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PLATEIA, A Publicação lançada em São Paulo em 1º de

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PLATEIA, A Publicação lançada em São Paulo em 1º de
PLATEIA, A
Publicação lançada em São Paulo em 1º de julho de 1888 como semanário ilustrado,
só posteriormente tornando-se um jornal diário. Durante toda a sua existência manteve em
seu título a grafia A Platea. A edição comemorativa do seu quadragésimo segundo
aniversário assim o qualificava: “Coincidindo o seu aparecimento com o período áureo da
campanha em prol da abolição da escravatura e da propaganda da República, A Plateia,
como lhe cumpria, combateu o bom combate pelos elevados e puros ideais que
empenharam a alma e o coração das gerações moças de então... Abolida a escravidão... e
proclamada a República,... A Plateia prosseguiu na senda que havia de antemão traçado,
isto é, tudo pela República, dentro da ordem e da lei... Jornal conservador, A Plateia
franqueia as suas colunas a todos os que, dentro da ética profissional e respeitando o decoro
humano, queiram discutir com elevação e sem rancor as questões de interesse coletivo”
(1/7/1929).
O jornal surgiu, pois, já encerrada a luta abolicionista, num momento em que tomava corpo
a questão da aplicação da lei. Paralelamente, participou da campanha republicana, opondose à monarquia constitucional. As qualificações de oposicionista ou situacionista, no
entanto, não dão conta da trajetória de sua linha política, na medida em que ela não foi
unívoca. Em determinados períodos A Plateia revelou-se muito mais como um jornal na
oposição — dificilmente chegando a ser de oposição —, e em outros apoiou claramente a
situação. Foi este o caso, por exemplo, do apoio ao governo estadual de Nilo Peçanha, à sua
campanha nas eleições de 1906, bem como à sua gestão como presidente da República
durante os anos de 1909 e 1910.
Durante esse mesmo período o jornal desenvolveu uma linha editorial contrária ao sufrágio
universal, pois “é preciso fazer seleção do voto, sem irmos todavia ao exagero” (1819/7/1904). Por outro lado, em julho de 1908 defendeu o movimento grevista dos
trabalhadores das Docas de Santos.
No final da década de 1920 A Plateia tinha como proprietário e diretor E. de Araújo
Guerra. Nessa época, sua linha editorial apoiava o governo Washington Luís, o que
implicava apoiar a política de estabilização do café, a política protecionista aos industriais
brasileiros, e opor-se ao voto secreto, pois “no Brasil, particularmente em São Paulo e no
Rio, onde vultosos elementos do Partido Democrático desfraldaram a bandeira do voto
secreto, o que... se pode proclamar é que tal sistema de voto é insubsistente para conter
todas as irregularidades verificadas nos pleitos eleitorais” (11/1/1929).
Não obstante a dificuldade de se detectar uma linha uniforme na trajetória do jornal,
pode-se afirmar que, durante um largo período, A Plateia foi um jornal conservador e
defensor das oligarquias regionais, simpático ao Partido Republicano Paulista (PRP) e ao
governo estadual de Júlio Prestes, o que não o impedia de assumir, em determinados
momentos, uma linha francamente oposicionista. E isso mesmo durante o período de maio
a novembro de 1929, quando o jornal praticamente atuou como uma espécie de diário
oficial dos governos central e estadual.
Em novembro de 1929 a direção de A Plateia passou para as mãos de Pedro Cunha. Como
consequência, o jornal mudou sua linha editorial, desaparecendo quase que por completo de
suas páginas os nomes dos presidentes da República e do estado de São Paulo. Em seu
lugar emergiu a figura do candidato Getúlio Vargas, acompanhada de matérias favoráveis à
Aliança Liberal. Com isso, de jornal predominantemente situacionista, porta-voz dos
anseios da oligarquia paulista e perrepista, A Plateia tornou-se um jornal aliancista, de
oposição, reformista e antioligárquico.
Em meados de 1930 A Plateia demonstrou seu desagrado com o manifesto de Vargas
referente às eleições daquele ano vencidas por Júlio Prestes, tal como já o fizera com o
manifesto de Luís Carlos Prestes (edições de 3/6/1930 e 31/5/1930, respectivamente). A
partir de 7 de julho desse mesmo ano o jornal teve como redator principal Israel Couto,
continuando como diretor Pedro Cunha. Sua linha editorial não mudou substantivamente.
Em várias edições do final desse mês o jornal condenou o assassinato de João Pessoa. Já
em 1932 defendeu a Revolução Paulista, bem como a preservação da autonomia de São
Paulo: “O governo central prometera-nos a Constituinte, mas não nos falava em
autonomia” (12/7/1932).
Nos anos subsequentes o jornal passou a demonstrar um nítido fascínio pelo fascismo
italiano, ao mesmo tempo que defendia a Constituinte, criticava o projeto de Vicente Rao
relativo à Lei de Segurança Nacional e destacava com entusiasmo o aparecimento da
Aliança Nacional Libertadora (ANL), realçando a figura de Luís Carlos Prestes.
O jornal foi fechado em 1942, segundo Nélson Werneck Sodré, por defender a política do
Eixo nazifascista. De fato, a defesa do fascismo italiano data dos primórdios de 1935, mas a
linha editorial do jornal continuou fluida, pois concomitantemente defendia o estado de
direito e a plena constitucionalização do país, além de dar ampla cobertura à ANL.
Amélia Cohn/Sedi Hirano
colaboração especial
FONTE: Plateia.
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