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Tradução do Humor nas Tiras Cyanide and Happines

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Tradução do Humor nas Tiras Cyanide and Happines
TRADUÇÃO DO HUMOR NAS TIRAS “CYANIDE AND HAPPINESS”: ADAPTAÇÃO E
EMPRÉSTIMOS TRADUTÓRIOS
AUTORES
Bruna Vançan de REZENDE
Vitor Monteiro de AQUINO
Discentes UNILAGO
Lauro Maia AMORIM
Docente UNILAGO
RESUMO
Neste trabalho, mostraremos a criatividade do tradutor no ato tradutório
das tiras de humor “Cyanide and Happiness” ao utilizar duas modalidades
tradutórias: a adaptação e o empréstimo. Para isto, apresentaremos uma
breve definição a cerca das duas modalidades tradutórias envolvidas (a
adaptação e o empréstimo), das tradicionais teorias do humor e analisaremos a tradução para o português de duas tiras do “Cyanide and Happiness”.
PALAVRAS-CHAVE
tradução, tiras, adaptação, empréstimo
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INTRODUÇÃO
O ato tradutório surgiu há muito tempo e mesmo assim, muitas
pessoas acreditam que basta fazer a transposição de uma língua para
outra e a tradução estará rapidamente pronta. Sabemos que não se
trata de um trabalho tão simples assim. Afinal, a tradução envolve culturas diferentes e mesmo que o tradutor tenha bastante conhecimento
a cerca das línguas com que trabalhará e das culturas envolvidas, muitas vezes, precisará de criatividade para alcançar um resultado satisfatório. Sendo assim, neste trabalho apresentaremos breves definições
a cerca das modalidades tradutórias: adaptação e empréstimo, das
tradicionais teorias do humor e analisaremos duas tiras do “Cyanide
and Happiness
“, afim de mostrar onde as teorias podem ser
aplicadas e como a criatividade do tradutor seria um diferencial.
1) Modalidades tradutórias: Adaptação e Empréstimo
Como já dito, o ato tradutório não se trata de um trabalho tão
simples, afinal, de acordo com Aubert (1998, p.101),
A tradução, como qualquer outro ato de comunicação, de
qualquer tipo ou natureza, é algo que ocorre entre indivíduos e entre
grupos sociais. A tradução é, também, algo que tem lugar entre culturas, ideologias e visões de mundo distintas.
Ou seja, não se trata apenas de transposição de conteúdo, mas
também da delicada tarefa de assimilar conteúdo com cultura. Sendo
assim, a adaptação pode ser considerada uma modalidade tradutória
que contém essa característica de assimilação entre conteúdo e cultura. Segundo Aubert (1998, p. 108), esta modalidade denota uma assimilação cultural; ou seja, a solução tradutória adotada para o segmento textual dado estabelece uma equivalência parcial de sentido,
tida por suficiente para os fins do ato tradutório em questão, mediante uma intersecção de traços pertinentes de sentido, mas abandona
qualquer ilusão de equivalência ‘perfeita’.
Ou seja, adaptação é uma modalidade que se assimila a um contexto cultural; é uma solução tradutória que estabelece uma “equivalência parcial” de sentido e não a de uma “equivalência perfeita”.
Por exemplo, suponhamos que exista essa frase no texto origi208
nal: “He is Sheriff” e suponhamos que a tradução dessa frase seja:
“Ele é delegado de polícia”, esta tradução poderia ser considerada
uma adaptação, pois estabeleceu uma equivalência parcial e o conteúdo foi assimilado culturalmente, já que , no Brasil, não existe Sheriff,
mas sim o Delegado de Polícia, que pode ser utilizado como meio de
assimilação cultural.
Também existe outra modalidade tradutória chamada empréstimo que segundo Auber (1998, p.106),
Um empréstimo é um segmento textual do texto fonte reproduzido no texto meta com ou sem marcadores específicos de empréstimo (aspas, itálico, negrito, etc.) Nomes próprios (inclusive topônimos)
constituem objetos privilegiados de empréstimo, bem como termos e
expressões tendo por referentes realidades antropológicas e/ou etnológicas específicas.
O empréstimo, portanto, seria um segmento textual no texto fonte reproduzido da mesma forma para o texto meta, ou seja, o mesmo
significado deveria manter-se em ambas as línguas.
Por exemplo, se na escala de uma empresa, toda sexta-feira estivesse descrita como “Casual Friday”, ou seja, o dia em que os funcionários poderiam ir com roupas mais casuais, “Casual Friday” seria
um empréstimo, pois na língua inglesa “Casual Day” tem o mesmo
significado.
Apresentaremos a seguir algumas considerações sobre as teorias do humor, que têm grande importância para nossa pesquisa.
2) Teorias do humor
Ao longo dos anos, surgiram algumas teorias que podem ser
chamadas de teorias tradicionais do humor, que podem ser dividas
em três partes:
1) Teoria da incongruência, que segundo John Morreal (1983),
é quando vivenciamos algo que não se enquadra nos padrões do
mundo organizado em que vivemos. Observe o exemplo:
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Nesta tira temos um exemplo da Teoria da Incongruência, afinal, o humor aqui se estabelece através da confusão feita pelo “homem
palito” de azul, que acha que realmente existe um tipo de câncer com
nome de Câncer Privado. Este exemplo pode ser aplicado na Teoria
da Incongruência porque o leitor acha graça de algo que não existe,
nem se enquadra nos padrões do mundo.
2) Teoria da superioridade, que, segundo os filósofos Platão
(428-348 a.c) e Aristóteles (348-322 a.c), ocorre quando rimos dos vícios e do ridículo e quando se acha graça em alguém. De acordo com
Morreal (1987), por essa perspectiva, considera-se o emissor inferior
de alguma maneira. Observe o exemplo:
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Neste exemplo, observamos que o que causa graça na tira é o
fato do idoso não ter dinheiro para comprar um caixão do seu tamanho
e decidir ser enterrado num caixão menor que ele mesmo. Nesta tira
pode ser aplicada a Teoria da Superioridade, porque o leitor se sente
superior ao idoso e isso é o que o faz rir.
3) Toeria do alívio: segundo Raskin (1985), por essa perspectiva, “o riso proporciona um alívio para a energia mental, nervosa e/ou
psíquica”. Observe o exemplo:
Nesta tira pode ser aplicada a Teoria do alívio porque ao ler a
tira podemos perceber que o pai julga ser melhor o tempo em que
ainda não tinha filho. Isso faz com que a tira cause uma sensação de
alívio no leitor pai. Afinal, vivemos em uma sociedade que julga ser o
nascimento de um filho o fato mais importante de nossas vidas, mas
provavelmente alguns pais sentem falta de suas vidas antes de terem
filhos, portanto, os pais leitores se sentiriam aliviados ao ler a tira, pois
uma barreira foi rompida aqui.
A seguir analisaremos a tradução para o português de duas tiras
do “Cyanide and Happiness”. Nesta análise mostraremos onde as teorias podem ser aplicadas e como se dá a criatividade do tradutor.
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3) Análise
Apresentaremos uma tira original do “Cyanide and Happiness”,
ou seja, o texto da tira a seguir é em inglês.
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Nesta tira ocorre o termo “Casual Friday”, que trata de um costume americano, em que em todas as sextas-feiras, as pessoas de
uma empresa podem vestir-se de forma casual.
Apresentaremos agora, a mesma tira traduzida para a língua portuguesa.
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Nesta tira, traduzida pelos criadores do blog “Cyanide and Happiness-Traduzidos”, observamos que o tradutor manteve o termo “Casual Friday”, que pode ser considerado um empréstimo, afinal, no Brasil, existem empresas que também utilizam este termo.
Uma nota de rodapé explicando melhor o que é “Casual Friday” seria uma informação que ajudaria o leitor a compreender melhor
a tira.
A teoria da Incongruência poderia ser aplicada nesta tira, pois
as situações, como por exemplo, a personagem jogar basebol no local de trabalho, a outra personagem levar abelhas para o trabalho e
a personagem do ultimo quadrinho ir para o espaço sideral, apenas
porque é “Casual Friday”, causa humor através do estranhamento
porque essa possibilidade não existe e nem se enquadra nos padrões
do mundo.
Analisaremos agora outra tira.
Nesta tira existem algumas palavras em inglês que tem outros
sentidos e que podem ser chamadas de trocadilhos. A palavra “knifed”,
que aparece no primeiro quadrinho, significa “facada”. No segundo
quadrinho a personagem utiliza a palavra “Forked up”, que pode ser
uma referência a expressão “Fucked up”, que significa “Estar ferrado”,
o que faz com que a fala da personagem tenha duplo sentido. Já no
ultimo quadrinho, a personagem faz uma brincadeira utilizando a expressão “Too Spoon”, que quer dizer “Tarde demais”.
A tradução literal poderia ser: “Você ouviu? James levou uma facada” – “ Isto quer dizer que ele está ferrado!” – “Tarde demais?”
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Agora mostraremos a tradução desta tira.
A tradução desta tira é uma adaptação. É possível perceber o
tradutor aproximou bastante a fala da personagem com o português
coloquial, utilizando a estrutura “Você soube?”, ao invés de você “Ouviu”. No segundo quadrinho o tradutor resgata a piada de maneira criativa e coerente, pois ao invés de manter a idéia do quadrinho original,
o tradutor criou uma frase que resgata o “trocadilho” sobre o garfo,
com a frase “ Antes tomar uma perfurada por uma faca do que três
por um garfo”. Mas é o terceiro quadrinho que mostra que, o tradutor
realmente foi muito criativo, pois utilizou a palavra “colher”, que aqui
está empregada como o utensílio “colher, é um homônimo do verbo
“colher”.
CONSIDERAÇOES FINAIS
Neste artigo procuramos mostrar onde as teorias tradicionais do
humor e as modalidades tradutórias (a adaptação e o empréstimo) podem ser aplicadas e a criatividade do tradutor, através de uma análise,
utilizando as tiras “Cyanide and Happiness”. A criatividade do tradutor
poderia ser mais uma ferramenta que auxiliaria no ato tradutório e faria
com que o trabalho final ficasse muito mais interessante.
REFERENCIA BIBLIOGRÁFICAS
AUBERT. F. H. Modalidades de tradução - Teoria e resultados.
SOUZA. L. S. M. Humor é coisa séria. Dissertação de mestrado. Campi215
nas, UNICAMP, 1997.
<www.explosm.com>acesso em 12/08/2011.
<www.cyanidetraduzidos.com.br> acesso em 12/08/2011.
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