...

O GÊNIO EM NIETZSCHE Erinaldo de Ol. Sales1 INTRODUÇÃO

by user

on
Category: Documents
1

views

Report

Comments

Transcript

O GÊNIO EM NIETZSCHE Erinaldo de Ol. Sales1 INTRODUÇÃO
33
ERINALDO DE OL. SALES
O GÊNIO EM NIETZSCHE
Erinaldo de Ol. Sales1
RESUMO: Este ensaio pretende abordar o gênio em Nietzsche, o que é o gênio e como
ele se manifesta nos escritos desse filósofo. Para tanto, partir-se-á das anotações dos
fragmentos póstumos do filósofo, num percurso inverso, até os livros éditos, muito
embora a maior produção filosófica de Nietzsche, por assim dizer, dá-se justamente nos
escritos que ele não publicou em vida, e sim nos agora conhecidos fragmentos
póstumos.
PALAVRAS-CHAVE: Nietzsche, gênio, Kant.
INTRODUÇÃO
Kant, o grande ‗inspirador‘ dos românticos do período posterior a ele, trata do
gênio no parágrafo 46 da Crítica do Juízo, (no capítulo ‗Bela arte é a arte do gênio‘) e
apresenta duas definições de gênio: (1) "Gênio é o talento (dom natural) que dá à arte a
regra", e (2) "Gênio é a disposição natural inata (ingenium) pela qual a natureza dá à
arte à regra" (Kant: 1980, p.246).
Existem duas características básicas do gênio: talento e disposição naturais
daquele que cria uma obra de arte. Kant afirma que a definição de gênio que propõe é
arbitrária, pois se adéqua ao que é vinculado geralmente à palavra gênio, no entanto, as
belas-artes são necessariamente obras do gênio. Ainda, ‗arte pressupõe regras‘, pois só
assim um produto com pretensões artísticas pode ser representado como possível. Não é
qualquer regra que permite um conceito de bela-arte, já que esta não pode inventar a
regra para si própria. Sem uma regra prévia, não se pode chamar de arte um produto.
Quem definirá estas regras ao produto, a fim de que este alcance o status de arte, é o
sujeito com a disposição de suas próprias faculdades dá regras à arte, ou seja, que o
gênio crie as regras prévias para elevar o produto feito ao patamar da bela-arte.
A partir disto, Kant especifica o que é o gênio:
1) é um talento, de produzir aquilo para o qual não se pode dar nenhuma
regra determinada: não disposição de habilidade para aquilo que pode
ser apreendido segundo alguma regra; consequentemente, que
originalidade tem de ser sua primeira propriedade. 2) Que, como
também pode haver insensatez original, seus produtos têm de ser ao
1
Erinaldo de O. Sales é doutorando em Arquitetura e Urbanismo pela FAU-UnB.
REVISTA DE ESTÉTICA E SEMIOTICA, BRASÍLIA, V. 2, N. 1 P. 33 - 48, JAN./JUN. 2012.
34
ERINALDO DE OL. SALES
mesmo tempo modelos, isto é, exemplares; portanto, eles mesmos não
provindo de imitação, têm de servir, no entanto, a outros para isso, isto
é, como justa-medida ou regra do julgamento. 3) que ele mesmo não
pode descrever ou indicar cientificamente como institui seu produto,
mas que é como natureza que ele dá a regra; e, por isso, o criador de um
produto, que ele deve a seu gênio, não sabe, ele mesmo, como se
encontram nela as idéias para isso, e também não está em seu poder
inventá-las à vontade ou conforme um plano, e comunicá-las a outros
em prescrições tais, que os ponham em situação de criar produtos
equivalentes (...). 4) Que a natureza, pelo gênio, prescreve, não à
ciência, mas à arte a regra; e também isto somente na medida em que
esta última deve ser bela-arte. (1980, p.246)
No parágrafo 47, Kant vem elucidar e explicitar as afirmações anteriores sobre o
gênio que deve ser o oposto do espírito de imitação, aquele que tem a capacidade de
imitar não pode ser considerado como gênio. Quem pensa ou inventa por si mesmo ou
quem descobre algo novo para a arte ou a ciência ainda não é o fundamento para se ter,
nestas, uma cabeça de gênio. Para explicitar, dá o exemplo de Newton. Mesmo os
princípios da filosofia natural que Newton expôs, "por mais poderosa cabeça que seja
requerida para inventar tais princípios" (Kant: 1980, p.247), Kant acha que qualquer
pessoa pode aprender. Por outro lado, não se aprende a fazer poemas com espírito,
mesmo tendo lido ou estudado todas as prescrições da arte poética, e mesmo estas tendo
modelos excelentes. E Kant explica o motivo: os passos dados por Newton são
inteiramente claros, podendo ser repassados e demonstrados aos sucessores. O que não
acontece com Homero ou Wieland (poeta alemão contemporâneo de Kant), já que não
se sabe e não se pode demonstrar e nem ensinar o que se passa na cabeça de um poeta,
quais os elementos que se reúnem aí para originar o poema. Com isto, Kant distingue
especificamente o grande descobridor (Newton) daquele dotado pela natureza à belaarte (Homero), este seria merecedor da honra de ser chamado de gênio no entendimento
de Kant.
No parágrafo 49 da Crítica do juízo, após desenvolver a argumentação sobre as
faculdades da mente que constituem o gênio por meio do princípio que ‗vivifica a
alma‘, ou seja, a faculdade de exposição de Idéias estéticas, Kant diz que os poderes-damente que constituem o gênio são a imaginação e entendimento. Após desenvolver cada
um desses 'poderes-da-mente', chega-se aquilo que se denomina gênio:
1º – Um talento voltado para a arte e não para a ciência;
2º – Como talento artístico, pressupõe-se um conceito determinado do produto,
como um fim (entendimento) e uma representação da matéria (intuição), ou seja, uma
‗proporção da imaginação ao entendimento‘;
REVISTA DE ESTÉTICA E SEMIOTICA, BRASÍLIA, V. 2, N. 1 P. 33 - 48, JAN./JUN. 2012.
35
ERINALDO DE OL. SALES
3º – Na exposição de Idéias estéticas, o gênio tem rica matéria para que possa
representar a imaginação com toda liberdade e espaço para seguir a direção de todas as
regras, tendo como objetivo final a exposição do conceito dado;
4º – Finalidade não intencional, não procurada; liberdade de concordância da
imaginação com a legalidade do entendimento, não encontrada em nenhuma regra
científica ou imitação mecânica, pois somente é produzida pela natureza do gênio.
Dessa forma, pode-se caracterizar o gênio para Kant resumido em quatro
características:
1) Deve ser original, uma vez que o gênio é o talento para produzir aquilo que não
se pode oferecer regra nenhuma;
2) O gênio deve servir aos outros como medida, muito embora ele não tenha
surgido por imitação;
3) O gênio não pode indicar ou descrever como ele realiza sua produção;
4) A natureza deve oferecer ao gênio a regra para a arte, e não para a ciência.
O GÊNIO EM NIETZSCHE
Nietzsche , em seus escritos, abordou os temas mais caros da filosofia, da religião,
da arte, entre outros. E não poderia ter deixado de tratar da questão do gênio. Termo de
longa trajetória na tradição filosófica, desde a antiguidade. O estudo desse termo tem
uma grande ênfase no século XVIII, como os românticos alemães, e ponto comum
também de Nietzsche, os quais, por sua vez, partiram todos de Kant, que também
influenciou autores como Goethe e Schelling.
Fazendo o percurso inverso, buscamos o que seria o gênio para Nietzsche nos seus
fragmentos, escritos bem mais extensos do que as obras consagradas do filosofo: ―O
que é gênio? Querer um objetivo elevado e os meios para tanto‖ (Nietzsche: 2004,
p.265) Ou ―Gênio‖: será que viveu alguma vez um ser-acima-do-humano?‖ (idem,
p.291).
É importante destacar esse questionamento de Nietzsche, porque em alguns
momentos pode se ver ele mesmo como uma encarnação do gênio, ou próximo do
gênio:
REVISTA DE ESTÉTICA E SEMIOTICA, BRASÍLIA, V. 2, N. 1 P. 33 - 48, JAN./JUN. 2012.
36
ERINALDO DE OL. SALES
25 (9)
É claro e evidente que eu conheço tudo aquilo que se chama de
sofrimentos do gênio: ser ignorado, ser deixado de lado, as
superficialidades de todo grau, as superstições, as sacanagens;
eu sei como alguns acreditam estar fazendo algo bom para nós
quando tentam nos levar para situações ―mais cômodas‖, entre
pessoas ordeiras e confiáveis, eu tenho admirado o inconsciente
instinto da destruição que torna a medianidade mobilizada entre
nós, e isso com a melhor crença em ter direito a tanto. (...) (2008,
p.4)
Os gênios são formados por antíteses:
25 (202)
As antíteses copulando feito macho e fêmea para gerar Algo Terceiro –
gênese das obras dos gênios! (idem, p.51)
Um dos problemas do gênio é
Mais um Problema da Dieta. - Os meios através dos quais Júlio César se
defendia contra doenças e dores de cabeça: marchas gigantescas, o modo
de vida mais simples, permanência ininterrupta em um espaço aberto,
fadigas constantes. - Tomando por alto, estas são as punições em geral
estabelecidas em função da conservação e da proteção contra a extrema
vulnerabilidade daquela máquina sutil que trabalha sob a mais elevada
pressão e que se chama gênio. – (2001c, p.32)
Para o filósofo: O ―gênio‖ é a máquina mais sublime que existe, — e por isso
mesmo a mais frágil.(in Vontade de potência).
Ou então, na obra com o mesmo título:
183.
A grande moedagem falsa niilista com hábil abuso dos valores morais:
a) o amor considerado como despojamento da personalidade: da mesma
forma a compaixão;
b) somente o intelecto, despojado de sua personalidade (―o filósofo‖)
conhece a verdade, ―o ser‖ verdadeiro e a essência verdadeira das
coisas;
c) o gênio, os grandes homens são grandes porque não buscam nem a
si mesmos nem sua razão de ser: o valor do homem cresce na
proporção que nega a si mesmo; [destaque meu]
REVISTA DE ESTÉTICA E SEMIOTICA, BRASÍLIA, V. 2, N. 1 P. 33 - 48, JAN./JUN. 2012.
37
ERINALDO DE OL. SALES
No livro Além do bem e do mal (2005a), ele assim se expressa quanto ao gênio:
74. Um homem dotado de gênio é insuportável se além disso não tem pelo menos duas
outras qualidades: a gratidão e a polidez (p.63), ou no fragmento 151. Não basta ter
gênio, é preciso também ter permissão de tê-lo — que lhes parece, meus amigos? (p.70)
Mais adiante, ainda no Além do bem e do mal (2005), pode-se ler:
206
Frente a um homem de gênio, isto é, um ser que cria ou fecunda, estas
duas expressões tomadas em seu sentido mais lato, o homem de ciência,
o douto, tem sempre em si algo da solteirona, uma vez que exatamente
como esta não tem a menor idéia destas duas funções, as mais
importantes do homem. De fato, ambos, tanto a solteirona quanto os
doutos, são respeitáveis, à guisa de compensação, e em tais casos
também se a sublinha, mostrando um certo despeito ao se sentir
obrigado a fazer uma tal concessão.
(p.96)
Para Nietzsche, há duas espécies de gênio:
248
um que gera e quer gerar, e outro que quer ser fecundado e parir. Entre
os povos de gênio alguns receberam a incumbência do problema
feminino da gravidez e do trabalho secreto de formar, amadurecer,
aperfeiçoar — desta espécie foram os gregos e também os franceses -; os
outros são destinados a fecundar e serem a causa de novas ordens de
vida — como os judeus, os romanos e talvez também, com toda modéstia,
os alemães? povos dilacerados e extasiados por febres ignotas e
impulsos irresistíveis fora de seu ser, enamorados e cúpidos por raças
estrangeiras (daquelas que se deixam fecundar) e ao mesmo tempo
despótico, como tudo aquilo que sente em si a exuberância da força que
―fecunda‖, a ―graça de Deus‖. Estas duas espécies de gênio se
procuram, como o macho procura a fêmea, mas não sabem entender-se
entre si, como acontece entre macho e fêmea. (idem, p.141)
Nesses fragmentos, Nietzsche traça uma série de distinções quanto ao gênio e os
possíveis ―candidatos‖ a esse patamar, como no problema que ele coloca no fragmento
abaixo:
35 (25)
Problema: muitas espécies de grandes homens talvez não sejam mais
possíveis. P. ex., o santo. Talvez também o filósofo. Enfim, o gênio? (...)
(2008, p.450)
REVISTA DE ESTÉTICA E SEMIOTICA, BRASÍLIA, V. 2, N. 1 P. 33 - 48, JAN./JUN. 2012.
38
ERINALDO DE OL. SALES
Ou então:
25 (278)
Os maus, esses são especificamente para mim os que dão a reis etc. a
falsa imagem do ser humano mais poderoso, baseados no poder de
exércitos, funcionários (mesmo do gênio sem perfeição interior, como
Frederico, o Grande, e Napoleão), deixando aflorar a questão: para
quê? (idem, p.65)
Também questiona a eliminação do gênio, bem como o ―ser humano religioso‖
para se obter saúde:
25 (35)
Caso se quisesse saúde, então se eliminaria o gênio. Igualmente o ser
humano religioso. Caso se quisesse moralidade, igualmente: eliminação
do gênio. (idem, p.11)
Alguns ―candidatos‖:
25 (259)
Que se cometam e se agüentem muitas ações ruins, mantendo-se de pé
pela grandeza de um modo de pensar que não se sinta temor diante da
condenação da fama – uma firmeza e uma grandeza originais,
desconsiderando-se juízes de valor que foram aprendidos. (Em Rée
faltam todos os seres humanos originais)
Caracterizar Bismarck.
Do mesmo modo Napoleão – uma sensação de bem-estar sem igual
percorreu a Europa: o gênio deve ser senhor, o ―príncipe‖ idiota de
outrora aparecia como caricatura. – Somente os mais burros faziam
oposição, ou aqueles que tinham maior desvantagem com ele
(Inglaterra)
Não se entendem grandes homens: eles se perdoam qualquer crime, mas
nenhuma fraqueza. Quantos eles matam! Todo gênio – quão deserto
existem em torno dele! (idem, p.62)
Ou:
26 (420)
Em tudo o que Goethe fez, diz Mérimée, há uma mistura de gênio e de
idiotia teuta (bom! Isso é bem alemão!): ―será que ele está gozando
consigo mesmo ou com os outros?‖ – Wilhelm Meister: as mais belas
coisas do mundo se alternando com infantilidades as mais ridículas.
(idem, p.221)
REVISTA DE ESTÉTICA E SEMIOTICA, BRASÍLIA, V. 2, N. 1 P. 33 - 48, JAN./JUN. 2012.
39
ERINALDO DE OL. SALES
Nietzsche não poupa ninguém, seja Wagner ou Schopenhauer:
34 (151)
Sobre o ―gênio‖. Quão pouco talento, p. ex., em R[ichard] W[agner]!
Será que já houve alguma vez um músico que, aos 28 anos de idade,
fosse tão pobre (não tão pouco desenvolvido, tão pouco esclarecido, mas
tão pobre) a ponto de ficar com inveja de Meyerbeer – invejoso a tal
ponto que fosse capaz de se incomodar a vida inteira em relação a isso?
para, por via de conseqüência, com o rigor das ―almas belas‖, continuar
rancoroso contra ele por toda a sua vida? Por outro lado, vê-se como
Kant, com toda razão, elogia o esforço diligente e a persistência como
aquilo que etc. (idem, p.409)
Ainda sobre Wagner, (em Vontade de potência):
61.
Se num artista entende-se por gênio a maior liberdade, sob a égide da
lei, a leveza divina, a frivolidade no que há de mais difícil, Offenbach
tem muito mais direito de ser chamado ―gênio‖ que Richard Wagner.
Wagner é pesado, maciço; nada lhe é mais estranho que os momentos de
perfeição travessa, tais como o polichinelo de Offenbach os atinge,
cinco, seis vezes em quase todas as suas ―buffonneries‖. Mas, talvez, por
gênio, é mister entender-se outra coisa.
Sobre Schopenhauer (também em Vontade de potência):
420.
Schopenhauer interpretou a intelectualidade superior como uma
separação da vontade: não quis ver na libertação dos preconceitos
morais, que é própria do grande espírito que se liberta das algemas, a
imoralidade típica do gênio; artificialmente só fixou o que venerava
unicamente, o valor moral da ―renúncia‖, como condição da atividade
intelectual, perspectivas ―objetivas‖. A ―verdade‖, até na arte,
apresenta-se depois da supressão da vontade...
Através de todas as idiossincrasias morais, vejo uma avaliação
fundamentalmente diferente: não conheço essas separações absurdas
entre o gênio e o mundo da vontade moral e imoral. O homem moral é de
uma espécie inferior ao homem imoral, de uma espécie mais fraca; é um
tipo segundo a moral, não é porém seu próprio tipo; é uma cópia, uma
boa cópia ao rigor, — a medida de seu valor reside fora dele. Estimo o
homem pela quantidade de potência e pela plenitude de sua vontade; e
não conforme o enfraquecimento e a purificação da vontade; considero
uma filosofia que ensina a negação da vontade como uma doutrina de
aviltamento e de calúnia... Julgo a potência de uma vontade segundo o
REVISTA DE ESTÉTICA E SEMIOTICA, BRASÍLIA, V. 2, N. 1 P. 33 - 48, JAN./JUN. 2012.
40
ERINALDO DE OL. SALES
grau de resistência, de dor, de tortura que ela suporta para convertê-las
em seu favor; não censuro à existência seu caráter mau e doloroso, mas
espero que esse caráter se tornará um dia mais mau e mais doloroso
ainda...
Ou no fragmento abaixo:
25 (11)
... ele [Schopenhauer] jamais conseguiu transformar isso [a questão do
pessimismo] suficientemente em palavras, graças àquela boba
superstição do gênio que ele havia aprendido dos românticos , e graças
à sua vaidade, que o obrigou a ficar sentado um cima de uma filosofia
que tinha se originado de seu 26º ano de vida e que também é própria de
tal época da vida – como todos nós lá do fundo bem sabemos, não é
verdade, meus amigos? (2008, p.5)
E arremata, quanto a Schopenhauer:
34 (117)
NB. Schopenhauer, seduzido em sua juventude pelos românticos, e
desviado de seus melhores instintos, era no fundo um voltairiano da
cabeça aos pés e bem um filho do século passado – de resto também
levado para além do gosto francês por meio dos gregos e de Goethe, e
sobretudo – ele não era um teólogo! A ―imutabilidade do caráter‖, em
alemão talvez a preguiça, e além disso a crença na infalibilidade do
gênio (em alemão, talvez a vaidade) levaram-no apressadamente a
declarar sagrado o seu ―pecado de juventude‖, quero dizer, a sua
metafísica da vontade; e a não se ―desenvolver‖ mais. Um ser humano
com o talento dele tinha na cabeça o material para cinco sistemas
melhores, e cada um mais verdadeiro e mais falso que os demais. (idem,
p.398)
Ainda há outros:
34 (45)
Baudelaire, de gosto alemão, se algum parisiense pode chegar a tê-lo,
sente à maneira teuta ao não suportar Victor Hugo, chamando-o de um
―asno com gênio‖. (idem, p.376)
Quanto ao gênio nacional, ele escreve, em Vontade de potência:
35.
REVISTA DE ESTÉTICA E SEMIOTICA, BRASÍLIA, V. 2, N. 1 P. 33 - 48, JAN./JUN. 2012.
41
ERINALDO DE OL. SALES
Para a característica do GÊNIO NACIONAL, em relação ao que lhe é
estranho e atribuído:
O gênio inglês torna tudo quanto recebe mais grosseiro e mais natural.
O gênio francês dilui, simplifica, logiciza, enfeita.
O gênio alemão embrulha, transmite, confunde, moraliza
E continua:
60.
A separação entre o “público” e o “cenáculo” —: para o primeiro, é
preciso ser-se hoje charlatão;
no segundo, querem um ―virtuose‖ e nada mais! Os gênios
específicos deste século venceram esta separação e foram grandes nos
dois domínios; o grande charlatanismo de Vítor Hugo e Richard
Wagner, a par de verdadeiro virtuosismo, permitiu-lhes satisfazer aos
mais requintados sob o ângulo da arte. Daí a falta de valor: têm uma
ótica variável, quer dirigida para as necessidades mais grosseiras, quer
para as mais requintadas.
Por fim:
256
Todos os trabalhos secretos da alma dos homens mais profundos e de
maior amplitude de visão tendiam a preparar tal síntese e procurar
antecipar o europeu do futuro, sobretudo na aparência ou ainda nas
horas de fraqueza e na velhice lutaram pelo princípio da
"nacionalidade" — e repousaram de si mesmos tornando-se "patriotas".
O meu pensamento lembra os homens que tiveram renome: Napoleão,
Goethe, Beethoven, Stendhal, Heinrich Heine, Schopenhauer. Não
incorrerei em reprovação se a estes nomes eu juntar o de Richard
Wagner, acerca do qual não é preciso deixar-se induzir a formar um
falso conceito sobre a base de seus próprios mal-entendidos — gênios de
sua espécie raramente têm o direito de entender a si mesmos. Ainda
menos se deve considerar o caso trivial que se faz na França contra ele
— é um fato incontestável que entre o neo-romantismo francês e Richard
Wagner há uma íntima afinidade. (2005a, p.149)
Em outro fragmento, ele compara o estado de gênio com a neurose, como, p. ex.,
em: 253. (...) 9. problema da ‗saúde‘ e da ‗histeria‘ – Gênio = neurose (2007, p.129).
Embora, em outro momento, ele diga, ainda na compilação Vontade de potência:
358.
Da mesma forma que seria permitido hoje considerar o ―gênio‖ como
uma forma de neurose, poder-se-ia talvez fazer o mesmo da potência
REVISTA DE ESTÉTICA E SEMIOTICA, BRASÍLIA, V. 2, N. 1 P. 33 - 48, JAN./JUN. 2012.
42
ERINALDO DE OL. SALES
sugestiva artística, — e, realmente, nossos artistas são apenas parentes
bem próximos das mulherzinhas histéricas!!! Mas eis aqui um argumento
contra o ―hoje‖ e não contra os ―artistas‖...
Por que os fracos são vitoriosos
E prossegue:
389.
Em suma, os doentes e os fracos são mais compassivos, mais ―humanos‖
—; têm mais espírito, são mais mutáveis, mais múltiplos, mais divertidos,
— mais malignos; foram os doentes que inventaram a malignidade.
(Uma precocidade doentia encontra-se muitas vezes entre os raquíticos,
os escrofulosos e os tuberculosos. —) O espírito é próprio das raças
tardias: os judeus, os franceses, os chineses. (Os anti-semitas não podem
perdoar aos judeus o fato de terem espírito — e dinheiro. Anti-semita —
é um nome dos ―fracassados‖.) Os doentes e os fracos têm a seu favor a
fascinação, são mais interessantes que os bem saudáveis; o louco e o
santo — as duas espécies de homens mais interessantes... estreitamente
aparentadas com o ―gênio‖.
Abordado também no personagem Zaratustra:
31 (2)
(...)
No Zaratustra é necessário, portanto, abordar:
(...)
3) os solitários, os não-educados, os que-se-explicam-mal e degeneram,
sendo sua degeneração sentida como fundamento contrário à sua
existência (―neurose-do-gênio!‖) (2008, p.307)
Pois 31 (6) o gênio vê Zaratustra como a corporificação do seu pensamento
(idem, p.308)
Para Nietzsche, a questão da genialidade está associada à da arte e da produção
artística:
256. Apenas como um gênio, no ato da produção artística, se misturado
com o artista primordial do mundo, sabe algo da essência eterna da arte,
pois é nesse estado parecia tão maravilhosa, assombrando a imagem da
história que pode virar os olhos e olhar para si mesmo. Nesse momento
é, simultaneamente, sujeito e objeto, poeta, ator e espectador. (NT, 5)
(2007, p.133)
REVISTA DE ESTÉTICA E SEMIOTICA, BRASÍLIA, V. 2, N. 1 P. 33 - 48, JAN./JUN. 2012.
43
ERINALDO DE OL. SALES
É no livro Humano, demasiado humano (2005b) que Nietzsche trata, mais
enfaticamente, da questão do gênio ligado à arte, como nos fragmentos a seguir:
157
O gênio artístico quer proporcionar alegria, mas, se tiver num nível
muito alto, provavelmente lhe faltarão os que a desfrutem; ele oferece
manjares, mas não há que os queira. Isso lhe dá um pathos que às vezes
é ridículo e tocante; pois no fundo ele não tem o direito de obrigar os
homens ao prazer. Seu pífaro soa, mas ninguém quer dançar: pode isso
ser trágico? – talvez. Enfim, para compensar essa privação ele tem mais
prazer em criar do que o restante dos homens em todas as outras
espécies de atividade. Seu sofrimento é sentido como exagerado, porque
o seu tom de lamento é mais forte, e sua boca, mais eloqüente; em
algumas ocasiões o seu sofrimento é de fato muito grande, mas apenas
porque é grande sua ambição, sua inveja. O gênio do saber, como
Kepler e Spinoza, em geral não é tão ávido, e não faz tamanho caso de
seus sofrimentos e privações, na realidade maiores. Ele pode mais
seguramente contar com a posteridade e se despojar do presente;
enquanto um artista que faz o mesmo esta jogando um jogo desesperado,
em que o seu coração padecerá. (p.111-2)
162
De onde vem a crença de que só no artista, no orador e no filósofo existe
gênio? De que só eles têm intuição? (como o que lhe atribuímos uma
espécie de lente maravilhosa, com a qual vêem diretamente a essência).
Claramente, as pessoas falam de gênio apenas quando os efeitos do
grande intelecto lhes agradam muito e também não desejam sentir
inveja. Chamar alguém de ‖divino‖ significa dizer: ―aqui não
precisamos competir‖. E além disso: tudo o que esta completo e
consumado é admirado, tudo o que está vindo a ser é subestimado....A
arte consumada da expressão rejeita todo pensamento sobre o devir; ela
se impõe tiranicamente como perfeição atual. Por isto os artistas da
expressão são vistos eminentemente como geniais, mas não os homens de
ciência. Na verdade, aquela apreciação e esta subestimação não passa
de uma infantilidade da razão. (p.115)
163
Só não falem de dons e talentos inatos. Podemos nomear grandes
homens de toda espécie que foram pouco dotados. Mas adquiriram
grandeza, tornaram-se gênios (como se diz) ... Todos tiveram a diligente
seriedade do artesão, que primeiro apreende a construir perfeitamente
as partes, antes de ousar fazer um grande todo; permitiram-se tempo
para isso, porque tinham mais prazer em fazer bem o pequeno e o
secundário do que no efeito de um todo deslumbrante. (p.116)
Finalmente, n‘O livro do filósofo (2001b), Nietzsche escreve sobre a relação entre
o gênio filosófico e a arte:
REVISTA DE ESTÉTICA E SEMIOTICA, BRASÍLIA, V. 2, N. 1 P. 33 - 48, JAN./JUN. 2012.
44
ERINALDO DE OL. SALES
48
Qual a relação entre o gênio filosófico e a arte? Da relação direta pouco
se pode apreender. Devemos perguntar: o que é a arte, na filosofia? E a
obra de arte? O que resta depois que seu sistema, enquanto ciência, é
aniquilado? Ora, deve ser justamente este resíduo que domina o instinto
do saber e, também, o que nele existe de artístico. Por que se necessita
de tal freio? Porque, considerando do ponto de vista científico, é uma
ilusão, uma inverdade, que ludibria o instinto do conhecimento e só
provisoriamente o satisfaz. O valor da filosofia nesta satisfação não
corresponde à esfera do conhecimento, mas à esfera da vida, a vontade
de existência usa a filosofia tendo por fim uma forma superior de
existência. Não seria possível que arte e a filosofia se pudessem voltar
contra a Vontade: a própria moral está a servi-la. A toda-poderosa
Vontade. Uma das formas mais delicadas da existência, o Nirvana
relativo. (p.13-4)
Em Humano, demasiado humano, no capítulo IV, ele trata ―Da alma dos artistas e
escritores‖, e a introdução do parágrafo 162 refere-se ao Culto do gênio por vaidade:
Porque pensamos bem de nós, mas no entanto esperamos de nós
que possamos alguma vez fazer o esboço de uma pintura de Rafael ou
uma cena tal como a de um drama de Shakespeare, persuadimo-nos de
que a faculdade para isso é maravilhosa acima de todas as medidas, um
raríssimo acaso, ou, se ainda temos sentimento religioso, uma graça do
alto. Assim, nossa vaidade, nosso amor-próprio, propiciam o culto do
gênio: pois somente quando este é pensado longe de nós, como um
miraculum, ele não fere (...). (1983, p.104).
O gênio é também, para Nietzsche, um aprendiz, que nada faz senão ―pôr, edificar
e modelar pedras‖. E justifica a introdução do parágrafo:
Toda atividade do homem é complicada até o miraculoso, não
somente a do gênio: mas nenhuma é um ―milagre‖. — De onde então a
crença de que somente em artistas, oradores e filósofos há gênio? de que
somente eles têm ―intuição‖? (...) Os homens, evidentemente, só falam
do gênio ali onde os efeitos do grande intelecto lhes são mais
agradáveis, e eles, por sua vez, não querem sentir inveja. Denominar
alguém ―divino‖ quer dizer: ―aqui não precisamos rivalizar‖. (idem,
p.105)
No parágrafo 235 de Humano, demasiado humano, ao tratar, no capítulo V, dos
―Sinais de cultura superior e inferior‖, Nietzsche o inicia da seguinte forma:
REVISTA DE ESTÉTICA E SEMIOTICA, BRASÍLIA, V. 2, N. 1 P. 33 - 48, JAN./JUN. 2012.
45
ERINALDO DE OL. SALES
Gênio e Estado ideal em contradição — Os socialistas desejam
instaurar um bom-viver para o maior número possível. Se a pátria
duradoura desse bem-viver, o Estado perfeito, fosse efetivamente
alcançada, então, por esse bem-viver, o chão de que cresce o grande
intelecto, e em geral o indivíduo forte, estaria destruído: refiro-me à
grande energia. A humanidade se teria tornado demasiado débil, se esse
Estado tivesse sido alcançado, para poder ainda gerar o gênio. (idem,
p.105)
Ou seja, um mundo perfeito — também para os socialistas — não mais poderia
gerar o gênio.
Poderíamos ainda citar inúmeras passagens da obra de Nietzsche a respeito do
gênio. No entanto, encerramos este nosso ―mosaico de citações‖ com um fragmento de
Aurora, no qual ele fala do ―extravio moral do gênio‖:
53 6. O extravio moral do gênio — Numa certa categoria de
grandes espíritos, podemos observar um espetáculo penoso e até certo
ponto horrível: os seus momentos mais fecundos, os seus vôos em
direcção aos cumes e às regiões mais distantes parecem não estar
adaptados ao conjunto d sua constituição e ultrapassar as suas forças,
residindo aí uma constante deficiência e, com o tempo, um defeito da
máquina, que por seu lado, nas naturezas de uma tão alta
intelectualidade, se traduz em todas as espécies de sintomas morais e
intelectuais, muito mais do que em misérias físicas. Assim, o que há neles
de inexplicavelmente ansioso, vaidoso, odioso, invejoso, constrangido e
constrangedor e que brota subitamente para o exterior, todo o lado
excessivamente pessoal, a falta de liberdade em naturezas como as de
Rosseau e de Schopenhauer, podiam muito bem ser a seqüência de uma
periódica doença do coração, sendo esta por seu turno, conseqüência de
uma doença nervosa, e esta última conseqüência de... Na medida em que
gênios nos habita, somos cheios de intrepidez, como loucos e não
ligamos à vida, à saúde, à honra; sulcamos o dia num vôo mais livre que
o da águia, e na escuridão estamos mais seguros do que o mocho. Mas o
gênio abandona-nos subitamente, e não menos subitamente, um enorme
cansaço abate-se sobre nós: já não nos compreendemos, sofremos com
tudo o que não vivemos, estamos como no meio de rochedos nus, perante
a tempestade, e ao mesmo tempo somos como lamentosas almas de
criança que temem qualquer ruído ou sombra. – Três quartos do mal
cometido no mundo acontecem por cansaço, e este é, antes de mais, um
processo fisiológico. (s.d., p.232-3)
Dessa forma, pelo que foi apresentado nas passagens sobre o gênio, escritas por
Nietzsche, percebe-se que o filósofo coloca a ideia de gênio para além de um simples
ideal. Ele tenta destruir o ideal de gênio da tradição romântica e também – por que não?
– da tradição metafísica, pois o gênio se torna essencial para a busca de si mesmo, e não
mais como um ser excepcional, mas um indivíduo criativo e propenso a levar em conta
esse caráter criativo para a sua vida.
REVISTA DE ESTÉTICA E SEMIOTICA, BRASÍLIA, V. 2, N. 1 P. 33 - 48, JAN./JUN. 2012.
46
ERINALDO DE OL. SALES
No livro Crepúsculo dos ídolos, assim Nietzsche define, de forma quase
definitiva, o gênio:
Meu conceito de Gênio. - Grandes homens são assim como grandes tempos
um material explosivo, no interior do qual uma força imensa é acumulada.
Histórica ou fisiologicamente, o seu pressuposto é sempre que esta força
tenha se agrupado, amontoado, poupado e conservado por muito tempo
para eles, - que nenhuma explosão tenha tido lugar. Se a tensão tornou-se
grande demais em sua dimensão, é suficiente o estímulo mais acidental
para trazer o "gênio", a “ação”, o grande destino ao mundo. O que
importa então o meio circundante, a época, o "espírito do tempo", a
"opinião pública"! –
(...)
O grande homem é um fim; o grande tempo, a Renascença por exemplo, é um
fim. O gênio - em obra, em ação - é necessariamente um desperdiçador: do
fato de exaurir a si mesmo advém a sua grandeza... O instinto da autoconservação está como que exposto; a pressão ultraviolenta das forças que
estão se extravasando o impede de toda tentativa de proteção como esta e
de todo cuidado. Costuma-se chamar isto de "sacrifício"; é célebre o seu
"heroísmo" em meio a este sacrifício, sua indiferença frente ao próprio
bem-estar, sua entrega a uma idéia, a uma grande idéia, à pátria: tudo malentendidos... Ele extravasa, ele transborda, ele se consome, ele não se poupa
- com fatalidade, fatidicamente, involuntariamente como a irrupção de um
rio por sobre as suas margens é involuntária. Mas porque se deve muito a
tais explosivos, também lhes presentearam em contrapartida muitas coisas,
por exemplo um tipo de moral superior... Este é mesmo o modo de ser da
gratidão humana: ela compreende mal seus benfeitores. (2001c, p.45)
[Negrito meu]
Pode-se considerar que Nietzsche tenha iniciado sua discussão a respeito do seu
desenvolvimento do conceito de gênio na obra de juventude A origem da tragédia, com
os conceitos de dionisíaco e apolíneo. Desde os gregos já havia muita discussão a
respeito do que é o gênio, ou como ele se manifesta, embora tenha sido tratado à época
com outros termos (como daimon). Os românticos deram um passo a mais na discussão
dessa ideia de gênio, marcados fortemente pela influência de Kant. No entanto, é a
partir do livro Humano, demasiado humano que Nietzsche começa a insistir na ideia de
que o gênio não é um ser privilegiado, mas pode ser alcançado por qualquer pessoa que
está disposta a perceber em profundidade o caráter artístico dos conceitos que fazem
parte do mecanismo cognitivo do homem, tornando-se, assim, um ser autêntico e
criador. Embora o gênio tenha sido visto inicialmente como um ser dotado de dons
especiais e sobre-humanos. Em seguida, ele é visto como algo possível, pois pode ser
identificado como algo ensinado ao longo de um percurso, tendo um aprendizado.
REVISTA DE ESTÉTICA E SEMIOTICA, BRASÍLIA, V. 2, N. 1 P. 33 - 48, JAN./JUN. 2012.
47
ERINALDO DE OL. SALES
Nietzsche vê o gênio como alguém com um dom natural, que não pode ser
apreendido. Dessa forma, a razão do criador natural deve ser trabalhada para que, na
produção, o sentimento se una à razão para criar/gerar um produto de arte bela. Percebese, assim, que a faculdade da imaginação usa a matéria da natureza para criar
representações (ideias) que vão além dela mesma. Nietzsche aponta uma nova
perspectiva para o gênio artístico, uma vez que, para ele, é também um gênio filosófico
(também podendo ser militar ou religioso). O gênio, dessa forma, é aquele que possui o
―conhecimento do fundo do mundo‖, a intuição trágica.
No texto Schopenhauer como educador, para Nietzsche, a raiz da cultura é a
aspiração dos homens em renascerem com gênio, embora haja a resistência dos homens
de talento, que não possuem o gênio e impedem a geração deste. Todos os homens
podem ser educados, mas nem todos têm a possibilidade de atingir o ideal
schopenhauriano de gênio, ou seja, que todos trabalhem para que poucos atinjam a meta
da cultura, o engendramento do gênio. Os homens de verdade são aqueles que
conseguiram chegar a esse fim, a uma ―existência superior‖: os filósofos, os artistas e os
santos.
Para Nietzsche, o inimigo do filósofo é o Estado. Para ele, a filosofia deve nascer
como gênio filosófico, livre do pensamento da cultura e não ensinada pelo Estado.
É no Zaratustra que Nietzsche vê o equivalente do apolíneo e do dionisíaco, pois
há a busca do restabelecimento de uma noção de nobreza humana, na qual a noção de
gênio aparece com necessária à vida.
REFERÊNCIAS
ABRAMS, M. H. O espelho e a lâmpada. Teoria romântica e tradição crítica. São
Paulo: Editora Unesp, 2010.
KANT, Immanuel. Textos selecionados. Traduções de Tania Maria Bernkopf, Paulo
Quintela, Rubens Rodrigues Torres Filho. São Paulo: Abril Cultural, 1980.
Coleção Os Pensadores, v. II.
NIETZSCHE, Friedrich. Fragmentos do espólio. Primavera de 1884 a outono de 1885.
Seleção, tradução e prefácio de Flávio Kothe. Brasília: Editora Universidade de
Brasília, 2008.
___________. Estética y teoría de las artes. Prólogo, selección y traducción de Agustín
Izquierdo. Madrid: Tecnos, 2007
REVISTA DE ESTÉTICA E SEMIOTICA, BRASÍLIA, V. 2, N. 1 P. 33 - 48, JAN./JUN. 2012.
48
ERINALDO DE OL. SALES
___________. Além do bem e do mal. Tradução de Paulo César de Souza. São Paulo:
Companhia das Letras, 2005a.
___________. Humano, demasiado humano. Tradução de Paulo César de Souza. São
Paulo: Companhia das Letras, 2005b.
___________. Fragmentos do espólio. Junho de 1882 a inverno de 1883/1884. Seleção,
tradução e prefácio de Flávio Kothe. Brasília: Editora Universidade de Brasília,
2004.
___________. Além do bem e do mal. Tradução: Márcio Pugliesi. São Paulo: Hemus,
2001a.
___________. O livro do filósofo. Tradução de Rubens Eduardo Ferreira Frias. São
Paulo: Centauro, 2001b.
___________. Crepúsculo dos ídolos. Tradução de Edson Bini e Márcio Pugliesi. São
Paulo: Hemus, 2001c.
___________. Obras incompletas. Tradução de Rubens Rodrigues Torres Filho. 3. ed.
São Paulo: Abril Cultural, 1983. Coleção Os Pensadores.
___________. Aurora. s/l. Livros Rés, s.d.
___________. Fragmentos: 27: Verão — Outono de 1884. Tradução de Flávio Kothe.
Inédito.
___________.
Vontade
de
potência.
em:http://www.4shared.com/document/aKcVZ98C/Nietzsche__Vontade_de_potenci.htm. Acesso em: 29 jan. 2011
Disponível
REVISTA DE ESTÉTICA E SEMIOTICA, BRASÍLIA, V. 2, N. 1 P. 33 - 48, JAN./JUN. 2012.
Fly UP