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desenvolvimento de bairros sustentáveis - Poli Monografias

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desenvolvimento de bairros sustentáveis - Poli Monografias
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO
ESCOLA POLITÉCNICA
DEPARTAMENTO CONSTRUÇÃO CIVIL
DESENVOLVIMENTO DE
BAIRROS SUSTENTÁVEIS
Thiago Pimentel de Moraes
Rio de Janeiro
2013
Thiago Pimentel de Moraes
DESENVOLVIMENTO DE
BAIRROS SUSTENTÁVEIS
Projeto de Monografia apresentado
no departamento de Construção
Civil da Escola Politécnica como
exigência parcial para a obtenção
do título de Engenheiro Civil
Orientadora: Prof. Elaine Vasquez
Rio de Janeiro
2013
Thiago Pimentel de Moraes
DESENVOLVIMENTO DE
BAIRROS SUSTENTÁVEIS
MONOGRAFIA SUBMETIDA AO CORPO DOCENTE DO CURSO DE
GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA CIVIL DA UNIVERSIDADE
FEDERAL DO RIO DE JANEIRO COMO PARTE DOS REQUISITOS
NECESSÁRIOS PARA A OBTENÇÃO DO TÍTULO DE ENGENHEIRO
CIVIL.
Aprovada por:
____________________________________
Elaine Garrido Vazquez
Prof. Adjunta, D.Sc., EP/UFRJ
(Orientadora)
____________________________________
Ana Catarina Jorge Evangelista
Prof. Associado, D.Sc., EP/UFRJ
____________________________________
Assed Naked Haddad
Prof. Associado, D.Sc., EP/UFRJ
RIO DE JANEIRO – RJ - BRASIL
AGOSTO de 2013
FICHA CATALOGRÁFICA
Pimentel de Moraes, Thiago
Desenvolvimento de Bairros Sustentáveis/Thiago Pimentel
de Moraes – Rio de Janeiro: UFRJ/ Escola Politécnica, 2013.
V, 53f: il.; 29,7 cm.
Orientadora: Elaine Garrido Vazquez
Projeto de Graduação – UFRJ/Poli/ Engenharia
Civil, 2013.
Referências Bibliográficas: p.52-53.
1. Introdução. 2. Bairro Sustentável. 3. Certificação de
Bairros. 4. Estudo de Caso. 5. Considerações Finais.
I. Vazquez, Elaine. II. Universidade Federal do Rio de
Janeiro, Escola Politécnica, Curso de Engenharia Civil. III. Título.
iv
DEDICATÓRIA
“Sobre os céus te assentas, majestoso
sobre os homens tu estás e reinas
quem duvidará da tua glória
se os céus a proclamam
quem duvidará dos teus feitos
se os montes se prostram
em misericórdia governas
e naqueles que te temem tu estás...”
v
AGRADECIMENTOS
A Deus, pela misericórdia durante todos esses anos, pelo seu amor que me encontrou,
por tantas vezes fortalecer minha fé e pela presença que nunca me faltou.
Aos meus pais, Sergio e Vilma, pela educação nos caminhos do Senhor, pelos
conselhos e conversas ao telefone, por acreditarem em mim, por tanto investimento e esforço,
pelas orações, pelo amor sem medida.
À minha noiva, Jéssica, pelo amor e carinho, por estar ao meu lado nos momentos mais
importantes, pelas palavras mansas e sábias, pela paciência e compreensão.
À minha irmã, Mariana, pelas gargalhadas, por seu carinho e preocupação, pela
admiração e pela paciência sob o mesmo teto.
Aos amigos de graduação, pelas boas risadas, companheirismo nos estudos e palavras
de incentivo, pelas histórias que comigo levarei para sempre.
Aos amigos da vida, pelas alegrias e vivências que me edificaram, por tantas longas e
prazerosas conversas e pela disposição a toda hora.
Ao amigo Vitor Kenji, que com suas caronas e bate-papo descontraído, facilitou em
muito a condução desse último período.
A todos que foram meus líderes durante os anos de estágio, por investir na minha
formação profissional e pela compreensão nos períodos de prova e monografia.
À minha orientadora e professora Elaine, pela dedicação exemplar ao trabalho,
proximidade com os alunos, por ter me orientado e outras tantas vezes ajudado.
Aos demais professores, pelo conhecimento passado e dedicação à mais importante
das profissões.
E a todos aqueles que de alguma forma participaram deste período da minha vida.
vi
RESUMO
O objetivo deste trabalho foi destacar a relevância da sustentabilidade aplicada ao
desenvolvimento de áreas urbanas, com a finalidade de melhorar a qualidade de vida nesses
ambientes. Foram apresentadas algumas características dos grandes centros urbanos que
contribuem para a diminuição da qualidade do ambiente. Foi realizada a conceituação de bairro
sustentável, e apresentadas suas principais características, assim como os benefícios aos
envolvidos em seu desenvolvimento. Os dois principais processos de certificação de bairros,
LEED ND (Leadership in Energy Enviromental Desing for Neighborhood Development) e
AQUA BAIRROS, foram apresentados como ferramentas eficazes na condução e
desenvolvimento sustentável de áreas urbanas. Foi realizado um estudo de caso apontando
algumas considerações finais
Palavras-chave: Bairro; sustentabilidade; LEED ND; AQUA BAIRROS.
vii
ABSTRACT
The aim of this study was to highlight the relevance of sustainability applied to the development
of urban areas, in order to improve the quality of life in these places. Were present some
characteristics of large urban centers that contribute to the reduction of local quality. Were
performed the conceptualization of sustainable neighborhood, and presented its main features,
as well as the benefits to those involved in its development. The two main processes of
certification neighborhoods, LEED ND (Leadership in Energy Enviromental Desing for
Neighborhood Development) and AQUA BAIRROS, were presented as effective tools in driving
and sustainable development of urban areas. Were conducted a case study and some
final remarks.
Key-words: Neighborhood; sustainability; LEED ND; AQUA BAIRROS.
viii
LISTA DE ILUSTRAÇÕES
Figura 1 – O crescimento populacional urbano no mundo ......................................................... 5
Figura 2 – Desenvolvimento sustentável .................................................................................... 7
Figura 3 – Eficiência energética urbana (ventos) ....................................................................... 8
Figura 4 – Eficiência energética urbana (sol) ............................................................................. 8
Figura 5 – Iluminação LED ........................................................................................................ 9
Figura 6 – Sistema gotejamento ................................................................................................. 9
Figura 7 – Coleta de resíduos sólidos - Barcelona ................................................................... 10
Figura 8 – Paisagismo em passeio – Brisbane - AU................................................................. 10
Figura 9 – Programa de capacitação profissional Acreditar - Moçambique ............................ 11
Figura 10 – Indústria cimenteira ............................................................................................... 12
Figura 11 – Ciclovia ................................................................................................................. 12
Figura 12 – Residencial Damha Golf I ..................................................................................... 14
Figura 13 – Temas para desenvolvimento de projeto ............................................................... 15
Figura 14 – Benefícios da construção sustentável ......................................................................... 16
Figura 15 – Certificações de Bairro .......................................................................................... 22
Figura 16 – Faixas de pontuação LEED ND ............................................................................ 28
Figura 17 – Fases de certificação ............................................................................................. 29
Figura 18 – Certificações LEED .............................................................................................. 31
Figura 19 – Critério brasileiros – adaptação HQE ................................................................... 32
Figura 20 – Aplicações sistema AQUA ................................................................................... 35
Figura 21 – Site Ilha Pura ......................................................................................................... 36
Figura 22 – Implantação Vila dos Atletas ................................................................................ 37
Figura 23 – Área central Vila dos Atletas ................................................................................ 39
Figura 24 – Exemplo área de transição .................................................................................... 40
ix
Figura 25 – Topografia Vila dos Atletas .................................................................................. 41
Figura 26 – Estudo de ventos ................................................................................................... 42
Figura 27 – Estudo de radiação solar ........................................................................................ 43
Figura 28 – Elementos microclima ........................................................................................... 43
Figura 29 – Central de concreto Vila dos Atletas ..................................................................... 44
Figura 30 – Sistema de lixo a vácuo ......................................................................................... 45
Figura 31 – Sistema de lixo enterrado ...................................................................................... 45
Figura 32 – Drenagem de corredor ........................................................................................... 46
Figura 33 – Drenagem nível do lote ......................................................................................... 46
Figura 34 – Drenagem área do parque...................................................................................... 47
Figura 35 – Reuso de água ....................................................................................................... 47
Figura 36 – Ciclovias e passeios............................................................................................... 48
Figura 37 – Sistemas de transporte ........................................................................................... 49
x
LISTA DE QUADROS
Quadro 1 – Características dos pilares de sustentabilidade ...................................................... 14
Quadro 2 – Vantagens da certificação ...................................................................................... 24
Quadro 3 – Técnicas de certificação ......................................................................................... 26
Quadro 4 – Capítulos de avaliação LEED ND ......................................................................... 27
Quadro 5 – Pré-requisitos LEED ND ....................................................................................... 29
Quadro 6 – Etapas SGB (Sistema de Gestão do Bairro) .......................................................... 33
Quadro 7 – Temas QAB (Qualidade Ambiental do Bairro) ..................................................... 34
xi
SUMÁRIO
Dedicatória
Agradecimentos
Resumo
Abstract
Lista de Figuras
Lista de Tabelas
1 INTRODUÇÃO .............................................................................................................. 1
1.1 Considerações Iniciais .................................................................................................. 1
1.2 Justificativa .................................................................................................................. 3
1.3 Objetivo ........................................................................................................................ 3
1.4 Metodologia ................................................................................................................. 3
1.5 Estrutura do trabalho .................................................................................................... 4
2 BAIRRO SUSTENTÁVEL ............................................................................................ 5
2.1 Introdução .................................................................................................................... 5
2.2 Conceito de bairro sustentável ..................................................................................... 6
2.3 Características de um bairro sustentável ...................................................................... 8
2.4 Bairros sustentáveis .................................................................................................... 13
2.4.1 Bairros sustentáveis e seus elementos ............................................................... 14
2.4.2 Bairros sustentáveis e seus benefícios .............................................................. 15
2.4.3 Meio ambiente e sociedade - Acessibilidade .................................................... 16
2.4.4 Meio ambiente e sociedade – Território e Contexto local ................................ 17
2.4.5 Eficiência energética – Inserção Urbana ........................................................... 17
2.4.6 Materiais e resíduos – Conservação de Recursos Materiais ............................. 18
2.4.7 Materiais e resíduos –Gestão dos Resíduos Sólidos Urbanos ........................... 19
2.4.8 Eficiência no uso de água – Gestão da Água .................................................... 19
2.4.9 Mobilidade – Transporte e Conectividade ........................................................ 20
2.4.10 Conscientização sobre sustentabilidade .......................................................... 21
xii
3 CERTIFICAÇÃO DE BAIRROS ............................................................................... 22
3.1 Introdução .................................................................................................................. 22
3.2 Objetivo da certificação ............................................................................................. 23
3.3 Vantagens na certificação .......................................................................................... 24
3.4 Metodologia de avaliação da certificação .................................................................. 25
3.5 Certificação LEED ND .............................................................................................. 26
3.6 Certificação AQUA BAIRROS ................................................................................. 31
4 ESTUDO DE CASO ..................................................................................................... 36
4.1 Visão geral ................................................................................................................. 36
4.2 Contexto ..................................................................................................................... 37
4.3 Sustentabilidade do empreendimento ........................................................................ 38
4.3.1 Meio ambiente e sociedade - Acessibilidade .................................................... 39
4.3.2 Meio ambiente e sociedade – Território e Contexto local ................................ 41
4.3.3 Eficiência energética – Inserção Urbana ........................................................... 42
4.3.4 Materiais e resíduos – Conservação de Recursos Materiais ............................. 44
4.3.5 Materiais e resíduos –Gestão dos Resíduos Sólidos Urbanos ........................... 44
4.3.6 Eficiência no uso de água – Gestão da Água .................................................... 46
4.3.7 Mobilidade – Transporte e Conectividade ........................................................ 48
4.3.8 Conscientização sobre sustentabilidade ............................................................ 49
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS ....................................................................................... 50
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ............................................................................ 52
REFERÊNCIAS ELETRÔNICAS .................................................................................. 53
xiii
1. INTRODUÇÃO
1.1.
Considerações Iniciais
Com o domínio sobre a agricultura e a domesticação de animais, foi possível ao
homem abandonar a condição de nômade, e se estabelecer em uma localidade específica. A
geografia do terreno, o clima da região, a disponibilidade de água potável para consumo
humano, além da fertilidade do solo, foram aspectos fundamentais à escolha de onde se fixar.
Com o excesso de produção agrícola, as relações de troca entre regiões foram aumentando, aos
poucos, os ganhos de se viver em comunidade atraiu mais pessoas às regiões onde essas relações
eram exercidas.
Os avanços tecnológicos no campo permitiram que outras atividades se
desenvolvessem e fossem cada vez mais especializadas por grupos da sociedade primitiva, a
mão-de-obra passou a não ser totalmente canalizada à agricultura. Pesos e medidas, além de
uma moeda comum, fizeram com que o comércio crescesse e se tornasse o motor de
crescimento das cidades. Elas passaram a ter vida própria, a ser o centro político e econômico,
e o campo a trabalhar conforme suas demandas.
O crescimento desses centros impôs um ordenamento urbano de acordo com o
desenvolvimento e necessidades dessas cidades. Ruas e calçadas, saneamento, drenagem, áreas
de recreação, monumentos, prédios públicos entre outras demandas, foram sendo aprimorados
por novas tecnologias e moldaram o espaço urbano com o passar do tempo.
Com o advento da Revolução Industrial no século XVIII, a busca pela produtividade
de bens definiu um novo modelo de viver nas cidades. Essa época foi marcada pela criação da
máquina, locomotivas e trens à vapor, exploração do carvão mineral, ferro e aço. Esta revolução
trouxe um grande salto tecnológico para as máquinas e transportes, otimizando a produção e o
tempo de fabricação, diminuindo os preços das mercadorias devido à grande oferta, o
desenvolvimento de uma cidade ou país passava a ser definido pela produção e consumo.
(ARANHA, 2006).
1
Com a oferta de trabalho nas indústrias das cidades, e a incorporação de novas
tecnologias no campo, o êxodo rural levou muitas pessoas aos grandes centros. A falta de
planejamento que suportasse a expansão da malha urbana, fomentou o surgimento de problemas
crônicos.
A valorização da região central da cidades, aliado à incapacidade de geração de
emprego a todos, favoreceu o surgimento de áreas de ocupação periféricas, subdesenvolvidas,
que não contemplavam infraestrutura básica, serviços médicos e educacionais.
O estado não conseguiu conduzir o ordenamento urbano. O aumento do tráfego, a
deficiente rede pública de transportes, a baixa qualidade do ar, a falta de áreas verdes e de lazer,
entre outros fatores, conduziram às dificuldades de se viver nas grandes cidades.
Com o passar do tempo a relação entre o homem e seu habitat mudou, conforme a
concepção do que é bom, passou-se a pensar em relações sustentáveis. O homem passou a ter
mais consciência das atividades humanas sobre o meio ambiente, a ameaça de escassez dos
recursos naturais, a poluição ambiental e sonora, o aumento demográfico, fizeram com que ele
criasse um novo pensamento e unisse as melhores condições de vida sem comprometer o seu
habitat.
O termo “desenvolvimento sustentável”, introduzido na Estratégia Mundial para a
Conservação (IUCN/UNEP/WWF, 1980), afirmava, que para alcançar a conservação dos
recursos naturais do planeta se faz necessário o desenvolvimento, para aliviar a pobreza que
aflige milhões de pessoas em todo o mundo. Porém a definição de “desenvolvimento
sustentável”, publicada no Relatório Brundtland, como o “desenvolvimento que satisfaz as
necessidades presentes, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir suas
próprias necessidades” (WCED, 1987, p.4), é a que ficou consagrada. (ARANHA, 2006).
Por esta definição, o desenvolvimento deve considerar o equilíbrio entre a economia e
os recursos do meio ambiente, num sistema global interdependente. (WCED, 1987, p.4). Em
meio a outros insumos, este também contribuiu para elevar a consciência de que conservação e
desenvolvimento não poderiam mais continuar a ser tratados como polos opostos e devem ser
metas permanentes da humanidade. Desenvolvimento sustentável pode ser definido como o
desejo de manter a realização de aspirações sociais desejáveis. (FRANZ, 2011).
2
1.2.
Justificativa
Os avanços no entendimento de que qualidade de vida está relacionada à qualidade do
habitat em que se vive, tem aumentado a demanda por espaços urbanos que ofereçam
facilidades e qualidades que beneficiem a uma vida mais saudável nos grandes centros.
O desenvolvimento urbano requer critérios de avaliação e indicadores específicos para
poder medir a qualidade do ambiente. Os temas principais se dividem assuntos como integração
com a malha urbana, preservação ambiental, consumo inteligente de recursos, e integração no
meio social. O uso de processos de certificação pode servir como guia eficaz à melhoria das
condições de vida no espaço urbano, porém deve-se atentar às sua particularidade e restrições.
A complexidade encontrada na discussão de sustentabilidade urbana, devido à forte
interrelação dos temas abordados e pouco conhecimento a nível nacional, releva a importância
do debate e estudo mais aprofundado sobre a relação do homem com o meio ambiente urbano.
1.3.
Objetivo
Este trabalho visa apresentar os conceitos de sustentabilidade no âmbito urbano, sua
importância no desenvolvimento de melhores espaços nas cidades, a importância das
certificações como guias nesse processo e mostrar a viabilidade da aplicação desses conceitos
em grandes centros.
Foi feito uma análise crítica entre dois processos de certificação, o LEED ND, criado
pelos Estados Unidos e o AQUA BAIRROS, criado pela Fundação Vanzolini, originário da
metodologia francesa HQE.
Foi exemplificado um caso de desenvolvimento de bairro com características
sustentáveis, realizando as considerações finais e conclusão.
1.4.
Metodologia
Foi adotada uma metodologia baseada na pesquisa e coleta de dados relevantes ao tema
do trabalho desenvolvido, levantou-se bibliografia referente ao tema proposto, incluindo
pesquisas virtuais.
Após a fundamentação teórica, o tema foi analisado juntamente à profissionais de
algumas consultoras ambientais. Isso foi possível graças à busca de certificação pelo bairro Vila
dos Atletas, na cidade do Rio de Janeiro, que se encontra em desenvolvimento.
3
Foi realizada visita e entrevista, além de coleta de dados, com o responsável pela
sustentabilidade do empreendimento Vila dos Atletas, escolhido como estudo de caso para os
assuntos abordados nesse trabalho.
A escolha se baseou nas facilidades de obtenção das informações necessárias, no fato
do empreendimento buscar grau de sustentabilidade que possibilite tanto uma certificação
LEED ND, quanto uma certificação AQUA BAIRROS e por ser um empreendimento de
destaque, devido ao seu uso nas Olimpíadas de 2016.
1.5.
Estrutura do trabalho
Este trabalho está estruturado em introdução, capítulos do corpo do trabalho e
considerações finais.
O capítulo 1 introduz o tema elaborado, discorrendo sobre a evolução do conceito de
sustentabilidade, relacionando-o com as novas necessidades urbanas, que demandam
qualificação por meio dos processos de certificação. Além de explicitar os objetivos do trabalho
e a metodologia para alcança-lo, juntamente com a síntese das etapas de seu desenvolvimento.
O capítulo 2 apresenta o conceito de bairros sustentáveis e suas características.
Analisa-se os principais temas a serem considerados na concepção de bairros sustentáveis e
seus benefícios
O capítulo 3 tem como finalidade abordar a certificação de bairros, introduzir o
assunto, apresentar os dois principais processos de certificação conhecidos no Brasil, LEED
ND e o AQUA BAIRROS, suas metodologias e etapas de certificação.
O capítulo 4 exemplifica um empreendimento desenvolvido na busca por incorporar
os conceito sustentáveis a nível urbano, é apresentado o empreendimento objeto do exemplo,
destacando as características que o leva ser considerado sustentável.
O capítulo 5 apresentada as considerações finais, que consistem na análise da
importância do tema trabalhado, considerações sobre os processos de certificação, realidade e
perspectivas quanto a difusão desses conceitos, além da importância da continuidade de
desenvolvimento do tema e sugestão para trabalhos futuros.
Por fim, são apresentadas as referências bibliográficas e eletrônicas utilizadas neste
trabalho.
4
2.
BAIRRO SUSTENTÁVEL
2.1.
Introdução
De acordo com a ONU, em 2008 a população mundial, pela primeira vez, atingiu a
marca de 50% de sua população vivendo em áreas urbanas, com perspectivas de que em 2030
a população nessas áreas chegue a 60%. No caso brasileiro, de acordo com o IBGE, em 2005 a
população urbana já alcançava 84,20%, e continua crescendo. (BITAR, 2008).
O desenvolvimento sustentável de bairros busca atender às demandas por ambientes
urbanos que apresentem melhor qualidade de vida a seus habitantes. O habitat desenvolvido
nos grandes centros urbanos durante décadas de desenvolvimento sem o adequado
planejamento, levou ao surgimento de problemas crônicos, enfrentados por milhões de pessoas
em todo o mundo diariamente.
Com o deficit de qualidade de vida nas grandes cidades, e o contínuo crescimento
urbano principalmente nas economias emergentes (Figura 1), a valorização dos espaços urbanos
planejados conforme conceitos sustentáveis, tende a crescer.
Figura 1 – O crescimento populacional urbano no mundo
(Fonte HTTP://WWW.FACULDADEDEENGENHARIA.COM/?P=528)
5
Porém, para a realização de empreendimentos que integrem tais conceitos, é preciso
considerar as diferentes realidades de cada localidade, e os desafios de se alcançar os ideais de
sustentabilidade. O conceito puro de bairro sustentável propõe que ele seja totalmente
autossuficiente. Por exemplo, deveria gerar a própria energia consumida, gerar alimento para a
população, gerar todos os recursos que ele consome ali. (MANFREDI, 2010).
Um dos principais desafios encontrados em viabilizar bairros sustentáveis é sua
interação com o entorno. A malha urbana menos eficiente dessas regiões, influencia diretamente
a dinâmica da área planejada, tornando-se necessário pensar em soluções que melhorem a
integração entre essas áreas, viabilizando a coexistência entre elas.
Devido as peculiaridades das demandas pelas diferenças locais, não existe um padrão
a ser aplicado ao baixo desenvolvimento sustentável de uma região, é preciso avaliar
individualmente todos casos.
2.2.
Conceito de bairro sustentável
No desenvolvimento de empreendimentos sustentáveis, as considerações econômicas,
técnicas e ambientais, devem ser tratadas de forma equilibrada, com a finalidade de se obter um
projeto viável.
A gestão de resíduos sólidos, a eficiência energética, o reaproveitamento dos recursos
naturais, assim como a mobilidade interna e a integração com a infraestrutura do entorno, são
alguns dos fatores que conceituam um bairro sustentável.
A integração dos conhecimentos que são norteados pelos conceitos de
sustentabilidade, podem ser inseridos de três grupos distintos de áreas do conhecimento,
apresentadas na Figura 2, que precisam contribuir em conjunto para o desenvolvimento do
produto, em busca de um equilíbrio ideal.
6
Figura 2 – Desenvolvimento sustentável
(Fonte: FOLADORI, 2002)
Sustentabilidade ecológica diz respeito a um certo equilíbrio e manutenção de
ecossistemas, à conservação de espécies e à manutenção de um estoque genético das espécies,
que garanta a resiliência ante impactos externos. No conjunto, a sustentabilidade ecológica
corresponde ao conceito de conservação da natureza no sentido da natureza externa ao ser
humano. Assim, quanto mais perto da humanamente modificada esteja a natureza, menor
sustentabilidade ecológica teríamos (FOLADORI, 2002).
Para as vertentes mais brandas da economia ecológica, e para os economistas
ambientais, bastaria corrigir os processos produtivos para obter um desenvolvimento capitalista
sustentável. (TURNER, 1995). Seria o caso de substituir crescentemente os recursos naturais
não-renováveis por renováveis, e de diminuir também crescentemente a poluição.
(FOLADORI, 2002).
Na sustentabilidade social, o aumento da qualidade de vida deve ser o objetivo e não
a ponte ou o meio para uma natureza mais saudável. O desenvolvimento humano, como objetivo
próprio, se coloca em primeiro lugar e, na medida do desenvolvimento humano, haveria um
melhor relacionamento com o ambiente externo (FOLADORI, 2002 apud ANAND and SEN,
2000).
Portanto para atingir a sustentabilidade social, seria necessário ações no sentido de
diminuir as desigualdades sociais, ampliar os direitos e garantir acesso aos serviços como
educação e saúde, visando o acesso pleno à cidadania.
7
2.3.
Características de um bairro sustentável
Os bairros sustentáveis apresentam diversas características que os diferenciam. Parte
desses elementos são visíveis, outros podem passar desapercebidos aos seus residentes, porem
todos contribuem para a qualidade de vida da população que nele habita.
Para garantia da eficiência energética do bairro, o posicionamento das edificações deve
estar relacionado às principais variáveis climáticas. Estas são: ventos, radiação solar, chuvas,
temperatura e umidade relativa do ar. As duas primeiras variáveis (ventos e sol), como mostram
as Figuras 3 e 4, dependem de decisões macro de projeto, isto é, o posicionamento adequado
da edificação interfere diretamente de maneira benéfica ao conforto térmico do projeto.
Figura 3 – Eficiência energética urbana (ventos)
(Fonte: RELATÓRIO ARUP CONSULTORIA, 2013)
Figura 4 – Eficiência energética urbana (sol)
(Fonte: RELATÓRIO ILHA PURA, 2013)
No âmbito da eficiência energética através de tecnologias ativas, é possível apontar as
novas tecnologias de iluminação LED (light emitting diode), como exemplo a Figura 5, que
8
apresentam baixo consumo de energia, excelente luminosidade e vida útil superior às lâmpadas
convencionais. Essa tecnologia vem apresentando custo decrescente nos últimos anos,
viabilizando sua utilização.
Figura 5 – Iluminação LED (Fonte: GE BRASIL, 2012)
A água é, sem sombra de dúvida, um dos elementos mais importantes em um jardim.
Uma das ações aplicadas no sentido de economia de água nessa atividade, são os sistemas de
irrigação por gotejamento, apresentado na Figura 6, que apresentam alta economia de recurso.
Figura 6 – Sistema gotejamento
(Fonte: HTTP://WWW.GARDENA.COM/BR/WATER-MANAGEMENT)
9
Quanto ao tema resíduos sólidos, sistemas inovadores de coleta vêm sendo
implantados em larga escala em grandes centros urbanos europeus e asiáticos.
O sistema de transporte pneumático, Figura 7, é baseado em uma rede de tubulações
onde uma corrente de ar extremamente elevada, criada por um grupo de exaustores, transporta
os diferentes tipos de resíduos até o ponto final de coleta. As frações coletadas são armazenadas
de forma compacta em contêineres herméticos.
Figura 7 – Coleta de resíduos sólidos - Barcelona
(Fonte: HTTP://WWW.ENVACGROUP.COM/PRODUCTS)
A concepção do paisagismo pode ajudar na criação de microclimas mais agradáveis
aos transeuntes, podendo acarretar em maior utilização dessas rotas por pedestres e ciclistas,
conforme exemplo da Figura 8. Os recursos já ofertados pela região de implantação do bairro
podem ser aproveitados, integrando-os ao projeto paisagístico, como espécies locais de plantas.
Figura 8 – Paisagismo em passeio – Brisbane - AU
(Fonte: ARUP CONSULTORIA, 2007)
10
Projetos sociais, como programas de capacitação profissional, são importantes
ferramentas de investimento nas comunidades locais. O conceito de sustentabilidade pode ser
percebido, por exemplo, no investimento humano, exemplificado pelo grupo formando da
Figura 9, na redução do tempo gasto em deslocamentos da mão-de-obra e menor gastos com
transporte. Além das aulas de capacitação, esses programas podem oferecer a oportunidade
trabalho no próprio canteiro de obra.
Figura 9 – Programa de capacitação profissional Acreditar - Moçambique
(Fonte: FUNDAÇÃO ODEBRECHT, 2013)
As emissões de carbono tem sido alvo no desenvolvimento sustentável de muitas
cidades. Devido às ousadas metas estabelecidas por muitas delas, o acompanhamento preciso
dos empreendimentos que se desenvolve em solo urbano se faz indispensável. No Rio de
Janeiro a política define uma trajetória para redução das emissões de carbono em até 20% até
2020, com base em níveis de 2005, e prioriza uma série de estratégias de desenvolvimento que
ajudarão a garantir essa mudança. Das ênfases dadas aos grandes grupos emissores, dois são
diretamente relacionados ao desenvolvimento de bairro sustentáveis: emissões pela indústria da
construção civil (Figura 10) e pelo tipo de mobilidade demandada pelo bairro.
11
Figura 10 – Indústria cimenteira
(Fonte: http://www.otempo.com.br/cidades/poeira-de-cimento-toma-conta-de-vespasiano-1.307659)
A presença de uma rede de ciclovias (Figura 11) eficaz e conveniente é um indicador
de boa qualidade urbana. Assim como o deslocamento a pé, este modo pode ser dividido em
dois grupos funcionais; movimento para viagem e movimento para recreação, e suas
necessidades podem ser concebidas como transientes entre pedestres e veículos motorizados.
Figura 11 – Ciclovia
(Fonte: http://alpalombo.blogspot.com.br/2011_11_01_archive.html)
12
2.4.
Bairros sustentáveis
Os bairros sustentáveis, buscam incorporar os conceitos de eficiência no uso de
recursos e mitigação de impactos ambientais ao desenvolvimento do projeto. As diretrizes de
sustentabilidade orientam o planejamento e desenvolvimento dos projetos visando consolidar
um bairro que faz uso dos recursos naturais de forma eficiente, aliando conscientização dos
usuários à tecnologia, conforto e bem estar em respeito ao meio ambiente, atendendo as
necessidades dos usuários atuais à garantia do atendimento das necessidades dos usuários
futuros.
Mesmo ainda sendo díspares as opiniões quanto à melhor forma de qualificar
sustentabilidade, existe o consenso de que bairros sustentáveis devem acolher soluções práticas
que visam reduzir os impactos globais ao meio ambiente.
Apesar de ainda se iniciar a aplicação e certificação de sustentabilidade para áreas
urbanas, tais conceitos já são bem avançados e aplicados em países desenvolvidos. Com o
know-how avançado em desenvolvimento de diretrizes sustentáveis, grandes empresas
estrangeiras atuam hoje no Brasil como consultoras e certificadoras.
A primeira certificação de bairro residencial no Brasil foi concedida pela Fundação
Vanzolini, certificadora e criadora do processo AQUA de certificação, ao condomínio
Residencial Damha Golf I (Figura 12) da Damha Incorporadora, localizado em São Carlos, no
interior de São Paulo. O processo da primeira fase de certificação foi o AQUA para bairros e
loteamentos. (FUNDAÇÃO VANZOLINI, 2011).
Foram relacionados níveis de desempenho sobre a integração e coerência do bairro,
preservação dos recursos naturais, qualidade ambiental e sanitária, integração na vida social e
dinâmicas econômicas. (FUNDAÇÃO VANZOLINI, 2011).
13
Figura 12 – Residencial Damha Golf I
(Fonte: DAMHA INCORPORADORA, 2013)
2.4.1.
Bairros sustentáveis e seus elementos
A estrutura de sustentabilidade de um bairro pode ser desenvolvida a partir de 6 pilares,
visando compreender as problemáticas mais relevantes na busca de um empreendimento
sustentável. Os pilares são: Meio ambiente e sociedade, redução de gases de efeito estufa,
eficiência no uso da água, eficiência energética, materiais e resíduos e mobilidade, conforme
mostra a Quadro 1.
Dentro de cada tema, há uma série de subtemas, objetivos e estratégias, que permitem
o desenvolvimento do bairro sustentável.
Quadro 1 – Características dos pilares de sustentabilidade (Fonte: RELATÓRIO ARUP, 2013)
PILARES
CARACTERÍSTICA
Deve permear todas as iniciativas relativas a construção do
GEE (Gases efeito estufa) empreendimento, principalmente em relação às técnicas construtivas,
logística e escolha de materiais.
O desenvolvimento do projeto se reflete na busca pela acessibilidade
Meio ambiente e Sociedade
universal e na análise do território e contexto local.
Deve considerar como prioridade o uso de técnicas a nível de projeto.
Eficiência Energética
Pode ser analisado segundo a inserção urbana e o uso de tecnologias
ativas, contudo, a ênfase é dada à primeira.
Gestão de Água
Se reflete em estratégias ativas de projeto.
Materiais e Resíduos
Mobilidade
Aborda a conservação de recursos materiais e a gestão dos resíduos
sólidos urbanos.
Abrange transporte e conectividade.
14
Para o desenvolvimento dos projetos, estes pilares podem ser desdobrados em oito
temas, visando estabelecer diretrizes mais focadas em torno de assuntos relevantes ao projeto
do bairro, como mostrado na figura 13.
Figura 13 – Temas para desenvolvimento de projeto (Fonte: RELATÓRIO ARUP, 2013)
2.4.2.
Bairros sustentáveis e seus benefícios
O bairro sustentável é uma área urbana que possui uma estrutura de sustentabilidade
desenvolvida aos recursos naturais e humanos. Seus benefícios são diversos, e podem ser
divididos em sociais, ambientais e econômicos.
Apesar do investimento inicial, na concepção e execução de espaços urbanos
sustentáveis planejados, o valor agregado aos empreendimentos localizados nessas regiões, é
diferenciado. A opção de serviços próximos à moradia, mobilidade facilitada pelo transporte
público eficiente, ciclovias, parques, entre outros exemplos, contribuem para a valorização dos
empreendimentos localizados nessas áreas.
O objetivo de uma abordagem na qual as pessoas são colocadas em primeiro plano é a
criação de áreas urbanas com vida, variadas comodidades, ruas ativas e alta qualidade de vida
para seus residentes.
Trazer as pessoas para o primeiro plano significa projetar os espaços públicos de uma
forma que sejam confortáveis aos pedestres. A integração de elementos paisagísticos incluindo
15
bancos, decoração, iluminação e tratamentos de pavimento, tendem a criar um espaço público
agradável a interações sociais, comerciais, culturais e de recreação.
Segundo a USGBC (United States Green Building Council), os benefícios de um
empreendimento sustentável podem ser resumidos pela Figura 14.
Figura 14 – Benefícios da construção sustentável
(Fonte: USGBC, 2009)
2.4.3. Meio ambiente e sociedade - Acessibilidade
O projeto deve considerar conceitos de desenho universal, criando ambientes
acessíveis para pessoas com necessidades especiais, incluindo todos os tipos de deficiência,
mobilidade, visual e auditiva, pensado tanto para crianças e idosos.
Recomenda-se garantir uma faixa de pedestres livre de obstáculos, perigos e quaisquer
elementos. O mobiliário deve ter cor contrastante com a calçada e ser detectado pela bengala
de uma pessoa com deficiência visual ou com baixa visão.
Pisos táteis direcionais devem ser utilizados em circulações amplas quando houver
caminhos preferenciais de circulação assim como a sua sinalização.
16
2.4.4. Meio Ambiente e Sociedade – Território e Contexto Local

Deve-se elaborar estudos de impacto de vizinhança, incluindo no sistema viário, assim
como outros estudos pertinentes e relevantes, visando à elaboração de um projeto que minimize
o impacto do empreendimento no entorno. Outro ponto importante é a criação do inventário de
fauna e flora, e estudos geotécnicos da área.
A consideração, na medida do possível, de propostas sugeridas pela comunidade do
entorno e futuros usuários, é importante para evitar conflitos e atender expectativas tanto dos
futuros moradores, quanto da população local. A realização de pesquisa de aceitação, com a
apresentação do novo bairro, pode ser um instrumento utilizado para melhor conhecer as críticas
ao novo empreendimento.
Deve existir a preocupação com o bioma local, projetos paisagísticos podem ajudar
nesse sentido. Através da utilização da flora local, a fauna local também será beneficiada.
2.4.5. Eficiência Energética – Inserção Urbana
Um projeto de eficiência energética, irá priorizar o conforto dos habitantes, e presar
pela economia de recursos, portanto, é fundamental para o sucesso do empreendimento, analisar
minuciosamente todas as intervenções possíveis a alcançar tal objetivo.
O posicionamento das edificações deve estar relacionado às principais variáveis
climáticas. Estas são: ventos, radiação solar, precipitações, temperatura e umidade relativa do
ar. As duas primeiras variáveis, ventos e sol, dependem de decisões macro de projeto, o
posicionamento adequado da edificação interfere diretamente de maneira positiva ao conforto
térmico do projeto.
Deve-se observar a orientação dos ventos predominantes na região onde a nova
edificação será implantada. Dessa forma, pode-se elaborar a disposição geral das futuras
edificações de forma a proporcionar ventilação a todas unidades construídas. A adequação da
implantação das edificações de acordo com as direções predominantes de ventos permite
também que áreas públicas sejam adequadamente ventiladas.
Deve-se atentar ao afunilamento da passagem do vento entre edificações e consequente
aumento de sua velocidade, evitando dessa forma o desconforto do pedestre. Da mesma forma,
a disposição dos edifícios irá determinar a existência ou não de áreas sem ventilação.
O acesso solar a todos os edifícios e áreas públicas também deve ser garantido através
da disposição dos edifícios. Isso pode ser alcançado com escalonamento das alturas,
17
espaçamento adequado entre os edifícios e disposição adequada em planta. Devem ser
realizados estudos de insolação sobre o entorno de forma a garantir acesso solar aos terrenos e
edifícios vizinhos.
As áreas externas devem ter tratamento de microclima, buscando um ambiente
agradável quanto à temperatura, criando espaços abertos para serem usados em todas as
condições meteorológicas.
O sombreamento torna-se importante em locais extremamente expostos à insolação,
não apenas pela redução na radiação solar direta à pele, mas também porque proporciona
resfriamento das superfícies sombreadas o que acarreta redução localizada nas temperaturas do
ar.
2.4.6. Materiais e resíduos - Conservação de Recursos Materiais
O uso de componentes industrializados ou pré-fabricados deve receber atenção
especial, deve-se garantir a compra de matérias que sejam certificados e que tenham
fornecedores que possuam as licenças ambientais exigidas, além de especificar os materiais
utilizados com baixo VOC (volatile organic compounds) e reciclados.
Deve-se prever a infraestrutura dedicada à gestão dos resíduos urbanos produzidos
pelo empreendimento, tendo como foco principal sua valorização, além de buscar investir na
educação dos futuros residentes da região para a redução da geração de resíduos. Outra
importante definição é quanto ao sistema de coleta a ser empregado, pois o tráfego de
caminhões será influenciado diretamente pelo tipo de sistema adotado.
A análise da pegada de carbono deve ser levada em conta na escolha dos fornecedores
e insumos de maior volume na obra, portanto o processo de produção do material, proximidade
com o local da obra e o tipo de transporte utilizado para a realização do frete, devem ser
analisados para obtenção desse indicador.
Na fase de construção, a movimentação de terra e a escavação devem ser planejadas a
serem minimizadas. Outro ponto de atenção a ser tomado na fase de obras, é quanto à
reciclagem e o reuso de matérias, em busca do descarte mínimo possível.
18
2.4.7. Materiais e Resíduos - Gestão dos Resíduos Sólidos Urbanos

Um dos principais pontos de qualificação de um bairro é seu sistema de coleta de
resíduos sólidos. O planejamento do bairro deve conceber uma infraestrutura adequada à gestão
dos resíduos sólidos nas áreas urbanas e das edificações, com foco no estímulo à triagem pelos
moradores e transeuntes, e destinação adequada através de sistemas eficientes.
O correto dimensionamento e as tecnologias empregadas no sistema de coleta de
resíduos sólidos urbanos não bastam como solução de uma gestão sustentável, é preciso que a
população local do bairro esteja consciente de seu papel fundamental nesse processo.
A importância dos deveres dos residentes do bairro podem ser observadas, tanto na
coleta seletiva, que precisa ocorrer primeiramente dentro dos lares para que o sistema possa de
fato funcionar, quanto na limpeza dos espaços públicos, que por mais curtos que sejam os ciclos
de limpeza, permanecerão sujos se não houver a devida alocação dos resíduos gerados.
2.4.8. Eficiência no Uso de Água – Gestão de Água
De acordo com Rodrigues (2005) apud Bazzarella (2005), o consumo de água nas
residências pode constituir mais da metade do consumo total de água nas áreas urbanas,
podendo alcançar 80% em grandes centros como São Paulo.
Apesar de parte do consumo residencial ser considerado desperdício, e poder ser
evitado por ações simples e também pelo uso de tecnologias, a maior parte da ineficiência no
processo de consumo de água no Brasil ainda se encontra na infraestrutura de distribuição.
Os últimos diagnósticos dos serviços de água e esgoto do Brasil, publicados pelo
Ministério das Cidades, mostram que os percentuais históricos da Cedae em perdas na
distribuição são de 50%. (O GLOBO, 2013)
Portanto os investimentos voltados para a rede de distribuição inteligente devem ser
considerados. Novas tecnologias como sensores de detecção de vazamentos e alarmes na
tubulação, ajudam a diminuir os desperdícios em sua raiz, além de viabilizarem uma correção
mais eficiente e rápida dos problemas do sistema.
Além da visão macro quanto à diminuição do desperdício, é preciso avaliar as soluções
existentes e possíveis quanto à demanda de água do próprio bairro e drenagem das águas não
reutilizadas.
A escolha da pavimentação adequada quanto às necessidade hídricas do bairro,
influenciará na capacidade de filtragem, na escolha de pavimento natural através de áreas
19
verdes, e soluções de pavimentação permeável, que ajudam a minimizar os riscos de
alagamento que um revestimento impermeável propicia.
A construção de reservatórios, que permitam o retardo do escoamento das águas
pluviais, ajudam a diminuir os riscos de inundações no local, além de disponibilizar o recurso
para a irrigação do paisagismo do bairro, que por sua vez, pode ser composto de sistemas de
irrigação por gotejamento com controles de tempo para minimizar o uso de água.
2.4.9. Mobilidade – Transporte e Conectividade
A grande mudança da urbanização que vem ocorrendo no mundo, mostra não somente
que maior número de pessoas vão morar e trabalhar em grandes cidades mas também, que o
cidadão vai precisar percorrer longas distâncias para satisfazer suas necessidades econômicas,
sociais e culturais no espaço urbano. O transporte exerce sobre a sociedade uma influência
muito maior do que aquela comumente percebida (AMOUZOU, 2000)
Dentre as características de um bairro avaliadas quanto a sua qualidade, a mobilidade
é uma das que mais influencia a escolha de onde morar. O desenvolvimento imobiliário do
bairro deve ser desenvolvido no sentido de diminuir a dependência da região com pontos
distantes referentes a sua própria localização.
Para que um bairro se torne mais eficiente, sustentável e amigável aos seus habitantes,
é necessário o implantação de propostas que aumentem o incentivo à caminhada, que integrem
o bairro com o seu entorno, e privilegiem o transporte coletivo para cobrir longas distâncias.
O uso de ciclovias como forma de promover a mobilidade local, também vai de
encontro às necessidade de lazer e saúde, e pode ser integrada a uma rede contínua de ciclo de
lazer que inclui instalações e opções de circuitos acessíveis a moradores e visitantes.
A implantação de bicicletários com sistema de segurança e integração dos mesmos
com as ciclovias do entorno é um incentivo à escolha da bicicleta como opção de transporte
local, podem ser previstas em pontos da via tomadas para bicicletas elétricas e vagas
preferenciais para carros elétricos, com pontos de reabastecimento.
A preocupação quanto à segurança da mobilidade deve ser atendida através do
fornecimento de sinalização que delineiam como os caminhos compartilhados devem ser
utilizados, além de soluções de conexões entre áreas públicas e privadas, como escadas e
rampas para promover acesso adequado.
20
Pontos de ônibus podem ser equipados com informativos das linhas que por eles
passam e seus horários previstos de passagem, facilitando a programação do usuário do sistema.
2.4.10.
Conscientização sobre sustentabilidade
A educação ambiental assume cada vez mais uma função transformadora, na qual a
co-responsabilização dos indivíduos torna-se um objetivo essencial para promover um novo
tipo de desenvolvimento, o desenvolvimento sustentável. (JACOBI, 2003). O fluxo eficiente
de informações constitui uma das principais ações de promoção do ambiente sustentável.
A criação de indicadores que medem a qualidade do ambiente local podem ser
disponibilizados à população, por meio de espaços físicos no bairro, servindo como ponto de
disseminação da prática sustentável, ou canais de comunicação virtual, que busquem a criação
de um fluxo de informação contínuo, que propicie o envolvimento dos habitantes da região com
as questões pertinentes ao espaço próprio.
Outra forma de levar a informação pode ser realizada através de sinalizações e agentes
educacionais. Com trabalhos nos edifícios e nas ruas do bairro, pode-se fornecer de forma
direta, por meio de manuais, características do bairro como, a tipologia da gestão de resíduos
implantada no bairro, suas tecnologias, benefícios e responsabilidades dos usuários do sistema,
espécies arbóreas utilizadas no paisagismo, bioma e fauna local.
21
3.
CERTIFICAÇÃO DE BAIRROS
3.1.
Introdução
A busca por qualificar sustentabilidade no âmbito de áreas urbanas, fez com que
ferramentas de certificação surgissem em diferentes regiões do mundo, apresentando entre
elas semelhanças e particularidades, conforme mostra a Figura 15.
Figura 15 – Certificações de Bairro (Fonte: INOVATECH ENGENHARIA, 2013)
Em um processo de certificação necessita-se da criação de referências que irão
estabelecer critérios de conferência para a certificação do empreendimento, incluindo as
preocupações com o meio ambiente, com os recursos naturais, usuários e da sociedade.
(VALENTE, 2009).
O entendimento do que pode ser considerado sustentável e a melhor forma de mensurar
essa sustentabilidade, variam entre certificações. A realidade econômica, social e ambiental das
diferentes nações onde se desenvolveram, estão em algum grau inseridas dentro de cada um dos
22
processos, o que por vezes pode gerar problemas na aplicação dessas ferramentas em outras
partes do mundo.
Apesar das singularidades, existe um movimento de debate entre certificadores, sobre
os conceitos que envolvem sustentabilidade em empreendimentos da construção civil. A SB
Alliance (Sustainable Building Alliance) é uma organização internacional, que reúne alguns dos
principais idealizadores de ferramentas de certificação, organizações de normalização, centros
nacionais de pesquisa em construção. O objetivo da organização é promover a prática
sustentável no desenvolvimento de construções através de indicadores comuns. (SB
ALLIANCE, 2009).
A consolidação das práticas sustentáveis em áreas urbanas demanda esforços próprios
no entendimento das complexas questões que envolvem o tema. A avaliação quanto a promoção
dos conceitos envolvidos na sustentabilidade social, ganham maior importância quando o
objeto avaliado é uma área urbana.
As certificações para edifícios já exigem a inserção harmoniosa do edifício ao entorno,
mas o desenvolvimento urbano demanda critérios de avaliação e certificação específicos, sendo
indispensável uma certificação própria para bairros (MARTINS, 2012).
Os dois principais sistemas de certificação de bairros presentes no Brasil são o LEED
ND (Leadership in Energy Environmental Design for Neighborhood Development), realizado
pelo Green Building Council Brasil, baseado em critérios americanos e o sistema de certificação
AQUA (Alta Qualidade Ambiental) para bairros, desenvolvido pela Fundação Vanzolini, que
buscou tomando como base o sistema francês HQE (Haute Qualité Environnementale), maior
proximidade com a realidade local brasileira.
3.2.
Objetivo da certificação
As certificações atribuem qualidade a um produto através de um selo, que baseado na
credibilidade, o qualifica quanto a uma única característica ou a um grupo delas, diminuindo as
dificuldades na busca pela informação, contribuindo para o processo de decisão.
Os selos de certificação ambiental são instrumentos que se destinam a educar
consumidores sobre os impactos ambientais da produção, uso e descarte de produtos, levando
a uma mudança no padrão de consumo e assim reduzir seus impactos negativos sobre o meio
ambiente. (HARDING, 2002).
23
As empresas certificadoras devem acompanhar o processo de desenvolvimento do
bairro sustentável desde sua concepção. Deve-se avaliar a realidade do projeto e seu potencial
sustentável, e buscar definir as diretrizes de sustentabilidade do projeto, e o alvo de certificação
a ser atingido. A equipe responsável pelo empreendimento deve ser embasada com as devidas
normas e instruções, e o projeto avaliado quanto ao caminhar do processo de qualificação. A
certificação ocorre em etapas durante o ciclo de vida do projeto. Ao fim a organização apresenta
um selo que certifica o produto como sustentável, e seu grau de sustentabilidade.
3.3.
Vantagens na certificação
Os empreendimentos certificados trazem vantagens para os clientes, as empresas e o
próprio meio ambiente. A seguir são apresentadas na Quadro 2 algumas dessas vantagens.
Quadro 2 Vantagens da certificação (Fonte: MELHADO, 2009)
BENEFICIADOS
VANTAGENS
Empresa
Abertura de novo mercados; Aumento de credibilidade frente ao
mercado; Redução de acidentes ambientais; Redução com os custos
devido aos acidentes ambientais; Redução na utilização dos recursos
naturais; Redução nos custos com utilização de mão de obra qualificada.
Clientes
Conservação de recursos naturais; Redução da poluição; Incentivo a
reciclagem; Produtos e processos mais limpos.
Meio Ambiente
Conservação de recursos naturais; Redução da poluição; Incentivo a
reciclagem.
A percepção quanto à responsabilidade ambiental ganhou grande destaque nas últimas
duas décadas, mas para a grande maioria das empresas, a postura era meramente um
cumprimento da lei, buscavam tão somente o cumprimento das exigências dos órgãos
ambientais. Com a complexidade ambiental aumentando cada vez mais, a forma de entender as
responsabilidades das organizações foi sendo mudada.
Conforme o conceito de sustentabilidade foi sendo incorporado e valorizado pela
sociedade, a percepção das organizações quanto aos investimentos em projetos sustentáveis
mudou, passou-se a entende-los como oportunidade de destaque em um mercado cada vez mais
competitivo.
24
As empresas adotam a estratégia ambiental por motivos como: sentido de
responsabilidade ecológica, requisitos legais, salvaguarda da empresa, imagem, proteção de
pessoal, pressão de mercado, qualidade de vida e lucro. (ENEGEP, 2006 apud DONAIRE,
1995).
A exploração do tema sustentabilidade já é feito por muitas incorporadoras, por meio
da vinculação dos benefícios que um projeto sustentável proporciona, buscam valorizar seus
produtos, destacando-os no mercado. Porém é preciso atenção para verificar a veracidade da
propaganda anunciada pelas empresas, quanto a isso a credibilidade de um selo de certificação
se faz indispensável ao cliente.
As vantagens de um bairro sustentável podem ser percebidas a longo prazo para as
empresas de incorporação imobiliária, apesar de grandes investimentos iniciais, as vantagens
em se planejar o ambiente onde serão lançados os empreendimentos imobiliários futuros agem
a favor da viabilização do projeto.
A empresa passa a ser reconhecida no mercado por possuir princípios sustentáveis, o
que agrega credibilidade à marca, propiciando o surgimento de novos negócios. Linhas de
financiamento especiais já são fornecidas às empresas que investem em projetos sustentáveis e
por vezes podem receber atenção diferenciada pelo poder público, como maior agilidade nos
processos de licenciamento. O conceito de um marketing focado nas qualidades sócio
ambientais, garantidas pela certificação do bairro, pode facilitar a venda dos empreendimentos
desenvolvidos na região, e consequentemente à antecipação de receitas.
3.4.
Metodologia de avaliação da certificação
As técnicas de avaliação de uma certificação podem ser três, análise estatística,
baseados em créditos e baseado no desempenho. Cada uma apresenta implicações diferentes
dado a metodologia diferenciada, conforme apresentado pela Quadro 3.
25
Quadro 3 – Técnicas de certificação (PÓS GRADUÇÃO UFSC, 2008)
3.5.
Certificação LEED ND
O LEED ND é uma ferramenta de reconhecimento internacional, desenvolvida para
orientar e certificar áreas urbanas sustentáveis, criada em 2009 nos Estados Unidos pela
USGBC. Possui a característica de ser um sistema voluntário, que pode ser aplicado tanto em
algumas unidades autônomas dentro de áreas urbanas já consolidadas, como em áreas de
expansão urbana, loteamentos, vilas e até cidades inteiras. (XAVIER, 2009).
Sua técnica de classificação se baseia na soma de pontos dos créditos avaliados, que
dentro das faixas especificadas, determinam o selo conquistado.
O LEED ND está estruturado em cinco capítulos, três capítulos principais, são eles:
Smart Location and Linkage (Localização Inteligente e Conexões Urbanas), Neighborhood
Pattern and Desing (Tecido Urbano e Desenho do Bairro), Green Infraestructure and Buildings
(Infraestrutura e Edifícios Verdes) e outros dois capítulos de menor peso na avaliação, são eles:
Innovation and design process (Inovações em Projeto) e Regional priority credit (Créditos
Regionais). Os capítulos se subdividem em créditos, que tratam de assuntos mais específicos,
conforme descrição da Quadro 4.
26
Quadro 4 –Capítulos de avaliação LEED ND (Fonte: CTE CONSULTORIA, 2009)
CAPÍTULOS
DESCRIÇÃO
Foco no desenvolvimento urbano sustentável, tendo em vista as
aptidões da área a ser urbanizada, eficiência em infraestrutura viária,
Localização Inteligente acesso a equipamentos públicos, preservação de áreas de interesse
e Conexões Urbanas
paisagístico e ambiental, urbanização de áreas contaminadas
visando sua reabilitação, preservação de áreas agricultáveis.
Foco principal no desenvolvimento de infraestrutura urbana,
assegurando conectividade com a urbanização já existente,
Tecido Urbano e
Desenho do Bairro
densidade de urbanização, incentivo ao uso misto, quantidades
mínimas de unidades habitacionais, priorização do pedestre,
facilidade de acesso a transporte público eficiente com interação em
sua gestão.
Assegurar performance mínima de infraestrutura de energia e água
em seus pré-requisitos e reduzir os impactos ambientais no canteiro
de obras. Premia o uso racional dos recursos hídricos, eficiência
energética em infraestrutura de uso coletivo, reuso de edificações
Infraestrutura e
Edifícios Verdes
existentes, preservação de monumentos e edifícios históricos, plano
de contingência para enchentes, redução de ilhas de calor, utilização
de
sistemas
distritais
para
geração
de
energia
e
para
condicionamento de ar, conforto do ambiente urbanizado, gestão de
resíduos, uso de materiais reciclados e redução da poluição luminosa
do empreendimento.
Inovações em Projeto
Bonifica empreendimentos com performances exemplares.
Bonifica empreendimentos que atendam a créditos locais, no caso
Créditos Regionais
brasileiro, a serem regulamentados pelo GBC Brasil.
27
Cada capítulo apresenta seus itens específicos relativos ao assunto tratado. A
pontuação dos itens depende de sua relevância conforme os conceitos do LEED ND, e a soma
dos pontos conquistados definirá a certificação do grau de sustentabilidade alcançado pelo
empreendimento. Os pontos por capítulo de avaliação e as faixas de pontos para os diferentes
selos de certificação são apresentados pela Figura 16.
Figura 16 – Faixas de pontuação LEED ND (Fonte: LEED ND, 2009)
Para cada um dos cinco capítulos existem pré-requisitos a serem atendidos,
independente do atendimento a outros créditos. Essa exigência é necessária como base para o
desenvolvimento de bairros sustentáveis, caso não sejam atendidas, o projeto não poderá ser
certificado. O Quadro 5 apresenta os requisitos exigidos para cada um dos capítulos de
avaliação.
28
Quadro 5 – Pré-requisitos LEED ND (Fonte: LEED ND, 2009)
CAPÍTULOS
PRÉ-REQUISITOS
Localização inteligente
Espécies ameaçadas e comunidades
Localização Inteligente e Conexões ecológicas
Conservação corpo de água
Urbanas
Conservação de Terras Agrícolas
Plano contra enchentes
Ruas que priorizem pedestres
Tecido Urbano e Desenho do Bairro Adensamento da ocupação
Conexão e comunidade aberta
Construções certificadas
Eficiência energética das construções
Infraestrutura e Edifícios Verdes
Eficiência do uso de água nas construções
Atividade da construção não menos poluente
A definição de cada crédito e pré-requisitos é feita pelo manual LEED 2009 for
Neighborhood Development Rating System, ele tem a função de esclarecer quais medidas
devem ser consideradas e implantadas no bairro, para que ele possa ser considerado sustentável
quanto ao assunto específico avaliado.
A definição de cada crédito ou pré-requisito, se estrutura da seguinte forma: objetivo,
os requisitos considerados sustentáveis para o crédito específico ou pré-requisito, que podem
se apresentar com mais de uma opção de atendimento. Cada opção possui uma faixa de
pontuação possível, conforme sua relevância, e podem ser somadas, caso todas sejam atendidas.
Para fornecer aos desenvolvedores de projetos certificáveis uma aprovação
condicional em estágio inicial, o LEED ND é dividido em fases, conforme a Figura 16.
Figura 16 – Fases de certificação (Fonte: LEED ND, 2009)
29
Primeiro é desenvolvido um estudo preliminar, onde se verifica a viabilidade da
concepção de um bairro sustentável, considerando todas as etapas de desenvolvimento
envolvidas e os capítulos que serão avaliados pelo LEED. Nesta fase inicial, é montado um
grupo de trabalho, com profissionais de competências diversas como, engenheiros de tráfego,
paisagistas, arquitetos, consultores de sustentabilidade e responsáveis pela incorporação
imobiliária. O grupo deve avaliar e articular os objetivos do projeto e o nível de certificação
solicitada.
Após o início dos trabalhos de desenvolvimento do bairro, e concluídas as definições
de início do projeto, o próximo passo é registrá-lo junto ao GBCI (Green Bulding Certification
Institute), que serve como uma declaração da intenção de certificar o bairro pelo sistema LEED
ND. Após o pagamento da taxa de inscrição, o projeto fica disponibilizado online, e a equipe
de projeto começa a preencher a documentação necessária.
Depois do registro do projeto, começam os preparativos para sua candidatura. São
apresentados inicialmente os pré-requisitos quanto ao SLL (Smart Location and Linkage),
relativos à localização do terreno. Isso se faz necessário pois tais premissas não podem ser
alteradas em projeto, diferente dos outros créditos avaliados. Caso sejam atendidos todos os
pré-requisitos relativos à localização do bairro, o projeto poderá avançar para as próximas
etapas, do contrário o processo é interrompido.
Na fase 1, são apresentados os documentos com as informações iniciais do projeto,
atendendo aos pré-requisitos e aos créditos mínimos necessários à certificação. Se a aprovação
condicional do projeto é alcançada, uma carta é emitida afirmando que se o projeto for
executado conforme proposto, será elegível para alcançar a certificação LEED de
desenvolvimento de bairros.
A fase 2 estará disponível assim que todos os documentos necessários emitidos pelas
autoridades públicas competentes estiver conquistado. Isso é necessário pois quaisquer
alterações no plano aprovado condicionalmente poderiam afetar os pré-requisito ou a realização
de créditos, caso ocorram alterações elas deverão ser comunicadas. Se a autorização prévia do
plano é alcançada, um certificado é emitido informando que o projeto está pré-certificado e ele
será listado como tal no site do USGBC.
A etapa final ocorre quando o projeto pode apresentar documentação para todos os
pré-requisitos e tentativas de créditos, e quando os certificados de ocupação de edifícios e
aceitação de infraestrutura foram emitidas pelas autoridades públicas competentes sobre o
projeto. Se a certificação do desenvolvimento do bairro concluído é alcançado, uma placa ou
30
prêmio similar para exibição pública serão emitidas e ele será listado como certificado no site
do USGBC.
A certificação LEED ND é uma das categorias do sistema LEED de certificação, outras
categorias são apresentadas pela Figura 18. As categorias são divididas conforme o tipo de
empreendimento a ser certificado, apresentam pré-requisitos e créditos próprios conforme suas
especificidades.
Figura 18 – Certificações LEED (Fonte: USGBC, 2009)
3.6.
Certificação AQUA BAIRROS
No ano de 2002 foi criado o processo de certificação francês HQE (Haute Qualité
Environnementale), ele toma como base os referencias de desempenho desenvolvidos pelo
Centre Scientifique et Technique du Bâtiment (CSTB), criado em 1947.
Em 2004, um estudo visando à elaboração de uma metodologia específica para
assentamentos urbanos sustentáveis, foi encomendado e realizado na França pelo Gabinete
SETUR e outros colaboradores.
Atendendo a uma demanda por projetos em nível nacional, em janeiro de 2007, foi
iniciado um experimento piloto com dez empreendimentos, que objetivava, em um período de
três anos, testar em campo o “Processo de Qualidade Ambiental em Assentamentos Urbanos”.
(FUNDAÇÃO VANZOLINI, 2011).
31
Em 2009, os resultados da experiência realizada embasaram a criação de uma nova
metodologia de certificação ambiental. A reescrita de um guia voltado ao conceito de
sustentabilidade urbana, levou à formulação do processo de certificação AQUA voltada para
bairros e loteamentos.
A técnica de avaliação aplicada no processo de certificação é baseada no desempenho,
a adesão ao processo se dá de forma voluntária. O processo baseia-se nas normas de qualidade
ISO 9001, ISO 14001 e no documento Abordagem Ambiental do Urbanismo desenvolvido pela
agência francesa ADEME (Agência do Meio Ambiente e de Controle da Energia). Foi adaptada
a critérios brasileiros (Figura 19) pela Fundação Vanzolini, fundação sem fins lucrativos
responsável pela certificação do AQUA BAIRROS.
Figura 19 Critério brasileiros – adaptação HQE (Fonte: FUNDAÇÃO VANZOLINI, 2011)
O processo de certificação AQUA BAIRROS visa à integração do empreendimento
com o seu entorno, com o maior controle possível dos impactos ambientais, considerando o
conjunto das fases do projeto. Nesse sentido, busca por conjugar os pilares econômicos, sociais
e ambientais do desenvolvimento sustentável, desenvolvendo um melhor ambiente econômico
e social, na busca pela promoção de uma melhor qualidade de vida.
Qualquer empreendimento considerado um bairro ou loteamento pode realizar o
processo, não importando o contexto territorial no qual está inserido, seu tamanho e sua
destinação, por possuir características genéricas, sua aplicação se torna flexível. Ele é dirigido
a todos os atores ligados ao empreendimento, tanto os do setor privado quanto os do setor
público.
32
O referencial para o processo de certificação é o documento que descreve o processo
AQUA BAIRROS. Este processo é composto de dois elementos essenciais, O SGB (Sistema
de Gestão do Bairro) e a QAB (Qualidade Ambiental do Bairro).
O objetivo do SGB constitui a coluna vertebral do processo que permite a condução
eficaz de um projeto, seu objetivo é direcionar e organizar as etapas do empreendimento, através
do controle dos processos pertinentes à concepção do bairro, com a finalidade de aumentar a
sinergia entre os stakeholders, visando a criação de um bairro sustentável. O SGB é composto
por seis etapas-chave que balizam o desenvolvimento do projeto e uma etapa pós-operacional
de acompanhamento, conforme mostra o Quadro 6.
Quadro 6 – Etapas SGB (Sistema de Gestão do Bairro) (Fonte: FUNDAÇÃO VANZOLINI, 2011)
1
2
3
4
5
6
7
SGB - Coordenação/Participação/Avaliação
Lançamento
Análise inicial
Negociação e escolha dos objetivos
Concepção do projeto – Escolha das ações
Realização
Balanço – Capitalização
Acompanhamento dos desempenhos
O grande desafio do QAB é trazer o conceito de sustentabilidade para a ótica de
desenvolvimento urbano, considerando todas as interações entre as duas dimensões, para
elaborar um projeto sustentável, coeso e coerente como um todo.
O QAB deve servir como subsídio à equipe de elaboração do projeto em uma análise
global de seu desenvolvimento, desde o início dos trabalhos até a definição do programa de
ações desenvolvido para tornar o bairro sustentável.
Com o objetivo de auxiliar a concepção de um empreendimento, de forma a abordar
globalmente os conceitos de um bairro sustentável, são propostas dezessete temas ligados à
sustentabilidade de áreas urbanas.
Esses temas encontram-se agrupados em três grandes objetivos do desenvolvimento
sustentável: assegurar a integração e a coerência com o tecido urbano e as outras características
do território, preservar os recursos naturais e melhorar a qualidade ambiental e sanitária do
bairro, promover a integração na vida social e fortalecer as dinâmicas econômicas.
(FUNDAÇÃO VANZOLINI, 2011).
33
O conjunto dos dezessete temas relativos ao bairro sustentável (Quadro 8), é uma
ferramenta de reflexão, que visa auxiliar o desenvolvimento do projeto. Para cada tema, devese levantar a relação da área do empreendimento com o entorno, bem como suas características
particulares.
Quadro 7 – Temas QAB (Qualidade Ambiental do Bairro) (Fonte: FUNDAÇÃO VANZOLINI, 2011)
INTEGRAÇÃO E COERÊNCIA DO BAIRRO
Território e contexto local
Densidade
Mobilidade e acessibilidade
Patrimônio, paisagem e identidade
Adaptabilidade e potencial evolutivo
RECURSOS NATURAIS
6 Água
7 Energia e clima
8 Materiais e equipamentos urbanos
9 Resíduos
10 Ecossistemas e biodiversidade
11 Riscos naturais e tecnológicos
12 Saúde
VIDA SOCIAL E DINÂMICA ECONÔMICA
13 Economia do projeto
14 Funções e pluralidade
15 Ambientes e espaços públicos
16 Inserção e formação
Atratividade, dinâmicas econômicas e estruturas
17
de formação locais
1
2
3
4
5
Este sistema é baseado em desempenho, portanto não existe pontuação. São
considerados três níveis de desempenho: bom, superior e excelente. Para a certificação são
necessários pelo menos quatro categorias no nível excelente, cinco no superior e máximo de
oito no desempenho bom, totalizando os dezessete temas, que serão baseadas nos resultados
das auditorias.
Para dar início às etapas do processo de certificação, etapa programa, etapa concepção
e etapa realização, é preciso contatar a Fundação Vanzolini e seguir o referencial técnico
disponibilizado pela fundação em seu endereço eletrônico.
São realizados para cada etapa de certificação auditorias presenciais, que após a
avaliação técnica pode levar à certificação da etapa. Os certificados são entregues em até trinta
dias pela fundação.
34
Na etapa de programa, tomando como base os dezessete temas abordados no QAB,
são definidos as necessidade futuras do empreendimento assim como o perfil de desempenho
almejado. Deve haver o comprometimento de cumprir com o perfil do empreendimento traçado
inicialmente, fazendo uso do SGB, como ferramenta de gestão ao longo do ciclo de vida do
projeto. Ao final da etapa, é agendada uma auditoria através do pedido do incorporador, gerando
como resultado a avalição do QAB, que é encaminhada à Fundação Vanzolini.
Na etapa seguinte, concepção do empreendimento, o perfil de desempenho do QAB,
traçado anteriormente na fase de programa, é usado como base para dar início aos projetos
contemplado pelo empreendimento. O SGB continua a ser utilizado no decorrer da etapa de
concepção, guiando os novos projetos e corrigindo eventuais erros. A certificação desta fase
depende da auditoria solicitada pelo incorporador e da avaliação do QAB pela Fundação
Vanzolini, assim como o envio dos projetos finais à fundação.
Na última etapa, a de realização, é mantida a gestão por parte do SGB, que acompanha
a execução em obra conforme os projetos aprovados na etapa de concepção e avalia o QAB
realizando a correção de eventuais erros. Para certificar esta etapa o incorporador também deve
agendar a auditoria, enviado à Fundação Vanzolini a avaliação do QAB na entrega da obra.
Ao todo contempla três etapas com uma auditoria cada, e a emissão de um certificado
por etapa de desenvolvimento do projeto avaliada.
São verificadas pelo auditor a implementação do Sistema de Gestão do Bairro (SGB),
o QAB e sua avaliação comparativa aos critérios de desempenho definidos no referencial
técnico e por fim verifica se o nível de desempenho acordado está sendo atendido.
Segundo o Guia Aqua Bairros e Loteamentos, os critérios utilizados no processo de
certificação AQUA são genéricos e podem ser aplicados às áreas conforme a Figura 20.
Figura 20 – Aplicações sistema AQUA (Fonte: FUNDAÇÃO VANZOLINI, 2011)
35
4.
ESTUDO DE CASO
4.1.
Visão geral
A Vila dos Atletas dos Jogos Olímpico e Paraolímpicos de 2016 está localizada na
Cidade do Rio de Janeiro, dentro do site do empreendimento Ilha Pura, na região da Barra da
Tijuca, na Zona Oeste da cidade (Figura 21).
Figura 21 – Site Ilha Pura (Fonte: RELATÓRIO ILHA PURA, 2013)
Com capacidade total de acomodação para 18 mil atletas, começou a ser construída
em 2012 e tem prazo de entrega para dezembro de 2015. As instalações terão, ao todo, 31
prédios residenciais, divididos em sete condomínios (Figura 22). Além dos 3.604 apartamentos
de dois, três e quatro quartos, a Vila terá também um parque público de 72 mil metros
quadrados, com projeto de paisagismo assinado pelo escritório Burle Marx. (CIDADE
OLÍMPICA, 2013).
36
Após o período dos jogos, as unidades residenciais desenvolvidas nos condomínios,
farão parte do estoque de moradias da cidade, sendo integradas ao mercado imobiliário.
Figura 22 – Implantação Vila dos Atletas (Fonte: RELATÓRIO ILHA PURA, 2013)
4.2.
Contexto
A região onde está inserida a Vila dos Atletas, possui vasta paisagem verde, localizada
entre as montanhas e a Lagoa de Jacarepaguá. Há oferta de parques públicos e áreas para
recreação, porém a oferta de serviços na região é pequena, o que a torna dependente da oferta
de serviços localizada na principal via do bairro, a Av. das Américas. Linhas de ônibus são
escassas, e os pontos podem estar localizados a grandes distâncias dos polos habitacionais.
Como não há padrão urbano estabelecido na região do empreendimento, o Ilha Pura
irá influenciar diretamente o desenvolvimento da qualidade de vida do seu entrono. O
desenvolvimento urbano da Barra da Tijuca é baseado em um conceito modernista voltado a
atender à demanda por automóveis.
37
A aplicação desse conceitos modernistas levou ao desenvolvimento de condomínios
fechados, pouco ligados ao seu entorno, com grandes edificação. O ambiente fomentado não é
agradável aos pedestres e pouco eficiente do ponto de vista da mobilidade.
No entanto, existem regiões dentro da Barra que foram desenvolvidas baseadas em
conceitos diferentes. Os quarteirões ao redor da Praça Professor José Bernardino, localizada
perto da entrada da Barra da Tijuca, sentido Zona Sul – Barra, são mais convenientes à
movimentação de pedestres.
A dinâmica do bairro, assim como sua estrutura, são influenciadas pela oferta de
transporte à região. Por muito tempo, os carros particulares foram a principal opção de
transporte disponível para os habitantes da Barra da Tijuca. As avenidas e ruas foram
privilegiadas, em contrapartida o transporte público era de baixa qualidade e de baixa eficiência.
Como resultado, a Barra da Tijuca se estabeleceu como um bairro que depende do transporte
motorizado.
Apesar desse contexto, há investimento em transporte público na região. Três
corredores de BRT (Bus Rapid Transit) estão sendo construídos nessa parte da cidade, o
TransOeste, o TransCarioca e o TransOlímpico. O último, inclusive, possui uma estação
planejada perto do terreno do Ilha Pura. Esses sistemas de transporte irão influenciar
diretamente a dinâmica da região. De acordo com projeções do Plano Diretor de Transportes
Urbanos do Rio de Janeiro (PDTU), o terreno do Ilha Pura está localizado dentro do maior vetor
de crescimento da cidade.
4.3.
Sustentabilidade do empreendimento
As informações do empreendimento Vila dos Atletas foram coletadas de relatórios
elaborados por consultoria internacional, contratada com a finalidade de desenvolver as
diretrizes sustentáveis do bairro. Essas diretrizes vêm balizando o desenvolvimento do projeto,
na busca de viabilizar a implementação do maior número de ações que o tornem um bairro alto
padrão sustentável, um ícone para a Cidade do Rio de Janeiro.
O empreendimento busca ser certificado pelos dois principais processos de certificação
presentes hoje no Brasil, e apresentados nesse trabalho, LEED ND e AQUA BAIRROS. Sabese que a certificação da segunda fase do processo AQUA BAIRROS foi conquistada, porém,
outras informações quanto à certificação do empreendimento ainda não se tornaram públicas.
38
4.3.1. Meio ambiente e sociedade – Acessibilidade
O objetivo do desenvolvimento do assunto Acessibilidade, é a criação de ruas e
paisagens urbanas com o foco no uso de pedestres e melhoria do malha urbana, para tornar os
espaços do bairro mais hospitaleiros e centrados nos transeuntes.
Entre os condomínios do empreendimento há um parque linear (Figura 23). O parque
é propício à recreação, contando com jardins, corpos d’água, áreas de confraternização e
quadras poliesportivas, assim como pistas de corrida e caminhada.
Um elemento chave das áreas verdes são as partes identificadas como áreas de
transição, que são espaços ligando áreas pública e privadas (Figura 23). Dentro do terreno do
Ilha Pura as principais áreas de transição serão localizadas entre as áreas verdes e os
condomínios privados. Essas áreas irão demandar tratamentos específicos devido a mudanças
de nível e de acesso.
Figura 23 – Área central Vila dos Atletas (Fonte: RELATÓRIO ILHA PURA, 2013)
As áreas de transição previstas para o empreendimento buscam prover conexão entre
áreas públicas e privadas com escadas e calçamento inclinado para promover o acesso e superar
a inclinação dessas áreas (Figura 24). Devem ser disponibilizadas conexões para ciclistas para
39
permitir que as bicicletas possam ser empurradas nas mudanças de nível das áreas de transição.
As paredes altas devem ser evitadas, soluções como bermas e uso de paisagismo devem ser
usados com a finalidade de suavizar a paisagem dessas áreas.
Figura 24 – Exemplo área de transição (Fonte: RELATÓRIO ILHA PURA, 2013)
Outro ponto forte no desenvolvimento é a oferta de uma rede segura, sinalizada e
contínua para pedestres e ciclistas que inclui mobiliário, opções de circuitos e acessível aos
visitantes e moradores. Para tanto está sendo adotado o fornecimento de uma trilha para
pedestres e ciclistas adequada às variações térmicas das estações do ano, dentro das áreas verdes
com largura adequada, para permitir que ciclistas e pedestres viagem em segurança em ambas
as direções.
Há provisão de iluminação ao longo das trilhas do parque, além de um paisagismo que
cria paisagens que atraentes ao incorporar elementos de vegetação ao ambiente urbano, mas
pensado para facilitar a segurança ao reduzir as chance de pessoas se esconderem e criarem
oportunidades de assaltos.
A utilização de barreiras físicas rapidamente identificadas como pilaretes, vasos com
vegetação para separação dos fluxos de pedestres e veículos motorizados, foram propostos
como elementos para as áreas ao nível da rua. Além disso, as sinalizações foram pensadas a
atender às necessidades especiais, através da incorporação de elementos como pisos tácteis,
semáforos com sinalizador de tempo e rampas entre nos acessos.
40
4.3.2. Meio ambiente e sociedade – Território e Contexto Local
Os impactos da implantação do empreendimento na região, foram pensados para a
serem positivos, através da avaliação do contexto local, servindo como fonte de valorização das
áreas adjacentes ao bairro. Uma das ações nesse sentido é a implantação do parque linear, que
é público, e portanto busca valorizar o território e aumentar o fluxo de pessoas na região,
propiciando uma maior integração social.
Um importante programa de capacitação profissional é desenvolvido dentro do
canteiro de obras, o programa Acreditar, desenvolvido pela Odebrecht. Esse programa formar
e integrar novos profissionais da indústria da construção civil ao mercado de trabalho, e tem
sido usado para impactar positivamente as comunidades mais próximas ao empreendimento.
O paisagismo é outro fator que contribui para a integração com o meio ambiente local,
e a escolha da vegetação se baseia nesse pressuposto. Estudos topográficos (Figura 25) e das
bacias hidrográficas contribuem para uma melhor implantação e maior eficiência do
empreendimento quanto às suas qualidades sustentáveis.
Figura 25 – Topografia Vila dos Atletas (Fonte: RELATÓRIO ILHA PURA, 2013)
41
4.3.3. Eficiência Energética – Inserção Urbana
Foram realizados estudos que buscaram auxiliar a equipe de arquitetura e paisagismo
a desenvolver o projeto das áreas públicas e privativas de lazer para a criação de microclimas
agradáveis e confortáveis ao usuário. O planejamento de áreas abertas como a proposta à
percepção térmica e experiência do usuário, pode ser melhorada através da iniciativa do projeto
arquitetônico e paisagístico.
A criação de microclimas urbanos agradáveis e confortáveis ao usuário está
relacionada às principais variáveis climáticas que são, ventos (Figura 26), radiação solar (Figura
27), temperatura do ar e umidade relativa do ar. Os estudos realizados de microclima buscaram
envolver a manipulação de elementos de arquitetura e paisagismo, capazes de controlar
principalmente a velocidade dos ventos e a radiação solar com a finalidade de beneficiar o
projeto.
Figura 26 – Estudo de ventos (Fonte: RELATÓRIO ILHA PURA, 2013)
42
Figura 27 – Estudo de radiação solar (Fonte: RELATÓRIO ILHA PURA, 2013)
Após a identificação das principais características dos microclimáticas de cada área
principal no terreno, do ponto de vista de insolação e ventos, foram analisadas os melhores
locais possíveis para a instalação dos equipamentos públicos e provados do condomínio. Para
tratar locais de eficiência energética menor, foram propostas elementos (Figura 28) como
espelhos d´agua, elementos de sombreamento e paisagismo adequado às necessidades
específicas para os pontos analisados.
Figura 28 – Elementos microclima (Fonte: RELATÓRIO ILHA PURA, 2013)
43
4.3.4. Materiais e Resíduos - Conservação de Recursos Materiais
Uma das principais iniciativas quanto à sustentabilidade do empreendimento Vila dos
Atletas, é a central de concreto (Figura 29) instalada em seu próprio canteiro de obras. Além de
evitar de forma significativa a movimentações de caminhões no entorno, parte do agregado
utilizado na fabricação do concreto é proveniente de resíduos da própria obra, através do
processo de triagem, moagem e reutilização. A expectativa é que o empreendimento gere 30%
menos gases efeito estufa (GEE) que à Vila Olímpica de Londres.
A movimentação de terras também foi planejada como forma de diminuir ao máximo
a geração de resíduos. Ações de mais simples aplicação estão sendo utilizadas no dia-a-dia do
canteiro, como a coleta seletiva dos resíduos de obra e sua correta destinação.
Figura 29 – Central de concreto Vila dos Atletas (Fonte: SCHWING-STETTER, 2013)
4.3.5. Materiais e Resíduos - Gestão dos Resíduos Sólidos Urbanos
Inicialmente foram pensados dois sistemas distintos para a coleta de resíduos sólidos
do bairro. Um trata-se se um sistema de coleta a vácuo para o armazenamento e transporte de
resíduos. O sistema é completamente automatizado, uma rede de tubulações subterrânea (Figura
30), liga os pontos de coleta públicos e privados à uma estação de armazenagem, separação e
destinação, que fica localizada no próprio terreno. Essa proposta leva à redução de veículos
utilizados na coleta, porém depende de um grau de conscientização dos usuários muito elevado,
devido às suas restrições de uso, pois depende de uma separação prévia rigorosa.
44
Figura 30 –Sistema de lixo a vácuo (Fonte: APRESENTAÇÃO ENVAC, 2013)
O outro sistema consiste em caçambas enterradas (Figura 31) de grande capacidade de
armazenagem, que instaladas lado a lado são incorporadas à coleta seletiva. Esse sistema
depende de caminhões com equipamentos específicos para realizar a coleta, porém o volume
coletado por vez é muito superior e coletado de forma mais rápida que a coleta convencional.
Também é preciso investir na conscientização do uso desse sistema, pois os pontos de depósito
são reduzidos para que grandes volumes de lixo se concentrem em pontos específicos, o que
demanda maiores caminhadas para depósito, além da triagem prévia dentro dos domicílios
Figura 31 –Sistema de lixo enterrado (Fonte: APRESENTAÇÃO SOTKON, 2013)
As grandes vantagens apresentadas pelos dois sistemas são quanto à limpeza das vias
púbicas, diminuição do sistema motorizado, diminuição no tempo de coleta, menor
45
interferência no trafego, envolvimento da comunidade e a estética dos equipamentos públicos
de coleta.
4.3.6. Eficiência no Uso de Água – Gestão de Água
Os estudos do uso de água no empreendimento Vila dos Atletas, se baseou em dados
climáticos, levantamento topográfico e hidrológicos das bacias que compõem a região, além da
legislação vigente, que defini algumas características como a área mínima de lote permeável e
a retenção da água pelo lote. O objetivo desse trabalho foi apontar melhorias no plano de águas
inicialmente traçado, reduzindo ao máximo o consumo de água do bairro, através da máxima
do aproveitamento de recursos.
Um dos pontos de principal foco da análise realizada pela consultoria de
sustentabilidade, foi utilizar os lagos no parque como um sistema de gestão sustentável de águas
pluviais. As estratégias traçadas na busca de alcançar a maior eficiência no uso da água, foram
três principais, drenagem urbana, redução do uso de água potável e o projeto o lago.
No nível de corredor (Figura 32), a consultoria recomendou a utilização de estratégias
como o concreto permeável em áreas de estacionamento, ladrilhos permeáveis para áreas de
ciclistas ou pedestres, e ladrilho com vegetação no parque. Nas áreas a nível do lote, foi
recomendado o uso de jardins de chuva, sistemas de biorretenção e telhados verdes (Figura 33)
e nas áreas dentro do parque, lagos de águas pluviais ou áreas alagadas (Figura 34).
Figura 32 – Drenagem de corredor
(Fonte: RELATÓRIO ILHA PURA, 2013)
Figura 33 – Drenagem nível do lote
(Fonte: RELATÓRIO ILHA PURA, 2013)
46
Figura 34 – Drenagem área do parque (Fonte: RELATÓRIO ILHA PURA, 2013)
Quanto à redução do uso de água potável, as principais ações sugeridas foram, a
adoção de sistemas eficientes internos às edificações, como bacias sanitárias e torneiras,
sistemas de irrigação inteligentes, o aproveitamento das águas da chuva, e um dos pontos
diferenciais do bairro, já adotado em projeto, que é o sistema de recuperação de águas residuais
domésticas.
Ao separar as águas residuais geradas dentro dos edifícios em águas residuais
domésticas e águas negras (Figura 35), as águas residuais domésticas podem ser tratadas de
forma mais barata para atender aos padrões não potáveis de reuso de água dentro do bairro.
Esse sistema pode reduzir consideravelmente o descarte de água consumida nas unidades
habitacionais.
Figura 35 – Reuso de água (Fonte: RELATÓRIO ILHA PURA, 2013)
47
Os estudos para o lago tomaram como base diversos fatores como a área da bacia
hidrográfica, a cobertura impermeável e espaço aberto, clima, topografia, características do
solo, águas subterrâneas e possíveis poluentes no solo.
A perda excessiva de água por evaporação dos lagos afeta diretamente a proposta de
abastecimento do empreendimento, sua geometria foi pensada a evitar tais desperdícios, e
outras ações específicas foram pensadas para o para o tratamento dessas águas.
4.3.7. Mobilidade – Transporte e Conectividade
O transporte e conectividade do bairro foram pensadas e em três escalas, pedestres,
ciclistas e veículos motorizados.
Uma malha de mobilidade exclusiva para ciclistas e pedestres (Figura 36), foi
integrada ao bairro, de forma a privilegiar soluções verdes de transporte. Buscou-incentivar o
uso desses meios de locomoção, através de uma experiência prazerosa, pela integração dessas
vias com o parque linear do empreendimento e entorno.
Figura 36 – Ciclovias e passeios (Fonte: RELATÓRIO ILHA PURA, 2013)
As vias para transportes motorizados foram estudas pensando na integração e menor
impacto no entorno. Uma rede serviço privado de micro-ônibus para os futuros residentes e um
sistema regular público de ônibus (Figura 37), funcionarão como alimentadores do sistema BRT
Trans Oímpico, que se integra aos outros dois sistemas da região da Barra da Tijuca, os sistemas
BRT TransOeste e TransCarioca.
48
Figura 37 – Sistemas de transporte (Fonte: RELATÓRIO ILHA PURA, 2013)
Os pontos de transferência de passageiros entre sistemas foi pensado para evitar o
desconforto dos passageiros, o aumento nos tempos de viagem, aumento do custo do sistemas
e queda da eficiência.
Por ser exclusivo aos residentes, os pontos do sistema particular de micro-ônibus
foram alocadas em frente aos portões de cada condomínio, para evitar o desconforto de longas
caminhadas e reduzir o ricos quanto à segurança.
Quanto à rede pública de transporte, foram definidas três paradas para a cobertura de
todo o empreendimento, com distâncias de caminhada adequadas aos condomínios e ao parque
linear Esses pontos também garantem boa integração com o BRT.
4.3.8. Conscientização Sobre Sustentabilidade
O uso de manuais de sustentabilidade na promoção da informação, assim como as
sinalizações dispostas pelo empreendimento, são parte da estratégia de disseminação da
informação pertinente ao ambiente sustentável. Essas ações tem sido implantadas no canteiro
de obra, como forma de atingir os objetivos quanto à redução do desperdício de matérias e
melhorar a eficiência da mão-de-obra.
Um dos maiores desafios do empreendimento será educar seus habitantes à realidade
diferenciada do habitat desenvolvido e promover as práticas sustentáveis no dia-a-dia do bairro.
49
5.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Durante a apresentação desse trabalho foi enfatizada a relevância do desenvolvimento
sustentável de áreas urbanas na promoção do bem estar de seus habitantes, e destacados seus
benefícios ambientais, sociais e econômicos.
Os conceitos de um bairro sustentável foram apresentados e a importância do
planejamento urbano foi evidenciada como forma de evitar problemas comuns à vida em
comunidade nos centros urbanos.
Foi constatada a complexidade dos temas que envolvem o assunto. O desenvolvimento
de bairros sustentáveis, na busca por tornar ambientes urbanos melhores à vida humana,
demanda diversos estudos e análises, que devem considerar as especificidades do contexto
urbano local.
Como ferramentas que auxiliam na qualificação desses ambientes, foram apresentados
os dois principais processos de certificação de bairros encontrados no Brasil, o LEED ND e o
AQUA BAIRROS. Foram apresentadas as características dos métodos, e suas etapas de
certificação. Apesar das semelhanças nos assuntos abordados, foi possível identificar diferenças
relevantes entre os dois processos, como a adaptabilidade às características da legislação local,
cultura e clima. Quanto a isso AQUA BAIRROS apresenta vantagens por ter sido adaptado às
características locais brasileiras.
Outro ponto relevante a ser destacado quanto às duas ferramentas, são as auditorias
presencias, que ao contrário das certificações AQUA, não são realizadas pelo LEED.
Foi realizado um estudo de caso na busca de evidenciar as principais propostas
sustentáveis elaboradas para o empreendimento Vila dos Atletas. Pelo empreendimento
escolhido, foi possível observar a viabilidade de ações sustentáveis no âmbito urbano ocorrendo
no segundo maior centro urbano brasileiro.
O desenvolvimento de bairros sustentáveis é um grande passo na consolidação de
ambientes urbanos de melhor qualidade de vida, que dependem da colaboração de diversos
atores como, o poder público e privado, e seus próprios habitantes.
Mesmo existindo insatisfação com o espaço urbano na maioria das cidades, ainda é
pequeno o alcance desse conhecimento, existindo focos isolados de mudança nesse sentido, que
partem na grande maioria das vezes da iniciativa privada. Apesar disso, essas empresas têm
sido importantes no processo de desenvolvimento de um pensamento urbano voltado à vida
sustentável. Ao apresentar no mercado propostas diferenciadas de maior qualidade de vida,
50
acabam por fomentar a competitividade, levando à formação de um novo padrão de exigência
pelo cliente.
Muito se fala a respeito de sustentabilidade para edifícios e suas certificações, mas
pouco se fala do conceito de sustentabilidade no âmbito urbano, dos benefícios trazidos por sua
aplicação e de como as ferramentas de certificação específicas encontradas no mercado podem
ser usados como guia na concepção dessa áreas. Dessa forma, acredita-se que este trabalho
possa dar destaque ao assunto trabalhado, considerado necessário à vida urbana de maior
qualidade, além de provar através do estudo de caso apresentado, a viabilidade de suas
aplicações.
O assunto deste trabalho pode ser estendidos muito além da ótica pontual de um
empreendimento. O conhecimento mais aprofundado de sustentabilidade urbana, integrado aos
planos diretores de desenvolvimento da malha urbana, tem o poder de impactar de forma global
e positiva a vida nas cidades.
Para trabalhos futuros, sugere-se um estudo de caso que acompanhe o uso dos
conceitos apresentados neste trabalho, em empreendimento de iniciativa do poder público,
realizando análises dos projetos e legislação urbanística sobre a ótica sustentável de
desenvolvimento urbano.
51
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Fly UP