...

Estudo farmacognóstico da Rosa alba L

by user

on
Category: Documents
14

views

Report

Comments

Transcript

Estudo farmacognóstico da Rosa alba L
Revista Faculdade Montes Belos (FMB), v. 7, n° 1, 2014, p (136-150), 2014 ISSN 18088597
Estudo farmacognóstico da Rosa alba L1.
Fábio da Silva Santos2, Jakeline Rodrigues Cardoso 2, Josane Vigilatto Mendes2, Mariana
Viana Pinto3*
1
.Trabalho realizado na Faculdade Montes Belos (FMB) como exigência parcial para receber o título de
Bacharel em Farmácia
2
.Acadêmicos Faculdade Montes Belos, Curso de Farmácia.
3
Orientadora do trabalho de conclusão de curso Faculdade Montes Belos.
*Email: [email protected]
Resumo: A Rosa alba, popularmente encontrada na região centro-oeste do estado de Goiás,
Brasil, é conhecida popularmente como rosa branca ou rosa de quintal. A espécie Rosa alba
L. pertence ao reino Plantae e a família Rosaceae. A população usa esta planta na forma de
chás, para tratamentos de problemas oculares, candidíase vaginal e como laxativo. Estudos
demonstraram atividade antimicrobiana para esta espécie, justificando seu uso popular. O
objetivo do presente trabalho foi realizar o estudo farmacognóstico da Rosa alba L., a fim de
se conhecer melhor sua composição química. Foram encontrados taninos nas pétalas,
mucilagem nas folhas, antraquinonas nas folhas e flavonoides em pétalas e folhas. Foram
realizados ensaios de pureza, como determinação de umidade e de cinzas nas drogas vegetais
obtidas (a partir das folhas e pétalas), os quais serão sugeridos como parâmetros para o
controle de qualidade destas drogas. Foram realizadas também análises macroscópicas e
microscópicas desta espécie e suas características foram descritas.
Palavras chaves: Metabólitos secundários. Plantas medicinais. Rosa branca.
Abstract : Rosa alba, commonly found in the West Region of Goiás, Brazil, is popularly
known as White Rose or backyard rose. The specie Rosa alba L. belongs to the Plantae
Kingdom and the family Rosaceae. The population uses this plant in form of teas, for
treatment of eye problems, vaginal candidiasis and as laxative. Studies have shown
antimicrobial activity for this specie, justifying its popular use. The objective of this study
was to carry out the pharmacognostic study of Rosa alba L., in order to know better its
chemical composition. Tannins were found in petals, mucilage in the leaves, anthraquinones
in leaves and flavonoids in petals and leaves. Purity tests were carried out, such as moisture
and ash determination in plant drugs obtained from leaves and petals, which will be suggested
as parameters for quality control of these drugs. Macroscopic and microscopic analyses also
were conducted and this species characteristics were described.
Key words: Medicinal plants. Secondary metabolites. White Rose.
1 Introdução
dos egípcios, há cerca de 5.000 anos. O uso
dessas
plantas
era
bastante
variado,
Uma das mais antigas práticas
geralmente as incluíam na alimentação, na
medicinais da história é o uso de plantas
preparação de remédios e cosméticos, mas
medicinais, seu uso é tão antigo quanto a
sua
espécie humana. Existem registros da
embalsamar
utilização de drogas vegetais desde a época
DEFANI, 2007).
principal
os
utilização
mortos
era
para
(PEREIRA;
1
Revista Faculdade Montes Belos (FMB), v. 7, n° 1, 2014, p (136-150), 2014 ISSN 18088597
Desde então, o homem faz uso
dessas
drogas
vegetais,
1560
e
1570.
A
sua
biodiversidade de uso no Brasil é bastante
restabelecer a saúde e manter o equilíbrio
variada, são utilizadas na horticultura
terapêutico. Hoje com as tecnologias
ornamental,
utilizadas, existe uma maior segurança na
conservas, corantes, confeitos, chás, óleos,
utilização
essências,
plantas
fim
de
de
dessas
a
meados
e
maior
usadas
entre
na
outras.
culinária,
Devido
em
aos
conhecimento quanto as suas propriedades
chineses a rosa passa a ser utilizada com
e seus efeitos prejudiciais, podendo evitar
fim medicinal (BARBIERI, STUMPF,
assim alergias, toxicidade e até a morte
2005).
(CORREIA JUNIOR et al., 1994).
A família Rosaceae, contém 95
A OMS define o termo planta
gêneros e 3.000 espécies dispersas em todo
medicinal, como sendo “todo e qualquer
o globo terrestre. Essa família é de difícil
vegetal que possui, em um ou mais órgãos,
definição devido a grande diversidade
substâncias que podem ser utilizadas com
morfológica existente. Dentre as 3.000
fins terapêuticos ou que sejam precursores
espécie pode citar a Rosa alba L.
de fármacos semissintéticos” (JUNIOR;
(BARBIERI, STUMPF, 2005).
PINTO, 2005).
A primeira rosa branca foi cultivada
O Brasil possui uma riquíssima
por gregos e romanos, acredita-se que seja
biodiversidade natural e um grande arsenal
devido um cruzamento das rosas caninas,
para pesquisa e estudo, com cerca de 55
selvagem na Europa, e a rosa damascena, o
mil espécies de plantas conhecidas e várias
que originou diversidade de espécies. O
a serem descobertas. Algumas utilizadas
óleo
como fonte de alimentos, matérias-primas
constituído de citronelol, geraniol, nerol,
para medicamentos e até aromatizantes
linalol,
(BRASIL, 2010).
apresentando
Estudos com moléculas de DNA
extraídas das rosas confirmam que elas
essencial
citrol,
da
Rosa
carvacol,
grande
alba
L.
é
eugenol,
atividade
antimicrobiana, in vitro, contra Candida
albicans (REIS, 2011.)
existem há cerca de 200 milhões de anos,
A Rosa alba L. é encontrada na
estando entre as flores mais antigas em
região centro-oeste no estado de Goiás e é
cultivo em todo o mundo. Ainda existem
conhecida popularmente como rosa branca
poucas referências sobre a introdução da
ou rosa de quintal. O gênero Rosa pertence
rosa no Brasil, sabe-se, que ela chegou ao
ao reino Plantae e a família Rosaceae. A
Brasil por intermédio dos jesuítas em
população usa esta planta na forma de
2
Revista Faculdade Montes Belos (FMB), v. 7, n° 1, 2014, p (136-150), 2014 ISSN 18088597
chás,
para
oculares,
tratamento
candidíase
de
vaginal
problemas
e como
de pó obtida das pétalas foi de 25 g e das
folhas 42 g.
laxativo. Estudos demonstram que a Rosa
Para a descrição macroscópica foram
alba L. tem ação antibacteriana contra
coletadas partes da planta, como flor,
Staphylococcus aureus e Escherichia coli,
caule, raiz e folha. O professor da
e ação antifúngica contra Candida albicans
instituição
(CARVALHO, et al. 2008).
Antônio Florentino de Lima Junior, Mestre
Devido a Rosa alba ter seu uso
popular
para
tratamento
de
Faculdade
Montes
Belos,
em Engenharia Agrícola, auxiliou no
algumas
processo da classificação taxonômica da
enfermidades, o objetivo deste trabalho é
planta medicinal em estudo, a qual foi
realizar o estudo farmacognóstico da Rosa
realizada conforme Lorenzi; Matos (2008)
alba L.
e Raven & Evert (2007).
Foram
2 Material e Métodos
realizados
estudos
microscópicos de cortes histológicos da
folha e caule de Rosa alba L. submetidos à
As pétalas e folhas foram coletadas
dupla coloração azul de alcian-safranina
no município de São Luís de Montes
(KRAUS
et
Belos, Estado de Goiás. Para mapeamento
histológicos foram obtidos à mão livre. As
da planta empregamos a técnica de GPS -
estruturas visualizadas foram fotografadas
Sistema de Posicionamento Global. A
em foto microscópio (Zeiss Axioskope) do
planta utilizada no trabalho localizava-se
Laboratório
nas seguintes coordenadas: latitude 16.50º
Naturais/Faculdade de Farmácia/UFG.
A
ao sul e 50.37° ao oeste, longitude 50.37º
al.,
1998).
Pesquisa
pesquisa
Os
de
cortes
Produtos
qualitativa
dos
ao oeste. Todas as amostras coletadas
diversos princípios ativos vegetais foi
foram obtidas dessa localidade.
realizada conforme descrito por Costa
As pétalas e folhas da Rosa alba L.
(2001).
foram secas em estufa de ar circulante
Os
metabólitos
secundários
(Odontobrás, Modelo 1.1, Ribeirão Preto-
pesquisados
SP), por 72 horas, a 45ºC, e posteriormente
foram:
foram submetidas à pulverização com o
antraquinônicos, saponínicos; taninos e
auxílio de um almofariz e pistilo, obtendo-
mucilagem. Para a caracterização de cada
se um pó extremamente fino. A quantidade
grupo de metabólitos foram empregadas
na
matéria-prima
heterosídeos
vegetal
flavonoides,
reações específicas.
3
Revista Faculdade Montes Belos (FMB), v. 7, n° 1, 2014, p (136-150), 2014 ISSN 18088597
Os heterosídeos flavonoides foram
As
reações
de
caracterização
de
obtidos através da extração que constou de
hidroxilas fenólicas foram observadas pela
extração atrav[es de fervura durante cinco
reação com Hidróxidos alcalinos. Em meio
minutos de sete gramas da droga em pó em
alcalino, alguns grupos de flavonoides
60 ml de etanol a 70%. Filtrou-se por papel
apresentam cor amarela. A presença de
de filtro, previamente umedecido com
chalconas
etanol 70%. Reservou-se para as reações.
amarelada.
pode
dar
cor
vermelha-
Procedimento: transferiu-se 3 mL da
Reações relacionadas com o núcleo
solução extrativa para um tubo de ensaio.
fundamental foram realizadas observando
Adicionou-se cerca de 1 mL de NaOH
a relação Oxalo-bórica. Esta reação é
20%. Agitou-se o tubo. Observou-se a
exclusiva
coloração desenvolvida.
compostos
dos
flavonóis.
(flavonas,
Os
outros
e
A reação com o Cloreto de alumínio
isoflavonas) podem corar-se, mas não
foi utilizado para estudar a presença dos
apresentam fluorescência.
flavonoides nos tecidos, em presença do
Procedimento:
flavanonas
evaporou-se
em
cloreto de alumínio, possuem fluorescência
cápsula de porcelana 5 mL da solução
amarela intensa quando observadas sob luz
extrativa. Juntou-se ao resíduo semi-seco 3
UV.
mL de solução de ácido bórico a 3% e 1
Procedimento: transferiu-se cerca de 5
mL de ácido oxálico a 10%. Evaporou-se
mL de solução extrativa para um béquer ou
até a secura. Juntou-se ao resíduo seco, 7
cápsula de porcelana. Concentrou-se até
mL de éter etílico. Observou-se sob luz
mais ou menos a metade e transferiu-se
ultravioleta.
esta solução concentrada para um pedaço
A reação com H2SO4 concentrado foi
de papel de filtro espalhando sobre toda a
baseada na formação de sais de oxônio, e
superfície do mesmo. Umedeceu-se uma
suas soluções apresentam fluorescência
das regiões do papel com solução de
variável conforme a posição do íon oxônio
cloreto de alumínio à 5% e observou-se
na molécula. Para isso, foram adicionadas
sob luz UV.
cerca de 3 mL de solução extrativa numa
cápsula de porcelana. Evaporou-se até
semiescura. Adicionou-se 0,5 mL de
H2SO4 concentrado e observou-se sob luz
ultravioleta.
4
Revista Faculdade Montes Belos (FMB), v. 7, n° 1, 2014, p (136-150), 2014 ISSN 18088597
A reação com Cloreto férrico foi usada
A
pesquisa
de
heterosídeos
observando a formação de cor variável
antraquinônicos foi realizada fazendo a fervura
como verde, castanha, amarela, violeta.
de uma grama da droga, grosseiramente
Para isso foram transferidos cerca de 3 mL
pulverizada com 30 ml de álcool a 75% v/v,
da solução extrativa para um tubo de
durante três
ensaio. Juntou-se 2 gotas de cloreto férrico
obtido ainda quente.
Caracterização: transferiu-se 10 ml
a 4,5%.
Os heterosídeos saponínicos foram
estudados fazendo a determinação do
índice
de espuma (Afrosimétrico
Espumígeno):
determinado
através
ou
da
maior diluição em que uma grama da droga
em pó é capaz de formar um cm de espuma
Procedimento: pesou-se exatamente
1 g do material vegetal pulverizado e
transferiu-se para erlenmeyer contendo 50
mL de água fervente. Manteve-se sob
fervura moderada durante 30 minutos.
Resfriou-se, filtrou-se com o auxílio de
uma bomba de vácuo (Prismatec) Repetiuse a extração do mesmo material utilizando
porções sucessivas de 10 mL de água
fervente até completar o volume de 100
mL. Distribuiu-se o decocto obtido em 10
tubos de ensaio com tampa, em uma série
sucessiva de 1,2,3 até 10 mL e ajustou-se o
volume do líquido em cada tubo a 10 mL
com água. Tampou-se os tubos e agitou-se
movimentos
verticais
do filtrado para béquer (I) e 10 ml para
outro (II). Acidificou-se o conteúdo do
béquer I com 0,5 ml de HCl SR e ferveu-se
por 2 minutos. O mesmo foi feito com o
béquer
II,
porém o
ácido
não
foi
adicionado. Transferiu-se os líquidos para
tubos de ensaio após o resfriamento,
em determinadas condições.
com
minutos. Filtrou-se o líquido
por
15
segundos. Deixou-se em repouso por 15
minutos e mediu-se a altura da espuma.
adicionou-se a cada um, 10 ml de éter.
Agitou-se levemente e então, separou-se 5
ml dos tubos de ensaio I e II. Em ambos foi
adicionado 4 ml de amônia SR e deixou-se
em repouso durante 5 minutos. A camada
amoniacal toma uma coloração rósea
conforme a quantidade de princípio ativo
(agliconas
libertadas
das
cadeias
glicídicas).
Para verificação dos tanino ferveuse a solução contendo o material de
pesquisa durante cinco minutos, duas
gramas da droga em pó em 50 ml de água
destilada.
Filtrou-se
ainda
quente
e
completou-se o volume para 100 ml. Para
identificação foram tomados cinco tubos
ensaio. Transferiu-se para cada tubo cinco
ml da solução extrativa. A cada tubo
procedeu-se de acordo com as seguintes
reações:
5
Revista Faculdade Montes Belos (FMB), v. 7, n° 1, 2014, p (136-150), 2014 ISSN 18088597
Mediu-se o volume (mL) ocupado pelo
2.4.5.1 REAÇÃO COM GELATINA
material vegetal acrescido de mucilagem
Adicionou-se ao primeiro tubo de
(Vf
ou
qualquer
material
aderido).
ensaio 4 a 5 gotas de solução de gelatina a
Calculou-se o valor médio obtido a partir
2,5% em solução de cloreto de sódio 5%.
de
Observou-se
(triplicata), utilizando-se a fórmula II= Vf
o
desenvolvimento
de
várias
determinações
realizadas
– Vi, onde: II= índice de intumescência;
precipitado.
As reações com os sais metálicos
foram observadas quando se adicionou ao
Vi= volume inicial da droga vegetal; Vf=
volume final da droga vegetal.
quarto tubo, uma a duas gotas de cloreto
A determinação do teor de umidade
férrico a 2%. Diluiu-se com 10 ml de água
e do teor de cinzas totais foi realizada
destilada. Anotou-se a cor. Resultado
conforme
positivo
Brasileira (2010).
deve
haver
a
presença
de
precipitado.
descrito
na
Farmacopeia
A determinação do teor de umidade
A reação com hidróxidos alcalinos
na droga vegetal foi realizada utilizando
foi observada no quinto tubo onde se
uma balança para análise de umidade com
adicionou de 4 a 5 gotas de hidróxido de
lâmpada de halogênio (Ohaus – MB35,
sódio ou potássio a 20%. Anotou-se o
Florham Park, USA), sendo os ensaios
resultado positivo nas amostras onde não
realizados em três repetições com amostras
se observou a presença de precipitado.
de aproximadamente um grama
Determinou-se
o
índice
de
O procedimento para determinação
intumescência (II) através de medidas do
do teor de cinzas totais foi realizado
volume ocupado pelo inchamento de um
pesando exatamente cerca de duas gramas
gramo da droga, pela adição de água, sob
da droga pulverizada, transferiu-se para
condições definidas.
cadinho previamente calcinado, resfriado e
Pesou-se exatamente uma grama da
pesado. Distribuiu-se a droga de maneira
droga vegetal pulverizada e colocou-se
uniforme, incinerando-a com aumento
numa proveta de 25 mL com tampa
gradativo
esmerilhada. Mediu-se o volume ocupado
ultrapassando 450 °C, até que o carvão
pela planta seca (Vi). Adicionou-se 25 mL
fosse
de água e agitou-se a cada 10 minutos, por
dessecador e pesou-se. Calculou-se a
uma hora. Deixou-se a mistura em repouso
porcentagem de cinzas em relação à droga
de
eliminado.
temperatura,
Resfriou-se
não
em
por 3 horas á temperatura ambiente.
6
Revista Faculdade Montes Belos (FMB), v. 7, n° 1, 2014, p (136-150), 2014 ISSN 18088597
seca ao ar. Este ensaio foi realizado em
3.1
ANÁLISE MACROSCÓPICA DA
triplicata.
Rosa alba:
A roseira da Rosa alba é uma planta de
grande porte, arbustiva chegando a medir
3 Resultados e Discussão
1,80 m de altura, com rosas brancas
O estudo da Rosa alba vem para
aveludadas e perfeitas, seu cheiro é
contribuir com as pesquisas de plantas
agradável atraindo assim a polinização de
medicinais e o uso destas drogas e suas
insetos, não possuem flores isoladas,
formas de preparação com base na
geralmente formam cachos grandes com 3
medicina popular e tradicional. Ficando
ou mais flores que florescem o ano todo
sob os profissionais da área de saúde a
bastando ser regada (RAVEN; EVERT,
responsabilidade e o cuidado na orientação
2007).
e uso de chás medicinais e de fitoterápicos.
Como a Rosa alba não possui
As folhas foram caracterizadas como
simples,
com
tricomas
reservados,
monografia em farmacopeias e livros
nervuras reticuladas típicas de espécies
especializados
magnoliopsida.
em
Farmacognosia,
Possuem
formato
possivelmente este é o principal impacto
palminérvio com pequenas lanças laterais.
social deste trabalho, ou seja, sugerir
A nervura central é elevada e em espinha
parâmetros para o controle de qualidade
de peixe, conforme mostra a Figura 2.
desta droga vegetal.
Não foram encontrados na literatura
científica pesquisada trabalhos sobre o
Observa-se na Figura 3 mostra o caule,
o qual é do tipo haste, ramificado, com
formações de pequenos acúleos.
controle de qualidade da matéria-prima
A flor (Figura 4) é em forma de roseta,
vegetal obtida desta planta; sendo esta a
as pétalas formam a corola de forma bem
principal justificativa para a realização
sobreposta, o cálice é bem fechado
deste estudo.
próximo a colora. O estigma não é
aparente consequentemente o carpelo não é
desenvolvido. O androceu possui estames
curtos e com anteras pouco formadas.
7
Revista Faculdade Montes Belos (FMB), v. 7, n° 1, 2014, p (136-150), 2014 ISSN 18088597
Figura 1- Aspecto geral da planta
Figura 2- Folha da Rosa alba L.
Figura 3- Caule da Rosa alba L.
Figura 4- Flor da Rosa alba L.
Com
relação
a
classsificação
presença de parênquima paliçádico e
taxonômica, esta espécie pertence ao Reino
parênquima
Plantae,
paradérmica (Figura 5B, 5C, 5D) observa-
Filo/Divisão
Magnoliophyta,
Classe Magnoliopsida, Ordem Rosales,
lacunoso.
Na
seção
se a presença de pêlos tectores.
Família Rosaceae, Gênero Rosa, Espécie
R. alba L. e popularmente é conhecida
como rosa branca ou rosa de quintal.
3.2 ANÁLISE MICROSCÓPICA DA
Rosa alba.
Na secção transversal das folhas da
Rosa alba (Figura 5A) foi observado a
Figura 5- Análise microscópica das folhas
da Rosa alba L. em secção transversal (A)
e corte paradérmico (B, C e D) submetido
à coloração de azul de alcian-safranina. Ppparênquima paliçádico; Pt- pêlo tector; PLparênquima lacunoso.
8
Revista Faculdade Montes Belos (FMB), v. 7, n° 1, 2014, p (136-150), 2014 ISSN 18088597
A
B
C
D
Em secção transversal da folha de R. alba
Segundo
Solereder
(1908),
os
(5A) observamos o parênquima paliçádico
tricomas podem ser classificados como
apresentando duas camadas de células
pêlos ou glândulas externas, sendo que a
ocupando cerca de um terço do mesofilo e
sua forma usual que é frequentemente
o parênquima lacunoso ocupando cerca de
presente é o tricoma simples, unicelular ou
dois terços do mesofilo.
unisseriado.
Ambas as
epidermes são unisseriadas (apresentam
apenas uma camada de células).
No corte paradérmico das folhas da
R. alba (figura 6A, 6B e 6C) foi observado
a presença de estômatos.
No corte paradérmico da folha de
R. alba (5B, 5C, 5D) foi observado a
presença de tricomas unicelulares (pêlos
tectores) em ambas as epidermes.
Figura 6- Análise microscópica das folhas
da Rosa alba L. secção paradérmica (A, B,
C) submetido à coloração de azul de
alcian-safranina. Es- estômato.
9
Revista Faculdade Montes Belos (FMB), v. 7, n° 1, 2014, p (136-150), 2014 ISSN 18088597
A
B
C
As folhas da espécie R. alba são
anfiestomáticas, ou seja, os estômatos são
No corte transversal do caule
(Figura 7), foram observadas drusas.
conservados tanto na epiderme inferior
quanto na superior.
10
Revista Faculdade Montes Belos (FMB), v. 7, n° 1, 2014, p (136-150), 2014 ISSN 18088597
Figura 7- Análise microscópica do caule da Rosa alba L. em corte transversal (A, B)
submetido à coloração de azul de alcian-safranina. Dr- drusas.
A
B
No corte transversal do caule foram
observadas drusas (cristais), as quais em
3.3
PROSPECÇÃO FITOQUÍMICA
luz polarizada apresentam brilho intenso
(Figura 7A). Segundo Ferri et al. (2003)
Este estudo teve por finalidade
drusa é o conjunto de cristais incompletos
avaliar
qualitativamente
concrescidos em torno de um núcleo
classes
comum, em geral, um pequeno cristal. São
presentes nas folhas e pétalas da R. alba,
muito frequentes nas plantas as drusas de
os
oxalato de cálcio e numa célula pode
apresentados na Tabela 1.
de
metabólitos
resultados
as
principais
secundários
encontrados
estão
ocorrer mais do que uma drusa.
11
Revista Faculdade Montes Belos (FMB), v. 7, n° 1, 2014, p (136-150), 2014 ISSN 18088597
Tabela 1 – Resultados da prospecção fitoquímica para o pó das pétalas e das folhas de R.
alba.
Resultados
Ensaio qualitativo
FOLHAS
PÉTALAS
Reação oxalo-bórica
Positivo
Positivo
Reação com H2SO4 concentrado
Positivo
Positivo
Reação com Hidróxidos Alcalinos
Positivo
Positivo
Reação com Cloreto de Alumínio
Negativo
Negativo
Reação com Cloreto Férrico
Positivo
Negativo
Pesquisa de Heterosídeos saponínicos
Negativo
Negativo
Pesquisa de Heterosídeos antraquinônicos
Positivo
Negativo
Reação com gelatina
*
Positivo
Reação com sais metálicos
*
Positivo
Reação com hidróxidos alcalinos
*
Negativo
Pesquisa de Heterosídeos flavonóides:
Reações de Caracterização de Hidroxilas fenólicas:
Pesquisa de taninos
*Não foram realizadas as reações
No teste para detecção de compostos
coloração de diversos vegetais, sendo
flavonoides, o resultado foi positivo,
também constituintes de óleos voláteis.
indicando a presença de uma quantidade
Acredita-se que durante o preparo do
considerável
destes
nesta
extrato alcoólico das pétalas houve perda
espécie,
quais
apresentar
desses constituintes, por isso os resultados
os
compostos
podem
atividades antinflamatória e antimicrobiana
predominantemente
negativos
(LÓPEZ, 2006).
compostos fenólicos nas pétalas.
para
Nas reações para caracterização de
Não foram encontrados heterosídeos
hidroxilas fenólicas verifica-se a presença
saponínicos nas drogas vegetais de R. alba.
de compostos fenólicos em geral, dessa
forma
observamos
nos
Foi
observada
a
presença
de
resultados
heterosídeos antraquinônicos nas folhas, os
encontrados a presença dessas substâncias
quais podem apresentar propriedade laxante,
predominantemente nas folhas. Segundo
segundo Simões et al. (2007).
Simões et al. (2007), os compostos
Nas reações para pesquisa de taninos
fenólicos contribuem para o sabor, odor e
foram encontrados resultados positivos para
12
Revista Faculdade Montes Belos (FMB), v. 7, n° 1, 2014, p (136-150), 2014 ISSN 18088597
este metabólito nas pétalas. Os taninos
caracterizada pela presença considerável
ajudam no processo de cura de feridas,
de
queimaduras
PHARMACOPOEIA, 2001).
formação
e
de
inflamações
uma
através
da
mucilagem
(EUROPEAN
camada
protetora
De acordo com Simões et al. (2007)
tanino-proteína
e/ou
as mucilagens possuem propriedades de
polissacarídeo) sobre a pele ou mucosa
reter água e com isso explica a sua ação
danificada (SIMÕES et al. 2007).
laxativa,
(complexo
volumoso,
3.4
DETERMINAÇÃO DO ÍNDICE DE
INTUMESCÊNCIA
ao
formar
um
bolo
permanentemente
fecal
túrgido,
evitando a absorção de água através da
parede dos intestinos e o endurecimento
das fezes, ao mesmo tempo em que
Os valores encontrados para o II
demonstram
de
intestinais. No entanto, em alguns casos
intumescimento para a droga vegetal
atuam como antidiarreicos, devido a sua
obtida da folha (Tabela 2), podendo indicar
natureza coloidal, impedindo a ação de
a
substancias irritantes e até de bactérias
presença
um
de
alto
índice
excitam por via reflexas as concentrações
quantidade
bastante
significativa de mucilagem. Para Fucus
sobre
a
mucosa.
Tais
propriedades
vesiculosus este índice não deve ser
condizem com o uso dessa droga vegetal
inferior a seis em água, sendo essa espécie
obtida das folhas.
Tabela 2 – Resultados do Índice de Intumescência do pó das pétalas e folhas da Rosa alba.
Parte da planta
Triplicatas (Vf)
Média
Pó das pétalas
Pó das folhas
3.5
4,0
5,0
4,0
4,4
12,0
12,0
11,0
11,7
DETERMINAÇÃO DOS TEORES DE UMIDADE E CINZAS TOTAIS
13
Revista Faculdade Montes Belos (FMB), v. 7, n° 1, 2014, p (136-150), 2014 ISSN 18088597
Tabela 3- Resultados dos teores de umidade e cinzas totais do pó das pétalas e folhas
da Rosa alba.
TEOR DE CINZAS
TEOR DE UMIDADE
AMOSTRA
PÉTALAS
FOLHAS
PÉTALAS
FOLHAS
Rosa alba L.
5,418%
5,545%
4,685%
9,465%
9,1%
9,12%
4,47%
4,26%
4,63%
4,75%
4,55%
4,82%
O excesso de umidade nas drogas
Com
o
desenvolvimento
desta
vegetais permite a ação de enzimas,
pesquisa pode - se obter parâmetros que
podendo
dos
podem ser utilizados para o controle de
constituintes químicos, além de possibilitar
qualidade das folhas e pétalas da Rosa alba
o desenvolvimento de fungos e bactérias,
L.. Desta forma, pode-se atuar junto à
por isso a importância da sua determinação
sociedade,
em
assegurar o uso de plantas medicinais de
acarretar
drogas
farmacopeias
a
degradação
vegetais.
estabelecem
Diferentes
o
teor
de
visando
contribuir
para
maneira segura e eficaz.
umidade entre 8 e 14% para drogas
vegetais (SIMÕES et al., 2007).
A determinação do teor de cinzas
totais foi feita com o intuito de se verificar
a presença de impurezas inorgânicas não
Referência Bibliográfica
BARBIERI, R.L.; STUMPF, E. R.T.
Origem, evolução e história das rosas
cultivadas, R. bras. Agrociência, Pelotas,
v.11, n. 3, p. 267-271, 2005.
voláteis que podem estar presentes como
contaminantes (SIMÕES et al., 2004). Ela
foi feita segundo procedimento descrito
pela Farmacopeia Brasileira, 5 ed. (2010) e
os valores encontrados serão sugeridos
como parâmetro no controle de qualidade
desta droga vegetal.
4 Conclusão
BRASIL. Ministério da Saúde. Agência
Nacional
de
Vigilância
Sanitária.
Resolução n. 10, de 29 de março de 2010.
Dispõe sobre a notificação de drogas
vegetais. Secretaria Nacional de Vigilância
Sanitária, Ministério da Saúde. 2010. s.p.
CARVALHO, A. H. O; SANTOS, K. N. S.
S; NUNES, N. S. O, RESENDE, D. G,
REIS, Y. P. B. Verificação de atividade
antimicrobiana de extratos de plantas
silvestres. Revista Eletrônica de Biologia
REB, v. 1, n. 3, p. 2-7, 2008.
CORREA JUNIOR, C.; MING, L. C.;
SCHEFFER, M. C. Cultivo de plantas
14
Revista Faculdade Montes Belos (FMB), v. 7, n° 1, 2014, p (136-150), 2014 ISSN 18088597
medicinais: condimentares e aromáticas.
2.ed. Jaboticabal, FUNEP, 1994. 151 p.
COSTA, A. F. Farmacognosia. 3 ed.
Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian,
2001. v.3. 1032 p.
E.P.- EUROPEAN PHARMACOPOEIA,
4 ed. Pharmacopoeia. Strasbourg;Council
of Europe, Strasbourg, 2001. 2416 p.
FARMACOPÉIA BRASILEIRA. 5. ed.
Brasília: Agência Nacional de Vigilância
Sanitária / Fundação Oswaldo Cruz. 2010.
852 p.
FERRI, M. G; MENEZES. N. L;
MONTEIRO, W.R. Glossário Ilustrado
de Botânica. São Paulo. NOBEL, 2003.
197p.
KRAUS, J.E.; SOUSA, H.C.; REZENDE,
M.H.; CASTRO, N.M.; VECCHI, C.;
LUQUE, R. Astra blue and basic fuchsine
double staining methods for plant
materials. Biotechnic and Histochemistry
v.5, n. 73, p. 235-243, 1998.
LÓPEZ, C.A.A. Considerações gerais
sobre plantas medicinais. Universidade
Estadual de Roraima – UERR. Ambiente:
Gestão e Desenvolvimento, v.1, n.1, p.1927. 2006.
LORENZI, H; MATOS. F.J. A, Plantas
medicinais no Brasil. 2 ed. Nova OdessaSP: Plantarum. 2008. 544 p.
PEREIRA, M. C; DEFANI, M. A. Plantas
medicinais:
modificando
conceitos.
Universidade Estadual de Maringá 2007.
18 p.
RAVEN,P.H; EVERT,R.F.; EICHHORN,
S.E. Biologia Vegetal, 7 ed. Rio de
Janeiro-RJ: Guanabara Koogan, 2007.
807 p.
REIS, O. H. B; Ação antifúngica de óleo
essencial da Rosa alba L.Alfenas -MG.
2011. 70 p.
SIMÕES, C.M.O.; SHENKEL, E.P.;
GOSMANN,
G.;
MELLO,
J.C.P.;
MENTZ, L. A.; PETROVICK, P.R.
Farmacognosia:
da
planta
ao
medicamento. 5 ed.. Porto Alegre:
UFRGS, 2007.1102 p.
SOLEREDER, H. Systematic anatomy of
the dicotyledons. A handbook for
laboratories of pure and applied Botany.
v.2..Oxford: Clarendon Press, 1908. 1182
p.
VEIGA JUNIOR, V. F.; PINTO, A. C.
MACIEL, M. A. M.; Plantas Medicinais:
Cura Segura? Química Nova, v. 28, n.3, p.
519-528, 2005.
15
Fly UP