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guia do young icca sobre secretários arbitrais
INTERNATIONAL COUNCIL FOR
COMMERCIAL ARBITRATION
GUIA DO YOUNG ICCA SOBRE SECRETÁRIOS
ARBITRAIS
RELATÓRIO DO ICCA NO. 1
O ICCA tem o prazer de apresentar a série de
Relatórios do ICCA na esperança que esses
trabalhos ocasionais, preparados pelos grupos
de interesse e grupos de projetos do ICCA, irão
estimular a discussão e o debate.
INTERNATIONAL COUNCIL FOR
COMMERCIAL ARBITRATION
GUIA DO YOUNG ICCA SOBRE SECRETÁRIOS
ARBITRAIS
RELATÓRIO DO ICCA NO. 1
Traduzido para Português por:
FLAVIA FOZ MANGE
GUSTAVO SANTOS KULESZA
RAFAEL BITTENCOURT SILVA
RAFAEL VICENTE SOARES
www.arbitration-icca.org
www.youngicca.org
Publicado pelo International Council for Commercial Arbitration
<www.arbitration-icca.org>
Todos os direitos reservados.
© 2014 International Council for Commercial Arbitration
© Todos os direitos reservados. O International Council for Commercial Arbitration
(ICCA) gostaria de encorajar o uso deste Guia para promoção da arbitragem. Dessa
forma, é permitido reproduzir ou copiar este Guia, contanto que o Guia seja
reproduzido fielmente, sem alterações e num contexto que não leve a interpretações
errôneas, e contanto que a autoria e os direitos de copyright sejam claramente
creditados ao ICCA.
Para informações adicionais, por favor nos contate no [email protected]
Lista de Contribuidores
Niuscha Bassiri
Hanotiau & van den Berg
Sócia
Christopher Bloch
Michael Hwang Chambers
Associado
Leilah Bruton
Freshfields Bruckhaus Deringer LLP
Associado sênior
Joshua Fellenbaum
Debevoise & Plimpton LLP
Associado
Ulrike Gantenberg
Heuking Kühn Lüer Wojtek
Sócio
L Andrew S. Riccio
Assouline & Berlowe, P.A.
Associado
Garth Schofield
Permanent Court of Arbitration
Consultor Jurídico
v
Prefácio
Guillermo Aguilar-Alvarez
Eu revisei o Guia do Young ICCA sobre Secretários Arbitrais com admiração. O Guia
reflete o cuidadoso esforço dos jovens advogados para codificar as melhores práticas
existentes. Fundamentado por duas pesquisas conduzidas pelo Grupo de Trabalho do
Young ICCA em 2012 e 2013, o Guia e seu Comentário também demonstram de forma
clara as áreas de consenso e controvérsia.
Como deveria, o Guia foca na transparência, no consentimento das partes e na
alocação eficiente de custos. Não se discute que um secretário arbitral devidamente
indicado, supervisionado e diligente irá contribuir para manter o procedimento arbitral
organizado e dentro do cronograma. Também é verdade que a economia de custos
alcançada com o uso apropriado de um secretário arbitral independente beneficiará as
partes.
Não surpreendentemente, a área de maior desentendimento fica com a natureza das
tarefas designadas ao secretário arbitral. Amplamente baseada nos resultados de
pesquisas realizadas em 2012 e 2013, o Artigo 3 do Guia prevê que “com direção
apropriada e supervisão” dos árbitros, o papel dos secretários administrativos “pode
legitimamente ir além de meramente administrativo”. O parágrafo 2 do Artigo 3
continua listando os tipos de atividades que o secretário arbitral pode desempenhar. A
lista abrange um espectro de questões meramente “administrativas” até “redação de
partes apropriadas da sentença”. De forma previsível, as tarefas de caráter mais
controverso são a pesquisa de questões fáticas1 (Artigo 3(2)(f)); “revisar as
manifestações das partes e provas, redigir cronologias e memorandos resumindo as
alegações e provas das partes”2 (Artigo 3(2)(h)); e “redigir partes apropriadas da
sentença” (Artigo 3(2)(j)). O Comentário, no entanto, imediatamente traz
esclarecimentos práticos: o árbitro não deve confiar apenas nas pesquisas de questões
fáticas feitas pelo secretário (Comentário ao Artigo 3(2)(f)) e o tribunal certamente não
deve se eximir de revisar as alegações e provas das partes (Comentário ao Artigo
3(2)(h)). Com relação à sentença, embora o Guia não contenha restrições expressas, o
cuidado milita em favor da interpretação do Comentário ao Artigo 3(2)(j) de modo a
limitar o papel do secretário na preparação da primeira minuta do histórico
processual/fático e narração das posições das partes. Assim aplicado, o Comentário ao
Guia pode contribuir para concretização dos benefícios de um suporte administrativo
relevante e que não comprometa a integridade das funções do árbitro.
1.
2.
Com base em menos de metade dos entrevistados na Pesquisa 2013.
Com base em menos de metade dos entrevistados tanto em 2012 como em 2013.
vii
THE ICCA REPORTS
Assim como outros exemplos de soft law, não há dúvida que um debate certamente
surgirá sobre a força do Guia do Young ICCA sobre Secretários Arbitrais quando a
arbitragem é regida por regulamentos institucionais e pela praxe. A publicação do Guia
deve, mesmo assim, ser aplaudida por uma razão adicional. A associação do Young
ICCA com esse projeto ressalta a necessidade de se reconhecer a importância da
indicação de secretários como uma inestimável ferramenta de treinamento. Assim
como assessores no Judiciário, a indicação de secretários permite aos jovens advogados
uma oportunidade única de se poder discernir quando a advocacia encontra a
persuasão.
viii
Índice
LISTA DE CONTRIBUIDORES
v
PREFÁCIO, Guillermo Aguilar-Alvarez
vii
ÍNDICE
ix
1. Introdução ao Projeto
1
2. Melhores Práticas para Indicação e Uso de Secretários Arbitrais
6
Artigo 1. Princípios Gerais para Indicação e Uso de Secretários Arbitrais
Comentários ao Artigo 1
Artigo 2. Nomeação de Secretários Arbitrais
Comentários ao Artigo 2
Artigo 3. Função do Secretário Arbitral
Comentários ao Artigo 3
Artigo 4. Custos
Comentários ao Artigo 4
6
6
8
9
12
13
17
17
3. Modelo para a Indicação e Uso do Secretário Arbitral
20
4. Bibliografia
21
ANEXOS
ANEXO A - “Secretários Arbitrais”, Constantie Partasides, Niuscha
Bassiri, Ulrike Gantenberg, Leilah Bruton, and Andrew Riccio
(Republicado do International Commercial Arbitration -The Coming
of a New Age? ICCA Congress Series no. 17, pp. 327-368)
25
ANEXO B - Resultados da Pesquisa de 2012
59
ANEXO C - Resultados da Pesquisa de 2013
73
ANEXO D - Melhores Práticas do Young ICCA para Indicação e Uso
de Secretários Arbitrais (Sem Comentários)
91
ix
Guia do Young ICCA
sobre Secretários Arbitrais
1. Introdução ao Projeto
As razões para o uso do secretário arbitral são inúmeras e em geral relacionadas entre
si. Com o crescimento da popularidade da arbitragem internacional como mecanismo
de solução de disputas, os casos tornaram-se em geral mais complexos e os valores em
disputa cresceram. Os árbitros usualmente relatam o significativo número de medidas
processuais (e.g., medidas cautelares, disputas sobre requisição de produção de
documentos e pedidos de terceiros), os quais levam a mais argumentos processuais
entre os advogados, mais decisões processuais e cautelares e, por fim, mais nuances
processuais. Ademais, as equipes de advogados cresceram e as alegações das partes são
mais volumosas. Para lidar com esses desenvolvimentos, as partes frequentemente
buscam árbitros mais requisitados e com experiência em lidar com maiores
complexidades processuais e substantivas, levando a uma maior demanda nas agendas
desses árbitros e os tirando dos escritórios por longos períodos. Por último, os árbitros
reagiram ao aumento da complexidade e natureza adversarial das arbitragens modernas
com a produção de sentenças mais detalhadas e endereçando toda potencial questão
para proteger de potenciais questionamentos. Essa adicional complexidade e volume
nas petições levaram os tribunais arbitrais a empregarem assistentes na forma de
secretários do tribunal.
Tradicionalmente concebidos para ocupar um papel administrativo, tornou-se cada
vez mais comum que os secretários arbitrais assumam muitas tarefas além das
meramente administrativas para auxiliar o tribunal na gestão da arbitragem.
Quando empregados adequadamente, os secretários arbitrais podem auxiliar o
tribunal na execução do seu mandato com maior eficiência e efetividade. No entanto,
quando empregados de forma inapropriada (e.g., sem o consentimento das partes ou a
apropriada supervisão do tribunal arbitral), o uso do secretário arbitral pode minar a
legitimidade do procedimento arbitral. Assegurar que o secretário arbitral é utilizado
apropriadamente é um passo importante para encorajar o uso efetivo do secretário
arbitral e proteger a integridade do procedimento arbitral.
Dado o potencial benefício em eficiência e economia de custos que um secretário
arbitral pode trazer ao processo arbitral, o Grupo de Trabalho sobre Indicação e Uso de
Secretários Arbitrais do Young ICCA (o “Grupo de Trabalho”) foi formado para
analisar a utilização de secretários arbitrais e incentivar uma abordagem mais
transparente e robusta do papel dos secretários na arbitragem.
O Grupo de Trabalho utilizou, como ponto de partida, o trabalho preparado para o
Congresso do ICCA de 2012 em Singapura, ocasião em que um painel composto por
Constantine Partasides, Niuscha Bassiri e Ulrike Gantenberg apresentou quatro
questões relacionadas ao uso do secretário arbitral: (1) Deve-se utilizar um secretário
arbitral? (2) Qual deve ser o papel do secretário arbitral? (3) Quem deve atuar como
secretário arbitral? e (4) Como o secretário arbitral deve ser remunerado? O painel
1
THE ICCA REPORTS
desenvolveu uma pesquisa antecipada ao Congresso (a “Pesquisa 2012”)1 que foi
enviada para uma seleção ampla de advogados, usuários e prestadores de serviço de
arbitragem internacional.
(a)
(b)
(c)
(d)
Em relação à primeira questão, o resultado da Pesquisa de 20122 indicou uma
esmagadora aprovação do uso do secretário arbitral por 95,0% dos entrevistados.
Em relação à segunda questão, a Pesquisa 2012 identificou tarefas específicas
variando de administrativas (e.g., organização de reuniões e audiências com as
partes) a não-administrativas (e.g., redação de toda ou parte da sentença) e pediu
aos participantes para escolherem tarefas que eles entendessem apropriadas para
serem desenvolvidas pelo secretário arbitral. Os entrevistados, como esperado,
indicaram apoio à ideia de utilização dos secretários arbitrais para
desempenharem inúmeras tarefas administrativas como: organizar reuniões e
audiências com as partes (88,2%); manejar correspondência e provas (79,6%); e
relembrar as partes de reuniões e prazos (74,2%). No entanto, os resultados
indicaram um declínio no apoio quando as tarefas propostas passam de tarefas
meramente administrativas para tarefas envolvendo análise e tomada de decisões
– e.g., desenvolver pesquisa jurídica para o tribunal arbitral (68,8%); redigir
ordens processuais (60,2%); comunicações com as partes em nome do tribunal
arbitral (57,0%); comunicação com a instituição (54,8%); redigir partes da
sentença (45,2%) e analisar as alegações das partes (38,7%).
Em relação à terceira questão, de forma não surpreendente, o advogado júnior
recebeu o maior suporte como tendo o perfil ideal para atuar como secretário
arbitral (89,8%). A proposição do secretário de escritório ou assistente pessoal
recebeu o menor apoio, com apenas um voto. A proposição do trainee,
advogado experiente e jovem árbitro receberam quase o mesmo número de
votos (aproximadamente 26,0% cada). Na questão oposta, qual o perfil que não
deve ter o secretário arbitral, os participantes da pesquisa foram
majoritariamente contra o secretário do escritório ou assistente pessoal (81,1%).
Os paralegais (48,9%) e estudantes de direito/advogados em treinamento
(43,3%) também foram os menos favorecidos pelos participantes. Em
consonância com a resposta à pergunta positiva, o advogado júnior recebeu a
menor quantidade de votos para o perfil que o secretário não deveria ter (4,0%).
Em relação à quarta questão, a maioria das respostas foi a favor de as partes
pagarem os custos do secretário arbitral (62,1%), tendo o presidente/árbitro
único (22,1%) ou o tribunal como um todo (30,5%) recebido menos votos.
1. Anexo B, pp. 46-59.
2. A Pesquisa de 2012 permitiu que os participantes dessem mais de uma resposta para várias questões.
Assim, as percentagens reportadas não necessariamente somam 100% porque elas são baseadas no
número de votos por categoria. Durante as Pesquisas de 2012 e 2013, permitiu-se aos participantes que
pulassem questões. Nesse documento, “participante(s)” refere-se à todas as pessoas que participaram
em alguma das Pesquisas, enquanto “entrevistado(s)” refere-se ao participante ou participantes que
responderam uma questão particular.
2
GUIA DO YOUNG ICCA SOBRE SECRETÁRIOS ARBITRAIS
(e)
Finalmente, a Pesquisa de 2012 concluiu perguntando aos participantes se o
procedimento arbitral seria beneficiado por maior regulação do papel e das
funções dos secretários arbitrais. A maioria (57,4%) favoreceu a regulamentação
e, quando questionada que forma a regulamentação deveria ter (na premissa de
que o processo arbitral de fato se beneficiaria de maior regulamentação do
secretário arbitral), uma esmagadora maioria das respostas recebidas (78,5%) foi
em favor de diretrizes de melhores práticas em oposição, por exemplo, a alguma
forma de anexo vinculante aos regulamentos arbitrais institucionais (13,8%).
Após o Congresso do ICCA de 2012 e o interesse evidente da comunidade arbitral
no tópico, o ICCA convidou o Young ICCA para assumir esse projeto e, por fim,
desenvolver diretrizes para a indicação e uso de secretários arbitrais.
Uma pesquisa adicional foi desenvolvida para complementar a Pesquisa de 2012 em
um número de itens fundamentais (e.g., as tarefas apropriadas para o secretário arbitral,
procedimentos de impugnação e remuneração) para desenvolver um melhor
entendimento da visão atual sobre uso do secretário arbitral. Aproximadamente 100
arbitralistas internacionais, acadêmicos, representantes de instituições arbitrais e
usuários participaram da segunda pesquisa (a “Pesquisa de 2013”).3 O que segue é um
breve resumo dos resultados da Pesquisa de 2013.
(a)
(b)
(c)
A maioria esmagadora dos entrevistados (75,0%) acredita que um secretário
arbitral deve ser admitido para prática do direito em pelo menos uma jurisdição,
mas a maioria rejeitou o requerimento de um nível mínimo de experiência após
a graduação (57,1%). Dos que foram a favor de um nível mínimo de experiência
após a graduação, 26,2% favoreceu um ano, 38,1% favoreceu dois anos e 21,4%
favoreceu três anos. A maioria dos entrevistados na Pesquisa de 2013 indicou
que não deve existir um nível máximo de experiência após a qualificação
(93,4%).
Mais de 94,0% dos entrevistados concorda que o tribunal arbitral deve propor a
indicação de um secretário arbitral e que o tribunal deve nomear o secretário
(81,3%). Embora o ônus seja do tribunal, a maioria esmagadora dos
entrevistados concorda (76,9%) que deve ser requerido o consentimento das
partes para a nomeação de um secretário arbitral. Os entrevistados também
indicaram seu apoio para exigir que o secretário que submeta uma declaração de
independência e imparcialidade (83,5%).
A Pesquisa de 2013 perguntou especificamente questões relacionadas às tarefas
que o secretário deve poder desempenhar. As tarefas administrativas receberam
um apoio esmagador. No entanto, os números começam a mudar drasticamente
quando as tarefas vislumbradas tornam-se mais substanciais. Por exemplo, os
entrevistados votaram 95,6% a favor de o secretário arbitral organizar reuniões e
3. Anexo C, pp. 60-76.
3
THE ICCA REPORTS
(d)
audiências. No entanto, quando indagados se o secretário arbitral deve participar
das deliberações do tribunal, 83,5% dos entrevistados votaram contra.
Por fim, a Pesquisa de 2013 endereçou a questão dos custos e remuneração do
secretário arbitral. Em geral, contrário aos resultados da Pesquisa de 2012, a
maioria dos entrevistados favoreceu a proposição de que o tribunal arque com os
custos do secretário arbitral (60,5%). A maioria indicou ainda a preferência de
que o secretário arbitral seja remunerado pelas horas trabalhadas (64%), ao invés
de um valor fixo (36%). Embora não tenha havido maioria em qualquer opção,
se o secretário arbitral for remunerado pelas horas trabalhadas, a margem de
remuneração apoiada pela maioria dos entrevistados (50,2%) estava entre US$
125 e US$ 225 por hora.
As duas Pesquisas foram revisadas e analisadas em profundidade pelo Grupo de
Trabalho. Em conjunto com a pesquisa do Grupo de Trabalho sobre a prática moderna
da questão ora em discussão, as Pesquisas embasaram o conteúdo deste Guia, cuja
intenção é melhor representar a visão atual da comunidade arbitral internacional sobre
secretários arbitrais e como eles podem ser mais bem utilizados pelo tribunal arbitral de
maneira mais transparente e eficaz.
Os membros do Grupo de Trabalho foram selecionados para fornecer ao projeto um
espectro de experiências, mas o critério principal na seleção dos representantes foi a
experiência significativa na atuação como secretário arbitral ou no assessoramento a
tribunais arbitrais de dentro de uma instituição arbitral. Em conjunto, os membros do
Grupo de Trabalho atuaram como secretários arbitrais em mais de 90 arbitragens
envolvendo casos ad hoc com base nas regras da UNCITRAL, assim como casos
institucionais com base nos regulamentos de inúmeras instituições incluindo a
American Arbitration Association International Center for Dispute Resolution (“AAAICDR”), o Belgian Centre for Arbitration and Mediation (“CEPANI”), o Cairo
Regional Centre for International Commercial Arbitration (“CRCICA”), o Dubai
International Arbitration Centre (“DIAC”), a Câmara de Comércio Internacional
(“CCI”), o International Centre for the Settlement of Investment Disputes (“ICSID”), a
London Court of International Arbitration (“LCIA”), o Stockholm Chamber of
Commerce (“SCC”), o Singapore International Arbitration Centre (“SIAC”), e a
Permanent Court of Arbitration (“PCA”). O Grupo de Trabalho contou com
representantes das tradições de civil law e common law, assim como profissionais com
experiência em uma diversidade geográfica, com membros com atuação atual ou prévia
na América do Norte, Europa e região da Ásia-Pacífico. Ademais, membros
representando tanto escritórios de advocacia como instituições, com formação
acadêmica significativa no campo da arbitragem internacional. Os membros do Grupo
de Trabalho são: Niuscha Bassiri, Hanotiau & van den Berg, Sócia; Christopher Bloch,
Michael Hwang Chambers, Associado; Leilah Bruton, Freshfields Bruckhaus Deringer
LLP, Associada Sênior; Joshua Fellenbaum, Debevoise & Plimpton LLP, Associado;
Ulrike Gantenberg, Heuking Kühn Lüer Wojtek, Sócio; L Andrew S. Riccio, Assouline
& Berlowe, P.A., Associado; e Garth Schofield, Permanent Court of Arbitration,
4
GUIA DO YOUNG ICCA SOBRE SECRETÁRIOS ARBITRAIS
Consultor Jurídico. Todos os membros do Grupo de Trabalho participaram na sua
capacidade pessoal e as suas visões expressas no presente documento não
necessariamente representam as visões das instituições e escritórios de advocacia a que
eles estão afiliados.
5
THE ICCA REPORTS
2.
Melhores Práticas para Indicação e Uso de Secretários Arbitrais
Artigo 1. Princípios Gerais para Indicação e Uso de Secretários Arbitrais
(1)
(2)
(3)
(4)
(5)
(6)
Um secretário arbitral deve ser indicado para auxiliar o tribunal arbitral quando
este considerar que tal indicação irá ajudá-lo na resolução da disputa de uma
maneira eficaz e eficiente.
Um secretário arbitral somente pode ser indicado com a ciência e consentimento
das partes.
Um tribunal arbitral deve notificar as partes sobre sua intenção de indicar um
secretário arbitral na primeira oportunidade.
Deve ser responsabilidade de cada árbitro não delegar qualquer parte do seu
mandato pessoal para qualquer outra pessoa, incluindo o secretário arbitral.
Deve ser responsabilidade do tribunal arbitral a seleção apropriada e a
supervisão do secretário arbitral.
Quando uma arbitragem for um procedimento regido por um regulamento
arbitral institucional, qualquer regra ou política da instituição relacionada a
secretários arbitrais será aplicável.
Comentários ao Artigo 1
Artigo 1(1):
A utilização de um secretário arbitral tem o potencial não apenas de agregar valor ao
procedimento arbitral com a economia de custos e redução de tempo, mas também de
melhorar a qualidade do trabalho do tribunal arbitral, assistindo o tribunal a entender
melhor os fatos e fundamentos jurídicos da disputa. Fica claro das respostas coletadas
na Pesquisa de 2012 que existe em geral um enorme apoio (95,0%) para a utilização de
um secretário arbitral. A decisão sobre indicar um secretário arbitral deve ser tomada
pelo tribunal arbitral, quando este considerar necessário para a eficaz e eficiente
resolução da disputa em questão.
Artigo 1(2):
Foram trazidas preocupações em diversos fóruns (e.g. no Congresso do ICCA de 2012
em Singapura) de que alguns árbitros são habitualmente assistidos por secretários
arbitrais sem qualquer processo formal de indicação ou, em algumas circunstâncias,
sem a identificação destes assistentes para as partes. Para promover transparência e
proteger a legitimidade do processo da arbitragem internacional, esta prática deve ser
evitada.
Na Pesquisa de 2012, uma maioria avassaladora de respostas foram também a favor
do consentimento das partes (72,4%) com uma minoria das respostas afirmando que o
requerimento do consentimento depende se: o regulamento eleito exige o
consentimento (13,3%); o secretário arbitral irá também participar da audiência e/ou de
6
GUIA DO YOUNG ICCA SOBRE SECRETÁRIOS ARBITRAIS
reuniões (6,1%); ou o secretário arbitral irá contatar as partes diretamente (2,0%). Em
resposta a uma versão reformulada da questão, a maioria das respostas na Pesquisa de
2013 concordou que o tribunal arbitral não deve ser autorizado a utilizar um secretário
arbitral na ausência de uma indicação formal e da ciência das partes (74,7%) e que o
consentimento das partes deve ser obtido antes da indicação do secretário arbitral
(76,9%), independentemente dos seus deveres e responsabilidade. Finalmente, as
respostas da Pesquisa de 2013 também confirmaram (75,8%) o requerimento de que as
partes consintam com a nomeação de um candidato a secretário arbitral, antes que ele
ou ela seja indicado.
Artigo 1(3):
Na maioria dos casos, quando não existe um procedimento de indicação (veja
comentário ao Artigo 1(6), abaixo), um tribunal arbitral deve informar as partes da sua
intenção de indicar um secretário arbitral na primeira oportunidade para tanto, a fim de
possibilitar às partes que submetam qualquer potencial objeção sem atrasar
indevidamente o processo arbitral.
Um tribunal arbitral deve objetivar concluir a indicação de um secretário arbitral no
final da reunião processual inicial (ou se não for conduzida uma reunião formal, antes
da prolação da primeira ordem processual). No caso de uma arbitragem CCI, a
indicação de um secretário arbitral deve idealmente ser acordada antes e os termos
desta indicação devem ser incluídos na Ata de Missão. Se a necessidade de um
secretário arbitral se tornar aparente apenas em um estágio posterior do processo
arbitral, então sua indicação deve ser notificada às partes e, assumindo que nenhuma
objeção seja feita, concluída na primeira oportunidade do tribunal arbitral.
Artigo 1(4):
A razão mais comum para oposição à utilização de um secretário arbitral é que o
mandato do árbitro é intuitu personae (“conforme a pessoa”) e que qualquer utilização
de secretário arbitral que vá além de atos administrativos puros, arrisca derrogar do
árbitro responsabilidade pessoal. De fato, das respostas que se opuseram à utilização de
secretário arbitral na Pesquisa de 2012, 80,0% apresentou como principal razão para
sua objeção a potencial “[d]errogação da responsabilidade do árbitro”, quando a
alternativa a esta opção era em razão de “custos”. Qualquer árbitro que indique um
secretário precisa, portanto, fazer isso apropriadamente e com grande cuidado para não
delegar parte do seu poder de decisão de uma maneira que o mandato do árbitro se
diluiria. A questão sobre quais tarefas podem ser apropriadamente delegadas para um
secretário arbitral é abordada em mais detalhes no Artigo 3.
Artigo 1(5):
Apesar de poder existir o risco de “diluir o mandato” quando se indica um secretário
arbitral, o Grupo de Trabalho considerou o fato de que 95,0% dos entrevistados
apoiaram a utilização de secretários arbitrais como um sinal de que existe uma
aceitação significante dentro da comunidade arbitral de que este risco é compensado
7
THE ICCA REPORTS
pelos benefícios inerentes à utilização de secretários arbitrais. Para minimizar os riscos,
contudo, o tribunal arbitral deve assegurar um controle firme das tarefas confiadas ao
secretário arbitral e supervisionar de perto as responsabilidades do secretário arbitral.
Enquanto 55,2% dos entrevistados na Pesquisa de 2012 indicaram que o secretário
arbitral deve ser controlado pelo presidente, 44,8% dos restantes indicaram que todo o
tribunal arbitral está em controle do secretário arbitral. O Grupo de Trabalho acredita
que, enquanto é prática comum que o secretário arbitral seja selecionado do escritório
ou organização do presidente, os benefícios associados ao uso do secretário arbitral
serão promovidos se ele ou ela for controlado pelo, e receba apoio do, tribunal arbitral
como um todo.
Artigo 1(6):
Não é usual que as instituições arbitrais possuam um processo formal de indicação de
um secretário arbitral e, portanto, na grande maioria das arbitragens internacionais a
indicação de um secretário arbitral continua sendo uma questão para o tribunal arbitral.
O Grupo de Trabalho nota que a Netherlands Arbitration Institute (“NAI”) possui um
processo formal para indicação de secretários arbitrais a pedido do tribunal arbitral para
desempenhar certas atividades sob a responsabilidade dos árbitros. O Grupo de
Trabalho também nota que, no contexto de arbitragens Investidor-Estado, o ICSID
indica os seus consultores jurídicos para desempenhar funções de secretário arbitral,
questão que está prevista em suas Regras e Regulamentações, e que a PCA prevê que
os seus consultores jurídicos desempenhem a função de secretário arbitral, trabalhando
às vezes ao lado do secretário externo ou assistente indicado pelo tribunal arbitral.
Apesar de este Guia ter a intenção de ser aplicado a qualquer situação na qual o
secretário arbitral é indicado, os regulamentos, procedimentos e políticas adotadas
pelas instituições arbitrais relevantes devem ter preferência e, portanto, este Guia pode
ser utilizado quando existirem lacunas.
Artigo 2. Nomeação de Secretários Arbitrais
(1)
O tribunal arbitral pode sugerir às partes a nomeação de um secretário arbitral. A
seleção de um candidato adequado deverá ser feita a critério do tribunal arbitral,
levando em consideração todas as circunstâncias do caso.
(2)
O tribunal arbitral deverá propor um candidato para o cargo de secretário arbitral
e fornecerá às partes seu curriculum vitae, incluindo todo histórico educacional
e profissional relevante, bem como sua experiência atuando como secretário
arbitral. O tribunal arbitral deve também divulgar a nacionalidade de qualquer
candidato a ser nomeado.
(3)
O tribunal arbitral deve confirmar às partes que o candidato proposto para
secretário arbitral é independente, imparcial e isento de quaisquer conflitos de
interesse. O tribunal arbitral notificará as partes se as circunstâncias de
independência e imparcialidade do secretário arbitral mudarem, ou se um
conflito de interesses surgir no curso da arbitragem.
8
GUIA DO YOUNG ICCA SOBRE SECRETÁRIOS ARBITRAIS
(4)
(5)
(6)
(7)
(8)
Deve-se garantir às partes a oportunidade de impugnar a nomeação do secretário
arbitral. A impugnação deve ser acompanhada de razões que justificam a recusa.
O tribunal arbitral julgará a impugnação, a não ser que a instituição que
administra o procedimental arbitral tenha regras específicas a esse respeito.
Caso não sejam feitas impugnações, ou o tribunal arbitral as julgue
improcedentes, a nomeação definitiva do secretário arbitral pode ser feita pelo
tribunal arbitral.
As partes devem acordar a mesma imunidade ao secretário arbitral que é
conferida ao tribunal arbitral.
O secretário arbitral está sujeito às mesmas obrigações de confidencialidade e
privacidade às quais se submete o tribunal arbitral.
Comentários ao Artigo 2
Artigo 2(1):
O tribunal arbitral está na melhor posição para: (i) determinar se seria apropriada a
nomeação de um secretário arbitral para um caso; e (ii) considerar potenciais
candidatos e indicar algum para a nomeação. Dada a ampla gama de casos submetidos
à arbitragem internacional, os fatos e as circunstâncias de cada caso podem solicitar a
nomeação de um secretário arbitral com um conjunto adequado de habilidades ou
experiência prática. Na escolha de um candidato, o tribunal deve contrapor as
complexidades e problemas de cada caso com a experiência e as qualificações do
candidato.
Na Pesquisa de 2012, 89,8% dos entrevistados foi a favor da nomeação de
advogados juniores como secretários de arbitragem, enquanto 26,5% se posicionou a
favor de advogados experientes e 25,5% favoreceu jovens árbitros.
No entanto, existe um apoio claro para não se estabelecer um limite para o nível de
experiência após a graduação de um secretário arbitral. A Pesquisa de 2013 revelou
uma preferência por secretários arbitrais que tenham sido admitidos para a prática da
advocacia em pelo menos uma jurisdição (75,8%), mas os entrevistados rejeitaram a
ideia de um nível mínimo ou máximo de experiência após a graduação (57,1% /
93,4%). Assim, a comunidade da arbitragem internacional é a favor de um conjunto de
potenciais candidatos que não se limita aos jovens advogados, mas esse conjunto de
potenciais candidatos dependerá de todas as circunstâncias do caso.
Trainees em geral podem assumir as responsabilidades de um secretário arbitral,
mas o tribunal arbitral deve considerar a experiência de cada candidato, bem como o
papel previsto para o secretário no caso em questão. Deve-se considerar que a natureza
e a duração dos contratos de experiência podem apresentar dificuldades ao uso de
trainees como secretários arbitrais, mas, semelhante à rotação de funcionários no
judiciário dos Estados Unidos, é possível que um secretário arbitral seja substituído por
outro candidato qualificado durante o curso de uma arbitragem, desde que haja uma
transição adequada e organizada, e que não se incorra em custos adicionais. O uso de
9
THE ICCA REPORTS
estudantes de direito, paralegais e assistentes pessoais para atuação como secretários
arbitrais traz dificuldades adicionais, e os árbitros devem se assegurar que as tarefas
atribuídas a um secretário arbitral são condizentes com seu nível de experiência. Na
Pesquisa de 2012, 81,1% dos entrevistados consideram secretários de escritório ou
assistentes pessoais como candidatos inadequados para o papel de secretário arbitral,
enquanto assistentes jurídicos (48,9%) e estudantes de direito/trainees (43,3%) também
foram considerados candidatos inadequados por um número considerável de
entrevistados.
Artigo 2(2):
É fundamental que as partes sejam devidamente informadas a fim de tomar uma
decisão sobre a idoneidade de um candidato em particular. A exigência de que o
tribunal arbitral forneça o curriculum vitae de um candidato antes de sua nomeação
como secretário deve abranger quaisquer dúvidas que as partes possam ter em relação a
potenciais conflitos de interesse. Os entrevistados na Pesquisa de 2013 indicaram apoio
significativo à apresentação do curriculum vitae de cada candidato (73,4%). Na
Pesquisa de 2012, a maioria dos entrevistados afirmou que o secretário arbitral deve
fornecer às partes as mesmas informações que os árbitros. (52,6%). Portanto, se as
regras aplicáveis ou o regulamento da instituição arbitral requerem que os árbitros
realizem revelações adicionais ou específicas, os mesmos requisitos de revelação
devem ser cumpridos pelo secretário arbitral.
Artigo 2(3):
Apesar de não ser praxe ou costume a exigência de que um tribunal arbitral confirme
que um secretário arbitral é independente, imparcial e livre de quaisquer conflitos de
interesse, considerando-se os deveres e responsabilidade de um secretário arbitral na
arbitragem internacional moderna, é importante assegurar sua independência e
imparcialidade ao longo do procedimento arbitral. É também no interesse de toda a
comunidade da arbitragem internacional remover fontes de tensão entre as partes e o
tribunal, e disponibilizar diretrizes para guiar potenciais objeções das partes aos
secretários arbitrais. Embora apenas 55,1% dos entrevistados da Pesquisa de 2012
terem respondido que apoiavam a exigência de que o secretário arbitral apresentasse
uma declaração de independência e imparcialidade, essa cifra subiu para 83,5% na
Pesquisa de 2013. O Grupo de Trabalho entende que a independência e imparcialidade
do secretário arbitral deve ser responsabilidade do tribunal arbitral, motivo pelo qual se
propõe que cabe a este confirmar que o secretário arbitral é independente, imparcial e
livre de qualquer conflito de interesses.
Ademais, o secretário arbitral está vinculado às mesmas regras de conflito de
interesses que o tribunal arbitral. Sendo o conjunto de diretrizes sobre revelações e
objeções à independência e imparcialidade de árbitros mais utilizado e aceito, as
Diretrizes da IBA Relativas a Conflitos de Interesse em Arbitragens Internacional
(“IBA Guidelines”) serão de extrema relevância nesse tocante. Aliás, a maioria dos
10
GUIA DO YOUNG ICCA SOBRE SECRETÁRIOS ARBITRAIS
entrevistados da Pesquisa de 2012 (54,2%) respondeu que as IBA Guidelines devem
ser aplicáveis a secretários arbitrais.
Artigo 2(4):
Após receber as informações e a declaração de independência e imparcialidade de um
candidato, cada parte deve ter a oportunidade de se opor à nomeação do potencial
candidato como secretário arbitral. Esse princípio foi largamente apoiado pelos
entrevistados da Pesquisa de 2013 (91,2%). Qualquer objeção deve ser feita de boa-fé e
com base em fundamentos específicos (e.g., falta de independência ou perfil do
candidato) ou em relação à nomeação em geral de um secretário arbitral (e.g., em razão
dos custos envolvidos).
Artigo 2(5):
Considerando-se que, à exceção de instituições como NAI, ICSID e PCA
(exemplificadas acima no Comentário ao Artigo 1(6)), o tribunal arbitral nomeia o
candidato e que essa seleção se baseia no conhecimento das circunstâncias de cada
caso pelo tribunal arbitral, o Grupo de Trabalho entende que, em geral, o tribunal
arbitral é o mais indicado para adjudicar quaisquer objeções feitas pelas partes
(especialmente quando se considera o fato de que nem todas as arbitragens envolvem
instituições arbitrais).
Ao decidir, o tribunal arbitral deve se guiar pelas regras de conflito de interesses
aplicáveis. Se a objeção de uma parte se baseia num legítimo conflito de interesses, o
tribunal arbitral deve tanto proceder sem um secretário arbitral ou nomear um novo
candidato. Se as partes se opuseram em geral à nomeação de um secretário arbitral
(e.g., em razão dos custos envolvidos), o tribunal arbitral deve considerar as
circunstancias de cada caso (e.g., sua complexidade fática e jurídica) para determinar
se a nomeação de um secretário arbitral é necessária para a resolução eficiente da
disputa, não obstante a objeção da(s) parte(s).
Artigo 2(6):
Se a objeção de uma ou ambas as partes for julgada improcedente, o tribunal arbitral
pode prosseguir à nomeação formal do candidato. No mesmo sentido, se nenhuma das
partes se opuser a um determinado candidato, ou à nomeação em geral de um secretário
arbitral, o tribunal arbitral deve proceder à nomeação formal de tal candidato.
Artigo 2(7):
Considerando-se que o tribunal arbitral é responsável por supervisionar e gerenciar o
trabalho do secretário arbitral, os entrevistados da Pesquisa de 2012 (65,6%)
responderam que o secretário arbitral não pode ser responsabilizado por seus erros.
Dentre os entrevistados, 55,4% consideram que o tribunal arbitral como um todo deve
assumir tal responsabilidade. No entanto, na opinião deste Grupo de Trabalho, tal
exclusão de responsabilidade não deve necessariamente abranger todo e qualquer erro
intencional cometido por um secretário arbitral no exercício de suas funções. Muito
11
THE ICCA REPORTS
embora isso não tenha sido abrangido pelas Pesquisas de 2012 e 2013, essa posição se
baseia nas Regras de Arbitragem da UNCITRAL, as quais determinam, em seu Artigo
16, a exclusão de responsabilidade de “qualquer pessoa indicada pelo tribunal arbitral”.
Não há dúvida que um secretário arbitral se encaixa na categoria daqueles indicados
“pelo tribunal arbitral”.
Artigo 2(8):
Apesar de a extensão do dever de confidencialidade do secretário arbitral não ter sido
diretamente abordada pelas Pesquisas, o Grupo de Trabalho entende que essa é uma
adição importante. A Pesquisa de 2010 sobre Escolhas na Arbitragem Internacional
conduzida pela Queen Mary e White & Case confirma que 62% dos entrevistados
responderam que a confidencialidade é “muito importante” e 50% responderam que os
advogados de empresas consideram que “a arbitragem é confidencial mesmo que não
haja cláusula específica a esse respeito nas regras da instituição arbitral ou na cláusula
arbitral”.
Baseando-se na importância da confidencialidade para os usuários, o Grupo de
Trabalho considera que as partes de uma arbitragem internacional devem ter a
segurança de que o secretário arbitral estará vinculado às mesmas regras de
confidencialidade e sigilo que se espera e se exige que os árbitros obedeçam.
Artigo 3. Função do Secretário Arbitral
(1)
Com direcionamento e supervisão apropriados do tribunal arbitral, a função do
secretário arbitral pode legitimamente ir além da puramente administrativa.
(2)
Com base nisso, as tarefas do secretário arbitral podem envolver todas ou
algumas das seguintes:
(a)
Assunção de questões administrativas quando necessário na ausência de uma
instituição;
(b)
Comunicação com a instituição arbitral e as partes;
(c)
Organização de reuniões e audiências com as partes;
(d)
Administração e organização de correspondências, petições e provas em nome
do tribunal arbitral;
(e)
Pesquisa de questões de direito;
(f)
Pesquisa de questões específicas relativas a provas fáticas e depoimentos
testemunhais;
(g)
Redação de ordens processuais e documentos similares;
(h)
Revisão das petições e provas apresentadas pelas partes, e redação de
cronologias e memorandos resumindo as petições e provas das partes;
(i)
Estar presente nas deliberações do tribunal arbitral;
(j)
Redação de partes apropriadas da sentença arbitral.
12
GUIA DO YOUNG ICCA SOBRE SECRETÁRIOS ARBITRAIS
Comentários ao Artigo 3
Artigo 3(1):
Na prática, muitos árbitros fazem uso pleno de secretários arbitrais de forma
responsável, além da esfera puramente administrativa, para lhes ajudar no cumprimento
de suas funções. De fato, para se garantir que a indicação de um secretário arbitral seja
aproveitada ao máximo, as responsabilidades que lhe são delegadas devem ir além do
trabalho puramente administrativo. Se o papel do secretário arbitral fosse limitado
apenas ao suporte exclusivamente administrativo ao tribunal arbitral, isso reduziria
consideravelmente os benefícios pretendidos com sua indicação. Para se minimizar o
risco de diluição do mandato pessoal dos árbitros, porém, os tribunais arbitrais devem
instruir e supervisionar de perto o trabalho do secretário. Em última instância, deve se
deixar a decisão sobre quais funções e responsabilidades devem ser confiadas ao
secretário arbitral à discricionariedade do tribunal arbitral, levando-se em consideração
as circunstâncias do caso concreto e a experiência e expertise do secretário arbitral. Se
um árbitro toma uma decisão equivocada ao determinar quais tarefas deve delegar ao
secretário arbitral, isso tem reflexos negativos na própria instituição dos secretários
arbitrais.
Artigo 3(2):
Esse artigo prevê as tarefas que podem ser razoavelmente delegadas ao secretário
arbitral (sujeitas às ressalvas previstas no Artigo 3(1) acima). Essa não é uma lista
exaustiva e deve ser vista como uma lista default de responsabilidades, que está sempre
sujeita às preferências das partes. Se as partes assim desejarem, elas podem discutir
com o árbitro o escopo das tarefas e dos deveres a serem assumidos pelo secretário
arbitral no momento de sua indicação ou anteriormente.
É interessante observar que os resultados das Pesquisas 2012 e 2013 diferem com
relação a quais funções podem ser delegadas a um secretário arbitral de forma
apropriada. Os participantes da segunda (e mais abrangente) Pesquisa indicaram de
forma genérica um suporte mais claro a cada uma das categorias de responsabilidade
em comparação à Pesquisa anterior. Os resultados das duas Pesquisas são discutidos
abaixo.
Artigo 3(2)(a):
Parece ser incontroverso, sobretudo na falta de auxílio administrativo de uma
instituição arbitral, que o secretário arbitral seja responsável por gerenciar diversas
questões administrativas. Essas questões podem incluir a coordenação de fundos, a
preparação do relatório de honorários e despesas do tribunal arbitral, questões
tributárias (i.e., imposto sobre valor agregado) relacionadas aos honorários dos árbitros
e o envio de determinações, decisões e sentenças arbitrais às partes.
13
THE ICCA REPORTS
Artigo 3(2)(b):
A maioria dos entrevistados nas Pesquisas concordou que seria legítimo incluir nas
tarefas do secretário arbitral as comunicações com a instituição arbitral. Na Pesquisa de
2012, 54,8% dos entrevistados concordou que um secretário arbitral poderia se
comunicar e estabelecer vínculos com a instituição arbitral, com a concordância de
73,6% dos entrevistados da Pesquisa de 2013. Ademais, na Pesquisa de 2012, 57,0%
dos entrevistados concordou que o secretário arbitral deveria ter permissão para
estabelecer contato com as partes (58,2% na Pesquisa de 2013).
Além disso, ao representar um ponto de contato para as partes, um secretário
arbitral pode ajudar a acelerar a resolução de questões puramente procedimentais ou
administrativas sem a necessidade de envolver o tribunal arbitral, que pode não estar à
disposição das partes com a mesma agilidade em razão do volume de casos ou de sua
agenda de viagens. Contudo, como uma medida de melhores práticas, e de modo a
reduzir qualquer potencial preocupação que as partes possam ter, o secretário arbitral
deve informar o tribunal arbitral e a parte contrária sobre qualquer comunicação de que
eles não tenham participado e sobre o conteúdo de referidas comunicações.
Ademais, é importante notar que qualquer comunicação do secretário arbitral feita
em nome do tribunal arbitral deve registrar claramente que a comunicação é feita em
nome dos árbitros e deve obedecer as mesmas regras aplicáveis às comunicações entre
as partes e o tribunal arbitral, particularmente as regras relativas a comunicações ex
parte.
Artigo 3(2)(c):
A responsabilidade por coordenar e organizar reuniões e audiências recebeu o maior
número de respostas positivas. 88,2% dos entrevistados da Pesquisa de 2012
considerou essas tarefas adequadas para delegação ao secretário arbitral (com a
concordância de 95,6% da Pesquisa de 2013).
Artigo 3(2)(d)
Considerando as volumosas petições e provas produzidas pelas partes nas arbitragens
internacionais modernas, o secretário arbitral pode ser de grande valia para o tribunal
arbitral no gerenciamento e organização da correspondência, petições e provas
transmitidas, seja eletrônica ou fisicamente. Garantir que o tribunal arbitral tenha
acesso a qualquer tempo a qualquer documento que seja solicitado faz parte integral do
trabalho do secretário arbitral e ajuda a manter o tribunal arbitral totalmente informado
das questões em discussão quando perguntas surgem, seja antes de uma audiência, na
sala de audiência ou durante as deliberações. Participantes da Pesquisa de 2013
indicaram que essa é uma tarefa apropriada para ser confiada ao secretário arbitral, com
o apoio de 80,2% dos entrevistados.
Artigo 3(2)(e):
O tribunal arbitral deve poder confiar no trabalho de um secretário arbitral para
verificar as referências doutrinárias feitas pelas partes em apoio a seus argumentos e
14
GUIA DO YOUNG ICCA SOBRE SECRETÁRIOS ARBITRAIS
pesquisar outras questões jurídicas relevantes para a análise do tribunal. O uso de
secretários arbitrais para realizar pesquisas jurídicas e checar referências doutrinárias
para o tribunal arbitral recebeu o apoio de 68,8% dos entrevistados na Pesquisa de
2012 e de 85,7% dos entrevistados na Pesquisa de 2013. O Grupo de Trabalho
considera que a economia de custos de se ter um secretário arbitral para realizar
pesquisas jurídicas extensas é desejável para todos os envolvidos no processo arbitral.
Artigo (3)(2)(f):
Está claro que os árbitros devem revisar todos os documentos chave nos quais as partes
se baseiam, porém, apesar disso, o auxílio de um secretário arbitral para revisar todo o
conjunto probatório e para pesquisar questões específicas relacionadas a provas fáticas
e depoimentos testemunhais que tenham sido identificadas pelo tribunal arbitral pode
agregar valor e eficiência ao processo.
Embora a Pesquisa de 2013 tenha revelado que aproximadamente metade dos
entrevistados (47,3%) apoia o uso do secretário arbitral para identificar documentos
chave e determinadas provas, o Grupo de Trabalho entende que a realidade do processo
e o crescente número de documentos produzidos demonstram que um tribunal arbitral
pode se beneficiar com a ajuda de um secretário arbitral. A esse respeito, o Grupo de
Trabalho não está, em nenhuma medida, sugerindo que um árbitro deve confiar
exclusivamente no trabalho do secretário arbitral.
Artigo 3(2)(g):
Redigir ordens processuais ou outros documentos similares, como a Ata de Missão no
contexto de uma arbitragem CCI, pode ser um processo demorado para o qual um
tribunal arbitral pode aproveitar a ajuda de um secretário arbitral.
Como ordens processuais são tipicamente documentos curtos que registram, em sua
maior parte, o contexto processual das questões em discussão, a redação de ditas
ordens pode ser legítima e apropriadamente delegada a um secretário arbitral, sujeita à
posterior revisão e aprovação do tribunal arbitral. Na Pesquisa de 2012, 60,2% dos
entrevistados indicou sua aprovação (71,4% dos entrevistados da Pesquisa de 2013).
Artigo (3)(2)(h):
O uso de um secretário arbitral para resumir as circunstâncias fáticas de uma disputa e
revisar os argumentos jurídicos e as provas apresentadas pelas partes pode resultar em
um processo arbitral melhor e mais eficiente, caso seja feito de forma adequada: 38,7%
dos entrevistados na Pesquisa de 2012 apoiou o uso dos secretários arbitrais para esse
fim e, na Pesquisa de 2013, o nível de aprovação foi 49,5%.
Considerando-se a complexidade de disputas fáticas e dos argumentos jurídicos,
assim como o volume das petições e das provas em arbitragens internacionais
modernas, secretários arbitrais podem ser úteis para auxiliar o tribunal arbitral a melhor
se informar a respeito das questões de mérito do caso, ajudando-o a organizar
argumentos e provas apresentadas pelas partes no curso do procedimento. Na grande
15
THE ICCA REPORTS
maioria de foros jurídicos, assistentes jurídicos e escreventes também auxiliam juízes a
cumprir suas responsabilidades sem que isso seja considerado como uma derrogação
ilegítima da função adjudicatória.
Aqueles que se opõem ao uso dos secretários arbitrais para essa finalidade
argumentam que a revisão das alegações das partes e das provas documentais
representa um estágio importante para o árbitro na análise do caso e na avaliação das
fraquezas e forças da posição de cada parte. O Grupo de Trabalho não defende que o
tribunal arbitral não deva também revisar as alegações das partes e as provas
apresentadas. Contudo, o Grupo de Trabalho entende que, assim como quase 50% dos
entrevistados da Pesquisa de 2013, é consideravelmente vantajoso para alguns árbitros
poder conduzir essa análise com o auxílio de cronologias, resumos e memorandos
preparados por um secretário arbitral com base na sua própria revisão do caso.
Artigo 3(2)(i):
A utilização do secretário arbitral durante as deliberações do tribunal arbitral para que
se registre a análise de cada um dos membros do tribunal e as inúmeras decisões
tomadas pode liberar os árbitros para discutir e debater o caso sem ter que se preocupar
com o registro de toda a discussão.
Além disso, e estritamente relacionado aos deveres previstos nos Artigos 3(2)(d) a
3(2)(h), a presença de um secretário arbitral deve facilitar as deliberações do tribunal
considerando-se o comando que o secretário arbitral terá sobre os fatos e provas
documentais do caso. De fato, árbitros devem poder utilizar o secretário arbitral como
um recurso ao considerarem questões específicas relativas ao contexto fático do caso, o
que inevitavelmente ocorre durante as deliberações. Contudo, apesar de o secretário
arbitral poder estar presente durante as deliberações, é preciso que o tribunal arbitral
tome as devidas precauções para que não seja permitida a participação do secretário
arbitral nas deliberações. Essa distinção é baseada no resultado da Pesquisa de 2013:
enquanto 72,5% dos entrevistados apoia a presença do secretário arbitral nas
deliberações do tribunal arbitral, 83,5% dos entrevistados é contrária à efetiva
participação do secretário arbitral nessas deliberações.
Artigo 3(2)(j):
A redação de sentenças arbitrais pode ser um processo longo para um árbitro muito
procurado e com uma agenda atribulada. Para auxiliar, um secretário arbitral pode ser
legitimamente utilizado para preparar as primeiras minutas de seções específicas da
sentença arbitral.
Embora seja claro que há pouco apoio para que o secretário arbitral seja responsável
pela redação da sentença arbitral por inteiro (67,0% dos entrevistados da Pesquisa de
2013 demonstrou opinião contrária), há um apoio considerável ao envolvimento do
secretário arbitral na redação de seções específicas da sentença arbitral (63,5% da
Pesquisa de 2013). Mais precisamente, de acordo com os resultados da Pesquisa de
2013, entrevistados que consideraram que o secretário arbitral poderia redigir alguma
16
GUIA DO YOUNG ICCA SOBRE SECRETÁRIOS ARBITRAIS
ou algumas partes da sentença arbitral estavam confortáveis com o uso do secretário
arbitral para redigir a primeira minuta para posterior revisão do tribunal arbitral das
seguintes partes da sentença arbitral: “Histórico Processual” (84,9%); “Contexto
Fático” (69,4%); e “Alegações das Partes” (65,3%). A maior controvérsia reside na
seção “Fundamentos Jurídicos” (31,9%) e, como era de se esperar, a análise final e
dispositivo da sentença arbitral.
Artigo 4. Custos
(1)
Como princípio geral, o uso de um secretário arbitral deve reduzir os custos
gerais da arbitragem ao invés de aumentá-los.
(2)
A remuneração do secretário arbitral deve ser razoável e proporcional às
circunstâncias do caso e deve ser transparente desde o início da arbitragem.
(3)
A não ser quando diversamente determinado pela instituição arbitral ou
acordado pelas partes, a remuneração e despesas razoáveis do secretário arbitral
devem ser pagas: (i) por meio da parcela dos honorários do Tribunal Arbitral,
nos casos em que o Tribunal Arbitral for remunerado com base no valor em
disputa; ou (ii) pelas partes, nos casos em que o Tribunal Arbitral for
remunerado com base nas horas trabalhadas.
Comentários ao Artigo 4
Artigo 4(1):
Como os resultados da Pesquisa de 2012 deixam claro, uma das principais razões para
a utilização de um secretário arbitral é o potencial de economia de custos às partes:
58,8% dos entrevistados indicaram que a economia de custos é uma das principais
razões para indicação do secretário arbitral; 57,7% dos entrevistados indicou que a
economia de tempo é uma das principais razões – o que é obviamente diretamente
relacionado aos custos nos casos em que os árbitros são remunerados com base nas
horas trabalhadas. Logo, o Grupo de Trabalho considera que o princípio condutor em
relação aos custos deve ser que o uso de secretários arbitrais deve reduzir ao invés de
aumentar os custos gerais da arbitragem.
Artigo 4(2):
Uma vez que o trabalho do secretário arbitral consiste em assistir ao tribunal arbitral,
seu valor é melhor apreciado pelos árbitros que se beneficiarão do trabalho. Dessa
forma, a remuneração do secretário arbitral deve ser proposta pelo tribunal arbitral,
com base nas horas trabalhadas ou em montante fixo (quando apropriado). A proposta
do tribunal arbitral deve considerar as qualificações do secretário arbitral, as
circunstâncias do caso no que concerne o valor em disputa e a duração projetada da
arbitragem, bem como a complexidade das questões em disputa.
17
THE ICCA REPORTS
A revelação regular das tarefas conduzidas pelo secretário arbitral às partes
garantirá a transparência em termos da natureza do trabalho conduzido pelo secretário
arbitral e quaisquer economias de custos daí decorrentes. O Grupo de Trabalho
considera que isso é apoiado pelos resultados da Pesquisa de 2013, na qual 54,7% dos
entrevistados indicou que as partes devem arcar com os custos do secretário arbitral
quando o tribunal arbitral for remunerado com base nas horas trabalhadas (já que em
última instância a indicação do secretário arbitral deve ser vista como uma redução dos
custos). Assim como nas faturas dos árbitros, entretanto, o tribunal deve cuidar para
que qualquer descrição do trabalho do secretário arbitral não revele inadvertidamente o
processo de tomada de decisão do tribunal arbitral.
Na Pesquisa de 2013, a maioria dos entrevistados indicou uma preferência pela
remuneração do secretário arbitral com base nas horas trabalhadas (64,0%), em
oposição à remuneração por montante fixo (36,0%). Na prática, a escolha dependerá
das regras, regulamentos e políticas das instituições arbitrais envolvidas, se existentes,
e as preferências do tribunal arbitral e das partes.
Em qualquer caso, com a finalidade de permitir às partes a possibilidade de uma
tomada de decisão fundamentada acerca da indicação de um secretário arbitral em geral
e especificamente acerca de algum candidato específico, os honorários propostos
devem ser fornecidos às partes no momento da indicação do candidato.
Artigo 4(3):
Nos casos em que o tribunal arbitral for remunerado com base no valor em disputa, os
custos e despesas associados ao secretário arbitral devem ser arcados pelo tribunal
arbitral e não pelas partes. Essa regra padrão foi apoiada por 65,1% dos entrevistados
na Pesquisa de 2013. Ademais, quando o tribunal arbitral arcar com os custos e
despesas do secretário arbitral, o tribunal arbitral como um todo, ao invés de somente
seu presidente, deve arcar com os custos. Os entrevistados da Pesquisa de 2013
majoritariamente rejeitaram qualquer proposta de que o presidente do tribunal arbitra
seja exclusivamente responsável pelos custos e despesas do secretário arbitral (74,4%).
Nos casos em que o tribunal arbitral é remunerado com base nas horas trabalhadas,
os custos e despesas associados ao secretário arbitral devem ser devidamente arcados
pelas partes, devido à inerente economia de tempo e custos associada à utilização de
um secretário arbitral. Ao contrário da situação de remuneração fixa em relação ao
valor em disputa, nos casos em que as partes devem remunerar o tribunal arbitral por
seu tempo, a eficiência de ter diversas tarefas de rotina conduzidas a um custo mais
baixo por um secretário arbitral geralmente levará a uma economia de custos. Os
entrevistados da Pesquisa de 2013 apoiaram essa abordagem em uma porcentagem de
54,7%, com 45,3% preferindo que o tribunal arbitral arque com as despesas em um
cenário de remuneração com base nas horas trabalhadas.
Nos casos em que o secretário arbitral é pago com base nas horas trabalhadas, os
entrevistados da Pesquisa de 2013 indicaram que uma faixa adequada de preço variaria
entre US$ 125 a US$ 225 por hora (50,1%). O Grupo de Trabalho sugere que o valor
18
GUIA DO YOUNG ICCA SOBRE SECRETÁRIOS ARBITRAIS
da hora trabalhada deve ser baseado nas qualificações de cada secretário arbitral
específico e na complexidade relativa de cada caso.
(Uma lista completa de faixas de remuneração e os resultados da Pesquisa podem
ser encontrados no Apêndice C).
O Grupo de Trabalho nota que na Pesquisa de 2013, a maioria dos entrevistados
(53,5%) afirmou que os secretários arbitrais que serão remunerados em montante fixo
devem ter tal montante atrelado ao valor em disputa. Ao passo que somente 36% dos
entrevistados foram favoráveis à remuneração do secretário arbitral por montante fixo
ao invés de baseada nas horas trabalhadas, este pode ser um procedimento a ser
investigado por aquelas instituições arbitrais que atualmente remuneram os árbitros
com base no valor em disputa.
19
THE ICCA REPORTS
3.
Modelo para a Indicação e Uso do Secretário Arbitral
Para facilitar a referência, o modelo para a indicação e utilização do secretário arbitral
fornecido abaixo deve ser inserido em uma ordem processual, termo de arbitragem ou
outro direcionamento similar pelo tribunal arbitral no sentido de registrar a indicação
do secretário arbitral. O Grupo de Trabalho nota que esse modelo deve ser usado em
situações em que o secretário arbitral será remunerado pelas partes com base nas horas
trabalhadas, ao invés de ser remunerado por montante fixo.
O tribunal arbitral comunicou às partes sua intenção de indicar [nome] como
secretário arbitral. [Nome] é [um advogado no [escritório do presidente do
tribunal arbitral]], que confirmou ao tribunal arbitral sua independência e
imparcialidade nesse assunto. Os detalhes biográficos de [Nome] podem ser
encontrados [no CV anexo], que foi previamente fornecido às partes. Na
ausência de qualquer objeção das partes, o tribunal arbitral aqui indica [Nome]
como secretário arbitral do tribunal arbitral.
O secretário arbitral atuará para facilitar o processo arbitral e desempenhar as
tarefas que lhe forem designadas ou especificamente a ele/ela alocadas pelo
tribunal arbitral ou pelo presidente do tribunal arbitral.
O secretário arbitral será remunerado [pelas partes/pela instituição arbitral/pelo
tribunal arbitral] em um valor horário de EUR/USD [valor] pelo seu trabalho
realizado nesse processo arbitral. Ele/ela será reembolsado por suas despesas
com viagens e outras despesas razoáveis [dentro dos limites previstos nas regras,
regulamentos e políticas da instituição arbitral em questão].
O secretário arbitral estará obrigado pelos mesmos deveres de confidencialidade
e discrição que o tribunal arbitral e a ele/ela serão concedidas as mesmas
imunidades do tribunal arbitral.
20
GUIA DO YOUNG ICCA SOBRE SECRETÁRIOS ARBITRAIS
4.
Bibliografia
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Rules: A Commentary on International Arbitration in Austria (Kluwer Law
International 2009)
I. M. SMEUREANU, Capítulo 4: “Actors Bound by the Duty to Maintain
Confidentiality” in Confidentiality in International Commercial Arbitration (Kluwer
Law International 2011)
B. VAN DER BEND, M. LEIJTEN et al., Parte II: “A Commentary to the NAI Rules”,
Seção 4: “Procedure (Articles 20-42)” in eds., A Guide to the NAI Arbitration Rules:
Including a Commentary on Dutch Arbitration Law (Kluwer Law International 2009)
J. WAINCYMER, Parte I: “Policy and Principles”, Chapter 2: “Powers, Rights and
Duties of Arbitrators” in Procedure and Evidence in International Arbitration (Kluwer
Law International 2012)
J. WAINCYMER, Parte II: “The Process of an Arbitration”, Capítulo 6: “Establishing
the Procedural Framework” in Procedure and Evidence in International Arbitration
(Kluwer Law International 2012)
T. ZUBERBUHLER, K. MULLER et al., “Arbitral Proceedings: General Provisions
(Art. 15)” in Swiss Rules of International Arbitration: Commentary (Kluwer Law
International 2005)
Artigos Institucionais
CCI, “Note on the Appointment, Duties and Remuneration of Administrative
Secretaries” (2012) (disponível em <www.iccwbo.org/Products-and-Services/
22
GUIA DO YOUNG ICCA SOBRE SECRETÁRIOS ARBITRAIS
Arbitration-and ADR/Flash-news/Introduction-of-revised-Note-on-the-Appointment,Duties-and-Remuneration-of-Administrative-Secretaries/>)
CCI – Comissão de Arbitragem, “Techniques for Controlling Time and Cost in
Arbitration” (ICC Publication 843, 2007) (disponível em <www.iccdeutschland.
de/fileadmin/ICC_Dokumente/ICC_arbitration_TimeCost_E.pdf>)
JAMS International, “Guidelines for Use of Clerks and Tribunal Secretaries in
Arbitrations” (2012) (disponível em <www.jamsinternational.com/rulesprocedures/
guidelines-for-use-of-clerks>)
Relatório Conjunto do Comitê de Disputas Comerciais Internacionais e do Comitê de
Arbitragem da New York Bar Association, “Secretaries to International Arbitral
Tribunals” 17 American Review of International Arbitration (2006) p. 575
Secretariado da Corte da CCI, “Note Concerning the Appointment of Administrative
Secretaries by Arbitral Tribunals”, 6 ICC Int’l Ct. Arb Bull (1995) p. 77
UNCITRAL – Notas sobre a Organização de Procedimentos Arbitrais, (1996)
(publicada em F. T. SCHWARZ e C. W. KONRAD, “Article 7: The Arbitrators” in
The Vienna Rules: A Commentary on International Arbitration in Austria) (Kluwer
Law International 2009)
Artigos acadêmicos
B. BERGER, “Rights and Obligations of Arbitrators in the Deliberations”, 31 ASA
Bull (2013) p. 244
D. JONES, “Ethical Implications of Using Paralegals and Tribunal Secretaries”,
AMINZ – IAMA Dispute Resolution Conference 2013, Auckland, 25-27 Julho de 2013
(disponível em <www.aminz.org.nz/Attachment?Action=View&Attachment_id=290>)
P. LALIVE, “Secrétaire de tribunaux arbitraux : le bon sens l’emporte”, 1 ASA Bull
(1989) p. 1
P. LALIVE, “Inquiétantes dérives de l’arbitrage CCI”, 13 ASA Bull (1995) p. 634
P. LALIVE, “Un post-scriptum et quelques citations”, 14 ASA Bull (1996) p. 35
E. LEIMBACHER, “Efficiency under the New ICC Rules of Arbitration of 2012: First
glimpse at the new practice”, 31 ASA Bull (2013) p. 298
23
THE ICCA REPORTS
A. MARTINEZ, “The International Chamber of Commerce’s Note on the
Appointment, Duties and Remuneration of Administrative Secretaries dated 1 August
2012”, 6 International Arbitration Law Review (2012) p. 50
S. MENON, “Some Cautionary Notes for an Age of Opportunity”, 79 Arbitration
(2013, no. 4) pp. 393-406
L. W. NEWMAN e D. ZASLOWSKY, “The Fourth Arbitrator: Contrasting Guidelines
on Use of Law Secretaries”, New York Law Journal, Volume 248 no. 104 (29 de
Novembro de 2012)
E. ONYEMA, “The Role of the International Arbitral Tribunal Secretary”,
9 Vindobona Journal of International Commercial Law & Arbitration (2005, no. 1)
p. 99
C. PARTASIDES, “The Fourth Arbitrator? The Role of Secretaries to Tribunals in
International Arbitration”, 18 Arbitration International (2002) p. 147
T. SCHULTZ e R. KOVACS, “The Rise of a Third Generation of Arbitrators? –
Fifteen Years after Dezalay and Garth”, 28 Arbitration International (2012, no. 2)
p. 161
E. A. SCHWARTZ, “On the Subject of ‘Administrative Secretaries’: A Reply by
Mr. Eric Schwartz, Secretary General of the ICC Court”, 14 ASA Bull (1996) p. 32
C. THOMAS, “Le secrétaire arbitral”, 4 Comité Français de l’Arbitrage (2005) p. 931
24
ANEXO A
Secretários Arbitrais
C. Partasides,* N. Bassiri,** U. Gantenberg,*** L. Bruton,**** and A. Riccio*****
ÍNDICE
I. Introdução
II. Secretários arbitrais: Prós e Contras
III. Declaração de Melhores Práticas
Apêndice A – Bibliografia
Apêndice B – Resultados da Pesquisa
Apêndice C – Slides
Página
25
28
36
41
[Reproduzida no Anexo B deste volume,
pp. 59-72]
43
I. INTRODUÇÃO
Há poucos aspectos da prática da arbitragem internacional que merecem mais a alcunha
indesejada de “hipocrisia” do que a abordagem ao uso de secretários de tribunais
arbitrais.
Muito se fala sobre como o uso do secretário arbitral que exceda as funções
meramente administrativas equivaleria a uma grave derrogação da responsabilidade
pelo árbitro. No entanto, na prática, muitos árbitros se valem de forma responsável de
seus secretários arbitrais, além das funções meramente administrativas, a fim de
auxiliá-los no cumprimento de suas obrigações como árbitro. Algumas vezes
oficialmente, outras não.
Nos últimos anos, a utilização e aceitação aberta dos secretários arbitrais cresceram.
Isso é evidenciado pela referência expressa ao uso de secretários arbitrais nas versões
mais recentes dos principais regulamentos de arbitragem.
A título de exemplo, o Regulamento de Arbitragem da UNCITRAL de 2010 regula
explicitamente o auxílio a ser prestado ao tribunal arbitral. Como os travaux
préparatoires desse regulamento confirmam, essas regras se destinam aos secretários
arbitrais.
*
**
***
****
*****
Sócio, Freshfields Bruckhaus Deringer LLP.
Sócio, Hanotiau & van den Berg.
Sócio, Heuking Kühn Lüer Wojtek.
Associado Sênior, Freshfields Bruckhaus Deringer LLP.
Associado, Assouline & Berlowe, P.A.
Republicado do International Commercial Arbitration - The Coming of a New Age? ICCA
Congress Series no. 17, pp. 327-368.
25
THE ICCA REPORTS
Assim, o Artigo 5 do Regulamento, intitulado “Representação e Assistência”,
refere-se a “cada uma das partes” ter a facilidade de se fazer representar ou “assistida”
por pessoas escolhidas por ele. Entende-se que, nesse contexto, a referência a
“assistência” destina-se à regulação da assistência buscada pelo tribunal arbitral junto a
um secretário.
Da mesma forma, o Artigo 16, intitulado “Exclusão de Responsabilidade”, estendese não apenas aos árbitros e autoridades nomeadoras, mas também para “qualquer
pessoa designada pelo Tribunal Arbitral”, que mais uma vez parece abranger os
secretários arbitrais.
Finalmente, o Artigo 40, intitulado “Definição de Custos” inclui explicitamente
dentro de tal regra os “custos razoáveis de consultoria especializada e de qualquer outra
assistência requerida pelo Tribunal Arbitral”.
Esse regramento expresso sobre a nomeação de secretários arbitrais no
Regulamento de Arbitragem da UNCITRAL é um desenvolvimento bem-vindo. Mas é
apenas o primeiro passo para resolver o déficit de legitimidade que se mantém em
relação ao papel desempenhado e ao custo de um secretário arbitral.
No que diz respeito à UNCITRAL, a última vez em que essa questão foi
considerada foi nas Notas sobre a Organização de Procedimentos Arbitrais de 19961, as
quais ressaltam o problema, mas não fornecem uma resposta:
“Diferenças de opinião, no entanto, podem surgir se as tarefas incluem a
pesquisa legal e outra assistência profissional para o tribunal arbitral (e.g.,
pesquisa de jurisprudência ou comentários e estudos publicados sobre as
questões legais definidas pelo tribunal arbitral, elaboração de resumos de
jurisprudência e publicações, e ocasionalmente a preparação de minutas de
decisões processuais ou minutas de certos trechos da sentença, em especial os
relativos aos fatos do caso). Diferentes entendimentos e expectativas podem
ocorrer especialmente quando a tarefa do secretário seja semelhante às funções
profissionais dos árbitros. Tal papel do secretário é, na opinião de alguns
comentaristas, inadequado ou é apropriado apenas sob certas condições, tal
como a de que as partes estejam de acordo. No entanto, é normalmente
reconhecido ser importante garantir que o secretário não execute qualquer
função do tribunal arbitral de tomada de decisões.” (Destaques acrescentados)2.
O excerto acima levanta a questão de saber onde se coloca o limiar entre o adequado e
o inadequado. No entanto, essa questão continua em aberto para ser respondida pela
UNCITRAL, ou por outra orientação institucional.
1.
2.
UNCITRAL, Notas sobre a Organização de Procedimentos Arbitrais (1996), disponível em
<www.uncitral.org/pdf/english/texts/arbitration/arb-notes/arb-notes-e.pdf>.
Ibid., para. 27.
26
ANEXO A: SECRETÁRIOS ARBITRAIS
A recentemente revisada Nota da CCI sobre a Nomeação, Deveres e Remuneração dos
Secretários Administrativos é um exemplo (importante) sobre esse ponto3. Embora a
nota reconheça que secretários administrativos possam “fornecer um serviço útil às
partes e aos Tribunais Arbitrais” e estabeleça uma lista de tarefas organizacionais e
administrativas que um secretário administrativo pode executar (incluindo, por
exemplo, a organização de audiências e reuniões, bem como a revisão final de citações,
ortografia e tipografia das sentenças), ela não lida com a realidade hodierna do uso de
secretários arbitrais, que frequentemente vai além das funções meramente
administrativa.
Na verdade, parece que se mantém uma relutância generalizada ao reconhecimento
do fato de que muitos árbitros responsáveis estão habitualmente delegando atividades
que vão além das meramente administrativas para secretários diligentes, sem que isso
prejudique o pleno e adequado cumprimento pelos árbitros de suas funções
adjudicatórias. Como consequência disso, muitos árbitros se sentem compelidos a ser
menos do que totalmente transparentes sobre essa delegação.
Por conseguinte, acreditamos que esse assunto é digno de uma maior exploração.
Para isso, foram identificadas as seguintes quatro questões, os prós e contras que serão
considerados na próxima seção, juntamente com os resultados de uma pesquisa que foi
realizada entre Outubro e Dezembro de 2011 sobre essa questão:
(a) Se há lugar para o uso de secretários no procedimento arbitral, qualquer que seja o
seu papel;
(b) Quais devem ser as funções de um secretário arbitral e se elas devem ir além
daquelas puramente administrativas;
(c) Quem deve ser autorizado a atuar como secretário arbitral; e
(d) Como o secretário arbitral deve ser remunerado.
A pesquisa, no Apêndice B do presente comentário, estabeleceu uma série de questõeschave relacionadas ao uso de secretários arbitrais, e foi aberta para mais de 200
membros da comunidade arbitral (divididos igualmente entre as instituições de
arbitragem, os árbitros, os consultores, os advogados que trabalham como secretários e
os usuários de procedimentos arbitrais), a fim de nos fornecerem visões anônimas
sobre uma série de questões importantes e relacionadas ao uso de secretários arbitrais.
Concluímos este comentário verificando se os usuários da arbitragem serão
auxiliados por uma Declaração de Melhores Práticas sobre o uso de secretários
arbitrais.
3.
CCI, “Nota sobre a nomeação, deveres e remuneração dos secretários administrativos” (2012),
disponível em <www.iccwbo.org/products-and-services/arbitration-and-adr/flash-news/introductionof-revised-Note-onthe-Appointment,-Duties-and-Remuneration-of-Administrative-Secretaries/>.
27
THE ICCA REPORTS
II. SECRETÁRIOS ARBITRAIS: PRÓS E CONTRAS
As quatro questões postas acima deram a base para a pesquisa realizada sobre a questão
dos secretários arbitrais, e formaram o cerne do debate apresentado durante a sessão de
secretários arbitrais no Congresso do ICCA em Singapura, com Niuscha Bassiri e
Ulrike Gantenberg ocupando posições opostas em cada questão.
1.
Se há lugar para o uso de secretários no procedimento arbitral, qualquer que
seja o seu papel
O primeiro tema do debate é simples: se secretários arbitrais devem ser utilizados em
qualquer hipótese.
Há uma série de argumentos óbvios que apoiam a proposição de que os secretários
arbitrais devem ser usados. A nomeação de um secretário arbitral faz especial sentido
em casos complexos, nos quais o secretário arbitral pode trazer aumento de eficiência
ao processo arbitral. Tais casos geralmente envolvem alegações volumosas, bem como
um número substancial de provas documentais. Nessas circunstâncias, o tribunal
arbitral (e as partes) irão se beneficiar de assistência no sentido de garantir que as
alegações e documentos, bem como a condução procedimental do caso em si (e.g., em
relação à comunicação com as partes e a instituição arbitral), sejam geridos adequada e
eficientemente, deixando o tribunal arbitral com mais tempo para lidar com as questões
de mérito.
Nessas situações em que é provável que o tribunal vá precisar de algum auxílio, é
do interesse das partes que haja maior transparência em relação a qual pessoa em
específico auxiliará o tribunal arbitral, que tipo de assistência se oferecerá e como ela
será remunerada.
Dito isso, há alguns riscos na utilização de um secretário arbitral. Embora o número
de tais riscos seja melhor discutido na seção abaixo, que diz respeito às funções de um
secretário arbitral, há certamente alguns pontos dignos de nota aqui para contrariar a
proposição de que os secretários arbitrais devem ser usados no processo arbitral.
É um princípio fundamental do procedimento arbitral que o mandato do árbitro e do
tribunal arbitral é intuitu personae. Na verdade, os entrevistados que não aprovaram o
uso de secretários arbitrais em qualquer hipótese consideraram que a principal razão
para não nomear um secretário arbitral é porque isso derrogaria a responsabilidade
pessoal do árbitro. Um árbitro não pode transferir seu mandato pessoal para outra
pessoa e está em maior risco de fazê-lo quando ele ou ela envolve um secretário
arbitral no procedimento.
A esse respeito, seria ingênuo supor que um secretário arbitral não tenha um grau de
influência, ainda que indireta, sobre o árbitro e o tribunal arbitral. Mesmo que o
secretário arbitral seja “meramente” encarregado de questões básicas, como resumir o
contexto fático e argumentos das partes, ou com a identificação de documentos
fundamentais para a avaliação do tribunal arbitral, o secretário arbitral inevitavelmente
exercerá algum nível de influência sobre o tribunal arbitral (por meio, por exemplo, de
28
ANEXO A: SECRETÁRIOS ARBITRAIS
sua escolha de documentos importantes para chamar a atenção do tribunal arbitral).
Isso pode ser de particular interesse para as partes que escolheram seus árbitros com
muito cuidado e diligência, mas que não tiveram influência na nomeação do secretário
arbitral o qual, todavia, pode impactar, ainda que de forma pequena, o tribunal arbitral
e o exercício de seu mandato.4
Não obstantes esses riscos, os resultados da pesquisa sugerem que há pouca
necessidade de questionar o uso de secretários arbitrais. De fato, 95 por cento dos
entrevistados concordaram com a utilização de secretários arbitrais. Portanto, parece
seguro concluir que, apesar de que possa haver um risco de “diluição do mandato”
quando da nomeação de um secretário arbitral, a maioria parece aceitar que esses riscos
são compensados pelos benefícios inerentes à utilização de um secretário arbitral. Para
a maioria, esses benefícios parecem se relacionar com um aumento percebido na
eficiência, onde são utilizados secretários arbitrais. De fato, para os entrevistados que
aprovaram o uso de um secretário arbitral no processo arbitral, a principal razão para se
nomear um secretário arbitral era apoiar o tribunal arbitral, e, em particular, apoiar o
presidente do tribunal arbitral. Fatores adicionais incluem economias em termos de
tempo e custos.5
Consequentemente, a utilização de secretários arbitrais parece estar bem amparada
pela comunidade arbitral. A próxima pergunta lógica relaciona-se com os deveres que
tal secretário arbitral deve assumir como parte de sua função, e como tais deveres
podem ser limitados para que se dissipem quaisquer preocupações residuais a esse
respeito.
2.
Quais devem ser as funções de um secretário arbitral e se elas devem ir além
daquelas puramente administrativas
Leitores astutos já terão notado que o presente comentário refere-se ao secretário
“arbitral” ao invés do secretário “administrativo”. Isso reflete o fato de que para a
maioria dos tribunais arbitrais, as tarefas do secretário vão efetivamente além daquelas
meramente administrativas.6 Entretanto, a pergunta e o debate desta seção estão
4.
5.
6.
De fato, o que ocorre normalmente é que secretário arbitral seja nomeado e/ou selecionado pelo
presidente do tribunal arbitral.
Em resposta à pergunta número 3 da pesquisa, “qual o principal propósito da nomeação de um
secretário”, 58,8 por cento concordaram que o propósito inclui a redução de custos, e 57,7 por cento
concordaram que o propósito inclui economia de tempo.
A Nota Revisada da CCI especifica que “Em nenhuma circunstância pode o Tribunal Arbitral delegar
funções adjudicatórias para um Secretário Administrativo. Nem deve o Tribunal Arbitral contar com o
Secretário Administrativo para executar quaisquer deveres essenciais de um árbitro.” E arremata mais
adiante afirmando que “Um pedido de um Tribunal Arbitral a um Secretário Administrativo para
preparar notas escritas ou memorandos não liberam em hipótese alguma o Tribunal Arbitral do seu
dever personalíssimo de revisar tal arquivo e/ou redigir qualquer decisão do Tribunal Arbitral.” Desse
modo, a nota revisada reconhece que as funções de secretário arbitral podem ir além daquelas
meramente administrativas, mas, se assim for, essas funções não devem se estender ao ponto de afetar
ou usurpar o mandato personalíssimo dos árbitros.
29
THE ICCA REPORTS
relacionados à indagação se as atribuições do secretário arbitral devem ir além daquelas
administrativas, e em caso afirmativo, quão longe.
Os argumentos contra o secretário arbitral que realize tarefas que vão além de
tarefas administrativas repetem os argumentos já adiantados em relação ao uso dos
secretários arbitrais em qualquer hipótese. Oposicionistas argumentarão que o mandato
do árbitro é personalíssimo e, portanto, um secretário arbitral não deve ser incumbido
de forma alguma com a revisão das alegações ou provas das partes, ou o caso em geral.
Em vez disso, os árbitros devem realizar todas essas tarefas substantivas (pouco
importando seu tamanho) como parte de seu mandato pessoal para resolver o litígio
entre as partes. A esse respeito, o resumo dos fatos de um caso, a revisão dos
documentos e provas e a destilação das alegações das partes é algo que deve ser feito
pelo árbitro e/ou tribunal arbitral como um passo importante na avaliação do caso e dos
pontos fortes e fracos das respectivas posições das partes, e, finalmente, chegar a uma
decisão final.
Tal rejeição à ideia do secretário arbitral realizar algo mais do que um papel
puramente administrativo se aplica a fortiori para a elaboração de qualquer parte de
uma sentença. Afinal, não é o “ato de escrever” o meio último de controle intelectual
do árbitro?
Mas tal oposicionismo convida a seguinte resposta. Assistentes de órgãos judiciais
são chamados em um grande número de diferentes jurisdições para auxiliar os juízes
com o desempenho de suas funções, sem que essa assistência seja considerada como
uma derrogação ilegítima da função adjudicatória. Nesse contexto comparativo, por
que deveria haver qualquer inadequação no ato de um árbitro que se valha dos serviços
de um jovem advogado para ajudá-lo(a) a tornar-se mais bem informado quanto ao
mérito da causa, ajudando na digestão dos argumentos e provas apresentadas pelas
partes durante o curso do processo? De fato, não é imediatamente aparente por que essa
ajuda não pode eficientemente estender-se à produção dos primeiros projetos de
correspondência material ou ordens processuais, sob a estreita supervisão dos árbitros.
Sobre a questão da elaboração de sentença (uma prática que existe há muito tempo em
outras jurisdições, incluindo, nomeadamente, o papel desempenhado pelos assistentes
de juízes na elaboração de pareceres judiciais para tribunais norte-americanos), cabe
certamente ao árbitro determinar se ele ou ela pode delegar parte ou toda a função de
redação para um secretário arbitral, sem comprometer o controle de tomada de decisão.
Sobre esse assunto sensível, o dogmatismo é inútil. Para alguns, o ato de redigir é de
fato a última salvaguarda do controle intelectual. Para outros, o mesmo nível de
controle pode ser conseguido de outros modos. Em última análise, isso certamente
deve ser uma questão que cabe ao árbitro decidir. Caso o árbitro escolhido tome uma
decisão importante erroneamente, então o problema não é com a figura dos secretários,
e sim com a escolha do árbitro.
Sobre essas questões, as respostas da pesquisa foram particularmente interessantes.
Os participantes aprovaram o secretário arbitral que realize tarefas que vão além
daquelas meramente administrativas. No entanto, ao contrário da pergunta anterior
quanto ao envolvimento de secretários arbitrais em absoluto, as respostas dos
30
ANEXO A: SECRETÁRIOS ARBITRAIS
entrevistados eram variadas quanto aos deveres não-administrativos que um secretário
arbitral deveria realizar. Os participantes foram perguntados, por um lado, quais eram
na prática as funções de um secretário arbitral e, por outro lado, quais deveriam ser as
funções de um secretário arbitral. Quanto à prática atual, as seis tarefas mais realizadas
por secretários arbitrais são a organização de reuniões e audiências com as partes,
manejo e arquivo de correspondências e provas, realização de pesquisa jurídica,
elaboração de ordens processuais, lembretes às partes de reuniões e prazos, e
comunicação com a instituição arbitral.7 Quanto às tarefas que um secretário arbitral
deve realizar (em um mundo ideal) foram identificadas as mesmas seis tarefas. Outras
atribuições do secretário arbitral que encontraram algum apoio dos participantes da
pesquisa incluem a comunicação com as partes em nome do tribunal arbitral, redação
de parte da sentença e análise das alegações das partes.
Não surpreendeu o fato de que as tarefas que os participantes da pesquisa
classificaram como menos apropriadas para um secretário arbitral foram a redação de
toda a (em oposição a parte da) sentença e a participação no processo de tomada de
decisão do tribunal arbitral.8 Curiosamente, no entanto, no que diz respeito às tarefas
que os secretários arbitrais realmente realizam na prática atual, os participantes da
pesquisa sugeriram que a elaboração de toda a sentença arbitral e a participação no
processo de tomada de decisão do tribunal arbitral podem, de fato, fazer parte das
atividades do dia-a-dia de alguns secretários arbitrais em alguns procedimentos
arbitrais.9
Em última análise, conquanto um secretário arbitral não deva participar do processo
de tomada de decisões, parece haver um consenso crescente de que as funções de um
secretário arbitral podem ir além daquelas meramente administrativas. Quão além essas
tarefas devem ir além das puramente administrativas é, no entanto, uma questão que
depende do tribunal arbitral em questão. Como uma questão adicional, o escopo das
tarefas de um secretário arbitral também pode depender do tipo de pessoa nomeada
como secretário arbitral. É esta questão para a qual nos voltamos agora.
7.
8.
9.
Em resposta à pergunta número 16 da pesquisa, “quais são as tarefas de um secretário na prática”, 90,3
por cento dos entrevistados responderam que seriam a organização de reuniões e audiências com as
partes; 86 por cento disseram ser o manejo e arquivo das correspondências e provas; 80,6 por cento
disseram ser a realização da pesquisas jurídicas; 77,4 por cento disseram ser a elaboração de ordens
processuais; 74,2 por cento disseram incluir lembretes às partes de reuniões e prazos; e 71 por cento
disseram ser a comunicação com a instituição arbitral.
Em resposta à pergunta número 17 da pesquisa, “quais deveriam ser as tarefas do secretário arbitral”,
7,5 por cento dos entrevistados disseram ser a elaboração de todo a sentença; e 5,4 por cento disseram
que incluem a participação no processo de decisão do tribunal arbitral.
Em resposta à pergunta número 16 da pesquisa, “quais são as tarefas de um secretário na prática”, 26,9
por cento dos entrevistados disseram ser a elaboração de todo a sentença; e 17,2 por cento disseram
que incluem a participação no processo de decisão do tribunal arbitral.
31
THE ICCA REPORTS
3.
Quem deve atuar como secretário arbitral?
Em geral, é um advogado júnior do mesmo escritório de advocacia do presidente do
tribunal arbitral quem atua como secretário arbitral para o tribunal. Como advogado
júnior, o secretário arbitral é um advogado qualificado e, portanto, capaz (ou deve ser
capaz) de realizar algumas das tarefas mais substanciais que poderiam se esperar de um
secretário arbitral, incluindo, por exemplo, análise de alegações e provas apresentadas
pelas partes, bem como elaboração de ordens processuais. Um fator adicional é que,
como advogado júnior, é pouco provável que ele ou ela realizem tarefas que usurpem o
mandato dos árbitros. É também provável que um advogado júnior procure e necessite
de orientação do tribunal arbitral, o que, por sua vez, dá ao tribunal arbitral ou ao
presidente do tribunal arbitral a oportunidade de mais facilmente orientar,
supervisionar e controlar as tarefas realizadas pelo secretário arbitral.
Por outro lado, o risco de se nomear um advogado mais experiente como secretário
arbitral é que um advogado experiente pode estar mais inclinado a realizar tarefas que
invadam o mandato pessoal dos árbitros, como, por exemplo, a elaboração de uma
sentença arbitral inteira ou a contribuição para o processo de tomada de decisão do
tribunal arbitral. Assim, os riscos identificados acima sobre o envolvimento de um
secretário arbitral podem ser reduzidos restringindo-se o tipo de pessoa que possa atuar
como secretário arbitral para jovens advogados. É certamente o caso que uma pessoa
que seja um advogado experiente, e uma autoridade arbitral em seu próprio direito, não
deve atuar como secretário arbitral.10
No entanto, a definição de um advogado “júnior” pode estar sujeita a algum debate,
em especial quando nenhuma especificação se dá em termos de número de anos de
prática, anos desde a graduação, ou o número de procedimentos arbitrais.
Dito isso, pode-se considerar que, cinco anos de experiência após a graduação deve
ser tomado como um limiar além do qual os advogados não devem agir como
secretários arbitrais. Após cinco anos de prática, um advogado já não pode ser
corretamente descrito como um “advogado júnior”. Embora a experiência possa não ter
sido necessariamente no campo da arbitragem internacional, presume-se que depois de
cinco anos de prática um advogado tenha algumas das habilidades as quais as partes
teriam identificado na escolha do(s) árbitro(s). Como tal, o secretário arbitral com mais
de cinco anos de experiência prática pode estar mais disposto e capaz de invadir o
mandato dos árbitros, intencionalmente ou não. Ademais, no outro extremo do
espectro, o secretário arbitral geralmente não deve ser um estudante de direito ou
paralegal. Uma vez que o secretário arbitral deve auxiliar o tribunal arbitral na gestão
do caso, revisão das alegações e provas das partes, um certo nível de qualificação e
entendimento do processo arbitral é necessariamente obrigatório. Além disso, existe o
risco de que um estudante de direito ou paralegal possa não ser capaz de ver o caso do
10. Como aconteceu em um procedimento CCI. Entende-se que a pessoa sugerida para atuar como
secretário arbitral era um advogado experiente e uma autoridade arbitral. Nesse caso, a CCI impediu a
pessoa de atuar como secretário arbitral.
32
ANEXO A: SECRETÁRIOS ARBITRAIS
início ao fim (dada a natureza e duração dos contratos de estágio e afins) e se o
propósito da nomeação de um secretário arbitral é otimizar a eficiência do processo
arbitral, então esse propósito perde seu sentido com uma mudança, talvez mais de uma,
de secretários arbitrais durante o curso do processo. Quanto à questão de um assistente
pessoal assumindo o papel do secretário arbitral, outra comparação com assistentes de
juízes é útil no sentido de que um assistente de um juiz é geralmente um advogado
qualificado, que desenvolveu conhecimento jurídico e habilidades analíticas. As
mesmas habilidades são necessárias no processo arbitral e, por isso, os secretários
arbitrais devem ter certo nível de qualificação jurídica.
Pode-se dizer que um secretário arbitral deve ter a “exata medida” dos níveis de
qualificação e experiência. Não muito experiente, mas com experiência suficiente, e
não muito qualificado, mas com qualificação suficiente. Em última análise, a escolha
do secretário arbitral será determinada pelo árbitro único ou o presidente do tribunal
arbitral. No entanto, ao considerar um candidato adequado, o tribunal arbitral deve
estar ciente de que à medida que a presença dos secretários arbitrais se torna a norma
em um processo arbitral, as partes esperam certo nível do serviço oferecido pelo
secretário arbitral, que, por sua vez, requer certo nível de experiência. De igual modo,
as partes tendem a ser cautelosas com tentativas por parte de um tribunal arbitral para
nomear alguém como secretário arbitral que manifestamente exceda a definição do
termo “advogado júnior”. Tal como acontece com muitos outros aspectos de boas
práticas, a transparência é fundamental.
Os participantes da pesquisa concordaram com a maioria das declarações acima
referidas, ou seja, que o melhor candidato para assumir o papel de secretário arbitral é
um advogado júnior, e o candidato menos apto seria o secretário do escritório ou
assistente pessoal.11 O advogado experiente e o trainee foram igualmente
desfavorecidos pelos entrevistados, mas foram mais favorecidos do que os estudantes
de direito ou paralegais.12
A verdadeira questão para os próximos anos, na medida em que secretários arbitrais
se tornam a norma em procedimentos arbitrais, é o nível de participação que as partes
terão no processo de nomeação de um secretário arbitral e, em particular, se elas serão
capazes de insistir que uma pessoa em particular atue (ou não) como secretário arbitral.
A participação das partes na nomeação do secretário arbitral será particularmente
relevante se os secretários virem a ser remunerados em separado, além dos honorários
pagos ao tribunal arbitral. Logo, voltamo-nos agora à questão da remuneração.
11. Em resposta à pergunta número 6 da pesquisa, “qual deve ser o perfil de um secretário (além do
domínio de idiomas)”, 89,8 por cento dos entrevistados disseram que ele ou ela deve ser um advogado
júnior; e 1 por cento dos entrevistados disseram que ele ou ela deve ser um(a) secretário(a) pessoal.
12. Em resposta à pergunta número 6 da pesquisa, “qual deve ser o perfil de um secretário (além do
domínio de idiomas)”, 26,5 por cento dos entrevistados disseram que ele ou ela deve ser um advogado
experiente; 26,5 por cento dos entrevistados disseram que ele ou ela deve ser um advogado recémformado; 9,2 por cento disse que ele ou ela deve ser estudante de direito; e 6,1 por cento disseram que
ele ou ela deve ser um(a) paralegal.
33
THE ICCA REPORTS
4. Como o secretário arbitral deve ser remunerado?
Como dito no início, um dos propósitos principais da nomeação de um secretário
arbitral é otimizar a eficiência do processo arbitral. Os participantes da pesquisa
apoiaram a noção de que a nomeação de um secretário arbitral é uma forma de
melhorar a relação custo-benefício do procedimento arbitral.13 Em termos de custobenefício, a questão é saber se o secretário arbitral deve ser remunerado separadamente
(e além) do tribunal arbitral, ou se a remuneração do secretário arbitral deve ser
incluída nos honorários pagos ao tribunal arbitral.
Em relação à questão de o secretário arbitral dever ser remunerado separadamente
do tribunal arbitral, alguns questionaram se este valor corresponderia a uma forma de
compensação para um trabalho duplicado. Dado que cabe ao tribunal arbitral o
mandato de resolver a disputa entre as partes, inter alia, elaborando e emitindo ordens
processuais, analisando as alegações e provas produzidas pelas partes, a remuneração
do secretário arbitral pode resultar em um pagamento duplicado se as mesmas tarefas
são realizadas pelo tribunal arbitral e pelo secretário arbitral.
No entanto, como dito acima, em casos complexos, o tribunal arbitral muitas vezes
beneficiar-se-á do auxílio na gestão do material produzido em um caso. A esse
respeito, o uso de um secretário arbitral pode beneficiar tanto o tribunal arbitral quanto
as partes, sobretudo tendo em conta que, através da gestão do caso, o secretário arbitral
vai aliviar o tribunal arbitral de uma série de tarefas que de outra forma teriam de
realizar, tais como elaboração de ordens e instruções processuais organizacionais ou
não polêmicas. Ao gerenciar essas tarefas, o envolvimento do secretário arbitral
permite que o tribunal arbitral dê maior atenção às questões de mérito da disputa.
Além disso, quando o secretário arbitral é capaz de completar tarefas como a
elaboração de ordens e instruções processuais administrativas e organizacionais,
revisando alegações e organizando provas, isso irá reduzir a quantidade de tempo que
seria gasto pelos árbitros executando essas mesmas tarefas. Assim, a nomeação de um
secretário arbitral pode diminuir a soma geral dos honorários do tribunal arbitral, em
especial quando os árbitros são remunerados com base nas horas trabalhadas. Em todo
caso, também se deve notar aqui que os honorários do tribunal arbitral, e do secretário
arbitral, são ínfimos diante dos honorários advocatícios das partes na maioria, se não
em todos, os procedimentos arbitrais.14 Do mesmo modo, o pagamento adicional a um
13. À pergunta 22 da pesquisa, 70,5 por cento dos entrevistados responderam “sim” à pergunta “Você
acha que a nomeação de um secretário é uma maneira de melhorar a relação custo-benefício de um
procedimento arbitral?”
14. Ver, por exemplo, as “Técnicas para Controle do Tempo e Custos na Arbitragem”, preparadas pela
Comissão de Arbitragem da Câmara de Comércio Internacional (número da página indisponível)
(2007):
Despesas administrativas da CCI:
Honorários e despesas dos árbitros:
Custos incorridos pelas partes para apresentar seus casos:
34
2%
16%
82%
ANEXO A: SECRETÁRIOS ARBITRAIS
secretário arbitral, que seria normalmente acompanhado de uma redução da soma geral
de honorários do tribunal arbitral, não deve causar alarme.
Enquanto a maioria dos participantes da pesquisa concordou que as partes devem
arcar com os custos do secretário arbitral, há algum debate sobre a possibilidade de as
partes terem algum papel no controle dos custos do secretário arbitral.15 Pode ser o
caso de que se o secretário arbitral seja remunerado em separado, além dos honorários
do tribunal arbitral, as partes possam querer ver os descritivos de horas incorridas pelo
secretário arbitral. Isso também pode ter o efeito de assegurar que o tribunal arbitral
não permita que o secretário arbitral usurpe o trabalho do árbitro. Remuneração
separada do secretário arbitral pode, portanto, ajudar a reduzir alguns dos riscos
identificados acima.
Em termos de definição e fixação da remuneração do secretário arbitral, e se isso é
feito pelo tribunal arbitral, pelas partes ou por ambos, a maioria dos participantes da
pesquisa concordou que o secretário arbitral deve ser remunerado com base nas horas
trabalhadas e das despesas incorridas.16 Quanto à remuneração, no entanto, essa é
certamente uma questão dentro do tópico de secretários arbitrais que poderá se
beneficiar de uma maior exploração e consideração. As respostas à pesquisa foram
variadas em termos de definição dos custos de um secretário arbitral e quem deve arcar
com esses custos. Tornou-se evidente a partir das respostas recebidas que se as partes
são obrigadas a aceitar o uso de um secretário arbitral, a transparência do seu processo
de nomeação, bem como o seu trabalho podem muito bem ter de aumentar.
(incluindo, se for o caso, os honorários e despesas dos advogados, despesas relacionadas a
testemunhas e prova pericial, e outros custos incorridos pelas partes na arbitragem além dos elencados
abaixo).
15
Em resposta à pergunta 23 da pesquisa, “quem deve arcar com os custos do secretário em uma
arbitragem”, 62,1 por cento dos entrevistados concordaram que as partes devem arcar com os custos
do secretário arbitral, enquanto 30,5 por cento e 22,1 por cento sinalizaram que deve ser o tribunal
arbitral e o presidente do tribunal arbitral, respectivamente. Note-se aqui que a Nota Revisada da CCI
sobre secretários arbitrais afirma explicitamente que qualquer remuneração do secretário arbitral deve
vir dos honorários do tribunal arbitral:
“Qualquer remuneração devida ao secretário administrativo será paga pelo tribunal arbitral do total de
fundos disponíveis para os honorários de todos os árbitros, de tal modo que os honorários do secretário
administrativo não irão aumentar os custos totais da arbitragem.
Em nenhuma circunstância deve o tribunal arbitral busca das partes qualquer forma de
compensação pela atividade desempenhada pelo secretário administrativo. Acordos diretos entre o
tribunal arbitral e as partes sobre as taxas do secretário administrativo são proibidos. Uma vez que os
honorários do Tribunal Arbitral são estabelecidos numa base ad valorem, qualquer remuneração a ser
paga ao secretário administrativo deve ser considerada como já incluída nos honorários do tribunal
arbitral.”
16. Em resposta à pergunta 25 da pesquisa sobre “como deve ser definida a remuneração do secretário”,
55,1 por cento dos entrevistados concordaram que deveria ser com base nas horas trabalhadas mais as
despesas, com as opções restantes classificados na seguinte forma: base horária: 17,9 por cento;
montante fixo acrescido de despesas: 16,7 por cento; e montante fixo: 10,3 por cento dos entrevistados.
35
THE ICCA REPORTS
À luz dos resultados da pesquisa e do debate durante o Congresso do ICCA em
Singapura, parece que há um acordo “em princípio” que um secretário arbitral pode ser
indicado para auxiliar o tribunal arbitral e contribuir para o custo-benefício e eficácia
global do procedimento arbitral. No entanto, em razão de certos resultados
contrastantes, especialmente no que diz respeito às tarefas que um secretário arbitral
pode realizar, as qualificações e experiência exigidas de um secretário arbitral, e
remuneração de um secretário arbitral, conclui-se com a indagação se os usuários da
arbitragem serão auxiliados por uma Declaração de Melhores Práticas sobre o uso de
secretários arbitrais
III. A DECLARAÇÃO DE MELHORES PRÁTICAS
Parece que um uso comum sobre a questão dos secretários arbitrais está evoluindo
lentamente na prática arbitral moderna.17 A pergunta final, portanto, é simplesmente
deixar a evolução natural continuar, ou se a prática moderna se beneficiaria de uma
maior orientação na forma de diretrizes ou uma Declaração de Melhores Práticas.
Os argumentos contra a criação de tais diretrizes ou uma Declaração de Melhores
Práticas são suscetíveis de ter em seu coração a preocupação de que o campo da
arbitragem internacional já está sujeito a uma proliferação descontrolada de regras e
regulamentos (uma forma de “legislite” ou “judicialização” da arbitragem)18 e que a
criação de diretrizes adicionais, que não são estritamente essenciais, tais como as que
se referem ao uso de secretários arbitrais, devem ser evitadas. Mais diretrizes privariam
o tribunal arbitral de sua flexibilidade e discricionariedade, valores que estão na alma
do processo arbitral, tornando-o menos atraente para os seus usuários e potenciais
usuários. Também reduziriam o alcance do pensamento independente dos participantes
do processo e o substituiriam por aquilo que os produtores das diretrizes acreditam que
os participantes devem pensar ou fazer.19
17. Ver, por exemplo, T. SCHULTZ e R. KOVACS, “The Rise of Third Generation of Arbitrators?”, em
28 Arb Int (2012) p. 161, p. 170. Os autores realizaram uma extensa pesquisa sobre os advogados e
árbitros envolvidos em arbitragem internacional. Perguntados se importam-se com um árbitro que
delega parte de seu trabalho para sua equipe, 65 por cento dos entrevistados responderam não.
18. W.W. PARK, “The Procedural Soft Law of International Arbitration: Non-Governmental Instruments”
no livro L.A. MISTELIS e J.D. LEW, Pervasive Problems in International Arbitration (2006) p. 142,
na p. 146.
Veja também o discurso proferido por Toby LANDAU nessa Conferência, sobre o tema da relação
entre a arbitragem internacional e o(s) regulador(es): a necessidade de códigos de ética, diretrizes e
melhores práticas para advogados, árbitros, secretários arbitrais e instituições arbitrais (neste volume,
pp. 496-528).
19. M.E. SCHNEIDER, “The Essential Guidelines for the Preparation of Guidelines, Directives, Notes,
Protocols and Other Methods Intended to Help International Arbitration Practitioners to Avoid the
Need for Independent Thinking and to Promote the Transformation of Errors into ‘Best Practices’” em
L. LEVY e Y. DERAINS, eds., em Liber Amicorum en l’honneur de Serge Lazareff (2011) p. 564.
36
ANEXO A: SECRETÁRIOS ARBITRAIS
O argumento continua no sentido de que a própria ausência de regras precisas sobre
o procedimento arbitral permite ao tribunal adequar o procedimento de cada disputa
aos seus fatos e peculiaridades específicas, sem a necessidade de colocá-lo em um
“molde padrão”.20
Assim, as questões relacionadas à utilização de secretários arbitrais devem ficar
inteiramente ao critério do árbitro nos casos específicos. Na melhor das hipóteses, as
diretrizes restringiriam essa discricionariedade de tal forma que se prejudicaria o
processo. Na pior das hipóteses, as diretrizes podem proporcionar aos participantes do
processo desejosos de criar discórdia uma nova oportunidade para fazê-lo.
Em razão de tais objeções, os argumentos a favor seriam propostos da seguinte
forma: enquanto enaltecemos na teoria as louváveis características de flexibilidade e
discricionariedade, na prática os participantes do processo arbitral precisam de
orientação.21 Esses participantes incluem árbitros preocupados em saber o que é, e o
que não é apropriado que se delegue; jovens advogados, que podem ser chamados a
atuar como secretários e precisam de alguma base para dizer o que é ou não é
apropriado; e clientes, que provavelmente irão pagar pelos serviços de um secretário
arbitral e que têm direito de saber os limites dentro dos quais os serviços que eles estão
pagando devem permanecer.
Quando se colocou aos entrevistados a questão de saber se o processo arbitral se
beneficiaria de uma maior regulação do papel e função de secretários arbitrais, uma
sólida maioria de 57,4 por cento (com base em 94 respostas) foi a favor. Quando
perguntados sobre a forma que o regulamento sobre secretários arbitrais deveria tomar,
uma esmagadora maioria (51 de 65 respostas) foi a favor de diretrizes de melhores
práticas, ao contrário de, por exemplo, alguma forma de apêndices vinculantes aos
regulamentos de instituições arbitrais.
Em nossa visão, e à luz do forte apoio destacado acima, recomendamos que uma
Declaração de Melhores Práticas seja desenvolvida e para isso preparamos um esboço
de possíveis diretrizes a serem incluídas em tal Declaração (em conjunto com os slides
apresentados no Congresso ICCA de Singapura, no Apêndice C). O esboço é dividido
em três seções (nomeação, papel e custo), como segue:
(a) Nomeação:
(i) Recordar o princípio de que os secretários arbitrais só devem ser nomeados com
o consentimento de todas as partes na arbitragem;
(ii) Identificar em termos gerais o perfil adequado para um secretário arbitral;
(iii) Propor que, após a nomeação, secretários arbitrais devem preencher
declarações de independência e imparcialidade; e
20. Ver W.W. PARK, op. cit., nota de rodapé. 18, p. 148.
21. Ver W.W. PARK, “The 2002 Freshfields Lecture – Arbitration’s Protean Nature: The Value of Rules
and the Risks of Discretion” em 19 Arb Int (2003) p. 279.
37
THE ICCA REPORTS
(iv) Propor que, ao concordar com a nomeação de um secretário arbitral, as partes
devem concordar em conceder a mesma imunidade ao secretário arbitral da qual
goza o tribunal arbitral;
(b) O papel, estabelecendo uma lista do que um secretário arbitral pode legitimamente
fazer, incluindo:
(i) Revisão das alegações das partes e as provas e redação de memorandos
resumindo as alegações e as provas sob a direção do tribunal arbitral;
(ii) Pesquisa de questões de direito sob a direção do tribunal arbitral;
(iii) Pesquisa de perguntas relativas a evidências fáticas e testemunhos sob a direção
do tribunal arbitral;
(iv) Elaboração ordens processuais, sob a direção e supervisão do tribunal arbitral; e
(v) Elaboração de trechos da sentença, sob a direção e supervisão do tribunal
arbitral;
(c) O papel, estabelecendo uma lista do que um secretário arbitral não deve fazer,
incluindo:
(i) Advogar posições aos membros do tribunal sobre o resultado das questões em
disputa;
(ii) Participar ativamente nas deliberações do tribunal arbitral; e
(iii) Elaborar trechos substanciais (em vez de descritivos) das ordens processuais ou
sentença(s) sem direção expressa do tribunal arbitral quanto ao resultado e aos
fundamentos para tal resultado;
(d) Custo:
(i) Uma das justificativas principais para o uso dos secretários arbitrais é que eles
tornarão o processo arbitral com melhor custo-benefício para as partes. Como
resultado, e como princípio geral, o uso de um secretário arbitral deve reduzir – em
vez de aumentar – o custo total da arbitragem para as partes; e
(ii) Como segundo princípio geral, as diretrizes devem reconhecer que, quando uma
arbitragem está sendo processada sob o regulamento de uma arbitragem
institucional, todas as regras (e políticas da instituição), relacionadas com a
nomeação de secretários arbitrais regerão sua remuneração.
Em nossa opinião, a Declaração de Melhores Práticas deve ser desenvolvida para ser
usada em conjunto regulamentos institucionais, ad hoc ou outras regras aplicáveis a
qualquer arbitragem. Também não deve ser concebida como algo além de orientações
não vinculativas.
38
ANEXO A: SECRETÁRIOS ARBITRAIS
Nossa recomendação é que as diretrizes acima sejam usadas como ponto de partida
para a criação de uma Declaração de Melhores Práticas, e agora convidamos o Young
ICCA para levar este projeto adiante.
39
Apêndice A
Bibliografia
Livros
G.B. BORN, “Rights and Duties of International Arbitrators – Role of the Presiding
Arbitrator” in International Commercial Arbitration (Kluwer Law International 2009)
N. BLACKABY, C. PARTASIDES et al., “The Establishment and Organization of an
Arbitral Tribunal” in Redfern and Hunter on International Arbitration (Oxford
University Press 2009)
C.N. BROWER e J.D. BRUESCHKE, “Iran’s Challenge of Judge Arangio-Ruiz” in
The Iran-United States Claims Tribunal (Kluwer Law International 1998)
S.R. BOND, M. PARALIKA et al, “ICC Rules of Arbitration, Awards, Article 31
[Decision as to the Costs of the Arbitration]” in L.A. MISTELIS, ed., Concise
International Arbitration (Kluwer Law International 2010)
W.W. PARK, “The procedural soft law of international arbitration: Non-governmental
instruments” in L.A. MISTELIS and J.D. LEW, eds., Pervasive Problems in
International Arbitration (Kluwer Law International 2006)
M. SCHNEIDER, “The Essential Guidelines for the Preparation of Guidelines,
Directives, Notes, Protocols and Other Methods Intended to Help International
Arbitration Practitioners to Avoid the Need for Independent Thinking and to Promote
the Transformation of Errors Into ‘Best Practices’” in L. LEVY e Y. DERAINS, eds.,
Liber Amicorum en l’honneur de Serge Lazareff (2011)
E. SCHÄFER, H. VERBIST et al., ICC Arbitration in Practice (Kluwer Law
International 2005)
Artigos
Joint Report of the International Commercial Disputes Committee and the Committee
on Arbitration of the New York Bar Association, “Secretaries to International Arbitral
Tribunals”, 17 American Review of International Arbitration (2006) p. 575
Secretariat of the ICC Court, “Note Concerning the Appointment of Administrative
Secretaries by Arbitral Tribunals”, 6 ICC Ct. Bull. (1995) p. 77
41
THE ICCA REPORTS
T. CLAY, “Le Secrétaire Arbitral”, 4 Comité Français de l’Arbitrage (2005) p. 931
P. LALIVE, “Inquiétantes Dérives de l’Arbitrage CCI”, 13 ASA Bull. (1995) p. 634
P. LALIVE, “Secrétaire de Tribunaux Arbitraux : Le Bon Sens l’Emporte”, 1 ASA
Bull (1989) p. 1
L. W. NEWMAN e D. ZASLOWSKY, “The Fourth Arbitrator: Contrasting Guidelines
on Use of Law Secretaries”, 248 New York Law Journal (29 de novembro de 2012, no.
104)
E. ONYEMA, “The Role of the International Arbitral Tribunal Secretary”, 9 Vindobona
Journal of International Commercial Law & Arbitration (2005, no. 1) p. 99
W. W. PARK, “The 2002 Freshfields Lecture – Arbitration’s Protean Nature: The
Value of Rules and the Risks of Discretion”, 19 Arbitration International (2003, no. 3)
p. 279
C. PARTASIDES, “The Fourth Arbitrator? The Role of Secretaries to Tribunals in
International Arbitration”, 18 Arbitration International (2002) p. 147
J. PAULSSON e G. PETROCHILOS, “Revision of the UNCITRAL Arbitration Rules”
(2006)
T. SCHULTZ e R. KOVACS, “The Rise of a Third Generation of Arbitrators? – Fifteen
Years after Dezalay and Garth”, 28 Arbitration International (2012, no. 2) p. 161
E. A. SCHWARTZ, “On the Subject of ‘Administrative Secretaries’: A Reply by
Mr. Eric Schwartz, Secretary General of the ICC Court”, 14 ASA Bull (1996) p. 32
42
Apêndice C
Slides
43
THE ICCA REPORTS
O Quarto Árbitro?
As novas Regras de Arbitragem da
UNCITRAL 2010
• Ar go 5 (“Representação e Assistência”) dispõe
sobre “cada parte” ter a facilidade de ser
representada “ou assis da” por pessoas que
escolher
• Ar go 16 (“Exclusão de Responsabilidade”)
estende-se a “qualquer pessoa indicada pelo
Tribunal Arbitral”
• Ar go 40 (“Definição de Custo”) inclui “custos
razoáveis com pareceres técnicos ou outro auxílio
solicitado pelo Tribunal Arbitral ”
44
ANEXO A: SECRETÁRIOS ARBITRAIS
Notas da UNCITRAL sobre a Organização de
Procedimentos Arbitrais
“Diferentes opiniões podem, contudo, surgir se as tarefas incluírem pesquisas
jurídicas ou outro po de auxílio profissional ao tribunal arbitral (e.g. pesquisa de
jurisprudência ou doutrina sobre questões jurídicas definidas pelo tribunal
arbitral, elaboração de resumos com base na jurisprudência e em publicações, e,
algumas vezes, também a preparação de minutas das decisões procedimentais
ou minutas de certas partes da sentença arbitral, em par cular aquelas rela vas
aos fatos do caso). Opiniões e expecta vas podem divergir especialmente quando
a tarefa do secretário é semelhante às funções profissionais dos árbitros.
Segundo a opinião de alguns doutrinadores, essa atuação do secretário é
inapropriada ou somente é apropriada sob determinadas condições, por
exemplo, sob a concordância das partes. Contudo, é picamente reconhecido ser
importante assegurar que o secretário não exerça nenhuma função de tomada de
decisão do tribunal arbitral”
Parágrafo 27
Quatro Perguntas
• Q1: Se os secretários arbitrais devem ser
u lizados?
• Q2: Qual deve ser o papel de um secretário
arbitral?
• Q3: Quem deve atuar como secretário arbitral?
• Q4: Como o secretário arbitral deve ser
remunerado?
45
THE ICCA REPORTS
Se os secretários arbitrais devem ser
u lizados?
Sim
• Secretários arbitrais devem ser u lizados porque...
– Eles aumentam a eficiência em termos de auxílio na
organização e preparação do tribunal arbitral
– Eles permitem que o tribunal arbitral lide com pe ções
volumosas
– Eles melhoram a qualidade do trabalho feito pelo tribunal
arbitral
– Eles podem agir como um meio de comunicação central entre
as partes e o tribunal arbitral
– Deve ser uma preocupação da comunidade arbitral que jovens
árbitros aprendam as melhores prá cas
46
ANEXO A: SECRETÁRIOS ARBITRAIS
Não
• Secretários arbitrais não devem ser u lizados porque...
– Seu uso encoraja a delegação do mandato dos árbitros
– Seu uso encoraja a espécie de “ghostwriters”
– Seu uso aumenta os custos da arbitragem
Resultado da pesquisa: Aprovação esmagadora em
favor do uso/indicação de secretários arbitrais?
Resultados da Pesquisa: Aprovação generalizada do uso/indicação de
secretários arbitrais?
Não, 5
101 Total de Respostas
Sim, 96
47
THE ICCA REPORTS
Qual deve ser o papel dos
secretários arbitrais?
O papel deles deve ir além de tarefas puramente administra vas?
Não
• O papel dos secretários arbitrais não deve ir além de
tarefas puramente administra vas porque...
– A revisão do caso/alegações/provas é delegada somente aos
árbitros
– A redação de partes da sentença, incluindo o resumo dos fatos
e a análise dos argumentos das partes são relevantes para o
processo de tomada da decisão final
– A redação é modo supremo de controle intelectual
– Da perspec va dos princípios e da tradição, somente era
permi do aos secretários arbitrais a execução de tarefas
administra vas, daí o nome “secretário administra vo”
48
ANEXO A: SECRETÁRIOS ARBITRAIS
Sim
• O papel dos secretários arbitrais deve ir além de tarefas
puramente administra vas porque...
– Isso o mizaria a funcionalidade de tribunais arbitrais
– Isso aumentaria a eficiência do tribunal arbitral na digestão de
volumosos materiais apresentados pelas partes desde que as
tarefas dos secretários arbitrais sejam devidamente
controladas pelos tribunais arbitrais
– Semelhante aos assistentes de juízes e Referendariat: controle
apropriado e adequado do juiz
Resultados da Pesquisa: Quais deveriam ser as tarefas de um secretário arbitral?
90
80
Não-administrativas
70
60
50
40
30
20
10
0
Organizar de reuniões e audiências com as partes (15%)
Organizar e arquivar manifestações e documentos (13%)
Relembrar as partes de reuniões e prazos (12%)
Comunicar-se com as partes em nome do tribunal arbitral (9%)
Comunicar-se com a instituição arbitral (9%)
Realizar pesquisa jurídica (11%)
Minutar ordens processuais (10%)
Minutar trechos da sentença arbitral (8%)
Analisar manifestações das partes (6%)
Comunicar sua opinião ao tribunal arbitral (3%)
Preparar as deliberações para o presidente do tribunal (2%)
Minutar toda a sentença arbitral (2%)
Participar das deliberações do tribunal arbitral (1%)
Outras
93 Respostas
578 Seleções
239 Seleções para tarefas não-administra vas (após a coluna divisória)
Aproximadamente 41% das Seleções
são para tarefas não-administra vas
49
THE ICCA REPORTS
Quem deve atuar com secretário
arbitral?
Idealmente, deve ser um advogado júnior?
Sim
• Um secretário arbitral deve idealmente ser um advogado
júnior porque
– Um advogado júnior do escritório do presidente do tribunal
arbitral/árbitro único teria experiência suficiente com as
tarefas a serem realizadas por um secretário arbitral
– Um advogado sênior sucumbiria com maior facilidade à
tentação de exceder o mandato do secretário arbitral
50
ANEXO A: SECRETÁRIOS ARBITRAIS
Não
• Um secretário arbitral não precisa necessariamente ser
um advogado júnior porque...
– O auxílio eficiente do tribunal arbitral demanda um secretário
arbitral com experiência
– As partes não podem ser oneradas com os custos de
“treinamento” de advogados juniores que se treinam no caso
das partes
Que perfil um secretário arbitral deveria ter
(além das habilidades linguís cas)?
88
98 Respostas
181 Seleções
26
1
Secretário do
escritório ou
assistente
pessoal
6
9
Paralegal
Estudante de
Direito
Advogado em
treinamento
Advogado
júnior
26
25
Advogado
experiente
Jovem árbitro
51
THE ICCA REPORTS
Como os secretários arbitrais devem
ser remunerados?
Os secretários arbitrais devem ser indicados apenas para reduzir os
custos da arbitragem?
Sim
• Os secretários arbitrais devem ser indicados apenas para
reduzir os custos da arbitragem porque, caso contrário...
– haveria compensação por trabalho em duplicidade
– Custos adicionais seriam suportados pelas partes
– Partes normalmente não têm escolha senão aceitar os
honorários do secretário arbitral
52
ANEXO A: SECRETÁRIOS ARBITRAIS
Não
• Os secretários arbitrais não devem ser indicados apenas
para reduzir os custos da arbitragem porque...
– O uso dos secretários arbitrais tem bene cios para as partes assim
como para o tribunal arbitral, o que jus fica a cobrança de
honorários adicionais para os secretários arbitrais
– O uso de secretários arbitrais irá geralmente reduzir os honorários
do tribunal arbitral
– O valor da hora do secretário arbitral é uma fração do valor da hora
do árbitro
– Os honorários dos secretários arbitrais podem ser cobrados como
desembolsos / despesas do tribunal arbitral
Resultado da Pesquisa: forte apoio para o
desenvolvimento de diretrizes
Qual forma devem ter as regras sobre secretários arbitrais?
51
65 Respostas
9
5
Anexos vinculantes às regras de
instituições
Diretrizes de melhores práticas
Outros
53
THE ICCA REPORTS
Precisamos de uma Declaração de
Melhores Prá cas
• O argumento contrário:
Mais uma proliferação desnecessária de regras?
• O argumento a favor:
É necessária orientação para os árbitros, os secretários
arbitrais e as partes, que normalmente pagam os
secretários?
O processo arbitral será beneficiado por uma maior regulamentação do
papel e das funções dos secretários arbitrais?
- 94 Respostas
- 42,6% não crê que o
procedimento arbitral
se beneficia de uma
maior regulamentação
do secretário arbitral
Não
40
Sim
54
54
ANEXO A: SECRETÁRIOS ARBITRAIS
Resultado da Pesquisa: forte apoio para o
desenvolvimento de diretrizes
Qual forma devem ter as regras sobre secretários arbitrais?
51
65 Respostas
9
5
Anexos vinculantes às regras de
instituições
Diretrizes de melhores práticas
Outros
Esboço do Guia sobre o uso de Secretários
Arbitrais (Excertos)
Indicação do Secretário
1. [Registrar o princípio de que os Secretários Arbitrais devem ser
indicados apenas com o consenso de todas as partes na arbitragem.]
2. [Iden ficar em termos gerais o perfil apropriado do Secretário
Arbitral.]
3. [Propor que, ao serem nomeados, os Secretários Arbitrais devem
preencher declarações de independência e imparcialidade.]
4. [Propor que, ao aceitar a nomeação de Secretário Arbitral, as partes
devem aceitar conceder a mesma imunidade ao Secretário Arbitral da
qual o tribunal arbitral se beneficia (e.g. com a máxima extensão
permi da pela lei aplicável, com exceção de atos ilícitos intencionais).]
55
THE ICCA REPORTS
Esboço do Guia sobre o uso de Secretários
Arbitrais (Excertos)
Uso de um Secretário
1. [Apresentar uma lista das tarefas que um Secretário Arbitral pode
legi mamente executar, incluindo:
(A) a revisão das alegações e das provas das partes e redação de memorandos com
resumo dessas alegações e provas para o, e sob a supervisão do, tribunal arbitral;
(B) pesquisa sobre questões de direito para o, e sob a supervisão do, tribunal arbitral;
(C) pesquisa sobre questões específicas relacionadas a prova factual ou depoimentos
testemunhais para o, e sob a supervisão do, tribunal arbitral;
(D) redação de ordens procedimentais, sob a direção e supervisão do tribunal arbitral;
(E) redação de partes apropriadas da(s) sentença(s), sob a direção e supervisão do
tribunal arbitral.]
Esboço do Guia sobre o uso de Secretários
Arbitrais (Excertos)
Uso de um Secretário (cont.)
2. [Considerar a previsão de uma lista de quais tarefas o Secretário
Arbitral não deve executar, incluindo as seguintes:
(A) advogar suas opiniões aos membros do tribunal arbitral sobre o
resultado das questões em disputa;
(B) par cipar a vamente nas deliberações do tribunal arbitral;
(C) redigir partes substan vas (em vez de descri vas) de ordens
processuais ou da(s) sentença(s) sem a direção expressa do tribunal
arbitral sobre o resultado e sobre os fundamentos do resultado da
disputa.]
56
ANEXO A: SECRETÁRIOS ARBITRAIS
Esboço do Guia sobre o uso de Secretários
Arbitrais (Excertos)
Custos do Secretário
1. [Uma das principais jus fica vas para o uso dos Secretários Arbitrais
reside na afirmação de que eles farão com que o processo arbitral se
torne menos custoso para as partes. Por consequência, e como
princípio geral, o uso dos Secretários Arbitrais deveria reduzir – em vez
de aumentar – o custo geral da arbitragem para as partes.]
2. [Como um segundo princípio geral, o guia deve reconhecer que, nos
casos em que a arbitragem está sujeita ao regulamento de arbitragem
de uma ins tuição, quaisquer regras (e polí cas da ins tuição)
relacionadas à nomeação de Secretários Arbitrais regerão a
remuneração.]
Conclusão
Nossa Recomendação:
Prosseguir com a criação dessa
Declaração de Melhores Prá cas
Nosso convite:
Ao Young ICCA para conduzir esse projeto adiante
57
ANEXO B
Resultados da Pesquisa de 2012
1. Eu fui/tive experiência como:
1–5
anos
6 – 10
anos
11 – 15
anos
16 – 20
anos
+ 20
anos
Número
de
Respostas
Árbitro
33,9% (21)
25,8% (16)
21,0% (13)
6,5% (4)
16,1% (10)
62
Secretário
arbitral
Instituição
arbitral
Advogado
57,1% (28)
24,5% (12)
16,3% (8)
0,0% (0)
2,0% (1)
49
27,8% (5)
33,3% (6)
11,1% (2)
5,6% (1)
22,2% (4)
18
30,6% (22)
25,0% (18)
22,2% (16)
11,1% (8)
16,7% (12)
72
Usuário
(parte)
42,9% (3)
14,3% (1)
28,6% (2)
14,3% (1)
0,0% (0)
7
Responderam à questão
103
Pularam a questão
3
2. Você aprova o uso de secretários arbitrais?
Porcentagem de
respostas
Número
de
respostas
Sim
95,0%
96
Não
5,0%
5
Por quê? (Explique por favor)
64
Responderam à questão
101
Pularam a questão
5
59
THE ICCA REPORTS
3. Se sim na pergunta anterior, qual o principal motivo de se indicar um secretário arbitral?
Porcentagem
de respostas
Número
de
respostas
94,8%
92
21,6%
21
21,6%
21
Economizar tempo
57,7%
56
Reduzir custos
58,8%
57
Outro motivo (por favor
especifique)
4,1%
4
Responderam à questão
97
Pularam a questão
9
Para auxiliar
presidente do
tribunal/árbitro único
Ensinar o secretário a
como se tornar um
árbitro
Para proporcionar a um
associado júnior uma
primeira experiência
direta com arbitragem
4. Se não, qual o principal motivo para se evitar a indicação de um secretário arbitral?
Porcentagem
de respostas
Número
de
respostas
Derrogação das
responsabilidades
de um árbitro
80,0%
12
Custos
20,0%
3
Outro motivo (por favor especifique)
3
Responderam à questão
15
Pularam a questão
91
60
ANEXO B: PESQUISA DE 2012
5. Onde se encontrar um potencial secretário arbitral?
Porcentagem
de respostas
Entre os
funcionários do
presidente/
árbitro único
Lista fornecida por
uma instituição
Qualquer lugar
Número de
respostas
69,4%
68
14,3%
14
29,6%
29
Responderam à questão
98
Pularam a questão
8
6. Qual perfil um secretário arbitral deve ter (além de habilidades com idiomas)?
Porcentagem
de respostas
Número
de
respostas
Secretário do
escritório ou
assistente pessoal
1,0%
1
Paralegal
6,1%
6
Estudante de Direito
9,2%
9
Trainee
26,5%
26
Advogado júnior
89,8%
88
Advogado experiente
26,5%
26
Jovem árbitro
25,5%
25
Responderam à questão
98
Pularam a questão
8
61
THE ICCA REPORTS
7. Qual perfil um secretário arbitral não deve ter?
Porcentagem
de respostas
Número de
respostas
Secretário do
escritório ou
assistente pessoal
81,1%
73
Paralegal
48,9%
44
Estudante de
Direito / Trainee
43,3%
39
Advogado júnior
4,4%
4
Advogado
experiente
33,3%
30
Jovem árbitro
21,1%
19
Outros (por favor
especifique)
7,8%
7
Responderam à questão
90
Pularam a questão
16
8. Devem as partes consentir à indicação de um secretário arbitral?
Porcentagem Número de
de respostas respostas
Sim, sempre
Não
Apenas se forem
contatados por essa
pessoa
Apenas se essa pessoa
comparecer a reuniões e
audiências
Apenas se as regras de
arbitragem o exigirem
Em outros casos (por
favor especifique)
62
72,4%
71
3,1%
3
2,0%
2
6,1%
6
13,3%
13
3,1%
3
Responderam à questão
98
Pularam a questão
8
ANEXO B: PESQUISA DE 2012
9. Qual informação deve ser informada a respeito do secretário arbitral?
Porcentagem Número
de respostas de
respostas
Nome
95,9%
93
Nacionalidade
77,3%
75
Cargo / Posição
91,8%
89
70,1%
68
24,7%
24
Responderam à questão
97
Pularam a questão
9
Porcentagem
de respostas
Número
de
respostas
Experiência
profissional
Outras (por
favor
especifique)
10. O que deve ser negociado com as partes?
A escolha da
pessoa
Os pré-requisitos
da escolha
Os termos da
indicação
Tarefas e deveres
do secretário
Remuneração e
despesas
28,9%
28
13,4%
13
48,5%
47
61,9%
60
79,4%
77
Responsabilidade
12,4%
12
Outros (por favor
especifique)
9,3%
9
Responderam à questão
97
Pularam a questão
9
63
THE ICCA REPORTS
11. Deve-se informar a respeito da assistência de um advogado/paralegal que não tenha sido
formalmente indicado como secretário arbitral?
Porcentagem
Número de
de respostas
respostas
Sim, em todos os
casos
37,2%
35
Não, nunca
3,2%
3
17,0%
16
14,9%
14
9,6%
9
1,1%
1
17,0%
16
Responderam à questão
94
Pularam a questão
12
Se a pessoa escolhida
não trabalha no
escritório do árbitro
Se a pessoa contata
diretamente as partes
Se a pessoa participa
das audiências
Se o trabalho da
pessoa restringe-se a
funções
organizacionais ou
administrativas
Cabe ao árbitro decidir
12. Deve o secretário arbitral apresentar uma declaração de independência como o(s)
árbitro(s)?
Porcentagem
Número de
de respostas
respostas
64
Sim
55,1%
54
Não
44,9%
44
Responderam à questão
98
Pularam a questão
8
ANEXO B: PESQUISA DE 2012
13. Devem se aplicar as Diretrizes da IBA sobre Conflito de Interesses aos secretários
arbitrais?
Porcentagem
Número de
de respostas
respostas
Sim
54,2%
52
Não
45,8%
44
Responderam à questão
96
Pularam a questão
10
14. Deve o secretário arbitral declarar as mesmas informações que o(s) árbitro(s)?
Porcentagem
de respostas
Número de
respostas
Sim
52,6%
50
Não
47,4%
45
Responderam à questão
95
Pularam a questão
11
15. Se sim, quem deve decidir a matéria?
Porcentagem de
respostas
O presidente do
tribunal
O tribunal
arbitral
A instituição
arbitral
A corte estatal da
sede da
arbitragem
Número de
respostas
15,6%
10
46,9%
30
35,9%
23
1,6%
1
Responderam à questão
95
Pularam a questão
11
65
THE ICCA REPORTS
16. Quais são as tarefas do secretário arbitral na prática?
Porcentagem Número
de respostas
de
respostas
Organizar e
arquivar
manifestações e
documentos
Organizar
reuniões e
audiências com as
partes
Relembrar as partes
de reuniões e
prazos
Realizar pesquisa
jurídica
Redigir ordens
processuais
Analisar
manifestações das
partes
Redigir trechos da
sentença arbitral
Redigir toda a
sentença arbitral
Comunicar-se com
as partes em nome
do tribunal arbitral
Comunicar-se com
a instituição arbitral
Dar sua opinião
sobre o caso ao
tribunal arbitral
Participar de
deliberações pelo
presidente
Participar do
processo de tomada
de decisão do
tribunal arbitral
Outras (por favor
especificar)
66
86,0%
80
90,3%
84
74,2%
69
80,6%
75
77,4%
72
62,4%
58
69,9%
65
26,9%
25
69,9%
65
71,0%
66
25,8%
24
16,1%
15
17,2%
16
10,8%
10
Responderam à questão
93
Pularam a questão
13
ANEXO B: PESQUISA DE 2012
17. Quais deveriam ser tarefas do secretário arbitral?
Porcentagem
de respostas
Organizar e
arquivar
manifestações e
documentos
Organizar
reuniões e
audiências com as
partes
Relembrar as partes
de reuniões e
prazos
Realizar pesquisa
jurídica
Redigir ordens
processuais
Analisar as
alegações das
partes
Redigir parte da
sentença arbitral
Redigir a sentença
arbitral inteira
Comunicar-se com
as partes em nome
do tribunal arbitral
Comunicar-se com
a instituição arbitral
Dar sua opinião
sobre o caso ao
tribunal arbitral
Preparar
deliberações pelo
presidente
Participar do
processo de tomada
de decisão do
tribunal arbitral
Outras (por favor
especificar)
Número
de
respostas
79,6%
74
88,2%
82
74,2%
69
68,8%
64
60,2%
56
38,7%
36
45,2%
42
7,5%
7
57,0%
53
54,8%
51
17,2%
16
14,0%
13
5,4%
5
10,8%
10
Responderam à questão
93
Pularam a questão
13
67
THE ICCA REPORTS
18. Quem controla o secretário arbitral?
Porcentagem
de respostas
Número de
respostas
O presidente do
tribunal
55,2%
53
O tribunal arbitral
44,8%
43
A instituição
arbitral
0,0%
0
Ninguém
0,0%
0
Responderam à questão
96
Pularam a questão
10
19. O secretário arbitral pode ser responsabilizado por seus atos?
Porcentagem
de respostas
Número de
respostas
Sim
34,4%
32
Não
65,6%
61
Responderam à questão
93
Pularam a questão
13
20. Se não, quem deve assumir a responsabilidade?
Porcentagem
de respostas
O árbitro que
indicou o secretário
O presidente do
tribunal/árbitro
único
O tribunal arbitral
como um todo
68
Número
de
respostas
23,1%
15
21,5%
14
55,4%
36
Responderam à questão
65
Pularam a questão
41
ANEXO B: PESQUISA DE 2012
21. O que acontece se um secretário arbitral excede suas tarefas?
Porcentagem
de respostas
O árbitro que o
indicou pode ser
destituído
A sentença
arbitral pode ser
anulada
Outros (por favor
especificar)
Número de
respostas
22,5%
18
50,0%
40
27,5%
22
Responderam à questão
80
Pularam a questão
26
22. Você acredita que a indicação de um secretário arbitral é uma forma de melhorar a
relação custo-benefício de um procedimento arbitral?
Porcentagem
Número
de respostas
de
respostas
Sim
Apenas em
procedimentos com
árbitros únicos
Apenas em
procedimentos com
três árbitros
Apenas em
arbitragens
institucionais
Apenas em
arbitragens ad hoc
Apenas em casos
pequenos
Apenas em casos
grandes
Não
70,5%
67
2,1%
2
1,1%
1
1,1%
1
3,2%
3
0,0%
0
13,7%
13
8,4%
8
Responderam à questão
95
Pularam a questão
11
69
THE ICCA REPORTS
23. Quem deve arcar com os custos do secretário arbitral em uma arbitragem?
Porcentagem
de respostas
Número de
respostas
O presidente do tribunal /
árbitro único
22,1%
21
O tribunal arbitral
30,5%
29
As partes
62,1%
59
Responderam à questão
95
Pularam a questão
11
Porcentagem
de respostas
Número de
respostas
O árbitro
16,1%
15
O tribunal arbitral
54,8%
51
As partes
41,9%
39
A instituição, se houver
23,7%
22
Responderam à questão
93
Pularam a questão
13
24. Quem define os custos de um secretário arbitral?
25. Como deve ser definida a remuneração de um secretário arbitral?
Porcentagem
de respostas
Número de
respostas
Base horária
17,9%
14
Quantia fixa
10,3%
8
55,1%
43
16,7%
13
Base horária mais
despesas
Quantia fixa mais
despesas
Outras (por favor
especificar)
70
14
Responderam à questão
78
Pularam a questão
28
ANEXO B: PESQUISA DE 2012
26. É necessário alterar a prática atual em relação aos secretários arbitrais?
Porcentagem
de respostas
Número de
respostas
Sim
58,9%
53
Não
41,1%
37
Se sim, por favor explique
47
Responderam à questão
90
Pularam a questão
16
27. O processo arbitral beneficiar-se-á de uma maior regulamentação do papel e função dos
secretários arbitrais?
Porcentagem
Número de
de respostas
respostas
Sim
57,4%
54
Não
42,6%
40
Responderam à questão
94
Pularam a questão
12
28. Se sim, que forma deveria ter essa regulamentação?
Anexos
vinculantes às
regras de
arbitragem
Diretrizes de
melhores
práticas
Outros (por
favor
especificar)
Porcentagem
de respostas
Número
de
respostas
13,8%
9
78,5%
51
7,7%
5
Responderam à questão
65
Pularam a questão
41
71
THE ICCA REPORTS
29. Se sim, o que essas diretrizes deveriam incluir em específico?
Porcentagem
de respostas
Deveres e tarefas
do secretário
Qualificações
mínimas
Número
de
respostas
64,5%
40
3,2%
2
Restrições
0,0%
0
Independência
6,5%
4
Custos
6,5%
4
Outros (por favor
especificar)
19,4%
12
Responderam à questão
65
Pularam a questão
41
30. Comentários adicionais?
Número de
respostas
13
72
Responderam à questão
13
Pularam a questão
93
ANEXO C
Resultados da Pesquisa de 2013
1. Eu sou um(a):
Porcentagem
de respostas
Número
de
respostas
Árbitro
80,8%
80
Advogado
69,7%
69
Instituição
3,0%
3
Parte
(usuário de
arbitragem
internacional)
2,0%
2
Por favor fornecer comentários adicionais
4
Responderam à questão
99
Pularam a questão
1
2. O secretário arbitral deve ser habilitado a exercer a advocacia em pelo menos
uma jurisdição?
Porcentagem
Número
de respostas
de
respostas
Sim
75,8%
69
Não
24,2%
22
Por favor comentar
19
Responderam à questão
91
Pularam a questão
9
73
THE ICCA REPORTS
3. O secretário arbitral deve possuir um mínimo de experiência após a graduação?
Porcentagem
de respostas
Número
de
respostas
Sim
42,9%
39
Não
57,1%
52
Por favor comentar
18
Responderam à questão
91
Pularam a questão
9
4. Se sim à pergunta 3, quantos anos?
Porcentagem
de respostas
Número
de
respostas
1
26,2%
11
2
38,1%
16
3
21,4%
9
Outra (por favor
especificar)
14,3%
6
Responderam à questão
42
Pularam a questão
58
5. O secretário arbitral deve possuir um máximo de experiência após a graduação?
74
Porcentage
m de
respostas
Número
de
respostas
Sim
6,6%
6
Não
93,4%
85
Por favor comentar
15
Responderam à questão
91
Pularam a questão
9
ANEXO C: PESQUISA DE 2013
6. Se sim à pergunta 5, quantos anos?
Porcentagem
de respostas
Número de
respostas
4
14,3%
1
5
28,6%
2
6
0,0%
0
7
28,6%
2
Outra (por favor
especificar)
28,6%
2
Responderam à questão
7
Pularam a questão
93
7. Quem deve propor a indicação de um secretário arbitral?
Porcentage
m de
respostas
Número
de
respostas
O tribunal arbitral
94,5%
86
A instituição arbitral
13,2%
12
As Partes
15,4%
14
Por favor comentar
13
Responderam à questão
91
Pularam a questão
9
75
THE ICCA REPORTS
8. Quem deve indicar o secretário arbitral?
O tribunal
arbitral
A
instituição
arbitral
As Partes
Porcentagem
de respostas
Número
de
respostas
81,3%
74
15,4%
14
3,3%
3
Por favor comentar
17
Responderam à questão
91
Pularam a questão
9
9. Se as partes não são responsáveis por propor seu uso ou indicar um secretário
arbitral, deve se dar a oportunidade para que elas se oponham à indicação de um
secretário arbitral em específico?
76
Porcentagem
de respostas
Número
de
respostas
Sim
91,2%
83
Não
8,8%
8
Por favor comentar
12
Responderam à questão
91
Pularam a questão
9
ANEXO C: PESQUISA DE 2013
10. Devem as partes consentir em geral com a indicação de um secretário arbitral?
Porcentagem
de respostas
Número
de
respostas
Sim
76,9%
70
Não
23,1%
21
Por favor comentar
11
Responderam à questão
91
Pularam a questão
9
11. Devem as partes consentir com a indicação de um secretário arbitral em
específico?
Porcentagem
Número
de respostas
de
respostas
Sim
75,8%
69
Não
24,2%
22
Por favor comentar
14
Responderam à questão
91
Pularam a questão
9
77
THE ICCA REPORTS
12. Se as partes não concordarem com a indicação de um secretário arbitral com
base em questões de confidencialidade, deve ainda assim um secretário arbitral ser
indicado caso o Tribunal Arbitral assim o deseje?
Porcentagem
de respostas
Número de
respostas
Sim
26,4%
24
Não
73,6%
67
Por favor comentar
20
Responderam à questão
91
Pularam a questão
9
13. Se as partes não concordarem com a indicação de um secretário arbitral com
base em questões de conflito de interesses, deve ainda assim um secretário arbitral
ser indicado caso o Tribunal Arbitral assim o deseje?
Porcentagem
de respostas
Número de
respostas
Sim
18,7%
17
Não
81,3%
74
Por favor comentar
12
Responderam à questão
91
Pularam a questão
9
14. Deve-se exigir que o secretário arbitral apresente seu curriculum vitae?
78
Porcentagem
de respostas
Número de
respostas
Sim
73,6%
67
Não
26,4%
24
Por favor comentar
9
Responderam à questão
91
Pularam a questão
9
ANEXO C: PESQUISA DE 2013
15. Deve-se exigir que o secretário arbitral apresente uma declaração de
independência e imparcialidade?
Porcentagem
Número
de respostas
de
respostas
Sim
83,5%
76
Não
16,5%
15
Por favor comentar
7
Responderam à questão
91
Pularam a questão
9
16. Deve um tribunal arbitral ser capaz de fazer uso de um secretário arbitral, mas
não indicá-lo formalmente, tampouco informar as partes a respeito de seu
envolvimento?
Porcentagem
Número
de respostas
de
respostas
Sim
25,3%
23
Não
74,7%
68
Por favor comentar
22
Responderam à questão
91
Pularam a questão
9
17. Deve um secretário arbitral organizar reuniões e audiências?
Porcentagem
de respostas
Número
de
respostas
Sim
95,6%
87
Não
4,4%
4
Por favor comentar
9
Responderam à questão
91
Pularam a questão
9
79
THE ICCA REPORTS
18. Deve um secretário arbitral organizar e arquivar manifestações e documentos?
Porcentagem
de respostas
Número
de
respostas
Sim
80,2%
73
Não
19,8%
18
Por favor comentar
14
Responderam à questão
91
Pularam a questão
9
19. Deve um secretário arbitral realizar pesquisa jurídica?
Porcentagem
de respostas
Número
de
respostas
Sim
85,7%
78
Não
14,3%
13
Por favor comentar
19
Responderam à questão
91
Pularam a questão
9
20. Deve um secretário arbitral analisar e resumir as manifestações das partes para
o tribunal arbitral?
Porcentagem
Número
de respostas
de
respostas
80
Sim
49,5%
45
Não
50,5%
46
Por favor comentar
23
Responderam à questão
91
Pularam a questão
9
ANEXO C: PESQUISA DE 2013
21. Deve um secretário arbitral identificar documentos-chave ou provas mais
importantes?
Porcentagem
Número
de respostas
de
respostas
Sim
47,3%
43
Não
52,7%
48
Por favor comentar
16
Responderam à questão
91
Pularam a questão
9
22. Deve um secretário arbitral redigir ordens processuais ou documentos
similares?
Porcentagem
Número
de respostas
de
respostas
Sim
71,4%
65
Não
28,6%
26
Por favor comentar
23
Responderam à questão
91
Pularam a questão
9
23. Deve um secretário arbitral ser responsável pela comunicação com a instituição
arbitral?
Porcentagem
Número
de respostas
de
respostas
Sim
73,6%
67
Não
26,4%
24
Por favor comentar
15
Responderam à questão
91
Pularam a questão
9
81
THE ICCA REPORTS
24. Deve um secretário arbitral ser responsável pela comunicação com as partes?
Porcentagem
de respostas
Número
de
respostas
Sim
58,2%
53
Não
41,8%
38
Por favor comentar
26
Responderam à questão
91
Pularam a questão
9
25. Deve um secretário arbitral comparecer às deliberações do Tribunal?
Porcentagem
de respostas
Número
de
respostas
Sim
72,5%
66
Não
27,%
25
Por favor comentar
26
Responderam à questão
91
Pularam a questão
9
26. Deve um secretário arbitral participar das deliberações do Tribunal?
82
Porcentagem
de respostas
Número
de
respostas
Sim
16,5%
15
Não
83,5%
76
Por favor comentar
19
Responderam à questão
91
Pularam a questão
9
ANEXO C: PESQUISA DE 2013
27. Deve um secretário arbitral preparar a primeira minuta da sentença arbitral?
Porcentagem
de respostas
Número
de
respostas
Sim
33,0%
30
Não
67,0%
61
Por favor comentar
18
Responderam à questão
91
Pularam a questão
9
28. Se “não” à Questão n.º 27, deve um secretário arbitral preparar partes da
sentença arbitral?
Porcentagem
Número
de respostas
de
respostas
Sim
63,5%
40
Não
36,5%
23
Por favor comentar
29
Responderam à questão
63
Pularam a questão
37
29. Se “sim” à Questão n.º 27, deve um secretário arbitral preparar a seção do
“histórico procedimental” da sentença arbitral?
Porcentagem
Número
de respostas
de
respostas
Sim
84,9%
62
Não
15,1%
11
Por favor comentar
11
Responderam à questão
73
Pularam a questão
27
83
THE ICCA REPORTS
30. Se “sim” à Questão n.º 27, deve um secretário arbitral preparar a seção dos
“fatos” da sentença arbitral?
Porcentagem
Número
de respostas
de
respostas
Sim
69,4%
50
Não
30,6%
22
Por favor comentar
15
Responderam à questão
72
Pularam a questão
28
31. Se “sim” à Questão n.º 27, deve um secretário arbitral preparar a seção das
“posições das partes” da sentença arbitral?
Porcentagem
Número
de respostas
de
respostas
Sim
65,3%
47
Não
34,7%
25
Por favor comentar
10
Responderam à questão
72
Pularam a questão
28
32. Se “sim” à Questão n.º 27, deve um secretário arbitral preparar a seção da
“fundamentação” da sentença arbitral?
Porcentagem
Número
de respostas
de
respostas
84
Sim
31,9%
22
Não
68,1%
47
Por favor comentar
14
Responderam à questão
69
Pularam a questão
31
ANEXO C: PESQUISA DE 2013
33. Em geral, quem deve arcar com os custos de um secretário arbitral?
Porcentagem
de respostas
Número
de
respostas
Partes
39,5%
34
Tribunal
Arbitral
60,5%
52
Por favor comentar
22
Responderam à questão
86
Pularam a questão
14
34. Quem deve arcar com os custos de um secretário arbitral se o tribunal arbitral é
remunerado pelas horas trabalhadas?
Porcentagem
Número
de respostas
de
respostas
Partes
54,7%
47
Tribunal Arbitral
45,3%
39
Por favor comentar
13
Responderam à questão
86
Pularam a questão
14
35. Quem deve arcar com os custos de um secretário arbitral se o tribunal arbitral é
remunerado por uma quantia fixa?
Porcentagem
Número
de respostas
de
respostas
Partes
34,9%
30
Tribunal
Arbitral
65,1%
56
Por favor comentar
10
Responderam à questão
86
Pularam a questão
14
85
THE ICCA REPORTS
36. Se um tribunal arbitral arca com a remuneração de um secretário arbitral, deve
remuneração ser custeada pelos honorários dos árbitros?
Porcentagem
de respostas
Número de
respostas
Sim
86,0%
74
Não
14,0%
12
Por favor comentar
11
Responderam à questão
86
Pularam a questão
14
37. Se a remuneração de um secretário arbitral é custeada pelos honorários dos
árbitros, deve tal custeio recair apenas sobre os honorários do presidente do
tribunal?
Porcentagem
de respostas
Número de
respostas
Sim
25,6%
22
Não
74,4%
64
Por favor comentar
13
Responderam à questão
86
Pularam a questão
14
38. Deve um secretário arbitral ser remunerado por uma quantia fixa ou por horas
trabalhadas?
Porcentagem
de respostas
86
Número de
respostas
Horas
trabalhadas
64,0%
55
Quantia fixa
36,0%
31
Por favor comentar
19
Responderam à questão
86
Pularam a questão
14
ANEXO C: PESQUISA DE 2013
39. Em caso de horas trabalhadas, quem deve estabelecer o valor da hora do
secretário arbitral?
Porcentagem
de respostas
Tribunal
arbitral
Secretário
arbitral
Instituição
arbitral
Partes
Número de
respostas
59,2%
42
2,8%
2
18,3%
13
19,7%
14
Por favor comentar
24
Responderam à questão
71
Pularam a questão
29
40. Em caso de horas trabalhadas, qual seria um valor apropriado?
Porcentagem
de respostas
Número de
respostas
Menos de US$ 100
11,6%
10
US$ 100-125
8,1%
7
US$ 126-150
14,0%
12
US$ 151-175
7,0%
6
US$ 176-200
14,0%
12
US$ 201-225
15,1%
13
US$ 226-250
11,6%
10
US$ 251-275
0,0%
0
US$ 276-300
8,1%
7
Mais de US$ 300
10,5%
9
Outros (por favor especificar)
25
Responderam à questão
86
Pularam a questão
14
87
THE ICCA REPORTS
41. Em caso de horas trabalhadas, deve haver um limite para o número máximo de
horas as quais um secretário arbitral possa receber?
Porcentagem
Número
de respostas
de
respostas
Sim
52,3%
45
Não
47,7%
41
Por favor comentar
9
Responderam à questão
86
Pularam a questão
14
42. Em caso de quantia fixa, deve tal quantia estar vinculada ao valor total em
disputa na arbitragem?
Porcentagem
Número
de respostas
de
respostas
88
Sim
53,5%
46
Não
46,5%
40
Por favor comentar
9
Responderam à questão
86
Pularam a questão
14
ANEXO C: PESQUISA DE 2013
43. Em caso de quantia fixa, quem deve determinar tal quantia que cabe ao
secretário arbitral?
Porcentagem
Número
de respostas
de
respostas
Partes
17,4%
15
Tribunal
arbitral
57,0%
49
Secretário arbitral
25,6%
22
Instituição
arbitral
0,0%
0
Por favor comentar
20
Responderam à questão
86
Pularam a questão
14
44. Se as partes não concordarem com a indicação de um secretário arbitral com
base em questões de custos, deve ainda assim um secretário arbitral ser indicado
caso o Tribunal Arbitral esteja disposto a arcar com os custos?
Porcentagem
Número
de respostas
de
respostas
Sim
76,7%
66
Não
23,3%
20
Por favor comentar
13
Responderam à questão
86
Pularam a questão
14
89
ANEXO D
Melhores Práticas do Young ICCA para indicação e uso de Secretários
Arbitrais (sem Comentários)
Artigo 1. Princípios Gerais para indicação e uso de secretários arbitrais
(1)
Um secretário arbitral deve ser indicado para auxiliar o tribunal arbitral
quando este considerar que tal indicação irá ajudá-lo na resolução da disputa
de uma maneira eficaz e eficiente.
(2)
Um secretário arbitral somente pode ser indicado com a ciência e
consentimento das partes.
(3)
Um tribunal arbitral deve notificar as partes sobre sua intenção de indicar um
secretário arbitral na primeira oportunidade.
(4)
Deve ser responsabilidade de cada árbitro não delegar qualquer parte do seu
mandato pessoal para qualquer outra pessoa, incluindo o secretário arbitral.
(5)
Deve ser responsabilidade do tribunal arbitral a seleção apropriada e a
supervisão do secretário arbitral.
(6)
Quando uma arbitragem for um procedimento regido por um regulamento
arbitral institucional, qualquer regra ou política da instituição relacionada a
secretários arbitrais será aplicável.
Artigo 2. Nomeação de Secretários Arbitrais
(1)
O tribunal arbitral pode sugerir às partes a nomeação de um secretário arbitral.
A seleção de um candidato adequado deverá ser feita a critério do tribunal
arbitral, levando em consideração todas as circunstâncias do caso.
(2)
O tribunal arbitral deverá propor um candidato para o cargo de secretário
arbitral e fornecerá às partes seu curriculum vitae, incluindo todo histórico
educacional e profissional relevante, bem como sua experiência atuando como
secretário arbitral. O tribunal arbitral deve também divulgar a nacionalidade de
qualquer candidato a ser nomeado.
(3)
O tribunal arbitral deve confirmar às partes que o candidato proposto para
secretário arbitral é independente, imparcial e isento de quaisquer conflitos de
interesse. O tribunal arbitral notificará as partes se as circunstâncias de
independência e imparcialidade do secretário arbitral mudarem, ou se um
conflito de interesses surgir no curso da arbitragem.
(4)
Deve-se garantir às partes a oportunidade de impugnar a nomeação do
secretário arbitral. A impugnação deve ser acompanhada de razões que
justificam a recusa.
(5)
O tribunal arbitral julgará a impugnação, a não ser que a instituição que
administra o procedimental arbitral tenha regras específicas a esse respeito.
(6)
Caso não sejam feitas impugnações, ou o tribunal arbitral as julgue
improcedentes, a nomeação definitiva do secretário arbitral pode ser feita pelo
tribunal arbitral.
91
THE ICCA REPORTS
(7)
(8)
As partes devem acordar a mesma imunidade ao secretário arbitral que é
conferida ao tribunal arbitral.
O secretário arbitral está sujeito às mesmas obrigações de confidencialidade e
privacidade às quais se submete o tribunal arbitral.
Artigo 3. Função do Secretário Arbitral
(1)
Com direcionamento e supervisão apropriados do tribunal arbitral, a função do
secretário arbitral pode legitimamente ir além da puramente administrativa.
(2)
Com base nisso, as tarefas do secretário arbitral podem envolver todas ou
algumas das seguintes:
(a)
Assunção de questões administrativas quando necessário na ausência de uma
instituição;
(b)
Comunicação com a instituição arbitral e as partes;
(c)
Organização de reuniões e audiências com as partes;
(d)
Administração e organização de correspondências, petições e provas em nome
do tribunal arbitral;
(e)
Pesquisa de questões de direito;
(f)
Pesquisa de questões específicas relativas a provas fáticas e depoimentos
testemunhais;
(g)
Redação de ordens processuais e documentos similares;
(h)
Revisão das petições e provas apresentadas pelas partes, e redação de
cronologias e memorandos resumindo as petições e provas das partes;
(i)
Estar presente nas deliberações do tribunal arbitral;
(j)
Redação de partes apropriadas da sentença arbitral.
Artigo 4. Custos
(1)
Como princípio geral, o uso de um secretário arbitral deve reduzir os custos
gerais da arbitragem ao invés de aumentá-los.
(2)
A remuneração do secretário arbitral deve ser razoável e proporcional às
circunstâncias do caso e deve ser transparente desde o início da arbitragem.
(3)
A não ser quando diversamente determinado pela instituição arbitral ou
acordado pelas partes, a remuneração e despesas razoáveis do secretário
arbitral devem ser pagas: (i) por meio da parcela dos honorários do Tribunal
Arbitral, nos casos em que o Tribunal Arbitral for remunerado com base no
valor em disputa; ou (ii) pelas partes, nos casos em que o Tribunal Arbitral for
remunerado com base nas horas trabalhadas.
92
Fly UP