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brincando com o xadrez eu aprendo: o empreender na educação
BRINCANDO COM O XADREZ EU APRENDO: O EMPREENDER NA
EDUCAÇÃO INFANTIL
- Profª. Esp.Marcio José Celestino
(UFSJ, [email protected],)
- Prof. Kleber do Sacramento Adão
(UFSJ - São João Del Rei, [email protected],)
RESUMO: A presente comunicação oral tem por objetivo apresentar como um projeto
de envolvimento familiar pode transformar a visão da comunidade onde os Centros de
Educação infantil estão inseridos. O universo de pesquisa constituiu na análise das
ações desenvolvidas no centro de Educação Infantil Sueli Gazolli Campos, com um
grupo de 25 crianças de 5 anos de idade, na cidade de Votorantim (2010), sendo uma
deficiente intelectual. Focamos a formação de uma comunidade escolar participativa,
possibilitando o fortalecimento da parceria escola e família e a apresentação do Centro
de Educação Infantil, como um espaço muito além de um “parquinho”, sendo a primeira
Modalidade de Ensino da Educação Básica, com as dimensões educacionais de cuidar e
educar. O instrumento utilizado na pesquisa foi análise do discurso por meio de relatos
das famílias que participaram do projeto e também a importância dada ao projeto quanto
à preocupação da devolutiva por meio de textos (adultos), imagens (fotografias) e
ilustrações.
Palavras chave: Educação Infantil; Xadrez; Brincar; Educação.
Introdução
A educação infantil vem trilhando uma longa trajetória em busca de seu
reconhecimento como parte integrante e fundamental na educação básica brasileira. O
próprio conceito de criança sofreu alterações ao longo dos anos, inicialmente vista como
um adulto em miniatura e hoje como ser em desenvolvimento dotada de desejos,
pensamentos e conhecimentos, o que culminou na necessidade de novos olhares a
respeito de seu desenvolvimento e educação. A família, como célula mãe do
desenvolvimento pleno da criança, possui visões diversas dos Centros de Educação
Infantil, tratando, muitas vezes, como apenas um “parquinho”.
Segundo Pontes, “Competência não é sinônimo de sexo, etnia, idade religião ou
qualquer outro quesito discriminatório. Competência é exatamente o saber, o saber fazer
as atitudes necessárias das pessoas, que vão contribuir para a realização de um trabalho
de excelência.” (PONTES, 2005, p. 96.) Pensando em quais habilidades, conhecimentos
e formação deveriam possuir cada professor para melhor atender as necessidades de
suas respectivas turmas, idealiza-se um cidadão de atitude, preocupado com o bem estar
comum, livre de estereótipos e com objetivo primordial de ser um divisor de águas na
prática educativa na Educação Infantil.
Já para, Almeida: "O brincar é uma necessidade básica e um direito de todos. O
brincar é uma experiência humana, rica e complexa." (ALMEIDA, 2000, p. 34). O
trabalho na Educação Infantil antes era visto apenas como assistencialista e hoje, como
parte integrante da Educação Básica escolar. A mudança na visão, passando por uma
concepção do início da trajetória da Educação Básica, pode ser observada por esse
relato na aplicabilidade dos ensinamentos propostos pela Referencial Curricular
Nacional (RCN), bem como nas dificuldades, facilidades, avanços e complexidade de
todo o trabalho na Educação Infantil.
A criança e o seu desenvolvimento a partir do brincar e do jogo.
O trabalho com crianças da Educação Infantil (0 a 6 anos) deve levar em conta o
processo de aprendizagem que se realiza de acordo com as fases de desenvolvimento da
criança. Contudo, é bom lembrar que cada criança é única, com identidade própria e um
ritmo singular de desenvolvimento.
Portanto, além de levar em conta o processo de maturação da criança de modo
geral e suas características individuais, é preciso propor situações que a incentivem à
conquista devagar da autonomia e da individualidade em seus diversos contextos.
Detectar os conhecimentos prévios das crianças não é tarefa fácil. Implica que o
professor estabeleça estratégias didáticas para fazê-lo. (BRASIL, 1998)
A construção do conhecimento começa no momento da própria expressão,
quando as crianças falam de sua realidade e identificam os objetos que estão ao seu
redor com o objetivo de compreender o mundo, visando à comunicação, à aquisição de
conhecimentos, à troca. Assim, se as atividades realizadas na Educação Infantil
enriquecem as experiências infantis e possuem um significado para a vida das crianças,
elas podem favorecer o processo da expressão de seus pensamentos e afetos.
Na construção do EU das crianças, há uma grande diversificação nas maneiras
de representação e expressão da infância: passa por ações motoras diversas até ser
construídas as relações a partir da leitura e escrita.
Nesse sentido, a escola, especialmente, a Educação Infantil, constitui um
excelente ambiente cultural. Nela, a criança tem acesso a elementos da cultura que
enriquecem seu desenvolvimento e inserção social. A escola tem o papel de socializar
as ações desempenhadas pelos seus atores, desde a Educação Infantil até os níveis mais
elevados do Ensino dentro da Educação Básica.
A brincadeira faz parte da vida da criança e incluir o jogo e a brincadeira na
Escola, tem como pressuposto o duplo aspecto de servir ao desenvolvimento da criança,
enquanto indivíduo, e à construção do conhecimento, processos estes fortemente
interligados.
Brincar e jogar são fontes de lazer, mas são, simultaneamente, fontes de
conhecimento; e esta dupla natureza nos leva a considerar o brincar parte integrante da
atividade educativa.
Segundo o Referencial Curricular Nacional, educar, na educação Infantil,
significa propiciar situações de cuidados, brincadeiras e aprendizagens orientadas de
forma integrada e que possam contribuir para o desenvolvimento das capacidades
infantis de relação interpessoal, de ser e estar com os outros, em uma atitude básica de
aceitação, respeito e confiança, e o acesso aos conhecimentos mais amplos da realidade
social e cultural. O cuidar, muito presente na educação infantil, é alvo de diversas
discussões a respeito do caráter assistencialista desta etapa da educação básica, é
contemplado no RCN como parte integrante da educação infantil que contribui para o
desenvolvimento da criança como ser humano, valorizando os hábitos de higiene,
alimentação, cuidados e asseio corporal.
O desenvolvimento integral das crianças depende tanto dos cuidados relacionais,
que envolvem a dimensão afetiva e dos cuidados com os aspectos biológicos do corpo,
como a qualidade da alimentação e os cuidados com a saúde, quanto da forma como
esses cuidados são oferecidos e das oportunidades de acesso a conhecimentos variados.
Já o ato de brincar, na educação infantil, é visto e valorizado como significando
muito mais do que aparenta ser. Ao brincar, as crianças recriam e repensam
acontecimentos, assumem papéis sociais, agem sobre a realidade, interiorizam modelos
adultos, ressignificam. Cabe ao professor, reconhecer que ao brincar a criança recria e
estabiliza conhecimentos adquiridos. A organização de atividades orientadas pelo
professor, envolvendo brincadeiras e situações de intervenção direta permitem que a
criança trabalhe com diversos conhecimentos e construam novos.
A idéia da aproximação do jogo com a vida numa representação do reflexo de
um sobre outro, Segundo Broto: “Eu jogo do jeito que vivo e vivo do jeito que jogo”.
(BROTTO, 1999, p. 16). Nesse sentido, o jogo passa a ter a capacidade de desenvolver,
por meio dele, formas e contribuições para gerar talentos, aperfeiçoar potencialidades e
criar novas habilidades de conviver.
O papel da família no pleno desenvolvimento da criança
A sociedade tem passado por mudanças rápidas, decorrentes de tantas novas
informações e avanços tecnológicos, que vêm repercutindo na configuração familiar e
no seu processo de interação com a escola. Por diversos motivos, hoje a criança passa
cada vez mais tempo na escola e em atividades extracurriculares, e seus responsáveis
têm cada vez menos tempo para participar de eventos escolares e raramente
acompanham as lições de casa. Com isso, a escola se torna a única responsável pelo
desenvolvimento intelectual, social e moral do aluno.
Mesmo assim, podemos dizer que as famílias ainda são a base mais consistente
na vida dos alunos e são elas que proporcionam uma relação natural entre as crianças e
adolescentes e o ambiente escolar. São as famílias que decidem, desde cedo, o que os
filhos precisam aprender e quais instituições devem frequentar.
Muitas vezes os familiares não compreendem a Educação Infantil como o
Primeiro Nível de Ensino da Educação Básica no Brasil. Muito menos identificam o
pressuposto educacional: Cuidar e Educar, acreditando que esse momento de ensino é
apenas um momento “pré-escolar”, ou até como um momento de lazer/recreação.
O educador de Educação Infantil e a escola na formação global do aluno
Segundo Hurson, “Todos nós temos a capacidade para fazer melhor. O primeiro
passo é começar a pensar melhor.” (HURSON, 1998, p. 09). Os princípios de
excelência: motivação e capacitação são as chaves para a realização da liderança de
cada professor. A equipe escolar deve ser levada a pensar meios de tornar mais efetiva a
sua participação dentro da sua vida profissional. O professor deve ser a mola propulsora
da equipe na busca de realizações de projetos que propicie o aprendizado da criança,
onde o aprender possa ser brincando.
Embora a Proposta Curricular continue norteando o trabalho da maioria dos
professores, a mescla entre as tendências continua acontecendo nas práticas
pedagógicas. Não é difícil encontrar educadores/professores, tanto da rede oficial como
da
particular,
totalmente
alienados
de
seu
contexto
histórico
e
social.
Conseqüentemente, são mais resistentes a inovações no ensino e na aprendizagem,
principalmente no que se refere às metodologias contemporâneas. Outros professores
até conhecem, mas não se preocupam em relacionar esses conhecimentos com sua
prática pedagógica, revertendo para a sala de aula um ensino-aprendizagem de
qualidade discutível.
Interagir com os pequenos é uma atividade prazerosa. É interessante vê-los
estimulados de forma significativa, considerando a bagagem social que carregam
consigo e poder vê-los se expressar. As atividades de raciocínio, a resolução de
problemas, a criatividade, a criticidade e outras habilidades são importantes para a vida
da criança através das práticas pedagógicas.
A interação com a cultura vivenciada por ações motoras, realizada através da
apropriação de gestos e movimentos, seja para usufruir atividades lúdicas e de lazer,
como jogos e brincadeiras, esportes, ginásticas, danças, conhecimento do corpo e lutas,
favorece o desenvolvimento infantil em plano global. Portanto, desempenha um papel
decisivo ao dar sentido às ações das crianças.
É preciso que o educador tenha conhecimento dos principais aspectos
pedagógicos, ideológicos e filosóficos que marcam o ensino e a aprendizagem, para que
ele possa entender as suas ações e todo processo de formação e o quanto as aulas
melhoram as relações sociais, e principalmente aquelas relações que interligam
professor e aluno.
Todos os educadores devem estimular seus alunos para que se identifiquem com
suas próprias experiências, e animá-los para que desenvolvam, na medida do possível,
os conceitos que expressam seus sentimentos, suas emoções e sua própria sensibilidade
estética.
É fundamental garantir espaços apropriados que possa estimular e permitir
desafios, ser trabalhado de uma maneira que desenvolva o indivíduo integralmente,
principalmente na Educação Infantil, para que a criança possa conhecer a si própria,
testar seus limites.
Também, é importante informar sempre as crianças a cerca de suas
competências. Desde pequena, a valorização de seu esforço e comentários a respeito de
como estão construindo e se apropriando deste conhecimento são atitudes que as
encorajam e situam em relação a própria aprendizagem. É sempre bom lembrar que seu
empenho e suas conquistas devem ser valorizados em função de seu progresso e do
próprio esforço, evitando colocá-las em situações de comparação.
Empreendedorismo: muito além de montar o próprio negócio.
O empreendedorismo possui várias definições, nesse sentido Dornellas afirma:
“Os empreendedores são pessoas diferenciadas, que possuem motivação singular,
apaixonadas pelo que fazem, não se contentam em ser mais um na multidão, querem ser
reconhecidas e admiradas, referenciadas e imitadas, querem deixar um legado”.
(DORNELLAS, 2008, p.05)
Vários outros autores retomam definições, mais todas acabam remetendo aos
princípios de inovação, capacidade de tomada de decisão, enfrentamento da incerteza,
capacidade de olhar o futuro, um processo essencialmente humano. Daí, como diz
Dolabela:
O espírito empreendedor é um potencial de qualquer ser humano e
necessita de algumas condições indispensáveis para se materializar e
produzir efeitos. Entre essas condições estão, no ambiente macro, a
democracia, a cooperação e a estrutura de poder tendendo para a
forma de rede. (DOLABELA, 2003, p. 24).
O mesmo autor define empreendedorismo como: “É uma livre tradução que se
faz da palavra entrepreneurship, que contém as idéias de iniciativa e inovação. É um
termo que implica uma forma de ser, uma concepção de mundo, uma forma de se
relacionar.” (DOLABELA, 2003, p. 31).
Segundo Hisrich:
Estamos vivendo na era do empreendedor, com o empreendedorismo
sendo endossado por instituições educacionais, unidades
governamentais,
sociedade
e
corporações. A
educação
empreendedora nunca foi tão importante em termos de cursos e
pesquisa acadêmica. O número de universidades e faculdades que
oferecem pelo menos um curso de empreendedorismo aumenta a cada
ano. O número de professores ensinando empreendedorismo e o
número de disciplinas mantidas por doações aumenta regularmente.”
(HISRICH, 2009, p. 41).
Criatividade e empreendedorismo encontram espaço para aflorarem em todas as
áreas, segmentos de negócios e nos setores público e privado, principalmente, num
mundo que há inúmeras mutações e é necessário criar alternativas diárias para
adaptação e ajustes aos objetivos e metas. Segundo Cortella:
Só seres que arriscam erram. Não confundam negligência,
desatenção, descuido. Ser capaz de arriscar é uma das coisas mais
inteligentes para mudar. Você não tem que temer o erro. Tem de
temer a negligência, a desatenção e o descuido. (CORTELLA,
2011, p. 29)
Faz-se necessário analisar o professor como elemento de mudanças de uma
organização, propiciando chances de aprendizado e estimulando para o desempenho
ainda melhor nas diversas situações do dia-a-dia, tendo segurança na coletividade e
elevando o seu potencial criativo. Para Bom Angelo (2003):
A idéia básica é a de que as empresas podem se valer de talentos para
buscar negócios e desenvolver novos e lucrativos produtos. Na
verdade, não bastam as boas intenções. É fundamental montar um
cardápio de ações para os homens e mulheres que se apresentam
como voluntários para essas fascinantes tarefas. O fomento de
iniciativas dessa natureza se materializa por meio de necessárias
regras que possam balizar atitudes, estipular metas e definir os foros
decisórios1
Segundo Kasparov: “O temor de ser desafiado está intimamente ligado ao medo
infantil de estar errado. Ambos os medos podem incapacitar nossa evolução e sucesso.”
(KASPAROV, 2007, p. 225). O professor pode ter um freio social que o empeça de
buscar novas idéias, parecer diferente aos olhos dos outros, ter o sentimento de acharem
que ele quer apenas chamar a atenção dos gestores acima na hierarquia organizacional.
O empreendedorismo social, o qual busca uma visão coletiva num esforço
integrado e participativo é a desenvolvimento que contraposição ao empreendedorismo
tradicional que é de caráter individualista.
1
Informação disponível em http://www.faap.br/revista_faap/rel_internacionais/empreendedorismo.htm
(acesso em 07/03/2011).
Quadro 1 – Empreendedorismo Privado x Empreendedorismo Social
Empreendedorismo Privado
Empreendedorismo Social
1. é individual
1. é coletivo
2. produz bens e serviços para o mercado
2. produz bens e serviços para a
Comunidade
3. tem o foco no mercado
3. tem o foco na busca de soluções para
os problemas sociais
4. sua medida de desempenho é o lucro
4. sua medida de desempenho é o
impacto social
5. visa satisfazer necessidades dos 5-. Visa resgatar pessoas da situação de
clientes e ampliar as potencialidades do risco social e promovê-las
negócio
Fonte: MELO NETO & FROES (2008: 11)
O serviço público possui características compatíveis com as propostas do
Empreendedorismo social, ou seja, servir os interesses da coletividade, buscando o
desenvolvimento da sociedade local. E o professor como ator social, propicia a reflexão
e a transformação histórica e social, na escola e com a escola.
Professor: Servidor público ou empreendedor? Um novo caminho
Segundo Bom Angelo (2003):
Empreendedorismo é a criação de valor por pessoas e organizações
trabalhando juntas para implementar uma idéia através da aplicação
de criatividade, capacidade de transformação e o desejo de tomar
aquilo que comumente se chamaria de risco.
Para a realização de projetos de sucesso no setor público, é preciso que o
educador seja cada vez mais empreendedor. Os professores não devem apenas atender
aos princípios legais, mas também o princípio da eficácia, dos resultados, assumindo
risco, inovando, fazendo a diferença em benefício da comunidade escolar. Segundo
Dolabela:
Ao ser humano foi propiciada a capacidade de ser protagonista do próprio
destino, de agir intencionalmente para modificar sua relação com o outro e com a
natureza e de se recriar constantemente. (DOLABELA, 2003, p 35).
O Empreendedor aponta tendências e traz soluções inovadoras para problemas
sociais e ambientais, seja por enxergar um problema que ainda não é reconhecido pela
sociedade e/ou por vê-lo por meio de uma perspectiva diferenciada. Por meio da sua
atuação, ele (a) acelera o processo de mudanças e inspira outros atores a se engajarem
em torno de uma causa comum. Nesse sentido, Maximiano aponta que: “As pessoas
dominam os conhecimentos e tomam as decisões que podem fazer a empresa prosperar
ou fracassar.” (MAXIMIANO, 2006, p. 08)
O mesmo autor ainda destaque: “O empreendedor potencial pode identificar
carências e interesse das pessoas prestando atenção em suas reclamações, hábitos e
traços culturais, entre outros.” (MAXIMIANO, 2006, p. 22). Por esse ângulo, cabe ao
Sistema de Ensino desenvolver em seus professores o potencial de visualizar e buscar
meios para que sua atuação seja voltada para a melhoria nas ações prioritárias ao bem
comum.
Para Aligleri: “A empresa deve ir além e investir no desenvolvimento pessoal e
profissional de seus empregados, bem como na melhoria das condições de trabalho e no
estreitamento de suas relações com os empregados”. (ALIGLERI, 2009, p.120). Os
professores
sabem
quando
são
valorizados,
e
buscam
constantemente
um
reconhecimento. “Tapinhas nas costas” já não é uma maneira de demonstrar que a
parceria está sendo produtiva pra a coletividade. Elas querem ser reconhecidas pelos
seus méritos, não estando contentes buscam outros caminhos, outras possibilidades de
concretização dos seus anseios pessoais e profissionais.
O professor como Capital humano: fazendo a diferença na educação pública
Sozinho não se resolve o problema da coletividade, como diz o poeta: “Sonho
que se sonha só, é só um sonho que se sonha só. Mas sonho que se sonha junto é
realidade”. A busca pela melhoria na qualidade da educação e a busca pela excelência
na prática profissional é um processo de parceria. Segundo Kasparov:
“É preciso ter grande força de vontade e autoconfiança para, de bom grado, nos
cercarmos de pessoas que sabemos que irão nos confrontar. Devemos confiar em nossa
habilidade de usar a oposição para tornarmos mais fortes e nossas informações, mais
completas.” (KASPAROV , 2007,p. 224)
De acordo com Garret: “As organizações que gerenciam bem esses dois
elementos – pessoas e liderança- conseguirão trilhar o caminho do sucesso de forma
consciente e continuamente crescente”. (GARRET, 2003, p 12). A liderança ocorre pelo
poder de ser visionário, acreditando que o potencial humano pode alavancar qualquer
indivíduo. Todo mundo é digno de desenvolvimento e o professor faz de sua ação
pedagógica o caminho para o desenvolvimento de competências em todos os seus
educandos.
A excelência na Educação começa pela busca do desenvolvimento da localidade
através de uma gestão participativa, onde desde os atores sociais podem dar a suas
contribuições. Todos possuem seu valor e consequentemente podem dar as devidas
contribuições. A parceria escola família e um caminho para a efetivação do processo de
crescimento social.
Para Aligleri: “Cada vez mais pessoas conscientizam-se de que o futuro não está
escrito, pode ser construído e será o que fizermos dele”. (ALIGLERI, 2009, p.18). O
professor deve ser pensar o presente e principalmente o futuro, propiciando um
crescimento ordenado: integrando os alunos aos diversos lugares. Prever locais onde as
pessoas possam divertir, passear e buscar um desenvolvimento global.
Como diz Mirshawka: ”Não se deve esquecer que os serviços são uma atitude,
uma arte e um processo, mas nenhuma dessas coisas é possível conseguir das pessoas
sem que elas se sintam felizes no trabalho”. (MIRSHAWKA, 2004, p. 122). Todas as
ações são executáveis, porém não podemos usar da premissa que “tudo que é realizado
com amor e carinho” dará certo. Os professores são profissionais e necessitam de
atuações compatíveis com suas competências. Não estão brincando de servir o público,
e sim, atender com qualidade os anseios de toda a sociedade, principalmente dos
educandos.
O xadrez como elemento de aprendizagem
As práticas culturais predominantes e as possibilidades de exploração oferecidas
pelo meio em que a criança vive, permitem que ela desenvolva capacidades e construa
um repertório próprio. Por exemplo, uma criança que mora em um bairro em que a
prática de futebol é comum, pode aprender a jogar desde cedo. Habilidades de subir em
árvores e escalar alturas, certamente serão mais fáceis para crianças que vivem em
locais próximos a natureza.
Segundo Oliveira: “(...) é brincando que a criança se humaniza, aprendendo a
conciliar de forma efetiva a afirmação de si mesma à criação de vínculos efetivos
duradouros(...).” (OLIVEIRA, 2000, p. 56). A escola deve ser um lugar prazeroso, onde
alunos e professores gostem de estar juntos, aprendendo e ensinando com o auxílio de
jogos educativos como o xadrez. Ele pode atrair a atenção do aluno, ser aplicado em
prol do conhecimento matemático e até na melhoria do comportamento.
Brincar e jogar são fontes de lazer, mas são, simultaneamente, fontes de
conhecimento; e esta dupla natureza nos leva a considerar o brincar parte integrante da
atividade educativa.
Para Almeida: "O brincar é uma necessidade básica e um direito de todos. O
brincar é uma experiência humana, rica e complexa." (ALMEIDA, 2004, p. 76). Diante
dessa premissa torna-se necessário discutirem-se os reais objetivos da Educação
Infantil. Estes objetivos devem ser pensados em longo prazo e dentro de uma
perspectiva do desenvolvimento da criança.
Nesse sentido, o jogo passa a ter a capacidade de desenvolver, por meio dele,
formas e contribuições para gerar talentos, aperfeiçoar potencialidades e criar novas
habilidades de conviver.
Segundo Shenk: “O conhecimento, disse o profeta, nos guia para a felicidade;
nos sustenta na miséria; é um ornamento entre os amigos e uma armadura contra os
inimigos.” (SHENK, 2007, p. 48).
A inserção xadrez na área educacional tem contribuído para o desenvolvimento
de habilidades como memorização, raciocínio lógico-dedutivo, imaginação espacial,
resolução de problemas, avaliação estética, criatividade e mudança de comportamento.
Segundo Kishimoto: “os jogos na educação, ou seja, brinquedos e brincadeiras
como formas privilegiadas de desenvolvimento e apropriação do conhecimento pela
criança, são instrumentos indispensáveis da prática pedagógica e componente relevante
de propostas curriculares”. (KISHIMOTO,1995, p. 89).
Jogar xadrez exercita a paciência, concentração, determinação e a consciência de
que as ações de uma pessoa têm implicações na ação do outro. A idéia é da
aproximação do jogo com a vida numa representação do reflexo de um sobre outro.
Os elementos do xadrez também despertam para a importância das estratégias no
dia-a-dia. Onde precisamos constantemente elaborar alternativas estratégicas para atrair
a atenção do aluno e desenvolver nele autonomia cognitiva.
Crianças que desenvolve o xadrez demonstram avanços na habilidade de
memorização, no raciocínio lógico-dedutivo, na criatividade e a solucionar problemas.
Lembrando que o xadrez também propicia a compreensão de noções espaciais e táticas.
Para Kasparov: “Qualquer criança pode aprender suas primeiras regras, qualquer
desajeitado pode experimentar joga-lo.” (KASPAROV, 2007. p.15). Na educação
infantil para alunos a partir dos três anos, apesar da pouca idade, a criança entra em
contato com o xadrez de uma forma lúdica, não se prende apenas as regras, trabalha-se
de uma forma não competitiva. O jogo de xadrez é colocado em um contexto histórico,
no qual é trabalhada desde alfabetização, conteúdos programáticos até valores, além do
jogo em si. Por exemplo, quando é explicada a função do rei (peça), trabalhamos a
importância de ouvir os mais velhos, ensinando, assim, cidadania.
Para Nolte: “O jogo é, sobretudo um meio de desenvolver o espírito esportivo da
criança, de praticar o trabalho em equipe, esforçando-se ao máximo por um objetivo, e,
ao mesmo tempo, constitui uma grande diversão.” (NOLTE, 2009, p. 80). Como
esporte, o xadrez, é praticado entre duas pessoas, combina aspectos esportivos,
culturais, artísticos e cognitivos. A partida é disputada por 16 peças brancas e 16 peças
pretas – rei, dama, torre, bispo, cavalo e peão – em um tabuleiro quadrado com 64
casas, pretas e brancas, dispostas alternadamente.
Segundo Puig: “Respeitar a autonomia pessoal e considerar os temas polêmicos
por meio do diálogo fundamentado em boas razões são algumas das condições básicas
para construir formas de convivência pessoal e coletiva mais justa” (PUIG, 1998, p 21).
Possibilidades múltiplas precisam ser consideradas diante de cada problema.
Essa bem que poderia ser a primeira diretriz que deveríamos passar para nossos filhos e
alunos. Isso resolveria o problema das verdades únicas que afloram mundo afora.
Teríamos um jovem sempre questionador, sempre disposto a aceitar, não apenas porque
aquilo lhe é imposto, mas porque assim concluiu, depois de analisar dentre todas as
possibilidades, que uma questão pode suscitar.
Os benefícios psicológicos do jogo de xadrez
Jogar xadrez faz bem pra memória e pode desenvolver habilidades que ajudam
os estudantes a melhorarem em suas atividades escolares, possibilitando um maior
desempenho das capacidades cognitivas.
O xadrez é um poderoso estruturador na cultura humana, podendo o considerar
um vírus na mente do praticante. David Shenk expressa este sentimento citando o artista
plástico Manuel Duchamp:
“imaginem um vírus tão evoluído que é capaz de infectar não o
sangue, mas os pensamentos do seu hospedeiro humano. O fígado e o
baço são poupados mas, em compensação, o micróbio se infecta nos
lobos frontais do cérebro, dominando funções cognitivas vitais como
a solução de problemas, o raciocínio abstrato, as refinadas
habilidades motoras e, mais notavelmente, a capacidade de organizar
tarefas. Ele dirige os pensamentos, as ações e até mesmo os sonhos.
Esse vírus passa a dominar não o corpo, mas a mente”. (SHENK,
2007, p. 9).
A criança quando inicia sua vida acadêmica é obrigada a deixar para traz a sua
rotina de jogos e brincadeiras na qual se dedicava por completo. A partir deste momento
de transição ela deve então assumir compromissos de muita responsabilidade e algumas
delas apresentam grandes dificuldades de executar tais tarefas. O xadrez poderia então
vir a auxiliar o professor nessa difícil tarefa de ensinar (...) ( OLIVEIRA, 2012).
O jogo de xadrez e a criança na Educação Infantil
Jogar xadrez exercita a paciência, concentração, determinação e a consciência de
que as ações de uma pessoa têm implicações na ação do outro. O ingresso na Educação
Infantil nos remete a uma analogia com a estrutura inicial no jogo de xadrez, onde todas
as peças estão dispostas em um tabuleiro e a dinâmica do movimento se dá através das
propostas do professor, o qual tem em mãos a possibilidade de fazer diferente e a
diferença na formação global dos alunos.
Como diz Marcovitch:
Uma região onde atuou um grande empreendedor jamais permaneceu
a mesma depois que ele ergueu ali a sua obra principal. As mudanças
operadas na comunidade por esta iniciativa não foram apenas de
natureza econômica. Emergeram novos hábitos, enriqueceu-se o nível
cultural,
aumentou
o
quociente
local
da
civilidade.
(MARCOVITCH, 2007, p 13).
O objetivo final em uma partida de xadrez é capturar o Rei do exército
adversário. Através dos dezesseis componentes do exercito, sendo eles: oito peões e oito
peças (duas Torres, dois Cavalos, dois Bispos, uma Dama e o Rei), conseguir através de
uma estratégia vencer o seu oponente. No desenvolvimento global das pessoas, a idéia
não é de moldar indivíduos, e sim, desenvolver situações que o coletivo prevaleça. De
acordo com Pontes: “Agregar pessoas é a atividade que ‘garante’ que a organização
mantenha sempre as pessoas certas, nos lugares certos e nos momentos
certos.”(PONTES, 2005, p.16)
Podemos considerar o exercito adversário, sendo a baixa frequencia nas aulas,
falta de interesse, agressividade, baixa estima e muitas outras situações adversas que
estão presentes na rotina escolar. Como um jogador, o professor faz toda articulação, e
os alunos estão efetivamente no campo de batalha, podendo adquirir habilidades e
desenvolvendo competências. O segredo está em saber otimizar a sua equipe. O
professor como um empreendedor de sonhos, propicia o desenvolvimento global dos
alunos no dia-a-dia. Como diz Mirshawka:
Claro que um Empreendedor que é hipercompetitivo terá visão de
longo alcance, e como um exímio jogador de xadrez saberá enxergar
muitas etapas (lances) à frente, junto com uma grande vontade de
vencer, constantemente se perguntando: ‘como vou conseguir
transpor esse desafio?’”. (MIRSHAWKA, 2004, p. 173).
O potencial do ser humano está à disposição da sociedade e o professor conhece
os seus alunos possibilitando o desenvolvimento global dos mesmos, respeitando a
singularidade de cada um, como diz Buckingham:
“(...) Organizações baseadas nos pontos fortes jogam xadrez com seu
pessoal. Compreendem que cada peça se move de modo diferente e
que, se não souberem o que cada peça é, poderão acabar tratando
uma torre como cavalo e um cavalo como uma torre, o que vai
frustrar tanto a torre como o cavalo, fazendo com o jogador perca a
partida.” (BUCKINGHAM, 2008, p 245).
A idéia não é ter uma máquina, na maneira literal de concebê-la, onde uma peça
que não esteja em bom funcionamento seja trocada. Alunos não são peças. A idéia é a
de desenvolvimento do ser humano a partir das relações estratégicas. Considerando os
alunos como os peões no tabuleiro para um jogo de xadrez, eles têm um movimento
limitado, andam apenas para frente e jamais retornam a sua posição inicial. Possuem
uma única oportunidade de mudarem de fileira, apenas quando realizam o movimento
de captura, o qual sempre se dá pelas casas diagonais a sua frente. Como diz Toledo: “O
peão tem um valor tão pequeno em relação às demais peças que na terminologia
enxadrística ele não é chamado de peça. Peças são o Rei, a Dama, a Torre, o Bispo e o
Cavalo.” (Toledo, 2004, p 68). Cabe ao professor potencializar as qualidades dos seus
alunos proporcionando que no processo de ensino/aprendizagem eles sejam atores
principais. Conhecimento que não é compartilhado acaba sendo improdutivo.
Pensar no desenvolvimento humano é acreditar que todas as pessoas são dignas
de desenvolvimento. Como diz Buckingham: “Como os talentos de cada pessoa são
únicos, você pode abordar o desempenho definindo resultados, em vez de forçar cada
pessoa a entrar numa forma estatística.” (Buckingham, 2008, p 223).
No jogo de xadrez, os peões posicionados nas laterais são considera “fracotes”,
justamente por ter uma atuação limitada na proteção do exercito. Ao professor cabe
observar que o seu ato de educar é desempenhado, de maneira implícita, pela ação
coletiva, onde todos possam contribuir para a melhoria da sociedade. De acordo com
Alexandre Garret: “Entender gente é o primeiro passo para organizar, estruturar e
liderar negócios.” (GARRET, 2003, p 22).
Como diz Toledo: “Quando o peão alcança, em seu movimento ou captura, a
última fileira ele imediatamente se transforma em outra peça à escolha do jogador, ou
seja numa dama, num bispo, num cavalo ou numa torre. Dizemos que ele é promovido
ou coroado.” (TOLEDO, 2004, p 67). Cabe ao professor compreender que as ações de
mudança na escola ocorrem através de todos os funcionários, independente do status.
Qual equipe eu quero na escola? Educadores com ações limitados ou funcionários
proativos?
Segundo Buckingham: “A questão não é saber se você pode ou não melhorar nas
atividades. É claro que pode. Os seres humanos são criaturas adaptáveis e, se algo é
realmente importante para nós, podemos ficar um pouco melhores em tudo.”
(Buckingham, 2008, p 34). Cabe aos professores desenvolverem o potencial dos novos e
dos mais experientes alunos presente em sala de aula.
Aprender a conviver e relacionar-se com pessoas que possuem habilidades e
competências diferentes, é condição necessária para o desenvolvimento de valores
éticos, como o respeito ao outro, a igualdade e a solidariedade.
Estudo de caso: projeto “xadrez na escola, brincando eu aprendo”
2.1 Objetivo: Analisar o servidor público como elemento de mudanças de uma
organização, propiciando chances de aprendizado e estimulando para o desempenho
ainda melhor nas diversas situações do dia-a-dia, tendo segurança na coletividade e
elevando o seu potencial criativo.
2.2 Cenário: O universo de pesquisa constitui na análise das ações
desenvolvidas no centro de Educação Infantil C.M.E.I Sueli Gazolli Campos, com um
grupo de 25 crianças de 5 anos de idade, na cidade de Votorantim, estado de São Paulo,
no ano de 2010. Com ênfase na formação de uma comunidade escolar participativa,
possibilitando o fortalecimento da parceria Escola e Família.
2.3 Caracterização da turma: O grupo sala era composto por vinte e cinco
alunos, sendo quatorze meninas e onze meninos. Todos os alunos possuem 5 anos
completo, sendo que a maioria completou seis no decorrer do ano letivo.
Uma das crianças que integrava o grupo sala era portadora de Necessidades
Educacionais Especiais, com laudo médico indicando uma idade mental de dois anos e
meio.
No início ele demonstrava muita agressividade com as outras crianças,
mordendo, dando chutes e socos. A aceitação era sempre positiva, onde os pares
passaram a acolhê-lo significativamente em todo o período letivo.
Existia um bom relacionamento entre as crianças, não havia caso de
agressividade durante o decorrer das atividades. Existe um clima muito afetuoso com
alguns pares, era comum vê-los com um amigo preferido partilhando com este a maior
parte das suas atividades.
Era uma sala muito freqüente, a média de presença está acima de 80%. Mesmo
em dia atípico a média mantinha-se boa, ultrapassando 70% de frequência.
As crianças geralmente eram trazidas e levadas pelos próprios pais, mas 15%
utilizavam transporte escolar. Havia casos em que irmãos e avós possuíam autorização
para entrada e/ou saída com os menores. Também, existia crianças que iam embora
juntas com os devidos responsáveis.
As atividades desenvolvidas sobre o xadrez possuíam bastante aceitação, eles
demonstravam muito interesse na execução das propostas apresentadas. Principalmente
nos momentos de exploração do jogo.
2.4 Instrumentos de Pesquisa: O instrumento utilizado é análise do discurso
através dos relatos das famílias que participaram do projeto e, também a importância
dada ao projeto quanto à preocupação da devolutiva através de textos (adultos), imagens
(fotografias) e ilustrações.
2.5 Levantamento e análise de Dados: O projeto atendeu vinte e cinco crianças
com idade de cinco anos, as quais realizaram atividades no espaço escolar e através da
experiência de levar o Kit para as próprias casas tiveram a oportunidade de vivenciar
um momento de interação familiar.
Todas as crianças tinham o compromisso de
registrar a atividade (texto e/ou imagens) e pedir pra que um familiar também
contribuísse com o relato.
Quadro 6: Formas de devolutiva da vivência com o kit na residência
FORMA DE REGISTRO
QUANTIDADE DE ALUNOS
Somente ilustração da criança
03
Ilustração da criança e texto do adulto
09
Somente o texto do adulto
04
Imagem (foto) e texto do adulto
09
Discussão dos resultados
Tendo como embasamento teórico o Referencial Curricular Nacional,
desenvolvemos um trabalho englobando os eixos por ele propostos: matemática,
linguagem oral e escrita, natureza e sociedade, artes visuais, música e movimento,
buscando sempre trabalhá-los de forma interdisciplinar e lúdica.
A consolidação da Educação Infantil, veio com a criação da Lei de Diretrizes e
Bases da Educação Nacional, 9394/96 onde foi conceituada, no art. 29 como sendo a
primeira etapa da Educação Básica e destinada às crianças de até 6 anos de idade, com a
finalidade de complementar a ação da família e da comunidade, objetivando o
desenvolvimento integral da criança nos aspectos físicos, psicológicos, intelectuais e
sociais.
Sabemos que as crianças aprendem muito mais umas com as outras e que a
situação de trabalho em dupla (ou em grupo) traz resultados excelentes na aprendizagem
de conteúdos formais. A interação entre crianças de níveis de conhecimento próximos
pode ser mais eficaz para a aprendizagem de um determinado conteúdo, pois elas
aprendem como fazê-lo ao trabalharem em conjunto. Essas diferentes formas de
interação promovidas pelo professor têm diferentes efeitos sobre a motivação.
Saber motivar para a aprendizagem escolar não é tarefa fácil. Em primeiro lugar,
o ser humano, o aluno, é alguém que se move por diversos motivos e emprega uma
energia diferencial nas tarefas que realiza. Por esse motivo, parece claro que os
professores não devem deixar de examinar, de um lado, em que medida a forma e o
ritmo que são apresentadas às informações podem estar contribuindo para manter o
interesse não só dos alunos com maior competência, mas também dos que não
demonstram avanços significativos.
Possuir uma natureza que permite a transformação pessoal são característica
permanente do ser humano. Consciente desse grande potencial do homem, os
professores devem propiciar situações de aprendizagem que os alunos possam ser mais
atuantes dentro do espaço escolar, sentindo prazer em participar efetivamente na
construção de seu conhecimento.
A escola é, por excelência, a instituição social que trabalha com o conhecimento
de forma sistemática. Cabe a ela ensinar e garantir a aprendizagem de certas habilidades
e conteúdos necessários à vida em sociedade.
Na escola, acredita-se que grande parte dos problemas de escolarização é de
responsabilidade das famílias. Os pais têm de fato, uma função importante a
desempenhar no processo de socialização infantil e na aprendizagem escolar. Mas, em
geral, a concepção que o corpo docente formula dos pais é de que, por pertencerem às
camadas populares, eles têm pouco apreço pela escola, não se interessam em
acompanhar o aprendizado de seus filhos; ou ainda que, vivem em situações de pobreza,
maltratam as crianças, não têm afeto, bebem e gastam o pouco dinheiro em vícios.
O projeto demonstrou que oportunizando situações de aprendizagem os
familiares passam a participar de maneira efetiva das ações desenvolvidas no espaço
escolar, tornando-se parceira no processo de ensino aprendizagem.
Através da devolutiva dos familiares foi possível observar que os pais
compreenderam que a Educação Infantil é o início da vida escolar das crianças, onde
eles brincam e aprendem constantemente através desse brincar.
O principal objetivo de quebrar o paradigma de Centro de Educação Infantil
como um “parquinho” foi alcançado, principalmente pelas devolutivas dos pais e seus
comentários positivos:
“Foi muito bom para nós esse kit, melhor foi pra o Marcelo que toda hora ou
queria jogar ou assistir o DVD.” Fernando, papai do Marcelo.
“Confesso que foi difícil jogar, pois sempre achei que xadrez é jogo de pessoa
inteligente(...) Ele ficava o dia todo atrás de mim com a sacola. Foi muito bom para nós
e divertimos muito.” Bina, mamãe do Octávio.
“Foi uma experiência muito boa trazer esse jogo para casa, deu para ter
momentos de desconcentração com toda a família.” Alessandra, mamãe da Katiele.
Alguns resultados alcançados que merecem destaque foram: 1) Relevância da
prática no contexto local – envolvimento escola e comunidade; 2) Sintonia com o
Projeto Político-Pedagógico e com a gestão democrática da escola; Bom aproveitamento
dos recursos disponíveis na escola; 3) Um grande envolvimento da comunidade,
explicitado pelo interesse dos alunos em experimentar o manuseio do kit com o apoio
dos familiares; 4) Metodologia inclusiva, integradora e dialógica, e o 5) Incentivo à
autonomia e ao trabalho coletivo.
Os desafios enfrentados durante o projeto foram: 1)Envolver todos os alunos,
pois nesse ano tínhamos na sala um componente com idade mental abaixo a do grupo, o
que poderia representar uma não aceitação das possíveis regras estabelecidas pelo
próprio jogo; 2) Também a participação dos familiares em um objetivo comum, utilizar
o kit e devolve-lo no prazo pré-estabelecido com o respectivo registro; 3)Ao final, levar
todos os pais ao ambiente escolar para participarem do oficina de confecção do jogo
alternativo, conscientizando-os da necessidade de uso racional dos recursos naturais e
também, apreciarem a exposição das atividades desenvolvidas no decorrer do projeto.
O fechamento do projeto também merece destaque, pois, a participação dos
familiares na oficina para confecção do xadrez alternativo e exposição dos trabalhos
mobilizou toda a comunidade escolar e a presença foi intensa. (ANEXO 1)
Outra grande conquista do projeto foi ser selecionado pela UNDIME (União dos
Dirigentes Municipais de Educação) sendo apresentado no “II encontro temático das
cidades que Educa: intercâmbio de experiências pedagógicas.” realizado no município
de Garça/SP nos dias 21 e 22 de outubro de 2.011. A inscrição dos trabalhos foi
realizada por meio do site da UNDIME / SP, sendo que apenas 40 experiências exitosas
foram selecionadas entre todas as cidades do Estado de São Paulo. (ANEXO 2)
De maneira muito natural, esse grupo de aluno em conjunto com toda a
comunidade
escolar
proporcionou
situações
prazerosas
que
ficaram
guarda
positivamente em nossa memória. Por isso, é importante acreditar que a Escola e a
Família sempre será uma parceria de sucesso.
Considerações finais
É necessário que os professores repensem as sua prática educativa e passem a ter
uma visão dos alunos como seres pensantes que produzem conhecimento e interagem
no mundo que o rodeia, e é função do professor formar cidadãos interessados em
aprender, com iniciativa, cooperador e que busque uma sociedade mais igualitária.
A qualidade tem de ser hábito na educação pública, atender as necessidades e o
desejo de toda comunidade escolar, mantendo um relacionamento de fidelidade, através
de uma relação ética, transparente e solidária com todo o público.
Ser bem sucedido como educador no serviço público talvez não seja
representado por ter uma carreira invejável. O significado mais amplo pode ser
concretizado pela possibilidade da quebra do paradigma em que o professor descola
pública é um agente que apenas reproduz um atendimento de má qualidade e a serviço
dos menos favorecidos.
As ações técnicas-pedagógicas podem ser realmente descentralizadas, sem
vínculo político e/ou partidário. O objetivo primordial de servir ao Público deve ser
encarado como um ato de excelência e não apenas como motivo de chacota pela má fé
de alguns companheiros que denigrem a imagem do professor perante a sociedade,
através de uma prática estritamente burocrática.
A Educação é uma das formas de extinguir a ignorância de um povo, porém
outras áreas demandam muito cuidado para a efetivação de uma qualidade de vida para
a população. Ter consciência da importância da ética nas relações é de suma
importância para ação pública. Porém, não havendo interesse do professor, não
inovações.
Ninguém é capaz de forçar alguém a mudar seus hábitos se essas próprias
pessoas não estiverem conscientes da importância de tais mudanças. Todos merecem
respeito e devem participar da vida organizacional, discutindo, explicitando suas
opiniões e propondo idéias e sugestões.
Na realidade o professor deve encontrar em sua prática profissional o seu Norte.
Não deve ficar esperando a pessoa certa, na hora certa para encontrar sentido no seu
ofício. No ato de servir o público está embutido o sentido de ser e o fazer ao bem
coletivo.
O pensamento reprodutivo do ensino no sistema público deve ser substituído
pelo pensamento produtivo. O professor vai representar exatamente o que a instituição
tiver como valor para o próprio indivíduo.
Para melhor ajustamento do educador ao trabalho e aproveitamento de seu
potencial criativo, as tomadas de decisões necessitam de um constante olhar técnico
para execução de seus empreendimentos. O segredo está em estimular o professor a
buscar inovação em suas práticas. Achar que apenas uma idéia resolverá o problema da
educação é ter uma visão simplista. O tempo destrói as obras, mas o conhecimento
permanece naquele que o construiu através de relações.... A idéia está em fazer a
história e não apenas conta-la...
Como diz Mirshawka (2.004): “Uma boa chance não cai quase nunca no colo de
alguém, é preciso correr atrás dela e saber formatá-la”...
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