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Empretec deu empurrão que faltava - Sebrae-SP

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Empretec deu empurrão que faltava - Sebrae-SP
negócios
Jornal de
são joão
da boa vista
e região
Ano XXII | # 264 | abril de 2016 | www.sebraesp.com.br | 0800-570-0800 | facebook.com/sebraesp youtube.com/sebraesaopaulo twitter.com/sebraesp |
Tiragem regional: 9.432
Empretec
deu empurrão
que faltava
A participação no seminário reforçou as habilidades
de jovem empreendedor de São José do Rio Pardo
que desenvolveu um sistema para gestão de hotéis página 23
Dono da InnManager, Roberto Capuano foca em metas de curto e longo prazo
A palavra “crise” passa longe do mercado
de artigos para recém-nascidos, que
se expande 14% ao ano
Nascem cinco bebês por minuto no Brasil,
favorecendo negócios como o e-commerce
Ainda Serve Bazaar, da publicitária Flavia Pinheiro
páginas 12 e 13
Com caminho aberto por vans e
caminhões, agora as “food bikes”
viram a oportunidade do momento
Na capital, o fotógrafo Danilo Tanaka é um
dos que surfam na onda da vez e apostam
em bicicletas adaptadas para vender comida
páginas 10 e 11
Loja feminina reorganiza visual para atrair mais consumidoras
Segredo da troca de comando
uma transição segura e a manutenção do desempenho da propriedade rural
Há vinte anos no varejo, Carmen Santamaria Delgado procurou cursos do Sebrae-SP para
modernizar o layout e a apresentação de produtos na Realce, em São João da Boa Vista
página 7
página 24
planejamento é a chave para passar o agronegócio de pai para filho, garantindo
Vantagens da conta empresarial
Rede de contatos reforça caixa
ingresso no sistema bancário ajuda microempreendedor individual a controlar
cultivar networking em eventos, feiras, encontros corporativos, entre outras
finanças e gera maior confiança nas transações com clientes e fornecedores
estratégias, ajuda a abrir portas e aumenta as chances de fechar contratos
página 8
página 21
2 | jornal de negócios | são joão da boa vista e região
mercado recém-nascido
cloud tags
oportunidade faturamento
demanda e-commerce bike foods agronegócio
sucessão familiar planejamento organização
Notas de são
joão da boa
vista e região
X
CONHEÇA OS BENEFÍCIOS DE SER
MICROEMPREENDEDOR INDIVIDUAL
No dia 11 de abril, o Escritório Regional (ER) do Sebrae-SP em São João
da Boa Vista realiza a palestra gratuita Como se tornar um Microempreendedor Individual (MEI). Durante duas horas, das 9h às 11h,
o participante receberá informações sobre processos, obrigações, responsabilidades e benefícios na formalização do MEI, um jeito simples
de abrir uma empresa e legalizar o serviço.
CAIXA ORGANIZADO PARA EVITAR DESPERDÍCIO
Mogi Guaçu recebe no dia 19 de abril a palestra Organize o caixa da
sua empresa e não perca dinheiro, que mostrará a importância de utilizar o fluxo de caixa para a administração dos recursos financeiros
nos negócios. A palestra ocorre das 19h às 21h na Associação Comercial e Industrial de Mogi Guaçu (ACIMG), localizada na Praça Antônio Giovani Lanzi – Centro. Para mais detalhes, ligue (19) 3638-1110 ou
0800-570-0800.
SAIBA COMO COLOCAR PREÇO NO PRODUTO
Em 28 de abril, Mogi Mirim terá a palestra gratuita Por dentro dos
custos, despesas e preço de venda. O intuito é sensibilizar o empresário sobre a importância da formação de custo e precificação. O evento
tem duas horas de duração, das 19h às 21h, e ocorre na Associação Comercial e Industrial de Mogi Mirim (Acimm), que fica na Avenida Luiz
Gonzaga de Amoedo Campos, 500 – Nova Mogi.
SEBRAE MÓVEL LEVA CURSOS A VARGEM GRANDE DO SUL
Até o dia 8 de abril, o Sebrae Móvel está atendendo em Vargem Grande do Sul na praça Capitão João Pinto Fontão (Praça da Matriz), das 10h
às 17h. A programação conta com atividades que acontecem na Associação Comercial e Industrial de Vargem Grande do Sul (ACIVGSUL),
localizada na Rua São Jorge, 90 – Centro.
Confira o calendário:
• Dia 5 – Palestra: Como motivar sua equipe
Horário: das 19h às 21h
Investimento: gratuito
• Dia 7 – Oficina: SEI Formar Preço
Horário: das 18h30 às 22h30
Investimento: gratuito
VEJA COMO É POSSÍVEL AUMENTAR AS VENDAS
O curso Gestão estratégica de vendas na medida aborda uma série de
questões práticas e teóricas que visam estimular a mudança de comportamento e de postura para vender com mais eficiência. Direcionado tanto para gestores de vendas quanto para vendedores. A atividade
será de 25 a 28 de abril, das 18h30 às 22h30, além de duas horas de
consultoria individual. O investimento é de R$ 240.
SERVIÇO
Escritório Regional do Sebrae-SP em São João da Boa Vista
Rua Presidente Franklin Roosevelt, 110 – Perpétuo Socorro
(19) 3638-1110 / 0800-570-0800
edição 264 | abril de 2016 | 3
BNDES reduz taxas para financiamento de capital de giro
O Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) reduziu em até 25%, com juros
de 11,67% ao ano, as taxas para financiamento de capital de giro para as micro e pequenas empresas,
por meio do BNDES Progeren. Para as médias empresas, a queda foi de 9%, com taxa de 14,71% ao
ano. O banco também auxiliou as MPMEs ao ampliar o prazo de amortização do Cartão BNDES de
48 para 60 meses. O banco permitiu, ainda, que essas empresas, bem como MEIs e caminhoneiros
autônomos, contem com o FGI nas operações de financiamento, que poderá dar cobertura de até 80%.
Dicas de leitura
INVESTIDOR ANJO:
COMO CONSEGUIR
INVESTIDORES PARA
SEU NEGÓCIO (Ed. nVersos)
Com exemplos práticos, Cassio
Spina apresenta etapas,
cuidados e soluções para
viabilizar um empreendimento
iniciante buscando interessados
em entrar com o capital
necessário.
NEGÓCIOS DIGITAIS –
APRENDA A USAR O REAL
PODER DA INTERNET NOS
SEUS NEGÓCIOS (Ed. Gente)
Neste livro organizado
pelo empreendedor digital
Alan Pakes, 17 empresários
compartilham suas histórias,
comprovando que é possível
ter sucesso na web com
poucos recursos iniciais.
EMPREENDEDORISMO
CRIATIVO
(Ed. Penguin Companhia)
Conhecimento, criatividade
e inovação são alguns dos
ingredientes que compõem
a receita de sucesso de
startups como Perestroika
e Flag, apresentadas nesta
obra por Mariana Castro.
expediente
Publicação mensal do Sebrae-SP
Tiragem total
500 mil exemplares
CONSELHO DELIBERATIVO
Presidente: Paulo Skaf
ACSP, ANPEI, Banco do Brasil, Faesp,
FecomercioSP, Fiesp, Fundação ParqTec,
IPT, Desenvolve SP, SEBRAE, Secretaria
de Desenvolvimento Econômico,
Ciência e Tecnologia, Sindibancos-SP,
Superintendência Estadual da Caixa
Econômica Federal.
DIRETORIA EXECUTIVA
Diretor-superintendente: Bruno Caetano
Diretor técnico: Ivan Hussni
Diretor de adm. e finanças: Pedro Jehá
ELOGIE. SUGIRA. CRITIQUE. RECLAME.
Queremos ouvi-lo: 0800 570 0800
[email protected]
www.sebraesp.com.br > clique em
OUVIDORIA.
Com o pé no
acelerador
Paulo skaf,
Presidente do Sebrae‑SP
Levou pouco menos de 15 anos para que
donos dos pequenos negócios paulistas pudessem conferir a repetição de uma situação
que não esperavam tão cedo: a queda severa do faturamento. Em 2015, o recuo foi de
14,3%, com uma perda de R$ 100 bilhões, praticamente o Produto Interno Bruto (PIB) anual
do Paraguai. Os Microempreendedores Individuais (MEIs) sentiram a retração de forma ainda mais aguda: a receita real despencou quase
22%, com R$ 764 milhões deixando de circular
nesses empreendimentos.
Esse fator desencadeia outro bem amargo:
o impacto no número de pessoal ocupado e
rendimento real dos empregados nessas empresas. É, sem dúvida, o sinal amarelo para o
círculo vicioso da recessão.
Como já havia afirmado, e os dados confirmaram, em 2016 as dificuldades continuarão e
o empreendedor terá de se desdobrar e inovar
para se manter no mercado e continuar gerando e mantendo empregos.
Uma boa forma de descobrir novos caminhos é olhar com atenção para os empreende-
JORNAL DE NEGÓCIOS
Unidade Inteligência de Mercado
Gerente: Eduardo Pugnali
Editora responsável: Marcelle
Carvalho – MTB 00885
Editores-assistentes: Roberto
Capisano Filho e Gabriel Jareta
Apoio comercial: Unidade Comercial
Giulliano Antonelli (gerente)
Projeto gráfico e produção
Impressão: Plural Indústria Gráfica
SEBRAE-SP
Rua Vergueiro, 1.117, Paraíso,
CEP: 01504-001
Escritórios Regionais
Sebrae-SP
Alto Tietê 11 4723-4510
Araçatuba 18 3607-2970
Araraquara 16 3303-2420
Baixada Santista 13 3208-0010
Barretos 17 3221-6470
Bauru 14 3104-1710
Botucatu 14 3811-1710
dores que, apesar da crise, continuam atraindo consumidores e investidores. É o caso do
MEI paulistano que se veste de garçom e vende água em semáforos munido de uma bandeja; da pequena varejista de produtos diet que
decidiu fechar a loja física e só vender online;
e da startup vencedora do Desafio Sebrae Like
a Boss, que está de olho no mercado global
de transmissão ao vivo, setor que movimenta
US$ 105 bilhões/ano.
O que esses empreendedores têm em comum? Mais que a vontade de lucrar, desejam
que o sonho não se transforme em pesadelo
e incorporaram novidades na forma de gerenciar: compartilhamento de experiências, reforço no networking, novas parcerias e outras
novidades que ajudam a reduzir custos, aumentar a produtividade e encantar os clientes.
Nesta edição do Jornal de Negócios, junto com a rede de especialistas do Sebrae-SP,
você vai encontrar dicas como essas e novas
oportunidades para vencer o grande desafio
de tirar a economia da marcha lenta, ou melhor, da marcha à ré.
Campinas 19 3284-2130
Capital Centro 11 3385-2350
Capital Leste I 11 2090-4250
Capital Leste II 11 2056-7120
Capital Norte 11 2972-9920
Capital Oeste 11 3803-7500
Capital Sul 11 5525-5270
Franca 16 3723-4188
Grande ABC 11 4433-4270
Guaratinguetá 12 3128-9600
Guarulhos 11 2475-6600
Jundiaí 11 4523-4470
Marília 14 3402-0720
Osasco 11 3682-7100
Ourinhos 14 3302-1370
Piracicaba 19 3434-0600
Pres. Prudente 18 3916-9050
Ribeirão Preto 16 3602-7720
São Carlos 16 3362-1820
S. J. da Boa Vista 19 3638-1110
S. J. do Rio Preto 17 3214-6670
S. J. dos Campos 12 3519-4810
Sorocaba 15 3229-0270
Sudoeste Paulista 15 3526-6030
Vale do Ribeira 13 3828-5060
Votuporanga 17 3405-9460
4 | jornal de negócios
franquia passa ao largo da crise
O setor de franchising no Brasil apresentou expansão de 8,3% no faturamento em 2015, segundo
dados da Associação Brasileira de Franchising (ABF). O levantamento mostrou que a receita
acumulada no ano passado foi de R$ 139,6 bilhões. O total de unidades em funcionamento
também cresceu, chegando a 138.343 – número 10,1% superior ao registrado um ano antes.
O saldo de novas unidades franqueadas, descontando as fechadas em 2015, ficou em 12.702.
No período, as franquias de acessórios e calçados tiveram a maior alta no faturamento, de 12%.
Páginas de sucesso
Com trajetória de mais de 20 anos no mercado editorial, Carlos Carvalho Filho comprou
o e-commerce Cia. dos Livros e, em quatro anos, expandiu o negócio em 14 lojas físicas
Foto: divulgação
a relação de carlos henrique carvalho filho com os livros teve início
no fim dos anos 1980, como funcionário da rt – revista dos tribunais,
a editora da família. em 1992, com a
morte do pai, ele assumiu o negócio
e, com visão empreendedora, tratou de expandi-lo. a editora tinha
uma livraria e, em duas décadas,
passou a contar com 42. o quadro
de colaboradores saltou de 80 para
300 pessoas. em 2006, ao notar as
transformações no mercado de publicações jurídicas por causa da internet, ele decidiu vender a rt para
um grupo americano. mas seguiu
no ramo dos livros, com a estruturação do grupo book partners,
composto por uma distribuidora e
a rede de venda direta ao consumidor final cia. dos livros, com 14 endereços físicos e e-commerce. nesta
entrevista ao jornal de negócios, o
empresário comenta sua trajetória
e fala sobre o mercado de livros.
Como a editora RT
entrou em sua família?
A RT foi fundada em 1912 e meu pai entrou na empresa como funcionário em
1944. Ele foi comprando ações até virar
o único dono, em 1991. Igressei na RT
três anos antes e passei por diversos
departamentos, como área de compras, administração e editorial. Nessa
época, eu fazia o curso de Direito, já
me preparando para assumir a empresa, que era uma das editoras jurídicas
mais conceituadas do País.
O que foi decisivo
para a expansão da RT?
Criamos uma equipe de revisão técnicas dos livros com 33 profissionais
formados em Direito e alguns até
com pós-graduação. Isso melhorou
a qualidade de nossas publicações
e atraiu bons autores. Além disso,
para chegar mais próximo do consumidor final e entender suas necessidades, adotamos a estratégia
de abrir livrarias em universidades,
onde vendíamos nossos títulos e os
de outras editoras.
Por que resolveu
vender a editora?
Em 2010, percebemos que estava se
consolidando uma mudança significativa no mercado editorial jurídico.
Uma boa parte das publicações se referia a legislação e jurisprudências,
temas que necessitam de atualização.
Por isso, o livro foi perdendo espaço
para os bancos de dados eletrônicos.
Avaliei que não tinha condições de
criar um produto nesse formato com
a qualidade necessária. Então, resolvi
vender a editora para a Thomson Reuters Business, grupo americano que
é o maior fornecedor de informação
jurídica do mundo e tem uma plataforma eletrônica extremamente bem
desenvolvida.
Por que resolveu permanecer
na área editorial?
Não vendi toda a empresa, fiquei com
a parte de distribuição. Abastecia bibliotecas de universidade e livrarias.
Como senti necessidade de continuar
mais próximo do consumidor final,
em 2012 comprei o e-commerce Cia.
dos Livros.
Que estratégia escolheu para abrir
as lojas físicas da Cia. dos Livros?
Em um primeiro momento, resolvemos explorar um terreno que já conhecíamos e compramos 12 das antigas livrarias da RT em universidades.
Agora, estou procurando os nichos
que não são explorados pelas grandes
do setor, pois acredito que não adianta brigar com elas em seu território. Se
elas atendem ao público das classes A
e B, eu resolvi focar em consumidores
que ainda não têm o hábito da leitura,
nas classes B, C e D.
Não é mais difícil vender
para esse público?
Acredito que o brasileiro lê pouco por
falta de acesso ao livro. Estamos criando uma outra abordagem para atender esses compradores. Eles entram
na livraria sem saber o que comprar.
Nossos vendedores precisam perguntar sobre o que gostam e sondar os
interesses deles em outras atividades
de lazer, como se preferem filmes de
aventura ou romance. Em cima disso,
podem sugerir títulos.
edição 264 | abril de 2016 | 5
Indústria paulista tem pior desempenho da história
No comparativo anual, a produção da indústria no Estado de São Paulo caiu 11% em 2015, atingindo o
pior patamar histórico do índice, medido desde 2003 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas
(IBGE). O fraco desempenho superou negativamente, também, a queda de 8,3% na produção industrial
do Brasil. De acordo com o IBGE, o resultado paulista foi pressionado principalmente pela baixa de
22,6% na produção de veículos automotores, reboques e carrocerias. O movimento industrial de São
Paulo só não foi pior que o registrado no Rio Grande do Sul (-11,8%) e no Amazonas (-16,8%).
NO
VI
DA
DES
Radar de
oportunidades
Bruno Caetano,
diretor-superintendente do Sebrae-SP
@bcaetano
[email protected]
www.facebook.com/bcaetano1
Segundo dados da edição mais
recente da pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM), feita no Brasil
em parceria pelo SEBRAE e o Instituto
Brasileiro de Qualidade e Produtividade (IBQP), quatro em cada dez brasileiros está empreendendo. Essa taxa
coloca o Brasil entre os países mais
empreendedores do mundo.
Por muito tempo, de 60% a 70% dos
empreendedores brasileiros iniciavam
um negócio ao detectar uma oportunidade no mercado – e não por necessidade.
Hoje, a maioria ainda é de empreendedores por oportunidade, mas esse índice
caiu em 2015 para 56% do total. O ideal
é retomar a ampliação desse porcentual,
uma vez que essa motivação é o caminho
mais seguro para o sucesso da empreitada. Ou seja, descobrir um nicho promissor e investir nele potencializa as chances
de o empreendimento prosperar.
Para ajustar o radar, o caminho é um
só: o da informação. É o que oferecemos
no Jornal de Negócios. Nesta edição,
uma das matérias aborda o segmento
de produtos para recém-nascidos, que,
alheio à crise, apresenta crescimento
anual de 14%. Em outra, o destaque são
as “bike foods”, alternativa para explorar o comércio de comida de rua. Também discutimos prós e contras de colocar a marca em um “marketplace”, uma
espécie de shopping virtual.
Ressaltamos ainda, em outra reportagem, a importância de investir nas relações de networking como forma de fomentar novos negócios. E o Sebrae-SP
está pronto a auxiliar com uma série de
iniciativas que permitem ampliar a rede
de contatos, como a realização de rodadas de negócio ou levando empreendedores a missões empresariais ou feiras.
Boa leitura!
google campus chega a são paulo
para fomentar startups do país
Depois de Londres (Inglaterra), Tel Aviv (Israel), Madri (Espanha),
Seul (Coreia do Sul) e Varsóvia (Polônia), é a vez de São Paulo ganhar
um Google Campus. O espaço criado pela Google para orientar e
treinar empreendedores que estão desenvolvendo startups no País
foi instalado em um prédio de 2,6 mil metros quadrados, no bairro
do Paraíso. Além de workshops e oportunidade de compartilhar
conhecimentos com a comunidade de startups locais e profissionais
experientes e especialistas do Google, os membros do Campus terão
acesso aos melhores programas da companhia, como sessões de
mentoria e apoio para entrar em novos mercados.
Para participar, basta se inscrever como membro no site:
https://www.campus.co/sao-paulo/pt
cartilha do sebrae ensina a montar startup
Tem uma boa ideia de negócio, mas não sabe por onde começar para
colocá-la em prática? Foi justamente pensando em quem passa por
essa dificuldade que o SEBRAE lançou a cartilha “10 dicas para tirar a
sua ideia do papel e montar uma startup de sucesso”. Com linguagem
simples, a publicação traz o passo a passo que deve ser seguido em
cada etapa. Para baixá-la, basta entrar no link:
http://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/bis/10-dicas-para-tirarsua-ideia-do-papel-e-montar-uma-startup-de-sucesso
camex reduz em 2% alíquotas
de importação de bens de informática
As alíquotas do Imposto de Importação que incide sobre 22 itens de
informática, telecomunicação e vários bens de capital foram reduzidas
para 2%, conforme determinação da Câmara de Comércio Exterior
(Camex), todos na condição de ex-tarifários. Já em vigor, o benefício
valerá até o 31 de dezembro do ano que vem.
6 | jornal de negócios
Boa notícia para os produtores rurais de grãos
O clima deste ano se mostra mais favorável para a produção de grãos, segundo previsão do
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A expectativa é que em 2016 a safra de
café arábica cresça 15,7% em relação a 2015, totalizando 2,303 milhões de toneladas. Já a de
café robusta deve registrar elevação de 3,3%, chegando a 676,4 mil toneladas. Para o feijão, a
estimativa é que o aumento seja de 18,6%, somando 1,591 milhão de toneladas. Exceção fica para
o cultivo de milho, que deve apresentar quedas de 3% e 7% nas primeira e segunda safras.
De pai para filho
Troca de comando no campo exige planejamento para que novo responsável pela propriedade assuma o negócio sem problemas
assar uma propriedade rural de
pai para filho costuma ser uma
tradição no campo. No entanto, essa
transição pede planejamento estratégico para que a atividade desenvolvida não sofra prejuízos na troca de comando. É o que está fazendo Leonardo
Bolonha, que cresceu no Sítio Nossa
Senhora da Abadia, em Franca, adquirido na década de 1980 por seu pai,
José Lourenço Bolonha.
Bolonha (o filho) sempre acompanhou a plantação de café sabendo que
um dia seria o responsável por tomar
conta do negócio. “Desde pequeno vi o
que tinha de fazer, os cuidados necessários, o carinho com a atividade. Quando
chegou o momento de assumir, ficou
mais fácil, já que eu tinha essa experiência, além da vocação”, conta.
O caso de Bolonha é exemplar, mas,
segundo o consultor do Sebrae‑SP Fábio Brass, nem sempre o herdeiro da
atividade tem esse convívio com a
terra. “Aqueles que não tiveram esse
envolvimento prévio com a produção
herdada precisam inventariar tudo,
saber o que existe na área, os valores, os ativos e procurar conhecer o
mercado da atividade”, explica Brass.
“Quanto mais o sucessor aprofundar
os conhecimentos, melhor será para
dar continuidade ao negócio”, explica
Brass. Claro que essa última recomendação também vale para aqueles que
já estavam acostumados a viver na
propriedade e terão de assumi-la.
Transição gradual
O consultor do Sebrae-SP recomenda
a estratégia de passar a responsabilidade gradualmente, tal como Bo-
Foto: Dirceu Garcia
P
Leonardo Bolonha cresceu acompanhando o pai no cuidado com a plantação de café no Sítio Nossa Senhora da Abadia
lonha. “Comecei tomando conta de
10% da propriedade, em 2007. Só me
tornei responsável por tudo no fim
de 2012. Com isso, tive tempo de me
adaptar, além de contar com o supor-
te do meu pai”, explica. A troca de comando feita desse jeito, aos poucos,
com o mais jovem sob a supervisão
segura do mais experiente, é o ideal,
segundo Brass. “No momento em que
recebe o bastão de vez, o filho estará
pronto para a responsabilidade de tocar o negócio”, conclui.
Entretanto, há alguns detalhes
que precisam ser respeitados nessa
edição 264 | abril de 2016 | 7
Oportunidade para contratar crédito de pré-custeio
Está disponível para produtores rurais o crédito de pré-custeio para a safra de 2016/2017. A
contratação pode ser feita no Banco do Brasil, que ofertará R$ 10 bilhões em financiamento
a taxas controladas para que o produtor adquira antecipadamente os insumos necessários.
Para os médios produtores, com faturamento de até R$ 1,6 milhão ao ano, os recursos estão
disponíveis por meio do Pronamp, com taxas de 7,75% ao ano até o teto de R$ 710 mil. Os demais
produtores têm encargos de 8,75% a.a. até o teto de R$ 1,2 milhão por beneficiário.
transição. O consultor do Sebrae-SP
alerta que, ao entregar o comando da
propriedade ao filho, o pai precisa fazer a atualização cadastral das terras,
já que o CNPJ do produtor rural não
é transferível. Também é necessário que o novo empresário esteja por
dentro da tributação que incide sobre
a atividade, prestando atenção especialmente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR).
Nem só a parte burocrática merece
atenção. Após conhecer o mercado em
que está inserido, o novo responsável
deve estar ciente das especificidades
de sua plantação, como os períodos
de safra. Essa atenção é fundamental
para que seja possível identificar possíveis oportunidades de negócio.
Administração
Atrelada a todas essas questões existe
a gestão do empreendimento, lembra
o consultor. A partir do momento em
que assume a atividades, o filho precisa entender todas as responsabilidades financeiras da propriedade e se há
algum empréstimo tomado e dívidas.
“Se a atividade estiver em uma situação ruim, ele precisa saber disso logo
no começo para tentar reverter”, indica Brass.
Leonardo Bolonha também não
descuidou dessa rotina. “Desde que
passei a ter uma pequena área para
me adaptar, tenho feito compra, venda, gestão de funcionário, serviços de
manutenção”, descreve.
Com as novas responsabilidades,
o sucessor do Sítio Nossa Senhora da
Abadia investiu em conhecimento
para não falhar na gestão do negócio.
“Procurei me aperfeiçoar com cursos
de gestão, cooperativa, marketing estratégico, degustação de café e tudo
da área, para me atualizar”, conta.
Brass reforça que, por vezes, ao assumir as terras do pai, o filho tem o
desejo de inovar e mudar boa parte
das práticas. No entanto, é preciso cuidado. “Geralmente ele assume com
entusiasmo e quer tornar a produção mais eficiente, o que é encarado
pelo pai com resistência. Esse ponto
de ansiedade precisa ser controlado,
avaliando riscos antes de tomar uma
decisão precipitada. Para isso, é preciso buscar apoio básico”, observa o
consultor.
Outro ponto de atenção é verificar
se o novo incumbido de cuidar da propriedade está apto a exercer a função
e, principalmente, se está disposto.
“Existem menos pessoas disponíveis
para trabalhar no campo. No entanto,
é preciso considerar que a atividade
passou por uma série de evoluções
nas últimas décadas. O negócio rural
precisa, hoje, de pessoas mais capacitadas tecnicamente, o que leva a
maior remuneração”, explica Brass.
“É importante para o pai ouvir o filho
sobre suas expectativas em relação ao
negócio e não apenas repassar a herança”, reforça.
Bolonha tinha interesse em atuar
na propriedade da família e soube desenvolver seu papel. Hoje, sua meta é
dar continuidade ao trabalho iniciado
nos anos 1980. “Nossa preocupação é
tomar conta e melhorar ainda mais
tudo o que meu pai construiu. Queremos aperfeiçoar e nunca regredir.
Por isso, estamos sempre aprendendo
coisas novas para não ficarmos atrasados”, afirma.
Para o consultor do Sebrae-SP, a
principal falha na transição é a falta
de planejamento. “O momento de troca de comando gera certo risco quando não é bem alinhada. O principal
equívoco ocorre quando a atividade é
passada sem que o filho esteja preparado para recebê-la e quando há falta
de conhecimento de mercado e técnico”, assinala.
Passo a passo da sucessão
Para fazer a troca de responsabilidades
na propriedade rural, o Sebrae-SP fornece
algumas dicas e orientações básicas.
1.Defina o novo responsável
Saiba escolher o sucessor da propriedade,
considerando suas aptidões e, antes de tudo,
vontade de ficar no comando das terras.
2. Programe a transição de comando
Se possível, faça o processo gradualmente
para que todo o passo a passo seja passado
aos poucos e com acompanhamento.
3.Conheça a empresa
O novo responsável deve estar por dentro
de todos os processos de plantio, colheita,
comercialização e gestão do negócio. É preciso
saber como está a vida financeira da propriedade
e quais os ciclos de produção e safra.
4.Estude o mercado
O sucessor das terras precisa saber quem
são fornecedores e clientes e quais possíveis
oportunidades para alavancar o negócio.
5.Assuma com responsabilidade
Ao tomar conta do negócio, o sucessor deve agir com
planejamento e cautela, recorrendo a constantes
atualizações de conhecimento e decisões embasadas.
8 | jornal de negócios
Melhora confiança dos donos de micro e pequenas empresas
O Indicador de Confiança dos donos de micro e pequenas empresas (MPEs) registrou leve
melhora em janeiro no comparativo mensal, passando de 40,03 para 42,03 pontos, segundo
levantamento feito pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional
de Dirigentes Lojistas (CNDL). Apesar do ligeiro avanço, o resultado ainda está abaixo do nível
neutro, de 50 pontos. O Indicador de Condições Gerais elevou de 26,34 para 26,60 pontos.
O Indicador de Expectativas para os Negócios também subiu, de 54,97 para 58 pontos.
Dinheiro da firma
no lugar certo
Microempreendedor Individual que abre conta corrente como
Pessoa Jurídica (PJ) pode obter maior controle das finanças
O
rganização, controle e profissionalização. Esses foram os benefícios que Juliana Pascoali sentiu ao
tomar a decisão de separar a conta
pessoal da empresarial. Dona da empresa de itens personalizados para
festa Pingo do Jota, ela foi por um
caminho que poucos Microempreendedores Individuais (MEI) costumam
seguir. De acordo com uma pesquisa
do SEBRAE, apenas 45% deles possuem vínculo bancário como Pessoa
Jurídica (PJ).
Apesar de não ser obrigatório que o
MEI tenha uma conta corrente específica para o negócio, o consultor do
Sebrae-SP Gustavo Marques ressalta
que essa é uma estratégia positiva
para a vida financeira do empreendimento. “Uma das principais regras do
negócio próprio é separar a movimentação de capital da empresa da conta
pessoal. Por isso, incentivamos que o
empresário abra uma conta bancária
empresarial para ter bem clara essa
divisão”, orienta.
Juliana sabe bem a confusão que
dava com a falta de separação das
finanças. “Minhas contas viviam
bagunçadas e misturadas. Por mais
que eu tentasse me organizar com
um livro de caixa específico, como
tudo saía da mesma conta não tinha
condições de ter total controle. Mantinha em ordem um dia, mas, após
dois, já estava tudo em desordem de
novo”, lembra.
Por isso, com orientação do Sebrae‑SP,
decidiu entrar no sistema bancário
como empresária. “Fazer o controle das
entradas e saídas da Pingo do Jota ficou
bem mais fácil. Além disso, percebi que
o cliente e o fornecedor têm maior confiança na empresa quando peço que a
transação financeira seja feita nessa
conta corrente jurídica”, conta Juliana.
O consultor do Sebrae-SP concorda. “Sendo correntista em um banco,
a empresa mostra maior profissionalismo. Também há aquela máxima de
que ‘quem não é visto não é lembrado’. No mercado financeiro, essa regra
é forte. O MEI sem conta empresarial
não se mostra para o sistema financeiro. Isso pode dificultar o processo
caso ele necessite recorrer a um crédito. Para conceder, o banco costuma
pesquisar o histórico do cliente. Se
houver uma conta empresarial, fica
mais fácil e mais claro”, comenta.
Facilidades
Para atrair o MEI, os bancos oferecem
oportunidades e vantagens, como ta-
xas específicas, acesso a crédito e serviços especiais. No entanto, é preciso
fazer uma pesquisa criteriosa antes
de fechar contrato com uma instituição bancária. “Converse com várias,
verifique os custos e o que há de serviço oferecido. Contrate apenas o que
for necessário para a empresa porque
em tudo há custo”, diz o consultor. Ele
lembra inclusive que o Sebrae-SP organiza eventos para aproximar o empresário da oferta de serviços financeiros
dessas instituições.
Após optar por abrir a conta PJ no
mesmo banco que já utilizava como
pessoa física, Juliana percebeu que
pesquisar as ofertas do mercado é
essencial. “Hoje, pago cerca de R$ 60
mensais em taxas para meu banco.
Mas já entrei em contato com outras
instituições em que a mesma taxa
custa R$ 20”, compara.
O consultor do Sebrae-SP reforça
ainda que algumas empresas só fecham contrato com MEIs desde que
estes possuam a conta corrente Pessoa
Jurídica. O mesmo acontece para vender para o governo. “O empreendedor
vai entender a importância dessa conta empresarial quando perceber que
precisa ser mais profissional, organizando as finanças”, conclui Marques.
Para abrir
a conta
Onde
Bancos públicos e privados
oferecem produtos e serviços
financeiros formatados
para Microempreendedor
Individual. Entre os públicos,
estão a Caixa Econômica
Federal e o Banco do Brasil.
Documentos necessários
ÿC
ertificado de Condição
do Microempreendedor
Individual (CCMEI)
ÿC
adastro Nacional de Pessoa
Jurídica (CNPJ)
ÿD
ocumentos pessoais do
empreendedor (RG, CPF)
ÿC
omprovante de residência
do MEI
edição 264 | abril de 2016 | 9
País sobe duas posições no índice de infelicidade econômica
O Brasil subiu duas posições no índice de infelicidade econômica, divulgado pela
Bloomberg, passando da 11ª para a 9ª colocação em 2016. O indicador, que também
é conhecido como “índice de miséria”, considera as taxas de desemprego e inflação para
o cálculo. Quanto maior a pontuação, mais infeliz. No levantamento, o Brasil marcou
16,8 pontos, superior aos 15,8 de um ano antes, pressionado principalmente pela crise
nacional. No levantamento, a Venezuela marcou a pior pontuação.
Ligações delicadas
é
cada vez mais comum um estabelecimento conceder a outra
marca a possibilidade de vender seus
produtos em um ponto de vendas
dentro de suas instalações, caso de
um café que se instala em uma livraria, para citar algo bem comum.
Trata-se do conceito “store in store”
– ou “loja dentro da loja”. Mas quais
são os prós e os contras de investir
nesse formato?
Para o diretor de expansão e
marketing da 5àsec, Sergio de Souza
Carvalho Júnior, a relação tem mais
pontos positivos, desde que observado
o ramo de atividade. A rede de lavanderias aposta pesado nessa relação e
tem diversas unidades dentro de supermercados e academias. “O estacionamento é o principal atrativo para o
nosso modelo de negócio, porque dificilmente um cliente vai se deslocar de
ônibus para deixar um vestido longo
ou edredom”, diz.
Assim, a conveniência é fator decisivo para o sucesso. Não à toa, postos de
combustíveis abrigam, num mesmo
local, cafés, livraria, chaveiros e lavanderias, entre outros. Eles são pontos
de venda com público garantido, pois
a movimentação é diária e constante.
“É preciso critério na utilização desse
canal de venda”, destaca o gerente do
Escritório Regional (ER) do Sebrae-SP
Capital Centro, Paulo Marcelo Ribeiro.
Segundo ele, a sinergia entre as
áreas é fundamental para conviver
em harmonia, mas é preciso estratégia exclusiva para cada negócio, evitando dependência das operações. “É
uma ligação delicada”, diz.
Carvalho Júnior, da 5àsec, concorda. Ela conta que já se viu obrigado
a mudar às pressas uma franquia de
lugar por causa do fechamento da loja
de um supermercado dentro de um
shopping. “Embora a locação do espaço seja mais em conta, esse obstáculo
PONTOS POSITIVOS
ÿ Oportunidade de colocar dentro de um mesmo espaço marcas
sinérgicas e que possam gerar fluxo de clientes entre si.
ÿ Minimiza os custos operacionais – com o compartilhamento do
espaço, há também a divisão de gastos como aluguel, luz e água.
ÿ Otimiza o tempo do consumidor, gerando conveniência. Num mesmo
espaço ele consegue suprir demandas distintas com comodidade.
ÿ Possibilidade de abrir mercado em locais onde a marca de forma individual
não consegue entrar por questões de potencial de consumo na região.
ÿ Combinar mais de uma marca amplia entrada em mercados menores.
pode surgir e mudar todo o planejamento de custos”, avalia o executivo.
A maximização dos espaços ociosos dentro dos estabelecimentos
comerciais, franqueados ou não,
também tem sido um dos motivos
do aumento desse tipo de operação.
“É uma relação que se justifica por
permitir incrementar vendas e aumentar a visibilidade da marca”,
completa Claudia Bittencourt, sócia-fundadora e diretora-geral do Grupo
Bittencourt, consultoria especializada em desenvolvimento e expansão
de redes de franquias e negócios.
“Juntos, os empreendimentos devem
ter como propósito levar mais serviços ao cliente”, ressalta.
Não há, porém, regras fixas e as
parcerias variam de acordo com
os interesses de cada empresa. De
modo geral, esse relacionamento
tem sido bastante positivo no setor
de franchising.
Foto: divulgação
Conceito de loja dentro de outra tem sido positivo para os
negócios, mas é preciso avaliar os riscos desse relacionamento
Sergio Carvalho Júnior, diretor de expansão e marketing
da 5àsec: unidades em supermercados e academias
PONTOS NEGATIVOS
ÿ Há, de forma natural, troca de atributos entre as marcas, de
maneiras positiva e negativa. Por isso, o insucesso de uma
das operações pode impactar negativamente na outra.
ÿ Há a possibilidade de causar dependência entre os negócios. Caso uma
das operações deseje sair do modelo, pode desestruturar e prejudicar
a segunda operação.
ÿ Dificuldade maior de se manter o padrão da marca, pois existe uma definição
conjunta do modelo do ponto de venda e da comunicação, entre outros.
FONTE: Grupo Bittencourt e 5àsec
10 | jornal de negócios
Turismo representa 10% do PIB mundial
Responsável por um em cada 11 empregos no mundo, o segmento de turismo representa 10% do
Produto Interno Bruto (PIB) global, segundo dados da Organização Mundial do Trabalho (OMT).
No ano passado, 1,184 bilhão de pessoas saíram de seus países a passeio. A quantidade é 4,4%
superior à apresentada um ano antes. O continente americano foi o terceiro mais visitado no
período, com 190 milhões de turistas circulando ao longo de 2015. A Europa lidera o ranking,
seguida por Ásia-Pacífico. Diante da crise econômica, os brasileiros viajaram menos.
Oportunidade em duas rodas
Ecológica e de baixo custo em relação ao food truck, o modelo “food bike” ganha as ruas de São Paulo e vira alternativa de negócio
para quem quer vender comida rápida e de qualidade
rimeiro foram os food trucks, caminhões adaptados para servir
comida. Agora, entra em cena outro
veículo com o mesmo propósito de
servir ao comércio itinerante – mas
de forma mais eclética. As bicicletas
estão despontando como opção de negócio para vender de roupas a eletroeletrônicos. Mas a versão que está ganhando mais adeptos é a “food bike”,
como são chamadas as que atuam
com alimentação.
É nessa onda que surfa o paulistano
Danilo Tanaka. Ele uniu duas paixões
para empreender no próprio negócio:
a bicicleta e o hambúrguer. Depois
de testar suas receitas em encontros
com amigos, largou a profissão de fotógrafo e começou a pesquisar sobre
food truck. Contudo, os custos desanimaram. Então, optou pela versão de
hamburgueria intinerante sobre duas
rodas. Iniciou as atividades com a
Bike Burger em 2014 e não se arrepende. “A bicicleta tem suas vantagens.
Posso ir a eventos com os food trucks
e também a outros lugares onde eles
não conseguem entrar, como casas ou
espaço mais estreitos que não comportam a passagem de um caminhãozinho”, aponta.
Para o empresário, o único ponto
negativo da “food bike” é a exposição
à chuva. “Em todos os outros tópicos o
negócio é vantajoso, principalmente
do ponto de vista ambiental. Ecológica, ela não polui o ambiente como o
carro”, diz.
Na Bike Burger, os lanches são preparados na hora, dispensando a necessidade de estrutura para conservá-los quentes, e ainda conquistando o
cliente com o apelo de um alimento
sempre fresquinho. “O pouco espaço
disponível no veículo não atrapalha
a atividade”, garante Tanaka, que pilota a chapa e conta com um auxiliar
para atender o público. Preparando
vários hambúrgueres ao mesmo tempo, ele consegue servir uma média de
100 lanches por dia, já que a jornada
diária de funcionamento do local é de
dez horas. Os preços variam entre R$ 12
(“cheeseburger”) e R$ 15 (“cheese bacon”).
O veículo de Tanaka é conhecido pela região da Avenida Paulista,
na capital, onde faz ponto fixo nas
imediações do Museu de Arte de São
Paulo (Masp). Ele também tem outra
bike itinerante que frequenta festas e
eventos, além de marcar presença aos
domingos, quando a Avenida Paulista
é fechada aos carros. A ideia chama
a atenção de outros empreendedores
que já procuram a marca interessados
em adquirir uma franquia. Tanaka
está animado com a possibilidade,
tanto que está se estruturando para
aderir ao modelo de expansão.
Comparação
Adaptadas para servir como comércio
itinerante, as “food bikes” podem ser
pilotadas por uma pessoa e ocupar pequenos espaços por ruas das cidades,
shopping centers, praças e centros comerciais, conforme os alvarás das autoridades competentes.
Além de serem consideradas charmosas pelos consumidores, elas são
bem mais acessíveis do que um food
truck. O investimento necessário para
adquirir um caminhão customizado
para vender alimentos pode variar
entre R$ 50 mil e R$ 200 mil, dependendo da tecnologia utilizada para
preparar as vans e os caminhões. Já
uma bicicleta pode ficar apta para
Foto: Rubens Chiri
P
Danilo Tanaka, dono da Bike Burguer, trocou a profissão de fotógrafo para empreender no segmento
abrigar um comércio móvel com investimento bem mais modesto – entre
R$ 3 e R$ 15 mil. Ainda que seja necessário comprar uma nova (implicando
um desembolso por volta de R$ 1 mil),
a diferença é colossal.
Apesar de prático e de baixo custo,
um negócio nesse segmento requer os
mesmos procedimentos padrão para
iniciar uma empresa comum, como
formulação de plano de negócios,
planejamento de gastos com mão de
obra, matéria-prima e alvarás necessários para funcionamento, além de
estratégias para atrair o público, mesmo sendo itinerante.
Segundo a consultora do Sebrae-SP
Karyna Muniz, o empreendedor deve
se preocupar com espaço para acondicionar os alimentos e mantê-los de
acordo com as normas da Vigilância
Sanitária. “Assim como o food truck,
os proprietários de bike também passam por cursos de boas práticas da vigilância, que são obrigatórios e devem
seguir as normas de conservação adequada dos alimentos. O pouco espaço
para acondicionar os alimentos é um
edição 264 | abril de 2016 | 11
São Paulo figura no mapa das cidades mundiais que devem crescer
Elaborado pela Oxford Economics, estudo produziu um ranking indicando quais cidades mundiais
devem apresentar maior crescimento no PIB até 2030. No Brasil, a única representante no
levantamento foi a cidade de São Paulo, com perspectiva de US$ 335 bilhões. Na América Latina,
a capital paulista é a primeira, seguida por Cidade do México, Buenos Aires, Santiago e Lima.
O mesmo estudo analisou, também, as cidades que terão o maior PIB do mundo. Nessa lista,
o Rio de Janeiro aparece, com US$ 255 bilhões, sendo a quinta maior da América Latina.
desafio para os empreendedores, que
precisam se virar em locais sem energia elétrica, calor constante e outras
condições adversas”, aponta ela.
Ainda de acordo com a consultora,
muitos empreendedores buscam parcerias com outros comerciantes para
utilizar energia elétrica e geladeiras,
a fim de guardar o que não couber
municipais e precisam ser consultadas. Segundo Karyna, o primeiro passo para iniciar um negócio no ramo é
procurar um órgão da prefeitura da
região em que deseja atuar para checar os locais disponíveis. Caso não
haja disponibilidade, a atividade será
ilegal. Na capital paulista, o Termo de
Permissão de Uso (TPU) tem um custo
100 lanches por dia em dez horas de
trabalho na região da Avenida Paulista
na “food bike”. “Para vender comida
na rua, deve-se redobrar a atenção a
questões ligadas à segurança alimentar para evitar contaminação. Uma
boa alternativa é escolher produtos
menos perecíveis, que não ofereçam
riscos à saúde das pessoas caso fiquem algumas horas sem refrigeração”, afirma Karyna.
Atenção à lei
Antes mesmo de tirar a ideia do “food
bike” do papel e ganhar as ruas, é preciso se informar sobre as leis de cada
cidade para a prática regular desse
negócio. Em São Paulo, a legislação
vigente que atende à modalidade da
bike é a mesma destinada ao food
truck. A Lei nº 15.947/2013, publicada
pela Prefeitura de São Paulo em maio
de 2014, regulamentou a venda de
alimentos em barracas, carrocinhas
e veículos automotores. Somente na
capital existem mais de 600 estabelecimentos cobertos que se enquadram
nessa norma.
Também é preciso obedecer a algumas regras da Vigilância Sanitária e
da prefeitura, além de portarias estaduais e federais que se sobrepõem às
anual, com valor mínimo de R$ 192,65,
e o cálculo é feito caso a caso com base
na área que será ocupada pelo equipamento (carrinho, tabuleiro, barraca
desmontável, “food bike” e veículos
motorizados ou rebocados) e o valor
venal do metro quadrado da quadra
onde fica o ponto escolhido.
“Tudo passa pela subprefeitura de
cada região. É por meio dela que o empresário saberá os locais disponíveis
para seu negócio e em qual categoria ele
se enquadra (barraca, carrinho, tabuleiro etc). Além disso, a prefeitura libera
até dois pontos para que a “food bike”
explore, de maneira intercalada. Por
exemplo, uma bike pode ocupar uma
rua às segundas e uma praça aos sábados, não podendo repetir o endereço
duas vezes seguidas”, aponta Karyna.
A definição dos locais para o exercício da atividade é de fundamental
importância para o sucesso do negócio, pois dependendo da região disponível, o empresário terá que modificar
o cardápio elaborado ou a forma de
atendimento. Por isso, a consultora do
Sebrae-SP orienta procurar a prefeitura de sua cidade durante a elaboração
do plano de negócios.
Para todos
Navegue
os
gostos
nesta
onda
O modelo de comércio por meio de bicicletas
adaptadas não é exclusividade do ramo de
gastronomia. Outras atividades também adotam
a modalidade para inovar no serviço prestado,
como lojas itinerantes de roupas, brinquedos e
eletrônicos, além dos já conhecidos “couriers”,
“bike messengers” ou “bike boys”, que entregam
produtos utilizando a magrela.
Fabricante de bikes adaptadas, a FoodBike
oferece veículos personalizados para cada
atividade. A empresa surgiu no fim de 2014
pelas mãos de Meryelen Lunelli, que tinha um
desses veículos e sempre era questionada
sobre a fabricação do veículo. A empresária
paulistana levou para a Feira do Empreendedor,
que aconteceu em fevereiro em São Paulo, o
conceito de “bike store” – uma loja itinerante
sobre duas ou três rodas. “Com o triciclo,
o empresário pode vender roupas e outros
produtos”, aponta.
12 | jornal de negócios
Número de MEIs já supera o de MPEs
No Brasil, o número de Microempreendedores Individuais (MEIs) ultrapassou a quantidade
de micro e pequenas empresas (MPEs). Desde sua criação, em 2008, até janeiro deste
ano, o país já formalizou mais de 5.720.194 microempreendedores individuais. O montante
representa quase 20% a mais de MEIs sobre o número de micro e pequenas empresas
abertas, que totalizam 4.777.069. No Brasil, o número de pequenos negócios empresariais,
somando MEIs e MPEs, é de 10.497.263, sendo 54,5% do primeiro e 45,5% do segundo.
Mercado na
contramão
Setor de produtos para bebês e crianças cresce 14% ao ano, dribla crise
e é responsável por movimentar R$ 50 bilhões anualmente
s
egundo o Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE), a
cada hora nascem no Brasil 321 bebês
– ou 5,36 por minuto. Nesse ritmo, gera-se uma demanda constante que faz
o mercado de produtos para recém-nascidos crescer 14% ao ano, alheio a
qualquer atmosfera de crise econômica que atinja o País. Ou seja, esse é um
terreno fértil para que fabricantes,
representantes e varejistas invistam
em novidades para abastecer compradores ávidos. “Esse é um segmento de
ótimas oportunidades para os micro
e pequenos negócios”, entende o consultora do Sebrae-SP Cassia Godinho.
Basta pensar nas lembrancinhas de
maternidade, enfeites de berço e os
mil e um itens que costumam compor
o enxoval dos recém-nascidos.
Essa gama de produtos para bebês e
crianças movimenta, em média, R$ 50
bilhões por ano no País. Mesmo com
a desaceleração econômica atual, a
tendência é que as empresas do ramo
faturem ainda mais. “Por causa da crise, as famílias das classes A e B, que tinham o costume de montar enxovais
no exterior, farão as compras por aqui
mesmo. Isso abre enormes possibilidades de negócios, inclusive para as
pequenas”, aponta Cassia. Para abrir
um negócio nesse segmento, segundo a consultora, o empresário deve
fazer uma pesquisa visando conhecer
o público-alvo, analisando o compor-
tamento da região e das pessoas que
pretende atender. Outro fator importante é oferecer atendimento especializado nesse público.
Comodidade e parceria
Foi nisso que mirou Viviane Galli
Fortuna, dona do e-commerce Cabidinho, voltado a roupas e acessórios
dos tamanhos 0 a 3. Ela iniciou suas
atividades em 2013 e conquistou espaço no mercado focando na variedade
de produtos. Ela havia saído de uma
sociedade em loja de artigos infantis
e começou com os produtos que tinha
em seu estoque. “Em princípio, o Cabidinho comercializava outlet de mar-
de bebês. Por isso, a empresária aposta em outros serviços complementares para ganhar ainda mais clientes.
“Neste ano, vou investir no serviço
que batizei de ‘Malinha em Casa’. É
uma maneira de levar variedade e
comodidade para gestantes e mães
que não queiram sair de casa para
comprar roupas e acessórios para os
filhos”, afirma.
O funcionamento é simples: o
cliente informa previamente os produtos que gostaria de experimentar,
a loja monta uma malinha com todos eles e os deixa em sua casa para
a escolha. Depois de alguns dias, ele a
devolve e paga pelos itens escolhidos.
Sai na frente quem oferece serviços
diferenciados, como enviar uma
seleção de artigos para que a
gestante escolha em sua casa
cas famosas até o tamanho 12. Mas, ao
longo do tempo, percebi que precisava
ampliar a variedade de itens e focar
em um público específico. Foi aí que
resolvi me especializar em peças até
o tamanho 3”, afirma Viviane. A ideia
deu certo, tanto que o faturamento da
empresa cresceu 70% nesses dois anos
de atuação.
A demanda da loja virtual é constante e acompanha o mercado geral
“Com isso, as mães compram mais e
são poucos os pedidos de troca. Ou
seja, não tenho gasto duplo com frete
e a maioria volta a comprar por esse
sistema”, conta. Outra plataforma que
a empresária explora é o WhatsApp,
por meio do qual vende seus produtos
em grupos de pessoas interessadas
em artigos infantis.
Um dos maiores desafios do negócio de Viviane é encontrar varieda-
de de artigos e preços competitivos
para não ser desbancada pelas grandes varejistas do setor. Para isso, a
empresária estabeleceu contato com
confecções e grupos de mães empreendedoras em redes sociais que vendem
produtos inovadores e com facilidades de pagamento. “Muitos dos itens
que ofereço no site são de confecções
parceiras, que os liberam conforme a
demanda. Então, não corro o risco de
perder dinheiro com estoque parado
e sempre tenho novidades para apresentar”, afirma.
Sustentabilidade em alta
Outro negócio do ramo infantil que
cresce pela crise é o bazar de usados,
que compra e vende roupas, acessórios, brinquedos, calçados, produtos
de higiene, carrinhos e outros itens.
Segundo a tabela da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), do
zero aos dois anos de idade existem
sete tamanhos diferentes de roupas
para as crianças, com nova numeração a cada três meses de vida. Como
os bebês crescem muito rápido e “perdem” roupas e objetos na mesma frequência, algumas famílias se veem
com grande estoque de produtos novos ou com pouco uso. O que fazer
com tudo isso? Está aí a oportunidade
de negócio.
A publicitária Flavia Pinheiro foi
uma das que resolveram aproveitá-la.
edição 264 | abril de 2016 | 13
Compras via e-commerce expandem 15,3%
Foto: Rubens Chiri
As vendas realizadas em 2015 nas lojas virtuais brasileiras apresentaram um crescimento
nominal de 15,3% na comparação com 2014, alcançando um faturamento de R$ 41,3
bilhões, segundo a consultoria E-bit. Apesar do cenário socioeconômico do País, os números
comprovam que foi um ano positivo para o setor, com um total de 106,5 milhões de pedidos. O
tíquete médio também subiu (12%), atingindo valor médio de R$ 388 – em parte por causa da
inflação, que também elevou os preços dos produtos vendidos online no decorrer do ano.
Flavia Pinheiro, dona do e-commerce Ainda Serve Bazaar: com a retração econômica, visão sobre brechó
está mudando no País
Ela passava pela mesma situação. Mãe
de dois filhos pequenos, notou que
não havia muitos brechós especializados em roupas de crianças. “Meus
filhos perdiam roupas muito rápido e
eu passava o vestuário do mais velho
para o mais novo. Percebi que poderia
fazer isso com outras pessoas e formar
um negócio”, afirma. Assim nasceu o
Ainda Serve Bazaar, e-commerce de
compra e venda de produtos infantis
usados e novos.
Em junho de 2015, o site foi ao ar e, já
nos primeiros meses, Flavia comprovou a demanda reprimida que existia.
“Aproveitamos o Dia das Crianças e o
Natal para fazermos campanhas e foi
muito positivo. Superamos todas as
expectativas”, aponta.
Ela conta que os brechós são comuns em países europeus e nos Estados Unidos, mas no Brasil as pessoas
ainda “torcem o nariz”. “É uma cultura que está começando a mudar.
As dificuldades econômicas do País
alavancaram muito esse segmento de
bazar, e quando falamos de crianças,
que precisam trocar de vestuário em
curtos espaços de tempo, a sustentabilidade é ainda mais bem-vinda”, afirma Flavia. No início das atividades, a
empresária oferecia roupas e acessórios adquiridos de familiares e amigos. Agora que o negócio evoluiu, busca parceiros para aumentar o estoque.
Por ser pioneiro, o maior desafio do empreendimento, segundo
Flavia, foi estabelecer preços, criar
plano de negócios e reunir dados
jurídicos referentes ao formato da
empresa. “Não tivemos base alguma
para iniciar. Até mesmo para elaborar a planificação, não conseguimos
utilizar o modelo tradicional, pois
nosso negócio é completamente diferente”, afirma a empresária. Outro
obstáculo que precisou enfrentar é a
sazonalidade da demanda. Diferentemente do que acontece com outros
segmentos do setor infantil, que são
impulsionados pelos pais iniciantes,
o brechó é compreendido e requisi-
dados do setor
> No Brasil, há 39 milhões de
crianças de zero a 12 anos, sendo
8 milhões de bebês de 0 a 3;
> A cada hora nascem no País 321
bebês – 5,36 por minuto. Desses,
51,2% são do gênero masculino;
> O segmento movimenta cerca
de R$ 50 bilhões por ano;
> O crescimento anual é de 14% ao
ano. A expansão é equivalente
ao dobro do mercado adulto
brasileiro e três vezes maior que a
registrada no mercado americano.
Fonte: IBGE
tado por pessoas que já têm filhos,
mais ponderadas no momento de
fazer compras. Esse público consome
menos por impulso.
Segundo Flavia, as roupas novas
vendidas pelo site podem ser até 15%
mais baratas do que as comercializadas em lojas comuns, e as peças usadas podem garantir economia de até
70%. “Fazemos um controle rigoroso
para escolher os itens que serão oferecidos no site. Não podem ser rasgados
nem manchados. São produtos que eu,
como mãe, colocaria no meu filho”,
afirma. O fim do ciclo dos produtos
usados acaba quando os pais não se
interessam mais por comprá-los, aí a
empresa destina todos eles para uma
instituição de caridade, dando segmento ao DNA sustentável do negócio.
14 | jornal de negócios
Transações com cartões de crédito e débito subiram 9%
Os brasileiros usam cada vez mais os cartões de crédito e débito. No ano passado, as
compras pagas com esses métodos movimentaram R$ 1,05 trilhão. O montante foi 9%
superior ao registrado um ano antes no País. Os dados são da Associação Brasileira das
Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs). Segundo o estudo, as transações
de crédito subiram 6,2% em 2015, somando R$ 648 bilhões. Já os pagamentos com os
de débito se elevaram em 13,8% no mesmo período, contabilizando R$ 402 bilhões.
empretech
Foco na fidelização
Estratégia de negócio que coloca o cliente no centro dos processos, o CRM traz
no seu bojo soluções tecnológicas para melhorar o relacionamento pós-venda
Para atrair, conquistar e manter clientes, a
empresa precisa definir e realizar uma série
de estratégias e ações e, principalmente,
monitorar para ver se o que está sendo feito
produz os resultados esperados. O Customer
Relationship Management (CRM), muito
utilizado por empresas de grande porte,
auxilia nesse processo. A boa notícia é que
esse sistema de gestão integrado com foco
no cliente também está acessível às micro
e pequenas empresas (MPEs), e podem
ajudá-las a aumentar suas vendas.
“O CRM municia a empresa com informações
para conhecer bem o cliente e saber o que
ele pensa a respeito da sua marca”, explica
o consultor do Sebrae-SP Jairo Lobo Migues.
Com esse feedback, é possível melhorar o
que você oferece aos consumidores ou criar
novos produtos e serviços. “Bem utilizadas,
essas informações podem propiciar uma boa
experiência de compra ao cliente, contribuindo
para sua fidelização”, completa Migues.
Principais
funcionalidades
do sistema
No mercado, existe uma oferta diversificada
de softwares que auxiliam na gestão do
relacionamento da empresa com o consumidor.
Segundo Lobo, há desde versões mais simples
(com poucas funcionalidades) até mais
complexas (com muitas funcionalidades), com
diversas faixas de preços, inclusive gratuitas.
O que o empresário deve ter em mente é que,
entre as várias soluções disponíveis, ele precisa
encontrar o software que mais atenda às suas
necessidades (as funcionalidades). “Ou seja, aquele
que mais tiver aderência ao seu tipo de negócio e
necessidades”, aponta Migues. Existem opções de
softwares ERP (Sistema de Gestão Empresarial)
que incorporam algumas funcionalidades de
um CRM. Como são úteis em outras áreas da
empresa, acabam tendo um bom custo/benefício.
Por fim, vale lembrar que, implantado o
programa, as informações dos clientes
devem sempre estar atualizadas para que
o sistema CRM realmente seja eficaz.
ÿ Dados gerais do cliente;
ÿ Automatização da força de vendas;
ÿ Análises e simulações;
ÿ Clientes potenciais, solicitação
de contatos, agendamentos;
ÿ Hábitos, comportamentos,
padrão de consumo dos clientes;
ÿ Contatos, problemas,
reclamações, sugestões;
ÿ Pedidos;
Fonte: Jairo Lobo Migues, consultor do Sebrae-SP
ÿ Gerenciar campanhas de
marketing realizadas;
Números em alta
48,39%
das empresas brasileiras
utilizam o CRM
internet
é o segmento que
mais recorre a ele
79%
das empresas com mais
de mil colaboradores
adotam a ferramenta
ÿ Histórico dos clientes e suas relações;
ÿ Gestão do conhecimento.
Fonte: Núcleo de Informação e
Coordenação do PontoBR (NIC.br)
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16 | jornal de negócios
Varejo de usados cresce 210% em cinco anos
O segmento de brechós ganhou o coração dos brasileiros e registrou um crescimento de 210% no
País nos últimos cinco anos. A maioria desses negócios está no Estado de São Paulo. De acordo com
levantamento do SEBRAE, nesses pontos de venda o consumidor economiza até 80% em relação a
produtos novos. Em razão de alta inflação e crise econômica, muitas pessoas passaram a optar pelos
bazares que comercializam roupas usadas em bom estado, além de vestiário infantil (que muda de
numeração a cada três meses), substituindo a compra que seria feita em lojas de itens novos.
AGENDA DE FEIRAs | abril
2ª Feira Mundial da Indústria de Impressão 3D
22ª Salão Internacional da Construção
profissional e fabricação aditiva
Quando: de 12 a 16/4
Quando: de 4 a 5/4
Onde: Anhembi | Av. Olavo Fontoura, 1.209 | Santana, São Paulo - SP
Onde: Centro de Convenções Frei Caneca | R. Frei Caneca, 569 | Consolação, São Paulo - SP
Informações: (11) 3060-5000
Informações: (11) 3824-5300 | http://www.arandanet.com.br/
http://www.feicon.com.br | [email protected]
33ª Feira Brasileira de Brinquedos
13ª Brazil Scrapbooking Show
Quando: de 5 a 8/4
Quando: de 13 a 16/4
Onde: Expo Center Norte | R. José Bernardo Pinto, 333 | Vl. Guilherme, São Paulo - SP
Onde: Centro de Eventos Pró-Magno | R. Samaritá, 230 | Casa Verde, São Paulo - SP
Informações: (11) 2226-3100
Informações: (11) 3722-3344
http://www.abrin.com.br | [email protected]
http://www.wrsaopaulo.com.br | [email protected]
22ª Intermodal South America
14ª Exposição Óptica da América Latina
Quando: de 5 a 7/4
Quando: de 13 a 16/4
Onde: Transamerica Expo Center | Av. Dr. Mario Villas Boas Rodrigues, 387 | Santo
Onde: Transamérica Expo Center | Av. Dr. Mário Villas Boas Rodrigues, 387 |
Amaro, São Paulo - SP
Santo Amaro, São Paulo - SP
Informações: (11) 4689-1935
Informações: (11) 3045-2090
http://www.intermodal.com.br | [email protected]
http://expoabioptica.com.br | [email protected]
18ª Autocom 2016 – Feira e Congresso Internacionais
15ª Feira Internacional de Beleza, Cabelos e Estética
de Automação para o Comércio
Quando: de 16 a 19/4
Quando: de 5 a 7/4
Onde: Expo Center Norte | R. José Bernardo Pinto, 333 | Vl. Guilherme, São Paulo - SP
Onde: Expo Center Norte | R. José Bernardo Pinto, 333 | Vl. Guilherme, São Paulo - SP
Informações: (11) 3897-6100 | http://www.hairbrasil.com | [email protected]
Informações: (11) 2226-3100
http://www.feiraautocom.com.br | [email protected]
Agrishow
Quando: de 25 a 29/4
Feira Sou 60+
Onde: Rod. Prefeito Antônio Duarte Nogueira, km 321 | City Ribeirão |
Quando: de 6 a 8/4
Ribeirão Preto, São Paulo
Onde: Anhembi | Av. Olavo Fontoura, 1.209 | Santana, São Paulo - SP
Informações: (11) 3598-7800 | www.agrishow.com.br | [email protected]
Informações: (11) 3276-5377 | www.sou60mais.com.br/feira
73ª Feira Internacional de Bijuterias,
39ª Exposição de Negócios em Turismo
Acessórios, Joias de Prata e de Aço, Folheados e Semijoias
Quando: de 8 a 9/4
Quando: de 26 a 27/4
Onde: Pavilhão Expo Dom Pedro | Anexo Parque D. Pedro Shopping | Av. Guilherme
Onde: Centro de Convenções Frei Caneca | R. Frei Caneca, 569 | Consolação, São Paulo - SP
Campos, 500 | Jardim Santa Genebra, Campinas - SP
Informações: (11) 3670-7700 | http://www.bijoias.com.br | [email protected]
Informações: (11) 2626-1905
http://aviesp.com/aviesp-expo-de-negocios-em-turismo | [email protected]
Feira Internacional de Tecnologias e Soluções Ambientais
Quando: de 12 a 15/4
Onde: São Paulo Expo | Rod. dos Imigrantes, km 1,5 | Imigrantes, São Paulo - SP
Informações: (11) 3060-5000
http://www.pollutec-brasil.com | [email protected]
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em
18 | jornal de negócios
Twitter muda linha do tempo para atrair anunciantes
Rede social informou que irá reformular a maneira de exibir os tuítes, customizando a página inicial
para cada usuário, não mais uniformizando a exibição em ordem cronológica reversa. A mudança
tem por objetivo atrair anunciantes, oferecendo mais destaque para tuítes pagos com a finalidade
de promover produtos. Em testes, a empresa informou que viu maior interação dos usuários com os
anúncios e tuítes sobre eventos ao vivo. Para os anunciantes, a novidade tende a ser positiva, já que
alguns informaram que, da maneira original, os posts pagos podem se perder na linha do tempo.
Vitrines virtuais
coletivas
Shoppings de comércio eletrônico abrem boas oportunidades, desde que sejam observadas algumas regras básicas de convivência
pesar de a Shop Manola e a Meu
Riso Baby & Kids venderem produtos diferentes, escolheram uma
estratégia comum para alavancar os
negócios: as vendas pela internet, na
modalidade “marketplace”. O nome em
inglês se refere a uma espécie de shopping de comércio eletrônico que reúne
várias empresas num único website,
sem que tenham que arcar com os custos totais de uma loja virtual.
No caso da Shop Manola, a performance tem sido mais do que positiva.
“Essa parceria ajudou a marca a ser reconhecida globalmente e ampliou as
vendas”, conta a proprietária, Gisele
Gomes, que tem contratos com os principais representantes do modelo no
mercado, como Submarino, Uol e WalMart. De cada 30 pedidos diários, no
mínimo cinco são provenientes desses
canais. O valor médio da compra também saltou de R$ 200 para R$ 300.
No caso da Meu Riso Baby & Kids,
porém, os resultados não vieram ao
encontro das expectativas, segundo
a proprietária Klisia Carvalho Ramos.
Ela está hospedada na Elo 7, um canal
direcionado para produtos artesanais
e muito usado por quem ainda não
tem operação própria. “Falta confiança do internauta que ainda quer se
certificar da idoneidade da empre-
Foto: Rubens Chiri
A
Gisele Gomes, dona da Shop Manola: valor médio da compra saltou de R$ 200 para R$ 300
edição 264 | abril de 2016 | 19
Mais da metade da população mundial terá dispositivos móveis em 2020
O uso de dispositivos móveis tende a crescer gradualmente nos próximos anos, atingindo, em
2020, cerca de 70% da população mundial. Segundo estudo divulgado pela Cisco, em quatro
anos haverá 5,5 bilhões de usuários móveis. Os dispositivos pessoais devem ser responsáveis
por 98% do tráfego de dados móveis em 2020. Os smartphones dominarão 81% desse tráfego
total no período em questão, superando os 76% registrados em 2015. No Brasil, o tráfego
de dados móveis deve registrar uma taxa de crescimento anual composta de 45% até lá.
sa por outros canais como telefone e
e‑mail”, avalia.
Apresentação
O consultor de Negócios do Sebrae-SP
Adriano Augusto Campos explica que
oferecer apenas bons produtos com
preços competitivos não é suficiente
para uma empreitada bem-sucedida.
“É importante considerar a apresentação do cardápio”, afirma. Ou seja,
a qualidade de imagens, fotos e vídeos faz toda a diferença na hora de
vender por meio desses canais. “Vale
a pena investir em um serviço profissional de fotografia, pois esse é
um dos principais elementos que
influenciam a decisão de compra do
consumidor”, recomenda.
previsto seja tratado com profissionalismo e agilidade”, diz. Só assim a avaliação será positiva e oferecerá ainda
mais confiança para os consumidores
que estão pesquisando informações
sobre as empresas.
Cuidados
O “marketplace” ainda é um formato
relativamente recente no comércio
eletrônico brasileiro. Mesmo assim,
vem ganhando destaque pela facilidade de utilização e o baixo custo
para lojistas e vendedores. Isso porque
o investimento é inferior ao necessário para adquirir uma loja virtual própria, pois é preciso apenas negociar
o valor da comissão sobre as vendas
com o proprietário do “marketplace”.
O investimento para integrar a
plataforma é inferior ao necessário
para adquirir loja online própria
Imagens amadoras, destaca o consultor, podem espantar os clientes
e o correto é oferecer várias opções
em ângulos e distâncias diferentes,
além de focar em pequenos detalhes
para ressaltá-los.
Criar descrições originais e completas também contribui, e muito, para
estimular o cliente a seguir em frente. “Não caia na tentação de apenas
reproduzir o fabricante, pois o texto
deve mexer com as emoções dos leitores”, diz Campos.
É importante ainda ter uma política de preços que considere épocas do
ano e possíveis sazonalidades. “Ações
promocionais ajudam a aumentar
a audiência e se destacar no meio de
tantos outros concorrentes, que podem se tornar empecilho para o objetivo proposto.”
Outro ponto de atenção é a reputação da marca que circula em alguns
“marketplaces” como o Mercado Livre. “É necessário garantir que o atendimento seja impecável, que os prazos
sejam respeitados e que qualquer im-
Essas taxas devem ser analisadas criteriosamente para que não comprometam a margem de lucro.
Também requer atenção a limitação imposta pelo proprietário do
“marketplace” em relação à forma em
que você pode se comunicar com os
clientes. Alguns não permitem contato direto e restringem tamanhos de
textos, imagens e vídeos. Conteúdos
que podem ser relevantes para seu
público, como blog com tendências e
curiosidades sobre seus artigos, talvez
não sejam permitidos.
Vale lembrar ainda que a presença de diversas lojas dentro do “marketplace” amplia a concorrência e
pode tornar difícil a tarefa do internauta de encontrar seus produtos.
Algumas plataformas têm a prática
de deixar “escondidos” os produtos
de quem não aderir a pacotes de
anúncios.
Por fim, o seu estoque deve estar
conectado e automatizado junto com
o “marketplace” para evitar desencontros que podem custar caro.
Vantagens à vista
> Fica por conta do “marketplace” a
responsabilidade da montagem e dos custos de
início da operação da loja (como contratação
de plataforma tecnológica, desenvolvimentos
de layout e identidade visual, estudos de
usabilidade e navegabilidade, criação de
interfaces para desktop, smartphones e
tablets, divulgação da loja, entre outros).
> A audiência desse shopping virtual costuma
ser muito superior ao de uma loja nova
e isolada. Não é necessário ter grandes
investimentos em divulgação quando se
está dentro desse tipo plataforma.
> O “marketplace” pode ser uma espécie de
vitrine virtual adicional (caso a empresa
também tenha seu próprio website).
> Normalmente algumas funções (transação
financeira, integração com serviços de correios,
entre outros) já estão disponíveis. Isso gera
segurança e confiança para o consumidor
efetuar suas compras, especialmente quando
o portal é de uma grande marca conhecida.
> As chances de vendas aumentam
consideravelmente em razão da grande
audiência, que também colabora para
a diversificação de público que terá
acesso aos seus produtos/serviços.
20 | jornal de negócios
Expansão em ritmo lento no setor de TI e telecomunicações
O mercado brasileiro de tecnologia da informação e telecomunicações deve apresentar um
crescimento de 2,6% neste ano. A previsão é da IDC Brasil, empresa que presta serviços de
consultoria para o setor. De acordo com levantamento, a expectativa é baixa diante do cenário
econômico brasileiro, pressionado pela crise, que desafia as empresas a melhorar a eficiência.
A Internet das Coisas deve movimentar US$ 4,1 bilhões no Brasil ao longo do ano. Já os
dispositivos domésticos conectados à internet devem circular cerca de US$ 37 milhões no País.
Teia de bons negócios
Alimentar a rede de contatos é caminho eficiente para ampliar a atuação da empresa e prosperar
n
vantagens da prática. “Fui à primeira
reunião a convite de um amigo, por
curiosidade. Durante o evento, fiquei
impressionado com a troca de indicações e relatos de negócios fechados.
E mais ainda porque saí de lá já com
dois trabalhos para fazer”, conta.
Com as indicações que recebeu ao
longo de um ano, viu sua produtora
se fortalecer e a demanda pelos seus
serviços aumentar em 40%. “Além
das indicações de futuros clientes, o
Foto: Rubens Chiri
o meio empresarial, ter bons contatos vale ouro. Foi o que comprovou Judaz Mallet, que começou a
empreender há dez anos. Sócio da produtora de vídeo Mariposa, na capital,
ele nunca tinha dado muito valor ao
networking – ou “rede de contatos”.
Um ano atrás começou a participar de
um grupo de empresários em São Paulo que promove encontros semanais
com o objetivo de ampliar os contatos
dos participantes e logo percebeu as
Judaz Mallet, sócio da Mariposa: incremento de 40% na demanda por serviços da produtora
relacionamento com outros empresários de diversos ramos ajudou a melhorar a visão sobe o próprio negócio.
É importante saber como as pessoas
estão vendo minha empresa, isso dá
uma ideia de como ela está no mercado”, conta.
Para o consultor do Sebrae-SP Fabiano Nagamatsu, esse é mesmo um
recurso valioso, especialmente para
os donos de micro e pequenas empresas (MPEs). “Mas é preciso entender
o networking não apenas como uma
simples troca de cartões, mas como
uma troca intensa de informações”,
explica. Para que isso aconteça, é preciso manter a proximidade com pessoas bem informadas e estar disposto
a trocar ideias, contatos, sugestões.
Nessa rede de relações, o empreendedor pode descobrir a oportunidade de
lançar no mercado um novo produto,
nichos ainda inexplorados em que se
pode atuar. Para quem estava parado,
esse canal pode ser uma forma de retornar ao mercado.
Oportunidades
Para fortalecer a rede de contatos, o
empreendedor deve estar atento a
eventos e reuniões da área de interesse. Uma opção é aproveitar as diversas oportunidades oferecidas pelo
Sebrae-SP, como missões empresariais a feiras, reuniões semanais com
grupos de mulheres empreendedoras,
roda de negócios etc.
Também existem grupos direcionados a promover o networking. É o caso
da Instituição BNI (Business Network
International), do qual Judaz Mallet, da
Mariposa, participa. Especializados em
criar redes de relacionamento, o instituto segue uma metodologia criada
nos Estados Unidos e seguida por diversas unidades espalhadas em 59 países.
O BNI forma grupos de empresários para fomentar a criação de uma
rede de negócios entre eles e seus
contatos. Para isso, promove reu­
niões uma vez por semana, das quais
participam associados e convidados.
Nesses encontros, cada participante expõe em poucos minutos o que
sua empresa faz e que tipo de contato está precisando no momento. A
ideia é que os demais participantes
possam auxiliar no que ele precisa e
vice-versa.
A publicitária Lucianna Santarosa, dona da agência Suprema Comunicação, conheceu a BNI por meio
de colegas e ingressou na rede em
uma unidade de São Paulo. No começo, teve dificuldades para se
adaptar ao sistema e à metodologia,
mas após um ano fazendo parte do
networking, conseguiu um retorno
de 90% na demanda por seus serviços. O salto foi tão grande que Lucianna passou a gerir um dos grupos do
BNI na capital paulista, o Next. “Para
um networking eficiente, o que vale
não é a quantidade de pessoas que
você conhece, mas quem você conhece. É preciso que esses contatos
estejam comprometidos uns com os
outros, no sentido colaborativo, para
que os resultados apareçam”, afirma
a publicitária.
apresentação
Durante as oportunidades de fazer
novos contatos, é fundamental que o
empreendedor saiba vender seu peixe.
Foi outra lição que o sócio da Mariposa
aprendeu frequentando encontros da
rede de contatos. “Para mim, montar
um site e fazer um portfólio dos trabalhos já realizados era suficiente para
atrair os clientes”, conta Mallet. Mas
nos encontros da BNI, ele viu que era
preciso aprender a falar sobre o próprio negócio de forma sucinta, mas
atraente o suficiente para despertar o
interesse dos presentes.
edição 264 | abril de 2016 | 21
O Sebrae Responde é um serviço destinado
a atender empreendedores e empresários de micro
e pequenas empresas. Tem como objetivo esclarecer
dúvidas e orientar sobre a abertura de novos
empreendimentos, bem como tratar de questões
relacionadas à gestão de empresas já constituídas.
por onde começar
> Prepare material de apresentação
da sua empresa;
> Leve bloquinhos para anotações
de possíveis contatos;
> Anote horários de feiras e
reuniões para evitar eventuais
atrasos ou ausências;
> Fique atento a sites de
feiras na sua região;
> Gerencie os contatos todos os dias;
> Esteja aberto para receber novas
perspectivas de negócios.
Fonte: BNI
Empreender
na recessão
GUSTAVO CARRER, consultor Sebrae-SP
Vale a pena começar um negócio
em momento de crise?
A decisão de criar uma empresa deveria ser sempre com base na identificação de uma oportunidade de mercado
– em momentos de crise ou de expansão da economia. Entretanto, em períodos de recessão e, consequentemente, de aumento do desemprego,
muitos empreendem pela emergente necessidade de gerar renda, quase
sempre sem estudar nem entender o
negócio que está sendo aberto.
As etapas iniciais de qualquer atividade empreendedora são as que
impõem maiores riscos de falhas,
por causa principalmente do desconhecimento do mercado e da inexperiência do empreendedor. Em tempos de retração econômica, esses
percalços podem custar mais caro e
até mesmo inviabilizar um bom negócio que sobreviveria em outros períodos mais favoráveis.
Por outro lado, a própria recessão
pode criar oportunidades, como o
mercado de manutenção de bens duráveis e semiduráveis. Em períodos de
crise, os consumidores preferem consertar ou reformar os produtos que
têm, em vez de comprar novos.
Para começar bem um negócio, independentemente do momento em
que o País vive, recomenda-se um planejamento minucioso: estudar detalhadamente os mercados consumidor
e concorrente e calcular precisamente o volume de recursos financeiros
exigidos para a atividade, além de
avaliar as competências técnicas e
gerenciais necessárias para conduzir
a empresa.
22 | jornal de negócios
Aumenta em 60% importância da embalagem econômica nas vendas
Já é comum nos supermercados a oferta das embalagens econômicas. Em princípio, o pacote com várias
unidades do mesmo produto pode ter um custo elevado. Mas, dividindo o preço total por cada item, ele acaba
saindo mais barato do que se comprado individualmente. Pesquisa feita pela consultoria Nielsen indica que,
nas 20 categorias mais importantes em faturamento nos supermercados, a importância da embalagem
econômica nas vendas teve uma elevação de 60%. O levantamento mostrou que essa tendência se dá,
principalmente, em produtos como cerveja, refrigerante, leite e industrializados de carne, entre outros.
Inovação como estratégia
para competitividade
ADEMAR DE ABREU, CEO da Business Leaders
Para aumentar a competividade
das empresas brasileiras, precisamos
ter uma estratégia clara para alavancar
a inovação. Os dez países mais competitivos do mundo são, na ordem: Suíça,
Cingapura, Estados Unidos, Alemanha, Holanda, Japão, Hong Kong, Finlândia, Suécia e Reino Unido. Ao compararmos onde eles estão na lista no
ranking da inovação, iremos perceber
apenas pequenas alterações na ordem
das posições.
Já o Brasil ficou no 75º lugar na edição 2015 do ranking de competitividade do Fórum Econômico Mundial.
Caiu 18 posições em relação a 2014. É
a maior queda de todos os 140 analisados e o pior resultado da história do
País, que chegou a ficar em 48º em
2012 e vem caindo desde aquele ano.
Com o enorme déficit fiscal e as pressões inflacionárias em alta, a performance macroeconômica fraca do Brasil piora a situação.
O Fórum Econômico Mundial define competitividade como o conjunto de instituições, políticas e fatores
que determinam o nível de produtividade de um país. O relatório analisa
118 variáveis em 12 pilares, nos quais
o Brasil sofreu queda em nove. As
mais acentuadas foram em quesitos
básicos (instituições, ambiente econômico, saúde e educação primária)
e em sofisticação e inovação do ambiente empresarial.
O passado econômico recente do
Brasil foi marcado por fraco crescimento e baixas expectativas. Os responsáveis são claros: o insignificante crescimento da produtividade e os níveis
deficientes de inovação que afetam a
capacidade brasileira de prosperar.
A solução? Investir em inovação.
Construir novos ecossistemas industriais é um caminho. O setor público
tem uma clara função nisso, mas a comunidade empresarial também pode
contribuir significativamente para garantir o seu sucesso. Acredito que as
empresas também precisam olhar para
fora de seus perímetros para construir
novas parcerias que levem à criação de
produtos, serviços e modelos de negócios inovadores. Nesse processo, micro
e pequenas empresas (MPEs) têm papel fundamental. Basta observar a revolução que têm provocado as startups.
A inovação pode transformar a
competitividade entre empresas em
um movimento extremamente inteligente e rentável para muitos setores e
para o País. Essa mesma inovação desafia um dos dogmas mais comuns da
competitividade, pois estimula empresas a perseguir a diferenciação e a liderança de custos ao mesmo tempo.
Foi justamente para ajudar a discutir e a transformar esse cenário que
criamos em 2013 a Business Leaders,
uma plataforma de comunicação e de
estratégia de negócios focada na ino-
vação e na liderança para a geração de
negócios. Trata-se de um portal online
e uma série de encontros presenciais
voltado para a distribuição de conteúdo customizado aos “C-levels” das empresas que atuam no Brasil, responsáveis por estratégias corporativas e
que precisam de informações cada vez
mais selecionadas e analisadas para
tomadas de decisões assertivas.
A decisão de investir nessa plataforma é intensa, expressiva e inovadora. Intensa porque ela ia contra todas
as previsões negativas, inovadora pela
visão e desejo de melhorar a forma de
fazer negócios e expressiva pela demanda que parecia pequena, mas que
se mostrou muito maior a cada reunião
com clientes insatisfeitos pela tradicional oferta do mercado.
É assim que esperamos contribuir
para que, em alguns anos, quem sabe,
o Brasil esteja relacionado aos top 10.
Potencial não nos falta.
são joão da boa vista e região | edição 264 | abril de 2016 | 23
MPEs paulistas faturam 14,3% menos em 2015
As micro e pequenas empresas (MPEs) do Estado de São Paulo faturaram R$ 597,2 bilhões
em 2015. O valor representa uma queda de 14,3% com relação ao ano diretamente anterior.
Foram R$ 100 bilhões a menos nas contas das MPEs, segundo dados da pesquisa do
Sebrae‑SP. O setor de serviços foi o que mais caiu no período, com baixa de 16,9%, sendo a
primeira vez, desde 2009, que o segmento registrou queda no faturamento. O comércio e a
indústria também apresentaram retração em 2015, de 13,2% e 10,9%, respectivamente.
Inovação para
gestão hoteleira
Depois de aprimorar as habilidades administrativas durante seminário Empretec,
programador expande o alcance do negócio e mira no mercado internacional
eu recomendo
“Ter base técnica é fundamental,
mas saber lapidar outras
características, como ser um
bom administrador e desenvolver
um perfil para vendas,
em 2012, quando concluiu a pós-graduação em engenharia de
software, roberto bertogna capuano desenvolveu um sistema para
gestão de hotéis e abriu a innmanager, empresa de tecnologia da
informação (ti) em são josé do rio
pardo. dois anos depois, fez o empretec e passou a trabalhar com
metas e atender a estabelecimentos do país inteiro. conquistou 130
clientes e agora planeja expandir
ainda mais a clientela e conquistar o mercado internacional.
Como surgiu a InnManager?
Em março de 2012 eu vendi meu primeiro software para hotelaria. Após
três meses, já tinha quatro clientes
e não dava mais para conciliar meu
trabalho de funcionário com o da minha empresa. Voltei para São José do
Rio Pardo e comecei a trabalhar de
casa. Não conseguia vender de porta
Como o foi participar do Empretec?
Eu sempre fui muito comprometido
e persistente, mas posso dizer que o
Empretec, além de potencializar essas
qualidades, deu-me muito mais confiança, principalmente nas partes de
planejamento, rede de contatos e desenvolvimento de metas, assim como
me fez enxergar novas oportunidades.
Foto: Bruno Lazzari
Como começou a
investir nesse ramo?
Eu trabalhava na área de suporte técnico de uma empresa de medicina, em
Poços de Caldas (MG), desenvolvendo
software para hospitais e clínicas. Paralelamente a esse trabalho, estava
desenvolvendo um sistema para controle de gado. Mudei o foco ao fazer
uma análise de mercado, quando percebi que a indústria hoteleira era 100
vezes maior.
em porta nos hotéis, os donos tinham
uma certa resistência. Então, fiz o site
e apostei nos mecanismos de busca,
de maneira que ele aparecesse nos
três primeiros resultados de pesquisa.
Desde então, nossas vendas são feitas
totalmente online.
Como isso influenciou na empresa?
A gestão ficou muito mais controlada,
eu sei de onde vem e para onde vai
cada centavo. Também me despertou
a força que tem o networking para os
negócios. Além disso, depois do Empretec, consegui visualizar e desenvolver melhor as metas e isso eu levo
até para minha vida pessoal. Hoje, eu
tenho metas que vão desde objetivos
semanais aos que pretendo alcançar
daqui a 15 anos. Em vez de me preocupar com lucro a curto prazo, sei que o
caminho é longo e eu vou executando
essas metas, o que me dá uma visão
bem mais completa da empresa e de
onde quero chegar.
Quais metas já conseguiu realizar?
Hoje temos pelo menos um cliente em
cada Estado do Brasil, o que possibilitou criar um mapa de rede de contatos
que aumenta nossa abrangência e exposição.
Quais os planos para o
futuro da InnManager?
Meu objetivo é ter mil clientes no
prazo de dez anos. Em quatro anos
de empresa, estamos com 130 clientes, então, nós temos uma meta de
60 clientes por ano, cinco clientes por
mês. Também temos o objetivo de começar a nos espalhar pela América do
Sul em até cinco anos, para depois ir
para América do Norte, Europa e o restante do mundo.
é o diferencial. O Empretec
é um do meios que possibilita
aprimorar essa combinação.”
Roberto Bertogna Capuano,
proprietário da InnManager
palavra do
especialista
“O Roberto é um exemplo
de empreendedor. Ele soube
identificar uma oportunidade e
agir rapidamente para aproveitála e o Empretec possibilitou a
ele uma visão de médio e longo
prazo. Hoje, ele sabe exatamente
aonde quer chegar e o que
precisa fazer, ou seja, seus
objetivos e suas metas já estão
definidos. Empreendedorismo
é comportamento e é justamente
isso que o Empretec proporciona
ao participante.”
Rafael Trefilho Paulucci,
analista do Escritório
Regional do Sebrae-SP
em São João da Boa Vista
24 | jornal de negócios | são joão da boa vista e região
Pequeno negócio está dispensado de registrar em cartório contratos de empréstimo
O SEBRAE fechou acordo com o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)
recentemente para facilitar cada vez mais a vida dos donos de pequenos empreendimentos
no Brasil e desonerar o custo de manutenção do negócio. As duas entidades negociaram o
fim do registro em cartório de contratos de empréstimo para pequenos negócios. O custo
dessas operações, antes, chegava a R$ 2 mil. Agora, o empresário está liberado dessa
exigência, reduzindo os custos burocráticos de manutenção do negócio no Brasil.
Varejo de roupa nova
Para saber mais
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necessidades, preferências de
compra e serviços que podem
É IMPORTANTE
EXECUTAR AS MUDANÇAS
NECESSÁRIAS PARA
ATENDER À DEMANDA
DOS CLIENTES
NAQUELE MOMENTO
Nesse cenário competitivo, é preciso decifrar as mudanças de comportamento do consumidor para não ser
“devorado” pela fase instável. Carmen colocou em prática o conteúdo
dos cursos que fez. Ao entrar na loja,
são perceptíveis o cuidado e a organização nos espaços, a composição da
vitrine, a disposição dos provadores
externo e interno, a climatização do
ambiente, a iluminação e a setorização de produtos.
Segundo a lojista, o cliente está bem
mais exigente, por isso, ela aplicou as
orientações dadas pelo Sebrae-SP e
tem promovido eventos na loja, além
de manter um relacionamento direto
e agradável com o público. “Uma coisa
básica que aprendi nos workshops do
Sebrae-SP foi trabalhar melhor a exposição das mercadorias com técnicas
que valorizam os produtos. Peças que
estavam no estoque ganharam novamente espaço, combinando com as
novidades. Isso aumentou o interesse
das pessoas e, consequentemente, as
vendas”, comenta ela.
Outro passo que deu para driblar
o momento incerto foi aumentar a
diversidade de produtos oferecidos.
“Sempre trabalhei com marcas e peças exclusivas, mas hoje o cliente
quer mais opções, então procuro oferecer alternativas com outras marcas
e preços. Não pode ter muito medo. É
importante buscar frequentemente
soluções com o Sebrae-SP e nas feiras
e desfiles”, diz Carmen.
Luciani C. Matielo Pavani, analista
do ER do Sebrae-SP em São João da Boa
Vista diz que muitas vezes a inovação está em praticar o óbvio tendo em
vista as necessidades do cliente, prestando atenção nos detalhes e fazendo
mudanças para alcançar melhores
ser agregados. Por exemplo, o
resultados. “Deixar de pensar que a
venda só acontece no balcão e focar na
experiência que o lojista pode proporcionar ao consumidor é fundamental
para superar este momento que impõe um desafio maior”, enfatiza.
Para auxiliar os varejistas, a instituição oferece soluções como o programa Sebrae Inova, que ensina a
aproveitar ao máximo o espaço, melhorar a identidade da marca e aumentar o potencial da loja, além de
oferecer consultorias de especialistas
nas áreas de visual merchandising,
técnica usada para potencializar o
ponto de venda, e o Cliente Oculto,
ferramenta para medir a qualidade
de serviços e atendimento prestados,
como abordagem, processos de vendas, entre outros.
horário de funcionamento pode
ser reavaliado em conformidade
com o perfil do público;
• Mantenha um cadastro
atualizado e completo dos
seus clientes. Exemplo:
uma loja de calçados pode
incluir na ficha de cadastro
numeração, preferência
de cores e modelos etc.;
• Estabeleça parcerias com
fornecedores e crie eventos de
relacionamento com os clientes;
• I nvista no repertório da equipe.
Incentive treinamentos e leituras
sobre os itens comercializados.
Foto: Bruno Lazzari
h
á 20 anos no varejo, Carmen Santamarina Delgado, dona da Realce, é referência em moda feminina em
São João da Boa Vista e está sempre
ligada às atividades promovidas pelo
Escritório Regional (ER) do Sebrae-SP
na cidade. Fez o curso “Vitrinismo”,
“Pesquisa de moda” e “Visual merchandising”. O objetivo dela era arranjar uma maneira de se destacar aos
olhos do consumidor, especialmente
em um momento que o varejo brasileiro enfrenta grande desafio, em razão
dos custos altos e da baixa expectativa
de vendas.
Vale destacar que os blogs hoje
influenciam muito o consumo
de determinados produtos e
marcas. É relevante ter uma
equipe que está “antenada”
às novidades para dialogar
com o consumidor digital.
Para saber mais sobre os
produtos do Sebrae Inova,
entre em contato com
o telefone (19) 3638-1110.
Carmen Santamarina Delgado, dona da Realce: objetivo
era se destacar aos olhos do cliente
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