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tramando a imagem: a criação das formas
TRAMANDO A IMAGEM: A CRIAÇÃO DAS FORMAS
BIDIMENSIONAIS COM O USO DO TEAR MANUAL
Marizilda dos Santos Menezes
Solange Maria Leão Gonçalves
Universidade Estadual Paulista – UNESP – Brasil
FAAC – Departamento de Artes e Representação Gráfica
[email protected],[email protected]
RESUMO
A imagem de projeto gráfico, em geral, não está relacionada às artes plásticas e
ao artesanato. A idéia de que o artista ou artesão trabalha ao acaso recorrendo
somente à intuição, faz com que não se relacione sua obra às questões de
planejamento prévio e estruturação do problema. Assim sendo, o objetivo deste
trabalho é evidenciar o papel do projeto gráfico na criação do material têxtil e sua
influência no ensino da tecelagem manual. Será explicitado o processo de criação
da padronagem desde a fase de concepção até a produção do tecido em tear
manual, tendo como foco o projeto gráfico da imagem.
Palavras-chave: projeto gráfico têxtil, artesanato e planejamento, criação
têxtil, tear manual e projeto
ABSTRACT
The graph project image, generally, is not related to Fine Arts works or handcrafts.
The idea that artist or artisan works is random and an intuition results, it doesn’t
makes relationship between his/hers works and previous planning and design.
Then, the goal of this paper is to evidence graphic project role in creation of textile
material and its influence in teaching of manual weaving. Here, we will relate the
pattern creation process since conception stage until production of the fabric in
manual loom, focalizing graphic project of the image.
Palavras-chave: textile graphic project, handcrafts and planning, textile
creation, manual loom and design
1
Introdução
A imagem de projeto gráfico em geral não está relacionada às artes plásticas e ao artesanato.
Têm-se sempre a idéia que o artista ou artesão trabalha ao acaso, recorrendo somente à
intuição. Raramente se relaciona sua obra às questões de planejamento prévio e estruturação
do problema.
Essa idéia não poderia ser diferente com a criação têxtil. Embora nas grandes indústrias
têxteis, o papel do projeto e do planejamento seja evidente, isto não ocorre na produção do
produto artístico/artesanal.
Entretanto, não importa a escala da produção ou tamanho do
produto, para criação de um motivo ou padronagem têxtil, existe a necessidade da execução
de um projeto gráfico que oriente a montagem da estrutura e design do tecido.
Assim sendo o objetivo deste trabalho é demonstrar o papel do projeto gráfico na criação
do material têxtil e sua influência no ensino da tecelagem manual.
2
Breve Histórico da arte têxtil
O ofício de tecer é uma das mais antigas manifestações culturais do ser humano. O que a
principio surgiu da necessidade de proteção do frio e das intempéries, continuou depois por
motivações sociais, religiosas e estéticas.
A história dos têxteis está diretamente envolvida com o estudo da Arqueologia,
Antropologia, História Social e Econômica e da Arte. Pelos dados arqueológicos constata-se
que havia uma considerável troca comercial de produtos têxteis desde 2000 anos antes da era
Cristã.
Existem evidências de que tecidos teriam saído do leste do Mediterrâneo (Egito e Anatólia)
para a Mesopotâmia e Pérsia. Como seu transporte não requeria logística complexa, logo
tornou-se um meio importante de barganha à longa distância, passando a ser usado como
moeda. A partir do século I a. C. o comércio de tecidos intensificou-se, quando se abriram rotas
entre ocidente e o oriente, propiciando um contato que perdura até a atualidade, permitindo
acesso aos tecidos asiáticos.
Durante o desenvolver da História da Arte, a tecelagem assim como outras artes, passou
por diversos estilos e em cada um teve seu encanto. Podemos afirmar que do traço de
contorno, passando pela geometria, os arabescos e toda a iconografia universal, o grau de
importância dessa arte, verifica-se em diferentes momentos da história universal das artes,
marcando os diferentes períodos com seu caráter formal e estético.
Em algumas fases da história, como por exemplo no Renascimento, obras da arte da
tapeçaria estiveram intimamente ligadas à pintura e aos cartões de artistas como Rubens e
Rafael. Os cartões eram reproduzidos em sua íntegra, pelas manufaturas de tecelagem que os
utilizavam como referência para execução de suas tecelagens.
No século XIX, existe um resgate da tecelagem, que durante tempo considerável foi
relegada ao ostracismo. O renascer da arte da tecelagem deve-se principalmente a Lurçat,
artista plástico francês, que a resgatou
e difundiu, participando das primeiras Bienais de
Tapeçaria de Lausanne, na Suiça. Naquele momento, a liberdade de expressão torna-se única
e exclusiva dos tecelões que desenhavam e supervisionavam seus próprios projetos de
tecelagem.
Embora tenha havido grande diversidade de estilos, pode-se notar que nessa arte, os
artistas ou artesãos utilizaram-se, em todos eles, de um planejamento técnico para a
elaboração de suas obras.
3
Criação do Padrão e da Padronagem
O ciclo de criação de um produto têxtil envolve diferentes etapas. Primeiramente é necessária a
elaboração de uma idéia do que se pretende tecer por meio um projeto gráfico. Esse projeto
permite prever, além do resultado estético final pretendido, a quantificação e qualificação do
material a ser utilizado, o dimensionamento da obra e o tempo a ser despendido no projeto. De
posse desses dados, realiza-se então, a montagem dos fios no tear e inicia-se o trabalho.
3.1 O Processo de Tecelagem
A técnica de tecer consiste no entrelaçamento dos fios da urdidura com os fios da trama,
resultado da sincronização dos movimentos do tear, que pode ser de vários tipos. A urdidura
(ou urdume) é constituída de conjunto de fios posicionados na direção longitudinal na
composição do tecido, enquanto a trama é composta dos fios dispostos na direção transversal.
A função do tear é cruzar os fios da trama, (horizontais) fazendo-os passar ao longo da largura
do tecido, por cima e por baixo dos fios da urdidura, (paralelos verticais), formando um ângulo
de 90º com cada fio da urdidura através da cala (espaço entre duas camadas de fios da
urdidura), item indispensável num tear. Pode-se observar as peças principais do tear e o
posicionamento dos fios na figura 1.
fios do urdume
liço
batedor
movimento do
fio da trama
pedal
Figura
Figura1: Esquema do tear montado
Primeiramente os fios da urdidura são medidos para determinar o tamanho da peça e são
organizados de acordo com a combinação de cores desejada. Para a evolução do trabalho é
necessário que se corte os fios da urdidura, sempre com uma sobra de 60 centímetros
aproximadamente, além da medida desejada, referente a uma perda necessária para a
armação do tear atrás do pente. Essa perda pode mais tarde ser reaproveitada para o
acabamento do trabalho. A quantidade de fios de urdidura a serem cortados varia de acordo
com a largura pretendida do tecido. Os fios da urdidura são esticados no tear, passando pelo
liço, uma espécie de pente, cujos dentes têm furos e vãos que permitem a intercalação dos fios
da trama.
Finalizada a armação da urdidura no tear, é a trama que vai dar forma ao tecido e também
onde se executará a imagem criada inicialmente. Por meio de navetes ou lançadeiras (grandes
agulhas de madeira), os fios da trama são passados pela urdidura, conforme pode-se observar
na figura 2a. Inicia-se então o processo de tecelagem de acordo com o esquema gráfico préestabelecido da padronagem, formando assim o tecido. Para isso o projeto gráfico é de
fundamental importância, é ele que vai direcionar a confecção da tecelagem, do início à
conclusão. O tecelão usa também o pente ou o batedor para compactar a trama na urdidura,
conforme o modelo do tear.
Embora seja comum o uso de um ou dois liços, navetes podem ser utilizadas para ampliar
a complexidade do design, criando uma trama suplementar. Essa trama é chamada “weft float”
(trama flutuante) como se pode ver no esquema da figura 2 b.
urdidura
urdidura
trama
trama
trama
flutuante
a)
b)
Figura 2 a) Estrutura Básica do Tecido b) Estrutura básica do tecido com trama flutuante
3.2 O Design de Superfície e a criação dos Padrões e da Padronagem
A criação de tecidos está incluída nas atividades denominadas Design de Superfície.
Design de superfície consiste na criação de imagens bidimensionais, projetadas
especificamente para geração de padrões, que se desenvolvem de maneira contínua
sobre superfícies de revestimentos. Design de superfície é uma atividade técnica e
criativa cujo objetivo é a apresentação de imagens bidimensionais, projetadas
especificamente para o tratamento de superfícies, apresentando soluções estéticas e
funcionais adequadas aos diferentes materiais e métodos. [NÚCLEO DE DESIGN DE
SUPERFÍCIE, s.d.]
Entende-se por padrão, o resultado da disposição de um módulo ou desenho decorativo,
pré-estabelecido, e a repetição desse padrão unificado, formando uma composição que resulta
na padronagem. Pode-se observar o módulo padrão de um tecido, e a composição por
repetição desse mesmo padrão, que resulta na estampa ou padronagem, na figura 3.
Figura 3
Padrão e Padronagem
3.3 O Processo de Criação e a Representação Gráfica para Criação dos
Tecidos
A concepção da padronagem tem como fase principal o planejamento morfológico do tecido,
onde se estabelecem as forma, texturas e cores, e que é realizado por meio de representação
gráfica do tecido em papel, que tal qual uma partitura para um músico, guiará os passos do
tecelão durante o seu trabalho no tear.
O projeto gráfico permite a configuração formal e configuração operacional na produção do
tecido,
pois
além
da
visualização
da
imagem
que
será
produzida,
possibilita
o
dimensionamento da peça, com cálculo do material a ser utilizado, e a previsão das ações a
serem desempenhada pelo artesão.
A representação gráfica do projeto têxtil assume diversas formas de acordo com a região
onde é utilizada, ou do grau de avanço tecnológico que possui o tecelão. Neste artigo serão
exemplificados dois tipos de gabarito. O primeiro é utilizado nas escolas e indústrias, tem o
nome de Armação, e é construído a partir de um raciocínio geométrico cartesiano. É usado,
com mais freqüência, nos teares manuais de mesa, embora seja empregado também nos
teares com pedais. O segundo tem caráter mais empírico e instintivo e é apropriado ao tear
manual com pedais, sendo muito utilizado pelas tecelãs do Triângulo Mineiro, onde é chamado
de Repasso.
3.3.1 A Armação
O entrelaçamento dos fios da urdidura e trama tem o nome de Armação. Da organização da
armação é que surgem os desenhos que constituem o padrão e a padronagem. Para a criação
de uma armação é necessário um planejamento da composição pretendida e o desenho do
projeto gráfico. Para tanto é realizado um esquema gráfico da imagem a ser produzida,
efetuada sobre uma folha de papel quadriculado, chamado papel técnico, onde são indicados
os caminhos (chamados de evolução), que cada fio deve percorrer para compor a padronagem,
indicando o desenho e as cores que serão utilizadas.
Em Daher (2002) e Maureau et all (1984) encontra-se a explicação da estrutura da
armação e o desenvolvimento da evolução.
A evolução dos fios de urdume é representada no sentido vertical e sua numeração é feita
do lado esquerdo, de baixo para cima (figura 4). A parte da evolução de um fio que se repete
chama-se Base da Evolução. Ela é representada por uma fração onde os pontos tomados (fio
da urdidura acima da trama) estão no numerador e os pontos deixados (fios do urdume que
estão sob os fios da trama) no denominador. A Base do Urdume (B.U.) representa a base de
evolução de um fio de urdidura e a Base da Trama (B.T.) a de um fio da trama.
A textura do tecido é determinada pela maneira como os fios da urdidura e da trama
relacionam-se. Quando a evolução da urdidura e da trama resulta em um maior número de
cruzamentos entre si dá-se o nome de entrelaçamento. Um grande número de entrelaçamentos
produz tecido mais áspero e resistente, porém um pouco mais opaco. No sentido inverso, uma
seqüência maior de não entrelaçamentos, o que se denominam desligamentos, tem como
resultado um tecido mais macio, menos resistente e com maior brilho.
ponto
8
numeração dos fios da trama
7
6
ponto
5
4
3
2 1
2
3 4
5
6
numeração dos fios do
Figura 4 A representação gráfica dos fios.
A armação indica o grau de importância de cada fio da urdidura e da trama, isto é,
dependendo do que se pretende, a urdidura tem maior ou menor evidência na textura e na
padronagem do tecido. Isso pode ser determinado em função da espessura, cor e quantidade
dos fios empregados. Tem-se um exemplo de gabarito na figura 5.
padrõe
padronage
Figura 5 Esquema gráfico de padrões e da padronagem final
Se tomarmos, por exemplo, a seguinte Base do Urdume (b.u.)
_1___3_ isto significa
um ponto tomado, dois deixados, três pontos tomados e um deixado. __
O mesmo acontece na
trama, no caso da Base da Trama, (b. t.).
__3___3
três pontos tomados, dois deixados,
três pontos tomados, e um deixado. Ambas as__
equações têm suas representações gráficas nos
esquemas da Figura 6.
base da
base da
Figura 6 Representação gráfica das equações das bases de urdidura e da trama
3.3.2 O Repasso
Os repassos são códigos preparados pelas tecedeiras, a partir de um elemento visual. Servem
tanto para indicar a ordem de passagem da urdidura nos liços, quanto para o movimento de
cada pedal e o entrelaçamento da trama.
Esse gabarito consiste de quatro pautas horizontais com traços verticais ou algarismos,
sendo que cada uma das quatro pautas representa um liço e o pedal correspondente a ele,
conforme a figura 7. Os traços ou algarismos verticais marcados nas pautas indicam em qual
liço deve passar cada fio da urdidura.
O gabarito é colocado preso ao tear desde o momento da armação da urdidura até a
finalização do trabalho para que a tecedeira possa fazer sua leitura. Lê-se de baixo para cima e
da direita para a esquerda: a primeira pauta corresponde ao primeiro liço ou pente e também
ao pedal de número um. A segunda pauta refere-se ao segundo liço e pedal de número dois e
assim por diante.
Geralmente a passagem dos fios da urdidura ocorre da direita para a esquerda e a leitura
do repasso da mesma forma. Já na etapa de tramar, lê-se o gabarito da esquerda para direita e
ao mesmo tempo pisando os pedais representados por cada traço e assim sucessivamente até
completar o código pré-estabelecido, formando assim os blocos que irão compor o padrão.
O resultado pode ser de infinitos tipos de texturas e de padrões geométricos bastante
variados, dependendo da combinação simétrica dos blocos e de sua repetição.
Os traços verticais dispostos nas pautas indicam em qual liço os fios da urdidura passarão.
Assim temos na representação abaixo: os três primeiros fios da urdidura passando pelo
primeiro e quarto liço; os três seguintes passando pelo segundo e quarto liço; na seqüência os
próximos três fios do urdume, passando novamente pelo primeiro e quarto liço e assim por
diante até completar toda a seqüência representada nesse repasso.
Figura 7 Exemplo de Repasso
É interessante ressaltar que esse tipo de gráfico é de difícil entendimento para pessoas
com certo grau de conhecimento geométrico-matemático, sendo porém extremamente simples
para aquelas tecelãs que em geral possuem pouca escolaridade. A decodificação dos
elementos componentes do repasso requer um domínio da técnica de tecer, mas ao mesmo
tempo, um grande exercício de raciocínio abstrato, que na maioria das vezes se ignora ou
mesmo se supõe não existir em pessoas que trabalham com o artesanato. Isto se chama
planejamento.
As tecedeiras batizam os repassos com nomes que refletem a sua realidade, por exemplo,
rosinha, olho de Santa Luzia, urubuzinho, costela. São transmitidos sob a forma de tiras de
papel que passam de tecedeira para tecedeira, mãe para filha, entre comadres. São muitas
vezes guardados como segredos familiares servindo mesmo como meio de socialização
dessas mulheres.
Na figura 8 tem-se o repasso de urdidura com os respectivos pedais que resulta no repasso
da trama. Pode-se observar ainda à direita, a padronagem final da tecelagem desses gabaritos.
A utilização do sistema de repasso é interessante porque com um único código obtém-se as
informações necessárias para urdir e tramar, além do movimento dos pedais.
urdidura e
tram
padronagem
Figura 8 Repasso da urdidura, trama e padronagem final
4
Projeto do Tecido: uma experiência na sala de aula
No curso de Educação Artística da Faculdade de Arquitetura Artes e Comunicação da UNESP
de Bauru é oferecida a disciplina Tecelagem. A sala apropriada para essa disciplina dispõe-se
de vinte teares de mesa (teares horizontais, com apenas um liço e sem pedais).
No início do curso, pede-se que cada aluno elabore um projeto gráfico da tecelagem a ser
desenvolvida. Esse projeto tanto pode ser desenvolvido em papel técnico (quadriculado), como
em computador com qualquer tipo de software para computação gráfica que o aluno domine.
Tanto em um quanto em outro processo, as orientações são as mesmas: que seja um projeto
simples, considerando que são iniciantes no processo têxtil. Assim como nos teares de pedal e
de vários liços, ao se elaborar um projeto gráfico, deve-se considerar os fios da urdidura e os
fios da trama para a composição gráfica do que será desenvolvido posteriormente no tear,
embora os meios e instrumentos da tecelagem sejam diferentes um do outro.
Atualmente, no curso de tecelagem, tem-se realizado experiências com a utilização das
ferramentas de desenho do Word ou Power Point para a execução dos projetos gráficos. Por
tratar-se de um curso de Licenciatura, procura-se familiarizar os alunos no uso de ferramentas
computacionais de fácil acesso na maioria das escolas de ensino fundamental e médio. Essa
metodologia de trabalho com o uso de Barra de Ferramentas do Microsoft Office foi
desenvolvida no Projeto ArtGeo (GIUNTA et all, 2002) e evita o emprego de softwares mais
sofisticados e de difícil aquisição .
Primeiramente faz-se o dimensionamento do tecido para iniciar a composição. Para os
teares utilizados nesse estudo de caso, figura 9, cada fio do urdume corresponde a meio
centímetro no desenho, portanto para um tecido com 40 cm de largura, é necessário que se
contem 80 fios. Cada pequeno quadrado corresponde a um fio da urdidura.
As formas foram desenhadas com os comandos encontrados em “Formas Básicas” da
Barra de Ferramentas e “Linha” e a malha é estabelecida por meio dos comandos “Grade” e
“Encaixar objetos em outros objetos”. O estudo de cores também é facilitado, pois essa Barra
de Ferramentas apresenta uma farta gama de cores e possibilidades de realização de efeitos
de textura.
Figura 9 Esquema gráfico e peça de tecelagem realizados pela aluna Marli Pátaro do 4º. Ano
do Curso de Educação Artística
O sistema de Armação permite maior flexibilidade de formas tanto na criação como na
execução e pode ser utilizado em qualquer tipo de tear. Permite criar motivos variados em uma
mesma peça, com o uso de diferentes padrões. O repasso é mais restritivo por se tratar de um
projeto fechado, constitui-se da repetição de um único padrão pré-estabelecido, e cujos
movimentos limitam-se aos movimentos de translação e reflexão.
5
Conclusões ou Considerações Finais
Todo trabalho criativo mesmo onde o cunho artístico sobressaia sobre os outros aspectos
tem que recorrer a uma base técnica para sua realização. O design têxtil executado em tear,
apesar de seu caráter artesanal tem que apresentar uma sólida estrutura organizacional.
O artesão constrói formas diferenciadas de sistematizar o seu conhecimento e registrá-lo
por meio de escrituras específicas que permitam a transmissão de seu saber. Essa
sistematização recorre sempre à expressão gráfica para o planejamento e realização de suas
obras.
Comparando as duas formas de representação gráfica da produção de padronagens, podese constatar que embora o grau de escolaridade seja diferente entre aqueles que usam o
processo de armação e o sistema de repasso, ambos resultam em trabalhos semelhantes
quanto o alto nível de complexidade e beleza.
A expressão gráfica serve como meio de nivelar o conhecimento das pessoas
estabelecendo uma relação de igualdade entre linguagens de origens distintas, de pessoas
com nível cultural e educacional diferenciados.
Referências
[1] DAHER, Margareth A. Z. Materiais Texteis. Londrina: Universidade Estadual de Londrina,
2002.
[2] GOMBRICH, E. H. História da Arte. Rio de Janeiro. Editora Guanabara, 1978. p. 48.
[3] Núcleo
de
Design
de
Superfície.
Design
de
Superfície
disponível
em
http://www.penta.ufrgs.br/~evelise/DSuper/conceit.htm. Acessado em 25.01.2005.
[4] SANDIUZZI, Pedro P. Entre urdiduras, liços e tramas emerge a matemática. Disponível em
http://www.csus.edu/indiv/o/oreyd/ciaem/wg2Scandiuzzi.htm. Consultado em 26.05.05
[5] VAN LIER, Henri. Las Artes des Espacio. Argentina. Coleccion Nuevo Mirador, 1959.
[6] MOUREAU, Xavier, ALTAFIM, Gloria, FONSECA, Maria Cecília L. Tecelagem Manual no
Triângulo Mineiro: uma abordagem tecnológica. Brasília: Secretaria da Cultura, 1984.
[7] GIUNTA, Maria Antonia B., SANTOS, Marko A. L., SBOMPATTO, Thiago B. Projeto
ARTGEO: o computador como instrumento para desenhar. Apostila de atividades.
Bauru: Universidade Estadual Paulista. 2002
Fly UP