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análise da exposição ao ruído e dos principais

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análise da exposição ao ruído e dos principais
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE GOIÁS
PRÓ-REITORIA DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO STRICTO SENSU
MESTRADO EM CIÊNCIAS AMBIENTAIS E SAÚDE
ANÁLISE DA EXPOSIÇÃO AO RUÍDO E DOS PRINCIPAIS
SINTOMAS AUDITIVOS E EXTRA-AUDITIVOS EM MOTORISTAS DO
TRANSPORTE COLETIVO DE GOIÂNIA
ROSANE CUNHA DE LIMA SIQUEIRA
Goiânia – GO
2012
1
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE GOIÁS
PRÓ-REITORIA DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO STRICTO SENSU
MESTRADO EM CIÊNCIAS AMBIENTAIS E SAÚDE
ANÁLISE DA EXPOSIÇÃO AO RUÍDO E DOS PRINCIPAIS
SINTOMAS AUDITIVOS E EXTRA-AUDITIVOS EM MOTORISTAS DO
TRANSPORTE COLETIVO DE GOIÂNIA
ROSANE CUNHA DE LIMA SIQUEIRA
Orientadora: Profª Drª Vera Aparecida Saddi
Co-orientadora: Profa Me. Danya Ribeiro Moreira
Dissertação apresentada ao Programa de PósGraduação Stricto Sensu em Ciências
Ambientais e Saúde, da Pró-Reitoria de
Pesquisa e Pós Graduação da Pontifícia
Universidade Católica de Goiás, como requisito
parcial para obtenção do título de Mestre em
Ciências Ambientais e Saúde.
Goiânia - GO
2012
2
Dedicatória
Dedico este trabalho à minha família, meu pai
sempre presente, à minha mãe, meu esposo
Jucelino, aos meus filhos Frederico e Eduardo,
e aos meus sobrinhos pela ajuda, apoio e
paciência durante minha ausência na
dedicação ao mestrado.
3
Agradecimentos
Agradeço a Deus a conclusão de mais esta etapa da minha vida.
Para que esta pesquisa pudesse ser concluída, muitas pessoas contribuíram ao
longo de sua realização. A todos aqueles que direta ou indiretamente, me apoiaram,
agradeço pela atenção, paciência e carinho.
À minha orientadora, Vera Aparecida Saddi, pelo incentivo ao ingressar no mestrado
e por ter me ensinado nas entrelinhas das orientações, muito além do que seu papel
exigia. Agradeço imensamente pela paciência, dedicação, compromisso e seriedade
dispensadas, para que chegássemos ao fim.
À minha amiga e co-orientadora, Danya Ribeiro Moreira, por toda ajuda e
conhecimento que tanto somaram para melhoria deste trabalho.
À empresa HP transportes LTDA que permitiu a realização deste estudo, na pessoa
da coordenadora geral, Indiara Ferreira.
A todos os funcionários da empresa que se prontificaram a ajudar, fornecendo
informações necessárias.
Agradeço imensamente a todos os motoristas que participaram desta pesquisa, pelo
carinho, disponibilidade e atenção dispensados.
À Mariela Santos Anjo pelo incentivo presente desde o início.
Aos meus filhos, Frederico e Eduardo, um agradecimento afetuoso e um pedido de
desculpas pela ausência.
Ao meu esposo Jucelino, pela sua compreensão e por acreditar e depositar
confiança na minha capacidade, possibilitando a realização deste mestrado.
À minha mãe que tanto me ajudou e ajuda, meu eterno agradecimento.
Aos meus irmãos, Patrícia e Paulo, que tanto me deram suporte para a realização
deste mestrado.
Ao amigo Danylo Luz, por toda prontidão em me ajudar nas horas de desespero.
Ao professor Antônio Márcio, pela ajuda na análise dos dados.
À amiga, Yvone Portilho do Nascimento, pela sua dedicação incontestável, por sua
vontade de ajudar em qualquer circunstância.
4
RESUMO
Os motoristas de ônibus urbano, particularmente, os que atuam em áreas
metropolitanas, estão expostos a vários agentes físicos agressores presentes no
ambiente de trabalho, dentre eles, o ruído. Níveis elevados de ruído, são originados
de diversas fontes como o trânsito, sons de buzinas e alto-falantes, apitos dos
guardas, conversas entre usuários no interior do veículo, dentre outros. A exposição
ocupacional ao ruído intenso pode ocasionar alterações no organismo do
trabalhador, sendo essas manifestações mais conhecidas no sistema auditivo.
Porém, a exposição a níveis elevados de ruído pode ocasionar também alterações
em outros órgãos e sistemas, refletindo, na capacidade de comunicação, distúrbios
digestivos, endócrinos, no sistema nervoso e na qualidade do sono, interferindo
assim, nos aspectos cognitivos, emocionais, sociais e laborais do individuo. O
presente estudo teve como objetivo avaliar os níveis de exposição ao ruído urbano e
caracterizar suas possíveis associações com os sintomas auditivos e extra-auditivos,
em um grupo de 100 motoristas de transporte coletivo da cidade de Goiânia. O
modelo usado consistiu em um estudo transversal que quantificou os níveis de
exposição ao ruído urbano e suas possíveis consequências na saúde geral e
auditiva de motoristas de uma empresa de transporte coletivo da cidade de Goiânia.
Para tanto, foram realizadas mensurações objetivas por meio de um medidor de
nível de pressão sonora, com a finalidade de verificar o nível de ruído próximo à
zona auditiva direita dos motoristas. As avaliações subjetivas foram obtidas por meio
de um questionário contendo questões referentes à saúde auditiva e geral. Os
resultados obtidos para diferentes níveis de pressão sonora, bem como aqueles
obtidos por meio do questionário, foram processados para as análises estatísticas
descritivas e comparativas. Os principais resultados encontrados neste estudo,
demonstraram que as médias dos NPS encontrados nos seis ônibus das duas linhas
selecionadas variaram de 80.3 dB (A) a 83.3 dB (A), ou seja, medições dentro do
recomendado pelas Normas NR 15 e NHO-01. Quanto aos sintomas auditivos
decorrentes da exposição ao ruído, a queixa de zumbido foi a mais relatada pelos
motoristas. Dentre os sintomas extra-auditivos, as alterações psicológicas e
comportamentais foram as mais verificadas, seguidas pelas alterações orgânicas
como problemas do aparelho osteomuscular, aparelho digestivo e a cefaleia. As
associações entre tempo de exposição e sintomas auditivos e extra-auditivos
investigados não apresentaram resultados estatisticamente significativos.
Palavras-chave: Ruído; Motoristas; Audição.
5
ABSTRACT
Bus drivers working at metropolitan areas are often exposed to several aggressive
physical agents in their work environment, such as noise. Inside the busses, high
noise pressure level (NPL) can derive from several sources, including the traffic itself,
horns, loud speakers, whistles, passengers chatting inside the vehicle, among others.
Occupational exposition to high NPL can cause changes in the employees’ health,
especially those affecting the auditory system. However, high NPL exposition can
also be associated to other physiological changes affecting personal communication
abilities, digestion, endocrine and nervous system, sleeping functions, and interfering
with cognitive, emotional, social and labor performances. The present study aimed to
evaluate the exposition to urban NPL and its possible association with auditory and
extra auditory symptoms in a group of 100 urban bus drivers from Goiânia, Goiás,
Brazil. It comprised a cross-sectional study that quantified the exposition to urban
NPL and its possible consequences on the general and auditory health of bus drivers
from an urban transportation company in the city. In order to quantify NPL, objective
measurements were taken close to the right ear of the bus drivers, by using a
dosimeter. Subjective evaluations were taken by using a structured questionnaire
comprising general and auditory health questions. The results obtained for different
NPL measurements and for the questionnaire were processed for descriptive and
comparative statistical analysis. In this study, noise pressure levels measured on six
selected vehicles varied from 80.3 dB (A) to 83.3 dB (A), following the rules
established by the national policies (NR 15 and NHO-01). Tinnitus was the most
common auditory symptom reported by the group. Among extra auditory symptoms,
psychological and behavioral changes were the most frequent complaints, followed
by organic changes, such as musculoskeletal problems, digestive disorders and
headaches. In this study, no significant statistical association was demonstrated
between the noise pressure exposure time (duration of bus driving) and auditory or
extra-auditory symptoms.
Keywords: noise, bus drivers, hearing
6
LISTA DE TABELAS
Tabela 1. Distribuição dos motoristas de ônibus de acordo com a faixa etária .......... 42
Tabela 2. Distribuição dos motoristas de ônibus de acordo com a escolaridade ....... 42
Tabela 3. Distribuição dos motoristas de ônibus de acordo com a percepção de
trabalhar com equipamentos ruidosos........................................................................ 48
Tabela 4. Distribuição dos motoristas de ônibus de acordo com a sensação de
mal estar após o período de trabalho. ........................................................................ 49
Tabela 5. Distribuição dos motoristas de ônibus de acordo com a moradia em
locais ruidosos............................................................................................................ 49
Tabela 6. Distribuição dos motoristas de ônibus de acordo com sua frequência
em locais ruidosos. ..................................................................................................... 49
Tabela 7. Distribuição dos motoristas de ônibus de acordo com a prática de
atividades ruidosas fora o ambiente de trabalho. ....................................................... 50
7
LISTA DE QUADROS
Quadro 1: Limites de níveis de exposição ao ruído ocupacional, conforme as
normas de vários países. Fonte: FLEIG (2004). ......................................................... 18
Quadro 2: Limites de tolerância ao ruído ocupacional segundo a norma
brasileira NR -15. Fonte: NR-15. ................................................................................ 18
Quadro 3: Limites de tolerância ao ruído ocupacional segundo a norma de
Higiene ocupacional NHO-01. Fonte: NHO-01 – Fundacentro. .................................. 19
Quadro 4: Quantidade de linhas por tipo e área operacional. Fonte: RMTC,
GOIÂNIA 2011. .......................................................................................................... 28
Quadro 5: Categorização dos sintomas extra-auditivos ............................................ 51
8
LISTA DE FIGURAS
Figura 1: Níveis de ruído registrados na linha 003 (Terminal MaranataRodoviária) nos diferentes picos e horários. .............................................................. 45
Figura 2: Níveis de ruído registrados na linha 020 (Terminal Garavelo-Terminal
da Bíblia) nos diferentes picos e horários................................................................... 46
Figura 3: Gráfico de distribuição dos 100 motoristas avaliados neste estudo de
acordo com o tempo de exercício na profissão. ......................................................... 48
Figura 4: Gráfico de distribuição dos 100 motoristas avaliados neste estudo de
acordo com a presença de sintomas auditivos. .......................................................... 50
Figura 5: Gráfico de distribuição dos 100 motoristas avaliados neste estudo de
acordo com alterações psicológicas e comportamentais ........................................... 51
Figura 6: Gráfico de distribuição dos 100 motoristas avaliados neste estudo de
acordo às alterações cognitivas. ................................................................................ 52
Figura 7: Gráfico de distribuição dos 100 motoristas avaliados neste estudo de
acordo às alterações orgânicas.................................................................................. 52
Figura 8: Gráfico de distribuição dos 100 motoristas avaliados neste estudo de
acordo com a exposição à vibração. .......................................................................... 53
Figura 9: Gráfico de distribuição dos 100 motoristas avaliados neste estudo de
acordo com o uso de medicamentos e fatores agravantes para perda auditiva. ........ 54
9
LISTA DE ABREVIATURAS
ACOEM
ANTP
APL
ATL
CID
dB
dB (NA)
dB(A)
DPM
FUNDACENTRO
HAS
Hz
ISO
ISO
KHz
LAeq
NHO
NPS
NR
PAINPSE
PUC-GO
REM
RMTC
SNC
TCLE
VCI
WHO
American College of Occupational and Environmental
Medicine
Associação Nacional de Transporte Público
Alteração Permanente do Limiar
Alteração Temporária do Limiar
Classificação Internacional de Doenças
Decibel
Decibel Nível de audição
Decibel A (com ponderação do filtro A)
Distúrbios psiquiátricos menores
Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina
do Trabalho
Hipertensão arterial sistêmica
Hertz
International Standard Organization
International Standardization Organization
Quilo Hertz
Nível de Energia equivalente
Norma de Higiene Ocupacional
Níveis de Pressão Sonora
Norma Regulamentadora
Perda Auditiva Induzida por Níveis de Pressão Sonora
Elevados
Pontifícia Universidade Católica de Goiás
Rapid Eyes Moviment
Rede Metropolitana de Transporte Coletivo
Sistema Nervoso Central
Termo de Consentimento Livre e esclarecido
Vibração de corpo inteiro
World Health Organization
10
SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO .......................................................................................................... 12
2. REVISÃO DA LITERATURA .................................................................................... 14
2.1 Fundamentação Teórica ................................................................................... 14
2.1.1 Conceitos físicos de som .......................................................................... 14
2.1.2 Ruído ........................................................................................................... 15
2.1.3 O ruído como agente ocupacional ........................................................... 16
2.1.4 Sintomas apresentados pelo trabalhador em decorrência da
exposição ao ruído ocupacional ....................................................................... 20
2.1.4.1 Sintomas Auditivos ............................................................................ 20
2.1.4.2 Sintomas extra-auditivos decorrentes da exposição ao ruído
ocupacional ..................................................................................................... 23
2.1.5 O Transporte Coletivo Urbano Brasileiro ............................................... 26
2.1.6 A profissão de motorista de ônibus urbano ........................................... 29
2.2 Revisão de literatura ......................................................................................... 30
2.2.1 Sintomas auditivos e extra-auditivos da exposição sonora em
motoristas de ônibus .......................................................................................... 30
3. OBJETIVOS .............................................................................................................. 40
3.1 Objetivo Geral .................................................................................................... 40
3.2 Objetivos específicos ....................................................................................... 40
4. METODOLOGIA ....................................................................................................... 41
4.1 População de estudo ........................................................................................ 41
4.2 Procedimentos utilizados na coleta de dados ................................................ 42
4.3 Análise Estatística dos Dados ......................................................................... 44
5. RESULTADOS .......................................................................................................... 45
5.1 Medições do ruído nas linhas de ônibus urbano ........................................... 45
5.2 Resultados obtidos no questionário ............................................................... 47
5.2.1 Exposição ao Ruído Ocupacional ............................................................ 47
5.2.2 Exposição ao Ruído Não Ocupacional ..................................................... 49
5.2.3 Sintomas auditivos investigados no grupo de motoristas .................... 50
5.2.4 Sintomas extra-auditivos avaliados ......................................................... 50
11
5.2.5 Sintomas relativos à exposição a vibração investigados no grupo
de motoristas ...................................................................................................... 53
5.2.6 Fatores agravantes para perda auditiva .................................................. 53
5.3 Associações entre o tempo de exposição ao ruído e os sintomas
auditivos e extra-auditivos investigados nos motoristas de ônibus .................. 54
6. DISCUSSÃO ............................................................................................................. 55
CONCLUSÃO ............................................................................................................... 63
CONSIDERAÇÕES FINAIS .......................................................................................... 64
REFERÊNCIAS ............................................................................................................ 66
APÊNDICES ................................................................................................................. 78
ANEXOS ....................................................................................................................... 96
12
1. INTRODUÇÃO
O
avanço
tecnológico
industrial
ocorrido
nas
últimas
décadas
inegavelmente trouxe vários benefícios à sociedade. Porém, esse avanço vem
acontecendo de forma acelerada, indiscriminada e não planejada, resultando em
uma série de implicações que podem comprometer a saúde física e mental dos
trabalhadores, bem como sua qualidade de vida (BATTISTON; CRUZ; HOFFMAN,
2006).
Vários agentes estressores podem ser encontrados no ambiente de
trabalho, dentre eles, ruído, calor, vibrações, pressões, radiação e agentes químicos,
como cigarro, gases e vapores (FERNANDES; MORATA, 2002). Existem também os
estressores organizacionais, que são aqueles relacionados à organização do
trabalho, como ritmo, turno e ergonomia. Esses estressores podem ser encontrados
de forma combinada no ambiente de trabalho, acarretando condições capazes de
influenciar na saúde geral e no bem estar dos trabalhadores (BATTISTON; CRUZ;
HOFFMAN, 2006). Dentre os agentes físicos nocivos, o ruído é o mais comumente
encontrado no ambiente de trabalho (SELIGMAN, 1997; SUTER, 2001; DIAS;
CORDEIRO, 2007; BARROS et al, 2007).
Segundo Kwitko (2001), o ruído é definido como um som indesejável, que
constitui um real e presente perigo à saúde das pessoas, pois pode produzir um
sério estresse físico e psicológico ao individuo. A Organização Pan-Americana de
Saúde (2001) enfatiza que o ruído constitui um importante agravo à saúde dos
trabalhadores em todo o mundo.
O ruído pode ocasionar alterações no organismo do trabalhador assim
como, afetar seus aspectos cognitivos, emocionais, sociais e laborais (MEDEIROS,
1999).
A exposição ocupacional ao ruído intenso está associada a várias
manifestações, sendo que a mais conhecida ocorre no sistema auditivo, podendo
ser classificada em três categorias: Trauma Acústico, Alteração Temporária do
Limiar (ATL) e Alteração Permanente do Liminar (APL) (MEDEIROS, 1999). Porém,
níveis elevados de ruído podem atingir outros órgãos e sistemas, além do auditivo,
ocasionando
distúrbios
de
comunicação,
neurológicos,
vestibulares,
13
cardiovasculares,
endócrinos,
respiratórios,
hormonais
e
comportamentais
(SELIGMAN; SCHNEIDER; IBÃNEZ, 2001).
Dentre as diversas profissões que expõem o trabalhador aos níveis
elevados de ruído, destaca-se a de motoristas de ônibus. Esses trabalhadores,
especificamente, estão expostos aos Níveis de Pressão Sonora (NPS) elevados em
toda a sua jornada de trabalho, sendo o ruído originado de diferentes pontos. A partir
da década de 50, ocorreu no Brasil, aumento significativo da demanda no setor de
transporte, sendo considerado um dos serviços mais essenciais à sociedade,
refletindo também na economia do país (HOFFMAN, 2000).
A exposição aos ruídos de forte intensidade verificada no interior de
transportes coletivos urbanos, associada à poluição sonora ambiental dos grandes
centros, fator idade e longo tempo de exposição podem gerar consequências sobre
a saúde dos condutores desse tipo de transporte. Assim, a identificação dos
sintomas auditivos e extra-auditivos, decorrentes da exposição diária aos ruídos
intensos, torna-se fundamental nessa população de trabalhadores.
Analisando a importância desse profissional, qualquer distúrbio em sua
saúde, como perda auditiva, déficit na atenção e concentração, alterações
cardiovasculares e neurológicas, dentre outras, podem ocasionar acidentes e erros
na condução, comprometendo não somente os motoristas, mas também
passageiros e pedestres.
Consultando os bancos de dados bibliográficos nacionais e internacionais,
nenhum estudo sobre as condições de saúde auditiva e extra-auditiva em motoristas
do transporte coletivo de Goiânia foi encontrado, justificando assim o presente
estudo.
Neste contexto, a presente pesquisa teve como objetivo quantificar os
níveis de ruídos ocupacionais a que os motoristas de ônibus urbano são expostos
em Goiânia, bem como caracterizar a presença de sintomas auditivos e extraauditivos nesta classe de trabalhadores.
14
2. REVISÃO DA LITERATURA
Neste capítulo, serão abordados conceitos referentes aos sons e aos
ruídos e suas influências sobre a saúde geral do trabalhador, especificamente sobre
os motoristas de transporte coletivo urbano.
2.1 Fundamentação Teórica
2.1.1 Conceitos físicos de som
A parte da física que estuda o som é a acústica, que apresenta duas
importantes modalidades: a acústica física, que trata do estudo puro das vibrações e
ondas mecânicas e a acústica fisiológica ou psicoacústica, que estuda a sensação
que o som produz no indivíduo. A psicoacústica refere-se à percepção individual de
ruídos, sons, músicas e vozes humanas e está relacionada ao relato do ouvinte
quanto à sensação para a altura (Picth) e a intensidade do som, o Loudness
(RUSSO, 1993).
A acústica pode ser definida como geração, transmissão e recepção de
energia na forma de ondas vibracionais na matéria. Isso ocorre quando átomos e
moléculas de um fluido ou sólido são deslocados de sua posição normal e uma força
interna elástica de restauração atua no sentido de fazê-los voltar a essa posição. O
fenômeno acústico mais familiar é a sensibilidade ao som. Um distúrbio vibracional é
interpretado como som quando sua frequência atinge uma faixa de 20 a 20.000 Hz
com uma intensidade capaz de produzir uma sensação auditiva (FROTA, 2000).
A World Health Organization (WHO, 1995) define o som como um agente
físico resultante da vibração de moléculas do ar e que se transmite como uma onda
longitudinal. É, portanto, uma forma de energia mecânica.
O som evoca uma resposta fisiológica nos sistemas auditivos, periférico e
central. Essa resposta pode ser descrita e medida por métodos apropriados, por
meio de parâmetros físicos (como um movimento vibratório da membrana do
tímpano), ou de parâmetros eletrofisiológicos (alterações nos potenciais sensoriais
bioelétricos e do tecido neural). No entanto, nem toda onda sonora evoca a
15
sensação auditiva. Por exemplo, o ultrassom tem uma frequência muito alta para
excitar o sistema auditivo e, assim, para evocar a percepção do som. Para um som
ser detectado pelo aparelho auditivo é preciso que ele esteja dentro da faixa de
frequência de 20 a 20.000 Hz (WHO, 1995).
O som apresenta três características fundamentais incluindo a frequência,
a intensidade e o timbre.
A frequência é definida como o número de ciclos que as partículas
materiais realizam em um segundo ou o número de vibrações por unidade de tempo.
É medida pela unidade chamada Hertz (Hz) e refere-se à altura do som, permitindo
classificá-lo em uma escala que varia de baixo a alto. A intensidade é definida como
a energia que atravessa uma área num intervalo de tempo, ou a força exercida pelas
partículas materiais sobre a superfície na qual incidem, podendo ser expressa em
função da amplitude, que é a medida do afastamento máximo das partículas
materiais de sua posição de equilíbrio. A intensidade permite classificar o som em
uma escala de fraco a forte. Já o timbre, é uma qualidade da fonte sonora e não do
som, permitindo diferenciar a mesma nota musical emitida por instrumentos
diferentes, por meio de diversas frequências harmônicas, as quais compõem um
determinado som complexo (RUSSO, 1993).
2.1.2 Ruído
O ruído é uma palavra derivada do latim rugitu, que significa estrondo. A
Comissão de Saúde Pública da Espanha em 2000, definiu o ruído como um som
inarticulado e confuso, mais ou menos forte(UÑA; GARCÍA; BETEGÓN, 2000).
Segundo a WHO (1995), o ruído é comumente definido como energia acústica
audível que pode afetar ou prejudicar o bem estar fisiológico ou psicológico das
pessoas. Fisicamente, não existe distinção entre som e ruído, sendo que o conceito
de ruído está associado a qualquer som definido como desagradável ou indesejável.
Frota (2000) assinala que o ruído é um sinal acústico aperiódico,
originado da superposição de vários movimentos de vibração com diferentes
frequências que não apresentam relação entre si.
Segundo Kwitko (2001), o ruído é definido como um som indesejável, que
constitui um real e presente perigo à saúde das pessoas, pois pode produzir um
sério estresse físico e psicológico.
16
Do ponto de vista da higiene do trabalho, o ruído é um fenômeno físico
vibratório com características indefinidas de vibrações de pressão em função da
frequência. Isto é, para uma dada frequência, podem existir variações de diferentes
pressões ao longo do tempo (SALIBA, 2004).
De
acordo
com a
Norma
-
ISO
2204/1973
(INTERNATIONAL
ORGANIZATION STANDARD, 1973), os ruídos podem ser classificados, segundo a
variação do nível de intensidade com o tempo, como contínuos, intermitentes e de
impacto. Os ruídos contínuos apresentam níveis de variações desprezíveis
(aproximadamente 3 dB), com maior duração durante o período de observação. Os
ruídos intermitentes apresentam uma variação contínua de valor aplicável
(aproximadamente 3 dB) no período de observação. E os ruídos de impacto ou
impulso apresentam picos de energia acústica de duração inferiores a um segundo.
2.1.3 O ruído como agente ocupacional
A audição é um sentido fundamental à vida, pois é a base da
comunicação humana. Como qualquer outra função do corpo, apresenta um ponto
de equilíbrio para que funcione adequadamente. O aparelho auditivo deve ser
exercitado e estimulado para o seu desenvolvimento e aprimoramento, porém,
sofrerá exaustão se for por demais exigido e exposto a agentes que possam lesá-lo
(SALIBA, 2004).
O trabalhador, em seu ambiente de trabalho, é constantemente exposto a
diversos riscos ambientais nocivos. Dentre eles, destaca-se o ruído, um agente
físico presente em diversas atividades profissionais e no cotidiano da população.
Os efeitos do ruído na audição são estudados desde o primeiro século.
No texto de história natural de PLÍNIO, o velho, casos de surdez são relatados em
moradores próximos às Cataratas do Rio Nilo. Ramazzini, em 1713, descreveu a
surdez como uma das doenças dos bronzistas. Thomas Barr, em 1800, relatou a
presença de surdez em trabalhadores na produção de vidros. Porém, de maneira
mais contundente, somente neste século os estudos foram impulsionados pela
constatação de surdez em soldados da Segunda Guerra Mundial (SANTOS, 1994).
Nos anos 90, o processo denominado Terceira Revolução Industrial ou
Reestruturação Produtiva representou uma nova forma de produzir, viabilizada pelos
avanços tecnológicos e por novas formas de organização do trabalho. Tal revolução
17
teve abrangência global, introduzindo mudanças radicais na vida e relações de
pessoas e países, tendo consequências no viver e adoecer das pessoas (SANTOS
JUNIOR, 2003).
A Conferência da Terra (ECO 92), realizada no Rio de Janeiro, em 1992,
elaborou a Agenda 21, um programa de ação mundial para promoção do
desenvolvimento sustentável, que envolve modificação de conceitos e práticas
referentes ao desenvolvimento econômico e social. Neste contexto, o ruído foi
considerado a terceira maior causa de poluição ambiental, precedido pela poluição
da água e do ar. O ruído pode ser visto como um risco de agravo à saúde que atinge
grande número de trabalhadores. Estudos ali apresentados indicaram que 16% da
população dos países ligados à Cooperação de Desenvolvimento Econômico
(ODCE), está exposta a níveis de ruído que provocam doenças no ser humano
(apud MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2006)
São vários os sintomas do ruído no organismo humano, não só no
funcionamento do sistema auditivo, mas também nas atividades físicas, mentais e
fisiológicas do individuo, comprometendo o seu bem estar e podendo causar
irritação, estresse e desequilíbrio bioquímico (CALIXTO, 2002).
De acordo com a Organização Panamericana de Saúde (2001) e a WHO
(1980), o ruído pode perturbar o trabalho, o descanso, o sono e a comunicação dos
seres humanos, podendo causar reações psicológicas, fisiológicas e até mesmo
patológicas.
A World Health Organization (WHO, 2003) recomenda que em áreas
residenciais, o nível de ruído não ultrapasse 55 dB(A). A partir de 55 dB(A), pode
ocorrer estresse leve, acompanhado de desconforto. O nível de 70 dB(A) é tido
como o nível inicial de desgaste do organismo, aumentando o risco de infarto,
acidente vascular cerebral, infecções, hipertensão arterial e outras patologias. No
nível de 80 dB(A), ocorre a liberação de endorfinas, tornando o organismo
dependente, enquanto que em 100 dB(A), pode haver danos e ou perda da acuidade
auditiva.
Ferreira Júnior (1998) ressalta que os riscos de danos à saúde para a
maioria dos agentes de natureza ocupacional dependem da sua quantidade ou
intensidade de tempo de exposição diária. Com relação ao ruído, o parâmetro
fundamental é o Nível de Pressão Sonora (NPS) ao qual o trabalhador se expõe
durante as horas da jornada diária de trabalho.
18
No quadro 1 podem ser verificados os limites de níveis de exposição ao
ruído ocupacional, conforme as normas de vários países, evidenciando diferenças
entre as várias legislações.
Quadro 1: Limites de níveis de exposição ao ruído ocupacional, conforme as normas de vários
países. Fonte: FLEIG (2004).
País
Alemanha
Japão
França
Inglaterra
Itália
Dinamarca
Suécia
Estados Unidos – OSHA
Estados Unidos – NIOSH
Canadá
Austrália
Brasil
Nível de ruído
dB(A)
Tempo de
Exposição (h/d)
85
90
85
85
85
90
85
90
85
90
85
85
8
8
8
8
8
8
8
8
8
8
8
8
Nível máximo
dB(A)
135
115
115
115
115
115
115
115
No quadro 2 podem ser observados os limites de tolerância aos níveis de
exposição ao ruído ocupacional, conforme norma nacional expedida pelo Ministério
do Trabalho, por meio da Portaria nº. 3214, de 08 de junho de 1978.
Quadro 2: Limites de tolerância ao ruído ocupacional segundo a norma brasileira NR -15. Fonte: NR15.
Nível de ruído dB(A)
Máxima exposição diária permissível
85
8 horas
86
7 horas
87
6 horas
88
5 horas
89
4 horas e 30 minutos
90
4 horas
91
3 horas e 30 minutos
92
3 horas
93
2 horas e 40 minutos
94
2 horas e 15 minutos
95
2 horas
96
1 hora e 45 minutos
98
1 hora e 15 minutos
100
1 hora
102
45 minutos
104
35 minutos
105
30 minutos
106
25 minutos
108
20 minutos
19
A Norma de Higiene Ocupacional (NHO) – 01 de 2001, estabelece
critérios e procedimentos para avaliação de exposição ocupacional ao ruído
contínuo ou intermitente e ao ruído de impacto, em diferentes situações de trabalho
que impliquem em risco potencial de surdez ocupacional, como pode ser observado
no Quadro 3(MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO, 2001).
Quadro 3: Limites de tolerância ao ruído ocupacional segundo a norma de Higiene ocupacional NHO01. Fonte: NHO-01 – Fundacentro.
Nível de ruído dB(A)
Máxima exposição diária permissível
81
20 horas e 10 minutos
82
16 horas
83
12 horas e 41 minutos
84
10 horas e 4 minutos
85
8 horas
86
6 horas e 20 minutos
87
5 horas
88
4 horas
89
3 horas e 10 minutos
90
2 horas e 30 minutos
91
2 horas
92
1 hora e 45 minutos
93
1 hora e 15 minutos
94
1 hora
95
47,62 minutos
96
37,79 minutos
97
30 minutos
Embora tanto a NR 15, quanto a NHO – 01 sejam documentos de
responsabilidade do Ministério do Trabalho e Emprego, divergências são
observadas sobre a avaliação do ruído ocupacional. Por exemplo, de acordo com a
NR-15, para um nível contínuo de 90 dB(A), o limite de tolerância para um
trabalhador seria a exposição máxima de 4h, enquanto que na NHO-01, esta
exposição é de apenas 2h e 30min. A NHO-01 utiliza o princípio da energia
equivalente – (LAeq) para o cálculo da dose de exposição, enquanto que a NR-15
não menciona este tipo de princípio. A NHO-01 adota o valor "3" como incremento
de duplicação da dose, enquanto que a NR-15 utiliza como incremento da dose o
valor "5". Incremento de duplicação da dose é um incremento em decibéis que,
quando adicionado a um determinado nível, implica em redução para a metade do
tempo máximo de exposição permitido (PORTELA, 2008).
Outros fatores que potencializam o ruído e interferem na saúde geral dos
20
indivíduos incluem a duração e distribuição espectral do ruído, além da
suscetibilidade individual (MELNICK, 1989).
Silva
(2002)
e
Gonçalves
(2009)
acrescentam
que
além
das
características físicas do ruído (intensidade, frequência e duração), são descritos
outros riscos ocupacionais que atuam juntamente em ambientes ruidosos, afetando
a audição do trabalhador. Entre os fatores exógenos de risco para as alterações
auditivas ocupacionais, destacam-se alguns produtos químicos ototóxicos, as
vibrações e os fatores organizacionais do trabalho.
2.1.4 Sintomas apresentados pelo trabalhador em decorrência da exposição ao
ruído ocupacional
O ruído pode trazer alterações ao organismo do trabalhador, assim como
afetar seus aspectos cognitivos, emocionais, sociais e laborais. Esses efeitos são
comumente classificados de duas maneiras. A primeira corresponde à ação direta
no sistema auditivo e é chamada de “efeitos auditivos”. A segunda resulta numa
ação sistêmica sobre várias funções orgânicas e é chamada de efeitos “extraauditivos” (MEDEIROS, 1999).
2.1.4.1 Sintomas Auditivos
O sistema auditivo desempenha funções importantes no organismo
humano, pois é por meio dele que as informações chegam até nós, possibilitando a
comunicação e interação entre o homem e o meio ambiente.
Segundo Melnick (1989), os efeitos do ruído no sistema auditivo podem
gerar sintomas que são classificados em três categorias: trauma acústico, alteração
temporária do limiar (ATL) e alteração permanente do limiar (APL).
O termo trauma acústico é restrito aos efeitos de exposição única a níveis
de pressão sonoros elevados, como no caso de uma explosão (Melnick, 1989). Sons
de curta duração e forte intensidade (explosões, estampidos de arma de fogo,
detonações, etc.) podem resultar em perda auditiva imediata, severa e permanente,
conceituada como trauma acústico. Todas as estruturas do sistema auditivo
periférico podem ser lesadas, em particular, o órgão espiral, a delicada estrutura
sensorial da parte auditiva da orelha interna (cóclea). O aparelho auditivo apresenta
21
mecanismos que procuram atenuar as vibrações que chegam até a cóclea e diminuir
as chances de lesão auditiva. Contudo, em casos de sons como aqueles
necessários e suficientes para conferirem trauma acústico, esses mecanismos do
aparelho auditivo não têm "tempo para entrar em ação", e, com isso, pode ocorrer a
lesão (SALIBA, 2004).
A Alteração Temporária do Limiar (ATL), conhecida também como
mudança temporária do limiar de audição (ATL – Temporary Threshold Shift) ou
fadiga auditiva, ocorre após a exposição a ruído intenso, por um curto período de
tempo. Um ruído capaz de provocar uma perda temporária será capaz de provocar
uma perda permanente, após longa exposição. Entretanto, os mecanismos de perda
são distintos nas duas situações e as alterações observadas no órgão espiral são de
natureza diferente. A ATL corresponde a um fenômeno temporário, em que o limiar
auditivo retorna ao normal após um período de repouso auditivo (MERLUZZI, 1989).
Durante os desvios temporários dos limiares auditivos (ATL), ocorrem
alterações discretas nas células ciliadas, edema das terminações nervosas auditivas,
alterações vasculares, exaustão metabólica, modificações intracelulares, diminuição
dos estereocílios, alteração no acoplamento entre os cílios e membrana tectorial.
Essas alterações são reversíveis, podendo haver recuperação do limiar, mesmo com
presença de células lesadas (MERLUZZI, 1989).
A Alteração Permanente do Limiar (APL) é aquela que persiste ao longo
da vida da pessoa e está relacionada ao longo tempo de exposição ao ruído
(Merluzzi, 1989) e recebe várias denominações, sendo que a perda auditiva induzida
por níveis de pressão sonora elevados (PAINPSE) é a mais utilizada (Ministério da
Saúde, 2006).
De acordo com a Classificação Internacional de Doenças (CID 10 – H
83.3,1997), a PAINPSE é a perda auditiva provocada pela exposição por tempo
prolongado ao ruído e configura-se como uma perda do tipo sensorioneural,
geralmente bilateral, irreversível e progressiva com o tempo de exposição ao ruído.
Russo (1993) considera a PAINPSE decorrente de um acúmulo de
exposições ao ruído, normalmente diárias, repetidas constantemente, por período de
muitos anos. Em 1998, o Comitê Nacional de Ruído e Conservação Auditiva definiu
como características da PAINPSE, ser uma perda auditiva do tipo sensorioneural,
uma vez que a lesão é no órgão espiral da orelha interna, geralmente bilateral, com
padrões similares. Em algumas situações, observam-se diferenças entre os graus de
22
perda das orelhas. Essa lesão não produz perda maior que 40dB (NA) nas
frequências baixas e 75dB (NA) nas altas.
A progressão da PAINPSE cessa com o fim da exposição ao ruído
intenso e a sua presença não torna a orelha mais sensível ao ruído. À medida que
aumenta o limiar, a progressão da perda se dá de forma mais lenta. A perda auditiva
tem seu início e predomínio nas frequências de 3,4 ou 6 kHz, progredindo,
posteriormente, para 8, 2, 1, 0,5 e 0,25 kHz (RUSSO, 1993).
O trabalhador portador de PAINPSE pode desenvolver intolerância a sons
intensos, zumbido e diminuição de inteligibilidade da fala, com prejuízo da
comunicação oral (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2006).
O American College of Occupational and Environmental Medicine
(ACOEM), em 2003, definiu algumas características da PAINPSE, destacando que a
progressão da perda auditiva decorrente da exposição crônica é maior nos primeiros
10 a 15 anos e tende a diminuir com a piora dos limiares. Destacou ainda que o
risco de PAINPSE aumenta muito quando a média da exposição está acima de 85dB
(A) por oito horas diárias. As exposições contínuas são piores do que as
intermitentes, porém, curtas exposições ao ruído intenso também podem
desencadear perdas auditivas (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2006).
Outros efeitos negativos da exposição crônica ao ruído podem ser
observados com frequência entre trabalhadores com PAINPSE, dentre eles o
zumbido, recrutamento, dificuldade de compreensão da fala, otalgia e plenitude
auricular (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2006).
O zumbido, também conhecido como acúfeno ou tinnitus, pode ser
definido como uma ilusão auditiva, ou seja, uma sensação sonora produzida na
ausência de fonte externa geradora de som. Essa é a queixa mais frequente dos
trabalhadores com PAINPSE, prejudicando a concentração, a atenção, a indução do
sono e chegando muitas vezes a níveis insuportáveis (SANCHEZ et al, 1997).
Corrêa Filho et al (2002) assinalam que o zumbido é a principal queixa
auditiva apresentada por trabalhadores expostos a fortes níveis de intensidade e,
segundo Azevedo (2004), este sintoma encontra-se presente em aproximadamente
30% das PAINPSE.
O recrutamento é outro sintoma associado à perda auditiva, que se
manifesta como uma sensação de incômodo para sons de forte intensidade. Nessas
condições, a percepção do som cresce de modo anormalmente rápido, à medida
23
que a intensidade aumenta, sendo característica das doenças cocleares (MELLO,
1999).
Segundo Azevedo (2004) e o Ministério da Saúde (2006), a orelha normal
opera uma faixa de audição que se estende desde um limiar mínimo (de
audibilidade) até um limiar máximo (de desconforto). Quando o indivíduo é portador
de
PAINPSE,
apresenta
uma
redução
no
campo
dinâmico
da
audição,
compreendido entre o limiar de audibilidade mínimo e o liminar de desconforto.
Gonçalves (2009) relata que os portadores de PAINPSE apresentam uma
reduzida capacidade de distinguir detalhes dos sons da fala em condições
ambientais desfavoráveis. Nos momentos de conversação em grupo ou para
acompanhar um programa de televisão, em meio ao ruído doméstico, o órgão espiral
lesado torna-se incapaz de distinguir frequências superpostas ou subsequentes,
assim como micro intervalos de tempo.
A dificuldade na compreensão de fala é uma queixa frequente
apresentada pelos portadores de PAINPSE e pode levar ao isolamento social do
indivíduo com sérios resultados em sua interação familiar, nas atividades recreativas,
no trabalho e na vida social, gerando uma baixa qualidade de vida. A comunicação é
uma das principais ferramentas para o êxito no trabalho em vários ambientes sociais.
A eficácia de uma boa comunicação está intimamente ligada ao sucesso no trabalho
e seu desempenho. Ruídos elevados podem causar o mascaramento da voz,
prejudicando a compreensão da fala (SELIGMAN, 1997; MEDEIROS, 1999;
PASSCHIER-VERMEER; PASSCHIER, 2000; SELIGMAN, SCHNEIDER, IBÃNEZ,
2001; MARTINES; BERNARDI, 2001; GUIDA, 2006).
Os sons excessivamente intensos podem provocar otalgias muitas vezes
acompanhadas de distúrbios neurovegetativos e, eventualmente, até rupturas
timpânicas como consequência do trauma acústico (COSTA; KITAMURA, 1995).
Trabalhadores portadores de PAINPSE podem referir também, plenitude auricular,
que se traduz por uma sensação de orelha cheia ou tampada, após exposição a
níveis elevados de ruído (SELIGMAN, 1993).
2.1.4.2
Sintomas
extra-auditivos
decorrentes
da
exposição
ao
ruído
ocupacional
Estudos referentes aos sintomas decorrentes da exposição ao ruído em
24
órgãos e sistemas diferentes do aparelho auditivo ainda são escassos, inconclusivos
e controversos. O estímulo auditivo, antes de chegar ao córtex cerebral, passa por
inúmeras regiões subcorticais, responsáveis por funções vegetativas, que explicam
os efeitos não auditivos produzidos pelo ruído. Os sintomas extra-auditivos do ruído
podem ser mais prejudiciais e complexos do que os efeitos provocados por outro
tipo de estimulação sensorial (OKAMOTO; SANTOS, 1994).
Exceto pelo sério problema de perda auditiva, não há nenhuma doença
conhecida que seja causada diretamente pelo ruído. Entretanto, inúmeros trabalhos
destacam o ruído como um importante promotor de estresse físico e psicológico,
diretamente relacionado a problemas de saúde. Assim, o ruído pode ser associado à
cefaleia, fadiga e irritabilidade, além de doenças cardíacas, gástricas e imunológicas
(JOB,
1996;
PASSCHIER-VERMEER;
PASSCHIER,
2000;
KWITKO,
2001;
STANSFELD; MATHESON, 2003; SEIDMAN; STRANDRING, 2010).
Outro aspecto influenciado pelo ruído é a capacidade de concentração
mental. O ruído provoca irritação e, com isso, pode diminuir a capacidade de
concentração mental, afetando o desempenho na realização de tarefas e
aumentando a probabilidade de erros e acidentes ocupacionais (WHO, 1980;
MEDEIROS, 1999; CARMO, 1999; PASSCHIER-VERMEER; PASSCHIER, 2000;
STANSFELD; MATHESON, 2003).
O sistema auditivo jamais descansa, mesmo durante o sono. A reposição
diária da energia gasta durante o dia ocorre também com o repouso, incluindo um
período de sono normal. As vantagens de uma noite silenciosa e bem dormida são
incontestáveis, pois garantem um melhor funcionamento do organismo e,
consequentemente, melhor desempenho nas atividades diárias. As pessoas
começam a ficar estressadas a partir de um ruído médio de 55 dB. Um máximo de
35 dB de pressão sonora é recomendada para um sono sem interferência (WHO,
1980; KWITKO, 2001; RIOS, 2003; BARRETO, 2008).
Os ruídos percebidos durante o dia podem atrapalhar o sono, mesmo
horas depois. Os indivíduos neles expostos reclamam de dificuldade para iniciar o
adormecimento, insônia e despertares frequentes, que determinam cansaço no dia
seguinte. Pesquisas demonstraram que ruídos, mesmo de fraca intensidade,
provocam o chamado complexo “K”, ou seja, a passagem temporária de um estado
de sono profundo para outro mais leve. O ruído interfere também no sono REM
(rapid eyes moviment), sem acordar o indivíduo, mas podendo causar irritabilidade,
25
cansaço e dificuldade de concentração (STANSFELD; MATHESON, 2003).
Durante a exposição ao ruído, ou mesmo após, muitos indivíduos
apresentam alterações tipicamente vestibulares, descritas como vertigens que
podem ou não ser acompanhadas por náuseas, vômitos e suores frios, dificultando o
equilíbrio, a marcha, gerando nistagmos, desmaio e dilatação da pupila
(PASSCHIER-VERMEER; PASSCHIER, 2000; IBÃNEZ; SCHNEIDER; SELIGMAN,
2001; WHO, 2003; CALIXTO; RODRIGUES 2004; OGIDO; COSTA; MACHADO,
2009).
A exposição ao ruído com predomínio de frequências baixas, menores do
que 500Hz, tem sido associada com alterações digestivas, tais como gastrite e
úlcera gastroduodenal. Os ruídos de baixa frequência são captados por
barorreceptores de órgãos ocos (vasos de grosso calibre, estômago e intestino),
desencadeando a estimulação neuroquímica com indução de vasoconstrição e
consequente estimulação do Sistema Nervoso Central (SNC), com ocorrência de
hipermotilidade e hipersecreção gastroduodenal. Enjoos, vômitos e perda de apetite
também são descritos (SANTOS, 1994; IBÃNEZ; SCHENEIDER; SELIGMAN, 2001;
KWITKO, 2001).
Nas empresas com elevados níveis de ruído, o número de casos de
úlcera péptica é cinco vezes maior que o normalmente esperado na população em
geral (KWITKO, 2001).
Tremores nas mãos, dilatações das pupilas, alterações na mobilidade dos
olhos e alterações na percepção de cores são também alterações neurológicas que
podem ser encontradas em indivíduos expostos a níveis de pressão sonora
elevados (CARMO, 1999; IBÃNEZ, SCHENEIDER, SELIGMAN, 2001).
Inúmeras controvérsias são observadas em pesquisas realizadas com a
finalidade de comprovar a relação entre alterações cardiovasculares e a exposição
ao
ruído
(MEDEIROS,
1999;
PASSCHIER-VERMEER;
PASSCHIER,
2000;
BELOJEVIC; SARIC-TANASKOVI, 2002; VAN et al, 2002). Embora não tenha sido
demonstrado que o ruído cause qualquer dano mensurável diretamente ao coração,
um grande número de evidências sugere uma correlação entre exposição ao ruído e
desenvolvimento ou agravamento de doenças cardíacas. A justificativa é que o ruído
causa estresse e o corpo reage produzindo cotecolaminas que promovem alterações
cardiovasculares com aumento da frequência cardíaca e elevação da pressão
sanguínea. Indivíduos submetidos a elevados níveis de ruído podem sofrer
26
constrição dos pequenos vasos sanguíneos, reduzindo o volume de sangue e
consequentemente alterando seu fluxo, o que resulta em taquicardia e variações na
pressão arterial (CARMO, 1999; PASSCHIER-VERMEER; PASSCHIER, 2000;
KWITKO, 2001; MARTINES; BERNARDI, 2001; BELOJEVIC; SARIC-TANASKOVIC,
2002; VAN, 2002; CHANG et al, 2003; CALIXTO; RODRIGUES, 2004).
O ruído gera alterações neuropsíquicas, acarretando uma série de
sintomas comportamentais que podem aparecer isolados ou em conjunto. São eles:
mudanças na conduta e no humor, falta de concentração e atenção, cansaço,
insônia, inapetência, cefaleia, ansiedade, depressão, estresse, redução da potencia
sexual, inquietude, desconfiança, insegurança, pessimismo e alteração na memória.
(SANTOS, 1994; MEDEIROS, 1999; CARMO, 1999; PASSCHIER-VERMEER;
PASSCHIER, 2000; IBÃNEZ; SCHENEIDER; SELIGMAN, 2001; MARTINES;
BERNARDI, 2001).
A exposição a ambientes com níveis elevados de ruído acarreta a
produção dos chamados “hormônios do estresse” principalmente o cortisol, que
pode desencadear o diabetes e aumento de prolactina. O padrão geral de respostas
endócrinas ao ruído sugere ser este um fator excitante de estresse para as
respostas fisiológicas (SANTOS, 1994; PASSCHIER-VERMEER; PASSCHIER,
2000; MARTINES; BERNARDI, 2001).
2.1.5 O Transporte Coletivo Urbano Brasileiro
O desenvolvimento urbano no Brasil, caracterizado por ocupações
irregulares do solo e por precárias regulamentações, gerou sérias demandas no
setor de transportes. Apesar do aumento do uso de automóveis, nas últimas
décadas, ainda é grande a parcela da população que utiliza o transporte coletivo
urbano nos grandes centros para o seu deslocamento e para a realização de
atividades profissionais e sociais (SOUSA, 2005).
Na maioria das cidades brasileiras de grande e médio porte, o principal
componente do sistema de transporte coletivo ainda é o ônibus urbano, que efetua
viagens de linhas regulares. Esse tipo de transporte apresenta representatividade
única de importância, pois em grande parte dessas cidades as linhas de metrô e de
trem ainda são muito escassas. O quadro no Brasil difere significativamente daquele
observado em muitos outros países, nos quais prevalecem o transporte individual
27
(automóveis particulares) e as linhas de metrô e trens capazes de atender
satisfatoriamente, tanto as partes mais centrais como a periferia das grandes
cidades (BARAT, 1979). Tais diferenças, certamente refletem a escassez de
pesquisas acerca da saúde dos motoristas do transporte coletivo nos países
desenvolvidos.
Conforme definido na Constituição do país, o transporte público e o
trânsito são de responsabilidade do Estado. As principais atribuições do poder
público com relação a esses aspectos incluem a definição de normas gerais
referentes a estas áreas, o planejamento dos sistemas de transporte e trânsito e a
fiscalização dos serviços prestados por entidades privadas (SOUSA, 2005).
O transporte público regular está presente nos municípios com mais de 30
mil habitantes, o que significa que ele está disponível para cerca de 122 milhões de
brasileiros (SOUSA, 2005).
O modelo institucional vigente apresenta dificuldades para conciliar
adequadamente as necessidades de eficiência, de qualidade e de continuidade
requeridas para prestação deste serviço essencial frente às alterações na dinâmica
social, na demografia e na economia do país (ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE
TRANSPORTES PÚBLICOS - ANTP, 2004).
O transporte coletivo em Goiânia teve inicio em 1937 e até 1976, coube à
Prefeitura Municipal gerenciar os serviços, através da sua Secretaria de Viação e
Obras Públicas. Na década de 60, a prestação do serviço de transporte era
realizada pelas viações, pequenas empresas que transportavam passageiros de
forma precária e improvisada, utilizando-se para tanto, de camionetes ou peruas
adaptadas e com capacidade para até dez pessoas (RMTC, 2011).
Nos meados da década de 1960, as viações foram incorporadas por
empresas de maior porte, que passaram a adquirir frota de ônibus e terrenos para
construção de garagens e oficinas. A primeira e única licitação geral do sistema de
transporte coletivo de Goiânia ocorreu em 1969, sendo firmado neste mesmo ano, o
primeiro contrato de concessão dos serviços. Na década de 1970, apenas o
município de Goiânia era atendido pelo transporte coletivo. Porém, a partir da
década de 1980, ocorreu rápido crescimento dos municípios de Aparecida de
Goiânia e Trindade, sendo então, o sistema de transporte coletivo estendido aos
municípios vizinhos (ANDRADE; NASCIMENTO 2011).
Em 1976, por meio de acordo firmado entre a Prefeitura Municipal de
28
Goiânia e o Estado de Goiás, a gestão do sistema de transporte público foi entregue
ao Estado. Atualmente, na Região Metropolitana de Goiânia, constituída pela capital
do Estado de Goiás e mais 17 municípios que formam seu entorno, o serviço de
transporte público coletivo de passageiros está organizado em uma rede
denominada de Rede Metropolitana de Transporte Coletivo – RMTC (RMTC, 2011).
A RMTC é composta por agentes públicos e privados e representa a
atuação sistêmica dos agentes responsáveis pela prestação de serviços de
transporte da população como sua dimensão física – espacial composta por vias,
terminais e corredores. A logística inclui as linhas, trajetos, horários e o modelo de
acesso dos passageiros ao serviço, por meio de tarifas, forma de pagamento e
controle (RMTC, 2011).
A RMTC abrange uma área territorial de 6.576 km², constituída de 259
linhas de ônibus, com mais de 5000 pontos de parada para embarque e
desembarque, 20 terminais interligados e centenas de pontos de conexão eletrônica.
No quadro 4, encontram-se a quantidade de linhas por tipo e área
operacional:
Quadro 4: Quantidade de linhas por tipo e área operacional. Fonte: RMTC, GOIÂNIA 2011.
Alimentadora
Direta
Eixo
Expressa
Sul-Sudoeste
77
7
32
8
SemiUrbana
4
Oeste-Noroeste
46
3
16
3
7
75
Leste-Norte
32
13
3
1
7
56
Total
154
23
51
11
18
259
Área Operacional
Total
128
Além das linhas citadas no quadro acima, outras 10 são operadas pelo
serviço complementar diferenciado, designado CITYBUS.
São cinco as empresas que têm permissão para atuar no segmento de
transporte coletivo e juntas possuem uma frota patrimonial de 1.478 ônibus,
realizando aproximadamente 393 mil viagens mensais, sendo nos dias úteis
ofertadas cerca de 14,6 mil viagens, nos sábados 11,2 mil e domingos 9,0 mil
viagens, totalizando uma rodagem mensal média de 8.712.235 Km. Juntas, essas
cinco empresas têm 2.951 motoristas empregados (RMTC, 2011).
29
2.1.6 A profissão de motorista de ônibus urbano
De acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego (2010), a profissão de
motorista de ônibus urbano é definida no código 7824-10. As atividades realizadas
por esses profissionais são de conduzir e vistoriar ônibus de transporte coletivo de
passageiros urbanos; verificar o itinerário de viagens; controlar embarque e
desembarque de passageiros; orientar quanto às tarifas, itinerários, pontos de
embarque e desembarque e procedimentos no interior do veículo, além de garantir a
segurança e o conforto dos passageiros.
As exigências quanto à formação e à experiência desses profissionais
incluem ensino fundamental, curso básico de qualificação e carteira nacional de
habilitação específica. O pleno desempenho da função de motorista de ônibus é
atribuído quando um mínimo de três anos na função é totalizado e cumprido
(OLIVEIRA, et al 2007).
Os motoristas de ônibus estão submetidos às normas da empresa para a
qual trabalham de forma peculiar, pois permanecem a maior parte da jornada de
trabalho fora dos limites convencionais da empresa. Esse fato implica na atribuição
de normas rígidas de fiscalização no que diz respeito ao cumprimento de horários,
independente das pressões externas e internas. Implica também em cuidados com o
veículo, vez que são responsáveis por qualquer dano ao mesmo.
Os motoristas de ônibus devem lidar ainda com a diversidade do
comportamento dos passageiros, além da responsabilidade sobre a vida das
pessoas que conduzem durante horas diárias. O seu trabalho consiste em fazer
deslocamentos, levando e trazendo pessoas aos destinos predeterminados. Esses
profissionais possuem dois ambientes de trabalho, um “macro” local de trabalho que
é o trânsito e um “micro” que é o interior do ônibus. Em razão desta peculiaridade,
nenhum outro profissional sofre tantas pressões no ambiente trabalho (BATTISTON;
CRUZ; HOFFMAN, 2006).
De acordo com os autores supracitados, as pressões sofridas pelos
motoristas de ônibus têm origens externas e internas. Dentre as pressões externas,
destacam-se as exigências do trânsito (ambiente), o respeito ao sistema
convencional de normas (código), os limites de seu trabalho como, por exemplo,
nível do tráfego, semáforos, congestionamentos, acidentes, além de condições
adversas, como o clima e o estado de conservação da pista.
30
As pressões internas incluem as condições ergonômicas do veículo,
incluindo a posição do motor, a precariedade mecânica, além do ruído e das
vibrações.
Importantes aspectos devem ser analisados quando se estuda as
condições de trabalho dos motoristas de ônibus, dentre eles destacam-se a carga
horária de trabalho, o posto de trabalho, o ruído e as vibrações, a temperatura, as
posturas forçadas e os movimentos repetitivos de membro superior (BATTISTON;
CRUZ; HOFFMAN, 2006).
Todos esses fatores agem diretamente sobre a saúde física e mental do
motorista que, em conjunto com outros de natureza exógena (congestionamento,
hábitos comportamentais e violência), potencializam os acidentes de transito, de
tráfego e as doenças ocupacionais (KOMPIER; DI MARTINO 1995; NERI et al, 2005;
DHAR, 2009).
2.2 Revisão de literatura
2.2.1 Sintomas auditivos e extra-auditivos da exposição sonora em motoristas
de ônibus
Um número limitado de estudos avaliando a saúde dos motoristas do
transporte coletivo encontra-se disponível na literatura mundial. Dentre os estudos
desenvolvidos, maior número tem sido observado para as alterações auditivas,
sendo a PAINPSE o aspecto mais investigado (CORDEIRO; LIMA FILHO;
NASCIMENTO 1994; MARTINS, 2001; BARBOSA 2001; FERNANDES et al, 2001;
FREITAS; NAKAMURA, 2004; FERNANDES; MARINHO; FERNANDES, 2004;
SILVA,
2005;
RAMOS,
2006;
ZANNIN,
2008;
JANGHORBANI;
SHEIKHI;
POURABDIAN, 2009; MAJUMDER; MEHTA; SEN, 2009; LACERDA et al, 2010;
GIULIANI, 2011; GAGANIJA et al, 2011; COLUSI, 2012).
Um estudo realizado em Campinas-SP, Brasil, avaliou 147 motoristas e
131 cobradores de veículos coletivos urbanos, demonstrando uma associação
significativa entre a perda auditiva, o tempo de trabalho acumulado e a idade dos
condutores (CORDEIRO; LIMA FILHO; NASCIMENTO, 1994). O ruído urbano e
seus efeitos sobre a saúde auditiva de trabalhadores da coordenação de trânsito da
cidade de São Paulo, SP, Brasil, foram investigados em um grupo formado por 624
31
trabalhadores. Os exames audiométricos revelaram que 28,5% apresentaram
achados compatíveis com PAINPSE, com queda nos limiares das frequências de
3000 kHz e/ou 4000 kHz e/ou 6000 kHz, enquanto que 13,6% apresentavam entalhe
audiométrico na frequência 6000 kHz (BARBOSA, 2001).
A prevalência de PAINPSE foi objeto de pesquisa em uma empresa de
transporte coletivo de Bauru-SP, Brasil, na qual 140 motoristas e 34 cobradores,
com idades entre 18 e 60, anos foram submetidos à aplicação de questionário e à
realização de exames audiométricos. Os exames audiométricos revelaram
configuração sugestiva de PAINPSE em 39% dos motoristas e em 12% dos
cobradores e o zumbido foi a principal queixa auditiva observada em 6% da
população estudada (MARTINS et al, 2001).
Estudo avaliando o nível de ruído no posto de trabalho e a ocorrência de
perda auditiva em motoristas foi também desenvolvido em São Paulo-SP, Brasil. A
avaliação da exposição ao ruído foi obtida em 6 ônibus com motor na posição
dianteira e a avaliação da perda auditiva, por meio de exames audiométricos, foi
realizada em 53 motoristas. Os resultados mostraram que o nível de exposição
semanal para uma das linhas foi de 85dB(A) e para as demais linhas o valor foi
superior, chegando a 93dB(A). Comparando-se os resultados obtidos nos
audiogramas para as duas orelhas, observou-se neste grupo especifico que a orelha
mais afetada foi à esquerda (62,8%) em relação à direita (49,1%). Em relação ao
tempo de exposição na empresa, a predominância de PAINPSE foi maior para os
motoristas com tempo de exposição de 6 a 10 anos, seguido por motoristas com
tempo de 2 a 5 anos (FERNANDES et al, 2004).
Estudo semelhante foi realizado em Campinas-SP, Brasil, no qual foi
investigada a incidência de PAINPSE em motoristas de ônibus que trabalham com
veículos que apresentam motores dianteiros. Duas empresas foram selecionadas,
totalizando 104 motoristas, com idade média de 37,5 anos. As audiometrias foram
obtidas em uma clínica que realizava exames ocupacionais. Após a análise,
verificou-se que 19% dos motoristas apresentavam alterações sugestivas de
PAINPSE, sendo 12% na orelha direita e 15% na orelha esquerda (FREITAS;
NAKAMURA, 2004).
Um grupo composto por 50 motoristas de ônibus urbano, com idade
máxima de 50 anos e tempo de exposição ao ruído superior a 5 anos, foi também
investigado em Maringá-PR, Brasil, com o objetivo de analisar a prevalência de
32
perda auditiva e as características audiométricas nesses profissionais. Os
prontuários analisados foram obtidos em uma clínica de audiologia e incluíam dados
de anamnese e resultados de meatoscopias e audiometrias. Dos 50 audiogramas
analisados,
28%
eram
sugestivos
de
PAINPSE,
sendo
essa
alteração
predominantemente unilateral à direita (42,8%), com maior comprometimento da
frequência de 4.000 Hz. Neste estudo, uma associação significativa entre tempo de
exposição e aumento das alterações auditivas foi verificada (SIVEIRO et al, 2005).
O nível de ruído no interior de ônibus urbano e o risco de perda auditiva
em motoristas e cobradores foi motivo de estudo em Bauru-SP, Brasil, sendo
realizadas medições do ruído em 10 veículos de transporte coletivo. Os resultados
revelaram níveis elevados de ruído em torno de 90dB(a) para os motoristas e
87dB(a) para os cobradores. As funções de motoristas e cobradores foram assim
consideradas insalubres, tendo em vista os níveis de ruído e o tempo de exposição
(FERNANDES et al, 2001).
A avaliação dos níveis de ruídos existentes em ônibus urbanos da cidade
de Curitiba-PR, Brasil, foi avaliada por Zannin (2008). O autor realizou a medida dos
NPS no interior de 60 ônibus e verificou que a intensidade de ruídos que atingia o
motorista era inferior a 82dB(A), em 93,3% dos ônibus avaliados. Nos 6,7%
restantes, a intensidade foi superior a 82dB(A), sendo estes veículos de fabricação
mais antiga e com motor localizado na parte dianteira.
Estudo recente foi desenvolvido em Porto Alegre-RS, Brasil, investigando
o nível de ruído próximo aos motoristas em ônibus urbano. A amostra foi constituída
por quatro motoristas de veículos coletivos e as medições no interior próximo aos
motoristas, foi realizada durante o trajeto das linhas. As medições efetuadas nas
quatro linhas revelaram que os níveis de ruído equivalente (LAeq) estavam acima de
85dB(a), sendo o menor registro de 88,5dB(a) e o maior de 100dB(a) (GIULIANI,
2011).
Outro estudo recente foi desenvolvido na cidade de Santa Cruz do Sul RS,Brasil, com o objetivo de analisar e quantificar a exposição ao ruído em
motoristas de ônibus urbano. A amostra foi composta de 20 motoristas com faixa
etária entre 20 e 49 anos, sendo os motoristas submetidos a um questionário
composto de perguntas referentes à saúde geral e auditiva. As medições da
exposição ao ruído foram realizadas em 10 ônibus, pertencentes a duas empreses
que atuam em áreas urbanas da cidade. Os resultados das medições revelaram que
33
dois veículos apresentaram níveis equivalentes de ruído acima do permitido pelas
normas NR-15 e NH0-01. Os demais veículos apresentaram níveis de ruído muito
próximos do recomendado pelas normas, ou seja, acima de 65dB (A), o que pode
tornar o ambiente de trabalho desconfortável e propicio aos distúrbios de saúde
relacionados à exposição ao ruído (COLUSI, 2012).
A associação entre dois agentes causadores de PAINPSE, o ruído e a
vibração de corpo inteiro (VCI), foi investigada em 141 motoristas de ônibus de uma
empresa na cidade de São Paulo, SP, Brasil. Os motoristas foram divididos em dois
subgrupos, “expostos” e “controles”, de acordo com o tempo de serviço acumulado
na empresa. Os resultados revelaram que os níveis de VCI encontrados foram
relevantes. Em relação à localização do motor, a exposição foi maior em veículos
com motor dianteiro 83dB(a) em comparação com aqueles que apresentavam motor
traseiro 76,2dB(a). Neste estudo a associação entre exposição à VCI e exposição ao
ruído não foi observada (SILVA; MENDES, 2005).
Na cidade de Francisco Beltrão-PR, Brasil, foi desenvolvida uma pesquisa
que investigou os achados audiológicos e as queixas relacionadas à audição dos
motoristas de ônibus. A amostra incluiu 24 motoristas, com idade média de 44,3
anos e com tempo de exposição ao ruído de 18 anos. O estudo consistiu na
aplicação de questionário, na realização de audiometria convencional e testes de
percepção de fala. Os exames audiométricos revelaram que 70% dos motoristas
apresentavam audiogramas sugestivos de PAINPSE, sendo a frequência de
4.000Hz e 6.000Hz as mais acometidas. Com relação aos problemas de audição,
66,6% não referiam dificuldade para ouvir, 29,2% referiam zumbido e 12,3%
referiam ocasionalmente sensação de plenitude auricular (LACERDA et al, 2010).
Em Terezina-PI, Brasil, um estudo semelhante foi desenvolvido com 32
motoristas de ônibus. Foram aplicados questionários com a finalidade de verificar a
percepção de sintomas auditivos e não auditivos nos motoristas. O estudo concluiu
que os sintomas auditivos mais frequentes foram dificuldades de compreensão da
fala (15%), perda auditiva (12%) e zumbido (10%) e os principais problemas de
saúde identificados nestes trabalhadores foram hipertensão arterial, problemas
cardíacos e diabetes mellitus (RAMOS, 2006).
A qualidade auditiva dos motoristas de ônibus e motoristas de táxi foi
investigada na cidade de Morogora, Tanzânia. Participaram do estudo 80 motoristas
de ônibus e 80 motoristas de táxi, todos do sexo masculino, com idades inferiores a
34
35 anos e com tempo de exposição ao ruído entre dois e cinco anos. Os motoristas
foram selecionados aleatoriamente e submetidos a um questionário que incluía
perguntas referentes à capacidade auditiva e o uso de protetor auditivo. Os
resultados revelaram que 4% dos entrevistados consideravam sua audição
prejudicada. A queixa de zumbido foi referida por 4% dos pesquisados e 17%
referiram usar protetor para evitar a exposição ao ruído, porém, não frequentemente
(GAGANIJA et al 2011).
Os fatores de risco ocupacional para PAINPSE em motoristas de ônibus
de longa distância foram investigados na cidade de Isfahan, Irã. O estudo incluiu
4.300 motoristas, com idade média de 40,8 anos e tempo médio de exercício de
profissão de 14,7 anos. Os resultados revelaram que 779 (18,1%) motoristas
apresentaram perda auditiva bilateral, 281 (6,5%) apresentavam perda auditiva na
orelha esquerda e 128 (3%) perda auditiva na orelha direita. Neste estudo,
observaram também aumento da prevalência de perda auditiva relacionada à idade
e ao tempo de condução (JANGHORBANI; SHEIKHI; POURABDIAN, 2009).
Estimar o risco de deficiência auditiva em motoristas de ônibus em
decorrência da exposição prolongada ao ruído foi motivo de estudo na cidade de
Kolkata, na Índia. Participaram do estudo 90 voluntários do sexo masculino, com
idades, alturas e pesos semelhantes. Os participantes foram separados em três
subgrupos, sendo 30 motoristas com menos de 10 anos de exposição ocupacional
ao ruído, 30 motoristas com mais de 10 anos de exposição ocupacional ao ruído e
30 trabalhadores de escritório, que representaram o grupo controle. Os participantes
selecionados realizaram exame audiométrico em todas as frequências e em ambas
as orelhas. Os resultados revelaram que a condução profissional aumentou
significativamente o limiar auditivo dos motoristas em relação aos trabalhadores de
escritório (MAJUMDER; MEHTA; SEN, 2009).
Alterações cardiovasculares também têm sido investigadas em motoristas
do transporte coletivo de várias localizações geográficas. As relações entre o
estresse e a falta de exercícios físicos tornam os motoristas de ônibus sérios
candidatos ao aparecimento de doenças cardiovasculares e dentre tais doenças, a
hipertensão representa o tema mais comumente estudado (ALBRIGHT et al, 1992;
GUSTAVSSON et al, 1996; WANG and LIN, 2001; CORRÊA FILHO et al, 2002;
NASRI; MOAZENZADEH, 2006; BENVEGNÚ et al, 2008).
A relação entre estresse e o diagnóstico clínico de hipertensão foi
35
investigada em um grupo de 1.396 motoristas de ônibus da cidade de São Francisco,
Califórnia, EUA. Neste estudo, os níveis de estresse foram avaliados com relação às
rotas percorridas pelos motoristas e às exigências das escalas de trabalho. Quando
as queixas de estresse foram comparadas aos níveis de hipertensão detectados,
uma associação significativa foi demonstrada, por meio de análise univariada.
Entretanto, esta associação não foi confirmada por análise estatística multivariada
(ALBRIGHT et al, 1992).
Um estudo comparou o risco de infarto do miocárdio em motoristas da
Suécia, incluindo condutores de ônibus, taxis e caminhões, no período de 1976 a
1981 e que desempenhavam suas funções por pelo menos cinco anos. O estudo
incluiu 310 motoristas de ônibus e demonstrou maior risco (RR=1,53; CI≥1,15-2,05)
de infarto do miocárdio para esta categoria de profissionais (GUSTAVSSON et al,
1996).
Os fatores de risco para doenças cardíacas e coronárias foram também
alvos de investigação em grupo de 2.297 motoristas de ônibus e funcionários de
escritório do Departamento Municipal de Ônibus de Tampei – Taiwan. O estudo foi
desenvolvido no período de junho de 1998 a julho de 1999, no qual foram analisados
os prontuários médicos de exames realizados no Hospital Municipal de Doenças
Crônicas de Tampei. Os resultados revelaram que os motoristas apresentaram maior
risco para doenças coronárias, incluindo taxas de obesidade, altos níveis de
colesterol e triglicérides, além de doenças isquêmicas do coração comparados aos
trabalhadores de escritório. (WANG and LIN, 2001).
Um estudo realizado em Campinas-SP, Brasil, também investigou a
prevalência de PAINPSE e hipertensão arterial em motoristas. A amostra foi
composta de 108 motoristas de ônibus urbano e incluía aplicação de questionário
sobre a história profissional, realização de exames físicos, laboratoriais e
audiométricos. Os resultados das audiometrias demonstraram prevalência de
PAINPSE em 32,7% dos casos, sendo a frequência de 6000Hz a mais acometida
(61,3%), seguida pela de 4000Hz (38,7%). Maior risco de PAINPSE foi observado
em motoristas com mais de 6 anos de trabalho e com idade acima de 45 anos.
Quanto à prevalência de hipertensão arterial, esta foi observada em 13,2% dos
indivíduos examinados (CORRÊA FILHO et al, 2002).
As condições de trabalho e a saúde dos motoristas de transporte de
passageiros foi motivo de estudo desenvolvido por Costa et al (2003), nas Cidades
36
de São Paulo e Belo Horizonte, Brasil. A amostra foi composta por 1.762 motoristas
de São Paulo, com idade média de 42 anos, e 984 motoristas de Belo Horizonte,
com idade média de 39,8 anos. Para o desenvolvimento do estudo foi aplicado um
questionário abordando cinco temas: características pessoais dos motoristas e
informações sobre sua família; condições de trabalho dos motoristas, incluindo
características dos veículos dirigidos; contexto social em que se desenrolava o
trabalho, considerando também a violência urbana; condições de saúde dos
motoristas, segundo os sintomas por eles declarados; e a questão dos acidentes,
suas consequências e possíveis causas. Os resultados constataram que as
condições de trabalho eram bastante desfavoráveis e detectaram associações
estatísticas significativas entre tais condições e os sintomas de morbidade
declarados pelos motoristas.
Os fatores de risco para doenças arteriais e coronarianas em motoristas
de ônibus e taxistas foram estudados na cidade de Kerman, Irã. Participaram do
estudo 136 taxistas, 194 motoristas de ônibus e 121 indivíduos não condutores que
representaram um grupo controle. Todos os participantes foram submetidos a
exames clínicos e laboratoriais com a finalidade de identificar os fatores de risco
para doenças arteriais e coronarianas. Testes de regressão logística univariada e
multivariada foram utilizados para distinguir os principais fatores de riscos. Os
resultados revelaram que os taxistas apresentam um risco aumentado de
hipertensão em comparação com o grupo controle (odd radio : bruto = 5,94, ajustado
= 9,09 , P,< 0,001). O tabagismo, em motoristas de taxis e de ônibus, resultou em
um risco de 1,4 (P < 0,3) e 3,24 (P < 0,001) vezes maior do que o grupo controle,
respectivamente. O aumento da fração LDL e a diminuição da fração HDL
representou um risco de 4,38 e 5,28 (P < 0,001) vezes, respectivamente, para os
motoristas de ônibus, comparados ao grupo controle. Diferenças significativas entre
outros fatores de risco, como obesidade, nível elevado de açúcar no sangue e taxa
de
triglicérides
altas
não
foram
observadas
entre
os
grupos
(NASRI,
MOAZENZADEH, 2006).
A prevalência de hipertensão arterial sistêmica (HAS) e de fatores
associados em motoristas foi objeto de estudo em Santa Maria, RS, Brasil. Foram
investigados 214 motoristas (grupo exposto) e igual número de vizinhos com
diferentes profissões, do sexo masculino e idade média de 37,6 anos. O estudo
incluiu aplicação de questionário individual, medição de pressão arterial, peso e
37
altura. Os dados foram coletados nos domicílios dos participantes. Os resultados
demonstraram que a prevalência de hipertensão foi semelhante entre motoristas e
vizinhos, 22,4% e 24,3%, respectivamente. Entretanto, dentre os motoristas, a
obesidade (RP2, 30 IC 95% 1,04-5,07) e os problemas psiquiátricos menores, (RP2,
26 IC 95% 1,15-4,43) estiveram significativamente associados à HAS (BENVEGNÚ
et al 2008).
Outros estudos referentes à saúde dos motoristas de ônibus têm sido
realizados enfatizando, dentre outros assuntos, os problemas psiquiátricos menores
e os distúrbios osteomusculares (SOUZA; SILVA, 1998; ISSEVER et al, 2002; TSE;
FLIN; MEARNS, 2006; SZETO; LAN, 2007; ALPEROVITCH-NAJENSON et al, 2010;
ABDULLAH; VON, 2011; JOHANSSON et al, 2012).
As características associadas ao risco de distúrbios psiquiátricos menores
(DPM) em motoristas e cobradores de ônibus foram investigadas na cidade de São
Paulo-SP, Brasil. Participaram do estudo 842 funcionários de uma empresa. Os
sujeitos da pesquisa foram submetidos à entrevista individual. Os resultados
revelaram que a prevalência de DPM foi de 13% entre os motoristas e de 28% entre
os cobradores. O déficit de sono, o absenteísmo, a utilização de bancos sem
mecanismos de regulagem e as alterações na escala de trabalho foram os principais
fatores de risco relatados pelos trabalhadores (SOUZA; SILVA, 1998).
Estudo investigando as características de personalidade e as condições
de trabalho que influenciam a saúde dos motoristas de ônibus foi realizado em
Istambul, Turquia. A casuística foi composta de 208 motoristas com idade média de
38,6 anos e período médio de trabalho de 7,4 anos. O estudo incluía a aplicação de
questionário e entrevista com os participantes. Os resultados revelaram alta
prevalência de dor lombar entre motoristas (61%). Quanto às características de
personalidade, 26% foram considerados extrovertidos, 74% introvertidos e 12%
neuróticos (ISSEVER et al, 2002).
Uma revisão bibliográfica, realizada entre os anos de 1950 e 2005, sobre
a saúde ocupacional dos motoristas foi realizada tendo como enfoque a saúde física,
psicológica e comportamental, bem como os índices organizacionais do trabalho
nesta classe de trabalhadores. Por meio da análise de 27 estudos selecionados,
obteve-se uma melhor e maior compreensão de que estressores específicos,
encontrados no ambiente de trabalho dos motoristas poderiam desencadear
doenças físicas, tais como, problemas gastrointestinais, musculoesqueléticas,
38
cardiovasculares e psicológicas, incluindo ansiedade, depressão e fadiga. Neste
estudo, vale ressaltar que o ruído não foi citado como agente causador de tais
sintomas (TSE; FLIN; MEARNS, 2006).
Com o objetivo de analisar os principais efeitos do excesso de ruído em
motoristas de ônibus urbano do município de Itaperuna-RJ, Brasil, Torres (2008)
aplicou um questionário em 17 motoristas de uma empresa da cidade, com faixa
etária compreendida entre 20 e 65 anos. O questionário continha perguntas
relacionadas aos antecedentes otológicos, principais sintomas da exposição
contínua ao ruído, hábitos e estado de saúde em geral. Os resultados revelaram que
os sintomas psicológicos e comportamentais foram os mais citados por esta classe
de trabalhadores.
A prevalência e as características de distúrbios osteomusculares em
motoristas que operam ônibus de dois andares foi motivo de estudo Hong KongChina. A pesquisa envolveu 481 motoristas (404 homens e 77 mulheres),
funcionários de quatro grandes empresas de ônibus, recrutados por meio de um
sindicato de trabalhadores do transporte local. Os motoristas foram submetidos à
entrevista individual e avaliação física. Os resultados obtidos revelaram alta
prevalência de distúrbios osteomusculares nos motoristas, sendo as áreas do
pescoço, dorso, ombros, joelhos e coxas as que tiveram maiores queixas, variando
de 35% a 60% (SZETO; LAN, 2007).
A prevalência de dor lombar e a associação entre os aspectos
ergonômicos e os fatores psicossociais relacionados ao trabalho de motoristas de
ônibus foi desenvolvido na região de Tel Aviv- Israel. O estudo envolveu 384
motoristas do sexo masculino, independente do estado de saúde e da presença de
dor lombar. Os motoristas participaram de entrevista e aplicação de questionário
referente à pesquisa. Os resultados
revelaram alta prevalência de lombalgia
(45,5%). Os fatores ergonômicos relatados, foram o assento e o suporte para as
costas desconfortáveis e quanto aos fatores psicossociais associados à lombalgia,
foram relatados, curto tempo de descanso durante o trabalho, congestionamento na
rota, falta de acessibilidade para o ônibus e passageiros, hostilidade dos
passageiros, falta de acessibilidade aos banheiros e tempo reduzido para a
realização das refeições (ALPEROVITCH-NAJENSON et al, 2010).
Os principais fatores causadores de fadiga em motoristas de ônibus e
capazes de levar a acidentes foram estudados na cidade de Sarawak, Malásia. A
39
amostra foi composta de 60 motoristas de ônibus, com idades entre 25 e 64 anos. A
pesquisa incluiu a aplicação individual de um questionário composto por perguntas
referentes à identificação, dados demográficos e fatores capazes de influenciar a
fadiga, como horário de trabalho, condição de trabalho, frequência e gravidade dos
acidentes. Os resultados revelaram uma relação significativa entre horário de
trabalho (r = 0,486, p = 0,000), condição de trabalho (R = 0,601, p = 0,0000) e
acidente de ônibus. O fator predominante que mostrou forte contribuição baseada na
análise de regressão múltipla foi a condição de trabalho (ABDULLAH; VON, 2011).
Johansson et al (2012) analisaram as possíveis relações entre o número
de horas de trabalho de motoristas de ônibus urbanos, as medidas da pressão
arterial e os problemas músculo-esqueléticos em um grupo de 88 motoristas de
ônibus, de ambos os gêneros, na cidade de Estocolmo, Suécia. Inicialmente, a
pressão arterial e a presença de queixas músculo-esqueléticos foram pesquisadas e
os procedimentos foram repetidos ao longo de um período de cinco anos. Os
autores verificaram que
o
aumento
da
pressão
arterial
e
os
sintomas
musculoesqueléticos estiveram significativamente associados ao número médio de
horas semanais trabalhadas pelos motoristas.
40
3. OBJETIVOS
3.1 Objetivo Geral
Avaliar os níveis de exposição ao ruído urbano e caracterizar suas
possíveis associações com os sintomas auditivos e extra-auditivos, em um grupo de
motoristas de uma empresa de transporte coletivo de Goiânia.
3.2 Objetivos específicos
1) Quantificar a exposição ao ruído urbano em motoristas de ônibus de
uma empresa de transporte coletivo de Goiânia.
2) Avaliar os principais sintomas auditivos, incluindo dificuldade para
ouvir, dificuldade para a compreensão da fala, zumbido e otalgia em um grupo de
100 motoristas de ônibus de uma empresa de transporte coletivo de Goiânia.
3) Avaliar os principais sintomas extra-auditivos, incluindo insônia,
depressão, ansiedade, fadiga, estresse, cefaleia, irritabilidade, alterações do
aparelho digestivo, sistema circulatório e sistema endócrino em um grupo de 100
motoristas de ônibus de uma empresa de transporte coletivo de Goiânia.
4) Investigar as possíveis associações entre o tempo de exposição ao
ruído urbano e os sintomas auditivos e extra-audititvos observados no grupo de
motoristas de ônibus avaliados neste estudo.
41
4. METODOLOGIA
O presente estudo compreendeu uma análise descritiva acerca dos
efeitos auditivos e extra-auditivos, relacionados à exposição ao ruído urbano, em um
grupo de 100 motoristas de ônibus de uma empresa privada de transporte coletivo
de Goiânia. O modelo usado consistiu de um estudo transversal que quantificou os
níveis de exposição ao ruído urbano e suas possíveis consequências na saúde geral
e auditiva de motoristas do transporte coletivo. Este estudo foi elaborado de acordo
com as Diretrizes e Normas Regulamentadoras de Pesquisas Envolvendo Seres
Humanos (Resolução 196/96, do CNS) e seus dados utilizados somente para fins
científicos. O projeto original foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da
Pontifícia Universidade Católica de Goiás em 06/04/2011 pelo parecer nº
0022.0.168.000-11 (Anexo 1).
4.1 População de estudo
A população deste estudo incluiu motoristas de ônibus de uma empresa
privada de transporte coletivo da cidade de Goiânia. Segundo informações do Setor
de Gestão de Pessoas, 319 motoristas apresentavam dois anos ou mais de trabalho
nesta função e destes, foram selecionados de forma aleatória, 100 motoristas, que
foram então convidados a participar do estudo. Os motoristas incluídos no estudo
tinham idades entre 20 e 50 anos, eram do gênero masculino e exerciam a função
de motorista há mais de dois anos. Foram excluídos aqueles que apresentavam
história de cirurgia otológica, antecedentes familiares e queixas de perda auditiva.
Todos os sujeitos da pesquisa assinaram o Termo de Consentimento Livre e
Esclarecido (TCLE – Apêndice 1).
Com base nos questionários aplicados aos 100 motoristas selecionados,
verificou-se que as idades variaram de 24 a 50 anos, sendo a idade média dos
motoristas de 38 anos e 3 meses. A distribuição dos sujeitos da pesquisa com
relação às diferentes faixas etárias está descrita na tabela 1 a seguir.
42
Tabela 1. Distribuição dos motoristas de ônibus de acordo com a faixa etária
Idade (anos)
n
24 - 30
16
31 - 40
42
41 - 50
42
Total
100
f(%)
16
42
42
100
Quanto ao nível de escolaridade dos motoristas de ônibus analisados
neste estudo, verificou-se que a maioria apresentava ensino fundamental (43%). Os
dados da escolaridade encontram-se descritos na tabela 2.
Tabela 2. Distribuição dos motoristas de ônibus de acordo com a escolaridade
Escolaridade
n
Fundamental
Médio Incompleto
Médio Completo
Não informado
Total
43
13
42
2
100
f(%)
43
13
42
2
100
4.2 Procedimentos utilizados na coleta de dados
O início da coleta de dados ocorreu após a aprovação do projeto pelo
Comitê de Ética em Pesquisa da PUC-GO (Anexo 1).
Primeiramente, foi estabelecido contato com a Direção do Grupo HP
Transportes LTDA e solicitada autorização pertinente à execução do projeto. Nesta
oportunidade, foram apresentados os objetivos da pesquisa, os procedimentos de
abordagem e aplicações de questionários aos motoristas, assim como o método de
quantificação do ruído urbano nos respectivos veículos conduzidos pelos motoristas.
Após a autorização (Apêndice 2) e fornecimento da lista de profissionais
que se enquadravam nos critérios de inclusão por parte da empresa, os motoristas
foram abordados pela pesquisadora nos chamados pontos de controle, local onde os
mesmos realizavam intervalo de descanso durante suas jornadas de trabalho, e na
garagem da empresa. Os motoristas foram então esclarecidos e informados sobre
os objetivos da pesquisa, os procedimentos de coleta de dados, os riscos e
benefícios do trabalho mediante leitura do TCLE (Apêndice 1).
Os motoristas que concordaram em participar da pesquisa assinaram um
termo de consentimento livre e esclarecido e responderam a um questionário
43
específico sobre as condições de saúde geral e auditiva. A aplicação do questionário
foi feita pela pesquisadora com perguntas direcionadas à hipótese diagnóstica de
presença de sintomas auditivos e extra-auditivos nesta classe de trabalhadores. A
aplicação do questionário ocorreu no período de maio a agosto de 2011.
O questionário foi adaptado de Fernandes e Morata (2002), contendo 41
questões fechadas sobre dados do participante, antecedentes de exposição a níveis
elevados de pressão sonora não ocupacional, sintomas auditivos e extra-auditivos,
bem como antecedentes mórbidos com possíveis implicações auditivas (Apêndice 3).
Para a medição do ruído no interior dos ônibus, foi utilizado um medidor
de nível de pressão sonora (decibelímetro), da marca Minipa-Modelo MSL-13520031, operado segundo os critérios recomendados pela legislação vigente (Portaria
3.214 do Ministério do Trabalho e Emprego em sua Norma Regulamentadora nº. 15),
que trata dos limites de tolerância ao ruído contínuo ou intermitente. As medições
foram registradas, colocando-se o aparelho a 20 cm do pavilhão auricular dos
motoristas, na posição Slow em circuito de compensação “A”, estando o aparelho
devidamente calibrado.
A fim de verificar os níveis de exposição sonora aos quais os motoristas
são expostos durante a jornada de trabalho, foram realizadas medições do ruído em
seis ônibus da empresa, todos com motor dianteiro e ano de fabricação 2008. Esses
ônibus trafegam em duas linhas, a linha 003 com itinerário compreendido entre o
Terminal Maranata até a Rodoviária, contendo 30 pontos de parada e a linha 020,
que realiza o itinerário Terminal Garavelo até o Terminal da Bíblia, com 29 pontos de
parada. Essas duas linhas foram selecionadas por possuírem o maior percurso
dentre as linhas operadas pela empresa, possibilitando assim, um maior número de
registros do ruído.
As medições foram realizadas em dias úteis, no período de outubro a
novembro de 2011, nos horários de 07h00min horas, 12h00min horas e 18h00min
horas, por serem considerados de maior tráfego. Os registros foram efetuados
próximos a todos os pontos de paradas pertencentes ao itinerário de cada linha,
possibilitando, assim, o registro das medições do ruído em várias situações. O
percurso do itinerário em cada linha foi realizado em torno de uma hora e 30 minutos.
44
4.3 Análise Estatística dos Dados
Os resultados obtidos neste estudo foram armazenados em um banco de
dados do aplicativo MICROSOFT EXCEL e transferidos para uma planilha SPSS
(Statistical Package for the Social Sciences), a fim de serem analisados
estatisticamente.
Frequências e porcentagens foram utilizadas para as variáveis
numéricas e categóricas. Associações entre duas variáveis categóricas foram
analisadas pelo teste do Qui-Quadrado ou Teste exato de Fischer, dependo das
frequências lançadas em cada categoria. Todos os testes estatísticos foram usados
considerando o nível de significância de 0.05. Estatísticas descritivas foram
calculadas para resumir as características da população. Uma das hipóteses deste
estudo era que o maior tempo de exposição dos motoristas de ônibus ao ruído
poderia se associar aos sintomas auditivos e extra-auditivos investigados por meio
do questionário. A fim de testar esta hipótese, os motoristas foram categorizados em
dois grupos, com base na média do tempo de exercício da função, que foi de sete
anos. Assim, 66 motoristas tinham de dois a sete anos de exercício da profissão e
34 tinham mais de sete anos de exercício da profissão.
45
5. RESULTADOS
Neste capítulo, foram apresentados os resultados das medições
realizadas no posto de trabalho dos motoristas de ônibus e os resultados obtidos por
meio de questionário aplicado aos 100 motoristas de ônibus que participaram da
pesquisa.
5.1 Medições do ruído nas linhas de ônibus urbano
As medições foram realizadas nas linhas 003 e 020, cujos itinerários
encontram-se nos Anexo 2 e 3.
Analisando a linha 003, com itinerário Terminal Maranata – Rodoviária,
(Apêndices 4a, 4b e 4c), foram encontrados Níveis de Pressão Sonora, que variaram
entre 78,8 dB(A) e 86,3 dB(A) [média = 83,0 dB(A)], para o horário de 07:00 horas;
de 78,4 dB(A) a 87,6 dB(A) [média = 83,3 dB(A)], para o horário das 12:00 horas; e
de 80,2 dB(A) a 86,6 dB(A) [média = 82,9 dB(A)] para o horário das 18:00 horas
Nivel de pressão sonora - dB(A)
(Figura 1).
89
87
85
83
07:00
81
12:00
79
18:00
77
75
73
1
3
5
7
9
11
13 15 17 19
21 23 25
27 29
Pontos de registro de ruído na linha 003 nos diferentes
picos de horários
Figura 1: Níveis de ruído registrados na linha 003 (Terminal Maranata-Rodoviária) nos diferentes
picos e horários.
Considerando a linha 003, às 07:00 horas, observou-se que o menor
registro de Nível de Pressão Sonora foi verificado no ponto compreendido entre a
46
Avenida Itália e a Avenida dos Alpes, com 78,8 dB(A), e o maior registro obtido foi
entre as Avenidas C-04 e T-07, com 86,3 dB(A), sendo a média das medições neste
horário de 83,0 dB(A) (Figura 1).
A análise dos níveis de ruídos registrados para a linha 003 revelou que no
horário das 12h00min horas, o menor Nível de Pressão Sonora, foi registrado entre
a Avenida dos Alpes e a Avenida T-9 sendo de 78,4 dB(A), e o maior, de 87,6 dB(A),
entre a Avenida dos Alpes e Avenida Veneza, sendo a média de 83,3 dB(A) neste
horário (Figura 1).
Ainda com relação à linha 003, verificou-se que no horário das 18:00
horas, considerando o tráfego intenso, o menor registro verificado foi de 80,2 dB(A),
no trecho compreendido entre a Rodovia GO 040 e a Avenida Jucelino Kubitschek, e
o maior foi de 86,6 dB(A), entre a Praça do Trabalhador e a Rodoviária, sendo a
média de 82,9 dB(A) para esta linha (Figura 1).
Analisando a linha 020, com itinerário Terminal Garavelo – Terminal da
Bíblia (Apêndices 5-a, 5-b e 5-c), foram registrados níveis de pressão sonora que
variaram entre 75,2 dB(A) e 83,7 dB(A) média = 80,2 dB(A) para o horário das 07:00
horas; de 74,3 dB(A) a 84,7 dB(A) média = 80,5 dB(A), para o horário das 12:00
horas; de 76,0 dB(A) a 86,7 dB(A) média = 81,5 dB(A) para o horário das 18:00
horas (Figura 2).
Nível de pressão sonora - dB(A)
89
87
85
83
07:00
81
12:00
18:00
79
77
75
73
1
3
5
7
9
11
13
15
17
19
21
23
25
27
29
Pontos de registro de ruído na linha 020 nos diferentes picos de
horários
Figura 2: Níveis de ruído registrados na linha 020 (Terminal Garavelo-Terminal da Bíblia) nos
diferentes picos e horários.
Considerando a linha 020, observou-se que no horário das 07h00min
47
horas, obteve-se, no Terminal Isidória, o menor Nível de Pressão Sonora, sendo
esse de 75,2 dB(A) e o maior Nível de Pressão Sonora registrado entre a Rua 115 e
a Praça Genaro Maltez, com 83,7 dB(A), sendo a média de 80,2 dB(A) (Figura 2).
Os registros feitos na linha 020, às 12:00 horas, mostraram que o menor
Nível de Pressão Sonora foi observado no ponto compreendido entre a Rua 256 e o
Terminal da Bíblia, com registro de 74,3 dB(A), e o maior registro no ponto
localizado entre a Av. Rio Verde e a Av. Tapajós, com 84,6 dB(A), sendo a média de
80,5 dB(A) para esta linha (Figura 2).
Ainda com relação à linha 020, observou-se que no horário das 18:00
horas, o menor Nível de Pressão Sonora foi registrado no Terminal Isidória, com
76,0 dB(A), e o maior registro obtido foi entre a Rodovia GO-040 e a Av. Rio Verde,
com 86,7 dB(A), sendo a média de 81,5 dB(A).
É importante, salientar que os trajetos percorridos pelas duas linhas da
empresa compreendiam avenidas, rodovias e ruas, apresentando situações
diferentes, apesar de todas serem asfaltadas. Durante a avaliação, pôde-se
observar intensa movimentação de usuários e grande fluxo de veículos em função
da localização e extensão das linhas. Quanto ao trânsito, este se encontrava ora
com trajeto livre, possibilitando ao motorista desenvolver boa velocidade, ora com
aclives e declives e em outros momentos, o veículo encontrava-se em vias com
tráfego intenso, com muitos sinaleiros, obrigando o motorista a alterar a marcha
várias vezes. Vale ressaltar também que na presente pesquisa, a influência de
variáveis meteorológicas, como por exemplo, velocidade do ar e temperatura não
foram consideradas. Apesar de estas variáveis terem influência sobre o ruído,
acredita-se que, neste estudo específico, suas contribuições sejam mínimas.
5.2 Resultados obtidos no questionário
5.2.1 Exposição ao Ruído Ocupacional
As questões relacionadas ao ruído ocupacional investigaram a percepção
dos motoristas quanto ao ruído produzido pelo equipamento de trabalho, a jornada
diária de trabalho, o tempo de exercício na profissão e a sensação de mal estar
decorrente do trabalho.
Quando questionados se trabalhavam com equipamento barulhento, 95%
48
dos motoristas responderam que sim e 5% relataram não trabalhar com
equipamento barulhento (Tabela 3).
Tabela 3. Distribuição dos motoristas de ônibus de acordo com a percepção de trabalhar com
equipamentos ruidosos.
Equipamento
n
f(%)
Sim
95
95
Não
5
5
Total
100
100
A jornada diária de trabalho realizada pelos motoristas variou entre 3 e 12
horas de trabalho, sendo a média de 8 horas diárias. Em relação ao tempo de
exposição dos motoristas ao ruído, pode-se observar uma variação entre 2 e 24
anos de exposição, sendo que a maioria (65%) relatou ter entre 2 e 6 anos de
exposição. A média de exposição dos motoristas ao ruído foi de 7,0 anos. A
distribuição dos motoristas com relação ao tempo de exercício da profissão
encontra-se na Figura 3.
100
90
80
70
65%
(%)
60
50
40
30
19%
20
10
6%
6%
12 a 16
17 a 21
4%
0
2a6
7 a 11
22 a 24
Figura 3: Gráfico de distribuição dos 100 motoristas avaliados neste estudo de acordo com o tempo
de exercício na profissão.
Dos 100 motoristas entrevistados, 54% relataram sentir algum mal estar
após o trabalho (Tabela 4), sendo os sintomas mencionados bastante diversificados.
49
Tabela 4. Distribuição dos motoristas de ônibus de acordo com a sensação de mal estar após o
período de trabalho.
Sente mal estar?
n
f(%)
Sim
54
54
Não
46
46
Total
100
100
5.2.2 Exposição ao Ruído Não Ocupacional
A fim de verificar a exposição ao ruído não ocupacional, os motoristas
foram questionados se moravam em locais ruidosos, frequentavam ambientes com
ruído elevados onde era preciso falar alto para poderem conversar e se realizavam
atividade barulhenta fora do ambiente de trabalho.
Do total de motoristas, 4% relataram que moravam em lugares ruidosos
(Tabela 5).
Tabela 5. Distribuição dos motoristas de ônibus de acordo com a moradia em locais ruidosos.
Barulho
n
f(%)
Sim
4
4
Não
96
96
Total
100
100
Quando questionados se frequentavam lugares ruidosos 6% informaram
que frequentavam lugares ruidosos tais como academia de ginástica, discotecas ou
igrejas (Tabela 6).
Tabela 6. Distribuição dos motoristas de ônibus de acordo com sua frequência em locais ruidosos.
Barulho
n
f(%)
Sim
Não
6
94
6
94
Total
100
100
Quanto à prática de atividades ruidosas fora do ambiente de trabalho, 1%
dos motoristas informaram praticar atividades ruidosas fora do trabalho (Tabela 7).
50
Tabela 7. Distribuição dos motoristas de ônibus de acordo com a prática de atividades ruidosas fora o
ambiente de trabalho.
Barulho
n
f(%)
Sim
1
1
Não
99
99
Total
100
100
5.2.3 Sintomas auditivos investigados no grupo de motoristas
Com a finalidade de investigar os sintomas auditivos apresentados pelos
motoristas, esses profissionais foram questionados quanto à dificuldade para escutar,
dificuldade em compreender a fala, presença de otalgia e de zumbido.
Os sintomas auditivos relatados pelos motoristas foram zumbido (27%),
dificuldade para entender o que as pessoas falam (14%), dificuldade para ouvir (9%)
e otalgia (6%), como pode ser verificado na Figura 4.
100
90
80
70
(%)
60
50
40
27%
30
14%
20
9%
10
6%
0
Zumbido
Dificuldade para
compreender a fala
Dificuladade para escultar
Otalgia
Figura 4: Gráfico de distribuição dos 100 motoristas avaliados neste estudo de acordo com a
presença de sintomas auditivos.
5.2.4 Sintomas extra-auditivos avaliados
Quando questionados sobre a presença de sintomas extra- auditivos, os
motoristas se mostraram poliqueixosos, sendo relatadas uma variedade de sintomas,
dentre eles: ansiedade (63%), nervosismo (49%), tensão (46%), irritabilidade (42%),
cefaleia (40%), fadiga (32%), alteração no sono (29%), problemas de coluna (29%),
problemas de
estômago
(25%), alteração
na
memória (19%), problemas
51
cardiovasculares (17%), problemas de rins (16%), tontura (16%), depressão (15%),
problemas no apetite (15%), problemas ortopédicos (12%), problemas de visão (7%),
desatenção (6%) e diabetes (4%).
Em função da grande diversidade de sintomas extra-auditivos relatados
pelos motoristas, os mesmos foram divididos nas seguintes categorias: alterações
psicológicas e comportamentais, alterações cognitivas e alterações orgânicas
(Quadro 5).
Quadro 5: Categorização dos sintomas extra-auditivos
Categoria
Sintomas Extra-Auditivos
Ansiedade, nervosismo, tensão,
irritabilidade,
Alterações psicológicas e comportamentais
depressão e fadiga.
Alterações cognitivas
Memória e desatenção
-Distúrbios osteomusculares (coluna e ortopédicos)
- Cefaleia
-Tontura
-Distúrbios do aparelho digestivo (alteração estomacal e
perda de apetite)
Alterações orgânicas
- Distúrbios do sono
- Distúrbios cardiovasculares
-Distúrbio renal
-Distúrbios de visão
-Diabetes.
Dentre as alterações psicológicas e comportamentais investigadas,
sintomas ansiedade foram observados em 63% dos motoristas, nervosismo em 49%,
tensão em 46%, irritabilidade em 42%, fadiga em 32% e depressão em 15% dos
casos (Figura 5).
100
90
80
70
63%
(%)
60
49%
50
46%
42%
40
32%
30
20
15%
10
0
Ansiedade
Nervosismo
Tensão
Irritabilidade
Fadiga
Depressão
Figura 5: Gráfico de distribuição dos 100 motoristas avaliados neste estudo de acordo com
alterações psicológicas e comportamentais
52
Quanto às alterações cognitivas, foram relatados problemas relacionados
à memória em 19% e desatenção em 6% dos motorista (Figura 6).
100
90
80
70
(%)
60
50
40
30
19%
20
6%
10
0
Memória
Desatenção
Figura 6: Gráfico de distribuição dos 100 motoristas avaliados neste estudo de acordo às alterações
cognitivas.
Quanto às alterações orgânicas, foram relatados problemas relacionados
à distúrbios osteomusculares em 41% dos motoristas, cefaleia em 40%, distúrbios
do aparelho digestivo (alteração estomacal e perda de apetite) em 40%, distúrbios
do sono em 29%, distúrbios cardiovasculares em 17%, tontura em 16%, distúrbios
renais em 16%, distúrbios de visão em 7% e diabetes
em 4% dos motoristas
avaliados (Figura 7).
100
90
80
70
(%)
60
50
41%
40%
40%
40
29 %
17 %
20
16%
16%
Distúrbio Renal
Tontura
Disturbios
cardiovasculares
Disturbio do sono
Distúrbios do
aparelho digestivo
Cefaléia
Distúrbios
osteomusculares
0
Distúrbio de visão
7%
10
4%
Diabetes
30
Figura 7: Gráfico de distribuição dos 100 motoristas avaliados neste estudo de acordo as alterações
orgânicas
53
5.2.5 Sintomas relativos à exposição a vibração investigados no grupo de
motoristas
Com relação à exposição às vibrações causadas pelo motor do ônibus,
dentre os 100 motoristas entrevistados, 12% referiram sentir formigamento nos
membros superiores, 7% perceberam esbranquicamento dos dedos e 6% relataram
problemas na sensiblidade cutânea (Figura 8).
100
90
80
70
(%)
60
50
40
30
20
12%
10
7%
6%
Esbranquiçamento dos dedos
Sensibilidade cutânea
0
Formigamento membros superiores
Figura 8: Gráfico de distribuição dos 100 motoristas avaliados neste estudo de acordo com os
sintomas a exposição à vibração.
5.2.6 Fatores agravantes para perda auditiva
A fim de verificar a presença de fatores ou hábitos considerados
predisponentes e/ou agravantes à saúde auditiva, os motoristas foram questionados
quanto ao uso de medicamentos, ingestão de bebidas alcoólicas e tabagismo.
Quanto à utilização de medicamentos, 32% dos motoristas relataram
fazer uso de algum tipo de medicação, sendo os mais citados: antibióticos,
analgésicos, diuréticos, antiulcerosos e anti-hipertensivos, sendo estes utilizados em
sua maioria esporadicamente. Sobre os hábitos de fumar e o uso de bebidas
alcoólicas, 4% dos motoristas relataram ser fumantes e 5% informaram ingerir
bebidas alcoólicas (Figura 9).
54
100
90
80
70
(%)
60
50
40
32%
30
20
10
5%
4%
Etilista
Tabagista
0
Medicamentos
Figura 9: Gráfico de distribuição dos 100 motoristas avaliados neste estudo de acordo com o uso de
medicamentos e fatores agravantes para perda auditiva.
5.3 Associações entre o tempo de exposição ao ruído e os sintomas auditivos
e extra-auditivos investigados nos motoristas de ônibus
Considerando que a exposição prolongada ao ruído traz prejuízos ao
longo do tempo para o individuo exposto, foram investigadas as possíveis
associações entre o tempo de exposição ao ruído ocupacional, dado pelo tempo de
exercício na profissão, e os sintomas auditivos e extra-auditivos observados no
grupo de motoristas de ônibus avaliados neste estudo.
O grupo de motoristas foi dividido com base na média do tempo de
serviço obtida para o grupo, ou seja: Grupo 1, composto por motoristas com até sete
anos de serviço; Grupo 2, motoristas com mais de sete anos de serviço. É
importante ressaltar que o tempo de serviço levou em consideração todo tempo de
exercício da profissão relatado pelos motoristas e não apenas o tempo de serviço na
atual empresa.
A análise univariada dos resultados obtidos neste estudo não demonstrou
nenhuma associação estatisticamente significativa entre tempo de exposição e o
aumento dos sintomas auditivos e extra-auditivos apresentados pelos motoristas
(Apêndice 6-a, 6-b, 6-c e 6-d).
55
6. DISCUSSÃO
O presente estudo abordou a exposição ao ruído e os principais sintomas
auditivos e extra-auditivos em motoristas do transporte coletivo de Goiânia. Uma
particularidade do trabalho de motorista de ônibus urbano é a exposição contínua,
tanto ao ruído do tráfego como ao ruído proveniente da configuração dos veículos
utilizados. A localização do motor, as conversas entre usuários no interior do veículo,
os sons de buzinas e alto- falantes no trânsito, os apitos dos guardas, as sirenes,
dentre outros, são fontes comuns de ruído (PEREIRA; SALES; PASSOS, 2011).
Um levantamento bibliográfico sobre o referido assunto foi realizado neste
estudo, verificando que algumas pesquisas foram desenvolvidas em território
nacional e internacional, porém, nenhum estudo desse tipo foi anteriormente
realizado no Estado de Goiás.
A maioria dos estudos na área dos efeitos do ruído sobre a saúde do
trabalhador está voltada para o setor industrial, dando-se pouca ênfase à saúde
auditiva dos condutores de ônibus. Esta carência de referências pode ser justificada
pela diminuição do uso do ônibus como transporte coletivo nos países desenvolvidos,
em que a utilização de meios de transporte coletivos como metrô, trens e náuticos
são mais frequentes. A escassez da literatura nesta área foi referida por Didoné
(2004) em sua pesquisa. Portanto, a relevância deste trabalho decorre do fato deste
ser o primeiro estudo abordando esse assunto no Estado de Goiás e possivelmente
no Centro-Oeste.
Observando as médias de NPS encontradas nesta pesquisa, nos seis
ônibus das duas linhas selecionadas, pode-se verificar que a menor média de NPS
foi de 80,3 dB (A), registrada na linha 020, no horário das 7:00 horas. A maior média
de NPS encontrada foi de 83,3 dB (A), verificada na linha 003, às 12:00 horas.
Portanto, os resultados das medições estão dentro do recomendado pelas Normas
NR -15 e NHO-01, não ultrapassando o limite de insalubridade estabelecido que é
de 85dB (A) para a exposição de 8 horas. No entanto, alguns veículos apresentaram
picos de ruído muito próximos dos recomendados pelas normas. De acordo com a
WHO (1999), ruídos com intensidades acima de 65 dB (A) podem desencadear
estresse leve, acompanhado por desconforto, o que pode tornar o ambiente de
56
trabalho inapropriado e também propício para o início de distúrbios relacionados à
exposição ao ruído na saúde do trabalhador. Pesquisadores como Kwitko (2001),
Fernandes (2003) e Oliva et al (2011) alertam para a presença de sintomas auditivos
e extra-auditivos em trabalhadores expostos aos ruídos, mesmo com intensidades
inferiores a 85 dB (A).
Deve-se ressaltar que na nossa pesquisa, mesmo que os seis ônibus da
empresa selecionada sejam de fabricação recente, datada de 2008, apresentando
bom estado de conservação e manutenção, todos os veículos apresentavam motor
na posição dianteira, o que contribui para o aumento do nível de ruído que chega ao
pavilhão auricular dos motoristas.
Silva; Mendes (2005) e Zannin (2008) verificaram NPS inferiores a
85dB(A) em ônibus com motor dianteiro, corroborando com os achados da nossa
pesquisa. Por outro lado, nos trabalhos desenvolvidos por Fernandes et al (2001),
Giuliani (2001) e Fernandes; Marinho; Fernandes, (2004), os níveis de ruído
registrados foram bem superiores. Deve-se ressaltar que duas das cidades citadas
nos estudos anteriormente, Porto Alegre e São Paulo, apresentam maior extensão e
maior população comparadas a Goiânia.
Quanto aos sintomas auditivos decorrentes da exposição ao ruído, a
queixa de zumbido foi o sintoma mais relatado pelos motoristas entrevistados na
nossa pesquisa, resultado este semelhante ao verificado por Corrêa Filho et al
(2002), Battiston; Cruz; Hoffmann, (2006), Torres (2008) e Lacerda et al (2010). No
entanto, nos estudos desenvolvidos por Martins et al (2001) e Ramos (2006), em
motoristas, este sintoma apresentou uma prevalência menor à encontrada em nosso
estudo. Vários autores têm destacado que o zumbido é uma consequência do
exercício da profissão de motorista, sendo a duração da exposição e a severidade
do ruído significativamente associados com o sintoma (CORDEIRO; LIMAFILHO;
NASCIMENTO, 1994; FREITAS; NAKAMURA, 2003; SIVEIRO et al, 2005,
LACERDA et al, 2010).
Quanto à queixa de dificuldade na compreensão da fala, nossos achados
foram compatíveis com o estudo de Ramos (2006). Entretanto, entre os motoristas
avaliados por Lacerda et al (2010), esta queixa foi relatada com maior frequência.
Os indivíduos expostos aos ruídos elevados podem apresentar alteração
na comunicação, caracterizada por um prejuízo na compreensão da fala
(MEDEIROS, 1999) e na redução da capacidade de distinguir detalhes dos fonemas
57
da língua em condições ambientais desfavoráveis (MELLO, 1999).
A frequência da queixa relacionada à dificuldade para ouvir, encontrada
nos motoristas entrevistados, assemelhou-se ao verificado por Ramos (2006). Por
outro lado, nos estudos de Martins et al (2001) e Portela (2008) os resultados foram
diferentes daqueles verificados nesta pesquisa, sendo a prevalência dos mesmos
menor e maior, respectivamente.
A otalgia foi o sintoma auditivo menos referido neste estudo. Costa;
Kitamura (1995) referem-se à presença de otalgia, porém, em grupos seletos de
trabalhadores expostos a sons excessivamente intensos, uma condição diferente
daquela constatada nesta pesquisa.
Para a análise dos sintomas extra-auditivos, foram estabelecidas três
categorias, incluindo alterações psicológicas e comportamentais, alterações
cognitivas e alterações orgânicas.
Na categoria de alterações psicológicas e comportamentais, foram
alocadas a ansiedade, o nervosismo, a tensão, a irritabilidade, a depressão e a
fadiga. A ansiedade foi o sintoma mais relatado pelos motoristas entrevistados,
resultado este semelhante ao verificado por Torres (2008) e superior ao encontrado
por Issever et al (2002) e Tavares (2010). Os agentes estressores presentes no
ambiente de trabalho dos motoristas, dentre eles o ruído, favorecem o aparecimento
de quadros de ansiedade (PASSCHIER-VERMEER; PASSCHIER, 2000; TSE; FLIN;
MEARNS, 2006).
O nervosismo, a tensão, a fadiga e a irritabilidade, relatados pelos
entrevistados, também foram aspectos citados por trabalhadores expostos ao ruído
no estudo realizado por Fernandes e Morata (2002). A presença de tensão e
irritabilidade, são decorrentes dos fatores estressantes presentes no cotidiano
destes profissionais (Medeiro; Ramos, 2008), dado este corroborado por Mello et al
(2000), Costa et al (2003), Tse; Flein; Mears (2006) e Matos (2010), que também
encontraram grande número destas queixas em motoristas de transporte coletivo
urbano.
Segundo Pereira Júnior (2004), os motoristas de transporte coletivo
urbano, no desempenho da função, são solicitados a atender elevadas demandas
físicas e mentais. Essas solicitações de trabalho levam a um acentuado desgaste,
que se expressa pela fadiga psicofísica e suas consequências, manifestadas por
doenças psicossomáticas e mentais.
58
A depressão, outro sintoma referido pelos motoristas neste estudo,
também foi constatada por Issever et al (2002) e Tavares (2010), com uma
prevalência semelhante. Este sintoma é referido na literatura como uma
consequência do estresse gerado pelo desempenho da função de motorista de
ônibus (ZANELATO; OLIVEIRA, 2003).
As alterações cognitivas, memória e desatenção, foram as que
apresentaram menor prevalência na amostra. No estudo desenvolvido por Portela
(2008), a queixa de desatenção foi semelhante à encontrada em nossa pesquisa.
Segundo Mello (1999) e Medeiros (1999), dentre as alterações neuropsíquicas mais
frequentes, que podem decorrer da exposição ao ruído, estão as alterações na
memória e atenção. As pessoas expostas num período maior de tempo são as mais
afetadas. Tal fato também pode ser responsável por altas taxas de absenteísmo,
acidentes de trabalho e de condução de veículos. Para Iida (2005) e Bezerra (2006),
os ruídos de curta duração afetam a concentração dos motoristas, podendo
desencadear problemas de natureza psíquica, como a redução na destreza e na
atenção, bem como o desempenho e rendimento no trabalho. Porém, na literatura
compilada, não foram verificados estudos sobre a queixa de perda de memória entre
os motoristas.
Para melhor análise das alterações orgânicas relatadas por nossos
entrevistados, foram estabelecidas oito sub-categorias: distúrbios osteomusculares
(coluna e ortopédicos), cefaleia, tontura, distúrbios do aparelho digestivo (alteração
estomacal e perda de apetite), distúrbios do sono, distúrbios cardiovasculares,
distúrbios renais, distúrbios de visão e diabetes.
Na presente pesquisa, os achados revelaram prevalências próximas entre
as queixas de distúrbios osteomusculares, cefaleia e distúrbios do aparelho digestivo.
A frequência de queixa de distúrbios osteomusculares encontrada nos motoristas
entrevistados foi semelhante àquelas descritas por Costa et al (2003) e AlperovitchNajenson et al (2010), embora em menor ocorrência nos estudos de Battiston; Cruz;
Hoffman (2006), Issever et al (2002), e Szeto and lan (2007). Para Battiston; Cruz;
Hoffman (2006) e Tse; Flin; Mearns (2006), as condições mecânicas dos veículos e
o estado de conservação das pistas acarretam maior sobrecarga no aparelho
osteomuscular.
A prevalência de cefaleia relatada pelos motoristas na presente pesquisa
foi superior à encontrada no estudo de Portela (2008) e inferior à relatada nas
59
pesquisas de Carneiro (2005) e Torres (2008). Estudos referentes a esta queixa
relacionam a exposição ao ruído com a presença deste sintoma. (SANTOS, 1994;
SALIBA, 2004).
A ocorrência de sintomas relacionados ao aparelho digestivo, verificada
nos entrevistados, assemelha-se às descritas por Torres (2008), sendo que os
mesmos foram mais frequentemente citados do que na amostra analisada por Costa
et al (2003). Segundo Santos (1994) e Kwitko (2001), a exposição ao ruído com
predomínio de frequências baixas, menores do que 500Hz é captada por
baroreceptores, desencadeando a estimulação neuroquímica, com indução de
vasoconstrição
e
consequentemente
estimulação
do
SNC,
ocasionando
hipermobilidade e hipersecreção gastroduodenal.
A frequência de distúrbios do sono relatadas pelos motoristas foi
compatível aos achados de Torres (2008), sendo essa queixa observada em menor
prevalência nos estudos de Costa et al (2003) e em maior prevalência na pesquisa
de Bittencourt (2011). Vários autores estudaram a influência negativa do ruído sobre
o sono. Segundo Seligman (1993), registros eletroencefalográficos apresentaram
alterações, demonstrando que ruídos, mesmo de fraca intensidade, provocam o
chamado complexo “K”, ou seja, a passagem temporária de um estado de sono
profundo para outro mais leve. Sabe-se também, que o barulho perturba o sono
REM, sem acordar o indivíduo, mas causando irritabilidade, cansaço e dificuldade de
concentração. O ruído tem interferência direta na qualidade do sono, refletindo
indiretamente no dia-a-dia do trabalhador, principalmente nas atividades que exigem
concentração e habilidade, ocasionando menor rendimento no seu trabalho e na sua
vida social (KWITKO, 2001).
Quanto
à
queixa
de
distúrbios
cardiovasculares
dos
motoristas
entrevistados, a hipertensão foi um sintoma semelhante aos achados de Côrrea et al
(2002), Costa et al (2003) e Benvegnú et al (2008). Estudos realizados por
Gustavsson et al (1996) e Wang and lin (2001) enfatizaram a incidência maior dessa
patologia em motoristas de ônibus, quando comparados a outras classes de
trabalhadores. Várias pesquisas foram realizadas com a finalidade de comprovar a
relação entre alterações cardiovasculares e a exposição ao ruído. No entanto,
existem ainda discordâncias quanto à influência nociva do ruído no sistema
cardiovascular do indivíduo (TSE, FLIN; MEARNS, 2006). Uma justificativa para
comprovar a relação entre alterações cardiovasculares e exposição ao ruído é que o
60
ruído causa estresse e o corpo reage produzindo catecolaminas que promovem
alterações cardiovasculares, com aumento da frequência cardíaca e elevação da
pressão arterial (MEDEIROS, 1999; MARTINES; BERNADI, 2001; BELOJEVIC;
SARIC-TANASKOVIC, 2002).
A presença de distúrbios renais foi também uma queixa relatada pelos
motoristas da nossa pesquisa, porém, não foram verificados na literatura compilada
dados referentes a essa queixa em motoristas de ônibus. No trabalho de Blandino;
Garcia (2006), que investigou os sintomas da exposição ao ruído em trabalhadores
do Serviço Nacional do Comércio (SESC-SP) houve também, menção a este tipo de
sintoma.
A queixa de tontura foi relatada pelos participantes, havendo uma
ocorrência menor do que a descrita por Torres (2008). Seligman (1997) relata que
durante a exposição ao ruído e mesmo muito tempo depois os indivíduos
apresentam
distúrbios
tipicamente
vestibulares,
descritos
como
vertigens,
acompanhadas ou não por tontura, náuseas, vômitos e suores frios.
Quanto à queixa de distúrbios na visão, observou-se que a proporção
verificada no grupo de motoristas foi menor que a encontrada naquela desenvolvida
por Costa et al (2003). A reação visual à exposição ao ruído é a dilatação da pupila,
a convergência e acomodação visual, o que pode possibilitar a sensação de visão
estroboscópica. Esses sintomas em trabalhadores que exigem controle visual
intenso podem ser prejudicados em decorrência do aumento da fadiga e da
possibilidade de erros no trabalho (SANTOS, 1994).
A queixa de diabetes também foi referida pelos entrevistados, sendo sua
prevalência semelhante à verificada na pesquisa de Ramos (2006). A exposição a
níveis elevados de ruído inclui a liberação dos “hormônios do estresse” como o
cortisol, associado ao diabetes. O ruído é um fator excitante de estresse para as
respostas fisiológicas endócrinas (COSTA; KITAMURA 1995; PASSCHIERVERMEER; PASSCHIER, 2000; MARTINES; BERNARDI, 2001).
Uma queixa apresentada pelos motoristas entrevistados neste estudo
consistiu nos efeitos da vibração, incluindo formigamentos, alterações na
sensibilidade cutânea e esbranquiçamento dos dedos. Porém, com base na
literatura revisada, não foram encontrados estudos relatando tais sintomas em
motoristas de ônibus, mas, em trabalhadores de motosserras e britadeiras
(FERNANDES; MORATA, 2002). Os efeitos da ação combinada entre o ruído e a
61
vibração sugerem que esta associação pode ocasionar um efeito sinérgico deletério
à saúde dos trabalhadores, com aumento do estresse e danos principalmente sobre
a coluna vertebral, como lombalgia, degeneração precoce da região lombar e hérnia
de disco (FERNANDES; MORATA, 2002; SILVA; MENDES, 2005; BATTISTON;
CRUZ; HOFFMAN, 2006).
Segundo Torres (2008), Siviero et al (2005) e Battiston; Cruz; Hoffman
(2006), hábitos como o tabagismo e o etilismo podem aumentar a suscetibilidade
aos efeitos nocivos do ruído. Esses fatores foram questionados em nosso estudo,
porém, somente um grupo reduzido de motoristas relatou tais hábitos, em
discordância com outros estudos desenvolvidos (COSTA et al, 2003; LACERDA et
al, 2010). Quanto ao uso de medicação, a prevalência verificada no nosso estudo foi
alta, porém, semelhante à observada no trabalho de BATTISTON; CRUZ;
HOFFMAN, 2006.
As associações entre tempo de exposição e os sintomas auditivos e
extra-auditivos
estatisticamente
investigados
significativos.
neste
estudo
Deve-se
não
ressaltar
apresentaram
que
65%
dos
resultados
motoristas
entrevistados apresentavam, no máximo, seis anos de desempenho da profissão,
fato que pode ter impedido a detecção das associações investigadas.
As pesquisas realizadas por Cordeiro; Limafilho; Nascimento; 1994) e
Côrrea et al (2002) sugeriram associações entre a influência do tempo de trabalho
como motorista urbano e a ocorrência da PAINPSE. Porém, os dados obtidos em
nossa pesquisa não puderam confirmar esta associação. Há que se ressaltar que
nosso estudo não realizou avaliação audiológica nos motoristas, sendo esta uma
limitação importante do estudo.
Os sintomas psicológicos e comportamentais como ansiedade, tensão e
irritação foram citados ao menos uma vez por todos (100%) os motoristas
entrevistados, independentemente do tempo de serviço. Isto indica que os sintomas
psicológicos e comportamentais começam a manifestar-se desde o início da
exposição ao ruído e que a manutenção desta exposição faz que os sintomas
persistam.
Apesar da relevância desta pesquisa, principalmente na região centrooeste, devem-se ressaltar algumas limitações a ela inerentes. Como contribuições
para trabalhos futuros, sugere-se que as medições do ruído no posto de trabalho
sejam feitas por dosímetro e não por meio do medidor do nível de pressão sonora,
62
pois os dados obtidos são mais exatos, sendo, portanto, recomendado nos locais
onde a exposição é variável. Esse instrumento é de uso individual e integra os
valores dos níveis de ruído e o respectivo tempo de exposição, conforme a equação
dos efeitos combinados, fornecendo, ao final da medição, o valor da dose em
percentual (FUNDACENTRO, 1999). A análise dos prontuários médicos para
verificação mais segura do estado de saúde dos trabalhadores, além do
levantamento dos audiogramas já existentes para averiguação de casos de
PAINPSE, deve ocorrer paralelamente à aplicação de questionário referente aos
sintomas auditivos e extra-auditivos. A verificação da interação ou associação de
outros agentes ambientais como o ergonômico, o organizacional e o físico, como a
vibração e agentes químicos como o CO2, presentes no cotidiano desses
trabalhadores podem influenciar nos sintomas supracitados e devem ser também
abordados em pesquisas futuras.
A manutenção constante dos veículos, bem como a possibilidade de
ônibus com motor na parte traseira do veículo ocasionaria diminuição do ruído no
posto de trabalho, um aumento do conforto e melhoria das condições de trabalho
dos motoristas. Contudo, deve-se ressaltar que os itens citados anteriormente, por si
só, não são suficientes para promover o total bem estar do trabalhador. Uma
articulação das empresas responsáveis pelo transporte coletivo e o sindicato
responsável pelos direitos dos trabalhadores, com os órgãos públicos competentes
para a melhoria das condições do trânsito e a segurança dos motoristas seria
imprescindível no sentido de reduzir os importunos supracitados, bem como os
problemas vinculados a essa questão.
63
CONCLUSÃO
Os resultados obtidos neste estudo permitiram as seguintes conclusões:
1) Os níveis de ruído verificados nos postos de trabalho dos motoristas
estiveram dentro do recomendado pelas normas NR-15 E NHO-O1 e não
ultrapassaram o limite de insalubridade estabelecido que é de 85dB (A) para a
exposição de 8 horas. Porém, alguns veículos apresentaram picos de ruído muito
próximos dos limites recomendados pelas normas.
2) Dentre os sintomas auditivos avaliados neste estudo, o de maior
ocorrência foi o zumbido, verificado em 27% dos motoristas e seguido por
dificuldades de compreender a fala e dificuldades para escutar.
3)
Quanto
aos
sintomas
extra-auditivos
investigados,
alterações
psicológicas e comportamentais, como ansiedade, nervosismo, tensão, irritação e
fadiga foram citadas ao menos uma vez por todos os motoristas entrevistados,
independentemente do tempo de serviço.
4) Dentre os sintomas extra-auditivos, as alterações orgânicas mais
comuns foram os distúrbios osteomusculares, a cefaleia e os distúrbios do aparelho
digestivo.
5) Neste estudo, o tempo de exposição ao ruído, traduzido pelo tempo de
trabalho do motorista de ônibus na sua profissão, não esteve significativamente
associado aos sintomas auditivos e extra-auditivos investigados.
64
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Embora exista no Brasil uma legislação que assegure os direitos e
deveres dos empregados e empregadores frente à exposição ao ruído ocupacional,
com o objetivo de prevenir riscos à saúde e promover a saúde auditiva, ainda é
precário o interesse, o conhecimento e o desenvolvimento de ações preventivas
eficazes que possam beneficiar os motoristas de ônibus.
A empresa participante desta pesquisa possui um programa atuante de
qualidade de vida voltado para os trabalhadores e seus dependentes, denominado
“Viver Melhor”. O programa é fundamentado nos aspectos da saúde e segurança,
educação e desenvolvimento sociocultural. As ações desenvolvidas pelo programa
estimulam a mudança de hábitos que possibilitam melhorias na qualidade de vida
dos motoristas de ônibus e seus familiares. No entanto, um elevado número de
sintomas relacionados à exposição contínua ao ruído foi observado no grupo
estudado, sugerindo a necessidade de um programa específico de conservação
auditiva. O programa sugerido deve incluir palestras e seminários com a finalidade
de conscientizar, difundir e orientar empregados e empregadores sobre a
importância da audição, dos efeitos nocivos do ruído no aparelho auditivo e no
organismo humano, as consequências da exposição ao ruído não ocupacional, bem
como os fatores agravantes para perda auditiva.
Acredita-se também que a maior participação dos motoristas na
elaboração das escalas dos horários das jornadas, das folgas e dos rodízios dos
itinerários de acordo com suas necessidades, minimizaria a frequência dos sintomas
extra-auditivos, amplamente relatados pelos entrevistados, principalmente aqueles
referentes aos aspectos emocionais e comportamentais, tais como ansiedade,
nervosismo, tensão, depressão.
A melhoria das condições ergonômicas dos veículos e assentos poderia
também diminuir a fadiga e o surgimento de doenças decorrentes do esforço
repetitivo, visto que esses aspectos são importantes para o desempenho dos
motoristas, pois esses profissionais realizam movimentos repetitivos por longo tempo
e permanecem sentados em assentos que nem sempre atendem às necessidades
antropométricas dos trabalhadores brasileiros.
65
A preocupação com a qualidade de vida dos funcionários é importante e
vantajosa, uma vez que profissionais saudáveis e mais preparados do ponto de vista
emocional e físico conseguem lidar melhor com as pressões no trabalho,
acarretando assim maiores ganhos para a empresa.
Neste sentido, planejamos encaminhar os resultados desta pesquisa aos
setores organizacionais da empresa participante, bem como aos motoristas que
participaram do estudo, voluntariando nossa atuação, por meio de palestras e
seminários, visando um programa específico de saúde auditiva. Planejamos ainda
alertar as empresas de transporte coletivo, por meio da apresentação e divulgação
dos resultados obtidos, quanto à necessidade de programas de saúde mais
atuantes, capazes de reduzir as condições de estresse observadas para o grupo e
promover não só o bem estar físico, mas também o bem estar emocional deste
grupo de profissionais.
Os resultados obtidos neste estudo serão também encaminhados ao
Sindicato dos Motoristas de Ônibus de Goiânia, conforme mencionado no TCLE
(Apêndice 1) assinado pelos participantes, a fim de que sejam conscientizados sobre
os sintomas auditivos e extra-auditivos decorrentes da exposição diária aos ruídos a
que são profissionalmente expostos.
66
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78
APÊNDICES
79
Apêndice 1: Termo de Consentimento livre e esclarecido
CARTA E TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO
Você está sendo convidado (a) para participar, como voluntário, em uma
pesquisa. Após ser esclarecido (a) sobre as informações a seguir, no caso de aceitar
fazer parte do estudo, assine ao final deste documento, que será duas vias. Uma
delas é sua e a outra é do pesquisador responsável. Em caso de recusa você não
será penalizado de forma alguma. Em caso de dúvida você pode procurar o Comitê
de Ética em Pesquisa da universidade Católica de Goiás pelo telefone 39461512.
INFORMAÇÕES SOBRE A PESQUISA:
Título do Projeto: ANALISE DA EXPOSIÇÃO AO RUÍDO E OS PRINCIPAIS
EFEITOS AUDITIVOS E EXTRA-AUDITIVOS EM MOTORISTAS DO TRANSPORTE
COLETIVO DE GOIÂNIA.
Pesquisador Responsável: ROSANE CUNHA LIMA SIQUEIRA
Telefone para contato: (62) 3241 7837
A pesquisa será no período de Outubro 2010, com objetivo de analisar os
níveis de exposição ao ruído urbano e suas principais associações c/ os efeitos
auditivos e extra-auditivos em um grupo de motoristas de uma empresa de
transporte coletivo de Goiânia.
Os indivíduos responderão um questionário com perguntas fechados que irão
investigar sintomas auditivos (zumbido, vertigem, tortura, dificuldade para
compreender fala) e sintomas extra-auditivos (stress, insônia, irritabilidade, dor de
cabeça, problemas digestivos), antecedentes de perda auditiva, cirurgias prévias no
ouvido e tempo de serviço; aqueles que se enquadrarem nos critérios de inclusão,
serão submetidos à medição do nível de exposição sonora a que são exposta sendo
essa por meio de decibelímetro.
A pesquisa não trará nenhum risco ao participante e todos os gastos
referentes ao deslocamento dos participantes serão custeados pelas pesquisadoras,
estão ficando isentas de qualquer tipo de indenização requerida pelos participantes.
O benefício em participar de pesquisa será o conhecimento sobre os efeitos
auditivos e extra-auditivos decorrentes da exposição diária aos ruídos intensos a que
esses profissionais estão expostos.
Os resultados obtidos serão disponibilizados em três cópias, sendo uma para
as pesquisadoras, uma para a empresa e uma para o participante.
As pesquisadoras utilizarão os resultados obtidos para o trabalho de
conclusão do Mestrado em Ciências Ambientais e Saúde PUC-GO, sendo garantido
ao participante o sigilo e o direito de retirar o consentimento a qualquer tempo.
Nome do Pesquisador:_____________________________________________
Assinatura do pesquisador:_________________________________________
.
Data:__/__/____.
80
CONSENTIMENTO DA PARTICIPAÇÃO DA PESSOA COMO SUJEITO
Eu,_____________________________________________________________
_____________________________, RG nº __________________________, CPF
nº__________________ nº de prontuário________________ nº de matrícula
_______________________, abaixo assinado, concordo em participar do estudo
referente ANALISE DA EXPOSIÇÃO AO RUÍDO E OS PRINCIPAIS EFEITOS
AUDITIVOS E EXTRA-AUDITIVOS EM MOTORISTAS DO TRANSPORTE
COLETIVO DE GOIÂNIA, como sujeito.
Fui devidamente informado e esclarecido pela pesquisadora Rosane Cunha
Lima Siqueira sobre a pesquisa, os procedimentos nela envolvidos, assim como os
possíveis riscos e benefícios decorrentes de minha participação. Foi-me garantido
que posso retirar meu consentimento a qualquer momento, sem e que isto leve a
qualquer penalidade.
Local e Data _________________________________________________________
Nome do sujeito ou responsável _________________________________________
Assinatura do sujeito ou responsável______________________________________
Riscos e Benefícios da pesquisa
Presenciamos a solicitação de consentimento, esclarecimento sobre a
pesquisa e aceite do sujeito a participação.
Testemunhas (não ligada à equipe de pesquisadores);
Nome:__________________________________Assinatura:_______________
Nome:__________________________________Assinatura:_______________
81
Apêndice 2: Autorização da Empresa
Goiânia, 10 de setembro de 2010.
À
Direção do Grupo HP transportes LTDA.
Srª. Indiara Ferreira / Coordenadora geral.
Goiânia-Go
Solicitamos a permissão para o desenvolvimento de uma pesquisa junto aos
motoristas de ônibus de vossa empresa, cujos resultados subsidiarão o trabalho de
conclusão do Programa de Mestrado e Ciências ambientais e da Saúde, PUC-GO.
Objetivo dessa pesquisa é avaliar os níveis de exposição ao ruído urbano e
suas possíveis associações com os efeitos auditivos e extra-auditivos nos motoristas
de ônibus do Transporte Coletivo de Goiânia.
Para tal, será realizada a medição de exposição dos motoristas a pressão
sonora por meio de decibelímetro e aplicação de um questionário contendo questões
fechadas.
Os procedimentos serão realizados com palestras direcionadas aos
motoristas de ônibus, com intuito de esclarecer sobre o projeto, riscos e benefícios
da pesquisa sendo este ministrado pela mestranda na própria empresa. Os
motoristas que concordarem em participar dessa pesquisa assinará um Termo de
consentimento Livre e Esclarecido após ser informado quanto ao objetivo e os
procedimentos envolvidos aos objetivos da pesquisa.
Caso permita a realização desse trabalho em vossa empresa, por favor,
assinem o documento em anexo (duas vias).
Atenciosamente,
______________________________
Vera Aparecida Saddi
Orientadora do projeto
______________________________
Rosane Cunha Lima Siqueira
Mestranda
82
Apêndice 3: Questionário
Questionário Adaptado de Fernandes e Morata (2002)
O questionário a seguir visa coletar dados para a pesquisa sobre a Análise da
exposição ao ruído e os principais efeitos auditivos e extra-auditivos em
motorista do transporte coletivo de Goiânia.
Leia as questões a seguir e as responda objetivamente. Em caso de dúvidas
perguntes ao entrevistador.
Nome: ______________________________________________________________
Idade: ______________________________________________________________
Escolaridade:
Gênero: ( ) Masc.
( ) Fem.
Data:
1- Trabalha com equipamento barulhento?
( ) Sim
( ) Não. Qual ? ____________________________________________
2- Quantas horas por dia? ______________________________________________
3 – Há quanto tempo? ___________________ Na empresa _________________
Em outros locais ______________________________________________________
4- Sente algum mal estar após trabalhar nesse ambiente?
( ) Sim
( ) Não. Qual ? ____________________________________________
5- Mora ou freqüenta lugares ruidosos onde precise falar alto para poder conversa?
( ) Sim
( ) Não.
6- Freqüenta discoteca ou locais onde tem música amplificada?
( ) Sim
( ) Não
( ) uma vez por ano
( ) uma vez por mês
( ) uma vez por semana
7- Pratica alguma atividade barulhenta fora do expediente de trabalho?
( ) Não ( ) Sim
Qual ? ______________________________________________
Com que freqüência? __________________________________________________
8-Ouvi bem?
( ) Sim
( ) Não
Em qual ouvido ?
( ) Ouvido D ( ) Ouvido E ( ) Ambos
9- Entende bem o que as pessoas falam?
( ) Sim
( ) Não
no silêncio ( )
- no ruído ( )
83
10- Tem dor de ouvido? ( ) Sim ( ) Não
()D
( ) E Quando? __________________________________________
11- Já fez cirurgia no ouvido? ( ) Sim
( ) Não. Qual? _____________________
12- Tem zumbido?
( ) Não ( ) Sim
( ) Direito
( ) Esquerdo
( ) Ambos
Quando? ( ) Dia inteiro ( ) Após o trabalho ( ) A noite
13-Alguma pessoa na família tem problema auditivo? ( ) Sim
( ) Não.
Qual o grau de parentesco? ___________________________________________
14- Sente dor de cabeça? ( ) Sim
( ) Não.
Quando? ( ) Dia inteiro ( ) Após o trabalho ( ) A noite
15-Tontura? ( ) Sim
( ) Não.
16-Problema de estômago? ( ) Sim
17- Problema de rins? ( ) Sim
( ) Não.
( ) Não.
18- Problema de coluna? ( ) Sim ( ) Não.
19- Você tem algum problema ortopédico? ( ) Não ( ) Sim.
Qual? ____________________________________________________________
20- Sente dificuldade para dormir? ( ) Sim
21- Tem perda de apetite? ( )sim ( )não
22-Sente irritabilidade? ( )sim ( )não
23-Sente solidão? ( )sim ( )não
24-Sente fadiga? ( )sim ( )não
25-Sente Tensão? ( )sim ( )não
26-Sente insônia? ( ) Sim ( ) Não.
27-Tem problema de memória? ( )sim ( )não
28- É desatento? ( ) Sim
( ) Não.
29- É nervoso? ( ) Sim
( ) Não.
30- É ansioso? ( ) Sim
( ) Não.
31- É depressivo?( ) Sim
( ) Não.
( ) Não.
84
32- Enxerga bem?( ) Sim ( ) Não.
33- Tem problema de pressão? ( )sim ( )não Qual? _______________________
34- Tem taquicardia?( ) Sim
( ) Não.
35-Tem diabetes? ( )sim ( )não
36-Tem algum problema de sensibilidade cutânea ( )sim ( )não
37-Você percebe esbranquiçamento dos dedos ( )não ( )sim
( )durante o trabalha ( )após o trabalho
38-Sente formigamento nos membros superiores? ( )sim ( )não
39- O médico mandou você tomar algum remédio para algum desses problemas?
( ) Não ( ) Sim. Qual remédio? ________________________________________
40- Em média, quantos copos de bebida alcoólica você bebe?
_________________________________________________________________
41- Fuma? ( ) Sim
( ) Não.
Quantos cigarros? __________________________________________________
Há quanto tempo? __________________________________________________
85
Apêndice 4-a: Níveis de ruído registrados na linha 003 (Terminal Maranata –
Rodoviária) às 07h00min.
1. T. Maranata
85
2. T. Maranata – Rodovia 040
85
3. Rodovia 040 – Pista auxiliar GO -040
85
4. Pista auxiliar GO 040 – T. Garavelo
85
5. T. Garavelo
85
6. T. Garavelo – Av. Tropical
85
7. Av. Tropical – Rodovia GO 040
85
8. Rodovia GO 040 – Av Jucelino Kubitschek
85
9. Av Jucelino Kubitschek – Av. Cesar Lates
85
10. Av. Cesar Lates – Av. Alpes
85
11. Av. Alpes – Av. Veneza
85
12. Av. Veneza – Av. Milão
85
13. Av. Milão – Av. Itália
85
14. Av. Itália – Av. dos Alpes
85
15. Av. Alpes – Av. T9
85
16. Av. T9 – T. Bandeira
85
17. T. Bandeiras
85
18. T. Bandeiras – Av. dos Alpes
85
19. Av. dos Alpes – Av. C8
85
20. Av. C8 – Av. C12
85
21. Av. C12 – Av. C4
85
22. Av. C4 – Av. T7
85
23. Av. T7 – Av. Assis Chateubriand
85
24. Av. Assis Chateubriand – Al. Buritis
85
25. Al. Buritis – Av. D. Gercina
85
26. Av. D. Gercina - Pça. Civica
85
27. Pça. Civica – Av. Goiás
85
28. Av. Goiás – Pça do Trabalhador
85
29. Pça. do Trabalhador – Rodoviária
85
30. Rodoviária
85
Média dos níveis de ruído durante todo o trajeto 83,0 dB(A)
Nível de Ação
PONTO AVALIADO
Nº
Modelo
patrimônio
MSL-1352
3413
Nível
Encontrado
dB (A)
Medidor de NPS decibelímetro
Marca
Mínima
Nível Máximo
Permitido por
8 h dB (A)
ORDEM
Planilha Níveis de Pressão Sonora (NPS) - dB (A)
81,7
82,6
84,1
81,0
80,3
83,9
84,0
81,2
81,9
82,7
82,7
85,7
82,1
78,8
83,3
82,3
80,5
82,1
82,0
81,5
82,0
86,3
85,6
85,0
84,2
82,9
86,2
84,2
84,4
85,7
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
86
Apêndice 4-b: Níveis de ruído registrados na linha 003 (Terminal Maranata –
Rodoviária) às 12h00min.
Planilha Níveis de Pressão Sonora (NPS) - dB(A)
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
Nível de Ação
1. T. Maranata
2. T. Maranata – Rodovia 040
3. Rodovia 040 – Pista auxiliar GO -040
4. Pista auxiliar GO 040 – T. Garavelo
5. T. Garavelo
6. T. Garavelo – Av. Tropical
7. Av. Tropical – Rodovia GO 040
8. Rodovia GO 040 – Av Jucelino Kubitschek
9. Av Jucelino Kubitschek – Av. César Lates
10. Av. César Lates – Av. Alpes
11. Av. Alpes – Av. Veneza
12. Av. Veneza – Av. Milão
13. Av. Milão – Av. Itália
14. Av. Itália – Av. dos Alpes
15. Av. Alpes – Av. T9
16. Av. T9 – T. Bandeira
17. T. Bandeiras
18. T. Bandeiras – Av. dos Alpes
19. Av. dos Alpes – Av. C8
20. Av. C8 – Av. C12
21. Av. C12 – Av. C4
22. Av. C4 – Av. T7
23. Av. T7 – Av. Assis Chateubriand
24. Av. Assis Chateubriand – Al. Buritis
25. Al. Buritis – Av. D. Gercina
26. Av. D. Gercina - Pça. Civica
27. Pça. Civica – Av. Goiás
28. Av. Goiás – Pça do Trabalhador
29. Pça. Do Trabalhador – Rodoviária
30. Rodoviária
Média dos níveis de ruído durante todo o trajeto 83,3 dB(A)
Nível
Encontrado
dB (A)
PONTO AVALIADO
Nível Máximo
Permitido por
8 h dB (A)
ORDEM
Medidor de NPS decibelímetro
Nº
Marca Modelo
patrimônio
Mínima MSL-1352
3413
81,7
82,0
82,6
82,3
84,5
85,0
82,7
86,1
84,1
85,0
87,6
82,1
81,7
81,3
78,4
82,0
82,6
82,1
82,3
82,5
84,7
85,1
84,7
85,1
82,4
84,0
84,9
84,5
83,5
84,3
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
87
Apêndice 4-c: Níveis de ruído registrados na linha 003 (Terminal Maranata –
Rodoviária) às 18h00min.
Nível de Ação
1. T. Maranata
85
2. T. Maranata – Rodovia 040
85
3. Rodovia 040 – Pista auxiliar GO -040
85
4. Pista auxiliar GO 040 – T. Garavelo
85
5. T. Garavelo
85
6. T. Garavelo – Av. Tropical
85
7. Av. Tropical – Rodovia GO 040
85
8. Rodovia GO 040 – Av Jucelino Kubitschek
85
9. Av Jucelino Kubitschek – Av. César Lates
85
10. Av. César Lates – Av. Alpes
85
11. Av. Alpes – Av. Veneza
85
12. Av. Veneza – Av. Milão
85
13. Av. Milão – Av. Itália
85
14. Av. Itália – Av. dos Alpes
85
15. Av. Alpes – Av. T9
85
16. Av. T9 – T. Bandeira
85
17. T. Bandeiras
85
18. T. Bandeiras – Av. dos Alpes
85
19. Av. dos Alpes – Av. C8
85
20. Av. C8 – Av. C12
85
21. Av. C12 – Av. C4
85
22. Av. C4 – Av. T7
85
23. Av. T7 – Av. Assis Chateubriand
85
24. Av. Assis Chateubriand – Al. Buritis
85
25. Al. Buritis – Av. D. Gercina
85
26. Av. D. Gercina - Pça. Civica
85
27. Pça. Civica – Av. Goiás
85
28. Av. Goiás – Pça do Trabalhador
85
29. Pça. Do Trabalhador – Rodoviária
85
30. Rodoviária
85
Média dos níveis de ruído durante todo o trajeto 82,9 dB(A)
Nível
Encontrado
dB (A)
PONTO AVALIADO
Nível Máximo
Permitido por
8 h dB (A)
ORDEM
Planilha Níveis de Pressão Sonora (NPS) - dB(A)
Modelo
Nº
Marca
Medidor de NPS decibelímetro
MSL- patrimônio
Mínima
1352
3413
82,3
82,5
83,2
82,3
81,5
81,3
82,6
80,2
80,7
85,5
85,5
83,7
85,0
83,8
83,6
83,1
82,8
81,8
80,8
81,8
83,6
84,1
83,7
82,7
82,5
81,9
81,7
85,5
86,6
83,0
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
88
Apêndice 5-a: Níveis de ruído registrados na linha 020 (Terminal Garavelo –
Terminal da Bíblia) às 07h00min.
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
Nível de Ação
1. T. Garavelo
2. T. Garavelo – Av. tropical
3. Av. Tropical – Rodovia GO 040
4. Rodovia GO 040 – Av. Rio verde
5. Av. Rio verde – T. Cruzeiro do Sul
6. T. Cruzeiro
7. T. Cruzeiro do Sul – Av. Rio verde
8. Av. Rio verde – Av. Tapajós
9. Av. Tapajós – Av. São Paulo
10. Av. São Paulo – Av. 4ª Radial
11. Av. 4ª Radial – T. Isidória
12. T. Isidória
13. T. Isidória – Av. 2ª Radial
14. Av. 2ª Radial – Rua 1015
15. Rua 1015 – Av. Leopoldo de Bulhões
16. Av. Leopoldo de Bulhões – Marginal Botafogo
17. Marginal Botafogo – Av. A
18. Av. A – Rua 88
19. Rua 88 – Rua 115
20. Rua 115 – Pça Genaro Maltez
21. Pça Genaro Maltez – Rua 243
22. Rua 243 – 1ª Av.
23. 1ª Av. – Av. Nações Unidas
24. Av. Nações Unidas – 5ª Av.
25. 5ª Av. – Pça. Universitária
26. Pc. Universitária – Pça. Veríssimo de Souza
27. Pça. Veríssimo de Souza – Rua 256
28. Rua 256 – T. Bíblia
29. T. Bíblia
Média dos níveis de ruído durante todo o trajeto 80,2 dB(A)
Nº
patrimônio
3413
Nível
Encontrado
dB (A)
PONTO AVALIADO
Nível Máximo
Permitido por
8 h DB (A)
ORDEM
Planilha Níveis de Pressão Sonora (NPS) - dB (A)
Modelo
Marca
Medidor de NPS decibelímetro
MSLMínima
1352
82.7
80,3
83,0
83,0
78,8
78,0
81,9
81,5
81,7
76,4
80,2
75,2
80,0
78,6
76,2
83,5
83,0
82,7
81,2
83,7
79,9
81,0
80,7
79,8
80,8
79,0
76,2
77,5
82.0
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
89
Apêndice 5-b: Níveis de ruído registrados na linha 020 (Terminal Garavelo –
Terminal da Bíblia) às 12h00min.
Nível de Ação
1. T. Garavelo
85
2. T. Garavelo – Av. tropical
85
3. Av. Tropical – Rodovia GO 040
85
4. Rodovia GO 040 – Av. Rio verde
85
5. Av. Rio verde – T. Cruzeiro do Sul
85
6. T. Cruzeiro
85
7. T. Cruzeiro do Sul – Av. Rio verde
85
8. Av. Rio verde – Av. Tapajós
85
9. Av. Tapajós – Av. São Paulo
85
10. Av. São Paulo – Av. 4ª Radial
85
11. Av. 4ª Radial – T. Isidória
85
12. T. Isidória
85
13. T. Isidória – Av. 2ª Radial
85
14. Av. 2ª Radial – Rua 1015
85
15. Rua 1015 – Av. Leopoldo de Bulhões
85
16. Av. Leopoldo de Bulhões – Marginal Botafogo
85
17. Marginal Botafogo – Av. A
85
18. Av. A – Rua 88
85
19. Rua 88 – Rua 115
85
20. Rua 115 – Pça Genaro Maltez
85
21. Pça Genaro Maltez – Rua 243
85
22. Rua 243 – 1ª Av.
85
23. 1ª Av. – Av. Nações Unidas
85
24. Av. Nações Unidas – 5ª Av.
85
25. 5ª Av. – Pça. Universitária
85
26. Pc. Universitária – Pça. Veríssimo de Souza
85
27. Pça. Veríssimo de Souza – Rua 256
85
28. Rua 256 – T. Bíblia
85
29. T. Bíblia
85
Média dos níveis de ruído durante todo o trajeto 80,5 (A)
Nível
Encontrado
dB (A)
PONTO AVALIADO
Nível Máximo
Permitido por
8 h dB (A)
ORDEM
Planilha Níveis de Pressão Sonora (NPS) - dB (A)
Modelo
Nº
Marca
Medidor de NPS decibelímetro
MSL- patrimônio
Mínima
1352
3413
80,5
80,7
82,7
80,0
84,1
81,5
84,0
84,6
80,2
81,7
81,8
80,7
81,2
79,6
81,3
81,0
77,4
78,1
80,1
78,2
83,1
80,8
79,8
80,3
80,1
76,2
82,1
74,3
80,0
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
90
Apêndice 5-c: Níveis de ruído registrados na linha 020 (Terminal Garavelo –
Terminal da Bíblia) às 18h00min.
Nível de Ação
1. T. Garavelo
85
2. T. Garavelo – Av. tropical
85
3. Av. Tropical – Rodovia GO 040
85
4. Rodovia GO 040 – Av. Rio verde
85
5. Av. Rio verde – T. Cruzeiro do Sul
85
6. T. Cruzeiro
85
7. T. Cruzeiro do Sul – Av. Rio verde
85
8. Av. Rio verde – Av. Tapajós
85
9. Av. Tapajós – Av. São Paulo
85
10. Av. São Paulo – Av. 4ª Radial
85
11. Av. 4ª Radial – T. Isidória
85
12. T. Isidória
85
13. T. Isidória – Av. 2ª Radial
85
14. Av. 2ª Radial – Rua 1015
85
15. Rua 1015 – Av. Leopoldo de Bulhões
85
16. Av. Leopoldo de Bulhões – Marginal Botafogo
85
17. Marginal Botafogo – Av. A
85
18. Av. A – Rua 88
85
19. Rua 88 – Rua 115
85
20. Rua 115 – Pça Genaro Maltez
85
21. Pça Genaro Maltez – Rua 243
85
22. Rua 243 – 1ª Av.
85
23. 1ª Av. – Av. Nações Unidas
85
24. Av. Nações Unidas – 5ª Av.
85
25. 5ª Av. – Pça. Universitária
85
26. Pc. Universitária – Pça. Veríssimo de Souza
85
27. Pça. Veríssimo de Souza – Rua 256
85
28. Rua 256 – T. Bíblia
85
29. T. Bíblia
85
Média dos níveis de ruído durante todo o trajeto 81,5 dB(A)
Nº
patrimônio
3413
Nível
Encontrado
dB (A)
PONTO AVALIADO
Nível Máximo
Permitido por
8 h dB (A)
ORDEM
Planilha Níveis de Pressão Sonora (NPS) - dB (A)
Modelo
Marca
Medidor de NPS decibelímetro
MSLMínima
1352
83,0
82,1
82,4
86,7
84,2
80,6
83,9
84,2
84,0
80,1
83,3
76,0
80,7
82,9
76,8
76,2
83,8
81,4
81,5
80,2
81,5
81,4
81,7
81,2
81,7
81,1
79,8
79,9
81,9
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
85
91
Apêndice 6-a: Associações investigadas entre a exposição ao ruído e os efeitos
auditivos apresentados pelos motoristas
Tempo de
serviço
Parâmetro
Ouve bem
Sim
Não
Entende bem
Sim
Não
Otalgia
Sim
Não
Zumbido
Sim
Não
≤ 7 anos
>7 anos
n
p
60
6
31
3
91
9
0,7455
58
8
28
6
86
14
0,6526
Fischer
4
62
2
32
6
94
0,6826
Fischer
16
50
11
23
27
73
0,5302
teste
Fischer
Qui-quadrado
92
Apêndice 6-b: Associações investigadas entre a exposição ao ruído e os efeitos
extra-auditivos (alterações psicológicos e comportamentais) apresentados pelos
motoristas.
Tempo de
serviço
Parâmetro
≤ 7 anos
> 7 anos
n
p
29
37
13
21
42
58
0,7387
Fadiga
Sim
Não
23
44
9
24
32
68
0,6289
Tensão
Sim
Não
30
36
16
18
46
54
0,9527
Qui-quadrado
Nervosismo
Sim
Não
35
31
14
20
49
51
0,3617
Qui-quadrado
Ansiedade
Sim
Não
43
23
20
14
63
37
0,6875
Qui-quadrado
Depressão
Sim
Não
10
56
5
29
15
85
0,8131
Qui-quadrado
10
56
10
24
20
80
0,1542
Irritabilidade
Sim
Não
Solidão
Sim
Não
teste
Qui-quadrado
Qui-quadrado
Fischer
93
Apêndice 6-c: Associações investigadas entre a exposição ao ruído e os efeitos
extra-auditivos (alterações cognitivas) apresentados pelos motoristas.
Tempo de
≤ 7 anos
> 7 anos
n
Sim
10
10
20
Não
56
24
80
Sim
5
1
6
Não
61
33
94
serviço
p
teste
0,1542
Qui-quadrado
0,6312
Qui-quadrado
Parâmetro
Memória
Desatenção
94
Apêndice 6-d: Associações investigadas entre a exposição ao ruído e os efeitos
extra-auditivos (alterações orgânicas) apresentados pelos motoristas.
Tempo de
serviço
Parâmetro
Cefaleia
Sim
Não
≤ 7 anos
> 7 anos
n
p
teste
29
37
10
24
39
61
0,2323
Qui-quadrado
Tontura
Sim
Não
9
57
7
27
16
84
0,5416
Problemas
Digestivos
Sim
Não
15
51
10
24
25
75
0,6259
Problemas
Renais
Sim
Não
13
53
3
31
16
84
0,2640
Problemas de
Coluna
Sim
Não
22
44
7
27
29
71
0,27722
Problemas
Ortopédicos
Sim
Não
6
60
6
28
12
28
0,3563
Alterações no
sono
Sim
Não
17
49
12
22
29
71
0,4455
Alterações de
Apetite
Sim
Não
9
57
5
29
14
86
0,8743
17
49
10
24
27
73
0,8791
Insônia
Sim
Não
Continua...
Qui-quadrado
Qui-quadrado
Qui-quadrado
Qui-quadrado
Fischer
Qui-quadrado
Fischer
Qui-quadrado
95
Continuação da tabela: Apêndice 6-d: Associações investigadas entre a
exposição ao ruído e os efeitos extra-auditivos (alterações orgânicas)
apresentados pelos motoristas.
Problemas de
visão
Sim
4
3
7
Fischer
Não
62
31
93
0,9209
Pressão
arterial
Sim
Não
13
53
4
30
17
83
Taquicardia
Sim
Não
3
63
2
32
5
95
0,8464
Diabetes
Sim
Não
2
64
2
32
4
96
0,8801
0,4719
Qui-quadrado
Fischer
Fischer
96
ANEXOS
97
Anexo 1: Comitê de Ética
98
Anexo 2: Itinerário da Linha 003
99
Anexo 3: Itinerário da Linha 020
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