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A correlação do HPV e o Câncer do colo do útero – Uma

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A correlação do HPV e o Câncer do colo do útero – Uma
Centro Universitário de Brasília – Uniceub
Faculdade de Ciências da Saúde - FACS
Curso: Enfermagem
A correlação do HPV e o Câncer do colo do útero – Uma ação educativa
do enfermeiro
Kamila Marrise Fernandes Moura
Brasília
Outubro/ 2007.
2
Kamila Marrise Fernandes Moura
A correlação do HPV e o Câncer do colo do útero – Uma ação
educativa do enfermeiro
Monografia apresentada a Faculdade de
Ciências da Saúde do Centro Universitário
de Brasília como requisito para a conclusão
do curso de Enfermagem.
Professor Orientador: Ligia Richter
Brasília outubro 2007.
3
KAMILA MARRISE FERNANDES MOURA
A correlação do HPV e o Câncer do colo do útero – Uma ação
educativa do enfermeiro
Monografia apresentada a Faculdade de
Ciências da Saúde do Centro Universitário
de Brasília como requisito para a conclusão
do curso de Enfermagem.
Professor Orientador: Ligia Richter
Brasília, outubro de 2007.
Banca Examinadora
_____________________________________________________________________________
Profª Nilvia Jaqueline
______________________________________________________________________________
Profª Fátima Cardoso
Profª Rosângela Jaramillo
4
Lista de Abreviaturas e Siglas
AIDS
Vírus da Imunodeficiência Humana
AIS
Adenocarcinoma in Situ
ANVISA Agência Nacional de Vigilância Sanitária
ASCUS
Células Escamosas Atípicas de Significância Indeterminada
ATA
Ácido Tricoloroacético
CAF
Cirurgia de Alta Freqüência
DST
Doença Sexualmente Transmissível
HPV
Papiloma Vírus Humano
HSIL
Lesão Intraepiteliais de Alto Grau (High Grade Squamous Intraepithelial Lesion)
INCA
Instituto Nacional do Câncer
LISL
Lesão intra-epitelial Escamosa de Baixo Grau (Low Grade Squamous Intraepithelial
Lesion)
MS
Ministério da Saúde
NIC
Neoplasia Intraepitelial
OMS
Organização Mundial de Saúde
SUS
Sistema Único de Saúde
5
Dedico este trabalho a minha mãe Fátima, meu pai
Antonino, aos meus irmãos Hildon e Dalmo e ao meu
namorado pela força, compreensão, amor e paciência
6
AGRADECIMENTO
Agradeço a Deus por ter me dado essa oportunidade e
à minha família pelo amor, força e paciência.
Ao meu namorado Françoar pela compreensão e o
amor.
Agradeço à professora Cristina Segatto e Ligia por ter
me auxiliado no desenvolvimento do trabalho.
Aos professores, que ao longo do curso ensinaram e
contribuíram na minha formação.
Aos colegas pela amizade e convívio durante esses
anos, e a todos que, direta ou indiretamente,
contribuíram para a realização de um conquista!
7
SUMÁRIO
RESUMO------------------------------------------------------------------------------------------------------ 9
INTRODUÇÃO -------------------------------------------------------------------------------------------- 10
1- JUSTIFICATIVA---------------------------------------------------------------------------------------- 13
2- OBJETIVOS --------------------------------------------------------------------------------------------- 14
2.1- Objetivo Geral ------------------------------------------------------------------------------------ -----14
2.2- Objetivos Específicos --------------------------------------------------------------------------------- 14
3- METODOLOGIA-----------------------------------------------------------------------------------------15
3.1- Método -------------------------------------------------------------------------------------------------- 15
3.2- Métodos de Procedimento ---------------------------------------------------------------------------- 15
3.3- Critérios para levantamento --------------------------------------------------------------------------15
4- REFERENCIAL TEÓRICO --------------------------------------------------------------------------- 16
4.1- O PAPILOMA VIRUS HUMANO (HPV)--------------------------------------------------------- 16
4.1.1- Histórico---------------------------------------------------------------------------------------------- 16
4.1.2- Conceito----------------------------------------------------------------------------------------------- 17
4.1.3- Quadro Clínico ------------------------------------------------------------------------------------- 18
4.1.4- Diagnóstico ------------------------------------------------------------------------------------------ 20
4.1.5- Tratamento ------------------------------------------------------------------------------------------ 20
4.1.6 -Lesões na genitália externa ------------------------------------------------------------------------ 21
4.1.6.1- Criocauterização, Crioterapia ou Criocoagulação ------------------------------------------ 22
4.1.6.2- Exerese cirúrgica---------------------------------------------------------------------------------- 22
4.1.6.3- Lesões vegetantes do colo uterino--------------------------------------------------------------- 23
4.2- NEOPLASIA INTRAEPITELIAL CERVICAL (NIC) ------------------------------------------ 24
4.2.1- Infecção subclínica pelo HPV na genitália externa (sem lesão macroscópica)------------- 25
4.2.2.- Exames de Avaliação ----------------------------------------------------------------------------- 26
4.2.3 - Exames de confirmação diagnóstica -------------------------------------------------------------26
4.2.4 O exame de papanicolau ---------------------------------------------------------------------------- 27
8
5- CÂNCER DO COLO DO ÚTERO ------------------------------------------------------------------- 28
5.1-FATORES DE RISCO PARA CÂNCER DO COLO DO ÚTERO ASSOCIDOS AO HPV-29
5.1.1- Hábitos Sexuais-------------------------------------------------------------------------------------- 29
5.1.2- Imunossupressão------------------------------------------------------------------------------------- 29
5.1.3- Hábitos alimentares--------------------------------------------------------------------------------- 30
5.1.4- Contraceptivos Orais ------------------------------------------------------------------------------- 30
5.1.5- Fumo---------------------------------------------------------------------------------------------------31
5.1.6- Gravidez ---------------------------------------------------------------------------------------------- 31
6 - VACINA CONTRA O HPV - IMUNIZAÇÃO----------------------------------------------------- 32
6.1- Eficácia ------------------------------------------------------------------------------------------------- 34
6.2- Resposta aos anticorpos ----------------------------------------------------------------------------- 34
6.3- Tolerabilidade ----------------------------------------------------------------------------------------- 36
6.4- Recomendações --------------------------------------------------------------------------------------39
7 – PAPEL DO ENFERMEIRO E EDUCAÇÃO EM SAÚDE --------------------------------------40
7.1-A consulta de enfermagem como uma prática educativa ----------------------------------------- 41
7.2- Código de ética dos profissionais de enfermagem ------------------------------------------------42
7.3- Papel do Enfermeiro na política Nacional -------------------------------------------------------- 43
8- EPIDEMIOLOGIA E EDUCAÇÃO EM SAÚDE ------------------------------------------------- 45
CONSIDERAÇÕES FINAIS ------------------------------------------------------------------------------47
REFERÊNCIAS -------------------------------------------------------------------------------------------- 49
9
RESUMO
Este trabalho tem por objetivo apresentar a relação do Papiloma Vírus Humano (HPV),
com o câncer do colo do útero. O HPV é um vírus sexualmente transmissível e a maioria das
infecções é assintomática ou inaparente e de caráter transitório. As formas de apresentação são
clínicas (lesões exofíticas ou verrugas) e subclínicas (sem lesão aparente). Os fatores que
determinam a persistência da infecção e sua progressão para neoplasia intraepitelial cervical
(NIC) (displasia moderada, displasia acentuada ou carcinoma in situ) são os tipos virais presentes
e co-fatores, entre eles, o estado imunológico, tabagismo e outros de menor importância. Os tipos
6 e 11 são geralmente encontrados nas verrugas benignas (condiloma acuminado), que, embora
representem proliferação anormal do epitélio, raramente mostram evidências de transformação
maligna. O câncer do colo uterino invasor, em cerca de 90% dos casos, evolui a partir da NIC,
mas nem toda NIC progride para um processo invasor. A vacina desenvolvida pela Merck Sharp
& Dohme é a primeira a proteger contra o câncer do colo de útero e contra outras doenças
associadas ao HPV. Isso porque ela é quadrivalente e protege contra quatro tipos do vírus – o 6,
11, 16 e 18 -, que são responsáveis por 70% dos casos de câncer do colo de útero e por 90% das
verrugas genitais. De acordo com o Ministério da Saúde a vacina é eficaz, porém o sistema único
de saúde ainda não implantou a vacina no calendário, somente o sistema privado oferece a
vacina. O HPV é um problema de saúde pública e o enfermeiro participa significativamente nos
exames preventivos, identificam problemas de saúde, solicitam exames complementares e
prescrevem medicamentos, mediante protocolos legalmente estabelecidos pelo Ministério da
Saúde. Tais práticas retratam uma mudança na prática convencional da assistência à saúde por
garantir a continuidade do atendimento ao usuário da saúde.
Palavras - chave: HPV, câncer do colo do útero, vacina, enfermeiro.
10
INTRODUÇÃO
O Papiloma Virus Humano (HPV) constitui um grupo heterogêneo de vírus pertencente à
família Papovavíridae, com reconhecido potencial de indução tumoral infectando os epitélios
escamosos, queratinizados ou não (SHIRASAWA et al 1998, HAUSEN 1991, DÔRES 1994). É
conhecido e descrito há milênios por gregos e romanos como sendo verrugas genitais. Em 1879
chegou-se a relacionar o HPV com a sífilis ou a gonorréia (MEISEL et al 1981, PIRES &
GOUVÊA 2001).
Os HPV são classificados em tipos de baixo e de alto risco de câncer. Assim, os HPV de
tipo 6 e 11, encontrados na maioria das verrugas genitais e papilomas laríngeos, parecem não
oferecer nenhum risco de progressão para malignidade, apesar de serem encontrados em pequena
proporção de tumores malignos. Os vírus de alto risco (HPV tipos 16, 18, 31, 33, 45, 58 e outros)
têm probabilidade maior de persistir e estar associados a lesões pré-cancerígenas. (BRASIL,
2005).
Segundo o Instituto Nacional do Câncer (2005), a transmissão do Papiloma Vírus
Humano (HPV) é por contato direto com a pele infectada. Os HPV genitais são transmitidos por
meio das relações sexuais, podendo causar lesões na vagina, colo do útero, pênis e ânus.
Há co-fatores que aumentam o potencial de desenvolvimento do câncer genital em
mulheres infectadas pelo papilomavírus: número elevado de gestações, uso de contraceptivos
orais, tabagismo, infecção pelo HIV e outras doenças sexualmente transmitidas (como herpes e
clamídia). (BRASIL 2005).
A maioria das infecções é assintomática ou inaparente e de caráter transitório. As formas
de apresentação são clínicas (lesões exofíticas ou verrugas) e subclínicas (sem lesão
aparente).(BRASIL, 2001).
A prevenção primária do câncer do colo do útero pode ser realizada através do uso de
preservativos durante a relação sexual, uma vez que a prática de sexo seguro é uma das formas de
11
evitar o contágio pelo HPV, vírus que tem um papel importante no desenvolvimento deste câncer
e de suas lesões precursoras.(BRASIL, 2001).
O exame preventivo do câncer do colo do útero (exame de Papanicolau) consiste na coleta
de material citológico do colo do útero, sendo coletada uma amostra da parte externa
(ectocérvice) e outra da parte interna (endocérvice). (BRASIL, 2005).
Existe uma fase pré-clínica (sem sintomas) do câncer do colo do útero, em que a detecção
de possíveis lesões precursoras é através da realização periódica do exame preventivo. Conforme
a doença progride, os principais sintomas do câncer do colo do útero são sangramento vaginal,
corrimento e dor.(BRASIL, 2005).
O câncer do colo do útero representa a segunda causa de morte por câncer de mulheres no
Brasil, superado apenas pela neoplasia de mama. Constitui um problema de saúde pública e é
doença passível de ser prevenida, estando diretamente vinculada ao grau de subdesenvolvimento
do país. (BRASIL, 2005).
As vacinas profiláticas evitam a infecção pelo HPV e suas doenças associadas e as
terapêuticas induzem a regressão das lesões pré-cancerosas e a remissão do câncer invasivo.
Determinam 100 por cento de proteção contra a infecção pelos tipos específicos do HPV e
impedem o aparecimento de neoplasias intraepiteliais de alto grau até pelo menos 5 anos após a
imunização. As vacinas vêm mostrando maior efetividade quando administradas antes do início
da atividade sexual e as campanhas de vacinação deverão ter como alvo as mulheres adolescentes
e as pré-adolescentes. Espera-se, com o uso disseminado da vacina, que 70 por cento dos
cânceres cervicais sejam evitados, bem como a proporção das outras doenças anogenitais
associadas à infecção pelo HPV. (NADAL; MANZIONE, 2006).
Aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), a vacina
quadrivalente contra o HPV já está sendo comercializada e pode ser encontrada nas principais
clínicas de imunização do país. A vacina deverá ser tomada em três doses – a segunda dois meses
após a primeira e a terceira seis meses após a primeira – nas principais clínicas de imunização.
(BRASIL, 2007).
12
A Enfermagem é uma profissão que possui significativo contingente de profissionais
atuando em diversos lugares e desenvolvendo as mais variadas funções dentro da área da saúde.
A atuação da Enfermagem no contexto brasileiro acontece na maioria das vezes sem que as
pessoas percebam o que realmente esses profissionais desenvolvem e qual é o seu potencial para
a implantação, manutenção e desenvolvimento de políticas de saúde tanto em nível curativo
quanto preventivo. Não se pode negar que a Enfermagem é o eixo principal para suportar
qualquer política de saúde que tenha como objetivo uma assistência de qualidade. (ALMEIDA,
2000).
As ações educativas e preventivas realizadas pelo enfermeiro é de suma importância no
cotidiano da mulher, servindo de base para melhorar a qualidade de vida e com isso a sua saúde.
O processo de trabalho coletivo inclui a educação em saúde e a organização do processo de
cuidar, um inter-relacionado ao outro de forma complementar. E ainda, que a cliente inserida nos
contextos familiar e comunitário necessita de ambas as abordagens, a educação e o cuidado ou a
educação enquanto forma de cuidado. (SANTOS, 1999).
13
1- JUSTIFICATIVA
O estudo foi escolhido pelo enorme interesse em Saúde Pública, onde o enfermeiro tem
uma maior autonomia. Após o estágio realizado no 7º semestre, me identifiquei ainda mais,
surgindo o interesse em realizar a monografia sobre prevenção. Com a participação direta nos
exames preventivos pude observar um grande número de mulheres que são ou já foram infectadas
pelo vírus e que alguns subtipos podem levar ao câncer de colo do útero.
Segundo o Ministério da Saúde (2005,) o câncer do colo do útero representa a segunda
causa de morte por câncer de mulheres no Brasil, superado apenas pela neoplasia de mama.
Constitui um problema de saúde pública e é doença passível de ser prevenida, estando
diretamente vinculada ao grau de subdesenvolvimento do país.
14
2- OBJETIVO
2.1- Objetivo Geral
Identificar a relação do Papiloma Vírus Humano (HPV) com o câncer do colo uterino e a ação
educativa do enfermeiro.
2.2- Objetivos específicos
- Identificar a relação do HPV – câncer do colo do útero e os fatores de risco;
- Salientar a importância do exame colpocitológico como prevenção e tratamento da doença;
- Discorrer sobre as inovações tecnológicas e avanços da indústria químico-farmacêutica para a
prevenção e tratamento da doença;
- Apresentar o papel do enfermeiro na prevenção do câncer do colo do útero.
15
3- METODOLOGIA
3.1- Método
Segundo Gil, 2002, a pesquisa bibliográfica consiste em um material já elaborado, constituído
principalmente de livros e artigos científicos contemplando, assim as questões relacionadas ao
tema em estudo.
3.2- Métodos de procedimento
Será realizado um levantamento bibliográfico dos estudos mais recentes sobre o tema
abordado. Com pesquisas em artigos científicos, livros, em sites de base de dados bibliográficos
(LILACS, BIREME, BDENF, SCIELO, MEDLINE, WHOLIS, ADOLEC) e Revistas
Científicas, no período de 1997 a 2007.
3.3- Critérios para o levantamento
Serão utilizadas as palavras-chaves Papiloma Vírus Humano (HPV), câncer do colo do
útero, prevenção, vacina, enfermeiro.
16
4- REFERENCIAL TEÓRICO
4.1- O Papiloma Vírus Humano (HPV)
4.1.1 - Histórico
Segundo Pires & Gouvêa (2001), no século XIX acreditava-se que as lesões provocadas
pelo HPV eram causadas por irritação do epitélio por descargas genitais, sujeira e outros agentes,
e esta idéia foi aceita até o início do século XX. Nesta mesma época chegaram a relacionar as
verrugas genitais com as não-genitais.
Em 1954, através de estudos epidemiológicos, verificou-se que as verrugas genitais eram
sexualmente transmissíveis. Isto foi possível com base em observações feitas em mulheres que
desenvolveram as verrugas após manterem relações sexuais com seus maridos; os homens
levaram para casa as verrugas adquiridas sexualmente no estrangeiro durante a guerra da Coréia e
Japão (PIRES & GOUVÊA 2001).
Atualmente sabe-se que o HPV é um vírus com mais de 100 subtipos identificados dos
quais 40 estão relacionados com lesões nas áreas genitais, mas apenas 20 são considerados de
alto risco, isto é, apresenta maior predisposição na carcinogênese. As principais regiões
anatômicas onde se encontram os HPV são o colo do útero, vulva, vagina e pênis, além das
mucosas oral e laríngea. (PIRES & GOUVÊA 2001).
Os tipos 6 e 11 são geralmente encontrados nas verrugas benignas (condiloma
acuminado), que, embora representem proliferação anormal do epitélio, raramente mostram
evidências de transformação maligna. Entre os tipos de alto risco, que são freqüentemente
encontrados em displasias de alto grau e cânceres invasivos estão o 16 e o 18, mas este grupo
inclui também os tipos 31, 33, 35, 39, 45, 51, 52, 56, 57, 58, 59 e 68 (CARVALHO 2000;
VILLA 2006).
HPV 16, 18 e 31 são freqüentemente encontrados em neoplasias intra-epiteliais cervicais
(NIC) e cânceres invasivos. Destes, o HPV tipo 18 parece ser o que mais se relaciona a lesão de
17
alto grau e está associado a uma maior rapidez de transição ao carcinoma. Uma das
características desse vírus é que ele pode ficar instalado no corpo por muito tempo sem se
manifestar, entrando em ação, em determinadas situações como na gravidez ou numa fase de
estresse, quando a defesa do organismo fica abalada. (CARVALHO 2000).
Na maior parte das vezes a infecção pelo HPV não apresenta sintomas. A mulher tanto
pode sentir uma leve coceira, ter dor durante a relação sexual ou notar um corrimento. O mais
comum é ela não perceber qualquer alteração em seu corpo.(RAMOS, 2007).
Geralmente, esta infecção não resulta em câncer, mas é comprovado que 99% das
mulheres que têm câncer do colo uterino, foram antes infectadas por este vírus. No Brasil, cerca
de 7.000 mulheres morrem anualmente por esse tipo de tumor.(BRASIL, 2005).
Em seus estágios iniciais as doenças causadas pelo HPV podem ser tratadas com sucesso
em cerca de 90% dos casos, impedindo que a paciente tenha maiores complicações no futuro.
Portanto, a melhor arma contra o HPV é a prevenção e se fazer o diagnóstico o quanto antes.
(RAMOS,2007).
4.1.2- Conceito
O HPV é uma doença infecciosa, de transmissão freqüentemente sexual, também
conhecida
como
condiloma
acuminado,
verruga
genital
ou
crista
de
galo.
O contato direto pele com pele transmite com maior eficiência a infecção pelo HPV. O vírus não
é transmitido através de sangue e outro líquido corporal, como o sêmen. Estudos entre pessoas
com a infecção pelo HPV verificaram que, pelo menos, 70% de seus parceiros também estavam
infectados.(BRASIL, 1999).
O contato sexual é a forma mais comum de transmissão entre adultos, mas também pode
ocorrer raramente a transmissão vertical (mãe para o filho) ou auto-inoculação. Embora raro, é
possível transmitir a infecção pelo HPV através de sexo oral, embora a boca pareça ser ambiente
menos habitável para cepas genitais do HPV que a área genital (BRASIL, 1999).
18
Atualmente são conhecidos mais de 70 tipos, 20 dos quais podem infectar o trato genital.
Estão divididos em 3 grupos, de acordo com seu potencial de oncogenicidade. Os tipos de alto
risco oncogênico, quando associados a outros co-fatores, tem relação com o desenvolvimento das
neoplasias intra-epiteliais e do câncer invasor do colo uterino. (BRASIL, 1999).
4.1.3- Quadro Clínico
A maioria das infecções são assintomáticas ou inaparentes. Podem apresentar-se
clinicamente sob a forma de lesões exofíticas. A infecção pode também assumir uma forma
denominada subclínica, visível apenas sob técnicas de magnificação e após aplicação de
reagentes, como o ácido acético. Ainda, este vírus é capaz de estabelecer uma infecção latente em
que não existem lesões clinicamente identificáveis ou subclínicas, apenas sendo detectável seu
DNA por meio de técnicas moleculares em tecidos contaminados. Não é conhecido o tempo em
que o vírus pode permanecer nesse estado, e quais fatores são responsáveis pelo desenvolvimento
de lesões. Por este motivo, não é possível estabelecer o intervalo mínimo entre a contaminação e
o desenvolvimento de lesões, que pode ser de semanas, a décadas. (BRASIL, 1999).
Alguns estudos prospectivos têm demonstrado que em muitos indivíduos, a infecção terá
um caráter transitório, podendo ser detectada ou não. O vírus poderá permanecer por muitos anos
no estado latente e, após este período, originar novas lesões. Assim, a recidiva de lesões pelo
HPV está muito mais provavelmente relacionada à ativação de "reservatórios" próprios de vírus
do que a reinfecção pelo parceiro sexual. Os fatores que determinam a persistência da infecção e
sua progressão para neoplasias intraepiteliais de alto grau (displasia moderada, displasia
acentuada ou carcinoma in situ) são os tipos virais presentes e co-fatores, entre eles, o estado
imunológico, tabagismo e outros de menor importância. (BRASIL, 2000).
Os condilomas, dependendo do tamanho e localização anatômica, podem ser dolorosos,
friáveis e/ou pruriginosos. Quando presentes no colo uterino, vagina, uretra e ânus, também
podem ser sintomáticos. As verrugas intra-anais são predominantes em pacientes que tenham tido
coito anal receptivo. Já as perianais podem ocorrer em homens e mulheres que não têm história
de penetração anal.(BRASIL, 1999).
19
Na forma clinica as lesões podem ser únicas ou múltiplas, localizadas ou difusas e de
tamanho variável, localizando-se mais freqüentemente no homem, na glande, sulco bálanoprepucial e região perianal, e na mulher, na vulva, períneo, região perianal, vagina e
colo.(VILLA, 2006).
Os tipos 16, 18, 31, 33, 35, 45, 51, 52, 56 e 58, são encontrados ocasionalmente na forma
clínica da infecção (verrugas genitais) e tem sido associados com lesões externas (vulva, pênis e
ânus), com neoplasias intra-epiteliais ou invasivas no colo uterino e vagina. Quando na genitália
externa, estão associados a carcinoma in situ de células escamosas, Papulose Bowenoide,
Eritroplasia de Queyrat e Doença de Bowen da genitália. Pacientes que tem verrugas genitais
podem estar infectados simultaneamente com vários tipos de HPV. Os tipos 6 e 11 raramente se
associam com carcinoma invasivo de células.(RUSSOMANO, 2006).
Tabela 1:
Classificação Tipos de HPV
Associação com lesões cervicais
em função da
associação
com
lesões
graves
Baixo risco
6, 11, 42, 43 e 44
20,2% em NIC de baixo grau, praticamente inexistentes em
carcinomas invasores
Risco
31, 33, 35, 51, 52 e 23,8% em NIC de alto grau mas em apenas 10,5% dos
intermediário 58
carcinomas invasores
Alto risco
16
47,1% em NIC de alto grau ou carcinoma invasor
18, 45 e 56
6,5% em NIC de alto grau e 26,8% em carcinoma invasor
Fonte: Manual de DST/AIDS, 1999/INCA.
4.1.4- Diagnóstico
20
O diagnóstico definitivo da infecção pelo HPV é feito pela identificação da presença do
DNA viral por meio de testes de hibridização molecular (hibridização in situ, captura híbrida). O
diagnóstico por colpocitologia nem sempre está correlacionado com a identificação do DNA do
HPV. As alterações celulares causadas pelo HPV no colo uterino têm o mesmo significado
clínico que as observadas nas displasias leves ou neoplasia intra-epitelial de grau I.
(BRASIL,1999)
Mais recentemente, ambas as condições têm sido denominadas indistintamente como
lesão intra-epitelial escamosa de baixo grau (Low Grade Squamous Intraepithelial Lesion –
LSIL), com grande chance de regressão sem tratamento. Existem testes que identificam vários
tipos de HPV, mas não está claro seu valor na prática clínica e as decisões quanto a condutas
clínicas não devem ser feitas com base nestes testes. Também não é recomendável o rastreio de
infecção subclínica pelo HPV por meio desses testes. (BRASIL, 1999).
4.1.5- Tratamento
O objetivo principal do tratamento da infecção pelo HPV é a remoção das verrugas
sintomáticas, levando a períodos livres de lesões em muitos pacientes. Verrugas genitais
freqüentemente são assintomáticas. Nenhuma evidência indica que os tratamentos atualmente
disponíveis erradicam ou afetam a história da infecção natural do HPV. A remoção da verruga
pode ou não diminuir sua infectividade. Se deixados sem tratamento, os condilomas podem
desaparecer, permanecer inalterado, ou aumentar em tamanho ou número. Nenhuma evidência
indica que o tratamento do condiloma prevenirá o desenvolvimento de câncer cervical.(BRASIL,
1999).
Os tratamentos disponíveis para condilomas são: crioterapia, podofilina, ácido
tricloroacético (ATA) e exérese cirúrgica. (BRASIL, 2001).
A maioria dos pacientes tem de 1 a 10 verrugas, que respondem à maioria das
modalidades de tratamento. Com o método escolhido, nenhum dos tratamentos disponíveis é
21
superior aos outros, e nenhum tratamento será o ideal para todos os pacientes nem para todas as
verrugas. (BRASIL, 2001).
Fatores que podem influenciar a escolha do tratamento são o tamanho, número e local da
lesão, além de sua morfologia e preferência do paciente, custos, disponibilidade de recursos
conveniência, efeitos adversos, e a experiência do profissional de saúde. (BRASIL, 2001).
Em geral, verrugas localizadas em superfícies úmidas e/ou nas áreas intertriginosas
respondem melhor a terapêutica tópica (ATA, podofilina) que as verrugas em superfícies
secas.(BRASIL, 2001).
Planejar o tratamento juntamente com o paciente é importante porque muitos pacientes
necessitarão de mais de uma sessão terapêutica. Deve-se mudar de opção terapêutica quando um
paciente não melhorar substancialmente depois de três aplicações, ou se as verrugas não
desaparecerem completamente após seis sessões. O balanço entre risco e benefício do tratamento
deverá ser analisado no decorrer do processo para evitar tratamento excessivo. (RUSSOMANO,
2006).
4.1.6- Lesões na genitália externa
- Podofilina 10-25% em solução alcoólica ou em tintura de Benjoim: deve-se aplicar uma
pequena quantidade em cada verruga, e deixar secar. Para evitar a possibilidade de complicações
associadas com sua absorção sistêmica e toxicidade, alguns especialistas recomendam que se
utilize até 0,5 ml em cada aplicação ou que se limite a área tratada em até 10 cm 2 por sessão.
(BRASIL, 2001).
A podofilina contêm uma série de substâncias com ação antimicótica. Todavia, a
proporção dessas substâncias varia consideravelmente entre os preparados. A validade e
estabilidade dos preparados são desconhecidas. O descuido em permitir que o paciente se vista
antes da completa secagem da solução pode espalhá-la em áreas vizinhas levando a uma extensa
área de irritação local. Sua absorção em grandes quantidades pode ser tóxica para o coração, rins
e sistema nervoso.(BRASIL, 2001).
22
- Ácido tricloroacético (ATA) a 80-90% em solução alcoólica: O ATA é um agente cáustico que
promove destruição dos condilomas pela coagulação química de seu conteúdo protéico. Apesar
de sua larga utilização, não foi investigado exaustivamente. As soluções de ATA são muito
fluidas, comparáveis à água, e podem se espalhar rapidamente, se aplicadas em excesso,
causando dano às áreas adjacentes às lesões. (BRASIL, 2001).
Deve ser aplicada com cuidado, deixando-a secar antes mesmo do paciente mudar sua
posição, para que a solução não "escorra" para outros locais. Se a dor for intensa, o ácido pode
ser neutralizado com sabão ou bicarbonato de sódio. Este método poderá ser usado durante a
gestação, quando a área lesionada não for muito extensa. Do contrario, este deverá ser associado
a exérese cirúrgica. (BRASIL 2001).
4.1.6.1- Criocauterização, Crioterapia ou Criocoagulação: este método promove a destruição
térmica por dispositivos metálicos resfriados por CO2 (criocautérios). A crioterapia depende de
equipamento específico e elimina as verrugas por induzir citólise térmica. É útil quando há
poucas lesões ou nas lesões muito ceratinizadas e raramente necessita de anestesia. Apesar da
anestesia local não ser necessária rotineiramente, poderá facilitar o tratamento se existirem muitas
lesões ou uma extensa área envolvida. (BRASIL, 2001).
4.1.6.2- Exérese cirúrgica: é método apropriado para o tratamento de poucas lesões a nível
ambulatorial, especialmente quando é desejável exame histopatológico do espécime. A exerese
cirúrgica têm a vantagem de, assim como na eletrocauterização, eliminar as lesões em apenas
uma sessão de tratamento. (BRASIL, 2001).
Os condilomas podem ser retirados por meio de uma incisão tangencial com tesoura
delicada, bisturi ou cureta. Como a maioria das lesões são exofíticas, estes métodos resultam em
uma ferida que envolve a porção superficial da derme. A hemostasia pode ser obtida por
eletrocoagulação. Normalmente a sutura não é necessária. Esse método traz maiores benefícios
23
aos pacientes que tenham grande número de lesões ou extensa área acometida, ou ainda, em casos
resistentes a outras formas de tratamento. (BRASIL 2001).
4.1.3- Lesões vegetantes do colo uterino
Na presença de lesão vegetante no colo uterino deve-se excluir a possibilidade de tratar-se de
uma neoplasia intra-epitelial antes de iniciar o tratamento. Estas pacientes devem ser referidas a
um serviço de colposcopia para diagnóstico diferencial e tratamento.(BRASIL, 2001).
24
4.2- Neoplasia intra-epitelial cervical (NIC)
O termo "atipia de células escamosas de significado indeterminado" (ASCUS) foi
introduzido, em 1988, pelo Sistema Bethesda de normatização para diagnóstico citológico
cervicovaginal. Esta categoria é empregada para indicar células escamosas com anormalidades
que não preenchem os critérios habitualmente encontrados em condições inflamatórias reativas,
pré-neoplásicas ou neoplásicas. (LIMA, 2002).
As lesões cervicais precursoras apresentam-se em graus evolutivos, do ponto de vista citohistopatológico, sendo classificadas de acordo com o sistema Bethesda, 1988, como neoplasia
intraepitelial cervical (NIC) de graus I (lesão de baixo grau), II e III (lesões de alto grau).
Bethesda foi o introdutor dos termos lesão intra-epitelial escamosa de baixo grau (Low Grade
Squamous Intraepithelial Lesion – LSIL) e lesões intraepiteliais de alto grau (High Grade
Squamous Intraepithelial Lesion – HSIL) e tem sido alvo de repetidas reuniões de reavaliação e
conseqüente aperfeiçoamento. Também incorporou no laudo citopatológico o relato das
limitações da amostra e sua adequação para avaliação oncótica. (LIMA, 2002).
O câncer do colo uterino invasor, em cerca de 90% dos casos, evolui a partir da NIC, mas
nem toda NIC progride para um processo invasor. Todas as NIC devem ser consideradas lesões
significativas e como tal devem ser tratadas. (BRASIL, 2000).
Pacientes com lesões intraepiteliais de alto grau (High Grade Squamous Intraepithelial
Lesion - HSIL) ou displasias moderada ou acentuada, ou carcinoma in situ NIC II ou NIC III,
devem ser referidos a serviço especializado para confirmação diagnóstica, afastar possibilidade
de carcinoma invasivo e realização de tratamento especializado. Os tratamentos ablativos são
efetivos mas o controle pós-tratamento é importante. O risco destas lesões progredirem para
carcinoma invasivo em pacientes imunocompetentes, após tratamento efetivo, é muito
baixo.(BRASIL, 2000).
25
4.2.1- Infecção subclínica pelo HPV na genitália externa (sem lesão macroscópica)
A infecção subclínica pelo HPV é mais freqüente do que as lesões macroscópicas, tanto
em homens quanto em mulheres. O diagnóstico, quase sempre, ocorre de forma indireta pela
observação de áreas que se tornam brancas após aplicação do ácido acético sob visão
colposcópica ou outras técnicas de magnificação, e que, biopsiadas, apresentam alterações
citológicas compatíveis com infecção pelo HPV.(BRASIL, 2001).
Podem ser encontradas em qualquer local da genitália masculina ou feminina. Todavia, a
aplicação de técnicas de magnificação e uso do ácido acético exclusivamente para rastreio da
infecção subclínica pelo HPV não é recomendável. A reação ao ácido acético não é um indicador
específico da infecção pelo HPV e, desta forma, muitos testes falso-positivos podem ser
encontrados em populações de baixo risco. Em situações especiais, alguns clínicos acham este
teste útil para identificar lesões planas pelo HPV. (BRASIL, 2000).
Na ausência de neoplasia intra-epitelial, não é recomendável tratar as lesões subclínicas
pelo HPV diagnosticadas por colpocitologia, colposcopia, biópsia, testes com ácido acético ou
testes de identificação do DNA viral. Freqüentemente seu diagnóstico é questionável, e nenhuma
terapia foi capaz de erradicar o vírus. O HPV foi identificado em áreas adjacentes a neoplasias
intra-epiteliais tratadas por laser e vaporizadas, com o objetivo de eliminar a infecção. (BRASIL,
2000).
Na presença de neoplasia intra-epitelial, o paciente deve ser referido a serviço
especializado e o tratamento será feito em função do grau da doença.(BRASIL, 2001).
Não existe um teste simples e prático para detectar a infecção subclínica pelo HPV. O uso
de preservativos pode reduzir a chance de transmissão do HPV para parceiros provavelmente não
infectados (novos parceiros). Não se sabe se a contagiosidade desta forma de infecção é igual à
das lesões exofíticas. (BRASIL, 1999).
26
4.2.2- Exames de Avaliação
• Ginecológico
• Citopatológico
• Colposcópico (BRASIL, 2001).
Considerando-se que 75% dos casos de NIC I (LSIL – Low Squamous Intra-epitelial
Lesion, isto é, lesão de baixo grau) não são confirmados no segundo exame, mesmo sem que
tenham sido tratados, orienta-se para tratar a infecção, a infestação ou a atrofia, se porventura
existirem, e manter o controle citopatológico e colposcópico. No INCA, as seguintes condutas
são seguidas: (BRASIL 2001).
• Exame citopatológico de NIC I que persiste por mais de um ano e está associado a colposcopia
sugestiva de NIC I: indicar cirurgia de alta freqüência (CAF).
• Exame citopatológico sugestivo de NIC I, mas colposcopia negativa: manter a mulher sob
controle citopatológico e colposcópico semestral.
• Dois controles citopatológicos e colposcópicos semestrais normais: passando-se ao exame
citopatológico anual.
• Dois controles citopatológicos anuais consecutivos normais: passando-se ao exame
colpocitológico tri-anual.(BRASIL, 1999).
4.2.3- Exames de confirmação diagnóstica
Constatadas alterações colposcópicas sugestivas de NIC, a CAF é realizada, de imediato e
ambulatorialmente na maioria das mulheres. Porém, nos casos de contra-indicações ou
impossibilidade técnica para a execução da CAF, outras técnicas diagnóstico-terapêuticas são
também utilizáveis, conforme o caso. (BRASIL, 2000).
27
4.2.4- O exame de papanicolau
O exame de Papanicolaou, também chamado de Prevenção do Câncer Ginecológico, foi
idealizado há muitos anos pelo cientista Geoge N. Papanicolaou. É um exame simples que tem
reduzido em 70% as mortes por câncer do colo do útero. Ele é realizado através da retirada das
células que descamam do colo uterino que ficam retidas no fundo da vagina. Após a colheita com
uma espátula, este esfregaço é preparado e corado em lâmina de vidro, para ser em seguida
examinado ao microscópio por um citopatologista que revelará se há algum indício de células
cancerosas (NETO; FOCCHI; BARACAT, 2001).
Como é um meio de diagnóstico indireto e interpretativo, pode apresentar resultados
falso-positivos e falso-negativos. É capaz de diagnosticar uma parcela das formas clínica e
subclínica, mas não a forma latente da infecção pelo HPV. Logo, é um método que possui as
vantagens de redução de 43% da incidência do câncer do colo do útero, redução de 46% da
mortalidade, baixo custo, tolerável pelas pacientes e fácil aplicação a grandes populações. Por
outro lado, o método apresenta baixa sensibilidade, grande quantidade de casos insatisfatórios e
limitados por razões técnicas e depende de treinamento de coleta, fixação preparo de
esfregaços.(RUSSOMANO, 2006).
28
5 - Câncer do colo do útero
Câncer é o nome dado a um conjunto de mais de 100 doenças que têm em comum o
crescimento desordenado (maligno) de células que invadem os tecidos e órgãos, podendo
espalhar-se (metástase) para outras regiões do corpo. Dividindo-se rapidamente, estas células
tendem a ser muito agressivas e incontroláveis, determinando a formação de tumores ou
neoplasias malignas. Os diferentes tipos de câncer correspondem aos vários tipos de células do
corpo (BRASIL, 2001).
Segundo dados da Organização Mundial de Saúde, a partir de 2020 estima-se no mundo o
diagnóstico de 15 milhões de novos casos de câncer ao ano. Mantidas as condições
socioculturais atuais, cerca de 70% desses tumores ocorrerão em países dos quais apenas 5%
possuem recursos para controle da doença. Aplicando-se o conhecimento científico que se
possui, poder-se-ia reduzir cerca de um quarto a incidência de todos os cânceres e curar a terça
parte deles, com a tecnologia atual. Com essas medidas, reduzir-se-ia a incidência da doença à
metade nos próximos 25 anos.(NETO 2001).
O câncer do colo do útero é uma doença crônica que pode ocorrer a partir de mudanças
intra-epiteliais e que podem, no período médio de 5 a 6 anos, se transformar em processo invasor.
Assim, a forma mais eficaz de controlar esse tipo de tumor é diagnosticar e tratar as lesões
precursoras (neoplasias intraepiteliais), e as lesões tumorais invasoras em seus estágios iniciais,
quando a cura é possível em praticamente 100% dos casos (BRASIL, 2000).
O Ministério da Saúde, por intermédio do INCA, seu órgão técnico e coordenador das
ações nacionais de prevenção e controle do câncer, e em conjunto com as secretarias estaduais e
municipais de saúde, desenvolve, desde 1997, o Programa Nacional de Controle do Câncer do
Colo do Útero. Este Programa estabelece as normas e recomendações básicas de prevenção,
detecção, diagnóstico e tratamento do câncer do colo uterino, para todo o Brasil. (BRASIL,
2005).
29
5.1- Fatores de risco para o câncer de colo de útero associados ao HPV
Vários fatores de risco têm sido associados com a presença de HPV. O maior deles é a
presença de doença intra-epitelial cervical e invasiva, desde que a taxa de detecção de DNA-HPV
se aproxima a 100% nessas lesões. A presença do vírus em uma população é determinada por
várias circunstâncias, alguns fatores aumentam o risco para a neoplasia, dentre os quais: os
hábitos sexuais, a imunossupressão, hábitos alimentares, contraceptivos orais, fumo e a gravidez.
5.1.1- Hábitos Sexuais
A maior taxa de HPV em exames ginecológicos de diferentes populações é na idade de 20
a 24 anos. A média etária das mulheres com neoplasias intra-epitelial cervical (NIC) está
diminuindo, demonstrando que o contágio com o vírus está sendo mais precoce. Howard et al
(1999 pág 245), cita que “mulheres que iniciaram sua vida sexual com idade de 20 anos ou
menos, o risco relativo de câncer foi de 2,55 vezes maior do que em mulheres que começaram
atividade sexual aos 21 ou mais”.
“O risco também aumenta, de acordo com o número de parceiros
sexuais, se a mulher tem cerca de três a cinco parceiros a chance de ter
uma lesão cervical aumenta em oito vezes, comparado com uma mulher
que tem um parceiro sexual e, se ela possuir mais de seis parceiros, a
probabilidade aumenta para 14,2 vezes”. (HOWARD 1999, pág 245).
5.1.2- Imunossupressão
Algumas populações têm risco aumentado para infecção por HPV, bem como as lesões
produzidas pelo vírus.
30
Tais populações incluem: transplantados renais, pacientes imunossuprimidos por outras
razões, em especial portadores do vírus HIV (Vírus da Imunodeficiência Humana). (HALBE,
2000).
A prevalência de infecção cervical em pacientes transplantadas, varia entre 20 a 45%, e
com condiloma genital, de 8 a 30%. Pacientes com transplante renal apresentam maior risco de
desenvolver lesões pré-cancerosas e invasoras de pele e trato genital (HALBE, 2000).
Pacientes positivas para HIV têm taxa maior de infecções e neoplasias associadas ao
HPV. A relação entre HIV e o HPV, é explicada através da diminuição da imunidade celular pelo
HIV, aumentando o risco de aquisição de infecção e/ou reativação do HPV. Contagem de células
T CD4 é um fator adicional a progressão da doença.(RUSSOMANO, 2006).
5.1.3- Hábitos alimentares
A displasia cervical é descrita em pacientes com deficiência de antioxidantes e ácido
fólico (HOWARD, 1999; HALBE, 2000; BRASIL, 2001).
Dados de experiências in vitro, em modelos de animais mostram que tratamento com
antioxidantes pode levar à eliminação do vírus ou regressão dos condilomas. (HALBE, 2000).
Em um estudo feito por Butteerworth apud HOWARD, (1999), pacientes com displasia
leve foram tratadas com suplementação de folato durante três meses. Após este período verificouse que as pacientes melhoraram significamente. Observou-se também que as mulheres desse
estudo que usaram anticoncepcionais orais por mais de seis meses apresentavam níveis de ácido
fólico baixo.
31
5.1.4- Contraceptivos orais
Trabalhos dizem que o uso de contraceptivos orais por um período longo pode estar
associado à neoplasia cervical apenas em mulheres HPV positivas. Os fatores hormonais podem
influenciar na transcrição do genoma do HPV, mas não existe no momento, nenhuma evidência
de cooperação direta entre os hormônios esteróides e infecção pelo HPV. (HALBE, 2000).
A presença de altos níveis de progesterona e estradiol podem sugerir uma predisposição à
transformação ou facilitar o aumento do tumor associado ao HPV (HALBE, 2000; PIRES e
GOUVÊA, 2001).
5.1.5- Fumo
A presença de carcinogênios químicos como a nicotina, fenóis, hidrocarbonetos, cotinine
e alcatrões, encontrados em altos níveis no muco cervical de mulheres tabagistas, é um dos
mecanismos na carcinogênese cervical, além de diminuir a imunidade local. (HALBE, 2000).
5.1.6- Gravidez
O número de cópias virais do HPV no colo do útero de mulheres grávidas é dez vezes
maior se comparados com o colo de mulheres não grávidas. Isso se deve à alta taxa de replicação
do vírus durante esse período, mas a incidência de neoplasia intra-epitelial cervical é baixa, já que
a maioria é portadora dos subtipos 6 e 11.(HALBE, 2000).
A existência do HPV na gravidez expõe o risco de transmissão ao feto e ao recém
nascido. Esse risco é aumentado em lesões exofíticas (verrugas), mas nota-se também a
transmissão em lesões subclínicas e latentes apresentadas em crianças com papilomatose
32
respiratória. A inoculação viral se dá durante o parto, através do contato do feto com o trato
genital materno (HALBE, 2000).
Um estudo publicado na Revista Brasileira de Cancerologia mostra que as pacientes que
apresentavam NIC I ou somente HPV, as células cervicais apresentavam configurações da
superfície, quase idênticas às células normais. Já pacientes portadoras do HPV 16 e 18,
apresentaram alterações morfológicas na superfície celular. Observou-se também, que isso não é
bastante para o desenvolvimento de uma configuração anormal, havendo outros fatores
associados (VILLA, 2006).
6- Vacina contra HPV – Prevenção
Nome: Vacina Quadrivalente para HPV
Fabricante: Merck Sharp & Dohme
Público-alvo: população feminina de 9 a 26 anos, antes do início da vida sexual
Doses: três (0, 2 e 6 meses)
Cada dose custa: R$ 550,00.
Eficiência: 100% de proteção contra verrugas e lesões pré-cancerosas causadas pelos subtipos 6,
11, 16 e 18 do HPV
Efeito colateral: dor de pequena intensidade e calor no local da aplicação. (BRASIL, 2006).
A vacina desenvolvida pela Merck Sharp & Dohme é a primeira a proteger contra o
câncer do colo de útero e contra outras doenças associadas ao HPV (papilomavírus humano). Isso
porque ela é quadrivalente, ou seja, protege contra quatro tipos do vírus – o 6, 11, 16 e 18 -, que
são responsáveis por 70% dos casos de câncer do colo de útero e por 90% das verrugas
genitais.(BRASIL, 2007).
O objetivo é justamente imunizá-las contra os quatro tipos de HPV antes do início da vida
sexual. A indicação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), no entanto, estendese a mulheres até os 26 anos. Estudos estão em andamento e, no futuro, a vacina poderá ser
indicada para adolescentes do sexo masculino, como já aconteceu no México, além de mulheres
acima dos 26 anos. Os homens transmitem o vírus e também desenvolvem doenças como
verrugas genitais, câncer de pênis e de ânus, enquanto as mulheres que já iniciaram sua vida
33
sexual podem ter tido contato com um ou dois dos tipos do vírus, mas com a vacina poderão se
proteger dos outros tipos.(BRASIL 2006).
Os estudos clínicos realizados durante cerca de cinco anos com a vacina quadrivalente
envolveram cerca de 30 mil mulheres em todo o mundo e mostraram uma eficácia de 100% com
três doses do produto. Até o momento já se sabe que ele mantém a proteção por cinco anos, mas
estão em andamento estudos para verificar sua durabilidade por uma década. (BRASIL, 2007).
Aprovada
pela
ANVISA,
a
vacina
quadrivalente
contra
o
HPV
já
está
sendo comercializada e pode ser encontrada nas principais clínicas de imunização do país. A
vacina deverá ser tomada em três doses – a segunda dois meses após a primeira e a terceira seis
meses após a primeira – nas principais clínicas de imunização, mediante recomendação do seu
médico.( BRASIL, 2007).
Tabela 2:Esquema de dosagem da vacina
Fonte: Merck Sharp & Dohme, 2006.
A vacina quadrivalente, recombinante contra o HPV (tipos 6, 11, 16 e 18), deve ser
administrada em injeção intramuscular na região deltóide do braço ou na área ântero-lateral
superior da coxa em 3 doses separadas de 0.5-mL.(BRASIL, 2007).
Se um cronograma de vacinação alternativo se fizer necessário, a segunda dose deve ser
administrada a pelo menos 1 mês da primeira dose e a terceira dose deve ser administrada a pelo
menos 3 meses da segunda dose.(BRASIL, 2007).
34
Em estudos clínicos, a eficácia, perfil de segurança e imunogenicidade da vacina
quadrivalente, recombinante contra o HPV (tipos 6, 11, 16 e 18), não foram afetados pelo uso
concomitante
de:
Analgésicos(11.9%),
Antibióticos(6.9%),
Remédios
antiinflamatórios
(9.5%),Vitaminas (4.3%). (BRASIL, 2007).
Em estudos clínicos, o uso dos seguintes medicamentos não mostrou afetar as
imunorrespostas para a vacina quadrivalente: Contraceptivos hormonais (57.5%) e Esteróides
(3.3%). (BRASIL, 2007).
6.1- Eficácia
Participaram de 4 estudos clínicos mundiais de fase II e III 20.845 mulheres jovens com 16 a 26
anos de idade As análises combinadas mostraram 100% de eficácia. (BRASIL, 2007).
Tabela 3:Eficácia da vacina
Fonte: MSD Brasil, 2006
O câncer cervical invasivo não pode ser usado como desfecho para estudos de eficácia de
vacinas contra o Papilomavírus Humano devido à importância de se empregar medidas de
35
prevenção secundárias. Portanto, os precursores imediatos, NIC 2/3 e AIS são os desfechos mais
apropriados. (BRASIL, 2007).
6.2- Resposta aos anticorpos
Em estudos, 99% de soroconversão com a vacina quadrivalente recombinante contra o HPV
(tipos 6,11,16 e 18) (BRASIL, 2007).
Tabela 4: Taxas de soroconversão:
Fonte: MSD Brasil, 2007.
Tabela 5:Resposta aos anticorpos do Papiloma Vírus Humano.
36
Fonte MSD Brasil, 2006.
Estudos baseados em registros de vigilância pós-vacinação realizados em diversos países,
com duração de pelo menos uma década, vão avaliar a duração da eficácia (desfechos, NIC 2/3 e
AIS) e segurança.(BRASIL, 2007).
Em estudos clínicos e controlado por placebo, 551 mulheres com idade de 16 a 23 anos
receberam a vacina quadrivalente, recombinante contra o HPV (tipos 6, 11, 16 e 18), ou placebo
na inscrição, mês 2 e mês 6. Todos os sujeitos se submeteram à sorologia anti-Papilomavírus
Humano Tipos 6, 11, 16 ou 18 em intervalos regulares por 3 anos Um subconjunto de 241
participantes foi estudado por um acompanhamento de 2 anos (meses 37-60). (BRASIL, 2007).
Mesmo mulheres com infecções atuais ou anteriores com um ou mais dos 4tipos de
Papilomavírus Humanos contidos na vacina (6, 11, 16 ou 18) ficaram protegidas contra os outros
tipos de Papilomavírus Humano nela contidos.(BRASIL, 2007).
Tabela 6:
73% das mulheres não tinham evidência de infecção anterior ou atual e, portanto, puderam se
beneficiar da vacinação contra todos os 4 tipos
27% das mulheres – mesmo aquelas com evidência de infecção atual ou anterior com um ou mais
dos 4 tipos da vacina – puderam se beneficiar da vacinação contra os outros tipos.(BRASIL,
2007).
6.3-Tolerabilidade
Tabela 7:
37
Fonte: MSD Brasil, 2007.
*115 dias pós-vacinação. † 15 dias pós-vacinação.
Dos indivíduos que tiveram reações no local da injeção, 94% avaliaram suas experiências
adversas como de intensidade leve ou moderada. Retiradas do estudo devido a eventos adversos
relacionados com a vacina foram de menos de 0.5%.(BRASIL, 2007).
Cientistas finlandeses comprovaram que a vacina que previne o câncer de colo de útero,
provocado pelo papilomavírus humano (HPV), tem eficácia para prevenir a doença e as lesões
pré-cancerosas em 90,4% dos casos. Dura no mínimo quatro anos e seis meses a proteção
oferecida por uma das vacinas contra o HPV, segundo artigo publicado na revista britânica The
Lancet. (BRASIL apud WESTIN; REUTERS, 2006).
Dirigido pela professora Jorma Paavonen, do Departamento de Ginecologia da
Universidade de Helsinque, a equipe de cientistas aplicou a vacina contra o HPV 16/18 em 9.258
mulheres e a vacina contra hepatite A em outras 9.267, todas elas infectadas com o papilomavírus
humano ou com algum grau de anormalidade citológica.(BRASIL apud WESTIN; REUTERS,
2006).
Após 15 meses, os pesquisadores descobriram que a vacina tem 90,4% de efetividade
contra uma neoplasia intra-epitelial cervical (NIC) grave - um transtorno no colo do útero
associado aos tipos 16 e 18 do HPV. Também verificaram que o nível de proteção obtido pela
vacina contra infecções persistentes do HPV 16/18 aos 6 e aos 12 meses é de 80,4% e de 75,9%,
respectivamente. (BRASIL, 2006)
38
Como se destaca no estudo, os resultados indicam que a vacina é efetiva e bem tolerada
em uma ampla população de mulheres, o que reforça seu valor potencial para prevenir o NIC e o
câncer de colo de útero.(BRASIL, 2006).
No Brasil, o ministro da Saúde José Gomes Temporão, descartou a inclusão da vacina
contra o HPV no calendário anual de vacinação do governo. “É um produto que só está registrado
em meia dúzia de países. Ainda não existe clareza sobre seus efeitos, principalmente a longo
prazo”, disse. (BRASIL, 2006).
Até então, não se sabia o tempo de efeito da vacina. O HPV é sexualmente transmissível e
tem a capacidade de provocar a mutação de certas células, o que leva à formação de
tumores.(BRASIL apud WESTIN; REUTERS, 2006).
O Instituto Nacional do Câncer (2007) calcula que o Brasil terá neste ano 19.260 casos
novos de câncer de colo do útero - o risco estimado é de 20 casos para cada grupo de 100 mil
mulheres. É o segundo tipo de câncer mais comum entre mulheres, atrás apenas do de mama.
O estudo mostrou que, quatro anos e meio depois de tomar a vacina, as mulheres ainda
tinham no organismo altos níveis de anticorpos contra o HPV-16 e o HPV-18, as variantes do
vírus mais associadas ao câncer. Foram acompanhadas 800 voluntárias - parte delas recebeu três
doses da vacina, outra parcela recebeu placebo. “Esse achado cria o cenário para a adoção em
grande escala da vacina contra o HPV como prevenção ao câncer de colo do útero”, afirmou a
pesquisadora Diane Harper, da Faculdade de Medicina de Dartmouth, em Hannover, nos Estados
Unidos, que conduziu a pesquisa.(BRASIL, 2006 pág 1).
A vacina em questão é o Cervarix, produzida pelo laboratório inglês GlaxoSmithKline.
Além disso, combateu infecções já existentes e protegeu as voluntárias contra outras variantes
comuns do vírus, como o HPV-45 e o HPV-31. Outra vacina contra o HPV tem duração de pelo
menos cinco anos. Esse resultado está prestes a ser publicado em outra revista científica, segundo
o oncologista brasileiro Ronaldo Lúcio Rangel Costa, que participa das pesquisas.(BRASIL,
2006).
39
O produto é do laboratório americano Merck e foi desenvolvido em parceria com o
Instituto Ludwig de Pesquisa sobre o Câncer. Os testes de duração da vacina estão sendo
realizados em 33 países, incluindo o Brasil. “É parecida com a vacina contra a hepatite. Por isso,
acreditamos que deva ter uma duração de dez anos”, afirma o oncologista Ronaldo Lúcio Rangel
Costa. (BRASIL, 2006, pág 2).
Uma pesquisa realizada na União Européia com mais de 1.500 mulheres e divulgada
ontem mostrou que apenas 5% delas sabem que o HPV causa o câncer de colo do útero.
Calcula-se que 630 milhões de pessoas no mundo, entre homens e mulheres, estejam infectados
por um dos cem tipos de HPV. (BRASIL, 2006).
6.4- Recomendações:
- Testes de Papanicolau ou programas de rastreamento do câncer cervical devem ser mantidos
mesmo após a vacinação com a vacina quadrivalente, recombinante contra o HPV (tipos 6, 11, 16
e 18).
- A vacina não vai proteger contra os tipos de Papilomavírus Humanos nela não incluídos
- Essa vacina não deve ser usada para o tratamento da doença ativa causada pelo Papilomavírus
Humano.
- A gravidez deve ser evitada durante o esquema de vacinação com a vacina;
- Como em todas as vacinas injetáveis, um tratamento médico apropriado deve estar sempre
disponível em caso de raras reações anafiláticas após sua administração.
- Indivíduos que desenvolverem sintomas indicativos de hipersensibilidade após receberem uma
dose da vacina quadrivalente, não devem receber as doses posteriores.
- Assim como em outras novas vacinas, a duração da imunidade é desconhecida, segundo o
laboratório fabricante da vacina.
40
7- Papel Do Enfermeiro e Educação em Saúde
A Enfermagem é uma profissão que possui significativo contingente de profissionais
atuando em diversos lugares e desenvolvendo as mais variadas funções dentro da área da
saúde.(BRASIL, 2004).
A atuação da Enfermagem no contexto brasileiro acontece na maioria das vezes sem que as
pessoas percebam o que realmente esses profissionais desenvolvem e qual é o seu potencial para
a implantação, manutenção e desenvolvimento de políticas de saúde tanto em nível curativo
quanto preventivo. Não se pode negar que a Enfermagem é o eixo principal para suportar
qualquer política de saúde que tenha como objetivo uma assistência de qualidade. (BRASIL,
2004).
No âmbito da saúde coletiva, alguns estudos têm identificado predomínio de ações de
caráter individual, principalmente de apoio ao atendimento médico (ALMEIDA et al, 1991).
Segundo Barbosa et al (2004, p.106) “os profissionais de enfermagem encontram emprego
na rede privada, mas, também, numa rede pública em expansão tanto em nível municipal quanto
em nível estadual”.
No entanto, os mesmos autores apontam que “para fazer frente à demanda da população, o
Estado e o Município contam com um efetivo de estabelecimentos de saúde e profissionais de
saúde ainda insuficiente” (NADAL; MANZIONE 2006 pág 3).
41
No Art. 1º do capítulo I do Código de Ética dos profissionais de enfermagem consta que:
“a Enfermagem é uma profissão comprometida com a saúde do ser humano e da coletividade.
Atua na promoção, proteção, recuperação da saúde e reabilitação das pessoas, respeitando os
preceitos éticos e legais” (BRASIL, 1995).
Segundo (EGRY et al, 1999; p. 150), “para a criação de novas práticas é preciso repensar
os processos de trabalho em saúde, na sua totalidade dinâmica; particularmente, o estudo dos
instrumentos de trabalho, empregado pelos enfermeiros em suas práticas proporcionaria
informações pertinentes para análise de sua adequação ao objeto e a sua finalidade”.
Neste sentido, BERTOLOZZI et al (1996) afirmam que ainda existe um grande caminho a
ser percorrido pelas enfermeiras, em conjunto com os demais trabalhadores da saúde, para a
consecução da saúde, conforme preconiza a Constituição Brasileira.
As formas com que as sociedades identificam e explicam seus problemas de saúde, bem
como o modo como se organizam para enfrentá-los variam historicamente e dependem de
determinantes estruturais, econômicos, políticos e ideológicos (PAIM, 2002).
Logicamente estes diferentes modos de viver e adoecer da população nas regiões
brasileiras, aliados à dimensão territorial do país e à diversidade sócio-econômica e cultural
aponta para a ocorrência de diferentes práticas de saúde e de enfermagem.(PAIM, 2002).
Deste modo, apreender as percepções dos gestores, gerentes e usuários é uma forma de se
conhecer o que vem sendo esperado e realizado pela equipe de enfermagem. Considera-se este
estudo de fundamental importância, à medida que contribui para a reestruturação dos serviços e,
consequentemente, para a melhoria da qualidade da assistência prestada em saúde
coletiva.(BARBOSA, et al 2004).
7.1-A consulta de enfermagem como uma prática educativa
A consulta de enfermagem é uma atividade que proporciona ao enfermeiro, condições
para atuar de forma direta e independente com o cliente caracterizando, dessa forma, sua
42
autonomia profissional. Essa atividade, por ser privativa do(a) enfermeiro(a), fornece subsídios
para a determinação do diagnóstico de enfermagem e elaboração do plano assistencial, servindo,
como meio para documentar sua prática.(CARDOSO, 2002).
Para Almeida e Rocha (2000, p.15) o enfermeiro é responsável pelo conjunto das ações
assistenciais que competem à enfermagem e o enfermeiro em saúde coletiva é o profissional que
visa a saúde coletiva, subordinando-se ás necessidades sociais dos indivíduos. "A concepção da
doença não é o fenômeno individual centrado no corpo doente, mas um fenômeno coletivo, tendo
a epidemiologia como um dos saberes fundamentais".
Através da consulta de enfermagem como um momento para o diálogo, enfermeira/cliente
podem definir metas e objetivos a serem atingidos, dentre eles, a melhoria no atendimento em
saúde. (CARDOSO, 2002).
7.2- Código de ética dos profissionais de enfermagem
Art. 1º - A Enfermagem é uma profissão comprometida com a saúde do ser humano e da
coletividade. Atua na promoção, proteção, recuperação da saúde e reabilitação das pessoas,
respeitando os preceitos éticos e legais.
Art. 2º - O profissional de Enfermagem participa, como integrante da sociedade, das ações que
visem satisfazer às necessidades de saúde da população.
Art. 3º - O profissional de Enfermagem respeita a vida, a dignidade e os direitos da pessoa
humana, em todo o seu ciclo vital, sem discriminação de qualquer natureza.
Art. 4º - O profissional de Enfermagem exerce suas atividades com justiça, competência,
responsabilidade e honestidade.
Art. 5º - O profissional de Enfermagem presta assistência a saúde visando a promoção do ser
humano como um todo.
43
Art. 6º - O profissional de Enfermagem exerce a profissão com autonomia, respeitando os
preceitos legais da enfermagem. (BRASIL, 2007).
7.3- Papel do Enfermeiro na política Nacional
Vale lembrar que a atenção básica em saúde caracteriza-se por ações individuais e
coletivas de promoção e proteção à saúde, de prevenção de doenças, de diagnóstico de problemas
de saúde, de tratamento, de reabilitação e de manutenção da saúde. Estas ações constituem fases
da assistência à saúde e são desenvolvidas com enfoque multiprofissional, através de atribuições
privativas ou compartilhadas entre os integrantes da equipe de saúde.(BRASIL, 2007).
No Brasil, a exemplo de países nos quais o exercício da enfermagem é regulamentado,
enfermeiros identificam problemas de saúde, solicitam exames complementares e prescrevem
medicamentos, mediante protocolos legalmente estabelecidos pelo Ministério da Saúde, gestores
estaduais, municipais ou do Distrito Federal, conforme previsão legal da Lei 7.498/86 e o Decreto
94.406/87. Tais práticas retratam uma mudança na prática convencional da assistência à saúde
por garantir a continuidade do atendimento ao usuário da saúde, bem como, os benefícios da
adesão ao tratamento necessário e por consolidar o papel do enfermeiro na equipe de atenção
básica à saúde. (BRASIL, 2007).
Mediante tais premissas, no dia 25 de abril de 2007, por iniciativa do Ministério da Saúde,
foi realizada uma reunião com a presença do Ministro da Saúde, do Conselho Nacional de
Secretários de Saúde, do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde, do Conselho
Federal de Enfermagem e do Conselho Federal de Medicina, buscando o entendimento quanto ao
dispositivo das atividades do enfermeiro e do médico na Política Nacional da Atenção Básica. No
encontro ficou acordada uma nova redação consensual ao anexo I, item 2, da Portaria GM
44
648/2006, reafirmando a importância do trabalho em equipe para garantir a assistência integral a
população, assim alterado: (BRASIL, 2007).
“Do Enfermeiro”:
I – realizar assistência integral aos indivíduos e famílias na Unidade de
Saúde da Família e, quando indicado ou necessário, no domicilio e/ou
nos demais espaços comunitários.
II – realizar consulta de enfermagem, solicitar exames complementares e
prescrever medicações, observadas as disposições legais da profissão e
conforme protocolos ou outras normativas técnicas estabelecidas pelo
Ministério da Saúde, gestores estaduais, municipais ou do Distrito
Federal.(...) (BRASIL, 2007).
45
8- Epidemiologia e Educação em saúde
Os números de óbitos e casos novos de câncer de colo do útero esperados para o ano 2001
em todo o país são, respectivamente, 3.725 e 16.270. Estes números esperados correspondem às
taxas brutas de mortalidade e incidência de 4,31/100.000 e 18,86/100.000, respectivamente. O
câncer do colo do útero continua a ser causa considerável de mortalidade no Brasil. Embora o
exame de Papanicolaou seja efetivo no diagnóstico precoce e na prevenção do câncer invasivo do
colo do útero, as taxas de mortalidade e incidência mantêm-se entre as mais elevadas entre os
tumores malignos que ocorrem nas mulheres brasileiras (BRASIL, 2001).
Como o vírus HPV é sexualmente transmissível, existem algumas práticas preventivas
para diminuir o risco de transmissão como: usar preservativo em toda relação sexual; manter
hábitos de higiene, como lavar os órgãos genitais antes e após as relações sexuais; não
compartilhar roupas íntimas e, mulheres devem realizar exames ginecológicos periodicamente. A
infecção pelo HPV é uma doença de notificação obrigatória, mas não compulsória como a
Hepatite B, AIDS e Sífilis congênita (BRASIL, 1999).
Os preservativos proporcionam uma barreira física que protege os pontos mais comuns de
infecção, mas não podem prevenir todo contato genital de pele com pele. No entanto, há algumas
evidências sugerindo que o uso regular do preservativo, aumente a taxa de curas de lesões
clínicas e subclínicas e, como se pensa que as verrugas visíveis são mais facilmente
transmissíveis que a infecção subclínica, seria apropriado aconselhar o uso da camisinha até que
46
as verrugas tenham desaparecido. O uso de preservativos é, contudo, recomendado,
particularmente com novos parceiros sexuais, para proteger contra outras DSTs (RUSSOMANO,
2006).
Existem no Brasil aproximadamente 5,7 milhões de mulheres de 35 a 49 anos (faixa de
idade em que mais ocorre a maioria dos casos positivos para o câncer de colo do útero) que nunca
fizeram o exame papanicolaou. O Ministério da Saúde vem realizando várias campanhas,
mostrando a importância dessas mulheres realizarem esse e outros exames, uma vez que a
maioria dessas mulheres tem vergonha de realizá-lo. (BRASIL, 2006).
O problema das Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST), inclusive o HPV, constitui
um desafio atual para a população e para as equipes de saúde e educação. No contexto das DST,
o conceito de saúde se reflete nas condições de acesso às informações mínimas (PASSOS 1999).
47
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Atualmente são conhecidos mais de 100 subtipos do papiloma vírus humano, 20 dos quais
podem infectar o trato genital. Estão divididos em 3 grupos, de acordo com seu potencial de
oncogenicidade. Os tipos de alto risco oncogênico, quando associados a outros co-fatores, tem
relação com o desenvolvimento das neoplasias intra-epiteliais e do câncer invasor do colo
uterino.
A presença do vírus em uma população é determinada por várias circunstâncias, como a
promiscuidade elevada, ausência de prevenção nas relações sexuais e falta de conhecimento, ou
conhecimento inadequado.
Alguns fatores aumentam o risco para a neoplasia, dentre os quais: os hábitos sexuais, a
imunossupressão, hábitos alimentares, contraceptivos orais, fumo e a gravidez.
O câncer do colo uterino invasor, em cerca de 90% dos casos, evolui a partir da NIC,
porém nem toda NIC progride para um processo invasor. Todas as NIC devem ser consideradas
lesões significativas e como tal devem ser tratadas.
O exame de prevenção ou Papanicolau é importante, pois detecta alterações do epitélio
cervical, pode ser diagnosticado quando há lesão para malignidade a tempo de ser tratada. Logo,
é um método que possui as vantagens de redução de 43% da incidência do câncer do colo do
48
útero, redução de 46% da mortalidade, baixo custo, tolerável pelas pacientes e fácil aplicação a
grandes populações.
As vacinas profiláticas evitam a infecção pelo HPV e suas doenças associadas e as
terapêuticas induzem a regressão das lesões pré-cancerosas e a remissão do câncer invasivo.
Determinam 100% de proteção contra a infecção pelos tipos específicos do HPV e impedem o
aparecimento de neoplasias intraepiteliais de alto grau até pelo menos 5 anos após a imunização.
As vacinas vêm mostrando maior efetividade quando administradas antes do início da
atividade sexual e as campanhas de vacinação deverão ter como alvo as mulheres adolescentes e
as pré-adolescentes. A vacina quadrivalente, que protege contra os tipos 6 e 11 (que causam cerca
de 90% das verrugas genitais) e 16 e 18 (que causam o câncer de colo uterino invasor), foi
desenvolvida pelo laboratório Merck Sharp & Dohme.
Uma mulher que já esteja infectada pelo HPV 16, por exemplo, se for vacinada, poderá
obter proteção contra os tipos 6, 11 e 18.
O Sistema Único de Saúde (SUS), ainda não adotou a vacina contra o HPV no calendário
anual de vacinação, e de acordo com o Ministro da Saúde, José Gomes Temporão, não se
conhece os efeitos da vacina a longo prazo.
O enfermeiro atua ativamente na coleta do material para exame colpocitológico, solicita
exames de acompanhamento e consultas de retorno. A consulta de enfermagem é uma atividade
que proporciona ao enfermeiro, condições para atuar de forma direta e independente com o
cliente caracterizando, dessa forma, sua autonomia profissional.
O enfermeiro deve atuar não só no tratamento, mais em fontes primárias como na
prevenção, educação e conscientização da população. Deve salientar a importância do uso do
preservativo, a diminuição da promiscuidade, ou seja, do número de parceiros sexuais e métodos
anticoncepcionais. Uma doença sexualmente transmissível, quando não tratada, pode levar à
morte.
A educação da população é o fator essencial para a adequada promoção da saúde. Além
de campanhas e palestras de esclarecimento e conscientização, são necessárias promoções de
49
saúde em geral, através da mídia impressa, campanhas publicitárias e programas educacionais
atingindo a população jovem.
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