...

Edição 150

by user

on
Category: Documents
2

views

Report

Comments

Transcript

Edição 150
Revista Brasileira do Aço
Ano 22 - Edição 150
Agosto/Setembro 2013
E O DESAFIO CONTINUA
Devido as exportações estarem em queda e o consumo interno abaixo do esperado, o mercado siderúrgico
tem intensificado a busca por novas oportunidades
No final de agosto, o Instituto Aço Brasil anunciou que
reviu os números de projeção para o fechamento de 2013.
Segundo a instituição, a produção de aço bruto deverá
atingir 34,5 milhões de toneladas, aproximadamente o
mesmo número de 2012. As exportações do aço brasileiro
devem chegar a 8,5 milhões de toneladas (queda de 13%
em relação ao ano passado) e as importações poderão atingir 3,2 milhões de toneladas (baixa de 14,4%). As vendas
internas estão estimadas em 22,8 milhões de toneladas, o
que significa 5,3% a mais do que no ano passado, enquanto o consumo aparente promete subir para 26 milhões de
toneladas (+3,2%).
Para 2014, o Instituto Aço Brasil espera que o consumo aparente de produtos siderúrgicos alcance o patamar
de 27 milhões de toneladas (3,8% acima de 2013).
Ainda que as projeções mostrem a perda da competitividade dos produtos brasileiros e o excedente de oferta
de aço no mercado internacional (que superou o patamar
de 580 milhões de toneladas), as siderúrgicas brasileiras
continuam trabalhando e empenhadas em defender território, como mostra a entrevista realizada com o diretor
comercial da Soluções Usiminas, Hector Aguilera.
Revista Brasileira do Aço – Quais são as expectativas da
siderurgia nacional para o segundo semestre de 2013?
Hector Aguilera – Normalmente, o segundo semestre
é mais robusto que o primeiro. Temos previsão de incrementar as vendas em vários segmentos: automotivo, autopeças, máquinas agrícolas e mineração. No mercado da
distribuição e construção civil vemos um mercado similar
aos primeiros seis meses.
Revista Brasileira do Aço – O setor tem feito investimentos? Justifique.
Hector Aguilera – O Grupo Usiminas tem projetos de
modernização de suas linhas produtivas e aumento do
conteúdo tecnológico de seu portifólio. Em particular, a
Soluções Usiminas finalizou investimentos em várias plantas, e agora esperamos colher os frutos com crescimento na
participação de mercado em diversos segmentos: tubos de
Capa
condução, mineração, estruturas metálicas e implementos
rodoviários, linhas de blanks para atendimento ao mercado
de montadoras e autopeças, slitter e chapa para atendimento de vários setores industriais e distribuição.
Revista Brasileira do Aço – Como a Usiminas tem
trabalhado o setor automotivo? Está em crescimento
ou estagnado?
Hector Aguilera – A Usiminas é o principal fornecedor
da indústria automotiva nacional. Nos últimos anos, as usinas do grupo inauguraram um novo laminador de tiras
a quente e uma nova linha de galvanização
por imersão a quente, capazes de ofertar
produtos de alta tecnologia. Em complemento, a Soluções Usiminas tem
acompanhado esta evolução também com novos investimentos
para somar mais tecnologia e
qualidade para os clientes.
A força deste sistema industrial integrado – Usiminas/
Soluções Usiminas – tem sido
um diferencial relevante de
mercado, por meio de processos
produtivos mais modernos, maior
capacidade de atendimento e serviços. Nesse contexto, o Grupo Usiminas
recebe premiações de diversas montadoras
e eleito para o fornecimento de novas plantas
automotivas no Brasil.
É um sinal de que o mercado reconhece este trabalho
de melhoria contínua, o que resulta na ampliação de novas
possibilidades de parcerias.
Revista Brasileira do Aço – No caso da Soluções Usiminas, quais são os maiores desafios de 2013? Explicar.
Hector Aguilera – O maior desafio da Soluções Usiminas
é sempre melhorar a produtividade das nossas plantas para
incrementar a competitividade nos mercados que atendemos. Além de continuar fortalecendo o modelo de controle da
gestão que temos incorporado
Hector Aguilera
desde início de 2012.
Diretor Comercial da Soluções Usiminas
Revista Brasileira do Aço –
Quais são as projeções da empresa para 2014? Haverá investimentos? Quais?
Hector Aguilera – Para 2014, temos perspectivas
moderadas e alinhadas com o crescimento da economia
brasileira. Porém, aumentaremos ainda mais a nossa participação no mercado, principalmente contra as importações, maximizando a capacidade atual das nossas linhas. Temos vários
projetos de investimentos para ampliação da
capacidade de processamento em nossas
plantas de Santa Luzia, MG, Serra, PE,
e Humaitá, RS. Temos investimentos
importantes em TI para acompanhar
processos industriais, comerciais e
de supply chain. E novos meios
de conectividade com os nossos clientes por intermédio de
nossa Extranet.
Revista Brasileira do
Aço – Qual sua opinião para os
próximos anos da siderurgia?
Hector Aguilera – A siderurgia no
Brasil tem vários riscos que podem afetar
o desempenho durante os próximos anos.
Principalmente o comércio desleal de países
com excedentes de capacidade, a exemplo da
China e Índia, mas não só de produtos siderúrgicos, como
também de bens de capital destinados ao consumo (importações indiretas de aço).
Acreditamos que a concorrência entre empresas é
sempre saudável, mas competir contra países com políticas predatórias de mercado é muito complicado. A necessidade de continuar investindo em melhoria contínua de
produtividade e a ampliação da carteira de produtos que
melhorem o desempenho da cadeia de valor serão a chave
para a consolidação das empresas do setor. a
Expediente
Diretoria Executiva
Presidente
Carlos Jorge Loureiro
Vice-presidente
José Eustáquio de Lima
Diretor administrativo e financeiro
Miguel Jorge Locatelli
Diretor para assuntos extraordinários
Carlos Henrique Rotella
2 | Capa
Revista Brasileira do Aço
Conselho Diretor
Alberto Piñeira Graña, Raphael Carmagnani,
Cláudio Sidnei Moura, Heuler de Alemida,
René Kahler Junior
Superintendente
Gilson Santos Bertozzo
Conselheiro Editorial
Oberdan Neves Oliveira
11 2272-2121 [email protected]
Editora Isis Moretti (Mtb 36.471)
[email protected]
Projeto gráfico, diagramação e editoração www.criatura.com.br
Impressão Pigma
Distribuição exclusiva para Associados ao Inda. Os artigos e opiniões
publicados não refletem necessariamente a opinião da revista Brasileira
do Aço e são de inteira responsabilidade de seus autores.
Estatísticas
Por Oberdan Neves Oliveira
Vendas da rede batem recorde
A venda de aços planos em agosto teve crescimento de 9,6% quando comparada a julho, atingindo o
montante de 424,1 mil toneladas – recorde histórico para o período. Também registrou alta de 12% diante
a agosto do ano passado (378,8 mil ton.). No acumulado do ano, o saldo é positivo: elevação de 1,8% no
que diz respeito ao mesmo período de 2012, com volume de 2.954,9 mil toneladas.
Na compra, o mês de agosto apontou alta de 2,2% perante a julho, com volume total de 422,7 mil
toneladas. Frente a agosto do ano passado (377,5 mil ton.), apresentou acréscimo de 12%. Entre janeiro e
agosto de 2013, as compras da rede associada contabilizaram um aumento de 9,7% em relação ao mesmo
período de 2012, com volume total de 3.140,3 mil toneladas.
Assim, os estoques de agosto tiveram leve recuo de 0,1% em seus volumes, atingindo 1.129,5 mil
toneladas. O giro dos estoques caiu para 2,7 meses.
A importação de aços planos³, realizada pelo mercado brasileiro, fechou agosto com alta de 15,1%
referente ao mês anterior, com 211,7 mil toneladas contra 183,9 mil toneladas. Entre janeiro e agosto
desse ano, as importações sofreram recuo de 13,1% no comparativo com os primeiros oito meses de 2013.
Para setembro, a projeção da rede é que compra e venda tenham retração em torno de 5%. a
ESTOQUE1 | AGOSTO
2013
2012
Var.%
1.129,5
962,3
17,4%
COMPRAS2 | AGOSTO
2013
2012
Var.%
422,7
377,5
12,0%
VENDAS1 | AGOSTO
2013
2012
Var.%
424,1
378,8
12,0%
Unid:1000 ton.
3 Produtos: LCG, BQ, BF, CZ, CPP, CAZ e EGV.
1 Incluem importações informadas pelos associados | 2 Incluem os embarques das usinas para outros setores via distribuição
DESEMPENHO
DOS ASSOCIADOS
Estatisticas | 3
Mercado
Setores que prometem
As cadeias naval e ferroviária estão em expansão... Os segmentos recebem investimentos do Governo Federal com
demandas de longo prazo, e a expectativa é que a indústria brasileira participe deste processo de desenvolvimento no
fornecimento de produtos em geral
Após um longo período de “abandono” pelo Governo
Federal e sem recursos para investimentos, enfim, os mercados naval e ferroviário vivem um novo momento. Com uma
reforma política e a criação de programas que direcionarão
investimentos em infraestrutura, uma gama de oportunidades está aberta... Os números de 2013 são positivos e geram
excelentes expectativas no mercado como um todo.
O setor ferroviário está incluso no PAC Mobilidade – instrumento de incentivo do Governo Federal –, e a previsão de
investimentos é de R$ 52 bilhões para a construção de metrôs,
monotrilhos, automóveis, trens urbanos, veículos leves sobre
trilhos, BRT (sigla em inglês para transporte rápido de ônibus)
e corredores de ônibus. Há também o Programa de Investimentos em Logística, que prevê R$ 91 bilhões na construção e
modernização de 10 mil quilômetros de linhas férreas.
Estão em andamento no Brasil 15 obras de BRTs, 13
corredores de ônibus, quatro metrôs, dois monotrilhos, um
trem urbano e dois VLTs, que beneficiarão capitais e grandes
cidades brasileiras.
Outra preocupação do Governo é oferecer instrumentos
à indústria nacional para que ela participe deste processo.
De acordo com a secretária de Desenvolvimento da Produção do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio
Exterior – MIDC –, Heloisa Menezes, há grandes oportunidades através do Plano Brasil Maior, que impulsionará a indústria brasileira com compras públicas diretas. Espera-se que as
empresas de bens e serviços participem e sejam bem sucedidas nas licitações previstas.
Números que provam
A Associação Brasileira da Indústria Ferroviária – ABIFER
– mede o setor através da produção de veículos, vagões de
carga e locomotivas de passaCurva de produção Brasil - Produção de Óleo e LGN
geiros – tão embora ainda tenham outros setores fabricantes de materiais permanentes,
como componentes (engates,
freios, rodantes etc), sinalização, medição, entre outros.
Através dos números
acumulados de janeiro a junho de 2013, a ABIFER avaliou
o semestre como dentro das
expectativas. “Em termos de
volume de veículos, fechamos
a produção com 1.438 vagões
de carga, 56 locomotivas e 109
de passageiros”, detalhou o
presidente da ABIFER, Vicente
Abate, que espera o fechamento do ano em 3.000 vagões,
100 locomotivas e entre 350 a
400 carros de passageiros.
4 | Mercado
Mercado
Para 2014, o setor conta
com a reação das áreas siderúrgicas e de mineração, para aumentar o número de produção
de vagões de carga. “Só agora a
mineração está reagindo à crise internacional de 2008/2009.
Acreditamos que no próximo
ano as mineradoras voltarão a
implementar processos de exVicente Abate
Presidente da ABIFER
pansão. Nós temos também as
safras, que confirmam volumes recordes a cada ano, assim o
transporte de containers e de ferrovia deve crescer e ficar em
patamares mais altos”, comentou Abate.
Nos últimos dez anos, os associados da ABIFER investiram cerca de R$ 1,500 bilhão em modernização de fábricas,
inovação tecnológica e treinamento de pessoal. “Também
ganhamos novas fábricas, pois nas décadas de 1980 e 1990,
muitas foram fechadas”, contou Abate.
Tanques cheios... Uma retomada positiva
Nos últimos dez anos, o setor naval ressuscitou. Uma retomada de esforços e investimentos que fizeram a indústria
da construção naval voltar a respirar e ser um importante gerador de empregos devido as demandas originadas. Neste
período foram construídos: dois estaleiros de grande porte
(sete estão em andamento), mais de 100 navios de apoio
marítimo no Brasil, sete plataformas de produção de petróleo e entregues quatro navios petroleiros de grande porte.
De acordo com o Sinaval – Sindicato Nacional da Indústria
da Construção e Reparação Naval e Offshore –, o objetivo é ter
um ambiente de trabalho mais dinâmico, com base nos estaleiros brasileiros, formar uma rede competitiva de fornecedores locais com a continuidade dos contratos, abrir uma nova
categoria profissional de trabalhadores, impulsionar o desenvolvimento de polos regionais e estimular investimentos.
As empresas do segmento não divulgam seus números,
porém, o Sinaval é capaz de medir este mercado através da
geração de empregos nos estaleiros, que em junho passado
somou 73.505 contratações – número recorde até então. No
final do primeiro trimestre de 2013, estavam em andamento
373 obras. Os estaleiros, com apoio dos Governos Federal, estaduais e municipais participam ativamente de treinamento e
qualificação de recursos humanos, com uma estimativa de mais
de 40 mil empregos a serem gerados nos próximos três anos.
O Conselho Diretor do Fundo da Marinha Mercante –
DCFMM – divulgou que a relação de projetos com prioridade de financiamentos para as áreas naval e offshore, soma
R$ 17,269 bilhões. Os polos de construção naval em operação estão situados no Amazonas, Pará, Pernambuco, Rio de
Janeiro, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, e implantação
na Bahia e Espírito Santo.
A Petrobrás – setor de óleo e gás – é um grande agente impulsionador destes avanços através do Programa de
Modernização e Expansão da Frota – Promef –, com pedidos até 2020. São eles: construção de 38 plataformas de
produção, 49 navios-tanque, 28 sondas e 207 embarcações especiais e de apoio. O conteúdo local nas sondas,
a partir de 2016, deverá ser de no mínimo 55%. O investimento é de R$ 10,8 bilhões.
Além disso, há R$ 432 bilhões destinados para a construção de 100 embarcações para transportar 7,6 milhões
de litros de etanol. Serão construídos 20 empurradores
e 80 barcaças, que formarão 20 comboios hidroviários.
Quando estiver em operação plena, o sistema terá capacidade para até 4 bilhões de litros por ano, substituindo 80
mil viagens de caminhão.
Impulso e desenvolvimento
De acordo com o Presidente do Sinaval, Ariovaldo Rocha, cada navio construído traz tecnologia embarcada nos
mais distintos mercados. A engenharia de peças e equipamentos deve possuir uma qualidade inquestionável,
devido ao ambiente onde atuarão: o mar. Destaque para
a tecnologia na fabricação dos diversos tipos de aço utilizados: da chapa grossa estrutural a várias opções em aço
liga. Há também a tecnologia de fabricação dos sistemas
de tubulações, dos motores auxiliares, geradores, divisórias navais (a prova de fogo) etc, que são, na maioria, fornecidos por empresas locais. a
Mercado | 5
Tributos
Alterações no SPED
Novos módulos começarão a fazer parte do SPED a partir de 2014. Saiba quais são e prepare-se
o quanto antes para atender as normas de fiscalização
Há seis anos, o Governo ficando aquelas não relacionadas dispensadas de enviar a
Federal instituiu o Sistema Pú- EFD ao SPED. Alguns Estados criaram regras diferenciadas,
blico de Escrituração Digital então, deve-se consultar o site da RFB e do SEFAZ do seu
– SPED –, como parte do Pro- Estado para verificar o enquadramento ou cronograma de
grama de Aceleração do Cres- adequação, com prazo definido”, orientou Tatiane.
cimento do Governo Federal
constituindo mais um avanço
Sobre a E-Social
na informatização da relação A E-Social determina o envio mensal (através de uma
entre o fisco e os contribuintes. plataforma digital) da folha de pagamento, livro de registro
“Trata-se de um instru- do empregado, prontuários de medicina laboral, admissões,
mento que unifica as atividades férias, demissões, ações judiciais trabalhistas e retenções de
Rodrigo Miele Rigo
de recepção, validação, arma- contribuição previdenciária. “Os dados da Folha Digitalizada
Consultor Tributário
zenamento e autenticação de e Registro de Empregados serão armazenados em um cadaslivros e documentos que integram a escrituração comercial tro único e compartilhado por várias entidades do Governo:
e fiscal dos empresários e das sociedades empresariais. O Receita Federal, Ministério do Trabalho, Previdência Social e
SPED visa a integração e o compartilhamento de informa- Justiça do Trabalho. Com essa implementação, vários arquições para racionalizar e modernizar a administração tribu- vos mensais e anuais (que são obrigatórios hoje), deixarão
tária brasileira, reduzindo custos e entraves burocráticos”, de existir”, apontou Miele, dizendo que os primeiros a serem
explicou o consultor tributário, Rodrigo Miele Rigo.
eliminados serão o Manad e Sefip. “O Sefip para fins de reco O SPED é composto por quatro módulos: Nota Fiscal Ele- lhimento do FGTS permanece, mas o Caged, Rais e Dirf, entre
trônica (NF-e), Conhecimento de Transporte Eletrônico (CT-e), a outros, também estão na lista dos documentos que perdeEscrituração Fiscal Digital (EFD) e a Escrituração Contábil Digital rão funcionalidade com o E-Social. Uma das possibilidades
(EDC). No âmbito da Receita Federal do Brasil – RFB –, existem que a E-Social traz é o fim do número do PIS, que passaria
os FCONT e EFD-PIS/COFINS e, atualmente, está em implanta- a ser acessado através do próprio número do Cadastro de
ção o E-Social (Previdenciário), previsto para entrar em vigor em Pessoa Física – CPF”, completou.
janeiro de 2014. “Todas as empresas serão afetadas pelo E-So- Segundo Miele, apesar das empresas já estarem famicial, independente do porte ou faturamento, passando pelas liarizadas com o SPED, toda mudança impõe novas rotimicro e pequenas empresas que apuram o Imposto de Renda nas. Com o E-Social não será diferente, pois todos precicom base de Lucro Presumido e no Lucro Real”, falou Miele.
sarão ser mais ágeis no levantamento e fornecimento de
Outra nova determinação no SPED será o EFD-IRPJ das informações. “Contratações ou demissões serão tratados
pessoas jurídicas sujeitas ao como eventos do SPED, tal qual a Nota Fiscal Eletrônica.
Lucro Real, Lucro Presumido, Isso quer dizer que ao contratar ou demitir funcionáLucro Arbitrado, Imunes e Isen- rios, um arquivo XML deverá ser gerado e enviado com
tas. “A Receita Federal, por meio assinatura eletrônica aos órgãos responsáveis em tempo
da Instrução Normativa RFB nº real”, detalhou o consultor tributário. “Para tanto, haverá
1.353/2013, criou a Escritura- a necessidade de se adquirir novos equipamentos e, proção Fiscal Digital do Imposto vavelmente, contratar mais profissionais e consultoria essobre a Renda e da Contribui- pecializada. Acredito que o custo destes investimentos é
ção Social sobre o Lucro Líqui- um dos motivos pelos quais os empresários têm adiado o
do da Pessoa Jurídica – EFD- início dos preparativos”, concluiu Miele.
-IRPJ. A partir do ano que vem, Multas pelo descumprimento do prazo na entrega dos
será transmitida anualmente demonstrativos ou escriturações digitais estão previstas na Lei
Tatiane Gonini Paço
Advogada
ao SPED até o último dia útil do nº 12.766/2012, e podem variar de R$ 500,00 a R$ 1.500,00 por
mês de junho do ano seguinte ao calendário a que se refira”, mês de atraso. a
detalhou a advogada, Tatiane Gonini Paço. A primeira entrega ocorrerá em junho de 2015.
A Receita Federal do Brasil divulgou no site www.esocial.gov.br a
Além disso, agora, são as empresas de Lucro
versão digital dos layouts do E-Social e informa que os arquivos estão
Presumido que precisam se adequar ao SPED Fiscal,
disponíveis em versão inicial, ainda pendentes de aprovação, e que
descrito há mais de um ano através do protocolo
sua divulgação tem caráter informativo aos setores da sociedade inICMS 25, publicado no DOU 09/04/2012. O envio da
teressados. A versão final será disponibilizada em breve, por meio de
EFD ICMS/IPI começará a partir de janeiro de 2014.
portaria interministerial a ser editada pelos Ministérios da Fazenda, da
“A RFB e os fiscos estaduais publicaram listas de
Previdência Social e do Trabalho e Emprego.
empresas que estão obrigadas a apresentar a EFD,
6 | Tributos
Geral
Motivação = criatividade = bons resultados
Improvisação ou inovação colaborativa...
Ações que vêm para somar
Segundo a supervisora de recursos humanos, Silvana de de oportunidades; utilização da
Cássia Ruberto, inovação colaborativa é a sugestão de um capacidade criativa de todos os
funcionário em realizar a mesma tarefa de forma diferente, colaboradores (maximização do
melhor, mais rápida ou mais econômica, mantendo ou me- capital intelectual); criação de
lhorando a qualidade do produto ou serviço.
uma cultura que fomenta a cria Oras... Mas isso é o que toda empresa busca! Porém, a tividade, a inovação e a colaboSilvana de Cássia Ruberto
inovação colaborativa (ou a participação de funcionários) ração entre os indivíduos; morte
Supervisora de Recursos Humanos
dentro de um processo de criação ou evolução, sempre exis- da burocracia que sufoca as ortiu, ainda que não fosse reconhecida, estimulada ou, muito ganizações e impede o fluxo de novas ideias e pensamentos;
menos, valorizada pelos empregadores.
e simplificação dos processos e democratização do poder na
Nos últimos anos, o tratamento entre empregador e em- organização como um todo.
pregados passou por muitas mudanças positivas. Como
“Para manter esse conceito entre os funcionários e obter
toda boa relação, exige-se que haja confiança
um saldo positivo é essencial ter clareza estratémútua e respeito entre as partes, caso congica, com todas as pessoas trabalhando na
trário, não será sólida. O ambiente intermesma direção e objetivos; conexão com
no precisa ser criativo, informal e motio mundo externo a fim de adquirir novador. “Desta forma, para que exista
vos ‘insights’ para facilitar o progresso
prosperidade é necessário haver o
da organização; flexibilidade para
diálogo entre aquele que detém o
se adaptarem às novas exigências
conhecimento técnico e o que posdo mercado global; reconhecimensui o poder de decisão. Esse conjunto e implementação das melhores
to é um dos fatores predominantes
ideias e a prática da cultura de ‘feedpara o sucesso da companhia”, co-back’ e ‘brainstorming’, apontou Mamentou Silvana. “Sempre haverá uma
cedo, que citou o segmento da sideinfluência voluntária da criatividade
rurgia. “Toda a mudança empresarial
colaborativa na elaboração de qualquer
provoca ansiedade, não importa o setor.
produto ou segmento, uma vez que o ser
No siderúrgico, em particular, isso se agrava
humano é, por natureza, explorador, criador e
ainda mais. Por se tratar de uma área com alta inbusca o crescimento e reconhecimento, ainda que seja putensidade de capital e ciclo de vida longo, que exige um
ramente íntimo ou pessoal”, completou.
planejamento de longo prazo, a cultura do improviso tem
Em outras palavras, deve-se somar os esforços de todos um conflito evidente. Portanto, tal aplicação deve ser cuidaos talentos que uma empresa possui. Mas quem são eles e dosamente pensada”.
em qual departamento estão? Essas pessoas não precisam De acordo com Silvana, não existe uma fórmula para
ser necessariamente os gênios que trabalham nos centros de o sucesso, principalmente, por se tratar de seres humanos
criação. Podem ser funcionários do “chão de fábrica”, que por passíveis de falhas e em constantes mudanças. "O que as
trabalharem motivados são capazes de enxergar as falhas e empresas costumam fazer é reunir um grupo de colaboracriar soluções de melhorias para aquilo que está sendo produ- dores de determinadas áreas ou temas (conflitos ou benefízido. Os talentos estão espalhados por todos os setores.
cios, por exemplo), formando-se comissões representativas
“O empreendedor deve reconhecer suas limitações no permanentes, que podem ser escolhidas pelo empregador
que tange a determinadas fases do processo de trabalho ou eleita pelos funcionários, que se reúnem constantemente
e valorizar os colaboradores mais criativos e participativos para discutir melhorias e propor mudanças”¸ orientou a sucom incentivos ou benefícios, seja uma bonificação, pro- pervisora de recursos humanos, alertando que para isso, a
moção ou apenas uma premiação simbólica por uma boa companhia deve estar aberta a sugestões e mudanças. a
sugestão que pode ser aproveitada. Com isso, o
Sugestões para a prática da inovação colaborativa
funcionário se mantém motivado e estimulado a
se comprometer cada vez mais com os resultados.
• Eliminar barreiras físicas para melhor comunicação entre as pessoas
Ele ‘abraça’ o processo e se sente parte de algo im• Discussões via vídeo conferência para superar barreiras geográficas
portante”, afirmou Silvana.
• Uso de intranets para comunicação entre todos os colaboradores
Para o presidente da Gutemberg Consultores,
• Incentivo à leitura e a pesquisa – curiosidade sobre novas ideias,
Gutemberg de Macedo, vários são os benefícios
tecnologias, processos e saberes
quando uma empresa aplica o conceito de inova• Agenda de cursos
ção colaborativa, sendo alguns deles: maior veloci• Disponibilização de arquivos gerais (não confidenciais)
dade na resolução de problemas ou identificação
Geral | 7
Mercado
Direção e propósito
Toda a corporação moderna precisa de um planejamento para o seu desenvolvimento,
sendo o principal deles, o estratégico
O planejamento estratégico é uma das funções básicas
na administração e deve ser
exercido na plenitude pelas organizações, instituições públicas e privadas. A premissa é que
os principais stakeholders (partes interessadas) estejam envolvidos na sua formulação e se
comprometam com a implantação. “Traçar um planejamento
Gilmar Masiero
estratégico faz com que você
Professor de Administração da FEA – USP
e Coordenador do ProÁsia
possa definir as diretrizes, objetivos e como controlar os resultados. É primordial administrar
a empresa de acordo com aquilo que se quer no momento.
Para isso, é necessário ter dados suficientes, informações gerenciais convenientes para determinar metas e acompanhar
resultados”, explicou o diretor da Dova SA, Marcelo Bock.
O plano estratégico sem uma consolidação de ideias não
tem valor algum; é preciso haver um consenso na orientação a
ser seguida: o que é a organização, região de atuação, objetivos,
direção etc. É fundamental que os envolvidos tenham a mesma
opinião para os fins e para os meios que serão utilizados para
alcançar os ideais pretendidos. “Depois de estabelecido o plano,
há um acompanhamento constante para verificar se as ações
estão funcionando como o programado. Caso não esteja, pede-se para realizar alguns ajustes”, explicou o professor de administração da FEA – USP e coordenador do ProÁsia, Gilmar Masiero.
Os planos quinquenais
No último século, parte da população mundial tem sido
orientada pelos planos quinquenais – implantados pela primeira vez na Rússia (antiga União Soviética) entre 1928 e 1932.
“Acredito que o Brasil e as organizações brasileiras devam
olhar com mais atenção para as experiências de desenvolvimento econômico do leste asiático, no qual o planejamento
econômico de longo prazo orquestrado pelos governos tem
sido uma das principais variáveis explicativas de suas elevadas
taxas de crescimento econômico”, orientou Masiero.
Segundo o professor, as firmas que adotam este tipo de
planejamento atuam com mais efetividade, expandem melhor
e mais rapidamente (mas isso não é uma garantia), quando
comparadas aquelas que não seguem esta metodologia. “O
planejamento quinquenal é positivo, pois mesmo que mal feito, é melhor do que a inexistência dele”, opinou o professor, que
foi mais longe. “Na minha visão, cinco anos ainda é pouco. Pode
até ser o ideal para determinadas situações, porém, é curto em
várias outras, como por exemplo, construir uma usina de aço.
Nestes casos, é necessário um plano de 30 anos, pois aproximadamente 25 deles são dedicados apenas para obter o retorno
dos capitais investidos”, completou.
Embora concorde com a importância dos planos quinquenais utilizados por diversos países do Oriente, o diretor da Dova
SA acredita que no Brasil, infelizmente, este tipo de planejamento deve ser revisto constantemente, pois o Governo e economia
nacional são instáveis. “Diversas surpresas podem aparecer no
decorrer do percurso, por isso, o planejamento não pode ser rígido e, tampouco, engessado. Avaliações periódicas para saber
se o caminho está correto são primordiais”, apontou Bock, que
traçou dois paralelos. “É comum no nosso País a aplicação dos
planos quinquenais, porém, diante dessa realidade, somente
as grandes companhias conseguem conduzi-los, pois existem
áreas a serem expandidas. Já as empresas pequenas, com menos funcionários, enfrentam mais dificuldades, uma vez que a
revisão deste plano, acaba por ser esquecida”, avaliou Bock. a
História
Os planos quinquenais foram criados por Josef Stalin, na antiga União Soviética, a fim de estabelecer prioridades para a produção
industrial e agrícola do país. Para tanto, determinou-se as metas por setores econômicos, investimentos e produção. O não cumprimento
dessas metas era considerado crime contra o Estado.
1º plano quinquenal – 1928 e 1932
A prioridade foi dada à indústria de máquinas, siderurgia e eletrificação
2º plano quinquenal – 1933 a 1937
Continuou a privilegiar as indústrias anteriores, mas desenvolveram-se também as indústrias produtoras de bem de consumo
3º plano quinquenal – 1938 a 1943
Não chegou a ser concluído devido a Segunda Guerra Mundial
Resultados dos planos:
• A produção do aço passou de 4 para 18 milhões de toneladas, entre 1928 e 1940
Fonte: Wikipédia Brasil
• A produção de carvão foi de 50 para 160 milhões de toneladas
8 | Mercado
Fly UP