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universidade federal do rio de janeiro instituto de
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO
INSTITUTO DE PSICOLOGIA
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM PSICOLOGIA
TÉCNICAS COGNITIVAS E COMPORTAMENTAIS NA TERAPIA DE
CASAL: UMA INTERVENÇÃO BASEADA EM EVIDÊNCIAS
RAPHAEL FISCHER PEÇANHA
Tese de Doutorado apresentada ao Programa
de Pós-Graduação em Psicologia, Instituto de
Psicologia, Universidade Federal do Rio de
Janeiro, como parte dos requisitos necessários
à obtenção do título de Doutor em Psicologia.
Orientador: Bernard Pimentel Rangé
2009
2
RAPHAEL FISCHER PEÇANHA
TÉCNICAS COGNITIVAS E COMPORTAMENTAIS NA TERAPIA DE
CASAL: UMA INTERVENÇÃO BASEADA EM EVIDÊNCIAS
Tese de Doutorado apresentada ao Programa
de Pós-Graduação em Psicologia, Instituto de
Psicologia, Universidade Federal do Rio de
Janeiro, como parte dos requisitos necessários
à obtenção do título de Doutor em Psicologia.
Orientador: Bernard Pimentel Rangé
2009
3
P364t
Peçanha, Raphael Fischer
Técnicas cognitivas e comportamentais na terapia de casal:
Uma intervenção baseada em evidências / Raphael
Fischer Peçanha – Rio de Janeiro: UFRJ / IP, 2009.
332 p.
Tese (Doutorado em Psicologia) –
Universidade Federal do Rio de Janeiro,
Instituto de Psicologia, 2009.
Orientador: Bernard Pimentel Rangé
1. Terapia Cognitivo-Comportamental.
2. Intervenção Baseada em Evidências. 3. Casal – Tese.
I. Rangé, Bernard Pimentel (Orient.). II. Universidade Federal
do Rio de Janeiro. Programa de Pós-Graduação em Psicologia. III.
Título
CDD: 616.89142
4
FOLHA DE APROVAÇÃO
RAPHAEL FISCHER PEÇANHA
TÉCNICAS COGNITIVAS E COMPORTAMENTAIS NA TERAPIA DE
CASAL: UMA INTERVENÇÃO BASEADA EM EVIDÊNCIAS
Rio de Janeiro, 27 de Novembro de 2009.
________________________________________________________________________________
Bernard Pimentel Rangé
Professor Doutor da Universidade Federal do Rio de Janeiro
________________________________________________________________________________
Angela Donato Oliva
Professora Doutora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Professora Doutora da Universidade do Federal do Rio de Janeiro
_______________________________________________________________________________
Eliane Mary de Oliveira Falcone
Professora Doutora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro
________________________________________________________________________________
Patrícia Maria de Azevedo Pacheco
Professora Doutora da Universidade Estácio de Sá
________________________________________________________________________________
Rodolfo de Castro Ribas Junior
Professora Doutor da Universidade Federal do Rio de Janeiro
5
RESUMO
PEÇANHA, Raphael Fischer. Técnicas cognitivas e comportamentais na
terapia de casal: Uma intervenção baseada em evidências. Rio de Janeiro,
2009. Tese (Doutorado em Psicologia) – Instituto de Psicologia, Universidade
Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2009.
O número de casamentos tem aumentado cada vez mais, segundo dados
oficiais do registro civil brasileiro. Contudo, tem subido na mesma proporção o
número de separações e divórcios no Brasil. Estes são agentes estressores
capazes de levar os envolvidos a um estado de crise. Os problemas conjugais
também estão relacionados com transtornos individuais como, por exemplo, a
depressão e a ansiedade. Esta tese utilizou técnicas cognitivas e
comportamentais específicas no tratamento de casais em conflito. Objetivo foi
avaliar se essas técnicas promoveriam um aumento na satisfação e no
ajustamento conjugal. Estes são os dois critérios que definem se uma
intervenção baseada em evidências com casais é eficaz. O recrutamento dos
casais ocorreu através de dois principais meios de comunicação: e-mail e
cartazes. Dezessete casais ligaram interessados em participar da pesquisa.
Foram selecionados seis casais, segundo critérios de inclusão e exclusão.
Apenas três casais completaram o tratamento todo. Devido à amostra reduzida,
foi empregado o método single experimental case. Foram aplicadas as Escalas
de Satisfação Conjugal e Escala de Ajustamento Diádico, entre outras, antes e
após o tratamento. Foi empregado um protocolo com dezesseis sessões de
atendimento em cada casal. Todas às sessões foram conjuntas e tinham
duração de uma hora e meia. Os resultados de cada casal foram analisados
separadamente. Todos os membros dos três casais apresentaram melhorias
nos níveis de satisfação e ajustamento conjugal após o tratamento. Os
resultados obtidos com as outras variáveis (e.x., ansiedade) apontaram para a
possibilidade de esses fatores estarem relacionados às questões individuais
mais do que conjugais em alguns dos pacientes. Essa hipótese parece ser
razoável, tendo por base a observação clínica do terapeuta durante as sessões
de tratamento e da análise de caso de cada um dos participantes dessa
pesquisa. Dessa forma, os resultados apontam que as técnicas empregadas
nesta pesquisa demonstraram uma possível eficácia no tratamento de casais
em conflito. Levando-se em consideração que este presente trabalho é,
provavelmente, a primeira investigação focalizando o efeito de técnicas
cognitivas e comportamentais com casais no Brasil e o pequeno tamanho da
amostra, os resultados apresentados devem ser interpretados com cautela.
Embora os resultados sejam promissores, são necessárias outras pesquisas
nessa área em nosso país.
Apoio: Capes
Palavras-Chave: Terapia Cognitivo-comportamental; Intervenção baseada em
evidências; Casais brasileiros
6
ABSTRACT
PEÇANHA, Raphael Fischer. Cognitive and behavioral techniques in couple
therapy: An empirically supported intervention. Rio de Janeiro, 2009. Thesis
(Doutorado em Psicologia) – Instituto de Psicologia, Universidade Federal do
Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2009.
According to official data from the Brazilian Institute for Geography and
Statistics (IBGE), the number of marriages has increased significantly in Brazil.
However, also according IBGE, marriages that end in separation and divorce
have increased at the same rate. This scenario is especially challenging, taking
into account that investigations have consistently pointed that separation and
divorce are predictors of psychological disorders, and that marital problems
have also been associated with disorders, such as depression and anxiety. In
the present thesis, the use of specific cognitive and behavioral techniques to
treat couples in conflict is presented. The main purpose was to evaluate if these
techniques could promote gains in satisfaction and adjustment to the couples.
Satisfaction and adjustment are two criteria frequently employed to evaluate if
an intervention based on evidence focusing couples is effective. Couples
recruiting were accomplished using two major means of communication: Emails and posts on bulletin boards. Seventeen couples called, interested in
taking part in the research. Six couples were selected, according to inclusion
and exclusion criteria. Only three couples completed the entire treatment. Due
to the small sample, single experimental case method was used. The Marital
Satisfaction Scale and the Dyadic Adjustment Scale were applied, among
others, before and after the treatment. A protocol of sixteen sessions was
employed in each couple. All sessions were conjoint, and they lasted one hour
and thirty minutes each. The results of each couple were analyzed separately.
All three couples presented improvements on the level of satisfaction and
adjustment after the treatment. The results indicate that the techniques
employed in this research are possibly efficacious in the treatment of distressed
couples. Taking into account that the present work is probably the first
investigation focusing the effects of cognitive and behavioral techniques with
couples in Brazil and that the sample was small, findings presented should be
interpreted with caution. Although theses initial findings are promising more
research concerning this topic is needed in Brazil.
Support: Capes
Key-Words: Cognitive-behavioral therapy; Empirically supported therapy;
Brazilian couples
7
AGRADECIMENTOS
Essa é com certeza a parte mais importante de qualquer obra.
Agradecer aos responsáveis por possibilitar a sua criação.
Agradeço aos meus pais, Julio e Elisete, pela dedicação de grande parte
de suas vidas para minha formação enquanto ser humano e por serem um
exemplo de relacionamento conjugal.
Agradeço aos meus irmãos, Leonardo e Amanda, pela possibilidade de
aprender a compartilhar o amor fraterno.
Agradeço aos meus avôs Antonieta, Eval (in memorem), Francisca (in
memorem) e Álvaro (in memorem), pelo carinho e apoio que recebi ao longo da
minha vida.
Agradeço a minha cunhada, Aline, pelo respeito e carinho.
Agradeço as minhas afilhadas, Giovanna e Bianca, pela alegria de vêlas sorrindo.
Agradeço aos meus tios e aos meus primos pelo respeito e
companheirismo.
Agradeço a todos os meus amigos pelos conselhos e carinho que
ajudaram a me tornar uma pessoa melhor.
Agradeço aos mestres da UFRJ pelo aprendizado ao longo do meu
doutorado.
Agradeço ao meu orientador, Bernard, por suas dedicadas orientações,
ensinamentos, disponibilidade e por ser um modelo de professor.
8
Agradeço ao Centro de Estudos Alberto Tavares, pelo espaço
cedido para realizar essa pesquisa.
Agradeço a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível
Superior (Capes) pelo apoio e incentivo a essa pesquisa.
Agradeço a todas as pessoas que de alguma maneira colaboram para a
realização dessa tese.
Agradeço a Deus por minha vida.
9
SUMÁRIO
1. Apresentação ..................................................................................... 12
2. Terapia cognitiva com casais: uma revisão ....................................... 19
2.1 Breve histórico .............................................................................. 20
2.2 O papel das cognições disfuncionais ........................................... 22
2.2.1 Percepção, Atribuição, Expectativa, Suposição e Padrão ..... 29
2.3 A influência da má comunicação .................................................. 31
2.4 As conseqüências da resolução de problema inadequada .......... 33
2.5 O papel das interações negativas no relacionamento .................. 34
2.6 Dificuldade de perceber e expressar emoções............................. 35
2.7 Outros problemas específicos enfrentados pelos casais .............. 37
2.8 Técnicas e procedimentos utilizados no tratamento de casais ..... 39
2.8.1 As primeiras sessões com o casal ......................................... 40
2.8.2 Avaliação ............................................................................... 42
2.8.3 Modificação de padrões de comportamento .......................... 47
2.8.4 Intervir nas reações emocionais ............................................ 48
2.8.5 Etapas da reestruturação cognitiva ........................................ 50
2.8.6 O treinamento em comunicação ............................................ 55
2.8.7 Treino em resolução de problemas........................................ 57
2.8.8 Término e prevenção de recaídas ......................................... 58
3. Terapias psicológicas baseadas em evidências com casais ............. 61
3.1 Breve Histórico ............................................................................. 62
3.2 Eficácia ......................................................................................... 63
3.2.1 Desenho geral da pesquisa de eficácia ................................. 65
3.2.2 Descrição e seleção dos participantes ................................... 65
3.2.3 Critérios de inclusão e exclusão ............................................ 66
3.2.4 Grupos de controle e de comparação .................................... 67
3.2.5 Tamanho da Amostra ............................................................ 68
3.2.6 Medidas de Avaliação ............................................................ 69
3.2.7 Características gerais de um manual ou protocolo de
tratamento ................................................................................................. 69
3.2.8 Terapeutas ............................................................................. 70
3.2.9 Análise estatística .................................................................. 71
3.2.10 Significância Clínica ............................................................. 72
3.2.11 Seguimentos ........................................................................ 73
3.2.12 Experimentos de Caso Único............................................... 73
3.2.13 Intervenções baseadas em evidencias na terapia cognitivocomportamental com casais: estudos de eficácia. .................................... 75
3.2.14 Limitações dos estudos de eficácia ..................................... 78
3.3 Efetividade .................................................................................... 78
3.4 Custo / Efetividade ....................................................................... 80
4. Objetivos ............................................................................................ 82
4.1 Objetivo geral ............................................................................... 82
4.2 Objetivos específicos .................................................................... 82
5. Método ............................................................................................... 84
5.1 Critérios de inclusão e exclusão ................................................... 84
5.2 Obtenção da amostra ................................................................... 85
5.3 Participantes ................................................................................. 88
5.4 Terapeuta ..................................................................................... 89
10
5.5 Auxiliar de pesquisa ..................................................................... 89
5.6 Comitê de ética em pesquisa ....................................................... 89
5.7 Instrumentos ................................................................................. 90
5.7.1 Inventário de Crenças sobre Relacionamento ....................... 90
5.7.2 Medida da Atribuição nos Relacionamentos (RAM)............... 92
5.7.3 Escala de Ajustamento Diádico ............................................. 93
5.7.4 Escala de Satisfação Conjugal .............................................. 94
5.7.5 Questionário de Empatia Conjugal ........................................ 95
5.7.6 Inventário Beck de Depressão ............................................... 97
5.7.7 Inventário Beck de Ansiedade ............................................... 97
5.7.8 Mini International Neuropsychiatric Interview (MINI) .............. 98
5.7.9 Questionário sócio-demográfico ............................................ 99
5.8 Protocolo ...................................................................................... 99
5.8.1 Duração ................................................................................. 99
5.8.2 Avaliação ............................................................................. 100
5.8.3 Tratamento: visão geral ....................................................... 100
5.8.4 Manual de tratamento .......................................................... 102
5.9 Análise dos dados ...................................................................... 116
6. Resultados ....................................................................................... 118
6.1 Casal 01 – Isabel e Carlos.......................................................... 120
6.1.1 Conceitualização cognitiva................................................... 120
6.1.1.1 Isabel ................................................................................ 120
6.1.1.2 Carlos................................................................................ 136
6.1.2 Escores obtidos com cada membro do casal 01.................. 151
6.2 Casal 02 – Fernanda e André..................................................... 165
6.2.1 Conceitualização cognitiva................................................... 165
6.2.1.1 Fernanda........................................................................... 165
6.2.1.2 André ................................................................................ 182
6.2.2 Escores obtidos com cada membro do casal 02.................. 200
6.3 Casal 03 – Angela e Felício ........................................................ 214
6.3.1 Conceitualização cognitiva................................................... 214
6.3.1.1 Angela ............................................................................... 214
6.3.1.2 Felício ............................................................................... 231
6.3.2 Escores obtidos com cada membro do casal 03.................. 248
6.4 Resultados gerais ....................................................................... 262
6.4.1 Resultados obtidos com a Escala de Satisfação Conjugal .. 262
6.4.2 Resultados obtidos com a Escala de Ajustamento Diádico . 263
6.4.3 Resultados obtidos com o Questionário de Empatia Conjugal
................................................................................................................ 264
6.4.4 Resultados obtidos com o Inventário de Crenças sobre
Relacionamento ...................................................................................... 265
6.4.5 Resultados obtidos com a Medida da Atribuição nos
Relacionamento ...................................................................................... 266
6.4.6 Resultados obtidos com o Inventário Beck de Depressão ... 267
6.4.7 Resultados obtidos com o Inventário Beck de Ansiedade ... 268
7. Discussão ........................................................................................ 271
8. Considerações Finais ....................................................................... 281
9. Referências ...................................................................................... 286
Anexos ................................................................................................. 299
Protocolo Nº 035/07 ......................................................................... 299
11
Termo de Consentimento Livre e Esclarecido .................................. 300
Inventário De Crença Sobre Relacionamento .................................. 302
Medida Da Atribuição Nos Relacionamentos ................................... 306
Escala de Ajustamento Diádico (DAS) ............................................. 309
Escala de Satisfação Conjugal (ESC) .............................................. 313
Inventário de Habilidades Sociais Conjugais .................................... 314
Inventário Beck de Depressão (BDI) ................................................ 316
Inventário Beck de Ansiedade (BAI) ................................................. 319
Questionário sócio-demográfico ....................................................... 320
Histórico Conjugal ............................................................................ 321
Folheto Instrutivo sobre a Terapia Cognitiva com Casais ................ 323
Lista de Atribuições Disfuncionais .................................................... 324
Lista de Expectativas Irrealistas ....................................................... 325
Lista de Sentimentos ........................................................................ 326
Registro Diário de Pensamentos Disfuncionais (RDPD) .................. 328
Distorções Cognitivas Comuns......................................................... 329
Questionando os Pensamentos Automáticos ................................... 331
Lista de Padrões Disfuncionais ........................................................ 332
Lista de Suposições Inadequadas .................................................... 333
Princípios Para Quem Fala e Para Que Houve ................................ 334
Regras De Etiqueta Para O Diálogo ................................................. 336
Regras Para Resolução de Problemas ............................................ 338
12
1. APRESENTAÇÃO
O número de casamentos tem aumentado cada vez mais, segundo dado
oficial do registro civil brasileiro. Contudo, tem aumentado cada vez mais o
número de separações e divórcios no Brasil (IBGE, 2009). Faz algumas
décadas que esse número também é elevado na América do Norte (Wallerstein
e Kelly, 1998). Epstein e Schlesinger (1995) apontam a separação e o divórcio
como agentes estressores catastróficos capazes de levar os envolvidos nessas
duas situações a um estado de crise.
A quantidade de casais que procura tratamento psicológico é
significativa nos locais destinados à saúde mental, segundo pesquisas
realizadas nos Estados Unidos (Áries e House, 1998; Bradbury e Fincham,
1990). Infelizmente, não foi encontrado nenhum registro oficial sobre a
porcentagem de casais que procuram atendimento nas instituições públicas ou
privadas no Brasil.
Diferentes autores afirmam que os problemas conjugais também estão
relacionados com os transtornos individuais como, por exemplo, a depressão e
a ansiedade (Epstein, 1985; Beck, 1995; Bonet e Castilla, 1998; Kung, 2000;
Mead, 2002). Todo esse quadro alerta para a necessidade de maiores
investigações sobre os fatores que estão envolvidos no grau de sofrimento dos
parceiros durante a relação conjugal.
É relevante destacar que foram encontradas, até o momento presente,
poucas investigações científicas no Brasil sobre os efeitos benéficos da
utilização de técnicas cognitivas e comportamentais no tratamento de casais
brasileiros (Peçanha e Rangé, 2008a). Devido a esse fato, é importante que
outras pesquisas sejam feitas com esse objetivo, tendo em vista os resultados
13
empíricos favoráveis a essas técnicas de intervenção terapêutica no
tratamento de diferentes problemas psicológicos em nosso país (Falcone e
Figueira, 2001; Rangé e Bernik, 2001; Caminha, 2004).
É relevante haver uma definição sobre o que se entende como um
relacionamento amoroso ajustado para essa pesquisa de doutorado. Dela
Coleta (1989) aponta que existem muitas definições sobre ajustamento
conjugal e que esse conceito ainda prescinde de uma especificação melhor.
Essa
autora
prefere
entender
esse
conceito
como
multidimensional,
acompanhado as pesquisas científicas por ela analisadas. Spainer e Cole
(apud Dela Coleta, 1989) definem o ajustamento conjugal como “um processo,
cujo resultado é determinado pelo grau de incômodas diferenças conjugais,
tensão entre o casal, ansiedade pessoal, satisfação conjugal, coesão diádica e
consenso nas questões pertinentes para o funcionamento do casamento” (p.
92).
Outro importante conceito que precisa ser definido é o de satisfação no
relacionamento conjugal. Essa também é uma idéia considerada como
multidimensional, mas que ainda precisa de uma definição mais exata (Dela
Coleta, 1989). Gray-Little e Burks (apud Dela Coleta, 1989) afirmam que
satisfação conjugal “refere-se à satisfação subjetiva dos esposos com o
casamento como um todo, tão bem quanto sua satisfação com os aspectos
específicos do relacionamento conjugal” (p. 92).
Beck (1995) descreve o que para ele seria um modelo de relação
conjugal. O casamento idealizado teria como meta três diretrizes. A primeira
seria a busca constante por princípios como confiança, respeito, entre outros. A
segunda seria a procura por uma relação pautada na sensibilidade,
compreensão e colaboração entre os parceiros. Por fim, os cônjuges formariam
14
uma parceria para lidarem com os diferentes problemas que surgem
no cotidiano do relacionamento.
Por outro lado, segundo Beck (1995), os casais em desarmonia seriam
aqueles que são afetados pela manutenção de suas crenças disfuncionais –
geram interpretações errôneas e distorções cognitivas a respeito das situações
conjugais. Dando respaldo as idéias de Beck, pesquisas apontam que os
componentes cognitivos estão diretamente relacionados com o nível de
satisfação conjugal, com as expectativas positivas em relação ao tratamento e
com a colaboração dos parceiros na mudança mútua (Eidelson e Epstein,
1982; Fincham, Bradbury e Beach, 1990; Epstein, Baucom e Rankin, 1993).
A pessoa quando entra em uma relação tem algumas crenças
elaboradas previamente sobre como deveria ser os relacionamentos em geral e
o seu próprio. Conforme a pessoa vai interagindo com seu parceiro essas
convicções podem ser mantidas, alteradas ou rejeitadas (Dattilio, Epstein e
Baucom, 1998). A falta de flexibilidade das crenças dos companheiros é
apontada como uma das fontes de maior conflito nas relações amorosas
(Beck,1995).
As crenças centrais são idéias ou pensamentos absolutistas, rígidos e
supergeneralizados. O ser humano desenvolve essas convicções sobre si
mesmo, as pessoas e o mundo para auxiliá-lo no processo de adaptação ao
seu meio ambiente. Os esquemas pessoais daí formados não são adequados
ou inadequados, pois isso depende da sua relação com o contexto social e
físico em que a pessoa está inserida. Os pais, os meios de comunicação, a
cultura, a sociedade e as instituições em geral, têm grande influência na
formação desses processos cognitivos (Beck e Alford, 2000).
15
Baucom, Epstein, Sayers e Sher (1989) apontaram que na
relação conjugal existem expectativas, suposições, regras, atitudes e
atribuições em relação aos comportamentos dos parceiros entre si. Baseados
nelas, cada cônjuge tende a interpretar e a reagir de forma idiossincrática a
questões como respeito, fidelidade, sexo, educação dos filhos, finanças, entre
outras (Dattilio e Padesky, 1995). As expectativas, por exemplo, vão influenciar
o nível de satisfação do relacionamento (Moraes e Rodrigues, 2001).
Os parceiros também apresentam problemas no momento em que estão
se comunicando. Existem obstáculos tanto para expressar quanto para
receptar idéias e sentimentos de cada companheiro entre si (Epstein, Pretzer e
Fleming, 1987). Os casais ainda demonstram dificuldades quando têm que
resolver algum problema em conjunto (Schmaling, Fruzzetti e Jacobson, 1997).
Como o modo de pensar das pessoas está diretamente relacionado com
os seus comportamentos e emoções (Greenberger e Padesky, 1999), essa
pesquisa teve por objetivo avaliar se técnicas cognitivas e comportamentais
específicas seriam capazes de alterar os principais pensamentos disfuncionais
presentes na vida cotidiana de casais brasileiros. Além disso, averiguei se
essas mesmas técnicas poderiam alterar a maneira destrutiva dos parceiros se
comunicarem e resolveram seus problemas.
Parte dessa tese de doutorado deriva de prévias análises da literatura
científica sobre a terapia cognitivo-comportamental com casais (Peçanha,
2005; Peçanha e Rangé, 2008a). Inicialmente, é apresentado um capítulo de
revisão, sobre a terapia cognitiva com casais, que pode ser dividido em duas
partes. Na primeira são descritos os principais fatores que contribuem para os
conflitos conjugais. Na segunda são apresentados os principais procedimentos
utilizados no tratamento dos casais em desalinho.
16
A primeira parte começa com um breve histórico do trabalho
com cônjuges em conflito. Logo após, é descrito o papel desempenhado pelas
cognições disfuncionais no relacionamento amoroso. É apontada ainda a
influência da comunicação ineficaz no convívio conjugal. Também são
apresentadas as conseqüências da resolução de problema inadequada. Além
disso, é demonstrado o papel das interações negativas entre os parceiros para
sua relação e sua dificuldade de expressão das emoções. Por fim, são
apontados outros problemas específicos enfrentados pelos casais.
Na segunda parte desse capítulo de revisão, é apontada a importância
das primeiras sessões para o tratamento dos problemas conjugais. A seguir, é
descrito todo o processo de avaliação que é realizado com os casais. São
apresentadas também as técnicas para a modificação de padrões de
comportamentos destrutivos dos parceiros. São apontadas ainda as diferentes
maneiras de intervir nas reações emocionais excessivas ou deficitárias. Além
disso, são descritas as diversas etapas do processo de reestruturação das
cognições disfuncionais dos cônjuges. É apresentado também o treinamento
em comunicação realizado com os casais e o treino em resolução de
problemas. Por fim, é mencionado o trabalho de prevenção de recaída e de
término do tratamento.
No capítulo seguinte são apresentados os princípios básicos que
norteiam as terapias psicológicas baseadas em evidências com casais. São
descritos os modos de recrutamento, as características dos protocolos de
pesquisa, o papel que deve ser desempenhado pelo terapeuta, entre outros.
No capítulo sobre o método utilizado nessa tese, é descrita a construção
de cada uma das etapas dessa pesquisa baseada em evidências. É relatado o
modo como foram recrutados os participantes, os critérios de inclusão e
17
exclusão da pesquisa, as características do terapeuta, cada um dos
instrumentos psicológicos que foram empregados, o protocolo de tratamento e
como foram feitas as análises dos dados obtidos.
Além disso, o protocolo de tratamento é apresentado na integra no
capítulo do método.
São descritas em detalhe as etapas do protocolo
empregadas nessa investigação. São 16 sessões no total que utilizaram
técnicas cognitivas e comportamentais para o tratamento de casais em conflito.
A seguir, um capítulo apresentada os resultados da aplicação desse
protocolo de pesquisa. São descritas as conceituações cognitivas de cada um
dos membros dos casais que participaram das pesquisas. Além disso, são
apontados os dados estatísticos obtidos com as medidas psicológicas
aplicadas antes e após o tratamento. Todos esses resultados são discutidos
por casal e seus respectivos membros.
Por fim, são feitas algumas considerações finais sobre todo o processo
de desenvolvimento e aplicação desse protocolo de pesquisa em casais
brasileiros que estavam em conflito. Espera-se que essa tenha sido apenas a
primeira de muitas outras investigações que podem ser realizadas sobre a vida
conjugal pelos terapeutas cognitivo-comportamentais.
18
TERAPIA COGNITIVA COM CASAIS: UMA REVISÃO
19
2. TERAPIA COGNITIVA COM CASAIS: UMA REVISÃO
Esse capítulo apresenta as principais temáticas e técnicas mencionadas
na literatura científica para o tratamento de casais pela terapia cognitiva. No
que se refere aos temas, inicialmente, é relatado um breve histórico da
intervenção cognitivo-comportamental com parceiros em conflito. Em seguida é
descrito o papel desempenhado pelas cognições disfuncionais nas relações
amorosas. Também é apontada a influência da má comunicação nos
problemas
dos
relacionamentos
afetivos.
São
descritas
ainda
as
conseqüências da resolução inadequada de problemas para o convivo
conjugal. Logo após, é mencionado o papel das interações negativas no
relacionamento marital. Depois é relatada a dificuldade de expressar emoções
por parte dos companheiros. Além disso, são apresentados outros problemas
específicos enfrentados pelos casais.
A parte que se refere às técnicas utilizadas pela terapia cognitiva no
tratamento de casais está de acordo com a estrutura de intervenção descrita no
protocolo dessa pesquisa a ser realizada. A princípio é apontada a importância
das sessões iniciais para o tratamento do casal. Logo após, são descritos os
estágios e os procedimentos envolvidos na avaliação realizada com os
cônjuges. Em seguida é apresentada a modificação de padrões de
comportamento disfuncionais. Também é relatada a intervenção nas reações
emocionais excessivas ou deficitárias. Além disso, são apresentadas as etapas
relacionadas à reestruturação cognitiva. É destacado ainda o treinamento em
comunicação com os parceiros em conflito. O treino em resolução de
problemas também é apresentado. Por fim, é descrita a técnica de prevenção
de recaídas.
20
2.1 Breve histórico
A terapia cognitiva com casais está se desenvolvendo de uma forma
gradual, onde saiu de um estágio infantil para a sua juventude nos Estados
Unidos (Dattilio, 2004). No Brasil, por outro lado, essa modalidade de
intervenção terapêutica nas relações amorosas conturbadas está ainda em
uma fase “embrionária”. Um dado importante é que somente na década de
1990, ocorreram as primeiras publicações nessa área aqui no Brasil (Beck,
1995; Dattilio e Padesky, 1995).
O tratamento de cônjuges em conflito pela abordagem cognitiva teve seu
início a partir das intervenções comportamentalistas, onde eram enfatizados o
contrato marital e o intercâmbio social simples (Dattilio e Padesky, 1995).
A partir da década de 1970, a Teoria da Aprendizagem Social foi
aplicada à terapia marital, onde foram enfatizados os processos cognitivoperceptivos (atribuições) dos cônjuges a respeito do comportamento do
companheiro e de si mesmo (Jacobson e Holtzworth-Munroe, 1986; Schmaling,
Fruzzetti e Jacobson, 1997). Os psicoterapeutas da teoria do intercambio social
e da aprendizagem operacional, com o intuito de melhorar o nível de satisfação
na interação conjugal, utilizaram em suas intervenções técnicas tanto
cognitivas quanto comportamentais (Dattilio, 2004).
O enfoque da terapia conjugal, predominantemente cognitiva, ocorre
com a Terapia Racional-Emotiva-Comportamental (TREC), de Albert Ellis. A
cognição foi apontada como um importante fator no relacionamento marital. Os
conflitos dentro do casamento seriam influenciados pelas crenças irrealistas
dos parceiros sobre uma relação, além das causas das insatisfações estarem
21
ligadas a avaliações negativas extremas. A TREC trabalha nos
relacionamentos
íntimos
focalizando
as
crenças
ou
os
pensamentos
inadequados– irracionais, inflexíveis e absolutistas – para alterá-los e em
conseqüência as emoções e os comportamentos (Ellis, 2003).
A Terapia Cognitivo-Comportamental com casais vem se desenvolvendo
a partir da década de 1980 (Dattilio, Epstein e Baucom, 1998). A teoria e
algumas técnicas, antes utilizadas pela terapia cognitiva no tratamento da
depressão e outros transtornos psicológicos, foram adaptadas para o trabalho
clínico com cônjuges em conflito (Beck, 1995). Contudo, nesse período as
cognições se tornaram o foco central das investigações, onde foi pesquisado
de uma forma sistematizada e diretiva o papel das cognições na qualidade das
interações maritais (Fincham, Bradbury e Beach 1990).
É pertinente ainda destacar duas importantes correntes teóricas que
colaboraram nesse contexto histórico para a construção do modelo de
tratamento de casais pela terapia cognitiva, sendo elas as teorias de Alfred
Adler e a Sistêmica. Adler (apud Dattilio, 2004) vê o casamento como o local
onde os cônjuges precisam cooperar, tratarem-se como iguais e dividirem
responsabilidades. A comunicação e a resolução de problemas de forma
colaborativa devem também ser almejadas. Os mitos sobre relacionamentos
fazem parte do repertório de crenças dos parceiros no início da relação. São
essas crenças que mais tarde vão influenciar no êxito ou não da relação
amorosa.
Segundo os pressupostos teóricos da perspectiva sistêmica, a relação
conjugal precisa ser vista como possuidora de múltiplas camadas que a cercam
e se interpenetram. Entre elas, está o que cada sujeito tem de característico
em sua personalidade, as motivações dos parceiros, a presença de uma
22
possível psicopatologia e a existência de algumas questões mal
resolvidas da família de origem. Além desses fatores, é necessário um olhar
mais amplo sobre o contexto ambiental, interpessoal familiar e padrões de
interação dos cônjuges (Dattilio, 2004; Epstein e Baucom, 2002).
2.2 O papel das cognições disfuncionais
Diferentes
influência
das
investigações
cognições
foram
desenvolvidas
disfuncionais
dos
para
cônjuges
pesquisar
sobre
o
a
seu
relacionamento (Baucom, Epstein, Sayers e Sher, 1989; Eidelson e Epstein,
1982). Os estudos apontaram que os pensamentos inadequados, as crenças
sobre os relacionamentos, as expectativas, as atribuições, entre outros
processos mentais desempenhavam um papel significativo na qualidade das
interações entre os parceiros numa relação afetiva (Epstein e Baucom, 1998;
Fincham e Bradbury, 1987).
Aaron T. Beck (1995) fez uma importante contribuição sobre o papel
desempenhado pelas cognições inapropriadas para funcionamento do ser
humano em geral e dos relacionamentos amorosos especificamente. Beck
(1997) apresentou três diferentes níveis de pensamento, sendo eles os
pensamentos automáticos, as crenças intermediárias e centrais.
Os pensamentos automáticos são essas idéias ou imagens “préconscientes” que passam na mente de todas as pessoas sem serem notados
(Beck, 1997). Em uma situação específica um cônjuge muitas vezes não
consegue perceber que existe um fluxo de pensamento rápido, mediando suas
emoções e comportamentos. Esse nível de raciocínio não costuma ser avaliado
e acaba sendo aceito como plausível por um ou ambos os membros do casal.
23
Como é influenciado pelos esquemas individuais, o pensamento
automático do companheiro descontente acaba se tornando inadequado em
determinado momento (Dattilio, Epstein e Baucom, 1998).
Como mencionado anteriormente, os pensamentos automáticos estão
presentes dentro do fluxo de consciência das pessoas, sendo traduzidos em
idéias, crenças ou imagens. Por exemplo, o marido pode pensar ao ver que
sua companheira não está em casa, “minha mulher já deveria ter chegado do
trabalho, está atrasada”. Além disso, o parceiro imagina a esposa tendo
relações com outro homem. O problema com essas cognições é a falta de
verificação de sua validade. O companheiro quando pensa dessa forma acaba
não levando em consideração outras explicações possíveis como, por exemplo,
de que possa ter ocorrido um imprevisto com o carro (Dattilio, 2004).
As crenças intermediárias e centrais de um parceiro sobre seu
relacionamento são desenvolvidas desde a infância pela influência dos pais, da
cultura, dos primeiros encontros amorosos, entre outros (Dattilio e cols, 1998).
Os indivíduos podem rejeitar esses modelos como uma forma de se comportar
enquanto marido ou mulher (Beck, 1995). Contudo, a forma como cada
parceiro acredita que a relação “deveria” ser, geralmente, está associada a
uma crença disfuncional que não costuma estar tão bem articulada na mente
de cada companheiro (Dattilio e cols,1998).
Os esquemas são modos mais amplos de ver o mundo que nos cerca.
São estruturas complexas que englobam crenças básicas a respeito das
pessoas e dos relacionamentos em geral. Uma pessoa nem sempre tem
articulada em sua mente quais esquemas traz ou produz em sua relação. No
máximo tem idéias vagas sobre o modo com é ou deveria ser o casamento.
Diante de novas situações, um sujeito tende a processar as informações atuais
24
como os mesmos esquemas que desenvolveu ao longo de sua vida, o
que muitas vezes gera conflitos (Dattilio, 2004).
Alguns pesquisadores que atuam na terapia cognitiva com casais
afirmam que as crenças básicas sobre a díade e os relacionamentos em geral
estão ligadas a diferentes níveis de discórdia, insatisfação e desajustamento
que ocorreram no passado, que estão acontecendo no presente e que podem
vir a ocorrer no futuro dentro da relação amorosa (Dattilio e Padesky, 1995;
Epstein, 1998).
Alguns autores que atuam em outras correntes teóricas também
destacaram a importância das crenças dos parceiros sobre a sua relação e
sobre os relacionamentos em geral para qualidade do convívio conjugal (Kinder
e Cowan, 1990; Lazarus, 1992; Paul e Paul, 1999). Esses mesmos
pesquisadores preferem chamar essas crenças específicas de mitos conjugais.
Lazarus (1992) apontou vinte e quanto mitos que são capazes de conturbar um
relacionamento ou mesmo piorar a interação entre os companheiros que já tem
um histórico de conflitos maritais. Um exemplo desses mitos seria “marido e
mulher devem fazer tudo juntos” ou o mito da “União total” (p. 37). Kinder e
Cowan (1990), por sua vez, destacaram que existem tanto os mitos masculinos
sobre as mulheres quanto os mitos femininos sobre os homens que afetam as
relações entre os parceiros.
As distorções cognitivas exercem uma grande influência negativa nos
relacionamentos amorosos (Rangé e Dattilio, 2001). As distorções cognitivas
advêm de falhas no processamento de informações, erros de interpretação e
raciocínios ilógicos no pensamento de um indivíduo (Beck e Alford, 2000). Beck
(1995), ao direcionar seus estudos para o tratamento de casais em conflito,
percebeu que eram cometidas as mesmas anomalias na tramitação do pensar
25
que ocorriam com pacientes deprimidos e ansiosos. Entre as
distorções de raciocínio, baseadas no modelo descrito por Beck, Rush, Shaw e
Emery
(1997),
estão
à
abstração
seletiva,
a
hipergeneralização,
a
personalização, inferência arbitrária, leitura de pensamento, rotulação negativa,
pensamento dicotômico, maximização e minimização, entre outras (Beck, 1995;
Dattilio e Padesky, 1995; Rangé e Dattilio, 2001, Dattilio, 2004).
Na abstração seletiva ocorre um processo de seleção das informações
ambientais, confirmando o pensamento distorcido e ignorando fatos contrários
evidentes. O cônjuge retira de um determinado contexto uma informação que
tem certos aspectos realçados em detrimentos de todos os outros. Este tipo de
distorção sofre ainda influências do pensamento dicotômico e a atenção dos
parceiros é altamente seletiva. Por exemplo, seria o caso do companheiro que
deixa de recolher um dos brinquedos dos filhos na sala e a parceira pensa “ele
me trata como se eu fosse sua escrava”. A mulher nessa situação deixou de
notar que ele tinha retirado outros brinquedos e ainda arrumado a sala. Essa
distorção pode ainda levar um companheiro a ver os componentes do
comportamento do outro apenas quando relacionados à maneira global de
enxergá-lo. No caso acima a esposa vai estar atenta somente as possíveis
“falhas” do marido que possam estar ligadas à sua idéia exploração (Dattilio e
Padesky, 1995).
Na hipergeneralização, a partir de fatos isolados, o indivíduo cria regras
gerais para outras situações diferentes. A pessoa a partir de uma situação
isolada acaba interpretando os incidentes ocorridos em outro contexto da
mesma forma, estando ou não ligados. Em muitos casos, acaba contribuindo
para a abstração seletiva. Como exemplo, temos o caso da esposa que
criticada pelo companheiro por não comprar um aparelho doméstico pensa “Ele
26
sempre me critica”. Em outro exemplo, o parceiro está mostrando a
companheira um projeto que vai apresentar no trabalho no dia seguinte. Ela faz
uma avaliação crítica. Então o marido pensa “ela nunca me apóia”. Contudo,
ele negligenciou que sua mulher opinou em termos tanto positivos quanto
negativos. Palavras como sempre, nunca, nada, tudo, nenhum, todos etc estão
presentes sempre nesse tipo de distorção (Rangé e Dattilio, 2001).
Na inferência arbitrária o indivíduo tem uma maneira tendenciosa de tirar
conclusões em situações específicas sem provas concretas. Por exemplo, o
parceiro está em casa esperando a esposa para jantarem juntos no dia do
aniversário de casamento deles, mas ela está atrasa uma hora. Então ele
conclui com o seguinte pensamento, “ela deve ter morrido em um acidente com
seu carro”. O marido não cogita a possibilidade, por exemplo, de a esposa
estar atrasada porque o patrão não liberou os funcionários no horário de
sempre. Esse tipo de distorção mantém ainda relações estreitas com as
atribuições e expectativas de cada parceiro. De um modo geral, nas relações
conflitantes os parceiros tendem a atribuir negativamente determinadas ações
positivas. Por exemplo, a mulher recebe um presente do cônjuge fora de uma
data festiva e conclui “ele está me agradando, porque está me traindo”. A
companheira não pergunta o motivo para tal gesto carinhoso e deixa de saber
que ele está querendo sair da rotina do relacionamento (Baucom e Epstein,
1990).
Na personalização, acontecimentos interpessoais são interpretados de
uma forma egocêntrica. É mais uma forma de inferência arbitrária, mas que se
distingue dessa por suas características particulares. Na personalização as
pessoas tendem a retirar conclusões sobre si mesmas a partir de eventos
externos, sem evidências que as comprovem. Por exemplo, o marido que
27
prepara o café da manhã para a companheira, mas ela não está
comendo quase nada, pensa “ela detesta as coisas que preparo no café”. O
parceiro não avaliou a possibilidade da mulher está tendo naquela hora cólicas
menstruais intensas e por isso tenha perdido o apetite. Em outro exemplo,
quando a parceira vê o seu cônjuge trocando a frauda do bebê, chega à
seguinte conclusão “a sua insatisfação com o meu modo de tratar as crianças é
tão grande que resolveu fazer por si mesmo” (Dattilio, 2004).
Na rotulação negativa a pessoa constrói um traço estável sobre si
mesma ou sobre o parceiro a partir de situações que aconteceram há algum
tempo atrás. O modo como os parceiros rotulam um ao outro muitas vezes está
baseado em atribuições negativas que fazem sobre as causas dos
comportamentos de cada um. Não tomam em consideração as evidências em
contrário que poderiam levar as concepções menos destruidoras. Por exemplo,
a parceira está conversando com o companheiro sobre os gastos financeiros.
No meio do diálogo o marido discorda que a esposa compre um novo sofá para
a sala, e então ela pensa “ele é um avarento”. Contudo, a mulher esqueceu
que naquele mês o casal ia pagar a última prestação do empréstimo do carro e
por isso não poderiam ter contas extras (Beck, 1995).
A leitura de pensamento pode ser considerada a distorção cognitiva por
excelência dentro das relações amorosas desajustadas. É também um tipo de
inferência arbitrária. Na maioria das uniões desarranjadas os parceiros
acreditam ter o dom “mágico” de adivinhar o que o outro está pensando e
sentindo o tempo todo, mesmo que o outro não expresse direta e claramente o
que sente e pensa. Por exemplo, um homem que vê sua esposa ligando para a
mãe, pensa “ela não quer falar comigo e prefere conversar com outra pessoa,
porque não gosta mais de mim”. O que ele não procurou saber foi que a mulher
28
estava falando naquele momento com um parente porque não queria
atrapalhá-lo em ver seu programa de televisão favorito. Nas relações de longos
anos as pessoas conhecem a maneira de pensar do outro companheiro sobre
determinado assunto, mas mesmo nesses casos muitos erros de avaliação
acontecem (Rangé e Dattilio, 2001).
O pensamento dicotômico é uma forma de pensar caracterizada por ser
extremada. Pode ainda ser descrito na literatura especializada como
pensamento polarizado, assim como, pensamento tudo ou nada. As categorias
criadas pelo parceiro são mutuamente excludentes. Não existe um meio termo.
Ou uma pessoa é totalmente amada ou rejeita. Ou o parceiro é dedicado ou é
negligente. Uma situação típica, por exemplo, é a da mulher que não responde
a uma pergunta do marido e o esposo pensa, “ela me odeia”. O que o cônjuge
não percebeu foi que a parceira naquele momento estava assistindo um
documentário relacionado ao trabalho dela (Dattilio, 2004).
Na maximização e minimização o indivíduo avalia que determinada
situação teve um peso maior ou menor do que normalmente é esperado. Os
aspectos negativos do evento costumam serem ampliados enquanto os
positivos são desqualificados. Nos casos em que um incidente mexe com
alguma crença do que um parceiro “deveria ser”, pode ocorrer de a esposa
ficar aborrecida e haver conflito. Por exemplo, quando o marido lembra-se da
data de aniversário de casamento, a esposa pensa “lembrar do dia em que
casamos prova que ele gosta de mim”. Caso o cônjuge esquecesse, a mulher
poderia pensar “não se lembrar da data de casamento significa que ele me não
me ama” (Beck, 1995; Dattilio e Padesky, 1995; Rangé e Dattilio, 2001, Dattilio,
2004).
29
Enfim, os juízos elaborados, as interpretações das situações
cotidianas e as decisões tomadas em relação ao comportamento do parceiro
estão relacionadas, estreitamente, com suas crenças (Beck,1995).
2.2.1 Percepção, Atribuição, Expectativa, Suposição e Padrão
Pesquisas apontaram que além dos pensamentos automáticos, das
distorções cognitivas e crenças centrais disfuncionais, existiam outros tipos de
processos mentais envolvidos no conflito conjugal. Baucom, Epstein, Sayers e
Sher (1989) relataram que cinco cognições estavam igualmente envolvidas no
desajustamento e insatisfação conjugal, são elas: a percepção (atenção
seletiva), atribuição, expectativa, suposição e padrão.
A atenção seletiva é entendida como um processo de percepção no qual
uma pessoa capta informações de uma situação de acordo com categorias que
fazem sentido ao seu ponto de vista. Além disso, ignora os dados que não se
encaixam em seu perfil de relacionamento. Por exemplo, uma mulher quando
acredita que é fraca, pode ficar atenta aos comportamentos do seu marido que
julgue serem de dominação. Quando ela pede ao parceiro para visitar os pais
dela e ele não quer ir, a esposa pode pensar que ele nunca atende aos seus
desejos por não respeitá-la. Então, ela pode sentir-se frustrada e passar a
evitar o marido. Entretanto, o parceiro não aceitou o convite por estar se
sentindo cansado. Em diversas situações, essa mulher busca fazer diferentes
solicitações e que em sua maioria são atendidas pelo marido. Contudo, ela
presta atenção somente aos seus desejos que ele não atende (Baucom e
Epstein; 1990).
30
Os seres humanos de alguma forma têm a necessidade de
compreenderem e explicarem os comportamentos das outras pessoas para
prevê-los futuramente (Rodrigues, Eveline e Jablonski, 2000). As atribuições
dizem respeito às inferências que os parceiros fazem sobre a causa e a
responsabilidade de um acontecimento em determinada situação. É importante
mencionar que algumas investigações buscaram avaliar o impacto das
atribuições nas relações amorosas conturbadas (Fincham e Bradbury, 1992;
Baucom, Epstein, Daiuto, Carels, Rankin e Burnett, 1996). Algumas pesquisas
relataram que as atribuições de causa e responsabilidade desempenham um
papel importante nos relacionamentos conflituosos (Bradbury e Fincham, 1990;
Epstein, Baucom e Rankin, 1993). Por exemplo, um parceiro pode culpar sua
esposa por todos os problemas conjugais e não perceber que ele também
contribui (Baucom e Epstein, 1990). Nieto (1998) apontou que uma das etapas
fundamentais do processo terapêutico com casais em conflito é justamente
intervir nas atribuições disfuncionais.
As expectativas referem-se ao que um indivíduo acha que vai acontecer,
ou seja, são previsões que alguém faz acerca do futuro de sua relação e do
comportamento de seu cônjuge. Caso uma pessoa desenvolva uma
expectativa, isso vai afetar diretamente suas emoções e condutas. As
expectativas
negativas
estão
intimamente
ligadas
aos
casamentos
conturbados, pois afeta o modo de pensar do indivíduo sobre seu parceiro e
seu relacionamento. Por exemplo, uma mulher pode esperar que seu marido
sempre dê suporte emocional quando ela tiver problemas em seu trabalho.
Caso isso não aconteça, ela pode ficar triste com seu esposo e se sentir infeliz
com sua relação amorosa (Baucom e Epstein, 1990; Epstein e Baucom, 2002).
31
As suposições são crenças que um indivíduo mantém sobre o
que “é” a natureza dos relacionamentos e das pessoas em geral. As
suposições referem-se ao modo das pessoas pensarem sobre o funcionamento
dos outros e do mundo atualmente. Por exemplo, um homem pode supor que a
existência de desacordo entre parceiros é algo prejudicial para a relação. Estas
suposições elas servem de bases para alguém fazer atribuições sobre os
comportamentos específicos dos seus parceiros. Além disso, estas crenças
básicas influenciam a maneira de um indivíduo se comportar ou perceber os
eventos (Baucom e Epstein, 1990; Epstein e Baucom, 2002).
Os padrões são crenças que um indivíduo tem sobre como “deveria” ser
a vida conjugal. As pessoas utilizam os padrões para avaliar se os
comportamentos dos seus parceiros são apropriados e adequados para um
relacionamento conjugal. Os padrões podem ser formados pela influência da
família de origem, dos meios de comunicação, da cultura, religião entre outros.
Os padrões podem ser empregados para avaliar a quantidade de afeto que um
parceiro deveria ter para com o outro, o modo como deveriam falar entre si, etc.
Por exemplo, uma mulher pode acreditar que numa relação amorosa “deveria”
haver o eterno sentimento de paixão (Baucom e Epstein, 1990; Epstein e
Baucom, 2002).
2.3 A influência da má comunicação
Os cônjuges em desalinho têm grande dificuldade em expressar o que
sentem, pensam e ouvem durante a interação marital (Beck, 1995). A
comunicação eficiente está relacionada à expressão adequada de idéias e
32
emoções em termos de vocabulário, tom de voz, gestos corporais,
entre outros (Dattilio, 2004).
Os fatores individuais relacionados ao déficit de comunicação são de
natureza diversa. Entre os itens apontados na literatura científica, estão os
padrões disfuncionais de cognição que influenciam a resposta que cada
cônjuge emite durante o processo de comunicação com o seu parceiro
(Epstein, Pretzer, Fleming, 1987). É possível ainda localizar uma dificuldade de
comunicação quando um dos parceiros apresenta algum tipo de patologia
como, por exemplo, depressão (Epstein, 1985).
O casal quando interage pode utilizar de forma inadequada suas
palavras.
Muitas
vezes,
os
parceiros
transmitem
suas
mensagens
indiretamente ou de forma ambígua. Isso dificulta muito o processo de
assimilação e compreensão do que um dos companheiros pensa e sente em
relação a uma situação específica. Por outro lado, comunicar-se de forma clara
e específica ajuda o casal a tomar suas decisões em conjunto (Beck, 1995).
O contexto sociocultural também exerce uma grande influência na
qualidade da comunicação dentro do casamento. A aprendizagem inadequada
de crenças na família e traumas oriundos de relações desastrosas são
exemplos de como a âmbito situacional tem um papel de destaque no processo
comunicativo dos casais (Dattilio, 2004).
É importante ainda mencionar que o fato dos parceiros apresentarem
dificuldades
de
necessariamente
comunicação
que
os
dentro
mesmos
da
relação
obstáculos
marital
estejam
não
implica
presentes
na
conversação com outras pessoas. Isso significa que em contextos fora do
relacionamento, ambos os parceiros podem se comunicar de forma eficaz e
produtiva para outras relações interpessoais gratificantes (Beck, 1995).
33
2.4 As conseqüências da resolução de problema inadequada
A literatura científica aponta a resolução inadequada de problemas como
uma das principais áreas que gera conflito entre os membros de um casal
(Beck, 1995; Schmaling, Fruzzetti e Jacobson, 1997). Resolver um problema
de forma eficaz significa clarificar o impasse em termos de definição, quais são
as soluções alternativas possíveis, verificar as vantagens e desvantagens para
o casal, consentir em comum acordo sobre a melhor solução e, por fim,
construir um plano de execução (Dattilio, 2004).
Schmaling et al (1997) apontaram que muitos casais têm a história de
sua relação marcada por atritos e desavenças não resolvidos. Os impasses
não solucionados poderiam levar inclusive a formação de expectativas
pessimistas em relação a problemas posteriores. A conseqüência final dessa
resolução inadequada dos problemas seria que as discordâncias futuras não
contariam com uma postura construtiva dos parceiros.
Beck (1995) afirmou que existe uma série de diferenças individuas que
contribuem para que o trabalho conjunto de um casal em prol da resolução de
um problema seja dificultado. Na verdade, os parceiros num relacionamento
são diferentes um em relação ao outro. O fato é que existem algumas
diferenças específicas que podem gerar conflito entre os companheiros. Por
exemplo, um cônjuge pode ter atitudes ou perspectivas em relação a
determinado assunto diametralmente opostas ao outro. A dificuldade vai estar
justamente numa postura totalmente inflexível de um ou ambos os
companheiros na defesa de sua perspectiva.
34
2.5 O papel das interações negativas no relacionamento
Os membros de um casal em conflito apresentam um índice mais
elevado de comportamentos negativos ou destrutivos entre si do que parceiros
em harmonia. Os comportamentos positivos ficam em segundo plano. Nos
casais sem grandes conflitos existe uma redução e equilíbrio na emissão de
condutas negativas e positivas de um parceiro para com o outro. Outra
característica das relações disfuncionais é o grau elevado de revide ao
comportamento negativo emitido pelo outro. Uma vez que essa postura é
assumida pelos cônjuges, um ciclo vicioso de brigas e discórdia é construído
(Jacobson, Follette e McDonald, 1982).
Epstein, Baucom e Rankin (1993) afirmaram que os comportamentos
não-verbais têm grande importância para os profissionais que trabalham com
casais. Para esses pesquisadores devem-se levar em maior consideração os
comportamentos negativos dos cônjuges do que os positivos, pois os primeiros
têm uma repercussão direta no modo como os parceiros se sentem em relação
um ao outro no seu cotidiano.
Epstein e Baucom (2002) sugeriram que existem dois importantes
padrões comportamentais num relacionamento amoroso, sendo eles o nível
micro e o macro. Para esses autores, deveriam ser levados mais em
consideração padrões de macro níveis como, por exemplo, o limite existente
dos parceiros entre si (p.ex., grau em que determinado tempo é passado junto,
atividade ou comunicação é compartilhado). Ou ainda, como assuntos de poder
e controle são distribuídos entre os parceiros (p.ex., o modo como os cônjuges
buscam se influenciar e tomar decisões sobre certas situações). Deve-se
considerar também o quanto cada companheiro investe em termos de tempo e
energia na sua relação conjugal.
35
2.6 Dificuldade de perceber e expressar emoções
À primeira vista o nome, terapia cognitivo-comportamental dá a entender
que os sentimentos não são levados em consideração durante o processo de
intervenção. Na verdade, dentro dessa abordagem psicoterapêutica é de
grande importância aliviar o paciente do seu sofrimento emocional (Beck et al,
1997).
Dentro desse contexto, é importante destacar a distinção entre rancor e
hostilidade feita por Beck (1995). O rancor é um sentimento que avisa a pessoa
de que algo precisa ser feito em um contexto específico. Seja para o indivíduo
se defender de uma possível agressão ou para agir de uma forma agressiva. A
hostilidade por sua vez, é caracterizada por ser justamente o impulso para
atacar. Um sujeito pode ser engajar em um comportamento hostil sem sentir
rancor e vive-versa.
Beck (1995) descreve uma seqüência que acontece dentro de um
relacionamento no momento de um conflito. Primeiro ambos os parceiros
percebem que algo está errado. Depois sentem o rancor. Esse sentimento leva
a hostilidade, como um impulso para atacar. Contudo, essa seqüência
destrutiva pode ser interrompida em qualquer uma dessas etapas descritas
anteriormente. Caso a pessoa avalie que seu pensamento de vir a ser abusada
naquela situação esteja equivocado, ela poderá diminuir seu sentimento de
rancor e não dar vazão ao seu impulso de atacar.
Nos relacionamentos conturbados os sentimentos geralmente são
ignorados, pois os próprios indivíduos não prestam muita atenção tanto ao que
sente em si mesmo quanto ao que outro está sentindo. Essa situação pode ser
36
problemática, pois uma pessoa ao deixar de monitorar suas emoções
pode expressá-las de forma destrutiva (Dattilio, 2004). Os fatores responsáveis
pela falta de atenção aos sentimentos podem varia desde aprendizagem na
família de origem ao medo de perder o controle pessoal ao expressar o afeto,
ou ainda, crenças ou convicções básicas de que expressar emoções no
relacionamento já não possui mais valor (Beck, 1995).
Existem ainda cônjuges que apresentam dificuldades na regulagem da
expressão emocional. Algumas pessoas, por exemplo, costumam experimentar
afetos intensos em resposta a situações cotidianas sem grande relevância. O
nível de satisfação pessoal com a relação pode ser comprometido com o
descontrole emocional. Dentre os motivos ligados à experiência desregulada
dos sentimentos estão os traumas que a pessoa traz de relações passadas,
crescer com familiares com falta de controle das emoções e a presença de
algum tipo de psicopatologia (Dattilio, 2004).
O modo e o grau como o cônjuge expressa os sentimentos também
influência a qualidade da vida a dois. Existem pessoas que encontram grandes
dificuldades para demonstrar qualquer tipo sentimento, ao lado de outras que
livremente dizem o que sentem. As razões apontadas para a expressão
inadequada dos sentimentos podem estar relacionadas, por exemplo, a uma
aprendizagem na infância de que somente se conseguia a atenção de pessoas
significativas através da expressão de sentimentos exagerados. Por outro lado,
o sujeito atualmente só consegue obter alívio momentâneo de emoções
intensamente desagradáveis ao expressá-las descontroladamente. Uma última
hipótese seria que ao expressar sua emoção de forma desregulada a pessoa
conseguira se tranqüilizar. Contudo, o indivíduo que expressa de forma
desenfreada suas emoções para satisfazer suas necessidades imediatas
37
acaba justamente gerando mais sentimentos desagradáveis devido ao
conflito conjugal (Dattilio, 2004).
2.7 Outros problemas específicos enfrentados pelos casais
Entre esses temas especiais serão destacados os problemas sexuais, o
stress e a infidelidade. São questões que geram conflito e desgaste no
relacionamento conjugal, mas que podem ser superadas (Beck, 1995). É
importante ressaltar que esses assuntos não serão abordados em sua
totalidade, pois existe a literatura científica específica tratando desses temas.
Com certeza existem ainda inúmeras outras questões que afetam uma relação
amorosa, mas que não serão descritas nesse projeto de qualificação como, por
exemplo, quando um dos parceiros deseja terminar o relacionamento (Dattilio e
Padesky, 1995).
Existe um grande número de pessoas insatisfeitas com sua sexualidade
(Carvalho, 2001). A maioria dos problemas sexuais tem por base a ansiedade,
tanto nos homens quanto nas mulheres (Hawton, 1997). O casal pode ter
problemas nas diferentes fases da resposta sexual – o desejo, a excitação e o
orgasmo (Kaplan, 1983).
Os problemas sexuais são muito mais freqüentes em uma relação
afetiva do que se leva em consideração (Masters e Johnson, 1970). A primeira
área atingida durante a convivência de longos anos é o desejo sexual (Beck,
1995). Este último é uma resposta de apetite ou impulso produzida em nosso
cérebro (Kaplan, 1983). Beck (1995) afirmou que os fatores relacionados à
diminuição do desejo sexual são de base psicológica, tais como, as crenças
que uma pessoa tem sobre si mesma, sobre o parceiro e sobre o sexo. Os
38
casais também podem enfrentar dificuldades nas fases de excitação e
orgasmo (Hawton, 1997). Podem surgir problemas como impotência no
homem, vaginismo na mulher e anorgasmia em ambos os parceiros (Masters e
Johnson, 1970; Kaplan, 1983).
O stress é outro problema específico que costuma afetar uma relação
amorosa (Vilela, 2004). Na literatura cientifica o termo stress, em inglês é tido
como o mais adequado, ficando o termo “estresse” para publicações de caráter
popular (Lipp e Malagris, 2001). O stress é definido como “um processo pelo
qual alguém percebe e responde a eventos que são julgados como
desafiadores ou ameaçadores” (Straub, 2005, p. 117).
Dentro de um relacionamento afetivo pode haver diferentes estressores
(Tanganelli, 20000). Beck (1995) apontou como possíveis fontes de estresse
no casamento o nascimento de filhos, a tomada de decisões em conjunto, o
modo de educar as crianças, entre outros. É importante ainda destacar que
existe uma relação estreita entre stress no casamento e cognições
disfuncionais, estando entre elas os erros cognitivos, as crenças e as
expectativas irrealistas (Beck, 1995; Tanganelli, 20000). Os conflitos entre os
membros do casal foram ainda relacionados com a supressão da resposta
imunológica do organismo de cada parceiro (Kiecolt-Glaser e cols, 1997 apud
Straub, 2005).
A infidelidade é um tema bastante delicado dentro da relação afetiva na
sociedade ocidental. Apregoa-se em nossa cultura a monogamia como “pedra
fundamental” de um casamento. Contudo, muitas pessoas mantêm casos
extras conjugais, principalmente em período de crise na relação (Beck, 1995).
Apesar de sua grande incidência, um relacionamento amoroso fora do
casamento pode ser muitas vezes desastroso, sinalizando às vezes o fim da
39
convivência conjugal (Dattilio e Padesky, 1995). A infidelidade pode ter
um significado simbólico específico para o outro parceiro como, por exemplo,
traição (Beck, 1995). O trabalho de intervenção terapêutica justamente incide
sobre os significados da infidelidade para ambos os parceiros (Beck, 1995;
Dattilio e Padesky, 1995). Um fator preocupante que permeia a questão da
infidelidade é possibilidade de contaminação por doenças sexualmente
transmissíveis como, por exemplo, o vírus HIV (Dattilio e Padesky, 1995).
2.8 Técnicas e procedimentos utilizados no tratamento de casais
O primeiro passo na direção de um programa de tratamento é selecionar
o objeto de atuação. A terapia cognitiva intervém nas cognições, no estilo
destrutivo de comunicação e na resolução de problema inadequada dos casais
em conflito (Beck, 1995). Os aspectos cognitivos, alvo do processo terapêutico,
são os pensamentos automáticos, os esquemas subjacentes, as distorções
cognitivas, entre outras cognições disfuncionais anteriormente apontadas
(Rangé e Dattilio, 2001; Epstein, Baucom e Rankin, 1993). Essa abordagem
psicoterapêutica atua ainda no modo como o cada parceiro em uma relação
amorosa sente e expressa suas emoções (Dattilio, 2004). Além de todos esses
fatores citados, o terapeuta cognitivo intervém nos comportamentos que
formam um padrão específico de interação do casal em desarmonia (Epstein,
1998).
Abaixo serão descritos os procedimentos e as técnicas mais importantes
encontrados
na
literatura
científica
sobre
o
tratamento
cognitivo-
comportamental com casais (Rangé e Dattilio, 2001). A ordem do processo de
40
intervenção terapêutica está de acordo com o protocolo de casais que
será utilizado nessa pesquisa.
2.8.1 As primeiras sessões com o casal
As entrevistas iniciais que o terapeuta realiza com o casal são de grande
valia. É nesse contato inicial que são obtidas preciosas informações sobre o
funcionamento atual e anterior da relação amorosa. Nessa etapa, o profissional
pode observar importantes interações conjugais dentro do espaço terapêutico.
O terapeuta inclusive pode perceber nessas sessões os pontos fortes e fracos
do relacionamento afetivo. Esses dados iniciais coletados na avaliação serão
utilizados na formulação de hipóteses que deverão ser testadas ao longo do
tratamento (Schmaling, Fruzzetti e Jacobson, 1997).
O processo de observar e construir teses permite ao terapeuta entender
os motivos que trouxeram o casal para a terapia e o sentimento de insatisfação
conjugal. Na entrevista inicial com o casal buscam-se os fatores de
discordância, a história familiar de cada um dos parceiros, as demandas
presentes no casal sobre as características de cada um, a dinâmica da relação
e os fatores ambientais (Dattilio e Padesky, 2001).
Outro alvo de investigação são os recursos que o casal tem para
solucionar seus problemas e responder as demandas especificas de cada um.
Também é pesquisado se esses recursos são utilizados a partir da influência
de fatores específicos. Por fim, mas não menos importante, as cognições,
reações emocionais e comportamentos do conjugues entre si são avaliados
pelo profissional (Dattilio, 2004).
41
A maioria das sessões realizadas com os casais em conflito é
conjunta (Rangé e Dattilio, 2001). A primeira sessão sempre será feita com a
presença de ambos os cônjuges (Schmaling, Fruzzetti e Jacobson, 1997).
Contudo, sessões individuais podem ser realizadas com cada um dos parceiros
em desarmonia (Dattilio e Padesky, 1995). Logo após a sessão inicial conjunta,
podem ser feitas duas sessões individuais (Dattilio, 2004).
Nas sessões individuais os parceiros muitas vezes fazem revelações
pessoais ou sobre a relação que não falariam abertamente. Algumas
dificuldades próprias como decepções em relações passadas, abusos na
infância, medos etc, costumam aparecer quando o outro não está por perto.
Geralmente, são omitidos casos de violência intrafamiliar como, por exemplo, a
agressão física (Dattilio e Padesky, 2001).
O profissional de saúde durante as entrevistas conjuntas precisa avaliar
as possíveis psicopatologias e problemas de maior gravidade na relação. Caso
seja necessário, podem ser realizadas sessões individuais com um dos
parceiros. O terapeuta também pode fazer encaminhamentos para outros
especialistas caso julgue necessário (Schmaling, Fruzzetti e Jacobson, 1997).
É importante ressaltar que o sigilo nas sessões individuais segue alguns
princípios básicos. As informações prestadas não vão ser divulgadas sem a
autorização da pessoa entrevistada (Dattilio e Padesky, 2004). Contudo, toda
regra tem exceções. Um fato que pode prejudicar o andamento terapêutico é a
infidelidade conjugal, se for guardado entre terapeuta e uma das partes. O
profissional pode dizer aos parceiros que informações dessa magnitude não
serão mantidas em segredo. Isso vai ficar a critério do psicólogo (Dattilio,
2004). O abuso físico seguido de risco de vida é outra questão ética que exige
medidas pertinentes por parte do terapeuta. Durante as sessões individuais o
42
cliente abusado deve ser trabalhado para planejar sua segurança,
metas específicas para sair do local de abuso e buscar auxílio em algum outro
lugar seguro (Beck, 1995).
2.8.2 Avaliação
Essa é a primeira etapa essencial no tratamento de qualquer transtorno
psicológico ou não dentro da terapia cognitiva (Beck, 1997). O tratamento de
relações íntimas conturbadas segue uma estrutura básica para a admissão dos
casais (Rangé e Dattilio, 2001). Inicialmente, o clínico pode avaliar o caso
através de entrevistas, inventários e questionários. Dattilio e Padesky (1995)
afirmaram que esses dois últimos instrumentos auxiliam na captação de
informações que podem ter sido omitidas no primeiro contato, além de diminuir
o tempo gasto com a terapia. Os inventários são utilizados também ao longo do
tratamento como uma forma de avaliar a evolução do mesmo. Nesses
instrumentos os sujeitos são solicitados a dar sua opinião e a prestar
informações sobre suas atitudes (Erthal, 1987; Moura, 1998).
Alguns questionários e inventários foram selecionados para serem
utilizados no protocolo de tratamento cognitivo-comportamental para casais
apresentado nesta tese de doutorado. Neste sub-item, objetivou-se apenas
traçar um panorama geral dos instrumentos existente na literatura, pois nem
todos os mencionados abaixo fizeram parte desta pesquisa. Todas as medidas
empregadas nesta tese estão relatadas no capítulo referente ao método.
Alguns dos instrumentos apresentados abaixo foram validados e
utilizados em diferentes pesquisas científicas anteriormente.
43
Dela Coleta (1989) validou para a população brasileira o
“Inventário de Satisfação Conjugal”. É um instrumento de origem mexicana.
Esse inventário investigação a satisfação de ambos os parceiros com o
relacionamento amoroso. É uma escala de aplicação individual. Esse
instrumento é composto de 24 itens que permite ao sujeito três opções de
resposta, sendo elas: “Eu gosto de como tem sido”; “Eu gostaria que fosse um
pouco diferente”; “Eu gostaria que fosse muito diferente”.
O objetivo do inventário é avaliar três aspectos da relação conjugal o
que equivale às diferentes sub-escalas. A primeira refere-se à satisfação com
aspectos emocionais do cônjuge, representados em 5 (cinco) itens. A segunda
diz respeito com a satisfação com a interação conjugal, descrita em 10 (dez)
itens. A terceira e última está relacionada com a satisfação com a forma de
organização e de estabelecimento e cumprimento de regras pelo cônjuge,
alocada em 9 (nove) itens (Dela Coleta,1989).
Como mencionado acima, essa escala permite avaliar o grau de
satisfação do cônjuge com seu casamento. Os escores mais altos indicam um
nível mais elevado de insatisfação com a relação. É importante ainda ressaltar
que a autora quis traduzir e adaptar essa escala a população brasileira devido
à hipótese de que os latino-americanos possuem características culturais
semelhantes, em contra partida a cultura anglo-saxônica (Dela Coleta,1989).
O inventário, “Escala de Ajustamento Diádico”, criado por Spainer
(1976), tem por objetivo medir de forma geral o grau de satisfação num
relacionamento amoroso. São 32 itens que avaliam a qualidade da relação a
partir da perspectiva dos membros do casal (Corcoran e Fischer, 1987).
Eidelson e Epstein (1982) construíram um inventário para captar crenças
disfuncionais sobre relacionamentos íntimos, chamando Relationship Belief
44
Inventory (RBI). Foram selecionadas cinco crenças: 1) Desacordo é
destrutivo, onde a falta de consenso é uma ameaça à relação; 2) Leitura mental
é esperada, os parceiros acreditam que o seu companheiro deveria ser capaz
de saber o que sentem ou pensam sem comunicarem; 3) Parceiros não podem
mudar, a pessoa acredita que seu companheiro não seria capaz de mudar nem
a si próprio nem a sua relação; 4) Perfeccionismo sexual, o parceiro deve ter
um desempenho sexual perfeito; 5) Os sexos são diferentes, é a crença de que
os problemas no relacionamento são diferenças típicas entre o gênero
masculino e feminino.
O inventário Relationship Attribution Measure foi criado para avaliar as
atribuições causais, de responsabilidade e culpa dentro das relações íntimas.
Os escores obtidos foram correlacionados com satisfação marital, dificuldades
conjugais e padrões de comportamentos atuais emitidos pelos parceiros
(Fincham e Bradbury, 1992).
O questionário Marital Attitude Questionnaire (revised) determina o modo
como os parceiros vêem o seu relacionamento. São 74 itens onde são
apontadas diferentes declarações sobre os problemas conjugais, as suas
causas e a necessidade de supri-los (Sokol, 1999).
Já outros instrumentos não foram validados em estudos científicos, mas
são utilizados no processo de avaliação no âmbito clínico (Dattilio e Padesky,
1995).
Beck (1995), no livro “Para além do Amor”, elaborou uma série de
instrumentos para auxiliar os casais em conflitos a encontrarem pontos de atrito
nos seus relacionamentos.
45
O questionário, O que você pensa a respeito de seu
relacionamento, que foi criado para que os companheiros identifiquem
problemas em potencial relacionados a crenças e atitudes contraproducentes.
São 15 itens pontuados numa escala de 7 pontos, onde 1 significa “discordo
inteiramente” e 7 “concordo inteiramente” (Beck, 1995).
O questionário, “Convicções ante a transformação” (Beck, 1995), é
utilizado para verificar alguns das atitudes e convicções que os parceiros
podem ter em relação às mudanças que possam efetivamente ocorrer em seus
relacionamentos. O objetivo do instrumento é captar atitudes em forma de
pensamentos automáticos e reestruturá-los mediante uma avaliação racional
da situação. Os parceiros são solicitados a preencherem o questionário
separadamente, onde assinalaram alguns itens dentro de temas gerais como
“convicções ou idéias derrotistas”; “convicções e idéias com que nos
justificamos”; “A exigência da reciprocidade”; e “o problema está nele (nela)”.
Beck (1995) criou ainda o questionário, “Problemas no relacionamento”,
que é composto de quatro grandes áreas – decisões, finanças, relacionamento
sexual, lazer – em que costumam haver discórdia nas relações afetivas. Essa
lista permite que o casal transforme suas queixas em problemas específicos
que possam ser resolvidos. São 41 itens no total, distribuídos nos quatros
temas gerais. A pessoa assinale o grau do problema numa escala que vai de
zero “não ocorre” até 4 “o tempo todo”. Esse mesmo autor, no mesmo livro
mencionado anteriormente, ainda elaborou outras escalas interessantes para
avaliar outros aspectos importantes nas relações amorosas.
Dattilio e Padesky (1995), no livro Terapia Cognitiva para Casais,
apontaram o questionário “Avaliação de Admissão para Casais” como um
instrumento eficaz na etapa de avaliação do tratamento. Esse formulário
46
abrangente é composto de perguntas a serem respondidas por ambos
os membros do casal. Anotação de cada perspectiva dos problemas na relação
é feita separadamente. Existem questões formuladas sobre problemas
conjuntos enfrentados pelos parceiros, como dificuldades na criação dos filhos,
problemas de comunicação, problemas sexuais, entre outros. Existe também
um campo de perguntas destinado a ser respondido quando um dos membros
do casal não estiver na sessão. Ao final é possível elaborar os diagnósticos
individuais de cada parceiro.
Por fim, é importante ressaltar que o modelo de tratamento de casais
segue a mesma estrutura básica da terapia cognitiva para os transtornos
psicológicos (Beck, 1995). Entre as etapas do processo terapêutico está a
devolução das informações obtidas na avaliação inicial. Os dados obtidos na
averiguação do caso, geralmente, são passadas na quarta sessão na presença
de ambos os parceiros. O profissional compartilha com as partes envolvidas
todas as novas hipóteses que surgem sobre o caso ao longo do tratamento. O
padrão de interação problemático também é apresentado na sessão conjunta
de dev olução de forma concisa (Schmaling, Fruzzetti e Jacobson, 1997).
Dattilio (2004) propôs que algumas questões deveriam ser abordadas
nessa sessão de devolução dos dados obtidos no processo de avaliação.
Primeiro é importante se apresente à força dos padrões de comportamentos
conturbados. Em segundo, as questões relevantes para o casal. Depois,
fatores de stress e pressão da vida cotidiana que levam ao surgimento de
dificuldades. Por fim, os aspectos positivos e negativos ao nível macro
relacionados a interações problemáticas.
Após apresentar as questões referidas acima, terapeuta e clientes
decidem juntos qual dos problemas tem prioridade no tratamento. Também são
47
vislumbrados os procedimentos que podem gerar alívio nas tensões e
reduzir o stress. O terapeuta ainda vai discutir possíveis entraves para o
atendimento do casal como, por exemplo, o medo das conseqüências das
mudanças (Dattilio, 2004).
Conclui-se que as medidas psicológicas são importantes instrumentos
que auxiliam no processo de avaliação dos casais em conflito. Todas as
medidas relatadas acima precisam ser validadas para a população brasileira,
exceto a Escala de Satisfação Conjugal. Diante deste fato, o uso destes
inventários e escalas fica restrito ao âmbito das pesquisas acadêmicas, não
podendo ser ainda utilizados pelos psicólogos clínicos de um modo em geral.
2.8.3 Modificação de padrões de comportamento
A forma como o casal interage costuma seguir uma regularidade. Nas
relações conturbadas os comportamentos mais freqüentes são os de caráter
negativo (Jacobson, Follette e McDonald, 1982). Uma etapa do processo
terapêutico focaliza exatamente esses padrões de conduta (Epstein, Baucom e
Rankin, 1993). O psicoterapeuta procura favorecer o aumento das interações
positivas e a diminuição das negativas, através do treino em comunicação, da
adequada
resolução
problemas
e
de
acordos
sobre
mudança
do
comportamento entre os parceiros (Epstein, 1998).
Dentro da abordagem cognitivo-comportamental os contratos para
mudança de comportamento desempenham um papel relevante. O principal
objetivo dessa intervenção é incentivar os membros do casal a identificarem e
demonstrarem ao seu parceiro um comportamento cortês, mesmo que a
48
recíproca não seja a mesma. Além disso, essa técnica objetiva
aumentar a satisfação de cada um com o seu relacionamento (Schmaling,
Fruzzetti e Jacobson, 1997).
Para facilitar o engajamento dos cônjuges nesse tipo de contrato, o
psicólogo pode apresentar de forma sucinta o impacto da reciprocidade
negativa nas relações conturbadas. Por exemplo, apontar que a pessoa
somente consegue controlar suas próprias ações e que é importante o casal se
comprometer com a melhoria do ambiente de sua convivência (Dattilio, 2004).
2.8.4 Intervir nas reações emocionais
Desde seu surgimento, a terapia cognitivo-comportamental tem sido
acusada por outras abordagens de dar pouca ou nenhuma atenção às
emoções nos transtornos mentais e nos relacionamentos em geral (Dattilio e
Padesky, 1995). Contudo, a intervenção nos sentimentos desempenha um
papel relevante no tratamento dos problemas psicológicos de qualquer
natureza (Beck et al, 1997).
A abordagem cognitivo-comportamental com casais tem como um dos
seus objetivos aumentar a experiência de emoções em pessoas retraídas e
moderar a expressão de sentimentos intensos em indivíduos exaltados, através
de diferentes procedimentos (Beck, 1995; Dattilio, 2004).
Dattilio (2004) apontou que o terapeuta pode ensinar aos cônjuges
vários procedimentos para lidar com as dificuldades em vivenciar emoções.
Inicialmente, o casal pode aprender a delinear comportamentos específicos
dentro e fora das sessões de terapia, evitando dessa forma a recriminação por
expressar sentimentos. O cliente pode ainda avaliar emoções e pensamentos
49
implícitos através das técnicas cognitivas. Além disso, a pessoa
aprende a estar atenta a variação de seus estados internos emocionais em
situações específicas. O sujeito também é incentivado a repetir frases que
tenham um forte efeito sobre si. Além disso, o cônjuge aprende a ficar atento
aos seus sentimentos durante a sessão. Por exemplo, quando ele tenta mudar
o rumo da conversa. Por fim, o terapeuta também pode promover o
aparecimento de reações emocionais do cliente em questões importantes
dentro do relacionamento ao utilizar a técnica do role-play.
Nos casos em que um dos cônjuges ou ambos os parceiros têm
problemas na expressão ponderada de seus sentimentos, levando assim a
problemas nas interações, Dattilio (2004) sugeriu que o terapeuta, por exemplo,
fixe horários determinados para o casal debater assuntos problemáticos. Além
disso, treinar os cônjuges a se tranqüilizarem no cotidiano. O terapeuta pode
também capacitar o casal a identificar e avaliar as cognições inadequadas em
situações específicas. Os companheiros podem ser incentivados ainda a
buscar apoio social na eminência de violência física. Além disso, o profissional
pode capacitar os cônjuges a ter tolerância a emoções aversivas em si
mesmas. Por fim, os membros do casal são incentivados a se expressarem de
forma construtiva para que possam ser ouvidas uns pelos outros.
Como mencionado anteriormente, Beck (1995) descreveu um modelo
cognitivo para o rancor. Segundo este autor, por de trás desses sentimentos se
encontram outros dois que são o medo e a mágoa. O terapeuta ao intervir
nesses sentimentos pode auxiliar a expressão dessas emoções adicionais,
levando a uma dissipação do rancor. Outra vantagem de trabalhar mágoa e o
medo é evitar que os cônjuges respondam ao rancor de seus parceiros com
defesas ou atos agressivos. Além disso, a terapia cognitiva com casais propõe-
50
se a intervir nos significados subjacentes que estão relacionados a
cada uma dessas emoções.
Beck (1995) forneceu ainda alguns princípios para os cônjuges evitarem
maiores desgastes emocionais em situações de discussão intensa. O primeiro
passo seria dizer o que se quer do outro, ao invés de se usar de sarcasmos ou
ironias quando precisam fazer um pedido como, por exemplo, trocar a fralda do
neném. O segundo passo é perceber que o uso de argumentos pejorativos
somente leva a um aumento do conflito. O terceiro princípio é que o controle ou
a redução da hostilidade advinda do rancor é melhor do que exprimi-la. O
quatro é a aprendizagem de técnicas para manejar o rancor como, por
exemplo, pedir uma pausa na discussão. O último princípio seria aos cônjuges
ficarem atentos aos seus pensamentos automáticos e aos significados
relacionados ao rancor.
2.8.5 Etapas da reestruturação cognitiva
O objetivo principal da terapia cognitiva no tratamento de qualquer
problema psicológico é justamente promover a reestruturação das cognições
disfuncionais dos indivíduos, seja por causa de um transtorno metal ou por
motivos de conflito conjugal (Beck, J., 1997; Rangé e Dattilio, 2001). Pesquisas
apontam que a reestrutura cognitiva torna a terapia marital mais eficaz do que
utilizar apenas técnicas comportamentais no tratamento de casais em conflito
(Baucom e Lester, 1986; Baucom, Sayers e Sher, 1990; Baucom, Shoham,
Mueser, Daiuto, Stickle, 1998).
Ensinar a habilidade de identificar os pensamentos automáticos é a
“pedra fundamental” para a mudança de cognições distorcidas e extremadas
51
que cada parceiro tem sobre si, o outro e o relacionamento. Os
cônjuges aprendem a perceber numa determinada situação que existe uma
associação
entre
sua
maneira
de
pensar
ao
modo
como
reagem
emocionalmente e aos seus comportamentos (Beck, 1995).
Um método utilizado para a identificação de pensamento é o uso de um
diário. Esse pode ser desde uma folha qualquer de papel até instrumentos
especialmente desenvolvidos para tal tarefa. A coleta de pensamentos
automáticos pode ser realizada através do uso do registro diário de
pensamentos disfuncionais (Beck, 1997). No registro precisa ser especificada a
situação, seguida da descrição dos pensamentos e das emoções negativas
experimentadas. Com a utilização desse tipo de instrumento o casal consegue
visualizar claramente a relação entre pensamentos, reações emocionais que
contribuem para o desajuste conjugal (Dattilio e Padesky, 1995).
O terapeuta pode ainda auxiliar os parceiros a se conscientizarem da
sua capacidade de controlar seus sentimentos e atos através da revisão
sistemática das suas cognições disfuncionais tais como, atenção seletiva,
atribuições, padrões e expectativas disfuncionais (Baucom, Epstein, Sayers e
Sher, 1989). Por fim, o profissional pode auxiliar cada cônjuge a assumir a
responsabilidade pelas suas reações diversas (Dattilio, 2004).
Outra etapa muito importante dentro do processo de reestruturação
cognitiva é a identificação das distorções cognitivas. Um método muito eficaz
de identificação é o cliente utilizar uma lista de distorções cognitivas fornecidas
previamente pelo terapeuta. Na seqüência, o paciente pode aplicá-la aos
pensamentos automáticos registrados durante a semana anterior ou na própria
sessão. A partir dos dados obtidos terapeuta e cliente podem analisar o quão
adequado foram os pensamentos automáticos numa situação específica. Além
52
disso, a pessoa pode avaliar o grau de influência das distorções nas
suas emoções e comportamentos negativos naquele contexto (Beck, 1997).
Diante das distorções cognitivas apresentadas nos pensamentos dos
cônjuges é importante que o profissional atente para a possível presença de
psicopatologias como, por exemplo, depressão. O terapeuta deverá avaliar se
um membro ou ambos os membros do casal deverão fazer tratamento
individual antes de dar prosseguimento à intervenção conjugal.
Caso seja
necessário, os clientes podem ser encaminhados para tratamento com outros
profissionais (Dattilio e Padesky, 1995).
Diante de tantas distorções que podem estar presentes dentro dos
pensamentos dos cônjuges conturbados é de extrema importância avaliá-las.
Dentro da terapia cognitiva com casais esse é uma das etapas mais relevantes
do tratamento (Beck, 1995).
Diferentes
métodos
podem
ser
empregados
no
processo
de
reestruturação das cognições disfuncionais. O primeiro passo é identificar as
distorções presentes no modo de pensar de cada parceiro. O segundo é
procurar explicações alternativas para o ocorrido na relação naquele momento.
Perguntas sistemáticas também são empregadas para conduzir os cônjuges a
um pensar mais racionalmente. Essa última técnica é também conhecida como
questionamento socrático. Após coletar e contestar essa maneira de pensar
tendenciosa, cada parceiro é levado a avalia o grau de validade das respostas
racionais nos pensamentos originais. Costumam haver alterações nas
emoções e comportamentos dos parceiros após o uso esses procedimentos
(Rangé e Dattilio, 2001).
O experimento comportamental também é tido como o método mais
eficaz de alterar interpretações errôneas e testar as previsões negativistas.
53
Embora o combate lógico possa levar a reestruturação cognitiva,
geralmente, é necessário algum plano de ação para o paciente adquirir ou
manter novas formas de pensar (Beck, J., 1997).
O profissional que atua com a abordagem cognitivo-comportamental leva
os cônjuges a construírem investigações comportamentais específicas, com o
intuito de cada parceiro testar suas previsões a respeito das reações do outro
em uma situação específica. Para se certificar que o ensaio logrará êxito, o
terapeuta pode solicitar o auxílio de um dos parceiros que fornecerá a previsão
de suas respostas ao evento. Nesse momento, ajustes podem ser feitos caso
apareçam entraves à realização desse tipo de pesquisa. O percentual de
eficácia do experimento aumenta na maior parte das vezes quando os
membros do casal se mostram dispostos a cooperar (Dattilio, 2004).
Técnicas que envolvam o uso de imagens, recordação de interações
anteriores e dramatização são empregadas durante a sessão para auxiliar um
paciente na busca de informações pertinentes que possam estar sendo
esquecidas (Beck, 1997). Geralmente, essas técnicas são empregadas nas
situações vivenciadas pelo casal que são emocionalmente tão intensas que
dificultam a identificação dos pensamentos automáticos, dos sentimentos e dos
comportamentos de cada um (Dattilio e Padesky, 1995).
Durante a utilização dessas técnicas os parceiros podem começar a
lembrar da situação e a vivenciar a carga emocional intensa. Nesse caso, a
dramatização na sessão torna-se um experimento in vivo. O terapeuta no uso
desses procedimentos pode auxiliar os cônjuges a alterar seus padrões de
interação negativos, caso o profissional seja habilidoso no manejo das reações
afetivas e comportamentais inadequadas (Dattilio e Padesky, 1995).
54
A troca de papéis é uma técnica utilizada para gerar empatia de
cada parceiro pelas vivências do outro. Nessa dramatização os companheiros
vão interagir conforme a última situação problemática que aconteceu. Contudo,
nessa experiência o marido fica no lugar da mulher e vice-versa. O objetivo
dessa técnica é alterar os conceitos pré-formados de um companheiro sobre o
outro. Para isso é preciso que novas informações venham à tona, assim é
solicitado que cada membro do casal se focalize nas idéias e sentimentos da
outra pessoa durante o experimento (Dattilio, 2004).
Os casais que estão em grandes conflitos têm uma visão limitada das
dificuldades que estão passando. Contudo, na época do namoro essas
mesmas pessoas tinham uma percepção muita mais positiva de seu parceiro.
Os cônjuges são levados a comparar justamente esse contraste entre as
recordações de momentos agradáveis e a perspectiva negativa atual. Essa
técnica procura fornecer evidências ao casal de que eles podem ter uma
relação gratificante como já aconteceu, mas que são necessário empenho e
tempo (Beck, 1995).
Algumas recomendações são importantes quanto para a administração
dessas técnicas. A utilização de imagens deve ser cuidadosamente aplicada.
Esse procedimento deve ser evitado caso o casal tenha, por exemplo, um
histórico de abuso físico (Dattilio e Padesky, 1995). As dramatizações devem
somente ser empregadas quando o terapeuta avaliar que os parceiros serão
capazes
de
dominar
a
expressão
de
suas
emoções
e
evitarem
comportamentos hostis (Dattilio, 2004).
As crenças que os parceiros têm sobre si mesmos, sobre sua relação e
sobre os relacionamentos em geral também devem ser reestruturadas caso
sejam disfuncionais (Rangé e Dattilio, 2001). Como mencionado anteriormente,
55
as técnicas cognitivas empregadas na terapia de casal são similares
às utilizadas no tratamento de diferentes transtornos psiquiátricos (Beck, 1995).
Será dado destaque aqui apenas a técnica da flecha descente.
A flecha descendente é uma técnica utilizada para capturar as crenças
intermediárias e centrais de uma pessoa. Uma idéia ordinária sobre um
determinado evento pode ser aflitiva, se estiver relacionada a outros
pensamentos disfuncionais. A técnica compõe-se de uma série de perguntas a
partir de um pensamento automático chave. Entre as questões mais freqüentes
estão: “caso tal fato aconteça, o significaria para você” ou “se for verdade, o
significaria sobre você?” (Beck, 1997). Através dessas perguntas os parceiros
podem avaliar a veracidade de determinada crença.
O terapeuta também pode captar áreas reais de conflito na interação
conjugal. Essa técnica ainda pode ser utilizada para evidenciar pressupostos e
padrões que podem estar sendo camuflados pelos pensamentos automáticos
(Dattilio, 2004).
2.8.6 O treinamento em comunicação
Diversos estudos apontaram que um ponto-chave no tratamento de
casais pela abordagem cognitiva é o treinamento em comunicação (Epstein,
Baucom e Rankin, 1993; Epstein, 1998). Nesse tipo de intervenção objetiva-se
influenciar de forma positiva as interações conturbadas, diminuir a quantidade
de distorções cognitivas que os parceiros têm sobre cada um e promover uma
melhor qualidade da sensação e expressão de idéias e sentimentos (Dattilio,
2004).
56
A primeira etapa do processo de uma comunicação mais eficaz
consiste na instrução aos cônjuges sobre as condutas esperadas no exercício
das habilidades específicas de falar e escutar (Rangé e Dattilio, 2001).
Diferentes autores descreveram algumas diretrizes para o falante (Beck,
1995; Schmaling, Fruzzetti e Jacobson, 1997; Dattilio, 2004). O importante
primeiro é admitir que existam visões específicas e subjetivas de cada um
sobre determinado assunto (sem dar a entender que a idéia do outro é
equivocada). Em segundo lugar, apresentar emoções e pensamentos próprios,
pontuando o lado positivo e o negativo. Além disso, falar de forma clara e
objetiva. Outro passo útil é apontar problemas específicos e não gerais. O
falante também deve reduzir sua mensagem a poucas palavras, pois facilita a
absorção e lembrança dos conteúdos emitidos. E por fim, ser gentil,
diplomático e tratar o assunto com tato.
No caso da pessoa que ouve é importantíssimo o uso da escuta
empática (Epstein, 1998). Também foram descritos passos que devem ser
seguidos pelo ouvinte para melhorar a qualidade da comunicação do casal. Em
primeiro lugar, a pessoa que está ouvindo precisa deixar transparecer que o
outro está tendo atenção. No geral, utilizam-se comportamentos não-verbais
como os gestos com a cabeça, contato ocular, entre outros. Um segundo
passo, é usar de pequenas vocalizações como, por exemplo, “hum-hum”.
Pode-se ainda manifestar respeito pela informação da outra pessoa que fala,
concordando ou não. O falante deve perceber que tem direito a expressar suas
emoções e idéias. Além disso, a pessoa que ouve precisa esforçar-se na
compreensão e identificação da perspectiva do parceiro. Por fim, o ouvinte
deve parafrasear o que foi dito pelo falante, mostrando que ele foi entendido
(Beck, 1995; Schmaling, Fruzzetti e Jacobson, 1997; Dattilio, 2004).
57
As informações para a boa comunicação podem ser fornecidas
através de folhetos explicativos para que sejam utilizadas quando se fizer
necessário, seja durante a sessão ou no próprio lar dos cônjuges (Beck, 1995).
O objetivo final é que cada membro do casal incorpore essas diretrizes ao seu
repertório pessoal (Dattilio, 2004).
Durante o processo terapêutico, o profissional funciona como um modelo
da capacidade de expressar e ouvir adequadamente (Schmaling, Fruzzetti e
Jacobson, 1997). Ao longo do treinamento nas sessões, o terapeuta conduz o
casal a discutir primeiro uma questão pouco polêmica para que as habilidades
possam ser apreendidas sem a interferência das reações emocionais
exageradas. Com a proficiência na execução dessas habilidades, os clientes
são solicitados a conversarem sobre questões mais divergentes (Epstein,
1998).
O
uso
continuado
desses
princípios
permite
aos
parceiros
desmistificarem suas distorções cognitivas e terem uma visão mais
benevolente de cada um (Dattilio, 2004).
2.8.7 Treino em resolução de problemas
O treinamento na resolução de problemas é outro momento importante
dentro da terapia cognitivo-comportamental para o tratamento de diferentes
transtornos mentais. O processo de solucionar um impasse é realizado em
duas fases diferentes. A primeira etapa consiste na definição do problema a ser
solucionado. A segunda fase refere-se à solução do problema propriamente
dita (Hawton e Kirk, 1997). Os casais em conflito também podem se beneficiar
das técnicas de solução de problemas para obterem maior satisfação com seus
relacionamentos (Dattilio e Padesky, 1995; Rangé e Dattilio, 2001).
58
A definição do problema em si deve ter um caráter específico e
objetivo, a partir de comportamentos que estão acontecendo ou não na
interação
conjugal.
Recomenda-se
que
quando
o
problema
é
o
comportamento de um dos parceiros que o outro comece a descrever a
situação problemática a partir de comentários positivos relacionados ao evento.
Somente após cumprir essa primeira parte é que o problema deve ser definido
especificamente, acompanhado da descrição dos sentimentos da pessoa. É
importante ainda que o cônjuge insatisfeito expresse como pode estar
contribuindo para que aquela situação esteja acontecendo, demonstrando
assim um espírito de colaboração para solucionar o problema (Schmaling,
Fruzzetti e Jacobson, 1997).
Na fase da solução do problema é importante obter-se o maior número
de alternativas para as dificuldades em termos de comportamentos específicos.
É importante nesse momento não se utilizar qualquer tipo de juízo sobre as
idéias propostas. Em seguida, cada uma das soluções alternativas produzidas
precisam ser avaliar em termos de suas vantagens e desvantagens. Uma das
soluções deve ser escolhida, a partir de critérios de execução e atração para
ambos os membros do casal. Por fim, os cônjuges vão estabelecer um período
de teste e avaliar a opção escolhida. Todas essas etapas descritas precisam
ser praticadas em casa para que as habilidades possam ser fixadas (Dattilio,
2004).
2.8.8 Término e prevenção de recaídas
O procedimento de prevenção de recaídas é uma etapa primordial na
terapia cognitivo-comportamental (White, 2003). O paciente é preparado para o
59
acontecimento de possíveis recaídas desde a primeira sessão. Além
disso, é importante que o profissional prepare o cliente para o término do
tratamento. A terapia cognitiva não almeja resolver todos os problemas da
pessoa, pois objetivo dessa abordagem é ensinar o indivíduo habilidades que o
capacitem a ser seu “próprio terapeuta” (Beck, 1997).
O terapeuta de casais dentro da abordagem cognitivo-comportamental
também pode preparar seus clientes para possíveis baixas no seu tratamento.
A terapia visa antecipar e corrigir possíveis deslizes e lapsos na interação
conjugal que levam à desentendimentos (Schmaling, Fruzzetti e Jacobson,
1997).
Por fim, a terapia não é interrompida bruscamente, pois as sessões são
espaçadas antes do término do tratamento. As consultas vão variar no intervalo
de quinze dias, para mensais e assim sucessivamente. É importante ainda que
os clientes saibam que podem recorrer ao seu terapeuta quando avaliarem que
seja necessário (Rangé e Dattilio).
60
CARATERÍSTICAS DAS INTERVENÇÕES BASEADAS EM
EVIDÊNCIAS COM CASAIS.
61
3. TERAPIAS PSICOLÓGICAS BASEADAS EM EVIDÊNCIAS COM CASAIS
Esse capítulo apresenta as principais características que norteiam as
intervenções baseadas em evidências com casais. Focalizam-se aqui os
critérios que devem delinear as pesquisas envolvendo o tratamento psicológico
de cônjuges em conflito. Para tal, foi realizada uma revisão da literatura
científica a partir de periódicos disponíveis na base de dados do Portal da
Capes. Foram utilizadas na busca por artigos as palavras casal, terapia
cognitivo-comportamental, terapias baseadas em evidências. A procura foi
delimitada entre 1980 até 2009. As bases de dados pesquisadas foram o
Psycinfo e a Medline Pubmed (via Bireme, Ovid e National Library of Medicine).
Também foi consultado o SIBI da UFRJ.
Em primeiro lugar, é importante esclarecer o que são as terapias
psicológicas baseadas em evidências (TPBEs). Para Chambless e Hollon
(1998) são “tratamentos psicológicos claramente definidos que mostram ser
eficazes em pesquisas controladas com uma população delimitada” (p. 7).
O objetivo das TPBEs é permitir que os pesquisadores e os clínicos
saibam qual terapia é eficaz e para que público específico.
Na terapia de
casal, o critério que define um tratamento eficiente é o aumento do ajustamento
ou da satisfação conjugal (Baucom, Shoham, Mueser, Daiuto, Stickle, 1998).
O pesquisador pode averiguar esse fato através de uma das três a
seguir. Primeira, essa terapia mostra ser benéfica em um estudo controlado?
Segunda, é aplicável nos consultórios dos psicólogos com que tipo de paciente
e em qual circunstância? Terceira, o tratamento é o melhor em termo de custo
e benefício do que outras estratégias terapêuticas? Estas perguntas fazem
62
parte das pesquisas científicas sobre eficácia (incluindo a significância
clínica, experimentos controlados realizados por centros de pesquisa),
efetividade (aplicabilidade no consultório, “mundo real”) e eficiência (custobenefício) respectivamente (Chambless e Hollon, 1998).
Abaixo é descrito um breve histórico da construção dos princípios das
terapias baseadas em evidências em geral. São apresentadas ainda as
características dos estudos de eficácia e de efetividade com casais, segundos
os principais artigos encontrados na da literatura científica especializada.
3.1 Breve Histórico
A Associação de Psicologia Americana (APA) tem uma série de Divisões
que são responsáveis por nortear a prática dos psicólogos norte-americanos
em diferentes segmentos. A Divisão 12 tem a função de orientar a atuação
desses profissionais na área clínica. No ano de 1993, David H. Barlow, então
presidente da Divisão 12, incentivou a construção de uma Força Tarefa.
Objetivo era identificar e promover os tratamentos psicológicos baseados em
evidências. Dianne Chambless, responsável por essa Força Tarefa, começou a
conduzir um levantamento dos programas de treinamento de residência e
doutorado que focalizassem o treinamento e supervisão de psicólogos em
terapias baseadas em evidências (Woody, Weisz e McLean, 2005).
O interesse da Associação de Psicologia Americana (APA), ao criar essa
Força Tarefa, era inserir os psicólogos no movimento das práticas baseadas
em evidências como, por exemplo, a medicina. Nos últimos vinte anos, esse
movimento tornou-se a principal característica dos sistemas e políticas ligadas
63
ao cuidado com a saúde. Sendo assim, o objetivo da APA tem sido
integrar a ciência e a prática psicológica (APA, 2006).
A Força Tarefa foi responsável por estabelecer os critérios que definiam
os tratamentos psicológicos baseados em evidência que eram eficazes. Foram
apresentados dois tipos, as terapias bem estabelecidas e as terapias de
provável eficiência. Os tratamentos que não conseguissem preencher ao
menos os critérios de terapias de provável eficácia seriam chamados de
tratamentos experimentais (APA, 1993).
Os tratamentos bem estabelecidos caracterizam-se pelos seguintes
critérios. Em primeiro lugar, a investigação é conduzida por um grupo de
estudiosos que precisa ser reproduzida em iguais condições por outro conjunto
de pesquisadores independentes. Ser ainda superior a um tratamento placebo
e ter resultados equivalentes a outra terapia já estabelecida. Ou em segundo
lugar, terem sido conduzidos vários experimentos de caso único que
demonstraram eficácia. Esses estudos devem ter um bom delineamento e
haver comparação com outros tratamentos já estabelecidos (APA, 1993).
As terapias de provável eficiência caracterizam-se por ser um
experimento, conduzido por apenas uma equipe, que não demonstre conflitos
nos seus resultados (Chambless e Hollon, 1998).
3.2 Eficácia
Objetivo central das pesquisas sobre eficácia é avaliar os efeitos
mensuráveis de intervenções específicas em um determinado tratamento
(Nathan, Stuart e Dolan, 2000). Segundo Barlow (1996), a eficácia refere-se
“aos resultados mensuráveis de uma investigação conduzida em um contexto
64
de pesquisa clínica controlada. E que considerações relevantes da
validade interna dessas conclusões devem ser ressaltadas” (p.1051). Os
estudos de eficácia vão enfatizar então a replicação da pesquisa e a validade
interna dos dados obtidos.
Para atingir essa meta, são necessários alguns critérios. Primeiro, é
necessário um desenho claro da pesquisa. É preciso ainda descrever o
processo de seleção dos indivíduos que vão participar do estudo. Outros
critérios importantes são os que incluem ou excluem uma pessoa da
intervenção definida. Também é necessário decidir quais serão os processos
para os participantes ingressarem nos grupos de controle e grupo
experimental.
O pesquisador deve também estabelecer o tamanho da amostra a ser
pesquisada. Escolher as medidas de avaliação que serão empregas e em
quais momentos. Apresentar cada etapa do manual ou protocolo a ser utilizado
no tratamento. Fornecer as características do terapeuta. Demonstrar como
serão feitas as análises dos dados. Avaliar a significância clínica das
intervenções. Além disso, decidir sobre o uso de seguimentos.
Outra forma de avaliar a eficácia de um tratamento é através de estudos
de casos únicos. Eles têm características específicas e que serão
apresentadas também nesse capítulo. Por fim, serão apresentados os
resultados de algumas intervenções baseada em evidências com casais que
utilizaram técnicas cognitivas e comportamentais.
65
3.2.1 Desenho geral da pesquisa de eficácia
A pesquisa de eficácia no tratamento de casais segue o mesmo padrão
de desenho estabelecido para qualquer investigação psicoterapêutica. O ponto
central de qualquer pesquisa de eficácia é o ensaio clínico randômico. As suas
principais características são a manipulação experimental das condições, a
designação randômica dos participantes e avaliação detalhada dos resultados
(Chambless e Hollon, 1998).
Ao manipular as condições, o pesquisador certifica-se de que alguns
participantes vão receber um tratamento específico e outros não. Ao designar
os pacientes para um determinado grupo, o experimentador tem por objetivo
distribuir de forma equânime as diferenças individuais dos clientes que podem
afetar o estudo. Com o processo de avaliação, o investigador verifica se os
resultados obtidos são confiáveis. Uma pesquisa que pretende afirmar a
eficácia de um tratamento para casais deve ainda ser passível de replicação
como qualquer outro estudo científico em geral. (Christensen, Baucom, Vu e
Stanton, 2005).
3.2.2 Descrição e seleção dos participantes
Muitos são os problemas psicológicos que atingem a população como
um todo. Entretanto, não é possível elaborar soluções generalistas que venham
a atender a todas as questões. As pesquisas que buscam resultados eficazes
devem deixar claro qual procedimento é adequado para um determinado tipo
de amostra. Com o advento dos manuais diagnósticos e estatísticos de
transtornos mentais (e.g.: DSM-IV-R), proporcionou-se a construção de
66
procedimentos
terapêuticos
específicos
pautados
em
critérios
psiquiátricos estandardizados (Chambless e Hollon, 1998).
Contudo, o relacionamento amoroso conturbado não corresponde a
nenhum transtorno psicológico específico. O pesquisador terá que apontar qual
critério será utilizado para selecionar sua amostra.
O processo de selecionar os participantes de uma pesquisa pode ocorrer
de diferentes formas. Em primeiro lugar, o pesquisador pode esperar
passivamente
a
chegada
dos
clientes
nos
consultórios
ou
serviços
especializados. Outra maneira seria o investigador assumir um processo ativo.
Por exemplo, colocar cartazes em locais públicos, mandar mensagens
eletrônicas para profissionais que trabalham com a amostra desejada, entre
outros (Christensen, Baucom, Vu e Stanton, 2005).
Independente do modo como o pesquisador vai selecionar seus
participantes, é preciso que se estabeleçam os critérios de inclusão e exclusão
previamente. Com essa definição, o experimentador vai pode utilizar uma das
estratégias apresentadas acima. A forma mais comum de seleção é o processo
ativo do investigador (Nathan, Stuart e Dolan, 2000).
3.2.3 Critérios de inclusão e exclusão
Na
terapia
cognitivo-comportamental,
as
pesquisas
de
eficácia
realizadas com casais já utilizaram diferentes critérios para incluir e excluir os
participantes. Não existe um padrão a ser seguido. Por exemplo, algumas
investigações já excluíram casais que vivam apenas juntos, pessoas que
desejavam se separar, indivíduos que apresentavam disfunções sexuais, entre
67
outros (Baucom e Lester, 1986; Baucom et al, 1990; Emmelkamp et al,
1988; Huber e Milstein, 1985).
Alguns critérios podem ser delineados apesar do exposto acima. O
pesquisador deve definir se em seu estudo haverá a presença de pessoas
portadoras de transtornos do Eixo I ou Eixo II do DSM-IV. O investigador
precisa também investigar se o participante do estudo faz uso de medicação
psiquiátrica ou não. É interessante ainda averiguar a presença de violência
doméstica no relacionamento. Existe ainda uma série de características
ambientais e socioeconômicas a serem levadas em consideração. Quanto mais
homogênea a amostra, menores serão os problemas ligados aos erros
randômicos (Christensen, Baucom, Vu e Stanton, 2005).
3.2.4 Grupos de controle e de comparação
As pesquisas que utilizam tratamento psicológico ficam diante de duas
questões quanto ao uso dos grupos de controle. A primeira refere-se ao uso ou
não de condições de controle para se chegar a conclusões sobre uma
determinada terapia. A segunda diz respeito ao modo como seriam realizadas
essas condições de controle caso fossem utilizadas (Nathan, Stuart e Dolan,
2000).
Alguns pesquisadores se opõem ao uso de grupo de controle nas
pesquisas atuais. Esses investigadores argumentam que os estudos já
comprovaram que os pacientes em lista de espera não demonstram qualquer
tipo de melhora. Esse fato traz uma questão ética para o experimentador, pois
os pacientes não vão se beneficiar de qualquer forma. Além disso, existe o
68
custo de tempo e dinheiro para manter esses grupos de comparação
(Baucom, Hahlweg, Kuschel, 2003).
Para alguns pesquisadores o uso do grupo placebo, por exemplo, deve
ser utilizado quando as técnicas sob investigação não foram objeto de estudos
anteriores. Quando houver pesquisas prévias sobre a ação de determinado
procedimento, deve-se comparar o resultado do experimento atual como o que
já foi realizado (Parloff, 1986; Horvath, 1988).
3.2.5 Tamanho da Amostra
Kazdin and Bass (1989 apud Chambless e Hollon, 1998) fizeram uma
meta-análise das pesquisas de resultado que utilizavam tratamento psicológico
em diferentes transtornos mentais. Eles descobriram que o tamanho médio da
amostra nas pesquisas era de 12 participantes por condição.
No caso específico das pesquisas conduzidas com cônjuges em conflito,
Christensen, Baucom, Vu e Stanton (2005) afirmaram que uma intervenção
baseada em evidências deveria focalizar detalhadamente apenas um único
casal ou um grupo pequeno deles. Com esse número de participantes seria
possível obter muito mais informações sobre a eficácia do tratamento e
identificar os mecanismos de ação atuantes no mesmo.
Cabe ressaltar que Chambless and Hollon (1998) apontaram que uma
terapia baseada em evidências pode ser considerada eficaz quando os
resultados de suas técnicas são superiores a outros tratamentos em pelo
menos duas pesquisas independentes. No que se refere ao tamanho da
amostra, cada investigação pode ter no mínimo três participantes quando
utilizar o desenho de experimento único.
69
No caso de uma terapia baseada em evidências mostrar
resultados favoráveis ao tratamento e ter sido realizada apenas por um único
grupo de pesquisa, Chambless and Hollon afirmaram que ela dever ser
considerada como possível eficaz. Também nesta situação, o tamanho da
amostra pode ser de no mínimo três ou mais participantes no delineamento
experimental de caso único.
3.2.6 Medidas de Avaliação
Os testes psicológicos desempenham um papel fundamental nas
pesquisas sobre eficácia. Os resultados obtidos com essas medidas de
avaliação estabelecem se um determinado procedimento é eficaz ou não no
tratamento de uma população específica (Chambless e Hollon, 1998).
Uma intervenção baseada em evidência com casais pode utilizar as
medidas de avaliação em diferentes momentos dos estudos. As escalas podem
ser empregadas antes e após tratamento. Pode ser empregadas ainda durante
cada etapa específica da terapia. Os inventários podem ser também utilizados
para mensurar os efeitos de uma técnica específica. Objetivo das medidas de
avaliação pode ser ainda avaliar os fatores dos indivíduos que afetam o
relacionamento e vice-versa (Christensen, Baucom, Vu e Stanton, 2005).
3.2.7 Características gerais de um manual ou protocolo de tratamento
Nathan, Stuart e Dolan (2002) afirmaram que os tratamentos
psicoterápicos baseados em evidências necessitam de um protocolo ou
manual, sendo este considerado uma parte essencial na maioria dos estudos
70
de eficácia. Segundo os autores, para realizar esse tipo de pesquisa é
necessário haver a inclusão de três fatores importantes. O primeiro é uma
descrição precisa das técnicas específicas a serem testadas no tratamento. O
segundo é ter afirmações claras e objetivas de cada uma das técnicas que o
terapeuta vai utilizar. O terceiro é avaliar o grau de adesão do terapeuta ao
tratamento descrito no protocolo.
O manual de tratamento é a descrição detalhada de cada um dos
procedimentos utilizados pelo psicoterapeuta ao longo do tratamento. O foco
das terapias baseadas em evidências está nos efeitos de um tratamento
psicológico específico e não em no seu processo. Por exemplo, o pesquisador
vai estar mais interessado na natureza das técnicas e como elas foram
utilizadas, ao invés de vez de avaliar se a aliança terapêutica de forma geral
prediz melhores resultados de pesquisa (Chambless e Hollon, 1998).
Na terapia cognitivo-comportamental com casais, os manuais utilizados
pelos pesquisadores tendem a ser apresentados sessão por sessão. O
investigador descreve exatamente o que pretende fazer em casa consulta. O
manual deve ter ainda uma descrição da racionalidade, dos elementos
específicos e dos parâmetros do tratamento. Sendo o foco principal do
protocolo as técnicas únicas do procedimento terapêutico em particular
(Christensen, Baucom, Vu e Stanton, 2005).
3.2.8 Terapeutas
O pesquisador principal de uma pesquisa sobre os efeitos de um
tratamento psicológico nem sempre é o terapeuta em questão. Devido a esse
fato, o psicoterapeuta precisa ser adequadamente, selecionado, treinado e
71
supervisionado. O problema de algumas investigações pode estar
justamente no terapeuta ser inexperiente ou ter uma aliança teórica com outro
tipo de terapia (Chamblesse e Hollon, 1998).
O treinamento do terapeuta pode ocorrer através de supervisões
freqüentes, leitura de bibliografia específica, visualizações das atuações de
profissionais mais experientes, ver seu desempenho através da gravação das
sessões, entre outros. Como o terapeuta é uma variável que pode influenciar
os resultados de um tratamento, é importante que o seu desempenho também
seja avaliado (Christensen, Baucom, Vu e Stanton, 2005). Existem algumas
escalas que foram desenvolvidas para com esse objetivo, sendo a escala de
Young e Beck (1980) uma das mais utilizada na Terapia Cognitiva.
3.2.9 Análise estatística
O processo de analisar os resultados de uma pesquisa utilizando
procedimentos psicológicos é um desafio para o investigador. Existem alguns
pontos importantes que podem trazer grandes dificuldades. As terapias
baseadas em evidência que avaliam a eficácia dos seus resultados ficam de
frente com as seguintes questões.
Primeira, o tamanho da amostra é significativo para afirmar que um
procedimento é melhor que outro. Quando o número de participantes é
pequeno em uma investigação, o estudo fica com um baixo poder estatístico
para apontar diferenças entre os tratamentos propostos. Em segundo lugar, um
dos testes psicométricos utilizados pode favorecer o tratamento preferido do
pesquisador. Este por sua vez conclui que seu procedimento é eficaz pautado
nos resultados somente daquele inventário. Uma terceira questão está na
72
comparação do tratamento apreciado pelo investigador e o grupo
controle. Por exemplo, o pesquisador pode deixar de empregar um exame
rigoroso antes e após o procedimento psicológico e concluir que seus achados
confirmam a sua superioridade em relação um grupo de lista de espera. Em
quarto lugar, existe o problema dos pacientes que abandonam ou são
recusados para o tratamento. Por fim, algumas pesquisas não avaliam os
efeitos do terapeuta na intervenção (Chamblesse e Hollon, 1998).
No caso das pesquisas baseadas em evidencias com casais existem
alguns problemas específicos. Primeiro, os parceiros podem mudar de status
no meio da investigação como, por exemplo, se separarem. Em segundo lugar,
os membros dos casais podem ter uma grande influência entre si (Christensen,
Baucom, Vu e Stanton, 2005).
3.2.10 Significância Clínica
A análise estatística adequada é fundamental para avaliar a eficácia de
uma terapia. Contudo, os dados obtidos numa pesquisa podem ser avaliados
apenas em termos de sua importância matemática, ficando de fora sua
relevância para a prática clínica dentro dos atendimentos psicológicos.
Jacobson, Follette e Revenstorf (1984) definiram a mudança em
significância clinica como a capacidade de um procedimento terapêutico de
mover o paciente para fora do quadro da população disfuncional e colocar o
cliente dentro do grupo da amostra de pessoas funcionais.
Jacobson, Follette, Revenstorf, Baucom, Hahlweg e Margolin (1984)
exemplificaram que na terapia de casal a significância clínica estaria
relacionada com o aumento da satisfação conjugal após o tratamento
73
psicoterapêutico. Os pacientes seriam removidos da população de
casais estressados e enquadrados na classe dos cônjuges satisfeitos com seus
relacionamentos.
3.2.11 Seguimentos
Nicholson e Berman (1983) questionaram se o procedimento de
seguimento
era
necessário
nas
pesquisas
envolvendo
tratamentos
psicológicos. Após uma revisão dos estudos envolvendo o uso de seguimento,
os autores constataram que às vezes ocorria uma pequena mudança em
comparação a avaliação feita logo após o fim dos tratamentos. Para esses
pesquisadores o uso do dispendioso seguimento deveria ser mais seletivo.
Chambless and Hollon (1998) afirmaram que o uso do seguimento é
altamente desejável, mas muito difícil de conduzir. Esses autores apontaram
alguns problemas que podem ocorrer no emprego do procedimento de
seguimento. Em primeiro lugar, é mais um custo para a pesquisa. Em segundo
lugar, é trabalhoso o processo de conduzir e difícil de interpretar seus dados.
Por exemplo, os pacientes podem procurar outro tratamento no tempo de
espera do seguimento. Esses autores acreditam que o seguimento deve ser
utilizado dependendo do curso natural dos transtornos e a estabilidade do
efeito do tratamento que se pretende detectar.
3.2.12 Experimentos de Caso Único
As pesquisas realizadas com uma amostra grande são significativas em
termos estatísticos. Contudo, muitos detalhes dos tratamentos não são
74
averiguados. Focalizar um casal ou um pequeno grupo de cônjuges
possibilita ao investigador captar informações mais precisas sobre os efeitos do
tratamento e identificar os mecanismos específicos de ação das técnicas
utilizadas (Christensen, Baucom, Vu e Stanton, 2005).
Os princípios que norteiam as intervenções com grupo de controle e
experimental são semelhantes aos estudos de caso único. Uma característica
comum é construção de uma linha de base estável. Esta serve para como uma
forma de comparação que controla os efeitos da avaliação e da passagem do
tempo, entre outros (Chamblesse e Hollon, 1998).
Existem diferentes tipos de desenho para construir experimentos com
apenas um sujeito. Dois têm tido mais destaque. No desenho A-B-A o
investigador primeiro estabelece uma linha de base para avaliar apenas um
comportamento (A). A seguir aplica uma técnica específica (B) numa amostra.
Por fim, volta ao período da linha de base estabelecida (A). Na pesquisa com
casais, por exemplo, os cônjuges deveriam interagir melhor durante o
tratamento e piorar com o fim do mesmo. O desenho A-B-A não é utilizado na
pesquisa com casais, pois exigem reversibilidade do tratamento e a imposição
de uma recaída (Christensen, Baucom, Vu e Stanton, 2005).
No desenho de linha de base múltipla, o pesquisador pode avaliar mais
de um comportamento repetidamente e aplicar técnicas diferentes aos
comportamentos que estão sendo averiguados. Essa é a estratégia mais
apropriada nas intervenções baseadas em evidências com casais (Christensen
et al, 2005).
75
3.2.13 Intervenções baseadas em evidencias na terapia cognitivocomportamental com casais: estudos de eficácia.
Baucom, Shoham, Mueser, Daiuto e Stickle (1998) avaliaram a eficácia,
a efetividade e a significância clínica das intervenções psicológicas com casais
e famílias. Os autores procuram discutir os resultados a partir da aplicabilidade
dos critérios que definem se uma terapia é eficaz. Para esses pesquisadores o
critério que designa se um tratamento com casal é eficaz, está relacionado ao
aumento da satisfação e do ajustamento conjugal.
Baucom et al (1998) realizaram uma ampla revisão de artigos científicos
sobre os diferentes tratamentos baseados em evidências utilizados em casais.
Nessa tese foi dada ênfase às intervenções que empregaram técnicas
cognitivas e comportamentais. Um pouco mais abaixo é apresentada uma
tabela construída a partir dos achados dos autores referidos.
Os tratamentos apresentados na tabela foram apontados como
possivelmente eficazes. Ou seja, prescindiam de uma replicação dos seus
estudos por um grupo de pesquisa independente. Cabe ressaltar ainda que o
quadrante, resultados maiores, aponta diferenças estatísticas significativas
entre as condições de tratamento. Por exemplo, se 1 > 2, significa que o
tratamento um é estatisticamente superior a terapia dois (Baucom et al, 1998).
76
Status Empírico da Terapia de Casal para o Tratamento de Casais Estressados
Tratamento
Terapia Cognitiva
Estudo
Emmelkamp et al
(1988)
Terapia Cognitiva
Huber e Milstein
(1985)
Terapia CognitivoComportamental
Baucom e Lester
(1986)
Terapia CognitivoComportamental
Terapia CognitivoComportamental
Baucom et al
(1990)
Halford et al (1993)
Condições de
Tratamento
1. Terapia Comportamental
com casais (TCompC) (n =
16).
2. Reestruturação cognitiva
para casais (n = 16).
1. Reestruturação cognitiva
para casais (n = 9).
2. Lista de espera (n = 8).
1. TCompC (n = 8)
2.TCompC+Reestruturação
cognitiva (n = 8)
3. Lista de espera (n = 8)
1.TCompC+Reestruturação
cognitiva+treinamento de
expressividade emocional
(n = 12)
2. TCompC (n = 12)
3.TCompC+Reestruturação
cognitiva (n = 12)
4. TCompC +treinamento
de expressividade
emocional (n = 12)
5. Lista de espera (n = 12)
1. TCompC (n = 13)
2.TCompC+Reestruturação
cognitiva+exploração do
afeto+treinamento de
generalização (n = 13)
Resultados
Maiores
1=2
1>2
1=2>3
1=2=3=4>5
1=2
No critério de eficácia, todos os estudos apresentaram melhora em
relação à amostra da lista de espera. As pesquisas demonstraram também que
não houve diferenças estatísticas significativas entre as condições de
tratamentos ativas. No critério de significância clínica, os achados não
apontaram diferenças significativas entre a avaliação feita ao final do
tratamento e o seguimento. Os dados apontaram ainda que a terapia
comportamental junto com a reestruturação cognitiva tem os mesmos
resultados da terapia comportamental com casais. (Baucom et al, 1998).
Conforme
exposto
acima,
pesquisas
norte-americanas
não
apresentarem diferenças significativas entre a terapia comportamental e as
terapias cognitivo-comportamentais com casais em conflito. Contudo, duas
77
pesquisas apontaram alguns motivos para que as técnicas cognitivas
fossem empregadas antes das comportamentais no tratamento de casais em
conflito, baseados na experiência clínica dos próprios investigadores (Baucom
e Lester, 1986; Baucom, Sayers e Sher, 1990).
Baucom e Lester (1986) declararam que um primeiro motivo estaria
relacionado à resistência de ambos os parceiros em mudarem seus
comportamentos imediatamente. Em algumas ocasiões a resistência poderia
ser uma conseqüência da raiva dos cônjuges entre si, da culpa imposta ao
parceiro pelos problemas e/ou da posição de querer que o outro mudasse
primeiro. O objetivo de iniciar o tratamento com o foco nas atribuições de
causalidade teria o objetivo de minimizar essa resistência e permitir que cada
membro do casal percebesse os problemas conjugais de modo mais realista.
Em segundo lugar, as expectativas extremistas de ambos os cônjuges
poderiam ser o cerne de alguns problemas no relacionamento.
Baucom, Sayers e Sher (1990) disseram que mudanças realizadas nas
cognições algumas vezes podem facilitar tanto a motivação do casal para fazer
mudanças comportamentais quanto potencializar o significado de cada uma
delas.
Além disso, pesquisas realizadas em nosso país, apontam que a terapia
cognitivo-comportamental é eficaz no tratamento de diferentes transtornos
psicológicos (Falcone e Figueira, 2001; Rangé e Bernik, 2001; Caminha, 2004).
Devido a estes fatores, é que se justifica o uso nesta tese de técnicas
cognitivas e comportamentais no tratamento de casais brasileiros em conflito.
78
3.2.14 Limitações dos estudos de eficácia
As pesquisas feitas com objetivo de verificar se um determinado
tratamento é eficaz, tem suas limitações específicas. Uma delas é a
generalização dos resultados obtidos. Fica-se a dúvida de se o tratamento
proposto é eficaz para todo tipo de portador de uma doença. Por exemplo,
algumas pesquisas são realizadas com pessoas com um nível educacional
elevado, ficando de fora a população com baixa escolaridade. Às vezes as
investigações são conduzidas apenas com um grupo sem co-morbidades.
(Chambless e Hollon, 1998).
No casa da terapia de casal algumas limitações também se fazem
presente. As questões que ficam são, por exemplo, o que fazer com os casais
que não responderam ao tratamento ou quais procedimentos devem ser
empregados com as recaídas após o fim da pesquisa (Christensen, Baucom,
Vu e Stanton, 2005).
3.3 Efetividade
Existem alguns fatores que distinguem as pesquisas de eficácia e de
efetividade. Conforme mencionado acima, os estudos de eficácia têm como
base os ensaios clínicos randomizados, as amostras grupais bem definidas,
condições apropriadas de controle e manuais de tratamento (Nathan, Stuart e
Dolan, 2000).
Devido a essas características, os estudos de eficácia têm sofrido
grande contestação por parte dos clínicos. Dois pontos são centrais nessa
discussão. O primeiro refere-se à falta de evidências da aplicabilidade dos
protocolos de tratamentos das pesquisas na prática privada realizada em
79
consultórios e clínicas comuns. O segundo diz respeito ao tipo de
paciente que chega aos atendimentos psicológicos em consultórios particulares
e o uso de amostras selecionadas nas pesquisas de eficácia. Ou seja, na
clínica convencional não são empregados uma lista extensa de critérios de
exclusão (Chambless e Ollendick, 2001).
As pesquisas de efetividade caracterizam-se por serem empregadas em
consultórios privados e não em centros de pesquisas. Os pacientes não são
excluídos por terem co-morbidades com transtornos mais graves como, por
exemplo, esquizofrenia. Os terapeutas nem sempre recebem o treinamento e
supervisão fornecidos nas pesquisas de eficácia. O objetivo é verificar a
validade externa do tratamento, ou seja, sua capacidade de generalização na
prática clínica (Nathan, Stuart e Dolan, 2000; Chambless e Hollon, 1998
Chambless e Ollendick, 2001).
Chamblesse e Hollon (1998) defendem a convergência dos estudos de
eficácia e efetividade. Segundo esses autores, a investigação de efetividade
pode ter o delineamento das pesquisas de eficácia. Esses pesquisadores
apontam que as pesquisas realizadas em consultórios particulares podem ter
designar randomicamente os pacientes para determinadas condições de
tratamento. Eles acreditam que é importante manter a verificação da validade
interna de um tratamento, ou seja, que as mudanças de comportamento
observadas são devidas uma técnica específica.
Chambless e Hollon (1998) apontaram ainda ao contrário do que os
opositores das pesquisas de eficácia acreditam, esse tipo de investigação tem
incluído em sua amostra pacientes com transtornos mais grave como, por
exemplo, os transtornos da personalidade.
80
3.4 Custo / Efetividade
Esse é um tema importante levado em consideração nas terapias
baseadas em evidências em geral. Pois diferentes métodos de tratamentos
mostram ser eficazes com a mesma população investigada. Contudo, os
clínicos, os pacientes e os pesquisadores precisam avaliar os custos e os
benefícios de determinada prática (Chambless e Hollon, 1998).
Por exemplo, sabe-se que em curto prazo algumas medicações são
mais efetivas no tratamento de um transtorno específico. Mas os efeitos
positivos dos remédios não permanecem com o término do seu uso. O que
torna os fármacos dispendiosos ao longo prazo. A terapia em curto prazo às
vezes é muito mais dispendiosa que o tratamento farmacológico. Porém,
alguns tratamentos psicoterapêuticos mostram-se ser a melhor opção em longo
prazo devida à manutenção do equilíbrio emocional e a baixa probabilidade de
recaídas (Chambless e Hollon, 1998).
81
OBJETIVOS
82
4. OBJETIVOS
4.1 Objetivo geral
Esta pesquisa teve por objetivo avaliar a eficácia de algumas técnicas
cognitivas e comportamentais específicas no tratamento de casais brasileiros
em conflito. Para atingir esta meta, foi construído um protocolo de tratamento
que é descrito em detalhes no capítulo sobre o método.
Segundo Baucom, Shoham, Mueser, Diauto, Stickle (1998) o critério que
defina um tratamento para casal como eficiente é o aumento da satisfação ou
do ajustamento conjugal.
4.2 Objetivos específicos
1 – Avaliar o impacto de técnicas cognitivas e comportamentais
específicas na satisfação e no ajustamento conjugal.
2 – Investigar qualitativamente o tratamento a partir da análise clínica de
cada um dos membros dos casais.
3 – Analisar o processo de aquisição das habilidades fornecidas nas
técnicas pelos clientes.
83
MÉTODO
84
5. MÉTODO
Este capítulo apresenta o método empregado nessa intervenção
baseada em evidências com casais, utilizando técnicas cognitivas e
comportamentais. Inicialmente, são descritos: a) os critérios de inclusão e
exclusão; b) a obtenção da amostra de casais brasileiros; c) os participantes; d)
os dados do comitê de ética em pesquisa; e) as informações sobre o terapeuta;
f) os auxiliares dessa pesquisa.
Na seqüência, são apresentados os instrumentos psicológicos que foram
empregados nessa pesquisa. Além disso, são descritos o protocolo empregado
nessa intervenção baseada em evidências. Finalmente, aponta-se o modo
como foi feita a análise dos dados obtidos nessa investigação.
5.1 Critérios de inclusão e exclusão
No presente estudo, os critérios de inclusão e exclusão foram escolhidos
com base nas pesquisas que avaliaram a eficácia de técnicas cognitivas e
comportamentais no tratamento de casais em conflitos (e.g., Baucom e Lester,
1986; Baucom et al, 1990; Emmelkamp et al, 1988; Huber e Milstein, 1985).
Foram empregados os seguintes critérios de inclusão para esse
processo investigativo:
1) Casais com nacionalidade brasileira.
2) Casais que vivem na condição de marido e mulher, ou seja, em união
estável (Brasil, 2002), não necessariamente casados legalmente.
3) Casais heterossexuais.
85
4) Ambos os membros do casal precisarão ter no mínimo o
ensino médio completo, conforme as leis educacionais vigentes no
Brasil.
5) Casais de diferentes raças, religiões e/ou níveis socioeconômicos.
6) Casais com idades diferentes.
7) O tempo de casado poderá ser de qualquer duração em termos de
meses e/ou anos.
8) Os
membros
dos
casais
apresentarem-se
insatisfeitos
ou
desajustados em seus relacionamentos amorosos.
Foram empregados os seguintes critérios de exclusão para os casais.
Presença de um dos itens listados abaixo em pelo menos um dos parceiros:
1) Transtorno psicológico clínico grave.
2) Transtorno da Personalidade
3) Quadro psicótico de qualquer natureza.
4) Abuso ou dependência química.
5) Disfunção sexual.
5.2 Obtenção da amostra
Com o intuito de obter os participantes para essa pesquisa, foram
utilizados os seguintes meios de divulgação: 1) mensagem eletrônica (e-mail)
enviada no portal do Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio de
Janeiro; 2) Palestras ministradas pelo terapeuta e pesquisador desse estudo e
86
3) Divulgação de cartazes em clínicas especializadas. Esse processo
se deu entre 02 de abril e 30 de Maio de 2008.
Como resultado da divulgação realizada, dezessete casais ligaram ou
mandaram e-mails se mostrando interessados em participar da pesquisa. Foi
elaborada uma lista com os nomes, telefones e e-mails dos casais que
entraram em contato. Esses casais foram sendo convidados para a avaliação
inicial baseado no ordenamento feito na lista de procura. Os casais que se
adequaram aos critérios de inclusão e exclusão foram selecionados para
participar do estudo.
Dos 17 casais que entraram em contato, dois foram excluídos do estudo
por serem casais homossexuais, cinco desistiram do estudo já no primeiro
contato telefônico, quatro desistiram após a primeira sessão de atendimento.
Seis casais que participaram da avaliação inicial se adequaram em todos os
critérios de inclusão e exclusão pré-estabelecidos.
Para determinar o número de casais que seriam necessários para a
pesquisa foi realizada extensa consulta à literatura especializada sobre o
assunto (e.g., Chambless e Hollon, 1998). Considerando as recomendações da
literatura e os recursos disponíveis ao autor deste trabalho, chegou-se a
conclusão que a pesquisa poderia ser conduzida com seis casais. Por um lado
esse número contemplaria as possibilidades de uma pesquisa conduzida por
um doutorando e por outro poderia oferecer evidências, ainda que provisórias,
a serem corroboradas por estudos posteriores sobre o assunto.
Cabe ressaltar que esta pesquisa não utilizou nem grupo experimental
nem controle. Baucom, Halweg e Kuschel (2003) apontaram através de uma
meta-análise que os casais alocados em grupos de lista de espera não
apresentavam melhora significativa. Esses autores afirmaram que os
87
investigadores não precisam aumentar seus custos de pesquisa,
diminuir o número de casais no tratamento ou correr o risco de dilemas éticos
quando usam experimentos onde os participantes da pesquisa não recebem
tratamento.
Dessa forma, o estudo foi iniciado com seis casais. Dois casais
desistiram após a décima sessão. Outro casal largou a pesquisa após o décimo
terceiro atendimento. Sendo assim, três casais participaram das 16 sessões de
tratamento e mais duas sessões de avaliação (pré e pós tratamento) proposta
nessa pesquisa.
Cabe esclarecer os motivos da desistência de cada um dos três casais.
O primeiro casal, que desistiu após a décima sessão, retirou-se da pesquisa
porque a parceira foi diagnosticada com câncer e necessitou se sair do estado
do Rio de Janeiro para fazer o tratamento.
O segundo casal, que desistiu após a décima sessão, largou o estudo
porque a parceira era estudante de Psicologia, estava em período de estágio
curricular e havia escolhido fazer formação numa abordagem psicodinâmica. A
paciente declarou não acreditar nas técnicas de tratamento propostas.
O terceiro casal, que desistiu na décima terceira sessão, deixou a
pesquisa porque a parceira resolveu se separar do marido. Ela avaliou que o
marido não estava disposto a mudar e que por isso sua relação não iria
melhorar.
Por fim, é importante ressaltar que casais continuam buscando esse
atendimento oferecido pela pesquisa até a finalização da escrita dessa tese.
88
5.3 Participantes
Três casais participaram das 16 sessões de tratamento propostas no
protocolo dessa pesquisa. Com o objetivo de preservar a identidade dos
participantes dessa pesquisa, cada membro do casal é por um nome fictício
como, por exemplo, Isabel (Esposa – Casal 01) e Carlos (Marido – Casal 01).
Nesse segmento, é descrito um breve relato de cada casal. Os quadros clínicos
de cada parceiro e os principais aspectos do relacionamento dos três casais
são descritos nos resultados.
Isabel e Carlos (Casal 01) estavam casados há três anos e cinco meses.
Eles viviam no regime de união estável. Não tinham filhos. A renda familiar
deles ficava próxima de dois mil reais mensais. Eles não tinham carro. Eles
moravam de aluguel. Na casa onde moravam viviam o casal e uma amiga em
comum. Essa pessoa morava com eles porque alugava um quarto do
apartamento. Esse dinheiro era utilizado para complementar à renda familiar.
Segundo relato do casal, essa amiga não interferia na relação conjugal.
Fernanda e André (Casal 02) estavam casados há um ano e meio. Não
tinham filhos. Esse casal morava na cidade do Rio de Janeiro. Na casa onde
moravam, viviam apenas eles dois. Os dois juntos possuíam uma renda familiar
de aproximadamente seis mil reais. Eles moravam de aluguel e tinham um
carro próprio.
Angela e Felício (Casal 03) estavam casados há dezesseis anos. Eles
tinham um filho de quinze anos de idade que morava com o casal. Eles moram
na cidade do Rio de Janeiro. Tinham uma renda familiar de aproximadamente
dois mil reais. A casa deles era própria e possuíam tinham um carro.
89
5.4 Terapeuta
A intervenção terapêutica foi realizada por um psicólogo que tinha seis
anos de experiência profissional no momento da pesquisa de campo, sendo
que seu maior nível de escolaridade é mestre em Psicologia.
5.5 Auxiliar de pesquisa
Três estudantes de graduação do Instituto de Psicologia da Universidade
Federal do Rio de Janeiro fizeram as aplicações das medidas em todos os
participantes antes da intervenção psicológica. A primeira auxiliar era Clarice
Moreira Portugal. A segunda era Ludimila Tassano Pitrowsky. A terceira era
Pamela Ramos Blanco. Todas as três auxiliares participaram voluntariamente
dessa pesquisa. O pesquisador forneceu treinamento prévio às três estudantes
para aplicação das escalas nos casais. Elas foram treinadas em cada uma das
escalas e como conduzir a avaliação inicial. Cabe ressaltar que os casais
chegavam com muita vontade de expressar suas questões. O que exigiu das
auxiliares um mínimo de treinamento para manejar as situações que surgiram.
5.6 Comitê de ética em pesquisa
Essa pesquisa foi aprovada, protocolo número 035/071, pelo Comitê de
Ética em Pesquisa da Escola de Enfermagem Anna Nery juntamente com o
Hospital
Escola
São
Francisco
de
Assis
(CEP
EEAN/HESFA)
para
cumprimento da resolução número 196, de 10 de outubro de 1996, do
1
Ver anexo
90
Conselho Nacional de Saúde. Todos os participantes assinaram um
termo de consentimento livre e esclarecido2 em cumprimento às leis vigentes
no Brasil.
5.7 Instrumentos
Foram utilizados instrumentos de avaliação psicológicos com o intuito de
averiguar níveis de satisfação e ajustamento conjugal, as habilidades sociais
dos participantes, as cognições disfuncionais sobre relacionamentos amorosos
e a presença de transtornos e outros problemas especificados nos critérios de
exclusão dessa pesquisa.
5.7.1 Inventário de Crenças sobre Relacionamento3
Foi utilizada a versão em português do Inventário de Crenças sobre
Relacionamento (RBI, Relationship Belief Inventory, Eidelson e Epstein, 1982),
traduzido por Peçanha e Rangé (2008b), para avaliar crenças inadequadas. O
objetivo desse instrumento é medir o nível de aderência de uma pessoa a cada
uma das cinco crenças disfuncionais sobre relacionamentos íntimos.
Essa escala é composta de 40 itens que foram originalmente (Eidelson e
Epstein, 1982) distribuídos em cinco sub-escalas: 1) Desacordo é destrutivo, é
a crença de que a falta de consenso é uma ameaça à relação amorosa; 2)
Leitura mental é esperada, os parceiros acreditam que o seu companheiro
deveria ser capaz de saber o que sentem ou pensam sem comunicarem; 3)
2
Ver anexo
3
Ver anexo
91
Parceiros não podem mudar, uma pessoa acredita que seu
companheiro não seria capaz de mudar nem a si próprio nem a sua relação; 4)
Perfeccionismo sexual, é a idéia de que o parceiro deve ter um desempenho
sexual perfeito; 5) Os sexos são diferentes, é a crença de que os problemas no
relacionamento são diferenças típicas entre o gênero masculino e feminino.
Em cada um dos 40 itens do RBI, o respondente deve escolher uma
entre seis respostas (“acredito fortemente que a afirmação é verdadeira”;
“acredito que a afirmação é verdadeira”; “acredito que a afirmação é
provavelmente verdadeira, ou mais verdadeira do que falsa”; “acredito que a
afirmação é provavelmente falsa, ou mais falsa do que verdadeira”; “acredito
que a afirmação é a afirmação é falsa”; “acredito fortemente que a sentença é
falsa”). Essas respostas devem ser dadas a cada um dos 40 itens (e.g., “Não
posso aceitar que meu parceiro discorde de mim”).
O RBI foi originalmente testado em casais norte-americanos que
estavam ou não em tratamento psicológico (Eidelson e Epstein, 1982). Os
autores recomendaram a utilização do escore por sub-escala. Os itens
poderiam ser pontuados de zero até 5. A máxima pontuação é quarenta e a
mínima é zero. Uma alta pontuação indica grande aderência a uma crença
inadequada particular. Foi relatado um coeficiente de fidedignidade para o
inventário (alfa de Cronbach com extensão de 0,72 até 0,81 para cada subescala), obtidos em uma amostra de 147 casais.
Posteriormente, Baucom et al (1990) consideraram pertinente utilizar um
escore total que era obtido pela soma das respostas aos itens. No presente
estudo, seguindo a orientação de Baucom et al, é apresentado o resultado
geral da escala.
92
5.7.2 Medida da Atribuição nos Relacionamentos (RAM)4
Foi utilizada a versão em português da Medida da Atribuição nos
Relacionamentos (RAM, Relationship Attribuion Measure, Fincham e Bradbury,
1992), traduzida por Peçanha e Rangé (2008c), para avaliar atribuições
inadequadas nos relacionamentos íntimos. A principal característica dessa
escala é que ela permite a avaliação das atribuições de causalidade,
responsabilidade e culpa, focalizando as dimensões de lócus, estabilidade,
globalidade, intenção, motivação e culpa.
O RAM foi utilizado na sua versão de quatro itens (“Seu (sua) marido
(esposa) critica alguma coisa que você diz”; “O seu (sua) marido (esposa)
começou há passar menos tempo com você”; “O seu (sua) marido (esposa)
não presta atenção ao que você está dizendo”; “Meu (minha) marido (esposa)
está frio (a) e distante”). Cada item é composto por seis situações hipotéticas
(e.g, “Meu (minha) marido (esposa) merece ser culpado por me criticar”). O
respondente pode escolher entre seis repostas para cada uma das situações
(“discordo fortemente”; “discordo”; “discordo um pouco”; “concordo um pouco”;
“concordo”; “concordo fortemente”).
Os escores mais elevados em cada uma das sub-escalas, ou dimensões
avaliadas, refletem atribuições que acentuam o impacto dos comportamentos
negativos. Ou seja, vendo as atitudes do parceiro como mais estáveis,
intencionais e culpáveis. O que tem um reflexo direto negativo na satisfação
conjugal (Fincham e Bradbury, 1992).
4
Ver anexo
93
O RAM foi originalmente testado em casais norte-americanos
(Fincham e Bradbury, 1992). Os autores recomendaram a utilização do escore
de cada dimensão avaliada. Três estudos foram conduzidos para testar e
refinar os itens do inventário. Em cada uma das pesquisas foi utilizado um
coeficiente de fidedignidade para o inventário (alfa de Cronbach >.70 na grande
maioria das sub-escalas), com uma mostra total de 226 casais.
Posteriormente, Graham e Conoley (2006) consideraram pertinente
utilizar um escore total que era obtido pela soma das respostas aos itens. No
presente estudo é apresentado o resultado geral da escala.
5.7.3 Escala de Ajustamento Diádico5
Foi utilizada a versão em português da Escala de Ajustamento Diádico
(DAS, Dyadic Adjustment Scale, Spainer, 1976), traduzida por Bernard (2007),
para avaliar a qualidade do relacionamento pela percepção dos casais ou
parceiros. A principal característica dessa escala é que ela permite a avaliação
de diferentes aspectos de uma relação conjugal que incluem: satisfação
diádica; coesão diádica; consenso diádico; expressão afetiva.
A DAS possui 32 itens, 15 dos quais o respondente pode escolher uma
entre seis respostas (“sempre concordamos” até “sempre discordamos) para
uma série de situações (e.g., “tarefas domésticas”). Outras sete questões
pedem que o respondente escolha uma entre seis respostas (“o tempo todo”
até nunca) para uma série de perguntas (e.g., “Você confia em seu cônjuge?”).
Em quatro itens o respondente pode escolher uma entre seis respostas
(“nunca” até “mais freqüente”) para algumas situações (e.g., “trabalhar juntos
5
Ver anexo
94
em um projeto”). Em seis itens o respondente pode escolher diferentes
opções de respostas para eventos específicos.
A DAS foi originalmente testada em dois grupos: homens e mulheres
norte-americanos que estavam casados ou divorciados (Spainer, 1976). O
autor recomendou do escore total do DAS, que corresponde à soma de todos
os itens, variando de 0-151. Escore mais alto reflete um relacionamento
amoroso melhor. O autor relatou um coeficiente de fidedignidade (alfa de
Cronbach 0,96), obtidos numa amostra de 218 pessoas casadas e 90
participantes divorciados.
5.7.4 Escala de Satisfação Conjugal6
Foi utilizada a versão em português da Escala de Satisfação Conjugal
(Escala de Satisfaction Marital, Pick de Weiss e Andrade Palos, 1988),
traduzida e adaptada por Dela Coleta (1989), para avaliar a satisfação
conjugal. A principal característica desse instrumento é que ele permite a
avaliação de três aspectos do casamento: satisfação com aspectos emocionais
do cônjuge; satisfação com a interação conjugal; satisfação com a forma de
organização, de estabelecimento e cumprimento de regras pelo cônjuge.
A Escala de Satisfação Conjugal possui 24 questões que são
distribuídas entre as três sub-escalas mencionadas acima. A primeira subescala possui cinco itens, referentes à satisfação com aspectos emocionais do
cônjuge (e.g., “o tempo que minha mulher dedica ao nosso casamento”). A
segunda sub-escala possui 10 questões, relacionadas à satisfação com a
6
Ver anexo
95
interação conjugal (e.g., “a forma como se comporta quando está de
mau humor”). A terceira sub-escala possui nove itens, ligados à satisfação com
a forma de organização, de estabelecimento e cumprimento de regras pelo
cônjuge (e.g., “o tempo que passamos juntos”). Em todas as questões o
respondente pode escolher uma entre três respostas (“eu gosto como tem
sido”; “eu gostaria que fosse um pouco diferente”; “eu gostaria que fosse um
pouco diferente”) para algumas declarações.
Cabe ressaltar que na adaptação brasileira, Dela Coleta (1989)
recomendou a utilização do escore total na interpretação da escala. O escore
total mais baixo reflete indica melhor satisfação conjugal.
5.7.5 Questionário de Empatia Conjugal7
Foi utilizado o Questionário de Empatia Conjugal (QEC), criado por
Oliveira e Falcone (2005), para avaliar a empatia nos relacionamentos
amorosos. A principal característica desse instrumento auto-aplicável é avaliar
os aspectos cognitivos, afetivos e comportamentais da empatia do parceiro nas
interações cotidianas.
O QEC possui 36 itens, 19 dos quais relacionadas ao componente
comportamental da empatia (e.g., “Minha companheira emite sons do tipo
“hum-hum” mostrando que me entende”). Outras 12 questões referem-se ao
elemento cognitivo da empatia (e.g., “Meu companheiro reconhece minhas
boas intenções”). Finalmente, cinco itens estão ligados ao componente
emocional da empatia (e.g., Minha companheira sente compaixão quando eu
7
Ver anexo
96
me mostro desesperançado). Todas as questões solicitam que o
respondente escolha uma entre quatro respostas (“nunca”; “às vezes”;
“freqüentemente”; “sempre”).
Oliveira (2005) declarou que:
“O Questionário de Empatia Conjugal (QEC)
busca avaliar como o respondente percebe o
comportamento do companheiro em relação a si
próprio. Cada item tem uma pontuação que varia
entre 1 (nunca) até 4 (sempre). Quanto maior a
pontuação, maior a empatia conjugal do parceiro. Os
itens 4, 11, 17, 22, 25 e 35 devem ser invertidos uma
vez que representam atitudes não empáticas, assim
se a resposta for 1 inverte-se para 4; se for 4 invertese para 1”.
O QEC foi testado em dois grupos de uma mesma instituição: alunos e
funcionários de diferentes Faculdades e Institutos da Universidade do Estado
do Rio de Janeiro (Oliveira e Falcone, 2005). A autora recomendou a utilização
do escores da média de todos os itens na interpretação do questionário. Ela
relatou ainda um coeficiente de fidedignidade (alfa de Cronbach 0,95), obtidos
numa amostra de 120 pessoas.
97
5.7.6 Inventário Beck de Depressão8
Foi utilizada a versão em português do Inventário Beck de Depressão
(BDI, Beck Depression Inventory, Beck et al, 1961), traduzido e adaptado por
Cunha (2001), para avaliar a depressão em amostras clínicas e não-clínicas.
O BDI tem 21 questões que incluem sintomas e atitudes. O respondente
pode escolher entre uma a todas as quatro respostas, cuja intensidade varia de
um até três, para várias declarações (e.g., “acho que não tenho nada a
esperar”).
Os pontos de corte utilizados na avaliação dos resultados obtidos com
os pacientes são: menor que 10, sem depressão ou depressão leve; entre 11 e
18, depressão leve a moderada; entre 19 e 29 depressão, moderada a grave;
entre 30 e 63, depressão grave (Beck, Ward, Mendelson, Mock e Erbaugh,
1961; Cunha, 2001).
5.7.7 Inventário Beck de Ansiedade9
Foi utilizada a versão em português do Inventário Beck de Ansiedade
(BAI, Beck Anxiety Inventory, Beck et al, 1988), traduzido e adaptado por
Jurema Alcides Cunha (2001), para avaliar ansiedade em amostras clínicas e
não clínicas.
O BAI possui 21 itens, as quais o respondente pode escolher uma entre
quatro respostas (“absolutamente não”; “levemente”; “moderadamente”;
8
Ver anexo
9
Ver anexo
98
“gravemente”) para uma série de declarações (e.g., “medo de perder o
controle”).
O BAI foi originalmente testado em pacientes clínicos psiquiátricos (Beck
et al, 1988). Os autores recomendaram a utilização do escore total, definido
com a soma de todos os itens, na interpretação do inventário. Eles relataram
um coeficiente de fidedignidade (alfa de Cronbach 0,92), para uma amostra de
160 pessoas.
Os níveis de pontuação desse instrumento são os seguintes: entre 0 e
10, mínimo de ansiedade; entre 11 e 19, nível leve de ansiedade; entre 20 e
30, ansiedade moderada; e entre 31-63, ansiedade grave. (Beck, Epstein,
Brown e Steer, 1988).
5.7.8 Mini International Neuropsychiatric Interview (MINI)10
Foi utilizada a versão em português da entrevista padronizada Mini
International Neuropsychiatric Interview (Sheehan et al, 1998), traduzida por
Amorim (2002), para averiguar a presença de sintomas psiquiátricos do Eixo I
do Manual Diagnóstico Estatístico, versão quatro (DSM-IV). A aplicação é
rápida, variando de quinze minutos a meia hora.
10
Essa entrevista clínica estruturada não foi colocada em anexo, devido ao grande
número de páginas, quarenta e cinco no total.
99
5.7.9 Questionário sócio-demográfico11
Peçanha (2008) criou um questionário para coletar dados gerais dos
participantes da presente pesquisa. Foram feitas perguntas sobre os seguintes
aspectos sócio-demográficos: sexo; idade; escolaridade; duração da união;
número de filhos; e renda familiar.
5.8 Protocolo
Essa seção descreve todo o protocolo realizado nessa pesquisa. Em
primeiro lugar, é descrita a duração dessa intervenção. Na seqüência, é
demonstrado o modo como foram feitas as avaliações dos casais. Logo após,
são apresentados os principais aspectos do tratamento como um todo. Por fim,
são descritas cada uma das técnicas utilizada ao longo das sessões que
compõe o manual de tratamento utilizado nessa pesquisa.
5.8.1 Duração
No total foram realizadas 16 sessões de atendimento com cada casal
separadamente. O que equivale a aproximadamente quatro meses de
tratamento. Entretanto, o tratamento durou mais tempo devido às faltas dos
pacientes, feriados e outros imprevistos ao longo do processo terapêutico.
Totalizando sete meses de pesquisa. Todos os atendimentos foram realizados
11
Ver anexo
100
aos sábados. Pois durante a semana os membros de cada casal não
tinham horários em comum, devido as suas atividades laborais e acadêmicas.
5.8.2 Avaliação
Esse procedimento foi conduzido antes do tratamento por três auxiliares
de pesquisa que são estagiárias da Divisão de Psicologia Aplicada da
Universidade Federal do Rio de Janeiro. Essas alunas foram treinadas para
aplicar cada uma das medidas utilizadas nessa investigação. A avaliação após
o tratamento foi conduzida pelo próprio pesquisador-terapeuta.
5.8.3 Tratamento: visão geral
Os casais recrutados foram atendidos separadamente ao longo de 16
sessões, onde foram utilizadas técnicas cognitivas e comportamentais
recomendadas pela literatura científica para essa população. Não houve
terapia em grupo com os casais. Cada casal era atendido em um horário
específico (Rangé e Dattilio, 2001; Baucom e Epstein, 1990).
Foram utilizadas diferentes técnicas no manual de tratamento que
incluem: (1) identificação de atribuições, expectativas, padrões e suposições
irrealistas (2) treino em auto-monitoração sistemática da relação entre
pensamentos, sentimentos e comportamentos disfuncionais; (3) auxílio aos
clientes na identificação e modificação de crenças inadequadas; (4) treino em
comunicação eficaz; e (5) treino na resolução de problemas.
Para promover a aprendizagem por parte dos casais das técnicas
propostas foram utilizados experimentos, agendamento de atividades, uso de
101
registros de pensamento, folhetos informativos, entre outros. Cada
tarefa proposta contou com a colaboração do terapeuta e do casal. O
profissional e os pacientes tiveram um papel ativo durante o tratamento (Rangé
e Dattilio, 2001).
As sessões foram estruturadas e planejadas para a intervenção em
problemas específicos do casal. Foram realizados somente atendimentos
conjuntos com cada casal. Cada sessão conjunta teve a duração aproximada
de uma hora e trinta minutos. A freqüência do casal ao tratamento foi semanal,
aos sábados especificamente.
Cada sessão foi gravada em aparelho de mp3. Essas gravações foram
realizadas através da concordância dos clientes. Foi entregue a cada membro
do casal um termo de compromisso sobre o sigilo profissional, ressalvadas as
exibições do material coletado para as atividades de ensino e pesquisa. O
psicoterapeuta e a instituição de ensino também ficaram com uma cópia desse
termo. Esse documento foi assinado por cada membro do casal e o estudante
de pós-graduação que realizou a pesquisa.
O manual de tratamento foi aplicado em uma população especificamente
selecionada, devido às restrições de pesquisa. Não é possível a construção de
um manual que contemple todos os diferentes tipos de relacionamentos
amorosos e nem todos os problemas a eles diretamente ligados.
Todos os itens do manual seguem as prescrições da literatura cognitivocomportamental especializada na área de casais e nessa modalidade de
terapia em geral (Baucom e Epstein, 1990; Beck, 1995; Dattilio e Padesky,
1995; Esptein e Baucom, 2002; Rangé e Datillio, 2001). Encontram-se em
anexo, todo o material didático que foi fornecido pelo terapeuta a cada um dos
clientes durante as sessões.
102
Na primeira sessão foi feita uma entrevista para avaliar os
principais aspectos do relacionamento amoroso. Na segunda sessão, o
psicoterapeuta fez a devolução do processo de avaliação aos clientes,
incluindo os dados obtidos pelas auxiliares de pesquisa.
O psicólogo
apresentou os pontos fortes e os fracos sobre o relacionamento do casal. Ainda
nessa sessão até a quarta, foi focalizado o processo de atribuição de
causalidade dos problemas no relacionamento.
Na quinta e sexta sessões o alvo foi cada uma das expectativas
irrealistas e extremistas que são mantidas por ambos os parceiros. Na sétima e
oitava sessões focalizaram-se os padrões e as suposições que podem
contribuir para os problemas conjugais em geral. Na nona sessão foi realizado
o procedimento de reestruturação cognitiva. Foram utilizadas técnicas como
registro de pensamento, questionamento socrático, entre outras.
A décima e a décima primeira sessões trabalharam respectivamente a
melhora da comunicação entre os cônjuges e a resolução inadequada de seus
problemas. A partir da décima segunda sessão, foram abordados os problemas
específicos que fizeram o casal buscar tratamento psicoterápico.
5.8.4 Manual de tratamento
Nesse segmento são descritas minuciosamente cada uma das técnicas
cognitivas e comportamentais empregadas nas sessões de tratamento. São 16
sessões no total, apontadas como apropriadas para o tratamento de casais em
conflito (Baucom e Epstein, 1990; Beck, 1995; Dattilio e Padesky, 1995;
Esptein e Baucom, 2002; Rangé e Datillio, 2001).
103
1ª SESSÃO
1 – A sessão foi conjunta (Dattilio e Padesky, 1995).
2 – Teve duração de uma hora e trinta minutos (Schmaling, Fruzzetti e
Jacobson, 1997).
3 – Foi realizada uma entrevista inicial, onde os parceiros relataram a
história12 do relacionamento conjugal através de perguntas elaboradas
previamente pelo terapeuta (Baucom e Epstein, 1990).
4 – Foram averiguadas as principais áreas de dificuldades do
relacionamento e os pontos positivos da relação (Schmaling et al, 1997).
5 – O terapeuta avaliou também a interação do casal na sessão (Dattilio,
2004).
6 – Foi dada uma explicação geral do modelo da terapia cognitiva com
casais. Além disso, foi fornecido um folheto instrutivo13 para os parceiros sobre
o assunto (Rangé e Dattilio, 2001).
7 – Foi solicitado o feedback do casal sobre a sessão (Beck, J., 1997).
2ª SESSÃO
1 – A sessão foi conjunta (Dattilio e Padesky, 1995).
2 – Teve duração de uma hora e trinta minutos (Schmaling, Fruzzetti e
Jacobson, 1997).
12
Ver o anexo
13
Ver o anexo
104
3 – O terapeuta fez a apresentação da conceituação do caso,
assinalou as principais áreas problemáticas do relacionamento e as
características positivas da convivência do casal (Schmaling, Fruzzetti e
Jacobson, 1997).
4 – Foi feita uma apresentação do plano de tratamento para o casal
(Schmaling et al, 1997).
5 – Essa sessão foi dedicada também à dimensão externa e interna da
atribuição. Objetivou-se apresentar a tendência dos parceiros a fazerem
explicações muito simplificadas para problemas específicos (Baucom e Lester,
1986).
6 – O casal recebeu uma lista de atribuições14 disfuncionais que
costumam ser freqüentes nos relacionamentos amorosos.
7 – O terapeuta solicitou ao casal que verificasse a presença de uma
das atribuições disfuncionais em um problema específico. Cada parceiro
relatou suas próprias atribuições (Pretzer, Epstein e Fleming apud Baucom e
Epstein, 1990).
8 – Foi solicitado o feedback do casal sobre a sessão (Beck, J., 1997).
3ª SESSÃO
1 – A sessão foi conjunta (Dattilio e Padesky, 1995).
2 – Teve duração de uma hora e trinta minutos (Schmaling, Fruzzetti e
Jacobson, 1997).
14
Ver o anexo
105
3 – Foram focalizadas as atribuições inadequadas que são
amplas e globais. Essas são formas de generalizações obscuras que levam a
um senso de desesperança e abandono nos parceiros (Baucom e Lester,
1986).
4 – O casal recebeu o mesmo folheto da 3ª sessão para um debate de
fatores específicos e não globais que contribuíam para os seus problemas
(Baucom e Lester, 1986).
5 – Foi solicitado o feedback do casal sobre a sessão (Beck, J., 1997).
4ª SESSÃO
1 – A sessão foi conjunta (Dattilio e Padesky, 1995).
2 – Teve duração de uma hora e trinta minutos (Schmaling, Fruzzetti e
Jacobson, 1997).
3 – Foram trabalhadas as atribuições disfuncionais relacionadas a
fatores estáveis ou imutáveis. Esse tipo de atribuição também leva a um senso
de desesperança e futilidade (Baucom e Lester, 1986).
4 – Foi enfatizada a importância da reciprocidade e da interdependência
como o oposto das atribuições disfuncionais estáveis. O terapeuta apontou que
a alteração do comportamento da própria pessoa pode às vezes levar a
mudanças no comportamento do outro cônjuge (Baucom e Lester, 1986).
5 – O casal foi instruído a fazer uma lista com mudanças
comportamentais especificas para a situação problema, mas que não
precisavam ser implementadas naquele momento (Baucom e Lester, 1986).
6 – Foi solicitado o feedback do casal sobre a sessão (Beck, J., 1997).
106
5ª SESSÃO
1 – A sessão foi conjunta (Dattilio e Padesky, 1995).
2 – Teve duração de uma hora e trinta minutos (Schmaling, Fruzzetti e
Jacobson, 1997).
3 – Foram focalizadas as expectativas inadequadas de cada parceiro
sobre seu relacionamento e em relação um ao outro (Baucom e Lester, 1986).
4 - Foi apresentada uma lista15 com as expectativas inadequadas mais
freqüentes nas relações amorosas conturbadas (Baucom e Epstein, 1990).
5 – Uma situação específica foi escolhida pelo casal e cada cônjuge
verificou a presença de uma dessas expectativas em si mesmo (Baucom e
Lester, 1986).
6 – Foi debatido o impacto negativo desse tipo de expectativa
inadequada na vida amorosa do casal (Baucom e Lester, 1986).
7 – Foi solicitado o feedback do casal sobre a sessão (Beck, J., 1997).
6ª SESSÃO
1 – A sessão foi conjunta (Dattilio e Padesky, 1995).
2 – Teve duração de uma hora e trinta minutos (Schmaling, Fruzzetti e
Jacobson, 1997).
15
Ver anexo
107
3 – Foi apresentada a relação entre estados de humor e
pensamentos automáticos disfuncionais (Greenberg e Padesky, 1999).
5 – O casal identificou suas emoções em uma situação conjugal
específica (Dattilio, 2004).
6 – O terapeuta forneceu ao casal uma “Lista de Sentimentos”16
(Baucom e Epstein, 1990).
7 – Os parceiros identificaram os seus pensamentos automáticos
disfuncionais em uma situação específica, relacionada à alteração do humor
(Beck, Rush, Shaw e Emery, 1997).
8
–
O
casal
preencheu
o
Registro
Diário
de
Pensamentos
Disfuncionais17 (Beck et al, 1997).
10 – Tarefa de casa: foi solicitado a cada parceiro que preenchesse
individualmente as folhas do Registro Diário de Pensamentos Disfuncionais
quando houvesse mudança de humor durante a semana (Beck et al, 1997).
11 – Foi solicitado o feedback do casal sobre a sessão (Beck, J., 1997).
7ª SESSÃO
1 – A sessão foi conjunta (Dattilio e Padesky, 1995).
2 – Teve duração de uma hora e trinta minutos (Schmaling, Fruzzetti e
Jacobson, 1997).
16
Ver o anexo
17
Ver o anexo
108
3 – O terapeuta e o casal reviram juntos a(s) tarefa(s) de casa
(Dattilio e Padesky, 1995).
4 – O casal aprendeu a identificar e rotular distorções cognitivas em
seus pensamentos automáticos em uma situação conjugal específica (Rangé e
Dattilio, 2001).
5 - Foi fornecida uma lista contendo as principais distorções cognitivas18
que em geral estão presentes nas relações conturbadas (Dattilio, 2004).
6 – Tarefa de casa: foi solicitado que cada parceiro rotule-se suas
próprias distorções cognitivas nos seus pensamentos disfuncionais em uma
situação durante a semana (Beck, J., 1997).
8 – Foi solicitado o feedback do casal sobre a sessão (Beck, J., 1997).
8ª SESSÃO
1 – A sessão foi conjunta (Dattilio e Padesky, 1995).
2 – Teve duração de uma hora e trinta minutos (Schmaling, Fruzzetti e
Jacobson, 1997).
3 – O terapeuta e o casal reviram juntos a(s) tarefa(s) de casa (Dattilio e
Padesky, 1995).
4 – O casal aprendeu a encontrar evidências a favor e contra seus
pensamentos automáticos disfuncionais com o auxílio de um quadro de
perguntas19 (Beck, J., 1997; Greenberg e Padesky, 1999).
18
Ver o anexo
19
Ver o anexo
109
5 – O terapeuta ensinou o casal a buscar respostas
alternativas
ou
racionais
para
os
seus
pensamentos
disfuncionais,
preenchendo o Registro Diário de Pensamentos Disfuncionais (Beck et al,
1997; Beck, J., 1997).
6 – Tarefa de casa: foi solicitado a cada parceiro que preenchesse o
Registro Diário de Pensamentos Disfuncionais quando houvesse mudança de
humor durante a semana (Beck, J.,1997).
7 – Foi solicitado o feedback do casal sobre a sessão (Beck, J.,1997).
9ª SESSÃO
1 – A sessão foi conjunta (Dattilio e Padesky, 1995).
2 – Teve duração de uma hora e trinta minutos (Schmaling, Fruzzetti e
Jacobson, 1997).
3 – O terapeuta e o casal reviram juntos a(s) tarefa(s) de casa (Dattilio e
Padesky, 1995).
4 – Foram focalizados os padrões irrealistas e extremos que interferem
negativamente nas interações amorosas (Baucom, Sayers e Sher, 1990).
5 – O casal recebeu uma lista20 com os padrões disfuncionais comuns
nos relacionamentos conjugais (Baucom e Epstein, 1990).
6 – O terapeuta falou sobre o impacto desses padrões na vida dos
casais em geral. A seguir, os parceiros escolheram uma situação específica,
20
Ver anexo
110
onde cada um mantinha algum desses padrões inadequados
(Baucom, Sayers e Sher, 1990).
7 – Cada conjugue analisou o quão realista são esses padrões. Caso
fossem extremos, outros padrões mais razoáveis seriam debatidos (Baucom,
Sayers e Sher, 1990).
8 – Foi solicitado o feedback do casal sobre a sessão (Beck, J., 1997).
10ª SESSÃO
1 – A sessão foi conjunta (Dattilio e Padesky, 1995).
2 – Teve duração de uma hora e trinta minutos (Schmaling, Fruzzetti e
Jacobson, 1997).
3 – As suposições equivocadas sobre os relacionamentos conjugais
foram apontadas, pelo terapeuta, como fonte de grande conflito (Baucom e
Epstein, 1990).
4 – Cada parceiro aplicou em uma situação específica uma das
suposições apresentadas em uma lista21 (Baucom e Epstein, 1990).
5 – Foi analisado o extremismo de cada uma das suposições relatadas
por cada um dos cônjuges. Além disso, o casal avaliou o impacto de uma
dessas suposições em um problema específico (Baucom, Sayers e Sher,
1990).
6 – Foi solicitado o feedback do casal sobre a sessão (Beck, J., 1997).
21
Ver anexo
111
11ª SESSÃO
1 – A sessão foi conjunta (Dattilio e Padesky, 1995).
2 – Teve duração de uma hora e trinta minutos (Schmaling, Fruzzetti e
Jacobson, 1997).
3 – Foram apresentadas algumas habilidades específicas para uma
comunicação eficaz do casal (Beck, 1995).
4 – O casal recebeu um folheto com recomendações para quem fala e
para quem escuta22 (Beck, 1995).
5 – O terapeuta solicitou aos membros do casal que praticassem na
sessão o papel de falante e ouvinte, a partir de uma situação sem grande carga
emocional vinculada ao relacionamento (Schmaling, Fruzzetti e Jacobson,
1997).
6 – Foi solicitado o feedback do casal sobre a sessão (Beck, J., 1997).
12ª SESSÃO
1 – A sessão é conjunta (Rangé e Dattilio, 2001).
2 – Tem duração de uma hora e trinta minutos (Schmaling, Fruzzetti e
Jacobson, 1997).
3 – O casal continuou a receber instruções sobre um modelo de
comunicação efetiva (Beck, 1995).
4 - Foi fornecido ao casal um folheto com “Regras de Etiqueta para o
Diálogo”23 (Beck, 1995).
22
Ver o anexo 11
112
5 – O terapeuta solicitou aos membros do casal que
praticassem na sessão o papel de falante e ouvinte, a partir de uma situação
sem grande carga emocional vinculada ao relacionamento (Schmaling,
Fruzzetti e Jacobson, 1997).
6 – Foi solicitado o feedback do casal sobre a sessão (Beck, J., 1997).
13ª SESSÃO
1 – A sessão foi conjunta (Dattilio e Padesky, 1995).
2 – Teve duração de uma hora e trinta minutos (Schmaling, Fruzzetti e
Jacobson, 1997).
3 – O casal aprendeu a utilizar a técnica de resolução de problemas.
(Schmaling, Fruzzetti e Jacobson, 1997).
4 – Foi fornecido ao casal um folheto ilustrativo sobre regras para
solução de problemas24 (Schmaling, Fruzzetti e Jacobson, 1997).
5 – O terapeuta praticou com o casal a solução de algum problema
específico sem grande carga emocional (Beck, 1995).
6 – Foi solicitado o feedback do casal sobre a sessão (Beck, J., 1997).
14ª SESSÃO
1 – A sessão foi conjunta (Dattilio e Padesky, 1995).
23
Ver o anexo
24
Ver o anexo
113
2 – Teve duração de uma hora e trinta minutos (Schmaling,
Fruzzetti e Jacobson, 1997).
3 – O terapeuta junto com o casal estabeleceram uma agenda para a
sessão (Dattilio e Padesky, 1995).
4 – Foi solicitado ao casal que pratique na sessão o uso das habilidades
aprendidas para resolver problemas específicos de maior carga emocional
trazidos no início ou ao longo do tratamento. As situações problemáticas
podiam estar relacionadas às diferenças no modo de educar os filhos, à
maneira de utilizar o dinheiro do casal, à atividade sexual do casal, às decisões
que precisavam ser tomadas em conjunto, aos momentos de lazer dos
parceiros, entre outras coisas (Schmaling, Fruzzetti e Jacobson, 1997).
5 – O terapeuta ainda instruiu cada cônjuge a focalizar sua própria
contribuição ou ajuda na manutenção dos conflitos atuais, levando em
consideração os seguintes fatores: (1) os fatores ambientais externos; (2) o
comportamento de cada um; (3) a interpretação de cada pessoa sobre a
situação; (4) a reação emocional de cada parceiro (Baucom e Lester, 1986).
6 – Tarefa de casa (Dattilio e Padesky, 1995): Foi solicitado ao casal que
pratiquesse em casa as habilidades aprendidas para solucionar problemas
específicos de maior carga emocional trazidos no início ou ao longo do
tratamento (Schmaling et al, 1997).
8 – Foi solicitado o feedback do casal sobre a sessão (Beck, J., 1997).
15ª SESSÃO
1 – A sessão foi conjunta (Rangé e Dattilio, 2001).
114
2 – Teve duração de uma hora e trinta minutos (Schmaling,
Fruzzetti e Jacobson, 1997).
3 – O terapeuta e o casal reviram juntos a(s) tarefa(s) de casa (Dattilio e
Padesky, 1995).
4 – O terapeuta junto com o casal estabeleceram uma agenda para a
sessão (Dattilio e Padesky, 1995).
5 – Foi solicitado ao casal que praticasse na sessão o uso das
habilidades aprendidas para resolver problemas específicos de maior carga
emocional trazidos no início ou ao longo do tratamento. As situações
problemáticas poderiam estar relacionadas às diferenças no modo de educar
os filhos, à maneira de utilizar o dinheiro do casal, à atividade sexual do casal,
às decisões que precisavam ser tomadas em conjunto, aos momentos de lazer
dos parceiros, entre outras coisas (Schmaling, Fruzzetti e Jacobson, 1997).
6 – O terapeuta ainda instruiu cada cônjuge a focalizar sua própria
contribuição ou ajuda na manutenção dos conflitos atuais, levando em
consideração os seguintes fatores: (1) os fatores ambientais externos; (2) o
comportamento de cada um; (3) a interpretação de cada pessoa sobre a
situação; (4) a reação emocional de cada parceiro (Baucom e Lester, 1986).
7 – Tarefa de casa (Dattilio e Padesky, 1995): Foi solicitado ao casal que
praticasse em casa as habilidades aprendidas para solucionar problemas
específicos de maior carga emocional trazidos no início ou ao longo do
tratamento (Schmaling et al, 1997).
8 – Foi solicitado o feedback do casal sobre a sessão (Beck, J., 1997).
115
16ª SESSÃO
1 – A sessão foi conjunta (Rangé e Dattilio, 2001).
2 – Teve duração de uma hora e trinta minutos (Schmaling, Fruzzetti e
Jacobson, 1997).
3 – O terapeuta e o casal reviram juntos a(s) tarefa(s) de casa (Dattilio e
Padesky, 1995).
4 – O terapeuta junto com o casal estabeleceram uma agenda para a
sessão (Dattilio e Padesky, 1995).
5 – Foi solicitado ao casal que praticasse na sessão o uso das
habilidades aprendidas para resolver problemas específicos de maior carga
emocional trazidos no início ou ao longo do tratamento. As situações
problemáticas poderiam estar relacionadas às diferenças no modo de educar
os filhos, à maneira de utilizar o dinheiro do casal, à atividade sexual do casal,
às decisões que precisavam ser tomadas em conjunto, aos momentos de lazer
dos parceiros, entre outras coisas (Schmaling, Fruzzetti e Jacobson, 1997).
6 – O terapeuta ainda instruiu cada cônjuge a focalizar sua própria
contribuição ou ajuda na manutenção dos conflitos atuais, levando em
consideração os seguintes fatores: (1) os fatores ambientais externos; (2) o
comportamento de cada um; (3) a interpretação de cada pessoa sobre a
situação; (4) a reação emocional de cada parceiro (Baucom e Lester, 1986).
7 – Tarefa de casa (Dattilio e Padesky, 1995): Foi solicitado ao casal que
praticasse em casa as habilidades aprendidas para solucionar problemas
específicos de maior carga emocional trazidos no início ou ao longo do
tratamento (Schmaling et al, 1997).
8 – Foi solicitado o feedback do casal sobre a sessão (Beck, J., 1997).
116
5.9 Análise dos dados
Foram utilizados procedimentos de análise de dados já amplamente
consagrados nas pesquisas psicológicas envolvendo a terapia cognitivocomportamental (Christensen, Baucom, Vu e Stanton, 2005). De uma maneira
em geral, os resultados são apresentados sob a forma gráfica (ver, Rangé e
Bernik, 2001). A utilização de gráficos facilitará a avaliação da magnitude dos
resultados obtidos.
117
RESULTADOS
118
6. RESULTADOS
Neste capítulo são apresentados os resultados obtidos com esta
intervenção psicológica baseada em evidências com casais. Inicialmente, são
descritas as conceitualizações cognitivas referente a cada um dos membros
dos três casais que completaram o estudo. São apresentados os principais
fatores individuais que podem ter colaborado para o nível de conflito e
insatisfação vivenciado por esses indivíduos dentro do seu relacionamento
amoroso.
Após a conceitualização cognitiva, são apresentados os resultados
obtidos com as avaliações feitas antes e após o tratamento de cada membro
do casal. Para apresentar esses resultados optou-se pela utilização de
gráficos, seguindo as tendências da literatura nessa área (Rangé, 2001).
A cada membro do casal foi designado por um nome fictício como, por
exemplo, Fernanda (Esposa – Casal 02) e André (Marido – Casal 02). O
objetivo é preservar a identidade dos participantes desse estudo, conforme
prescrição do comitê de ética em pesquisa nacional.
Os resultados obtidos com a aplicação das escalas são comentados de
acordo com a variável mensurada e por membro de cada casal. Inicialmente,
são descritos os níveis de satisfação e ajustamento dos casais atendidos nessa
pesquisa, através dos dados adquiridos com a Escala de Satisfação Conjugal
(ESC) e da Escala de Ajustamento Diádico (DAS). Cabe lembrar, que a
satisfação e o ajustamento conjugal são as variáveis normalmente utilizadas
para avaliar se um tratamento psicoterápico com casais é eficaz (Baucom et al,
1998).
119
Após, são apresentados dados referentes a alguns constructos
que podem influenciar os níveis de satisfação e ajustamento conjugal de uma
pessoa. Em primeiro lugar, é descrito o nível de percepção dos parceiros sobre
quão empáticos eram os seus conjugues, através dos resultados da aplicação
do Questionário de Empatia Conjugal (QEC).
Em segundo lugar, são apresentados os padrões, expectativas e
atribuições disfuncionais que os parceiros tinham sobre seus relacionamentos,
obtidos com o Inventário de Crenças sobre Relacionamentos (RBI) e a Medida
de Atribuição nos Relacionamentos (RAM).
Por fim, são descritos os estados emocionais dos cônjuges em conflito,
através da avaliação dos seus níveis de depressão e ansiedade. Para tal, são
apresentados os dados do Inventário Beck de Depressão (BDI) e Inventário
Beck de Ansiedade (BAI).
Ver abaixo a tabela com as medidas utilizadas nessa pesquisa,
conforme a ordem em que são apresentadas a seguir.
Tabela 1 – Apresentação geral das medidas
MEDIDAS
1. Escala de Satisfação Conjugal
2. Escala de Ajustamento Diádico
3. Questionário de Empatia Conjugal
4. Inventário de Crenças sobre Relacionamento
5. Medida da Atribuição nos Relacionamentos
6. Inventário Beck de Depressão
7. Inventário de Ansiedade de Beck
120
6.1 Casal 01 – Isabel e Carlos
Nesse segmento são apresentados as conceituações cognitivas e os
resultados obtidos com cada um dos cônjuges do casal 01.
6.1.1 Conceitualização cognitiva
Primeiro é relatado o caso de Isabel e depois é apresentado o quadro
clínico de Carlos.
6.1.1.1 Isabel
Ela veio encaminhada por uma amiga que soube da pesquisa. Era
funcionária pública de 34 anos, sem filhos, casada há três anos e tinha ensino
superior incompleto. Sua família de origem é da região serrana do Estado Rio
de Janeiro.
Foi criada apenas pela mãe, pois o pai tinha saído de casa quando ela
ainda era pequena. Isabel tinha uma relação difícil com a mãe, com a qual
brigava muito. Sua mãe era muito agressiva e explodia com facilidade, quando
Isabel era criança. A mãe mantinha um comportamento hostil, pautado em
agressões verbais e xingamentos o que favoreceu que Isabel não se sentisse
valorizada e se visse desrespeitada constantemente.
A mãe de Isabel também apresentava algumas idéias de tom paranóico,
tais como no exemplo abaixo:
Isabel – Minha mãe vivia dizendo para mim e meu irmão: “Vocês não
devem acreditar em ninguém”; “Nenhuma pessoa é digna de confiança”; “As
121
pessoas vão tirar vantagens de vocês, se vocês não ficarem atentos”;
“As pessoas são más”; “Vocês não têm amigos”... (chora muito)
Isabel teve muitas dificuldades para ter amigos e namorados devido a
essas idéias que sua mãe transmitia. Tanto que ela tinha pouquíssimas
amizades em sua cidade natal, no trabalho e onde estava morando atualmente.
Isabel cresceu com a idéia de que as pessoas não são confiáveis.
O pai dela foi embora de casa quando ela tinha um ano e oito meses.
Depois de trinta e dois anos ele resolveu se reaproximar mandando uma
mensagem para ela através do site de relacionamento interpessoal “Orkut”. Ela
ficou muito abalada com isso e não sabia se realmente queria ter uma
reaproximação com ele. Ela estava muito confusa e angustiada. Devido ao pai
ter desaparecido da convivência familiar, Isabel achava que não tinha valor
para pessoas importantes e que podia ser abandonada.
Relacionamentos amorosos
Na área afetiva, Isabel teve muitas dificuldades. Seus namoros não eram
satisfatórios para ela, pois tinha dificuldades em acreditar nos homens e se
sentia sempre desvalorizada.
No seu primeiro casamento vivia na Região Serrana do Rio de Janeiro.
Esse primeiro casamento durou quase um ano e meio. Ela resolveu casar aos
27 anos porque estava grávida, mas perdeu o bebê após dois meses.
O ex-marido era compulsivo por compras. Ele gastava muito dinheiro em
muitas coisas de valor alto. Isabel não concordava com esse estilo de vida
dele, pois tinha vindo de uma família de hábitos mais simples. Isso era uma
fonte de desentendimentos no ex-casal.
122
Isabel também teve conflitos graves com seu ex-marido. Ele
era um homem ciumento e inseguro. Seu ex-marido costumava viajar muito a
trabalho e freqüentemente chegava de madrugada sem avisar nada. Isabel
falou que ele fazia isso para tentar surpreendê-la com algum amante. Num
desses episódios de ciúme, o ex-marido bateu nela violentamente. O que se
repetiu em outra ocasião, onde ele fez isso na frente da família dela. Ela não
chegou a ir à delegacia em nenhuma das duas vezes.
Isabel estava separada há quatro meses quando conheceu o marido
atual. Relatou ter sido atraída pela sensibilidade, pelo lado artístico dele, pois
ele pintava e desenhava. Ela também gostou do jeito calmo e tranqüilo do
parceiro encarar as coisas da vida.
Os conflitos começaram a surgir após o casamento. Com a convivência
diária, eles foram se desentendendo. Isabel costumava chorar bastante nas
primeiras sessões, principalmente quando falava sobre seu relacionamento
amoroso atual, como no exemplo abaixo:
T – As características que você apreciava nele ainda se mantêm?
Isabel – Modificaram muito. Ele era bastante sensível no início. Até a
gente morar juntos. Eu também comecei a endurecer. Foi culpa minha
também... (começa a chorar muito).
Cognições disfuncionais
São apresentados alguns exemplos de cinco cognições (percepções,
atribuições, expectativas, suposições e padrões) que se forem inadequadas
podem influenciar de forma negativa um relacionamento conjugal. Vale
lembrar que as suposições são crenças que a pessoa mantém sobre o que “é”
123
a natureza dos relacionamentos e das pessoas em geral. Por
exemplo, uma mulher pode supor que “homens e mulheres nunca vão
entender o sexo oposto muito bem”. Os padrões regras, por sua vez, são
crenças que um indivíduo tem sobre como “deveria” ser a vida conjugal. Por
exemplo, um homem pode acreditar que “sua a parceira deveria ser perfeita
sexualmente” (Baucom e Epstein, 1990; Epstein e Baucom, 2002). Essas
cinco cognições estavam diretamente relacionadas com as crenças centrais
negativas que Isabel tinha sobre si mesma como, por exemplo, “eu não tenho
valor”.
No que se refere às suas percepções, Isabel foi ao longo do tempo
ficando seletivamente atenta apenas a situações em que o marido não estava
sendo afetuoso, o que a deixava triste e irritada. Uma vez que se sentisse
assim, tendia a ter comportamentos agressivos com o esposo. Por sua vez,
Carlos (marido), começou a ficar também seletivamente atento a qualquer
sinal de sua esposa estar chateada. Nessas situações ficava mais afastado e
menos carinhoso. Pois temia ser hostilizado verbalmente.
As atribuições de Isabel sobre o comportamento distanciado do marido
estavam vinculadas a idéias de que ele não a valorizava mais como antes e
que o amor pudesse estar acabando. Carlos, por sua vez, atribuía seu
afastamento como um processo de proteção diante das agressões que vinha
sofrendo. Ele não sabia exatamente o que fazer quando sua esposa começava
a gritar e xingar.
Isabel desenvolveu expectativas negativas em seu relacionamento. Por
exemplo, ela gostaria que o marido percebesse os principais sentimentos dela,
sem ela precisar comunicar. Ela achava que ele deveria perceber os momentos
em que ela estava angustiada. Por exemplo, “se ele me amasse de verdade,
124
eu não precisaria dizer uma palavra para demonstrar minha tristeza”.
Carlos, por sua vez, esperava que sua esposa ficasse mais calma, para poder
se aproximar dela. Caso contrário, ele a evitava deliberadamente. Por exemplo,
“se ela está irritada, então vou ser agredido. Por isso, é melhor me afastar”.
Os comportamentos e sentimentos de Isabel, ligados aos seus
problemas conjugais, foram influenciados por suas suposições (crenças) de
que um relacionamento normal é aquele em que o parceiro está o tempo todo
ao seu lado e todas as suas necessidades afetivas são atendidas. Já na
concepção de Carlos, sua suposição era de que no relacionamento saudável
há sempre tranqüilidade, paz e de que não há conflitos entres os conjugues.
Isabel ainda era influenciada por seus padrões (crenças) de como
“deveria” ser um relacionamento amoroso. Para ela, o marido deveria estar
sempre por perto e suprindo todas as suas angustias sentimentais. No caso de
Carlos, ele acreditava que a esposa deveria ser sempre carinhosa, afetiva e
que nunca brigasse com ele.
Resumindo, toda vez que Isabel estava com alguma dificuldade
emocional ficava percebendo se seu marido iria notar sua alteração de humor.
Como ela não recebia aquilo que esperava de seu esposo, atribui esse
comportamento a falta de valor dela para ele e de que o mesmo não a amava
mais. Como tinha suposições de que não precisava comunicar suas
necessidades básicas para seu marido, ficava muito frustrada quando ele não
percebia o que ela desejava. Além disso, como era um “dever” do esposo estar
por perto o tempo todo, ela ficava triste quando ele voltava tarde de suas
atividades.
125
Avaliação diagnóstica
Isabel apresentou-se bem vestida e limpa durante a primeira consulta.
Tinha um olhar atento para mim e para o marido. Tendia a variar sua posição
no sofá, conforme o tema de nossa conversa. Sua linguagem era correta,
precisa e respondia prontamente o que era perguntado.
Isabel veio fazer terapia com uma queixa de que sua vida conjugal não
estava mais satisfatória. Disse que o marido atual já não a tratava mais com o
carinho, atenção e respeito de antes. Ela disse que ele passava muitas horas
na rua antes de voltar para casa. Estava se sentindo muito sozinha e triste
devido aos conflitos permanentes.
Através da observação dos comportamentos de Isabel nas sessões e
com a utilização da entrevista estrutura MINI (International Neuropsychiatric
Interview), foram percebidos alguns quadros clínicos do Eixo 1 do DSM-IV-TR.
Isabel estava passando por um Episódio Depressivo Maior de nível moderado.
O que foi corroborado pela aplicação do Inventário Beck de Depressão (BDI),
onde a paciente apresentou um nível moderado de depressão atual.
A cliente apresentava também um quadro de transtorno de pânico e
agorafobia. Na aplicação do Inventário Beck de Ansiedade (BAI), a paciente
apresentou um nível leve de ansiedade na semana anterior ao período em que
foi administrada a escala. Relatou ter tido ataques de pânicos, tendo ataques
inesperados há mais de um mês. Isso a estava deixando muito perturbada. Ela
também tinha ataques situacionais. Por exemplo, ela estava tendo muitas
dificuldades para ir trabalhar. Seu meio de transporte era uma “van”, um
veículo automotivo com capacidade máxima para 16 pessoas. Como o espaço
interno desse carro não é muito amplo, ela se sentia sufocada.
A cada
momento que o veículo parava na ponte Rio-Niterói devido a um
126
engarrafamento, ela tinha um início de um ataque de pânico. Ela
estava tendo ainda sintomas agorafóbicos. Estava evitando lugares cheios
naquele momento. Cabe ressaltar, que a paciente relatou que teve uma crise
de ansiedade, vindo para a primeira sessão de atendimento para a pesquisa.
Ela preencheu também os critérios diagnósticos de transtorno da
ansiedade generalizada (TAG). Disse que se preocupava excessivamente com
várias coisas e eram preocupações diárias. Estava se sentido inquieta e
ansiosa. Ela preencheu ainda todos os itens somáticos do TAG, como
agitação, tensão muscular, perturbação do sono, entre outros.
Apresentou também níveis elevados na Escala de Satisfação Conjugal.
Isso significa que ela estava bastante insatisfeita com o modo como seu
relacionamento amoroso estava sendo conduzido. Também demonstrou uma
baixa pontuação na Escala de Ajustamento Diádico, o que representava pouco
entendimento entre o casal.
Diagnósticos Prováveis (DSM-IV-TR, 2002)
Eixo I
V61.1
Problema de Relacionamento com Parceiro
296.31
Transtorno Depressivo Maior, Recorrente, Moderado
300.21
Transtorno de Pânico com Agorafobia
300.02
Transtorno da Ansiedade Generalizada
Eixo II
Eixo III
Eixo IV
Nenhum
278.00
Obesidade, grau I
Problemas com o grupo de apoio primário
Problemas relacionados ao ambiente social
Problemas ocupacionais
127
Eixo V
EAGF25 = 60
(na admissão)
EAGFR26 = 65
(na admissão)
Conceituação do caso
Vejamos o quadro da conceituação cognitiva da Isabel:
Diagrama de Conceituação Cognitiva
Nome: Isabel (Esposa 01 – Casal 01)
Dados relevantes da infância
Pai ausente (saiu de casa quando ela tinha um ano e oito meses)
Mãe agressiva (gritava muito com ela e com o irmão) e paranóica (dizia que a filha não deveria
acreditar em ninguém, que as pessoas não são boas, que ela não tem amigos e que deveria
desconfiar de todo mundo)
Crenças Centrais
Eu não tenho valor
Crenças Condicionais
Se eu gritar com as pessoas, elas vão me dar atenção e me respeitar
Se eu não ficar atenta, ele pode me trair
Eu devo procurar sinais de mentira
É terrível ser desvalorizada
Estratégias Comportamentais
Gritar. Ser hostil. Suspeitar. Desconfiar. Brigar.
Situação 1
Situação 2
Situação 3
Meu marido tem um
hematoma no braço
Meu marido não olha para
mim enquanto conversamos
O meu marido me interrompe
quando eu estou fazendo um
trabalho para a faculdade
25
Escala de Avaliação Global do Funcionamento (DSM-IV-TR, 2002)
26
Escala de Avaliação Global do Funcionamento nas Relações (DSM-IV-TR, 2002)
128
Pensamentos Automáticos
Pensamentos Automáticos
Pensamentos Automáticos
“Isso é um chupão”
“Ele está me traindo”
“Ele não se importa com os
meus sentimentos”
“Ele não acha que eu possa
ter uma vida acadêmica
também”
Significado
Significado
Significado
Desrespeito
Não ter valor
Não ter valor
Emoção
Emoção
Emoção
Raiva
Tristeza
Tristeza
Comportamento
Comportamento
Comportamento
Briga o com marido
Grita com o marido
Discute com o marido
A partir da(s) crença(s) central(is) de Isabel, percebe-se que ela
apresentava uma distorção cognitiva do tipo “pensamento dicotômico” ou
“pensamento tudo-ou-nada”: ou é amada ou não tem valor.
Percebe-se que Isabel apresentava também outras distorções cognitivas
que estavam baseadas em sua(s) crença(s) central(is). Ela fazia algumas
inferências arbitrárias. Por exemplo, quando o marido apresentou um
hematoma no braço, ela logo concluiu: “ele está me traindo”.
Ela também tendia a fazer uma leitura dos pensamentos do marido. Por
exemplo, como o marido não perguntava muito sobre a angustia dela com o
reaparecimento do pai, ela concluía: “ele está pesando que meus problemas
não são importantes”.
Ela fazia generalizações baseadas em poucos eventos. Por exemplo,
após uma situação onde o marido interrompeu sua atividade acadêmica no
computador, conclui: “Ele nunca vê meus trabalhos como importantes”.
129
Isabel também costumava rotular seu marido. Por exemplo,
quando ela conversava com ele e o mesmo não olhava diretamente para ela,
concluía “ele é negligente com meus sentimentos”.
Com base nesse tipo de processamento, pode-se entender que qualquer
atitude do marido passasse a ter uma importância extremada. Vejamos o
exemplo abaixo:
Isabel – ...mas, na verdade, começo a pensar que ele não me respeita,
pois vivia se atrasando para não ficar comigo. Eu me sinto muito
desvalorizada. Acho que ele não me ama mais... (chora muito).
Terapeuta – Parece que essa é uma situação muito difícil para você,
pois acha que o atraso do seu marido representa uma desvalorização sua... é
isso?
Isabel – ... e olha que ele já fez muito mais isso no passado. Isso é muito
injusto comigo.
T – Deve ser muito duro para você acreditar que seu marido a trata com
desrespeito e que te desvaloriza o tempo todo. Mas esse é um extremo
negativo da situação. Ou seja, se ele chega no horário combinado você tem
valor e é amada, mas se ele se atrasa é falta de respeito. Porém, existe uma
graduação entre ser amada ou desprezada. O importante é você perceber que
existem várias situações em que ele te valoriza. Por exemplo, ele está
atentamente ouvindo o que você está dizendo agora. Além disso, você mesma
disse que ele é o principal incentivador para sua faculdade. É verdade que ele
já se atrasou bastante, mas você pediu para ele mudar esse comportamento e
hoje os atrasos são ocasionais. É importante você se perguntar qual é a
vantagem que tem para você avaliar a situação em dois extremos de
130
valorização ou desrespeito... você não fica triste quando pensa
dessa última forma?
Isabel – Eu, na verdade, me sinto verdadeiramente infeliz.
A conceituação do caso de Isabel se baseia nas experiências infantis
que teve com sua mãe que era agressiva e tinha idéias paranóicas. Isso deve
ter contribuído para que fortalecesse um auto-conceito de desvalorização, o
que fazia com que tivesse posturas defensivas ou agressivas com as pessoas.
Devido ao pai ausente, ficou sem uma referência masculina adulta que
pudesse se contrapor as crenças maternas. Na verdade, com a falta da figura
paterna, ela tendia a acreditar no que a mãe dizia sobre os homens. O irmão
também tinha algumas posturas agressivas. Por outro lado, apesar do irmão
discordar da mãe sobre a maldade alheia, isso não foi suficiente para que
Isabel flexibilizasse suas crenças sobre si mesma e as pessoas em geral.
Durante a vida adulta, começou a trabalhar cedo para poder suprir as
necessidades de sua família de origem. Sua vida social era insatisfatória e
tinha um desempenho escolar mediano. Costumava sair com poucos amigos e
teve poucos namorados.
Quando engravidou, resolveu casar pela primeira vez. Teve um
relacionamento conturbado, onde houve inclusive agressões físicas por parte
de seu ex-marido. O que colaborou para reforçar suas crenças de não ser
valorizada e amada.
No casamento atual foi morar em outra cidade o que restringiu mais
ainda seu grupo de amigos e diminuiu sua vida social. Esse fato pode ter
contribuído para a produção e a manutenção do seu quadro depressivo.
131
Tinha tentado fazer terapia de casal antes, mas não deu certo.
Nunca tinha utilizado de medicamentos psiquiátricos. Recebeu dezesseis
sessões de tratamento e melhorou significativamente seu relacionamento com
o marido.
Tratamento
Nesse segmento é apresentado um resumo do tratamento que Isabel
fez através da terapia de casal proposta nesse protocolo de pesquisa. Foram
16 sessões de atendimento que objetivaram alterar suas cognições
disfuncionais, seus déficits de comunicação e sua maneira inadequada de
resolver os problemas conjugais. Focalizaram-se ainda seus comportamentos
negativos.
A primeira sessão de tratamento foi destinada a uma apresentação do
modelo de tratamento que seria seguido segundo o protocolo dessa pesquisa.
Foram avaliados os pontos fortes e fracos do casal. Assim como, foram
recolhidos os dados relevantes de Isabel desde sua infância.
Entre a segunda e a décima sessão procurou-se modificar as cognições
disfuncionais de Isabel. Como mencionado acima, ela fazia atribuições e tinha
expectativas e suposições irrealistas referentes a si e ao seu relacionamento.
Isabel, por exemplo, acreditava que se seu marido chegava tarde em casa, era
porque ele não gostava mais dela.
Para auxiliar o processo de modificação dessas cognições disfuncionais,
o terapeuta forneceu alguns folhetos ilustrativos27. Isabel e Carlos se
27
Ver anexos dessa tese
132
revezavam na leitura, em voz alta, desse material. Cada item dos
folhetos era debatido junto com o psicólogo. Um desses folhetos apresentava
algumas expectativas irrealistas como, por exemplo, “eu espero que meu
marido seja capaz de perceber o que penso sem comunicar”.
Isabel também foi treinada a monitorar seus estados de humor e a
relacioná-los com seus pensamentos e comportamentos. Em uma situação em
que o marido, por exemplo, deixava de lavar a louça do almoço, ela concluía
que o parceiro “não a valorizava como pessoa”, sentia raiva e começava a
gritar. Com o treinamento proposto, a cliente passou a perceber que seu afeto
negativo estava diretamente ligado as suas cognições irrealistas e
comportamentos inadequados como, por exemplo, xingar palavrões.
Isabel aprendeu ainda a identificar as principais idéias distorcidas que
afetavam seu relacionamento. Com a ajuda do registro diário de pensamentos,
Isabel pode constatar idéias como “eu não sou respeitada”. A partir desse
momento, o terapeuta conseguiu por questionamento socrático que a paciente
modificasse esses pensamentos. Isabel passou então a processar suas
cognições de forma mais flexível e adequada sobre seu papel e de seu marido
na vida conjugal. Como, por exemplo, “se meu marido faz algo que eu não
gosto, isso não significa que ele não me respeita. Mas que ele também comete
erros como qualquer ser humano”.
Além disso, Isabel começou a ter uma auto-imagem mais positiva. Ela
pôde construir crenças mais adaptativas como, por exemplo, “eu tenho valor
para mim, para meu marido e para as outras pessoas, independente se tenho
ou não atenção que desejo em um momento específico”.
A décima primeira e a décima segunda sessão foram destinadas ao
treino de comunicação. Isabel, por exemplo, tinha a tendência de expressar
133
sua raiva de uma maneira hostil, o que estava trazendo grandes
prejuízos para sua vida conjugal. Para auxiliar a paciente a manejar essa
dificuldade de expressão de idéias e sentimentos, o psicólogo forneceu
folhetos instrutivos sobre como expressar sentimentos e idéias de forma
produtiva. Isabel foi treinada através de role-play, tendo seu marido e o
terapeuta colaborado nesse processo.
Entre a décima terceira e décima quarta, Isabel aprendeu a utilizar a
técnica de “resolução de problemas”. A cliente foi treinada para resolver seus
problemas conjugais de forma mais satisfatória para o casal. A paciente
recebeu um folheto instrutivo com os princípios dessa técnica. Como o auxílio
do esposo, Isabel pode solucionar algumas questões que estavam afetando o
cotidiano deles e que trazia grandes dificuldades para ambos. A paciente, por
exemplo, consegui dividir as tarefas de casa com o marido sem brigas ou
conflitos indesejáveis.
Isabel começou a perceber ainda que seu marido a amava de verdade e
que ele não tinha intenções de abandoná-la. A cliente, por exemplo, quando
parou de brigar e de cobrar seu marido pelas suas ausências ocasionais,
notou que seu esposo começou a ficar mais tempo em casa e a voltar mais
cedo da faculdade.
No que se refere ao andamento geral do tratamento, Isabel aderiu
rapidamente ao procedimento de buscar respostar alternativas / racionais para
suas idéias inadequadas. Além disso, buscava estar sempre atenta e
participativa nos treinos de comunicação e resolução de problemas. Tudo isso
facilitou bastante seu processo terapêutico.
Por outro lado, Isabel teve algumas dificuldades para entender o objetivo
de alguns dos folhetos ilustrativos fornecidos. Tanto o terapeuta quanto o
134
marido precisavam auxiliá-la na compreensão das afirmações que
estavam contidas nesses folhetos. Outro problema enfrentado foram os
atrasos regulares e faltas ocasionais. Isso dificultava a seqüência da terapia de
casal e o uso adequado do tempo proposto no protocolo de tratamento.
Resumindo, a paciente aprendeu que seus pensamentos estão
relacionados com seus estados de humor e comportamentos. A partir desse
ponto, Isabel teve condições de identificar, alterar e construir cognições mais
adequadas sobre si e sua vida conjugal. Além disso, fez um melhor uso da
expressão de suas idéias e emoções, proporcionando-lhe experimentar
sentimentos agradáveis no seu relacionamento amoroso. Por fim, a paciente
aprendeu a resolver seus problemas de forma adequada, o que levou a
comportamentos mais positivos com seu marido e a diminuir suas interações
negativas.
Comentários gerais
O tratamento dos problemas conjugais seguiu o protocolo de
terapêutico proposto para essa pesquisa. Esta paciente não apresentou
dificuldades para o tratamento. Apesar de sua dificuldade em acreditar nas
pessoas, foi estabelecida uma boa relação terapêutica. A paciente estava
muito interessada em melhorar seu relacionamento. Isso facilitou sua adesão
às técnicas propostas. Ela tinha tendência a se culpar pelos problemas
conjugais e ao mesmo tempo se sentia desrespeitada pelas atitudes do
marido. Com o tratamento a paciente foi capaz de questionar suas principais
crenças negativas e se sentir mais valorizada e amada pelo seu marido.
1. Especificar a
emoção (ex.: triste,
ansioso, zangado etc.)
2. Assinalar a
intensidade da emoção
numa escala de 0 a
100
Descrever:
1. o que está
acontecendo que possa
ter levado à emoção
2.Corrente de
pensamento, devaneio
ou lembrança que
possa ter levado à
emoção
Tristeza 80
Chega num evento e vê Raiva 70
o marido bebendo
tequila com uma amiga
dele.
Sentimentos
Situação
“Ele está me traindo” (90)
1. Anotar o(s) pensamento(s)
associados à emoção da forma
como apareceram na mente
2. Indicar o grau de convicção para
cada pensamento numa escala de 0
a 100
Pensamentos Automáticos
1. Reavaliar o grau de
convicção em cada
pensamento
automático
(PA = 0-100)
2. Reavaliar a
intensidade de cada
emoção (E = 0-100)
Reavaliação
1. “O fato dele não ter me ligado
PA = 30
nesse dia, não significa que ele
queria me trair”
Tristeza = 20
2. “Eu não o vi a beijando”
Raiva = 10
3. “Ele diz que é apenas uma
amiga dele”
4. “Eu sei que ele me ama e é meu
companheiro”
5. “Ele estava estudando e
trabalhando naquela época, o que
dificultaria uma relação extraconjugal”
1. Anotar cada resposta racional
para
o(s)
pensamento(s)
registrado(s)
2. Avaliar o grau de convicção em
cada resposta racional (0-100)
Resposta Alternativa
REGISTRO DE PENSAMENTO DIÁRIO
 Traduzido e adaptado por Bernard Rangé (2001).
Perguntas para ajudar a compor uma resposta alternativa: (1) quais são as provas que o meu pensamento é verdadeiro? Não verdadeiro? (2) Há uma explicação
alternativa? (3) O que de pior poderia acontecer? Eu poderia superar isso? É tão catastrófico assim? Qual o melhor que poderia acontecer? Qual o resultado mais
provável, mais realista? (4) Se (um amigo meu) estivesse na situação e tivesse esse pensamento, o que eu diria para ele? (5) O que eu deveria fazer então? (6) Qual
é o efeito da minha crença no pensamento automático? Qual poderia ser o efeito de mudar o meu pensamento?Reavalie a convicção nos pensamentos automáticos e
nos sentimentos associados.
15/03
Dia/Hora
Paciente: Isabel (Esposa 01 – Casal 01)
135
136
6.1.1.2 Carlos
Carlos veio encaminhado por uma amiga de sua esposa. Ele era
desenhista, professor de desenho e estudante de arquitetura, tinha 34 anos,
era casado e não tinha filhos. Não possuía um emprego formal no início dessa
pesquisa. Ele trabalhava informalmente como ilustrador de capas para livros.
Depois conseguiu uma bolsa de estudos, para trabalhar como auxiliar de um
professor numa universidade pública. Ele já tinha cursado faculdade de
engenharia, mas não deu prosseguimento ao curso devido à insatisfação com
o mesmo. Ele estava fazendo faculdade de arquitetura naquele momento da
pesquisa.
Carlos foi criado pela mãe e avó materna. Ele nunca precisou se
preocupar em fazer atividades domésticas. Tinha todas as suas vontades
atendidas. Ele era superprotegido pelas duas.
Segundo ele, sua mãe falava bastante e muito alto. Ela costumava ter
muitas brigas com a filha. Parecia um verdadeiro “pandemônio”, nas palavras
dele. Ele detestava esse clima de tensão, barulho e brigas constantes. Ele
achava às vezes ter vindo de outra família, pois todos gritavam e falavam
muito. Já Carlos falava pouco e baixo.
O pai dele era separado da mãe. O pai era uma pessoa calma, pacífica
e que tinha aversão a pessoas que falavam alto e discutiam. Carlos também
era superprotegido pelo pai. Ele recebeu grande influência de seu pai em
termos de comportamentos e atitudes. O pai o ensinou a expressar idéias de
uma forma tranqüila e ponderada em todas as situações, principalmente nas
que envolviam conflitos de interesses. Veja abaixo:
137
Carlos – Meu pai me ensinou que, quem está gritando, é porque está
tentando impor uma razão que na verdade não tem. Contudo, a pessoa que
tem razão é aquela que fala calmamente. Quando a pessoa fala com calma, aí
sim, eu vou parar e escutar o que ela tem a dizer.
Relacionamentos amorosos
Carlos teve um relacionamento de trezes anos com outra mulher antes
de se casar. Ele era noivo na época em que conheceu Isabel (sua esposa),
mas
não
tiveram
um
relacionamento
amoroso,
porque
ele
estava
comprometido. Logo após o término do seu noivado, eles começaram a
namorar.
Carlos veio fazer terapia com uma queixa de que sua vida conjugal não
estava mais satisfatória. Ele estava muito incomodado com a forma hostil que
sua esposa expressava a raiva dela. Ele dizia não suportar gritos. Veja
exemplo abaixo.
T – Tem algum fator que te incomoda no seu relacionamento?
Carlos – Eu já falei com a Isabel sobre algo que eu e ela temos que
aprender... ela tem algumas características que eu não consigo lidar... ela
estoura com facilidade... quando isso acontece ela fica super agressiva... não
é só comigo... é com qualquer coisa ou pessoas que estiver em volta... (respira
fundo)... às vezes eu travo... eu vejo que ela vai estourar... eu fico tão
chateado que não consigo fazer nada... então eu tenho que aprender a ficar
calmo e tomar uma atitude, pois muitas vezes não tomo... porque estou
138
completamente paralisado... eu acho que estourar não vai ajudar em nada... e
isso nos prejudica muito.
Carlos também ficava muito incomodado com os ciúmes da esposa.
Segundo ele, esse foi um dos principais motivos que o levou a romper seu
relacionamento com a ex-noiva.
Cognições disfuncionais
São apresentados alguns exemplos de cinco cognições (percepções,
atribuições, expectativas, suposições e padrões) que se forem inadequadas
podem influenciar de forma negativa um relacionamento conjugal. Vale
lembrar que as suposições são crenças que a pessoa mantém sobre o que “é”
a natureza dos relacionamentos e das pessoas em geral. Por exemplo, uma
mulher pode supor que “no relacionamento amoroso o parceiro é sempre
compreensivo”. Os padrões regras, por sua vez, são crenças que um indivíduo
tem sobre como “deveria” ser a vida conjugal. Por exemplo, um homem pode
acreditar que “sua a parceira deveria suprir todas as suas necessidades”
(Baucom e Epstein, 1990; Epstein e Baucom, 2002). Essas cinco cognições
estavam diretamente relacionadas com as crenças centrais negativas que
Carlos tinha sobre si mesmo como, por exemplo, “eu sou impotente”.
No que se refere às suas percepções, Carlos foi ficando seletivamente
atento apenas às situações em que sua esposa era agressiva, o que o deixava
triste e chateado. Uma vez que se sentisse assim, tendia a se afastar física e
emocionalmente de sua esposa. Por sua vez, Isabel (esposa), começou a ficar
também seletivamente atenta a qualquer sinal de afastamento emocional do
139
marido. Nessas situações tendia a ficar mais aborrecida e magoada. Além
disso, ficava mais hostil.
As atribuições de Carlos sobre o comportamento agressivo da esposa
estavam vinculadas a idéia de falta de respeito por parte dela e de sua crença
de ser impotente para resolver a situação. Ele não sabia o que fazer quando
sua mulher começava a xingar e gritar. Isabel, por sua vez, atribuía sua
conduta hostil a falta de atenção e carinho que gostaria de receber do marido.
Ela atribuía o afastamento do esposo a falta de amor.
Carlos desenvolveu expectativas negativas em seu relacionamento. Ele
esperava que sua parceira nunca falasse alto ou expressasse raiva quando
conversasse com ele ou com qualquer outra pessoa. Por exemplo, “se ela me
respeitasse, nunca falaria nesse tom de voz comigo”. Isabel, por sua vez,
esperava que o marido fosse compreensivo com esses rompantes de raiva
dela. Ela achava que ele tinha que acolher seu sofrimento e esperar que se
acalmasse.
Os comportamentos e sentimentos de Carlos, ligados aos seus
problemas conjugais, foram também influenciados por suas suposições
(crenças) de que um relacionamento normal é aquele em que a parceira está
sempre calma e tranqüila. Já na concepção de Isabel, sua suposição era de
que no relacionamento saudável o marido é sempre compreensivo e acolhedor
nos momentos de angústia emocional.
Carlos ainda era influenciado por seus padrões (crenças) de como
“deveria” ser um relacionamento amoroso. Para ele, a esposa deveria estar
sempre carinhosa, atenta e prestativa as suas necessidades. Além disso, ele
140
achava que não deveria haver conflitos no seu relacionamento. No caso de
Isabel, ela acreditava que o marido deveria ser sempre suprir suas
necessidades emocionais e aceitá-la incondicionalmente, como uma verdadeira
prova de amor.
Resumindo, toda vez que Carlos percebia que sua esposa estava
prestes a “explodir”, ele se afastava deliberadamente. Como ele não recebia
aquilo que esperava, atribuía esse comportamento da esposa a uma falta de
respeito e de que ela não o amava tanto assim. Como tinha suposições de que
a esposa é aquela pessoa que deve estar sempre calma e tranqüila, ficava
muito decepcionado quando a parceira começava a brigar. Além disso, como
era um “dever” da esposa ser afetuosa e não ser conflituosa, ele ficava
magoado e triste quando sua esposa agia dessa forma.
Avaliação diagnóstica
Carlos apresentou-se bem vestido e limpo para a primeira sessão.
Olhava atentamente para o terapeuta e a esposa. Costumava ficar parado na
posição em que sentava inicialmente. Poucas vezes se movimentava no sofá.
Sua fala era sempre muito pausada, baixa e metódica. Levava um tempo entre
as expressões de suas idéias. Veja a seguir.
T – Então, alguma coisa te chamou a atenção nesse folheto sobre a
terapia de casal?
Carlos – Bem... (pausa longa) ah... (pausa longa) eu acho que... (pausa
longa) pessoas de uma maneira em geral... (pausa longa) tendem a ver
apenas os aspectos negativos dos relacionamentos.
141
Através da observação dos comportamentos de Carlos nas sessões e
com a utilização da entrevista estruturada MINI (International Neuropsychiatric
Interview), não foi percebido um quadro clínico específico do Eixo I (DSM-IVTR). Isto foi corroborado pela ausência significativa de sintomas depressivos ou
de ansiedade obtida pela aplicação dos inventários Beck de Depressão (BDI) e
Beck de Ansiedade (BAI).
Carlos apresentou níveis elevados na Escala de Satisfação Conjugal.
Isso significava que ele estava bastante insatisfeito com o modo como seu
relacionamento amoroso estava sendo conduzido. Ele demonstrou uma baixa
pontuação na Escala de Ajustamento Diádico, o que representava pouco
entendimento entre o casal.
Diagnósticos Prováveis (DSM-IV-TR, 2002)
Eixo I
V61.1
Eixo II
Eixo III
Problema de Relacionamento com Parceiro
Nenhum
278.00
Eixo IV
Obesidade, grau I
Problemas conjugais
Problemas ocupacionais
Eixo V
EAGF28 = 60
(na admissão)
EAGFR29 = 65
(na admissão)
28
Escala de Avaliação Global do Funcionamento (DSM-IV-TR, 2002)
29
Escala de Avaliação Global do Funcionamento nas Relações (DSM-IV-TR, 2002)
142
Conceituação cognitiva
Vejamos o quadro da conceituação cognitiva de Carlos:
Diagrama de Conceituação Cognitiva
Nome: Carlos (Marido 01 – Casal 01)
Dados relevantes da infância
Foi criado por mãe e avó que eram protetoras e faziam as vontades dele.
Pai era protetor. Ele não gostava de brigas e discussões.
Crenças Centrais
Eu sou impotente / incapaz
Crenças Condicionais
Se eu estiver numa situação de conflito, então é melhor eu ficar calado para evitar o pior.
Se eu não me afastar de uma pessoa que está irritada, teremos uma discussão.
É terrível brigar com alguém.
Devo evitar pessoas agressivas.
Estratégias Comportamentais
Não expressa seus sentimentos e idéias em momentos em que é agredido.
Sai do ambiente que está quando é ofendido.
Evita conflitos.
Situação 1
Situação 2
Situação 3
Minha esposa grita com meu
amigo no restaurante
Minha esposa está brigando
comigo
É interrompido quando fala
pela esposa
Pensamentos Automáticos
Pensamentos Automáticos
Pensamentos Automáticos
“Não sei o que fazer”
“É melhor eu ficar quieto
para não piorar as coisas”
“Não sei como fazê-la parar
com isso”
Significado
Significado
Significado
Impotência / incapacidade
Impotência / Incapacidade
Impotência / Incapacidade
Emoção
Emoção
Emoção
Mágoa
Tristeza
Irritação
Comportamento
Comportamento
Comportamento
Fica calado
Retira-se
Fica calado
143
A partir da(s) crença(s) central(is) de Carlos, percebe-se que ele
apresentava uma distorção cognitiva do tipo “pensamento dicotômico” ou
“pensamento tudo-ou-nada”: ou é capaz ou impotente/incapaz.
Percebe-se pelo diagrama de Carlos que ele foi criado por pessoas
protetoras que tinham uma grande influência sobre seus comportamentos. Ele
aprendeu, com seu pai, que não deveria discutir com as pessoas. Aprendeu
que pessoas que expressam suas idéias de forma mais dura, são
dominadoras e que querem impor suas razões a força. Ele evitava brigar com
as pessoas em geral, mesmo que elas o incomodassem. Por exemplo, ele não
suportava ser interrompido quando expressava suas idéias. Contudo, nunca
falava isso para alguém que o interrompesse naquele momento.
Como sua mãe e avó cuidavam de todas as atividades domésticas, ele
nunca precisou fazer nada. Quando perdia alguma coisa ou não encontrava
determinado objeto, tanto a avó quanto a mãe ficavam procurando as coisas
para ele. Esse tipo de comportamento trouxe muito problemas para seu
casamento. Por outro, lado sua mãe era muito agressiva e hostil no
relacionamento com seus familiares. Carlos sempre detestou essas atitudes e
procurava se afastar dessas situações.
Carlos tendia a fazer abstrações seletivas quando interagia com sua
esposa. Por exemplo, se a esposa falasse alto com ele, conclui: “ela está
querendo me diminuir”.
Ele tinha o hábito de se sentir o culpado (personalização), caso alguém
estivesse parecendo zangado. Por exemplo, se a esposa estivesse mais
calada, ele concluía: “eu devo ter feito alguma coisa errada”.
144
Ele também tendia a se rotular. Por exemplo, por não conseguir
expressar sua insatisfação com algumas atitudes da esposa, concluía: “eu sou
fraco”.
Com base nesse tipo de processamento, pode-se entender que qualquer
atitude da esposa passasse a ter uma importância extremada. Vejamos o
exemplo abaixo:
Carlos – Eu não aguento mais ela ficar brigando por qualquer coisa... eu
acabo sempre me sentindo culpado... ela tem que entender que eu tenho
amigos e estudo muito... não dá para ficar muito tempo em casa... Eu
realmente não sei o que fazer nessas situações... me sinto impotente para
lidar com tudo isso... apesar de amá-la muito, tenho vontade de ir embora às
vezes. Ela é uma pessoa maravilhosa, mas não consigo suportar isso tudo.
Terapeuta – Está parecendo que você está tendo muita dificuldade
diante de toda essa situação.
Carlos – Pois é, não é nada fácil... Às vezes eu chego em casa e só
quero tranqüilidade... Eu a amo muito, mas é muito complicado... Não sei
como agir...
Terapeuta – Parece que é duro para você ver que a pessoa que você
admira e ama, o faz pensar que é impotente por outro lado. Porém, isso é uma
visão extremada da situação. Ou seja, se ela não briga, você acredita que vale
a pena estar junto com ela e ser amado. Contudo, quando ela demonstra
insatisfação com algum comportamento seu, você acredita que ela não te
respeita. O que, por sua vez, leva-o acreditar que não há nada que você possa
fazer para mudar. O fundamental é você notar que em várias situações você
145
tem conseguido dizer para ela o que você pensa e sente. E ela tem ponderado
sobre suas colocações. Como, por exemplo, agora... Veja que ela está
ouvindo suas ponderações sem se exaltar. Você mesmo disse que ela vem
melhorando... Vale à pena ficar medindo sua capacidade ou incapacidade,
toda vez que surge um conflito em sua casa? Ou mesmo ser ou não amado?
Isso não faz você sofrer?
Carlos – Realmente é muito ruim pensar dessa forma...
A conceituação do caso de Carlos se baseia nas experiências infantis
que teve com seus familiares. Sua mãe tinha comportamentos agressivos e
hostis com os filhos. Por outro lado, seu pai dizia que entrar em conflito com as
pessoas era errado e que ele não deveria responder as pessoas. Isso deve ter
contribuído
para
que
Carlos
fortalecesse
um
auto-conceito
de
impotência/incapacidade, o que fazia com que tivesse atitudes passivas com
as pessoas.
No casamento atual estava tendo problemas financeiros devido a sua
condição de estudante. Com os conflitos constantes com a esposa, estava se
afastado emocionalmente da relação. Além disso, ficava mais tempo fora de
casa para evitar novas brigas.
Tinha tentado fazer terapia de casal antes, mas não deu certo. Nunca
tinha utilizado de medicamentos psiquiátricos. Recebeu dezesseis sessões de
tratamento e melhorou significativamente seu relacionamento com a esposa.
146
Tratamento
Nesse segmento é apresentado um resumo do tratamento que Carlos
fez através da terapia de casal proposta nesse protocolo de pesquisa. Foram
16 sessões de atendimento que objetivaram alterar suas cognições
disfuncionais, seus déficits de comunicação e sua maneira inadequada de
resolver os problemas conjugais. Focalizaram-se ainda seus comportamentos
negativos.
A primeira sessão de tratamento foi destinada a uma apresentação do
modelo de tratamento que seria seguido pelo protocolo dessa pesquisa. Foram
avaliados os pontos fortes e fracos do casal. Assim como, foram recolhidos os
dados relevantes de Carlos desde sua infância.
Entre a segunda e a décima sessão procurou-se modificar as cognições
disfuncionais de Carlos. Como mencionado acima, ele fazia atribuições e tinha
expectativas e suposições irrealistas referentes a si e ao seu relacionamento.
Carlos, por exemplo, acreditava que sua esposa não o respeitava porque
discutia com ele.
Para auxiliar o processo de modificação dessas cognições disfuncionais,
o terapeuta forneceu alguns folhetos ilustrativos30. Isabel e Carlos se
revezavam na leitura, em voz alta, desse material. Cada item dos folhetos era
debatido junto com o psicólogo. Um desses folhetos apresentava algumas
suposições inadequadas semelhantes às de Carlos como, por exemplo,
30
Ver anexos dessa tese
147
“quando
minha
parceira
e
eu
discordamos,
sinto
como
se
nosso
relacionamento estivesse desmoronando”.
Carlos aprendeu ainda a identificar as principais idéias distorcidas que
afetavam seu relacionamento. Com a ajuda do registro diário de pensamentos,
Carlos pode constatar idéias como “eu sou impotente”. A partir desse
momento, o terapeuta conseguiu por questionamento socrático que o cliente
modificasse esses pensamentos. Carlos passou então a processar suas
cognições de forma mais flexível e adequada, no que diz respeito ao seu papel
e de sua esposa na vida conjugal. Como, por exemplo, “Se minha esposa está
gritando quando estamos falando sobre um tema difícil em nosso
relacionamento, não significa que eu seja impotente para lidar com essa
situação. Eu posso pedir para ela falar mais baixo e que me deixe expressar
minhas idéias e sentimentos também”.
Além disso, Carlos começou a ter uma auto-imagem mais positiva. Ele
pôde construir crenças mais adaptativas como, por exemplo, “eu sou
respeitado pela minha esposa sim, na medida em que ela tem me tratado bem
na maioria dos dias. O fato dela discutir de forma exaltada suas idéias, não
significa necessariamente falta de respeito por mim. Provavelmente, ela
aprendeu a se comunicar assim em sua família de origem”.
A décima primeira e a décima segunda sessão foram destinadas ao
treino de comunicação. Carlos tinha uma tendência a ficar calado e evitava
falar de seus sentimentos e idéias quando sua esposa estava exaltada. Ele
148
recebeu folhetos instrutivos31 sobre como expressar sentimentos e idéias de
forma produtiva. O paciente foi treinado através de role-play, tendo sua esposa
e o terapeuta colaborado nesse processo.
Carlos com freqüência se afastava da esposa nos momentos de
discussão. Ele foi treinado a monitorar seus estados de humor e a relacionálos com seus pensamentos e comportamentos. Carlos percebeu, por exemplo,
que quando sua esposa gritava com ele, pensava “é melhor eu ficar calado
para não aumentar os problemas”. Essa idéia o deixava triste e ele se retirava
do ambiente.
Entre a décima terceira e décima quarta, Carlos aprendeu a utilizar a
técnica de “Resolução de problemas”. O cliente foi treinado para resolver seus
problemas conjugais de forma mais satisfatória para o casal. O paciente
recebeu um folheto instrutivo com os princípios dessa técnica. Como o auxílio
da esposa, Carlos pode solucionar algumas questões que estavam afetando o
cotidiano deles e que trazia grandes dificuldades para ambos. O paciente, por
exemplo, conseguiu organizar seu quadro de horários para poder chegar em
casa mais cedo e passar mais tempo com sua esposa.
No que se refere ao andamento geral do tratamento, Carlos aderiu
rapidamente ao procedimento de buscar respostar alternativas / racionais para
suas idéias inadequadas. Além disso, buscava estar sempre atento e
participativo nos treinos de comunicação e resolução de problemas. Tudo isso
facilitou bastante seu processo terapêutico.
31
Ver anexos dessa tese
149
Por outro lado, Carlos teve algumas dificuldades para começar e
expressar suas idéias e sentimentos. Ele passava grande parte do tempo da
sessão de tratamento calado. Ele também tinha uma tendência a falar muito
baixo o que dificultava a compreensão do que ele dizia. Outro problema
enfrentado foram os atrasos regulares e faltas ocasionais. Isso dificultava a
seqüência da terapia de casal e o uso adequado do tempo proposto no
protocolo de tratamento.
Resumindo, Carlos aprendeu que seus pensamentos estão relacionados
com seus estados de humor e comportamentos. A partir desse ponto, o cliente
teve condições de identificar, alterar e construir cognições mais adequadas
sobre si e sua vida conjugal. Além disso, fez um melhor uso da expressão de
suas idéias e emoções, proporcionando-lhe experimentar sentimentos
agradáveis no seu relacionamento amoroso. Por fim, o paciente aprendeu a
resolver seus problemas de forma adequada, o que o levou a comportamentos
mais positivos com sua esposa e a diminuir suas interações negativas.
Comentários gerais
O tratamento dos problemas conjugais seguiu o protocolo de tratamento
proposto para essa pesquisa. Este paciente não apresentou dificuldades para
o tratamento. Foi estabelecida uma boa relação terapêutica. O paciente estava
muito interessado em melhorar seu relacionamento, o que facilitou sua adesão
às técnicas propostas. Ele procurava participar ativamente dos exercícios
propostos. Através das técnicas propostas no protocolo, o paciente foi
estimulado a ser mais assertivo com a esposa.
1.Especificar a emoção
(ex.:
triste,
ansioso,
zangado etc.)
2.Assinalar a intensidade
da emoção numa escala
de 0 a 100
Descrever:
1.
O
que
está
acontecendo
que
possa ter levado à
emoção
2.Corrente
de
pensamento,
devaneio
ou
lembrança que possa
ter levado à emoção
Minha esposa briga Triste 80%
comigo, pois voltei
para casa mais tarde.
Sentimentos
Situação
“Se eu falar alguma coisa, vou ter
mais problemas” 80%
1.Anotar
o(s)
pensamento(s)
associados à emoção da forma como
apareceram na mente
2. Indicar o grau de convicção para
cada pensamento numa escala de 0
a 100
Pensamentos Automáticos
1. Não preciso ficar calado
quando sou agredido
2. Se eu expressar meus
sentimentos é provável que
ela pare de brigar
3. As minhas idéias são
importantes e ela precisa
saber
1. Anotar cada resposta racional
para
o(s)
pensamento(s)
registrado(s)
2. Avaliar o grau de convicção em
cada resposta racional (0-100)
Resposta Alternativa
PA 1 = 20%
Triste = 20%
1. Reavaliar o grau de
convicção
em
cada
pensamento automático
(PA = 0-100)
2. Reavaliar a intensidade
de cada emoção (E = 0100)
Reavaliação
 Traduzido e adaptado por Bernard Rangé (2001).
Perguntas para ajudar a compor uma resposta alternativa: (1) quais são as provas que o meu pensamento é verdadeiro? Não verdadeiro? (2) Há uma explicação
alternativa? (3) O que de pior poderia acontecer? Eu poderia superar isso? É tão catastrófico assim? Qual o melhor que poderia acontecer? Qual o resultado mais
provável, mais realista? (4) Se (um amigo meu) estivesse na situação e tivesse esse pensamento, o que eu diria para ele? (5) O que eu deveria fazer então? (6) Qual é
o efeito da minha crença no pensamento automático? Qual poderia ser o efeito de mudar o meu pensamento?Reavalie a convicção nos pensamentos automáticos e nos
sentimentos associados.
13/06
Qui
Noite
Dia/Hora
Paciente: Carlos (Marido 01 – Casal 01)
REGISTRO DIÁRIO DE PENSAMENTOS
150
151
6.1.2 Escores obtidos com cada membro do casal 01
O gráfico 1 apresenta os resultados obtidos por Isabel e Carlos (casal 01) na
Escala de Satisfação Conjugal. Dois estudos nacionais (Dela Coleta, 1992; Oliveira,
2009) apresentaram resultados sobre satisfação conjugal. Pode-se dizer que os
resultados obtidos nessa pesquisa são compatíveis com ambos os estudos
mencionados. Oliveira (2009), por exemplo, relatou média (M) = 2.32 e desvio
padrão (DP) = 0.43 para essa medida.
Isabel teve um escore 2.33 no pré-teste e 1.46 no pós-teste. Carlos
apresentou um escore 2.08 no pré-teste e 1.25 no pós-teste. Isso equivale dizer
que os membros do casal 01 apresentavam inicialmente um nível médio de
satisfação. Os escores de Isabel e Carlos também indicam que aumentou a
satisfação com seu relacionamento após o tratamento.
Cabe ressaltar, que o escore mais baixo na medida indicar maior satisfação
conjugal. Portanto, esses resultados apontam que as técnicas específicas utilizadas
no manual de tratamento dessa pesquisa podem ter propiciado uma melhora na
satisfação conjugal de cada membro do casal 01.
152
Escala de Satisfação Conjugal (ESC)
ISABEL
3,00
2,50
2,00
1,50
1,00
0,50
0,00
Antes
Depois
CARLOS
3,00
2,50
2,00
1,50
1,00
0,50
0,00
Antes
Depois
GRÁFICO 1 – Resultados da aplicação da Escala de Satisfação Conjugal (ESC) na esposa e no
marido do casal 01 A coluna preta representa a avaliação antes do tratamento. A coluna em cinza
representa a avaliação depois do tratamento. Escore mais baixo indica melhor satisfação conjugal.
153
O gráfico 2 apresenta os resultados obtidos por Isabel e Carlos (casal 01) na
Escala de Ajustamento Diádico (DAS). Os resultados obtidos são compatíveis com
os reportados por Spainer (1976). Este autor relatou média (M) = 101.5 e desvio
padrão (DP) = 28.3 para essa medida.
Baucom et al. (1990) realizaram um estudo aplicando técnicas cognitivas e
comportamentais em casais em conflito. Esses autores relataram M=88.58 e DP =
18.49 no pré-teste e M = 97.50 e DP = 14.24 no pós-teste para as mulheres.
Enquanto para os homens M = 104.42 e DP = 17.88 no pré-teste e M = 106.42 e
DP = 16.55 no pós-teste.
Isabel teve um escore 87 no pré-teste e 129 no pós-teste. Carlos apresentou
um escore 87 no pré-teste e 109 no pós-teste. Todos esses escores também são
compatíveis com os relatados por Baucom et al (1990). Isso equivale dizer que os
membros do casal 01 apresentavam inicialmente um nível médio de ajustamento.
Os escores de Isabel e Carlos também indicam que o ajustamento aumentou no
seu relacionamento após o tratamento.
Cabe ressaltar, que o escore mais alto na medida indicar maior ajustamento
conjugal. Portanto, esses resultados apontam que as técnicas específicas utilizadas
no manual de tratamento dessa pesquisa podem ter propiciado uma melhora no
ajustamento conjugal de cada membro do casal 01.
154
Escala de Ajustamento Diádico (DAS)
ISABEL
150
140
130
120
110
100
90
80
70
60
50
40
30
20
10
0
Antes
Depois
CARLOS
150
140
130
120
110
100
90
80
70
60
50
40
30
20
10
0
Antes
Depois
GRÁFICO 2 – Resultados da aplicação da Escala de Ajustamento Diádico (DAS) na esposa e no
marido do casal 01. A coluna preta representa a avaliação antes do tratamento. A coluna em cinza
representa a avaliação depois do tratamento. Escore mais alto indica melhor ajustamento conjugal.
155
Os próximos cinco gráficos que são apresentados abaixo correspondem a
variáveis que podem influenciar tanto a satisfação como o ajustamento conjugal.
O gráfico 3 apresenta os resultados obtidos por Isabel e Carlos (casal 01) no
Questionário de Empatia Conjugal (QEC). Os resultados obtidos são compatíveis
com os reportados por Oliveira (2005). Esta autora relatou média (M) = 3.02 e
desvio padrão (DP) = 0.57 para essa medida.
Isabel teve um escore 2.77 no pré-teste e 3.11 no pós-teste. Carlos
apresentou um escore 2.44 no pré-teste e 2.56 no pós-teste. Isso equivale dizer
que os membros do casal 01 apresentavam inicialmente um nível médio de
percepção empática. Os escores de Isabel e Carlos também indicam que aumentou
a percepção do comportamento empático no seu relacionamento após o
tratamento.
Cabe ressaltar, que o escore mais alto no QEC está relacionado com um
maior nível de satisfação e ajustamento conjugal. Portanto, esses resultados
apontam que as técnicas específicas utilizadas no manual de tratamento dessa
pesquisa podem ter propiciado uma melhora na percepção do comportamento
empático de cada membro do casal 01.
156
Questionário de Empatia Conjugal (QEC)
ISABEL
4,00
3,50
3,00
2,50
2,00
1,50
1,00
0,50
0,00
Antes
Depois
CARLOS
4,00
3,50
3,00
2,50
2,00
1,50
1,00
0,50
0,00
Antes
Depois
GRÁFICO 3 – Resultados da aplicação do Questionário de Empatia Conjugal (QEC) na esposa e no
marido do casal 01. A coluna preta representa a avaliação antes do tratamento. A coluna em cinza
representa a avaliação depois do tratamento. Escore mais alto indicar maior empatia conjugal.
157
O gráfico 4 apresenta os resultados obtidos por Isabel e Carlos (casal 01) no
Inventário de Crenças sobre Relacionamento (RBI). Os resultados obtidos são
compatíveis com os reportados por Baucom et al. (1990). Estes autores realizaram
um estudo aplicando técnicas cognitivas e comportamentais em casais em conflito.
Foi relatado M = 77.67 e DP = 15.74 no pré-teste e M = 68.92 e DP = 15.64 no pósteste para as mulheres. Enquanto para os homens M = 66.00 e DP = 12.80 no préteste e M = 55.75 e DP = 22.39 no pós-teste.
Isabel teve um escore 100 no pré-teste e 14 no pós-teste. Carlos apresentou
um escore 57 no pré-teste e 14 no pós-teste. Isso equivale dizer que os membros
do casal 01 apresentavam inicialmente um nível médio de aderência a crenças
inadequadas. Os escores de Isabel e Carlos também indicam que a aderência as
crenças disfuncionais diminuiu no seu relacionamento após o tratamento. Como se
pode observar, houve uma substancial redução dos escores tanto em Isabel quanto
em Carlos.
Cabe ressaltar, que o escore mais baixo no RBI está relacionado com um
maior nível de satisfação e ajustamento conjugal. Portanto, esses resultados
apontam que as técnicas específicas utilizadas no manual de tratamento dessa
pesquisa podem ter propiciado uma melhora na satisfação e no ajustamento
conjugal de cada membro do casal 01.
158
Inventário de Crenças sobre Relacionamento (RBI)
ISABEL
200
180
160
140
120
100
80
60
40
20
0
ANTES
DEPOIS
CARLOS
200
180
160
140
120
100
80
60
40
20
0
ANTES
DEPOIS
GRÁFICO 4 – Resultados da aplicação do Inventário de Crença sobre Relacionamento (RBI) na
esposa e no marido do casal 01. A coluna preta representa a avaliação antes do tratamento. A
coluna em cinza representa a avaliação depois do tratamento. Escore mais baixo na medida indicar
menor aderência a crenças disfuncionais.
159
O gráfico 5 apresenta os resultados obtidos por Isabel e Carlos (casal 01) na
Medida de Atribuição nos Relacionamentos (RAM). Os resultados obtidos são
compatíveis com os reportados por Graham e Conoley (2006). Foi relatado M =
3.42 e DP = 0.73 para as mulheres. Enquanto para os homens M = 3.17 e DP =
0.84.
Isabel teve um escore 4.17 no pré-teste e 3.25 no pós-teste. Carlos
apresentou um escore 2.75 no pré-teste e 2.50 no pós-teste. Isso equivale dizer
que os membros do casal 01 apresentavam inicialmente um nível médio de
aderência a atribuições disfuncionais. Os escores de Isabel e Carlos também
indicam que a aderência a atribuições inadequadas diminuiu no seu relacionamento
após o tratamento.
Cabe ressaltar, que o escore mais baixo na RAM está relacionado com um
maior nível de satisfação e ajustamento conjugal. Portanto, esses resultados
apontam que as técnicas específicas utilizadas no manual de tratamento dessa
pesquisa podem ter propiciado uma melhora na satisfação e no ajustamento
conjugal de cada membro do casal 01.
160
Medida da Atribuição nos Relacionamentos (RAM)
ISABEL
6
5
4
3
2
1
0
ANTES
DEPOIS
CARLOS
6
5
4
3
2
1
0
ANTES
DEPOIS
GRÁFICO 5 – Resultados da aplicação da Medida de Atribuição nos Relacionamentos (RAM) na
esposa e no marido do casal 01. A coluna preta representa a avaliação antes do tratamento. A
coluna em cinza representa a avaliação depois do tratamento. Escore mais baixo na medida indicar
menor aderência a atribuições disfuncionais.
161
O gráfico 6 apresenta os resultados obtidos por Isabel e Carlos (casal 01) no
Inventário Beck de Depressão (BDI). Os resultados obtidos são compatíveis com os
reportados por Gorestein e Andrade (1998). Estas autoras relataram média (M) =
25.2 e desvio padrão (DP) = 12.6 para essa medida no estudo que realizaram com
pacientes ambulatoriais brasileiros deprimidos.
Isabel teve um escore 26 no pré-teste e 13 no pós-teste. Carlos apresentou
um escore 8 no pré-teste e 1 no pós-teste. Isso equivale dizer que Isabel
apresentava, inicialmente, um nível moderado de depressão. Enquanto Carlos
apresentava um nível mínimo de depressão. Os escores de Isabel e Carlos
também indicam que o nível de depressão diminuiu após o tratamento.
Cabe ressaltar, que o escore mais baixo no BDI está relacionado com um
maior nível de satisfação e ajustamento conjugal. Portanto, esses resultados
apontam que as técnicas específicas utilizadas no manual de tratamento dessa
pesquisa podem ter propiciado uma melhora no ajustamento conjugal de cada
membro do casal 01.
162
Inventário de Depressão de Beck (BDI)
ISABEL
60
50
40
30
20
10
0
Antes
Depois
CARLOS
60
50
40
30
20
10
0
Antes
Depois
GRÁFICO 6 – Resultados da aplicação do Inventário de Depressão de Beck (BDI) na esposa e no
marido do casal 01. A coluna preta representa a avaliação antes do tratamento. A coluna em cinza
representa a avaliação depois do tratamento. Escore mais baixo na medida indicar menor estado de
humor depressivo.
163
O gráfico 7 apresenta os resultados obtidos por Isabel e Carlos (casal 01) no
Inventário de Ansiedade de Beck (BAI). Os resultados obtidos são compatíveis com
os reportados por Beck et al (1988). Estes autores relataram média (M) = 25.76 e
desvio padrão (DP) = 11.42 para essa medida.
Isabel teve um escore 17 no pré-teste e 24 no pós-teste. Carlos apresentou
um escore 3 no pré-teste e 0 (zero) no pós-teste. Isso equivale dizer que Isabel
apresentava, inicialmente, um nível leve de ansiedade. Enquanto Carlos
apresentava um nível mínimo de ansiedade. Os escores de Isabel indicam que o
nível de ansiedade aumentou após o tratamento. Os escores de Carlos apontam
que o nível de ansiedade diminuiu após o tratamento.
164
Inventário de Ansiedade de Beck (BAI)
ISABEL
60
50
40
30
20
10
0
Antes
Depois
CARLOS
60
50
40
30
20
10
0
Antes
Depois
GRÁFICO 7 – Resultados da aplicação do Inventário de Ansiedade de Beck (BAI) na esposa e no
marido do casal 01. A coluna preta representa a avaliação antes do tratamento. A coluna em cinza
representa a avaliação depois do tratamento. Escore mais baixo na medida indicar menor nível de
ansiedade.
165
6.2 Casal 02 – Fernanda e André
Nesse segmento são apresentados as conceituações cognitivas e os
resultados obtidos com cada um dos cônjuges do casal 02.
6.2.1 Conceitualização cognitiva
Nesse segmento são apresentadas as conceituações cognitivas de cada um
dos cônjuges do casal 02. Primeiro, é relatado o caso de Fernanda. Depois é
apresentado o quadro clínico de André.
6.2.1.1 Fernanda
Ela veio encaminha pela psicóloga que a atendia individualmente. Era uma
engenheira de 30 anos, sem filhos, casada há um ano e meio. Ela trabalhava em
uma multinacional prestando serviço para uma consultoria.
Sua família de origem era da região Noroeste do Estado do Rio de Janeiro.
Depois a família se mudou para uma cidade próxima do município do Rio de
Janeiro. Era de uma família do interior com valores “tradicionais” e rígidos. Por
exemplo, sua família não permitia que ela se socializasse muito e saísse com
amigas sozinha.
Os seus familiares eram contra o sexo antes do casamento. Ela teve
grandes dificuldades nas suas primeiras experiências sexuais, pois sentia muita
culpa. Ela quase não teve prazer nas suas primeiras experiências sexuais. Ela veio
a descobrir o prazer sexual com seu marido, ainda na época do namoro.
166
A sua família de origem tinha comportamentos muito agressivos e vivia
brigando o tempo todo. Era uma gritaria imensa entre ela, sua irmã e sua mãe. O
pai também era muito agressivo com ela e com a mãe. O pai tinha brigas horríveis
com a mãe, segundo Fernanda. Sua mãe xingava muitos palavrões e batia nas
filhas. O pai durante um período humilhava a paciente também, pois estava
ficando comprometido pelo álcool. O irmão dela também brigava muito com o pai.
Em algumas situações, quase ocorria violência física entre eles dois.
Os pais eram muito críticos de uma maneira em geral. Eles vivam criticando
as idéias e as escolhas da Fernanda que não estivessem de acordo com as
crenças familiares. Ela odiava ser criticada e isso até hoje era um problema em
sua vida. A mãe também não conseguia lidar bem com as críticas. Por exemplo,
quando a mãe era criticada, agredia verbalmente a paciente.
Sua família a acha muito agressiva. A paciente relatou que seus familiares
não se consideravam agressivos. Ela era muito criticada pela família por agir
assim.
Segundo Fernanda, sua família travava com desdém a data de seu
aniversário. Os pais não celebravam o aniversário dela, pois o avô nasceu no
mesmo dia. Tudo era feito para homenagear o avô, ela ficava em segundo plano.
Contudo, o aniversário dos irmãos era bastante festejado. De um modo em geral,
os pais davam mais atenção e carinho para seus irmãos, segundo a percepção da
Fernanda e do seu marido que presenciou várias situações assim.
167
Relacionamento amoroso
Ela conheceu o marido na empresa onde foi estagiar. O primeiro contato
com o esposo foi muito bom. Ela ficou atraída pela beleza física e o charme do
marido. O fato dele também já estar trabalhando e ser mais velho a atraia. Ela o
achava sensível, com um jeito muito especial, cativante, inteligente, carinhoso e
romântico. Ela namorou o marido durante cinco anos antes de casarem.
Os problemas começaram a surgir já na fase de namoro. Com o passar do
tempo ela passou a achá-lo fútil, um “filhinho do papai” que não andava de ônibus.
Além disso, como ela estava terminando a faculdade e estava muito estressada,
resolveu terminar o namoro. Depois de um mês decidiu reatar o relacionamento.
Um dos momentos difíceis no namoro foi quando o marido ficou
desempregado. Na época eles estavam querendo noivar. Esse fato trouxe
problemas como, por exemplo, a pressão da família dela. Além disso, o marido
ficou muito triste o que acabou afetando a vida sexual e social deles. Ela começou
a se sentir rejeitada, e isso acabou levando a outra separação do casal, mas uns
tempos depois acabaram se casando.
Logo após o casamento, Fernanda teve um episódio depressivo. Ela ficava
deitada no chão, chorando e sem vontade de fazer nada. Para ela foi muito difícil
sair da casa dos pais e assumir seu próprio lar, na condição de mulher e esposa.
Ela guardou mágoa do marido, por não ajudá-la e compreendê-la nesse momento
difícil.
Outro momento difícil na relação foi quando o marido abriu a sua própria
empresa, após um ano de desemprego dele. O relacionamento foi ficando para
segundo plano, devido à dedicação do parceiro à empresa.
168
Cognições disfuncionais
São apresentados alguns exemplos de cinco cognições (percepções,
atribuições, expectativas, suposições e padrões) que se forem inadequadas
podem influenciar de forma negativa um relacionamento conjugal. Vale lembrar
que as suposições são crenças que a pessoa mantém sobre o que “é” a natureza
dos relacionamentos e das pessoas em geral. Por exemplo, um homem pode
supor que a existência de desacordo entre parceiros “é” algo prejudicial para a
relação. Os padrões, por sua vez, são crenças que um indivíduo tem sobre como
“deveria” ser a vida conjugal. Por exemplo, uma mulher pode acreditar que numa
relação amorosa “deveria” haver o eterno sentimento de paixão (Baucom e
Epstein, 1990; Epstein e Baucom, 2002). Essas cinco cognições estavam
diretamente relacionadas com as crenças centrais negativas que Fernanda tinha
sobre si mesma como, por exemplo, “eu não tenho valor”.
No que se refere às suas percepções, Fernanda foi ficando seletivamente
atenta apenas às situações em que seu marido não a tratava do modo que
gostaria, o que a deixava irritada e triste. Quando se sentia dessa forma
costumava ser hostil com seu parceiro. Por sua vez, André (marido), começou a
ficar também seletivamente atento a qualquer sinal de sua esposa estar raivosa.
Nestes momentos, ele evitava falar com Fernanda, pois não suportava ser
agredido verbalmente.
As atribuições de Fernanda sobre o comportamento descompromissado do
marido com os horários estavam vinculados a idéia de que ele não a valorizava
mais. O casal tinha muitas brigas porque o marido não se organizava para cumprir
os horários estabelecidos. O casal já tinha perdido festas, viagens etc. Essa
dificuldade do marido inclusive trazia problemas na relação com os amigos e as
169
famílias de cada um deles. André, por sua vez, atribuía sua falta de pontualidade
com os eventos como um processo de retaliação à rigidez da esposa com os
horários compromissos sociais. Segundo palavras dele, ele gostaria de “sentir o
momento, curtir as coisas de vagar e sem grandes pressões. Para depois ver se
estava interessado ou não em ir a determinado evento”.
Fernanda atribuía ainda a si mesma um comportamento que trazia
problemas para o casal. De acordo com o que o marido relatou acima, ela se
descreveu ser muito pragmática, objetiva e rígida. A paciente sempre queria tudo
organizado, planejado, ter alternativas para suas tarefas, entre outras coisas. Ela
também se achava controladora. Veja abaixo um exemplo:
T – Você acha que há alguma outra coisa que você faz que traga problemas
para seu relacionamento?
Fernanda – Eu acho que a minha objetividade dificulta algumas coisas no
nosso relacionamento. Eu sou objetiva, racional.
T – Eu gostaria de um exemplo bem concreto.
Fernanda – Por mim, nossa semana e fim de semana, seriam todos
planejados. Por exemplo, hoje nós vamos acordar cedo, caminhar, ir ao Raphael
(terapeuta). Eu me organizo assim. Por exemplo, a gente vem aqui, depois eu vou
para o salão e depois a gente vai para o casamento. Depois a gente vai para
Niterói na casa dos meus pais. Eu organizei o fim de semana entende.
T – Essa programação é rígida?
Fernanda – No início do relacionamento era muito. Quando uma coisa não
dava certo, aquilo me desestruturava. Agora, como eu fui percebendo que ele não
170
era nada programado eu fui cedendo. Mas isso me incomoda imensamente, por eu
ter essa personalidade organizada e racional que fica sempre planejando.
Fernanda desenvolveu expectativas irrealistas em seu relacionamento. Por
exemplo, ela esperava que o seu parceiro antecipasse as necessidades dela
quando mudasse de humor. Como ela tinha uma expressão exagerada de sua
raiva, gostaria que o marido se afastasse nos momentos em que se sentia assim.
Ela esperava isso, particularmente, na época de sua tensão pré-menstrual (TPM).
Por exemplo, “se ele me desse o devido valor, saberia que estou passando mal e
não faria coisas para me irritar”. André, por sua vez, esperava que a esposa não
brigasse com ele nesses momentos e que dissesse o que estava sentido quando
ele se aproximasse. Como isso não estava acontecendo, André estava ficando
cada vez mais afastado da sua parceira.
Os comportamentos e sentimentos de Fernanda, ligados aos seus
problemas conjugais, foram influenciados por suas suposições (crenças) de que um
relacionamento normal é aquele em que o parceiro está em sintonia com suas
idéias e sentimentos, além de ser comprometido com as atividades sociais do
casal. Já na concepção de André, sua suposição era de que no relacionamento
saudável há sempre um ambiente de calma e flexibilidade, onde as pessoas
expressariam seus sentimentos e pensamentos sem cobranças ou rigidez por parte
dos conjugues.
Fernanda ainda era influenciada por seus padrões (crenças) de como
“deveria” ser um relacionamento amoroso. Para ela, o marido deveria ser uma
pessoa responsável e atenta as suas necessidades emocionais mais básicas. No
caso de André, ele acreditava que a esposa deveria sempre ser calma e flexível.
171
Resumindo, toda vez que Fernanda estava com alguma dificuldade
emocional ficava percebendo se seu marido iria notar sua alteração de humor.
Como ela não recebia aquilo que esperava de seu esposo, atribuía esse
comportamento à falta de valor dela para ele e de que o mesmo não a amava mais.
Como tinha suposições de que não precisava comunicar suas necessidades
básicas para seu marido, ficava muito frustrada quando ele não percebia o que ela
desejava. Além disso, como gostava das coisas organizadas e de cumprir horários,
ficava muito decepcionada com o marido quando ele não agia como deveria. Ou
seja, ser pontual e atento as suas emoções.
Avaliação diagnóstica
Fernanda apresentou-se bem vestida e limpa durante a primeira consulta.
Ela ficou atenta ao terapeuta e ao marido. Tendia a variar sua posição no sofá,
conforme o tema de nossa conversa. Sua linguagem era correta, precisa e
respondia prontamente o que era perguntado. Por vezes chorava, pois estava
bastante triste com o quadro do seu casamento naquele momento.
Fernanda veio fazer terapia com uma queixa de que sua vida conjugal não
estava mais satisfatória. Disse que o marido não dava mais o valor que ela merecia
de verdade. Ela achava que o parceiro fazia coisas só para irritá-la. Como o marido
estava ficando até tarde na empresa dele, Fernanda estava se sentindo muito triste
e solitária.
Através da observação dos comportamentos da Fernanda nas sessões e
com a utilização da entrevista estruturada MINI (International Neuropsychiatric
Interview), foram identificados alguns quadros clínicos do Eixo 1 do DSM-IV-TR.
172
Fernanda estava passando por um Episódio Depressivo Maior de nível leve. O que
foi corroborado pela aplicação do Inventário Beck de Depressão (BDI), onde a
paciente apresentou um nível leve de depressão atual. Além disso, foi reconhecido
um quadro de Transtorno de Ansiedade Generalizada co-mórbido.
Fernanda apresentava níveis elevados na Escala de Satisfação Conjugal.
Isso significa que ela estava bastante insatisfeita com o modo como seu
relacionamento amoroso estava sendo conduzido. Ela demonstrou uma baixa
pontuação na Escala de Ajustamento Diádico, o que representava pouco
entendimento entre o casal.
Diagnósticos prováveis (DSM-IV-TR)
Eixo I
V61.1
Problema de Relacionamento com Parceiro
296.31
Transtorno Depressivo Maior, Recorrente, Leve
300.02
Transtorno da Ansiedade Generalizada
Eixo II
Nenhum
Eixo III
HPV
Eixo IV
Problemas com o grupo de apoio primário
Eixo V
AGF = 60
(na admissão)
EAGFR = 50
(na admissão)
Conceitualização do caso
Vejamos o quadro da conceituação cognitiva da Fernanda:
173
Diagrama de Conceituação Cognitiva
Nome: Fernanda (Esposa – Casal 02)
Dados relevantes da infância
Pai autoritário e agressivo
Mãe controladora e agressiva.
Irmãos agressivos
Crenças Centrais
Eu não tenho valor
Eu sou indesejável
Crenças Condicionais
Se eu não gritar com meu marido, então ele vai me tratar mal sempre
Se eu deixar as coisas para ele fazer e não cobrar, então ele vai me fazer de boba.
É terrível não conseguir transar com meu marido
Estratégias Comportamentais
Exigir-se. Controlar tudo. Planejar as coisas com antecedência. Gritar. Xingar.
Situação 1
Situação 2
Situação 3
O marido se atrasa para
festa que iam juntos
Não consigo transar com
meu marido
A louça não está lavada
Pensamentos Automáticos
Pensamentos Automáticos
Pensamentos Automáticos
“Ele faz isso para me irritar”
“Eu sou um lixo”
“Ele não tem consideração”
Significado
Significado
Significado
Não ter valor,
Ser indesejável
Não ter valor
Emoção
Emoção
Emoção
Raiva
Triste
Raiva
Comportamento
Comportamento
Comportamento
Briga com o marido
Chora muito
Xinga o marido
174
A conceituação do caso da Fernanda baseia-se nas experiências infantis
que ela teve com seus pais que eram agressivos, exigentes e críticos. Isso
contribuiu para que fortalecesse um auto-conceito elevado e super exigente, o que
fazia que se esforçasse para que tudo fosse planejado, ordenado e perfeito. A
raiva dos irmãos era compreensível, pois todos eram também muito exigentes e
cobradores.
Seu desempenho escolar foi excelente. Ela queria agradar aos pais, pois a
consideravam “perfeita” em termos acadêmicos. Ela tinha amigos na adolescência,
mas tinha dificuldade de se socializar por causa do controle da família. Sua vida
sexual não era satisfatória, pois sentia muita culpa por transar antes do
casamento.
Durante a vida adulta, depois fazer engenharia de produção, trabalhou em
grandes empresas. Sempre teve um bom desempenho. Procurava dar o máximo
dela no trabalho.
Sua vida de casada não estava sendo satisfatória, pois ela e o marido
tinham muitos conflitos. Eles tinham expectativas e crenças diferentes sobre o
relacionamento conjugal. Ela também atribuía ao marido os problemas do casal.
Percebe-se que Fernanda costumava fazer algumas distorções cognitivas
que estavam baseadas em suas crenças centrais. Ele costuma maximizar os
eventos negativos e minimizar o positivo em uma situação. Por exemplo, quando
seu parceiro chegava mais cedo em casa para estar com ela, pensava “ele chegar
essa hora não significa que me valoriza”. Por outro lado quando o parceiro
chegava tarde, ela pensava “estar em casa tão tarde demonstra que ele não me
ama mais”.
175
Fernanda fazia também algumas catastrofizações (adivinhações) quando
tinha um compromisso social e o marido demonstrava que ia se atrasar. Por
exemplo, ela pensava “eu vou ficar tão aborrecida que não serei capaz de agir
direito com as pessoas na festa”.
A partir da(s) crença(s) central(is) de Fernanda, percebe-se que ela
apresentava uma distorção cognitiva do tipo “pensamento dicotômico” ou
“pensamento tudo-ou-nada”: ou é respeitada ou não tem valor.
Com base nesse tipo de processamento, pode-se entender que qualquer
atitude do marido passasse a ter uma importância extremada. Vejamos o exemplo
abaixo:
Fernanda – ...mas, na verdade, eu começo a pensar que ele não me respeita
mais, que eu não tenho nenhum valor para ele... Raphael (terapeuta), como é que
pode alguém agir desse jeito? Não consigo ver outra explicação.
Terapeuta – Está me parecendo que essa é uma situação muito
desagradável, pois você acha que o fato do seu marido não ajudar nas atividades
domésticas representa uma desvalorização sua... é isso?
Fernanda – Cara... é inacreditável o que ele faz. Imagina só essa situação.
Chega o garrafão de água de vinte litros e o André não se mexe para colocar no
lugar. Ele acha que sou o quê? Escrava dele? Eu não aguento tanto peso. Ele não
tem a menor consideração por mim.
Terapeuta – Vejo que é uma situação muito complicada para você mesmo.
Parece que quando ele não faz algo que “deveria” ser a função dele, você tende a
acreditar que não a valoriza. Contudo, existe um longo caminho entre ser
respeitada ou não. Seria interessante se você conseguisse perceber as outras
176
situações em que ele tem apreço por você. Por exemplo, ele conseguiu chegar ao
casamento no horário que nós três combinamos aqui. É fato que ele ainda se
atrasa e que isso a deixa irritada, mas ele vem tentando modificar esse
comportamento. Você precisa se perguntar qual é a vantagem de avaliar as coisas
que acontecem na sua relação em termos de ser valorizada ou desrespeitada.
Tenho a sensação de que você fica bastante triste quando chega a essa
conclusão.
Fernanda – (chora)... eu fico muito aborrecida e triste comigo mesma, por
estar vivendo assim.
Fernanda estava fazendo terapia individual há quatro meses antes de
começar os atendimentos da pesquisa. Não estava tomando medicamentos
psiquiátricos. Ela procurava participar ativamente da terapia de casal.
Tratamento
Nesse segmento é apresentado um resumo do tratamento que Fernanda fez
através da terapia de casal proposta nesse protocolo de pesquisa. Foram 16
sessões de atendimento que objetivaram alterar suas cognições disfuncionais,
seus déficits de comunicação e sua maneira inadequada de resolver os problemas
conjugais. Focalizaram-se ainda seus comportamentos negativos.
A primeira sessão de tratamento foi destinada a uma apresentação do
modelo de tratamento que seria seguido segundo o protocolo dessa pesquisa.
Foram avaliados os pontos fortes e fracos do casal. Assim como, foram recolhidos
os dados relevantes de Fernanda desde sua infância.
177
Entre a segunda e a décima sessão procurou-se modificar as cognições
disfuncionais de Fernanda. Como mencionado acima, ela fazia atribuições e tinha
expectativas, suposições e padrões irrealistas referentes a si e ao seu
relacionamento. Fernanda, por exemplo, acreditava que a falta de compromisso do
marido com os eventos sociais se devia ao fato dele não valorizá-la mais.
Para auxiliar o processo de modificação dessas cognições disfuncionais, o
terapeuta forneceu alguns folhetos ilustrativos32. Fernanda e André se revezavam
na leitura, em voz alta, desse material. Cada item dos folhetos era debatido junto
com o psicólogo. Um desses folhetos apresentava algumas atribuições irrealistas
como, por exemplo, “tenho certeza que meu parceiro às vezes faz coisas apenas
para me aborrecer”.
Fernanda também foi treinada a monitorar seus estados de humor e a
relacioná-los com seus pensamentos e comportamentos. Em uma situação em que
o parceiro, por exemplo, deixava de pagar uma conta na data prevista, ela concluía
que o parceiro “não tinha o menor respeito com as responsabilidades do casal”,
sentia raiva e começava a gritar. Com o treinamento proposto, a cliente passou a
perceber que seu afeto negativo estava diretamente ligado as suas cognições
irrealistas e comportamentos inadequados como, por exemplo, falar esbravejando.
Fernanda aprendeu ainda a identificar as principais idéias distorcidas que
afetavam seu relacionamento. Com a ajuda do registro diário de pensamentos, a
paciente constatou idéias como “eu sou indesejável”. A partir desse momento, o
terapeuta conseguiu por questionamento socrático que a paciente modificasse
32
Ver anexos dessa tese
178
esses pensamentos. Fernanda passou então a processar suas cognições de forma
mais flexível e adequada sobre seu papel e de seu marido na vida conjugal. Como,
por exemplo, “se não estou conseguindo transar com meu marido, isso não
significa que ele não me deseja mais ou vice-versa. Como temos estado em crise
no casamento, isso dificulta termos relações íntimas, pois para nós dois é
importante estar bem para termos uma relação sexual satisfatória”.
A décima primeira e a décima segunda sessão foram destinadas ao treino de
comunicação. Fernanda, por exemplo, expressava seu sentimento de raiva de uma
forma muito hostil. Por exemplo, se o marido fizesse uma crítica a paciente, ela
ficava muito enfurecida e começava a gritar. Para auxiliar Fernanda a manejar
essa dificuldade de expressão de pensamentos e sentimentos, o psicólogo
forneceu folhetos instrutivos sobre como expressar idéias e emoções de forma
produtiva. Fernanda foi treinada através de role-play, tendo seu marido e o
terapeuta colaborado nesse processo.
Entre a décima terceira e décima quarta, Fernanda aprendeu a utilizar a
técnica de “Resolução de problemas”. A cliente foi treinada para resolver seus
problemas conjugais de forma mais satisfatória para o casal. Fernanda recebeu
um folheto instrutivo33 com os princípios dessa técnica. Como o auxílio do esposo,
Fernanda pode solucionar algumas questões que estavam afetando o cotidiano
deles e que trazia grandes dificuldades para ambos.
No que se refere ao andamento geral do tratamento, Fernanda aderiu
rapidamente ao procedimento de buscar respostar alternativas / racionais para
33
Ver anexo dessa tese
179
suas idéias inadequadas. Além disso, buscava estar sempre atenta e participativa
nos treinos de comunicação e resolução de problemas. Tudo isso facilitou bastante
seu processo terapêutico.
Por outro lado, Fernanda estava muito magoada e ressentida com o seu
marido. Em muitas ocasiões foi necessária a intervenção do terapeuta para que o
casal não entrasse em conflito na sessão. Fernanda tinha uma necessidade muito
grande de falar. Em geral, sua fala era agressiva e inquisitória. Ela ficava
inconformada com algumas atitudes do marido ao longo da semana e espera a
terapia para poder discutir esses problemas. Essa postura se devia ao pouco
contato que o casal tinha durante os dias. Como Fernanda chegava com muitas
questões para falar, isso dificultava o processo de treinamento proposto pelo
protocolo dessa pesquisa.
Resumindo, a paciente aprendeu que seus pensamentos estão relacionados
com seus estados de humor e comportamentos. A partir desse ponto, Fernanda
teve condições de identificar, alterar e construir cognições mais adequadas sobre
si e sua vida conjugal. Além disso, fez um melhor uso da expressão de suas idéias
e emoções, proporcionando-lhe experimentar sentimentos agradáveis no seu
relacionamento amoroso. A paciente aprendeu ainda a resolver seus problemas de
forma adequada.
Comentários gerais
O tratamento dos problemas conjugais seguiu o protocolo proposto para
essa pesquisa. Contudo, ocorreram muitos atrasos e faltas ao longo de toda a
terapia. Além disso, Fernanda apresentou alguns aspectos que dificultaram o
180
tratamento, sendo que os principais eram seus comportamentos agressivos e suas
dificuldades sexuais. Era comum a paciente ser hostil com o marido, inclusive na
sessão, sempre de uma forma “explosiva”. Fernanda tinha desejo sexual pelo
marido, porém devido às crenças negativas sobre si mesma e a mágoa que vinha
sentindo nos últimos tempos, nem sempre tinha vontade de ter relações sexuais
com o marido.
Em parte todo esse quadro é compreensível, tendo em vista ter vivido em
uma família controladora, exigente, crítica e agressiva. Por outro lado, isso
dificultava sua vida conjugal.
1. Especificar a
emoção (ex.: triste,
ansioso, zangado etc.)
2. Assinalar a
intensidade da emoção
numa escala de 0 a
100
Descrever:
1. o que está
acontecendo que possa
ter levado à emoção, ou
2. Corrente de
pensamento, devaneio ou
lembrança que possa ter
levado à emoção
Meu marido recusa-se a Raiva 90%
sair com um casal de
amigos em comum.
Sentimentos
Situação
1. Anotar cada resposta racional
para
o(s)
pensamento(s)
registrado(s)
2. Avaliar o grau de convicção em
cada resposta racional (0-100)
Resposta Alternativa
1. Reavaliar o grau de
convicção em cada
pensamento
automático
(PA = 0-100)
2. Reavaliar a
intensidade de cada
emoção (E = 0-100)
Reavaliação
Ele tem dificuldades específicas
Raiva 40%
1. “A gente não vai conseguir sair”
Ele recusa esses convites porque
60%
ele tem problemas maiores com isso PAs
2. “Ele sempre fica me tolhendo”
Ele não fez isso de propósito
1. 10%
50%
2. 20%
3. “Ele sempre se recusa a sair com O fato dele não querer isso, não 3. 30%
significa
que
ele
está
me 4. 35%
nossos amigos” 80%
desrespeitando
5. 40%
6. 20%
4. “Eu marco as coisas com os
amigos, mas ele fica dificultando a Apesar da grande frequência dele 7. 40%
se recusar a sair com nossos
nossa socialização” 70%
amigos, isso não acontece sempre.
5. “Ele é egoísta” 90%
Nós já saímos outras vezes com
nossos amigos
6. “Ele não pensa em mim” 60%
1. Anotar o(s) pensamento(s)
associados à emoção da forma
como apareceram na mente
2. Indicar o grau de convicção para
cada pensamento numa escala de 0
a 100
Pensamentos Automáticos
 Traduzido e adaptado por Bernard Rangé (2001).
Ele faz coisas para me agradar
7. “Ele não me respeita” 90%
Perguntas para ajudar a compor uma resposta alternativa: (1) quais são as provas que o meu pensamento é verdadeiro? Não verdadeiro? (2) Há uma explicação
alternativa? (3) O que de pior poderia acontecer? Eu poderia superar isso? É tão catastrófico assim? Qual o melhor que poderia acontecer? Qual o resultado mais
provável, mais realista? (4) Se (um amigo meu) estivesse na situação e tivesse esse pensamento, o que eu diria para ele? (5) O que eu deveria fazer então? (6) Qual
é o efeito da minha crença no pensamento automático? Qual poderia ser o efeito de mudar o meu pensamento?Reavalie a convicção nos pensamentos automáticos e
nos sentimentos associados.
Sab
Dia/Hora
Paciente: Fernanda (Esposa 02 – Casal 02)
REGISTRO DE PENSAMENTO DIÁRIO
181
182
6.2.1.2 André
Ele veio encaminhado pela psicóloga da esposa. Ele chegou com uma
queixa de que sua relação amorosa com a esposa não estava satisfatória. Ele
era um empresário de 33 anos, não tinha filhos, casado há um ano e meio.
André era filho único. Sua mãe era muito controladora e o cobrava
muito. Ele não aceitava as cobranças maternas, porque a achava uma pessoa
“descompensada”. Ele tinha uma imagem negativa da mãe e não conseguia
seguir as regras impostas por ela durante o período em que viveram juntos.
A mãe também era agressiva. Ela gritava muito com ele, o xingava e
batia também. As agressões físicas permaneceram até o início da
adolescência. As agressões não eram graves, mas doía bastante segundo
André. Por exemplo, a mãe batia nele de chinelo de borracha enquanto o
paciente tomava banho. Isso era humilhante para ele.
Segundo o relato do André, a relação com sua mãe eram bastante difícil,
“péssima”, eles brigavam muito. Após a separação da mãe e do pai, a relação
do paciente com a genitora ficou mais complicada ainda. Depois dessa
separação, a mãe namorava outros homens e o expunha a isso, o que o
incomodava muito. Ele achava que a mãe o tinha abandonado e o humilhado.
O pai do André era homossexual e tinha AIDS. Esse foi o motivo da
separação dos pais dele. André descobriu que o pai era “gay” na adolescência,
ao ler sem querer algumas coisas do genitor.
O pai era mais flexível. Ele e o pai tinham uma boa relação. O era pai
protetor e um pouco controlador. Ele mantinha um diálogo aberto com o pai.
André tinha conversas tranquilas com o pai, pois seu genitor era avesso a
183
gritaria. Ele achava o pai mais coerente nas idéias sobre a vida. Por
outro lado, algumas coisas foram “abafadas”, devido ao fato do pai ser
homossexual. André relatou ter alguns problemas ligados a sua sexualidade
por causa do pai ser “gay”. Ele ficou bastante traumatizado com a descoberta.
André relatou que seu pai tinha idéias paranóicas sobre estar sendo
olhado pelas pessoas. Por exemplo, o pai achava que quando ia há um lugar,
todos ficavam olhando para ele. O pai ainda acreditava que no trabalho os
outros colaboradores da instituição militar onde trabalhava ficavam prestando
atenção nele. O pai também sempre desconfiava das pessoas, tinha
dificuldades em acreditar em alguém. O pai achava que as pessoas podiam
prejudicá-lo.
André na adolescência se sentia bastante revoltado devido a tudo o que
estava acontecendo em sua vida familiar. Ele não conseguia aceitar muito bem
o fato de o pai ser “gay”. Ele também não gostava do fato de sua mãe ficar se
relacionando com homens na sua frente. Ele ainda ficou muito triste pelo fato
dos pais o usarem como uma “arma”, com objetivo de machucarem um ao
outro após a separação.
André tinha amigos, mas quase não encontrava com eles. Segundo ele,
sua preferência era estar com a esposa o tempo todo. Ele gostava de estar
com os amigos, mas no fim de semana queria ficar com sua parceira. Durante
a semana era difícil para ele encontrar os amigos, pois trabalhava até “altas”
horas da noite.
André estava se sentindo muito ansioso no início da pesquisa. Ele dizia
que um dos principais motivos de sua ansiedade era sua dificuldade em
planejar as coisas. Ele não gostava de ficar organizando o que ia fazer. Sua
184
empresa e seu relacionamento passavam por algumas dificuldades
devido a esse fato. Veja abaixo.
André – Sabe, cara... Eu fico meio desesperado. Eu fico pensando o
que estou fazendo da minha vida. O que eu tenho planejado. Nada, sabe... Eu
não consigo fazer um planejamento real do crescimento da minha empresa.
Eu deixo rolar... Isso vai me gerando uma ansiedade tão grande...
Ele se achava passivo e fraco. Para exemplificar, ele contou um
episódio social em que foi humilhado publicamente. Na adolescência teve que
ajoelhar e pedir desculpas para um rapaz do condomínio onde seu primo
morava. Isso foi feito na frente de vários outros jovens. Ele não queria ter feito
isso, mas não sabia como reagir. Ele disse que não sabia o que falar para se
desvencilhar daquela situação.
André tinha dificuldades em ficar sozinho. Isso era muito duro para ele.
Naquele momento da pesquisa, ele estava se sentindo muito sozinho. Ele
estava trabalhando o dia inteiro sem ninguém. E quando ele chegava à noite
em casa também ficava só, pois a esposa já estava dormindo. Ele gostaria que
a esposa dedicasse mais tempo para ele no fim de semana. O fato da esposa
querer ir ao salão de beleza e não ficar com ele, era muito desagradável.
Relacionamento amoroso
André se atraiu pela beleza física e pelo jeito angelical da esposa. Sua
esposa era considerada uma das estagiárias mais bonitas da empresa onde
eles dois trabalharam. Sair com ela era uma coisa de “status”. Ele só teve
coragem de convidá-la para sair por que uma funcionária da empresa disse
185
que sua esposa tinha interesse nele. Mesmo assim, não foi tão fácil
sair com a esposa. Ele teve que convidá-la algumas vezes.
André foi rejeitado pela família da esposa. A família dela dizia que ele ia
tirar a virgindade da filha e retirar ela do convívio familiar. Essa situação foi
muito difícil para ele lidar.
André se sentiu pressionado pela esposa para casar. Ele gostaria de ter
apenas morado junto com a parceira, como uma “fase de teste”. A mulher e a
família dela não aceitavam essa condição, ela só queria continuar o
relacionamento se eles se casassem. Ele namorou a esposa durante cinco
anos antes de se casar.
Depois do casamento sua esposa começou a não querer mais transar
durante um período. A esposa passou por um episódio de depressão, ficando
reduzido o desejo sexual dela.
Segundo o relato do André, sua esposa era muito parecida com a mãe
dele como, por exemplo, no jeito agressivo de expressar idéias e na maneira
de querer controlar as coisas. Ele ficava impressionado como elas duas tinham
comportamentos semelhantes.
Cognições disfuncionais
São apresentados alguns exemplos de cinco cognições (percepções,
atribuições, expectativas, suposições e padrões) que se forem inadequadas
podem influenciar de forma negativa um relacionamento conjugal. Vale
lembrar que as suposições são crenças que a pessoa mantém sobre o que “é”
a natureza dos relacionamentos e das pessoas em geral. Por exemplo, um
homem pode supor que a existência de desacordo entre parceiros “é” algo
186
prejudicial para a relação. Os padrões, por sua vez, são crenças que
um indivíduo tem sobre como “deveria” ser a vida conjugal. Por exemplo, uma
mulher pode acreditar que numa relação amorosa “deveria” haver o eterno
sentimento de paixão (Baucom e Epstein, 1990; Epstein e Baucom, 2002).
Essas cinco cognições estavam diretamente relacionadas com as crenças
centrais negativas que André tinha sobre si mesmo como, por exemplo, “eu
sou impotente”.
No que se refere às suas percepções, André foi ficando seletivamente
atento apenas as situações em que sua esposa o tratava de forma hostil. Ele
ficava muito aborrecido com esses comportamentos da esposa. Uma vez que
se sentisse assim, tendia evitar sua parceira. Por sua vez, Fernanda (esposa),
começou a ficar também seletivamente atenta a qualquer evitação do marido.
Ela achava que ele a rejeitava, e nessas situações tendia a ficar mais
revoltada e agressiva.
As atribuições de André sobre o comportamento hostil da sua parceira
estavam vinculadas a idéia que ele era fraco e impotente para resolver os
conflitos do casal. Ele ficava revoltado quando sua mulher começava a xingar
e gritar, mas dizia não conseguir ter uma “reação à altura”. Fernanda, por sua
vez, atribuía sua conduta agressiva ao comportamento “irresponsável” e da
falta de zelo do marido. Ela atribuía o afastamento do esposo ao fim do amor
deles.
André atribuía a si mesmo um comportamento que trazia problemas para
o casal. Ele se atrasava constantemente para compromissos sociais. Para ele
era muito complicado chegar aos eventos nos horários programados. O casal
187
já tinha perdido compromissos importantes. Inclusive, esses atrasos
traziam problemas na sua relação com os pais e amigos dele também. Veja
abaixo:
T – Existe algum comportamento que traz problemas para seu
relacionamento?
André – Bem, cara, são os meus atrasos. Sabe, cara... na verdade, não
gosto desse negócio de ter horários. Eu gosto de deixar as coisas fluírem.
Acontecerem, naturalmente... ir sentindo a coisa. Quero saber na hora se
tenho vontade de ir ou não a um evento. Ter liberdade de escolher. A vida sem
ser assim é muito chata. Mas eu e minha esposa vivemos brigando por causa
disso.
André desenvolveu expectativas negativas sobre sua parceira. Ele
esperava que sua esposa falasse apenas baixo ou evitasse expressar
sentimentos como raiva quando conversasse com ele. Por exemplo, “se uma
esposa está conversando com seu marido (mesmo um assunto complicado
para o casal), é imprescindível que ela fale serenamente”. Fernanda, por sua
vez, esperava que o marido respeitasse os momentos em que ela estava
aborrecida e não ficasse insistindo para falar com ela sobre o assunto em
questão. Fernanda achava que ele tinha entender que nesses momentos não
dava para conversar e que esperasse ela se acalmar.
André relatou que não esperava que sua esposa fosse capaz de saber
o que ele sentia, sem ele expressá-lo. Por outro lado, tinha a expectativa de
que a parceira pudesse ler seus pensamentos, sem ele comunicar suas idéias.
Veja abaixo.
T – Você espera que mulher saiba o que você pensa, sem você falar?
188
André – Eu espero isso sim. Eu sou uma pessoa tão
transparente. É fácil saber o que eu estou pensando. Fico chateado por ela
não conseguir me entender. Ela não me compreende...
Os comportamentos e sentimentos de André, ligados aos seus
problemas conjugais, foram também influenciados por suas suposições
(crenças) de que um relacionamento normal “é” aquele em que a parceira está
sempre procurando ser acolhedora e serena. Já na concepção de Fernanda,
sua suposição era de que no relacionamento saudável o marido “é” um homem
que sempre sabe perceber os dias difíceis da parceira e faz de tudo pra
tranquilizá-la.
André ainda era influenciado por seus padrões (crenças) de como
“deveria” ser um relacionamento amoroso. Para ele, a esposa “deveria” estar
sempre disposta a fazer sexo e não discutir nunca com ele. Fernanda, por sua
vez, acreditava que o marido “deveria” aceitar o jeito agressivo dela expressar
seus sentimentos e pensamentos, já que ela era assim.
Resumindo, toda vez que André percebia que sua esposa estava irritada
tendia a querer saber o motivo e continuava a falar. Quando sua parceira tinha
uma reação hostil, ele ficava muito enraivecido e se retirava do ambiente.
Como ele não recebia aquilo que esperava, atribuía esse comportamento da
esposa a uma falta de respeito. André também ficava muito triste ao ver sua
esposa agindo asperamente, já que tinha a suposição de que a esposa “é”
sempre serena e pacífica. Além disso, como era um “dever” da mulher ser
somente carinhosa, ele ficava magoado quando sua esposa o agredia.
189
Avaliação diagnóstica
André apresentou-se bem vestido e limpo durante a primeira consulta.
Tinha um olhar atento para mim e para a esposa. Tendia a variar sua posição
no sofá, conforme o tema de nossa conversa. Sua linguagem era correta,
precisa e respondia prontamente o que era perguntado.
Através da observação dos comportamentos de André nas sessões e
com a utilização da entrevista estrutura MINI (International Neuropsychiatric
Interview), foram percebidos alguns quadros clínicos do Eixo 1 do DSM-IV-TR.
André estava passando por um Episódio Depressivo Maior de nível leve, o que
foi corroborado pela aplicação do Inventário Beck de Depressão (BDI), onde a
paciente apresentou um nível leve de depressão atual. Outro quadro clínico
identificado foi o Transtorno da Ansiedade Generalizada. Também foi
confirmado o quadro de ansiedade do paciente através do uso do Inventário
Beck de Ansiedade (BAI).
André apresentava ainda níveis elevados na Escala de Satisfação
Conjugal. Isso significava que ele estava bastante insatisfeito com o modo
como seu relacionamento amoroso estava sendo conduzido. Ele demonstrou
uma baixa pontuação na Escala de Ajustamento Diádico, o que representava
pouco entendimento entre o casal.
Diagnósticos prováveis (DSM-IV-TR)
Eixo I
V61.1
Problema de Relacionamento com Parceiro
296.3x1
Transtorno Depressivo Maior, Recorrente, Leve
300.02
Transtorno da Ansiedade Generalizada
190
Eixo II
Nenhum
Eixo III
Nenhum
Eixo IV
Problemas com o grupo de apoio primário
Problemas relacionados ao ambiente social
Problemas ocupacionais
Eixo V
AGF = 60
(na admissão)
EAGFR = 50
(na admissão)
Conceituação cognitiva
Vejamos o quadro da conceituação cognitiva de André:
Diagrama de Conceituação Cognitiva
Nome: André (Marido 02 – Casal 02)
Dados relevantes da infância
Pai protetor, gay e tinha AIDS
Mãe era agressiva e controladora
Crenças Centrais
Eu sou fraco
Eu sou indesejável
Não sou capaz de ser amado
Crenças Condicionais
Se eu não conseguir me defender das agressões de minha esposa, então não sou um homem de
verdade.
Se minha esposa não quer transar comigo, então ela não me ama
É terrível ser enganado e traído
Estratégias Comportamentais
Procrastinar. Afastar-se. Ficar calado. Suspeitar da esposa.
Situação 1
Situação 2
Situação 3
Minha esposa grita comigo e
não consigo revidar
Minha esposa recusa-se a
transar comigo
Minha esposa brinca com um
amigo meu (chuta o pé dele)
191
Pensamentos Automáticos
Pensamentos Automáticos
Pensamentos Automáticos
“Eu deveria ter uma atitude
de homem”
“Ela não gosta mais de mim”
“Ela deve estar interessada
nele”
Significado
Significado
Significado
Fraqueza
Ser indesejável
Não ser amado
Emoção
Emoção
Emoção
Tristeza, desânimo
Tristeza, desânimo
Ciúme, raiva
Comportamento
Comportamento
Comportamento
Fica calado e se afasta
Afasta-se da esposa
Briga com a esposa
A conceituação do caso do André se baseia nas experiências infantojuvenis que teve com seus pais. Sua mãe era agressiva e controladora. Isso
deve ter contribuído para que fortalecesse um auto-conceito baixo e de
fragilidade. Como não queria brigar constantemente com a mãe, tinha
comportamentos
passivo-agressivos.
O
fato
de
o
pai
ser
protetor,
homossexual e portador da AIDS deve ter colaborado para essa sua autoimagem negativa.
Seu desempenho escolar foi satisfatório e o social foi regular.
Costumava sair com amigos, ter namoradas e gostava da sua vida sexual.
Teve
um
episódio
traumático
na
adolescência
onde
foi
humilhado
publicamente, tendo sido esse talvez um dos motivos que contribuíram para
sua auto-imagem de vulnerabilidade.
Percebe-se que André costumava fazer algumas distorções cognitivas
que estavam baseadas em suas crenças centrais.
192
André fazia generalizações sobre o comportamento da
parceira. Por exemplo, quando a parceira não queria transar, ele concluía “ela
sempre me despreza”.
André tinha distorções cognitivas do tipo “leitura mental”. Por exemplo,
quando sua esposa pedia para ele chegar no horário, ele concluía “ela está
pensando que pode me controlar”.
André também rotulava algumas situações de interação do casal. Por
exemplo, quando a esposa gritava com ele, concluía “ela é uma
descompensada”.
Ele tinha ainda um pensamento dicotômico sobre si mesmo. Por
exemplo, “ou eu mostro que sou forte ou serei fraco ou incapaz para lidar com
os problemas com minha mulher”.
Com base nesse tipo de processamento apresentado acima, pode-se
entender que qualquer atitude da esposa passasse a ter uma importância
extremada. Vejamos o exemplo abaixo:
Terapeuta – Aconteceu alguma coisa esse semana que poderíamos
utilizar como exemplo para falar sobre seus sentimentos e pensamentos?
André – Aconteceu sim, sabe. Foi de novo ele gritando comigo por
causa de nada. Cara... eu queria falar com ela sobre nossas questões
financeiras, mas a Fernanda vivi evitando falar desse assunto. Ai eu fui atrás
dela, para tentar resolver umas coisas. Porque estamos fazendo dívidas
desnecessárias. Eu sei que eu tenho dificuldades para pagar as contas em
dia, mas eu pago tudo. O problema da Fernanda é que ela não tem dimensão
do quanto gastamos por mês. Ai eu vou falar com ela sobre nossas despesas
e ela grita comigo. Você acredita nisso, cara? Eu fico revoltado. Tenho
193
vontade de revidar, mas eu não consigo fazer isso. Parece que tem
algo que me bloqueia... Cara, eu acho que essa mulher não me respeita mais
e que eu sou um banana... Isso resumiria tudo...
Terapeuta – Parece que é muito desagradável para você quando sua
esposa o trata dessa forma...
André – Poxa, cara... Isso é um absurdo. Tu já vi algum marido ser
tratado assim. Cara, eu fico revoltado... e triste comigo porque não consigo
fazer nada...
Terapeuta – Eu vejo que é duro para você estar nessa situação, onde a
pessoa que você escolheu para o resto da vida o faz pensar que é impotente
ou fraco. Porém ver a situação sobre esse prisma de força ou fraqueza me
parece ser extremado. Sei que você não gosta como ela o trata e que você
gostaria de ter uma reação a altura para se defender. Quando ela diz que não
quer falar sobre algo e você insiste, a Fernanda acaba sendo hostil e você
acha que ela não o respeita mais. Ou que o faz pensar que é fraco. Contudo,
podemos perceber que a Fernanda tem tentado controlar sua expressão da
raiva. Ela inclusive está fazendo terapia individual por causa desse problema.
Ela sabe que isso atrapalha a relação de vocês dois. Aqui mesmo na sessão
ela tem tentado moderar o tom de voz, para tentar falar dos temas que ela
acha difícil... Agora, vale apena ficar medido seu valor em termos de ser forte
ou fraco caso sua esposa fale asperamente e você não revida? Ou mesmo ser
amado ou respeitado? Você não sofre quando pensa dessa forma?
André – Como eu te disse... eu fico muito triste e revoltado.
No casamento atual estava tendo problemas financeiros, sexuais e
sociais. André e a esposa divergiam quanto ao uso dos recursos materiais que
194
possuíam. Além disso, discutiam muito devido aos atrasos
constantes dele. Como a relação estava bastante desgastada, apesar de
apenas um ano e meio de casamento, o casal estava tendo muitas
dificuldades para ter relações sexuais. Não que eles tivessem alguma
disfunção sexual, mas sim muita mágoa e rancor por ambos os lados.
André fazia terapia individual há alguns anos. Dizia não estar mais tão
satisfeito com o tratamento. Ele fazia uma terapia alternativa, com uma mulher
que também tratava seu pai. André não tomava medicamentos psiquiátricos
alopáticos, apesar dos seus níveis elevados de ansiedade, constatados pela
observação clinica do psicólogo dessa pesquisa e pela aplicação do BAI
(Escala Beck de Ansiedade). A terapeuta que ele frequentava não concordava
com o uso de medicações. Ela preferia prescrever “florais” para o André.
Tratamento
Nesse segmento é apresentado um resumo do tratamento que André
fez através da terapia de casal proposta nesse protocolo de pesquisa. Foram
16 sessões de atendimento que objetivaram alterar suas cognições
disfuncionais, seus déficits de comunicação e sua maneira inadequada de
resolver os problemas conjugais. Focalizaram-se ainda seus comportamentos
negativos.
A primeira sessão de tratamento foi destinada a uma apresentação do
modelo de tratamento que seria seguido pelo protocolo dessa pesquisa. Foram
avaliados os pontos fortes e fracos do casal. Assim como, foram recolhidos os
dados relevantes de André desde sua infância.
195
Entre a segunda e a décima sessão procurou-se modificar as
cognições disfuncionais de André. Como mencionado acima, ele fazia
atribuições e tinha expectativas, suposições e padrões irrealistas referentes a
si e ao seu relacionamento. André, por exemplo, acreditava que sua esposa
não o amava mais por causa do modo hostil como era tratado por ela.
Para auxiliar o processo de modificação dessas cognições disfuncionais,
o terapeuta forneceu alguns folhetos ilustrativos34. André e Fernanda se
revezavam na leitura, em voz alta, desse material. Cada item dos folhetos era
debatido junto com o psicólogo. Um desses folhetos apresentava alguns
padrões inadequados semelhantes aos de André como, por exemplo, “minha
parceira deveria apoiar completamente todas as minhas idéias e ações”.
André aprendeu ainda a identificar as principais idéias distorcidas que
afetavam seu relacionamento. Com a ajuda do registro diário de pensamentos,
André pode constatar idéias como “eu sou indesejável”. A partir desse
momento, o terapeuta conseguiu por questionamento socrático que o cliente
modificasse esses pensamentos. André passou então a processar suas
cognições de forma mais flexível e adequada, no que diz respeito ao seu papel
sexual e de sua esposa. Como, por exemplo, “Se minha esposa não está
querendo transar comigo, não significa que eu seja indesejável para ela ou
para qualquer outra mulher. Eu já tive outras relações amorosas e seu que
meu desempenho sexual é satisfatório. Infelizmente, eu minha parceira
estamos tendo muitos conflitos, o que leva a um afastamento sexual de ambos
os lados. É provável que com a diminuição dos nossos conflitos e sentimentos
34
Ver anexos dessa tese
196
de mágoa, possamos voltar a ter relações sexuais mais frequentes e
satisfatórias”.
A décima primeira e a décima segunda sessão foram destinadas ao
treino de comunicação. André tinha uma tendência a se retirar calado de um
ambiente de discussão. Ele tinha dificuldades para ser assertivo e demonstrar
para sua esposa o quão inadequado era o modo como ela se expressava com
ele. André recebeu folhetos instrutivos35 sobre como expressar sentimentos e
idéias de forma produtiva. O paciente foi treinado através de role-play, tendo
sua esposa e o terapeuta colaborado nesse processo.
Como André evitava falar de seus sentimentos e idéias por temer
maiores discussões, ele foi treinado a monitorar seus estados de humor e a
relacioná-los com seus pensamentos e comportamentos. André percebeu, por
exemplo, que quando sua esposa fala alto com ele, pensava “eu posso fazer
uma besteira e realmente não sei com agir nessa situação. Vou sair daqui para
não ser mais humilhado”. Essa idéia o deixava triste e ele se retirava do
ambiente.
Entre a décima terceira e décima quarta sessão, André aprendeu a
utilizar a técnica de “resolução de problemas”. O cliente foi treinado para
resolver seus problemas conjugais de forma mais satisfatória para o casal. O
paciente recebeu um folheto instrutivo com os princípios dessa técnica. Com o
auxílio da esposa, André pode solucionar algumas questões que estavam
afetando o cotidiano deles e que trazia grandes dificuldades para ambos. O
paciente, por exemplo, começou a se organizar para estar nos compromissos
35
Ver anexos dessa tese
197
sociais do casal nos horários estabelecidos. Contudo, ele teve
grandes dificuldades para programar essa solução.
No que se refere ao andamento geral do tratamento, André aderiu
rapidamente ao procedimento de buscar respostar alternativas / racionais para
suas idéias inadequadas. Além disso, buscava estar sempre atento e
participativo nos treinos de comunicação e resolução de problemas. Tudo isso
facilitou bastante seu processo terapêutico.
Por outro lado, André estava muito revoltado com sua situação atual do
casamento. Em algumas ocasiões ele ficava muito chateado com a esposa e
eles quase brigavam. Foi necessária a intervenção do terapeuta para que o
casal na discutisse nas sessões. Outro problema enfrentado foram os atrasos
frequentes e muitas faltas. Como relatado por ele e por sua esposa, André
tinha grandes dificuldades para chegar aos compromissos nos horários
combinados. Isso dificultava a sequência da terapia de casal e o uso
adequado do tempo proposto no protocolo de tratamento.
Resumindo, André aprendeu que seus pensamentos estão relacionados
com seus estados de humor e comportamentos. A partir desse ponto, o cliente
teve condições de identificar, alterar e construir cognições mais adequadas
sobre si e sua vida conjugal. Além disso, fez um melhor uso da expressão de
suas idéias e emoções, proporcionando-lhe experimentar sentimentos
agradáveis no seu relacionamento amoroso. Por fim, o paciente aprendeu a
resolver seus problemas de forma adequada.
Comentários gerais
198
O tratamento dos problemas conjugais seguiu o protocolo de
tratamento proposto para essa pesquisa. Este caso, entretanto, apresentou
alguns aspectos que dificultaram o tratamento, sendo que os principais eram
seus comportamentos passivo-agressivos e suas dificuldades sexuais. Era
comum o paciente ser hostil com o a esposa, inclusive na sessão, tudo feito de
uma forma bem sutil. Devido à raiva e a mágoa que vinha sentindo nos últimos
tempos, nem sempre tinha vontade de ter relações com a esposa.
Em parte esse quadro todo é compreensível, tendo em vista ter vivido
com uma mãe controladora, agressiva e exigente, além do fato do pai ser
protetor. Por outro lado, isso dificultava sua relação com sua esposa.
1. Especificar a
emoção (ex.: triste,
ansioso, zangado etc.)
2. Assinalar a
intensidade da emoção
numa escala de 0 a
100
Descrever:
1. o que está
acontecendo que possa
ter levado à emoção ou
2. Corrente de
pensamento, devaneio ou
lembrança que possa ter
levado à emoção
Minha esposa fala sobre Raiva 85%
almoçar com um casal de
amigos em comum no fim
de semana
Sentimentos
Situação
1. Anotar cada resposta racional
para
o(s)
pensamento(s)
registrado(s)
2. Avaliar o grau de convicção em
cada resposta racional (0-100)
Resposta Alternativa
“Ela já está me cobrando uma coisa Ela querer sair com os amigos não
que não sei nem se vai acontecer”
necessariamente é para me cobrar
70%
Ela está apenas me falando para eu
“Ela já tá querendo antecipar as
me planejar
coisas” 80%
Ela está apenas comunicando que
“Vamos deixar as coisas
quer estar com os amigos
acontecerem” 60%
Eu posso dar a resposta no fim de
“Ele não respeita os meus desejos” semana, sem ferir meus desejos
85%
Na maioria das vezes nós não
“Ela quer me controlar” 75%
vamos aos encontros sociais, caso
eu desista
1. Anotar o(s) pensamento(s)
associados à emoção da forma
como apareceram na mente
2. Indicar o grau de convicção para
cada pensamento numa escala de 0
a 100
Pensamentos Automáticos
PA 5 = 45%
PA 4 = 50%
PA 3 = 10%
PA 2 = 30%
PA 1 = 20%
1. Reavaliar o grau de
convicção em cada
pensamento
automático
(PA = 0-100)
2. Reavaliar a
intensidade de cada
emoção (E = 0-100)
Raiva = 50%
Reavaliação
 Traduzido e adaptado por Bernard Rangé (2001).
Perguntas para ajudar a compor uma resposta alternativa: (1) quais são as provas que o meu pensamento é verdadeiro? Não verdadeiro? (2) Há uma explicação
alternativa? (3) O que de pior poderia acontecer? Eu poderia superar isso? É tão catastrófico assim? Qual o melhor que poderia acontecer? Qual o resultado mais
provável, mais realista? (4) Se (um amigo meu) estivesse na situação e tivesse esse pensamento, o que eu diria para ele? (5) O que eu deveria fazer então? (6) Qual
é o efeito da minha crença no pensamento automático? Qual poderia ser o efeito de mudar o meu pensamento?Reavalie a convicção nos pensamentos automáticos e
nos sentimentos associados.
Qua
Dia/Hora
Paciente: André (Marido 02 – Casal 02)
REGISTRO DIÁRIO DE PENSAMENTOS
199
200
6.2.2 Escores obtidos com cada membro do casal 02
O gráfico 8 apresenta os resultados obtidos por Fernanda e André (casal
02) na Escala de Satisfação Conjugal. Os resultados obtidos nessa pesquisa são
compatíveis com estudos mencionados anteriormente. Oliveira (2009), por
exemplo, relatou média (M) = 2.32 e desvio padrão (DP) = 0.43 para essa
medida.
Fernanda teve um escore 2.13 no pré-teste e 2.00 no pós-teste. André
apresentou um escore 2.13 no pré-teste e 1.92 no pós-teste. Isso equivale dizer
que os membros do casal 02 apresentavam inicialmente um nível médio de
satisfação. Os escores de Fernanda e André também indicam que aumentou a
satisfação com seu relacionamento após o tratamento.
Cabe ressaltar, que o escore mais baixo na medida indicar maior
satisfação conjugal. Portanto, esses resultados apontam que as técnicas
específicas utilizadas no manual de tratamento dessa pesquisa podem ter
propiciado uma melhora na satisfação conjugal de cada membro do casal 02.
201
Escala de Satisfação Conjugal (ESC)
FERNANDA
3,00
2,50
2,00
1,50
1,00
0,50
0,00
Antes
Depois
ANDRÉ
3,00
2,50
2,00
1,50
1,00
0,50
0,00
Antes
Depois
GRÁFICO 8 – Resultados da aplicação da Escala de Satisfação Conjugal (ESC) na esposa e no
marido do casal 02. A coluna preta representa a avaliação antes do tratamento. A coluna em cinza
representa a avaliação depois do tratamento. Escore mais baixo indica melhor satisfação conjugal.
202
O gráfico 9 apresenta os resultados obtidos por Fernanda e
André (casal 02) na Escala de Ajustamento Diádico (DAS). Os resultados obtidos
são compatíveis com os reportados por Baucom et al. (1990). Esses autores
relataram M = 88.58 e DP = 18.49 no pré-teste e M = 97.50 e DP = 14.24 no pósteste para as mulheres. Enquanto para os homens M = 104.42 e DP = 17.88 no
pré-teste e M = 106.42 e DP = 16.55 no pós-teste.
Fernanda teve um escore 82 no pré-teste e 95 no pós-teste. André
apresentou um escore 88 no pré-teste e 92 no pós-teste. Isso equivale dizer que
os membros do casal 02 apresentavam inicialmente um nível médio de
ajustamento. Os escores de Fernanda e André também indicam que o
ajustamento aumentou no seu relacionamento após o tratamento.
Cabe ressaltar, que o escore mais alto na medida indicar maior
ajustamento conjugal. Portanto, esses resultados apontam que as técnicas
específicas utilizadas no manual de tratamento dessa pesquisa podem ter
propiciado uma melhora no ajustamento conjugal de cada membro do casal 02.
203
Escala de Ajustamento Diádico (DAS)
FERNANDA
150
140
130
120
110
100
90
80
70
60
50
40
30
20
10
0
Antes
Depois
ANDRÉ
150
140
130
120
110
100
90
80
70
60
50
40
30
20
10
0
Antes
Depois
GRÁFICO 9 – Resultados da aplicação da Escala de Ajustamento Diádico (DAS) na esposa e no
marido do casal 02. A coluna preta representa a avaliação antes do tratamento. A coluna em cinza
representa a avaliação depois do tratamento. Escore mais alto indica melhor ajustamento
conjugal.
204
Os próximos cinco gráficos que são apresentados abaixo
correspondem a variáveis que podem influenciar tanto a satisfação como o
ajustamento conjugal.
O gráfico 10 apresenta os resultados obtidos por Fernanda e André (casal
02) no Questionário de Empatia Conjugal (QEC). Os resultados obtidos são
compatíveis com os reportados por Oliveira (2005). Esta autora relatou média (M)
= 3.02 e desvio padrão (DP) = 0.57 para essa medida.
Fernanda teve um escore 2.44 no pré-teste e 2.56 no pós-teste. André
apresentou um escore 2.06 no pré-teste e 1.92 no pós-teste. Isso equivale dizer
que os membros do casal 01 apresentavam, inicialmente, um nível médio de
percepção empática. Os escores de Fernanda indicam que aumentou a sua
percepção do comportamento empático do seu marido após o tratamento. Já os
escores de André apontam que diminuiu sua percepção do comportamento
empático de sua esposa após o tratamento.
205
Questionário de Empatia Conjugal (QEC)
FERNANDA
4,00
3,50
3,00
2,50
2,00
1,50
1,00
0,50
0,00
Antes
Depois
ANDRÉ
4,00
3,50
3,00
2,50
2,00
1,50
1,00
0,50
0,00
Antes
Depois
GRÁFICO 10 – Resultados da aplicação do Questionário de Empatia Conjugal (QEC) na esposa e
no marido do casal 02. A coluna preta representa a avaliação antes do tratamento. A coluna em
cinza representa a avaliação depois do tratamento. Escore mais alto indica maior empatia
conjugal.
206
O gráfico 11 apresenta os resultados obtidos por Fernanda e
André (casal 02) no Inventário de Crenças sobre Relacionamento (RBI). Os
resultados obtidos são compatíveis com os reportados por Baucom et al. (1990).
Foi relatado M = 77.67 e DP = 15.74 no pré-teste e M = 68.92 e DP = 15.64 no
pós-teste para as mulheres. Enquanto para os homens M = 66.00 e DP = 12.80
no pré-teste e M = 55.75 e DP = 22.39 no pós-teste.
Fernanda teve um escore 99 no pré-teste e 76 no pós-teste. André
apresentou um escore 72 no pré-teste e 81 no pós-teste. Isso equivale dizer que
os membros do casal 02 apresentavam inicialmente um nível médio de aderência
a crenças inadequadas. Os escores de Fernanda indicam que sua aderência as
crenças disfuncionais diminuiu no seu relacionamento após o tratamento. Já os
escores de André indicam que houve um aumento de sua aderência as crenças
disfuncionais após o tratamento.
207
Inventário de Crenças sobre Relacionamento (RBI)
FERNANDA
200
180
160
140
120
100
80
60
40
20
0
ANTES
DEPOIS
ANDRÉ
200
180
160
140
120
100
80
60
40
20
0
ANTES
DEPOIS
GRÁFICO 11 – Resultados da aplicação do Inventário de Crença sobre Relacionamento (RBI) na
esposa e no marido do casal 02. A coluna preta representa a avaliação antes do tratamento. A
coluna em cinza representa a avaliação depois do tratamento. Escore mais baixo na medida
indicar menor aderência as crenças disfuncionais.
208
O gráfico 12 apresenta os resultados obtidos por Fernanda e
André (casal 02) na Medida de Atribuição nos Relacionamentos (RAM). Os
resultados obtidos são compatíveis com os reportados por Graham e Conoley
(2006). Foi relatado M = 3.42 e DP = 0.73 para as mulheres. Enquanto para os
homens M = 3.17 e DP = 0.84.
Fernanda teve um escore 4.17 no pré-teste e 3.92 no pós-teste. André
apresentou um escore 3.67 no pré-teste e 3.75 no pós-teste. Isso equivale dizer
que os membros do casal 02 apresentavam inicialmente um nível médio de
aderência a atribuições disfuncionais. Os escores de Fernanda indicam que sua
aderência a atribuições inadequadas diminuiu no seu relacionamento após o
tratamento. Já os escores de André apontam que aumentou sua aderência a
atribuições inadequadas após o tratamento.
209
Medida da Atribuição nos Relacionamentos (RAM)
FERNANDA
6
5
4
3
2
1
0
ANTES
DEPOIS
ANDRÉ
6
5
4
3
2
1
0
ANTES
DEPOIS
GRÁFICO 12 – Resultados da aplicação da Medida de Atribuição nos Relacionamentos (RAM) na
esposa e no marido do casal 02. A coluna em cinza representa a avaliação depois do tratamento.
Escore mais baixo na medida indicar menor aderência a atribuições disfuncionais.
210
O gráfico 13 apresenta os resultados obtidos por Fernanda e
André (casal 02) no Inventário Beck de Depressão (BDI). Os resultados obtidos
são compatíveis com os reportados por Gorestein e Andrade (1998). Estas
autoras relataram média (M) = 25.2 e desvio padrão (DP) = 12.6 para essa
medida no estudo que realizaram com pacientes ambulatoriais brasileiros
deprimidos.
Fernanda teve um escore 14 no pré-teste e 16 no pós-teste. André
apresentou um escore 18 no pré-teste e 16 no pós-teste. Os escores de
Fernanda indicam que seu nível de depressão aumentou ao final do tratamento.
Já os escores de André apontam que seu nível de depressão diminuiu ao final do
tratamento.
211
Inventário de Depressão de Beck (BDI)
FERNANDA
60
50
40
30
20
10
0
Antes
Depois
ANDRÉ
60
50
40
30
20
10
0
Antes
Depois
GRÁFICO 13 – Resultados da aplicação do Inventário de Depressão de Beck (BDI) na esposa e
no marido do casal 02. A coluna preta representa a avaliação antes do tratamento. A coluna em
cinza representa a avaliação depois do tratamento. Escore mais baixo na medida indicar menor
estado de humor depressivo.
212
O gráfico 14 apresenta os resultados obtidos por Fernanda e
André (casal 02) no Inventário de Ansiedade de Beck (BAI). Os resultados obtidos
são compatíveis com os reportados por Beck et al (1988). Estes autores relataram
média (M) = 25.76 e desvio padrão (DP) = 11.42 para essa medida.
Fernanda teve um escore 7 no pré-teste e 2 no pós-teste. André
apresentou um escore 32 no pré-teste e 37 no pós-teste. Isso equivale dizer que
Fernanda apresentava, inicialmente, um nível leve de ansiedade. Enquanto André
apresentava um nível grave de ansiedade. Os escores de Fernanda indicam que
o nível de ansiedade diminuiu após o tratamento. Os escores de André apontam
que o nível de ansiedade aumentou após o tratamento.
213
Inventário de Ansiedade de Beck (BAI)
FERNANDA
60
50
40
30
20
10
0
Antes
Depois
MARIDO 02
60
50
40
30
20
10
0
Antes
Depois
GRÁFICO 14 – Resultados da aplicação do Inventário de Ansiedade de Beck (BAI) na esposa e
no marido do casal 02. A coluna preta representa a avaliação antes do tratamento. A coluna em
cinza representa a avaliação depois do tratamento. Escore mais baixo na medida indicar menor
nível de ansiedade.
214
6.3 Casal 03 – Angela e Felício
Nesse segmento são apresentados as conceitualizações cognitivas e os
resultados obtidos com cada um dos cônjuges do casal 03.
6.3.1 Conceitualização cognitiva
Nesse segmento são apresentadas as conceitualizações cognitivas de
cada um dos cônjuges do casal 03. Primeiro, é relatado o caso de Angela (nome
fictício). Depois é apresentado o quadro clínico de Felício (nome fictício).
6.3.1.1 Angela
Angela veio para atendimento através da divulgação do presente estudo
em uma palestra ministrada pelo pesquisador. Ela tinha 35 anos de idade, estava
casada há 16 anos e tinha um filho de 15 anos. Angela tinha nível superior e pósgraduação. No momento da pesquisa, estava fazendo duas faculdades ao
mesmo tempo.
Angela era muito vinculada à sua família de origem. Contudo, ela tinha
problemas de relacionamento com sua mãe, pois essa era autoritária e gostava
de se intrometer na vida dos filhos. Angela tinha muitos conflitos com sua mãe
por causa disso. Ela tinha que ficar dando “limites” à sua mãe, pois ela era
invasiva. Por exemplo, gostava de dizer como Angela deveria agir com o seu
marido e o seu filho.
215
Sua mãe foi casada três vezes, uma com o pai de Angela e
depois com outros dois homens. A mãe estava ainda casada com o terceiro
marido. A mãe vivia com o dinheiro das pensões dos ex-maridos. Ela tinha um
bom poder aquisitivo. Isso era grande fonte de conflito entre a família pois a mãe,
por um lado, ajudava a todos, mas por outro era autoritária com todos. A mãe
também privilegiava a outra filha, segundo relato da paciente.
Sua mãe pagava sua faculdade e a escola do seu filho. A mãe também
ajudava na complementação da renda familiar dela. Angela morava em casa
própria, a qual sua mãe ajudou na reforma. As intromissões da sua mãe
trouxeram muitos problemas para sua vida conjugal.
A mãe de Angela também protegia excessivamente sua irmã. Sua mãe
tentava compensar os problemas que sua irmã tinha passado na adolescência.
Sua irmã tinha sido vítima de abuso sexual pelo próprio pai.
O pai trabalhava como “pintor de paredes”. Ele era muito agressivo e
alcoólatra. Era um homem muito forte e bruto com a família. O pai só tinha
interesse para trabalhar, não ligava muito para sua esposa e filhos. O pai agredia
a mãe, a irmã e a própria Angela. Ela não gostava do pai e tinha uma péssima
relação com ele.
Relacionamento amoroso
Angela conheceu o marido em uma empresa onde trabalhavam juntos. Ela
ficou atraída pela extroversão e pelas “brincadeiras” dele. Ela também gostava
do fato dele ser honesto e idôneo. Casou-se porque amava muito seu marido,
mas também devido ao ambiente familiar hostil em que ela vivia.
216
Angela estava insatisfeita com o jeito “brincalhão” do marido
atualmente. Ela estava achando que Felício não estava selecionando as pessoas
certas para “brincar”, além do fato do marido fazer “piada” com tudo.
Angela era uma pessoa tímida. Evitava brigar e expressar desacordo com
as pessoas de um modo em geral. Contudo, ela agia um pouco diferente com
seu marido. Ela discutia com seu parceiro e, por vezes, o xingava. Ela achava
que ele tinha ser diferente em muitas coisas, apesar de gostar de vários
aspectos dele.
Angela achava que a dificuldade de comunicação era o principal problema.
Segundo ela, Felício não falava muito sobre o passando dele e também não
costumava olhar para ela quando eles estavam dialogando.
Angela estava muito incomodada com a ociosidade do marido. Felício
estava passando o dia inteiro em casa, devido à licença médica pelos problemas
de saúde que vinha enfrentando. Ela não gostava de vê-lo nessa situação.
Angela veio de uma família onde o trabalho era a principal fonte de valorização
das pessoas. Sua mãe e seu pai sempre trabalharam muito. A própria Angela era
uma pessoa que fazia várias atividades ao mesmo tempo. Como, por exemplo,
cursar duas faculdades simultaneamente.
Angela também estava incomodada com o nível de ansiedade do marido.
Felício falava muito, de forma rápida e várias vezes sobre o mesmo assunto.
Angela ficava irritada com o modo de falar do parceiro. O fato do marido também
gesticular muito, estava deixando ela com pouca paciência.
Angela também ficava bastante incomodada pela falta de ajuda na divisão
das atividades domésticas. Tanto o marido quanto o filho não compartilhavam os
217
afazeres de casa. Ela não conseguia estudar, fazer duas faculdades, e
se dedicar as tarefas de seu lar.
Angela se achava bastante ciumenta. Estava tentando ter menos ciúmes,
para poder ter uma relação melhor com o marido. Além disso, ela tinha conflitos
com o marido devido às diferenças na educação do filho. Ela não gostava
quando o marido gritava com o adolescente.
Cognições disfuncionais
São apresentados alguns exemplos de cinco cognições (percepções,
atribuições, expectativas, suposições e padrões) que se forem inadequadas
podem influenciar de forma negativa um relacionamento conjugal. Vale lembrar
que as suposições são crenças que a pessoa mantém sobre o que “é” a natureza
dos relacionamentos e das pessoas em geral. Por exemplo, uma mulher pode
supor que homens e mulheres têm diferentes necessidades emocionais. Os
padrões, por sua vez, são crenças que um indivíduo tem sobre como “deveria” ser
a vida conjugal. Por exemplo, uma mulher pode acreditar que numa relação
amorosa os cônjuges “deveriam” satisfazer todas as necessidades um do outro.
(Baucom e Epstein, 1990; Epstein e Baucom, 2002). Essas cinco cognições
estavam diretamente relacionadas com as crenças centrais negativas que Angela
tinha sobre si mesma como, por exemplo, “eu não tenho valor”.
No que se refere às suas percepções, Angela foi ficando seletivamente
atenta apenas as situações em que seu marido não a tratava do modo que
gostaria, o que a deixava triste e irritada. Quando se sentia dessa forma podia
ficar calada ou hostilizar seu parceiro. Naquele momento da pesquisa, estava
ficando mais reservada e evitando falar dos seus sentimentos. Por sua vez,
218
Felício começou a ficar também seletivamente atento a qualquer sinal
de sua esposa estar raivosa. Nessas situações, ele se preparava para revidar e
também expressava sua raiva de forma hostil. O que levava a discussões
acaloradas. Caso a Angela estivesse triste, Felício não tomava nenhuma atitude.
O que deixava Angela magoada, pois pensava que seu marido não gostava mais
dela.
As atribuições de Angela sobre o comportamento agressivo do marido
estavam vinculadas a idéia de que ele não a valorizava mais como antes. Ela
achava que o marido fazia algumas coisas só para irritá-la. Por exemplo, quando
o casal discutia, o seu marido batia a porta com força ao final da conversa.
Então, ela achava que ele fazia isso de propósito, com o objetivo de aborrecê-la.
Felício, por sua vez, atribuía seu comportamento hostil a dois fatores. O primeiro
estaria vinculado ao desgaste emocional que vinha passando por estar doente,
não podendo mais trabalhar e em conseqüência ficar longas horas do dia em
casa sem nada para fazer. O segundo estaria ligado a sua idéia de que “homem
que não impõe respeito, vira um otário na mão da esposa”.
Angela atribuía outro problema do casal ao comportamento impulsivo do
marido. Ela ficava incomodada quando o parceiro não percebia as coisas que
falava para as pessoas. Por exemplo, seu marido falava impulsivamente com
alguns parentes dela. Algumas dessas coisas que ele dizia acabavam magoando
esses familiares de Angela.
Angela atribuía a si um comportamento problemático em relação ao
cuidado com o filho. Ela achava que tinha “mimado” o menino. Acabava fazendo
algumas coisas em demasia. Isso tinha trazido alguns problemas no
relacionamento com seu marido.
219
Angela
desenvolveu
expectativas
negativas
em
seu
relacionamento. Ela não tinha a expectativa de que o marido fosse capaz de
mudar. Ela achava que o esposo ia sempre querer que ela fizesse um papel de
“maria”, no que se refere aos afazeres domésticos. Isso a deixava bastante
frustrada e irritada. Felício, por sua vez, esperava que Angela ficasse mais tempo
em casa pra “cuidar” dele e do seu filho. Como ela não agia assim, ele ficava
muito chateado.
Angela esperava ainda que seu marido fosse mais carinhoso e atencioso.
Ela queria que ele percebesse as necessidades dela, devido há todos os anos
que estavam juntos. Por exemplo, ela gostaria que seu parceiro falasse baixo
sem ela precisar pedir.
Angela gostaria também que o marido pudesse adivinhar seus sentimentos
e pensamentos, sem ela precisar comunicar. Ela ficava bastante chateada por
seu parceiro não conseguir perceber suas idéias e mudanças de humores, após
tantos anos de relacionamento.
Os comportamentos e sentimentos de Angela, ligados aos seus problemas
conjugais, foram influenciados por suas suposições (crenças) de que um
relacionamento normal “é” aquele em que o parceiro está trabalhando
diariamente e disponível para compartilhar as atividades domésticas. Como seu
marido não estava atingindo essas previsões iniciais, Angela estava muito
decepcionada com ele. Já na concepção de Felício, sua suposição era de que
homens e mulheres nunca vão entender o sexo oposto muito bem. Ao pensar
dessa forma e com as brigas com sua esposa por ele estar em casa, se sentia
incompreendido.
220
Angela ainda era influenciada por seus padrões (crenças) de
como “deveria” ser um relacionamento amoroso. Para ela, o marido deveria ser
capaz de perceber as necessidades e os pensamentos da esposa, como se eles
pudessem ler a mente um do outro. No caso de Felício, ele acreditava que a
esposa deveria apoiar completamente todas as idéias e ações do marido.
Resumindo, toda vez que Angela estava com alguma dificuldade
emocional ficava percebendo se seu marido iria notar sua alteração de humor.
Ela esperava que ele fornecesse o suporte emocional que precisava sem se
comunicar. Como ela não recebia aquilo que esperava de seu esposo, atribuía
esse comportamento a falta de valor dela para ele e de que o mesmo não a
amava mais. Como tinha padrões de que não precisava comunicar suas
necessidades básicas para seu marido, ficava muito triste quando ele se
comportava do modo que ela gostaria.
Avaliação diagnóstica
Angela apresentou-se bem vestida e limpa durante a primeira consulta. Ela
ficou atenta ao terapeuta e ao marido. Tendia a variar sua posição no sofá,
conforme o tema de nossa conversa. Sua linguagem era correta, precisa e
respondia prontamente o que era perguntado.
Angela veio fazer terapia com uma queixa de que sua vida conjugal não
estava mais satisfatória. Disse que o marido não se preocupava mais com ela
como antes. Além disso, estava muito irritada com o fato de o marido estar muito
tempo em casa sem fazer nada. Ela ficava incomodada por ver seu esposo muito
ansioso ao longo do dia e agressivo com os parentes dela.
221
Através da observação dos comportamentos da Angela nas
sessões e com a utilização da entrevista estrutura MINI (International
Neuropsychiatric Interview), foram percebidos alguns quadros clínicos do Eixo I
do DSM-IV-TR. Angela estava passando por um Episódio Depressivo Maior de
nível leve. O que foi corroborado pela aplicação do Inventário Beck de Depressão
(BDI), onde a paciente apresentou um nível leve de depressão atual. Além disso,
foi identificado um quadro de Fobia Social.
Angela apresentava níveis elevados na Escala de Satisfação Conjugal.
Isso significa que ela estava bastante insatisfeita com o modo como seu
relacionamento amoroso estava sendo conduzido. Ela demonstrou uma baixa
pontuação na Escala de Ajustamento Diádico, o que representava pouco
entendimento entre o casal.
Diagnósticos prováveis
Eixo I
V61.1
Problema de Relacionamento com Parceiro
296.31
Transtorno Depressivo Maior, Recorrente, Leve
300.23
Fobia Social
Eixo II
Nenhum
Eixo III
Nenhum
Eixo IV
Problemas com o grupo de apoio primário
Eixo V
36
AGF36 = 60
(na admissão)
Escala de Avaliação Global do Funcionamento (DSM-IV-TR, 2002)
222
EAGFR37 = 65
(na admissão)
Conceitualização do caso
Vejamos o quadro da conceitualização cognitiva da Angela:
Diagrama de Conceitualização Cognitiva
Nome: Angela (Esposa – Casal 03)
Dados relevantes da infância
Mãe controladora, autoritária e agressiva
Pai agressivo, abusador e alcoólatra
Irmã era superprotegida pela mãe
Crenças Centrais
Eu não tenho valor
Sou inferior
Crenças Condicionais
Se eu permitir que ele fale assim comigo, então serei humilhada
Se ele não me ajudar com as atividades domésticas, então ele não gosta de mim
Eu devo me afastar de pessoas agressivas
É terrível não ser valorizada
Estratégias Comportamentais
Ficar calada. Retirar-se. Brigar. Discutir.
Situação 1
Situação 2
Situação 3
Meu marido não olha para
mim quando conversamos
Meu marido não colabora
com a arrumação da casa
Meu marido critica minha
família
Pensamentos Automáticos
Pensamentos Automáticos
Pensamentos Automáticos
“Ele acha que sou
desinteressante”
“Ele acha que eu sou uma
empregada”
“Ele não me respeita a mim e
nem aos meus parentes”
37
Escala de Avaliação Global do Funcionamento nas Relações (DSM-IV-TR, 2002)
223
Significado
Significado
Significado
Não ter valor
Inferioridade
Não ter valor
Emoção
Emoção
Emoção
Insegurança
Raiva, tristeza
Raiva, tristeza
Comportamento
Comportamento
Comportamento
Calar-se
Brigar
Retirar-se
A conceituação do caso de Angela se baseia nas experiências infantis que
ela teve com seus pais. Sua mãe era uma pessoa trabalhadora e cuidava das
filhas. Contudo, era uma pessoa invasiva e agressiva. Seu pai era também um
homem que gostava de trabalhar. Por outro lado, era um sujeito muito agressivo,
alcoólatra e abusador. Isso deve ter colaborado para que fortalecesse uma autoimagem negativa sobre ser respeitada.
A mãe superprotegia sua irmã, devido ao abuso sexual sofrido. O pai era
violento com Angela. Isso pode ter contribuído para que ela desenvolvesse uma
auto-imagem de não ser querida.
Percebe-se a partir de sua crença Angela fazia algumas leituras de
pensamento sobre o comportamento do marido. Por exemplo, quando o marido
ficava um tempo sozinho calado, ela concluía “ele deve estar pensando que não
quer ficar comigo”.
Angela tendia a rotular os comportamentos do seu marido. Por exemplo,
quando seu parceiro não pagou uma conta, ela chegou à seguinte conclusão “ele
é irresponsável”.
224
Angela fazia algumas generalizações sobre os comportamentos
do marido. Por exemplo, quando não colaborava em uma atividade doméstica,
ela pensava “ele não ajuda em nada, se eu não pedir”.
Com base nesse tipo de processamento apresentado acima, pode-se
entender que qualquer atitude do seu marido passasse a ter uma importância
extremada. Vejamos o exemplo abaixo:
Terapeuta – Você passou por alguma situação nessa semana que tenha
afetado de forma negativa seu estado de humor?
Angela – Eu cheguei terça em casa tarde da noite e vi a pia cheia de louça.
Fiquei revoltada e comecei a brigar com o Felício e com o meu filho.
Terapeuta – Parece que essa é uma situação que deixa você muito
desconfortável.
Angela – Você nem faz idéia. São dois homens em casa que não fazem
nada. Quer dizer, um homem e um adolescente. Eu acho que o pai tinha que dar
exemplo para o filho. Agora veja o absurdo. Eu faço duas faculdades e venho
morta para casa. O Felício fica o dia todo em casa e é incapaz de lavar uma
louça. Ele está pensando que sou o quê? Escrava dele?... que eu sou menos
que ele... que eu sou... Isso me deixou muito magoada mais uma vez.
Terapeuta – Pelo que posso notar você fica com muita raiva quando esse
tipo de coisa acontece, ou melhor, quando seu marido não compartilha as
atividades domésticas com você.
Angela – Veja, Raphael. Eu entendo que ele não pode fazer muito esforço
por causa da LER. Mas, bem que ele poderia ter chamado meu filho para ajudálo. Não custava nada.
225
Terapeuta – Vejo que realmente é algo que te aborrece. Agora,
está parecendo que você percebe essa situação de uma forma extrema. Veja só.
Se seu marido não lava a louça você pensa que é inferior ou está sendo
inferiorizada. Por outro lado, se ele faz uma determinada atividade no lar, você
pensa que é amada. Quais são a vantagens em ficar vendo a situação nesses
dois pólos? Você se sente feliz quando pensa dessa forma?
Angela – Não, eu fico triste e irritada...
Sua vida de casada não estava sendo satisfatória, pois ela e o marido
tinham muitos conflitos. Eles tinham expectativas e crenças diferentes sobre o
relacionamento conjugal. Ela também atribuía ao marido os problemas do casal.
Ela estava fazendo terapia individual antes do início dessa pesquisa.
Nunca tinha utilizado medicamentos psiquiátricos. Recebeu dezesseis sessões
de tratamento e melhorou significativamente seu relacionamento com o marido.
Os quadros de depressão e ansiedade não apresentaram modificações
marcantes.
Tratamento
Nesse segmento é apresentado um resumo do tratamento que Angela fez
através da terapia de casal proposta nesse protocolo de pesquisa. Foram 16
sessões de atendimento que objetivaram alterar suas cognições disfuncionais,
seus déficits de comunicação e sua maneira inadequada de resolver os
problemas conjugais. Focalizaram-se ainda seus comportamentos negativos.
A primeira sessão de tratamento foi destinada a uma apresentação do
modelo de tratamento que seria seguido segundo o protocolo dessa pesquisa.
226
Foram avaliados os pontos fortes e fracos do casal. Assim como, foram
recolhidos os dados relevantes de Angela desde sua infância.
Entre a segunda e a décima sessão procurou-se modificar as cognições
disfuncionais de Angela. Como mencionado acima, ela fazia atribuições e tinha
expectativas, suposições e padrões irrealistas referentes a si e ao seu
relacionamento. Angela, por exemplo, acreditava que o marido brigava com os
parentes dela porque ele já não a respeitava mais como antes.
Para auxiliar o processo de modificação dessas cognições disfuncionais, o
terapeuta forneceu alguns folhetos ilustrativos38. Angela e Felício se revezavam
na leitura, em voz alta, desse material. Cada item dos folhetos era debatido junto
com o psicólogo. Um desses folhetos apresentava algumas suposições
irrealistas como, por exemplo, “meu parceiro não é capaz de comportar-se
diferente de como ele age agora”.
Angela também foi treinada a monitorar seus estados de humor e a
relacioná-los com seus pensamentos e comportamentos. Em uma situação em
que o parceiro, por exemplo, brincava com as pessoas de uma forma que ela
julgasse inadequada, concluía “ele sempre faz a gente passar papel de bobo na
frente das pessoas”, sentia raiva e depois se retirava. Com o treinamento
proposto, a cliente passou a perceber que seu afeto negativo estava diretamente
ligado as suas cognições irrealistas e comportamentos inadequados como, por
exemplo, evitar o marido.
38
Ver anexos dessa tese
227
Angela aprendeu ainda a identificar as principais idéias
distorcidas que afetavam seu relacionamento. Com a ajuda do registro diário de
pensamentos, a paciente constatou idéias como “eu sou inferior”. A partir desse
momento, o terapeuta conseguiu por questionamento socrático que a paciente
modificasse esses pensamentos. Angela passou então a processar suas
cognições de forma mais flexível e adequada sobre seu papel e de seu marido
na vida conjugal. Como, por exemplo, “se meu marido não gosta de compartilhar
as atividades domésticas, ele não faz isso porque me acha inferior. Como ele foi
criado num ambiente onde as mulheres faziam todas essas tarefas, não teve o
aprendizado necessário sobre o assunto. Contudo, ele vem procurando auxiliar
nas obrigações cotidianas, mesmo inclusive estando sentindo várias dores por
causa da LER”.
A décima primeira e a décima segunda sessão foram destinadas ao treino
de comunicação. Angela, por exemplo, nem sempre expressava seus
sentimentos para seu parceiro. Por exemplo, se seu marido falasse em um tom
áspero, ela ficava triste e se calava. Em outros momentos, nesse mesmo tipo de
situação, a cliente ficava muito aborrecida e começava uma discussão. Ou seja,
ou ela era passiva ou agressiva. Para auxiliar Angela a manejar essa dificuldade
de expressão de pensamentos e sentimentos, o psicólogo forneceu folhetos
instrutivos sobre como expressar idéias e emoções de forma produtiva e
assertiva. Angela foi treinada através de role-play, tendo seu marido e o
terapeuta colaborado nesse processo.
Entre a décima terceira e décima quarta, Angela aprendeu a utilizar a
técnica de resolução de problemas. A cliente foi treinada para resolver seus
problemas conjugais de forma mais satisfatória para o casal. Angela recebeu um
228
folheto instrutivo39 com os princípios dessa técnica. Com o auxílio do
esposo, Angela pode solucionar algumas questões que estavam afetando o
cotidiano deles e que trazia grandes dificuldades para ambos. Como, por
exemplo, a divisão das atividades domésticas entre cada membro do casal,
sendo incluído até o filho nesse processo.
No que se refere ao andamento geral do tratamento, Angela aderiu
rapidamente ao procedimento de buscar respostar alternativas / racionais para
suas idéias inadequadas. Além disso, buscava estar sempre atenta e
participativa nos treinos de comunicação e resolução de problemas. De um modo
em geral, ela era bastante colaborativa. Tudo isso facilitou bastante seu processo
terapêutico.
Por outro lado, Angela ficava muito calada ao longo da sessão. Ela não
expressava muito suas idéias e seus sentimentos. Isso ocorria por três motivos.
O primeiro era porque ela queria ouvir o que o marido tinha a dizer. De acordo
com Angela, seu marido era muito de brincar, mas evitava falar de coisas sérias.
Assim sendo, a terapia era o espaço onde ela conseguiria saber o que ele
pensava e sentia. O segundo motivo era que seu marido falava a maior parte da
sessão e, muitas vezes, gostava de ficar fazendo piadas durante a prática dos
exercícios propostos. O terceiro era a dificuldade que ela tinha de falar sobre si
mesma sem ficar muito aborrecida ou triste.
Resumindo,
a
paciente
aprendeu
que
seus
pensamentos
estão
relacionados com seus estados de humor e comportamentos. A partir desse
ponto, Angela teve condições de identificar, alterar e construir cognições mais
39
Ver anexo dessa tese
229
adequadas sobre si e sua vida conjugal. Além disso, fez um melhor uso
da expressão de suas idéias e emoções, proporcionando-lhe experimentar
sentimentos agradáveis no seu relacionamento amoroso. A paciente aprendeu
ainda a resolver seus problemas de forma adequada.
Comentários gerais
O tratamento dos problemas conjugais seguiu o protocolo de tratamento
proposto para essa pesquisa. Esta paciente não apresentou dificuldades para o
tratamento. Apesar de sua dificuldade em acreditar nas pessoas, foi estabelecida
uma boa relação terapêutica. A paciente estava muito interessada em melhorar
seu relacionamento. Isso facilitou sua adesão às técnicas propostas. Ela tinha
tendência a se culpar pelos problemas conjugais e ao mesmo tempo se sentia
prejudicada pelas atitudes do marido. Com o tratamento, a paciente foi capaz de
questionar suas principais crenças negativas e acreditar mais em seu marido.
1. Especificar a
emoção (ex.: triste,
ansioso, zangado etc.)
2. Assinalar a
intensidade da emoção
numa escala de 0 a
100
Sentimentos
Conversando com meu Insegura 90%
marido sobre o uso do
nosso dinheiro
Descrever:
1. O que está
acontecendo que possa
ter levado à emoção ou
2. Corrente de
pensamento, devaneio
ou lembrança que
possa ter levado à
emoção
Situação
4. Não vejo luz no fim do túnel
50%
PA = 10%
PA = 20%
Temos alguns valores em comuns, 3.
apesar de nossas diferenças
individuais
4.
2. Nós somos incompatíveis
90%
3. Não sei se ele vai querer
ficar comigo 70%
1. Reavaliar o grau de
convicção em cada
pensamento
automático
(PA = 0-100)
2. Reavaliar a
intensidade de cada
emoção (E = 0-100)
Reavaliação
O fato de ele pensar diferente de Insegura 20%
mim, não significa que não me ame
1.
PA = 25%
Nós já discordamos outras vezes e
ele nunca foi embora
2.
PA = 30%
1. Anotar cada resposta racional
para
o(s)
pensamento(s)
registrado(s)
2. Avaliar o grau de convicção em
cada resposta racional (0-100)
Resposta Alternativa
1. Pensamos muito diferente
80%
1. Anotar o(s) pensamento(s)
associados à emoção da forma
como apareceram na mente
2. Indicar o grau de convicção para
cada pensamento numa escala de 0
a 100
Pensamentos Automáticos
REGISTRO DE PENSAMENTO DIÁRIO
 Traduzido e adaptado por Bernard Rangé (2001).
Perguntas para ajudar a compor uma resposta alternativa: (1) quais são as provas que o meu pensamento é verdadeiro? Não verdadeiro? (2) Há uma explicação
alternativa? (3) O que de pior poderia acontecer? Eu poderia superar isso? É tão catastrófico assim? Qual o melhor que poderia acontecer? Qual o resultado mais
provável, mais realista? (4) Se (um amigo meu) estivesse na situação e tivesse esse pensamento, o que eu diria para ele? (5) O que eu deveria fazer então? (6) Qual
é o efeito da minha crença no pensamento automático? Qual poderia ser o efeito de mudar o meu pensamento?Reavalie a convicção nos pensamentos automáticos e
nos sentimentos associados.
Segunda
Dia /Hora
Paciente: Angela (Esposa 03 – Casal 03)
230
231
6.3.1.2 Felício
Felício veio para atendimento através da divulgação do presente estudo
em uma palestra ministrada pelo pesquisador. Ele era um operador de
telemarketing de 44 anos, casado há 16 anos, e tinha um filho de 15 anos. Ele
estava de licença médica e foi afastado do trabalho por motivos de saúde.
A mãe de Felício saiu de casa quando ele era criança. Ele não teve
praticamente contato com ela. A mãe voltou a entrar em contato mais de 30
anos depois. Mas foram ligações esporádicas.
O pai de Felício nunca cuidou dele. Seu pai bebia o dia inteiro e não
queria saber dos filhos, segundo o paciente. Felício não tinha uma boa relação
com o pai. Seu pai gostava apenas de “jogo do bicho” e beber. Quando
alcoolizado ficava agressivo e batia nas pessoas. Num desses episódios de
embriaguez seu pai morreu, pois caiu de cabeça em um vergalhão na rua que
comprometeu gravemente o funcionamento do seu cérebro.
Felício passou a morar na casa da avó paterna. Suas tias cuidavam do
Felício e de seus outros quatros irmãos por imposição da avó. Felício tinha
todas as suas necessidades domésticas preenchidas pelas tias. Ele não
compartilhava os afazeres da casa de sua avó. Tudo era feito em prol de
Felício, pois ele na época era o neto caçula e preferido.
A avó tinha preferência pelos netos homens. Tudo era feito em benefício
dele e do irmão. As suas irmãs ficavam com as “sobras”, segundo o paciente.
Conforme foi crescendo, Felício passou a não gostar mais desse tratamento
diferenciado. Ele tinha se afastado muito de sua família de origem na sua vida
232
adulta. Inclusive, evitava falar sobre seus familiares e seu passado
para sua esposa.
O avô de Felício era sua referência de figura masculina. O avô cuidava
dele também, o levava para passear. Depois seu avô ficou doente e ele teve
que cuidar do avô. Dava banho, fazia a barba do avô, entre outras coisas.
Felício considerava a sogra dele como uma mãe. Contudo, ele tinha
muitos conflitos com sua sogra. Como ele morava perto da família de sua
esposa, acabava entrando em conflito com a sogra e os filhos dela
constantemente.
Felício era uma pessoa extrovertida que gostava muito de fazer
“brincadeiras” com as pessoas. Ele não gostava quando as pessoas o
tratavam com desrespeito. Ele era bastante assertivo e agressivo com quem
feria os seus direitos. Contudo, com sua esposa ele agia diferente. Quando
sua esposa fazia algo que ele não gostava, ele evitava falar. Por vezes
reclamava de forma hostil, mas no geral ficava com medo de magoar a esposa
e perdê-la.
Felício estava afastado do trabalho devido a problemas de saúde.
Estava passando grande parte de seu dia em casa, sem fazer atividades
específicas. Ele se sentia muito ansioso, triste e irritado ao longo do dia.
Ficava muito preocupado com sua condição física e mental. Não queria que o
filho e a esposa ficassem com uma má impressão dele, por não estar
conseguindo exercer suas atividades. Ir para a faculdade também não era
fácil. Ficava muito cansado quando voltava do curso para sua casa. Não
conseguia fazer mais nada durante o dia.
233
Ao longo do tratamento dessa pesquisa, Felício descobriu o
gosto pela pintura. Essa atividade estava sendo muito prazerosa para ele.
Inclusive começou a comercializar os quadros que pintava.
Felício estava frustrado por não ter poder aquisitivo suficiente para
poder arcar com todos os custos da sua família. Como sua sogra
complementava sua renda familiar e se intrometia na vida deles, isso deixava
Felício bastante revoltado e frustrado.
Relacionamento amoroso
Felício e Angela se conheceram bem jovens. Eles casaram e tiveram
um único filho que tinha 15 anos naquele momento da pesquisa. Felício
conheceu a esposa quando prestava serviço na empresa que ela trabalhava.
Ele foi atraído pela inocência, pelo seu jeito de “menina” e pelo modo altruísta
dela. Felício disse ter se apaixonado ainda pelo jeito angelical de sua esposa.
Para ele, sua parceira na época do namoro era calma, tranqüila e muito
carinhosa.
Felício tinha dificuldades em falar “sério” sobre os assuntos. Ele temia
que sua esposa e as pessoas em geral brigassem com ele. Ele sempre fazia
uma “brincadeira” antes de falar algo importante. Ele testava as pessoas para
evitar conflitos que achasse desnecessários.
Felício não gostava de falar algumas coisas que o incomodavam por
medo de magoar a esposa. Ele acreditava que as mulheres de um modo em
geral
poderiam
ficar
chateadas
caso
o
seu
parceiro
expressasse
descontentamento. Como ele não queria ferir os sentimentos de sua esposa,
ele evitava dizer o que sentia e pensava.
234
A principal dificuldade de Felício era receber críticas. Nas
situações em que um comportamento seu é criticado pela esposa, ele tendia a
levar isso para o lado pessoal.
Felício teve alguns problemas devido ao comportamento hostil da
esposa. Depois que casou, ela começou a ter “explosões” de raiva. A parceira
chegou a xingá-lo com palavrões, por exemplo.
Felício estava muito incomodado por estar sendo rotulado pela esposa.
Como a parceira estava fazendo faculdade na área de saúde, tendia a fazer
possíveis “diagnósticos” do comportamento dele. Isso o deixava muito
chateado.
Felício e a esposa também tinham muitos conflitos devido às
divergências na educação do filho. Ele achava que a esposa dizia algumas
coisas que criavam atritos com seu filho. Felício ficava incomodado com a
intromissão da esposa quando ele estava “brigando” com o filho.
Ele ficava incomodado com a intromissão da esposa nos gastos de sua
renda. Ele não gostava quando a parceira dizia quando e como ele deveria
gastar seu dinheiro. Por vezes, ele queria adquirir alguns produtos e sua
esposa o criticava por causa disso.
Felício esteve magoado com a esposa durante um período, pois ela
estava dando atenção em demasia a uma amiga dela. Felício estava
incomodado com as ligações excessivas dessa pessoa. Ele também ficava
triste com a esposa, por ela estar passando grande parte do seu dia fora de
casa. Ele achava que sua esposa estava abandonando a família.
Felício estava chateado pelas demandas de sua esposa e da família de
origem dela. Ele não estava conseguindo ajudá-los na construção de uma
235
igreja. Contudo, sua esposa e a família dela ficavam solicitando sua
participação na obra. Ele sentia muitas dores nos braços devido às suas LER
(lesões por movimentos repetitivos).
Cognições disfuncionais
São apresentados alguns exemplos de cinco cognições (percepções,
atribuições, expectativas, suposições e padrões) que se forem inadequadas
podem influenciar de forma negativa um relacionamento conjugal. Vale
lembrar que as suposições são crenças que a pessoa mantém sobre o que “é”
a natureza dos relacionamentos e das pessoas em geral. Por exemplo, uma
mulher pode supor que “homens e mulheres nunca vão entender o sexo
oposto muito bem”. Os padrões regras, por sua vez, são crenças que um
indivíduo tem sobre como “deveria” ser a vida conjugal. Por exemplo, um
homem pode acreditar que “sua a parceira deveria ser perfeita sexualmente”
(Baucom e Epstein, 1990; Epstein e Baucom, 2002). Essas cinco cognições
estavam diretamente relacionadas com as crenças centrais negativas que
Felício tinha sobre si mesmo como, por exemplo, “eu estou condenado a ser
abandonado.
No que se refere às suas percepções, Felício foi ficando seletivamente
atento apenas as situações em que sua esposa era agressiva. Ele ficava muito
irritado e triste com a esposa e uma vez que se sentisse assim, poderia agir de
duas formas: ou procurava retirar-se da presença da sua parceira ou também
respondia com hostilidades, o que era mais raro. Por sua vez, Angela
começou a ficar também seletivamente atenta a qualquer evitação ou
236
ferocidade do marido. Nas duas situações, ela acreditava que estava
sendo rejeitava e podia voltar com mais agressividade ou também ficar calada.
As atribuições de Felício sobre o comportamento hostil da sua parceira
estavam vinculadas a idéia que ele era não tinha valor para ela. Já em relação
ao comportamento de evitação da esposa, ele atribuía isso ao um desejo dela
de abandoná-lo. Ele ficava com muita raiva quando sua mulher agia de forma
agressiva com ele ou sentia muita tristeza quando ela evitava sua presença.
Angela, por sua vez, atribuía sua conduta agressiva ao comportamento
inadequado do parceiro em determinadas situações vividas pelo casal e da
falta de zelo do marido.
Felício atribuía a ele mesmo um comportamento problemático. Ele
estava ficando agressivo, devido à irritação que vinha experimentando nos
últimos tempos. Sua agressividade era voltada para as pessoas em geral. Às
vezes, ele era agressivo (discutia) com o filho e a esposa também.
Felício também ficava incomodado pela esposa sempre atribuir a ele os
erros de comportamentos que o filho cometia. Toda vez que o rapaz agia de
forma errada, a esposa tendia a dizer que foi culpa do Felício, por ter dado um
mau exemplo.
Felício acreditava ainda que a esposa fizesse coisas só para irritá-lo.
Por exemplo, quando ele solicitava a parceira para algumas atividades e ela se
recusava, ele ficava chateado. Então, concluía que ela fazia isso para
aborrecê-lo.
Felício desenvolveu expectativas negativas sobre sua parceira. Ele
esperava que sua esposa apoiasse todas as suas idéias. Por exemplo, “se
minha parceira concordasse sempre com o que penso, poderíamos nos dar
237
melhor”. Angela, por sua vez, esperava que o marido pudesse ser
mais flexível em suas idéias sobre o papel do homem e da mulher no
casamento. Segundo ela, seu marido era muito “machista”.
Felício esperava que sua esposa pudesse compreender seu estado
psicológico, sem ele precisar comunicar o que estava acontecendo. O paciente
estava tomando vários remédios, o que dificultava seu ciclo de vigília e sono
ao longo do dia. Ele estava sentindo muito cansado e não conseguia fazer as
atividades domésticas cotidianas. Além disso, ele estava tendo muitas dores
nos braços, devido a LER.
Os comportamentos e sentimentos de Felício, ligados aos seus
problemas conjugais, foram também influenciados por suas suposições
(crenças) de que um relacionamento normal “é” aquele em que a parceira está
sempre calma e atenta as necessidades do marido. Já na concepção de
Angela, sua suposição era de que no relacionamento saudável o esposo “é”
um homem que compartilha as atividades domésticas e percebe os
sentimentos da parceira sem ela precisar falar.
Felício acreditava que homens e mulheres eram diferentes em
essência. Para ele, as mulheres tinham comportamentos, pensamentos e
sentimentos diferentes dos homens. Isso fazia com que evitasse falar sobre
determinadas idéias suas com sua esposa. Principalmente, quando ele estava
aborrecido com alguma atitude dela.
Felício ainda era influenciado por seus padrões (crenças) de como
“deveria” ser um relacionamento amoroso. Para ele, a esposa “deveria” estar
disponível para ajudá-lo a resolver seus problemas pessoais e profissionais.
238
Angela, por sua vez, acreditava que o marido “deveria” ser
responsável no cuidado do filho e evitar fazer brincadeiras o tempo todo.
Felício
acreditava
que
o
homem
deveria
ter
o
controle
do
relacionamento. Não podia ser um “banana” ou “capacho”. Ele não permitia que
sua esposa ficasse dando ordens a ele. Contudo, ele apresentava dificuldades
para expressar seus sentimentos e idéias sobre assuntos relevantes do casal.
Resumindo, toda vez que Felício percebia que sua esposa estava
irritada tendia ou a se afastar ou a entrar em conflito com ela. Quando sua
parceira tinha uma reação hostil, ele ficava muito enraivecido. Como ele não
recebia aquilo que esperava, atribuía esse comportamento da esposa a uma
falta de respeito. Felício também ficava muito triste ao ver sua esposa agindo
asperamente, já que tinha a suposição de que a esposa “é” sempre tranqüila.
Além disso, como era um “dever” da mulher ser somente carinhosa, ele ficava
magoado quando sua esposa o agredia.
Avaliação Diagnóstica
Felício apresentou-se bem vestido e limpo durante a primeira consulta.
Tinha um olhar atento para mim e para a esposa. Tendia a variar sua posição
no sofá, conforme o tema de nossa conversa. Sua linguagem era correta,
precisa e respondia prontamente o que lhe fosse perguntado. Ele chegou com
uma queixa de que sua relação amorosa com sua esposa não estava
satisfatória.
Através da observação dos comportamentos de Felício nas sessões e
com a utilização da entrevista estrutura MINI (International Neuropsychiatric
Interview), foram percebidos alguns quadros clínicos do Eixo 1 do DSM-IV-TR.
239
Ele estava passando por um Episódio Depressivo Maior de nível
leve. O que foi corroborado pela aplicação do Inventário Beck de Depressão
(BDI), onde a paciente apresentou um nível leve de depressão atual. Outro
quadro clínico identificado foi o de Transtorno de Pânico com Agorafobia.
Felício apresentava níveis elevados na Escala de Satisfação Conjugal.
Isso significava que ele estava bastante insatisfeito com o modo como seu
relacionamento amoroso estava sendo conduzido. Ele demonstrou uma baixa
pontuação na Escala de Ajustamento Diádico, o que representava pouco
entendimento entre o casal.
Diagnósticos prováveis
Eixo I
V61.1
Problema de Relacionamento com Parceiro
296.31
Transtorno Depressivo Maior, Recorrente, Leve
300.21
Transtorno de Pânico com Agorafobia
Eixo II
Eixo III
Nenhum
696.1
Psoríase
Lesões causadas por movimento repetitivo (LER)
Eixo IV
Problemas com o grupo de apoio primário
Problemas relacionados ao ambiente social
Problemas ocupacionais
Eixo V
AGF = 60
(na admissão)
EAGFR = 65
(na admissão)
Conceitualização cognitiva
Vejamos o quadro da conceitualização cognitiva da Felício:
240
Diagrama de Conceitualização Cognitiva
Nome: Felício (Marido – Casal 03)
Dados relevantes da infância
Mãe abandonou os filhos
Pai ausente, relapso, agressivo e alcoólatra
Criado pelos avôs paternos
Era superprotegido pela avó
Crenças Centrais
Eu estou condenado a ser abandonado
Eu não tenho valor
Crenças Condicionais
Se eu expressar o que sinto, minha parceira vai ficar magoada e vai se afastar de mim.
Se eu fizer “brincadeiras” com minha esposa, ela vai gostar mais de mim.
É terrível ser maltratado pelas pessoas. Por isso eu revido com aqueles que merecem.
Estratégias Comportamentais
Não fala sobre seus sentimentos e idéias. Evita expressar desacordo. Evita conflitos. “Brinca”.
Situação 1
Situação 2
Situação 3
Minha esposa demora em
voltar da faculdade
Minha esposa fala horas com
uma amiga dela ao telefone
Minha esposa interfere na
discussão que estou tendo
com meu filho
Pensamentos Automáticos
Pensamentos Automáticos
Pensamentos Automáticos
“Ela não gosta mais de mim”
“Ela só quer saber dessa
mulher e não se importa
mais comigo”
“Ela está retirando minha
autoridade”
Significado
Significado
Significado
Abandono
Abandono
Não ter valor
Emoção
Emoção
Emoção
Tristeza
Raiva / Triste
Raiva
Comportamento
Comportamento
Comportamento
Fica calado
Briga
Retira-se
241
A conceituação de caso de Felício se baseia nas experiências
infantis que teve com seu pai que era agressivo, ausente e alcoólatra. Sua
mãe abandonou os filhos quando todos ainda eram muito pequenos. Isso tudo
deve ter colaborado para que fortalecesse um auto-conceito de abandono. Por
outro lado, como seu pai era agressivo, isso colaborou também para que
Felício se achasse sempre desrespeitado e sem valor.
Felício tinha pensamentos dicotômicos sobre seu relacionamento. Por
exemplo, quando ele não falava o que sentia, ele concluía “não vou magoar
minha esposa”. Caso ele dissesse o que pensava, inferia “vou magoá-la”.
Felício colocava alguns rótulos na esposa. Por exemplo, quando a
esposa deixava a água do chuveiro aberto mais do que ele achava necessário,
ele concluía “ela é irresponsável”.
Com base nesse tipo de processamento apresentado acima, pode-se
entender que qualquer atitude da esposa passasse a ter uma importância
extremada. Vejamos o exemplo abaixo:
Terapeuta – Alguma coisa aconteceu essa semana que tenha alterado
seu estado de humor?
Felício – Tem sim, Raphael. A minha esposa não pára em casa. Eu
nunca vi isso. A mulher fica o dia inteiro na rua. Parece que ela não quer ficar
comigo e nem com o meu filho. Eu acho às vezes até que ela possa estar com
outra pessoa. Eu fico com a nítida sensação de que a qualquer momento ela
vai embora de casa. Eu me sinto abandonado por ela e acho que nosso filho
sente a mesma coisa.
Terapeuta – Parece que você não fica nada feliz quando sua esposa
passa longas horas fora de casa.
242
Felício – Eu fico com muita raiva. Cara, isso não é papel de
esposa. Eu dou o maior apoio para ela estudar. Às vezes ela sai de casa às
sete da manhã e volta às 23 horas.
Terapeuta – Pelo que estou percebendo você está muito aborrecido com
essa situação de sua esposa ficar muito tempo longe de você. Eu notei que
está sendo muito duro para você ficar muito tempo em casa sem ela. Agora,
ver a situação de forma extremada não me parece muito apropriado. Você
coloca a situação da seguinte forma, se ela fica um longo período em casa,
logo ela me ama. Caso, ela passa muitas horas a rua, você concluí que ela
está querendo o abandonar. Porém, ela tem se mostrado mais presente em
casa desde que vocês começaram o tratamento. Agora, vale à pena ficar
pensando em ser amado ou abandono toda vez que sua esposa fica mais
tempo nas faculdades do que em casa? Você não fica infeliz quando pensa
dessa forma.
Felício – Eu fico literalmente deprimido...
Ele começou a fazer terapia individual no início dessa pesquisa. Ele
estava recebendo atendimento psiquiátrico, sendo medicado com cloridrato de
paroxetina.
Recebeu
dezesseis
sessões
de
tratamento
e
melhorou
significativamente seu relacionamento com a esposa. Os quadros de
depressão e ansiedade não apresentaram modificações marcantes.
Tratamento
Nesse segmento é apresentado um resumo do tratamento que Felício
fez através da terapia de casal proposta nesse protocolo de pesquisa. Foram
16 sessões de atendimento que objetivaram alterar suas cognições
243
disfuncionais, seus déficits de comunicação e sua maneira
inadequada de resolver os problemas conjugais. Focalizaram-se ainda seus
comportamentos negativos.
A primeira sessão de tratamento foi destinada a uma apresentação do
modelo de tratamento que seria seguido pelo protocolo dessa pesquisa. Foram
avaliados os pontos fortes e fracos do casal. Assim como, foram recolhidos os
dados relevantes de Felício desde sua infância.
Entre a segunda e a décima sessão procurou-se modificar as cognições
disfuncionais de Felício. Como mencionado acima, ele fazia atribuições e tinha
expectativas, suposições e padrões irrealistas referentes a si e ao seu
relacionamento. Felício, por exemplo, às vezes acreditava que sua esposa não
o valorizava mais como antes.
Para auxiliar o processo de modificação dessas cognições disfuncionais,
o terapeuta forneceu alguns folhetos ilustrativos40. Felício e Angela se
revezavam na leitura, em voz alta, desse material. Cada item dos folhetos era
debatido junto com o psicólogo. Um desses folhetos apresentava algumas
suposições inadequadas semelhantes às de Felício como, por exemplo,
“homens e mulheres nunca vão entender o sexo oposto muito bem”.
Felício aprendeu ainda a identificar as principais idéias distorcidas que
afetavam seu relacionamento. Com a ajuda do registro diário de pensamentos,
Felício pode constatar crenças como “eu estou condenado a ser abandonado”.
A partir desse momento, o terapeuta conseguiu por questionamento socrático
que o cliente modificasse esses pensamentos. Felício passou então a
40
Ver anexos dessa tese
244
processar suas cognições de forma mais flexível e adequada, no que
diz respeito ao seu papel sexual e de sua esposa. Como, por exemplo, “Eu
posso discordar da opinião da minha esposa, como venho fazendo todos
esses anos. Não é porque estou doente agora que ela vai me deixar. Eu ainda
tenho o meu valor, mesmo estando debilitado de saúde”.
A décima primeira e a décima segunda sessão foram destinadas ao
treino de comunicação. Felício tinha uma tendência a se retirar do ambiente ou
a esbravejar com a esposa. Ele tinha dificuldades para ser assertivo e
demonstrar para sua esposa o quão inadequado era o modo como ela se
expressava com ele. Felício recebeu folhetos instrutivos41 sobre como
expressar sentimentos e idéias de forma produtiva. O paciente foi treinado
através de role-play, tendo sua esposa e o terapeuta colaborado nesse
processo.
Como Felício estava evitando falar de seus sentimentos de forma
adequada, ele foi treinado a monitorar seus estados de humor e a relacionálos com seus pensamentos e comportamentos. Felício percebeu, por exemplo,
que quando sua esposa fala alto com ele, pensava “ela acha que eu sou um
banana, mas eu não sou. Vou mostrar para ela que não se deve falar assim
comigo”. Essa idéia o deixava irritado e ele discutia com a esposa.
Entre a décima terceira e décima quarta sessão, Felício aprendeu a
utilizar a técnica de resolução de problemas. O cliente foi treinado para
resolver seus problemas conjugais de forma mais satisfatória para o casal. O
paciente recebeu um folheto instrutivo com os princípios dessa técnica. Com o
41
Ver anexos dessa tese
245
auxílio da esposa, Felício pode solucionar algumas questões que
estavam afetando o cotidiano deles e que traziam grandes dificuldades para
ambos. O paciente, por exemplo, começou a compartilhar determinadas
atividades domésticas que poderia ser feitas mesmo no estado de saúde que
estava passando.
No que se refere ao andamento geral do tratamento, Felício aderiu
rapidamente ao procedimento de buscar respostar alternativas / racionais para
suas idéias inadequadas. Além disso, buscava estar sempre atento e
participativo nos treinos de comunicação e resolução de problemas. Tudo isso
facilitou bastante seu processo terapêutico.
Por outro lado, Felício muito irritado com tudo o que estava acontecendo
em sua vida pessoal, profissional, familiar e conjugal. O paciente estava
também muito ansioso por estar passando muito tempo em casa e pela
possibilidade de perder o emprego. Devido a esses fatores, Felício queria ficar
falando a maior parte da sessão sobre seus diversos problemas. Isso
dificultava o treino das habilidades proposta para as sessões. Além disso, o
cliente não deixava muito espaço para a sua esposa se expressar. O terapeuta
teve que intervir no sentido do uso adequando do tempo e da quantidade de
fala de cada membro do casal.
Resumindo, Felício aprendeu que seus pensamentos estão relacionados
com seus estados de humor e comportamentos. A partir desse ponto, o cliente
teve condições de identificar, alterar e construir cognições mais adequadas
sobre si e sua vida conjugal. Cabe ressaltar, que Felício estava tendo
comportamentos às vezes passivos e em outras situações agressivos. O
paciente foi treinado para ser assertivo, onde fez um melhor uso da expressão
246
de suas idéias e emoções. Ao agir assim pode experimentar
sentimentos agradáveis no seu relacionamento amoroso. Por fim, o paciente
aprendeu a resolver seus problemas de forma adequada.
Comentários gerais
O tratamento dos problemas conjugais seguiu o protocolo de tratamento
proposto para essa pesquisa.
Este paciente não apresentou dificuldades
para o tratamento. Ele procurava participar ativamente dos exercícios
propostos. O paciente foi estimulado a ser mais assertivo e empático com sua
esposa.
1. Especificar a
emoção (ex.: triste,
ansioso, zangado etc.)
2. Assinalar a
intensidade da emoção
numa escala de 0 a
100
Descrever:
1. O que está
acontecendo que possa
ter levado à emoção ou
2. Corrente de
pensamento, devaneio ou
lembrança que possa ter
levado à emoção
Pensando sobre a
Raiva 70%
quantidade de cursos que
a minha esposa está
Tristeza 90%
fazendo.
Sentimentos
Situação
Ela quer aprender
Ela quer ficar longe da família 80%
Ela sempre me dá atenção
Quando ela está em casa
conversamos bastante
Ela já não gosta mais tanto de mim Ela está aproveitando uma
assim 90%
oportunidade que não teve no
passado
Ela quer realmente fazer o curso
1. Anotar cada resposta racional
para
o(s)
pensamento(s)
registrado(s)
2. Avaliar o grau de convicção em
cada resposta racional (0-100)
Resposta Alternativa
Ela não se importa comigo 70%
1. Anotar o(s) pensamento(s)
associado(s) à emoção da forma
como apareceram na mente
2. Indicar o grau de convicção para
cada pensamento numa escala de 0
a 100.
Pensamentos Automáticos
REGISTRO DIÁRIO DE PENSAMENTOS
Triste 30%
Raiva 20%
1. Reavaliar o grau de
convicção em cada
pensamento automático
(PA = 0-100)
2. Reavaliar a intensidade
de cada emoção (E = 0100)
Reavaliação
 Traduzido e adaptado por Rangé (2001).
Perguntas para ajudar a compor uma resposta alternativa: (1) quais são as provas que o meu pensamento é verdadeiro? Não verdadeiro? (2) Há uma explicação
alternativa? (3) O que de pior poderia acontecer? Eu poderia superar isso? É tão catastrófico assim? Qual o melhor que poderia acontecer? Qual o resultado mais
provável, mais realista? (4) Se (um amigo meu) estivesse na situação e tivesse esse pensamento, o que eu diria para ele? (5) O que eu deveria fazer então? (6) Qual é o
efeito da minha crença no pensamento automático? Qual poderia ser o efeito de mudar o meu pensamento?Reavalie a convicção nos pensamentos automáticos e nos
sentimentos associados.
Quinta
Noite
Dia/Hora
Paciente: Felício (Marido 03 – Casal 03)
247
248
6.3.2 Escores obtidos com cada membro do casal 03
O gráfico 15 apresenta os resultados obtidos por Angela e Felício (casal
03) na Escala de Satisfação Conjugal. Os resultados obtidos nessa pesquisa
são compatíveis com estudos mencionados anteriormente. Oliveira (2009), por
exemplo, relatou média (M) = 2.32 e desvio padrão (DP) = 0.43 para essa
medida.
Angela teve um escore 2.42 no pré-teste e 1.75 no pós-teste. Felício
apresentou um escore 1.75 no pré-teste e 1.54 no pós-teste. Isso equivale
dizer que os membros do casal 03 apresentavam inicialmente um nível médio
de satisfação. Os escores de Angela e Felício também indicam que aumentou
a satisfação com seu relacionamento após o tratamento.
Cabe ressaltar, que o escore mais baixo na medida indicar maior
satisfação conjugal. Portanto, esses resultados apontam que as técnicas
específicas utilizadas no manual de tratamento dessa pesquisa podem ter
propiciado uma melhora na satisfação conjugal de cada membro do casal 03.
249
Escala de Satisfação Conjugal (ESC)
ANGELA
3,00
2,50
2,00
1,50
1,00
0,50
0,00
Antes
Depois
FELÍCIO
3,00
2,50
2,00
1,50
1,00
0,50
0,00
Antes
Depois
GRÁFICO 15 – Resultados da aplicação da Escala de Satisfação Conjugal (ESC) na esposa e
no marido do casal 03. A coluna preta representa a avaliação antes do tratamento. A coluna
em cinza representa a avaliação depois do tratamento. Escore mais baixo indica melhor
satisfação conjugal.
250
O gráfico 16 apresenta os resultados obtidos por Angela e Felício (casal
03) na Escala de Ajustamento Diádico (DAS). Os resultados obtidos são
compatíveis com os reportados por Baucom et al. (1990). Esses autores
relataram M = 88.58 e DP = 18.49 no pré-teste e M = 97.50 e DP = 14.24 no
pós-teste para as mulheres. Enquanto para os homens M = 104.42 e DP =
17.88 no pré-teste e M = 106.42 e DP = 16.55 no pós-teste.
Angela teve um escore 102 no pré-teste e 108 no pós-teste. Felício
apresentou um escore 113 no pré-teste e 124 no pós-teste. Isso equivale dizer
que os membros do casal 03 apresentavam inicialmente um nível médio de
ajustamento. Os escores de Angela e Felício também indicam que o
ajustamento aumentou no seu relacionamento após o tratamento.
Cabe ressaltar, que o escore mais alto na medida indicar maior
ajustamento conjugal. Portanto, esses resultados apontam que as técnicas
específicas utilizadas no manual de tratamento dessa pesquisa podem ter
propiciado uma melhora no ajustamento conjugal de cada membro do casal 03.
251
Escala de Ajustamento Diádico
ANGELA
150
140
130
120
110
100
90
80
70
60
50
40
30
20
10
0
Antes
Depois
FELÍCIO
150
140
130
120
110
100
90
80
70
60
50
40
30
20
10
0
Antes
Depois
GRÁFICO 16 – Resultados da aplicação da Escala de Ajustamento Diádico (DAS) na esposa e
no marido do casal 03. A coluna preta representa a avaliação antes do tratamento. A coluna
em cinza representa a avaliação depois do tratamento. Escore mais alto indica melhor
ajustamento conjugal.
252
Os próximos cinco gráficos que são apresentados abaixo correspondem
a variáveis que podem influenciar tanto a satisfação como o ajustamento
conjugal.
O gráfico 17 apresenta os resultados obtidos por Angela e Felício (casal
03) no Questionário de Empatia Conjugal (QEC). Os resultados obtidos são
compatíveis com os reportados por Oliveira (2005). Esta autora relatou média
(M) = 3.02 e desvio padrão (DP) = 0.57 para essa medida.
Angela teve um escore 2.50 no pré-teste e 2.75 no pós-teste. Felício
apresentou um escore 3.69 no pré-teste e 3.45 no pós-teste. Isso equivale
dizer que os membros do casal 03 apresentavam, inicialmente, um nível médio
de percepção empática. Os escores de Angela indicam que aumentou a sua
percepção do comportamento empático do seu marido após o tratamento. Já
os escores de Felício apontam que diminuiu sua percepção do comportamento
empático de sua esposa após o tratamento.
253
Questionário de Empatia Conjugal (QEC)
ANGELA
4,00
3,50
3,00
2,50
2,00
1,50
1,00
0,50
0,00
Antes
Depois
FELÍCIO
4,00
3,50
3,00
2,50
2,00
1,50
1,00
0,50
0,00
Antes
Depois
GRÁFICO 17 – Resultados da aplicação do Questionário de Empatia Conjugal (QEC) na
esposa e no marido do casal 03. A coluna preta representa a avaliação antes do tratamento. A
coluna em cinza representa a avaliação depois do tratamento. Escore mais alto indica maior
empatia conjugal.
254
O gráfico 18 apresenta os resultados obtidos por Angela e Felício (casal
03) no Inventário de Crenças sobre Relacionamento (RBI). Os resultados
obtidos são compatíveis com os reportados por Baucom et al. (1990). Foi
relatado M = 77.67 e DP = 15.74 no pré-teste e M = 68.92 e DP = 15.64 no
pós-teste para as mulheres. Enquanto para os homens M = 66.00 e DP = 12.80
no pré-teste e M = 55.75 e DP = 22.39 no pós-teste.
Angela teve um escore 73 no pré-teste e 60 no pós-teste. Felício
apresentou um escore 88 no pré-teste e 87 no pós-teste. Isso equivale dizer
que os membros do casal 03 apresentavam inicialmente um nível médio de
aderência a crenças inadequadas. Os escores de Angela e Felício indicam que
sua aderência as crenças disfuncionais diminuiu no seu relacionamento após o
tratamento.
255
Inventário de Crenças sobre Relacionamento (RBI)
ANGELA
200
180
160
140
120
100
80
60
40
20
0
ANTES
DEPOIS
FELÍCIO
200
180
160
140
120
100
80
60
40
20
0
ANTES
DEPOIS
GRÁFICO 18 – Resultados da aplicação do Inventário de Crença sobre Relacionamento (RBI)
na esposa e no marido do casal 03. A coluna preta representa a avaliação antes do tratamento.
A coluna em cinza representa a avaliação depois do tratamento. Escore mais baixo na medida
indicar menor aderência as crenças disfuncionais.
256
O gráfico 19 apresenta os resultados obtidos por Angela e Felício (casal
03) na Medida de Atribuição nos Relacionamentos (RAM). Os resultados
obtidos são compatíveis com os reportados por Graham e Conoley (2006). Foi
relatado M = 3.42 e DP = 0.73 para as mulheres. Enquanto para os homens M
= 3.17 e DP = 0.84.
Angela teve um escore 3.25 no pré-teste e 2.25 no pós-teste. André
apresentou um escore 2.50 no pré-teste e 1.83 no pós-teste. Isso equivale
dizer que os membros do casal 03 apresentavam inicialmente um nível médio
de aderência a atribuições disfuncionais. Os escores de Angela e Felício
indicam que sua aderência a atribuições inadequadas diminuiu no seu
relacionamento após o tratamento.
257
Medida da Atribuição nos Relacionamentos (RAM)
ANGELA
6
5
4
3
2
1
0
ANTES
DEPOIS
FELÍCIO
6
5
4
3
2
1
0
ANTES
DEPOIS
GRÁFICO 19 – Resultados da aplicação do Inventário de Crença sobre Relacionamento (RBI)
na esposa e no marido do casal 03. A coluna preta representa a avaliação antes do tratamento.
A coluna em cinza representa a avaliação depois do tratamento. Escore mais baixo na medida
indicar menor aderência a atribuições disfuncionais.
258
O gráfico 20 apresenta os resultados obtidos por Angela e Felício (casal
03) no Inventário Beck de Depressão (BDI). Os resultados obtidos são
compatíveis com os reportados por Gorestein e Andrade (1998). Estas autoras
relataram média (M) = 25.2 e desvio padrão (DP) = 12.6 para essa medida no
estudo que realizaram com pacientes ambulatoriais brasileiros deprimidos.
Angela teve um escore 13 no pré-teste e 14 no pós-teste. Felício
apresentou um escore 18 no pré-teste e 17 no pós-teste. Os escores de Angela
indicam que seu nível de depressão aumentou ao final do tratamento. Já os
escores de Felício apontam que seu nível de depressão diminuiu ao final do
tratamento.
259
Inventário de Depressão de Beck (BDI)
ANGELA
60
50
40
30
20
10
0
Antes
Depois
FELÍCIO
60
50
40
30
20
10
0
Antes
Depois
GRÁFICO 20 – Resultados da aplicação do Inventário de Depressão de Beck (BDI) na esposa
e no marido do casal 03. A coluna preta representa a avaliação antes do tratamento. A coluna
em cinza representa a avaliação depois do tratamento. Escore mais baixo na medida indicar
menor estado de humor depressivo.
260
O gráfico 21 apresenta os resultados obtidos por Angela e Felício (casal
03) no Inventário de Ansiedade de Beck (BAI). Os resultados obtidos são
compatíveis com os reportados por Beck et al (1988). Estes autores relataram
média (M) = 25.76 e desvio padrão (DP) = 11.42 para essa medida.
Angela teve um escore 18 no pré-teste e 26 no pós-teste. Felício
apresentou um escore 6 no pré-teste e 32 no pós-teste. Isso equivale dizer que
Angela apresentava, inicialmente, um nível leve de ansiedade. Enquanto
Felício apresentava um nível mínimo de ansiedade. Os escores de Angela e
Felício indicam que o nível de ansiedade aumentou após o tratamento.
261
Inventário de Ansiedade de Beck (BAI)
ANGELA
60
50
40
30
20
10
0
Antes
Depois
FELÍCIO
60
50
40
30
20
10
0
Antes
Depois
GRÁFICO 21 – Resultados da aplicação do Inventário de Ansiedade de Beck (BAI) na esposa
e no marido do casal 03. A coluna preta representa a avaliação antes do tratamento. A coluna
em cinza representa a avaliação depois do tratamento. Escore mais baixo na medida indicar
menor estado de humor ansioso.
262
6.4 Resultados gerais
Neste segmento são apresentados os resultados gráficos dos seis
sujeitos que compõem os três casais que participaram desta pesquisa. O
objetivo é mostrar um panorama geral dos resultados obtidos com os
indivíduos em cada uma das escalas utilizadas nesta investigação.
6.4.1 Resultados obtidos com a Escala de Satisfação Conjugal
O gráfico 22 apresenta os resultados obtidos cada um dos seis membros
dos três casais. Os resultados obtidos nessa pesquisa são compatíveis com
estudos mencionados anteriormente. Oliveira (2009), por exemplo, relatou
média (M) = 2.32 e desvio padrão (DP) = 0.43 para essa medida.
Os membros dos três casais apresentavam inicialmente um nível médio
de satisfação conjugal. Todos os sujeitos apresentaram redução nos seus
escores nesta escala. Os escores indicam que houve um aumentou da
satisfação de todos os participantes com seu relacionamento após o
tratamento.
263
ESCALA DE SATISFAÇÃO CONJUGAL
3
2,5
2
Pré
Pós
1,5
1
0,5
0
ISABEL
CARLOS
FERNANDA
ANDRÉ
ANGELA
FELÍCIO
GRÁFICO 22 – Resultados da aplicação da Escala de Satisfação Conjugal (ESC) nas esposas
e nos maridos que participaram desta pesquisa. A coluna preta representa a avaliação antes
do tratamento. A coluna em cinza representa a avaliação depois do tratamento. Escore mais
baixo indica melhor satisfação conjugal.
6.4.2 Resultados obtidos com a Escala de Ajustamento Diádico
O gráfico 23 apresenta os resultados obtidos com cada um dos seis
membros dos três casais. Os resultados obtidos são compatíveis com os
reportados por Baucom et al. (1990). Esses autores relataram M = 88.58 e DP
= 18.49 no pré-teste e M = 97.50 e DP = 14.24 no pós-teste para as mulheres.
Enquanto para os homens M = 104.42 e DP = 17.88 no pré-teste e M = 106.42
e DP = 16.55 no pós-teste.
264
ESCALA DE AJUSTAMENTO DIÁDICO
140
120
100
80
Pré
Pós
60
40
20
0
ISABEL
CARLOS
FERNANDA
ANDRÉ
ANGELA
FELÍCIO
GRÁFICO 23 – Resultados da aplicação da Escala de Ajustamento Diádico (DAS) nas esposas
e nos maridos que participaram desta pesquisa. A coluna preta representa a avaliação antes
do tratamento. A coluna em cinza representa a avaliação depois do tratamento. Escore mais
alto indica melhor ajustamento conjugal.
6.4.3 Resultados obtidos com o Questionário de Empatia Conjugal
O gráfico 24 apresenta os resultados obtidos com cada um dos seis
membros dos três casais. Os resultados obtidos são compatíveis com os
reportados por Oliveira (2005). Esta autora relatou média (M) = 3.02 e desvio
padrão (DV) = 0.57 para essa medida.
265
QUESTIONÁRIO DE EMPATIA CONJUGAL
4
3,5
3
2,5
Pré
Pós
2
1,5
1
0,5
0
ISABEL
CARLOS
FERNANDA
ANDRÉ
ANGELA
FELÍCIO
GRÁFICO 24 – Resultados da aplicação do Questionário de Empatia Conjugal (QEC) nas
esposas e nos maridos que participaram desta pesquisa. A coluna preta representa a avaliação
antes do tratamento. A coluna em cinza representa a avaliação depois do tratamento. Escore
mais alto indica melhor percepção do comportamento empático do parceiro.
6.4.4 Resultados obtidos com o Inventário de Crenças sobre Relacionamento
O gráfico 25 apresenta os resultados obtidos com cada um dos seis
membros dos três casais. Os resultados obtidos são compatíveis com os
reportados por Baucom et al. (1990). Estes autores realizaram um estudo
aplicando técnicas cognitivas e comportamentais em casais em conflito. Foi
relatado M = 77.67 e DV = 15.74 no pré-teste e M = 68.92 e DV = 15.64 no
pós-teste para as mulheres. Enquanto para os homens M = 66.00 e DV = 12.80
no pré-teste e M = 55.75 e DV = 22.39 no pós-teste.
266
INVENTÁRIO DE CRENÇAS SOBRE RELACIONAMENTO
200
180
160
140
120
Pré
Pós
100
80
60
40
20
0
ISABEL
CARLOS
FERNANDA
ANDRÉ
ANGELA
FELÍCIO
GRÁFICO 25 – Resultados da aplicação do Inventário de Crenças sobre Relacionamentos
(RBI) nas esposas e nos maridos que participaram desta pesquisa. A coluna preta representa a
avaliação antes do tratamento. A coluna em cinza representa a avaliação depois do tratamento.
Escore mais baixo na medida indicar menor aderência a crenças disfuncionais.
6.4.5 Resultados obtidos com a Medida da Atribuição nos Relacionamento
O gráfico 26 apresenta os resultados obtidos com cada um dos seis
membros dos três casais. Os resultados obtidos são compatíveis com os
reportados por Graham e Conoley (2006). Foi relatado M = 3.42 e DV = 0.73
para as mulheres. Enquanto para os homens M = 3.17 e DV = 0.84.
267
MEDIDA DA ATRIBUIÇÃO NOS RELACIONAMENTOS
6
5
4
Pré
Pós
3
2
1
0
ISABEL
CARLOS
FERNANDA
ANDRÉ
ANGELA
FELÍCIO
GRÁFICO 26 – Resultados da aplicação da Medida da Atribuição nos Relacionamentos (RAM)
nas esposas e nos maridos que participaram desta pesquisa. A coluna preta representa a
avaliação antes do tratamento. A coluna em cinza representa a avaliação depois do tratamento.
Escore mais baixo na medida indicar menor aderência a atribuições disfuncionais.
6.4.6 Resultados obtidos com o Inventário Beck de Depressão
O gráfico 27 apresenta os resultados obtidos com cada um dos seis
membros dos três casais. Os resultados obtidos são compatíveis com os
reportados por Gorestein e Andrade (1998). Estas autoras relataram média (M)
= 25.2 e desvio padrão (DV) = 12.6 para essa medida no estudo que realizaram
com pacientes ambulatoriais brasileiros deprimidos.
268
BDI
60
50
40
Pré
Pós
30
20
10
0
ISABEL
CARLOS
FERNANDA
ANDRÉ
ANGELA
FELÍCIO
GRÁFICO 27 – Resultados da aplicação do Inventário Beck de Depressão (BDI) nas esposas e
nos maridos que participaram desta pesquisa. A coluna preta representa a avaliação antes do
tratamento. A coluna em cinza representa a avaliação depois do tratamento. Escore mais baixo
na medida indicar menor estado de humor depressivo.
6.4.7 Resultados obtidos com o Inventário Beck de Ansiedade
O gráfico 28 apresenta os resultados obtidos com cada um dos seis
membros dos três casais. Os resultados obtidos são compatíveis com os
reportados por Beck et al (1988). Estes autores relataram média (M) = 25.76 e
desvio padrão (DV) = 11.42 para essa medida.
269
BAI
60
50
40
Pré
Pós
30
20
10
0
ISABEL
CARLOS
FERNANDA
ANDRÉ
ANGELA
FELÍCIO
GRÁFICO 28 – Resultados da aplicação do Inventário Beck de Ansiedade (BAI) nas esposas e
nos maridos que participaram desta pesquisa. A coluna preta representa a avaliação antes do
tratamento. A coluna em cinza representa a avaliação depois do tratamento. Escore mais baixo
na medida indicar menor nível de ansiedade.
270
DISCUSSÃO
271
7. DISCUSSÃO
Este capítulo tem por objetivo apresentar a discussão dos resultados
obtidos a partir da conceitualização de caso e dos dados obtidos com os
membros dos três casais que participaram dessa pesquisa. Esta investigação
teve por objetivo averiguar o impacto de algumas técnicas cognitivas e
comportamentais específicas no relacionamento de casais em conflito. Todos
os resultados foram analisados a partir da observação clínica do terapeuta e
dos dados estatísticos obtidos com as avaliações feitas antes e após a
aplicação do protocolo de tratamento dessa pesquisa.
Todos os membros dos três casais chegaram para o tratamento com
níveis médios de insatisfação e desajustamento conjugal. Ou seja, na avaliação
inicial eles apresentavam escores compatíveis aos casais estressados que
participaram de pesquisas parecidas nos Estados Unidos (p.ex., Baucom et al,
1990). Além disso, a maioria das suas cognições sobre si mesmo, seu parceiro
e seu relacionamentos eram disfuncionais. Seu humor também estava
negativamente alterado e seus comportamentos eram prejudiciais para uma
relação conjugal.
Isabel e Carlos (casal 01) estavam motivados para aprender as técnicas
cognitivas e comportamentais sugeridas no protocolo de tratamento. Isso
facilitou que eles modificassem seus pensamentos, afetos e comportamentos
negativos. Essa postura do casal proporcionou um processo terapêutico
adequado e a melhora de seus sintomas clínicos como, por exemplo, níveis de
depressão. O principal problema enfrentado era o atraso do casal para a
272
sessão, pois eles moravam em outro município e enfrentavam dificuldades com
o transporte público intermunicipal.
Isabel apresentou-se insatisfeita com o seu relacionamento amoroso no
início do tratamento. Além disso, não estava conseguindo ter um ajustamento
adequado com seu marido. Ao final do tratamento proposto nessa pesquisa, a
paciente apontou uma melhora tanto na sua satisfação quanto no seu
ajustamento conjugal.
Isabel tinha cognições disfuncionais sobre o seu papel de esposa e de
seu parceiro na vida de casal. Por exemplo, ela esperava que seu companheiro
fosse capaz de perceber suas necessidades, sem ela precisar comunicar.
Averiguou-se que após a intervenção terapêutica, a cliente passou a perceber
seu marido como mais empático, diminuiu suas crenças disfuncionais e passou
a fazer atribuições adequadas sobre os eventos que aconteciam em seu
relacionamento.
Isabel chegou para a terapia bastante deprimida e ansiosa. Ela chorava
muito nas sessões iniciais, estava tendo dificuldades para dormir, tinha baixo
desejo sexual, estava ganhando peso, ficava isolada, entre outros fatores. Com
o fim do tratamento, Isabel diminui sua depressão de um nível moderado para
leve. Segundo a impressão clínica do terapeuta, o quadro depressivo da
paciente parecia estar relacionado aos problemas em seu casamento. Além
disso, Isabel tinha uma auto-estima muito baixa, tinha poucos amigos onde
morava e estava enfrentando dificuldades em seu trabalho. O processo
terapêutico, apesar de focalizar as questões conjugais, parece ter colaborado
ainda para um aumento da estima da cliente por si mesma, modificado seus
padrões de socialização e o modo como resolvia seus problemas no emprego.
273
A ansiedade elevada de Isabel estava sendo refletida em seguidos
ataques de pânicos. Principalmente, quando estava indo para o trabalho.
Também estava ansiosa e preocupada com a situação atual do seu
casamento. Com o fim do tratamento houve um aumento no nível de ansiedade
da paciente. A impressão clínica do psicólogo foi de que o término da terapia
pode ter deixado a paciente preocupada sobre a manutenção dos ganhos
obtidos. Ao final da última sessão de tratamento, Isabel estava demonstrandose ansiosa e com medo dos problemas conjugais voltarem ao mesmo quadro
problemático anterior a essa pesquisa.
Carlos apresentou-se insatisfeito com o seu relacionamento amoroso no
início do tratamento. Além disso, não estava conseguindo ter um ajustamento
adequado com sua esposa. Ao final do tratamento proposto nessa pesquisa, o
paciente apontou uma melhora tanto na sua satisfação quanto no seu
ajustamento conjugal.
Carlos tinha cognições disfuncionais sobre o seu papel de marido e de
sua parceira na vida de casal. Por exemplo, ele acreditava que sua esposa
deveria sempre ser calma e tranqüila independente dos problemas que
estivessem enfrentando. Averiguou-se que após a intervenção terapêutica, o
cliente passou a perceber sua esposa como mais empática, diminuiu suas
crenças disfuncionais e passou a fazer atribuições adequadas sobre os
eventos que aconteciam em seu relacionamento.
Carlos chegou para a terapia com níveis baixos de depressão e
ansiedade. Ele parecia ter uma auto-estima adequada, apesar dos problemas
conjugais que estava enfrentando. Com o fim do tratamento, os sintomas
clínicos diminuíram ainda mais. A impressão clínica do psicólogo foi de que a
274
terapia auxiliou na redução da preocupação do paciente sobre o futuro da sua
vida conjugal e o ajudou a manejar os problemas do seu relacionamento que o
entristeciam.
Fernanda e André (casal 02) estavam motivados para aprender as
técnicas cognitivas e comportamentais sugeridas no protocolo de tratamento.
Porém, o terapeuta despendia parte da sessão apaziguando os humores
exaltados dos membros desse casal. Além disso, havia atrasos constantes e
faltas ocasionais.
Fernanda apresentou-se insatisfeita com o seu relacionamento amoroso
no início do tratamento. Além disso, não estava conseguindo ter um
ajustamento adequado com seu marido. Ao final do tratamento proposto nessa
pesquisa, a paciente apontou uma melhora tanto na sua satisfação quanto no
seu ajustamento conjugal.
Fernanda tinha cognições disfuncionais sobre o seu papel de esposa e
de seu parceiro na vida de casal. Por exemplo, ela tinha a suposição de que a
discordância do seu marido sobre as idéias dela era sinal de que ele não a
respeitava mais. Averiguou-se que após a intervenção terapêutica, a cliente
passou a perceber seu marido como mais empático, diminui suas crenças
disfuncionais e passou a fazer atribuições adequadas sobre os eventos que
aconteciam em seu relacionamento.
Fernanda chegou para a terapia com níveis leves de depressão e
mínimo de ansiedade. Os sintomas clínicos depressivos da paciente
aumentaram no final do tratamento. Segundo a observação clínica do
terapeuta, a paciente estava ainda triste e magoada com o seu marido. Apesar
de estar mais satisfeita e ajustada na sua vida conjugal, a cliente ainda estava
275
ressentida com algumas coisas que aconteceram em seu relacionamento antes
e ao longo do tratamento realizado nessa pesquisa.
Fernanda diminuiu sua ansiedade ao final do tratamento. A impressão
clínica do psicólogo foi de que a paciente estava sentindo-se mais aliviada por
não se ver mais como a única responsável pelos seus problemas conjugais.
Apesar de sua preocupação sobre o futuro do seu relacionamento, a paciente
demonstrou-se mais tranquila ao final da terapia. Contudo, ela relatou que
gostaria de um número maior de sessões de atendimento, pois queria tratar de
outras questões que não foram aprofundadas como, por exemplo, a divisão das
tarefas domésticas.
André apresentou-se insatisfeito com o seu relacionamento amoroso no
início do tratamento. Além disso, não estava conseguindo ter um ajustamento
adequado com sua esposa. Ao final do tratamento proposto nessa pesquisa, o
paciente apontou uma melhora tanto na sua satisfação quanto no seu
ajustamento conjugal.
André tinha cognições disfuncionais sobre o seu papel de marido e de
sua parceira na vida de casal. Por exemplo, ele atribuía quaisquer dos
problemas enfrentados por eles ao comportamento de sua esposa.
Diferentemente de sua esposa, André não passou a perceber sua parceira
como mais empática, aumentou sua convicção às crenças e atribuições
disfuncionais sobre os eventos que aconteciam em seu relacionamento.
Segundo a observação clínica do terapeuta, esse paciente tinha dificuldades
para perceber e reconhecer quais eram suas idéias e comportamentos que
prejudicavam o casamento dele.
276
André chegou para o tratamento com um nível leve de depressão. Após
a terapia, o paciente com seguiu diminuir um pouco seus sintomas
depressivos. A impressão clínica do psicólogo foi de que André estava em
parte deprimido não só por conta de suas dificuldades conjugais. Além disso, o
cliente estava enfrentando outros problemas como, por exemplo, uma relação
muito conturbada com sua mãe.
Os níveis de ansiedade de André eram graves e se intensificaram ainda
mais após do tratamento. Segundo a observação clínica do terapeuta, o
paciente tinha preocupações excessivas com diferentes áreas de sua vida que
não eram necessariamente ligadas ao seu relacionamento amoroso. Ele temia
que sua empresa falisse, seus amigos se afastassem, seu pai morresse, entre
outras coisas.
A impressão clínica do psicólogo foi de que André ao poder expressar
suas emoções e decepções para sua esposa e para o terapeuta proporcionou
uma melhora de sua satisfação e ajustamento conjugal. O cliente, segundo seu
próprio relato, teve a oportunidade de falar sobre seus sentimentos em um
espaço “seguro”. Contudo, o paciente não conseguiu modificar suas crenças e
atribuições disfuncionais sobre os problemas enfrentados pelo casal. André
continuou achando que sua esposa era a responsável pela maioria das
dificuldades enfrentadas por eles. Como também não conseguiu se achar
amparado e acolhido pela sua mulher mesmo nas sessões de terapia, André
aumentou ainda mais sua percepção de que ela não era empática com seus
sentimentos e idéias.
Angela e Felício (casal 03) estavam motivados para aprender as
técnicas cognitivas e comportamentais sugeridas no protocolo de tratamento.
277
Isso
facilitou
que
eles
modificassem
seus
pensamentos,
afetos
e
comportamentos negativos. Essa postura do casal proporcionou um processo
terapêutico adequado e a melhora de seus sintomas clínicos como, por
exemplo, níveis de depressão. O principal problema enfrentado era o atraso do
casal para a sessão e faltas ocasionais.
Angela apresentou-se insatisfeita com o seu relacionamento amoroso no
início do tratamento. Além disso, não estava conseguindo ter um ajustamento
adequado com seu marido. Ao final do tratamento proposto nessa pesquisa, a
paciente apontou uma melhora tanto na sua satisfação quanto no seu
ajustamento.
Angela tinha cognições disfuncionais sobre o seu papel de esposa e de
seu parceiro na vida de casal. Por exemplo, ela esperava que seu companheiro
fosse capaz de “ler” seus sentimentos e pensamentos sem ela precisar
expressar. Averiguou-se que após a intervenção terapêutica, a cliente passou a
perceber seu marido como mais empático, diminui suas crenças disfuncionais e
passou a fazer atribuições adequadas sobre os eventos que aconteciam em
seu relacionamento.
Angela chegou para a terapia com um nível leve de depressão. Após o
tratamento, a cliente teve um pequeno aumento dos seus sintomas
depressivos. Segundo a observação clinica do terapeuta, a paciente parecia
estar deprimida devido a outros problemas como, por exemplo, o conflito com
seus parentes.
A ansiedade de Angela estava em um nível leve no início da pesquisa.
Após o tratamento houve um aumento para um estado moderado de
ansiedade. A impressão clínica do psicólogo foi de que a paciente estava
278
temerosa de não conseguir manter a melhora que houve no relacionamento
com o processo terapêutico. Além disso, Angela estava muito preocupada com
o estado de saúde físico e mental do marido.
Felício apresentou-se insatisfeito com o seu relacionamento amoroso no
início do tratamento. Além disso, não estava conseguindo ter um ajustamento
adequado com sua esposa. Ao final do tratamento proposto nessa pesquisa, o
paciente apontou uma melhora tanto na sua satisfação quanto no seu
ajustamento conjugal.
Felício tinha cognições disfuncionais sobre o seu papel de marido e de
sua parceira na vida de casal. Por exemplo, ele achava que sua esposa
“deveria” concordar com todas as suas idéias, pois do contrário ela não o
valorizava. Averiguou-se que após a intervenção terapêutica, o cliente passou
a perceber sua esposa como menos empática. Contudo, esse paciente
manteve um nível de percepção empática bastante elevada sobre sua parceira.
Por outro lado, André diminui suas crenças disfuncionais e passou a fazer
atribuições
adequadas
sobre
os
eventos
que
aconteciam
em
seu
relacionamento.
Felício chegou para a terapia com um nível leve de depressão. Após o
tratamento o cliente, teve uma pequena diminuição dos seus sintomas
depressivos. Segundo a observação clinica do terapeuta, o paciente parecia
estar tendo esse quadro devido a outras dificuldades em sua vida como, por
exemplo, ficar isolado de seus amigos e passar grande parte do seu dia ocioso.
A ansiedade de Felício estava em um nível mínimo no início da
pesquisa. Após o tratamento houve um aumento para um estado moderado. A
impressão clínica do psicólogo foi de que o paciente estava temeroso de não
279
conseguir manter a melhora que houve no relacionamento com o processo
terapêutico. Além disso, Felício estava muito ansioso com a possibilidade de
ter que voltar a trabalhar. O paciente não se considerava mais apto para o
trabalho que fazia devido aos problemas de saúde que estava enfrentando. Por
exemplo, ele sentia fortes dores musculares por causa da LER.
Resumindo, parece que os resultados foram favoráveis em relação ao
aumento da satisfação e do ajustamento conjugal de cada um dos membros
dos três casais. Esses dois fatores são determinantes para avaliar a eficácia de
uma modalidade terapêutica no tratamento de relacionamentos amorosos
conturbados (Baucom et al, 1998). Os resultados obtidos com as outras
variáveis (e.g., ansiedade) apontaram para a possibilidade de esses fatores
estarem relacionados às questões individuais mais do que conjugais em alguns
dos pacientes. Essa hipótese parece ser razoável, tendo por base a
observação clínica do terapeuta durante as sessões de tratamento e da análise
de caso de cada um dos participantes dessa pesquisa.
280
CONSIDERAÇÕES FINAIS
281
8. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Esta pesquisa parece ser um dos primeiros estudos baseados em
evidências que se propôs a avaliar o impacto de técnicas de reestruturação
cognitiva e comportamentais específicas com casais em conflito no Brasil,
conforme Peçanha e Rangé (2008a).
Segundo os dados apresentados, essa pesquisa demonstrou uma
possível eficácia dessas técnicas no tratamento de casais em desalinho. Vale
lembrar que Baucom et al (1998) definiram que um tratamento somente poderia
ser considerado eficaz quando fosse realizado por mais de um grupo de
pesquisa diferente e independente. Caso uma investigação fosse conduzida
uma única vez, por um só grupo e demonstrasse resultados favoráveis, ela
seria considerada apenas como possível eficaz.
Cabem ainda algumas ponderações finais sobre os dados obtidos com
os casais nessa pesquisa. Isabel e Carlos (casal 01) foram os que mais
pareceram se beneficiar do tratamento nessa pesquisa em todas as variáveis
mensuradas. Essa consideração foi baseada na observação clínica do
terapeuta que foi corroborada pela comparação dos dados coletados nas
avaliações feitas antes e após o tratamento.
Fernanda e André (casal 02) aumentaram sua satisfação e ajustamento
conjugal. Contudo, tiveram diferentes resultados nas outras variáveis
analisadas. Fernanda conseguiu alterar sua percepção do comportamento
empático do marido, modificar suas crenças sobre si mesma e seu parceiro no
casamento, e ainda fazer atribuições mais acuradas sobre os problemas que o
casal enfrentava. Por outro lado essa paciente teve um pequeno aumento dos
282
seus sintomas depressivos e uma diminuição de sua ansiedade. Parece que a
paciente estava apresentado um quadro depressivo não só devido aos
problemas conjugais.
André é o paciente que menos apresentou resultados favoráveis nas
outras variáveis mensuradas. Após a terapia, ele diminuiu sua percepção do
comportamento empático da parceira e aumentou sua convicção a crenças e
atribuições disfuncionais. Além disso, teve uma elevação do seu nível de
ansiedade e apenas uma pequena diminuição do seu quadro depressivo.
Esses resultados poderiam ter levado o paciente a terminar o tratamento mais
insatisfeito e desajustado em termos conjugais. Contudo, não foi o que se
percebeu a partir da observação clínica do terapeuta nas sessões e dos dados
obtidos com as escalas aplicadas após a pesquisa.
Parece que André tinha uma expectativa maior da terapia e de sua
esposa, segundo relato dele próprio. Por outro lado, o paciente gostou do fato
de poder expressar seus sentimentos para sua esposa. Principalmente, porque
ela começou a ouvi-lo sem discutir ou agredi-lo verbalmente. Além disso, o
cliente apreciou o comportamento empático do terapeuta no que se refere a
acolher suas emoções e demonstrar respeito pelo seu sofrimento.
Angela e Felício (casal 03) também demonstraram se beneficiar com o
tratamento proposto nessa pesquisa. Houve um aumento de sua satisfação e
ajustamento conjugal. Nas variáveis cognitivas mensuradas, percebeu-se que
ambos os parceiros aumentaram ou mantiveram uma percepção elevada do
comportamento empático do outro. Além disso, modificaram suas crenças e
atribuições
disfuncionais
relacionamento amoroso.
sobre
o
papel
de
marido
e
esposa
num
283
No que se refere às variáveis emocionais avaliadas, notou-se que houve
um aumento tanto dos sintomas depressivos quanto ansiogênicos. Tendo por
base a observação clínica do terapeuta nas sessões e da conceitualização
cognitiva de cada um deles, percebeu-se que Angela e Felício estavam
passando por problemas particulares que não diretamente relacionados aos
problemas conjugais. Angela estava tendo conflitos com seus familiares e
Felício estava afastado do seu trabalho por motivos de saúde como, por
exemplo, depressão.
Parece que esse quadro clínico de cada um dos membros do casal
estava influenciando de forma negativa o nível de satisfação e ajustamento
conjugal. Com o processo terapêutico, os clientes puderam perceber quais
problemas estavam vinculados diretamente a vida conjugal e os fatores
externos ou individuais que afetavam sua relação. Parece que a partir dessa
constatação e com a aquisição de habilidades específicas na terapia, Angela e
Felício puderam melhorar seu relacionamento amoroso.
Apesar dos resultados parecerem favoráveis, deve-se tomar alguns
cuidados sobre as “conclusões” que podem ser tiradas da presente
investigação. Como dito acima, talvez essa seja a primeira pesquisa a explorar
a eficácia das técnicas de reestruturação cognitiva e comportamentais no
tratamento de casais em conflito no Brasil. Ou seja, não parecem existir
parâmetros para comparação de resultados entre pesquisas em termos
nacionais. Segundo, o tamanho da amostra é pequeno e um único terapeuta foi
utilizado, apesar de esses fatores serem válidos como um single experimental
case. Terceiro, o mesmo psicólogo participou dos procedimentos de avaliação
284
antes e depois do tratamento. Então, os casais podem ter tentado agradar o
profissional quando forneceram dados na avaliação após o tratamento.
Em conseqüência de todos esses fatores acima, esta investigação
deveria ser considerada apenas como um primeiro passo na combinação de
técnicas cognitivas e comportamentais no tratamento de casais. Seguindo essa
linha de raciocínio, algumas questões precisam ainda ser respondidas. Por
exemplo, um protocolo de tratamento pré-estabelecido e fechado atenderia as
demandas específicas de cada cônjuge e de seu relacionamento? Qual técnica
beneficiou mais cada parceiro e o casal? Os conceitos teóricos defendidos
nessa tese são pertinentes para todos os problemas conjugais? Todas essas
perguntas e entre outras precisam ser levadas em consideração nas futuras
pesquisas a serem realizadas na terapia cognitivo-comportamental com casais
em nosso país.
285
REFERÊNCIAS
286
9. REFERÊNCIAS
ASSOCIAÇÃO DE PSICOLOGIA AMERICANA. Task force on promotion and
dissemination of psychological procedures. APA, 1993.
ASSOCIAÇÃO DE PSICOLOGIA . Evidence-Based Practice in Psychology,
American Psychologisty, vol. 61, n. 4, p. 271-285, 2006.
ÁRIES, I.; HOUSE, A. S. Tratamiento cognitivo conductal de los problemas de
pareja. In: CABALLO, V. F. (Org.), Manual para el tratamiento cognitivoconductual de los transtornos psicológicos. Madrid: Siglio Veintiuno, 1998,
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298
ANEXOS
299
ANEXOS
Protocolo Nº 035/07
300
Termo de Consentimento Livre e Esclarecido
Você foi selecionado(a) e está sendo convidado(a) para participar da
investigação intitulada, “uma pesquisa com o uso de técnicas cognitivas e
comportamentais na terapia de casal.”, que tem como objetivo avaliar a
eficácia da terapia cognitivo-comportamental no tratamento de relações
conjugais em conflito. A pesquisa terá duração de no máximo vinte sessões.
As sessões serão realizadas semanalmente. Cada sessão terá duração de
uma hora e meia.
Suas respostas serão tratadas de forma anônima e confidencial, isto é,
em nenhum momento será divulgado o seu nome em qualquer fase do estudo.
Os dados coletados serão utilizados apenas NESTA pesquisa e os
resultados divulgados em eventos e/ou revistas científicas. Será ainda
montado um banco de dados com sua fala e/ou transcrição.
A sua participação é voluntária, isto é, a qualquer momento você pode
recusar-se a responder qualquer pergunta ou desistir de participar e retirar
seu consentimento, sendo garantido que seu tratamento psicoterápico será
mantido.
Sua participação nesta pesquisa consistirá em preencher testes
psicológicos e utilizar técnicas específicas dessa modalidade psicoterapêutica.
Além disso, será utilizado algum tipo de recurso de áudio para a gravação das
sessões de terapia. Fitas, disquetes, CDs e/ou qualquer tipo de arquivo
eletrônico serão destruídos após cinco anos do término da pesquisa.
301
Você
não
terá
nenhum
custo
ou
quaisquer
compensações
financeiras.
Os
riscos
relacionados
com
sua
participação
são
possíveis
agravamentos dos conflitos conjugais. Os benefícios relacionados com a sua
participação são possíveis melhoras da sua satisfação conjugal, sua qualidade
de vida marital e diminuição da gravidade dos seus conflitos conjugais.
Você receberá uma cópia deste termo, onde consta o telefone, e-mail e
o endereço do pesquisador, podendo tirar suas dúvidas sobre o projeto e sua
participação, agora ou a qualquer momento.
______________________________________
Nome e assinatura do pesquisador
Pesquisador: Raphael Fischer Peçanha
Celular: (21) 9312-3152
Instituição: UFRJ – Instituto de Psicologia – Campus Praia Vermelha – Urca –
Tel.: 2295-8113
Telefone de contato do Comitê de Ética em Pesquisa EEAN/HESFA – 22938148
Data, ______de _________________de_________
Declaro
estar
ciente
do
inteiro
teor
deste
TERMO
DE
CONSENTIMENTO e estou de acordo em participar do estudo proposto,
sabendo que dele poderei desistir a qualquer momento, sem sofrer qualquer
tipo de punição ou constrangimento.
_________________________________________
Sujeito da pesquisa
302
Inventário De Crença Sobre Relacionamento42
Nome:_____________________________________Data: _______________
As afirmações abaixo descrevem maneiras como uma pessoa pode se
sentir acerca de um relacionamento com outra pessoa. Por favor, marque o
espaço próximo de cada afirmação de acordo com quão fortemente você
acredita que ela seja verdadeira ou falsa. Por favor, marque cada uma das
afirmações. Escreva 5, 4, 3, 2, 1 ou 0 de acordo com as seguintes respostas.
5:
Acredito fortemente que a afirmação é verdadeira.
4:
Acredito que a afirmação é verdadeira.
3:
Acredito que a afirmação é provavelmente verdadeira, ou mais
verdadeira do que falsa.
2:
Acredito que a afirmação é provavelmente falsa, ou mais falsa do
que verdadeira.
1:
Acredito que a afirmação é a afirmação é falsa.
0:
Acredito fortemente que a sentença é falsa.
_______ 1. Se seu (sua) parceiro (a) expressa discordância em relação as
suas idéias, ele (a) provavelmente não pensa muito bem de você.
_______ 2. Não espero que meu parceiro perceba todos os meus
sentimentos.
_______ 3. Danos feitos inicialmente no relacionamento provavelmente não
poderão ser revertidos.
_______ 4. Eu me irrito se penso que não esteja satisfazendo sexualmente
meu parceiro de modo completo.
42
EIDELSON, R. J.; EPSTEIN, N. B. Cognition and relationship maladjustment: Development of
a measure of dysfunctional relationship beliefs. Journal of consulting and clinical
psychology, vol. 50, n. 5, p. 715-720, 1982.
303
_______ 5. Homens e mulheres têm as mesmas necessidades emocionais
básicas.
_______ 6. Não posso aceitar que meu (minha) parceiro (a) discorde de mim.
_______ 7. Se tenho que dizer ao meu (minha) parceiro (a) que alguma coisa
é importante para mim, isso não significa que ele (ela) seja
insensível a mim.
_______ 8. Meu (minha) parceiro (a) não parece capaz de comportar-se
diferente de como ele (ela) age agora.
_______ 9. Se eu não estou com ânimo para sexo quando meu parceiro (a)
está, não me irrito por isso.
_______ 10. Discordâncias entre parceiros geralmente são devidas às
diferenças inatas nas constituições psicológicas de homens e
mulheres.
_______ 11. Tomo como insulto pessoal quando meu (minha) parceiro (a)
discorda de uma idéia importante minha.
_______ 12. Eu me irrito muito se meu (minha) parceiro (a) não reconhece
como estou me sentindo e tenho que dizer a ele (a).
_______ 13. Um (a) parceiro (a) pode aprender a tornar-se mais responsivo às
necessidades do seu (sua) parceiro (a).
_______ 14. Um bom parceiro (a) sexual pode excitar-se para o sexo sempre
que necessário.
_______ 15. Homens e mulheres nunca vão entender o sexo oposto muito
bem.
_______ 16. Gosto quando meu parceiro apresenta opiniões diferentes das
minhas.
304
_______ 17. Pessoas que têm um relacionamento íntimo podem perceber as
necessidades de cada um, como se eles pudessem ler a mente
um do outro.
_______ 18. Apenas porque meu parceiro tem agido de maneira que me
irritam, não significa que ele vá fazer assim no futuro.
_______ 19. Se não posso ter um bom desempenho sexual sempre que meu
(minha) parceiro (a) está disposto, eu consideraria que eu tenho
um problema.
_______ 20. Homens e mulheres necessitam as mesmas coisas básicas fora
de um relacionamento.
_______ 21. Eu me irrito muito quando meu (minha) parceiro (a) e eu não
podemos pensar do mesmo modo.
_______ 22. É importante para mim que meu (minha) parceiro (a) antecipe
minhas necessidades ao perceber mudanças em meus humores.
_______ 23. Um (a) parceiro (a) que machucou você seriamente uma vez
provavelmente vai machucar você de novo.
_______ 24. Posso me sentir bem sobre meu desempenho sexual mesmo se
meu (minha) parceiro não alcance o orgasmo.
_______ 25. Diferenças biológicas entre homens e mulheres não são as
principais causas dos problemas dos casais.
_______ 26. Não posso tolerar quando meu (minha) parceiro (a) discute
comigo.
_______ 27. Um (a) parceiro (a) deveria saber o que você está pensando ou
sentindo sem que você tenha que dizer.
_______ 28. Se meu (minha) parceiro (a) quer mudar, acredito que ele possa
fazê-lo.
_______ 29. Se meu (minha) parceiro (a) não fica completamente satisfeito,
não significa que eu tenha falhado.
305
_______ 30. Uma das principais causas dos problemas conjugais é que
homens e mulheres têm diferentes necessidades emocionais.
_______ 31. Quando meu (minha) parceiro (a) e eu discordamos, sinto como
se nosso relacionamento estivesse desmoronando.
_______ 32. Pessoas que se amam sabem exatamente quais são os
pensamentos uma das outras sem que uma palavra nunca seja
dita.
_______ 33. Se você não gosta do modo como um relacionamento está indo,
você pode fazê-lo melhorar.
_______ 34. Algumas dificuldades em meu desempenho sexual não significam
falhas pessoais minhas.
_______ 35. Não se pode realmente entender alguém do sexo oposto.
_______ 36. Não duvido do que meu (minha) parceiro (a) sinta por mim
quando nós discutimos.
_______ 37. Se você tem que perguntar alguma coisa ao seu (sua) parceiro (a)
ele (a) não está “traduzindo” suas necessidades.
_______ 38. Não espero que meu (minha) parceiro (a) seja capa de mudar.
_______ 39. Quando não tenho um bom desempenho sexual, eu me irrito.
_______ 40. Homens e mulheres vão sempre ser misteriosos um para o outro.
306
Medida Da Atribuição Nos Relacionamentos43
Nome:_____________________________________Data: _______________
Este questionário descreve algumas coisas que seu (sua) esposo (a)
pode
fazer.
Imagine
seu
(sua)
esposo
(a)
desempenhando
cada
comportamento e então leia a afirmação que o segue.
Por favor, circule o número que indica o quanto você concorda ou
discorda com cada afirmação usando a escala de avaliação abaixo.
1
2
3
4
5
6
Discordo
Discordo
Discordo
Concordo
Concordo
Concordo
um pouco
um pouco
Fortemente
fortemente
Seu (sua) marido (esposa) critica alguma coisa que você diz.
43
Fincham, F. D.; Bradbury, T. N. (1992). Assessing attributions in marriage: The relationship
attribution measure. Journal of personality and social psychology, 62 (3), 457-468.
307
1
2
3
4
5
6
1
2
3
4
5
6
1
2
3
4
5
6
1
2
3
4
5
6
1
2
3
4
5
6
1
2
3
4
5
6
O comportamento do meu (minha) marido (esposa) foi
devido a alguma coisa sobre ele (e.x.:, o tipo de
pessoa que ele é, o humor que ele estava).
A razão pela qual meu (minha) marido (esposa) me
criticou não é provável de mudar.
A razão pela qual meu (minha) marido (esposa) me
criticou é algo que afeta outras áreas do nosso
casamento.
Meu (minha) marido (esposa) me criticou de propósito
e não involuntariamente.
O comportamento do meu (minha) marido (esposa) foi
motivado por interesses egoísta do que altruísta.
Meu (minha) marido (esposa) merece ser culpado por
me criticar.
O seu (sua) marido (esposa) começou há passar menos tempo com você.
1
2
3
4
5
6
1
2
3
4
5
6
1
2
3
4
5
6
1
2
3
4
5
6
1
2
3
4
5
6
1
2
3
4
5
6
O comportamento do meu (minha) marido (esposa) foi
devido a alguma coisa sobre ele (e.x.:, o tipo de
pessoa que ele é, o humor que ele estava).
A razão pela qual meu (minha) marido (esposa) passa
menos tempo comigo não é provável de mudar.
A razão pela qual meu (minha) marido (esposa) passa
menos tempo comigo é algo que afeta outras áreas do
nosso casamento.
Meu (minha) marido (esposa) passa menos tempo
comigo de propósito e não involuntariamente.
O comportamento do meu (minha) marido (esposa) foi
motivado por interesses egoísta mais do que altruísta.
Meu (minha) marido (esposa) merece ser culpado por
passar menos tempo comigo.
O seu (sua) marido (esposa) não presta atenção ao que você está dizendo.
308
1
2
3
4
5
6
1
2
3
4
5
6
1
2
3
4
5
6
1
2
3
4
5
6
1
2
3
4
5
6
1
2
3
4
5
6
O comportamento do meu (minha) marido (esposa) foi
devido a alguma coisa sobre ele (e.x.:, o tipo de
pessoa que ele é, o humor que ele estava).
A razão pela qual meu (minha) marido (esposa) não
presta atenção ao que digo não é provável de mudar.
A razão pela qual meu (minha) marido (esposa) não
presta atenção ao que digo é algo que afeta outras
áreas do nosso casamento.
Meu (minha) marido (esposa) não presta atenção ao
que digo de propósito e não involuntariamente.
O comportamento do meu (minha) marido (esposa) foi
motivado por interesses egoísta mais do que altruísta.
Meu (minha) marido (esposa) merece ser culpado por
não presta atenção ao que digo.
Meu (minha) marido (esposa) está frio (a) e distante.
1
2
3
4
5
6
1
2
3
4
5
6
1
2
3
4
5
6
1
2
3
4
5
6
1
2
3
4
5
6
1
2
3
4
5
6
O comportamento do meu (minha) marido (esposa) foi
devido a alguma coisa sobre ele (e.x.:, o tipo de
pessoa que ele é, o humor que ele estava).
A razão pela qual meu (minha) marido (esposa) está
frio (a) e distante não é provável de mudar.
A razão pela qual meu (minha) marido (esposa) está
frio (a) e distante é algo que afeta outras áreas do
nosso casamento.
Meu (minha) marido (esposa) está frio (a) e distante de
propósito e não involuntariamente.
O comportamento do meu (minha) marido (esposa) foi
motivado por interesses egoísta mais do que altruísta.
Meu (minha) marido (esposa) merece ser culpado por
estar frio (a) e distante.
309
Escala de Ajustamento Diádico (DAS)44
Nome:_____________________________________Data: _______________
A maioria das pessoas tem desentendimentos em seus relacionamentos.
Por favor, indique quanto aproximadamente você e seu (sua) parceiro(a)
concordam ou discordam em cada item da lista a seguir.
Sempre
Concord
amos
1
Ocasion
almente
Discorda
mos
Freqüentemen
te
Discordamos
Quase
Sempre
Discordamo
s
Sempre
Discorda
mos
Controlar as finanças da
família
5
4
3
2
1
0
Questões de lazer
5
4
3
2
1
0
Questões religiosas
5
4
3
2
1
0
Demonstrações de afeto
5
4
3
2
1
0
Amigos
5
4
3
2
1
0
Relações sexuais
5
4
3
2
1
0
5
4
3
2
1
0
Filosofia de vida
5
4
3
2
1
0
Modos de lidar com pais e
sogros
5
4
3
2
1
0
5
4
3
2
1
0
Quantidade de tempo gasto
juntos
5
4
3
2
1
0
Tomardecisões importantes
5
4
3
2
1
0
Costume (comportamento
correto ou apropriado)
0
Quase
Sempre
Concordam
os
Metas, objetivos e coisas
que
acreditam
serem
importantes
2
44
Spainer, G. B. (1976). Measuring dyadic adjustment: New scales for assessing the quality of
marriage and similar dyads, Journal of Marriage and the Family, 38, 15-28.
310
Tarefas domésticas
5
4
3
2
1
0
e
5
4
3
2
1
0
sobre
5
4
3
2
1
0
3
4
Interesses
atividades para lazer
5
carreira
Decisões
O tempo
todo
6
7
8
9
0
Quão
freqüentemente
vocês
discutem
ou
consideraram se separar,
divorciar ou terminar a
relação de vocês?
Quão freqüentemente você
ou seu conjugue deixa a
casa após uma briga?
Em
geral,
quão
freqüentemente
vocês
pensam que as coisas
entre vocês estão indo
bem?
Você confia
cônjuge?
em
A
maior
parte
do
tempo
Ocasionalmen
te
Raramente
Nunca
0
1
2
3
4
5
0
1
2
3
4
5
5
4
3
3
1
0
5
4
3
2
1
0
0
1
2
3
4
5
0
1
2
3
4
5
0
1
2
3
4
5
seu
Alguma vez se arrependeu
de ter casado? (ou viver
junto)
1
Quão
freqüentemente
vocês brigam?
2
Quão
freqüentemente
vocês “se alfinetam”?
23.
Você beija seu cônjuge?
Todo dia
Quase todo dia
4
3
24.
Mais
freqüent
e do que
não
Ocasionalmente
Raramente
2
Nunca
1
0
Você e seu cônjuge se dedicam a interesses externos juntos?
Todos
A maioria
4
3
Alguns
2
Muito poucos
1
Nenhum
0
311
Quão freqüentemente você diria que os seguintes acontecimentos ocorrem
entre você e seu cônjuge?
Nunca
5
6
7
8
Ter uma troca de idéias
estimulante
Trabalhar
num projeto
Uma ou
duas
vezes
por mês
Uma ou duas
vezes
por
semana
Uma vez ao
dia
1
2
3
4
5
0
1
2
3
4
5
algo
0
1
2
3
4
5
juntos
0
1
2
3
4
5
Estas são coisas sobre as quais os casais às vezes concordam e às
vezes discordam. Indique qual dos itens abaixo causa diferenças de opiniões
ou são problemas na relação entre vocês nas últimas semanas. (marcar sim ou
não)
Sim
Não
29.
0
1
Estar muito cansado para o sexo
30.
0
1
Não mostrar amor
31.
Mais
freqüente
0
Rir juntos
Discutir
calmamente
Menos
de
uma vez por
mês
Os números na linha abaixo representam graus diferentes de
felicidade na sua relação. O marco do meio, “feliz”, representa o grau de
felicidade da maior parte das relações. Por favor, circule o número que melhor
312
descreva o seu grau de felicidade, considerando todas as coisas do seu
relacionamento.
0
1
Extremamente
Infeliz
32.
2
Razoavelmente
Um pouco
Infeliz
Infeliz
3
4
5
6
Feliz
Muito
Extremamente
Perfeito
Feliz
Feliz
Por favor, circule uma das seguintes afirmações que melhor
descreve como você se sente quanto ao futuro do seu relacionamento.
__5__ Quero desesperadamente que a minha relação dê certo e faria quase
qualquer coisa para ver isso acontecer.
__4__ Quero muito que a minha relação dê certo e vou fazer tudo o possível
para isso acontecer.
__3__ Quero muito que a minha relação dê certo e vou fazer a minha parte
para isso acontecer.
__2__ Seria bom se a minha relação desse certo, mas não posso fazer mais do
que estou fazendo agora para isso acontecer.
__1__ Seria bom se a minha relação desse certo, mas me recuso a fazer algo
mais do que estou fazendo para manter o relacionamento funcionando.
__0__ Minha relação nunca vai dar certo e não há mais nada que possa fazer
para manter a relação andando.
313
Escala de Satisfação Conjugal45 (ESC)
Nome:_____________________________________Data: _______________
A seguir é apresentada uma lista de acontecimentos que você deverá ler, julgar e
marcar sua resposta de acordo com as seguintes opções:
(1) Eu gosto como tem sido
(2) Eu gostaria que fosse um pouco diferente
(3) Eu gostaria que fosse muito diferente
01 – O tempo que minha mulher (meu marido) dedica ao nosso casamento
........
02 – A freqüência com que minha mulher (meu marido) me diz algo bonito
........
03 – O quanto minha mulher (meu marido) me atende
........
04 – A freqüência com que minha mulher (meu marido) me abraça
........
05 – A atenção com que minha mulher (meu marido) tem para com minha aparência
........
06 – A comunicação com minha mulher (meu marido)
........
07 – O comportamento de minha mulher (meu marido) na frente de outras pessoas
........
08 – A forma como me pede para ter relações sexuais
........
09 – O tempo que dedica a si mesma (o)
........
10 – O tempo que dedica a mim
........
11 – A forma como se comporta quando está triste
........
12 – A forma como se comporta quando está chateada (o)
........
13 – A forma como se comporta quando está preocupada (o)
........
14 – A forma como se comporta quando está de mau humor
........
15 – A forma como minha mulher (meu marido) organiza sua vida e suas coisas
........
16 – As prioridades que minha mulher (meu marido) tem na vida
........
17 – A forma com passa seu tempo livre
........
18 – A reação de minha mulher (meu marido) quando não quer ter relações sexuais
........
19 – A pontualidade de minha mulher (meu marido)
........
20 – O cuidado que minha mulher (meu marido) tem com a saúde
........
21 – O interesse que minha mulher (meu marido) tem pelo que faço
........
22 – O tempo que passamos juntos
........
23 – A forma como minha mulher (meu marido) procura resolver os problemas
........
24 – As regras que minha mulher (meu marido) faz para que sejam seguidas em casa
........
45
DELA COLETA, M.F. A medida da satisfação
escala. Psico, vol.18, n.2, p. 90-112, jul./dez., 1989.
conjugal:
adaptação
de
uma
314
Inventário de Habilidades Sociais Conjugais46
Nome:_____________________________________Data: _______________
Responda cada uma dos itens abaixo, fazendo um X no quadrinho que melhor indica a
freqüência com que você apresenta o comportamento sublinhado em cada item, considerando
um total de 10 vezes em que poderia se encontrar na situação descrita no item.
A – NUNCA OU RARAMENTE (em 10 situações desse tipo, reajo assim no máximo 1 vez)
B – COM POUCA FREQÜÊNCIA (em 10 situações desse tipo, reajo assim 2 a 3 vezes)
C – COM FREQÜÊNCIA REEGULAR (em 10 situações desse tipo, reajo assim 4 a 6 vezes)
D – MUITO FREQÜENTEMENTE (em 10 situações desse tipo, reajo assim 7 a 8 vezes)
E – SEMPRE OU QUASE SEMPRE (em 10 situações desse tipo, reajo assim 9 a 10 vezes)
ITENS
1) No dia a dia, converso naturalmente sobre qualquer assunto com o meu
cônjuge.
2) Quando meu cônjuge insiste em dizer o que devo fazer, mesmo contrariando
o que eu penso, acabo aceitando para evitar problemas.
3) Quando meu cônjuge está me falando algo importante para ele(a), ouço(a)
com toda a atenção.
4) Ao ser elogiado sinceramente por meu cônjuge, respondo-lhe agradecendo.
5) Em uma conversa, se meu cônjuge me interrompe, peço-lhe que espere até
eu terminar o que eu estava dizendo.
6) Quando meu cônjuge deixa de cumprir algum de nossos acordos, dou um
jeito de lembrá-lo.
7) Sinto dificuldades em expressar sentimentos de carinho através de palavras
ou gestos a meu cônjuge.
8) Se cometi alguma falha com meu cônjuge, procuro pedir-lhe desculpas.
9) Durante uma discussão, ao perceber que estou descontrolado(a)
emocionalmente (nervoso(a)), consigo me acalmar antes de continuar a
discussão.
10) Sinto-me constrangido em pedir a meu cônjuge que não faça certas carícias
que me incomodam.
11) Se estou querendo ter relação sexual com meu cônjuge, consigo tomar a
iniciativa ou fazê-lo(a) perceber isto.
12) Se meu cônjuge me faz um elogio, fico encabulado(a), sem saber o que
dizer.
46
VILLA, M. B. Habilidades sociais no casamento: avaliação e contribuição para a
satisfação conjugal. Tese de doutorado não publicada, Programa de Pós-Graduação em
Psicologia, Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, SP, 2005.
315
13) Se não concordo com meu cônjuge, digo isto a ele(a).
14) Se não quero conversar com meu cônjuge sobre um assunto, tenho
dificuldade de encerrar ou mudar o assunto, deixando que ele(a) o faça.
A – NUNCA OU RARAMENTE (em 10 situações desse tipo, reajo assim no máximo 1 vez)
B – COM POUCA FREQÜÊNCIA (em 10 situações desse tipo, reajo assim 2 a 3 vezes)
C – COM FREQÜÊNCIA REEGULAR (em 10 situações desse tipo, reajo assim 4 a 6 vezes)
D – MUITO FREQÜENTEMENTE (em 10 situações desse tipo, reajo assim 7 a 8 vezes)
E – SEMPRE OU QUASE SEMPRE (em 10 situações desse tipo, reajo assim 9 a 10 vezes)
ITENS
15) Se meu cônjuge fala de alguma forma alterada comigo, espero que ele(a)
termine o que tem a dizer para depois dar a minha opinião.
16) Quando meu cônjuge me critica, reajo de forma agressiva.
17) Quando meu cônjuge pede que eu faça uma tarefa que é dele (a), consigo
negar-me a fazê-la.
18) Sempre que preciso esclarecer algo com meu cônjuge, faço as perguntas
que acho necessárias.
19) Se meu cônjuge faz algo que não gosto, tenho dificuldade em dizer isso a
ele(a).
20) Quando temos problemas em comum para resolver, conseguimos conversar
e chegar a um acordo sobre o que fazer.
21) Mesmo quando estou sobrecarregado(a) com várias tarefas, prefiro não
pedir ajuda ao meu cônjuge.
22) Quando meu cônjuge consegue alguma coisa importante, pela qual se
empenhou muito, eu o(a) elogio pelo sucesso.
23) Se não estou disposto(a) a ter relação sexual, acabo concordando para
evitar que ele(a) fique irritado(a) ou magoado(a) comigo.
24) Se estou me sentindo bem (feliz), expresso isso para meu cônjuge.
25) Consigo “levar na esportiva” as brincadeiras do meu cônjuge a meu respeito.
26) Se meu cônjuge avalia de forma injusta meu desempenho em alguma
atividade, evito discutir a sua avaliação.
27) Em situações de conflito de opiniões com meu cônjuge, consigo fazê-lo(a)
compreender a minha posição.
28) Se meu cônjuge está sofrendo por algum problema, tenho dificuldade em
fazer algo para demonstrar-lhe meu apoio.
29) Em meio a uma discussão, consigo perceber quando eu ou meu cônjuge
estamos abalados (nervosos) e que é hora de encerrar a conversa.
30) Prefiro esconder a minha opinião a ferir os sentimentos do meu cônjuge,
mesmo quando solicitado(a) a dizer o que penso.
31) Durante a relação sexual, consigo dizer a meu cônjuge quais carícias mais
me agradam.
32) Quando meu cônjuge está chateado(a), consigo colocar-me no seu lugar e
dizer que compreendo o que ele(a) está sentindo.
316
Inventário Beck de Depressão (BDI)47
Nome:_____________________________________Data: _______________
Este questionário consiste em 21 grupos de afirmações. Depois de ler cuidadosamente
cada grupo, faça um círculo em torno do número (0, 1, 2 ou 3) diante da afirmação, em cada
grupo, que descreve melhor a maneira como você tem se sentido nesta semana, incluindo
hoje. Se várias afirmações num grupo parecerem se aplicar igualmente bem, faça um círculo
em cada uma. Tome o cuidado de ler todas as afirmações, em cada grupo, antes de fazer a
sua escolha.
1. 0 Não me sinto triste.
1 Eu me sinto triste.
2 Estou sempre triste e não consigo sair disso.
3 Estou tão triste ou infeliz que não consigo suportar.
2. 0 Não estou especialmente desanimado quanto ao futuro.
1 Eu me sinto desanimado quanto ao futuro.
2 Acho que nada tenho a esperar.
3 Acho o futuro sem esperança e tenho a impressão de que as coisas não podem melhorar.
3. 0 Não me sinto um fracasso.
1 Acho que fracassei mais do que uma pessoa comum.
2 Quando olho para trás, na minha vida, tudo o que posso ver é um monte de fracassos.
3 Acho que, como pessoa, sou um completo fracasso.
4. 0 Tenho tanto prazer em tudo como antes.
1 Não sinto mais prazer nas coisas como antes.
2 Não encontro um prazer real em mais nada.
3 Estou insatisfeito ou aborrecido com tudo.
5. 0 Não me sinto especialmente culpado.
1 Eu me sinto culpado às vezes.
2 Eu me sinto culpado na maior parte do tempo.
3 Eu me sinto sempre culpado.
6. 0 Não acho que esteja sendo punido.
1 Acho que posso ser punido.
2 Creio que vou ser punido.
3 Acho que estou sendo punido.
7. 0 Não me sinto decepcionado comigo mesmo.
1 Estou decepcionado comigo mesmo.
2 Estou enojado de mim.
3 Eu me odeio.
47
BECK, A.T.; WARD, C.H.; MENDELSON, M.; MOCK, J.; ERBAUGH, G. An inventory for
measuring depression, Archives of General Psychiatry, vol. 4, p. 53-63,1961.
317
8. 0 Não me sinto de qualquer modo pior que os outros.
1 Sou crítico em relação a mim devido a minhas fraquezas ou meus erros.
2 Eu me culpo sempre por minhas falhas.
3 Eu me culpo por tudo de mal que acontece.
9. 0 Não tenho quaisquer idéias de me matar.
1 Tenho idéias de me matar, mas não as executaria.
2 Gostaria de me matar.
3 Eu me mataria se tivesse oportunidade.
10. 0 Não choro mais que o habitual.
1 Choro mais agora do que costumava.
2 Agora, choro o tempo todo.
3 Costumava ser capaz de chorar, mas agora não consigo mesmo que o queira.
11. 0 Não sou mais irritado agora do que já fui.
1 Fico molestado ou irritado mais facilmente do que costumava.
2 Atualmente me sinto irritado o tempo todo.
3 Absolutamente não me irrito com as coisas que costumavam irritar-me.
12. 0 Não perdi o interesse nas outras pessoas.
1 Interesso-me menos do que costumava pelas outras pessoas.
2 Perdi a maior parte do meu interesse nas outras pessoas.
3 Perdi todo o meu interesse nas outras pessoas.
13. 0 Tomo decisões mais ou menos tão bem como em outra época.
1 Adio minhas decisões mais do que costumava.
2 Tenho maior dificuldade em tomar decisões do que antes.
3 Não consigo mais tomar decisões.
14. 0 Não sinto que minha aparência seja pior do que costumava ser.
1 Preocupo-me por estar parecendo velho ou sem atrativos.
2 Sinto que há mudanças permanentes em minha aparência que me fazem parecer sem
atrativos.
3 Considero-me feio.
15. 0 Posso trabalhar mais ou menos tão bem quanto antes.
1 Preciso de um esforço extra para começar qualquer coisa.
2 Tenho de me esforçar muito até fazer qualquer coisa.
3 Não consigo fazer nenhum trabalho.
16. 0 Durmo tão bem quanto de hábito.
1 Não durmo tão bem quanto costumava.
2 Acordo uma ou duas horas mais cedo do que de hábito e tenho dificuldade para voltar a
dormir.
3 Acordo várias horas mais cedo do que costumava e tenho dificuldade para voltar a
dormir.
17. 0 Não fico mais cansado que de hábito.
1 Fico cansado com mais facilidade do que costumava.
2 Sinto-me cansado ao fazer quase qualquer coisa.
3 Estou cansado demais para fazer qualquer coisa.
18. 0 Meu apetite não está pior do que de hábito.
1 Meu apetite não é tão bom quanto costumava ser.
2 Meu apetite está muito pior agora.
3 Não tenho mais nenhum apetite.
318
19. 0 Não perdi muito peso, se é que perdi algum ultimamente.
1 Perdi mais de 2,5 Kg.
2 Perdi mais de 5,0 Kg.
3 Perdi mais de 7,5 Kg.
Estou deliberadamente tentando perder peso, comendo menos: SIM ( ) NÃO ( )
20. 0 Não me preocupo mais que o de hábito com minha saúde.
1 Preocupo-me com problemas físicos como dores e aflições ou perturbações no estômago
ou prisão de ventre.
2 Estou muito preocupado com problemas físicos e é difícil pensar em outra coisa que não
isso.
3 Estou tão preocupado com meus problemas físicos que não consigo pensar em outra
coisa.
21. 0 Não tenho observado qualquer mudança recente em meu interesse sexual.
1 Estou menos interessado por sexo que costumava.
2 Estou bem menos interessado em sexo atualmente.
3 Perdi completamente o interesse por sexo.
319
Inventário Beck de Ansiedade (BAI)48
Nome:___________________________________________________Data: _______________
Abaixo está uma lista de sintomas comuns de ansiedade. Por favor, leia
cuidadosamente cada item da lista. Identifique o quanto você tem sido incomodado por cada
sintoma durante a última semana, incluindo hoje, colocando um “X” no espaço
correspondente, na mesma linha de cada sintoma.
Absolutame
nte
Não
Levemente
Não me
incomodou
muito
Moderadam
ente
Gravemen
te
Foi muito
desagradável
, mas pude
suportar
Dificilment
e pude
suportar
1. Dormência ou formigamento
2. Sensação de calor
3. Tremores nas pernas
4. Incapaz de relaxar
5. Medo que aconteça o pior
6. Atordoado ou tonto
7. Palpitação ou aceleração do
coração
8. Sem equilíbrio
9. Aterrorizado
10. Nervoso
11. Sensação de sufocação
12. Tremores nas mãos
13. Trêmulo
14. Medo de perder o controle
15. Dificuldade de respirar
16. Medo de morrer
17. Assustado
18. Indigestão ou desconforto no
peito
19. Sensação de desmaio
20.Rosto afogueado
21. Suor não devido ao calor
48
BECK, A. T.; EPSTEIN, N.; BROWN, G.; STEER, R. A. An Inventory for Measuring
Clinical Anxiety: Psychometric Properties. Journal of consulting and clinical psychology,
vol. 56, nº 6, p. 893-897, 1988.
320
Questionário sócio-demográfico
Data da entrevista: ____ / ____ / _____
No: __________
Nome:__________________________________________________________
Data de nascimento: _____ / _____ / _____
Endereço: ______________________________________________________
Telefone:____________________ Celular: ____________________________
E-mail: __________________________________________
Estado Civil: ( ) Casada / ( ) União estável / ( ) Separada / Divorciada
Tem filhos? ( ) Sim ( ) Não / Quantos? ______ / Vive com eles? ( ) Sim ( ) Não
Biológico? ( ) Sim ( ) Não / Adotivo? ( ) Sim ( ) Não / Do outro casamento? ( ) Sim ( )
Não ( )
Histórico de casamentos? __________________________________________
Quanto tempo tem o casamento? ____________________________________
Quem vive na sua casa atual? _______________________________________
Escolaridade:
( ) Ensino fundamental incompleto
( ) Ensino superior incompleto
( ) Ensino fundamental completo
( ) Ensino superior completo
( ) Ensino médio incompleto
( ) Pós-graduação completa
( ) Ensino médio completo
( ) Pós-graduação incompleta
Qual sua ocupação? Especificar. _________________________________
Rendimento familiar:
( ) R$ 480,00 até R$ 2.000,00
( ) R$ 2.100, 00 até 4.000,00
( ) R$ 4.100,00 até R$ 6.000,00
( ) R$ 6.100,00 até 8.000,00
( ) R$ 8.100,00 até R$ 10.000,00
( ) Mais de R$ 10.000,00
321
Histórico Conjugal49
I – Encontro Inicial
A. Como vocês se conheceram?
1. Onde?
2. Quem estava presente?
3. Circunstâncias?
B. O que atraiu você em seu parceiro?
C. Quais dessas características ainda estão presentes?
II – Desenvolvimento do relacionamento
A. O que aconteceu a seguir?
B. Quais foram os principais eventos da época em que vocês se conheceram até quando
decidiram se casar?
C. Como vocês se relacionavam durante esse período de tempo – brigas,
afeição,comunicação, diversão juntos etc?
III. Casamento
A. Quais foram às circunstâncias que envolveram sua decisão de casarem?
B. Aconteceram grandes mudanças no seu relacionamento após o casamento?
C. Quais foram os principais eventos, tanto positivos quanto negativos, que aconteceram
desde que vocês se casaram?
49
Retirado de Baucom, D. H.; Epstein, N. Cognitive-behavioral marital
therapy. New York: Brunner/Mazel, 1990.
322
IV. Relacionamento e dificuldades pessoais
A. Quando cada um de vocês percebeu primeiro que seu relacionamento estava
passando por dificuldades significativas?
B. Como vocês decidiram buscar aconselhamento neste momento?
1. De quem foi à idéia?
2. Vocês estão de acordo em estarem aqui?
C. Você já esteve ou está atualmente fazendo terapia individual ou de casal?
1. Caso afirmativo, como foi ou como está sendo?
2. O que você achou ou acha mais útil ou menos útil?
D. Algum de vocês foi casado anteriormente?
1. Caso afirmativo, como terminou?
2. Quais foram as suas contribuições que você percebeu para as dificuldades no
seu relacionamento anterior?
323
Folheto Instrutivo sobre a Terapia Cognitiva com Casais50
A terapia cognitiva com casais envolve auxiliar cada membro do casal a tomar
consciência dos pensamentos disfuncionais que pratica na sua relação, os quais levam aos
conflitos nas suas interações. As expectativas que os membros do casal trazem para a sua
relação, a propósito de sua intimidade e dos seus papéis, serão os focos específicos da sua
terapia. Relacionamentos problemáticos geralmente acontecem quando um ou ambos
possuem crenças irracionais ou expectativas irrealistas sobre eles mesmos e o relacionamento.
Como resultado, os casais fazem atribuições negativas acerca dos comportamentos um do
outro, o que conduz a opiniões generalizadas um do outro feitas sob uma ótica exclusivamente
negativa. Os membros do casal tendem então a dar mais atenção aos comportamentos
negativos um do outro, não notando as suas ações positivas. Isto os atira para uma espiral
contínua de interação conflituosa, até estarem constantemente discutindo ou a ignorarem-se
completamente. A terapia cognitiva com casais usa um conjunto de princípios e técnicas
concebidas para alterar e expandir as perspectivas dos cônjuges na interpretação que fazem
dos significados e causas dos seus comportamentos. É por meio destas técnicas que os casais
aprendem a corrigir as suas interações menos corretas e a melhorar o seu relacionamento.
50
RANGÉ, B. ; DATTILIO, F. M. Casais. In: RANGÉ, B. P. (org). Psicoterapia
comportamental e cognitiva: pesquisa, prática, aplicações e problemas. Campinas, SP: L.
Pleno, 2001, cap.15, 171-191.
324
Lista de Atribuições Disfuncionais51
1. Não acredito que as coisas que eu digo e faço pioram as coisas entre nós dois.
2. Mudando como eu ajo não mudaria nosso casamento.
3. Mesmo se minha personalidade mudasse, nós ainda não nos daríamos melhor de
qualquer forma.
4. Qualquer tipo de dificuldade que nós tenhamos, não é por causa do tipo de pessoa que
eu sou.
5. Se meu parceiro fizesse as coisas de forma diferente, poderíamos nos dar melhor.
6. O modo como meu parceiro me trata determina quão bem nos damos.
7. Quaisquer dos problemas que nós temos são causados pelas coisas que meu (minha)
parceiro (a) diz e faz.
8. Mesmo se a personalidade do meu (minha) parceiro (a) mudasse, ainda não nos
daríamos melhor de qualquer modo.
9. A personalidade do (a) meu (minha) parceiro (a) teria que mudar para que nos
déssemos melhor.
10. Nós nos lidaríamos melhor, se não fosse pelo tipo de pessoa que ele (ela) é.
11. Meu (minha) parceiro (a) faz intencionalmente coisas para me irritar.
12. Parece que o (a) meu (minha) parceiro (a) deliberadamente me provoca.
13. Tenho certeza que meu (minha) parceiro (a) às vezes faz coisas apenas para me
aborrecer.
14. Penso que meu (minha) parceiro (a) me perturba de propósito.
15. Quando não estamos nos dando bem, me pergunto se meu (minha) parceiro (a) me
ama.
16. Quando as coisas não estão bem entre nós, sinto que meu (minha) parceiro (a) não me
ama.
17. Quando as coisas ficam difíceis entre nós, isso mostra que meu (minha) parceiro (a)
não me ama.
18. Quando meu (minha) parceiro (a) não é gentil comigo, sinto que ele (ela) não me.
51
Retirado de Pretzer, J. L., Epstein, N.; Fleming, B. The marital attitude survey: a measure
of dysfunctional attributions and expectancies. Unpublished manuscript, 1985.
325
Lista de Expectativas Irrealistas52
1. Espero que meu (minha) parceiro (a) perceba todos os meus sentimentos.
2. Espero que meu (minha) parceiro (a) seja capaz de saber o que estou pensando.
3. É importante para mim que meu (minha) parceiro (a) antecipe minhas necessidades ao
perceber mudanças em meus humores.
4. Não espero que meu (minha) parceiro (a) seja capa de mudar.
5. Não espero que o nosso relacionamento melhore nem um pouco. (11)
6. Mesmo que eu mude meu comportamento, (minha) parceiro (a) não vai mudar o dele
(a).
7. Se meu (minha) parceiro (a) mudar o comportamento dele (a), eu provavelmente
mudarei o meu.
8. Mesmo que nós mudemos nossos comportamentos, é improvável que nosso
relacionamento melhore.
52
Retirado de Baucom, D. H.; Epstein, N. Cognitive-behavioral marital therapy. New York:
Brunner/Mazel, 1990.
326
Lista de Sentimentos53
Humores Negativos
Depressão / Defectividade
Ansiedade/ Tensão
Fadiga
Triste
Entediado
Vacilante
Tenso
Exausto
Indiferente
Melancólico
Pessimista
Impaciente
Agitado
Fatigado
Lento
Desamparado
Rígido
Ansioso
Medroso
Esgotado Esmorecer
Desesperançado Desanimado Pânico
Inseguro
Morto
Desgraçado
Rejeitado
Aterrorizado
Amedrontado
Desprezível
Machucado
Acanhado
Tímido
Desanimado
Pesaroso
Preocupado
Confuso
Cansado
Infeliz
Raiva / Hostilidade
Outros estados de humor negativos
Raiva
Frustrado
Espantado
Sozinho
Ressentido
Odioso
Enciumado
Aflito
Amargurado
Agitado
Envergonhado Culpado
Furioso
Crítico
Inábil
Enojado
Enfurecido
Incomodado
Irritado
Furioso
Ultrajado
53
Estúpido
Retirado de Baucom, D. H.; Epstein, N. Cognitive-behavioral marital therapy. New York:
Brunner/Mazel, 1990.
327
Humores Positivos
Energia / Vigor
Feliz / Jovial
Relaxado / Calmo
Ativo
Vivo
Animado
Feliz
Leve
Sereno
Animado
Vigoroso
Excitado
Satisfeito
Calmo
Relaxado
Enérgico
Entusiástico Divertido
Ousado
Esperançoso
Encantado
Alegre
Contente
Jovial
Emocionado
Íntimo / Afetuoso
Outros estados de humor positivos
Amoroso
Afetuoso
Agradável
Cooperativo
Devotado
Seguro
Confidente
Inspirado
Protegido
Tenro
Afortunado
Ambicioso
Excitante
Ligado
Íntimo
Apaixonado
Amigável
Afeiçoado
Inteiro
Simpático
328
Registro Diário de Pensamentos Disfuncionais (RDPD)54
DATA
SITUAÇÃO
EMOÇÃO
DESCREVER:
ESPECIFICAR
1. Evento real
que conduziu
a emoção
desagradável
ou
2. Fluxo de
pensamentos,
devaneio ou
recordação
que conduziu
à emoção
desagradável
1. Triste /
ansioso,
raivoso etc.
1. Escrever
pensamento(s)
automático(s) que
precederam
emoção(ões)
2. Classificar
grau de
emoção
1-100%
2. Classificar crença
em pensamento(s)
automático(s)
1-100%
PENSAMENTO
AUTOMÁTICO
RESPOSTA
RACIONAL
RESULTADO
1. Escrever
resposta racional a
pensamento(s)
automático(s)
1.
Reclassificar
crença em
pensamento
(s) automático
(s)
1100%
2. Especificar
e classificar
emoção(ões)
subseqüentes
1-100%
2. Classificar
crença em
resposta racional
1-100%
EXPLICAÇÃO: quando você experimentar uma emoção desagradável, anote a situação que pareceu
estimular esta emoção. (Se a emoção ocorreu enquanto você estava pensando, devaneando etc., por
favor, anote isso).Então anote o pensamento automático associado à emoção. Registro o grau no qual
você acredita neste pensamento: 0% = não em absoluto; 100% = completamente. Ao classificar o grau de
emoção: 1 = traços; 100% = a maior intensidade possível.
Adaptado do livro: BECK, A. T.; RUSH, A. J.; SHAW, B. F.; GARY, E. Terapia cognitiva da depressão.
Porto Alegre: Artmed, 1997.
54
O Registro Diário de Pensamentos Disfuncionais (Beck, 1997) está nesse formato para ficar
de acordo com a configuração do protocolo nesse software (Word 2000). A versão impressa do
RDPD é configurada na modalidade paisagem, o que permite uma maior disposição dos
quadros a serem preenchidos pelos membros do casal.
329
Distorções Cognitivas Comuns55
Inferência
arbitrária:
Pular
para
conclusões
na
ausência
de
comprovadas evidências concretas. Por exemplo, um homem cuja esposa
chega em casa do trabalho com meia hora de atraso conclui: “Ela deve estar
fazendo algo escondido de mim”.
Leitura de pensamento: Trata-se de um tipo de inferência arbitrária em
que uma pessoa acredita que sabe o que outra pessoa está pensando e
sentindo sem se comunicar diretamente com ela. Por exemplo, uma esposa
que nota que o marido está particularmente quieto e conclui: “Ele está infeliz
com o nosso casamento e deve estar pensando em me abandonar”.
Abstração seletiva: Informações são tiradas de contexto e certos
detalhes são destacados, enquanto outras informações são ignoradas. Por
exemplo, um marido cuja esposa não responde a seu cumprimento pela manhã
conclui: “Ela está me ignorando”.
Hipergeneralização: Um acidente isolado é visto como representação
de situações semelhantes em outros contextos, relacionados ou nãorelacionados. Por exemplo, uma esposa que criticada pelo marido por não
jogar o lixo fora conclui: “Ele sempre me critica”
Maximização e minimização: Um caso ou circunstância é julgado como
tendo maior ou menor importância do que é adequado. Por exemplo, quando a
esposa lembra da data de aniversário de casamento, o marido conclui: “Ela
ainda gosta de mim depois de tanto anos casados”. Caso o cônjuge esqueça, o
marido conclui: “Ela está deixando de gostar de mim”.
Personalização: Eventos externos são atribuídos a si mesmo, quando
não existem evidências suficientes para tirar uma conclusão. Por exemplo, uma
55
Adaptado do seguinte artigo: DATTILIO, F. M. Casais e família. In: KNAPP, P. (org). Terapia
cognitivo-comportamental na prática clínica psiquiátrica. Porto Alegre: Artmed, 2004,
cap.25, p. 377-401.
330
esposa que percebe que o marido não está comendo o jantar como ela havia
previsto e conclui: “Ele detesta minha comida”.
Pensamento dicotômico: As experiências de uma pessoa são
classificadas em categorias extremas mutuamente exclusivas, tais como êxito
completo ou fracasso total. Por exemplo, um marido pode chegar à seguinte
conclusão após uma discussão: “Se ela não me amam, ela me odeia”.
Rotulação: A tendência da pessoa a representar a si mesma ou outra
pessoa em termos de características estáveis e globais, com base em ações
passadas. Por exemplo, depois que o marido comete vários erros no
orçamento familiar e no equilíbrio das finanças, a esposa conclui: “Ele é
negligente”.
331
Questionando os Pensamentos Automáticos56
1. Quais são as evidências?
Quais são as evidências que apóiam essa idéia?
Quais são as evidências contra essa idéia?
2. Existe uma explicação alternativa?
3. Qual é o pior que poderia acontecer? Eu poderia superar isso?
Qual é o melhor que poderia acontecer?
Qual é o resultado mais realista?
4. Qual é o efeito da minha crença no pensamento automático?
Qual poderia ser o efeito de mudar o meu pensamento?
5. O que eu deveria fazer em relação a isso?
6. O que eu diria ________ (a um amigo) se ele ou ela estivesse na
mesma situação
56
Retirado de BECK, J. S. Terapia cognitiva: Teoria e prática. Porto Alegre: Artmed, 1997.
332
Lista de Padrões Disfuncionais57
1. Os cônjuges deveriam ser capazes de perceber as necessidades e os
pensamentos de cada um, como se eles pudessem ler a mente um do
outro.
2. Ele (a) deveria ser um (a) parceiro (a) sexual perfeito (a).
3. A fim de demonstra seu amor, um (a) esposo (a) deve fazer (...)
4. Durante o curso de um relacionamento, estar apaixonado deveria ser
algo como (uma versão de “sinos tocando”).
5. Você não deve ser educado com seu parceiro, como você seria com um
conhecido, amigo ou estranho.
6. Em um relacionamento íntimo, os cônjuges deveriam satisfazer as
necessidades um do outro.
7. Uma pessoa é completamente responsável por manter a felicidade do
(a) seu (sua) esposo (a) em vida.
8. Cônjuges deveriam apoiar completamente todas as idéias e ações um
do outro.
57
Retirado de Baucom, D. H.; Epstein, N. Cognitive-behavioral marital
therapy. New York: Brunner/Mazel, 1990.
333
Lista de Suposições Inadequadas58
1. Meu (minha) parceiro (a) não parece capaz de comportar-se diferente de
como ele (ela) age agora.
2. Danos feitos inicialmente no relacionamento provavelmente não poderão
ser revertidos.
3. Se meu (minha) parceiro (a) quer mudar, não acredito que ele (ela)
possa fazê-lo.
4. Se você não gosta do modo como um relacionamento está indo, você e
seu (sua) parceiro (a) não podem fazê-lo melhorar.
5. Discordâncias entre parceiros geralmente são devidas às diferenças
inatas nas constituições psicológicas de homens e mulheres.
6. Homens e mulheres nunca vão entender o sexo oposto muito bem.
7. Uma das principais causas dos problemas conjugais é que homens e
mulheres têm diferentes necessidades emocionais.
8. Homens e mulheres vão sempre ser misteriosos um para o outro.
9. Se seu (sua) parceiro (a) expressa discordância em relação as minhas
idéias, ele (a) provavelmente não pensa muito bem de mim.
10. Quando meu (minha) parceiro (a) e eu discordamos, sinto como se
nosso relacionamento estivesse desmoronando.
11. Tomo como insulto pessoal quando meu (minha) parceiro (a) discorda
de uma idéia importante minha.
58
Retirado e adaptado de EIDELSON, R. J.; EPSTEIN, N. B. Cognition and relationship
maladjustment: Development of a measure of dysfunctional relationship beliefs. Journal of
consulting and clinical psychology, vol. 50, n. 5, p. 715-720, 1982.
334
Princípios Para Quem Fala e Para Que Houve59
Para quem fala
Ser breve: Tentar ser o mais conciso possível naquilo que se tem a
dizer.
Ser específico: Evitar comentários vagos e genéricos.
Não insultar, xingar ou acusar: Limita-se a sugerir uma atitude
corretiva sem acusar ou culpar o outro.
Não rotular: Evitar rótulos como “egoísta”, “irresponsável” que
costumam ser generalizações e que encobrem o problema em questão.
Não ser absoluto: Não usar expressões como “nunca” e “sempre”. Estes
são termos inexatos e só pedem por refutação.
Afirmar de forma positiva. Evitar críticas. A parceira pode falar ao
companheiro ”Quero sua ajuda para jogar o lixo fora”, e não “você nunca me
ajuda a retirar o lixo”.
Não tentar ler as intenções do outro. As inferências costumam estar
errada a maior parte das vezes, o que só agrava a situação.
59
Retirado do livro: BECK, A. T. Para além do amor. Tradução de Paulo
Fróes. Rio de Janeiro: Record, 1995.
335
Para quem ouve
Descubra os pontos de acordo ou de entendimento mútuo. A idéia é
que você não pareça um oponente.
Desconsiderar as afirmações negativas do outro. Tente se
concentrar na causa do rancor e ignorar as expressões de culpa e de crítica.
Faça perguntas a si mesmo. Às vezes a queixa do companheiro pode
parecer clara a ele, mas não a você. Pergunte-se “O que ela(ele) está tentando
me dizer?”.
Verifique o seu entendimento das queixas do outro. Por exemplo,”Você
está tentando me dizer que ...” ou “Acho que você está me dizendo que ...”.
Esclareça os seus motivos. Caso você ache que está sendo
interpretado incorretamente por seu parceiro(a), diga os fatores que levaram
você a se comportar de determinada maneira.
Não receie dizer que sente muito. Amar requer a manifestação do
arrependimento quando se magoa o outro de forma inadvertida ou deliberada.
É importante comunicar este sentimento.
336
Regras De Etiqueta Para O Diálogo60
Essas são cinco diretrizes que podem ajudar a tornar as
conversas mais alegres e também mais eficazes.
Sintonizar no canal do parceiro
Para se ter uma conversa frutífera é necessário que marido
e mulher estejam sintonizados um no outro, que estabeleçam contato um com
o outro. Fale diretamente ao seu parceiro o que você deseja em uma conversa
com ele. Por exemplo, um conselho prático ou um apoio emocional. O outro
cônjuge por sua vez precisa ser sensível a esses sinais.
Dar sinais de que está ouvindo
É importante que o ouvinte demonstre que está escutando
atentamente o que fala. As pessoas às vezes se esquecem que a conversa é
uma troca mútua de informações e de idéias.
Exemplos de vocalizações que indicam ao parceiro que ele está
sendo ouvido são: “hum-hum”; hã-hã”, “Tô entendendo; Tô ouvindo”. Também
podem ser utilizadas
expressões faciais e corporais para informar a outra
pessoa que ela está sendo ouvida atentamente. Por exemplo, balançar a
cabeça positivamente.
Não interromper
As interrupções podem parecer muito naturais para quem
interrompe, mas podem evocar uma série de pensamentos negativos em quem
60
Retirado do livro: BECK, A. T. Para além do amor. Tradução de Paulo Fróes. Rio de
Janeiro: Record, 1995.
337
é interrompido. Por exemplo, “Ela não me escuta”, “Ele só quer ouvir a si
mesmo” etc.
Perguntar com habilidade
As perguntas podem dar início a uma conversa e mantê-la em
andamento – ou interrompê-la prematuramente. Uma boa pergunta pode às
vezes ter um efeito positivo para seu parceiro falar. Por exemplo, pedir ao seu
cônjuge a opinião sobre alguma coisa.
Por outro lado, algumas pessoas interrompem o fluxo de um
diálogo por seu estilo de conversar. Respondem as perguntas feitas de uma
forma monossilábica. Por exemplo, quando a esposa pergunta “Como foi seu
dia?”, o marido responde “Legal”. Ela volta a perguntar “Aconteceu alguma
coisa diferente?”, ele responde ”Nada”, assim por diante. Por fim, as perguntas
que começam com “por que” devem ser evitadas, pois costumam bloquear o
diálogo por parecerem acusatórias.
Usar de tato e de diplomacia
Todas as pessoas têm áreas sensíveis em suas vidas, incluindo o
seu cônjuge. Fique atento e use de critério antes de abordar determinados
assuntos durante uma conversa amistosa. Por exemplo, algumas pessoas
costumam falar do aparente excesso de peso da outra quando está
conversando sobre um assunto totalmente diferente.
338
Regras Para Resolução de Problemas61
1. O primeiro passo consiste em proceder a um brainstorming (tempestade
de idéias) ao elaborar uma lista de soluções para o problema.
2. Qualquer solução é aceitável nesse momento. Vocês não devem
censurar ou avaliar suas próprias soluções ou do seu parceiro(a).
3. Esse procedimento deve continuar até não ser encontrada mais
nenhuma solução.
4. Cada uma dessas soluções deve ser anotada.
5. Depois cada solução deve ser avaliada segundo os quatro critérios:
É absurda?
Esta solução ajudaria a resolver o problema
Quais são os prós desta solução?
Quais são os contras desta solução?
6. O consenso final deve incluir quem fará o quê, quando, onde e quando,
em termos específicos.
7. Colocar o plano em ação
8. Verificar o que deu certo e o que deu errado.
9. Caso necessário, tomar outra solução para o mesmo problema.
61
Retirado do livro: SCHMALING, K. B.; FRUZZETTI, A. E.; JACOBSON, N. S.
Problemas conjugais. In: HAWTON, K. et al. Terapia cognitivo-comportamental para
problemas psiquiátricos: um guia prático. Tradução de Alvamar Lamparelli. São Paulo: M.
Fontes, 1997, cap. 10, p. 481-525.
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