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O Que Esperar Quando Você Está Esperando 1

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O Que Esperar Quando Você Está Esperando 1
Arlene Eisenberg,
Heidi Murkojf,
Sandee Hathaway, BSN.
O Que Esperar
Quando Você
Está Esperando
Tradução de
PAULO FRÓES
Prefácio do Dr, Richard Aubry,
Diretor de Obstetrícia do Centro de Ciências Médicas
aa Universidade Estadual de Nova York, em Syracuse
8ÍJ EDIÇÃO
1
E D I T O R A
RIO
DE
JANE1KO
2000
R
•
E
SÃO
C
O
R
PAULO
D
Este livro não encontra-se disponível em nenhuma livraria da cidade, por conta
disso fomos obrigados a tirar uma fotocópia e digitalizá-la.
Foram deletadas somente as páginas em branco e este é o motivo para que,
algumas vezes, pule a numeração natural das páginas. Isto deve ser percebido
somente no início de cada capítulo. O conteúdo original foi preservado.
CIP-Brasil. Catalogaçíio-na-fonte
Sindicato Nacional dos Editores de Livros, RJ.
E31o
8* ed.
Eisenberg, Arlene
O que esperar quando você está esperando /
Arlene Eisenberg, Heidi E. Murkoff, Sandee E,
Hathaway; tradução de Paulo Fróes. - 8' ed. Rio de Janeiro: Record, 2U00.
Tradução de: What to expect when you're
expceting
Apêndice
1, Gravidez. 2, Parlo. 3. Pós-parto. I
Murkofl', Heidi Eisenberg. II. Hataway, Sundee
Eisenberg 111. Título.
93-0456
CDD - 618.24
CDU - 618.2
Título original norte-americano
WHAT TO EXPECT WHEN YOU'RE EXPECTING
Copyright© 1984, 1988, 1991 by Arlene Eisenberg,
Heidi E. Murkoffe SandeeE. Hathaway
Direitos exclusivos de publicação em língua portuguesa para o Brasil
adquiridos pela
DISTRIBUIDORA RECORD DE SERVIÇOS DE IMPRENSA S. A.
Rua Argentina 171 - R i o de Janeiro, RJ - 20921 -380-Tel.: 585-2000
que se reserva a propriedade literária desta tradução
Impresso no Brasil
ISBN 85-01-03520-3
PEDIDOS PELO REEMBOLSO POSTAL
Caixa Postal 23.052
Rio de Janeiro, RJ -20922-970
tUITUKA ATILUI1A
A Em ma, que inspirou este livro ainda no útero, que fez o melhor que pôde
para que continuássemos a escrever depois que de lá saiu, e que, estamos
confiantes, um dia fará bom uso dele.
A Howard, Erik e Tim, sem os quais este livro seria inviável de várias
maneiras.
A Rachel, Wyatt e Ethan, que apareceram um pouco tarde para nossa
primeira edição, mas cujas gestações muito contribuíram para esta.
OBRIGADA, UM MILHÃO DE VEZES
E
l ntre um filho acrescido à prole e
' um livro levado ao prelo há muiJ t o em comum, Para que ambos
cheguem a bom termo, faz-se mister a
conjugação de cerios elementos: tempo,
esforço, cuidado, dedicução — à parte
uma dose salutar de preocupação. Ambos requerem, ademais, a cooperação integrada de várias pessoas. Cumpre
ressaltar: na gestação de nosso livro fomos, nesse particular, muito felizes, e às
pessoas que dela participaram só nos resta agiadeen, afetuosamente:
A Elise e a Arnold Goodman, nossos
agentes, pelos conselhos, o apoio, a confiança e a amizade.
A Suzanne Rafer, da produção editorial,
não só pelas sugestões lúcidas, mas também pela paciência, pelo senso de humor
(de que muito precisou) e pela capacidade inlinda num trabalho que, por vezes,
parecia interminável.
A Shannon Ryan, por tanta eficiência,
inteligência e tantos sorrisos, A Kathíe
Ness, pela criteriosa preparação de originais desta segunda edição.
A Bert Snyder, Ina Stern, Saundra Pearson, Síeve Garvan, Janet Harris, Andréa
Glickson, Cindy Frank, Jill Bennett, Nicole Dawkins, Barbara McClain, Tom
Starace, Anne Kostick, e todas as outras
pessoas da Workman que nos ajudaram
na primeira e segunda edições deste livro. Um agradecimento também muito
especial a Peter Workman, por ser um
editor tão especial.
A Richard Aubrey, M. D., nosso imprescindível conselheiro médico. A qualidade deste livro muito deve a ele pela
leitt.ra lúcida e critica do original. Foi
para nós um privilégio trabalhar com um
médico tão extraordinário.
Ao Colégio Americano de Obstetras e
Ginecologistas (particularmente a Mori
Lebow, Florence Foelak e Kate Ruddon), à Academia Americana de Pediatria (sobretudo a Michelle Weber e
Carolyn Kolbaba) e a Contemporary Pedia tries (e a seu editor Jim Swan) pela
enorme quantidade de material e de informações que nos cedeu, pela boa vontade em responder nossas perguntas e
por nos ajudar a manter o livro atualizado.
Aos muitos médicos que nos ajudaram
a dirimir dúvidas, sobretudo a John Severs, Irving Selikoff, Michael Starr, Michelle Marcus, Roy Schoen e a centenas
de outros que nos escreveram.
Sem a participação de três homens este
livro jamais teria sido escrito, São eles
Howard Eisenberg, Erik Murkoff e Tim
Hathaway. Quando alguém fala em
exemplos de pai e marido pensamos neles. Agradecemos a eles pela inspiração
e pelo apoio.
Aos que tanto nos ajudaram na primeira edição: Susan Aronson Stirling, designer, Judith Cheng, pela ilustração da
capa, e Carol Donner, pela ilustração do
texto; e também a Henry Eisenberg, M,
D., Ann Appeibaum e Betlt Fulk.
A amigas coino Sarah Jacobs pelas muitas idéias e sugestões.
Às centenas de leitoras que nos escreveram, nos telefonaram ou que conversaram conosco pessoalmente, pelo? comentários e sugestões.
SUMÁRIO
Prefácio à Segunda Edição: Uma Segunda Palavra do Médico
21
Prefácio: U m a Palavra do Médico
22
Introdução à Segunda Edição: Por que Este Livro Renasceu
24
Introdução: C o m o Nasceu Este Livro
26
Parte 1
N O
PRINCÍPIO
Capítulo 1: Você Está Grávida?
31
A S P R E O C U P A Ç Õ E S COMUNS
Sinais de Gravidez • Testes de Gravidez • Gravidez: Sinais de Presunção • Gravidez: Sinais de Probabilidade * Gravidez: Sinais de
Certeza • Como Fazer o Teste de Gravidez • A Data Provável
do Parto
O Q U E É IMPORTANTE SABER: Q U E M A A S S I S T I R Á
D U R A N T E O PARTO?
37
U m a Retrospectiva • Que Espécie de Paciente É Você? • Obstetra? Clínico Geral (Médico de Família)? Parteira Habilitada? •
Tipo de Atendimento • Encontrando o C a n d i d a t o • Os Vários
Tipos de Parto e de Assistência à Parturiente • P a r a Fazer a Escolha • P a r a Tirar o Melhor Proveito da Relação Médico-Paciente
• Protegendo-se Contra os Erros Médicos
Capítulo 2: Agora que Você Está Grávida
As PREOCUPAÇÕES COMUNS
A História Glnecológica • Abortos Anteriores • Fibromas * Insuficiência Cervical * A História Obstétrica q u e se Repete • A Cesariana que se Repete • A História Familiar • Gestações M u l t o
Próximas • Tentando a Sorte Pela Segunda Vez * Quando a Família É Grande • A Mãe Solteira • Ser Mãe Depois dos 35 • A
Idade e o Teste para a Síndrome de Down • A Idade do Pai •
Inseminação Artificial ("Bebe de P r o v e t a " ) • P a r a Quem Vive
48
48
em Grandes Altitudes • As Objeções Religiosas à Assistência Médica • Incompatibilidade Rh • Obesidade • Herpes • Sinais e Sintomas do Herpes Genilal • Outras Doenças Sexualmente
Transmissíveis {DST) • Medo de Contrair A I D S • Hepatite B •
D1U Ainda Implantado • As Pílulas Anticoncepcionais na Gestação Espermicidas • Provera • Dietilestilbestrol (DES) • Problemas Genéticos * Para Quem É Contra o Aborto
O QUE É IMPORTANTE SABER: S O B R E O D I A G N Ó S T I C O
PRÉ-NATAL
73
Amniocentese • Uitra-sonografia * Complicações da Amniocenlese • Fetoscopia • Dosagem de Alfaletoproteína no Sangue Materno • Amostragem de Vilosidades Coriônicas * Como Reduzir
os Riscos em Qualquer Gestação • Outros Tipos de Diagnóstico
Pré-Natal
Capítulo 3: Durante Toda a Gravidez
A s PREOCUPAÇÕES COMUNS
83
83
Álcool • Cigarro • Como Abandonar o Hábito de Fumar • Quando Outras Pessoas F u m a m • Uso de Maconha * Cocaína e Outras Drogas • Cafeína • Alguns Perigos em Perspectiva •
Substitutos do Açúcar • Gatos em Casa • O Estilo de Vida Durante a Gestação * Saunas, Banhos Quentes de Imersâo etc. • Exposição a Microondas • Almofadas e Cobertores Elétricos • Raios
X • Riscos Domiciliares • Poluição Atmosférica • Deixe a Sua
Casa Respirar • Para Eliminar a Poluição Doméstica: a Solução
VERDE • RISCOS OCUPACIONAIS • SILÊNCIO, POR FAVOR
O Q U E É IMPORTANTE SABER: A S O R T E DO B E B Ê
105
P o n d e r a n d o Riscos Versus Benefícios
CAPÍTULO 4: A DIETA IDEAL
109
Nove Princípios Elementares para Nove Meses de Alimentação
Sadia • Os Dozt Componentes Diários da Dieta Ideal • A Prescrição de Vitaminas
A CLASSIFICAÇÃO DOS ALIMENTOS PARA A DIETA IDEAL
Alimentos Ricos em Proteína • Lanches Ricos em Proteína • Alimentos Ricos em Vitamina C • Alimentos Ricos em Cálcio • Lanches Ricos em Cálcio • Verduras, Legumes e Frutas • Outros
Legumes e Frutas • GrSos e Cereais Integrais • Alimentos Ricos
em Ferro • Alimentos Ricos em Gordura
119
ALGUMAS RECEITAS IDEAIS PARA A GESTANTE
123
Sopa Creme de Tomate • Batatas ao Forno • Mingau de Aveia
Especial • Broas Integrais • Panquecas de Leitelho e Trigo Integral • Milk Shake Duplo • Biscoitos de Figo • Biscoitos de Aveia
com Frutas • As Proteínas na Dieta Vegetariana: Combinações
Completas • Os Laticínios na Dieta Vegetariana: Combinação
Protéica Completa * Iogurte de Frutas • Daiquiri de M o r a n g o •
Sangria Virgem
PARTE 2
R
O S N O V E M E S E S :
DA CONCEPÇÃO AO PARTO
CAPÍTUJO 5: O PRIMEIRO MÊS
133
A PRIMEIRA CONSULTA
133
O ASPECTO FÍSICO NO PRIMEIRO MÊS
OS SINTOMAS FÍSICOS E EMOCIONAIS
135
AS PREOCUPAÇÕES COMUNS
Fadiga • Depressão • As Náuseas Matinais • Saliva em Excesso
• Micção Freqüente • Alterações nos Seios • Complementos Vitamínicos • Gravidez Ectópica • A Condição do Bebê • A b o r t o
Espontâneo • Os Possíveis Sinais de Aborto Espontâneo * Estresse
• Relaxar É Fácil * MedoExcessivo com Relação à Saúde do Bebê • Carregando Outras Crianças no Colo
O QUE É IMPORTANTE SABER: A T E N D I M E N T O M É D I C O
REGULAR
149
Programação das Consultas • Cuidados com as Outras Partes do
Corpo • Quando Chamar o Médico • Quando em Dúvida •
Capítulo 6: O Segundo Mês
153
A CONSULTA
153
OS SINTOMAS COMUNS
153
AS PREOCUPAÇÕES COMUNS
153
Modificações Venosas • O Aspecto Físico no Segundo Mês • A
Compleição Física: Alguns Problemas • A Expansão da Cintu-
ra * Perdendo a Forma • Azia e Má Digestão • Aversões e Desejos Alimentarei • Aversão ou Intolerância ao Leite • Colesterol
* A Dieta sem Carne Vermelha • A Dieta Vegetariana • Os Alimentos Pouco Nutritivos: Guloseimas, Petiscos • Para Fugir (de
Vez em Quando) à Dieta Ideal • As Refeições Ligeiras • Aditivos
nos Alimentos * Lendo Rótulos • Comendo com Segurança
O QUE É IMPORTANTE SABER: EM B U S C A DE S E G U R A N Ç A
167
Capítulo 7: O Terceiro Mês
169
A CONSULTA
169
OS SINTOMAS COMUNS
169
O ASPECTO FÍSICO NO TERCEIRO MÊS
AS PREOCUPAÇÕES COMUNS
171
Prisão de Ventre (Constipação) • Flatulência (Gases) • G a n h o de
Peso • Dor de Cabeça • Insônia • Estrias • Batimento Cardíaco
do Bebê • Desejo Sexual • Sexo Oral • Cólicas Após o Orgasmo
• Gêmeos • Cistos do Corpo Lúteo
O QUE É IMPORTANTE SABER: O G A N H O DE P E S O D U R A N T E
A GESTAÇAO
182
• DISTRIBUIÇÃO DO GANHO PONDERAI
Capítulo 8: O Quarto Mês
185
A CONSULTA
185
OS SINTOMAS COMUNS
185
O ASPECTO FÍSICO NO QUARTO MÊS
AS PREOCUPAÇÕES COMUNS
187
Pressão Alta (Hipertensão Arterial) • Açúcar na Urina • Anemia
• Falta de Ar • Esquecimento • Tintura de Cabelo e Permanentes
• Sangramento e Entupitnento Nasal • Alergias • Secreção Vaginal • Movimentos Fetais • O Aspecto Físico da Gestante • Roupa
para Gestantes • A Realidade da Gravidez • Conselhos Indesejáveis
O QUE É IMPORTANTE SABER: F A Z E N D O S E X O D U R A N T E
A GRAVIDEZ
A Sexualidade Durante a Gestação • Quando se Deve Restringir
s. Atividade Sexual • Desfrutar mais do Sexo, Mesmo Q u a n d o se
Pratica Menos
199
CAPÍTULO 9: O QUINTO MÊS
205
A CONSULTA
205
OS SINTOMAS COMUNS
205
O ASPECTO FÍSICO NO QUINTO MÊS
AS PREOCUPAÇÕES COMUNS
207
Fadiga • Desmaios e Tonteira • Teste de Hepatite « Posição para
Dormir • Dores nas Costas • Carregando Crianças mais Velhas
no Colo • Problemas nos Pés • Crescimento R á p i d o do Cabelo
e das U n h a s • Aborto Tardio • Dor A b d o m i n a l • Alterações na
Pigmentaçâo da Pele • Outros Sintomas Estranhos na Pele • Problemas Dentários • Viagens • Jantando Fora, no Melhor Estilo
• C o m e n d o F o r a • O Uso de Cinto de Segurança • Esportes •
Visão • Placenta Prévia (Implantação Baixa da Placenta) • O Útero e as Influências Externas • A Silhueta da Barriga no Quinto
Mês * A Maternidade
O QUE É IMPORTANTE SABER: OS E X E R C Í C I O S D U R A N T E
A GRAVIDEZ
225
Os Benef.cios da Prática de Exercícios • C o m o Desenvolver um
Bom P r o g r a m a de Exercícios • Não Fique Aí Sentada... • Pratic a n d o Exercícios com Segurança • A Escolha dos Exercícios Correios Durante a Gravidez ' Para Quem Não Pratica Exercícios
CAPÍTULO 1 0 : O SEXTO MÊS
235
A CONSULTA
235
OS SINTOMAS COMUNS
235
O Aspecto Físico no Sexto Mês
As PREOCUPAÇÕES COMUNS
Dor e Entorpecimento das Mãos « Sensação de Formigamento •
Os Chutes do Bebe • Càibras nas Pernas • Sangramento Retal
e Hemorróidas • Coceira Abdominal • Toxemia ou Pré-eclàmpsia
* Permanecendo no Emprego • Os Movimentos Desajeitados na
Gestação • As Dores do Parto • O T r a b a l h o de Parto e o Parto
O QUE É IMPORTANTE SABER: A P R E P A R A Ç Ã O F O R M A L
PARA O PARTO
Os Benefícios dos Cursos Preparatórios * A Escolha do Curso
• As Escolas de Pensamento Mais C o m u n s
246
Capítulo 11: O Sétimo Mês
251
A CONSULTA
251
OS SINTOMAS COMUNS
251
O ASPECTO FÍSICO NO SÉTIMO MÊS
AS PREOCUPAÇÕES COMUNS
253
Aumento da Fadiga • Preocupações Quanto ao Bem-Estar do Bebê
• Edema (Inchaçâo) das M ã o s e dos Pés • Aumento da Temperatura Cutânea • O Orgasmo e o Bebê • Trabalho de P a r t o Prematuro • Crescem as Responsabilidades • Acidentes • Não Retenha
(A Urina) * Dor Lombar e nas Pernas (Ciática) • Erupções na
Pe!e * Soluços Fetais • Sonhos e Fantasias • Bebê de Baixo Peso
• Planejamento do P a r t o
O QUE É IMPORTANTE SABER: T U D O S O B R E A
MEDICAÇAO DURANTE O PARTO
265
Quais os Medicamentos Analgésicos mais Usados? • P a r a Tomar
a Decisão
CAPÍTULO 12: O OITAVO MÊS
212
A S CONSULTAS
272
OS SINTOMAS COMUNS
272
O ASPECTO FÍSICO NO OITAVO MÊS
AS PREOCUPAÇÕES COMUNS
Falta de ar • Pressão (do Bebê) nas Costelas • Incontinência por
Estresse * O G a n h o de Peso e o Tamanho do Bebê • A Silhueta
da Barriga: Muitas Variações • Apresentação e Posição do Bebê
• A Silhueta da Barriga no Oitavo Mês * A Posição do Bebê *
Sua Segurança Durante o Parto • A Adequação Física para o Parto • O Trabalho de P a r t o e o Parto na Gravidez Gemelar • Um
Banco de Sangue P r ó p r i o • A Cesariana • Cesariana: Questões
a Serem Discutidas com o Obstetra • Os Hospitais e o Número
de Cesarianas • Fazendo do Parto Cesdreo um Assunto de Família • A Segurança nas Viagens • Dirigindo • ConiraeQci dc Bmxton Hicks • Banho • O Relacionamento com o Marido » Fazendo
Sexo no Oitavo Mês
274
O Q U E É IMPORTANTE SABER: F A T O S S O B R E A A M A M E N T A Ç Ã O
Por que o Seio É Melhor • Por que Algumas Preferem a Mamadeira • Como Fazer a Escolha • Quando Não se Pode ou Não
se Deve Amamentar • As Mamadeiras
CAPÍTULO 1 3 : O NONO MÊS
296
AS CONSULTAS
296
OS SINTOMAS COMUNS
297
O ASPECTO FÍSICO NO NONO MÊS
AS PREOCUPAÇÕES COMUNS
298
Alterações nos Movimentos Fetais • Receio de O u t r o T r a b a l h o
de Parto Prolongado • Sangramento, Manchas nas Roupas de Baixo • Menor Distensão Abdominal e Insinuação • A Hora do Parto * As Salas de Trabalho de Parto e de P a r t o • Auto-induzir o
Trabalho de Parto?* A Gestação Prolongada • Como Vai o Bebê? • O Rompimento da Bolsa d'Água em Público • O que Levar
para o Hospital• Aleitamento • Maternidade >
v
O Q U E É IMPORTANTE SABER: A F A S E P R E M O N I T Ó R I A ,
O F A L S O T R A B A L H O DE PARTO, O T R A B A L H O
DE PARTO VERDADEIRO
308
Sintomas do Pré-parto (Período Premonitório) • Sintomas do Falso Trabalho de Parto • Sintomas do T r a b a l h o de P a r t o Verdadeiro • Quando Chamar o Médico
Capítulo 14: O Trabalho de Parto e o Parto .... 312
As PREOCUPAÇÕES COMUNS
Desprendimento do T a m p ã o Mucoso» Ruptura da Bolsa d ' Á g u a
• Líquido Amniótico Escuro (Tingido de Mecônio) • I n d u ç ã o do
Trabalho de Parto • Trabalho de Parto Abreviado • Q u a n d o Telefonar para o Médico Durante o Trabalho de P a r t o • Trabalho
de P a r t o com Fortes Dores nas Costas • Contrações Irregulares •
Não Chegar ao Hospital a Tempo • Lavagem Intestinal (Enema)
• Parto de Emergência a Caminho do Hospital • Raspagem dos
Pêlos Púbicos • Parto de Emergência Quando se Está Sozinha •
Administração de Líquidos por Via Intravenosa • Monitorizaçâo
Fetal • Parto Domiciliar de Emergência (ou no ConsultórioJ • Receio de Ver Sangue • Episiotomia • Receio do Estiramento Vaginal ao P a r t o • Receio de Ser Amarrada à Mesa de P a r t o • Uso do
Fórceps * O Estado do Bebê » Tabela do Índice de Apgar
312
O QUE É IMPORTANTE SABER: O S E S T Á G I O S D O P A R T O
Posições para o
330
Trabalho de Parto
O PRIMEIRO E S T Á G I O DO PARTO: O T R A B A L H O
DE PARTO
332
A Primeira Fase: Latente ou Precoce • A Segunda Kase: Trabalho
de Parto Ativo • Quando Você Não Está Fazendo Progressos " A
Caminho do Hospital • A Terceira Fase: Trabalho de Parto Transicional • Dor: Fatores de Risco
O SEGUNDO E S T Á G I O DO PARTO: OS ESFORÇOS
EXPULSIVOS E O PARTO
342
NASCE O BEBÊ • AO OLHAR O BEBÊ PELA PRIMEIRA VEZ
O TERCEIRO E S T Á G I O DO P A R T O : A E X P U L S Ã O
DA PLACENTA OU SECUNDAMENTO
348
O PARTO NA A P R E S E N T A Ç Ã O PÉLVICA ( N Á D E G A S )
349
CESARIANA: O PARTO CIRÚRGICO
PARTE 3
350
A T E N Ç A O
E S P E C I A L
CAPÍTULO 1 5 : QUANDO A GESTANTE ADOECE
355
AS PREOCUPAÇÕES COMUNS
355
Gripe ou Resfriado • Doenças Gastrintestinais • R u b é o l a * T o x o plasmose • Citomegalovírus (CM V) • A Quinta Doença (Eritema
Infeccioso) • Infecções Estreptocócicas • Doença de Lyme • Sar a m p o • lnfecçâo Urindrla • Hepatite • Caxumba • Vnrlcela (Catapora) • Febre • Tomar ou Nâo Tomar Aspirina • Medicamentos
• Ervas Medicinais
O
QUE
É
IMPORTANTE SABER:
PARA MANTER A SAÚDE
368
Capítulo 16: Enfrentando uma Doença Crônica
370
A s PREOCUPAÇÕES COMUNS
370
Diabetes • A Gestante Diabética e os Exercícios • Asma • Hipertensão Arterial Crônica • Escterose Múltipla • Distúrbios do Ape-
tite • Incapacidade Física • Epilepsia • Fenilcetonúria • Doença
das Coroiiárias (Coronariopatia) • Anemia Falciforme • Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES)
O QUE É
IMPORTANTE SABER: C O N V I V E N D O C O M
A G E S T A Ç Ã O DE A L T O RISCO
384
GRUPOS DE MÚTUA AJUDA PARA GESTANTES
CAPÍTULO 1 7 : AS COMPLICAÇÕES DA GRAVIDEZ
387
CONDIÇÕES Q L E PODEM CAUSAR PREOCUPAÇÃO DURANTE A
GESTAÇÃO
388
Hiper^mese Gravídtca • Gravidez Ectópica • A b o r t o Espontâneo
ou Precoce • Sangramento no Primeiro Trimestre • Sangramento
no Segundo e no Terceiro Trimestres • Em Caso de Aborto Espontâneo • A b o r t o Tardio • Doença Trofoblástica (Mola Hidatiforme) • Mola Hidatiforme Parcial • Coriocarcinoma • Quando se
Descobre Alguma Anomalia Congênita * Diabetes Gestacional *
Infecçâo Amniótica (CorioumnioniteJ • Toxemia Gravidica fPréeclâmpsiaj • Eciâmpsia • Retardo do Crescimento Intra-uterino
• Para Reduzir os Riscos do Bebê que Está em Risco • O Baixo Peso
em Gestações Sucessivas * Placenta Prévia • Placenta Acreta • Descolamento P r e m a t u r o da Placenta • R o m p i m e n t o Prematuro das
Membranas (Amniorrexe Prematura) • Prolapso de C o r d ã o •
Trombose Venosa • Trabalho de P a r t o P r e m a t u r o
CONDIÇÕES QUE PODEM CAUSAR PREOCUPAÇÃO DURANTE O
PARTO
407
Inversão Uterina • Ruptura Uterina • Distócia de O m b r o • Sofrimento Fetal • Primeiros Socorros para o Feto • Sofrimento Fetal
• Laceraçòes Vaginais e Cervicais • Hemorragia Pós-parto • Infecçâo Puerperai
PARA ENFRENTAR A PERDA DA GRAVIDEZ
Retardo do Crescimento Fetal na Gravidez Gemelar • Perda de um
Gêmeo • Por quê?
411
Parte 4
E N F I M
O
PUERPÉRIO:
O Pai e o Próximo Bebê
Capítulo 18: O Puerpério: A Primeira Semana .. 42i
O s SINTOMAS
421
A s PREOCUPAÇÕES COMUNS
422
Sangramento • Sua Condição no Puerpério • As Dores do Puerpério * Dor na Região Perineal • Dificuldade em Urinar • Evacuação • Transpiração Excessiva • Leite em Quantidade Suficiente •
lngurgitamento Mamário • Ingurgitamento em Quem Não Está
A m a m e n t a n d o • Vinculo Materno • Quando Chamar o Médico •
Alojamento C o n j u n t o • Já em Casa • A Recuperação Depois da
Cesariana
O QUE É IMPORTANTE SABER: I N I C I A Ç Ã O
AO ALEITAMENTO
436
Fundamentos da A mamentação ao Seio • O Bebê e o Seio — Uma
União Perfeita • Quando Vem o Leite • Feridas Mamilares (Rachaduras e Fissuras) * A Dieta Ideal no Aleitamento • Complicações Ocasionais * Amamentação Depois de uma Cesariana • O Uso
de Medicamentos e a Amamentação * Aleitamento de Gêmeos
Capítulo 19: O Puerpério: As Primeiras
Seis Semanas
OS SINTOMAS
444
A CONSULTA NESTE PERIODO
444
AS PREOCUPAÇÕES COMUNS
445
Febre • Depressão • Retorno ao Peso e à Forma Anteriores à Gravidez • Leite Materno • Convalescença da Cesariana • Retorno à
Atividade Sexual • Falta de Interesse em Sexo • Facilitando a Volta
à Atividade Sexual • Engravidar Novamente • Queda de Cabelos
• Banhos de Banheira • Exaustão
•j
O QUE É IMPORTANTE SABER: R E A D Q U I R I N D O A F O R M A
Regras Elementares • Primeira Fase: 24 Horas Depois do P a r t o •
... 456
Segunda Fase: Três Dias Após o P a r t o • Terceira Fase: Depois do
Checkup Puerperal
Capítulo 20: O Pai Também Engravida
460
A s PREOCUPAÇÕES COMUNS
460
Sentimento de Abandono • Receio do Sexo • Mau H u m o r • Impaciência com as Oscilações de H u m o r de Sua Mulher • Sintomas
por Afinidade • Ansiedade a Respeito da Saúde de Sua Mulher •
Ansiedade a Respeito da Saúde do Bebe • Ansiedade Perante as
Mudanças da Vida • A Aparência de Sua Mulher • O Marido Prosi r a d o Durante o Trabalho de P a r t o • Vínculo P a i / F í i h o • Exclusão Durante o Aleitamento • Perda do Apetite Sexual Depois do
Parto
Capítulo 21: Preparando-se para os Próximos
Filhos
472
Apêndice
Os Exames Comuns Feitos Durante a Oestação • Tratamentos Nãomedicamentosos Durante a Gravidez • Para Manter a Umidade •
O A p o r t e Ideal de Calorias e Gorduras
485
Posfácio
503
21
PREFACIO À SEGUNDA E D I Ç Ã O
Uma Segunda
Palavra do
Médico
M
uitas pessoas que vêem meu nome na capa deste livro me telef o n a m e me agradecem por têlo escrito. Eu lhes agradeço pelo telefonema e pelo cumprimento, mas explico:
Não fui eu que o escrevi, O meu papel,
digo-lhes, n ã o foi o de autor, mas de
conselheiro médico, o responsável por
colocar todos os pingos nos " i s " de natureza obstétrica, anatômica e biológica.
E como elas me regozijo com esta criação das autoras. T u d o o que escrevi
no prefácio da primeira edição norteamericana de 1985 continua valendo até
hoje. M a s com esta segunda edição revista e ampliada, que endosso completamente, vejo que as autoras conseguiram melhorá-lo ainda mais.
O livro está bem mais atualizado e é
multo mais abrangente. Trata com grandes pormenores das gestações de alto risco, das segundas gestações, e da perda
da gravidez. Os temas continuam a ser
tratados com sensibilidade, clareza e
aculdade. As autoras partem de um singelo ponto de vista: há coisas com que
toda a gestante responsável deveria se
preocupar. Mas em seguida acrescentam
o que habitualmente se omite: "Vão aqui
alguns conselhos, baseados no bom senso, que você pode seguir para evitar tais
complicações."
Esse enfoque construtivo, estou certo,
é o que a j u d o u este livro, redigido por
leigas em medicina, a adquirir tanta aceitação entre os médicos e muitos outros
profissionais de saúde. Não só é recomendado (ou dado) a novas pacientes
por muitos ginecologistas e obstetras, como também passou a ser empregado por
esses médicos e as respectivas esposas. Os
meus residentes lêem-no para aprender
a melhor discernir as preocupações e indagações das gestantes, o que lhes ajuda a prestar um atendimento melhor,
mais empático.
Sem dúvida, o casal que espera um filho adora o livro. Os médicos o respeitam. Eis aí duas boas razOes para o
estrondoso sucesso de O que Esperar
Quando Você Está Esperando, E não hesito em aventar uma terceira hipótese para explicar tanto êxito: os bebês o
apreciam também.
Dr.
Richard Aubry
22
PREFÁCIO
Uma Palavra
do Médico
V
ivemos a melhor época para se
ter um fitho. Nas décadas mais
recentes, verificou-se uma melhora extraordinária no desfecho das gestações humanas — para as gestantes e para
os bebês. As mulheres entram na gravidez mais sadias; o atendimento pré-natal
é melhor e mais completo; e as maternidades substituíram as mesas de cozinha
e as camas de q u a t r o colunas como o lugar ideal para se dar à luz.
No entanto, ainda há muito por fazer.
Para nós, da medicina acadêmica, fica
cada vez mais evidente que não bastam
médicos com boa formação e equipamentos sofisticados, Para reduzir ainda
mais os riscos da gestação e do parto é
preciso casais grávidos mais participativos. E para participar mais, os casais
precisarão de informações mais completas e exatas, n ã o apenas sobre o parto,
mas sobre os importantíssimos nove meses que o precedem; não apenas sobre os
riscos que a gestação apresenta, mas sobre as medidas, quer para minimizá-los,
quer para eliminá-los; e não apenas sobre os aspectos médicos da gravidez, mas
também sobre os aspectos psicológicos
e de estilo de vida,
De que modo podein os pais obter esse tipo de informação'/ As escolas secundárias e superiores decerto não admitem
o acréscimo de mais uma disciplina nos
currículos: C u r s o Básico de Como Fazer Bebês. Os profissionais responsáveis
pelo atendimento obsf.étrico tem também
o problema do tempo. Não raro se excedem em explicações demasiado cientf
ficas e se mostram extremamente reticentes nas questões psicológicas e emocionais que afligem os casais.
Muitos são os que tentam preencher
a lacuna com livros, com artigos cie revistas e com instrução em salas de aula.
Esses, embora muitas vezes tenham
grande utilidade, com freqüência também contêm uma série de inexatidões do
ponto de vista médico, além de alardear
informações alarmantes e desnecessárias,
ou de insistir desproporcionalmente nas
falhas do atendimento obstétrico, levantando suspeitas e dúvidas que prejudicam a relação entre os pais e os obstetras.
A necessidade de um livro que proporcione aos leitores informações precisas,
atualizadas e corretas do prisma médico, com a devida ênfase nos aspectos
nutricional, pessoal e emocional da gestação, há muito se fazia sentir. E é com
satisfação que a vemos ser atendida por
um livrinho de fácil leitura, eminentemente prático,
As três autoras — todas com longa vivência nos problemas da gestação — nos
presenteiam com essa nova perspectiva:
a de informações corretas que permitam
uus casais desempenhar o seu papel cen
trai em todo o processo gestalório, sem
ameaçar os obstetras e as parteiras com
quem terão de trabalhar em íntima e produtiva harmonia,
O livro é de estilo vivo, atual, de gran-
PREFÁCIO
de acuidade e equilíbrio. No entanto,
quatro aspectos de sua estrutura e de seu
conteúdo merecem comentário especial:
• O enfoque adotado, da gestação centrada na família — com o envolvimento do marido em todo o processo
gestatório e com um capítulo a ele dedicado — é excelente e muito importante.
• A organização cronológica, fundamentalmente prática — a responder
com sensibilidade todas as preocupações maiores e menores que porventura surjam mês a mês —, torna-o de
fá:il consulta e permite que os pais se
tranqüilizem no momento oportuno.
• A ênfase dada à gestação, à nutrição
e ao estilo de vida, além dos enfoques
bastante sensatos quanto à lactação e
í dimensão psicológica da maternidade, torna o livro muito valioso e único nesse particular.
• Os pormenores médicos corretos e
atualizados — cabendo ressaltar a cla-
23
reza ao serem abordados a genética,
a teratologia, o trabalho de parto prétermo, o parto, a cesariana e, uma vez
mais, a lactação — são extraordinários.
Em tudo e por tudo, creio ser este livro de leitura obrigatória não só pelos
futuros papais mas também por obstetras e enfermeiras e, enfim, por todos os
envolvidos no atendimento de gestantes.
A princípio, sei perfeitamente, parece ser
uma rota meio afastada da que tim cauteloso professor de medicina deveria seguir. Mas estou convicto: só cora pessoas
bem-informadas e responsáveis e com
profissionais também bem-informados e
responsáveis a trabalharem em mútuo
entendimento, em mútua cooperação é
que chegaremos perto de nossa meta comum — a de bebês, mamães e famílias
sadias. E, enfim, de uma sociedade não
menos sadia,
Dr.
Richard Aubry
INTRODUÇÃO À SECUNDA EDIÇÃO
24
Por que
Este Livro
Renasceu
F
az oito anos, quando eu estava para dar à luz minha filha Emma,
que eu e minhas co-autoras concebemos a idéia de escrever este !ivro. Tínhamos um só objetivo: tranqüilizar o
casal que espera um filho.
Oito a n o í depois, esse mesmo objetivo não se modificou. Mas para alcançálo tivemos que modificar bastante nosso livro.
Desde o lançamento da primeira edição nos Estados Unidos fomos coletando muitas outras informações, a tal
ponto que acabamos conseguindo convencer os editores da necessidade de uma
ampla revisão,
Essa revisão em grande medida diz
respeito a questões obstétricas. Mas diz
respeito também a questões que interessam sobretudo ao casal grávido. Os leitores da primeira edição responderam a
nosso pedido: escreveram-nos falando de
suas preocupações e de suas vivências
durante a gestação e o puerpério. Embora tivéssemos conseguido responder as
dúvidas de muitos com nosso pequeno
livro, as de muitos outros não chegamos
a esclarecer.
Muitas dessas questões são esclarecidas nesta segunda edição. Chegamos a
acrescentar um capítulo sobre as Complicações da Gravidez. Mas, por favor:
para poupar os casais de preocupações
desnecessárias recomendo que não o
leiam, a menos que ocorra uma dessas
complicações.
O mais importante porém é que não
o modificamos naquilo que os leitores
mais gostaram: os conselhos e as recomendações práticas, apresentados passo
a passo. O enfoque empático. As explicações simples de complexos assuntos
médicos. E, naturalmente, o discurso
tranqüilizador.
Não há livro sobre a gestação que possa cobrir e antecipar todas as dúvidas e
Planejando com Antecedência
Se você ainda não está grávida, mas está
das as informações necessárias para uma graplanejando um bebê, Seia primeiro o último
videz bem-sucedida e um bebê saudável,
capitulo desie livro. Ai você enconirará 10- I
POR QUE ESTE LIVRO RENASCEU
questões que surgem durante ela: teria
esse livro de ocupar bem mais do que
uma prateleira na estante. Afina!, cada
gestação tem as suas peculiaridades e só
nos Estados Unidos ocorrem mais de 3
milhões e meio de gestações por ano. Esperamos, porém, esta nova edição de O
que Esperar Quando Você Está Esperando chegue perto desse "livro ideal 1 '.
25
Obrigada, queridos leitores, por todo
o apoio e por todas as sugestões que nos
deram. Continuem nos escrevendo. Faremos o que estiver em nosso alcance para continuar lhes respondendo.
Heidi E. Murkoff
No\a York
26
INTRODUÇÃO
Como
Nasceu
Este Livro
E
u estava grávida: e se num dia era
a mulher mais feliz do mundo, nos
dois seguintes era a mais preocupada.
Preocupada com o vinho que tinha bebido à noite no jantar, e com o gimtôníca que~tinha bebido várias vezes antes do jantar nas minhas primeiras seis
semanas de gestação — depois de dois
ginecologistas e de um exame de sangue
me terem convencido de que eu não estava grávida.
Preocupada com as sete doses de Provera que um dos médicos me prescreveu
para fazer vir a menstruação que decerto só estava atrnsudu, mas que duas semanas mais tarde viemos a saber que era
uma gestação já lá pelo segundo mês.
Preocupada com o café que linha bebido e com o leite que não tinha; e com
o açúcar que havia comido e com as proteínas que não havia.
Preocupada com as cólicas no meu
terceiro mês e com os quatro dias no
quinto em que não senti o menor movimento fetal.
Preocupada com o desmaio que tive
ao perambutar pelo hospital onde seria
feito o parto (nunca cheguei a ver o berçário), com o tombo de barriga que lem nítavo mês no meio da rua e com
a secreção vaginal sanguinolenta que tive no nono.
Preocupada, até mesmo, em estar me
sentindo bem ( " o r a , não estou com prisão de ventre... Não sinto náuseas... Não
urino com mais freqüência... — tem de
haver alguma coisa errada!").
Preocupada em achar que não seria
capaz de suportar as dores durante o trabalho de parto ou de ver sangue durante o parto. E preocupada em não poder
amamentar, já que todos os livros diziam
que no nono mês meus seios deveriam estar cheios de coiostro.
Onde encontrar uma palavra que me
tranqüilizasse dizendo que tudo estava
indo bem? Nâo nos livros sobre gestação
que se empilhavam na minha inesinhade-cabeceira. Não encontrei uma única
referência sobre a inatividade fetal durante alguns dias no quinto mês como
fenômeno comum e norma!. Nem uma
referência às quedas acidentais da gestante — que quase sempre são inócuas
para o bebê.
Ao discutia os meus sintomas, os meus
problemas ou os receios, era em geral de
forma tão alarmante que a discussão
acabava por aumentar minha preocupação, "Nunca tome Provera, a nâo ser
que sua única intenção seja abortar",
27
COMO NASCEU ESTE LIVRO
advertia um livro — sem acrescentar que
a mu.her que o tomou cria um risco tão
pequeno de anomalias congênitas para
o bebê que o aborto indesejado nunca
deve ser considerado. " H á evidências de
que um único 'porre' durante a gestação
pode afetar alguns bebês, dependendo do
estágio de desenvolvimento já por ele
atingido" — sem levar em conta que alguns abusos no início da gestação, tão
comuns em mulheres que ainda não sabem que estão grávidas, parecem não ter
qualquer efeito sobre o embrião em desenvolvimento.
Decerto também não encontrei alívio
para as minhas preocupações ao abrir o
jornal, ouvir rádio ou ver televisão. A
mídia em tudo e por tudo só faz apavorar a gestante, vendo perigos por todos
os cantos: no ar que respiramos, nos alimentos que comemos, na água que bebemos, no dentista, na farmácia, e até
mesmo em casa.
A minha obstetra me consolou um
pouco, naturalmente, mas só quando eu
reunia forças e tomava coragem para lhe
telefonar. {Receava que minhas preocupações parecessem tolas e o que pudesse
ouvir em resposta. Ademais, como eu
poderia ficar incomodando-a quase todos os dias?)
Estaria eu (e o meu marido Erik —
que se preocupava com tudo o que eu me
preocupava e mais alguma coisa) sozinha
nas minhas preocupações? Longe disso.
Preocupação, segundo determinada pesquisa, é uma das queixas mais comuns
durante a gestação: atinge maior núme-
ro de gestantes que a náusea e os desejos alimentares juntos. Noventa e quatro em cada cem mulheres se preocupam
com a normalidade do bebê, e 93% se
preocupam com a própria segurança e a
do bebê durante o parto. É maior o número de mulheres (91 <Çb) que se preocupa com o seu aspecto físico do que com a
própria saúde (81%) durante a gestação.
E a grande maioria se preocupa simplesmente por estar muito preocupada.'
Mas embora um pouco de preocupação seja normal para o casal esperando
bebê, o excesso de preocupação representa o desperdício — inútil — de um tempo que poderia ser de bem maior
felicidade. Apesar de tudo o que ouvimos, lemos, e de tudo com que nos preocupamos, nunca antes na história da
reprodução humana foi tão seguro ter
um filho — conforme Erik e eu descobrimos depois de ficarmos preocupados
durante sete meses e meio, quando dei
à luz uma garotinha mais sadia e mais
bonita do que eu seria capaz de sonhar.
Assim, foi de nossas preocupações que
nasceu este livro. Ele é dedicado aos casais de todas as partes (mas sobretudo à
minha co-autora e irmã, Sandee, e a seu
marido, Tim, cujo primeiro filho está em
disputa cerrada para ver se vem ao mundo antes do que este livro), e foi escrito
na esperança de que ajude os futuros papais e as futuras mamães a se preocuparem menos e a desfrutarem mais da
gestação.
Heidi E,
Murkoff
Parte 1
NO
PRINCÍPIO
E
Rgí-/' .
— 1 —
Você
Está Grávida?
((
erá que estou mesmo grávida?"
^^ Eis a primeira dúvida da futuk J r a mamãe que s e manifesta a o
despontarem os sinais mais precoces
da gravidez incipiente. Felizmente, pode ser dirimida de imediato graças aos
testes de gravidez existentes e ao exame
médico.
A s PREOCUPAÇÕES COMUNS
SINAIS DE GRAVIDEZ
"Só apresento alguns dos sinais... Será que
mesmo assim estou grávida?"
V
ocê pode apresentar todos os sinais
e sintomas de uma gestação incipiente e não estar grávida. Ou, pelo contrário, pode exibir apenas alguns desses
sinais e, no enta ato, estar grávida de fato. Os sinais precoces de gravidez são
meros indícios da existência do ciclo gestacional: cumpre dar-lhes atenção, todavia, não se deve atribuir a eles um valor
absoluto còmo indicadores definitivos
desse estado.
Enquanto alguns sinais apontam tãosomente para a possibilidade de uma gestação — sinais de presunção —, outros
Já denunciam com maior probabilidade
a sua existência. Mas, desses sinais precoces, nenhum confirma de fato a
gravidez.
De fato, o primeiro sinal clínico de
certeza da gravidez é o batimento cardía-
co do bebê. Captado por volta de 10 semanas (ou, via de regra, por volta de 12
semanas) através de um sensível instrumento de exame, o sonar Doppler, ou
então por volta de 18 a 20 semanas, através do estetoscópio comum,' ajuda a
confirmar com exatidão o diagnóstico —
ao lado de um dos testes hormonais e do
exame médico.
TESTES DE GRAVIDEZ
"ü médico disse que pela exame e pelo teste
de gravidez eu ntto estou grávida, mas com certeza sinto que estou."
A
pesar do extraordinário progresso
da moderna ciência médica, o seu
papel no diagnóstico da gravidez fies,
'O diagnóstico de gravidez pode ser feito ainda
antes através da ultra-sonografia ou dc um leste em amostra de sangue, embora nSo sejam procedimentos de rotina.
NO PRINCÍPIO
32
por vezes, em posição secundária, A
acuidade dos diversos testes é bastante
variável e, em certas ocasiões, nenhum
deles se equipara à intuição de certas mulheres quando começam a "sentir" que
estão grávidas — às vezes alguns dias
GRAVIDEZ: SINAIS DE PRESUNÇÃO
SINAL
QUANDO SURGE
OUTRAS CAUSAS
POSSÍVEIS
Amenorréia (falta de
menstruação)
Em geral, do inicio ao
fim da gravidez
Viagem, fadiga, estresse,
m ;do de estar grávida,
problemas ou afecções
hormonais, obesidade ou
emagrecimento extremos,
suspensão do uso da pílula,
aleitamento
Náuseas (não só
matinais, mas a qualquer
hora do dia)
2-8 semanas após a
concepção
Intoxicação alimentar,
tensão, infecção e muitas
outras doenças
Micção freqüente
Em geral, 6-8 semanas
após a concepção
Infecção urinária, uso de
diuréticos, tensão, diabetes
Seios congestionados e
doloridos
Já alguns dias apôs a
concepção
Uso de anticoncepcionais,
menstruação iminente
Mudança de pigmentação
dos tecidos vaginal e
cervical*
Primeiro trimestre
Menstruação iminente
Maior pigmentação da
aréola mamária (área ao
redor do mamito);
elevação das minúsculas
glândulas perimamilares
Primeiro trimestre
Desequilíbrio hormonal ou
efeito de gravidez anterior
Estrias gravídicas (a
principio vermelhas) sob
a pele dos seios e,
depois, do abdome
Primeiro trimestre
Desequilíbrio hormonal ou
efeito de gravidez anterior
Desejos por certos
alimentos
Primeiro trimestre
Dieta insuficiente, tensão,
imaginação ou menstruação
iminente
Envuj-vunieiHu dtt linha
que vai do umbigo ao
púbis
Quarto ou quinto mês
Desequilíbrio hormonal ou
efeitu de »ruvliU« um«rlo.-
•Sinais de gravidez verificados no exame médico,
VOCÊ ESTÁ GRÁVIDA?
após a concepção. Os testes ora existentes são, basicamente, de três tipos — e,
vale destacar, nenhum deles exige para
a sua conclusão o sacrifício de coelhos
ou de outros animaizinhos.
Testes de gravidez feitos cm casa. São hoje muito mais precisos do que no passado
e de execução muito mais simples. Como
o teste de urina feito no laboratório, o
diagnóstico é feito pela identificação da
gonadotrofina coriônica (o hormônio
gravídico conhecido pela sigia hCG) em
amostra urinária. Nos EUA alguns já
chegam a indicar a presença do hormônio 14 dias após a concepção (ou seja, no
primeiro dia da falha menstrual) e permitem a leitura em 5 minutos, em amostra
urinária de qualquer hora do dia.*
Quando feito corretamente — o que
• N o Brasil, encontram-se à venda vários desses
testes, todos baseados no mesmo princípio. (N.
doT.)
33
vem se tornando possível graças à facilidade de execução e de leitura — o teste
feito em casa, ao menos nos EUA, atinge a confiabilidade dos feitos em laboratório (sendo que alguns fabricantes
acusam precisão diagnóstica de quase
100%). Isso quer dizer que o resultado
positivo correto é mais provável do que
o negativo. Qual a vantagem? A privacidade e o imediatismo dos resultados.
Além disso, em virtude da acuidade diagnóstica que já se vem alcançando na gravidez ainda incipiente — ou seja, antes
da mulher considerar a possibilidade de
consultar o médico — o teste cria a oportunidade de um correto atendimento prénatal já nos primeiros dias da concepção.
Mais precisamente, por ocasião do implante embrionário no útero. Entretanto, alguns são bastante dispendiosos.
Mais ainda: como não se vai confiar inteiramente nos resultados, convirá repetilo, o que só faz aumentar o custo. (Há
testes nos EUA que já vêm com dois kits
na embalagem.) Convém portanto que
GRAVIDEZ: SINAIS DE PROBABILIDADE
SINAL
QUANDO SURGE
OUTRAS CAUSAS
POSSÍVEIS
Amolerimento do
útero 5 do colo
uterino*
2-8 semanas após a
concepção
Retardo menstrual
Aumento do volume
uterino* e do abdome
8-12 semanas
Tumor, fibromas
Contrações ind'jlores
intermitentes
Nu gravidez incipiente,
crescendo em freqüência
com o avanço da gravidez
Contrações intestinais
Movimentos feiais
Percebidos pela primeira vez
por volta de 16-22 semanas
üe ucatuvãu
Gases, contrações
intestinais
'Sinais de gravidez verificados no exame médico.
36
NO PRINCÍPIO
A DATA PROVÁVEL
DO PARTO
"Estou tentando planejar minha licença da gravidez. Como vou saber a data certa do parto?"
Á
vida seria bem mais simples se pudéssemos ter certeza de que a data
provável do parto é de fato o dia em que
este ocorrerá. Não é esse o caso, porém,
na maioria das vezes. Segundo determinadas pesquisas, de cada cem mulheres,
apenas quatro darão è luz exatamente no
dia previsto. Para as demais, como a gravidez a termo normal pode perdurar por
38 a 42 semanas, o parto ocorrerá no intervalo de duas semanas antes ou duas
semanas depois dessa data.
É por isso que se fala em data provável do parto (DPP). Trata-se apenas de
uma estimativa estatística. Costuma ser
calculada da seguinte maneira: anote o
primeiro dia do início do último período menstrual (UPM), acrescente mais sete dias. Subtraia três meses e você tem
a data provável — um ano depois, naturalmente. Por exemplo, digamos que
o seu último período menstrual tenha começado a 11 de abril. Somando sete dias
temos o dia 18 de abril. Diminuindo três
meses vemos que a data provável do parto será a 18 de janeiro do ano seguinte.
Se a sua menstruação vem a intervalos de 28 dias, é maior a probabilidade
de parto próximo da data prevista.
Quando os ciclos se dão a intervalos
maiores, porém, é provável que o parto
seja depois da data estimada; quando a
intervalos menores, é provável que seja
antes.
No entanto, se os seus ciclos são irregulares, é possível que esse cálculo não
funcione. Suponhamos que você não lenha ficado menstruada nos últimos três
meses c que repentinamente se descubra
grávida. Quando se deu a concepção?
Como a data provável do parto tem a
sua importância, é preciso que você e o
médico a calculem com a maior exatidão
possível. Há elementos que podem ajudar nesse particular, mesmo quando a
mulher não sabe quando se deu a concepção e tampouco quando se deu a ovulação mais recente (algumas mulheres
sabem quando estão ovulando em virtude de dores no flanco e de cólicas que duram por algumas horas, além da
eliminação vaginal de mucosidades filamentosas, claras. Se estiverem acompanhando o ciclo, podem perceber o
declínio da temperatura um pouco antes
da ovulação seguido de uma elevação).
Dentre os elementos que ajudam nesse sentido, o primeiro é o tamanho do
útero, cujo aumento é percebido por ocasião do primeiro exame interno. Esse
aumento du tamanho corresponde ao estágio de gravidez suspeitado. Depois surgirão outros indícios importar.tes, que
em conjunto permitem melhor aferir a
duração da gestação: o >urgimento do
batimento cardíaco fetal (identificado
por volta de 10-12 semanas com o sonar
Doppler ou ao redor de 18 a 22 semanas
com o estetoscópio comum); e a posição
do fundo-de-útero (altura do útero) a cada consulta (ao redor da vigésima semana atinge a altura do umbigo). Se todas
essas indicações parecerem :orrespoiider
à data calculada pelo médico, você poderá ter quase certeza de sua correção —
ou seja, é bem provável que o bebê nasça duas semanas antes ou depois dela.
Contudo, se não corresponderem, é possível que o médico resolva fazer uma sonografia entre a 12? e a 20? semana (o
melhor, segundo alguns, é fazer o exame entre a 16? e a 20? semanas), que
apontará coin mais exatidão para a idede gestacional do feto, Já outros médicos fazem rotineiramente a sotiogra.ia,
paru calcular com maior exatidão a datu provável.
Ao uproxlmur-sc o parto, udvirflo ainda outros indícios a apontarem para a
data do grande evento: as contrações uterinas — indolores — podem se tornar
28
VOCÊ ESTÁ GRÁVIDA?
mais freqüentes (causando possivelmente
menos desconforto), o feto se move em
direção à pelve (insinuação), o colo uterino se adelgaça e reduz (apagamento) e,
por fim, se dilata. São indícios de grande utilidade, mas nâo definitivos — só
o bebê sabe ao certo quando se dará o
seu nascimento. (Para maiores detalhes,
ver Menor Distensão Abdominal e Insinuação p. 300; e A Hora do Parto, p.
301.)
O QUE É IMPORTANTE SABER:
Q U E M A ASSISTIRÁ
O
DURANTE
.
PARTO?
mbora bastem duas pessoas para
| a concepção de um bebê, são ne/cessárias ao menos três — a mãe,
o pai e um profissional da área de saúde
— para que a transição do ovo fertilizado ao nascimento do bebê transcorra
com segurança e tenha pleno êxito. Supondo que você e o seu companheiro já
se tenham encarregado da concepção, o
desafio seguinte está em escolher o terceiro membro dessa equipe. E tendo certeza de que você será capaz de conviver
e de trabalhar com a pessoa escolhida —
sobretudo na hora do parto. 3
UMA RETROSPECTIVA
P
ara as futuras mamães de trinta anos
atrás, essa escolha não recebia a devida consideração. Naqueles dias, o atendimento obstétrico não admitia indagações ou maiores questionamentos: as
poucas opções referentes ao parto ficavam a cargo do médico. Até a escolha
do obstetra não fazia grande diferença:
todos se pareciam muitíssimo. Mais ainda: como a parturiente costumava estar
inconsciente durante o parto, acabava
não tendo muita importância o seu rela-
'É claro que você pode e deve, teoricamente,
fazer essa opção mesmo antes da concepção.
cionamento com o parceiro. Em vez de
ser um membro participante da equipe,
a futura mamãe era confinada, mais ou
menos, ao papel de espectadora, obedientemente sentada no banco de reserva enquanto o capitão obstétrico entrava
em ação.
Hoje, o atendimento obstétrico admite tantas opções quanto existem médicos nas Páginas Amarelas. Como cabe a você fazer a escolha, eis o segredo
para o bom desfecho: harmonizar o profissional correto com a pessoa q u e você é.
QUE ESPÉCIE DE
PACIENTE É VOCÊ?
P
ara encontrar o tipo de profissional
mais conveniente ao seu caso, cumpre ponderar, em primeiro lugar, a espécie de paciente que você é.
Será você, leitora, do tipo que acredita que " o s médicos sabem mais" porque,
afinal, são todos formados? Dará preferência ao médico que toma todas as decisões sem a consultar, sentindo-se mais
segura quando todos os últimos recursos
tecnológicos são empregados no seu
atendimento? Será que, nas suas fantasias médicas, aquele homem circunspecto
29
NO PRINCÍPIO
GRAVIDEZ: SINAIS DE CERTEZA
SINAL
QUANDO SURGE
OUTRAS CAUSAS
POSSÍVEIS
Visualização do embrião
ou do saco amniótico através
da uitra-sonografia*
4-6 semanas após a
concepção
Nenhuma
Batimento cardíaco fetal*
10-20 semanas**
Nenhuma
Movimentos fetais sentidos
através do abdome*
Depois de 16 semanas
Nenhuma
•Sinais de gravidez verificados no exame médico.
" D e p e n d e n d o do aparelho utilizado.
o médico saiba qual a marca e o tipo de
teste utilizado para decidir se há necessidade ou não de novo exame de urina.
Isso, evidentemente, nos EUA.
A principal falha desses testes se dá
quando o resultado é Jalso-negativo: o
exame dá negativo e a mulher está grávida. Conseqüência: a gestante adia a
primeira consulta ao médico e deixa de
se cuidar. Por outro lado, com o resultado positivo, talvez a mulher não veja
motivo para procurar o médico, já que
a primeira razão seria exatamente essa,
a do diagnóstico da gravidez. Portanto,
aquela que fizer uso desse tipo de teste
deve saber que ele não substitui a consulta e o exame pelo médico. O acompanhamento clínico depois do teste é
essencial. Se o resultado for positivo, será preciso o exame físico para confirmálo e depois um completo checkup prénatal. Se for negativo e a regra ainda não
tiver vindo, a paciente e o médico terão
de descobrir por quê.
a concepção. Diversamente daquele, porém, é executado por profissionais, que
têm mais chance, pelo menos em teoria,
de conduzi-lo corretamente. Se for esta
a sua opção, telefone para o consultório do seu médico ou o laboratório um
dia antes e peça as instruções para a coleta da urina. Embora seja este o teste
de mais baixo custo, não fornece tantas
informações quanto o de sangue, como
veremos a seguir.
Teste de gravidez feilo cm laboratório.
Como o anterior, é capaz de Identificar
n hCG na urina com uma exatidão de
quase 100% —e já ao 7? ou 10? dia após
Independentemente do teste escolhido,
a probabilidade do diagnóstico correto
de gravidez aumenta quando o teste é
acompanhado pelo exame médico. Os si-
Teste de gravidez feito em amostra de
sangue. Essa prova, mais elaborada, feita no sangue, exibe uma precisão de praticamente 100% já uma semana após a
concepção {salvo os erros de laboratório). Ajuda também a prever a data possível do parto através da mensuraçfio
exata de hCG no sangue, já que o teor
sérico desse hormônio se modifica no decorrer da gravidez. Às vezes o médico pede o exame Je urina e o de sangue para
se certificar duplamente do diagnóstico,
VOCÊ ESTÁ GRÁVIDA?
30
Como Fazer o Teste de Gravidez
Para melhorar as chances de que o teste feito em casa seja mais exato, certifique-se de:
• Não contamine o material antes de iniciar
o teste. Use-o só uma vez.
• Ler as instruções da "bula" antes de usálo. Nào se afobe, por mais ansiosa que esteja pelos resultados. Se for necessária a
urina da primeira micçSo matinal, espere
até a manhã seguinte para fazê-lo.
• Se houver período de espera, não exponha
ao calor a amostra urinária.
• Só torne a fazer novo teste depois de alguns dias.
* Cronometre-o cora exatidão: use reiógio
com ponteiro de segundos,
nais físicos de gravidez — o crescimento e o amolecimento do útero, ao lado
da alteração da textura da cérvice (ou colo uterino) — podem ser confirmados pelo médico já por volta de seis semanas
de gestação. Como ocorre com os testes,
entretanto, o diagnóstico de "grávida"
feito pelo médico tem precisão maior do
que o de "nao-grávida" — apesar desses resultados falso-negativos serem bastinte incomuns. Tais resultados são mais
freqüentes no início da gravidez, quando o corpo da mulher ainda não produz
hCG em quantidade suficiente para que
os resultados dos testes sejam positivos.
Quando a mulher apresenta os sintomas da gravidez incipiente (as regras que
nâo vieram — uma ou duas —, a sensação de inchação dos seios e a dor ao tocálos, a náusea matinal, a micção freqüente, a fadiga) e percebe que está grávida
—com ou sem teste, com ou sem exame
— convém agir como se estivesse, adotando todas as precauções necessárias,
até que prove o contrário, ou seja, que
nfio esteja grávida. Nem os exames e nem
os médicos sâo infalíveis. É preciso conhecer o próprio corpo — pelo menos
externamente — mais do que o médico.
Solicite um segundo teste (de preferência no sangue) e outro exame depois de
mais ou menos uma semana. Talvez
seja cedo demais para o diagnóstico
exato, Há casos em que o bebê chega
sete meses e meio ou oito meses depois
do médico o u / e do teste de gravidez
terem concluído que a mulher não está
grávida.
Se o teste continuar dando resultado
negativo e a mulher ainda não tiver
menstruado, é preciso certificar-se (com
o médico, evidentemente) de que n à o seja caso de gravidez ectópica — a gravidez que ocorre fora do útero. (Ver p. 142
para os sinais indicativos desse tipo de
gravidez.)
É possível, naturalmente, experimentar todos os sinais e sintomas da gravidez incipiente sem se estar grávida.
Nenhuma dessas manifestações, isoladas ou em conjunto, é prova indiscutível de gravidez. Depois de um segundo teste de gravidez e de um segundo
exame físico que confirmem que a mulher não está grávida, é preciso considerar a "gravidez" de origem psicológica
— ou porque voc6 a deseja muito, ou
porque nào a quer de forma alguma.
Mesmo assim, os sintomas podem ter
ainda u m a outra causa que deve ser Investigada pelo médico.
38
NO PRINCÍPIO
de avental branco, a tomar-lhe o pulso,
se enquadra na descrição do Dr. Kildare? Se for esse o seu caso, convém recorrer a um obstetra tradicional, com aquela
aura de semideus e com aquela dedicação inabalável à sua própria doutrina de
atendimento.
Contudo, talvez a leitora creia que o
seu corpo e a sua saúde sejam assuntos
apenas da sua própria conta e de mais
ninguém. Talvez tenha idéias definidas
sobre a gestação e o parto, e gostaria de
prosseguir por todo o processo gestatório com a menor interferência possível
do profissional de saúde. Nesse caso,
convém não recorrer a uma assistência
mais tradicional e procurar um médico
ou uma parteira habilitada, que ceda a
você o papel principal, mas que também
a oriente na produção do seu bebê. Alguém que permita que você tome as decisões sobre o seu parto na medida do
clinicamente aceitável; alguém que se
mostre dogmático apenas em lhe outorgar o poder decisório. Só não vá presumir que um obstetra dessa nova linha
doutrinária venha a se revelar menos
dogmático nas suas crenças e opiniões
que um obstetra tradicional,
Pode ser ainda que você tenha uma
postura intermediária entre as duas
apontadas. Talvez prefira um médico
que lhe permita uma maior participação,
um que tome as decisões baseado na própria experiência e no próprio conhecimento, mas que sempre a inclua nesse
processo. Nesse caso, o médico deverá
ter uma postura situada entre dois extremos: nem será a estrela, nem será mero
orientador ou consultor; que nem se
mostre escravo da doutrina obstétrica,
nem escravo de suas vontades e desejos.
Que dê preferência ao parto natural mas
que não venha a hesitar se houver necessidade de parto por cesariana para garantir a segurança do bebê (ou a sua
própria); que não se mostre dogmático
quanto ao emprego ou não de medica-
mentos; que não veja incongruência em
usar um monitor fetal e uma sala de parto ao mesmo tempo; e que esteja mais
interessado na saúde da mãe e do bebê
do que nas próprias preferências pessoais. Esse profissional deverá ver a relação médico-paciente como aqiela em
que cada um contribua com o melhor de
si.
No entanto, independentemente do
tipo de paciente que você é, se na sua
opinião o futuro papai deve ter igual
participação no processo da gestação
e do parto, é preciso ter certeza de que
o escolhido ou a escolhida concordam
com isso. A atitude do obstetra em geral já se revela na primeira consulta,
por vezes até mesmo ao marcá-la. O
pai foi convidado a participar do exame médico e da consulta? As perguntas feitas por ele receberam a devida
consideração? A discussão foi voltada
para o casal ou só para a mãe? Ficou
claro que o pai poderá participar do
trabalho de parto e também do parto?
OBSTETRA? CLÍNICO
GERAL (MÉDICO DE
FAMÍLIA)? PARTEIRA
HABILITADA?
A
o limitar a formação daquele que
lhe prestará o atendimento obstétrlco em três categorias gerais — que
sem dúvida lhe configurarão a personalidade —, estará a leitora facilitando
a tarefa de encontrá-lo, mas a conduta
e a doutrina do profissional, mesmo
sendo fatores Importantes, não são tudo. Cumpre dar a devida atenção â formação médica dessa pessoa, que melhor venha atender às suas necessidades.
VOCÊ ESTÁ GRÁVIDA?
O obstetra. Se a sua gravidez for de alto
risco, 5 talvez convenlia recorrer a um
especialista capaz de enfrentar qualquer
complicação possível da gestação, do trabalho de parto e do parto: um obstetra.
li possível até achar um subespecialista
dentro da própria especialidade obstétrica: alguém especializado em gestações de
alto risco ou mesmo um subespecialista
em medicina malcrno-iufantil.
Se a sua gestação for normal do ponto de vista obstétrico, você pode ainda
optar pelo obstetra (como fazem oito em
cada dez mulheres), por um médico especializado em medicina de família, coin
experiência em obstetrícia (antigo clínico geral) (como procedem cerca de 10%
a 12% das mulheres) ou mesmo por uma
parteira habilitada especializada (a escolhida em 1% a 2% dos casos).
capaz de lhe fazer ver a gravidez como
parte normal da vida, e não como doença. Caso sobrevenham complicações, recorrerá ao parecer de um especialista,
embora possa permanecer incumbido do
seu caso.
A parteira habilitada/ Se o seu desejo
for por um profissional cuja ênfase venha a se colocar sobre você como pessoa e não como paciente, por alguém
com disponibilidade de tempo suficiente para você, com muito respeito pelos
seus sentimentos e pelos seus problemas,
alguém bastante flexível e com pendor
para o " p a r t o natural", então a sua
escolha vai recair sobre uma parteira
ou obstetriz habilitada (apesar de muitos médicos atenderem sobejamente a
tais requisitos). Embora se trate vez ou
outra de profissional especializada, com
vasto treinamento em gestações de baixo risco e capaz de atender aos partos não-complícados, t e m essa profissional maiores chances de considerar
a sua gravidez mais uma condição humana do que condição médica.* Caso
seja essa a sua opção, certifique-se de
que se trata de uma profissional habilitada; uma parteira leiga não pode
oferecer a você e ao seu bebê o melhor
tratamento,
O médico de família. A medicina familiar é especialidade relativamente recente, que representa na realidade um
retorno à antiga clínica geral — à qual
recorriam todos os membros de uma
mesma família. A principal diferença entre a clínica geral e a medicina familiar
istá no tipo de treinamento profissional:
o médico se especializa, no decurso de
alguns anos, no atendimento médico primário (que inclui a obstetrícia) após terminar o seu curso de graduação. Esse
especialista será capaz de lhe atender
como generalista (clínico geral), como
giitecologista e obstetra e, no devido tempo, como pediatra. Ciente da dinâmica
de toda a sua família, se mostrará interessado em todos os aspectos da sua saúde, não apenas na sua gestação. Será
•Tradicionalmente, a gravidez de alto risco í
aquelu tm gestante que já teve problema gestatório p. egresso; em gestante com ufecçâo clinica como diabetes hipertensão; ou doenças
cardíacas em gestante com problema relacionado ao fator Rh ou com outro problema genético; cm gestante com menos de 17 ou com mais
de 35 anos (embora nào seja comprovado o alto risco em gestantes de 30 a 40 anos).
39
TIPO DE ATENDIMENTO
A
leitora já escolheu o profissional
que lhe prestará o atendimento. Terá que decidir, em seguida, qual o tipo
de assistência ao parto que melhor convém ao seu caso. Os tipos de assistência
4
l
A parteira habilitada pode ser ou não uma enfermeira.
• N o Brasil, em regiões com grande precariedade de qualquer tipo de assistência, onde nSo há
médico e nem parteira habilitada, os partos domiciliares ainda são muitas vezes feitos por "curiosas", não raro sem qualquer instrução mais
elementar e sem recurso algl.,..T„ W. do T.)
40
NO PRINCÍPIO
mais comuns e suas possíveis vantagens
e desvantagens são os seguintes:
CÊ esta escolha poderá ser negativa ou
positiva.
Atendimento médico individualizado. O
médico intervém sozinho, recorrendo a
outro quando não puder estar presente.
Aqui no Brasil é prática comum o atendimento individualizado, seja por obstetra, seja por clínico geral, seja por
parteira. A principal vantagem dessa
modalidade de atendimento é que a gestante é acompanhada pelo mesmo profissional durante toda a gravidez, o que
vai permitir um melhor entendimento entre ambos, com maisernpatia. A principal desvantagem é que, se o médico não
puder estar presente ao parto, você talvez seja atendida por outro que lhe é desconhecido. 5 Outro problema desse tipo
de atendimento é que talvez durante o
meio da gestação a leitora descubra que
não morre de amores por seu obstetra.
Poderá ser difícil mudar de médico a essa altura dos acontecimentos, por várias
razões.
Atendimento misto. O atendimento é feito por um ou mais obstetras e por uma
ou mais enfermeiras obstétricas. As vantagens e desvantagens são semelhantes às
do atendimento em equipe. Há no entanto uma outra vantagem: a enfermeira,
em algumas de suas consultas, poderá
lhe dedicar mais tempo e atenção, enquanto nas outras você poderá contar
com a experiência do médico. Você ainda poderá se beneficiar do parto assistido pela parteira, sabendo que o médico
vai estar por perto caso surjam complicações.
Atendimento médico em equip?. Dois ou
mais médicos da mesma especialidade assistem conjuntamente as pacientes, em
sistema de rotatividade. É o tipo de assistência que pode ser prestada tanto por
obstetras c o m o por clínicos de família.
A vantagem está em que, ao ser vista por
um profissional diferente a cada consulta, u leitora poderá conhecer todos, e, ao
terem início as dores do parto, terá a certeza de encontrar ao seu lado, na sala de
parto, um rosto que lhe é familiar. A
desvantagem está em que talvez você não
aprecie todos os médicos da equipe da
mesma f o r m a e em gerai não poderá escolher o que irá atendê-la ao nascimento de seu filho. Além disso, as diferentes
opiniões dos vários médicos podendo ser
reconfortantes ou Inquietantcs, para vo'O problema pode ser contornado se você entrar em contato com o médico substituto antes
do parto.
Maternidades iníra e ext ra-hospitalares.
Nos EUA têm surgido maternidades em
que o atendimento é feito sobretudo por
parteiras habilitadas: o médico só intervém em caso de necessidade. Esses centros de atendimento à gestante ora se
situam dentro de hospitais, ora fora deles. O atendimento só é prestado a gestantes com gravidez de baixo risco.
Há mulheres que dão preferência a essa forma de atendimento, o que para elas
se configura numa vantagem. A principal desvantagem aparece quando surge
alguma complicação durante a gravidez
(como ocorre cerca de 20% a 30% das
vezes): a mulher terá de recorrer ao médico e dar início a um novo relacionamento; caso a complicação ocorra
durante o trabalho de parto ou no parto
(como ocorre em 10% a 15% dos casos),
o nédico — estranho à parturiente — será chamado para atendimento de emergência. Nas maternidades independentes,
não vinculadas a hospital, as complicações podem obrigar a transferência para centro médico com maiores recursos.
Parteiras habilitadas (parto ein casa).
Nos poucos estados norte-americanos em
q u e essa forma de atendimento é permitida, vê-se que essas parteiras oferecem
VOCÊ ESTÁ GRÁVIDA?
uma vantagem: o atendimento é personalizado e o parto é feito em casa (se a
gestante preferir), Contudo, por vezes
surgem complicações que obrigam a presença de um obstetra em questão de minutos. Portanto, a menos que a parteira
trabalhe em associação com um médico,
que possa rapidamente intervir em situações de emergência e que haja possibilidade de transporte imediato para um
hospital, o risco para a mãe e para a
criança podem ser significativos.
ENCONTRANDO O
CANDIDATO
J
á com uma idéia razoável do tipo de
profissional e ua espécie de atendimento desejados, onde você poderá encontrar alguns possíveis candidatos? Eis
algumas boas fontes de informação:
• D seu ginecologista ou clínico gerai
(caso tenha experiência obstétrica),
desde que lhe agrade o seu estilo de
atendimento. (Os médicos costumam
recomendar outros com doutrinas semelhantes às suas próprias.)
• Os amigos e amigas que tiveram filhos
recentemente e cuja conduta adotada
durante a gestação e o parto tenha sido do seu agrado.
• Umn parteira, se você tiver a felicidade de já conhecer uma.
• As entidades médicas locais, que podem lhe fornecer uma lista de obstetras.
• Um hospital ou maternidade próximos
de sua residência.
• Os postos de saúde locais.
• As. Páginas Amarelas, se as demais
fontes falharem.
41
OS VÁRIOS TIPOS DE
PARTO E DE ASSISTÊNCIA
À PARTURIENTE
N
unca antes teve a mulher tanto controle sobre a gestação e o parto
quanto hoje. Durante milênios sempre
coube à natureza e a seus caprichos decidir o destino obstétrico da mulher. No
início deste século, porém, esse destino
passou a ficar nas mãos do médico. Hoje em dia, enfim, embora a natureza e
o médico ainda interfiram em certa medida, cabe à mulher e ao parceiro um número bem maior de decisões. A mulher
já pode escolher o momento de engravidar (graças aos modernos métodos de
controle anticoncepcional e de previsão
da ovulaçâo) e muitas vezes, salvo em caso de complicações, em que condições
dará à luz. São várias as modalidades de
parto existentes, mesmo dentro de um
hospital-matemidade. Fora do hospital,
há ainda um número bem maior de
opções.
Embora o parto de sua preferência
não deva ser o único fator a influenciarlhe a escolha do profissional e da equipe assistencial, trata-se de fator importante que deve ser discutido desde o
início. (Convém lembrar, contudo, que
a decisão final às vezes só é tomada ao
fim da gravidez, sendo que muitas só
mesmo na hora do parto.) Entre as diversas opções dc parto hoje existentes cabe considerar algumas, que poderio ter
grande influência na escolha do médico
e do hospital:
A assistência centrada na família. Esse
tipo de atendimento, embora visto como
ideal por muitos, ainda não é uma realidade em muitos hospitais, embora se sinta uma forte tendência nessa direção. Há
uma série de critérios (ASPO/Lartuizc)
que visam esse ideal: normas hospitalares voltadas para a assistência centrada
na família; programas de preparação ao
42
NO PRINCÍPIO
parto baseados nessas diretrizes; atendimento ao trabalho de parto sem interferência tecnológica desnecessária e com
ênfase nas necessidades psicológicas e sociais; uma atmosfera em que se fomenta a conversa, a mútua ajuda e o mútuo
conhecimento, onde são feitas adaptações segundo as diferenças culturais c onde se estimula a amamentação já na
primeira hora após o parto, desde que
não haja contra-indicações; programas
de preparo da mulher para o aleitamento e para os cuidados com o recémnascido, que permitem que a amamentação tenha inicio o mais cedo possível,
mesmo antes da alta hospitalar. Uma das
modalidades de alojamento conjunto,
mãe e bebê ficam n u m mesmo quarto,
confortável, mobiliado, com banheiro,
com espaço suficiente para acomodar os
parentes e outros auxiliares, além de
equipamento médico e dos pertences da
parturiente, com berço e sofá-cama para que algum familiar possa ali dormir.
Convém também haver uma área próxima para que as pessoas que acompanham o trabalho de parto possam descansar esporadicamente.
Sala de partos. Há al^um tempo, a mulher que ia ter um filho ficava na sala de
trabalho de parto, tinha o bebê na sala
de partos e depois se recuperava na sala
de pós-parto. O bebê lhe era tirado imediatamente após o parto e levado para
o berçário, onde era atendido por trás de
janelas de vidro. Hoje já é possível para
a mulher internada ficar na mesma sala
ou quarto durante todo o período do
parto e mesmo após, onde também fica
o bebê, Há salas de parto equipadas para a assistência ao parto normal e ao parto complicado (na maioria ctos hospitais,
as cesarianas e outras complicações são
feitas numa stilu de parto isolada ou no
centro cirúrgico). Mesmo ussim, o seu
aspecto muitas vezes é o de um quarto
de hotel, com iluminação baixa, quadros
na parede, cortinas na janela, armários.
cama confortável — que costuma se converter em "mesa de parto".
Em muitos hospitais a mulher é transferida da sala de parto para a de pósparto (com o bebê, nos casos de alojamento conjunto) depois de uma hora.
Noutros hospitais, mais progressistas,
a mulher pode permanecer na mesma
sala durante toda a revisão clínica do
pós-parto — às vezes com o marido e
com outros parentes, que a tudo presenciam.
É claro que se recomenda esse tipo de
sala de parto para as gestações de baixo
risco, sem possibilidade de maiores complicações durante o parto. Em vários
hospitais, contudo, como a demanda
desse tipo de sala de parto excede em
grande medida a oferta, em geral ficam
nela as gestantes que chegam primeiro.
Por isso, pode-se não encontrar uma
quando se precisa. Felizmente, esse tipo
de assistência ao parto pode ser conduzido, dentro da mesma doutrina, em hospitais mais tradicionais.
Cama de parto. A mesa de parto dura
e plana, em que provavelmente a sua
mãe lhe deu à luz, vem perdendo terreno para a cama mais confortável e que,
graças ao acionar de uma alavanca, se
transforma em "cama de parto". Em geral, a cabeceira pode ser elevada de tal
forma que a parturiente fique em posição de cócoras ou de semicócoras, com
rebaixamento dos pés da cama para o
trabalho do obstetra ou da parteira. Depois do parto é só trocar os lençóis e
acionar uns botões ou alavancas e pronto — você já está de novo na cama, repousando.
Cadeira de parlo. Os que defendem o
parto de cócoras preferem a cadeira £> cama. A cadeira permite que a mulher fique semttdti durante o parto. Como a
posição facilita o auxílio em casos graves, teoricamente acelerando o trahulho
de parto, é uma modalidade atraente pa-
VOCÊ ESTÁ GRÁVIDA?
ra gestantes e muitos obstetras. Por vezes, entretanto, a maior pressão exercida pela cabeça do bebê contra a pelve,
quando a mãe está na posição de cócoras, pode causar excessiva laceração do
períneo. E n b o r a essas lesões possam ser
corrigidas, prolongam a recuperação e o
desconforto no pós-parto.
Parto de Leboyer. Quando o obstetra
francês Frederick Leboyer propôs a teoria do parto sem violência, a comunidade médica o ridicularizou. Hoje muitos
dos procedimentos que propôs, que visam tornar mais tranqüila a chegada do
recém-nascido ao mundo, viraram rotina. Muitos são os partos feitos sem a forte iluminação que antes parecia tão
necessária, na premissa de que a iluminação suave pode tornar mais gradual e
menos traumática a transição do útero
escuro para o mundo exterior tão iluminado. Torna-se desnecessário segurar o bebê pelas pernas e dar tapinhas:
preferem-se maneiras menos violentas
para estimular-lhe a respiração quando ela não começa espontaneamente.
Em alguns hospitais, o cordão umbilical é seccionado imediatamente; noutros, que seguem o método de Leboyer,
o cordão é preservado enquanto a mãe
e o bebê entram em contato pela primeira vez, mantendo-se o elo físico entre
ambos durante esse primeiro conhecimento mútuo. E embora o banho quente recomendado por Leboyer para a
atenuação da chegada do bebê e para facilitar a transição do melo aquoso para
o seco não seja procedimento comum em
hospitais, vem sendo cada vez mais o de
colocar o bebê nos braços e no colo da
mãe.
A despeito da crescente aceitação das
multus teorias de Leboyer, o purto dentro dessa doutrina ainda nào atingiu uma
larga falxu du população. A gestante que
estiver interessada nesse tipo de parto deconversar com o obstetra ou procurar por um que siga a doutrina.
43
Parto debaixo d'água. Trata-se de um
conceito ainda nâo muito aceito pela comunidade médica, Embora o parto recrie o ambiente intra-uterino, e embora
as mulheres que o vivênciaram o aprovem como experiência gratificante, o risco de afogamento do bebê ainda é
seriamente considerado por muitos obstetras e por muitos hospitais. Por mais
remoto que seja esse risco, ainda o julgam muito grande para aceitar essa modalidade como rotina.
Parto etn casa. Para algumas mulheres
a idéia de internação para ter um filho
quando não estão doentes não parece
muito atraente. O que as atrai é o parto
domiciliar. O recém-nascido chega ao
mundo numa atmosfera de amor e de carinho, no seio da família. Há um risco:
caso surjam complicações, os recursos
para o atendimento de emergência não
estarão ao alcance. Para muitas mulheres a maternidade ou o hospital permitem que o parto se realize num ambiente
a um só tempo familiar e "técnico": os
recursos tecnológicos também estarão à
disposição. Já as gestantes que insistem
no parto domiciliar precisam se certificar de que serão atendidas por obstetra
ou por parteira habilitada. E de que o
transporte para um hospital próximo seja possível em caso de necessidade. Na
Inglaterra, os partos feitos em casa não
são incomuns, embora se mantenha de
prontidão uma ambulância completamente equipada para um atendimento
emergencial, pronta para transportar a
mãe e, se o parto já tiver ocorrido, para
transportar o recém-nascido ao hospital
em caso de urgência.
PARA FAZER
A ESCOLHA
D
epois de identificado o possível profissional que a atenderá, telefono e
44
NO PRINCÍPIO
marque consulta para entrevista. Não vá
desprevenida: formule antecipadamente
algumas perguntas que na sua opinião
ajudarão a sincronizar o seu relacionamento com o médico, para que não se
estimulem atritos de personalidade. Mas
não crie a expectativa de concordar em
tudo — isso lulo acontece lios casamentos mais felizes. Talvez para você seja
importante que o médico ou o obstetra
saiba ouvir e saiba explicar. Será que ele
atende a essa exigência? Se você estiver
preocupada com os aspectos emocionais
da gravidez, será que ele leva suas queixas a sério? Convém também perguntarlhe sobre as questões, das arroladas a seguir, que você considerar mais importantes: parto natural versus parto com
anestesia versus parto com uso de medicação (não anestésica) contra a dor;
amamentação; indução do trabalho de
parto; uso de monitorização fetal; lavagem intestinal (uso declistcr); uso de fórceps; parto cirúrgico (cesariana); qualquer outro assunto que a preocupe. É a
única maneira de garantir que nâo irão
ocorrer surpresas desagradáveis 110 último minuto.
Talvez o mais importante na primeira
consulta seja permitir que o médico venha a conhecer o tipo de pessoa que você é. Pelas reações dele, perceberá se ele
se sente ou não à vontade com você.
Talvez também queira saber algo a
respeito do hospital onde ele trabalha.
Convém verificar se o hospital dispõe de
Instalações necessárias paru um bom
atendimento — sala de partos, quartos
individuais, unidade de tratamento intensivo neonatal, alojamento conjunto,
sala para parto de Leboyer etc. Convém
também ver se há flexibilidade na rotina do hospital (vou ser obrigada a fazer
lavagem intestinal e a raspar os pêlos do
perfneo7), Ver também sc udmltem a
presença do pai durante o parto, seja natural ou cesáreo. Em que poiiçSo você
será atendida durante o parto? Ficará de
costas? Ficará de cócoras? etc.
Antes de tomar a decisão final-, veja
se o médico lhe inspira de fato confiança. A gravidez é uma das vivências mais
importantes da vida — você não vai querer colocá-la nas mãos de um marinheiro de primeira viagem em quem você não
acredite, em quem você não confie.
PARA TIRAR O MELHOR
PROVEITO DA RELAÇÃO
MÉDICO-PACIENTE
A
escolha do profissional ideal para
você é apenas a primeira etapa. Para a grande maioria das mulheres, que
nem querem ceder toda a responsabilidade para o profissional, e nem assumir
sozinhas inteiramente, a etapa seguinte
consiste em fomentar um bom relacionamento com ele. Eis como:
• Quando, no intervalo entre as consultas, surge alguma coisa que você acha
que vale a pena mencionar, anote-a
para nâo vir a esquecê-la na próxima
consulta. (Para tal, é de ajuda afixar
listas em lugares convenientes — na j
porta da geladeira, na sua bolsa, na !
sua mesa de trabalho, na mesinha-decabeceira — para que você não tenha
trabalho em anotar o que deseja; organize as listas antes de cada visita ao
médico.) Essa é a única maneira de você ter certeza de que nada foi esquecido, de que você irá relatar todos os
sintomas, E VOCÊ nflo perderá tempo,
e nem fará o médico perder o dele,
tentando lembrar-se do que você ia
mesmo perguntar.
• Leve junto com a lista de perguntas
uma caneta e um bloco para que você
possa anotar as orientações dadas pelo seu médico. Multas pessoas ficam
muito nervosas na presença do médico para que depois se lembrem de tudo o que ele falou. Se ele não lhe der
VOCÊ ESTÁ GRÁVIDA?
Protegendo-se Contra os Erros Médicos
Ao admitirem que a relação mêdieo-padente
na obstetrícia moderna requer a parceria, a
participação mútua, e que quando o resultado fica aquém das expectativas nem sempre n lullta 6 ilo médico, os doutores iuU>tmtis
SC permitem l icor sentados coma paios enquanto os pacientes ficam a atirai a esmo em
aivos irdefesos. Reagem, e inclusive em raras ocasiões, viram a mesa: imputam o erro
aos próprios pacientes que os acusam de incúria ou erro médico (matpractice)*. Apesar
disso, embora estejam ein crescimento os casos desse tipo nos tribunais (nos nortef.tiiericdisos, por exemplo), você nào precisa
se preocupar se terá de pagar ou não seu médico um milhão de dóhres por não tomar as
vitaminas que ele ou ela prescreveu. Você
orecisa se preocupar, entretanto, se a culpa
do erro médico lhe for atribuída, pois, nesse caso, 0 preço a ser pago poderá ser bem
mais alto: talvez esteja em jogo a sua vida
ou a vida do bebê.
Portanto, para que você não acabe sendo
acusada, recebendo uma pena de talião, tome as seguintes precauções:
* Diga ioda a verdade e nada mais que a verdade. Nào forneça ao médico ou à médica uma história médica incompleta. Faça-o
saber dos medicamentos ou drogas de que
você faz uso — lícitos ou ilícitos, farrnacológicos ou nâo (inclusive fumo e álcool).
Informe-o também das enfermidades ou
cirurgias passadas ou recentes.
* Não recuse exames necessários: raio X,
exumei dttsunguueie. B tampouco os medicamentos, a menos que você tenha uma
segunda opinião autorizada que a fuça mudar de idéia.
* Siga as instruções com atenção ao
submeter-se a um procedimento médico.
Vocí nSo pode culpar o radioiogista por
uma radiografia borrada, fora dc foco, caso lenha se mexido quando lhe pediram pura ficar parada.
• Siga as recomendações médicas: data c horário da consulta, ganho de peso, repouso na cama, exercícios, medicamentos,
vitaminas, eassim por dimtic —11 mU> ser
que disponha de oulrtt recomcmlnçAo médica respeitada que lhe oriente em contrário.
k
• Nâo permita que ninguém lhe trate sob influência certa de drogas ou bebidas alcoólicas. Se assim proceder, estará se cumpliciando ao crime.
• Sempre alerte o médico sobre efeitos adversos óbvios de algum medicamento ou
tratamento, assim como qualquer sintoma
importante durante a gestação. Também
nâo deixe de lhe dizer quando achar que
a conduta por ele adotada estiver incorreta (ver p. 44).
• Nunca ameace ou alarme, sob outros aspectos, um médico de modo a interferir no
tratamento que esteja recebendo.
• Cuide-se bem. Siga a Dieta Ideal (ver p.
109), l aça repouso e exercícios, e evite sobretudo as bebidas alcoólicas, o cigarro,
e outras drogas ou medicamentos não prescritos, depois de saber que está grávida,
ou, melhor ainda, ao começar a tentar
conceber.
Se achar que nâo pode seguir as instruções
médicas ou prosseguir com a conduta terapêutica recomendada, certa ou errada, sem
dúvida lido acredita ou confia na pcsaoa encolhida para acompanhá-la e ao seu bebê durante a gravidez, o trabalho de parto e o
parto. Nesse caso, o melhor a fazer é mudar
de médico.
•O termo malpraalce da língua inglesa, aqui traduzido por incúria ou erro médico, refere-se a uma
conduta médica (diagnústiea ou terapêutica, por
«xemplo) qu« rompi com o» principio* Icgnl) ou
as regras da profissão a fim de qus o médico obtenha alguma vantagem pessoal; é um termo legal ou
Jurídico. (jV. do T.)
45
46
NO PRINCÍPIO
as informações adequadas voluntariamente, faça as perguntas antes de ir
embora, evitando assim confusão ao
chegar em casa. Indague sobre coisas
como os efeitos colaterais deste ou daquele tratamento, por quanto tempo
tomar determinada medicação se alguma for prescrita, quando se comunicar com ele sobre qualquer problema.
• Embora você não vá chamar o médico por qualquer incômodo pélvico menor, não deve hesitar em consultá-lo
se não conseguir resolver o problema
lendo um livro como este, ou se achar
que não dá para esperar até a próxima consulta. Mesmo que suas preocupações lhe pareçam tolas, não receie
por isso. A menos que o médico seja
recém-formado, já terá ouvido todas
essas queixas antes. Prepare-se para
ser ciara, específica, ao relatar os sintomas. Em caso de dor, é preciso
apontar a exata localização, a duração, o tipo {aguda, surda ou em eólica) e a intensidade. Se possível, explique-lhe o que a agrava e a alivia —
a mudança de posição, por exemplo.
Em caso de corrimento vaginal, descreva a cor (vermelho vivo, vermelho
escuro, acastanhado, rosa ou amarelado), indique quando começou e revele a intensidade. Também é preciso
descrever os sintomas que o acompanham (febre, náusea, vômito, calafrios, diarréia). (Ver Quando Chamar
o Médico, p. 151.)
• Ao ficar sabendo de alguma novidade em obstetrícia, não vá para a próxima consulta já dizendo ao médico
que "precisa daquilo". Em vez disso,
liroeure xuber a oplulflo do profissional a respeito: se ele vê nesse novo procedimento algo de valor, Muitas vezes,
os jornais, as revistas e a televisão noticiam progressos médicos prematura-
mente, antes de terem sua eficácia e
segurança comprovadas através de
pesquisas controladas. Se for ie fato
uma conquista legítima, é bem possível que o médico já tenha ouvido falar dela ou talvez queira saber mais a
respeito. Seja legítima ou não, você e
ele só terão a lucrar mediante essr, troca de informações.
• Ao ouvir alguma coisa que não corresponde ao que o médico lhe disse,
peça-lhe a opinião sobre o assunto.
Mas sem desafiá-lo: apenas para ter
melhores informações.
• Se você suspeitar de que o seu médico
está errado a respeito de alguma coisa (por exemplo, aprovando as relações sexuais quando você já tem uma
história de aborto), diga a ele. Não vá
supor que o médico, mesmo com o
prontuário ou sua ficha na mão, sempre lembrará de todos os aspectos de
sua história clínica e pessoal — também é da sua responsabilida.de ajudálo a evitar possíveis erros. O melhor
a fazer nessa situação é expor-lhe como você percebe o caso e falar de todas as suas prt ocupações sem desafiá-lo. Quase sempre a gestante descobre que o profissional realmente se importa com o problema e recebe a
crítica de bom grado.
Se tiver algum desentendimento a
respeito de qualquer assunto — por ter
ficado esperando, por não conseguir
a resposta a uma pergunta formulada
etc. — não deixe de comunicá-ío. Os
desentendimentos nâo discutidos, não
comunicados, prejudicam a relação
médico-paciente.
• Se o seu relacionamento com o módico se deteriorar irreparavelmente, pense no que significa a mudança de
médico. Ele provavelmente não deve
VOCÊ ESTÁ GRÁVIDA?
gostar de atritos e confusão mais do
que você, Não espere, contudo, uni
bom atendimento obstétrico se você ficar trocando regularmente de médico,
atrás de um que acate as suas ordens.
47
Considere, em vez disso, que o problema no atendimento que vem recebendo talvez tenha origem em você
mesma.
2
Agora Que
Você Está
Grávida
A s PREOCUPAÇÕES COMUNS
A
gora que você deixou de se preocupar com o resultado do teste de
gravidez, por certo já começará a
ter muitas outras dúvidas: A minha idade ou a de meu marido terá algum efeito sobre a gravidez ou sobre o nosso
bebê? De que modo o feto pode ser afe-1
tado por afecções crônicas ou por problemas genéticos? Nosso estilo de vida
anterior faz alguma diferença? Será que
minha história obstétrica vai se repetir?
O que fazer para reduzir possíveis riscos
que eu possa apresentar?
A HISTÓRIA
GINECOLÓGICA
"Mo mencionei uma gravidez prévia u meu
obstetra porque ocorreu quando ainda nâo exteva casada. Deveria ter mencionado?"
A
história glnecológlca pregressa tem,
para o obstetra, tanta importância
quanto as informações colhidas duran-
te a gravidez atual. Tudo o que já lhe
ocorreu nessa esfera — gestações, abortos espontâneos ou provocados, cirurgias
ou infecções — pode ou não ter conseqüências sobre a sua gestação atual. Tudo deve ser contado ao médico, Sào
informações que permanecerão em segredo graças ao sigilo profissional. Nâo
se preocupe com o que o médico acha ou
deixa de achar. A função dele é cuidar
da gestante e do bebê. Nâo compete a ele
julgar você.
ABORTOS ANTERIORES
"Já fiz dois ubortos, Será que afetam a minha
gravidez atual?"
P
rovavelmente não. Sobretudo se foram recentes e se ocorreram no primeiro trimestre. A técnica do aborto, nos
fíUA, tem evoluído, Os que foram leitos antes de 1973 criavam maior risco de
aborto espontâneo no segundo trimestre
AGOKA QUE VOCÊ ESTÁ GRÁVIDA
— a técnica enfraquecia o colo uterino,
tomando-o insuficiente. Desde aquela
época, naquele país, as técnicas de aborto no primeiro trimestre evoluíram e
não acarretam mais esse tipo de lesão
cervical.
Os abortos múltiplos no segundo trimestre (entre 14 e 26 semanas), contudo, parecem aumentar o risco de aborto
futuro no terceiro trimestre ou, seja, de
parto prematuro. Caso você tenha sofrido aborto depois do terceiro mês, veja
p. 256 para saber como reduzir os riscos
de parto prematuro.
Em qualquer caso, deixe o médico
ciente dos abortos. Quanto mais ele souber a respeito de sua prévia história ginecológica, melhor será o atendimento.
FIBROMAS
"Removi dois fibromas alguns anos atrás. Será que tem problema por agora estar grávida?"
O
N
s fibromas ocorrem mais habitualmente em mulheres com mais de 35
anos. Nos EUA, o número de mulheres
grávidas nessa faixa etária tem crescido,
Assim, os fibromas começam a se tornar relativamente comuns durante a gravidez (ocorrem em 1 a 2 mulheres em
100). A grande maioria das gestantes
com fibromas chegam ao termo sem
complicações vinculadas à condição. Por
vezes, entretanto, essas pequenas neoplastas benignas, quç se desenvolvem na parede interna do útero, causam problema:
aumentam um pouco o risco de gravidez
ectópica, de aborto espontâneo, de placenta prévia (placenta com implante bai::o), de descolamento prematuro da
placenta (da parede uterina), de trabalho de parto prematuro, de ruptura precoce da bolsa dYtguu, de nflo progressão
do parto, de malformação letal, c de
apresentação cefállca anômala. Para minlmizar esses riscos, a gestante deve: dis-
É
-
cutir o problema dos fibromas com o
médico para que fique melhor informada da sua condição geral e dos possíveis
riscos no seu caso em particular; para
que reduza os riscos em gestações futuras (ver p. 81); e prestar particular atenção aos sintomas que indicam problema
iminente (p. 151).
Às vezes a mulher com fibroma percebe uma pressão ou dor no abdotne.
Embora deva informar ao médico, não
costuma significar nada de mais importante. O repouso e os analgésicos seguros (ver p. 366) durante quatro ou cinco
dias costumam trazer-lhe alívio. Às vezes os fibromas degeneram ou se torcem,
causando dor abdominal não raro acompanhada de febre. Em ocasiões esporádicas (raras) requerem intervenção cirúrgica. Se o médico achar que o fibroma
vai interferir no parto vaginal, poderá
optar pela cesariana.
"Tive fibromas durante vários anos e nunca me
causaram problema. Mus agora que estou grávida fiquei preocupada."
Í
|
49
a maioria dos casos a remoção de
fibromas não interfere em gravidez
subseqüente. A cirurgia extensa para a
remoção de fibromas maiores, entretanto, enfraquece o útero, às vezes de tal
forma que este não resiste ao trabalho
de parto. Se for esse o caso — segundo
a avaliação do médico —, a solução estará no parto cesáreQ. Convém à gestante se familiarizar com os primeiros sinais
de trabalho de parto precoce que comece antes da data prevista para a cirurgia
(ver p, 258). Nesse caso, convém ir imediatamente ao hospital: trata-se de emergência obstétrica.
INSUFICIÊNCIA CERVICAL
"Tive um aborto no quinto mis tio minha primeiru gru vhiei, ü módico me disse que foi causado por insuficiência du córvlce. Acabo de
saber que estou grávida de novo e só em pen-
so
NO PRINCÍPIO
sar que possa ter o mesmo problema fico apavorada. "
A
gora que a sua insuficiência cervicai
foi diagnosticada, o médico deverá
ser capaz de prevenir novo aborto. A insuficiência cervicai, em que o coio uterino se abre prematuramente ao ser
submetido à pressão do útero e do feto
em crescimento, ocorre mais ou menos
em uma ou duas de cada cem gestações.
Acredita-se que seja responsável por
20% a 25% de todos os abortos espontâneos no segundo trimestre. O problema pode decorrer de enfraquecimento
hereditário da cérvice (o coto do útero);
de exposição da mãe ao dietilestilbestrol
(DES; ver p. 70) quando ainda se achava no útero da própria mãe; de extremo
eütiramento ou de pronunciadas feridas
laceradas da cérvice durante um ou mais
partos; de cirurgia ou de tratamento a laser de lesão do coio uterino; de D&E ou
de aborto traumático (sobretudo, nos
EUA, quando feitos antes de 1973). A
gravidez múltipla (gêmeos) pode também
levar à insuficiência cervicai. Nesse último caso, porém, o problema não se repetirá em gestações subseqüentes com
um só feto.
Costuma ser diagnosticada quando
a mulher aborta no segundo trimestre
depois de experimentar o a l a g a m e n t o
(adelgaçamento) indotor progressivo e
dilatação da cérvice sem contrações uterlnas aparentes e sem sangramento vaginal. O ideal seria o médico conseguir
fazer o diagnóstico antes de ocorrer o
aborto, para que a gravidez prosseguisse de modo normal. Ultimamente a sonografia vem se mostrando promissora
para esse fim.
Em caso de aborto em gestação prévia por Insuficiência cervicai 6 preciso Informar imediatamente o obstetra do
problema na gravidez atual. A cerclagem
(sutura do orifício cervicai) pode ser feita
no início do segundo trimestre (12 a
16 semanas) para evitar a repetição da
tragédia. O procedimento, bastante simples, é feito no hospital depois de confirmada uma gravidez normal pelo ultrasom. Depois da cirurgia e de 12 horas
de repouso no leito, permite-se que a
paciente já vá ao banheiro sozinha, e
12 horas depois já pode voltar às atividades normais. Talvez se proíba a relação sexual por toda a gestação. Pode
também haver necessidade de exames
médicos freqüentes. Em certos casos
raros, em lugar da cerclagem se lança
mão do repouso absoluto e de um dispositivo chamado pessário para sustentar o útero. O tratamento pode também ser iniciado quando o ultra-som
ou o exame vaginal mostram que a cérvice está se abrindo, mesmo que nào
tenha ocorrido aborto espontâneo prévio.
A época de remoção dos pontos dependerá em parte da preferência do médico e em parte do tipo de sutura. Em
geral são removidos algumas semanas
antes da data provável do parto; em alguns casos só são removidos depois de
iniciado o trabalho de parto, a menos
que ocorra infecçâo, hemorragia ou
rompimento prematuro das membranas.
Independentemente da conduta terapêutica adotada, são boas as chances da
gravidez chegar a termo. Mejmo assim,
a gestante deverá estar alerta para os si-,
nais de problema iminente no segundo
e no início do terceiro trimestres: pressão no baixo-ventre, secreção vaginal;
com ou sem presença de sangue, micção:
excessivamente freqüente, sensação de
corpo estranho na vaglna. Em vigência*
de qualquer um desses sintomas, vá imediatamente para o consultório do médico ou para o pronto-socorro malj
próximo. (Para outras informações sobre o aborto espontânea tio segundo trimestre, ver p. 212.)
AGOKA QUE VOCÊ ESTÁ GRÁVIDA
A HISTÓRIA OBSTÉTRICA
QUE SE REPETE
"Minha primeira gravidez foi um transtorno
— devo ter sentido iodos os sintomas mosirados no livro. Serát,ue vai ser de novo assim?"
E
m geral, a primeira gravidez antecipa
muito bem como serão as gestações
seguintes, sendo tudo a mesma coisa.
Portanto, no seu caso, os incômodos serão mais prováveis do que no caso de alguém que não os tenha tido. Mesmo
assim, há esperança de que a sua sorte
mude dessa vez. Todas as gestações, como todos os bebês, são diferentes. Se,
por exemplo, o enjôo matinal ou o desejo alimentar a atormentaram durante
a primeira gravidez, pode ser que nem
sejam perceptíveis na segunda (ou viceversa, naturalmente). Não obstante a
sorte, a predisposição genética e a existência prévia de vários sintomas em gestação anterior sejam determinantes de
como será a gravidez atual, outros fatores — inclusive alguns que estão sob nosso controle — podem modificar o
prognóstico em certa medida. Entre esses fatores estão:
Estado geral dc saúde. A boa condição
física favorece o transcurso mais cômodo da gestação. Em termos ideais, convém dar a devida atenção a afecções
crônicas (alergias, asma, problemas nas
costas) e tratar infecções persistentes (infecção urinária, vaginite) antes de engravidar (ver Capítulo 15), Depois de
grávida, continue a cuidar de si mesma
e da gravidez.
P p p
A dieta. Embora não ofereça qualquer
garantia, a Dieta Ideal oferece à gestante a melhor probabilidade de uma gesH tfteflü tranqüila, Ajuda a minimizar o
enjôo matinal e a Indlgestfio; ajuda u
Combater a fadiga, a constipação e as hemorróidas; evita as infecções urlnárias e
51
a anemia ferropriva e ajuda também a
evitar as cãibras nas pernas. (Mesmo porém que o curso gestacional não transcorra com muita tranqüilidade, a dieta
bem-feita favorece o desenvolvimento e
a saúde do feto.)
Ganho de peso. O ganho constante de
peso e a sua manutenção dentro dos limites recomendados (entre 10 e 15 quilos) ajudam a melhorar o bem-estar.'Os
exercícios são particularmente importantes na segunda gestação e nas subseqüentes, porque os músculos abdominais vão
se mostrando mais flácidos, deixando-a
mais suscetível a uma ampla variedade
de dores, sobretudo nas costas.
Aptidão física. A prática de exercícios
corretos e por tempo suficiente (ver
orientação à p. 225) a j u d a a melhorar o
bem-estar geral. Os exercícios são especialmente importantes na segunda gestação e nas subseqüentes, porque os
músculos abdominais costumam ficar
mais flácidos, deixando-a mais suscetível a uma ampla variedade de dores e
desconfortos, sobretudo a dor lombar.
Ritmo de vida. A vida apressada, frenética, comum a tantas mulheres hoje em
dia, pode agravar ou mesmo desencadear
um dos sintomas mais incômodos da
gravidez — o enjôo matinal — e também
exacerbar outros como a fadiga, a dor
nas costas e a má digestão. A ajuda bemvinda nos afazeres domésticos, o descanso do que a deixa nervosa (inclusive a
presença dos outros filhos), a redução
das responsabilidades no trabalho e a
eliminação das tarefas que não têm prioridade durante algum tempo são elementos que ajudam bastante (ver p. 207 para
outras dicas).
Ou outro* flllmn. A» gestantes que já tôm
outros filhos para cuidar às vezes nem
têm tempo para perceber os incômodos
da no\ a gestação. Outras, que têm filhos
52
NO PRINCÍPIO
mais veihos, acabam per agravar os sintomas da gravidez. O enjôo matinal,
por exempio, pode ser agravado nos
momentos de estresse (mandá-los para a
escola, pôr a mesa para o jantar, estão
entre essas situações); a fadiga pode aumentar quando não se tem tempo para
repousar; mesmo a corstipação pode se
acentuar quando a gestante nào consegue ir ao banheiro quando sente vontade. Atenuar isso tudo pode não ser fácil,
mas vale a pena tentar: dedique mais
tempo a si mesma. A empregada nessa
hora pode ajudar muito (ou uma amiga),
única solução em muitos casos.
"Minha primeira gravidez foi difícil. Tive várias complicações sérias. Agora que engravidei de novo estou muito nervosa."
A
gravidez cheia de complicações não
antecipa novas complicações em gestações futuras. Muitas vezes a tempestade na primeira pode significar calmaria
na segunda. Se a causa das complicações
tiver s i d o h m a infecção ou um acidente,
é difícil que essas tornem a ocorrer. Nem
ocorrerão também se foram determinadas pelo estilo de viver que agora foi modificado (fumar, beber, usar drogas),
pela exposição a riscos do meio ambiente (ao chumbo, por exemplo) a que não
mais se está exposta, ou pela falta de
atendimento médico no início da gestação (desde que você já esteja sendo atendida na gravidez atual).
Se a causa tiver sido algum problema
crônico de saúde — diabetes, hipertensão —, o controle do problema antes de
engravidar ou no inicio da gestação freqüentemente evita as complicações.
Se você teve uma complicação específica na primeira gestação que agora gostaria de evitar, é boa idéia discuti-la com
o obstetra para ver o que pode ser feito.
Nâo ímportu o problema ou u eitusu
(mesmo quando "desconhecida"), as dicas na resposta à pergunta anterior ajudam a tornar a gravidez mais tranqüila
e mais segura para você e para o seu
bebê.
"Tive uma gravidez muito tranqüila, no meu
primeiro filho. Por isso mesmo me foi um choque o trabalho de parto de 42 horas com 5 horas de esforços expulsivos paru fazer nascer o
bebê. Estou feliz por ter engravidado de novo,
mas morta de medo de que o trabalho de parto seja como o primeiro."
R
elaxe. Desfrute a gravidez. Tire a
idéia da cabeça. O segundo parto e
os subseqüentes, a não ser por má posição da cabeça do bebê ou por alguma
complicação imprevista, costumam ser
mais fáceis que o primeiro. Graças à experiência do útero e 2 o maior relaxamento do canal do parto. Todas as fases do
trabalho de parto são maiü breves. O esforço expulsivo em geral diminui drasticamente.
A CESARIANA
QUE SE REPETE
' 'Tive meu primeiro filho por cesariana. Me disseram que nunca poderia ter parto vaginal por
causa de uma anormalidade pélvica. Quero ter
seis filhos, como minhu mãe. Mas sei que três
cesarianas ê o limite."
D
iga isso a Ethel Kennedy, a indômita
esposa de Robert F. Kennedy, que
foi submetida a 11 cesarianas numa época em que o procedimento não tinha
a simplicidade e nem a segurança qui
tem hoje, É claro, ás vezes não são possíveis tantos partos cesáreos. Muito há
de depender do tipo de incisflo feita e
do tipo de cicatriz que se formou. Fale com o obstetra a respeito: só ele, familiarizado com o seu histórico, poderá lhe dizer se tsso é possível ou não,
Talvez você lenha unia surpresa agra*
dável.
Quem sc submeteu a múltiplas cesarianas, contudo, pode apresentar maior ris-
AGOKA QUE VOCÊ ESTÁ GRÁVIDA
co de rompimento uterino causado pelas contrações do trabalho de parto (em
virtude das numerosas cicatrizes lá existentes). Por esse motivo, é preciso ficar
alerta para os sinais do trabalho de parto (eliminação de pequena quantidade de
sangue, ruptura da bolsa, contrações; ver
p, 308), nos meses finais da gravidez. Ao
despontarem, cumpre notificar o médico e ir para o hospital imediatamente.
Deve-se notificá-lo também se em qualquer momento da gravidez aparecer, sem
explicação evidente, dor abdominal persistente ou hemorragia.
"Tive meu úitimo filho por cesariana. Estou
grávida novamente e me pergunto qual a chance que tenho de ter um parto vaginal."
U
ma vez uma cesariana, sempre
uma cesariana" era, até pouco
tempo, uma lei obstétrica, se não gravada em pedra, pelo menos gravada no
útero das mulheres que tivesssem se submetido a um ou mais partos cirúrgicos.
Hoje o American College of Obstetrics
and Gynecology preconiza conduta bem
diversa. Eis aqui a nova diretriz oficial daquela entidade norte-americana:
as cesarianas sucessivas não devem ser
consideradas uma rotina; a norma deve
ser o Parto Vaginal Após Cesariana. A
experiência mostra que entre 50% a 80%
das mulheres submetidas a cesárea são
capazes de ter um trabalho de parto e um
parto normais em gestações subseqüentes. Mesmo as que se submeteram a várias cesarianas ou as que têm gravidez
gemelar.
A possibilidade do parto vaginal vai
depender do tipo de Incisão uterina (a incisâo abdominal pode ser diversa) e do
motivo que a levou ao primeiro f arto cirúrgico. Se a incisão tiver sido a transversa baixí (pela região inferior do
útero), que é o que ocorre em 95% das
mulheres atualmente, são boas as chances de parto vaginal; no caso da incisão
vertical clássica (pelo meio do útero), co-
53
mo era comum no passado, não poderá
ser tentado o parto vaginal em virtude
do risco de rompimento uterino. Se o
motivo da cesariana tiver sido uin que
não se repita (sofrimento fetal, infecção,
apresentação de nádegas, toxemia) é
muito possível que agora o parto seja vaginal. Se o motivo estava numa doença
crônica (diabetes, hipertensão, cardiopatia) ou um problema de correção impossível (anormalidades da bacia, por
exemplo) provavelmente o parto terá de
ser mais u m a vez por cesariana. Não
confie apenas na memória: é preciso checar no antigo prontuário o tipo de incisão feita anteriormente.
Se você realmente quer agora o parto
vaginal, discuta logo essa possibilidade
com o médico. Alguns médicos ainda se
atem ao velho adágio e não permitem à
mulher que já fez cesárea entrar em trabalho de parto. Se você quer de f a t o o
parto vaginal, terá de encontrar um médico disposto a acompanhá-la desde o
início do trabalho de parto ao parto. Por
questão de segurança, o hospital deverá
estar preparado para u m a cesárea de
emergência, caso se faça necessária.
É importante que você e o médico garantam a segurança do parto vaginal:
• Siga à risca as instruções no curso preparatório ao parto, para que consiga
um bom trabalho de parto e que minimize o estresse ao organismo.
• Avise o médico quando surgirem os
primeiros sinais de trabalho de parto
(p. 308).
• Concorde em usar pouca medicação
(ou nenhuma) durante o trabalho de
parto e o parto. A medicação pode encobrir sinais de rutura iminente.
• Diga ao médico imediatamentcse surgir alguma dor espontânea ou à pai*
paçâo entre as contrações.
54
NO PRINCÍPIO
Não obstante boas as chances de parto normal, mesmo a gestante que nunca
fez cesariana exibe 20% ou mais de probabilidade de vir a necessitar de uma.
Não se desaponte, portanto, se acabar
tendo de repeti-la. O que importa, enfim,
é que o seu filhinho maravilhoso nasça
dentro de toda a segurança possível.
"Fiz a primeira cesárea depois de um longo e
agonizante trabalho de parlo. O médico me disse para tentar dessa vez o parto vaginal, mas
prefiro a cesárea para evitar aquela provação."
A
o lermos o que os firmes oponentes
da cesárea têm a dizer, concluímos
rapidamente que o meio médico é o exclusivo responsável pelo grande número
de cesáreas realizadas hoje em dia. Mas
muitas vezes não se fala do outro lado
da história: as cesáreas sucessivas (que
compõem pelo menos um terço do total
de cesáreas realizadas ao ano) são muitas vezes feitas a pedido da gestante. E
o motivo é muito simples: desejam evitar outro trabalho de parto prolongado
e doloroso.
É normal que o ser humano não queira sofrer — trata-se de um reflexo automático que visa protegê-lo das agressões.
Os olhos piscam quando deles se aproxima um objeto pontudo; recuamos rapidamente a mão da chama do fogo. São
atos que fazem sentido. Mas embora pareça lúgico fazer a cesárea s3 puru evitar as dores do trabalho de parto, não
é. É verdade que o trabalho de parto pode ser mais doloroso que a cesárea, mas
as suas conseqüências não são maiores
do que as desta. O risco cresce com o
parto cirúrgico e não obstante seja muito pequeno (a chance de morrer durante
o parto vaginal é de uma em 10.000 e a
de morrer durante o parto cirúrgico é de
4 em 10.000), aumentá-lo sem razão não
tem lógica alguma.
Lembre-se também de que dessa vez
o trabalho dc parto provavelmente será
muito mais fácil e muito mais breve, Se
o parto vaginal f o r bem-sucedido, você
estará evitando os dois ou três dias de
dor abdominal que se seguem à cesariana. Vale a pena tentar.
A HISTÓRIA FAMILIAR
"Recentemente descobri que minha mãe e duas
de suas irmãs perderam os filhos logo depois
do nascimento. Ninguém sabe porquê. Isso pode acontecer comigo?"
A
história familiar de enfermid ade ou
de morte do feto era quase sempre
mantida em sigilo, como se perder um
filho fosse algo de pecaminoso ou de que
se devesse ter vergonha. Hoje sabemos
que o conhecimento da história das gerações pregressas ajuda a melhorar a
saúde da geraçao atual. Embora a morte de dois bebês em circunstâncias semelhantes possa não passar de coincidência,
conviria procurar i im geneticista para receber aconselhamento. O médico pode
recomendar u m .
Todo casal que nâo sabe a respeito de
possíveis anomalias hereditárias na família de cada um deve procurar descobrir,
perguntando às pessoas mais velhas. Como o diagnóstico pré-natal é possível para muitas doenças hereditárias, esse tipo
de informação torna possível prevenir
problemas antes que ocorram ou tratálos ao ocorrerem.
"Há várias histórias em nossa família sobre bebês que pareciam bem ao nascer mas que depois foram ficando cada vez mais doentes.
Acabaram morrendo ainda pequenos. Devo me
preocupar?"
E
ntre as principais causas de doença e
morte nos primeiros dias e nas primeiras semanas de vida estão o que hoje conhecemos como erros iratos do
metabolismo. Os bebês que nascem com
esse tipo de anomalia genética não possuem uma enzima ou outra substanelu
AGOKA QUE VOCÊ ESTÁ GRÁVIDA
química, o que impossibilita o metabolismo de algum elemento particular da
dieta; qual o elemento vai depender da
enzima em falta. O irônico é que a vida
do bebê está em risco tão logo inicie a
alimentação.
Felizmente esses distúrbios, na grande maioria, podem ser diagnosticados
durante a gestação. Muitos podem ser
tratados. Portanto, considere-se uma
mulher de sorte se ficar sabendo desse
diagnóstico ainda antes do parto. Certifique-se de agir e tomar as providências
de acordo com o diagnóstico. Discuta a informação com o médico e também, se for necessário, com um geneticista,
GESTAÇÕES MUITO
PRÓXIMAS
"Voltei a ficar grávida dois meses e meio após
nascer meu primeiro filho. Fico cismando com
o efeito que isso possa ter sobre a minha saúde e a de meu novo filho."
A
concepção antes da plena recuperação de gestação e parto recentes vai
sobrecarregar-lhe o organismo, mas não
de preocupações debilitantes. Portanto,
ei..i primeiro lugar, relaxe. Embora seja rara a concepção nos primeiros três
meses dè puerpério (quase um milagre
quando o recém-nascido vem sendo amamentado ao seio), é situação que pega outras mães de surpresa também.
E na grande maioria tiveram paito normal, filho normal, e foi pequeno o seu
desgaste.
No entanto, é essencial ter ciência do
tributo que pode ser pago por duas gestações consecutivas: tudo se há de fazer
para compensá-lo. A concepção nos primeiros trís meses de puerpério faz a nova gestante Ingressar em grupo de alto
risco, que, contudo, nesse caso, não
guarda um prognóstico sombrio como
parece, mormente com o próprio aten-
48
dimento e as devidas precauções, entre
as quais:
• O melhor atendimento pré-natal, começando logo que for descoberta a
gravidez. Como em qualquer gestação
de alto risco, provavelmente é melhor
começar com um obstetra, ou com
uma enfermeira obstétrica, em atendimento individualizado. Convém
seguir escrupulosamente as determinações do médico e não faltar às coirsultas.
• A de aderir à Dieta Ideal (ver p. 109),
que deve ser seguida senão religiosamente, pelo menos fielmente. É possível que o seu organismo ainda nào
tenha tido oportunidade de repor as
reservas utilizadas no processo gestatório anterior. Depois do parto, sobretudo se você estiver amamentando,
poderá estar em desvantagem nutricional. Isso significa que precisa compensar essa desvantagem para que nem
você e nem o feto se vejam em privação nutricional. Dê particular atenção
às proteínas (pelo menos 100 g ao dia)
e ao ferro (fazer uso de terapêutica
complementar).
• Ganho de peso suficiente. O seu novo
bebê nâo se importa se você teve tempo ou não de eliminar os quilos a mais
que o seu irmâozinho ou irmãzinha
veio a colocar em você. Vocês dois
necessitarão do aumento de 10 a 15 kg
também nesta gestação. Portanto,
nem pense em emagrecer, mesmo nessa fase incipiente. O ganho de peso
gradual, devidamente supervisionado,
será mais fácil de perder depois — especialmente se adquirido através de
uma dieta de alta qualidade e porque
você vai estar ocupada com duas
crianças pequenas. Certifique-se de
que a falta de tempo ou de energia não
a impeçam de comer bem. Alimentar
e euldur dos filhos que Já t.em nfto de-
56
NO PRINCÍPIO
ve prejudicar a alimentação e o cuidado do filho que está para vir. Acompanhe com atenção o seu ganho de
peso e, se não evoluir como o espe r ado (ver p. 182), controle a ingestão de
calorias com mais cuidado e siga as sugestões à página 110 para aumentar o
ganho de peso.
• Desmame o seu filhinho mais velho
imediatamente, se você estiver amamentando. Ele já colheu muitos dos
benefícios do aleitamento ao seio, e o
desmame nesse estágio não deve ser difícil nem traumático para o bebê, embora possa não ser confortável para
você. Algumas mulheres continuam a
amamentar, mas tentar reunir as forças para a gestação e a amamentação
pode ser uma batalha perdida para
qualquer uma.
• Repouse — repouse mais do que for
humanamente possível. Para isso é
mister sua própria determinação e o
auxilio de seu marido e de outras pessoas também. Estabeleça prioridades:
deixe tarefas domésticas menos importantes por fazer e se obrigue a deitar
quando o seu o u t r o filho estiver dormindo. Deixe o papai dar-lhe quantas
mamadeiras puder durante a noite, e
deixe-o também cozinhar, limpar a casa e cuidar do bebê (sobretudo os cuidados que requerem suspendê-lo ou
carregá-lo).
• Exercícios — o suficiente para que se
mantenha em forma e relaxe. Mas sem
excessos, Se você nflo consegue encontrar hora para os exercícios regulares,
faça-os em conjunto com as atividades físicas do dia-a-dia. Saia com seus
filhos para um rápido passeio. Entre
para um curso de ginástica para gestantes (ver p. 230 para saber como es-
colher um) ou nade no clube etc, Mas
evite correr e outros exercícios desgastantes.
• Elimine ou minimize todos os outros
fatores de risco da gravidez, como o
cigarro e o álcool (ver p. 81). O corpo
e o bebê não devem ser submetidos a
outros estresses.
TENTANDO A SORTE PELA
SEGUNDA VEZ
"Meu primeiro filho foi perfeito. Agora que estou grávida de novo, fico com medo de não ter
tanta sorte dessa vez."
r
pouco provável que um ganhador
da loteria esportiva venha a ganhála de novo, não obstante as suas chances sejam iguais às de qualquer outro
apostador. A mãe que teve um bebê
" p e r f e i t o " , contudo, não apenas tem
grande chance de ganhá-lo novamente
como também essa chance é maior do
que antes de uma gestação bem-sucedida. Além disso, a cada gestação a
mãe tem a chance de melhorar um pouquinho as probabilidades — pela eliminação de quaisquer fatores negativos
existentes (fumo, bebida, uso de drogas)
e pela acentuação dos positivos (melhor
alimentação, exercícios e atendimento
obstétrico).
E
QUANDO A FAMÍLIA
E GRANDE
"Estou grávida pela sexta vez. Será que há risco maior para mim ou para o bebOt"
S
empre se postulou, segundo o conhecimento médico tradicional, que as
mulheres com cinco ou mais filhos fazem
crescer o risco para si mesmas e para os
bebês a cada nova gestação. Talvez isso
AGOKA QUE VOCÊ ESTÁ GRÁVIDA
fosse verdadeiro antes do progresso da
obstetrícia atual — e talvez ainda o seja
para as gestantes que não recebem atendimento adequado. De qualquer forma,
o melhor atendimento obstétrico dos dias
de hoje cria uma excelente chance da
grande multípara (mulher com mais de
cinco tilhos) ter filhos normais e sadios.
Em recente pesquisa viu-se que o maior
risc;' depois da quinta gestação é o da
gestação múltipla (gêmeos, trigêmeos,
quadrigêmeos etc.) e o da trissomia do
21, um distúrbio cromossômico. 1 Desfrute portanto de sua gravidez e de sua
grande família. Mas tome algumas precauções:
• Considere o teste pré-natal se você tiver mais de 30 anos (não espere até os
35), já que a incidência de FÍlhos com
problemas cromossômicos parece aumenta'- mais rapidamente em mulheres com múltiplas gestações.
• Certifique-se de conseguir toda a ajuda que puder. E deixe de lado as tarefas menos essenciais. Ensine os filhos
mais velhos a serem mais autosuficientes (mesmo os pequeninos podem aprender a se vestir, a guardar os
brinquedos etc.) A exaustão não convém a nenhuma mulher grávida, sobretudo para aquela que já tem muitos
filhos para tomar conta.
• Controle o peso. As mulheres que têm
várias gestações costumam lr ganhando uns quilinhos a mais a cada uma
delas. Se for esse o seu caso dê atenção à dieta e controle o peso (ver p.
182), O peso em excesso aumenta alguns riscos, sobretudo o do trabalho
de parto difícil. Pode também compll'Embora, segundo essa pesquisa, (er uma família grande não pareça criar maiores riscos para
os bebês, ouira pesquisa demonsirou que a cada bebi cresce o risco da mâe desenvolver, muis
tarde, diabetes Insulino-independenie.
57
car o parto cirúrgico e a recuperação.
Por outro lado, nào exagere no controle da dieta e certifique-se de estar
ganhando peso o suficiente.
• Minimize todos os riscos da gravidez
— ver p. 81.
• Dê particular atenção aos sinais que
podem significar algum problema durante a gestação, o trabalho de parto
ou o puerpério (ver pp. 151 e 429).
Uma pesquisa revelou que, embora
não haja maior risco da multípara e
de seu novo bebê morrerem durante
a gravidez e o parto, há maior risco
de complicações como apresentação
anômala (nádegas etc.), de descolamento prematuro da placenta, rompimento uterino e hemorragia puerperal, além da necessidade de fórceps ou
de parto cirúrgico.
A MÃE SOLTEIRA
"Sou solteira, estou grávida, e feliz por isso —
mas também um pouco nervosa por entrar nisso sozinha."
S
ó porque você não tem marido não
quer dizer que ficará sozinha durante a gravidez. A espécie de apoio de que
você precisa poderá vir de outras fontes
que n ã o de um marido. Uma boa amiga
ou algum parente com quem tenha intimidade e se sinta bem (a mâe, u m a tia,
uma sobrinha, uma prima) podem participar e segurar a sua m i o , do ponto
de vista emocional e físico, por toda a
gravidez, Essa pessoa pode, de várias
formas, desempenhar o papel do pai
durante os nove meses e também depois
— acompanhando-a nas consultas de
pré-natal e nas aulas sobre o parto,
ouvindo-a quando precisar desabafar
suas preocupações e temores e também
a sua alegre expectativa, ajudando-a a
arrumar a casa e a vids
a chegada
58
NO PRINCÍPIO
do bebê, atuando como instrutor, como
ponto de apoio e como intermediário durante o trabalho de parto e o parto.
Talvez você queira ter em mente o
seguinte ao ler este livro: as muitas referências ao " m a r i d o " e ao " f u t u r o papai" não foram colocadas para excluir
você. C o m o a maioria de nossas leitoras
são de famílias tradicionais, é apenas
mais simples usar estes termos consistentemente do que tentar incluir todas as
outras possibilidades que existem. Esperamos que você compreenda e que, ao
ler o livro, perceba que se destina tanto
a você quanto às futuras mamães
casadas.
SER MÃE DEPOIS DOS 35
"Tenho 38 anos e fiquei grávida pela primeira
vez — e provavelmente pela última. Ê muito
importante para mim que o meu fiihinho seja
sadio, mas já li sobre os riscos da gravidez após
OS 35."
-
A
o engravidar depois dos 35 você estará em boa companhia — e que se
desenvolve a cada dia. Embora o número de gestações venha declinando entre
as mulheres com 20 anos, tem se elevado rapidamente entre as com mais de 35.
Existem casos de mulheres que têm seu
primeiro filho ou que iniciam uma segunda família após os 40 ou mesmo 4S
anos.
Se você tem mais de 35 anos, porém,
sabe que nada na vida se faz com completa isenção de riscos. A gestação, em
qualquer idade, é um exemplo. E, embora atualmente os riscos sejam bem pequenos, eles de fato aumentam um
pouco com o progredir da Idade. A
maioria das mães mais velhas, contudo,
acha que os benefícios de dar Inicio u
u m a família no momento certo suplantam sem sombra de dúvida quaisquer riscrwi F s a n p n m n r i a r i a s oelo fato de que
as novas descobertas médicas vêm rapidamente reduzindo esses riscos.
O principal risco relativo à reprodução enfrentado por uma mulher na sua
faixa etária é não engravidar, devido à
fertilidade reduzida. Uma vez superado
esse obstáculo e a mulher tendo engravidada, o risco mais comum e notório
enfrentado pela mãe de mais idade é o
de ter um bebê com a síndrome de
Down. Este risco aumenta com a idade:
1 em 10.000 para as mães com 20 anos,
cerca de 3 em 1.000 para as mães com
35 anos, e 1 em 100 para as mães com
40 anos. Especula-se que essa e outras
anormalidades cromossômicas, n ão obstante ainda relativamente raras, sejam
mais comuns em mulheres com mais idade por causa dos ovócitos que, presentes na totalidade desde o nascimento, são
mais antigos também e, por isso, mais
expostos a raios X, a medicamentos, a
infecções etc. (Sabe-se, contudo, que o
ovo nem sempre é responsável por essas
anormalidades cromossomiais. Pelo menos 25% dos casos de Down se vinculam
a uma falha no esperma do pai. Ver p.
60.)
Embora a síndrome de Down (caracterizada por retardo mental, rosto achatado, obliqüidade dos olhos) não seja
passível de prevenção atualmente, pode
ser diagnosticada in utero através do
diagnóstico pré-natal (ver p. 73) como
muitas outras afecções genéticas. Esse
exame diagnóstico hoje faz parte da rotina de avaliação das gestantes com mais
de 35 anos e das que se encontram noutras categorias de alto risco, inclusive das
que apresentam baixo teor de alfafetoproteína — A P P (ver p, 78). Muitas vezes, a sonografia apresenta a mesma
utilidade (p. 76). Caso se descubra a existência de síndrome de Down ou de outra anormalidade, os pais precisarão
decidir com o auxílio do genetlclsta, do
pediatra, do especialista em medicina
materno-fetal e de outros profissionais
se devem ou não dar prosseguimento à
AGOKA QUE VOCÊ ESTÁ GRÁVIDA
gravidez.* Para essa decisão convém que
os pais saibam que a criança com síndrome de Down tem a possibilidade de uma
vida razoável, embora abaixo de um nível ideal. São excepcionalmente amorosas e a grande maioria aprende, com
intervenção precoce2, a tomar conta de
si mesmas, inclusive aprendendo a ler e
a escrever.
Além do maior risco de síndrome de
Down, as mães com mais de 35 têm
maior risco de apresentar hipertensão arterial (sobretudo quando ganham muito peso),
diabetes e
doenças
cardiovasculares — doenças comuns nos
gruoos mais velhos de um modo geral e
que costumam ser controladas. São também gestantes mais propensas ao aborto,
sobretudo
por
problemas
embrionários que impedem o pleno desenvolvimento do feto. Como as pesquisas são contraditórias, não se sabe se
nesse grupo etário o trabalho de parto
e o parto são mais prolongados, mais difíceis ou mais complicados. Mesmo que
sejam, a diferença entre as gestantes mais
novas e mais velhas é pequena. Em algumas mulheres mais velhas, a redução
do [Ônus muscular e da flexibilidade articular pode contribuir para a dificuldade no trabalho de parto, mas em muitas
outras, graças a uma excelente condição
física decorrente de um estilo de viver
mais sadio, isso não é problema.
Apesar dos riscos, que, como veremoi sflo bem menores do que a maioria sapôe, as gestantes com mais idade
dos dias de hoje têm muito a seu favor.
A ciência médica, por exemplo. A identificação de anomalias congênitas pode
*A. legislado brasileira, completamente anacrônica na questío do aborto provocado, proscreve os abortos terapêuticos. Inclusive nos casos
de patologia ovuiar. (N. do T.)
'Essa intervenção, que abranye o < rei munem o
dos pais e também a exposição dlrtrlu do bebe
a um programa especial, pode ter um eleito extraordinário sobre as crianças com deficiência
mental
59
ser feita in uíero através da amniocentese,
da amostragem de vilosidades coriônicas,
do ultra-som e de outros procedimentos
mais recentes (ver Diagnóstico Pré-natal,
p, 73). Consegue-se hoje reduzir o risco
de anomalia congênita grave a um nível
comparável ao das mulheres mais jovens.
Certos medicamentos e a supervisão médica diligente podem às vezes interromper o trabalho de parto precoce. A monitorização fetal eletrônica durante o
trabalho de parto pode revelar a ocorrência de sofrimento fetal, permitindo que
uma série de rápidas manobras protejam
o feto de maior trauma.
Por mais bem-sucedidos que sejam esses progressos técnicos na redução do risco gestacional em mulheres com mais de
35, eles quase perdem a importância
quando a mãe adota certas condutas para melhorar as suas chances e as de seu
bebê — através de exercícios, dieta e um
atendimento pré-natal de qualidade, Só
a idade reprodutora adiantada n ã o basta para colocar a mãe em grupo de alto
risco: só ingressa nessa categoria por um
acúmulo de fatores de risco. Quando a
gestante forceja por eliminar ou minimizar ao máximo tais fatores, será capaz
de descontar muitos anos de seu perfil
gestatório — igualando, praticamente, as
chances de dar à luz um bebê sadio às
de qualquer outra mâe mais jovem. (Ver
A Redução dos Riscos em Qualquer Gestação, p. 81.)
E ainda hó outras vantagens. Em tese,
as mulheres dessa geração — melhor
nível educacional (mais da metade já
freqüentou a faculdade), muitas trabalham profissionalmente, mais estabilizadas — transformam-se em melhores
mães graças a sua maturidade e estabilidade. Por serem mais velhas e por jâ terem conquistado o seu lugar ao sol, têm
menos chance de se ressentirem das exigências criadas pelo bebê. Uma pesquisa mostrou que aceitam melhor a
maternidade e mostram mais paciência e
outras características qve são favoráveis
60
NO PRINCÍPIO
ao desenvolvimento dos filhos. Embora
talvez não estejam no melhor de sua condição física, podem estar distanciadas em
relação à idade dos filhos e sentirem mais
a mudança do estilo de viver por já estarem melhor assentadas na vida, poucas são as que se arrependem deter filho.
A maioria, com efeito, se sente feliz
diante dessa possibilidade.
A IDADE E O TESTE PARA
A SÍNDROME DE DOWN
"Tenho 34 anos. Devo ter meu filho dois meses antes de completar vs 35. Devo fazer algum exame para saber se meu filho tem a
síndrome de Down?"
A
probabilidade dessa anomalia não
cresce repentinamente para a mulher
com 35 anos. O risco aumenta gradualmente dos 20 em diante, com o maior
salto ocorrendo na mulher com mais de
40. Portanto, não há resposta científica
direta para justificar ou não o diagnóstico pré-natal quando a mulher tem
aproximadamente 35 anos. A marca dos
35 anos é arbitrária: foi escolhida pelos
médicos na tentativa de identificar o
maior número possível de casos de síndrome de Down sem expor as gestantes
e os fetos a quaisquer riscos inerentes aos
métodos de diagnóstico pré-natal, Alguns recomendam esse diagnóstico em
mulheres que completam 35 anos durante a gestação, outros não.
Em muitos casos, o médico sugere fazer a dosagem de A F P (ver p, 78) em primeiro lugar, antes da mulher com menos
de 35 anos submeter-se à amniocentese.
O baixo teor dessa proteína no sangue
aponta para a possibilidade, não a probabilidade, de síndrome dc Down fetnl,
justificando a amniocentese a seguir,
Embora o toste nfio permita a Identificação de todos os casos, é útil recurso
para a triagem dos casos possíveis. Caso o resultado seja normal, por outro la-
do, a amniocentese deixa de ser prova
essencial — desde que não haja outras
indicações para ela exceto a idade da gestante. Convém discutir as opções e as
preocupações com o médico ou com o
geneticista se for o caso.
A IDADE DO PAI
"Só tenho 31 anos, mas meu marido tem mais
de 50, A idade paterna adiantada traz riscos
para o bebê?"
D
urante grande parte da nossa história, acreditou-se que a responsabilidade do pai no processo reprodutor se
limitava à fertilização. Foi só no século
atual (tarde demais para evitar que algumas rainhas fossem degoladas por não
gerarem um herdeiro homem) que se descobriu que é no esperma do pai que se
acha o elemento genético que determina
o sexo da criança. E somente nos últimos anos é que se começou a verificar
a hipótese de que talvez o esperma do pai
de mais idade possa contribuir para certas anomalias congênitas como a síndrome de Down. Como os ovócitos da
mulher de mais idade, os gametas primários do pai de mais idade (esperma nãodesenvolvido) apresentam uma maior exposição aos riscos do meio ambiente e
podem, em tese, conttr genes ou cromossomas alterados ou lesados. E das poucas pesquisas que se têm feito, provém
alguma evidência de que aproximadamente em 25% a 30% dos casos de síndrome de Down a falha cromossomíal
proveio do pai. Parece existir também
um maior risco da síndrome quando o
pai tem mais de 50 anos (ou mais de 55,
dependendo da pesquisa), embora a associação estatística seja mais fraca do
que no caso da idade materna.
Mas as evidências continuam lnconcluslvas, sobretudo em virtude da insuficiência das pesquisas existentes. A
elaboração de pesquisas em grande es-
AGOKA QUE VOCÊ ESTÁ GRÁVIDA
cala, mais conclusivas, se revela difícil
por dois motivos. Em primeiro lugar, a
síndrome de Down é relativamente rara
(cerca de 1 ou 2 casos em 1.000 nascidos
vivos). Em segundo lugar, na maioria
dos casos, ambos os pais são de mais idade, tornando complicado o esclarecimento do papel independente da idade
paterna.
Portanto, se a idade paterna adiantada pode ou não ser vinculada à síndrome de Down e a outras anomalias
congênitas é questão, em grande medida, sem resposta. Os especialistas acreditam na existência de alguma provável
ligação (embora não se saiba em que idade tenha início), mas o risco há de ser
certamente muito pequeno. Por ora, os
especialistas em aconselhamento genético não recomendam a amniocentese com
base exclusivamente na idade paterna.
Se, contudo, a leitora for passar o resto
da gestação se preocupando com os possíveis — mas improváveis — efeitos desse fator sobre o seu bebê, recomendamos
discutir o assunto com o obstetra para
ver se há justificativa para a amniocentese.
INSEMINAÇÃO ARTIFICIAL
("BEBÊ DE PROVETA")
"Estou esperando um filho graças à inseminação artificial. Será que tenho chance de ter um
bebê tão sadio quanto o das outras gestantes?"
A
inseminação artificial, feita ein laboratório, não modifica a probabilidade da gestação de um bebê sadio: essa
probabilidade é a mesma do bebê gerado na cama. 3 Pesquisas recentes mostram que se todos os outros fatores
'Embora se disponha de menor número de Informações sobre a Q1FT (Transferência de Oameial IntraTaloplanu) e a inseminação
Imratubária, presume-se que para os bebês concebidos por esses novos métodos o quadro seja
muito semelhante.
54
forem iguais — idade, exposição a DES ,
número de fetos (gravidez gemelar), por
exemplo —, não há aumento significativo de complicações como prematuridade, hipertensão durante a gravidez,
trabalho de parto prolongado, complicações no parto ou necessidade de parto
cirúrgico. Nem parece aumeniar a probabilidade do bebê nascer com anomalias. O que há é um ligeiro aumento do
índice de aborto espontâneo, embora talvez esse aumento se deva à minuciosa observação e monitorização da gestante que
engravidou dessa forma: são logo identificados todos os casos de aborto. Isso,
evidentemente, nâo ocorre na população
geral. Nessa, muitos casos de aborto espontâneo ocorrem e passam despercebidos ou não são notificados.
No princípio, contudo, existem algumas diferenças entre a gestação desse tipo e as demais. As primeiras seis
semanas costumam gerar muito mais
apreensão, muito mais ansiedade: o teste positivo não necessariamente significa qee a gestação está em andamento; as
diversas tentativas podem significar
grande sobrecarga emocional e financeira para o casal; e não se sabe de imediato quantos dos embriões em tubos de
ensaio vão se desenvolver e transfonnarse em fetos. Mais: se a gestante abortou
em tentativas prévias, poderá ter de restringir as relações sexuais e outras atividades físicas; talvez até seja obrigada a
fazer repouso absoluto na cama. Durante os primeiros dois meses talvez tenha
também de fazer uso de progesterona para ajudar a gestação incipiente. Passada
essa fase, porém, a gravidez deverá
transcorrer como qualquer outra — exceto q u a n d o é gemelar, como costuma
ocorrer em 5°7o a 25% desses casos. Em
caso de gêmeos, consulte p. 179.
C o m o as outras gestantes, além de tudo isso, a gestante que lançou mSo da
inseminação artificial pode melhorar
bastante a probabilidade de ter um filho
saudável através da assistência médica
62
NO PRINCÍPIO
diligente, da boa dieta, do ganho de peso moderado, do devido equilíbrio entre
o repouso e os exercícios, e da renúncia
a certos hábitos: de beber (bebidas alcoólicas), de f u m a r e de fazer uso de medicamentos sem receita médica. Ver p. 81
para algumas dicas sobre a redução dos
riscos gestacionais.
PARA QUEM VIVE EM
GRANDES ALTITUDES
"Será que o fato de morarem grande altitude
causa problemas durante a gravidez?"
D
esde que já se esteja habituado a respirar o ar menos denso das grandes
altitudes, a chance de ter problemas não
será a mesma da gestante que, depois de
morar trinta anos ao nível do mar, ecaba de se mudar para lá. As mulheres que
residem nessas cidades exibem de fato
uma probabilidade um pouquinho maior
de certas complicações, tais como hipertensão e retenção hídrica, baixo peso do
feto ao nascer (ou seja, pequeno para a
idade gestacional) etc. Entretanto, com
a devida assistência pré-natal e com os
devidos cuidados que dispensar a si mesma (dieta ideal, ganho ponderai adequado, abstenção de álcool e de outros
medicamentos e de outras drogas), a gestante conseguirá minimizar bastante esse maior risco. O mesmo se deve dizer
com relação ao hábito de fumar: o da
gestante e o de qualquer outra pessoa.
O fumo, que priva o feto de oxigênio e
que interfere com o seu boin desenvolvimento em qualquer altitude, parece ter
efeito ainda mais prejudicial nessa situação: chega a duplicar a redução do peso
médio do feto ao nascer. Os exercícios
extenuantes também podem privar o feto de oxigênio, sendo recomendado ás
gestantes que moram a grandes altitudes
que dêem preferência á marcha rápida
e não ao jogging, por exemplo, e que a
Interrompam (conselho aliás que vale pa-
ra todas as gestantes) antes de chegarem
à exaustão.
Embora se deva conseguir uma boa
gestação sem maiores problemas em localidades situadas a grandes altitudes, as
mulheres que não estão habituadas à atmosfera menos densa podem encontrar
sérias dificuldades. Alguns médicos recomendam adiar as viagens ou visitas a
tais localidades (ver p. 216) até depois do
parto
AS OBJEÇÕES RELIGIOSAS
À ASSISTÊNCIA MÉDICA
"A minha religião me impede de recorrer ao
atendimento médico. Sobretudo durante a gravidez, que ê um processo natural Meus parentes porém insistem que minha atitude t
perigosa."
E
les estão certos. Numa pesquisa demonstrou-se que as gestantes que recusam o atendimento médico por motivos religiosos têm uma probabilidade
100 vezes maior de morrer durante o parto em relação às mulheres que recorrem
a esse atendimento. Além disso, a probabilidade de morte do feto ao parto é
três vezes maior. É preciso decidir se convém assumir esses riscos por conta própria. Você está disposta a assumi'
legalmente esses riscos caso algum problema fetal pudesse ter sido evitado pelo tratamento obstétrico? Há tribunais
nos EUA que consideram a mãe responsável q u a n d o o comportumento desta
tem possibilidade de causar lesão ou prejuízo ao feto gerado.
As pessoas que vêem nessa atitude
uma atitude perigosa nâo estarão provavelmente Insinuando que os princípios
religiosos não sejam importantes. E a vida humana que está em jogo, mio um
princípio religioso. E i a. vida humana
de duas pessoas, da gestante e do bebê,
principalmente.
Por fim, convém saber que pratica-
AGOKA QUE VOCÊ ESTÁ GRÁVIDA
mente todas as doutrinas religiosas são
perfeitamente compatíveis com o atendimento obstétrico seguro e de boa qualidade. Recomendamos à gestante discutir o assunto com três médicos, por
exemplo. É bem possível que encontre algum disposto a adaptar-se com segurança às suas convicções religiosas.
INCOMPATIBILIDADE RH
"O médico me disse que sou Rh negativo e meu
marido, Rh positivo. Disse-me para nâo me
preocupar, mas minha mãe perdeu seu segundo filho por causa da doença Rh."
T
odos os seres humanos herdam um
tipo de sangue que será Rh positivo
(fator Rh dominante) ou negativo (ausência do fator). O teste do fator Rh é
obrigat óiio em todas as gestantes no início da gravidez. Se uma mulher tem Rh
positivo (85% dos casos) ou se ambos o
têm, ela e o marido são negativos, não
há motivo para maiores preocupações.
Se, nc entanto, a mulher é Rh negativo
e o marido posi.ivo, então todas as gestações devem ser conduzidas sob estrita
vigilância obstétrica.
Na época da sua mãe, a incompatibilidade Rh era de fato um problema gravíssimo. No entanto, graças aos progressos da medicina, sua preocupação
em perder o bebê devido a essa condição não mais se justifica.
Em primeiro lugar, sendo essa a sua
primeira gestação, pouca ameaça há ao
bebê. O problema só se manifesta quando o fator Rh adentra u circulação materna, de Rh negativo, durante o parto
(aborto espontâneo ou nâo) de uma
criança que tenha herdado o fator Rh do
pai. O organismo da mâe, ao reagir imunoloslcamente à substância "estranha",
desenvolve anticorpos contra esta. Os
anticorpos, em si, são inócuos, até que
ela engravide novamente, Se o próximo
bebi for Rh positivo, os anticorpos ma-
63
ternos poderão atravessar a placenta e
chegar ao feto, onde vão atacar as hemácias fetais. O fenômeno pode causar uma
anemia no concepto, de intensidade muito leve (se os níveis de anticorpos da mãe
forem baixos) ou mui<.o grave (se os níveis forem altos). Apenas em ocasiões
muito raras, os anticorpos podem se formar nas primeiras gestações, em reação
ao sangue fetal que extravasa da placenta
para o sistema circulatório materno.-Hoje, a prevenção do desenvolvimento de anticorpos Rh é o segredo para proteger o feto quando há incompatibilidade
do fator. Alguns médicos fazem um duplo cerco ao problema. Na 28? semana,
a gestante Rh negativa que não exibe anticorpos no sangue recebe uma dose de
imunoglobulina Rh. Ministra-se outra
dose dentro de 72 horas após o parto, se
o bebê for Rh positivo. (A vacina também é administrada depois de aborto,
espontâneo ou provocado, de amniocentese ou de hemorragia durante a gravidez.) Ao ministrar-se agora a imunoglobulina conforme necessário se estará eliminando sérios problemas em gestações
futuras.
Se as provas mostrarem que a mulher
desenvolveu anticorpos Rh pregressamente, pode-se usar da amniocentese
(ver p. 74) para verificação do tipo de
sangue do concepto. Se for Rh positivo,
e portanto incompatível com o da mâe,
acompanha-se regularmente o nível de
anticorpos da mãe. Se os níveis se mostrarem perigosamente elevados, se fará
uma série de exames para avaliar a condição fetal. Se algum desses exames indicar ameaça ao feto, apontando para o
desenvolvimento de eritroblastose fetal
(também conhecida como doença hemolítica ou Rh), talvez se faça necessária
uma transfusão de sangue Rh negativo.
Em caso de grave incompatibilidade, o
que é raro, a transfusão fetal poderá ser
feita ainda in utero. O mais comum é a
espera até imediatamente após o parto.
Nos casos leves, quando é baixo o nível
64
NO PRINCÍPIO
de anticorpos, pode não haver necessidade de transfusão. Os médicos, contudo,
estarão de prontidão para a transfusão
ao parto, se houver necessidade.
O uso das vacinas Rh tem reduzido a
necessidade de transfusão, nesses casos
de incompatibilidade Rh, para menos de
1%. Talvez no futuro esse recurso transfusional heróico venha a se transformar
num milagre médico do passado.
OBESIDADE
"Já estou com um excesso de peso de uns 30
quilos. Será que estou colocando a minha gestação e meu filho em /isco?"
A
s gestantes obesas, na grande maioria, junto a seus filhos, atravessam
todo o ciclo gestatório e o parto sem
maiores problemas. Mesmo assim, os riscos aumentam na proporção do excesso
de quilos adquiridos: e isso não só durante a gravidez. O risco de hipertensão
e de diabetes, por exemplo, aumenta
quando se está obesa. Essas duas condições podem complicar a gestação (sob a
forma de pré-eclâmpsia e de diabetes gestacional). Pode também ser difícil de aferir com exatidão a data provável do
parto: a ovuiação exibe muitas vezes
grande variação em obesas, Além disso,
certos parâmetros tradicionais para avaliação da data (a altura do fundo uterino, o t a m a n h o do útero) podem ser
indecifráveis em virtude das várias camadas de gordura. O abdome com excesso
de gordura pode também impossibilitar
ao médico a devida avaliação do tamanho e da posição fetal pela palpação,
fazendo-se por vezes necessária a avaliação com recursos tecnológicos para que
se evitem surpresas durante o parto. Se
o f « o for multo maior tio quo a ntédlu
poderão ainda surgir dificuldades durante o parto, fenômeno comum em mães
obesas (mesmo nas obesas que não comem em demasia durante a gestação).
Por fim, talvez haja necessidade de parto cirúrgico que será dificultado pelo volume do tecido subcutâneo abdominal
(dificuldade existente durante o ato cirúrgico e durante a recuperação da
operação).
O atendimento obstétrico de alta qualidade, como se dá com outras gestações
de alto risco, pode favorecer bastante a
condição da gestante obesa e do feto. É
bem possível que você seja submetida,
desde o início, a um maior número de
exames do que as gestantes de baixo risco: ultra-sonoj/afia precoce para determinar com mais exatidão a data provável
do parto e o mesmo exame, em fase posterior, para determinar o tamanho e a
posição do bebê. Será necessário pelo
menos um teste de tolerância à glicose ou
de triagem para diabetes gesta :ionaÍ,
provavelmente no final do segundo trimestre, para ver se você está ou não desenvolvendo sinais de diabetes. Além disso, ao fim da gestação, várias outras
provas diagnósticas poderão ser feitas
para monitorizar a condição do bebê.
Os cuidados consigo mesma também
serão importantes. O médico recomendará a abstinência do cigarro e a redução de todos os demais riscos que se
acham dentro do controle da gestante
(ver p. 81). A dieta é importante: è preciso evitar o ganho excessivo de peso. Na
maioria das ocasiões, as gestantes obesas podem ganhar menos do que os 12
a 15 quilos recomendados durante a gra- ,
videz sem interferir de forma adversa no ,
peso ou na saúde do feto." Entretanto,
essa dieta de menor conteúdo calórico
nâo deverá situar-se abaixo das 1.800
calorias e deverá basear-se em alimen- <
tos ricos em vitaminas, sais minerais e
'As definições variam, mas em gerul uma mulher 4 conslduruda oNun «o o »uu \ m o «wlivet •
120% aclm i do peão Idual, sendo quo uma par- j
cemagem na obesidade extrema é dc 150%. A s sim, uma mulher que devesse pesar 5 J quilos esti
obesa quando pesa 60 e é muito obesa quando
pesa 75 quilos.
AGOKA QUE VOCÊ ESTÁ GRÁVIDA
proteína (ver a Dieta Ideal, p. 109). Cada refeição e cada mordida são particularmente importantes nesses casos. Também importante é a suplementação de vitaminas e de sais minerais. Os exercícios
praticados de forma regular, dentro das
diretrizes recomendadas pelo obstetra,
ajudam a gestante a manter o ganho de
peso dentro de limites razoáveis sem que
seja necessário reduzir drasticamente a
ingesta alimentar.
Para a próxima gestação, caso você esteja planejando outra, tente manter-se o
mais perto possível de seu peso ideal, antes da concepção. A gestação terá evolução mais tranqüila.
HERPES
"Ansiava por um teste positivo de gravidez,
mas, agora que engravidei estou apavorada,
pois tenho herpes genitai. "
C
om a notável exceção da AIDS (sindrome da imunodeficiência adquirida), o herpes ultimamente tem conquistado uma duvidosa distinção: das doenças
sexualmente transmissíveis, é a que mais
tem aparecido nos jornais e revistas com
manchetes alarmantes. E os artigos mostram que o contágio não se limita aos
adultos através do ato sexual: os bebês
são também atingidos ao atravessarem o
canal do parto infectado. Embora a doença só possa trazer alguns aborrecimentos para os adultos, para os recém-nascidos pode se tornar grave em virtude da
imaturidade de seu sistema imunológico.
Decerto se justifica a preocupação,
mas, apesar do alarde das manchetes, a
histeria não. Em primeiro lugar, a infecçâo neonatal é bastante rara — a incidência oscila entre 1 em 3.000 e 1 em
Í0.000 purtos. Em HCjtundo lugar, embora ainda seja bastante grave, parece que
ho|e é mais branda nos recém-nascidos
que a contraem do que antigamente, Terceiro, se a mãe tiver herpes genitai reci-
65
divante durante a gestação (a forma mais
comum da infecção em relação à infecção primária) a probabilidade de infectar o feto é de apenas 2% a 3%. Mesmo
entre os bebês de maior risco, as gestantes que têm o surto herpético primário
ao se aproximar o parto só expõem os
filhos a um risco de 30% a 40% (60%
a 75% deles escapam da infecção). E embora a infecção primária na gravidez incipiente aumente o risco de aborto
espontâneo ou de parto prematuro, a infecção dessa natureza é relativamente
rara.
Assim, se você contraiu o herpes antes da gestação, o que é o mais provável, não fique muito preocupada: o risco
do bebê é pequeno. Com o devido diagnóstico e com o correto tratamento médico, esse risco pode ser reduzido ainda
mais.
A melhor forma de prevenir a maioria das infecções herpéticas em recémnascidos seria através da triagem da
doença em todas as gestantes antes do
parto. Aquelas que apresentassem teste
positivo seriam então submetidas a parto cirúrgico, que reduz enormernente a
chance de contaminação do bebê. Mas
não se dispõe de um exame de triagem
de baixo custo; tal exame só costuma ser
feito em mulheres com história clinica de
infecção herpética.
Muitos médicos só fazem o teste quando a gestante desenvolve as lesões genitais perto da data do parto. Se a cultura
for positiva, repete-se o exame no prazo
de uma semana para que, quando tiver
início o trabalho de parto, se saiba se a
infecção ainda está em atividade. 5
Se a cultura mais recente for positiva,
ou principalmente se as lesões herpéticas
estiverem presentes ao ter início o trabalho de parto ou por ocasião da ruptura
da bolsa d'água, costuma-se indicar o
'Como as drogas antivlrals ainda n â o foram
aprovadas no Estados Unidos para u s o na gravidez, o seu uso naquele pafs é reservado para
as situações em que há risco de vida.
NO PRINCÍPIO
66
Sinais e Sintomas do Herpes Genital
Como é por ocasião da infecção primária que há maior probabilidade de transmissão herpética ao feto, o obstetra deverá ser
informado da existência ou não dos seguintes sintomas: febre, celaléia, mal-estar, dores
por um ou dois dias, acompanhados de dor
genital, de prurido genital, de dor à micçâo,
de secreção vag i nal ou u retrai e de dor à palpaçào da virilha (adenopatiainguinal), além
das lesões características: pequenas vesiculas
que acabam apresentando crostas. A cura em
geral se dá no prazo de duas a três semanas,
parto cirúrgico. Por causa do pequeno
risco de contaminação fetal depois da eliminação da bolsa, a cesariana costuma
ser realizada quatro a seis horas depois
do rompimento das membranas, exceto
se o feto não tiver maturidade o suficiente para o parto imediato.
Os recém-nascidos em risco de infecção
herpética costumam ficar isolados de outros recém-nascidos para prevenção de
possível disseminação do processo infeccioso. No caso improvável da infecção
ocorrer, o tratamento com agentes antivirais permitirá reduzir o risco de lesão permanente. Se a mãe apresentar infecção em
atividade, poderá mesmo assim cuidar do
bebê e amamentar se tomar certas precauções para evitar a transmissão do vírus.
OUTRAS DOENÇAS
SEXUALMENTE
TRANSMISSÍVEIS (DST)
"Ouvi dizer que o herpes pode ser perigoso para o feto. Isso é verdade em relação ís outras
doenças sexualmente transmissíveisí"
A
má notícia: sim, há outras DST que
representam risco para o feto, A boa
notícia: a maioria é de fácil diagnóstico
e tratamento.
fase em que a doença pode ser transmitida.
Se você tiver herpes genital, cuide para
não transmiti-lo ao companheiro (que também deverá ter cuidado se tiver a infecção).
Evite as relações sexuais enquanto apresentar lesões; lave bem as mãos com água c sabão após usar o toalete; tome banho
diariamente; mantenha as lesões limpas, secas e recobertas por inaisena (em pó); e use
calcinha de algodão, evitando o uso de roupas apertadas e que causem atrito na região
atingida.
Gonorréia. Sabe-se há muito tempo que
a gonorréia causa conjuntivite, cegueira
e grave infecção generalizada no feto que
passa pelo canal do parto infectado. Por
esse motivo, recomenda-se a pesquisa laboratorial da doença em todas as gestantes, em geral na primeira consulta no
pré-natal (ver p. 134). Particularmente
em gestantes com alto risco de doença sexualmente transmissível, às vezes o exame é repetido ao fim da gestação. Constatada a presença da doença, impõe-se
o tratamento imediato com antibióticos.
Ao término do tratamento, providenciase outra cultura para certificar-se a cura. Toma-se ainda uma precaução extra:
colocam-se gotas de nitrato de prata ou
pomada de antibiótico nos olhos do
recém-nascido logo ao nascimento. (Essa conduta pode aguardar até uma hora
depois do parto — porém não mais —
caso você queira manter um contato visual com o bebê, antes de mais nada,
Sífilis. Há muito tempo que Já se reconhece na sífilis a causa de deformidades
ósseas e dentárias do feto, além cie lesões
progressivas do sistema nervoso, de natlmortalidade e de lesões cerebrais. O
exame que permite diagnosticar a doença é rotina na primeira consulta do prénatal. A antibioticoterapia da gestante
infectada antes do quarto mês, ocasião
AGOKA QUE VOCÊ ESTÁ GRÁVIDA
em que o processo começa a cruzar a
barreira placentária, quase sempre evita as lesões fetais.
Clamídta. Reconhecida recentemente como agressora fetal em potencial, a infecção por clamídia é noje de maior
notiiicação do que a gonorreia nos Estados Unidos. É a infecção mais comum
das transmitida.! pela gestante ao feto —
fato que justifica a triagem diagnóstica
da doença em todas as gestantes, sobretudo nas que mantiveram múltiplos parceiros sexuais no passado (comportamento que aumenta o risco da infecção).
Já que metade das mulheres com essa infecção é assintomática, muitas vezes a
doença passa despercebida (quando nào
se faz o teste diagnóstico).
O tratamento imediato do processo antes ou durante a gestação permite a prevenção da doença ao feto durante a passagem pelo canal do parto (pneumonia,
que costuma felizmente ser branda, e infecções oculares, que de vez em quando
são de maior gravidade). Embora o melhor fosse tratar a doença antes da concepção, o tratamento da gestante também
previne a transmissão fetal. O uso de pomada de antibiótico ao parto protege o
recé n-nascido das infecções oculares.
67
piloma humano. Exibem características
variáveis: desde a lesão que mal é visível à nítida verruga, macia, aveludada e
plana ou à que exibe aspecto de couveflor. Também variam de cor: desde a tonalidade pálida à escuro-avermclhada.
Altamente contagiosas, as verrugas sâo
de tratamento particularmente relevante, não só porque podem ser transmitidas ao bebê ou mesmo impedir o parto,
como também porque 5% a 15% d o s casos evoluem para a inflamação cervicai
que por seu turno progride para o câncer do colo uterino. O tratamento em geral é tópico e deve ser prescrito pelo
médico — nâo fazer uso de remédios
contra as verrugas venéreas vendidos sem
receita médica. Se houver necessidade,
as maiores podem ser removidas no final da gravidez por congelamento, por
termocauterização ou por terapia a laser.
Vaginite inespecífica. Também conhecida como vaginite por Gardnerella, a
vaginite inespecífica pode causar complicações gestacionais, como, por exemplo,
a ruptura prematura das membranas e
a Infecção intra-amniótica, que podem
levar a trabalho de parto prematuro.
Alguns enpcciellsuii acreditam que as
gestantes devem ser submetidas à triagem
diagnóstica, incluindo a doença no rol
das que são pesquisadas por ocasião da
primeira consulta.
AIDS (Síndrome da Imunodeficiência
Adquirida). A infecção pelo vírus HIV
durante a gestação, além de ser ameaça
à gestante, é também ameaça ao feto.
Uma grande proporção (a estatística oscila entre 20% a 65%) dos recémnascidos de mães aidéticas (identificadas
pela positividade sorológica) desenvolve
a infecção nos primeiros seis meses.
Suspeita-se que a própria gestação talvez acelere o progresso da doença na
mãe. Por essas razões, algumas mulheres infectadas preferem dar fim à gestação. Antes de tomar qualquer atitude,
porém, em caso de positividade deve-se
repetir o teste sorológico (não é exato e
às vezes pode ser positivo em quem não
tom a doença)'. Sc o segundo teste for
positivo, o aconselhamento formal e as
diversas opções terapêuticas passam a ser
mandatórios, embora não se saiba se o
tratamento da gestante vai prevenir a
Verrugas venércas, ou genltals. As verrugas sexualmente transmitidas podem
surgir em qualquer localização na região
genitai. São causadas pelo vírus do pa-
'Ocasionalmente, uma mulher que teve vários
filhos apresentará teste falso-positivo para o
HIV. Se você tiver família grande e o teste for
positivo, discuta essa possibilidade com o
médico.
68
NO PRINCÍPIO
doença fetal. Talvez convenha informarse sobre novas condutas experimentais
no tratamento de gestantes com AIDS.
Se você suspeitar de ter contraído
qualquer doença sexualmente transmissível, verifique com o médico se fez o teste que permita identificar a doença. Se
ainda nâo o fez, peça para fazê-lo. Se o
resultado for positivo, cuide para seguir
o devido tratamento (seu e do parceiro,
se necessário). O tratamento protege a
saúde da gestante e também a do bebê.
MEDO DE CONTRAIR AIDS
"Tanto eu quanto meu marido tivemos vários
parceiros antes de nos encontrarmos. Sei que
a AIDS às vezes não se manifesta durante anos
enâo consigo me ver livre do medo de tê-la contraído e de transmiti-la a meu bebê."
M
esmo que os dois tenham tido múltiplos parceiros, o risco de terem
contraído AIDS é pequeno, caso nenhum de vocês dois se encontre em grupo de alto risco (hemofílicos, uso de
drogas injetáveis, ou que tiveram relações sexuais com parceiros bissexuais ou
com homossexuais masculinos ou ainda
com usuários de drogas injetáveis). Mas
se isso não lhe basta para afastar o medo, ou se o medo está começando a virar um problema sério durante a
gestação, converse com o médico. Considere a possibilidade de fazer um teste
de AIDS,
"fiquei surpresa quando o médico me perguntou se eu queria fazer um teste de AIDS
— eu não acho que esteja em grupo de alto
risco."
A
conduta desse médico vem se tornando cada vez mais comum, O médico pergunta à gestante se gostaria de
fazer o teste, tenha ela ou não história
pregressa de comportamento de risco.
Por isso, nâo se ofenda. Alegre-se: o mé-
dico se preocupa com a sua saúc'e e lhe
oferece a oportunidade de fazer o teste.
HEPATITE B
"Sou portadora de hepatite B e acabo de saber que estou grávida. Será que vou prejudicar o meu filho?"
S
aber que você é portadora de hepatite
B é a primeira etapa para evitar que a
condição venha a prejudicar o bebê, Embora o filho de portadora (a que possui
determinado antígeno) exiba risco elevado de infecção, o tratamento nas primeiras 12 horas depois do parto com vacina
da hepatite B e com imunoglobulinu quase sempre previne essa infecção. In forme
portanto ao obstetra da sua condição de
portadora para que ele determine até que
ponto você é capaz de transmitir a doença e para que o bebê seja tratado, se necessário. Para outras informações sobre
as hepatites, consultar p. 363.
DIU AINDA IMPLANTADO
"Uso DIU há dois anos e agora descobri que
estou grávida. Será possível levar a gestação
até o fim?"
E
ngravidar durante o uso de meios anticoncepcionais é sempre um pouco
perturbador, mas acontece. As chances
de acontecer com o DIU são de 1-5 em
100, dependendo do tipo de dispositivo
usado e da inserção correta. A mulher
que concebe em uso de DIU e nâo quer
interromper a gravidez tem duas opções
— que devem ser logo discutidas com o
médico: deixar o dispositivo no lugar ou
removê-lo. Para saber qual das duas oirções preferir vai depender se o cordão
para removê-lo está visível ou não na cérvice, Sc nfio estiver visível, t multo boa
a chance da gravidez evoluir sem problemas com o DIU no lugar. Este simples-
AGOKA QUE VOCÊ ESTÁ GRÁVIDA
n ente será empurrado de encontro à parede uterina pelo saco amniótico em expansão que circunda o bebê. Durante o
parto, costuma ser eliminado junto com
a placenta. Se no entanto o cordão for
visível já no inicio da gravidez, as chances de uma gravidez mais segura são
maiores se for removido tão logo possível, depois de confirmada a concepção.
Se não for removido, há uma significativa probabilidade de aborto espontâneo;
ao ser removido, esse risco é de apenas
20%. Se isso não a tranqüiliza, lembrese de que o risco de abortamento em todas as gestações conhecidas é de aproximadamente 15% a 20%.
Prosseguindo com a gestação mantendo o Dl U no lugar, cumpre estar alerta,
durante o primeiro trimestre, para certos sinais — sangramento, cólicas, febre
—, porque o dispositivo aumenta o risco de complicações gestacionais precoces. (Ver Gravidez Ectópica, p. 142, O
Aborto Espontâneo, p. 144.) Cumpre
notificar imediatamente o obstetra dessts sintomas.
AS PÍLULAS
ANTICONCEPCIONAIS
NA GESTAÇÃO
"Engravidei mesmo tomando piiuia. E continuei tomando por um mês porque não sabia que
estava grávida. Agora estou preocupada com
o efeito çue isso pode ter tido sobre o meu bebê."
O
ideal seria que você tivesse interrompido o uso de anticoncepcional três
meses antes de engravidar, ou pelo menos dois ciclos menstruais completos antes. Mas a concepção nem sempre espera
pelas condições Ideais e, ás vezes, a mulher engravida mesmo tomando a pílula. A despeito dos avisos que você possa ter lido na bula do remédio, não há
motivo para alarme. Do prisma estatís-
69
tico, é muito pequeno o risco de certo.i
tipos de anomalia fetal quando a gestante concebeu nessas circunstâncias. A discussão sobre o assunto com o obstetra
permitirá afastar os receios.
ESPERMICIDAS
"Concebi, mesmo usando espermicida com diafragma, e tornei a usá-lo várias vezes antes de
saber que estava grávida. A substância pode ter
afetado o esperma antes da concepção, ou o embrião depois dela?"
E
stima-se que cerca de 300.000 a
600.000 mulheres usivam espermicida por ocasião da concepção e nas primeiras semanas de gestação, antes de
saberem que estavam grávidas. Assim,
os possíveis efeitos dos espermicidas durante esse período são de grande interesse
para muitas gestantes e para as que vão
escolher um método contraceptivo.
Felizmente, o que se verificou até agora é alentador. O elo entre o uso de espermicidas e a incidência de certas
anomalias congênitas, especificamente a
síndrome de Down e algumas deformidades dos membros, é tênue e especulativo, Pesquisas mais recentes e mais
convincentes não revelam o aumento da
incidência de tais defeitos, mesmo com
o uso contínuo de espermicidas no início da gravidez. Assim, consoante as melhores informações existentes, a leitora,
se for esse o seu caso, e as demais
299,999 a 599.999 futuras mamães podem relaxar — parece que não há nada
para se preocupar.
Talvez convenha, porém, adotar um
meio contraceptivo diverso e talvez mais
seguro, no futuro. E como qualquer
substância química a que se expõe o feto ou o ombriflo é suspeita, se vocô continuar a usar o espermicida, talvez deva
abandoná-lo antes de engravidar novamente — presumindo-se que a próxima
gravidez será planejada.
] 70
NO PRINCIPIO
PROVERA
"No mês passado o médico me deu Provera
para que a minha regra viesse. Descobri que
estava grávida. A bula dizia que as gestantes nunca devem usar o remédio. Será que o
bebê vai ser normal? Devo considerar o aborto?"
T
omar progesterona (no caso. Provera) durante a gravidez, embora não
seja recomendável, não justifica um
aborto — o que lhe dirá o obstetra, provavelmente. Nem é motivo para preocupação. O que está na bula não visa
tão-somente à sua proteção, mas à do laboratório que produziu o remédio: os laboratórios se protegem das ações
judiciais. De fato, algumas pesquisas
apontam para um risco de 1:1.000 de certas anomalias congênitas em embrião ou
feto exposto à Provera, mas esse risco só
está um pouco acima do que se observa
para as mesmas anomalias em qualquer
outra gestação.
Não se tem certeza de que Provera
cause ou não anomalias congênitas. Alguns médicos que a prescrevem para impedir o abortamento acham que só
parece que o medicamento caure anomalias — ajudando por vezes a gestante a
manter uma gravidez difícil, pois do contrário abortaria. É provável que sejam
necessários ainda muitos anos de pesquisa em milhares e milhares de gestantes
para que se determinem definitivamente seus efeitos, caso existam, sobre o feto (das progesteronas em geral). Pelo que
seaabe atualmente, se a Provera i de fato teratogênica (substância que pode causar danos ao embrião ou feto), há de ser
um dos mais fracos (ver A Sorte do Bebê, p, 103). Risque esse Item da sua lista
de preocupações.
DIETILESTILBESTROL
(DES)
"Minha mãe tomou esse remédio quando me
esperava. Será que isso pode afetar a minha gravidez ou o meu bebê de algum modo?"
A
ntes que se soubesse dos perigos em
usar estrogênios sintéticos (como o
dietilestilbestrol) para prevenir o abortamento, mais de um milhão de gestantes os tomou. Agora que suas filhas,
muitas com anomalias estruturais do
aparelho reprodutor desde o nascimento (na grande maioria sem maior significado ginecológico ou obstétrico), estão
em idade reprodutora, preocupam-se estas com os possíveis efeitos de sua exposição aos estrogênios sobre a gestação.
Felizmente, tais efe'tos parecem ser mínimos para a maior parte das mulheres
— avalia-se que pelo menos 80% das que
foram expostas à droga são capazes de
ter filhos.
As mulheres com as anormalidades
mais acentuadas, contudo, parecem exibir maior risco de certos problemas gestacionais: gravidez ectópica (provavelmente por causa de malformação das
trompas de Falópio), aborto espomâneo
no segundo trimestre e parto prematuro
(em geral por enfraquecimento ou insuficiência cervicai, já que a cérvice, pelo
peso do feto em crescimento, poderá se
abrir prematuramente), Em virtude dos
riscos envolvidos em todas essas complicações, é importante que você aconselhe
o seu médico da exposição ao DES.'
Também é importante que você tenha
conhecimento dos sintomas dessas complicações. Coso ocorram, notifique imediatamente o médico. Quando se suspeita de insuficiência cervicai, será tomada uma de duas condutas, Ou se pro'Em virtude do risco de complicações na gravldez, discreto porént real, as mulheres expostas
ao dietilestilbestrol devem ser acompanhadas pelo obstetra durante toda a gestação.
AGORA QUE VOCÊ ESTÁ GRÁVIDA
videnciará o fechamento por sutura
(pontos) em torno da cérvice entre a 12?
e a 16® semana de gestação, ou se fará
o exame regular da cérvice para identificação precoce de sinais de abertura prematura. Quando são identificados tais
sinais, nova conduta será tomada para
prevenir o parto prematuro.
PROBLEMAS GENÉTICOS
"Fico achando que talvez tenha algum problema genético e não saiba. Será que devo procurar aconselhamento genético?"
r
E
provável que tragamos conosco um
ou mais de um gene deletério, capaz
de causar distúrbios genéticos de maior
ou menor gravidade. Felizmente, porém,
c o m o muitos deles (doença de TaySachs, fibrose cística, entre outros) requerem para sua manifestação a combinação com um outro, o do pai, em
mesma localização, raramente atingem
os nossos filhos. Um dos pais (ou ambos) pode se submeter a exame para
identificação de alguns desses distúrbios
antes ou durante a gestação. O exame,
contudo, só tem sentico se houver possibilidade de manifestação acima da média de ambos os progenitores serem
portadores daquela afecção particular. A
indicação muitas vezes decorre da origem
étnica ou geográfica. Os casais judeus,
por exemplo, cujas famílias são oriundas da Europa Ocidental, apresentam
maior risco da doença de Tay-Sachs. (Na
maioria dos casos, o médico recomenda
a um dos cônjuges fazer o exame; o outro só o fará, necessariamente, se o do
primeiro for positivo.) De forma semelhante, os casais negros apresentam risc o d e t r a ç o falcêmlco (anemia
falciforme) e devem fazer o exame.
As doenças que podem ser transmitidas através de um único gene de um só
portador (hemofilia, por exemplo) ou só
por um dos pais afetado (coréia de Hun-
71
tington) costumam já ter sido identificadas na família, mas podem não ser do
conhecimento de todos. Eis porque é importante manter o histórico das condições de saúde da família.
Na maioria dos casos, entretanto, é
baixo o risco de transmissão dos problemas genéticos e raramente se necessita do
aconselhamento. Em muitos casos, o
obstetra conversará com o casal a respeito das questões genéticas mais comuns,
encaminhando ao geneticista ou subespecialista em medicina materno-fetal só
os que dele de fato precisam:
• Os casais em que ambos apresentam
positividade no exame, sendo portadores de afecção genética.
• Os pais que já tiveram um ou mais filhos com anomalias genéticas.
• Os casais que têm conhecimento de alguma anormalidade hereditária num
r a m o de suas famílias. Em algur.s casos, como ocorre em certas talassemias (anemias hereditárias comuns em
pessoas de origem mediterrânea), a investigação genética (DNA) dos pais facilita a interpretação do teste fetal
feito posteriormente.
• Casais em que um dos cônjuges tem
anomalia congênita (cardiopatia congênita, por exemplo).
• Gestantes em que se descobriu exame
de triagem positivo (para pesquisa de
anomalias fetais).
• Os casais formados por pessoas com
íntimos laços consangiiíneos, pois nestes é maior o risco de problemas hereditários na prole (em primos de
primeiro grau o risco é de 1 em 8, por
exemplo),
• As mulheres com mais de 35 arros.
] 72
NO PRINCIPIO
O geneticista, especializado em heredogramas e temas afins, dirá ao casal
quais as chances de ter um filho sadio e
os orientará no sentido de ter ou não filhos. Se a mulher já estiver grávida, o geneticista i n d i c a r á q u a l o exam.;
apropriado a fazer no pré-natal.
O aconselhamento genético tem poupado o sofrimento de milhares e milhares de casais de alto risco que poderiam
ter tido filhos com graves problemas. O
aconselhamento é mais oportuno antes
da gestação, ou no caso de parentes próximos, antes de se casarem. Mas nunca
é tarde demais, mesmo depois de confirmada a gravidez.
Se o exame revelar grave anomalia fetal, o casal vai enfrentar o dilema de interromper ou nâo a gestação*. Embora
caiba ao casal a decisão final, o aconselhamento genético a j u d a muito também
neste sentido.
PARA QÜEM É
CONTRA O ABORTO
' 'Meu marido e eu somos contra o aborto. Por
que então devo fazer a amniocentese?"
A
amniocentese nâo convém apenas
àqueles casais que consideram a possibilidade de aborto caso se descubra
através dela alguma anormalidade fetal
mais grave. Para a grande maioria dos
casais que esperam um filho, o melhor
motivo para o diagnóstico pré-nata! es-
*A legislação brasileira, profundamente anacrônica nesse particular, nâo acata o abortamenio
provocado por indicações ovularei tdoenças geníticai, viroses maternas no primeiro trimestre,
uso de substâncias teratcmíiilctis etc,) (N, do T.)
tá na tranqüilização que quase sempre
traz.
Embora sejam muitos os casais que
optem pelo término da gravidez quando
é descoberta alguma anomalia fetal, o
exame também tem validade quando não
se cogita em aborto como opção terapêutica. Quando a anomalia descoberta é fatal, cria-se a oportunidade de luto por
p a r t e dos pais a n t e s d o p a r t o ,
eliminando-se o choque que sentiriam
por ocasião da hora do parto. Quando
há outros tipos de anomalia presente, os
pais já ganham um ponto de partida para começarem a se preparar para a chegada do futuro deficiente. Quando as
anomalias são identificadas depois do
parto, as reações negativas são inevitáveis — negação, ressentimento, culpa.
Tais reações podem comprometer seriamente o elo entre o filho deficiente e os
pais. O diagnóstico pré-natal permite a
elaboração dessas manifestações negativas já durante a gravidez. Os pais poderão já aprender tudo o que acharem
necessário sobre a condição particular da
criança, antecipadamente. Estarão assim
preparados para garantir o melhor convívio possível com seu novo bebê. Hoje
também já é possível conceber a idéia do
tratamento intra-uterino da condição em
certos casos, e de uma série de precauções que visarão a melhorar as condições
do bebê.
Portanto, se o diagnóstico pré-natal
estiver indicado, nào o rejeite de imediato. Converse com o médico, com um geneticista ou com algum especialista em
medicina materno-fetal. Essas pessoas
lhe ajudarão a esclarecer as opções existentes antes de você tomar a sua decisão.
Nâo deixe, enfim, que o fato d; ser contra o aborto a impeça e aos médicos de
conseguir valiosas informações em potencial.
AGORA QUE VOCÊ ESTÁ GRÁVIDA
3
O QUE É IMPORTANTE SABER:
SOBRE O DIAGNÓSTICO PRÉ-NATAL
E
menino ou menina? Vai ser loiro
como a avó, ou de oihos verdes como o avô? Será que vai ter a voz
do pai e a habilidade da mãe para contas ou — que Deus o protejal — será que
vai ser ao contrário? Na gravidez, é bem
maior o número de perguntas que o de
respostas: é assunto vivo para nove meses de discussões à mesa, de especulação
dos vizinhos, e de palpites nas rodinhas
de escritório.
Há, no entanto, uma questão que não
é motivo para palpites casuais: uma que
os pais, na grande maioria, e\itam comentar e em que muitos deles nem mesmo querem pensar: "Será que o bebê
está b e m ? "
Até pouco tempo, era questão a ser
respondida só ao nascimento. Hoje, porém, algumas dessas dúvidas podem ser
esclarecidas, até certo ponto, já na sexta semana após a concepção, mediante
o diagnóstico pré-natal.
Em virtude dos riscos inerentes, não
obstante pequenos, trata-se de conduta
a ser individualizada. Os pais, na grande
maioria, continuam no jogo da espera,
com a feliz certeza de que a probabilidade de seu filho estar bem seja razoável.
Mas para aqueles cujas preocupações representam mais do que o nervosismo
normal dos futuros pais, os benefícios do
diagnóstico pré-natal suplantam os riscos inerentes. Entre as candidatas para
o diagnóstico pré-natal estão:
• As que foram expostas a infecções que
podem causar anomalias congênitas
(rubéola, toxoplasmose etc.)
• As que foram expostas desde a concepção a alguma substância que talvez
tenha sido prejudicial ao bebê em desenvolvimento. (O médico pode ajudar a esclarecer se o diagnóstico
pré-natal se justifica no seu caso em
particular.)
• As que não foram bem-sucedidas nas
gestações anteriores ou as que têm filhos com anomalias congênitas.
Em mais de 95% dos casos, o diagnóstico não revela anormalidades aparentes.
No restante, traz um desenlace alentador
para o casal aflito, pois ficam sabendo
que seu bebê não está bem. Entretanto,
junto com o aconselhamento genético,
as informações servem para as decisões
que vão ser tomadas a respeito dessa e
das futuras gestações. Entre as possíveis
opções estão:
* Ai com mais de 3J unos.
Continuar a gravidez. Esta é a opção
mais comum quando a família percebe
que a anomalia descoberta permitirá um
convívio razoável com o futuro filho ou
quando os pais são contra o aborto sob
quaisquer circunstâncias. A família, sabendo antecipadamente o problema que
lhe espera, poderá tomar certas providências (emocionais e práticas) para receber o filho com necessidades especiais
ou para enfrentar o parto de uma criançu que dificilmente sobreviverá.
• As que têm história familiar de doença genética e/ou são portadoras genéticas da doença.
Terminar a gravidez. Se o exame mostrar que a anomalia será fatal ou extremamente Incapacltante, tenha sido
] 67
NO PRINCIPIO
confirmada por geneticista ou por novo
exame, são muitos os pais que optam
pela interrupção da gravidez. Nesse caso, o exame criterioso dos produtos da
concepção torna-se obrigatório. Pode
ajudar a determinar a probabilidade
de repetição em futuras gestações. A
maioria dos casais, armada dessas informações e sob a orientação do médico
ou do geneticista, tenta novamente, na
esperança de que o resultado do exame
e o desenlace da gestação lhes sejam
favoráveis dessa vez. Quase sempre o
são.
Tratamento pré-natal do fei o. É opção
que só existe para alguns casos, embora espere-se que, no f u t u r o , venha
a abranger número cada vez maior. O
tratamento consiste na transfusão de
sangue (como para a doença Rh), cirurgia (drenar u m a obstrução vesical,
por exemplo), ou administração de enzimas e de medicamentos (como na de
esteróidéS para acelerar o desenvolvimento pulmonar do feto que precisa ser
retirado do ventre materno prematuramente). Com o avanço tecnológico, um
número maior de cirurgias pré-natais,
manipulações genéticas e outros tratamentos fetais pode também se tornar
lugar-comum.
Doação de órgãos. Se o diagnóstico indicar que as anomalias fetais são incompatíveis com a vida, como acontece
quando falta quase todo o encéfalo, é
possível doar um ou mais órgãos para
outro bebê que deles necessite. Alguns
pais acham que essa atitude pelo menos
os consola um pouco da perda sofrida.
O neonatologlsta, nestas circunstâncias,
pode prestar Informações valiosas a esse respeito.
Naturalmente é importante recordar
que nada é perfeito, nem mesmo o diagnóstico pré-natal realizado por sofisticados recursos tecnológicos. Por esse
motivo, todos os resultados que mos-
tram haver algum problema com o bebê
devem ser confirmados por novos exames ou mediante consulta com outros
profissionais. A decisão apressada de terminar a gravidez por vezes leva ao aborto de feto normal.
Apresentaremos a seguir os métodos
mais comuns de diagnóstico pré-natal.
AMNIOCENTESE
A
s células, as substâncias químicas e
os microorganismos existentes no liquido amniótico que circunda o feto propiciam uma ampla gama de informações
— a constituição genética fetal, a condição atual, o grau de maturidade — a
respeito deste novo ser humano. Por
isso, o exame de certo volume desse
líquido, através da amniocentese, transformou-se num dos principais recursos
no diagnóstico pré-natal. O exame é recomendado nos seguintes casos:
• Quando a mãe tem mais de 35 anos.
Cerca de 80% a 90% de todas as amniocenteses são feitas com indicação,
exclusivamente fundada na idade materna adiantada. Tenta-se assim verificar se o feto exibe síndrome de
Down, que é mais prevalente entre os
filhos de mães nessa faixa etária.
• Quando o casal já teve um filho com
anormalidade cromossomial — como
a síndrome de Down — ou com distúrbio metabólico — como a síndrome de Hunter.
• Quando o casal já teve um filho ou
tem algum parente com anomalia do
tubo neural. (Antes porém provavelmente se pesquisará o teor de alfafetoproteína (AFP) no sangue da mãe.)
• Quando a mãe é portadora de distúrbio genético ligado ao X, hemofilia,
por exemplo (em que a chance de a
AGORA QUE VOCÊ ESTÁ GRÁVIDA
mãe transmiti-lo à prole é de 50%). A
amniocentese permite identificar o sexo da criança, mas nâo se ela herdou
o gene.
• Quando ambos os pais são portadores de distúrbio autossômico recessivo, de doença de Tay-Sachs ou de
anemia falcirorme, por exemplo, ein
que exibem uma chance em quatro de
terem filho ou filha atingido pelo mal,
• É necessário avaliar a maturidade do
pulmão fetai (um dos últimos órgãos
a amadurecer, a ficar pronto para funcionar por conta própria).
• Quando se sabe que um dos pais é
portador de alguma afecção genética, como a coréia de Huntington, por
exemplo, Essa doença é de transmissão autossômica dominante: a probabilidade do bebê herdar a doença é
de 50%.
• Quando os resultados de provas laboratoriais de triagem (dosagem de alfafetoproteína, sonografia, dosagem
de estriol o u / e de hCG) se revelam
anormais e a avaliação do líquido amniótico se faz necessária para determinar se há de fato alguma anormalidade fetal.
Quando é feita? A amniocentese diagnóstica costuma ser feita entre a 16? e
a 18." semanas de gestação, embora por
vezes o seja mesmo na 14? ou mais tarde, na 20?. A exiqüibllldade da amniocentese antes desse período — entre a 10?
e 14? semana — encontra-se atualmente
em estudo. O resultado da maioria dos
exumes, cm virtude da cultura de células feita em laboratório, leva de 24 a 35
dias para ser divulgado, nâo obstante alguns como o da doença de Tay-Sachs,
o na síndrome de Hunter e o das falhas
do tubo neural poderem ser feitos imediatamente.
75
A amniocentese pode também ser feita no último trimestre para estimar a maturidade dos pulmões do feto.
Como é feita? Depois de vestir roupa
apropriada e de esvaziar a bexiga, a gestante é colocada na mesa de exame. Fica deitada de costas, o abdome é
exposto. O feto e a placenta são então
localizados pelo ultra-som, para que o
médico os evite durante o procedimento. (Antes já terá sido feito um exame
ultra-sonográfico mais detalhado para
identificação de anomalias fetaif visíveis.) Providencia-se a seguir a antisepsia abdominal com solução antiséptica apropriada. Em alguns casos se
faz uso de anestesia local por injeção (como a utilizada pelos dentistas). Como a
dor sentida durante a anestesia é a mesma sentida durante a passagem da agulha de amniocentese, alguns médicos a
omitem. Em seguida, insere-se a agulha
de amniocentese (uma agulha longa e
oca) através da parede abdominal até o
interior da cavidade uterina. Retira-se
uma pequena quantidade de líquido. O
pequeno risco de punção acidental do feto é ainda mais reduzido pelo uso do
ultra-som como guia. Os sinais vitais da
gestante e o batimento cardíaco fetal são
verificados antes e depois do procedimento, que nâo deve demorar mais de
30 minutos. Em mulheres Rh negativas
costuma-se fazer uma injeção deimunoglobutina Rh depois da amniocentese para prevenir possíveis complicações
vinculadas a esse fator.
Salvo quando tiver importância para
o diagnóstico, os pais têm o direito de
que não se lhes diga o sexo da criança,
ao vir o resultado, preferindo conhecêlo á modu antiga, na sala de parto,
(Lembre-se que a troca de resultados,
embora rara, pode acontecer.)
É procedimento seguro? As mulheres, na
grande maioria, experimentam não mais
do que algumas hor?.s de cólice. leve de-
] 76
NO PRINCIPIO
pois do exame; é raro o sangramento vaginal discreto ou a perda de líquido amniótico. Embora menos de 1 em 200
casos evoluam com infecção ou com outras complicações que podem ser causadoras de aborto, a amniocentese, como
todos os demais exames diagnósticos no
pré-natal, só deve ser feita quando os benefícios superam os riscos.
ULTRA-SONOGRAFIA
O
advento da uitra-sonografia tornou
a ciência obstétrica muito mais exata
e a gestação uma experiência muito menos problemática para muitos casais.
Através da reflexão de ondas sonoras pelas estruturas internas, consegue-se visualizar o feto sem os riscos do exame
radiológico. Quando o sistema usado
possui tela de TV, tem-se a oportunidde
única de se " v e r " o bebê — pode-se até
conseguir uma fotografia para mostrar
aos amigôs e à família —, embora talvez seja preciso um especialista para que
se consiga distinguir a cabeça das nádegas na imagem borrada.
A ultra-sonografia de nível 1 costuma ser feita para determinação da data
do parto. O exame ultra-sonográfico
mais pormenorizado (nível 2) é usado
para outras finalidadess diagnósticas
mais complexas. A ultra-sonografia é
recomendada quando a mãe apresenta
histórico obstétrico mais complicado.
Por exemplo, quando já teve prenhez ectópica (tubária), mola hidatiforme
(quando a placenta se conforma num
conglomerado de cistos, como um cacho
de uva, impossibilitando a embriogênese), filho com anomalias genéticas ou
congênitas, ou já se submeteu a parto cesáreo. Serve também para:
• Verificar a data provável do parto,
conferindo se esta condiz com o tamanho do bebê. 8
• Determinar a condição fetal quando
há risco acima do normal de alguma
anormalidade (ou quando a preocupação com tal risco é maior). Para essa
finalidade, a ultra-sonografia transvaginal pode ser feita mais precocemente e ainda se revela mais precisa.
• Excluir o diagnóstico de gravidez por
volta de sete semanas quando se suspeita de exame falso-positivo.
• Determinar a causa de sangramento
ou de pequenas perdas hemorrágicas
no início da gravidez — prenhez tubária, ovo anembrionado (quando o
embrião deixou de se desenvolver e
não é mais viável).
"Alguns médicos acreditam que essa prática deveria ser rotineira porque a verificação prévia da
data reduz a possibilidade da lndutfto desnecessária ao parto quando se supúe (incorretamente) que o bebü seja pót-maturo, o que, por sua
vez, reduz a necessidade de uma cesariana por
motivo de lnsucessn da Indução do parto.
Complicações da Amniocentese
Embora tejatn riirUK, tütlmu-ae que depois de 1 entre 100 procedimentos, aproximadamente, haja algum escoamento de
liquido amnlótlco, Se perceber tal escoamento pela vagina, informe de imediato ao me-
dico. Há muito boa probabilidade de que o
escoamento sedeienltu depois de ulguns dias,
mas o repouso no íelto e a observação diligente costumam ser recomendados até que
isso ocorra.
AGORA QUE VOCÊ ESTÁ GRÁVIDA
• Localizar D1U implantado, presente
por ocasião da concepção.
• Localizar o feto antes da amniocentese e durante a biópsia de uma amostra do cório.
• Determinar a condição do feto quando não se detecta o batimento cardíaco fetal por volta da 14? semana com
o sonar Doppler ou quando nâo se
identifica qualquer movimento fetal
por volta da 22?.
• Diagnosticar a existência de fetos múlliplos, sobretudo quando a mãe fez
uso de estimulantes da fertilidade e/ou
quando o útero é maior do que o esperado.
• Determinar se o crescimento uterino
excepcionalmente rápido se deve a excesso de líquido amniótico.
• Determinar a condição da placenta,
quando a deterioração desta pode ser
a responsável pelo retardo do crescimento fetal ou pelo sofrimento fetal.
• Visualizar a placenta para determinar
se o sangramento tardio durante a gravidez se deve à placenta prévia ou a
descolamento prematuro (placenta
abruptió). Também se pode visualizar
coágulos de sangue por trás da placenta.
• Determinar o tamanho fetal quando
se contempla parto pré-termo ou
quando se pensa em pós-maturidade
(bebê pós-maturo).
• Avaliar a condição do feto pela observação da atividade fetal, dos movimentos respiratórios, do volume do
líquido amniótico (ver Perfil Biofísico, p. 304),
77
Quando é feito o exame? Dependendo da
indicação, a ultra-sonografia pode ser
realizada em qualquer momento a partir da quinta semana de gestação até o
parto, A uitra-sonografía transvaginal
pode ser empregada mais precocemente
do que o procedimento transabdominal
— para verificação de gravidez gemelar
ou anormalidade do desenvolvimento
fetal.
Como é feito o exame? O exame ultrasonográfico ora é feito através do abdome (transabdominal), ora através da vagina (transvaginal). Às vezes é feito pelas
duas vias, dependendo da necessidade do
caso. O exame é rápido (S a 10minutos)
e indolor, exceto pelo incômodo causado pela bexiga cheia necessária para o
exame transabdominal (motivo pelo qual
a maioria das mulheres parece preferir
o transvaginal). Durante o exame, por
qualquer das duas vias, a gestante permanece deitada de costas. No exame
transabdominal, espalha-se-lhe sobre o
abdome uma película de óleo ou de gel
que serve para melhorar a condução do
som. O transdutor do aparelho então
percorre lentamente o abdome. No
transvaginal, uma sonda ultra-sônica é
inserida na vagina. Os instrumentos registram os ecos de pulsos ultra-sônicos
que provêm das várias partes do bebê.
Com a a j u d a de um técnico ou do médico presente, a gestante conseguirá identificar o batimento cardíaco, a curvatura
da coluna vertebral, a cabeça, PS braços
e as pernas. Às vezes se consegue visualizar ligeiramente o bebê sugando o polegar. Noutras tantas consegue-se discernir os órgãos genitais e o sexo da
criança, embora dentro de uma probabilidade inferior a 100%. (Se você não
quiser saber antecipadamente o sexo do
bebê, nüo deixe de
tt'",çs
o
médico.)
• Verificar apresentação de nádegas ou
outras posições incomuns do feto ou
do cordão antes do parto.
É seguro? Em 25 anos de uso clinico e
de pesquisas, não se conhecem riscos: só
] 78
NO PRINCIPIO
se verificaram benefícios. Todavia, devido à possibilidade, embora pequena,
de que efeitos colaterais possam vir a surgir no futuro, a recomendação corrente
é de que só seja feito durante a gestação
quando existirem indicações válidas.
Pesquisas recentes feitas na Inglaterra,
entretanto, sugerem que os benefícios da
ultra-sonografia de rotina durante a gestação são tantos que ultrapassam quaisquer riscos inerentes.
FETOSCOPIA
A
fetoscopia é a ficção científica que
rapidamente vai se tornando uma
realidade médica. Numa viagem tão fantástica quanto as escritas por Isaac Asimov, um i n s t r u m e n t o , como um
telescópio em miniatura, provido de luzes e de lentes de aumento, é introduzido através de minúsculas incisões no
abdome e útero até o saco amniótico, onde mostra o feto e o fotografa. Ao mesmo tempo, a fetoscopia permite o
diagnóstico, mediante amostragem do
sangue e dos tecidos, de diversas doenças do sangue e da pele que não são detectadas pela amniocentese. Por ser
procedimento de risco relativamente elevado, contudo, e pela disponibilidade de
outros recursos diagnósticos mais seguros para identificação dos mesmos distúrbios, a fetoscopia não é empregada
em larga escala.
Quando é feita? Usualmente, depois da
16? semana.
Como é feita? Depoh de degermar o abdome com anti-séptico e de anestesiá-lo
(anestesia local), o médico faz diminuta» Inels&e» no abdoine e no útero. Com
a a j u d a do ultra-soin para guiar o Instrumento, a seguir um fibroendoscópio
é introduzido através das incisões até a
cavidade uterina. Com esse periscópio
em miniatura, o feto, a placenta e o li-
q u i d o a m n i ó t i c o são observados,
podendo-se ainda retirar uma amostra de
sangue da junção do cordão umbilical
com a placenta e também um pequeno
fragmento de tecido fetal ou placentário
para exame.
É procedimento seguro? O exame ainda
traz consigo um risco relativamente importante: a chance de perda fetal oscila
entre 3% e 5%. Embora o risco seja mais
elevado que o das demais provas diagnósticas, é contrabalançando pelos benefícios, em certos casos, do diagnóstico
e possível tratamento ou correção de alguma anomalia fetal.
DOSAGEM DE
ALFAFETOPROTEÍNA
NO SANGUE MATERNO
A
elevação do teor de alfafetoproteína (AFP) no sangue da gestante —
uma substância produzida pelo feto —
é capaz de indicar anomalias do tubo
neural como, por exemplo, espinha bífida (uma deformidade da coluna vertebral) ou anencefalia (ausência do
encéfalo ou de parte dele). O teor anormalmente baixo pode indicar maior risco de síndrome de Down ou de alguma
outra anomalia genética. Trata-se apenas de um exame laboratorial de triagem: o resultado anormal impõe uma
exploração clínica mais aprofundada para confirmar a existência do problema.
Quando é fella? Entre a 16? e a 18?
semana.
Como é feita? É exame simples que só
requer uma amostra de sangue materno.
Se o resultado revidar iour niiormulmunti
elevado, faz-se um segundo exame, S«
nesse o resultado duplicar o valor encontrado no primeiro, parte-se para uma série de outros exames que visam confir*
AGORA QUE VOCÊ ESTÁ GRÁVIDA
mar ou excluir a existência de anomalia
do tubo neural: ultra-sonografia (para
ver se se trata de gravidez gemelar, para
confirmar a data prevista do parto, para identificar anomalias fetais); amnioceitese, para verificar o teor de
alfafetoproteína e de acetilcolinesterase
no líquido amniótico. De cada 50 mulheres com leitura anormalmente elevada na
primeira avaliação, apenas uma ou duas
terão confirmada a existência de anormalidade fetal, Nas outras 48, os exames
mostrarão outras causas para a elevação
encontrada: gravidez gemelar, gravidez
mais adiantada do que o previsto inicialmente, leitura original inexata. Além disso, embora a elevação do teor dc AFP
não costume ser causa de alarme, os médicos poderão recomendar maior repouso e maior vigilância da gestante: há
nesses casos um risco um pouco maior
de baixo peso ao nascer ou de prematuridade.
Se o teor de APP for muito baixo,
também se recorrerá à ultra-sonografia,
ao aconselhamento genético e/ou à amniocentese para verificar se o concepto
sofre de síndrome de Down ou de outro
defeito cromossôinico.
O exame é seguro? O teste de triagem inicial não cria qualquer outre risco para
a gestante ou para o bebê além do inerente a qualquer outro exame de sangue.
O principal risco é que o resultado falsonegativo falso-positivo pode levar a outros exames de acompanhamento que
apresentem maior risco — e em casos raros ao aborto terapêutico ou acidental de
uma criança perfeitamente normal. Antes de tomar qualquer decisão baseada
em exames feitos no pré-natal, certifique-se de que os resultados foram avaliados por médico experiente ou por genutkiütH eupeelHlUado no ttwtunto. Peça
uma segunda opinião em caso de dúvida, Os profissionais especializados em
medicina materno-fetal podem ser de extrema ajuda.
19
AMOSTRAGEM DAS
VILOSIDADES CORIÔNICAS
D
iversamente da amniocentese, a
amostragem das vilosidades coriônicas permite identificar anomalias fetais
em fase muito precoce da gestação — em
fase em que o aborto é menos complicado e menos traumático. Embora ainda
menos comum do que a amniocentese,
o método vem ganhando popularidade,
Também vem sendo empregado experimentalmente no segundo trimestre em
lugar da amniocentese por causa da rapidez dos resultados e por causa da utilidade quando não se tem acesso ao
âmnio, como acontece quando há muito pouco liquido amniótico (oligoidrâmnio).
Acredita-se que o exame venha a ser
capaz de identificar praticamente todas
as 3.800 (mais ou menos) anomalias genéticas ou cromossômicas existentes. E
no futuro talvez seja possível o tratamento ou a correção intra-uterina de muitas
dessas condições. No momento, o exame
é de grande utilidade para identificar
afecções genéticas para as quais se dispõe de recursos tecnológico-diagnósticos: doença de Tay-Sachs, anemia falciforme, a maioria dos tipos de fibrose
cística, as talassemias e a síndrome de
Down. A pesquisa de outras doenças específicas (fora a síndrome de Down) só
costuma ser feita quando há história
familiar da doença ou quando se sabe
serem os pais portadores do gene. As
indicações do exame são as mesmas da
amniocentese, embora o mesmo nâo sirva para avaliar a maturidade do pulmão
fetal. Ocasionalmente, é necessário fazer a amostragem e a amniocentese.
Quando é feila? Em geral entre a S? e
H I2I< Haitiana e entre a 9? e a 11 ? semana para a amostragem transabdominal.
O procedimento transabdominal também é empregado experimentalmente no
segundo e no terceiro trimestre.
] 80
NO PRINCIPIO
Como é feita? Talvez um dia se torne um
exame para ser feito em consultório, mas
por ora só é realizada em centros médicos. A princípio a amostragem das células era sempre realizada por via vaginal
e cervicai (amostragem transcervical).
Hoje, às vezes é feita por incisão abdominal (amostragem transabdominal).
Nenhuma das duas vias é indolor: o incômodo pode ser muito discreto, mas
também pode ser muito grande.
No procedimento transcervical, a gestante fica deitada na mesa de exame e
insere-se por via vaginal um longo tubo
(sonda ou cateter) até o útero. Sob a
orientação do ultra-som, o médico posiciona a sonda entre o revestimento uterino e o cório, a membrana fetal que
acabará conformando a face fetal da placenta. Faz-se então, por cone ou sucção,
a amostragem das vilosidades coriônicas
(projeções digitiformes do cório) que servirão para o estudo diagnóstico.
No procedimento transabdominal, a
paciente também permanece deitada na
mesa de exame, de barriga para cima. O
ultra-som serve para determinar a localização da placenta e para visualizar as
paredes uterinas.' Ajuda também o médico a encontrar um lugar seguro para
inserir a agulha. Na área escolhida fazse a anti-sepsia e a infiltração de anestésico local. Ainda sob a orientação do
ultra-som, o médico insere uma agulhaguia através do abdome e da parede
uterina até a margem placentária. Em
seguida, por dentro da agulha-guia, é
introduzida uma agulha mais fina que
permitirá fazer a amostragem. Essa agulha é rodada e introduzida e retirada 15
a 20 vezes por amostragem, para ser enfim removida com a amostra de células
para estudo.
4
At mulheres com placenta localizado na profundidade da região posierior do útero, ou com
flbromas nas paredes uterinas, ido boas candidatas para esse tipo de ultra-sonografia.
Como as vilosidades coriônicas são de
origem fetal, ao examiná-las o médico
tem um retrato completo da constituição
genética do feto em desenvolvimento.
Como são muitas as células colhidas
durante o procedimento, o estudo diagnóstico pode começar quase que imediatamente sem precisar do tempo de
espera (semanas) para o crescimento
de células em laboratório, como costuma ocorrer no caso da amniocentese.
Dependendo das células amostradas,
os resultados ficam prontos em um ou
dois dias (quando são empregadas células do meio do cório) ou até em uma
semana (quando se utilizaram as células
mais internas).
O procedimento é seguro? Embora seja
relativamente recente, as pesquisas revelam por enquanto que é de segurança
aceitável e bastante fiel nos resultados.
As vilosidades coriônicas, de onde são
tiradas as células para teste, desaparecem
com o desenvolvimento fetal, portanto
acredita-se não haver perigo em removêlas. O exame aumenta a possibilidade de
aborto em 1% aproximadamente (o dobro do risco da amniocentese). Porém é
um risco que muitas se dispõem a assumir em vista das informações diagnósticas mais precoces que o exame propicia
sobre o feto. Há também um ligeiro risco de término da gravidez em decorrência de informações incorretas, já que
uma anormalidade conhecida como mosaico pode ser identificada nas vilosidades e n3o ocorrer no feto. Esse risco pode
ser eliminado pela confirmação do diagnóstico de mosnlclsmo através da amniocentese.
Depois do procedimento pode ocorrer
um breve sangramento vaginal q u ; não
deve ser causa de preocupação, embora
deva ser notificado ao médico. É preciso Informá-lo também se o sangramento dura três ou mais dias. Em virtude do
pequeno risco de infecção, convém
AGORA Q U E VOCÊ ESTÁ GRÁVIDA
Como Reduzir os Riscos em Qualquer Gestação
Atendimento médico correio. Mesmo a gestação de baixo risco tem seu risco aumentado se não houver o devido atendimento
pré-natal. O acompanhamento regular por
profissional, com inicio já na suspeita de gravidez, é conduta vital para as gestantes. (Se
a gestante estiver cm grupo de alto risco,
cumpre escolher obstetra com experiência na
sua condição particular,) No entanto, assim
como é importante ter um bom médico, é
também fundamental ser uma boa paciente.
Recomenda-se a participação ativa no atendimento médico -• formulando perguntas,
relatando os sintomas — sem tentar, contudo, fazer o papel do médico. (Ver p. 44.)
A dieta. A Dieta Ideal (ver p. 109) oferece
à gestante as melhores chances de êxito na
gestação e de saúde do concepto.
O condicionamento físico. Convém começar
a gravidez com o corpo bem-condicionado,
com bom tónus muscular, embora nunca seja
tarde demais para dar início a um melhor
condicionamento. O exercício regular pode
evitar a constipação e melhorar a respiração,
a circulação, o tônus muscular e a elasticidade da pele, contribuindo para uma melhor
gestação, com maior bem-estar, e para um
parto mais fácil e mais seguro. (Ver p. 225.)
Ganho ponderai, O ganho de peso gradual,
constante e moderado, ajuda a prevenir uma
ampla variedade de complicações — diabetes, hipertensão, varizes, hemorróídas, baixo peso fetal ao nascimento e parto difícil em
virtude de feto muilo grande. (Ver p. 182.)
Hcnúnclt) no hdlillo de fumar. Cumpre ubandonar o hábito já ao início da gestação para
redu2ir os muitos riscos à mãe e à criança,
entre os quais o de prematuridade e o de baixo peso ao nascimento. (Ver p. 85.)
Abstinência alcoólica. O consumo muito excepcional de bebidas alcoólicas ou a completa
abstinência reduzirão o risco de anomalias
congênitas, sobretudo o da síndrome alcoólica fetal (resultado do excessivo abuso alcoólico) e o efeito alcoólico fetal (resultado do
consumo moderado de álcool). (Ver p. 83.)
Abstinência dc drogas, Todas as drogas ilícitas são perigosas para o feio e devem ser
evitadas durante a gravidez. Medicamentos
só devem ser usados quando os benefícios superam os riscos, e só quando aprovados ou
prescritos por médico ciente da gestação, (Ver
p. 89)
Prevenção <lo risco das toxinas ocupacionais
e do melo ambiente. Embora tudo o que tocamos, respiramos, comemos e bebemos não
seja tão perigoso quanto nos fariam crer as
manchetes de jornal, é prudente evitar riscos conhecidos (excesso de raios X, chumbo
etc.; consultar os itens individualmente).
Prevenção e tratamento imediato das infecções. Cumpre prevenir, sempre que possível,
todas as infecçôes — desde o resfriado comum, infecções urinárias evaginites, até as
corriqueiras doenças sexualmente transmissíveis. Ao contrair alguma, porém, é mister
tratá-la prontamente por médico que saiba
que você está grávida.
Cuidado com a síndrome da supermulher.
Muitas vezes bem-sucedidas no trabalho e
motivadíssimas em tudo que fazem, as mães
de hoje tendem ao exagero nos empreendimentos e na eficiência em conduzi-los. O repouso suficiente durante o ciclo gestatdrio é
bem mais Importante do que a atividade excessiva, sobretudo nas gestações de alto risco. Nflo espere que o corpo peça descanso
para só então diminuir o ritmo de trabalho.
Se o médico recomendar o começo da licençamatern idade antes do planejado, siga o seu
conselho. Há pesquisas que apontam maior
incidência dc prematuridade entre as gestantes que trabalham até o momento do parto,
quando a atividade envolve eiforço físico ou
longos períodos em pé,
81
] 82
NO PRINCIPIO
informá-lo ainda do surgimento de febre alguns dias depois do exame. 10
C o n o muitas gestantes sentem-se física e emocionalmente esgotadas depois
do exame (não é incomum cair na cama
e dormir horas a fio depois dele), há
quem recomende a volta para casa do
hospital em carro com motorista e o encerramento das atividades pelo resto do
dia.
OUTROS TIPOS DE
DIAGNÓSTICO PRÉ-NATAL
T
rata-se de um campo do conhecimento médico que vem se expandindo rapidamente. Novos métodos vêm sendo
constantemente avaliados. Além dos recursos convencionais mencionados acim a , h á o u t r o s q u e vêm sendo
empregados experimentalmente ou só de
vez em quando. Entre estes estão:
• Triagem de liCG no sangue materno.
Talvez venha a tornar-se no mais importante exame (mais do que a idade
materna) para indicar quais as gestantes que devem ser submetidas â amniocentese para identificação da síndrome
de Down. O teor elevado de hCG no
sangue da gestante aponta, segundo os
pesquisadores, para maior risco de filho com a síndrome (mongolismo).
Essa gestante passa então a ser candidata à amniocentese. A exatidão do
resultado aumenta quando se associa
o exame à dosagem de alfafetoproteína (ver p. 78) e â de estriol 110 sangue
(o baixo teor tem valor preditivo de
síndrome de Down), sobretudo quan-
l0
Já que há a possibilidade de escoamento de
humádas pura o sistema circulai Orlo da infle, alguns médicos acreditam que toda mulher com
fator Rh negativo deveria receber uma Imunoylobullna cliumuda aml-LJ.globulIntt antes da
amostragem das vilosidades coriônicas.
do consideram-se esses resultados em
função da idade materna.
• Amostragem do sangue fetal (cordocentese). Retira-se sangue do cordão
umbilical ou da veia hepática fetal para análise. É um pouco mais seguro do
que a fetoscopia quando feito sob
orientação ultra-sônica. Além disso,
permite identificar as mesmas condições.
• Amostragem da pele fetal. Retira-se
para análise um minúsculo fragmento da pele fetal. O método é particularmente útil na identificação de certas
afecçôes cutâneas congênitas.
• Mapeamento por ressonância nuclear
magnética. Embora ainda de caráter
experimental, o método parece promissor: talvez venha a permitir uma
imagem mais nítida do feto (interna
e externamente) que a fornecida pelo
ultra-som.
• Radiografia (raio X). Depois de ser o
método mais comum de avaliação do
feto, foi quase que completamente
substituído pela ultra-sonografia.
• Eeocardiografia. Permite a identificação de cardiopatias congênitas.
• Exame de sangue materno para identificação do sexo do bebê. Embora
ainda experimental, talvez se configure de grande valia na identificação de
certas doenças hereditárias que acometem apenas os bebês do sexo masculino.
— 3 —
Durante
Toda a
Gravidez
A s PREOCUPAÇÕES COMUNS
A
s gestantes estão sempre preocupadas. O motivo de suas preocupações, porém, tem se modificado no decurso de várias gerações, à
medida que a medicina obstétrica — e o
casal grávido — vai descobrindo cada
vez mais o que interfere e o que não interfere na saúde e no bem-estar do concepto, Nossas avós, vulneráveis a uma
ampla variedade de velhas histórias, temiam ver um macaco durante a gestação
porque os filhos poderiam nascer com
cara de macaco, ou evitavam dar palmadas na barriga com receio de a criança
nascer com algum sinal em forma de
mão. Já nós, vulneráveis à avalanche de
informações pelos modernos meios de
comunicação (às vezes apavorantes, noutras sem qualquer fundamento), temos
outros medos: Será que o ar que respiro
está poluído? A água que bebo é potável? Será que o meu emprego, ou o hábito de fumar do meu ma "ido, ou aquela
xícara de café que tomei pela manhã, são
prejudiciais à saúde do bebê? E o raio
X que fiz no dentista? SSo preocupações
que, por vezes, podem deixar os nervos
em frangalhos durante a gestação. Ao
conhecê-las mais a fundo, a gestante poderá adquirir maior controle sobre elas
e melhorar as chances de boa saúde para o bebê.
ÁLCOOL
"Bebi várias vezes antes de saber que estava
grávida. Receio que o álcool possa ter prejudicado o bebê."
" A gora, pois, guarda-te, não be. . . / \ b a s vinho, o u bebida forte, e
não comas coisa imunda; porque eis que
tu conceberás e darás â luz um filho..."
É o que diz o anjo do Senhor à mulher
de Manoá, em Juizes 13, 4. Mulher de
sorte. Ela pôde substituir o vinho pela
água quando Sansão não passava de mero brilho no olhar do pai .Muito poucas
de nós somos informadas de antemão de
que vamos engravidar, E como muitas
vezes só ficamos sabendo lá pelo segundo mSs, somos capazes de fazer coisas
que não faríamos se tivéssemos sabido
] 84
NO PRINCIPIO
antes. Como beber com muita freqüência. Eis por que essa é uma das preocupações mais comuns trazidas ao médico
na primeira consulta.
Felizmente, também é uma das que
podem facilmente ser postas de lado.
Não há prova de que alguns drinques
ocasionais ao começar a gestação sejam
prejudiciais ao embrião em desenvolvimento. De fato, uma pesquisa recente revelou que as mulheres que tomaram duas
ou três bebedeiras ao início da gestação
têm probabilidade de terem filhos com
anomalias estruturais ou com retardo de
crescimento igual à das abstêmias.
Quem continua a beber pesadamente
durante a gravidez expõe o bebê a uma
série de riscos. Isso não surpreende se você entender que o álcool entra na corrente circulatória fetal aproximadamente na
mesma concentração que entra na corrente circulatória materna. Cada drinque
e cada chope que a gestante toma é dividido com o bebê. Como o feto demora
duas vezes mais tempo para eliminar o
álcool do organismo em comparação à
mãe, poderá ficar já fora de seus limites
enquanto a "mãe apenas começa a sentirse alegre.
O consumo pesado de álcool (definido como o de cinco a seis drinques de
destilados por dia, ou de cinco a seis copos de vinho ou cerveja) durante toda a
gravidez pode resultar, além de muitas
e graves complicações obstétricas, naquilo que se conhece como a síndrome alcoólica fetal (SAF). Considerada como
a ressaca que dura a vida inteira, a condição faz o bebê nascer pequeno para a
idade gestacional, em geral com deficiência mental, com múltiplas deformidades
(sobretudo da cabeça e do rosto, dos
membros, do coração e d o sistema nervoso central) e causa também elevado
coeficiente de mortalidade neonatal. No
decorrer da vida, os portadores da síndrome apresentam sérias dificuldades de
aprendizado.
Os riscos relacionados ao alcoolismo
persistente são relacionados à dose:
quanto mais se bebe, maior o perigo em
potência! para o bebê. Entretanto, mesmo o consumo moderado (3 ou 4 drinques ao dia ou a bebedeira ocasional com
5 ou mais drinques) durante toda a gestação se relaciona a uma ampla veiriedade de problemas, inclusive maior risco
de aborto espontâneo, prematuridade,
baixo peso ao nascer e complicações durante o trabalho de parto e o parto. Também se vincula a um efeito alcoólico fetal
(EAF) um pouco mais sutil, que se caracteriza por numerosos problemas de
desenvolvimento e de comportamento.
Inclusive um a dois drinques por dia aumentam o risco de aborto espontâneo,
de natimortalidade, de anormdidr.des do
crescimento e de problemas do desenvolvimento.
Embora algumas mulheres bebam um
pouco durante a gravidez — um copo de
vinho à noite, por exemplo — e ainda
consigam aparentemente dar à luz um
bebê sadio, não há garantia de que seja
uma conduta saudável. A dose diária de
álcool segura durante a gravidez, se é que
há, não é conhecida.
Tudo o que se sabe sobre o álcool e
sobre a gravidez nos leva a sugerir que,
embora você não deva se preocupar por
ter bebido sem saber que estava grávida,
convém ser prudente e parar de beber pelo resto da gravidez — exceto talvez tomando meio copo de vinho numa festa
ou num aniversário Qunto com alimento, já que o alimento reduz a absorção
do álcool).
Para algumas mulheres isso é fácil —
as que enjoam com o álcool ao início da
gravidez, o que pode perdurar até o parto, Para outras, sobretudo as que costumam "relaxar" com coquetéis no fim
do dia ou que tomam vinho ao jantar,
a abstinência poderá necessitar de redobrado esforço, talvez até de mudança no
estilo de vida. Quem bebe para relaxar
deve buscar outras formas de relaxamento: música, banhos quentes, massagem,
DURANTE
exercício, leitura. Se beber já é uma atividade inserida no ritual diário a que
u leitora não está disposta a renunciar,
recomendamos um bioody mary sem
vodca (virgin mary) no almoço, sidra
efervescente, suco de uva ou bebidas
maltadas, sem álcool, no jantar, e depois, na hora do coquetel, suco de fruta
com água tônica, daiquiri de morango,
ou ainda sangria sem álcool (ver p. 128),
servidas na hora habitual, nos copos habituais e com a cerimônia habitual.' Se
o marido a acompanhar (ao menos
quando estiver com você), fica bem mais
fácil seguir a recomendação.
Nos Estados Unidos, o uso de álcool
durante a gravidez é causa importante de
retardo mental e de anomalias congênitas em geral; todos esses problemas podem ser prevenidos. Quanto mais cedo
a pessoa deixa de beber durante a gravidez tanto menor o risco para o bebê. As
que se recusarem a renunciar ao hábito
ou a procurar o auxílio dos Alcoólicos
Anônimos ou ainda de um médico especializado no assunto ou mesmo de algum outro programa de tratamento do
alcoolismo podem considerar o aborto
preventivo e o adiamento de nova gestação até que a enfermidade esteja sob
controle.
CIGARRO
"Fumo há dez unos. Isso prejudicará o bebê?"
F
elizmente, não há provas evidentes de
que o hábito de fumar antes da gestação — mesmo durante dez ou vinte
anos — venha a prejudicar o feto em de-
'Embora a substituição de bebidas alcoólicas
por bebidas não alcoólicas semelhantes no aspecto xissa funcionar paru algumas pessoas, para outras (alcoólatrus) pode servir como
estimulante a desencadear o desejo de beber. Se
for esse o seu caso, evite qualquer bebida ou circunstância que a faça lembrar-se do álcool.
TODA
A
GRAVIDEZ
78
senvolvimento. Contudo, está bem documentado que fumar durante a gestação — sobretudo depois do quarto mês
— é ato capaz de aumentar as chances
de um amplo leque de complicações da
gravidez. Com efeito, o uso de cigarro
constitui uma das principais causas de
problemas pré-natais. Entre as mais graves estão o sangramento vaginal, o aborto espontâneo, a implantação placentáritt
anormal, o descolamento prematuro de
placenta, a ruptura precoce das membranas e o p a r t o prematuro. Tem-se sugerido que até 14% dos partos pré-termo nos
Estados Unidos se relacionam ao f u m o .
Há também fortes evidências de que
o tabagismo da gestante interfere de forma direta e adversa no desenvolvimento
do concepto in utero. O risco mais comum é o de baixo peso ao nascer. Em
nações industrializadas, como os Estados Unidos e a Inglaterra, o tabagismo
parece explicar um terço dos casos de bebês pequenos para a idade gestacional.
E essa é a principal causa de doença e de
mortalidade perinatal (imediatamente
antes, durante ou após o parto).
Mas há outros riscos em potencial. Os
bebês de mães fumantes têm maior probabilidade de sofrer de apnéia (pausas
respiratórias) e duplicada probabilidade
de morrer em decorrência da síndrome
de morte súbita do lactente (morte no
berço). Em geral, os bebês das fumantes não sâo tão sadios quanto os bebês
das não-fumantes ao parto. Os filhos de
fumantes de três maços por dia apresentam também um quadruplicado risco dc
baixo escore de Apgar (ou seja, escore
baixo na escala padrão que serve para
avaliar a condição do recém-nascido ao
nascer), o que significa não serem t ã o sadios q u a n t o os outros bebês. Há ainda
evidências de que, em média, nunca
acompanham, em termos de desenvolvimento, os filhos de nào-fumantes, de que
talvez tenham deficiências físicas e intelectuais mais prolongadas e de que apresentem hiperatividade, Uma pesquisr
] 86
NO PRINCIPIO
Como Abandonar o Hábito de Fumar
Descobrir a motivação pare o tabagismo. Por
exemplo, você fuma por pra2er, para estimulação ou para relaxamento? Para reduzir a
tensão e a frustração, para ter alguma coisa
na mào ou na boca, para satisfazer um desejo? Talvez a leitora fume por hábito, acendendo o cigarro sem pensar. Descobertos os
motivos do hábito fica mais fácil abandonálo e substitui-lo por outras fontes de satisfação.
Deseiihrir a motivação para o abandono do
hábito. Estar grávida é uma boa razão.
Escolher o método para abandonar o vício.
Será melhor parar de vez ou devagarzinho?
De unia forma ou de outra, determine quando será o "último dia", não muito distante.
Para a ocasião, planeje um dia cheio de atividades: coisas que você não associe ao
cigarro.
Tentar sublimar a vontade premente de fumar. Entre os elementos que ajudam estão
os seguintes:
• Se você fuma sobretudo para manter as
mãos ocupadas, deve lentar brincar com
um lápis, com as contas de um colar, de
um rosário, com palha; polir a prataria,
criar uma nova receita nutritiva, escrever
uma carta, tocar piano, aprender a pintar,
fazer bonecos de pano, fazer palavras cruzadas, desafiar alguém para uma partida
de xadrez — qualquer coisa que a faça esquecer do cigarro.
• Se você fuma por gratificação oral, deve
buscar um substituto: chicletes sem açúcar, legumes crus, pipoca, uma fatia de pão
integral, palitos, uma pitelra sem cigarro.
Evitar os chocolates, as baias etc.
• Se você fuma para a própria estlmulaçào,
deve procurar fazer uma caminhada ligeira, ler um livro Interessante, bater um bom
papo. É preciso ter certeza de que a dieta
contém todos os nutrientes essenciais c de
que as refeições sâo feitas com a devida freqüência, evitando o mal-estar do baixo teor
de açúcar no sangue.
• Se você fuma para reduzir as tensões e relaxar, deve tentar os exercícios. Ou as técnicas de relaxamento. Ou tricotar ouvindo
música. Ou dar um longo passeio a pé. Ou
tentar uma massagem. Ou fazer amor.
• Se você fuma por prazer, deve buscà-io
noutras fontes, de preferência em situações
em que não entre o cigarro. Ir ao cinema,
visitar butiques para bebês, ir a um museu, ir a um concerto ou ao teatro, jantar
com uma amiga alérgica a cigarro. Ou tentar algo mais ativo, como o tênis.
• Se você fuma por hábito, deve evitar as situações em que fuma habitualmente e os
amigos fumantes; freqüentar lugar onde
seja proibido fumar.
• Se você associa o cigarro com alguma bebida, com algum alimento ou com as refeições, deve evitar essas bebidas e esses
alimentos e passar a fazer as refeições noutro local. (Digamos que a leitora fume sempre dois cigarro1 com o café da manhã mas
nunca na cama. Tome o café na cama d urante alguns dias.)
• Ao sobrevir a vontade premente de fumar,
inspire profundamente diversas vezes, com
uma pausa entre as inspirações. Ao fim,
prenda a respiração enquanto acende um
fósforo. Expire lentamente, apagando 0
fósforo. Finjn que era um cigarro e
esmague-o no cinzeiro.
Nu voei nflo m l i t l r t funiur um elunrni, n l o
se desespere. Retorne ao programa, sabendo que cada cigarro que você deuwr de fumar estará ajudando o bebê.
Olhe para u cigarro como um problema de
fácil solução. Quando você era fumante nâo
lhe deixavam fumar no cinema, no metrô,
em certas lojas eatè mesmo em alguns restaurantes, E pronto, Agora você tem de convencer a sl mesma que nfio lhe é permitido
fumar, e ponto final, Nflo há alternativa.
DURANTE TODA A GRAVIDEZ
revelou que aos 14 anos os filhos de fumantes são mais propensos às doenças
respiratórias, têm menor estatura que a
dos filhos de não-fumantes e costumam
ter menor êxito na escola.
Acreditava-se que o motivo para todas essas dificuldades estava na insuficiente nutrição pré-natal dessas crianças:
as mães "fumavam em vez de comerem
durante a gravidez. Pesquisas recentes,
porém, não confirmam essa teoria; as
fumantes que se alimentam e que ganham tanto peso quanto as não-fumantes ainda dão à luz filhos menores. A
causa parece residir na intoxicação pelo
monóxido de carbono e na redução do
oxigênio fetal, através da placenta. O ganho desmedido de peso — de dezoito
quilos ou mais — é capaz de reduzir um
pouco o risco de baixo peso para o feto,
não obstante o excesso de peso gere outros riscos para a mãe e para a criança.
De fato, ao fumar, a gestante confina
o bebê num "ambiente uterino" cheio de
fumaça. O batimento cardíaco fetal se
acelera, o bebê apresenta tosse e escarro
e, pela oxigenação insuficiente, o bebê
não se desenvolve plenamente.
As pesquisas revelam que os efeitos do
consumo de cigarros, como os do álcool,
são dependentes da dose: o tabaco reduz
o peso do bebê ao nascer na proporção
direta do número de cigarros fumados:
a fumante de um maço por dia apresenta em relação á não-fumante uma probabilidade 130% maior de dar ú luz uma
criança de baixo peso. Portanto, a redução do número de cigarros fumados por
dia já pode ajudar. Entretanto, essa postura pode ser ilusória: a fumante muitas
vezes compensa com tragadas mais freqüentes e mais profundas, fumando mais
intensamente cada cigarro, o que também acontece ao tentar reduzir os riscos
usando cigarros de baixo teor de alcatrâo
e nicotina.
A situação, contudo, não é dc todo
ruim. Algumas pesquisas revelam que,
quando a gestante renuncia ao hábito de
87
fumar ainda na gravidez inicial — antes
do quarto mês —, consegue reduzir os
riscos de lesão fetal aos níveis das nãofumantes. Embora quanto mais cedo largar o cigarro melhor, o abandono do hábito, mesmo no último mês, ajuda a
preservar o fluxo de oxigênio para o bebê durante o parto. Para algumas mulheres, a renúncia ao hábito é mais fácil
na gestação incipiente, ao desenvolverem
repentina repulsa pelo cigarro — prová :
vel aviso de um corpo intuitivo. Se no
entanto você não tiver a boa sorte da
aversão natural, recomendamos tentar
grupos de a j u d a mútua como o dos Fumantes Anônimos. Ou peça ao seu médico a indicação de outros recursos
locais. Você pode até mesmo tentar a
hipnose.
Entre os sintomas de abstinência apresentados pela maioria das pessoas ao
tentar deixar de fumar eslão os seguintes, que variam de pessoa para pessoa:
ânsia por cigarro, irritabilidade, ansiedade, inquietude, dormência ou formi
gamento nas extremidades, tonteira,
fadiga e distúrbios do sono e do aparelho digestivo. A princípio, algumas
pessoas percebem também o comprometimento do desempenh j físico emental.
A maioria passa durante algum tempo
a tossir mais, já que o organismo agora
se vê em condições de eliminar todas as
secreções que se acumularam nos
pulmões.
Tente diminuir o nervosismo decorrente da falta de nicotina aumentando a
ingestão de frutas, de suco de frutas, de
leite e de verduras. Elimine temporariamente o consumo de carne de vaca, de
aves, de peixe e de queijo; evite a cafeína, que só faz exacerbar os sintomas de
abstinência. Repouse bastante (para
combater a fadiga) e faça exercícios (para substituir o estímulo proporcionado
pela nicotina). Evite a concentração intelectual excessiva durante alguns dias,
se necessário e se possível, dedicando-se
a tarefas amenas e indo por exemplo ao
] 81
NO PRINCIPIO
cinema ou a outros lugares em que é
proibido f u m a r .
Os piores efeitos da abstinência duram
de alguns dias a algumas semanas. Os benefícios, entretanto, duram pelo resto da
vida — para você e para o bebê. (Para
outras dicas, consulte p. 94).
"Minha cunhada filmou dois maços por dia durante is três gestações. Não teve nenhuma complicação e os filhos nasceram fortes e sadios.
Por que devo parar defumar?"
T
odos nós sabemos de histórias de
pessoas que venceram desafiando a
sorte — do paciente com câncer que tinha uma chance de sobrevída de 10% e
que viveu pelo resto de seus dias, da vítima de um terremoto que foi encontrada viva depois de passar dias presa nos
escombros de um prédio sem água e sem
comida. Estas histórias nos causam admiração. Mas não há o que admirar na
gestante que resolve desafiar a natureza
fumando durante toda a gravidez para
depois de nove meses constatar que dá
à luz um filho absolutamente sadio.
Durante a gestação não existem certezas absolutas, só probabilísticas. Mas
podemos fa2er várias coisas para aumentar ainda mais essa certeza probabilística. Deixar de fumar é uma delas e das
mais simples de favorecer a sorte para
que tenhamos uma gestação sem complicações e para que tenhamos um filho sadio. É possível que você, mesmo
fumando durante toda a gravidez, venha
a ter um bebê saudável, mas à custa de
um importante risco de que o bebê sofra de alguma das conseqüências arroladas à p. 85. A sua cunhada teve sorte
(talvez tenha sido favorecida por fatores hereditários ou de outra natureza que
podem perreittwiüriie ufio ostur u tlie fuvorecer) 2 ; mas talvez você esteja de fato a fim de arriscar a sorte, não é
mesmo? Apesar disso repare que talvez
essa sorte não seja tão verdadeira assim.
Alguns dos déficlts físicos e intelectuais
que afligem os bebês de fumantes não se
manifestam imediatamente. O lactente
aparentemente sadio pode transformarse numa criança que vive doentinha, que
é hiperativa ou que tem problemas de
aprendizado.
Além do efeito do cigarro sobre o bebê durante a gravidez, há também o efeito do convívio com você, depois de
nascido, em ambiente enfumaçado. Os
bebês de pais fumantes adoecem mais do
que os bebês de não-fumantes: a probabilidade de internação hospitalar nos primeiros anos de vida até a idade escolar
é maior.
Assim, você pode perceber que deixar
de fumar é o melhor a fazer.
QUANDO OUTRAS
PESSOAS FUMAM
"Deixei de fumar, mas meu marido continua
com dois maços por dia e alguns dos meus colegas de trabalho fumam como chaminés. Temo que isso possa de algum modo prejudicar
o bebê."
O
ato de fumar — e isso vai se tornando cada vez mais evidente — não
afeta só a pessoa com o cigarro na boca: afeta os que estão à sua volta- Inclusive o feto em desenvolvimento cuja mãe
está perto do fumante. Assim, se o seu
marido (ou qualquer outra pessoa dentro de casa ou no trabalho, na escrivaninha ao lado) fuma, o corpo do bebê
vai se contaminar com os resíduos da fumaça do cigarr J tanto como se a própria
gestante fumasse.
!
É possível que a razUo dos bebês nâo serem de
bulxu poso utiejn nu futu do que e l u adquirira
peso em excesso por consumo excessivo de cí[orlas. O aporte calórlco auma do que ue costuma necessitar pode, em alguns casos, reduzir o
risco do bebê da fumante nascer pequeno para
a idade gestacional — ou seja, menor do que a
média —, mas pode causar outros problemas.
i
:
DURANTE TODA A GRAVIDEZ
Se o marido não conseguir parar de
fumar, peça-lhe para fazê-lo fora dc casa ou noutra sala, longe de você e do bebê. O abandono do hábito, decerto, seria
melhor, não só para a própria saúde
do fumante mas também para o ulterior bem-estar do bebê. As pesquisas
revelam que o hábito de fumar dos pais
— do pai ou da mãe — é capaz de causar
problemas respiratórios em seus filhos,
comprometendo-lhes o desenvolvimento
pulmonar até a mai.uridade. Esse hábito pode aumentar as chances de que os
filhos também se tornem fumantes.
É provável que você não consiga fazer com que seus amigos e colegas de trabalho abandonem o hábito, mas talvez
consiga fazê-los nâo fumar perto de você. Isso fica fácil quando há leis protegendo os não-fumantes nos locais em
que se mora ou em que se trabalha. Se
não houver leis nesse sentido, tente a persuasão empática — mostre-lhes por
exemplo a matéria neste livro que trata
dos efeitos prejudiciais do cigarro sobre
o feto. Se isso de nada adiantar, tente outros recursos, por exemplo, mudando o
seu escritório para outro lugar durante
toda a gestação.
USO DE MACONHA
"Lu costumava fumar maconha socialmente —
consentia fazê-lo somente em festas — durante uns 10 anos. Será que isso poderia prejudicar o bebê que estou esperando? Fumar
maconha durante a gestação é perigoso?"
C
omo ocorria com o cigarro há vinte
anos, não se têm ainda as evidências
dos efeitos do uso da maconha. Logo,
os que a usam hoje não passam de cobnicis testando uma substância cujos
riscos ainda estilo por serem documentados. E como a maconha atravessa a
placenta, as mulheres que fumam durante a gestação fazem de seus bebês cobaias
também.
89
Costuma-se recomendar aos casais que
estão tentando ter filhos que se abstenham do uso de maconha, por ser droga capaz de interferir na concepção. Mas
se você já estiver grávida, não há por que
se preocupar com o seu hábito pregresso — não há evidências de que prejudique o feto.
Fumar maconha durante a gravidez,
porém, é história que parece ter um desfecho menos feliz. Algumas pesquisas
mostram, embora não todas, que as gestantes canabistas (usuárias de maconha)
quando só fazem uso de um cigarro de
maconha por mês exibem maior probabilidade de: ganhar peso insuficiente; sofrer de hiperemese gravldica (vômito
pronunciado e crônico), que quando sem
tratamento pode interferir seriamente no
estado nutricional da gestante; ter trabalho de parto perigosamente acelerado,
prolongado ou interrompido, ou ter de
submeter-se a parto cirúrgico; ter bebê
com baixo peso ao nascer (embora seja
pequeno o aumento do risco); apresentar traços de mecônio no líquido amniótico durante o trabalho de parto (uma
complicação que pode indicar sofrimento fetal); e ter um bebê que necessite da
reanimação cardiorrespiratória depois
do parto. Embora não haja nítida evidência de maior incidência de malformações em filhos de canabistas, têm sido
relatados casos com características semelhantes à da Síndrome Alcoólica Fetal
(ver p. 84), além de tremores, anormalidades da visão e choro que lembra a
abstinência na fase de recém-nascido.
Demonstrou-se também que a maconha
interfere na função placentária e no sistema endócrino fetal, podendo afetar a
gestação a bom termo. Segundo as evidências disponíveis, o governo norteamericano adverte que a maconha usada pela gestante pode ser perigosa pura
a saúde do feto.
Assim, a maconha deve ser encarada
como qualquer outra droga ott fdrmaco
durante a gravidez; cumpre não fazer
] 90
NO PRINCIPIO
uso de qualquer deles, a menos que necessários e prescritos pelo médico. Se você já tiver f u m a d o maconha no início da
gestação, não há por que se preocupar.
Como a maioria dos efeitos negativos da
maconha parece ocorrer com a evolução
da gestação, é muito improvável que o
feto tenha sido prejudicado, Toda gestante que se vê com dificuldade em abandonar a maconha deve comunicar ao seu
médico ou recorrer a auxílio profissional tão logo seja confirmada a gravidez.
COCAÍNA E
OUTRAS DROGAS
"Cheirei cocaína uma semana antes de descobrir que estava grávida. Agora estou preocupada. Não sei o que posso ter causado ao meu
bebê."
N
ão se preocupe com o uso anterior
de cocaín a. Apenas certi fi que-se de
que n ã o vai-mais usá-la. O uso inadvertido antes de saber que estava grávida
pode n ã o ter maior significado, mas o
uso persistente durante a gravidez p o d e
ser catastrófico, A cocaína, além de atravessar a barreiraplacentária, pode lesála, reduzindo o fluxo de sangue para o
feto e retardando o crescimento fetal.
Também pode causar nina série de o u tras complicações: aborto espontâneo,
trabalho de parto prematuro e natimortalidade. No bebê que sobrevive há o
risco de acidente vascular ao nascer e de
numerosos outros efeitos crônicos. Entre
esses estão a diarréia, a irritabilidade, o
choro persistente e outras alterações do
comportamento, além de anormalidade
do ritmo respiratório e das ondas cerebrai:,. Suspeita-se também que esses bebes apresentem maior risco de síndrome
de morte súbita (morte no berço). Mas
isso ainda não foi comprovado.
Sem dúvida, quantomais freqüente o
uso de cocaína pela gestante, tanto maior
o risco para o bebê. Entretanto, mesmo
o consumo esporádico ao fim da gravidez pode ser perigoso. Por exemplo,, basta usá-la uma vez no terceiro trimestre
para desencadear contrações e anormalidades do bat*mento cardíaco fetal.
Diga ao médico se já fez uso de cocaína desde que está esperando um filho.
Quanto mais o médico souber a respeito de seus hábitos, mais estará preparado para dar-lhe um melhor atendimento. Se tiver dificuldade em renunciar ao
hábito completamente, procure de imediato auxílio profissional.
As gestantes que usam drogas de qualquer tipo — outras além das prescritas
pelo médico que sabe que você está grávida — colocam também em risco a saúde do bebê. T o d a s as drogas ilícitas
(inclusive a heroína, a metadona, o
crack, o LSD e o PCP) e todos os medicamentos prescritos de que se abusa (narcóticos, tranqüilizantes, sedativos,
comprimidos para emagrecer) podem
causar sérios problemas para o feto em
desenvolvimento e/ou para a gestação
com o uso continuado. Verifiquecom o
médico todas as drogas que está usando
ou já fez uso durante a gravidez. Se ainda estiver usando qualquer tipo de droga procure auxílio profissional: médico
especializado em adicção, grupos de mút u a a j u d a etc. É preciso abandonar o hábito agora.
CAFEÍNA
' '£ difícil para mim começar um dia sem tomar
minhas duas xícaras de café. Mas li que a cafeína ê capaz de causar anomalias congênitos
e baixo peso ao nascimento. É verdade f"
S
egundo as pesquisas científicas mais
recentes,provavelmentenfto, A cafeína (encontrada no café, no chá, nas colas
e noutros refrigerantes) e a sua parente,
a teobromina (encontrada no chocolate),
atravessam a placenta e entram na circu-
DURANTE TODA A GRAVIDEZ
91
Alguns Perigos em Perspectiva
Os jornais, o rádio e a televisão bombardeiam a toda hora o público com os riscos que a mulher grávida enfrenta hoje em
dia, Se déssemos atenção a tudo que lemos,
vemos e ouvimos, provavelmente teríamos
que deixar de comer, de beber, de respirar
e de tnbalhar para não nos expormos a tão
famigerados riscos. Mas uma coisa é certa:
nunca foi tão seguro engravidar como hoje
em dia. Nunca foi tão grande a chance de termos filhos com boa saúde, Os riscos do meio
ambiente, quase sempre, sào simplesmente
teóricos: só uma pequena fração de todas as
ano: nalías congênitas e das complicações durante a gravidez, se deve a eles, salvo raras
e notórias exceções.
O que a futura mamãe deve fazer? Informar-se bem a respeito desses riscos neste
capítulo, colocá-los na devida perspectiva e
tomar então a atitude necessária para mini-
lação fetal. Entretanto, embora as primeiras pesquisas em animais de experimentação mostrassem numerosos efeitos
prejudiciais da cafeína sobre o feto animal em desenvolvimento, as pesquisas
ein seres humanos até agora não mostram efíitos adversos em decorrência do
uso moderado — até três xJcaras de café
por dia ou seu equivalente com outras
bebidas c a f e i n a d a s — d u r a n t e a
gravidez.
Mesmo assim, há algumas razões válidas para abandonar as bebidas cafeinudus durante a gestação, ou pelo menos
para reduzir o consumo. Em primeiro lugar, a cafeína tem um efeito diurético,
promovendo a perda de líquidos e de cálcio — ambos vitais para a saúde materna e fetal. Se você estiver com problema
de micçâo freqüente a cafeína só o acentuará, Segundo, o café e o chá, especialmente quando tomados com creme e
açúcar, causam saciedade sem ser nutritivos: podem até prejudicar o seu apetite
por alimentos de maior valor nutritivo.
mizá-los ou eliminá-los, se for o caso. Os fatores sobre os quais nâo temos controle mesmo quando estamos grávidas não costumam
ter maiores impactos sobre o desfecho da gestação: as que trabalham em terminais de vídeo, as que se expõem à poluição da cidade
por monóxldo de carbono, a breve exposição a cheiro de tinta, de inseticidas etc. Importância têm os fatores sobre os quais temos
controle: atendimento médico regular de boa
qualidade, a dieta, o hábito de beber, de fumar, de fazer uso de drogas (licitas ou ilícitas). Nào adianta a mulher se preocupar com
cheiro de tinta da sala recém-pintada se continuar a fumar um maço de cigarro por dia
durante ioda a gravidez. É preciso que se
preocupe com aqueles fatores que definitivamente têm algum efeito sobre o bem-estar
do bebê.
O mesmo se pode dizer das colas, que
além disso podem conter substâncias
químicas questionáveis e açúcar em excesso. Terceiro, a cafeína pode exacerbar as oscilações de humor comuns na
gravidez, podendo interferir também no
repouso oportuno. Quarto, pode interferir na absorção de ferro de que você
e o bebê tanto necessitam. Quinto, pesquisas recentes parecem mostrar que o
consumo de cafeína durante a gestação
pode resultar no desenvolvimento final
de diabetes pelo bebê.' Por fim, o fato
de que muitas mulheres perdem o gosto
peio café no Início da gestação sugere
que a mâe natureza considera a substancia inadequada para as gestantes.
Como vencer o hábito do café? O primeiro passo, desde que h a j a motivação,
3
Esses pesquisadores descobriram que os países
em que o eonuumo de café i mnis elevado também apresentam a maior incidência dt diabetes;
a hipótese é que a cafeína cruza a placenta,
acumula-se no pâncreas fetal e acaba por lesar
as células que depois produzirão insulina.
] 92
NO PRINCIPIO
é simples durante a gestação: oferecer ao
bebê o começo de vida mais sadio possível. A seguir, é preciso determinar o motivo do hábito, quais as bebidas que
podem ser usadas para satisfazer essa necessidade. Se for questão de paiadar ou
de conforto proporcionado pela bebida
quente, é s ó passar para algum substituto que não contenha cafeína (mas que
não entre em lugar do leite, dos sucos ou
de outras bebidas nutritivas)." Quem
faz uso de bebida de sabor cola só pelo
prazer do paiadar pode passar a fazer
uso de outros refrigerantes sem cafeína,
embora os refrigerantes não devam ter
vez numa dieta para gestantes; dê preferência aos sucos naturais de frutas sem
adoçá-los artificialmente (de melão, de
mamão, de morango etc.) e em todas as
combinações possíveis. Já quem bebe refrigerantes por serem refrescantes poderá
encontrar mais prazer nos sucos e nas
águas minerais, com ou sem gás. Se a falta de cafeína for percebida muito intensamente, a renúncia ao hábito poderá ser
reforçada através de exercícios físicos e
de alimentação saudável, rica em proteína e carboidratos complexos, ou através
de atividades que animem a gestante:
dançar, praticar jogging, fazer sexo. Embora se sofra um pouco, durante alguns
dias, depois de abandonado o café, logo sobrevém um bem-estar extremo.
(Decerto a gestante ainda sentirá a fadiga normal da gravidez incipiente.)
Se a gestante beber café, chá ou bebidas sabor cola para se ocupar, que se
ocupe cora algo mais proveitoso para o
bebê. Por exemplo, tricotar, sair para
comprar o berço, descascar legumes para o jantar. Se você faz uso de bebida cafeinada como parte do seu ritual diário
(hora do cafezinho, ao ler o Jornal, ao
ver TV), deve mudar o local desse ritual,
'Embora os chás descafeinados nflo estejam
contra-indicados, cuidado com os medicinais ou
com o uso maciço dc chá de ervas: ver p. 368.
mudando também a bebida que o
acompanha.
Para minimizar os sintomas de abstinência da cafeína. Acontece com qualquer
viciado em café, chá ou refrige r antes sabor cola: uma coisa é dizer que vai abandonar o vício, outra coisa é abandoná-lo.
A cafeína é uma droga adictiva: os que
param repentinamente o consumo poderão experimentar os sintomas de abstinência: cefaléia, irritabilidade, fadiga e
letargia, entre outros. Por isso é uma boa
idéia suprimi-lo gradualmente — começando pela redução a um nível praticamente seguro de duas xícaras ao dia (com
alimento para atenuar o efeito sobre o
organismo) durante alguns dias. Então,
depois de habituada a duas xícaras, gradualmente diminuir o consumo diariamente: passar a red-tzir um quarto de
xícara por dia até uma xícara e, por fim,
mitigada a necessidade da droga, passar
para nenhuma. Outra opção seria usar
produtos descafeinados junto com os cafeinados até conseguir a completa eliminação dos últimos.
De qualquer forma, a abstinência será menos incômoda e mais fácil de vencer se você der atenção às seguintes
sugestões:
• Mantenha o teor de açúcar no jangue
mais elevado — e com ele o seu nível
ce energia. Adote o hábito das refeições pequenas e freqüentes com alimentos ricos em proteínas e em carboidratos complexos. Certifique-se de
tomar os complementos vitamínicos.
• Faça exercícios fora de casa todos os
dias,
• Durma o suficiente — o qut: provavelmente vul «<ar mui* fácil nem u euí'eínn,
Se achar que a vida sem cafeína nlo
serve para você, não se desespere. Segundo as evidências, uma ou d uai. xícaras de
DURANTE TODA A GRAVIDEZ
café ao dia nào devem causar nenhum
problema.
SUBSTITUTOS DO AÇÚCAR
"Nâo quero ganhar muito peso. Possa usar
adoçantes?"
C
ostuma ser uma surpresa desagradável para as adeptas de dieta, mas o
uso de substitutos do açúcar raramente
ajuda a controlar o peso. Talvez porque a pessoa imagine ter poupado muitas calorias ao substituí-lo e exagere, portanto, nos alimentos. Mesmo que os
adoçantes garantissem o controle de peso, recomenda-se cautela com o seu uso
em gestantes.
Infelizmente, não são muitas as pesquisas sobre o uso de sacarina durante
a gravidez. As pesquisas em animais,
contudo, revelam um aumento no câncer da prole quando as fêmeas grávidas ingerem a substância. Somando-se a
isso as evidências de que os adoçantes
cruzam a placenta humana e são eliminados muito vagarosamente pelo feto,
torna-se conduta prudente não usar sacarina durante os preparativos para a
gravidez, por ocasião da concepção e
mesmo durante a gravidez. Não se preocupe, entretanto, sobre a sacarina consumida antes de saber que estava
grávida, já que os riscos, se é que existem, sâo decerto muito pequenos.
Por outro lado, as pesquisas nâo revelaram efeitos adversos decorrentes do
uso das quantidades típicas do adoçante aspartame (várias marcas no mercado) pela maioria das mulheres durante
a gestação.' O aspartame compõe-se de
dois aminoácidos comuns (fenilalanina
e ácido aspártico), mais metanol: os médico*, na mtilorln, aprovam o uso moderado desse adoçante pelas gestantes.
Porém muitos produtos que já vêm adoçados com aspartame não são satisfatórios do ponto de vista nutricional (ex-
93
cesso de aditivos, escassez de nutrientes)
e as gestantes deveriam ter critério ao
consumi-los. Pode-se usar esse tipo de
adoçante para adoçar um iogurte, por
exemplo. Mas a ingestão exagerada de
bebidas diet não seria.
Durante a gestação, os melhores adoçantes são as frutas e os sucos naturais
nutritivos. Nos últimos anos, os produtos adoçados inteiramente com frutas e
suco de frutas concentrado têm proliferado nas casas de produtos naturais e nos
supermercados. Aliás é o que recomendamos sempre (ver Dieta Ideal, p. 126):
o uso de produtos naturais em detrimento de todos os artificiais em que chamam
a atenção o excesso de substâncias
químicas.
GATOS EM CASA
"Tenho em casa dois gatos. Ouvi dizer que gatos são um risco para o feto. Podem passar uma
doença. Üevo me livrar deles?"
P
rovavelmente não. Como você convive com eles há algum tempo, é bem
provável que já tenha contraído a doença, a toxoplasmose (ver p. 358), eque tenha desenvolvido imunidade a ela.
Estima-se que metade da população
norte-americana já foi infectada (a estimativa em outros países — na França,
por exemplo — chega a 90% da população). Além disso, os índices de infecção
sâo bem mais elevados em pessoas que
têm gatos ou que comem carne crua com
freqüência ou que bebem leite não5
AS mulheres com fenilcetonúria, todavia, precisam limitar a ingestão de fenilalanina. Em geral, sâo advertidas prra nâo fazer uso de
aspartame. Insinua-se que algumas mulheres —
umu entre lOou até entre 50 — podem nâo ntetabollxar « fenilalanina HCA nxtbii «imamtui do
problema. Ainda não se comprovou a tese de que
essas mulheres pudessem comprometer o cérebro do bebê por consumirem aspartame em grande quantidade.
] 94
NO PRINCIPIO
O Estilo de Vida Durante a Gestação
Você está grávida — de repente começa a
ver o mundo de forma muito diferente. E se
antes os seus hábitos só diziam respeito a você, agora dizem respeito a duas pessoas: você e seu bebê. Velhos hábitos podem agora
tornar-se maus hábitos que você está com
pressa de mudar.
Felizmente, existem várias estratégias que
a podem ajudar nesse sentido.
Elimine as tentações. Tire da sua vista tudo
0 que pode ser prejudicial: o vinho na geladeira, o licor bem à mostra no bar, os bombons no vidro num armário da cozinha e
assim por diante.
Passe para os substitutos. Aprenda a fazer
drinques sem álcool, adote as frutas, prefira 0 pão integral ao pão branco etc.
Outras dicas para vencer os obstáculos. Um
dos principais obstáculos para se mudar de
hábito é o esquecimento: facilmente esquecemos de nossos objetivos quando a tentação está por perto. Cole fotografias de bebês
sadios e fofinhos na porta da geladeira, no
armário da cozinha, na porta do bar, na sua
mosa de trabalho. Coloque-as também na sua
carteira: toda vez que for pegar dinheiro paia
comprar uma besteirínha "proibida", a fotografia não lhe deixará esquecer. Se o seu
vício é omitir o café da manhã, cole por dentro da poria da sala o seguinte lembrete:
"Você já serviu o café da manhã para o seu
filho hoje?"
Seja tolerante com voct mesma Se você cometer o deslize de tomar, por exemplo, um
copo de cerveja ou de vinho, nSo se dí por
vencida: volte á luta, persista. Tente descobrir o que a levou a reincidir no vício. Procure evitar taJs situações.
Identifique e reprima os sentimentos que 11
filiem íruqutjur. S í o muita* ai pessoa* que
HCham difícil manter a dieta, evliur o álcool,
0 cigarro, as drogas ou mudar outros hábitos negativos em momentos de fome, de ran-
cor, de aborrecimento, de fadiga ou de solidão. Adote as refeições pequenas e freqüentes para afastar sempre a fome. Procure diluir
os aborrecimentos e ressentimentos imediatamente, antes deles tomarem conta de você. Repouse bastante — ouça quando o seu
corpo lhe diz que vá com calma. E se você
se sentir muito só ou aborrecida, parta para
alguma atividade estimulante: participe de
grupo de gestantes, faça algum curso interessante. Deixe o marido saber que está precisando de mais atenção — e dos motivos que
a levam a precisar dessa atenção agora mais
do que nunca.
Insista no relaxamento. Muitas vezes é a tensão que nos torna suscetíveis e que nos faz
esquecer nossas boas intenções. Tire vários
momentos de descanso durante o dia para fazer simples exercícios de relaxamento (ver p.
147).
Aprenda a dizer não. A segunda xicara de
café, ao cigarro que lhe é oferecido, ao copo borbulham? que passa à sua frente, aos
bonibons. Seja educada mas firme: "Você
sabe que eu adoro boinbom, vó, mas meu filho é muito jovem ainda para eles." Ou então diga: "Obrigada, mas vou brindar ao seu
aniversário com suco de laranja, meu bebê
ainda é menor de idade,"
Encontre um alindo. O marido é a opção lógica, mas pode ser qualquer outra pessoa, do
trabalho, da família ou seja quem for que fique muito tempo Junto a você. O aliado deverá aderir às novas regras do jogo quando
estiver com você; isso ajuda a reforçar a sua
resoluçfio e a eliminar multas tentaçOes.
Se você nfio conseguir mudar de hábitos sozinha, peça ajuüu. Alguns hábitos são mais
difíceis de mudar do que outros. Se tiver dificuldade com ulgum potencialmente perigoso, wju fumar, beber ou usar drogus, trate
de procurar ajuda profissional oti ulgum grupo de mútua ajuda.
DURANTE TODA A GRAVIDEZ
pasteurizado (veículos que transmitem a
doença). Se você ainda não fez o exame
para saber se já adquiriu a imunidade no
pré-natal, é improvável que venha a fazêlo agora — a menos que mostre sintomas da doença (embora alguns médicos
façam o exame regularmente em gestantes que convivem com muitos gatos).
Se você fez o exame e não é imune, ou
se não tem certeza de que seja ou não,
tome as seguintes precauções:
• Chame o veterinário para ver se os gatos têm a infecção. Se um deles tiver,
e..nregue-os a outra pessoa para tomar
co ita deles durante peio menos seis semanas — período em que a doença é
transmissível. Se não tiverem a infecção, mantenha-os livres dela, não lhes
dando carne crua, não os deixe passear na rua, nem caçar camundongos
ou passarinhos (que podem transmitir a toxoplasmose aos gatos) ou conviver com outros gatos. Peça a outra
pessoa para limpar o caixotinho ou a
casinha. Se tiver de ser vonê mesma,
use luvas e lave as mãos ao acabar. Se
dormem em caminha com palha, esta
deve ser trocada diariamente porque
os oócitos que transmitem a doença
se tornam mais contagiosos com o
tempo.
• Use luvas ao jardinar. Não deixe os
seus filhos brincar na areia em que gatos possam ter depositado as fezes.
Lave as frutas e verduras, especialmente as da horta doméstica, com detergente (enxaguando completamente)
e descasque e / o u cozinhe os legumes,
• Não coma carne bovina crua ou malcozida. Não beba leite não-pasteurizado; em restaurantes peça sempre
carne bem passada.
Há médicos Insistindo para que o teste seja feito de rotina antes da fecundação ou no início da gestação em todas
95
as mulheres. As que forem imunes podem relaxar (teste positivo), as demais
devem tomar as precauções necessárias
para prevenir a infecção. Já outros médicos acham que o custo desse teste não
justifica os possíveis benefícios.
SAUNAS, BANHOS
QUENTES DE IMERSÃO
ETC.
"Nós temos banheira em casa. Posso usá-la enquanto estiver grávida?"
V
ocê não precisa aderir à ducha fria.
Mas é bom evitar os banhos prolongados de imersão em água quente. Tudo o que faz a temperatura do corpo
subir além de 38,9°C e a mantém durante algum tempo nesses níveis — banho
de banheira, banho de chuveiro muito
quente, muito tempo na sauna (seca ou
a vapor), trabalho físico excessivo em
época de calor, ou até uma virose — é
potencialmente perigoso para o embrião
ou o feto em desenvolvimento, sobretudo nos primeiros meses. Algumas pesquisas mostraram que o banho de
imersão em água quente (ou a imersão
em piscina térmica) não eleva a temperatura da mulher a níveis perigosos imediatamente — leva pelo menos 10
minutos (ou mais, se os ombros e os braços não estiverem submersos ou se a temperatura da água for inferior a 38,9°C)
—, mas como varia a reação de cada um
e também variam as circunstâncias, tome as devidas precauções: prefira o certo pelo incerto e não entre na piscina ou
na banheira. Mas não se acanhe em molhar os pés,
Se você tem dado alguns mergulhos
cm águas mais quentes, provavelmente
não há motivo para alarme. As pesqulsas mostram que as mulheres saem do
banho antes do corpo atingir os 38,9"C:
porque se sentem incomodadas. É pro-
] 96
NO PRINCIPIO
vável que você também tenha a mesma
atitude. Mas, se estiver preocupada, fale com o obstetra a respeito sobre a possibilidade de fazer uma ultra-sonografia
. ou algum outro exame pré-natal para se
tranqüilizar.
A permanência prolongada na sauna
também não se recomenda, embora não
existam evidências concretas. A sauna
cm fins de semana é costume na Finlândia, mesmo para gestantes, e apesar disso as anomalias do sistema nervoso
central que se atribuem à hipertermia
(perigosa elevação da temperatura do
corpo) não são comuns nos bebês naquele país. Apesar disso, os especialistas
norte-americanos recomendam evitar as
saunas.
EXPOSIÇÃO A
MICROONDAS
"Li que a exposição a forno de microondas ê
perigosa para o fero em desenvolvimento. Devo deixar de usar o nosso até o nascimento do
bebê?"
O
forno de microondas pode ser o
melhor amigo da futura mamãe,
permitindo a feitura de refeições rápidas
e nutritivas. Mas como tantos outros de
nossos milagres modernos, fala-se que
pode ser também uma ameaça moderna.
O nosso comprometimento pela exposição às microondas é ainda questão muito controvertida, É necessário pesquisar
muito mais sobre o assunto para que se
venha a conhecer a resposta defintiva.
Acredita-se, contudo, que dois tipos
de tecido humano — o feto em desenvolvimento e o olho — sejam particularmente vulneráveis aos efeitos das
microondas, por terem pouca capacidade de dissipar o calor por elas gerado.
Assim, em vez de desligar o forno de microondas, a gestante deve é tomar algumas precauções.
Em primeiro lugar, certifique-se de
que não há escapamentos no forno. Não
o opere se o seio da porta estiver danificado, se o forno nâo fecha direito, ou
se tem alguma coisa presa na porta, Para testar a presença de escapamento, solicite a ajuda de serviço especializado.
Não fique junto ao forno enquanto estiver em funcionamento. Por fim, siga
à risca as instruções do fabricante.
ALMOFADAS E
COBERTORES ELÉTRICOS
"Usamos cobertores elétricos durante todo o
inverno. Isso é seguro para o bebê que estou
esperando?"
V
ocê pode se aconchegar mais ao seu
companheiro. Mas se os pés dele estiverem tão frios quanto os seus, aumente a temperatura do ambiente, se
dispuser de aquecimento central, ou
aqueça a cama com o cobertor e desligue-o antes de entrar nela. Os cobertores
elétricos podem elevar muito a temperatura do corpo. Embora seu uso não tenha sido associado à lesão fetal, em tese
esse risco existe. Além disso, embora as
pesquisas sejam contraditórias, alguns
pesquisadores dizem haver também algum risco decorrente do campo eletromagnético criado por esses cobertores.
Portanto, seria prudente tentar outras
formas de aquecimento. Mas não se
preocupe com as noites em que você ja
dormiu sob ele — mesmo em tese, a
chance de que o bebê tenha sofrido lesão é extremamente remota.
Seja cautelosa também ao usar uma
almofada elétrica (que costuma ser usa'
da em lugar da bolsa de água quente).
Se o seu uso foi recomendado pelo médico, envolva-a numa toalha para reduzir a transmissão de calor, limite as
aplicações a 15 minutos e nâo durma
com ela,
DURANTE TODA A GRAVIDEZ
Os colchões de água que dispõem de
aquecimento elétrico também têm sido
vinculados a problemas na gravidez. Parece que aumentam o risco dc aborto espontâneo. Para os cientistas, esse efeito
seria decorrente do campo eletromagnético ali gerado. Embora o risco deva ser
muito pequeno, procure mudar para outro tipo de colchão ou então durma no
sofá até o bebê chegar.
97
cundação), persistindo algum risco de
lesão do sistema nervoso central durante toda a gravidez. Mas isso só em
altas doses.
• Quando há verdadeira exposição do
útero. Os equipamentos de hoje são
capazes de se restringir a irradiar a
área q u e precisa ser examinada. Protegem o restante do corpo da exposição à radiação. Os exames, na grande
maioria, podem ser feitos cotn um
avental de chumbo a cobrir o abdoRAIOS X
me e a pelve da mãe (e portanto o útero). Entretanto, mesmo o raio X
"Tirei radiografia dos dentes antes de saber que
abdominal dificilmente é perigoso, já
estava grávida. Será que prejudiquei o bebê?"
que praticamente nunca emite mais do
que 10 rads.
ão se preocupe. Primeiro, para a radiografia dentária, os raios X não
apontam na direção do útero. Segundo,
Naturalmente não convém assumir riso avental de chumbo protege de forma
cos desnecessários, por menores que seefictz o útero e o bebê contra a radiação.
jam. Por isso é que se recomenda o
adiamento de raio X de rotina até após
Determinar a segurança de outros tio parto. Já os riscos necessários são oupos de raio X durame a gravidez é algo
tra questão. Como a probabilidade de lema's complicado, mas está claro que o
são do feto pela exposição à radiação X
exame radiológico-diagnóstico raramené pequena, a saúde da gestante não deve
te representa ameaça ao embrião ou ao
ser posta em perigo pelo adiamento de
feto. Três são os fatores que determinam
um exame genuinamente necessário.
se a radiação X será ou não prejudicial:
Além disso, os pequenos riscos do exame radiológico durante a gravidez po• A quantidade de radiação. A lesão
dem ser minimizados pela observação
grave ao embrião ou ao feto só ocordas seguintes indicações:
re com doses muito elevadas (50 a 250
rads). Parece não ocorrer qualquer lesão a doses inferiores a 10 rads. Co• Informar sempre o médico solicitante
mo os modernos equipamentos rae o técnico da radiologia sobre a
diológicos raramente emitem mais do
gravidez.
que 5 rads durante um exame diagnóstico típico, tais exames nâo represen• Nunca fazer radiografia, mesmo dentam problema durante a gravidez.
tária, durante a gestação quando os
benefícios não suplantarem os riscos.
(Ler Ponderando Riscos versus Be» Quando a exposição ocorre. Mesmo
nefícios, p, 106.)
em altas doses, parece não haver risco teratogênico ao embrião antes do
implante (do sexto ao oitavo dia após
• Não fazer a radiografia se outro proa fecundação), Há um risco um poucedimento diagnóstico, mais seguro,
co maior de lesão durante o período
puder ser usado em seu lugar.
Inicial da formação dos órgãos do bebê (terceira à quarta semana após a fe• Havendo necessidade de exame radio-
N
] 98
NO PRINCIPIO
lógico, certificar-se de que será feito
em instituição devidamente licenciada,
ou que seja submetida a inspeção freqüente. O equipamento deve estar em
boas condições e ser operado por técnico devidamente treinado, sob a supervisão de radiologista (de tempo
integral). O equipamento radiológico
deve permitir, sempre que possível, a
exposição apenas da menor área necessária. O útero deve ser protegido
por avental de chumbo.
• Cumpre seguir com atenção as instruções do técnico — sobretudo a de não
se mexer durante o exame — para que
não se tenha de repetir a chapa.
• O mais importante, contudo, se houver necessidade de alguma radiografia, é não perder tempo se preocupando com as possíveis conseqüências. É maior o perigo para o bebê
quando a gestante se esquece de usar
o cinto de segurança.
RISCOS DOMICILIARES
"Quanto mais leio, mais me convenço de que
a única forma de proteger o bebi nessa época
é passando o resto da gravidez trancada num
quarto esterilizado. Ali minha casa oferece riscos."
A
s ameaças que a gestante e o bebê
enfrentam, em decorrência do crescente número de riscos ambientais, inclusive no próprio quintal de casa, perdem
rapidamente a relevância quando comparadas às ameaços enfrentadas por nossos avós, quando a moderna obstetrícia
ainda engatinhava. Todos os perigos do
meio ambiente juntos (à exceção do álcool, do tabaco e de outros medicamentos) sflo bem menos ameaçadores à
gestante e ao bebê do que os criados por
uma parteira inexperiente ao atender os
nossos ancestrais sem sequer lavar as
mãos. Assim é que, apesar do alarde que
se faz a respeito dos perigos que nos circundam, repetimos: a gestação e o parto nunca foram tão seguros como hoje.
Não obstante ser desnecessário abandonar a casa e mudar-se para um quarto esterilizado, algumas precauções decerto se justificam quando se trata dos
riscos domiciliares:
Produtos de limpeza. Como muitos produtos de limpeza vêm sendo usados já
há muito tempo e nunca se notou correlação entre casas limpas e anomalias
congênitas, é improvável que os desinfetantes de banheiro ou de cozinha ou
que os lustra-móveis venham a comprometer o bem-estar do bebê. Com efeito, é provável que verdadeiro seja o contrário: a eliminação de bactérias e de
outros microorganismos pelo cloro, pelo amoníaco e por outros agentes do limpeza é bem capaz de proteger o bebê
graças à prevenção de infecções.
Não há pesquisa a demonstrar que a
inalação incidental e ocasional de desinfetantes domésticos comuns tenha
efeitos deletérios sobre o feto em desenvolvimento; por outro lado, também nâo há pesquisa demonstrando que
a inalação freqüente seja completamente segura. Se a leitora já se " e x p ô s " aos
produtos de limpeza, não há motivo para preocupação. Mas, pelo resto de sua
gravidez, procure fazer a sua limpeza de
casa com mais prudência. Faca do seu
nariz, e das recomendações seguintes, o
indicador de possíveis substâncias químicas perigosas:
• Quando o produto apresentar cheiro
forte ou gases, não o aspire diretamente. Use-o em área com boa ventilação,
ou não o use de forma alguma.
• Use spray para pulverização em vez de
aerossóis.
• Nunca misture amoníaco com produ-
B
DURANTE TODA A GRAVIDEZ
tos clorados (mesmo quando não estiver grávida); a mistura gera gases
letais.
• Procure evitar produtos cujos rótulos
tenham advertências quanto à toxicidade.
• Use luvas de borracha durante a limpeza. Poupam a pele de suas mãos e
impedem a absorção cutânea de substâncias potencialmente tóxicas.
Chumbo. Não que as gestantes precisem
de alguma coisa a mais para se preocupar,
mas nos últimos anos descobriu-se que o
chumbo — que há muito se descobrira ser
o causador da redução do QI em crianças
que o ingeriram de tinta que se soltava de
brinquedos — pode também afetar a gestante eo feto. A exposição maciça coloca
a gestante em risco de hipertensão induzida pela gravidez e inclusive em risco de
perder o bebê. O bebê fica exposto a uma
série de problemas, desde graves distúrbios do comportamento e de natureza
neurológica a anomalias congênitas de
menor importância relativa. Os riscos são
multiplicados quando o bebê é exposto ao
chumbo 110 útero e continua a ser exposto depois do nascimento.
Felizmente, é bastante fácil evitar a exposição ao metal e as conseqüências que
essa acarreta. Eis como: como a água de
beber é fonte comum de chumbo,
certifique-se de que a sua não o contém
(ver adiante). As tintas são também fonte
de chumbo. Se a tinta da parede de sua
casa vai ser removida, afaste-se da casa
durante o trabalho. Há ainda outras fontes: pratos antigos, louça feita em casa
e também muito velhas etc. Em caso de
dúvida, não as use para servir ou para
guardar alimentos, particularmente os
mais ácidos (vinagre, tomates, vinho, refrigerantes etc.).
Água de torneira, A água só fica atrás
do oxigênio no rol das substâncias essen-
99
ciais à vida. Embora o jejum n ã o seja
por certo uma recomendação médica, os
seres humanos são capazes de sobreviver até por uma semana sem alimento,
mas só por alguns dias sem água. Em outras palavras: há mais que se preocupar
se a gestante deixar de beber do que se
fizer o contrário.
É verdade que, há algum tempo, acarretava graves riscos às vidas dos que bebiam a água de torneira. Mas a forma
moderna de tratamento da água veio
eliminá-los, ao menos nas regiões desenvolvidas do globo. Embora h a j a quem
suspeite de que se tenha criado u m a nova ameaça ao concepto pelas substâncias
químicas empregadas na purificação da
água, n ã o há evidências conclusivas de
que isso seja verdade. Ademais, nas cidades em que se utilizam sistemas com
filtros no processo de purificação, em lugar das substâncias químicas, está eliminado qualquer risco dessa natureza.
Inseticidas. Embora alguns insetos, como certas mariposas, sejam bastante danosos às árvores e às plantas de um
modo geral, e outros o sejam à nossa
sensibilidade estética, como as baratas e
as formigas, dificilmente representam
risco à saúde dos seres humanos — mesmo dos grávidos. Via de regra, é mais seg u r o c o n v i v e r com eles d o que
eliminá-los através de inseticidas, alguns
dos quais foram vinculados a anomalias
congênitas.
Naturalmente, os vizinhos podem não
concordar — a menos que alguém também esteja grávida ou tenha filhos pequenos, Nos casos em que a pulverização
de Inseticida está sendo feita por toda a
vizinhança, só convém sair à rua depois
de dissipado o cheiro, coisa que pode levar de dois a três d h s . Dentro de casa
convém manter fechadas as janelas. Se
o síndico resolveu fazer a dedctizaçflo de
todos os apartamentos de seu prédio, peça para nüo fazer no seu, se possível. Caso contrário, certifique-se de que todos
] 100
NO PRINCIPIO
os armários estejam fechados, para evitar a contaminação do seu conteúdo, e
de que todas as superfícies de preparação de alimentos estejam cobertas. Procure passar uns dois dias em casa de
parentes ou de amigos e ventile o seu
apartamento o mais que puder. Os inseticidas só geram perigo enquanto persistirem os gases. Quando estes já tiverem
assentado, é preciso lavar bem todas as
superfícies em que são preparados os alimentos junto à área dedetizada.
Em caso de exposição acidental a inseticidas ou herbicidas, não se alarme.
A exposição breve, indireta, dificilmente causará algum mal ao bebê. O que faz
crescer o risco é a exposição freqüente,
prolongada, à semelhança da exposição
ocupacional a substâncias químicas (como numa fábrica ou campo fortemente
pulverizado).
Toxicidade das tintas. Em todo o reino
animal, o período que antecede o nascimento (ou a.postura de ovos) é o de emocionada preparação para a chegada da
nova prole. Os pássaros arrumam os ninhos, os esquilos recobrem as casinhas
nas árvores com folhas e raminhos, os
pais humanos se embrenham por entre
pilhas de papel de parede e tecidos os
mais variados.
E quase sempre pinta-se o quarto do
tão esperado bebê. Isso, nos dias em que
as tintas se baseavam em arsênico ou
chumbo, podia criar uma ameaça à saúde do concepto. Duranie algum tempo
passou-se a acreditar que as modernas
tintas de látex eram muito mais seguras,
Recentemente constatou-se que podem
conter quantidades excessivas de mercúrio. As normas do governo norte-americano hoje exigem que as tintas não contenham esse elemento. Mas como ainda
não se sabe que novos riscos as tintas nos
reservam, não se pode considerar a pintura uma atividade recomendável à gestante — mesmo para aquela que tenta
desesperadamente manter-se ocupada nas
últimas semanas de espera. Ficar se equilibrando no alto de escadas no mínimo é
perigoso, e o cheiro de tinta pode causar
náusea. É bom que o futuro papai, ou alguma outra pessoa, se encarregue desse
aspecto dos preparativos.
Durante a pintura, fique fora de casa.
Ficando ou não dentro de casa, porém,
é preciso abrir bem as janelas para a boa
ventilação do ambiente. Cumpre evitar a
exposição aos removedores de tinta, sempre altamente tóxicos, independentemente de sua natureza, E não participe do
processo de remoção (seja de que maneira for), sobretudo se a tinta a ser removida contém mercúrio ou chumbo,
POLUIÇÃO ATMOSFÉRICA
"Parece que quando se está grávida nem respirará seguro. A poluição atmosférica urbana
prejudica o bebê?"
Q
uem vive junto a um terminal rodoviário ou passa a noite numa cabine de pedágio de uma rodovia sempre
Deixe a Sua Casa Respirar
Embora a correta veduçüo do domicílio ajude, nos Estados Unidos, a reduzir o
consumo de energia, também aumentará o
risco de poluição do ar ambiente (no Interior
da casa), Portanto, recomenda-se nao cala-
fetar todas as aberturas e todas as frestat nas
portas e Janelas, íi preciso deixar que uni
pouco de ar fresco entre e que um pouco do
ar no Interior sala, Se o tempo permitir, mantenha as Jonelus abertas.
DURANTE TODA A GRAVIDEZ
101
Para Eliminar a Poluição Doméstica: a Solução Verde
Não há como eliminar totalmente a poluição dentro de casa. Os móveis, as tintas, os
carpetes, as cortinas, todos podem desprender poluentes na atmosfera que se respira
dentro de casa. Mesmo que nào haja comprovação de que essa forma de poluição se-
congestionada decerto está expondo o
concepto a um excesso de poluentes e privando-o de oxigênio. Mas o ar de uma
grande metrópole, quando nela se respira
normalmente, não chega a criar maiores
riscos, sobretudo ao se levar em conta a
outra possibilidade — deixar de respirar.
Em todo o mundo, são milhões de mulheres que vivem e que respiram nas grandes
cidades e dão à luz milhões de bebês sadios. Mesmo no decênio de 60, quando se
vivia o auge da poluição em lugares como Los Angeles e Nova York, não foram
documentadas lesões ao concepto.
O ato de respirar cotidianamente, portanto, não terá efeitos deletérios para o
bebê. No entanto, na mãe intoxicada por
monóxido de carbono o feto parece nada sofrer na gestação incipiente (embora
o possa na intoxicação por essa substância em gestação mais adiantada). Todavia,
é de bom senso evitar a exposição a doses muito elevadas de qualquer poluente.
Eis como:
• Evitando as salas cheias de fumaça por
perídos prolongados e freqüentes.
Lembrar que os charutos e os cachimbos, por não serem inalados, enfumaçam ainda mais o ambiente do que os
cigarros. Peça à família, aos seus convidados e aos colegas de trabalho para não fumarem na sua presença,
• Verifique se o seu carro está com o escapamento em ordem, se nflo há vazamento de gases tóxicos e se o cano
ja prejudicial a você ou ao bebê, nâo é difícil fazer alguma coisa para reduzi-la. Muito
simples: coloque plantas no interior da casa: as plantas têm a capacidade de absorver
gases nocivos e de liberar oxigênio no ambiente, além de enfeitá-lo.
de descarga não está ficando enferrujado. Nunca dê partida no carro com as
portas da garagem fechadas; mantenha
fechada a porta traseira da camionete
quando o motor estiver ligado; evite
entrar em filas nos postos degasolina,
com os carros a expelirem monóxido
de carbono; ao dirigir em tráfego pesado, feche a janela do carro.
• Nos Estados Unidos muitas cidades
possuem um sistema de alarme em caso de poluição atmosférica maciça. A
recomendação é de que a gestante fique em casa, com as janelas fechadas
e o ar-condicionado ligado, caso tenha
um. De resto, é seguir as instruções
dadas aos moradores do lugar que se
acham em maior risco.
• Recomenda-se não correr, n ã o caminhar e não andar de bicicleta em rodovias congestionadas, nem fazer
exercícios ao ar livre quando a poluição atmosférica é intensa: durante a
atividade física se respira mais ar —
e também mais poluição.
• Certifique-se da devida ventilação dos
fogões a gás, das lareiras e dos fogões
a lenha de sua casa. Se não estiver correta, a casa pode encher-se de monóxido de carbono e de outros gases
possivelmente perigosos.
• Preserve o ar em torno da lavanderia
doméstica com folhagens. As plarías
] 102
NO PRINCIPIO
vivas melhoram a qualidade do ar
dentro e ao redor da casa.
• Se você trabalhar em terminal de ônibus ou numa cabine de pedágio em rodovia movimentada, considere a
possibilidade de uma transferência
temporária para o serviço de escritório para eliminar mesmo o risco hipotético de que a poluição possa
prejudicar o bebê.
RISCOS OCUPACIONAIS
"Ouve-se falar muito dos perigos no tocai de
trabalho, mas como saber se o ambiente onde
se trabalha ê seguro?"
S
ó muito recentemente é que se começaram a explorar e a identificar os riscos ocupacionais e as ameaças que pairam sobre a fertilidade de trabalhadores
e trabalhadoras e sobre o bem-estar de
seus filhos ainda em gestação. As pesquisas têm se revelado inconclusivas, como
acontecê'sempre que se tenta verificar as
relações de causa e efeito entre fatores
do meio ambiente e complicações gestatórias. Em primeiro lugar, é difícil separar todos os possíveis fatores de risco
existentes na vida de uma mulher, ou
provar que o desfecho desfavorável não
tenha sido causado por alguma intercorrência genética. Em segundo lugar, embora muitas pesquisas freqüentemente
propiciem resultados curiosos, não há
como aplicá-los aos seres humanos, já
que a experimentação nestes não é, obviamente, exeqüível.
Logo, os efeitos no homem só podem
ser determinados através de pesquisas
epldemiológioas, que sQo conduzidas de
duas formas: na primeira, grandes grupos de mulheres expostas a certas substâncias são acompanhados para se
verificar qual o desfecho de sua gestação
{se houve abortamento, se 0 filho nasceu com anomalia congênita etc.); na se-
gunda, estuda-se um pequeno grupo de
mulheres que apresentou desfecho gestacional desfavorável, tentando-se descobrir se todas partilharam de um fator
de risco em comum. Nas duas formas,
os resultados auferidos não permitem
respostas definitivas ao problema: funcionam como meros indicadores.
Peto que se sabe hoje, é certo que determinados ambientes de trabalho apresentam riscos às gestantes — indústrias
químicas, centros cirúrgicos, setores de
radiologia etc. Outros ambientes até agora são considerados com incerteza, dada exigüidade das pesquisas efetuadas
para que se lhes comprove a segurança
— ou a insegurança. Na maioria dos ambientes de trabalho, muitas das preocupações sobre possíveis riscos são
injustificadas.
Dnmos a seguir um resumo do que se
sabe (e do que não se sabe) sobre a segurança em certas profissões e ocupações
durante a gravidez.
Trabalho em escritório. Hoje, nos Estados Unidos, são mais de 10 milhões de
mulheres que se sentam atrás de escrivaninhas e que operam terminais de computador. Muita controvérsia ainda existe
sobre os possíveis riscos para as gestantes da radiação emitida por tais terminais. As pesquisas feitas nesse- sentido,
desde o início da década de 80, têm sido
inconclusivas. Unia dessas pesquisas
mostrou aumento na incidência, de aborto entre mulheres que usavam os terminais durante mais de 20 horas por
semana, Mas a causa desses abortos espontâneos poderia estar em qualquer outro fator não-identificado, já que a
radiação dos terminais é baixa (inferior
à da luz do sol). Sem dúvida fazem-se necessárias pesquisas mais prolongadas para esclurecer o assunto com certeza, Mas,
até que se tenham as conclusões, o pânico não se justifica, multo menos trocar de emprego. Entretanto, se a questão
DURANTE TODA A GRAVIDEZ
a preocupa, talvez prefira tomar algumas
precauções para minimizar os riscos possíveis. Considere o seguinte:
• Nenhum problema gestacional foi encontrado eu gestantes que faziam uso
de terminais por menos de 20 horas na
semana. Se você usar o terminal durante menos de vinte horas, parece que
conseguirá eliminar até mesmo os riscos teóricos.
• Se o problema à saúde está na radiação, afirmam alguns, então é mais perigoso sentar atrás do terminal do que
na frente da tela (a parte de trás emite mais radiação), Se você trabalha em
posição inconveniente, atrás de vários
terminais, por exemplo, tente mudar
o local da mesa de trabalho.
• Outras medidas — uso de avental protetor, de filtro sobre a tela (contra a
radiação não-ionizante) — têm se
mostrado controversas. Para alguns
são absolutamente ineficazes.
Embora não se tenha provado que os
terminais possam ser causa de aborto, há
evidências de que podem causar vários
desconfortos físicos: dor no pescoço, no
punho, no braço, nas costas, além de
tonteira e dor de cabeça. Tais problemas
podem complicar os já inerentes ã gravidez. Para reduzi-los, tente o seguinte:
• Não fique sentada o tempo todo durante o dia — levante-se e caminhe,
mesmo que seja na mesma sala.
• Faça exercícios de alongamento ou de
relaxamento (ver p. 230) periodicamente enquanto estiver sentada no
terminal.
• Use cadeira de altura ajustável com
apoio para a parte baixa das costas.
Certifique-se de que o teclado e o monitor estejam em altura cômoda.
103
• Certifique-se de que os óculos são
apropriados ao uso do terminal.
Profissões da área de saúde. Desde o dia
em que o primeiro médico atendeu o primeiro paciente, todos os profissionais de
saúde (médicos, veterinários, dentistas,
enfermeiras, técnicos de laboratório etc.)
passaram a arriscar com freqüência a
própria vida para salvar a de outras pessoas. Embora os riscos façam parte inevitável do trabalho, convém que a
profissional da área de saúde, sobretudo quando grávida, se proteja o mais que
puder. Entre os possíveis riscos estão a
exposição a gases anestésicos (seja por
escapamento no centro cirúrgico ou pelo que é eliminado pelos pacientes no
pós-operatório imediato), a substâncias
químicas (óxido de etileno e formaldeído, por exemplo) usadas na esterilização
de equipamentos, à radiação ionizante
(usada no diagnóstico e no tratamento
de várias doenças), 6 a agentes antineoplásicos (contra o câncer) e a infecções,
como a hepatite B e a AIDS. Dependendo do risco em particular a q u e se está
exposto, é preciso tomar várias precauções ou passar para uma especialidade
mais segura durante algum tempo.
O trabalho em fábricas. A segurança do
ambiente de trabalho numa fábrica depende do que lá se fabrica, por exemplo,
e do esclarecimento a respeito de higiene e segurança do trabalho por parte de
quem a administra. As gestantes devem
evitar uma série de substâncias no ambiente de trabalho. Entre essas estSo: os
agentes alquilantes, o arsênico, o benze^Multos técnicos que trabalham em ralos X
diagnósticos de baixa dosagem n5o ficarão expostos a níveis perigosos de radiação. Recomenda-sc, porém, que mulheres em época de trabalho de parto, e que executem serviço com umt>
dosagem mais elevada de radiação, usem um dispositivo que mantenha o registro da exposição
diária, para assegurar que a exposição cumulativa anual não exceda os níveis de segurança.
] 04
NO PRINCIPIO
no, o monóxido de carbono, os hidrocarbonetos clorados, o dimetii sulfóxido,
os compostos mercuriais orgânicos, o
chumbo, o iítio, o alumínio, o óxido de
etileno, a dioxina e as bifeniias plicloradas. Sempre que forem instituídos os devidos protocolos de proteção ocupacional, a exposição a tais toxinas pode ser
evitada,
Aeromoças e comissárias de bordo. Tèmse sugerido que o vôo em grandes altitudes expõe a tripulação a excessiva radiação solar (sobretudo em quem voa com
freqüência). A radiação é mais intensa
junto aos pólos e menos intensa no equador. Recomenda-se que as pessoas que
voam por longas distâncias, sobretudo na
proximidade dos pólos, considerem a mudança para rotas mais curtas a menor altitude durante a gravidez. Ou que dêem
preferência ao trabalho no solo. Se estiver
preocupada a respeito, discuta o assunto
com o médico — ele pode tranqüilizá-la.
Trabalho físico extenuante. Todo o trabalho que envolve grande esforço físico,
que exige muito tempo de pé, que exige
mudança de turnos etc., aumenta o risco de a b o n o precoce e tardio, além de
aumentar o de parto prematuro e de natimortalidade. Se você esLiver num desses casos, peça a transferência para
alguma atividade menos extenuante até
se recuperar do parto e do puerpério,
(Ver p. 241 para outras recomendações.)
Outras ocupações. As professoras e as
assistentes sociais que lidam com crianças pequenas podem entrar em contato
com infecções potencialmente perigosas,
como a rubéola. As que lidam com animais, que trabalham em açougues ou que
inspecionam açougues e frigoríficos podem estar expostas à toxoplasmose (embora possam já ter desenvolvido a
imunidade, caso em que o bebê n ã o estará em risco). As que trabalham em lavanderias também se expõem a uma série
de infecções. Se você trabalhar em lugar
onde há risco de infecção, tome as precauções necessárias. Vacine-se, se for o
caso, ou use luvas, máscaras etc. (Ver as
várias infecções separadamente.)
Artistas, fotógrafas, esteticistas, agricultoras e muitas outras profissionais podem
estar expostas a uma ampla variedade de
substâncias químicas possivelmente perigosas durante o seu trabalho. Quem trabalha com substâncias suspeitas deve tomar
certas precauções, que em alguns casos pode significar não fazer a pane do trabalho
que envolve o uso de tal substância. Não
se preocupe em excesso com a exposição
que já ocorreu; na maioria dos casos a exposição que não foi maciça o suficiente
paia causar problemas na mãe dificilmente causará alguma lesão no feto.
Silêncio, por Favor
De iodos os riscos ocupacionals, o ruído í um dos mais prev atentes: já se sabe há
multo tempo q uc causa perdu da aud içâo nus
pessoas expostas regularmente. Mas nâo se
sabe como poderia afetar o bebê dentro da
barriga da m i e — se é que chega a afetá-lo.
Descobriu-se que o ruído aumenta o risco dc
aborto wpantAiiau etn animais, mus ntto es
tá claro se tem o mesmo efeito em seres humanos. As pesquisas que visavam determinar
se a exposição ao ruído em excesso poderia
causar anomalias congênitas deram resultados contraditórios. Tampouco se sabe se as
vibrações, que muitas vezes acompanham o
ruído, süo prejudiciais, Até que se saiba mais
sobre o assunto, convém que a gestante que
trabalhe ein ambiente com ruído em demailu ou que iMt«Ju expuitm :t vlbruçflj tome
conseguir uma transferência temporária do
setor, só por medida de precaução.
DURANTE TODA A GRAVIDEZ
105
O Q U E É IMPORTANTE SABER:
A SORTE DO B E B Ê
Q
uando um jogador de roleta aposta no seu número de sorte, suas
chances de acertar são bastante
remotas. O mesmo se dá quando a gestante, inadvertidamente ou não, coloca
em jogo a sorte do bebê, expondo-o a teratógenos, substâncias potencialmente
lesivas a ele. Quase sempre, ao se jogar
com a sorte do bebê, nada lhe acontece,
ele nada sofre.
Embora a isso se dê o nome sorte, são
vários os fatores que a determinam, como no caso da roleta, cuja interrupção
do movimento depende do peso da roda,
do atrito que encontra e da força com
que é rolada. Assim, entre os fatores que
determinam a sorte do bebê estão:
A potência das substâncias teratogênicas. São muito poucas as substâncias teratogênicas potentes. A talidomida, por
exemplo, droga usada no início da década de 60, causava sérias deformidades
em todos os fetos a ela expostos no útero, num momento particular de seu desenvolvimento (1 entre 5 de todos os
bebês expostos em qualquer momento
pré-natal). Outro medicamento, o Accutane, usado no tratamento da acne, só
mais recentemente conhecido como teratogênico, causava anomalias quase em
1 entre 5 exposições. No outro extremo
estão drogas como o hormônio Provera
— um progestásico — que, segundo se
pensa, só raramente causam anomalias
(no caso do Provera estima-se que 1 entre 1.000 feios expostos). A maioria dos
medicamentos situa-se entre esses dois
extremos e, felizmente, poucos sâo tão
potentes quanto a talidomida e o Accutane (e compostos afins deste último).
Muitas vezes é dificílimo dizer se determinada droga é teratogênica de fato,
mesmo quando seu uso pareça estar vinculado à ocorrência de certas anomalias
congênitas. Digamos que apareça uma
anomalia, por exemplo, em bebês cujas
mães fizeram uso de determinado antibiótico para o tratamento de alguma
infecção durante a gravidez que se acompanhava de febre alta. A causa da anomalia poderia estar na febre ou na infecção, não no medicamento. Ou então,
conforme se conjetura no caso do Provera, que era usado para prevenir o aborto
espontâneo, as malformações vinculadas
a seu emprego talvez nada tenham a ver
com o medicamento, mas se apresentam
apenas porque a droga evitou o aborto
de um embrião já malformado.
A suscetibilidade do feio ao teratógeno.
Assim como nem todas as pessoas expostas às gripes e resfriados sucumbem, nem
todo íeto exposto a uma droga teratogênica é afetado por ela.
Quando u teto foi exposto à substância
teratogênica? O período gestacional em
que os teratógenos, na maioria, são capazes de causar dano é muito breve. A
talidomida, por exemplo, não causava
lesão quando tomada depois do 52? dia.
De forma semelhante, o vírus da rubéola causa lesões em menos de IVo dos fetos quando a exposição se dá depois do
terceiro m5s.
Durante o sexto ao oitavo dia após u
fecundação (antes da regra falhar), o ovo
fecundado, ou concepto, que se expande
num conglomerado de células e que desce pela trompa de Falópio eté o útero,
] 106
NO PRINCIPIO
é particularmente insensível às substâncias que passam pelo organismo materno: raramente sofre .nessa fase alguma
malformação. Com efeito, se sofrer alguma lesão menos importante, tem a capacidade de reparar o dano. O único
risco é o de nâo sobreviver por algum erro genético ou ser destruído por algum
fator externo, como uma dose muito alta de radiação.
O período durante o qual se formam
os órgãos — da implantação do ovo no
útero por volta de seis ou oito dias até
o final do primeiro trimestre — é o intervalo de tempo em que o risco de malformação é maior. Depois do terceiro
mês, o risco desse tipo de lesão se reduz.
As agressões a partir daí sofridas ou afetam o ritmo de crescimento fetal ou o seu
sistema nervoso central.
Tempo de exposição. A maioria dos efeitos teratogênicos guarda relação com a
dose do„agente. A breve exposição aos
raios X durante uma radiografia de rotina dificilmente causará algum problema. Já uma seqüência de radioterapia
seria capaz de causar. O tabagismo moderado durante os primeiros meses provavelmente não afeta o concepto; o
tabagismo inveterado durante toda a
gravidez aumenta certos riscos de forma
bastante significativa.
Estado nutriclonal da gestante. Pesquisas em animais mostram que certas anomalias aparentemente causadas por
fármacos, em alguns casos, sâo na realidade decorrentes de má nutrição; o fármaco se limitou a diminuir o apetite e
também, em conseqüência, a ingesta de
água e de alimento, Assim como quando se resiste mais a uma virose quando
se está bern-nutrido e repousado, também o concepto resistirá melhor a terutógenos se apresentar bom estado
nutrlclonal — através de voeê, naturalmente.
A gestante foi afetada pela exposição?
É tranqüilizador saber que a exposição
química que nào é tóxica o suficiente para causar sintomas na mâe costuma não
ser tóxica a ponto de causar problemas
no feto.
Interação entre os fatores de risco. A
tríade: má alimentação, tabagismo e abuso de álcool, o uso concomitante de cigarro e de tranqüilizantes e outras
combinações aumentam enormemente os
riscos.
Etistência de fatores protetores desconhecidos. Mesmo quando todos os fatores parecem idênticos, nem iodos os
conceptos são atingidos da mesma forma. Em experimentos com fetos de cam u n d o n g o d e idêntica linhagem
genética, expostos aos mesmos teratógenos em idênticas fases do desenvolvimento e em doses iguais, só 1 em 9 apresentava malformações congênitas. Não
se sabe exatamente por quê, embora talvez algum dia a ciência médica venha a
encontrar a solução do mistério.
PONDERANDO RISCOS
VERSUS BENEFÍCIOS
S
erá que a gestante de hoje deve recear pela vida e peto bem-estar do bebê só porque este se desenvolve num
mundo cheio de riscos ambientais? Certamente que nâo — e por várias razões.
Primeiro, os medicamentos e demais fatores do meio ambiente só conseguem explicar menos de 1% de todas as anomalias congênitas — e estas afetam apenas dc 3«A a 4u/u de todos os bebes. O
risco gerut é baixíssimo, mesmo qut.ndo
a gestante já tiver sido exposta a agente
teratogênico específico. Segundo, se não
tiver sido exposta, o conhecimento dos
riscos ajuda a evitá-los, fazendo melho-
DURANTE TODA A GRAVIDEZ
raretn ainda mais as chances do bebê.
Terceiro, apesar das advertências sombrias que se fazem nas manchetes dos
meios de comunicação, nunca foram tão
boas as chances de se ter um filho sadio,
normal.
Claro que nenhuma decisão nesta vida está totalmente livre de riscos. Mas,
ao tomarmos decisões, aprendemos a pesar os riscos contra os benefícios. Muito mais importante é ter essa conduta na
gravidez, quando cada decisão tomada
pode vir a interferir na segurança e no
bem-estar não de uma, mas de duas vidas. Ao decidir se pára ou não de fumar,
se toma ou não um aperitivo antes do
jantar, se vai comer um chocolate ou
u n u maçã enquanto assiste à televisão,
você deve ponderar riscos e benefícios.
Será que os benefícios decorrentes do fumar, do beber e do comer chocolate valem os riscos a que se expõe o bebê?
Ora, na maioria das vezes a resposta
talvez seja não. Mas de vez em quando
talvez convenha arriscar. Um pequeno
copo de vinho, por exemplo, para comemorar o aniversário: o risco para o bebê
é praticamente nulo e o beneficio (um
aniversário mais alegre) é de fato importante. Ou então uma grande fatia de bolo, rica em açúcar e gordura, nesse
mesmo aniversário — na verdade uma
porção considerável de calorias inúteis.
Mas esse vinho e bolo não privarão o bebê dos nutrientes necessários a longo prazo e, afinal, é o seu aniversário,
Algumas dessas decisões são fáceis,
Po~ exemplo, o consumo habitual dc álcool durante a gravidez é capaz de comprometer o feto peto resto da vida (ver
p. 83). A renúncia ao hábito de beber talvez exija um esforço considerável, mas
os riscos de não o fazer são claros.
Digamos, porém, que V O C Ê esteja com
unm infecção e u febre alta crie uma
ameaça pura o bebê. O médico tiBo deve hesitar em usar da medicação — a
mais segura na inenor dose eficaz possível — para debelar a infecção e acabar
107
com a febre. Nessa eventualidade, os benefícios do tratamento medicamentoso
suplantam sem sombra de dúvida os possíveis riscos. Já uma febrícula, por outro lado, não vai prejudicar o bebê e até
vai ajudar o corpo a combater o processo infeccioso. Assim, antes de recorrer
aos medicamentos, o médico provavelmente dará uma oportunidade para que
o organismo se recupere sozinho, na
premissa de que os possíveis riscos suplantem os benefícios do uso de medicamentos.
Já outras decisões não são tão simples.
No caso, por exemplo, de um resfriado
acompanhado de sinusite, com dores que
a mantêm de pé durante a noite. Convém tomar algum remédio para se conseguir ao menos dormir? Ou se deve
passar noites e noites de insônia que não
lhe farão bem e nem ao bebê? Nesses casos o melhor a fazer é:
• Descobrir outras possibilidades em
que se obtenham os benefícios com
menores riscos — talvez através de
métodos que excluam medicamentos
(ver o Apêndice). Vale a petia tentar.
Se tais recursos não derem resultado,
torne a avaliar a opção inicial — nesse caso, comprimidos.
• Indagar ao médico a respeito dos riscos e dos benefícios. É importante
lembrar que nem todos os medicamentos causam anomalias congênitas, e
muitos podem ser usados com segurança durante a gravidez. A cada dia
novas pesquisas vêm lançando luz
quanto à segurança ou à falta de segurança no uso de vários medicamentos. Os médicos têm acesso a essas
Informações.
• Procurar Informações por conta própria: em revistas, em livros, Esclarecer as dúvidas com o médico.
108
NO PRINCÍPIO
* Verificar se existe alguma f o r m a de
aumentar os benefícios e/ou de reduzir os riscos (por exemplo, usando o
antiálgico mais eficaz e mais seguro,
na menor dose eficaz e pelo período
de tempo mais breve possível) e tentar assegurar os primeiros se assumir
os segundos (tomar o comprimido ao
ir para a cama, para garantir também
o devido repouso ao organismo).
•» Ao consultar o médico e, se necessário, geneticista ou subespecialista em
medicina materno-fetal, reunir todas
as informações disponíveis, pesar os
prós e os contras... e tomar a decisão.
Durante a gestação, a grávida se verá
diante de incontáveis situações que exigirão uma decisão inteligente. Quase todas as decisões da gestante terão um
impacto sobre as suas chances de ter um
bebê sadio. Uma ou outra decisão precipitada não será catastrófica — o efeito sobre a probabilidade terá sido muito
pequeno. Se a leitora já cometeu algumas dessas imprudências não tão importantes e não há como desfazê-Ias,
simplesmente deixe-as de lado. Apenas
tente acertar mais a partir de entào até
o fim da gravidez. E lembre-se: as chances são muito maiores em favor do bebê!
—4—
A Dieta
Ideal
H
t
á um minúsculo ser que está se
desenvolvendo dentro de você. Já
sâo muito boas as chances de que
venha a nascer com saúde. Mas é dada
à gestante a oportunidade de melhorar
tais chances ainda mais — assegurandolhe não só uma boa saúde, mas uma saúde excelente —, oportunidade que surge
sempre que a gestante vai se alimentar.
Não se trata de teoria vã. Uma pesquisa feita pela Escola de Saúde Pública da
Universidade de Harvard ilustra de forma extraordinária o íntimo vínculo existente entre a condição de saúde do bebê
ao nascimento e a dieta materna durante a gestação. Das mulheres pesquisadas
cuja dieta foi considerada boa ou excelente, praticamente 95% deram à luz bebês com boa ou excelente condição de
saúde. Por outro lado, tão-somente 8%
das gestantes que se alimentaram realmente mal (via de regra, através de refeições ligeiras, de baixo valor nutritivo)
tiveram filhos com bom ou excelente estado de saúde e 65% delas tiveram bebês com problemas de maior gravidade:
natimortalidade, prematuridade, imaturidade funcional, anomalias congênitas.
Evidentemente, as mulheres pesquisadas, na grande maioria (como a maior
parte das gestantes), seguiram uma dieta que, embora não fosse excelente, também nâo era a pior possível. Sua alimentação oscilou em torno da média, assim como a saúde de seus filhos. Oitenta e oito por cento tiveram filhos com
saúde boa ou regular. Apenas <5%
tiveram-nos com saúde de fato excelent e — o que desejaríamos, afinal, para todas as nossas crianças.
Já outras pesquisas mostraram que o
efeito da dieta é de longo alcance vez por
outra. O que a gestante come ou deixa
de comer pode ter um efeito sobre os órgãos em desenvolvimento do bebê {a falta de proteínas e de calorias no último
trimestre, por exemplo, pode interferir
no desenvolvimento cerebral e também
se acredita que a falta de ácido fólico pode se vincular a falhas do tubo espinhal).
Esse efeito também se estende ao crescimento global do feto (a má alimentação
ou a alimentação insuficiente pode retardar o crescimento fetal intra-uterino).
Mas as pesquisas revelam também que
os hábitos alimentares podem ter um
efeito sobre o perfil evolutivo da gravidez (certas complicações, como a anemia
e a pré-eclâmpsia, são mais comuns entre gestantes mal nutridas); podem ter
efeito sobre o bem-estar da gestante (n
fadiga, a náusea matinal, aconstipação,
as câíbras e um cortejo de outros sintomas gravídicos podem ser minimizados
ou evitados pela boa dieta); sobre o trabalho de parto e o parto (em geral, as
mulheres bem alimentadas e bem nutridas têm menor probabilidade de parto
prematuro; especificamente, a deficiência de zinco se associa a maior risco de
trabalho de parto prematuro); sobre o estado emocional (a boa dieta ajuda a ate-
] 110
NO PRINCIPIO
nuar as oscilações de humor); e sobre a
recuperação no puerpério (o corpo bem
nutrido se recupera com mais facilidade; o peso adquirido compassadamente
e à base de alimentos nutritivos também
é perdido mais depressa).
Se os seus hábitos nâo forem dos mais
disciplinados ou dos mais virtuosos, a
Dieta Ideal,* por nós indicada, representará para você um verdadeiro desafio.
Mas ao considerar o resultado dos esforços empreendidos — favorecer a chance
de ter um filho com ótima saúde e de
uma recuperação mais rápida da gestação e do parto — achamos que esse desafio se justifica: vaie a pena aceitá-lo.
*É preciso entender o espírito da dieta ideal das
autoras. Essencialmente, é uma dieta rica em
proteínas (hiperprotélca), com baixo teor de gorduras, teor moderado de açúcares (principalmente sob a forma de carboidratos complexos) e
valor calórico adequado às necessidades da gestante. Ao confrontarmos certos hábitos alimentarei dos brasileiros com as recomendações
dietéticas sugeridas, impõem-se certas conclusões. A feijoada completa, por exemplo, riquíssima em gorduras, não lem vez no cardápio
ideal. Dos alimentos em geral devem-se preferir
os cozidos aos fritos, os naturais aos enlatados,
e assim por diante. Outros hábitos comuns —
o chope com batatas fritas em fins de tarde, o
bombom ou o chocolate de vez em quando etc.
— estão terminantemente proscritos pela dieta
proposta.
Segui-la à risca é difícil. Pode parecer difícil
ainda manter, por meses a fio, uma dieta rica
em proteínas com variedade no cardápio: para
o comum das famílias brasileiras, a dieta hiperprotíica variada, se baseada em peixes, crustáceos. carnes de primeira, pode ficar muito cara.
Mas isso é facilmente contornado com um mínimo de criatividade e dc conhecimento. As proteínas são encontradas em muitos outros
alimentos de grande valor nutritivo: o feijflosoja, o feijâo-preto, o feijào-branco, os ovos,
a lentilha, o trigo integral etc. Dal a conclusão:
uma dieta de alto valor nutritivo pode ser dieta
de baixo custo. (N. do X.)
'Também nunca se deve jejuar durante a gravidez. Um» penqulua iiraulemie revelou um ttumen•o no número de partON logo apôs o lom Klppur,
o Dia da Explaçâo, sugerindo que o jejum ao
fim da gravidez é capaz de desencadear o parto
prematuro,
NOVE PRINCÍPIOS
ELEMENTARES PARA
NOVE MESES DE
ALIMENTAÇÃO SADIA
Levar em consideração tudo o que
come. A gestante só dispõe de nove meses de lanches e refeições com os quais
assegurar o melhor começo de vida para o bebê. Todos contam. Antes de fechar a boca numa garfada, é preciso
considerar: "É o melhor que posso dar
ao meu bebê?" Em caso afirmativo,
prossiga. Mas se o que ali está só vai
satisfazer a gula ou o apetite, afaste o
garfo.
Nem todas as calorias são iguais. Cento
e cinqüenta calorias de rosquinhas, por
exemplo, não são iguais a 150 calorias
de bolinhos de trigo integral, adoçados
com suco. Nem as 100 calorias encontradas em 10 batatas fritas são equivalentes às 100 encontradas em batatas cozidas com casca (ou numa porção das
nossas batatas fritas ideais; ver p. 123).
Assim, escolha as calorias com cautela
dando preferência à qualidade sobre a
quantidade. O seu filho se beneficiará
muito mais com 2.000 calorias provenientes de alimentos nutritivos do que
com 4,000 oriundas de fonte calórica
"vazia".
O jejum da gestante é o jejum do bebê.
Assim como nâo pensaríamos em fazer
jejuar o nosso filho depois de nascido,
não havemos de fazê-lo jejuar durante
a vida intra-uterina. O feto nâo conseguirá nutrir-se das carnes da mamãe, por
mais robusta que ela seja; necessita de
nutrição regular a intervalos regulares.
Nunca, nunca deixe de fazer essa ou
aquela refeição.' Metmio quando a gestante não sente fome, o bebê sente. Se
uma azia persistente ou uma constante
sensação de plenitude estão lhe estragan-
A DiETA IDEAL
cio o apetite, distribua a sua alimentação
em seis pequenas refeições por dia, em
vez de três grandes.
É preciso eficiência na nutrição. Cumpre atender às necessidades nutricionais
diárias da forma mais eficaz possível, assegurando o aporte calórico exigido. Comer seis colheres de manteiga de
amendoim (se você conseguisse empurráias) com 600 calorias, ou seja, cerca de
25% das necessidades diárias, é bem menos eficiente para se conseguir 25 g de
proteína do que comer 100 g de atum
com 125 calorias. E, para obter 300 mg
de cálcio, comer uma xícara e meia de
sorvete (cerca de 450 calorias) é forma
bem menos eficaz do que tomar um copo de leite desnatado (cerca de 90 calorias) ou uma xícara de iogurte com baixo
teor de gordura (100 calorias). As gorduras, por terem o dobro de calorias por
grama das proteínas e dos carboidratos
(glicidios\ são particularmente ineficientes como fonte nutritiva. Preferir as carnes magras às gordas, o leite e laticínios
magros aos gordos, os alimentos assados
ou grelhados aos fritos; pouca manteiga a muita; fritar alimentos com uma colher (chá) de gordura a fritá-los com 1/4
de xícara, da mesma gordura.
A eficiência é importante também para quem encontra dificuldade em ganhar
peso suficiente. Para fazer o ponteirinho
da balança subir, dê preferência aos alimentos densos em nutrientes e calorias
— abacates, nozes, castanhas, amêndoas
e frutas secas, por exemplo — que bem
atendam as suas necessidades e as do bebi, Evite as trocas calóricas que promovem a perda de peso (pipocas, saladas
mistas etc.)
Esteja você tentando ganhar mais ou
menos peso, ou tentando introduzir à
força o* do/e componente* diários da
dieta Ideal numa barriga multo cheia, Incômoda e enjoada, sempre que possível
opte por alimentos que atendam a duas
111
ou mais exigências nutricionais com uma
só porção — por exemplo, brócolis (vitamina C, fibras e cálcio); iogurte ou salmão enlatado (proteínas e cálcio);
damascos secos (frutos amarelos e ferro). (Os doze componentes são indicados
a partir da p. 113).
Os carboidratos são tema complexo.
Algumas gestantes, receando ganhar
muito peso durante a gravidez, equivocadamente eliminam os carboidratos
da dieta como se fossem batatas quentes. Os carboidratos refinados e / o u simples, verdadeiros (como o pão branco, o arroz branco, os cereais refinados,
os bolos, os biscoitos, os doces e alguns
dos salgados, os açúcares e os melados)
são fracos como fonte nutritiva—acrescentam pouco além de calorias. Já os
carboidratos não-refinados e/ou complexos (pão integral, cereais não-refinados,
arroz integral, legumes, feijão, ervilha e
as batatas cozidas — sobretudo com casca) asseguram o aporte de elementos essenciais: vitamina B, oligoelementos,
proteínas e fibras. São bons não só para
o bebê mas para a gestante. Ajudam a
eliminar a náusea e a constipação e, como são ricos em fibras mas não engordam (a menos que sejam servidos com
manteiga ou molhos), ajudam também
a manter o peso baixo. Além disso, o
consumo abundante de fibras (carboidratos complexos) parece reduzir o risco de diabetes gestacional.
Nada de doces: só trazem problemas.
Nenhuma caloria é mais inútil, e portanto mais desperdiçada, do que a do açúcar. Mais: os pesquisadores hoje
descobrem que o açúcar não é só destituído de valor como também pode ser
prejudicial. As pesquisas sugerem que,
além de promover cáries, talvez esteja
implicado no diabetes, nas doenças cardíacas, no depremfto e em alguns casos
de híperatlvidade. É possível que o maior
problema do açúcar esteja no fato de ser
encontrado sobretudo em alimentos que
] 112
NO PRINCIPIO
representam a destruição nutritiva: doces e produtos cozidos, feitos de farinha
fina e branca e com excesso de gordura.
Os substitutos do açúcar (mesmo o aspartame, que acredita-se que seja de uso
seguro na gestação; ver p. 93) são questionados como opção para todo o açúcar que a gestante comum está habituada
a consumir, em parte porque tais adoçantes são muilas vezes encontrados em
alimentos de menor valor nutritivo.
Para doces deliciosos e nutritivos substitua o açúcar por frutas e suco de frutas (sucos concentrados). São quase tão
doces quanto o açúcar mas contêm mais
vitaminas e oligoelementos. Os produtos
assim adoçados quase que invariavelmente são feitos de grãos integrais e de
gorduras benéficas, sem aditivos químicos duvidosos. Faça os seus doces em casa, use das receitas indicadas neste
capítulo e faça sua escolha dentre a seleção, cada vez mais abundante, nas
boas lojas de alimentos e nos supermercados. Mas leia os rótulos para certificarse que a substituição do açúcar não seja
a única vantagem de um produto de baixo valor nutricional.
Na dieta ideal recomendamos limitar
o consumo de açúcares refinados (mascavo, branco, turbinado, mel, xarope de
bordo, xarope de milho, frutose etc.) durante a gestação a ocasiões especiais. Todas as calorias do açúcar podem vir de
alimentos que dão maior retorno nutricional ao bebê.
Comer alimentos que guardem lembrança de onde vieram. Se as suas vagens não
vêem há meses seus campos de origem
(por terem sido cozidas, processadas,
preservadas e enlatadas desde o cultivo),
provavelmente nâo vão mais trazer os
benefícios naturais para você e o seu bebe. De preferínclu u fruttts, legumes e
verduras frescos da sua época correta ou
que foram congelados em estado natural, se não houver disponibilidade de
produtos frescos ou se você não tiver
tempo para prepará-los (os que foram
congelados imediatamente após a colheita são tão nutritivos quanto os frescos).
Procure comer verduras e legumes crus
(ou frutas) todos os dias. Cozinhe os legumes no vapor (no bafo) ou refogueos um pouco, para que retenham o seu
teor de vitaminas e sais minerais. Escalde as frutas em suco sem acrescentar açúcar. Evite os alimentos preparados com
aditivos químicos, açúcar e sal na linha
de produção; costumam ser de baixo valor nutritivo. Dê preferência ao peito de
frango fresco à empada de galinha; os
pratos de forno feitos com ingredientes
frescos e não com uma mistura de ingredien;es processados quimicamente; o
mingau de aveia feito com aveia fresca
trilhada (você pode temperá-lo ccm canela e frutas secas picadas) e não com as
variedades açucaradas de preparo instantâneo.
Fazer da questão da boa alimentação um
caso de família. Se houver elementos
subversivos em casa, pedindo-lhe para
fazer brigadeiros ou para incluir batatas
fritas na lista de compras, pode apostar:
a Dieta Ideal não vai ter nenhuma chance. Assim, faça dos outros membros da
família seus aliados, colocando todos na
mesma dieta. Faça biscoitos de aveia
com frutas (p. 126) e não os de chocolate (brigadeiros etc.) Traga para casa biscoitos crocantes de trigo integral, e não
batatas fritas. Além de um bebê mais sadio e de uma mamãe mais magrinha, no
puerpério se terá também um marido
mais elegante e filhos (se você jâ os tiver) com melhores hábitos alimentares.
Continue com a Dieta Ideal para toda a
família depois do parto e você estará
dando a cada membro — principalmente ao mais novo deles — as melhores
chances de uniu vídtt muls longa e tnuls
sadia.
Não sabotar a dieta com maus hábitos.
A melhor dieta pré-natal do mundo se-
A DiETA IDEAL
rá facilmente estragada se a gestante não
seguir o conselho de abster-se de bebidas alcoólicas, do cigarro e de outras
drogas pouco seguras. Leia sobre o assunto no Capítulo 3 e, se já leu, trate de
mudar de hábito.
OS DOZE COMPONENTES
DIÁRIOS DA DIETA IDEAL
As calorias. O velho adágio que diz que
a grávida come por dois é verdadeiro.
Mas é importante lembrar que um desses dois é um feto minúsculo em desenvolvimento cujas necessidades calóricas
são bem menores que as da gestante —
algo em torno de 300 calorias/dia. Portanto, se você é de peso mediano, só precisa de 300 calorias a mais para manter
o peso gestaciona!. J Durante o primeiro
trimestre talvez precise de menos de 300
calorias extras por dia, salvo se quiser
compensar o seu baixo peso inicial. Ao
acelerar-se o metabolismo com o evoluir
da gravidez, talvez passe a necessitar de
inais de 300 calorias ao dia. Apesar das
muitas dietas para gestantes que lhe recomendam comer alimentos que dariam
para uma família de quatro pessoas, consumir calorias além das que o bebê necessita para o crescimento e das que você
necessita para desenvolvê-lo é desnecessário e desaconselhável. Consumir poucas calorias, por outro lado, não só é
desaconselhável como também potencialmente perigoso; as mulheres que não
consomem calorias o suficiente durante
a g/ivtdez — sobretudo no segundo e
J
Para descobrir quantas calorias são necessárias
para que a gestante mantenha o peso prégestacional, é só multiplicar o peso antes da gestação por 12 em caso de vida sedentária, por 15
em «uno dc utlvidudu muderudu o por 21 oin caso dc atividade imensa, Como o ritmo de metabolismo calórico varia dc pessoa a pessoa mesmo
durante a gravidez, as exigências culóricus também variam e os valores calculados acima são
só aproximados.
106
terceiro trimestres — podem prejudicar
seriamente o desenvolvimento do bebê.
Existem quatro exceções a essa fórmula básica. Em cada um desses casos a gestante deve discutir as suas necessidades
calóricas com o médico: a gestante obesa, que com a devida orientação nutricional poderá reduzir o aporte calórico
indicado; a gestante excessivamente magra, que certamente necessita dc maior
aporte; a adolescente que, ainda em crescimento, tem necessidades nutricionais
especiais; e as gestantes com fetos múltiplos, que necessitarão de mais 300 calorias para cada um deles.
Ter de acrescentar mais 300 calorias
por dia parece um sonho para quem gosta de comer, mas é triste dizer que não
é verdade. No momento em que você ingerir os seus quatro copos de leite (total
de 380 calorias para o leite magro ou desnatado) ou o equivalente em alimentos
ricos em cálcio, e consumir as suas porções a mais de proteína, já terá ultrapassado a cota permitida. Isso significa que
em vez de acrescentar alimentos saborosos e supérfluos, provavelmente terá
mesmo é de eliminar aqueles com que já
está acostumada para bem nutrir o bebê
e manter um ganho de peso conveniente. Para certificar-se de que conseguirá
o máximo rendimento nutricional de
suas calorias, torne-se uma especialista
em dietas eficientes (ver p. 1IO).
Mas embora as calorias contem significativamente durante a gestação, você não precisa "contá-las". Em vez de
se preocupar com complicados cálculos a cada refeição, suba numa boa baiunça uma vez por semana para ver seu
progresso. Pese-se na mesma hora do
dia, nua ou usando as mesmas roupas
(ou roupas de mesmo peso) para não
prejudicar a medida. Se o ganho de peso
estiver no compasso certo (aproximadamente 45 g a 50 g por semana no segundo e no terceiro trimestres; ver p. 182)
o aporte calórico está correto. Se o ganho de peso for inferior a esse valor, o
] 114
NO PRINCIPIO
aporte está insuficiente; na hipótese contrária, está era excesso. Reajuste o aporte
nutricional conforme o necessário, mas
sem nunca eliminar preciosos nutrientes
da dieta junto com as calorias. E continue a acompanhar o seu ganho de peso
semanalmente para ver se está no caminho certo.
As proteínas (4 porções ao dia). Os aminoácidos que compõem as proteínas sâo
os blocos de construção das células humanas e de particular relevância quando
se "constrói" um bebê. Tánto a falta de
proteínas quanto a de calorias guardam
relação com bebês pequenos para a idade gestacional. Assim, o consumo diário
de proteínas pela gestante deve ser, no mínimo, de 60 a 75 gramas. Achamos que
100 gramas, a quantidade em geral recomendada para as gestações de alto risco,
é um patamar mais seguro, já que a maior
quantidade talvez ajude a evitar que a gestante ingresse em grupo de alto risco.3
Embora a meta de 100 gramas de proteína possa parecer muito grande, os norteamericanos, por exemplo, normalmente
consomem essa quantidade por dia. Para obter os 100 gramas basta comer um
total de quatro porções de Alimentos Ricos em Proteína da Classificação dos Alimentos para a Dieta Ideal (ver p. 119). Ao
computar as porções de proteína, não se
esqueça de contar também a proteína
existente em muitos dos alimentos ricos
em cálcio: um copo de leite ou 30 g de
queijo fornecem cerca de um terço das calorias numa porção de proteína; uma xícara de iogurte é Igual a meia porção; 120
g de salmão enlatado eqüivalem a uma
porção completa.
'As mulheres que nflo eslâo Ingerindo uma
quantidade suficiente de calorias (talvez devido
A iidusou d uot vfimltu») neeuHltum d« uma quantidade maior de proteínas, de modo que ao mesmo tempo h sua necessidade de energia e ü
formação do bebi, Eílai devem ae certificar de
que consumam peio inenosquatro porções diariamente,
Se no fim do dia faltar meia porção,
ou mesmo uma porção inteira, preencha
a cota antes de dormir com um lanche
rico em proteína. Tente, por exemplo,
uma salada com ovos (meia porção de
proteína quando feita com 1 ovo e duas
claras) e com biscoitos de trigo integral;
o Milk Shake Duplo (dois terços de uma
porção de proteína; ver p. 125); ou 3/4
de xícara de queijo ricota magro (uma
porção de proteína) enfeitada com frutas frescas, passas, caneta ou tomate e
manjericão picados. Não use, entretanto, suplementos protéicos líquidos ou em
pó para complementar a necessidade diária de proteínas — podem ser prejudiciais.
Alimentos ricos etn vitamina C: duas
porções por dia. Você e o seu bebê precisam de vitamina C para a reparação
dos tecidos, a cicatrização de feridas e
diversos outros processos metabólicos
(que utilizam nutrientes). O bebê também precisa dessa vitamina para o devido crescimento e para o desenvolvimento
de ossos e dentes fortes, Tiata-se de um
nutriente que o organismo nâo consegue
armazenar, e por isso precisamos renovar o estoque diariamente. Os alimentos
para essa finalidade devem ser consumidos frescos, sem cozinhar, já que a exposição à luz, ao calor e ao ar uestróí a
vitamina no decorrer do tempo. Conforme você pode ver na listas dos alimentos arrolados, o velho suco de laranja
está longe de ser a única, ou mesmo a
melhor, fonte dessa vitamina essencial.
Alimentos ricos em cálcio: quatro porções por dfa. Nos seus tempos de escola
você provavelmente ficou sabendo que
as crianças em crescimento precisam de
multo cálcio paru ter ossos e dentes fortes e sadios. Ora, o mesmo serve para o
feto em crescimento até que se trauiforme num bebê plenamente desenvolvido.
O cálcio é vital para o desenvolvimento
A DiETA IDEAL
do;, músculos, do coração e dos nervos,
e também para a coagulação do sangue
e para a atividade enzimática. Mas não
é só o bebê que sai perdendo se você não
ingerir cálcio suficiente. Se o aporte desse
elemento for insuficiente, o bebê vai
retirá-lo dos seus próprios depósitos (nos
ossos) para preencher a sua cota,
preparando-a para uma osteoporose
mais adiante. Ainda outro motivo para
beber leite (ou ingerir cálcio sob outras
formas) está no resultado de uma pesquisa recente indicando que o consumo elevado de cálcio a j u d a a prevenir a
hipertensão induzida pela gestação (préeclâmpsia).
Seja portanto diligente e não deixe de
consumir quatro porções de alimentos ricos em cálcio por dia, E não se preocupe se a idéia de quatro copos de leite por
dia não lhe atrair. O cálcio não precisa
ser servido em copos. Pode ser servido
num pote de iogurte, num pedaço de
queijo, numa porção grande de queijo ricota. Pode ser disfarçado em sopas, pratos de forno, pães, cereais, sobremesas;
isso é bem fácil quando se encontra na
forma de leite em pó sem gordura ou leite desnatado evaporado (1/3 de xícara e
1/2 xícara, respectivamente, eqüivalem a
um copo cheio de leite, ou a uma porção
de cálcio). Se você optar pelo copo, pode dobrar o teor de cálcio em cada um
misturando o leite com 1/3 de xícara de
leite em pó sem gordura (ver Milk Shake
Duplo, p. 12S). Para as que não toleram
laticínios, o cálcio pode vir também de
outras fontes. Consulte a lista â p, 120.
Para as que nflo têm como certificarse da quantidade de cálcio que estão ingerindo ao dia (vegetarianas, pessoas
com intolerância á lactose) pode-se recomendar a suplementação com cálcio.
Frutuü, legumes e verduras: trfs porções
ao dia ou mais. Preferido dos coelhinhoit. esse grupo de alimentos fornece vitamina A, sob a forma de belacaroteno,
vital para o crescimento celular (as célu-
108
las do bebê se multiplicam num ritmo
fantástico), a vitalidade da pele, dos ossos e dos olhos, sendo capaz ainda de reduzir o risco de alguns tipos de câncer.
As verduras e os legumes também asseguram certa dose de vitaminas essenciais
(vitamina E, riboflavina, ácido fólico,
Bj), numerosos sais minerais (muitas
verduras propiciam boa quantidade de
cálcio e de oligoelementos) e fibras anticonstipantes. Uma abundante seleção
das fontes naturais mais eficazes de vitamina A está indicada numa lista de
Verduras, Legumes e Frutas à p. 121. As
que não gostam de verduras talvez se surpreendam ao saber que a cenoura e o espinafre não são as únicas fontes de
vitamina A; de f a t o , ela é fornecida por
muitos deliciosos doces naturais — damasco seco, pêssegos, melão (cantalupo)
e manga, por exemplo. E as que gostam
de legumes e verduras sob a forma de suco saibam que um copo de coquetel de
legumes conta para preencher a cota diária necessária.
Outras frutas e hortaliças: duas porções
ao dia ou mais. Além dos produtos ricos em vitamina A e C, você necessita
de pelo menos dois outros tipos de frutas ou de verduras e legumes por dia —
para obter mais fibras, mais vitaminas
e mais sais minerais. Muitos desses são
ricos em potássio ou/e magnésio, ambos
importantes para uma gestação saudável,
e em boro, cuja importância só agora começa a ser compreendida. Consulte a lista à p. 121.
Grãos Integrais e legumes: cinco porções
ao dia, ou mais. Os grãos da variedade
integral (trigo, aveia, centeio, cevada,
milho, arroz, painço, milho miúdo, soja, e assim por diante) e certas leguminosas (ervilhas e feijões secos) são ricos
em nutrientes, sobretudo as vitaminas do
complexo B, tão necessárias para o corpo do bebê em desenvolvimento, Esses
carboidratos complexos concentrados
] 116
NO PRINCIPIO
são também ricos em oligoelementos, como o zinco, o seiênio, o magnésio, que
comprovadamente são de grande importância durante a gestação. Os amiláceos
podem também ajudar a atenuar o enjôo matinal.
Embora todos eles tenham muitos nutrientes em comum, cada um tem propriedades próprias. P a r a m á x i m o
benefício, inclua uma ampla variedade
de carboidraios complexos na sua dieta.
Seja aventureira: faça um empanado de
peixe usando farelo de aveia temperado
com ervas e queijo parmesão. Acrescente
alguma variedade de trigo a seu prato de
arroz à moda oriental (pilau). Empregue
cevada trilhada na sua receita preferida
de mingau de aveia. Use feijão-branco
na sopa.
Não inclua na sua conta os grãos refinados (pães ou cereais crocantes feitos
com farinha de trigo, por exemplo) como se atendessem às suas necessidades
regularmente. Mesmo os "enriquecidos"
ainda carecem de fibras e na grande
maioria lhes faltam as vitaminas e os oligoelementos encontrados nos originais
Alimentos ricos em ferro: alguns por dia.
Como são necessárias grandes quantidades de ferro para aporte sangüíneo em
desenvolvimento do feto e para o seu
próprio aporte de sangue em expansão,
precisará de um maior suprimento durante os nove meses, maior do que em
qualquer outro período da vida. Assegure esse suprimento o mais que puder com
a dieta (ver lista à p. 122). O consumo
de alimentos ricos em vitamina C á mesma hora em que os ricos em ferro ajuda
na absorção do mineral pelo corpo.
Como multas vezes é difícil atender à
necessidade gestacional de ferro só com
a dieta, recomenda-se que, desde a 12."
semana de gestação, a gestante faça uma
de suplemento — 30 miligramas de ferro ferroso ao dia, Para aumentar a absorção do suplemento de ferro, convém
tomá-lo entre as refeições com suco de
frutas ricas em vitamina C ou com água
(mas não com leite, chá ou café). Se estiverem baixas as reservas de ferro da
gestante, talvez o médico prescreva 60 a
120 miligramas ao dia.
Alimentos ricos em gordura: quatro porções inteiras ou oito meias porções, ou
uma combinação equivalente ao dia. Segundo diretrizes gerais de nutrição, não
mais do que 30% das calorias do adulto
devem provir de gordura (na dieta norteamericana média, 40% das calorias vêm
da gordura). As mesmas diretrizes se
aplicam às gestantes adultas. Isso significa que se você pesar mais ou menos 60
quilos e precisar de 2.100 calorias por dia
(ver p. 113 e Apêndice se pesar mais ou
menos), não mais do que 630 dessas calorias devem vir das gorduras. Como
bastam 70 gramas de gordura (quanto se
encontraria numa grossa fatia de quiche)
para atingirmos as 630 calorias, essa exigência é a mais fácil de atender — e a
mais fácil de ultrapassar a cota permitida. E embora não haja problema em
abusar dos legumes e dos alimentos ricos em vitamina C, ou mesmo dos alimentos integrais ou ricos em cálcio, o
excesso de gordura acarreta excesso de
peso. Ainda assim, embora seja boa
idéia manter moderado consumo de gordura, eliminar toda a gordura da dieta
é atitude potencialmente perigosa. A gordura é vital para o bebê em desenvolvimento; os ácidos graxos essenciais que
propicia são exatamente isso — essenciais.
Fique atenta aos alimentos ricos cm
gordura que comer todos os dias; atenda à cota, mas pare antes de excedê-la,
Não esqueça que a gordura usada no cozimento e no preparo dos alimentos também conta. Se você fritou ovos em meia
colher de sopa de margarina (1/2 porçflo) e fez uma pasta de atum com maionese (1 porção) Inclua essa quantidade na
sua cota diária.
Se você não estiver ganhando peso su-
A DiETA IDEAL
firiente, e se o aumento do consumo dos
outros alimentos nutritivos não for eficaz, tente acrescentar uma porção a mais
de gordura por dia (mas não mais); as
calorias concentradas que proporciona
podem ajudá-la a atingir o peso ideal.
Pai a informações sobre o colesterol na
gravidez, ver p. 160,
Alimentos sulgtidos: com moderação.
Há tempos se recomendava a restrição
de sal na dieta da grávida, por contribuir
o sal para a retenção de líquido e para
a distensão abdominal, Hoje acredita-se
que um certo aumento no volume de líquidos no corpo é necessário e normal
e que uma quantidade moderada de sódio é necessária para manter o nível adequado de líquidos. Entretanto, as
grandes quantidades de sal (em picles,
molho de soja, batatas fritas) não fazem
bem a ninguém, gestantes ou não. A ingestão elevada de sódio se vincula á elevação da pressão arterial, condição
capaz de causar uma ampla variedade de
complicações graves durante a gestação,
o trabalho de parto e o parto. Embora
a deficiência de iodo não seja problema
em centros desenvolvidos, talvez queira
usar sal iodado para certificar-se de que
atende à maior necessidade de iodo durante a gestação. C o m o regra geral, em
vez de adicionar sal durante o cozimento, coloque sal à mesa, a seu gosto.
Líquidos: pelo menos oito copos diariamente, Você não só está comendo por
dois, mas também está bebendo por
dois, Se for uma daquelas pessoas que
passam o dia inteiro sem beber um gole
tequer, i chegada a hora de mudar esse
hábito. À proporção que aumentam os
líquidos do organismo durante a gravidez, também aumenta a necessidade de
Ingerir líquidos, O feto também precisa
deles, pois grande parte do seu corpo, como do da mãe, é composto de água. Os
líquidos em abundância também ajudam
a manter sua pele macia, reduzem o ris-
117
co de prisão de ventre e de infecção urinária e livram o corpo de toxinas e de
escórias metabólicas. É preciso beber
ao menos oito copos de líquido por dia
(cerca de dois litros) — mais, se possível, caso você esteja retendo líquido
(paradoxalmente, a ingestão abundante
de líquido pode eliminar o excesso deste
no organismo). Naturalmente, nem todo o líquido precisa vir direto da torneira. Pode-se contar o leite ( c u j a
composição constitui-se em dois terços
de água), suco de frutas e legumes, pequenas quantidades de café descafeinado (desde que por processo natural) ou
de chá, sopas e água mineral. Certifiquese, porém, que os líquidos ingeridos não
sejam calóricos ou você acabará consumindo calorias excessivas diariamente.
Usando copos ou xícaras maiores, você ingerirá mais líquido de cada vez. Distribua a quantidade de líquidos por todo
o dia e não tente beber mais de dois copos de uma só vez — o que poderia diluir seu sangue excessivamente, causando
um desequilíbrio químico.
Suplementos nutricionais: a fórmula gest acionai diária. Os complementos vitamínicos sempre geraram controvérsia no
meio científico. Essa controvérsia agora se intensificou nos EUA em virtude
de uma declaração da Academia Nacional de Ciências norte-americana. Segundo essa entidade, nâo há provas
suficientes que justifiquem o uso rotineiro desses suplementos (exceto dos 30 mg
de ferro) por todas as gestantes. A Academia instou a comunidade científica a
aumentar as pesquisas para descobrir-se
se a suplementnçflo com certas vitaminas
e sais minerais seria de fato valiosa para
todas. Por ora, entretanto, recomenda
que os médicos avaliem com critério a
dieta de cada paciente e que prescrevam
as vitaminas só quando houver deficiência delas na alimentação normal — a suplementação rotineira estaria limitada
àquelas com elevado risco nutricional,
] 118
NO PRINCIPIO
A Prescrição de Vitaminas
Não há qualquer modelo oficial que especifique qual deveria ser a composição dc
um comprimido o u uma d rágea de suplementaçâo viiamínica. Assim, a escolha da fórmula correia pode ser complicada. Muitas
vezes o médico prescreve uin suplemento. Em
geral, as fórmulas prescritas especificamente são superiores à que compramos na farmácia, sem qualquer prescrição.
Se você estiver escolhendo uma suplementação vitaminica'mineral por coma própria, procure por uma fórmula que contenha:
• Não mais do que 8.000 U1 de vitamina A;
4.000 ou 5.000 Ui seria provavelmente
melhor.
• 800 a 1.000 meg (I mg) de ácido fólio».
• A cota máxima permitida para gestantes
de vitaminas D e C. Algumas fórmulas
contêm mais ou menos do que a recomendação oficial, e isso não tem importância.
Mas evitar as que contenham quantidade
muito maior, salvo quando prescritas pelo médico,
• A cota máxima permitida para gestantes,
um pouco mais ou menos, de niacina
(Bj), de ácido pantotênico (B,, ausente em
muitos suplementos), ferro, iodo, zinco e
cobre,*
inclusive as vegetarianas, mulheres com
mais de um feto, fumantes inveteradas
e entre as que abusam de bebidas alcoólicas e de drogas.
A tese de que a gesiante pode atender
todas as exigências nutrlcionais à mesa
da cozinha é muito comum, E, com efeito, poderia conseguir — se vivesse num
laboratório onde o alimento fosse preparado de forma a reter as vitaminas e
os sais minerais e se medisse a quantidade para assegurar o aporte diário adequado, se nunca comesse às pressas ou
se não sentisse enjôo, se sempre soubes-
• A recomendação nficial para gestantes de
vitamina E.
• O mesmo para a tiamina (B,), a riboflavina (B : ), a piridoxini (B6) e a cíanoeobalamina (B i ; ), muitas fórmulas contêm de
1 1/2 a 3 vezes a cota oficial recomendada ou permitida; desconhecem-se efeitos
prejudiciais nessas doses.
• Não mais do que 250 mg de cálcio ou 25
mg de magnêsio, se a fórmula contiver
também ferro, já que grandes quantidades
de qualquer um desses minerais pode interferir com a absorção do ferro. (St o médico tiver prescrito doses maiores de cálcio
e / o u de magnésio, tome-as pelo menos
duas horas antes ou depois do suplemento que contém o ferro.)
• Oligoelementos, como o crômio, o manganês, o molibdêniu e a vitamina biotiua;
aumen'am o seu seguro-saúde, mas são incluídos em poucos suplementos.
'O cobre é necessário em qualquer suplemento que
contenha zinco, já que o zinco pode interferir na
absorção de cobre pelo corpo a partir da dieta, aumentando a necessidade desse mineral. O zinco e
o cobr»* são ambos necessários num suplemento que
contenha ferro, já que o ferro pode Interferir na
sua absorção.
se ao certo que só estivesse esperando um
bebê e que a gestação não viria a se tornar de alto risco. Mas, no m u n d o real,
a suplementaçào nutrlcional é um seguro a mais de saúde — e as mulheres que
preferem ficar do lado seguro talvez assim se sintam mais tranqüilas.
Apesar disso, um suplemento não passa de um suplemento. Não há comprimido, por mais completo, que substitua
uma boa dieta. É multo Importante que
a maioria das suas vitaminas e sais minerais venha de alimentos, porque é dessa forma que os nutrientes são utilizadoJ
A DiETA IDEAL
de modo mais eficiente. Os alimentos
frescos (não processados) contêm não só
nutrientes que conhecemos, e que podem
ser colocados num comprimido, mas
provavelmente muitos outros ainda não
descobertos. Há trinta anos, a suplementação pré-natal não continha zinco e outros oligoelementos que agora sabemos
que são necessários à saúde. Mas os pães
integrais sempre o contiveram. De forma semelhante, os alimentos são fontes
de fibras e de água (as frutas e legumes
são ricos nesses elementos) e também de
calorias e de proteína — dos quais nenhum pode ser colocado numa drágea.
(lucidentalmente, cuidado com os pro-
119
dutos que se dizem equivalentes às necessidades diárias de legumes — trata-se
de afirmação fraudulenta.)
E não pense que se um pouco é bom,
muito é melhor. As vitaminas e os sais
minerais em altas doses agem como medicamentos no organismo e devem ser
considerados como tais, sobretudo pelas
gestantes; algumas, como a vitamina A
e a D, são tóxicas em níveis não muito
acima da cota diária permitida oficialmente.'1 Qualquer suplementação além
dessa cota só deve ser efetuada sob supervisão médica, quando os benefícios
superam os riscos.
A CLASSIFICAÇÃO DOS ALIMENTOS
PARA A DIETA IDEAL
M
uitos alimentos atendem a mais
de uma das exigências nutricionais, portanto os Grupos de Seleção de Alimentos podem se sobrepor.
Os mesmos três copos de leite, por exemplo, darão a você três porções de cálcio
e uma de proteínas.
ALIMENTOS RICOS
EM PROTEÍNA
A
s porções indicadas contêm entre 18
e 25 gramas de proteína, sendo necessái io consumir 75 a 100 gramas por
dia. Comer, portanto, quatro porções ao
dh, ou uma combinação de alimentos
que r.eja equivalente a quatro porções.
3 copos (de 200 ml) de leite desnatado
ou com baixo teor de gordura (ou
leitelho)
3/4 de xícara de iogurte com baixo teor
de gordura
í
3/4 de xícara de ricota (com pouca
gordura)
50 gramas (1/2 xícara) de queijo
parmesão
90 gramas de queijo suíço ou cheddar ou
queijo branco
5 ovos grandes (só as claras)
2 ovos grandes, mais 2 claras
100 gramas de atum
75 gramas de carne branca de frango ou
peru, sem pele
100 gramas de peixe ou camarão
140 gramas de mexilhões, mariscos, siri
ou lagosta
90 gramas de carne magra de vaca ou
porco ou carne escura de frango
90 gramas de vitela
100 gramas de carne gorda de vaca
100 gramas de carne de ovelha ou fígado
"Obter mais do que a cota máxima diária permitida dessas vitaminas pela dieta, contudo, nio
è considerado perigoso.
] 120
NO PRINCIPIO
140-170 gramas de feijão-soja ou to/u
proteína vegetal texturizada*
1 porção da combinação protéica completa (ver quadro, pág. 127)
LANCHES RICOS
EM PROTEÍNA
Nozes e sementes
Alimentos à base de grãos integrais
Alimento à base de soja
Iogurte
Ovos cozidos
Queijos duros
Germe de trigo
ALIMENTOS RICOS
EM VITAMINA C
O
corpo não armazena vitamina C,
portanto é necessário não deixar de
ingeri-la todo dia. Comer ao menos dois
dos seguintes alimentos ao dia (ou combinação equivalente).
1/2 grapefruit
1/2 xícara de suco de grapefruit
1 laranja pequena
1/2 xícara de suco de laranja
2 cotheres de sopa de suco de laranja
concentrado
1/2 manga média
1/2 xícara de mamão picado
1/2 melão pequeno
1/2 xícara de morangos
1 1/3 de xícara de amoras
1 1/2 tomate grande
1 xícara de suco de tomate
3 / 4 de xícara de suco de legumes
1 1/2 xícara de pedaços de repolho cru
J
As receitas variam; algumas tím elevada relação proteínas/calorias, outras tím relaçflo baixa, portanto sempre que algum produto
especificar em rótulo o seu teor de nutrientes,
leia-o e lembre-se que 20 a 25 gramas de proteínas eqüivalem a uma porção.
(ou de salada de repolho cru cortado
fino)
1 pimentão verde ou vermelho pequeno
2/3 de xícara de brócolis cozido
3/4 de xícara de couve-flor cozida
3/4 de xícara de couve fresca cozica
1 xícara de folhas de couve congelada,
em pedaços
3/4 de xícara de couve-rábano cozida
3 xícaras de espinafre cru
ALIMENTOS RICOS
EM CÁLCIO
A
s necessidades diárias são de 1.280
a 1.300 miligramas ao dia. Comer
ou beber quatro porções dos alimentos
indicados a seguir ou combinação equivalente. Cada porção contém cerca de
300 miligramas de cálcio.
250 ml de leite desnatado ou com baixo
teor de gordura (ou leitelho)
1/2 xícara de leite desidrati.do e desnatado
1 3 / 4 de xícara de ricota fresca, cora baixo teor de gordura
40 gramas de queijo tipo cheddar
35 gramas de queijo suíço
1 xícara de iogurte com baixo teor de
gordura
1/3 de xícara de leite em pó setn gordura
115 gramas de salmão enlatado com espinhas
90 gramas de sardinhas em lata com espinhas
2 a 3 colheres de sopa de sementes de
gergelim
Leite de soja ou proteína de soja"
1 xícara de folhas de couve
1 1/2 xícara de couve cozida
1 1/2 xícara de mostarda ou folhas de
nabiça cozidas
"As fórmulas de soja variam; verifique o rótulo do produto para ver se há indicação do teor
de cálcio, tendo em men e que t porção de cálcio eqüivale a 300 mg.
I
A DIETA IDEAL
1 3/4 xícara de brócolis
2 1/2 colheres (de sopa) de melado
2 tortiUas de milho
10 figos secos
3 xícaras de feijões secos (feijão-de-lima,
branco eíc.)
LANCHES RICOS
EM CÁLCIO
Amêndoas
Damasco
Figos secos
Alimentos (feitos ao forno) à base de semente de gergelim, de farinha de soja ou
alfarroba
VERDURAS, LEGUMES
E FRUTAS
S
ão necessários três por dia, dos quais
um deve ser cru. Tente escolher tanto legumes quanto verduras diariamente,
1/8 de melão ou 2 damascos grandes,
frescos ou secos
1/2 manga média
1 nectarina ou pêssego grande
1 xícara de pedaços de mamão
1/2 caqui médio
I colher de sopa de abóbora-moranga
cozida
1/3 de xícara de beterraba cozida
3/4 de xícara de brócolis ou folhas de nabos cozidos
1 /2 cenoura crua ou 1 /3 de xícara de cenoura cozida
1/2 xícara de eouve picada cozida
1/2 xícara de endívia ou de escarola
1/3 de xícara de couve ou de mostarda
(verdura) cozida
8-10 folhas grandes de alface
1/2 xícara de espinafre cru, ou 1/4 de xícara de espinafre cozido
1/4 de xícara de abóbora cozida
121
1 /4 de batata-doce ou inhame pequenos
1/3 de xícara de acelga cozida
OUTROS LEGUMES
E FRUTAS
C
omer pelo menos dois dos alimentos
indicados a seguir, por dia.
1 maçã ou 1 /2 xícara de suco de maçã
sem adoçar
6 a 7 hastes de aspargo
I banana pequena
1 xícara de brotos de feijão
3/4 de xícara de ervilhas
2/3 de xícara de amora-preta
2/3 de xícara de couve-de-bruxelas
2/3 de xícara de cerejas frescas sem
caroço
2/3 de xícara de uvas
1 xícara de cogumelos frescos
1 pêssego médio
9 quiabos
1/2 xícara de salsa
1 pêra média
1 fatia média de abacaxi fresco ou enlatado sem açúcar
1 batata média
2/3 de xícara de pedaços de abobrinha
GRÃOS E CEREAIS
INTEGRAIS
R
ecomendamos quatro, cinco ou mais
porções diárias da seguinte lista:
1 f a t ' a d e pão integral (à base de farinha
de trigo, soja, centeio etc.)
1/2 xícura dc arroz integral cozido
1/2 xícara de cereal integral (aveia ou
equivalente)
30 gramas de outros cereais em flocos,
encontrados em supermercados
2 colheres de sopa de germe de trigo
1/2 xícara de milho, painço, sêniola de
trigo-sarraceno ou bu/gur
] 122
NO PRINCIPIO
1/2 xícara de massas à base de farinha
de trigo integral ou de soja
1 falia de pão de milho
1/2 xícara de feijão ou de ervilha cozidos
1 tortilla de milho ou trigo integral
ALIMENTOS RICOS
EM FERRO
P
equenas quantidades de ferro são encontradas na maioria das frutas, legumes e verduras, grãos e carnes que se
comem todos os dias. Mas convém fazer uso também de alguns dos seguintes
alimentos ricos em ferro, junto com o
complemento:
Feijão
Lentilha
Carne de vaca
Fígado e outras vísceras (não abuse)
Ostras (cozidas: não comer cruas)
Sardinha
Couve e nabo
Abóbora
Batatas com casca
Espinafre
Espirulina (planta marinha)
Leguminosas (ervilha, broto de ervilha,
lentilha, feijão e fava, por exemplo)
Alimentos de soja, feijão-soja
Farinha de atfarroba
Melado
Frutas secas
ALIMENTOS RICOS
EM GORDURA
S
e você estiver pesando em torno de 45
quilos, procure fazer uso de quatro
porções fartas de gordura ou meias porções diariamente (se o seu peso estiver
acirra ou abaixo disto, consulte o apêndice/. Não exceda esta quantidade a menos que você esteja ganhando peso muito
devagar (ver p. 182); e não a reduza, a
não ser que você esteja ganhando peso
muito depressa. Em gerai, você poderá
fazer uso de gordura pura como manteiga, margarina ou óleo nâo mais do que
em duas porções por dia.
Meias
porções
30 gramas de queijo (provolone, cheddar, suíço, mozarela, camembert)
45 gramas de mozarela de leite desnatado
2 colheres de sopa de queijo parmesão
ralado
1 1/2 colher de sopa de creme pouco
espesso
1 colher de sopa de creme batido, espesso
2 colheres de sopa de creme batido
2 colheres cheias de coalhada
1 colher de sopa de queijo-creme
1 xícara de leite integrai
1 1/2 xícara de leite desnatado
2/3 de xícara de leite integral desidratado ou em pó
1/2 xícara de sorvete comum
1 xícara de iogurte de leite integral
1 colher de sopa de margarina
1 colher de sopa de manteiga de
amendoim
1/2 xícara de molho branco
1/3 xícara de molho holandês
1 ovo ou 1 gema de ovo
1/4 de um abacate pequeno
2 porções dos pâezinhos, biscoitos ou bolos das Receitas Ideais
180 gramas de to/u
200 gramas de carne magra de peru ou
frango, sem pele
110 gramas de carne gorda de peru ou
frango, sem pele
120 gramas de salmão fresco ou enlatado
90 gramas de atum enlatado em óleo
Porções
inteiras'
'Existem muitas outras fontes de gordura, a
maior parte das quais não se ajusta á Dieta Ideal.
Por exemplo, pode-se obter uma porção de gordura e poucos nutri tule* tmi I croiuanl, I roívii doce, 1 latiu de bolo de chocolate tipo
brownie, J fatia de torta de maçã ou 1/2 fatia
de torta de nozes, 1/2 humbúrguer ou I coxa de
frango pequena frita, 1/4 de xicara de sorvete
(16% de gordura do leite), 4 biscoitos pequenos.
Esteja atenta.
A DiETA IDEAL
1 colher de sopa de óleo vegetal
1 colher de sopa de margarina ou manteiga comum
1 colher de sopa de maionese comum
2 colheres de sopa de molho ou tempero
comum para saladas 1
123
90 a 180 gramas de carne magra de vaca
(varia com o corte)
3/4 de xícara de salada de atum
ALGUMAS RECEITAS IDEAIS PARA A GESTANTE
A
qui estão algumas receitas que a
deixarão em paz com seu paiadar,
mas que asseguram a sua nutrição
e a do bebê. Damos também algumas
idéias para o seu desjejum. Consulte
também as receitas para bebidas sem
álcool.
SOPA CREME DE TOMATE
Rende 3 porções
1 colher de sopa de margarina ou
manteiga
2 colheres de sopa de farinha de trigo integral
1 3/4 de xícara de leite tnt pó
(magro)
3 xícaras de suco dc tomate ou de
legumes
1/4 de xícara de extrato de tomate
Sal e pimenta a gosto
Orégano e inatijericão a gosto (opcional)
Ingredientes opcionais:
6 colheres de sopa dc ricota (1/2
porção de proteína) ou
2 colheres dc sopa dc queijo parmesão ralado (1/4 de porção de proteína; 1/2 porção de cálcio) ou
'Como O teor de gordura dos molhos para salada Industrializados variu, leia os rótulos: cada 14 g de gordura eqüivale a uma porção. Nos
molhos feitos em casa, cada colher de sopa de
óleo eqüivale a uma porção.
1 colher dc sopa de germe de trigo
( 1 / 2 porção de grãos integrais)
1. Numa caçarola, derreta a margarina
em fogo brando. Adicione a farinha e
misture em fogo bem baixo durante 2
minutos. Aos poucos, vá misturando o
leite e continue a cozinhar em fogo brando, mexendo ocasionalmente até engrossar.
2. Misture o suco, o extrato de tomate
e os temperos até conseguir uma mistura homogênea. Continue a cozinhar em
fogo brando, mexendo sempre, por 5
minutos.
3. Sirva a sopa quente, recoberta com ricota, parmesão ou germe de trigo, de
acordo com a sua preferência.
1 porção = 1 porção de cálcio; 1 de vitamina C; 1 de legumes/verduras, caso
se empregue suco de legumes.
BATATAS AO FORNO
Rende 2 porções
1 1/2 colher (sopa) de óleo vegetal
2 batatas grandes
2 claras de ovos
Sal grosso e pimenta a gosto
1. Preaqueça o forno a 220°C, llnte tabuleiro ou fôrma com óleo vegetal,
2. Lave bem as batatas em água corrente; enxugue com pano de prato. Corte-
NO PRINCIPIO
] 124
as em fatias do tamanho desejadc. Torne a enxugá-las.
3. Bata numa tigela as claras em neve.
Adicione as batatas e mexa até que fiquem recobertas pela clara batida.
4. Disponha as batatas no tabuleiro preparado numa única cainada, Deixe algum espaço entre elas para que não
grudem. Asse-as até ficarem crocantes e
douradas, por 30 a 35 minutos. Polvilhe
sal e pimenta e sirva imediatamente.
1 porção =
mes/verduras.
1
p o r ç ã o de legu-
MINGAU DE AVEIA
ESPECIAL
Rende I porção
1 1/4 xícara de água
1/2 xícara de aveia instantânea
2 colheres de sopa de germe de trigo (se houver prublema de constipação substitua o germe de trigo
ou parte dele ptir farelo de trigo
etc.)
Sal a gosto (facultativo)
1. Aqueça a água numa pequena caçarola até abrir fervura. Adicione a aveia,
o germe de trigo e o sai, se preferir, mexendo bem. Diminua o fogo e cozinhe
durante 5 minutos ou mais, de acordo
com a textura desejada, adicionando
mais água, se necessário.
2. Retire a panela do fogo e adicione o
leite em pó. Sirva imediatamente.
Adicione duas colheres (sopa) de passas e 1 colher de suco
de maça concentrado (ou a (toito) ao colocar a avela, ou durante o último minuto de cozimento, se você preferir
passas mais firmes; acrescente manjericão e/ou sal a gosto (opcionais) ao adicionar o leite.
VARIANTE D O C E :
Adicione pimenta e
queijo parmesão ralado ou cheddar (15g
= 1/2 porção de cálcio) ao acrescentar
0 leite,
VARIANTE PICANTE:
1 porção = 1 porção de proteínas; 1 de
grãos integrais; 1 de cálcio; rica em
fibras.
BROAS INTEGRAIS
Rende 12 a 16 broinhas
Óleo vegetal
2 / 3 de xícara de passas
1 xícara de suco de maçã concentrado
1/4 de xícara de suco dc laranja
concentrado
1 1/2 de xícarn de farinha de trigo
integral
1/2 xícara de germe de trigo
1 1 / 2 xícara de farelo de trigo etc.
1 1 / 4 colher (sopa) de bicarbonato
de sódio
1/2 xícara de nozes moídas
1 colher (chá) de manjericão (opcional)
1 1/2 xícara de leitelhe (pouca
gordura)
2 claras de ovos (ligeiramente
batidas)
1/2 xícara de leite em pó instantâneo
2 colheres (sopa) de margarina ou
manteiga, derretida e esfriada.
1, Preaqueça o fomo a 180°C. Unte ligeiramente as forminhas com óleo
vegetal.
2, Numa caçurola pequena, misture as
passas, 1/4 de xícara de suco de maçã
concentrado e de suco de laranja concentrado, Caílulie em fogo brando, mexendo de vez em quando, por 5 minutos.
3, Misture numa tigela a farinha, o germe de trigo, o farelo, o bicarbonato, as
nozes moídas e o manjericão.
A DiETA IDEAL
4. Numa tigela separada, bata o leiteiho,
as claras, o leite em pó, a margarina e
o resto do suco de maçã.
5. Junte os ingredientes secos e líquidos,
misturando-os com algumas batidas.
Misture lentamente as passas com o caldo do cozimento. Encha as forminhas
preparadas até cobrir dois terços de seu
volume.
6. Asse-as, com um palito inserido no
centro até sair limpo (cerca de 20
minutos).
VARIANTE: Acrescente 2 maçãs ou pêras
médias, cortadas em cubos, às nozes. Se
não houver problema de constipação,
substitua o farelo do cereal por 1 xícara
de aveia (em pó ou em flocos) ou por cevada em flocos.
12 broinhas = 1 1/2 porção de grãos integrais; 1/2 porção de proteína; riquíssimos em fibras. A variante com frutas
acrescenta outra porção de frutas.
PANQUECAS DE LE1TELHO
E TRIGO INTEGRAL
Rende 12 panquecas (3 porções)
Nota: Deixe a massa descansar por 1
hora.
1 xícara de leiteiho (baixo teor de
gordura)
1 colher (chá) de suco de maçã concentrado
3/4 de xícara de farinha de trigo Integral
5 colheres (sopa) de germe de trigo
1/3 de xícara de leite em pó desnatado
1 pitada de sal, ou a (tosto (opcional)
tvfanjerlcão a gosto (opcional)
2 colheres (chá) de bkarbonato
2 claras de ovo (ovos grandes)
Margarina ou manteiga
125
Ingredientes opcionais para recheio:
Molho de maçã sem açúcar (outra
porção de frutas)
Compota de frutas (sem adoçantes)
ou geléia de maçã
1 / 2 xícara de iogurte (1/2 porção de
cálcio)
1. Bata todos os ingredientes no liqüidificador, com exceção das claras, da margarina e dos ingredientes opcionais,
reduzindo-os a purê.
2. N u m a tigela em separado bata as claras em neve. Bata então bem depressa a
mistura de leiteiho e farinha cota as claras. Deixe a massa descansar por uma
hora.
3. Aqueça a frigideira (antiaderente). Depois de aquecida, unte-a com margarina ou manteiga. Deite a massa, e
espalhe-a com colher na frigideira para
que fique bem fina. Quando a superfície da panqueca começar a borbulhar e
o lado de baixo ficar ligeiramente dourado, vire e doure o outro lado. Continue a fritá-las, untando com mais
margarina a frigideira, sempre que necessário, até acabar a massa. Sirva as
panquecas com qualquer um dos ingredientes para recheio ou todos eles.
VAHIANTE: Adicione à massa qualquer
um dos seguintes ingredientes: 1/4 de xícara de passas (1/2 porção de frutas);
seis damascos secos, cortados em cubos
(algum ferro; 1 porçáo de frutas cftricas);
1/2 banana, pSra ou maçã, cortada em
fatias ( 1 / 2 porção de frutas; 1/4 de xícara de nozes moídas (1/4 de porção de
gordura; alguma proteína).
1/3 da receita = 1 porção de grãos integrais; 1 porção de proteína; 1/2 porção
de cálcio; rica em Fibras.
MILKSHAKE DUPLO
Rende 1 porção
] 126
NO PRINCIPIO
Nota: congele no freezer uma banana
bem madura, descascada e coberta, 12
a 24 horas antes de fazer o milk shake.
1 xícara de leite desnatado, ma^ro
1/3 de xícara de leile em pó
1 banana madura congelada, cortada em pedaços ou fatias
1 colher (chá) de extraio de haunilha
1 pitada de manjericão, ou a gosto
(opcional).
Reduza a purê todos os ingredientes num
liqüidificador. Sirva imediatamente.
Adicione 1 / 2
xícara de morangos frescos e 1 colher de
sopa de suco de maçã concentrado antes de ir ao liqüidificador; omita o manjericão, se preferir.
V A R I A N T E DE MORANGO:
Adicione 2 colheres (sopa) de suco de laranja concent r a d o (descongelado);
omita o
mar jericão.
V A R I A N T E D E LARANJA:
1 milk shake = 2 porções de cálcio; 2/3
de porção de proteínas; 1 porção de frutas. A variante "morango" adiciona outra porção de frutas com unia porção de
vitamina C. A variante " l a r a n j a " adiciona 1/2 porção de vitimina C.
BISCOITOS DE FIGO
Rende cerca de 36 biscoitos
Óleo vegetal
1 colher (sopa) de levulose
4 colhcrcs (so|iu) de muntulgu ou
margarina (não multo cheias)
1 xícara mais 2 colheres (sopa) de
suco de maçã concentrado,
morno
1 1 / 2 xícara de farinha de trigo Integral
1 xícara de germe de trigo
1 1/2 colher (chá) de extrato dc
baunilha
550 gramas de figos secos, picados
2 colheres (sopa) dc amêndoas ou
nozes moídas
1. Preaqueça o forno a 180°C. Unte ligeiramente com o óleo um tabuleiro OJ
fôrma antiaderente.
2. Misture numa tigela, formando um
creme, a levulose e a margarina. Adicione 1/2 xícara mais 2 colheres (sopa) do
suco de maçã concentrado e continue a
bater.
3. Adicione a farinha, o germe de trigo
e a baunilha e misture alé formar massa. Divida a massa ao meio, fazendo de
cada metade uma barra retangular.
Embrulhe-as separadamente em papel
alumínio e esfrie-as por 1 hora.
4. Junte os figos e o restante do suco de
maçã numa caçarola e cozinhe em fogo
brando até amolecer. Retire do fogo e
acrescente as nozes moídas até fazer mistura homogênea.
5. Na fôrma ou tabuleiro preparado, estender a barra retangular de massa,
deixando-a bem fina e assentando bem
as bordas. Espalhar por igual a mistura
de figo sobre a massa. Estender o segundo retângulo de massa entre duas folhas
de papel-alumínio do mesmo tamanho
do primeiro. Remover uma das folhas de
papel-alumínio e deitar a massa sobre a
mistura de figo. Comprimi-la, fechando
as extremidades conforme necessário
com faca afiada.
6. Assar até dourar ligeiramente, por 15
a 30 minutos. Ainda quente, cortar em
quadrados ou em losangos.
3 biscoitos = 1 porção de grãos Integrais; 1 porção de frutas; ferro; rico em
fibras.
BISCOITOS DE AVEIA
COM FRUTAS
Rende 24 biscoitos
A DiETA IDEAL
AS PROTEÍNAS NA DIETA VEGETARIANA:
COMBINAÇÕES COMPLETAS
As seguintes seleções constituem alimentos nutritivos para todas as gestantes; no entanto, as
não-vegetariams só dtvem contar uma porção ao dia como parte de sua cota protéica diária.
Outras porções podem contar para as exigências de Grãos Integrais e Legumes. As vegetariaifar radicais devem lazer cinco dessas porções de proteína por dia.
Escolher der.tre a lista de legumes I porção (10 a 13 gramas de proteína) e dentre a lista de
grãos mais I porção (10 a 13 gramas de proteína) para a combinação protéica completa.
LEOUMES
1 xícara de fava de feijão ou feijãofradinho
3 / 4 de xícara de munguba, feijáo-de-lima,
feijâo-branco ou roxo
3 / 4 de xícara de feijão-soja ou farinha de
soja
I xícara de grão-de-bico
2/3 de xicara de lentilhas ou ervilhas
de iidratadas
GRÃOS
1 1/2 xícara de: arroz integral, sêmoia (de
trigo), cevada, painço, bulgur*
60 g de massa de farinha de soja (pesar
ainda crua)
60 a 120 gramas de massa de farinha de
trigo (integral) (pesar ainda crua; o
peso dependerá do conteúdo protéico)
2/3 de xicara de aveia (pesar ainda crua)
3/4 de xícara de semente de gergelim,
girassol, abóbora-moranga
1/2 xícara de castanha-do-pará ou de
amendoim
60 gramas de castanha de caju, nozes ou
pistache
1/3 de xícara de germe de trigo
2 1/3-3 colheres de sopa de manteiga de
amendoim
OS LATICÍNIOS NA DIETA VEGETARIANA:
COMBINAÇÃO PROTÉICA COMPLETA
Escolher dentre a lista de legumes 1 porção (cerca de 10 gramas de proteína) e dentre a lista
de laticínios 1 porção (cerca de 12 gramas de proteína) para uma combinação protéica completa.
LEGUMES E GRÃOS
LATICÍNIOS
I porção de feijão, ervilhas, lentilhas,
grãos, massas (ver acima)
4 fatias de pão integral
2/3 de xícara dc mingitu de avela
50 gramas de cereais integrais em flocos
(industrializados)
1 1/4 de xícara de leite desnatado
50 gramas de queijo cheddar, suíço,
prato, com pouca gordura
1/2 xícara de ricota
1/4 de xícara de parmesão
1/3 de xícara de leite em pó desnatado
mais 2 eolhcres de sopa de germe dc
trigo
1 1/4 de xícara de iogurte
1 ovo mais 2 clara»
*Sío grAos com baixo teur protíkuj enrlquecC-lui com 2 culhores dc sopu dc germe de ifijjo [ter purvflo,
127
] 128
NO PRINCIPIO
Óleo vegetal
10 tâmaras, sem caroço
6 colheres (sopa) de suco de maçã
concentrado
2 colheres (sopa) de óleo vegetal
1 1/2 xícara de aveia cm pó (ou de
uma mistura de flocos de
aveia e de trigo)
1 xícara de passas
1/4 a 1/2 xícara de nozes moídas
Manjericão a gosto
1 clara de ovo
1. Preaqueça o forno a 180°C. Unte levemente com o óleo um tabuleiro ou
fôrma.
2. Junte as tâmaras e o suco de maçã numa caçarola. Cozinhe em fogo brando
até as frutas amolecerem. Reduza a purê num liqüidificador a mistura e despeje numa tigela. Adicione 2 colheres
(sopa) de óleo com a aveia, as passas, as
nozes e o manjericão.
3. Em tigela separada, bata ligeiramente a clara. Misture-a lentamente à mistura anterior. Pegar uma colher (sopa)
e uma faca e colocar a massa dos biscoitos, em forma de colher, no tabuleiro
untado.
4. Leve ao forno até dourar ligeiramente 10 a 12 minutos.
5 colheres (sopa) de suco de maçã
concentrado
1/2 colher (chá) de manjericão, ou
a gosto (opcional)
Misture todos os ingredientes num l.quidificador até formar purê. Sirva imediatamente, ou use como calda ou molho
para frutas, bolo ou panquecas.
1 xícara = ! porção de vitamina C; 3/4
de porção de cálcio.
DAIQUIRI DE MORANGO
Rende 4 porções
2 xícaras de morangos lavados (ou
2 bananas bem maduras, cortadas em
fatias)
1 xícara de cubos de gelo picado
(1/2 xícara se usar morangos congelados)
1/4 de xíc ira de suco dc maçã concentrado, ou a gosto
1 colher (sopa) de suco de lima
1 colher (chá) de extrato de rum
puro
Misture todos os ingredientes em liqüidificador.
Sirva frio em copos altos,
3 biscoitos = 1 porção de frutas; 1/2 de
grãos integrais; ferro; rica em fibras.
I porção = 1 porção de frutas; 1 de vitamina C. Ou duas outras porções de
frutas no caso de empregar banana.
IOGURTE DE FRUTAS
SANGRIA VIRGEM
Rende uma xícara
Rende 5 a 6 porções
3 / 4 de xícara dc iogurte comum
(pouca gordura)
1/3 colher (chii) de casca do Inrunju
ruluda
1/2 xícara de morangos frescos
1 colher (sopa) de suco de laranja
concentrado
3 xícaras de suco de uva (sem
adoçar)
3 / 4 de xícsiru de mico dc inuçã concentrado
1 colher (sopa) de suco de liina
fresco
1 colher (sopa) dc suco de limão
A DIETA IDEAL
1 limão pequeno, com casca, fatiado c sem semente
1 laranja pequena com casca, cortada em fatias, sem semente
1 maçã pequena descaroçada. cortada em oitavos
3 / 4 de xícara de soda
129
Junte todos os ingredientes, exceto a soda, num jarro. Misture bem e esfrie.
Adicione a soda pouco antes de servir.
Sirva com gelo em copos de vinho.
1 porção = 1 porção a mais de frutas
Parte 2
OS NOVE MESES:
Da Concepção ao Parto
o Primeiro
Mês
A PRIMEIRA CONSULTA
r
E
l a mais abrangente de todas as conI sultas no pré-natal.' O obstetra
J revê toda a história clínica pregressa; examina a gestante; pede uma série
de exames. Pode haver pequenas diferenças entre a conduta de um profissional
e outro. Mas de um modo geral a consulta engloba:
A confirmação da gravidez. O obstetra
vai querer verificar: os sintomas gestatórios; a data do último período menstrual normal, para checar qual a possível
data do parto (ver p. 36); os sinais do colo uterino e do próprio útero para calcular aproximadamente o estágio da
gravidez. Em caso de dúvida, solicitará
um teste de gravidez, caso a gestante ainda não tenha o feito.
A história clinica completa. Para oferecer o melhor tratamento possível o médico quererá saber muito sobre a vida da
gestante. Esta deve ir preparada para
uma série de perguntas. Será preciso refrescar a memória levando em conta: a
'Consultar o Apênulee para a explicação dos
procedimentos e dos exames realizados.
história de doenças pregressas (doenças
crônicas, doenças importantes ou cirurgias anteriores, medicamentos em uso
atual ou desde a concepção, alergias conhecidas, inclusive as medicamentosas);
a história médica familiar (afecções genéticas, enfermidades crônicas); a história social (idade, ocupação e hábitos
— de f u m a r , de beber, de ginástica, de
comer); a história ginecológica e obstétrica (época do primeiro período menstrual, duração e regularidade dos ciclos;
abortos anteriores, provocados ou espontâneos, filhos vivos, evolução das
gestações anteriores, trabalhos de parto,
partos) e aspectos de sua vida pessoal que
possam afetar a gravidez.
O exame físico completo. Abrange a avaliação da condição geral de saúde — exame do coração, pulmões, mamas,
abdome; determinação da pressão arterial a ser comparada com a medida
em consultas subseqüentes; medidas antropométrlcas, altura e peso, usuais e
atuais; inspeção das extremidades na
busca de varizes, de edema (inchaço por
excesso de líquido nos tecidos), também
para futura comparação; Inspeçflo e palpação da genitália externa; exame inter-
134
OS NOVE MESES
O ASPECTO FÍSICO
NO PRIMEIRO MÊS
l i m a bateria de exames. Alguns testes
são rotina para todas as gestantes; alguns
outros são rotina em certas regiões do
país ou para alguns médicos, ajjenas; outros ainda só são realizados quando as
circunstâncias os justificam. Entre os
exames mais comuns do pré-natal estão:
• Exame de sangue para determinar o tipo sangüíneo e a presença de anemia.
• Exame de urina (EAS) para pesquisa
de açúcar, proteína, leucócitos, sangue e bactérias.
• Exames de sangue para determinar a
imunidade a doenças como a rubéola.
• Exames para desvendar a presença de
infecções como sífilis, gonorréia, hepatite, infecção por clamídia e, em alguns casos, AIDS.
• Exames genéticos para identificação
de anemia falciforme ou doença de
Tay-Sachs.
Pelo fim do primeiro mês, o bebê ainda
è um embrião minúsculo, como um glrino, menor do que um grão de arroz. Nas
duas semanas seguintes, o tubo neural
(que se transformará no encéfalo e na
medula espinhal), o coração, o tubo digestivo, os órgãos dos sentidos e as extremidades (braços e pernas) começam a
se formar.
no da vaglna e do colo uterino (através
de espéculo); exame bimanual dos órgãos pélvicos (com uma das mãos na vagina e a outra no abdome), e também do
reto e do próprio canal vaginal; avaliação das dimensões e da conformação da
pelve óssea.
• Colpocítoscopia (esfregaço do colo
uterino) para detecção de câncer
cervical.
• Pesquisa de diabetes gestacioroal para
confirmar ou não tendência ao diabetes, sobretudo em mulheres que já tiveram filhos muito grandes para a
idade gestacional ou que ganharam
peso em excesso em gestação anterior.
Uma oportunidade para discutir vários
assuntos. Venha preparada com uma lista de perguntas, problemas e sintomas
sobre os quais gostaria de conversar. É
também um bom momento para levantar questões especiais ainda não consideradas na consulta prévia.
O PRIMEIRO MÊS
135
Os SINTOMAS FÍSICOS E EMOCIONAIS
A
• Fadiga e sonolência
• Alterações dos seios (mais acentuadas
nas mulheres que apresentam alterações mamárias antes da menstruaçâo): plenitude, peso, dor ao toque,
formigamento; escurecimento. da
aréola mamária (a região pigmentada
ao redor do mamilo); crescimento
das glândulas sudoríparas areolares
(tubérculos de Montgomery); uma trama de linhas azuladas começa a aparecer por debaixo da pele à medida
que aumenta o aporte de sangue para
os seios (embora possam surgir só
tardiamente)
• Necessidade de urinar com freqüência
EMOCIONAIS:
• Náusea, com ou sem vômito, acompanhada ou nào de salivação abundante (ptialismo)
• Instabilidade emocional comparável à
das sindromes pré-menstruais, em
que se vêem irritabilidade, oscilações
de humor, irracionalidade, choro fácil.
gestante experimenta ora todos os
sintomas, ora só um ou outro.
FÍSICOS:
• Falta da menstruaçâo (embora possa
haver alguma pequena secreção, seja
no momento em que a menstruaçâo
seria esperada, seja no momento da
implantação do ovo fertilizado no
útero)
• Azia, indigestão, flatulência (gases),
eructação (arrotos)
• Aversão em relação a certos alimentos, desejo por outros
• Apreensão, medo, alegria, júbilo ou
exultação — qualquer deles ou todos
eles.
A s PREOCUPAÇÕES COMUNS
FADIGA
"iiimo-me cansada o tempo todo. Estou ficando preocupadr, tulvei não consiga continuar
trabalhando."
N
ão surpreende o cansaço. De certa •>
forma, o organismo grávido trabalha mais no repouso do que o organismo não-grávido, ao escalar uma
montanha; a gestante só não vê o esforço despendido. Porque o corpo está de-
senvolvendo o sistema de apoio ao bebê,
a placenta, que só estará terminado ao
cabo do primeiro trimestre. E também
porque está se ajustando às demandas físicas e emocionais do ciclo gestacional,
que sâo consideráveis. Completada a <
placenta, reajustado o organismo (por
volta do quarto mês), recuperam-se as
energias. Até lá será necessário trabalhar
um pouco menos ou tirar alguns dias de
folga. A gravidez, no entanto, prossegue
o curso normal, e
há motivo ?ara
136
OS NOVE MESES
afastar-se do trabalho (supondo-se que
o médico não tenha feito restrições a atividades e/ou que o trabalho não seja extenuante em excesso ou perigoso; ver p.
102). A maioria das gestantes se sente
mais feliz e menos ansiosa quando se
mantém ocupada.
C o m o a fadiga é um sintoma normal,
legítimo, não há por que temê-la.
Considere-a um sinal de que o corpo precisa repousar mais. H fácil falar, mas é
difícil fazer. Mesmo assim vale a pena
tentar.
acesso a um sofá confortável. Mas convém espichar as pernas sobre a escrivaninha ou na sala de estar das senhoras
durante as pausas e durante a hora de almoço. (Se você escolher a hora de almoço para descansar, não se esqueça de
comer também.) O descanso quando já
se é mãe pode também ser difícil, mas
você pode conjugar o seu repouso com
o horário de repouso das crianças, e
acompanhá-lo — presumindo que tolere a louça por lavar e as bolas de poeira
debaixo da cama.
Mime a si mesma. Se é a sua primeira
gravidez, desfrute do que talvez seja a
sua última chance durante muito tempo
para concentrar-se em você mesma sem
se sentir culpada. Se já tem um ou dois
filhos em casa, terá de dividir a atenção.
Mas, seja como for, essa não é a ocasião
para galgar o status de super-futuramamãe. Repousar o suficiente é mais importante do que manter a casa brilhando ou servir jantar es dignos de cinco
estrelas. Livre-se à noite de atividades
não essenciais. Passe-as sem ficar de pé
como puder: lendo, vendo TV, folheando livros com nomes de bebês. Se você
tiver filhos mais velhos, leia para eles,
jogue (josos calmos) com eles, ou assista com eles a vídeos infantis clássicos em
vez de vaguear pelo playground, (A fadiga pode ficar mais pronunciada quando se tem filhos mais velhos em casa,
simplesmente porque crescem as exigências físicas e há menos tempo paru repousar. Por outro lado, pode não ser tão
percebida, já que a mãe de filhos pequenos em geral está acostumada á exaustão ou/e estar muito ocupada para se
incomodar.)
Deixe os outros inimarem-na. Aceite a
proposta da sogra de varrer ou passar o
aspirador na casa quando em visita. Deixe o papai levar as crianças ao zoológico no domingo. Encarregue o marido
das compras, do supermercado, da lavanderia etc.
£ não espere a noite cair para reduzir
o ritmo — se puder se dar o luxo de uma
soneca à tarde, nflo hesite em fazê-lo. Se
não conseguir dormir, deite-se com um
bom livro. A soneca no escritório nflo é
uma coisa sensata, naturalmente, a menos que você tenha horário flexível e
Durma mais uma ou duas horas por noite. Deite-se antes da 11, levante-se mais
tarde (e que o seu marido faça o café).
Preste atenção à dieta. A fadiga do primeiro trimestre é muitas vezes agravada
por deficiência de ferro, de proteínas, ou
de meras calorias. Confira mais de uma
vez para ver se você está de fato atendendo às necessidades (ver a Dieta Ideal, p.
109). Mas independentemente do cansaço, não ceda à tentação de revigorar-se
com café, chocolate ou bolo. O efeito
não dura muito tempo e, depois cia elevação moral temporária, u glloose no
sangue cai rapidamente e sobrevém fadiga ainda maior.
Verifique o ambiente. A iluminação insuficiente, o ar poluído, o ruído em excesso dentro de casa ou no local de
trabalho podem contribuir para fadiga.
Esteja alerta a esses problemas e procure corrigi-los.
Dê uma caminhada. Em marcha lenta ou
mais apressadr. Dê um passeio pelo su-
O PRIMEIRO MÊS
permercado. Faça os exercícios de rotina
para a gravidez. Paradoxalmente, a fadiga pode ser exacerbada por repouso em
excesso e por atividade insuficiente. Mas
não exagere nos exercícios. Pare antes
que o bem-estar do exercício se transforme em mal-estar e certifique-se de acompanhar as orientações dadas à p. 231,
Embora a fadiga provavelmente cesse por volta do quarto mês, ela em geral
retorna no último trimestre — talvez a
forma encontrada pela natureza para
preparar a gestante para as longas noites insones quando vier o bebê.
Quando a fadiga for intensa, sobretudo quando acompanhada de desmaio,
palidez, falta de ar, o u / e palpitações,
convém comunicar os sintomas ao médico (ver Anemia, p. 189).
DEPRESSÃO
"Sei que deveria me sentir feliz com a gravidez, mas acho que estou sentindo a depressão
do puerpério prematuramente."
E
m primeiro lugar, talvez você esteja
confundindo depressão com as oscilações normais do humor durante a gravidez. Essas oscilações podem ser mais
pronunciadas no primeiro trimestre, e
em geral em mulheres que habitualmente sofrem de instabilidade emocional no
período pré-inenstruai. Os sentimentos
ambivalentes com relação à gestação depois de confirmada, comuns mesmo
quando planejada, podem exacerbar ainda mais essas variações de ânimo. Embora não tenham cura, pode-se melhorar
um pouco a situação evitando o açúcar,
o chocolate e a cafeína (que podem deprimir ainda mais a pessoa), adotando
a Dieta Ideal, mantendo o equilíbrio entre o repouso e o exercício e, sempre que
possível, falando a respeito do que se
sente.
Se você se sentir deprimida com fre-
137
qüência ou persistentemente, talvez esteja entre as 10% das gestantes que têm
de enfrentar a depressão leve a moderada durante a gravidez. Entre os fatores
que favorecem a depressão na mulher
estão:
• História familiar ou pessoal de distúrbios emocionais.
• Estresse sócio-econômico.
• Falta de apoio emocional por parte do
pai do bebê.
• Internação ou repouso forçado ao leito por complicações da gravidez.
• Ansiedade em relação à própria condição de saúde, sobretudo quando se
vivência complicações ou doenças durante a gravidez.
• Ansiedade sobre a saúde do bebê.
Os sintomas mais comuns de depressão, além da sensação de vazio, de indiferença e de aborrecimento, são os
distúrbios do sono; a modificação dos
hábitos alimentares (não comer nada ou
simplesmente não parar de comer); a fadiga prolongada ou incomum; a perda
de interesse pelo trabalho, petas diversões e por outras atividades ou prazeres
da vida; e as exageradas oscilações de humor. Sc Í isso que VOCÊ vem experimentando, tente as dicas para enfrentar a
depressão do pós-parto que pareçam servir para o seu caso no momento (ver p.
446).
Se os sintomas persistirem por mais de
duas semanas, fale com o médico ou peça para ser encaminhada a um terapeuta. Exceto em casos extremos, os
medicamentos antidepresslvos, cuja segurança durante a gestação é Incerta, nfio
serão usados em favor da psicoterapia de
apoio, que muitas vezes se mostra igualmente eficaz. Conseguir ajuda é impor-
138
OS NOVE MESES
tante, porque a depressão pode levar ao
descuido e à indiferença para consigo
mesma e para com o bebê.
AS NÁUSEAS MATINAIS
"Ainda não senti qualquer náusea. Posso mesmo assim estar grávida?"
A
náusea matinal, assim como a vontade inarredável de comer picies e
sorvete, é um dos truísmos da gravidez
que nem sempre se manifesta. Só um terço a metade das gestantes experimenta
náusea e / o u vômito. Se você estiver entre as que n ã o os experimentam,
considere-se não só uma mulher grávida como uma mulher de sorte, também.
"Passo o dia inteiro enjoada. Fico com medo
de não conseguir manter alimento suficiente no
estômago a fim de nutrir o bebê."
F
elizmente, a náusea matinal (denominação errada, porque pode ocorrer
pela manhã, à tarde, à noite — até durante o dia inteiro) quase nunca interfere no processo nutricional a ponto de
prejudicar o concepto em desenvolvimento. E, para a maioria das gestantes,
não vai além do terceiro mês — embora
algumas sintam náuseas até o segundo
trimestre e outras, sobretudo as com gestação gemelar, Dossam desfrutar desse
prazer duvidoso durante os nove meses.
Qual a causa da náusea? Não se sabe
ao certo, mas nâo faltam teorias. Sabese que o posto de comando da náusea e
do vômito se localiza numa região especial do tronco encefálico (tronco cerebral). Aponta-se um leque de causas
físicas para a estimulação exagerada dessa região durante a gravidez: elevado
teor de hCG no primeiro trimestre, rápido estiramento da musculatura uterina, relativo relaxamento dos tecidos
musculares no tubo digestivo (o que torna a digestão menos eficiente), e do ex-
cesso de ácido no estômago, seja pela
falta de alimento, seja pela ingestão de
alimentos indevidos.
Mas só esses fatores físicos não explicam o q u a d r o clínico, já que todos sâo
comuns a todas as gestantes e nem todas sofrem de náusea e de vômito. No
entanto, alguns fatos bastante esclarecedores parecem corroborar a teoria da
exacerbação dos fatores físicos pelos
emocionais. Em primeiro lugar, porque
a náusea matinal é desconhecida pelas
comunidades primitivas, em que o estilo de vida é mais simples, mais relaxado
e menos competitivo (embora ela já existisse na antiga civilização ocidental). Em
segundo lugar, porque muitas gestantes
que padecem de hiperêmese gravídica
(vômitos em excesso) se recuperam rapidamente, sem tratamento, tão logo sejam colocadas em ambiente hospitalar
relativamente tranqüilo, longe da família e dos problemas do dia-a-dia. Ademais, as pesquisas também revelam que
muitas das mulheres que apresentam
náuseas matinais sâo bastante suscetíveis
à força da sugestão — e em nossa sociedade decerto espera-se que a náusea matinal faça parte do quadro gestacionai.
Também bastante revelador é o fato de
que algumas mulheres só sofrem de náuseas e vômitos debilitantes quando a gestação não foi planejada, não foi desejada, sem padecerem de qualquer enjôo quando a gestação é bem-vinda. A
fadiga física e mental também parece aumentar a possibilidade dos episódios de
náusea. C o m o no caso da gravidez gemelar — provavelmente em decorrência
da multiplicação do estresse físico e emocional.
O fato de que a náusea matinal é mais
comum e tende a ser mais pronunciada
em primíparas (primeira gestação) vem
«polar o conceito da participação de fatores físicos e emocionais na sua origem,
Do ponto de vista físico, a gestante na
primeira gravidez está com o corpo menos preparado para a nova situação hor-
O PRIMEIRO MÊS
monal e para as outras alterações que
ocorrem. Do ponto de vista emocional,
essa gestante se encontra mais propensa
às ansiedades e aos medos capazes de revirar o estômago. Já as mulheres na sua
seçunda ou terceira gestação esquecem
das preocupações e da náusea em virtude das demandas dos outros filhos.
Lamentavelmente, os especialistas sabem menos a respeito do traíamento do
problema do que a respeito de sua causa. Concordara, todavia, que há muitas
formas de mitigar os sintomas e de minimizar os efeitos. Seguem-se algumas
dessas medidas:
• Seguir dieta rica em proteínas e em
carboidratos complexos (ver a Dieta
Ideal, p. 109) — ambos combatem a
náusea. Como também a boa nutrição, assim como também a devida
alimentação sob quaisquer circunstâncias.
• Beber líquidos em abundância — sobretudo quando houver perdas por vômito. Se for mais fácil ingeri-los
durante os períodos de desconforto
gástrico, use-os para o aporte de nutrientes. Insista no seguinte cardápio:
milkshake duplo (p. 125); suco de frutas ou de legumes; sopas, consomes,
caldos. Se os líquidos causaram enjôo,
convém comer sólidos ricos em água,
como as frutas frescas e os legumes e
verduras — sobretudo alface, melão
e frutas cítricas. Algumas mulheres
acham que comer e beber ao mesmo
tempo é muita coisa para o seu aparelho digestivo; se for este o seu caso,
tente tomar os líquidos só entre as refeições.
• Fazer uso de complemento vitamínico (p. 118) para compensar uma possível deficiência nutricional. Mas só
quando for possível ingeri-los e retêlos, possivelmente antes de dormir.
Talvez o médico recomende uma do-
139
se extra de 50 miligramas de vitamina
Bè, que parece aliviar a náusea em algumas mulheres. Não se deve fazer
uso de medicamentos contra a náusea
matinal a menos que prescritos pelo
médico. Essa prescrição quase sempre
só é feita quando a náusea é muito
acentuada (ver hiperêmese, p. 388) e
ameaça comprometer o estado nutricional da gestante e do feto.
• Evitar ver, cheirar ou provar alimentos que fazem enjoar. Não se transforme em mártir, preparando lingüiça
com cebola para o marido, se isso a
fizer ir correndo para o banheiro. E
não force a ingestão de alimentos que
não lhe apetecem ou que lhe causam
enjôo. Deixe que o estômago a oriente na sua escolha. Se os únicos alimentos que lhe apetecem são os doces, opte por eles (obtenha vitamina
A através de pêssegos e panquecas
em lugar de brócolis e frango). Se
preferir, substitua os cereais e o suco
de laranja do café da manhã por um
sanduíche de queijo quente com tomate.
• Comer com freqüência — antes de
sentir fome. Quando o estômago está
vazio, os ácidos não têm nada para
corroer a não ser o próprio revestimento gástrico. Isso pode provocar
náusea. O mesmo acontece quando fica baixa a glicose (açúcar) no sangue
em virtude de longos intervalos entre
as refeições. Seis refeições pequenas
são melhores do que três grandes. Carregue consigo lanches nutritivos (frutas secas, biscoitos de trigo integral)
p a r a comê-los nas h o r a s mais
oportunas.
• Comer antes de vir a náusea. O alimento desce com mais facilidade e, ao
encher o estômago, pode prevenir o
episódio.
140
OS NOVE MESES
• Comer na cama — pelas mesmas razões por que se deve comer com freqüência: para evitar ter o estômago
vazio e manter o nível de glicose no
sangue. Antes de ir dormir, fazer um
lanche rico em proteínas e em carboidratos complexos: leite com broa de
milho, por exemplo. Vinte minutos
antes de levantar da cama pela manhã,
fazer um lanche rico em carboidratos:
biscoitos de trigo integral, passas etc.
Deixe-os j u n t o à cama ao deitar para
não ter de levantar para pegá-los e em
caso de fome durante a noite. 1
• Minimize o estresse. A náusea matinal é mais comum entre as mulheres
sob grande estresse, seja no trabalho
ou em casa. Ver p. 147 para algumas
dicas que a ensinam a lidar com estresse durante a gravidez.
• Dormir mais e relaxar. A fadiga física e emocional pode aumentar a náusea matinal.
"Minha boca parece estar cheia de saliva todo o tempo — e a deglutição me dá náuseas.
Isso tem a ver com a gravidez?"
• Levantar em câmera lenta — levantarse depressa tende a agravar a náusea.
Não pule da cama e corra até a porta.
Fique na cama digerindo os biscoitos
por uns vinte minutos, para só então
levantar para um desjejum calmo.
Talvez isso pareça impossível para
quem já tem outros filhos. Mas convém levantar antes deles para ter um
pouco de sossego ou então deixar que
o marido se encarregue dos afazeres
matinais.
• Escove os dentes (com pasta de dente
que não aumente o enjôo) ou lave a
boca (peça uma indicação ao dentista, verifique com o médico) depois de
cada episódio de vômito, e também
depois de cada refeição, Isso não só
vai refrescar a boca e reduzir a náusea, como diminui o risco de problemas dentários ou gengivais que podem
ocorrer quando as bactérias oriundas
do m a t e r i a l r e g u r g i t a d o ali se
instalam.
!
Se você associar algum lanche rico em carboidratos, por exemplo, com a sua náusea, passe
a faíer ianehe diferente.
Em 7 de cada 2.000 gestações, a náusea e o vômito ficam tão intensos que requerem tratamento médico. Se for esse
o seu caso, ver p. 388.
SALIVA EM EXCESSO
O
excesso de saliva, também chamado
de ptialismo, é cutro sintonia comum da gravidez. É desagradável mas
inócuo. Felizmente, costuma desaparecer depois dos primeiros meses. E mais
comum em mulheres que também sofrem de náusea matinal e parece fazer
parte do quadro de enjôo. Não há cura
certa, mas escovar os dentes com pasta
de menta ou mascar chiclete ajuda um
pouco.
MICÇÃO FREQÜENTE
'' Vou ao banheiro de meia em meia hora. É norma! ficar urinando tanto?"
A
maioria — mas de forma alguma todas — das gestantes costuma freqüentar com assiduidade o banheiro durante o primeiro e o último trimestre.
Um dos motivos para o aumento inicial
da freqüência urinária está no maior volume de líquido no corpo e na melhor eficiência d o s rins, que a j u d a m n
eliminação mais rápida dos resíduos metabóllcos. Outro motivo esiá na pressüo
exercida pelo útero em crescimento, que
ainda se acha na pelve junto á bexiga.
O PRIMEIRO MÊS
Esta pressão na bexiga costuma diminuir
quando o útero atinge a cavidade abdominal, por volta do quarto mês. Provavelmente o sintoma não retornará até a
"descida" do bebê à pelve, por volta do
n o n o mês. No entanto, como a disposição dos órgãos internos varia de mulher
para mulher, a intensidade desse sintoma pode também variar.
Inclinar-se para a frente ao urinar aju- f
da a esvaziar por completo a bexiga e po- •
de reduzir o número de vezes''íjue à
'gestante procura o banheiro". Se achar
que está indo com muita freqüência à
noite, procure eliminar os líquidos depois das 4 h da tarde. Mas não os elimine sob outros aspectos.
"Como é possível que eu não esteja urinando
com freqüência?"
A
ausência de qualquer sinal perceptível de aumento da freqüência urinária pode ser perfeitamente normal, sobretudo na mulher que já costuma urinar
bastante. Convém, todavia, verificar se
está ingerindo líquidos o suficiente (ao
m^nos oito copos por dia). Nào só a ingestão insuficiente de líquidos é causa de
micção infreqiiente, mas pode também
levar à infecção urinária.
ALTERAÇÕES NOS SEIOS
"Afio reconheço mais os meus seios, de tão
íirtmdes t svn.i/vais, Vaojkur assim v cair depois do purto?"
A
costume-se com os peitos grandes
por ora. Embora possam não ser
sempre elegantes, são um dos traços distintivos da gestação. Os seios ficam inchados e sensíveis por causa da maior
produção, polo organismo, de eatrogênio e progesterona. (O m e s n o mecanismo opera no período pré-menstrual,
quandi muitas mulheres experimentam
alterações nos seios — embora tais alte-
141
rações sejam mais pronunciadas na gravidez.) Não se dão por acaso: visam
prepará-la para alimentar o bebê quando ele chegar. Se, entretanto, forem menos acentuadas numa segunda gravidez
ou noutra gestação subseqüente (como
costumam ser), não significa que você será menos capaz de amamentar.
Além do crescimento, você provavelmente notará outras alterações nos seus
seios. A aréola (a região pigmentada ao
redor do mamilo) escurece, se alarga, e
poderá ficar marcada por áreas mais escuras. Embora esse escurecimento se atenue, não desaparec"; totalmente depois
do nascimento. As pequenas saliências
que por vezes se percebem na aréola são
glândulas sebáceas que, embora hipertrofiadas durante a gestação, retornam
ao normal depois. Uma abundante trama de vasos venosos azulados passa a ser
entrevista nas mamas — bem mais saliente, pelo geral, em mulheres de pele
ciara — e representa o sistema de aporte nutricional e de líquidos da mãe para
o bebê. Depois do parto ou do aleitamento, a aparência da pele volta ao
normal.
Há felizmente uma alteração à qual a
gestante não terá de se acostumar: a sensibilidade mamária ao toque, às vezes
agonizante. Embora os seios cresçam durante toda a gestação — às vezes num volume equivalente ao de três xícaras —,
não costumam permanecer dolorosos ao
toque depois do terceiro ou do quarto
ínfis. Se vflo ou nSo cair depois do nascimento do bebê é coisa que, pelo menos em parte, depende da própria
gestante. O estiramento ea queda do tecido mamário decorrem da falta de suporte durante a gestação — embora
possa haver uma propensão genética. A
gestante deve usar sutiã firme diariamente, pura proteger os selos. Em caso dc serem muito grandes ou com tendência a
cair, convém usar sutifl mesmo durante
a noite.
Se os seios aumentarem logo no íní-
142
OS NOVE MESES
cio da gravidez e depois, repentinamente, diminuírem de tamanho (sobretudo
se outros sintomas de gestação desaparecerem sem explicação), entre em contato com o médico.
sas revelam que as mulheres que fazem
uso de complementaçâo vitamínica antes da gestação e durante o primeiro mês
são capazes de reduzir de forma significativa o risco de problemas do tubo neural (como o de espinha bífida) em seus
"Meusseios ficaram enormes na minha primei- filhos. A boa complementaçâo, formura gestação, mas não parecem se modificar ago- lada especialmente para a gestante, é
ra que estou na segunda. Será que tem alguma vendida em farmácias mesmo sem receita
médica. (Ver na p. 118 a composição
coisa errada?"
correta para a gestação.) Mas é preciso
não substituir a boa dieta por comprimis mulheres de seios pequenos, que
dos de vitamina: as vitaminas são mero
esperam ter os seios novamente
complemento. Qualquer vitamina que
grandes na segunda e na terceira graviofereça à gestante mais do que a dose
dez, às vezes ficam desapontadas, ao mediária recomendada deve ser consideranos temporariamente. Embora em
da medicamento e só deve ser tomada
algumas cresçam como <ia primeira vez,
sob supervisão médica, quando os benenoutras isso não acontece — talvez porfícios superem os riscos.
que as mamas, graças à experiência prévia, nâo precisem de tantos preparativos
Muitas gestantes percebem que a come reajam aos hormônios da gestação de
plementaçâo vitamínica às vezes acentua
forma menos dramática. Nessas mulhea náusea no início da gravidez, às vezes
res, os seios podem cres-cer gradualmenaté depois. A troca de produto pode ajute no decorrer da gestação, ou talvez
dar . O mesmo poderá ocorrer se você codetenham essa expansão até após o parmeçar a tomar a cápsula ou comprimido
to, quando tiver inicio a produção de
depois das refeições. Verifique com o
leite.
médico, porém, antes de trocar de produto, para que a fórmula do novo atenda às suas necessidades de complemenCOMPLEMENTOS
taçâo.
Em algumas mulheres, o ferro preVUAMÍNICOS
sente na complementaçâo vitamínica
pode causar constipação ou diarréia.
"Devo tomar vitaminas?'*
Convém mais uma vez trocar de produto. O uso de complementaçâo vitainguém consegue seguir todos os dimínica sem ferro e de um preparado
as uma dieta nutricionalmente perque o contenha em separado pode tamfeita, sobretudo na gestação incipente,
quando a náu sea m atin al atua como s ubém reduzir a irritação e aliviar os sinpressor comum do apetite e quando
tomas. Além disso, o médico jjode
aquela pequena nutrição que algumas
presci ever um que se dissolva no int estimulheres conseguem engolir muitas veno e não no estômago, que é mais sensízes volta diretamente para fora. A comvel. Peça o conselho dele.
plementação vitamínica diária, embora
não substitua a boa dieta no pré-natal,
pode servir de garantia clieiética, nsneguGRAVIDEZ ECTÓPICA
rfitido, no caso do organismo nSo coo"Sinto eólicas de vez em quando, Será qm posperar ou de ocasionalmente a gestante
omitir refeições, que o bebê n í o seja preso estar com gravidez ectópico sem saber?"
judicado. Além disso, algumas pesqui-
A
N
O PRIMEIRO MÊS
0
receio de gravidez tubária (ou gravidez ectópica) fica rondando o pensamento de toda gestante (sobretudo
na primeira gestação) que tenha ouvido
a respeito desse tipo de implante anormal do concepto. Felizmente, para a
grande maioria o receio nâo tem fundamento — e deve desaparecer por completo por volta da oitava semana de
gestação, quando sâo diagnosticadas e
encerradas as gestações ectópicas, na
grande maioria.
Apenas cerca de uma em 100 gestações
é ectópica — ou seja, ocorre fora do útero, em geral nas trompas de Falópio.'
Algumas destas chegam a ser diagnosticadas antes de a mulher perceber que está
grávida (são muiros os casos), Assim é
que se o médico tiver confirmado a sua
gestação através de um exame de sangue
e de um exame físico» sem sinais de gravidez tubária, a leitora poderá riscar essa preocupação da lista.
Há vários fatores que tornam as mu'heres mais suscetíveis á gravidez ectópica, entre os quais:
• Gravidez tubária prévia.
• Doença
gressa.
inflamatória
pélvica
pre-
• Cirurgia tubária ou abdominal anterior, com formação de cicatriz no pósoperatório.
• Ligadura de trompa malsucedida (para esterilização) ou ligadura de trompa invertida.
• Mu.'her em uso de DIU durante a concepção (o DIU tem mais chance de evitar a concepção no útero do que fora
'Isso costuma ocorrer porque alguma Irregularidade da trompa Impede a passagem do ovo até
o tlte.o, Em raras ocasiões o ovo fecundado se
Implanta no ovârio, na cavidade abdominal ou
na cérvice.
143
dele — aumentando o risco de gestações ectópicas entre as usuárias).*
• Possivelmente, o abortamento múltiplo induzido (as evidências não são
claras).
• Possivelmente, a exposição ao dietilestilbestrol (DES) durante a vida intrauterina, sobretudo quando tiver ocasionado importantes anomalias estruturais do aparelho reprodutor.
Apesar da raridade, toda gestante —
sobretudo as de alto risco — deve se familiarizar com os sintomas da gestação
ectópica. A cólica ocasional, provavelmente decorrente de estiramentos ligamentares com o crescimento uterino, não
faz parte deles. Mas há muitos outros
que vão requerer a avaliação médica imediata. Em caso de a gestante não poder
entrar em contato imediato com o médico, ela deve dirigir-se a um prontosocorro.
• A dor em cólica, em cãibra, que se
acentua ao toque, em geral no baixoventre — a princípio de um dos lados,
embora depois possa se irradiar para
todo o abdome. Pode ser agravada pelo
esforço ao defecar, pela tosse e pelos
movimentos. Em caso de rompimento
tubário, a dor se torna aguda e constante por breve período antes de se difundir por toda a região pélvica.
• Pequenas manchas de sangue (vaginal)
ou leve hemorragia (intermitente ou
persistente), que muitas vezes precedem a dor em dias ou semanas, embora possa não haver sangramento
sem a ruptura da trompa.
• Hemorragia Intensa sc houver ruptura da trompa.
J
Mas o uso de DIU no passado nflo parece aumentar o risco.
144
OS NOVE MESES
• Náusea e vômito em cerca de 25% a
50% dos casos — embora difíceis de
distinguir da náusea e do vômito matinais,
• Tonteira ou fraqueza, em alguns casos. Havendo rompimento tubárío,
são comuns o pulso débil e rápido, a
pele úmida e o desmaio.
• Dor no ombro, em algumas mulheres.
• Sensação de pressão no reto, em algumas mulheres.
No caso de uma gravidez ectópica, o
atendimento médico de emergência não
raro salva a trompa de Falópio da mulher e também a sua fertilidade (ver p.
388, para o tratamento da gravidez ectópica).
A CONDIÇÃO DO BEBÊ
"Fico nervosíssima porque Mo consigo sentir
o meu bebêi Ele pode merrer sem que eu fique
sabendo?"
N
essa fase, sem crescimento perceptível do abdome einexistindo atividade fetal evidente, é realmente difícil imaginar que dentro de nosso corpo esteja vivendo, se desenvolvendo, um bebê. Mas a
morte do feto ou do embrião sem a devida
eliminação uterina no aborto espontâneo
é muito rara. Quando acontece, desaparecem todos os sinais de gestação, inclusive
a dor ao toque dos seios e seu crescimento, podendo surgir um corrlniento de tonalidade marrom, pardacento, embora
não se manifeste a hemorragia franca. Ao
exame, o médico verificará que o útero diminuiu de [amanho.
Se em qualquer período todos os sintomas de sua gestação parecerem desaparecer, ligue para o médico. É melhor
do que ficar em casa se remoendo de
preocupações.
ABORTO ESPONTÂNEO
"Pelo que eu li e pelo que minha mãe me diz,
receio que fiz e que esteja fazendo tudo que è
capaz de cuusar um aborto."
P
ara muitas gestantes, o receio do
aborto as faz conter a alegria no
primeiro trimestre. Algumas só dão as
boas-novas depois do quarto mês, quando passam a ter alguma segurança de
que a gravidez há de prosseguir. E prosseguirá, de fato, para a grande maioria — provavelmente para 90% das gestantes. 3
Há ainda muito a ser aprendido sobre
as causas do abortamento precoce, mas
entre os fatores que não o causam estão
os seguintes:
• Problema anterior com DIU. A cicatrização do endométrio (o tecido que
reveste o útero) em decorrência de infecção provocada por DIU é capaz de
impedir a implantação do o"o na cavidade uterina, mas, depois da implantação, ele não costuma causar
abortamento. Nem a dificuldade anterior em manter o DIU em posição
há de interferir numa gestação,
• História de abortamento múlt iplo.4 A
formação cicatricial no endométrio
em virtude de múltiplos abortos, como a oriunda das infecções por DIU,
é capaz de impedir a implantação do
ovo mas não ser responsável por aborto precoce.
'Cerca de 10% das gestações diagnosticadas terminam clinicamente em aborto aparente. Outros
20% a 40% terminam antes do diagnóstico ser
feito: são esses os abortos espontâneos que passam despercebidos,
'Embora nao sejam causa imediata de aborto
espontâneo precoce, os abortos de repetição e
outros procedimentos que exigem a dilataçfio da
cérvice podem cuusar enfraquecimento ou insuficiência cervicai — muitas \ezes motivo de aborto espontâneo tardio. (Ver p, 212.)
O PRIMEIRO MÊS
• Os transtornos emocionais — decorrentes de discussão, de estresse no trabalho ou de problema,", familiares.
• Uma queda ou pequenas lesões acidentais da gestante. No entanto, as lesões
traumáticas de maior gravidade podem comprometer o feto, havendo
portanto sempre necessidade de tomar
certas precauções — usar cinto de segurança, não subir em escadas bambas etc.
• A atividade física usual e a que se está acostumada, como as tarefas domésticas; segurar crianças no colo,
segurar sacolas ou outros objetos moderadamente pesados (ver p. 241);
pendurar cortinas; mover móveis leves; e o exercício moderado e seguro
(ver p. 225).7
» Relações sexuais — a menos que a mulher tenha história de aborto espontâneo ou esteja sob outros aspectos em
risco elevado de perder a gravidez.
145
rinas (embora, às vezes, possam ser corrigidas cirurgicamente) e certas enfermidades crônicas da mâe.
Em raras ocasiões, os abortos sucessivos remontam à rejeição pelo sistema
imunológico da mãe das células do pai
no embrião em desenvolvimento. A imunoterapia pode ser capaz de corrigir esse problema e possibilitar uma gravidez
normal.
Quando não se preocupar. É importante entender que nem toda cólica, nem toda dor, nem toda manchinha de sangue
é necessariamente aviso de aborto iminente. Quase toda a gestação normal deve englobar ao menos um dos seguintes
sintomas, de um modo geral inócuos,
numa ou noutra ocasião: 8
• Cólicas leves, dolorimento ou uma
sensação de repuxo de um ou de ambos os lados do abdome, via de regra,
por estiramento dos iigamentos que
dão sustentação ao útero. Salvo quando a cólica é pronunciada, constante,
ou acompanhada de sangramento,
n â o há motivo para preocupação.
Há diversos fatores, no entanto, que,
segundo se pensa, aumentam o risco de
aborto espontâneo. Alguns nâo costumam recidivar e nâo devem interferir em
futuras gestações. A exposição à rubéola, por exemplo, ou a outras doenças teratogênicas, à radiação, ou a drogas
prejudiciais ao feto; febre alta; ou DIU
implantado no momento da concepção.
Outros fatores de risco, uma vez identificados, podem ser controlados ou eliminados em gestações futuras (a má
nutrição; o tabagismo; a Insuficiência
hormonal; e certos problemas médicos
maternos). Alguns fatores de risco do
aborto espontâneo n3o são facilmente
superados, como as malformações ule-
Ao suspeitar dc aborto. Em vigência de
qualquer dos sintomas arrolados na página anterior, convém chamar o médi-
'Numa gestação de alto risco, o médico pode limitar essas atividades ou mesmo prescrever rigoroso repouso no leito. Mas só é necessário
limitar as atividades sob orientação do médico.
"Convém rotineiramente informar o niídico sobre qualquer dor, cólica ou sangramento. Na
maioria dos casos, ele conseguirá afastar a sua
preocupação.
• Pequenas perdas vaginais por ocasião
do período menstrual esperado, cerca de 7-10 dias depois da concepção,
quando um pequenino aglomerado de
células — que dará origem ao bebê —
se fixa à parede uterina. É fenômeno
comum nessas ocasiões e n ã o indica
necessariamente qualquer problema
com a gravidez — já que não se acompanha de dor na região abdominal inferior.
146
OS NOVE MESES
Oi Possíveis Sinais de Aborto Espontâneo
Quando Chamar Imediatamente o Médico
(por Precaução)
• Quando ocorrer sangramento acompanhado de eólicas ou dor no centro do baixoventre. (A dor de um dos lados na gestação incipiente pode ser desencadeada por
gravidez ectópica, e também justifica chamar o médico.)
• Quando a dor é intensa ou persiste por
mais de um dia, mesmo quando não acompanhada de secreção tingida de sangue ou
de hemorragia.
• Quando o sangramento é tão intenso quanto o do período menstrual, ou se o aparecimento de manchas de sangue persistir por
mais de três dias.
* Quando o sangramento é táo intenso que
requer o uso de vários absorventes numa
hora só, ou quando a dor é insuportável.
• Quando se eliminam coágulos ou material
acinzentado ou cor-de-rosa — o que pode
significar que o abortamento já começou,
Se você não puder chegar ao médico, convém ir para o pronto-socorro rnsás próximo ou para o serviço de emergência obstétrica recomendado pelo médico. Talvez
o médico queira preservar o material eliminado (num saco plástico, num outro recipiente limpo) para descobrir se é nmeaça
de aborto, ou aborto completo ou incompleto, requerendo D &. E (diiataçSo e esvaziamento, com curetagem),
Quando lr para o Pronto-socorro
• Quando já há história de aborto e ocorre
sangramento, acompanhado ou não de cóiica (ou quando ocorrem ambos).
co. No caso dos sintomas sob a rubrica
"Situações de Emergência" e a leitora
não encontrar o médico, é preciso deixar recado e chamar uma ambulância ou
ir direto para um pronto-socorro.
Enquanto se espera o auxílio, cumpre
deitar, se possível, ou então repousar numa cadeira com os pés para cima. Embora nâo se vá impedir o aborto se este
tiver de ocorrer, consegue-se ao menos
relaxar. O que também ajuda a relaxar
è saber que a maioria das mulheres com
episódios de sangramento na gravidez incipiente chegam a termo e têm filhos sadios, normais.
Se houver suspeita ou diagnóstico de
aborto, ver p. 392.
"Eu realmente nito estou me sentindo grú vida.
Será que abortei sem saber?"
A
preocupação com o aborto impercebido, embora comum, não se justifica. Uma vez estabelecida a gestação,
os sinais de abortamento nâo são da
espécie que simplesmente passa despercebida. Além disso, é raríssimo o embrião em desenvolvimento morrer e não
ser expelido do útero. " N â o se sentir
grávida", tão-somente, não costuma
ser motivo para preocupação — muitas mulheres com gravidez normal não
se sentem grávidas, ao menos até que
comecem a perceber os movimentos fetais. Dívida a sua preocupação com o
médico na próxima consulta; ele será
sem dúvida capaz de tranqüilizar você.
Se, no entanto, estiver experimentando os sintomas de gravidez e todos re-
O PRIMEIRO MÊS
pentinamente desaparecerem sem explicação, telefone ao médico.*
ESTRESSE
"Meu trabalho é superestremnte. Eu nüo planejava ter um fllho a/tora, mas engravidei. Devo parar de trabalhar?"
0
estresse foi se transformando, com
o passar das duas últimas décadas,
numa importante área de pesquisa em
virtude do efeito que tem em nossas vidas. Dependendo de como o enfrentamos
e a ele reagimos, pode nos ser benéfico
(quando nos estimula para um melhor
desempenho, para uma atividade mais
eficiente) ou maléfico (quando sai de
controle; nos sobrecarregando e nos debilitando). Se o estresse 110 trabalho a mantém no auge da eficiência, estimulando-a
e desafiando-a, não deverá ser prejudicial para a gravidez. Mas se a deixa ansiosa, sem sono, deprimida ou se causa
em você sintomas físicos (como cefaléia, dor nas costas ou perda do apetite),
'Nâo se esqueça de que, pelo fim do primeiro
tiimesm, a náusea matinal costuma ceder, a freqüência urinária diminui e a sensibilidade mamaria se torna menos pronunciada — o que é
absolutamente normal.
147
então poderá ser. Pode também sei prejudicial quando a esgota (ver p. 135 para dicas sobre como combater a fadiga).
As reações negativas ao estresse podem se complicar pelas oscilações normais do humor durante a gestação. Se
certas reações (perda do apetite, má alimentação, insônia) têm agora um efeito
adverso sobre você, com a continuidade
acabarão tendo o mesmo efeito sobre o
bebê no segundo e no terceiro trimestres.
Por isso é preciso dar prioridade desde
já ao combate ao estresse de forma construtiva. Eis o que pode a j u d a r :
Fale a respeito. Deixe que as ansiedades
venham à tona: a melhor forma de evitar que a derrubem. Mantenha abertas
as linhas de comunicação com o marido, passando mais tempo com ele no fim
do dia para exprimir as preocupações e
as frustrações. (Naturalmente é provável que ele também precise de um ombro amigo para desabafar. Portanto,
prepare-se para fazer a sua parte como
ouvinte.) Juntos poderão encontrar algum alívio, mesmo um melhor humor,
nas situações respectivas. Mas se acontecer o contrário e vocês acabarem ficando ainda mais irritados, fale com outro
membro da família, com o médico, com
uma amiga ou qualquer outra pessoa. Se
Relaxar É Fácil
Há muita» formai e técnicas de relaxamento. U ma delas é a iosa. Damot aqui dois
exercício* de relaxamento que podem ser feitos em qualquer lugar e u qualquer hora. Ajudam a aliviar a ansiedade e também podem
ser praticados regularmente.
1, Seute com os olhos fechados. Relaxe os
músculos começando pelos dos pés e vá
lUbliido: permiti d o n o , t<u»> oço « rotto.
Respire somente pelo nariz. Ao expelir o
ar dos pulmOes, repita a palavra "um"
(ou "paz", ou qualquer outra palavra
bem simples). Prossiga durante 10 a 20
minutos.
2. Inspire lenta e profundamente pelo nariz,
empurrando o abdome para fora como
normalmente faz, Conte até quatro. Em
seguida, deixando os ombros e o pescoço relaxarem, expire vagarosamente e com
lr«nqflllIdNd«, contando a l i «uit. Repita
essa seqüência quatro ou cinco vezes para banir a tensão.
148
OS NOVE MESES
nada parece ajudar, busque auxílio profissional.
Faça alguma coisa a respeito. Identifique as fontes de estresse no trabalho e
noutras esferas da vida. Veja de que modo poderia modificá-las. Se estiver tentando fazer mais do que está ao seu
alcance, elimine algumas atividades. Se
está com responsabilidades em excesso
em casa ou no trabalho, defina prioridades e depois decida quais as que podem ser adiadas ou delegadas a outra
pessoa. Aprenda a dizer " n ã o " a novos
projetos ou a novas atividades antes de
sobrecarregar-se.
Às vezes é bom sentar com um caderno de notas e fazer listas das centenas de
coisas que precisam ser feitas (em casa
e no trabalho) a fim de planejá-las melhor e, quem sabe, pôr um pouco de ordem no caos da sua vida. Risque-as da
lista à medida que forem sendo cumpridas: consegue-se assim uma sensação de
conquista e de recompensa.
Durma. O sono é a passagem para a regeneração — da mentee do corpo. Muitas vezes a tensão e a ansiedade se
exacerbam quando não fechamos os
olhos por tempo suficiente. Se o problema for a insônia, veja as dicas à p. 175.
Alimente-se. O estilo de vida febril leva
a hábitos alimentares febris. A nutrição
insuficiente durante a gravidez pode ter
um duplo efeito: prejudica a capacidade de enfrentar o estresse e afeta o crescimento e o desenvolvimento do bebê.
Não se afaste da dieta ideal: faça três refeições principais ao dia mais lanches
(ver p. 109).
Elimine-a, no banho. Um banho morno
(mas nâo de banheira) t uma excelente
forma de aliviar a tensflo. Experimente
um depois de um dia agitado. Vai também lhe ajudar a dormir melhor,
Afaste-se das situações estressantes por
algum tempo. Combata o estresse com
qualquer atividade que lhe seja relaxante — esporte (consulte o médico e observe as orientações à p. 231); leitura;
cinema; música (vá para o trabalho com
seu walkman para ouvir música relaxante durante os intervalos e o almoço, ou
mesmo durante o trabalho, quando possível). Dê longas caminhadas (ou curtas,
durante o almoço, por exemplo, mas
dando tempo suficiente para a boa alimentação); medite (feche os olhos e imagine uma cena bucólica, ou mantenha-os
abertos e fite alguma fotografia ou quadro estrategicamente colocado no escritório), Pratique técnicas de relaxamento
(ver p. 147), nâo só porque ajudam durante o parto, mas porque ajudam a eliminar o estresse a qualquer hora.
Afaste-se da situação estressante definitivamente. Talvez o problema nâo esteja no próprio estresse e sim no próprio
trabalho. Considere a possibilidade de
antecipar a licença-maternidade, de só
trabalhar meio expediente, de mudar de
função para alguma menos estressante.
Lembre-se: o seu quociente de estresse só vai aumentar depois que o bebê tiver nascido; faz sentido tentar aprender
a lidar com ele agora.
MEDO EXCESSIVO COM
RELAÇÃO À
SAÚDE DO BEBÊ
"Acho que i melo Irracional, mas nüo consigo
dormir ou comer e nem me concentrar no trabalho, com medo de que o bebê imo veja normal."
T
odu gestante se preocupa com Isso.
Meu filho vai ser norma! ou não?
Mas se uma preocupação moderada que
não responde à tranqililizaçâo (como a
O PRIMEIRO MÊS
que tentamos dar neste livro) é um asl>ecto inevitável, v ;rdadeiro efeito colateral da gravidez, a preocupação excessiva
que interfere em nossas atividades precisa de atenção profissional. Fale com o
médico. Talvez uma ultra-sonografia
consiga afastar os temores. Muitos médicos mostram-se dispostos a fazer esse
exame quando a paciente se revela muito ansiosa, particularmente se tiver algum motivo específico para temer pela
saúde do bebê (andou freqüentando muito a sauna antes de saber que estava grávida, por exemplo) ou mesmo que tal
preocupação não tenha motivo aparente.
Os riscos desse tipo de exame para a mãe
e para o feto são superados pelos riscos
gerados pela ansiedade excessiva (sobretudo quando a futura mamãe deixa de
se alimentar e de dormir).
Embora o ultra-som não possa identificar todos os problemas em potencial,
mostra-se de uma utilidade extraordinária depois que o feto cresceu. Mesmo o
esboço, borrado como é, do bebê normal
— com todos os membros e órgãos no
lugar — pode oferecer enorme conforto.
Esse fato, além da tranqüilização pelo
médico, e talvez pelo especialista que
avalia o ultra-som, pode ajudar a gestante a superar o problema: talvez volte a
cuidar de si mesma e do bebê. Caso contrário, recomenda-se o aconselhamento
profissional.
Outros tipos de diagnóstico pré-natal
como a amniocentese e a amostragem de
149
vilosidades coriônicas que podem dar ao
casal e à gestante grande tranqüilidade
só costumam ser recomendados quando
há razão médica para o exame (ver pp.
74 e 79), já que são procedimentos em
que há algum risco.
CARREGANDO OUTRAS
CRIANÇAS NO COLO
"Receio que ao pegar ao colo minha filhinha
de dois anos, que ê muito pesada, possa me causar um aborto."
V
ocê terá de encontrar outra desculpa
para fazê-la andar com os próprios
pezinhos. A menos que o obstetra a tenha instruído para agir ao contrário, segurar e transportar pesos moderados
(mesmo uma criança em idade préescolar) não faz nenhum mal. Mas você
deve evitar chegar ao ponto da exaustão
(ver p. 209). Com efeito, culpar agora o
irmãozinho de sua filha para não levála ao colo poderá gerar sentimentos desnecessários de rivalidade e de ressentimento para com o bebê mesmo antes de
começar a competição.
Com o evoluir da gravidez, entretanto,
as costas poderão não suportar o peso
do feto e de um bebê de colo. Nesse caso, não se esforce em demasia. Mas culpe as costas e não o bebê, e compense o
fato de não o levar ao colo abraçando-o
e dando-lhe consolo ao sentar-se.
O Q U E É IMPORTANTE SABER:
ATENDIMENTO MÉDICO REGULAR
N
a última década, os movimentos
populares em prol do mútuo atendimento, da mútua assistência,
trouxeram aos norte-americanos toda a
sorte de informações: as pessoas come-
çaram a aprender nâo só a tirar a própria pressflo arterial e a verificar o pulso,
mas também a tratar em casa as distensões musculares, as dores de garganta e a
diagnosticar dor de ouvido. O impacto
150
OS NOVE MESES
dessas medidas sobre a eficácia do atendimento médico revelou-se indiscutivelmente positivo — ao eliminar uma série
de consultas inúteis aos médicos e ao tornar as pessoas melhores pacientes quando a eles recorriam. Mas sobretudo deu
consciência da responsabilidade sobre a
própria saúde, e trouxe a possibilidade
de as pessoas se tornarem bem mais sadias nos anos vindouros.
Mesmo durante a gestação, conforme
você há de depreender pela leitura deste
livro, são numerosas as medidas a serem
tomadas para que os nove meses transcorram com maior conforto e segurança, para que o trabalho de parto e o
parto transcorram mais facilmente e para que o bebê nasça com mais saúde.
Mas prosseguir sozinha durante a gestação, mesmo que por alguns meses apen a s , é a b u s a r do p r i n c i p i o da
auto-suficiência — que se funda na existência de um laço de viva cooperação entre a paciente e o profissional de saúde.
O atendimento profissional regular durante a gestação é elemento crucial. Uma
pesquisa revelou que as mulheres com
maior número de consultas no pré-natal
(média de 12,7) tiveram filhos maiores
e com melhores índices de sobrevida do
que as com menor número de consultas
(1,4 em média).
PROGRAMAÇÃO
DAS CONSULTAS
D
e forma ideal, a primeira consulta
ao obstetra deveria ocorrer antes da
concepção. Eis um ideal que muitas de
nós, especialmente as que engravidamos
sem termos planejado, não temos como
conseguir. Também muito acertado é
consultar o médico tão logo se suspeite
da gravidez, O exame médico (interno)
ajuda a confirmar a ipossibllidade e Já re-
velará quaisquer problemas que exijam
acompanhamento. Daí em diante, a programação das consultas vai depender do
obstetra e dos riscos envolvidos na gravidez. Na gestação normal, de baixo risco, as consultas provavelmtnte se
repetirão mês a mês, até o fim da 32? semana. Depois do que, passam a ocorrer
de duas em duas semanas até o último
mês, quando sâo comuns as consultas semanais.
Para o que esperar de cada consulta
no pré-natal, consultar os capítulos correspondentes.
CUIDADOS COM AS
OUTRAS PARTES
DO CORPO
A
s preocupações de ordem obstétrica
naturalmente avultam durante a gestação. Mas embora a saúde da gestante
deva começar pela barriga, não há de ficar só aí. E não há por que esperar que
os problemas surjam. Vá ao dentista: todo o trabalho odontológico, sobretudo
o preventivo, pode ser feito com segurança durante a gravidez (ver p. 215). Vá
ao alergista, se necessário. As pessoas
com alergias de maior gravidade talvez
precisem de acompanhamento. As doenças crônicas e outras afecções importantes devem ser também acompanhadas
ora pelo clínico geral, ora por especialistas. Quem vai fazer parto c o n parteira deve recorrer a um obstetra ou clínico
para resolver todos os problemas
médicos.
Surgindo novos problemas durante a
gestação, não os ignore. Mesmo no caso de sintomas relativamente inócuos, é
mais importante do que nunca consultar
o médico de imediato. O bebê precisa de
uma mãe totalmente sadia.
O PRIMEIRO MÊS
Quando Chamar o Médico
É melhor ler um protocolo para seguir,
junto com o médico, antes de a emergência
t.Iiegar. Não tendo um, ou se algum sintoma apresentado pela gestante estiver necessitando de atenção mi dica imediata, tentar
fazer o seguinte. Primeiro, liçar para o consultório do módico. Se de não estiver, telefonar de novo depois de alguns minutos
deixando recado — explicando a situação e
0 que pretende fazer. Em seguida, dirigir-se
para o pronto-socorro mais próximo ou chamar uma ambulância.
Ao informar o médico do que estiver sentindo, você deve mencionar todos os dentais
sintomas, não importa a pouca relação que
pareçam ter com a queixa mais importante
e imediata. É preciso ser especifica,
informando-o da duração, da freqüência com
que retornam, do que os exaccrba ou os alivia, e de sua intensidade.
• Dot na região abdominal inferior (baixa),
de um ou dos dois iados, que não cede: avisar ao médico no mesmo dia; se acompanhada de sangramento, náusea ou vômito,
chamá-lo imediatamente.
• Discreta secreção vaginal (manchas): notificar o médico no mesmo dia.
• Sangramento intenso (sobretudo se acompanhado de dor abdominal ou nas costas):
chamá-lo imediatamente.
• Sangramento nos mamilos, no reto, na bexiga: teiefone imediatamente.
• Tosse com eliminação de sangue: telefone Imediatamente.
• Jorro ou gotejamento constante de liquido pela vagina: chamá-lo imediatamente.
• Súbito aumento da sede, acompanhado de
dificuldade de micção, ou de ausência de
micção durante um dia inteiro: chamá-lo
imediatamente.
• Incitação ou edema dus mios, rosto, olhos:
cli,uniu no mesmo dia. Se muito Imen&ti
e repentina, ou acompanhada de dor de cabeça e visão lurva: chamá-lo imediatamente.
• Dor de cabeça que persiste por mais de
duas ou três horas: chamá-lo no mesmo
dia. Se acompanhada de distúrbios visuais
ou dc súbita inchação dos olhos, face e
mãos: chamá-lo imediatamente.
• Queiinação ou dor á micção (ao urinar):
chamá-lo no mesmo dia. Se acompanhada de calafrios e febre acima de Í 8 3 C e/ou
de dor de cabeça: chamá-lo imediatamente.
• Distúrbios visuais (visão turva, obscurccimento, visão dupla) que persistem por mais
de duas ou três horas: chamá-lo imediatamente,
• Desmaio ou tonteira: notificá-lo no mesmo dia.
• Calafrios e febre acima d e 3 8 ° C (sem sintomas de gripe ou resfriado): chamá-lo no
mesmo dia. Febre acima de 39°C: chamálo imediatamente.
• Náusea e vômito intensos, vomitando mais
de duas a três vezes ao dia no primeiro trimestre, vomitando mais tardiamente na
gestação sem nunca ter vomitado antes:
notificar o médico no mesmo dia. Se o vômito se acompanhar de dor e/ou febre:
chamá-lo imediatamente.
• Súbito ganho de peso (mais de I quito) sem
relação com a alimentação excessiva: notificar o médico no mesmo dia. Se acompanhado de edema das mãos e tio rosto
e/ou ou dor de cabeça ou distúrbios visuais: chamá-lo Imediatamente.
• Ausência de movimento fetal perceptível
durante mais de 24 horas depois da 20? semana: chame-o no mesmo dia. Menos de
10 movimentos por hora (ver p. 237) depois da 28? semana: chame-o imediatamente.
151
152
OS NOVE MESES
Quando em Dúvida
Às vezes os sinais do corpo de que algo
vai mal não são claros. Você se senie estranhamente esgotada, com dores, não se sente bem.
Mas não há nenhum dos sintomas nitidos arrolados à p. 151. Se uma boa noite de sono
e algum repouso a mais não a ajudarem a
sentir-se melhor cm um dia ou dois, nâo se
acanhe de entrar em contato com o médico.
É provável que talvez só haja necessidade de
mais repouso. Mas também é possível que você esteja a,têmica ou abrigando uma infecção
de algum tipo. Certas infecções — a cisiile,
para citar uma — fazem o seu trabalho sujo
sem manifestarem sintomas óbvios,
—
O
O Segundo
Mês
A
CONSULTA
S
e for essa a primeira consulta prénatal, veja a Primeira Consulta, p.
133. Se for a segunda, você pode esperar pela verificação dos seguintes elementos, embora ocorram variações
dependendo das suas necessidades particulares e do estilo do obstetra:'
• Peso e pressão arterial
• Mãos e pés, para detectar edema (inchação), e pernas, para verificar a presença de varizes
• Os sintomas experimentados pela gestante, sobretudo os incomuns
• Perguntas e problemas que talvez você queira discutir — levar uma lista
pronta
• Urina, pesquisa de açúcar e de proteínas
O s SINTOMAS COMUNS
V
ocê talvez experimente todos estes
sintomas numa ou noutra ocasião,
ou talvez só um ou dois deles. Alguns persistem desde o mês anterior, outros são novos. Nâo se espante, independentemente dos sintomas, se você
ainda não se sentir grávida.
FÍSICOS:
'Consulta.- o Apêndice para a explicação dos
procedimentos e dos exames realizados.
• Fadiga e sonolência
• Necessidade de urinar com freqüência
• Náusea, com ou sem vômitos, e/ou
com salivação abundante (ptialismo)
• Prisão de ventre (constipaçâo)
* A 2 ' 3 - má d i g e s t ã o , f l a t u l ê n c i a (gases),
intumescimento abdominal
154
OS NOVE MESES
• Aversões e desejos alimentares
• Alterações mamárias: plenitude, peso,
dor ao toque, formigamento; escurecimento da aréola {a região pigmentada em volta do mamilo); as
glândulas sudoríparas na aréola se tornam proeminentes (tubérculos de
Montgomery); surge uma rede de linhas azuladas sob a pele ao crescer o
aporte de sangue ao seio
• Cefaléia ocasional (semelhante à dor
de cabeça que sentem algumas mulheres em uso de pílula)
• As roupas começam a ficar apertadas
na cintura e no busto; o abdome parece maior, mais talvez peia distensão
intestinal do que pelo crescimento
uterino
EMOCIONAIS:
• Instabilidade comparável à da síndrome pré-mcnstrual, em que há irritabilidade, oscilações de humor, irracionalidade, choro fácil
• Apreensão, medo, aiegria, euforia —
qualquer um ou todos eles
• Desmaio ou tonteira ocasionais
A s PREOCUPAÇÕES COMUNS
MODIFICAÇÕES VENOSAS
" Tenho feias tinhas azuladas debaixo da pele,
nos seios e na barriga. Isso é normal?"
M
uitíssimo normal. Elas fazem parte
da rede venosa que se expande para transportar o maior fluxo de sangue
próprio da gravidez. Não só não há nada para se preocupar como também é sinal de que o corpo está fazendo o que
deve, Podem aparecer antes em mulheres muito magras. Nas outras, a rede venosa talvez seja menos visível, ou nem
perceptível, ou ainda só se mostrando na
gravidez já adiantada.
"Desde que engravidei, tenho nas coxas umas
linhas avermelhadas em forma de aranha e de
aspecto repugnante. Sâo varizes?"
N
ão sito bonitas, mau nfio sflo varizes,
São telangieçtasias, ou nevos arâneos, provavelmente resultantes das alterações hormonais da gestação, Devem
esmaecer e desaparecer depois do parto;
caso isso não ocorra, podem ser removidas.
"Minha mãe e minha avó tiveram varizes durante a gravidez e depois tiveram problemas
com elas. Não há nada que eu possa fazer para preveni-las durante a minha gestação?"
C
omo as varizes muitas vezes exibem
tendência familiar, você faz bem em
pensar na sua prevenção — sobretudo
porque elas tendem a se agravar em gestações subseqüentes.
As velas hígldas, normais, transportam o sangue das extremidades para o
coração. Por trabalharem contra a força da gravidade, dispõem de uma série
de válvulas que impedem o fluxo retrógrado. Em algumas pessoas, as válvulas
não existem em número suficiente ou
funcionam mal, causando o represamento de sangue nas veias onde a força da
gravidade é maior (em geral an pernas,
mas podendo atingir também o reto ou
a vulva), e daí a sua distensSo, configurando as varizes. Veias que se distendem
O SEGUNDO MÊS
0 ASPECTO FÍSICO
NO SEGUNDO MÊS
15'
rios, fazendo coin que as veias se dilaten
bem mais.
Os sintomas das varizes não são difí
ceis de reconhecer, embora variem mui
tíssimo de intensidade. As veia
intumescidas podem causar dor violen
ta, leve dolorimento, sensação de pes
nas pernas, ou ser completamente assir
tomáticas. Ora se vê um discreto linea
mento de veias azuladas, ora assomar
proeminentes veias serpeantes desde
tornozelo até a coxa ou a vulva. Nos CE
sos de maior gravidade, a pele que recc
bre as veias se edemacia, se resseca e s
irrita. Ocasionalmente, no local da VE
ricosidade desenvolve-se uma trombo fl<
bite (inflamação da veia em questão cot
formação de coágulo).
Felizmente, as varizes durante a gei
tação podem muitas vezes ser prevenid:
e seus sintomas minimizados, através c
medidas que eliminem a pressão desm
cessária nas veias das pernas.
• Evitar o ganho excessivo de peso.
• Evitar os períodos prolongados de f
ou sentada; ao sentar, elevar as pe:
nas acima do nível dos quadris quai
do for possível; ao deitar, elevar E
pernas colocando um travesseiro so
os pés ou deitar-se de lado.
3 cm da cabeça às nádegas (dos quais um
terço é ocupado peta cabeçaj e pesa cerca de 150 g. O coração já bate, os braços
e pernas já apresentam um esboço dos dedos das mãos e dos pés. Os ossos começam a substituir a cartilagem.
com facilidade podem ainda contribuir
para o problema, o que é mais comum
em pacientes obesas e ocorre quatro vezes mais em mulheres do que em homens. Em mulheres suscetíveis, a
condição muitas vezes aparece pela primeira vez durante a gestaçAo. E por vários motivos: maior pressão uterina
sobre as velas da pelve; maior pressão sobre as veias das pernas; maior volume de
sangue; e o relaxamento do tecido muscular das veias pelos hormônios gestató-
• Evitar suspender grandes pesos,
• Evitar grande esforço ao evacuar.
• Use meias elásticas ou meia-calça d
suporte, vestlndo-as antes dc levantar
se pela manhã (antes do sangue se acu
mular nas pernas) e removendo-as
noite ao ir para a cama.
• Não use roupa apertada. Evite os cin
tos justos, as cintas-ligas, e mesmo a
cintas destinadas a gestantes; as meia
soquetes ou compridas com barra d
elástico; as ligas; os supaios apertados
• Nâo fume. Descobriu-se unia possíve
correlação entre o fumo e as varize
(além de toda uma série de outros pro
1Í6
OS NOVE MESES
blemas de saúde, inclusive complicações da gravidez; ver p. 85).
• Faça algum exercício — marcha acelerada, por exemplo, durante 20 a 3ü
minutos — todos os dias.
• Praticar exercícios — por exemplo,
uma caminhada a passos rápidos durante 20 a 30 minutos por dia.
• Assegurar aporte suficiente de vitamina C — há médicos q u e afirmam que
essa vitamina a j u d a a manter a higidez e a elasticidade das veias.
• Não passar por uma torneira sem beber um corpo d'água — a água é um
dos mais eficazes purificadores das
porosidades da pele.
• Lavar o rosto duas ou três vezes por
dia com uma loção de limpeza suave.
Evitar os cremes e as maquiagens gordurosos.
• Se o médico aprovar, fazer uso de
complemento de vitamina Bs (25 a 50
miligramas). Esta vitamina é usada no
tratamento dos problemas cutâneos de
origem hormonal, embora seu efeito
ainda não tenha sido comprovado.
A remoção cirúrgica das varizes não
é recomendada durante a gestação, embora possa ser considerada alguns meses após o parto. Na maioria dos casos,
porém, o problema costuma ceder ou
melhorar espontaneamente depois do
parto, ;m geral q u a n d o se readquire o
peso pré-gestacional.
• Se os problemas de pele forem intensos o suficiente para justificar a consulta a um clínico geral ou um
dermatologista, informe-o que você
está grávida. Alguns medicamentos
usados para a acne, como o A centane (ácido 13 — eis retinóico) não devem ser empregados por gestantes por
serem talvez prejudiciais ao feto.
A COMPLEIÇÃO FÍSICA:
ALGUNS PROBLEMAS
Para algumas mulheres, o ressecamento da pele, não raro acompanhado de
prurido (coceira), é problema na gestação. Os hidratantes podem ter grande
utilidade (para melhor absorção, devem
ser aplicados depois do banho, enquanto a pele ainda está úmida). O mesmo
efeito terá a ingestão de líquidos em
abundância e a umidificação dos cômodos da casa na estação mais quente. Os
banhos freqüentes, principalmente com
sabonete, tendem a aumentar o ressecamento — evite tomá-los em excesso.
"Estão me aparecendo espinhus, como quando eu era adolescente."
O
brilho que algumas gestantes têm a
sorte de irradiar n ã o se deve apenas
à felicidade pela iminente maternidade,
mas também a u m a maior secreção de
oleosidades causada pelas alterações hormonais. E a mesma explicação tím os
cravos e espinhas que brotam durante a
gestação em outras mulheres com menor
sorte (sobretudo naquelas em que brotavam espinhas antes de vir a menstruaçlo). Embora difíceis de eliminar, há
medidas que a j u d a m a mantê-las em pequeno número:
• Manter-se fiel à Dieta Ideal — faz bem
para a pele da gestante e para o bebê.
A EXPANSÃO DA CINTURA
"Por que a minha cintura Já se expandiu tanto f Achei que só Ia 'aparecer' pelo menos 14
pelo terceiro mês."
A
expansão da cintura pode ser perfeitamente um legítimo produto da
gravidez, sobretudo se a gestante era es-
O SEGUNDO MÊS
belta, magra, com pouco excesso de carnes para que nele o útero em crescimento se escondesse, Mas pode ser resultado
da distensão intestinal, muito comum no
início da gestação. Por outro lado, também é bem possível que essa expansão seja uma indicação de que você está
ganhando peso muito depressa. Se a gestante já adquiriu algo em torno de um
quilo e meio, convém analisar a dieta —
muito provavelmente estará exagerando
no aporte calórico, possivelmente com
calorias não-nutritivas. Passar em revista
a Dieta Ideal e ler sobre o ganno de peso à p. 182.
PERDENDO A FORMA
"Fico com medo de perder para sem pre a forma depois de ter o bebê."
O
quilo ou dois que a mulher em gerai
adquire a cada gestação de modo
permanente, e a flacidez que em geral os
acompanha, não são a conseqüência inevitável de ficar-se grávida. Decorrem de
ganho de peso excessivo, do consumo de
alimentos errados, e/ou de pouco exercício durante os nove meses.
O ganho de peso durante a gravidez
tem duas finalidades legítimas: nutrir o
feto em desenvolvimento, em princípio,
e armazenar reservas para a amamentação do bebê depois do parto, Se a gestante adquirir tão-somente o peso
necessário para atender a essas duas finalidades e manter-se em boas condições
físicas, a forma costuma voltar ao normal alguns meses depois do parto, sobretudo se usar as reservas lipfdicas para o
aleitamento. 1 Portanto, deixe de se
preocupar e trate de agir. Siga as recomendações dietítlcas (Dieta Ideai) o observe as recomendações sobre o ganho de
peso à p. 182 e sobre os exercícios á p.
225.
Com atenção à dieta e aos exercícios
durante a gestação, você poderá conse-
15'
guir uma f o r m a bem melhor depois do
parto, porque terá aprendido a cuidar
melhor do corpo. Se o marido aderir ao
seu melhor estilo de vida, ele também poderá ficar mais etn forma depois da
gestação.
AZIA E MÁ DIGESTÃO
"Sinto azia e má-digestüo o tempo todo. Isso
vai afetar o bebê?"
E
nquanto a gestante se acha dolorosamente consciente dos incômodos gastrointestinais, o bebê nem os percebe e
nem é por eles afetado — desde que nâo
interfiram na ingesta de bons alimentos.
Embora a dispepsia possa ter alguma
causa (em geral abusos alimentares) durante a gestação, como quando n ã o se
está grávida, há outros motivos para esse incômodo agora. No início da gravidez, o corpo produz grande quantidade
de progesterona e de estrogênio, que tendem a relaxar a musculatura lisa de todos os órgãos, inclusive a do sistema
digestivo. Por isso, nele os alimentos às
vezes se movem mais vagarosamente,
causando má digestão e incômoda sensação de plenitude. Incômoda para a gestante, não para o bebê, porque o trânsito
lento dos alimentos pelo intestino favorece a absorção dos nutrientes pela corrente circulatória e, subseqüentemente,
pelo organismo do bebê, através da
placenta.
A azia decorre da frouxidâo do esfíncter que separa o esôfago do estômago,
permitindo a regurgitaçâo para o primeiro dos alimentos e sucos digestivos irriJ
H í mulheres que durante a amamentação percebem que perdem pouquíssimo pesoi costumam
porém voltar ao peso pré-gravídico depois do
desmame. Coso Isso n í o aconteça, serA porque
estão consumindo muitas calorias e queimando
muito poucas. As mães que amamentam os filhos com mamadeira terão de perder peso nos
pós-parto através de dieta e de exercícios.
158
OS NOVE MESES
tantes. Os ácidos gástricos irritam o revestimento esofágico, causando a queimação perto do coração, embora nada
tenha a ver com esse órgão. Durante os
últimos dois trimestres, o problema pode
se complicar com o crescimento uterino,
que comprime o estômago para cima.
É quase impossível passar os nove meses sem dispepsia; é apenas um dos eventos menos agradáveis da gestação. Há,
contudo, algumas formas excelentes de
evitar a azia e a dispepsia a maior parte
do tempo e de minimizar-lhes o incômodo quando sobrevêm:
• Evitar o ganho excessivo de peso; o excesso de peso faz crescer a pressão sobre o estômago.
• Não usar roupas que apertam o abdome e a cintura.
• Comer várias refeições pequenas em
lugar de três grandes.
• Comer devagar, garfadas pequenas,
mastigando completamente.
• Eliminar da dieta os alimentos que
causam o incômodo. Entre os mais comuns estão: alimentos quentes e muito condimentados; alimentos fritos ou
g o r d u r o s o s ; carnes processadas
(cachorro-quente, salsichas em geral,
bacon); chocolate, café, álcool, refrigerantes; hortelã e pimenta (mesmo a
hortelã do chiclete).
• Nâo fumar.
• Evitar curvar-se sobre a cintura;
abaixar-se sempre com os joelhos,
• Dormir com a cabeça elevada alguns
centímetros.
• Relaxar.
• Se tudo o m-?is falhar em aliviar os sin-
tomas, peça o médico para receitar antiácidos ou outros medicamentos contra a azia, que não sejam contra-indicados a gestantes. Não fazer uso de
produtos que contêm sódio ou bicarbonato de sódio.
AVERSÕES E DESEJOS
ALIMENTARES
"Certos alimentos — particularmente as hortaliças verdes —, de que sempre gostei, têm um
sabor esquisito agora. Em vez disso, sinto desejo de alimentos bem menos nutritivos."
0
clichê do marido apressado que sai
no meio da noite, capa de chuva sobre o pijama, atrás de um sorvete e de
um irasco de picles para satisfazer os desejos da esposa grávida provavelmente
ocorre com muito mais freqüência na cabeça dos cartunistas do que na vida real.
Poucos são os desejos das mulheres que
as levam — c u aos maridos — tão longe.
Mas a maioria de nós descobre que as
preferências alimentares se modificam
durante a gravidez. As pesquisai; mostram que entre 76% e 90% das gestantes experimentam preferência muito
especial por pelo menos algum alimento
durante a gravidez e entre 50% e 85%
alguma aversão alimentar. Em certa medida, essas repentinas excentricidades
gastronômicas podem ser atribuídas às
profundas alterações hormonais — o que
deve explicar por que a aversão e a preferência alimentares são mais comuns no
primeiro trimestre das primeiras gestações, quando as alterações hormonais estão no seu apogeu.
Os hormônios, contudo, não oferecem
a única explicação para o quadro. Há
também algum mérito na velha tese, tão
aceita, de que sejam essas alterações do
paladar sinais sensíveis do organismo
materno — a aversão a certo alimento
indicaria que esse nos seria prejudicial e
a ânsia por outro estaria dizendo que esse
O SEGUNDO MÊS
nos seja necessário. Esse sinal vem quando o café preto pela manhã, que costumava ser o fundamento alimentar para
diosso dia de trabalho, começa a ser rejeitado. Ou quando o drinque antes do
jantar nos parece muito forte, mesmo
que esteja fraco. Ou quando se percebe
que ainda não se comeu frutas cítricas
o suficiente. Por outro lado, quando a
gestante sequer suporta enxergar um peixe, ou quando o brócolis de repente parece amargo, não se poderá dizer que o
corpo esteja emitindo sinais corretos.
O fato é que os sinais do corpo relacionados aos alimentos sâo pouquíssimo
confiáveis, talvez porque estejamos tão
afastados da cadeia alimentar da natureza que nâo sabemos mais interpretálos corretamente. Antes da invenção dos
lundaes, quando os alimentos provinham da natureza, o desejo por carboidratos e por cálcio nos lançaria em busca
de frutas ou de morangos e de leite e
queijo. Com a ampla variedade de alimentos tentadores (tantas vezes prejudiciais!, não admira que o corpo se
atrapalhe na escolha.
N.io se pode ignorar totalmente os desejos e as aversões. Mas pode-se lidar
com eles sem colocar em risco o aporte
nutricional ao bebê. Se você desejar algum alimento bom para você e o bebê,
n ã o hesite em consumi-lo. Mas se desejar algum que não seja conveniente, procure um substituto que satisfaça o desejo
sem sabotar os interesses nutricionais do
bebê: passas, damascos secos, biscoitos
i n t e g r a i , chocolate (em barra) em lugar
de doclnhos açucarados, por exemplo;
salgadinhos feitos com farinha de trigo
integral e com pouco sal em lugar dos supersalgrdos e inúteis do ponto de vista
nutricional, Q u a n i o o substituto não satisfizer, uma boa saída é a sublimação
— fazer exercícios, tricotar, ler, tomar
um banho morno, ou qualquer outra distração quando atacar a vontade. E, naturalmente, de vez em quando ceder ao
desejo e trapacear (ver p. 163).
15'
Se sentir súbita aversão ao café, álcool
ou chocolate, ótimo. Vai tornar a renúncia a tais hábitos ainda mais fácil. Quando a gestante não tolera peixe, brócolis
ou leite, não há por que lhe forçar a ingestão: é preciso encontrar fontes que os
compensem do ponto de vista nutricional. (Ver os substitutos apropriados na
Dieta Ideal.)
Em grande medida, as aversões e os
desejos desaparecem ou se enfraquecem
depois do quarto mês. E os que não cedem quase sempre são desencadeados
por necessidades emocionais — a necessidade de um pouco mais de atenção, por
exemplo. Se o casal estiver consciente de
tal necessidade, será mais fácil satisfazêla. A gestante poderá pedir no meio da
noite, em vez do sorvete ou do sanduichão, um romântico banho a dois ou um
aconchego calmo e silencioso.
Algumas mulheres criam hábitos alimentares muito particulares: gostam de
comer terra, barro, cinzas etc. Como esse
fenômeno, conhecido como "pica", pode ser sinal de deficiência nutricional, sobretudo de ferro, precisa ser notificado
ao médico.
AVERSÃO OU
INTOLERÂNCIA AO LEITE
"Não suporto leite. Beber dois copos por dia,
só de pensar, me dá náuseas. Meu bebê vai sofrer se eu não beber leite?"
E
m primeiro lugar, n t o 6 do leite que
o bebê precisa, é do cálcio. Como o
leite é a fonte mais conveniente de cálcio na dieta de quase todos os países, é
um dos produtos mais recomendados para atender a essa necessidade durante a
gestação. Mas há muitos substitutos que
preenchem os requisitos nutricionais da
mesma forma. Multas pessoas que nflo
toleram a lactose (impossibilitadas de digerir o açúcar próprio do leite, a lactose) conseguem digerir alguns tipos de
160
OS NOVE MESES
laticínios, como os queijos duros, os iogurtes industrializados e um novo tipo
de leite, com redução da lactose, produtos em que 70% da lactose já tenham sido convertidos em forma mais digerivel.
Mesmo quem não tolerar tais produtos
ainda poderá obter o cálcio necessário ao
bebê comendo os Alimentos Ricos em
Cálcio, arrolados à p. 120.
Você pode descobrir entretanto que,
mesmo que durante anos tenha sido intolerante à lactose, é capa2 de aceitar alguns derivados do leite durante o
segundo e o terceiro trimestre, quando
as necessidades fetais de cálcio são maiores. Mesmo que isso ocorra, não exagere; procure aderir s o b r e t u d o aos
produtos com menor chance de p ovocarem uma reação.
Se o problema com o leite não for fisiológico, apenas questão de paladar, há
várias maneiras de suprir o aporte de cálcio necessário sem ofender as exigências
gustativas. As opções sâo encontradas no
rol de Alimentos Ricos em Cálcio, já
mencionado. Ou você pode tentar enganar suas paptlas gustativas com leite em
pó magro que venha incógnito a sua mesa (na aveia, nas sopas, nos bolinhos, nos
temperos, nas batidas, nas sobremesas,
nos pudins etc.).
Se, apesar de todos os seus esforços,
nào lhe pareça estar ingerindo cálcio suficiente na dieta, peça ao médico que lhe
prescreva uma complementação de
cálcio.
tão drástica quanto os homens e as
mulheres de mais idade. Com efeito,
o colesterol é necessário para o desenvolvimento fetal, de forma que a mãe
automaticamente aumenta-lhe a produção, elevando o teor de colesterol
no sangue em cerca de 25% a 40%. 3
Embora você não tenha de comer uma
dieta rica em colesterol para ajudar o
corpo na produção desse composto vital, sinta-se à vontade para abusar um
pouco. Coma um ovo por dia se desejar," use queijos para atender às demandas de cálcio e desfrute de um filé gordo
ocasionalmente — sem a menor culpa.
Mas não se exceda, porque muitos alimentos ricos em colesterol são ricos em
gorduras e calorias, e o abuso pode
provocar-lhe um aumento excessivo de
peso. A gordura em excesso faz o mesmo (ver p. 116). E lembre-se de que muitos alimentos ricos em colesterol são
também ricos em gordura animal muitas vezes contaminada por substâncias
químicas indesejáveis (ver p. 164) .
Mas se você não precisa se preocupar
com o assunto, os outros que moram
com você precisam (exceto o que tem menos de dois anos de idade) s . Essa recomendação serve mais para os adultos do
sexo masculino, principalmente os que
querem evitar certos problemas. A dieta da gestante que se compõe de várias
refeições por dia não deve ser seguida
evidentemente pelos demais membros da
COLESTEROL
J
"Meu marido e eu somos muito cuidadosos
com nossa dieta. Limitamos o colesterol e as
gorduras. Devo continuar nesse regime durante
a gravidez?"
A
s gestantes, e em menor grau as mulheres em Idade fértil, encontram-se
numa posição invejável: não precisam limitar a ingestão de colesterol de forma
As mulheres com hlpercolesterolemla, elevação
do colesterol de natureza familiar, são exceções
e nào devem soltar o freio do colesterol durante
a gestação. Devem continuar a seguir as recomendações do médico durante a gestação.
•"Lembre-se de que o ovo cru ou mal cozido
Ltcarrem risco dc salmuneloae.
•Os bebes eottt uienos de dois ânus precisam de
gordura e de colesterol pura o devido crescimento
e o desenvolvimento cerebral. Nunca devem ser
submetidos a dieta com restrição de gorduras e
de colesterol, exceto sob supervisão médica.
O SEGUNDO MÊS
família. As refeições principais, recomendamos, não devem ser ricas em gorduras, n?m em colesterol e nem demasiadamente calóricas. Desfrute sozinho
da sua liberdade: coma os alimentos ricos em colesterol quando não tiver ninguém por perto para ficar com inveja.
A DIETA SEM
CARNE VERMELHA
"Como frango e peixe, mas nâo suporto carne
vermelha. Estou dando ao bebe todas as proteínas de que ele precisa?"
O
bebê vai ser tão sadio e feliz quanto
o de qualquer outra mamãe que só
come bifes ou carne assada. Peixe e aves,
com efeito, fornecem-lhe mais proteínas
e menos gorduras por calorias que as carnes de porco, de vaca, de ovelha ou as
vísceras. A dieta sem carne vermelha
também contém menos colesterol, o que
pode não fazer grande diferença a você
durante a gravidez, embora represente
algo de bom para o seu marido e talvez
para outros membros da família.
A DIETA VEGETARIANA
"Sou vegetariana e tenho saúde perfeita. Mas
todos — inclusive o obstetra — me asseguram
de que, para ter um bebê sadio, preciso comer
carne de vaca epeixe, além de ovos e de laticínios. Isso é verdade?"
O
s vegetariaros, sejam de que tipo
for, podem ter filhos sadios sem
comprometer seus princípios dietéticos.
Mas é preciso que tenham mais cuidado
no planejamento da dieta do que as futuras mamães carnívoras, certificandoJC sobretudo de obterem os seguintes nutrientes:
Proteínas em quantidade suficiente. Paru
lacto-ovovegetarianos, que só comem
15'
alimentos à base de ovos e leite, uma ingesta suficiente de proteínas poderá ser
garantida se fizerem uso de uma quantidade suficiente de ambos. Para o vegetariano estrito, que não come ovos nem
leite, a suficiência protéíca vai depender
de uma combinação das proteínas existentes nos legumes e nas verduras para
suprir as cinco porções de proteínas diárias (ver As Proteínas na Dieta Vegetariana: Combinações Completas, p. 127).
Alguns substitutos da carne são boa fonte protéica; outros são ricos em gorduras e calorias e de baixo teor protéico.
Leia os rótulos.
Cálcio em quantidade suficiente. Não há
problema para a vegetariana que faz uso
de laticínios, mas são necessárias hábeis
manobras para as que não o fazem. Muitos derivados da soja contêm elevado teor
de cálcio, mas cuidado com os leites de soja ricos em sacarina (açúcar, xarope de
milho, mel); em lugar deles, procure pelos derivados puros do feijão-soja. Para
que o tofu seja contado como alimento rico em cálcio, deverá ter sido coagulado
com cálcio; caso contrário conterá muito baixo teor desse mineral (ou mesmo nenhum). Nos Estados Unidos, algumas
marcas de tortillas (panqueca mexicana)
de milho triturado a pedra são boas fontes de :álcÍo de origem não-láctea, assegurando até metade de uma porção de
cálcio por unidade (checar o rótulo). Outra boa fonte não-láctea de cálcio é o suco de laranja com cálcio. Para outras
fontes consultar a lista de Alimentas Ricos em Cálcio à p. 120. Para garantia extra, recomenda-se que as vegetarianas
façam uso de um suplemento de cálcio
prescrito por médico (há no mercado
norte-americano fórmulas vegetarianas).
Vitamina B1S. As vegetarianas, mormente as rigorosas, freqüentemente não
ingerem essa vitamina eni i|UMHldudc suficiente, por ser cia encontrada sobretudo em carnes. Por isso, é conveniente
fazerem uso de complemento vitamíni-
162
OS NOVE MESES
co que as supra de vitamina B,It ácido
fólico e ferro.
Vitamina D. Essa importante vitamina
só ocorre naturalmente nos óleos de fígado de peixe. Também é produzida pela
nossa pele quando nos expomos à luz do
sol, embora por causa dos caprichos do
tempo, das roupas fechadas e do perigo
de se passar muito tempo no sol nâo seja
essa uma fonte confiável da vitamina para a maioria das mulheres. Para garantir
a ingestão segura de vitamina D, sobretudo para crianças e mulheres grávidas,
a legislação norte-americana exige que o
leite seja fortificado com 400 mg de vitamina D por litro. Se você não beber leite, certifique-se da presença de vitamina
D no seu suplemento vitamínico (ver p.
118). Seja cautelosa, entretanto, para
não tomar vitamina D em doses além das
exigências gravídicas, já que pode ser tóxica em quantidade exagerada.
OS ALIMENTOS POUCO
NUTRITIVOS:
GULOSEIMAS, PETISCOS
' 'Sou viciada em alimentos muito pouco nutritivos — café com pão e manteiga pela manhã,
um ctieeseburger com fritas no almoço. Receio
não romper com esses hábitos, e acho i/ue o
bebê vai sofrer com isso."
V
ocê está certa em se preocupar. Antes de engravidar, esses hábitos só
prejudicavam a você mesma. Agora também podem prejudicar o bebê. É SÓ persistir neles e você estará negando ao bebê
a nutrição suficiente durante a maior
parte da gestação. Persista com esse tipo de alimento à frente da dieta balanceada e muitas outras preocupações
surgirão, além das especificamente relacionadas ao bebê,
Felizmente, todos os vícios podem ser
abandonados. O da heroína. O do cigar-
ro. E o dos alimentos pouco nutritivos.
Se[;uem-se várias formas de fazer-lhes
frente, sem maiores sacrifícios:
Mudar o local das refeições. Se o desjejum costuma consistir num cafezinho já
no escritório, procure tomar um melhor
café da manhã antes de sair para o trabalho. Se você não resistir a un) hambúrguer na hora do almoço, vá para um
restaurante que não o sirva, ou apele para um sanduíche natural ou traga um de
casa.
Pare de pensar em só comer o que estiver à mão. Em vez de procurar pelo que
é mais fácil, escolha o que for melhor para o seu bebê. Planeje as refeições e os
lanches antecipadamente para assegurar
o aporte nutricional correto para você e
para o feto.
Não caia em tentação. Mantenha longe
de casa as batatas chips, os doces açucarados, as balas feitas com farinha refinada e os refrigerantes adoçados com
açúcar (os outros membros da família
sobreviverão sem eles, e até se beneficiarão da sua ausência). Quando chegar a
hora do cafezinho no escritório, não dê
importância a ele, Faça um estoque le
lanches integrais em casa e no local de
trabalho — frutas frescas e secas, nozes,
alimentos nutritivos, biscoitos de farinha
de trigo integral, sucos, ovos cozidos e
queijos cremosos (os dois últimos necessitarão de refrigeração no trabalho ou de
um saco de gelo na sua lancheira).
Não use a falta de tempo como pretexto
para uma alimentação relaxada, Não leva mais tempo preparar um sanduíche de
atum para levar ao trabalho do que ficar plantada na fila da lanchonete. Também demora menos fatiar um pêssego
fresco no recipiente do iogurte do que
cortar uma fatia dc torta de pêssego, Se
a idéia de preparar um verdadeiro jantar todas as noites parecer muito cansa-
O SEGUNDO MÊS
15'
Para Fugir (de Vez em Quando) à Dieta Ideal
A menos que você tenha alguma alergia ou sensibilidade alimentar, não há alimento que deva ser eliminado por completo
durante a gestação. A Dieta Ideal admite que
todas nós cometamos deslizes — na verdade, muito necessários — de vez em quando.
Para eliminar a culpa, a dieta admite a traição esporádica. Ceda a seus desejos uma vez
por semana. Não é uma conduta perfeita,
mas também não tem nada de terrível: pSo
comum, um salgadinho, uma panqueca feita com farinha refinada; iogurte feito com
açúcar; batata frita, frango frito; um chee-
seburger; biscoitos feitos com açúcar. E uma
vez por mês permita-se alguma perversão terrível: uma fatia dc bolo ou de torta; um swndae; um doce. Sempre traia a dieta de forma
seletiva — prefira um bolo de cenoura a um
bolo recoberto de crente e manteiga; o sorvete aos doces sem leite servidos à sobremesa (a menos que não tolere o leite); biscoitos
feitos de aveia, passas ou nozes aos de chocolate puro. Sá traia a dieta com algum alimento que você realmente queira e adore.
Mas não ceda ao desejo se descobrir que nâo
pode mais parar depois de começar.
tlva, prepare de antemão dois ou irOs
janlares numa só noite e tire folga da cozinha nas duas noites seguintes. E simplifique as coisas: salsichas comuns, por
exemplo, não sâo nutritivas, só apresentando elevado teor de gordura e de calorias. Utilize legumes congelados ou
frescos, lavados e cortados em saladas,
obtidos em feira ou supermercado se você não tiver tempo de prepará-los (os legumes e as verduras crus podem ser
rapidamente cozidos no vapor em casa).
quanto o foram o.s antigos — o que tornará mais fácil dar o bom exemplo ao
seu filho.
Também não usar o orçamento apertado como pretexto para esse tipo de alimento. Um copo de suco de laranja ou
de leite é mais barato que um refrigerante. Um peito de frango grelhado e batatas cozidas preparados em casa custam
bem menos que um Big Mac com fritas.
E
Komper de vez com os vícios. Nâo fique
dizendo a si mesma: "Hoje só uma
Coca-Cola, amanhã só um sanduichin h o ' \ Ao se tentar renunciar aos vícios,
isso quase nunca funciona. Diga a si
mesma: "Acabaram-se as refeições pouco nutritivas — pelo menos até o parto".
V JCÊ ficará espantada ao ver que, depois
de o bebê nascer, os novos hábitos alimentares vâo ser tão difíceis de mudar
Estudar a Dieta Ideal. Torne-a parte de
sua vida.
AS REFEIÇÕES LIGEIRAS
"Saio com amigas para lanchar depois do cinema cerca de uma vez ao mês. Devo evitar esse
hábito pelo resto da gravidez?"
mbora as refeições ligeiras ainda não
possam ser consideradas nutritivas,
há restaurantes e lanchonetes que oferecem alimentos de boa qualidade nutritiva. Apesar disso, é preciso acertar na
escolha do melhor prato. É difícil obter
em restaurante a informação exata da
qualidade nutritiva dos alimentos, sendo recomendável portanto dar preferência a frango grelhado, peixes assados ou
cozidos, batata cozida (sem coberturas
ricas em gorduras), pedaço de pizza, ocasionalmente ao hambúrguer simples, às
saladas que nâo estejam nadando em
óleo (dê preferência aos legumes e verduras frescos, com pouco tempero), ou
a outros cardápios que não excedam no
164
OS NOVE MESES
teor de gordura e de sódio. Evite as f ri turas (embora não mais sejam feitas com
banha de porco, são ainda ricas em gordura e calorias), os "bigburguers" duplos, as coberturas com queijo cremoso
para as batatas (devem ser recobertas
com queijo fresco, por exemplo), as frutas e pudins em conserva, as bebidas com
soda e as tortas de fruta. Se o milk shake ou a sobremesa forem feitos com leite de verdade, você pode consumi-los —
mas evite os que contêm muito açúcar,
muita gordura ou substâncias químicas.
Beba sucos, leite, água mineral ou comum, e traga de casa sua própria sobremesa (frutas, doces que você mesmo
preparou etc.), se achar melhor apaziguar por conta própria a sua paixão por
doces. Se passar o dia sem comer uma
única verdura ou um único legume, roa
uma cenoura ou desfrute de uma fatia
de melão ao chegar em casa.
ADITIVOS NOS ALIMENTOS
"Com aditivos tios enlatados, inseticidas nas
hortaliças, outras substâncias químicas nos peixes e nas carnes e nitratos nos cachorrosquentes, há alguma coisa que eu possa comer
com segurunça durante a gestação?"
O
s informes a respeito das substâncias
químicas em quase todos os alimentos norte-americanos são suficientes para mudar o apetite de qualquer pessoa
— especialmente da mulher grávida, receosa nâo só pela própria saúde, mas
também pela do concepto. Graças à mídia, "substâncias químicas" tornaramse sinônimo de " p e r i g o " , e "alimentos
naturais" de "segurança". Mas qualquer das duas generalizações não é verdadeira. Tudo o que comemos se
compõe de substâncias químicas. Algumas são inócuas (até mesmo benéficas),
outras não, E embora o que é " n a t u r a l "
seja quase sempre melhor que o artificial ou não-natural, há ocasiões em que
não é: é letal. Um cogumelo " n a t u r a l "
pode ser venenoso; os ovos, a manteiga
e as gorduras animais, todos "naturais",
vinculam-se à cardiopatia, e o açúcar e
o mel "naturais" causam cáries.
Isso não quer dizer que você tenha de
desistir de comer para proteger o bebê
dos perigos á mesa. Apesar de tudo o que
possa ter ouvido, até agora nenhum alimento ou aditivo químico foi responsável comprovadamente por anomalias
congênitas. E, com efeito, a maioria das
norte-americanas enche o carrinho de
compras sem dar a menor atenção ao
quesito "segurança", e apesar disso têm
filhos perfeitamente normais. Sem dúvi da, o perigo que existe nos aditivos químicos presentes nos alimentos é remoto.
Se quiser eliminar mesmo esse r isco remoto, siga as seguintes instruções para
decidir o que jogar no carrinho e o que
deixar de lado.
• Use a Dieta Ideal para orientar na seleção dos alimentos; ela a livra da
maioria dos perigos em potencial.
Também lhe oferece verduras e legumes mais ricos em betacaroteno, esse
elemento protetor, capaz de combater
os efeitos negativos das toxinas presentes nos alimentos.
• Use os adoçantes com critério. Evite
por completo os alimentos adoçados
com sacarina; a sacarina atravessa a
placenta e seus efeitos a longo prazo
sobre o feto são desconhecidos. Se você nâo tem dificuldade em manipular
o aminoácido fenilalanina, pode usar
aspartame como adoçante (há vtirlas
marcas no mercado). Parece que os
componentes desse adoçame não cruzam a placenta em quantidade significativa, E as pesquisas não revelam
efeito nocivo ao feto em decorrência
do uso moderado por mulheres normais, (Não obstante, há motivos para que os alimentos feitos com
aspartame não sejam os melhores pa-
O SEGUNDO MÊS 15'
ra você; ver p. 93.) Os adoçantes feitos de carboidratos de absorção lenta, como o sorbitol e o manitol,
parecem ser seguros, mas cuidado para que não sejam de teor calórico muito baixo e para que as doses, mesmo
moderadas, não causem diarréia.
Sempre que possível, só use para cozinhar ingredientes frescos. Estará assim evitando aditivos duvidosos
encontrados nos alimentos processados e suas refeições serão mais nutritivas também.
Procure se informar sobre a contaminação de alimentos com determinados
produtos químicos. Dê particular
atenção à contamina ;ão possível de
peixes, caso o consumo deles seja da
sua preferência. Compre o peixe, mas
procure saber a sua origem.
Não há consenso quanto à segurança ou insegurança de peixes e de frutos do mar hoje em dia. De modo
geral, o peixe de água salgada tem menor probabilidade de contaminação
do que o peixe de água doce.
Concorda-se em geral que nos EUA,
por exemplo, são a enchova e numerosos peixes serranídeos da costa
atlântica daquele país os que criam o
maior risco e devem ser evitados pelas gestantes. Saiba-se ou nâo com certeza da contaminação do peixe por
mercúrio, alguns especialistas recomendam que se evite o peixe-espada
(que costuma conter a mais elevada
concentração de mercúrio) durante a
gestação e que não se consuma mais
do que 250 gramas de atum ou de linguado (que também exibem concentiação relativamente elevada) por
semana. Evite também consumir peixes oriundos de águas muito contaminadas por microorganismos — por
lançamento nelas de água dc esgoto,
por exemplo.
• Evite de um modo geral os alimentos
preservados com nitratos e nitritos;
salsichas, salame, carnes enlatadas,
peixe? e carnes defumadas.
• Sempre que tiver a opção de escolher
entre produto com corantes, aromatizantes, conservantes e outros ingredientes artificiais e um outro sem eles,
dê preferência ao último.
• Ao cozinhar não use aromatizantes artificiais.
• Dê preferência às carnes e aves magras
e remova a gordura e a pele visíveis
antes de cozinhá-las, já que as substâncias químicas usadas para a sua
criação tendem a se concentrar nessas
partes do animal. Não coma miúdos
(fígado, rim etc.) com muita freqüência, pelo mesmo motivo. Sempre que
possível, compre aves e carnes de animais criados por método orgânico,
sem hormônios ou antibióticos. As galinhas criadas com liberdade, q u e se
alimentam espontaneamente, n ã o só
têm menor probabilidade de menor
contaminação por tais substâncias, como também têm menos chance de serem portadoras de infecções c o m o a
salmonelose, por não serem criadas
em galinheiros apinhados, que propiciam a propagação de doenças.
• Como precaução, lave todas as suas
frutas e legumes com detergente (o
mesmo usado para lavar pratos) imed i a t a m e n t e a n t e s d e usá-los.
Descasque-os, quando possível, e
certifique-se de enxaguá-los completamente. Raspe-os para remover resíduos químicos da superfície,
sobretudo quando o legume tiver um
revestimento ceroso e adesivo (como
pepinos e às vezes os tomates, as maçãs e as berinjelas). •
• Cuidado com os produtos dc aparência perfeita. As frutas, os legumes e
166
OS N O V E MESES
as verduras que parecem embalsamadas, e muito imaculadas, podem perfeitamente ter sido protegidas por pesticidas nos campos. O produto menos
bonito pode ser a aposta mais sadia.
• Compre produtos orgânicos sempre
que possível. São esses os que têm mais
chance de estarem livres de todos os resíduos químicos. Os produtos transicionais podem ainda conter alguns
resíduos por contaminação do solo,
mas devem ser mais seguros que os desenvolvidos por processo convencional.
Dê preferência portanto aos que foram
tratados por processo orgânico.
• Dê preferência aos produtos domésticos. Os produtos importados, e os alimentos feitos com tais produtos,
podem conter níveis mais altos de pesticidas, em função da legislação específica do país de origem. As bananas
são aparentemente seguras, e estão
virtualmente livres de pesticidas.
• Varie a dieta ; A variedade não só assegura uma experiência gastronômica
mais interessante e mais nutritiva, como também reduz a probabilidade de
que a pessoa se exponha muito a qualquer substância potencialmente tóxica.
Alterne entre brócolis, couve e cenoura, por exemplo; entre melão, pêssegos
e morangos; entre salmão, atum e linguado; entre trigo, aveia e arroz.
• Não seja fanática. Embora seja recomendável procurar evitar os riscos teóricos existentes nos alimentos, não o
é quando se leva uma vida estressada
em função disso.
LENDO RÓTULOS
"Anseio por me alimentar bem, mas encontro
dificuldade em saber o que comprar quando vou
ao supermercado,"
O
s rótulos nem sempre são feitos para
ajudar o consumidor: servem mais
para ajudar a vender o produto. Atenção ao comprar, e aprenda a ler o que
vem escrito em ietrinhas miúdas, inclusive a lista dos ingredientes que o compõem e a indicação do valor nutricional.
A lista dos ingredientes vai lhe dizer,
em ordem decrescente, exatamente de
que é feito o produto. Você poderá saber se o primeiro ingrediente num cereal
é açúcar ou se é o grão integral. Vai ter
também uma idéia se o produto tem elevado teor de sal, de gorduras ou de
aditivos.
A indicação nutricional aparece já em
muitos produtos comercializados e é particularmente útil para a gestante fazer a
conta das proteínas e das calorias, ao dar
os gramas das primeiras e o número das
segundas por determinada quantidade do
produto. No entanto, todo alimento com
elevado teor de uma ampla variedade de
nutrientes é bom produto para se adquirir.
Assim como é importante ler as ktrinhas miúdas, também o é ignorar as
graúdas. Quando um produto qualquer
tem a indicação no rótulo em letras garrafais de que é feito de trigo integral, farelo e mel, por exemplo, convém ler as
Ietrinhas miúdas: talvez se descubra que
os ingredientes principais são o trigo
branco e o fermento (farinha de trigo comum) e que contêm muito pouco mel e
farelo (arrolados ao fim da lista de ingredientes).
A expressão "enriquecido" e similares são também enganosas. O acréscimo
de umas poucas vitaminas num alimento de qualidade inferior não o torna de
qualidade superior. Isso vale pura os cereais que possuem 50% de açúcar (o rótulo nutricional dá o percentual de
açúcar encontrado em vários produtos)
e só um pouquinho de vitaminas. É multo melhor sair com uma caixa de avela,
que já possui vitaminas adquiridas naturalmente.
O SEGUNDO MÊS
15'
Comendo com Segurança
Uma ameaça mais imediata da que as
substâncias químicas nos aiimentos está nos
microorganismos — bactérias e parasitos —
que os contaminam. São vilões capazes de
causar qualquer coisa: do mal-estar gástrico
a graves enfermidades, e em raros casos até
a morte. Portanto, cuidado com os pratos
(sobretudo os que contêm aves, carne, peixe
e ovos) preparados em condições sanitárias
mais precárias; com os alimentos cozidos que
ficaram fora da geladeira durante algumas
horas; com enlatados de aspecto suspeito ou
quando a lata está estofada; com os ovos eras
ou quentes e com qualquer tipo de carne de
vaca, de peixe ou de ave crua ou malcozida.
Cuide para não contaminar os alimentos, lave bem as mãos com água e sabão antes de
cozinhar ou comer.
O QUE É IMPORTANTE SABER:
EM BUSCA DE SEGURANÇA
O
te. A? í - s i x í l í e ratais òe í ^ í
le&xáiioe. O f j i r t a l . Q> c a i s
* -vmprv -fVT-^r •» rn:-nr^r r> amo <Je
rjraniça em carros e em avíces.
i c p x i i i i í a r i s c o s a qtae s e c i p «
a gestante não são de natureza médica:
são os de natureza "acidental".
Os acidentes muitas vezes parecem
"acidentais", ou seja, parece que aconlecem por acaso. Entretanto, na grande
maioria sâo o resultado de descuido, de
Jesatenção — não raro por parte da própria vítima —, e muitos podem ser evi!ados com um pouco mais de cautela e
le bom senso. Há uma ampla variedade
Je medidas que ajudam a prevenir os acidentes e as tesões traumáticas:
• Admitir que você não tem mais a agilidade de atues da gestação, Ao crescer o abdome, o centro de gravidade
do corpo se desloca, tornando inais
fáril perder o equilíbrio. Você vai
encontrar uma crescente dificuldade
em ver os pés. Tais modificações podem tornar a gestante propensa aos
acidentes.
• Nunca subir em escadas bambas ou inseguras, ou, melhor ainda, não subir
escadas.
• Nâo usar salto alto, nem chinelos folgados e nem sapatos com cadarços
que se soltam fácil: todos estimulam
as quedas e a torção de tornozelo. Nào
caminhar em assoalhos lisos de meias
ou de sapatos com sola lisa.
• Cuidado ao entrar e ao sair da banheira; é preciso pisar em superfícies antiderrapantes e ter pontos de apoio
onde se firmar.
• Passe em revista a casa e o quintal à
cata de perigos: tapetes sem a face de
baixo antiderrapante, sobretudo no alto de escadas; brinquedos ou quinquilharias nos degraus; e s w . t e e cor-
168
OS NOVE MESES
redores mal-ilurninados; fios estendidos pelo assoalho; chão muito encerado; lajes e degraus lisos.
• Atentar para as normas de segurança
na prática de qualquer esporte; seguir
as sugestões para fazer com seguran-
ça os exercícios e as atividades à p.
231.
• Não exagerar nas atividades. A fadiga é um importante fator a contribuir
para acidentes.
/
O Terceiro
Mês
A CONSULTA
D
ependendo das necessidades e
também do estilo do obstetra, serão verificados os seguintes elementos: 1
• Peso e pressão arterial
• Urina, para surpreender açúcar e proteínas
• batimento cardíaco fetal
terna, para ver se há correlação com
a data prevista do parto
• Altura do fundo uterino
• Exame das mãos e dos pés, para ver
se há edema (incitação), e d a s pernas,
para verificar se há varizes
• Questões ou problemas que a gestante queira discutir — levar uma lista
pronta
• Tamanho do útero, pela palpação ex-
O s SINTOMAS COMUNS
O
s sintomas, sejam os já presentes
desde o mês anterior, sejam alguns novos, são experimentados
quer na sua totalidade, quer só alguns
deles. Podem surgir, ademais, outros sintomas menos comuns.
FÍSICOS:
• Fadiga e insônia
• Necessidade de urinar com freqüência
• Náusea, com ou sem vômito, com ou
sem salivação excessiva
'Consultar o ApSndice para a explicação sobre
o* procedimentos e os exatnes realizados.
• Prisão de ventre (ccsstipação)
OS NO Vi M E S 3
0 ASPECTO FÍSICO
NO TERCEIRO M Ê S
• Modificações mamárias: plenitude,
peso, dor ao toque dos seios, forinigamento; escurecimento da aréola (a
zona pigmentada que circunda o mamilo); crescimento das glândulas sudoríparas que existem na aréola
(tubérculos de Montgomery); expansão da trama de linhas azuladas sob
a pele
• Outras veias visíveis ao crescer o aporte de sangue para o abdonie e as
pernas
• Dores de cabeça esporádicas (cefaléias)
• Desmaio ou ionteira ocasionais
• Alterações na aparência. As roupas
começam a ficar apertadas na cintura
e no busto, se já não ficaram; crescimento abdominal por volta do final
do mês
• Aumento do apetite
tf,metros de comprimento e peso cerca de
14 gramas. Desenvolvem-se outros órgãos; os aparelhos circulatório e urinário já funcionam; o fígado produz bile.
Os órgãos reprodutores já se formaram,
embora seja difícil distinguir o sexo externamente.
• Azia, dispepsia, flatulência (gases),
sensação de plenitude
« Aversões e desejos alimentares
EMOCIONAIS:
• Instabilidade comparável à da síndrome pré-menstrual, que pode incluir a
irritabilidade, mudanças de humor, irracionalidade, o choro fácil
• Apreensões, medo, alegria, euforia —
uma dessas sensações ou todas elas
• Uma renovada sensação de calma, dc
quietude
O TERCEIRO MÊS
171
A s PREOCUPAÇÕES COMUNS
PRISÃO DE VENTRE
(CONSTIPAÇÃO)
Se o seu caso é dos mais desesperados
e que não pareça reagir a essa manipulação da dieta ou às táticas adiante,
"Há semanas que tenho tido uma prisOo de venacrescente algum farelo de trigo à dieta,
tre terrível. Isso é comum?"
começando só com um pouquinho até
chegar a duas colheres de sopa. Mas evite
uito comum. E há bons motivos
o farelo em grande quantidade; ao se
para isso. Um deles: o maior relamover rapidamente pelo seu sistema dixamento da musculatura intestinal, por
gestivo pode carregar consigo importanelevado nível de certos hormônios que
tes nutrientes antes de serem absorvidos.
circulam durante a gravidez, torna a eliminação mais vagarosa. Outro: a presAfogue o oponente. A constipação não
são do útero em crescimento sobre o
tem chance contra uma abundante ingesintestino inibe a sua atividade normal.
tão de líquido. A maioria dos líquidos
Mas não há motivo lógico para acei— sobretudo água e suco de frutas ou
de legumes — é eficaz para o amolecitar a constipação como inevitável em tomento das fezes e para manter o alimenda a gestação. A irregularidade pode ser
to em movimento ao longo do trato
sjperada pelas seguintes medidas que
digestivo. Para alguns, umas xícaras de
também evitam uma conseqüência coágua quente com limão (mas sem açúcar)
mum dessa irregularidade, as hemorróisão particularmente eficazes. Se a consdas (ver p. 239):
tipação for muito intensa, o suco de
ameixa poderá resolver.
Combata-a com fibras. Evite os alimentos refinados constipantes e concentreComece uma campanha dc exercícios.
se nas fibras como as frutas frescas e as
Encaixe um período de peto menos meia
verduras (cruas ou ligeiramente cozidas,
hora de marcha rápida na sua rotina diásempre que possível com casca); os ceria; complemente-o com qualquer exerreais integrais, os pães integrais e outros
cício que você goste e que seja seguro
alimentos cozidos; os legumes (feijão e
durante a gestação (ver Exercícios Duervilhas); e as frutas secas (passas, ameirante a Gestação, p. 225).
xa, damasco, figo). Se você normalmenSe todos os esforços nflo resolverem,
te comer pouca fibra, acrescente esses
consulte
o médico, Talvez lhe prescreva
alimentos ricos em fibras gradualmente
um amolecedor de fezes para uso ocaà dieta para que não sinta desconforto
sional.
gástrico. (Talvez sinta algum desconforto de qualquer forma, durante algum
"Todas as minhas amigas que estilo grávidas
tempo, já que a flatulência é um efeito
parecem ter prisão de ventre. Eu náo; vou ao
colateral freqüente, mas em geral tembanheiro até com mais regularidade do que anporário, próprio dessa dieta, além de ser
tes. Está tudo certo?"
queixa comum na gravidez,) Distribuindo sua alimentação diária em seis peques gestantes sâo de tal forma progranas refeições e não concentrando todo o
madas pelas mães, pelas amigas, pealimento em apenas três é um modo de
los livros e até mesmo pelos médicos pareduzir o desconforto.
ra esperarem pela prisão tfç ventre, que
M
A
172
OS NOVE MESES
as que ficam consiipadas aceitam isso como coisa normal e inevitável, e as que
nâo ficam se preocupam, achando que
há alguma coisa errada.
Mas do ponto de vista logico, o seu sistema digestivo não poderia estar funcionando melhor. Há boa chance de que a
sua nova eficiência digestiva se deva a alguma modificação da dieta — quase
sempre uma modificação para melhor. J
O maior consumo de frutas, de legumes
e verduras, de grãos integrais e de outros
carboidratos complexos, além de líquidos, conforme recomendamos na Dieta
Ideal, vai combater a lentidão natural do
sistema digestivo durante a gravidez e
manter as coisas em movimento. Assim
q t e o sistema se acostumar à nova dieta, sua produtividade poderá diminuir
um pouco (e a flatulência, que muitas vezes acompanha temporariamente essa
modificação da dieta, pode diminuir),
mas é provável que você continue a ser
"regular".
Se a evacuação porém f o r muito freqüente (mais de duas vezes por dia) ou
se as fezes estiverem moles, aquosas, sanguinolentas ou mucosas, consulte o médico. A diarréia durante a gravidez
requer a pronta intervenção.
FLATULÊNCIA (GASES)
lhar, pelo gorgolejar dos gases no intestino.
A única ameaça possível ao bem-estar
do concepto é quando a plenitude e a flatulência — que nào raro se acentuam ao
fim do dia — impedem a alimentação regular e adequada. Para evitá-la (e também para reduzir os incômodos ao
mínimo), adotar as seguintes medidas:
Evacuar com regularidade, A constip.içâo é causa comum de gases e de distensão abdominal.
Não se empanzinar. As grandes refeições
só pioram as coisas. Também sobrecarregam o sistema digestivo, que já nào se
acha nas suas melhores condições de eficiência durante a gestação. Em vez de
três grandes refeições ao dia, fazer seis
menores.
Comer devagar. As refeições feitas muito
rapidamente propiciam a deglutição de
ar. O ar assim capturado forma bolsas
de gás no intestino.
Manter a calma. Sobretudo durante as
refeições: a tensão e a ansiedade favorecem a deglutição de ar.
Afastar-se dos produtores de gases. Seu
"Tenho muitos gases e receio que a pressão na
barriga, que me é incômoda, possa também incomodar o bebe,"
estômago sabe quais são — possivelmente cebolas, repolho e couve, brócolis, alimentos fritos e doces açucarados (que
não devem ser comidos mesmo), e, naturalmente, o Já bem conhecido feijão.
B
GANHO DE PESO
em instalado e seguro no casulo uterino, protegido por todos os lados
pelo líquido amniótico que absorve todos os impactos, o bebê é inacessível à
pressão exercida pelos gases intestinais.
Quando muito, é aquietado pelo borbu-
'A complementarão do ferro pode contribuir
para a diarréia ou pura a prisão de ventre. Se
esse complemento parece estar interferindo no
funcionamento intestinal, peça ao médico um
substituto.
"Estou preocupada porque ainda não ganhei
peso nenhum no primeiro trimestre."
M
uitas mulheres encontram dificuldade em ganhar mais um quilo nas
primeiras semanas; algumas inclusive
perdem um pouco, em geral, por cortesia da náusea matinal. Felizmente, a na-
O TERCEIRO MÊS
173
tureza oferece alguma proteção para os
bebês de mães que não conseguem se alimentar bem durante o primeiro trimestre: a necessidade do feto de calorias e
de certos nutrientes durante esse período não é tão grande quanto será depois.
Por isso, se você não ganhar peso no início não deverá causar qualquer prejuízo
a ele. Mas se depois não conseguir ganhar peso algum poderá causar algum
efeito — bastante significativo —, porque as calorias e os nutrientes serão cada vez mais necessários como fonte de
energia para a fábrica que gera o bebê.
Logo, não se preocupe, mas coma. E
comece a observar o peso com atenção
para certificar-se de que sobe no ritmo
conveniente {cerca de 500 gramas por semana durante o oitavo mês). Se continuar a ter problema em ganhar peso,
tente ganhar mais impulso nutricional
com as calorias que você consome, através da alimentação eficiente (ver p. 110).
Tente também comer um pouco mais ao
dia, acrescentando lanches mais freqüentes. Mas nâo tente ganhar peso com alimentos pouco nutritivos — esse tipo de
alimento só vai arredondar o seu quadril
e as suas coxas, e não o bebê.
o terceiro trimestres, quando o crescimento fetal é tremendamente rápido e
significativo.
Porém, mesmo que nada possa fazer
para livrar-se dos quilos que adquiriu até
então, há muito o que fazer para que não
continue a acelerar esse ganho de peso.
Algumas mulheres conseguem esse ganho ponderai rápido porque se permitem
comer nesse período todo o tipo de doces para ver se melhoram do enjôo.matinal, por exemplo. Se for esse o seu
caso, deixará de ser um problema à proporção que a náusea ceder e o apetite por uma dieta mais variada retornar
ao normal. Outras gestantes ganham
muito peso no primeiro trimestre porque
acham, erradamente, que a alimentação
sem restrições seja um direito e uma responsabilidade da mulher grávida. Passe
em revista a Dieta Ideal (p. 109) para
descobrir por que não é e para aprender
a comer em prol da saúde do bebê sem
ganhar ao todo 30 quilos. O ganho de
peso eficiente, com alimentos da melhor
qualidade possível, não só atenderá a esse objetivo, como também facilitará a
perda dos quilos a mais durante o
puerpério.
"Fiquei chocada ao saber que já havia engordado 6 quilos só no primeiro trimestre. O que
devo fazer agora?"
DOR DE CABEÇA
V
"Estou vendo que tenho hoje muito mais dores de cabeça. Será que tenho de sofrer com
elas porque ntlo posso tomar analgésicos?"
ocê não pode fazer o ponteiro da
balança descer — esse peso veio para ficar por enquanto, ao menos até algum tempo depois do parto. E você não
poderá distribuir esses quilos a mais durante o próximo trimestre. O feto requer
um aporte constante de calorias e nutrientes, sobretudo durante os meses que
vêm a seguir, Você não pode cortar calorias agora, esperando assegurar a nutrição do bebê com o excesso de peso já
acumulado. Fazer dieta para perder ou
manter o peso nunca é uma conduta
apropriada durante a gestação, e é especialmente perigosa durante o segundo e
O
f a t o das mulheres ficarem mais sujeitas a dores de cabeça quando devem ficar longe dos analgésicos é uma
das grandes ironias da gravidez. Talvez
você tenha de conviver com a dor de cabeça, mas não terá de padecer em excesso por causa dela. Embora convenha nâo
ir correndo ao armarinho dc remédios
para buscar alívio rápido (ver Apêndice), a prevenção, ao lado de remédios caseiros, pode proporcionar algum alívio
das dores de cabeça recidivantes da ges-
165 OS NOVE MESES
taçâo. A melhor forma de prevenir e tratar a dor de cabeça vai depender da sua
causa. As cefaléias da gravidez quase
sempre decorrem de alterações hormonais (que explicam a maior freqüência e
a intensidade de vários tipos de cefalêia,
inclusive as dores de cabeça vinculadas
aos seios da face), ou de fadiga, tensão,
fome, estresse emocionai ou físico, ou
uma mistura desses fatores.
As seguintes dicas para vencer e prevenir a dor de cabeça poderão lhe ajudar a encaixar a cura com a causa:
Relaxe. A gestação poderá ser período
de grande ansiedade, tendo por conseqüência as cefaléias por tensão. Algumas
mulheres encontram alívio com medicamentos e ioga. Procure informar-se a
respeito: fazendo um curso, lendo. Ou
tente outras técnicas de relaxamento como as indicadas à p. 147.
É evidente: os exercícios de relaxamento não funcionam em todo mundo — algumas mulheres descobrem que eles
aumentam a tensão ao invés de aliviá-la.
Para essas, deitar em quarto silencioso
e escuro, ou estirar-se no sofá ou com
os pés para cima sobre a escrivaninha
durante 10 ou 15 minutos é um melhor
remédio para a tensão e a cefalêia acompanhante.
Ver outras dicas para a redução do estresse à p. 148.
Repouse o suficiente. A gestação pode
também ser época de grande fadiga, sobretudo no primeiro e no último trimestre. Às vezes a fadiga se estende pelos
nove meses em gestantes que trabalham
durante longas horas ou que cuidam
dos outros filhos. O sono pode ser difícil depois que a barriga ficar grande
(como ficar numa posição cômoda?) e o
pensamento ficar num turbilhão (como
vou conseguir fazer tudo ames do bebê
nascer?) — fatores que acentuam o cansaço. Faça um esforço consciente para
repousar mais, durante o dia e durante
a noite: ajuda a afugentar a dor dc cabeça. Mas cuide para não dormir demais, já que o sono em excesso pode
causar também dor de cabeça.
Coma regularmente. Evite a dor de cabeça da fome causada pela queda do açúcar no sangue. Não salte refeições. Traga
consigo sempre algum alimento nutritivo
para lOtlier (os alimentos à base de proteína e de carboidratos complexos são os
mais eficazes). Guarde-os no porta-luvas
do carro ou na gaveta da escrivaninha.
Mantenha sempre o estoque em casa.
Busque um pouco de calma e de paz. Se
você for "alérgica" a ruídos, afaste-se
deles sempre que possível. Evite as músicas estridentes, os restaurantes barulhentos, as festas ruidosas e as lojas cheias.
Em casa, diminua o volume da campainha do telefone, da TV e do radio.
Não fique em ambientes abafados. Se o
quarto ou a saia superaquecidos, cheios
de fumaça ou ma! ventilados causarem
dor de cabeça, vá dar um passeio na rua
de vez em quando — ou melhor ainda:
evite sempre tais ambientes. Se você vai a
algum ambiente fechado e abafado, vistase com várias peças leves sobrepostas, e
mantenha o conforto removendo-as conforme necessário. Se o seu local de trabalho é mal ventilado, vá se possível para
área ou setor melhor ventilado; se não for
possível, trabalhe com mais pausas.
Para alívio da cefalêia por sintisUe. Aplique compressas quentes e frias aiiernadas sobre a área dolorosa. Aplicações de
30 segundos, num total de 10 minutos,
quatro vezes ao dia. Para a dor de cabeça por tensão ou estresse, experimente
aplicar gelo nu nucu durante 20 minutos,
permanecendo relaxada e de olhos fechrdos. (Use bolsa de gelo comum,)
Fique ereta. A tnã postura durante a leitura, a costura ou qualquer outro traba-
O TERCEIRO MÊS
lho que exija atenção por longo período
de tempo pode também causar dor de cabeça. Preste atenção à postura.
Se uma dor de cabeça inexplicada persistir por mais de algumas horas, se voltar com freqüência, poderá ser resultado
de febre. Caso se acompanhe de distúrbios da visão ou inchaçâo das mãos e do
rosto, avise o médico imediatamente.
' 'Sofro de enxaqueca. Ouvi dizer que são mais
comuns durante a gravidez- É verdade?"
E
m algumas mulheres as crises de enxaqueca se tornam mais comuns na
gravidez. Em outras se t o m a m menos
freqüentes. Não se sabe por que isso
acontece, ou mesmo por que algumas
têm crises repetitivas e outras não têm
nenhuma.
A enxaqueca é um tipo específico de
cefanéia, consiste n u m a categoria à parle. Seu surgimento está relacionado à
constrição, ou estreitamento, de vasos
sangüíneos na cabeça, seguida de uma
dilatação, ou abertura, repentina. O fenômeno interfere no fluxo de sangue,
causando dores e outros sintomas. Embora tais sintomas variem de pessoa para pessoa, a enxaqueca costuma ser
precedida de fadiga. A esta pode seguirse a náusea, com ou sem vômito ou diarréia, sensibilidade à luz (fotofobia) e às
vezes turvação ou pontos cintilantes num
dos olhoj (de vez em quando nos dois).
Quando por fiin sobrevém a dor de cabeça, minutos ou horas depois dos primeiros sintomas de aviso, a dor, que
é intensa e latejante, costuma se localizar num dos lados da cabeça, podendo
se irradiar para o outro lado. Algumas
pessoas também experimentam adormeci ment o ou formlgamcnto de um dos
braços ou de um lado do corpo, tontelra, zumbido nos ouvidos, corrimento
nasal, lacrimejamento ou manchas vermelhas nos olhos e confusão mental temporária.
175
Se você já sofreu de enxaqueca no passado, prepare-se para enfrentá-la durante a gravidez, de preferência pela
prevenção. Se você já sabe o que pode
desencadear a crise, procure evitar a situação responsável. O estresse é causa
comum (ver à p. 147 algumas dicas para combatê-lo), assim como o chocolate, os queijos, o café, o vinho tinto
(bebida que não é recomendada a gestantes, de qualquer forma). Experimente ver
se consegue, de qualquer forma, evitar
a crise plena depois de surgirem os sintomas de aviso. Para algumas pessoas,
lavar o rosto com água fria a j u d a , ou
deitar em quarto escuro durante duas ou
três horas, olhos cobertos (cochilar, meditar, ouvir música, mas não ler nem ver
TV). Discuta com o médico sobre a segurança dos medicamentos contra enxaqueca durante a gestação. Pergunte-lhe
quais os mais eficazes.
Se experimentar pela primeira vez uma
crise que pareça ser de enxaqueca, avise
logo o médico. O mesmo sintoma poderia indicar alguma complicação da gravidez. Se uma cefaléia inexplicada
persistir por mais de algumas horas, retornar com freqüência, há de ser o resultado de febre. Se se acompanhar de
alterações da visão ou de inchaçâo das
mãos e do rosto, também notifique o
médico.
INSÔNIA
"Nunca tive problema de insõnia na minha vida — até agora. Hoje simplesmente não consigo pregar olho d noite."
C
om tanta agitação em seus pensamentos e no seu ventre, não admira
que voe» nflo consiga uma boa noite de
sono. Ou você vfi a InsÔnia como preparação para as noites Insones quando o
bebê chegar, ou tenta uma das seguintes
medidas:
176
OS NOVE MESES
• Exercite-se o suficiente. O corpo que
desenvolveu atividades suficientes durante o dia (ver orientação na pág.
225) estará preparado para dormir à
noite. Mas nâo faça exercícios antes
de dormir, pois funcionam como estimulantes: você não conseguirá apagar depois de recostar a cabeça no
travesseiro.
• Jante com calma. Desista da televisão
durante o jantar: converse com o marido, tenha um papo relaxado com ele.
• Adote uma rotina antes de dormir.
Atenha-se a ela. Procure sempre relaxar depois do jantar. Leia um bom livro, assista a um programa calmo na
televisão, ouça música suave, faça os
exercícios de relaxamento (p. 147), tome um banho morno, peça ao marid o uma m a s s a g e m n a s costas,
namore.
• Faça um lanche leve antes de deitar para manter o teor de açúcar no sangue
dentro da-normalidade. O alimento
em excesso ou a falta de alimento antes de dormir interferem no sono. Inclua nesse lanche: biscoitos integrais
e leite; frutas e queijo; ricota e suco
de maçã sem açúcar.
• Fique à vontade. Certifique-se de que
o quarto de dormir nào esteja frio ou
quente demais, que o colchão seja firme e o travesseiro confortável. Ver p.
208 para as posições durante o sono;
quanto antes você aprender a dormir
na posição lateral, mais fácil será no
período final da gravidez.
• Tome um pouco de ar. Um ambiente
abafado não proporciona um bom sono. Abra a janela se necessário e não
durma com a cabeçu recoberta, pois
Isso diminui o oxigênio e aumenta o
dióxldo de carbono que você respira,
causando dores de cabeça e até mes-
mo irregularidades no ritmo cardíaco.
Use ventilador ou condicionador de
ar.
• Só Ftque no quarto para dormir.
• Se você acorda muito para ir ao banheiro, limite os líquidos depois de 4
horas da tarde e fique o mínimo possível de pé durante o dia (a posição favorece a micção noturna).
• Esqueça dos problemas do trabalho e
de casa. Tente solucioná-los durante
o dia ou pelo menos converse a respeito deles com o marido mais cedo.
Tire as preocupações da cabeça antes
de dormir. (Veja outras dicas para alívio da tensão na p. 148.)
• Não use drogas ou álccol para conciliar o sono, pois essas substâncias são
prejudiciais à gravidez e, a longo prazo, não são mesmo de grande utilidade. Evite a cafeína (no chá, no café e
em alguns refrigerantes) e o excesso de
chocolate já a partir de depois do
almoço.
• Fique acordada até mais tarde. Talvez
necessite de menos sono do que imagina. Paradoxalmente, o retardamento da hora de ir para a cama pode
ajudá-la a dormir melhor. Evite também as sonecas durante o dia.
• Julgue a boa noite de sono pela maneira como você se sente e nflo pelas
horas que passou dormindo. As pessoas com problemas do sono às vezes
dormem mais do que imaginam. Você está dormindo o suficiente, se não
se sente cansada o tempo todo (além
da fadiga normal da gravidez).
• Nflo se preocupe com a Insflnla — ela
não a prejudicará e nem ao bebê,
Quando nâo conseguir dormir levantese e leia, tricote, veja TV etc., até fi-
O TERCEIRO MÊS
car sonolenta. Preocupar-se com o sono é ainda mais estressante do que a
falta de sono propriamente.
ESTRIAS
' 'Tenho medo de ficar com estrias. Elas podem
ser evitadas?"
BATIMENTO CARDÍACO
DO BEBÊ
"Uma amiga minha ouviu os batimentos do coração do bebê dela aos dois meses e meio. Já
estou com quase três meses de gravidez e o meu
obstetra ainda não detectou os batimentos do
meu."
r
P
E
Quem desenvolver estrias durante a
gestação poderá se consolar sabendo que
costumam esmaecer, adquirindo uma tonalidade prateada depois do parto. Também ajuda saber que sflo menos uma
desfiguração que u m a medalha de maternidade.
DESEJO SEXUAL
ara muitas mulheres — sobretudo as
que adoram usar biquíni —, as estrias são mais temidas do que as coxas
flácidas. Entretanto, 90% de todas as
mulheres vão desenvolver estrias um
pouco sulcadas, de coloração rosa ou
avermelhada, por vezes apresentando
iormigamento, nas coxas, quadris e/ou
abdome em algum momento durante a
gestação.
Como o nome diz, as estrias são linhas
sulcadas na pele por causa do estiramento por ela sofrido, normalmente em decorrência de rápido e / o u pronunciado
ai.mento de peso. As gestantes com boa
elasticidade cutânea (seja porque a herdaram, seja porque a adquiriram graças
a uma nutrição e a exercícios excelentes)
podem passar por várias gestações sem
ficarem com uma única estria. Outras
talvez as consigam minimizar, ou prevenir, através do ganho de peso constante, gradual e moderado. Promover a
elasticidade da pele através da Dieta
Ideal (p. 109) também ajuda, mas não
há creme, loção ou óleo, por mais caro
que seja, que as evite ou atenue — apesar de que talvez o marido goste de
passá-los na sua pele, ajudando a
prevenir-lhe o ressecamento,
177
possível captar os batimentos do coração do feto já por volta de 10 ou
12 semanas de gestação com um instrumento muito sensível chamado sonar
Doppier (um aparelho manual de ultrasom que amplifica os sons captados).
Mas o estetoscópio comum só é poderoso o suficiente para detectar o batimento cardíaco fetal depois da 17? ou da 18?
semana. Mesmo com instrumentos sofisticados, o batimento cardíaco poderá
não ser audível nessa fase precoce p o r interferência da posição do bebê ou de outros fatores, como as camadas excessivas
de gordura da mãe. Também é possível
que o ligeiro erro no cálculo da idade
gestacional seja a explicação para esse
atraso. Cumpre esperar até o mês seguinte. Por volta da 18? semana, o miraculoso som do coração do seu bebê
batendo certamente se fará ouvir, para
deleite dos seus ouvidos. Caso isso não
ocorra, ou se você estiver muito ansiosa, o médico poderá pedir que um exame de ultra-som seja feito, a fim de
captar um batimento cardíaco que, por
alguma razão, é difícil de ser ouvido com
o estetoscópio.
"Todas as minhas amigai dizem que sentem
maior vontade de fazer sexo no início da gravidez — a/numas chagaram a ter orgasmo nu
orgasmos múltiplos pela primeira ive «I depois
de engravidarem. Como posso me sentir tão
sem desejo?"
178
OS NOVE MESES
A
gestação é tempo de mudanças em
muitos aspectos da vida, e não menos da vida sexual. Mulheres que nunca
tiveram um orgasmo ou que nunca se interessaram muito pela atividade sexual
inesperadamente passam a apresentar tal
comportamento à primeira gestação.
Outras, acostumadas a um apetite sexual
voraz por sexo e ao orgasmo fácil, repentinamente se vêem carentes de qualquer
desejo e encontram dificuldades em se
excitarem. Essas alterações na sexualidade podem ser desconcertantes, podem
causar sentimentos de cuipa, podem se
revelar maravilhosas ou uma mistura
confusa desses três ingredientes. E são
todos perfeitamente normais.
Como a leitora perceber?, ao ler Fazendo Sexo Durante a Gravidez (p. 199), há
muitas explicações lógicas para tais alterações e para os sentimentos que provocam. Alguns desses fatores talvez se
revelem mais fortes ao início da gestação, quando a náusea e a fadiga fazem
a gestante sentir-se compreensivelmente
indisposta aô sexo, quando fazer sexo
sem a preocupação de engravidar (ou de
não engravidar) liberta a gestante das inibições e a predispõe mais para o sexo do
que nunca, quando fazem assomar a culpa pelo fato de a gestante achar que deveria estar mais predisposta à própria
maternidade e não ao sexo. Outros fatores, como as alterações físicas que podem facilitar o orgasmo, torná-lo mais
intenso, ou dificultá-lo, persistem por toda a gestação.
O mais importante é admitir que o
comportamento sexual da gestante — e
também o do marido — terá por matiz
mais a imprevlslbilidade do que o erotismo: a pessoa pode sentir-se sensual
num dia e nada sensual tio seguinte. O
entendimento mútuo e a comunicação
franca serão necessários durante o
período.
SEXO ORAI
"Ouvi dizer que o sexo oral êperigoso durante a gestação. Ê verdade?"
A
prática de cunilíngua — o a t o de
acariciar a vulva ou o clitóris com
a língua — é segura, desde que o parceiro cuide para não soprar na vagina. Essa atitude é capaz de impelir o ar para
dentro da corrente circulatória e causar
embolia gasosa (um tipo de obstrução
dos vasos sangüíneos), que pode se revelar letal para a mãe e para o bebê.
A prática da felação, por não envolver a genitália feminina, é sempre segura durante a gravidez, e para alguns
casais é um substituto bastante satisfatório quando não está permitida a relação sexual habitual
CÓLICAS
APÓS O ORGASMO
"Sinto eólicas na barriga após o orgasmo. E
sinal de que o sexo machuca o bebê? Pode causar aborto?"
A
s cólicas — durante e após o orgasmo e, por vezes, acompanhadas de
dor nas costas — nâo apenas são comuns como também são inócuas durante a gestação normal de baixo risco.
A causa pode ser física: congestão venosa normal na região junto com a congestão igualmente normal dos órgãos
sexuais durante a excitação e o orgasmo. Ou pode ser psicológica: resultado
do receio comum de prejudicar o bebê
durante a relação,
A cólica não sig. lifica que o sexo esteja machucando o bebê. Os especialistas,
na maioria, concordam que as relações
sexuais e o orgasmo são perfeitamente
seguros e não causam aborto na gestação normal, de baixo risco. Quando as
cólicas a Incomodarem, peça ao parceiro para fazer-lhe uma fricção delicada na
O TERCEIRO MÊS
parte baixa das costas, É capaz de não
só aliviar as cólicas como também de eliminar todas as tensões qm. as estejam
causando. 3 (Consultar Fazendo Sexo
Durante a Gravidez, p. 199.)
GÊMEOS
"Minhu barriga está muito grande. Será que
estou esperando gêmeos?"
r
mais provável que você só esteja com
i alguns quilos além do esperado para o primeiro trimestre. Ou talvez seja problema da sua constituição física:
em você a expansão uterina já é perceptível antes de o ser cm alguém com
porte físico maior. O abdome relativamente volumoso não é em geral considerado sinal de gravidez gemelar; para
fazer esse diagnóstico, o profissional
terá de recorrer a outros fatores, entre
os quais:
E
• Útero grande para a idade gestacional.
O tamanho do útero, não do abdome,
é o que conta para o diagnóstico de
gravidez gemelar. Se o útero estiver
crescendo mais depressa do que o esperado, passa-se a suspeitar de fetos
múltiplos. Outra possibilidade para
explicar o útero muito crescido está no
erro do cálculo da data prevista para
o parto ou então numa quantidade excessiva de liquido amniótico (polidrâmnio),
• Sintomas gestacionais exagerados.
Quando se espera gêmeos, pode-se
apresentar uma duplicação dos problemas da gravidez (náusea matinal,
indigestão, edema etc,), mesmo só na
aparência. Mas todos esses podem
J
Há mulheres que sentem câibras nas pernas
após o coito, Consultar as sugestões da pòg, 239
para o seu tratamento.
179
também ser exacerbados na gravidez
não-gemelar.
• Mais de um batimento cardíaco fetal.
Dependendo da posição dos bebês, o
médico poderá ouvir dois (ou mais)
batimentos cardíacos distintos. Entretanto, como o batimento cardíaco de
um só feto pode ser ouvido em várias
localizações, a identificação de dois
batimentos só confirma a presença de
gêmeos quando os ritmos são diferentes. Portanto, muitas vezes não se
diagnostica a gravidez gemelar dessa
maneira.
• Predisposição. Embora nâo existam
fatores que aumentem a probabilidade de gêmeos idênticos, há vários que
predispõem a mulher a ter gêmeos
(fraternos, biovulares ou dizigóticos).
Entre esses fatores estão a existência
de gêmeos fraternos na família da
mãe, a idade adiantada (mulheres com
mais de 35 anos com freqüência liberam mais de um óvulo), uso de drogas que estimulam a ovulaçâo e a
fecundação in vitro (bebê de proveta).
Os gêmeos são também mais comuns
entre as mulheres da raça negra (em
relação às da raça branca) e menos comuns entre as asiáticas.
• Se um ou mais desses fatores levam o
médico à conclusão de que há a possibilidade de mais de um feto, estará
indicado o exame ultra-sonográfico,
Em todos os casos (exceto na rara ocasião em que um dos fetos fica obstinadamente escondido atrás do outro)
esse exame permitirá o diagnóstico
correto de prenhez múltipla.
"Mal nos adaptamos ao fato de eu estar grávida e descobrimos que estou esperando gêmeos, Estou preocupada com os riscos que
envolvem a eles e a mim."
180
OS NOVE MESES
A
gravidez múltipla tem se multiplicado num ritmo fantástico: hoje, de
cada 100 casais, 2 terão gêmeos. Para a
geração anterior essa proporção era de
1 em 100. E se ainda contam para explicar a prenhez gemelar os caprichos da
natureza e a predisposição hereditária,
hoje os cientistas apontam para novos
fatores a explicar o crescimento desses
casos. Um desses fatores está no aumento do número de mães com mais de 35
anos: a ovulação dessas é mais aleatória
e é maior a possibilidade da liberação de
dois óvulos ou mais, o que favorece a
gravidez gemelar. Outro fator está no
uso de drogas como o pergonal e o clomifeno (uso, outra vez, mais comum em
mulheres de mais idade, já que a fertilidade diminui com a idade), que aument a m a p r o b a b i l i d a d e de gravidez
múltipla. Ainda outro está no emprego
da fecundação in vitro, procedimento em
que os óvulos fertilizados num tubo de
ensaio são implantados no útero, o que,
já que sâo vários os óvulos fecundados
envolvidos, favorece o surgimento de
gravidez múltipla.
Mas se a mãe de hoje tem maior probabilidade de ganhar gêmeos, também
possui maior probabilidade de tê-los em
boas condições. Mais de 90% das gestações múltiplas, mostram as pesquisas,
têm um desfecho feliz. Atribui-se este
êxito, em grande medida, às conquistas
da ultra-sonografia: são raros os casais
hoje em dia apanhados de surpresa na
sala de parto com o nascimento de gêmeos. Esse prévio conhecimento da gravidez gemelar também ajuda u explicar
o menor número de complicações práticas e logísticas depois do nascimento (ter
de ir no último minuto à loja para comprar mais um berço, por exemplo) além
de explicar o menor número de complicações médicas duranie a gravidez e o
parto. Sabedores da gravidez gemelar, a
gestante e o médico podem tomar várias
precauções para reduzir os riscos de certas complicações (hipertensão, anemia,
descolamento prematuro de placenta,
que são mais comuns nesse tipo de gravidez) e para melhorar a chance de levar
a gravidez a termo, propiciando um porto em condições ideais:
Maior atenção médica. Grande parcela
dos maiores riscos da gestação múltipla
pode ser reduzida peta monitorização
médica especializada feita por obstetra
(as gestações de alto risco não devem ficar em mãos de parteira). As consultas
serão mais freqüentes — de duas em
duas semanas depois da 20? semana e semanalmente depois da 30?. Os sinais de
complicação serão investigados mais freqüentemente para que, no caso de alguma eventualidade, o tratamento seja logo
instituído.
Cuidados nutricionais extras. Comer por
três (ou mais) pelo menos duplica a responsabilidade da gestante que normalmente só tem de comer por dois. Além
do bem extraordinário que faz por todos
os bebês (ver p. 109), a nutrição excelente
tem profundo impacto sobre um dos
problemas mais comuns da gestação
múltipla: o baixo peso ao nascer. Em vez
de nascerem com 2.500 kg ou menos (era
esse o padrão na gestação gemelar), os
gêmeos que são nutridos por uma dieta
superior podem pesar até 3.000 kg ou
3.500 kg ao nascer.
Muitas das exigências da Dieta Ideal
são multiplicadas por cada filho que se
leva na barriga. Especificamente, cada
um representa mais 300 calorias, mais ou
menos, muis umu porçílo de proteína*,
mais uma porção de cálcio, mais outra
ainda de grãos integrais. Como se trata
de muito alimento para entrar num estômago comprimido pelo útero em crescimento, e como grande número dos
desconfortos gastrintestinais sâo exacerbados pela prenhez gemelar, a qualidade do alimento consumido pela gestante
adquire suma importância. Ao evitar os
alimentos pouco nutritivos estará deixan-
O TERCEIRO MES
do espaço para os melhores alimentos.
Para comer de forma mais eficiente (ver
p. 110) distribua as necessidades nutricionais ao longo de pelo menos seis pequenas refeições e mu; tos lanches ao dia.
Não tente comer tudo o que precisa em
apenas três refeições.
Ganho extra de peso. Mais um bebê
significa maior ganho de peso — nâo
só por causa do próprio bebê, mas porque o bebê extra inclui outros produtos
(como uma placenta extra e mais líquido amniótico). O médico provavelmente recomendará supervisionar cuidadosamente o ganho de peso de pelo menos
15 a 20 quilos além do peso pré-gestacional (salvo se você for muito obesa)
ou cerca de 50% acima do habitualmente recomendado, tsso significa cerca
de 700 a 800 g por semana depois da
12? semana. Principalmente se esse ganho de peso for conseguido mediante
uma dieta excelente, a gestante estará
fovorecendo e muito o nascimento de
gêmeos sadios.
Quantidade extra de vitaminas e sais
minerais. A presença de mais de um
fei.o também significa maior necessidade de nutrientes como ferro e ácido
fólico (necessários para prevenir anemia,
ver p. 189), de zinco, cobre, cálcio, B t ,
vitamina C e vitamina D. Por causa
dessa maior necessidade, a recomendação oficial é a de que se considere a
gestante em categoria de alto risco e
que tome complementaçâo vitamínica
diário. Siga usiu recomendação, mas
não tome nada além daquilo que o médico recomenda.
Repouso extra, O corpo terá duas vezes
mais trabalho para formar os bebês, portanto você necessitará de repouso redobrado. Essa é uma responsabilidade sua.
Repouse com os pés para cima c tire sonecas durante o dia, por exemplo, deixando para outra pessoa as tarefas
10 1
domésticas. Dependa mais dos recursos
modernos da cozinha. E, se possível, reduza sua carga horária de trabalho na
profissão ou pare de trabalhar, se a fadiga f o r muito intensa.
Precaução extra. Dependendo de como
vai a gravidez, o médico poderá prescrever uma licença-maternidade mais precoce (já por volta da 24? semana em
alguns casos) e poderá recomendar a abstenção das tarefas domésticas e, às vezes, completo repouso na cama em casa.
O repouso em leito hospitalar nos últimos meses de gestação costuma ser reservado para a gestação múltipla
complicada. As pesquisas, em sua grande maioria, mostram que para a gestação múltipla normal a internação
convencional nessa época não previne o
trabalho de parto prematuro. Siga à risca as instruções do obstetra, por mais difíceis que possam parecer. Aí está um
dos meios mais seguros para levar a gestação a bom termo.
Auxílio extra para os sintomas peculiares a esse tipo de gestação. Como os sintomas mais comuns da gestação (náusea
matinal, indigestão, dor nas costas, constipação, hemorróidas, edema, veias varicosas, falta de ar e fadiga) sâo por vezes
mais acentuados pela gravidez gemelar,
essa gestante precisa ter conhecimento
das formas de alívio de tais manifestações. As sugestões que damos neste livro
para esses sintomas servem para a gravidez única e a gemelar. Recorra ao índice remlMlvo para consultá-los. Busque
também o conselho do obstetra quando
os sintomas forem muito pronunciados.
U m a queixa muito rara que por vezes
complica a gestação múltipla está na separação da sínfise da pube (articular inferior do osso pélvico). Esta separação
pode limitar a mobilidade e causar intensa dor na região; nesse caso recomendamos comunicar o médico.
182
OS NOVE MESES
"Todos acham incrível estar esperando gêmeos
— menos nós. Estamos desapontados e apavorados. O que é que está errado com a gente?"
N
ada. Dificilmente no sonho de ser
mãe e pai aparece a imagem de dois
berços, duas pilhas de fraldas, duas cadeirinhas de bebê, dois carrinhos e dois
bebês. Preparamo-nos física e psicologicamente para a chegada de um só bebê;
ao ficarmos sabendo que são dois não espanta o desapontamento, Tampouco o
medo. A responsabilidade de criar dois
filhos foi duplicada.
O melhor a fazer é aceitar esses sentimentos ambivalentes e nâo se culpar.
Convém ir se habituando com a idéia de
filhos gêmeos. Converse com pais que já
os tiveram. O médico poderá também ser
capaz de indicar pais que tiveram filhos
gêmeos e que morem perto de você.
Compartilhem os sentimentos e reconheçam que não são os únicos a vivenciar
a experiência. Isso ajuda muito a aceitar melhor a gestação e, com o tempo,
a desfrutar, mais dela.
CISTOS DO CORPO LÚTEO
"Meu médico me disse que tenho um cisto no
ovário. Mas me avisou para não me preocupar.
Só que eu não consigo."
T
odos os meses na vida reprodutora
da mulher, um pequeno corpo celu-
lar amarelado se forma depois da ovulação. Chama-se corpo lúteo (literalmente "corpo amarelo") e ocupa o espaço
no folículo de Graaf, que era antes ocupado pelo óvulo. O corpo lúteo produz
estrogênio e progesterona e está programado para se desintegrar em torno de 14
dias. Quando isso ocorre, o declínio do
teor hormonal desencadeia a menstiuação. Na gestação o corpo lúteo, mantido pela gonadotrofina coriônica (hCG)
que é gerada pelo trofoblasto (as células
que se transformam na placenta) continua a crescer e a produzir progesterona
e estrogênio para nutrir e manter a gravidez até que a placenta assuma a incumbência. Na maioria dos casos, o corpo
lúteo começa a involuir por volta de seis
ou sete semanas depois do último período menstrual e deixa de funcionar por
volta de 10 semanas, quando entio já
cumpriu sua missão.
Estima-se que em uma entre 10 gestações, contudo, o corpo lúteo não regrida
no momento previsto, transformando -se
num cisto, Este cisto não costuma representar problema. Mas como precaução o médico passa a observar a condição regularmente através da ultrasonografia. Se crescer muito ou se ameaçar se torcer ou se romper, poderá ser
removido cirurgicamente. Essa intervenção é necessária apenas em cerca de
1% dos casos. Depois de 12? semana
a cirurgia dificilmente ameaça a gravidez.
O QUE É IMPORTANTE SABER:
O G A N H O DE PESO D U R A N T E A G E S T A Ç Ã O
C
oloque juntas duas gestantes em
qualquer l u t j « r ~ na khUi deeipera de um consultório médico, no
ônibus,
no inevitahnente:
trabalho — e "É
as para
perguntas
vão surgir,
quan- |
d o ? " , " J á sentiu ele chutar?", "Tem
sentido en)0o7" o tnlve/. #urja te.mbéiu
a favorita: ' Você tem engordado muit o ?As
" comparações sflo inevitáveis e às
O TERCEIRO MÊS
vezes um pouco preocupantes. As que
deram partida estrondosamente, comendo com entusiasmo até chegarem ao ganho de 5 quilos ao fim do primeiro
trimestre, ficam imaginando o que é
"engordar muito", Outras em que o
apetite é desencorajado pelos surtos de
náusea cujo resultado nesse período são
uns poucos gramas que mal aparecem na
balança do médico (e que talvez até tenham emagrecido um pouco) ficam se
perguntando o que é "engordar pouco".
Todas porém querem saber: "Quanto é
preciso engordar?"
O aumento total de peso. Embora estivesse em voga há algum tempo limitar
o ganho de peso gestacional para os 7 ou
8 quilos, hoje se admite que esse valor
é insuficiente para garantir a boa saúde
do bebê. Os bebês de mães que ganham
menos de 10 quilos tendem a ser prematuros, pequenos para a idade gestacional,
e a sofrer de retardo do crescimento
intra-uterino.
Quase tão perigoso, entretanto, foi o
que entrou em voga a seguir: comer de
tudo e ao extremo e ganhar o máximo
possível de peso. Há sérios riscos em ganhar peso em demasia: a avaliação e a
medida do feto se tornam mais difíceis;
o excesso de peso sobrecarrega os músculos e causa dores nas costas, nas pernas, aumenta a fadiga e promove o
aparecimento de varizes; o bebê, de tão
grande, poderá dificultar ou impossibilitar o parto vaginal; se for necessária cirurgia, cesariana, por exemplo, poderá
haver dificuldade e as complicações no
pós-operatório se tornam mais comuns;
e depois da gravidez poderá ser difícil eliminar o excesso de peso,
Embora a mulher com desmedido ganho de peso possa ter um bebê enorme,
o ganho de peso da mãe e o peso do bebi num sempre guardam r e l a t o , Ê possível ganhar 20 quilos e dar á luz um
filho de 3 quilos somente ou, ao contrário, ganhar 10 quilos e dar à luz um be-
183
bê de 4. A qualidade do alimento que
contribui para o ganho de peso é mais
importante do que a quantidade.
O ganho de peso significativo e seguro para a gestante, em média, oscila entre 10 e 15 quilos; a mulher de estrutura
física menor, pequena, caindo no valor
inferior da variação de ganho e a de estrutura óssea maior, grande, no outro
extremo dessa escala. Esse peso se dividiria em 3 a 4 quilos para o bebê e 7 a
12 quilos para a placenta, os seios, os Iíquid is e outros subprodutos (ver p. 184).
Também assegura um retorno mais rápido ao peso pré-gestacional para a mãe.
A fórmula se modifica para mulheres
com necessidades especiais. As mulheres
que começam a gestação muito magras
devem procurar ganhar peso o suficiente durante o primeiro trimestre, de m o do a começarem o segundo já perto do
peso ideal, pelo menos; e então deveriam
visar adquirir os 10 a 15 quilos acima
desse peso. As que começam a gravidez
com 10% a 20% acima do peso ideal podem provavelmente e com segurança ganhar menos peso em média, embora só
em uso de alimentos da melhor qualidade e só sob diligente supervisão médica.
A gestação nunca é oportuna para se perder peso ou para mantê-lo, porque o feto não pode sobreviver às expensas das
reservas de gordura da mãe, por só
oferecerem-lhe calorias e não nutrientes.
As mulheres com gravidez gemelar poderão necessitar de um reajuste do ganho de peso a ser feito pelo médico.
Embora esse ganho nâo seja duplicado
para o caso de dois gêmeos ou triplicado para o caso de trígêmeos, aumenta de
modo significativo — de 15 a 20 quilos
para o caso de gêmeos e mais quando há
mais de dois fetos.
O ritmo do ganho ponderai. A gestante, em mádlu, deve ganher aproximadamente uns 2 quilos durante o primeiro
trimestre, e cerca de 500 gramas ou um
pouco menos por semana, num total de
J 84
OS NOVE MESES
6 a 7 quilos durante o segundo trimestre. O ganho de peso deve continuar em
torno de 500 gramas ou menos por semana durante o sétimo e o oitavo meses, e no nono mês cair para 500 gramas
a 1 quilo — ou não perder peso nenhum
— para um total de 4 a 5 quilos durante
o terceiro trimestre.
Rara é a mulher que consegue acompanhar o ganho de peso precisamente segundo a fórmula ideal. E não faz mal
flutuar um pouco — um ganho de 250
gramas numa semana, de 700 na seguinte. Mas a meta de todas deve ser a de
manter o ganho de peso o mais constante possível, sem quaisquer oscilações
bruscas, para mais ou para menos. Se
você não ganhar peso algum durante
duas semanas ou mais, entre o quarto e
o oitavo mês, se você adquirir mais de
um quilo e meio em determinada semana no segundo trimestre, ou se ganhar
mais de 1 quilo em qualquer semana do
terceiro trimestre, sobretudo se não parece qui; tal ganho tenha relação com o
excesso de alimentação ou a Ingestão excessiva de sódio, consulte o médico.
Consulte-o também se não ganhar peso
algum durante mais de duas semanas em
seqüência.
Se achar que o seu ganho de peso se
afastou muito do que fora planejado
(por exemplo, se ganhar 7 quilos no primeiro trimestre em vez de um quilo e
meio a dois, ou se ganhar 10 quilos no
segundo trimestre em vez de 6), procure
agir para que o ganho retorne ao pretendido, mas nâo tente mantê-lo no mesmo
lugar. Com a a j u d a do médico, reajuste
o objetivo para incluir o excesso já alcançado (que não contribui para o desenvolvimento do bebê) e o peso que
você ainda terá de alcançar (de que o bebê necessita). Tenha em mente que o bebê requer um aporte constante e diário
de nutrientes durante a gravidez. Observe a dieta com atenção, mas nunca faça
" d i e t a " . Controle o peso desde o início
e assim nunca terá de pôr o bebê de dieta só para que você não fique obesa
demais.
Distribuição do Ganho Ponderai
(Valores Aproximados)
Bebê
Placenta
Líquido amniótico
Crescimento uterino
Tecido mamário materno
Volume sangüíneo materno
Líquidos nos tecidos maternos
Gordura materna
Total (média)
3.500
700
800
1.000
500
1.100
1.400
3.200
g
g
g
g
g
g
g
g
12.200 g, ou um ganho ponderai total de
aproximadamente 12 quilos
—8—
O Quarto
Mês
A CONSULTA
O
obstetra vai verificar, entre outros
elementos, dependendo de seu estilo e das necessidades dr gestante, os seguintes:'
• Peso e pressão arterial
• Urina (açúcar e proteína)
• Altura do fundo (alto do útero)
• As mãos e os pés da gestante para
surpreender edema (inchaçâo), e as
pernas pela possibilidade de varizes
• Os sintomas apresentados, sobretudo
os incomuns
• Batimento cardíaco fetal
• Tamanho do útero, pela palpação externa
• Perguntas e problemas que a gestante
queira esclarecer — levar uma lista
pronta
O s SINTOMAS COMUNS
O
s sintomas variam: há quem os
sinta a todos, há quem sinta só alguns. Uns persistem desde o mês
anterior, outros só aparecem agora.
Existem ainda sintomas pouco comuns
que a gestante pode apresentar.
'Consultar o Apêndice para a explicarão sobre
os procedimentos e os exames realizados.
FÍSICOS:
• Fadiga
• Redução da freqüência urinária
• Fim ou redução da náusea e do vômito (em algumas gestantes a náusea persiste; em muito poucas só agora
começa)
186
OS NOVE MESES
• Prisão de ventre
• Azia, dispepsia, gases, inchaçâo abdominal
O ASPECTO FÍSICO
NO QUARTO MÊS
• Os seios continuam a aumentar de tamanho, mas em geral diminuem a dor
ao toque e o intumescimento
• Dores de cabeça esporádicas
• Desmaio e tonteira ocasionais, principalmente devido a súbita mudança de
posição
• Congestão nasal com sangramento
ocasional; entupimento dos ouvidos
• Sangramento nas gengivas
• Aumento do apetite
• Leve inchaçâo dos tornozelos e dos
pés, às vízes do rosto e das mãos
• Varizes nas pernas e / o u hemorróidas
• Discreta secreção vaginal esbranquiçada (leucorréia)
• Aparecimento dos movimentos fetais
ao fim do mês (mas só se a gestante
for muito magra ou se nâo for a primeira gestação)
Feio fim do quarto mês, o feto de 10 cm,
agora nutrido pela placenta, começa a desenvolver reflexos — sugar, deglutir. O
crescimento do corpo começa a superar
o da cabeça. Surgem os brotos dentários;
os dedos e arte/hos se mostram bem definidos. Em hora de aspecto humano, ele
nâo consegue sobreviver fora do titsro.
EMOCIONAIS:
• Instabilidade comparável à da síndrome pré-menstrual, que pode englobar
Irritabilidade, oscilações de humor, irracionalidade, choro fácil
» Alegria e/ou apreensão — se você começou enfim a sentir-se grávida
• Frustração — se ainda nâo se sente
grávida, mas as roupas já não servem
mais e as de grávida ainda sâo muito
folgadas
• A gestante pode não se sentir inteira:
d i s p e r s i v a , esquecendo coisas,
deixando-as cair, dificuldade de concentração
O QUAR- TO MÊS
187
A s PREOCUPAÇÕES COMUNS
PRESSÃO ALTA
(HIPERTENSÃO ARTERIAL)
"Em minha úhima consulta, a médica me disse que minha pressão estava um pouco alta. Al
fiquei preocupada."
P
reocupar-se com a pressão arterial só
vai fazê-la subir ainda mais, e um ligeiro aumento numa única consulta provavelmente nào significa nada demais.
Talvez você só esteja nervosa, ou então
estava atrasada para o compromisso e
correu demais, ou talvez ainda estivesse
preocupada com o último relatório no final do expediente. Se a pressão tivesse
sido medida no dia seguinte, ou mesmo
depois no mesmo dia, poderia muito
bem ter-se revelado normal. Mas como
é muitas vezes difícil determinar a causa de uma elevação em leitura isolada,
a médica talvez a aconselhe a relaxar até
a próxima consulta.
Se a pressão continuar elevada, porém, talvez você se encontre entre os 1 %
e
de gestantes que desenvolvem hipertensão arterial transitória durante a
gravidez. Esse tipo de hipertensão é perfeitamente inócuo, tanto quanto se saiba, e desaparece depois do parto.
O que se considera pressão normal durante a gravidez varia bastante durante
os nove meses, A leitura preliminar (a
que é normal para você) é determinada
na primeira consulta do pré-natal. Em
geral, a pressão declina um pouco durante OJ mes-:s seguintes. Mas ao aproximarse o parto, lá pelo sétimo mês, costuma
elevar-se um pouco.
Durante o primeiro ou o segundo trimestre, se a pressão sistólica (o número
superior) se elevar em 30 mmHg ou se
a pressão diastólica (o número inferior)
se elevar em 15 mmHg em relação à primeira leitura, e assim permanecer durante pelo menos duas leituras feitas a
intervalo de seis horas no mínimo,
justifica-se a observação diligente e, possivelmente, o tratamento. No terceiro trimestre, o tratamento costuma ser
iniciado tão-somente se houver elevação
superior a esta.
Se tal elevação da pressão arterial se
acompanhar de repentino ganho de peso (mais de l quilo e meio numa semana
no segundo trimestre, ou mais de 1 quilo n u m a semana no terceiro), de edema
acentuado (inchação por retenção de
água), sobretudo das mãos, do rosto e
dos tornozelos, e/ou de proteína na urina, 2 o problema poderá ser o da préeclâmpsia (também chamada de hipertensão induzida pela gravidez — p. 396).
Em mulheres que recebem atendimento
médico regular, essa condição é em geral diagnosticada antes de evoluir para
sintomas mais graves, entre os quais:
borramento da visão, dor de cabeça, irritabilidade e dor gástrica. Se você experimentar qualquer um dos sintomas de
pré-eelâmpsia, chame imediatamente o
médico (ver p. 240).
AÇÚCAR NA URINA
"Na última consulta a obstetra me disse que
havia açúcar na urina. Ela disse para eu não
me preocupar, mas estou convencida de que estou com diabetes."
S
iga o conselho da médica — não se
preocupe. Uma pequena quantidade
'Ver ApÊintíce para a explicação sobre p w e l na na urina.
188
OS NOVE MESES
de açúcar na urina em determinada ocasião durante a gravidez não a torna diabética. Provavelmente, seu corpo está
apenas fazendo o que deve: garantindo
ao feto, que depende do aporte de combustível da gestante, a glicose suficiente
(a ;úcar).
Como é a insulina que regula o teor
de glicose no sangue e assegura-lhe o
aporte necessário às células do corpo, a
gestação desencadeia a atividade de mecanismos antiinsullnicos para garantir
que o açúcar vai continuar circulando pelo sangue para nutrir o feto. A idéia é
perfeita, mas nem sempre funciona perfeitamente. Às vezes, o efeito antiinsulínico é tão acentuado que deixa no
sangue açúcar em quantidade acima da
suficiente para atender às necessidades
da mãe e da criança — quantidade maior
do que a capaz de ser manipulada pelos
rins. O excesso é expelido na urina. Assim, a presença de "açúcar na urina" é
explicada — ocorrência não incomum na
gestação, especialmente no segundo trimestre, quando aumenta o efeito antiinsullnico. Na verdade, aproximadamente
metade das mulheres grávidas apresentam uma certa quantidade de açúcar na
urina em algum momento da gravidez.
Na maioria das mulheres, o corpo reage a um aumento do teor de açúcar do
sangue estimulando a produção de insulina, que em geral eliminará o excesso de
açúcar por ocaslfio da próxima consulta. Talvez esse seja o seu caso. Mas algumas mulheres, sobretudo as diabéticas, ou aquelas com tendência ao diabetes, podem ser incapazes de produzir
insulina o suficiente em determinado
momento para manipular a elevação do
açúcar sérico, ou podem ser incapazes de
usar a Insulina que produzem de forma
eficiente, De qualquer forma, essas mulheres continuarão a mostrar um teor elevado de açúcar, quer no sangue, quer na
urina. Nas que previamente não eram
diabétidas, diz-se que desenvolveram
diabetes gestacional.
Se aparecer açúcar na urina em sua
próxima consulta, talvez o médico prefira submetê-la a um exame do açúcar no
sangue (glicemia) e a um teste de tolerância à glicose, exame este que reflete com
precisão a resposta do organismo ao açúcar na corrente circulatória e identifica
as pessoas com diabetes. Entre os sintomas que podem sugerir o diabetes gestacional estão: fome e sede pronunciadas; micção freqüente, mesmo no segundo trimestre; infecções vaginais por tnonília (monilíase vaginal) recidivantes; e
aumento da pressão arterial.
Cerca de 1 % a 2% das gestantes (há
estimativas que apontam 10%) desenvolvem esta condição — que provavelmente p o d e r i a ser d e n o m i n a d a de
"intolerância gravídica aos carooidrat o s " e não de "diabetes gestacional" —
que a transforma na mais comum complicação da gravidez e tem conotação
alarmante. Por ser muito comum, a
maioria dos médicos pede hoje a dosagem de açúcar no sangue (glicemia) rotineiramente, entre a 24? e a 28? semana
de gestação. As futuras mamães de risco mais elevado são testadas antes e com
mais freqüência. Entre elas estão as com
mais idade (a tendência ao diabetes aumenta com a idade) e as com história familiar de diabetes melito; aquelas com
história de açúcar na urina durante a. gravidez ou com intolerância à glicose fora
da gravidez 1 ; as obesas, que nasceram
com grande peso (mais de 4,5 quilo s) ou
que tiveram um ou mais filhos com $ grande peso; e, por fim, aquelas com mít hist ó r i a o b s t é t r i c a (prévio diabetes
gestacional, toxemia, infecção urinária
recldivante, excesso de líquido amniótico, aborto recorrente, filho com anomalia congênita).
'As mulheres com anormalidade da glicose no
sangue, mas com prova de tolerância à glicose
normal, ainda correm o risco de terem bebês
grandes. Talvez lhes convenha controlar bem a
dieta. Se v o c í tiver alterado da glicose no sangue, consulte o médico.
O QUAR- TO MÊS
Embora as futuras mamães diabéticas
e seus filhos se encontrassem durante
muito tempo em risco, graças à medicina
moderna esse nâo é mais o caso. Quando
o açúcar é controlado de forma diligente
mediante dieta e, quando necessário, medicamentos, as mulheres com diabetes
podem ter gravidez normal e filhos sadios. Caso você desenvolva diabetes gestacional, consulte as pp. 370 e 395.
As anormalidades glicêmicas desaparecem depois do parto em cerca de
97-98% das portadoras de diabetes gestacional. Entretanto, em algumas dessas
mulheres, sobretudo nas obesas, o diabetes pode se manifestar noutro período da vida. Para reduzir esse risco, as
que têm diabetes gestacional devem seguir algumas medidas preventivas: consulta médica regular, manter o peso
ideal, cultivar boa dieta e bons hábitos
de exercício, conhecer os sintomas da
doença para que sejam prontamente comunicados ao médico.
ANEMIA
"Uma amiga minha ficou anêmica durante a
gravidez. Como saber se tenho anemia, e como preveni-la?"
•X
A
medida que o volume de sangue aumenta durante a gravidez, a quantidade de ferro necessária para produzir
hemáclas também cresce, gradualmente.
Como nem todas as gestantes obtêm o
ferro de que necessitam, quase 20% sofrem de deficiência desse elemento. Felizmente, a anemia ferropriva é corrigida
jom facilidade — na maioria dos casos
a simples dieta variada e nutritiva e o uso
de complemento d? ferro resolvem o
problema.
O '««me de sangue para Identificar a
anemia é feito na primeira consulta prénatal, embora sejam poucas as mulheres que a apresentem nesse primeiro momento. Algumas mulheres engravidam já
com a afeccâo (comum durante o perío-
189
do fértil por causa das perdas menstruais). Mas com a concepção e o fim da
menstruação, as reservas de ferro são repostas - se a ingestão diária for suficiente. A manifestação da anemia costuma ocorrer até a 20? semana de gestação
(quando o volume de sangue materno e o
feto em crescimento aumentam de modo
significativo as necessidades de ferro).
Quando a deficiência é branda, pode
não ocorrer qualquer sintoma, mas se as
hemácias, que veiculam o oxigênio, sofrerem maior depleção, a mãe começará a
exibir sintomas: palidez, fadiga extrema,
fraqueza generalizada, palpitações, falta
de ar e inclusive episódios de desmaio. Podemos ter aí um dos poucos casos em que
as necessidades do feto sâo atendidas aates das da mãe, já que o filho da mãe anêmica dificilmente apresenta anemia ferropriva ao nascer. Entretanto, há provas,
ainda inconclusivas, de que os bebês de
mães anêmicas que não fazem uso de
complemento de ferro exibem um risco
um pouco maior de baixo peso ao nascimento ou de prematuridade.
Embora as gestantes sejam suscetíveis
à anemia ferropriva, certos grupos exibem risco mais elevado: as que tiveram
vários filhos em sucessão rápida, as com
gravidez gemelar, as que sofrem de vômitos freqüentes ou que comem pouco
por causa de náusea, e as que engravidaram em estado de Í ubnutrição o u / e
que se alimentaram mal desde a concepção. Nâo surpreende que as mulheres de
baixa renda caiam nessa categoria multas vezes, o que as torna muito mais propensas do que as de média renda ou de
renda superior.
Para prevenir esse tipo de anemia,
costuma-se recomendar que a gestante
faça uso de dieta rica em ferro (ver p.
122). Mas como é difícil, ou mesmo impossível, assegurar o aporte de ferro só
através da dieta, recomenda-se prescrever a complementação de 30 mg diários
(ver p. 116). A maior complementação,
em geral mais 30 mg, é rwomendarfa
190
OS NOVE MESES
quando se diagnostica a anemia ferropriva.
Às vezes, quando se exclui a deficiência marcial como causa de anemia na
gestação, podem ser necessários exames
para identificação de outros tipos de anemia — anemia por deficiência de ácido
fólico, anemia falciforme, talassemia e
assim por diante.
FALTA DE AR
'Vis wjeí sinto muita falta de ar. Será por causa da gravidez?"
P
rovavelmente. Muitas gestantes experimentam leve falta de ar no início do segundo trimestre. Uma vez mais,
estão em atividade os hormônios gestacionais. Causam edema dos capilares das
vias respiratórias e da mesma maneira
dilatam outros capilares do corpo, ao
mesmo tempo em que relaxam a musculatura puirponar e brònquica. Com o
evoluir da gravidez, entra outro fator em
cena: torna-se mais difícil encher os pulmões de ar porque o útero em crescimento comprime o diafragma, tornando
mais difícil a expansão pulmonar. Essa
falta de ar é normal.
Já a falta de ar mais intensa, por outro lado, sobretudo quando a respiração é acelerada, e os lábios e as pontas dos dedos parecem ficar azulados,
e / o u manifesta-se dor torácica ou pulso acelerado, pode significar problema
mais sério. Requer a consulta imediata ao médico ou a ida a um prontosocorro.
V
ocê não está sozinha. Muiias gestante acham que, à medida que a barriga cresce, o cérebro vai se deteriorando.
Mesmo as mais organizadas muitas vezes se descobrem esquecendo compromissos, s e n t i n d o d i f i c u l d a d e de
concentração e perdendo a tranqüilidade. Felizmente esta "síndrome cerebral"
(como a "síndrome pré-menstrual") é
passageira. Assim como muitos outros
sintomas, esse se deve a alterações hormonais decorrentes da gravidez.
Ficar tensa por causa dessa turvação
intelectual só faz piorar as coisas. Para
melhorá-la é preciso reconhecer que isso é normal, aceitando com senso de humor. Também convém reduzir o estresse
da vida o mais possível (ver p. 147), Talvez não seja tão fácil quanto fazer um
bebê (nisso você teve ajuda), Mas para
evitar o caos mental, convém fazer um
inventário, informal ou por escrito, em
casa e no trabalho (recorrendo a ele ao
sair de casa e ao sair do trabalho). Isso
também ajuda você a não cometer erros
perigosos — esquecer de fechar a porta,
apagar o gás antes de sair de casa etc.
E talvez também convenha você se habituar a trabalhar com um pouco menos
de eficiência. A situação pode se estender mesmo pelas primeiras semanas depois do nascimento do bebê (pela fadiga,
nâo pelos hormônios). Talvez só desapareça por completo quando o bebê já dormir uma noite inteira.
TINTURA DE CABELO
E PERMANENTES
ESQUECIMENTO
"Como se já não bastassem os quilos a mais,
meus cabelos começaram u perder todo o rolume. É seguro fazer um permanente?
"Ma semana passada sal de casa sem a balsa,'
hoje de manhã me esqueci de um importante
encontro profissional. Nio consigo me concentrar em nada. Acho que estou ficando maluca."
E
m b o r a o v e n t r e g r á v i d o seja o efeit o f í s i c o m a i s e v i d e n t e d o f e t o iobre
a m ã e , n â o é o ú n i c o , As a l t e r a ç õ e s são
evidentes em mdíis as nnríes — Has nql-
O QUAR-TO MÊS
mas das mãos (que podem ficar avermelhadas temporariamente; ao interior
da boca (as gengivas podem inchar e
sangrar). O cabelo nâo é exceção. Pode mudar para melhor (quando o cabelo desbotado, opaco, adquire de repente um brilho luminoso) ou para pior
(quando o cabelo perde toda a vitalidade).
Habitualmente, um permanente ou
ondas seriam a resposta certa ao cabelo
que apresenta má ondulação, mas não
durante a gravidez. Em primeiro lugar,
o cabelo reage de forma imprevisível à
ação dos hormônios gravídicos; o permanente pode não persistir, ou então dar
um penteado antiestético de ondas exageradas. Em segundo lugar, as soluções
químicas usadas nos permanentes são
absorvidas pelo couro cabeludo e chegam à corrente circulatória, levantando
a questão de sua segurança durante a
gravidez. Até aqui, as pesquisas dos efeitos dessas substâncias sobre o feto são
muito tranqüilizadoras: não se encontrou elo entre o uso de permanente e o
desenvolvimento de anomalias congênitas. Mas como se fazem necessárias outras pesquisas antes dessas substâncias
serem completamente exoneradas, a boa
cautela pode exigir certa "lisura" até depois do parto. Não fique preocupada,
entretanto, com o permanente já feito —
o risco é apenas teórico, e por certo não
representa perigo algum. (O mesmo pode ser dito dos amaciantes e dos xampus
anticaspa. Evite usá-los de agora em
diante, mas nâo se preocupe com seu uso
prévio.)
A boa nutrição pode ajudar a revitalizar os cabelos, a dar-lhes brilho: certos xampus e os ferros de frisar os
cabelos podem ajudar nessa revitalização. Mas é bem provável que o seu cabelo piore mais e mais durante a
gestação. Portanto, convém mudar para um penteado que nâo exija muito volume — corte curto, ou rente, por
exemplo.
191
"Fui ao cabeleireiro para pintar meu cabelo,
o que faço a cada três meses. Fiquei horrorizada ao ou vir uma amiga dizer que as tinturas
de cabelo causam anomalias congênitas. O que
devo fazer?"
R
elaxe. Conforme acontece com os
permanentes, não há provas concretas de que os corantes de cabelo causem
anomalias congênitas. Como o risco é
apenas teórico, não há por que se preocupar com as aplicações que você já tenha feito. Mas como é prudente ser um
pouco mais cautelosa durante a gestação, pelo menos quando essa prudência
é possível ou viável, talvez seja melhor
adiar a próxima ida ao cabeleireiro até
o parto.
Se você estiver disposta a "esconder
os cabelos brancos" e quiser ser cautelosa ao mesmo tempo, peça ao cabeleireiro para usar corantes de plantas
puras.
SANGRAMENTO E
ENTUPIMENTO NASAL
"Meu nariz tem ficado sempre congestionado
e às vezes sangra sem motivo. Estou preocupada porque o sangramento pode ser um sinal
de doença."
A
congestão nasal, muitas vezes acompanhada por sangramento, é queixa comum durante a gravidez, provavelmente devida ao elevado teor de
estrogênios e progesterona no corpo, aumentando o fluxo de sangue para as
membranas mucosas do nariz, fazendoas amolecer e intumescer — em grande
medida à semelhança do que ocorre à
cérvice em preparação para o parto.
VocÊ pode esperar pela piora do cntupimento e nâo por sua melhora — que
só ocorrerá depois do parto. É possível
ocorrer também corrimento pós-nasal,
causando tosse e engasgos noturnos. Não
usar medicamentos ou spray nasal para
192
OS NOVE MESES
combater o problema (exceto quando
prescrito pelo médico).
A congestão e o sangramento são mais
comuns nos meses de inverno, sobretudo nas regiões mais frias, em que certos
sistemas de aquecimento propelem ar
quente e seco para dentro de casa, ressecando as delicadas passagens nasais. O
uso de umidificador ajuda a atenuar o
problema. Pode-se também tentar lubriFicar as narinas com vaselina.
Tomar mais uns 250 mg de vitamina
C (com a aprovação do médico), além
dos alimentos ricos em vitamina C necessários, pode ajudar a fortalecer os capilares e a reduzir as chances de
sangramento. (Mas nunca tomar megadoses da vitamina.)
Às vezes o sangramento nasal se segue
a um assoar mais vigoroso. Assoar o nariz corretamente é uma arte, que a leitora pode dominar com perfeição: em
primeiro lugar, feche delicadamente uma
das narinas com o polegar, em seguida
faça sair o ar com muco pela outra. Repetir alternadamente até conseguir respirar pelo nariz.
Para deter o sangramento nasal, sentese com o tronco inclinado para a frente
e, respirando pela boca, prenda as narinas com o polegar e o indicador durante 5 minutos. Repita a manobra se o
sangramento continuar. Se depois de três
tentativas o problema prosseguir ou se
o sangramento for muito freqüente ou
maciço, chame o médico.
ALERGIAS
"As minhas alergias parecem ler piorada desde que começou a gestação. Muu nariz fica escorrendo e meus olhos lacrimejam a toda
hora."
T
alvez a leitora esteja confundindo a
congestão normal do nariz durante
a gravidez com alergia. Ou, embora algumas mulheres de sorte encontrem alí-
vio temporário durante este período, a
gravidez pode ter de fato agravado suas
alergias. Se for este o caso, verifique com
o médico o que poderá ser usado com segurança para aliviar os sintomas. Alguns
anti-histamínicos e outros agentes se afiguram de uso relativamente seguro durante a gravidez (o seu medicamento
pode não ser um destes). Entretanto, como as provas de segurança nâo sâo absolutamente conclusivas, medicamentos
só devem ser usados quando os outros
recursos falharem. Se a secreção nasal é
intensa e espessa ou sâo muitos os espirros, convém aumentar a ingestão de líquidos para compensar possíveis perdas
e para fluidificar as secreções.
Em geral, no entanto, o melhor enfoque para enfrentar as alergias durante a
gestação é o preventivo — evitando-se a
substância ou as substâncias agressoras,
desde que se saiba quais sâo:
• Se são os polens e outros alérgenos externos que a incomodam, permaneça
dentro de casa, em ambiente com arcondicionado e filtrado durante as estações típicas sempre que puder. Lave as mãos e o rosto ao chegar em casa
e use óculos escuros curvos e grandes
para evitar o contato dos olhos com
os polens.
• Se o problema surge com a poeira, peça a outra pessoa pat a tirar o pó e varrer a casa. O aspirador de pó, o pano
de chão e a vassoura recoberta com
pano de chflo úmido levantam menos
poeira do que a vassoura comum, e os
panos de chão de material absorvente
levantam menos que os espanadores
de penas. Afaste-se de lugares bolorentos como sótâos e bibliotecas cheias
de livros velhos. Peça a alguém para
retirar da sua casa as coisas qut acumulam pó, como cortinas e tapetes.
• Se você for alérgica a certos alimentos, evite-os, mesmo que sejam reco-
O QUAR- TO MÊS
mer.dados para gestantes. Consultar a
Dieta Ideal (p. 109) para substitutos.
• Se os animais desencadeiam as crises
de alergia, deixe as amigas saberem
antecipadamente do problema para
que tirem os animais domésticos da
sala (e seus pêlos) antes da visita. E,
naturalmente, s: o seu próprio animal
de estimação estiver lhe provocando
uma crise alérgica, tente manter algumas áreas da casa (principalmente o
Seu quarto) sem a presença do animal.
« A alergia à fumaça de cigarro é mais
fácil de controlar hoje porque menor
número de pessoas fuma e a maioria
dos fumantes obedece quando se lhes
pede para não fumar. Para abrandar
a alergia, e também para o benefício
do bebê, você deveria evitar 3xposiçâo
à fumaça de cigarro, cachimbo e charuto. Não se acanhe em dizer: "Sim,
me incomodo muito se você fumar."
SECREÇÃO VAGINAL
"Tenho percebido um pequeno corrimento vaginal, bem fino e esbranquiçado. Receio estar
com uma infecção."
A
secreção fina, leitosa, com cheiro
Lieve (leucorréia), é normal durante
a gravidez. É muito semelhante à secreção que muitas mulheres apresentam
antes do período menstrual. Como aumenta à medida que se aproxima o final
da gestação e pode se tornar bastante
intensa, algumas mulheres acham mais
cômodo usar absorventes durante os últimos meses de gravidez, Nilo use absorventes internos, os quais poderiam
introduzir germes indesejados na vagina.
Além de ofender a sensibilidade estética (e possivelmente a do marido — que
pode desistir do sexo oral pelo sabor e
o cheiro incomuns), nada mais causa e
não deve ser motivo de preocupações. É
193
importante manter a região genitai limpa e seca; as calcinhas de algodão ou revestidas de algodão ajudam neste
sentido. Evite roupas apertadas também.
Enxagüe bem a área vaginal depois de
ensaboá-la durante o banho e evite o
contato com desodorantes, espumas de
banho ou perfumes.
Não use duchas, entretanto, salvo
quando prescritas peto médico. (Mesmo
assim, nunca use seringa como as das variedades descartáveis, a fim de reduzir o
risco de introduzir ar na vagina, provocando uma embolia de ar.)
Se a secreção vaginal for amarelada,
esverdeada ou espessa e caseosa, de odor
fétido, ou se vier acompanhada de queimação, prurido, vermelhidão ou inflamação — é provável que seja infecção.
Notifique o médico para que seja tratada
(provavelmente com supositórios vaginais, ou gel, pomada ou creme, introduzidos com aplicador). Infelizmente,
embora a medicação possa eliminar a infecção temporariamente, muitas vezes fica retornando até o parto, Não obstante
possa não exigir novo tratamento, a vaginite simples não é causa de preocupação e não cria risco para o bebê.
Se a vaginite for causada por monília,
um fungo, o médico terá o cuidado de
tratá-la com medicação para que você
não a transmita ao bebê durante o parto (sob a forma de sapinho, uma micose
da boca) — embora essa infecção não seja perigosa para o recém-nascido e seja
facilmente tratável.
Talvez você consiga acelerar a recuperação e prevenir a reinfecção através de
limpeza escrupulosa, sobretudo depois
de ir ao banheiro (limpar-se sempre da
frente para trás) e depois de seguir a Dieta Ideal — dando atenção especial ao
consumo de açúcar refinado, que ajuda
a criar solo fértil para os microorganismos infecciosos. Pesquisas recentes indicam que o consumo diário de uma
xícara de iogurte que contenha cultura
acidófila de lacto bacilos vivos (verifique
194
OS NOVE MESES
o rótulo) é capaz de reduzir o risco de
Infecção vaginal de forma extraordinária.
Se a infecção f o r das sexualmente
transmissíveis, recomenda-se evitar as relações sexuais e outros contatos sexuais
até que marido e mulher estejam livres
da infecção. Os preservativos (camisinhas) podem estar indicados durante seis
meses depois de eliminada a infecção.
Para prevenir nova infecção, convém ter
cuidado para se evitar a transferência de
germes do ânus para a vagina (com os
dedos, o pênis ou a língua).
MOVIMENTOS FETAIS
' 'Ainda não senti o bebê se mexer; será que tem
alguma coisa errada? Ou sou eu que não identifico os chutes?"
O
s movimentos fetais podem ser grande fonte de alegria durante a gestação, e a sua falta, a principal causa de
ansiedade. Mais do que o teste de gravidez positivo, o ventre em expansão, ou
mesmo o som dos batimentos cardíacos
fetais, os movimentos fetais são prova
definitiva de que um novo ser vivo cresce dentro da gestante. Sua ausência fomenta o medo aterrador de que o novo
ser vivo talvez não esteja se desenvolvendo.
Embora o embrião comece a apresentar movimentos espontâneos por volta
da 7? semana, tais movimentos só sâo
percebidos pela mãe bem mais tarde. A
primeira sensação momentânea de que
há vida, os primeiros movimentos percebidos, poderá ocorrer entre a 14? e a
26? semana, embora em geral mais por
volta da 18? à 22" semana. Variações
nesses valores médios silo comuns, A
mulher que Já teve um bebê antes tem
mais probabilidade de reconhecer os movimentos mais precocemente (por saber
o que esperar e porque sua musculatura
» - » n « « /í
m nir
fácil perceber um chute) do que as que
esperam pela primeira vez. A mulher
muito magra pode percebê-los bem cedo, apesar de débeis, enquanto a obesa
talvez só os note quando ficarem bem
mais vigorosos.
Às vezes a primeira percepção dos movimentos é retardada um pouco por erro no cálculo da data provável do parto.
Ou ainda porque a mulher não os reconheceu ao senti-los.
Ninguém poderá dizer à gestante que
espera o primeiro filho exatamente quando deve esperar senti-los; cada gestante
poderá descrevê-los de forma diferente,
Talvez a descrição mais comum seja a de
uma "vibração no abdome". Mas os primeiros movimentos fetais são por vezes
descritos como uma "torção", um "mido no estômago", " u m chute no estômago", " u m a bolha estourando" ou
"como ser virada de cabeça para baixo
em brinquedo de parque de diversões",
Não raro são confundidos com gases ou
com os roncos de fome. Conta-nos uma
mulher; "Achei que estava com um inseto na minha blusa, mas quando fui
tirá-lo percebi que era o bebê se mexendo."
Apesar de não ser incomum não perceber os movimentos do feto até a 20?
semana ou mais, o obstetra talvez peça
uma ultra-sonografia para verificar as
condições do bebê, se a gestante até então nada tiver sentido — e se ele não conseguir provocar reação fetal através de
estimulação — por volta da 22? semana. Se o batimento cardíaco fetal for vigoroso, contudo, e tudo o mais parece
evoluir normalmente, ele poderá esperar
um pouco mais para fazer o exame.
"Senti uns pequenos movimentos todos os dias
nu mmtnu pnsmlH, mu.* Hindu ntio senti nedtt
hoje. Será que há algo de errado?"
A
ansiedade pela expectativa dos primeiros movimentos fetais é muita)
O QUAR- TO MÊS
movimentos fetais nâo tenham a freqüência suficiente, ou de que nào sejam
percebidos por um momento. A essa altura da gravidez, entretanto, essas ansiedades, embora compreensíveis, costumam ser desnecessárias. A freqüência
dos movimentos perceptíveis pode variar
multo a essa altura; o padrão dos movimentos é, na melhor das hipóteses, aleatório. Embora o feto seja ativo quase que
constantemente, só alguns desses movimentos são vigorosos o suficiente para
que sejam percebidos. Outros podem
passar despercebidos por causa da posição fetal (quando ele se volta e chuta para trás, por exemplo, e não para a
frente). Ou por causa da própria atividade da mãe (quando caminha ou se movimenta muito, o feto pode adormecer;
Ou talvez esteja acordado, mas você esteja muito ocupada para perceber-lhe os
movimentos). Também é possível que
você esteja dormindo durante os períodos mais ativos do bebê — os quais muitas vezes se dão no meio da noite.
-jj Uma forma de provocar a movimentação fetal quando não se percebeu nenhuma durante o dia inteiro é deitar
durante uma ou duas horas ao anoitecer,
preferivelmente depois de um copo de
leite ou de alguma outra refeição; a combinação da sua inatividade e o sobressalto da energia alimentar podem fazer com
que o feto se movimente. Se isso não
funcionar, tente novamente depois de algumas horas, mas não se preocupe. Muitas mães não percebem qualquer
movimento durante uns dois dias seguidos, ou mesmo durante três ou quatro,
ax-tes da 20.' semana. Daí em diante, emborti nâo h a j a necessidade para se entrar
em pânico, é provavelmente uma boa
idéia chamar o médico para a própria
tranqüilidade se »e pausarem 24 horas
tem atividade fetal perceptível (presumindo, naturalmente, que a movlmentaçSo Já tenha iniciado).
Depois da 28í semana, os movimentos fetais se tornam mais consistentes, e
195
as pesquisas mostram que é uma boa
idéia as mães checarem por hábito a atividade fetal diária (ver p, 237).
O ASPECTO FÍSICO
DA GESTANTE
"Fico deprimida quando me olho num espelho
ou subo numa balança — estou tão gorda,"
N
uma sociedade obcecada pela magreza como a nossa, onde os que
conseguem pinçar uma dobra de gordura na pele se desesperam, o ganho de peso durante a gestação nâo raro se torna
fonte de depressão. Não devia. Há uma
diferença importante entre os quilos adquiridos sem um bom motivo (força de
vontade extraviada) e os quilos pelos melhores e mais belos motivos: a criança e
o sistema de apoio a ela que medram no
seu interior.
Não obstante, aos olhos de muitos espectadores a gestante não é apenas bonita por dentro, mas por fora também.
Muitos casais consideram a configuração
roliça da gestante uma das rnais adoráveis formas femininas — e das mais
sensuais.
Na medida em que a gestante estiver
comendo acertadamente e não ultrapassar os limites recomendados para o ganho
do peso durante a gestação (ver p. 182),
nfio há p o r que se sentir " g o r d a " — só
grávida. Os quilos a mais que você agora percebe são subprodutos legítimos da
gestação e desaparecerão rapidamente
depois que o bebê nascer. Se, contudo,
a gestante estiver ultrapassando aqueles
limites, a frustração depressiva nüo a impedirá de ficar ainda mais gorda (e poderá até mesmo fazer aumentar o apetite), embora a observância cuidado*» da
dieta possa. Lembre-se, contudo, que fazer dieta para perder ou manter o peso
durante a gravidez é hábito de grande risco. Nunca elimine as exigências da Die-
196
OS NOVE MESES.
ta Ideal por receio de ganhar muito
peso.
Observar o ganho de peso não é a única maneira de se melhorar a aparência.
O uso de roupas mais largas também
ajuda; prefira as roupas próprias para
gestante e não tente se espremer nas roupas de antes da gravidez que já não lhe
sirvam mais (ver adiante). Você também
gostará mais de sua imagem ao espelho
se usar um corte de cabelo de fácil manuseio (um que não requeira um permanente; ver p. 190), se você cuidar da sua
aparência e se dedicar tempo suficiente
à maquiagem, caso costume usá-la rotineiramente.
ROUPA PARA GESTANTES
N
unca foi tão fácil para a gestante se
manter na vanguarda da moda contemporânea. Já se foram os dias dos vestidos discretos, do conjunto de malha
bem-comportado. Hoje, a gestante não
só usa roupas mais práticas e mais interessantes de se olhar, como também pode variar muito mais nas peças e nas
cores, chegando às vezes a usar a mesma roupa mesmo depois de recuperar a
antiga forma.
Ao sair para comprar roupas próprias
para a gestação, considere os seguintes
itens:
• Você ainda vai crescer um bocado (em
largura). Não vá dar uma de gestante
consumidora logo no primeiro dia em
que nâo conseguir abotoar o jeans. As
roupas para gestantes podem custar
caro, principalmente se você considerar o curto período de tempo em que
serfio usadas. Portanto, seja moderada nas compras: consuma na medida
do necessário (depois de verificar o
que pode usar em seu guarda-roupa,
talvez acabe descobrindo que precisava menos do que imaginava), Embora você possa na própria loja ou
butique ler uma boa idéia de como as
roupas vão assentar depois, será difícil prever a forma de sua barriga (alta, baixa, grande, pequena) e a roupa
que hoje não cai bem poderá ser no
futuro a mais confortável de usar,
quando o conforto se tornar um elemento da maior importância.
« Você não precisa se limitar às roupas
próprias à gravidez. Se qualquer outra roupa vestir bem, use-a, mesmo
que não tenha sido feita para grávida,
É essa roupa, ou a que você já tem,'
que vai lhe ajudar a poupar dinheiro.
Dependendo do que os estilistas recomendem para determinada estação,
qualquer coisa que encontre nas prateleiras e cabides das lojas comuns poderá assentar muito bem em seu corpo
de grávida. Mas evite desperdiçar o
seu dinheiro. Embora você adore as
roupas neste momento, poderá gostar
delas betn menos depois de usá-las durante a gravidez; no puerpério, o impulso poderá ser grande para jogá-las
fora, como costuma acontecer com
roupas assim.
• O seu senso pessoal de estilo conta,
mesmo quando está grávida. Se você
for consumidora de um estilo definido, bem a seu gosto, não comece a
pensar em batas douradas, cheias de
babados. Embora a imagem tradicional da senhora que espera um filho
possa lhe seduzir por um ou dois meses, dificilmente a seduzirá por mill
tempo: é bem provável que a roupa
não fique em moda bem antes de você ter ímpetos de jogá-la fora. E
obrigando-a a enfrentar roupas pelo
resto da gestação que você despreza,
• Os acessórios merecem um papel multo relevante. Quando você nSo está
grávida, os accssói ios lhe dão um toque de elegância. Durante a gravidez,
são essenciais. O realce de uma echar-
O QUAR- TO MÊS
pe, de um par de brincos exóticos, de
meias metalizadas brilhantes, inclusive de um par de tênis de cores vivas,
compensará muitas das concessões
inevitáveis à moda que as gestantes terão de fazer.
Entre os mais importantes acessórios
estão os que as pessoas nunca vêem:
a lingerie. O sutiã que acomoda e segura o seio é vital na gravidez. Os
comuns servem, desde que tenham laterais largas e alçis reforçadas. Com
sorte, a vendedora a ajudará. Mas não
faça estoque: compre apenas dois (um
para usar e outro para lavar). Quando o volume dos seios aumentar, com' pre outros.
Também as outras peças de lingerie
não precisam ser especiais. As calcinl as devem ser substituídas por peça
maior, com cós alto, desde que você
• possa usar sob a barriga. Escolha a
sua cor favorita e o tecido mais sensual que encontrar, mas confira o reforço, deve ser sempre de algodão.
• Um grande amigo da gestante pode ser
o guarda-roupa do marido. Está bem
aí junto de você para ser usado (embora seja boa idéia perguntar se pode
primeiro): as camisetas e as camisas
comuns bem grandes que parecem
grandes demais sobre a calça ou sob
a jaqueta {tente prendê-las com um
cinto sob a barriga para criar uma silhueta interessante), a calça folgada,
larga, bem mais larga do que a sua,
o short que aceitará a sua cintura pelo menos por mais alguns meses, o cinto com uns furos a mais do que os
seus.
• Aceite os empréstimos. Aceite todas as
ofertas de roupas usadas para grávidas, mesmo que não façam o seu estilo. É fácil tornar mais " s u a " a peça
emprestada — use acessórios. Ao terminar a gravidez, passe adiante as rou-
197
pas que você não vai mais usar; você
e suas amigas estarão economizando
dinheiro dessa forma.
• Os tecidos " q u e não respiram" (como o nylon e outros sintéticos) não
vão "cair bem" em você. Como o
seu ritmo metabólico é mais acelerado que o habitual, deixando-a mais
"quente", você vai sentir-se melhor
com peças de algodão. Roupas largas, cores claras, ajudarão você a não
sentir o incômodo do calor. As meias
de cano curto são mais confortáveis
que as de cano longo, mas evite as
que têm barra elástica apertada. Em
tempo frio, o uso de peças de roupa sobrepostas é o ideal: tire peça
por peça ao entrar em ambiente fechado e quente.
a realidade
da gravidez
"Agora que minha barriga está crescendo, finalmente percebo que estou de fato grávida,
Apesar de termos planejado a gravidez, de repente me sinto com medo, aprisionada pelo bebê — até contra ele."
M
esmo os casais grávidos mais ansiosos pela gestação poderão se surpreender (e ficar cheios de culpa) ao começar a gravidez a tornar-se uma
realidade. Um pequeno intruso invisível
de repente se imiscui entre o casal,
virando-lhes a vida de cabeça para baixo, privando-os da liberdade de que sempre desfrutaram, criando-lhes novas
exigências — físicas e emocionais —,
maiores do que as até então vivenciadas.
Toda a vida a que estavam acostumados
— as noites juntos, o comer e o beber,
a atividade sexual — se altera mesmo antes de a criança nascer. Conhecer bem essa m u d a n ç a é coisa ainda mais
importante depois de o parto complicar
198
OS NOVE MESES.
os seus sentimentos conflitantes, depois
de acentuar a sua apreensão.
Estudos mostram que um pouco de
ambivalência, um pouco de medo e mesmo um pouco de antagonismo são fenômenos normais, sadios — desde que
percebidos e enfrentados. E agora é o
melhor momento para isso. É só equacionar os ressentimentos agora (por não
mais se ficar acordado até tarde da noite aos sábados, por não mais se poder
sair para viajar nos fins de semana quando dá vontade, por não mais se poder
trabalhar em tempo integral, por não
mais se poder gastar o dinheiro como se
gostaria) para que a gestante não precise ficar elaborando-os depois quando ele
chegar. Para isso, o melhor é compartilhar os sentimentos com o companheiro
— e encorajá-lo a fazer o mesmo.
Embora as mudanças possam ser
maiores ou menores, dependendo de como o casal ordene suas prioridades, é
verdade que a sua vida doravante nâo vai
ser mais a mesma: em vez de dois serão
três. Nâo obstante, embora alguns recentos do seu mundo se vejam encolhidos,
outros se ampliam. Talvez o casal se sinta renascer com o bebê. E a nova vida
talvez se torne a melhor de todas.
CONSELHOS
INDESEJÁVEIS
"Agora que rodos vêem que estou grávida, todos — desde a minha sogra a estranhos no elevador — têm conselhos para me dar. Isso me
deixa mutucu.''
A
não ser partindo para a reclusão numa ilha deserta, não há como a gestante evitar os conselhos gratuitos das
pessoas que a cercam. Há alguma coisa
no* ventres grávidoi qut foi, aflorar o
"especialista" que em nós habita. É só
a gestante sair correndo em volta do
quarteirão de casa e vai aparecer alguém
para repreendê-la: "Você não devia correr nesse estadol" É só trazer para casa
nas mãos duas sacolas de supermercado
e vem a reprimenda: "Você acha que deveria estar carregando todo esse peso?"
Ou basta espichar o braço para tocar a
campainha do ônibus e vem o aviso: "Se
você ficar se espichando desse jeito o cordão r o d e se enrolar no pescoço do bebê
e o estrangular."
Entre esses conselhos gratuitos e as
predições inevitáveis sobre o sexo do
bebê, o que fazer? Em primeiro lugar,
lembrar que quase tudo o que se ouve
é pura bobagem. As velhas histórias
das avós que tinham fundamento foram consubstanciadas cientificamente
e se tornaram parte da prática obstétrica. As que não tinham, embora ainda
estampadas na tapeçaria da mitologia
gravídica, podem ser absolutamente ignoradas. As recomendações que deixam
a gestante em dúvida — "E se estiverem
certos?" — e que, portanto, não podem ser ignoradas, devem ser discutidas
com o médico ou com outro profissional da área.
Seja uma possibilidade plausivel, seja
uma coisa obviamente ridícula, não se
pode deixar que os conselhos nos façam perder a cabeça. Ninguém, nem a
gestante, nem o bebê, se beneficiará
com o aumento das tensões. Convém,
portanto, manter o senso de humor e
fazer de duas urna: ou informar com
polidez ao bem-intencionado estranho,
amigo ou parente que já se tem um obstetra competente para dar conselhos e
que não é possível aceitar os conselhos
ile mais ninguém, ou sorrir polidamente, dizer obrigada e seguir em frente,
deixando que os comentários entrem por
um ouvido e saiam por outro — sem
paradas no caminho.
Independente do que se faça, contudo, é preciso te habituar u ouvi-los, E ic
há alguém que atraia mais conselheiros
que uma mulher grávida é uma mulher
com um bebê no colo.
O QUAR- TO MÊS
199
0 Q U E É IMPORTANTE SABER:
FAZENDO SEXO DURANTE A GRAVIDEZ
A
fora os milagres médicos e religiosos, toda gestação começa com o
ato sexual. Assim, por que será
que aquilo que a colocou nessa situação
agora se torna um dos maiores problemas?
Quer o sexo se torne melhor do que
nunca, quer deixe de existir, quer se mostre apenas um pouco incômodo, quase
todos os casais passam por mudanças no
seu relacionamento sexual durante os nove meses de gravidez.
As variações no apetite sexual e as reações antes da concepção são muito amplas para que se comece por aí. O que
satisfaz um casal — relação sexual
"obrigatória" uma vez por semana, por
exemplo — pode ser completamente insatisfatório para outro, para quem um
só dia por semana pode ser insuficiente,
Depois da concepção, tais variações podem mesmo se exacerbar. E para complicar ainda mais a questão sexual, as
oscilações físicas e emocionais podem
deixar o casal que mantém relação uma
vez ao dia menos propenso para o amor
do que o que mantém relação uma vez
por semana, e vice-versa.
Embora a intensidade varie de casal
para casal, é comum um padrão de interesse sexual descendente-ascendentedescendente durante os três trimestres da
gestação. Não surpreende que a diminuição do interesse sexual possa ocorrer no
início da gravidez (numa pesquisa, 54%
das mulheres revelaram redução da libido durante o primeiro trimestre). Afinal,
a fadiga, a náusea, o vômito e os seios
(talo Ida* ttd tornam ;weelrttn çle enmn
nSo muito ideais. Nas que não têm maiores Incômodos nesse período, contudo,
o desejo sexual permanece mais ou me-
nos inalterado. E uma minoria mensurável de gestantes sente-o aumentar significativamente — muitas vezes porque
os hormônios gestacionaís deixam a vulva ingurgitada e ultra-sensível ou porque a maior sensibilidade mamária q u e
para umas é dolorosa para outras é prazerosa. Essas mulheres podem experimentar orgasmo ou orgasmos múltiplos
pela primeira vez.
O interesse muitas vezes — mas nem
sempre — se intensifica durante o segundo trimestre, quando o casal se acha física e psicologicamente mais bem
ajustado à gravidez. Costuma decrescer
novamente ao aproximar-se o parto, de
forma ainda mais drástica do que no primeiro trimestre — por razões óbvias: primeiro, o abdome volumoso torna cada
vez mais difícil a aproximação; segundo,
as dores e os incômodos da gestação
adiantada são capazes de esfriar a mais
quente das paixões; e terceiro, é difícil
concentrar-se em qualquer outra coisa
que não o evento tão ansiosamente esperado.
O prazer sexual, como o desejo sexual,
parece diminuir em alguns casais — mas
decerto não em todos. Num grupo de
mulheres, 21% tinham pouco ou nenhum prazer com o sexo antes da concepção. A percentagem das que não
vêem prazer no sexo aumenta para 41 %
por volta de 12 semanas de gestação e para 59% por volta do nono mês. A mesma pesquisa revelou que por volta de 12
semanas cerca de I em cada 10 casais deixara de ter relações sexuais; por volta do
nono tnÊN, mal* d» um terço se abstinha.
Convém no entanto lembrar que n pesquisa verificou que mais de 4 em cada
10 mulheres ainda desfrutavam do sexo
200
OS NOVE MESES.
nesse período — e dessas, mais da metade sem problemas.
Assim, pode ser quea leitora descubra
que o sexo durante a gravidez seja o mais
prazeroso que já teve. Ou que seja algo
difícil, embora quisesse dele desfrutar.
Ou que se tenha tornado uma obrigação
incômoda. Ou que chega a ser abandonado. A atividade sexual "normal" durante
a gestação, como tantas outras facetas do
ciclo, é a que é normal para você.
A SEXUALIDADE
DURANTE A GESTAÇÃO
I
nfelizmente, há obstetras tão inibidos
a respeito da sexualidade quanto nós,
leigas. Muitas vezes não dizem ao casal
o que vão ter pela frente, nem o que não
vão ter, na sua intimidade conjugai. E
isso deixa muitos sem saber como
proceder.
Ao entendermos por que o sexo durante a gestação é diferente do sexo em
outros períodos da vida, conseguimos
atenuar os medos e as preocupações e
tornar a atividade sexual (ou sua abstinência) mais aceitável e mais prazerosa.
Em primeiro lugar, há muitas alterações físicas que interferem no interesse
e no prazer sexual real tanto positiva
quanto negativamente. Alguns fatores
negativos podem ser modificados de sorte a não interferirem tanto na vida sexual; outros exigirão da gestante ter que
se habituar a eles — e a fazer sexo apesar deles.
A náusea e o vômito. Se a náusea matinal acompanha a gestante dia e noite,
talvez convenha esperar pelo desaparecimento dos sintomas. (Na maioria dos
casos, o problema começa a ceder pelo
fim do primeiro trimestre.) Se a ataca
só em determinadas horas, o melhor é
tornar o horário flexível, aproveitando os momentos mais oportunos. Não
convém forçar a disposição para o se-
xo quando não se está predisposta: a
náusea muitas vezes é agravada pelo estresse emocional. (Ver p. 138 para algumas sugestões para minimizar a náusea
matutina.)
A fadiga. Costuma ceder por volta do
quarto mês. Até então, fazer sexo enquanto brilha o sol (sempre que tiver
oportunidade) em vez de obrigar-se a ficar acordada até tarde para o romance.
Se as tardes de fim de semana estão livres, convém tirar a soneca acompanhada de uma sessão de sexo. (Ver mais
sobre alívio da fadiga à p. 135.)
A mudança de forma. Fazer sexo pode
ser inconveniente e incômodo quando a
barriga enorme parece tão alta e proibitiva quanto uma montanha no Himalaia.
Ao evoluir a gestação, a ginástica para
escalar o abdome cada vez maior pode,
para alguns casais, não valer o esforço.
(Mas há formas de contornar a montanha; ver p. 203.) Além disso, a silhueta
volumosa da mulher poderá desestimular um ou ambos os parceiros. Trata-se
de reflexo condicionado que se pode eliminar pensando o seguinte: ser barriguda (na gestação) é ser bonita.
O ingurgitamento da genitália. O maior
fluxo de sangue para a região pélvica,
provocado pelas mudanças hormonais
da gravidez, pode fazer aumentar a resposta sexual em algumas mulheres. Mas
pode também tornar o sexo menos gratificante (sobretudo mais ao fim da gravidez) se uma sensação incômoda, de
plenitude nâo-alcançada, de falta de alívio, persiste residualmente após o orgasmo. Fica a sensação de que não se
conseguiu. Para os homens, o ingurgitamento dos órgãos genitais pode também aumentar o prazer (se se sentem
prazerosamente acariciados) ou diminuílo (sc sentem a vaglna muito apertada e
perdem t. ereção).
O QUAR- TO MÊS
Seercçâo de colostro. No final da gravidez, algumas mulheres começam a produzir colostro nos seios, uma substância
prévia ao leite materno. O colostro pode ser secretado pelos seios durante a
estimulação sexual, e pode ser desconcertante durante a fase preliminar do sexo.
Não é, por certo, motivo de preocupação, mas se a incomodar ou ao seu companheiro, pode facilmente ser evitado se
não forem feitas carícias nos seios.
Sensibilidade mamária. Alguns casais felizes divertem-se durante a gravidez nas
alegrias dos seios cheios-e-fírmes-pelaprimeira-vez. Mas muita gente acha que,
no início da gestação, talvez se tenha de
negligenciar os seios durante o sexo por
se mostrarem muito dolorosos. (Convém
informar ao parceiro do incômodo, e
não ficar sofrendo e se ressentindo em
silêncio.) Todavia, ao diminuir a sensibilidade, ao fim do primeiro trimestre,
a extrema sensibilidade dos seios estimula o sexo em alguns casais.
As alterações nas secreções vaginais. As
secreções aumentam de volume e se modificam na consistência, odor e sabor.
A maior lubrificaçâo pode tornar o coito mais prazeroso para o casal quando a vagina da mulher foi sempre seca
e / o u incomodamente estreita. Ou talvez torne o canal vaginal tão molhado
e escorregadio que o homem encontre
dificuldade em manter a ereçâo, O cheiro e o sabor mais intenso das secreções
podem tornar o sexo oral desagradável
para alguns homens. Passar óleos perfumados na região púbica ou na parte
interna das coxas a j u d a a disfarçar o
problema.
Sangramento causado pela sensibilidade
d<i eérvlec. A boca do útero também se
ingurgita durante a gestação — atravessada por muitos outros vasos sangüíneos
paru acomodar o maior fluxo dc sangue
para o útero — e fica muito mais amo-
201
lecida. Isso significa que a penetração
profunda pode causar sangramento, sobretudo ao fim da gestação, quando a
cérvice começa a amadurecer para o parto. Se isso ocorrer (excluído, pelo obstetra, o aborto espontâneo ou qualquer
outra complicação que exija a abstinência sexual), é só evitar a penetração
profunda.
Há também uma grande lista de problemas psicológicos que podem interferir no prazer sexual durante a gestação.
Também estes podem ser minimizados.
Medo de machucar o feto ou de causar
aborto. Na gestação normal, a relação
sexual não machuca o feto e nem causa
aborto. O feto se acha bem amortecido
e protegido no útero e na bolsa amniótica, a qual se acha devidamente lacrada,
isolada do mundo exterior pelo tampão
mucoso na boca da cérvice.
Medo de que o orgasmo provoque aborto ou dê início ao trabalho de parto. Embora o útero se contraia com o orgasmo
— contrações bem pronunciadas em algumas mulheres, que chegam a petdurar
por meia a uma hora depois do coito —
isso não significa que esteja entrando em
trabalho de parto e não apresenta perigo para a gravidez normal. No entanto,
o orgasmo, particularmente o de tipo
mais intenso, desencadeado pela masturbação, poderá ser proibido em gestações
de alto risco de aborto espontâneo ou de
trabalho de parto prematuro.
Medo de que o feto esteja "observando"
o u ' 'sabendo*'. Embora o feto possa desfrutar do delicado embalo proporcionado pelas contrações uterinas depois do
orgasmo, nem é capaz de ver, nem de entender o que se pas sa durante o coito, e
decerto não guarda nada na memória.
As reações fetais (menor movimento durante a relação, e depois os chutes e as
contorções furiosas, além da aceleração
202
OS NOVE MESES.
do batimento cardíaco, depois do orgasino) se baseiam exclusivamente nas atividades hormonal e uterina.
Medo de que a introdução do pênis na
vagina cause infecção. Desde que o homem não seja portador de doença sexualmente transmissível, parece não
haver perigo de infecção, para a mãe e
para o feto, através do coito durante os
primeiros sete ou oito meses, O bebê se
acha seguramente protegido no interior
do saco amniótico, que não pode ser penetrado seja por sêmen, seja por microorganismos infecciosos. Os obstetras,
na sua maioria, crêem ser isso verdadeiro inclusive no tiono mês — enquanto
permanecer íntegra a bolsa d'água (antes de as membranas se romperem). Mas
c o m o podem se romper a qualquer momento, alguns recomendam o uso de camisinha durante o coito nas últimas
q u a f o ou oito semanas de gestação, como reforço para evitar infecções.
Ansiedade eom relação à próxima atração. A futura mamãe e o futuro papai
estão sujeitos aos sentimentos confusos
em relação ao iminente e abençoado
evento; considerações scbre as responsabilidades e as mudanças de vida e os
custos financeiros e emocionais de criar
o bebê podem inibir a atividade sexual.
Essa ambivalência pela qual muitos casais passam deve ser discutida abertamente, e não trazida para a cama.
A relação cambiante entre o marido e a
mulher. O casal pode ter problemas em
se ajustar à idéia de não mais ser apenas
amantes, apenas um homem e uma mulher, e sim de se tornarem pais. Afinal,
muitos de nós ainda evitamos associar o
sexo aos nossos pais, embora sejamos
prova viva de que a associação existe.
For outro lado, alguns casais podem descobrir que a nova dimensão em sua relação traz uma nova Intimidade para a
cama — e, coro ela, uma nova excitação.
Hostilidade subconsciente. Do futuro
papai para com a mulher, por ciúmes de
ela haver se tornado o foco das atenções.
Ou da futura mamãe para com o homem, por ver nele a causa de iodo o sofrimento (sobretudo quando a gestação
é difícil) trazido para o bebê que ambos
querem e que ambos irão desfrutar. São
sentimentos a serem discutidos, mas não
na cama.
Crença de que o coito nas últimas seis
semanas vai desencadear o trabalho de
parto. É verdade que as contrações uterina» desencadeadas pelo orgasmo se tornam mais fortes com o evoluir da
gestação. Mas a menos que a cérvice esteja madura, tais contrações parecem
não causar o inicio do trabalho de parto
— conforme atestam muitos casais que
esperançosamente tentaram o sexo diário obrigatório. No entanto, corno ninguém sabe exatamente o que dá início ao
trabalho de parto e como algumas pesquisas mostram aumento dos partos prematuros entre casais que mantêm
relações nas últimas semanas de gestação, muitas vezes se prescreve a abstinência sexual para as que têm tendência ao
parto pré-termo.
Medo de " a c e r t a r " o bebê depois da cabeça insinuada na pelve. Mesmo os casais que não se preocupavam antes com
o coito passam a se preocupar por causa da proximidade do bebê. Muitos médicos dizem que, embora não seja
possível machucar o bebê, a penetração
profunda não será cômoda nessa fase,
e deve ser evitada.
Alguns fatores psicológicos podem
também interferir nas relações sexuais,
mas para melhor:
Mudanças no sexo procrlativo parti o recreativo. Alguns casais que butulliurum
para que a mulher engravidasse podem
se deliciar ao verem que podem fazer se-
O QUAR- TO MÊS
xo só pelo prazer — livres dos termômetros, das tabelas, dos calendários e da ansiedade, Para estes, o sexo passa a ser
motivo de prazer pela primeira vez depois de meses, às vezes depois de anos.
Embora a relação sexual durante a
gestação possa ser diferente da que se vivenciava antes, é na maioria dos casos
perfeitamente segura. De fato, faz bem
à gestante tanto física quanto emocionalmente: pode manter a mulher e o marido mais próximos; pode ajudar a manter
a forma, preparando a musculatura pélvica para o parto; e é relaxante — o que
ê benéfico para todos, Inclusive para o
bebê.
QUANDO SE DEVE
RESTRINGIR A
ATIVIDADE SEXUAL
C
omo a atividade sexual tem muito a oferecer ao casal que espera um
filho, seria ideal que todos dela tirassem
proveito durante a gestação. Contudo,
para alguns ela não é permitida. Nas gestações de alto risco, as relações podem
ser restringidas em determinados períodos, às vezes durante os nove meses.
Noutros casos, as relações são permitidas desde que a mulher não chegue ao
orgasmo, ou só sâo permitidas as carícias mas não a penetração. Convém
saber precisamente o que é seguro e
quando é essencial; se o médico instruir
a gestante no sentido da abstinência,
cumpre Indagar por que e se a referência é quanto à relação em si ou ao orgasmo, ou a ambos, e se as restrições são
temporárias ou se se aplicam a toda a
gestação.
A atividade sexual será restrita nos seguintes casos:
• Sempre que ocorrer sangramento (hemorragia) inexplicado.
203
• Durante o primeiro trimestre, se houver história de abortamento espontâneo ou se houver sinais de ameaça de
aborto durante a gravidez atual.
• Durante as últimas 8 a 12 semanas, se
a mulher tiver história de trabalho de
parto prematuro ou de ameaça de trabalho de parto prematuro, ou se estiver sentindo sinais de trabalho de
parto prematuro nesta gestação.
• Se as membranas fetais (bolsa d'água)
se romperem.
• Quando se sabe que há placenta prévia (placenta em posição anormal,
junto ou perto da cérvice, de onde se
pode descolar prematuramente, durante a relação sexual, provocando
sangramento e ameaçando a mâe e o
bebê).
• No último trimestre
gemelar.
em gravidez
DESFRUTAR MAIS
DO SEXO, MESMO
QUANDO SE PRATICA
MENOS
O
bom relacionamento sexual, prolongado — como os bons casamentos,
duradouros —, dificilmente se constrói
da noite para o dia (mesmo quando a
noite foi ótima), Constrói-se com prática, com paciência, com compreensão e
com amor. Isso também vale para o relacionamento sexual já estabelecido que
padece das agressões emocionais e físicas
da gestação. Aqui v i o alguns conselhos
muito úteis:
• Nunca deixar que a freqüência ou a infreqüêneia das relações interfira em
outros aspectos do relacionamento.
Lembrar que a quali.(fade do sexo é
204
OS NOVE MESES.
sempre mais importante do que a
quantidade — sobretudo durante a
gravidez.
• Insistir no amor, n ã o no sexo. Se um
dos dois não se sentir com vontade de
fazer sexo, ou se este passou a ser frustrante por não ser mais plenamente
gratificante, buscar rotas alternativas
para a intimidade. As possibilidades
são bem maiores do que as numerosas posições encontradas em qualquer
manual de sexo. Por exemplo: beijos
e abraços à antiga, ficar de mãos dadas, carinho nas costas, massagem nos
pés, tomar leite juntos na cama (ou
milkshake, ver p. 125 para a receita),
ler poemas de amor, ver televisão
aconchegados n u m cobertor, tomar
ducha juntos, sair para um jantar à luz
de velas bem romântico (ou fazê-lo em
casa), encontrar-se para um almoço
tranqüilo — ou seja o que for para
fortalecer a relação amorosa.
• Reconhecer as possíveis sobrecargas
que a futura paternidade trará para a
relação e aceitar as possíveis mudanças na intensidade do desejo sexual de
um ou de outro. Discutir os problemas
abertamente; não escondê-los ou tentar escondê-los. Se os problemas se
avolumarem, convém recorrer a auxílio profissional.
• Pensar positivamente; O sexo é um
bom preparo físico para o trabalho de
parto e o parto. (Poucos são os atletas que desfrutam dessa satisfação no
treinamento.)
• Pensar nas novas posições para o sexo durante 0 gravidez como uma avent u r u . Mas se dar tempo pura
adaptar-se a elas. (Tentar uma primeira vez ainda com roupa, para se familiarizar com ela quando for real,)
Entre as posições mais cômodas estão:
o homem por cima, mas um pouco de
lado ou apoiado nos braços (para não
soltar o próprio peso sobre a mulher);
a mulher por cima (evitando a penetração profunda); ambos de lado —
com a mulher de frente ou de costas.
• Manter as expectativas dentro da realidade. Embora algumas mulheres só
atinjam o orgasmo pela primeira vez
durante a gestação, pelo menos uma
pesquisa revela que a maioria das
mulheres não chega ao orgasmo regularmente durante a gestação — sobretudo no último trimestre, quando
só uma em quatro consegue atingir o
clímax de forma consistente. A meta
não há de ser sempre o orgasmo; às
vezes só a proximidade física pode satisfazer.
• Se o médico proibiu o sexo durante
qualquer período da gestação, pergunte se vale o orgasmo — via masturbaçâo mútua. Caso esta prática também
lhe seja proibida, o prazer ainda poderá vir ao proporcionar ao marido
prazer dessa forma.
• Se o médico proibir o orgasmo mas
não o coito, talvez a gestante queira
desfrutar do sexo sem chegai: ao clímax. Embora nâo possa ser completamente satisfatório, pode piomover
uma sensação de intimidade. Outra
possibilidade; coito entre as coxas.
Mesmo quando a qualidade, ou a
quantidade, das relações sexuais tiver
deixado de ser o que era, cumpre entender o que se passa na dinâmica da sexualidade durante u gravidez para que se
mantenha o bom relacionamento — até
mesmo que se o fortaleça — sem o coito
freqüente ou espetacular.
— 9 —
O Quinto
Mês
A CONSULTA
D
esta vez o obstetra vai retornar
a vários pontos já observados
anteriormente e, de forma análoga, poderá abordar outros pontos,
em função de seu próprio estilo de atendimento e das necessidades da gestante.1 Entre os elementos averiguados estão;
• T a m a n h o e forma do útero, pela palpação externa
• Altura do fundo uterino (o alto do
útero)
• Exame das mãos e dos pés, para surpreender edema (inchaçâo), e também
das pernas, para ver se há varizes
• Peso e pressão arterial
• Urina (pesquisa do açúcar e das proteínas)
• Batimento cardiofetal
• Sintomas até então apresentados, sobretudo os menos comuns
• Questões e perguntas trazidas pela gestante — convém levar uma lista pronta
O s SINTOMAS COMUNS
E
possível que você sinta todos eles
ou apenas alguns. Uns já terão surgido nos meses anteriores, outros
talvez só tenham aparecido agora. Ou-
tros ainda são dificilmente percebidos
por você ter se habituado a eles. Podem
também ocorrer sintomas menos
comuns.
FÍSICOS:
'Coi sultur o ApSndlce pura a explloiçilo dos
procedimentos e dos exames realizados.
• Movimentos fetais
206
OS NOVE MESES.
• Prisão de ventre
O ASPECTO FÍSICO
NO QUINTO MÊS
• Azia, dispepsia, flatulência, distensào
abdominal
• Cefaléia, tonteira ou desmaio ocasionais
\ ^
• Congestão e, por vezes, sangramento
nasal; entupimento dos ouvidos
• Sangramento das gengivas
• Apetite voraz
• Cãibras nas pernas
• Edema discreto (inchaçâo) dos tornozelos e dos pés, por vezes das mãos e
do rosto
• Varizes nas pernas e/ou hemorróidas
• Taquicardia (aceleração do batimento cardíaco)
Por volta do quinto mês, a atividade do
concepto, já com 20 a 25 cm, ê intensa o
bastante para ser percebida pela mãe. O
tanugo, uma pelugemfina e macia, já lhe
recobre o corpo; cabelos começam a
crescer-lhe na cabeça; aparecem os cítios
e as sobrancelhas. É também recoberto
por uma camada protetora: a vernix
:aseosa.
• Aumento da secreção vaginal esbranquiçada (leucorréia)
• Dolorimento no baixo-ventre (por distensào dos ligamentos que sustentam
o útero)
• Orgasmo facilitado — ou dificultado
• Dores nas costas (lombares)
• Alterações da pigmentação cutânea no
abdome e / o u na face
EMOCIONAIS:
• Aceitação da realidade da gravidez
• Menor oscilação do humor, embora
ainda ocorra irrltabilidade esporadicamente; persiste a distração ou o desligamento
O QUINTO MÊS
207
A s PREOCUPAÇÕES COMUNS
FADIGA
"Fko cansada fazendo exercidos ou limpando a casa; devo parar?"
N
ão só a gestante deve parar quando
se sentir cansada, como também deve, iempre que possível, parar antes de
sobrevir o cansaço. Chegar ao ponto da
exaustão nunca é uma boa idéia. E durante a gestação é péssima idéia, aliás,
porque o tributo da sobrecarga não é pago só pela gestante, mas também pelo
concepto. Cumpre prestar muita atenção
aos sinais de cansaço. Ao sentir falta de
ar durante breve corrida ou ao achar que
o aspirador de pó de repente parece pesar
uma tonelada, convém fazer uma pausa.
Em vez das sessões de maratona, a
gestante precisa ir devagar, compassadamente. Um pouco de trabalho ou de
exercícios, um pouco de repouso. O mais
das vezes se consegue dar conta do trabalho dentro ou fora de casa sem a extrema fadiga depois. Se ocasionalmente
alguma coisa deixar de ser concluída,
você já estará treinando para os dias
futuros, quando as demandas da maternidade impedirem que se termine tudo o
que se começa. Veja dicas para aliviar a
fadiga na p. 135
um teste em cobaia. Os autores da década de 40, entretanto, erravam o alvo.
Embora a tonteira seja bastante comum
na gravidez, o desmaio, também chamado de síncope, não é tão comum. Sâo várias as razões, conhecidas ou supostas,
para que a gestante sinta aturdimento ou
tonteira.
No primeiro trimestre, a tonteira pode estar relacionada a insuficiente aporte sangüíneo ao sistema circulatório, em
rápida expansão; no segundo, pode ser
causada pela pressão do útero em expansão sobre os vasos sangüíneos maternos.
A tonteira pode ocorrer a qualquer momento em que você mude de posição, por
exemplo, ao levantar-se depois de ficar
sentada ou recostada. É o que se chama
de hipotensão postural. É causada pelo
repentino desvio de sangue do cérebro
quando há um súbito declínio da pressão arterial. A cura é simples: sempre
levante-se gradualmente. O salto brusco
da cadeira para atender ao telefone pode fazê-la aterrissar de novo no sofá.
Você também pode ficar tonta por carência de açúcar no sangue. Em geral, isso é causado pelo jejum prolongado e
pode ser evitado pelo consumo de proteínas (que ajudam a manter o nível do açúcar no sangue) em cada refeição e pela
adoção de refeições menores e mais freDESMAIOS E
qüentes ou de lanches entre as refeições
principais. Traga sempre consigo uma
TONTEIRA
caixa de passas, um pedaço de fruta ou
biscoitos integrais na bolsa para repor ra"Sinto-me tonta ao me levantar depois de ficar sentada ou deitada. E ontem quase desmaiei pidamente o açúcar baixo no sangue.
•nquanto fazia compras. Estou bem? Isso preA tonteira pode atacar também em
judica o bebê?"
ambientes superaquecidos, no escritório,
em ônibus, sobretudo quando se está
com muita roupa. A melhor forma de
os filmes que passam na TV, de macontornar esse tipo de tonteira está em
drugada, um desmaio é um indicador mais confiável de gravidez do que
tomar ar fresco fora do ambiente ou
N
208
O S N O V E MESES.
abrindo a janela. Tire o casaco e afrouxe as roupas — sobretudo no pescoço e
na cintura. É uma manobra que sempre
ajuda.
Se você se sentir tonta ou achar que
vai desmaiar, tente aumentar a circulação cerebral deitando, se possível, com
os pés elevados (não elevar a cabeça) ou
então sentando com a cabeça entre os
joelhos, até ceder a tonteira. Se não houver lugar para deitar ou sentar, ajoelhese sobre um só joelho e incline-se para
a frente como se fosse amarrar o sapato. O desmaio verdadeiro é raro, mas caso você desmaie, não há motivo paia
preocupação — embora o fluxo de sangue para o cérebro esteja temporariamente reduzido, isso não afeta o bebê. 2
Notifique o médico sobre qualquer
tonteira ou desmaio quando encontrá-lo
ou na próxima consulta. Em caso de
desmaio verdadeiro notifique-o imediatamente. O desmaio freqüente — ocasionalmente sinal de grave anemia ou de
outra enfermidade — precisa ser avaliado pelo médico.
TESTE DE HEPATITE
"Estou no quinto mês e meu obstetra me solicitou um exame de hepatite B. Por quê?"
H
o.e vem se recomendando o teste da
hepatite B em todas as gestantes pelo menos uma vez durante a gravidez, em
geral no final do segundo trimestre. Isso é porque a hepatite fi, diversamente
da hepatite A, pode ser transmitida ao
feto, quase sempre durante o parto, embora às vezes durante a própria gravidez.
Cerca de 9 entre 10 bebês infectados,
sem tratamento, se tornarão portadores
crônicos da doença, com risco de complicações hepáticas mais graves ulte-
'O primeiro socorro para as futuras ma nâes
que desmaiam de fato 4 o mesmo indicado como medida preventiva.
teriormente. O teste permite descobrir a
mãe infectada e a instituição do tratamento preventivo no bebê ao nascei- (ver
p. 363).
POSIÇÃO PARA DORMIR
"Sempre dormi de barriga para baixo. Agora
tenho medo. Mas todas as outras posições sUo
incômodas."
R
enunciar à posição favorita para
dormir durante a gestação pode ser
coisa tão traumática quanto renunciar ao
ursinho de pelúcia aos seis anos de idade. A mudança a fará perder o sono durante algum tempo — mas só até você
se acostumar à nova posição. E o momento para acostumar-se a ela é agora,
antes que a barriga em expansão dificulte
ainda mais achar qualquer comodidade,
seja em que posição for.
As duas posições preferidas mais comuns para dormir — de barriga e de costas — nào são recomendadas durante a
gravidez. A primeira por motivos óbvios:
ao crescer a barriga, dormir sobre ela é
tão cômodo quanto dormir sobre uma
melancia. A outra, de costas, embora
mais confortável, coloca todo o peso do
útero grávido sobre as costas, sobre os
intestinos e sobre a veia cava inferior (a
3H
i ^ s r
Dormindo sobre o tado esquerdo.
O QUINTO MÊS
veia responsável pelo retorno do sangue
da parte inferior do corpo para o coração). Assim agravam-se as dores lombares e as hemorróidas, inibe-se a função
digestiva, interfere-se na respiração e na
cir culação e possivelmente se causa hipotensão (baixa pressão arterial),
Isso não quer dizer que a gestante deva dormir de pé. Deitar de lado, reta ou
encurvada — preferivelmente sobre o lado esquerdo — com uma perna cruzada
sobre a outra e provavelmente com um
travessseiro entre elas, é o melhor para
a mãe e para o feto. A posição não só
otimiza ao extremo o fluxo de sangue e
de nutrientes para a placenta como também estimula a função renal, o que vai
significar melhor eliminação das escórias
metabólicas e dos líquidos e menor edema (inchaçâo) dos tornozelos, dos pés e
das mãos.
Muito poucas são as pessoas, todavia,
que permanecem numa só posição durante a noite. Não se alarme se você
acordar deitada de barriga ou de costas.
Não há nenhum problema — apenas torne a deitar-se de lado, E não se preocupe com o possível incômodo da posição
durante algumas noites: o corpo logo vai
se ajustar a ela.
209
sar, a gestante tende a trazer os ombros
para trás e a arquear o pescoço. Ao ficar
de pé com a barriga empurrada para a
frente — para ter certeza de que ninguém
deixe de notar que está grávida —, complica-se o problema. E vem o resultado:
costas acentuadamente recurvadas embaixo, músculos lombares estirados, dor.
Mesmo a dor com uma finalidade incomoda. Mas sem frustrar essa finalidade, você pode conquistá-la (ou ao menos
subjugá-la). O melhor enfoque, como
sempre, é a prevenção: engravidar já
com musculatura abdominal forte, com
boa postura e com uma mecânica corporal elegante. Mas não é tarde demais para aprender a mecânica corporal que
minimize as dores nas costas da gravidez.
Alinhe o corpo adequadamente, pratique
o exercício pélvico de báscula, conforme
mostrado na p. 2 2 7 . 0 seguinte também
ajuda:
• Procure manter o ganho de peso dentro d o s limites recomendados (ver p.
DORES NAS COSTAS
"Sinto muitas dores nas costas. Receio não conseguir me pôr de pé no nono mês."
A
s dores e os incômodos da gravidez
não foram feitos para torná-la uma
pobre coitada. São efeitos colaterais da
preparação do corpo para o grande evento que será o nascimento do bebê. As dorei nas costas não sâo exceção. Durante
a gravidez, as articulações da bacia, habitualmente estáveis, começam a se
afrouxar para facilitar a passagem do bebê no parto. Esse afrouxamento, junto
com o ventre crescido, dificulta o equilíbrio postural do corpo. Para compen-
Combate às dores nas costas: posição correta,
OS NOVE MESES.
210
nas costas for um problema, tente limitar o número de objetos carregados.
Se for obrigada a carregar sacolas pesadas do supermercado, divida bem o
peso entre elas e carregue uma em cada braço, e não todas na sua frente ou
no colo.
• Evite ficar de pé p o r muito tempo. Se
precisar, mantenha um dos pés num
banquinho com o joelho dobrado para prevenir a distensão da região baixa das costas. (Ver ilustração.) Ao
ficar de pé em superfície dura, ao
cozinhar ou ao lavar pratos, por exemplo, fique sobre tapete pequeno antiderrapante.
Ao suspender objetos: dobrar os joelhos,
tron
co ereto.
182). Os quilos era excesso só aumentaram a sobrecarga exercida sobre as
costas.
Não use salto alto ou mesmo sapato
sem salto sem o suporte conveniente.
Alguns médicos recomendam saltos de
5 cm de largura para ajudar a manter
o corpo alinhado. Há sapatos e palmilhas feitos especialmente para aliviar os problemas das pernas e das
costas durante a gestação; peça conselho ao médico.
• Aprenda a maneira correta de suspender pesos (sacolas, crianças, trouxas
de roupa, livros etc.). Nâo os erga de
forma repentina. Estabilize primeiro
o corpo ampliando a base de sustentação (pés afastados, na mesma extensão dos ombros) e contraindo as
nádegas para dentro, Dobre os joelhos, não a cintura, e suspenda com
os braços e as pernas, nào com as costas. (Ver ilustração acima.) Se a dor
• Sente-se com as costas firmes. A. posição sentada sobrecarrega mais a coluna do que quase qualquer outra
atividade, portanto cuide para sentarse direito. Isso significa sentar, quando possível, numa cadeira que ofereça apoio adequado, de preferência
uma com encosto reto, com braços
(use-os para ajudá-la a levantar-se da
cadeira) e com atmofada firme que
não a deixe afundar na cadeira. Evite
os bancos sem encosto. E, sempre que
se sentar, nunca cruze as pernas. As
peri.as cruzadas não só causam problemas de circulação, como também
fazem-na inclinar a pelve muito para
a frente, agravando a dor nas costas.
Sempre que possível, sente-se com as
pernas um pouco elevadas (veja ilustração, p. 211); ao dirigir, mantenha
o assento à frente, para que vocíí fique com um joelho mais alto e dobrado. Sentar-se por muito tempo pode
ter efeito tão indesejável quanto
sentar-se em má posição. Procure não
ficar sentada por mnls dc uma hora
sem espichar-se ou caminhar um pouco; seria ainda melhor determinar o limite de meia hora.
O QUINTO MÊS
• Durma em colchão firme, ou coloque
uma tábua sobre o colchão mais mole.
Uma posição confortável para dormir
(ver p. 208) minimizará o desconforto
e as dores ao acordar. Ao sair da cama pela manhã, deixe as pernas caírem do lado da cama até o chão: evite
contorcer-se ao levantar.
• Pergunte ao médico se um apoio para
o ventre a j u d í r á a aliviar a pressão na
região inferior das costas.
• Não se estique para repor pratos na
prateleira alta da cozinha ou para pendurar um quadro. Em vez disso, use
um banquinho firme e baixo. O ato de
alcançar objetos acima da cabeça força a musculatura da região baixa das
costas.
• Use bolsa de água quente (enrolada em
toalha) ou banhos mornos (não quentes) para aliviar temporariamente as
dores musculares.
211
• Aprenda a relaxar. Muitos problemas
lombares são agravados pelo estresse.
Se achar que é esse o seu caso, tente
alguns exercícios de relaxamento
quando a dor surgir. Siga também as
sugestões que começam à p. 147 para
lidar com o estresse na vida.
• Faça exercícios simples que reforcem
a musculatura abdominal, como os indicados às pp. 227 e 228.
CARREGANDO CRIANÇAS
MAIS VELHAS NO COLO
"Tenho uma filha de 3 anos e meio que sempre quer que eu a carregue escada acima. Mas
o seu peso está acabando com us minhas costas."
S
eria uma boa idéia acabar com esse
hábito em vez de deixá-lo acabar com
as suas costas; o esforço de carregar o
feto em crescimento já é suficiente sem
que seja preciso acrescentar os 15 a 20
quilos da pré-escolar. Entretanto, cuidado para não culpar o seu futuro irmão
ou sua futura irmã pela mudança de hábito, culpe as suas costas. E faça muitos
elogios a ela pelos esforços em subir a
escada por conta própria.
Naturalmente haverá ocasiões em que
a sua filha nflo aceitará a ordem " s u b a "
como resposta. Portanto, aprenda a forma correta de suspender peso (ver p. 210)
e tranqüilize-se; de forma alguma isso vai
prejudicar o bebê que ainda não nasceu,
a menos que o médico tenha proibido esforço excessivo.
PROBLEMAS NOS PÉS
Posição
cômoda para ficar sentada,
"Meus sapatos começaram a Jicur a/berrados.
Será que us pés estão crescendo junto com a
barrigaf"
12
OS NOVE MESES.
rj em dúvida, embora não estejam exaJ t a m e n t e crescendo, estão ficando
nalores. Em primeiro lugar, pelo edema
iróprio da gravidez (retenção de líquido). Em segundo lugar, pela gordura Que
jode se acumular na região. Além disso,
iá uma expansão das articulações nos
Dés de origem hormonal (relaxina) que
acompanha o afrouxamento das articuaçôes pélvicas para o parto. Embora o
;dema desapareça depois do parto e vo;ê provavelmente perca em conseqüên:ia os quilos a mais, é possível que os pés
Fiquem maiores, até em um número de
sapatos {mesmo com o retorno das articulações ao normal).
Nesse meio tempo, procure reduzir o
excesso de edema (ver p. 254), caso seja
esse o seu problema. Use sapatos mais
confortáveis — um para caminhar e trabalhar, outro para ocasiões especiais. Os
dois n ã o devem ter saltos com mais de
5 cm, devem ter sola antiderrapante e
muito espaço para os dedos se abrirem
(experimente-os no fim do dia, quando
os pés estiverem mais inchados); ambos
devem ser de couro ou de lona para que
os pés possam respirar. Se escolher com
atenção, poderá encontrar não só sapatos para o dia-a-dia, mas também para
ocasiões formais, e que atendam a essas
exigências.
Há sapatos ortopédicos feitos para
corrigir o deslocamento do centro de gravidade na gestação e que não apenas dão
mais conforto aos pés como também reduzem a dor nas costas e nas pernas. No
mercado norte-americano encontra-se
um tipo para os primeiros seis meses e
outro para o trimestre final de gravidez.
Recomenda-se que a gestante converse a
respeito com o médico,
Chinelos usados durante várias horas
por dia também são úteis para a redução da fadiga e da dor nos pés e nas pernas, embora não pareçam reduzir o
ctkitiu, Se as pernas doem e upresetitam
cansaço no fim do dia, use chinelos ao
chegar em casa — ou mesmo no trabalho, se for possível.
CRESCIMENTO RÁPIDO
DO CABELO E DAS UNHAS
"Parece que meus cabelos e as minhas unhas
nunca cresceram tãu depressa antes."
A
abundante circulação e o maior metabolismo causados pelos hormônios gestacionais nutrem também as células da pele. Bons efeitos dessa maior
nutrição estão no crescimento mais rápido das unhas e do cabelo (este, se você tiver sorte, fica mais espesso e mais
brilhante).
A nutrição extra, entretanto, também
causa efeitos menos felizes. Pode fa2er
com que o cabelo cresça em lugares que
a mulher preferiria não ter nenhum. As
regiões faciais (lábios, queixo e bochechas) são as mais atingidas por esse hirsutismo gravídico, mas os braços, as
pernas, as costas e a barriga podem também ser afetados. Grande parcela dos
pêlos em excesso desaparece nos primeiros seis meses depois do parto, embora em muitos casos este excesso dure
mais tempo.
Embora não haja risco conhecido,
provavelmente não é boa idéia usar cremes depitadores ou branqueadores depois de saber que se está grávida. A pele
pode também reagir a substâncias químicas, e é inclusive possível que possam
ser absorvidas pela corrente sangüínea.
A depilação direta — dos pêlos faciais,
das pernas e das axilas — não apresenta
problema.
ABORTO TARDIO
"Sei, pelo que dizem, que depois do terceiro
mUs a gente não precisa mais w pnwu/iar com
aborto. Mas sei de uma mulher que perdeu o
filho no quinto mês."
N
ão obstante seja essencialmente verdadeiro que as preocupações com o
abortamento espontâneo devem ser dei-
O QUINTO MÊS
« d a s de lado depois do primeiro trimestre, acontece por vezes que se perde um
filho entre a 12? e a 20? semana. Trata-se
do abortamento tardio, que explica menos de 25% de todos os abortos espontâneos e é raro na gestação normal, de baixo risco. Depois da 20? semana, quando
o feto costuma pesar mais de 500 g e há
a possibilidade de sobreviver cori atendimento especializado, sua expulsão é
considerada parto prematuro, não mais
abortamento espontâneo.
Diversamente das causas do aborto
precoce, que estão quase sempre relacionadas ao concepto, as causas dos abortos no segundo trimestre costumam se
vincular à placenta ou à mãe.' A placenta pode descolar-se prematuramente
do útero, estar implantada em posição
anômala, ou deixar de produzir os hormônios necessários para a manutenção
da gravidez. A mãe poderá ter feito uso
de certos medicamentos, ou ter passado
por cirurgia que tenha interferido nos órgãos pélvtcos. Pode ainda sofrer de infecções graves, enfermidades crônicas
não-controladas, grave desnutrição, disfunçâo endócrina, miomas (tumores do
útero), anomalia na forma uterina, ou
insuficiência cervicai em que o colo se
abre prematuramente. Os traumatismos
físicos graves, como os ocorridos em acidentes, por exemplo, parecem ter só pequena participação nos abortamentos em
qualquer estágio da gravidez,
Os primeiros sintomas do aborto espontâneo no segundo trimestre sao a secreção vaginal avermelhada durante
vários dias, ou uma secreção escassa e de
coloração parda durante algumas semanas. Se você experimentar um desses sintomas, não entre em pânico — podem
nflo ser nada de grave. Mas chame o médico no dia em que percebê-los. Se apresentar sangramento acentuado, com ou
'Muitas causas maternas de aborto espontâneo
tardio podem ser prevenidas pelo atendimento
médico correto.
213
sem cólica, chame imediatamente o médico ou vá para o hospital. Consulte a
p. 392 para o tratamento da ameaça de
aborto e para a prevenção de abortos
futuros.
DOR ABDOMINAL
"Estou preocupudissima com as dores que venho sentindo dos lados da baciu."
O
que provavelmente a gestante está
sentindo no caso apontado é o estiramento dos músculos e ligamentos
que sustentam o útero — coisa muito
comum durante a gravidez. As dores
podem ser tipo cólica, agudas, em pontadas, e não raro são mais percebidas
quando a gestante se levanta da cama
ou da cadeira, ou quando tosse. Podem
ser de breve duração ou perdurar por
várias horas. Enquanto forem ocasionais, não-persistentes — e não se acompanharem de febre, calafrios, hemorragia, aumento da secreção vaginal, desmaios ou outros sintomas incomuns —,
não há motivo para preocupação, A elevação dos pés e o repouso em posição
cômoda costumam trazer alívio. Você
deverá, naturalmente, mencioná-las ao
obstetra na próxima consulta.
ALTERAÇÕES NA
PIGMENTAÇÃO DA PELE
"Além da estria escura que desce pelo meio da
minha barriga, agora estou com manchas escuras no rosto. Isso é normal? Será que vou
ficar assim depois da gravidez?"
S
flo os hormônios gestacionais, mais
uma vez, trabalhando. Da mesma
forma que escureceram a aréola ao redor dos mainilos, agora estfio colorindo
a ünea alba — a linha branca que provavelmente a gestante nunca percebeu e
que desce pelo meio da barris?, até o a!-
214
OS NOVE MESES.
to do osso do púbis. Durante a gravidez
vai se chamar tinea nigra, linha negra,
Algumas mulheres, em geral as de pele mais escura, também desenvolvem
uma alteração pigmentar tipo "máscara" na testa, no nariz e nas bochechas. As manchas são escuras nas de
pele clara e claras nas de pele escura.
Essa máscara da gravidez, ou cloasma,
gradualmente se dissipa depois do parto. Mas durante sua ocorrência, o branqueamento provavelmente não atenuará
o cloasma (o que não é uma boa idéia
de qualquer forma), embora a maquiagem possa camuflá-la. O sol pode intensificar a coloração, portanto use um
protetor com fator de proteção solar
(SPF) de 15 ou mais quando se expuser
ao sol. ou use um chapéu que dê sombra completa ao rosto. Como há indícios
de que a pigmentação em excesso pode
estar relacionada à deficiência de ácido
fólico, certifique-se de que o complemento vitamínico contenha essa substância
e que você não deixe de consumir verduras, laranjas e cereais ou pão integral
diariamente.
A hiperpigmentação (escurecimento
da pele) pode ocorrer em áreas de grande atrito, como entre as coxas. Aí também desaparecerá depois do parto.
OUTROS SINTOMAS
ESTRANHOS NA PELE
"As palmas das mlnhus mios-parecem vermelhas todo o tempo. Será minha imaginação?"
N
ão. E também não é o detergente da
cozinha. São os seus hormônios. A
elevação dos hormônios da gravidez causa uma vermelhidão pruriginosa das palmas (e às vezes também da sul» dus pés),
en i dois terços das mulheres brancas e em
um terço das mulheres cia raça negra.
Mas isso desaparecerá logo depois do
oarto.
As unhas podem também não escapar
dos efeitos da gravidez. Talvez fiquem
mais moles ou quebradiças e apresentem
sulcos bem-desenvolvidos. Se mostrarem
sinais de infecção, consulte o médico sobre o tratamento.
"Minhas pernus e meus pés ficam azulados e
com manchas roxus de vez em quando. Há algo u'e errado com a minha circulação?"
D
evido à maior produção de estrogênio, muitas mulheres experimentam
essa alteração pigmentar transitória
quando estão com frio. É insignificante
e desaparecerá no puerpério.
"Me apareceu um crescimento de pele, bem pequeno e mole debaixo do brai,o na marca do
sutiã. Fico achando que pode ser câncer."
O
que você está descrevendo pode bem
ser um retalho cutâneo, outro problema cutâneo benigno e comum na gestante e muitas vezes encontrado em áreas
de atrito, como debaixo dos braços. Os
retalhos cutâneos freqüentemente se desenvolvem no segundo e no terceiro trimestres e podem regredir depois do
parto. Caso não regridam, podem ser facilmente removidos pelo médico.
Para ter certeza do diagnóstico, mostre-o ao médico na próxima consulta.
"Acho que estou com brotoeja. Achava que só
os bvb$x tinham Ixso."
N
a realidade, qualquer pessoa pote
desenvolver uma erupção desse tipo.
Mas é particularmente comum na gestante por causa do aumento da perspiração
écrina oriunda das glândulas sudoríparas que se distribuem por toda a superfície do corpo c que estão relacionadas
à regulação térmica. Aplique um pouco
de maisena depois do banho e procure
refrescar bem o corpo — são medidas
que ajudam a minimizar o desconforto
O QUINTO MÊS
da erupção como também ajudam a
preveni-la no futuro.
Por outro iado, a perspiração apócrina, a causada pelas glândulas debaixo
dos braços, sob os seios e na área genital, diminui na gravidez — assim, embora você possa ter a referida erupção pelo
calor, tem menos chance de apresentar
o odor de suor no corpo.
PROBLEMAS DENTÁRIOS
"Minha boca de repente se tornou uma área
de desastre. As gengivas sangram quando escovo os dentes, e acho que tenho uma cárie,
Mas tenho medo de ir ao dentista por causa
da anestesia."
C
om tanta atenção voltada para a barriga durante a gravidez é fácil esquecer da boca — até que ela comece a clamar por igual atenção, coisa comum em
virtude do pesado tributo pago pelas gengivas durante a gestação. As gengivas,
como as membranas mucosas do nariz,
tornam-se inchadas, inflamadas e apresentam tendência a sangrar facilmente
de\ ido aos hormônios da gravidez.
Não convém esperar que o problema
se agrave. Ao suspeita,' de cárie ou de outro problema incipiente, marque logo a
consulta. Às vezes o risco para o feto é
maior quando se adia a consulta ao dentista do que quando se vai a ela. Os dentes cariados, malcuidados, nor exemplo,
podem ser fonte dc Infecção generalizada, colocando em perigo o feto e a mãe.
Os dentes sisos impactados, que ora se
infectam, ora causam grande dor, também devem ser logo tratados.
No entanto, cumpre tomar certas precauções ao ir ao dentista ne:,se período,
para garantir que o aporte de oxigênio
ao feto não vá ser com prometi d o pelo
uso de anestésicos gerais e que não seja
usado qualquer anestéslco prejudicial ao
concepto. Na maioria dos casos, basta
o emprego da anestesia local. Se houver
215
necessidade absoluta de anestesia geral,
deve ser essa ministrada por anestesiologista experiente. Discuta com o dentista e com o médico para garantir
condições de segurança. Certifique-se de
um possível uso de antibiótico antes ou
durante o trabalho dentário.
Se depois deste a gestante ficar impossibilitada de mastigar sólidos, terá de
modificar um pouco a dieta. Com a dieta só de líquidos é possível obter os nutrientes suficientes (temporariamente),
através de milk shakes ricos em proteínas (ver Milk Shake Duplo, p. 125).
Suplementando-os com frutas cítricas (se
não arderem nagengiva) e com caldo ou
sopa de legumes e carne reduzidos a purê, como nos suflês, com ricota, iogurte
ou leite desnatado. Depois de tolerar os
alimentos moles, passar para os suflês de
legumes e de carne, ovos mexidos, iogurtes sem açúcar, compota de maçã, bananas amassadas, purê de batatas e cereais
amassados e cozidos, enriquecidos com
leite em pó desnatado.
Naturalmente, para todos os problemas dentários o melhor é a prevenção.
Um programa preventivo, seguido com
atenção durante toda a gravidez — e de
preferência por toda a vida —, ajuda a
evitar a maioria desses problemas.
• Marque uma consulta com o dentista
pelo menos uma vez durante os nove
meses para uma revisão e limpeza —
uma vez por trimestre é ainda melhor.
A limpeza é Importante para remover
placas, que nfio só aumentam o risco
de cáries mas também agravam cs
problemas das gengivas. Evite os raios
X, a menos que absolutamente necessários, e nesse caso adote as precauções especiais sugeridas à p. 97. O
trabalho de rotina que requeira anestesia deve ser adiado, porque mesmo
os anestésicos locais podem entrar
na corrente sangüínea e atingir o feto. Se você teve problemas gengivais
no passado, deve fazer também uma
216
OS NOVE MESES.
revisão periodontológica durante a
gravidez.
• Seguir a Dieta Ideal, não fazendo uso
de açúcar refinado, ou só o usando
pouco, sobretudo entre as refeições
(evite também frutas secas entre as refeições), e consumindo em abundância alimentos ricos em vitamina C. O
açúcar contribui para as cáries e para
a doença gengival; a vitamina C fortalece as gengivas, reduzindo a possibilidade de sangramento. Assegurar a
ingesta suficiente de cálcio diariamente (ver p. 111). O cálcio é necessário
durante toda a vida para manter dentes e ossos fortes e sadios.
• Usar fio dental e escovar os dentes regularmente, segundo a recomendação
do dentista. (Se o dentista não a instruir nessas medidas preventivas, é
melhor trocar de profissional.)
• Para reduzir ainda mais as bactérias
na boca, escovar a língua ao escovar
os dentes, A j u d a a manter o hálito
mais fresco.
• Se você não tiver à mão a escova de
dentes e não estiver perto de uma torneira depois de comer, mastigue um
chiclete sem açúcar ou belisque um pedaço de queijo ou um punhado de
amendoim (todos parecem ter capacidade antibacteriana).
"Descobri um nôdulo do ludo da minha gengiva que sangra toda vez que escovo os dentes."
O
que você descobriu é provavelmente um granuloma piogêníco, que
pode aparecer na gengiva ou em qualquer lugar do corpo. Embora sangre
com facilidade < lumbém «eja conhecido pelo termo sombrio de "tumor da
gravidez", é perfeitamente inócuo, Se
incomodar muito, pode ser removido
cirurgicamente. Se não for removido,
costuma regredir espontaneamente depois do parto.
VIAGENS
"Será seguro sair de férias com meu marido
na viagem que planejamos para este mês?"
P
ara a maioria das gestantes, a viagem
durante o segundo trimestre não apenas é segura, mas também uma oportunidade perfeita para ficar sozinha com o
marido, aproveitando juntos mais alguns
momentos (pelo menos por um breve período). E sem fraldas, sem mamadsiras,
e sem nada que diga respeito a bebês
para se preocupar, é certo que será bem
mais fácil sair de férias agora do que
depois, já com ele por perto.
Naturalmente é necessária a permissão
do médico; se a leitora tiver hipertensão
arterial, diabetes ou outros problemas
clínicos ou obstétricos, talvez não receba a permissão. (O que não significa não
poder tirar férias. Se não puder viajar,
instale-se com o marido num hotel a uma
hora de distância do consultório do médico e aproveite!) Mesmo na gravidez de
baixo risco, a viagem por longa distância não é uma grande idéte durante o primeiro trimestre, quando a possibilidade
de aborto espontâneo é maior e quando
o organismo ainda está se ajustando às
novas condições físicas e emocionais inerentes à gestação. De forma análoga,
também nâo se recomendam viagens longas no terceiro trimestre porque, caso tenha início o trabalho de parto, a gestante
vai estar longe do médico e do hospital.
Não se recomenda viajar para grandes
altitudes em qualquer período da gravidez, já que a adaptação da mãe à redução do oxigênio nessas condições pode
NBI um naco paru HI própria e o feto. Se
a gestante tiver de fazer viagem desse tipo, convém limitar os esforços físicos
durante vários dias após a chegada, para minimizar o risco da síndrome das
O QUINTO MÊS
grandes altitudes/ Se estiver no último
trimestre, o médico talvez recomende o
exame cardiotocográfko, sem ocitocina,
ao chegar ao seu destino, depois um por
dia, nos dois dias seguintes, e em seguida duas vezes por semana. Qualquer sinal de sofrimento fetal irá justificar a
administração de oxigênio e o retorno
para altitude mais baixa.
Outros destinos impróprios são as regiões do mundo em desenvolvimento para as quais seria necessário tomar vacina.
Algumas vacinas podem ser perigosas
durante a gravidez. Outro ponto digno
de menção é que essas regiões podem ser
focos de certas infecções potencialmente perigosas para as quais não há vacina
— outra razão para evitá-las.
Obtida a permissão do médico, tudo
de que se precisa são um mínimo de planejamento e certas preocupações para assegurar a boa viagem da gestante e do
bebê:
Planejar uma viagem relaxante. É preferível rumar direto para o destino a ficar perambulando por nove cidades em
seis dias. As viagens programadas pela
gestante são melhores do que as programadas por agências de turismo, nesse
sentido. As horas de passeio e de compras devem ser intercaladas com as de
leitura, relaxamento e repouso.
Seguir a Dieta Ideal durante a viagem.
Mesmo de férias, para o bebê a rotina
segue: ele continua a crescer, a se desenvolver e a necessitar dos mesmos nutrientes de antes. Não se requer um sacrifício
absoluto durante as refeições, apenas
prudência. É só pedir os pratos com
consciência: além de saborear as delícias
da cozinha local, a gestante estará asse'líntrij us ulntuinuu do mui dus alturas ou üu.s
grandes altitudes estão; a falta dc apetite, a náusea, o vômito, a flatulência (gases), a agitação,
a cefaléia, a lassidâo, a falta de ar, a redução
da micção e uma série de alterações psicológicas.
217
gurando o aporte nutricional do bebê.
(Ver Jantando Fora no Melhor Estilo, p.
219.) N ã o deixar de fazer o desjejum ou
o almoço só para poder depois esbanjar
no jantar.
Não beber água comum ao viajar para
o estrangeiro, a menos que você tenha
certeza de sua pureza. (Optar pelo suco
de frutas e pela água mineral, para assegurar a quota diária de líquidos.) Em
algumas regiões pode não ser seguro comer frutas, legumes ou verduras crus,
sem descascar,
Preparar a caixa de pronto-socorro da
gestante. Trazer a quantidade suficiente
de vitaminas para toda a viagem; trazer
latas de leite em pó desnatado se houver
chance de não encontrar leite fresco; trazer também caixa de germe de trigo ou
de cereais para qualquer eventualidade;
os remédios de enjôo não devem ser esquecidos, desde que prescritos pelo médico; o livro preferido sobre a gestação;
sapatos confortáveis e grandes o suficiente para acomodar os pés inchados
depois dos passeios mais longos; e desinfetante sanitário caso tenha de desinfetar algum banheiro público.
Ter à mão o nome de algum obstetra local. Só por via das dúvidas. O seu obstetra poderá indicar-lhe um. Há hotéis
que dão esse tipo de informação. Se nâo
puder encontrar um médico em caso de
necessidade, procure o hospital mais próximo ou o pronto-socorro local.
Levar a história médica consigo. É sempre aconselhável, sobretudo quando se
está grávida, viajar com um cartão de informações médicas em que esteja indicado o tipo de sangue, as medicações em
uso ou st* qiiulff 6 iilérjjica, e qualquer outra Informação médica pertinente, além
do nome do médico, endereço e telefone. Pegue uma prescrição extra para cada medicação em uso e leve-a consigo,
218
OS NOVE MESES.
junto com o passaporte, caso haja extravio das malas e dos medicamentos —
temporário ou permanente — durante o
trajeto. Você pode obter também a assinatura de um médico local para as receitas
já assinaladas pelo seu médico na cidade de origem; o médico num serviço de
emergência concordará em ajudar você.
Evitar as mudanças de horário. As modificações de horário e da dieta podem
complicar o problema da prisão de ventre. Para evitar isso, trate de fazer uso
dos três principais inimigos da constipação: as fibras, os líquidos e os exercícios.
(Ver Prisão de Ventre, p. 171.) Às vezes
ajuda fazer o desjejum um pouco mais
cedo, para dar tempo de ir ao banheiro
antes de sair a passeio.
Quando tiver de ir ao banheiro, vá. Não
estimular o aparecimento de infecçâo
urinária adiando as idas ao banheiro. Vá
sempre que sentir vontade.
Obtenha o apoio de que necessitar. Por
exemplo, meias elásticas. Sobretudo se já
sofrer de varizes — ou mesmo que apenas
suspeite de alguma predisposição a elas
— use meias elásticas quando ficar muito
tempo sentada (em carns, em aviões, em
trens, por exemplo) e quando ficar muito
tempo de pé (em museus, em filas).
NÜo fique muito parada durante a viagem. Sentar por longos períodos pode
restringir a circulação das pernas, Levante-se e ande, pelo menos de hora em
hora ou de duas em duas horas quando
estiver em avião ou trem. Ao viajar de
carro, não deixe de parar de duas em
duas horas para esticar as pernas. Ao ficar sentada, faça os exercícios simples
descritos à p. 230.
Se estiver viajando de avião: ver se a
companhia aérea impõe restrições às gestantes, Viajar na parte da frente do avião
(de preferência próximo ao corredor, a
fim de que possa se levantar e esticar ou
usar o banheiro quando precisar), e nunca voar em cabine não-pressurizada.
Todos os jatos comerciais são pressurizados, mas os de pequenas companhias
particulares e alguns outros menores podem não o ser: as alterações na pressão
a grandes altitudes podem privá-la — e
ao bebê — de oxigênio.
Ao marcar o vôo, pergunte sobre a
existência de refeições especiais e peça
uma que assegure a quota necessária de
proteínas além de pão integral, se for
possível. Há companhias em que as refeições de baixo teor de colesterol, ovolactovegetarianas ou baseadas em produtos do mar asseguram melhor nutrição do que o cardápio regular. Bebi
água, leite e suco de fruta em abundância para combater a desidratação causada pela viagem aérea e traga consigo
também biscoitos (integrais), pedaços de
queijo, legumes crus, frutas frescas e outros alimentos para complementar a refeição durante o vôo.
Use o cinto de segurança com conforto — aperte-o abaixo do abdome. Se
houver diferença de fuso horário para
onde você vai, considere as possíveis conseqüências. Repouse antes da viagem e
tenha um ritmo de vida calmo durante
alguns dias ao chegar ao destino. Também ajuda se você tentar aos poucos modificar antecipadamente os seus hábitos
para o horário da região para onde vai:
antecipe ou atrase a hora das refeições
e a hora de dormir, e depois de chegar
exponha-se à luz forte — como a luz do
dia — durante o período em que estaria
dormindo se estivesse em casa.
Se estiver viajando de carro: Mantenha
à mão uma sacola ou bolsa com lanches
nutritivos e urna garrafa térmica de suco ou de leite para quando a fome atacar. Para as viagens longas, leve uma
atmofada ou algum outro apoio especial
para as costas, desses vendidos em loja
de autopeças. Um travesseiro para
O QUINTO MÊS
219
Jantando Fora, no Melhor Estilo
• Os melhores restaurantes são os que servem peixes, frutos do mar, aves, carnes
mag/as, ao lado de legumes e verduras
frescas, saladas variadas e batatas.
Outra excelente opção, se seu estômago andar indisposto com as iguarias, são
os especializados em comida indiana, em
que são servidas entradas ricas em proteínas (muitas vezes marinadas com iogurte)
ao lado de verduras, legumes e saladas,
além de pão integral, às vezes recheado
com legumes, e temperadas com legumes
ao curry. (As vegetarianas facilmente podem fazer uma refeição rica em proteínas
com lentilha, ervilhas, grão-de-bico e uma
série de queijos vegetarianos.)
São poucos os restaurantes que aceitam
pedidos para limitar a quantidade de gordura, açúcar e sal, mas há os que oferecem pães, arroz e massas feitos com farinha de trigo integral; insista nas saladas
e nos legumes, sempre.
I
* Num secundo >;rupo estão os italianos, desde que os molhos cremosos sejam substi-
apoiar o pescoço também ajuda a melhorar o conforto. Se você não estiver atrás
do volante, sente-se o mais para trás possível para esticar ao máximo as pernas.
E, naturalmente, use o cinto de segurança o tempo todo (ver p. 221).
Se estiver viajando de trem: verificar se
há vagão-restaurante com cardápio completo. Caso contrário, é preciso trazer
alimentos de casa em quantidade suficiente. Ao viajar à noite, fique em vagãodormitório ou em cabine-leito, Não convém começar as férias já com exaustão.
COMENDO FORA
"Tento seguir a dieta corretamente, mas com
almoço de negócios quase todos os dias, é quase
Impossível,"
tufdos petos mais ieves, ou peça peixes,
frango, vitela e legumes frescos (couve, espinafre etc.). Há também os franceses, na
linha nouvelle cousine (mais leve do que
a francesa clássica), embora os malhos devam ser pedidos à parte; os especializados
em comida Cajun, ou à Louisiana, desde
que você se atenha aos peixes (cozidos, no
vapor, grelhados ou assados) ou aos frutos do mar e os ensopados de frutos do
mar/aves/legumes, como o jambalaya
(mas vá com calma no arroz branco); os
especializados em comida judaica, se você
evitar as carnes gordas (e alguns pratos especiais que contêm nitratos), os molhos,
os amiláceos supérfluos, o pão de centeio,
e os picles salgados; e os gregos ou orientais, se pedir peixe grelhado ou assado, ou
carne de vaca, aves (também grelhadas ou
assadas), acompanhados de bulgur ou arroz integral.
Em seguida vêm os chineses, pois muitos oferecem arroz integral, pratos "leves"
ou feitos no vapor que nâo contêm grande quantidade de molho de soja, masevi-
P
ara a maioria das gestantes o desafio
em almoços de negócios (ou em jantares fora de casa) não está em substituir martínis por água mineral: o
verdadeiro desafio é fazer uma refeição
nutritiva em meio a um cardápio que inclui massas, pães, pratos bem temperados sem qualquer valor nutritivo e doces
tentadores. Mas através das seguintes sugestões é possível fazer-se acompanhar
da Dieta Ideal em qualquer situação:
• Afaste a cestinha do pão, a menos que
esteja repleta de produtos integrais
(faça uma exceção se estiver com muita fome e n&o houver mais nada à vista no horizonte). Cuidado com os pães
" p r e t o s " , como os de centeio: o seu
aspecto integral pode ter origem em
caramelo ou em melado e nâo em
220
OS NOVE MESES.
tando as frituras e os pratos agrídoces ricos
em açúcar. A abundância de pratos com
/o/u torna os restaurantes chineses uma excelente opção para as vegetarianas.
Os restaurantes mexicanos e espanhóis,
que oferecem cozinha mais leve, preparam
alimentos com óleo vegetai e nâo com banha de porco. Incluem legumes no cardápio (excelente pedida: uma tigela de
gazpuclto), que atendem bem á gestante;
estão entre os melhores para as vegetarianas, que obtêm ali proteínas e cálcio em
abundância e enchiladas de milh j recheadas de queijo e feijão.
Em seguida, sobretudo para almoços,
vêm as delicatessen (se você evitar os frios
ese ater ao atum, aos ovos, aos frangos, ou
às saladas, ou então aos sanduíches de
atum, de ovo, de galinha, dc peru, ou de rosbife com pào integral e com alfacee tomate, junto com uma salada de repolho cru);
os coffeeshops, onde se consiga de tudo,
desde peixe grelhado a saladas, dos ovos
quentes aos sanduíches de pão integral; alguns restaurantes iipo fast-food, sobretudo
os que ofüreçam variedade de saladas ou
outros cardápios mais sadios; e os restau-
grãos integrais. 5 Certifique-se de controlar a manteiga ou a margarina no
pào de acordo com a cota diária permitida; ao passá-las no pão lembre-se
que podem haver outras fontes de gordura na refeição (por exemplo, na cobertura da salada, e nos legumes
amanteigados).
'O consumo ocasionai de massa branca, de arroz branco ou de pão branco nâo diminuirá as
chancei do bom resultado da Dieta Ideal, mas
seu consumo freqüente diminuirá, Se só for possível esse tipo de alimento ao sair para comer tora, t se comer fprtteom freqüínela, traga consigo
um pequeno frasco de germe de trigo (talvez você
acabe gostando d o produto) e polvllhe o germe
nos alimentos sem valor nutritivo paru dar-lhe»
o valor nutrlclonal que deveriam ter. Ou traga
consigo a sua própria porção de grãos integrais
ou de pão integral.
rantes naluraise vegetai ianos (naturalmente, ideais para vegetarianas, embora muitos
hoje sejam ideais para todo mundo). Neles
consegue-se fazer refeições completas desde que não fiquemos privadas de proteína
e com excesso de gordura.
• Entre os menos recomendados durante a
gravidez estão os japoneses, já que o sushi, como todo peixe e toda carne crua, é
um completo tabu, já que lempura
frilura e os pratos de sukiyaki e leríyaki sâo
ricos em molho de soja (aito teor de sódio); os alemães, os russos e outros europeus onde calorias de baixo valor nutritivo
se escondem nos pães, na gordura das frituras, nos bolinhos de massa, e nos molhos, e no excesso de gordura e dc nitratos
encontrados nas salsichas e similares.
A contida brasileira oferece excelentes
Opções para gestantes, desde que se evitem
as frituras, os legumes excessivamente cozidos, os alimentos preparados na banha,
e assim por diante.
Alguma indiscrição ao jantar fora, muito ocasional, não prejudica evidentemente a Jleta da gestante. Mas nâo abuse —
cuide-se.
• Peça salada como primeira opção, e
peça azeite ou vinagre em separado,
para que você mantenha a orientação
da Dieta Ideal para o consumo de gordura, Entre os outros produtos de primeira escolha estão a mozarela fresca
e os tomates, o coquetel ue camarão
e os legumes grelhados ou marinados.
• Se pedir sopa, opte pelo consomê ou
pelo caldo (claros), ou por sopa de legumes, ou à base de leite ou de iogurte. Evite as sopas cremosas (a menos
que você saiba que foram feitas à base de leite).
• Como prato principal, dfi preferencia
a um com elevado teor de proteína e
baixo teor de gordura. Peixe, aves e
vitela costumam ser a melhor opção,
O QUINTO MÊS
desde que assados, grelhados ou refogados, e nunca fritos em óleo ou manteiga ou em molhos ou temperos ricos.
Se todos os pratos vierem com molho,
peça-o separado, Muitas vezes o mattre ou o cozinheiro-chefe atenderão ao
pedido de um peixe grelhado com
pouca ou nenhuma gordura, Se você
for vegetariana, examine com atenção
o cardápio: dê preferência a vagem,
ervilha, queijos, ou a outras combinações semelhantes. Uma lasanha verde,
por exemplo, é boa opção em restaurante italiano.
• Como complemento, batatas — menos as fritas ou as feitas com muita
manteiga —, arroz integral, outros cereais, massas, feijões e ervilhas secas
e legumes frescos e pouco cozidos.
• Exceto em ocasiões especiais, as sobremesas devem ser restringidas a frutas
e morangos, amoras etc., frescos ou
cozidos (com um bocado de creme batido, se você desejar). Às vezes, uma
espiral de iogurte gelado ou uma concna de sorvete não têm problema. Se
você ansiar por algo mais, belisque um
pouco a sobremesa que acompanha o
jantar. Não se acanhe ao chegar em
casa: ataque os sucos; veja algumas receitas às pp. 123 a 129, Ou experimente algumas das marcas existentes no
mercado.
O USO DE CINTO
DE SEGURANÇA
"Devo usar o cinto de segurança ao viajar de
carro ou de avião'/"
Q
ual a principal causa de morte nos
pulse» desenvolvidos entre ai mulheres em idade férl II? Toxemia? Parto? Infecção p u e r p e r a l ? Na realidude,
nenhuma dessas. A forma mais comum
221
da mulher jovem perder a vida é em acidente de carro. E a melhor forma de
evitar esse desfecho — além de sérias
lesões para a mãe e o filho que ainda
não nasceu — é só uma: usar o cinto
de segurança. As estatísticas provam
conclusivamente que é muito mais seguro colocar o cinto do que nâo colocá-lo.
Para um máximo de segurança e um
mínimo de desconforto, aperte o cinto
abaixo da barriga, sobre a pelve e as coxas. Se houver amparo para o ombro,
use-o sobre o ombro e cruze-o em diagonal pelo peito, não sob os braços. E
não se preocupe: a pressão do cinto numa parada brusca não vai machucar o
bebê, que é protegido pelo próprio líquido amniótico.
ESPORTES
"Gosto de jogar tênis e de nadar. Posso continuar?"
R
ecomenda-se, sem dúvida, que todos
preservem a aptidão física; as gestantes não são exceção. Na maioria dos
casos, a gravidez não implica abandonar
a vida esportiva — basta lembrar que se
está carregando na barriga uma nova vida e praticar um pouco mais de bom senso e moderação. Os médicos, na grande
maioria, permitem às gestantes com gravidez normal prosseguir com o esporte
que praticam, tanto quanto possível —
mas com várias advertências. Entre as
mais importantes: "Nunca fazer exercícios ao ponto da fadiga." (Ver Exercícios Durante a Gravidez, p. 225 para
maiores informações.)
VISÃO
"Minha visão piorou depois que engravidei. As
lentes de contato não servem mulx. Surti que
estou delirandoT"
222
OS NOVE MESES.
N
ão. Os olhos também podem pagar
o preço da gestação, embora estejam distantes do útero. Pode haver perda da acuidade visual e as lentes de contato podem se tornar incômodas. Tais
efeitos quase sempre se relacionam à
retenção de líquido, mas podem ser um
problema.
A visão deverá me'horar depois do
parto. Os olhos deverão voltar ao normal. É preferível usar óculos durante a
gravidez ou lentes de contato gelatinosas, se possível, até o parto.
Mas há outros sintomas visuais que
podem indicar outros problemas. O borramento da visão, a visão turva, os pontos pretos e os escotomas cintilantes ou
mesmo a visão dupla que persiste por
mais de duas a três horas são motivo para chamar o médico,
PLACENTA PRÉVIA
(Implantação Baixa da Placenta)
"O médico me disse que a sonografia mostra'
va que a placenta estava buixa, perto do colo
uterino. Disse também que ainda era cedo pura me preocupar; quando devo começar a me
preocupar?"
C
omo o feto, a placenta se movimenta
bastante durante a gestação. Na realidade não chega a voltar ao lugar normal, mas parece que migra para cima à
medida que o segmento inferior do útero se distende e cresce, Embora estimese que 20% a 30% das placentas estejam
no segmento inferior no segundo trimestre (com uma porcentagem ainda maior
antes de 20 semanas de gestação), a grande maioria se move para o segmento superior ao se aproximar a época do parto.
Se Isso não acontecer e a placenta permanecer em posição uterlna baixa., temse o diagnóstico de "placenta prévia".
Essa complicação ocorre apenas em 1%
ou menos das gestações a termo. E só em
1 entre 4 desses casos a placenta se loca-
liza em posição tão baixa que chega a
causar sintomas — recobrindo parcial ou
completamente o óstio uterino, ou seja,
a abertura do útero.
Assim, como você pode ver, o médico tem razão. É muito cedo para se preocupar — e estatisticamente falando, são
poucas as chances de que você tenha de
se preocupar. Se a sonografia continuar
mostrando a baixa placentação até o oitavo mês, já em fase adiantada, leia sobre a placenta prévia à p. 401.
O ÚTERO E AS
INFLUÊNCIAS EXTERNAS
"Tenho uma amiga que insiste em levar o filho, que ainda não nasceu, a concertos que o
tornarão um amante da música e outra cujo marido lê histórias para o filho, ainda nu barriga,
todas as noites, para torná-lo um amante dali
terutura. Será que tudo isso é uma bobagem?"
N
o estudo da vida fetal, está ficando
cada vez mais difícil distinguir entre o que é fato e o que é bobagem. E
embora se falem muitas bobagens, os
cientistas começam a acreditar que algumas dessas teorias aparentemente fictícias talvez no fundo tenham algum fundamento. Apesar disso, são necessárias
muitas outras pesquisas antes que se possa responder à sua pergunta com certeza,
Como a capacidade de ouvir é razoavelmente bem desenvolvida no feto pelo
fim do segundo trimestre ou no início do
terceiro, é verdade que o bebê de sua
amiga ouve a música e que o outro ouve
o que o puptii 16 em voz alta. Mas o que
isso vai significar a longo prazo não se
sabe ao certo. Alguns pesquisadores da
área crêem que na realidade seja possível estimular o feto antes do nascimento para que se produza, em certo sentido,
um "superbebê". Pelo menos um disse
fazer com que os bebês fossem capazes
de falar aos seis meses e ler com um ano
e meio de idade; expondo o feto a imi-
O QUINTO MÊS
tações rítmicas cada vez mais complexas
do batimento cardíaco da mãe. Outros
questionam a sensatez de nos intrometermos na natureza dessa forma, acreditando que tal atitude poderia, a longo
prazo, ser prejudicial.
. Sem dúvida, qualquer um que entenda do desenvolvimento infantil seria
muito prudente em criar um superbebê,
antes ou depois de seu nascimento. Para o bebê, é muito mais importante descobrir que é amado e querido do que
aprender a falar e a ler.
223
Isso não quer dizer que a tentativa de
fazer contato com o bebê antes de nascer, ou mesmo de ler ou de tocar música
para ele, seja prejudicial ou perda de
tempo. Qualquer espécie de comunicação pré-natal pode dar a você uni bom
início no longo processo de construção
dos laços afetivos entre os pais e o filho
recém-nascido. Isso pode não se traduzir necessariamente numa maior intimidade quando ele crescer, mas talvez
facilite a convivência naqueles primeiros
dias.
A Silhueta da Barriga no Quinto Mês
SSo mostradas apenas três silhuetas da mulher ao fim do quinto mês. As variações são incontáveis. Dependendo do seu tamanho, du forma, do peso até então adquirido e da posição
do iitero, a barriga pode ser muls alia, muls baixa, maior, menor, mais larga, mais compacta,
224
OS NOVE MESES.
Por certo, se você se sente uma tola
ao conversar com a sua barriga grande,
não se preocupe: não é por isso que o bebê vai deixar de conhecê-la. Ele ou ela
está se habituando ao som da sua voz —
e provavelmente à de seu marido também — todas as vezes que vocês conversam entre si ou com outra pessoa. É por
isso que muitos recém-nascidos parecem
reconhecer as vozes dos pais. Podem inclusive se familiarizar com outros sons
que são comuns ao meio ambiente da
mãe. Enquanto um recém-nascido que
teve pouca exposição pré-natal ao latir
de um cão pode levar um susto ao ouvir
o som, o que ouviu muitos latidos não
vai nem piscar.
A exposição à música também pode
ter algum impacto sobre o feto. Há informes onde se diz que alguns fetos têm
demonstrado preferência (por modificação de seus movimentos) por certos tipos
de música — em geral os mais delicados.
Informa-se que certa peça (numa pesquisa, era uma de Debussy) tocada repetidas vezes para o feto às vezes, quando
ele e a mãe "estavam tranqüilos, fazia
com que o bebê mais tarde gostasse da
peça e se acalmasse ao ouvi-la. Naturalmente, a maioria dos especialistas concordaria que a exposição do bebê à boa
música depois de nascer provavelmente
é beir mais significativa na criação de
um amante da música do que a exposição do feto, durante a vida intra-uterina.
Também sugere-se que, como o sentido do tato também já está desenvolvido
na vida intra-uterina, o afagar do abdome ou o "brincar'' com um joelhinho ou
com as nádegas quando esses estão voltados para cima é atitude que ajuda no
estabelecimento de laços afetivos entre
pais e filhos. Seja isso falso ou verdadeiro, não há mal em tentar. Sem dúvida,
é improvável que a infle devu fazer um
esforço consciente para tocar mais no bebi; mesmo os estranhos dificilmente conseguem manter as mãos afastadas de um
ventre grávido,
Portanto, desfrute do contato com o
bebê agora, mas não se preocupe em
ensinar-lhe fatos ou transmitir-lhe informações — você vai ter muito tempo para isso no futuro. Como logo descobrirá, as crianças crescem muito depressa,
de qualquer forma. Não há necessidade
para acelerar o processo, sobretudo antes do nascimento.
A MATERNIDADE
"Será que vou ser feliz com o meu futuro bebê?"
A
s pessoas, na maioria, enfrentam as
grandes mudanças de vida — ao casar, ao começar nova carreira, ao nascer um filho — imaginando se lhes trarão
felicidade. E se começarem com idéias
fantasiosas poderão acabar no maior desapontamento. Se a leitora achar que a
maternidade vai ser um mar de rosas,
com preguiçosos passeios ao parque pela manhã, com dias ensolarados passados no zoológico, com horas e horas a
organizar um guarda-roupinha em miniatura, com roupas cheirosas e limpas,
convém preparar-se para um choque.
Haverá muitos dias em que a noite vai
chegar sein que você e o seu bebê vejam
a luz do sol, muitos dias ensolarados passados junto ao tanque, ou passando a
ferro, e muito poucas roupinhas limpas
que chegarão a escapar das bananas
amassadas e das vitaminas cuspidas pelo bebê. E se estiver pensando em trazer
do hospital para casa um bebezinho encantador, lindo e comunicativo, pode se
preparar para a desilusão. O bebê, além
de não ser amoroso e sorridente durante várias semanas, dificilmente se comunicará com a mãe, exceto peto choro —
.sobretudo quando a m0e se sentar para
Jantar, quando começar a fazer sexo,
quando tiver de ir ao banheiro ou quando se sentir tão cansada que não consegue nem se mover.
O QUINTO MÊS
O que a leitora pode esperar, realisticamente, é ter nisso tudo uma das mais maravilhosas, mais miraculosas experiências
de vida. A satisfação que sentirá ao embalar o bebezinho quente e sonolento
(mesmo que o anjinho ainda há pouco
fosse um diabinho aos berros) é incomparável. E isso — junto aos primeiros sor-
225
risos desdentados dirigidos só à mãe —
valerá todas as noites insones, todos os
atrasos para o jantar, toda a roupa para
lavar e passar e todo o romance frustrado.
Será que você vai ser feliz com o futuro bebê? Sim, na medida em que criar
a expectativa de um bebê real e não de
uma fantasia.
0 Q U E É IMPORTANTE SABER:
OS EXERCÍCIOS D U R A N T E A GRAVIDEZ
O
s executivos os fazem. Os mais velhos também. Os médicos, os advogados e os operários praiicamnos também. Se os praticam, pensam as
gestantes, por que não nós?
Evidentemente estamos falando de
exercícios. E, se você quer siber, para as
gestantes, na grande maioria, só há uma
resposta: sim. O conceito de gestação como doença e o da mulher grávida como
inválida, delicada demais para subir um
lance de escadas ou carregar uma sacola
de compras, são tão atualizados quanto
o da anestesia geral para 05 partos co-
Deltada de costas, Joelhos flexionados, afastados cerca de 30 cm, sola dos pés no chão. Cabeça e pescoço apoiados em almofadas, braços em repouso, estendidos ao lado do corpo. Para
fazer os exercícios de Kegel, é simples: basta contrair com firmeza os músculos ao redor da
vagina e do ânus, mantendo-os contraídos o mais que puder (chegando a 8 ou 10 segundos).
Em seguida, liberar os músculos vagarosamente e relaxar. Podem também, e a partir do quarto
mês devem, ser feitos de pé, sentada ou ao urinar. Fazer seqüências de pelo menos 35 contra,
ções várias vezes ao dia. Nota: Os exercícios na posição básica devem ser feitos somente até
o quarto mês. Depois disso, exercitar-se deitada de costas não é recomendável, pois o útero
em crescimento pode pôr uma pressão excessiva nos principais vasos sangüíneos.
226
OS NOVE MESES.
muns. Embora ainda estejam em andamento numerosas pesquisas a respeito
dos exercícios durante a gravidez, a atividade física moderada é hoje considerada não apenas segura como também
extremamente benéfica para a maioria
das gestantes e dos bebês.
Por mais ansiosa que você esteja para
sair correndo na pista de jogging, entretanto, é preciso antes tomar uma
precaução de importância vital — ir ao
consultório do médico. Mesmo que esteja se sentindo ótima, é preciso a aprovação médica para vestir o trainíng do
marido e sair correndo. As gestantes incluídas em categorias de alto risco terão
de moderar os exercícios ou talvez até
nem praticá-los na sua rotina. Mas se a
leitora estiver incluída entre a grande
maioria das gestantes sem maiores problemas, e o médico der sinal verde, vista a roupa e bola para frente.
OS BENEFÍCIOS DA
PRÁTICA DE EXERCÍCIOS
P
arece que as gestantes que não se
exercitam durante a gestação vão ficando progressivamente menos em forma à medida que os meses passam —
sobretudo porque vão ficando cada vez
mais pesadas. Os bons programas de
exercício (que possam ser incluídos na
sua rotina diária) permitem combater essa tendência, propiciando uma melhor
forma física,
Sito de quatro tipos os exercícios de
maior utilidade durante a gravidez: os
aeróbios, os calistênicos, os de relaxamento e os de Kegel.
Os uoróhlos. São exercícios rítmicos e repetitivos, cansativos o suficiente para aumentar a demanda muscular de oxigênio,
embora não tão extenuantes que a oferta suplante a demanda (Incluem-se a caminhada, o jogging, andar de bicicleta,
nadar, as partidas simples de tênis). Es-
timulam o coração e os pulmóes, além
da atividade muscular e articular — causando benéficas alterações globais no organismo, especialmente na capacidade de
processar e de utilizar o oxigênio, coisa
muito importante para a gestante e para
o bebê. Os exercícios n u i t o cansativos
para serem mantidos durante os 20 ou
30 minutos necessários para esse efeito
benéfico "condicionador" (como acotrida de velocidade) ou mesmo os nem tão
cansativos (as partidas de tênis em duplas, por exemplo) não são considerados
aeróbios.
Os exercícios aeróbios melhoram a circulação (fomentando o transporte de
oxigênio e os nutrientes para o feto, ao
mesmo tempo em que diminuem o risco
de varizes, de hemorróidas e de retenção
de líquido); aumentam o tônus e a força
muscular (não raro evitando ou aliviando as dores nas costas e a prisão de ventre, facilitando o transporte de peso extra
existente durante a gravidez, e também
o parto); melhoram a resistência (ajudando a gestante a enfrentar o trabalho
de parto mais prolongado); queimam calorias (permitindo à grávida melhor alimentar a si própria e ao bebê sem a
necessidade de ganhar peso excessivo e
assegurando melhor forma física no pósparto); atenuam a fadiga e promovera
melhores noites de sono; geram um sentimento de bem-estar e de confiança; e,
de um modo geral, melhoram a capacidade da mulher de enfrentar os desafios
físicos e emocionais do parto.
Os calistênicos. São movimentos de ginástica rítmicos, leves, que tonificam e
desenvolvem a musculatura e melhoram
a postura. Prestam-se particularmente às
gestante» quando voltados paru o combate das dores lombares, melhorando o
bem-estar físico e mental e preparandolhes o corpo para a árdua tarefa do parto. Os exercícios calistênicos destinados
a pessoas em geral, porém, podem ser
perigosos para as gestantes.
O QUINTO MÊS
Os de relaxamento. Os exercidos respiratórios e de concentração relaxam a
mente e o corpo, ajudam a preservar a
energia para os momentos de maior necessidade, ajudam na melhor concentração mental e aumentam a consciência
que se tem do corpo — elementos que
ajudam a mulher a melhor enfrentar o
desafio do parto. Os exercícios de relaxamento são valiosos em combinação
com outros exercícios físicos, ou mesmo
isoladamente — sobretudo em gestações
em que os exercícios mais ativos estão
proibidos.
Or de Kegel (de tonificação pélvica).
Procedimento simples para melhorar o
tônus da musculatura das regiões vaginal e perineal, fortalecendo-as para o
parto e auxiliando o restabelecimento no
puerpério. Trata-se de exercício que todas as gestantes podem praticar e dele se
beneficiar em qualquer época, em qualquer lugar.
227
COMO DESENVOLVER
UM BOM PROGRAMA
DE EXERCÍCIOS
Quando iniciar. O melhor momento para conquistar boa forma física é antes de
engravidar. Mas nunca é tarde demais
para começar — mesmo para quem está
no nono mês, já entrando em trabalho
de parto.
Começar devagar. Depois de decidir
que está na hora de começar um programa de condicionamento físico, a pessoa sempre se sente tentada a dar início
rapidamente — correndo 5 quilômetros na primeira manhã, fazendo duas
sessões n u m a mesma tarde. Mas esse
início entusiasmado não leva ao condicionamento: só às dores musculares, à
decisão de ir com mais calma, e ao repentino a b a n d o n o . Pode também ser
perigoso.
Basculação da Bacia
Poulfâo biSsk u (ver nota no
dv A Posado lidska « CM Extrv/vlvtt de Ken*0. Expirar ao comprimir a parte mais baixa das costas contra o chão. Em seguida, inspirar e relaxar a coluna.
Repei'r essa seqüência várias vezes. O balanceio (movimento de bdscula) também pode ser
feito de pé, com as costas Junto à parede fInspirando ao comprimir a parede com a parte
mais baixa das costas). Nu posição de pé. o exercido é excelente para melhorar a postura
e é recomendável após o quarto mês.
228
OS NOVE MESES.
aliviar a pressão uterina feita sobre a coluna. Ficar de quatro, com as costas em posição natural, relaxada (sem deixar n coluna abaixar). Cabeça estendida, pescoço alinhado com a coluna. Arquear então as costas, retesanda o abdome e as nádegas e deixando a cabeça pender
completamente. Gradualmente, descontrair as costas e trazer a cabeça à posição original. Repetir várias vezes.
Claro que se você seguia um programa de exercícios antes da gravidez, provavelmente poderá continuar com ele —
embora talvez de forma modificada (ver
p. 231). Mas se você for uma atleta inexperiente, entretanto, vá com calma. É
preciso começar com 10 minutos de
aquecimento seguidos de 5 minutos de
exercícios mais vigorosos e outros 5 minutos de desaquecimento. Quando sobrevém o cansaço é preciso interromper
o exercício mais extenuante. Depois de
alguns dias, se o corpo se ajustar bem,
convém aumentar o periodo de atividade mais extenuante alguns minutos por
dia até um máximo de 15 minutos.
Xr devagar sempre que começar a sessüo.
O aquecimento pode ser tedioso quando se está ansiosa para começar logo
com os exercícios (e dar por encerrada
a sessão). Mas como todo atleta sabe, o
aquecimento é parte essencial do programa. Permite que o coração e a circulação
não sejam sobrecarregados repentinamente e reduz os riscos de que os músculos e as articulações, mais vulneráveis
quando " f r i o s " — sobretudo d j r a n t e a
gravidez —, venham a sofrer lesão. Caminhar antes de correr, fazer exercícios
de extensão antes dos calistênicos, nadar
devagar antes de começar as voltas na
piscina. No caso de exercícios de alongamento, tenha o cuidado de não se esforçar em excesso, pois isso poderia
danificar as articulações já afrouxadas
pela gravidez.
Terminar vagarosamente, da mesma forma que ao começa/. Cair em colapso parece ser a conclusão lógica de qualquet
treino, mas fisiologicamente não convém. A interrupção repentina represa o
sangue nos músculos, reduzindo o seu
aporte para outras partes do corpo e para o bebê, Podem surgir tonteíra, desmaio, palpitações, náusea. Assim, é
melhor terminar a sessão de exercícios
O QUINTO MÊS
com exercícios: caminhar 5 minutos depois de correr, ficar chapinhando na
água depois de nadar, fazer exercícios leves de alongamento depois de qualquer
atividade. Completar o desnquecimento
com alguns minutos de relaxamento.
Evito a tontura (e uma possível queda) levantando-se lentamente após uma
série de exercícios no chão.
De olho no relógio. Muito pouco exercício não é eficaz; exercício em excesso
pode ser debilitante. Um treino completo, do aquecimento ao desaquecimento,
pode levar de 30 minutos a uma hora.
Mas o American College of Obstetrics
and Gynecology recomenda que os períodos de exercício extenuante — durante
os quais a freqüência cardíaca (pulso)
não deve ultrapassar os 140 batimentos/minuto — sejam limitados a 15 minutos. Para mulheres sadias cuja vida era
sedentária antes da gestação, a prática
229
de exercícios durante 20 a 30 minutos,
incluindo o aquecimento e o desaquecimento, em dias alternados parece um objetivo realista e seguro. A mulher que já
os praticava poderá, desde que o médico aprove, intensificá-los.
Persistir com regularidade. A irregularidade (quatro vezes numa semana e nenhuma na seguinte) na prática de
exercícios não coloca ninguém em forma. Só a sua prática regular (três ou'quatro vezes por semana, todas as semanas)
o f a r á . Ao sentir-se muito cansada para
um treino mais extenuante, não convém
forçar; basta tentar o aquecimento para
que os músculos continuem flexíveis e
não se perca a disciplina. Muitas mulheres dizem se sentir melhor quando fazem
exercícios todos os dias.
Incluir os exercícios na rotina diária. A
melhor maneira de se garantir que os
Relaxamento do Pescoço
O pescoço, tunlus vezes foco de tensão, fica contraído sob situações de estresse. O exercício
ajuda a relaxar não só o pescoço mus também todo o resto do corpo: sentar em posição cômoda (a do alfaiate talvez seja u melhor) com os olhos fechados. Delicadamente, girar a cabeça, descrevendo um circulo completo, inspirando ao mesmo tempo. Expirar e relaxar,
deixando a cabeça cair para a frente conjortuvelmente. Repetir 4 ou 5 vezes, alternando o
sentido do movimento circular e retaxundo entre eles. Fazer o exercício várias vezes por dia.
230
OS NOVE MESES.
Não Fique Aí Sentada,
Ficar sentada por longos períodos sem
uma pausa não é boa idéia para ninguém e
particularmente contra-indicado quando se
está grávida- Faz com que não só o sangue
fique represado nas veias das pernas, como
também os pés inchem e pode levar a outros
problemas. Se o seu trabalho requer longos
períodos na cadeira, ou se você assiste TV
por horas a fio ou se for viajar por longas
distâncias com freqüência, trate de fazer pau-
exercícios serão feitos é dedicando-lhes
um horário específico: logo pela manhã,
ao levantar; antes de ir para o trabalho;
durante o intervalo para o café; ou antes do jantar. Se a leitora não tiver um
horário livre para praticá-los, poderá
incluí-los às atividades diárias. Vá a pé
ao trabalho, se puder; estacione o carro
antes, ou desça do ônibus um ou dois
pontos antes e vá até o trabalho caminhando. Otuvá a pé com as crianças para o colégio (ou para a casa de uma
amiga), em vez dirigir. Passe o aspirador de pó pela casa numa marcha constante, de 20 minutos, depois de alguns
exercícios de aquecimento; você estará
limpando os carpetes e ao mesmo tempo se exercitando. Em vez de jogar-se
diante da TV com o marido depois de ter
lavado a louça do jantar, peça a ele que
a acompanhe numa caminhada. Não importa o grau de ocupação que se tenha
durante o dia: q u a n d o há vontade, há
sempre uma forma de praticar alguma
forma de exercício.
Compensar as calorias queimadas. Provavelmente a melhor parte desse programa está na possibilidade de a gestante
comer mais. C o m o sempre, essas calorias a mais devem ser levadas na devida
conta. É uma oportunidade para acrescentar nutrientes ainda melhores para o
sas de hora em hora (cinco a dez minuto;. caminhando, para esticar as pernas), Ao ficar
sentada, faça periodicamente alguns exercícios que melhoram a circulação: algumas respirações profundas; estender as pernas,
fietindo os pés; contrair os mUsculos do abdome e das nádegas (numa espécie de movimento de báscula da pelve). Se as suas mãos
costumam inchar, também espiche os braços
acima da cabeça e abra e feche as mãos.
bebê. A gestante terá de consumir mais
100 a 200 calorias para cada meia hora
de exercício extenuante. Se acreditar que
está consumindo calorias o suficiente,
mas ainda sem ganhar peso, talvez esteja se exercitando em demasia.
Reponha os líquidos eliminados. Para
cada meia hora de atividade extenuante
você vai precisar de pelo menos um copo d'água, cheio, para compensar a
perda de líquido pela transpiração. Em
tempo de calor a necessidade é maior, ou
quando você estiver transpirando profusamente: beba antes, durante e depois do
exercício. A balança pode lhe dar um indício de quanto você precisa beber de
liquido: duas xícaras para cada 500 gramas perdidos durante o exercício.
Recomendações paru quem preferir a ginástica em grupo. Precisa ser um grupo
de ginástica para gestantes. Como nem
todos que se dizem especialistas de fato
o são, é melhor verificar as credenciais
dos instrutores. A ginástica em grupo
funciona melhor para algumas mulheres
do que a prática solitária (sobretudo
quando há falta de autodlsclplina), por
nele encontrarem apoio e estímulo. Os
melhores programas são os de Intensidade moderada; três vezes por semana, pelo menos; individualizados à capacidade
O QUINTO MÊS
de cada gestante; não fazem uso de música de ritmo forte, acelerado, capaz de
levar as participantes ao excesso; dispõe
de médicos ou de outros especialistas para esclarecer certas questões.
PRATICANDO EXERCÍCIOS
COM SEGURANÇA
Não treinar de estômago vazio. A proibií, ão da mamãe de não nadar depois das
reíéiçôes era válida até certo ponto. Mas
praticar exercícios de estômago vazio pode :;er igualmente perigoso. Se a gestante não come há horas, convém fazer um
lanche leve e beber um copo de água
ou de suco 15 a 30 minutos antes de
começar o aquecimento. Se houver incômodo por ter comido pouco antes da
ginástica, é só fazer o lanche uma hora
antes
231
Usar roupas apropriadas. Usar roupas
folgadas ou malha durante a ginástica.
O tecido deve permitir que o corpo respire — diga-se o mesmo das roupas de
baixo, que devem ser de algodão. Os sapatos bem-ajustados destinados à prática esportiva protegem os pés as
articulações dos pés.
Escolher a superfície correta. Dentro de
casa, o assoalho de madeira ou com carpete é melhor do que ladrilho, azulejo ou
concreto para os exercícios. (Se a superfície for deslizante não use meias ou malhas presas nos pés.) Fora de casa, as
pistas de corrida cobertas de terra solta,
os gramados, são melhores do que as pistas de superfície dura ou as calçadas.
Evite as superfícies irregulares.
Fazer tudo com moderação. Nunca fazer ginástica ao ponto da exaustão quan-
Posição do
Alfaiate
A posição sentada, com as pernas cruzadas-, é particularmente cômoda durante a uravldez.
Assim sentada, fazer a extensão dos braços: colocar as mdos acima dos ombros e em seguida
esticar os braços acima da cabeça. Esticar um mais do que o outro, tentando alcançar o teto;
relaxar e repetir com o outro bruço. Repetir 10 vezes de cada lado. Nâo faça movimentos
bruscos.
232
OS NOVE MESES.
Elevação Alternada das Pernas
Deite do todo esquerdo, com onbros, quadris e joelhos em tinha reta. Coloque a mão direita
no chão, diante do tórax, e apóie a cabeça com a esquerda. Relaxe e inspire; em seguida expire e ao mesmo tempo eleve vagarosamente a perna direita o mais que puder, mantendo o pé
jletido (apontando para a barriga) e com a parte interna do tornozelo voltada diretamente
para baixo. Inspire ao abaixar lentamente a perna. Repila 10 vezes de cada lado. O exercício
pode ser feito com a perna estendida ou com flexâo do joelho.
do se está grávida; os subprodutos químicos decorrentes do esforço muscular
excessivo não fazem bem ao feto. (Mesmo que a gestante seja atleta treinada,
não deve praticar exercícios até o máximo da própria capacidade, sinta-se ou
não exaurida.) Há várias formas de verificar se há exagero. Primeiro, se você estiver se sentindo bem, provavelmente
não há problema. Se sentir qualquer dor
ou distensão, já nâo está bem. O correto
é uma leve sudorese (perspiraçflo): a sudorese profusa è sinal para diminuir o
ritmo, O pulso que permanece acima de
100 por minuto depois de cinco minutos
de terminada a sessão é indicação de
abuso na ginástica. O mesmo quando a
gestante sente necessidade de tirar uma
soneca depois que terminou, A pessoa
deva lentir-se eufórica, n&o esgotado.
quadril, nas costas, na pelve, no peito,
na cabeça etc.); cãibras ou fisgadas; tonteira ou aturdimento; taquicardia ou palpitações; forte falta de ar; dificuldade de
andar ou perda do controle muscular;
dor de cabeça; aumento da sudorese nas
mãos, nos pés, nos tornozelos ou na face; perda de líquido amniótico ou sangramento vaginal; ou depois de 28 semanas de gestação, uma diminuição ou
interrupção dos movimentos fetais. Se
qualquer um desses sintomas não for aliviado por um breve repouso, consulte o
médico (mas chame-o imediatamente se
houver qualquer sangramento ou perda
de líquido amniótico). No .segundo e no
terceiro trimestres, a gestante pode perceber uma diminuição gradual do desempenho e da deficiência. É melhor
desacelerar.
Saber quando parar. O corpo vai lhe avisar quando chegar a hora. Entre os sinais estão; dor em qualquer lugar (no
Ficar fria. Não convém fazer ginástica
em tempo muito quente ou muito úmido; nâo usar sauna, seca ou a vapur, nem
O QUINTO MÊS
233
A Escolha dos Exercícios Correios Durante a Gravidez
Escolher o tipo de exercício mais adequado à gestante — de forma individualizada. Embora se possa continuar com os
esportes ou exercícios em que já se tem competência, não se recomenda começar novos
durante a gesi.ição. É particularmente importante que se tenha um altíssimo grau de competência quando se tenta praticar esportes
perigosos como esquiar ou cavalgar. Entre
os exercícios que mesmo as novatas podem
praticar durante a gestação estão OS seguintes:
• Caminhar, de preferência em ritmo acelerado
• Nadar em águas rasas, nem muito quentes nem muito frias
• Andar de bicicleta (em bicicleta ergométrica), em velocidade e tensão confortáveis
• Praticar ginástica (calistênica) própria para
gestantes
• Praticar exercícios de loniftcaçâo da bacia
• Praticar exercícios de relaxamento
Exercícios que só a atleta experiente, bemtreinada deve fazer durante a gravidez:
• Jogging, até 3 quilômetros por dia*
• Tênis em dupla (mas nâo só com o oponente [sing/es], o que pode ser muito cansativo)
• Esqui cross-country abaixo de 10.000 pés
• Levantamento de pesos (leves) caso se evite
u manobra de ValsaIvu (lazer força expulsíva prendendo a respirado)
• Ciclismo
• Skate no gelo (com extrema cautela)
Exercícios que mesmo uma atleta deve
evitar, pelos maiores riscos envolvidos:
• Joitulns, por tnult dt> 1 quIlOrmjtroü por
dia*
• E^uEtavAo
• Esqui aquático
• Mergulhos e saltos em piscina
• Mergulho com equipamento (a roupa de
mergulho pode restringir a circulação; o
mal da descompressão é perigoso para o
feto)
• Corrida de velocidade (exige-se muito oxigênio e muita rapidez)
• Esqui etn dedive (risco de queda grave)
• Esqui cross-country de 10.000 pés (a grande altitude priva a mãe e o feto de oxigênio)
• Ciclismo em pista molhada ou em pistas
com muito vento (onde as quedas s ã o prováveis), e ciclismo em postura de corrida
— com o tronco inclinado para a frente
(pode causar dor nas costas)
• Esportes de contato, como o futebol (risco elevado de traumatismo)
• Calistênicos não destinados à gravidez. Entre esses estão os que distendem o abdome (como as flexões dos joelhos e a dupla elevação das pernas); os que podem
propulsionar o ar para dentro da vagina
(pedalando com as pernas para cima, exercícios em que a pessoa, de quatro, encosta o peito no joelho); os que distendem a
musculatura interna da coxa (sentar no
chão encostando a sota dos pés uma na outra e fazendo pressão para baixo ou balançando os joelhos); os que fazem a parte
mais estreita das costas se curvar para dentro; oi que requeram a tncllnneüo ou curvatura para trás ou outras eoniorções; c
os que envolvem flexâo ou extensões acentuadas das articulações (dos joelhos por
exemplo), saltar, balançar, mudanças bruscas de direção, movimentos bruscos.
•Algumas mulheres com excelente condicionamento rfilvu uumliwHruni Uum ri»oruítn progrHnini da
exercícios durante a gravidez sem crcnui Uek-iCrloi,
Mas não se sabe se isso t sempre seguro. Cuissulte
o médico antes de prosseguir num programa dessa.
234
OS NOVE MESES.
banhos quentes em piscinas térmicas.
Até que as pesquisas provem o contrário, os exercícios ou os ambientes que
elevam a temperatura da gestante em
mais de 0,6 ou 0,7°C devem ser considerados perigosos (o sangue é desviado
do útero para a pele, quando o organismo busca reduzir a temperatura). Assim,
só convém fazer ginástica nas horas mais
frescas do dia ou em ambiente fresco. E
não espere que o seu corpo lhe avise que
está superaquecido — paie antes de chegar a este ponto.
Proceder com cautela. Mesmo as desportivas mais habilitadas podem perder a
graciosidade durante a gestação, À proporção que o centro de gravidade da gestante se desloca para a frente com o
útero, as quedas vão se tornando uma
possibilidade cada vez mais provável
Lembre-se disso e tenha cuidado. Ao fim
da gestação, evitar os esportes que requerem movimentos bruscos ou muito equilíbrio, como o tênis.
Atenção ao fnaior risco de traumatismo.
Por várias razões (desvio do centro de
gravidade, articulações frouxas, distração) as mulheres ficam mais propensas
às lesões traumáticas quando estão grávidas.
Não se deite de costas. Não aponte para
os dedos do pé. Depois do quarto mês
mio faça exercícios deitada de costas, já
que o peso do útero em crescimento pode comprimir importantes vasos sangüíneos, restringindo a circulação. A
tentativa de apontar (ou de alcançar) os
dedos dos pés — em qualquer período
da gestação — pode causar cãibras nas
pernas (na barriga da perna). Faça, em
vez disso, a flexão dos pés, virando-os
em direção ao rotto.
Diminuir o ritmo no último trimestre.
Embora todos saibam de história de atletas que ficaram na piscina ou i.as ram-
pas até a hora do parto, é recomendável
à maioria das gestantes afrouxar o passo durante os três últimos meses, sobretudo durante o nono mês, quando os
exercícios leves de extensão e a caminhada acelerada já são suficientes. A atividade atlética séria poderá ser reiniciada
cerca de seis semanas no puerpério.
PARA QUEM NÃO
PRATICA EXERCÍCIOS
O
s exercícios durante a gravidez podem fazer muito bem à gestante: aliviar a dor nas costas, prevenir a prisão
de ventre e as varizes, dar, enfim, uma
sensação geral de bem-estar, facilitando
o parto e deixando-a em melhor forma
física no puerpério, Mas se a gestante ficar sentada até o fim (por opção ou por
determinação médica), tendo por único
exercício o trabalho de abrir e fechar a
porta do carro, é atitude que não vai
prejudicá-la e nem ao bebê. C o m efeito, quem se abstiver de exercícios por ordem médica estará ajudando o bebê e a
si mesma, O obstetra certamente restringirá as atividades físicas de quem tiver
história de três ou mais abortos espontâneos ou de trabalho de parto prematuro, e também em caso de incompetência
cervical, hemorragia ou pequenos sangramentos periódicos, diagnóstico de
placenta prévia ou cardiopatia. Em alguns casos as atividades também serão
limitadas: hipertensão arterial, diabetes,
doença tireoidiana, anemia e outras afecçôes do sangue, obesidade ou desnutrição graves, estilo de vida muito sedentário até então. Histórias de trabalho de
parlo muito abreviado ou de feto que
não se desenvolveu bem em gestação prévia são também razão para não se pralivnr ulnAntica durítnt® « eiuvideit.
Em outros casos, exercícios só com os
braços podem ser permitidos ei quanto
outros tipos serão proibidos. Consulte o
médico.
10—
O Sexto
Mês
A CONSULTA
S
erão checados vários elementos, dependendo do estilo de atendimento
do obstetra ou das necessidades da
gestante: 1
• Peso e pressão arterial
• Urina (açúcar e proteínas)
pela palpação externa
• Exame dos pés e das mãos, para identificar edema (inchação por retenção
de líquido), e das pernas, para ver se
há varizes
• Indagação sobre os sintomas apresentados, principalmente os incomuns
• Batimento cardiofetal
• Altura do fundo (alto do útero)
• Esclarecimento de dúvidas e de outros
problemas levantados pela gestante —
levar uma lista pronta
• Tamanho do útero e posição do feto,
Os SINTOMAS COMUNS
O
ra todos, ora só alguns deles se
manifestam. Uns ainda persistem
desde o mês anterior, outros só
agora surgiram. Outros ainda são de difícil percepção em virtude do hábito:
•sempre estiveram presentes. Há também
alguns, menos comuns, que agora podem se manifestar.
FÍSICOS;
• Atividade fetal mais e v i d e n t e
'Consultar o Apêndice para a explicação sobre
os procedimentos e os exames realizados.
• Secreção vaginal esbranquiçada (leucorréia)
236
OS NOVE MESES.
• Dolorimento na região abdominal baixa (por estiramento dos ligamentos
que sustentam o útero)
• Aborrecimento com a gestação ("Será que ninguém sabe falar de outra
coisa?")
• Prisão de ventre
• Ansiedade com relação ao futuro
• Azia, má digestão, gases, distensão
abdominal
• Dores de cabeça, desmaios ou torneiras ocasionais
• Congestão nasal e sangramento nasal
vez ou outra; entupimento d o s
ouvidos
O ASPECTO FÍSICO
NO SEXTO MÊS
• Sangramento das gengivas
• Maior apetite
• Cãíbras nas pernas
• Edema leve (inchaçâo) nos tornozelos
e nos pés, às vezes nas mãos e no rosto
• Varizes nas pernas e/ou hemorróidas
• Coceira abdominal
• Dores lombares
• Alteração da pigmerctação cutânea no
abdome e/ou na face
• Aumento dos seios
EMOCIONAIS!
• Diminuição das oscilações de humor;
persistência da desutençâo, da distração
Pelo fim do sexto mês, o feto tem cerca
de 30 cm e pesa cerca de 850 gramas. Sua
pele é fina e brilhante, sem apresentar
gordura nu subciilthieo. As Impressões digitais (mãos e pés) J<t sâo visíveis. Aspdlpebras começam a se dividir e os olhos
a se abrir. Se nascer agora, o feto poderá sobreviver com cuidado intensivo.
O SEXTO MÊS
237
A s PREOCUPAÇÕES COMUNS
DOR E ENTORPECIMENTO
DAS MÃOS
"Fico acordando no meio da noite porque alguns dedos da minha mão direita estão insensíveis; às vezes até doem. Isso tem relação com
a gravidez?"
S
e o entorpecimento e a dor se limitarem ao polegar, ao indicador, ao dedo médio e à metade do anular, é provável que você esteja com a síndrome do
túnel cárpico. Embora essa condição seja
mais comum em pessoas que regularmente desempenhem tarefas que requeiram Movimentos repetidos da mão
(cortar carne, tocar piano, datilografar),
é também comum em gestantes. Isso é
porque o túnel do carpo no punho, por
onde passa o nervo para os dedos atingidos, fica inchado durante a gravidez
(assim como muitos outros tecidos do
coipo), com a pressão resultante que
causa o entorpecimento, formigamento,
a queimação ou/e a dor. Os sintomas podem também atingir a mão e o punho,
e podem se irradiar para o braço. Como
os líquidos se acumulam nas mãos todos
os dias graças ao efeito da gravidade, a
incitação e os sintomas associados podem ser mais acentuados à noite, Procure evitar dormir sobre as mãos, o que
agrava o problema. Quando ocorrer o
sintoma, convém pendurar a mão atingida do lado da cama e sacudi-la vigorosamente: a manobra pode trazer alivio.
Se não trouxer, e o entorpecimento (com
ou sem dor) intei ferir no sono, discuta
o problema com o médico. Muitas vezes
ajuda o uso de pequena tala no punho
e de vitamina B6 diária. Algumas pessoas obtêm alívio com acupuntura. Os
medicamentos antiinfiamatórios não-
esteróides e os esteróides (corticóide),
usualmente prescritos para essa síndrome, podem não ser recomendados durante a gestação. Se outros tratamentos
fracassarem e a condição persistir depois
do parto, pode estar indicada a cirurgia
simples.
SENSAÇÃO
DE FORMIGAMENTO
"Freqüentemente sinto um formigamento nas
mãos e nos pés. Significa algum problema circulatório?"
C
omo se já não bastassem todas as
aflições inerentes à gravidez, algumas
mulheres sentem ademais um formigamento desagradável nas extremidades.
Embora possam achar que a circulação
parece ter sido interrompida para os
membros, não é esse o caso. Ninguém sabe por que o fenômeno ocorre e nem como eliminá-lo, só se sabe é que n ã o ind ica
nada de grave. A mudança de posição pode ajudar, Caso o formigamento afete de
algum modo as atividades da gestante, esta deve comunicar o fato ao médico.
OS CHUTES DO BEBÊ
"Tem dias que o bebi fica chutando o tempo
todo; noutros, parece ficar multo quierinho. Isso
é normal?"
O
s fetos humanos são como todos os
seres humanos. C o m o nós, têm dias
de grande ânimo, sentindo vontade de
chutar com os pés (com os cotovelos e
joelhos) e tfim também dias de desftnimo,
quando então se mostram mais calml-
238
OS NOVE MESES.
nhos. Quase sempre a sua atividade se
relaciona com o que a gestante esteja fazendo. Como os bebês fora do útero, eles
aquietam-se ao serem embalados. Quando a gestante permanece em atividade
durante o dia inteiro, o bebê costuma se
acalmar pelo ritmo da rotina — e talvez
você não perceba qualquer movimento
—, seja porque ele se aquietou, seja porque a gestante esteve tão ocupada que
não lhe percebeu os movimentos. Assim
que a mãe reduzir o seu ritmo, os movimentos recomeçam, É por isso que a
maioria das gestantes sente mais o movimento fetal na cama à noite ou pela
manhã. A atividade também pode aumentar depois da mãe se alimentar, talvez em reação ao influxo de glicose
(açúcar) no sangue. Algumas gestantes
também relatam aumento da atividade
fetal quando estão excitadas ou nervosas; talvez o bebê seja estimulado pelo
aumento de adrenalina na circulação
materna.
Os bebês na realidade são mais ativos
entre 24 e 28 semanas de gestação. Mas
seus movimêntos são aleatórios e costumam ser breves, de sorte que, embora visíveis à ultra-sonografia, nem sempre são
percebidos pela ocupada futura mamãe.
A atividade fetal costuma se tornar mais
organizada e consistente, com períodos
mais definidos de repouso e atividade,
entre 28 e 32 semanas de gestação.
Não se sinta tentada a comparar os
movimentos do bebê com os movimentos do de outra gestante. Cada feto, como cada recém-nascido, tem um ritmo
próprio de atividade e de desenvolvimento. Alguns parecem sempre ativos; outros, quase sempre sossegados. O ato de
chutar de alguns é às vezes de uma regularidade mecânica; já o de outros não
apresenta ritmicidade discernivel. Desde
que não haja redução radical ou desaparecimento do ritmo de atividade habitual, todas as varlaçúus são normais.
Pesquisas recentes sugerem que da 28?
semana em diante talvez seja boa idéia
testar o movimento fetal duas vezes por
dia — uma vez pela manhã, quando a
atividade tende a ser mais esparsa, e uma
vez à noite, quando a maioria dos bebês
tende a ser mais ativa. Eis como fazer esse teste:
Consulte o relógio ao começar a contar. Conte movimentos de qualquer tipo (chutes, tremores, reviravoltas,
zunidos). Pare de contar ao completar
dez movimentos e anote o tempo decorrido. Muitas vezes, você perceberá dez
movimentos cm dez minutos mais ou
menos. Às vezes demora mais.
Se você não contou dez movimentos ao
fim de uma hora, tome um pouco de leite ou faça outro lanche; então deite, relaxo e recomece a coutar. Sc outra hora se
passar sem dez movimentos, chame o médico sem demora. Embora essa ausência
de atividade não signifique necessariamente que há algum problema, pode às
vezes indicar sofrimento fetal. Nesses casos, talvez seja necessária a ação rápida.
Quanto mais perto da data provável
do parto, mais importante se torna a verificação regular dos movimentos fetais.
"Às vezes o bebê empurra tanto que dói."
A
proporção que o bebê amadurece
no útero, vai ficando cada vez mais
forte, e os débeis movimentos iniciais
vão ganhando mais e mais força. Não se
espante se ele lhe der um chute doloroso
nas costelas ou um soco mais violento na
barriga ou no colo do útero. Quando você tiver a impressão de estar sob um ataque furioso, tente mudar de posição —
talvez consiga tirar o equilíbrio do seu
pequeno centro-avante e conter temporariamente o ataque.
"Parece que o bebê fica chutando por toda a
barriga. Poderiam sergémeost"
E
m algum ponto da gravidez, todas as
gestantes começam a achar que estão com gSmeos ou com um polvo hu-
O SEXTO MÊS
mano na barriga. Para a maioria, nenhuma das duas hipóteses é verdadeira. Até
o feto tornar-se suficientemente grande
para ter seus movimentos restringidos
pelos limites de sua casa uterina (em geral por volta de 24 semanas), ele será capaz de numerosas acrobacias, Assim,
embora possa parecer que você esteja
sendo agredida por uma dúzia de punhos, é mais provável que só o esteja por
dois atacando-a de todos os lados — e
também com os joelhos, os cotovelos e
os pés.
Para obter mais informações sobre gêmeos e como são diagnosticados, ver p.
179.
CÃIBRAS NAS PERNAS
"Sinto cõibras à noite que interferem no meu
sono."
E
ntre a sua agitada atividade mental
e a não menos agitada atividade uterina, provavelmente se encontra uma
torrente de problemas que lhe tira o sono, sem que para tal seja preciso sofrer
de cãibras nas pernas. Lamentavelmente, esses espasmos dolorosos, mais freqüentes à noite, são muito comuns entre
as gestantes no segundo e no terceiro trimestre. Felizmente, contudo, podem ser
prevenidos e aliviados.
Imagina-se que sejam causadas por
um excesso de fósforo e uma carência de
cálcio no sangue circulante, e por isso os
comprimidos de cálcio sem fósforo (o
carbonato de cálcio é mais absorvlvel)
Costumam ser eficazes no tratamento.
Talvez seja necessário — mas só com recomendação médica — reduzir a ingesta de fósforo, eliminando a carne e o leite
da dieta. (Desde que se continue a assegurar o aporte de cálcio e de proteínas.
Ver a Dieta Ideal, p. 109, paru os substitutos.) Acredita-se também que a fadiga e a pressão exercida pelo útero
«travido sobre certos nervos contribuam
239
para o fenômeno e, por esse motivo, o
uso de meias elásticas durante o dia, com
períodos alternados de repouso (com os
pés para cima) e de atividade, pode ajudar a eliminar o problema das cãibras.
Ao sentir cãibra na batata da perna,
estenda a perna e flexione o tornozelo e
os dedos do pé para cima, na direção do
nariz. A manobra logo alivia a dor,
(Fazê-la várias vezes com cada perna antes de ir dormir pode ajudar a prevenir
as cãibras noturnas.) Ficar de pé sobre
uma superfície fria às vezes também ajuda. Se tais manobras resolverem, a massagem ou a aplicação de calor no local
serve para completar o alívio. Se nada
resolver o problema, não massageie a
área e nem aplique calor. Chame o médico se persistirem: há uma pequena
possibilidade de aparecimento de um
trombo (coágulo de sangue) em uma
veia, tornando o tratamento médico necessário.
SANGRAMENTO RETAL E
HEMORRÓIDAS
"Estou preocupada com o sangramento reta/
que venho tendo."
O
s sangramentos são sempre assustadores, especialmente durante a gravidez — e sobretudo em região próxima
do canal do parto. Mas, ao contrário do
sangramento vagim 1, o retal nâo significa possível ameaça à gravidez. Durante a gestação, freqüentemente se deve â
hemorróidas externas e, menos amiúde,
às Internas. As hemorróidas, velas varicosas no reto, afligem cerca de 20% a
50% das gestantes. Assim corno as veias
das pernas sâo mais propensas a varizes
nessa época, as do reto também o sâo.
A prisão de ventre muitas vezes causa ou
complica o problema.
As hemorróidas causam, além do sangramento, coceira e dor. O sangramento retal pode também decorrer de
231
OS NOVE MESES.
fissuras — tendas no ânus causadas por
constipação, que ora acompanham as
hemorróidas, ora aparecem independentemente. Sâo em gerai muito dolorosas.
Não tente fazer o autodiagnóstico das
hemorróidas. O sangramento retal por
vezes é sinal de patologia grave e deve
sempre ser avaliado por médico. Mas
quem tiver hemorróidas e/ou fissuras
anais terá um papel muito importante no
seu tratamento. Os devidos cuidados pessoais costumam eliminar a necessidade
de tratamento médico mais radicai.
• Evitar a prisão de ventre. b'ão é componente necessário da gestação; ver p.
171. (Prevenir a constipação desde o
início, é, incidentalmente, uma forma
não raro excelente de prevenir completamente as hemorróidas.)
• Dormir de lado, e não de costas, pa a
evitar a compressão excessiva das
veias retais; evitar passar muitas horas de pé ou sentada.
• Nâo fazer muita força ao ir ao banheiro. Sentando com os pés num banquin.io, fica mais fácil evacuar.
• Fazer os exercícios de Kegel regularmente: melhoram a circulação da região. (Ver p. 225.)
• Tomar banhos quentes de assento
duas vezes ao dia.
• Aplicar na região compressas de loção
de hamamélis ou de gelo.
• Só usar medicamentos tópicos ou supositórios quando prescritos por um
médico ciente do estado de gravidez.
Não ingerir óleo mineral.
• Manter a região períneal escrupulosamente limpa (da vagina ao reto). Lavar a região com água morna após
cada evacuação, sempre se limpando
da frente para trás. Só usar papel higiênico branco.
• Se sentar é doloroso, sentar sempre em
almofada macia, ou em anel inflável.
• Deitar várias vezes ao dia — se possível, de lado. Ficar nesta posição ao ver
TV, ler ou conversar com o marido.
Com os devidos cuidados, evita-se a
cronificação do processo. As hemorróidas podem se agravar com o parto, especialmente se a fase de expulsão do bebê
for longa, mas em geral elas desaparecerão no pós-parto, se as medidas preventivas tiverem prosseguimento.
COCEÍRA ABDOMINAL
"A minha barriga está sempre cocando: isso
está me deixando maluca."
E
ntre para o clube. Filho na barriga
é sinônimo de coceira na barriga,
uma coceira que, às vezes, coça cada vez
mais com o passar dos meses. A pele do
abdome é distendida, tracionada para os
lados, e o resultado é o ressecameni.o
(mais pronunciado em algumas mulheres do que em outras) e a coceira. Evite
coçar, ou só coce o necessário. O uso de
loção pode aliviar, mas provavelmente
não vai eliminá-la. Uma solução antipruríginosa (como a de calamina) pode proporcionar mais alivio.
TOXEMIA OU
PRÉ-ECLÂMPSIA
"Recentemente uma amiga minha foi hospitalizada por causa de toxemia. Ci mo saber ÍV
ntto vou ter também?"
F
elizmente a toxemia, também conhecida como pré-eciâmpsia/eelâmpsia,
ou hipertensão gravldica, é incomutn.
O SEXTO MÊS
Mesmo na sua forma mais leve ocorre
em apenas
a 10% das gestações —
e a maioria dos casos em mulheres já
portadoras de hipertensão crônica. A toxemia é mais comum em primípans e depois de 20 semanas de gestação. Em
grávidas que recebem o atendimento prénatal regular, é diagnosticada e tratada
precocemcnte, com o que se evitam complicações desnecessárias. Embora a consulta de rotina às vezes pareça uma
inutilidade na gravidez normal, de baixo risco, é nesse tipo de consulta que o
médico consegue identificar os primeiros
sinais de pré-eclâmpsia.
Se você leve um ganho repentino de
peso, sem relação a excessos alimentares, com edema acentuado das mãose do
rosto, dores de cabeça inexplicadas ou/e
distúrbios da visão, chame o médico. Caso contrário, desde que esteja recebendo o devido atendimento pré-natal, nâo
precisa se preocupar. Veja p. 148 para
dicas sobre a prevenção e o tratamento
da hipertensão arterial na gravidez, e
a p. 396 para mais informações sobre a
toxemia.
PERMANECENDO
NO EMPREGO
"Fico muito tempo de pé no meu trabalho. Pretendia trabalhar até o parto, mas será conveniente?"
N
os dias atuais, em que um maior
número de gestantes trabalha, sai ber de que forma as ocupações da futura mamãe interferem na vida do feto
é questão da maior importância. Não
obstante, o assunto ainda não se acha
plenamente esclarecido, Todas nós conhecemos mulheres que forem do escritório, do estúdio ou da loja direto para o hospital e deram à luz filhos perfeitamente sadios. E, com efeito, uma
pesquisa de médicas grávidas em regime
24!
de árduo programa de residência médica, e que ficavam de pé 65 horas por semana, revelou que não tiveram maior
número de complicações do que as esposas grávidas de residentes masculinos,
que trabalhavam durante menor número de horas em tarefas bem menos estressantes. Outras pesquisas, contudo,
sugerem que a atividade estressante ou
extenuante persistente ou que ficar de pé
durante longas horas na última metade
da gestação podem aumentar o risco de
hipertensão arterial materna, e tatnbétn
de lesão placentária e de bebê com baixo peso ao nascer. Algumas pesquisas revelam o risco de complicações por
ficar-se de pé no trabalho depois de 28
semanas de gestação quando a mãe grávida tem outros filhos em casa paru
cuidar.
Deve então a mulher que trabalha de
pé — vendedoras, médicas, enfermeiras
etc. — continuar trabalhando depois de
28 semanas de gestação? Sem dúvida,
outras pesquisas são necessárias antes de
se ter uma resposta definitiva a essa questão. A Associação Médica Americana,
com efeito, recomenda para as que trabalham mais de 4 horas por dia em pé
que tirem licença a partir da 24? semana; para as que ficam de pé só 30 minutos por hora, o afastamento do trabalho
na 32? semana. Mas muitos médicos
acham essa recomendação muito rígida, e permitem que as mulheres que se
sintam b ; m trabalhem mais. Ficar de
pé trabalhando até a hora do parto,
entretanto, talvez não seja uma boa
idéia, menos por causa do risco teórico
para o feto do que por causa do risco
verdadeiro de agravamento de certos
transtornos da gestação: dor lombar, varizes e hemorróidas.
As pesquisas revelam que as mulheres
com peso abaixo do ideal e que ganham
pouco peso durante a gravidez têm maior
risco de que o filho nasça de baixo peso
quando trabalham fora. Por isso talvez
convenlw que essas mulheres se afastem
242
OS NOVE MESES.
temporariamente do emprego, ou pelo
menos reduzam as horas de trabalho —
se forem realmente incapazes de ganhar
peso o suficiente (adquirir peso deveria
ser o primeiro enfoque ao problema; ver
p. 110).
Alguns especialistas recomendam que
a mulher deixe de trabalhar já com 20
semanas de gestação quando o emprego
exige a suspensão de grandes pesos, 5 o
a t o de puxar ou de empurrar pesos, subir escadas etc., ou curvar-se abaixo
da cintura, se esse tipo de atividade for
intenso. Recomendam também a sua
interrupção depois de 28 semanas se a
atividade for moderada. Talvez seja também uma boa idéia tirar licença precoce
de emprego que exija mudança de horário freqüente (o que pode comprometer
o apetite e a rotina do sono, e também
agravar a fadiga); do que pareça exacerbar certos problemas gravídicos, como
dor de cabeça, dor nas costas ou fadiga;
e do que aumente o risco de quedas ou
de outras lesões traumáticas acidentais.
Por o u t r o i a d o , é possível planejar a
ida ao hospital direto do emprego em escritório sem ameaça para você e para o
bebê. O trabalho sedentário que não seja muito estressante talvez lhe cause na
realidade menor sobrecarga do que ficar
em casa com um aspirador de pó e um
pano de chão. E caminhar um pouco —
uma JU duas horas por dia —, no trabalho ou fora dele, não só é inócuo como pode ser benéfico (desde que não se
esteja carregando grandes pesos).
Independentemente do tempo que se
permaneça no emprego, há formas de reduzir o estresse físico no trabalho durante a gestação:
'Levantar pesos de 12 quilos ou menos, mesmo
repetidas vezes, não costuma ser problema e tampouco levantar pesos de até 25 quilos de forma
intermitente (o que deve tranqüilizar as mfies com
filhos pequenos e pré-escolares). Mas as gestantes
cujo trabalho requer o levantamento repetitivo
de pesos de li a 25 quilos devem tirar licença
por volta dc 34 semanas de gestação e por volta
de 20 semanas, se os pesos forem superiores a
25 quilos. Quando sú há necessidade do levantamento intermitente de pesos com malt de 29
quilos, a licença deve ser tirada com 30 semanas de gestação.
• Dê ouvidos a seu corpo. Diminua o ritmo quando se sentir cansada; vá para
casa mais cedo quando exaurida.
• Use meia elástica.
• Quem ficar de pé por longos períodos,
deve manter um dos pés apoiado num
banquinho baixo, joelho dobrado, para aliviar um pouco a pressão nas costas. (Ver ilustração p. 209.)
• Fazer pausas freqüentes. Ficar de pé
e caminhar, quando se estava sentada; sentar com os pés para cima,
quando se estava de pé. Fazer alguns
exercícios de estiramento, sobretudo
para as costas e as pernas.
• Repousar bastante quando não se estiver trabalhando; eliminar as atividades extenuantes como correr, jogar
tênis, subir aclives ou escadas etc.
Quanto mais extenuante o trabalho,
tanto mais necessário eliminar as demais atividades extenuantes.
• Repousar deitada sobre o lado esquerdo durante a hora do almoço, se possível. Dormir do lado esquerdo, à
noite.
• Na mesa de trabalho ou na escrivaitfnha, manter as pernas elevadas (num
banquinho, por exemplo) sempre que
possível.
• Evitar as temperaturas extremas.
• Evitar os vapores e as substancias químicas tóxicas (ver p. 98).
• Manter-se longe de ambientes com fumaça, que são ruins não só para o bí-
O SEXTO MÊS
bê, mas também podem intensificar
sua fadiga.
• Levante pesos de maneira correta para evitar a distensão das costas (ver p,
210) e reduza o peso habitualmente erguido em 25%.
• Esvazie a bexiga pelo menos a cada
duas horas.
• Se precisar ficar de pé ou caminhar durante o trabalho, diminua o número
de horas, se possível, e aumente o tempo em que você fica repousando ou tirando um cochilo com os pés para
cima.
• Lembre-se do que não há emprego tão
importante quanto o de nutrir o bebê. Não deixe o seu outro trabalho interferir co.n o desjejum, o almoço e
o jantar todos os dias, que devem ser
complementados por lanches nutritivos (faça um estoque de alimentos
nutritivos no loca! de trabalho ou
traga-os consigo, diariamente).
OS MOVIMENTOS
DESAJEITADOS
NA GESTAÇÃO
"Ultimamente deixo cair tudo que seguro. Por
que fiquei de repente tão desajeitada?"
I
A
ssim como os centímetros a mais na
barriga, os dedos a mais nas mãos
fazein parte integrante da vida da gestante. Como com os outros efeitos colaterais da gravidez, essa falta de jeito é
causada pelo afrouxamento das articulações e pela retenção de água, o que faz
com que vocS segure objetos com menos
firmeza e segurança. Outro fator talvez
esteja na falta de concentração em decorrência da sfndrome da "cabeça de
vento" (ver p. 190).
243
Além de fazer um esforço consciente
para segurar objetos com mais cuidado,
não há muito mais a fazer a respeito —
assim talvez seja melhor deixar que o
marido cuide de sua louça chinesa pelos
próximos meses,
AS DORES DO PARTO
"Agora que a gestaçüo se tornou urna realidade inevitável, começo a me preocupar se serei
capaz de suportar as dores do parto."
N
ão obstante quase todas as gestantes esperarem com anseio o nascimento do filho, muito poucas são as que
ficam na expectativa do trabalho de parto que o precede. Especialmente para as
que nunca experimentaram grandes incômodos, o medo do desconhecido é
muito real — e muito natural. Infelizmente, esse medo muitas vezes se mescla com as histórias de terror das mães,
tias e amigas, cujos passos a caminho da
sala de parto as gestantes sentem verdadeiro pavor em seguir.
Não há nada de mais em temer as dores — que podem acabar sendo piores do
que as imaginadas, ou nem tanto assim.
Mas há muito a dizer quando queremos
estar preparadas para enfrentá-las.
Quando a mulher que imagina que o trabalho de parto vai ser uma experiência
incomparável, divertida e, em suma,
profundamente gratificante acaba passando por 24 horas de trabalho de parto
arrastado, com dores cruciantes nas costas, seu desapontamento vai ser tão grande quanto seu padecimento de dor. E
como a dor é fenômeno inesperado, ela
terá grande dificuldade em enfrentá-la.
De um modo geral, tanto as mulheres
que receiam pelas piores dores como as
que esperam pela mínima dor acabam
tendo o trabalho de parto e o parto mais
difíceis do que as mais realistas, que estão mais bem preparadas para qualquer
eventualidade.
244
OS NOVE MESES.
Se a leitora preparar o espírito e o corpo, será capaz de já reduzir a ansiedade
e ao mesmo tempo de ajudar a fazer com
que o trabalho de parto real seja mais cômodo e mais fácil de tolerar.
Preparar-se. Um dos motivos por que as
mulheres das gerações anteriores achavam o trabalho de parto tão insuportável estava em não compreenderem o que
se passava em seu corpo naqueles momentos. Se possível, a leitora junto com
o marido deve fazer um curso de preparação para o parto (Ver Preparação
Formal para o Parto, p. 246); se não
for possível, deverá preparar-se informalmente, lendo tudo que puder a respeito do trabalho de parto e do parto
(tentando conhecer as principais escolas de pensamento no assunto), inclusive a nossa descrição de várias doutrinas que começa na p. 249. O que não
se sabe é sempre mais prejudicial do que
deveria.
Não perder tempo. Você não pensaria
em participar de uma maratona sem o
devido preparo físico. Nem pensaria em
ir para o trabalho de parto (que é tarefa
não menos hercúlea) com total despreparo. Convém que você se dedique de
corpo e alma a todos os exercícios respiratórios e fortalecedores recomendados
pelo médico e / o u por seu instrutor. (Se
não tiverem recomendado nenhum, consulte a p. 225 para aprender os mais elementares.)
Dimensionar o problema da dor. Há pelo menos duas coisas boas a serem ditas
sobre as dares do parlo, Independente de
sua intensidade. Primeiro, o seu tempo
de duração é finito. Embora seja difícil
de acreditar nisso ao chegar o momento, o trabalho de parto, tenha correíu,
não dura para sempre. Em prlmíparas,
em média, dura de 12 a 14 horas — das
quais só algumas serão muito incômodas. (Muitos médicos a?'." " v "-mitMo ove
0 trabalho de parlo se prolongue por
muito mais do que 24 horas e realizarão
uma cesariana se a evolução do trabalho
de parto não for adequada). Segundo,
as dores têm uma finalidade muito positiva: as contrações progressivamente
afinam e abrem o colo do útero, e a
cada uma a parturiente está mais próxima do nascimento do bebê. Não há
por que se culpar, entretanto, quando
nâo se consegue ver essa finalidade durante o trabalho de parto muito difícil
e só se importar em terminar logo com
aquilo. A baixa tolerância à dor não se
reflete sobre a profundidade do amor
maternal.
Não planejar ficar sozinha durante o trabalho de parlo. Mesmo que não lhe seja
do agrado ficai de mãos dadas com o
parceiro durante o trabalho de parto, será reconfortante saber que ele (ou uma
amiga íntima ou um parente) está lá para enxugar-lhe o suor da testa, dar-lhe
cubos de gelo para atenuar a secura da
boca, massagear-lhe as costas ou o pescoço, auxiliá-lL durante as contrações,
ou apenas para você o xingar. O parceiro, futuro auxiliar durante o trabalho de
parto, deverá assistir às aulas do curso
preparatório ao parto junto com você,
se possível, ou, caso contrário, deverá ler
sobre o papel do auxiliar (ou do assistente, se preferir), que é descrito tia p,
330.
Preparar-se pura pedir pelo alíviu da dor
sempre que necessário. Pedir ou aceitar
u medicação nâo 6 sinal de frauusso ou
de fraqueza (não é necessário ser mártir
para ser mãe) e por vezes essa conduta
1 absolutamente necessária para tornar
o trabalho de parto mais eficiente. Ver
p. 265 para os pormenores sobre a anaJgesia durante o trabalho de parto e o
parto.
O SEXTO MÊS
245
0 TRABALHO DE PARTO
E O PARTO
perar com êxito há milhares e milhares
de anos, bem antes de a Sra. Lamaze dar
à luz seu filho, o Dr. Lamaze, criador
de uma das grandes escolas doutrinárias
"Estou ficando muito ansiosa o respeito do par- de preparação ao parto.
to. E se eu fracassar?"
O
;
:
r
advemo da educação pré-natal provavelmente contribuiu tanto quanto qualquer dos progressos médicos miraculosos nas últimas décadas para
melhorar a experiência das mulheres durante o trabalho de parto. No entanto,
ao criarmos o mito do trabalho de parto e do parto perfeitos, estamos por vezes pressionando os futuros papais para que atinjam esse ideal. Os casais se
preparam para o parto c o m o se nele vissem uma espécie de exame final. Não
surpreende que muitos se preocupem em
fracassar, e de assim desapontarem não
só a si próprios mas também aos médicos, às enfermeiras, às parteiras e sobretudo aos instrutores do pré-natal.
Mas felizmente a maioria desses instrutores passou a admitir que nâo há
uma só forma de se vivenciar o parto e
que o único objetivo — do qual todos os
papais partilham — é uma mãe e um filho com saúde. Mostram aos pais que o
traba tho de parto e o parto nâo são uma
prova em que a mãe passa (se fizer os
exercícios respiratórios, se tiver parto vaginal ; se não tomar medicação) ou é reprovada (se negligenciar os exercícios
respiratórios, se for submetida à cesariana ou se aceitar o alívio farmacológico
da dor), Isso é uma coisa que você também precisa admitir. Mesmo esquecendo, por causa da dor e da excitação, tudo
o que vocí * 'dever Ia" fazer não vai alterar o desfecho do parto ou torná-la um
fracasso.
Aprender tudo o que puder a respeito
nai « u W ou nos livros t uma colaa; outra bem diversa é ficar tão obcecada pelo "parto n a t u r a l " a ponto de esquecer
que o parto é um processo natural —
processo que as mulheres constguem su-
I
í
[
:
"Receio fazer alguma coisa constrangedora durante o trabalho de parto."
A
possibilidade de berrar ou de chorar,
ou de involuntariamente urinar ou
defecar, talvez pareça constrangedora
agora. Durante o trabalho de parto, contudo, evitar a humilhação vai ser a última coisa em que a parturiente pensará.
Ademais, nada do que se faz ou se diz
durante o trabalho de parto vai chocar
ou desagradar todos os atendentes, que
sem dúvida alguma tudo já viram e ouviram muitas vezes antes. O mais importante é ser você mesma, fazer o que lhe
parecer mais cômodo. Quem é normalmente uma pessoa emotiva, extrovertida, não deve tentar reprimir os gemidos
e grunhidos. Por outro lado, quem normalmente é inibida e prefere chorar em
silêncio no travesseiro não deve sentirse na obrigação de dar gritos para que
a parturiente da sala ao lado ouça.
"A hipótese de perder o contrate durante o parto me deixa apavorada."
P
ara a geração dosou-independente,
tenho-que-tomar-conta-da-minhaprópria-vida, a idéia de perder o controle
sobre o trabalho de parto e o parto perante a equipe obstétrica pode ser algo
desalentador. Naturalmente a leitora
quer que os obstetras e as enfermeiras
prestem o melhor atendimento possível
a si própria e ao bebê. Mas apesar disso
gostaria de manter um pouco de controle. E pode — é só Insistir nos exercícios
preparatórios, se familiarizar com o processo do nascimento passo a passo (ver
p. 330) e desenvolver um bom relacionamento com um obstetra que respeite as
suas opiniões. Também a^jd-R aaumen-
246
OS NOVE MESES.
tar o controle o seguinte: estabelecer um
plano de nascimento {ver p. 263) com o
médico, especificando o que você gostaria e o que você não gostaria durante o
trabalho de parto e o parto.
Mas com isso dito e feito, é importante
compreender que você não necessariamente será capaz de permanecer no controle absoluto da situação e que tudo
correrá conforme planejado. O melhor
plano é o que admite uma série de circunstâncias imprevistas. É preciso estar
mentalmente preparada para as situações
mais comuns que podem se desdobrar
durante o parto e para a possibilidade de
que os procedimentos e intervenções que
você pretendia evitar talvez sejam inevitáveis no último minuto. Por exemplo:
você pretendia dar à luz sem uma episiotomia, mas o períneo se recusa a ceder depois de três horas de esforços expulsivos. Outro exemplo: você pretendia nâo tomar remédio algum, mas uma
fase ativa extremamente longa e exigente tirou-lhe as forças, É importante
aprender a desistir desse controle no melhor do seu interesse e no do interesse do
bebê.
O QUE É IMPORTANTE SABER:
A PREPARAÇÃO FORMAL PARA O PARTO
Q
uando seus pais a esperavam, estar preparado para o parto significava que o quarto do bebê já estava pintado, o enxoval já havia sido encomendado, e a mala cheia de camisolas
bonitas já estava pronta, junto à porta.
Antecipava-se a chegada da criança —
e não a experiência do parto; para ela é
que o casal se preparava e se organizava. As mulheres pouco sabiam o que esperar durante o trabalho de parto e o
parto; os maridos muito menos. E como
era quase certo que a mâe viesse a estar
inconsciente durante o parto, e o pai ausente folheando revistas na sala de espera, a sua ignorância era de poucas conseqüências.
Hoje, que a anestesia geral é reservada sobretudo às cesarianas de emergência, as salas de espera são para avós
nervosos e a mãe e o pai ficam juntos durante o parto, nâo se recomenda e nem
mais se aceita a ignorância. A preparação para o parto tornou-se sinônimo de
preparação também para o trabalho de
parto e para a chegada do bebê. Os casais grávidos devoram livros, artigos de
revistas e todo tipo de informação que
lhes chegam às mãos. Participam plenamente das consultas no pré-natal, buscando respostas para as suas dúvidas,
tentando mitigar as suas preocupações.
E cada vez mais passam a freqüentar os
cursos preparatórios.
O que sâo tais cursos e por que proliferam mais rápido que as estrias na barriga durante o sexto mês? As aulas
pioneiras visavam dar um novo enfoque
ao parto — sem medicação e sem medo
— e eram conhecidas como aulas sobre
" p a r t o natural". Desde então, tem havido uma mudança de orientação, e a ênfase no parto natural (embora ainda
considerado o ideal) foi transferida para a preparação para muitas das possíveis eventualidades durante o trabalho de
parto e o parto. Assim, se o processo vai
transcorrer com ou sem o uso de medicamentos, se o parto vai ser vaginal ou
cirúrgico, se vai precisar ou nâo de eplsiotomia, serão questões perfeitamente
compreendidas pelos pais, que turâo portanto a participação mais plena possível,
O SEXTO MÊS
Os currículos, na grande maioria,
baseiam-se no seguinte:
• A miuistração de informações precisas, com a meta de reduzir o medo,
melhorar a capacidade de enfrentar a
dor e aumentar a capacidade decisória do casal.
• O ensinamento de exercícios especiais
de relaxamento, de desligamento, de
controle muscular e de atividade respiratória — que aumentam a sensação
de controle do casal sobre o processo
e contribuem para uma melhor resistência por parte da mulher e uma menor percepção da dor.
• O desenvolvimento de uma relação
produtiva entre a mãe em trabalho de
parto e o seu auxiliar, em geral o marido, que, se mantida durante o trabalho de parto e o parto, propiciará
um ambiente mais alentador capaz,
por sua vez, de minimizar as ansiedades da mãe e otimizar os esforços durante o trabalho de parto.
OS BENEFÍCIOS DOS
CURSOS PREPARATÓRIOS
0
247
trole da dor durante o trabalho de parto; outros acham que os exercícios
rítmicos e repetitivos são forçados e impertinentes (que geram tensão, e não que
a aliviam), preferindo não os empregar.
Mas todos os casais, no entanto, parecem lucrar alguma coisa com um bom
curso preparatório — e certamente nada têm a perder. Entre os benefícios
estão:
• A oportunidade de ficar algum tempo j u n t o a outros casais grávidos:
compartilhar as experiências gestacionais, comparar os progressos, trocar
histórias de infortúnios, de preocupações, de males e de dores. Dá também
à gestante a oportunidade de fazer
amigas-com-filhos, para depois. Muitos cursos promovem "reuniões" depois que todas tiveram filhos.
• Maior envolvimento do pai na gestação, particularmente importante se ele
não puder comparecer às consultas do
pré-natal. As aulas o familiarizarão
com o processo do trabalho de parto
e o parto de sorte a torná-lo um auxiliar mais competente, e permitir-lhe
encontrar outros pais na mesma situação. Há cursos que incluem aulas só
para os pais, dando-lhes a oportunidade de exprimirem e de encontrarem
alívio para preocupações que relutem
em expor diante das esposa».
quanto se beneficiará o casal do
curso empreendido vai depender do
curso, dos professores e de suas próprias
atitudes. As aulas funcionam melhor pa•
ra alguns casais do que para outros. Alguns prosperam em situações de grupo
e acham natural e útil partilhar os sentimentos; outros não ficam à vontade
em grupo e encontram dificuldade em
partilhar sentimentos, julgando tal atitude improdutiva. Alguns desfrutam do
•
aprendizudo dos exercícios respiratórios
e de relaxamento, enquanto outros consideram a repetição dos exercícios artificial e intrusa, produzindo tensão ao
Invés de alivio. Algumas pessoas acabam
vendo neles grande utilidade para o con- I •
Uma oportunidade semanal de trazer
as perguntas que surgem às consultas
obstétricas, ou que a gestante não se
sente à vontade para perguntar ao
médico.
Uma oportunidade de aprender os
exercícios respiratórios, de relaxamento e as técnicas auxiliares (aprendidas
pelo marido) e de dispor do feecJback
de um especialista.
Uma oportunidade de ganhar confiou-
248
OS NOVE MESES.
ça ao se ver capaz de fazer frente às
exaustivas demandas do trabalho de
parto e do parto, graças a um melhor
conhecimento (que ajuda a banir o
medo do desconhecido) e a um melhor
preparo para superar aquelas situações, conferindo à participante uma
maior sensação de controle.
• Uma oportunidade de aprender certas
estratégias que ajudam a diminuir a
percepção da dor e a aumentar a tolerância a ela durante o trabalho de parto e o parto — o que pode se traduzir
numa menor necessidade de medicação.
• A possibilidade de um trabalho de parto menos extenuante, mais eficiente,
graças à compreensão do processo do
nascimento e ao desenvolvimento de
técnicas para enfrentá-lo. Os casais
que fazem curso preparatório em geral consideram a experiência do parto mais gratificante do que os que não
o fazem.
• Possivelmente, um trabalho de parto
mais abreviado. As pesquisas mostram que em média o trabalho de parto das gestantes preparadas em curso
é de menor duração do que o das outras, provavelmente porque o treinamento e a preparação permitem que
elas trabalhem a favor, e não contra,
o trabalho do útero. (Não há garantia de trabalho de parto abreviado, só
a possibilidade de um de menor
duração.)
A ESCOLHA DO CURSO
E
m algumas comunidades onde há
poucos cursos preparatórios e distantes um do outro, a escolha é relativamente simples. Em outras, a variedade de
opções chega a dificultar a escolha ou a
confundir. Nos Estados Unidos há cur-
sos ministrados por hospitais, por instrutores particulares e por obstetras via
consultórios. Existem cursos preparatórios feitos no primeiro ou no segundo
trimestre que cobrem uma série de
preocupações como nutrição, exercidos,
desenvolvimento fetal, higiene, sexuatidade, sonhos e fantasia;.; há também os
de última hora, intensivos, com 6 a 10
semanas de duração, que em geral começam no sétimo ou no oitavo mês e que
se concentram no trabalho de parte», no
parto e no puerpério, levando em conta
já os cuidados com o bebê.
Se forem poucas as opções, entrar para qualquer curso existente é melhor do
que não entrar para nenhum — desde
que a gestante mantenha a devida perspectiva e não aceite tudo o que se prega
nas aulas como se fossem palavras do
evangelho. Se houver várias opções, fazer a escolha baseada nos seguintes elementos talvez seja o mais conveniente:
• Fazer um curso que seja ministrado
pelo próprio obstetra ou de que ele
participe, ou que seja recomendado
por ele. Eis aí muitas vezes a melhor
opção. Se a doutrina do instrutor sobre o parto e o trabalho de parto diferir muito da seguida pelo seu
obstetra, poderão surgir muitos conflitos e contradições. Se surgirem diferenças de opinião, certifique-se de
esclarecê-las com o seu obstetra antes
do parto.
• Os pequenos são os melhores. O ideal
são cinco a seis casais por turma; não
se recomenda mais do que 10. Não só
o professor terá mais tempo para dar
atenção Individualizada aos casuls —
particularmente importante durante as
sessões de ginástica respiratória e de
relaxamento — como também a camaradagem que se cria nos grupos pequenos em geral tem laços mais fortes,
• Os cursos que geram expectativas ir-
O SEXTO MÊS
reais poderão funcionar contra você.
(Se houver garantia de que o curso vai
tornar o trabalho de parto de curta
duração, ou transformá-lo numa experiência sem dor .ou gloriosa, por
exemplo, cuidado.) Não há uma forma de saber ao certo quais os princípios doutrinários dos instrutores antes
ei e se assistir às aulas — mas uma conversa com eles mantida antes de pagar pelo curso pode lhe dar uma idéia.
• Qua1 o índice de trabalho de parto sem
medicamentos entre as "graduadas"
do curso? Essa pode ser uma in formação de grande utilidade, embora possa ser também enganadora. O baixo
índice significa que as alunas estavam
tão bem preparadas nas várias estratégias de combate à dor que dificilmente precisaram de medicação? Ou
que estavam tão convencidas de que
pedir medicação era sinal de fracasso que estoicaniente suportaram as dores cruciantes? Talvez a melhor forma
de encontrar a resposta seja conversando com algumas das graduadas.
• Como é o currículo? Peça um prospecto do que se ensina no curso e, se possível, assista a uma aula como ouvinte.
O bom curso deve incluir uma discussão sobre a cesariana (admitii.do que
15% a 25% das alunas vão acabar fazendo uma) e uma sobre o uso de medicamento
(reconhecendo
que
algumas irão sempre necessitar). E
também tratará dos aspectos psicológicos e emocionais, assim como dos
aspectos técnicos do parto.
• Como silo ministradas as aulas?
Mostram-se filmes de partos reais?
Participam das aulas casais que recentemente se tornaram papais? Há discussão ou apenas monólogo do instrutor? Há oportunidade para os futuros papais formularem perguntas?
Dedica-se temDO suficiente durante as
249
aulas para a prática das várias técnicas e dos vários exercícios ensinados?
É seguida alguma doutrina em particular — a de Lamaze ou a de Bradley,
por exemplo?
AS ESCOLAS
DE PENSAMENTO
MAIS COMUNS
H
á três linhas doutrinárias principais
sobre a preparação para o parto,
embora muitos instrutores combinem
elementos de cada uma delas em suas
aulas.
Grantly Dick-Read. A mistura de técnicas de relaxamento com a preparação
pré-natal para romper o ciclo de medotensão-dor do trabalho de parto e do
parto é o fundamento dessa filosofia psicofísica que remonta às décadas de 40 e
50 e que representa o primeiro enfoque
organizado para a preparação ao parto
nos EUA. Foi a primeira a incluir os pais
no processo de preparação e a levá-los
à sala de parto. Os programas começam
no quarto mês e são conduzidos por instrutores treinados e formados no método Gamper (batizado em homenagem a
Margaret Gamper, a enfermeira que inspirou o Dr. Dick-Read).
Luinaze. Também chamado de método
psicoprofilático, esse enfoque, cujas primeiras experiências foram realizadas pelo Dr. Ferdinand Lamaze, é semelhante
em grande medida ao anterior em que as
principais armas contra a dor são o conhecimento e as técnicas de relaxamento. Além disso, o método de Lamaze
depende do condicionamento, à Pavlov,
que condicionou cães para que salivassem ao soar de uma campainha, A gestante é assim condicionada, através de
treinamento e prática intensivos, a substituir as reações cnnfrfmrnH,>™=r,,„r. a-
250
OS NOVE MESES.
contrações do trabalho de parto pelas
reações de maior utilidade, O pai ou outro auxiliar é treinado com a mãe para
assisti-la durante o trabalho de parto e
o parto,
Bradley. Esse enfoque, que deu origem
ao parto auxiliado pelo marido, insiste
na boa dieta e no uso dos exercícios para mitigar os incômodos da gravidez e
preparar os músculos para o nascimento e os seios para o aleitamento. As mulheres aprendem a imitar a sua posição
e respiração durante o sono (que é lenta
e profunda) e a usar o relaxamento para
tornar o primeiro período do trabalho de
parto mais cômodo, Em lugar da respiração ofegante e de ritmos respiratórios
do método Lamaze, o método Bradley
emprega a respiração abdominal profunda; em vez de usar a distração e um foco de concentração fora do corpo para
afastar do pensamento o incômodo, o
método recomenda que a mulher em trabalho de parto se concentre em si mesma e trabalhe com o corpo. A medicação
é reservada para as complicações e para
as cesarianas: cerca de 94% das adeptas
do método passam bem sem ela. As au-
las começam tão logo tenha início a gestação e prosseguem durante o puerpério,
na crença de que sejam necessários os
nove meses completos para que a mulher
se prepare física e emocionalmente para
o trabalho de parto e o parto.
Outros enfoques doutrinários. Os educadores com diploma da International
ChildbirLh Education Association (Associação Internacional para a Preparação
ao Parto) apoiam o atendimento obstétrico centrado na família e a menor intervenção médica possível. Há também
nos EUA cursos preparatórios destinados a orientar os pais para o parto em
determinado hospital e turmas patrocinadas por equipes médicas, pela organização da manutenção da saúde (HMO)
e por outros grupos provedores de atendimento à saúde. Muitos desses cursos
nâo seguem uma linha doutrinária definida, escolhendo o melhor de tudc o que
se sabe sobre a preparação ao parto e
modificando o seu currículo à medida
que chegam novas informações. Em algumas cidades, a preparação para a gravidez e o parto é feita em turmas que
costumam iniciar no primeiro trimestre.
— 1 1 —
O Sétimo
Mês
A Consulta
O
obstetra, dependendo de seu estilo
e das necessidades da gestante, vai
verificar: 1
• Peso e pressão arterial
• Pés e mãos, para surpreender edema
(inchação), e pernas, para identificar
varizes
• Os sintomas apresentados, principalmente os menos comuns
• Urina (açúcar e proteínas)
• Batimento cardiofetal
• As questões e os problemas que a gestante queira discutir — levar u m a lista pronta
• Altura do fundo (alto do útero)
• Tamanho e posição do feto, por palpação externa
Os Sintomas Comuns
A
gestante ora apresenta todos eles,
ora só alguns. Há os que persistem desde o mês anterior, mas pode ter surgido algum outro. Alguns s i o
difíceis de perceber por ela ter-se acos-
'Ver Apêndice para a explicação dos procedimentos e dos exames realizados.
tumado a eles. Por vezes aparecem outros, bem menos freqüentes.
FÍSICOS:
• Atividade fetal mais vigorosa e mate
freqüente
* IníOTsíflcaçSc áa secr:
c nçxal
BRI? 7X"; • .ÇP.Í & ÇAVOKT'
252
OS NOVE MESES.
• Dolorimento no baixo ventre
• Esquecimento, distração
• Prisão de ventre
• Sonhos e fantasias a respeito do bebê
• Azia, dispepsia, flatuiência, distensão
abdominal
• Maior aborrecimento e enfado com a
gestação, começa a ansiedade para vêla terminar.
• Dor de cabeça, desmaio e tonteira ocasionais
• Congestão e sangramento nasa! esporádico; entupimento dos ouvidos
• Sangramento das gengivas
• Cãibras nas pernas
O A s p e c t o Físico
NO SÉTIMO MÊS
• Dores nas costas
• Edema leve (inchação) dos tornozelos
e dos pés, e por vezes das mãos e do
rosto
• Varizes nas pernas
• Hemorróidas
• Coceira na barriga
• Falta de ar
• Dificuldade no sono
• Esparsas contrações de Braxton
Hicks, em geral indolores (o útero se
endurece por um minuto, e depois volta ao normal)
» Desequilíbrio (aumentando o risco de
quedas)
• Colostro, espontâneo ou à expressão,
nos seios crescidos
EMOCIONAIS!
• Maior apreensão com respeito à maternidade, à saúde do bebê, ao trabalho de parto e ao parto
ça a se depositar no feio. Ele poderá sugar o polegar, soluçar, chorar; pode sentir
gosto amargo ou doce; responder a estímulos, entre os quais a luz, dor e sons.
A Junção placvnitírla eamtçç u declinar,
bem como o volume cio liquido amniótico, à proporção que o concepto, Jti com
I.SOO g, passa a ocupar o espaço uterino. São boas as chances de sobrevida nesse período.
O SÉTIMO MÊS
231
As Preocupações Comuns
aumento da fadiga
"Ouvi dizer que as gestantes devem se sentir
ótimas no último trimestre. Pois eu me sinto
cansada o tempo todo."
E
xpressões do tipo "deve se sentir assim ou assado" devem ser banidas
do vocabulário da gestante. Não há um
isso ou um aquilo que as gestantes devam todas sentir, uniformemente. Embora algumas mulheres sintam-se menos
cansadas no terceiro trimestre, em comparação com o primeiro e o segundo, é
perfeitamente normal a persistência ou
mesmo o agravamento da fadiga. Na
realidade, são maiores as razões para que
a gestante se sinta cansada no último trimestre do que para sentir-se ótima, bemdisposta. Em primeiro lugar, o peso suportado pela mulher é bem maior do que
nos meses anteriores. Segundo, por causa de sua massa volumosa, é possível que
tenha problemas durante o sono, que
também poderá ser prejudicado pela torrente de preocupações, planos e fantasias em relação ao bebê. Tomar conta de
outros filhos, trabalhar, ou os dois ao
mesmo tempo pode ser um outro peso
para a gestante — o mesmo vale dizer
quanto aos preparativos para o novo
bebê.
Só porque a fadiga é parte normal da
gestação isso não significa que se deva
ignorá-la. Como sempre, é sinal dado pelo organismo de que você precisa repousar, ir mais devagar, Siga o conselho:
repouse e relaxe o mais que puder. Vão
ser necessárias todas tis forças que puderem ser poupadas para o trabalho de
parto, o parto e — ainda mais importante — para o que vem depois.
A fadiga extrema que não cede depois
de repouso prolongado deve ser comu-
nicada ao médico. A anemia (ver p. 189)
às vezes ataca no início do terceiro trimestre, motivo por que muitos obstetras
tentam surpreendê-la com um exame de
sangue rotineiro feito no sétimo mês.
preocupações quanto
a o b e m - e s t a r d o bebê
"Preocupo-me a todo instante se M algo de errado com o bebê."
P
rovavelmente não há uma única futura mamãe (ou futuro papai) que
não tenha sido acometida por esse mesmo receio. Algumas inclusive deixam de
fazer o enxoval, de comprar os móveis
e de escolher o nome do bebê enquanto
os dedos dos pés e das mãos não tiverem
sido contados, enquanto não se tiver calculado o índice de Apgar e enquanto o
médico não os congratular pelo bebê
sadio.
Mas as chances de se ter um filho normal nunca foram tão boas. O coeficiente de mortalidade infantil nos Estados
Unidos* é o mais baixo da histór ia: pouco mais de 9 por 1.000 nascimentos (e
ainda mais para as mulheres da classe
média), 2 E a maioria dos óbitos perinatais (por ocasião do nascimento) ocorre
em nascidos de mulheres indigentes que
•Embora não se disponha de dados confiáveis
c precisos para o Brasil, o coeficiente de mortalidade infamit no Estado de São Paulo ao iniciar a década de 80 beirava os 6 em 100 nascidos
vivos, (N, do T.)
'Estimativa de fontes governamentais norteamericanas para 1990. Embora represente progresso em relação ao passado, é ainda bem mais
elevada do que os Índices em muitos outros países. Motivo: atendimento médico inadequado
dos mais pobres.
254
OS NOVE MESES.
vivem em cidades do interior ou em zonas rurais com precárias condições de
atendimento e que além disso costumam
não receber nutrição suficiente. A maioria dos outros casos se dá em gestantes
de alto risco: as com história familiar de
doença genética; com enfermidades crônicas não-controladas; alcoólatras e/ou
fumantes ou dependentes de drogas; ou
que têm gravidez gemelar. Mesmo para
ei.tas, a supervisão médica cuidadosa e
o melhor atendimento pré-natal fizeram
recentemente crescer-lhes em muito as
chances de ter bebês sadios.
Alguns especialistas previram que à
medida que o coeficiente de mortalidade
infantil declinasse — porque um maior
número de bebês com anomalias congênitas ia sobreviver graças aos milagres da
medicina — o coeficiente de deficientes
físicos iria aumentar. Pois isso nâo aconteceu; o percentual de anomalias congênitas, na realidade, parece que está declinando. E q u a n d o uma criança nasce
com uma anomalia congênita, não será
necessariamente portadora de deficiência
física permanente. A maioria das anomalias menores, de menor gravidade, é hoje
passível de correção. Quando diagnosticadas in utero, algumas podem ser tratadas mesmo antes do nascimento, quer
por cirurgia, quer por medicamentos.
Pouco depois do nascimento, muitas cardiopatias congênitas e outras anomalias
internas podem ser corrigidas com cirurgia, assim c o m o a fenda palatina e as
anormalidades dos ossos e dos membros
podem se r reparadas cirurgicamente mais
tarde. As crianças com deficiência intelectual sâo capazes de, com a intervenção
precoce, fazer progressos extraordinários.
Assim, quando a preocupação a atacar, contra-ataque-a — sabendo que o
bebê não poderia ter escolhido uma época mais oportuna para nascer (e crescer)
com saúde,
E, naturalmente, continue a fazer tudo que puder para dar a seu bebê as melhores chances possíveis.
EDEMA (INCHAÇÂO)
DAS MÃOS E DOS PÉS
"Meus tornozelos parecem inchados,
especial-
mente em tempo mais quente. É um mau sinal? "
O
edema de qualquer grau (que nada
mais é que o intumescimento por
acúmulo excessivo de líquido nos tecidos) era antigamente considerado um sinal de perigo em potencial du r ante a
gestação. Hoje, os médicos admitem que
o edema leve se relaciona ao aumento
normal e necessário dos líquidos orgânicos durante o período. Um certo edema dos tornozelos e d a s pernas sem se
acompanhar dc outros sintomas que sugiram o desenvolvimento de préeclâmpsia (ver adiante) é considerado
normal. Com efeito, 7 5 % das mulheres
desenvolvem esse tipo de edema em algum momento do ciclo gestacional.' É
particularmente comum ao Fim do dia,
durante os dias quentes, ou depois de a
gestante ter ficado de pé ou sentada por
um período considerável. Desaparece em
grande medida, para a maioria das mulheres, pela manhã ou após várias horas
deitada.
Em geral, o edema nada mais causa
além de um pouco de incômodo. Para
aliviá-lo, convém elevar as pernas ou deitar sempre que puder, preferivelmente
sobre o lado esquerdo; usar sapatos ou
chinelos confortáveis; evitar as meias comuns ou soquetes com elástico à altura
do tornozelo,
Se você achar muito incômodo o edema, tente as meias elásticas. Existem de
diversos tipos para a gestante, portanto
consulte o médico para ver se há alguma recomendação especial para o seu caso. Ao comprá-las escolha o número
'Isüo significa que uma em cada quntro gestantes nunca apresenta edema, o que também é absolutamente normal. Outras podem nâo o
perceber.
O SÉTIMO MÊS
segundo o peso antes da gestação. Vistaa antes de levantar pela manhã, enquanto a inchação é pequena.
Ajude o organismo a eliminar os produtos de escória bebendo pelo menos oito a dez copos de líquido por dia.
Paradoxalmente, beber um volume ainda maior de líquido — até 4 litros por
dia — a j u d a muitas mulheres a evitar a
retenção hídrica. Mas não beba mais de
dois copos cheios de uma vez, e não se
encha tanto que nãc sobre mais espaço
paia os outros 11 componentes das exigências nutricionais diárias. Embora não
se creií. mais que seja conveniente fazer
restrição de sal durante a gravidez (o sal
pode ser restringido em algumas mulheres com hipertensão arterial), tampouco
sábia é a ingestão excessiva de sal, pois
é capaz de aumentar a retenção hídrica.
Se as mãos ou o rosto ficarem inchados, ou se o edema persistir por mais de
24 horas de uma só vez, convém notificar o médico. Esse edema pode ser ins i g n i ) , c a n t e , mas t a m b é m — se
acompanhado de rápido ganho ponderai, de elevação da pressão arterial e de
proteína na urina — poderá indicar início de pré-eclâmpsia (hipertensão induzida pela gravidez, ver p. 240).
AUMENTO DA
TEMPERATURA CUTÂNEA
"A motor Pi. rte tio tempv sinto que extou quente, e suo muito. Isso è normal?"
C
om a elevação em 20°7o da taxa metabólica basal da gestante (ou seja,
a taxa ou ritmo em que o corpo gasta a
energia durante o repouso absoluto) vem
o calor. Não só vai a gestante sentir calor em tempo quente, como também poderá sentir calor no inverno — quando
todos sentem frio. Além disso, provavelmeni e transpirará mais, sobretudo à noite. O que é um raal que vem para bem.
231
Embora profundamente desagradável, a
trans pi ração noturna a j u d a no resfriamento do organismo e na eliminação das
escórias metabólicas do corpo.
Para minimizar o incômodo: tomar
banhos freqüentes; usar bom desodorante; e usar várias blusas no inverno (em
vez de só um agasalho grosso) — ê só ir
tirando-as ao começar a sentir muito calor. E nunca esquecer de beber líquidos
em abundância para repor os perdidcs
pelos poros.
O ORGASMO E O BEBÊ
"Depois de eu ter um orgasmo o bebê pára de
chutar por cerca de meia hora. O sexo ê prejudicial a ele nessa fase da gravidez?"
O
s bebês são pessoas mesmo quando
ainda se encontram dentro do útero. E as reações à atividade sexual dos
pais variam muito. Alguns, talvez como
o do caso apontado, são embalados e
adormecem ao movimento rítmico do
coito e às contrações uterinas que acompanham o orgasmo. Outros, estimulados
pela atividade, podem se tornar mais ativos. Ambas as reações são normais; nenhuma denuncia a percepção por parte
do feto do que está se passando, ou qualquer espécie de sofrimento fetal.
Já afirmar que as relações sexuais são
totalmente seguras nos dois últimos meses de gestação, mesmo na gravidez normal, é questão de crescente controvérsia
na comunidade obstétrica. Inocentado
há vários anos como fator contribuinte
ao trabalho de parto prematuro e às infecçôes perinatais, o coito nas últimas semanas de gestação torna a ser implicado
nessas complicações pelos pesquisadores.
Para saber o que é considerado seguro
na atividade sexual do casal durante a
gravidez, consultar Fazendo Sexo Durante a Gravide2, p, 199.
256
OS NOVE MESES.
TRABALHO DE PARTO
PREMATURO
"Há alguma coisa que eu possa fazer para ter
certeza de que meu filho nâo vai ser prematuro?"
r
maior o número de bebês que nascem pós-maturos. Nos EUA, apenas
7-10 entre 100 partos sâo prematuros ou
pré-termo — ou seja, ocorrem antes de
37 semanas de gestação. Um terço dos
partos prematuros ocorre porque o trabalho de parto começa antes do previsto; um terço por causa do rompimento
prematuro das membranas; e o outro
terço por causa de problema materno
ou fetal. Cerca de 3 em 4 ocorrem em
mulheres cujo risco de prematuridade é
conhecido. O índice de partos prematuros é inferior nas mulheres de raça branca (menos de 6 em 100) e mais elevado
em mulheres de raça negra (aproximadamente 13 em 100), isso, ao menos em
parte, por razões sócio-econômicas. Os
extraordinários progressos da prevenção
do trabalho de parto prematuro, com um
melhor e mais acessível atendimento prénatal, devem reduzir a longo prazo a incidência desse problema.
Há uma ampla gama de fatores que
parecem se relacionar com maior risco
de prematuridade. Quanto mais fatores
de risco encontrados na história obstétrica da gestante, maior a probabilidade
de o parto ser prematuro, Os fatores de
risco arrolados a seguir podem ser eliminados em muitos casos, aumentando em
muito a probabilidade de a gestante chegar ao termo;
E
Tabagismo, Renunciar aos cigarros antes da concepção ou o quanto antes possível ao engravidar.
Consumo de álcool. Evitar o consumo
regular de cerveja, vinho e licor (ninguém sabe ao certo quanto é demais, e
por isso é mais segura a abstenção).
Abuso de drogas. Não fazer uso de medicamentos sem a aprovação de um médico que esteja ciente de sua gravidez;
não fazer uso de outras drogas.
Ganho de peso insuficiente. Se o peso
pré-gestacional era normal, é preciso ganhar no mínimo 10 quilos; se estava bem
abaixo do normal, é preciso ganhar uns
15 quilos. (As mais obesas, com nutrição excelente e com a permissão do médico, podem ganhar menos peso com
segurança,)
Nutrição Insuficiente. Seguir uma dieta
bem-balanceada (ver a Dieta Ideal, p.
109) durante toda a gravidez. Certificarse de que o complemento vitamínico contém zinco; algumas pesquisas recentes
vincularam a deficiência de zinco à prematuridade.
Trabalhar de pé ou com atividade física
intensa. Se o trabalho sozinho ou o trabalho e mais os afazeres domésticos exigirem que você fique de pé por várias
horas diariamente, pare de trabalhar ou
diminua a carga horária.
Relações sexuais (para algumas mulheres). Às gestantes com risco elevado de
parto prematuro em geral se recomenda
a abstinência sexual, seja do coito, seja
do orgasmo, durante os últimos três ou
os últimos dois meses de gravidez porque, nessas mulheres, o orgasmo pode
ativar as contrações uterinas.
Desequilíbrio hormonal. Da mesma forma que é capaz de causar o abortamento tardio, o desequilíbrio dos hormônios
pode, ás vezes, desencadear o parto prematuro; a terapêutica hormonal previne
ambos,
Outros fatores de risco nem sempre
são passíveis de eliminação, mas podemse modificar seus efeitos:
O SÉTIMO MÊS
Infecções (como rubéola; certas doenças
venéreas; e infecçâo urinária, vagina! ou
do líquido amniótico). Em presença de
infecção capaz de comprometer o feto,
o trabalho de parto precoce parece ser
a forma do corpo em tentar livrar o bebê do ambiente perigoso. No caso da
infecção do líquido amniótico (corioamniotite), que pode ser causa importante
de trabalho de parto pré-termo, a resposta imunológica do corpo aparentemente
desencadeia a produção de prostaglandinas, o que pode desencadear o trabalho de parto, além de substâncias que
podem lesar as membranas letais, levando a ruptura prematura.
Para reduzir o risco de infecçâo,
afaste-se de pessoas doentes e faça repouso e exercícios suficientes, cuide da
boa nutrição e tenha atendimento prénatal regular. Alguns médicos também
recomendam o uso de preservativo (camisinha) durante os últimos meses de
gravidez para reduzir o risco de infecção
de líquido amniótico.
231
é particulamente irritável, e que essa irritabilidade deixa-o suscetível a contrações
irregulares. Caso sejam identificadas tais
mulheres e acompanhadas no terceiro trimestre, é possível, acreditam alguns, prevenir-lhes o trabalho de parto prematuro
mediante o repouso parcial ou absoluto
no leito e/ou o emprego de medicamentos para interromper as contrações.
Placenta prévia (quando a placenta se localiza na região baixa — inferior — do
útero, perto da cérvice ou sobre ela). Pode ser d i a g n o s t i c a d a pela ultrasonografia ou pode não ser descoberta
até que se note sangramento no meio ou
mais ao fim da gestação. O trabalho de
parto prematuro pode ser evitado pelo
repouso absoluto.
Afccções maternas crônicas (hipertensão
arterial; cardiopatia, hepatopaüa ou nefropatia; diabetes). O bom aiendimento
médico, que por vezes requer o repouso
ao leito, é capaz de muitas vezes prevenir o parto prematuro.
Insuficiência cervieal. Essa condição, em
que o colo uterino debilitado se abre prematuramente, muitas vezes passa sem
diagnóstico até que ocorra enfim um caso de aborto espontâneo tardio ou de trabalho de parto p r e m a t u r o . Após
diagnosticada a condição, o parto prematuro pode ser evitado pela sutura da
cérvice por volta de 14 semanas de gestação. Suspeita-se também que em algumas mulheres, por motivo ignorado e
aparentemente sem relação com a insuficiência cervical, a cérvice comece a se
apagar e a se dilatar precocemente, causa.ido o parto prematuro. O exame de
rotina da cérvice para descobrir tais alterações nos últimos meses da gravidez
em mulheres de alto risco é procedimento
comum e provavelmente de grande utilidade.
Gestante com menos de 17 anos. A boa
nutrição e o atendimento pré-natal ajudam a mãe não só a compensar o crescimento do concepto, mua o próprio.
lrrllabllldude uterlna. As pesquisas sugerem que em algumas mulheres o útero
A gestante com mais de 35 anos. A nutrição ideal, o devido atendimento pré-
Estresse. Às vezes a causa do estresse pode ser eliminada ou minimizada (afastamento de emprego extenuante,
aconselhamento para problemas conjugais, por exemplo); noutras, a eliminação da causa é mais difícil (quando a
mulher perde o emprego e está grávida
e sozinha). Mas todos os tipos de estresse podem ser reduzidos através da educação, das técnicas de relaxamento, da
boa nutrição, do equilíbrio entre o repouso e o exercício, e pela conversa a respeito do problema — muitas vezes em
grupos de mútua ajuda (ver p. 147).
58
OS NOVE MESES.
tatal, a redução do estresse e a triagem
>ré-natal de problemas obstétricos e geléticos específicos ajudam a mãe de mais
dade a reduzir os riscos.
balho de parto precoce, sem razão
aparente. Talvez algum dia se identifique a causa desse problema, mas atualmente são rotulados como " d e causa
desconhecida".
íaixo nível educacional ou sócioxonômico. Uma vez mais, a boa nutri;ão e o acesso precoce, com boa participação, ao atendimento pré-natal bem
;onduzido, além da eliminação de tan,os fatores de risco quanto possível, poJem reduzir esse risco.
Quando estão presentes os fatores de
risco, as pesquisas mostram que é possível reduzir a incidência de prematuridade a t r a v é s da e d u c a ç ã o e da
monitorizaçào uterina em casa. Não se
sabe qual desses elementos é o que ajuda — se a educação e o contato com a
enfermeira, ou se apenas a monitorizaçào, ou ainda se ambos — mas esses programas comprovadamente reduzem os
casos de prematuridade.
Se tiver início o trabalho de parto precoce, o parto em geral pode ser adiado
até que o bebê esteja mais maduro. Mesmo uma breve demora pode ser benéfica; cada dia a mais que o bebê permanece dentro do útero até o termo, maiores suas chances de sobrevida. Assim, a
leitora há de percebei que é importante
se familiarizar com os sinais do trabalho de parto precoce e alertar o obstetra
à menor suspeita de que o trabalho de
parto esteja começando. Não se preocupar quanto a incomodar o médico — não
importa o dia, não importa a hora. Eis
os sinais:
\normalidades estruturais do útero.
Uma vez diagnosticado o problema, a reparação cirúrgica anterior à gravidez pode com freqüência prevenir os futuros
:asos de possível prematuridade.
Gestações múltiplas. As mulheres com
prenhez gemelar têm o parto em média
irês semanas antes do previsto. O atendimento pré-natal meticuloso, a nutrição
ideal, e a eliminação de outros fatores de
risco, junto com mais tempo passado em
repouso, e com restrição das atividades
:onforme necessário no último trimestre,
são medidas que podem prevenir o parto muito precoce.
Anormalidades fetais. Em alguns casos,
• diagnóstico pré-natal pode identificar
uma anomalia passível de tratar,íento na
vida intra-uterina; às vezes, a correção
do problema permite que a gravidez chegue a termo.
História de prematuridade, Quando a
causa é diagnosticada, a prematuridade
pode ser corrigida: o atendimento prénatal de boa qualidade, as reduções dos
outros fatores de risco e a limitação das
atividades ajudam a prevenir a volta do
problema,
Ocasionalmente, nenhum dos fatores
de risco acima citados está presente. A
mulher sadia, com gestação perfeltamen:e normal, entra repentinamente em tra-
• Cólicas como as menstruais, com ou
sem diarréia, náusea ou dispepsia (má
digestão).
• Dores ou pressão na parte baixa das
costas, ou modificação de sua qualidade.
• Dor ou pressão no assoalho pélvico,
nas coxas ou na virilha.
• Mudança na secreção vaginal, sobretudo se ficar aquosa, tingida de sangue, com estrias de cor rosa ou
castanha. A eliminação de tampão
mucoso espesso, gelatinoso, pode ou
não a preceder.
O SÉTIMO MÊS 250
Rompimento das membranas (gotejamento ou jorro de liquido pela
vagina).
todos estes sintomas podem se mani;tar e a gestante não se achar em tralho de parto: só o obstetra saberá dizer
certo. Se ele suspeitar de trabalho de
rto, provavelmente providenciará o
j exame imediatamente. Ver o trata:nto do parto prema*uro na p. 406.
Se ocorrer o trabalho de parto prema:o — aptí a; das medidas tomadas papreveni-lo ou a d i á - l o —, as
obabilidades de a gestante ter bebê
rmal, sadio e de levá-lo do hospital pacasa são excelentes. (Naturalmente,
ra levá-lo para casa poderá demorar
is, semanas ou meses a fim de que tais
obabilidades sejam maiores.)
RESCEM
S RESPONSABILIDADES
bmeço a me preocupar com o emprego: acho
e não serei capaz de dar conta dele, da mia casa, do meu casamento — sem falar do
bê."
) rovavelmente você n ã o vai dar conta de coisa alguma se, ao mesmo
npo, tentar ser uma profissional comtente, uma dona de casa, esposa e exlente mãe — buscando a perfeição em
io. Multas são as puérperas que tenam ser "supermulheres": poucas tiram êxito sem sacrificar a saúde e a
lidade.
Mas será possível sobreviver se você
se reconciliar com a realidade: no princípio, pelo menos, não vai ser possível
fazer tudo o que você quer. Se o emprego, o marido e o bebê são prioridades,
a casa imaculada terá de ceder. Se a maternidade em tempo integral a atrai e você puder ficar em casa por algum tempo,
talvez possa afastar-se de sua carreira
temporariamente. Ou cumprir os compromissos e m h o r á r i o d e meioexpediente. É só questão de decidir quais
são as prioridades.
Qualquer que seja a decisão tomada, a
sua nova vida será mais fácil se você não
a conduzir sozinha. Atrás da mãe mais
bem-sucedida acha-se o pai cooperador,
desejoso de partilhar a carga de trabalho.
Não se sinta culpada ao pedir ao marido
para trocar fraldas e dar banho no bebê
depois de um dia longo e cansativo no
escritório, Talvez seja a melhor forma de
ele arejar a cabeça e, ao mesmo tempo,
começar a conhecer o f i l h a Se o papai
não estiver disponível (todo o tempo ou
parte dele), então a mamãe terá de considerar outras fontes de ajuda: os avós ou
outros parentes, babás, creches,
ACIDENTES
"Perdi o equilíbrio hoje quando estava passeando e caí de barriga na cuiçadu. Nâo estou preocupada com os joelhos e os cotovelos esfolados,
mas só com a possibilidade de ter machucado
o bebê fico apavorada."
A
mulher no último trimestre da gestação não é exatamente a mais graciosa das criaturas da terra. A falta de sen-
Não Retenha (A Urina)
O hábito de nSo urinar quando se sente
vontadv aumenta o rlico de que uma inflamaçflo urlndrla Irrite o útero e dê Início às
231
contrações. Portanto: nâo prenda, n í o retenhu a urina,
260
OS NOVE MESES.
so de equilíbrio (devido ao deslocamento à frente do centro de gravidade do
corpo) e as articulações mais frouxas,
menos estáveis, contribuem para a falta
de jeito, para a inépcia, e a tornam propensa a quedas — sobretudo aos 'ombos
de barriga, O mesmo se há de dizer da
sua tendência ao cansaço, da sua predisposição à preocupação e ao devaneio e
à dificuldade de conseguir ver os pés por
sobre a barriga.
Embora um tombo no meio-fio possa
deixar a gestante coberta de arranhões
e de esfoladuras (sobretudo no ego), é extremamente raro o feto sofrer conseqüências do episódio. O bebê se acha
protegido pelo sistema de absorção de
choques mais sofisticado do mundo,
que se compõe de líquido amniótico,
membranas resistentes, um útero muscular e elástico e uma robusta cavidade abdominal cingida por músculos e
ossos. Para que algo penetre neste sistema e para que o bebê sofra conseqüências, o traumatismo tem de ser muito
sério — do tipo que se tenha de ir parar num hospital.
Embora provavelmente o concepto
não tenha sofrido qualquer dano, o médico deverá tomar conhecimento da
ocorrência de uma queda. Talvez lhe peça para ir ao consultório a fim de verificar o batimento cardíaco do bebê —
principalmente para afastar as preocupações de sua cabeça.
Na rara ocasião em que a lesão traumática compromete a gestação por causa do acidente, os casos mais prováveis
são o de deslocamento prematuro da placenta, parcial ou completo, com separação entre a placenta e a parede uterina
— uma lesão que requer o pronto atendimento por parte do médico. Se perceber sangramento vaginal, escoamento de
líquido amniótico, ou contrações uterinas, ou se o bebê parecer anormalmente
inativo, procure auxílio médico imediatamente. Fuça com que alguém a leve para uni serviço de emergência ou pron-
to-socorro, caso não consiga entrar em
contato com seu médico.
DOR LOMBAR
E NAS PERNAS (CIÁTICA)
"Venho sentindo dor no lado direito das costas, que depois desce para o quadril e para a
perna. O que está acontecendo?"
O
nome parece indicar outro perigo
ocupacional para a mãe expectante.
A pressão do útero em crescimento, que
é responsável por tantos outros incômodos, pode também atingir o nervo ciático — causando dor lombar baixa, nas
nádegas e nas pernas. O repouso, e a
aplicação de calor local, pode ajudar. A
dor pode passar com a mudança de posição do bebê ou persistir até a hora do
parto. Em alguns casos mais acentuac.os,
recomenda-se repouso no leito durante
alguns dias ou então exercícios especi lis.
ERUPÇÕES NA PELE
"Se já nâo bastassem as estrias, agora estou
cheia de coceira e com uma espécie de urticúria."
F
altam menos de três meses para o
parto, quando então você poderá dizer adeus a todos os efeitos indesejáveis
da gravidez — inclusive essa erupção. É
bom saber que nào representa nenhum
risco para você e para o bebê. Trata-se
de uma curiosa erupção: são as placas e
pápulas urlicadas da gravidez e que também sâo pruriginosas (coçain). A condição desaparece depois do parto e não
costuma retornar em gestações subseqüentes, Embora as placas muitas vezes
se desenvolvam junto às estrias, às vezes aparecem nas coxas, nas nádegas,
nos braços. Mostre-as uo médico, É provável que prescreva algum niedicamen-
O SÉTIMO MÊS
to tópico ou nâo para aliviar o desconforto.
Muitas outras erupções cutâneas podem surgir na gravidez. Dificilmente representam problema de maior gravidade.
Mostre-as sempre ao médico: algumas
precisam ser tratadas, outras desaparecem espontaneamente depois do parto.
SOLUÇOS FETAIS
"Às vezes sinto pequenos espasmos regalares
na barriga, É chute, contorção ou o quê?
A
credite se quiser, o bebê ficou com
soluço. É fenômeno comum em
conceptos na segunda metade da gestação. Alguns soluçam várias vezes ao dia,
todos os dias. Outros nunca os apresentam. O mesmo quadro poderá persistir
depois do nascimento.
Mas antes de tentar fazer com que o
bebê prenda a respiração, convém saber
que o soluço nâo causa em bebês (dentro ou fora do útero) o mesmo incômodo que causa em adultos — ainda
quando persistem por 20 minutos ou
mais. Portanto, relaxe e desfrute desse
passatempo que vem de dentro.
SONHOS E FANTASIAS
"Tenho tido tantos sonhos vividos com o bebê
que acho que estou ficando louca,"
E
mbora os muitos sonhos noturnos e
diurnos (ora tenebrosos, ora agradáveis) <j'ic a gestante costuma ter no último trimestre possam lhe dar a impressão
de estar perdendo o senso, na realidade
o que de fato propiciam é a sua saúde
mental. Os sonhos e as fantasias são absolutamente normais e ajudam a gestante
a solucionar as preocupações e os medos
de forma sudla.
O conteúdo dos sonhos e das fantasias
comumente manifestados nas gestantes
261
exprime os sentimentos profundos e as
preocupações que, não fossem eles, poderiam ser suprimidos. Entre os sonhos,
estão:
• Estar despreparada, perder objetos,
esquecer de alimentar o bebê; perder
a hora da consulta; sair para fazer
compras e esquecer o bebê; estar despreparada para o bebê quando ele chegar; perder a chave do carro, Ou
mesmo o bebê — são quadros oníricos que exprimem o receio de não se
estar à altura da maternidade que se
aproxima.
• Ser atacada ou ferida — por intrusos,
ladrões, animais; cair de uma escada
depois de um empurrão ou de um escorregão — podem representar o sentimento de vulnerabilidade.
• Ver-se aprisionada ou sem chance de
escapar — presa num túnel, num carro, num quarto pequeno; afogar-se
numa piscina, em lago com neve derretida, em lava-carros de posto de gasolina — podem significar o medo de
se ver amarrada e privada da liberdade pelo bebê.
• Sair da dieta — ganhar muito peso, ou
ganhar muitos quilos da noite para o
dia; comer demais; comer ou beber o
que não deve (dois sundaes com calda de chocolate quente ou uma garrafa de vinho) ou não comer o que
deve (esquecer de tomar leite durante
uma semana) — sonhos comuns entre
as que tentam se adaptar a uma dieta
rigorosa.
• Perder o encanto — tornar-se feia ou
repulsiva ao marido; perder o marido
para outra mulher — sonhos que exprimem em quase todas as gestantes
o medo de que a gravidez destrua a
sua aparência para sempre e afaste o
marido.
262
OS NOVE MESES.
• Encontros sexuais — positivos ou negativos, agradáveis ou geradores de
culpa — podem ser reflexo da confusão e da ambivalência sexual muitas
veze*; experimentadas durante a
gestação.
zer uma transição mais suave do mundo
irreal da maternidade imaginada para o
mundo rea) quando ela chegar de fato.
• Morte e ressurreição — perda dos pais
ou volta de outros parentes mortos —
talvez representem a forma do subconsciente de unir as novas com as velhas gerações.
"Tenho lido muito nobre a ultu incidência de
bebês com baixo peso. O que posso fazer pura
garantir que não terei um assim?"
• Vida familiar com o novo bebê —
aprontar-se para o bebê; brincar carinhosamente com o bebê — são a
antecipação da maternidade, o surgimento do vínculo entre a mãe e o filho antes do nascimento.
• Como o bebê será — pode representar
uma ampla variedade de preocupações. Sonhar com o bebê deformado
ou de tamanho incomum é expressão
da ansiedade com respeito à saúde do
bebê. As fantasias sobre habilidades
inusitadas do bebê ao nascer (falar ou
caminhar ao nascer, por exemplo) podem significar preocupação com a inteligência do bebê e ambição para o
seu futuro. As premonições sobre o sexo do bebê podem indicar a preferência íntima por um sexo ou pelo outro.
O mesmo se pode dizer quanto aos sonhos com a cor dos olhos ou dos cabelos — lembrando os do pai ou os da
mãe. Os pesadelos em que o bebê já
nasce crescido podein significar outro
problema — o receio de lidar com um
bebezlnho pequeno,
Embora os sonhos e as fantasias durante a gravidez possam ser muito mais
provocadores de ansiedade do que noutros períodos du vida, costumam ser
também nessa fase de maior utilidade.
Se a gestante escutar com atenção o que
as fantasias lhe dizem sobre os seus sentimentos e encará-los agora, poderá fa-
BEBÊ DE BAIXO PESO
C
omo na maioria dos casos, os bebês
de baixo peso são passíveis de prevenção, muito você pode fazer — e enquanto estiver lendo este livro há boa
chance de que já tenha feito muito neste
sentido. Mo âmbito nacional (EUA),
aproximadamente 7 entre 100 recémnascidos são classificados como de baixo
peso ao nascer (nascem com menos de
2.500 g) e pouco mais de 1 em 100 nascem com baixo peso acentuado (com menos de 1.500 g). Mas entre as gestantes
bem-informadas, conscientes do atendimento médico, dos cuidados consigo
mesmas e d a importância dos hábitos de
vida, a incidência é muito menor. As
causas mais comuns são passíveis de prevenção (fumo, consumo de álcool, uso
de drogas pela mãe, má nutrição, atendimento pré-natal insuficiente, por
exemplo); muitas outras (como as enfermidades maternas crônicas) podem ser
controladas pelo devido trabalho conj u n t o da mãe e d D médico. Uma causa
importante — o trabalho de parto prematuro — pode, em alguns casos, também ser prevenida (ver p, 2J6).
Naturalmente, ás vezes o bebê é pequeno ao nascer por motivos que ninguém pode controlar — baixo peso da
mãe quando nasceu, por exemplo, ou insuficiência placentária ou ainda algum
distúrbio genético (ver p. 399 para outrus informações sobre as causas de ret a r d o do crescimento feial). Mas
inclusive nesses casos, o problema é compensado pela dieta excelente e p ; l o diligente atendimento pré-natal, E quando
O SÉTIMO MÊS
o bebe se revela pequeno para a idade
gestaciona), o atendimento médico de
qualidade superior, ora existente, oferece
inclusive ao de mais baixo peso uma
chance crescente de sobreviver e de crescer com saúde.
Se você achar que tem motivos para
se preocupar com ejsa possibilidade, divida essa preocupação com o médico.
Uma sonografía provavelmente será capaz de determinar de imediato se o feto
está ou não está crescendo em ritmo n o r mal. Se não estiver, há condutas que
permitem identificar a causa desse crescimento lento e, quando possível, corrigi-la (ver p. 400).
PLANEJAMENTO
DO PARTO
"Uma amiga que foi mãe recentemente disse
que elaborou um plano para o parto com a sua
obstetra antes do parto. Isso é comum?"
E
sses planos vêm se tornando cada vez
mais comuns à proporção que os médicos reconhecem que cresce dia a dia o
número de mulheres — e de maridos —
que gostariam de participar, o mais possível, das decisões à sala de parto. Há
médicos que solicitam às gestantes para
preencherem um plano, por escrito, do
parto. Os outros, na maioria, estão dispostos a discutir esse plano se a paciente solicitar. O plano típico combina os
desejos e as preferências dos pais como
o que o médico e o hospital consideram
aceitável — e o que é exeqüível do ponto de vista prático. Não é um contrato,
e sim um acordo por escrito entre o médico e/ou hospital e a paciente. O objetivo é aproximar o parto o mais possível
do ideal da paciente, e ao mesmo tempo
eliminar expectativas Irreais, minimizar
o desapontamento e evitar conflitos importantes durante o trabalho de parto e
o parto.
263
O plano do parto pode tratar de uma
ampla variedade de tópicos; o seu conteúdo dependerá dos pais, do médico e
do hospital em questão, além da situação particular. Alguns dos assuntos em
que você pode querer manifestar preferência são os seguintes (consulte as páginas correspondentes, antes de tomar
qualquer decisão):
• Durante o trabalho de parto, por
quanto tempo você gostaria de ficar
em casa (ver p. 311).
• Comer e/ou beber durante o trabalho
de parto ativo (p. 333).
• Levantar-se da cama (caminhar ou
sentar) durante o trabalho de parto (p.
331).
• Usar lentes de contato durante o trabalho de parto e o parto (em geral não
è permitido se houver necessidade de
anestesia geral).
• O local do trabalho de parto e do parto — sala de parto, sala de trabalho
de parto etc. (p. 301)
• Personalização da atmosfera (com
música, iluminação, objetos de casa).
• Uso de máquina fotográfica ou de videoteipe.
• Uso de dister (enema) (p. 319).
• Depilaçâo da região púbica (p. 320).
• Uso de soro por gotejamento intravenoso (p. 321).
• Cateterismo vesical de rotina (p. 425).
• Uso de medicação contra a dor (p.
265).
264
OS NOVE MESES.
• Monitorizaçâo fetal externa (contínua
ou intermitente); monitorizaçâo fetal
interna (p. 322).
• Uso de ocitocina (para induzir ou intensificar as contrações; p. 314).
• Posições para o parto (p. 342).
• Episiotomia; uso de medidas para reduzir a necessidade de uma episiotomia (p. 325).
• Alimentação do bebê no hospital (se
será controlada pelo horário do berçário ou pela fome do bebê; se será
oferecido apoio para a amamentação;
se serão evitadas as mamadeiras suplementares).
• Tratamento do ingurgitamento mamário se você não amamentar (p. 428).
• Circuncisâo.
• Alojamento conjunto.
• Uso de fórceps (p. 328).
• Cesariana (p. 281).
• Visita de outros filhos a você e/ou a
você e o bebê.
• Aspiração do recém-nascido; aspiração pelo pai.
Medicação no puerpério ou tratamento para você e seu filho.
• Presença de outras pessoas importantes (além do marido) durante o trabalho de parto e / o u o parto.
Duração da permanência no hospital,
para evitar complicações.
• A presença de filhos mais velhos durante o p a r t a ou logo após ele,
• Segurar o bebê logo após o parto;
amamentação imediata.
• Adiar a pesagem do bebê e a administração das gotas oculares até que você e seu filho tenham se conhecido,
Talvez queira incluir alguns itens do
puerpério, como;
• Sua presença durante a pesagem do
bebê, a administração de gotas oculares, o exame pediátrico e o primeiro
banho do bebê.
Naturalmente com relação a alguns
desses itens o julgamento do médico ou
o regulamento hospitalar vão interferir
no planejamento final. E lembre-se de
que embora seja ideal se o planejamento puder ser da forma como você o desenvolveu, nem sempre é possível. Como
não há meios de se prever a exata evolução do trabalho de parto e do parto, esse plano feito antes do início do processo
pode acabar não sendo do seu interesse
ou do interesse do seu filho. Talvez tenha de ser alterado no último minuto. Se
isso acontecer, procure ter em mente que
as prioridades em qualquer parto devem
ser a saúde e a segurança da mâe e do
bebê — e que todas as outras considerações precisam ser secundárias.
O SÉTIMO MÊS
265
0 QUE É IMPORTANTE SABER:
TUDO SOBRE A MEDICAÇÃO
DURANTE O PARTO
E
ra 19 de janeiro de 1847, o médico
escocês James Young Simpson
derramou meia colher de chá de
clorofórmio num lenço e segurou-o junto
ao nariz de uma mulher em trabalho de
parto. Em menos de meia hora, foi esta
mulher a primeira a dar à luz sob anestesia. (Houve apenas uma complicação:
quando a mulher — cujo primeiro filho
só nascera depois de três dias de doloroso trabalho de parto — acordou, o Dr.
Simpson não conseguiu convencê-la de
que já havia parido de fato.)
Essa revolução na prática obstétrica
foi bem-vinda pelas mulheres, mas combatida pelo cbro e por membros do meio
médico, que achavam que as dores do
parto (o castigo da mulher pelas indiscrições de Eva no Paraíso) eram fardo
que as mulheres tinham que suportar. O
alívio dí. do* seria imoral.
Mas os oponentes da anestesia estavam fadados ao fracasso. Depois de
espalhar-se a notícia de que o parto podia transcorrer sem dor, as pacientes obstétricas passaram a não aceitar como
explicação para o sofrimento a negativa
dogmática: "É proibido o alivio da
dor," Deixou-se de questionar c lugar da
anestesia na obstetrícia: passou-se a discutir qual tipo de anestesia seria o mais
apropriado.
A busca do alivio perfeito — uma droga que eliminasse a dor sem prejudicar a mãe ou a criança — teve início.
Flzeram-se enormes progressos (que ainda continuam a ser feitos); os analgésicos e os anestésicos tornavam-se mais
seguros e mais eficazes, ano após ano.
Eafím, nas décadas de 50 e 60, o caso
de amor entre a anestesia e as pacientes
obstétricas começou a ficar tumultuado.
As mulheres queriam ficar acordadas durante o parto e vivenciar todas as sensações, por mais incômodas que fossem.
E queriam ver os Filhos t ã o acordados
quanto elas próprias — e não aturdidos
pelo efeito da anestesia.
Durante a década de 70 e a de 80, mulheres com toda a sua sinceridade e ingenuidade decretaram guerra contra
médicos recalcitrantes, com o seguinte
grito de batalha: "Parto natural para todas." Hoje, os médicos e as pacientes esclarecidas admitem que querer o alívio
da dor cruciante também é natural, e que
portanto a medicação para alívio da dor
pode ter seu papel no parto natural. Embora o parto sem medicamentos ainda
seja considerado o ideal, entende-se que
há ocasiões em que não é no melhor interesse da mãe e/ou da criança. A medicação é recomendada quando:
• O trabalho de parto é prolongado e
complicado — já que o estresse pela
dor pode causar desequilíbrios químicos que podem interferir nas contrações, comprometer o fluxo sangüíneo
fetal e esgotar a mãe, reduzindo sua
capacidade de fazer os esforços expulsivos.
• É necessário o fórceps baixo (para facilitar a expulsão do bebê tão logo seja visível a cabeça no canal vagiiial).
• É necessário desacelerar o trabalho de
parto perigosamente rápido.
266
OS NOVE MESES.
• A mãe está tão agitada que impede a
evolução normal do trabalho de parto.
O uso prudente de qualquer tipo de
medicação sempre requer a ponderação
diligente dos riscos e dos benefícios. No
caso dos medicamentos obstétricos administrados durante o trabalho de parto
e o parto, os riscos e benefícios são considerados em relação à mâe e ao bebê,
tornando a equação mais complicada.
Em alguns casos, os riscos nitidamente
superam os benefícios oferecidos —
quando, por exemplo, o feto não se mostra suficientemente forte para suportar
o duplo estresse do trabalho de parto e
da medicação.
Os especialistas, na maioria, concordam que, ao se usar medicamentos durante Q parto, os benefícios podem ser
fomentados e os riscos reduzidos:
• Selecionando-se um medicamento que
tenha mínimos efeitos colaterais e
apresente o menor risco para a mãe e
o bebê e.que, ao mesmo tempo, assegure o alívio da dor; ministrando-o na
menor dose eficaz e no momento ideal
da evolução do trabalho de parto. A
exposição a anestésicos gerais costuma ser minimizada nas cesarianas pela extração do feto minutos após a
administração do medicamento à mãe,
antes que atravesse a placenta em
quantidade significativa.
• Dispondo-se de anesteslsta para ministrar a anestesia. (A parturiente tem o
direito de insistir nesse ponto caso necessite de raquianestesia, anestesia epidural ou geral.)
Preocupação constante durante a administração de medicamentos em pacientes obstétrlcas 4 uüo apenas a da
segurança do beneficiário direto (a mâe),
mas a do Indireto (o bebê). Os bebês cujas mães sâo medicadas durante o parto
podem nascer sonolentos, moles, lerdos,
sem reagir aos estímulos e, menos freqüentemente, com dificuldade de respiração e de sucção, além de batimento
cardíaco irregular, As pesquisas revelam,
contudo, que, quando as drogas são devidamente empregadas, tais efeitos adversos logo desaparecem depois do
nascimento. O feto é capaz de suportar
um certo grau da depressão ou suspensão de atividade por vezes resultante do
excesso de medicamentos usados durante
o trabalho de parto ou de anestesia durante o parto; só nos casos muito extremos de privação é que há perigo. Se o
bebê estiver tão drogado que não consegue respirar espontaneamente ao nascer,
a reanimaçào imediata (procedimento
simples) previne as seqüelas.
Entretanto* outra preocupação na administração do alívio da dor está em como
afetará a evolução do trabalho de parto;
ministrada no momento inoportuno, poderá desacelerá-lo ou interrompê-lo.
QUAIS OS MEDICAMENTOS
ANALGÉSICOS
MAIS USADOS?
D
urante o trabalho de parto e o parto
emprega-se uma ampla variedade de
analgésicos (que mitigam a dor), de anestésicos (que eliminam toda a sensibilidade) e de ataráxicos (tranqüilizantes). Que
medicamento será usado (se houver necessidade) vai depender do estágio do
trabalho de parto, da preferência da paciente (exceto em emergência), do histórico médico pregresso da mãe, e de sua
condição atual c também da do bebê,
além da preferência e experiência do obstetra o u / e do anestesista. A eficácia vai
depender da mulher, du dose c de outros
fatores. (Multo raramente a droga nâo
produ,; o efeito almejado, proporcionando pouco ou nenhum alívio da dor,) O
combate à dor em obstetrícia é em geral
O SÉTIMO MÊS
conseguido através de um dos seguintes
medicamentos:
Analgésicos. A meperidina, analgésico
potente em geral conhecido pelo nome
de Demerol, é uma das drogas usadas
com maior freqüência em analgesia obstétrica. É mais eficaz quando ministrada por via intravenosa (injetada
lentamente por via venosa para que se
possa controlar bem o efeito) ou por via
intramuscular (uma injeção, em gera! nas
nádegas, embora o medicamento possa
ser administrado a cada duas ou quatro
horas, conforme a necessidade). O Demerol não costuma interferir nas contrações ou no efeito destas, embora com
grandes doses as contrações possam ficar menos freqüentes ou mais fracas. Ele
pode na realidade ajudar a normalizar
as contrações na disfunção uterina (útero com funcionamento anormal). Como
OS outros analgésicos, só é administrado geralmente depois de confirmado o
trabalho de parto (excluído o falso), mas
pelo menos duas ou três horas antes de
esperar-se o parto. A reação da mãe à
droga e a magnitude do alívio da dor variam amplamente. Algumas mulheres se
sentem relaxadas e conseguem enfrentar
melhor as contrações. Outras se sentem
incomodadas pelo torpor e encontram
mais dificuldade em trabalhar com as
contrações. Entre os efeitos colaterais,
que dependem da sensibilidade da mulher, estão a náusea, o vômito, a depressão e o declínio da pressão arterial. O
efeito do fármaco sobre o recém-nascido
vai depender da dose total e da proximidade do parto ao ter sido ministrada.
Quando muito próxima do parto, o bebê poderá se mostrar sonolento e com dificuldade de sucção; noutros casos,
menos freqüentes, há depressão respiratória e se faz necessário o uso de oxigênio. SSo efeitos em geral de breve
duração e, quando preciso, podem ser
combatidos. O Demerol também pode
ser usado no puerpério para aliviar as
267
dores de uma episiotomia ou cesariana.
Tranqüilizantes. Esses medicamentos
(Fenergan ou Diazepam) são usados para acalmar e relaxar a mulher ansiosa a
fim de que possa participar mais plenamente do parto. Aumentam também a
eficácia dos analgésicos, como a do Demerol. Como estes, costumam ser ministrados depois de já iniciado o trabalho
de p a r t o e bem antes do parto. Mas às
vezes são usados no início do trabalho
de parto, quando a mulher se mostra
muito nervosa. A reação das mulheres
aos efeitos dos tranqüilizantes varia muito. Algumas se sentem bem com a leve
sonolência; outras acham que interferem
com seu controle. Uma dose pequena
permite aliviar a ansiedade sem interferir no estado de alerta. Doses maiores
podem causar dificuldade na fala (fala
arrastada) e cochilo ou sono leve entre
as contrações — dificultando o uso das
técnicas aprendidas no curso preparatório. Embora os riscos para o feto ou
recém-nascido sejam mínimos (exceto
em caso de sofrimento fetal), é boa idéia
para você e para o seu auxiliar tentar o
relaxamento sem uso de medicamentos
antes de pedir por eles.
Inalantes. O óxido nitroso é hoje dificilmente empregado, exceto em combinação com outras drogas na indução da
anestesia geral.
Bloqueio anestéslco regional. Os ancs
tésicos injetados no trajeto de um ou
de vários nervos podem ser usados para
abolir a sensibilidade nessa ou naquela região. No parto, os anestésicos conseguem adormecer completamente a
área da cintura para baixo durante o ptirto cirúrgico, ou uma área menor, total
ou parcialmente, no parto vnglnal. O
bloqueio regional tem a vantagem sobre
a anestesia geral, para o parto cirúrgico,
de manter a mãe acordada durante o nascimento e também depois. No parto va-
268
OS NOVE MESES.
ginal, tem a possível desvantagem de
inibir a premência de empurrar {esforços expulsivos). Ocasionalmente,
ministra-se a ocitocina para revigorar as
contrações atenuadas pelo efeito anestésico. Por vezes se insere um cateter (tubo) na bexiga para drenar a urina
(porque também se suprime a vontade de
urinar). Os bloqueios mais freqüentes
são: pudendo, epidural, espinhal e
caudal.
O bloqueio pudendo, às vezes usado
para aliviar as dores do segundo período na fase inicial, costuma ser reservado para o parto vaginal, Feito por agulha
inserida na área vaginal ou perineal (enquanto a mãe se acha deitada de costas
com as pernas afastadas), reduz a dor na
região, mas não o incômodo uterino. É
de grande utilidade quando se usa fórceps (para desprender a cabeça do bebê
já visível no orifício vaginal) e seu efeito pode persistir durante a episiotomia
e a reparação. É freqüentemente usado
em conjunto com Demerol ou com tranqüilizante para o melhor alivio da dor
com relativa segurança— mesmo quando não se dispõe de anestesista.
O bloqueio epidural (ou epidural lombar) se torna cada vez mais popular tanto para o parto vaginal e cesáreo, como
também para o alívio das dores intensas
do trabalho de parto. A principal justificativa para o seu uso está na relativa
segur: tnça (é necessária uma dose menor
para se obter o efeito desejado) e na facilidade de administração. A droga (em
geral a bupivacaína, a xilocaína e a cloroprocaína) é ministrada conforme as
necessidades durante o trabalho de parto e o parto, através de sonda fina inserida por agulha nas costas {depois de um
anestésico local adormecer a região), no
espaço epidural entre a medula espinha!
e a membrana externa que a envolve,
com a mfle, geralmente, deitada de lado
ou curvada sobre uma mesa para se
apoiar. A medicação pode ser interrompida a tempo de permitir que a mãe te-
nha pleno controle sobre a expulsão do
bebê e voltar a ser ministrada após o parto, durante a episiotomia. A pressão arterial é verificada com freqüência porque
o procedimento pode causar hipotensão
repentina. A administração intravenosa
de líquidos, e possivelmente de medicação, é muitas vezes feita para combater
essa reação. Em virtude do risco de hipotensão, a epidural em geral não é usada quando há alguma complicação
hemorrágica — placenta prévia, préeclâmpsia ou eclâmpsia, ou sofrimento
fetal. O monitoramento fetal contínuo
é geralmente necessário, pois a epidural
é às vezes associada à diminuição do batimento cardíaco do feto.
À medida que a epidural se toma mais
popular, avultam mais e mais seus inconvenientes. Como é capaz de bloquear o impulso da mãe para os esforços expulsivos, a extração a fórceps ou
a vácuo fica cada vez mais necessária para completar o pano quando se usa a epidural. Há indícios também de que nos
primeiros trabalhos de parto a epidural
possa aumentar a necessidade de cesariana. Ponamo, embora a epidural seja um
enfoque valioso para o alívio da dor no
trabalho de parto, não deve ser usada rotineiramente.
O bloqueio espinhal (para a cesariana) e o espinhal baixo, ou em sela (para
o parto vaginal com auxílio do fórceps),
são feitos em dose única antes do parto,
A mãe fica deitada de lado (com as costas curvadas, pescoço e Joelhos fletldos)
e o anestésico é injetado no líquido que
circunda a medula espinhal. Pode haver
náusea e vômito durante o efeito da droga, que dura de 1 hora a 1 hora e meia.
À semelhança da epidural, há risco de
declínio da pressão arterial. A elevação
das pernas, a inclinação do útero para
a esquerda, a administração Intravenosa de líquidos e, por vezes, a medicação
ajudam a prevenir ou a c o m b a t c essa
complicação. Depois do parto, as pacientes raquianestesiadas precisam habitual-
O SÉTIMO MÊS
mente permanecer deitadas de costas durante cerca de oito horas, e algumas experimentam cefaléia pós-raquianestesia. De forma análoga à epidurai, a raquianestesia (ou anestesia espinhal) não
costuma ser empregada em caso de plac m t a prévia, pré-eclâmpsia ou eclâmpsia, ou sofrimento fetal.
O bloqueio caudal é semelhante ao
epidurai, exceto que elimina a sensibilidade de uma região mais limitada, requei maior dose para ser eficaz e mais
habilidade por parte do anestesista.
Também inibe o trabalho de parto Em
virtude desses riscos em potencial, é hoje usado com menos freqüência do que
no passado.
Anesltsia geral. Antigamente a mais popular para o alívio da dor durante o parto, a anestesia geral — em que a pacicnie
adoimece — é usada quase que exclusivamente para os partos cirúrgicos e às
vezes para o desprendimento da cabeça
em partos pélvicos. Dada r. rapidez do
seu efeito, costuma ser usada em cesarianas de emergência, quando não há
tempo para administrar anestesia regional.
Os inalantes, como os usados para
efeito analgésico, servem à indução da
anestesia geral — muitas vezes em conjunto com outros agentes. O procedimento é conduzido por anestesista na
sala de partos e/ou no centro cirúrgico.
A mãe permanece acordada durante a
preparação e Inconsciente pelo tempo necessário ao término do parto (em geral,
alguns minutos). Ao despertar, pode
sentir-se tonta, desorientada e inquieta.
Pode também apresentar tosse e dor de
garganta (devido ao tubo endotraqueal),
vômitos, com inatividade intestinal e vesic.il. Outro possível efeito colateral é o
declínio da pressão arterial.
O problema de maior monta com a
anestesia geral está em que, ao ser a mãe
sedada, o feto também o é. A sedaçào
fetal pode ser minimizada, contudo, pe-
269
la administração da anestesia o mais próximo possível do parto real. Assim o feto
poderá ser retirado antes de o anestésico o ter atingido em quantidades significativas. Ajudam também a levar oxigênio ao feto a administração de oxigênio à mãe e o emprego do decúbito lateral (deitada de lado, em geral o esquerdo).
O outro risco importante da anestesia
geral é o do vômito e o da broncoaspiração (inalação) do que é vomitado, fenômeno capaz de causar complicações
(como a pneumonia por broncoaspiração). É por isso que se proíbe a gestante
de comer ou beber grande quantidade de
líquidos ao entrar em trabalho de parto
e se introduz pequena sonda até a garganta (pela boca) para prevenir a aspiração. Por vezes também se ministram à
paciente antiácidos por via oral pouco
antes do procedimento para neutralizar
os ácidos do estômago em caso de broncoaspiração.
Hipnose. Apesar da imagem um tanto
desgastada da hipnose em certos círculos, a hipnose, em mãos qualificadas, é
forma legítima e clinicamente aceitável
de alívio da dor. Nada há de misterioso
a seu respeito. A sugestão e a força do
pensamento sobre a matéria são recursos ensinados em todos os bons cursos
preparatórios. Com a hipnose se consegue elevadíssimo grau de sugestionabilldade que (dependendo da suscetibilidade da pessoa e do tipo de hipnose empregada) é capaz de tanto relaxar e
aquietar a mulher que chega a eliminarlhe completamente a percepção da dor.
Só um em cada quatro adultos é passível de hipnotizaçâo em certo grau.
(Uma pequena porcentagem é capaz de
passar por cesariana sem uso de qualquer
medicação e sem sentir qualquer dor,)
O treinamento da gestante para a hipnose durante o parto deve ter Início com
uma antecipação de semanas ou meses,
sob orientação de médico especializado
270
OS NOVE MESES.
no assunto ou de profissional indicado
por médico. A gestante pode lançar mão
da auto-hipnose ou da hipnose induzida
pelo profissional. Em ambos os casos,
tenha cautela — a hipnose pode ser usada de forma errônea.
Outros métodos para o alívio da dor. Há
diversas técnicas que visam reduzir a percepção da dor sem o uso de medicamentos e que às vezes são eficazes. São uma
ótima opção para as mulheres em recuperação de adicção a drogas ou ao álcool
e para as que não querem usar medicamentos por outros motivos.
ENET
(Estimulação
Neuroelétrica
Transcutânea). São empregados elétrodos para estimular as vias nervosas para o útero e a cérvice. Supõe-se que essa
estimulação interfira nos outros aportes
sensitivos no trajeto das mesmas vias —
a dor, por exemplo. A intensidade da estimulação é controlada pela paciente,
permitindo-lhe aumentá-la durante uma
contração e reduzi-la entre uma e outra.
Cresce o seu uso em diversos hospitais
norte-americanos.
Acupuntura. Há muito popular na
China e às vezes empregada nos EUA,
a acupuntura provavelmente funciona de
acordo com o mesmo princípio da estimulação transcutânea. Mas a estimulação nesse caso é feita por agulhas
inseridas e manipuladas através da pele.
Alteração dos fatores de risco de
maior percepção da dor. Numerosos fatores, emocionais e físicos, podem interferir na percepção pela mulher da dor do
parto. Alterá-los permite muitas vezes
oferecer-lhe mais conforto durante o trabalho de parto (ver p. 341).
Fisioterapia. Massagem, calor, pressão ou contrapressão ministrados por fisloterapeuta ou pelo marido ou por uma
amiga ou amigo muitas vezes diminuem
a percepção da dor.
Distração. Qualquer coisa — ver TV,
ouvir música, meditar, praticar exercícios respiratórios — qvie desvie o pen-
samento da dor pode diminuir-lhe a
percepção.
PARA TOMAR A DECISÃO
N
unca as mulheres tiveram tantas
opções no parto quanto hoje. E,
com a exceção de certas situações de
emergência, a decisão de fazer ou não fazer uso de medicamentos durante o trabalho de parto e o parto ficará em
grande medida a cargo da própria gestante. Eis como tentar tomar a decisão
mais correta, para você e para o seu
bebê:
• Discutir a analgesia e a anestesia com
o obstetra bem antes de começar o trabalho de parto. A habilidade e a experiência do profissional o tornam um
aliado inestimável no processo de decisão. Bem antes de sentir as primeiras contrações, convém verificar quais
os tipos de medicamento que ele ou ela
gosta de usar com mais freqüência e
quais os efeitos colaterais à mãe e à
criança. Saiba também quando considera a medicação absolutamente necessária e quando acha que a opção
deve caber à gestante.
• Admitir que, embora o parto seja uma
experiência natural que muitas mulheres possam vivenciar sem medicação,
não se há de supor que seja uma provação ou um teste de bravura, ae força ou de resistência. A dor do parto
é descrita como a mais intensa da experiência humana. A tecnologia médica tem dado às mulheres a opção do
alívio desse sofrimento através de medicamentos, Não se trata apenas de
uma opção aceitável: em certos casos
é primeira opção.
• Ter em mente que a medicação durante o parto (qualquer medicação) acarreta riscos e benefícios: só deve ser
O SÉTIMO MÊS
empregada Quando os benefícios superam os riscos,
271
• Não minta para si mesma e nem seja
dogmática antecipadamente. Embora
esteja bem teorizar a respeito do que
talvez seja o melhor para você sob certas circunstâncias, é impossível prever
que espécie de trabalho de parto ou de
parto você terá, como você vai reagir
às contrações, e se você vai querer,
precisar ou ser obrigada à medicação.
Mesmo que tenha p r o g r a m a d o uma
cesariana, você pode planejar só de
forma tateante uma anestesia epidural; complicações de último minuto
podem exigir anestesia geral.
a parturiente deve se esforçar para o
melhor relaxamento, através das técnicas aprendidas, sendo confortada
ao extremo pelo auxiliar (o marido).
Descobre-se que às vezes se consegue
controlar a dor ou q u e os progressos
obtidos durante os 15 minutos fortalecem o ânimo para continuar sem
ajuda por outros meios. Se no entanto a gestante perceber que, transcorrido aquele lapso de tempo, há
necessidade de analgesia, convém
solicitá-la — e não se sentir culpada.
Naturalmente, se o médico achar que
há necessidade imediata de medicação
para a segurança da mãe ou do bebê,
a espera n ã o é recomendada.
• Se durante o trabalho de p a r t o a gestante sentir necessidade de medicação,
convém discutir com a enfermeira ou
com o marido. Mas não convém insistir nela de imediato. Recomenda-se
tentar suportar a dor d u r a n t e 15 minutos mais ou menos, durante os quais
• Lembre-se de que o seu bem-estar e o
do bebê é a sua prioridade número um
(assim como durante toda a gravidez),
e não uma idéia preconcebida e idealizada do parto. Todas as decisões devem ser tomadas tendo-se em mente
essa prioridade.
—12—
O Oitavo
Mês
A s CONSULTAS
D
epois da 32? semana, o obstetra
talvez resolva marcar a consulta
a intervalos de duas semanas, para melhor acompanhar o estado da mâe
e do bebê. Dependendo das necessidades
da gestante e do estilo do médico, talvez
passe a ser verificado o seguinte:1
• Tamanho (aproximado) e posição do
feto, por palpação
• Exame dos pés e das mãos, em busca
de edema (inchação), e das pernas, para identificação de \ ariz.es
• Peso e pressão arterial
• Sintomas vivenciados, sobretudo os
pouco comuns
• Urina, para determinação do açúcar
e das proteínas
• Perguntas e problemas a discutir — o
melhor é levar uma lista pronta
• Batimento cardíaco fetal
• Altura do f u n d o (região superior do
útero no abdome)
Os SINTOMAS COMUNS
O
ra a gestante experimenta todos os
sintomas arrolados, ora só alguns
deles, Alguns talvez tenham persistido desde o mês anterior, outros po-
' Consultar o Apêndice para a explicação dos
procedimentos e dos exames realizados.
derâo ser de aparecimento recente ou de
difícil percepção. É possível o surgimento ainda de outros, mutiON comuns.
FÍSICOS*
• Atividade fetal acentuada e regula.
273
O OITAVO MÊS
• Aumento da secreção vaginal, brancacenta (leucorréia)
EMOCIONAIS:
• Maior constipação
• Maior ansiedade pelo término da
gravidez
« Azia, indigestão, ílatulência (gases),
eructações (arrotos)
• Apreensão quanto à saúde do bebê, ao
trabalho de parto, ao próprio parto
• Cefaléia ocasional, desmaios e tonteiras
• Aumento da desatenção, do esquecimento
• Congestão nasal e, por vezes, sangramento nasal; entupimento dos ouvidos
• Excitação: agora falta pouco
• Sangramento das gengivas
• Cãibras nas pernas
• Dor lombar (lombalgia)
O ASPECTO FÍSICO
NO OITAVO M Ê S
• Edema leve (inchaçâo) dos pés e tornozelos, às vezes das mãos e do rosto
• Varizes
• Hemorróidas
• Coceira no abdome
• Falta de ar, mais acentuada à medida
que o útero comprime os pulmões, o
que melhora com a descida do bebê
• Sono difícil
• Aumento das contrações de Braxton
Hicks
• Maior inépcia e deselegãncia ao andar
• Colostro, espontâneo ou ô expressão,
pelo bico dos seios (embora possa se
manifestar apenas depois do parto —
o colostro ainda não é leite)
ximadamente 45 cm e pesa cerca de 2.500
gramas. O crescimento, sobretudo do encéfalo, é maior nesse período e 0 feto Já
pode ver e ouvir. Os sistemas, na grande
maioria, estõo bem desenvolvidos, mas
os pulmões ainda sâo Imaturos. Sc o bebê nascer agora, sâo excelentes as suas
chances de sobrevida.
OS NOVE MESES.
274
As PREOCUPAÇÕES COMUNS
FALTA DE AR
"Às vezes sinto dificuldade em respirar. Será
que falta oxigênio pura o bebê?"
A
falta de ar não significa que a gestante e o bebê padeçam da falta de
oxigênio. As modificações do sistema
respiratório durante a gestação, na realidade, permitem um maior volume resp i r a t ó r i o (volume corrente), c u j a
utilização se fa2 de forma mais eficaz.
Além disso, as gestantes experimentam,
na grande maioria, uma dificuldade respiratória de magnitude variável (algumas
sentem-na como necessidade consciente
de respirar mais profundamente) — sobretudo no último trimestre, quando o
útero em expansão comprime o diafragma e, por conseguinte, os pulmões. O
alivio costuma advir quando se dá a insinuação (ao assentar-se o feto na região
pélvica inferior, em geral duas a três semanas antes do parto na primeira gestação). Nesse ínterim, a gestante talvez
respire melhor sentada com o tronco ereto e não com ele curvado, dormindo recostada (com amparo ao tronco) e
evitando os esforços excessivos.
As mulheres que exibem uma barriga
" b a i x a " durante a gravidez talvez nunca venham a sentir falta de ar, o que também é normal.
A falta de ar mais intensa, entretanto, c que se acompanha dc respiração rápida, elanose dos lábios o da ponta ÜOK
dedos, de dor toráclca e/ou de taqulcardla (pulso rápido) não é normal e requer
um telefonema imediato ao médico ou
Ida ao pronto-socorro.
PRESSÃO (DO BEBÊ)
NAS COSTELAS
"É como se meu filhu calcasse com força os
pés nas minhas costelas — e dói bastante."
N
os últimos meses, quando o feto se
sente à vontade em seu cubículo estreito, muitas vezes descobre um caminho para enfiar os pés — entre as
costelas da mãe —, uma sensação que
não é nada agradável. Talvez se você mudar de posição possa convencê-lo a fazer o mesmo. Alguns exercícios tipo
"Corcova de Dromedário" (p. 228) poderão fazê-lo mudar de posição. Ou tente
respirar profundamente ao elevar um
braço sobre a cabeça; então exale ao
abaixar o braço; repita algumas vezes à
manobra com cada braço,
Se nenhuma dessas táticas funcionar,
aguarde. Quando a sua "dorzinha-nascostelas" se insinuar, ou se encaixar na
pelve, o que costuma ocorrer duas a três
semanas antes do parto nas primeiras
gestações (embora não até começar o trabalho de parto nas subseqüentes), é bem
provável que ele ou ela não consiga colocar mais os dedinhos tão alto.
INCONTINÊNCIA
POR ESTRESSE
"Ornecei a eliminar urina sem fazer força. Está
alguma coisa errada?"
N
o último t r l n n J N i r e , ti Intimas militares apresentam esse sintoma, em geral quando riem, tossem ou espirram.
Trata-se da incontinência urinária por estresse e decorre da grande pressão uteri-
O OITAVO MÊS
na sobre a bexiga. Os exercícios de Kegel (ver p. 225) ajudam a reforçar a musculatura pélvica e podem aliviar o problema, Ajudam também a prevenir a incontinência pós-parto.
O GANHO DE PESO
E O TAMANHO DO BEBÊ
"Fiquei tão gordn que receio pelo ramanho tio
bebê e pela dificuldade na hora do parto."
O
ganho excessivo de peso não necessariamente terá sido partilhado pelo feio. O ganho de 15 a 20 quilos pode
significar um recém-nascido de 2.500 a
3,500 g, ou até mesmo menor, caso o peso tenha sido ganho em sua maior parte
através de alimentação inadequada. Em
média, contudo, quanto maior o ganho
pondera , maior o bebê. O peso do bebe
ao nascer pode também sofrer influência do próprio peso da gestante ao nascer (as que nasceram grandes tendem a
gerar filhos grandes) e do peso prégestacional (em geral, mulheres mais
obesas dão à luz filhos mais gordinhos).
Ao palpar o abdome e medir a altura do
fundo (do alto do útero), o obstetra será capaz de dar uma idéia do tamanho
do bebê, embora só no "olhómetro" o
erro possa chegar a um quilo. A sonografia é mais precisa, embora também
possa falhar.
Mesmo quando o bebê é grande, não
quer dizer automaticamente que o parto venha a ser difícil. Embora um bebê
de 3.000 g muitas vezes nasça com mais
facilidade que um de 4.000 g, muitas mulheres são capazes de dar à luz filhos
maiores por parto vaginal e sem complicações. O fator determinante, como cm
quuU|iiur parto, é <t proporção antro «
pelve da mãe e a cabeça do bebê (sua parte maior), Há algum tempo, o exame radiológico era usado rotineiramente para
determinar se havia desproporção entre
275
a cabeça do concepto e a pelve (desproporção cefatopélvica). Mas a experiência clínica e as pesquisas demonstraram
que o exame radiológico não é um indicador preciso do problema, em parte
porque não prediz o quanto a cabeça fetal se amoldará ao canal do parto. Embora o risco do exame seja pequeno, só
raramente é recomendado, quando os
benefícios se sobrepõem aos riscos.
Hoje, quando há alguma suspeita de
desproporção cefalopélvica (às vezes
chamada de desproporção fetopélvica),
o comum é o médico permitir que a parturiente entre em trabalho de parto normalmente. Nesse caso, o trabalho de
parto prossegue com acompanhamento
diligente, e se a cabeça fetal descer e a
cérvice se dilatar em ritmo normal,
permite-se que o trabalho de parto continue. Se o trabalho não progredir, é possível tentar uma intervenção com
ocitocina. Mas se não houver qualquer
progresso, costuma-se optar pela cesariana.
A SILHUETA DA BARRIGA:
MUITAS VARIAÇÕES
"Todos me dizem que estou com uma barriga
muito pequena e baixa para o oitavo mês. Será que o bebê não está crescendo direito?"
S
eria boa idéia usar tampões nos ouvidos e viseiras durante toda a gestação, como parte do guarda-roupa de toda gestante. Seu uso durante os nove
meses evitaria a preocupação gerada pelo
equivocado comentário de parentes, amigas — mesmo estranhas — e também as
comparações invejosas da própria barriga com a de outras gestantes, maiores,
menores, ninU baixas ou mais altnn,
Da mesma forma que duas mulheres
antes da gestação não apresentam precisamente proporções idênticas, a silhueta de duas gestantes nunca é igual. A
276
OS NOVE MESES.
configuração do ventre, em tamanho e
em forma, depende da alta ou da baixa
estatura, da magreza ou da obesidade,
da delicadeza ou do vigor. E dificilmente indica o tamanho do bebê. A mulher
delicada, baixa e pequena pode dar à luz
filho maior que o de uma de ossos mais
longos, de porte mais alto e largo.
A única avaliação precisada evolução
e do bem-estar do bebê quase sempre só
pode ser feita pelo obstetra. Fora de seu
consultório, convém não dar nenhuma
atenção ao que se ouve ou ao que se vê
— e menores serão as chances de preocupação neste sentido.
APRESENTAÇÃO E
POSIÇÃO DO BEBÊ
'Meu médico diz que o bebê está na posição
pélvica (nádegas). De que modo isso interfere
no trabalho de parto e no parto?"
N
unca é cedb demais para a gestante
preparar-se para a possibilidade de
parto pélvico, embora seja muito cedo
para a essa altura resignar-se com ele. Os
bebês, na grande maioria, se colocam
com a cabeça para baixo entre a 32? e
a 34? semana. Alguns, contudo, deixam
pais e médicos apreensivos até uns poucos dias antes do parto.
Há parteiras habilitadas que recomendam a prática de exercícios nas últimas
oito semanas voltados para o reposicionamento do bebê que se apresenta de nádegas. Não há comprovação clinica de
que tais exercícios funcionem, mas também não há indicação de que sejam prejudiciais.
Quando o concepto ainda se acha na
posição pélvica perto do fim da gestação,
pode-se tentar a versão cefállca externa:
o médico, colocando as mãos no abdome da mâe, com o auxílio da ultrasonografia e com muita delicadeza, tenta
inverter a polaridade do feto. A condi-
ção fetal é constantemente monitorizada para que o cordão umbilical não seja,
por acidente, comprimido, ou para que
a placenta não sofra qualquer problema.
É melhor realizar o procedimento antes
do trabalho de parto ou bem no seu início, quando o útero ainda está relativamente relaxado. Depois da inversão, a
maioria dos fetos continuam com a cabeça para baixo, mas alguns tornam à
posição anterior 'pélvica).
Quando favorável (em mais da metade dos casos), a versão externa redu:, a
probabilidade do parto cesáreo. Por isso popularizou-se, e são muitos os médicos que a empregam, pelo menos
ocasionalmente. Alguns hesitam em usála por causa da possibilidade de complicações. Só deve tentar realizá-la o médico com experiência na manobra — e que
esteja preparado para fazer uma cesariana de emergênenia caso surja algum
problema.
A posição pélvica ou de nádegas é
mais comum quando o feto é menor do
que a média e não se encontra adequadamente alojado no útero, quando o útero tem forma peculiar, quando há
excesso de líquido amniótico, quando há
mais de um feto, e em mulheres que já
tiveram filhos (multíparas) nas quais o
útero se encontra mais relaxado. Se o seu
bebê, leitora, estiver entre os 3% ou 4%
que se encontram nessa posição ao termo da gestação, convém discutir com o
obstetra as diversas opções para o parto
(as parteiras não costumam fazê-lo). Ê
possível o parto vaginal normal, embora, dependendo das várias condições, talvez seja necessário o parto cirúrgico. (O
que não é o fim do mundo, e eventualidade para a qual todas as gesiantes devem estar preparadas. Ver p. 350.)
Parecem fracas as provas científicas
que Indicam, no caso da apresentação
pélvica, o parto vaginal ou o cesáreo.
Nesses casos, acredita-se que o parto vaginal seja perfeitamente seguro até em
metade das situações, mas apenas se o
O OITAVO MÊS
277
A Silhueta da Barriga no Oitavo Mês
São mo.i Iradas apenas Irês silhuetas diferentes da barriga por volta do fim do oitavo mês.
Dependendo do tamanho e da posição do bebê, do tamanho e do peso da geslanle, a barriga
pode ser mais alta, mais Oaixa, maior, menor, mais larga ou mais compacta.
médico tiver experiência na sua execução. Há pesquisas que demonstram que
nem sempre o possível risco decorra do
parto em si, mas da causa da posição pélvica: a prematuridude ou o baixo peso
do btíbfi, por exemplo, ou quando há
múltiplos fetos, ou ainda quanuo há problema congênito.
Alguns médicos rotineiramente adotam a cesariana na apresentação de nádegas, acreditando ser a via mais segura
a seguir para o bebO (em países onde o
risco de processo por imperícip ou imprudência é maior — EUA, por exemplo
— pode também ser a melhor conduta
para os próprios médicos: evitam a pos-
sibilidade de lesão do nascituro decorrente de parto vaginal). Outros, persuadidos pela própria experiência ou pela de
outros, que atestam a segurança do parto vagina! nesses casos, permitema prova de trabalho de parto nas seguintes
condições:
• O bebê se encontra em apresentação
pélvica incompleta (modo de nádegas,
pernas estendidas sobre o tronco, até
o rosto do bebê).
• O bebê é comprovadamente pequeno
(com menos de 4.000 g) para facilitar
a passagem, mas não tão pequeno
278
OS NOVE MESES.
A Posição do Bebê
VÉRTICE
NÁDEGAS
Cerca de 96 em cada 100 bebês se apresentam primeiro de cabeça (de vértice — apresen tação
cefática). Os restantes se encontram numa das posições pélvicas (de nádegas — apresentação
pélvica). Aqui ilustramos a apresentação péivica completa. Quando as pernas do bebêseapresentam na pélvica, estendendo-se junto à cabeça, tem-se o parto mais fácil dentre essas modalidades.
(menos de 2.500 g) a ponto de colocar o parto vaginal em risco. Em geral, os partos em que se dá apresentação pélvica e os bebês têm menos de
36 semanas de gestação são realizados
por cesariana.
• Não há evidência de placenta prévia,
de prolapso do cordão umbilical, ou
de sofrimento fetal que possa ser facilmente remediado.
• A mãe não tem problema pélvico ou
obstétrico que pudesse complicar o
parto vaginal; a pelve parece apresentar tamanho apropriado; e não há história de prévios partos difíceis ou
traumáticos. Alguns médicos exigem
que a mãe tenha menos de 35 anos,
• ü segmento fetal de apresentação está Insinuado (desceu á pelve) ao iniciar o trabalho de parto.
• A cabeça fetal não se encontra hiperestendida: o queixo se volta em direção ao tórax.
• Tudo (e todo mundo) está preparado
para um parto cirúrgico de emergência caso este se torne repentinamente
necessário.
Quando vai se tentar um parto vaginal, o trabalho de parto é monitorizado
com minúcia numa sala de parto equipada cirurgicamente. Se tudo correi
bem, o parto prossegue. Se a cérvice se
dilatar muito vagarosamente ou se surgir algum outro problema, o médico e a
equipe cirúrgica estão prontos para rea
lízar uma cesariana em questão de minuto*. A monitoriíe»çílo fetttl eletrOtHcn
continua é absolutamente essencial. Às
vezes, adota-se a anestesia epidural (ver
p. 268) para evitar que a mãe expulse
O OITAVO MÊS
com muita força antes da plena dilatação (que pode causar compressão do cordão entre o bebê e a pelve). Ocasionalmente, a conduta é a anestesia geral (materna) quando o bebê está a meio caminho , para permitir a rápida conclusão do
parto pelo médico. O fórceps pode ser
usado para manter a cabeça devidamente
fletida e para ajudar a livrá-la sem tracionar muito o corpo ou o pescoço. É rotina muitas ve2es uma ampla episiotomia
para facilitar o processo.
Às vezes, quando se programa a cesariana, o trabalho de parto evolui tão rapidamente que as nádegas do bebê deslizam para a pelve antes de iniciada a cirurgia. Nesse caso, a maioria dos médicos tenta o parto vaginal e não uma
cesariana apressada e dificil.
"Como saber se o bebê está na posiçBo correla para o parto?"
D
escobrir onde estão os ombros, os
cotovelos e as nádegas pode ser mais
divertido do que ver TV, mas não é a forma mais exata de saber a posição do bebê. O médico provavelmente poderá ter
melhor idéia do que a gestante, ao palpar-lhe o abdome com a palma das mãos
treinadas, das partes identificáveis do
bebê. As costas do feto, por exemplo,
costumam ser convexas, lisas, em oposição a um monte de pequenas irregularidades das parles pequenas — mãos,
pés, cotovelos. No oitavo mês, a cabeça
costuma se alojar junto à pelve; é arredondada, firme e, quando empurrada
para baixo, oscila para trás sem mover
o restante do corpo. As nádegas são de
forma menos regular, mais moles, do
que a cabeça. A localização do batimento cardíaco do bebê é outro indício de
sua posição — quando a apresentação é
primeiramente cefállca, o batimento cardíaco costuma ser ouvido na metade inferior do abdome; será mais intenso se
o bebê estiver com as costas voltadas pa-
279
ra a frente da mãe. Em caso de dúvida
em relação à posição, a sonografia permite o esclarecimento.
SUA SEGURANÇA
DURANTE O PARTO
"Sei que a ciência médica quase que eliminou
todos os riscos vinculados ao parto, mas ainda
tenho medo de morrer."
H
ouve um tempo em que as mamães
arriscavam a vida para ter os filhos.
Em algumas regiões do mundo, ainda a
arriscam. Nos Estados Unidos, atualmente, o risco de vida materno durante
o trabalho de parto e o parto é praticamente inexistente. Menos de 1 em 10.000
mulheres morre durante o parto. Esse
número não inclui apenas as gestantes
com cardiopatias crônicas e outras enfermidades graves, mas aquelas q u e têm
o parto em barracos em lugarejos remotos e em condições precárias, sem assistência médica.
Em suma, mesmo quando a gestação
é de alto risco — e certamente q u a n d o
não o é —, as chances de sobrevida são
bem melhores do que durante u m a ida
de carro ao supermercado, ou um passeio por uma rua movimentada.
A ADEQUAÇÃO FÍSICA
PARA O PARTO
"Tenho um metro e meio de altura, sou muito
inignon. Receio ter problemas em dur ú luz um
filho."
F
elizmente, ao chegar a hora do parto,
o que conta é o que está dentro, não
o que está fora. O tamanho e a forma
da buela em relação ao tamanho da cabeça do bebê são os fatores que determinam o grau de dificuldade do parto.
E nem sempre se pode inferir esses ele-
OS NOVE MESES.
280
mentos pélvicos pelo seu aspecto exterior. Uma mulher baixa e magra poderá
ter pelve mais espaçosa que uma outra
alta e entroncada. O obstetra poderá fazer uma estimativa precisa do tamanho
da bacia — em geral através de medidas
feitas à primeira consulta do pré-natal.
Etn caso de dúvida sobre a adequação da
bacia ao tamanho do bebê, durante o
trabalho de parto, poderá ser feita uma
sonografia.
Naturalmente, em geral, o tamanho
global da pelve, assim como de todas as
estruturas ósseas, é menor em pessoas de
menor estatura. As orientais, por exemplo, costumam ter bacia menor do que
as nórdicas. Felizmente, a natureza, na
sua sabedoria, dificilmente confere às
orientais um bebê do tamanho do das
nórdicas — mesmo quando o pai é um
atleta de 1,90 m, Em contrapartida, o
que acontece é serem quase todos os bebês perfeitamente harmonizados ao tamanho da pelve materna.
O TRABALHO DE PARTO
E O PARTO NA
GRAVIDEZ GEMELAR
"Estou esperando gêmeos. Será que o parto vai
ser diferente dos outros
A
s diferenças poderão não ser muitas.
Muitos são os partos de gêmeos que
se fazem por via vaglnut e sem complicações. !
No entanto, há possibilidade de certas complicações. Em geral os problemas
não surgem na primeira fase do trabalho, que costuma em média ser mais
abreviado do que na gestação única.
(Embora a fase ativa ea expulsiva sejam
mais prolongadas, o tempo total da pri-
'Quanto maior o número de fetos, porém,
maior a probabilidade de parto cirúrgico.
meira contração ao parto costuma ser
mais abreviado.) O parto pode ser feito
normalmente, às vezes com emprego de
fórceps para evitar o trauma excessivo
dos bebês. Mas recomenda-se que um
anestesista fique a postos em caso de ser
necessário o parto cirúrgico. Também de
prontidão costt.ma ficar um pediatra ou
neonatologista, para que entrem logo em
ação com os gêmeos se necessário. Muitas vezes o parto é feito com monitorização fetal (dos dois bebês).
Os gêmeos muitas vezes causam problemas inesperados. Estes podem começar durante o parto. Como há mais de
um bebê, e mais de um conjunto só de
circunstâncias, o parto de um poderá ser
diferente do do outro. Pode acontecer de
um nascer por via vaginal e o outro por
via transabdominal, por exemplo. As vezes o saco amniótico de um se rompe espontaneamente e o do outro nâo.
Em geral, o segundo nasce 20 minutos depois do irmão. O médico, para auxiliar no parto do segundo, poderá usar
ocitocina ou fórceps ou inclusive realizar uma cesariana. Depois de nascidos,
a placenta ou as placentas costumam se
desprender rapidamente. Às vezes, porém, o delivramento é lento e requer o
auxílio do médico.
UM BANCO DE SANGUE
PRÓPRIO
"Estou preocupada com a imssi/iitidade de precisar de uma transjhsõo durante o parto v dc
receber sangue conluminudo. fosso estocar
meu próprio sangue antes do parto?"
E
m primeiro lugar, é muito pequena
a possibilidade de você precisar de
transfusão de sangue. Só 1% dos partos
vaginais e 2 d a s cesarianas requerem
uma, A mulher, curacterlstlcamente, perde de 1 a 2 xícaras de sangue (250 a 50Q
ml) durante o parto vaginal e de 2 a 4
O OITAVO MÊS
xícaras durante uma cesariana. Essa perda não representa problema, já que o volume de sangue durante a gravidez cresce
em 40% a 50%. Em segundo lugar, o risco de contrair AIDS ou de contrair hepatite B ou C (as doenças mais
habitualmente transmitidas pela transfusão de sangue nos EUA) é muito baixo
(estima-se que 1 em 40.000 ou 1 em
250.000), já que lá todo o sangue doado
é testado por testes muito precisos (embora não sejam perfeitos). Em terceiro
lugar, como as instalações para a doação de sangue autólogo (da própria pessoa) são limitadas e a prioridade é
oferecida às que vão sofrer cirurgia de
alto risco, as parturientes podem até nem
ser aceitas para esse tipo de doação.
Mas re você tiver motivos para achar
que esteja em alto risco de perda sangüínea durante o parto, porque o seu sangue não coagula normalmente, por causa
de parto cesáreo, ou por alguma outra
razão, fale com u médico sobre a possibilidade da doação de sangue autólogo.
(Doar sangue no fim da gravidez poderia ser um problema por causa da redução excessiva da volemia ou por possível
desenvolvimento de anemia.) Outra possibilidade é contar com um parente ou
amigo com sangue compatível para que
faça uma doação dirigida (a urna pessoa
específica) pouco antes do parto ou para que fique de pronLidão por ocasião do
parto caso a doação seja necessária. Nem
todo hospital está equipado para (ou disposto a) essa espécie de doação, Mais
ainda: a equipe pode ressaltar que o risco de contrair Al DS por transfusão não
é menor quando u doação é de um amigo ou de um membro da família do que
quando é do banco de sangue autorizado.
A CESARIANA
"O médico me disse que vou Jazer cesariana.
Mas acho que a cirurgia ó perigosa,"
281
E
mbora o adágio popular afirme que
o nome "cesariana" se deva ao parto de Júlio César por via abdominal, essa hipótese é praticamente impossível. O
imperador romano poderia ter sobrevivido a uma operação dessa espécie, mas
sua mãe não — e sabe-se que a mãe de
Júlio César viveu por mui tos anos depois
de seu nascimento.
Atualmente, contudo, as cesarianas
são quase tão seguras quanto os partos
vaginais para a mãe, e n o s partos difíceis ou quando há sofrimento fetal nâo
raro são a rota mais segura para o bebê.
Embora do ponto de vista técnico seja
considerada grande cirurgia, Os riscos
que lhe são inerentes são bem pequenos
— mais próximos dos existentes numa
tonsilectomia (operação de amígdalas)
do que os vinculados à cirurgia de vesícula biliar, por exemplo.
Conhecendo tudo o que for possível
a respeito do parto cirúrgico antes da data prevista — através do obstetra, das
aulas de pré-natal (o ideal são aulas sobre cesariana) e das leituras —, a gestante se verá mais preparada e afastará mais
facilmente os receios.
"O médico diz que preciso da cesariana. Talvez a cirurgia seja perigosa para o bebê."
E
m caso de parto cirúrgico, as chances
do bebê serão no mínimo seguras, ou
até mais seguras, do que se se fizesse parto vaginal. Todos os anos milhares de bebês que talvez não sobrevivessem á
perigosa jornada pelo canal do parto (ou
que talvez sobrevivessem com seqüelas)
sâo removidos do abdome materno em
perfeitas condições, incólumes.
Embora se especule sobre possíveis
prejuízos para o bebê, não há evidências
comprobatórias dessa possibilidade. Naturalmente uma maior proporção de bebês assim nascidos apresenta problemas
clínicos, mas quase sempre em decorrência do sofrimento anterior que determinou a cirurgia, e não em decorrência da
282
OS NOVE MESES.
cirurgia em si. Muitos nem teriam nascido vivos se tivessem dependido de parto natural.
Em grande medida, os bebês que nascem através do parto cirúrgico nâo diferem dos vindos ao mundo por parto
vaginal — não obstante levem ligeira
vantagem sobre os últimos em termos de
aspecto inicial. Por c ã o terem de
acomodar-se aos estreitos confins da bacia, costumam apresentar conformação
da cabeça de melhor aspecto — arredondada e não pontuda.
Os índices de Apgar (a escala que permite avaliar as condições do lactente ao
nascer) são comparáveis entre os bebês
nascidos por ambas as modalidades de
parto. Os nascidos por cesariana apresentam ligeira desvantagem: o excesso de
muco existente nas suas vias respiratórias não é expelido como no parto natural, e m b o r a possa ser facilmente
aiptrado depois do parto. São rarlssimas
as lesões graves sofridas pelo bebê durante o parto cirúrgico — muito mais raras do que durante o parto vaginal.
A lesão mais provável a ser sofrida pelo bebê durante o parto cirúrgico é de natureza psicológica — não por causa do
parto em si, mas por causa da atitude da
mãe para com ele. Por vezes a mãe submetida a cesariana ressente-se subconscientemente do bebê que ela sente como
a tendo privado de seu momento mais
sublime e fez recair sobre o seu corpo tal
sofrimento.' Poderá permitir que o ciúme sentido para com outras que tiveram
parto vaginal e a culpa por sua " f a l h a "
interfiram no estabelecimento de uma
boa relaçflo com o bebê. Ou talvez incorretamente imagine que o bebê assim
nascido seja extraordinariamente frágil
{poucos o são) e se torne superprotetora. Desenvolvendo-se tais sentimentos,
' A l mulheres que têm parto vaginal podem experimentar ressentimento semelhante, quase sempre temporário, por causa das dores do parto,
cumpre à mãe combatê-los e enfrentálos, além de, se necessário, recorrer a auxílio profissional para resolvê-los,
Muitas vezes, porém, as atitudes destrutivas podem ser evitadas desde o princípio. Primeiro, reconhecendo que a
modalidade de parto de forma alguma
vai se refletir na mãe ou na criança; uma
mulher não é menos mãe e seu bebê não
é menos o fruto de seu ventre quando
ocorre cesariana e nâo o parto normal.
Segundo, assegurando a oportunidade de
relacionamento com o bebê no momento mais precoce possível. Bem antes de
entrar em trabalho de parto, deixar o
obstetra saber que, em caso de cesariana, você gostaria de segurar ou de amamentar o bebê já na mesa cirúrgica, ou,
se isso não for possível, no pósoperatório imediato (no quarto de pósoperatório). Se a leitora esperar até o dta
do pano para falar de suas intenções, talvez não tenha forças ou oportunidade
para concretizá-las. O planejamento antecipado também lhe dá a oportunidade
de questionar os regulamentos hospitalares — os exigidos por todos os partos
cirúrgicos, por exemplo, mesmo os mais
recomendáveis —, conseguindo com que
a deixem passar o maior tempo possivel
na unidade de tratamento intensivo neonatal. Os argumentos racionais, sem histeria, são mais capazes de provo ;ar uma
mudança ou exceção nos regulamentos.
Se, não obstante as boas intenções, a
leitora se vir muito enfraquecida para
participar de qualquer relacionamento
afetivo com o bebC — a situação de multas, quer com parto vaginal, quer com
cesariana — ou se o bebê precisar ficar
na unidade de tratamento intensivo por
algum tempo, não há por que entrar em
pânico. Não há provas, apesar do estardalhaço feito no passado, de que o vínculo u f c t l v o preclau ser f i r m a d o
imediatamente após o nascimento (ver p.
428).
O OITAVO MÊS
"Gostaria muito de ter um parto natural, mas
parece que atualmente todas vão para a cesariana e fico aterrorizada de ter de ser uma dessas."
283
em " t o d a s " precisam da cesariana
atualmente — embora muito mais
mulheres dela necessitem do que antes.
No começo dos anos 60, a probabilidade de uma de nós ser submetida a parto
cirúrgico era de 1 contra 20, Hoje já é
de aproximadamente 1 contra 4 (mais em
alguns hospitais menos em outros), e no
caso das gestações de alto risco, 1 contra 3.
Por que esse aumento substancial?
Muitos apontam o dedo acusador para
a comunidade médica: ao obstetra esporádico que prefere marcar com antecipação a cesariana no consultório a ser
acordado às três horas da madrugada,
ou àquele que, ao menor pretexto (obstétrico), vê a chance de aumentar os
honorários. (O pagamento pelos segurossaúde atenua a culpa), E ao médico que
faz a cesárea ao menor sina! de problemas durante o parto vaginal, por receio
de incorrer em imperícia médica, por receio de processo judicial. (Nos Estados
Unidos tais processos, na maioria, são
impetrados por não ler o médico feito o
farto cirúrgico — e pelo conseqüente resultado desastroso —, nunca por tê-lo
feito.) Cumpre acrescentar os que se decidem pela cesariana ao menor sinal de
anormalidade à monitorização fetal (sem
tornar a verificar se o problema nâo estaria no monitor, em vez de estar no próprio bebê), Sob esse prisma, a causa do
aumento do número de cesarianas parece residir na conduta do mau profissional.
conveniência, ou por mais dinheiro, ou
por temerem processos judiciais, mas por
acreditarem que em determinadas circunstâncias essa é a melhor conduta, por
vezes a única forma de proteger o bebê
ao qual têm de dar assistência obstétrica.
Diversas alterações na prática obstétrica também contribuíram para o crescimento no número de cesarianas. Em
primeiro lugar, o parto a fórceps médio
(ver p. 328) é empregado menos freqüentemente do que no passado por causa da
dúvida quanto à segurança de se atingir
o canal vaginal com um instrumento metálico para extrair um feto recalcitrante
pela cabeça. 4 Em segundo lugar, o parto cesáreo tornou-se opção extremamente rápida e segura — e na maioria dos
casos a mãe pode estar acordada para ver
o bebê nascer. Em terceiro, o monitor fetal, e uma ampla variedade de provas,
pode com mais acuidade (embora não de
forma infalível) indicar quando o feto está com dificuldade e precisa ser livrado
às pressas. Em quarto, a atual tendência entre as mães expectantes a um ganho ponderai acima do recomendado
(mais de 15 quilos) levou a maior número de bebês grandes, cujo parto vaginal
é por vezes mais difícil. Em seguida há
a tendência para a obstetrícia nãointerventiva — deixando-se a natureza
seguir o seu curso, sem apressá-la pelo
rompimento das membranas, pelo uso de
ocitocina, ou por meio do fórceps —
com o resultado de que o trabalho de
parto tem mais chance de ser interrompido. Além disso, há um maior número
de mulheres com problemas médicos crônicos que são capazes de gestação normal mas que requerem o parto cesáreo.
Por fim, um fator importante, e hoje re-
Todavia, o principal motivo para esse aumento não é esse: está na conduta
dos bons profissionais: a cesariana salva a vida do* beba» que nflo podem ser
trazidos ao mundo com segurança pela
via vaginal. Os obstetras, na grande
maioria, fazem o parto cirúrgico não por
"Que o índice de parto a fórceps médio e de cesariano* tem relacito está claro pela comparaçío
doa índices de csàt um n o i E U A íom ttviatx In.
dices de cesariana são elevados e os de Mrceps
médio sâo baixos) e na Ori-Dretanha (cm que
se dá a relação Inversa).
N
284
OS NOVE MESES.
conhecidamente desnecessário na maioria das vezes, é a cesariana repetida.
Apesar das muitas razões legítimas para a cesariana, há um consenso na comunidade médica de que uni número
significativo de cesarianas desnecessárias
são hoje realizadas. Para reverter essa
tendência, muitas seguradoras, muitos
hospitais, grupos médicos e outras pessoas e agências estão exigindo ou estimulando uma segunda opinião, quando
possível, antes da realização da cesariana; uma prova de trabalho de parto em
todas as mulheres já cesariadas para ver
se podem ter parto vaginal (ver p. 53);
melhor treinamento dos médicos na interpretação da leitura do monitor fetal,
para que a cirurgia não seja realizada
desnecessariamente; parto vaginal em
muitas apresentações pélvicas; mais paciência com o trabalho de parto lento e
durante a fase expulsiva, presumindo
que mãe e bebê estejam passando bem,
antes de se recorrer à cirurgia; uso criterioso da ocitocina para fazer com que o
trabalho de parto interrompido prossiga; e o emprego de ampla variedade de
técnicas mais confiáveis de avaliação fetal (amostragem de sangue no couro cabeludo fetal, perfil biofísico, estimulação
acústica) para confirmar o sofrimento fetal que se suspeite pela leitura do monitor fetal. Alguns hospitais agora enviam
um fax de traçados ambíguos da monitorizaçâo fetal para consultores para que
Si tenha uma imediata opinião especializada sobre a condição do feto. Outros
constataram que um sistema de revisão
de pares reduz enormemente o índice de
cesarianas — o sistema envolve a avaliação minuciosa, caso a cuso, de todas as
primeiras cesarianas, e os médicos responsáveis por operação desnecessária enfrentam ação disciplinar. Também se
concorda em geral que o melhor treinamento dos residentes no parto vaginal
depois de uma cesariana, na versão cefálica externa e no parto vaginal em apresentação pélvica ajudará a reduzir o nú-
mero total de cesarianas realizadas. Mas
no caso de parto vaginal pós-cesárea,
os médicos precisarão contar com a cooperação das mães também. Algumas
mulheres que sofreram uma ou mais
cesarianas se recusam a entrar em trabalho de parto novamente — seja por sua
preocupação com os riscos do parto vaginal, seja porque não querem enfrentar
outro trabalho de parto longo e difícil.
A maioria das mulheres não sabe se
vai ou não precisar de cesariana até entrar em trabalho de parto. Há, entretanto, diversas indicações antecipadas que
apontam para essa possibilidade:
• Desproporção cefalopélvica (quando
a cabeça do feto é muito grande para
atravessar a pelve materna; ver p.
240), sugerida quer pelo tamanho do
bebê ao exame sonográfico, quer por
parto anterior difícil.
• Enfermidade ou anormalidade fetal
que tornem o trabalho de parto e o
parto pélvico procedimentos de risco
inaceitável ou traumáticos.
• Cesariana prévia (ver p. 52), se razão
para ela ainda existir (doença materna ou pelve anormal, por exemplo) ou
quando foi feita incisão uterina
vertical.
• Hipertensão materna (p. 375) ou doença renal materna, porque a mãe podí
não tolerar o estresse do trabalho de
parto.
• Apresentação fetal incomum, como a
pélvica (de nádegas ou poddlica) ou
transversa (de espádua), que possa
tornar o parto vaginal difícil ou impossível (ver p. 276).
A cesariana pode ser programada antes do trabalho de parto começar por vários motivos, entre eles:
O OITAVO MÊS
285
Cesariana: Questões a Serem Discutidas
com o Obstetra
• Existirão outras opções antes de se recorrer à cesariana (saivo em situação de emergência)? Por exemplo, ocitocina para
estimular as contrações, ficar de cócoras
para tornar as contrações mais eficazes?
• Se a razão para a cesariana é apresentação
pélvica, não se deve tentar vi. ar o bebê no
útero primeiro (versão cefálica externa)?
• Quais os tipos de anestesia que se podem
empresar? A anestesia geral, em que a gestante adormece, costuma ser necessária
quando o tempo é essencial, mas a raquianestesia ou a epidural permitem à gestante assistir ao parto durante a cesariana
eletiva (não-emergencial). (Ver Tudo Sobre Medicação Durante o Parto, p, 265.)
• O médico vai usar ou usa rotineiramente
a incisão transversa baixa no útero sempre que possível, para que se possa tentar
parto vaginal no futuro? Talvez você também queira saber, por razões estéticas, se
a incisão abdominal (que não eslá relacionada á do útero) costuma também ser
baixa),
• Pode alguém mais a acompanhar também?
• O casal poderá segurar o bebê logo após
o parto (se você estiver desperta e tudo correr bem)? Será possível amamentar no pósoperatório? O marido poderá segurar o bebê se for usada anestesia geral?
• Se o bebê não necessitar de atendimento
especial, poderá ficar com você em alojamento conjunto? O marido pode ficar á
noite para ajudar?
• Depois da cesariana (se nâo houver complicações), quanto tempo você terá de ficar no hospital? Quais os incômodos e as
limitações físicas que se pode esperar?
• Se o monitor fetal sugerir que o bebê talvez esteja com problema, serão usados outros testes (amostragem de sangue 110 couro
cabeludo fetal, ou avaliação da reação fetal ao som ou à pressão; ver p. 304) para
verificar a leitura do monitor antes de se
optar pela cesariana? Será possível obter
uma segunda opinião?
• O marido poderá estar presente durante a
cirurgia? Mesmo se você estiver anestesiada?
• Diabetes materno, nos casos em que
o parto pré-termo é considerado necessário e descobre-se que a cérvlce
nâo está madura o suficiente para a indução do trabalho de parlo.
• Placenta prévia (quando a placenta
bloqueia parcial ou completamente a
abertura cervlcal) evitando que aconteça o trabalho de parto, o que pode
causar hemorragia se a placenta se
descolar prematuramente (ver p. 401)
• Herpes materno em atividade (p. 65)
presente antes de iniciar o trabalho de
parto, para prevenir a infecção no feto durante o parto vaginal.
• Descolamento prematuro de placenta
(p. 403), quando há extensa separação
da placenta da parede uterina e o feto
está em perigo.
86
OS NOVE MESES.
Os Hospitais e o Número de Cesarianas
Os coeficientes de cesarianas variam de
um hospital para o u t r o . M u i t o s centros médicos Importantes exibem elevados coeficientes p o r fazerem m u i t o s partos de alto risco.
M a s alguns pequenos hospitais comunitários
t a m b é m exibem Índices elevados por não disp o r e m de equipe a t o d a h o r a para fazer partos de emergência; se houver a l g u m a dúvida
de que o p a n o vaginal talvez nâo evolua, sâo
chamados o ancstcsista e outros médicos para
a cirurgia e fa2-se a cesariana antes de sobrev i r a situação de emergência. Os hospitais
maiores podem adotar a " c o n d u t a expectant e " (de espera). Discuta o Índice de cesarianas no seu hospital com o médico e pergunte
se há a l g u m protocolo especial que desestirnule as cesarianas desnecessárias.
As cesarianas podem também ser programadas antes do trabalho de parto
quando o parto imediato é necessário e
nâo há tempo para induzir o trabalho de
parto ou acredita-se que a mãe e/ou o
bebê serão incapazes de tolerar o estresse. Qualquer uma das seguintes situações
pode exigir esse parto:
• Sofrimento fetal, indicado pelo monitor fetal ou por outras provas do bemestar fetal (ver p, 304).
• Pré-eclâmpsia ou eclâmpsia (p. 396)
que não responda ao tratamento.
• Casos previamente nâo diagnosticados de placenta prévia ou de descolamento prematuro da placenta, sobretudo quando houver risco de hemorragia.
* Pós-maturidade fetal (duas semanas
ou mais além do termo; ver p. 302),
quando o ambiente uterino começou
a se deteriorar.
• Sofrimento fetal ou materno, por
qualquer causa.
Na maioria dos casos, contudo, só depois do trabalho de parto ativo é que a
possível necessidade de cesariana se torna aparente. Al as causas mais prováveis
englobam:
• Má progressão do trabalho de parto
(a cérvice não se dilatou com a rapidez suficiente) depois de 16 u 18 horas (alguns médicos esperam mais
tempo).'
'Nesses casos, alguns médicos tentarão dar um
«stltnulo i s contrações lentas com ovitovlrm tintes de recorrer à cesariana.
• Prolapso de cordão umbilical (p. 405),
que se comprimido poderia privar o
f e t o de oxigênio, causando sofrimento fetal.
Se a cesariana é tão segura e se tantas
vezes salva a vida da mãe e do bebê, por
que tanto nos atemorizamos ante a perspectiva de precisar dela? Em parte porque as grandes cirurgias, mesmo as
rotineiras e quase isentas de risco, ainda
se mostram um pouco assustadoras; mas
sobretudo porque nos preparamos durante meses e meses para o parto natural e costumamos entrar na sala de
partos absolutamente despreparadas para a possibilidade muitíssimo real de que
teremos necessidade da cesariana. Durante os nove meses, afastamos do pensamento essa possibilidade desagradável.
Devoramos os manuais sobre gestação,
mas passamos por alto pelos capítulos
que tratam desse assunto, Fazemos dezenas de perguntas a respeito do parto
natural, mas nem mesmo uma sobre o
O OITAVO MÊS
parto cirúrgico. Só antevemos a nossa
postura ativa, segurando a mão do marido enquanto respiramos ofegantemente
e empurramos nosso bebê para o mund o — e nunca a postura passiva, deitadas, p o s s i v e l m e n t e i n c o n s c i e n t e s ,
enquanto instrumentos esterilizados cortam a nossa barriga para dela retirá-lo,
como a retirar um apêndice inflamado.
Ao nos depararmos com a cesariana,
sentimo-nos privadas do controle sobre
o nascimento do bebê, Como vemos, a
tecnologia médica assume o comando,
gerando a frustração, o desapontamento, a raiva e a culpa.
Mas não há por que as coisas devam
ser assim. Não se você estiver tão bem
preparada para o parto vaginal quanto
para o cesáreo ou abdominal, se admitir que ambos podem ser igualmente lindos, e se concentrar no resultado do
['arto e não no processo.
Diversas medidas tomadas agora tornam a perspectiva da cesariana menos
sombria e a realidade mais gratificante.
Mesmo se a gestante não tem razão para suspeitar de que possa precisai- da cesariana, convém estudar o assunto pelo
menos numa ocasião durante o prénatal. Se tiver motivos para achar que
talvez v;nha a precisar dela, convém tentar fazer um curso preparatório. Deve ler
a respeito também.
287
Se o obstetra decidir por antecipação a
necessidade da cesariana, peça-lhe uma
explicação detalhada sobre os motivos.
Pergunte se há alguma alternativa, como
a prova de trabalho de parto — em que,
depois de iniciado o trabalho de parto espontaneamente, permite-se que prossiga
enquanto evoluir normalmente: (Esta opção talvez não seja possível nesse ou naquele hospital, pois requer instalações e
equipe cirúrgica de prontidão caso se faça necessária a cesariana; alguns sugerem
que tais hospitais não deveriam fazer partos de forma alguma,) Se você sair da consulta indagando-se se a principal razão
para a cirurgia é a conveniência do médico, deve pedir e conseguir outra opinião.
Se você estiver se preparando para
uma cesariana programada ou apenas
para a possibilidade de uma, há várias
questões sobre as quais talvez você queira conversar com o médico ou com o médico de plantão empregado pela parteira
habilitada (ver p. 285). Nào se detenha
com afirmações tranquilizadoras de que
não é provável que você venha precisar
de uma; explique que quer estar preparada, por via das dúvidas. Que o médico saiba se você quer ou não participar
das decisões com a equipe caso se torne
a cirurgia necessária.
Naturalmente a maioria das mulheres
grávidas não escolheriam uma cesariana
Fazendo do Parto Cesáreo um Assunto de Família
O parto cesáreo centrado na família vem
se t o r n a n d o l u g a r - c o m u m nos E U A , com a
vasta m a i o r i a dos médicos e hospitais rela
xtmdu nas n o r m a s cirúrgicas habituais para
esse tipo de parto. D u r a n t e u m a cesariana
eletiva, a m a i o r i a permite que a infle fique
desperta, c o m o pai a seu lado, e que a novtf
família se conheça imediatamente após o parto, c o m o ucorreria depois de uin p a r t o vagi-
n a l não complicado. A s pesquisas m o s t r a m
que essa " n o r m a l i z a ç ã o " do p a r t o cirúrgico a j u d a o c a s a l a m e l h o r vivenciar a experiência, reduz a possibilidade de depressAu
pós-parto e a baixa auto-estima na mSe (problemas c o m u n s depois de u m a cesariana) e
permite q u e o vinculo a f e t i v o p a i s - f i l h o se
processe m a i s cedo.
238
OS NOVE MESES.
como seu parto de escolha, e 3 entre 4 acabarão fazendo parto vaginal. Mas para as
que n ã o o conseguirem, não há motivo
para desapontamento ou sentimento de
culpa ou de fracasso. Qualquer parto (vaginal ou abdominal, com ou sem u; o de
medicamento) que proporcione uma mãe
e um bebê sadios é um completo sucesso.
A SEGURANÇA
NAS VIAGENS
"Tenho uma importante viagem de negócios
programada para este mõs. É seguro viajar ou
devo cancelá-la?"
S
e você puder evitar as viagens no último trimestre, faça-o. Não só é incôm o d o viajar nesse período, como pode
ser perigoso — já que a gestante poderá
entrar em trabalho de parto (o trabalho de
parto prematuro nem sempre pode ser
previsto) a centenas ou milhares de quilômetros de distância do seu obstetra. Nos
Estados Unidos, em virtude do risco de
começar o trabalho de parto a milhares de
pés do solo nas viagens aéreas (e a muitas
horas antes do pouso), as companhias aéreas só permitem às gestantes no nono
mês voar com carta de permissão do médico. A carta por vezes é difícil de conseguir, já que a maioria dos médicos não recomenda viagens no último trimestre, sobretudo nos oitavo e nono meses. Em caso de necessidade, consultar as sugestões
à p. 216. É particularmente Importante
verificar o nome de algum obstetra bemconceituado no local de destino.
DIRIGINDO
"Devo ainda dirigir?"
A
s viagens longas de carro (que durem
mais do que uma hora) provavelmente são muito exaustivas no final da
gravidez, não importa quem esteja dirigindo. Se você tiver de fazer viagem mais
longa, e tenha o aval do médico, procure parar de hora em hora ou de duas em
duas horas para espichar as pernas. Dirigir por curtas distâncias não traz problema até o dia do parto, na medida em
que você não esteja sentindo episódios
de tonteira e desde que consiga se colocar atrás do volante. Entretanto, não vá
dirigindo sdzinha até o hospital durante
o trabalho de parto. E não se esqueça —
em qualquer viagem de carro — seja você o motorista ou passageiro — use o cinto de segurança.
CONTRAÇÕES DE
BRAXTON HICKS
"De vez em quando o meu útero parece se con
trair e endurecer. O que é isso?"
S
ão provavelmenie contrações de
Braxton Hicks, que começam a ensaiar o útero grávido para o trabalho de
parto em algum momento depois de 20
semanas de gestação. Essas contrações
são sentidas mais precocemente e são
mais intensas em mulheres que já tiveram prévia gravidez. Com efeito, o útero contrai a musculatura, em preparação
para as contrações verdadeiras, que normalmente expulsarão o bebê a termo. As
contrações de Braxton Hicks são indolores (embora incômodas), como um
aperto do útero, começando no alto e
descendo até o relaxamento. Costumam
durar cerca de 30 segundos (tempo suficiente para você praticar os exercícios
respiratórios), mas podem durar 2 minutos ou mais.
Ao chegar próximo do termo, no nono m6s, as contrações de Braxton Hicks
podem se torna - mais freqüentes, mais
intensas — às vezes até dolorosas —, e
portanm mais difíceis de serem distinguidas das verdadeiras contrações do traba-
O OITAVO MÊS
lho de parto (ver Pré-Parto, Falso Trabalho de Parto, Trabalho de Parto Verdadeiro, p. 308). Embora não sejam
suficientemente vigorosas para expulsar
o bebê, podem desencadear os processos
pré-natalícios do apagamento e da dilatação precoce do colo, a j u d a n d o - a no
trabalho de parto mesmo antes de ele
começar.
Para aliviar qualquer desconforto durante essas contrações, procure deitar e
relaxar, ou levantar e caminhar. A mudança de posição pode detê-las por
completo.
Embora as contrações de Braxton
Hicks não representem o trabalho de
parto verdadeiro, pode ser difícil para
você diferenciá-las da atividade uterina
pré-termo do tipo que precede o trabalho de parto. Portanto, descreva-as ao
médico na próxima consulta. Informeo imediatamente se forem freqüentes
(mais de 4 por hora) e/ou se se acompanham de dor (nas costas, no abdome, na
pelve) ou de qualquer corrimento vaginal incomum, ou ainda se você tem alto
risco de trabalho de parto prematuro (ver
p. 256).
BANHO
"Minha mãe diz que não devo tomar banho depois de 34 semanas de gesfaçüo. Meu médico
diz que está tudo bem. Quem tem razão?"
T
emos aí um caso em que a infle não
tem razão. Embora bem-intencionada, está mal-informada. É provável que
se baseie na advertência que recebeu de
seu próprio médico quando teve você.
Há 20 ou 30 anos a maioria dos médicos acreditava que a água suja do banho
podia ascender pela vagina até a cérvice
na gravidez c assim causar Infccção. Mas
embora ainda preclse-se de outras pesquisas a respeito, os médicos hoje acreditam que a água não entre na vagina a
menos que propeltda, por ducha por
289
exemplo; assim, não se justifica esse receio. Mesmo que a água entre na vagina, o tampão mucoso cervical que sela
a entrada do útero protege efetivamente
as membranas que circundam o feto, o
liquido amniótico e o próprio feto da invasão de agentes infecciosos. Portanto,
a maioria dos médicos permite os banhos
de imersão na gestação normal até o
rompimento das membranas ou a expulsão do tampão mucoso. O banho de chuveiro é permitido até a hora do parto.
Os banhos de banheira e de chuveiro,
contudo, não estão totalmente isentos de
risco, sobretudo no último trimestre,
quando o desequilíbrio da gestante pode causar escorregões e quedas. Para evitar isso, tome banho com cautela;
certifique-se de que a superfície do boxe, por exemplo, não esteja deslizante,
ou use capacho; e mantenha alguém por
perto, se possível, para ajudá-ia a entrar
e sair da banheira.
O RELACIONAMENTO
COM O MARIDO
' 'O bebO ainda nem nasceu e o relacionamento
com ttteu marido parece já estar mudando. Estamos ambos muito envolvidos com o parto futuro e com o bebê — e não um com o outra,
como Érumos antes."
T
odos os casamentos, em grau diferente, sofrem algumas alterações na
dinâmica e numa revisão das prioridades depois que o bebê compõe o trio,
mas as pesquisas revelam que o choque
dessa revolução costuma ser menos estressante quando o casal começa o processo durante a gravidez. Assim, embora
a mudança que você percebe possa não
parecer uma mudança para melhor, é
melhor vivenciá-la agora do que depois
do bebê nascer. Os casais que romantizam a idéia do trio, e que não antecipam
peto menos alguma desintegração ou
290
OS NOVE MESES.
rompimento de seu romance, muitas vezes encontram mais dificuldade em lidar
com a realidade da vida com as exigências do recém-nascido.
Mas embora seja muito normal — e
saudável — envolver-se com a gravidez
e com o esperado parto superespecial,
você não deve deixar essa nova faceta da
vida bloquear as outras completamente,
sobretudo no relacionamento. Agora é
hora de aprender a combinar o cuidado
e a nutrição do bebê com o cuidado e a
nutrição do relacionamento. Reforce o
romance com regularidade. Uma vez por
semana, façam alguma coisa juntos —
ir a um cinema, jantar fora, visitar um
museu — que nada tenha a ver com o
parto ou com bebês. Ao sair para comprar o enxoval do bebê, vá a uma loja
de artigos masculinos e compre algo especial (e inesperado) para o seu marido.
Ao deixar o consultório médico após a
próxima consulta, surpreenda-o com
dois bilhetes para um teatro ou um evento esportivo. No jantar, de vez em quando, pergunte a ele como foi o seu dia,
fale do seu, discuta as manchetes do dia
— tudo sem falar do bebê uma só vez.
Nada disso tornará o evento maravilhoso menos especial, mas lembrará a vocês dois que há mais coisas na vida do
que o curso preparatório e enxovais de
bebê.
Mantendo isso agora em mente ajudará a manter a chama do amor depois,
quando os dois ficarem se revezando paru atender ao recém-nascido às 2 da madrugada. E essa chama do amor é,
afinal, o que tornará o ninho que você
tanto prepara para o bebê um lugar alegre, feliz e seguro.
FAZENDO SEXO
NO OITAVO MÊS
"Estou confusa. Tenho ouvido muitas informaçiks conflitantes a respeito das relações sexuais
nas últimas semanas de gra videz,"
O
problema é que as evidências clínicas
existentes sobre o assunto também
são confusas e conflitantes. Acredita-se
amplamente que nem a relação e nem o
orgasmo, isoladamente, desencadeiem o
trabalho de parto, salvo se as condições
forem propícias (embora muitos casais
impacientes com o parto tenham adorado tentar a prova em contrário). Por esse motivo, muitos médicos e muitas
parteiras permitem a atividade sexual às
gestantes com gravidez normal — presumindo que ainda estejam interessadas
— até o dia do parto. E aparentemente
a maioria dos casais assim pode proceder sem complicações.
Parece, no entanto, existir algum risco de a relação sexual desencadear o trabalho de parto prematuro, pelo menos
em gestantes com alto risco de parto antes do termo (as com gravidez gemelar,
as que têm apagamento e dilatação precoces, e as com história de trabalho de
parto prematuro. O ato sexual também
parece estar relacionado ao rompimento prematuro das membranas, sobretudo quando já se encontram inflamadas,
e à infecção, pré-natal (do saco amniótico ou do líquido amniótico) e puerperal. Para ajudar na prevenção de possível
infecção, e de possíveis contrações prematuras produzidas pela exposição da
cérvice às prostaglandinas irritantes do
sêmen, muitos médicos recomendam o
uso de preservativo (camisinha) durante
o coito nas últimas oito semanas de
gestação.
Procure esclarecer a sua dúvida perguntando ao obstetra qual o último consenso a respeito do assunto, Se ele der
sinal verde, então faça sexo à vontade —
se você quiser e se sentir bem fazendo-o. Se der sinal vermelho (em caso de
gestação de alto risco, risco de parto prematuro, placenta prévia ou descolamento prematuro da placenta, ou em caso de
singramento inexplicado ou rompimento da bolsa), busque a satisfação de outras formas. O jantar romântico no
O OITAVO MÊS
;staurante preferido ou passear de mãos
adas sob a luz das estrelas. Outras op5es: ficar agarradinha com o marido na
ima ou no sofá em frente à TV, só nas
aríc:.as e nos beijos, tomarem uma du-
291
cha juntos, ensaboando-se carinhosamente, fazer massagem — no pescoço,
nas costas, nos pés e, naturalmente, na
barriga e nos genitais.
0 QUE É IMPORTANTE SABER:
FATOS SOBRE A AMAMENTAÇÃO
N
a virada do século, quase todos
os bebês eram amamcntados ao
seio: não havia escolha. Mas, no
início da primeira década deste século,
as mulheres começaram a exigir os direitos que nunca tiveram — votar, trabalhar, fumar cigarros, soltar ou enrolar os cabelos, abandonar roupas Je baixo desnecessárias, voltar os olhos para fora da cozinha e do berçário. O aleitamento era antiquado, restritivo, e representava tudo de que as mulheres
queriam se libertar. A mulher moderna amamentava com mamadeira. E,
por volta da década de 50, as únicas
nutrizes remanescentes {além da autora veterana e de algumas vadias boêmias) eram as que não haviam se contagiado peios movimentos de emancipação,
Ironicamente, foi o revitalizado movimento das mulheres nas décadas de 60
e 70 que trouxe de volta o aleitamento
à voga. As mulheres não queriam mais
só a liberdade, mas o controle — sobre
suas v d a s , sobre seus corpos. Sabiam
que o controle vem com o conhecimento, e foi o conhecimento que lhes disse
que o aleitamento ao seio era o melhor
— para os bebês e, no todo, para si próprias. Hoje a tendência é claramente o
retorno ao seio.
POR QUE O SEIO
É MELHOR
N
ão há dúvida de que em circunstâncias normais o aleitamento ao seio
propicia ao recém-nascido o alimento e
o sistema de alimentação perfeitos para
os lactentes humanos:
• O leite h u m a n o contém pelo menos
uma centena de ingredientes que não
são encontrados no leite de vaca e que
não podem ser perfeitamente reproduzidos pelo leite artificial (fórmulas). O
leite materno é individualizado para
cada bebê; a matéria-prima é selecionada da corrente sangüínea materna
conforme as necessidades, modificando a composição do leite dia a dia, de
mamada em mamada, à proporção
que o bebê cresce e se modifica. Os nutrientes são propícios à nutrição do
lactente. O afastamento do leite materno encontrado nas fórmulas pediátricas (preparadas em casa com leite
de vaca) pode levar a deficiências nutricionais.
• O leite materno é mais digerível que
o leite de vaca. A proporção de proteínas no primeiro é menor (1,5%) do
que no segundo (3,5%), facilitando a
292
OS NOVE MESES.
digestão do lactente. A própria proteína que contém, sobretudo a lactalbumina, é mais nutritiva e digerível
que a principal proteína do leite de vaca, o caseinogênio. O teor de gordura
de ambos os leites é semelhante, mas
a gordura do leite materno é mais facilmente digerida pelo bebê.
• O leite materno tem menor probabilidade de tornar os lactentes obesos,
agora ou durante sua vida.
• Virtualmente nenhum bebê é alérgico
ao leite materno (embora alguns possam apresentar alergia a certos alimentos da dieta da mãe, inclusive o leite).
A beta-lactoglobulina, uma substância contida no leite de vaca, pode desencadear reação alérgica e, depois da
formação dos anticorpos, pode até
causar choque anafilático (reação alérgica com risco de vida) em lactentes
— que, segundo suspeitam algumas
autoridades, talvez seja fator a contribuir em certos casos para a síndrome
da morte súbita em lactentes (a morte
no berço). As fórmulas com leite de
soja, muitas vezes usadas quando o
bebê é alérgico ao leite de vaca,
afastam-se ainda mais da composição
natural do leite materno.
« Os bebês amamentados ao seio quase
nunca têm prisão de ventre, dada a fácil digestibilidade do leite materno.
Também dificilmente têm diarréia —
já que o leite materno parece destruir
alguns germes causadores de diarréia
e estimular o crescimento da flora intestinal benéfica, que também ajuda
a evitar os transtornos digestivos. Do
ponto de vista meramente estético,
u ttvacuaçflo do bebC ainmnentado ao
selo é de odor adocicado, mais suave (pelos menos até serem introduzidos os alimentos sólidos) e menos capaz de causar a chamada erupção das
fraldas.
• O leite materno contén apenas um terço do teor de sais minerais do leite de
vaca, cujo excesso de sódio traz dificuldades para os rins ainda imaturos.
• O leite materno contém menos fósforo. O elevado teor de fósforo do leite
de vaca se vincula a menor teor de cálcio no sangue do bebê assim alimentado.
• Os bebês amamentados ao seio sâo
menos propensos a doenças no primeiro ano de vida. A proteção é assegurada pela transferência de fatores
imunológicos existentes 110 leite materno e no colostro.
• O aleitamento ao seio, por requerer
mais esforço que o aleitamento à mamadeira, estimula o bom desenvolvimento das mandíbulas, dos dentes e
do palato.
• O leite materno é seguro. Não há risco de contaminação ou de deterioração.
• O aleitamento ao seio é conveniente.
Não requer planejamento antecipado
e nem equipamento; está sempre à disposição do bebê (no carro, no avião,
no meio da noite) e sempre â temperatura correta. Quando a mãe e o bebê não estão juntos (se a mãe trabalha
fora, por exemplo), o leite pode ser tirado antecipadamente e guardado em
freezer para ser colocado na mamadeira quando necessário.
• A amamentação ao seio é econômica.
Não requer investimento em mamadeiras, em esterilizantes ou em fórmulas! nâo hd as iimiiiadclraa aeinivaala»
ou as latas de leite quase vazias que
se tem dc jogor fora, É uma dieta nutritiva (como a Dieta Ideal no Aleitamento, p. 441), que permite à nutriz
alimentar bem o lactente, e provável-
O OITAVO MÊS
mente custa menos que uma dieta
norte-americana típica, saturada em
gorduras, em calorias pouco nutritivas e em alimentos seiniprontos quase sempre caros.
• Há indicações, embora não haja provas, de que o aleitamento diminui na
mulher o risco de futuro câncer de
mama.
• O aleitamento ajuda a acelerar a retração do útero, fazendo-o retornar ao
tamanho pré-gestacional, e diminui a
eliminação de lóquios (a secreçâo vaginal do puerpério).
• A lactação suprime a ovulaçâo e a
menstruação, pelo menos em certa
medida. Embora não se deva confiar
nela para evitar a gravidez, ela poderá adiar por meses o retorno das regras da mulher, ou pelo menos
enquanto ela estiver amamentando.
• A amamentação ajuda a queimar as
calorias armazenadas sob a forma de
gordura durante a gestação. Se a mulher for cautelosa em só consumir calorias o suficiente para manter o
aporte de leite e as energias (ver p.
4^1), e tiver certeza de que as calorias
advêm de alimentos nutritivos, podei á atender a todas as necessidades nutrkionais do bebê enquanto recupera
a forma.
293
• O aleitamento aproxima mãe e filho,
pele a pele, durante pelo menos seis a
oito vezes ao dia. A gratificação emocional, a intimidade, o compartilhar
do amor e do prazer são coisas muito
especiais, muito recompensadoras.
(Um breve lembrete às que tiverem gêmeos: Todas as vantagens do aleitamento ao seio são duplicadas. Ver p. 443
para as sugestões que facilitam a amamentação de dois.)
POR QUE ALGUMAS
PREFEREM A MAMADEIRA
A
ssim como havia alguma resistência
contra a amamentação com mamadeira 30 anos atrás, hoje há mulheres que
preferem não amamentar ao seio. E embora as vantagens do aleitamento com
mamadeira pareçam pequenas perto das
oferecidas pela amamentação ao seio,
elas poderão ser reais e convincentes para
algumas mulheres.
• O uso de mamadeira deixa a mãe mais
livre. Ela pode trabalhar, ir às compras, sair à noite, até mesmo dormir
durante a noite — porque alguma outra pessoa pode alimentar o bebê.
• O aleitamento obriga a puérpera a períodos de repouso — particularmente
importantes durante as seis primeiras
semanas após o parto.
• A mamadeira permite que o pai compartilhe da responsabilidade alimentar
e dos laços afetivos que daí decorrem
e que são benéficos. (Embora o pai de
um filho amamentado ao peito possa
conseguir os mesmos benefícios, ao
amamentá-lo com mamadeira cheia de
leite materno.)
• O aleitamento em público vem se tornando mais aceitável. Com um poueo de discrição e um guardanapo bem
grande, tanto a mãe quanto o bebê podem jantar j j n t o s no mesmo restaurante.
• Nflo interfere com « vida sexual do casal (a menos que o bebê acorde para
mamar em hora errada). Já o aleitamento ao seio, por outro lado, interfere, Primeiro, os hormônios da
lactação podem até certo ponto resse-
294
OS NOVE MESES.
car a vagina; e segundo, o escoamento de leite do seio durante o ato sexual
para alguns casais é um transtorno.
Para as que adotam a mamadeira, os
seios podem desempenhar seu papel
sensual e não utilitário.
• A rr.amadeira não determina a dieta
da mãe ou restringe os hábitos alimentares. Ela pode comer todos os condimentos, todos os alimentos bem
temperados e todo o repolho que quiser, não precisando sequer beber um
copo de leite.
• A mamadeira talvez seja preferível para a mulher que se sente receosa do
contato mais íntimo com o bebê e que
se sinta incomodada com a possibilidade de amamentar em público. Ou
para aquela que é muito nervosa ou
impaciente com a amamentação.
COMO FAZER A ESCOLHA
P
ara um número cada vez maior de
mulheres atualmente, a escolha é clara. Algumas sabem que vão preferir o
seio à mamadeira muito antes de engravidar. Outras, que nunca deram muita
atenção a esse problema antes de engravidar, escolhem o seio depois de lerem
a respeito dos benefícios. Algumas ficam
oscilando na indecisão durante toda a
gravidez e até mesmo durante o parto.
Algumas poucas, embora totalmente
convencidas de que o aleitamento ao seio
não é para elas, não conseguem se livrar
da idéia de que devem tentar de qualquer
forma.
Para todas as que ainda não se decidiram só temos uma sugestão; tentem —
talvez vocês gostem muito. Sempre é
possível desistir se não gostar, mas pelo
menos houve a tentativa de eliminar as
dúvidas Imporiuntts. O melhor é que vocS e o bebê terão obtido alguns dos benefícios mais importantes da amamen-
tação ao seio, mesmo que por um breve
período.
Não obstante, convém tentar amamentar com boa vontade. As primeiras
semanas são sempre difíceis, mesmo para as mais desejosas do aleitamento.
Alguns especialistas afirmam que é necessário um mês inteiro, ou até mesmo
seis semanas, de aleitamento ao seio para que se estabeleça uma relação nutriciona! bem-sucedida e para que a mãe
tenha tempo de decidir se deseja ou não
continuar.
QUANDO NÃO SE PODE
OU NÃO SE DEVE
AMAMENTAR
L
amentavelmente, a opção pelo aleitamento nem sempre cabe à mamãe.
Algumas mulheres não podem ou não
devem amamentar os filhos. As razões
podem ser emocionais ou físicas, por
causa da saúde da mãe ou do bebê, e
temporárias ou duradouras.® Entre as
razões mais comuns para que se desaconselhe o aleitamento, estão as seguintes:
• Graves enfermidades incapacitantes
(doenças cardíacas ou renais, anemia
grave) ou extremo emagrecimento.
• Infecções de maior gravidade, como
a tuberculose.
• Condições que requerem uso de medicamentos que chegam ao leite materno e podem ser prejudiciais para o
bebê tais como: antitireoidianos, antineoplásicos (drogas contra o câncer),
ftA
hipótese de que em famílias com história de
cúniíer de munia em fase pi'4-menopdusica a
doença poderia ser transmitida da infle pura a
Filha através de um vírus no leite materno é inconsistente. Admite-se que essas mulheres e mesmo as que têm câncer num dus seius podem
amamentar as filhas com Oxito e segurança.
O OITAVO MÊS
anti-hipertensivos; lítio, tranqüilizantes ou sedativos. Se você fizer uso de
qualquer medicamento, verifique com
o médico antes de dar inicio ao aleitamento ao seio.'
• AIDS, que pode ser transmitida pelos
líquidos do corpo, inclusive o leite
materno.
' Abuso de drogas — inclusive tranqüilizantes, cocaína, heroína, metadona,
maconha, cigarros e cafeína e álcool
em grande quantidade."
• Aversão profunda à idéia da amamentação.
Entre as condições do recém-nascido
que interferem no aleitamento estão:
• A intolerância à lactose ou a fenilcetonúria, em que o lactente não consegue digerir nem o leite humano e nem
o de vaca.
• Lábio leporino e/ou fenda palatina,
ou outras anomalias da boca que tornam difícil a sucção ao seio.
7A
necessidade temporária de medicação, c o m o
penlcllina, m e s m o por ocasião do aleitamento,
n à o necessariamente descarta essa possibilidade. Às vezes é possível passar para a m a m a d e i ra c o m leite a r t i f i c i a l ( f ó r m u l a ) , c o n t i n u a r a
retirar o leite do seio com b o m b a e, tão logo seja suspenso o medicamento, voltar a a m a m e t u á lo ao selo.
"As fumantes que t t m a m e m a m passam nicotina
para os bebês e devem abandonar o hábito. Dev e u ao menos tentar r e d m i r — mas nunca usar
o cigarro c o m o pretexto pura nâo a n i a m e n t a r .
295
AS MAMADEIRAS
E
mbora o aleitamento ao seio seja
uma agradável experiência para a
mãe e para a criança, nâo há motivo para que o uso de mamadeira também n ã o
seja. Milhões de bebês sadios e felizes f o ram criados com mamadeira. Quando
não é possível amamentar ao seio, ou
quando a mãe não deseja, o perigo mão
se acha na mamadeira, mas na possibilidade de a mâe transmitir ao bebê a frustração ou a culpa que sente. É preciso
saber que, com um pouquinho mais de
esforço, o amor pode passar da mãe à
criança através da mamadeira — exata mente como passa através do seio. É só
transformar cada mamada num momento de aconchego para o bebê, como seria se a mãe estivesse amamentando ao
seio (não dar a mamadeira com o bebê
no berço). E, quando possível, fazer o
contato pele a pele, abrindo a blusa, e
deixando que o bebê repouse de encontro ao seio exposto durante a mamada.
— 13—
O Nono
Mês
A s CONSULTAS
D
epois de 36 semanas de gestação,
a gestante passa a ir ao médico toda semana. O teor dos exames vai
lembrar-lhe sempre que se aproxima o
dia D. Em geral, embora sejam muitas
as variações em função das necessidades
da paciente e do"esti Io do médico, os exames vão constar do seguinte:'
• Peso (o ganho ponderai em geral se
mostrará mais lento ou terá cessado)
e pressão arterial (talvez se eleve um
pouco em relação às leituras no meio
da gestação)
• Urina, para surpreender açúcar e proteínas
• Batimento cardíaco fetal
• Altura do fundo uterino
• Tamanho fetal (é possível uma estimativa aproximada), apresentação (cefálica ou pélvica), posição (voltado para
u frente ou pura trás?) c desuldu (a
'Consultar o Apêndice para explicado dos procedimentos e dos exames realizados.
parte que se apresenta está encaixada?)
• Pés e mãos, para verificar edema (inchaçâo), e pernas, para ver se há
varizes
• Pesquisa da cérvice (por exame interno, em geral depois de 38 semanas de
gestação) em busca de apagamenio
e dilatação, ou quando oportuno,
para cultura seqüencial de material
cervical.
• Os sintomas apresentados, sobretudo
os incomuns
• A freqüência e a duração das contrações de Braxton Hicks
• Possíveis instruções do obstetra sobre
quando o chamar em função do início do trabalho de parto; caso não as
receba, peça-as
• Perguntas e problemas que a gestante
queira discutir, sobretudo os relacionados ao trabalho de parto e ao parlo — levar uma lista pronta
O NONO MÊS
297
Os SINTOMAS COMUNS
O
ra a gestante apresenta todos eles,
ora apenas alguns. Alguns talvez
persistam do mês anterior, outros
podem ter surgido no período. Ainda outros são dificilmente percebidos, ora por
se estar a eles acostumada, ora por se
acharem encobertos por novos e mais excitantes sinais indicadores de que não há
de demorar o começo do trabalho de
pai to, ora ainda por ambos os motivos.
• Incômodo e dolorimonto nas nádegas
e na bacia
• Aumento do edema (inchação) dos
tornozelos e dos pés e ocasionalmente das mãos e do rosto
0 ASPECTO FÍSICO
NO NONO MÊS
FÍSICOS:
• Modificação da atividade fetal (mais
contorções, menos chutes: o espaço
uterino é agora mais exíguo)
• A stcreção vaginal (leucorréia) se torna mais intensa e contém mais muco,
que depois de telaçãu sexual ou do
exame pélvico fica por vezes tingido
de sangue ou adquire tonalidade castanha ou rosada
• Prisão de ventre (constipacão)
• Azia, dispepsia, flatulência, plenitude
abdominal
• Dores de cabeça ocasionais, desmaios,
tonteiras
• Congestão nasal e por vezes sangramento pelo nariz; entupimento dos
ouvidos
• Sangramento das gengivas
• Câlbras nas pernas durante o sono
• Aumento das dores e do peso nas
costas
parto, que agora pode ocorrer a qualquer
momento. Os pulmões do bebê estão
amadurecidos. Cerca de S eme de 1.200
gramas se acrescem à estatura e ao peso
do tiebt tem mMla o bebe medirá st] vm
e pesará 3.500 gramas ao termo). Com
espaço mais- exíguo, e possivelmente já insinuado na pelve, ele parece menos ativo.
298
OS NOVE MESES.
• Varizes nas pernas
• Fadiga ou forças redobradas, ou períodos oscilantes entre ambas
• Hemorróidas
• Maior apetite, ou perda do apetite
• Coceira no abdome
EMOCIONAIS:
• Respiração facilitada pela descida do
bebê
• Micção mais freqüente depois da descida do bebê
• Mais excitação, maior ansiedade,
maior apreensão, mais desatenção e
ausência
• Alívio por estar quase chegando lá
• Maior dificuldade com o sono
• Aumento e intensificação das contrações de Braxton Hicks (algumas podendo ser dolorosas)
• Irritabilidade e nervos à flor da pele
(sobretudo ao ouvir a ladainha: "Ainda por a í ? " )
• Impaciência e inquietude
• Movimentos mais desajeitados, dificuldade maior em se locomover
• Sonhos e fantasias a respeito do bebê
• Colostro, espontâneo ou ao espremer
os seios (embora possa aparecer só depois do parto)
As PREOCUPAÇÕES COMUNS
ALTERAÇÕES NOS
MOVIMENTOS FETAIS
"Meu bebê, que costumava chutar com força,
parou lie chutar — só fica se contorcendo."
uando você ouviu os ruídos do bebê,
V J p o r volta do quinto mês, havia na
cavidade uterina um amplo espaço para
acrobaclas — e para um monte de chutes e de socos. Agora as condições estão
ficando apertadas, foi abolida a ginástica. Na cavidade uterina só há espaço
pura se virar, se cuntorcer e se sacudir,
E depois da cabeça firmemente encaixada na pelve, a mobilidade vai ser ainda
menor.
Não é importante o tipo de movimento fetal percebido nessa fase —contanto que a gestante tenha com ciência da
atividade diariamente.
"Eu mal senti o bebê chutar hoje de tarde, Devo ficar preocupada?"
P
ode ser que o seu bebê tenha tirado
uma soneca, ou que você estivesse
muito ativa ou muito ocupada para
perceber-lhe os movimentos. Paia se
tranqüilizar, verifique a atividade do feto
de modo mais formal, realizando o teste Indicado i\ p. 237. É uma boa Idéia repetir esse teste rotineiramente, duas vezes
ao dia durante o último trimestre. Dez
ou mais movimentos durante cada perío-
O NONO MÊS
do de teste significa que a atividade do
bebê é normal. Uns poucos movimentos
sugerem que talvez seja necessária a avaliação médica para determinar a causa
da inatividade — entre em contato de
uma vez com o médico. Embora o bebê
relativamente inativo no útero possa ser
perfeitamente sadio, a inatividade às vezes indica sofrimento fetal. A identificação precoce desse sofrimento através do
teste do movimento fetal e da intervenção médica muitas vezes pode prevenir
sérias conseqüências.
"Li que os mo rimemos fetais de wm ficar mais
lentos ao aproximar-se a hora do parto. Mas
meu bebê parece mais ativo do que antes. Significa que ele vai ser hiperutivo?"
A
ntes do nascimento é muito cedo para começar a se preocupar com a hiperatividade. As pesquisas revelam que
os conceptos muito ativos no útero não
têm maior probabilidade de se tornar
crianças hiperativas do que os bebês mais
quietinhos durante a vida intra-uterina,
embora possam vir a apresentar essa característica.
Pesquisas recentes também contradizem a noção de que o concepto, em média, se torna preguiçoso logo antes do
parto. Ao fim da gestação, costuma haver um declínio gradual no número dos
movimentos (dos 25 a 40 movimentos
por hora por voua de 30 semanas passam para 20 a 30 ao termo), provavelmente relacionado a menor disponibilidade de espaço, diminuição no líquido
aminiótlco e maior coordenação fetal.
Mas a menos que se conte, não se percebe qualquer diferença significativa.
RECEIO DE OUTRO
TRABALHO DE PARTO
PROLONGADO
"Meu trabalho dc parto da primeira vez durou 48 horas, e só dei á luz depois de 4 horas
290
e meia de expulsão. Embora tudo tenha coir,
do bem no final, estou apavorada só em per
sar naquela tortura novamente."
Q
ualquer pessoa brava o suficient
para retornar ao ringue depois d
um primeiro round exaustivo como ess
merece um descanso. E sâo boas as chan
ces de que você tenha um. O segundo tra
balho de parto e os subseqüentes, ben
como os partos, costumam ser mais fá
ceis e mais breves do que os primeiro.
— por vezes muito mais fáceis. Meno:
resistência será oferecida pelo seu cana
do parto, agora mais espaçoso, e pela
musculatura, mais relaxada. E embora
o processo não se dê sem esforço (raramente se dá), poderá ser bem menos que
uma provação. A diferença mais acentuada talvez esteja na intensidade dos esforços expulsivos que você terá de fazer;
segundo, os bebês muitas vezes vêm ao
mundo em questão de minutos e não de
horas.
Naturalmente, embora as chances sejam as de um parto mais fácil da segunda vez, na sala de parto n ã o há aposta
certa. Na falta de uma bola de cristal,
não há forma de prever exatamente c
que o trabalho de parto será.
SANGRAMENTO,
MANCHAS NAS ROUPAS
DE BAIXO
"Logo depois de meu marido e eu começarmos
a ter uma relação hoje de manha, apareceu um
sangramento. Significa que o trabalho de par
to está começando... ou será que o bebê com
perigof"
Q
ualquer sintoma inesperado no nono
mês suscita de imediato duas questões: Chegou a hora? Existe algum problema? O sangramento eas manchas nas
roupas íntimas sâo dois eventos que provocam muita ansiedade. O que indicam
300
OS NOVE MESES.
depende do tipo de sangramento experimentado e das circunstâncias que o envolvem:
• Logo após uma relação sexual ou o
exame vaginal, o muco de coloração
rosada ou com estrias vermelhas, ou
ainda o muco de coloração castanha
ou as manchas acastanhadas que aparecem 48 horas depois provavelmente
decorrem do pequeno traumatismo ou
da manipulação de uma cérvice muito sensível. São normais e não representam sinal de perigo — embora
devam ser comunicados ao obstreta,
que talvez venha a recomendar a abstinência sexual até o parto.
• Sangramento vermelho vivo ou persistente pode ter origem na placenta e requer avaliação médica imediata.
Chamar logo o médico. Caso não consiga entrar em contato com ele, pedir
a alguém para levá-la ao hospital.
• Muco rosado, de coloração castanha
ou tingido de sangue, acompanhado
de contrações e de outros sinais de trabalho de parto iminente (ver Fase Premonitória, Falso Trabalho de Parto e
Trabalho de Parto Verdadeiro à p.
308), seguindo ou não o coito, poderá estar indicando o seu início. Cumpre telefonar para o obstetra.
MENOR DISTENSÃO
ABDOMINAL E
INSINUAÇÃO
"Se Já se passaram 38 semanas e o feto ainda
não desceu, quer dizer que a minha gravidez
vai ser prolongada?"
A
Insinuação consiste na descida do feto até a cavidade pélvlca, Nas primeiras gestações, a Insinuação costumu
ocorrer duas a quatro semanas antes do
parto. Em multíparas, raramente ocorre antes de entrarem em trabalho de parto. Mas, como tudo o mais na gestação,
a regra nesses casos são as exceções. A
primípara pode ter a insinuação quatro
semanas antes da data prevista e só parir duas semanas depois, ou então pode
entrar em trabalho de parto antes da própria insinuação.
Muitas vezes, o processo é bastante
evidente. A gestante percebe que o ventre parece mais baixo e inclinado bem para a frente. As conseqüências felizes: ao
ser aliviada a pressão do útero sobre o
diafragma, fica mais fácil respirar fundo e, com o estômago menos comprimido, fica mais fácil comer refeições
completas. Essas alterações bem-vindas
são compensadas pelos incômodos causados pela pressão sobre a bexiga, as articulações pélvicas e a região perineal:
maior freqüência de micção, mobilidade difícil, sensação de maior pressão perineal, e às vezes dor. Pequenos choques
ou pontadas agudas podem ser sentidas
quando a cabeça fetal comprime o assoalho pélvico. Algumas mulheres sentem
um "rolar" na pelve quando a cabeça fetal se vira. E muitas vezes, como o centro de gravidade torna a se modificar, a
mulher passa a sentir mais desequilíbrio.
É possível, entretanto, que o processo ocorra sem que se perceba. Se, por
exemplo, voei estiver nessa Minarão, talvez a silhueta da barriga não se altere de
forma perceptível. Mas se você nunca experimentou dificuldade respiratória ou
em fa2er uma refeição completa, pode
nâo perceber qualquer modificação
óbvia.
Trata-se de um sinal que diz que o segmento de apresentação, em geral a cabeça fetal, se insinuou tia porção
superior da pelve óssea. O médico se
guiará por dois indicadores básicos para determinar se foi ou não a cabeça do
bebê que se Insinuou: ao exame i n u i n o ,
a parte de apresentação 6 sentida na pelve; ao palpar a cabeça, externamente.
O NONO MÊS
.
descobre que está em posição fixa, que
não mais " f l u t u a " .
O quanto a parte mais baixa da apresentação está insinuada na pelve é expressado em planos, centímetros a
centímetros. O bebê completamente encaixado ou insinuado se encontra no plano 0 (zero) — ou seja, a cabeça fetal já
desceu até o nível da linha interespinhal
(a linha que passa pelas espinhas ciáticas, dois proeminentes pontos de referência ósseos, um de cada lado na altura
média da cavidade pélvica). O bebê que
começou a insi.iuar-se pode se encontrar
no plano - 4 ou - 5 (em relação ao plano 0). Depois de iniciado o oarto, a cabeça continua a progredir pela pelve e
passa pelos planos 0, + 1 , + 2 , e assim
por diante, até apresentar-se "de vértice" na abertura vaginal externa no plano + 5. Embora a mulher cujo trabalho
se inicia no plano 0 tenha um menor esforço expulsivo do que a mulher cujo
trabalho começa no plano - 3, isso nem
sempre é assim, já que os planos não são
os únicos fatores que interferem na progressão do trabalho de parto.
Embora a insinuação da cabeça fetal
sugira fortemente que o bebê pode atravessar a pelve sem dificuldade, não há
garantia; pelo contrário, o feto que ainda
flutua no começo do trabalho de parto
não necessariamente terá problemas.
Com eleito, :i maioria deles que uiiida
não se insinuaram ao começar o trabalho
de parto acaba atravessando suavemente
a pelve. Isso se dá sobretudo em mulheres que já tiveram um ou mais filhos.
A HORA DO PARTO
"O obstetra i capaz de dizer exatamente quando vou entrar em trabalho de parto?"
N
flo. E não acredite nele se disser o
contrário. Há indícios da proximidade do trabalho de parto que o médico
começa a tentar surpreender durante o
301
nono mês. Já se deu a insinuação ou o
encaixamento? Qual o plano em que se
encontra a parte baixa da apresentação
(a que altura na pelve)? Já começaram
o apagamento (adelgaçamento da cérvice) e a dilatação (abertura)?
" L o g o " , porém, significa em algum
momento entre três horas e três semanas
ou mais. Pergunte às que viveram momentos de euforia quando o obstetra lhes
disse: "O trabalho de parto vai começar
hoje à noite" — a euforia transformouse em depressão à medida que as semanas passavam e nada de aparecerem as
contrações.
O prognóstico do obstetra em função
do apagamento e da dilatação afirmando
que o trabalho ainda vai começar só daí
a semanas pode ser igualmente equivocado. Outras gestantes são testemunhas:
depois de ouvirem a previsão, voltam para casa já pensando em passar outro mês
de espera e, para seu espanto, acabam
dando à luz na manhã seguinte.
O fato é que a insinuação, o apagamento e a dilatação podem ocorrer gradualmente durante um período de
semanas ou até mesmo durante um mês
ou mais para algumas. Em outras ocorrem em questão de horas. Ninguém, por
mais experiente que seja, é capaz de predizer com segurança o início do trabalho de parto — porque ninguém sabe ao
certo o que o dcscncadcia. (Eisuí por que
a maioria dos obstetras tanto reluta em
aventar hipóteses quanto ao momento
do parto e ao sexo do bebê.)
Como todas as outras gestantes, a leitora terá de jogar o jogo da espera, sabendo apenas que o dia, ou a noite, há
de chegar em algum momento.
AS SALAS DE TRABALHO
DE PARTO E DE PARTO
"Sínto-me pouco d vontade em ter de ir para
o hospital e ter o bebi em ambiente estranho."
OS NOVE MESES.
302
A
maternidade ou o setor de obstetrícia do hospital é um dos ambientes
hospitalares mais alegres. No entanto, se
a leitora não sabe o que esperar, talvez
chegue cheia de anseios e dúvidas. Os
hospitais na grande maioria permitem —
e na verdade estimulam — a visita antecipada à sala de parto e dependências pelos futuros pais. Perguntar quando você
deve fazer a reserva. Se as visitas não forem rotina peça ao obstetra para programá-las para você. Alguns hospitais
possuem fitas de vídeo, que você pode
tomar emprestadas, apresentando as salas de trabalho de parto e de parto. Também pode passar pelo hospital durante
as horas de visita e, embora talvez não
a deixem entrar na sala de parto, você
pode aproveitar para dar uma boa olhada no alojamento materno e no berçário. Além de afastar receios, a visita dá
a oportunidade de ver com quê um
recém-nascido se parece antes de ter o
seu nos braços.
A sala de trabalho de parto e de parto
varia de hospital para hospital. Algumas
são muito assépticas e com grande movimento; outras são mais familiares. As
salas de parto vêm se tornando cada vez
mais familiares, com um aspecto cada
vez menos hospitalar — cadeiras de balanço, quadros bem vivos nas paredes,
cortinas nas janelas, leitos que mais pa-
recem camas confortáveis do que verdadeiros leitos de hospital.
Mas embora seja agradável ficar num
ambiente reconfortante, no fim das contas não vai ser o talento do designer do
hospital o fator mais importante para o
seu bem-estar e o do bebê: muitíssimo
mais importante é a habilidade e o atendimento prestado pela equipe obstétricaneonatológica.
A GESTAÇÃO
PROLONGADA
"O parto já deveria ter ocorrido há ut.ia semana, e o obstetra quer fazer um teste tocométrico. Será possível que não vou entrar em
trabalho de parto espontaneamente?"
A
data mágica se encontra assinalada
por um círculo vermelho no calendário; todos os dias das 40 semanas que
a precedem são riscados com grande expectativa. Então, afinal, chega o grande dia. E também, como costuma
acontecer na metade das gestações, o bebê não. A expectativa se desmancha em
desânimo. O berço e o carrinho do bebê
ficarão vazios mais um dia. E mais uma
semana. E, às vezes, em 10% dos casos,
principalmente no caso de primeira gravidez, duas semanas. Será que a gravidez não vai acabar nunca?
Auto-induzir o Trabalho de Parto?
U m a pesquisa m o s t r o u que as mulheres
que, a partir de 39 semanas, estimulavam os
m a m l l o s d u r a n t e três horas ou mais por dlu
t i n h a m menor probabilidade de ultrapassar
a data prevista. O procedimento recomendado: estimular o m a m lio, a aréola e o selo com
a p o n t a dos dedos, 1S m i n u t o s em cada seio,
alternando, durante 1 hora; fazer tsso trÊs vezes ao dia. Pode-se empregar cremes ou lo-
ções e o m a r i d o pode a j u d a r , se lhe agradar
a idéia. S e m d ü " i d a é um procedimento ;jue
c o n s o m e tempo eenergia, mas algumas m u lheres a c h a m que vale o esforço. Há entret a n t o a l g u m risco de p r o J u z i r comraçJes
m u i t o fortes (semelhantes às provocadas pela
o c i t o e l n a ) , p o r t a n t o indague uo médico antes de experimentar,
O NONO MÊS
Embora as gestantes que chegaram à
quadragésima segunda semana custem a
acreditar, nenhuma gravidez até hoje durou para sempre — mesmo antes do advento da indução do trabalho de parto.
(É verdade que há gestações que chegam
a 44 semanas ou um pouco mais, mas
hoje a grande maioria chega ao fim graças à indução do parto por volta da 42?
semana.)
As pesquisas mostram que aproximadamente 70% das aparentes gestações
pós-termo não o são na realidade. Só se
acredita que estejam atrasadas por erro
de cálculo da ocasião da concepção, em
geral graças a erro na lembrança da data exata do último período menstrual. E
com efeito, quando a ultra-sonografia é
empregada para confirmar a data correta, os diagnósticos de gestação pós-termo
caem dramaticamente da velha estimativa de 10% para cerca dc 2%.
Quando parece que a gestante é póstermo (tecnicamente 42 semanas ou
mais, embora alguns médicos intervenham antes), o médico, ao avaliar a situação, considera dois fatores, importantes: um, está correta a data provável
do parto? Poderá ter razoável certeza da
correção se durante toda a gravidez a data se correlacionou com certos sinais físicos como o tamanho do útero e a altura
do fundo (o alto do útero), e com a época de aparecimento dos primeiros movimentos fetais sentidos pela mãe e os
primeiros batimentos cardiofetais identificados pelo examinador. A ultrasonografia do início da gravidez e os testes de teor de hCO no sangue (ver p. 34)
podem ser consultados para ajudar a
confirmar a idade gestacional correta.
O segundo fator em geral considerado é se o feto continua a se desenvolver,
Muitos bebês continuam a crescer até o
dteimo mês (embora isso possa ser um
problema se o bebê ficar muito grande
nesse período para passar com facilidade pela pílve da mâe), Ocasionalmente,
entretanto, o ambiente antes ideal do
303
útero começa a se deteriorar. A placenta, envelhecida, deixa de assegurar o
aporte de oxigênio e de nutrientes suficiente, e cai a produção de líquido amniótico, reduzindo perigosamente o
volume de líquido no útero. Nessas condições, ficr. difícil para o feto continuar
a passar bem.
Os bebês que nascem depois de passar algum tempo num ambiente desse tipo são ditos pós-maturos. São delgados,
com pele seca, rachada, descamativa,
frouxa e enrugada e perderam o verniz
caseoso que recobre os recém-nascidos
a termo. P o r serem "mais velhos", exibem unhas mais longas e cabelos mais
abundantes e em geral nascem de olhos
abertos e alerta. Os que ficam mais tempo no ambiente em deterioração podem
exibir a pele tingida de mecônio, esverdeada, e também o cordão umbilical. Os
que permaneceram o tempo mais prolongado no útero pós-termo exibem coloração amarela, e exibem o maior risco
durante o trabalho de parto ou mesmo
antes.
Tanto porque sâo maiores em geral do
que os bebês de 40 semanas, com maior
circunferência cefálica, quanto por estarem um tanto comprometidos pela insuficiência de oxigênio e de nutrição ou por
terem possivelmente inalado mecônio, os
pós-maturos têm maior risco de trabalho de parto difícil: é maior a chance de
cesariana. Podem também requerer atendimento especial em unidade de tratamento intensivo neonafal por breve
período depois do nascimento. Apesar
disso, os que nascem com 42 semanas depois de uma gestação sem complicações
não têm maior risco de problemas permanentes, não maior do que os que nascem com 40 semanas,
Quando se sabe ao certo que a gestação ultrapassou 41 semanas, e ao exame
a cérvice está madura (mole), muitos médicos preferem induzir o trabalho de parto (ver p. 314). O parto por indução ou
a cesariana também terão início, esteia
304
OS NOVE MESES.
Como Vai o Bebê?
Diariamente os médicos descobrem novas formas de saber como está passando o
bebê no útero. Essas provas podem ser feitas em qualquer momento da gestação quando há alguma preocupação, ou por volta de
41 ou 42 semanas, quando presume-se que
o bebê esteja ultrapassando o termo. As mais
comuns são:
Aviliação do movimento fetal (em casa). Um
registro feito pela mãe dos movimentos fetals (ver p. 321), embora não seja absolutamente seguro, pode fornecer alguma
indicação da condição do bebê e ser usado
para investigar possíveis problemas. Se a mãe
não perceber atividade suficiente, são feitos
outros exames.
Exame tococardiográfico, sem ocilocina, A
mãe é conectada ao monitor fetal como se
já estivesse em trabalho de parto e a reação
do batimento cardíoletal aos movimentos fetais é observada. Se, durante a prova, a freqüência cardíaca não reagir ao movimento
ou se o betrê não se mover, ou se for^m observadas outras anormalidades, presume-se
que haja sofrimento fetal. A fraqueza do exame (e da monitorização eletrônica fetal) está em que a exatidão do teste depende da
habilidade da pessoa que o interpreta.
Estimulação acústica felal uu vibro-scústica.
Essa prova, sem uso de ocitocina, avalia a
reação do feto ao som e às vibrações e
revelou-se mais exata que as provai sem ocitocina tradicionais.
Exame tococurdiográficu com ocltoclnn. A
prova é usada para avaliar a reatividade do
coração fetal às contrações uterinas. Nessa
prova mais complexa e prolongada (chega a
durar 3 horas), a mãe é conectada ao monitor fetal. Se as contrações nâo ocorrerem com
freqüência suficiente por conta própria, recebem um estimulo pela administração intravenosa de ocitocina, ou pela estimulaçio dos
mainllos da mãe (com toalhas quentes e, se
necessário, manualmente pela própria mãe).
A resposta feia! às contrações indica a condição provável do feto e da placenta. Essa
simulação grosseira das condições do trabalho de parto permile prever se o feto pode
ou não permanecer em segurança no útero
ou, se neeessário, atende às demandas extenuantes do trabalho verdadeiro.
Perfil biofísico. É feito por meio do ultrasom e avalia o movimento fetal, a respiração fetal e a quantidade de líquido amniótlco. A normalidade desses parâmetros é sinal
provável de que o bebê esteja bem. Junto
com a avaliação da freqüência cardíaca, o
exame propicia um panorama claro da condição do bebê.
Perfil biofísico "modificado". Junto ao perfil biofísico (acima) associa-se outro exame
fetal (ver adiante), tendo-se uma avaliação
precisa do bem-estar do feto.
Outras provas. Entre essas estão: a avaliação do volume de líquido amniótico ,ieia
ultra-sonografia (volume reduzidoé sinal de
insuficiência placentária); a ultra-sonografia
seriada para documentar o crescimento fetal; a amostragem de líquido amniótico (por
anmiocentese, p. 74); a velocimetrie pelo sonar Doppler (que mede a velocidade do fluxo do sangue pelo cordão umbilical); prova
dos "ingressos" fetais (que combina a estimulação acústica com a avaliação do volume de líquido amniótico), usado no início do
trabalho para prever possível» problemus fetais; eletrocardiografia fetal (para avaliar o
coração fetal, em geral por elétrodo aplicado ao couro cabeludo); a estimulação do couro cabeludo fetal (que testa a reação fetal à
pressão ou beliscadura do couro cabeludo);
e a amostragem do sangue do couro cabeludo.
;ice matur.ida ou não, caso compliÍS como hipertensão (crônica ou inJa p e l a gestação) ou o diabetes
ícem a mãe, ou caso o tingimento
necônio, o indevido crescimento l >
DU outros problemas ameacem o fe3e a cérvice não estiver madura, o
ico pode tentar amadurecê-la com
medicamento, como a prostaglandi3j (em geral através de supositórios
de gel vaginais), antes de induzir o
to. Pode também preferir esperar um
ico mais, realizando uma ou fnais
>vas (ver p. 304) para ver se o feto espassando bem no útero, e repetindo
es testes uma ou duas vtzes por semaaté ter início o trabalho de parto.
Alguns médicos esperam pela 42? seana ou até um pouco mais antes de delirem intervir na Mãe Natureza —
;sde que o feto continue a passar nos
stes e que a mãe esteja bem. Se houver
na! de insuficiência placentária ou de
ível inadequado de líquido amniótico,
u se houver outro sinal de sofrimento
laterno ou fetal, o médico entrará em
çâo e, dependendo do quadro, induziá o trabalho de parto ou realizará a ceariana. Felizmente para as gestantes
nsiosas, são poucas as gestações em que
e permite uma evolução além de alguns
ias depois das 42 semanas confirmadas.
Há duas maneiras de se reduzir a pro•abilidade de pós-maturidade que são às
ezes recomendadas, embora tenham
uas falhas. Primeiro — a estimulação
iiária dos mamllos — que pode ser feia pela mãe em casa (ver p. 302), mas é
rrlscada porque pode desencadear conrações manifestamente vigorosas. A oura — o desnudamento das membranas
etais — requer a separação manual das
nembranas coriônicas que circundam o
eto do segmento inferior do útero e dee ser realizada pelo médico. Muitos mélicos crêem que o desnudamento não é
ecomendáve! por causa do risco de
ompê-las ou de causar infecçâo.
0 ROMPIMENTO DA BOLSA
D ÁGUA EM PÚBLICO
"Viva mm medo de que as membranas se rompam em público."
V
ocê não é a única a temer isso. A
idéia de a "bolsa d ' á g u a " se romper num ônibus ou numa loja cheia de
gente é tão aterradora para a maioria das
mulheres quanto o é a possibilidade de
se urinar em público. Conta-nos uma
mulher que tão obcecada estava com essa preocupação que só saía de casa com
um vidro de picles na bolsa, sempre
pronta para deixá-lo cair no chão à primeira gotinha de líquido amniótico que
pingasse.
Mas antes de você sair remexendo os
armários da cozinha atrás de um vidro
de conservas, convém saber duas coisas.
Primeiro, o rompimento da bolsa antes
de ter início o trabalho de parto é incomum — ocorre em menos de 15% das
gestações. H depois do rompimento é
pouco provável que o escoamento seja
muito abundante, exceto quando você
estiver deitada (coisa que dificilmente você vai fazer em público). Ao caminhar
ou se sentar, a cabeça fetal tende a obstruir a abertura do útero, como uma rolha numa garrafa de vinho.
Segundo, caso a bolsa se rompa e o
líquido amniótico jorre inesperadamente, tenha certeza de que os circunstantes não apontarão para você sacudindo
a cabeça em desaprovação ou — ainda
pior — nSo vflo ficar rindo de viés. Ao
contrário, ou vão lhe oferecer ajuda
(e é o que você faria se visse alguém
naquela situação) ou vão ignorá-la, discretamente. Lembre-se que, afinal, ninguém det íará de reparar que você está
grávida e portanto não confundirá líquido amniótico com qualquer outra
coisa.
Há mulheres, cujas membranas se
rompem antes do parto, que nunca experimentam o jorro de líquido amnlóti-
306
OS NOVE MESES.
O Que Levar para o Hospital
Para a Sala de Trabalho de Parto e de Parto
• Este livro.
• Um relógio com ponteiro de segundos para
cronometragem das contrações.
• Um rádio ou toca-fitas — para ouvir música que a acalente e a relaxe.
• Uma câmera, um gravador e/ou equipamento de vídeo, se você não confiar na memória para captar o momento (e se o
regulamento do hospital o permitir).
• Talco, loções, óleos e todo o material de
massagem Que lhe convier.
• Um saco de papel pequeno, para respirar
nele caso ocorra hiperventilaçào durante
os exercícios respiratórios.
• Uma bola de tênis para a contramassagem
firme caso apareçam dores nas costas.
• Pirulitos sem açúcar para manter os lábios
úmidos (embora se recomendem docinhos
e balas, eles só vão deixá-la com mais sede e mais desidratada).
• Meias grossas, em caso de frio nos pés.
• Escova de cabelo, se lhe agrada que alguém
fique escovando os seus cabelos.
• Esponja de banho, embora às vezes o hospital a forneça (nâo trazer de cor branca
para que não acabe indo parar na lavanderia do hospital).
• Um sanduíche ou um lanche para o marido (se o auxiliar desmaiar de fome, de nada vai ajudar).
• Uma garrafa de champanhe ou sidra com
u seu nome nu rótulo paru comeiltorur (é
só pedir à enfermeira para deixar na geladeira), embora, dependendo da hora do
parlo, talvez você fique mais ti fim de um
brinde com suco de laranja.
Pura o Quarto do Hospital
• Ui 1 robe e/ou camisolas de dormir, sc prefeiir usar as próprias às do hospital. Mas
convém lembrar que, embora as mais bonitas nos estimulem os ânimos, podem se
manchar permanentemente de sangue. O
mesmo para os roupões de banho. O meiotermo seria o casa :o de pijamas preferido
para usar sobre a camisoía do hospital. Ou
a solução poderia ser levantar a camisola
e o roupão acima da cintura todas as vezes em que se sentar ou deitar.
• Perfumes, talcos e tudo o que for refrescante.
• Material de banho: xampu, escova de dentes, pasta de dentes, loção (pode haver ressecamento da pele pela perda de líquidos),
sabonete numa saboneteira, desodorante,
escova de cabelos, espelho de mão, maquilagem e todos os demais produtos de beleza e de higiene convenientes.
• Absorventes íntimos, de preferência os
adesivos, embora o hospital os forneça (absorventes hospitalares).
• Baralhos, livros (inclusive algum que ajude a escolher o nome do bebê, se o casal
deixou a escolha para a última hora) e outros passatempos.
• Passas, nozes, biscoito integral e outros
lanches para manter a saúde e o ritmo apesar da dieta do hospital.
• Roupas para voltar para casa, sabendo que
a barriga ainda será um pouco grande.
• Roupínhas para o bebê ir para casa — um
macacão, um conjunto dc malha, camisas,
sapatinhos, uma manta e agasalhos pesados ou cobertores sc estiver tempo muito
frio, As fraldas podem ser fornecidas pelo hospital, mas é bom levar algumas extras, por via das dúvidas.
• Um exemplur de uni livro sobre bebi»,
O NONO MÊS
307
co quando ocorre a ruptura — em parte
pelo efeito rolha, em parte pela inexistência de contrações a exprimir o líquido p a r a f o r a . Só p e r c e b e m um
gotejamento, constante ou não.
O uso de absorvente ou de forro nas
calcinhas durante as últimas semanas de
gestação lhe dará sensação de segurança, além de evitar o incômodo caso aumente a secreção vaginal (leucorréia).
mamilos retraídos, mas não use a bomba se estimular as contrações uterinas ou
se você tiver grande risco de parto prematuro.
Há especialistas que recomendam que
todas as mulheres que pretendem amamentar preparem os seios antecipadamente, retirando, por expressão, uma
pequena quantidade de colostro diariamente desde o oitavo mês (embora nem
todas sejam capazes disso) e tracionando, torcendo ou rodando os mamilos entre o indicador e o polegar — também
ALEITAMENTO
diariamente — para enrijecê-los. Outros
afirmam que para os mamilos o aleita"Meus seios estão muito pequenos e os mamilos ainda achatados. Vou ser capaz de ornamen- mento vem naturalmente, sem preparação especial.
tar?"
I
E
"VTo que concerne aos bebês famintos,
IN a satisfação é encontrada seja qual
for a embalagem. Os seios não têm que
ser enormes ou afastados e abertos, e podem per providos de quase qualquer tipo de mamilo — pequenos e achatados,
grandes e pontudos, até mesmo invertidos. Todas as combinações de seios e
mamilos têm a capacidade de produzir
e de dar leite — cuja quantidade ou qualidade em nada depende do aspecto mamário externo. Lamentavelmente, em
virtude das numerosas falácias e das velhas histórias a respeito de quais os tipos de seios mais ou menos ca.pazes de
satisfazer um bebê, muitas mulheres se
vêem desestimulr.das para o aleitamento,
Os mamilos invertidos que nâo ficam
eretos com a estimulação sexual em geral precisam de um preparo especial antes do parto. O uso de "conchas"
mamárias, existentes em muitas maternidades e em lojas de artigos para bebês,
é a melhor forma de "pôr para f o r a " os
mamilos invertidos ou retraídos. A princípio só devem ser usadas por breves intervalos pela m a n h a e à noite;
gradualmente prolonga-se o tempo de
uso, até usá-las o dia inteiro. O extrator
de leite manual usado várias vezes por
dia pode também ajudar a corrigir os
"Minha mãe diz que nessa época já tinha leite
saindo dos seios; eu não tenho. Significa que
não vou ter leite?"
A
secreção fina, amarelada, que algumas mulheres conseguem recolher
dos seios, ou que percebem escoar permanentemente, nâo é leite. É colostro,
a substância que precede o leite. Mais rico em proteínas e menos rico em gorduras e em lactose (o açúcar do leite) do que
o próprio leite humano, que surge dois
ou três dias depois do parto, contém anticorpos que podem ser muito importantes para a proteção do bebê contra
doenças.
Muitas mulheres, contudo, não apresentam o colostro de forma perceptível
até depois do parto, (Mesmo então, talvez, nâo o percebam.) N ã o quer dizer
que venham a ter ausência de leite ou dificuldades com a amamentação.
MATERNIDADE
"Agora que a chegada do bebe está tão próxima, começo a me preocupar com uma coisa•'
como vou cuidar dele? Eu nunca tive um filho..."
308
OS NOVE MESES.
A
s mulheres não nascem mães, já sabendo instintivamente como ninar a
ci tança que chora, como trocar uma fralda, como lhe dar um banho. A maternidade, ou a paternidade, se preferirem, é
uma arte que se aprende, arte que requer
muita prática para que a aperfeiçoemos
— ou para torná-la quase perfeita. Há
cem anos essa prática começava muito
cedo, quando as meninas, ainda pequenas, aprendiam a cuidar das irmãzinhas
menores — assim como aprendiam a fazer pão e a remendar meias.
Atualmente, é elevada a percentagem
de mulheres que já na maioridade nunca amassaram farinha para fazer massa
de pão, nunca pegaram numa agulha para cerzir uma meia e nunca pegaram num
bebê — ou ficaram cuidando de um sozinhas. Seu treinamento como mães se
fará na prática, com uma pequena ajuda de livros, revistas e, se tiverem sorte
de encontrá-las no hospital local, aulas
sobre cuidados com o bebê. O que significa que talvez durante as duas primeiras semanas o"bebê irá mais chorar do
que dormir, as fraldas vão vazar t lágri-
mas rolarão, quando teoricamente já deveriam ter acabado. Vagarosa porém firmemente, a nova mamãe vai, todavia, se
sentindo como uma jogadora profissional, como uma veterana. As inseguranças cedem vez à confiança. O bebê que
ela temia segurar (não vai quebrar?) é
agora distraidamente apoiado num dos
braços enquanto o outro põe a mesa ou
passa o aspirador de pó. Dar gotinhas de
vitamina, dar banhos, deitá-lo no berço
com braços e pernas em contorção deixaram de ser provações. Tornaram-se tarefas secundárias — como todas as
tarefas diárias da maternidade. E na pessoa que as executa já se vê a mãe que você — por mais difícil que possa parecer
— também será.
Embora nada possa facilitar os primeiros dias com um primeiro bebê, o aprendizado antes do parto faz esses dias
menos cansativos. Eis o que pode ajudar: visitar um berçário e ver os recémchegados; segurar, trocar fralda e acalmar o bebê de uma amiga; ler sobre o
primeiro ano do bebê; ou freqüentar curso apropriado.
O QUE É IMPORTANTE SABER:
A FASE PREMONITÓRIA,
O FALSO T R A B A L H O DE PARTO,
O TRABALHO DE P A R T O VERDADEIRO
N
a TV, sempre pareceu tão simples... Por volta das três da manhã, a gestante se senta na cama,
põe a mão sábia no ventre, estende o braço até o marido que dorme e lhe diz, calma e serena: "Chegou a hora, meu
bem."
Mas de que maneira, ficamos a Imaginar, essa mulher sabe que chegou a hora? De que maneira percebe o início do
trabalho de parto com essa frieza, com
essa confiança clínica, sem nunca ter entrado antes em trabalho de parto? O que
a deixa tão certa de que não vai checar
ao hospital, ser examinada pelo residente
e constatar que o colo não se apagou,
nâo se dilatou e que nada há ít confirmar que a hora tenha chegado? Tâo certa de que não vai ser mandada de volta
para casa — em meio a risos abafados
dos plantonistas noturnos —, tão grávida quanto chegou?
O NONO MÊS
Do nosso lado da tela, o mais comum
é acordarmos lá pelas três da manhã na
mais completa incerteza. São mesmo as
dores do trabalho de parto ou apenas as
de Braxton Hicks? Devo acender a luz
e começar a cronometrar? Devo acordar
meu marido? Devo chamar o médico no
meio da noite para informá-lo do que
pode ser apenas um falso trabalho de
parto? Se o fizer e não for a hora, não
vou me tornar mais uma das alarmistas
que quando de fato chega a hora do parto ninguém as leva a sério? Ou serei eu
a única a não saber quando chega a hora? Será que vou sair tão atrasada para
o hospital que vou acabar parindo num
táxi? As dúvidas se multiplicam mais depressa do que as contrações.
O fato é que as mulheres, na grande
maioria, por mais preocupadas que estejam, não erram ao chegar a hora do
trabalho de parto. A grande maioria, por
..nstinto, por sorte, pela força indubitável das contrações, se apresenta ao hospital nem cedo nem tarde demais: quase
sempre na hora certa. Contudo, não há
por que deixar as deliberações para o
acaso. Ao se familiarizar previamente
com os sinais da fase premonitória, do
falso trabalho de parto e do trabalho de
parto verdadeiro, a gestante estará eliminando preocupações e pondo ordem
na confusão quando surgirem as contrações (será que são elas?).
Ninguém sabe exatamente o que desencadeia o trabalho de parto, Um conjunto de substâncias naturais produzidas
pelo corpo, chamadas prostagiandinas
(PGs), parecem ter participação importante no processo, As PGs produzidas
pelo útero durante a gravidez sabiamente
aumentam durante o trabalho de parto
espontâneo; estimulam a atividade muscular uterina e desencadeiam a liberação
de odtocina pela hipóflse, ambos fatores importantes no início do trabelho de
parto, E os inibidores das prostagiandinas, como a aspirina, podem retardar o
In,'cio do trabalho. É provável que seja
309
uma combinação de fatores fetais, placentários e maternos que seja responsável pelo desencadeamento do trabalho de
parto.
SINTOMAS DO PRÉ-PARTO
(PERÍODO
PREMONITÓRIO)
A
s mudanças físicas do pré-parto podem preceder o trabalho de parto
verdadeiro por mais de um mês — ou então por pouco mais de uma hora.
Caracteriza-se pelo início do apagamento
e da dilatação cervical, que só o obstetra é capaz de confirmar, ao lado de uma
ampla variedade de sinais afins que a
gestante pode perceber:
Menor Jistensão abdominal e insinuação
(encaixamento). Em algum momento entre as duas e as quatro semanas que precedem o começo do trabalho de parto em
primíparas (mães pela primeira vez), via
de regra o feto começa a descer até a pelve. Esse elemento de referência dificilmente ocorre na segunda ou na terceira
gestação antes de iniciado de fato o trabalho