...

HISTÓRIA 1 A letra da canção O Bêbado e o Equilibrista

by user

on
Category: Documents
11

views

Report

Comments

Transcript

HISTÓRIA 1 A letra da canção O Bêbado e o Equilibrista
HISTÓRIA
1
A letra da canção O Bêbado e o Equilibrista, composta por João Bosco e Aldir Blanc, foi lançada em 1978 e
eternizada na voz de Elis Regina. A letra, que tem os versos “Chora a nossa Pátria mãe gentil / Choram Marias e
Clarisses / No solo do Brasil”, trata do período da redemocratização, já no final da Ditadura Militar. Considerada
como um hino da anistia, fala de personagens que ficaram conhecidas, como as viúvas de presos políticos
(Maria, esposa de Manuel Fiel Filho, e Clarisse, esposa de Vladimir Herzog), e do retorno do exílio de militantes
políticos, como o sociólogo Betinho.
Com base no enunciado e nos conhecimentos sobre o tema, discorra sobre os marcos históricos do Brasil do
período conhecido como redemocratização pós-1964.
QUESTÃO 1 – EXPECTATIVA DE RESPOSTA
Conteúdo programático: Brasil contemporâneo: os dilemas nacionais no pós-64.
Resposta esperada:
Espera-se que o candidato seja capaz de responder que, nesse período, alguns mecanismos de controle do Regime
Militar (censura, prisões, torturas, exílio) vão perdendo força por conta da pressão de grupos civis cada vez mais
emergentes. O candidato pode optar em discorrer sobre uma série de eventos que são marcantes para o período de
redemocratização, como a Lei de Anistia, em 1979; a campanha pelas Diretas-Já, em 1984; e a nova constituição,
em 1985, promulgada em 1988. Também uma nova mentalidade vai se interpondo, que não mais acredita no “Milagre
Brasileiro” propagado pelos governos militares (ainda mais com a alta da inflação). Passou-se a reconhecer o vínculo
entre os governos militares no Brasil e a ditadura, que diferia da democracia presente nas sociedades mais modernas
na época, como a dos Estados Unidos. No interior do próprio sistema, políticos militares e civis denunciavam a
degeneração do Regime Militar.
1/4
2
Leia o texto e observe a seguir.
Jesse Owens (1913-1980), americano do Alabama, conquistou quatro medalhas de ouro na Olimpíada de
Berlim, em 1936, em pleno regime nazista (por ter vencido os 100 e 200 metros rasos, o revezamento de
400 metros e o salto em distância). Os Jogos Olímpicos na Alemanha foram idealizados e abertos por Adolf
Hitler, e o objetivo era fazer propaganda do regime nazista. A Alemanha, de fato, ficou em primeiro lugar no
quadro de medalhas, com 33 ouros. Porém, alguns jornalistas do período disseram que Hitler ficou insatisfeito
com as vitórias de Jesse Owens.
(Adaptado de: <http://acervo.oglobo.globo.com/fatos-historicos/atleta-americano-negro-vence-hitler-9859599>. Acesso em: 15 set. 2015.)
(Fotografia: Jesse Owens no primeiro lugar do pódio na Olimpíada em Berlim, em 1936.)
Com base no texto, na imagem e nos conhecimentos sobre o tema, responda aos itens a seguir.
a) Qual seria o motivo de Adolf Hitler ficar “insatisfeito” em relação à vitória de Jesse Owens na Olimpíada de
Berlim, em 1936?
b) Cite e explique duas características do Nazismo.
QUESTÃO 2 – EXPECTATIVA DE RESPOSTA
Conteúdo programático: Mundo Contemporâneo. Os impasses sociais do século XX: guerras, revoluções, totalitarismos, populismos e autoritarismos.
Resposta esperada:
a) Espera-se que o candidato relacione o fato de Jesse Owens ser negro com o fato de Adolf Hitler representar o
Nazismo, que defende a supremacia do considerado “ariano”.
b) O candidato pode citar, ao menos, duas das características a seguir.
• Antissemitismo ou antijudaísmo, que culminou no Holocausto.
• Nacionalismo étnico, a crença na necessidade de purificar a “raça alemã” através da eugenia, que culminou
na eutanásia não voluntária de pessoas deficientes.
• O anticlericalismo, por se entender que a Igreja pregava a igualdade, mas os sujeitos não eram iguais.
• Seu líder, Adolf Hitler, levou o Reich alemão à Segunda Guerra Mundial.
• O totalitarismo, especificamente na noção de controle totalitário, ou seja, na ideia de que o Estado e, em última
instância, o chefe de Estado (no caso da Alemanha, o Führer), deveria controlar tudo e todos.
• O Holocausto, o genocídio ou assassinato em massa de cerca de seis milhões de judeus durante a Segunda
Guerra Mundial.
• O nome do Partido Nazista era National Sozialistische Deutsche Arbeiterpartei (N.S.D.A.P.) ou, em português,
Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães. Apesar de o nome socialista ser utilizado, o conceito
socialista do nazismo é radicalmente oposto ao conceito do socialismo marxista como é compreendido hoje,
na verdade, era declaradamente antissocialista ou anticomunista.
2/4
3
Leia o texto a seguir.
Uma família de Guarujá vivia angustiada nas últimas semanas com boatos sobre uma sequestradora de crianças à solta na periferia da cidade do litoral paulista. O medo naquela casa do bairro de Morrinhos era que
a criminosa se aproximasse de Fabiane Maria de Jesus, 33 anos de idade, casada e mãe de duas filhas. “Se
ela chegasse na minha irmã, tomava as crianças dela. Porque a Fabiane é assim: se alguém começa a conversar com ela no ônibus, ela já conta a vida inteira.” O desabafo, com os verbos no presente, é de Leidiane,
31 anos de idade, irmã mais nova de Fabiane, linchada na semana passada por moradores de Morrinhos
após ser confundida com a tal sequestradora que nunca agiu no município. O que se soube após a morte de
Fabiane é que tudo não passava de um boato. Um retrato falado feito em 2012 pela polícia do Rio de Janeiro
foi divulgado em uma página na Internet voltada à população de Guarujá e a falsa informação levou pânico
aos moradores. Na família de Fabiane, por exemplo, apenas ela não dava muita atenção à história da “bruxa”
que levava crianças para rituais macabros. A mãe, Raimunda Maria de Jesus, 50 anos de idade, conta que
chegou a alertar a filha, mas Fabiane não acreditou na conversa. “Ela me disse: ‘Isso é coisa do satânico.
Isso é mentira’.” A opinião de Fabiane, porém, era minoria em casa e também em Morrinhos. Na tarde de
sábado, dia 3, ela foi cercada e atacada por uma multidão. Ao longo de pelo menos duas horas, nas ruas
de terra e nas palafitas do bairro, foi arrastada, levou chutes e pauladas e foi jogada ao chão. Internada em
estado crítico após as agressões, morreu às 6h40min de segunda-feira. O linchamento foi registrado em fotos
e vídeos gravados com celulares, o que já permitiu à polícia prender suspeitos de agredir Fabiane, mãe das
meninas Yasmin, 12 anos de idade, e Esther Nicolly, 1 ano de idade.
(Adaptado de:
<http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2014/05/1452689-familia-de-mulher-linchada-em-guaruja-temia-boatos-sobre-
bruxa.shtml>. Acesso em: 11 jul. 2015.)
Com base no texto e nos conhecimentos sobre o tema, responda aos itens a seguir.
a) Discorra sobre o que era considerado como “bruxaria” no contexto da sociedade europeia entre a Baixa
Idade Média e o início da Idade Moderna.
b) Quais poderiam ser as comparações possíveis entre o relatado no texto e as noções sobre “bruxaria” na
sociedade europeia entre a Baixa Idade Média e o início da Idade Moderna?
QUESTÃO 3 – EXPECTATIVA DE RESPOSTA
Conteúdo programático: Mundo Ocidental Durante o Medievo: A sociedade feudal europeia.
Resposta esperada:
a) Na sociedade europeia, as “bruxas” eram acusadas de adulterar o controle divino da natureza. Tal ingerência se
daria por meio de palavras, gestos, objetos ou oferendas. Portanto, estavam sempre relacionadas com a dimensão
sobrenatural. O estereótipo foi construído, a partir do século XVI, por teólogos e magistrados. As bruxas eram
comumente acusadas de fazerem pactos demoníacos e realizarem feitos sobrenaturais, como voar pelos ares.
Foi com esse imaginário simbólico que acusações foram legitimadas e várias mulheres foram mortas em diversas
cidades da Europa até a chegada do Iluminismo. A bruxaria foi considerada uma prática demoníaca, e a mulher, o
principal agente do demônio. A “caça às bruxas” era realizada pelo Tribunal da Inquisição.
b) Espera-se que o candidato consiga, por meio da análise do texto da reportagem, discorrer sobre a característica
específica que conecta as duas temporalidades, qual seja, a degradação da imagem feminina. A mulher foi reduzida
a um objeto sem valor, portanto, sua vida era passível de ser removida. Em períodos do passado, as bruxas
vivenciaram a fogueira e as torturas corporais dos mais variados níveis de intensidade. O candidato também
poderia discorrer sobre outros temas de banalização da condição humana da mulher com base no preconceito,
cujos exemplos são inúmeros: o estupro justificado como responsabilidade da mulher; a violência doméstica contra
a mulher ainda existente e crescente; a diferença entre salários de homens e mulheres; o preconceito contra as
mulheres que amamentam em público; a desqualificação realizada em relação às mulheres que atuam no espaço
político ou profissional; a propensão de se ter mais assédio sexual no trabalho em relação à mulher, entre outros.
3/4
4
Leia os textos a seguir.
O reino recém-unido da Grã-Bretanha estava emergindo como uma potência europeia, intelectual, militar e
comercial. Newton era reconhecido como o gênio supremo da época, enquanto a Royal Society de Londres
era vista como seu árbitro científico supremo. Locke estava fundando a Filosofia empírica e promulgando
as ideias políticas liberais que, na altura do fim do século, seriam corporificadas na constituição americana.
Enquanto isso, Robinson Crusoé, de Defoe, e As Viagens de Gúliver, de Swift, satisfaziam, cada um à sua
maneira, a fome de aventuras estrangeiras do público. Essa era uma nação autoconfiante, experimentando
os primeiros rebuliços do que viria a ser a Revolução Industrial – a máquina a vapor já estava sendo usada
nas minas da Cornualha.
(STRATHERN, P. Uma Breve História da Economia. Rio de Janeiro: Zahar, 2003. p.62.)
Há hoje, nas planícies da Índia e da China, homens e mulheres, infestados por pragas e famintos, vivendo
pouco melhor, aparentemente, do que o gado que trabalha com eles de dia e que compartilha seu local de
dormir à noite. Esse padrão asiático, e esses horrores não mecanizados, é o destino daqueles que aumentam
seus números sem passar por uma revolução industrial.
(ASHTON, T. S. The Industrial Revolution, 1760-1830. London: Oxford University Press, 1948. p.161.)
Com base nos textos e nos conhecimentos sobre o tema, responda aos itens a seguir.
a) Explique o contexto histórico da Revolução Industrial.
b) Situe o posicionamento dos autores desses textos quanto a esse evento histórico.
QUESTÃO 4 – EXPECTATIVA DE RESPOSTA
Conteúdo programático: Mundo na Modernidade: A Revolução Industrial: aspectos culturais, sociais e econômicos.
Resposta esperada:
a) Espera-se que o candidato, em um primeiro momento, apresente as razões elementares para o surgimento da
Revolução Industrial, as transformações produzidas por ela na estrutura social, de modo a justificar a sua categorização como revolução: a decadência da produção no campo devido à necessidade de criação de ovelhas para a
matéria-prima da indústria têxtil; o empobrecimento do camponês; o êxodo rural; os camponeses se transformando
em operários; a fabricação de produtos em série; o aumento da jornada de trabalho; a diferença entre salários
de homens, mulheres e crianças; o enriquecimento dos industriais; mais descobertas científicas; o pensamento
liberal/nacional em substituição ao pensamento místico, tradicional, conservador; tecnologia mais complexa; o desenvolvimento urbano, entre outros.
b) Em um segundo momento, o candidato deve analisar os textos e estabelecer contrastes. Espera-se, minimamente,
que o candidato constate que o primeiro texto é descritivo e apresenta um tom otimista com relação ao evento
histórico em questão, ao passo que o segundo texto tem um tom crítico e apresenta uma defesa da Revolução
Industrial, pois considera que regiões como Índia e China vivem de forma precária, por não se ter fomentado a
Revolução Industrial.
4/4
Fly UP