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protocolo de fixação segura hf 07-14

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protocolo de fixação segura hf 07-14
PROTOCOLO DE FIXAÇÃO SEGURA
HOSPITAL FÊMINA
Porto Alegre
2014
1 INTRODUÇÃO
A prática da terapia intravenosa ocupa segundo estudos 70% do tempo da
enfermagem durante sua jornada de trabalho, sem levar em consideração os eventos
adversos em grande escala que essa prática nos mostra. Esse fato nos leva a analisar essa
prática de forma a criar estratégias que minimize suas complicações e o retrabalho da
enfermagem, porém, é essencial que nas unidades hospitalares se estabeleça um protocolo,
baseado nas recomendações nacionais como: ANVISA (Agência Nacional de Vigilância
Sanitária) e internacionais como o INS (Infusion Nurses Society) e do CDC (Centers for
Disease Control and Prevention), onde se direciona e ampara todo o manuseio (punção,
fixação, manutenção e retirada) com o objetivo de tornar essa prática segura, diminuir a
repunção, infecção,custos para o Hospital, garantindo a qualidade da assistência e
sobretudo conforto e segurança ao paciente.
Nesta perspectiva, foi elaborado este protocolo contendo as recomendações
necessárias para controle dos acessos venosos, levando-se em consideração quatro
conceitos: estabilização do catéter, cobertura estéril, visualização e segurança.
Os cateteres devem sempre ser instalados por profissionais capacitados e com
indicação diagnóstica e/ou terapêutica. A estabilização deve garantir o bom funcionamento,
não interferindo na manipulação, acessibilidade e monitorização do sítio de inserção.
2 OBJETIVOS
Elaborar um protocolo sobre a prática de estabilização e fixação segura com a
utilização de coberturas em acessos venosos periféricos e centrais de acordo com as
recomendações da ANVISA, CDC e INS.
3 TIPOS DE CATETERES VENOSOS
Segundo o INS (2008), o cateter ideal deve apresentar alta resistência a dobras,
boa integridade estrutural para facilitar a inserção na veia, baixa trombogenicidade, baixa
aderência bacteriana e boa estabilidade em longo prazo.
4 COBERTURA
O propósito da cobertura estéril para cateteres periféricos é:
- Proteger o sítio de punção e minimizar a possibilidade de infecção por meio da
interface entre a superfície do cateter e a pele.
Portanto, a cobertura deve ser estéril podendo ser semi oclusiva (gaze ou fixador) ou
membrana transparente semipermeável –MTS (ANVISA, 2010).
As membranas ou filmes de poliuretano são coberturas de natureza química,
transparente, elástica e estéril, podendo ser impermeáveis ou semipermeáveis, permitindo
assim, a liberação de gases e a evaporação de água. São barreiras bacterianas e virais.
4.1. Tipos de Cobertura – padronizadas no Hospital Fêmina
COBERTURAS
UNIDADES
TIPO DE
TEMPO DE
ACESSO
PERMANÊNCIA
- Todas as unidades
Periférico
- Até 96 horas
- Todas as unidades
- Central
- 7 dias
- Curativo transparente para
-
-Central
-7 a 10 dias
cateter
conforme anexo A
ESTEREIS
-
Curativo
estéril,
transparente,
adesivo
poliuretano,
de
c/fenestra
e
reforço nas bordas, tamanho
aprox. de 7 x 8,5cm
Cód GHC: 31449
- Curativo transparente estéril
10 x 12
Cód. GHC: 23862
impregnado
clorhexidine
2%,
com
Todas
as
unidades
c/aprox.
8,5cm x 11,5cm
Cód. GHC: 31227
Fonte: CDC(2011); INS (2008); ANVISA (2010)
4.2 Estabilização de Cateteres
A estabilização do cateter deve ser utilizada para preservar a integridade do acesso
venoso e prevenir a migração ou perda do mesmo. Nesse sentido, utiliza-se alguns
mecanismos que auxiliam nessa função, como:
-
As "fitas estéreis estabilizadoras": tem como objetivo a estabilização do hub
(canhão) do cateter, impedindo o seu deslocamento dentro do vaso (INS, ANVISA).
-
A "fenda" (fenestrado): tem como principal objetivo a acomodação dos
dispositivos/conexões, garantindo uma melhor fixação do cateter e maior
permanência da cobertura.
5 ACESSO VENOSO PERIFÉRICO E CENTRAL
5.1 Acesso Venoso Periférico
É um acesso venoso realizado através da punção de veia periférica em uso de um
dispositivo intravenoso. Pode ser usada tanto para tratamento prolongado quanto para
soluções mais concentradas, observando sempre a permeabilidade venosa. É um
procedimento que pode oferecer riscos.
Indicações: terapia intravenosa de curta duração.
Contra-indicação: administração de drogas vesicantes, hiperosmolares e vasoativas.
* Recomendações:
- Dar prioridade às veias dos membros superiores (MMSS);
- Evitar regiões de articulações;
- Evitar local próximo à área contaminada;
- Não puncionar veias com tromboflebite ou locais com lesão cutânea;
-Não puncionar, de preferência, membros com déficit motor.
* Intervenções de Enfermagem após a instalação do dispositivo:
•
Estabilizar e proteger o dispositivo c/ fitas estéreis e adesivo estéril (cód. GHC
31449 em pacientes adultos e cód. GHC 23681 ou 32112 para paciente na UTI
Neonatal) .
•
Fazer conexões respeitando a compatibilidade de materiais.
•
Iniciar a terapia prescrita.
•
Descartar os materiais utilizados em recipiente adequado.
•
Documentar o procedimento e as intercorrências quando presentes.
•
Registrar em local de fácil acesso a data de validade/trocar do dispositivo quando se
tratar de dispositivo periférico de curta permanência.
* Durante a permanência do cateter
•
Garantir sempre a fixação e estabilização do cateter evitando sua migração interna
para prevenir contaminações e complicações mecânicas. Um cateter periférico com
a estabilização garantida não permite a movimentação da ponta evitando a flebite
mecânica por irritação do endotélio do vaso. Esse processo deve ser garantido com a
utilização de fitas de estabilização estéreis.
•
Substituir o dispositivo periférico e o sítio de inserção com intervalo até 96h, ou
quando indicado (obstrução, perda, flebite, extravasamento, infiltração, e infecções
relacionadas).
* Escalas para acompanhamento das possíveis complicações de acesso venoso
periférico
Quadro 1. Escala de Infiltração e Extravasamento.
ESCALA DE CLASSIFICAÇÃO DE INFILTRAÇÃO E EXTRAVASAMENTO
GRAU
SINAIS CLÍNICOS
0
Sem sinais clínicos
1
Pele fria e pálida, edema menor que 2,5cm, com pouca ou sem dor no local
2
Pele fria e pálida, edema entre 2,5cm e 15 cm, com pouca ou sem dor no local
3
Pele fria, pálida e translúcida, edema maior que 15 cm, dor local variando de média à
moderada, possível diminuição da sensibilidade.
4
Pele fria, pálida e translúcida, edema maior que 15cm, dor local variando de moderada à severa,
diminuição da sensibilidade e comprometimento circulatório. Ocorre na infiltração de
derivados sanguíneos, substâncias irritantes ou vesicantes(extravasamento).
Adaptado de: Alexander, M.Infusion – related complications. J. Intraven Nurs 2000,23.
(6S): S 56-S58.
As escalas são utilizadas para orientar os profissionais na identificação de sinais de
complicações relacionados à terapia intravenosa, pois é importante que o dispositivo seja
removido, tão logo se detecte alguma alteração. Bem como que seja realizado o registro do
mesmo no prontuário e notificado os Eventos Adversos relacionados à terapia intravenosa
(Rede Sentinela – sistema eletrônico de notificação de EA, por exemplo: flebite, perda de
cateter, extravasamento de quimioterapia).
5.2 Acesso Venoso Central
São acessos obtidos a partir de punção venosa central, cujo cateter está localizado
no terço médio inferior da veia cava superior (para administração de fluidos) ou no interior
do átrio direito (para monitoração invasiva).
A maioria das infecções relacionadas aos cateteres está associada aos cateteres
venosos centrais (CVC´s), especialmente aqueles inseridos em pacientes em UTI´s.
O acesso venoso central pode ser necessário por longos períodos, aumentando o
risco de colonização através da manipulação do cateter diversas vezes durante o dia pelos
profissionais de saúde, maximizando o risco para desenvolver infecção de corrente
sanguínea relacionada ao cateter.
Já está comprovado que 60% dos microorganismos causadores das infecções de
corrente sanguínea são aqueles presentes na flora da nossa pele e 30% estão colonizando o
canhão do cateter.
A cobertura impregnada com clorexidina a 2% deve ser utilizada sempre que uma
eventual bacteremia relacionada ao cateter for considerada grave (ANVISA, 2010).
Os acessos centrais são classificados quanto:
•
Ao tempo de uso (curta permanência, longa permanência);
•
Tipo de material usado (silicone, poliuretano, etc.);
•
Tipo de implantação (não tuneilizado, percutâneo, tuneilizado);
•
Pela presença ou não de válvulas;
•
Pelo número de lúmens e vias.
* Manipulação do cateter venoso central
A manutenção e a manipulação da(s) via(s) do cateter venoso central serão
acompanhadas pela equipe de enfermagem, e as trocas de curativos e eventuais
complicações detectadas serão comunicadas ao médico responsável e notificadas na Rede
Sentinela.
* Fixação e coberturas dos acessos venosos centrais
O curativo do acesso venoso central após a punção deve ser realizado utilizando-se
a cobertura estéril, transparente, com fenda, com almofada em gel impregnada com
clorexidine a 2% (cód. 31227) para pacientes que atendam a recomendação constante no
Anexo A. Para os demais pacientes adultos com acesso central utilizar curativo transparente
estéril 10x12 (cód. 23682).
6.CONSIDERAÇÕES FINAIS
Com a implementação do protocolo espera-se, a melhoria da qualidade da
assistência, amplo desenvolvimento na prática de terapia intravenosa, concomitantemente o
bem estar e a segurança do paciente assistido, pois estes procedimentos são realizados na
instituição, sem padronização.
Para os profissionais da equipe de enfermagem é uma ferramenta, pois o protocolo
nos fornece este modelo padronizado, que será aplicado em todas os pacientes das unidades
que façam uso de um dispositivo central ou periférico.
A utilização de novas tecnologias como os filmes de poiluretano para os cateteres
centrais e periféricos, minimizam as possíveis complicações relacionadas à terapia
intravenosa. Outro aspecto importante é o retrabalho da equipe de enfermagem. Um
dispositivo periférico ou central estabilizado e fixado pode atingir o tempo permanência
recomendado para as infusões.
REFERÊNCIAS
CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION-CDC. Hospital
Infection Control Practices Advisory Committee. Guidelines for the prevention of
intravascular catheter-related infections. MMWR 2002;, vol. 2000;1(RR10):1-26.
INFUSION NURSES SOCIETY – INS. Policies and procedures for infusion
nursing 3rd 2006.
AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA- ANVISA. Manual
de Prevenção de Infecção Primária de Corrente Sanguínea,
ANEXO A
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