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O BRAILLE COMO MÉTODO DE ESCRITA: Como os

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O BRAILLE COMO MÉTODO DE ESCRITA: Como os
O BRAILLE COMO MÉTODO DE ESCRITA:
Como os professores vêem essa possibilidade.
Graziele Perpétua Fernandes Mello
Daniela Jordão Garcia Perez
Leda Maria Borges da Cunha Rodrigues
Universidade Estadual Paulista - UNESP
Eixo Temático: Formação de professores na perspectiva inclusiva
Palavras – chave: Braille; Cegueira; Inclusão.
1. Introdução
Para a pessoa com deficiência visual (DV), o impedimento da visão mostra-se como a
principal barreira na execução das atividades do dia a dia, entretanto, isso não o impede de
desenvolvê-las, com as adaptações necessárias. Para a leitura, por exemplo, utiliza-se do
Braille, um código, que representa letra a letra a língua portuguesa.
O código Braille é um sistema de leitura e escrita tátil para pessoas com DV. Para
Fontana (2006), ele foi criado na França em 1825 por Louis Braille aos dezesseis anos, cego
desde os três.
Diante da eficiência visual do estudante com DV, a escola poderá planejar e executar
ações que permitam ao estudante se apropriar do conhecimento de acordo com suas
particularidades, ao mesmo tempo em que lhe oferece condições de colocá-las em prática,
tornando possível, a aplicabilidade do que foi construído.
Por isso, faz-se necessário ampliar a discussão sobre este tema, difundindo-o nas
escolas e nas reuniões de professores, questionando-os e levando-os a refletirem sobre sua
prática, buscando assim um novo caminho para a educação dos nossos estudantes cegos.
.
ISSN 21774013
2. Métodos e Objetivos
Para esta pesquisa, utilizou-se como instrumento um questionário, composto de 5
questões , buscando identificar e analisar como os professores de uma escola do ensino
regular veem o método de escrita braile e as concepções deles em relação a deficiência visual
e a inclusão do estudante com deficiência visual.
3. Resultados e Discussão
De acordo com as respostas, percebemos que na 1ª questão, onde foi perguntado sobre
a concepção de educação inclusiva que os professores tinham, 8% acreditam que ela está
relacionada ao fato de estarem todos os estudantes no mesmo espaço; 16% afirmam que
deficientes e normais devem estar juntos; 56% apontaram que a inclusão se relaciona com a
escola estar preparada para acolher a todos, e 20% defendem que cabe a escola se adaptar para
atender os estudantes de acordo com suas características individuais.
Notamos que dos 25 professores que responderam ao questionário, 8% ainda veem
que apenas a inserção de todos os estudantes no mesmo espaço escolar é o suficiente para que
haja a inclusão, o que não corresponde ao exposto por Amorim e Alves (p. 8, 2008) que
apontam que a inclusão de um estudante com deficiência
...não significa apenas colocá-la em uma classe junto com todas as outras
crianças. É preciso integrá-la, garantindo-lhe seus direitos e deveres de ser
como é, aceitando suas dificuldades, compreendendo suas necessidades e
capacidades, corrigindo seus erros e encaminhando o desenvolvimento de
sua potencialidade.
Também é possível perceber que 16% dos professores classificam os estudantes sem
deficiência como normais, o que enfatiza a diferenciação baseada em características físicas,
reforçando a exclusão das pessoas que não se encaixam no padrão de normalidade instituído
pela sociedade. Sobre isso, Marques (1997, p. 22) coloca que “os valores culturalmente
construídos sobre a deficiência são o produto do modo como os ditos normais vêem a
deficiência (...)”.
Na 2ª questão, quando indagados sobre a definição de cegueira e de baixa visão, 64%
disseram que o estudante cego é aquele que não enxerga nada e o estudante com baixa visão é
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aquele que enxerga um pouco; 12% que o estudante cego não pode ver vultos e o estudante
com baixa visão os vê, e 24% que o estudante com baixa visão vê com dificuldades e o
estudante cego não vê.
Para uma definição escolar, esclarecemos que cegueira é a “perda total ou resíduo
mínimo de visão”, enquanto a baixa visão é caracterizada como um “comprometimento do
funcionamento visual de ambos os olhos, mesmo após tratamento ou correção” (LIMA,
NASSIF e FELIPPE, p. 08, 2008).
Na questão 3, buscou-se saber quantos professores já haviam tido em sua turma algum
estudante cego ou com baixa visão e se essa experiência foi positiva, como seria descrita, ao
que 56% dos professores afirmaram nunca tiveram em suas aulas um estudante cego ou com
baixa visão; 28% apontam que tiveram e que foi uma experiência difícil, pois segundo o
professor D. “não havia ninguém para me orientar, mas conseguimos nos entender, e ele me
ensinava como fazer”; 4% responderam que sim e para B. “o mais difícil foi ensiná-lo, pois
eu não conseguia e os outros alunos é que tinham que me ajudar, mas com o tempo me
aproximei dele e os alunos me ajudaram”; 12% colocam que foi uma experiência tranquila e
C. diz que “a professora da Sala de Recursos me orientava, traduzia as atividades feitas em
braile e me ajudava”.
Aqui, percebemos a importância do apoio especializado e do professor com formação
específica na área, como apontado em Brasil (2009, p. 03) que afirma em seu artigo 12 que
“para a atuação no AEE, o professor deve ter formação inicial que o habilite para o exercício
da docência e formação específica para a Educação Especial”.
A 4ª questão, indaga sobre o conhecimento dos professores acerca do método de
escrita dos estudantes cegos, sendo que 56% responderam que sabem o que é, mas não sabem
utilizá-lo; 24% dizem que já ouviram falar, mas não sabem exatamente o que é; e 20%
reconhecem como um código usado pelos cegos para escrever.
Notamos que apesar de toda a discussão que vem acontecendo na mídia e nas escolas,
principalmente através de documentos oficiais, muitos professores ainda desconhecem as
especificidades da cegueira, como por exemplo, os 06 professores que não souberam explicar
como o estudante cego escreve.
Na questão 5, os professores deveriam apontar como a escrita braile poderia ser útil
aos cegos, e 76% dizem que através dele é possível ao cego se comunicar; 4% disseram que o
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estudante cego e o que possui baixa visão utilizam-se dele para escrever; e 20% afirmam que
é através do braile que o cego registra as informações escritas.
Com isso, percebemos que apenas 4% dos professores desconhecem a importância do
método de escrita utilizado pelos cegos, pois afirmaram que tanto estudantes cegos como com
baixa visão se utilizam dele, e que para 76% dos professores essa forma de registro ainda não
é totalmente clara. É preciso esclarecer que o foco nesta questão não foi saber se eles
dominavam o braile, mas apenas se conheciam sua utilidade e aplicação.
4. Conclusão
Muitos eventos na área da educação tem privilegiado os temas referentes ao estudante
com deficiência e as suas particularidades. Paralelamente, as discussões nas diversas esferas
da sociedade também tem ganhado espaço com a chegada desses cidadãos aos hospitais,
delegacias, repartições públicas, empresas privadas, mas principalmente às escolas. Com isso,
as pesquisas também se voltaram para ajudar a equipe escolar a conhecer e a buscar recursos e
estratégias diferenciadas que possam contribuir no acesso e na permanência de todos os
estudantes, independente das suas necessidades, na sala de aula e no ambiente escolar. Para os
estudantes cegos, as dificuldades estão relacionadas também a falta de conhecimento que
professores, equipe gestora e funcionários demonstram nas situações diárias.
Com
o
questionário
aplicado,
percebeu-se
que
os
professores
conhecem
superficialmente a rotina e as necessidades dos estudantes com deficiência visual ou com
baixa visão, e em sala de aula isso atinge diretamente a escolha metodológica que ele faz. A
falta ou a perda da visão influencia explicitamente na maneira que o sujeito se relaciona com
o ambiente a sua volta, e a forma como tem acesso a ele, o que resultará no fracasso ou no
sucesso da construção do seu conhecimento.
Para os professores aqui pesquisados, os assuntos referentes a cegueira, a inclusão do
estudante cego e ao braile, ainda se mostram sem clareza, e estão envoltos em pensamentos
excludentes, em conceitos de normalização, de integração e em justificativas que colocam a
culpa dessa falta de conhecimento em falta de formação.
Todas essas informações deixam bem claro que ao contrário do que a literatura traz, o
ambiente escolar não tem proporcionado momentos em que haja compartilhamento de
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informações, e a formação continuada do professor não tem conseguido suprir a necessidade
de conhecimento que ele deveriam apresentar.
Sendo assim, conclui-se que os professores de sala regular apresentam muitas dúvidas
em relação ao método de escrita braile, a cegueira, a baixa visão e a inclusão do estudante
cego, o que dificulta o entendimento das especificidades desse grupo discente e impede que o
trabalho realizado em sala de aula atinja plenamente seus objetivos, e por isso é necessário se
pensar em ações que promovam a formação continuada desses professores.
Referências
AMORIM, C.M.A. de; ALVES, M.G. A criança cega vai à escola: Preparando para a
alfabetização. 1 ed. São Paulo: Fundação Dorina Nowill para Cegos, 2008.
BRASIL. Ministério da Educação. Conselho Nacional da Educação. Resolução nº 4, de 2 de
outubro de 2009. Institui Diretrizes Operacionais para o Atendimento Educacional
Especializado na Educação Básica, modalidade Educação Especial. Disponível em Acesso em
19 nov 2015.
FONTANA, M. V. L. e NUNES, V. Educação e Inclusão de Pessoas Cegas: da Escrita
Braile à Internet, 2006. Disponível em
<http://w3.ufsm.br/alemdavisao/publica/braile_internet.pdf> Acesso em 10 jun 2014.
LIMA, E.C.; NASSIF, M.C. M.; FELIPPE, M.C.G.C. Convivendo com a baixa visão: da
criança à pessoa idosa. 1 ed. São Paulo: Fundação Dorina Nowill para Cegos, 2008.
MARQUES, C. A. Integração: uma via de mão dupla na cultura e na sociedade. In:
MANTOAN, M. T. E. (orgs). A integração de pessoas com deficiência. São Paulo:
Memnon, 1997.
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