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Atenção e Estratégias de Exploração Perceptiva

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Atenção e Estratégias de Exploração Perceptiva
FT [3] [1256] [18]
MANUAL DO ENSINO DA CONDUÇÃO
FICHA TÉCNICA
ATENÇÃO E ESTRATÉGIAS
DE EXPLORAÇÃO PERCEPTIVA
Níveis GDE
Nível 1 – Nível Atitudinal; Nível 3 – Nível Táctico
Temas Transversais
Tema 1 - Conhecimento de si próprio como Condutor;
Tema 2 - Atitudes e Comportamentos;
Tema 5 - Conhecimento das Regras de Trânsito;
Tema 6 - Domínio das Situações de Trânsito
Síntese informativa
• Recursos atencionais do condutor
• Regras de Smith
• Aplicação ao volante das 5 regras de Smith
SUGESTÕES DE OPERACIONALIZAÇÃO
FORMAÇÃO TEÓRICA
Nível 1 – Nível Atitudinal - Conhecimentos Básicos de Segurança Rodoviária
Objectivos
Métodos e Recursos
Reflectir sobre a importância de cada uma das regras de Smith
Método expositivo
Método interrogativo
Método activo
Grupos de discussão
Trabalhos de grupo
Portaria nº 536/2005, de 22 de Junho
Cap. I, Sec. I, II – 5.1; IV - 2.4; V – 1.3.1
FORMAÇÃO PRÁTICA
Nível 3 – Nível Táctico - Domínio das Situações de Trânsito
Objectivos
Métodos e Recursos
Treinar a execução prática dos comportamentos definidos para
Método demonstrativo
cada uma das regras de Smith
Método interrogativo
Condução comentada
Veículos de instrução
Portaria nº 536/2005, de 22 de Junho
Cap. II, Sec. II – 3.4; 3.5; 3.6.1
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MANUAL DO ENSINO DA CONDUÇÃO
ATENÇÃO E ESTRATÉGIAS
DE EXPLORAÇÃO PERCEPTIVA
Inicialmente a tarefa de condução parece extremamente difícil, porque
há muitas coisas a fazer: olhar para a estrada para ver os carros, olhar
para o passeio para ver se ninguém atravessa, travar e acelerar com o pé
direito, usar o pé esquerdo para pressionar o pedal da embraiagem, mover
o volante, colocar mudança…
A sensação de ter muito que fazer dentro do carro desaparece com a
prática, e com muita frequência a maioria dos condutores experientes
vivencia verdadeiros momentos de monotonia ao volante.
A chave deste problema é a experiência que se vai progressivamente
adquirindo.
Os condutores inexperientes possuem um reduzido número de gestos
automatizados e têm a necessidade de orientar uma grande parte dos
seus recursos atencionais para os aspectos mais operacionais da tarefa
de condução. Um condutor inexperiente pensa activamente nos gestos,
que tem de fazer com os pés e as pernas para activar os pedais da forma
pretendida.
Pensa, por exemplo, no ângulo que deve dar ao volante para que o carro
descreva a curva adequada, pensa na mudança, que deve colocar e qual o
posicionamento dessa mudança, e pensa também que deve estar a olhar
para a frente, quando muitas vezes a vontade era estar a olhar para a
manete das mudanças ou para os pedais, no sentido de confirmar, se os
gestos estão a ser realizados correctamente.
A falta de conhecimento da tarefa da condução e a falta de experiência são
a origem deste processamento consciente de informação. É por esta razão
que a tarefa da condução parece mais difícil.
Apesar desta dificuldade inicial, a atenção dos condutores não pode estar
centrada exclusivamente no que se passa no interior do carro.
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MANUAL DO ENSINO DA CONDUÇÃO
Independentemente de se tratar de um condutor, com ou sem experiência, a
atenção dada ao ambiente rodoviário deve ser sempre máxima. Assim, com o
intuito de auxiliar os condutores na sua tarefa de condução, foram definidas
cinco regras de ouro, que devem ser sempre aplicadas, uma vez que são úteis
para que o condutor possa recolher o máximo de informações do ambiente
rodoviário, bem como tornar-se visível e fazer-se evidenciar nele.
SISTEMA “SMITH” 1
O Sistema “Smith”, comporta 5 “regras”, que permitem aumentar o tempo
e a capacidade de ver, de antecipar e de reagir aos eventos potencialmente
perigosos, também conhecidas como Regras da Atenção”:
• Regra nº 1: Olhar o mais longe possível
Quanto mais longe o condutor olhar, maior é a possibilidade de identificação
de um perigo. Estando na posse desta informação, os condutores podem
agir atempadamente, para se protegerem e evitar um potencial acidente.
Identificar as situações de tráfego à distância permite também regular a
velocidade do veículo de forma mais económica, antecipando as situações
de paragem ou de necessidade extra de consumo.
Os condutores com pouca experiencia, tendem a olhar a estrada para um
ponto até 5 a 6 segundos à frente do veículo. Com o aumento da experiência,
o condutor deve ir tentando verificar regularmente o que se passa a uma
distância mais afastada, 10 a 15 segundos, ou mesmo para o ponto mais
afastado da estrada, no horizonte.
• Regra nº 2: Perceber o conjunto da situação de trânsito
Perceber o conjunto da situação significa que os condutores devem
considerar, na tarefa da condução, outros factores como por exemplo o
estado das vias por onde circulam, o estado do seu veículo e até mesmo
as condições climatéricas. Estes aspectos podem influenciar de forma
significativa e até condicionar a segurança da tarefa de condução.
• Regra nº 3: Explorar sistematicamente o ambiente rodoviário
O condutor deve procurar activamente recolher informações importantes,
de todos os pontos do seu ângulo de visão, recorrendo aos espelhos
retrovisores, efectuando uma prospecção visual circundante e abrangente,
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para ter na sua posse todas os dados necessários para poder agir
adequadamente.
• Regra nº 4: Procurar um ponto de fuga em caso de emergência
Se algo acontecer inesperadamente, deve procurar-se um ponto de fuga
para que se possa evitar um incidente, em segurança. Se as regras anteriores
tiverem sido cumpridas, o conhecimento da situação em que o condutor
se encontra é maior, dando-lhe maiores possibilidades de sucesso em caso
de fuga. Esta regra exige a manutenção continuada de uma distancia de
segurança, quer em movimento, quer quando parado em fila de trânsito,
de modo a nunca ficar “bloqueado”.
• Regra nº 5: Assinalar a sua presença e procurar ver os outros (ver e
ser visto)
Não se pode ter a certeza de que todos os outros condutores, em todas
as situações, estão a observar o trânsito o mais longe possível, e estão
também a perceber o conjunto da situação de trânsito ou estão a explorar
sistematicamente o ambiente rodoviário. Não se pode ter a certeza de
que, em alguns momentos, esses condutores não vão distraídos. Por este
facto, os condutores devem assinalar a sua presença para que possam ter
a certeza de que são vistos pelos outros utentes do sistema rodoviário.
Se pressente que um condutor ou peão não o vê a si, estabeleça o contacto
visual. Estabelecer o contacto visual, significa “olhar” para os olhos do
outro, verificando se ele nos está a ver. Caso não nos esteja a ver, pode
tentar estabelecer o contacto chamando-lhe a atenção, utilizando a buzina
ou as luzes (especialmente durante a noite). Caso não seja possível ou se
a sua tentativa de contacto não resultar, reduza a velocidade, estabeleça
uma trajectória afastada do perigo e prepare-se para reagir.
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O Sistema “Smith” é uma marca registada do Smith System Driver Improvement Institute, USA
www.smith-system.com
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