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TUESDAY CAPLET EM: PARA VARIAR, ESTAMOS EM
GUERRA. VOCÊ NÃO IMAGINA A LOUCURA!
24 de novembro de 2015
Escrito por: Equipe Eleven FInancial
Uma sequencia tão grande de barbaridades tem ocorrido mundo afora em 2015. Não me lembro a
última vez em que vi uma apreensão tão grande. Talvez nunca tenha visto.
Nos meus 555 anos, vi as mais diversas situações de conflito. Difícil comparar com a vida no século
XV, quando comecei a entender o que se passava. O mundo é diferente demais. Tudo é menor por
conta da tecnologia, da internet, dessas coisas que transformaram o planeta em uma aldeia.
A primeira vez em que vi o medo da Guerra foi durante as batalhas anglo-escocesas em 1545. Vi meu
irmão mais novo e mais uma série de amigos vencerem a batalha contra os ingleses. Sempre a
questão de poder. Henrique VIII não aceitava ver a Escócia ganhando força e tomando suas decisões.
Além de perder a luta, Londres viu a ascensão subsequente do seu vizinho, capturando boa parte das
arrecadações provenientes das "transações correntes" entre as províncias e retendo os tributos. Viva
Mary Queen of the Scotts!
Para que vocês entendam um pouco mais a relação de causa e efeito das guerras vou me concentrar
no século XX!
Vietnam
Na segunda metade da década de 60 (1960, afinal foi quando eu fiz 500 anos!!!) os EUA reforçaram
sua presença na batalha que acontecia no Vietnam, Laos e Camboja! Kennedy havia sido pressionado
de todos os lados para acelerar o combate, declarar abertamente a guerra e... acelerar a indústria!
Eisenhower havia feito seu discurso de despedida em Janeiro de 1961 deixando claro que
infelizmente, havíamos criado um novo mundo, pós Segunda Guerra que dependia da guerra.
Kennedy não foi à Guerra. Lee Harvey Oswald (até parece) resolveu o problema de uma janela lá no
cantinho do depósito de livros de Dallas. E o caminho para a guerra estava trilhado. Nota: PIB
americano cresceu 4,4% e a taxa básica de juros era 3,5%.
Esforços foram feitos, a economia fundamentou na indústria bélica e o quadro deteriorou, atingindo o
pico negativo nos dois últimos anos de batalha. Estávamos em 1974. PIB retraía 0,5% e o FED
explodiu a taxa de juros para impensáveis 13% visando combater uma galopante inflação de 12,3%.
Os salários estavam congelados e o quadro de estagflação estava desenhado.
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1975 começou negro. PIB caiu 4,8% no primeiro trimestre e o FED baixou as taxas de juros para 7,5%
tentando dar um alento à economia. Era hora de acabar com isso! A guerra já havia consumido
recurso demais. Logo após o encerramento do "Q1", veio a queda de Saigon. O problema estava
resolvido.
LBJ pôde devolver o foco à economia, e não por coincidência FED baixou os juros para 4,75% e o PIB
cresceu 5,4% em 1976. A ressaca trouxe a bonança!
Tempestade no Deserto
Era 1990. George Bush viu à distância a invasão iraquiana do Kwait, enquanto a economia americana
desacelerava violentamente de 3,7% de crescimento em 1989 para 1,9% em 1990, com viés de
baixa. Era hora da batalha. Halliburton e afins já estavam posicionados em uma vez cada vez mais
capitalista estratégia de guerra. "No blood for Oil" era a campanha dos ativistas e pacifistas pela
América. Bush dizia que não era nada disso. Mas em 1990 o índice Dow Jones derreteu 18% em 3
meses e a inflação voltou a beirar os 7%. Veio a coalizão e a operação chamada de Tempestade no
Deserto. Foi a primeira grande guerra da história com transmissão ao vivo pela TV. O mais mórbido
dos video-games parecia estar criado. Tudo foi rápido. Uma avalanche de dólares, muitas vidas e uma
centena de mísseis depois, tudo estava acabado.
Curiosamente, 1991 ainda foi ano de recessão. Mais uma vez a ressaca trouxe a Bonança. Em 1992, o
PIB voltou a crescer 3,6%, o FED baixou os juros para 3% e veio a campanha que elegeu Clinton
consagrando James Carville e seu mote de campanha: "it's the economy stupid"!
Dias atuais e Guerra velada
O Mundo ainda nem se recuperou por completo do crash de 2008 e lá vem outro momento de ruptura
no modelo de desenvolvimento geopolítico. Terroristas assumidos tomam de assalto uma área cada
vez maior de produção de petróleo e usam os dólares assaltados de todo mundo para financiar um
movimento bárbaro de disseminação do ódio, medo e pânico.
Paris viu uma sequencia de ataques sem precedentes. A França pagou o preço de um posicionamento
explícito nas suas relações internacionais e que a transformou em alvo primário dos extremistas
islâmicos. Exemplo duro de descompasso na relação risco x recompensa.
Tudo hoje é diferente. Esta guerra parece não ter correlação com os fatos historicamente
coincidentes de PIB, juros e economias. O terror estampado nas barbáries destes terroristas
extrapolam a racionalidade dos eventos que vivi e contei aqui.
O ouro negro ainda domina muito dos recursos e interesses mundiais. O Ocidente não viu este
inimigo chegar. Al-Qaeda parece ter virado gangue de bairro perto do ISIS e a batalha que vem tem
que ser do modelo todos contra um. Que assim seja.
A economia americana vive já um momento de bonança. Crescimento linear nos últimos anos perto
de 2%. Taxa de juro sem alteração desde 2008. Mercados emergentes chacoalhados. O Oriente Médio
redesenhado e semi-destruído com riqueza concentrada.
A Turquia não vai brigar com a Rússia. Não veremos uma guerra soviética x OTAN. Este não é mais o
mundo. Se formos mesmo todos contra um, é melhor pararmos com o discurso leve, pacifista e
paciente. Henrique VIII perdeu no timing, não na técnica.
Investimentos são como a guerra. Mas neles, não há união de todos contra um. Que venha logo a
nova queda de Saigon. Onde quer que isto seja. Que a ameaça à liberdade de coexistência global seja
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destruída e a união supere a intensidade e a velocidade do terror.
Não há derivativo que compreenda o que vem por aí. Só torço para que tudo seja rápido... e que eu
veja a bonança logo... antes da próxima terça!
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