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Banana estudo de mercado SEBRAE

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Banana estudo de mercado SEBRAE
banana
ESTUDOS DE MERCADO SEBRAE/ESPM 2008
Sumário
Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas – Sebrae, 2008
Adelmir Santana
Presidente do Conselho Deliberativo Nacional
Paulo Tarciso Okamotto
Diretor-presidente
Luiz Carlos Barboza
Diretor-técnico
Carlos Alberto dos Santos
Diretor de Administração e Finanças
Luis Celso de Piratininga Figueiredo
Presidente Escola Superior de Propaganda e Marketing
Francisco Gracioso
Conselheiro Associado ESPM
Raissa Rossiter
Gerente Unidade de Acesso a Mercados
Juarez de Paula
Gerente Unidade de Atendimento Coletivo – Agronegócios e Territórios Específicos
Patrícia Mayana
Coordenadora Técnica
Laura Gallucci
Coordenadora Geral de Estudos ESPM
Daniel Carsadale Queiroga
Coordenador Carteira de Fruticultura
Guilherme Umeda
Pesquisador ESPM
Laura Gallucci
Revisora Técnica ESPM
E S T U D O S
D E
S E T E M B R O
M E R C A D O
D E
2 0 0 8
banana
Sumário
S E B R A E / E S P M
Índice
1. Introdução...................................................................................................................... 6
1.1. Coleta de Informações.................................................................................................. 6
2. Mercado.......................................................................................................................... 6
2.1. Cenário Internacional.................................................................................................... 6
2.2. Cenário Nacional........................................................................................................... 8
2.3. Preço.......................................................................................................................... 10
2.4. Comunicação.............................................................................................................. 12
3. Produção...................................................................................................................... 13
3.1. Cadeia Produtiva da Banana........................................................................................ 15
3.1.1. Antes da Porteira...................................................................................................... 16
3.1.2. Dentro da Porteira.................................................................................................... 17
3.1.3. Pós-Porteira.............................................................................................................. 20
4. Produtos e Usos da Banana........................................................................................ 23
4.1. Consumo In Natura.................................................................................................... 23
4.2. Uso Agroindustrial...................................................................................................... 24
4.2.1. Derivados com Uso Alimentar................................................................................. 24
4.2.2. Derivados com Uso Não Alimentar......................................................................... 26
5. Diagnóstico do Mercado da Banana.......................................................................... 27
5.1. Tendências para a Indústria da Bananicultura.............................................................. 27
5.1.1. Tendências para o Mercado de Exportação.............................................................. 27
5.1.2. Tendências para a Distribuição................................................................................. 28
5.1.3. Tendências para a Produção..................................................................................... 28
5.2. Análise Estrutural da Indústria.................................................................................... 28
5.2.1. Ameaça de Novos Entrantes.................................................................................... 28
5.2.2. Ameaça de Produtos Substitutos............................................................................ 29
5.2.3. Poder de Barganha dos Fornecedores..................................................................... 29
5.2.4. Poder de Barganha dos Compradores..................................................................... 29
5.2.5. Rivalidade entre Competidores Existentes.............................................................. 30
5.3. Análise PFOA.............................................................................................................. 31
5.3.1. Potencialidades........................................................................................................ 31
5.3.2. Fragilidades.............................................................................................................. 32
5.3.3. Oportunidades......................................................................................................... 32
5.3.4. Ameaças.................................................................................................................. 33
5.4. Considerações Finais.................................................................................................. 33
6. Principais Fontes Bibliográficas................................................................................. 34
6.1. Entrevistas Realizadas................................................................................................. 37
1. Introdução
Esse Sumário Executivo apresenta os pontos mais importantes de um amplo estudo, desenvolvido com o propósito de traçar um panorama atual sobre o mercado de bananas
no Brasil. O estudo citado teve como objetivo principal a oferta aos empresários de micro
e pequenos estabelecimentos do setor da fruticultura, de um instrumento de Análise de
Mercado Setorial, obtido por meio de dados secundários, em âmbito regional e nacional,
com foco no mercado interno de banana.
1.1. Coleta de Informações
As informações contidas no conjunto de relatórios foram obtidas, primordialmente, por
meio de dados secundários, em âmbito regional e nacional, com foco no mercado interno.
2. Mercado
2.1. Cenário Internacional
A banana assume lugar de destaque na produção mundial de bens agrícolas por parte de
diversos países, marcadamente aqueles localizados nos trópicos. A Índia lidera o ranking
dos produtores, com um volume de 16.820.000 toneladas da fruta em 2005, seguida pelo
Brasil com 6.282.000 toneladas (Gráfico 1).
Gráfico 1 – Maiores produtores mundiais de banana (em mil toneladas – 2005)1
18.000
16.000
14.000
12.000
10.000
8.000
6.000
4.000
Índia
Colômbia
Tailândia
Costa Rica
México
Indonésia
Equador
Filipinas
Brasil
0
Índia
2.000
Fonte: . Database. Rome (IT), 2007.1
No Brasil, o volume transacionado no comércio exterior é considerado pequeno pelos especialistas, uma vez que representa apenas 1% (US$ 200 milhões) do total de US$ 20 bilhões comercializados anualmente.2 O alcance internacional da produção brasileira fica
comprometido pela baixa qualidade das frutas produzidas, que não atendem aos padrões
internacionais.
Apesar dos maiores importadores de banana serem, principalmente, países desenvolvidos
como Estados Unidos, Alemanha e Japão, o consumo per capita coloca em destaque países
da África, Caribe e Polinésia. Isso se deve à importância socioeconômica da fruta: a banana constitui fonte de alimento primordial em países pobres das faixas tropicais do globo,
1
Fonte: FAOSTAT. Database. Rome (IT), 2007. Disponível em: <http://www.faostat.org>. Acesso
em: 20 mar. 2007.
2
Fonte: SILVA, Eduardo Marcondes Filinto da (Coord.). Estudos sobre o mercado de frutas. São
Paulo: FIPE, ago. 1999. 382 p. Disponível em:
<http://www.agricultura.gov.br/portal /page?_pageid = 33,961193 & _dad = portal& _schema= PORTAL>.
Acesso em: 27 jun. 2007.
banana
O mercado mundial está concentrado em três grandes produtoras: Chiquita Brands International, Dole e Del Monte, todas multinacionais norte-americanas com forte presença
em países da América do Sul (inclusive o Brasil) e Central. Os produtos destas empresas
respondem por 80% do volume transacionado internacionalmente e são conhecidos como
“dollar-bananas”.
7
Quase a totalidade da produção nacional se volta para o mercado interno. As exportações
ficaram restritas por muito tempo devido às barreiras de entrada especialmente no mercado europeu, devido aos complexos mecanismos de quotas e proteções tarifárias a suas
ex-colônias. Recursos na OMC geraram um acordo sobre as mudanças necessárias para
restringir o protecionismo a partir de 2006, apesar de muitos críticos não considerarem a
medida suficiente.
por sua facilidade de cultivo, simplicidade no preparo, baixo preço e boas características
alimentares.
Tabela 1 – Maiores consumidores mundiais de banana (2005) 3
País
Consumo alimentar
(em mil toneladas)
Índia
13.437
Brasil
País
Consumo por dia /
per capita (g)
Burundi (África)
542
5.541
São Tomé e Príncipe (África)
398
Indonésia
4.155
Samoa (Oceania)
227
Filipinas
3.458
Comores (África)
214
Estados Unidos
3.209
Equador (América do Sul)
197
México
1.723
Bermuda (América Central)
186
Tailândia
1.496
Vanuatu (Oceania)
169
Burundi
1.493
Santa Lúcia (América Central)
156
Vietnã
1.191
Kiribati (Oceania)
119
Alemanha
1.016
Filipinas (Ásia)
114
ESTU DOS
DE
MERCA DO
ESPM /SEB RA E
8
Fonte: EMBRAPA MANDIOCA E FRUTICULTURA TROPICAL. III plano diretor Embrapa Mandioca e
Fruticultura Tropical: 2004-2007. Cruz das Almas (BA): 2005, p. 22. 3
Existe uma tendência de aumento na exportação de bananas no Brasil. Isto se deve à adoção crescente de tecnologias já comuns em países com maior cultura de exportação, como
Equador, Costa Rica e Colômbia. O gradativo aumento de qualidade da fruta brasileira
também permite uma intensificação da exportação para mercados com grande contingente demandante, como o norte-americano e o europeu. Esforços coordenados ao longo da
cadeia produtiva (na forma de programas como a Produção Integrada de Frutas, discutida
em detalhes mais à frente) propiciam a oferta de produtos mais adequados aos padrões
exigidos pelos mercados internacionais.
2.2. Cenário Nacional
O Brasil é o terceiro maior produtor mundial de frutas. O negócio da fruticultura movimenta no país cerca de 5,8 bilhões de dólares anuais, correspondentes a 38 milhões de
toneladas produzidas. A área cultivada gira em torno de 2,3 milhões de hectares, dos quais
3
Fonte: EMBRAPA MANDIOCA E FRUTICULTURA TROPICAL. III plano diretor Embrapa Mandioca
e Fruticultura Tropical: 2004-2007. Cruz das Almas (BA): 2005. p. 22. Disponível em:
http://www.cnpmf.embrapa.br/pdu.pdf. Acesso em 23 abr. 2007.
500 mil são dedicados à banana.4 Do ponto de vista social e econômico, estima-se que cada
hectare fruticultor cultivado gere entre 2 e 5 trabalhadores, o que criaria 5 milhões de postos de trabalho.5
A banana é a segunda fruta mais produzida no Brasil, atrás apenas da laranja, cuja produção está fortemente associada ao processamento industrial de suco concentrado para
exportação. Responde por 15,1% do volume de produção nacional. Em relação ao consumo,
a banana lidera o mercado de frutas no Brasil com 30,7% em volume vendido, seguida pela
laranja (18,6%), o abacaxi (8,5%) e o caqui (8,4%).
Parte da produção se destina a fins não alimentares, destinando cerca de 1.050 toneladas
anuais6 ou 15,5% do volume produzido. Esse número é considerado baixo, dadas as diversas aplicações que ainda não têm sido sistematicamente utilizadas pelas indústrias de bens
de consumo nem são conhecidas pelos bananicultores. O desenvolvimento de novos produtos e o aproveitamento de subprodutos das frutas representam possibilidades adicionais
de vendas e lucratividade.
9
A população brasileira ainda apresenta um volume baixo de consumo per capita de frutas.
Comparados aos 115 a 120 kg/ano observados na Espanha, Itália e Alemanha, os 47 kg/
ano no Brasil realmente se mostram restritos. Frutas representam apenas 6,4% das despesas médias das famílias no país.7 Não obstante, o consumo de banana é significativo: vale
lembrar que o Brasil constitui o segundo maior mercado consumidor da fruta no mundo.
Apesar do crescimento no volume consumido de banana no Brasil, nota-se uma redução
no valor per capita. Em 1990, este indicador era de 32,4kg per capita. O número caiu até
1998, quando atingiu 26,4 kg per capita. Desde então, esboça uma recuperação, chegando
aos 29,7 kg per capita em 2005. É provável que a perda de espaço da banana se deva ao
efeito-substituição, já que durante a década de 1990, novas frutas de boa qualidade e preços acessíveis entraram no país, disputando lugar nas gôndolas e mesas do consumidor
brasileiro.8
Tabela 2 – Consumo per capita (em kg) da banana no Brasil – 1998-2005
Consumo
per capita
1998
1999
2000
2001
2002
2003
2004
2005
26,4
26,8
27,5
28,8
29,7
30,0
29,8
29,7
Fonte: FAOSTAT, 2007.
4
Fonte: FAOSTAT, 2007, op. cit.
5
Fonte: FERNANDES, Moacyr Saraiva. Indústria brasileira das frutas: novos mercados para citrus e
outras frutas brasileiras. São Paulo: IBRAF, 29 set. 2004. 26 p. [material de apresentação de conferência].
Disponível
em:
<http://www.iac.sp.gov.br/Centros/citros/Palestra%20WIPC/29_09_2004/1400%20
Moacyr%20Saraiva%20Fernandes.pdf>. Acesso em: 27 abr. 2007.
6
Fonte: FAOSTAT, 2007, op. cit.
7
Fonte: MANDIOCA E FRUTICULTURA TROPICAL, 2005, p. 22.
8
Fonte: SILVA, Cíntia de Souza et al. Avaliação econômica das perdas de banana no mercado varejista:
um estudo de caso. Rev. Bras. Frutic., Jaboticabal (SP), v.25, n.2, p.229-34, ago. 2003. Disponível em: <www.
scielo.br/pdf/rbf/v25n2/a12v25n2.pdf>. Acesso em: 23 jun. 2007.
banana
Ano
É necessário destacar que os números aqui divulgados correspondem ao consumo aparente da fruta, isto é, de uma estimativa considerando-se o total produzido no período mais
as importações e menos as exportações. No entanto, sabe-se que o nível de perda de frutas
tropicais tende a ser bastante elevada, dada sua perecibilidade e fragilidade. No caso da
banana, estudos mostram que entre 40 e 50% do volume produzido da fruta seja perdido
desde a colheita até o seu consumo. Posto isso, é de se esperar que o consumo real, inacessível por meio destas estatísticas, seja menor do que o acima divulgado.
Segundo análises de Vilela e outros autores,9 a bananicultura se destaca como uma das
culturas mais seguras do ponto de vista econômico para os próximos dez anos. Isso porque
há pouca expectativa de excesso da produção mundial, o que resultaria em oscilações dos
preços internacionais. Diante de diversos cenários de crescimento no Brasil, a banana se
manteve no grupo de frutas de menor risco para os produtores, haja vista que a demanda
em todos os casos superariam a oferta prevista.
2.3. Preço
Dada a alta concentração dos negócios dentro das fronteiras brasileiras, a composição do
preço da banana é razoavelmente independente da oscilação internacional da commodity.
Assim, a qualidade dos frutos, a produtividade das safras e os níveis de demanda configuram-se como muito mais relevantes.
Apesar de ser uma cultura permanente, a banana apresenta sazonalidade de acordo com
as condições climáticas da região produtora e os cultivares desenvolvidos. A Tabela 3 mostra a sazonalidade da banana, analisada na CEASA de São Paulo:
ESTU DOS
DE
MERCA DO
ESPM /SEB RA E
10
De acordo com Clóvis Oliveira de Almeida (pesquisador da Embrapa),10 há um claro problema de precificação no mercado brasileiro, na medida em que ela ocorre de maneira
pouco transparente. Dentre os entraves provocados por isso está a dificuldade adicional no
planejamento de produção, uma vez que as informações chegam truncadas e com pouca
confiabilidade ao agricultor.
9
Fonte: VILELA, Pierre Santos; CASTRO, Cláudio Wagner de; AVELLAR, Sérgio Oswaldo de Carvalho.
Análise da oferta e da demanda de frutas selecionadas no Brasil para o Decênio 2006/2015. Belo
Horizonte: FAEMG, 2006. Disponível em:
<ww.faemg.org.br/arquivos/Análise%20da%20oferta%20demanda%20de%20frutas.pdf>. Acesso em:20
abr. 2007.
10
Fonte: ALMEIDA, Clóvis Oliveira de. Comercialização. In: BORGES, Ana. Lúcia; SOUZA, Luciana da
Silva (ed.) O cultivo da bananeira. Cruz das Almas (BA): Embrapa Mandioca e Fruticultura, 2004, p. 245-55.
Tabela 3 – Sazonalidade na oferta da banana – Ceagesp
Banana
Jan.
Fev.
Mar.
Abr.
Mai.
Jun.
Jul.
Ago.
Set.
Out.
Nov.
Dez.
Nanica
Prata
Maçã
Legenda:
Geralmente é o período da safra. A tendência é de preços mais baixos e melhor qualidade.
Geralmente a oferta é regular. A tendência é de preços equilibrados.
Geralmente é o período de entressafra. A tendência é de elevação de preços.
Fonte: Reproduzido de ALMEIDA, Clóvis Oliveira de. Comercialização. In: BORGES, Ana. Lúcia; SOUZA, Luciana da Silva (ed.) O
cultivo da bananeira. Cruz das Almas (BA): Embrapa Mandioca e Fruticultura, 2004, p. 252.
A comparação dos preços das três variedades mais populares no mercado paulista (Gráfico
2) demonstra que a banana Nanica é a de preço mais acessível, seguida pela Prata. A variedade Maçã é a mais cara, com preços em média 130% mais altos que a Nanica.
Gráfico 7 – Preços médios semanais da banana no atacado do Ceagesp/SP (janeiro a setembro de
banana
11
2004)11
Fonte: Reproduzido de PEREZ, Luiz Henrique; MARTIN, Nelson Batista; BUENO, Carlos Roberto Ferreira.
Banana: o mercado paulistano e a Sigatoka negra. São Paulo: IEA/Apta/Secretaria de Agricultura e Abastecimento (São Paulo), 15
out. 2004. p. 1.11
Em períodos de muita chuva, os cachos das bananeiras se desenvolvem mais rapidamente,
aumentando a oferta e reduzindo os preços. A temperatura influencia tanto a produção
11
Fonte: PEREZ, Luiz Henrique; MARTIN, Nelson Batista; BUENO, Carlos Roberto Ferreira. Banana: o
mercado paulistano e a Sigatoka negra. São Paulo: IEA/Apta/Secretaria de Agricultura e Abastecimento (São
Paulo), 15 out. 2004. p. 1. Disponível em: <ftp://ftp.sp.gov.br/ftpiea/ana-bana1004.zip>. Acesso em: 25 jun.
2007.
quanto o consumo: temperaturas elevadas são favoráveis ao amadurecimento dos frutos;
entretanto, a procura pela banana tende a ser maior em épocas de temperatura amena.12
Em relação aos preços internacionais, nota-se grande oscilação a partir de 1995. Há tendência de alta, porém com baixa previsibilidade.
Tabela 4 – Preços de exportação da banana – 2000/2005 (índice 2000 = 100)
Ano
Índice
2000
2001
2002
2003
2004
2005
100
138
125
88
124
137
Fonte: WTO (World Trade Organization). International trade statistics 2006. Geneva, 2006, p. 242.
2.4. Comunicação
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ESPM /SEB RA E
12
Não há tradição no uso de ferramentas de comunicação por parte dos agentes produtores
e distribuidores de banana no Brasil: a informalidade e os contatos pessoais predominam
na venda no atacado; no varejo, a exposição no ponto de venda torna-se o elemento central
na divulgação. Os maiores investimentos sistematizados ficam por conta das exposições
em feiras agrárias.
É importante notar que a falta de estratégias de comunicação são reflexo dos baixos níveis
de diferenciação trabalhados pela maioria dos produtores da fruta. Exemplos de diferenciação podem ser: variedades raras, melhoramentos genéticos, qualidade controlada, certificação de Produção Integrada, frutas orgânicas.
A exposição no ponto de venda é um dos mecanismos que poderia ser explorado de forma
efetiva pelos varejistas. Não apenas as perdas podem se reduzir, dada a diminuição do
manuseio do produto por parte do consumidor, como sua compra se torna mais atrativa.
Seguindo o mesmo princípio, o aprimoramento das embalagens também preserva melhor
a fruta, além de melhorar sua aparência no ponto de venda, fator vital para as compras por
impulso.
Outras formas interessantes de comunicação subutilizadas são a criação de marcas, a serem utilizadas em rótulos ou embalagens diferenciadas. Certificações também podem ser
importantes no esforço de se aumentar o valor percebido do produto por parte dos distribuidores e consumidores finais.
Alguns distribuidores atacadistas e até produtores têm criado sites na Internet dedicados a promover e expandir seus negócios. É um canal interessante de ser explorado,
principalmente no que se refere à possibilidade de contato com pequenos varejistas e
com o consumidor final. Dois exemplos são a Magário, localizada no estado de São Paulo
12
Fonte: PEREZ, Luiz Henrique; PINO, Francisco A.; FRANCISCO, Vera Lúcia F. dos S. Preço recebido
pelo produtor de banana no estado de São Paulo: uma análise de séries temporais. Agricultura em São Paulo,
São Paulo, v. 42, n.1, p.133-41, 2005.
(www.magario.com.br) e a Brasnica, em Minas Gerais (www.brasnica.com.br), com material eletrônico bem desenvolvido.
Cabe destacar que a adoção de novos cultivares exige a apresentação destes ao mercado
consumidor, o que consiste numa importante – e pouco explorada – atividade de comunicação da cadeia produtiva de banana. Experimentação no ponto de venda e folhetos informativos sobre o produto ilustram as possibilidades de ações de comunicação.
Um importante meio de contato entre produtores e compradores em diversos segmentos
de mercado são as feiras de negócios. As principais feiras que podem representar oportunidades para os bananicultores são a Frutal e a Expofruit. A Frutal é considerada uma
das maiores feiras da agroindústria brasileira. É um evento internacional que ocorre anualmente no Ceará, geralmente em setembro. Estima-se que passem em cada edição cerca
de 40.000 pessoas, visitando estandes de 350 expositores. O movimento da feira em 2006
foi de R$ 20 milhões em vendas nos estandes e US$ 6,8 milhões em rodadas de negócios.
Já a Expofruit (Feira Internacional de Fruticultura Tropical Irrigada), outra feira internacional,
ocorre anualmente no mês de outubro em Mossoró (RN); a edição de 2005 movimentou
US$ 19 milhões em negócios. É um espaço interessante para se conhecer os principais fornecedores da fruticultura, como fabricantes de fertilizantes e máquinas, logística, mudas e
sementes, irrigação etc.
O volume de banana produzido anualmente no Brasil tem obedecido a um ritmo de crescimento estável, em torno dos 3% anuais nos últimos dez anos. Para 2006, as estimativas traçadas pela Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) projetavam uma
produção de 7.082.000 toneladas. Esse aumento do volume se dá em função da crescente
produtividade atingida pelos agricultores brasileiros. Ainda assim, é possível constatar
que comparado a outros países líderes na produção da banana, o Brasil tem um rendimento insatisfatório de suas colheitas – a Costa Rica, por exemplo, produziu 46,6 toneladas por
hectare contra 13,9 no Brasil, em 2006.
13
3. Produção
banana
Gráfico 3 – Evolução do volume produzido, área cultivada e produtividade da banana no Brasil entre
1996 e 2006 (índices de crescimento com base em 1996)
Fonte: Reproduzido de IBGE. Produção agrícola mensal (PAM). Rio de Janeiro, 2005.
São Paulo lidera a produção brasileira, desempenho relacionado às melhores tecnologias
de plantio, colheita e transporte da fruta. Abaixo encontramos um quadro com os principais estados produtores de banana no país.
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14
Não há dados atestando o número de empregos criados pela bananicultura. Porém, acredita-se que um emprego direto é criado por hectare de plantação, enquanto outros dois são
gerados indiretamente.13 Nessa perspectiva, teria-se em torno de 500.000 empregos diretos
e mais 1.000.000 de indiretos. É uma proporção emprego/hectare menor que a da fruticultura em geral devido à baixa complexidade no cultivo e colheita da fruta.
13
Fonte: FAGANELLO, Fernanda (coord.). Defesa fitossanitária na cultura da banana no estado de
Goiás. Goiânia: Agrodefesa, [2006]. Disponível em:
<http://www.agrodefesa.go.gov.br/sanidadevegetal/Banana.html>. Acesso em: 22 abr. 2007.
Tabela 5 – Produção (ton.) e área colhida da banana nos maiores estados produtores – 1996-2005
Área
colhida
Produção
Área
colhida
Produção
Área
colhida
Produção
Área
colhida
MG
Produção
PA
Área
colhida
SC
Produção
BA
Ano
SP
1996
582
45
643
61
255
24
558
37
364
42
1997
553
43
635
59
323
25
591
40
379
39
1998
643
49
547
52
334
25
741
52
409
41
1999
653
52
529
48
342
26
787
55
423
41
2000
599
57
599
49
345
26
792
55
453
41
2001
1106
54
717
47
586
29
712
58
594
42
2002
1152
56
764
50
629
29
724
53
608
43
2003
1183
57
783
53
618
30
705
52
544
39
2004
1061
49
872
62
656
30
540
42
562
38
2005
1125
50
1060
74
641
31
572
44
546
37
15
Fonte: IBGE. Produção Agrícola Mensal (PAM). Brasília, 2005.
Os estudos setoriais são feitos, tradicionalmente, por meio da análise da cadeia produtiva
na qual se encontram. Definida na área de agronegócios como uma “seqüência de atividades que transformam uma commodityem um produto pronto para o consumidor final”,14 a
análise da cadeia produtiva auxilia no desenvolvimento da visão sistêmica necessária para
se aprimorar as condições de produção e de comercialização dos produtos.
De acordo com Zylbersztajn,15 os SAG’s – Sistemas de Agronegócios (aqui usados como
sinônimo da cadeia produtiva agroindustrial) contam com os seguintes agentes, abaixo
apresentados sinteticamente:
• O consumidor: ponto focal do fluxo do sistema; determina suas escolhas de acordo com
características como “renda, preferências, faixa etária e expectativas”. Em mercados
com renda mais alta, o processo decisório se altera, pois os consumidores consideram
14
Fonte: ZYLBERSZTAJN, Décio. Conceitos gerais, evolução e apresentação do sistema agroindustrial.
In: ZYLBERSZTAJN, Décio; NEVES, Marcos Fava; NASSAR, André Meloni (org.). Economia e gestão dos
negócios agroalimentares. São Paulo: Pioneira, 2000, p. 9.
15
Fonte: ZYLBERSZTAJN, Décio. 2000, op. cit., p. 16-20.
banana
3.1. Cadeia Produtiva da Banana
outros aspectos, como embalagens recicladas, tecnologia empregada e produção ecológica e socialmente responsável;
• O varejo de alimentos: responsável pela distribuição, conta tanto com redes internacionais e locais de maior importância (sobretudo nos grandes centros), quanto com agentes de menor porte, como mercadinhos, mercearias, lojas de hortifruti etc. A soma desses varejistas responde por grande parte do poder nos SAG’s (as cadeias produtivas),
dado seu contato direto com o consumidor e porque são co-responsáveis por incentivar
a gestão de qualidade dos alimentos;
• O atacado: esse nível do canal de distribuição abastece o varejo, consistindo em uma
espécie de plataforma central que concentra fisicamente o produto. É possível perceber,
em cidades de maior porte, uma tendência à redução da presença e da importância
deste intermediário, em especial devido às novas formas de contrato e ao contato mais
próximo entre varejistas e produtores;
• A agroindústria: responsável pela transformação do alimento. Inclui indústrias de 1ª
transformação (empresas que trabalham com alimentos minimamente processados ou
em conserva, ou seja, adicionam atributos sem alterar substancialmente o produto básico) e de 2ª transformação (todo processamento mais intenso faz parte desse grupo,
onde as empresas realizam significativas alterações físicas no produto original), englobando desde pequenas empresas familiares até complexos de redes internacionais, que
devem negociar tanto com o produtor quanto com o atacadista e o varejista;
16
• A produção primária: o produtor, o “agricultor”, o fornecedor de produtos in naturaou
como matéria-prima para o setor de alimentos; encontra-se muito distante do consumidor final e é formado por agentes bastante heterogêneos entre si.
As etapas do processo produtivo no agronegócio podem ser divididas em:
• Antes da porteira: insumos e bens de produção;
ESTUDOS
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ESPM /SEB R AE
• Dentro da porteira: a produção em si;
• Pós-porteira: distribuição, processamento e consumo.16
3.1.1. Antes da Porteira
Para a bananicultura, os aspectos mais relevantes no processo anterior à produção são: fertilizantes e defensivos agrícolas, maquinário e equipamentos, embalagens, atividades de
apoio (incluindo o crédito agrícola e a assistência técnica) e obtenção de mudas. Merecem
especial atenção os dois últimos fatores.
• Atividades de apoio: a atividade agrícola sustentada por pequenos produtores depende fortemente de atividades de apoio estruturadas. Junto ao porte reduzido, frequentemente se nota dificuldades no processo de obtenção de crédito necessário, por exem16
Fonte: MEGIDO, José Luiz Tejon. Apêndice: a comunicação. In: ZYLBERSZTAJN, Décio; NEVES,
Marcos Fava; NASSAR, André Meloni (org.). Economia e gestão dos negócios agroalimentares. São Paulo:
Pioneira, 2000, p. 418.
plo, para o aprimoramento tecnológico dos sistemas de plantação, colheita e transporte.
A assistência técnica segue o mesmo padrão: os investimentos escassos dificultam o
acesso do agricultor a técnicas que poderiam otimizar sua produtividade e qualidade
de seus produtos.
• Fornecimento de mudas: de acordo com relatório da Embrapa,17 o setor de produção de
mudas “é altamente estratégico para conferir competitividade” à cadeia de frutas tropicais, sendo muitas vezes o seu elo mais frágil. Grande parte das plantações familiares
se utiliza de mudas doadas de parentes, amigos ou vizinhos. Isto pode ser problemático, pois mudas de melhor qualidade podem gerar frutas mais resistentes e adequadas
para mercados exigentes (como o de exportação). Porém, são mais caras e enfrentam
as restrições financeiras enfrentada por muitos agricultores. Exemplos de fornecedores
de mudas são a Bionova Mudas, Epamig e APSEMG, todos de Minas Gerais. Vale buscar alternativas em cada um dos Estados produtores.
3.1.2. Dentro da Porteira
Há forte relação entre o potencial de retorno da bananicultura com as condições em que ela
é desenvolvida. Quando é feita com pouca capitalização, carece de tecnologias que podem
ampliar significativamente a sua produtividade. Problemas comuns encontrados na cultura da banana são o porte de alguns cultivares, a pouca resistência à estiagem e a oscilações
de temperatura (principalmente às baixas temperaturas) e a presença de pragas altamente
danosas à produção.18
banana
Para assegurar o sucesso do empreendimento, faz-se fundamental a etapa de planejamento do cultivo do bananal. A escolha do cultivar se apresenta comum uma das decisões
mais críticas para o sucesso do empreendimento. A tabela abaixo lista alguns fatores-chave
nesse momento da cadeia produtiva.
17
Condições Naturais do Plantio da Banana
17
Fonte: EMBRAPA MANDIOCA E FRUTICULTURA TROPICAL, 2005, op. cit., p. 40.
18
Fonte: SEBRAE-MG. Ponto de partida para início de negócio: cultivo de banana. Belo Horizonte:
31 out. 2007. 69 p. Disponível em: <http://www.sebraemg.com.br/Geral/arquivo_get.aspx?cod_
areasuperior=2&cod_areaconteudo=231&cod_pasta=234&cod_conteudo=1492&cod_documento= 94>.
Acesso em: 15 nov. 2007, p. 40.
Tabela 6 – Fatores chave para a escolha de cultivares da banana
Aspectos naturais e
tecnológicos
Aspectos de consumo
Aspectos de distribuição
Adaptação do cultivar à região
Preferência pelo cultivar
(aceitação de tipos específicos
de banana)
Distância entre o local de
produção e o mercado
consumidor ou os centros de
escoamento da produção
Resistência a doenças e pragas
Finalidade da produção:
exportação, consumo in natura,
uso em indústrias alimentícias
Tipos e estado das vias
disponíveis para escoamento
da produção: estradas,
hidrovias etc.
Produtividade/ha, lucro/ha e
custo de produção
Fonte: Adaptado de MANICA, 1998, p. 37.
ESTU DOS
DE
M ERC ADO
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18
A etapa da colheita é de central importância para a produção de bananas, já que ela é
grande responsável pela qualidade e aparência do produto. Algumas variáveis devem ser
consideradas:19 a distância em relação ao mercado consumidor, a estação do ano, as condições normativas do comprador, a embalagem e o fim para o qual se destina o produto
(consumo local, exportação ou industrialização). Como regra geral, a banana é colhida
mais cedo quanto mais distante estiver do centro consumidor ou quanto mais quente for
a estação do ano.
Assim, as bananas são colhidas ainda impróprias ao consumo – verdes e com diâmetro
menor. Em condições opostas, pode-se optar pela coleta de bananas mais desenvolvidas e
de maior diâmetro. Dada essa característica, a climatização, isto é, o controle das condições
de amadurecimento por meio dos fatores como temperatura e umidade relativa, pode ser
utilizada na obtenção de frutas com qualidade de sabor e apresentação. Vale ressaltar que
a mão-de-obra contratada deve ser capacitada para um trabalho cuidadoso, já que a casca
frágil pode ficar marcada com as lesões dessa etapa e reduzir consideravelmente o valor
do produto no mercado.
Um processo adequado de embalagem permite que se mantenha a qualidade das frutas
até o mercado comprador. Nessa etapa são desenvolvidas as atividades de despencamento,
separação, higienização e embalagem.
Caracterização dos Produtores
Apesar da existência de alguns grandes produtores – inclusive aqueles integrantes de grupos multinacionais –, a bananicultura é fundamentalmente desenvolvida por pequenos
produtores. Apesar de não favorecer a qualidade ou a produtividade da colheita, processos
simplificados de cultivo da bananeira são possíveis; além disso, a ampla aceitabilidade
da fruta nos mercados, devido a uma demanda estável, favorece a entrada de pequenos
produtores no setor. A tabela 7 reúne algumas características de quatro importantes pólos
produtores de banana no Brasil.
19
Fonte: MANICA, 1998, op. cit., p. 81.
Tabela 7 – Características de quatro pólos produtores de banana brasileiros20
Região
Dados de Produção
Características dos Produtores
Petrolina (PE),
Juazeiro do
Norte (BA) e
Bom Jesus da
Lapa (BA)
Cultura secundária, em função da atratividade
e tecnologia dedicada à uva e manga. 1% da
produção nacional em 4 mil hectares.
Predomínio da variedade Pacovan.
A maioria integra o CODEVASF
(Coordenadoria de
Desenvolvimento do Vale do São
Francisco e Paraíba). São de
pequeno porte (5 a 10 ha).
Vale do Ribeira
(SP)
Responsável por 11% da produção nacional, é
região favorecida pela proximidade do maior
centro comercial do país (São Paulo). A
principal variedade é a Nanica.
Não se encontram organizados em
cooperativas ou associações.
Propriedades pequenas (de 10 a 20
ha cultivados).
Região Norte
de Minas
Gerais
Tem 2% da produção nacional, concentrada no
cultivar Prata. Clima bastante propício à
bananicultura. Principal escoamento para
Brasília, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e
Goiânia.
Há três grandes associações:
Abanorte, Frutvale e Companhia
da Fruta. São fundamentais para a
assistência técnica e apoio à
comercialização.
Região Norte
de Santa
Catarina
Produz 6% do total nacional. A região
apresenta dificuldades climáticas, como o frio
e a umidade excessiva, em épocas diferentes.
É a área responsável pela exportação para o
Mercosul. A variedade predominante é a
Nanica.
Pequenos produtores organizados
em associações que apóiam a
produção, mas não participam da
etapa de comercialização.
Fonte: Adaptado de , Marina L.; BOTEON, Margarete. Análise dos principais pólos produtores de banana no Brasil. Piracicaba
Já a Produção Integrada de Frutas (PIF) viabiliza a rastreabilidade dos produtos, a adoção
de regras ambientalmente sustentáveis e uso de tecnologias não agressivas às pessoas e ao
meio ambiente. O Ministério da Agricultura desenvolve um esforço para implementar programas de PIF nas diversas unidades da Federação. Para o produtor, há vantagens relativas
ao mercado e à produção. De um lado, o desenvolve-se garantias de qualidade e procedência suficientes para se adequar às exigências dos consumidores. De outro, reduz o uso de
defensivos agrícolas e adota tecnologias que aumentam a produtividade das plantações.
Participantes da PIF são credenciados e recebem um Selo de Conformidade, atestando origem do produto e processo produtivo utilizado22. Em 2005, 119 produtores de banana participavam de sistemas de produção integrada, totalizando uma área de aproximadamente
2,7 mil hectares cultivados e 77,7 mil toneladas de produtos colhidos.23
20
Fonte: MATTHIESEN, Marina L.; BOTEON, Margarete. Análise dos principais pólos produtores
de banana no Brasil. Piracicaba (SP): Cepea/Esalq-USP, 2003. 18 p. Disponível em: <http://cepea.esalq.usp.
br/pdf/banana.pdf>. Acesso em: 26 maio 2007.
21
Fonte: EMBRAPA MANDIOCA E FRUTICULTURA TROPICAL, 2005, op. cit.
22
Fonte: EMBRAPA MANDIOCA E FRUTICULTURA TROPICAL, 2005, op. cit.
23
Fonte: ANDRIGUETO, José Rosalvo; NASSER, L. C. B.; TEIXEIRA, J. M. A. Produção integrada de
frutas: conceito, histórico e a evolução para o sistema agropecuário de produção integrada – SAPI. Brasília,
2006. 21 p. Disponível em: <http://www.agricultura.gov.br/pls/portal/url/ITEM/1F01BA131CF28CA5E040A8C
0750248AE>. Acesso em: 27 maio 2007, p. 7.
banana
No contexto do agronegócio, os APL’s (Arranjos Produtivos Locais, também denominados
clusters) são soluções importantes para os pequenos produtores, uma vez que as condições
ambientais podem representar grandes oportunidades para se superar as barreiras impostas pela economia de escala dos players de maior porte. Alguns APL’s bem sucedidos
na bananicultura são localizados em Caropebe (RR), Juazeiro (BA), Petrolina (PE) e Luiz
Alves (SC).21
19
(SP): Cepea/Esalq-USP, 2003. 18 p. 20
3.1.3. Pós-Porteira
Há, fundamentalmente, dois destinos para a banana: a agroindústria (agentes transformadores da banana para fins alimentares ou não alimentares) e o consumo in natura.
“Bananeiros” e Atacadistas
Os “bananeiros” são intermediários importantes na distribuição, uma vez que proporcionam aos pequenos agricultores o acesso aos mercados, por meio de embalagem e transporte adequados do produto. São conhecedores das características das regiões em que atuam,
em relação tanto à oferta quanto à demanda da banana e de cada variedade. Geralmente
compram a fruta dos produtores e a revendem aos atacadistas, concentrados sobretudo
nas Centrais de Abastecimento (Ceasas). Em algumas ocasiões, podem revender o produto
diretamente às redes varejistas, especialmente no caso de grandes supermercados.24
20
Freqüentemente, os atacadistas recebem a banana sem qualquer tipo de embalagem para
comercialização. Este fato destaca a importância dos intermediários na distribuição do
produto, principalmente no caso de pólos produtores que não possuem estruturas cooperativas de apoio aos pequenos agricultores. Além da venda do produto ao comércio varejista,
os atacadistas podem ter como função a classificação e padronização do produto, armazenamento, embalagem, transporte e, em alguns casos, até o financiamento dos produtores.25
Além das Ceasas, há redes privadas de atacado, apesar destas serem menos representativas no volume vendido. O destino dos produtos comercializados através do atacado são,
principalmente, as casas de fruta, sacolões, feiras livres, mercados de bairro.
Outro agente que pode estar presente na cadeia de distribuição da banana são as packinghouses, ou casas de embalagem.26 Estas podem ou não estarem ligadas a associações ou
cooperativas e têm por função exclusivamente embalar os produtos para comercialização.
A demanda por qualidade tanto do varejo quanto do consumidor final representa uma
oportunidade de modernização para as casas de embalagem, que já adotam, em alguns
casos, processos sofisticados de automação.
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A figura 1 sintetiza as transações realizadas no nível atacadista:
24
ALMEIDA, Carlos Alexandre. Entrevista concedida em maio de 2007.
25
MATTHIESEN, Marina L.; BOTEON, Margarete. Análise dos principais pólos produtores de
banana no Brasil. Piracicaba (SP): Cepea/Esalq-USP, 2003, p. 24. Disponível em: < http://cepea.esalq.usp.br/
pdf/banana.pdf >. Acesso em: 26 maio 2007.
26
EMBRAPA MANDIOCA E FRUTICULTURA TROPICAL, 2005, op. cit., p. 24.
Figura 1
Cadeia de comercialização da banana
Fonte: Elaborada pelo autor.
Varejo
É possível notar que a crescente concentração no mercado varejista, sob comando de grandes redes de super e hipermercados. Esta atuação mais intensiva dos supermercados representa uma ameaça para agentes de menor porte, como quitandas e sacolões.
A qualidade da fruta pode ser considerada a principal exigência feita pelos varejistas em
relação às bananas compradas de produtores e atacadistas. Um dos aspectos importantes,
no que tange à qualidade, é a ausência de machucados. se atentar para o fato de que nem
sempre esses problemas são facilmente percebidos enquanto a fruta está verde. É o amadurecimento que revela marcas de batidas ou manuseio inadequado, tornando a banana
mais difícil de ser vendida.
Novamente, o zelo nas embalagens pode representar uma oportunidade valiosa de diferenciação por parte dos produtores. Além de qualidade, varejistas prezam por constância
de entrega, quando estabelecem relações comerciais com atacadistas e produtores.28 Isto
explica a prática adotada por atacadistas fixos da Ceasa-CE de buscar bananas em outros
27
SILVA, Cíntia de Souza et al, 2003, op. cit., p. 233.
28
Fonte: CUSTÓDIO, J. A. L. et al. Análise da cadeia produtiva da banana no Estado do Ceará. In:
XXXIX CONGRESSO BRASILEIRO DE ECONOMIA E SOCIOLOGIA RURAL: Competitividade & Globalização
– Impactos Regionais e Locais, Recife, SOBER, 2001. Anais...Recife, 2001. v.1, p. 6.
banana
As principais estratégias utilizadas no ponto de venda por parte dos supermercados são
novas formas de disposição e sugestões de uso dos produtos. Além disso, a diversificação
tem sido um caminho explorado: no caso das bananas, é possível encontrar produtos feitos
a partir dela, frutas orgânicas e diversas variedades. A banana é comercializada no varejo
em cachos, ainda verdes ou já maduras.
21
De acordo com dados de 1990 a 1999, as áreas destinadas a produtos hortifruti em supermercados cresceram de 30 para 60%,27 em média. É importante lembrar que estas redes
tendem a reduzir a complexidade dos canais, buscando relações diretas com os produtores. Em alguns casos, os supermercados podem até financiar atividades de expansão e
melhoria de qualidade dos seus fornecedores.
estados na entressafra das lavouras cearenses. O preço, também citado em pesquisa como
fator relevante, deve ser cuidadosamente ponderado. Medidas que aumentem demais os
custos de produção e distribuição das bananas podem ocasionar perda de competitividade por parte dos produtores. Recomenda-se a realização de análises adequadas sobre os
ganhos obtidos a partir de cada modificação realizada no processo produtivo, para que se
possa compará-los com o aumento dos custos.
A freqüência de compra da banana pelos supermercados não costuma passar de uma semana. O fato de a banana amadurecer depois de colhida permite a sua comercialização
ainda verde ao longo dos canais de distribuição. Isto permite certa durabilidade no ponto
de venda, principalmente se mantida em boas condições de armazenamento. Deve-se destacar, no entanto, que seu amadurecimento é muito rápido, o que favorece a comercialização “de vizinhança”, isto é, próxima aos centros produtores. As dificuldades relacionadas à
perecibilidade e fragilidade da banana constituem a principal causa das perdas do produto, além de representarem barreiras à sua exportação.
Um esforço de modernização no comércio de bananas no Brasil necessariamente passa
pelo incentivo à adoção de normas para a classificação da fruta. Há diversos benefícios
decorrentes da classificação. Para o produtor, a separação dos lotes propicia a cobrança
de preços diferenciados para qualidades distintas; sem a medida, atacadistas e varejistas
acabam por adquirir produtos de excelente qualidade pelo mesmo preço das frutas regulares. Além disso, ocorrem mais conflitos nas vendas realizadas em longa distância, uma
vez que critérios objetivos deixam de ser usados. Para o consumidor, a classificação coloca
a seu dispor mais opções na hora da compra, quando decide se quer produtos de melhor
qualidade a preços mais altos ou se privilegia preço baixo à qualidade.29
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22
3.1.4. Perdas
Um aspecto relevante a se estudar na cadeia produtiva da banana são as perdas decorrentes do seu processo de colheita e logística. Devido à fragilidade e à alta perecibilidade das
frutas tropicais, em geral, e da banana, em particular, os índices de perda são significativos:
dados da Fundação Getúlio Vargas (FGV) dão conta de uma perda de 40%, da plantação à
comercialização.30 Porém, outras fontes, como o Instituto de Economia Agrária do Estado
de São Paulo (IEA), chegam a um índice de 60%.31 As principais causas no atacado são a
inadequação das embalagens e do armazenamento, bem como o transporte precário da
mercadoria. Já no varejo, acredita-se que os mais sérios problemas associados à perda são o
tempo entre a compra e venda da fruta e o manuseio inadequado pelo consumidor.32
29
Fonte: ALMEIDA, Clóvis Oliveira de. 2004, op. cit, p. 245-55.
30
Fonte: SILVA, Cíntia de Souza et al, 2003, op. cit., p. 229.
31
Fonte: IZIDORO, Dayane Rosalyn; SCHEER, Agnes de Paula; SIERAKOWSKI, Maria Rita. Influência
da polpa de banana (Musa cavendishii) verde no comportamento reológico, sensorial e físico-químico
de emulsão. 2007. 167f. Dissertação (Mestrado em Tecnologia de Alimentos) – Setor de Tecnologia da
Universidade Federal do Paraná (UFPR). Curitiba, 2007. Disponível em: < http://dspace.c3sl.ufpr.br:8080/
dspace/handle/1884/8456 >. Acesso em: 25 abr. 2007.
32
Fonte: SALLES, José Rogério de Jesus et al. Perdas na comercialização de frutas nos mercados de
São Luís/MA. São Luís (MA): Sebrae/MA, 29 out. 2004. 7 p. Disponível em: <http://www.sebrae.com.br/uf/
maranhao/integra_documento?documento=57A36C93092B16CC03256F3C006722DA>. Acesso em: 25 jul.
2007.
Há diversas medidas que podem reduzir sensivelmente as taxas de perda da banana ao
longo da cadeia produtiva. Maria Geralda Vilela Rodrigues33 sugere diversos cuidados
como a proteção dos frutos ainda na planta; a proteção do cacho com almofadas no transporte interno e a colocação dos frutos em câmaras frias com correta temperatura e umidade relativa controlada.
4. Produtos e Usos da Banana
4.1. Consumo In Natura
Em pesquisa realizada com consumidores de Cruz das Almas (BA), dá-se conta de que a
aparência da banana, sabor e durabilidade consistem nos principais atributos procurados
na fruta. São da preferência do público os cachos com 10 a 12 frutos, de tamanho médio,
polpa firme e casca amarela, sem pintas marrons.34
Há alguns anos detecta-se nos mercados de alimentação, de forma geral, uma gradativa
mudança nos hábitos de consumo. No que tange à comercialização de frutas, essa mudança se expressa pela crescente segmentação e pelo surgimento de nichos de produtos
diferenciados.35 Os baixos volumes vendidos de cada produto são compensados pelas altas
margens unitárias obtidas, como acontece com as bananas orgânicas. Outra possibilidade
de comercialização em nichos é a venda de cultivares raros em uma determinada região,
33
Fonte: RODRIGUES, Maria Geralda Vilela. Entrevista concedida em junho de 2007.
34
Fonte: MATSUURA, Fernando Cesar Akira Urbano; COSTA, Jane Iara Pereira da; FOLEGATTI, Marília
Ieda da Silveira. Marketing de banana: preferências do consumidor quanto aos atributos de qualidade dos
frutos. Rev. Bras. Frutic., Jaboticabal (SP), v.26, n.1, p.48-52, abr. 2004.
35
Fonte: EMBRAPA MANDIOCA E FRUTICULTURA TROPICAL, 2005, op. cit.
banana
A preferência dentre os diversos cultivares disponíveis para plantação no Brasil apresenta
padrões regionais, cultural e historicamente moldados. No Nordeste, a Pacovan e a Terra
são muito utilizadas no preparo de pratos tradicionais, enquanto a prata é predominante
no consumo cru. Em Minas Gerais, a variedade Prata também é a mais aceita. Já na região
Sul e no mercado paulistano, a banana Nanica tem a preferência dos consumidores. É importante lembrar que este cultivar é o de maior penetração internacional, o que o torna o
mais propício à produção para exportação.
23
A maior parte da produção da bananicultura atende à demanda para o consumo in natura
da fruta. Trata-se de um alimento barato e altamente nutritivo. A versatilidade e abrangência da banana podem ser percebidas desde a ampla aceitação por diferentes segmentos sociais até os diferentes usos na culinária brasileira: é ingerida crua, assada, frita, em farinha,
e em purê. Conforme visto anteriormente, o comércio da banana in natura tem apresentado
tendência de migração de um modelo puramente commodity, para a exploração de nichos
específicos, como o mercado de produtos orgânicos e a seleção de frutas premium. Os pequenos volumes são compensados pelas altas margens cobradas. Outra possibilidade de
comercialização em nichos é a venda de cultivares incomuns, ou por não haver tradição
local para a sua produção ou por constituírem variedades recentemente criadas nos laboratórios agronômicos.
ou por não haver tradição local de produção ou por constituírem variedades recentemente
criadas nos laboratórios agronômicos.
4.2. Uso Agroindustrial
Além do consumo in natura, a banana possui uma demanda voltada para o processamento industrial, tanto dentro do setor alimentício quanto em outras atividades, como a farmacêutica e a cosmética.36 Relativamente poucos produtores se dedicam a atividades de
beneficiamento da fruta; em geral, esta etapa fica a cargo de terceiros. No entanto, alguns
produtos derivados da banana podem ser facilmente convertidos em produtos de maior
valor agregado. Dentre eles, a banana-passa e o doce de banana são os mais populares.
Uma importante vantagem no processamento de derivados está na redução das dificuldades logísticas (incluindo transporte e armazenamento), uma vez que os processos de industrialização reduzem peso e volume dos alimentos, além de torná-los menos perecíveis
e mais lucrativos.37 A Figura 2 exemplifica alguns dos produtos que podem ser obtidos a
partir da banana:
Figura 2
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24
Subprodutos obtidos na industrialização da banana
Fonte: SILVA apud FOLEGATTI, Marília Ieda da Silva; MATSUURA, Fernando Cesar Akira Urbano. Processamento (banana). In:
BORGES, Ana. Lúcia; SOUZA, Luciana da Silva. (Org.). O cultivo da bananeira. Cruz das Almas (BA): Embrapa Mandioca e
Fruticultura, 2004, v.1, p.233.
4.2.1. Derivados com Uso Alimentar
Para fins alimentares, pode-se encontrar como exemplos de produtos derivados da banana:
36
Fonte: EMBRAPA MANDIOCA E FRUTICULTURA TROPICAL, 2005, op. cit., p. 24.
37
Fonte: NASCENTE, Adriano Stephan. A fruticultura no Brasil. Porto Velho: Embrapa/ de Pesquisa
Agroflorestal de Rondônia. 2003. Disponível em: <http://www.cpafro.embrapa.br/embrapa/Artigos/frut_brasil.
html>. Acesso em: 25 mar. 2007.
• Banana-passa. Geralmente feita a partir do cultivar prata, este produto é um dos mais
tradicionais feitos da banana. O processo é simples, executado por máquinas específicas de desidratação de frutas – há modelos que se utilizam de energia elétrica e outros
de energia solar. Em geral, não são usados aditivos ou conservantes, o que encurta
sua validade. As bananas podem ser desidratadas inteiras, em pedaços ou rodelas, até
chegar à umidade final de 20 a 25%.
• Banana chips. Novidade do norte do país, as bananas chips rapidamente ganharam
mercado, inclusive no Sudeste. Aproveitando as características da produção local, as
mais antigas fabricantes fazem uso da variedade Pacovan. Há marcas que trabalham
com chips adocicados ou salgados.
• Doces e geléia de banana. Com processos de industrialização razoavelmente simples, bananas que se soltam das pencas e que geralmente são descartadas no momento da
colheita podem ser transformadas em doces ou geléias de banana. Os cultivares mais
utilizados são prata para as bananadas e nanica para os doces em compota. Há boas
perspectivas de mercado para estes produtos, uma vez que a larga aceitação da fruta
se transfere também para seus derivados. Entretanto, é necessário atentar para a concorrência: as baixas barreiras de entrada (ou seja, dificuldades para a criação de novas
empresas no ramo) exigem, dos atuais participantes, rigor no cumprimento das leis
fitossanitárias e atenção à qualidade do produto. A intensa competição, somada às pequenas possibilidades de diferenciação e à escala reduzida, determinam a necessidade
de se prezar pela constante busca por redução de custos e aumento de produtividade.
O Sebrae-ES disponibiliza pela internet um projeto detalhado de industrialização da
banana para a produção de bananadas e geléias, no qual indicam um período de payback38 de aproximadamente 3,5 anos e uma taxa interna de retorno de 37% anuais.39
25
• Farinha de banana. De alto valor nutritivo, a farinha é processada a partir da banana verde. Suas principais aplicações são na composição de pães e biscoitos, como substituta
parcial de outras farinhas.
• Este produto é utilizado em inúmeras aplicações no setor alimentício, como comida
para bebês, sobremesas congeladas, balas e produtos para panificação. É o mais importante subproduto da banana, correspondendo a 55% do total de produtos industrializados da fruta. Em geral, é produzido por grandes empresas concentradas nas regiões
Sul e Sudeste, devido à tecnologia mais sofisticada.41
• Aguardente e licor de banana. Do ponto de vista técnico, a aguardente de banana não
pode ser chamada de cachaça, apesar de a denominação ter se disseminado popularmente. A Musa, aguardente fabricada em Itajubá, traz em seu site na internet42 uma
descrição do processo produtivo, no qual destaca-se a bi-destilação, que exige maior
38
Payback = prazo de retorno de um investimento
39
Fonte: SEBRAE-ES. Industrialização da banana. Vitória: 1999. (Série Perfil de Projetos)
40
Fonte: SILVA, Eduardo Marcondes Filinto da. 1999, op. cit.
41
Fonte: FOLEGATTI; MATSUURA, 2004, op. cit, p. 237-38.
42
Fonte: MUSA AGROINDUSTRIAL. Site institucional. 2007. Disponível em: <d http:// www.musagro.
com.br >. Acesso em: 25 jun. 2007.
banana
• Polpa de banana. O Brasil exporta anualmente cerca de 4,5 mil toneladas de polpa de
banana (sendo os principais mercados de destino Japão, Estados Unidos e Europa),
volume muito superior às 100 toneladas consumidas internamente.40
tecnologia que a produção da cachaça de cana-de-açúcar. Cada 20 kg da fruta rendem
aproximadamente 3 litros da bebida, em um processo que dura no mínimo 6 meses.
• Ovos de chocolate recheados com banana-passa. Aproveitando a demanda sazonal por ovos
de Páscoa, a Muza Brasil (empresa localizada em Luiz Alvez/SC) produziu em 2007
chocolates recheados de banana-passa43. O produto explora a versatilidade da fruta,
abrindo perspectivas para a elaboração de diversas outras variações na sua aplicação.
Bombons e bananinhas cobertas de chocolate são exemplos de produtos não-sazonais
que a mesma cooperativa também fabrica.
4.2.2. Derivados com Uso Não Alimentar
Da casca da bananeira são extraídos cinco tipos de fibra com texturas e características
diferentes, o que torna a matéria-prima bastante versátil. Com isso, são muitas as possibilidades de usos não alimentares da banana, para além das indústrias farmacêutica e
cosmética. Apesar da participação restrita dos produtores na elaboração desses produtos,
a possibilidade de beneficiar o pseudocaule e comercializá-lo é economicamente vantajosa.
Após a colheita da fruta, os pés da bananeira não são reaproveitados para a colheita seguinte, o que permite complementar os rendimentos obtidos a partir da venda da banana,
sem comprometer sua produção.
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26
• Artesanato. Quando trabalhada, a fibra da bananeira permite a realização de bijuterias,
caixas, bolsas e outros artigos.
• Móveis e objetos de decoração. Vários pequenos bananicultores têm dedicado esforço e
atenção ao uso das fibras de bananeira na confecção de produtos de decoração, como
tapetes e luminárias. Outro uso inusitado é na fabricação de móveis de luxo, onde as
fibras de bananeira substituem o couro e os tecidos nos estofados. As principais características do material são a maior resistência a manchas e o degradê natural, do bege
ao marrom.44
• Papel. Feito artesanalmente a partir do pseudocaule da bananeira, tem diversas aplicações no artesanato, como na confecção de convites, capas de álbuns e cadernos e embrulho de pequenos presentes. Torna-se interessante aos produtores, pois não utiliza
a fruta, aproveitando parte geralmente descartada da produção. Papéis artesanais são
importante fonte de rendimento para as famílias produtoras de banana no Vale do
Ribeira Paraíba (de Iguape, SP, a Paranaguá, PR).45
• BananaPlac. Material desenvolvido por pesquisa conjunta da Universidade Estadual do
Rio de Janeiro e a empresa Biothinking, o Banaplac consiste em um painel laminado
produzido a partir das fibras da bananeira, utilizando-se uma resina de mamona como
43
Fonte: ALARCON, Tatiana. Banana com chocolate é a nova aposta de produtores catarinenses.
Agência Sebrae, Brasília, 28 mar. 2007. Disponível em: <http://www.empreendedor.com.br/_novo/_br/?seca
o=Noticias&codigo=3823&categoria=>. Acesso em: 28 maio 2007.
44
Fonte: FIBRA de bananeira é usada em luminárias. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 6 ago. 2003.
Disponível em: http://www.seagri.ba.gov.br/noticias.asp?prt=true&prt=true&prt=true&prt=true&qact=view
&exibir=clipping&notid=654. Acesso em: 2 jul. 2007.
45
Fonte: UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro). BananaPlac – site do projeto. Rio de
Janeiro: UERJ/ESDI (Escola Superior de Desenho Industrial), 2007. Disponível em: <http://ww.esdi.uerj.br/
bananaplac>. Acesso em: 22 mar. 2007.
amálgama.46 Seu uso é substituto a placas de aglomerado (MDF), na fabricação de tapumes, móveis, etc. Uma característica importante do material é o fato de ser biodegradável, por conta da utilização exclusiva de componentes orgânicos. Com o pseudocaule
de duas bananeiras, é possível produzir um metro quadrado do material.
• Polímeros naturais e outras aplicações industriais. Ainda na trilha da sustentabilidade
ambiental, o desenvolvimento de substitutos para os polímeros derivados do petróleo tem gerado bons resultados. Pesquisas revelam que de compósitos biodegradáveis
preparados a partir de amido e de fibras de bananeira podem apresentar características
superiores aos sintéticos, apesar de ainda serem mais caros na produção.47 As aplicações são inúmeras, desde a indústria automobilística até a construção civil. Outro uso
importante em processos industriais está na produção de papelão ondulado, material
utilizado em embalagens de bens de consumo. A adição de fibra de bananeira às misturas do papelão aumenta sua resistência em 50%.48
5. Diagnóstico do Mercado da Banana
5.1. Tendências para a Indústria da Bananicultura
46
Fonte: UERJ, 2007, op. cit.
47
Fonte: GUIMARÃES, José Luiz et al. Preparo de compósitos biodegradáveis a partir de fibras de
bananeira plastificadas com amido e glicerina bruta derivada da alcoólise de óleos vegetais. 1º CONGRESSO
DA REDE BRASILEIRA DE TECNOLOGIA DO BIODIESEL, Brasília, 31 de agosto a 1º de setembro de 2006.
Anais... Brasília: ABIPTI, v.2, p. 28-33, 2006. Disponível em: <www.biodiesel.gov.br/docs/congressso2006/
Co-Produtos/PreparoCompositos6.pdf>. Acesso em 20 abr. 2007.
48
Fonte: UERJ, 2007, op. cit.
banana
Há diversos fatores que, em conjunto, explicam o gradual aumento da quantidade de banana exportada pelo Brasil. As grandes empresas multinacionais têm intensificado seus investimentos em áreas produtivas brasileiras, incrementando sua produção, exclusivamente
voltada para o consumo externo. Ao mesmo tempo, programas governamentais como o
Brazilian Fruit, a Produção Integrada de Bananas e a constituição de APLs colaboram significativamente para a maior competitividade do produto nacional. A profissionalização do
setor produtivo também indica essa tendência de um crescimento gradativo das exportações, que formam um mercado mais exigente, porém altamente lucrativo para as empresas
que nele conseguirem penetrar. O pequeno empresário deverá adequar-se às expectativas
do consumidor externo e considerar a possibilidade de parcerias comerciais para a venda
de seus produtos a outros países, uma vez que os custos das multinacionais são significativamente menores, em função dos elevados investimentos em tecnologia e da grande escala
produtiva, entre outros fatores.
27
5.1.1. Tendências para o Mercado de Exportação
5.1.2. Tendências para a Distribuição
Dois aspectos principais se destacam na análise da distribuição da banana. Em primeiro
lugar, o crescente desenvolvimento de alternativas eficazes, de baixo custo e pouco poluidoras para as embalagens. As elevadas perdas que ocorrem no trajeto entre as propriedades produtoras e os lares dos consumidores podem ser significativamente reduzidas com o
uso de embalagens mais adequadas. Novos materiais biodegradáveis têm sido testados na
composição de caixas e filmes de proteção; o fator biodegradabilidade é cada vez mais importante, à medida que a questão ambiental ganha importância junto a parcelas crescentes
do público, sobretudo de maior poder aquisitivo.
Em segundo lugar, a concentração do setor supermercadista em torno das grandes redes
aumenta o poder de barganha destas últimas e dificulta o acesso ao mercado por outras
vias de distribuição. A tendência é que esses movimentos de fusão, aquisição e expansão
continuem a fortalecer as redes de supermercados. Para os pequenos produtores, uma alternativa a ser considerada é o estreitamento das relações diretas com este importante canal distribuidor, especialmente por parte das propriedades localizadas próximas a centros
urbanos.
ESTUDOS
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28
5.1.3. Tendências para a Produção
De acordo com Michael Porter,49 há três estratégias genéricas que podem ser adotadas alternativamente: a de liderança de custo total, a de diferenciação ou a de enfoque. Esta última se caracteriza pela concentração em parcelas selecionadas do mercado. Ainda dentro
desta opção estratégica, há a possibilidade de foco no baixo custo ou na criação de ofertas
diferenciadas. Os pequenos produtores de banana geralmente encontrarão melhores oportunidades operando sob uma estratégia de enfoque; a maioria deles tenderá a oferecer seus
produtos a preço baixo aos canais de distribuição disponíveis, continuando a se utilizar de
processos produtivos rústicos e com pouca tecnologia aplicada.
Entretanto, uma nova tendência aparece entre alguns produtores de pequeno porte: a produção de bananas voltadas a nichos de mercado por meio da estratégia de diferenciação.
Como exemplo, cresce o número de culturas dedicadas à agricultura orgânica e aumentam
as alternativas de cultivares (tipos de bananas) pouco comuns, que permitem a cobrança
de maiores margens. A adesão ao programa de Produção Integrada também pode ser vista
como uma forma de diferenciação para o bananicultor.
5.2. Análise Estrutural da Indústria
5.2.1. Ameaça de Novos Entrantes
A fruticultura e, particularmente, a bananicultura, apresentam baixas barreiras de entrada,
o que representa uma ameaça considerável para os atuais produtores. Uma das maneiras
de se dificultar este movimento é se investindo em tecnologia de preparo, colheita, armazenamento, embalo e transporte, de forma a criar vantagens competitivas mais difíceis de
copiar. A diferenciação ou especialização, por meio de cultivares incomuns na região ou
49
Fonte: PORTER, Michael E. Estratégia competitiva. Rio de Janeiro: Campus, 1999.
com algum tipo de melhoria também ajudam a reduzir esses riscos. Os novos entrantes
podem ser pequenos agricultores, mas a principal ameaça está no ingresso de empresas
de grande porte. A bananicultura tende a atrair crescentemente empresas multinacionais
que, devido aos investimentos altos, obtêm custos mais baixos e oferecem frutos de melhor
qualidade.
5.2.2. Ameaça de Produtos Substitutos
Frutas, em geral, pertencem a uma categoria de produtos facilmente substituíveis, o que
tende a tornar esta força considerável. Produtos industrializados, verduras e legumes são
concorrentes indiretos das frutas, pois servem ao propósito da alimentação e podem ser
consumidos em seu lugar; no entanto, as características nutricionais da fruta não são facilmente substituídas. As tendências atuais de alimentação saudável e balanceada apontam
para a possibilidade de crescimento das vendas de frutas. Além de garantir mercados mais
amplos, os fruticultores (incluindo bananicultores) poderão conseguir maiores margens a
partir do beneficiamento de seus produtos.
5.2.4. Poder de Barganha dos Compradores
As condições com que compradores entram no processo de negociação também podem
representar ameaças à lucratividade de um setor. Na bananicultura (como, de resto, em
quase toda a fruticultura), tem influência o grande número de intermediários entre os produtores e os consumidores finais. Cada elemento da cadeia distribuidora impõe margens
adicionais e exige dos elos anteriores preços mais competitivos. O produtor se vê dependente dos grandes atacadistas ou varejistas para atingir o mercado, em especial diante da
concentração do setor supermercadista em grandes cadeias. A criação de cooperativas ou
associações de centralização das vendas e de acesso ao mercado é fundamental para que
micro e pequenos produtores possam fazer frente ao canal distribuidor. O aumento dos
volumes negociados possibilita melhores margens aos produtores e aumenta seu poder de
barganha.
banana
Os fornecedores tendem a concentrar um alto poder nas negociações na bananicultura.
As mudas são de fácil aquisição, pois sua reprodução é rápida e simples nos métodos convencionais. O poder de barganha dos fornecedores cresce quando utilizam mudas de boa
qualidade, devido à reprodução e à seleção mais sofisticadas. Nesses casos, a produtividade e a qualidade dos frutos crescem e torna-se indispensável entrar em mercados de maior
valor ou em exportação. Com isso, quanto mais se preza pela qualidade, seja no tratamento
das mudas, seja nos processos produtivos (adubagem, irrigação, colheita, embalagem, armazenamento, entre outros), maior se torna o poder de barganha dos fornecedores, dada a
redução do número de empresas envolvidas em cada etapa. Por outro lado, o elevado custo
de produção, com pouca margem de negociação, pode levar o bananicultor a outros tipos
de cultivo.
29
5.2.3. Poder de Barganha dos Fornecedores
5.2.5. Rivalidade entre Competidores Existentes
Na bananicultura, há diferentes formas de se analisar a rivalidade existente. A primeira é
em relação a cada pequeno produtor; quando os investimentos em tecnologia e produtividade são baixos, as barreiras de saída não são significativas. Um produto homogêneo permite a rápida substituição de fornecedores pelos atacadistas e varejistas, gerando intensa
concorrência por preço e, conseqüentemente, margens e lucros menores.
Também se deve considerar a crescente atuação das multinacionais dedicadas à fruticultura e, especificamente, à bananicultura no país. O Rio Grande do Norte, por exemplo, tem
recebido investimentos maciços de empresas norte-americanas, que utilizam tecnologia de
ponta no tratamento pós-colheita dos frutos. O produto fina, de excelente qualidade e com
preços competitivos, atende aos exigentes padrões para exportação.
Pode-se também pensar na concorrência existente entre as diversas frutas, onde a preferência do consumidor é um dos fatores que impactam o consumo da banana. Mais uma
vez, relações cooperativas em paralelo à competição podem melhorar a lucratividade dos
pequenos produtores. A utilização dos padrões de classificação também é alternativa para
atrair consumidores e aumentar o consumo per capita da fruta.
A figura 3 resume os principais aspectos ligados à estrutura da indústria da fruticultura,
com ênfase para a produção da banana.
Figura 3
Forças competitivas para a fruticultura brasileira, com ênfase na bananicultura
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Ameaça de novos entrantes
• Conversão de culturas por
bananicultores
• Entrada de grupos estrangeiros
no setor
Poder de barganha dos
fornecedores
Rivalidade entre competidores
atuais
• Poucos fornecedores
especializados
• Equipamentos
especializados
• Mudas de qualidade
• Alto custo da mão-de-obra
• Concorrência entre tipos de
frutas
• Concorrência entre MPEs
• Concorrência com grandes
produtores (inclusive
multinacionais)
Ameaça de substitutos
• Legumes e verduras in natura
• Legumes e verduras
processadas/industrializadas
• Outros tipos de alimentos
industrializados
Fonte: Elaboração do autor, adaptado de Porter (1998).
Poder de barganha dos
compradores
• Concentração das redes
atacadistas e varejistas
• Competição por preço
5.3. Análise PFOA
A análise PFOA neste estudo se volta para a bananicultura como um todo. É importante
observar que a aplicação da PFOA para cada micro ou pequena empresa exigirá adequações, por exemplo, a redefinição dos critérios de separação de Potencialidades/Fragilidades e Oportunidades/Ameaças
Tabela 8 – Matriz PFOA para a bananicultura brasileira
Fragilidades
• Alto valor energético e nutricional da fruta
• Custos elevados da produção qualificada
• Sabor de boa aceitabilidade
• Alta perecibilidade e baixa resistência da
fruta nos processos de armazenagem e
transporte
• Elevado consumo, tanto nacional como
mundial
• Baixo preço da fruta
• Versatilidade dos subprodutos da banana
• Clima adequado em diversas regiões do país
Oportunidades
• Desenvolvimento de APLs estruturados
• Criação de associações e cooperativas
• Maior abertura do mercado exportador, em
especial o europeu.
• Mudança de hábitos do consumidor
(brasileiro ou não), mais voltado a produtos
naturais
• Uso ainda restrito de tecnologias avançadas
de produção e comercialização
• Perdas elevadas desde a pré-colheita até o
consumo do produto
Ameaças
• Excesso de intermediários (canais de
distribuição com muitos níveis) com
crescente poder de barganha
• Continuidade da concentração das grandes
redes de varejo
• Pragas agressivas e resistentes aos atuais
métodos de controle
• Processamento e/ou industrialização do
produto para gerar maior valor agregado
• Alterações bruscas nos preços
• Utilização de normas de classificação do
produto
• Resistência e restrições aos produtos
transgênicos por parte de consumidores,
associações e legisladores
• Acelerado melhoramento genético de plantas
e mudas
• Taxas cambiais desfavoráveis à exportação
31
Potencialidades
5.3.1. Potencialidades
• Alto valor energético e nutricional da fruta. Por ser altamente nutritiva, a banana é muito
consumida em países cujas populações possuem baixo poder de compra. Além disso,
é reconhecida fonte de vitaminas e potássio.
• Sabor de boa aceitabilidade. A banana é consumida por todo tipo de público, de diferentes
faixas etárias e classes socioeconômicas. Seu sabor é muito apreciado no consumo in
natura e no preparo de pratos e doces.
• Elevado consumo, tanto nacional como mundial. A fruta é, de acordo com dados da FAO, a
segunda mais consumida no mundo, perdendo apenas para a uva. No Brasil, ocupa o
primeiro lugar.
banana
Fonte: Elaboração do autor.
• Baixo preço da fruta. Elevado poder nutricional e preços acessíveis tornam a banana
popular e largamente consumida, o que garante o mercado futuro.
• Versatilidade dos subprodutos da banana. Além da fruta e de seus derivados alimentares,
pode-se fazer um uso muito versátil de suas fibras e folhas. Novas aplicações podem se
reveladas a partir de investimentos em pesquisa e desenvolvimento.
• Clima adequado em diversas regiões do país. As altas temperaturas médias, a grande extensão territorial brasileira e a localização do país na região dos trópicos tornam o Brasil
um produtor privilegiado da banana.
5.3.2. Fragilidades
• Custos elevados da produção qualificada. Os custos associados à produção da banana aumentam
quando se busca atingir mercados competitivos, dada as tecnologias exigidas. Há tendência de
profissionalização do setor mina compromete a atuação de produtores que operam quase como
extrativistas. Assim, custos com mudas, protetores agrícolas, maquinário e transporte devem ser
vistos como investimento.
• Alta perecibilidade e baixa resistência da fruta nos processos de armazenagem e transporte. É
necessário cuidado especial com as embalagens; as de papelão são ideais, porém mais
dispendiosas que as caixas de madeira. Já o tempo curto de maturação do produto
exige uma comercialização ágil e climatizada, portanto, mais cara.
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• Uso ainda restrito de tecnologias de produção e comercialização. A maioria dos pequenos
produtores ainda não se adaptou às novas exigências tecnológicas na colheita, o que
gera produtos de menor qualidade, além da baixa produtividade e rentabilidade.
• Perdas elevadas, desde a pré-colheita até o consumo do produto. Os índices de perda da banana são os mais altos entre todas as frutas e ocorrem desde a sua produção até a
comercialização e consumo.
5.3.3. Oportunidades
• Desenvolvimento de APL’s estruturados. O esforço conjunto de empresários, associações
e governos podem ser fundamentais para a competitividade nacional e internacional
da bananicultura.
• Criação de associações e cooperativas. A cooperação aumenta a força dos agentes coletivos,
estabilizando as relações na cadeia de distribuição. As associações também têm sido
úteis no aprimoramento das técnicas de plantação, por meio do investimento conjunto,
acesso privilegiado ao mercado e compartilhamento de conhecimentos.
• Maior abertura do mercado exportador, em especial o europeu. A redução das barreiras comerciais para a banana na Europa traz a oportunidade para a exportação brasileira.
Para isso, é necessária a adoção de procedimentos que garantam um produto que atende os rigorosos padrões internacionais.
• Hábitos do consumidor, mais voltado a produtos naturais. A busca por uma vida mais saudável tem direcionado o consumidor aos produtos naturais. A produção de bananas
orgânicas ou com melhoramento genético figura como oportunidade para empresas
que queiram atingir nichos com tendência de crescimento.
• Oportunidades de industrialização, visando maior valor agregado. O produtor pode aumentar a rentabilidade por meio da industrialização, desde processos mais simples até
aqueles que exigem maior especialização.
• Utilização de normas de classificação do produto. A classificação aumenta o valor da bananicultura e permite uma organização mais eficiente das frutas comercializadas, beneficiando também o consumidor.
• Melhoramento genético de plantas e mudas cada vez mais desenvolvido. A criação de novos
cultivares e de mudas de qualidade tornam possível os investimentos em plantações
de excelência, que trazem maior lucratividade.
5.3.4. Ameaças
• Excesso de intermediários, com cada vez mais poder de barganha. Cadeias de distribuição
extensas diminuem a margem de lucro dos produtores. A concentração do setor varejista impõe aos bananicultores agentes com maior poder de barganha, comprometendo
novamente a sua lucratividade.
• Taxas cambiais desfavoráveis à exportação. As atuais taxas de câmbio são desfavoráveis à
exportação. É possível superar esta ameaça com investimentos consistentes em produtividade e qualidade.
5.4. Considerações Finais
Fica evidente pela análise das informações apresentadas a importância da banana na economia e na cultura brasileiras. A dedicação do país ao cultivo da fruta é histórica e o coloca
entre os maiores do mundo. É interessante notar, porém, que o grande volume produzido não é de responsabilidade de poucas grandes empresas: há participação intensa de
pequenos produtores na composição da oferta brasileira. O apoio ao micro e ao pequeno
bananicultor é fundamental na evolução do setor, tanto em termos quantitativos como
qualitativos.
As forças competitivas na cultura da banana devem ser cuidadosamente estudadas pelo
produtor. Não há como ignorar fatores importantes do setor, como a entrada de novos con-
banana
• Alterações bruscas nos preços. A falta de transparência na composição dos preços dificulta o planejamento pelos produtores e causa conflitos nos canais de distribuição. A
rentabilidade dos diversos agentes envolvidos na cadeia é muito variável e representa
incertezas adicionais ao investidor.
33
• Pragas agressivas. As pragas podem devastar toda a colheita, se não forem controladas
cuidadosamente. Uma medida importante consiste na escolha de variedades resistentes às doenças comuns na região de atuação.
correntes, o avanço de algumas pragas e o elevado poder de barganha dos compradores.
No entanto, as oportunidades de prosperidade também são grandes, a partir da adoção
de medidas de aumento de eficiência e qualidade. Apoio na forma de verticalização da
distribuição, parcerias e organização cooperativa são fundamentais para aprimorar o sistema produtivo brasileiro. Também são importantes estudos bem fundamentados sobre
as variedades mais adequadas para cada região, as formas de propagação e as técnicas de
comercialização, de maneira que os produtores consigam aproveitar ao máximo as potencialidades de suas lavouras.
Vale destacar a versatilidade de subprodutos da bananicultura, ainda pouco explorada no
país. A comercialização de suas fibras para a confecção de móveis de luxo já tem superado
os rendimentos com a fruta em alguns casos. Com o aumento das preocupações ecológicas, a banana tem grande potencial de exploração por ser biodegradável, além de matériaprima renovável. Há também oportunidades para os inúmeros derivados alimentares da
banana, que se beneficiam da grande aceitabilidade de seu sabor.
A oferta de crédito agrícola aos micro e pequenos empresários é condição para atender às
pressões de mercado, diante da necessidade de modernização de suas lavouras. A assistência técnica também é ferramenta essencial nesse processo. Portanto, percebe-se a necessidade de se integrar os esforços dos órgãos financiadores e das entidades de apoio no
fortalecimento da cadeia agroalimentar.
ESTUDOS
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34
6. Principais Fontes Bibliográficas
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6.1. Entrevistas Realizadas
ALMEIDA. Carlos Alexandre. Analista de mercado no setor da bananicultura (CEPEA –
ESALQ/USP). Entrevista concedida em maio de 2007.
banana
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RODRIGUES. Maria Geralda Vilela. Pesquisadora da Empresa de Pesquisa Agropecuária
de Minas Gerais (EPAMIG). Entrevista concedida em junho de 2007.
www.sebrae.com.br
www.espm.br
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