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“Acho que os sentimentos se perdem nas palavras. Todos deveriam
“Acho que os sentimentos se perdem nas palavras.
Todos deveriam ser transformados em acções,
em ações que tragam resultados.”
Florence Nightingale
AGRADECIMENTOS
À Professora Doutora Paula Nelas, o meu maior agradecimento por toda a
disponibilidade e orientação prestada, pelo apoio incondicional e compreensão
que sempre manifestou.
Ao professor Doutor João Duarte, por toda a sua disponibilidade, acessibilidade e
colaboração demonstrada.
A todo o corpo docente da escola, o meu obrigada, por todos os ensinamentos
transmitidos ao longo do meu percurso e pela disponibilidade que sempre
mostraram.
A todas as instituições de saúde que colaboraram comigo, obrigada por tornarem
possível o meu contributo enquanto Enfermeira Especialista de Saúde Materna.
Aos meus pais, agradeço por todo o carinho e apoio que sempre transmitiram.
À minha irmã, Cristiana, que foi uma agradável surpresa, o meu muito, muito
obrigada! Eu sei que posso contar sempre com o teu apoio…
Ao meu “mais que tudo”, que tem sido o meu porto seguro… Obrigada por
fazeres parte da minha vida!
À Verónica, pelo companheirismo, paciência, mas sobretudo pela amizade…
Por fim, mas não menos importante… a todos os pais que participaram no
estudo e que ao longo destes meses, me fizeram ver para além dos livros, que
apesar de difícil, vale bem a pena. Obrigada por me deixarem aprender
convosco!
RESUMO
Enquadramento: O bonding paterno ao bebé, uma ligação emocional única e
duradoura, não tem recebido o devido interesse na investigação. Contudo, reconhece-se a
influência de diversas variáveis no envolvimento emocional entre o pai e o bebé, entre elas, a
vinculação paterna. Este estudo visa contribuir para melhorar a compreensão desses factores,
procurando esclarecer especificamente a importância da vinculação paterna no
estabelecimento do bonding.
Objectivos: O objectivo do estudo é avaliar o estabelecimento do bonding entre pai e
filho e quais as variáveis, entre elas, a vinculação paterna, que influenciam o envolvimento
emocional da díade.
Método: A amostra em estudo foi constituída por 349 progenitores masculinos, com
idades compreendidas entre os 19 aos 55 anos (DP=0,33). Foi aplicado aos participantes, até
às 48 horas após o parto do filho, um questionário constituído pela caracterização sóciodemográfica, obstétrica e do envolvimento do pai, e por duas escalas, a Escala de Vinculação
do Adulto (CANAVARRO, DIAS & LIMA, 2006) e a Escala Bonding (FIGUEIREDO et al.,
2005a).
Resultados: Os resultados sugerem que são os pais mais novos (p=0,010), com menor
grau de escolaridade (p=0,045), que estão a ter o seu primeiro filho (p=0,027), que
presenciaram a primeira ecografia (p=0,005) e falaram com o bebé durante a gravidez
(p=0,005), que apresentam mais bonding positivo. A dimensão ansiedade, da Escala de
Vinculação do Adulto, é preditora do bonding negativo (p=0,024), a dimensão confiança nos
outros é preditora do bonding not clear (p=0,001) e do bonding total (p=0,001).
Conclusões: Constatamos que o bonding paterno é influenciado por variáveis sóciodemográficas, obstétricas, e psicológicas (vinculação paterna). Como profissionais de saúde,
temos de estar alerta para os pais com um perfil de risco, para podermos intervir e auxiliá-los
na adaptação e ajustamento à nova etapa das suas vidas.
Palavras-chave: bonding, vinculação paterna, bebé, pai, parto
ABSTRACT
Background: Father bonding toward the infant, a unique and lasting emotional tie, has
not been received the interest in research. Nevertheless, it acknowledges the influence of
several variables in emotional involvement between parent and baby, like as, father
attachment. This study intends to implement our knowledge about these factors, essentially
assess the importance of father attachment in bonding toward the child.
Objectives: This study aims to assess father bonding toward the infant, and which
variables, father attachment among them, influence the emotional involvement of this dyad.
Method: The study sample was 349 fathers, between 19 and 55 years (SD=0,33). Was
administered a questionnaire, until 48 hours after the birth of their child, consisting in sociodemographic, obstetric and father involvement characterization, and two scales, Adult
Attachment Scale-R (CANAVARRO, DIAS & LIMA, 2006) and Bonding Scale
(FIGUEIREDO et al., 2005a).
Results: The results suggest that younger fathers (p=0,010), with less education
(p=0,045), which are having their first child (p=0,027), which were present the first
ultrasound (p=0,005) and spoke with his child during pregnancy (p=0,005) shows more
positive bonding. The anxiety dimension, in Adult Attachment Scale-R, predict negative
bonding (p=0,024), and the depend dimension predict not clear bonding (p=0,001) and total
bonding (p=0,001).
Conclusions: We conclude that paternal bonding is influenced by socio-demographic,
obstetric and psychological variables (father attachment). As health professionals, we must be
alert to fathers with a risk profile, so we can intervene and help them in adaptation and
adjustment in this new stage of their lives.
Keywords: bonding, father attachment, infant, father, birth
ÍNDICE
Pág.
ÍNDICE DE TABELAS
13
ÍNDICE DE QUADROS
17
ÍNDICE DE FIGURAS
19
ÍNDICE DE ABREVIATURAS E SIGLAS
21
1. INTRODUÇÃO
23
PARTE I: ENQUADRAMENTO TEÓRICO
2. TEORIA DA VINCULAÇÃO
29
2.1. ESTILOS DE VINCULAÇÃO
31
2.2. VINCULAÇÃO NA IDADE ADULTA
33
2.3. TRANSMISSÃO INTERGERACIONAL DA VINCULAÇÃO
34
3. EVOLUÇÃO E TRANSIÇÃO PARA A PARENTALIDADE
37
3.1. EVOLUÇÃO DO PAPEL PARENTAL
37
3.2. PARENTALIDADE EM TRANSIÇÃO
38
4. ESTABELECIMENTO DO BONDING PAI-FILHO NO NASCIMENTO
4.1. ENVOLVIMENTO EMOCIOANL DURANTE A GRAVIDEZ
41
43
4.2. ENVOLVIMENTO EMOCIONAL DURANTE O TRABALHO DE
PARTO E PARTO
4.3. ENVOLVIMENTO EMOCIONAL E VINCULAÇÃO PATERNA
45
47
PARTE II: ESTUDO EMPÍRICO
5. METODOLOGIA
51
5.1. OBJECTIVOS E CONCEPTUALIZAÇÃO DO ESTUDO
51
5.2. PARTICIPANTES
54
5.2.1. Caracterização da amostra
55
5.2.2. Caracterização sócio-espacial da amostra
57
5.3. INSTRUMENTOS
58
5.4. PROCEDIMENTOS
63
5.5. PROCEDIMENTOS ESTATÍSTICOS
64
6. RESULTADOS
67
6.1. ANÁLISE DESCRITIVA
6.1.1. Caracterização da história obstétrica
67
67
6.1.2. Caracterização do envolvimento do pai durante a gravidez,
trabalho de parto e parto
6.1.3. Caracterização da vinculação paterna
6.2. ANÁLISE INFERENCIAL
7. DISCUSSÃO
71
76
83
105
7.1. DISCUSSÃO METODOLÓGICA
105
7.2. DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
107
8. CONCLUSÕES
119
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
123
APÊNDICE I – Questionário
127
APÊNDICE II – Fotocópia das autorizações para a aplicação do instrumento
de recolha de dados no Hospital Infante D. Pedro EPE,
Centro Hospitalar Tondela Viseu EPE, Unidade Local de
Saúde da Guarda
131
APÊNDICE III – Consentimento informado
139
APÊNDICE IV – Autorizações dos autores das escalas
143
ANEXO I – Escala de Vinculação do Adulto
149
ANEXO II – Escala Bonding
153
ÍNDICE DE TABELAS
Pág.
Tabela 1 – Estatísticas relativas à idade
55
Tabela 2 – Dados sócio-demográficos da amostra
57
Tabela 3 – Consistência interna da Escala de Vinculação do Adulto (estudo
dos itens)
Tabela 4 – Consistência interna da Escala Bonding (estudo dos itens)
61
63
Tabela 5 – Distribuição da amostra segundo as variáveis obstétricas em função
da idade
70
Tabela 6 – Distribuição da amostra segundo as variáveis de envolvimento do
pai durante a gravidez, trabalho de parto e parto em função da
idade
Tabela 7 – Teste t entre a idade e a vinculação do pai
75
76
Tabela 8 – Teste One-Way ANOVA entre as habilitações literárias e a
vinculação do pai
Tabela 9 – Teste Kruskal-Wallis entre o estado civil e a vinculação paterna
77
78
Tabela 10 – Teste One-Way ANOVA entre a duração da relação e a vinculação
paterna
78
Tabela 11 – Teste t entre o primeiro filho e a vinculação paterna
79
Tabela 12 – Teste t entre o tipo de parto e a vinculação paterna
79
Tabela 13 – Teste U de Mann-Whitney entre a gravidez planeada e a vinculação
paterna
80
Tabela 14 – Teste U de Mann-Whitney entre a gravidez desejada e a vinculação
paterna
80
Tabela 15 – Teste U de Mann-Whitney entre a presença nas consultas de
vigilância pré-natal e a vinculação paterna
81
Tabela 16 – Teste U de Mann-Whitney entre os movimentos fetais e a
vinculação paterna
81
Tabela 17 – Teste U de Mann-Whitney entre falar com o bebé durante a
gravidez e a vinculação paterna
82
Tabela 18 – Teste t entre a presença durante o trabalho de parto e a vinculação
paterna
82
Tabela 19 – Teste t entre a presença durante o parto e a vinculação paterna
Tabela 20 – Teste t entre a idade e o bonding paterno
83
Tabela 21 – Teste One-Way ANOVA entre as habilitações literárias e o bonding
paterno
84
Tabela 22 – Teste Tukey entre os diferentes grupos de habilitações literárias
85
Tabela 23 – Teste Kruskal-Wallis entre o estado civil e o bonding paterno
85
Tabela 24 – Teste One-Way ANOVA entre a duração da relação e o bonding
paterno
86
Tabela 25 – Teste t entre o primeiro filho e o bonding paterno
86
Tabela 26 – Teste t entre o tipo de parto e o bonding paterno
87
Tabela 27 – Teste U de Mann-Whitney entre a gravidez planeada e o bonding
paterno
87
Tabela 28 – Teste U de Mann-Whitney entre a gravidez desejada e o bonding
paterno
88
Tabela 29 – Teste U de Mann-Whitney entre a presença nas consultas de
vigilância pré-natal e o bonding paterno
89
Tabela 30 – Teste U de Mann-Whitney entre a primeira ecografia e o bonding
paterno
89
Tabela 31 – Teste U de Mann-Whitney entre os movimentos fetais e o bonding
paterno
90
Tabela 32 – Teste U de Mann-Whitney entre falar com o bebé durante a
gravidez e o bonding paterno
90
Tabela 33 – Teste U de Mann-Whitney entre as aulas de preparação para o parto
e o bonding paterno
91
Tabela 34 – Teste U de Mann-Whitney entre a presença durante o trabalho de
parto e o bonding paterno
91
Tabela 35 – Teste U de Mann-Whitney entre o conhecimento de todos os
acontecimentos decorrentes do trabalho de parto e o bonding
paterno
92
Tabela 36 – Teste t entre a participação activa no trabalho de parto e o bonding
paterno
Tabela 37 – Teste t entre a presença durante o parto e o bonding paterno
92
93
Tabela 38 – Teste U de Mann-Whitney entre o corte do cordão umbilical e o
bonding paterno
93
Tabela 39 – Teste t entre a importância do pai cortar o cordão umbilical e o
bonding paterno
94
Tabela 40 – Teste U de Mann-Whitney entre pegar no bebé e o bonding paterno
94
Tabela 41 – Teste U de Mann-Whitney entre vestir o bebé e o bonding paterno
95
Tabela 42 – Correlação de Pearson entre o bonding positivo e a vinculação
paterna
96
Tabela 43 – Correlação de Pearson entre o bonding negativo e a vinculação
paterna
98
Tabela 44 – Correlação de Pearson entre o bonding not clear e a vinculação
paterna
Tabela 45 – Correlação de Pearson entre o bonding total e a vinculação paterna
99
101
ÍNDICE DE QUADROS
Pág.
Quadro 1 – Regressão múltipla entre o bonding positivo e vinculação paterna
97
Quadro 2 – Regressão múltipla entre o bonding negativo e a vinculação paterna
99
Quadro 3 – Regressão múltipla entre o bonding not clear e a vinculação paterna
100
Quadro 4 – Regressão múltipla entre o bonding total e a vinculação paterna
102
ÍNDICE DE FIGURAS
Pág.
Figura 1 – Esquema conceptual da investigação
53
Figura 2 – Síntese das relações entre a vinculação do pai e bonding
103
ÍNDICE DE ABREVIATURAS E SIGLAS
EVA – Escala de Vinculação do Adulto
EPE – Entidade Pública Empresarial
TP – trabalho de parto
Cit. por – segundo, conforme
et al – e outros
OM – Ordenação Média
SPSS  Statistical Package for Social Sciences
23
1. INTRODUÇÃO
A parentalidade, como um processo, é tao arcaico como a humanidade. É um
fenómeno influenciado por inúmeros factores, tais como, características individuais da criança
e dos pais, da família e da sociedade em que os membros estão inseridos.
Com o nascimento do primeiro filho, inicia-se uma nova fase de transição do ciclo
vital da família. A família tem de se reorganizar, definir papéis parentais e funções, e que
terão impacto daí por diante.
Com as mudanças ocorridas no mercado de trabalho, tem-se assistido a uma
demarcação do papel parental clássico desempenhado pelo pai. Actualmente, o pai já não é
apenas visto como uma figura de autoridade e alheio às necessidades básicas, relacionais e
emocionais do seu filho, mas antes como um elemento activo na tríade. Assim, cada vez mais,
o pai desempenha uma tarefa importante, quer durante a gravidez, quer no parto, sendo suas
funções nestes processos, dar apoio emocional e protecção à grávida. Contudo, a transição
para a parentalidade no homem implica grandes momentos de stress e ansiedade (CONDON;
BOYCE; CORKINDALE, 2004).
As consequências do envolvimento emocional do pai com o bebé manifestam-se no
pai essencialmente pela sua responsabilização social, pela vontade em participar nos cuidados
ao bebé e pelo envolvimento familiar. Para o bebé, os resultados deste envolvimento são de
extrema importância, uma vez que lhe permite a sobrevivência e aumenta as suas capacidades
cognitivas, sociais e psicológicas (BRANDÃO, 2009).
De forma gradual, o papel do pai está a passar de um simples observador para
participante activo na relação entre a mãe e o bebé. Este facto consta na Lei nº 14/85, artigo
1º, que refere que as parturientes têm o direito à presença do pai (ou outro significativo, se a
mãe o desejar) durante o trabalho de parto e durante o parto. O acompanhamento do pai no
parto consagra a oportunidade para que o casal, partilhe a ocasião como parte da vida
conjugal, transformando-se num momento importante para o crescimento da relação e mais
ainda para a aceitação da parentalidade (CARVALHO, 2003).
24
Este acompanhamento por parte do marido ou familiar durante a gravidez, preparação
para o parto e parto adquiriu um papel fundamental para casal. As cerca de 40 semanas que
antecederam o parto, podem e devem servir como um período de aprendizagem e adaptação
para a parentalidade. O envolvimento do pai durante a gravidez possibilita a criação de laços
afectivos, que se iniciam desde o momento em que visualiza o feto na primeira ecografia, que
ouve os batimentos cardíacos e percepciona os movimentos fetais, assim como com o
crescimento uterino (PICCININI et al., 2004).
Neste sentido, a teoria da vinculação foi importante para conhecer o desenvolvimento
do indivíduo e a sua personalidade, mas também para a compreensão do vínculo, duradouro e
estável, que é estabelecido entre os pais e a criança e que é o motivo de o ser humano se unir
emocionalmente a outro.
Esta temática tem sido uma área de interesse para os investigadores, principalmente o
bonding entre a mãe e o bebé. No entanto, no que concerne à ligação emocional pai-bebé, o
mesmo já não acontece. Apesar disso, várias estudos com ambos os progenitores, têm vindo a
assumir que, quer as mães, quer os pais, apresentam tendencialmente resultados semelhantes,
querendo isto dizer que as características que têm impacto no estabelecimento do bonding
entre a mãe e o bebé, operam também no estabelecimento do laço afectivo entre a díade paifilho. Os factores que mais parecem influenciar o bonding parental são relativas às
características do progenitor, entre elas, o tipo de vinculação parental, do bebé, mas também
da gravidez e parto (FIGUEIREDO et al. 2005a).
Neste seguimento e pela quase inexistência de investigações neste domínio temático,
surge a vontade de explorar mais este tema, através do desenvolvimento deste trabalho
intitulado de: Influência da vinculação do adulto no estabelecimento do bonding pai-filho
no nascimento, sendo nosso objectivo geral investigar, de que forma, as características sóciodemográficas, obstétricas, do envolvimento paterno na gravidez, trabalho de parto e parto, e
psicológicas, nomeadamente, o papel do estilo de vinculação paterna, influenciam o
estabelecimento do bonding pai-filho.
Suportado por uma revisão criteriosa da literatura, surgiram-nos as quatro questões de
investigação que, no nosso entendimento, são importantes de serem estudadas e respondidas,
são elas: Em que medida as variáveis sócio-demográficas (idade; habilitações literárias;
estado civil; duração do relacionamento) influenciam o estabelecimento do bonding entre pai
e filho?, De que forma, as variáveis obstétricas (número de filhos; tipo de parto; gravidez
desejada e planeada) influenciam o estabelecimento do bonding?, Que influência o
25
envolvimento do pai na gravidez, trabalho de parto e parto (participação nas consultas de
vigilância; presença na primeira ecografia; interacção do pai com o bebé; participação nas
aulas de preparação para o parto; presença durante o trabalho de parto e no parto;
conhecimento de todos os acontecimentos decorrentes do trabalho de parto; participação
activa no trabalho de parto; corte do cordão umbilical e importância de o fazer; cuidados com
o bebé) têm no bonding?, e Qual a influência da vinculação paterna no estabelecimento do
bonding?.
Em consequência das questões levantadas, surgem os seguintes objectivos específicos:
analisar o perfil sócio demográfico do pai; caracterizar a história obstétrica; determinar o
envolvimento do pai na gravidez actual, trabalho de parto e parto; caracterizar o tipo de
envolvimento emocional do pai com o bebé nas primeiras 48 horas de vida; caracterizar a
vinculação do pai na idade adulta; estudar de que forma o tipo de bonding é influenciado por
variáveis sócio demográficas (idade, estado civil, duração do relacionamento), envolvimento
na gravidez, trabalho de parto e parto (como a presença nas consultas de vigilância, sensação
dos movimentos fetais, presença na primeira ecografia, presença no trabalho de parto e
presença no parto) e psicológicas (vinculação do adulto).
Este estudo teve por base uma amostra constituída por 349 progenitores masculinos,
presentes nos serviços de obstetrícia do Hospital Infante D. Pedro - EPE, Centro Hospitalar
Tondela Viseu - EPE, Hospital Sousa Martins na Guarda, no período de tempo decorrido
entre Julho a Outubro de 2011. O instrumento de colheita de dados foi administrado até às 48
horas após o nascimento do bebé.
O protocolo de avaliação que foi administrado aos pais foi constituído por duas partes.
Na primeira parte é contemplado um questionário, onde era avaliado as características sóciodemográficas, obstétricas e o envolvimento do pai na gravidez, trabalho de parto e parto. A
segunda parte era composta por duas escalas de auto-resposta, nomeadamente, a Escala de
Vinculação do Adulto (CANAVARRO; DIAS; LIMA, 2006) e a Escala Bonding
(FIGUEIREDO et al., 2005a).
O presente trabalho distribui-se por duas partes fundamentais, dividida por capítulos.
Assim, na primeira parte e primeiro capítulo, apresentamos os aspectos mais relevantes da
teoria da vinculação. No segundo, fazemos referência à temática do bonding e à importância e
evolução do papel do pai ao longo do tempo, no que concerne ao acompanhamento da
gravidez e nascimento do bebé.
26
Na segunda parte do estudo, exploramos empiricamente o trabalho, contemplando os
objectivos, as questões da investigação e os procedimentos realizados, não esquecendo os
princípios éticos inerentes. Esta parte conta ainda com a apresentação e discussão dos
resultados do estudo empírico em função dos dados obtidos e da componente teórica,
contemplando as limitações da investigação e sugerindo algumas questões para estudos
futuros. Por fim, surge a conclusão que pretende proceder a uma análise reflexiva sobre as
questões de investigação que dinamizaram o nosso trabalho.
27
PARTE I
E
NQUADRAMENTO TEÓRICO
29
2. TEORIA DA VINCULAÇÃO
Com a publicação da primeira obra da trilogia Attachment and Loss, na década de 70,
John Bowlby impulsiona os estudos acerca da teoria da vinculação. Na década seguinte, com
a realização do procedimento experimental, Situação Estranha, Mary Ainsworth dá um
contributo extremamente importante a esta teoria, por testar empiricamente algumas das
questões teóricas anteriormente formuladas por Bowlby (SOARES, 2000).
Nos anos subsequentes, foi notório o interesse por esta temática devido ao elevado
número de investigações realizadas e pelo estudo de diversas questões, tais como a
estabilidade e mudança dos diferentes padrões de vinculação, o carácter desenvolvimental da
vinculação, bem como as implicações da vinculação na compreensão da psicopatologia e da
psicoterapia (CANAVARRO, 1999; SOARES, 2000).
De acordo com Bowlby (1969), os seres humanos nascem com um conjunto
diversificado de comportamentos – comportamentos de vinculação – que resultam na
obtenção ou manutenção da proximidade a uma determinada figura, concebida como
protectora. Essa figura de vinculação, por norma, proporciona protecção das ameaças físicas e
psicológicas, promove a exploração de forma segura e saudável do ambiente e ajuda a criança
a aprender a regular eficazmente as suas emoções (SHAVER; MIKULINCER, 2009).
Alguns desses comportamentos de vinculação, como sorrir ou vocalizar, são
comportamentos de sinalização, que alertam o cuidador para a procura de interacção por parte
da criança, servindo desta forma para se aproximar desta. Outros comportamentos, tais como
chorar, são aversivos, mas também aproximam a mãe/pai da criança para os cessar
(CASSIDY, 2008).
Estes comportamentos da criança de procura de proximidade são organizados por um
sistema comportamental adaptativo, com raízes biológicas, denominado de sistema
comportamental de vinculação. Este surgiu ao longo da evolução, aumentando a
probabilidade de sobrevivência e reprodução da espécie, uma vez que o bebé nasce com
capacidades imaturas para adquirir comida, mover-se, ou defender-se. Este sistema orienta a
escolha, a activação e o fim dos comportamentos de procura de proximidade com o objectivo
30
de garantir protecção e suporte de outros significativos em situações de adversidade
(SHAVER; MIKULINCER, 2009).
O sistema comportamental de vinculação é activado em alturas de ameaça ou perigo,
fazendo com que a criança procure a figura de vinculação para suporte, conforto ou protecção
através da execução de comportamentos de procura de proximidade, tais como, rir, chorar,
agarrar-se e seguir a figura de vinculação, e o gesto de levantar os braços. Assim que a criança
percepciona que está segura, o sistema de vinculação torna-se menos activo e a criança focase na exploração do meio, fazendo aumentar o comportamento de exploração (BENNETT;
NELSON, 2010). Embora o sistema de vinculação seja mais importante no início da vida,
porque as crianças são mais dependentes da proximidade com a figura de vinculação, Bowlby
postula que se encontra activo ao longo do ciclo de vida e vai-se manifestando através de
pensamentos e comportamentos relacionados com a procura de proximidade em alturas de
maior necessidade (SHAVER; MIKULINCER, 2009; ZEIFMAN; HAZAN, 2008).
Assim, o sistema de vinculação mantém o equilíbrio entre o comportamento de
exploração e o comportamento de vinculação, sendo estes influenciados pela percepção que a
criança tem da disponibilidade (acessibilidade psicológica da figura de vinculação no sentido
de dar atenção aos sinais e comunicação do bebé) e sensibilidade (capacidade da figura de
vinculação para perceber e interpretar adequadamente os sinais e comunicações implícitas no
comportamento do bebé e responder de forma adequada e contingente) da figura de
vinculação e os perigos presentes no meio. Se a criança percepciona a separação da sua figura
de vinculação como uma ameaça ao seu bem-estar, tenta manter-se junto desta para que a
proteja, logo, o comportamento de vinculação é mais evidente quando a criança está numa
situação de ameaça aparente. Nestas ocasiões, a figura de vinculação tem o papel de base
segura, uma vez que a criança se aproxima desta à procura de tranquilização e conforto. Se,
pelo contrário, a criança não percepciona o meio como sendo perigoso, envolve-se em
comportamentos de exploração do meio (FENNEY; NOLLER, 1996).
Por outro lado, se a criança se sente segura e confiante com a figura de vinculação,
tem mais probabilidade de ser mais sociável e menos inibida e de brincar e explorar mais. Ao
passo que, uma criança que se sinta insegura e com falta de confiança na figura de vinculação,
tem mais propensão, tanto de responder com medo e ansiedade, originando comportamentos
de choro e de se agarrar à figura, como de defesa, que neste caso evita o contacto próximo
com a figura de vinculação (FENNEY; NOLLER, 1996).
31
Para Ainsworth e Bowlby (CASSIDY, 2008), o laço de vinculação é um tipo
específico de uma classe mais alargada de laços afectivos. Ao longo da vida, o ser humano
forma vários laços afectivos importantes que não são vinculação. De forma a distinguir os
laços de vinculação de laços afectivos, Ainsworth estabeleceu alguns critérios. Deste modo,
os laços afectivos são caracterizados por serem persistentes e não transitórios, envolverem
uma pessoa específica, a relação ser emocionalmente significativa, o indivíduo desejar manter
a proximidade com o outro, sentir mal-estar quando a outra pessoa se separa
involuntariamente. Para que estes laços possam ser de vinculação é necessário estar presente
mais um critério, para além destes cinco, nomeadamente, o indivíduo procurar segurança e
conforto na relação com a outra pessoa.
Relativamente à hipótese da existência de múltiplas vinculações na infância, Bowlby
refere três proposições. A primeira diz que a maioria das crianças pode estabelecer mais do
que uma relação de vinculação, e frequentemente são criadas com os familiares. Quase
sempre, a mãe constitui uma figura de vinculação para a criança. O pai, visto actualmente
como um cuidador competente, também costuma ser utilizado como figura de vinculação. A
segunda postula que, o potencial número de figuras de vinculação não é ilimitado e que, de
acordo com alguns estudos efectuados, as crianças não estabelecem este tipo de relação com
mais do que três ou quatro pessoas. Por último, e apesar de poderem existir múltiplas figuras
de vinculação, assume-se que a criança forma uma hierarquia de vinculação, fazendo com que
esta tenha tendência a preferir uma determinada figura de vinculação para lhe dar conforto e
segurança em detrimento de outra – monotropia (CASSIDY, 2008).
2.1. ESTILOS DE VINCULAÇÃO
A partir da construção de um procedimento laboratorial de avaliação da vinculação –
Situação Estranha –, Ainsworth desenvolveu o sistema de classificação da vinculação.
A Situação Estranha tornou-se a medida estandardizada para avaliar a qualidade da
vinculação da díade criança-cuidador. Este procedimento tem a duração de 20 minutos e o
cuidador e a criança (entre os 12 e os 18 meses de idade) são submetidos a uma sequência fixa
de várias fases: 1) a mãe e a criança entram numa sala desconhecida com brinquedos; 2) uma
pessoa estranha entra na sala e junta-se a eles; 3) a mãe sai discretamente da sala deixando a
criança com o estranho; 4) a mãe retorna à sala e o estranho sai; 5) a mãe sai da sala, ficando a
32
criança sozinha; 6) o estranho retorna à sala; e 7) a mãe retorna à sala (FISHER;
CRANDELL, 2001).
Dependendo da resposta do bebé aos episódios de separação (fase 3 e 5) e de reunião
(fase 4 e 6), a criança é classificada tendo em conta três padrões de vinculação: padrão A –
inseguro-evitante, padrão B – seguro, e padrão C – inseguro-ansioso.
As crianças classificadas com o padrão de vinculação inseguro-evitante, geralmente
não mostram mal-estar durante a separação, mas tendem a evitar a mãe após a reunião.
Adicionalmente, mostra uma exploração independente da mãe e há uma baixa partilha de
afectos (FISHER; CRANDELL, 2001). Deste modo, verifica-se um predomínio do
comportamento exploratório sobre o de vinculação (CICCHETTI et al., 1995). A figura de
vinculação de um bebé com este tipo de vinculação é consistentemente insensível às
necessidades de vinculação da criança, tem dificuldade na procura de contacto físico com o
filho, evita expressões de carinho físico e de expressões de emoções na interacção com a
criança (ATKINSON; GOLDBERG, 2004).
Para as crianças classificadas como tendo o padrão de vinculação seguro, a mãe é uma
base de segurança para exploração do ambiente e não tem dificuldade em partilhar emoções.
Em situações de separação, a criança pode mostrar ou não mal-estar. Após reunião, quando
está agitada, procura imediatamente o contacto e este põe fim à agitação; quando não está
agitada, mostra-se satisfeita por ver a mãe e dá início à interacção (FISHER; CRANDELL,
2001). Assim, constata-se uma alternância entre comportamentos de exploração e de
vinculação (CICCHETTI et al., 1995). A figura de vinculação de uma criança com vinculação
segura é consistentemente sensível às necessidades da criança, é sensitiva e responsiva, e
procura activamente o contacto e interacção com esta (ATKINSON; GOLDBERG, 2004).
As crianças classificadas com o padrão de vinculação inseguro-ansioso, mostram um
mal-estar marcado após a separação e geralmente procuram contacto com a mãe após reunião.
No entanto, não se acalmam com a mãe a tentar confortá-los. Continuam a gritar e a chorar,
mostrando simultaneamente procura e resistência ao contacto. Tendem a monitorizar
continuamente a localização da mãe e tem dificuldade em se isolar para explorar o ambiente
(FISHER; CRANDELL, 2001), verificando-se um predomínio do comportamento de
vinculação sobre o de exploração (CICCHETTI et al., 1995). A figura de vinculação destas
crianças é inconsistentemente responsiva às necessidades de vinculação da criança
(ATKINSON; GOLDBERG, 2004).
33
Mais recentemente, Main e Solomon identificaram uma quarta categoria, o padrão D –
desorganizado. As crianças com este tipo de padrão de vinculação manifestam uma sequência
de padrões comportamentais contraditórios, movimentos e expressões incompletos ou
indirectos;
comportamentos
estereotipados
e
movimentos
assimétricos
(FISHER;
CRANDELL, 2001).
2.2. VINCULAÇÃO NA IDADE ADULTA
Os comportamentos de vinculação e os laços afectivos estão presentes e activos ao
longo de todo o ciclo de vida. Um adulto estar vinculado a um cônjuge, a um namorado,
amigo ou a um familiar é comum, normal e saudável.
O papel de base segura observado na infância é semelhante ao da vinculação na vida
adulta. Os comportamentos de vinculação do adulto mostram o desejo de proximidade à
figura de vinculação quando stressado, aumento do conforto na presença da figura de
vinculação e ansiedade quando a figura de vinculação está inacessível (WEISS, 1982).
Bowlby e outros autores sugeriram que, como resultado das experiências de
vinculação precoces, a criança acumula conhecimento e desenvolve um conjunto de
representações mentais, denominadas de modelos internos dinâmicos sobre si próprio, os
outros e o mundo. Numa fase inicial, estes modelos possibilitam a criança interpretar e prever
o comportamento da figura de vinculação, e ao longo da vida têm a função de orientar o
comportamento do indivíduo (CANAVARRO; DIAS; LIMA, 2006). Estes modelos internos
dinâmicos, habitualmente não conscientes, regulam o sistema comportamental de vinculação,
são resistentes à mudança e tendencialmente estáveis, contudo são passíveis de serem
alterados. A mudança pode acontecer se o indivíduo, através de experiências de vinculação
significativas, desconfirmar experiências anteriores e/ou se conceptualizar as suas
experiências passadas de outra forma (CANAVARRO; DIAS; LIMA, 2006). Bowlby referiu
que os comportamentos de vinculação “caracterizam o ser humano desde o berço até à
sepultura” (1980, p. 129) e que são essenciais na infância. Estes continuam presentes ao longo
de todo o ciclo de vida, sendo na vida adulta mais evidentes em alturas de maior adversidade.
Existem três congruências entre a vinculação durante a idade adulta e a vinculação
durante a infância. A primeira diz respeito à similaridade de características emocionais, ou
seja, independentemente da figura de vinculação em causa, quer na infância quer na idade
34
adulta, os sentimentos associados à activação dos comportamentos de vinculação são os
mesmos: propriedades motivacionais para dirigir a atenção e protesto aquando a separação. A
generalização da experiência constitui a segunda coerência. Por outras palavras, os elementos
emocionais, particularmente a falta de confiança na disponibilidade da figura de vinculação,
ligados à vinculação durante a infância são expressos nas relações de vinculação na idade
adulta. Por último, é referida a ligação temporal. Evidencia-se a formação de relações de
vinculação com pares, na idade adulta e há uma diminuição dos progenitores como figuras
primárias de vinculação (HAZEN; SHAVER, 1987; ROTHBARD; SHAVER, 1994; WEISS,
1982; WEST; SHELDON-KELLER, 1994 cit. por CANAVARRO; DIAS; LIMA, 2006).
Por sua vez, foram enumeradas as dissemelhanças entre a vinculação durante a idade
adulta e a vinculação durante a infância, tais como, as relações de vinculação nos adultos
serem especialmente estabelecidas entre pares; o sistema comportamental de vinculação já
não se destacar de outros sistemas (uma vez que a sobrevivência já não está em jogo); as
relações estabelecidas na adultez já poderem ser de natureza sexual; serem necessários
acontecimentos indutores de stress mais fortes para activar comportamentos de vinculação
(uma vez que com o desenvolvimento da capacidade de representação, permite fixar a figura
de vinculação mesmo na sua ausência física); durante a idade adulta, as relações de
vinculação já não serem de essência complementar, mas de reciprocidade (o adulto presta e
recebe cuidados alternadamente, consoante o contexto e as necessidades de cada um na
relação) (CANAVARRO; DIAS; LIMA, 2006).
2.3. TRANSMISSÃO INTERGERACIONAL DA VINCULAÇÃO
A transmissão intergeracional da vinculação refere-se ao processo pelo qual as
representações mentais do pai/mãe das suas experiências de vinculação prévias influenciam o
seu comportamento parental e a qualidade da relação de vinculação com o seu filho (BELKY,
2005; VAN IJZENDOORN; BAKERMANS-KRANENBURG, 1997).
Várias investigações efectuadas na Sociedade Ocidental, têm mostrado existir
concordância entre a vinculação parental e a vinculação do filho, provando que a vinculação
pode ser transmitida entre gerações. No entanto, o que permanece por esclarecer são os
mecanismos em que essa transmissão é feita (BELKY, 2005).
35
Os autores têm estudado também os mediadores da vinculação entre a mãe/pai e a
criança. Assim, têm surgido vários mediadores, tais como, a parentalidade sensitiva e
responsiva (que envolve resposta), atmosfera emocional em casa e a qualidade conjugal
(VAN IJZENDOORN; BAKERMANS-KRANENBURG, 1997).
Quando o indivíduo, quer seja uma criança, adolescente ou adulto, passa por
acontecimentos e experiências desconfirmatórias e que promovem a modificação do seu
modelo interno dinâmico de vinculação, verifica-se uma descontinuidade da vinculação,
esperando-se uma descontinuidade inter e intrageracional (BELKY, 2005).
A vinculação é um factor preponderante na forma como cada indivíduo interpreta e
reage às situações, e se liga afectivamente a outras pessoas, pelo que, na fase adulta, o tipo de
vinculação que a pessoa estabelece com outra vai ser influenciada pelas representações
mentais das suas experiências de vinculação prévias. Assim, um pai com um padrão de
vinculação seguro tenderá a transmitir ao filho que o ambiente que o rodeia é seguro para
explorar, mostra-lhe abertamente as suas emoções, incentivando-o a fazer o mesmo. Pelo
contrário, um pai caracterizado por uma vinculação insegura-evitante transmite ao filho que
ele não está disponível para responder às suas necessidades, não mostra os afectos, não
interagindo com ele. Por último, um pai com um padrão de vinculação inseguro-ansioso
transmite ao filho que o mundo é um lugar perigoso, pelo que tem de estar sempre perto do
progenitor.
Assim, para melhor se compreender a forma como esta transmissão da vinculação é
feita, o papel dos pais tem sido estudado em múltiplas situações que se consideram ser
importantes para o estabelecimento da vinculação, tais como no nascimento e pós nascimento.
37
3. EVOLUÇÃO E TRANSIÇÃO PARA A PATERNIDADE
3.1. EVOLUÇÃO DO PAPEL PARENTAL
Historicamente, a gravidez e o parto foram experienciados como um acontecimento
unicamente do universo feminino, presenciado pelos elementos do grupo social da parturiente
e que a auxiliavam durante o trabalho de parto, como a mãe, parentes, vizinhas e a parteira.
No século XVIII, o parto deixou de ser um acontecimento exclusivamente feminino e feito em
casa, para passar a ser vivenciado em ambiente hospitalar, com o acompanhamento de um
médico (MOTTA; CREPALDI, 2005), o que ainda hoje perdura.
Assim, os papéis assumidos por pais e mães sempre se mostraram diferentes.
Enquanto que a mãe sempre assumiu o papel de cuidadora primária, o pai era o provedor das
necessidades materiais da família, com a função de apoiar indirectamente a mãe e o bebé
(PICCININI et al., 2004).
Contudo, várias e profundas transformações, económicas, sócio-demográficas e
culturais, principalmente a entrada massiva da mulher no mercado de trabalho, têm ocorrido
nas últimas décadas, o que levou a uma mudança na estrutura tradicional da família e nas
expectativas acerca dos papéis a desempenhar pelas figuras parentais (MONTEIRO et al.,
2008). O envolvimento das mulheres no campo profissional e o papel social do trabalho
feminino que assistimos nos dias de hoje, abre caminho para a participação dos pais nos
cuidados dos seus filhos (PICCININI et al., 2004). Para além disso, têm contribuído também
para a dissociação dos papéis parentais, outros factores, como o divórcio, o surgimento de
novas formas de família (famílias monoparentais, homoparentais, recombinadas),e as novas
técnicas de procriação medicamente assistida (GOMEZ, 2005).
Com a mudança da mulher, em termos de responsabilidades na esfera familiar e
profissional, assiste-se assim à mudança do homem, que se mostra mais afectuoso e envolvido
activamente no dia-a-dia dos filhos. Os papéis de mãe e de pai deixaram de ser específicos,
rígidos, complementares e atribuídos de acordo com o género, passando para a ideia de coparentalidade, em que ambos os pais distribuem, de uma forma mais igualitária, as
38
responsabilidades e tarefas a vários níveis, tais como o financeiro, doméstico e obviamente
nos cuidados à criança (MONTEIRO et al., 2008).
De acordo com Piccinini et al. (2004), os pais têm vindo a assumir outras tarefas
relacionadas com os filhos, fazendo com que o estereótipo do pai incompetente e
desinteressado com os cuidados primários diminua.
Apesar de estarmos a assistir a uma mudança de paradigma, ainda continua muito
enraizada na sociedade ocidental a crença de que a mulher é a primeira prestadora de cuidados
e o pai como substituto ou apenas como companheiro de brincadeiras. Assistimos a uma
mudança lenta, mas contínua, no sentido de alcançar uma perspectiva da parentalidade mais
modernista e menos conservadora, isto é, os pais desempenharem um papel mais activo na
vida dos filhos (MONTEIRO et al., 2008).
3.3. PARENTALIDADE EM TRANSIÇÃO
De acordo com uma perspectiva de ciclo de vida, a transição para a paternidade
começa com o nascimento do primeiro filho, contudo, o processo inicia-se muito antes
(GOMEZ, 005).
O nascimento de um filho, principalmente quando é o primeiro, é um acontecimento
que acarreta grandes mudanças e que tem impacto na vida do indivíduo (CANAVARRO;
PEDROSA, 2005). Este é um evento normativo no ciclo de vida de uma família, contudo,
pode ser uma fonte de stress pelas exigências na prestação de cuidados, pela reorganização
individual, conjugal, familiar e profissional, mas pode ser, simultaneamente, fonte de grande
satisfação, pela realização pessoal que promove, pelo novo significado que atribui à vida dos
pais e pela aproximação que pode causar nos membros do casal e da família em geral
(MOURA-RAMOS; CANAVARRO, 2007).
O início da vida do bebé acciona, invariavelmente, um processo irreversível, que
modifica permanentemente a identidade, papeis e funções dos pais e de toda a família. Todo
este processo exige um tempo de reajustamento, durante o qual o recém-nascido toma o seu
espaço e se redefinem as relações entre os restantes membros (CANAVARRO; PEDROSA,
2005).
Apesar do nascimento de um filho ser um acontecimento que envolve o casal e
39
também toda a família, pais e mães tendem a adaptar-se de forma distinta, em função de
vários factores, nomeadamente das suas características pessoais, das características do bebé e
também das características do seu contexto social mais alargado (BELSKY, 1984 cit. por
MOURA-RAMOS;CANAVARRO, 2007).
Ambos os elementos do casal passa por um processo de adaptação e reajuste
emocionais, para vivenciar a parentalidade. Os processos psicossociais vivenciados pela
mulher durante a gravidez são também identificados no companheiro, porém, nele, são
marcados pela dinâmica psíquica masculina e pelo papel social que ele cumprirá nesse
momento, fazendo com que a paternidade seja um momento de transição e de possibilidade de
crescimento emocional (VIDELA, 1997; LEF, 1997 cit. por MOTTA; CREPALDI, 2005)
Na transição para a parentalidade, ambos os elementos do casal se deparam com várias
tarefas a realizar, que condicionam a sua adaptação, sendo a ligação ao feto uma delas. É logo
desde o início da gravidez que se desencadeia a ligação dos pais ao filho em gestação, ou
vinculação pré-natal (SAMORINHA, FIGUEIREDO, CRUZ, 2009).
41
4. ESTABELECIMENTO DO BONDING PAI-FILHO NO NASCIMENTO
Na literatura tem-se verificado diferentes perspectivas no que toca às definições de
vinculação e/ou bonding. Para uns autores, estes conceitos têm o mesmo significado e são
utilizados de forma permutável. Enquanto que outros teóricos (BUSH, 2001; CARTER;
AHNERT, 2005) fazem a distinção entre vinculação e bonding1.
Os termos vinculação e bonding são utilizados para descrever o laço emocional
intenso que se desenvolve entre a criança e o seu cuidador primário nos primeiros meses e
anos da sua vida. A dissemelhança entre eles reside no ponto de vista em que essa ligação é
feita. Neste sentido, a vinculação é definida como o laço emocional duradouro entre a criança
e o cuidador, enquanto que o bonding diz respeito ao laço emocional inicial que a mãe/pai
estabelece com a criança e que se desenvolve durante os primeiros contactos (BUSH, 2001).
Marshall Klaus e John Kennell introduziram o termo bonding para enfatizar o facto de
a mãe ser dotada para desenvolver fortes laços com o seu bebé. Para estes autores, o período
pós-parto é um tempo de sensitividade emocional única da mãe relativamente ao recémnascido (FIGUEIREDO et al, 2005b). Esta reflexão foi amplamente aceite, até que começou a
receber críticas de psicólogos referindo que este tipo de relação também poderia ser formada
por outros cuidadores, tais como o pai ou outros significativos (CARTER; AHNERT, 2005).
Há no entanto, algumas investigações que mostram que o laço afectivo entre o
cuidador e o bebé não surge imediatamente após o parto, mas nos tempos posteriores
(FIGUEIREDO et al, 2007). Desta forma, o bonding é estabelecido de forma gradual,
intensificando-se ao longo do primeiro ano de vida (FIGUEIREDO et al, 2005a).
Apesar de ser consensual que o investimento afectivo dos pais e a qualidade dos
cuidados são factores decisivos para o desenvolvimento e bem-estar do bebé, poucos são os
estudos existentes com o propósito de explorar mais esta temática. Quando se pretende
compreender a ligação afectiva entre o pai e o bebé, esses estudos ainda são mais escassos
(FIGUEIREDO et al, 2005b). No entanto, os autores (FIGUEIREDO et al., 2007) hipotetizam
1
No presente trabalho, optou-se por utilizar vinculação e bonding como conceitos distintos, uma vez que o
objectivo de estudo é analisar de que forma a vinculação do pai irá influenciar o estabelecimento do laço
afectivo – bonding – entre o pai e o bebé nas horas iniciais após o parto.
42
que o estabelecimento do bonding pai-bebé se estabeleça da mesma forma que o bonding
mãe-bebé.
Assim que o bebé nasce, realiza alguns comportamentos de vinculação tais como,
chorar, sorrir, seguir visualmente a mãe, que têm a função de estimular a ligação entre o bebé
e a mãe, bem como a relação inversa (FIGUEIREDO et al, 2007), fazendo com que o bonding
seja um processo interactivo (FIGUEIREDO et al, 2005b).
O estabelecimento do laço afectivo entre a mãe e o bebé é proporcionado pelas
mudanças hormonais que ocorrem na mãe, especificamente pelo aumento das hormonas
ocitocina e prolactina, que a tornam mais sensível e permitem-na responder de forma
contingente e adequada ao seu bebé (CARTER; AHNERT, 2005).
Para além deste factor que facilita o estabelecimento do bonding, Figueiredo et al.
(2005a), fazem referência a outras dimensões psicológicas e socioculturais, relacionadas com
o progenitor, com o bebé e com o parto, e que também têm impacto no vínculo entre este e o
bebé. May e Perrin (1985 cit. por GOMEZ, 2005), também referem a influência de vários
factores no bonding, mencionando que o grau de envolvimento dos pais, que pode diferir ao
longo da gravidez, depende de vários factores, tais como a personalidade, crenças sobre os
papeis sexuais, experiência prévia com serviços médicos ou o facto da gravidez ter sido
planeada e desejada ou não.
No estudo de Ramos et al. (2005, cit. por SOARES, 2008), constataram ainda que
níveis mais elevados de escolaridade estão associados a uma adaptação mais desajustada e
mais negativa quando comparados com níveis de escolaridade mais baixos, sendo que, os pais
cujo nível de escolaridade era mais elevado mostraram-se menos felizes, mais tristes e
ansiosos do que os pais com níveis mais baixos de escolaridade.
Relativamente ao primeiro factor, as características psicológicas do próprio progenitor,
nomeadamente o tipo de vinculação que apresenta e a forma como lida com a sua relação
conjugal parecem interferir na ligação emocional entre a díade pai-bebé (FIGUEIREDO et al,
2005b).
Algumas características do bebé também parecem influenciar o bonding, tais como os
efeitos resultantes de não ser desejado e da prematuridade, problemas de comportamento e de
não interagir adequadamente com outros (FIGUEIREDO et al, 2005a).
No segundo factor, são referidos o tipo de parto, o nível de dor que a mãe sente
durante o parto, a presença e o contacto com o bebé. Este último factor parece ser dos mais
43
importantes, visto que, quanto mais cedo a mãe contacta com o bebé nos momentos que se
seguem ao parto, mais rápido se observa o seu envolvimento emocional com o recém-nascido
(FIGUEIREDO et al. 2007).
4.1. ENVOLVIMENTO EMOCIONAL DURANTE A GRAVIDEZ
Durante a gestação, como o pai não contacta directamente com o filho, o vínculo que
estabelece com este é indirecto, uma vez que é mediado pela mãe. Contudo, as mudanças que
ocorrem nos pais durante o processo gravídico, não são independentes das mudanças das
futuras mães (PICCININI et al., 2004).
De acordo com May (1982, cit por PICCININI et al., 2004), as mudanças no
envolvimento emocional dos pais ocorrem em três fases. A primeira diz respeito ao período
desde a suspeita de gravidez até à sua confirmação. Aqui, os pais podem demonstrar reacções
diversas, tais como desconforto, stress e ambivalência. Na segunda fase, os sinais físicos da
gravidez ainda não são evidentes e os pais ainda não encaram a gravidez como uma realidade.
Assim, a característica predominante neste período é o distanciamento emocional. A última
fase, é caracterizada pela definição de pais, uma vez que vivenciam a gestação como real e
como sendo importante para as suas vidas. Geralmente, esta fase co-ocorre com o terceiro
trimestre da gestação, quando o nascimento do bebé está mais próximo e os pais se mostram
mais envolvidos e participativos com os preparativos para a chegada do recém-nascido.
Piccinini et al. (2004) realizaram uma investigação sobre o envolvimento paterno no
terceiro trimestre de gestação e concluíram que a maioria dos pais estavam muito envolvidos
na gravidez, querendo participar em todas as fases desta, mostrando grande disponibilidade
emocional para este processo.
Alguns estudos já efectuados (FIGUEIREDO et al. 2005b), revelam que quando os
progenitores não desejam nem planeam o bebé, tem consequências adversas no
estabelecimento do laço afectivo entre o pai e o bebé. No entanto, num estudo mais recente,
Ferreira, Laia & Néné (2010), obtiveram o resultado oposto. As autoras referem que a
ausência de diferenças do bonding em pais que inicialmente não planearam nem desejaram a
gravidez, comparativamente com pais que planearam e desejaram a gravidez, podem resultar
de existirem situações, sobretudo no início da gravidez, em que a gravidez não é planeada
44
nem desejada, mas que, com o decorrer da gestação, acaba por ser aceite e desejada, o que
pode ter como consequência, o aumento do envolvimento emocional do pai.
De acordo com vários autores (MALDONADO & COLS., 1997; PARKE, 1996 cit
por PICCININI et al., 2004; PEREIRA, 2009), os pais podem mostrar diversos
comportamentos que indicam o seu envolvimento emocional com o seu filho, tais como,
procurar sentir o bebé na barriga da companheira, acompanharem-nas às consultas de
vigilância pré-natal, ajudarem-nas a organizar os preparativos para a chegada do bebé e lerem
livros sobre o tema. Para além disso, o acompanhamento às ecografias, que permitem aos
casais visualizarem o desenvolvimento e os movimentos fetais, costumam encorajar o
interesse e envolvimento dos pais. A ecografia é muito atractiva para os pais porque,
contrariamente a outras formas de rastreio, concede aos pais uma confirmação visual da
gravidez e um contacto com o seu bebé por nascer. Desta forma, a ecografia, ao permitir o
reconhecimento do feto, reduz a ansiedade dos pais e estimula o desenvolvimento do bonding
pré-natal, o que promove a adaptação de comportamentos de saúde durante a gravidez
(PICCININI et al. 2004; SAMORINHA, FIGUEIREDO, CRUZ, 2009).
No outro extremo, encontramos pais que, desde cedo, encaram esta nova etapa das
suas vidas como sinónimo de dificuldades financeiras, levando a que fiquem mais
preocupados e ansiosos e aumentem a carga de trabalho, conduzindo frequentemente ao
afastamento do lar. Brazelton (1988 cit. por PICCININI et al., 2004), acrescenta ainda que as
preocupações com o aumento das responsabilidades para com a família e com as possíveis
consequências nas relações sexuais também são recorrentes nos pais.
Kitahara, Rossi, Grazziontin (2006) referem que quando um pai deseja um filho, está
ainda num plano de fantasia, mas que quando se projecta e imagina como pai, e recebe a
notícia da gravidez, é confrontado com as responsabilidades que deverão ser assumidas, o que
pode causar-lhe inseguranças e despreparo.
Segundo Brazelton e Cramer (1989, cit. por GOMEZ, 2005), as principais reacções do
pai que espera um filho, são os sentimentos de exclusão, visto que a mulher está autocentrada
e canaliza as atenções todas para si e de inutilidade. Souza (1997 cit por PICCININI et al.,
2004, refere ainda que alguns pais colocam-se como espectadores desinteressados,
justificando que os problemas relativos à gestação são de responsabilidade da mulher.
45
Brazelton & Cramer (1992, cit. por PICCININI et al., 2004) indicam que o
envolvimento do pai na gestação parece ter importantes implicações para o desenvolvimento
das primeiras relações pai-bebé.
De uma forma geral, o envolvimento paterno ao longo da gravidez pode variar
bastante, dependendo do desenvolvimento do bebé e das características de cada pai. Existem
igualmente diferenças na forma como os pais atravessam estes estágios, uma vez que há pais
que podem não conseguir envolverem-se com o seu filho em momento algum da gravidez
(PICCININI et al., 2004).
4.2. ENVOLVIMENTO EMOCIONAL NO TRABALHO DE PARTO E PARTO
A participação do pai no trabalho de parto é também reconhecida como fonte de apoio
à companheira, trazendo, igualmente, benefícios ao envolvimento perinatal. A vivência dos
cuidados do pai à parturiente no trabalho de parto depende das possibilidades de cada pai, da
relação entre o casal e das expectativas do homem e da mulher, nesse momento (VIDELA,
1997; CARVALHO, 2001 cit. por MOTTA; CREPALDI, 2005).
De acordo com Chandler e Field (1997) e Smith (1999) (cit. por MOTTA;
CREPALDI, 2005), os pais entrevistados após o trabalho de parto relataram que este foi mais
difícil e cansativo do que haviam imaginado e avaliaram a sua participação como não
satisfatória e aquém do esperado. Descrevera ainda que sentiam ansiedade e raiva, devido ao
tratamento dado pela equipa dos profissionais de saúde à parturiente e de não poderem
demonstrar os seus sentimentos às suas companheiras. Contudo, referem que houve aspectos
positivos na participação do trabalho de parto, tais como maior intimidade com a mulher,
admiração pela força da mulher e sensação de orgulho e satisfação com a chegada do bebé.
Para o pai, o parto é um momento de intensas emoções, que lhes possibilita a primeira
aproximação directa com o filho sem intermediações da mulher. Neste contexto, a
participação do pai no nascimento da criança é um dos momentos mais importantes da vida de
um homem, repleta de sentimentos contraditórios, como excitação, medo e gratificação
(PESTVENIDZE; BOHRER, 2007 cit por BRANDÂO, 2009).
Segundo GENESONI e TALLANDINI (2009), os pais relatam uma grande vontade de
participar no parto, mas ao mesmo tempo de saírem daquela situação. Os pais que participam
46
activamente no parto sentem-se mais felizes com a experiência e manifestam menos sintomas
depressivos. Com o estudo, de Piccinini et al. (2004), em que aplicaram uma entrevista aos
pais que presenciaram o trabalho de parto, estes afirmaram que se preocupam bastante com o
trabalho de parto, na possibilidade de as companheiras sentirem muitas dores e se tudo
decorreria sem complicações. Contudo, também pode acontecer que participar activamente no
trabalho de parto não influencia o estabelecimento do laço afectivo. Segundo Carvalho
(2003), isto pode-se dever ao facto de os pais se sentirem excluídos no processo do parto,
restando-lhe apenas dar apoio moral e conforto à companheira.
Para Brandão (2009), o corte do cordão umbilical feito pelo pai no nascimento parece
influenciar o envolvimento emocional entre o pai e o bebé, sendo interpretado, por muitos
pais, como sendo a contribuição que querem dar numa nova etapa na vida da tríade
(MENDES, 2007).
A Organização Mundial de Saúde (1996), com a elaboração do “Guia Prático para a
Assistência ao Parto Normal” (1996) e com a publicação da Lei n.º 14/85 de 6 de Julho de
1985, no nosso país, que estipula que a parturiente tem o direito legal de escolher alguém da
sua confiança para estar presente durante o trabalho de parto e nascimento do filho, propõem
a humanização da assistência à grávida.
A participação do pai no nascimento, como parte da humanização dos cuidados numa
sala de partos, aumenta o envolvimento entre o pai e o bebé e promove a formação do vínculo
entre eles (CARVALHO, 2003; TOMELERI; et al., 2007). Posto isto, quanto maior o seu
envolvimento durante o trabalho de parto e parto, maior é a sua confiança no seu novo papel
de pai (GREENHALGH; SLADE; SPIBY, 2000 cit. por BRANDÃO, 2009). Na maioria das
vezes, os pais descrevem o seu primeiro encontro com o seu filho com tanto ou mais
entusiasmo do que as mulheres (COLMAN; COLMAN, 1994 cit. por BRANDÃO, 2009).
Vários autores têm preconizado que a presença do acompanhante traz muitos
benefícios, como por exemplo, a redução da necessidade de medicações para alívio da dor, na
redução do tempo de trabalho de parto, do número de cesarianas e dos casos de depressão
pós-parto (DOMINGUES 2000, cit por KITAHARA, ROSSI, GRAZZIONTIN, 2006), bem
como a diminuição da ansiedade da parturiente, favorecendo, assim, a evolução do trabalho
de parto e a assistência prestada ao processo (TOMELERI et al., 2007).
Para as mulheres, a participação do pai durante o parto significa fonte de apoio
importante e avaliam a companhia dele de forma positiva, pois traz sensação de segurança e
47
conforto (CARVALHO, 2001; SOUZA PINTO, 2001; KLAUS; KENNELL; KLAUS, 2000
cit. por MOTTA; CREPALDI, 2005).
Certas práticas como a colocação do bebé sobre o abdómen da mãe e a promoção do
aleitamento imediatamente a seguir ao parto são vistos como práticas que ajudam no
estabelecimento do vínculo (KENNELL; MCGRATH, 2005 cit. por BRANDÂO, 2009).
Desta forma, constata-se que os laços afectivos começam desde cedo, sendo que o
envolvimento aumenta, com o primeiro sorriso que o pai dirige ao seu bebé, quando lhe corta
o cordão umbilical, quando o embala ou ainda quando lhe dá banho.
4.3. ENVOLVIMENTO EMOCIONAL E VINCULAÇÃO PATERNA
A gravidez, um período de transição, implica inúmeras mudanças que podem ser
atravessadas pelo pai com stress e mal-estar. Como tal, este precisa de apoio e de se sentir
próximo dos outros. Posto isto, o estilo de vinculação é um factor que pode ter impacto na
adaptação do pai a esta nova etapa da sua vida. A forma como este se vai colocar perante o
apoio e o suporte dos outros vai influenciar a qualidade das suas relações significativas, e
consequentemente o modo como se adapta e as dificuldades que pode sentir. De acordo com a
Teoria da Vinculação, o tipo de vinculação tem influência na forma como o indivíduo vê a
realidade e se adequa a ela, em especial quando estamos perante elevadas exigências
desenvolvimentais e/ou quando há a activação do sistema de vinculação. Desta forma, a
transição da parentalidade é um acontecimento que pode ser influenciado pelo estilo de
vinculação. Esta relação pode funcionar, sobretudo em momentos de maior stress ou
vulnerabilidade, quando a adaptação do indivíduo mais depende da mobilização do suporte,
pelo facto de as estratégias de vinculação influenciarem o modo como se relaciona e recorre
aos outros para apoio (FIGUEIREDO et al., 2006).
49
PARTE II
E
STUDO EMPÍRICO
51
5. METODOLOGIA
Neste capítulo pretende-se descrever detalhadamente os métodos utlizados para o
desenvolvimento do estudo de forma a responder ao objectivo da investigação.
Para tal, seguidamente é apresentado o objectivo e a conceptualização do estudo, onde
são referidos os motivos pelos quais esta investigação foi abraçada por nós. Posteriormente,
mencionamos as questões de investigação do estudo, os participantes, os instrumentos
utilizados e os procedimentos realizados.
5.1. OBJECTIVO E CONCEPTUALIZAÇÃO DO ESTUDO
Há já algumas décadas que o estudo do bonding se tem focalizado na mãe e em quais
as variáveis que podem influenciar o estabelecimento do laço afectivo entre a mãe e o bebé,
preterindo o pai deste processo.
O facto de exercer num serviço de obstetrícia de um hospital, fez-me contactar de
perto com esta realidade. Muitos dos pais que acompanham as suas companheiras estão
ansiosos, querem ajudar e sobretudo, mostram-se totalmente e incondicionalmente
disponíveis e empenhados para que o todo o processo que engloba o internamento, o trabalho
de parto e o parto corra da melhor forma. A gravidez e nascimento não são realizados pela
díade mãe-filho, mas antes pela tríade mãe-pai-filho. Posto isto, é fundamental que a
sociedade, em geral, e os técnicos de saúde, em particular, estejam mais sensíveis a esta
temática, que compreendam que o pai é uma parte integrante de todo o percurso da gravidez e
que também sofre mudanças desenvolvimentais e cognitivas com o novo papel que irá
desempenhar.
Por tudo isto, é necessário estudar e analisar os factores que poderão influenciar o
estabelecimento do laço afectivo entre o pai e o bebé. Pela revisão da literatura, em estudos
realizados com mães, sabemos que o bonding pode ser influenciado por características da
mãe, do parto e do próprio bebé. Apesar dos escassos estudos existentes sobre o bonding entre
52
pai e filho, os autores têm sugerido que o envolvimento emocional desta díade é influenciado
pelas mesmas características, nomeadamente, do pai, do parto e do bebé.
Neste sentido, o surgimento deste estudo teve como propósito colmatar a falta de
informação existente acerca do laço afectivo que é estabelecido entre o pai e o bebé. Assim,
pretendemos estudar o estabelecimento do bonding pai-filho e de que forma este é
influenciado por determinadas variáveis, nomeadamente, sócio-demográficas, de gravidez e
parto e psicológicas.
O objectivo geral deste trabalho consiste em investigar, de que forma, as
características sócio-demográficas, obstétricas, do envolvimento paterno na gravidez, trabalho
de parto e parto, e psicológicas, nomeadamente, o papel do estilo de vinculação no pai,
influenciam o o estabelecimento do bonding pai-filho.
Para tal, optámos por realizar um estudo quantitativo, do tipo transversal, segundo
uma lógica descritiva e correlacional, a que subjazem as seguintes questões de investigação:
 Qual é a influência das variáveis sócio-demográficas (idade, habilitações literárias,
estado civil e duração da relação) sobre o estabelecimento do bonding entre pai e o
bebé?
 Qual é a influência das variáveis obstétricas (primeiro filho, tipo de parto, gravidez
planeada e gravidez desejada) sobre o estabelecimento do bonding entre pai e o
bebé?
 Qual é a influência das variáveis do envolvimento do pai durante a gravidez,
trabalho de parto e parto (presença nas consultas de vigilância pré-natal,
movimentos fetais, falar com o bebé durante a gravidez, presença durante o
trabalho de parto, presença durante o parto) no estabelecimento do bonding entre o
pai e o bebé?
 Qual a influência da vinculação do pai no estabelecimento do bonding entre o pai e
o bebé?
De forma a dar resposta a estas questões, foram determinados os seguintes objectivos:
1. Avaliar de que forma as características sócio-demográficas influenciam o
estabelecimento do bonding pai-bebé;
53
2. Avaliar de que forma a história obstétrica influencia o estabelecimento do bonding
pai-bebé;
3. Avaliar de que forma o envolvimento do pai na gravidez, trabalho de parto e parto
influenciam o estabelecimento do bonding pai-bebé;
4. Avaliar de que forma a vinculação paterna influencia o estabelecimento do bonding
pai-bebé.
Globalmente, este trabalho pretende relacionar as variáveis independentes (sóciodemográficas, obstétricas, envolvimento do pai durante a gravidez, trabalho de parto e parto e
psicológicas) com a variável dependente (bonding). Seguidamente é apresentado um esquema
conceptual acerca do presente trabalho de investigação, para uma melhor compreensão das
variáveis em estudo.
Figura 1 – Esquema conceptual da investigação
Variáveis de Envolvimento durante a gravidez, TP e parto:
presença nas consultas de vigilância
presença na primeira consulta
sensação dos movimentos fetais
falar com o bebé
participação nas aulas de preparação para o parto
presença durante o TP e parto
conhecimento dos conhecimentos decorrentes do TP
participação activa no TP
corte do cordão umbilical
importância do corte do cordão umbilical
pegar no bebé
vestir o bebé
Variáveis Sócio-demográficas:
idade
habilitações literárias
estado civil
duração do relacionamento
BONDING
Variáveis Psicológicas:
vinculação
Variáveis Obstétricas:
primeiro filho
tipo de parto
gravidez planeada
gravidez desejada
54
Apesar de não ser o nosso objectivo com a realização deste estudo, quisemos
enriquecê-lo, analisando também as relações entre o auto-conceito e as variáveis sóciodemográficas (idade, habilitações literárias estado civil e duração da relação), obstétricas (ser
o primeiro filho, tipo de parto, gravidez planeada, gravidez desejada) e do envolvimento do
pai durante a gravidez, trabalho de parto e parto (presença nas consultas de vigilância,
sensação dos movimentos fetais, falar com o bebé durante a gravidez, presença durante o
trabalho de parto e durante o parto).
5.2. PARTICIPANTES
A amostra deste estudo foi recolhida no Serviço de Obstetrícia do Hospital Infante D.
Pedro – EPE, no Centro Hospitalar Tondela - Viseu, e na Unidade Local de Saúde da Guarda.
Para a constituição da amostra, recrutaram-se pais presentes nos locais definidos para
a colheita de dados e que se voluntariaram a colaborar e a responder ao protocolo de
avaliação. Assim, obtivemos uma amostra não probabilística e intencional por conveniência.
Os três hospitais contactados, por estarem inseridos em áreas geograficamente distintas,
abrangem diferentes realidades sócio-culturais.
A amostra inicialmente obtida foi de 420 pais, no entanto, devido à exclusão de
questionários indevidamente preenchidos, a amostra final desta investigação ficou constituída
por 349 pais presentes até às 48 horas após o parto.
Para a selecção da amostra para o nosso estudo, tivemos em conta os critérios de
inclusão e de exclusão. Os critérios de inclusão para a participação nesta investigação foram:
pais sem problemas que pudessem afectar a capacidade cognitiva ou a expressão oral, pais
que falassem e compreendessem a língua portuguesa, pais com idade superior ou igual a 19
anos, pais cujos bebés não se encontrassem internados em nenhuma unidade de neonatologia,
nem fossem portadores de malformações aparentes, pais que mantinham relações afectivas
com a mãe do bebé, ainda que não coabitassem no mesmo agregado familiar. Por sua vez, os
critérios de exclusão delineados foram os seguintes: pais adolescentes (com idade inferior a
18 anos), pais em processo de litígio, pais com recém-nascidos internados em Unidades de
Cuidados Intensivos Neonatais e pais de recém-nascidos com malformações visíveis.
55
5.2.1. Caracterização da amostra
Os dados seguidamente apresentados são fruto do questionário sócio-demográfico
utilizado no protocolo de avaliação. Neste sub-capítulo faremos referência às características
dos pais, nomeadamente, a idade, etnia, habilitações literárias, estado civil e duração do
relacionamento actual.
Idade
A idade dos indivíduos da amostra total variava entre os 19 e os 55 anos, sendo a
média de idades de 31,84 anos, com um desvio padrão a oscilar em torno da média de 0,33.
Em relação ao coeficiente de dispersão da idade existe uma dispersão fraca. Observando a
análise do enviesamento (SK) e do achatamento (K), estamos perante uma distribuição da
idade simétrica e mesocúrtica (tabela 1).
Tabela 1 – Estatísticas relativas à idade
Idade
Mínimo
Máximo
X
DP
CV (%)
SK/EP
K/EP
17
55
31,84
0,33
1,04
0,321
0,245
Etnia
A grande maioria (96,6%) dos sujeitos da amostra é de etnia branca, seguida da etnia
negra (1,7%) e da etnia cigana (1,4%). Por fim obteve-se 0,5% para outra etnia, mais
especificamente a asiática (tabela 2).
No que concerne à etnia nos diferentes patamares de idade, verificamos que os sujeitos
com idade superior ou igual a 31 apresentam percentagens maiores na etnia branca (99,6%) e
na asiática (0,5%), enquanto a etnia negra (4,3%) se encontra mais presente nos participantes
com idade inferior ou igual a 30 anos. Como obtivemos um p-value inferior a 0,050, as
diferenças de etnia têm significância estatística.
56
Habilitações Literárias
As habilitações literárias foram agrupadas em três grupos homogéneos: até ao 3º ciclo;
ensino secundário e ensino superior.
Constatamos que 129 (37,1%) dos pais completou o ensino secundário, 130 (37,4%)
terminou o 3º ciclo e 89 (25,6%) dos pais têm curso superior (tabela 2).
Em relação aos patamares de idade e as habilitações literárias, a maioria dos
participantes com idade inferior ou igual a 30 possui habilitações até ao 3º ciclo (43,3%) e
ensino secundário (44,0%) enquanto os que possuem ensino superior (34,3) são na sua
maioria sujeitos com idade superior ou igual a 31 anos. Todas estas comparações apresentam
significância estatística, visto que o p-value foi inferior a 0,050.
Estado Civil
A maioria (66,9%) dos sujeitos é casada, 19,3% são solteiros e por último, com 13,8%
encontram-se em união de facto (tabela 2).
Relacionando o estado civil com os patamares de idade, apuramos que a maioria dos
indivíduos casados possui idade superior ou igual a 31 anos (75,7%) enquanto os solteiros e
os indivíduos em união de facto apresentaram respectivamente, percentagens maiores nos
indivíduos com idade inferior ou igual a 30 anos (31,2%; 14,9%). Estas diferenças são
significativas uma vez que o p-value foi inferior a 0,050.
Duração da Relação Actual
Agrupámos esta variável em três grupos homogéneos: ou seja, de 0 a 3 anos; de 4 a 7
anos e igual ou superior a 8 anos.
De todos os participantes, 125 (35,8%) mantêm o actual relacionamento há 4-7 anos,
122 (35,0%) há 8 ou mais anos e, por último, 102 (29,2%) dos participantes estão na relação
actual até há 3 anos.
Comparando a duração do relacionamento com os patamares de idade, a maioria dos
participantes com um relacionamento igual ou superior a 8 anos, possuem uma idade superior
ou igual a 31 anos (49,5%). No caso dos indivíduos com um relacionamento entre os 0 e os 3
anos e os com um relacionamento entre os 4 e os 7 anos apresentam percentagens mais
57
significativas nos indivíduos com idade inferior ou igual a 30 (respectivamente, 50,4% e
36,2). As diferenças têm significância estatística visto que o p-value foi inferior a 0,050.
Tabela 2 – Dados sócio-demográficos da amostra
Idade
Inferior ou igual
a 30 anos
Superior ou
igual a 31 anos
Total
N
%
N
%
N
%
(141)
(40,4)
(208)
(59,6)
(349)
(100,0)
Branco
132
93,6%
204
98,6%
336
96,6%
Cigano
3
2,1%
2
1,0%
5
1,4%
Negro
6
4,3%
0
0%
6
1,7%
Outra
0
0%
1
0,5%
1
0,3%
Até ao 3º ciclo
61
43,3%
69
33,3%
130
37,4%
Ensino Secundário
62
44,0%
67
32,4%
129
37,1%
Ensino Superior
18
12,8%
71
34,3%
89
25,6%
Solteiro
44
31,2%
23
11,2%
67
19,2%
Casado/União de facto
97
68,8%
185
88,9%
282
80,8%
0 - 3 anos
71
50,4%
31
14,9%
102
29,2%
4 - 7 anos
51
36,2%
74
35,6%
125
35,8%
Igual ou superior a 8 anos
19
13,5%
103
49,5%
122
35,0%
Variáveis
2
p
10,489
0,015
20,467
0,000
21,991
0,000
67,375
0,000
Etnia
Habilitações Literárias
Estado Civil
Duração da Relação Actual
5.2.2. Caracterização sócio-espacial da amostra
A amostra foi recolhida em três locais: serviços de Puerpério do Hospital Infante D.
Pedro, E.P.E.; Centro Hospitalar Tondela - Viseu; e Unidade Local de Saúde da Guarda. De
seguida é descrito brevemente estas instituições e a população que dão assistência.
O Hospital Infante D. Pedro, EPE, existe como Hospital Distrital, há mais de 30 anos e
abarca a população dos concelhos de Aveiro, Águeda, Albergaria-a-Velha, Ílhavo, Oliveira do
Bairro, Murtosa, Vagos, Estarreja e Sever do Vouga, articulando-se complementarmente, com
os Hospitais Visconde de Salréu (Estarreja) e Águeda e ainda com os Hospitais da
58
Universidade de Coimbra. O serviço de Obstetrícia é formado pelo internamento de
Obstetrícia 1 (destinado a puérperas e respectivos recém-nascidos), Obstetrícia 2 e
Ginecologia, Sala de Partos e Urgência Obstétrica/ Ginecológica.
O Centro Hospitalar Tondela-Viseu, EPE, anteriormente designado de Hospital de São
Teotónio de Viseu, foi inaugurado a 14 de Julho de 1997. Encerra o distrito de Viseu e todos
os seus concelhos, especificamente, Aguiar da Beira, Carregal do Sal, Castro Daire, Lamego,
Mangualde, Moimenta da Beira, Nelas, Oliveira de Frades, Penalva do Castelo, Penedono,
Resende, Santa Comba Dão, São Pedro do Sul, Sátão, Sernancelhe, Tarouca, Tondela, Vila
Nova de Paiva, Viseu e Vouzela. O Departamento de Obstetrícia e Ginecologia é constituído
por várias unidades e sectores, mais propriamente, pela Urgência de Ginecologia/Obstetrícia,
Bloco de Partos, Hospital de Dia Ginecológico, Unidade de Medicina Fetal, Ginecologia,
Obstetrícias A e B, entre outros. Os serviços de Obstetrícia A e B foram os locais
selecionados para a nossa recolha de dados.
O antigo Hospital Sousa Martins, na Guarda, agora designado de Unidade Local de
Saúde abrange o distrito da Guarda, e abarca os seguintes concelhos: Aguiar da Beira,
Almeida, Celorico da Beira, Figueira de Castelo Rodrigo, Fornos de Algodres, Gouveia,
Guarda, Manteigas, Meda, Pinhel, Sabugal, Seia, Trancoso e Vila Nova de Foz Côa. O
serviço de Obstetrícia integra este hospital e é constituído pelo serviço de Patologia da
Gravidez, Bloco de Partos, Urgência Obstétrica e Puerpério.
5.3. INSTRUMENTOS
O instrumento de avaliação utilizado neste estudo foi constituído por vários
questionários de auto-resposta respondidos individualmente pelo progenitor. Para a avaliação
das variáveis em estudo, o protocolo de recolha de dados subdivide-se em duas partes. A
primeira refere-se ao Questionário de caracterização sócio-demográfica, história obstétrica e
de envolvimento do pai durante a gravidez, trabalho de parto e parto (Apêndice I). Na
segunda parte fazem parte dois instrumentos: Escala de Vinculação do Adulto (EVA) (Anexo
I) e Escala Bonding (Anexo II).
59
Parte I – Questionário de caracterização sócio-demográfica, história
obstétrica e de envolvimento do pai durante a gravidez, trabalho de parto e parto
Este questionário, elaborado pela equipa de investigação, está dividido em três
partes: I) caracterização sócio-demográfica, II) caracterização obstétrica e III)
caracterização do envolvimento do pai durante a gravidez, trabalho de parto e parto. A
primeira parte, constituída por cinco perguntas, permite recolher dados sobre o perfil
sócio-demográfico do pai, tais como a idade, etnia, habilitações literárias, estado civil
e duração do relacionamento com a parturiente. A segunda parte tem como objectivo
identificar os antecedentes obstétricos do casal, nomeadamente o número de filhos,
gravidez planeada e desejada, complicações da gravidez, tipo de parto e horas
passadas na sala de partos. Na última parte, com quinze questões, indaga-se sobre o
envolvimento do pai ao longo da gravidez, do trabalho de parto e parto.
Parte II – Escala de Vinculação do Adulto e Escala Bonding
Escala de Vinculação do Adulto (EVA; Adult Attachment Scale-R;
COLLINS; READ, 1990; estudos portugueses: CANAVARRO; DIAS; LIMA, 2006).
Esta escala, composta por 18 itens, procura avaliar o tipo de vinculação
predominante que o indivíduo estabelece com outros. Para tal, é utilizada uma escala
de cinco pontos tipo Likert, que vai de “Nada característico em mim”, a
“Extremamente característico em mim”. Os três factores que constituem a escala são:
factor 1 – ansiedade (refere-se ao grau em que as pessoas se sentem preocupadas com
a possibilidade de serem abandonadas ou rejeitadas); factor 2 – conforto com a
proximidade (mede a forma como a pessoa se sente confortável ao estabelecer relações
próximas e íntimas); factor 3 – confiança nos outros (avalia em que medida os
indivíduos sentem que dependem dos outros em situações nas quais necessitam deles);
cada uma composta por seis itens.
O valor do alfa de Cronbach encontrado nos estudos portugueses para a escala
total foi de 0,81, indicativo de elevada consistência interna. No que concerne às
dimensões, na de ansiedade encontrou-se igualmente elevada consistência interna
60
(α=0,84). O alfa de Cronbach no factor 2 e factor 3 foram de 0,67 e 0,54,
respectivamente, o que indica valores de consistência interna um pouco inferiores ao
desejável.
Para o presente estudo, os valores de correlação item-total e alfa se o item for
retirado, por sub-escala, estão listados na tabela 3. O alfa de Cronbach obtido para a
escala total foi de 0,84. Para as sub-escalas foram obtidos os seguintes alfas de
Cronbach: 0,80 para a sub-escala ansiedade; 0,56 para a sub-escala conforto com a
proximidade; 0,64 para a sub-escala confiança nos outros.
Os resultados de consistência interna obtidos neste estudo, comparativamente
com os do estudo português de Canavarro, Dias e Lima (2006) são idênticos para a
escala total e para o factor 1. Em relação ao factor 2 já obtivemos um coeficiente de
alfa de Cronbach ligeiramente mais baixo (alfa de Cronbach inadmissível), pelo
contrário, no factor 3, o alfa foi superior neste estudo.
Em relação aos alfas de Cronbach obtidos se o item for retirado da sub-escala,
constatamos que três deles (“sinto-me de alguma forma desconfortável quando me
aproximo
das
pessoas”,
“fico
incomodado
quando
alguém
se
aproxima
emocionalmente de mim” e “tenho dificuldade em sentir-me dependente dos outros”)
apresentam valores de alfa superiores aos obtidos para a sub-escala a que pertencem.
No entanto, os valores estão muito próximos do alfa de cada sub-escala pelo que não
sugere particular precaução.
61
Tabela 3 – Consistência interna da Escala de Vinculação do Adulto (estudo dos itens)
Sub-escalas
Conforto
com a
proximidade
Confiança
nos outros
Ansiedade
Itens
Estabeleço, com facilidade relações com as
pessoas
Não me preocupo pelo facto de as pessoas se
aproximarem muito de mim
Sinto-me de alguma forma desconfortável
quando me aproximo das pessoas
Sinto-me bem quando me relaciono de forma
próxima com outras pessoas
Fico incomodado quando alguém se aproxima
emocionalmente de mim
Quando precisar sinto que posso contar com
as pessoas
Tenho dificuldade em sentir-me dependente
dos outros
Sinto-me bem dependente dos outros
Acho que as pessoas nunca estão presentes
quando são necessárias
Acho difícil confiar completamente nos outros
Os meus parceiros desejam frequentemente
que eu esteja mais próximo deles do que eu
me sinto confortável em estar
Não tenho a certeza de poder contar com as
pessoas quando precisar delas
Costumo preocupar-me com a possibilidade
dos meus parceiros não gostarem
verdadeiramente de mim
As outras pessoas não se aproximam de mim
tanto quanto eu gostaria
Quero aproximar-me das pessoas, mas tenho
medo de ser magoado
Preocupo-me frequentemente com a
possibilidade dos meus parceiros realmente se
importarem comigo
Pergunto frequentemente a mim mesmo se os
meus parceiros realmente se importam comigo
Quero aproximar-me das pessoas, mas tenho
medo de ser magoado
R itemAlfa de
total Cronbach
(s/item) (s/item)
M
DP
3,53
1,100
0,264
0,530
2,92
1,230
0,421
0,451
1,96
1,071
0,159
0,574
3,66
1,028
0,432
0,458
2,34
0,220
0,179
0,574
3,55
1,037
0,382
0,479
2,83
1,406
0,218
0,664
1,82
1,155
0,261
0,633
2,09
1,059
0,420
0,577
2,72
1,123
0,432
0,577
2,50
1,205
0,429
0,570
2,25
1,032
0,514
0,545
2,62
1,080
0,615
0,761
2,36
1,057
0,681
0,747
2,04
1,158
0,536
0,778
2,45
1,264
0,622
0,758
2,20
1,126
0,504
0,785
2,04
1,181
0,424
0,804
62
Escala Bonding (Mother-Baby Bonding Questionnaire; TAYLOR et al., 2001;
validação portuguesa: FIGUEIREDO et al., 2005a).
A Escala Bonding pretende avaliar o envolvimento emocional do pai com o
bebé. A versão portuguesa desta escala é composta por 12 itens, cotados de acordo
com uma escala tipo Likert de 0 a 3, consoante a emoção varie de “de modo nenhum”,
“um pouco”, “bastante” e “muito”. Os itens são pontuados de forma a que, quanto
mais presente a emoção em causa, mais elevado é o resultado. Este instrumento é
dividido em três sub-escalas: bonding positivo (constituída por três itens que se
referem a emoções de tonalidade positiva, nomeadamente, afectuoso, protector e
alegre); bonding negativo (com seis itens que avaliam o envolvimento emocional
negativo, tais como zangado, agressivo, triste, ressentido, desgostoso e desiludido);
bonding not clear (composta por três itens, receoso, possessivo, neutro ou sem
sentimentos, que identifica a presença de emoções não directamente relacionadas com
o envolvimento emocional do pai com o bebé). O resultado total da escala (que é
obtido pela subtracção do resultado das sub-escalas bonding negativo e bonding not
clear ao resultado da sub-escala bonding positivo) é tanto mais elevado quanto melhor
o bonding do pai.
A validação portuguesa da escala apresenta valores razoáveis de consistência
interna (α=0,45) para a escala total. Em relação às sub-escalas, no bonding positivo
obtiveram uma consistência interna boa (α=0,70), no bonding negativo o valor do alfa
de Cronbach já foi de 0,57, indicativo de valores razoáveis de consistência interna e
para a sub-escala bonding not clear os índices de consistência interna são
inadmissíveis (α=0,24).
Na tabela 4, encontram-se, por sub-escala, os valores de correlação item-total e
alfa de Cronbach se o item for retirado obtidos neste estudo. O valor de consistência
interna obtido para a escala total foi de 0,39 e para as sub-escalas bonding positivo,
bonding negativo e bonding not clear foram de 0,58, 0,55 e 0,31, respectivamente.
Em comparação com os resultados de consistência interna deste estudo com os
obtidos na validação portuguesa (FIGUEIREDO et al. 2005a) da escala verificamos
que todos os alfas de Cronbach calculados, exceptuando para o bonding not clear
63
foram mais baixos. No entanto, todos os valores de alfa são inadmissíveis (α<0,60), o
que sugere alguma cautela na confiança dos dados.
No que concerne aos alfas de Cronbach obtidos se o item for retirado da subescala, constatamos que se quatro itens (“desiludido”, “agressivo”, “triste” e “neutro,
sem sentimentos”) fossem retirados, a consistência da escala aumentaria ligeiramente.
No entanto, na escala continuaria com um valor de alfa inadmissível.
Tabela 4 – Consistência interna da Escala Bonding (estudo dos itens)
Subescalas
Bonding
Positivo
Bonding
Negativo
Bonding
not clear
Itens
M
DP
0,473
R itemtotal
(s/item)
0,359
Alfa de
Cronbach
(s/item)
0,514
Afectuoso
2,78
Protector
2,63
0,628
0,452
0,378
Alegre
2,84
0,454
0,373
0,499
Desiludido
0,04
0,270
0,290
0,580
Ressentido
0,07
0,319
0,452
0,418
Desgostoso
0,08
0,393
0,488
0,387
Agressivo
0,05
0,264
0,091
0,592
Zangado
0,03
0,176
0,390
0,489
Triste
0,02
0,130
0,110
0,566
Neutro, sem sentimentos
0,05
0,269
0,044
0,404
Possessivo
0,62
0,834
0,261
0,002
Receoso
0,81
0,760
0,238
0,073
5.4. PROCEDIMENTOS
Primeiramente foi emitido e enviado um ofício, para a aplicação do protocolo de
avaliação, para cada um dos hospitais referenciados. Após a aprovação do estudo pela
Comissão de Ética de cada um dos hospitais (Apêndice II), procedeu-se ao início de recolha
de dados.
Os participantes foram recrutados nas 48 horas após o parto do seu filho. A todos os
pais foi dado o conhecimento do estudo em causa (breve descrição dos objectivos, o direito à
confidencialidade e privacidade e a obrigação dos investigadores), tendo-lhes sido pedido que
lessem o consentimento informado (Apêndice III), e só após esse processo se procedeu à
passagem do instrumento de avaliação.
64
A amostra foi recolhida entre Julho e Outubro de 2011.
Para a elaboração do protocolo de avaliação, optámos pela utilização de instrumentos
de auto-resposta já estudados em Portugal, pelo que foi realizado e enviado um pedido formal
aos autores das escalas para consentirem a sua utilização no estudo (Apêndice IV).
5.5. PROCEDIMENTOS ESTATÍSTICOS
No tratamento estatístico dos dados, foi utilizado o pacote estatístico Statistical
Package for Social Science (SPSS – versão 19.0), com que se realizou os cálculos necessários
para estatísticas descritivas e inferenciais. Para uma melhor interpretação e análise, os dados
serão apresentados em tabelas.
A estatística descritiva foi utilizada para descrever os dados do estudo e as medidas
estatísticas utilizadas foram:
 Frequências: Absolutas (n); Percentuais (%).
 Medidas de tendência central: Média (x).
 Medidas de dispersão: Desvio padrão (DP).
 Medidas de simetria (Skewness) e de achatamento (K – Kurtosis). De acordo com
PESTANA e GAGEIRO (2005) para p = 0,005 uma distribuição é:
Simétrica – quando “ | kewness/ stderror | < 1,96 e >-1,96, a mediana pertence ao
intervalo de confiança a 95% ou está perto de um dos limites desse intervalo”.
Assimétrica – quando “ | Skewness/stderror | > 1,96 ou <-1,96, a mediana não
pertence ao intervalo de confiança nem está perto de um dos extremos do
intervalo, e as medidas de tendência central aproximam-se mais do valor
mínimo (assimetria positiva) ou do valor máximo (assimetria negativa)”.
De igual forma, uma distribuição pode ser:
Mesocúrtica quando | Kurtosis/stderror | <1,96;
Platicúrtica quando | Kurtosis/stderror | < -1,96;
Leptocúrtica quando | Kurtosis/stderror | >1,96.
65
 Correlação de Pearson: avalia o grau de associação entre duas variáveis. O seu
valor varia entre -1 e 1, o que indica a direcção (positiva ou negativa) e o grau da
associação (quanto mais o valor se aproximar dos extremos, maior será a
associação entre as variáveis). Quanto mais próximo estiver destes extremos, maior
será a associação linear entre as variáveis. Para avaliar os resultados obtidos,
considerámos os propostos por PESTANA e GAGEIRO (2005) que são os
seguintes:
R < 0,2 – associação linear muito baixa;
0.2 < R < 0,39 – associação linear baixa;
0.4 < R < 0,69 – associação linear moderada;
0.7 < R < 0,89 – associação linear alta;
0.9 < R < 1 – associação linear muito alta.
Utilizámos a estatística inferencial para obter resultados que estão para além da
simples observação dos dados. Para tal, utilizámos os seguintes testes (paramétricos e não
paramétricos):
 O Teste t e Teste U de Mann-Whitney (U de M-W) para amostras independentes:
permite determinar se as pontuações médias de dois grupos diferentes de sujeitos
são significativamente diferentes.

Análise da variância a um factor (One-Way ANOVA) ou Teste de KruskalWallis: permite comparar resultados de uma variável independente com três
ou mais níveis com uma variável dependente contínua.

Regressões múltiplas: testam a capacidade preditiva de um conjunto de
variáveis independentes numa variável dependente. Os métodos de inclusão
das variáveis utilizados foram o enter e o stepwise (passo a passo). O
primeiro inclui todas as variáveis ao mesmo tempo, enquanto que o segundo
origina tantos modelos quanto os necessários até conseguir determinar as
variáveis que são preditivas da variável dependente.
66
As hipóteses foram testadas com uma probabilidade de 95%, de onde resulta um nível
de significância de 5% (α=0,05). Este nível de significância permite aceitar a probabilidade de
engano 5 vezes em cada 100 ao rejeitar a hipótese estatística.
Os critérios de decisão para os testes de hipóteses baseiam-se no estudo das
probabilidades, confirmando-se a hipótese se a probabilidade for inferior a 0,05 e rejeitandose se superior a esse valor. Foi utilizada a estatística inferencial com os seguintes níveis de
significância:
p > 0,05 – não significativo
p < 0,05 – significativo
p < 0,01 – bastante significativo
p < 0,001 – altamente significativo
67
6. RESULTADOS
Neste capítulo apresentamos os resultados obtidos de acordo com toda a informação
recolhida através dos instrumentos de colheita de dados. A exposição dos resultados é
realizada com recurso a tabelas com os dados estatísticos e a respectiva análise.
A organização deste capítulo está feita segundo o tipo de análise realizada. Assim, na
primeira parte apresenta-se a análise descritiva da informação e na segunda a análise
inferencial dos dados.
6.1. ANÁLISE DESCRITIVA
Este sub-capítulo contempla a análise descritiva da caracterização da amostra do
estudo, de acordo com as variáveis obstétricas e do envolvimento do pai durante a gravidez,
trabalho de parto e parto. Para este efeito, as análises efectuadas são apresentadas tendo em
conta dois patamares de idade: pais com idade inferior ou igual a 30 anos e pais com idade
superior ou igual a 31 anos. Esta idade foi a selecionada devido ao facto de a média de idades
da amostra deste estudo ser de 31,84.
Na última parte deste sub-capítulo é exposto a relação das variáveis sóciodemográficas, obstétricas e do envolvimento do pai durante a gravidez, trabalho de parto e
parto com a vinculação do pai.
6.1.1. Caracterização da história obstétrica
Primeiro Filho
Na maioria dos casos (63,2%) este é o primeiro filho, enquanto que para 36,8% isso já
não se verifica (tabela 5). Relacionando o primeiro filho com os patamares de idade
verificamos que para a maioria dos indivíduos com idade inferior ou igual a 30 estão a ser
pais pela primeira vez (85,8%) e uma percentagem significativa de indivíduos com idade
68
superior ou igual a 30 já têm filhos (52,2%). Estas diferenças mostraram-se significativas
visto que o valor de p foi inferior a 0,050.
Número de Filhos
Referentemente ao número de filhos, verificou-se que 39,2% dos participantes tem
apenas um filho, 51,5%, ou seja, mais de metade dos participantes possui dois filhos e uma
pequena percentagem (9,2%) tem 3 ou mais filhos (tabela 5). Sendo que no que toca à idade
os indivíduos com idade inferior ou igual a 30 possuem, na sua maioria dois filhos (70,0%),
assim como os indivíduos com idade superior ou igual a 30 com uma percentagem de 48,2%.
Não existiu significância estatística nestas diferenças, uma vez que o valor de p foi superior a
0,050.
Abortamento
No que se refere aos abortos realizados ou não pelas esposas dos participantes,
verificou-se que a maioria não realizou nenhum aborto (83,5%), enquanto que, apenas 16,5%
das esposas já o fizeram (tabela 5). Verificamos que as percentagens de abortamento são
semelhantes nas duas categorias de idades apresentadas. Como o valor de p foi superior a
0,050, as diferenças não se mostraram significativas.
Gravidez planeada
Verificamos que 76,8% das gravidezes foram planeadas e apenas 35,8% não foram
(tabela 5). No que concerne à gravidez planeada em relação aos patamares de idade,
encontram-se valores semelhantes para pais com idades inferiores e superiores a 30. Estas
diferenças foram significativas, pelo que o valor de p foi inferior a 0,050.
Gravidez desejada
Observamos que 96,6% dos sujeitos refere que a gravidez actual foi desejada,
enquanto que uma pequena percentagem de 3,4% dos sujeitos menciona uma gravidez
indesejada (tabela 5). Não houve significância estatística, uma vez que o valor de p foi
superior a 0,050.
69
Complicações na gravidez
No que se refere às complicações na gravidez, verificamos que 82,9% das
companheiras dos participantes apresentaram alguma complicação, enquanto 17,2% das
companheiras não apresentaram qualquer tipo de complicação na gravidez (tabela 5). Relativo
aos patamares de idade, as companheiras dos indivíduos com idade inferior ou igual a 30 anos
apresentaram mais complicações na gravidez (87,9%) comparativamente com as
companheiras dos participantes com idade igual ou superior a 31 anos. Estas diferenças
revelaram-se significativas, pois o valor de p foi inferior a 0,050.
Complicações na gravidez, quais:
Relativamente às complicações na gravidez, verificaram-se maiores percentagens na
diabetes (38,3%), na perda de sangue com uma percentagem de 16,7% e na hipertensão com
uma percentagem de 15,0% (tabela 5). Quanto aos patamares de idade verificamos que na
diabetes e na perda de sangue a maioria dos sujeitos possui uma idade igual ou inferior a 30
anos (41,2%; 17,6%), na hipertensão a maioria dos sujeitos tem uma idade igual ou superior a
31 anos (20,9%). Porém, o valor de p foi superior a 0,050, o que indica que não houve
significância estatística.
Tipo de parto
Verificamos que 46,1% dos partos foram normais e 53,9% foram partos distócicos
(tabela 5). Os partos distócicos foram mais frequentes nas companheiras dos indivíduos com
idade superior ou igual a 31 anos (54,8%). Não existiu significância estatística visto que o
valor de p foi superior a 0,050.
Nº de horas na sala de partos
Alusivo ao número de horas na sala de partos, observamos que 46,5% dos partos
decorreu em menos de 6 horas, que 35,7% dos partos demorou entre 6 e 12 horas, e que com
menor percentagem (17,6%) estão os partos com mais de 12 horas (tabela 5). O valor de p
obtido foi superior a 0,050, logo, as diferenças não foram significativas.
70
Tabela 5 - Distribuição da amostra segundo as variáveis obstétricas em função da idade
Idade
Inferior ou
igual a 30 anos
Superior ou
igual a 31 anos
Total
Variáveis
N
(141)
%
(40,4)
N
(208)
%
(59,6)
N
(349)
%
(100,0)
Sim
121
85,8
99
47,8
220
63,2
Não
20
14,2
108
52,2
128
36,8
1 Filho
5
25,0
46
41,8
51
39,2
2 Filhos
14
70,0
53
48,2
67
51,5
3 ou mais filhos
1
5,0
11
10,0
12
9,2
Sim
33
14,3
36
17,8
54
16,5
Não
108
85,7
166
82,2
274
83,5
Sim
99
70,2
169
81,3
268
76,8
Não
51
36,2
74
35,6
125
35,8
Sim
135
95,7
202
97,1
337
96,6
Não
6
4,3
6
4,3
12
3,4
Sim
124
87,9
165
79,3
289
82,8
Não
17
12,1
43
20,7
60
17,2
Hipertensão
-
0,0
9
20,9
9
15,0
Diabetes
7
41,2
16
37,2
23
38,3
Citomegalovirus e diabetes
gestacional
1
5,9
0
0,0
1
1,7
No decorrer do parto
-
0,0
2
4,7
2
3,3
Perda de sangue
3
17,6
7
16,3
10
16,7
Deslocamento da placenta
3
17,6
2
4,7
5
8,3
Gravidez de risco
3
17,6
2
4,7
5
8,3
Mioma
-
0,0
1
2,3
1
1,7
Tromboflebites na mãe
-
0,0
1
2,3
1
1,7
Toxoplasmose
-
0,0
1
2,3
1
1,7
Anemia
-
0,0
2
4,7
2
3,3
Normal
67
47,5
94
45,2
161
46,1
Distócico
74
52,5
114
54,8
188
53,9
103
50,5
159
46,5
2
p
1º Filho
52,055
0,000
3,242
0,198
0,705
0,401
5,744
0,017
0,476
0,490
4,382
0,036
13,857
0,180
0,183
0,669
3,295
0,192
Número de Filhos
Abortamento
Gravidez planeada
Gravidez desejada
Complicações na gravidez
Complicações na gravidez, quais:
Tipo de parto
Nº de horas na sala de parto
Menos de 6 horas
56
40,6
Entre 6 horas e 12 horas
54
39,1
68
33,3
122
35,7
Mais que 12 horas
28
20,3
33
16,2
61
17,6
71
6.1.2. Caracterização do envolvimento do pai durante a gravidez, trabalho de
parto e parto
Presença em consultas de vigilância pré-natal
Após observação da tabela 6, 80,8% dos participantes esteve presente nas consultas de
vigilância pré-natal enquanto que 19,2% não esteve. A maior percentagem de sujeitos que
esteve presente nas consultas de vigilância pré-natal tinham idade superior ou igual a 31 anos
(81,3%) e dos que não tiveram presentes verificou-se maior percentagem (19,9%), nos
indivíduos com idade inferior ou igual a 30 anos. Estas diferenças não se mostraram
significativas (p < 0,050).
Presença na primeira ecografia
Relativamente à presença na primeira ecografia, 80,8% dos participantes esteve
presente na primeira ecografia e 19,2% não esteve (tabela 6). A maior percentagem (82,3%)
de pais presentes proveio dos indivíduos com idade inferior ou igual a 30 anos e a maior
percentagem (20,2%) dos que não estiveram presentes resultou dos indivíduos com idade
superior ou igual a 31 anos. Tendo o valor de p sido superior a 0,050 não existiu significância
estatística nestas diferenças.
Sensação dos movimentos fetais
No que concerne à sensação dos movimentos fetais pelos sujeitos da amostra
verificou-se que estes o fizeram numa percentagem de 96,3% e apenas 3,7% não o fez (tabela
6). Perante o valor de p=0,885, podemos referir que não existiram diferenças estatisticamente
significativas.
Falar com o bebé
A maioria dos sujeitos da amostra falou com o bebé durante a gravidez (83,4%) e
16,6% não fez (tabela 6). Em relação com a idade verificamos uma maior percentagem de
sujeitos que falaram com o bebé durante a gravidez com idade inferior ou igual a 30 anos
72
(86,5%). O valor de p obtido foi superior a 0.050, logo, estas diferenças não são
significativas.
Verificamos que 77,4% dos sujeitos não participou nas aulas de preparação para o
parto, enquanto 22,6% participaram (tabela 6). Dos indivíduos que não participaram nas aulas
de parto a maior percentagem (77,9%) tinham idade superior ou igual a 31 anos. A maior
percentagem (23,4%) de pais que participaram nessas aulas proveio dos indivíduos com idade
inferior ou igual a 30 anos. Como p=0,778, estas diferenças não têm significância estatística.
Nº de aulas de parto
Em relação ao número de aulas de preparação do parto, 29,1% dos pais esteve presente
em menos de duas sessões, 36,7% esteve presente entre três a seis sessões e 34,2% presenciou
sete ou mais sessões (tabela 6). Dos indivíduos que estiveram presentes em pelo menos duas
sessões e os que tiveram presentes em 7 ou mais sessões, a maior percentagem (32,6% e
41,3%, respectivamente) verificou-se nos que tinham idade superior ou igual a 31 anos. Os
participantes com idade inferior ou igual a 30 anos foram aqueles que maior percentagem
(51,5%) tiveram, na presença de três a seis sessões. O valor de p=0,064, logo, estas diferenças
não se revelaram significativas.
Presença no trabalho de parto
Atendendo à presença do pai no trabalho de parto, 78,2% destes presenciaram e
apenas 21,8% não estiveram presentes no trabalho de parto. A maior percentagem (84,4%) de
indivíduos que estiveram presentes no trabalho de parto observou-se nos indivíduos com
idade inferior ou igual a 30 anos, enquanto os que não tiveram presentes a maior percentagem
foi de 26,0% sendo a sua idade superior ou igual a 31 anos. Existiu significância estatística
nestas diferenças (p=0,021).
Conhecimento do trabalho de parto
No que se refere ao conhecimento do trabalho de parto, 73,1% dos indivíduos teve
conhecimento do mesmo e 26,9% já não (tabela 6). A maior percentagem (75,2%) de pais que
tiveram conhecimento do trabalho de parto foi observada nos indivíduos com idade inferior
ou igual a 30 anos, enquanto os que não tiveram conhecimento a maior percentagem foi de
73
28,4% sendo a sua idade superior ou igual a 31 anos. Estas diferenças não foram significativas
(p=0,464).
Participação activa no trabalho de parto
Dos sujeitos da amostra, 59,6% referiram ter tido uma participação activa no trabalho
de parto, enquanto 40,4% referiram não a ter tido (tabela 6). A participação destes foi feita da
seguinte forma (com as respectivas percentagens): “Apoio psicológico” (33,3%), “Assistência
à mãe” (64,9%), “Ajuda no controlo da respiração” (1,1%) e “Mantendo a companheira
hidratada” (0,6%). Existiu significância estatística nestes resultados, visto que o valor de p foi
inferior a 0,050.
Esclarecidas dúvidas durante o trabalho de parto
Referente às dúvidas dos pais, verificamos que em 91,7% doa casos, as suas dúvidas
durante o trabalho de parto foram esclarecidas e em apenas 8,3% estas não o foram (tabela 6).
A maior percentagem (94,0%) de indivíduos que viram as suas dúvidas esclarecidas
observou-se nos que tinham idade inferior ou igual a 30 anos. As diferenças não foram
significativas (p=0,239).
Presença durante o parto
Alusivo à presença dos pais durante o trabalho de parto, 61,3% estiveram presentes e
38,7% não estiveram (tabela 6). Dos indivíduos que estiveram presentes durante o parto
verificamos que a maior percentagem (72,3%) pertence aos indivíduos com idade inferior ou
igual a 30 anos, enquanto os que não estiveram presentes têm na sua maioria idade superior
ou igual a 31 anos com uma percentagem de 46,2%. O valor de p foi de 0,000, o que indica
significância estatística.
Corte do cordão umbilical
A percentagem de pais que cortaram o cordão umbilical do bebé foi apenas de 5,1%
enquanto a percentagem dos que não cortaram foi de 94,9% (tabela 6). Dos que não cortaram
74
o cordão umbilical a maior percentagem (98,0%) verificou-se nos indivíduos com idade
inferior ou igual a 30 anos. Estes resultados são significativos, visto que p=0.044.
Da amostra em estudo, a maioria dos pais (52,2%) considerou que não era importante
o corte o cordão umbilical para o estabelecimento da ligação com o bebé, em oposição a uma
percentagem de 47,8% que achou o contrário (tabela 6). Dos que deram importância ao corte
do cordão umbilical a maior percentagem (50,5%) verificou-se nos indivíduos com idade
inferior ou igual a 30 anos, enquanto os que não deram importância estes eram na sua maioria
indivíduos com idade superior ou igual a 31 anos com uma percentagem de 54,5%. Estas
diferenças na se mostraram significativas (p=0,466)
Dos pais que não cortaram o cordão umbilical 59,6% referiram que gostariam de o ter
feito, enquanto 40,4% disseram que não (tabela 6). Dos que dos que não cortaram o cordão
umbilical e gostariam de o ter feito, a maior percentagem (68,0%) verificou-se nos indivíduos
com idade inferior ou igual a 30 anos. O valor p=0,016 mostra a existência de significância
estatística.
Cuidados com o recém-nascido
Relativamente ao pai ter pegado no bebé ao colo, verificamos que 86,9% dos
participantes o fizeram e 13,1% não (tabela 6). A maior percentagem (90,2%) dos indivíduos
que pegaram no bebé ao colo possuem uma idade superior ou igual a 31 anos, enquanto a
maior percentagem (16,7%) dos indivíduos que não pegaram no bebé ao colo possuem uma
idade inferior ou igual a 30. Estas diferenças não têm significância estatística (p=0,138).
A maioria dos participantes não vestiu o bebé (82,2%) e apenas 17,8% dos sujeitos o
fez (tabela 6). Relativamente à idade observamos uma maior percentagem (21,4%) de
indivíduos que vestiram o bebé, nos pais com idade superior ou igual a 31 anos e os que não
vestiram o bebé a maior percentagem (86,3%) observa-se nos indivíduos com idade inferior
ou igual a 30 anos. Como p=0,141, estas diferenças não se mostraram significativas.
75
Tabela 6 – Distribuição da amostra segundo as variáveis de envolvimento do pai em função da idade
Idade
Presença em consultas de vigilância
Sim
Não
Presença na 1ª ecografia
Sim
Não
Sensação movimentos fetais
Sim
Não
Falar com o bebé durante a gravidez
Sim
Não
Aulas de preparação para o parto
Sim
Não
Nº de aulas de preparação para o parto
Menos de 2 sessões
3 – 6 Sessões
7 Sessões ou mais
Presença no trabalho de parto
Sim
Não
Conhecimento do trabalho de parto
Sim
Não
Participação activa no trabalho de parto
Sim
Não
De que forma
Apoio psicológico
Assistência à mãe
Ajuda no controlo da respiração
Mantendo a esposa hidratada
Esclarecidas dúvidas durante o TP
Sim
Não
Presença durante o parto
Sim
Não
Corte do cordão umbilical
Sim
Não
Importância do pai cortar o cordão
umbilical
Sim
Não
Gostaria de cortar o cordão umbilical
Sim
Não
Pegar no bebé ao colo
Sim
Não
Vestir o bebé
Sim
Não
Inferior ou
igual a 30 anos
N
%
(141)
(40,4)
Superior ou
igual a 31 anos
N
%
(208)
(59,6)
Total
N
(349)
%
(100,0)
2
p
113
28
80,1
19,9
169
39
81,3
18,8
282
67
80,8
19,2
0,631
0,253
116
25
82,3
17,7
166
42
79,8
20,2
282
67
80,8
19,2
0,328
0,567
136
5
96,5
3,5
200
8
96,2
3,8
336
13
96,3
3,7
0,021
0,885
122
19
86,5
13,5
169
39
81,3
18,8
291
58
83,4
16,6
1,687
0,194
33
108
23,4
76,6
46
162
22,1
77,9
79
270
22,6
77,4
0,080
0,778
8
17
8
24,2
51,5
24,2
15
12
19
32,6
26,1
41,3
23
29
27
29,1
36,7
34,2
5,483
0,064
119
22
84,4
15,6
154
54
74,0
26,0
273
76
78,2
21,8
5,293
0,021
106
35
75,2
24,8
149
59
71,6
28,4
255
94
73,1
26,9
0,536
0,464
95
46
67,4
32,6
113
95
54,3
45,7
208
141
59,6
40,4
5,943
0,015
30
43
1
1
40,0
57,3
1,3
1,3
28
70
1
0
28,3
70,7
1,0
0
58
113
2
1
33,3
64,9
1,1
0,6
4,292
0,232
109
7
94,0
6,0
144
16
90,0
10,0
253
23
91,7
8,3
1,384
0,239
102
39
72,3
27,7
112
96
53,8
46,2
214
135
61,3
38,7
12,118
0,000
2
100
2,0
98,0
9
103
8,0
92,0
11
203
5,1
94,9
4,040
0,044
50
49
50,5
49,5
50
60
45,5
54,5
100
109
47,8
52,2
0,533
0,466
68
32
68,0
32,0
53
50
51,5
48,5
121
82
59,6
40,4
5,768
0,016
85
17
83,3
16,7
101
11
90,2
9,8
186
28
86,9
13,1
2,200
0,138
14
88
13,7
86,3
24
88
21,4
78,6
38
176
17,8
82,2
2,169
0,141
76
6.1.3. Caracterização da vinculação paterna
Neste sub-capítulo vamos apresentar os resultados referentes à vinculação do pai
(obtidos através da Escala de Vinculação do Adulto, mais especificamente, pelas sub-escalas
conforto com a proximidade, confiança nos outros e ansiedade) relacionada com as variáveis
sócio-demográficas (idade, habilitações literárias, estado civil e duração da relação), variáveis
obstétricas (primeiro filho, tipo de parto, gravidez planeada e gravidez desejada) e variáveis
do envolvimento do pai na gravidez, trabalho de parto e parto (presença nas consultas de
vigilância pré-natal, movimentos fetais, falar com o bebé durante a gravidez, presença durante
o trabalho de parto, presença durante o parto).
Relação entre a idade e a vinculação paterna
Foi realizado um teste t amostras independentes para comparar os resultados das subescalas de vinculação dos pais com as idades destes (tabela 7). Os pais com idade inferior ou
igual a 30 anos apresentam níveis médios mais elevados na sub-escala conforto com a
proximidade, mas mais baixos nas restantes sub-escalas da vinculação (confiança nos outros e
ansiedade). Contudo, não se verificou significância estatística (p<0,05) em nenhuma subescala da vinculação de acordo com as idades dos pais, pelo que a vinculação do pai não é
influenciada pela sua idade.
Tabela 7 – Teste t entre a idade e a vinculação paterna
Idade
Inferior ou igual a
30 anos
Superior ou igual a 31
anos
t
p
Média
DP
Média
DP
Conforto com a proximidade
18,25
3,22
17,77
4,06
1,213
,226
Confiança nos outros
14,18
3,63
14,20
4,53
-0,040
,968
Ansiedade
13,54
4,09
14,29
5,35
-1,489
,137
77
Relação entre as habilitações literárias e a vinculação paterna
Realizou-se o teste One-Way ANOVA para explorar o impacto das habilitações
literárias na vinculação do pai (tabela 8). Verificamos que sujeitos com o ensino secundário
possuem níveis elevados de vinculação na sub-escala conforto com a proximidade; por sua
vez, sujeitos com o ensino superior possuem níveis mais elevados de vinculação nas subescalas confiança nos outros e ansiedade. Contudo, não há significância estatística (p<0,05)
nas sub-escalas da vinculação do pai para os três grupos de habilitações literárias.
Tabela 8 – Teste One-Way ANOVA entre as habilitações literárias e a vinculação paterna
Sub-escalas
Habilitações Literárias
N
Média
DP
Até ao 3º Ciclo
130
17,61
4,71
Ensino Secundário
129
18,25
3,28
Ensino Superior
89
18,06
2,63
Até ao 3º Ciclo
130
14,03
5,39
Ensino Secundário
129
14,28
3,33
Ensino Superior
89
14,31
3,23
Até ao 3º Ciclo
130
14,16
5,78
Ensino Secundário
129
13,85
4,31
Ensino Superior
89
13,95
4,30
Conforto
com a
proximidade
Confiança
nos outros
Ansiedade
F
p
R2 (%)
0,958
0,385
0,552
0,161
0,851
0,093
0,132
0,876
0,076
Relação entre o estado civil e a vinculação paterna
Com o intuito de se compreender a relação entre o estado civil e a vinculação do pai
utilizou-se o teste Kruskal-Wallis. Observando a ordenação média (tabela 9), verificou-se que
os pais que vivem em união de facto apresentam maiores níveis de vinculação nas dimensões
confronto com a proximidade e confiança nos outros. Por sua vez, os homens casados
apresentam maiores níveis de vinculação na sub-escala ansiedade.
No entanto, os resultados mostraram que não existe significância estatística (p<0,05)
em nenhuma das sub-escalas, ou seja, o estado civil não interfere significativamente na
vinculação do pai.
78
Tabela 9 – Teste Kruskal-Wallis entre o estado civil e a vinculação paterna
Estado Civil
2
p
205,33
5,501
0,064
173,27
187,19
1,172
0,557
175,04
171,26
0,079
0,961
Solteiro
Casado
União de Facto
OM
OM
OM
Conforto com a proximidade
168,19
169,19
Confiança nos outros
167,09
Ansiedade
172,37
Relação entre a duração da relação actual e a vinculação paterna
De forma a entender a influência da duração da relação e a vinculação do pai,
efectuou-se o teste One-Way ANOVA (tabela 10). Observamos que os sujeitos que possuem
uma relação entre os 0 e os 3 anos obtiveram níveis mais elevados na sub-escala conforto com
a proximidade e indivíduos que se encontram numa relação há mais de 8 anos possuem níveis
mais elevados nas sub-escalas confiança nos outros e ansiedade. Porém, não existe
significância estatística (p<0,05) nas sub-escalas da vinculação do adulto para os três grupos
de duração da relação.
Tabela 10 – Teste One-Way ANOVA entre a duração da relação actual e a vinculação paterna
Duração da relação
actual
Entre 0 a 3 anos Entre 4 a 7 anos
M
DP
M
DP
8 ou mais anos
M
F
p
R2 (%)
DP
Conforto com a
proximidade
18,18
3,67
17,88
2,90
17,88
4,52
0,227
0,797
0,131
Confiança nos outros
14,19
4,12
13,76
3,10
14,65
5,09
1,392
0,250
0,798
Ansiedade
14,06
4,40
13,37
3,77
14,57
6,11
1,875
0,155
1,072
Relação entre o primeiro filho e a vinculação paterna
Realizou-se o teste t para perceber se o facto de ser o primeiro filho ou não do casal
influencia a vinculação do pai (tabela 11). Podemos constatar que nos casos em que este é o
primeiro filho, os pais mostram níveis mais elevados de vinculação na sub-escala conforto
com a proximidade, e níveis mais baixos nas sub-escalas confiança nos outros e ansiedade.
No entanto, constatamos que as diferenças não são significativas (p<0,05) para nenhuma subescala, o que sugere que o número de filhos do casal não tem impacto na vinculação do pai.
79
Tabela 11 – Teste t entre o primeiro filho e a vinculação paterna
Primeiro Filho
Sim
Não
t
p
M
DP
M
DP
Conforto com a proximidade
18,01
3,14
17,89
4,63
0,257
0,797
Confiança nos outros
14,09
3,65
14,44
4,94
-0,691
0,490
Ansiedade
13,61
4,20
14,70
5,82
-1,863
0,064
Relação entre o tipo de parto e a vinculação paterna
Com o intuito de se perceber a influência entre o tipo de parto e a vinculação do pai,
utilizou-se o teste t (tabela 12). As médias de todas as sub-escalas da vinculação apresentamse superiores nos pais com filhos que nasceram de parto normal. Porém, estas diferenças não
têm significância estatística (p<0,05), indicativo de que o tipo de parto não influencia a
vinculação do pai.
Tabela 12 – Teste t entre o tipo de parto e a vinculação paterna
Tipo de Parto
Normal
Distócico
t
p
M
DP
M
DP
Conforto com a proximidade
18,01
4,31
17,92
3,19
0,211
0,833
Confiança nos outros
14,32
4,88
14,09
3,49
0,491
0,624
Ansiedade
14,30
5,53
13,72
4,26
1,095
0,275
Relação entre a gravidez planeada e a vinculação paterna
Para se compreender a influência de uma gravidez planeada na vinculação do pai,
utilizou-se o Teste U de Mann-Whitney. Pela observação da tabela 13, constatamos que os
pais que planearam ter um filho apresentam níveis mais elevados de vinculação nas subescalas conforto com a proximidade e ansiedade, mas maias baixos na sub-escala confiança
nos outros. Apenas existe significância estatística para as diferenças na sub-escala conforto
com a proximidade, ou seja, os pais que planearam ter um filho com as suas companheiras
têm maior conforto com a proximidade do que aqueles que não planearam.
80
Tabela 13 – Teste U de Mann-Whitney entre a gravidez planeada e a vinculação paterna
Gravidez Planeada
Sim
Não
MW
p
OM
OM
Conforto com a proximidade
182,02
151,7
8972,50
0,017
Confiança nos outros
172,97
181,7
10310,00
0,492
Ansiedade
175,51
173,3
10717,00
0,863
Relação entre a gravidez desejada e a vinculação paterna
Com o intuito de se entender qual a influência da gravidez desejada na vinculação do
pai, utilizou-se o Teste U de Mann-Whitney. Na tabela 14, verificamos que existem níveis de
vinculação mais elevados nas sub-escalas conforto com a proximidade e confiança nos outros,
nos sujeitos em que a gravidez não foi desejada. Contudo, as diferenças não são significativas
para nenhuma das sub-escalas de vinculação.
Tabela 14 – Teste U de Mann-Whitney entre a gravidez desejada e a vinculação paterna
Gravidez Desejada
Sim
Não
MW
p
OM
OM
Conforto com a proximidade
174,91
177,58
1991,00
0,928
Confiança nos outros
174,30
194,67
1786,00
0,490
Ansiedade
175,57
158,92
1829,00
0,573
Relação entre a presença nas consultas de vigilância pré-natal e a vinculação paterna
Para se saber qual a influência entre a presença nas consultas de vigilância pré-natal e
a vinculação do pai, utilizou-se o Teste U de Mann-Whitney. Através da análise da tabela 15,
verificamos que os pais que estão presentes nas consultas de vigilância pré-natal têm valores
mais médias mais elevadas na sub-escala conforto com a proximidade. Pelo contrário, os pais
que não presenciaram as consultas obtêm valores mais elevados nas sub-escalas confiança nos
outros e ansiedade. Analisando o valor de p, constatamos que existe significância estatística
para as sub-escalas conforto com a proximidade e confiança nos outros, o que indica que os
pais presentes nas consultas de vigilância pré-natal sentem-se mais confortáveis com a
proximidade, mas confiam menos nos outros, do que em relação aos pais que não estão
presentes nas consultas.
81
Tabela 15 – Teste U de Mann-Whitney entre a presença nas consultas de vigilância pré-natal e a vinculação
paterna
Presença nas consultas
Sim
Não
MW
p
OM
OM
Conforto com a proximidade
181,15
149,10
7711,50
0,019
Confiança nos outros
167,85
205,09
7431,00
0,006
Ansiedade
171,32
190,50
8408,50
0,161
Relação entre a sensação dos movimentos fetais e a vinculação paterna
Com o intuito de compreender a relação entre os movimentos fetais e a vinculação do
pai, utilizou-se o Teste U de Mann-Whitney (tabela 16). Verificamos que os pais que sentiram
os movimentos fetais possuem níveis mais elevados de vinculação na sub-escala ansiedade. Já
os pais que não sentiram os movimentos do feto mostram maiores pontuações nas sub-escalas
confiança nos outros e conforto com a proximidade. No entanto, estas diferenças não são
significativas, uma vez que os valores de p para as sub-escalas são superiores a 0,005.
Tabela 16 – Teste U de Mann-Whitney entre a sensação dos movimentos fetais e a vinculação paterna
Movimentos Fetais
Sim
Não
MW
p
OM
OM
Conforto com a proximidade
175,42
164,12
2042,50
0,690
Confiança nos outros
174,95
176,38
2166,00
0,959
Ansiedade
176,07
147,46
1826,00
0,313
Relação entre falar com o bebé durante a gravidez e a vinculação paterna
No que alude à relação entre falar com o bebé e a vinculação do pai, utilizou-se o
Teste U de Mann-Whitney (tabela 17). Observamos que os pais que falaram com os bebés
possuem níveis de vinculação mais elevados na sub-escala conforto com a proximidade, mas
mais baixos nas sub-escalas confiança nos outros e ansiedade. Contudo, os valores de p são
superiores a 0,05, pelo que não existe significância estatística.
82
Tabela 17 – Teste U de Mann-Whitney entre falar com o bebé durante a gravidez e a vinculação paterna
Falar com o bebé
Sim
Não
MW
p
OM
OM
Conforto com a proximidade
175,64
171,78
8252,50
0,789
Confiança nos outros
171,86
190,73
7526,50
0,191
Ansiedade
171,66
191,76
7467,00
0,165
Relação entre a presença durante o trabalho de parto e a vinculação paterna
Respeitante à relação entre a presença durante o trabalho de parto e a vinculação do
pai, utilizou-se o teste t. Analisando a tabela 18, verificamos que os níveis de vinculação são
superiores em todas as sub-escalas de vinculação nos pais que estiveram presentes durante o
trabalho de parto. Porém, as diferenças não são significativas, pois os valores de p são
superiores a 0,005.
Tabela 18 – Teste t entre a presença durante o trabalho de parto e a vinculação paterna
Presença durante o trabalho
de parto
Sim
Não
t
p
M
DP
M
DP
Conforto com a proximidade
17,9
3,77
17,91
3,70
0,153
0,879
Confiança nos outros
14,3
4,19
13,55
4,12
1,531
0,128
Ansiedade
14,0
4,85
13,84
5,06
0,288
0,774
Relação entre a presença durante o parto e a vinculação do pai
Referente à relação entre a presença durante o parto e a vinculação do pai, utilizou-se
o teste t (tabela 19). Verificamos que os níveis de vinculação são superiores nas sub-escalas
confiança nos outros e ansiedade nos pais que estiveram presentes durante o parto. No
entanto, as diferenças observadas não são significativas, uma vez que p não é inferior a 0,005.
Tabela 19 – Teste t entre a presença durante o parto e a vinculação paterna
Presença durante o parto
Sim
Não
t
p
M
DP
M
DP
Conforto com a proximidade
17,94
3,84
18,01
3,60
-0,168
0,867
Confiança nos outros
14,52
4,41
13,68
3,76
1,892
0,059
Ansiedade
14,22
5,12
13,61
4,49
1,169
0,243
83
6.2. ANÁLISE INFERENCIAL
Neste sub-capítulo pretendemos estudar a relação entre as variáveis sóciodemográficas (idade, habilitações literárias, estado civil e duração da relação), obstétricas
(primeiro filho, tipo de parto, gravidez planeada e gravidez desejada) e do envolvimento do
pai (presença nas consultas de vigilância pré-natal, movimentos fetais, falar com o bebé
durante a gravidez, presença durante o trabalho de parto, presença durante o parto) com o
bonding. Posteriormente, apresentamos ainda o estudo da relação entre a vinculação do pai
com o bonding.
Para tal, vamos procurar dar resposta às questões de investigação já enunciadas e que
foram delineadas tendo por base a informação obtida com o presente trabalho.
Questão 1 – Qual é a influência das variáveis sócio-demográficas (idade,
habilitações literárias, estado civil e duração da relação) sobre o estabelecimento do
bonding entre pai e o bebé?
Relação entre a idade e o bonding paterno
Para se compreender a influência entre a idade e o bonding, utilizou-se o teste t (tabela
20). Ao realizar-se o cruzamento entre a idade e as diversas sub-escalas do bonding,
constatamos que no bonding positivo, no bonding not clear e no bonding total as médias são
mais elevadas nos sujeitos com idade igual ou inferior a 30 anos. Para o bonding negativo as
médias são mais elevadas nos participantes com 31 ou mais anos. Verificamos que as
diferenças são significativas apenas para o bonding positivo, o que indica que os pais com
idades inferiores ou iguais a 30 anos têm mais bonding positivo do que os indivíduos com
idades superiores ou iguais a 31 anos.
Tabela 20 – Teste t entre a idade e o bonding paterno
Idade
Inferior ou igual a 30 anos
Superior ou igual a 31 anos
t
p
Média
DP
Média
DP
Bonding Negativo
0,23
0,96
0,31
0,87
-0,742
0,459
Bonding Positivo
8,44
1,08
8,12
1,19
2,598
0,010
Bonding not clear
1,50
1,38
1,45
1,25
0,396
0,692
Bonding Total
6,70
2,21
6,36
2,03
1,440
0,151
84
Relação entre as habilitações literárias e o bonding paterno
Realizou-se o teste One-Way ANOVA entre grupos para explorar o impacto das
habilitações literárias do pai no bonding (tabela 21). No que se refere aos valores médios,
observamos que para o bonding negativo, bonding positivo e bonding total, as médias mais
elevadas centram-se nos participantes com escolaridade até ao 3º ciclo e as médias mais
baixas nos sujeitos com o ensino superior. Contudo, no bonding not clear a média mais
elevada centra-se nos indivíduos com o ensino superior e as médias mais baixas nos
participantes com habilitações até ao 3º ciclo.
Obteve-se significância estatística apenas no bonding positivo para os três grupos das
habilitações literárias. Para analisar os grupos onde existem essas diferenças, procedemos à
realização de testes post-hoc (tabela 22). Desta forma, o teste Tukey indicou que a média do
grupo “até ao 3º ciclo” (M=0,38, DP=1,16) foi significativamente diferente da do grupo
“ensino superior” (M=0,17, DP=0,66). O grupo “ensino secundário” (M=0,23, DP=0,72) não
diferiu significativamente dos grupos “até ao 3º ciclo” e “ensino superior”. Estes resultados
indicam que os indivíduos que estudaram até ao 3º ciclo apresentam níveis mais elevados e
significativos de bonding positivo do que os pais que têm um curso superior.
Tabela 21 – Teste One-Way ANOVA entre as habilitações literárias e o bonding paterno
Bonding
Bonding
Negativo
Bonding
Positivo
Bonding
Not Clear
Bonding
Total
Habilitações Literárias
N
Média
DP
Até ao 3º Ciclo
130
0,38
1,16
Ensino Secundário
129
0,23
0,72
Ensino Superior
89
0,17
0,66
Até ao 3º Ciclo
130
8,43
1,06
Ensino Secundário
129
8,20
1,19
Ensino Superior
89
8,04
1,22
Até ao 3º Ciclo
130
1,34
1,43
Ensino Secundário
129
1,47
1,26
Ensino Superior
89
1,65
1,15
Até ao 3º Ciclo
130
6,71
1,43
Ensino Secundário
129
6,50
1,27
Ensino Superior
89
6,22
1,15
F
p
R2 (%)
1,603
0,203
0,920
3,133
0,045
1,784
1,528
0,218
0,878
1,436
0,239
0,825
85
Tabela 22 – Teste Tukey entre os diferentes grupos de habilitações literárias e o bonding positivo
Bonding
Grupos
Até ao 3º Ciclo
Bonding
Positivo
Diferença Média
EP
p
Ensino Secundário
0,230
0,143
0,245
Ensino Superior
0,386
0,158
0,040
Até ao 3º Ciclo
-0,230
0,143
0,245
Ensino Superior
0,157
0,158
0,585
Até ao 3º Ciclo
-0,386
0,158
0,040
Ensino Secundário
-0,157
0,158
0,585
Ensino
Secundário
Ensino Superior
Relação entre o estado civil e o bonding paterno
Para se entender a relação entre o estado civil e o bonding utilizou-se o teste KruskalWallis (tabela 23). Os sujeitos casados apresentam níveis mais elevados de bonding negativo
e positivo, comparativamente com os participantes solteiros e que vivem em união de facto.
Os pais que vivem em união de facto apresentam níveis mais elevados de bonding not clear
comparativamente com os pais solteiros e casados. No bonding total, observa-se que são os
sujeitos solteiros que apresentam médias mais elevadas, comparativamente com os sujeitos
casados e que vivem em união de facto. Contudo, estas diferenças não são significativas para
os diferentes tipos de bonding, indicando que o estado civil não influencia o estabelecimento
do bonding.
Tabela 23 – Teste Kruskal-Wallis entre o estado civil e o bonding paterno
Estado Civil
2
p
165,25
1,179
0,555
175,11
173,82
0,161
0,923
162,28
173,95
190,58
2,383
0,304
182,48
175,02
157,26
1,896
0,388
Solteiro
Casado
União de Facto
OM
OM
OM
Bonding Negativo
175,30
175,44
Bonding Positivo
170,27
Bonding Not Clear
Bonding Total
Relação entre a duração da relação actual e o bonding paterno
Efectuou-se o teste One-Way ANOVA, para se estudar a influência da duração da
relação no bonding (tabela 24). Analisando os valores médios, verificamos que os pais que
estão na relação há 8 ou mais anos possuem níveis mais elevados de bonding negativo e de
bonding not clear. Os participantes que estão na relação acual há menos tempo (0-3 anos)
86
possuem níveis mais elevados de bonding positivo comparativamente com os pais que estão à
mais tempo na relação (≥ 8 anos). Contudo, verifica-se que não existem diferenças
estatisticamente significativas nas sub-escalas do bonding.
Tabela 24 – Teste One-Way ANOVA entre a duração da relação actual e o bonding paterno
Duração da relação Entre 0 a 3 anos
actual
Entre 4 a 7 anos
8 ou mais anos
F
p
R2 (%)
1,01
1,740
0,177
0,996
8,20
1,19
0,339
0,713
0,196
1,33
1,56
1,28
0,619
0,539
0,356
2,34
6,29
2,16
1,831
0,162
1,047
M
DP
M
DP
M
DP
Bonding Negativo
0,14
0,40
0,33
1,08
0,34
Bonding Positivo
8,32
1,09
8,24
1,18
Bonding Not Clear
1,36
1,29
1,47
Bonding Total
6,82
1,71
6,44
Questão 2 – Qual é a influência das variáveis obstétricas (primeiro filho, tipo de
parto, gravidez planeada e gravidez desejada) sobre o estabelecimento do bonding entre
pai e o bebé?
Relação entre o primeiro filho e o bonding paterno
Com o intuito de se perceber a influência entre o facto de ser ou não o primeiro filho e
o bonding, utilizou-se o teste t. Ao analisar a tabela 25, constatamos que os níveis de bonding
negativo, bonding positivo e bonding not clear são mais elevados nos pais que referiram ser o
primeiro filho. Contudo, no bonding total a média é mais elevada nos pais que referiram não
ser o primeiro filho. Existem diferenças significativas para o bonding positivo e bonding not
clear, pelo que podemos referir que para os pais em que este é o nascimento do primeiro filho
apresentam mais bonding positivo e bonding not clear do que aqueles que já têm mais filhos.
Tabela 25 – Teste t entre o primeiro filho e o bonding paterno
Primeiro Filho
Sim
Não
t
p
M
DP
M
DP
Bonding Negativo
0,29
0,99
0,25
0,76
0,448
0,654
Bonding Positivo
8,35
1,11
8,06
1,22
2,225
0,027
Bonding Not Clear
1,58
1,35
1,29
1,19
2,031
0,043
Bonding Total
6,48
2,22
6,53
1,91
-0,205
0,838
87
Relação entre o tipo de parto e o bonding paterno
Para de perceber a influência entre o tipo de parto e o bonding, utilizou-se o teste t. Ao
observarmos a tabela 26, verificamos que os níveis do bonding negativo, positivo e not clear
são superiores quando o parto é normal. Contudo, no bonding Total as médias mais elevadas
centram-se nos pais com filhos que nasceram de parto distócico. Porém, podemos referir que
não existem diferenças estatisticamente significativas entre o bonding e o tipo de parto,
portanto, o tipo de parto não tem influência no estabelecimento do bonding.
Tabela 26 – Teste t entre o tipo de parto e o bonding paterno
Tipo de Parto
Normal
Distócico
t
p
M
DP
M
DP
Bonding Negativo
0,29
0,91
0,27
0,91
0,148
0,883
Bonding Positivo
8,28
1,13
8,22
1,18
0,451
0,652
Bonding Not Clear
1,57
1,36
1,39
1,25
1,265
0,207
Bonding Total
6,43
2,17
6,56
2,07
-0,594
0,553
Relação entre a gravidez planeada e o bonding paterno
Com o intuito de perceber a influência de uma gravidez planeada e o bonding,
utilizou-se o Teste U de Mann-Whitney. Na tabela 27, constatamos que os níveis mais
elevados do bonding negativo, do bonding positivo e do bonding total encontram-se nos pais
que afirmaram ser uma gravidez planeada. No entanto, não existem diferenças significativas
para estas diferenças, o que indica que o planeamento da gravidez não tem impacto no
bonding pai-filho.
Tabela 27 – Teste U de Mann-Whitney entre a gravidez planeada e o bonding paterno
Gravidez Planeada
Sim
Não
MW
p
OM
OM
Bonding Negativo
175,31
173,98
10771,50
0,864
Bonding Positivo
176,93
168,63
10338,00
0,455
Bonding Not Clear
170,59
189,58
9673,00
0,125
Bonding Total
180,65
156,29
9338,50
0,053
88
Relação entre a gravidez desejada e o bonding paterno
Para se perceber qual a influência entre a gravidez desejada e o bonding, utilizou-se o
Teste U de Mann-Whitney. Ao observarmos a tabela 28, verificamos que os níveis do
bonding negativo, do bonding positivo e do bonding not clear são mais elevados nos
participantes que desejaram a gravidez. No bonding Total as médias são mais elevadas nos
pais que referiram não ter sido uma gravidez desejada. As diferenças não são significativas
pois o p>0,05.
Tabela 28 – Teste U de Mann-Whitney entre a gravidez desejada e o bonding paterno
Gravidez Desejada
Sim
Não
MW
p
OM
OM
Bonding Negativo
175,38
164,25
1893,000
0,534
Bonding Positivo
175,27
167,29
1929,500
0,756
Bonding Not Clear
176,19
141,54
1620,500
0,226
Bonding Total
174,12
199,67
1726,00
0,381
Questão 3 – Qual é a influência das variáveis do envolvimento do pai durante a
gravidez, trabalho de parto e parto (presença nas consultas de vigilância pré-natal,
movimentos fetais, falar com o bebé durante a gravidez, presença durante o trabalho de
parto, presença durante o parto) no estabelecimento do bonding entre o pai e o bebé?
Relação entre a presença nas consultas de vigilância pré-natal e o bonding paterno
Para saber qual a influência entre a presença nas consultas de vigilância pré-natal e o
bonding, utilizou-se o Teste U de Mann-Whitney (tabela 29). Verificamos que os sujeitos que
estiveram presente nas consultas de vigilância pré-natal possuem níveis mais elevados de
bonding positivo, de bonding not clear e de bonding total. Pelo contrário, os pais que não
presenciaram as consultas apresentam maiores niveis de bonding negativo. Contudo, não
existe significância estatística, uma vez que os valores de p são superiores a 0,05.
89
Tabela 29 – Teste U de Mann-Whitney entre a presença nas consultas de vigilância pré-natal e o bonding
paterno
Presença nas consultas
Sim
Não
MW
p
OM
OM
Bonding Negativo
173,36
181,92
8983,500
0,301
Bonding Positivo
178,49
160,33
8464,000
0,127
Bonding Not Clear
178,75
159,21
8389,000
0,140
Bonding Total
176,00
170,78
9164,50
0,699
Relação entre a presença na primeira ecografia e o bonding paterno
Com o intuito de compreender a influência entre a primeira ecografia e o bonding,
utilizou-se o Teste U de Mann-Whitney. Através da análise da tabela 30, os sujeitos que
estiveram presentes na primeira ecografia possuem níveis mais elevados de Bonding Positivo,
de bonding not clear e de bonding total. De todas estas diferenças, aquela que apresenta
significância estatística é para o bonding positivo, o que indica que os pais que presenciaram a
primeira ecografia do seu filho têm níveis mais elevados de bonding positivo do que aqueles
que não estiveram presentes.
Tabela 30 – Teste U de Mann-Whitney entre a presença na primeira ecografia e o bonding paterno
Primeira ecografia
Sim
Não
MW
p
OM
OM
Bonding Negativo
177,01
166,53
8879,50
0,205
Bonding Positivo
181,44
147,91
7632,00
0,005
Bonding Not Clear
178,80
158,99
8374,50
0,135
Bonding Total
176,12
170,29
9131,50
0,666
Relação entre a sensação dos movimentos fetais e o bonding paterno
Para se perceber influência a relação entre os movimentos fetais e o bonding, utilizouse o Teste U de Mann-Whitney (tabela 31). Verificamos que os pais que não sentiram os
movimentos fetais possuem níveis mais elevados de bonding negativo, bonding positivo,
bonding not clear. Em relação ao bonding total, são os pais que sentiram os movimentos
fetais que mais pontuam. Contudo, estas diferenças não são significativas, uma vez que os
valores de p obtidos foram superiores a 0,05.
90
Tabela 31 – Teste U de Mann-Whitney entre a sensação dos movimentos fetais e o bonding paterno
Movimentos Fetais
Sim
Não
MW
p
OM
OM
Bonding Negativo
174,39
190,65
1980,500
0,345
Bonding Positivo
174,63
184,50
2060,500
0,690
Bonding Not Clear
173,79
206,35
1776,500
0,237
Bonding Total
175,66
157,92
1962,00
0,528
Relação entre falar com o bebé durante a gravidez e o bonding paterno
No que concerne à relação entre falar com o bebé e o bonding, utilizou-se o Teste U de
Mann-Whitney, onde observamos que os pais que falaram com os bebés durante a gravidez
possuem níveis mais elevados de bonding negativo, bonding positivo, bonding not clear e
bonding total (tabela 32). Há diferenças significativas no bonding positivo, o que sugere que o
falar com o bebé durante a gravidez influencia o estabelecimento do bonding positivo.
Tabela 32 – Teste U de Mann-Whitney entre falar com o bebé durante a gravidez e o bonding paterno
Falar com o bebé
Sim
Não
MW
p
OM
OM
Bonding Negativo
175,73
171,34
8227,000
0,617
Bonding Positivo
180,83
145,77
6743,500
0,005
Bonding Not Clear
176,83
165,81
7906,000
0,432
Bonding Total
177,17
164,13
7808,50
0,361
Relação entre a presença nas aulas de preparação para o parto e o bonding paterno
Para compreender qual a influência entre a presença nas aulas de preparação para o
parto e o bonding, utilizou-se o Teste U de Mann-Whitney. Pela observação da tabela 33,
verificamos que os pais que assistiram às aulas de preparação para o parto têm níveis mais
elevados de bonding positivo e de bonding not clear. Contudo, estas diferenças não são
significativas na medida em que os valores de significância obtidos foram superiores a 0,05.
91
Tabela 33 – Teste U de Mann-Whitney entre a presença nas aulas de preparação para o parto e o bonding
paterno
Aulas de preparação
Sim
Não
MW
p
para o parto
OM
OM
Bonding Negativo
173,13
175,55
10517,50
0,757
Bonding Positivo
183,61
172,48
9985,00
0,321
Bonding Not Clear
191,72
170,11
9344,00
0,083
Bonding Total
167,13
177,30
10043,50
0,424
Relação entre a presença durante o trabalho de parto e o bonding paterno
Relativo à relação entre a presença durante o trabalho de parto e o bonding, utilizou-se
o Teste U de Mann-Whitney (tabela 34). Observamos que os pais que estiveram presentes
durante o trabalho de parto possuem níveis mais elevados de bonding positivo e bonding not
clear. Existe significância estatística no bonding not clear, indicativo que os pais estarem
presentes durante o trabalho de parto influencia o estabelecimento do bonding not clear entre
pai e filho.
Tabela 34 – Teste U de Mann-Whitney entre a presença durante o trabalho de parto e o bonding
paterno
Presença durante o trabalho
Sim
Não
MW
p
de parto
OM
OM
Bonding Negativo
173,52
180,33
9969,00
0,388
Bonding Positivo
175,49
173,26
10241,50
0,844
Bonding Not Clear
180,51
155,20
8869,00
0,045
Bonding Total
172,34
184,56
9647,50
0,343
Relação entre o conhecimento de todos os acontecimentos decorrentes do trabalho de
parto e o bonding paterno
Relativo à relação entre o conhecimento de todos os acontecimentos decorrentes do
trabalho de parto e o bonding, utilizou-se o Teste U de Mann-Whitney. Decorrente da análise
da tabela 35, observamos que os pais que tiveram conhecimento de todos os acontecimentos
do trabalho de parto possuem níveis mais elevados de bonding positivo e bonding not clear.
Existiram diferenças significativas para o bonding not clear, o que sugere que o conhecimento
92
de todos os acontecimentos decorrentes do trabalho de parto influencia o estabelecimento do
bonding not clear.
Tabela 35 – Teste U de Mann-Whitney entre o conhecimento de todos os acontecimentos decorrentes do
trabalho de parto e o bonding paterno
Conhecimento de todos os acontecimentos
Sim
Não
decorrentes do trabalho de parto
OM
OM
Bonding Negativo
173,20
Bonding Positivo
MW
p
179,88
11526,00
0,363
177,97
166,94
11227,00
0,296
Bonding Not Clear
182,57
154,47
10055,00
0,017
Bonding Total
172,70
181,24
11398,50
0,476
Relação entre a participação activa no trabalho de parto e o bonding paterno
Quanto à relação entre a participação activa no trabalho de parto e o bonding, utilizouse o teste t (tabela 36), onde verificamos que os pais que tiveram uma participação activa no
trabalho de parto possuem níveis mais elevados de bonding negativo; de bonding positivo e
de bonding not clear. Contudo, não existe significância estatística para nenhum tipo de
bonding.
Tabela 36 – Teste t entre a participação activa no trabalho de parto e o bonding paterno
Participação activa no trabalho
de parto
Sim
Não
t
p
M
DP
M
DP
Bonding Negativo
0,30
1,01
0,24
0,75
0,658
0,511
Bonding Positivo
8,33
1,10
8,13
1,23
1,622
0,106
Bonding Not Clear
1,55
1,28
1,35
1,33
1,436
0,152
Bonding Total
6,48
2,15
6,54
2,05
-0,276
0,783
Relação entre a presença durante o parto e o bonding paterno
Referente à relação entre a presença durante o parto e o bonding, utilizou-se o teste t
(tabela 37). Observamos que os pais que estiveram presentes durante o parto possuem níveis
mais elevados de bonding positivo, de bonding not clear e de bonding total. Porém, nenhuma
das diferenças se revelou significativa.
93
Tabela 37 – Teste t entre a presença durante o parto e o bonding paterno
Presença durante o parto
Sim
Não
t
p
M
DP
M
DP
Bonding Negativo
0,26
0,90
0,33
0,93
-0,552
0,581
Bonding Positivo
8,25
1,17
8,24
1,11
0,106
0,916
Bonding Not Clear
1,53
1,30
1,24
1,27
1,768
0,078
Bonding Total
6,49
2,11
5,52
2,12
-0,120
0,905
Relação entre o corte do cordão umbilical e o bonding paterno
Referente à relação entre o pai ter cortado o cordão umbilical e o bonding, utilizou-se
o Teste U de Mann-Whitney. Decorrente da análise da tabela 38, constatamos que os pais que
cortaram o cordão umbilical possuem níveis mais elevados de bonding positivo, de bonding
not clear e de bonding total. No entanto, não existem diferenças significativas entre o corte do
cordão umbilical e o tipo de bonding.
Tabela 38 – Teste U de Mann-Whitney entre o corte do cordão umbilical e o bonding paterno
Corte do cordão umbilical
Sim
Não
MW
p
OM
OM
Bonding Negativo
102,77
107,76
1064,50
0,657
Bonding Positivo
120,86
106,78
969,50
0,386
Bonding Not Clear
112,86
107,21
1057,50
0,761
Bonding Total
115,27
107,08
1031,00
0,664
Relação entre a importância do pai cortar o cordão umbilical para o estabelecimento
da ligação com o filho e o bonding paterno
Referente à relação entre a possibilidade de o pai poder cortar o cordão umbilical ser
importante para o estabelecimento da ligação com o filho e o bonding, utilizou-se o teste t
(tabela 39). Verificamos que os pais que consideraram importante cortar o cordão umbilical
possuem níveis mais elevados de bonding positivo e de bonding total. Contudo, não se
verificou significância estatística para nenhuma destas diferenças.
94
Tabela 39 – Teste t entre a importância do pai cortar o cordão umbilical para o estabelecimento da ligação com
o filho e o bonding paterno
Importância do pai cortar o
Sim
cordão umbilical
Não
t
p
M
DP
M
DP
Bonding Negativo
0,21
0,73
0,34
1,16
-0,953
0,342
Bonding Positivo
8,46
0,91
8,24
1,16
1,481
0,140
Bonding Not Clear
1,58
1,28
1,61
1,39
-0,137
0,891
Bonding Total
6,67
1,97
6,29
2,26
1,278
0,203
Relação entre pegar no bebé e o bonding paterno
Para compreender se existe, ou não, uma relação entre pegar no bebé e o bonding,
utilizou-se o Teste U de Mann-Whitney. Pela observação da tabela 40, verificamos que os
pais que pegam no bebé têm resultados médios de vinculação mais elevados de bonding
negativo e de bonding total. Pelo contrário, apresentam níveis mais baixos de bonding
positivo e de bonding not clear. De todas estas diferenças, aquela que apresenta significância
estatística é a do bonding not clear, pelo que podemos referir que os pais que pegam no bebé
têm níveis mais baixos de bonding not clear que os pais que não pegam no bebé.
Tabela 40 – Teste U de Mann-Whitney entre pegar no bebé e o bonding paterno
Pegar no Bebé
Sim
Não
MW
p
OM
OM
Bonding Negativo
107,83
105,30
2542,50
0,731
Bonding Positivo
106,76
112,39
2467,00
0,597
Bonding Not Clear
104,37
128,30
2021,50
0,049
Bonding Total
109,35
95,23
2260,50
0,252
Relação entre vestir o bebé e o bonding paterno
Para verificar a existência de uma relação entre vestir ou não o bebé e o bonding,
utilizou-se o Teste U de Mann-Whitney. Analisando a tabela 41, observamos que os pais que
vestem o bebé, comparativamente com aqueles que não vestem, apresentam níveis mais
elevados de bonding positivo e bonding total, e possuem níveis mais baixos de bonding
negativo e bonding not clear. Contudo, estas diferenças não revelam significância estatística,
uma vez que o valor de p para cada sub-escala é superior a 0,05.
95
Tabela 41 – Teste U de Mann-Whitney entre vestir o bebé e o bonding paterno
Vestir o Bebé
Sim
Não
MW
p
OM
OM
Bonding Negativo
105,29
107,98
3260,00
0,679
Bonding Positivo
109,64
107,04
3262,50
0,781
Bonding Not Clear
96,62
109,85
2930,50
0,218
Bonding Total
117,41
105,36
2967,50
0,268
Questão 4 – Qual a influência da vinculação do pai no estabelecimento do
bonding entre o pai e o bebé?
Através da presente relação temos o intuito de identificar se a vinculação do pai
influencia o estabelecimento do bonding entre o pai e o bebé. Para o efeito, efectuámos
análises de regressões múltiplas para testar o valor preditivo das variáveis independentes (subescalas da vinculação: conforto com a proximidade, confiança nos outros e ansiedade) em
relação à variável dependente (bonding) e todas as suas dimensões: bonding positivo, bonding
negativo, bonding not clear, bonding total.
Optámos por utilizar a regressão múltipla, visto que pretendemos estudar a relação
entre uma variável dependente contínua e várias variáveis independentes ou preditivas,
também contínuas. Apesar de a regressão múltipla ter por base a correlação, permite uma
análise mais sofisticada da interligação entre as várias variáveis.
De uma forma geral, as regressões múltiplas permitem-nos responder às seguintes
questões: o quanto um conjunto de variáveis conseguem predizer um determinado resultado;
qual variável, num conjunto de variáveis, é a melhor preditora de um resultado, e; se uma
determinada variável preditiva é também capaz de predizer um resultado quando os efeitos de
uma outra variável são controlados.
Existem vários tipos de análises de regressões múltiplas que podemos utilizar,
dependendo das questões de investigação que queremos responder. Os três tipos principais de
análises de regressão múltipla são: standard, hierárquica e stepwise.
96
A análise stepwise foi a utilizada nas regressões deste estudo, com excepção da
primeira regressão efectuada. A análise stepwise tem como princípio ser o programa
estatístico a seleccionar quais as variáveis que entram na análise e em que ordem entram na
equação, com base num conjunto de critérios estatísticos. Quando uma variável é adicionada
ao modelo, todas as outras são reavaliadas para averiguar se continuam a contribuir para o
modelo. Caso isso não aconteça, são removidas. Este método assegura que o investigador
termine com o menor conjunto de variáveis preditivas no modelo.
Na primeira regressão, como não obtivemos nenhuma correlação estatisticamente
significativa entre as variáveis independentes e a variável dependente, a análise stepwise não
se pôde realizar, pelo que, utilizámos a análise standard, com recurso ao método enter. Neste
método, é especificado quais as variáveis preditivas que constituem o modelo e o programa
avalia o sucesso do modelo em predizer a variável dependente.
Relação entre a vinculação paterna e o bonding positivo
Relativamente ao bonding positivo, observamos pela análise da tabela 42, a existência
de correlações positivas apenas da variável conforto com a proximidade (r=0,064) e negativas
oscilando entre (r=-0,076) na ansiedade e (r=-0,055) na confiança nos outros. Todas as
associações são de magnitude linear muito baixa. No entanto, observamos que não existem
correlações significativas em nenhumas das variáveis independentes com a variável
dependente.
Tabela 42 – Correlação de Pearson entre a vinculação paterna e o bonding positivo
Variáveis independentes
R
p
Conforto com a Proximidade
0,064
0,115
Confiança nos outros
-0,055
0,155
Ansiedade
-0,076
0,078
O modelo de regressão, que inclui as variáveis ansiedade, conforto com a proximidade
e confiança nos outros, explica 2,0% da variância registada no bonding positivo e o erro
padrão de regressão é de 1,150.
97
Os resultados deste modelo são apresentados no quadro 1 que evidencia como a
ansiedade, o conforto com a proximidade e a confiança nos outros são preditores do bonding
positivo. A correlação positiva que estas variáveis estabelecem é baixa (r=0,140). Por sua vez,
o teste F [F(3;345)=2,301; p>0,05] ao não apresentar significância estatística, leva-nos a
inferir que o modelo não é capaz de predizer a variável dependente.
Analisando os valores dos coeficientes padronizados e a significância de cada variável,
verificamos que a variável conforto com a proximidade (β=0,137) é a que tem uma
contribuição única significativa para explicar o bonding positivo, quando se controlam todas
as restantes variáveis do modelo.
Ao observarmos os coeficientes não padronizados, constatamos que a variável
conforto com a proximidade (B=0,042) apresenta uma relação positiva com o bonding
positivo. Assim, à medida que o indivíduo se sente mais confortável com o próximo,
apresenta níveis mais elevados de bonding positivo.
O modelo final ajustado para o bonding positivo é dado pela seguinte fórmula:
Bonding positivo = 8,025 + 0,042 (Conforto com a proximidade)
Quadro 1 – Regressão múltipla entre a vinculação paterna e o bonding positivo
Variável dependente: Bonding Positivo
R = 0,140
R2 = 0,020
R2 Ajustado = 0,011
Erro padrão de estimativa = 1,150
Incremento de R2 = 0,020
F = 2,3010
p = 0,076
Pesos de Regressão
Variáveis independentes
Constante
Ansiedade
Conforto com a Proximidade
Confiança nos outros
Efeito
Regressão
Residual
Total
Coeficiente Beta
8,025
-0,027
0,042
-0,011
Soma quadrados
9,163
456,150
465,312
Coeficiente Padronizado
t
p
-0,115
0,137
-0,039
-1,554
2,208
-0,530
0,121
0,028
0,597
F
2,310
p
0,076
Análise de Variância
GL
Média quadrados
3
3,054
345
1,322
348
98
Relação entre a vinculação paterna e o bonding negativo
Relativo ao bonding negativo, observando a tabela 43, verificamos a existência de
correlações positivas oscilando entre (r=0,026) no conforto com a proximidade e (r=0,121) na
ansiedade. Todas as associações são de magnitude linear muito baixa. Observamos que
existem correlações significativas na variável independente ansiedade com a variável
dependente, ou seja, à medida que aumentam os índices da variável independente, o bonding
negativo também aumenta.
Tabela 43 – Correlação de Pearson entre a vinculação paterna e o bonding negativo
Variáveis independentes
R
p
Conforto com a Proximidade
0,026
0,317
Confiança nos outros
0,085
0,057
Ansiedade
0,121
0,012
Observamos que a primeira e única variável a entrar no modelo de regressão é a
ansiedade por se apresentar com maior coeficiente de correlação em valor absoluto (r=0,121),
estabelecendo uma associação muito baixa e explicando por si só 1,5% da variância do
bonding negativo, com um erro padrão de 0,904.
Os resultados deste modelo são apresentados no quadro 2 que evidencia como a
ansiedade é preditora do bonding negativo. O teste F [F(1;347)=5,141; p<0,05] é
estatisticamente significativo, revelando que o modelo é capaz de predizer a variável
dependente.
Analisando os valores dos coeficientes padronizados e a significância da variável,
verificamos que a ansiedade (β=0,121) é a que tem uma contribuição única significativa
(p<0,05) para explicar o bonding negativo.
Ao observarmos os coeficientes não padronizados, constatamos que a variável
ansiedade (B=0,022) apresenta uma relação positiva com o bonding negativo. Assim, à
medida que o indivíduo se sente mais ansioso, apresenta níveis mais elevados de bonding
negativo.
O modelo final ajustado para o bonding negativo é dado pela seguinte fórmula:
Bonding negativo =  0,036 + 0,022 (Ansiedade)
99
Quadro 2 – Regressão múltipla entre a vinculação paterna e o bonding negativo
Variável dependente: Bonding Negativo
R = 0,121
R2 = 0,015
R2 Ajustado = 0,012
Erro padrão de estimativa = 0,904
Incremento de R2 = 0,015
F = 5,141
p = 0,024
Pesos de Regressão
Variáveis independentes
Constante
Ansiedade
Efeito
Regressão
Residual
Total
Coeficiente Beta
-0,036
0,022
Soma quadrados
4,205
283,835
288,040
Coeficiente Padronizado
t
p
0,121
2,267
0,024
F
5,141
p
0,024
Análise de Variância
GL
Média quadrados
1
4,205
347
0,818
348
Relação entre a vinculação paterna e o bonding not clear
Alusivo ao bonding not clear, constatamos a existência de correlações positivas
oscilando entre (r=0,038) no conforto com a proximidade e (r=0,174) na ansiedade (tabela
44). Todas as associações são de magnitude linear muito baixa. Existem correlações
significativas nas variáveis independentes confiança nos outros e ansiedade com a variável
dependente, ou seja, à medida que aumentam os índices das variáveis independentes referidas,
o bonding not clear também aumenta.
Tabela 44 – Correlação de Pearson entre a vinculação paterna e o bonding not clear
Variáveis independentes
R
p
Conforto com a Proximidade
0,038
0,239
Confiança nos outros
0,174
0,001
Ansiedade
0,100
0,031
Verificamos que a primeira e única variável a entrar no modelo de regressão é a
confiança nos outros por se apresentar com maior coeficiente de correlação em valor absoluto
100
(r=0,174), estabelecendo uma associação muito baixa e explica 3,0% da variância do bonding
not clear, com um erro padrão de 1,285.
Os resultados deste modelo são apresentados no quadro 3 que evidencia como a
confiança nos outros é preditora do bonding not clear. O teste F[F(1;347)=10,822; p<0,05] é
estatisticamente significativo, indicando que o modelo é capaz de predizer a variável
dependente.
Analisando os valores dos coeficientes padronizados e a significância da variável,
verificamos que a variável confiança nos outros (β=0,174) é a que tem uma contribuição
única significativa para explicar o bonding not clear.
Ao observarmos os coeficientes não padronizados, constatamos que a variável
confiança nos outros (B=0,054) apresenta uma relação positiva com o bonding not clear.
Assim, à medida que o indivíduo se sente mais confiante nos outros, apresenta níveis mais
elevados de bonding not clear.
O modelo final ajustado para o bonding not clear é dado pela seguinte fórmula:
Bonding not clear = 0,701 + 0,054 (Confiança nos outros)
Quadro 3 – Regressão múltipla entre a vinculação paterna e o bonding not clear
Variável dependente: Bonding not clear
R = 0,174
R2 = 0,030
R2 Ajustado = 0,027
Erro padrão de estimativa = 1,285
Incremento de R2 = 0,030
F = 10,822
p = 0,001
Pesos de Regressão
Variáveis independentes
Constante
Confiança nos outros
Efeito
Regressão
Residual
Total
Coeficiente Beta
0,701
0,054
Soma quadrados
17,873
573,061
590,934
Coeficiente Padronizado
t
p
0,174
3,290
0,001
F
10,822
p
0,001
Análise de Variância
GL
Média quadrados
1
17,873
347
1,651
348
101
Relação entre a vinculação paterna e o bonding total
No que concerne ao bonding total, observando a tabela 45, verifica-se a existência de
correlações positivas apenas da variável “conforto com a proximidade” (r=0,001) e negativas
oscilando entre (r=-0,156) na ansiedade e (r=-0,174) na confiança nos outros. Todas as
associações são de magnitude linear muito baixa. Verificamos a existência de correlações
significativas entre duas das variáveis, nomeadamente, confiança nos outros e ansiedade e o
bonding total.
Tabela 45 – Correlação de Pearson entre a vinculação paterna e o bonding total
Variáveis independentes
R
p
Conforto com a Proximidade
0,001
0,495
Confiança nos outros
-0,174
0,001
Ansiedade
-0,156
0,002
A primeira variável e única a entrar no modelo de regressão é a confiança nos outros já
que é a que apresenta um maior coeficiente de correlação em valor absoluto, estabelecendo
uma associação muito baixa (tabela 45). Esta variável explica 3,0% da variância do bonding
total e o erro padrão de regressão é de 2,08.
No quadro 1 apresentamos como a confiança nos outros é preditora do bonding total.
O teste F [F(1;347)=10,795; p<0,05] é estatisticamente significativo, indicando que o modelo
é capaz de predizer a variável dependente. Deste modo, deduzimos que quanto menor é a
confiança nos outros, maior é o bonding total.
Analisando os valores dos coeficientes padronizados e a significância da variável,
verificamos que a variável confiança nos outros (β=-0,174) é a que tem uma contribuição
única significativa para explicar o bonding total.
Ao observarmos os coeficientes não padronizados, constatamos que a variável
confiança nos outros (B=-0,088) apresenta uma relação negativa com o bonding total. Assim,
à medida o indivíduo se sente menos confiança nos outros, apresenta níveis mais elevados de
bonding total.
O modelo final ajustado para o bonding total é dado pela seguinte fórmula:
Bonding total = 7,745  0,088 (Confiança nos outros)
102
Quadro 4 – Regressão múltipla entre a vinculação paterna e o bonding total
Variável dependente: Bonding Total
R = 0,174
R2 = 0,030
R2 Ajustado = 0,027
Erro padrão de estimativa = 2,082
Incremento de R2 = 0,030
F = 10,795
p = 0,001
Pesos de Regressão
Variáveis independentes
Constante
Confiança nos outros
Efeito
Regressão
Residual
Total
Coeficiente Beta
7.745
-0,088
Soma quadrados
46,804
1504,445
1551,249
Coeficiente Padronizado
t
p
-0,174
-3,286
0,001
F
10,795
p
0,001
Análise de Variância
GL
Média quadrados
1
46,804
347
4,336
348
Na figura seguinte (figura 2) apresentamos um esquema que relaciona as variáveis
independentes que fizeram parte do estudo das regressões múltiplas – conforto com a
proximidade, confiança nos outros e ansiedade – com a variável dependente, o bonding, tendo
em conta as suas sub-escalas (bonding positivo, bonding negativo, bonding not clear) e a nota
total.
São apresentados os valores de β padronizados entre a variável dependente e as
variáveis independentes para que possam ser directamente comparados entre eles.
103
FIGURA 2 – Síntese das relações entre a vinculação paterna e o bonding
Bonding positivo
0,137
Conforto com a proximidade
Bonding negativo
Confiança nos outros
0,121
0,174
Ansiedade
Bonding not clear
- 0,174
Bonding total
105
7. DISCUSSÃO
De forma a sistematizar os assuntos a serem alvo de discussão, esta subdivide-se em
discussão metodológica e discussão dos resultados. Na primeira parte da discussão falaremos
sobre as limitações do presente estudo e sugerir algumas indicações para estudos futuros na
mesma área. A segunda parte diz respeito à discussão dos dados obtidos, tendo como base a
literatura existente, e fazendo referência às questões de investigação por nós propostas para
este estudo.
7.1. DISCUSSÃO METODOLÓGICA
Este estudo procurou estudar o impacto de variáveis sócio-demográficas, obstétricas,
do envolvimento do pai e psicológicas – a vinculação paterna – no bonding entre pai e filho.
Globalmente, os resultados evidenciam que o bonding paterno é influenciado por todas estas
variáveis.
Para podermos delinear a metodologia da nossa investigação, tivemos primeiramente
de cogitar qual a população alvo deste estudo e quais as escalas existentes para a realização da
investigação. Assim, após termos realizado estes passos, procedemos à elaboração do
instrumento de recolha de dados. Este processo foi influenciado por diversos factores, tais
como, escolher, de entre as escalas existentes, aquelas que melhor nos pareceram avaliar o
que tínhamos esboçado nos nossos objectivos e questões de investigação. Para além disso,
procurámos que o instrumento fosse de fácil aplicação e que a sua administração decorresse
no menor tempo possível, uma vez que o tempo de resposta ao instrumento era nas 48 horas
após o parto do bebé, e não seria adequado que ocupássemos o pai demasiado tempo a
preencher o instrumento, quando o que ele mais queria era estar perto da família.
Desta forma, a primeira parte do instrumento foi constituída por um questionário que
avalia as características sócio-demográficas, obstétricas e do envolvimento do pai durante a
gravidez, trabalho de parto e parto, que foi elaborado por nós, para nos certificarmos que
106
nenhuma questão importante iria ser esquecida. A escolha da segunda parte do instrumento,
recaiu sobre a Escala de Vinculação do Adulto (CANAVARRO; DIAS; LIMA, 2006) e a
Escala Bonding (FIGUEIREDO et al., 2005a) que avaliam respectivamente, a vinculação do
pai e o bonding que este estabelece com o bebé até às 48 horas após o parto.
O momento em que o instrumento era aplicado foi flexível, de forma a que os pais o
pudessem preenchem em alturas mais calmas durante o horário das visitas, em que estariam
mais tranquilos e não sentissem pressão para tal.
Na prossecução deste estudo, todos os procedimentos formais e éticos foram
cumpridos com rigor, de forma a garantir a confidencialidade dos dados e o anonimato.
Posto isto, consideramos que as opções metodológicas foram as adequadas ao tipo de
estudo, uma vez que isso permitiu atingir os objetivos inicialmente estabelecidos e responder
às questões de investigação.
Assim, podemos constatar que, pelo presente estudo contemplar uma amostra de
progenitores masculinos, ainda pouco estudada na literatura, e pela extensa análise entre
variáveis efectuada, esta investigação afigura-se muito importante e vantajosa para a
avaliação do estabelecimento do bonding entre pais e filhos e dos factores que influenciam
esse envolvimento emocional. No entanto, pelo facto de existirem poucos estudos sobre esta
temática, a confrontação dos resultados obtidos com outras investigações tornou-se limitada.
No que se refere às limitações do estudo, ressalvamos, antes de mais, as reservas
colocadas à Escala Bonding, usada para pesquisar o bonding paterno. Por ser um instrumento
de auto-resposta, os resultados dela obtidos são susceptíveis de serem influenciados pela
desejabilidade social, o que indica alguma prudência na interpretação dos dados.
Em termos de estudos futuros, referimos que seria interessante administrar a Escala
Bonding a pais, mas em momentos diferentes do processo de bonding, como por exemplo,
durante as primeiras semanas de vida do bebé. Utilizando este procedimento, poderíamos
analisar a existência de variações nas emoções sentidas pelos pais. Mais concretamente, se as
emoções não claramente relacionadas com o envolvimento emocional, são mais evidentes no
momento imediatamente após o parto, ou se alguns dias depois, essas emoções diminuem e se
dão lugar às emoções positivas. Concomitantemente, poderíamos administrar a escala também
às mães para podermos investigar a existência significativa ou não de diferenças no
estabelecimento do bonding de cada membro da díade.
107
Vários factores que sabemos influenciar o bonding não foram objecto deste trabalho,
pelo que seria vantajoso estudá-los futuramente. Entre eles está a dor no parto. Os estudos
mostram que a intensidade da dor no parto é importante para a qualidade da vinculação entre
os pais e o bebé, mostrando assim que, quanto maiores forem os níveis de dor, menor é o
bonding parental nos dias decorrentes ao parto (FIGUEIREDO, 2003). Para além desse,
apontamos igualmente para objecto de estudo, os comportamentos do bebé, tais como sorrir,
vocalizar e seguir visualmente os pais, e que têm a função de estabelecer, de forma mútua, o
bonding parental. Ainda neste sentido, aludimos o estudo futuro da qualidade das relações
conjugais no estabelecimento do bonding. A Escala de Ajustamento Diádico-Revista (DASR) avalia este constructo e poderia ser usada para estudar essa relação. Sabendo que a
vinculação pré-natal influencia o bonding, poderíamos ainda aplicar da Escala de Vinculação
Pré-Natal para averiguar se esta tem impacto no estabelecimento do bonding nas primeiras 48
horas após o nascimento do bebé.
7.2. DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
A discussão será efectuada tendo em conta as questões de investigação deste estudo,
desta forma, para cada questão, apresentamos as variáveis que a constituem. As variáveis
sócio-demográficas, obstétricas, do envolvimento do pai na gravidez, trabalho de parto e
parto, e psicológicas (nomeadamente a vinculação paterna) correspondem, respectivamente,
às quatro questões de investigação formadas neste trabalho. Para cada uma das variáveis
expomos e discutimos os dados relativamente ao bonding. Uma vez que a vinculação paterna
assume uma posição privilegiada neste trabalho, é discutido, em último lugar, os dados
significativos que obtivemos com o estudo da relação entre a vinculação paterna e as variáveis
sócio-demográficas, obstétricas e do envolvimento do pai.
Devido à escassez dos estudos que se focam no bonding paterno com o recém-nascido,
e como há autores (SNOW & MCGAHA, 2002 cit. por FIGUEIREDO et al., 2007) que
sugerem que o bonding paterno se desenvolve da mesma forma que o bonding materno, os
resultados irão ser analisados de acordo com as investigações realizadas no âmbito do estudo
do estabelecimento do laço afectivo entre a mãe-bebé. Investigações recentes (FIGUEIREDO
et al., 2005a; FIGUEIREDO et al., 2007) têm vindo a corroborar esta ideia, ou seja, que não
108
há diferenças significativas entre o bonding materno e paterno, pelo que os pais são tão
capazes como as mães de estabelecer imediatamente o laço afectivo com o recém-nascido.
Em primeiro lugar, de acordo com os resultados obtidos, importa referir que logo após
o nascimento do bebé, um forte laço afectivo é estabelecido entre o pai e o recém-nascido,
observado na maioria dos casos. Os pais que mostram ter mais bonding positivo são os que
têm idade inferior ou igual a 30 anos (x=8,44; DP=1,08) do que os pais mais velhos (x=8,12;
DP=1,19). Contudo, estes resultados mostram também que, apesar de as emoções positivas
serem mais predominantes no momento após o parto, os pais têm algumas emoções não
directamente relacionadas com o bonding (para pais mais novos: x=1,50; DP=1,38; para pais
mais
velhos:
x=1,45;
DP=1,25).
Também
noutros
estudos
(MOURA-RAMOS;
CANAVARRO, 2007; PICCININI et al.; 2004), a média de idade dos pais é semelhante à
obtida neste estudo, M=30,4 anos (DP=4,71) para o primeiro e M=30,3 anos (DP=5,4). Em
relação ao bonding negativo, podemos concluir a sua ausência na generalidade dos pais (com
idade igual ou inferior a 30 anos: x=0,23; DP=0,96; pais com idade igual ou superior a 31
anos: x=0,31; DP=0,87) o que mostra que os pais na altura do nascimento do seu filho não
apresentam um envolvimento emocional negativo com este. Esta inexistência de bonding
negativo no pai, 48 horas depois do nascimento do bebé, surgiu já em outros estudos
(FIGUEIREDO et al., 2005), pelo que este estudo veio consolidar este facto.
Estes resultados consolidam a hipótese da literatura (CHALMERS et al., 1998 cit in
FIGUEIREDO et al., 2007) de que a vinculação parental se fortalece de forma relativamente
fácil e imediata nos primeiros contactos com o bebé. No entanto, os resultados corroboram
igualmente uma outra ideia, de que existe uma importante variabilidade em relação a, como e
quando os pais se envolvem emocionalmente com o bebé, pois para uma percentagem
relevante de pais, o bonding com o bebé não é tao claro, nem tão positivo, como outros
estudos têm enfatizado (MACFARLANE et al., 1978; FLEMING et al., 1997 cit. por
FIGUEIREDO, 2003). Numa outra investigação efectuada, concluíram que o bonding
parental é mais elevado nos meses que se seguem ao parto, do que comparado com os valores
de bonding obtidos no pós-parto imediato (TAYLOR et al., en prensa cit. por FIGUEIREDO,
2003).
Em relação à primeira questão do estudo, pretendemos investigar a influência das
variáveis sócio-demográficas (idade, habilitações literárias, estado civil e duração da relação)
no bonding pai-bebé.
109
No que concerne à idade, os indivíduos apresentaram idades entre os 19 e os 55 anos,
sendo a média de idades de 31,84 anos (DP=0,33). Quando cruzámos a variável idade com o
bonding, verificamos que são os pais mais novos (com idades superiores ou igual a 30 anos)
que apresentam valores de bonding positivo, o que indica, tal como as investigações
(MONTEIRO et al., 2008) têm sugerido, que as representações da paternidade têm vindo a
sofrer alterações, tendo os pais mais velhos uma imagem do pai como figura de autoridade e
de pouco envolvimento emocional na vida da criança. Por sua vez, os mais novos, com maior
abertura, consideram mais importante a capacidade de ser sensível, compreensivo e
dialogante, de estar presente na vida da criança e partilhar a autoridade.
No que diz respeito às habilitações literárias dos pais, os participantes foram
agrupados em três grupos: até ao 3º ciclo; ensino secundário e ensino superior. Verificamos
que 37,1% dos pais completou o ensino secundário, 37,4% terminou o 3º ciclo e 25,6% dos
pais têm curso superior. Constatamos que a maioria dos participantes com idade inferior ou
igual a 30 possui habilitações até ao 3º ciclo (43,3%) e ensino secundário (44,0%) enquanto
os que possuem ensino superior (34,3%) são na sua maioria sujeitos com idade superior ou
igual a 31 anos. Ao relacionarmos esta variável com o bonding, concluímos que as
habilitações literárias têm impacto no estabelecimento do laço afectivo. Verificamos que os
pais que frequentaram até ao 3º ciclo têm níveis mais elevados de bonding positivo. Estes
dados são corroborados pela investigação de por Ramos et al. (2005 cit. por SOARES, 2008),
em que concluíram que níveis mais elevados de escolaridade estão associados a uma
adaptação mais desajustada e mais negativa quando comparados com níveis de escolaridade
mais baixos. Desta forma, os pais cujo nível de escolaridade era mais elevado mostraram-se
menos felizes, mais tristes e ansiosos do que os pais com níveis mais baixos de escolaridade.
Pensamos que isto se verifique devido ao facto de os pais com mais habilitações literárias,
terem na generalidade dos cassos, um emprego que acarrete mais responsabilidade e mais
consumo de tempo, fazendo com que os pais sintam uma ambivalência entre o envolvimento
familiar e o envolvimento profissional.
Em termos do estado civil, a maioria (66,9%) dos participantes é casada, apenas
19,3% doa pais são solteiros e por último, com 13,8% encontram-se em união de facto.
Apuramos ainda que a maioria dos indivíduos casados possui idade superior ou igual a 31
anos (75,7%) enquanto os solteiros e os indivíduos em união de facto apresentaram
respectivamente, percentagens maiores nos indivíduos com idade inferior ou igual a 30 anos
110
(31,2%; 14,9%). Ao relacionarmos esta variável com o bonding paterno, verificamos que não
tem impacto neste.
No que concerne à duração do relacionamento actual, agrupámos esta variável em três
grupos: de zero a três anos; de quatro a sete anos e igual ou superior a oito anos. De todos os
participantes, 35,8% mantêm o actual relacionamento há 4-7 anos, 35,0% há 8 ou mais anos e,
por último, 29,2% dos participantes estão na relação actual até há 3 anos. A maioria dos
participantes com um relacionamento igual ou superior a 8 anos, possuem uma idade superior
ou igual a 31 anos (49,5%). No caso dos indivíduos com um relacionamento entre os 0 e os 3
anos e os com um relacionamento entre os 4 e os 7 anos apresentam respectivamente
percentagens mais significativas nos indivíduos com idade inferior ou igual a 30
(respectivamente, 50,4% e 36,2). No estudo da relação entre a duração do relacionamento
actual com o bonding paterno, constatamos que esta variável não o influencia.
Relativamente à etnia, a grande maioria (96,6%) dos sujeitos da amostra é de etnia
branca, seguida da etnia negra (1,7%) e da etnia cigana (1,4%). Constatamos que os
participantes com idade superior ou igual a 31 apresentam percentagens maiores na etnia
branca (99,6%) e na asiática (0,5%), enquanto a etnia negra (4,3%) se encontra mais presente
nos participantes com idade inferior ou igual a 30 anos. Optámos por não relacionar a etnia
com o bonding, porque não nos pareceu ser uma variável com impacto nesta última.
A segunda questão deste estudo prende-se com a influência das variáveis obstétricas
(primeiro filho, tipo de parto, gravidez planeada e gravidez desejada) sobre o estabelecimento
do bonding pai-bebé.
Em relação a ser o primeiro filho, verificamos que na maioria dos casos (63,2%) este é
o primeiro filho, enquanto que para 36,8% isso já não. Para a maioria dos pais com idade
inferior ou igual a 30 estão a ser pais pela primeira vez (85,8%) e uma percentagem
significativa de indivíduos com idade superior ou igual a 30 já têm filhos (52,2%).
Relacionando esta variável com o bonding, verificamos que tem impacto nesta última.
Analisando os resultados, verificámos que nos casos em que aquele era o primeiro filho, os
pais apresentavam mais bonding positivo. Pensamos que este envolvimento emocional mais
positivo seja causado pela excitação e novidade sentida, inerentes ao facto de terem o seu
primeiro filho.
No que se refere ao tipo de parto (normal ou distócico), verificamos que 46,1% dos
partos foram normais e 53,9% foram partos distócicos. Os partos distócicos foram mais
111
frequentes nas companheiras dos indivíduos com idade superior ou igual a 31 anos (54,8%).
Quando esta variável é relacionada com o bonding, constatamos que o tipo de parto não
influencia o bonding paterno. Ao contrário do esperado, o tipo de parto não influenciou o
bonding paterno. Apesar de várias investigações (FIGUEIREDO, 2003) já terem comprovado
que o envolvimento emocional ao bebé é maior em partos normais do que em outros tipos de
partos, as diferenças obtidas neste estudo não foram significativas, pelo que não podemos
corroborar essa questão. Pensamos que estes resultados se deveram ao facto de, por estarmos
a avaliar os pais, estes não estão envolvidos directamente no trabalho de parto e parto, tendo
apenas a função de auxiliar a companheira neste processo, o que faz com que, as suas
reacções a um parto distócico não serem assim tao distintas das reacções num parto normal.
Como os pais não passam pelas mesmas alterações hormonais que as mães reportam na altura
do parto com as consequências inerentes que essas alterações acarretam (mudanças no estado
de humor, emoções para com o bebé e maior grau de stress), apresentam uma reacção inicial
semelhante com o bebé quando é um parto distócico e um parto normal.
Em termos da gravidez ser planeada, verificamos que 76,8% das gravidezes foram
planeadas e 35,8% não foram. Encontramos valores semelhantes para pais com idades
inferiores (70,2%) e superiores a 30 (81,3%). Relativamente à gravidez ser desejada,
constatamos que 96,6% dos sujeitos refere que a gravidez actual foi desejada, enquanto uma
pequena percentagem de 3,4% dos sujeitos refere uma gravidez indesejada. Para os pais com
idades inferiores e superiores a 30 anos a percentagem de partos não desejados foi a mesma
(4,3%). Ao relacionarmos estas variáveis com o bonding, apuramos que não têm impacto no
envolvimento emocional paterno. As diferenças na gravidez desejada e planeada não
mostraram ter impacto no bonding paterno, o que contraria a maioria dos estudos efectuados
até ao momento (FIGUEIREDO et al. 2005b), que têm mostrado que o bebé não ser desejado
e planeado influenciam adversamente o estabelecimento do laço afectivo entre o pai e o bebé.
No entanto, num estudo mais recente (FERREIRA; LAIA; NÉNÉ, 2010) obtiveram os
mesmos resultados apresentados nesta investigação. Podemos explicar os resultados obtidos,
pelo facto de existirem momentos (principalmente no início da gravidez) em que a gravidez
não é planeada nem desejada, mas com o decorrer da gestação, acaba por ser aceite e
desejada, o que acaba por aumentar o envolvimento emocional do pai, fazendo com que as
diferenças do bonding em pais que inicialmente não planearam nem desejaram a gravidez, em
comparação com os pais que planearam e desejaram a gravidez, não sejam significativas.
112
No que se refere à questão três do estudo, interessava saber qual a influência das
variáveis do envolvimento do pai durante a gravidez, trabalho de parto e parto (presença nas
consultas de vigilância pré-natal, presença na primeira ecografia, sensação dos movimentos
fetais, o ter falado com o bebé durante a gravidez, presença nas aulas de preparação para o
parto, a presença durante o trabalho de parto, ter tido conhecimento de todos os
acontecimentos do trabalho de parto, participação activa no trabalho de parto, presença no
parto, corte do cordão umbilical, a importância de cortar o cordão umbilical para o
estabelecimento do laço emocional, pegar no bebé ao colo e vestir o bebé) no estabelecimento
do bonding entre o pai e o bebé.
Acerca da presença do pai em consultas de vigilância pré-natal, verificamos que a
maioria (80,8%) dos pais esteve presente nas consultas de vigilância pré-natal enquanto
19,2% dos pais não esteve. A maior percentagem de participantes que esteve presente nas
consultas de vigilância pré-natal tinham idade superior ou igual a 31 anos (81,3%) e dos que
não tiveram presentes verificou-se maior percentagem (19,9%), nos indivíduos com idade
inferior ou igual a 30 anos. Relativamente ao estabelecimento do vínculo entre o pai e o bebé,
esta variável não tem impacto. No entanto, as investigações (PICCININI et al., 2004;
SAMORINHA; FIGUEIREDO; CRUZ, 2009) têm enfatizado o contrário, isto é, têm referido
que o acompanhamento nas consultas pré-natais tem impacto no envolvimento emocional
parental. Consideramos que este facto possa ser explicado pela forma como as consultas de
vigilância pré-natal são interpretadas pelos pais. Nas consultas de vigilância, o médico e o
enfermeiro estão com o casal e explicam-lhes os procedimentos que se irão efectuar ao longo
de todo o processo, chamam-lhes a atenção para os sinais de alerta, falam sobre quais os
cuidados a ter durante a gravidez e adequam os ensinos à idade gestacional da grávida. Posto
isto, se por um lado, o pai ao frequentar as consultas de vigilância, mostra-se alegre, protector
e afectuoso pela evidência de que vai ter um filho e por tudo o que isso acarreta, por outro,
olha para estas consultas de forma expectante e mostra-se receoso por todos os procedimentos
a realizar e pela nova conduta que tem de adoptar. Assim, o pai pode apresentar valores
elevados de envolvimento emocional positivo com o bebé, mas pode apresentar igualmente
emoções não claramente relacionadas com o envolvimento emocional com o bebé.
Em relação à presença dos pais na primeira ecografia 80,8% dos participantes esteve
presente na primeira ecografia e 19,2% não esteve. A maior percentagem (82,3%) de pais
presentes proveio dos indivíduos com idade inferior ou igual a 30 anos e a maior percentagem
(20,2%) dos que não estiveram presentes resultou dos indivíduos com idade superior ou igual
113
a 31 anos. Ao relacionarmos esta variável com o bonding, concluímos que a presença na
primeira ecografia influencia o estabelecimento do laço emocional (p=0,005). Estes resultados
vão de encontro ao esperado, na medida em que as investigações (PICCININI et al. 2004;
SAMORINHA; FIGUEIREDO; CRUZ, 2009) têm mostrado que o contacto visual com o
bebé, através da ecografia, desencadeia nos pais emoções bastante positivas, o que leva a um
maior interesse e envolvimento do pai com o bebé.
No que concerne à sensação dos movimentos fetais, constamos que a esmagadora
maioria dos sujeitos o fez (96,3%), contrapondo com os 3,7% de pais que não o fizeram.
Quando analisamos a relação entre esta variável e o bonding, concluímos que não influencia o
estabelecimento do laço afectivo. De acordo com Pereira (2009), estes resultados não são
suportados pela literatura, que defende que o sentir os movimentos fetais, o conversar com o
bebé são importantes etapas para o desenvolvimento da vinculação
Relativamente a ter falado com o bebé durante a gravidez, a maioria dos pais (83,4%)
refere tê-lo feito, e 16,6% não fez. Existe uma maior percentagem de sujeitos que falaram
com o bebé durante a gravidez com idade inferior ou igual a 30 anos (86,5%). Ao
relacionarmos esta variável com o bonding, concluímos que tem impacto no envolvimento
emocional paterno. Os pais que falaram com o bebé durante a gravidez têm mais bonding
positivo. Estes resultados podem ser explicados, segundo Pereira (2009), pelo facto de quando
os pais falam com o bebé, se sentirem mais próximos, o que fomenta a criação mais real da
representação mental do filho, o que, consequentemente leva a emoções mais positivas.
Acerca da presença nas aulas de preparação para o parto, 29,1% dos pais esteve
presente em menos de duas sessões, 36,7% esteve presente entre três a seis sessões e 34,2%
presenciou sete ou mais sessões. Dos indivíduos que estiveram presentes em pelo menos duas
sessões e os que tiveram presentes em 7 ou mais sessões, a maior percentagem (32,6% e
41,3%, respectivamente) verificou-se nos que tinham idade superior ou igual a 31 anos. Os
participantes com idade inferior ou igual a 30 anos foram aqueles que maior percentagem
(51,5%) tiveram, na presença de três a seis sessões. Esta variável relacionada com o bonding,
mostrou não ter impacto. No entanto, na investigação levada a cabo por Piccinini et al. (2004),
acerca do envolvimento paterno no terceiro trimestre de gestação, concluíram que a maioria
dos pais estavam muito envolvidos na gravidez, querendo participar em todas as fases desta,
mostrando grande disponibilidade emocional para este processo.
Em relação à participação activa no trabalho de parto, constatamos que 59,6%
referiram ter tido uma participação activa, enquanto 40,4% referiram não a ter tido. A
114
participação destes foi feita da seguinte forma: “assistência à mãe” (64,9%), “apoio
psicológico” (33,3%), “ajuda no controlo da respiração” (1,1%) e “mantendo a companheira
hidratada” (0,6%). Quando relacionamos esta variável com o bonding paterno, concluímos
que participar activamente no trabalho de parto não influencia o estabelecimento do laço
afectivo. De acordo com a literatura, este facto pode ser justificado por os pais se sentirem
excluídos no processo do parto, fazendo com que lhes reste dar apoio moral e conforto à
companheira (CARVALHO, 2003).
No que respeita a presença dos pais durante o parto, 61,3% estiveram presentes e
38,7% não estiveram. Dos indivíduos que estiveram presentes durante o parto verificamos que
a maior percentagem (72,3%) pertence aos pais com idade inferior ou igual a 30 anos,
enquanto os que não estiveram presentes têm na sua maioria idade superior ou igual a 31 anos
com uma percentagem de 46,2%. Ao relacionarmos esta variável com o bonding, concluímos
que a presença dos pais durante o parto não influencia o bonding paterno. No entanto, estes
dados não são corroborados pela literatura, que tem mostrado que os pais relatam uma grande
vontade de participar no parto, mas ao mesmo tempo de saírem daquela situação. Pelo facto
de os pais que participarem activamente no parto, faz com que se sintam mais felizes com a
experiência e manifestem menos sintomas depressivos (GENESONI; TALLANDINI, 2009).
Acerca do corte do cordão umbilical e à importância do corte do cordão umbilical para
o estabelecimento do laço afectivo, constatamos que apenas uma minoria (5,1%) de pais
cortou o cordão umbilical do bebé, ao passo que 94,9% não cortaram. Dos que não cortaram o
cordão umbilical a maior percentagem (98,0%) verificou-se nos indivíduos com idade inferior
ou igual a 30 anos. A maioria dos pais (52,2%) considerou que não era importante o corte o
cordão umbilical para o estabelecimento da ligação com o bebé, em oposição a uma
percentagem de 47,8% que achou o contrário. Dos que deram importância ao corte do cordão
umbilical a maior percentagem (50,5%) verificou-se nos indivíduos com idade inferior ou
igual a 30 anos, enquanto os que não deram importância, eram na sua maioria indivíduos com
idade superior ou igual a 31 anos com uma percentagem de 54,5%. Dos pais que não cortaram
o cordão umbilical, 59,6% referiram que gostariam de o ter feito, enquanto 40,4% disseram
que não. Dos que dos que não cortaram o cordão umbilical e gostariam de o ter feito, a maior
percentagem (68,0%) verificou-se nos indivíduos com idade inferior ou igual a 30 anos.
Quando relacionamos as duas variáveis referidas com o bonding paterno, concluímos que os
pais cortarem o cordão umbilical e a importância dada ao corte do cordão umbilical para o
estabelecimento do laço afectivo não tem impacto no bonding. Estes resultados não são
115
corroborados pela literatura, pois tem sido mencionado que o corte do cordão umbilical é
sinónimo da contribuição que os pais querem dar numa nova etapa na vida da tríade
(MENDES, 2007). Na investigação de Brandão (2009), os resultados mostram que o corte do
cordão umbilical feito pelo pai no nascimento sugere ser um factor de impacto para o
envolvimento emocional entre o pai e o bebé.
Em relação aos pais terem vestido o bebé, a maioria dos participantes não o fez
(82,2%) e apenas 17,8% dos pais vestiram o recém-nascido. Constatamos que 21,4% dos pais
que vestiram o bebé tinham idade superior ou igual a 31 anos e os que não vestiram o bebé a
maior percentagem (86,3%) observa-se nos indivíduos com idade inferior ou igual a 30 anos.
Esta variável, quando relacionada com o bonding, mostrou não influenciar esta última. Estes
resultados não são corroborados pela literatura, pois tem sido mencionado a existência de um
período sensitivo depois do parto, em que aumenta a capacidade de envolvimento emocional
dos pais, verificando-se interacções complexas entre os pais e o recém-nascido, tais como
pegar no bebé ao colo e vesti-lo, o que fortalece o estabelecimento do laço afectivo (KLAUS;
KENNEL; 1993 cit. por PEREIRA, 2009)
No que concerne à presença do pai no trabalho de parto, 78,2% dos pais estiveram
presentes e apenas 21,8% não presenciaram o trabalho de parto. A maioria (84,4%) dos pais
que estiveram presentes no trabalho de parto foi observada nos indivíduos com idade inferior
ou igual a 30 anos, enquanto os que não tiveram presentes a maior percentagem foi de 26,0%
sendo a sua idade superior ou igual a 31 anos.
Relativamente ao conhecimento de todos os acontecimentos do trabalho de parto,
73,1% dos pais tiveram conhecimento acerca do deste, mas 26,9% já não. A maior
percentagem (75,2%) de pais que tiveram conhecimento dos acontecimentos do trabalho de
parto foi observada nos indivíduos com idade inferior ou igual a 30 anos, enquanto os que não
tiveram conhecimento a maior percentagem foi de 28,4% sendo a sua idade superior ou igual
a 31 anos.
No que diz respeito ao pai ter pegado no bebé ao colo, constatamos que 86,9% dos
participantes o fizeram enquanto que 13,1% não. A maior percentagem (90,2%) dos pais que
pegaram no bebé ao colo possuem uma idade superior ou igual a 31 anos e a percentagem
(16,7%) dos indivíduos que não pegaram no bebé ao colo possuem uma idade inferior ou
igual a 30.
116
Quando estas últimas três variáveis (presença durante o trabalho de parto, o
conhecimento de todos os acontecimentos do trabalho de parto e pegar no bebé ao colo) se
relacionaram com o bonding, mostraram ter impacto no estabelecimento do laço emocional.
Desta forma, verificamos que os pais presentes durante o trabalho de parto, com
conhecimento de todos os acontecimentos decorrentes do trabalho de parto e que pegaram no
bebé ao colo, apresentam níveis mais elevados de emoções não claramente relacionadas com
o envolvimento emocional com o bebé, portanto, de bonding not clear. Estes factos podem
ser explicados com o receio que os pais possam sentir em tais situações. Quando um pai
conhece todos os acontecimentos decorrentes do trabalho de parto, poderá estar mais atento a
todos os procedimentos obstétricos realizados de forma a averiguar se tudo está a correr como
planeado, mostrando-se receoso com algo inesperado poder surgir e que irá perturbar a
normalidade do processo. Por outro lado, um pai que presencia o trabalho de parto poderá
estar receoso de algo correr mal e o parto se tornar perigoso para o filho e para a companheira.
Tal como é referido por Piccinini et al. (2004), numa entrevista feita a pais, estes revelaram
que se preocupam bastante com o trabalho de parto, se as companheiras estão a ter muitas
dores e se tudo iria decorrer sem complicações. Quando um pai está em contacto com o bebé,
nomeadamente, quando o pega ao colo, poderá sentir um pouco de medo na presença dele,
porque teme que possa fazer algo que magoe o recém-nascido. Em todas estas experiências
são para o pai um misto de emoções, se por um lado mostra alegria por ser pai, por outro
mostra receio.
De uma forma geral, com os resultados obtidos nas variáveis do envolvimento do pai,
podemos constatar que a maioria dos pais está presente em consultas de vigilância pré-natal
(80,8%) e na primeira ecografia (80,2%), interage com o bebé, sentindo os movimentos fetais
(96,3%) e falando com ele durante a gravidez (83,4%), está presente no trabalho de parto
(78,2%) e durante o parto (61,3%), tem conhecimento do trabalho de parto (73,1%), participa
activamente no trabalho de parto (59,6%), essencialmente dando assistência à mãe (64,9%) e
pega no bebé ao colo (86,9%), o que mostra claramente a presença e o envolvimento do pai na
gestação, quer a nível emocional, mas também comportamental. Todos estes dados
denunciam a modificação do papel paterno no período gravídico. Estes dados vão ao encontro
de outros estudos (Piccinini et al., 2004) que demonstram igualmente o crescente
envolvimento dos pais no acompanhamento de todo o processo do nascimento. Ferreira; Laia;
Néné (2010) chamam a atenção que o grau de envolvimento do pai com o bebé pode depender
117
de vários factores, tais como a sua personalidade, expectativas do papel sexual, experiencias
prévias com serviços hospitalares, bem como de a gravidez ter sido planeada e desejada.
Em relação à quarta questão, isto é, se a vinculação paterna tem influência no
bonding entre pai e filho, obtivemos factores que predizem o tipo de bonding do pai.
Para o bonding positivo o modelo encontrado não se mostrou estatisticamente
significativo (F=2,30; p=0.076), e os factores confiança nos outros, conforto com a
proximidade e ansiedade explicam apenas 0,2% do bonding positivo.
Relativamente ao bonding negativo, o factor ansiedade (B=0,022) foi aquele que
entrou no modelo de regressão (F=5,141; p=0.024), explicando 1,5% do bonding negativo
paterno. A significância deste modelo pode ser explicado, pelo facto de, como os pais com
elevado grau de ansiedade têm receio de serem abandonados ou de não serem queridos pelas
pessoas significativas, eles encaram todo o processo de estabelecimento da ligação afectiva
com o bebé de forma negativa, mostrando-se tristes, desiludidos e zangados perante a hipótese
de o seu filho o abandonar ou de não gostar dele.
No que concerne ao bonding not clear e ao bonding total, o factor confiança nos
outros, foi o único a entrar no modelo de regressão, quer para o bonding not clear (B=0,054;
F=10,822; p=0,001), quer para o bonding total (B=-0,088; F=10,795; p=0,001), explicando
3% do bonding not clear, bem como do bonding total paterno. A partir destes resultados,
hipotetizamos que os pais que tendem a confiar nos outros e a reconhecer que os outros estão
disponíveis quando precisam deles, apresentam mais emoções de possessão, de receio
(aumento do bonding not clear).Pelo contrário, quando os pais tendem a ter valores mais
elevados na dimensão confiança nos outros, significa que não confiam nestes, admitindo que
não estão disponíveis quando for necessário. Isto poderá acontecer porque quando os pais
percepcionam que as outras pessoas estão indisponíveis para ele, acreditam que o melhor a
fazer é não confiar nelas e evitá-las, não sentindo medo de serem abandonados.
Consequentemente, estes pais não mostraram emoções como a agressividade, tristeza ou
desilusão.
Após a análise dos resultados das regressões múltiplas, constatamos que a variável
conforto com a proximidade apenas entra no modelo de regressão para o bonding positivo,
mas apresenta valores não significativos. Isto significa que o facto de um pai se sentir mais ou
menos confortável com a proximidade e intimidade parece não ter qualquer influência para o
estabelecimento do laço emocional entre o pai e o recém-nascido.
118
Embora não seja objectivo da presente investigação, quisemos enriquecê-la, estudando
a relação entre a vinculação paterna e as variáveis sócio-demográfias (idade, habilitações
literárias estado civil e duração da relação), obstétricas (ser o primeiro filho, tipo de parto,
gravidez planeada, gravidez desejada) e do envolvimento do pai durante a gravidez, trabalho
de parto e parto (presença nas consultas de vigilância, sensação dos movimentos fetais, falar
com o bebé durante a gravidez, presença durante o trabalho de parto e durante o parto). O
estudo destas relações apenas foi efectuado com as variáveis que considerámos que poderiam
influenciar a vinculação paterna.
Relativamente aos resultados obtidos referentes à vinculação paterna, notamos que, os
pais que, conjuntamente com a companheira, planearam a gravidez e que estiveram presentes
nas consultas de vigilância, mostraram ter mais conforto com a proximidade, o que sugere que
estes pais se sentem confortáveis na relação que mantém com a sua companheira e com a sua
intimidade, revelando que são pais que se sentem mais abertos para falar com as suas
companheiras e envolverem-se em actividades que envolvam o casal, nomeadamente, em todo
o processo que acarreta mudanças para ambos os membros do casal. Pelo contrário, os pais
ausentes nas consultas de vigilância mostram ter menos confiança nos outros. Isto sugere que
estes pais não confiam na companheira e acreditam que ela não estará disponível quando
precisar dela, pelo que prefere evitar estas situações, não indo às consultas.
119
8. CONCLUSÕES
Pela análise minuciosa da literatura acerca do bonding pai-filho e pela constatação da
existência de poucos estudos acerca do estabelecimento do laço emocional entre pai e filho,
surge este estudo. Deste modo, pretendemos explorar e aumentar o nosso conhecimento
acerca das variáveis com impacto no bonding estabelecido entre os progenitores masculinos
com o recém-nascido, até às 48 horas após o nascimento.
Os objectivos do presente trabalho a que nos desafiámos dar resposta estão
relacionados com a influência das variáveis sócio-demográficas, obstétricas e do
envolvimento do pai durante a gravidez, trabalho de parto e parto, e da vinculação paterna no
estabelecimento do bonding pai-bebé.
A análise dos resultados obtidos permite-nos constatar que os pais do estudo são
maioritariamente de etnia branca (96,6%), a média de idades é de 31,84 anos (o limite inferior
é de 17 anos e o superior de 55 anos), que estudaram até ao 3º ciclo (37,4%), que são casados
ou vivem em união de facto (80,8%) e o relacionamento actual dura entre 4 a 7 anos (35,8%).
Relativamente às características sócio-demográficas, as variáveis que se mostraram
influentes com o bonding positivo foram a idade (p=0,010) e as habilitações literárias
(p=0,045) dos pais. Assim, constatamos que os pais com maior grau de envolvimento
emocional positivo com o bebé são os que têm idade inferior ou igual a 30 anos. No que diz
respeito às habilitações literárias, os pais que estudaram até ao 3º ciclo têm mais bonding
positivo do que aqueles que frequentaram o ensino superior.
Em relação às características obstétricas, o facto de este ser o primeiro filho foi a única
variável influenciadora do bonding positivo (p=0,027) e do bonding not clear (p=0,043).
Relativamente às variáveis do envolvimento do pai, constatamos que as variáveis
significativas relacionadas com o bonding positivo são a presença deste na primeira ecografia
(p=0,005) e o ter falado com o bebé durante a gravidez (p=0,005). Por outro lado, as variáveis
que mostraram influenciar o bonding not clear são, o ter estado presente durante o trabalho de
parto (p=0,045), o ter tido conhecimento de todos os acontecimentos do trabalho de parto
(p=0,017) e pegar no bebé ao colo (p=0,049).
120
No que concerne à predição do bonding pela vinculação paterna, verificamos que a
variável confiança nos outros é preditora do bonding not clear (ou seja, de emoções não
claramente relacionadas com o envolvimento emocional do pai com o bebé, tais como, sentirse neutro, sem sentimentos, possessivo e receoso) e do bonding total, o que significa que os
pais que não confiam nos outros e não acreditam que estes estão disponíveis para eles, têm
níveis mais elevados de bonding not clear e total. A ansiedade é preditora do bonding
negativo (que corresponde a um envolvimento emocional negativo, caracterizado pelas
emoções de desilusão, ressentimento, desgosto, agressividade, zanga e de tristeza), o que
mostra que os pais com mais ansiedade perante a possibilidade de serem abandonados ou de
não serem queridos, têm valores mais elevados de bonding negativo.
No presente estudo, nenhuma variável da vinculação pareceu predizer o bonding
positivo (que significa um envolvimento emocional positivo, avaliado através de emoções
como afectuosidade, protecção e alegria).
Relativamente às variáveis influentes na vinculação paterna, constatamos que foram
apenas o planeamento da gravidez (p=0,017) e a presença nas consultas de vigilância prénatal (p=0,006).
Com este estudo, verificamos que o bonding é um processo gradual e intrincado, que é
influenciado por inúmeros factores, fazendo com que o grau de envolvimento emocional do
pai com o bebé seja diverso de pai para pai.
Através dos resultados, queremos mostrar que os pais, durante o processo gravídico,
parto e pós-parto, são sujeitos a mudanças a nível emocional, psicológico, relacional e
contextual e que afectam sobremaneira a forma como cada um encara a parentalidade. Assim,
enfatizamos o facto de os pais se adaptarem e se ajustarem de diferentes formas, em diferentes
momentos do processo, pelo que é essencial que a sociedade e todos os técnicos de saúde
sejam sensíveis a isso e permitam que o pai se molde e se acomode ao seu novo papel, ao seu
ritmo.
Sabemos que, a forma como a paternidade é vivida está em transformação e a
participação dos pais na sala de parto está em construção. Com a modernização do papel do
pai, verificamos um envolvimento cada vez mais frequente e contínuo do pai à grávida, de
forma a que possa estar presente nas situações que consideram ser importantes para o vínculo
afectivo ao filho que irá nascer, bem como para a própria relação conjugal.
121
Contudo, aquilo a que temos de prestar atenção é que o pai está emocionalmente
envolvido na gravidez, trabalho de parto e parto e que, cabe a nós, aos profissionais de saúde,
incentivar e valorizar essa participação e fortalecer o laço emocional forte que é estabelecido.
Para além disto, é essencial que as instituições onde se prestam cuidados de saúde estejam
preparadas para esta nova realidade, introduzindo o pai nas actividades e acontecimentos que
até aqui eram exclusivos para a grávida, tais como as consultas de vigilância, formações de
esclarecimento, permitirem estar mais tempo com a companheira e o bebé no tempo de
internamento.
De forma a que esta realidade possa ir alterando nos locais de saúde, seria adequado
possuírem um protocolo para avaliar os indivíduos com perfil de risco, ou seja, com níveis
significativos de bonding not clear e negativo e baixos níveis de bonding positivo. Assim,
poderíamos elaborar uma checklist constituída por sinais de risco, e incluir no protocolo,
outras escalas que pudessem ser importantes nessa avaliação. Como as escalas utilizadas neste
estudo se mostraram competentes, poderiam ser utilizadas nesse protocolo, bem como outras
que avaliassem diferentes características. No caso de os pais pontuarem nessa checklist e/ou
nas escalas, seriam reencaminhados para um serviço especializado, onde profissionais
creditados, pudessem trabalhar com eles no sentido de aumentar os níveis de bonding positivo
e consequentemente diminuir os valores de bonding negativo e not clear. Uma vez que os
enfermeiros, são os agentes mais intervenientes de todo o processo gravídico e pós-parto com
a família, seria de recomendar que estes profissionais, com a formação adequada, pudessem
eles serem os responsáveis por essa tarefa.
Para que a mudança decorra de forma saudável e gradual, é essencial que o pai se sinta
apoiado e que saiba viver plenamente todas a experiências de participação e envolvimento
com o bebé. Esse apoio pode e deve ser feito pelo enfermeiro, através do contacto
privilegiado que tem com o pai e com a parturiente, no sentido de optimizar as relações entre
a tríade mãe-pai-bebé.
123
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WEISS, R. – Attachment in adult life. In PARKES, C. ; STEVENSON-HINDE, J., ed.
lit. – The place of attachment in human behavior. New York: Wiley, 1982, p. 111-184.
ZEIFMAN, D. ; HAZAN, C. – Pair Bonds as attachments: reevaluating the evidence.
In CASSIDY J. ; SHAVER, P., ed. lit. – Handbook of attachment theory, research and
clinical applications. New York: Guilford Press, 2008, p.436-455.
World Health Organization, Maternal and Newborn Health/Safe Motherwood – Care
in normal birth: a practical guide. Geneve: [s.n.], 1996, p. 8-13.
127
APÊNDICE I
Questionário
129
QUESTIONÁRIO
PARTE I – CARACTERIZAÇÃO SÓCIO-DEMOGRÁFICA
Leia atentamente e coloque uma cruz (X) no local correspondente à sua resposta, ou completando com dados a
seu respeito.
1. Idade: _____
2. Etnia:
Branco 
Cigano 
Negro 
Asiático 
Outra:___________
3. Habilitações Literárias:
1º Ciclo do Ensino básico (4º ano)

Bacharelato

Segundo Ciclo do Ensino Básico (6º ano)

Licenciatura

Terceiro Ciclo do Ensino Básico (9ºano)

Pós-graduação

11º ano

Mestrado

Ensino Secundário (12º ano)

Doutoramento

Curso Tecnológico ou Profissional

Solteiro 
4. Estado Civil:
Casado 
União de facto 
5. Duração do actual relacionamento:_______(anos) (Nota: Se tiver menos de um ano de relacionamento
colocar 0)
PARTE II – CARACTERIZAÇÃO OBSTÉTRICA
1. É o primeiro filho?
Sim 
Não 
1.1. Se não, quantos filhos tem? ______
1.2. Alguma gravidez em que esteve envolvido terminou em abortamento?
2. A gravidez actual foi planeada: Sim 
Não 
3. A gravidez actual foi desejada: Sim 
Não 
4. A gravidez actual teve complicações?
Sim 
Não 
Não  Sim  Qual?
(Exemplo de complicações. Hipertensão, Diabetes, Perda de sangue, Ameaça de parto pré-termo)
5. Tipo de parto: Normal 
Fórceps 
Ventosa 
6. Indique o nº de horas que esteve na sala de partos (aproximadamente)
Menos de 6h 
Entre 6h e 12h 
Mais que 12h 
Cesariana 
130
PARTE III – CARACTERIZAÇÃO DO ENVOLVIMENTO DO PAI DURANTE A GRAVIDEZ,
TRABALHO DE PARTO E PARTO
1. Gravidez:
1.1.
Esteve presente nas consultas de vigilância pré-natal?
Sim 
Não 
1.2.
Assistiu à 1ª ecografia?
Sim 
Não

1.3.
Sentiu os movimentos fetais?
Sim 
Não

1.4.
Tinha por hábito falar com o bebé durante a gravidez?
Sim 
Não

1.5.
Frequentou aulas de Preparação para o Parto?
Sim 
Não

Sim 
Não

Se sim, a quantas aulas assistiu? ____________
2.
2.1.
Trabalho de Parto:
Esteve presente durante o trabalho de parto?
(Se respondeu NÃO, passe para a questão 3)
2.2.
Teve conhecimento de todos os acontecimentos decorrentes do trabalho de parto?
Sim 
2.3.
Não

Sentiu que teve uma participação activa no trabalho de parto?
Sim 
Não

Se sim, de que forma:_______________________________________
2.4.
As dúvidas que sentiu durante o trabalho de parto, foram esclarecidas pelos profissionais?
Sim 
3.
3.1.
Não

Parto
Esteve presente durante o parto?
Sim 
Não

Sim 
Não

(se respondeu NÃO, passe para a parte IV)
3.2.
Cortou o cordão umbilical do bebé?
3.3.
Acha que a possibilidade de o pai poder cortar o cordão umbilical é importante para o estabelecimento da
ligação com o seu filho?
Sim 
Não

3.4.
Se não cortou o cordão umbilical gostaria de o ter feito?
Sim 
Não

3.5.
Pegou no bebé ao colo?
Sim 
Não

3.6.
Vestiu o bebé?
Sim 
Não

131
APÊNDICE II
Fotocópia das autorizações para a aplicação do instrumento de
recolha de dados no Hospital Infante D. Pedro EPE, Centro
Hospitalar Tondela Viseu EPE, Unidade Local de Saúde da
Guarda
133
135
137
139
APÊNDICE III
Consentimento informado
141
CONSENTIMENTO INFORMADO DE PARTICIPAÇÃO DO ESTUDO DE INVESTIGAÇÃO
Exmo. Senhor
Somos um grupo de enfermeiras a frequentar o I Curso de Mestrado em Enfermagem
de Saúde Materna, Obstetrícia e Ginecologia, da Escola Superior de Saúde de Viseu.
Encontramo-nos a desenvolver um trabalho de investigação sobre o envolvimento emocional
do pai com o bebé.
Acreditamos que a qualidade do contacto entre o pai e o bebé é essencial para o
desenvolvimento saudável da criança. Assim, pretendemos obter o seu consentimento e a sua
colaboração no preenchimento do questionário que se segue, o qual possibilita a colheita de
dados fundamentais para o processo de investigação que ambicionamos desenvolver.
Salientamos que este trabalho se refere apenas ao seu envolvimento com o seu bebé,
sendo esse o objecto do nosso estudo. Ao responder, após uma leitura atenta, faça-o de acordo
com as instruções, com a maior honestidade possível e o mais próximo da sua realidade.
Este questionário é de carácter confidencial, pelo que não deve ser assinado. Os
resultados obtidos na pesquisa, caso tenha interesse, serão colocados à sua disposição.
Gratas pela sua participação.
143
APÊNDICE IV
Autorizações dos autores das escalas
145
147
149
ANEXO I
Escala de Vinculação do Adulto (EVA)
151
ESCALA DE VINCULAÇÃO DO ADULTO (EVA)
Nada característico
em mim
Pouco característico
em mim
Característico em
mim
Muito característico
em mim
Extremamente
característico em mim
Por favor leia com atenção cada um das afirmações que se seguem e assinale o grau em que cada uma descreve a
forma como se sente em relação às relações afectivas que estabelece. Pense em todas as relações (passadas e
presentes) e responda de acordo com o que geralmente sente. Se nunca esteve afectivamente envolvido com um
parceiro, responda de acordo com o que sentiria nesse tipo de situação.
1. Estabeleço, com facilidade relações com as pessoas.





2. Tenho dificuldade em sentir-me dependente dos outros.





3. Costumo preocupar-me com a possibilidade dos meus
parceiros não gostarem verdadeiramente de mim.
4. As outras pessoas não se aproximam de mim tanto quanto
eu gostaria.
5. Sinto-me bem dependente dos outros.















6. Não me preocupo pelo facto das pessoas se aproximarem
muito de mim.
7. Acho que as pessoas nunca estão presentes quando são
necessárias.
8. Sinto-me de alguma forma desconfortável quando me
aproximo das pessoas.
9. Preocupo-me frequentemente com a possibilidade dos meus
parceiros realmente se importarem comigo.
10. Quando mostro os meus sentimentos, tenho medo que os
outros não sintam o mesmo por mim.
11. Pergunto frequentemente a mim mesmo se os meus
parceiros realmente se importam comigo.
12. Sinto-me bem quando me relaciono de forma próxima com
outras pessoas.
13. Fico incomodado quando alguém se aproxima
emocionalmente de mim.
14. Quando precisar sinto que posso contar com as pessoas.













































15. Quero aproximar-me das pessoas, mas tenho medo de ser
magoado.
16. Acho difícil confiar completamente nos outros.




















17. Os meus parceiros desejam frequentemente que eu esteja
mais próximo deles do que eu me sinto confortável em
estar.
18. Não tenho a certeza de poder contar com as pessoas quando
precisar delas.
153
ANEXO II
Escala Bonding
155
ESCALA BONDING
Apresentamos alguns adjectivos que podem descrever o modo como se sente neste momento em relação
ao seu(ua) filho(a). Assinale, com uma X, até que ponto as palavras seguintes se adequam ao modo como se
sente neste momento.
MUITO
BASTANTE
UM POUCO
DE MODO
NENHUM
AFECTUOSO




DESILUDIDO




NEUTRO, SEM SENTIMENTOS




POSSESSIVO




RESSENTIDO




DESGOSTOSO




PROTECTOR




ALEGRE




AGRESSIVO




RECEOSO




ZANGADO




TRISTE




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