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Soro de queijo “in natura” na alimentação do gado de leite

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Soro de queijo “in natura” na alimentação do gado de leite
INSTRUÇÃO TÉCNICA
PARA O PRODUTOR DE LEITE
ISSN NO 1518-3254
44
Soro de queijo “in natura” na
alimentação do gado de leite
Rosane Scatamburlo Lizieire e Oriel Fajardo de Campos
Pesagro-Rio e Embrapa Gado de Leite
INTRODUÇÃO
O soro de queijo é um subproduto da indústria laticinista, obtido pela coagulação do leite e redução do
pH. É um líquido verde-amarelo e sabor ligeiramente ácido ou doce, dependendo do tipo de coagulação a que o leite
foi submetido. O soro doce (pH=6,0), mais aceito pelos animais, é obtido após a preparação dos queijos tipo
cheddar e mozzarella e o soro ácido (pH=4,6) é obtido após a preparação dos queijos tipo cottage. Em razão da
grande disponibilidade do soro de queijo in natura, e de seu oferecimento gratuito ou a baixo preço (em torno de
R$0,01 por litro, colocado na indústria), muitos produtores pensam em utilizá-lo na alimentação do gado leiteiro.
COMPOSIÇÃO
O soro de queijo é constituído basicamente de água (93%) e somente 7% de matéria seca (parte sólida),
da qual 71% são lactose, 10% são proteína bruta (PB), 12% são gordura e 11% são sais minerais. O valor
energético do soro de queijo é estimado em 80% de nutrientes digestíveis totais (NDT), na matéria seca.
CONSUMO PELOS ANIMAIS
¨ Bezerros em aleitamento: o soro não deve substituir o leite ou o sucedâneo de leite. Ele não contém os
nutrientes necessários, principalmente proteína, para garantir sozinho o desenvolvimento dos animais
nesta fase.
¨ Animais até 200 kg de peso vivo: a quantidade fornecida deve ser limitada entre 10 a 15 litros de soro por
animal por dia.
¨ Animais com peso vivo maior que 200 kg: o soro deve ser fornecido até, no máximo, 30% do consumo
total de matéria seca do animal. Níveis superiores reduzem o consumo de matéria seca devido ao enchimento
do trato intestinal, prejudicando o ganho de peso de animais em recria e a produção de leite, no caso de
vacas em lactação.
COMO FORNECÊ-LO
¨ separadamente, à livre escolha dos animais, método este mais amplamente utilizado pelos produtores, ou
¨ em rações completas (misturado aos alimentos volumosos e concentrados).
PERÍODO DE ADAPTAÇÃO
Os animais necessitam de um período de adaptação, com duração de uma a duas semanas, com aumento
gradativo da quantidade oferecida de soro, para evitar diarréias e timpanismo. A introdução gradativa do soro
permite que a microflora do rúmen se ajuste a este novo alimento. Uma vez adaptados, os animais chegam a
consumir cerca de 2/3 de seu consumo de água como soro. Entretanto, se o fornecimento de soro for interrompido
por período prolongado, faz-se necessária nova adaptação. A utilização de soro não implica eliminação do fornecimento de água, ao contrário, ela deverá estar sempre disponível para todos os animais.
ALGUNS PROBLEMAS
¨ É um produto corrosivo; se armazenado, necessita recipiente adequado, que deve ser limpo freqüentemente.
¨ O soro pode tornar-se mais ácido (pH=3,5) e menos palatável após 1,5 a 2 dias de armazenamento.
¨ Diarréias e timpanismo podem ocorrer, se os animais consumirem grandes quantidades em curto espaço de
tempo ou se não estiverem consumindo quantidades adequadas de volumoso.
RECOMENDAÇÕES
¨ O aspecto econômico é muito importante e tem que ser considerado. Deve-se comparar o soro de queijo
com o concentrado em uso na propriedade. Com base na composição do soro de queijo apresentada, ao
consumir dez litros de soro, o animal estará ingerindo 70 g de PB e 800 g de NDT. Comparado a 1 kg de
concentrado, com 18% de PB e 75% de NDT, por exemplo, que propiciaria ingestões de 180 g de PB e
750 g de NDT, conclui-se que os dez litros de soro de queijo in natura precisariam ser suplementados com uma
fonte de proteína. Poder-se-ia utilizar, neste caso, 50 g de uréia ou 250 g de farelo de soja, para cada dez litros
de soro. A questão a ser respondida é: o custo dos dez litros de soro mais 50 g de uréia, ou 250 g de farelo de
soja, seria mais barato que o custo de 1 kg de concentrado com 18% de PB e 75% de NDT? Nestes cálculos
ainda têm de ser incluídos os custos com transporte, armazenamento e mão-de-obra para, então, se obter a
definição do custo final do soro de queijo.
¨ O ideal é fornecê-lo fresco até, no máximo, dois dias após a chegada.
¨ O fornecimento deve ser regular e ininterrupto.
O soro de queijo não pode ser utilizado como
substituto do leite na alimentação de bezerros,
nos dois primeiros meses de vida.
Embrapa Gado de Leite
Rua Eugênio do Nascimento, 610 – Dom Bosco
Fone: (32)3249-4700 – Fax: (32)3249-4751
36038-330 Juiz de Fora/MG
Home page: http://www.cnpgl.embrapa.br
e-mail: [email protected]
1a edição: Dezembro/2000 – Tiragem: 5.000 exemplares
2a edição: Revista e atualizada em março/2006
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