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armazenamento de banana `prata catarina` sob temperatura

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armazenamento de banana `prata catarina` sob temperatura
Universidade Federal Rural do Semi-Árido
Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação
http://periodicos.ufersa.edu.br/revistas/index.php/sistema
ISSN 0100-316X (impresso)
ISSN 1983-2125 (online)
ARMAZENAMENTO DE BANANA ‘PRATA CATARINA’ SOB TEMPERATURA
AMBIENTE RECOBERTAS COM FÉCULA DE MANDIOCA E PVC1
DIOGENES HENRIQUE ABRANTES SARMENTO2*, PAHLEVI AUGUSTO DE SOUZA3, JOSÉ DARCIO
ABRANTES SARMENTO4, RAIMUNDA VALDENICE DA SILVA FREITAS5, MAYARA SALGADO FILHO6
RESUMO – Com o objetivo de avaliar a conservação pós-colheita de bananas da cultivar Prata Catarina revestidas com filmes de PVC ou películas de fécula de mandioca foram colhidos cachos de bananas da cultivar no
estádio de maturação fisiológica. Em seguida, as frutas foram embaladas em caixas, transportadas para o Laboratório de Química de Alimentos do IFCE, Campus Limoeiro do Norte (CE), e armazenadas por 10 dias em
condições ambientes (27,5 ºC e UR de 62,5%). O delineamento utilizado foi o inteiramente casualizado em
esquema fatorial 3 x 5, onde o primeiro fator constou dos tratamentos (controle, fécula de mandioca a 3% e
filme PVC) e o segundo dos períodos de armazenamento (0, 4, 6, 8 e 10 dias) com 4 repetições de 4 frutas por
parcela (buquês). O uso do filme PVC e da fécula de mandioca a 3% influenciaram as características físicas e
físico-químicas avaliadas, exceto para firmeza e sólidos solúveis, para a banana „Prata Catarina‟ armazenada
sob condições ambiente. O uso do filme PVC foi eficiente em manter a aparência externa e reduzir a perda de
massa. Já a aplicação da fécula de mandioca a 3% não foi eficiente em reduzir a perda de massa. Entretanto,
manteve as frutas com boa aparência até o fim do armazenamento. As bananas „Prata Catarina‟ tiveram vida
útil de 8 dias, enquanto que as bananas recobertas com fécula de mandioca e PVC vida útil de 10 dias armazenada sob condições ambiente.
Palavras-chave: Musa spp. Qualidade. Biofilmes. Pós-colheita.
STORAGE OF BANANA ‘PRATA CATARINA’ UNDER ROOM TEMPERATURE COATED WITH
CASSAVA STARCH AND PVC
ABSTRACT – Aiming at evaluating the postharvest shelf life of banana Prata Catarina coated with cassava
starch or PVC films, were harvested bunches of bananas in the physiological maturity stage. The fruits were
packed in boxes and transported to the Food Chemistry Lab of the Federal Institute of Ceará, Campus of
Limoeiro do Norte for 10 days at room temperature (27.5 °C and RH 62.5%). The design used was a completely randomized one in 3 x 5 factorial scheme, which the first factor was treatment (control, cassava starch 3%
and PVC film,) and the second period of storage (0, 4, 6, 8 and 10 days) with four replications of four fruits per
plots (clusters). The use of PVC film and cassava starch 3%, influenced the physical and physicochemical characteristics evaluated, except for firmness and soluble solids of the „Prata Catarina‟ banana stored under ambient
conditions. The use of PVC film was effective in maintaining the external appearance and reduced weight loss.
However, the application of cassava starch 3%, was not effective in reducing weight loss, maintained the
fruits with good appearance till the end of storage. The „Prata Catarina‟ bananas control had a shelf life of
8 days, while the bananas coated with cassava starch and PVC had a shelf life of 10 days stored at ambient conditions.
Keywords: Musa ssp. Quality. Biofilms. Postharvest.
___________________
*Autor para correspondência
1
Recebido para publicação em 16/01/2013; aceito em 19/01/2015.
2
Engenheiro Agrônomo M. Sc. UNIVALE, Rua Estevão Remígio, 456, Centro, CEP: 62930-000, Limoeiro do Norte (CE),
[email protected]
3
Professor D.Sc. Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará. Rua Estevam Remígio, 1142. CEP: 62930-000, Limoeiro
do Norte (CE), [email protected]
4
Doutorando em Fitotecnia pela Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA), Departamento de Ciências Vegetais, BR 110, Km
47, Costa e Silva, CEP: 59625-900, Mossoró (RN), [email protected]
5
Mestre em Tecnologia de alimentos, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará.
6
Doutoranda em Ciência e Tecnologia de Alimentos, Departamento de Alimentos, Universidade Federal do Ceará, Fortaleza (CE),
[email protected]
Revista Caatinga, Mossoró, v. 28, n. 2, p. 235 – 241, abr. – jun., 2015
235
ARMAZENAMENTO DE BANANA „PRATA CATARINA‟ SOB TEMPERATURA AMBIENTE RECOBERTAS COM FÉCULA DE
MANDIOCA E PVC
D. H. A. SARMENTO et al.
INTRODUÇÃO
O Brasil é o quinto maior produtor de banana
do mundo, responsável por 6,8% do volume produzido, sendo superado pela Índia, China, Filipinas e
Equador com valores de 27,7; 9,7; 8,6 e 6,9%, respectivamente. Na safra 2012, a área colhida foi de
481.12 mil hectares e produção de 6,90 milhões de
toneladas (EMBRAPA, 2014). O consumo mundial
de banana é de aproximadamente 10,38 kg/habitante/
ano e no Brasil o consumo atinge aproximadamente
31 kg/habitante/ano (EPAGRI/CEPA, 2014), fazendo parte do hábito alimentar das populações mais
carentes.
O Estado do Ceará tem se destacado nas últimas décadas pelo desenvolvimento da fruticultura e
expansão de mercado. No Estado, a banana é produzida praticamente em todos os perímetros irrigados e
destinada ao mercado externo e regional. No entanto,
o uso inadequado de técnicas ou até mesmo a falta
de cuidados na fase pós-colheita são as principais
causas responsáveis pela perda da banana produzida,
podendo chegar a aproximadamente 40%
(CHITARRA; CHITARRA, 2005; MAIA et al.,
2008).
Para reduzir as perdas pós-colheita e preservar a qualidade de frutas e hortaliças o uso de atmosfera modificada vem sendo estudado (AGOSTINI et
al., 2014; SANTOS et al., 2011; SOUZA et al.,
2009; DEL-VALLE et al., 2005), havendo crescente
interesse em plásticos biodegradáveis feitos de polímeros renováveis e naturais (MALI et al., 2005) que
atuam como barreiras à perda de água e a troca gasosa, melhorando seu aspecto comercial e refletindo no
aumento do período de comercialização (VILA et al.,
2007).
A embalagem convencional à base de petróleo, a exemplo do polietileno ou policloreto de vinila
(PVC), é usada em uma ampla variedade de aplicações devido a sua alta resistência específica e durabilidade, facilidade de processamento e de baixo custo
(DEBIAGI et al., 2014) e tem sido bastante utilizada
para prolongar a vida pós-colheita. No entanto, ela
leva centenas de anos para se decompor, causando
sérios problemas ambientais. Assim, uma tecnologia
promissora e alternativa para preservar a qualidade
de frutas e hortaliças é o uso de revestimentos comestíveis (MALI et al., 2005).
O biofilme (película) de fécula de mandioca
representa uma alternativa potencial à elaboração de
biofilmes a serem usados na conservação de frutas
(VILA et al., 2007), haja vista ser o polissacarídeo
mais importante usado na formulação de películas
biodegradáveis
e
revestimentos
comestíveis
(FLORES et al., 2007), amplamente utilizado em
alimentos e outras matérias-primas industriais por ter
propriedades superiores aos amidos de cereais, tais
como amidos de milho e de trigo (KIM et al., 2014).
Contudo, proporciona inúmeras vantagens em relação à embalagem polimérico convencional (DEL236
VALLE et al., 2005) e o uso de películas com esse
propósito constitui vantagem econômica, evitando a
necessidade de estocagem em atmosfera controlada
que implicaria em custos operacionais e de equipamento.
Desse modo, a seleção de filme com permeabilidade compatível à taxa de respiração do produto
e controle da temperatura são requisitos importantes
(AGOSTINI et al., 2014). Alguns trabalhos vêm
sendo realizados com esse propósito (LIMA et al.,
2005; NOGUEIRA et al., 2007; SANTOS et al.,
2006). Entretanto, são escassos estudos sobre o uso
de películas de mandioca e PVC na conservação de
bananas „Prata Catarina‟.
Com o presente trabalho, objetivou-se avaliar
o uso de coberturas a base de fécula de mandioca e
película de PVC na manutenção da qualidade póscolheita da banana „Prata Catarina‟.
MATERIAL E MÉTODOS
Utilizou-se bananas da cultivar Prata Catarina
oriundas de plantio comercial da empresa FRUTACOR, localizada no perímetro irrigado Tabuleiro de
Russas, no município de Russas (CE), situado a
aproximadamente 82 m de altitude, apresentando
coordenadas geográficas 04° 57‟ 50.5‟‟ de latitude
Sul e 38° 02‟ 33.8‟‟ de longitude Oeste do Meridiano
de Greenwich. O clima da região é tropical quente,
característico do semiárido, e a temperatura média
anual varia entre 26 e 28 °C, com precipitação média
anual de 720,5 mm.
Os cachos de bananas foram colhidos manualmente no estádio de maturação 2 (casca verde com
traços amarelos) e transportados até a casa de embalagem da própria fazenda, onde foram despencados e
imediatamente imersos em tanques de lavagem contendo água e detergente neutro (0,5 L de detergente
para 8.000 L de água) visando a retirada de restos
florais e eliminação de látex. Em seguida, as frutas
foram embaladas em caixas e transportadas para o
Laboratório de Química de Alimentos do Instituto
Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará, Campus Limoeiro do Norte.
Para aplicação dos tratamentos foi realizado o
preparo da solução de amido (3%) pela diluição de
120 g de fécula de mandioca em 4 litros de água e
submetida ao aquecimento em banho-maria à temperatura máxima de 70 ºC, sob agitação constante, até
que a geleificação fosse atingida. Posteriormente, a
solução ficou em repouso até alcançar a temperatura
ambiente, ideal para realizar a imersão. As frutas
foram imersas na forma de buquês, com 4 frutas, por
1 minuto. Posteriormente, colocadas em bandejas de
polipropileno. Outra parte das frutas foi recoberta
com filme (polietileno de baixa densidade nas dimensões 24,5 x 32 x 0,06 mm da marca BAZEI),
também em buquês com 4 frutas, e em seguida colocadas em bandejas de polipropileno. E foram manti-
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ARMAZENAMENTO DE BANANA „PRATA CATARINA‟ SOB TEMPERATURA AMBIENTE RECOBERTAS COM FÉCULA DE
MANDIOCA E PVC
D. H. A. SARMENTO et al.
das frutas sem nenhum tratamento, que representaram o tratamento controle.
O delineamento utilizado foi o inteiramente
casualizado em esquema fatorial 3 x 5, onde no primeiro fator ocorreram os tratamentos (filme polietileno de baixa densidade, fécula de mandioca a 3% e
controle) e no segundo os períodos de armazenamento (0, 4, 6, 8 e 10 dias), sob condições ambiente
(27,5 ºC e UR de 62,5%) monitorada por termohigrômetro digita (marca Incoterm), com 4 repetições de 4 frutos por parcela (buquês), totalizando
240 frutas no experimento.
A cada tempo de armazenamento foram avaliadas as seguintes características: coloração da casca,
a qual foi determinada a partir da escala de cores
utilizada pelo programa Brasileiro para Modernização da Agricultura (PBMH; PIF, 2006); e aparência
externa, através de uma análise sensorial visual realizadas por 5 membros da equipe do laboratório através de uma escala visual e subjetiva variando de 1 a
5, considerando-se a ausência ou presença de defeitos. Foram observados depressões, murchas ou ataque fúngico, em que: 1 = fruto extremamente deteriorado (acima de 50% da parte do fruto afetada); 2 =
severo (31-50%); 3 = moderado (11-30%); 4 = leve
(1-10%); e 5= ausência de manchas, murcha ou depressões. Com nota inferior ou igual a 3,0 o fruto foi
considerado impróprio para o consumo.
A firmeza da polpa foi determinada com penetrômetro manual tipo McCormick modelo FT 327,
com valor máximo de leitura 29 lb/pol2 com ponteira
de 8 mm de diâmetro. Foram realizadas duas leituras
na polpa, no centro da fruta, em regiões equidistantes, com os resultados obtidos em libra, e depois
transformados em Newton (N) através da multiplicação pelo fator 4,448, perda de massa, obtida através
da diferença entre o valor de massa inicial e a massa
obtida a cada intervalo de tempo, com os resultados
expressos em porcentagem (%), acidez titulável determinada através da titulação de 2 g da polpa, em 50
mL de água destilada, adicionado o indicador fenolftaleína e realizada a titulação com NaOH 0,1 N, com
resultados expressos em g de ácido málico/100 g de
polpa (INSTITUTO ADOLFO LUTZ, 2008). O teor
de sólidos solúveis foi determinado por leitura em
refratômetro digital (escala de 0 a 32%) com correção automática de temperatura, resultados expresso
em °Brix (AOAC, 2002). A relação SS/AT (RATIO)
foi determinada pelo quociente entre os valores de
sólidos solúveis e a acidez titulável.
Os dados obtidos foram submetidos à análise
de variância e regressão utilizando-se o Sistema de
Análises Estatísticas e Genéticas da UFV (SAEG UFV). Os modelos foram escolhidos baseados na
significância dos coeficientes de regressão, utilizando-se o teste de Tukey, adotando o nível de 5% de
probabilidade no coeficiente de determinação (R2) e
no fenômeno biológico.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Observou-se o efeito isolado do fator tempo
de armazenamento para as características firmeza da
polpa e sólidos solúveis e interação entre os fatores
estudados para as demais características, e verificouse a alteração da coloração das frutas durante o armazenamento (Figura 1A). A mudança da cor verde
para amarela foi mais intensa nas frutas do controle.
Nos demais tratamentos, as frutas mantiveram partes
verdes por mais tempo, não atingindo a mesma intensidade de coloração amarela que as frutas controle
ao final do armazenamento. Esse comportamento
pode ser explicado pela redução dos níveis de O 2 e
aumento nos níveis de CO2 no interior das embalagens de PVC e menor passagem de O2 para o interior
das frutas recobertas com fécula de mandioca, levando a uma diminuição do metabolismo e induzindo a
lenta degradação da clorofila na casca. Assim, um
bom revestimento deve reduzir a respiração
(MANNHEIN; SOFFER, 1996), consequentemente,
o amadurecimento da fruta, que para as bananas está
diretamente relacionada à sua coloração. Comportamento semelhante foi observado em bananas
„Nanicão‟ até os 6 dias de armazenamento
(LUCENA et al., 2004).
Em bananas, a degradação da clorofila é o
principal evento relacionado à mudança de cor da
casca, ao passo que a síntese de outros pigmentos é
realizada em níveis relativamente baixos. Durante o
amadurecimento de bananas, a degradação da clorofila (cor verde) é intensa, ficando visível a préexistência dos pigmentos carotenoides (cor amarela a
laranja) (SILVA et al., 2006). A perda da cor verde
ocorre devido à decomposição estrutural da clorofila,
decorrente dos sistemas enzimáticos que atuam isoladamente ou em conjunto, principalmente pela ação
da clorofilase sobre os cloroplastos, que revela a cor
amarela (CHITARRA; CHITARRA, 2005; NOGUEIRA et al., 2007).
Santos et al. (2011) observaram que as concentrações de fécula de mandioca a 4% e 6% atrasaram a evolução da cor da casca das mangas 'Tommy
Atkins' e não permitiram uma pigmentação uniforme. Segundo os autores, isto ocorreu provavelmente
pelo fato das películas formadas na superfície das
frutas impedirem as trocas gasosas, favorecendo redução drástica do seu metabolismo.
Observou-se redução das notas atribuídas a
aparência externa em todos os tratamentos durante o
período de armazenamento, sendo mais acentuada
para as frutas controle (Figura 1B). Ao final do armazenamento as frutas recobertas com PVC, fécula
de mandioca e controle apresentaram notas 4,0; 3,5 e
2,75, respectivamente, estando as frutas do tratamento controle em estado de não comercialização, tendo
obtidos estas vida útil de 8 dias. As principais alterações que levaram à redução nas notas foram perda de
brilho, depressões, escurecimento da casca, leve incidência de fungos e murchamento, sendo este último
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ARMAZENAMENTO DE BANANA „PRATA CATARINA‟ SOB TEMPERATURA AMBIENTE RECOBERTAS COM FÉCULA DE
MANDIOCA E PVC
D. H. A. SARMENTO et al.
mais visível nas frutas do tratamento controle. A
aparência externa é o fator de qualidade de maior
importância do ponto de vista de comercialização
(CHITARRA; CHITARRA, 2005). Ela é avaliada
(A)
- 0,1284 R² = 0,96
(B)
FM: y = (FÉCULA
1,5348x +DE0,3882 R² = 0,99
Polinômio
MANDIOCA)
PVC: y =(PVC)
0,2234x - 0,0454 R² = 0,95
Polinômio
8,00
7,00
6,00
5,00
6,00
Aparência externa (escala 1 - 5)
Cor da casca (escala 1 - 7)
Controle:
y = 1,5063x
Linear
(CONTROLE)
por diferentes atributos como, por exemplos, grau de
frescor, tamanho, forma, cor, higiene, maturidade e
ausência de defeitos.
5,00
4,00
3,00
2,00
1,00
4,00
3,00
2,00
Polinômio
Controle:(CONTROLE)
y = -0,0256x2 +
1,00
PVC: y =(PVC)
-0,0203x
Polinômio
2
+ 0,0438x + 5,0295 R² = 0,98
0,00
0,00
0
2
4
6
8
0
10
2
Tempo de Armazenamento (dias)
4
6
8
10
Tempo de Armazenamento (dias)
(C)
(D)
60,00
18,00
16,00
y = 0,192x2 - 6,691x + 49,34
R² = 0,81
50,00
14,00
40,00
Perda de massa (%)
Firmeza de polpa (N)
0,0174x + 5,06 R² = 0,96
FM: y = -0,0206x
+ 0,1082x
+ 4,9845 R² = 0,97
Polinômio
(FÉCULA 2DE
MANDIOCA)
30,00
20,00
12,00
10,00
8,00
6,00
4,00
10,00
2,00
0,00
0,00
0
2
4
6
8
10
Tempo de Armazenamento (dias)
0
2
4
6
Tempo de Armazenamento (dias)
8
10
Figura 1. Cor da casca (A), aparência externa (B), firmeza da polpa (C) e perda de massa (D) de bananas ‘Prata Catarina’
recobertas com fécula de mandioca a 3% (FM) ou envoltos em PVC armazenadas durante 10 dias em condições ambientais
(27,5 ºC e UR de 62,5%).
O efeito positivo da embalagem PVC está
associado a uma barreira de proteção que separa as
frutas do contato direto com o meio, mantendo-as
livres da ação de microrganismos, e reduzindo o teor
de oxigênio no interior da embalagem, além de manter em níveis baixos a perda de massa (AGOSTINI
et al., 2014; DEBIAGI et al., 2014). Com relação à
aplicação da fécula de mandioca, sabe-se que a mesma não é uma boa barreira contra perda de água e
acredita-se que o amido possa acelerar a perda de
umidade da superfície na qual está em contato.
Durante o período de armazenamento, os valores de firmeza da polpa das frutas reduziram significativamente na medida que avançaram sua maturação (Figura 1C). Inicialmente, verificou-se valor de
firmeza da polpa de 46,45 N, e ao final do armazenamento de 5,69 N, o que representou uma redução de
87,58%. A perda de firmeza durante o amadurecimento é ocasionada pela degradação da parede celular, perda de umidade e, em frutas como banana e
manga, pela degradação do amido. Estes resultados
238
foram superiores aos encontrados por Batalha et al.
(2008) quando trabalharam com banana do grupo
Cavendish, obtendo redução de firmeza de 70,95%
após 12 dias de armazenamento. Cardoso et al.
(2008), estudando a utilização de atmosfera modificada na conservação pós-colheita de bananas
„Pacovan‟, verificaram no momento da colheita valor
médio de firmeza de 44,10 N com posterior redução
para todos os tratamentos estudados. A redução de
firmeza esta correlacionada ao processo de amaciamento da polpa, decorrente da degradação coordenada de polissacarídios pécticos, hemicelulósicos e de
amido (KOJIMA et al., 1994).
Para a característica perda de massa verificouse aumento para todos os tratamentos estudados
(Figura 1D). Ao final do experimento, observou-se
maior perda de massa nas frutas tratadas com fécula
de mandioca seguida pelo controle e menor perda de
massa para as recobertas com filme PVC, perda de
15,82; 15,55 e 2,56%, respectivamente. A perda de
massa é comum durante o armazenamento de frutas e
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ARMAZENAMENTO DE BANANA „PRATA CATARINA‟ SOB TEMPERATURA AMBIENTE RECOBERTAS COM FÉCULA DE
MANDIOCA E PVC
D. H. A. SARMENTO et al.
hortaliças, que ocorre pelo consumo de nutrientes no
próprio metabolismo do produto e principalmente
pela perda de água ocasionada pelos processos transpiratórios e devido à diferença de pressão de vapor
entre o produto e o ambiente.
O filme PVC foi efetivo na contenção de perda de massa, provavelmente devido à redução da
taxa de respiração das frutas, promovendo uma importante barreira contra a perda de água para o meio,
mostrando-se eficiente em reduzir o déficit de pressão de vapor. Segundo Chitarra e Chitarra (2005), a
perda de massa está intimamente associada à perda
de água, minimizada no armazenamento sob atmosfera e modificada devido ao aumento da umidade
relativa no interior da embalagem, saturando a atmosfera ao redor do fruto, o que proporciona a diminuição do déficit de pressão de vapor d‟água em
relação ao ambiente de armazenamento, minimizando a taxa de transpiração. Cardoso et al. (2008) também verificaram valores de perda de massa próximo
a 2% no 8° dia de armazenamento de bananas
„Pacovan‟ recobertas com polietileno. Já a elevada
perda de massa observada nas frutas recobertas com
fécula de mandioca pode estar relacionada a maior
abertura das cadeias do amido, não formando uma
barreira eficiente contra a perda de umidade. A perda
de massa é um fator importante no aspecto comercial
da banana, pois sua comercialização se dar, geralmente, por meio de sua massa (SANTOS et al.,
2006), podendo ainda comprometer a aparência, proporcionando aspecto enrugado ao fruto.
Souza et al. (2009) observaram, em estudo da
conservação pós-colheita de berinjela, perda de massa de 13,2; 14,7 e 6,0% para os tratamentos controle,
fécula e filme PVC, respectivamente, ao fim do período de 15 dias sob temperatura ambiente. Para laranjas Champagne revestidas com fécula de mandioca
ou em embalagens plásticas armazenadas sob diferentes temperaturas os frutos sem embalagem e os
revestidos com fécula de mandioca a 2 e 4% tiveram
maior perda de massa ao longo do período de armazenamento (AGOSTINI et al., 2014).
A acidez titulável (AT) apresentou aumento
dos teores ao longo do período de armazenamento
para todos os tratamentos estudados, embora as frutas envolvidas com filme PVC apresentaram aumento mais lento desses teores (Figura 2A).
(A)
0,7000
27,0
2 +DE
Polinômio
( FÉCULA
MANDIOCA)
FM: y = -0,0032x
0,0609x
+ 0,1456 R² = 0,96
24,0
PVC: y = (PVC)
0,0035x2 - 0,005x + 0,1485 R² = 0,92
Polinômio
21,0
Sólidos solúveis (°Brix)
Acidez titulável (% ácido málico)
0,6000
(B)
Polinômio
Controle:(CONTROLE)
y = -0,0046x2 + 0,073x + 0,125 R² = 0,91
0,5000
0,4000
0,3000
0,2000
y = -0,079x2 + 3,396x - 0,718
R² = 0,83
18,0
15,0
12,0
9,0
6,0
0,1000
3,0
0,0000
0,0
0
2
4
6
8
10
Tempo de Armazenamento (dias)
0
2
4
6
8
10
Tempo de Armazenamento (dias)
Figura 2. Acidez titulável (A) e sólidos solúveis (B) de bananas ‘Prata Catarina’ recobertas com fécula de mandioca (FM) a
3% ou envoltos em PVC, armazenadas durante 10 dias em condições ambientais (27,5 ºC e UR de 62,5%).
Esse resultado leva a crer que frutas recobertas com filme PVC tiveram desaceleração no seu
metabolismo, atrasando a síntese de ácidos orgânicos. Cardoso et al. (2008) também observaram efeito
de retardo do amadurecimento de banana embaladas
com o filme de PVC, apresentando menores teores
de sólidos solúveis, acidez titulável e maior firmeza
da polpa. O aumento dos teores de acidez titulável
em bananas verificadas no presente trabalho ocorre
diferentemente da maioria das frutas durante a maturação. Resultados semelhantes foram verificados por
Vilas Boas (2001) e Cardoso et al. (2008).
Para a característica sólidos solúveis fora
observado um aumento dos teores durante o período
de armazenamento (Figura 2B), com valor máximo
de 24,1 ºBrix no 8º dia de armazenamento, com posterior tendência a redução dos teores. Comportamen-
to semelhante foi observado por Lucena et al. (2004)
em banana „Nanição‟. O aumento do teor de açúcar
em banana é justificado pelo fato da fruta ser rica em
amido e durante o amadurecimento ocorre a hidrólise
desse carboidrato com consequente acúmulo de açúcares totais implicando na intensificação da doçura
do fruto (VILAS BOAS et al., 2001). Já a redução,
segundo Lima et al. (2005), pode ser atribuída ao
início de senescência das frutas.
Verificou-se aumento nos valores da relação
SS/AT (RATIO) ao longo do armazenamento
(Figura 3). Inicialmente registrou-se valor de 6,1
para todos os tratamentos. O mesmo também foi
observado em frutas recobertas com fécula de mandioca e com filme PVC, que apresentaram valor máximo dessa característica ao 6º dia de armazenamento. Já as frutas controle apresentaram aumento desta
Revista Caatinga, Mossoró, v. 28, n. 2, p. 235 – 241, abr. – jun., 2015
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ARMAZENAMENTO DE BANANA „PRATA CATARINA‟ SOB TEMPERATURA AMBIENTE RECOBERTAS COM FÉCULA DE
MANDIOCA E PVC
D. H. A. SARMENTO et al.
característica até o final do armazenamento. Relação
superior foi observada por Pimentel et al. (2010)
para „Prata-Anã‟ e inferior por Bezerra e Dias (2009)
para as cultivares FHIA-18, Caipira, FHIA-01, Thap
Linear
(CONTROLE)
Controle:
y = 5,9247x
90,00
+ 3,2519 R² = 0,97
Polinômio
FM: y = (FÉCULA
-5,8514x2DE+ MANDIOCA)
48,743x - 41,898
80,00
Polinômio
PVC: y =(PVC)
-6,8336x2
70,00
SS/AT (Rátio)
Maeo, FHIA-21, PV03-44 e Mean. Segundo Chitarra
e Chitarra (2005), a alta relação SS/AT é muito importante e desejável nos frutos, sendo uma das formas mais utilizadas para a avaliação do sabor.
R² = 0,86
+ 54,456x - 47,898 R² = 0,82
60,00
50,00
40,00
30,00
20,00
10,00
0,00
0
2
4
6
8
10
Tempo de Armazenaento (dias)
Figura 3. Relação SS/AT de bananas ‘Prata Catarina’ recobertas com fécula de mandioca (FM) a 3% ou envoltos em PVC,
armazenadas durante 10 dias em condições ambientais (27,5 ºC e UR de 62,5%).
CONCLUSÕES
O uso do filme PVC e da fécula de mandioca
a 3% influenciaram as características físicas e físicoquímicas avaliadas, exceto para firmeza e sólidos
solúveis, para banana „Prata Catarina‟ armazenada
sob condições ambiente.
O uso do filme PVC foi eficiente em manter a
aparência externa e reduzir a perda de massa. Já a
aplicação da fécula de mandioca a 3% não foi eficiente em reduzir a perda de massa. Entretanto, manteve as frutas com boa aparência até o fim do armazenamento.
As bananas „Prata Catarina‟ controle tiveram
vida útil de 8 dias, enquanto que as bananas recobertas com fécula de mandioca e PVC vida útil de 10
dias armazenada sob condições ambiente.
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