
enquanto a inteligência, a informação e a competência prevalecem como aspetos
fundamentais, pois a conjugalidade implica a aperceção do respeito por si próprio e pelo
outro na manutenção e consolidação do amor (Relvas, 1996).
Uma das temáticas centrais para a compreensão da conjugalidade inclui a satisfação
conjugal. Pois é a partir da percepção do casal, enquanto tecido relacional em permanente
criação e no qual se enredam semelhanças e diferenças, proximidades e distâncias,
complementaridades e simetrias, que emerge o veredito de maior ou menor satisfação
conjugal (Narciso & Costa, 1996). Assim, a satisfação resulta de uma avaliação subjectiva e
13
pessoal de cada elemento do casal sobre a sua relação conjugal (Thompson, 1988, citado
por Narciso & Costa, 1996).
Todavia, nesta avaliação e concepção sistémica influem múltiplos factores
centrípetos, centrífugos e de tempo ou percurso de vida. Os centrípetos respeitam aos
processos relacionais do holon conjugal, nomeadamente, os afectivos (e.g., atração, amor,
intimidade, compromisso, envolvimento emocional), os cognitivos (e.g., pressupostos e
padrões, percepções, atribuições, expectativas, necessidades, suporte e tomada de decisão) e
os comportamentais (e.g., comunicação, conflitos e sua resolução, e controlo relacional). Já
os centrífugos subdividem-se em contextuais (e.g., família de origem, rede social, trabalho e
componentes demográficos contextuais) e pessoais (e. g., características de personalidade,
padrões de vinculação, componentes demográficos individuais). Por fim, a temporalidade é
um conceito multidimensional, abrangedor de aspectos registados desde o momento de
ocorrência dos acontecimentos, normativos ou não normativos, até à “idade” da relação e
do casamento (Narciso, 2001; Narciso & Costa, 1996; Narciso & Costa, 2001; Norgren,
Souza, Kaslow, Hammerschmidt & Sharlin, 2004; Wilhelm & Oliveira, 2011).
Uma eficaz integração e interdependência destes factores, decorrentes da
congruência entre as expectativas que cada um possui e a realidade vivida no seio do casal,
conduzem ao aumento da satisfação conjugal. Esta, por sua vez, associa-se a uma panóplia
de sentimentos de prazer, bem-estar e felicidade (Narciso, 1994; Norgren, Souza, Kaslow,
Hammerschmidt & Sharlin, 2004; Wilhelm & Oliveira, 2011), e é por isso um factor
bastante importante na relação conjugal.
A conjugalidade reporta a um dos aspetos mais afectantes no decorrer do percurso
de vida do indivíduo, independentemente da conotação positiva ou negativa que a situação
comporte. Portanto, o casal encontra-se, constantemente, em formação, confinando o seu
modelo através de uma tarefa de redescoberta (Relvas, 1996).
Crise e stress familiar.
O sistema familiar e, igualmente, o sistema conjugal, confronta-se com dois tipos de
pressões: as internas, ocorrentes com as alterações implícitas ao desenvolvimento dos
elementos do sistema e subsistema; e, as externas, relacionadas com as imposições
adaptativas dos membros às instituições sociais que lhes influenciam (Alarcão, 2006). Por
sua vez, estas induzem stress e originam crises que interferem na homeostase familiar
(Relvas, 2005). Por um lado, existem as crises naturais que são esperadas e têm alguma
previsibilidade, pois estão interligadas ao ciclo vital da família. E, por outro lado, existem as
14
crises acidentais (e.g., a crise económica e a situação de desemprego) que têm uma
ressonância emocional mais negativa face ao seu carácter inesperado (Alarcão, 2006;
Relvas, 2005).
As crises ocorrem aquando da existência de ameaça ao sistema, pois ocorrem,
obrigatoriamente, alterações na família (Alarcão, 2006; Relvas, 1996). Além disso, estas
podem ser consideradas funcionais, quando induzem no sistema familiar crescimento e
evolução; ou disfuncionais, aquando do efeito inverso (Minuchin, 1979). Em momentos de
crise, o sistema passa a ser disfuncional, moldando-se para recriar novos modelos
adaptativos e padrões relacionais para responder ao stress. Daí que as famílias se diferenciem
no modo como são capazes de elaborar as crises e de encontrar formas conducentes à
reestruturação familiar, estabilidade e maior flexibilização (Alarcão, 2006; Relvas, 1996).
Na perspectiva de Minuchin (1979) existem quatro tipos de situações indutoras de
stress familiar: 1) o contacto de um elemento da família com uma fonte de stress extrafamiliar; 2) o contacto de todo o sistema familiar com uma fonte de stress extra-familiar; 3)
o stress associado aos períodos de transição do ciclo vital familiar; e, 4) o stress provocado
por problemas específicos. Perante os eventos stressantes procedentes da crise económica
e do desemprego ressalve-se a possível ocorrência de um dos dois primeiros tipos de
situação. Na primeira, e perante a eminência de um elemento familiar vir a perder o
emprego ou estar desempregado (situação de crise), os restantes membros também sofrem
com essa pressão, desenvolvendo estratégias e ocorrendo mudanças para um melhor
enfrentamento do problema (Minuchin, 1979). Uma função da família é apoiar os
elementos que a compõem face a pressões externas, daí que a transversalidade do evento
requeira um ajuste individual e familiar (Alarcão, 2006; Minuchin, 1988). Aquando da
situação de desemprego de um dos cônjuges, as transações entre ambos permitem minorar
o efeito do stress que ocorre no próprio (Minuchin, 1988). Inicialmente, o outro poderá
afastar-se para, posteriormente, apoiá-lo. Porém, também poderá suceder um contraataque, com o ingresso dos cônjuges numa escalada e, em seguida, numa
metacomunicação, facilitando o apoio mútuo (Alarcão, 2006). Em caso de irresolução pelo
casal, a coesão familiar torna-se disfuncional, conduzindo, por exemplo, ao divórcio. E se
desbloquearem o seu conflito projectando para os filhos, visando a protecção do
subsistema conjugal, criam uma transgressão intergeracional desadequada para o
funcionamento familiar (Alarcão, 2006). Quanto à segunda situação (e.g., depressão
económica e desemprego de vários membros familiares, provocando a sua relocação num
meio onde não possuem referências pessoais, e/ou a necessidade de emigrar), a família
15
poderá encontrar formas de se apoiar mutuamente, evidenciando a necessidade de
ocorrerem mudanças nos seus padrões funcionais ou, devido à incapacidade de resposta,
pode provocar danos no sistema (Alarcão, 2006).
A crise económica e o desemprego parecem ter repercussões importantes na
dinâmica interfamiliar, especialmente, no desenvolvimento dos filhos e nas relações
conjugais (e.g., diminuição do número de filhos, incapacidade de satisfação de necessidades
básicas de educação, habitação, segurança, cuidados de saúde e qualidade de vida,
dificuldades na gestão económica dos orçamentos familiares face às avultadas despesas,
aumento do número de divórcios, conflitos conjugais, desorganização familiar, reações
emocionais, entre outras) (Conger, Conger, Elder, Lorenz, Simons & Whitbeck, 1992; Sant,
1997). Neste sentido, perante situações de crise, os indivíduos tornam-se mais dependentes
das relações familiares, porque essas relações, quando funcionais, podem ajudar a encontrar
o caminho para a superação das dificuldades ou, pelo contrário, podem aumentar o peso
dos problemas (Caplan,1980).
A história da vida da família consiste na história da progressão dos seus momentos
de crise e períodos transacionais, bem como da evolução ou percalços que a sua elaboração
possui no ciclo vital e na interligação geracional (Relvas, 1996).
Impacto do desemprego na relação conjugal.
Desde tempos remotos os papéis desempenhados pelos cônjuges evidenciavam
desigualdades significativas. O homem assumia-se como o único responsável pela
subsistência financeira familiar, proporcionando a sua estabilidade e qualidade de vida, e
estando a sua figura, incessantemente, articulada ao trabalho. Contudo, a emancipação da
mulher reverteu-se numa redistribuição deste poder económico, na mudança de papéis e na
manutenção familiar, demonstrando algumas dificuldades e perdas significativas na posição
que, até então, ele ocupara (Levy & Gomes, 2008).
A situação de desemprego, enquanto evento de vida stressante, provoca não só a
perda do poder económico familiar, como também afeta, profundamente, a autoimagem
masculina. Considerando que esta sempre esteve associada ao sustento da família,
evidencia-se que as suas repercussões transcendem as dimensões individuais e recaem
gravemente sobre a relação conjugal, incutindo-a de momentos de grande sofrimento e
perda de recursos (Kalil, 2009; Levy & Gomes, 2008; Nuttman-Shwartz & Gadot, 2012).
Denote-se que os efeitos mais drásticos do desemprego não provêm da tensão financeira
ou do desemprego em si, mas da perda de identidade e da responsabilidade financeira
16
familiar (Weckström, 2012). Por conseguinte, tal poderá reverberar-se numa pobre saúde
mental e em mudanças na relação, satisfação e qualidade conjugal, no estilo relacional com
os filhos e em todas as dinâmicas familiares (Maisel & Karney, 2012).
Nem todas as famílias são afectadas de igual modo pelas experiências de perda de
trabalho e desemprego (Kalil, 2009). As suas influências recíprocas, capacidades adaptativas
e de gestão do stress daí advindo dependem da sua autopercepção acerca da sua situação
financeira (i.e., quanto mais positiva, maior o grau de facilidade) (Sano, Dolan, Richards,
Bauer & Braun, 2008; Song, Foo, Uy & Sun, 2011). Indubitavelmente, esta situação
acarreta efeitos imediatos, prejudicando a economia por longos períodos de tempo.
Postula-se, ainda, que as suas consequências estendem-se desde o indivíduo desempregado
até aos restantes membros familiares (Pinheiro & Monteiro, 2007; Song, Foo, Uy & Sun,
2011). Quando um cônjuge experiencia dificuldades económicas e, consequentemente,
sofrimento individual, tal reflecte-se de forma similar no casal. Ademais, o conflito conjugal
afigura-se num elemento significativo do funcionamento familiar e é notório por deter
efeitos adversos no ajustamento e bem-estar dos filhos. Deste modo, a associação entre o
desemprego e o stress conjugal poderá ocorrer por meio do stress psicológico da perda de
emprego (Kalil, 2009).
Nos estudos de Rocha, Carvalho e Barreto (1999) e de Vasconcelos e Oliveira
(2004), citados por Pinheiro e Monteiro (2007), verificou-se que as repercussões do
desemprego infligem-se nas relações sociais, autoconfiança individual, desorganização e
desequilíbrio das relações familiares, quebra de vínculos afectivos, separações, retorno à
família de origem, e no aparecimento de doenças novas ou intensificação de algumas préexistentes. Simultaneamente, factores geradores de stress no meio familiar, tais como a
situação profissional da família, provocam mudanças nos seus recursos, essencialmente em
termos económicos, incitando dinâmicas familiares mais agressivas (Yoder & Hoyt, 2005).
Por sua vez, a existência de maior tensão económica na família eleva os níveis de stress
emocional e de conflitos, impactando, negativamente, não só a relação conjugal, como
também as relações pais-filhos e o bem-estar psicológico de todos os membros familiares
(Stein et al., 2011).
Face ao supramencionado, os efeitos do desemprego ressoam-se na exigência de
diversos recursos à família, sobretudo ao cônjuge, como resposta às dificuldades,
directamente vividas pelo indivíduo desempregado. Enquanto principal fonte de apoio, o
cônjuge poderá deter uma maior sobrecarga e exigência emocional, traduzindo-se num
bem-estar geral similar ao deste último. Destarte, poderão surgir maiores dificuldades na
17
conjugação de papéis familiares e profissionais, afectando a própria relação conjugal, a
saúde mental e o bem-estar dos cônjuges de indivíduos desempregados (Dimas, Pereira &
Canavarro, 2013).
Tradicionalmente, apesar de resultados incongruentes (Song, Foo, Uy & Sun, 2011),
a diferença de géneros no impacto psicológico do desemprego revela-se mais desfavorável
para os homens, comparativamente às mulheres. Poderá ser explicativo o facto de estes
permanecerem mais tempo em casa e, consequentemente, deterem mais oportunidades de
interacções negativas com as suas esposas e filhos (Cunradi, Todd, Duke & Ames, 2009;
Weckström, 2012). Além disso, Artazcoz, Benach, Borrell e Cortès (2004) ressalvam que,
em situação de desemprego, as responsabilidades familiares das mulheres e o seu papel
cuidador da casa e dos filhos podem substituir os seus empregos, sob um efeito protector,
atribuindo um novo sentido e significado às suas vidas, e estruturando o seu tempo,
estatuto e atividades. Contrariamente, e face aos papéis tradicionais do homem, a
estigmatização e os efeitos adversos na saúde mental são fomentados, o que poderá
potenciar uma maior instabilidade e dissolução conjugal. Deste modo, é possível
considerar-se que a perda de emprego nas mulheres, em oposição aos homens, não se
repercute de forma tão negativa na qualidade conjugal, o que minimiza os conflitos
conjugais e a interferência nos padrões relacionais familiares (Chahad & Chahad, 2005;
Kalil, 2009; Waters & Moore, 2002; Wilhelm & Ridley, 1988, citados por Dimas, Pereira &
Canavarro, 2013).
Ademais, o estudo de Weckström (2012) corroborou, ainda, que homens casados e
com filhos experienciam de modo mais negativo os efeitos do desemprego na relação
conjugal, por oposição aos que não têm filhos. Uma explicação plausível deve-se aos
eminentes níveis de tensão financeira naqueles que têm uma criança a viver consigo. Por
razões evidentes, as circunstâncias financeiras negativas, resultantes do desemprego,
afectam o estado emocional dos progenitores e, consequentemente, o dos seus filhos e a
qualidade das interações familiares (Conger et al., 1992).
A família é uma importante fonte de identidade para os indivíduos desempregados
(Weckström, 2012). Daí que o suporte conjugal se assuma como um recurso influente na
crença da relevância da continuidade do comportamento de procura de emprego, enquanto
actividade benéfica e necessária, e na saúde mental e física individual. Associadamente,
evidencia-se que níveis elevados de suporte familiar e social relacionam-se com eminentes
níveis de resiliência e de expectativas positivas (Slebarska, Moser & Gunnesch-Luca, 2009;
Song, Foo, Uy & Sun, 2011).
18
De acordo com Westman (2001), citado por Song, Foo, Uy e Sun (2011), um
menor suporte conjugal é demonstrado quando a díade experiencia stress. Isto é, cônjuges
stressados manifestam maior hostilidade comportamental e menor suporte, o que, por sua
vez, aumenta os níveis de stress do outro cônjuge. Pois, as reações ao stress ocorrem num
processo de crossover, resultando na passagem de sintomas entre o casal (i.e., transferência e
sincronização de experiências afectivas). Refira-se também que, cônjuges desempregados
experienciam stressores advindos da perda de emprego que poderão estender-se ao cônjuge
empregado, exposto a stressores adicionais provenientes do trabalho-família e famíliatrabalho. Portanto, é possível que a tensão financeira diária e a experiência negativa de
procura de emprego se relacionem, positivamente, com a experiência de stress do cônjuge
desempregado. Assim, o suporte conjugal serve de auxiliar na mitigação do impacto da
pressão financeira nos níveis de stress do casal, através do encorajamento de
comportamentos positivos, atitude cooperativa e demonstração de sensibilidade (Song,
Foo, Uy & Sun, 2011).
Dado o exposto, afere-se que indivíduos com maior grau de satisfação conjugal não
são tão afectados pelo stress do cônjuge, e, além disso, detêm um maior número de
estratégias de coping. Inversamente, cônjuges com problemas conjugais expressam, em geral,
mais emoções negativas. Com efeito, a satisfação conjugal adjuva na moderação do stress
entre cônjuges, elevando o crossover do stress nos casais que se encontram mais insatisfeitos
(Song, Foo, Uy & Sun, 2011).
Tendencialmente, os homens afastam-se emocionalmente das interações conjugais,
enquanto as mulheres predispõem-se ao confronto e ao desabafo da raiva perante os
cônjuges (Song, Foo, Uy & Sun, 2011). Isto é, homens que experienciam maior satisfação
conjugal minoram os seus comportamentos de zanga face às esposas, após dias laborais
stressantes. Em circunstâncias idênticas, as mulheres demonstram a situação antagónica
(Schulz, Cowan, Cowan & Brennan, 2004).
Ao nível dos papéis sociais está subjacente a diferença entre homens e mulheres, daí
que, possivelmente, detenham respostas distintas perante o trabalho, o desemprego, as
responsabilidades familiares e o stress conjugal (Song, Foo, Uy & Sun, 2011).
Atendendo às exigências hodiernas laborais e da vida, a conciliação entre o trabalho
e a família intensifica-se e complexifica-se gradativamente, dificultando a produção e
alcance de um equilíbrio que não comprometa nenhum dos dois (Dimas, Pereira &
Canavarro, 2013). Logo, é irrevogável que casais expostos a situações stressantes, como o
19
desemprego, detenham maior probabilidade de apresentarem níveis mais baixos de
satisfação conjugal (Wilhelm & Oliveira, 2011).
Consequências do desemprego na satisfação conjugal e na ideação suicida.
Face ao supramencionado, denota-se que o emprego assume um grande relevo na
organização da vida familiar e social, pois é um meio privilegiado de rendimento e de
autoestima, pelo que a precariedade de rendimentos instigada pelo desemprego é causadora
de instabilidade e exclusão social dos indivíduos e suas famílias (Sousa, Hespanha,
Rodrigues & Grilo, 2007). Por sua vez, a diminuição da socialização familiar traduz-se num
maior fechamento entre o meio familiar e o exterior, podendo, conjuntamente com a
situação de desemprego, corresponder a um factor de risco para o suicídio e/ou ao
aumento dos comportamentos suicidas nos membros da família (Kõlves, 2010; Yur’yev,
Värnik, Värnik, Sisask & Leppik, 2010). Tal é notório, especialmente, quando estamos
perante indivíduos que não possuem ou possuem um fraco suporte familiar. Daí que, a
presença deste apoio e padrões de vinculação seguros se revelem imprescindíveis e
essenciais na redução de procederes suicidas (Gonçalves, Freitas & Sequeira, 2011).
São vários os autores que atestam uma maior ideação suicida nas famílias em que
pelo menos um dos elementos se encontra desempregado, comparativamente às que ambos
os elementos trabalham, comprovando-se que os níveis de ideação suicida estão
relacionados com a situação profissional da família (Apter, Bursztein, Bertolote,
Fleischmann & Wassermann, 2009; Caycedo, Arenas, Benítez, Cavanzo, Leal & Guzmán,
2010; Conger, Lorenz, Elder, Melby, Simons & Conger, 1991; Conger, Ge, Elder, Lorenz
& Simons, 1994; Kentikelenis, Karanikolos, Reeves, McKee & Stuckler, 2014).
Isto porque o sistema familiar e conjugal apercebe-se da diminuição do nível de
recursos e qualidade de vida, decorrentes das dificuldades económicas da perda de
emprego. Tal provoca tensão nos relacionamentos, influindo consequências graves na
família, tais como o aumento de separações e divórcios, de conflitos e desorganização
familiar, de violência doméstica, abuso de substâncias, desencadeamento de reações
emocionais (e.g., frustração e raiva) e alterações de humor, vivência de desânimo e
insegurança, e pensamentos suicidas, o que se repercute negativamente nas relações do
casal e na sua satisfação (Classen & Dunn, 2009; Conger et al., 1992; Guilland & Monteiro,
2010; Jensen & Smith, 1990; Kadushin & Martin, 1988; Kalil, 2009; Yur’yev, Värnik,
Värnik, Sisask & Leppik, 2010).
20
A instabilidade e o sofrimento emocional vivido pelo casal traz efeitos adversos
sobre a sua satisfação conjugal, sobretudo se não foram trilhados caminhos para resolver a
situação financeira, havendo desacordos e desentendimentos incitantes à instabilidade e
“óbito” da relação conjugal (Fox & Chancey, 1998; Gudmunson, Beutler, Israelsen, McCoy
& Hill, 2007). Assim, as tensões financeiras afectam o bem-estar da relação conjugal, sendo
a sua estabilidade um bom indicador para a dinâmica do casal (Vinokur, Price & Caplan,
1996).
A nível diádico, Kinnunen e Feldt (2004) verificaram que um dos principais
factores de tensão na vida conjugal tem por base a incapacidade de satisfação das
necessidades económicas básicas, devido à redução dos rendimentos do casal. Deste modo,
as tensões económicas degradam o ajustamento e a satisfação conjugal, com uma tendência
interactiva mais negativa e efeito de transmissão no outro cônjuge, sensação de perda de
controlo e independência, redução da qualidade de vida, relacionada com angústias
psicológicas, podendo conduzir a uma perda de sentido para a vida (Conger, Wallace, Sun,
Simons, McLoyd & Brody, 2002; Lee, Hahm & Park, 2013; McKee-Ryan, Song, Wanberg
& Kinicki, 2005; Serra, 2011; Vijayakumar, 2004; Waters & Moore, 2002; Weckström
2012). Todavia, as transações entre o casal, isto é se mantêm uma relação positiva, saudável
e equilibrada, a cooperação e o apoio que dão um ao outro, podem constituir um factor
atenuante e protector do stress e da ideação suicida (Brown & Vinokur, 2003; Howe, Levy
& Caplan, 2004; Lee, Hahm & Park, 2013; Minuchin, 1988). Assim, o desemprego afecta os
indivíduos, mas as compensações obtidas pela sã interação e funcionalidade do sistema
familiar (i.e., capacidade de coesão, flexibilidade, comunicação e satisfação) protegem da
adversidade e contribuem para a utilização de recursos que, naturalmente, possui no
caminho da superação e na prevenção da vulnerabilidade a sentimentos negativos e ao
suicídio (Caplan, 1980; Garcy & Vägerö, 2013; Minuchin, 1988; Relvas, 2005). Não
obstante, a deterioração do funcionamento familiar é um fator de peso para tal intento,
pois os conflitos existentes no seio da família são um factor de risco relevante no
desenvolvimento de condutas autodestrutivas nos indivíduos (Santí & Betancourt, 2000;
Shaffer & Pfeffer, 2001).
Ademais, as tensões financeiras percepcionadas, como sejam a capacidade que se
tem, ou não, para fazer face às despesas diárias, influenciam o estado emocional e a
qualidade da relação conjugal, encaminhando a estados de desmoralização e pessimismo,
interferindo na qualidade das relações familiares e afectando, de igual modo, o estado de
espírito do homem e da mulher (Conger et al., 1992). Em consequência, um estado de
21
espírito negativo empadroa-se num comportamento irritadiço e hostil para com os
familiares mais próximos, influenciando, negativamente, o casal e os filhos, e repercutindose na qualidade e envolvimento educacional, ao reduzir o investimento na educação juvenil.
Pois, um casal demasiado absorto nos seus conflitos, fruto das dificuldades económicas,
tem menos tempo e energia disponível para o papel de educador (Conger et al., 1992;
Downey & Coyne, 1990; McLoyd, 1989; Patterson, 1982).
Os períodos de incerteza que estas famílias vivem quanto ao futuro provocado pela
situação de desemprego, conduz, igualmente, a um aumento significativo dos níveis de
conflitos, stress, tristeza e agressividade que, como consequência, potenciam os
comportamentos e ideias suicidas. Por imitação ou internalização destas cognições, tal pode
atingir todo o “núcleo familiar” (Conger, Elder, Lorenz, Conger, Simons, Whitbeck, Huck
& Melby, 1990; Conger, et al., 2002; Kõlves, 2010; McLoyd, 1989; Yur’yev, Värnik, Värnik,
Sisask & Leppik, 2010). Porém, vários estudos ressalvam a inexistência de diferenças entre
os vários elementos da família, pois aquando da sua exposição a situações de stress, como o
desemprego, tornam-se de igual modo mais vulneráveis à formação de ideias suicidas,
como um todo (Apter, Bursztein, Bertolote, Fleischmann & Wassermann, 2009; Caycedo,
et al., 2010; McLoyd, 1989; Osiamo, Lahelma & Lönnqvist, 2002; Rodriguez & Cohen,
1998; Welz, Veivel & Häfner, 1988).
Sendo a família um sistema, é suscetível a alterações. Se um dos seus elementos
família passa por vicissitudes, o equilíbrio, do próprio e do sistema, é alterado num jogo
complicado de implicações, ações e retroações (Alarcão, 2006). Quando, numa família, pelo
menos um dos elementos do casal fica desempregado há necessidade de lançar mão dos
recursos existentes, para fazer face às alterações que ocorrem no seio familiar. Contudo,
pouco se sabe sobre a forma como o desemprego afeta o casal, porque a literatura ainda é
parca nos efeitos do stress na família.
Até ao momento, não se encontrou nenhum artigo que associasse o impacto do
desemprego na satisfação conjugal com a ideação suicida. Neste sentido, torna-se
importante perceber se existe maior ideação suicida nos indivíduos que apresentam menor
satisfação conjugal, aquando da situação de desemprego.
22
Objectivos e Hipóteses de Estudo
Com base na revisão da literatura apresentada nos capítulos anteriores, este estudo
pretende perceber o impacto do desemprego na satisfação conjugal e na ideação suicida no
casal. Neste sentido, visa-se analisar se os níveis de satisfação conjugal e ideação suicida
variam em função da situação profissional do casal e dos elementos do mesmo. Um outro
objectivo reporta ao compreender se as emoções positivas e negativas experienciadas
variam consoante a situação profissional e dos elementos do casal.
De forma a enriquecer os resultados, entender essas diferenças quando é apenas um
dos elementos do casal a se encontrar em situação de desemprego ou quando se encontram
ambos no desemprego. Pretende-se ainda compreender se existem diferenças entre o
homem desempregado e a mulher em situação de desemprego.
Assim, estabeleceu-se as seguintes hipóteses:
1. Existem diferenças significativas ao nível da satisfação conjugal consoante os
membros do casal (com emprego/sem emprego).
2. Existem diferenças significativas ao nível da ideação suicida consoante os
membros do casal (com emprego/sem emprego).
3. Existem diferenças significativas ao nível das emoções positivas e negativas
experienciadas consoante a situação profissional dos casais (com emprego/sem emprego).
4. Quanto mais emoções negativas experienciadas maiores serão os níveis de
ideação suicida.
23
Método
Participantes
Os participantes foram seleccionados por conveniência, de forma não aleatória e
com objectivos dirigidos (Marôco, 2010). Os dados foram recolhidos a partir de um grupo
inicial de sujeitos para participar no estudo, assim como em estruturas locais de apoio a
desempregados.
A presente amostra é constituída por 48 casais, perfazendo um total de 96
participantes, com idades compreendidas entre os 24 e os 67 anos (M= 46,07; DP=10.31)
(Tabela 1). A maior parte dos participantes possui nacionalidade portuguesa (97,9%),
havendo apenas um elemento de nacionalidade brasileira e um de nacionalidade angolana.
Tabela 1
Média e desvio padrão das idades segundo o sexo
Idade
Sexo
Média
Desvio Padrão
Masculino
48.00
10.34
Feminino
44.15
10.01
46.07
10.31
Total
No que concerne à situação profissional dos participantes, verifica-se que 69
participantes (71,88%) encontram-se empregados e 27 participantes encontram-se
desempregados (28,13%).
Desta forma, e com o intuito de facilitar a análise dos resultados, foi criada uma
variável “Situação Profissional do Casal”, que categoriza as famílias participantes
essencialmente em dois grupos: As famílias que os dois elementos do casal estão
empregados (Com Emprego) e as famílias em que pelo menos um dos elementos do casal
se encontra no desemprego (Sem Emprego). No gráfico que se segue, é possível verificar
que 26 casais (54,17%) encontram-se em situação de “Com Emprego” e 22 casais (45,83%)
em situação de “Sem Emprego” (Gráfico 1).
24
Gráfico 1
Percentagem da Situação Profissional do Casal
No que concerne às habilitações literárias dos casais “Com Emprego”, 13
participantes (25%) possuem o 1º ciclo, 11 participantes (21,2%) o 2º ciclo, 6 (11,5%) o 3º
ciclo e 13 sujeitos (25%) o ensino secundário. 2 participantes (3,8%) possuem o ensino
profissional, 6 sujeitos (11,5%) detêm uma licenciatura e apenas um (1,9%) possui uma
pós-graduação ou mestrado.
Relativamente aos casais em situação “Sem Emprego”, 9 participantes (20,5%)
possuem o 1º ciclo, 4 (9,1%) têm o 2º ciclo, 7 sujeitos (15,9%) o 3ºciclo, 9 (20,5%) o ensino
secundário e 3 (6,8%) o ensino profissional. Verifica-se um maior número de indivíduos
com um curso superior nesta situação profissional, havendo um sujeito (2,3%) que possui o
bacharelato, 7 participantes (15,9%) uma licenciatura, 3 (6,8%) com uma pós-graduação ou
mestrado e um participante (2,3%) com o doutoramento (Figura 1).
25
Figura 1
Frequência das Habilitações Literárias de acordo com a Situação Profissional
14
Participantes
12
10
8
6
Com emprego
4
Sem emprego
2
0
Habilitações Literárias
É de referir que 14 casais (29,17%) vivem apenas com o/a companheiro/a, 31
casais (64,58%) vivem com/a companheiro/a e com os filhos e 3 casais (6,25%) vivem
com os filhos e os pais/sogros (Gráfico 2).
Gráfico 2
Percentagem do agregado familiar dos casais
26
Quanto ao número de filhos, 21 participantes (21,88%) não têm filhos, 32
participantes (33,3%) têm 1 filho, 29 participantes (30,2%) têm 2 filhos, 12 participantes
(12,5%) têm 3 filhos e apenas dois participantes (2,06%) têm 4 filhos. A idade média dos
filhos é de 14 anos (M=14,53).
Procedendo a uma análise consoante a situação profissional do casal, isto é em
situação “Com emprego” e “Sem emprego”, verifica-se uma percentagem mais elevada dos
casais com mais do que um filho cuja situação é de “Sem Emprego”. Este valor acentua-se
em casais com 3 filhos, nos quais se encontram 8 casais em situação de “Sem Emprego”
(18,2%), opondo-se aos 4 casais que se encontram em situação “Com Emprego” (7,7%).
De referir ainda que 1 casal em situação “Sem Emprego” tem 4 filhos (Figura 2).
Figura 2
Número de filhos consoante a situação profissional
20
18
16
Participantes
14
12
10
8
6
4
2
0
0
1
2
3
4
Nº de filhos
Com emprego
Sem emprego
Tentou-se perceber quais os casais em que apenas um dos cônjuges se encontra em
situação de desemprego e quais os casais em que ambos os membros se encontram
desempregados. Assim, dos 22 casais em situação “Sem Emprego”, 5 casais (10,4%)
encontram-se ambos em situação de desemprego e 17 casais (35,4%), apenas um dos
cônjuges é que se encontra em situação de desempregado. Destas famílias em que apenas
um dos elementos é que se encontra desempregado, em 10 casais (20,8%) é o homem que
27
se encontra em situação de desemprego e em 7 casais (14,6%) é a mulher que se encontra
desempregada (Tabela 2). Deste modo, verifica-se que 15 sujeitos desempregados são do
sexo masculino e 12 sujeitos desempregados são do sexo feminino.
Tabela 2
Distribuição do Casal conforme a sua situação de desemprego
Total
Situação de desemprego do
casal
Homem desempregado
10
Mulher desempregada
7
Os Dois Desempregados
5
Total
22
Do grupo dos desempregados, 15 sujeitos (55,6%) estão desempregados pela
primeira vez, e 12 sujeitos (44,4%) não é a primeira vez que se encontram nesta situação,
verificando-se o dobro de indivíduos do sexo masculino que se encontram nesta situação
comparativamente ao sexo feminino (Tabela 3). Em média, os participantes desempregados
encontram-se nessa situação há cerca de 28 meses (M=28,41) (Tabela 4). Verifica-se que 4
homens (14,81%) e 2 mulheres (7,41%) encontram-se desempregados há menos de 6
meses inclusive. Entre 7 meses e 1 ano, encontram-se 5 homens (18,52%) e 2 mulheres
(7,41%) desempregados. Entre 1 e 2 anos no desemprego, encontram-se 1 homem (3,70%)
e 3 mulheres (11,11%). E, por fim, há mais de dois anos encontram-se 5 homens e 5
mulheres no desemprego (Figura 3). É de referir igualmente que a duração do desemprego
é superior no sexo feminino (M=33,1), comparativamente ao sexo masculino (M=24,6).
Verifica-se que 51,9% dos indivíduos que se encontram em situações de
desemprego, este é de longa duração (> 1 ano).
Tabela 3
Distribuição por sexo da condição Primeira vez no Desemprego
Primeira vez no
Desemprego
Sexo
Masculino
Feminino
8
4
7
8
15
12
Não
Sim
Total
28
Total
12
15
27
Tabela 4
Média da Duração do Desemprego
Duração do Desemprego
Média
Desvio Padrão
28.41
30.84
Figura 3
Duração do desemprego de acordo com o sexo
6
Participantes
5
4
3
Masculino
2
Feminino
1
0
Até 6 meses
7 a 12 meses
13 a 24 meses
mais de 24 meses
Duração do Desemprego
Dos indivíduos desempregados, 33,3% recebem subsídio de desempregado,
enquanto os restantes 66,7% não o recebem. Dos 9 participantes com direito ao subsídio
de desemprego, 6 (66,6%) são do sexo masculino e apenas 3 (33,3%) são do sexo feminino
(Figura 4). A distribuição por sexo permite perceber que existe maior número de homens a
receber um subsídio de desemprego, comparativamente às mulheres. Apenas um sujeito
(11,1%) recebe um subsídio de desemprego cujo valor se situa entre 0 e 300 euros, 3
(33,3%) recebem um subsídio de desemprego cujo valor se situa entre 300 e 500 euros, e
outros 3 (33,3%) recebem um subsídio que varia entre 750 e 1000 euros. Apenas um sujeito
(11,1%) recebe um subsídio de desemprego cujo valor se situa entre 500 e 750 euros e um
(11,1%) que recebe um subsídio superior a 1000 euros. No que concerne ao RSI, apenas 7
participantes (25,9%) têm direito e os restantes responderam negativamente à questão. De
referir que 6 destes sujeitos correspondem a 3 casais, sendo que todos eles responderam
que o valor desse rendimento é muito inferior ao ordenado (Gráfico 3). O prazo máximo
29
para terminar o RSI é de nove meses. Do total dos indivíduos desempregados, apenas 5
participantes (18,5%) responderam receber outro tipo de apoio, nomeadamente ao nível da
alimentação e o qual consideram de extrema importância. Quanto à expectativa dos
desempregados voltarem a ter emprego, 10 participantes (38,5%) não esperam voltar à
condição de empregado, 1 participante (3,9%) espera obter emprego dentro de 12 meses, 1
participante (3,9%) espera obter emprego dentro de 8 meses, enquanto 4 participantes
(15,4%) esperam voltar ao mercado de trabalho dentro de 6 meses. Por fim, 10
participantes (38,5%) esperam retomar ao mercado de trabalho dentro de 2 meses (Figura
5). De referir que um dos elementos desempregado não respondeu a esta questão.
Figura 4
Valor do subsídio de desemprego de acordo com o sexo
Participantes
3
2
Masculino
1
Feminino
0
0-300 euros
300-500 euros
500-750 euros
Valor do Subsídio de Desemprego
Gráfico 3
Gráfico do Rendimento de Inserção Social
30
Mais de 1000
euros
Figura 5
Expectativa dos desempregados voltarem a ter emprego
12
Participantes
10
8
2 meses
6
6 meses
8 meses
4
12 meses
2
Nunca
0
2 meses
6 meses
8 meses
12 meses
Nunca
Espectativa de voltarem a ter emprego
Instrumentos
Questionário Sociodemográfico.
Foi utilizado um questionário sociodemográfico como instrumento de recolha de
dados com o intuito de caracterizar os participantes no que diz respeito ao sexo, idade,
estado civil, habilitações literárias, constituição do agregado familiar, situação profissional,
assim como a situação económica, o direito ao subsídio de desemprego, o direito ao RSI, a
duração do desemprego e as expectativas futuras de voltar ao mercado de trabalho.
Questionário das Emoções.
Utilizou-se um questionário sobre emoções com duas versões, uma destinada aos
casais em que ambos os membros se encontram empregados e a outra versão destinada a
ser preenchida pelos casais em que pelo menos um dos elementos se encontra
desempregado. O questionário tem em vista medir a intensidade das emoções, consistindo
num conjunto de 14 emoções cuja intensidade vai de 1- Nada a 7- Muita. Estas emoções
correspondem à Tristeza, Esperança, Raiva, Calma, Injustiça, Optimismo, Ansiedade,
Insatisfação, Indignação, Revolta, Irritação, Infelicidade, Culpa e Desilusão.
Dividiu-se em emoções positivas e emoções negativas, criando-se um índice para
cada uma delas, verificando-se uma elevada fiabilidade e uma boa consistência interna.
31
Emoções positivas (M=4.16; DP=1.64; α= .88) e emoções negativas (M=3.92; DP=1.33;
α= .92) (Tabela 5).
Tabela 5
Consistência interna do Questionário das Emoções
Emoções
Média
Desvio Padrão
Alpha de Cronbach
Emoções positivas
4.16
1.64
.88
Emoções negativas
3.92
1.33
.92
Total
3.18
1.11
.87
Escala de Avaliação da Satisfação em Áreas da Vida Conjugal (EASAVIC).
A Escala de Avaliação da Satisfação em Áreas da Vida Conjugal foi criada por
Narciso e Costa (1996), partindo do pressuposto de que a satisfação conjugal é o resultado
de uma avaliação subjectiva e pessoal da conjugalidade, evitando um critério de avaliação
externo aos indivíduos.
Esta escala, enquanto instrumento de auto-avaliação da satisfação, tem como
objectivo servir de indicador da satisfação vivenciada em várias áreas da vida conjugal. É
constituída por 44 itens, que se encontram organizados em duas grandes dimensões: Amor
e Funcionamento Conjugal. No que concerne à dimensão Amor, esta está relacionada com
os sentimentos que os membros do casal nutrem um pelo outro e pela relação,
subdividindo-se em cinco áreas, nomeadamente sentimentos e expressão de sentimentos,
sexualidade, intimidade emocional, continuidade da relação, assim como as características
físicas e psicológicas. Por sua vez, a dimensão funcionamento conjugal relaciona-se com a
organização das relações no subsistema conjugal e/ou familiar, subdividindo-se em quatros
áreas, estando incluídos os tempos livres, a autonomia/privacidade, as relações extrafamiliares e a comunicação e conflitos.
Consiste numa escala de tipo Likert em seis pontos, onde possibilita a cada
indivíduo avaliar a sua satisfação em cada um dos itens entre 1 – “Nada Satisfeito” e 6 –
“Totalmente Satisfeito”. Numa investigação sobre Conjugalidade e Parentalidade (Narciso,
Ribeiro & Ferreira, 2008, citados por Pacheco, 2008), as autoras optaram por realizar um
novo estudo sobre as características metrológicas da EASAVIC. Esse estudo indicou uma
elevada fiabilidade e uma boa consistência interna, tendo a análise em componentes
principais revelado uma estrutura unifactorial. A partir da aplicação da EASAVIC é
possível obter a Satisfação Conjugal Global (M=3.16; DP= .74; α= .98) (Tabela 6).
32
Tabela 6
Consistência Interna da EASAVIC
Dimensões da Satisfação Conjugal
Média
Desvio Padrão
Alpha de Cronbach
Dimensão Funcionamento
3.07
.72
.95
Dimensão Amor
3.20
.80
.98
Satisfação Conjugal Global
3.16
.74
.98
Questionário de Ideação Suicida (QIS).
O Questionário de Ideação Suicida é a versão portuguesa do Suicide Ideation
Questionnaire, elaborado inicialmente por Reynolds (1988), sendo traduzido e adaptado por
Ferreira e Castela (1999). Este questionário detém como objectivo avaliar a gravidade dos
pensamentos suicidas nos adolescentes e adultos, os quais são hierarquizados entre pouco e
muito graves.
Constituído por 30 itens (e.g., “Pensei que seria melhor não estar vivo”), é um
questionário de autopreenchimento e onde são ordenados numa escala do tipo Likert,
sendo fornecidas sete alternativas de resposta, variando entre 1 - “Pensamento que nunca
ocorreu” e 7 - “O pensamento ocorreu sempre”.
Todos os participantes do estudo responderam ao Questionário de Ideação Suicida,
obtendo-se um valor de consistência interna muito elevado (M= 1.28; DP= .43; α= .94)
(Tabela 7).
Tabela 7
Consistência interna do QIS
Nº de itens
Média
Desvio Padrão
Alpha de Cronbach
30
1.28
.43
.94
QIS
Procedimento
Para a recolha de dados, contactaram-se várias instituições e organizações onde as
famílias podiam estar presentes, como as Juntas de Freguesia, os GEPES (Grupos de
Entreajuda na Procura de Emprego), a Cáritas Diocesana de Lisboa, Centros Comunitários
e as Igrejas, onde foi pedida, ou por via email ou pessoalmente pela investigadora, a
colaboração no estudo.
33
Desta forma, entrou-se em contacto com pelo menos um dos membros do casal,
pela investigadora ou na sua ausência, pelos colaboradores das instituições acima referidas,
que possuíam as características necessárias para o estudo e se possível, a sua aceitação para
participar na investigação. Foi-lhes explicado os principais objectivos da investigação, em
que consistia a tarefa que os elementos do casal iriam realizar, a duração que levaria a ser
preenchido o questionário e a importância do seu preenchimento de forma individual. Foi
ainda salientado que o questionário era anónimo e a sua participação voluntária, sendo
garantida a confidencialidade das informações recolhidas, as quais seriam usadas apenas
para fins de investigação, não sendo revelados dados que pudessem identificar o casal.
Após ser dada a explicação para o preenchimento dos questionários, foram
entregues dois questionários, colocados devidamente nos envelopes, para serem
preenchidos por cada um dos elementos do casal. Ambos os questionários encontravam-se
codificados, apenas para que depois se soubesse os elementos que compunham
determinado casal. Era solicitado ao participante que respondesse, no momento, ao seu
próprio questionário, ficando já com a investigadora. Posteriormente ao seu
preenchimento, era então pedido ao participante que entregasse o envelope com o
questionário ao seu(sua) companheiro(a), sendo novamente reforçada a importância do
preenchimento individual, de modo a não enviesar os dados para a investigação. Nos casos
em que não foi possível o preenchimento imediato do questionário, era novamente
salientada a importância de o casal não preencher em conjunto e o preenchimento de todos
os itens.
Foi acordado com o elemento do casal contactado, a devolução dos questionários
na instituição ou organização de apoio ao desemprego correspondente, à investigadora ou
ao técnico do local, na sua próxima apresentação quinzenal, sessão de atendimento, ou dia
agendado.
34
Resultados
Análise dos Resultados
Para a realização da análise estatística dos dados, foram utilizados testes
paramétricos. Atendendo ao pressuposto de que para amostras com dimensões superiores
a 25-30 sujeitos, a distribuição amostral é satisfatoriamente aproximada à normal,
possuindo, então, uma dimensão suficientemente elevada e justificativa da utilização do
Teorema do Limite Central (Marôco, 2010).
Satisfação conjugal e situação profissional dos casais (com emprego/sem
emprego).
De acordo com a primeira hipótese espera-se encontrar diferenças significativas ao
nível da satisfação conjugal entre os membros dos casais consoante a sua situação
profissional - com emprego e sem emprego.
A partir de um teste T-Student, analisaram-se todas as áreas da satisfação conjugal,
bem como as duas dimensões da satisfação conjugal (Amor e Funcionamento Conjugal),
verificando-se que não existem diferenças ao nível da percepção da satisfação conjugal em
nenhuma das dimensões, consoante a situação profissional do casal. Denota-se, assim, que
não existem diferenças significativas ao nível da satisfação conjugal entre os casais “com
emprego” e os casais “sem emprego”.
Por conseguinte, tentámos atestar se existiam diferenças entre os homens
empregados e desempregados e entre as mulheres empregadas e desempregadas. Com
efeito, realizou-se uma ANOVA-Oneway, confirmando-se que não existem, igualmente,
diferenças significativas entre homens e mulheres consoante a sua situação profissional.
Ao tentarmos perceber como é que os casais desempregados percepcionam a
satisfação conjugal, realizou-se, novamente, uma ANOVA-Oneway, visando averiguar a
existência de diferenças quando estão os dois desempregados e quando é apenas o homem
ou a mulher desempregada, e se existiam diferenças consoante o sexo.
Deste modo, apurou-se que não existem diferenças entre os homens e as mulheres
desempregadas em nenhuma das dimensões e áreas da satisfação conjugal, bem como na
satisfação conjugal em geral.
Todavia, aquando da análise individual das áreas da satisfação conjugal, corroborouse que quando ambos os membros do casal se encontram desempregados (M=4.10;
DP=1.09) experienciam maior privacidade e autonomia, do que quando é apenas o homem
35
desempregado (M=2.83; DP=1.21) (F(3)=1.28; p= .009), bem como quando é só a mulher
desempregada (M=2.96; DP=1.12) (F(3)=1.14; p= .04). Verifica-se, igualmente, que
quando ambos estão desempregados (M=3.56; DP= .66) experienciam maior satisfação na
dimensão funcionamento, do que quando é apenas o homem desempregado (M=2.78;
DP= .89) (F(3)=.78; p= .04).
Nas restantes áreas da satisfação conjugal, não se deslindaram diferenças
significativas, quer seja entre os homens e as mulheres desempregados nem quando ambos
os membros do casal se encontram desempregados ou apenas um deles.
Ideação suicida e situação profissional dos casais (com emprego/sem
emprego).
Com vista a tentarmos compreender de que modo a situação profissional do casal
se relaciona com a ideação suicida, foi realizado um Teste t. Mediante esta análise,
concluímos que os casais “sem emprego” (M=1.38; DP= .55) apresentam maiores níveis
de ideação suicida, em comparação aos casais empregados (M=1.19; DP= .27) (t(94)= 2.15; p= .034) (Tabela 8).
Igualmente, tentou-se apurar possíveis diferenças entre os homens empregados e
desempregados e as mulheres empregadas e desempregadas. Para tal, realizou-se uma
ANOVA-Oneway, constatando-se que não existem diferenças entre os homens e as
mulheres desempregadas.
Porém, verifica-se que as mulheres desempregadas experienciam maiores níveis de
ideação suicida (M=1.62; DP= .80), sendo os seus valores mais significativos quando
comparados com os dos homens empregados (M=1.18; DP= .29) (F(3)= .44; p= .024).
Tabela 8
T-Student entre a Situação Profissional e a Ideação Suicida
Ideação Suicida
Situação Profissional
Média
Desvio Padrão
Com emprego
1.19
.27
Sem Emprego
1.38
.55
Emoções positivas e negativas experienciadas e situação profissional dos
casais (com emprego/sem emprego).
Objectivando perceber se existem disferenças nas emoções experienciadas nos
casais “com emprego” e “sem emprego”, efectuou-se uma análise T-Student. A partir desta,
36
atestou-se que os casais desempregados experienciam mais emoções negativas (M=4.35;
DP= .90), comparativamente aos casais que se encontram em situação de emprego
(M=3.19; DP=1.49) (t(94)= -.472); p= .000) (Tabela 9).
De forma a entender quais as diferenças entre homens e mulheres empregados e
desempregados, realizou-se uma ANOVA-Oneway. Por conseguinte, averiguou-se que os
homens desempregados (M=4.36; DP=1.63) experienciam mais emoções negativas que os
homens empregados (M=3.18; DP=1.16) (F(3)=1.17; p= .022). Simultaneamente, as
mulheres desempregadas (M=5.06; DP=1.20), também, experienciam mais emoções
negativas que as mulheres empregadas (M=3.51; DP= .98) (F(3)=1.55; p= .003).
A possível existência de diferenças entre os homens e as mulheres desempregadas
foi, também, analisada. Apurou-se que não existem diferenças ao nível das emoções
negativas experienciadas entre homens e mulheres desempregados.
No que concerne às emoções positivas, a partir de um teste T-Student, demonstra-se
que não existem diferenças signifitivas entre os casais “com emprego” e os casais “sem
emprego”.
Tabela 9
T-Student entre a Situação Profissional e as Emoções negativas
Emoções negativas
Situação Profissional
Média
Desvio Padrão
Com emprego
3.19
1.49
Sem emprego
4.35
.90
Correlação entre a ideação suicida e as emoções negativas.
Como verificámos anteriormente, os casais em situação de desemprego
experienciam mais emoções negativas, que os casais em situação de demprego. Também
percebemos que os casais sem emprego, possuem maiores níveis de ideação suicida que os
casais empregados. Assim, visando examinar a quarta hipótese, na qual se espera que um
maior número de emoções negativas experienciadas, corresponderia a maiores níveis de
ideação suicida, executou-se uma correlação de Pearson. Através da sua análise é possível
perceber que as emoções negativas estão, significativamente, correlacionadas com a ideação
suicida (r= .28; p<0.01) (Tabela 10).
37
Tabela 10
Correlação de Pearson entre as Emoções negativas e a Ideação Suicida
II.
I.
I. Emoções negativas
II. Ideação Suicida
.28**
**p<0.01
38
Discussão dos Resultados
Inevitavelmente, e atendendo à conjuntura actual do país e do mundo, o
desemprego detém consequências negativas, não apenas nos indivíduos desempregados,
mas repercutindo-se em toda a dinâmica familiar e conjugal. Ao longo do presente
trabalho, procurámos analisar o impacto do desemprego à luz da satisfação conjugal, da
ideação suicida e das emoções experienciadas, visto ser, ainda, um tema pouco estudado na
literatura, principalmente ao nível da dinâmica conjugal.
Após a análise dos resultados, contata-se que as nossas principais conclusões
reflectem que, ao contrário do esperado, não existem diferenças ao nível da satisfação
conjugal entre os casais com e sem emprego, bem como não se verificaram diferenças entre
os homens e as mulheres desempregadas em nenhuma das dimensões e áreas da satisfação
conjugal. Todavia, quando ambos os membros do casal se encontram desempregados
denota-se que experienciam maior privacidade e autonomia, comparativamente a quando é
apenas o homem ou a mulher desempregada. Adicionalmente, experienciam maior
satisfação na dimensão funcionamento, do que quando é apenas o homem desempregado.
Por sua vez, e em consonância com os resultados expectáveis, apurou-se que os
casais sem emprego experienciam maiores níveis de ideação suicida, relativamente aos
empregados. Porém, no que respeita aos indivíduos desempregados, não se atestaram
diferenças entre homens e mulheres. Averiguou-se, apenas, que as mulheres desempregadas
experienciam maiores níveis de ideação suicida do que os homens empregados.
De igual modo, deslindou-se que os casais sem emprego experienciam mais
emoções negativas, quando comparados aos com emprego. Ademais, os homens e as
mulheres desempregadas destacam-se num maior experienciar de emoções negativas, em
relação aos homens e às mulheres empregadas. No entanto, não se corroboraram
diferenças entre os homens e as mulheres desempregadas.
Por
fim,
constatou-se
que
as
emoções
negativas
estão
positivamente
correlacionadas com a ideação suicida. Isto é, quanto mais emoções negativas os indivíduos
e os casais desempregados experienciam, maiores são os níveis de ideação suicida.
Satisfação conjugal e situação profissional dos casais (com emprego/sem emprego)
Posteriormente à análise da primeira hipótese de investigação, verifica-se que esta
não foi confirmada, uma vez que não se apuraram diferenças na satisfação conjugal
consoante a situação profissional do casal (com emprego/sem emprego). Deste modo,
parece-nos que casais empregados e desempregados percepcionam semelhantemente a
39
satisfação conjugal. Sabe-se que a satisfação, por si só, é um conceito subjectivo que requer
que as próprias necessidades e desejos sejam satisfeitos, correspondendo ao que o outro
espera dar e receber, recíproca e espontaneamente. Portanto, diz respeito a sensações e
sentimentos de bem-estar, felicidade, companheirismo, afectividade e segurança, bem como
a características de personalidade, sexo, valores, atitudes e necessidades (Wilhelm &
Oliveira, 2011).
Indubitavelmente, a crise económica e o desemprego exercem influência e
provocam alterações na família e na própria dinâmica conjugal (Alarcão, 2006),
repercutindo-se na satisfação e na qualidade conjugal (Maisel & Karney, 2012). Em
consonância, Wilhelm e Oliveira (2011) averiguaram que os casais expostos a situações
stressantes, como o desemprego, detêm maior probabilidade de apresentarem níveis mais
baixos de satisfação conjugal. Tal como referem, Howe, Levy e Caplan (2004) a situação de
desemprego impacta no casal, degradando a relação e originando conflitos redutores da sua
satisfação. Simultaneamente, o estudo levado a cabo por Rocha, Carvalho e Barreto (1999),
citados por Pinheiro e Monteiro (2007), atestou que o desemprego desorganiza as famílias,
conduzindo à quebra de laços afectivos e diminuindo os níveis de satisfação conjugal. Ora,
se o desemprego acarreta consequências, não apenas no indivíduo desempregado, mas
também no outro cônjuge, seria expectável que os casais em que pelo menos um dos
membros se encontrasse desempregado, apresentassem e relatassem menores níveis de
satisfação conjugal, comparativamente às famílias com emprego. No entanto, nos
resultados obtidos pelos nossos participantes não se encontraram diferenças entre os casais
com emprego e os sem emprego, não indo, portanto, ao encontro dos estudos anteriores.
Obviamente que as capacidades de coping e adaptação (as quais não foram objectivo das
nossas análises) e as percepções de cada indivíduo são determinantes na quebra deste ciclo,
fazendo com que os casais reagissem, contornassem e protegessem-se contra as
consequências negativas que este evento gerador de stress acarreta (Sano, Polan, Richards,
Bauerr & Braun, 2008).
Parece-nos que estes resultados podem ser explicados pelo facto de que, por vezes,
as situações de stress e de pressão económica conduzem a família e o casal a se apoiarem
mutuamente, encarando a situação de outro modo. Aparentemente, afigura-se uma
reorganização do casal, visando lidarem com a situação de forma mais equilibrada (Alarcão,
2006; Relvas, 1996). Assim, perante situações de crise, os indivíduos tornam-se mais
dependentes das relações familiares, pois estas quando funcionais auxiliam a encontrar o
caminho para superar as dificuldades, apoiando-se reciprocamente (Caplan, 1980).
40
Aquando de um maior envolvimento no casal e de uma maior abertura para a comunicação
e interdependência, patenteia-se um incremento ao nível da satisfação com a relação
(Wilhelm & Oliveira, 2011). Ao que nos parece, o suporte conjugal assume-se um recurso
influente na crença da relevância da continuidade da procura de emprego, enquanto
actividade benéfica e necessária, relacionando-se com eminentes níveis de resiliência e de
expectativas positivas (Slebarska, Moser & Gunnesch-Luca, 2009; Song, Foo, Uy & Sun,
2011). Neste sentido, o suporte conjugal serve de auxílio na mitigação do impacto do
desemprego nos níveis de stress do casal, através do encorajamento de comportamentos
positivos, atitude cooperativa e demonstração de sensibilidade (Song, Foo, Uy & Sun,
2011). Contudo, pouco se sabe acerca do modo como o desemprego afecta o casal, pois a
literatura é, ainda, escassa quanto aos efeitos do stress do desemprego nas famílias e no
próprio casal (Howe, Levy & Caplan, 2004).
Analogamente, os nossos resultados demonstram que não existem diferenças entre
os homens e as mulheres desempregadas, em nenhuma das áreas e dimensões da satisfação
conjugal, bem como na satisfação conjugal em geral. Considerando que o casal é um
sistema que, por sua vez, integra um outro sistema, a família, basta uma modificação num
dos elementos para se repercutir em modificações nos restantes constituintes,
independentemente de ser o homem ou a mulher a ficar desempregado. Como resultado, o
desemprego afecta toda a família e a dinâmica conjugal no seu conjunto. Em conformidade
com o supramencionado, estes resultados não corroboram o exposto na literatura, onde o
desemprego parece ter mais impacto sobre a satisfação conjugal no sexo masculino,
incutindo-a a momentos de grande sofrimento e perda de recursos (Kalil, 2009; Levy &
Gomes, 2008; Nuttman-Shwartz & Gadot, 2012).
A dimensão funcionamento conjugal é definida por Narciso e Costa (1996) como o
modo como se organizam e regulam as relações no holon conjugal e/ou familiar, e com os
sistemas extra-familiares. Nos nossos resultados constatamos que quando ambos os
elementos do casal se encontram desempregados experienciam maiores níveis de satisfação
nesta dimensão, comparativamente a quando é apenas o homem a se encontrar sem
emprego. Possivelmente porque, perante a situação de desemprego de ambos os membros
do casal, o próprio sistema busca organizar-se, procurando o apoio e o suporte nos
restantes elementos da família e nas relações com os outros sistemas extra-familiares. Logo,
a presença deste suporte e padrões de vinculação seguros revelam-se essenciais para a
redução do impacto do desemprego na dinâmica do próprio casal (Gonçalves, Freitas &
Sequeira, 2011). Adicionalmente, o desemprego parece deter consequências mais negativas
41
para o homem, atendendo ao papel tradicional de breadwinner que lhe é atribuído,
repercutindo-se numa menor satisfação perante a perda do poder económico.
Consequentemente, tal poderá exacerbar um incremento da tensão nos relacionamentos,
provocando o aumento de conflitos e desencadeamento de reacções emocionais, que se
traduzem, negativamente, nas relações do casal e na sua satisfação (Classen & Dunn, 2009;
Conger et al., 1992; Guilland & Monteiro, 2010; Jensen & Smith, 1990; Kalil, 2009).
Também se averiguou que quando ambos os membros da díade se encontram
desempregados, experienciam maior privacidade e autonomia, em relação a quando é
apenas o homem ou a mulher a estar sem emprego. Por conseguinte, uma possível
explicação, na nossa modesta opinião face à inexistência de evidências científicas, poderá
recair no facto de que quando existe uma sã interacção e funcionalidade do próprio
sistema, o mesmo consegue proteger-se da adversidade e contribuir para a mobilização de
recursos e estratégias de coping, reorganizando toda a dinâmica familiar. Deste modo, ao se
depararem ambos na mesma situação, parecem desenvolver novas estratégias, adaptando-se
a esta nova disposição, reestruturando as suas rotinas e fornecendo apoio e suporte mútuo.
Em contrapartida, quando é apenas um deles a estar desempregado, seja o homem ou a
mulher, inevitavelmente, o casal encontra-se dependente dos recursos financeiros
provenientes deste elemento empregado. Por conseguinte, o indivíduo sem emprego
poderá sentir que detém menor autonomia, uma vez que, pelo menos financeiramente, se
encontra mais dependente do cônjuge empregado. Concomitantemente, poderá
experienciar menor privacidade, pois poderá sentir que este cônjuge empregado exerça
algum controlo sobre as suas tarefas e/ou ocupações. Isto é, à partida e extrínseco ao
mercado laboral, poderá sentir que a sua privacidade diminui atendendo a que se encontra
com menor autonomia financeira.
Ideação suicida e situação profissional dos casais (com emprego/sem emprego)
Ulterior à análise da segunda hipótese de investigação, verificou-se que esta foi
confirmada, consoante a situação profissional do casal. Os nossos resultados mostraram
que os casais sem emprego apresentam maiores índices de ideação suicida, relativamente
aos casais empregados. Isto é, os casais nos quais existe desemprego relatam maior ideação
suicida do que os casais empregados. Estes resultados vão ao encontro de outros estudos
empíricos sobre esta temática, como os de Caycedo et al., (2010), Apter, Bursztein,
Bertolote, Fleischmann e Wassermann (2009) e os de Kentikelenis, Karanikolos, Reeves,
McKee e Stuckler (2014) que reportam que as dificuldades económicas, nomeadamente
42
provenientes de situações de desemprego, têm impacto nas ideias suicidas de uma família, e
claro, do próprio casal. Nas famílias em que pelo menos um dos membros se encontra
desempregado, comparativamente às que ambos trabalham, corrobora-se que os níveis de
ideação suicida relacionam-se com a situação profissional do casal (Apter, Brusztein,
Bertolote, Fleischmann & Wassermann, 2009; Caycedo et al., 2010; Conger et al., 1991;
Conger, Ge, Elder, Lorenz & Simons, 1994; Kentikelenis, Karanikolos, Reeves, McKee &
Stuckler, 2014). Deste modo, o desemprego parece consistir num factor de risco para a
formação de ideias suicidas. Concomitantemente, são vários os estudos que demonstram
que a crise económica e a perda do emprego exercem uma grande influência para cometer
suicídio, daí que estas duas variáveis possam estar associadas (Classen & Dunn, 2012;
Fountoulakis, Gonda, Dome, Theodorakis & Rihmer, 2014; Khang, Lynch & Kaplan,
2005).
Não obstante, apurou-se que não existem diferenças significativas entre os homens
e as mulheres desempregadas ao nível da ideação suicida. Apesar de os estudos de Khang,
Lynch e Kaplan (2005) e de Yur’yev, Värnik, Värnik, Sisask, e Leppik (2010) exporem que
as taxas de ideação suicida são superiores nos homens, em relação às mulheres, os nossos
resultados não
o corroboram.
Conjuntamente,
deslindou-se
que as mulheres
desempregadas experienciam maiores níveis de ideação suicida, quando comparadas com
os homens empregados. Neste sentido, os estudos de Howe, Levy e Caplan (2004)
auxiliam-nos numa possível explicação, na medida em que tanto o homem como a mulher
desempregados enfrentam consequências similares, pois são expostos a um conjunto
idêntico de situações de stress. Embora as crenças tradicionais recaiam sobre o papel do
homem na sociedade, e o desemprego pareça deter consequências mais nefastas para o
mesmo, cada vez mais essas crenças têm sido postas em causa, diríamos nós, pelo papel
igualitário que se pretende para homens e para mulheres, e pela presença, gradualmente
superior, destas no mercado de trabalho. Ademais, o emprego ocupa uma posição central
na vida e na identidade dos indivíduos, independentemente do sexo. Assim, acreditamos
que a mulher está tão investida profissionalmente como o homem e que, no presente caso,
o papel no mercado de trabalho parece ser assumido pelos dois elementos da díade.
Adicionalmente, as habilitações académicas dos participantes apontam para um nível social
médio, no qual possam estar diluídas as diferenças de sexo evidentes em diversos estudos.
Por outro lado, o estudo de McKee-Ryan, Song, Wanberg & Kinicki (2005) demonstrou
que as mulheres desempregadas apresentam menores níveis de saúde mental e, portanto,
maiores níveis de ideação suicida, contrariando os estudos de Khang, Lynch e Kaplan
43
(2005) e de Yur’yev, Värnik, Värnik, Sisask, e Leppik (2010). A explicação poderá associarse à mudança do papel da mulher no mercado de trabalho e pelo facto de se encontrarem
mais vulneráveis e sofrerem mais o impacto do desemprego do que os homens (Rogers,
1980; Snyder & Nowark, 1984). Todavia, os trabalhos empíricos reforçam que o
desemprego não anula as diferenças entre desempregados/as e existe uma variedade de
maneiras de viver este evento de vida. Pois as respostas a ele associadas são, ainda, muito
heterogéneas e condicionadas pelo contexto (Bourdieu, 1993; Clayton, 1988; Commaille,
1999; Demazière, 1995; Demazière & Dubar, 1997; Demazière & Guimarães, 2006; Gallie
& Paugam, 2000; Linhart, 2003; Rémillon, 2006; Rosa, Ferreira & Gonçalves, 2001;
Schnapper, 1994).
Emoções positivas e negativas experienciadas e situação profissional dos casais
(com emprego/sem emprego)
Atendendo à nossa terceira hipótese de investigação, apurou-se que os casais em
situação de desemprego experienciam mais emoções negativas que os casais empregados.
Naturalmente, o desemprego apesar de, numa primeira análise, ser um problema
económico, detém consequências psicológicas vastíssimas, pelos sentimentos negativos que
desencadeia, subjugando um efeito profundo e nefasto na vida dos indivíduos e das
famílias, ao exigir recursos emocionais para responder às dificuldades. Logo, poderão ser
desencadeadas reacções emocionais, como a frustração e a raiva, acarretando
consequências negativas para a saúde e para as relações do casal (Conger, Conger, Elder,
Lorenz, Simons & Conger, 1992). Estudos como os de Alvaro (1992), Borrero (2014),
Caleiras (2008), Caleiro (2011), Howe, Levy e Caplan (2004) e os de Scheve, Esche e
Schupp (2013) evidenciam que o desemprego e o impacto psicológico a si inerente, fazemse acompanhar por um conjunto de pensamentos e sentimentos negativos de tristeza,
angústia, desânimo, desespero, medo, raiva, frustração, indignação, revolta, vergonha,
culpa, entre outras emoções negativas. Indubitavelmente, estas emoções repercutem-se em
sentimentos de desvalorização pessoal, incompetência, injustiça e fracasso, os quais se
reverberam em perdas graduais de optimismo, esperança, confiança e identidade. Neste
sentido, os nossos resultados vão ao encontro dos presentes nos estudos anteriores.
Porém, verificou-se que não existem diferenças entre os homens e as mulheres
desempregadas. Embora o estudo de Weckström (2012) aponte que os efeitos dramáticos
do desemprego estão associados à perda de identidade no homem, na medida em que é,
tradicionalmente, o responsável pelo bem-estar familiar, outras investigações, como a de
44
Kulik (2000) evidencia que não é o género sexual em si que interfere no impacto
psicológico, mas sim a importância do papel profissional na vida do indivíduo. Desta
forma, as mesmas reações e emoções experienciadas podem surgir, identicamente, nas
mulheres, uma vez que esse papel é-lhes tão central quanto nos homens. Em consonância,
o estudo de Dew, Penkower e Bromet (1991), citados por Howe, Levy e Caplan (2004),
revela que as mulheres enfrentam situações similares às dos homens aquando da perda do
emprego, nomeadamente sintomas depressivos, ansiedade, raiva, insatisfação, irritação,
entre outras. Posto isto, tanto o homem como a mulher desempregada enfrentam
consequências análogas em termos de saúde mental, visto estarem expostos a um conjunto
idêntico de situações de stress.
No que concerne às emoções positivas, esperar-se-ia que os casais com emprego
experienciassem mais emoções positivas, em oposição aos sem emprego. Contudo tal não
se averiguou no nosso estudo. Uma possível explicação, a nosso ver, remete à precaridade e
instabilidade laboral que, cada vez, mais as famílias portuguesas se deparam. As formas de
emprego correspondem a uma gradual debilidade, pois são exercidas com um carácter não
voluntário. Isto é, as pessoas têm que se lhes sujeitar por falta de outras alternativas. Deste
modo, podemos nos encontrar perante situações caracterizadas por uma menor proteção
social, menores oportunidades de progressão na carreia, menores níveis salariais, menor
acesso à formação profissional, bem como a condições de trabalho vulneráveis (Almeida,
2013; Duarte, 2004). Consequentemente, a instabilidade do trabalho repercute-se
desfavoravelmente na identidade social e profissional (Duarte, 2004). Contudo, e
atendendo ao propósito deste estudo, estas situações não foram tidas em consideração nem
foram alvo de atenção.
Correlação entre a ideação suicida e as emoções negativas
No que respeita à segunda e terceira hipóteses, atesta-se que os casais
desempregados experienciam maiores níveis de ideação suicida, assim como mais emoções
negativas. Face ao exposto, elaborou-se a quarta hipótese de investigação, na qual se
esperaria que mais emoções negativas experienciadas corresponderiam a maiores níveis de
ideação suicida. O desemprego cultiva a incerteza perante o futuro, o que se reflecte num
aumento dos níveis de stress e dos comportamentos de risco e suicida (Yur’yev, Värnik,
Värnik, Sisask & Leppik, 2010). Adicionalmente, este é um evento que afecta toda a
condição subjectiva do indivíduo, podendo, ainda, deter consequências na estabilidade do
45
seu psiquismo, repercutindo-se em diversas reacções emocionais (Cook, 1991; Guilland &
Monteiro, 2010; Knabe & Rätzel, 2011).
Os nossos resultados constataram que estas duas variáveis se encontram,
siginificativamente, correlacionadas, indo ao encontro do apresentado nos estudos de Chen
e colaboradores (2012), Classen e Dunn (2009), Classen e Dunn (2012) e de Cooper (2013),
que salientam que a perda de emprego pode repercutir-se num choque psicológico
profundo, dando conta de prejuízos na autoestima, no desenvolvimento de doença mental
depressiva e ansiedade. Considerando os pensamentos, emoções e sentimentos negativos,
estes revelam-se preditores da probabilidade de consequências para tendências de acção
social e comportamental, alertando para a possibilidade de sofrimento psicológico e de
cometer suicídio (Chen et al., 2012; Classen & Dunn, 2009; Classen & Dunn, 2012;
Cooper, 2013; Scheve, Esche & Schupp, 2013). A nossa hipótese foi, assim, confirmada.
Naturalmente, alguns dos nossos resultados vão ao encontro de outros estudos,
enquanto outros, como pudemos observar, seguem uma tendência oposta às conclusões
presentes na literatura acerca desta temática. Todavia, se tivermos em conta os resultados,
assim como as limitações que serão expostas no capítulo seguinte, torna-se exequível que
algumas dúvidas e confusões com estes resultados possam ser melhor elucidadas em
investigações e estudos futuros.
46
Considerações Finais
Actualmente deparamo-nos, gradativamente, com mais situações de desemprego.
Apesar das reformas implementadas no sentido de reduzir estas taxas, esta é uma
prevalente, instalando muitas famílias sob pressão financeira. Deste modo, o principal foco
ao longo desta investigação assentou na tentativa de analisar os casais em situação de
desemprego, fosse quando um ou ambos os membros se encontrassem desempregados,
objectivando aferir, a satisfação conjugal e a ideação suicida. De igual modo, procurou-se
perceber se as emoções experienciadas exercem influência nos casais desempregados e se
essas diferenças são superiores quando são ambos os membros do casal a se encontrarem
desempregados. Semelhantemente, tentou-se verificar a existência de diferenças quando é o
homem a se encontrar desempregado ou quando é a mulher, e a forma como ambos
vivenciam esta experiência.
Destarte, este estudo propôs-se a entender a visão da díade no que concerne ao
impacto do desemprego na relação, adoptando-se para tal uma visão mais sistémica e
próxima desta realidade, não se restringindo somente às percepções do elemento
desempregado. Face à escassez de estudos acerca desta realidade, principalmente, no
âmbito nacional, este estudo desenvolveu-se numa tentativa de colmatar as falhas existentes
na investigação do desemprego e da crise na satisfação conjugal e na ideação suicida.
Todavia, e considerando os presentes resultados obtidos, torna-se importante
reflectir sobre potenciais limitações influenciadoras nesta investigação.
Primeiramente, denote-se a dificuldade inerente em encontrar participantes, ou seja,
casais desempregados. Contactaram-se diversas instituições e organizações de apoio ao
desemprego, porém foram escassas as que aceitaram participar nesta investigação. Além
disso, a receptividade dos elementos desempregados revelou-se dificultadora da
constituição de uma amostra maior, pois recusaram-se a responder e a participar. Salientese, também, que embora alguns participantes tenham respondido ao questionário, o
respectivo do cônjuge não nos foi retornado, o que se reverberou na perda de alguns
participantes devido ao objectivo da investigação (i.e., perceber o impacto do desemprego
no casal).
Apesar de se ter conseguido 22 casais desempregados, considera-se que esta é,
ainda, uma amostra pequena, impossibilitando a generalização de resultados à população.
Assim, sugere-se em estudos futuros uma especial atenção ao aumento do número de
casais participantes, uma vez que tal consistiria num maior número de dados, resultando,
portanto, em análises mais fidedignas e generalizáveis.
47
Em segundo plano, ainda que estivesse patente na folha de rosto e tivesse sido
reforçado pela investigadora o carácter individual no preenchimento dos questionários,
torna-se difícil o controlo deste aspecto, especialmente quando ambos os membros do
casal o preencheram no âmago do seu domicílio. Deste modo, pondera-se uma provável
“contaminação” de respostas entre os participantes, aquando de preenchimento conjunto.
Analogamente, e conquanto o carácter anónimo dos questionários, alguns participantes
poderão ter receado que a investigadora pudesse, de alguma forma, identificá-los, tendo
respondido consoante a desejabilidade social, visto as respostas aos itens do questionário
revelarem algumas informações mais pessoais e íntimas.
Crê-se, ainda, que a extensão dos questionários seja considerada uma limitação, pois
provoca saturação ao participante.
Em estudos futuros, seria pertinente compreender o funcionamento familiar, uma
vez que situações de crise, como o desemprego, detêm consequências, não apenas para o
indivíduo desempregado, mas repercute-se em toda a dinâmica conjugal e familiar. Neste
sentido, perante situações de desemprego, os indivíduos tornam-se mais dependentes das
relações familiares, porque essas relações, quando funcionais, podem ajudar a encontrar o
caminho para a superação das dificuldades ou, pelo contrário, podem aumentar o peso dos
problemas. De igual modo, seria interessante realizar um aprofundamento do impacto do
desemprego em casais desempregados, nomeadamente, naqueles em que apenas um dos
membros se encontra em situação de desemprego e naqueles em que ambos estão
desempregados, visando aferir possíveis diferenças dada a escassez de estudos existentes.
Seria, igualmente, indagar as repercussões da duração do desemprego na satisfação conjugal
e na ideação suicida, uma vez que períodos mais longos de desemprego aparentam acarretar
consequências negativas nos indivíduos.
Um outro aspecto merecedor de consideração recai na aferição de um instrumento
exequível de medição, precisa e fidedigna, da ressonância da crise e da pressão económica,
resultantes de dificuldades económicas causadas pelo desempregado, viabilizando um
estudo mais aprofundado do impacto do stress financeiro nos indivíduos desempregados e
na relação conjugal. Concomitantemente, refira-se, também, a introdução de algum
instrumento que proporcionasse o entendimento das estratégias de coping utilizadas para
contornar a crise, atenuando-se, assim, os possíveis efeitos negativos advindos do
desemprego.
O subsídio de desemprego e o RSI poderiam, também, ser explorados em
investigações futuras, almejando-se compreender se a procura de emprego se intensifica, ou
48
não, aquando da aproximação ou término de usufruto deste benefício; e se os níveis de
ideação suicida incrementam. Isto porque o recebimento do subsídio de desemprego,
parece consistir num factor equilibrador de uma possível tensão financeira, as quais se
ligam a perturbações psicológicas, à diminuição dos rendimentos, e consequentemente, da
qualidade de vida.
Adicionalmente, poder-se-ia averiguar o impacto psicológico do desemprego e o
aumento dos níveis de ideação suicida em indivíduos que se encontram desempregados
pela primeira vez e naqueles que já tenham experienciado situações anteriores, com o
intuito de apurar se existem diferenças e de que forma se reflectem na satisfação conjugal.
Uma vez que este estudo foca-se apenas na relação conjugal, seria, identicamente,
interessante investigar as repercussões do desemprego nos restantes membros familiares,
por exemplo nos filhos. Tal justifica-se atendendo a que situações geradoras de stress na
família aumentam os níveis de stress emocional e intensificam os conflitos familiares, tanto a
nível conjugal como na relação parental-filial. Neste sentido, o desemprego impacta,
negativamente, nas relações do casal, nas gerações mais novas e no bem-estar psicológico
de todos os membros da família. Com efeito, seria ainda legitimado o entendimento de
uma provável existência de dissemelhanças em casais consoante a idade dos filhos,
objectivando-se verificar em que situações se denotam maiores níveis de stress financeiro e
que influência retém na satisfação conjugal.
Por fim, poder-se-ia analisar o nível de preponderância da idade de indivíduos
desempregados nos resultados destas variáveis, o modo como lidam e gerem as suas
emoções e expectativas aquando do período de desemprego.
Todavia, somente através do contacto interpessoal com estes indivíduos, ao falarlhes e ao compreender o que lhes aflige, aquilo que os preocupa e, também, a esperança
que preservam face a um futuro melhor, não é viável de medição pelos instrumentos que
que dispomos no nosso trabalho e que viriam a enriquecer e complementar este estudo.
49
Referências Bibliográficas
Alarcão, M. (2006). (Des)Equilíbrios Familiares: Uma visão sistémica (3ª ed.). Coimbra: Quarteto
Editora.
Almeida, J. G. (2013). Trajetórias de incerteza: a instabilidade laboral como modo de vida.
Cabo dos Trabalhos, 9, 103-124.
Alvaro, J. L. (1992). Desempleo y bienestar psicológico. Madrid: Siglo XXI.
Apter, A., Bursztein, C., Bertolote, M. J., Fleischmann, A., & Wasserman, D. (2009).
Suicide on all the continents in the young. In D. Wasserman & C. Wasserman (Eds.),
Oxford textbook of suicidology and suicide prevention (621-627). Oxford: Oxford University.
Artazcoz, L., Benach, J., Borrell, C., & Cortès, I. (2004). Unemployment and Mental
Health: Understanding the Interactions Among Gender, Family Roles, and Social
Class. American Journal of Public Health, 94(1), 82-88. doi: 10.2105/AJPH.94.1.82
Banco de Portugal (2014). Relatório do Conselho de Administração: A Economia Portuguesa.
Lisboa: Departamento de Estudos Económicos.
Borrero, M. (2014). Psychological and Emotional Impact of Unemployment. Journal of
Sociology & Social Welfare, 7(6), 916-934.
Bourdiei, P. (1993). La Misère du Monde. Paris: Éditions du Seuil.
Brown, S. L., & Vinokur, A. D. (2003). The Interplay Among Risk Factors for Suicidal
Ideation and Suicide: The Role of Depression, Poor Health, and Loved Ones’
Messages of Suport and Criticism. American Journal of Community Psychology, 32(1), 131141.
Caleiras, J. (2008). Do desemprego à pobreza? Trajectórias, experiências e enfrentamentos.
E-Cadernos CES. Retirado a janeiro 20, 2015, de http://eces.revues.org/1472. doi:
0.4000/eces.1472.
Caleiro, A. (2011). Desemprego e Felicidade em Portugal. Documento de Trabalho nº
2011/05, 1-14. Universidade de Évora: Departamento de Economia. Retirado a
janeiro
20,
2015,
de
http://rdpc.uevora.pt/bitstream/10174/8476/1/wp_2011_05.pdf.
Caplan, G. (1980). Princípios de Psiquiatria Preventiva. Rio de Janeiro: Zahae Editores.
Caycedo, A., Arenas, M. L., Benítez, M., Cavanzo, P., Leal, G., & Guzmán, Y. R. (2010).
Características psicosociales y familiares relacionadas com intento de suicidio en una
población adolescente em Bogotá: 2009. Persona y Bioética, 14(2), 205-213.
50
Chahad, C., & Chahad, J. P. Z. (2005). Os impactos psicológicos do desemprego e suas
consequências sobre o mercado de trabalho. Revista da Associação Brasileira de Estudos
do Trabalho, 5(1), 179-218.
Chang, S., Stuckler, D., Yip, P., & Gunnell, D. (2013). Impact of 2008 global economic
crisis on suicide: time trend study in 54 countries. British Medical Journal, 347(f5239).
doi: 10.1136/bmj.f5239
Chen, L., Li, W., He, J., Wu, L., Yan, Z., & Tang, W. (2012). Mental health, duration of
unemployment, and coping strategy: a cross-sectional study of unemployed migrant
workers in eastern china during the economic crisis. Public Health, 12(597).
doi:10.1186/1471-2458-12-597
Classen, T. J., & Dunn, R. A. (2009). The effect of job loss and unemployment duration on
suicide risk in the United States: a new look using mass-layoffs and unemployment
insurance claims. Health Economics, 21(3), 338-350. doi: 10.1002/hec.1719
Classen, T. J., & Dunn, R. A. (2012). The effect of job loss and unemployment duration on
suicide risk in the United States: a new look using mass‐layoffs and unemployment
duration. Journal of Health Economics, 21(3), 338-350. doi: 10.1002/hec.1719
Clayton, C. (1988). Psychological effects of unemployment: a selected overview. Journal of
the Royal Society for the Promotion of Health, 108(1), 29-33.
Conger, R. D., Elder, G. H., Lorenz, F. O., Conger, K. J., Simons, R. L., Whitbeck, L. B.,
Huck, S., & Melby, J. N. (1990). Linking Economic Hardship to Marital Quality and
Instability. Journal of Marriage and the Family, 52(3), 643-656. doi: 10.2307/352931
Conger, R. D., Lorenz, F. O., Elder, G. H., Melby, J. N., Simons, R. L., & Conger, J. C.
(1991). A process model of family economic pressure and early adolescent alcohol
use. Journal of Early Adolescence, 11(4), 430-449. doi: 10.1177/0272431691114003
Conger, R. D., Conger, K. J., Elder, G. H., Lorenz, F. O., Simons, R. L., & Whitbeck, L. B.
(1992). A family process model of economic hardship and adjustment of early
adolescent boys. Child Development, 63(3), 526-541.
Conger, R. D., Ge, X., Elder, G. H., Lorenz, F. O., & Simons, R. L. (1994). Economic
stress, coercive family processes, and developmental problems of adolescents. Child
Development, 65(2), 541-561. doi: 10.2307/1131401
Conger, R. D., Wallace, L. E., Sun, Y., Simons, R. L., McLoyd, V. C., & Brody, G. H.
(2002). Economic pressure in African American families: a replication and extension
of the family stress model. Developmental Psychology, 38(2), 179-193. doi: 10.1037/00121649.38.2.179
51
Commaille, J. (1999). Famille et Chômage – Rapport. Paris: Haut Conseil de la Population et de
la Famille.
Cook, E. P. (1991). Annual Review: Practice and Research in Career Counseling and
Development. The Career Development Quarterly, 40(2), 99-131. doi: 10.1002/j.21610045.1991.tb00317.x
Cooper, D. (2013). The Effect of Unemployment Duration on Future Earnings and Other
Outcomes. Federal Reserve Bank of Boston,13(8). doi: 10.2139/ssrn.2366542
Costa, A., & Caldas, J. C. (2013). A União Europeia entre os resgates bancários e a
austeridade: Um mapa das políticas e das medidas. In Observatório sobre Crises e
Alternativas (Eds.), A Anatomia da Crise: Identificar os problemas para construir as
alternativas (72-107). Universidade de Coimbra: Centro de Estudos Sociais
Laboratório Associado.
Cunradi, C. B., Todd, M., Due, M., & Ames, G. (2009). Problem Drinking,
Unemployment, and Intimate Partner Violence among a Sample of Construction
Industry Workers and their Partners. Journal of Family Violence, 24(2), 63-74. doi:
10.1007/s10896-008-9209-0
Demazière, D. (1995). La Sociologie du Chômage. Paris: La Découverte.
Demazière, D., & Dubar, D. (1997). Analyser les Entretiens Biographiques. L’Exemple des Récits
d’Insertion. Paris: Nathan.
Demazière, D., & Guimarães, N. A. (2006). Unemployment as a biographical experience.
In K. Kase, & K. Sugita (Eds.), The Unemployed and Unemployment in an International
Perspective Comparative Studies of Japan, France and Brazil (68-147).
Dimas, I., Pereira, M., & Canavarro, M. (2013). Ajustamento psicossocial, ajustamento
diádico e resiliência no contexto de desemprego. Análise Psicológica, 31(1), 3-16.
Downey, G., & Coyne, J. C. (1990). Children of depressed parents: An integrative review.
Psychological Bulletin, 108(1), 50-76. doi: 10.1037//0033-2909.108.1.50
Duarte, A. M. (2004). Precaridade e identidades. Questões para uma problemática. In Actas
dos ateliers do Vº Congresso Português de Sociologia. Sociedades Contemporâneas: Reflexividade e
Acção, Minho, 12-15 maio. 2004.
Fergusson, D. M., Boden, J. M., & Horwood, L. J. (2007). Unemployment and suicidal
behavior in a New Zealand birth cohort: A fixed effects regression analysis. The
Journal of Crisis Intervention and Suicide Prevention, 28(2), 95-101. doi: 10.1027/02275910.28.2.95
52
Ferreira, J., & Castela, M. (1999). Questionário de ideação suicida (Q.I.S(. In M. Simões, M.
Gonçalves, & L. Almeida (Eds.), Testes e provas psicológicas em Portugal, 2, (123-130).
Braga: Sistemas Humanos e Organizacionais, Lda.
Fountoulakis, K. N., Gonda, X., Dome, P., Theodorakis, P. N., & Rihmer, Z. (2014).
Possible delayed effect of unemployment on suicidal rates: the case of Hungary.
Annals of General Psychiatry,13(12). doi: 10.1186/1744-859X-13-12
Fox, G. L., & Chancey, D. (1998). Sources of Economic Distress: Individual and family
outcomes. Journal of Family Issues, 19(6), 725–749. doi: 10.1177/019251398019006004
Gallie, D., & Paugam, S. (2000). Welfare Regimes and the Experience of Unemployment in Europe.
Oxford: Oxford University Press.
Garcy, A. M., & Vågerö, D. (2013). Unemployment and suicide during and after a deep
recession: A longitudinal study of 3,4 million Swedish men and women. American
Journal of Public Health, 103(6), 1031-1038. doi: 10.2105/AJPH.2013.301210
Glyptis, S. (1989). Leisure and Unemployment. London: Milton Keynes Open University Press.
Gonçalves, A. M., Freitas, P. P., & Sequeira, C. A. C. (2011). Comportamentos Suicidários
em Estudantes do Ensino Superior: Factores de Risco e de Protecção. Millenium, 40,
149-159.
Gouveia-Pereira, M., Abreu, S., & Martins, C. (2014). How do Families of Adolescents
with Suicidal Ideation Behave?. Psicologia: Reflexão e Crítica, 27(1), 171-178.
Gudmunson, C. G., Beutler, I. V., Israelsen, C. L., McCoy, J. K., & Hill, E. J. (2007).
Linking Financial Strain to Marital Instability: Examining the Roles of emotional
Distress and Marital Interaction. Journal of Family and Economic Issues, 28(3), 357–376.
doi: 10.1007/s10834-007-9074-7
Guilland, R., & Monteiro, J. K. (2010). Jovem em situação de desemprego: habilidades
sociais e bem-estar psicológico. Psicologia: Teoria e Prática, 12(3), 149-163.
Hayes, J., & Nutman, P (1981). Understanding the unemployed: the psychological effects of
unemployment. London: Tavistock Publications Ltd.
Hayhoe, C. R. (2006). Helping Families in Transition Due to Unemployment. Journal of
Human Behavior in the Social Environment, 13(1), 63‐73. doi: 10.1300/J137v13n01_04
Hespanha, P., Ferreira, S., & Pacheco, V. (2013). O Estado Social, crise e reformas. In
Observatório sobre Crises e Alternativas (Eds.), A anatomia da crise: Identificar os
problemas para construir as alternativas (161-249). Universidade de Coimbra: Centro de
Estudos Sociais Laboratório Associado.
53
Howe, G., Levy, M.,& Caplan, R. (2004). Job loss and depressive symptoms in couples:
Common stressors, stress transmition, or relationship disruption? Journal of Family
Psychology, 18(4), 639-650.
INE (2015). Instituto Nacional de Estatística. Retirado a janeiro 20, 2015, de
https://www.ine.pt/.
Jensen, P., & Smith, N. (1990). Unemployment and marital dissolution. Journal of Population
Economics, 3(3), 215-229.
Kadushin, A., & Martin, J. (1988). Child welfare services (4ª ed.). Nova Iorque: MacMillan.
Kalil, A. (2009). Joblessness, family relations and children’s development. Family Matters, 83,
15-22.
Karanikolos, M., Mladovsky, P., Cylus, J., Thomson, S., Basu, S., Stuckler, D., Mackenbach,
J. P., & McKee, M. (2013). Financial crisis, austerity, and health in Europe. The
Lancet, 381(9874), 1323-1331. doi: 10.1016/S0140-6736(13)60102-6
Kentikelenis, A., Karanikolos, M., Reeves, A., McKee, M., & Stuckler, D. (2014). Greece’s
health crisis: From austerity to denialism. The Lancet, 382(22), 748-753.
Khang, Y. H., Lynch, J. W., & Kaplan, G. A. (2005). Impact of economic crisis on causespecific mortality in South Korea. International Journal of Epidemiology, 34(6), 1291-1301.
doi: 10.1093/ije/dyi224
Kinnunen, U., & Feldt, T. (2004). Economic stress and marital adjustment among couples:
Analyses at the dyadic level. European Journal of Social Psychologu, 34, 519-532. doi:
10.1002/ejsp.213
Knabe, A., & Rätzel, S. (2011). Scarring or scaring? The Psychological Impact of Past
Unemployment and Future Unemployment Risk. Economica, 78(310), 283-293. doi:
10.1111/j.1468-0335.2009.00816.x
Kõlves, K. (2010). Child suicide, family environment, and economic crisis. The Journal of
Crisis Intervention and Suicide Prevention, 31(3), 115-117. doi: 10.1027/02275910/a000040
Kulik, L. (2000). Jobless men and women: A comparative anlysis of job search intensity,
attitudes toward unemployment, and related responses. Journal of Occupational and
Organizational Psychology, 73(4), 487-500.
Lee, H. Y., Hahm, M. I., & Park, E. C. (2013). Differential association of socio-economic
status with gender – and age-defined – suicidal ideation among adult and elderly
individuals
in
South
Korea.
Psychiatric
10.1016/j.psychres.2013.05.012
54
Research,
210(1),
323-328.
doi:
Leite, A. N. (2010). A internacionalização da economia portuguesa. Relações Internacionais,
28, 119-132.
Levy, L., & Gomes, I. C. (2008). Relação conjugal, violência psicológica e
complementaridade fusional. Psicologia Clínica, 20(2), 163-172. doi: 10.1590/S010356652008000200012
Lim, H. E. (2011). The determinants of individual unemployment duration: The case of
Malaysian graduates. Journal of Global Management, 2(2), 184-203.
Linhart, D. (2003). Perte d’Emploi, Perte de Soi. Paris: Éditions Érès.
Lopes, S. C. C. (2011). Impacto do Desemprego na Qualidade de Vida da População do Concelho de
Felgueiras (Dissertação de Mestrado). Instituto Superior Miguel Torga, Portugal.
Lundin, A., Lundberg, I., Allebeck, P., & Hemmingsson, T. (2012). Unemployment and
suicide in the Stockholm population: A register-based study on 771,068 men and
women. Public Health, 126(5), 371-377. doi: 10.1016/j.puhe.2012.01.020
Maisel, N. C., & Karney, B. R. (2012). Socioeconomic status moderates associations among
stressful events, mental health, and relationship satisfaction. Journal of Family
Psychology, 26(4), 654-660. doi: 10.1037/a0028901
Marôco, J. (2010). Análise estatística com o PASW Statistics (ex-SPSS). Pêro Pinheiro: Report
Number.
McKee-Ryan, F., Song, Z., Wanberg, C. R., & Kinicki, A. J. (2005). Psychological and
physical well.being during unemployment: A meta-analytic study. Journal of Applied
Psychology, 90(1), 53-76. doi: 10.1037/0021-9010.90.1.53
McLoyd, V. C. (1989). Socialization and development in a changing economy: The effects
of paternal job and income loss on children. American Psychologist, 44, 293-302. doi:
10.1037/0003-066X.44.2.293
Minuchin, S. (1979). Familles en thérapie. Paris: Jean-Pierre. Delarge. (Obra original publicada
em 1974).
Minuchin, S. (1988). Famílias, Funcionamento e Tratamento. Porto Alegre: Artmed Editora.
Moreira, N. A. C. (2008). Sofrimento, Desespero e Comportamentos Suicidários na Prisão. Coimbra:
Quarteto.
Moreira, N. A. C., & Gonçalves, R. A. (2010). Perturbação mental e ideação suicida entre
reclusos preventivos. Análise Psicológica, 1(28), 133-148.
Mossakowski, K. (2009). The influence of past unemployment duration onsymptoms of
depression among youth women and men in the United States. American Journal of
Public Health, 99, 1826-1832. doi: 10.2105/AJPH.2008.152561
55
Murali, V., & Oyebode, F. (2004). Poverty, Social Inequality and Mental Health. Advances in
Psychiatric Treatment, 10(3), 216-224. doi: 10.1192/apt.10.3.216
Narciso, I. (2001). Conjugalidades satisfeitas mas não perfeitas: à procura do padrão que liga (Tese de
Doutoramento). Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de
Lisboa, Portugal.
Narciso, I. (1994). Metamorfoses do Amor e da Satisfação Conjugal. Cadernos de Consulta
Psicológica, 10/11, 129-139.
Narciso, I., & Costa, M. (1996). Amores satisfeitos, mas não perfeitos. Cadernos de Consulta
Psicológica, 12, 115-130.
Narciso, I., & Costa, M. (2001). Percursos de Mudança na Qualidade Conjugal –
Fragmentos de um Estudo sobre Conjugalidades Satisfeitas. Cadernos de Consulta
Psicológica, 17-18, 181-195.
Norgren, M. B. P., Souza, R. M., Kaslow, F., Hammerschmidt, H., & Sharlin, S. A. (2004).
Satisfação conjugal em casamentos de longa duração: Uma construção possível.
Estudos de Psicologia, 9(3), 575-584. doi: 10.1590/S1413-294X2004000300020
Nuttman-Shwartz, O., & Gadot, L. (2012). Social factors and mental health symptoms
among women who have experienced involuntary job loss. Anxiety, Stress & Coping,
25(3), 275-290. doi: 10.1080/10615806.2011.583644
Ochsen, C., & Welsch, H. (2011). The social costs of unemployment: accounting for
unemployment duration. Apllied Economics, 43(27), 3999-4005.
Organização Internacional do Trabalho (2013). Enfrentar a Crise do Emprego em Portugal.
Relatório a ser apresentado na Conferência de alto nível Enfrentar a Crise do
Emprego em Portugal: Que caminhos para o futuro?. Lisboa: Grupo de Ação
Interdepartamental da OIT.
Organização Mundial de Saúde (2013). Mental Health Action Plan 2013-2020, Geneva: World
Health
Organization.
Retirado
a
janeiro,
20,
2015,
de
http://apps.who.int/iris/bitstream/10665/89966/1/9789241506021_eng.pdf.
Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (2014). Relatórios
Económicos
da
OCDE
Portugal.
Retirado
a
janeiro
20,
2015,
de
http://www.oecd.org/economy/surveys/Portugal-2014-Overview-PRT.pdf.
Osiamo, A., Lahelma, E., & Lönnqvist, J. (2002). Determinants of attempted suicide in an
urban
environment.
Nordic
Journal
10.1080/08039480260389389
56
of
Psychiatry,
56(6),
451-456.
doi:
Pacheco, A. M. (2008). Olhando a satisfação: Um estudo exploratório em casais portugueses
(Dissertação de Mestrado). Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da
Universidade de Lisboa, Portugal.
Patterson, G. R. (1982). Coercive family process. Castalia: Eugene.
Paul, K. I., & Moser, K. (2009). Unemployment impairs mental health: Meta-analyses.
Journal of Vocational Behavior, 74(3), 264-282. doi: 10.1016/j.jvb.2009.01.001
Paulo, S. (2011). A Europa e a Crise Financeira Mundial: Balanço da resposta política da UE.
Comissão Europeia: Fundação Robert Schuman.
Pinheiro, L. R. S., & Monteiro, J. K. (2007). Reflectindo sobre desemprego e agravos à
saúde mental. Cadernos de Psicologia Social do Trabalho, 10(2), 35-45.
Ramirez, D. C., & Cruz, R. M. (2009). Conflito escolar: Vulnerabilidade e desenvolvimento
de habilidades sociais. Revista Electrónica de Investigación y Docencia, 2, 79-95. Retirado a
fevereiro 2, 2015, de http://www.ujaen.es/revista/reid/revista/n2/REID2art5.pdf.
Relvas, A. P. (1996). O Ciclo Vital da Família: Perspetiva sistémica. Porto: Edições
Afrontamento.
Relvas, A. P. (2005). Família e stress: das crises normativas às crises inesperadas. Como
intervir numa perspectiva sistémica. In A. M. Pinto, & A. L. Silva (Coords.), Stress e
bem-estar: Modelos e domínios de aplicação (43-58). Lisboa: Climepsi.
Reis, J., Rodrigues, J., Santos, A., & Teles, N. (2013). Compreender a crise: A economia
portuguesa num quadro europeu desfavorável. In Observatório sobre Crises e
Alternativas (Eds.), A Anatomia da Crise: Identificar os problemas para construir as
alternativas (11-71). Universidade de Coimbra: Centro de Estudos Sociais Laboratório
Associado.
Rémillon, D. (2006). L’épreuve du chômage vue par les chômeurs âgés. Document du Travail,
61. Noisy-le-Grand: Centre d’Études de l’Emploi.
Reynolds, W. (1988). Suicidal Ideation Questionnaire. Professional manual. Florida: Psychological
Assessment Resources.
Rodrigues, B. S. M., & Rodrigues, H. (1987). Consulta Psicológica e Desemprego. In
Serviço de Consulta Psicológica e Orientação Vocacional (Eds.), Cadernos de Consulta
Psicológica, 3 (123-126). Universidade do Porto: Faculdade de Psicologia e Ciências
da Educação.
Rodriguez, M. S., & Cohen, S. (1998). Social support. Encyclopedia of Mental Health, 3, 535544.
57
Røed, K., & Zhang, T. (2005). Unemployment duration and economic incentives: a quasi
random-assignment approach. European Economic Review, 49(7), 1799-1825. doi:
10.1016/j.euroecorev.2004.04.001
Rogers, B. (1980). The Domestication of Women. London: Kogan Page Ltd.
Rosa, M. T. S., Ferreira, P. I. M., & Gonçalves, M. F. (2001). O Desemprego numa Zona Crítica
de Portugal. O caso de Azambuja: Realidades e perspectivas de transformação. Lisboa:
Fundação Calouste Gulbenkian.
Sampaio, D. (1991). Ninguém morre sozinho. Lisboa: Caminho.
Sano, Y., Dolan, E. M., Richards, L., Bauer, J., & Braun, B. (2008). Employment patterns,
family resources, and perception: Examining depressive symptoms among rural lowincome mothers. Journal of Rural Community Psychology, E11(1).
Sant, P. M. H. (1997) La Familia Funcional y Disfuncional, un indicador de salud. Revista
Cubana Virtual en Salud, 13(6), 591-595.
Santí, P. M. H., & Betancourt, K. A. (2000). Factores familiares de riesgo en el intento
suicida. Revista Cubana De Medicina General Integral, 16(2), 134-137.
Scheve, V. C., Esche, F., & Schupp, J. (2013). The Emotional Timeline of Unemployment:
Anticipation, Reaction, and Adaptation. Institute for the Study of Labor, 7654, 1-43.
Retirado
a
janeiro
20,
2015,
de
http://www.econstor.eu/bitstream/10419/89973/1/dp7654.pdf.
Schnapper, D. (1994). L’Épreuve du Chômage. Paris: Gallimard.
Schulz, M. S., Cowan, P. A., Cowan, C. P., & Brennan, R. T. (2004). Coming home upset:
Gender, marital satisfaction, and the daily spillover of workday experience into
couple interactions. Journal of Family Psychology, 18(1), 250-263. doi: 10.1037/08933200.18.1.250
Serra, A. (2011). O stress na vida de todos os dias (3ª ed.). Coimbra: Autor.
Shaffer, D., & Pfeffer, C. R. (2001). Practice Parameter for the Assessment and Treatment
of Children and Adolescents With Suicidal Behavior. Journal of the American Academy of
Child and Adolescent Psychiatry, 40(7), 24-51. Doi: 10.1097/00004583-200107001-00003
Slebarska, K., Moser, K., & Gunnesch-Luca, G. (2009). Unemployment, social support,
individual resources, and job search behavior. Journal of Employment Counseling, 46(4),
159-170. doi: 10.1002/j.2161-1920.2009.tb00079.x
Snyder, K. A., & Nowak, T. C. (1984). Job Loss and Demoralization: Do Women Fare
Better than Men? International Journal of Mental Health, 13(1–2), 92- 106. doi:
10.1080/00207411.1984.11448968
58
Song, Z., Foo, M., Uy, M. A., & Sun, S. (2011). Unraveling the daily stress crossover
between unemployed individuals and their employed spouses. Journal of Applied
Psychology, 96(1), 151-168.
Sousa, L., Hespanha, P., Rodrigues, S., & Grilo, P. (2007). Famílias Pobres: desafios à
intervenção social. Lisboa: Climepsi.
Stein, C. H., Abraham, K. M., Bonar, E. E., Leith, J. E., Kraus, S. W., Hamill, A. C.,
Gumber, S., Hoffman, E., & Fogo, W. R. (2011). Family ties in though times: How
young adults and their parents view the U. S. economic crisis. Journal of Family
Psychology, 25(3), 449-454. doi: 10.1037/a0023697
Stuckler, D., Basu, S., Suhrcke, M., Coutts, A., & McKee, M. (2009). The public health
effect of economic crises and alternative policy responses in Europe: an empirical
analysis. The Lancet, 374(9686), 315-323. doi: 10.1016/S0140-6736(09)61124-7
Thomas, L. E., McCabe, E., & Berry, J. E. (1980). Unemployment and Family Stress: A
Reassessment. Family Relations, 29(4), 517-524. doi: 10.2307/584467
Tumolo, L. M. S. (2002). As características da vivência das pessoas que se encontram desempregadas
(Dissertação de Mestrado). Universidade Federal de Santa Catarina, Brasil.
Tumolo, L. M. S., & Tumolo, P. S. (2004). A vivência do desempregado: Um estudo crítico
do significado do desemprego no capitalismo. Revista Espaço Académico, 43, 1-13.
Valleta, R. (2013). Long-term Unemployment: What Do We Know? Federal Reserve Bank of
San
Francisco
Economic
Letter.
Retirado
a
janeiro
20,
2015,
de
http://www.frbsf.org/economic-research/files/el2013-03.pdf.
Vaz Serra, A. (2007). O stress na vida de todos os dias (3a ed.). Coimbra: Minerva.
Vieira, K. F. L. (2008). Depressão e Suicídio: Uma abordagem psicossociológica no contexto académico
(Dissertação de Mestrado). Universidade Federal de Paraíba, Brasil.
Vijayakumar, L. (2004). Suicide prevention: the urgent need in developing countries. World
Psychiatry, 3(3), 158–159.
Vijayasiri, G., Richman, J. A., & Rospenda, K. M. (2012). The Great Recession, somatic
symptomatology and alcohol use and abuse. Addictive Behaviors, 37(9), 1019-1024. doi:
10.1016/j.addbeh.2012.04.007
Vinokur, A. D., Price, R. H., & Caplan, R. D. (1996). Hard Times and Hurtful partners:
How Financial Strain Affects Depression and Relationship Satisfaction of
Unemployed Persons and Their Spouses. Journal of Personality and Social Psychology,
71(1), 166-179. doi: 10.1037/0022-3514.71.1.166
59
Xavier, M., Baptista, H., Mendes, J., Magalhães, P., & Caldas-de-Almeida, J. M. (2013).
Implementing the World Mental Health Survey Initiative in Portugal – rationale,
design and fieldwork procedures. International Journal of Mental Health Systems, 7(19), 110. doi: 10.1186/1752-4458-7-19
Yoder, K. A., & Hoyt, D. R. (2005). Family Economic Pressure and Adolescent Suicidal
Ideation: Application of the Family Stress Model. Suicide and Life-Threatening Behavior,
35(3), 251-264. doi: 10.1521/suli.2005.35.3.251
Yur’yev, A., Värnik, A., Värnik, P., Sisask, M., & Leppik, L. (2010). Employment status
influences suicide mortality in Europe. International Journal of Social Psychiatry, 58(1), 6268. doi: 10.1177/0020764010387059
Warr, P., Jackson, P., & Banks, M. H. (1988). Unemployment and mental health: Some
British studies. Journal of Social Issues, 44(4), 47-68. doi: 10.1111/j.15404560.1988.tb02091.x
Waters, L., & Moore, K. (2002). Predicting self-esteem during unemployment: The effect
of gender financial deprivation, alternate roles and social support. Journal of
Employment Counseling, 39(4), 171-189. doi: 10.1002/j.2161-1920.2002.tb00848.x
Weckström, S. (2012). Self-assessed consequences of unemplyment on individual wellbeing
and family relationships: A study of unemployed women and men in Finland.
International Journal of social Welfare, 21(4), 372-383.
Welz, R., Veivel, T. O., & Häfner, H. (1988). Social support and suicidal behavior. In H. J.
Möller, A. Schmidtke, & R. Welz (Eds.), Current issues of suicidology (322-327). Berlim:
Springer.
Wilhelm, F. A., & Oliveira, M. A. P. (2011). Fatores indicados por casais que facilitam ou
impedem o relacionamento conjugal satisfatório. Revista Caminhos, 2(1), 173-186.
60
Fly UP