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2. O passe e os restos de identificação Éric Laurent (2)

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2. O passe e os restos de identificação Éric Laurent (2)
Opção Lacaniana online nova série
Ano 3 • Número 8 • julho 2012 • ISSN 2177-2673
O passe e os restos de identificação1
Éric Laurent2
Diferentemente da Vênus de Botticelli emergindo das
ondas,
o
desejo
do
psicanalista
supõe
uma
queda,
uma
ruptura prévia na cadeia das identificações, especialmente
fálicas.
É
preciso
uma
queda
e
a
substituição
de
uma
identificação por outra ligada ao discurso analítico: essa
é a metáfora da passagem do discurso do inconsciente para o
discurso da psicanálise.
Ora, essa metáfora não se faz sem restos. A elaboração
do matema de si mesmo não é a transmissão integral de si em
silêncio, como nos romances de ficção científica que sonham
com
o
teletransporte,
ou
como
nos
romances
de
Michel
Houellebecq nos quais os clones encarnam o mito de uma
identidade separada do corpo, conectada a um puro vivo,
retorno da alma do mundo. Se o passe fosse isso, ele seria
uma soteriologia3 para ilustres intelectuais. O vivo não se
transmite integralmente. Não há eternidade, há restos. Como
o ser (l’être), o resto se diz de múltiplas maneiras: são
os restres ou os rêtres4.
Opção Lacaniana Online
O passe e os restos de identificação
1
Os restos do significante
O
percurso
de
uma
psicanálise
se
inaugura
com
o
estabelecimento do inconsciente transferencial, por meio da
associação de dois significantes S1 → S2. Ele termina num
horizonte
onde
desprendem
das
os
significantes-mestres
múltiplas
ligações
que
do
sujeito
haviam
tecido
se
e
tomam, desde então, uma dimensão real. O retorno deles nas
cadeias
identificatórias
se
torna
impossível:
S1
se
encontra isolado, separado de S2.
Mas
sempre
completamente
restarão
sozinhos.
significantes
Nós
não
que
esperamos
não
que
ficarão
todos
os
significantes-mestres de um sujeito sejam assim produzidos;
basta que alguns o sejam suficientemente. Assim, um sujeito
evoca, durante as primeiras sessões, as três gerações de
desejo que provocaram o embaraço no qual ele se encontra.
Em primeiro lugar, o casamento do avô com uma mulher de
classe
inferior,
cujos
filhos
incomodam
a
família.
Em
seguida, uma mãe que maltrata seus próprios filhos. Por
fim, ele, o filho, que se divorcia aos quarenta anos com a
firme intenção de “não fazer sofrer sua mulher”, embora
aconteça, lógico, exatamente o contrário. A análise terá
que desfazer esse emaranhado.
Os significantes-mestres circulam entre as gerações,
para além dos indivíduos – assim como a transmissão daquela
bofetada evocada por Lacan5. Produzir esses S1 consiste em
liberar o sujeito de sua ingenuidade e de sua perplexidade
e percorrer o labirinto de gozo no qual se atam repetição,
culpabilidade, agressividade, depressão e agitação extrema.
Será necessário isolar os significantes familiares que, em
sua
contingência,
estabilização
dos
contribuem
modos
de
para
a
formação
satisfação
que
e
para
a
constituem
a
fantasia. Passamos, assim, o percurso do desenvolvimento da
cadeia significante às relações do sujeito com os objetos
do seu gozo: $ <> a. Essa passagem se faz graças à dupla
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O passe e os restos de identificação
2
função do psicanalista: de um lado, como destinatário das
demandas do sujeito, de outro, como objeto que deteria a
chave do impossível: a → $.
A
identificação
de
um
modo
de
gozo
não
é
a
identificação a um modo de gozo. É o que nos ensina o fim
de “A direção do tratamento...”6. Enquanto a psicanálise da
época visava a identificação do sujeito à sua fantasia,
Lacan mostra como o sujeito é conduzido, pela pulsão, à
contingência do amor. A fantasia pode ser “atravessada”. A
identificação de um modo de gozo modifica o que entendemos
por identificação. Como indica o Seminário do mesmo nome, o
desenvolvimento
de
uma
série
na
qual
se
misturam
significantes e valor de gozo – que pode se escrever (1+a)
– permite definir um valor de gozo para toda a série. Lacan
esclarece
assim
os
debates
nos
quais
a
psicanálise
se
afundava em contradições, dividida entre a transferência
como repetição da cadeia significante e a transferência no
presente, articulada à entrada da fantasia na realidade da
sessão. Um tratamento psicanalítico não se faz, portanto,
sem restos.
Os restos da passagem entre o inconsciente e o modo de gozo
O
inconsciente
é
esse
lugar
do
discurso
onde
o
princípio da não contradição não reina. É uma zona de onde
se sai das oposições entre o sim e o não, o verdadeiro e o
falso.
Essas
oposições
são
levantadas
como
o
véu
que
recobria a divisão do sujeito pelo gozo [a → $].
Quanto
sintoma
mais
conduz
ao
a
análise
seu
mais
avança,
mais
além.
sentido
O
o
sentido
do
do
sintoma
constitui a primeira via em direção à sua identificação, o
tratamento torna-se o lugar de uma nomeação do sintoma;
Lacan,
porém,
invocou,
a
este
propósito,
La
Chasse
au
Snark7 de Lewis Carrol, pois essa caça ao significante que
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O passe e os restos de identificação
3
viria
verdadeiramente
nomear
o
sintoma
esbarra
com
o
princípio de substituição: o Snark era um Boojum8.
A solução nos seria dada por um contemporâneo de Lewis
Carrol, Oscar Wilde, que descrevia a caça à raposa como “o
indizível
à
procura
do
incomível”
(the
unspeakable
in
pursuit of the inedible)? A identificação de um sintoma
dará acesso à identificação ao sintoma pela reintrodução do
gozo,
uma
vez
que
desaperto9
o
da
identificação
a
um
significante-mestre – S1 – permitirá o aperto de um furo.
Tomemos o exemplo de um sujeito marcado pela cena na
qual surpreendeu os pais numa cena sexual. Ele guarda a
lembrança de uma frase enigmática da mãe: “Você voltará
quando o céu ficar violeta”. Por muito tempo, os recursos
do
equívoco
da
frase
enamoramento
por
fascinada
sexos
de
deixaram-no
jovens
na
andrógenas
desvelados
de
errância
e
a
entre
o
contemplação
maneira
pornográfica.
Quanto tempo a fixação escópica do sintoma o manterá livre
da
constatação
determinação
de
da
que
ele
mulher
nunca
se
proibida,
recuperou
inacessível?
da
Do
significante-mestre ao furo na linguagem, a passagem não se
faz sem restos.
Os restos da passagem no furo
Enquanto se produzem as identificações que tramaram a
história
do
sujeito,
identificação
impossível.
é
revela-se
múltipla,
Ninguém
pode
mas,
se
não
somente
sobretudo,
identificar
ao
que
seu
que
a
ela
é
próprio
inconsciente. O sujeito pode sonhar em isolar a fórmula do
inconsciente, mas nós sabemos os limites dessa empreitada –
é o que testemunha a tentativa de Serge Leclaire10, ao
procurar reduzir o seu inconsciente à sua raiz “Poordjeli”
e sair da alienação por esse viés11. A separação em relação
ao Outro não reside na cadeia significante, mesmo reduzida
a
seu
caroço.
Permanece
impossível
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para
o
sujeito
O passe e os restos de identificação
4
significar a si mesmo. Não existirá a palavra final (fin
mot), nos diz Sonia Chiariaco12. Não há univocidade tão
absoluta que atinja uma universalidade literal. Por outro
lado, a separação reside do lado do objeto a, furo da letra
na mediocridade do sentido, como o evoca “Televisão”13. É
na vertente do tratamento enquanto experiência lógica que
se produz o furo na língua do sujeito. Lacan isola assim a
função lógica da letra como argumento de uma função, F(x),
a
de
um
furo
“soflagem”14 da
na
linguagem.
escrita:
Ele
“Todos
os
evoca
o
animais
poder
são
de
mortais,
vocês sopram os animais e vocês sopram mortais, e vocês
colocam no lugar o ápice do escrito, isto é, uma letra,
simplesmente”15.
Essa concepção da escritura não é a da escrita como
impressão, nem de uma homologia entre essas duas dimensões
que são a fala e a linguagem. Para que, via repetição, o
furo possa ser escavado, é preciso começar por dizer e não
por escrever, no sentido da literatura. A esse respeito,
afirma Lacan: “a autoanálise de Freud era uma writing-cure
e eu creio que é por isso que ela falhou. Escrever é
diferente de falar. Ler é diferente de ouvir”16.
O furo assim escavado nos enunciados do sujeito não é,
entretanto,
suficiente:
é
preciso
ainda
que
o
sujeito
mergulhe no furo aberto no e pelo inconsciente, que Lacan
compara
com
o
buraco
existente
no
palco
dos
teatros17.
Depois de ter evocado o ato analítico, Lacan assinala: “Não
há passagem ao ato senão como um mergulho no buraco do
ponto,
aquele
que
sopra
sendo,
evidentemente,
o
inconsciente do sujeito”. O analista marca o lugar desse
buraco ao mesmo tempo em que o vela [a → $]. A operação
lógica no tratamento não pode, no entanto, se reduzir à
escritura
de
Begriffschrift
funções
de
gozo
psicanalítica18.
como
Se
numa
essa
espécie
escritura
de
faz
aparecer o furo nos enunciados – assim como aquele que
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O passe e os restos de identificação
5
produz
o
argumento
da
função
–,
o
sujeito
pode,
entretanto, permanecer na borda.
Na série das vinte conferências pronunciadas em 2005
na
rádio
France
Culture,
Jacques-Alain
Miller
explorava
precisamente o que se produz “quando os tratamentos duram
muito tempo”, mas o sujeito não “mergulha” no buraco do
ponto19.
Esse
aspecto
indexa
um
obstáculo
no
qual
os
testemunhos de passe podem esbarrar. Por exemplo, aquele
que era filhinho da mamãe, que se tornou um mulherengo,
continua
a
querer
seduzir
a
Escola
no
procedimento
do
passe. Aquela que era a filhinha do papai e rejeitava sua
mãe, tinha amado o passador e detestado a passadora. O
homem marcado pelo segredo familiar carrega com ele uma
atmosfera de clandestinidade que se atesta no dispositivo.
Aquela que foi marcada pela solidão na infância quer ser
adotada pela Escola e encontrar nela sua nova família20.
Essa declinação dos restos mostra a presença de fundo21 (en
abyme) da fantasia.
Como então o tal mergulho pode se produzir? Lacan dá
uma
indicação
bem
precisa:
é
necessário
que
o
sujeito
descomplete o sintoma do Outro. “É preciso ter sido formado
como analista. É somente quando este está formado que, de
vez em quando, isso lhe escapa; estar formado é ter visto
como o sintoma se completa”22. É via incompletude que o
salto no buraco poderá se produzir. Isso supõe que sejam
franqueados os restos de identificação fantasística e os
restos de identificação com o analista.
Os restos da identificação com o analista
O princípio do fracasso do ato analítico reside, em
última instância, na identificação com o analista, a qual
se dá sob duas formas distintas.
De
um
lado,
a
identificação
com
o
analista
como
aderência ao psicanalista que foi o instrumento da operação
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O passe e os restos de identificação
6
analítica: o sujeito se torna analista como o deseja seu
analista
ou
como
perfeitamente
ilusórias
este
as
último.
Angelina
consequências
23
(en
tromp-l’oeil) .
Harari
dessas
A
mostrou
autorizações
identificação
com
o
analista se faz à sombra desses jogos narcísicos nos quais
um é a imagem do outro. Identificações fantasísticas e
narcísicas se recobrem como nas “brincadeiras da margem com
a onda [...] com os quais se encantou [...] o maneirismo”,
nos diz Lacan24. Essa identificação pode também se produzir
quando o sujeito nomeado como passador pelo analista não se
apresenta
ao
passe
depois,
ficando
assim
ligado
à
satisfação obtida do seu analista.
Por outro lado, há a identificação com o analista como
aderência
a
um
ideal
ou
a
uma
norma
do
que
seria
o
analista: ela impede que essa perspectiva idealizante e
normativa seja abandonada. O esforço da Comissão do passe é
o
de
não
mais
considerar
a
existência
de
um
analista
tomando como medida a exceção a uma regra, para decifrar,
ao contrário, a partir da exceção, uma faceta do que é ser
um
analista.
Parte-se
então,
não
do
que
é
comum
ou
corrente, mas, sobretudo, do que é inabitual. É segundo
essa perspectiva que “Cromwell foi julgado como o inglês
mais típico do seu tempo, simplesmente porque ele foi o
mais bizarro”25. Essa lógica da singularidade é aquela na
qual
o
vazio
e
o
gozo
entram
em
jogo,
mais
além
dos
significantes-mestres que fazem a lei para cada um.
Uma topologia do resto a produzir
Para concluir, proponho que nos confrontemos novamente
com o desenho atribuído a Rembrandt e que está exposto no
Museu de Belas Artes de Rennes. Lacan se serve dele para
opor
a
construção
do
sinthoma
e
as
complicações
do
aprisionamento26 na imagem do corpo. “É somente na medida
em que os seres são inertes, isto é, suportados por um
Opção Lacaniana Online
O passe e os restos de identificação
7
corpo, que se pode dizer a alguém, tal como foi feito por
iniciativa de Popilius – eu fiz um grande círculo em torno
de você e você não sairá daqui antes de ter me prometido
tal coisa”27.
É o sinthoma que permite não sujeitar a singularidade
à individualidade ou à inércia do corpo. Ele supõe colocar
em jogo o recobrimento dos orifícios pulsionais do corpo e
os furos do inconsciente. Em sua “Nota passo a passo”, J.A. Miller nos convida a reconhecer “no círculo popiliano, o
círculo vazio [...]. Popilius só faz parceria com o monarca
oriental
para
separá-lo
dos
seus
órgãos
consultivos
e
militares, e para desinflar sua enfatuação, até reduzi-lo a
uma bexiga vazia”28. Prossigamos nesse sentido e imaginemos
que o círculo que envolve Antiochus e a multidão, que cerca
o par formado por Popilius e Antiochus, trace a borda de um
furo.
No
lugar
de
Antiochus
suntuosamente
vestido,
coloquemos Vênus suntuosamente despida. Abramos sua boca,
tal como faz Freud em seu sonho da injeção dada a Irma. O
abismo assim aberto introduz a questão da singularidade do
modo de gozo, que pertence ao corpo, sem, no entanto, se
reduzir a ele. Respondendo à angústia que nos sufoca, temos
a chance de responder ao convite de Demócrito, segundo a
leitura
que
Lacan
nos
propõe
em
Mais,
ainda
e
em
“O
aturdito”. O átomo de Demócrito, assim como o sinthoma de
Lacan, é a um só tempo corpo e “elemento de significância
volante”. O gozo do corpo é simultaneamente corpo e vazio,
“não
mais
corpo
do
que
vazio”29.
Essa
não
é
a
palavra
final, mas a articulação de uma topologia a ser produzida,
aquela do lugar de “mais ninguém”.
Tradução e revisão: Márcia Bandeira e Samyra Assad.
1
Texto traduzido do original “La passe et les restes
d’identification”, publicado em Révue de la Cause Freudienne
(76). Paris: Navarin, pp. 44-50.
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O passe e os restos de identificação
8
2
Éric Laurent é psicanalista, membro da Escola da Causa
Freudiana e da Associação Mundial de Psicanálise. Essa
intervenção foi apresentada nas Jornadas da ECF, que aconteceram
nos dias 10 e 11 de julho de 2010, em Rennes, sob o título
Nascimento do desejo do psicanalista no século XXI. O quadro de
Botticelli citado por Laurent inspirou o cartaz das jornadas.
3
(N.T.): De acordo com o dicionário Le Petit Robert (2012),
soteriologia significa doutrina da salvação por um redentor.
4
Saint Simon dá vida a esse termo no singular: “o velho rêtre,
muito-estimado, muito-cuidadoso com os restos do seu ser (être).
O Littré (Dicionário da Língua Francesa) repertoria também o
verbo r’être: termo antigo. Ser de novo é conjugado como o verbo
ser (être)”. [NDLR]
5
LACAN, J. (1998[1957]). “A psicanálise e seu ensino”. In:
Escritos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, p. 450.
6
Idem. (1998[1958]). “A direção do tratamento e os princípios
de seu poder”. In: Escritos. Op. cit., pp. 645-649.
7
(N.T.): Poema de Lewis Carrol, caracterizado pelo non-sense,
cujo tema é a caça a um animal fantástico, o Snark.
8
“No meio dessa palavra que ele tentava dizer / No meio de sua
alegria e do seu riso loucos, / De repente, muito lentamente,
ele desaparecera - / Pois, imaginem vocês, o Snark, era um
Boojum”. CARROL, L. (1989). “La Chasse au Snark”. In: Oeuvres,
t. II. Paris: Robert Laffont, p. 29.
9
(N.T.): O termo no original desserrage significa “ação de
desapertar”, cujo uso nesse contexto gera certo estranhamento.
Ainda que possamos traduzi-lo por “afrouxamento”, optamos por
manter o sentido original, já que Laurent joga com a oposição
dos dois termos: desserrer e serrer (“apertar”).
Desse modo,
nos servimos também do sentido figurado relativo ao termo
“aperto” (serrage), que implica uma situação difícil e evidente.
10
LECLAIRE,
S.
(1968).
“Le
rêve
à
la
licorne”.
In:
Psychanalyser. Paris: Seuil, p. 117.
11
LACAN, J. (1998[1960]). “Posição do inconsciente”. In:
Escritos. Op. cit., p. 856.
12
Em seu testemunho nas Jornadas de Rennes, publicado nesse
mesmo número da Révue de la Cause Freudienne (76), pp. 9-14.
13
LACAN, J. (2003[1974]). “Televisão”. In: Outros Escritos. Rio
de Janeiro: Jorge Zahar Editor, p. 542.
14
(N.T.): De acordo com o Dicionário on line do Google,
soufflage significa “arte ou ação de moldar a massa de vidro
aquecida, inflando-a com um sopro através de um tubo”.
15
LACAN, J (2006[1971]). ”Le séminaire, livre XVIII: d’un
discours qui ne serait pas du semblant. Paris: Seuil, pp. 8182.
16
Idem. (1976[1975]). “Conférences et entretiens dans les
universités nord-américaines”. In: Scilicet (7), pp. 35-36.
17
(N.T.): Trou du souffleur no original. Buraco no palco de um
teatro destinado a alojar uma pessoa encarregada de “soprar” a
fala dos atores, prevenindo assim, as eventuais falhas de
memória. No vocabulário das artes cênicas, aquele que sopra o
texto é chamado de “ponto”.
18
LACAN, J. (1967-1968). “O ato psicanalítico”. Seminário
inédito, lição de 31/01/68.
19
(N.T.): vide nota 15.
Opção Lacaniana Online
O passe e os restos de identificação
9
20
MILLER,
J.-A.
(2005).
“Histoires
de...psychanalyse”.
Conférences à France Culture, inédito.
21
(N.T.): Mise en abyme é um termo em francês que significa
literalmente "cair no abismo", usado pela primeira vez por André
Gide ao falar sobre as narrativas que contêm outras narrativas
dentro de si. A Mise en abyme pode aparecer na pintura, no
cinema e na literatura.
22
LACAN, J. (1976[1975]). Op. cit.
23
HARARI, A. (2010). “Point d’émergence du désir de l’analyste
?”. In: Révue de la Cause Freudienne (76). Paris: Navarin, pp.
25-28.
24
LACAN, J. (1998[1958]). “Observação sobre o relatório de
Daniel Lagache: ‘Psicanálise e estrutura da personalidade’”. In:
Escritos. Op. cit., p. 687. Tomemos o seguinte exemplo onde
vemos que juncos e sonhos estão espelhados: “A sombra dessa flor
vermelha / e a sombra dos juncos vergados/ pareciam estar lá
dentro/ os sonhos da água que cochila”. L’HERMITE, F. T. (1638).
“Promenoir de deux amants”. In: Les Amours de Tristan. Paris:
Libraire de Monfeigneur.
25
GEERTZ, C. (1973). Bali, interpretation d’une culture. Paris:
Gallimard.
26
(N.T.): assignation à résidence é um termo do Direito que
significa a obrigação feita a alguém de residir num local
determinado pelo juiz, numa situação de expulsão ou de uma
instrução judicial.
27
LACAN, J. (2005[1975-1976]). O seminário, livro 23: o
sinthoma. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, p. 105.
28
MILLER, J.-A. (2007[2005]). “Nota passo a passo”. In: O
seminário, livro 23: o sinthoma. Op. cit., p. 223.
29
LACAN, J. (1985[1972-1973]). O seminário, livro 20: mais,
ainda. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, p. 97 e Idem.
(2003[1973]). “O aturdito”. In: Outros Escritos. Op. cit., p.
496. Ver também o comentário de Barbara Cassin sobre a
referência de Lacan a Demócrito. CASSIN, B. (2010). In: Badiou,
A. e CASSIN, B. Il n’y a pas de rapport sexuel. Deux leçons sur
L’Étourdit de Lacan. Paris: Fayard.
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