...

decifrando a teoria queer nos contos de marcelino freire

by user

on
Category: Documents
3

views

Report

Comments

Transcript

decifrando a teoria queer nos contos de marcelino freire
Anais Eletrônicos do IV Seminário Nacional Literatura e Cultura
São Cristóvão/SE: GELIC/UFS, V. 4, 3 e 4 de maio de 2012. ISSN: 2175-4128
1
DECIFRANDO A TEORIA QUEER NOS CONTOS DE MARCELINO
FREIRE
Olinson Coutinho Miranda (UNEB).
A Teoria Queer surgiu nos Estados Unidos na década de 90 do século XX
com a relação entre os Estudos Culturais e o Pós-estruturalismo francês, no intuito de
questionar, problematizar, transformar, radicalizar e ativar uma minoria excluída da
sociedade centralizadora e heteronormativa. Portanto, representa as minorias sexuais
em sua diversidade e multiplicidade, levando em consideração todos os tipos e
concepções de sexualidade.
A teoria queer teve como referencial teórico os estudos de Foucault e
Derrida, além da contemporânea Judith Butler, constituindo uma resposta à
problemática do déficit sofrido pelos estudos gays e lésbicos. Quanto à relação de
estudos gays e teoria queer, Denilson Lopes acrescenta que:
Os estudos gays, lésbicos e transgêneros são áreas interdisciplinares
de estudos emergentes na academia norte-americana pós os anos 60,
com o estabelecimento de disciplinas, programas, centros, realização
de congressos. Essa área sofre crítica nos anos 90 pela teoria dos
estudos queer, ao retomar uma radicalidade política na contraposição
a uma visão integrativa que o termo gay foi assumindo na sociedade
norte-americana. O termo queer inclui simpatizantes e é paralelo ao
interesse pelo transgênero, pela bissexualidade. (LOPES, 2002, p 50.)
Lopes apresenta que os estudos gays e lésbicos são precedentes da teoria
queer e dão seu sustentáculo e base, porém são considerados deficientes em relação à
representação da multiplicidade sexual e o combate à descriminação e exclusão.
Dessa forma, a teoria queer entra em cena para retratar os novos entendimentos,
reflexões, lutas em busca de igualdade e participação ativas dos diversos sujeitos
sexuais existentes na atualidade.
Anais Eletrônicos do IV Seminário Nacional Literatura e Cultura
São Cristóvão/SE: GELIC/UFS, V. 4, 3 e 4 de maio de 2012. ISSN: 2175-4128
2
É importante destacar, que a palavra queer, utilizada pelos teóricos, não tem
uma tradução exata para a Língua Portuguesa. Portanto, a expressão queer é
traduzida como estranho, talvez ridículo, raro, excêntrico, extraordinário. Retratando
assim, uma situação de dúvida, questionamento, novidade, rebeldia e diversidade.
E como Louro também afirma:
Queer é tudo isso: é estranho, raro, esquisito. Queer é, também, o
sujeito da sexualidade desviante- homossexuais, bissexuais,
transexuais, travestis, drags. É o excêntrico que não deseja ser
integrado e muito menos tolerado. Queer é um jeito de pensar e de
ser que não aspira ao centro e nem o quer como referencias; um jeito
de pensar que desafia as normas regulatórias da sociedade, que
assume o desconforto da ambiguidade, do entre lugares, do
indecidível. Queer é um corpo estranho que incomoda perturba,
provoca e fascina. (LOURO, 2004, p 57).
A ideia dos teóricos usarem o termo queer, representando raro, excêntrico,
vem da situação de positivar a repulsa, a humilhação, de forma pejorativa, que os
homossexuais são agredidos e insultados pela sociedade heteronormativa e
centralizadora. Segundo Butler (2002), a cultura queer adquire todo o seu poder
precisamente através da invocação reiterada que o relaciona com acusações,
patologias e insulto).
Goffman (1988) declara que:
A partir da subversão da ordem operada por uma relação
homossexual, os homossexuais são invisibilizados e estigmatizados
socialmente. O estigma se refere ao conjunto de atributos inscritos na
identidade social de um indivíduo, os quais, em uma interação,
podem desacreditá-lo/depreciá-lo, tornando-o um indivíduo
“menor” socialmente. (GOFFMAN, 1988, p.34)
A teórica confirma a situação de “menor” do individuo homossexual que
subverte a ordem de uma sociedade heteronormativa. E essa sociedade torna-o
desacreditado, estigmatizado, depreciado e excluído devido à conduta social
Anais Eletrônicos do IV Seminário Nacional Literatura e Cultura
São Cristóvão/SE: GELIC/UFS, V. 4, 3 e 4 de maio de 2012. ISSN: 2175-4128
3
normatizante e seletiva. Sendo assim, Gamson (2002) relata que “a política queer (...)
adota a etiqueta da perversidade e faz uso da mesma para destacar a ‘norma’ daquilo
que é ‘normal’, seja heterossexual ou homossexual. Queer não é tanto se rebelar
contra a condição marginal, mas desfrutá-la”. Portanto, ser queer é ser marginal, mas
essa marginalização é vista como fator positivo, pois o ideal queer, pode assim
proclamar uma identidade como minorias sexuais que estão em desacordo com o
dominante, o legítimo, o normativo. Hoje as chamadas minorias sexuais estão muito
mais visíveis e, consequentemente, torna-se mais explicita e acirrada a luta entre elas
e os grupos conservadores. A dominação que lhe é atribuída parece, contudo,
bastante imprópria.
Quanto à ideia de ruptura e desacordo, é importante salientar o ideal de
desconstrução
promulgado
por
Jaques
Derrida, pois se
luta contra um
construtivismo social vigente, determinado pelas normas e regras quanto aos estudos
de gêneros e sexuais. Portanto, é necessária uma análise desconstrutivista para
garantir a diversidade existente na sociedade contemporânea. Seidman (1995) ratifica
que os estudos queer são favoráveis a uma estratégia descentralizadora ou
desconstrutiva que escapa das proposições sociais e políticas programáticas
positivas; imaginam o social como um texto a ser interpretado e criticado como
propósito de contestar os conhecimentos e hierarquias sociais dominantes.
Diante da ideia de diversidade e multiplicidade sexual promulgada pelos
estudos queer, destaca-se a presença do escritor Marcelino Freire, um escritor
nordestino, nascido em 1967 em Sertania, Pernambuco e vive em São Paulo desde
1991. Escritor de obras como Angu de Sangue (2000), BaléRalé (2003), Contos
Negreiros (2005), Rasif - Mar que Arrebenta (2008), Amar é Crime (2011), narram os
dilemas do Brasil contemporâneo. Utiliza-se da ironia, recurso presente em
narrativas curtas construídas a partir de um narrador em primeira pessoa.
Apresentam-se tensões acerca das questões de desigualdades econômica e social. Em
sua literatura, existe forte presença de personagens marginais e/ou marginalizados.
Anais Eletrônicos do IV Seminário Nacional Literatura e Cultura
São Cristóvão/SE: GELIC/UFS, V. 4, 3 e 4 de maio de 2012. ISSN: 2175-4128
4
A diversidade é grande e se compõe de cidadãos negros submetidos a trabalhos
degradantes, moradores de favelas, prostitutas mal-amadas, assaltantes em conflito,
miseráveis indignados, pais infelizes, crianças cruéis, vítimas de discriminação e
perseguição policial, além de predadores sexuais, pedófilos, estrangeiros praticantes
de turismo sexual e como destaque os homossexuais.
O presente artigo destaca a análise de dois contos de Marcelino Freire,
“Coração” do livro “Contos Negreiros” (2005), “Junior” da obra “Rasif - mar que
arrebenta” (2008), os quais retratam especificidades dentro da diversidade sexual
promulgada pela teoria queer.
Vale ressaltar, que a escolha dos contos por retratarem tipos homossexuais
representados pela teoria queer, a bicha, o travesti, o bissexual, os quais detêm a voz
e apresentam suas vontades, sentimentos e desejos. Ratificando a necessidade da
teoria queer de representaçao das multiplas identidades, composta por um numero
complexo de especificidades e particularidades sócio, histórico, econômico e
principalmente cultural. Representam grupos menos favorecidos e excluídos da
sociedade heteronormativa centralizadora, mas em sua diversidade, pois englobam
os sujeitos da sexualidade desviantes como os homossexuais, os bissexuais, os
travestis, os transexuais, as drags.
No conto “Coração”, Marcelino Freire narra em primeira pessoa, a historia
de uma bicha, Célio, que transa com muitos homens, mas que se apaixona por um
rapaz, Beto, mas esse amor não é correspondido, pois Beto só mantém um caso com
Célio como meio de satisfazer puramente seu desejo sexual. Dessa forma, Célio
lamenta-se dessa situação e deseja que bicha tivesse nascido sem coração, oca, vazia,
sem sentimentos. E no conto “Junior” o narrador, Junior, conta a historia em que seu
pai ainda casado com sua mãe convida um travesti para tomar café em sua casa, e o
travesti Magaly sem entender o que estava acontecendo vai com ele no carro e
quando chega na casa dele realiza sua função de forma assustada e sem barulho para
não ser notado pela esposa do homem.
Anais Eletrônicos do IV Seminário Nacional Literatura e Cultura
São Cristóvão/SE: GELIC/UFS, V. 4, 3 e 4 de maio de 2012. ISSN: 2175-4128
5
Bicha devia nascer sem coração. É, devia nascer. Oca. É, feito uma
porta. Ai, ai. Não sei se quero chá ou café. Não sei. Meus nervos à flor
de algodão. Acendo um cigarro e vou assistir televisão. Televisão. O
especial de Roberto Carlos todo ano. Ai que amolação! Esse coração
de merda. Bicha devia nascer vazia. Dentro do peito, um peru da
Sadia. É, devia. (FREIRE, Marcelino, 2005, p.59).
O travesti foi pisando alto. Equilibrando-se no salto. Como se
qualquer hora aparecesse a policia e perguntasse: o que você viado
está fazendo nessa casa?... O travesti mijou, nem deu a descarga.
Olhou-se no primeiro espelho que encpntrou. Coragem, Magaly
Sanchez, coragem. (FREIRE, 2008, p.62)
Um primeiro ponto a ser observado nesse conto, é a autodenominação de
Célio como bicha e de Magaly Sanchez como travesti, utilizam os termos como meio
de afirmação de suas identidades enquanto homossexual que tem sentimentos e que
precisam ser visto como pessoa humana que fazem parte de uma sociedade múltipla
e plural, apesar de ser seletiva e preconceituosa. E como afirma Butler (2003):
São identidades marcadas por valores desiguais, padronizadas e
estereotipadas. Percebe-se que a identidade de gênero é significada
pela cultura e constituída a partir da socialização, podendo ser
concebida como um modo de se relacionar e estar no mundo,
constituído por meio das relações que se estabelecem a partir de uma
relação performática que deve considerar aspectos espaço-temporais e,
conseqüentemente, subjetividades e identidades peculiares que estão
sendo a todo o momento formadas a partir de uma idéia de aparência
de substância que faz com que se materialize a dicotomia
masculino/feminino (BUTLER, 2003, p.51).
Butler afirma a ideia de multiplicidade performática de identidade sexual
peculiares existentes, mas que são marcadas por valores desiguais e estereotipadas.
Portanto, essa forma múltipla de performance traz uma pluralidade de gêneros e
sexual, marcadas pela presença de tipos excêntricos e desviantes que buscam
efetividade nessa sociedade excludente e heteronormativa.
Anais Eletrônicos do IV Seminário Nacional Literatura e Cultura
São Cristóvão/SE: GELIC/UFS, V. 4, 3 e 4 de maio de 2012. ISSN: 2175-4128
6
Devido a esse fator de repulsa e marginalidade, a construção da identidade
sexual se torna arbitrária, instável e excludente, uma vez que traz um silenciamento
de outras experiências sexuais múltiplas. Portanto, a teoria queer não abandona essas
identidades e experiências, mas propõe um significado permanente aberto, fluido e
passível de contestação, para que ocorra o encorajamento e surgimento de diferenças
e a construção de uma cultura diversificada e plural.
Dessa forma, María Laura Moneta Carignano (2009) diz:
A ideia é afirmar, positivamente, o caráter estranho, abjeto e
ininteligível dos modos de vida e de práticas sexuais e de gênero
minoritários. O alvo do discurso queer não é apenas o heterossexismo
compulsório de nossas sociedades, mas também o processo de
normalização do movimento social e o modo de vida das minorias
sexuais. Por isso que a teoria queer aponta não para um binarismo de
gênero, como no discurso da heteronormatividade, mas para uma
proliferação e dispersão de gêneros. (CARIGNANO, 2009)
Segundo Guacira Lopes Louro (2007), de acordo com a concepção liberal de
que a sexualidade é uma questão absolutamente privada, alguns se permitem aceitar
“outras” identidades ou práticas sexuais desde que permaneçam no segredo e sejam
vividas apenas na intimidade. O que efetivamente incomoda é a manifestação aberta
e pública de sujeitos e práticas não-heterossexuais. Revistas, moda, bares, filmes,
música, literatura, enfim todas as formas de expressão social que tornam visíveis as
sexualidades não-legitimadas são alvo de críticas, mais ou menos intensas, ou são
motivo de escândalo. Na política de identidade que atualmente vivemos serão, pois,
precisamente essas formas e espaços de expressão que passarão a ser utilizados como
sinalizadores evidentes e públicos dos grupos sexuais subordinados. Sendo assim, se
trava uma luta para expressa uma estética, uma ética, um modo de vida que não se
quer “alternativo”, mas que pretende, simplesmente, existir pública e abertamente,
como os demais.
Anais Eletrônicos do IV Seminário Nacional Literatura e Cultura
São Cristóvão/SE: GELIC/UFS, V. 4, 3 e 4 de maio de 2012. ISSN: 2175-4128
7
Celio acariciou o membro de Beto no aperto vespertino, no balanço
ferroviário. Beto gozou na mão do veado... E ele parecia, sei lá, um
menino bom. Bafao, mona. Abra a janela que estou ficando tonta.
(FREIRE, 2005, 60).
O travesti foi pisando alto. Equilibrando-se no salto. Como se
qualquer hora aparecesse a policia e perguntasse: o que você viado
está fazendo nessa casa?... O travesti mijou, nem deu a descarga.
Olhou-se no primeiro espelho que encpntrou. Coragem, Magaly
Sanchez, coragem. (FREIRE, 2008, p.62).
Quanto a essa ideia de afirmação de identidade, a teoria queer traz a situação
em que os homens se transvestem para representar seus desejos e anseios, mas na
certeza de que são homens que gostam de homens e não homens que desejam ser
mulheres. Freire explicita a situação em que o sujeito masculino que adotam nomes
femininos “Coragem, Magaly Sanchez, coragem” usam roupas e acessórios
femininos “O travesti foi pisando alto. Equilibrando-se no salto” e utilizam pronomes
de tratamento feminino “ficando tonta” para expressar suas vivencias. Dessa forma,
Kulick (2008) diz:
A principal característica das travestis... de todo o Brasil, é que elas
adotam nomes femininos, roupas femininas, penteados e maquiagens
femininos, pronomes de tratamento femininos, além de consumirem
grande quantidade de hormônios femininos e pagarem para que
outras travestis injetem até vinte litros de silicone industrial em seus
corpos, com o objetivo de adquirir aparência física feminina, com
seios, quadris largos, coxas grossas e, o mais importante, bundas
grandes. A despeito de todas essas transformações, muitas das quais
irreversíveis, as travestis não se definem como mulheres. Isto é,
apesar de viverem o tempo todo vestidas como mulher, referindo-se
umas às outras por nomes femininos, e sofrendo dores atrozes para
adquirir formas femininas, as travestis não desejam extrair o pênis e
não pensam em ‘ser’ mulher. Elas não são transexuais. Ao contrário,
afirmam elas, são homossexuais – homens que desejam outros
homens ardentemente e que se modelam e se completam como objeto
de desejo desses homens” ( KULICK, 2008, p.21-22).
A teoria queer retrata a diversidade sexual em suas variadas formas de
relacionamentos entre homens. Uma situação de relação fortemente presente na
Anais Eletrônicos do IV Seminário Nacional Literatura e Cultura
São Cristóvão/SE: GELIC/UFS, V. 4, 3 e 4 de maio de 2012. ISSN: 2175-4128
8
atualidade seria a relação instável, provisória, momentânea e sem vínculos afetivos,
destacando abertamente, fora do armário, o sexo pelo sexo como fundamental e
essencial.
Célio conheceu Beto na estação de trem, sem setembro. Moreno
bonito. Celio acariciou o membro de Beto no aperto vespertino, no
balanço ferroviário. Beto gozou na mão do veado. Encabulado,
mascou seu chiclete, desceu e nem olhou para trás, para Célio...
Quando acordou, depois de tanto prazer, cadê aquele amor? O
menino saiu na madrugada. Evaporou-se. Como? Célio viu se casa
estava tudo em ordem. As caçarolas intactas, os ossos continuavam á
mostra. Ora, que menino mais capeta! Só sobrou o chiclete,
acredita?...Não aguentei ficar em casa sozinho, e vim tomar um café
com você. Essa bosta de tristeza que bate no coração da gente, de
repente. Que desmantelo. Bem que Roberto Carlos deveria cortar esse
cabelo. E eu, nascer sem coração, repetiu. É sem coração. (FREIRE,
2005, p. 59, 62 e 63).
Nesse trecho, fica evidente a relação entre o homem e a bicha, os quais
mantêm uma relação puramente sexual, na qual o homem que se diz hétero se
envolve com as bichas para se satisfazer sexualmente, sem manter ligação afetiva,
porém a bicha permanece na situação enquanto objeto de prazer, portanto apresentase como detentora de sentimento e afetividades. Esse sentimento desenvolve ao
ponto de se transformar em paixão, amor “Essa bosta de tristeza que bate no coração
da gente, de repente”, mas esse amor não é correspondido devido ao fato dos
homens apenas usufruírem sexualmente, sem manter um relacionamento, pois esses
homens jamais se viriam numa relação afetiva com outros homens, denominados
bichas. Marcelino declara em seu conto a influente presença escancarada das relações
queer entre homens e bichas, sendo o homem no papel de dominador, “o macho”, e a
bicha, como dominada, “a fêmea”. Como acrescenta Fry:
Chamamos esse sistema de hierárquico porque a relação sexual se dá entre
não iguais: o "homem" penetra e domina a "bicha", que é passiva, dominada.
O ser que penetra é o masculino, dominante, enquanto que o ser penetrado é
efeminado, dominado, inferior. O "homem" pode ter relações com outros
Anais Eletrônicos do IV Seminário Nacional Literatura e Cultura
São Cristóvão/SE: GELIC/UFS, V. 4, 3 e 4 de maio de 2012. ISSN: 2175-4128
9
machos "bichas" sem perder seu status de "homem". O que diferencia ambos
é o papel masculino ou feminino, ativo ou passivo. (FRY, 1982).
Dessa forma, a teoria queer vem representar tudo que envolve a identidade
sexual em suas especificidades e pluralidades e colocar em prática uma cultura
múltipla e especifica de grupos como os gays, as lésbicas, os bissexuais, as bichas, os
travestis, os transexuais, as drags. Vale ressaltar, que Marcelino Freire retrata em
seus contos grupos específicos como os travestis, os bissexuais, as bichas de forma
escancarada, além das relações queer entre homens como forma de concretizar a
diversidade existente nessa sociedade centralizadora e heteronormativa.
REFERÊNCIAS
BUTLER, Judith. Críticamente subversiva. In: JIMÉNEZ, Rafael M. Mérida.
Sexualidades transgresoras. Una antología de estudios queer. Barcelona: Icária editorial,
2002.
BUTLER, Judith. Problemas de Gênero. Feminismo e subversão da identidade. Rio de
Janeiro: Civilização Brasileira, 2008.
CARIGNANO, María Laura Moneta. O “mundo da bichas” em copi e perlongher:
identidade, gênero e literatura. Anais do SILEL. Volume 1. Uberlândia: EDUFU, 2009.
FREIRE, Marcelino. Contos negreiros. São Paulo: Record, 2005.
__________. Rasif, mar que arrebenta. São Paulo, Record, 2008.
FRY, Peter. Para Inglês Ver: Identidade e Política na Cultura Brasileira. Rio de Janeiro:
Zahar, 1982.
GAMSON, Joshua. Deben autodestruirse los movimientos identitarios? Un extrañodilema.
In: JIMÉNEZ, Rafael M. Mérida. Sexualidades transgresoras. Una antologíade estudios
queer. Barcelona: Icária editorial, 2002
GOFFMAN, Erving. Estigma: notas sobre a manipulação da identidade deteriorada. Rio de
Janeiro, Guanabara Koogan, 1988
HALL, Stuart. Identidades culturais na pós-modernidade. Rio de Janeiro: DP&A,
1997.
JAGOSE, Annamarie. Queer Theory: An Introduction. New York: New York University
Press, 1996.
Anais Eletrônicos do IV Seminário Nacional Literatura e Cultura
São Cristóvão/SE: GELIC/UFS, V. 4, 3 e 4 de maio de 2012. ISSN: 2175-4128
10
KULICK, Dom. Travesti: prostituição, sexo, gênero e cultura no Brasil. Rio de Janeiro:
Ed. Fiocruz, 2008. 280p.
LAURETIS, Teresa de. “Queer Theory: Lesbian and Gay Sexualities”, Differences: A
Journal of Feminist Cultural Studies, 3(2), iii-xviii, 1991.
LOPES, Denílson. O homem que amava rapazes e outros ensaios. Rio de Janeiro:
Aeroplano, 2002.
LOURO, Guacira Lopes. O corpo estranho. Ensaios sobre sexualidade e teoria queer. Belo
Horizonte: Autêntica, 2004.
LOURO, Guacira Lopes. O corpo educado pedagogias da sexualidade. Belo Horizonte:
Autêntica, 2007.
MISKOLCI, Richard. A teoria queer e a sociologia: o desafio de uma analítica da
normalização. Sociologias, Porto Alegre, ano 11, v. 1, n. 29, 2009,
SEIDMAN, Steven (org.).Queer Theory / Sociology. Oxford: Blackwell. 1996.
Fly UP