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PESQUISA
EFICIÊNCIA ENERGÉTICA
EMBALAGENS
Espaços muito vazios
gia elétrica. A diferença de gasto
com eletricidade, nesses produtos,
ultrapassa R$ 4.300,00 quando
comparamos o mais eficiente (Consul) com o pior deles (Elgin). Em
apenas 1 ano a economia pode
chegar a R$ 400,00.
No consumo dos condicionadores de ar, fizemos um cálculo mais
realista dos gastos de energia, estimando 5 horas diárias de uso, enquanto os fabricantes indicam na
etiqueta a utilização do aparelho
por apenas 1 hora ao dia, durante
trinta dias.
Leia mais
● Entrevista com Gilberto Jannuzzi, coordenador de estudo da WWF sobre eficiência
energética e geração de energia renovável, na
REVISTA DO IDEC de maio de 2006 (no 99)
Etiqueta Nacional de Conservação de Energia (ENCE)
FOTOS IZILDA FRANÇA
de capacidade. Já o aparelho da
Electrolux, com capacidade total
para 430 litros, gasta 55,6 kWh por
mês, 4,6kWh a mais do que os
modelos da Consul e da Brastemp,
ambos com 450 litros.
Quando analisamos os condicionadores de ar, a preocupação
dos fabricantes com o meio ambiente e o bolso do consumidor desaponta. Marcas reconhecidas pela
sociedade, como LG e Elgin, mantêm no mercado, ao lado de equipamentos mais eficientes, aparelhos
com faixas de eficiência energética
longe da ideal. Nesses produtos, o
gasto com eletricidade ao longo de
sua vida útil (12 anos) é ainda mais
assustador: no modelo da Elgin, o
pior dentre os analisados (categoria
E), o consumidor terá gasto o valor
de 9,7 aparelhos apenas com ener-
Tabela 1 – Refrigeradores combinados
Marca
Modelo
GE(1)
Dako(2)
Consul(3)
Brastemp(4)
Electrolux(5)
Continental(6)
Bosch(7)
CD470
DT450
CRD48D
BRD48
DC45
RSV47A
KSV47
Capacidade
total
(litros)
Consumo
de energia
(127V)
Faixa
de
eficiência
Média
de
preços
(R$)
Custo médio da energia elétrica no
país + impostos (R$ 0,428/KWh)
mês
1 ano
5 anos
12 anos
(vida útil)
446
417
450
450
430
457
457
43,0
47,2
51,0
51,0
55,6
57,6
57,6
A
A
A
A
A
A
A
1.898,67
1.599,00
1.948,67
2.088,60
1.624,00
1.598,00
1.885,20
18,43
20,22
21,85
21,85
23,82
24,68
24,68
221,10
242,70
262,24
262,24
285,89
296,17
296,17
1.105,50
1.213,48
1.311,18
1.311,18
1.429,44
1.480,86
1.480,86
2.653,21
2.912,36
3.146,83
3.146,83
3.430,66
3.554,07
3.554,07
12 anos de
consumo/
preço do
aparelho
Custo total
(equipamento
+ energia)
1,39
1,82
1,61
1,50
2,11
2,22
1,88
4.551,88
4.511,36
5.095,50
5.235,43
5.054,66
5.152,07
5.439,27
ice-factory com botão para dispensa do gelo; (2)porta-latas; prateleira para garrafas com trava de segurança; (3)dispenser de água; porta reversível; (4)prateleiras de vidro; dispenser de água; portalatas aramado; (5)botão para dispensa de gelo; prateleira para garrafas com trava de segurança; (6)separador e protetor de garrafas; pés e rodízios reguláveis; (7)prateleiras de vidro; dispenser de
gelo (ice box); dispenser de latas; porta reversível; pés niveladores e com rodízios; gaveta de frios com deslocamento
(1)
Tabela 2 – Condicionadores de ar (tipo janela)
Marca
Cônsul(1)
Springer(2)
Electrolux
GREE
LG(3)
Elgin
Modelo
Capacidade
(BTUs)
Consumo
de energia
adaptado
(127V)*
Faixa
de
eficiência
Média
de
preços
(R$)
Custo médio da energia elétrica no
país + impostos (R$ 0,428/KWh)
mês
1 ano
5 anos
CCI10A
MCA108BB/RB
EAM10F
GJ10-12LM
WGE104FG
EJF10000
9.900
10.000
10.000
10.000
10.000
10.000
83,0 (16,6)
101,5 (20,3)
102,0 (20,4)
107,0 (21,4)
111,0 (22,2)
153,0 (30,6)
A
A
A
B
B
E
1.165,55
1.299,00
1.008,00
974,80
1.071,00
973,88
35,56
43,49
43,71
45,85
47,56
65,56
426,78
521,90
524,47
550,18
570,75
786,71
2.133,88
2.609,50
2.622,36
2.750,91
2.853,74
3.933,54
12 anos
12 anos de
consumo/
preço do
aparelho
Custo total
(equipamento
+ energia)
5.121,31
6.262,81
6.293,66
6.602,17
6.848,98
9.440,49
4,39
4,82
6,24
6,77
6,39
9,70
6.286,86
7.561,81
7.301,66
7.576,97
7.919,98
10.414,37
* Estimado uso por 5 h ao dia, durante 30 dias; entre parênteses, o consumo indicado pelos fabricantes, que é de 1 h ao dia, durante 30 dias
(1) Controle remoto e timer; (2) Controle remoto e timer; (3) Controle remoto
20
Revista do Idec | Outubro 2006
O Idec analisou o
chamado head space
das embalagens de
achocolatados em pó,
capucinos e cereais
matinais. Não houve
muita alteração em
relação à pesquisa do
Instituto realizada em
2003. Os produtos
continuam dando a
impressão de que
possuem um
conteúdo maior
A
maioria dos achocolatados em pó,
capucinos e cereais matinais estão
acondicionados em embalagens
com o espaço ocupado inferior ao previsto pela legislação, dando ao consumidor a impressão de que a quantidade
do produto é maior do que a que ele
realmente tem. O Idec chegou a essa
conclusão após realizar um estudo para
identificar e quantificar o espaço vazio,
chamado head space – existente no interior das embalagens de 21 desses produtos.
A pesquisa baseou-se na Portaria no
162/95, do Instituto Nacional de
Metrologia, Normalização e Qualidade
Industrial (Inmetro), que estabelece o
máximo de 10% de espaço vazio para
os “produtos pré-medidos contidos em
embalagens rígidas e opacas”. O estudo
condiserou, ainda, o ofício da Divisão
de Mercadorias Pré-medidas (Dimep)
do Inmetro, no 288/05, que altera o
valor de 10% para 25% no caso dos
achocolatados, embora não o tenha tomado por norma pública, que realmente não é (veja quadro à pág. 24).
O Idec também avaliou três outros
quesitos: a rotulagem conforme o que
foi estabelecido pelas Resoluções de
Diretoria Colegiada (RDC) da Agência
Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no 259/02 e no 360/03; a relação
custo/benefício de cada produto, conforme as informações de preparo existentes no rótulo; e a conformidade do
peso real com o que é informado no
rótulo.
Dos 21 produtos avaliados, 17 (81%)
apresentaram um espaço vazio na
embalagem maior do que os 10% determinados pela regulamentação. São os
Revista do Idec | Outubro 2006
21
EMBALAGENS
EMBALAGENS
As sugestões do Idec
Aos consumidores
● Ao perceber grandes espaços
vazios no interior das embalagens,
proceder a denúncia junto aos
órgãos de fiscalização metrológica,
especialmente aos IPEMs estaduais, ou mesmo ao Inmetro.
Aos órgãos de fiscalização e regulamentação
● Promover rigorosa fiscalização
em produtos pré-embalados, especialmente aqueles acondicionados
em embalagens rígidas e opacas.
● Regulamentar o head space de
produtos acondicionados em embalagens consideradas flexíveis, mas
que não permitem a visualização do
conteúdo.
Aos fabricantes e detentores de
marcas
● Ajustar suas embalagens ao
tamanho ideal para conter seus produtos de forma que não desrespeitem a legislação vigente.
● Adaptar sua produção, especialmente no caso dos achocolatados, para que nas embalagens haja
o menor espaço vazio possível.
achocolatados em pó Carrefour, CompreBem,
Da Barra, Garotada, Moka, Muky Chocolever,
Nesquik, Palate, Showcau e Toddy; os capucinos Iguaçu e Três Corações; e os cereais
matinais Frusli, Nutry Light, Snow Flakes,
Sucrilhos Kellogg’s e Xereal.
Dos 17 produtos, 2 – os achocolatados em
pó Compre Bem e o Garotada – apresentaram
um espaço vazio maior do que os 25% tolerados pelo ofício do Inmetro (veja tabela). Entre
os capucinos, 2 – Iguaçu e Três Corações –
apresentaram espaço vazio maior do que os
15% estabelecidos no ofício do Dimep. Estão
de acordo com a legislação quanto ao espaço
vazio, os produtos: achocolatado Nescau e os
capucinos Café Pelé, Pilão e Puccino.
Apesar de o papel cartonado
utilizado em grande parte
das embalagens dos cereais matinais não ser
rígido e, portanto, não se
enquadrar na portaria
162/95 do Inmetro, o Idec
o incluiu na pesquisa. O
Instituto entende que essas
O achocolatado Muki foi o
único a diminuir o espaço vazio
da embalagem em comparação
com o teste de 2003
22
Os testes de pesagem
e ensaios de volume
foram feitos com
equipamento certificado
pelo IPEM-SP
Revista do Idec | Outubro 2006
embalagens, embora não sejam rígidas, são
opacas e dificultam a percepção do consumidor quanto ao seu real conteúdo. Assim, a
existência de um espaço vazio excessivo nessas embalagens leva o consumidor a relacionar o tamanho com o conteúdo, o que é
ilusório.
COMPARAÇÃO COM 2003
O Idec comparou os resultados obtidos
nesta pesquisa com o estudo realizado sobre o
mesmo assunto com 8 produtos em dezembro de 2003 e janeiro de 2004. Também
naquela oportunidade o espaço vazio nas embalagens da maioria dos achocolatados era
superior aos 10% permitidos pelo Inmetro.
Analisando os dois resultados, o Idec concluiu que somente a marca de achocolatado
Muki apresentou melhora em relação ao
espaço vazio da embalagem (em 2003 esse
espaço era de 33,8%, e na pesquisa atual, de
15,1%).
O Nescau permaneceu dentro da faixa permitida, mas aumentou esse espaço de 0% em
2003 para 4,8% em 2006. Os produtos
CompreBem, Garotada e Nesquik não melhoraram suas performances desde 2003,
quando os espaços vazios de suas embalagens
ocupavam 15,3%, 17,6 e 6,8%, respectivamente. Nenhum produto avaliado apresentou
problema significativo de peso.
Com esses resultados, o Idec entende que o
problema do espaço vazio nas embalagens
merece atenção dos órgãos de fiscalização
metrológica como o Inmetro – no âmbito
nacional – e os Institutos de Pesos e Medidas
(IPEMs) – no âmbito estadual.
Há uma necessidade urgente de se estabelecerem regras também para os produtos acondicionados em embalagens opacas, mas flexíveis, como a dos cereais matinais e outros
produtos que utilizam o mesmo tipo de material para compor seus invólucros.
As amostras foram adquiridas conforme a
representatividade de cada marca e conforme o tipo de embalagem. Foram também adquiridas algumas das amostras de achocolatados envolvidas no teste realizado em
2003: CompreBem, Garotada, Muky, Nescau e Nesquik. As demais marcas pesquisadas anteriormente (Jandaia, Leo e Moc)
não foram encontradas nos supermercados
de São Paulo.
As amostras foram transferidas de suas em-
balagens originais para sacos plásticos com
sistema de lacre, e pesadas em equipamento
devidamente aferido e certificado pelo Inmetro, descontando-se o peso dos sacos (10
g). Imediatamente após a pesagem, os sacos
foram lacrados de forma a evitar o contato do
produto com agentes contaminantes como a
umidade do ar, para prevenir possíveis alterações de volume e falsos resultados durante
o processo de medição do volume.
Resumo dos resultados
Tipo
Achocolatados
em pó
Capucinos
A maioria dos
achocolatados
e capucinos
ainda apresenta
muito espaço vazio
na embalagem
Cereais
matinais
Marca
Empresa
Rotulagem
Head Space
Carrefour
Carrefour
Ok
23,4%
CompreBem
Cia. Bras. Distr.
Ok
25,8%
Da Barra
Usina da Barra
Inadequada
24,6%
28,6%
Garotada
Garoto
Ok
Moka
Moka
Inadequada
19,8%
15,1%
Muky chocolover
Bretzke
Ok
Nescau
Nestlé
Inadequada
4,8%
Nesquik
Nestlé
Inadequada
11,6%
Palate
Serra Leste
Inadequada
19,0%
Showcau
Predilecta
Ok
20,6%
Toddy
Pepsico
Ok
11,8%
Café Pelé
Cacique
Ok
5,7%
Iguaçu
Iguaçu
Ok
22,5%
Pilão
Sara Lee
Ok
0,0%
Puccino
Melitta
Inadequada
2,8%
Três Corações
Três Corações
Inadequada
22,6%
Frusli
Feinkost
Ok
48,8%
Nutry Light
Nutrimental
Inadequada
53,5%
Snow Flakes
Nestlé
Inadequada
40,3%
Sucrilhos Kellogg’s
Kellogg
Ok
28,3%
Xereal
Alca Foods
Inadequada
23,2%
Laranja = head space entre 10% e 25%, nos limites estabelecidos pelo ofício que “afrouxou” a portaria
Vermelho = acima dos 25%
Revista do Idec | Outubro 2006
23
EMBALAGENS
EMBALAGENS
Rotulagem irregular
C
om relação à rotulagem, o segmento
alimentício vem sistematicamente sonegando informações importantes,
substituindo-as por outras de pouca ou nenhuma relevância para a saúde e segurança do
consumidor. Dos produtos analisados, dez
apresentaram irregularidades importantes e,
portanto, estavam em desacordo com os preceitos mínimos exigidos pela legislação
vigente. A falha mais comum observada foi
quanto à rotulagem nutricional, que obrigatoriamente deve trazer informações importantes
sobre as características nutricionais do produto e é um dos elementos fundamentais para
que o consumidor exerça o seu direito de
escolha sobre quais quer consumir. Os produtos que estavam com este item irregular
foram: as marcas Da Barra, Moka, Nescau,
Nesquik e Palate entre os achocolatados em
pó, e o capucino Três Corações; e os cereais
matinais Nutry Light, Snow Flakes e Xereal.
O estudo encontrou problemas no rótulo do
achocolatado marca Moka, com relação ao
endereço do fabricante – fundamental para
que o consumidor possa fazer contato com a
empresa e também como forma de ser localizado pelos serviços de vigilância sanitária.
O cereal matinal Xereal apresentou outras
irregularidades (nome do fabricante, preparo
O QUE DIZEM OS FABRICANTES
e declaração proibida); já o Nutry Light trazia
falhas de informação quanto a preparo e conservação; e o Snow Flakes continha a seguinte
declaração inadequada: “E aí? Quer saber o
segredo do Snow para ficar Power e fazer as
manobras mais radicais? O cereal Snow Flakers é o segredo!”
Conforme a legislação vigente, a conservação é o conjunto de informações necessárias à boa manutenção dos produtos testados. Também o item preparo deve constar
dos rótulos, pois alguns produtos industrializados dependem de formas de preparo
específicas para que o consumidor possa
avaliar seu rendimento e escolher o produto
mais adequado a suas necessidades.
Quanto às declarações inadequadas, a RDC
259/02 da Anvisa e o Código de Defesa do
Consumidor (CDC) vetam afirmações e frases
que possam levar o consumidor a erro ou que
apresentem um falso conceito de vantagem ou
segurança.
Embora as resoluções já mencionadas da
Anvisa não exijam a informação sobre a validade do produto após aberto, o Idec, seguindo o CDC, considera importante essa informação na rotulagem. Dos produtos avaliados,
nove não continham essa informação:
achocolatados Da Barra, Garotada, Moka e
Inversão de normas
Nesta pesquisa, o Idec cumpre o seu papel de
verificar o cumprimento da legislação vigente, e,
portanto, considera apenas a validade da Portaria
do Inmetro no 162/95, que estabelece em 10% o
limite para o espaço vazio dos produtos pré-medidos contidos em embalagens rígidas opacas. A
determinação posterior, alterando esse espaço de
10% para 25% para achocolatados e 15% para os
capucinos, foi feita por meio de um ofício – Dimep
no 288/05 – ou ofícios, já que existem referências
de outros números de ofícios, e não através de portaria. O Idec entende que essa mudança deveria ser
feita por meio de nova portaria, que é uma norma
pública, e não por um ofício, enviado apenas aos
24
Revista do Idec | Outubro 2006
Toddy; cereais matinais Kellogg’s, Frusli, Nutry
Light, Snow Flakes e Xereal.
fabricantes. Um ofício não pode alterar uma portaria. Isso, ainda que a Portaria no 162/95 preveja
autorizações especiais, pois que, no fundo, acabam
por contradizê-la, já que não estabelecem autoridade competente para tal. Assim, há um ato normativo do Inmetro, embasado em Regulamentação
Metrológica, aprovada por Resolução Conmetro
(Conselho Nacional de Metrologia, Normalização e
Qualidade), que é flexibilizado por uma correspondência (os ofícios alterando a portaria do
Inmetro) de uma chefia de divisão.
O próprio Inmetro foi questionado pelo Idec
sobre esse procedimento, mas não respondeu até
o fechamento desta edição.
A maioria dos fabricantes respondeu aos
questionamentos do Idec alegando que suas
mercadorias estão de acordo com o ofício do
Dimep, que autoriza os achocolatados a utilizarem o espaço vazio máximo de 25%, e os
capucinos, 15%. Assim se manifestaram a
Pepsico do Brasil (achocolatado Toddy), o
Grupo Pão de Açúcar (achocolatado
CompreBem), a Nestlé (Nescau e Nesquik), a
Predilecta (achocolatado Showcau) e a empresa Da Barra Alimentos (achocolatado Da Barra).
Esta empresa contestou o Idec, alegando que se
trata de “produto não é perecível” (sic), que
não exige condições especiais de conservação,
e que, portanto, está dentro das normas exigidas quanto a informações no rótulo.
A Garoto, que produz o achocolatado Garotada, informa que, para solucionar o problema, tem realizado diversos testes industriais com embalagens de diâmetros diferentes, a
fim de adequar o processo de envase ao conteúdo e ao head space permitido pela legislação. A Garoto acha possível que um produto
que saiu de fábrica com 25% de espaço vazio
sofra alterações durante a comercialização,
justificando, assim, a diferença encontrada na
amostra analisada.
A Cia. Iguaçu de Café Solúvel, fabricante do
capucino Iguaçu, afirmou que intensificará o
controle de densidade dos insumos utilizados na
composição do produto junto aos fornecedores.
A Três Corações, que produz o capucino Três
Corações, pediu ao Idec maiores informações
sobre os critérios utilizados para a avaliação. A
Mellita do Brasil Indústria e Comércio, fabricante do capucino Puccino, afirma possuir um
sistema de gestão de qualidade “para tratar
todos os processos necessários à fabricação e
comercialização” dos produtos.
A Feinkost Indústria e Comércio de Alimentos se justifica dizendo que o cereal matinal
Frusli “possui poucos espaços vazios entre os
grãos, o que o torna mais compacto”. A
Kellogg’s, fabricante dos sucrilhos Kellogg’s,
cita, em sua carta ao Idec, a portaria e os ofícios
do Inmetro.
A Nutrimental S/A Indústria e Comércio de
Alimentos, produtora do Nutry Light, pede
“fundamentação” para a análise do Idec.
Espaço vazio é problema antigo
A título de curiosidade, o head space é um
problema bastante antigo, já detectado por
uma das primeiras e a mais importante associação de consumidores dos Estados Unidos,
a Consumers Union. No primeiro número de
sua revista (então chamada Consumers
Union Reports), de maio de 1936, a associação denunciava o problema em caixas dos
“Corn Flakes” da Kellogg’s, alertando o consumidor: “Não julgue a quantidade pelo tamanho da caixa. O rasgo na frente do pacote
mostra que apenas três quartos dele estão
preenchidos” (foto).
Revista do Idec | Outubro 2006
25
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