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(14 poemas de Emily dickinson
149
Solange Ribeiro de OLIVEIRA*
m POEMS BY EMILY DICKINSON - A TRANSLATION
(14 poemas de Emily dickinson - tradução)
SUMMARY
The principie underlying the translation is the obvious
one of the attempt to find a Portuguese equivalent to the
English original rather than a literal rendering of words and
sentences.
RESUMO
0 princípio subjacente ã tradução é o óbvio: o esforço
de encontrar o equivalente, em Português, ao original inglês,
mais do que uma versão literal de palavras e orações.
* Professor Titular, aposentado, de Língua e Literatura Inglesa
da UFMG.
Professor Adjunto de Literatura Inglesa e Teoria da Literatu
ra da Universidade Federal de Ouro Preto.
Doutor e Docente Livre em Letras, UFMG.
Professor Associado da Universidade de Londres.
R.Estud.Ger., Belo Horizonte, v. 7, n. 1, p. 149-163, dez. 1986.
150
I reason, earth is short,
And anguish absolute,
And many hurt;
But what of that?
I reason, we eould die:
The best vitality
Cannot excel decay;
But what of that?
I reason that in heaven
Somehow, it will be even.
Some new equation given:
But what of that?
ft
ft
ft
ft
*
A vida é curta,
A dor absoluta,
Muitos caem na luta:
Mas e daí?
Mesmo o mais forte,
Não vence a morte,
Essa é a humana sorte:
Mas, e daí?
No céu de algum modo as contas
Se acertarão
Em nova eouação-
Mas, e daí?
R.Estud.Ger., Belo Horizonte, v. 7, n. 1, p. 149-163, dez. 198G.
151
I stepped from plank to nlank
So slow and cautiously:
The stars about ny head I felt.
About my feet the sca.
I knew not but the next
Would be my final inch.-
This gave me that precarious gait
Some call experience.
ft *
a
*
*
Eu pisava de prancha em prancha,
Bem lenta a me equilibrar:
Estrelas sobre a cabeça.
Aos pés, o mar.
Sô via que o próximo passo
Seria fatal:
Isso me dava o
andar incerto.
Que é a experiência
afinal.
R.Estud.Ger., Belo Horizonte, v. 7, n. 1, p. 149-163, dez. 1986.
152
Ample make this bed.
Make this bed with awe'
In it wait ti11 judgement break
Excellent and fair.
Be its ir.attress straight,
Be its pillow round;
Let no sunrise' yellow noise
Interrupt this ground.
*
*
*
*
ft
Arruma a cama bem larga
Arruma a
cama com susto:
E nela espera o Juízo
Excelente e justo.
Travesseiro redondo.
Bem firme o colchão:
Rumor louro de aurora
Não perturbe este chão.
R.Estud.Ger., Belo Horizonte, v. 7, n. 1, p. 149-163, dez. 1986.
153
I never saw a moor,
I never saw the sea;
Yet know I how the heather looks,
And what a wave must be.
I never spoke with God,
Nor visited in heaven:
Yet certain am I of the spot
As if the chart were given.
ft *
*
*
«
Nunca vi o deserto,
Nunca vi o mar;
No entanto sei como é o cactus,
E a vaga a ondular.
Nunca falei com Deus.
Nem fui ao paraíso;
Mas conheço o caminho
Qual mapa preciso.
R.Estud.Ger., Belo Horizonte, v. .7, n. 1, p. 149-163, dez. 19B6.
154
How still the bells in steeples stand.
Till, swollen with the sky,
They leap upon their silver feet
In frantic melody!
A
ft
*
*
*
Que quietos os sinos nas alturas,
Até que, inchados de dia,
Saltam sobre os pés de prata
Em louca melodia!
R.Estud.Ger., Belo Horizonte, v. 7, n. 1, p. 149-163, dez. 1986.
155
From love the Heavenly Father
Leads the chosen child;
Oftener through realm of briar
Than the meadow mild,
Oftener by the claw. of dragon
Than the hand of a friend,
Guides the little one predestined
To the native land.
*
ft *
ú
*
Para longe do amor o Pai Celeste
Conduz o escolhido:
Mais por senda de urzes
Que por campo florido.
Mais com garra de monstro
Oue com mão desvelada.
Guia o predestinado
Para a pátria sonhada.
R.Estud.Ger., Belo Horizonte, v. 7, n. 1, p. 149-163, dez. 1986,
156
The bustle in a house
The morning after death
Is solemnest of industries
Enacted upon earth,-
The sweeping up the heart,
And putting love away
We shall not want to use again
Until eternity.
*****
Que alvoroço na casa
Onde alguém morreu
Trabalho mais solene
Entre a terra e o céu,-
Varrer do coração,
E guardar com saudade
0 amor que não se vai usar
Até a eternidade.
R.Estud.Ger., Belo Horizonte, v. 7, n. 1, p. 149-163, dez. 1986.
157
The spider as an artist
Has never been employed
Though his surpassing merit
Is freely certified
By every broom and Bridget
Throughout a Christian land.
Neglected son of genius,
I take thee by the hand.
*****
Jamais alguém empregou
A aranha como artista,
Embora seu talento
Sem rival salte ã vista
De cada vassoura
Neste mundo cristão.
Filha enjeitada do gênio,
Tomo-te pela mão.
R.Estud.Ger., Belo Horizonte, v. 7., n. 1, p. 149-163, dez. 1986.
158
We never know we go, - when we are going
We jest and shut the door;
Fate following behind us bolts it.
And we accost no more.
*****
Hão sabemos que é o adeus, quando partimos,
Brincando, transpomos os umbrais;
0 destino nos segue, tranca a porta,
E não nos vemos mais.
R.Estud.Ger., Belo Horizonte, v. 7, n. 1, p. 149-163, dez. 1986.
159
Who has not found the heaven below
Will fail of it above.
God's residence is next to mine,
His furniture is love.
*****
Quem não achar o céu aqui na terra
Não o encontrará quando se for.
A morada de Deus é junto ã minha,
Seu mobiliário, o amor.
R.Estud.Ger., Belo Horizonte, v. 7, n. 1, p. 149-163, dez. 1986.
160
The soul unto itself
Is an imperial friend.Or the most agonizing spy
An enemy eould send.
Secure against its own.
No treason it can fear;
Itself its sovereign, of itself
The soul should stand in awe.
*****
A alma é de si mesma
Amiga imperial.
Ou o espião mais atroz
De inimigo fidagal.
Garantida contra os seus.
Traidor não teme;
Rainha de si, só a si mesma deve
Terror solene.
R.Estud.Ger., Belo Horizonte, v. 7, n. 1, p. 149-163, dez. 1986.
161
You left me, sweet, two legacies, A legacy of love
A Heavenly Father would content,
Had he the offer of;
You left me boundaries of pain
Capacious as the sea,
Between eternity and time,
Your consciousness and me.
*****
Deixaste-me duas heranças,Uma de amor
Digna do Pai Celeste
Se a ele legada for;
Outra, de dor infinita
Vasta como o mar,
Entre o tempo e a eternidade,
0
teu e
o meu meditar.
R.Estud.Ger., Belo Horizonte, v. 7, n. 1, p. 149-163, dez. 1986.
162
The brain is wider than the sky,
For, put them side by side,
The one the other will include
With ease, and you beside.
The brain is deeper than the sea,
For, hold them,blue to blue
The one will the other absorb,
As sponges. buckets do.
The brain is just the weight of God
For
lift them, pound for pound
And they will differ, if they do,
As syllable from sound.
*****
A mente é mais vasta do que o céu,
Se os medes bem,
Uma o outro contém
Com folga, e a ti também.
Mais profunda do que o mar.
Azul com azul luta embalde
Uma absorve o outro,
Como a esponja, o balde.
A mente tem de Deus o peso exato.
Se o instrumento que os pesa e bom,
Diferirão, se tanto,
Como silaba e som.
R.Estud.Ger., Belo Horizonte, v. 7, n. 1, p. 149-163, dez. 1986.
163
It was too late for man,
But early yet for God;
Creation impotent to help,
But prayer remained our side.
How excellent the heaven,
When earth eannot be had;
How hospitable, then, the face
Of our old neiphbour, God.
*****
Tarde demais para o homem,
Cedo ainda para Deus;
A ajuda humana impotente
Mas a prece ao nosso lado.
Que excelente o céu,
Quando a terra nos foge;
Que hospitaleira, então, a face
Desse velho vizinho.
Deus
From Selected poems & l.etters of
Emily Dickinson.
Fdited. with an Introduction,
by Robert N. Linseott.
New York, Doubleday, 1959.
R.Estud.Ger., Belo Horizonte, v. 7, n. 1, p. 149-163, dez. 1986,
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