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“DESCANSE EM PAZ, MEU ANJO”: AS PRÁTICAS DO LUTO NA
“DESCANSE EM PAZ, MEU ANJO”: AS PRÁTICAS DO LUTO NA REDE
SOCIAL DO ORKUT NO BRASIL (2004-2011)
Julia Massucheti Tomasi1
Resumo: Este trabalho, intitulado “Descanse em paz, meu anjo”: as práticas do luto na rede social
do Orkut no Brasil (2004-2011) procura analisar como em tempos de morte silenciada, o Orkut,
uma rede social de comunicação e relacionamento, tornou-se um ambiente para expressar e
compartilhar a dor e o sofrimento de enlutados, através de mensagens textuais e imagens. Nas
páginas da rede social do Orkut, após sua criação no ano de 2004, tanto nas comunidades como em
perfis pessoais, observa-se que os enlutados expressam virtualmente sua dor e sofrimento através de
imagens e mensagens, sendo estas visíveis e compartilhadas aos usuários de sua rede, podendo ser
amigos, familiares e até mesmo desconhecidos. Assim, uma das principais propostas deste trabalho
é a de compreender as novas formas de sociabilidade e as variadas relações e interações vivenciadas
pelos internautas no espaço virtual, além de esboçar a utilização das páginas da internet como um
documento para o campo da história. O trabalho também procura compreender por meio das
páginas do Orkut, analisadas como fontes de pesquisa, as relações e distinções entre essas novas
formas virtuais de expressar a dor causada pela morte do ente querido e a individualização da dor da
perda, característico do luto contemporâneo.
Palavras-chave: Rede de sociabilidade. Orkut. Luto. Rituais de morte. Contemporaneidade.
Introdução
Criar comunidades na rede social do Orkut para homenagear um ente falecido, parabenizar o
morto por seu aniversário e demonstrar dor e saudade nas páginas de recados de perfis pessoais de
falecidos são algumas das manifestações post-mortem encontradas na internet. Para muitos usuários
brasileiros do Orkut essas práticas ainda são desconhecidas, apesar de estarem presentes desde a
criação da rede de sociabilidade, no ano de 20042, o luto no espaço virtual é encontrado em diversos
perfis de usuários que já morreram ou comunidades criadas para homenageá-los.
A rede social do Orkut tornou-se um espaço virtual que possibilita ao enlutado manter
presente a memória do ente morto tanto nas comunidades como também nos perfis pessoais dos
falecidos. Observa-se que os enlutados expressam virtualmente seu pesar através de imagens e
1
Graduada em História pela Universidade do Estado de Santa Catarina (2010) e mestre em História pela mesma
instituição (2013). Atualmente é doutoranda em História pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Santa
Catarina (Brasil).
2
O Orkut foi criado em 24 de janeiro de 2004 por um ex-aluno da Universidade de Stantford, o engenheiro turco Orkut
Buyukokkten, e posteriormente lançado pelo Google (Barbosa, 2009b, p. 1). A rede social abrange perfis pessoais e
comunidades. No primeiro, acessado através de email e senha, é possível criar perfil com dados pessoais, preferências
do usuário, adicionar fotos e vídeos, procurar e selecionar amigos, visualizar perfis de outros usuários, enviar recados,
dentre outras opções. As comunidades têm a finalidade de discutir sobre determinados temas afins, podendo ser abertas
ao público ou acessadas apenas aos participantes. Nelas são encontradas informações gerais sobre a comunidade, como
apresentação, data de criação, quantidade de membros, além de possuir fóruns de discussões.
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mensagens, como através de lembrancinhas de morte, fotografias da sepultura do falecido, ou por
meio de recados deixados ao ente morto. Assim, o artigo procura compreender como em tempos de
morte interdita e introspectiva, o Orkut, uma rede social de comunicação e relacionamento, tornouse um ambiente para praticar rituais post-mortem.
O luto na contemporaneidade
Antes de explorar algumas reflexões acerca dos rituais post-mortem no Orkut, deve-se
compreender o luto. Palavra que carrega consigo sentido de dor e tristeza, o luto tem variados
significados, mas quando mencionado, é logo associado aos sentimentos de perda pela morte de
alguém. No decorrer da história, o luto foi vivenciado de diferentes formas. Na Idade Média, por
exemplo, o enlutado tinha que expressar sua dor da perda por determinado período, mesmo que esta
não estivesse mais presente, além das visitas constantes dos familiares e amigos. A partir do século
XIX, modificam-se essas formas de praticar o luto. Os enlutados passam a demonstrar o sofrimento
espontaneamente ou de modo histérico para os psicólogos de hoje: chora-se, desmaia-se, desfalecese e jejua-se, como ressalta Philippe Ariès (2003, p. 72).
Já a partir do século XX, em muitos países ocidentais, e principalmente nas zonas urbanas,
nota-se geralmente o luto isolado, individual, silenciado e sem o negro na vestimenta, presente
desde a Idade Moderna, no século XVI. Chorar na presença de familiares, amigos e vizinhos pode
parecer vergonhoso e deprimente para muitos. E a sociedade, que nos séculos passados, se fazia
presente após a morte, visitando e apoiando o enlutado, agora está em muitos casos distante, talvez
pelo medo de não saber expressar as condolências adequadas ou vergonha de mostrar a dor e as
lágrimas. Chora-se comumente em casa, porém não junto dos demais, e sim em um cômodo
escondido, longe do círculo familiar. Essa individualização da dor da perda acaba fazendo com que
a morte diga respeito apenas ao enlutado, que a vivencia desamparado.
No século XX, além das transformações post-mortem, como observado nas práticas do luto,
outros rituais funerários também sofreram alterações. A morte no século passado acabou sendo
“reprimida”, e a sociedade (como amigos e vizinhos) que anteriormente estava ao lado da família do
morto, se faz ausente em quase todas as práticas. Alguns poucos rituais ainda persistiram em
cidades do interior, como o toque dos sinos de morte e as práticas de encomendação ou missa de
corpo presente, porém a variedade antes existente, como realizar um cortejo fúnebre, foi na
expressão de José Rodrigues (2006, p. 163) negligenciada, transformando-se a morte e seus rituais
em verdadeiros tabus.
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Novos ritos fúnebres foram introduzidos nas grandes cidades ocidentais, a partir do século
XX. O morto é a partir de então, em muitos casos, maquiado, negligenciando seu aspecto e
aparência mórbida, através da toalete fúnebre, e o seu corpo, não mais velado na casa da família
durante 24 horas, pode agora ser exposto por algum tempo na funeral home, uma espécie de
hotelaria especializada em receber mortos (Ariès, 2003, p. 268). O mesmo ocorreu na arquitetura
dos cemitérios, como nos cemitérios jardins, também conhecidos como cemitérios parques, que
contiveram os traços mórbidos, dando a impressão ao visitante de estar em um jardim, sem a
presença das ornamentações como as esculturas, tão comuns nos cemitérios secularizados.
Quanto ao luto, durante a primeira metade do século XX, em algumas cidades brasileiras,
sobretudo do interior, este ainda era representado pela vestimenta preta3, pelas visitas e mensagens
de condolências de parentes e amigos e pelas intervenções na vida social (resguardo dentro de casa,
não podendo o enlutado, por exemplo, participar de festas), como observado na cidade de
Urussanga (SC) (Tomasi, 2010). Mas, em grande parte das cidades brasileiras, o luto vai sofrendo
transformações no decorrer do século passado. Entre as décadas de 1960 e 1970, o luto
gradualmente vai deixando de lado seu caráter público e interativo, sendo que a vestimenta, “como
sinônimo de dor cai em desuso” como enfatiza a socióloga Marisete Horochovski (2009, p. 12). E
no século XXI, a individualização da dor da perda pela morte faz parte da vivência de muitas
pessoas e o luto tornou-se em muitos casos um problema, quando não uma doença.
Contudo, contemporaneamente, uma nova forma em lidar com a perda se faz presente no
mundo virtual. As práticas do luto na internet, como deixar mensagens de pêsames ou páginas online recordando o ente falecido, são encontradas em sites de cemitérios on-line, desde a metade da
década de 1990. O MyCemetery.com4, criado no ano de 1994, nos Estados Unidos, é um exemplo
desses sites, composto por páginas com memoriais de pessoas mortas. Cada falecido possui um
espaço com informações gerais, como idade, biografia, nome completo, localidade que morava,
motivo da morte e datas de nascimento e falecimento. Os visitantes podem incluir uma fotografia do
morto, além de deixar mensagens, quase sempre demonstrando dor e saudade do falecido, como,
por exemplo, “Sentimos sua falta” e “Senhor, perdoa as nossas lágrimas, e me ajuda a entender”.
Outros cemitérios virtuais, como o Campa Virtual5, de Portugal e o Le Cimetière Virtuel6, da
França, possuem diversificadas práticas de luto. Os visitantes podem depositar flores e velas
3
Às vezes a cor preta não estava em toda a vestimenta, mas ao menos em alguma peça ou fita preta presa na roupa ou
no chapéu.
4
Portal My Cemetery: <http://www.mycemetery.com/my/index.html>. Acesso em: 10 maio. 2013.
5
Portal Campa Virtual: <http://www.campavirtual.com/>. Acesso em: 10 maio. 2013.
6
Portal Le Cimetière Virtuel: <http://www.lecimetiere.net/index.php>. Acesso em: 10 maio. 2013.
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virtuais7 nos espaços/memoriais de cada falecido, além das mensagens de saudade, bastante
frequentes nesses cemitérios on-line.
Já as práticas do luto nas redes de sociabilidade8, especificamente no Orkut, site aqui
analisado, tiveram início no Brasil após sua criação, no ano de 2004. Tais redes de relacionamento
virtual surgiram no século XXI, com as transformações presentes nas sociedades modernas, que
tornaram acessíveis conhecer grande número de pessoas, com interesses particulares, sem sair do
espaço doméstico ou do trabalho (Corrêa, 2004, p. 4).
As diversificadas experiências vivenciadas na rede de sociabilidade do Orkut
No Brasil, o acesso dos usuários a rede social do Orkut foi intenso nos últimos anos. Uma
pesquisa realizada no ano de 2009, sobre o uso das tecnologias da informação e da comunicação no
território nacional, assinalou que o país liderava o número de internautas utilizando sites de
relacionamento no mundo, sendo o Orkut, o mais utilizado (Barbosa, 2009a, p. 249). A pesquisa,
que teve como base 9.747 entrevistados brasileiros que utilizaram a Internet em três meses do ano
de 2009, apontou que a maior porcentagem dos usuários desses sites encontrava-se na área rural, na
região nordeste do Brasil e possuía o nível fundamental de instrução. Quanto ao sexo e a faixa
etária, os dados informaram que as mulheres eram as que mais utilizavam os sites de
relacionamento, sendo as idades de 16 aos 24 anos as mais encontradas.
Percebe-se por meio dos dados, que a internet, na figura da rede social, faz parte do
cotidiano de muitos brasileiros, possibilitando novas relações sociais e assumindo “papéis
diversificados, conforme o contexto de seus usuários” (Peruzzo et al, 2007, p. 456). Essas
comunidades virtuais, segundo o filósofo Pierre Lévy, são construídas a partir de uma infinidade de
interesses e conhecimentos, através de projetos mútuos, em um processo de troca ou cooperação e
acima de tudo, independente da proximidade geográfica e das filiações institucionais. A
comunicação por meio das comunidades virtuais não substitui “pura e simplesmente os encontros
físicos: na maior parte do tempo, é um complemento ou um adicional” (Lévy, 1999, p. 127-128).
Já o sociólogo Manuel Castells, ao abordar o surgimento das novas formas de sociabilidade
virtual, ressalta algumas questões. Entre elas podem-se destacar os perigos da comunicação em
rede, o isolamento social do indivíduo, a ruptura da comunicação social e da vida familiar e o
7
Para depositar as flores e velas virtuais, os visitantes necessitam adquiri-las nos sites, variando o valor dos produtos,
conforme o cemitério. As velas costumam “apagar” e as flores “murchar” virtualmente depois de sete dias on-line.
8
Além da rede social do Orkut estão, por exemplo, a Facebook, criada no ano de 2004 e Twitter e MySpace, ambas
criadas no ano de 2006.
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desempenho de fantasias on-line. Muitas vezes, os indivíduos vivem realidades virtuais, fugindo do
mundo real, sendo “difícil chegar a uma conclusão definitiva sobre os efeitos que a rede pode ter
sobre o grau de sociabilidade” (Castells, 2004, p. 154).
Na rede social do Orkut são vivenciadas variadas experiências, como reencontros com
amigos e parentes distantes há anos, namoros virtuais9 ou novas amizades. Além da vida, a morte
também está presente no Orkut: perfis pessoais de falecidos que permanecem on-line na rede ou
comunidades criadas para homenagear um morto, são experiências encontradas.
Com mensagens de pêsames e lembrancinhas da missa de sétimo dia: as práticas do luto nos
perfis pessoais de falecidos
Breves pesquisas no Orkut são suficientes para encontrar uma grande quantidade de perfis
de pessoas mortas. Usuários falecidos continuam “vivos” em seus perfis pessoais e são bastante
numerosos, somando no ano de 2008 perto de um milhão10, conforme contabiliza a jornalista Talita
Sales (2008). Após a morte, muitos familiares e amigos do falecido decidem pela exclusão do seu
perfil11, mas outros permanecem on-line na rede. Muitas destas páginas pessoais continuam intactas
durante anos, sem alterações nos perfis, com fotos do falecido, lembrete de aniversário de
nascimento e os recados deixados antes e após a morte, como se o falecido ainda sobrevivesse12. No
entanto, como bem sintetiza Afonso de Albuquerque (2007, p. 7) aquela pessoa “não existe mais,
seus amigos não podem mais contar com ela; seus planos perderam, de súbito, todo o sentido. Os
mortos orkutianos permanecem congelados em um eterno presente desprovidos de futuro”.
Contudo, muitas pessoas que possuem acesso a senha do falecido, principalmente parentes
do morto, atualizam o perfil, comunicando o falecimento, como uma filha, que informa sobre a
morte do pai: “Desculpem sou a filha do [...]13, e venho dar uma má noticia....como todos sabem
meu pai estava muito doente mas infelizmente ele veio a falecer no domingo com parada
respíratória e infarto. venhos a vcs com muita tristeza dar essa noticia....”14. A data e o horário do
sepultamento também são comunicados aos visitantes do perfil pessoal do morto: “Sou o Tio da
9
Para saber mais sobre os namoros virtuais ver (Silva; Takeuti, 2010).
Em agosto do mesmo ano, os usuários do Orkut no Brasil chegavam a 40 milhões.
11
Para a exclusão de um perfil pessoal de falecido, o Orkut exige “[...] o envio de um formulário online, disponível na
página do Orkut, no qual conste o verdadeiro nome do falecido, o link do perfil e o atestado de óbito digitalizado. Após
três dias úteis a empresa entra em contato.” (Diário Catarinense, 2010b, p. 10).
12
Muitos familiares e amigos não possuem acesso a senha do usuário falecido, o que motiva a inalterabilidade dos
dados do perfil pessoal.
13
Os nomes e os rostos das pessoas foram retirados para preservar a identidade.
14
Fragmento
extraído
do
perfil
pessoal
do
falecido.
Disponível
em
<http://www.orkut.com.br/Main#Profile?uid=8150338412269499492>. Acesso em: 16 maio. 2013.
10
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[...].. comunico que ela encontra-se na morada do ceu, nesse dia 23/08 ela partiu desse mundo.
Enterro sera amanha 24/08 - 9h”15. Além dos casos expostos acima, parte dos perfis com
informativos da morte refere-se apenas ao motivo e/ou data do falecimento: “Nascido em
19/09/1990 Falecido em 15/01/2009 as 8:55 am [Acidente de moto na rod. D. Pedro I –
Campinas”16.
Nessas atualizações do perfil do morto, com informes sobre o falecimento, as práticas do
luto, como palavras que expressam tristeza são pouco encontradas. Mas em outros espaços presente
nesses perfis, o luto é bastante presente, como percebe-se através das páginas de recados. Muitos
mortos continuam recebendo mensagens de amigos, familiares e até de desconhecidos durante
algum tempo após o falecimento17. Nos primeiros meses após a morte, os recados são assíduos e
expressam sentimentos de dor. Em alguns perfis, os recados informam o dia, horário e local das
missas em intenção ao morto, como de sétimo dia ou meses e anos da data de morte. Em outros
casos, os visitantes, em especial parentes ou amigos do morto, comunicam quase que mensalmente
sobre as novidades ocorridas em sua vida, como oportunidades de emprego, sucesso profissional,
vitória do time que o falecido torcia, estado de saúde e especialmente, a dor causada pela morte, que
os acompanha no dia a dia.
Diversas mulheres que perderam seus companheiros compartilham o seu pesar nessas
páginas de recados do Orkut, como observado na mensagem a seguir:
Ele se foi pra junto de DEUS, e do nosso mestre JESUS ... AMOR TE AMO PRA
SEMPRE ... QUE SAUDADESSSSSS .... Fiquei 23 anos da minha vida com vc , hj não
sem mais viver sinto sua falta em tudo que faço pois sempre estavamos juntosss, me de
forças pra viver sem vc ... eu sempre vou te amar em cada despedida EU VOU TE AMAR
.... Falecido em 12 de Setembro de 2009 , no dia que faríamos 23 anos de casado ... 18.
Mas as mensagens mais comumente encontradas nas páginas de recados dos perfis de
mortos são as enviadas em datas especiais, como aniversário de nascimento, meses e anos do dia de
falecimento, além das datas comemorativas, como natal, dia das crianças, dos pais e das mães.
Nesses recados aos mortos, as palavras dos enlutados costumam ser comoventes e emocionadas,
como nos exemplos abaixo:
15
Perfil do falecido disponível em: <http://www.orkut.com.br/Main#FullProfile?rl=pcb&uid=5818123586053091167>.
Acesso em: 16 maio. 2013
16
Perfil do falecido disponível em: <http://www.orkut.com.br/Main#Profile?uid=11065327512588306709>. Acesso
em: 16 maio. 2013
17
Percebeu-se em pesquisas nos perfis pessoais de falecidos que as mensagens de saudades são enviadas principalmente
no primeiro ano de falecimento. Após esse período, apenas familiares e amigos próximos que continuam remetendo
esses recados.
18
Recado disponível em: <http://www.orkut.com.br/Main#FullProfile?rl=pcb&uid=322601191288429913>. Acesso
em: 16 maio. 2013
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Só para te contar..ontem, fiz um bolo pra vc e cantei parabéns lá na casa de santa cruz com
as crianças da casa, foi muito bom, contei de vc pra elas...Afinal de contas o céu está em
festa né?? sei q vc vive m outro lugar!!! te amo muitas saudades (20 de setembro de
2006)19.
Infelizmente mais um natal sem você, mas o que me conforta é saber que estais ao lado de
Deus e que estais bem. S A U D A D E S... (23 de dezembro de 2008)20.
Meu Anjo......dois meses sem te ver sem te ouvir sem essa sua alegria como vc faz falta aki
q saudade de vc......... (14 de maio de 2010)21.
Hoje o céu está em festa, é seu aniversário!Hoje foi um dia duro, todos lembraram de você
e tristemente não cantamos o "parabéns pra você" Mas sei que onde você esteja, está
melhor porque está próxima a Deus!!!Restaram saudades e lembraças!!!!Bjs... (17 de
agosto de 2010)22.
Observou-se, a partir dessa pesquisa preliminar realizada nas páginas de recados de perfis
pessoais de mortos, variadas expressões de luto. Além das mensagens textuais, as imagens também
são encontradas nesses perfis. Os álbuns de fotos23 tornam-se espaços onde os enlutados expressam
o pesar. As fotografias inseridas pela pessoa, antes de seu falecimento, geram comentários postmortem bastante comoventes, visto que a imagem caracteriza-se pelo modo de aprisionar a
realidade, isto é, de fazê-la parar no tempo. Como bem resume Susan Sontag “Não se pode possuir
a realidade, mas pode-se possuir imagens.” (2004, p. 180). Assim, a fotografia do ente morto acaba
por congelar aquele momento ali exposto, remontando lembranças do tempo em que este ainda
vivia, visto a imagem estar substancialmente ligada à emoção, sendo “a primeira o recipiente da
segunda, confundindo-se”, como destaca Mauro Koury (2002).
Imagens também são compartilhadas pelos familiares e amigos após a morte da pessoa,
sendo algumas caracterizadas pela particularidade, como fotografias da sepultura do falecido e as
lembrancinhas de morte, também conhecidas por cartão de recordação e lembrancinha da missa de
sétimo dia. Neste cartão, o conteúdo é bastante diversificado, possuindo informações, como por
exemplo, nome completo do ente, data de nascimento e morte, fotos do falecido, frases que
“sintetizem” o que o morto foi em vida, poesias, fragmentos bíblicos e imagens sacras (como de
cristo e santos).
As comunidades relacionadas com o tema da morte no Orkut
19
Recado disponível em: <http://www.orkut.com.br/Main#Profile?uid=1658905819520114036>. Acesso em: 16 maio.
2013.
20
Recado disponível em: <http://www.orkut.com.br/Main#Profile?uid=13626803598938524930>. Acesso em: 16
maio. 2013.
21
Recado disponível em: <http://www.orkut.com.br/Main#Profile?uid=6282299063552209094>. Acesso em: 16 maio.
2013.
22
Recado disponível em: <http://www.orkut.com.br/Main#Profile?uid=4856316073369943664>. Acesso em: 16 maio.
2013.
23
No perfil pessoal da rede social do Orkut, o usuário tem a opção de inserir fotografias e imagens através de álbuns.
Cada foto possui um espaço para comentários dos visitantes da página.
7
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Além das páginas de perfis pessoais dos falecidos, comunidades relacionadas aos mortos
também são encontradas na rede social do Orkut. Criadas para homenagear mortos, protestar contra
mortes trágicas, divulgar perfis de falecidos ou simplesmente debater a temática da morte através de
fóruns de discussões, essas comunidades englobam desde enlutados pela perda de um ente até
“caçadores” de perfis de pessoas mortas.
As comunidades com o propósito de homenagear, podem ser criadas em intenção de
diversos falecidos, como as mortes trágicas, exemplificadas pelas comunidades “Vôo AF 447 –
Luto”24, em intenção as 228 vítimas do desastre aéreo do dia 01 de junho de 2009- vôo Rio de
Janeiro - Paris e “Luto - Jovens de Luziânia”25, criada no dia 12 de abril de 2010, em homenagem a
seis meninos assassinados na cidade de Luziânia, Goiás.
Mas parte expressiva dessas “comunidades homenagens” é criada para uma determinada
pessoa, seja ídolo, familiar ou amigo. Essas comunidades, como “Adeus Michael Jackson
[LUTO]”26, possuem, frequentemente, informações sobre a vida do falecido e mensagens de dor e
saudade nos fóruns de discussões. Algumas delas são criadas logo após a morte, outras depois de
meses ou anos do falecimento, como se observa em uma comunidade criada em 7 de novembro de
2004, para homenagear um jovem do sexo masculino, que morreu no ano de 200027.
Nessas comunidades em homenagem ao falecido, também são encontrados tópicos com
mensagens de pais enlutados. Estes demonstram sua dor intensa e contínua, conforme exposto no
exemplo a seguir, na mensagem de uma mãe, que após nove anos da perda do filho, descreve em
algumas frases seu sofrimento, dando a sua dor diversos adjetivos como infinita, interminável,
dolorida, insuportável e eterna:
Meu filho, meu amor, uma das minhas vidas...Meu filho, são nove anos sem a sua presença
física nas nossas vidas...como queria que estivesse aqui vivenciando tudo, [...]Mas filho,
sinto muito a sua falta, a vontade de te abraçar, de sentir o aperto do teu abraço...é uma dor
infinita, interminável, constante...sei que muitas vezes preocupo as pessoas que estão à
minha volta, mas sei que elas tentam entender a minha dor... que é dolorida, insuportável,
eterna, prá sempre...amo vc com todo o meu ser...receba o meu carinho, o meu beijo de
coração, o meu abraço apertado, e saiba que um dia estaremos todos juntos num só lugar,
fechando o nosso ciclo de amor, de família, de união, de paz, de luz...te amo
eternamente...receba o meu colo, o meu amor...beijos da mãe da Terra que muito te
ama....[...]” (08/08/09)28
Algumas dessas comunidades em homenagens a um falecido também apresentam caráter de
protesto, como de uma mulher de 19 anos, que foi assassinada no ano de 2002. A comunidade
24
Disponível em: <http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=90566521>. Acesso em: 16 maio. 2013
Disponível em: <http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=100635191>. Acesso em: 16 maio. 2013
26
Disponível em: <http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=81003873>. Acesso em: 16 maio. 2013
27
Disponível em: <http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=700286>. Acesso em: 16 maio. 2013
28
Mensagem disponível em: <http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=700286>. Acesso em: 16 maio. 2013
25
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informa o local, a data e o horário do julgamento do único suspeito de tê-la matado29. Crimes que
tiveram repercussão nacional, como o caso da menina Isabella Oliveira Nardoni, morta no ano de
2008, acabou promovendo a criação de mais de duzentas comunidades protestando e
homenageando, como “Justiça Para Isabella Nardoni”30.
Além das comunidades para homenagear e protestar, são encontradas no Orkut comunidades
criadas para divulgar e pesquisar perfis pessoais de falecidos, que promovem nos seus fóruns de
discussões debates sobre morte e mortos. A “PGM - Profiles de Gente Morta”31 é uma das
comunidade mais antigas e com a maior quantidade de membros relacionadas com perfis de mortos.
Criada no dia 23 de dezembro de 2004, por Guilherme Dorta (analista de sistemas), possui
atualmente mais de 84 mil membros, alguns deles verdadeiros “caçadores” de perfis de gente morta.
Essa comunidade tem o propósito de anunciar através de seus tópicos de discussões, perfis
de falecidos, e diariamente é grande o número de novos tópicos, chegando alguns dias a ter mais de
cinquenta deles informando novos perfis de mortos32. O link da página do perfil do falecido, a causa
da morte, a idade que possuía, nome completo, data de falecimento, cidade onde morava e
reportagens de jornais on-line sobre a morte são os principais dados disponibilizados pelos
membros da comunidade, além das mensagens de condolências, como as siglas R.I.P (requiescat in
pace) e D.E.P (descanse em paz). Esses perfis de falecidos são divulgados por diversos integrantes
da comunidade, alguns parentes e amigos do morto, outros verdadeiros perseguidores de perfis de
mortos, que postam diariamente novos links de falecidos, como pode-se observar nos seus fóruns de
discussões.
Outras comunidades como “†Orkut perfil de gente morta†”33, “Se eu morrer, meu orkut
fica!”34 e “Se eu morrer me enterre na PGM”35 possuem finalidades semelhantes a descrita acima,
com tópicos criados para publicizar perfis de pessoas mortas ou discutir temáticas relacionadas a
morte. Essas comunidades tornaram-se foco de reportagem jornalística, com diversas matérias online e impressas, como encontrada no jornal Diário Catarinense, de 15 de julho de 2010a: “Outro
exemplo é a Se eu morrer me enterre na PGM, numa referência a Profiles de Gente Morta (PGM),
possivelmente a maior comunidade, com mais de 73 mil integrantes. O objetivo está estampado no
nome: pesquisar perfis de usuários que já morreram.”
29
Disponível em: <http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=1469961>. Acesso em: 16 maio. 2013
Disponível em: <http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=48631793>. Acesso em: 16 maio. 2013
31
Disponível em: <http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=993780>. Acesso em: 16 maio. 2013
32
Segundo a jornalista Talita Sales (2008) a “„PGM‟ é uma espécie de sucessora torta dos obituários dos jornais”.
33
Disponível em: <http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=6901251. Acesso em: 16 maio. 2013
34
Disponível em: <http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=9646612. Acesso em: 16 maio. 2013.
35
Disponível em: <http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=10490889. Acesso em: 16 maio. 2013.
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Seminário Internacional Fazendo Gênero 10 (Anais Eletrônicos), Florianópolis, 2012. ISSN 2179-510X
Considerações finais
Enfim, percebeu-se com esta exposição sobre o luto no Orkut, que muitos enlutados vêem o
perfil pessoal do falecido e as comunidades como espaços para demonstrar a dor causado pela
morte, por meio de mensagens textuais, como encontrado nos recados e fóruns de discussões e
através das imagens. Dessa forma, como explicar que em tempos de morte silenciada e interdita,
onde as práticas do luto são individualizadas, o Orkut, uma rede social de comunicação e
relacionamento, se tornou um ambiente para expressar a dor de enlutados? Será que fatores como a
falta de tempo e o intenso ritmo de vida da sociedade no século XXI, que impedem um enlutado de
ir ao velório ou cemitério; ou falar da morte com familiares e amigos virtualmente é menos
doloroso, visto que não se tem um contato direto, “no qual sentimentos podem emergir sem controle
e não se saber como lidar” (Peruzzo et al 2007, p. 454), são estimuladores para demonstrar a dor da
perda em ambientes virtuais?
No momento, uma das únicas constatações que ficam evidentes é que a rede social do Orkut
tornou-se um meio do enlutado compartilhar e expressar sua perda, sendo que para alguns, as
fotografias ou mensagens deixadas pelo morto, ainda em vida, podem ajudá-los a enfrentar o
sofrimento, mas para outros enlutados, podem ocasionar uma tristeza ainda maior. Como esclarece
Regina Szylit Bousso, líder do Núcleo Interdisciplinar de Pesquisa em Perdas e Luto da USP,
“Alguns de nós irão guardar fotos na carteira para lembrar da pessoa que se foi. Outros preferem se
desfazer dos pertences e ir uma vez por ano no cemitério. O importante é achar um lugar nas nossas
vidas para aquela pessoa que se foi” (Ikeda, 2010).
Em síntese, observou-se que muitos enlutados vêem na rede de sociabilidade do Orkut, um
ambiente para recordar e preservar a memória do falecido, sendo que seu sofrimento é demonstrado
principalmente pelas mensagens virtuais, que sintetizam a constante dor da perda em algumas
palavras ao ente querido.
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"Rest in peace, my angel": mourning practices in the social network Orkut in Brazil (20042011)
Abstract: This work, entitled "Rest in peace, my angel": mourning practices in the social network
Orkut in Brazil (2004-2011) seeks to analyze how in times of death silenced, Orkut, a social
network of communication and relationship became an ambience to express and share pain and
suffering of mourners through text messages and images. In Orkut pages, after created in 2004, in
communities and personal profiles we can note that mourners express virtually their pain and
suffering through images and messages, which are shared and visible to users of their network,
including friends, family and even strangers. Thus, a key proposal of this work is to understand the
new forms of sociability and the varied relationships and interactions experienced by Internet users
in virtual space, in addition to outlining the use of websites as a document to the field of history,
emphasizing on research implications through the online documents. The study also seeks to
understand through the pages of Orkut, analyzed as research sources, the relationships and
distinctions between these new virtual ways to express the pain caused by death of their loved one
and the individualization of the pain of loss, typical contemporary mourning.
Keywords: Sociality network. Orkut. Mourning. Death rites. Contemporaneity.
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Seminário Internacional Fazendo Gênero 10 (Anais Eletrônicos), Florianópolis, 2012. ISSN 2179-510X
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