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DISSER - Rosane

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DISSER - Rosane
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UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA
CAEd - CENTRO DE POLÍTICAS PÚBLICAS E AVALIAÇÃO DA EDUCAÇÃO
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO PROFISSIONAL EM GESTÃO E
AVALIAÇÃO DA EDUCAÇÃO PÚBLICA
ROSANE DE BARROS ALVES GILSON
SAERJINHO – DESAFIOS E CONQUISTAS NA BUSCA POR UMA
EDUCAÇÃO DE QUALIDADE PARA O ESTADO DO RJ
JUIZ DE FORA
2012
ROSANE DE BARROS ALVES GILSON
SAERJINHO – DESAFIOS E CONQUISTAS NA BUSCA POR UMA EDUCAÇÃO DE
QUALIDADE PARA O ESTADO DO RJ
Dissertação apresentada como requisito à
conclusão do Mestrado Profissional em
Gestão e Avaliação da Educação Pública, da
Faculdade
de
Educação,
Universidade
Federal de Juiz de Fora.
Orientador(a):
Santos
JUIZ DE FORA
2012
José
Alcides
Figueiredo
TERMO DE APROVAÇÃO
ROSANE DE BARROS ALVES GILSON
SAERJINHO – DESAFIOS E CONQUISTAS NA BUSCA POR UMA EDUCAÇÃO DE
QUALIDADE PARA O ESTADO DO RJ
Dissertação apresentada à Banca Examinadora designada pela equipe de Dissertação do
Mestrado Profissional CAEd/ FACED/ UFJF, aprovada em __/__/__.
________________________________
Membro da banca -orientador(a)
________________________________
Membro da banca Externa
________________________________
Membro da banca - Interna
Juiz de Fora, 22 de novembro de 2012.
Dedico este trabalho aos educadores
brasileiros que lutam pela melhoria da
qualidade da educação pública.
AGRADECIMENTOS
Agradeço a todos que contribuíram para a realização desta Dissertação de Mestrado, fica
aqui expressa a minha eterna gratidão, especialmente:
Ao Governo do Estado do Rio de Janeiro, através da Secretaria de Estado de Educação,
por ter me proporcionado realizar esse curso, custeando todas as despesas e assim
realizando um antigo sonho. Agradeço aos Tutores: Rafaela Azevedo e Thiago Trates por
me ajudarem na caminhada com as orientações para a escrita desta dissertação.
Agradeço aos professores da Banca de Qualificação Profª Dra. Beatriz Basto Teixeira e
Prof. Dr. Luis Flávio Neubert e ao Professor Dr. Orientador José Alcides Figueiredo
Santos pelas valiosas orientações e considerações. Agradeço ao meu esposo François
Pierre José Iberê Gilson e ao meu filho Philipe Horácio Alves Gilson pela paciência e
compreensão durante os dois anos de curso. Agradeço às Diretoras e aos professores
das escolas em que realizei a pesquisa pela colaboração e participação neste trabalho. E
finalmente agradeço a Deus por ter me conduzido até aqui. Uma dissertação é feita de
muitos momentos: momentos de angústias, de desespero, de insegurança, mas também
de alegria e satisfação por chegar ao final e concluir a pesquisa. Só foi possível vencer
as dificuldades do percurso com a ajuda de todos. Aceitem o meu muito obrigada!
“O importante da avaliação não é a evidência e
sim o uso que se faz dela e esse uso depende
da clareza de seus objetivos e de sua
realização”.
(Heloisa Luck, 2012)
RESUMO
Esta Dissertação busca analisar o papel do diretor escolar na implementação do
SAERJINHO nas escolas da rede estadual do município de Vassouras-RJ e verificar
como ele contribuiu para este processo junto aos professores, sendo a dimensão da
gestão analisada neste trabalho a escolar. O SAERJINHO consiste em uma política de
avaliação diagnóstica realizada bimestralmente nas escolas da rede estadual de ensino
do Estado do Rio de Janeiro e compõe uma etapa do SAERJ (sistema de avaliação do
estado do Rio de Janeiro), política de avaliação externa aplicada (anualmente) desde
2008. O interesse ao realizar esta pesquisa está no fato de o SAEJINHO ser um sistema
capaz de sinalizar quais os alunos e as turmas que apresentam dificuldades a cada
bimestre. Este sistema de avaliação permite ajustes no planejamento do professor para
que o aluno com dificuldade seja atendido assim que são divulgados os resultados.
Durante o ano letivo o aluno tem possibilidades de melhorar a sua aprendizagem com as
ações estabelecidas pela escola a partir dos resultados do SAERJINHO. Foram aplicadas
entrevistas aos Diretores de duas escolas, aos professores de Língua Portuguesa e
Matemática, ao IGT (Integrante do grupo de trabalho) e Diretora Pedagógica da Diretoria
Regional Pedagógica Centro Sul. Para este caso foram levantadas informações através
de entrevista semiestruturada e documentos oficiais da Secretaria de Educação do estado
do Rio de Janeiro, de pesquisas nos sites da SEEDUC/RJ (Secretaria de Educação do
Estado do Rio de Janeiro), do MEC (Ministério da Educação e Cultura), do INEP (Instituto
Nacional de Educação e Pesquisa) e site Todos pela Educação, entre outros.
Complementando as referências foram utilizados textos de ARRUDA (2012), CAMPOS
(2012), CONDÉ (2011), BONAMINO (2007), BROOKE (2008), LUCK (2012) e SILVA
(2010), entre outros. Descrito e analisado o caso de gestão aqui em estudo, é
apresentado, ao final da descrição, um Plano de Ação Educacional, para superar os
problemas detectados no início de implantação ao longo do processo de execução do
SAERJINHO no estado do Rio de Janeiro em 2011/2012. Destaco aqui, em especial, a
criação de um GUIA de Planejamento para o Diretor, com o qual poderá traçar ações
antes, durante e após a divulgação dos resultados do SAERJINHO em cada bimestre,
ajudando os diretores e sua equipe na organização desse sistema de avaliação aplicado
.
em
cada
bimestre.
Palavras-Chave:
SAERJINHO,
Gestão
educacional,
avaliação
estadual.
ABSTRACT
The present dissertation aims to analyze the role of the school principal in the
implementation of the SAERJINHO in the state schools of Vassouras- RJ and verify how
he contributed to this process along with the teachers, concerning the school dimension of
management. SAERJINHO consists of an diagnostic evaluation policy which takes place
every two months in the state schools of Rio de Janeiro and composes a stage of SAERJ
(evaluation system of the state of Rio de Janeiro), an external evaluation policy applied
annually since 2008. The justification of such research resides on the fact that
SAERJINHO is a system capable to detect which students and classes present difficulties
every two months. This evaluation system allows adjustments in the teacher’s planning so
that the student presenting difficulties may be addressed as soon as the results are
released. Throughout the school year the student has possibilities to improve their learning
with the actions established by the school based on the results of SAERJINHO. Interviews
were conducted with principals of two schools, with Portuguese Language and
Mathematics teachers, with IGT (Work Group Member, in Portuguese) and with the
Pedagogical Coordinator of the head of the Pedagogical Regional Center South. In order
to describe such case we have raised information through semi-structured interview and
official documents of the Department of Education of the state of Rio de Janeiro, through
searches on the websites of SEEDUC/RJ (Rio de Janeiro’s Department of Education), of
MEC (Ministry of Education and Culture), of INEP (National Institute of Education and
Research) and the All for Education website, among others. Complementing the
references we utilized texts by ARRUDA (2012), CAMPOS (2012), CONDÉ (2011),
BONAMINO (2007), BROOKE (2008), LUCK (2012) and SILVA (2010), among others.
Once described and analyzed the management case here studied, it is presented, towards
the end of the dissertation, an Educational Action Plan, in order to overcome the problems
detected at the beginning of the implementation and throughout the process of execution
of SAERJINHO in the state of Rio de Janeiro in 2011/2012. We highlight here a Planning
Guide to the principal, with which they may trace actions before, during and after the
release of SAERJINHO’s results every two months, helping principals and their teams in
organizing this evaluation system.
Key words: SAERJINHO; Educational management; State evaluation.
LISTA DE TABELAS
Tabela 01: IDEB do estado do Rio de Janeiro .................................................20
Tabela 02: Perfil da rede estadual do Rio de Janeiro ......................................21
Tabela 03: Evolução da taxa de reprovação da SEEDUC/RJ ........................22
Tabela 04: IDEB das escolas analisadas .........................................................26
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
CAED- Centro de Políticas Públicas e Avaliação da Educação
CIEP- Centro Integrado de Educação Pública
DRP- Diretoria Regional Pedagógica
EF- Ensino Fundamental
EJA- Educação de Jovens e Adultos
EM- Ensino Médio
IDEB- Índice de Desenvolvimento da Educação Básica
IGT- Integrante do grupo de trabalho
INEP – Instituto Nacional de Educação e Pesquisa
LDB- Lei de Diretrizes e Bases da Educação
MEC- Ministério da Educação
OCDE – Organização para cooperação e desenvolvimento econômico
PISA – Programa Internacional de Avaliação de Alunos
RJ- Rio de Janeiro
SAERJ – Sistema de Avaliação do estado do Rio de Janeiro
SAEM- sistema de Avaliação do ensino municipal
SEEDUC- Secretaria Estadual de Educação
SEPE- Sindicado Estadual dos Profissionais de Educação do Rio de Janeiro
10
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO ................................................................................................. 11
1 SAERJINHO: DESAFIOS NO PROCESSO DE IMPLEMENTAÇÃO NO
ESTADO DO RIO DE JANEIRO ..................................................................... 14
1.1 O SAERJINHO: Programa de avaliação diagnóstica.. ............................... 15
1.1.1 Origem do SAERJINHO ......................................................................... 18
1.2 Panorama da Educação na Rede Estadual do Rio de Janeiro .................. 20
1.3 Escolas Estaduais de Vassouras .............................................................. 24
1.4 O processo de implemento do SAERJINHO nas escolas ......................... 27
1.4.1 As ações da Regional na implementação do SAERJINHO .................... 28
1.5 SAERJINHO: o que pensam os atores envolvidos..................................... 34
1.51 A implementação do SAERJINHO na visão dos diretores das escolas
pesquisadas ..................................................................................................... 35
1.5.2 A implementação do SARJINHO na visão dos professores .................... 44
1.5.3 A implementação do SAERJINHO na visão do IGT ................................ 48
1.5.4 A implementação do SAERJINHO na visão da Diretora Regional
Pedagógica Centro Sul .................................................................................... 49
1.5.5 Resultados sobre a implementação do SAERJINHO ............................. 52
2 AVALIAÇÃO DIAGNÓSTICA E O PAPEL DO DIRETOR DE ESCOLA NA
SUA IMPLEMENTAÇÃO ................................................................................. 54
2.1 Os sistemas de avaliação a partir da década de 1990 e sua importância na
atualidade......................................................................................................... 55
2.2 SAERJINHO: um instrumento de avaliação e monitoramento do
desempenho escolar. ....................................................................................... 61
2.3 O papel do diretor na implementação de política de avaliação e na garantia
de uma educação de qualidade. ...................................................................... 62
2.3.1 O papel do diretor na implementação do SAERJINHO. .......................... 66
3 PROPOSTA DE INTERVENÇÃO E AJUSTES NO SAERJINHO ............... 78
3.1 Propostas de intervenção e ajustes no programa SAERJINHO................. 80
3.1.1 A Proposta de intervenção ..................................................................... 82
3.2 Considerações finais ................................................................................. 88
REFERÊNCIAS ............................................................................................... 90
APÊNDICES ................................................................................................... 93
ANEXOS ....................................................................................................... 108
11
INTRODUÇÃO
A partir dos anos de 1990 foi introduzido no Brasil o SAEB (sistema de
avaliação da educação básica), uma avaliação externa cujo principal objetivo
era fornecer subsídios para a formulação de políticas públicas voltadas para a
qualidade e equidade. Com esse cenário vimos crescer a relevância atribuída
aos sistemas de avaliação externa no território brasileiro, em que estados e
municípios passam a ser avaliados e seu desempenho é divulgado nos meios
de comunicação. Com a promulgação da Lei de Diretrizes e Bases da
Educação Lei nº 9394/96, que fixa a obrigatoriedade de avaliar o sistema
educacional brasileiro nos diferentes níveis oferecidos, os estados e municípios
vêm implementando sistemas de avaliação para orientar as ações dos gestores
educacionais e resolver os problemas apontados na avaliação externa nacional
como, no caso, o IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica). O
IDEB apresenta as metas que estados e municípios precisam cumprir até o ano
de 2021 e revela a cada dois anos a situação educacional do país, de cada
estado, dos municípios e das escolas avaliadas.
Com a revelação do desempenho do estado do Rio de Janeiro em 2010
na avaliação do ano de 2009, em que ficou no 26º lugar entre os estados
brasileiros, o governador e a Secretaria de Educação do Estado do Rio de
Janeiro reagiram ao resultado implementando uma série de mudanças na rede
de ensino estadual, visando à melhoria do ensino ofertado. Foi nesse cenário
que implementaram o SAERJINHO nas escolas da rede estadual em 2011
como forma de acompanhar o desempenho dos alunos bimestralmente, ajudar
os alunos com dificuldades e melhorar o desempenho escolar.
O SAERJINHO integra o sistema de avaliação externa do estado do Rio
de Janeiro chamado de SAERJ. O SAERJ é composto de dois programas de
avaliação: a avaliação externa aplicada anualmente, sempre ao final do ano
letivo (SAERJ) e a avaliação diagnóstica do desempenho escolar, aplicada ao
final de cada bimestre (SAERJINHO).
Esta dissertação nasce, portanto, da experiência e vivência da autora no
processo de implementação do SAERJINHO, pois trabalhando na Diretoria
Regional Pedagógica Centro Sul com sede na cidade de Vassouras-RJ, foi
12
possível acompanhar os desafios ao longo do processo de implementação e
execução do SAERJINHO e as conquistas que esse sistema de avaliação vem
revelando para os diretores, professores e alunos da rede estadual.
A presente dissertação tem como objetivo geral analisar o papel do
diretor de escola no processo de operacionalização do SAERJINHO nas
escolas da rede estadual de Vassouras/RJ. Este objetivo desdobra-se nos
seguintes objetivos específicos: Descrever as origens, o desenvolvimento e a
operacionalização do SAERJINHO no contexto das escolas da rede estadual
do Rio de Janeiro; Descrever e analisar a atuação de diretores de escola junto
ao processo de implementação e de condução do SAERJINHO em duas
escolas estaduais de Vassouras/RJ; Avaliar a atuação de diretores de escola
junto aos professores durante a implementação de condução do SAERJINHO
nas escolas pesquisadas; Apresentar um plano de ação educacional voltado
para a melhoria e ajustes no processo de operacionalização do programa
SAERJINHO.
No trabalho foi utilizada a pesquisa qualitativa e o método escolhido é o
estudo de caso. As técnicas metodológicas utilizadas para o levantamento dos
dados dos capítulos um e dois, foram: análise de documentos oficiais
disponibilizados pela Secretaria de Educação do Estado do Rio de Janeiro,
diversos
textos
sobre
a
temática
gestão
e
avaliação,
entrevistas
semiestruturada (em anexo) realizadas com os diretores de escola, professores
de Língua Portuguesa e Matemática, com os IGTS (Integrante de Grupo de
Trabalho) e a Diretora Pedagógica da Diretoria Regional Centro Sul. Foram
também pesquisados os indicadores educacionais nos sites: Todos pela
Educação, ideb.meritt, INEP e SEEDUC-RJ.
Nesta dissertação, no primeiro capítulo, será apresentado o programa de
avaliação diagnóstica SAERJINHO e os desafios no seu processo de
implementação e execução no estado do Rio de Janeiro. Apresenta-se também
a origem desse programa, o panorama educacional da rede estadual Rio de
Janeiro em 2011, dados sobre as duas escolas onde realizei a pesquisa, a
implementação do SAERJINHO nessas duas escolas e como se sentiram os
atores envolvidos nesse processo no âmbito escolar.
No capítulo dois são apresentados a avaliação diagnóstica e o papel do
diretor de escola na sua implementação, a introdução no Brasil dos sistemas
13
de avaliação a partir dos anos 1990 e sua importância na atualidade. Serão
colocados em pauta a importância do SAERJINHO como um instrumento de
avaliação e monitoramento do desempenho escolar, o papel do diretor na
garantia de uma educação de qualidade e, por fim, uma análise dos dados
obtidos com a pesquisa.
No capítulo três será delineado um balanço geral dos dados obtidos e,
em seguida, a proposta para superar os problemas detectados no início da
implantação e ao longo do processo de execução do SAERJINHO no estado
do Rio de Janeiro em 2011. Por fim, serão feitas algumas considerações finais
sobre a pesquisa aqui apresentada.
14
1 SAERJINHO: DESAFIOS NO PROCESSO DE IMPLEMENTAÇÃO NO
ESTADO DO RIO DE JANEIRO
O SAERJINHO consiste em uma política de avaliação externa, com
objetivo de realizar um diagnostico ao longo do ano letivo, sendo realizado
bimestralmente nas escolas da rede de ensino do Estado do Rio de Janeiro e
compõe uma etapa do SAERJ (Sistema de Avaliação do Estado do Rio de
Janeiro), política de avaliação externa realizada (anualmente) desde 2008.
O sistema de avaliação diagnóstica SAERJINHO foi analisado e
pesquisado no âmbito do município de Vassouras em duas escolas da rede
estadual. Foram selecionadas as seguintes escolas: CIEP Brizolão 297 Padre
Salésio Schmidt e o Colégio Estadual Centenário. O critério da escolha se deu
pelo desempeno no IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) e
pelo fato de essas escolas oferecerem o Ensino Regular: Ensino Fundamental
e Ensino Médio.
Este primeiro capítulo, intitulado SAERJINHO: desafios no processo de
implementação no estado do Rio de Janeiro, foi organizado em seis seções. Na
primeira seção é apresentado o programa SAERJINHO a partir do seu
MANUAL, documento oficial lançado em 2011 que explica o programa. Em
seguida, é apresentada a origem do SAERJINHO, que foi criado a partir do
SAERJ (Sistema de Avaliação do Estado do Rio de Janeiro), de 2008. Na
sequência, teremos o Panorama educacional da rede estadual do Rio de
Janeiro em 2011, em que são trazidos alguns dados da SEEDUC-RJ, o
planejamento estratégico implantado em 2011 e o contexto da situação da
educação fluminense em relação ao desempenho no IDEB. Na sequência, são
colocadas informações a respeito das escolas estaduais de Vassouras-RJ,
onde foi realizada a pesquisa, sua localização, espaço disponível e o seu
desempenho no IDEB. Na quinta seção procura-se identificar como se deu a
implementação do SAERJINHO a partir das Coordenadorias, das Regionais e
das ações dos diretores. E por fim, na ultima seção, são apresentados os
dados obtidos com a pesquisa de campo através de depoimentos e entrevistas
cedidas pelos diretores, professores, IGT e pela Diretora da Regional
Pedagógica Centro Sul.
15
1.1 O SAERJINHO: Programa de Avaliação Diagnóstica
O programa de avaliação diagnóstica da SEEDUC/RJ (Secretaria de Estado
de Educação do Rio de Janeiro) chamado de SAERJINHO foi implementado
em abril de 2011, tendo origem no sistema de avaliação externa estadual
SAERJ, que foi implementado no estado do Rio de Janeiro em 2008. O
SAERJINHO é considerado uma das ações previstas da avaliação externa da
rede de ensino.
Segundo o Manual do SAERJINHO (2011), esse programa consiste em
uma avaliação que ocorre bimestralmente cuja finalidade é a de obter
resultados parciais ao longo do ano letivo para acompanhar o processo
educacional de ensino e aprendizagem dos alunos, de forma a corrigir as
distorções e dificuldades apresentadas no processo, sendo um instrumento
para ajudar os professores no seu planejamento e adoção de ações junto ao
corpo discente, para que este obtenha sucesso na sua vida escolar.
Esse programa proporciona aos diretores, aos professores e às equipes
pedagógicas das escolas o pensar em intervenções para melhorar a
aprendizagem dos alunos. Outra questão importante é considerar a formação
continuada dos professores para que possam atuar melhor em sala de aula,
para que desenvolvam aulas mais dinâmicas e criativas para motivar os alunos
no seu desenvolvimento intelectual, para que cultivem o gosto pela curiosidade
e a vontade de estudar.
Planejado para ter aplicação bimestral, seus resultados são fornecidos
por um sistema online, que o diretor pode acessar e verificar o resultado de sua
escola, de cada turma e por aluno.
Iniciado no ano de 2011, tal programa foi aplicado nos meses de abril,
junho e setembro. Durante a sua implantação foi alvo de críticas por parte dos
professores e sindicatos, que achavam que o SAERJINHO era um tipo de
avaliação que iria focar na atuação e desempenho dos professores. Após a
segunda aplicação do SAERJINHO, os professores foram aos poucos
verificando que a hipótese do sindicato não era verdadeira, pois na verdade o
programa servia para dar um diagnóstico mais rápido da situação pedagógica
de cada escola.
16
O programa sofreu várias alterações da primeira à terceira aplicação,
sendo ajustado de acordo com a necessidade, que a SEEDUC/RJ foi
percebendo, de melhorar o seu desenho inicial.
As turmas avaliadas são do 5º e 9º anos do Ensino Fundamental, 1º ao
3º anos do Ensino Médio do Ensino Regular e Ensino Normal. Os testes
aplicados de Língua Portuguesa e Matemática são feitos em quatro modelos
diferentes por ano de escolaridade.
Nesse sistema de avaliação bimestral os atores envolvidos são: os
alunos que fazem as provas e os professores de Língua Portuguesa e
Matemática, ou mesmo de outras disciplinas que aplicam as provas no dia
determinado pela SEEDUC.
O fiscal é uma pessoa de fora do sistema
estadual que, no dia da prova, acompanha a aplicação na escola e observa,
fazendo um relatório sobre tal aplicação. Normalmente é disponibilizado um
fiscal por turno para que se possa acompanhar toda a execução do processo
de avaliação. A aplicação do SAERJINHO no ano de 2011 foi acompanhada
por fiscais alocados nos turnos em que existiam turmas que participavam
dessa avaliação. Porém, no ano de 2012, a figura do fiscal foi abolida,
passando para o diretor de escola essa responsabilidade. O supervisor regional
é o responsável por alocar os fiscais inscritos pelo site, validá-los no sistema
online e ainda ficar responsável pela distribuição e recolhimento dos materiais
tais como: provas, cartão resposta, relatório dos fiscais e ficha de presença dos
fiscais. Os diretores das escolas são responsáveis pela guarda das provas
lacradas em envelopes para a aplicação e entrega dos envelopes lacrados com
os cartões respostas, após a aplicação nas Regionais. A Diretoria Regional
Pedagógica Centro Sul é responsável por dar suporte ao trabalho do
Supervisor Regional do SAERJINHO e tem a tarefa de verificar junto às
unidades escolares o seu cumprimento. A Equipe de Avaliação da SEEDUC
orienta as Regionais, sendo responsável por toda a logística do SAERJINHO,
por solucionar as dúvidas e organizar reuniões de orientações com os
supervisores. O CAEd ( Centro de Políticas Publicas e Avaliação da Educação)
é o responsável pela elaboração das provas, gabaritos e análise dos dados.
As provas são padronizadas e aplicadas aos alunos pelos professores
das escolas em um período de duas horas.
17
As datas da realização são marcadas e divulgadas pela SEEDUC que,
através de reuniões, informa e orienta os Supervisores e Diretores
Pedagógicos das Regionais. O SAERJINHO trabalha com as matrizes de
referências e o Currículo Mínimo do Estado do Rio de Janeiro.
Outro ponto apresentado pelo SAERJINHO são as matrizes de
referência de Língua Portuguesa e de Matemática, onde são apresentadas as
habilidades que serão avaliadas, baseadas no Currículo Mínimo estadual e nas
Diretrizes Curriculares. Segundo o Manual do SAERJINHO, em Língua
Portuguesa o foco está nos procedimentos de leitura, organizado em dois
campos de competências: domínios de estratégias de leitura de diferentes
gêneros e domínios de recursos linguístico-discursivos na construção de
gêneros textuais. .As habilidades avaliadas são: procedimentos de leitura,
implicações
do
suporte
e
do
gênero
textual,
relação
entre
textos,
processamento do texto, relações entre recursos expressivos, efeitos de
sentido e variação linguística. Na Matemática do Ensino Fundamental, o foco
está na habilidade do aluno resolver problemas. As habilidades avaliadas são:
espaço e forma, grandezas e medidas, números e operações e ainda
tratamento da informação. No 9º ano do Ensino Fundamental e nas demais
séries do Ensino Médio foi acrescentada a habilidade Álgebra e Funções.
O professor tem, então, que adequar o seu planejamento ao Currículo
Mínimo determinado pela SEEDUC/ RJ para cumprir as matrizes de referência
do SAERJINHO.
Seu planejamento deve alinhar as duas matrizes para
atender a demanda atual e trabalhar com as habilidades previstas para que o
aluno adquira na escola as competências esperadas.
Com esses recursos, a Secretaria acredita que estará ajudando o
professor a: ter um suporte pedagógico e informações diagnósticas para que os
professores e gestores possam analisar o estágio de desenvolvimento de cada
aluno para poder intervir; detectar as dificuldades encontradas pelos alunos;
ajustar o planejamento para atender uma aprendizagem efetiva; acessar as
informações e rapidez no feedback junto a alunos e professores (MANUAL
SAERJINHO, 2011).
Estava prevista para o mês de maio de 2011 uma formação com um
curso de apropriação e utilização dos resultados com uma carga horária de 40
horas para gestores escolares e coordenadores pedagógicos, com atividades
18
coletivas e individuais na modalidade à distância, porém, essa formação não
aconteceu no ano de 2011. Foi solicitada pela SEEDUC apenas a relação dos
profissionais inscritos para o curso. Essa ação do SAERJINHO só foi
implantada no ano seguinte, em 2012, após o primeiro ano de execução do
programa. Tal ação deveria ter sido feita no início do programa em 2011, pois
assim teríamos amenizado os problemas que surgiram pela falta de informação
na implantação do programa ocasionando resistências dos professores.
Além do Curso, foi previsto no SAERJINHO a disponibilização de um
Banco de Itens com questões de Língua Portuguesa e Matemática. As
questões estão à disposição dos professores no site do SAERJINHO e têm por
objetivo ajudá-los na elaboração de avaliações e organização de simulados
durante o bimestre. Essa ação do SAERJINHO foi implementada em setembro
de 2011.
A seguir vamos discorrer um pouco sobre como surgiu a ideia de
aplicação das provas bimestrais como avaliação diagnóstica.
1.1.1 Origem do SAERJINHO
Para compreender o processo de implantação do SAERJINHO é
necessário conhecer o programa SAERJ, que deu origem ao programa de
avaliação diagnóstica implementado nas escolas do estado do Rio de Janeiro.
Em 2008 o Governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, e a então
Secretária de Educação do Estado, Teresa Porto, lançaram o SAERJ (Sistema
de avaliação externa do Rio de Janeiro) para avaliar os alunos da rede
estadual.
Os alunos que obtivessem expressivo desempenho em Língua
Portuguesa e Matemática seriam premiados com um laptop. Essa avaliação foi
uma primeira tentativa do governo de avaliar toda a rede estadual através de
uma avaliação externa.
O Sistema de Avaliação da Educação do Estado do Rio de Janeiro,
SAERJ, foi criado com o objetivo de avaliar e analisar o desempenho dos
alunos da rede pública estadual, nas áreas de Língua Portuguesa e
Matemática do 5° ano do Ensino Fundamental à 3ª série do Ensino Médio.
Nessa avaliação todos os alunos matriculados nesses anos faziam uma prova
19
para verificar o nível de proficiência alcançado nas avaliações aplicadas. Em
2011 tal avaliação foi aplicada somente nas turmas finais de cada segmento.
Implantado pela Secretaria de Educação, esse programa tinha como
finalidade monitorar a qualidade da educação oferecida pela rede estadual e
buscar qualidade na educação fluminense. Trata-se de um sistema de
avaliação em larga escala em que dados importantes sobre o desempenho de
alunos e Unidades Escolares poderiam ser obtidos através de uma prova para
que a Secretaria pudesse verificar o desempenho de sua rede e, a partir deste,
introduzir ações para alcançar melhorias na qualidade da educação.
Segundo o Manual do SAERJ (2008), a avaliação está dividida em duas
etapas: O programa de Avaliação Externa e o Programa de Avaliação
Diagnóstica do Desempenho Escolar, também conhecido por SAERJINHO. Os
dois programas deveriam ter sido implementados concomitantemente nas
unidades escolares para que os resultados fossem analisados em conjunto
para traçar ações para o desenvolvimento de uma educação com qualidade e
eficiência, pois os dois programas se completam e podem diagnosticar a
realidade de cada unidade escolar.
. Porém, como vimos anteriormente, o SAERJ foi implantado em 2008 e
o SAERJINHO somente em 2011. A resolução SEEDUC nº 4437 de
29/03/2010 autorizou a aplicação do SAERJ na rede estadual do Rio de
Janeiro, mas não apresenta nenhum artigo sobre o SAERJINHO - avaliação
diagnóstica ao longo do ano letivo. No artigo 2º, determina a aplicação de
avaliação nas disciplinas de Matemática e Língua Portuguesa, sendo avaliados
inicialmente alunos do 5º ao 9º anos do Ensino Fundamental e do Ensino
Médio. No ano de 2011 somente foram avaliados os anos finais de cada
segmento: 5º e 9º do EF e 3º do EM.
No programa de Avaliação externa os resultados das turmas avaliadas
estão baseados nas escalas do SAEB – sistema de avaliação da educação
Básica - em que são considerados: o número de alunos que realizaram as
avaliações; o percentual de alunos de acordo com o nível de proficiência
alcançado: baixo, intermediário, adequado e avançado e, ainda, a proficiência
média alcançada pela escola. A implantação foi legitimada em março de 2010.
20
O
SAERJINHO
é
um
programa
de
avaliação
diagnóstica
de
desempenho escolar que corresponde à segunda ação do SAERJ, objeto de
pesquisa deste trabalho.
1.2 Panorama da Educação na Rede Estadual do Rio de Janeiro
No ano de 2010 o INEP/MEC divulgou o resultado do IDEB e constatouse que o estado do Rio de Janeiro estava em penúltimo lugar no ranking dos
estados. Tal situação levantou questionamentos sobre o alcance dos objetivos
educacionais propostos pela SEEDUC-RJ (Secretaria Estadual de Educação
do Estado do Rio de Janeiro) – oferecer ensino de qualidade à população
fluminense em busca de formação de cidadãos críticos e participantes; tendo
em vista que, se pensarmos na qualidade e analisarmos os atuais índices nas
avaliações externas, podemos observar que o Rio de Janeiro, ao longo dos
anos, não está conseguindo alcançar seus objetivos e as metas estabelecidas.
Podemos abaixo verificar as notas do IDEB obtidas pelo estado do Rio
de Janeiro nos anos de 2005, 2007 e 2009 e as metas projetadas para cada
segmento educacional.
Tabela 01: Índice de Desenvolvimento da Educação Básica do
Estado do Rio de Janeiro
Ano
de
IDEB Observado
Metas Projetadas
RJ
RJ
escolaridade
2005 2007 2009 2005 2007 2009
5º Ano do EF
3,7
3,8
4,0
___
3,8
4,1
9ª Ano do EF
2,9
2,9
3,1
___
2,9
3,1
3ª Série do 2,8
2,8
2,8
___
2,8
2,9
EM
Fonte: WWW.ideb.inep.gov.br consultado em 04/01/2011.
Analisando os dados do IDEB do estado do Rio de Janeiro, podemos
observar que o 5º ano do ensino Fundamental no ano de 2009 não alcançou a
meta projetada; o 9º ano do Ensino Fundamental do estado alcançou a meta
21
projetada; porém, o 3º ano do Ensino Médio não alcançou a meta projetada no
ano de 2009 e não demonstrou melhorias de 2005 até 2009, mantendo a
mesma nota nos quatro anos. Outra questão a ser observada é que as metas
projetadas são baixas e mesmo assim o 5º Ano e o Ensino Médio não estão
conseguindo cumprir as metas.
São apresentados abaixo alguns dados do Sistema educacional do Rio
de Janeiro a partir de documentos oficiais disponibilizados pela SEEDUC
através do site e documentos internos.
Tabela 02: Quadro da Rede Estadual do Rio de Janeiro:
Total de Professores*
50.422
Total de Alunos **
1.175.939
Alunos Ensino Fundamental
47%
Alunos Ensino Médio
53%
Total de Escolas
1.466
Escolas Compartilhadas
286
Escolas Municipalizadas
950
*Quantidade de Professores em Sala de Aula
** Posição Preliminar de 14/12/10 –EDUCACENSO
Fonte: Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro - janeiro de 2011.
Podemos verificar na tabela 02 que atualmente a rede estadual do Rio
de Janeiro tem uma maior concentração de alunos no Ensino Médio, seguido
pelo Ensino Fundamental, que vem sendo entregue à rede municipal em uma
escala gradativa, conforme orienta a Lei 9394/96 – Lei de Diretrizes e Bases da
Educação Nacional. O Ensino Médio precisa de atenção por não estar
conseguindo melhorar o índice de avaliação nacional desde 2005.
Tabela 03: Evolução da taxa de reprovação da SEEDUC-RJ
Modalidades
2008
2009
Anos Iniciais
15,34%
17,43%
Anos Finais
23,74%
25,16%
22
Ensino Regular
21,67%
23,60%
Ensino Médio
17,31%
21,70%
Fonte: Educacenso
Podemos observar na tabela 03 que a taxa de reprovação aumentou do
ano de 2008 para 2009, portanto, mais alunos ficam retidos de um ano para o
outro e esse fato ocorreu em todos os segmentos conforme constatamos
acima, sendo que o aumento maior foi no ensino Médio, com 4,39%. A
retenção dos alunos é fator de preocupação da Secretaria, pois é um dos
componentes que geram a nota da avaliação externa do Governo Federal, o
IDEB. Além do fato de os alunos levarem mais anos para concluir seus estudos
e, em alguns casos, em consequência das reprovações sucessivas,
abandonarem as escolas.
Em 2008, ainda na Gestão da Secretária Teresa Porto, foi
implementada na rede estadual o SAERJ, sistema de avaliação externa
estadual, com a finalidade de avaliar o desempenho dos alunos, das escolas e
assim melhorar a qualidade do ensino.
No ano de 2010 a posição do Rio de Janeiro no Ranking dos estados na
nota do IDEB teve grande repercussão, inclusive na mídia. O estado
apresentava baixo desempenho no IDEB de suas escolas, este fato que fez
com que o Governador Sérgio Cabral imediatamente empossasse Wilson
Risolia como novo Secretário de Educação. O estado do Rio passa a ter,
ocupando a pasta da Educação, um economista com uma trajetória respeitável,
tendo realizado uma gestão de sucesso no Instituto de Previdência do Estado
do Rio de Janeiro.
Diante desse cenário da educação fluminense, algo precisava ser feito
urgentemente na educação para melhorar os índices e a qualidade. O
Governador, ao escolher um gestor com formação em economia, foi bastante
questionado pelo sindicato e professores, por não optar por um profissional da
área. Ele manteve-se firme em sua decisão apesar das criticas e tentativas de
interferência política.
O Governador empossou o novo Secretário em outubro do ano de
2010, com a missão de colocar o estado do Rio de Janeiro entre os cinco
melhores do país na avaliação do IDEB.
23
Ao assumir a pasta, ele encontrou um sistema com sérios problemas
para serem resolvidos: profissionais sem motivação, escolas com precariedade
das instalações físicas, problemas salariais, a questão do ensino e
aprendizagem dos alunos, defasagem idade-série, abandono e evasão de
alunos da rede estadual e problemas na gestão das escolas, entre outros.
Imediatamente, o Secretário e sua equipe analisaram a rede e aos
poucos foram implementando mudanças no sistema da educação, como a
criação do Planejamento Estratégico da SEEDUC; do Sistema de bonificação a
partir de metas alcançadas; a busca pela Reestruturação da rede; criação das
Diretorias Regionais Administrativas e Pedagógicas; implementação do
Currículo Mínimo; criação da GIDE (gestão integrada na escola, que segundo
folheto distribuído pela SEEDUC, GIDE é um sistema de gestão que contempla
aspectos estratégicos, políticos e gerenciais inerentes à área educacional com
foco em resultados. Baseia-se nas metas do IDEB e tem o objetivo de melhorar
os indicadores educacionais); promoção de melhorias salariais; atualização do
enquadramento por formação; garantia de vale transporte para os funcionários
das escolas e vale cultura no valor de quinhentos reais para os professores;
promoção da ocupação de cargos estratégicos dentro do organograma da
SEEDUC através da meritocracia (prova, entrevista e análise de currículo) para
os funcionários efetivos da rede; investimento em melhorias da estrutura física
das escolas e implementação, em 2011, da Avaliação diagnóstica bimestral
(SAERJINHO) prevista desde 2008 dentro do SAERJ.
É importante ressaltar que as mudanças implantadas na rede estadual
foram divulgadas inicialmente através da publicação em Diário Oficial e no site
oficial da SEEDUC-RJ, sendo posteriormente divulgadas nos meios de
comunicação.
É neste cenário de mudanças e transformações na estrutura e no
sistema da rede educacional do estado do Rio de Janeiro, que atualmente a
SEEDUC vem buscando um novo caminho para alcançar a melhoria da
qualidade do ensino e a melhora nos índices de avaliação nacional através do
SAERJINHO e do SAERJ.
A seguir apresentamos um panorama sobre as escolas onde a pesquisa
foi realizada, sua infraestrutura, recursos humanos e espaços disponíveis,
entre outros aspectos.
24
1.3 Escolas Estaduais de Vassouras
Apresentam-se aqui as duas escolas selecionadas para efetuar a
pesquisa de campo através de entrevistas semiestruturadas aplicadas aos
diretores e professores. As escolas escolhidas estão situadas no município de
Vassouras, interior do estado do Rio de Janeiro: Colégio Estadual Centenário e
CIEP Padre Salésio Schmidt. No que segue, será observado um pouco sobre
cada Unidade Escolar e segmentos que atende. As escolas escolhidas de
modo geral se caracterizam por serem de médio e grande porte, por atenderem
o ensino regular (Ensino Fundamental e Médio), por estarem localizadas na
área urbana do município de Vassouras e por apresentarem um desempenho
crescente expressivo no IDEB nos anos de 2005 a 2009.
O Colégio estadual Centenário está situado próximo ao centro da
cidade. Atende atualmente os anos finais do Ensino Fundamental, o Ensino
Médio e o EJA no período noturno. Sua classificação é C, e atende
aproximadamente 565 alunos. Conta com duas diretoras indicadas que estão
na função há quatro anos. Não foi possível entrevistar a diretora geral no
momento da primeira entrevista, pois ela estava de licença médica devido a
problemas de saúde, porém, conseguimos entrevistar a diretora adjunta,
apesar das inúmeras atribuições com que estava envolvida no momento. Ela
foi muito gentil e respondeu a todas as perguntas com boa vontade. A Diretora
Adjunta ressaltou a dificuldade da escola por não ter no seu quadro de
funcionários nenhuma Coordenadora Pedagógica e nenhuma Orientadora
Educacional.
A escola está passando por reformas de telhado e no pátio. Ela já foi
reformada anteriormente há alguns anos, quando sofreu uma reforma geral.
Possui salas de aula climatizadas, pequeno pátio coberto, laboratório de
informática, pequena Biblioteca, secretaria, pequena sala de professores, sala
de direção, banheiros, além da cozinha e refeitório. Não possui quadra nem
auditório.
O CIEP Brizolão 297 Padre Salésio Schimidt está localizado no centro
da cidade. Possui um amplo espaço externo com quadra poliesportiva, campo
de futebol, amplo pátio coberto e grande área gramada. Possui salas de aula
climatizadas, 03 laboratórios de informática e abriga o NTE (Núcleo de
25
Tecnologia do Estado), tem sala de professores, ampla sala de diretores,
auditório, refeitório, cozinha, banheiros e ampla Biblioteca.
A escola passou por reformas recentemente, oferecendo um espaço
acolhedor. Possui duas Diretoras indicadas, não tem Coordenador Pedagógico
nem Orientador Educacional. Atendia até o ano passado do 3º ao 5º anos e do
6º ao 9º anos do ensino Fundamental, com cerca de 300 alunos.
O Colégio Estadual Santa Rita, localizado ao lado do CIEP, estava em
péssimas condições físicas e por isso foi extinto no final de 2011, tendo seus
alunos do 6º ao 9º anos do EF e alunos do Ensino Médio sido remanejados
para o CIEP Brizolão 297 Padre Salésio Schimidt, que passou, assim, a
atender cerca 800 de alunos a partir do ano de 2012. Por esse motivo as duas
diretoras estavam às voltas com a alocação dos alunos no site Conexão
Educação da SEEDUC (sistema online de alocação de turmas e alunos) e por
isso não foi possível entrevistá-las no momento da primeira entrevista (sendo
assim nesse primeiro momento só foram entrevistados os professores desta
escola).
Retornei no mês de maio às duas escolas selecionadas para um novo
encontro com as diretoras e executei as entrevistas sem nenhum problema,
sendo muito bem recebida por todos os diretores. Nesse momento foi realizada
uma entrevista coletiva com as duas diretoras de cada escola, a diretora geral
e a diretora adjunta, para verificar os pontos das suas gestões e as ações
implementadas nas escolas para melhorar o nível de aprendizagem dos
alunos. Foi observado o cuidado com a organização, aparência, limpeza,
murais de divulgação das ações/metas da GIDE em todas as escolas visitadas.
Há uma preocupação em atingir as metas estabelecidas para cada escola com
o apoio, supervisão e orientação do IGT.
Vamos agora analisar os Índices Educacionais das escolas pesquisadas
da rede estadual de Vassouras/RJ.
26
Tabela 04: IDEB das escolas analisadas e escolas estaduais do Município
de Vassouras
IDEB
2005
Meta
CIEP B. 297
Padre
Salésio
Schimidt (5º
Ano do EF)
2005
Nota
2007
Meta
2007
Nota
2009
Meta
2009
Nota
2011
Meta
2011
Nota
xx
1,9
1,9
3,2
2,2
3,5
2,5
3,1
xx
1,9
2
4,3
2,5
4
3,1
3,5
xx
3,5
3,6
3,8
3,9
4,5
4,3
4,6
xx
3,8
3,8
3,9
4,0
4,4
4,2
4,0
Colégio
Estadual
Centenário (
9º Ano do EF
Vassouras/ 5º
Ano do EF)
Vassouras/ 9º
Ano do EF)
Fonte: site http:// ideb.meritt.com.br e documentos internos SEEDUC/RJ 5/02/2012
O CIEP Brizolão 297 Padre Salésio Schmidt apresentou um pequeno
crescimento de 2007 para 2009. Já o Colégio Estadual Centenário apresentou
uma pequena queda em sua nota do IDEB de 2007 para 2009. Apesar disso,
ambas estão com suas notas de IDEB acima das metas estabelecidas. Em
2011 as escolas cumpriram suas metas, porém ao compararmos com as notas
de 2009 houve queda por parte das duas escolas. Se compararmos as duas
escolas pesquisadas com as notas do IDEB das escolas estaduais do
Município de Vassouras, percebemos que embora as escolas tenham cumprido
as suas metas, as notas obtidas estão abaixo da média das escolas estaduais
de Vassouras. Na tabela os campos assinalados em verde revelam o
cumprimento de metas.
Vale ressaltar que em relação à nota do IDEB: o Colégio Estadual
Centenário foi avaliado no 9º Ano do Ensino Fundamental (nos anos de 2005 a
2011) e o 5º ano do Ensino Fundamental houve apenas avaliações nos anos
27
de 2005 e 2007, por isso não foi incluído na tabela acima. Quanto ao CIEP
Brizolão 297 Padre Salésio Schimidt a avaliação ocorreu no 5º ano do Ensino
fundamental (nos anos de 2005 a 2011), porém o 9º ano foi avaliado somente
em 2011, pois nesta unidade escolar o atendimento aos Anos Finais do Ensino
Fundamental é recente.
As escolas que realizaram a avaliação do SAERJINHO tiveram sua nota
de IDERJ publicada bimestralmente na página da SEEDUC/RJ1, onde cada
unidade escolar pôde visualizar apenas a nota de sua escola, das suas turmas
e de seus alunos.
A seguir será apresentado como o SAERJINHO adentrou as escolas e
como foi a sua implementação e execução nas duas escolas selecionadas para
a pesquisa.
1.4 O Processo de Implemento do SAERJINHO nas escolas
Para compreender como foi o processo de implementação do
SAERJINHO e apropriação de seus resultados pelas escolas e seus atores,
foram realizadas entrevistas semiestruturadas para colher os dados nas duas
escolas pesquisadas. O questionário elaborado para realizar as entrevistas, foi
baseado a partir do texto Ciclo de Políticas discutidas por Mainardes (2006, p.
66-68), onde o autor ao final do texto apresenta algumas sugestões para que
um pesquisador possa construir seu instrumento de pesquisa de acordo as
especificidades de sua pesquisa. Com as entrevistas foi possível verificar:
como os diretores ficaram sabendo sobre o programa e como o implementaram
em sua escola ? Se houve realização de reunião da direção escolar com os
professores para explicar sobre o programa? O que eles pensam sobre o
programa? Se os professores vêm utilizando os resultados para um
replanejamento de suas ações? Se eles têm conhecimentos sobre o manual do
SAERJINHO e os materiais de divulgação enviada pela SEEDUC? Como os
alunos estão se situando nas avaliações? O diretor e os professores da escola
são favoráveis a tal ação da Secretaria? Quais são as dificuldades na
implementação do programa? O que precisa melhorar?
1
Disponível em http://www.seeduc.rj.gov.br, no link SAERINHO.
28
As perguntas acima serão respondidas ao longo do texto, no item 1.5
quando apresentamos o que pensam os atores envolvidos, pois fazem parte do
questionário aplicado.
A seguir apresentamos as ações da regional no SAERJINHO desde a
primeira aplicação em abril do ano de 2011.
1.4.1 As Ações da Regional na Implementação do SAERJINHO
Do ano de 2008 a abril de 2011 trabalhei na antiga Coordenadoria
Regional Médio Paraíba I (cuja sede encontrava-se na cidade de Barra do
Piraí-RJ) como assistente da Gerência de Ensino. Na Coordenadoria, talvez
devido à mudança já anunciada de que esse órgão seria extinto, o
SAERJINHO foi implementado em abril de 2011 sem passar pelo Setor de
Ensino.
Na primeira aplicação do SAERJINHO nas escolas, ocorrida em 13 de
abril de 2011, não houve reunião com a equipe da Gerência de Ensino, nem
com os gestores ou mesmo com os professores para que pudessem
compreender a dinâmica da proposta e seus objetivos. A assessora do
Coordenador recebeu as informações da SEEDUC, organizou a dinâmica da
aplicação do SAERJINHO e encaminhou as provas para as escolas,
recolhendo-as após as aplicações para devolução. O SAERJINHO na sua
primeira versão foi aplicado em meio às mudanças que a SEEDUC já havia
anunciado. Foi implementado junto à rede apressadamente e sem o cuidado de
informar aos diretores de escola a importância do programa e seus reais
objetivos, o que trouxe desconfiança por parte dos diretores e professores a
respeito do programa. O que queria a SEEDUC de fato com esse programa?
Avaliar a escola? Os professores ou os alunos? A falta de informação gera
ansiedade, insatisfação e críticas. Para que um jogo tenha sucesso é preciso
que as regras sejam claras, objetivas e que seus jogadores as conheçam. E
isso não ocorreu na implementação do SAERJINHO.
No primeiro momento os professores tinham que corrigir as provas (os
quatro modelos aplicados), fazer os quatro gabaritos e postar no site da
SEEDUC no link SAERJINHO. Isso gerou muitas polêmicas e os professores
ficaram revoltados, pois qual seria a finalidade de corrigir as provas se já havia
29
um gabarito oficial do sistema? Os professores chegaram a desconfiar de que
a intenção da Secretaria fosse avaliar o nível de conhecimento dos mesmos.
Assim, vários professores se negaram digitar os gabaritos feitos por eles no
site disponível para isso.
As Coordenadorias foram extintas em 30 de abril de 2011 e foram
criadas as Diretorias Regionais, tendo estas duas esferas - Administrativa e
Pedagógica, dentro da nova proposta da SEEDUC de reestruturação da rede.
O SAERJINHO foi implementado no momento de transição das mudanças na
SEEDUC/RJ e por isso é possível acreditar que foram feitas de forma
inadequada a sua implementação e aplicação no primeiro momento, em abril
de 2011.
Fui então trabalhar como membro de equipe da Diretoria Regional
Pedagógica Centro Sul no Município de Vassouras - RJ. Iniciamos o mês de
maio com uma nova estrutura na rede estadual, com metas a cumprir e uma
série de mudanças que começavam a ser desenhadas e implementadas pela
Secretaria de Educação do Estado do Rio Janeiro.
Após a implantação do novo órgão, no mês de maio, houve uma ação da
SEEDUC no sentido de se aproximar das Diretorias, Diretores das unidades
Escolares e professores para divulgar o SAERJINHO e o Currículo Mínimo. A
reunião ocorreu no dia sete de maio de 2011, em um primeiro momento com os
diretores das escolas da rede estadual (inclusive as de Vassouras) e equipe da
Diretoria Regional Pedagógica Centro Sul.
Participaram dessa reunião em
torno de 115 pessoas no auditório do Colégio de Aplicação da Universidade
Severino Sombra, situado no município de Vassouras, encontro esse com o
objetivo de explicar o programa e entregar o manual do SAERJINHO.
A reunião ocorreu na parte da manhã e durou cerca de duas horas sob
a responsabilidade de membros da Coordenação de Avaliação da SEEDUC.
Esse momento foi interessante, porém, observei que haveria necessidade de
mais encontros para sanar as dúvidas e dar maior orientação aos atores
envolvidos no processo de implementação do programa.
No período da tarde foi realizada uma reunião com cerca de duzentos e
vinte professores de Língua Portuguesa e Matemática sobre o Currículo
Mínimo. Esse segundo momento foi muito polemizado pelos professores que
participavam do encontro, o que gerou alguns conflitos e insatisfações. Eles
30
não aceitavam a implantação do Currículo Mínimo, pois achavam que iria tirar a
autonomia do professor.
Percebi naquele momento que era necessário fazer encontros com
grupos menores para facilitar a comunicação e o entendimento, já que eram
muitas as informações e novidade na rede.
A Diretora Pedagógica da Regional Centro Sul, Professora Marisa
Cristina da Silva, não pôde participar dessa reunião, pois estava na SEEDUC
em reunião com o Secretário. Participei ainda de um treinamento no mês de
maio, no Rio de Janeiro, com a equipe de avaliação da Secretaria de Educação
para entendimento da ação e logística envolvida no processo de aplicação e
organização do SAERJINHO para o segundo momento.
A partir do trabalho na Regional como supervisora do SAERJINHO,
constatei a importância desse programa junto aos gestores das escolas e dos
professores para diagnosticar as falhas do sistema de ensino da rede estadual
e, a partir desses resultados, estabelecer ações para corrigir essas falhas. Foi
diante desse panorama que pude avaliar a inviabilidade de se fazer reunião
com muitos diretores ou professores, pois havia o risco de ocorrer dispersão e
as informações ficariam comprometidas. Nesse contexto, tive a iniciativa de
conversar com a Diretora Pedagógica da Regional e sugeri quatro encontros
com pequenos grupos de Diretores (30 de cada vez) para que pudéssemos
orientar e explicar sobre o programa e seus objetivos. Dando mais atenção aos
Gestores e tirando suas dúvidas seria mais produtiva a tarefa de realizar-se a
aplicação do programa pela segunda vez. Foram autorizadas as reuniões pela
Diretora Pedagógica e organizamos os quatro encontros com os seguintes
materiais: apresentação do programa em slides e leitura de alguns pontos
importantes do Manual.
No dia vinte e sete de maio de 2011, a nossa Diretora Regional
Pedagógica, devido a problemas de saúde, precisou ficar afastada de sua
função.
A
equipe
da
Diretoria
Regional
Pedagógica
ficou
então,
provisoriamente, sob a responsabilidade do Diretor da Regional Administrativa
Professor Aristides Praxedes Dias Neto. A equipe continuou executando as
ações planejadas e atendendo à demanda diária da Regional. Foi muito
importante o apoio do Diretor Administrativo nesta etapa do SAERJINHO, pois
estávamos vivenciando muitas pressões por causa da greve de professores.
31
Seu apoio foi fundamental para o sucesso do SAERJINHO nesta segunda
aplicação.
Realizamos as reuniões no mês de junho, duas semanas antes da
aplicação, para que os gestores pudessem repassar as informações aos
professores. Na execução dessa ação (segunda aplicação) houve certa
resistência de alguns professores ao programa. Estávamos em meio a uma
greve de professores e o sindicato agia com forte ação e propaganda para que
alunos e professores boicotassem o programa. Com a pressão do sindicato
nas escolas e junto aos alunos para que não ocorresse a aplicação do
SAERJINHO, a Diretoria Regional Centro Sul colocou as equipes da Diretoria
Pedagógica e da Inspeção escolar visitando as escolas no dia da aplicação e
dando suporte para que pudessem aplicar as provas sem problemas. Apoiando
os diretores e disponibilizando as equipes da regional para visitar os locais que
estavam apresentando problemas com a greve, a Diretoria Regional Centro Sul
conseguiu reverter o problema e garantiu 100% de aplicação nas suas escolas.
Nesse segundo momento (aplicação em junho), o professor deveria
lançar no site apenas um gabarito dentre as quatro opções de provas. Acredito
que tal modificação tenha sido realizada a partir das criticas, das desconfianças
dos professores e da greve; com essa ação a SEEDUC suavizou o embate
anterior.
Em julho foi empossada uma nova Diretora para a Diretoria Regional
Pedagógica Centro Sul, a professora Janete Fortes Lopes, ficando responsável
pela aplicação do terceiro SAERJINHO juntamente com a Supervisora do
programa.
Em agosto, a SEEDUC/RJ realizou novamente uma reunião com os
supervisores e a Diretora Regional Pedagógica no RJ para dar orientações e
sinalizar as mudanças nesta terceira aplicação.
Em agosto de 2011 a SEEDUC publicou no Diário Oficial a Portaria
nº174 de 26/08/2011, que estabelecia normas de avaliação e desempenho
escolar e em que determinava que a nota do SAERJINHO fosse um
instrumento obrigatório de avaliação do bimestre, conforme podemos observar
no artigo 3º e parágrafo 6º, logo abaixo:
32
Art. 3º - A avaliação do desempenho escolar no Ensino
Fundamental (anos finais), no Ensino Médio, no Ensino
Normal, na Educação Profissional e na Educação de
Jovens e Adultos tem o caráter diagnóstico,
reflexivo e inclusivo, devendo oferecer suporte para o
replanejamento do trabalho pedagógico, a partir da
identificação dos avanços e dificuldades apresentados
pelo aluno, sendo registrada pelo professor em diário de
classe ou outro instrumento indicado pela SEEDUC;
§ 6º - A Avaliação Diagnóstica Bimestral (Saerjinho),
aplicada no 5º e 9º ano do Ensino Fundamental e 1ª, 2ª
e 3ª séries do Ensino Médio, é um dos instrumentos
obrigatórios da avaliação, com nota/peso definido(a)
pelo professor, e deverá ser registrada no diário de
classe ou outro instrumento indicado pela SEEDUC.
Na terceira versão do SAERJINHO essa legislação passou a vigorar
como um instrumento de avaliação do bimestre.
Em setembro, antes da terceira aplicação, realizamos novamente
reuniões com os grupos de diretores (sendo 30 de cada vez). Pude observar
que houve melhoras no entendimento do programa por parte dos diretores que
se comprometeram a cumprir as orientações dadas. Nesta aplicação a greve já
havia terminado e aplicamos novamente em 100% das escolas pertencentes à
Regional. Nesta edição do SAERJINHO o lançamento do gabarito passou a ser
opcional.
Somente no terceiro momento, em setembro de 2011, é que o banco de
Itens do SAERJINHO foi testado. Inicialmente o banco de itens foi colocado à
disposição para apenas uma unidade escolar por regional. Realizado o teste
inicial com a utilização do banco de itens, tal material foi disponibilizado para
toda a rede educacional estadual com o objetivo de instrumentalizar os
professores com um banco de questões em que possam acessar o site,
escolher as questões e elaborar as avaliações internas, bimestrais e simulados
para os alunos. O banco de itens é composto por várias questões de Língua
Portuguesa e Matemática. Podemos dizer que esse banco servirá como um
treino para que os alunos realizem as provas de avaliação externa e
diagnóstica. As redes particulares na sua grande maioria já utilizam simulados
bimestrais para preparar os alunos para avaliações, vestibulares e ENEM. A
rede estadual ao aplicar o SAERJINHO estará também preparando seus
alunos para realizarem as avalições externas.
33
Mesmo após as nossas ações enquanto Regional Pedagógica, com o
intuito de levar informações aos diretores e sanar as dúvidas de um novo
programa que estava sendo implementado, restaram-me algumas indagações:
Houve compreensão por parte dos gestores sobre o objetivo do SAERJINHO?
Como chegou até os professores a informação do novo sistema de avaliação
diagnóstica? O grupo de professores das escolas tem conhecimento claro do
que é o programa? Quais ações as escolas estão propondo junto aos alunos a
partir dos resultados bimestrais da avaliação diagnóstica? Os professores têm
realizado revisões e reflexões sobre o seu planejamento? Como estão se
apropriando dos resultados que são divulgados para as escolas no site
específico? Têm havido melhoras no rendimento escolar dos alunos? O diretor
tem divulgado para os professores o resultado de sua escola, turma e dos
alunos? Os professores utilizaram o banco de Itens que foi disponibilizado no
terceiro momento? Essas questões serão respondidas mais adiante.
O SAERJINHO é apresentado como um programa inovador na rede
estadual do RJ, que pretende diagnosticar as possíveis falhas no sistema e, a
partir desse diagnóstico, estabelecer ações que visem à melhoria da qualidade
da educação oferecida aos seus alunos em curto espaço de tempo. É ainda
capaz de oferecer um diagnóstico rápido para professores e gestores para que
possam desenvolver ações buscando corrigir as falhas e o que foi apontado
como dificuldade/erro.
Quadro 01: Principais problemas identificados na implementação do
SAERJINHO no âmbito da Regional Centro Sul
Falta de comunicação sobre os reais objetivos do programa
Programa implementado em meio às mudanças na estrutura: Passando de
Coordenadorias para Regionais.
Falta de reunião da direção com toda a sua equipe, professores, pais e alunos
para explicar sobre o programa.
Resistência e Desconfiança dos professores – pois pensavam que o programa
era para avaliá-los.
Greve de professores.
Falta de entendimento da necessidade da avaliação diagnóstica aplicada aos
34
alunos.
Fonte: Elaboração própria
Na seção a seguir será apresentado como os diretores e professores se
sentiram diante da implementação do SAERJINHO; o que pensaram sobre o
sistema de avaliação que estava sendo introduzido na rede estadual com suas
indagações e impressões ao longo do processo de execução.
1.5 SAERJINHO: O que pensam os atores envolvidos na execução
Os dados obtidos através das entrevistas semiestruturadas (em anexo),
que foram aplicados aos diretores de escola, professores, diretora da Regional
Pedagógica e Integrante Grupo de Trabalho
das duas escolas estaduais
selecionadas do município de Vassouras, serão descritos a seguir, texto em
que são apresentados os depoimentos que convergiram para uma mesma
opinião. São destacados também os depoimentos que divergiram, isto é,
apresentaram um novo olhar para o programa. Foi realizada uma primeira
entrevista individual com os diretores em fevereiro de 2012 e, em um segundo
momento, no mês de maio, foi realizada uma entrevista coletiva com as duplas
de diretores de cada escola.
Destacam-se algumas falas pontuais e importantes dos atores
entrevistados. Do universo pesquisado - 14 pessoas -, 11 autorizaram a
publicação do seu nome na pesquisa, 02 preferiram ser identificadas pelas
iniciais e apenas uma solicitou ser identificada por uma letra aleatória do
alfabeto, que no caso será identificada pela letra M.
Foram ouvidos quatro diretores, dez professores, um IGT e a Diretora
Pedagógica da Diretoria Regional Centro Sul. Uma diretora de escola não pôde
participar por estar de licença médica no primeiro momento da entrevista, mas
foi ouvida em um segundo momento; o mesmo ocorreu a outras duas por
estarem ocupadas com serviços administrativos, mas participaram do segundo
momento de entrevista. Dez professores foram ouvidos, sendo dois dos anos
iniciais do Ensino Fundamental. A previsão era haver oito professores, mas
considerei importante ouvir também os atores dos anos iniciais. Quanto aos
35
IGTs, pude apenas ouvir um, pois as outras duas estavam com reuniões
agendadas em outras escolas.
Serão, a seguir, analisadas as falas dos gestores sobre o Programa de
Avaliação Diagnóstica SAERJINHO, implementado em 2011.
1.5.1 A implementação do SAERJINHO na visão dos diretores das escolas
pesquisadas
Analisando o trabalho dos diretores das escolas pesquisadas, foi
observado o tempo, em que eles estão desempenhando esta função na escola.
Dentre
os
diretores
entrevistados,
dois
diretores
das
escolas
pesquisadas estão nessa função há quatro anos e os outros dois, num período
de cinco anos. Estão na função de direção de escola por indicação, pois era o
processo até então para escolha de diretores.
Os diretores ficaram sabendo sobre o SAERJINHO em abril, no primeiro
momento, através do site da SEEDUC, comunicado interno, cartazes e folders.
Aqui observamos uma divergência, pois que 02 gestores alegam que não
houve reunião com a Coordenadoria Centro Sul II (como era chamada até 30
de abril) para explicar sobre o SAERJINHO em abril, e dois disseram que
houve reunião; entretanto, parece que a reunião não aconteceu de fato.
Segundo os diretores das escolas selecionadas, a política de Avaliação
Diagnóstica SAERJINHO foi recebida pelos professores da rede estadual com
certa resistência.
Apesar disso, todos os diretores afirmam que, passado o susto do
primeiro momento, os professores entenderam a proposta. Uma escola
ressaltou que essa foi bem recebida desde o inicio em sua escola, não tendo
problema na implementação. Porém, a comunicação do programa nessa
escola ocorreu somente com os professores de Língua Portuguesa e
Matemática.
A implementação do SAERJINHO em algumas escolas se deu através
de reuniões da direção com os professores, porém, foi observado na entrevista,
que alguns diretores não reuniram todos os professores da Unidade para
conversar e explicar sobre o SAERJINHO. Os que realizaram reunião fizeram
36
somente com os professores de Matemática e Língua Portuguesa, para a
aplicação em junho, através do material disponibilizado pela SEEDUC.
Os diretores afirmaram que conhecem o manual do SAERJINHO, que
ele é completo e disseram que o documento colaborou na compreensão do
programa de avaliação. Interessante observar que quando perguntei aos
gestores se eles conheciam outros materiais de divulgação do SAERJINHO a
grande maioria apontou somente o site da SEEDUC e o manual. Apenas dois
diretores conheciam os cartazes, folders e material enviado pela SEEDUC por
mala direta que foi endereçada a cada professor/diretor da rede estadual do
RJ.
A grande maioria dos diretores percebeu a grande mudança em relação
ao acompanhamento da Coordenadoria Centro Sul (extinta em 30 de abril de
2011) para a nova estrutura, chamada de Diretoria Regional Centro Sul (a partir
de 1º de maio de 2011). Disseram que, com a mudança, houve mais reuniões
para informar sobre o SAERJINHO e que ocorreram com bastante
antecedência - ajudando, assim, na elaboração de estratégias junto com os
professores. Os diretores ressaltaram a grande importância e contribuição da
GIDE através dos IGTs, que contribuíram com acompanhamento bem de perto
de cada escola para que cumprissem as metas estabelecidas, pois com o
planejamento estratégico, cada escola tem suas metas definidas pela
SEEDUC/RJ. Os diretores apontaram que, com a nova estrutura através da
DRP (Diretoria Regional Pedagógica) Centro Sul, houve mais rapidez em
solucionar as dúvidas apresentadas pelas escolas em relação ao SAERJINHO.
Os responsáveis pela implementação do SAERJINHO na escola foram
os diretores em conjunto com os professores. Os IGTs ajudaram no dia da
aplicação nas escolas onde davam plantão. Segundo relato dos professores,
houve espaço na escola para discutirem sobre o programa, tirarem suas
dúvidas, expressarem suas opiniões e insatisfações a partir de reuniões na
escola, principalmente na sala de professores.
As principais dificuldades apontadas pelos diretores na implementação
do SAERJINHO foram: adaptação do professor ao sistema e ao tempo; a
resistência dos professores de outras disciplinas que não são as avaliadas pelo
SAERJINHO; um diretor apontou que fazer o professor entender o sistema foi
mais difícil do que o mesmo com os alunos e a dificuldade no turno da noite
37
com a questão do horário de início e término da avaliação, pois um grande
número de alunos se atrasa no início da aula porque trabalha (e, por isso, o
atraso chega a ser até de quarenta minutos). Quando chega o momento da
saída no noturno há o problema do horário da condução - muitos precisam sair
mais cedo para retornar para suas casas nos distritos de Vassouras, pois o
horário do ônibus não é compatível com o horário de saída da escola.
Outra dificuldade apontada pelos diretores é de que a prova é muito
extensa e o horário é curto para resolver todas as questões; assim, os alunos
reclamam do tempo, alegando que duas horas não é suficiente para resolver
todas as questões e, por isso, deixam muitas delas em branco pela falta de
tempo para resolvê-las.
Quanto à aplicação da prova em abril, junho e setembro, os diretores
afirmaram que no primeiro SAERJINHO havia questões com conteúdos que
não tinham sido trabalhados ainda no bimestre - seriam conteúdos trabalhados
a partir do segundo semestre. No primeiro SAERJINHO, segundo os diretores,
foi proibido divulgar com antecedência as datas para os alunos e, a partir da
segunda aplicação do SAERJINHO, na qual puderam divulgar as datas da
avaliação com antecedência, houve mais compromisso por parte deles em
participar da avaliação.
Os diretores afirmaram que os alunos, durante a primeira aplicação da
prova, também apresentaram algumas resistências, o que foi sanado após a
primeira prova. Com a chegada dos resultados individuais e da turma, os
alunos perceberam a seriedade do sistema de avaliação, que trazia um retorno
para o aluno de suas habilidades, competências e suas dificuldades. O
SAERJINHO mostrou para o aluno a grande importância de estudar e melhorar
o desempenho individual.
Na segunda aplicação houve uma propaganda do sindicato incentivando
os alunos a não participarem da prova e ainda solicitava que colassem o
adesivo do SEEPE nas Provas, o qual dizia “Fora SAERJ”. Tal fato foi
observado pelos gestores de duas escolas de Vassouras que, imediatamente,
conversaram com os alunos e os convenceram de fazerem as avaliações.
As escolas, em sua maioria, realizaram ações para vencer as
dificuldades apresentadas pelos alunos, tais como simulados, aula de reforço
entre outras.
38
Após a disponibilização dos resultados do SAERJINHO, os diretores
disseram que imprimem os resultados e entregam aos professores das áreas
avaliadas e que também divulgam nos murais da escola.
Retornamos às duas escolas selecionadas, no mês de maio de 2012,
para uma conversa sobre a implementação do SAERJINHO e verificação do
papel da direção na implementação desse programa e, ainda, coletar
elementos da gestão que vêm interferindo positivamente nos resultados das
avaliações. Houve uma aplicação do SAERJINHO no final de abril de 2012, a
qual trouxe como novidade a inclusão das disciplinas de Ciências, Física,
Química e Biologia.
Optamos por conversar com as duas diretoras de cada escola juntas (a
diretora geral e a adjunta). Em geral uma fica responsável pelo pedagógico e a
outra fica responsável pela parte administrativa. No CIEP Brizolão 297 Padre
Salésio Schimidt as duas diretoras estão na escola nessas funções há cinco
anos.
Elas acreditam que as avaliações estão deixando de serem vistas como
punitivas por parte dos professores e mostrando ser um diagnóstico
imprescindível para sanar as dificuldades apontadas. Para elas, as avaliações
externas aplicadas nas escolas fazem com que o grupo tenha maior
comprometimento. Quando há cobrança, o grupo precisa mostrar que tem
capacidade para melhorar os índices e apresentar uma resposta rápida à
comunidade à qual pertence.
Nessa escola, os diretores apontam alguns elementos de sua gestão
que para eles fazem um diferencial e justificam a melhoria nos resultados das
avaliações de sua instituição: diálogo com os alunos; trabalho com a
autoestima dos alunos, o que mostra que mudaram no todo, inclusive no
comportamento; conversa com os alunos líderes para conseguir a adesão dos
outros alunos; trabalho com projetos; reuniões pedagógicas com os
professores;
acompanhamento
dos
planejamentos
dos
professores;
atendimento a todos os alunos; abertura da porta da direção, sempre
atendendo a todos; presença constante de uma diretora na escola de 7h às
17h (presença diária que faz a diferença e que permite que possam, assim,
cobrar de funcionários e professores o cumprimento da carga horária);
cobrança dos pais e dos alunos; exigência de bom atendimento por todos os
39
segmentos da escola; realização de reuniões de pais e atendimento individual;
controle de frequência por caderneta e grupo de visitadores para agir, se
houver algum aluno faltando às aulas; trabalho em parceria com o conselho
tutelar e cobrança deste nos casos de alunos em situação de vulnerabilidade,
entre outros; investimento em material pedagógico para os professores; muito
boa localização da sala da direção, pois permite ver a entrada da escola, o
pátio, a circulação interna de alunos, a secretaria da escola e, também,
investimento no sistema de monitoramento por câmeras no pátio, na cozinha,
entrada de banheiros e corredores.
A direção afirma ainda a importância de os diretores circularem nos
espaços escolares, o que fazem cotidianamente. Outros pontos são a
participação dos alunos no Conselho de Classe e o fato de a escola ter um
grêmio estudantil, que ainda está na fase inicial. Outra questão apontada pela
direção é que elas escutam os alunos, ainda que sejam reclamações e
solicitações, elas discutem com eles a viabilidade e resolvem juntos. A dupla de
diretoras tem o seguinte perfil: uma é mais rígida, cobra com firmeza e a outra
faz o contraponto, sendo mais adepta ao diálogo havendo na gestão, assim,
um equilíbrio de forças e um bom relacionamento entre elas, e vêm
apresentando um excelente trabalho junto aos alunos.
As diretoras do CIEP B. 297 Padre Salésio Schimidt afirmam que
disponibilizam máquina para copiarem materiais impressos e não há cotas, o
que facilita a distribuição de materiais para os alunos. Para os alunos que
ganharam notebook no SAERJ, o aceso à internet é liberado pelo sinal da
escola para que possam usar; presença de laboratório de informática;
realização passeios com os alunos quatro vezes ao ano, no qual a alimentação
é por conta da escola; preocupação de não fazer os alunos se sentirem
inferiores.
A escola ainda criou um diário de classe diferenciado onde há
orientações de planejamento; o slogan da escola: “compromisso com a
educação”; há campos para registro de dependência, recuperação paralela,
cumprimento
do
currículo
mínimo
previsto/ministrado,
media
perdidas/recuperadas.
O CIEP B. 297 Padre Salésio Schimidt vem investindo em palestras para
os pais com profissionais específicos sobre o relacionamento entre pais e
40
filhos. Outra questão importante observada reside no comportamento dos
professores, que nunca deixam os alunos sem aula; se algum professor faltar,
sempre há outro que se prontifica a ficar com os alunos. Há sempre divulgação
dos casos de sucesso dos alunos; a existência de um momento de entrada
único em que dão os avisos e rezam; neste este ano os quarenta alunos com
as melhores notas do SAERJINHO vão ganhar um passeio.
As diretoras do CIEP relatam que sempre ficam apreensivas às
vésperas da divulgação do resultado das avaliações e têm a preocupação de
não terem atingido os objetivos traçados. Afirmam que o problema da
educação está nas séries iniciais do Ensino Fundamental, a base está fraca.
Em relação ao SAERJINHO, acham o programa interessante, pois é
uma avaliação imparcial. Os professores ficam com as provas e fazem uma
correção com os alunos e aplicam atividades semelhantes, pois antes havia
alunos que nem sabiam preencher um gabarito. A escola fazia um simulado
organizado pelos professores e, agora com o SAERJINHO, não é mais preciso,
pois ele fornece um diagnóstico de cada turma. Ainda sentem dificuldades para
interpretar os resultados das avaliações e o IGT tem ajudado os diretores
nesse sentido. Os resultados das avaliações servem para acompanhar e
planejar ações para recuperar o aluno com dificuldade.
Segundo as diretoras, a implantação do programa deve ocorrer com
reuniões, pois no início do SAERJINHO foi difícil. As informações chegam
devagar, é preciso que sejam repassadas com antecedência para preparar o
campo e os atores que a executam. Citaram o caso da inclusão de novas
disciplinas em 2012, ficaram sabendo às vésperas da aplicação, que deveria
ter sido informada com antecedência. Acham que a premiação do SAERJ é
positiva, pois levam os alunos a se esforçarem mais. Outro fator que apontam
que ajudou foi a climatização das salas de aula, o que proporcionou uma
melhor concentração e mudança no comportamento dos alunos, acalmando-os.
Segundo os diretores, quando os resultados das avaliações são
disponibilizados no site, ocorrem reuniões com os professores e com os pais e
ainda colocam tais dados nos murais das escolas. Fazem questão de que os
alunos conheçam os resultados. No início, os alunos faziam as provas de
qualquer jeito, hoje já têm mais consciência, fazem com mais seriedade, pois a
41
premiação do SAERJ tem ajudado a melhorar, inclusive, a participação no
SAERJINHO.
No Colégio Estadual Centenário também foram entrevistadas as duas
diretoras juntas nesse segundo contato (a diretora geral e a adjunta). Elas
acreditam que as avaliações estão deixando de ser vistas como punitivas, pois
as servem para verificarem onde os alunos não estão bem e o que a escola
precisa fazer para modificar o quadro apresentado.
Para as diretoras, que estão na direção há quatro anos, o elemento
fundamental para a melhoria da qualidade da educação da escola foi o fato de
a instituição ter sido considerada escola prioritária. Quando assumiram, o
índice de avaliação IDEB estava muito baixo. A partir dos investimentos do
Governo Federal, com os quais os diretores tiveram que fazer um curso de
gestor, oferecido pelo PDE escola onde aprenderam a fazer o plano de ação
para melhorar o IDEB e realizaram projetos com as verbas enviadas.
Quando assumiram, a escola não tinha biblioteca, os livros ficavam
amontoados e ninguém os utilizava. O laboratório de informática estava em um
local em que cabiam, no máximo, dez pessoas. Mudaram o laboratório para
uma sala maior e organizaram um espaço para uma biblioteca. Reconhecem
que ainda é pequeno, mas a escola não tem muitos espaços disponíveis, não
tem quadra nem auditório. O PDE 2008 possibilitou as mudanças na escola e o
Programa Estadual de Gestão na escola ajudou a investir nas disciplinas
prioritárias críticas: a Matemática e a Língua Portuguesa. O Programa de
Desenvolvimento da Educação possibilitou investimento na estrutura física da
escola, com verba federal. Um programa somou ao outro.
Para as duas diretoras, a organização dos espaços favoreceu o trabalho
dos professores. A falta do Coordenador Pedagógico e do Orientador
Educacional traz prejuízos na parte pedagógica, pois as tarefas administrativas
as têm consumido, não restando muito tempo para dar atenção ao pedagógico.
Nessa escola não há uma sistemática de reunião de pais, a fazem quando
acumulam assuntos, mas não seguem os bimestres. A busca de parcerias com
o conselho tutelar e a polícia, para os casos dos alunos que estão dando
trabalho, foi citada, além do fato de haver incentivo à participação dos alunos
nos eventos, projetos e programas e citaram como exemplo o cinema para
todos e os jovens talentos. O aumento no número de alunos premiados no
42
SAERJ foi também colocado, além da divulgação dos casos de sucesso dos
alunos no blog da escola, com faixas e murais. A questão da indisciplina de
alguns alunos é uma questão a ser vencida pela escola; a falta de recursos
humanos nas escolas é um fator que atrapalha a sua gestão. (Diretoras do
Colégio Centenário em entrevista cedida em 18 de maio de 2012).
Apontam que as avaliações externas trouxeram uma pressão para a
escola, pois se sentem pressionados para melhoramento do desempenho dos
alunos e precisam dar conta do currículo mínimo exigido. O problema grave é a
defasagem de conhecimentos que os alunos apresentam.
A GIDE, através do IGT, vem auxiliando-as na interpretação dos
resultados obtidos nas avaliações, verificam se cumpriram as metas
estabelecidas, verificam as médias dos alunos para ver se estão se
recuperando. No início da GIDE o maior desafio foi coletar os dados, mas
agora já se organizaram com fichas de registros.
A dupla de diretores é parceira, embora uma dê mais atenção às
questões pedagógicas e a outra fique por conta das exigências administrativas;
apesar disso, em casos difíceis, se ajudam no cumprimento dos prazos
estabelecidos para entrega dos serviços. Reconhecem que estão dando o
máximo de si para que a escola tenha sucesso, prejudicando muitas vezes a
relação com as suas famílias. Quanto ao corpo docente, elas ressaltam que há
bons professores e que eles trocam informações e experiências, embora não
haja Coordenador Pedagógico. A pressão está levando os professores a
buscarem mais. Há professores que, além de suas atribuições, ajudam muito a
direção pela falta de recursos humanos, levando inclusive serviço para fazer
em casa.
Em relação ao SAERJINHO, citaram as dificuldades de implantação no
primeiro momento, pois tiveram poucas informações. E agora em 2012 se
repete a situação: incluíram novas disciplinas, mas não divulgaram o fato com
antecedência para as escolas. Os professores ficaram preocupados, pois não
tiveram informações sobre o que seria cobrado dos alunos nessas disciplinas.
A escola incentivou a monitoria de alunos e aulas de reforço como meios
para ajudar os alunos com dificuldades. Outra questão que as diretoras
apontaram é que os pais não tem tempo para os seus filhos e que a presença
nas reuniões, quando há, é baixa.
43
As diretoras ressaltam a grande contribuição da IGT para o trabalho
delas na gestão da escola. Para elas, a premiação do SAERJ impacta
positivamente, pois vem estimulando os alunos a estudarem e participarem das
avaliações. Antes, eles faziam as provas sem comprometimento e de qualquer
jeito. Elas irão colocar em prática, este ano, uma proposta de realizar uma
reunião de pais por ano de escolaridade para repassar as informações e
também para parabenizar os alunos que estão melhorando. Ainda não avisam
os alunos o dia da prova; para elas, se avisarem, eles faltariam, pois precisam
ainda amadurecer em relação às avaliações.
Todas as diretoras apontam como grande problema a falta de recursos
humanos suficientes para o trabalho escolar, bem como a necessidade do
coordenador Pedagógico. Outra questão apontada por elas, em relação ao
curso de apropriação dos resultados, é que pelo fato de não terem o
coordenador pedagógico, a SEEDUC/RJ não permitiu que a direção ou um
professor da escola fizesse o curso de apropriação dos resultados. As diretoras
acham imprescindível que os diretores façam esse curso para compreender
melhor os resultados e, consequentemente, adotem estratégias e ações para
sanar as falhas do sistema de ensino, haja vista a dificuldade que elas
reconhecem que têm para interpretar os resultados das avaliações.
Os diretores apontaram que o SAERJINHO contribui para a sua prática
como gestores de escola, pois ajudam na identificação dos problemas e onde
precisam melhorar. A partir dos resultados traçam ações para chegar ao
resultado esperado. Contribui também para a organização pedagógica da
escola, para o comportamento dos alunos diante de uma avaliação externa,
ajuda no desempenho da escola e no interesse do professor. Abaixo
apresentamos um quadro que nos revelam as ações dos diretores das escolas
pesquisadas.
Quadro
02:
Ações
realizadas
pelas
diretoras
das
escolas
pesquisadas na implementação e operacionalização do SAERJINHO
CIEP B. 297 Padre Salésio
Reunião com os professores e pais
CE Centenário
Divulgação dos casos de sucesso da
44
escola
Dialogo com os alunos
A IGT tem ajudado na interpretação
das avaliações
Disponibilização de materiais para os Monitoria de alunos e reforço escolar
professores;
Diponibilização
de
máquina
para Aplicação de simulados
xerocopiar atividades para os alunos
Correção das provas do SAERJINHO,
XXX
que ficam na escola.
Aplicação de simulados
XXX
Divulgação dos casos de sucesso da
XXX
escola
Fonte: elaboração própria
A seguir será exposto o que os professores entrevistados disseram a
respeito do SAERJINHO.
1.5.2 A implementação do SAERJINHO na visão dos professores
Foi observado no grupo de professores que a experiência como
professores e tempo de serviço na rede estadual variam de três anos até 26
anos de magistério.
Foram ouvidos dez professores sendo oito do Ensino Médio e Anos
Finais do Ensino Fundamental e dois dos Anos iniciais do Ensino Fundamental.
Os professores disseram que ficaram sabendo do SAERJINHO através
de reunião com os diretores na escola, pelo site da SEEDUC e informações
passadas pela direção.
Para a maioria dos professores, essa ação foi vista inicialmente com
insegurança, pois não sabiam o que a SEEDUC estava esperando deles.
Chegaram a pensar que o SAERJINHO também era para avaliar o professor.
Com a continuidade da aplicação do SAERJINHO, puderam perceber que a
avaliação diagnóstica vem ajudando no processo de aprendizagem dos alunos
e também contribuído para melhorar suas aulas.
45
Segundo os professores entrevistados, a implementação da política se
deu através de reuniões dos diretores com os professores das áreas avaliadas
ou por atendimentos individuais em que o diretor conversava com cada
professor envolvido.
Pode-se constatar que, tanto na fala dos Diretores, quanto na fala dos
professores, que não houve um momento de reunião geral com todos os
professores da Unidade Escolar para apresentar o SAERJINHO. Também não
houve reunião com os pais ou mesmo com os alunos para explicar o
SAERJINHO.
Os diretores apontam que há grupos de professores que ainda resistem
ao SAERJINHO nas escolas. Para os diretores, houve espaço nas escolas
onde puderam conversar para tirarem as dúvidas, colocarem as insatisfações e
as dificuldades com o programa.
Das dificuldades apresentadas, a que nos chamou atenção foi o relato
de uma professora, confirmado por outra docente da mesma escola, em que
afirma que elas não possuem material algum para trabalhar junto aos alunos
(nesse caso, por questões éticas, os nomes não serão revelados). Disseram
que para conseguirem fazer o simulado com as questões para os alunos
tiveram que comprar folhas e imprimir em casa. Afirmam que na escola existe
uma máquina copiadora, mas é muito difícil de conseguirem tirar cópias ali.
Outras dificuldades apresentadas foram em relação ao tempo da prova.
Os professores também relataram que duas horas é muito pouco tempo para
os alunos resolverem cinquenta e duas questões. Outro aspecto levantado foi a
dificuldade de convencer os alunos a fazerem as provas. No primeiro
SAERJINHO não houve tempo para preparar os alunos; houve dificuldade em
fazer com que o aluno compreendesse a importância dessa avaliação. Outra
dificuldade relatada pelas professoras dos anos iniciais do E.F. foi que, no
primeiro bimestre, foram cobrados na prova conteúdos que só seriam dados no
segundo bimestre. A alternância das questões de Língua Portuguesa e
Matemática na terceira edição trouxe certa dificuldade para os alunos. Segundo
os professores, o fato de a prova ter questões misturadas ao invés de trazer as
questões por bloco de disciplina provocou nos alunos problemas na execução
da prova, e eles não gostaram dessa nova organização. Os alunos faziam uma
46
questão de Língua Portuguesa e em seguida tinham que fazer uma de
Matemática.
Os professores reconhecem a importância dessa avaliação para
proporcionar uma melhora na aprendizagem dos alunos. Para a Professora do
CIEP B. 297 Padre Salésio Schimidt “O SAERJINHO é mais um ferramenta
que ajuda na autoavaliação do professor e também do aluno” (R. M. F. G.,
entrevista cedida no dia 10 de fevereiro de 2012).
Para a professora do C.E. Centenário “O SAERJINHO melhora o
resultado dos alunos. Primeiro porque prepara para o SAERJ e também como
uma avaliação dentro do que o mercado espera. Os alunos viram que na
avaliação o resultado sai individual e por isso tem o cuidado em fazer as
questões” (SÔNIA REGINA PAULUCCI SIMÕES, entrevista cedida no dia 09
de fevereiro de 2012).
Quando perguntados sobre as aplicações em abril, junho e setembro e
sobre a questão da postagem dos gabaritos pelos professores no site, foi
possível observar que nas duas escolas os diretores não repassaram para os
professores as informações transmitidas pela Diretoria Regional sobre a
mudança na postagem dos gabaritos. No primeiro momento do SAERJINHO, o
professor tinha que corrigir a avaliação aplicada e postar os quatro gabaritos
referentes aos quatro tipos de provas. Na segunda versão, o professor tinha
que corrigir e postar apenas um gabarito. Já na terceira versão foi colocado
que seria opcional para o professor, ele poderia postar ou não o gabarito. Outro
fato que também chamou a atenção é que alguns professores não conheciam a
Portaria SEEDUC nº 1742 sobre o sistema de avaliação do estado. Também há
casos de professores que ainda não tiveram acesso os resultados da escola,
da turma e dos alunos. Esse fato é uma questão problemática na gestão da
escola, pois levanta a questão de como os professores podem traçar ações
para melhorar não sabendo os resultados das turmas, nem dos alunos. Ao
conversar com os professores sobre o Banco de Itens foi possível observar que
muitos professores o desconhecem e/ou mesmo nunca acessaram o site. Os
2
Portaria SEEDUC/RJ nº 174 de 26/08/2011 que estabelece normas de avaliação do
desempenho escolar da rede estadual e determina que o SAERJINHO seja considerado como
um dos instrumentos de avaliação do bimestre.
47
professores apontaram que o SAERJINHO trouxe um amadurecimento para os
alunos em relação à avaliação e vem conscientizando os alunos para
estudarem mais.
Segundo os professores, no início, os alunos resistiram um pouco, mas
com a divulgação dos resultados individuais e as conversas dos professores
eles entenderam a importância da avaliação. Segundo os professores
entrevistados que trabalham nos anos iniciais do Ensino Fundamental, os
alunos desse segmento se sentem honrados em fazer a avaliação. Eles dão
importância à prova e não faltam. Houve o caso de um aluno que quebrou o
braço, mas quis ir fazer mesmo assim. A aplicadora teve permissão de
assinalar para o aluno a alternativa que ele apontava como a certa.
As ações apontadas pelos professores são: a inclusão dos simulados;
aula de reforço no contra turno; oportunidade de refazer as provas refletindo
sobre as causas dos erros; reuniões com os alunos, com os pais; revisão dos
conteúdos e adequação das avaliações. Uma professora relatou que observou
alunos que não conseguiam um bom resultado nas provas dissertativas que
aplicava e que estes se saíram bem nas provas do SAERJINHO, nas quais se
exige a habilidade de interpretação. Diante disso, ela passou a mesclar, em
sua sala, provas com vários tipos de questões. As duas professoras dos Anos
Iniciais do ensino Fundamental criaram um projeto no qual os alunos têm uma
pasta e recebem a cada dia, no início da aula, uma folha (cada dia de uma cor)
com até cinco questões para resolverem como se estivessem fazendo o
SAERJINHO, em silêncio e individualmente. Após o tempo estabelecido há a
correção e uma reflexão de o porquê de terem escolhido aquele caminho e
errado ou acertado. Essa sistematização proporcionou melhorias nos
resultados das duas turmas envolvidas e trouxe um amadurecimento dos
alunos sobre a importância da realização da avaliação diagnóstica.
Os
professores
afirmam
que
houve
melhoras
significativas
na
aprendizagem dos alunos, pois uma vez que o relatório aponta as dificuldades,
são estabelecidas ações corretivas. Em algumas turmas o efeito é maior e em
outras ainda precisa melhorar.
Quando perguntados pela avaliação pessoal sobre o SAERJINHO e a
sua importância para sua prática como professores, afirmam que a avaliação
dá um retorno rápido para que possam identificar as falhas.
48
Para uma professora do CIEP Brizolão 297 Padre Salésio Schimidt “O
SAERJINHO é um instrumento que eu uso para avaliar o aluno e a minha
postura como professora e assim consigo dar mais importância aos conteúdos
relevantes” (L.B.C.R., entrevista cedida no dia 10 de fevereiro de 2012). Já a
professora do C.E. Centenário “Gosto do SAERJINHO, porque os alunos ficam
mais habilitados para este tipo de prova. Antes deixavam questões em branco
e agora viram que não podem deixar em branco, pois acabam se prejudicando”
(SÔNIA REGINA PAULUCCI SIMÕES, entrevista cedida no dia 09 de fevereiro
de 2012). Para outra professora da mesma escola “Tem que melhorar o ensino
estadual, mas também tem que dar condições, não adianta espremer o
professor se não dão condições” (M., entrevista cedida no dia 09 de fevereiro
de 2012).
A seguir veremos a visão do IGT sobre o SAERJINHO na rede estadual
do RJ.
1.5.3 A implementação do SAERJINHO na visão IGT
Só foi possível entrevistar apenas um dos IGTs, sendo que as outras
duas IGTs estavam com reuniões agendadas nas escolas, o que impossibilitou
o contato. Em uma tentativa posterior, encaminhei por e-mail uma solicitação
para que respondessem as questões, pois não tinha sido possível o encontro
presencial. Infelizmente não obtive resposta de nenhuma das duas IGTs.
O IGT Leonardo dos Santos Araújo está na função há sete meses. Em
abril ainda era professor e ficou sabendo do SAERJINHO através de reunião
da escola em que explicaram quais as turmas fariam as provas. Reconhece
que a política não foi muito bem aceita no início, mas que acredita que a
maioria dos professores não teve problemas em executar a proposta.
A grande maioria das escolas que conhece teve uma ótima implantação
do SAERJINHO. Ele conhece o manual e o acha completo, porém, afirma que
a grande maioria dos diretores não sabe o que fazer com os resultados. O IGT
ressalta: “Tenho feito este trabalho com os diretores, pois ele só vê o resultado
da sua escola como um todo, não analisa as partes e não compara os
resultados” (LEONARDO DOS SANTOS ARAÚJO, entrevista cedida no dia 08
de fevereiro de 2012).
49
Na percepção do IGT, a Diretoria Regional Centro Sul teve um papel
fundamental no SAERJINHO, pois houve casos de escolas em que alguns dos
professores se recusaram a aplicar as provas, e a regional interveio com ações
pontuais de sua equipe, o que fez com que tudo desse certo. Acredita que a
resistência por parte dos professores vem diminuindo com o tempo e afirma
que houve reuniões com os diretores para sanar as dúvidas.
O IGT apresentou como uma das dificuldades os professores mais
radicais que queriam impedir a realização da avaliação. Para ele, houve
melhoras no rendimento dos alunos apesar de algumas escolas ainda não
terem conseguido atingir a meta no Ensino Fundamental, para ele isso é um
processo lento.
A aplicação do SAERJINHO nas três versões mudou a percepção dos
professores, pois os resultados permitem analisar a situação de aluno por
aluno. Na sua avaliação “o SAERJINHO é uma ferramenta magnífica
exatamente por poder comparar na habilidade e competência num espaço
posterior e ver que o trabalho rendeu.” Na prática como IGT o SAERJINHO
contribui para traçar metas. “Ficam estabelecidas as metas e os professores se
movimentam para alcançar juntamente com os alunos.” (LEONARDO DOS
SANTOS ARAÚJO, entrevista cedida no dia 08 de fevereiro de 2012).
Em seguida veremos como a Diretora da Regional Pedagógica Centro
Sul, avalia a implementação do SAERJINHO no âmbito de sua regional.
1.5.4 A implementação do SAERJINHO na visão da Diretora da Regional
Pedagógica Centro Sul
No dia dezessete de fevereiro foi entrevistada a Diretora da Diretoria
Regional Pedagógica Centro Sul, professora Janete Fortes Lopes, que
gentilmente contribuiu respondendo as questões apresentadas.
Ela está na rede estadual há dezoito anos e atualmente está, já há oito
meses, na função de Diretora Regional. Antes de assumir essa função,
trabalhou por dois anos na Equipe da Gerência de Ensino na antiga
Coordenadoria Regional Metropolitana, na função de assistente. Ficou sabendo
do SAERJINHO através de documentos internos da SEEDUC e reuniões. Na
região onde trabalhava, o SAERJINHO foi visto como um serviço a mais e por
50
isso teve muita resistência dos professores. A equipe da SEEDUC fez, então,
uma reunião com diretores e coordenadores para explicar a importância do
programa na rede, para que tivessem um melhor diagnóstico de suas escolas.
A entrevistada conhece o Manual do SAERJINHO e acha que este deveria
fazer um estudo mais detalhado para os professores e coordenadores.
Segundo a Diretora da Regional, “Fazer a avaliação é bom, mas o que falta na
verdade é as pessoas entenderem a avaliação e seus resultados” (Janete
Fortes Lopes, entrevista cedida no dia dezessete de fevereiro de 2012).
Conhece outros materiais de divulgação do SAERJINHO tais como site,
reportagens, panfletos e outros.
A nova Diretoria Regional Centro Sul assumiu após as ações da
primeira e segunda aplicação do SAERJINHO. Segundo a Diretora, “foi
interessante, pois eu vim para cá e trouxe os parabéns do Secretário de
Educação. Esta regional havia aplicado em 100% de suas escolas e a rede
estadual estava feliz com este feito num momento tão difícil como a greve. Sei
que foi bastante trabalhoso nesse período e as pessoas que aqui estavam
encararam a resistência dos professores de frente. Foi uma luta bem árdua,
porém conseguiram êxito” (JANETE FORTES LOPES, entrevista cedida no dia
dezessete de fevereiro de 2012).
No terceiro SAERJINHO ela pôde vivenciar e participar de todo o
processo de organização e aplicação. Segundo a diretora, a resistência já era
bem menor, e precisou atuar apenas no município de Valença-RJ em uma
determinada escola, onde o diretor também era contrário ao programa. Nesta
escola a aplicação ficou sob a responsabilidade dos IGTs e da Assessora da
Equipe de avaliação e acompanhamento das escolas (Inspetores escolares).
Segundo a Diretora, a Regional cumpriu mais uma vez o seu papel de
levar informações aos diretores. O fato de a Regional ter realizado, em agosto,
quatro reuniões (oficinas) do Currículo Mínimo com os professores,
proporcionou uma reflexão a respeito desse documento e fortaleceu a
importância do SAERJ e do SAERJINHO.
Para ela o SAERJINHO atua na melhoria do desempenho do aluno e
este passa a ter outro entendimento sobre esse tipo de avaliação. Pesquisa
realizada pela SEEDUC e publicada no site da Secretaria no dia treze de
51
fevereiro de 2012 aponta que o SAERJINHO é um programa com avaliação
positiva na rede.3
Os resultados serão apresentados em março para as Unidades
Escolares, porém, como Diretora Regional, a entrevistada teve acesso aos
dados e ficou muito satisfeita, pois a Regional oscila entre o segundo e quinto
lugares, dependendo da modalidade. A preocupação está no segmento do EJA
(Ensino de Jovens e Adultos); já foi feito o diagnóstico e ações estão sendo
propostas para serem desenvolvidas em 2012, pois esta modalidade precisa de
uma atenção diferenciada em virtude da clientela atendida no noturno:
normalmente são alunos com um histórico de reprovações e abandonos que
voltam estudar apesar de já estarem trabalhando durante o dia.
Na avaliação pessoal a Diretora afirma que gosta do programa, pois
permite que os professores trabalhem focados e o diagnóstico que ele fornece
é importante para traçar estratégias. “O SAERJINHO é este instrumento que dá
o retorno para todos nós”. (JANETE FORTES LOPES, entrevista cedida no dia
dezessete de fevereiro de 2012).
Como Diretora da DRP Centro Sul, teve ajuda do SAERJINHO na
percepção do envolvimento dos diretores de escolas junto a seus alunos na
aplicação da terceira avaliação. O Sistema de Avaliação Diagnóstica
proporcionou para ela uma reflexão sobre as responsabilidades dos diretores e
professores na questão de ofertar um bom ensino. O aluno entra na escola e
precisa sair dali com bons resultados, caso contrário será reprovado ano após
ano, aumentando os indicadores de distorção idade-série.
Segundo a Diretora da Regional Pedagógica Centro Sul,
É preciso orientar os atores envolvidos, pois muitos têm medo
de saber e encarar o resultado de sua escola. Temos que
desmistificar o diagnóstico que alguns acreditam que é ruim. O
diagnóstico é para tratar e melhorar. É impossível que o aluno
passe o ano inteiro dentro de uma escola e não tenha um bom
rendimento. (JANETE FORTES LOPES, entrevista cedida no
dia dezessete de fevereiro de 2012).
3
Pesquisa realizada pelo Instituto Mapear para a SEEDUC/RJ e divulgada através do site
www.seeduc.rj.gov.br acesso em fevereiro de 2012.
52
1.5.5 Resultados sobre a implementação do SAERJINHO
Após os relatos dos atores envolvidos foi possível constatar que houve
compreensão por parte dos diretores sobre o papel do SAERJINHO, mesmo
que no início tenha sido confuso. Detectamos que os professores conhecem o
programa, porém faltam alguns conhecimentos e informações para serem
passadas aos mesmos, tais como o Banco de Itens e a Portaria nº 174, sobre
avaliação do ensino da rede estadual, publicada em agosto de 2011. Foi
observado que alguns diretores não entregaram os resultados das avaliações
da escola, turma e alunos para os professores. Há, então, aqui, um problema
de comunicação e de gestão que dificulta o entendimento do programa.
O programa foi implementado em 2011, porém, cada escola o realizou
de forma diferente. Essa diferença ficou evidente através do perfil do diretor de
cada escola (observado na entrevista) e, assim, este deu ao SAERJINHO
status de acordo com a sua visão de gestão. Por isso houve algumas falhas de
comunicação
dos
diretores
com
os
professores
sobre
o
Programa
SAERJINHO.
Através das entrevistas, constatamos que algumas escolas estão
realizando várias ações para melhorar seus resultados. O programa tem
proporcionado aos Diretores e professores reflexão e mudança no seu
planejamento e na postura frente às avaliações.
Há algumas evidências de melhorias dos resultados obtidos nas
avaliações diagnósticas a partir de alguns documentos coletados, porém será
preciso analisar tal questão levando em conta os resultados obtidos ao longo
das aplicações do SAERJINHO.
Há a necessidade de os diretores compreenderem a importância de
fazerem reuniões para apresentar resultados para todos os professores da
escola e discutirem possíveis caminhos para a superação das dificuldades. Há
diretores que não estão mostrando os resultados de sua escola para os
professores e estes não tiveram acesso aos resultados da turma ou individual
dos alunos. Este fato foi detectado na entrevista com os professores.
Entendemos que, isso atrapalha o desenvolvimento do projeto na escola e
dificulta a verificação pelos professores acerca de dificuldades dos alunos.
53
Também há uma necessidade de divulgar a utilização do Banco de Itens
pelos professores das escolas, para que eles possam utilizá-lo escolhendo
questões para serem resolvidas pelos alunos em sala de aula.
Os professores disseram que os alunos, na sua maioria, chegam às
escolas sem sonhos e perspectivas de cursar uma Universidade e que eles têm
trabalhado junto aos alunos mostrando as oportunidades nos dias de hoje. A
escola precisa investir e mostrar que é possível buscar outros caminhos para a
vida do aluno.
Outra questão importante a ser trabalhada pelo conjunto de professores
e gestores é o significado e o papel dos IGTs (Integrante do grupo de Trabalho)
e da GIDE (Gestão integrada da Escola).
Não é possível desenvolver ações para a melhoria da educação sem o
envolvimento de todos os atores da escola. Este é um desafio e necessidade
das escolas para alcançar melhorias. Sem a participação e o envolvimento de
todos nos processos e projetos da escola, é impossível obter resultados
satisfatórios.
Quadro 03: Resumo dos principais problemas na implementação do
SAERJINHO identificados nas entrevistas
Resistencia dos professores
Falta de entendimento da proposta do programa
Falta de comunicação
Falta de divulgação do programa para professores, alunos, pais
Falta de preparo dos diretores
Tempo insuficiente para a realização das provas
Demora na divulgação dos resultados no bimestre
Falta de conhecimento dos resultados para que se possa estabelecer ações
corretivas
Fonte: elaboração própria
O SAERJINHO tem ajudado no diagnóstico, mas sozinho não traz
modificações na qualidade da educação.
54
2 AVALIAÇÃO DIAGNÓSTICA E O PAPEL DO DIRETOR ESCOLAR NA SUA
IMPLEMENTAÇÃO
Neste segundo capítulo será apresentada uma análise sobre o
SAERJINHO: programa de avaliação diagnóstica implementado do estado do
Rio de Janeiro em 2011 e o papel do diretor na sua implementação. Na seção
um, apresenta-se a expansão do sistema de avaliação nas escolas brasileiras,
como avaliações externas ou diagnósticas que reforçam a importância de
planejamento e ações por parte dos Sistemas educacionais brasileiros para
verificar o desempenho escolar de seus alunos e desenvolver ações para
cumprir as metas estabelecidas no IDEB, garantindo assim um ensino de
qualidade em cada sistema/escola. Apresenta-se uma reflexão a partir da
leitura de alguns estudos relacionados ao tema, confrontando-os com os dados
coletados nas entrevistas realizadas nas duas escolas pesquisadas. Na seção
dois, apresenta-se uma análise em torno do SAERJINHO, com seus desafios e
contribuições para diagnosticar o sistema Educacional do estado Rio de
Janeiro e seu objetivo de incentivar a busca por melhoria da educação da rede
estadual. Na seção três verificar-se-á o papel do diretor na implementação de
política de avaliação e na formulação de ações para sanar as dificuldades
encontradas ao longo do processo de implementação. Na seção quatro se
darão a apresentação e análise dos dados coletados na pesquisa. Diante do
caso descrito no capítulo um, pude observar que há risco de fracasso no caso
de políticas que são implementadas no âmbito escolar sem a adesão dos
diretores e professores. Conforme se pode observar nas escolas pesquisadas,
a não adesão dos professores para aplicação da avaliação do SAERJINHO
causou diversos transtornos, o que impediu que a primeira aplicação do teste
atingisse 100% dos alunos. Cabe ao diretor de escola transmitir ao seu corpo
docente e discente as informações que recebe através de reuniões com as
Regionais, o que só aconteceu a partir de junho de 2011, momento da segunda
aplicação do SAERJINHO. Nessas reuniões são repassadas as orientações
sobre a aplicação do SAERJINHO, para que o diretor sensibilize e envolva toda
a comunidade educativa sobre a importância de avaliar os alunos. No caso do
SAERJINHO, inicialmente não foram realizadas reuniões para sensibilização e
orientação com os atores envolvidos para a implementação do programa na
55
rede. Foi constatado que em abril de 2011, momento de sua implementação,
não houve um momento de apresentação da política e de seus objetivos junto
à rede educacional estadual, pois houve a extinção das Coordenadorias
Regionais.
2.1 Os sistemas de avaliação a partir da década de 1990 e sua importância
na atualidade
Para compreender a importância do processo de avaliação nos Sistemas
de Ensino nos dias de hoje, é apresentado um breve histórico da
implementação da Avaliação externa no Brasil e sua importância na definição
de políticas e ações na superação das dificuldades encontradas no ensino. As
avaliações constituem-se um instrumento crucial para a melhoria das práticas
escolares, para o planejamento pedagógico e da gestão escolar.
Segundo Bonamino (2002) o ponto de partida para a compreensão da
política de avaliação atual ocorre a partir dos anos 1980, momento em que o
Brasil passava pelo processo de redemocratização do país e da busca pela
democratização das gestões públicas. Dentro dessa lógica de mudanças, que
atingiu aquelas no âmbito educacional, outro fator importante foi o
reconhecimento da inexistência de estudos e diagnósticos que revelassem a
qualidade da educação oferecida e o desempenho dos alunos.
Para Ferreira e Oliveira (2002, p.15), a política de descentralização criou
a necessidade de controle dos resultados e, assim, a medida encontrada foi à
institucionalização do sistema de avaliação em larga escala. Assim, a
Educação Básica e o Ensino Superior passam a conviver com as avaliações
sistemáticas, cujos mecanismos classificatórios instituíram uma cultura de
concorrência nas escolas. Houve uma tendência global do fortalecimento de
um estado regulador e avaliador. A política de descentralização ocorre quando
a União e o Estado transferem recursos para implementação de seu projeto
politico pedagógico e suas ações pedagógicas (projetos federais ou estaduais)
e para a sua manutenção (recursos para a merenda escolar e pequenos
reparos).
A Conferência de Jontien, realizada em março de 1990 na Tailândia,
aprovou um documento oficial para os países participantes em que definiu a
56
educação fundamental como prioridade da década e estabeleceu, no artigo 3º,
“a urgência em melhorar a qualidade da educação e, associada a ela, no artigo
4º, a necessidade de implementar sistemas de avaliação do desempenho dos
alunos.” BONAMINO (2002, p.60).
A conferência de Jontien foi uma reunião entre vários países que se
reuniram na Tailândia para pensar sobre a educação fundamental.
O Brasil, a partir de 1990, estabelece um sistema de avaliação nacional
para verificar o desempenho de seus alunos, impulsionado pelos sistemas de
avaliação implantados em alguns países com ideias que, através da
globalização, são disseminadas pelos meios acadêmicos e chegam aos
governos como meio para averiguar os resultados dos alunos e dos
investimentos em educação.
Segundo Nigel Brooke (2008, p.395), “vivemos num mundo globalizado
onde há circulação de ideias livremente”. As ideias educacionais surgem de
acordo com o contexto histórico de cada época, assim, as reformas da década
de 1990 apontam para o momento em que a avaliação externa ganha espaço
entre os países da América Latina, em outros continentes e chegam ao Brasil
com a necessidade de avaliar a rede educacional.
A partir da década de 1990, torna-se crescente no cenário nacional e
internacional a necessidade da avaliação da educação e a sua importância
para os gestores dos sistemas de ensino para identificar os problemas
educacionais de sua rede e estabelecerem metas e ações para sanar os
problemas detectados.
O SAEB foi uma das primeiras ações do Brasil para a implantação de
um sistema de avaliação, implementado na década de 1990, cujo principal
objetivo era o de estabelecer subsídios para a formulação de políticas públicas
educacionais voltadas para a qualidade e a equidade. O SAEB utiliza dois tipos
de instrumentos cognitivos e contextuais, para verificar a qualidade do ensino
fundamental e médio ofertado pelas redes pública e privada.
Segundo Luck,(2012),
A avaliação institucional está a serviço da gestão escolar, uma
vez que esta se constitui no trabalho de organização,
orientação e mobilização de esforços e recursos escolares para
promover o trabalho educacional com a máxima efetividade
57
possível, como condição para que os alunos tenham
experiências escolares de qualidade, que lhes permitam
desenvolver competências múltiplas necessárias para o
enfrentamento dos desafios da vida. (LUCK, 2012, p.28).
Segundo site do MEC (Ministério da Educação e Cultura), os sistemas
de avaliação são processos intencionais e sistemáticos de obtenção e análise
de informações sobre a realidade a que se referem, buscando elementos que
possibilitem uma intervenção consciente do gestor e do professor para alcançar
a melhoria da educação. A avaliação vem sendo atualmente reconhecida pelos
gestores como instrumento necessário à melhoria da qualidade do ensino, pois
avaliar o sistema de ensino, seja estadual ou municipal, possibilita uma tomada
de decisão no sentido de intervir na realidade revelada.4
A LDB Lei 9394/96 (BRASIL, 1996) atribui à União a tarefa de assegurar
a avaliação nacional do rendimento escolar, em colaboração com estados e
municípios, tendo em vista a definição de prioridades educacionais e melhoria
do ensino. A legislação define a melhoria educacional como um dos objetivos
da avaliação nacional.
A avaliação nacional ajuda os gestores e educadores na priorização de
políticas e práticas que contribuam para a melhoria do ensino, no desempenho
escolar dos alunos, mostrando as habilidades desenvolvidas, o conhecimento
de temas e assuntos, além das dificuldades.
A Prova Brasil, implementada em 2005 pelo governo federal, passou a
verificar o desempenho dos alunos por unidade escolar, apresentando as
habilidades desenvolvidas pelos examinados. Oferece a cada escola a
possibilidade de comparar o seu resultado com os resultados do país, estado e
município, a partir dos quais ela pode verificar a eficácia de seu planejamento.
Podemos verificar que a avaliação dos sistemas de ensino no Brasil
passa a ter um papel importante no direcionamento de ações dos gestores
públicos, destinando assim orçamento para realizar contratos com instituições
especializadas em avaliação, conforme veremos no trecho a seguir.
Segundo Bonamino (2012),
Nesse novo contexto a avaliação, tornou-se um componente
político central que interage e se articula de maneira especifica
4
www.mec.gov.br acesso em janeiro de 2012
58
com os demais aspectos da política educacional. Para cumprir
este papel, a avaliação deixa de ser de ser uma tarefa
periférica, desenvolvida por professores e estudada por
acadêmicos, para se transformar numa atividade profissional
sistêmica e de longo alcance. Passa a ser legalmente
chancelada e institucionalizada que passa a contar com
órgãos, profissionais e orçamentos próprios. (BONAMINO,
2012, p.65)
O IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) tem a
intenção de mostrar um retrato da educação do nosso país à sociedade. Seu
objetivo é o de medir o desenvolvimento educacional do Brasil e nos permitir a
formulação de políticas públicas de educação e estratégias pedagógicas
eficazes e equitativas (MEC, 2011).
O IDEB é um instrumento de avaliação e de acompanhamento para o
alcance das metas educacionais fixadas pelo país. É resultado da combinação
de dois indicadores: Fluxo (Taxa média de aprovação dos alunos do 5º e 9º
anos do Ensino Fundamental) e Desempenho (Pontuação média dos alunos
em exames padronizados ao fim de uma determinada etapa da educação
básica - 5º e 9º anos do Ensino Fundamental).
Nas duas últimas décadas assistimos a um processo de universalização
do acesso à educação fundamental no Brasil, porém, os sistemas educacionais
ainda apresentam problemas tais como baixo rendimento, altas taxas de
reprovação e evasão. Por isso, a avaliação externa nacional, aplicada nos
sistemas públicos de ensino, tem atualmente forçado os governos estaduais e
municipais à implementação de políticas que interfiram e garantam a qualidade
na educação pública oferecida.
Para que um sistema educacional atinja a qualidade na educação será
preciso estabelecer metas e ações combinadas para que de fato obtenha
sucesso. Podemos elencar algumas ações que efetivadas colaboram na
qualidade da educação, são elas: garantir formação para professores e
diretores; promover aulas de reforço para os alunos com dificuldades no
processo educacional; valorizar profissionais e diminuir as taxas de evasão,
reprovação e abandono, buscando as causas e combatendo com ações
efetivas e monitoramento constante dos resultados de rendimento dos alunos.
Precisamos de um maior envolvimento dos profissionais da educação
no sentido de entender o momento histórico que vivemos e a necessidade de
59
compreender o papel e a importância dos sistemas de avaliação que apontam
os resultados do sistema educacional brasileiro com suas falhas, mas também
têm apontado escolas que vêm obtendo sucesso nessas avaliações. Os
gestores, diretores e professores precisam traçar ações conjuntas para
alcançar as metas e melhorar o ensino público.
Segundo Filho (2007, p.06), o Brasil conseguiu aumentar os dados
referentes à frequência escolar em todos os níveis. O grande desafio está em
melhorar a qualidade da educação que é oferecida na rede pública, pois
resultados de avaliações internacionais, tais como o PISA (Programme for
International Student Assessment), revelam que o desempenho de nossos
alunos é inferior em relação ao que se espera e em relação a outros países.
Segundo o INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas
Educacionais Anísio Teixeira), o PISA é um Programa Internacional de
Avaliação dos Alunos do Ensino Médio. É coordenado pela OCDE
(organização para cooperação e desenvolvimento econômico) e foi aplicado
pela primeira vez no ano de 2000, avaliando as áreas de Língua Portuguesa,
Matemática e Ciências. É aplicado a cada três anos nos países participantes,
e tem objetivo de ajudar os países a melhorarem as suas políticas
educacionais, com vistas a obterem resultados satisfatórios. A cada ano traz
uma ênfase maior numa das áreas avaliadas. Segundo o site do INEP5,
O objetivo do Pisa é produzir indicadores que contribuam para
a discussão da qualidade da educação nos países
participantes, de modo a subsidiar políticas de melhoria do
ensino básico. A avaliação procura verificar até que ponto as
escolas de cada país participante estão preparando seus
jovens para exercer o papel de cidadãos na sociedade
contemporânea. (INEP, 2012).
Os resultados dessa avaliação podem ser utilizados pelas autoridades
educacionais na definição de políticas públicas que visem a uma educação de
qualidade e melhoria nas condições de vida de seus jovens.
Em 2009 a China (Xangai) obteve o primeiro lugar em Leitura,
Matemática e Ciências. O Brasil ficou no 49º lugar em Leitura, no 53º em
Matemática e 49º em Ciências em relação aos países participantes do PISA,
5
Disponível em http://portal.inep.gov.br acesso em setembro de 2012.
60
revelando a necessidade de melhorias urgentes na qualidade do sistema
educacional brasileiro. (INEP, 2012).6
Segundo Demo (2007 apud Arruda e Noronha 2009, p.5), dentre as
várias definições que possam ser encontradas para a expressão “qualidade
educacional” o autor destaca que:
Educação de qualidade é aquela que se destina a desenvolver
um sujeito histórico, crítico e criativo. Nesse sentido, um
sistema de avaliação que se proponha a mensurar a qualidade
da educação significa também segundo Demo (2007),
preocupar-se com as condições de infraestrutura disponíveis
nas escolas e aponta a importância da formação dos
professores. A valorização do professor representa uma
estratégia principal da educação qualitativa. O professor
competente a socialmente satisfeito é a melhor motivação para
a qualidade. (ARRUDA E NORONHA, 2009)
Portanto, podemos verificar que, ao falarmos de qualidade, precisamos
levar em conta os fatores como a infraestrutura oferecida pela escola, a
formação dos seus professores e o grau de satisfação desses profissionais. O
gestor público não pode pensar apenas nos resultados obtidos no desempenho
dos alunos no processo de ensino aprendizagem sem levar em consideração
outros fatores que interferem, sejam os já citados anteriormente, seja a análise
da condição social de seus alunos, ou ainda o acesso aos bens culturais e o
local onde a escola está localizada.
Outro fator que vem sendo destacado pelos estudiosos é a questão da
gestão democrática na escola como eixo desencadeador de participação dos
atores envolvidos e uma maior responsabilização na questão educacional.
Segundo Silva (2010, p.5), a concepção de modernização da gestão
vem sendo introduzida no âmbito das reformas educacionais como uma
estratégia fundamental para garantir o sucesso escolar. A gestão baseada nos
resultados e nos indicadores de desempenho constitui-se um fator crucial da
modernização da gestão educativa com a descentralização e participação dos
atores envolvidos.
O governo do Rio de Janeiro, ao introduzir na sua rede de escolas o
SAERJINHO, sistema de avaliação diagnóstica, tem procurado, através de
6
Disponível em http://portal.inep.gov.br acesso em setembro de 2012.
61
diversas ações do Planejamento Estratégico, melhorar a infraestrutura das
escolas; tem investido na formação dos professores com a oferta de diversos
cursos e vem investindo na melhoria salarial, além de outros benefícios. Para
pensar em bons resultados em uma rede escolar o gestor público precisa ter
uma olhar de 360º e procurar resolver as pendências e insatisfações
acumuladas por décadas.
Na próxima seção será apresentado o SAERJINHO como um
instrumento de avaliação utilizado pela SEEDUC-RJ para monitorar o
desempenho escolar de sua rede ao longo do ano letivo.
2.2 SAERJINHO: um instrumento de avaliação e monitoramento do
desempenho escolar
Em 2012, após um ano da implementação do SAERJINHO e do
Planejamento Estratégico, foi realizada uma pesquisa para avaliar o ensino do
estado do Rio de Janeiro pelo olhar dos alunos pertencentes à sua rede.
Segundo pesquisa encomendada pela SEEDUC/RJ em 2012 ao Instituto
Mapear, de um total de quatro mil alunos entrevistados, 67% considerou o
ensino público estadual de qualidade. Para 13% é excelente, enquanto para
54% é bom. Apenas 4% avaliaram negativamente. Quando comparado ao ano
de 2010, 51% dos alunos consideram que o ensino melhorou no último ano. De
acordo com a pesquisa, o sistema de avaliação diagnóstica (SAERJINHO) é
um dos principais motivadores para o fortalecimento da prática pedagógica. O
SAERJINHO, criado para ser um instrumento de diagnóstico para melhoria da
educação do Rio de Janeiro, também cumpre o papel de impulsionar ações
para melhorar o nível da educação e tem ajudado para identificar e corrigir as
falhas ao longo do ano letivo.7
Assim, o SAERJINHO é um sistema de avaliação que pode auxiliar os
diretores e professores na formulação de ações para buscar a melhoria da
educação, pois oferece um diagnóstico bimestral através dos relatórios da
escola, de cada turma e de cada aluno. Os professores de posse desses
7
Disponível em http://www.seeduc.rj.gov.br acesso em fevereiro de 2012.
62
relatórios podem efetuar as correções ao longo do ano letivo ajudando, assim,
os alunos que apresentam dificuldades na aprendizagem.
Portanto, ao falar de qualidade da educação precisa-se apontar os
diferentes aspectos que interferem e ações que precisam ser tomadas em
conjunto para assegurar realmente uma educação em que o aluno de fato
aprenda. Não se trata de corrigir apenas alguns itens, como por exemplo,
instalar laboratórios de informática ou fazer uma quadra; trata-se, porém, de
um olhar cuidadoso com a escola no sentido de verificar tudo que impede a
escola de cumprir o seu papel e buscar resolver o problema.
Assim a Secretaria de Educação do Estado do Rio de Janeiro,
preocupada com os baixos índices alcançados pelos alunos de sua rede
escolar na avaliação implementou em 2011 o programa de avaliação
diagnóstica SAERJINHO. Este tem como um dos seus objetivos preparar os
alunos para a realização das avaliações externas, identificando as dificuldades
ao longo do ano para que ações sejam desenvolvidas no sentido superá-las.
Com a implementação do SAERJINHO, a SEEDUC/RJ busca identificar os
problemas do baixo desempenho escolar de sua rede e conseguir atingir as
metas de qualidade estabelecidas no IDEB.
Para Luck (2012, p.24) “é reconhecido que, sem avaliação, não há
condição para promover a melhoria de gestão e qualidade do ensino, e que
esse processo é inerente e indissociável à gestão”. A autora aponta a
importância do gestor/diretor de escola na atuação para organizar e monitorar
os resultados e buscar ações para promover a melhoria da educação em sua
escola.
A seguir será verificada a importância do papel do diretor de escola na
implementação da politica de avaliação do sistema e na sua responsabilidade
com a questão da qualidade da educação oferecida por sua escola.
2.3 O papel do diretor de escola na implementação de política de
avaliação e na busca por uma educação de qualidade
Para que as mudanças nas escolas aconteçam é necessário que haja
envolvimento e participação de todos os atores envolvidos no processo
educativo. Nesse sentido, o papel do diretor de escola é o de liderar seu grupo
63
e motivá-lo na participação e aplicação do SAERJINHO, bem como traçar
ações antes e depois da aplicação, estabelecendo estratégias para melhorar os
índices obtidos.
Os sistemas de avaliação externa se disseminaram nos governos
estaduais e municipais, sendo compreendidos como uma importante
ferramenta de gestão capaz de apontar as falhas do sistema educacional e
possibilitar a formulação de políticas para melhorar o nível do ensino.
Segundo Castro (2007, p.1), a partir dos anos 1990, a descentralização
da gestão apresentava-se como uma estratégia para garantir a qualidade da
escola, para aumentar a sua eficiência, a sua eficácia e a sua produtividade.
Era preciso criar espaços para os colegiados e para a participação da
comunidade escolar no processo decisório. A descentralização traz maiores
responsabilidades ao diretor de escola que, além de acompanhar o processo
educativo, terá que prestar contas dos recursos recebidos junto à associação
de pais e mestres. Como a administração dos recursos toma muito do tempo
do diretor, este acaba por não acompanhar o pedagógico como deveria.
Um diretor de escola é aquele que conduz e lidera um grupo e por isso
precisa ter claro qual o papel da escola na melhoria da vida de seus alunos. Ao
garantir um ensino de qualidade, a escola ajuda os alunos a vencerem as
barreiras sociais e buscarem novas oportunidades para sua vida. Porém, o
diretor sozinho não conseguirá garantir a qualidade da educação, será preciso
o envolvimento e ajuda de todos: professores, pais, alunos, funcionários e
equipe técnica.
Para Luck (2012),
A avaliação Institucional, como instrumento de gestão,
corresponde a um processo que se integra ao planejamento
educacional, dele emergindo e a ele remetendo, como também
a
processos
de
monitoramento
que
acompanham
objetivamente as práticas educacionais, estabelecendo relação
entre estas e os resultados, contribuindo dessa forma para
apontar transformações e correções de rumos necessárias
durante a sua condução de modo a garantir sua maior
efetividade. Cabe lembrar que a avaliação institucional, assim
como a própria gestão, é o meio pelo qual se pretende garantir
melhores ações educacionais. (LUCK, 2012, p.31-2).
64
Na implementação do SAERJINHO, em abril de 2011, o diretor de
escola, embora inicialmente não tenha recebido as orientações sobre o
programa no momento de sua implementação, teve um papel importante na
aplicação dessa avaliação em sua escola, pois ficou a cargo desse profissional
a distribuição e organização em sua instituição, bem como o recolhimento e
entrega dos cartões respostas na Regional.
O manual do SAERJINHO destinado aos Diretores das escolas
estaduais traz uma série de orientações, porém se limita a orientar o diretor
somente para o dia da aplicação apontando que:
O Diretor será responsável pela realização em sua unidade
escolar, o que engloba diversas atividades: colaborar com a
organização da aplicação dos testes na escola e com a
explicação e motivação da avaliação para os corpos docente e
discente, além de outras ações correlatas. Esta atribuição não
será remunerada. O diretor é o maior responsável pela garantia
da realização da avaliação em sua unidade, bem como deve
garantir a segurança, sigilo e inviolabilidade do material da
avaliação, podendo ser responsabilizado pela não observância
desses itens. Na eventualidade de se encontrar material em
envelopes com lacres rompidos, o diretor deverá justificar o
fato, que é passível de penalização. (MANUAL DO
SAERJINHO, 2011, p.8).
Percebe-se que faltaram algumas orientações na parte pedagógica,
como por exemplo: ações que o diretor deverá realizar junto com a sua
comunidade educativa no bimestre que antecede a avaliação; ações que serão
realizadas após a divulgação do gabarito oficial e as ações que serão
realizadas após a divulgação dos resultados do SAERJINHO de cada escola.
No manual do SAERJINHO (2011) essas questões não foram contempladas e
por isso proponho um Guia de Planejamento pedagógico para o diretor se
organizar ao longo do ano letivo nas questões referentes ao SAERJINHO
antes, durante e após a aplicação, o que se verá com maiores detalhes no
capitulo três.
Ao realizar esta pesquisa percebi que no SAERJINHO os diretores das
escolas da rede estadual do Rio de Janeiro precisam cumprir as metas
estabelecidas para cada escola determinada pela SEEDUC/RJ que são
monitoradas e acompanhadas pelos IGTs.
65
Ao pesquisar políticas de avaliação implementadas nos moldes do
SAERJINHO, descobrimos que no município de Uberaba/MG foi implantado o
SAEM (Sistema de Avaliação das Escolas Municipais) que foi aplicado na rede
pública municipal a partir do ano de 2006, em que o Gestor é obrigado a
assinar um contrato se comprometendo a alcançar as metas por turma e por
disciplina. O diretor de escola deverá atingir as metas estabelecidas no
Contrato de Gestão que cada escola firmou com o governo do município.8
No Rio de Janeiro, o diretor não é penalizado, apenas a escola não
recebe a bonificação variável quando não cumpre as metas estabelecidas.
No SAERJINHO, somente a Diretora tem acesso ao resultado da
escola, turma e alunos que são divulgados no Link SAERJINHO do site da
SEEDUC/RJ, pois o diretor tem uma senha a qual permite acessar os
resultados; por isso precisa imprimir e divulgar junto ao corpo docente e
discente. Porém, o que se constatou na pesquisa é que isso nem sempre é
divulgado como se deve junto à comunidade escolar.
Falta realizar reuniões com todo o corpo docente para apropriação dos
resultados e estabelecimento de metas, bem como realizar reuniões com os
pais e alunos para divulgar os resultados obtidos pela escola/turmas e alunos.
Também neste quesito não há nenhuma orientação para os diretores de escola
no manual distribuído. Assim, algumas sugestões serão apresentadas no
capitulo três como contribuição para a lacuna ora observada.
Segundo Arruda (2009),
Como a prática das avaliações sistêmicas está cada vez mais
difundida, torna-se imprescindível a criação de ferramentas
que, primeiramente, permitam aos gestores escolares proceder
análise dos resultados obtidos por sua escola, a fim de que
identifiquem corretamente os fatores que os levaram a aquele
desempenho e, num segundo momento, ofereçam ao gestor
algumas estratégias de intervenção para sanar as possíveis
deficiências encontradas e acompanhar o desenvolvimento de
seus alunos. (ARRUDA, 2009, p.2).
O diretor de uma escola tem um importante papel a desempenhar frente
a sua comunidade escolar na busca por uma educação que se preocupa e
8
Disponível em http:// www.uberaba.mg.gov.br acesso em março de 2012.
66
investe na aprendizagem dos alunos para que estes obtenham bons resultados
nas avaliações.
A seguir apresentam-se os resultados da pesquisa realizada nas duas
escolas de Vassouras-RJ sobre a implementação do SAERJINHO, que
apontam as dificuldades de sua execução.
2.3.1 O papel do diretor de escola na implementação do SAERJINHO
Os diretores de escola são responsáveis por repassar as informações
que recebe da Diretoria Regional para os seus professores, funcionários e se
for o caso para os pais e alunos. O papel do diretor de comunicar as
informações recebidas é um papel que deve desempenhar independente do
programa a ser implementado na rede estadual. No manual do SAERJINHO
(2011, p.8) aponta que o diretor deverá explicar o programa e motivar o corpo
docente e discente na execução desta nova proposta.
No Manual do SAERJINHO (2011, p.7) traz a informação de que o
diretor é o responsável pela coordenação geral da avaliação diagnóstica em
sua escola, no dia da prova alocando os professores do dia par aplicar nas
turmas. Veremos a seguir as atribuições do diretor a partir do manual.
Será responsável pela realização da aplicação em sua unidade
escolar, o que engloba diversas atividades: colaborar com a
organização da aplicação dos testes na escola e com a
explicação e motivação da avaliação para os corpos docente e
discente, além de outras ações correlatas. O diretor é o maior
responsável pela garantia da realização da avaliação em sua
unidade, bem como deve garantir a segurança, sigilo e
inviolabilidade do material da avaliação, podendo ser
responsabilizado pela não observância desses itens. Na
eventualidade de se encontrar material em envelopes com
lacres rompidos, o diretor deverá justificar o fato, que é
passível de penalização. (MANUAL DO SERJINHO, 2011, p.8).
Em relação à divulgação dos resultados, o Manual do SAERJINHO (
2011, p.7) aponta que “os resultados serão fornecidos por meio de um sistema
online que possibilita rapidez na obtenção de dados diagnósticos, com o
objetivo
de
identificar
necessidades
imediatas
pedagógica.”(MANUAL DO SAERJINHO, 2011, p.7).
de
intervenção
67
O diretor de escola é quem recebe a senha para acessar o resultado de
sua escola no sistema. E para que haja algum tipo de intervenção pedagógica
ele precisa divulgar para a sua equipe, para os professores, para os pais e
alunos o resultado obtido na avaliação. Assim terão o conhecimento sobre as
habilidades que já conseguiram avançar e as dificuldades que os alunos ainda
estão apresentando.
Para uma melhor compreensão do papel do diretor na implementação do
SAERJINHO, organizei o fluxograma abaixo, onde podemos verificar as suas
atribuições no programa.
Figura 01: O papel do diretor no SAERJINHO
Papel do Diretor de
escola no SAERJINHO
COMUNICAR
ORGANIZAR A
O PROGRAMA
APLICAÇÃO
DIVULGAR OS
RESULTADOS
Fonte: Elaboração própria
Os diretores das escolas ao implementar o SAERJINHO em abril de
2011 tiveram alguns problemas: nesse primeiro momento faltou informação e
esclarecimento sobre o objetivo do programa para o diretor e este repassou
parcialmente as informações do manual e as publicadas no site da SEEDUC.
Inicialmente o diretor deveria comunicar para toda a sua comunidade escolar a
implementação do programa SAERJINHO, este fato não ocorreu, pois o diretor
repassou somente ao professor de Língua Portuguesa e de Matemática. Os
outros professores, os pais e os alunos não foram comunicados sobre a nova
proposta da SEEDUC/RJ. Estas informações foram detectadas nas entrevistas
realizadas com os professores e diretores.
A diretora geral do Colégio Estadual Centenário relatou que ainda não
realizaram reunião de pais para falar do SAERJINHO e aponta a dificuldade de
68
espaço para reunir os pais. Segundo ela iria realizar uma reunião de pais, mas
em local emprestado. Prendia fazer uma reunião no mês de maio de 2012, por
ano de escolaridade para repassar as informações e as demandas da escola.(
RENATA NEVES CARDOSO DA SILVA, entrevista concedida em 18 de maio
de 2012).
A diretora geral do CIEP Brizolão 297 Padre Salésio Schimidt, afirma
que em abril de 2011, foi mais difícil, pois não chegou com antecedência às
informações sobre o SAERJINHO, para que pudessem explicar com detalhes
para os professores. Somente em junho é que houve uma reunião com a
Diretoria Regional Centro Sul para esclarecimentos das dúvidas sobre o
programa. (ROSINEI CABANEZ DA SILVA, entrevista concedida em 18 de
maio de 2012).
Uma das professoras do CIEP Brizolão 297 Padre Salésio Schimidt
relatou
que ficou sabendo sobre o SAERJINHO através do site da
SEEDUC/RJ que ela acessou e a direção entregou uma pasta com
informações para ela, que é professora de Matemática.( L.B.C.R, em entrevista
concedida em fevereiro de 2012).
Segundo o Manual do SAERJINHO, os diretores deveriam organizar a
aplicação das provas. Com a pesquisa pode-se constatar que esse papel foi
realizado pelos diretores, satisfatoriamente.
O terceiro papel, o de divulgar os resultados do SAERJINHO, alguns
diretores cumpriram parcialmente, pois não imprimiram os resultados das
turmas, da escola e por alunos para os professores. Não fizeram reuniões para
todos os professores da escola para comunicar o resultado, nem com os pais e
nem com os alunos. Alguns diretores mostraram apenas para os professores
de Língua Portuguesa e Matemática. Segundo uma das diretoras do CE
Centenário, “não consegui acessar o site e ver os resultados dos alunos com a
senha da diretora geral, por esse motivo não imprimi o mapa geral. Foi a IGT
da escola que conseguiu entrar com a senha dela e imprimir as notas”. (SILVIA
BARBOSA, em entrevista concedida no dia 9 fevereiro de 2012).
Uma das professoras do CIEP Brizolão Padre Salésio Schimidt relatou
que: “Não tive acesso às notas e resultados, ainda não vi o relatório de notas
por alunos, só tive acesso ao gabarito oficial”. (R. M. DE F. G., em entrevista
concedida em fevereiro de 2012).
69
A seguir veremos como foi a implementação nas escolas pesquisadas.
A implantação do Programa SAERJINHO nas duas escolas de
Vassouras enfrentou algumas dificuldades ao longo do processo de aplicação
das provas, principalmente na primeira e segunda aplicação.
Na primeira aplicação, a falta de informação e orientação sobre o
programa e seus objetivos causou impacto negativo junto aos professores da
rede estadual, que de início não viam o sistema de avaliação com bons olhos.
Não houve reuniões da Coordenadoria até o momento da primeira
aplicação em abril de 2011 com os diretores, pois este órgão estava em
processo de extinção e os responsáveis não repassaram as informações da
SEEDUC/RJ, assim, a prova foi aplicada em abril (1º momento), porém, os
diretores e professores não tiveram as orientações necessárias.
Na segunda aplicação, a Diretoria Regional Pedagógica Centro Sul
orientou os diretores através de reuniões sobre os procedimentos do
SAERJINHO e solicitou que repassassem aos professores as informações
recebidas através do Manual e informes internos da SEEDUC/RJ. Neste
segundo momento havia uma greve dos professores que, além de outras
questões, estavam contra o sistema de avaliação diagnóstica. Assim os
diretores enfrentaram a resistência por parte de alguns professores, com o
sindicato tentando impedir a aplicação do SAERJINHO distribuindo panfletos,
orientando os alunos nas ruas a não realizarem as provas e solicitando ainda
que os professores não aplicassem a avaliação no dia determinado. Podemos
verificar tal situação a partir de informações publicadas no site do SEPE
(Sindicato Estadual dos Profissionais do Rio de Janeiro) em 30 de junho de
2011.
O Sepe está recebendo uma série de reclamações de escolas
estaduais que denunciam a tentativa da SEEDUC de obrigar as
unidades a reaplicar a prova do SAERJ hoje (dia 30/6), depois
do fracasso de ontem (dia 29/6), quando a categoria promoveu
um grande boicote à avaliação programada pelo governo do
estado. Segundo informações da categoria, as avaliações de
hoje são as mesmas de ontem, ou seja, seus gabaritos já
foram revelados, o que configura uma verdadeira fraude. O
Sepe continua recomendando que as escolas adotem a
decisão da assembleia da rede estadual para que a categoria
não aplique qualquer avaliação do Programa de Metas e não
70
aceite a pressão da secretaria ou das coordenadorias. (SEPE,
2011).9
O SEPE confundiu SAERJINHO com SAERJ que é aplicado somente
em novembro na rede estadual e o gabarito oficial só é divulgado após uma
semana da aplicação da prova, assim o SEPE divulgou no seu site oficial as
informações acima, porém com equívocos em relação ao SAERJINHO.
Um desses equívocos do SEPE foi o adesivo distribuído pelos grevistas,
próximos às escolas, onde estava escrito “FORA SAERJ”, quando na realidade
os alunos estavam realizando o SAERJINHO.
Segundo depoimento da diretora do Colégio Estadual Centenário, ela
relatou que percebeu uma movimentação estranha no pátio da escola no dia da
segunda aplicação do SAERJINHO em 2011, e foi verificar o que estava
acontecendo. Foi quando detectou alguns alunos estavam com os adesivos
entregues pelo SEPE, onde orientava para que não fizessem a avaliação
chamada por eles de SAERJ e que colassem o adesivo na prova. A diretora
imediatamente reuniu todos os alunos no pátio da escola e conversou com eles
sobre a importância de realizarem a avaliação. Com esta atitude conseguiu
neutralizar a ação do SEPE e os alunos realizaram a avaliação. (SILVIA
BARBOSA, entrevista concedida no dia 9 de fevereiro de 2012).
Diante dessa greve e da mobilização do sindicato, a Diretoria Regional
Centro Sul atuou juntamente com os diretores, apoiando-os e, com a ajuda da
equipe Pedagógica e da equipe de Inspetores Escolares, colocou suas equipes
circulando nas escolas e até mesmo aplicando provas onde não havia
professor para tal. Assim a Diretoria Regional Centro Sul conseguiu garantir
que todas as escolas aplicassem a prova do SAERJINHO no dia e horário
estabelecido pela SEEDUC/RJ, porém não garantiu a aplicação em todos os
alunos, pois houve boicote por parte de alunos e turmas inteiras que não
compareceram para realizar as avaliações em diversas escolas da nossa
regional.
Somente no terceiro momento de aplicação é que houve, por parte dos
professores e alunos, uma maior compreensão sobre a necessidade de aplicar
avaliação diagnóstica na rede e uma maior clareza dos objetivos dessa
9
Informação publicada no site http://www.seperj.org.br acesso em 20/10/2012.
71
avaliação. Tal fato pode ser constatado nos depoimentos de alguns
professores nas entrevistas realizadas nas duas escolas de Vassouras/RJ. “Era
coisa nova na rede e não sabíamos o que iria acontecer. Coisas novas geram
insegurança, o que queriam de nós? Era para avaliar o aluno ou o professor?”
(SÔNIA REGINA PAULUCCI, depoimento em fevereiro de 2012). “O
SAERJINHO acabou auxiliando os professores no processo de ensino, pois
nos mostra onde precisamos melhorar.” (CAROLINE SOUZA OLIVEIRA
EIRAS, entrevista cedida em fevereiro de 2012).
Conforme informação veiculada no site da SEEDUC/RJ no dia vinte e
um de setembro de 2011, a adesão das escolas e dos alunos ao SAERJINHO
na terceira aplicação foi relativamente satisfatória.
Quanto ao Saerjinho, avaliação diagnóstica para correção de
rumo aplicada aos estudantes do 5º e 9º anos do Ensino
Fundamental e das três séries do Ensino Médio, a Seeduc
esclarece que as provas estão sendo aplicadas naturalmente e
a adesão é de mais de 90% dos alunos da rede. Das 1.457
escolas, 1.255 participam do Saerjinho; e dos 1,1 milhão de
alunos, cerca de 700 mil devem fazer a avaliação. (SEEDUC,
2011).10
A diretora do Colégio Estadual Centenário disse que a terceira aplicação
do SAERJINHO ocorreu com mais tranquilidade, pois a greve já havia
terminado e a prova estava mais de acordo com os conteúdos trabalhados com
o Currículo Mínimo. (SILVIA BARBOSA, entrevista concedida no dia 9 de
fevereiro de 2012).
A diretora adjunta do CIEP Brizolão 297 Padre Salésio Schimidt afirma
que no início foi mais difícil, mas observou melhoras principalmente na terceira
aplicação do SAERJINHO, em setembro de 2011. Observou também a
mudança de postura do aluno em relação à seriedade em realizar a prova e
fizeram com mais atenção. (GILMA DE OLIVERA ALMEIDA FERREIRA, em
entrevista concedida em 18 de maio de 2012).
O SAERJINHO, sendo um programa de avaliação diagnóstica, ao longo
do ano letivo causou impacto no cotidiano das escolas e dos professores.
Durante as entrevistas, percebe-se o comprometimento por parte dos
10
Disponível em http://www.seeduc.rj.gov.br acessado em 21/09/2011. Reportagem sobre a
terceira aplicação do SAERJINHO.
72
professores e como eles têm conseguido buscar alternativas para incentivar os
alunos a fazerem as provas, bem como estão realizando um trabalho de
conscientização dos alunos da importância de se prepararem para outras
avaliações. “No início tive um pouco de resistência, mas depois vimos a
importância do programa
e nos empenhamos
para
que os
alunos
conseguissem resultados satisfatórios.” (LILIANA JORDÃO CARDOSO,
entrevista cedida em fevereiro de 2012.
A comunicação do Diretor no repasse de informações sobre o programa
com os professores e alunos interferiu na implantação e execução do programa
de avaliação SAERJINHO; esse fato pode ser constatado através das
entrevistas. A professora M disse não saber da mudança de ter se tornado
optativo o lançamento do gabarito na terceira aplicação do SAERJINHO (em
depoimento em fevereiro de 2001). Alguns diretores se envolveram, apoiaram
os professores e ainda realizaram reuniões para passar as informações
recebidas da Diretoria Regional Centro Sul. Há diretores que não fizeram
reuniões para transmitir as informações acerca do programa SAERJINHO para
toda a sua comunidade escolar, o que resultou em algumas resistências na sua
escola. A professora M relata em seu depoimento a falta de material e apoio da
direção para realizar as ações que deseja para ajudar os alunos na prova do
SAERJINHO. “Eu sei que precisamos melhorar o ensino estadual, mas tem que
dar condições, pois não adianta espremer o professor”. (Entrevista cedida pela
professora M, em fevereiro de 2012).
Uma constatação na Diretoria Regional Centro Sul é a da importância
de realizar reuniões para repasse de informações da SEEDUC/RJ com grupos
de no máximo quarenta diretores, pois assim se atinge melhor o objetivo de
repassar informações por proporcionar mais atenção e ajudá-los a sanar
possíveis dúvidas que tenham no decorrer da apresentação, orientando-os
para cumprir o papel de levar informações para o grupo o qual lideram.
A resistência inicial de professores ao programa se pode associar à falta
de informação, ao acúmulo de trabalho e em parte à influência do sindicato. De
fato esses fatores foram observados nos depoimentos dos professores, mas
foram sanados com o entendimento da proposta do programa. “Fiquei
temeroso no início, mas com as aplicações percebi que o SAERJINHO auxilia o
professor
para
identificar
os
alunos
que
apresentam
dificuldades.”
73
(ALEXANDER DA SILVA CONCEIÇÃO, entrevista cedida em fevereiro de
2012).
O impacto do programa na escola, quando realizado por gestores
comprometidos e envolvidos, gera um resultado satisfatório. Foi possível
observar nas falas dos professores que em algumas escolas os diretores
tiveram uma participação maior do que outras escolas. Alguns professores
relataram que não tiveram acesso ao resultado do SAERJINHO; por uma
questão de ética não serão revelados os nomes destes profissionais.
O perfil de um diretor democrático facilita o surgimento de ações por
parte da equipe escolar para ajudar na execução do programa na escola e
superação das dificuldades, diferente de um perfil de diretor autoritário e
centralizador. Foi constatado nas entrevistas que, nas escolas que têm
diretores com visão democrática e que compartilham os problemas na busca
de soluções com o seu grupo, surgiram ações por parte dos professores que
foram executadas na tentativa de melhorar o rendimento e aprendizagem dos
alunos.
No CIEP Brizolão 297 Padre Salésio Schimidt as diretoras tem um perfil
mais democrático, pois escutam os alunos, fazem reuniões com os pais, tem o
grêmio estudantil funcionando na escola e realizaram reuniões com os
professores sobre o SAERJINHO e outras demandas. No início a reunião era
só com os professores das disciplinas avaliadas, no segundo momento
realizaram com todos os professores. No dia da visita pude constatar que os
alunos tem acesso fácil com a diretora, esta trabalha com a sala com a porta
aberta e atende a todos que adentram à sua sala em busca de alguma
informação ou reclamação. Enquanto que na outra escola visitada, o acesso é
mais difícil e as diretoras trabalham com a porta fechada, além de não terem
realizado reunião de pais e nem com os alunos sobre o SAERJINHO apesar de
já estarmos no segundo ano de aplicação do programa.11 Outro fato que nos
chamou atenção nesta escola é que até o momento a direção não fez reunião
com os alunos para falar sobre o SAERJINHO. Segundo uma das diretoras,
elas não falam sobre o SAERJINHO para evitar que os alunos faltem à prova.
11
O fato foi constatado na visita em maio de 2012, no depoimento de uma das diretoras da
escola.
74
Nesta escola quem conversou com os professores sobre o SAERJINHO foi a
IGT e não a direção.
No CIEP Brizolão 297 Padre Salésio Schimidt os professores
organizaram simulados ao longo do bimestre para aplicar nas turmas utilizando
questões parecidas com as que são aplicadas no SAERJINHO, para que os
alunos acostumem com o tipo de avaliação e possam testar seus
conhecimentos. Os professores têm apoio da direção para imprimir as provas
na escola e aplicar os simulados.
O gestor é uma peça fundamental na implementação do programa na
escola, pois o envolvimento dos professores depende do estímulo e apoio da
direção. O grau de importância dada pelo diretor ao programa interfere na
dinâmica da escola e na adoção ou não de ações corretivas. O diretor tem a
função de manter o seu grupo alinhado em prol de um mesmo objetivo, assim,
deve buscar a participação de todos. A escola deve ser um espaço onde todos
precisam caminhar em uma mesma direção para garantir a qualidade da
educação ofertada ali.
Segundo Soares, et al (2011, p.63)
Algumas características de um diretor eficaz, altamente
relacionadas a quatro características de liderança propostas
por Reynolds & Teddlie (2008): estar próximo à comunidade;
procurar apoiar estudantes com dificuldades nos estudos por
meio da parceria com pais e professores; conseguir adesão
dos professores à gestão, e, por fim, ter atitudes com a
intenção de superar os obstáculos. Claramente, esses
constructos são representativos de uma liderança participativa,
objetiva e firme. (SOARES, 2011, p.63)
Podemos constatar que o diretor exerce um papel de grande importância
diante de sua comunidade educativa, pois na implementação de programas
educacionais propostos pela Secretaria de Educação, ele tem a função de
divulgar e executar no âmbito de sua unidade escolar.
Para Soares Apud Reynolds & Teddile (2008), um diretor eficaz procura
estar próximo à sua comunidade, procura apoiar seus alunos que apresentam
dificuldades nos estudos através de estabelecimento de parcerias com pais e
professores, consegue a adesão de dos professores à gestão e tem atitudes
para superar os obstáculos que se apresentam no dia-a-dia da escola. Precisa
exercer uma liderança firme, objetiva e participativa (Soares, 2011, p.47).
75
Reynolds & Teddile (2008 Apud Soares et al 2011, p48) apresentam
algumas características para um líder eficaz, pois liderança é sinônimo de
escola eficaz.
A primeira característica apontada pelos autores é a Liderança
que deve ser objetiva e firme capaz de amortecer e intermediar
os problemas que surgem no cotidiano escolar”. A segunda
característica tem a ver com a capacidade de envolver os
atores das escolas na participação das decisões escolares, na
representação e na expressão da opinião dos atores
envolvidos. A terceira característica é a liderança pedagógica,
o gestor precisa ter claro o objetivo da escola – o ensino. A
quarta característica trata-se do monitoramento frequente e
pessoal do desempenho da equipe. A quinta refere-se à
seleção e substituição proativa da equipe. (SOARES, 2011,
p.48).
Conforme vimos nos estudos de Reynolds & Teddile (2008 Apud Soares
et al 2011, p48), as características de um diretor interferem nos resultados de
uma escola. Será então preciso trabalhar essas características com os nossos
diretores para que despertem e desenvolvam uma liderança eficaz em nossas
escolas. Para que isso ocorra, a realização de cursos sobre gestão e liderança
para os diretores é uma diretriz a ser implementada.
Outra questão que deve ser levada em consideração na aplicação dessa
política na rede estadual são as desigualdades socioeconômicas, pois grupos
diferentes se apropriam de forma diferente das políticas implementadas. Temos
escolas localizadas em diferentes pontos do estado do Rio de Janeiro e,
mesmo dentro de um mesmo município, atendem clientelas diferentes de
acordo com o bairro em que as escolas estão localizadas. Assim os menos
privilegiados economicamente, aumentam os índices de evasão e abandono
assim como o de repetência no Brasil, pois após vários insucessos na escola a
abandonam e migram para o mercado de trabalho.
Para os autores Silva e Souza (1986),
Na sociedade brasileira, como de resto em todas as
sociedades modernas, as escolas desempenham um papel
fundamental na seleção e classificação social dos indivíduos.
Cada vez mais, é através delas que as famílias conseguem
legar a seus filhos as posições que ocupam na hierarquia
social. A escola tem assim simultaneamente duas grandes
funções, frequentemente contraditórias, de selecionar e
76
socializar os jovens de uma sociedade. (SILVA E SOUZA,1986,
p. 50).
Os diretores das duas escolas pesquisadas reconheceram que as
atribuições administrativas gastam boa parte do tempo do diretor, pois agora a
prestação de contas precisa ser feita mensalmente. Outra questão é a
demanda atual onde cabe ao diretor executar e acompanhar o plano de ação
da escola, realizar as ações propostas pelos IGTs através da GIDE,
acompanhar o conexão (programa para lançamento de notas, realizar
matriculas de alunos, atas de resultados finais, entre outras funções). Assim o
acompanhamento pedagógico por parte dos diretores fica difícil de ser
realizado e acaba sendo deixado de lado. “O SAERJINHO trouxe a
possibilidade de acompanhar os resultados das turmas e dos alunos”. (
RENATA NEVES CARDOS DA SILVA , em entrevista concedida em 18 de
maio de 2012).
Os diretores de escola precisam conhecer seus alunos, suas
dificuldades, para que esta cumpra uma função social, para que os indivíduos
menos favorecidos possam aprender e obter sucesso na sua vida, quebrando
assim o perverso ciclo em que as pessoas têm que ser iguais aos seus pais,
trabalhando desde cedo para sobreviver e passar a vida toda na pobreza.
Romper esse ciclo é libertar esses alunos, assim como fazemos ao abrir a
porta de uma gaiola, para que o pássaro ali prisioneiro possa voar e seguir em
busca de novas experiências, de novas terras e alcançar novos voos.
Precisamos garantir um ensino de qualidade em que eles aprendam e
busquem caminhos alternativos para que possam alcançar seus sonhos e se
permitam acreditar que são capazes de vencer e fazer de sua vida uma história
diferente.
Uma questão séria levantada por alguns professores e diretores é a de
que tem havido demora na publicação dos resultados do SAERJINHO, e esse
fato tem prejudicado os atores que executam o programa na escola, pois
quando chega o resultado, já está próxima a aplicação do outro bimestre.
“Solicito um retorno mais rápido, pois está demorando a publicação dos
resultados e assim quando sai não temos tempo suficiente para ajudar os
alunos.” (ALEXANDER DA SILVA CONCEIÇÃO, em depoimento em fevereiro
de 2012).
77
Constatamos
vários
problemas
no
SAERJINHO
desde
a
sua
implementação e a sua execução ao longo do ano letivo de 2011.
Condé (2011) aponta alguns problemas na implementação de políticas,
a seguir destacam-se alguns dos problemas apontados pelo autor:
Existem grandes dificuldades na implementação e alguns dos
problemas na implementação de políticas são: Eventualmente,
diretrizes originais não chegam ao alvo, ou seja, a política é
apresentada como pronta e as pessoas envolvidas não sabem
exatamente porque estão fazendo aquilo. Essa falha pode ser
por excesso tecnocrático e/ou por falhas na comunicação.
Quem implanta precisa conhecer porque faz determinadas
coisas e não outras; a Relação deficiente com o público alvo,
tratando-o como depositário da politica e não como sujeito ativo
para seu sucesso. Regra geral acredita-se que as pessoas não
precisam saber como é ou como funciona o programa.
(CONDÉ, 2011 p.17).12
A partir das entrevistas dos diferentes atores envolvidos no processo de
implementação e execução do SAERJINHO e do texto de Condé (2011, p.17),
podemos concluir que as Secretarias de Educação precisam ter um cuidado
especial na implementação de uma política na sua rede, pois assim se
poderiam minimizar as tensões pela falta de informações acerca do programa e
sua execução poderia transcorrer mais facilmente.
No capítulo três apresenta-se o plano de intervenção proposto para o
programa de avaliação diagnóstica SAERJINHO, baseado na importância do
papel do diretor na implementação deste programa e no estabelecimento de
uma orientação pedagógica e planejamento ao longo do ano letivo, na busca
por alcançar um ensino de qualidade na sua unidade escolar. Apresentam-se
ainda algumas sugestões que podem ser implementadas pela SEEDUC/RJ e
pelas Diretorias Regionais, pois o problema aqui apontado ocorreu também no
âmbito de outras regionais.
12
Texto Abrindo a Caixa – Elementos para melhor compreender a análise das politicas
públicas, apresentado e trabalhado no Mestrado profissional em Gestão e Avaliação da UFJF
em 2011 pelo autor Condé, Eduardo Salomão.
78
3 PROPOSTA DE INTERVENÇÃO E AJUSTES PARA O PROGRAMA
SAERJINHO/RJ
Neste capítulo apresenta-se uma proposta de intervenção no programa
SAERJINHO/RJ com o objetivo de ajustar o programa nas escolas da rede
estadual, minimizar os problemas enfrentados pelos diretores das escolas e
conscientizar os diferentes atores da importância do sistema de avaliação
diagnóstica para um replanejamento de ações escolares. As propostas aqui
apresentadas são frutos das reflexões realizadas e a partir dos depoimentos
dos atores que executam o programa na escola. Embora a pesquisa tenha sido
realizada em apenas duas unidades da rede estadual do Rio de Janeiro, as
propostas aqui apresentadas poderão ser implementadas em toda a rede
estadual, uma vez que os problemas aqui apontados ocorreram também em
outras Diretorias Regionais, conforme pude constatar em encontros com
membros desses setores e também no contato com os colegas do estado do
Rio de Janeiro que cursam o mestrado de Gestão e Avaliação da Educação
Pública da UFJF da turma de 2010, da qual faço parte.
Na verdade estamos vivendo um momento em que os sistemas de
avaliação avançam cada dia mais, seja por parte do governo federal, estadual
ou municipal, que a partir de seus resultados no IDEB, procuram diagnosticar
as falhas do seu sistema de ensino e buscam estratégias para superá-las.
Ao longo do desenvolvimento desta pesquisa, vários fatores foram
observados em relação à implementação do programa. Foi observada a
atuação da Diretoria Regional Centro Sul e a atuação dos diretores de escolas
no processo de implementação do SAERJINHO e na comunicação das
orientações sobre o programa.
Em relação ao programa, houve problemas na comunicação inicial com
os atores envolvidos, não sendo clara no objetivo do SAERJINHO, levando os
atores envolvidos a questionar se não era para avaliar o desempenho dos
professores. O objetivo do programa não ficou claro no primeiro momento da
sua implementação.
Outra questão que ficou clara com a pesquisa é a mudança do desenho
inicial do programa, pois a cada aplicação do SAERJINHO havia novidades.
Como vimos, em 2011 foram feitas várias mudanças no programa a cada
79
aplicação da avaliação e, em 2012, nova mudança. Incluíram a disciplina de
ciências/Biologia e divulgaram isso próximo da aplicação das provas, para
desespero dos diretores e professores. Entendo que mudanças no programa
para adequação à realidade são importantes e necessárias, porém pontuo aqui
a necessidade de informar os atores que agem na escola com certa
antecedência para que os professores e diretores possam planejar suas ações.
Morin (1989, Apud Luck, 2006, p.40) aponta a necessidade de trabalhar
em equipe:
Daí por que a necessidade de percepções e ações
abrangentes que consideram os elementos e os aspectos
principais interferentes em uma dada situação, em relação a
seu contexto, o que, por sua vez, demanda uma ação de
equipe orientada por pensamento conjunto. (LUCK, 2006,
p.40).
Por isso é preciso discutir e apresentar os novos desenhos do programa
aos diretores e professores para que o embate na arena da prática seja menos
desgastante e o programa possa ser executado para atingir os seus objetivos.
Luck (2006, p.42) relata que,
O entendimento de que tem faltado para a promoção da
qualidade é uma visão global da escola como instituição social
e uma percepção mais abrangente da teia de relações entre os
vários componentes de delineiam a experiência educacional.
(LUCK, 2006, p.42).
Uma escola é constituída por diferentes atores e, para que ofereça um
ensino de qualidade, o grupo precisa trabalhar como uma equipe em prol de
objetivos comuns. O diretor é, portanto, o líder que precisa manter o grupo
unido e motivado para cumprir o papel da escola, que é o de ensinar com
qualidade e promover a melhoria de vida dos alunos que por ali passam.
Com relação aos diretores de escolas, eles precisam envolver todos os
seus professores, sua equipe, pais e alunos para superar as dificuldades
apontadas nas avaliações: oferecer suporte, materiais necessários, realizar
reuniões de estudo e análise dos resultados, bem como divulgar os resultados
da escola.
Com relação à Diretoria Regional Pedagógica, a equipe de avaliação e
acompanhamento precisa estabelecer reuniões e acompanhar as escolas com
80
baixo desempenho dando-lhes atendimento personalizado e in loco. Traçar
estratégias e ações em conjunto com IGTs, diretores e professores.
A partir da pesquisa realizada, apresento aqui o plano de intervenção
que pode contribuir para melhorar a execução do SAERJINHO e, assim, esta
avaliação diagnóstica possa cumprir o seu papel de melhorar a qualidade do
ensino e ajudar os alunos que apresentam dificuldades na aprendizagem ao
longo do ano letivo.
3.1 Propostas de intervenção e ajustes na operacionalização do programa
SAERJINHO
O envolvimento e atuação do diretor de escola junto ao corpo docente
na implementação de um programa faz diferença na sua execução. Diretores
comprometidos e líderes de sua comunidade escolar conseguem envolver
professores, pais e alunos.
No caso aqui descrito da implementação do SAERJINHO, o diretor é
capaz de incentivar ações e estabelecer estratégias junto aos corpos docente e
discente para superar as dificuldades apresentadas na avaliação bimestral.
Portanto, sendo o diretor peça fundamental dessa engrenagem, entendemos
que será preciso investir na sensibilização desses diretores e no conhecimento
sobre o programa SAERJINHO e a importância desse sistema de avaliação na
superação das dificuldades de sua escola na questão do desempenho escolar.
O caso de gestão dessa dissertação buscou analisar como foi o
processo de implementação do SAERJINHO nas escolas da rede estadual do
município de Vassouras-RJ, bem como verificar o papel do gestor escolar
nessa implementação.
As hipóteses levantadas durante a pesquisa foram: a implantação o
Programa SAERJINHO nas duas escolas de Vassouras enfrentaram
dificuldades ao longo do processo; o SAERJINHO, um programa de avaliação
diagnóstica, ao longo do ano letivo impactou no cotidiano das escolas e dos
professores, modificando o planejamento escolar; a comunicação do Diretor, no
repasse de informações sobre o programa com os professores e alunos,
interferiu na implantação e execução do programa de avaliação SAERJINHO;
reuniões com pequenos grupos de diretores atingem melhor o objetivo de
81
repassar informações para implementar uma política; a resistência de
professores ao programa está associada inicialmente a falta de informação,
acúmulo de trabalho; o impacto do programa na escola, quando feito por
gestores comprometidos e envolvidos, gera um resultado satisfatório e, por fim,
o perfil de um diretor democrático facilita o surgimento de ações por parte da
equipe escolar para ajudar na execução do programa na escola e superação
das dificuldades.
Acreditamos
que
o
gestor
seja
uma
peça
fundamental
na
implementação do programa na escola, pois o envolvimento dos professores
depende do estímulo e apoio da direção e também do grau de importância
dada pelo gestor ao programa.
Para Neubauer e Silveira (2008, p.104 Apud Burgos e Canegal, 2011,
p.30) a atuação do diretor passa a ser percebida como fundamental para a
melhoria do desempenho da escola. Com isso as autoras afirmam,
Surge, nesse período, a demanda por um gestor/diretor capaz
de estimular a construção coletiva de um projeto pedagógico
que estabeleça as opções e estratégias mais adequadas para
que a escola atinja a necessária qualidade, isto é garanta o
domínio de habilidades e competências a seus alunos.
(NEUBAUER E SILVEIRA, 2008, p.104 Apud Burgos e
Canegal, 2011, p.30).
Será então preciso trabalhar as características de um diretor eficaz e
eficiente para que desperte e desenvolva uma liderança eficaz em nossas
escolas, buscando sempre uma educação de qualidade. Para que isso ocorra,
a realização de cursos para os diretores é uma ação a ser implementada pela
Secretaria de Educação como formação continuada ao longo do período em
que atuarem como diretores de escola.
Apresentam-se a seguir as propostas de intervenção que se fazem
necessárias para melhorar a operacionalização do programa SAERJINHO, a
partir dos fatos aqui relatados e constatados nas entrevistas realizadas.
82
3.1.1 A proposta de intervenção
A partir das entrevistas realizadas e dos depoimentos dos diretores das
escolas, dos professores de Língua Portuguesa e de Matemática, do IGT e da
Diretora da Regional Pedagógica Centro Sul, detectei alguns problemas na
implementação do SAERJINHO e que podem ser melhorados com as
seguintes ações:
Por parte da Secretaria de Educação do Rio de Janeiro, realizar fóruns
permanentes com professores e diretores para discutir a avaliação e
estratégias de melhorias de ensino.
Organizar duas vezes ao ano o Fórum de Avaliação, nos meses de
março e agosto. Nesse fórum, seriam trabalhados temas ligados ao processo
de avaliação. Para o primeiro ano proponho os seguintes temas: Tema
01(março) “Avaliação externa e diagnóstica: um caminho a ser trilhado pelas
escolas brasileiras”; Tema 02 (agosto) “A Avaliação nas Unidades escolares e
presença de uma mesa redonda com a apresentação de escolas que
implementaram ações que deram certo no SAERJINHO ao longo do ano letivo
anterior”. Para esta ação a SEEDUC/RJ disponibilizaria recursos no valor de
R$ 10.000,00 (dez mil reais) para cada fórum. Cada Diretoria Regional
receberia um total de R$ 20.000,00 (vinte mil reais) no ano para esta ação, com
recurso do salário educação do orçamento anual da SEEDUC/RJ.
Outra ação consiste em oferecer cursos sobre avaliação e interpretação
dos resultados para todos os diretores. Atualmente, oferecem apenas para o
Coordenador Pedagógico e as escolas que não contam com esse profissional
não podem participar (nem o diretor e nem um representante); assim, a escola
que não tem o Coordenador pedagógico fica excluída do curso. Pode ser
desenvolvido um curso (on line através da plataforma Moodle) associado com
encontros presenciais.
O Curso está em andamento para os Coordenadores, aqui ocorre
apenas a inclusão dos diretores de escola nesse processo. Para esta ação,
utilizar-se-iam os recursos do salário educação para aumentar o número de
vagas no curso. O curso poderia ser realizado através de polos de acordo com
o número de Diretorias Regionais, que atualmente são quinze.
83
Pela Diretoria Regional Pedagógica: a equipe de avaliação da Regional
deverá elaborar projetos de intervenção pedagógica em conjunto com os
diretores para as escolas com baixo desempenho. Realizar análise dos
resultados com as escolas de baixo desempenho com atendimento
personalizado com os diretores, equipe pedagógica da escola e com o IGT.
A partir dos resultados obtidos nas avaliações e a constatação da
existência de escolas que não conseguiram atingir as metas estabelecidas, a
equipe da Regional e os IGTs devem acompanhar essas escolas e, juntos com
a direção das escolas, devem estabelecer ações para sanar as dificuldades
encontradas por cada escola. Sabemos que cada IGT acompanha seis
escolas, mas aqui a minha proposta é a de que a Regional Pedagógica
acompanhe de perto as escolas com baixo desempenho e participe do
momento de estabelecimento de ações pedagógicas para melhorar o ensino.
Propomos também o Guia de Planejamento do SAERJINHO para
Diretores, contando-se com um pequeno livreto com informações e fichas de
organização, planejamento das ações para o ano letivo com o objetivo de
orientar a questão pedagógica. Nesse Guia, o diretor, sua equipe pedagógica e
os professores preenchem as fichas sempre no início de cada bimestre,
quando elaboram ações a serem realizadas ao longo do bimestre e ações para
serem desenvolvidas após a divulgação do gabarito oficial, além de ações para
depois da divulgação dos resultados do SAERJINHO com os relatórios da
escola e das turmas. O custo desse livreto fica em torno de R$ 5,00 por
unidade, sendo que o preço sofre alterações se for impresso em grande
quantidade. Aqui também pode ser utilizada verba do salário educação.
Conforme podemos verificar no Guia de Planejamento Pedagógico do
Diretor proposto nesta dissertação (no apêndice), o GUIA apresenta
informações sobre o programa SAERJINHO, um resumo sobre a avaliação
externa no Brasil, um quadro que o diretor preenche com os índices
alcançados no IDEB, no SAERJ e SAERJINHO para comparar com o
desempenho nas avaliações junto a sua comunidade educativa e identificar os
pontos de fragilidades. Em seguida, traz a proposta para o diretor realizar um
planejamento para o SAERJINHO nos bimestres para que, junto dos
professores e de outros colaboradores, haja registro das ações que serão
desenvolvidas antes da avaliação do SAERJINHO. A ação posterior é de
84
planejar o dia da aplicação e quem aplicará a prova em cada turma e, após a
divulgação do resultado do gabarito, deve haver reunião do grupo novamente
para traçar as ações e marcar as reuniões para divulgar os resultados. Deverá
também haver organização dos murais com o resultado no bimestre e
organizar uma pasta que funcionará como portfólio da escola com os
resultados da participação nos sistemas de avaliação. Ao final do ano letivo, o
diretor deverá se reunir novamente com a comunidade escolar e realizar uma
avaliação do referido período. Para isso irá haver registro a respeito de se
houve melhoras no desempenho dos alunos, em quais turmas e em quais
disciplinas, quais as dificuldades ainda persistem e quais as ações para o
próximo ano letivo. O Diretor deverá comunicar aos alunos e aos pais a
situação relacionada ao desempenho escolar dos alunos. No início do ano
letivo a diretora de posse do Guia de Planejamento do Diretor do ano anterior
irá estabelecer com o grupo de professores e equipe técnica as metas e ações
para serem desenvolvidas. O Guia de Planejamento do SAERJINHO deve ser
arquivado a cada ano na escola, como documento para realizar análises
comparativas ao longo dos anos.
Com a implementação do Guia de Planejamento, proponho que o Diretor
tenha mais um papel a desempenhar no SAERJINHO – o de Planejar,
conforme veremos abaixo.
Figura 02: Proposta do Papel do diretor no SAERJINHO
Papel do Diretor de
escola no SAERJINHO
COMUNICAR
ORGANIZAR A
O PROGRAMA
APLICAÇÃO
DIVULGAR OS
RESULTADOS
PLANEJAR o SAERJINHO
antes da aplicação (no
bimestre),
após
a
divulgação do resultado
no
site
e
o
dia
aplicação da prova.
Fonte: Elaboração própria
da
85
Para os Diretores propomos: realizar reuniões com todos os professores
e equipe para discutir os resultados obtidos pela escola e traçar estratégias
para melhorar os resultados; apoiar as iniciativas dos professores fornecendo
materiais para o desenvolvimento de atividades; dispensar o aluno que acabar
a prova partir de 1h e 30 de aplicação ao realizar a avaliação diagnóstica,
sendo permitida a sua saída da sala e havendo encaminhamento para outro
local da escola (o que ocorre atualmente é que o aluno que acaba rápido fica
dentro da sala e os professores disseram que isso não é bom, pois ficam
impacientes e acabam por atrapalhar os que ainda estão fazendo); realizar
reuniões com os pais e turmas para refletir sobre o desempenho da escola,
turma e alunos a cada resultado nas avaliações e criar ações em conjunto com
a Regional, com os IGTS e com sua equipe para superar as dificuldades.
O financiamento desta proposta deverá constar no orçamento anual da
Secretaria de Educação. Atualmente, já faz parte do orçamento anual a
aplicação das provas do SAERJINHO e será preciso apenas de alguns ajustes
para garantir as ações aqui apontadas, podendo ser utilizadas verbas do
salário educação do orçamento anual da SEEDUC/RJ.
Outra sugestão é a de a Secretaria de Educação estabelecer por
resolução um calendário em que garanta reuniões entre as regionais e
Diretores/Equipe, entre diretores e professores, escola e pais, com o registro
em atas. Essa ação seria chamada de Semana da Educação em Pauta, em
que serão discutidas estratégias de melhorias dos resultados dos alunos,
avaliação externa e diagnóstica, o papel da escola, entre outros. As reuniões
poderiam ser marcadas nos meses de maio, agosto, outubro e dezembro.
A proposta aqui apresentada deverá ser desenvolvida ao longo do ano
letivo. A divulgação das propostas deverá ser realizada utilizando o site oficial
da SEEDUC/RJ, através de cartazes e folders distribuídos na rede de ensino
estadual, através de reuniões com os diretores de escolas, de mensagens por
celular para professores e pais e divulgação nos meios de comunicação.
O programa deverá oferecer instrumentos de monitoramento para coleta
de dados para avaliar as ações dos setores responsáveis; aqui sugiro um
relatório anual do SAERJINHO registrado no plano de ação de cada setor:
escola e Regional. Criar um link no site oficial da SEEDUC/RJ onde cada
86
escola e regional lança as ações referentes ao SAERJINHO e, a cada ação
realizada, registra nesse relatório anual.
Apresentamos, para finalizar, as ações aqui propostas de intervenção e
os ajustes do programa no quadro resumo a seguir, onde podemos verificar a
ação, quem as realiza, como realizar, onde , o custo e a verba utilizada do
orçamento anual da SEEDUC/RJ.
QUADRO 04: RESUMO DAS PROPOSTAS DE INTERVENÇÃO NO
SAERJINHO
AÇÃO
Guia
QUEM
ONDE
Disponibilizado no site
de
planejamento do
COMO
SEEDUC-RJ
Diretor
CUSTO
1ª
e o diretor imprime na
Nas
escola
escolas
opção:
VERBA
Custo
Zero
xxx
2ª opção: Fazer na
Distribuição para as
gráfica R$ 5,00 a
Unidades escolares
Unidade
(variando
de acordo com a
quantidade
a
Salário
Educação
ser
impressa).
Dois
Fóruns
Avaliação
sobre
encontros
SEEDUC-
anuais: nos meses de
15 polos –
R$10.000
RJ
março e agosto
locais das
regional: gastos com
Tema 01: Avaliação
Regionais
local,
através
das Regionais
externa e diagnóstica
palestrante
um
materiais.
caminho
a
ser
trilhado pelas escolas
brasileiras
Tema
2:
Avaliação
nas
unidades
escolares
X
apresentação
escolas
de
que
implementaram ações
que deram certo no
SAERJINHO
ao
longo
do
bimestre.
Outros temas:
O papel do diretor na
escola; A importância
da gestão participativa
para a melhoria do
desempenho escolar.
por
lanche,
e
Salário
Educação
87
Curso
para
Avaliação
40 horas
dos
resultados
da
Já
previsto
para
presencial
Coordenadores
Salário
educação
no
pedagógicos sendo
município
estendido
da
diretores
e
análise
e
Online
SEEDUC-RJ
Diretores:
aos
Regional
escola.
SEEDUC-RJ
Calendário:
Semana
da
Educação
em
Publicar
no
Diário
Oficial do RJ
Diário
Não terá custo, pois
Oficial. RJ
o estado já publica
todos
os
dias
o
diário oficial e será
Pauta
mais
informação
uma
a
xxx
ser
publicada no início
do ano letivo.
Reunião com as
Regionais
Sempre
escolas
Pedagógicas
publicado
com
que
os
Nas
regionais
baixo
resultados do SAERJI-
ou
desempenho
NHO.
de acordo
polos
com
Sem custo
xxx
os
resultados
.
No início do Bimestre,
Na
diretores com os
após a divulgação do
Unidade
professores
gabarito,
Escolar
Reuniões
dos
Diretores
e
após
equipe
resultado
pedagógica
SAERJINHO
o
Sem custo
xxx
do
Reuniões de pais
Diretores,
Após a divulgação dos
Unidade
e alunos sobre
equipe
resultados.
escolar
os
Pedagógica e
resultados
nas avaliações
professores
Relatório
Diretores
Sem custo
xxx
Registro
anual
do SAERJINHO
Regionais
e
Após
cumprir
cada
num
link
Zero, pois já existe o
ação estabelecida no
do
site
site.
plano de ação.
oficial da
Secretaria
de
Educação.
Fonte: Elaboração própria
xxx
88
3.2 Considerações finais
Pode-se concluir, portanto, que na implementação do SAERJINHO
alguns desafios foram superados ao longo do processo de implementação e há
ainda algumas ações a serem implementadas para ajudar os diretores de
escola em um planejamento de suas ações, organizando e delegando funções
aos atores envolvidos nesse programa e monitorando o desempenho de sua
escola e de seus alunos. Planejar, organizar e monitorar deverá fazer parte das
ações do diretor de escola na continuação das aplicações do SAERJINHO
durante o ano letivo. Algumas evidências nos mostram que o SAERJINHO tem
ajudado os alunos e as escolas a conseguirem melhorar a educação, conforme
a pesquisa encomendada para o Instituto Mapear 2012, citada na p. 58 desta
dissertação. Ficam aqui registradas algumas sugestões que coloco, já que, ao
trabalhar na regional, convivo com os problemas do cotidiano da nossa rede de
ensino, que vem lutando nesses últimos dois anos por melhorar a qualidade do
ensino ofertado na rede estadual e conseguir melhores índices na avaliação
nacional.
Conforme pudemos constatar, o estado do Rio de Janeiro, a partir das
ações implementadas em sua rede de ensino em 2011, conseguiu melhorar o
desempenho de seus alunos - passando de 26º lugar em 2009 no IDEB para a
15º posição em 2011 em relação aos outros estados da federação. O resultado
divulgado em 2012 mostra que o 9º ano do Ensino Fundamental conseguiu a
nota 3,2, crescendo em relação a 2009, porém não cumpriu a meta de 3.3. O
5º ano do Ensino Fundamental apresentou grande crescimento, passando de
4,0 para 4,3 e ainda assim também não cumpriu a meta de 4,5. A surpresa veio
no Ensino Médio, que passou de 2,8 em 2009 para 3,2 em 2011, superando a
meta que era de 3,1.
A melhora dos resultados das escolas na rede de ensino estadual foi
comemorada pelos educadores fluminenses que não mediram esforços para
que suas escolas atinjam as metas estabelecidas.
Melhorar a educação é tarefa de todos. Conhecer a rede de ensino e os
problemas que ela apresenta é uma necessidade do Gestor Educacional, para
estabelecer ações pontuais que garantam as mudanças desejadas e a
qualidade no ensino público. Uma questão que precisa ser vista é a formação e
89
o perfil do diretor de escola, devido a importância da sua atuação junto aos
professores, pais e alunos para mobilizá-los positivamente na construção de
uma escola que ensine com qualidade.
.Atualmente o estado do Rio de Janeiro vem se estruturando de forma
organizada e com metas estabelecidas para cada nível envolvido: Secretaria,
Diretorias regionais, diretores de escolas e professores. O desempenho dos
alunos começa a dar sinais de melhoras. O SAERJINHO, além de outras ações
da SEEDUC/RJ, vem contribuindo para que o ensino da rede estadual
fluminense aumente seus índices educacionais e consequentemente melhore a
qualidade da educação pública ofertado.
90
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Todos
Pela
Educação.
Disponível
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<http://www.todospelaeducacao.org.br>. Acesso em dezembro de 2011.
93
APÊNDICES
APÊNDICE A - GUIA DO DIRETOR: PLANEJANDO O SAERJINHO
CAPA
Governo do Estado do Rio de Janeiro
Secretaria de Estado de Educação
GUIA DO DIRETOR
PLANEJANDO O SAERJINHO
Unidade Escolar:__________
Rio de Janeiro
2012
94
FOLHA 01
SAERJINHO
INFORMAÇÕES
O SAERJINHO é um sistema de avaliação Diagnóstica aplicada aos alunos
dos 5º e 9º Anos do Ensino Fundamental e 1º, 2º e 3º Anos do Ensino Médio.
As provas são de Língua Portuguesa, Matemática, Ciências/ Biologia.
Esta avaliação é aplicada sempre ao final de cada bimestre, sendo um dos
instrumentos de avaliação do Bimestre conforme determinado através
da Portaria nº 174 de 26/08/2011.
O processo de avaliação não se resume ao dia da aplicação, por isso este GUIA
apresenta algumas sugestões para o Diretor da escola para que juntamente com
a sua equipe pedagógica e seus professores traçarem ações antes da aplicação
do SAERJINHO e depois da aplicação com a divulgação do gabarito e
resultado no site.
Para a reunião no início de cada bimestre é importante que analisem a
Matriz de Referência do SAERJINHO e o Manual do SAERJINHO e confrontem
com o Currículo Mínimo Estadual do estado do Rio de Janeiro.
ESTE GUIA TEM POR OBJETIVO AJUDAR O DIRETOR DA ESCOLA NO
PLANEJAMENTO ANUAL DO SAERJINHO.
95
FOLHA 02
AVALIAÇÃO EXTERNA NO BRASIL
A partir de 1990 no Brasil ocorre a disseminação dos sistemas de avaliação
externa através do SAEB e Prova Brasil, através dos quais o Governo Federal
realiza a avaliação externa para avaliar o ensino no Brasil.
Estados e Municípios brasileiros percebem a necessidade de avaliar as suas
redes de ensino para que alcancem as metas estabelecidas pelo Governo
Federal.
O Estado do Rio de Janeiro, ao constatar o seu baixo desempenho em relação
aos outros estados da Federação, além da avaliação externa estadual SAERJ
aplicada anualmente, introduz na sua rede, em 2011, um sistema de avaliação
diagnóstica (SAERJINHO) com o objetivo de identificar os problemas no
processo ensino aprendizagem e fazer correções ao longo do ano letivo,
proporcionando uma melhora e preparando os alunos para as avaliações
externas.
UNIDADE ESCOLAR
Avaliação
2005
Meta
2007
Meta
2009
Meta
2011
Meta
IDEB
Avaliação
2008
2009
2010
2011
2012
SAERJ
Avaliação
2011
SAERJINHO
1ºB
2012
2ºB
3ºB
4ºB
1ºB
2ºB
3ºB
4ºB
L. Portuguesa
Matemática
Ciências/Biologia
ASSINALE A DISCIPLINA E A MODALIDADE EM QUE A ESCOLA PRECISA
MELHORAR O SEU DESEMPENHO:
(
) Língua Portuguesa (
(
) Matemática (
(
) Ciências/Biologia
) Ensino Fundamental
) Ensino Fundamental
(
(
(
) Ensino Médio
) Ensino Médio
) Ensino Fundamental
(
) Ensino Médio
96
FOLHA 03
PLANEJANDO AÇÕES PARA O 1º BIMESTRE /SAERJINHO
DATA: _____/______/_______
Quem?
O que?
Quando?
Como?
Onde?
Diretor
Professor
de
Língua
Portuguesa
Professor
de
Matemática
Outros
professores
PLANEJANDO O DIA DA APLICAÇÃO DO SAERJINHO
DATA: _____/______/_______
Professor
aplicador
Manhã
Tarde
Noite
Turma
Turma
Turma Turma Turma
Turma
97
FOLHA 04
AÇÕES APÓS A DIVULGAÇÃO DO GABARITO
Professores
O que ?
Quando?
Língua Portuguesa
Matemática
Ciências/Biologia
As provas ficaram na escola, portanto é hora de corrigir as questões junto
com os alunos. Prepare um momento para que haja um trabalho em
grupo com as questões e logo após faça uma correção coletiva.
AÇÕES APÓS DIVULGAÇÃO REULTADO IDERJ
CRONOGRAMA DE REUNIÕES
Quem?
Quando?
Professores /Equipe e demais
funcionários
Pais
Alunos
Direção
DIVULGAÇÃO NOS MURAIS DA ESCOLA
Locais de divulgação
Quando organizar?
Organização de uma pasta com os dados de participação da Unidade
Escolar nas avaliações externas, SAERJ e SAERJINHO.
Quem?
Quando?
98
FOLHA 05
PLANEJANDO AÇÕES PARA O 2º BIMESTRE /SAERJINHO
DATA: _____/______/_______
Quem?
O que?
Quando?
Como?
Onde?
Diretor
Professor
de
Língua
Portuguesa
Professor
de
Matemática
Outros
professores
PLANEJANDO O DIA DA APLICAÇÃO DO SAERJINHO
DATA: ___/____/____
Professor
aplicador
Manhã
Tarde
Noite
Turma
Turma
Turma Turma Turma
Turma
99
FOLHA 06
AÇÕES APÓS A DIVULGAÇÃO DO GABARITO
Professores
O que?
Quando?
Língua Portuguesa
Matemática
Ciências/Biologia
As provas ficaram na escola, portanto é hora de corrigir as questões junto
com os alunos. Prepare um momento para que haja um trabalho em
grupo com as questões e logo após faça uma correção coletiva.
AÇÕES APÓS DIVULGAÇÃO REULTADO IDERJ
CRONOGRAMA DE REUNIÕES
Quem?
Quando?
Professores /Equipe e demais
funcionários
Pais
Alunos
DIVULGAÇÃO NOS MURAIS DA ESCOLA
Locais de divulgação
Quando organizar?
Organização de uma pasta com os dados de participação da Unidade
Escolar nas avaliações externas, SAERJ e SAERJINHO.
Quem?
Quando?
100
FOLHA 07
PLANEJANDO AÇÕES PARA O 3º BIMESTRE /SAERJINHO
DATA: _____/______/_______
Quem?
O que?
Quando?
Como?
Onde?
Diretor
Professor
de
Língua
Portuguesa
Professor
de
Matemática
Outros
professores
PLANEJANDO O DIA DA APLICAÇÃO DO SAERJINHO
DATA: _____/______/______
Professor
aplicador
Manhã
Tarde
Noite
Turma
Turma
Turma Turma Turma
Turma
101
FOLHA 08
AÇÕES APÓS A DIVULGAÇÃO DO GABARITO
Professores
O que?
Quando?
Língua Portuguesa
Matemática
Ciências/Biologia
As provas ficaram na escola, portanto é hora de corrigir as questões junto
com os alunos. Prepare um momento para que haja um trabalho em
grupo com as questões e logo após faça uma correção coletiva.
AÇÕES APÓS DIVULGAÇÃO REULTADO IDERJ
CRONOGRAMA DE REUNIÕES
Quem?
Quando?
Professores /Equipe e demais
funcionários
Pais
Alunos
DIVULGAÇÃO NOS MURAIS DA ESCOLA
Locais de divulgação
Quando organizar?
Organização de uma pasta com os dados de participação da Unidade
Escolar nas avaliações externas, SAERJ e SAERJINHO.
Quem?
Quando?
102
FOLHA 09
PLANEJANDO AÇÕES PARA O 4º BIMESTRE /SAERJINHO
DATA:_____/____/______
Quem?
O que?
Quando?
Como?
Onde?
Diretor
Professor
de
Língua
Portuguesa
Professor
de
Matemática
Outros
professores
PLANEJANDO O DIA DA APLICAÇÃO DO SAERJINHO
DATA:_____/____/______
Professor
aplicador
Manhã
Tarde
Noite
Turma
Turma
Turma Turma Turma
Turma
103
FOLHA 10
AÇÕES APÓS A DIVULGAÇÃO DO GABARITO
Professores
O que?
Quando?
Língua Portuguesa
Matemática
Ciências/Biologia
As provas ficaram na escola, portanto é hora de corrigir as questões junto
com os alunos. Prepare um momento para que haja um trabalho em
grupo com as questões e logo após faça uma correção coletiva.
AÇÕES APÓS DIVULGAÇÃO REULTADO IDERJ
CRONOGRAMA DE REUNIÕES
Quem?
Quando?
Professores /Equipe e demais
funcionários
Pais
Alunos
DIVULGAÇÃO NOS MURAIS DA ESCOLA
Locais de divulgação
Quando organizar?
Organização de uma pasta com os dados de participação da
Unidade Escolar nas avaliações externas, SAERJ e SAERJINHO.
Quem?
Quando?
104
FOLHA 11
Avaliação ao final do Ano Letivo
Durante o ano letivo de ________ a escola participou da Avaliação
Diagnóstica SAERJINHO nos quatro Bimestres, agora é o momento de
avaliar o desempenho global das turmas e da escola nesse sistema.
Para isso, reúna o grupo de professores e equipe pedagógica da escola
e analisem o desempenho da sua unidade escolar.
Houve melhoras significativas?
Em quais turmas?
Em quais disciplinas?
Quais as dificuldades que ainda persistem?
Prezado Diretor, faça uma reunião com todos os professores e equipe
pedagógica e analisem o resultado anual de sua escola.
No segundo
momento, informe os pais e alunos sobre os resultados alcançados e as
dificuldades que ainda persistem.
NO INÍCIO DO PRÓXIMO ANO LETIVO PEGUE ESTE GUIA PARA
PLANEJAR AS AÇÕES DO PRÓXIMO ANO.
105
FOLHA 12
Turmas que melhoraram e em quais disciplinas
TURMAS
DISCIPLINAS
Dificuldades que persistem – Turmas e Disciplina
TURMAS
DISCIPLINAS
106
FOLHA 13
Ações para sanar as dificuldades para o próximo ano letivo
LEMBRETE:
Senhores Diretores – Guardem este Guia para o planejamento
no próximo ano letivo para realizar análises comparativas da
escola nos sistemas de avaliações.
107
FINAL
RIO DE JANEIRO
FORMULADO PELA MESTRANDA
ROSANE DE BARROS ALVES GILSON
2012
108
ANEXOS
Anexo 1 : Ficha de Entrevista semi-estruturada
UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA
CAED- CENTRO DE AVALIAÇÃO DA EDUCAÇÃO
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO PROFISSIONAL EM GESTÃO E
AVALIAÇÃO DA EDUCAÇÃO PÚBLICA
Disciplina: Dissertação I
Entrevista semiestruturada para a Pesquisa: SAERJINHO – DESAFIOS
E CONQUISTAS NA BUSCA POR UMA EDUCAÇÃO DE QUALIDADE
PARA O ESTADO DO RJ - nas escolas da rede estadual do Município
de Vassouras-RJ. Mestranda Rosane de Barros Alves Gilson – 2012.
A entrevista será aplicada aos Diretores de escola, professores de
Língua Portuguesa e Matemática, IGTs e à Diretora Pedagógica da
Diretoria Regional Centro Sul. Esta entrevista será gravada.
1 Em qual escola você trabalha?
2 Qual o seu Nome completo?
3 Qual o seu cargo nesta escola?
4 Há quanto tempo é funcionária da rede estadual? E há quanto tempo
atua neste cargo?
5 Como você ficou sabendo sobre o SAERJINHO em 2011?
6 Como a política foi recebida em sua escola? Como está sendo
implementada?
7 Você conhece o manual do SAERJINHO? Há alguma orientação no
manual para utilização dos resultados desta avaliação?
8 Em que ele ajudou você a compreender este sistema de avaliação?
9 Você conhece outros materiais da divulgação do SAERJINHO?
109
10 Como foi a atuação da Diretoria Regional Centro Sul na
implementação e no acompanhamento das ações do SAERJINHO?
Como você percebeu esse processo?
11 Como você avalia a recepção dos colegas em relação a essa
política?
12 Os profissionais envolvidos na implementação do SAERJINHO na
escola têm autonomia e oportunidades de discutir e expressar as
dificuldades, opiniões, insatisfações e dúvidas?
13 Quais são as principais dificuldades identificadas durante a
implementação? Como os professores lidam com elas? Como os demais
profissionais lidam com essas dificuldades?
14 O que você pensa sobre os efeitos do SAERJINHO na aprendizagem
dos alunos? Houve melhorias nos resultados da escola?
15 Qual a sua avaliação a respeito da aplicação do SAERJINHO em
abril? Qual a sua avaliação a respeito da aplicação junho? Qual a sua
avaliação a respeito da aplicação em setembro?Houve mudanças e
melhorias na dinâmica da aplicação e atuação dos professores de sua
escola? Como os alunos se situaram diante desta avaliação?
16 Como os professores reagiram a essa proposta da SEEDUC-RJ?
17 Houve ações na escola a partir dos resultados obtidos ao longo do
ano? Quais?
18 Quais os resultados obtidos pela sua escola neste sistema? O que
você achou dos resultados?
19 Qual a sua avaliação pessoal sobre o SAERJINHO?
20 Qual a importância dessa avaliação no desenvolvimento de suas
práticas (como Professor, como gestor ou como CP)?
21 Que sugestões você daria para melhorá-lo?
Mestranda: Rosane de Barros Alves Gilson
110
Anexo 2: Ficha de Autorização Individual para a entrevista
UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA
CAED- CENTRO DE AVALIAÇÃO DA EDUCAÇÃO
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO PROFISSIONAL EM GESTÃO E
AVALIAÇÃO DA EDUCAÇÃO PÚBLICA
Disciplina: Dissertação I
Autorização Individual de participação na Pesquisa: SAERJINHO –
DESAFIOS E CONQUISTAS NA BUSCA POR UMA EDUCAÇÃO DE
QUALIDADE PARA O ESTADO DO RJ.
Eu _____________________________________, funcionário da Rede
Estadual
SEEDUC/RJ,
com
lotação
na
Unidade
Escolar___________________________________________________,
no Município de Vassouras, interior do Rio de Janeiro, concordo em
participar da pesquisa da Mestranda Rosane de Barros Alves Gilson
para sua Dissertação de Mestrado da UFJF, através de uma entrevista
que será gravada sobre o SAERJINHO.
( ) Autorizo a divulgação/publicação do meu nome
( ) Autorizo apenas a divulgação/publicação das minhas iniciais
( ) Não autorizo a divulgação/publicação do meu nome e solicito ser
identificado por uma letra aleatória.
Assinatura:
Vassouras, ______de fevereiro de 2012
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