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broca gigante
Manejo
BROCA GIGANTE
Nova praga da cana-de-açúcar na região centro-sul
Mauro Sampaio Benedini - Armene José Conde
Introdução
Em julho de 2007 foi detectada
na região de Limeira, no Estado de
São Paulo, uma nova praga nos canaviais da região Centro Sul, a broca gigante, considerada a mais importante praga da região nordeste
do Brasil onde seus danos resultam
em perdas anuais estimadas em R$
34,5 milhões.
Objetivando disseminar o fato,
o CTC - Centro de Tecnologia Canavieira realizou no mês de março
de 2008, em Piracicaba, um encontro para conscientização das
usinas, destilarias e associações de
fornecedores filiadas ao CTC sobre
este novo problema. Especialistas
da área de Entomologia do CTC e
técnicos de associadas debateram
o assunto. Participaram do evento 1/3 das associadas sendo que
técnicos de 12 Associações de Fornecedores estiveram presentes,
demonstrando o interesse e a preocupação no reconhecimento da
praga. Após este evento, a equipe
do “Muda Sadia” com o apoio técnico dos especialistas, vêm realizando treinamento individualizado nas
associadas abrangendo até meados
de agosto, 84 reuniões técnicas
(nove delas em associações de fornecedores) para aproximadamente
1.530 colaboradores e funcionários
das associadas, orientando na identificação, no levantamento popula24 - Revista Coplana - Setembro 2008
cional e nas práticas atuais de controle da praga.
Além disso, o CTC, juntamente
com a UDOP, realizou três reuniões regionais (Araçatuba, Ribeirão
Preto e Dourados), aberta também
às não associadas, visando maior
divulgação dos acontecimentos.
Aproximadamente 230 profissionais participaram destes três eventos.
O CTC disponibiliza às suas associadas maiores informações sobre a
praga em seu site (www.ctcanavieira.com.br), inclusive com um vídeo
explicativo sobre a praga no portal
exclusivo de treinamento. Solicite
maiores informações para acessálo à sua associação.
O CTC solicita a colaboração de
todos para mapear as áreas de ocorrência da praga, monitorar todas as
áreas que ainda não apresentam o
problema, para descobrir possíveis
novos focos objetivando evitar a
sua rápida proliferação. Cuidado
especial deve ser dado às áreas
próximas a viveiros de plantas ornamentais, pois possivelmente foi
através destes viveiros que a broca
gigante foi trazida para o estado de
São Paulo e, posteriormente, migrou para canaviais próximos. Mudas de cana oriundas das regiões
Norte e Nordeste também devem
ser criteriosamente inspecionadas,
assim como os talhões plantados
com estas mudas de cana.
Ciclo biológico da broca
gigante
A broca gigante é da Classe Insecta, Ordem Lepidóptera, anteriormente pertencente ao gênero
Castnia, mas que foi revisto para
Telchin. As espécies mais comuns
são Telchin licus licus (broca gigante), mais problemática pelos danos
causados e Telchin licus laura, menos agressiva.
O adulto de Telchin licus licus
(broca gigante) vive de 10 a 15 dias,
possui hábitos diurnos, é de coloração escura com faixas esbranquiçadas nas asas (figuras 1 e 2). As fêmeas ovipositam em média de 50 a
100 ovos, nas bases das touceiras.
A fase de ovos dura de 8 a 10 dias
e estes podem ser esverdeados ou
marrons no formato de carambola
(figura 3). Não são facilmente visualizados no campo e foram observados no laboratório do CTC onde a
broca está sendo criada para estudos mais detalhados.
As larvas, de coloração branca
leitosa (figura 4), vivem de 100 a
120 dias e, próximo à mudança de
fase, permanecem nas bases das
touceiras, abaixo do nível do solo
onde preparam a câmara pupal. O
período pupal é de 30 a 45 dias (figura 5). O ciclo biológico completo
pode ocorrer em 158 a 190 dias,
podendo haver até duas gerações/
ano.
Danos
A broca gigante danifica a cana
abrindo galerias de baixo para
cima até 1/3 da altura do colmo da
cana, deixando-o ocado, causando
perdas na produção agrícola e industrial. Quando acaba a reserva
no colmo, a larva migra para outro
fazendo nova galeria de baixo para
cima podendo danificar as touceiras resultando em falhas na brotação e em casos de altas infestações,
necessidade de reforma do canavial. Causa também o conhecido
“coração morto” na fase de brotação das soqueiras (figura 6). O clima
influencia o aumento populacional,
sendo que melhores distribuições
de chuva favorecem o ataque.
Controle
A broca gigante é “praga chave”
da cana e de difícil controle, pois a
larva fecha o buraco (orifício ocado)
logo após o corte da cana, dificultando o acesso de predadores e
tornando ineficiente a aplicação de
inseticidas. O controle manual (catação da praga) é o único método
eficiente, até o momento, porém
os custos são elevados. Fazem-se
levantamentos populacionais por
amostragens e quando constatado
sua presença, efetua-se o controle
manual. A lagarta é coletada manualmente imediatamente após o
corte, com auxílio de ferramentas
apropriadas, matando-se no primeiro dia até 65% das mesmas. No
quinto dia não há mais eficiência de
controle, pois ela migra para outro
colmo.
de mudas ornamentais (figura 7) e
com mudas de cana oriundas das
áreas problemas.
O monitoramento proposto pelo
CTC para o mapeamento da praga
é semelhante ao caminhamento
no levantamento da cigarrinha-daraiz. Converse com o agrônomo da
sua associação para maiores esclarecimentos.
Mauro Sampaio Benedini
Numa segunda etapa (45 dias e Armene José Conde
depois), avalia-se o coração mor- Gerentes Regionais de Produto
to e retira-se o broto ou
Figura 7 - Mudas mortas de
perfilho atacado com ou- Figura 6: Sintoma de ataque de “Strelitzia”, planta ornamental,
T.licus licus, “coração morto”
atacada pela praga
tro tipo de enxadinha. O
controle manual é caro,
mas o pior é perder o
canavial. Se não for controlado desta maneira, o
avanço populacional da
praga condena o canavial à reforma, pelo elevado número de falhas
que aparecem.
Considerações
finais
Todos devem estar atentos para detectar o aparecimento de novos focos. O
CTC está criando a broca
em laboratório para estudos de controle (biológico,
principalmente). Devemos
ter cuidado com canaviais
instalados perto de viveiros
Figuras 4 e 5 – Larva e pupa
de Telchin licus licus
Figura 3 – Ovos de Telchin
licus licus
Figuras 1 e 2: Adulto de Telchin licus licus (vista dorsal e ventral)
Revista Coplana - 25
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