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Hidroclorotiazida x clortalidona: os diuréticos tiazídicos são todos

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Hidroclorotiazida x clortalidona: os diuréticos tiazídicos são todos
166 COMUNICAÇÃO BREVE
Rev Bras Hipertens vol.15(3):166-167, 2008.
Editor: Eduardo Pimenta
Hidroclorotiazida x clortalidona: os diuréticos
tiazídicos são todos iguais?
Hydrochlorothiazide vs. chlorthalidone: all thiazides are the same?
Eduardo Pimenta1
Os diuréticos continuam sendo a classe de fármacos anti-hipertensivos mais utilizada em virtude da sua eficácia terapêutica e
do seu baixo custo, embora possuam diferenças entre si quanto
à duração e ao local de ação no néfron. Os diuréticos tiazídicos
agem preferencialmente inibindo o transporte de sódio e cloro
na membrana da parte proximal do túbulo contorcido distal, com
conseqüente redução do volume plasmático e extracelular. O seu
uso crônico faz o volume plasmático retornar parcialmente ao
normal, porém provoca queda da resistência vascular periférica.
Hidroclorotiazida (HCTZ), clortalidona e indapamida são os diuréticos mais comumente utilizados na prática clínica em monoterapia
ou em associação com outros fármacos anti-hipertensivos.
Os tiazídicos reduzem de forma satisfatória a pressão arterial
(PA) quando utilizados em baixas doses e possuem excelente
ação quando associados aos inibidores da enzima conversora da
angiotensina II (IECAs), bloqueadores dos receptores AT1 da angiotensina II (BRAs) e bloqueadores dos canais de cálcio (BCC).
Hipopotassemia, hipomagnesemia, hiperuricemia, hiponatremia,
hiperlipidemia, disfunção erétil e alterações no metabolismo
do cálcio e da glicose são seus efeitos colaterais mais citados,
embora incomuns, quando utilizados em baixas doses.
Na década de 1960, a hidroclorotiazida foi testada em adição
a outros agentes anti-hipertensivos nos estudos do Veterans
Administration (VA) Cooperative Group demonstrando redução
da morbidade e da mortalidade com o tratamento ativo. No
entanto, foi a partir da publicação dos resultados do estudo
ALLHAT que o uso dos diuréticos tiazídicos foi impulsionado.
No estudo ALLHAT, avaliou-se se o uso de novos medicamentos anti-hipertensivos, incluindo IECAs (representados pelo
lisinopril), BCC (representados pelo anlodipino) e os alfabloquea­
dores (representados pela doxazosina) são mais eficazes que
os diuréticos (representados pela clortalidona) na prevenção
de eventos fatais e não-fatais de doença arterial coronária e
outros eventos cardiovasculares. Foram selecionados 42.418
pacientes com pressão arterial (PA) elevada e pelo menos um
fator de risco adicional. A clortalidona mostrou-se igualmente
eficaz na prevenção do infarto agudo do miocárdio fatal e não-
fatal. Entretanto, a clortalidona foi mais eficaz na prevenção de
insuficiência cardíaca congestiva (ICC) quando comparada ao
anlodipino e mais eficaz na prevenção de ICC e acidente vascular
cerebral (AVC) que o lisinopril.
Outros estudos, ainda, testaram a clortalidona em associação ou em monoterapia, como o Veterans Affairs Cooperative
Study, Physician Health Study, HDFP, MRFIT, SHEP e TOMHS,
entre outros. Apesar de alguns autores sugerirem que a clortalidona e a HCTZ são equivalentes, propriedades farmacológicas
e alguns estudos mostraram que a clortalidona parece ser mais
potente que a HCTZ.
Após dose única, a HCTZ tem início de ação em 2 horas,
pico de ação em 4 a 6 horas, meia-vida de 6 a 9 horas e duração
média de 12 horas. A clortalidona, após dose única, tem início
de ação em 2 a 3 horas, pico de ação em 2 a 6 horas, meia-vida
de 40 horas e duração média de 24 a 48 horas. Apesar de a
meia-vida da HCTZ sugerir que esta devesse ser prescrita duas
vezes ao dia, alguns estudos demonstraram que a sua resposta
farmacodinâmica é maior do que a prevista pela meia-vida.
Pequenos estudos compararam o efeito anti-hipertensivo da
HCTZ e da clortalidona, e a maioria deles utilizou doses acima das
utilizadas hoje. Mais recentemente, Ernst et al. realizaram estudo
clínico randomizado, cruzado e mono-cego. Os pacientes utilizaram HCTZ (dose inicial de 25 mg e aumento mandatório para 50
mg) ou clortalidona (dose inicial de 12,5 mg e aumento mandatório
para 25 mg) durante oito semanas e, após quatro semanas de
intervalo, cruzaram para o tratamento oposto. Realizou-se monitorização ambulatorial da PA anteriormente e ao final de cada período
de tratamento. Durante o estudo, 24 pacientes hipertensos sem
tratamento (PA sistólica 140-179 mmHg ou diastólica 90-109
mmHg) concluíram as duas fases do estudo.
A PA sistólica no período de 24 horas reduziu 12,4±1,8
mmHg com a clortalidona e 7,4±1,7 mmHg com HCTZ, porém
sem significância estatística. Durante o período do sono, a clortalidona reduziu a PA sistólica em 13,5±1,9 mmHg e a HCTZ
reduziu 6,4±1,8 mmHg (p = 0,009). Não houve diferença na
PA de consultório ao final de oito semanas nem em relação à
Recebido: 13/5/2007 Aceito: 26/6/2008
1 Médico-assistente da Seção de Hipertensão Arterial e Nefrologia do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, São Paulo, SP, Brasil.
Correspondência para: Eduardo Pimenta. Av. Dr. Dante Pazzanese, 500 – 04012-909 – São Paulo, SP. Fone: (55-11) 5085-6144. E-mail: [email protected]
Rev Bras Hipertens vol.15(3):166-167, 2008.
Hidroclorotiazida x clortalidona: os diuréticos tiazídicos são todos iguais?
Pimenta E
ocorrência de hipopotassemia. Esse estudo comprovou que
a clortalidona, com a metade da dose da HCTZ, possui maior
potência e período de ação mais prolongado que a HCTZ.
Essas diferenças entre a HCTZ e a clortalidona foram discutidas
recentemente na Diretriz de Hipertensão Arterial Refratária. Nessa
publicação, recomenda-se que se deve preferir o uso da clortalidona em pacientes portadores de hipertensão arterial refratária.
Apesar das evidências em favor da clortalidona, a HCTZ continua
sendo o diurético tiazídico mais comum utilizado na prática clínica.
Essa diferença ocorre principalmente em relação ao reduzido número de combinações fixas contendo clortalidona comparado com
a grande disponibilidade de combinações fixas contendo HCTZ. No
entanto, o médico deve considerar as diferenças clínicas e farmacológicas ao escolher o diurético tiazídico mais apropriado.
referências
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1. The ALLHAT Officers and Coordinators for the ALLHAT Collaborative Research
Group. Major outcomes in high-risk hypertensive patients randomized to
angiotensin-converting enzyme inhibitor or calcium channel blocker vs. diuretic.
The Antihypertensive and Lipid-Lowering Treatment to Prevent Heart Attack
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