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Sistema Santa Fé - Embrapa Arroz e Feijão

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Sistema Santa Fé - Embrapa Arroz e Feijão
Integração lavoura - pecuária pelo consórcio
de culturas anuais com forrageiras, em
áreas de lavoura, nos sistemas plantio
direto e convencional
João Kluthcouski, Tarcisio Cobucci, Homero Aidar, Lidia Pacheco
Yokoyama, Itamar Pereira de Oliveira, Jefferson Luiz da Silva Costa,
José Geraldo da Silva, Lourival Vilela, Alexandre de Oliveira Barcellos e
Claudio de Ulhôa Magnabosco
Embrapa Arroz e Feijão
Santo Antônio de Goiás, GO
2000
Embrapa Arroz e Feijão. Circular Técnica, 38.
Comitê de Publicações
Carlos A. Rava - Presidente
Luis Cláudio de Faria
Luis Fernando Stone
Luiz Roberto da Silva - Secretário
Edição
Área de Comunicação Empresarial - ACE
Revisão gramatical:
Vera Maria Tietzmann Silva
Diagramação
Fabiano Severino
Capa:
Rejane Martins
Normatização Bibliográfica
Ana Lúcia D. de Faria
Tiragem: 1.000 exemplares.
CIP-Brasil. Catalogação-na-publicação.
Embrapa Arroz e Feijão.
Sistema Santa Fé - Tecnologia Embrapa : integração lavourapecuária pelo consórcio de culturas anuais com forrageiras,
em áreas de lavoura, nos sistemas plantio direto e
convencional / João Kluthcouski ... [et al.]. - Santo Antônio
de Goiás : Embrapa Arroz e Feijão, 2000.
28 p. - (Circular Técnica / Embrapa Arroz e Feijão. ISSN 15168476 ; 38)
1. Consorciação de Cultura. 2. Pastagem Consorciada. 3. Plantio
Direto. I. Kluthcouski, João. II. Série.
CDD 631.5 - 21.ed.
© Embrapa, 2000
APRESENTAÇÃO
Há
pouco
mais
de
duas
décadas,
o
desenvolvimento agropecuário no cerrado causava
inúmeras indagações devido ao seu solo pouco fértil,
ácido e com altos teores de alumínio, sazonalidade das
chuvas, veranicos, altos teores de alumínio no solo,
dentre outros. Aos poucos, estas barreiras foram sendo
desmistificadas, graças ao esforço conjunto da
pesquisa, extensão e produtores. Hoje, já há aqueles
que se gabam dos altos rendimentos em suas
propriedades, obtendo até 70, 180, 80 e 60 sacos de
60 kg/ha de soja, milho, sorgo, arroz de terras altas e
feijão, respectivamente. Estes valores são compatíveis
e, às vezes, superiores aos obtidos na maior parte dos
países com agricultura evoluída.
A maioria destas conquistas, contudo, ocorreu
como atividade isolada. Além disto, na área agrícola,
tem sido predominante a exploração de apenas uma
cultura por ano, no período chuvoso, ficando a área
ociosa por sete a oito meses, exceto na pequena
proporção em que se explora a safrinha ou se pratica a
irrigação. Na pecuária, por outro lado, parte
representativa do cerrado é ocupada com pastagem e
mais de 80% desta encontra-se degradada ou em
processo de degradação. No período seco, de maio a
outubro, ocorre deficiência de forragem para os animais.
O “Sistema Santa Fé - Tecnologia Embrapa” permite
a produção consorciada de grãos e forrageira para a
entressafra, nos sistemas de plantio direto
e
convencional, sendo mais uma contribuição da Embrapa
para toda a classe produtora. O nome Santa Fé
homenageia a fazenda que nos acolheu para o
desenvolvimento inicial desta tecnologia.
Pedro Antonio Arraes Pereira
Chefe Geral da Embrapa Arroz e Feijão
SUMÁRIO
APRESENTAÇÃO ..........................................................
3
1
INTRODUÇÃO .........................................................
7
2
SISTEMA SANTA FÉ – TECNOLOGIA EMBRAPA .....
9
2.1
Considerações gerais ......................................
9
2.2
Estabelecimento do Sistema Santa Fé Tecnologia Embrapa ........................................
10
2.2.1 Semeadura simultânea .........................
a) Dessecação da área ou preparo
do solo ...........................................
b) Semente da forrageira .....................
c) Adubação .......................................
d) Semeadura .....................................
e) Ajuste das plantadoras....................
f) Adubação de cobertura ...................
g) Manejo de herbicidas ......................
h) Colheita da cultura ..........................
10
10
10
11
11
11
12
12
13
2.2.2 Semeadura da forrageira em
pós-emergência da cultura anual ...........
14
3
UTILIZAÇÃO DA FORRAGEIRA .................................
15
4
CUIDADOS NA DESSECAÇÃO E SEMEADURA
EM PALHADA DE BRAQUIÁRIA ...............................
15
RESULTADOS OBTIDOS COM O SISTEMA SANTA
FÉ – TECNOLOGIA EMBRAPA ..................................
17
5
5.1
Considerações sobre as unidades
experimentais .................................................
17
5.2
Rendimento de grãos das culturais anuais .......
18
5.3
Manejo de herbicidas visando redução da
competição interespecífica ..............................
20
Rendimento forrageiro .....................................
22
6
CONSIDERAÇÕES FINAIS ........................................
25
7
AGRADECIMENTOS ................................................
27
5.4
SISTEMA SANTA FÉ - TECNOLOGIA EMBRAPA:
Integração lavoura - pecuária pelo consórcio de
culturas anuais com forrageiras, em áreas de lavoura,
nos sistemas plantio direto e convencional1
João Kluthcouski2
Tarcisio Cobucci2
Homero Aidar2
Lidia Pacheco Yokoyama3
Itamar Pereira de Oliveira2
Jefferson Luiz da Silva Costa4
José Geraldo da Silva2
Lourival Vilela5
Alexandre de Oliveira Barcellos5
Claudio de Ulhôa Magnabosco6
1 INTRODUÇÃO
Apesar de ter havido uma inquestionável evolução na
oferta tecnológica para a agropecuária do cerrado
brasileiro, em termos práticos, esta evolução ocorreu de
forma isolada entre a agricultura e a pecuária. A adoção
de novas e eficientes tecnologias deu-se mais
intensivamente entre os agricultores, porém resultando
num baixo desempenho médio nos dois setores. No
cerrado, a maior parte da área está ocupada com
pastagem. Neste bioma existem cerca de 75 milhões de
hectares de pasto nativo, naturalmente improdutivo e de
baixo valor alimentar, e outros aproximados 50 milhões
de hectares de pasto cultivado, dos quais estima-se que
1
2
3
4
5
6
Trabalho realizado em parceria com a BASF.
Pesquisador, Dr., Embrapa Arroz e Feijão. Rodovia Goiânia/Nova
Veneza, Km 12, 75375-000, Santo Antônio de Goiás, GO.
Pesquisadora, M.Sc., Embrapa Arroz e Feijão.
Pesquisador, Ph.D., Embrapa Arroz e Feijão.
Pesquisador, M.Sc., Embrapa Cerrados. BR-020, km 18, Rod.
Brasília/Fortaleza, 73301-970 Planaltina, DF.
Pesquisador, Ph.D., Embrapa Cerrados.
mais de 80% apresentam algum grau de degradação.
Assim, a lotação animal neste bioma é bastante baixa,
menos que 0,3 u.a./ha. A produção forrageira tem sido
suficiente para o rebanho no verão ou período chuvoso,
entre outubro e abril, mas altamente deficiente nos demais
meses do ano. Nas áreas com pastagem degradada,
estimam-se perdas anuais superiores a um bilhão de
dólares americanos devido ao emagrecimento, em média
de mais ou menos 270 g de peso vivo (PV)/animal/dia, e
à morte de bovinos no período seco, além dos baixos
índices zootécnicos observados ainda hoje, em relação
àqueles obtidos com a tecnologia disponível. O
desempenho das lavouras, na média, também não foge
à regra, já que a produção é duas a três vezes menor que
a potencial com a tecnologia disponível.
A sustentabilidade do setor agropecuário deverá
estar diretamente relacionada com a evolução do sistema
de produção, tal qual o plantio direto e a integração
lavoura-pecuária. O plantio direto, devido as suas
prerrogativas básicas, é mais importante para as regiões
tropicais, graças aos efeitos na proteção do solo, rotação
de culturas, economia em máquinas, equipamentos e
mão de obra. O Brasil já deu mostras da grande adoção
deste sistema, pois já se cultivam 11 milhões de hectares,
sendo 4 milhões no cerrado. A integração lavourapecuária, por outro lado, proporciona benefícios
recíprocos, eliminando ou reduzindo as causas de
degradação física, química ou biológica do solo,
resultantes de cada uma das explorações. Além disso,
as gramíneas forrageiras são altamente resistentes à
maioria das pragas e doenças e, por isso, podem quebrar
o ciclo dos agentes bióticos nocivos às plantas cultivadas,
resultando em menor uso de defensivos agrícolas.
A sustentabilidade no cerrado, entretanto, só será
plena mediante o alcance, pela pesquisa e produtores,
de dois grandes desafios: redução no custo de produção
das lavouras e produção agrícola na entressafra (período
8
sem chuvas), particularmente com forrageiras. Só no
cerrado são cultivados mais de 10 milhões de hectares
com as principais culturas anuais (soja, arroz, feijão,
sorgo e milho). Numa pequena parcela pratica-se a
safrinha (aproximadamente 800 mil hectares) e a
irrigação (300 mil hectares). Esta área, hoje ociosa,
poderá abrigar parte representativa do rebanho bovino
na seca, inclusive para a produção de novilho precoce a
pasto. Além disto, para o sistema de plantio direto, é
fundamental que haja uma cobertura morta em
quantidade suficiente e de maior estabilidade. A
braquiária suplanta as outras espécies nesses quesitos.
Do ponto de vista da sustentabilidade, os
benefícios da integração lavoura-pecuária podem ser
sintetizados como:
a) Agronômicos - por meio da recuperação e
manutenção das características produtivas do solo;
b) Econômicos - por meio da diversificação de oferta
e obtenção de maiores rendimentos a menor custo e
com qualidade superior;
c) Ecológicos - por meio da redução da erosão e da
biota nociva às espécies cultivadas, com a conseqüente
redução da necessidade de defensivos agrícolas; e
d) Sociais - por meio da diluição da renda, já que
as atividades pecuárias e agrícolas concentram e
distribuem renda, respectivamente. Deve-se considerar
também a maior geração de tributos, de empregos
diretos e indiretos, além de fixação do homem ao campo.
2 SISTEMA SANTA FÉ - TECNOLOGIA EMBRAPA
2.1 Considerações gerais
O Sistema Santa Fé - Tecnologia Embrapa
fundamenta-se na produção consorciada de culturas
de grãos, especialmente o milho, sorgo, milheto e soja
9
com forrageiras tropicais, principalmente as do gênero
Brachiaria, tanto no sistema de plantio direto como no
convencional, em áreas de lavoura, com solo
devidamente corrigido. Nestes, as culturas anuais
apresentam grande performance de desenvolvimento
inicial, exercendo com isto alta competição sobre as
forrageiras, evitando, assim, redução significativa nas
suas capacidades produtivas de grãos. Este sistema
apresenta grande vantagem, pois não altera o
cronograma de atividades do produtor e não exige
equipamentos especiais para sua implantação. O
consórcio é estabelecido anualmente, podendo ser
implantado simultaneamente ao plantio da cultura anual
ou cerca de 10 a 20 dias após a emergência desta.
2.2 Estabelecimento do Sistema Santa Fé - Tecnologia
Embrapa
2.2.1
Semeadura simultânea
Em princípio, a única modificação do sistema
convencional de implantação da lavoura é a adição,
misturada ao adubo, das sementes da forrageira, porém
alguns cuidados devem ser observados para a
implantação do consórcio, sendo eles:
a) Dessecação da área ou preparo do solo
A dessecação da resteva ou o preparo do solo
devem ser feitos seguindo-se as recomendações vigentes.
b) Semente da forrageira
Utilizar 5 a 10 kg de semente de braquiária
(Brachiaria brizantha, B. decumbens ou B. ruziziensis)
por hectare com valor cultural (VC) igual ou superior a
30%. Caso o VC da semente seja diferente deste, ajustar
a quantidade por hectare. Para os consórcios de milho
e sorgo, utilizar 7 a 10 kg de semente, e 5 kg para a
soja. No caso do consórcio com o milheto, podem-se
utilizar até 15-20 kg de semente de braquiária por
10
hectare. A população mínima desejada da forrageira é
de 4 a 6 plantas/m 2 , para que a área seja
satisfatoriamente coberta pela forrageira. Para o milho
e sorgo, pode-se trabalhar com 8 a 10 plantas/m2 , para
o milheto 10 a 20 plantas/m2, e, para a soja, não se
deve passar de 6 plantas/m2.
c) Adubação
Misturar as sementes da forrageira ao adubo
correspondente a um hectare. Não armazenar a mistura
por mais de 48 e 24 horas, para adubos com médio
teor de nitrogênio (N) e potássio (K), exemplo (5-3015) e ricos em N e K (exemplo 8-20-20),
respectivamente.
d) Semeadura
Na operação de semeadura, utilizar velocidade
variável entre 4 e 6 km/h e regular, para que a mistura
de adubo e semente da forrageira seja colocada mais
profundamente que as sementes da cultura anual. Nos
solos com teor de argila entre 30% e 50%, a
profundidade de adubação em relação à semente da
cultura anual pode ser de 4 a 6 cm. Nos solos com mais
de 60% de argila ou mais de 70% de areia, a adubação
deve ser mais superficial, em torno de 2 a 3 cm abaixo
das sementes da cultura.
e) Ajuste das plantadoras
Para as culturas que exigem espaçamento entre
linhas de 30 a 60 cm, utilizar a plantadora de forma
convencional, semeando a forrageira (misturada ao
adubo) em todas as linhas da cultura anual. Para
espaçamentos maiores que 60 cm, caso o produtor
deseje colocar uma fileira adicional da forrageira
entremeio às da cultura anual, o procedimento pode
ser o seguinte: se houver disponibilidade de semeadora
com carrinhos independentes para adubo e sementes,
basta regular a plantadora convencionalmente para a
cultura e utilizar as caixas e mecanismos do entremeio
11
para distribuir apenas o adubo misturado às sementes
da forrageira ou, mesmo, as sementes puras da
forrageira. Neste caso, convém misturar 50 kg/ha de
superfosfato simples com as sementes das forrageiras
para facilitar a semeadura. No caso das plantadoras
cujo reservatório de adubo é na forma de cocho, devese utilizar a caixa de sementes das linhas intermediárias
para a distribuição das sementes da forrageira puras ou
misturadas ao superfosfato simples. No caso de
sementes puras, deve-se optar pelo disco dosador
recomendado para a cultura do sorgo.
f) Adubação de cobertura
A adubação nitrogenada em cobertura deve ser
antecipada, em relação ao plantio convencional. Nos
solos com mais de 30% de argila aplicar todo o nitrogênio
cerca de dez dias após a emergência das plântulas. Nos
solos com mais de 70% de areia, aplicar 50% aos dez
dias da emergência e o restante quando o milho, o sorgo
ou o milheto apresentarem seis a sete folhas totalmente
expandidas e o arroz estiver no estádio de primórdio
floral.
g) Manejo de herbicidas
No sistema de plantio direto, a aplicação correta
de herbicidas, tanto de manejo (dessecante) como os
pós-emergentes, é de primordial importância no
estabelecimento do consórcio e também no uso das
forrageiras como cobertura morta.
Na semeadura simultânea, é importante que ainda
não tenham emergido muitas plantas daninhas até a
completa emergência das plântulas das espécies
consorciadas. Para isto, deve-se realizar a semeadura
imediatamente após a dessecação, caso a área não
apresente grande quantidade de cobertura viva, em
número de plantas ou volume de massa vegetal. Caso
contrário, deve-se proceder à dessecação com herbicida
12
sistêmico, aguardar o secamento das plantas e a
emergência de novas plantas daninhas, realizar a
semeadura e, em seguida, antes da emergência das
espécies consorciadas, dessecar com herbicida de
contato (eliminação do primeiro fluxo de plantas
daninhas). Este procedimento é de extrema importância
para o sucesso do sistema.
Após a emergência das espécies consorciadas,
para o controle de plantas daninhas de folhas largas
deve-se usar herbicidas específicos para estas espécies
invasoras,
seguindo-se
as
recomendações
convencionais. No caso do controle de plantas daninhas
de folhas estreitas, considerando que a braquiária é
uma gramínea, deve-se fazer um manejo com subdose
de herbicidas, o que será discutido no item 5.3.
Em casos de áreas com alta infestação de plantas
daninhas de folhas estreitas e onde não foi possível o
manejo seqüencial dos herbicidas, ou seja, não houve a
eliminação do primeiro fluxo de plantas daninhas, pode
ocorrer a emergência simultânea de plantas daninhas e
das espécies consorciadas, e o uso de subdoses de
graminicidas (devido à presença de braquiária - espécie
consorciada) pode não ser eficiente no controle destas
invasoras. Neste caso recomenda-se a implantação da
cultura solteira e, após o controle precoce das plantas
daninhas, a realização do plantio da forrageira (ver
item 2.2.2).
h) Colheita da cultura
Para os consórcios entre sorgo, arroz ou milho
com forrageira, o procedimento de colheita é o
convencional. Deve-se, contudo, evitar atrasos, já que,
a partir de senescência da cultura, as forrageiras
tendem a crescer muito vigorosamente , podendo causar
embuchamento ou reduzir a velocidade de operação da
colhedora.
13
No caso do consórcio com soja, dependendo do
desenvolvimento e população da forrageira, pode-se
necessitar uma aplicação de um dessecante de
contato, em subdose, com o intuito de desidratar a
parte aérea das forrageiras, melhorando com isto o
rendimento da colhedora, bem como garantindo a
qualidade do produto colhido.
2.2.2 Semeadura da forrageira
emergência da cultura anual
em
pós-
Esta prática é particularmente recomendada para
áreas muito infestadas por plantas daninhas, pois
permite controlá-las em pós-emergência precoce e, em
seguida, semear a cultura forrageira. Este procedimento
também pode ser utilizado no consórcio soja x forrageira,
possibilitando a maximização da capacidade competitiva
da soja. Os procedimentos são semelhantes à
semeadura simultânea no que diz respeito à dessecação
ou preparo do solo, quantidade de sementes, adubação
em cobertura e colheita. A operação de semeadura da
forrageira, neste caso, torna-se mais simplificada. Devese utilizar o espaçamento idêntico ao da cultura anual,
porém os sulcos de semeadura devem ser o mais
próximo possível das fileiras da cultura anual. Pode-se
usar tanto a mistura de sementes com fertilizantes,
neste caso usar o superfosfato simples em dose
reduzida, como o disco dosador de sorgo. No caso de
espaçamento da cultura anual ser superior a 80 cm,
devem-se semear duas fileiras da forrageira entre duas
fileiras da cultura anual. Deve ser considerado também
que, a semeadura muito tardia de forrageira, resultará
numa qualidade inferior do seu estabelecimento e
desenvolvimento.
Tanto para a semeadura simultânea como em pósemergência da cultura anual, se houver qualquer
equívoco que redunde em excessiva competição da
forrageira sobre a cultura anual, basta utilizar os
14
herbicidas convencionais para eliminação das plantas
forrageiras.
3 UTILIZAÇÃO DA FORRAGEIRA
A forrageira resultante deste sistema de consórcio
pode ser utilizada para pastejo, silagem, silagem seguida
de pastejo, fenação e, ainda, cobertura morta.
No caso de pastejo, deve-se vedar a área, após a
colheita da cultura anual, por tempo suficiente para a
rebrota, o que, dependendo da situação, leva de 30 a
60 dias. No caso do consórcio com sorgo ou milho para
grão, é aconselhável fazer um pastejo por curto período
de tempo, logo após a colheita do grão, prática
denominada de pastejo de formação, objetivando a
emissão de mais perfilhos pela forrageira. O pastejo
definitivo deve ser iniciado quando a planta apresentar
os mais altos índices protéicos, o que geralmente
coincide com o início do florescimento.
No caso de silagem, deve-se adotar o mesmo
procedimento em relação à vedação da área pós-colheita
dos grãos.
No caso de fenação, a ceifa da forrageira pode ser
efetuada tanto por ensiladoras como por colhedoras
automotrizes, abrindo-se totalmente o côncavo e
retirando-se o sistema de peneiramento. Neste caso, a
forragem ceifada deve ser desidratada no campo, até
atingir a umidade igual ou inferior a 15%.
4 CUIDADOS NA DESSECAÇÃO E SEMEADURA EM
PALHADA DE BRAQUIÁRIA
No caso do estabelecimento de culturas de inverno
ou de verão sob palhadas de braquiária, a aplicação do
dessecante (glifosate ou sulfosate) deverá ser em torno
de dez dias se a braquiária estiver com até 40 cm de
15
altura ou até 25 dias, se a altura for superior a 60 cm
antes da semeadura. Deve-se evitar que a forrageira
esteja estressada ou que não tenha área foliar suficiente
para a absorção dos herbicidas. Cerca de um a três dias
após a semeadura, pode-se optar pela aplicação de
herbicida dessecante de contato para acelerar a secagem
da forrageira, bem como eliminar as ervas recémemergidas. A partir daí, se necessário, devem-se utilizar
herbicidas pós-emergentes comuns.
O sucesso do plantio direto sobre a cobertura morta
proveniente da braquiária depende do desempenho de
uma boa plantadora e de regulagem específica.
Antes da dessecação, a forrageira deve ser
pastejada ou ensilada de tal forma que a altura não seja
muito superior a 50 cm. Deve-se considerar que, no
caso da Brachiaria brizantha, por tratar-se de uma planta
cespitosa, a penetração, nas touceiras, dos mecanismos
sulcadores dos equipamentos de plantio é dificultada.
Por esta razão, a plantadora deve estar equipada com
disco de corte e facão (botinhas), para cortar a palhada
eficientemente e deixar 2 a 3 cm de cada lado do sulco
de semeadura sem palha, o que favorece a emergência
das plântulas e ainda evita o estiolamento da cultura
implantada. Quanto maior for o volume da massa
vegetal, maior será a necessidade de tensionar a mola
dos mecanismos sulcadores e de corte da plantadora.
Além disto, a plantadora deverá distribuir
uniformemente as sementes, na profundidade exigida
para as diferentes culturas, como também apresentar
rodas compactadoras para melhorar o contato do solo
com a semente.
As principais vantagens da palhada da braquiária
para o sistema de plantio direto são:
a) maior eficiência na cobertura da superfície do
solo, resultando em maior conservação de água e menor
variação na temperatura do solo;
16
b) maior longevidade na cobertura do solo em razão
da lenta decomposição de seus resíduos;
c) controle/minimização das doenças tais como o
mofo branco, podridão radicular seca, ou podridão de
Fusarium, e podridão de Rhizoctonia, por ação isolante
ou alelopática causada pela microflora do solo sobre os
patógenos;
d) maior capacidade de supressão física das plantas
daninhas, podendo reduzir ou até mesmo tornar
desnecessário o uso de herbicidas pós-emergentes.
5
RESULTADOS OBTIDOS COM O SISTEMA SANTA
FÉ - TECNOLOGIA EMBRAPA
5.1 Considerações sobre as unidades experimentais
Nas safras de 1998/99 e 1999/00, foram
conduzidas cinco unidades experimentais objetivando
avaliar o comportamento das culturas do milho, sorgo,
arroz de terras altas e soja em consórcio com B.
brizantha, em áreas agrícolas com solos parcial ou
devidamente corrigidos. O delineamento experimental
utilizado foi o inteiramente casualizado com seis
repetições. A unidade experimental foi variável de cultura
para cultura, tendo sido utilizados quatro linhas de 10
metros para a cultura do milho e oito linhas de 10 metros
para sorgo, soja e arroz. Foram quantificados o
rendimento e alguns dos componentes da produtividade,
nos sistemas solteiros e consorciados nas diferentes
subdoses de herbicidas; das culturas anuais, a produção
de forragem de milho, sorgo e B. brizantha, a cobertura
morta das diferentes espécies e o comportamento do
feijoeiro em sucessão.
As áreas experimentais localizaram-se em regiões
pedoclimaticamente distintas, sendo elas: Santa Helena
de Goiás-GO; Luziânia-GO, Mimoso-BA e Campo Novo
dos Parecis-MT. Estas áreas vêm sendo cultivadas com
17
culturas anuais por vários anos consecutivos e
apresentam solos de média a alta fertilidade.
As culturas foram implantadas no início da estação
chuvosa, obedecendo às recomendações regionais
referente aos parâmetros fitotécnicos.
5.2 Rendimento de grãos das culturas anuais
Os rendimentos médios de grãos das culturas
anuais são mostrados na Tabela 1.
TABELA 1 Efeito do sistema de produção sobre o
rendimento de grãos de milho, sorgo, soja e arroz
de terras altas e forragem de milho e sorgo.
Médias de quatro regiões pedoclimaticamente
distintas.
______________________________________________________________________
Rendimento (kg/ha)
____________________________
Cultura
Solteiro
Consorciado
_______________________________________________________________________
1
Milho grão 2
Milho grão 3
Milho forrageiro (massa verde)2
Sorgo grão 4
Sorgo forrageiro (massa verde)4
Soja 2
Soja 5
Arroz 6
Arroz 7
6877
6354
48367
3687
32333
3056
2971
1968
2072
6795
6401
48467
3581
32867
2414
2677
1503
1859
_______________________________________________________________________
1
2
3
4
5
6
7
Média de seis repetições;
Média de quatro locais;
Média de dois locais: Santa Helena de Goiás-GO e Luziânia-GO.
Refere-se à aplicação de 6 g de i.a./ha de nicosulfuron no milho
consorciado;
Média de três locais: Santa Helena de Goiás-GO, Luziânia-GO e
Mimoso-BA;
Média de três locais: Santa Helena de Goiás-GO, Campo Novo dos
Parecis-MT e Mimoso-BA. Refere-se à aplicação de 24 g/ha de i.a.
de haloxyfop-methyl na soja consorciada;
Média de dois locais: Luziânia-GO e Mimoso-BA;
Média de Luziânia-GO. Refere-se á aplicação de 120 g de i.a./ha
de clefoxydin no arroz consorciado.
18
Em nenhuma das localidades a competição
intraespecífica reduziu significativamente o rendimento
de grãos de milho. Em média, a redução no rendimento
foi inferior a 2%, considerando, ainda, que, em 40%
dos casos, a produção no sistema consorciado foi
ligeiramente superior ao sistema solteiro. Maior
rendimento no sistema consorciado pode ser devido ao
efeito tóxico dos herbicidas, principalmente os
graminicidas, ou variação na população de plantas, tanto
do milho como da forrageira.
De maneira similar ao milho, também não houve
diferenças significativas no rendimento médio de grãos
de sorgo. A redução média no rendimento devido à
competição foi inferior a 3%. Também nesta cultura,
registrou-se , em um local, maior rendimento de grãos
no sistema consorciado, que, neste caso, foi
seguramente devido ao efeito fitotóxico do herbicida
Atrazina (Primólio), aplicado na dosagem de cinco litros
por hectare.
Na cultura da soja, como era de se esperar, a
competição exercida pela braquiária resultou em redução
significativa na produção de grãos que, em média, foi
de 21%, e a maior, de 39%. Em nível de campo,
observou-se que cultivares de porte alto e ciclo precoce
sofreram menos com a competição exercida pela
braquiária.
Desta maneira, a soja poderá ser
recomendada para o sistema, desde que se reduza o
crescimento da braquiária utilizando subdoses de
herbicida ou plantio da braquiária em pós-emergência
da soja, considerando-se, ainda, a possível necessidade
de dessecação da forrageira para se efetuar a colheita
da soja. Apesar da grande possibilidade do consórcio
com braquiárias, a aferição dos dados obtidos ainda
encontra-se em processamento.
19
O arroz de terras altas, empiricamente
recomendado para solos ácidos e inférteis, graças ao
seu amplo cultivo no cerrado recém-desbravado, não
apresentou bom desempenho em solos com fertilidade
parcial ou totalmente corrigida. Em dois dos locais
avaliados, a cultura não sobreviveu à competição
exercida pela forrageira. Nos demais locais, a
competição, acrescida de severo ataque de brusone,
resultou em baixos rendimentos de grãos.
5.3 Manejo de herbicidas visando redução da
competição interespecífica
No sistema de cultivo solteiro, para o controle
das plantas daninhas na cultura do milho, foram
aplicados os herbicidas nicosulfuron (Sanson), 20g
i.a./ha, e atrazina (Primólio),1000g i.a./ha, enquanto
na soja foram aplicados, seqüencialmente, 200g i.a./
ha de fomesafen (Flex) e 96g i.a./ha de haloxifopmethyl (Verdict).
Em algumas áreas experimentais, foi avaliado,
também, o efeito de subdoses de herbicida,
objetivando reduzir a competição exercida pela B.
brizantha sobre as culturas anuais.
Na cultura do milho, foi avaliado o graminicida
nicosulfuron (Sanson), nas doses de 0 g, 6 g, 12 g e
18 g i.a./ha. Em nenhum dos locais avaliados houve
interferência significativa do consórcio sobre o
rendimento de grãos, tampouco as subdoses de
graminicida afetaram o rendimento do milho.
Estes resultados sugerem que, desde que
corretamente implantado, ou seja, sem a presença de
altas infestações de plantas daninhas, solos com alta
fertilidade e com o número inicial de plantas de
braquiária desejável (8 a 10 plantas/m 2) (ver ítem
20
2.2.1b.), o consórcio entre milho e B. brizantha não
necessita de graminicidas pós-emergentes, implicando
uma economia em relação ao sistema solteiro onde
se utiliza o princípio ativo nicosulfuron (Sanson) da
ordem de dez sacas de milho por hectare. Vale ressaltar
que, havendo presença de plantas daninhas de folhas
largas, o controle deve ser realizado com herbicidas
convencionais e que, em áreas com alta população de
plantas daninhas de folhas estreitas e/ou solos com
baixa/média fertilidade, o nicosulfuron (Sanson) a 10 g
i.a./ha apresenta bons resultados, tanto no controle
de planta daninha como na redução do crescimento da
braquiária.
Em Santa Helena de Goiás-GO, o sistema plantio
direto vem sendo utilizado por 12 anos consecutivos,
cultivando-se duas a três safras por ano agrícola, com
suplementação hídrica ou totalmente irrigada nas
safras de outono e inverno, respectivamente. Nestas
condições, o solo da área experimental é provido de
farto banco de sementes de plantas daninhas,
destacando-se o leiteiro, picão-preto, trapoeraba,
capim-pé-de-galinha, caruru, capim-colchão, capimcarrapicho, marmelada, dentre outras. O solo de
Luziânia-GO vem sendo cultivado apenas no verão
também no sistema plantio direto, ocorrendo as
mesmas espécies de plantas daninhas, porém em
menor intensidade. Estes resultados sugerem também
um possível questionamento sobre o uso
indiscriminado de herbicidas em pós-emergência na
cultura do milho.
Na cultura da soja foi avaliado o graminicida
haloxifop-metil (Verdict), nas doses de 0 g, 24 g e 48 g
i.a./ha. Houve redução significativa no rendimento de
grãos devida à competição com a B. brizantha. Tão
maior foi o efeito da competição quanto menor foi a
altura das plantas e maior o ciclo da cultura, a exemplo
21
de Campo Novo dos Parecis-MT. Por outro lado, não
se observou diferença no rendimento da soja entre as
subdoses de haloxifop-methil (Verdict), sendo, então,
aconselhável a aplicação de não mais de 25% da dose
recomendada para o cultivo solteiro da leguminosa, já
que subdoses maiores reduzem substancialmente
tanto a população como a produção de forragem da
braquiária. Este procedimento pode resultar numa
economia de US$ 25 por hectare. Até o momento não
foi avaliado o desenvolvimento posterior da forrageira
submetida à subdosagem do graminicida, sabendose, contudo, da significativa redução no seu
desenvolvimento até por ocasião da colheita da cultura
anual. Portanto, a forrageira e a soja carecem ainda de
maiores estudos, sendo esta tecnologia ainda não
recomendada.
A cultura do arroz de terras altas é a mais
desprovida de opções de herbicidas pós-emergentes
dentre as principais culturas de grão no cerrado. Ainda
assim, avaliou-se o efeito das subdoses 0 g, 80 g,
120 g e 160 g i.a./ha do graminicida clefoxydin (Aura),
aplicados aos 30 dias da emergência do arroz. Aos
15 dias após a emergência, todos os tratamentos
receberam 55 g i.a./ha de fenoxaprop-p-etil (Whip´s),
acrescido de safener (Protetor). Observou-se redução
significativa no rendimento de grãos devido à
competição exercida pela forrageira e a gradativa
redução desta competição com o aumento da subdose
do graminicida. Devido à fraca capacidade de
competição do arroz com as forrageiras, ainda não é
possível recomendá-lo para o sistema.
5.4 Rendimento de forragem
Similarmente aos grãos, o consórcio com B.
brizantha não afetou significativamente as produções
22
de forragem de milho e do sorgo, amostrados
isoladamente da braquiária. Por ocasião da ceifa,
entretanto, dependendo do local, foram acrescidas
entre 4.8 e 8.0 t/ha de silagem de braquiária no caso
de consórcio com milho e entre 2.0 e 5.6 t/ha, no
caso do sorgo, resultando numa maior produção
forrageira por unidade de área.
P o r o c a s i ã o d a s e m e a d u r a d a s un i d a d e s
experimentais/demonstrativas, teve-se a preocupação
de estabelecer o consórcio com populações definidas
da cultura anual, obedecendo às recomendações
vigentes, e da forrageira, baseando-se no valor cultural
da semente. Para as forrageiras, no entanto, não foi
possível obter homogeneamente a população
desejada, que era de quatro a seis plantas/m2, devido
ao baixo padrão de qualidade das sementes disponíveis
no mercado. Observa-se, na Tabela 2, variabilidade
na população final de B. brizantha entre os diversos
locais estudados, sendo em alguns casos superiores
a dez plantas/m2, o que seguramente potencializa a
competição com a cultura anual. A população ideal ou
desejada depende da cultura (ver ítem 2.2.1 b).
TABELA 2 População de Brachiaria brizantha, em plantas por
m2, por ocasião da colheita das culturas anuais.
________________________________________________________________________________
Local
Cultura anual consorciada1
_________________________________________________
Milho Sorgo
Soja Arroz Milho
Sorgo
forrag.
forrag.
_______________________________________________________________________________
Sta.Helena Goiás-GO
10.3
5.7
8.7 no 8.0
8.5
Luziânia-GO
7.7
4.2
4.3 5.5
6.0
6.5
Mimoso-BA
6.2
7.5
5.7 5.0
6.2
6.8
C.
Novo
dos
Parecis-MT
8.3
9.0
10.5
no
no
no
________________________________________________________________________________
Média de seis repetições
no = não observado
1
23
O rendimento forrageiro da B. brizantha, por
ocasião da colheita da cultura anual, também foi
diferenciado para os diferentes consórcios (Tabela 3).
Os menores rendimentos foram observados nos
consórcios com milho e sorgo forrageiro, como resultado
da intensa competição exercida pela cultura anual até
o período de ceifa. Dentre as culturas de grão, a que
exerceu maior competição foi o sorgo. Após o início da
senescência da soja, milho e arroz, ocorreu um rápido
desenvolvimento da forrageira, registrando-se as
maiores produções forrageiras da B. brizantha.
TABELA 3 Produção de forragem de Brachiaria brizantha,
em t/ha (massa verde), por ocasião da colheita
das culturas anuais. Safra 1999/2000.
________________________________________________________________________________
Local
Cultura anual consorciada1
________________________________________________
Milho Sorgo
Soja Arroz Milho Sorgo
forrag. forrag.
________________________________________________________________________________
Sta.Helena Goiás-GO
28.3
3.6 18.4
no 8.0
2.0
Luziânia-GO
20.9
2.2 11.4 14.5 4.8
4.5
Mimoso-BA
15.3 16.5 12.5 12.8 5.6
5.6
C.Novo dos Parecis-MT 16.7
3.1 35.1
no
no
3.7
________________________________________________________________________________
Média de seis repetições
no = não observado
1
A partir da ceifa da silagem ou da colheita dos
grãos, ainda com grande residual de chuvas, o
desenvolvimento da forrageira torna-se rápido, com
acúmulo diário de matéria verde variando de 350 kg/ha
no solo de média fertilidade até 940 kg/ha no solo de
boa fertilidade (Tabela 4).
24
TABELA 4
Produção de forragem de Brachiaria brizantha
após a colheita da cultura anual. 1999/2000.
____________________________________________________________________________________________________________________________________________
Cultura anual
Local
Dias1
Rendimento
(t/ha)2
____________________________________________________________________________________________________________________________________________
Braquiária solteira
Santa Helena de Goiás-GO
145
190.1
Milho
Santa Helena de Goiás-GO
Santa Helena de Goiás-GO
0
22
26.4
47.2
Sorgo
Santa Helena de Goiás-GO
Santa Helena de Goiás-GO
Santa Helena de Goiás-GO
0
22
40
3.6
19.8
28.8
Milho forrageiro
Santa
Santa
Santa
Santa
Santa
0
16
45
57
57
8.0
14.7
43.5
43.83
66.74
Sorgo forrageiro
Luziânia-GO
Luziânia-GO
0
50
4.5
22.2
Milho forrageiro
Luziânia-GO
Luziânia-GO
0
50
4.8
21.9
Helena
Helena
Helena
Helena
Helena
de
de
de
de
de
Goiás-GO
Goiás-GO
Goiás-GO
Goiás-GO
Goiás-GO
____________________________________________________________________________________________________________________________________________
1
2
3
Refere-se ao número de dias após a colheita da cultura anual, exceto
para a braquiária solteira, que é após o plantio;
Média de seis repetições;
e 4, sem e com 30 kg/ha de N em cobertura, respectivamente.
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O Sistema Santa Fé - Tecnologia Embrapa, já
definido anteriormente, permite o cultivo de grãos no
período normal de cultivo e proporciona a pastagem
para pastoreio ou silagem no período seco ou de
entressafra. O ganho de peso dos animais na entressafra
com este sistema é muito grande, devido à quantidade
de alimento (volumoso) produzido por este sistema, em
se tratando de solos férteis.
25
Um animal consome diariamente 2% do seu peso
de massa seca (MS) de forragem. Considerando, então,
uma unidade animal (u.a.) de 450 kg, o consumo diário
será de 9 kg de volumoso. Considerando a MS no capim
em torno de 18%, cada tonelada de forrageira produz
180 kg de MS. Considerando alguns dados da Tabela 4,
pode-se identificar a capacidade animal de cada
experimento estudado, em um período de 120 dias
(quatro meses) em regime de confinamento (Tabela 5).
TABELA 5
Produção de forragem da B. brizantha cv.
Marandu com diferentes culturas e estimativa
da capacidade de suporte.
____________________________________________________________________________________________________________________________________________
Cultura
Dias1 Produção de
MS Capacidade
3
Consorciada
forrageira
(t/ha) suporte
____________________________________________________________________________________________________________________________(u.a.)
________________
Milho
22
47,2
8,5
7,9
Sorgo
40
28,8
5,2
4,8
Milho forrageiro
572
66,7
12,0
11,1
Sorgo forrageiro
50
22,2
4,0
3,7
____________________________________________________________________________________________________________________________________________
MS = Massa Seca;
1
Número de dias para o corte após a colheita da cultura anual;
2
Com 30 kg/ha de N em cobertura.
3
Consumo estimado em 9,0 kg de MS/450 kg de peso vivo . 1VA =
450 kg de peso vivo.
Analisando os dados da Tabela 5, observa-se que
o consórcio de milho forrageiro com braquiária,
aplicando 30 kg/ha de N em cobertura, é o que produz
mais forrageira, com possibilidade de corte aos 57 dias
após a colheita. Neste sistema, estima-se que, com a
silagem produzida em um hectare, será possível
alimentar 11,1 u.a. durante 120 dias, em regime de
confinamento. Na prática, é possível a realização de
dois cortes de silagem de braquiária antes da entrada
do período seco. No caso da unidade experimental de
26
Santa Helena de Goiás-GO, os dois cortes totalizaram
76 t/ha de silagem, alimentando 12,7 u.a. durante os
120 dias de confinamento.
Sugerem-se incentivos à implementação de
Sistemas Agropastoris, pois proporcionam o aumento
da disponibilidade interna de produtos agrícolas, com
minimização do impacto sobre o conjunto de recursos
naturais envolvidos na produção agropecuária, na
medida em que possibilitam otimizar o uso de recursos
naturais (solo, água, flora e fauna), sem comprometer
sua utilização pelas gerações futuras. Possibilitam, ainda,
aumentar a arrecadação dos municípios e dos Estados,
contribuindo para a geração de novos empregos.
Ressalte-se que o governo investiria no setor primário,
onde as respostas são mais rápidas e são gastos menos
recursos do que em outros setores da economia,
gerando empregos.
7 AGRADECIMENTOS
Às seguintes pessoas/empresas, pelas parcerias,
apoio logístico ou financeiro.
Floriano Rezende da Silva, Santo dos Reis Guzelline,
Alcides Monteiro, José Augusto de Souza, João Ananias
Miranda e João Batista Monteiro, nosso eficiente pessoal
de apoio.
Renato Sérgio Mota dos Santos, Caio Portela, Jair
Aguiar e Kátia A.de Pinho Costa, estagiários da Embrapa
Arroz e Feijão.
Ricardo de Castro Merola, Davi Camata, Antônio
Aparecido Portella e Egno Teobaldo, respectivamente,
proprietário, engenheiro agrônomo, técnico agrícola e
chefe de máquinas da Fazenda Santa Fé em Santa Helena
de Goiás-GO.
27
Coopercentro/Agriter, em nome do Técnico
Agrícola Nerildo Natal Barp, Luziânia-GO.
Jaime Arnaldo Cappelesso, proprietário da Fazenda
Nova Bahia, Mimoso do Oeste – BA.
Harry Pscheidt e Décio E. Siebert, respectivamente,
proprietário da Fazenda Boa Esperança, Campo Novo
dos Parecis-MT e Engenheiro Agrônomo da Fundação
Pré-Amazônia.
Às Empresas Integral, Monsanto, Catec, Casale,
Aventis, Tortuga, Belgo Mineira e Purina.
28
Fly UP