...

A educação física na escola e o processo de

by user

on
Category: Documents
2

views

Report

Comments

Transcript

A educação física na escola e o processo de
A educação física na escola
A educação física na escola e o processo de formação
dos não praticantes de atividade física1
Suraya Cristina DARIDO*
CDD. 20.ed. 613.707
* Departamento de
Educação Física, Universidade Estadual
Paulista - Rio Claro.
Resumo
O objetivo do presente estudo foi verificar as origens e as razões pelas quais os alunos se afastam da prática
da atividade física regular analisando o universo da Educação Física na escola. Especificamente procurou-se:
a) levantar o número de dispensados das aulas de Educação Física na escola; b) investigar as opiniões dos
alunos a respeito das aulas de Educação Física e como elas se modificam ao longo dos ciclos escolares; c)
verificar quando os alunos iniciam o afastamento das aulas de Educação Física escolar e da prática da
atividade física fora da escola; e d) levantar informações do porque ocorre o afastamento dos alunos nas
aulas de Educação Física. Os dados foram coletados a partir da aplicação de um questionário contendo 14
questões a 1.172 alunos divididos entre a 5a. e 7a. série do Ensino Fundamental e 1o. ano do Ensino Médio da
rede pública estadual de Rio Claro. Os resultados indicaram que há um progressivo afastamento dos alunos
das aulas de Educação Física e da prática da atividade física fora da escola, além de um aumento do número
de alunos que não freqüentam/participam/apreciam as aulas regularmente
UNITERMOS: Educação Física na escola; Aderência; Evasão das aulas.
.
Introdução
A questão que se coloca neste trabalho é a seguinte: por quê tão poucas pessoas estão engajadas
em práticas regulares de atividade física, mesmo,
em alguns casos, conhecendo e reconhecendo os
seus benefícios? Qual é o papel das aulas de Educação Física na escola neste contexto? O que pensam
os alunos de suas aulas?
Entendemos, que uma grande parcela da população não chega a ter acesso, à educação, e também
não possuem as condições mínimas satisfeitas, o que
seriam, por si só, fatores relevantes para o afastamento da prática da atividade física regular. Há,
contudo, um grande número de indivíduos que
embora tenham as condições mínimas satisfeitas
para a prática da atividade física não a realizam.
Uma das hipóteses possíveis para o número reduzido de aderentes à prática da atividade física pode
residir nas experiências anteriores vivenciadas nas
aulas regulares de Educação Física. Muitos alunos
acabam não encontrando prazer e conhecimento
nas aulas de Educação Física e se afastam da prática
na idade adulta.
Atualmente entende-se a Educação Física na escola com uma área que trata da cultura corporal e
que tem como finalidade introduzir e integrar o
aluno nessa esfera, formando o cidadão que vai produzi-la, reproduzi-la e também transformá-la. Nesse
sentido, o aluno deverá ser instrumentalizado para
usufruir dos jogos, esportes, danças, lutas e ginásticas em benefício do exercício crítico da cidadania e
da melhoria da qualidade de vida, (BETTI, 1992).
A Educação Física na escola deveria propiciar condições para que os alunos obtivessem autonomia em
relação à prática da atividade física, ou seja, após o
período formal de aulas os alunos deveriam manter
uma prática de atividade regular, sem o auxílio de especialistas, se assim desejarem. Este objetivo é enormemente facilitado se os alunos encontram prazer nas
aulas de Educação Física, pois, apreciando determinada atividade é mais provável desejar continua-la, caracterizando uma ligação de prazer.
Um outro aspecto aponta para o caminho do
domínio cognitivo, ou seja, o conhecimento e o
reconhecimento da importância da atividade física,
Rev. bras. Educ. Fís. Esp., São Paulo, v.18, n.1, p.61-80, jan./mar. 2004 • 61
DARIDO, S.C.
que significa, entender, compreender o porquê
realizar atividade física, como realizá-la, quais os
efeitos, além de outros (DARIDO, RANGEL-BETTI,
R AMOS , G ALVÃO , F ERREIRA , S ILVA , R ODRIGUES ,
SANCHES, PONTES & CUNHA, 2001).
O prazer e o conhecimento sobre a prática da
atividade física teriam um valor bastante limitado
se os alunos não vivenciassem ou aprendessem os
aspectos vinculados ao corpo/movimento. Por isso,
a importância da Educação Física na escola é também garantir a aprendizagem das atividades corporais produzidas pela cultura.
É preciso reconhecer que crianças até
determinada fase da adolescência mantêm-se
razoavelmente ativas. Contudo, nota-se um grande
afastamento da atividade física logo após esse
período. De acordo com DISHMAN (1994) faz-se
necessário compreender quais são os fatores
responsáveis pela diminuição da atividade física na
passagem da infância para a adolescência, e desta,
para a idade adulta. Evidentemente, muitas
mudanças nos domínios do comportamento
ocorrem nesta transição. Contudo, a hipótese
levantada pelo autor refere-se às experiências dos
alunos durante o ciclo escolar, principalmente
durante os anos referentes ao Ensino Médio.
O que observamos nas aulas de Educação Física
é que apenas uma parcela dos alunos, em geral os
mais habilidosos, estão efetivamente engajados nas
atividades propostas pelos professores. Esses, por
seu lado, ainda influenciados pela perspectiva
esportivista, continuam a valorizar apenas os alunos que apresentam maior nível de habilidade, o
que acaba afastando os que mais necessitam de estímulos para a atividade física.
Os resultados imediatos destes procedimentos
são; um grande número de alunos dispensados das
aulas e muitos que simplesmente não participam
dela, e que provavelmente não irão aderir aos
programas sistematizados de atividade física.
Objetivo
O objetivo do presente estudo foi verificar as origens e as razões pelas quais os alunos se afastam da
prática da atividade física regular. Mais especificamente, procurou-se:
a) levantar o número de dispensados das aulas de
Educação Física na escola;
b) verificar como as opiniões dos alunos a respeito
das aulas de Educação Física se modificam ao
longo dos ciclos escolares;
c) verificar quando os alunos iniciam o afastamento das aulas de Educação Física escolar e da prática da atividade física fora da escola;
d) levantar informações do porque ocorre o afastamento dos alunos nas aulas de Educação Física.
Revisão bibliográfica
Educação Física na escola e a
perspectiva discente
Alguns estudos procuraram verificar a opinião
dos alunos sobre a prática regular da Educação Física na escola abordando diferentes questões que compõem o contexto pedagógico. Entre eles; CAVIGLIOLI
(1976), RANGEL-BETTI (1992), GALVÃO (1993),
DUMAZEDIER (1994), LOVISOLO (1995), GAMBINI
(1995), DE ÁVILA (1995) SANTOS (1996) e FIORIN
(1997), para citar alguns.
CAVIGLIOLI (1976) procurou investigar qual a
imagem da Educação Física na opinião dos escolares
de 106 turmas. Os resultados indicaram que o aluno
tem uma imagem fortemente valorizada da disciplina
relacionando-a com liberdade, alegria, interesse, beleza
e prazer, e ainda, com distração e não ao trabalho.
Além disso, os resultados mostraram que as opiniões dos alunos se modificam ao longo das séries
em função da faixa etária; dos 11 aos 13 anos os
pré-adolescentes manifestam, em relação ao esporte, uma grande espontaneidade e entusiasmo; dos
14 aos 16 anos é um período em que há grandes
variações individuais, os ritmos tornam-se mais variados, os alunos mais reservados e menos ativos.
Dos 11 aos 14 anos 90% dos alunos participam
regularmente das atividades corporais na escola, dos
15 aos 16 anos este número caí para 83%.
RANGEL-BETTI (1992) também procurou analisar
as expectativas dos alunos em relação à disciplina
62 • Rev. bras. Educ. Fís. Esp., São Paulo, v.18, n. 1, p.61-80, jan./mar. 2004
A educação física na escola
de Educação Física na escola. Os resultados
mostraram que os alunos identificam o professor
como o principal responsável pelo gostar ou não da
disciplina. Os escolares questionam os conteúdos e
as estratégias empregadas pelos seus professores. A
autora, na discussão dos resultados destaca que é
mais simples incentivar as crianças a praticar
atividade física do que aos adultos e por isso o
professor deveria estar atento para fazer de suas aulas
um momento saudável e prazeroso para os alunos.
O trabalho conduzido por GALVÃO (1993) procurou analisar a opinião apenas dos alunos que haviam solicitado dispensa (trabalho e saúde) das aulas
de Educação Física (N = 110). Os resultados indicaram que a maioria dos alunos (78%) entrevistados acredita que a Educação Física na escola não
cumpre o seu papel porque transmite pouco ou
nenhum conhecimento.
GAMBINI (1995) também procurou verificar a
opinião dos alunos dispensados sobre a prática da
Educação Física na escola. Os resultados mostraram que a maioria dos alunos não participa das aulas e pede dispensa por motivos de trabalho; em
seguida, os alunos apontam para a falta de material
e o desinteresse dos professores; a minoria afirma se
afastar das aulas por problemas de saúde. Entre estes alunos (dispensados) 37,5% realizam atividade
física em clubes ou academias. São dados alarmantes que mostram a ineficiência do ensino formal em
manter a motivação dos alunos. O descontentamento pelas aulas ocorre na opinião dos alunos porque
elas deveriam ser diferentes e necessitam de variações (música, outros esportes, etc.).
LOVISOLO (1995) procurou levantar informações
sobre os pontos de vista e opiniões formuladas por
alunos e seus responsáveis. Porque o autor acredita
que a partir da experiência escolar, e de representações
elaboradas estes pontos de vista devem ser levados em
alta consideração se pretendemos alcançar algum grau
de consenso em termos de projetos ou de propostas
para a ação educacional. A amostra desta pesquisa foi
formada por 703 informantes alunos e 432 informantes responsáveis por estes alunos de seis escolas municipais da cidade do Rio de Janeiro.
No tocante às questões relacionadas à Educação
Física os principais resultados desta pesquisa mostraram que as disciplinas mais valorizadas pelos alunos
são português e matemática e a Educação Física representa a disciplina que os alunos mais apreciam.
SANTOS (1996) procurou conhecer as razões pelas
quais alguns alunos do curso de graduação em
Educação Física, paradoxalmente, pediram dispensa
das aulas de Educação Física durante o Ensino
Médio (antigo 2o. grau). Os resultados mostraram
que estes alunos requisitavam dispensa por diferentes
razões; participavam de equipes de treinamento, não
gostavam da aula e do professor, pela distância da
escola e outros.
DUMAZEDIER (1994) importante sociólogo do
lazer, procurou identificar a opinião dos alunos em
relação à aprendizagem de alguns objetivos
educativos como: saber utilizar o tempo livre, “saber se virar na vida”, ser capaz de criar no plano
artístico, estar em boa condição física, etc. Ele constatou que os alunos consideram a via extra-escolar
a mais favorável para a realização dos objetivos relacionados à Educação Física, e não através do trabalho realizado na escola.
Mesmo que grande parte dos alunos prefira conteúdos esportivos, e estes sejam amplamente reforçados pela mídia existem outras atividades corporais que
podem ser apresentadas aos alunos. Nesta linha de
pensamento, DE ÁVILA (1995) procurou introduzir
um programa de atividades expressivas no segundo
grau. Os resultados mostraram que houve uma grande aceitação deste conteúdo por parte dos alunos. Do
mesmo modo, FIORIN (1997) analisou a opinião dos
alunos ao final de um programa de atividade física
para além dos conteúdos exclusivamente esportivos.
Os resultados atestaram que apesar dos alunos ainda
vincularem a Educação Física com a prática de esportes eles aprovam outras práticas corporais.
Para compreender as razões que levam os alunos
a se afastarem das aulas de Educação Física na escola, ou não, e/ou se aproximarem de práticas de
atividades físicas extra-curriculares, sentimos a necessidade de recorrermos aos estudos relativos à aderência, pois entendemos que um dos objetivos da
disciplina dentro da escola é oferecer condições para
que o aluno seja crítico em aspectos relacionados à
cultura corporal e oferecer condições para que ele
possa manter uma prática regular de atividades física após o término formal de ensino, beneficiando-se dos efeitos positivos da atividade física.
Aderência
A pesquisa do Datafolha sobre aderência2
O jornal a Folha de S. Paulo (60% DOS
BRASILEIROS..., 1997), em levantamento do Datafolha
procurou identificar o número de aderentes à atividade
física, as razões porque isto ocorre, e quais as variáveis
que interferem no processo de aderência.
Rev. bras. Educ. Fís. Esp., São Paulo, v.18, n.1, p.61-80, jan./mar. 2004 • 63
DARIDO, S.C.
Os números são contundentes e revelam algumas questões importantes sobre a atividade física
no país. A pesquisa do Datafolha (60% DOS BRASILEIROS..., 1997) identificou que 40% dos brasileiros realizam algum tipo de atividade física. Entre
esses, 62,5% são de homens e 37,5% de mulheres.
É importante ressaltar que esta pesquisa ouviu 2.000
pessoas de todo território nacional e que considerou como prática da atividade física, inclusive aquelas realizadas uma vez por mês ou aquelas com
objetivos de trabalho.
A diferença entre a participação feminina e masculina é bastante alta, indicando a necessidade de
maiores reflexões sobre as razões destas diferenças.
De acordo com os resultados da mesma pesquisa, entre os 60% que não praticam atividade física,
65% alegam falta de tempo ou excesso de trabalho.
Neste sentido, embora não tenha sido objeto específico da pesquisa do Datafolha (60% DOS BRASILEIROS...., 1997), sabe-se que a mulher enfrenta, em
muitos casos, a jornada dupla de trabalho, ou seja,
trabalho profissional e trabalho dentro de casa, além
dos cuidados com os filhos, levando-a, em conseqüência, a ter menos tempo disponível para as práticas esportivas ou de lazer.
A pesquisa do Datafolha (60% DOS BRASILEIROS....,
1997) procurou também identificar algumas variáveis que interferem na aderência, como a renda, a
escolaridade e a faixa etária.
De acordo com estes resultados o perfil dos praticantes
de atividade física assim se coloca; 62% têm curso superior,
58% têm renda superior a 20 salários mínimos e 47%
mora na região sul, enquanto que os não praticantes têm
69% até o 1o. grau, 65% moram na região nordeste e
64% têm renda mínima de 10 salários.
Os resultados das pesquisas realizadas por
STEPHENS e CASPERSEN (1994), citados por IAOCHITE,
(1999) e DISHMAN (1993), identificaram o mesmo
fenômeno em outros países. O primeiro autor relata que o grupo de maior nível de escolaridade é nos
EUA, de 1,5 a três vezes mais ativo do que o grupo
com menor escolaridade.
No Brasil os dados mostram que 46% dos indivíduos que praticam algum tipo de atividade física
têm entre 18 e 24 anos e no grupo que não pratica
66% estão na faixa etária de 45 e 60 anos.
WANKEL (1988) afirma que embora os mais
jovens ainda sejam o grupo mais numeroso de
aderentes à prática da atividade física, parece haver
uma tendência dos mais velhos também aderiram à
pratica. No Brasil, observando o aumento pelo
interesse da atividade física em grupos da 3a. idade,
pode estar ocorrendo fenômeno similar. Embora
tenhamos ainda um longo caminho a percorrer no
sentido da inclusão das faixas etárias e, sobretudo,
das classes de baixa renda.
Os dados do Datafolha (60% DOS BRASILEIROS...,
1997) revelam também que a maioria dos brasileiros
entrevistados, em torno de 53%, pratica atividade física para emagrecer/manter a forma, denotando o valor que permeia toda sociedade voltada para questões
estéticas. Outros 36% realizam atividade física por
julgarem que ela é importante para a saúde, 20% por
hábito, 16% por ordem médica, 13% voltados para o
lazer, 10% para combater o estresse e 5% como forma/meio de transporte.
Estes motivos se modificam ao longo do ciclo de
vida do indivíduo, enquanto as crianças e jovens são
atraídos pelo divertimento, prazer, melhoria das habilidades, possibilidades de vivenciar sucesso e vitória,
estar com amigos, na idade adulta é atribuído um peso
maior à estética e na terceira idade uma preocupação
maior pela saúde (BIDDLE, 1992).
Os motivos mais citados na pesquisa do Datafolha
(60% DOS BRASILEIROS...., 1997) para a não aderência à atividade física foram os seguintes: falta de tempo - 65%, não gostar de esporte - 18%, preguiça 10%, falta de dinheiro -10%, problemas de saúde 7%. WANKEL (1988) considera que os praticantes
de atividade física, na sua maioria, não dispõem de
mais tempo do que os não praticantes de atividade
física, o que pesa para o autor é a prioridade e a
maneira como organizam o tempo disponível.
Não é possível a generalização desta consideração para o nosso país, uma vez que grande parte da
população brasileira não dispõe de condições mínimas de sobrevivência, o que seria um real impedimento para as práticas corporais sistematizadas.
As atividades físicas mais praticadas pelos brasileiros segundo a mesma pesquisa são as seguintes: futebol - 14%, caminhada - 14%, ciclismo - 5%, ginástica
- 4%, natação - 3%, corrida - 2%, musculação - 2% e
voleibol - 2%. Estes resultados mostram a importância do futebol no país, o que não é novidade, porém,
indicam novas tendências, como por exemplo, o aumento dos indivíduos que praticam a caminhada ou
mesmo a exclusão do basquetebol entre os esportes
mais praticados pelos brasileiros.
Fatores que interferem na aderência
De acordo com OKUMA (1997) fatores que afetam
a aderência podem ser classificados em atributos pessoais presentes e passados, em ambiente presente e
64 • Rev. bras. Educ. Fís. Esp., São Paulo, v.18, n. 1, p.61-80, jan./mar. 2004
A educação física na escola
passados, e em aspectos da atividade física em si. Como
determinantes pessoais podem ser incluídas as características dos praticantes, tais como; faixa etária, sexo,
nível de escolaridade e renda, as razões que tornam os
indivíduos praticantes, suas motivações e interesses,
bem como suas condições de saúde.
Os determinantes ambientais são: a disponibilidade de tempo para a prática da atividade física, o
local em que ocorre. Os determinantes da atividade
física em si são considerados as características do
programa, como a sua periodicidade, distância, relação professor-aluno, etc.
Embora estes determinantes estejam relacionados,
e são múltiplos fatores responsáveis pela aderência aos
programas de atividade física, OKUMA (1997) considera que é necessário analisar a questão da aderência,
da não aderência e da desistência dos programas de
atividade física separadamente, pois há diferenças substanciais entre os determinantes.
Nas últimas duas décadas, observa-se um grande
aumento de parte da população praticante de algum
tipo de exercício físico. Nota-se ainda que este índice
de novos aderentes continua crescendo. Certamente,
o conhecimento dos benefícios proporcionados pela
realização do exercício, aliado a busca de uma manutenção ou melhora da saúde e a prática pela diversão
em si, são motivos que tem contribuído para um aumento no número de pessoas que iniciam um programa de exercícios físicos.
Contudo, a maioria dos aderentes procura no
exercício, uma forma de melhorar a estética corporal. Seria prematuro falar da adesão inicial, sem considerar brevemente a insatisfação das pessoas com a
auto-imagem frente ao modelo de corpo que vigora
nas sociedades contemporâneas. Nela, o corpo definido como esteticamente perfeito é bem mais leve
do que o preconizado pelos cientistas como ideal
de saúde. Em pesquisa realizada pelo Instituto Jaime Troiano, citada pela revista Veja, com mulheres
entre 20 e 45 anos das classes A e B de São Paulo,
comprovou que 90% estão profundamente insatisfeita com o próprio corpo, sendo que mais de 50%
delas gostariam de “afinar a silhueta”, tornando-se
mais magra. Embora, a maioria delas não seja obesa, 25% já se submeteram a intervenções cirúrgicas
com o objetivo de melhorar a estética e 60% faz
dieta para perder peso.
Evidentemente outros fatores mostram-se importantes
para a adesão inicial ao exercício, como por exemplo, maior
grau de escolaridade, maior nível sócio-econômico, pais
ou amigos praticantes e experiências passadas positivas ou
vivenciadas com sucesso.
Até alguns anos atrás, entre os mais jovens, o fator divertimento e prazer, aprendizado e melhora
de habilidades, estar com amigos e busca pelo sucesso eram os motivos principais que levavam à adesão. Mais recentemente, a aquisição de força
muscular, a aparência, o vigor e o controle de peso
tornaram-se motivos que vêm substituindo os anteriores (BIDDLE, 1992).
Uma vez iniciada a prática de exercícios físicos,
torna-se importante à manutenção da atividade
como um hábito incorporado à vida. Contudo, mais
de 50% das pessoas que começam a prática, desistem antes de completar um ano de exercícios
(DISHMAN & SALLIS, 1994).
Uma das maneiras mais rápidas de destruir o
entusiasmo pelo exercício, reside em prescrever exercício demais e/ou demasiadamente cedo, explicam
os autores. Nesta fase, tanto as características
ambientais, como pessoais, ou da própria prática
de exercício irão determinar a manutenção a curto
ou em longo prazo.
Algumas características que podem contribuir
com a manutenção em longo prazo deveriam ser
conhecidas por todos os profissionais da área da
Educação Física. Estas teriam que ser incluídas em
todo o programa de exercício físico. São elas: a) Proporcionar momentos de sucesso e prazer aos alunos, tornando a atividade o mais agradável possível;
b) Proporcionar condições favoráveis ao desenvolvimento da amizade, através do trabalho em grupo;
c) Procurar desenvolver atividades recreacionais alterando, na medida do possível, o local da prática;
d) Variar sempre as atividades, enfatizando a
criatividade durante o planejamento do programa,
uma vez que as pessoas reclamam da elevada repetição das atividades; e) Proporcionar desafios adequados às habilidades motoras individuais; f) Manter
uma relação positiva entre professor-aluno e os próprios alunos; g) Procurar adequar as habilidades ao
nível do grupo; h) Desenvolver atividades de intensidade leve à moderada, pois programas que exigem
alta intensidade ou muita técnica e habilidade colaboram para a desistência; i) Evitar atividades que
enfatizem demasiadamente a vitória; j) Incentivar a
participação do cônjuge ou namorado/a na mesma
atividade do praticante.
Somados a esses fatores em que o professor de
Educação Física poderá estar intervindo, outros
também se mostram capazes de definir o tempo
de manutenção na atividade, como: Auto-motivação, boa percepção do tempo disponível, experiências positivas marcadas por sucesso e alegria
Rev. bras. Educ. Fís. Esp., São Paulo, v.18, n.1, p.61-80, jan./mar. 2004 • 65
DARIDO, S.C.
na infância e adolescência e estado de fluxo durante a atividade. Este último, pode ser compreendido
como o sentimento durante a atividade em que há
um desligamento do ambiente, muita concentração, percepção alterada do tempo de atividade. De
acordo com CSIKSZENTMIHALYI (1992), estas pessoas sentem-se saudáveis e totalmente imersas na atividade que estão fazendo. Este estado tem sido
apontado como um dos principais motivos que levam as pessoas à prática permanente do exercício
físico por toda a vida.
Paralelo a esses numerosos fatores, que
enfatizaram as caraterísticas da atividade e do próprio praticante, há também outros que se mostram
importantes para a manutenção, como, a proximidade do local da prática e o apoio dos familiares.
Embora estes sejam importantes na manutenção,
freqüentemente são relatados somente como um fator determinante na fase de desistência da prática
de exercícios físicos (OKUMA, 1997).
Em um estudo longitudinal, com 236 homens e
idade entre 12 e 35 anos, realizado por VANREUSEL,
RENSON, BEUNEN, CLAESSENS, LEFEVRE, LYSENS e
VANDEN-EYNDE (1997), mostrou que pessoas que
na adolescência praticavam uma atividade de forma
recreativa, na idade adulta eram, após os 28 anos
de idade, quase duas vezes mais numerosos do que
os indivíduos que praticavam uma atividade de
forma competitiva.
Um outro fator a ser considerado ao iniciar a prática de exercícios está relacionado aos objetivos pessoais
dos praticantes. Segundo WANKEL (1993), os objetivos que não privilegiem a saúde como meta principal,
podem ser mais úteis e atingíveis, facilitando a manutenção a longo prazo. O autor explica que quando o
objetivo é a diversão, a aderência pode persistir durante muitos anos ou até mesmo durante toda a vida.
Segundo OKUMA (1997), a desistência é decorrente
da influência de diversos fatores que estão relacionados aos determinantes pessoais e ambientais. Dentre
os determinantes pessoais, são encontrados com muita freqüência, os seguintes fatores para a desistência: a)
falta de tempo; b) pouco apoio familiar; c) auto-percepção de baixa habilidade; d) dificuldades de relacionamento com os colegas de equipe e/ou também com
o professor ou o técnico, no caso de atividades coletivas e individuais supervisionadas.
Em trabalho realizado nos EUA por VANREUSEL
et al. (1997), foram investigados os motivos que
levam os alunos a se afastarem das aulas de Educação Física no ensino médio (antigo segundo grau).
Os resultados mostraram que 73% dos 1.438 alunos, não participavam das aulas, devido à percepção de baixa qualidade dessas, sendo que eram
sempre iguais, sem criatividade, além de enfatizar
sempre o papel do vencedor. Não bastasse isso, segundo os autores, um estilo de vida inativo durante
a adolescência tende a ser mantido na idade adulta.
Metodologia
A presente pesquisa é de natureza qualitativa e do
tipo descritiva. Através desta abordagem procurou-se
registrar, descrever, analisar e interpretar as opiniões
dos alunos a respeito da disciplina de Educação Física
e as suas implicações sobre o afastamento dos alunos
da prática da atividade física. Pesquisas deste tipo não
admitem visões parceladas ou isoladas, desenvolvendo-se numa interação dinâmica com o processo histórico social que vivenciam os sujeitos.
Sujeitos
Participaram deste estudo alunos das 5as. e 7as.
séries do Ensino Fundamental e do 1o. ano do
Ensino Médio, todos estudantes de escolas públicas
localizadas na cidade de Rio Claro.
A cidade conta com 13 escolas que trabalham
especificamente com o segundo segmento do
Ensino Fundamental e três escolas dentro do
próprio município que atendem os alunos do
Ensino Médio, perfazendo um total de
aproximadamente 15 mil alunos. Nas 5as., 7as. e
nos 1os. anos do Ensino Médio este número é
próximo de sete mil alunos. Para fins deste estudo
foram sorteados aleatoriamente 20% do total dos
sete mil alunos. Portanto, foram distribuídos
aproximadamente 1.400 questionários e retornaram
para a análise 1.172.
A opção pelas 5as. e 7as. séries do segundo segmento do Ensino Fundamental e 1o. ano do Ensino Médio (EM) deveu-se às características de
desenvolvimento destas faixas etárias. Na 5a. série é
a primeira vez, dentro do ensino formal, que os adolescentes tem aulas com professores especialistas em
Educação Física, e é nesta série que ocorre os primeiros contatos dos alunos com a disciplina.
66 • Rev. bras. Educ. Fís. Esp., São Paulo, v.18, n. 1, p.61-80, jan./mar. 2004
A educação física na escola
Esta fase é fundamental porque deve indicar,
como foi atestado nos trabalhos realizados
anteriormente por CAVIGLIOLI (1976), RANGELBETTI (1992), DARIDO (1999) que os alunos nesta
faixa etária apresentam grande interesse pelas aulas
de Educação Física, e que esta motivação vai
diminuindo conforme o avanço nos ciclos escolares.
É preciso lembrar que a maioria das crianças na
faixa etária de 10-11 anos ainda não passaram pelo
estirão de crescimento. Na 7a. série, ao contrário, a
maioria dos alunos, especialmente as meninas já passaram por este período e apresentam como conseqüência deste processo uma diminuição dos níveis
de habilidades motoras.
Material
As questões contidas no questionário
procuraram abordar os seguintes temas: a)
preferências pelas disciplinas escolares; b) a
importância das disciplinas dentro do currículo
escolar; c) a participação dos alunos nas aulas de
Educação Física; e d) a prática da atividade física
fora da escola.
Desta forma, procurou-se abranger um amplo
espectro de questões relacionadas à prática da
Educação Física na escola. É importante frisar
que, nas respostas obtidas através dos
questionários, avalia-se a representação que os
alunos têm a respeito dos seus valores e
procedimentos e não propriamente o que eles
fazem ou pensam de fato.
Procedimentos
Primeiramente a pesquisadora e os bolsistas
entraram em contato com a delegada de ensino para
informá-la sobre os objetivos do estudo e solicitar
autorização para realizar a coleta dos dados junto
às escolas sorteadas.
Foi solicitada às direções das escolas incluídas na
amostra, após contatos telefônicos, autorização para
aplicar os questionários em datas que foram
posteriormente agendadas.
Os questionários foram aplicados pelos bolsistas
durante as aulas que ocorrem nas salas. Os alunos
gastaram em torno de 10 minutos para responderem
as questões e o devolveram em seguida, sem necessidade
de levarem para a casa. Assim, procurou-se obter um
retorno maior no número de respostas.
A elaboração final do roteiro de entrevistas foi
precedida por uma aplicação piloto com um sala
de aula. O objetivo do piloto foi o de adequar ou
buscar maior coerência entre a intenção do estudo
e o instrumento utilizado.
Após a coleta dos dados referentes à aplicação
dos questionários com os alunos as informações
foram organizadas e analisadas. Em seguida, as
informações obtidas através da observação foram
transcritas, categorizadas e interpretadas.
Resultados e discussão
A seguir serão apresentados os resultados da coleta de dados realizada com 1.172 alunos das escolas públicas de Rio Claro, sendo 382 alunos da 5a.
série, 417 alunos da 7a. série, e 373 alunos do 1o.
ano do Ensino Médio, que responderam a um questionário contendo 14 questões.
É importante lembrar que os dados foram
coletados em meados do ano de 2.000, e que a distribuição dos alunos quanto à variável sexo foi a
seguinte:
TABELA 1 - Resultados da distribuição dos alunos
quanto a variável sexo.
Feminino
Masculino
5a. série
46,3%
53,7%
7a. série
51,2%
48,8%
1o. ano EM
50,1%
49,9%
1 - Coloque números de 1 a 3, sendo o
número 1 na frente da matéria que
você mais gosta, o no. 2 para a
segunda matéria que você mais gosta
e o no. 3 para a terceira matéria que
você mais gosta
5a. série
De acordo com os dados coletados pode-se observar
que a matéria preferida dos alunos é a disciplina de
Educação Física, a qual obteve 48,1% das indicações.
Em segundo lugar apareceu Português com 14,2% de
indicação, seguida pela disciplina de Ciências com
10,3%, Educação Artística com 10%, Matemática
com 7,2%, Geografia com 5,6%, Inglês com 3% e
História com 1,6% de indicação.
Rev. bras. Educ. Fís. Esp., São Paulo, v.18, n.1, p.61-80, jan./mar. 2004 • 67
DARIDO, S.C.
7a. série
De acordo com os dados coletados pode-se
observar que a matéria preferida dos alunos é a
disciplina de Educação Física, a qual obteve
49,7% das indicações. Em segundo lugar
apareceu Ciências com 13,5% de indicação,
seguida pela disciplina da Matemática com
11,6%, Educação Artística com 7,4%, Geografia
com 6%, Português com 5,4%, Inglês com 3,4%
e História com 3% de indicação.
1o. ano EM
De acordo com os dados coletados pode-se observar
que a matéria preferida dos alunos é a disciplina de
Educação Física, a qual obteve 44% das indicações.
Em segundo lugar apareceu Matemática com 14,8%
de indicação, seguida pela disciplina de Ciências com
11,4%, Educação Artística com 8,3%, Inglês como
8,1%, Português com 7,6%, História com 4,3% e
Geografia com 1,5% de indicação.
TABELA 2 - Resultados referentes à questão a
disciplina preferida dos alunos.
Educação Física
Português
Ciências
Educação Artística
Matemática
Geografia
Inglês
História
5a. série 7a. série 1o. ano do EM
48,1%
49,7%
44%
14,2%
5,4%
7,6%
10,3% 13,5%
11,4%
10%
7,4%
8,3%
7,2%
11,6%
14,8%
5,6%
6%
1,5%
3%
3,4%
8,1%
1,6%
3%
4,3%
O total de indicações para a Educação Física, somadas
as três primeiras opções foi de 81,1%, 73,4%, 72,6%
para a 5a., 7a., e 1o. ano EM, respectivamente.
A partir dos resultados pode-se depreender que a
Educação Física é a disciplina que os alunos mais apreciam, embora haja um ligeiro decréscimo no total de
indicações na passagem da 7a. para o 1o. ano do EM,
tal como foi apontado por CAVIGLIOLI (1976), em estudo realizado na França na década de 70.
Outro resultado que chama a atenção é grande
diferença entre a primeira opção na 5a.; 7a. série e
no 1o. EM a favor da Educação Física perante as
segundas opções.
Estes resultados mostram que a Educação Física
é disparadamente a disciplina preferida dos alunos
e a partir disso pode cumprir um papel importante
na identificação necessária de uma escola prazerosa
e atraente para os alunos. LOVISOLO (1998) é um
dos que afirmam que a disciplina de Educação Física
não pode se furtar a este objetivo devendo chamar
para si a tarefa de transformar a escola num lugar
atraente, excitante, emocionante.
De acordo com CAVIGLIOLI (1976) os alunos têm
tendência a apreciar disciplinas relacionadas à liberdade, alegria, interesse, beleza e prazer, e ainda com distração e que não sejam relacionadas com trabalho.
Os resultados indicam também que parte dos
alunos aprecia a disciplina de Matemática. Historicamente nem sempre foi assim, esta disciplina vem
conseguindo bons resultados a partir da
implementação de novas metodologias de ensino,
baseadas principalmente na solução de problemas.
Os dados mostram também que as disciplinas de
História, Geografia e Inglês ainda têm dificuldades
de atrair a atenção e o prazer dos alunos, necessitando rever suas ações pedagógicas.
2 - Coloque o no. 1 na frente de somente uma
matéria que você acha mais importante
5a. série
De acordo com os resultados sobre as matérias que
os alunos consideram mais importantes, os resultados
indicaram Português em primeiro lugar com 37,2%
das escolhas, seguido por Matemática com 25,4%,
Ciências com 11,8%, Inglês com 10,1%, Educação
Física com 8,2%, Geografia com 4,6%, História com
2% e Educação Artística com 0,7% de indicação.
7a. série
De acordo com os resultados sobre as matérias
que os alunos consideram mais importantes, os resultados indicaram Português em primeiro lugar
com 36,2% das escolhas, seguido por Matemática
com 29,8%, Inglês com 10,3%, Educação Física
com 10%, Ciências com 5,7%, História com 3,4%,
Geografia com 2,8%, e Educação Artística com
1,8% de indicação.
1o. ano EM
De acordo com os resultados sobre as matérias
que os alunos consideram mais importantes, os
resultados indicaram Português em primeiro lugar
com 45,4% das escolhas, seguido por Matemática
com 31,3%, Educação Física com 8,7%, Inglês com
5,9%, Ciências com 3,8%, História com 3%,
Geografia com 1%, e Educação Artística com 0,9%
de indicação.
68 • Rev. bras. Educ. Fís. Esp., São Paulo, v.18, n. 1, p.61-80, jan./mar. 2004
A educação física na escola
TABELA 3 -Resultados referentes à questão: “Coloque
o no. 1 na frente de somente uma matéria
que você acha mais importante”.
Português
Matemática
Ciências
Inglês
Educação Física
Geografia
História
Educação Artística
5a. série 7a. série 1o. ano do EM
37,2%
36,2%
45,4%
25,4% 29,8%
31,3%
11,8%
5,7%
3,8%
10,1% 10,3%
5,9%
8,2%
10%
8,7%
4,6%
2,8%
1%
2%
3,4%
3%
0,7%
1,8%
0,9%
3 - Coloque o no. 1 na frente de somente
uma matéria que você acha menos
importante
5a. série
Dentre as matérias menos importantes na opinião
dos alunos, aparece a Educação Artística em primeiro
lugar com 35% das escolhas, seguida da Educação
Física com 19,7%, Inglês com 17,7%, Português 9%,
História com 8,1%, Matemática com 4,9%, Geografia com 3,9% e Ciências com 1,7% de indicação.
7a. série
Dentre as matérias menos importantes na opinião
dos alunos, aparece a Educação Artística em primeiro
lugar com 43,8% das escolhas, seguida por Inglês com
18,4%, Educação Física com 13,4%, História com
7,4%, Matemática com 6,8%, Português 5,2%, Geografia com 3,1% e Ciênciascom1,9% de indicação.
1o. ano EM
Dentre as matérias menos importantes na opinião dos
alunos, aparece a Educação Artística em primeiro lugar
com 50,3% das escolhas, seguida da Educação Física com
16,9%, Inglês com 9,8%, História com 8,8%, Português
4,6%, Geografia com 3,7%, Matemática com 3,2%, e
Ciências com 2,7% de indicação.
TABELA 4 - Resultados referentes à questão: “Coloque
o no. 1 na frente de somente uma matéria
que você acha menos importante”.
5a. série 7a. série 1o. ano do EM
Educação Artística
35%
43,8%
50,3%
Educação Física
19,7% 13,4%
16,9%
Inglês
17,7% 18,4%
9,8%
Português
9%
5,2%
8,3%
História
8,1%
7,4%
8,8%
Matemática
4,9%
6,8%
3,2%
Geografia
3,9%
3,1%
3,7%
Ciências
1,7%
1,9%
2,7%
As disciplinas mais importantes na opinião dos alunos de todas as séries são: Português e Matemática.
Estes resultados não chegam a surpreender já que a
própria escola, na maioria dos casos, impõe um currículo com maior quantidade de aulas destas duas disciplinas, valorizando-as no interior da escola. Não se
discute, porém, a importância destes conhecimentos,
o que se pode questionar seria a sua supremacia diante
dos demais conteúdos.
Estes resultados corroboram aqueles verificados por
LOVISOLO (1995), ou seja, as disciplinas mais valorizadas na opinião dos alunos e da sociedade são Português e Matemática, advinda, em parte, da concepção
racionalista e funcionalista do ensino escolar. O que
pode ser confirmado principalmente no fato da disciplina de Educação Artística ter sido considerada por
mais da metade dos alunos a menos importante.
Outro fato que chama a atenção é o aumento das
indicações para as disciplinas de Português no Ensino
Médio, passando de 37,2% na 5a. série para 45,4%
no 1o. ano do EM, e o aumento de 25,4% na escolha
da Matemática para 31,3% no 1o. ano do EM.
Um dado que causa surpresa é a passagem da Educação Física de quinta disciplina mais importante na
5a. série, para quarta na 7a. série e terceira no 1o. ano
do EM. Ou seja, na opinião dos alunos conforme eles
envelhecem, a disciplina de Educação Física passa a
ter maior importância.
É um dado curioso porque os conhecimentos da
Educação Física não são cobrados nos vestibulares, que
é, em muitos casos, o objetivo principal dos alunos do
Ensino Médio. Uma interpretação possível destes resultados aponta para um reconhecimento da importância da saúde e da estética no universo dos alunos
mais velhos. Talvez isso possa justificar a Educação
Física na terceira escolha dos alunos.
A disciplina menos importante na opinião dos alunos, com larga margem perante as demais, é Educação Artística, que obteve 35% das indicações na 5a.
série, 43,8% na 7a. série e 50% no EM.
Não há grande variação do número de alunos que
consideram a Educação Física a disciplina mais importante, em torno dos 8 a 10%, provavelmente os
que mais participam das aulas.
4 - Você participa das aulas de Educação
Física em sua escola?
5a. série
Oitenta e nove e meio por cento dos alunos
afirmaram que participam “sempre” das aulas de
Rev. bras. Educ. Fís. Esp., São Paulo, v.18, n.1, p.61-80, jan./mar. 2004 • 69
DARIDO, S.C.
Educação Física, 10,2% responderam que
participam “às vezes” das aulas e 0,3% dos mesmos
“nunca” participam das aulas de Educação Física.
5 - O que você aprende em suas aulas de
Educação Física? (Pode-se marcar
mais de uma resposta)
7a. série
5a. série
Oitenta e seis vírgula dois por cento dos alunos
afirmaram que participam “sempre” das aulas de
Educação Física, 13,1% responderam que participam “às vezes” das aulas e 0,7% dos mesmos “nunca” participam das aulas de Educação Física.
De acordo com os dados obtidos, o que os alunos mais aprendem nas aulas de Educação Física
são práticas de esportes com 79% de indicações,
seguidos de brincadeiras com 48,3%, importância
e benefícios da Educação Física para a saúde com
37,8%, teoria sobre os esportes com 31,3%, “outros” (xadrez) com 6% e 2,3% dos alunos responderam que não aprendem nada.
1o. ano EM
Cinqüenta e sete vírgula um por cento dos alunos afirmaram que participam “sempre” das aulas
de Educação Física, 23,9% responderam que participam “às vezes” das aulas e 19% dos mesmos “nunca” participam das aulas de Educação Física.
TABELA 5 - Resultados da questão “Você participa das
aulas de Educação Física em sua escola?”.
Participa sempre
Participa às vezes
Nunca participam
5a. série
89,5%
10,2%
0,3%
7a. série
86,2%
13,1%
0,7%
1o. ano EM
57,1%
23,9%
19%
Estes resultados nos auxiliam na resposta a duas
questões colocadas inicialmente neste trabalho, que
são as seguintes: “Verificar como as opiniões dos
alunos a respeito das aulas de Educação Física se
modificam ao longo dos ciclos escolares” e “Verificar quando os alunos iniciam o afastamento das
aulas de Educação Física escolar e da prática da atividade física fora da escola.”
Os resultados mostraram que os alunos são bastante participantes na 5a. série, com quase 90% de
presença às aulas, passando para 57,7% no 1o. ano
do EM. Do mesmo modo pode-se observar uma
diminuição do número de alunos que afirmam participar “as vezes” da aula da 5a. para 7a. série, e da
7a. série para 1o. ano EM.
Um dado contundente é a passagem quase
inexpressiva do total de alunos “que nunca participam das aulas”, menos de 1% na 5a. e 7a. séries
para quase 20% dos alunos do 1o. ano do EM.
Pode-se afirmar analisando os dados desta
questão que há de fato um afastamento gradativo
da participação dos alunos da prática da Educação Física na escola, sobretudo no EM, mas que
se inicia antes, tal como foi verificado por
CAVIGLIOLI (1976).
7a. série
De acordo com os dados obtidos, o que os alunos
mais aprendem nas aulas de Educação Física são práticas de esportes com 72,7% de indicações, seguidos
de brincadeiras com 29%, importância e benefícios
da Educação Física para a saúde com 28%, teoria sobre os esportes com 24,7%, a alternativa nada recebeu
9% das indicações e alternativa outros 2,5%.
1o. ano EM
De acordo com os dados obtidos, o que os alunos mais aprendem nas aulas de Educação Física
são práticas de esportes com 57,8% de indicações,
seguidos da importância e benefícios da Educação
Física para a saúde com 27,2%, teoria sobre os esportes com 16,8%, 13,7% dos alunos responderam
que não aprendem nada nas aulas de Educação Física, a alternativa brincadeiras recebeu 7,2% e a alternativa outros 4,7%.
TABELA 6 - Resultados referentes à questão: “O que vocês
aprendem nas aulas de Educação Física?”
Esportes
Brincadeiras
Importância e
benefícios da AF
Teoria sobre esportes
Não aprendem nada
5a. série
7a. série
79%
48,3%
37,8%
72,7%
29%
28%
1o. ano
do EM
57,8%
7,2%
27,2%
31,3%
2,3%
24,7%
9%
16,8%
13,7%
Os conteúdos esportivos são predominantes nas
aulas de Educação Física, segundo as respostas dos
alunos em todas as séries, embora haja uma
diminuição nas indicações conforme os alunos
caminham na escola, passando de 79% de
indicações na 5a. série para 57% dos alunos do EM.
70 • Rev. bras. Educ. Fís. Esp., São Paulo, v.18, n. 1, p.61-80, jan./mar. 2004
A educação física na escola
Tal fato não chega a ser surpresa uma vez que a
disciplina de Educação Física recebeu a partir dos
anos 60 forte impulso no sentido de substituir a
ginástica pelo esporte enquanto conteúdo
hegemônico das aulas de Educação Física (BETTI,
1991; CASTELLANI FILHO, 1989).
Além disso, a predominância do conteúdo esportivo pode ser decorrente do amplo reforço oferecido pela mídia ao esporte e que acaba se refletindo
nas posições assumidas e muitas vezes cobradas pelos alunos quanto ao papel da Educação Física na
escola (DARIDO, 1995).
Era esperado, em função das novas proposições
para a Educação Física (BRASIL, 1999; GUEDES &
GUEDES, 1996; NAHAS, 1997, para citar alguns), que
houvesse um investimento nos conteúdos que pudessem esclarecer os benefícios e a importância da
prática da atividade física, sobretudo no Ensino
Médio. Tais conteúdos foram indicados por apenas
37,8% dos alunos da 5a. série e 27,2% dos alunos
do EM, ou seja, é possível que esses conteúdos apareçam eventualmente em apenas algumas escolas.
Outro dado que mostra as dificuldades enfrentadas pela
disciplina no interior da escola é o número de alunos que
indicaram que não aprendem nada na disciplina. Este
número aumenta gradativamente da 5a. série para o 1o.
ano do EM. Pode-se depreender destes dados, ou que a
percepção dos alunos se torna mais crítica ou há mesmo
uma deficiência das escolas em lidar com os novos interesses do jovem, ou ambos.
6 - O que você acha das suas aulas de
Educação Física? (Pode-se marcar mais
de uma resposta)
5a. série
Os resultados indicam que os alunos consideram as aulas de Educação Física “legais” com 86,5%
das indicações, animadas com 74%, muito fáceis
com 30,6%, sem importância 3%, difíceis com
2,1% e chatas com 1,7% de indicação por parte
dos alunos.
7a. série
Os resultados indicam que os alunos consideram as aulas de Educação Física “legais” com 80,7%
das indicações, animadas com 46,9%, muito fáceis
com 18,8%, chatas com 2,6% e as alternativas sem
importância e difíceis receberam 1,4% das indicações cada uma.
1o. ano EM
Os resultados indicam que os alunos consideram
as aulas de Educação Física “legais” com 67,4% das
indicações, animadas com 37%, muito fáceis com
11%, sem importância 5,7%, chatas com 5,1% e difíceis com 0,3% de indicação por parte dos alunos.
TABELA 7 - Resultados referentes à questão: “O que você
acha das suas aulas de Educação Física?”
Legais
Animadas
Muito fáceis
Sem importância
Chatas
Difíceis
5a. série
86,5%
74%
30,6%
3%
1,7%
2,1%
7a. série
80,7%
46,9%
18,8%
1,4%
2,6%
1,4%
1o. ano do EM
67,4%
37%
11%
5,7%
5,1%
0,3%
Tais resultados mostram que os alunos, em sua grande maioria, apreciam as aulas de Educação Física, pois
as consideram “legais” e “animadas”, o que pode estar
relacionado com a manifestação do estado de fluxo
conforme assinalou CSIKSZENTMIHALYI (1992).
No entanto, observa-se mais uma vez uma diminuição destas experiências positivas na opinião dos
alunos conforme se caminha para o Ensino Médio,
por exemplo, a aula é animada para 74% dos alunos
da 5a. série e no Ensino Médio este número é exatamente a metade, ou seja, para 37% dos alunos.
Além disso, no Ensino Médio é maior o número
de alunos que consideram a disciplina sem importância e chata e, ao mesmo tempo, diminui o número de alunos que a consideram uma disciplina
fácil. É provável que as atividades propostas nas aulas
de Educação Física se tornem na opinião dos alunos, mais exigentes quanto ao nível de habilidade,
ou a auto-exigência.
Estes resultados estão de acordo com aqueles
verificados por VANREUSEL et al. (1997) segundo a
qual os alunos do Ensino Médio, não participam
das aulas devido à percepção de baixa qualidade
delas.
7 - Como você se sente ao fazer as aulas
de Educação Física?
5a. série
Oitenta e oito e meio por cento dos alunos responderam que se sentem bem ao realizar as aulas,
10,4% indicaram que às vezes se sentem bem e 1,1%
dos alunos não se sentem bem ao realizar as aulas
de Educação Física.
Rev. bras. Educ. Fís. Esp., São Paulo, v.18, n.1, p.61-80, jan./mar. 2004 • 71
DARIDO, S.C.
7a. série
Oitenta e seis vírgula sete por cento dos alunos
responderam que se sentem bem ao realizar as aulas, 13,1% indicaram que às vezes se sentem bem e
0,2% dos alunos não se sentem bem ao realizar as
aulas de Educação Física.
1o. ano EM
Setenta e sete vírgula oito por cento dos alunos
responderam que se sentem bem ao realizar as aulas, 17,7% indicaram que às vezes se sentem bem e
4,5% dos alunos não se sentem bem ao realizar as
aulas de Educação Física.
TABELA 8 - Resultados referentes à questão: “Como você
se sente ao fazer as aulas de Educação Física?”.
5a. série 7a. série
Sentem-se bem
Sentem-se bem às vezes
Não se sentem bem
88,5%
10,4%
1,1%
86,7%
13,1%
0,2%
1o. ano
EM
77,8%
17,7%
4,5%
Novamente, estes dados apontam para o progressivo aumento de sentimentos nem sempre positivos em relação à disciplina no interior da escola,
pois há um decréscimo de alunos que afirmam que
se sentem bem nas aulas e um aumento do número
dos que não se sentem bem.
8- Atualmente você participa ou é
dispensado das aulas de Educação
Física?
5a. série
Os resultados mostram que atualmente 99,7%
dos alunos participam das aulas de Educação Física e 0,3% não participam das aulas.
7a. série
Os resultados mostram que atualmente 98,9%
dos alunos participam das aulas de Educação Física e 1,1% não participam das aulas.
1o. ano EM
Os resultados mostram que atualmente 79,7%
dos alunos participam das aulas de Educação Física e 20,3% não participam das aulas.
TABELA 9 - Resultados referentes à questão:
“Atualmente você participa ou é dispensado
das aulas de Educação Física?”.
Não são dispensados
São dispensados
5a. série
7a. série
99,7%
0,3%
98,9%
1,1%
1o. ano
do EM
79,7%
20,3%
Essa questão nos permite responder a mais uma
de nossas indagações a respeito da Educação Física
na escola, qual seja “Levantar o número de
dispensados das aulas de Educação Física na escola”.
Os resultados mostram que apesar de todos os
alunos consultados estudarem no período diurno e
a Educação Física ser obrigatória para estes alunos
tal como preconiza a LDB/96 artigo 26, em torno
de 20% dos alunos do Ensino Médio obtêm
dispensa das aulas. Por outro lado, é preciso
considerar que muitas escolas oferecem a disciplina
de Educação Física em período contrário ao das
demais disciplinas, prejudicando os alunos que não
têm condições de voltar à escola ou aos alunos
trabalhadores (D ARIDO , G ALVÃO , F ERREIRA &
FIORIN, 1999).
Algo que infelizmente ainda ocorre, embora não
haja mais amparo legal que justifique tais
procedimentos. Pode-se especular que esses 20%
dos alunos perderiam ótimas oportunidades de
terem acesso aos conhecimentos da cultura corporal,
o que aumentaria as chances de se tornarem não
aderentes à atividade física.
No Ensino Fundamental o número de pedidos
de dispensa é bastante reduzido, 0,3% na 5a. série
e 1,1% na 7a. série.
9 - Por quê você participa das aulas de
Educação Física ou pratica alguma
atividade física?
5a. série
Os resultados apontam que os motivos pelos
quais os alunos participam das aulas de Educação
Física ou da prática de atividades físicas são: melhorar a saúde com 52,6% de indicações, para se
divertir com 16,6%, para emagrecer ou ficar mais
forte com 13,1%, para ficar mais habilidoso com
12,6%, treinamento para competição com 3,3%,
por ordem médica com 0,8% e as alternativas “porque é obrigado a participar” e “outros” não receberam indicações.
72 • Rev. bras. Educ. Fís. Esp., São Paulo, v.18, n. 1, p.61-80, jan./mar. 2004
A educação física na escola
7a. série
Os resultados apontam que os motivos pelos
quais os alunos participam das aulas de Educação
Física ou da prática de atividades físicas são: para
melhorar a saúde com 44,4% de indicações, para
se divertir com 20,1%, para emagrecer ou ficar mais
forte com 15,9%, para ficar mais habilidoso com
8,9%, treinamento para competição com 3,5%,
“porque é obrigado a participar” recebeu 3,3%, para
ocupar o tempo livre 3,1% e a alternativa “outros”
0,8%, por ordem médica com 0,3%.
1o. ano EM
Os resultados apontam que os motivos pelos quais
os alunos participam das aulas de Educação Física ou
da prática de atividades físicas são: melhorar a saúde
com 46,1% de indicações, para se divertir com 13,8%,
para emagrecer ou ficar mais forte com 12,7%, para
ficar mais habilidoso com 8,5%, “outros” recebeu 5,8%
das indicações, “porque é obrigado a participar” 4,4%,
treinamento para competição com 3,6%, as alternativas para ocupar o tempo livre ficaram com 3,1%, por
ordem médica com 2%.
TABELA 10 - Resultados referentes à questão: “Por quê
você participa das aulas de Educação
Física ou pratica alguma atividade física?”.
5a. série 7a. série 1o. ano
do EM
Saúde
52,6% 44,4% 46,1%
Divertimento
16,6% 20,1% 13,8%
Emagrecer e ficar mais forte 13,1% 15,9% 12,7%
Mais habilidoso
12,6%
8,9%
8,5%
Os resultados mostram claramente a identificação
da disciplina com a dimensão da saúde, pois quase
metade dos alunos a entendem nesta perspectiva, diferentemente dos respondentes adultos (maiores de 18
anos) da pesquisa do Datafolha (60% DOS BRASILEIROS..., 1997), que afirmaram buscar a atividade física
por razões estéticas. BIDDLE (1992) já alertara para o
fato de que os objetivos dos praticantes se modificam
ao longo das faixas etárias.
Na verdade, o percurso da disciplina ao longo da
história esteve atrelado ao higienismo (CASTELLANI FILHO, 1991). Tal vínculo é reforçado nos meios de comunicação e também nos cursos de formação de
professores de Educação Física (DARIDO, 1999).
Não se trata de negar o papel da saúde no campo
da Educação Física, apenas considerar que esta
perspectiva exclusiva da saúde não permite vislumbrar
uma contribuição importante da Educação Física que
é a integração do aluno na esfera da cultura corporal,
para que ele possa usufruir, partilhar e transformar as
formas da atividade física (BETTI, 1992), o que seria
um objetivo mais abrangente, mas que inclui também
a discussão destes aspectos.
10 - Com relação ao professor atual de
Educação Física, você acha que
5a. série
Os dados obtidos com relação ao atual professor de
Educação Física mostram que este motiva os alunos a
participar das aulas com 77,8% das indicações, não
exige nada com 14% de indicação, xinga os alunos
que erram durante a aula com 6% e pune os alunos
com alguns castigos com 2,2% de indicação
7a. série
Os dados obtidos com relação ao atual professor
de Educação Física mostram que este motiva os alunos a participar das aulas com 67,7% de indicação
pelos mesmos, não exige nada com 27,7% de indicação, xinga os alunos que erram durante a aula
com 3,9% e pune os alunos com alguns castigos
com 0,7% de indicação
1o. ano EM
Os dados obtidos com relação ao atual professor de
Educação Física mostram que este motiva os alunos a
participar das aulas com 64,2% de indicação pelos mesmos, não exige nada com 33,9% de indicação, xinga os
alunos que erram durante a aula com 1,3% e pune os
alunos com alguns castigos com 0,6% de indicação.
TABELA 11 - Resultados referentes à questão “Com
relação ao professor atual de Educação
Física, você acha que”.
Motiva os alunos
Não exige nada
Xinga os alunos
Pune os alunos
5a. série
77,8%
14%
6%
2,2%
7a. série
67,7%
27,7%
3,9%
0,7%
1o. ano EM
64,2%
33,9%
1,3%
0,6%
A conduta do professor e seu estímulo aos alunos facilita o processo de autonomia dos mesmos
em relação à prática de atividade física, para que
futuramente eles possam manter uma prática regular sem o auxílio de um especialista, se assim desejarem (RANGEL-BETTI, 1992).
Rev. bras. Educ. Fís. Esp., São Paulo, v.18, n.1, p.61-80, jan./mar. 2004 • 73
DARIDO, S.C.
Pelas respostas obtidas depreende-se que a
maioria dos alunos entende que os professores os
motivam, mas este número também decai conforme
os alunos envelhecem, provavelmente porque eles
se tornam mais críticos e com outras experiências
que permitem uma comparação mais apurada.
Por outro lado, os dados permitem afirmar que os
professores de uma maneira geral e particularmente
os de Educação Física, vem deixando de ter uma posição autoritária. Poucos alunos fizeram referências às
punições e xingamentos que eram práticas bastante
freqüentes dos professores de Educação Física, conforme assinalou MOREIRA (1991).
Embora, não tenha sido objeto desta pesquisa,
pode-se sugerir que esteja havendo uma inversão,
qual seja, de professores rígidos para aqueles que se
aproximam mais do perfil “acomodado”, também
não apropriado aos desejos de uma Educação de
qualidade, pois mais de 30% dos alunos consultados do Ensino Médio afirmaram que os professores não exigem nada deles.
11 - Seu professor de Educação Física trata
melhor os alunos que jogam melhor?
5a. série
Setenta e quatro vírgula oito por cento dos alunos afirmaram que seu professor de Educação Física não trata melhor os alunos que se destacam nos
esportes, 12,5% dos alunos lembraram que seu professor trata melhor aqueles alunos que se destacam
e 12,7% relataram que apenas, às vezes, o professor
trata com diferença seus alunos.
7a. série
Sessenta vírgula sete por cento dos alunos afirmaram que seu professor de Educação Física não
trata melhor os alunos que se destacam nos esportes, 18% dos alunos lembraram que seu professor
trata melhor aqueles alunos que se destacam e
21,3% relataram que apenas, às vezes, o professor
trata com diferença seus alunos.
1o. ano EM
Sessenta e cinco vírgula um por cento dos alunos afirmaram que seu professor de Educação Física não trata melhor os alunos que se destacam nos
esportes, 10,1% dos alunos lembraram que seu professor trata melhor aqueles alunos que se destacam
e 24,8% relataram que apenas, às vezes, o professor
trata com diferença seus alunos.
TABELA 12 - Resultados referentes à questão: “Seu
professor de Educação Física trata
melhor os alunos que jogam melhor?”.
Tratamentos iguais
Tratam melhor os que se
destacam
Tratam às vezes melhor
os que se destacam
5a. série
7a. série
74,4%
12,5%
60,7%
18%
1o. ano
do EM
65,1%
10,1%
12,7%
21,3%
24,8%
O histórico da disciplina de Educação Física no
interior da escola aponta para uma prática que tradicionalmente excluiu parte dos alunos das suas atividades, tal como relata BETTI (1991), PCNs (BRASIL, 1998)
e CENP (SÃO PAULO, 1990), para citar alguns.
Essa exclusão pode ocorrer porque os alunos são
menos habilidosos, obesos, portadores de necessidades especiais, tímidos etc, o que pode ser o caso
dos 10 a 18% dos alunos que responderam que em
todas as ocasiões os seus professores tratam melhor
alguns alunos e para as vezes entre 12 a 14%.
Na verdade, deve-se buscar superar totalmente esta
visão de exclusão proporcionando uma Educação Física para todos. Embora o professor seja em parte responsável pela manutenção destes procedimentos
porque não adverte os alunos, é preciso ressaltar que
os próprios alunos também praticam a exclusão.
12 - O que você mais gosta de fazer? Escolha
duas opções abaixo
5a. série
Os resultados indicam que a prática de esportes
é a atividade mais realizada pêlos alunos, pois obteve 31,9% de escolha, assistir televisão aparece em
segundo lugar com 25%, logo em seguida está conversar com os amigos com 14,3%, jogar videogame
com 9,6%, estudar obteve 6,5%, computador com
5,5%, ajudar pai e mãe com 4,7%, ler jornais e revistas com 2% e trabalhar com 0,5% de indicações.
7a. série
Os resultados nos indicam que a prática de esportes é a atividade mais realizada pelos alunos, pois obteve 29,2% de escolha, assistir televisão aparece em
segundo lugar com 28%, logo em seguida está conversar com os amigos com 21,8%, jogar videogame
com 8,1%, computador com 4,8%, ajudar pai e mãe
74 • Rev. bras. Educ. Fís. Esp., São Paulo, v.18, n. 1, p.61-80, jan./mar. 2004
A educação física na escola
com 6,3%, ler jornais e revistas com 0,7% e estudar
0,6% e trabalhar com 0,5% de indicações.
1o. ano EM
Os resultados nos indicam que conversar com os
amigos com 26,6% e a prática de esportes com 26,2%
são as atividades mais realizadas pelos alunos, assistir
televisão com 24,4%, estudar obteve 6,5%, ajudar pai
e mãe com 4,6%, ler jornais e revistas com 3,4%, computador com 3,2%, jogar videogame com 2,6%, e
trabalhar com 0,5% de indicações.
TABELA 13 - Resultados referentes à questão: “O que
você mais gosta de fazer? Escolha duas
opções abaixo”.
Praticar esportes
Assistir TV
Conversar c/ amigos
Jogar videogame
Estudar
Computador
Ajudar pai-mãe
Ler jornais e revistas
As práticas da cultura corporal podem constituir-se em objetos de estudo e pesquisa sobre o ser
humano e sua produção cultural. A aula de Educação Física, além de ser um momento de fruição corporal, pode configurar-se num momento de reflexão
sobre o corpo, a sociedade, a ética, a estética e as
relações inter e intrapessoais.
Além disso, tal como propõe BETTI (1998), a
Educação Física na escola não pode ignorar a mídia
e as práticas corporais que ela retrata, bem como o
imaginário que ela ajuda a criar. As aulas de Educação Física na escola devem fornecer informações
relevantes e contextualizadas sobre os diferentes temas da cultura corporal, pois caberá à disciplina
manter um permanente diálogo crítico com a mídia,
trazendo-a para reflexão no contexto escolar.
13 - Você pratica algum esporte ou atividade
física fora da escola?
5a. série 7a. série 1o. ano do EM
31,9% 29,2%
26,2%
25%
28%
24,4%
14,3% 21,8%
26,2%
9,6%
8,1%
2,6%
6,5%
0,7%
6,5%
5,5%
4,8%
3,2%
4,7%
6,3%
4,6%
2%
0,7%
3,4%
5a. série
A partir dos resultados obtidos, observa-se que a
prática de esportes é a atividade preferida pelos alunos em todas as faixas etárias. No entanto, há uma
ligeira diminuição desse interesse.
Percebe-se também que as demais atividades escolhidas, tais como; assistir TV, conversar com amigos,
jogar videogame, e ficar no computador são atividades predominantemente sedentárias, e todas com exceção de conversar com amigos, estão relacionadas às
novas tecnologias e a práticas individuais.
Na verdade, se por um lado o avanço tecnológico
tem contribuído para disponibilizar um maior número de informações e para oferecer um maior conforto
à população, através de máquinas, equipamentos eletrônicos e meios de locomoção, pôr outro lado esse
fenômeno é responsável pôr um estilo de vida menos
ativo e mais sedentário. Tais características marcantes
da modernidade têm sido apontadas como as principais responsáveis pelo aumento dos riscos de diversas
doenças crônicas. Estudos mostram que essas doenças
são quase duas vezes mais comuns em pessoas inativas
do que naquelas que se exercitam.
Neste contexto cabe às aulas de Educação Física
discutir as mudanças no comportamento corporal
decorrentes do avanço tecnológico e analisar o impacto
delas na vida do cidadão. Os alunos deveriam
compreender estas transformações, bem como analisar
as relações que se estabelecem com o presente.
Os resultados obtidos mostram que 70,6% dos alunos, ou seja, a maioria pratica algum esporte ou atividade
física fora da escola, 18% informaram que realizam esta
prática apenas às vezes, e 11,4% dos alunos relataram que
não praticam esporte ou atividade física fora da escola.
7a. série
Os resultados obtidos mostram que 56,5% dos alunos, ou seja, a maioria pratica algum esporte ou atividade
física fora da escola, 20,3% informaram que realizam esta
prática apenas às vezes, e 23,2% dos alunos relataram que
não praticam esporte ou atividade física fora da escola.
1o. ano EM
Os resultados obtidos mostram que 48,2% dos alunos, ou seja, a maioria pratica algum esporte ou atividade
física fora da escola, 24,3% informaram que realizam esta
prática apenas às vezes, e 27,5% dos alunos relataram que
não praticam esporte ou atividade física fora da escola.
TABELA 14 -Resultados referentes à questão: “Você
pratica algum esporte ou atividade física
fora da escola”.
Pratica esporte ou
atividade física
Pratica às vezes
Não pratica
5a. série 7a. série 1o. ano do EM
70,6% 56,6%
48,2%
18%
11,4%
20,3%
23,2%
24,3%
27,5%
Rev. bras. Educ. Fís. Esp., São Paulo, v.18, n.1, p.61-80, jan./mar. 2004 • 75
DARIDO, S.C.
A grande participação dos alunos em práticas de
atividades físicas fora da escola pode ser analisada
através de diferentes pontos de vista. Num deles,
pode indicar que os alunos por gostarem muito da
atividade física procuram algo mais do que apenas
as aulas de Educação Física. Por outro lado, tal fato
pode ocorrer pela falta de capacidade das escolas
em absorver os interesses dos alunos, ou seja, dar
aos alunos outras opções de atividades extra
curriculares como, por exemplo: turmas de treinamento, danças, lutas, tardes esportivas, etc.
É preciso lembrar que os alunos que participaram desta pesquisa são todos de escola pública e
por isso deve haver entre eles alguns alunos com
dificuldades financeiras para participarem de atividade física/esportes fora do ambiente escolar.
Os resultados indicam também um aumento
considerável ao longo das séries do número de alunos que não praticam esportes ou atividade física,
que passa de 11,4% na 5a. série para 27,5% no
Ensino Médio.
14 - Quais os esportes ou atividades que
você mais pratica?
5a. série
Podemos observar que dentre as atividades mais
praticadas pelos alunos, as mais citadas foram: futebol, seguido pela natação, basquetebol, voleibol,
dança, capoeira e tênis de mesa.
7a. série
Podemos observar que dentre as atividades mais
praticadas pelos alunos, as mais citadas foram:
futebol, seguido por andar de bicicleta, natação,
basquetebol, voleibol, dança, tênis de mesa.
1o. ano EM
Podemos observar que dentre as atividades mais
praticadas pelos alunos, as mais citadas foram: o
futebol, seguido pela natação, basquetebol, voleibol, andar de bicicleta, dança.
TABELA 15 - Resultados referentes à questão: “Quais
os esportes ou atividades que você mais
pratica?”.
5a. série 7a. série 1o. ano do EM
Futebol
1a.
1a.
1a.
Natação
2a.
3a.
2a.
Basquetebol
3a.
4a.
3a.
Voleibol
4a.
5a.
4a.
Dança
5a.
6a.
6a.
Tênis de mesa
6a.
7a.
Andar de bicicleta
2a.
5a.
Estes resultados representam, em grande medida, tendências da prática da atividade física do brasileiro. Os resultados da pesquisa do Datafolha
(60% DOS BRASILEIROS..., 1997) mostram que metade da população brasileira masculina que é aderente à atividade física prefere a prática do futebol.
Além disso, culturalmente, o Brasil é o país do futebol
e é por isso o esporte mais exposto na mídia, ocorrendo os
maiores investimentos financeiros nessa modalidade.
A natação acabou surpreendendo ficando em segundo lugar na preferência dos alunos, isto pode ser
explicado pelo prazer que a água proporciona aos seus
praticantes, levando ao desejo de se aprender e praticar esta atividade, por razões de sobrevivência e porque esta atividade é uma das mais indicadas pela classe
médica (DARIDO & FARINHA, 1995).
O bom posicionamento da modalidade basquetebol
pode ser explicado pela tradição que está modalidade tem
na cidade, que já teve equipes de alto nível. Isto deve explicar o seu lugar à frente do voleibol na escolha dos alunos,
indicando a importância da cultura local.
Considerações finais
Procurou-se neste estudo investigar como e
porque ocorre o afastamento dos alunos da prática
da atividade física e o papel da disciplina de
Educação Física neste processo.
Os resultados em relação a estas questões
mostraram que em torno de 20% dos alunos do
1o. ano do Ensino Médio são dispensados das aulas
de Educação Física na escola, um número bastante
expressivo, considerando que todos os indivíduos
devem ter acesso à cultura corporal e beneficiar-se
de suas práticas.
Um outro aspecto das dispensas no interior da
escola, é que ela é, no mínimo discutível, do ponto
de vista legal, dentro do que está disposto na LDB/
96. Este é um fato que precisa ser mais discutido
pela categoria de professores, no sentido de
esclarecer aos membros da comunidade escolar,
sobre os aspectos que dizem respeito à ilegalidade
76 • Rev. bras. Educ. Fís. Esp., São Paulo, v.18, n. 1, p.61-80, jan./mar. 2004
A educação física na escola
das solicitações de dispensas e, sobretudo sua
ilegitimidade.
Os resultados deste estudo mostram que quase
metade dos alunos do Ensino Médio consideram a
Educação Física como sua matéria preferida, mas
ao mesmo tempo 20% solicitam dispensas. É possível que as solicitações de dispensa ocorram principalmente nas escolas que oferecem a disciplina
fora do período das demais disciplinas.
É preciso lembrar que muitas escolas brasileiras, em
função de vários fatores (condições climáticas, organização curricular, condições de espaço, material e outros) optam por oferecer a disciplina em período
alternado ao das demais disciplinas. Para o aluno
retornar a escola, muitas vezes distante de sua casa, ou
para o aluno trabalhador, a Educação Física fora do
período se constitui numa dificuldade extra o que gera,
como conseqüência, um aumento do número de alunos afastados da cultura corporal.
Cabe à escola e ao professor de Educação Física, de
acordo com a sua realidade, ponderar sobre as melhores condições para oferecimento da disciplina.
Os resultados mostraram que há de fato um progressivo afastamento dos alunos da Educação Física na escola e também da atividade física realizada
fora da escola.
As aulas de Educação Física no Ensino Médio
são quase sempre uma repetição dos programas de
Educação Física do Ensino Fundamental, ou seja,
se resumem às práticas dos fundamentos e a execução dos gestos técnicos esportivos. É como se a Educação Física se restringisse a essas práticas (COSTA,
1997). Não se trata, evidentemente de desprezá-las
no contexto escolar, mas sim de ressignificá-las.
Na verdade, tendo em vista a formação que se
pretende, há nas novas proposições para a Educação Física no Ensino Médio uma variedade enorme de aprendizagens a serem conquistada, bem
como das diferentes formas de atuação do professor na condução do ensino (DARIDO, 2002).
Os alunos possuem, na maioria das vezes, opinião
formada sobre a Educação Física baseados em suas
experiências pessoais anteriores. Se elas foram
marcadas por sucesso e prazer, o aluno terá,
provavelmente, uma opinião favorável quanto a
freqüentar as aulas. Ao contrário, quando o aluno
registrou várias situações de insucesso, e de alguma
forma se excluiu ou foi excluído, sua opção será
pelo afastamento das aulas ou a passividade perante
as atividades, COSTA (1997). Transformar essas
opiniões constitui um enorme desafio para os
professores de Educação Física.
Adotar a concepção de um ensino inclusivo pode
amenizar este afastamento. É preciso superar o
histórico da disciplina, que em muitos momentos
resultou numa seleção entre indivíduos aptos e
inaptos. A Educação Física na escola deve oferecer
oportunidades para que todos os alunos tenham
acesso ao conhecimento da cultura corporal, como
um conjunto articulado de informações necessárias
à formação do cidadão, de forma democrática e não
seletiva. Nesse contexto, também os alunos
portadores de necessidades especiais não podem ser
privados das aulas de Educação Física.
Muitos professores, mesmo quando alertados
para a exclusão de grande parte dos alunos, em virtude do enraizamento de determinadas atividades
excludentes, apresentam dificuldades em refletir e
modificar tais procedimentos e atividades.
A Educação Física, em função da ênfase esportiva, tem deixado de lado importantes conhecimentos produzidos ao longo da história da
humanidade, como as danças, as lutas, os esportes ligados à natureza, os jogos, bem como o conhecimento sobre o próprio corpo, e que podem
se constituir em objeto de ensino e aprendizagem. As danças podem comparecer com maior
freqüência nas aulas de Educação Física na escola. Diferentes experiências têm mostrado que este
trabalho pode ser realizado, e é bem sucedido
especialmente quando se considera o conhecimento e os interesses que o jovem traz consigo a
respeito dos diferentes ritmos e danças.
Na verdade, os professores podem, em conjunto
com os alunos, construir outros conhecimentos que
avancem e aprofundem no conhecimento relativo
à cultura corporal, com auxílio de pesquisas, pessoas da comunidade e a experiência dos próprios
alunos da escola. Como este conhecimento poderia ser aprofundado?
De acordo com as PCN (B RASIL , 1999), o
tratamento contextualizado do conhecimento é
o recurso que a escola tem para retirar o aluno
da condição de espectador passivo. Se bem
trabalhado permite que, ao longo da transposição
didática, o conteúdo do ensino provoque
aprendizagens significativas que mobilizem o
aluno e estabeleçam entre ele e o objeto do
conhecimento uma relação de reciprocidade. É
possível generalizar a contextualização como
recurso para tornar a aprendizagem significativa
ao associá-la com experiências da vida cotidiana
ou
com
conhecimentos
adquiridos
espontaneamente.
Rev. bras. Educ. Fís. Esp., São Paulo, v.18, n.1, p.61-80, jan./mar. 2004 • 77
DARIDO, S.C.
São preocupações comuns na vida de todo jovem,
a aparência, a sexualidade e reprodução, hábitos de
alimentação, limites, capacidade física, papel do
esporte, repouso, atividade e lazer, padrões de beleza
e saúde corporal e outros temas. Caberá ao professor
de Educação Física reconhecer e estar atento a esses
temas e tratá-los pedagogicamente em suas aulas,
de tal modo que a aprendizagem se torne mais
significativa para os seus alunos.
Por exemplo, em anos de Olimpíadas e de Copas
do Mundo de Futebol os alunos são submetidos a um
bombardeio de informações sobre os jogos e os seus
resultados. O professor poderia aproveitar estes ricos
momentos e aprofundar o conhecimento dos alunos
nos temas relacionados ao fenômeno esportivo.
Outra alternativa para tornar o ensino mais
significativo é possibilitar aos alunos conhecerem o
corpo humano e quais as conseqüências que isso
exerce em decisões pessoais da maior importância
tais como fazer dieta, utilizar anabolizantes e praticar
exercícios físicos. Em outras palavras: a atividade
deve adequar-se ao aluno e não o aluno à atividade.
O professor que se mantiver rígido em atividades
que não despertem qualquer interesse dos alunos
termina por afastá-los da disciplina e auxiliando a
formação dos não praticantes de atividade física.
Abstract
Physical education in school and the process of formation of non-practitioners of physical activity
The objective of the present research was to verify the origins and reasons by which students usually
back themselves off regular physical activity practice, analyzing the School Physical Education universe.
The study considered the following: a) count up the number of dismissed students from School Physical
Education classes; b) investigate students’ opinions on Physical Education classes, and how they change
along school grades; c) verify when students begin backing off School Physical Education classes, and
also outdoors physical activity; and d) search information about how come the “students’ backing off”
Physical Education classes occurs. Data was collected by a questionnaire, containing 14 questions, that
was distributed to 1.172 students, attending public schools in Rio Claro, at 5th to 7th elementary grades, and at junior high school. Results indicated that there is a progressive “students’ backing off”
Physical Education classes and outdoors physical activity, besides an increase in the number of students
who do not attend, participate or appreciate classes in a regular basis.
UNITERMS: School physical education; Adherence; Classing evasion.
Notas
1. Este trabalho contou com o apoio do CNPq durante o período de 1998-2002.
2. Os resultados desta pesquisa devem ser analisados de forma cuidadosa, pois pode ter ocorrido falta de rigor na coleta
e análise dos dados.
Referências
BETTI, M. Educação física e sociedade. São Paulo: Movimento, 1991.
_____. Ensino de primeiro e segundo graus: educação física para quê? Revista Brasileira de Ciências do Esporte,
Campinas, v.13, n.2, p.282-7, 1992.
_____. A janela de vidro: esporte, televisão e educação física. Campinas: Papirus, 1998.
BIDDLE, S. Sport and exercise motivation: a brief review of antecedent factors and psychological outcomes of participation.
Physical Education Review, Manchester, v.15, n.2, p. 98-110, 1992.
78 • Rev. bras. Educ. Fís. Esp., São Paulo, v.18, n. 1, p.61-80, jan./mar. 2004
A educação física na escola
BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação Média e Tecnológica. Parâmetros curriculares
nacionais: educação física. Brasília: Secretaria de Educação Média e Tecnológica, 1999.
BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Ensino Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais:
educação física. Brasília: Secretaria de Ensino Fundamental, 1998. v.7.
CASTELLANI FILHO, L. Educação física no Brasil: a história que não se conta. Campinas: Papirus, 1989.
CAVIGLIOLI, B. Esporte e adolescentes. Paris: J. Vrin, 1976.
COSTA, C.M. Educação física diversificada, uma proposta de participação. In: SEMINÁRIO DE EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR, 4., São Paulo, 1997. Anais... São Paulo: Escola de Educação Física e Esporte, 1997. p. 47.
CSIKSZENTMIHALYI, M. A psicologia da felicidade. São Paulo: Saraiva, 1992.
DARIDO, S.C. Teoria, prática e reflexão na formação profissional em Educação Física. Motriz, Rio Claro, v.1, n.2, p.124-8, 1995.
_____. Educação física na escola: questões e reflexões. Araras: Topázio, 1999.
_____. Educação física. In: FARACO, C. (Org.). Parâmetros curriculares + ensino médio: orientações educacionais
complementares aos parâmetros curriculares nacionais. Brasília: MEC/SEMTEC, 2002.
DARIDO, S.C.; FARINHA, F.K. Especialização precoce na natação e seus efeitos na idade adulta. Motriz, Rio Claro, v.1,
n.1, p.59-70, 1995.
DARIDO, S.C.; GALVÃO, Z.; FERREIRA, L.A.; FIORIN, G. Educação física no ensino médio: reflexões e ações.
Motriz, Rio Claro, v.5, n.2, p.138-45, 1999.
DARIDO, S.C.; RANGEL-BETTI, I.; RAMOS, G.N.; GALVÃO, Z.; FERREIRA, L.A.; SILVA, E.V.M.; RODRIGUES,
L.H.; SANCHES, L.; PONTES, G.; CUNHA, F. Educação física, a formação do cidadão e os parâmetros curriculares
nacionais. Revista Paulista de Educação Física, São Paulo, v.15, n.1, p.17-32, 2001.
De ÁVILA, A.C.V. Para além do esporte: a expressão corporal nas aulas de educação física do segundo grau. 1995. Monografia
(Graduação) - Departamento de Educação Física, Instituto de Biociências, Universidade Estadual Paulista, Rio Claro.
DISHMAN, R.K. Exercise adherence. In: SINGER, R.N.; MURPHEY, M.; TENNANT, L.K. (Eds.). Handbook of
research on sport psychology. New York: McMillan, 1993. p.779-98.
_____. Advances in exercise adherence. Champaign: Human Kinetics, 1994.
DISHMAN, R.K.; SALLIS, J. Determinants and interventions for physical activity and exercise. In: BOUCHARD, C.
et alii (Eds.). Physical activity, fitness, and health: international proceedings and consensus statement. Champaign:
Human Kinetics, 1994. p.214-38.
DUMAZEDIER, J. A revolução cultural do tempo livre. São Paulo: SESC/Studio Nobel, 1994.
FIORIN, G.S. Uma proposta para além do esporte na educação física escolar: as expectativas e a avaliação dos alunos. 1997.
Monografia (Especialização) - Departamento de Educação Física, Instituto de Biociências, Universidade Estadual Paulista, Rio Claro.
GALVÃO, Z. Educação física escolar: razões das dispensas e visão dos alunos por ela contemplados. Campinas: 1993.
Monografia (Especialização) - Faculdade de Educação Física, Universidade de Campinas, Campinas.
GAMBINI, W.J.J. Motivos da desistência em aulas de educação física no segundo grau. 1995. Monografia (Graduação)
- Departamento de Educação Física, Instituto de Biociências, Universidade Estadual Paulista, Rio Claro.
GUEDES, D.P.; GUEDES, J.E.R.P. Associação entre variáveis do aspecto morfológico e desempenho motor em crianças
e adolescentes. Revista Paulista de Educação Física, São Paulo, v.10, n.2, p.99-112, 1996.
IAOCHITE, R. A prática de atividade física e o estado de fluxo: implicações para a formação do futuro profissional em
educação física. 1999. Dissertação (Mestrado) - Departamento de Educação Física, Instituto de Biociências, Universidade
Estadual Paulista, Rio Claro.
LOVISOLO, H. Educação física: a arte da mediação. Rio de Janeiro: Sprint, 1995.
_____. Pós-graduações e educação física: paradoxos, tensões e diálogos. Revista Brasileira de Ciências do Esporte,
Campinas, v.20, n.1, p.11-21, 1998.
MOREIRA, W.W. Educação física escolar: uma abordagem fenomenológica. Campinas: UNICAMP, 1991.
NAHAS, M.V. Educação física no ensino médio: educação para um estilo de vida ativo no terceiro milênio. In: SEMINÁRIO DE
EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR, 4., São Paulo, 1997. Anais... São Paulo: Escola de Educação Física e Esporte, 1997. p.17-20.
OKUMA, S.S. O significado da atividade física para o idoso: um estudo fenomenológico. 1997. Tese (Doutorado) Instituto de Psicologia, Universidade de São Paulo, São Paulo.
RANGEL-BETTI, I.C.R. O prazer em aulas de educação física escolar: a perspectiva discente. 1992. Dissertação
(Mestrado) - Faculdade de Educação Física, Universidade de Campinas, Campinas.
SANTOS, S.B.R. Educação física: o paradoxo da sua negação. 1996. Monografia (Graduação) - Departamento de
Educação Física, Instituto de Biociências, Universidade Estadual Paulista, Rio Claro.
Rev. bras. Educ. Fís. Esp., São Paulo, v.18, n.1, p.61-80, jan./mar. 2004 • 79
DARIDO, S.C.
SÃO PAULO (Estado) Secretaria da Educação. Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas. Proposta curricular
para o ensino de educação física no 1o. grau. São Paulo: CENP, 1990.
60% DOS BRASILEIROS estão parados. Folha de S. Paulo, São Paulo, 27 nov. 1997. Datafolha, p. 12.
VANREUSEL, B.; RENSON, R.; BEUNEN, G.; CLAUSSENS, A.L.; LEFEVRE, J.; LYSENS, R.; VANDEN-EYNDE,
B. A longitudinal study of youth sport participation and adherence to sport in adulthood. International Review for the
Sociology of Sport, London, v.32, n.4, p.373-87, 1997.
WANKEL, L.M. Exercise adherence and leisure activity: patterns of involvement and interventions to facilitate regular activity.
In: DISHMAN, R.J. (Ed.). Exercise adherence: its impact on public health. Champaign: Human Kinetics, 1988. p.369-96.
_____. The importance of enjoyment to adherence and psychological benefits from physical activity. International Journal
of Sport Psychology, Rome, v.24, p.151-69, 1993.
Agradecimentos
Agradeço imensamente aos ex-bolsistas do CNPq e ex-alunos do curso de Educação Física Unesp/Rio Claro, que auxiliaram na coleta dos dados desta pesquisa. São eles: Marcelo Ortiz, Gustavo Isler, Marcio Pimenta, Oraci de Almeida Junior,
Fernanda Moreto Impolcetto e Flavio Lico. Agradeço também ao aluno do Programa de Pós-graduação em Motricidade
Luiz Sanches pelo auxílio na elaboração do abstract e pela leitura cuidadosa do trabalho.
ENDEREÇO
Suraya Cristina Darido
Av. 1A, 1239 - Vila Tablada
13506-748 - Rio Claro - SP - BRASIL
Recebido para publicação: 02/06/2002
Aceito: 26/09/ 2003
80 • Rev. bras. Educ. Fís. Esp., São Paulo, v.18, n. 1, p.61-80, jan./mar. 2004
Fly UP