...

PREVALÊNCIA DOS TUMORES MAMÁRIOS EM GATAS NA

by user

on
Category: Documents
3

views

Report

Comments

Transcript

PREVALÊNCIA DOS TUMORES MAMÁRIOS EM GATAS NA
1
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA
CENTRO DE CIÊNCIAS RURAIS
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM MEDICINA VETERINÁRIA
PREVALÊNCIA DOS TUMORES MAMÁRIOS EM
GATAS NA REGIÃO CENTRAL DO RIO GRANDE DO
SUL
DISSERTAÇÃO DE MESTRADO
Monique Togni
Santa Maria, RS, Brasil
2013
2
PREVALÊNCIA DOS TUMORES MAMÁRIOS EM GATAS NA
REGIÃO CENTRAL DO RIO GRANDE DO SUL
Monique Togni
Dissertação apresentada ao Curso de Mestrado do Programa de Pós-graduação
em Medicina Veterinária, Área de concentração em Patologia Veterinária, da
Universidade Federal de Santa Maria (UFSM, RS), como requisito parcial para a
obtenção do grau de
Mestre em Medicina Veterinária
Orientador: Luiz Francisco Irigoyen
Santa Maria, RS, Brasil
2013
3
Universidade Federal de Santa Maria
Centro de Ciências Rurais
Programa de Pós-Graduação em Medicina Veterinária
A Comissão Examinadora, abaixo assinada,
aprova a Dissertação de Mestrado
PREVALÊNCIA DOS TUMORES MAMÁRIOS EM GATAS NA
REGIÃO CENTRAL DO RIO GRANDE DO SUL
elaborada por
Monique Togni
como requisito parcial para obtenção do grau de
Mestre em Medicina Veterinária
COMISSÃO EXAMINADORA:
Luiz Francisco Irigoyen Conrado, PhD
(Presidente/Orientador)
Rafael A. Fighera, Dr, UFSM
David Driemeier, Dr, UFRGS
Santa Maria, 18 de fevereiro de 2013
4
AGRADECIMENTOS
Agradeço primeiramente a Deus por orientar meus passos e me guiar até este
momento.
Agradeço as mulheres mais importantes da minha vida, minha mãe Rita e minha avó
Guiga, que além de me educar, amar incondicionalmente, apoiar e incentivar, me serviram de
inspiração na carreira acadêmica pela garra, coragem e decência que sempre tiveram em suas
vidas.
Ao meu esposo Alisson, que me apoiou desde o vestibular até os dias de hoje. A este,
agradeço pelo companheirismo em cada etapa da minha vida, pelos conselhos nos momentos
de angustia, pela paciência nos meus dias de mau humor e pelo maior presente de minha
vida... ser mãe.
Agradeço a toda minha família que sempre esteve presente em cada momento feliz ou
triste desta trajetória. Em especial ao meu tio Guto pelos auxílios desde primeiros trabalhos na
infância até as pesquisas acadêmicas.
Agradeço ao meu orientador Chico, que depositou sua confiança em minhas ideias e
projetos, que me deu total liberdade de escolha neste trabalho, porém sempre mostrando as
consequências destas. Isso fez deste professor para mim um verdadeiro orientador.
A cada professor do Laboratório de Patologia Veterinária (LPV) tenho um
agradecimento especial. À professora Glaucia agradeço pela idealização deste trabalho, pela
amizade e pela preocupação que demonstrou comigo nestes quatro anos de convívio. Ao
professor Claudio agradeço pela oportunidade de ingressar neste laboratório como bolsista
PIBIC e pela dedicação repassada a todos os graduandos e pós-graduandos. Ao professor
Fighera, agradeço pela amizade e pelos ensinamentos transmitidos em cada aula, nos plantões
e mesmo em uma conversa informal.
A todos integrantes do LPV, estagiários e pós-graduandos agradeço pelo
companheirismo, pelos mates repassados, pelos momentos de distração e pela ajuda prestada
a cada nova semana de plantão.
Aos meus amigos veterinários ou não, o meu muito obrigado por fazerem parte da
minha vida, pois com vocês cada conquista se torna muito mais especial.
5
RESUMO
Dissertação de Mestrado
Programa de Pós-graduação em Medicina Veterinária
Universidade Federal de Santa Maria
PREVALÊNCIA DOS TUMORES MAMÁRIOS EM GATAS NA REGIÃO CENTRAL
DO RIO GRANDE DO SUL
AUTORA: MONIQUE TOGNI
ORIENTADOR: LUIZ FRANCISCO IRIGOYEN
Santa Maria, 18 de fevereiro de 2013
Câncer é uma das principais causas de morte em cães e gatos, sendo o neoplasma
mamário um dos mais frequentes. Embora estudos tenham sido realizados nesta área, há,
ainda, poucos dados epidemiológicos na espécie felina. Logo, esta dissertação teve como
objetivos determinar os tumores mais prevalentes em gatos e relacionar os tumores mamários
a alguns de seus fatores prognósticos. Os arquivos do Laboratório de Patologia Veterinária
(LPV) da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) foram revisados e um total de 1.427
protocolos de biopsias e necropsias de felinos, entre 2000 e 2011, foi encontrado. Com base
nas informações dos arquivos, foi estabelecida a relação entre os tumores mamários e alguns
fatores como sexo, idade, raça, estado reprodutivo, uso de contraceptivos, número e
localização das glândulas afetadas, ulcerações, tamanho do neoplasma, metástases distantes e
para os linfonodos. Assim, observou-se que os tumores de mama foram o segundo
diagnóstico (39,57%) mais prevalente, após os tumores de pele (41,49%). Todos os gatos com
tumores mamários eram fêmeas, sendo os sem raça definida e os idosos os mais afetados. Os
neoplasmas malignos foram diagnosticados com maior frequência (72,35%), seguidos pelos
tumores não neoplásicos (22,58%) e pelos neoplasmas benignos (5,06%). Os tumores
menores eram, na sua maioria, carcinomas (82,97%). Ulcerações estavam presentes não só em
neoplasmas malignos (92%), mas também em alterações não neoplásicas (8%). Metástases
distantes foram encontradas principalmente nos pulmões e na pele.
Palavras-chave: Glândula mamária, neoplasmas mamários, tumores em felinos.
6
ABSTRACT
MS Dissertation
Programa de Pós-Graduação em Medicina Veterinária
Universidade Federal de Santa Maria, RS, Brasil
PREVALENCE OF BREAST TUMORS IN THE CENTRAL REGION GATAS IN RIO
GRANDE DO SUL
AUTHOR: MONIQUE TOGNI
ADVISER: LUIZ FRANCISCO IRIGOYEN
Santa Maria, February 18, 2013
Cancer is one of the main causes of death in dogs and cats and the mammary neoplasm
is one of the most frequent in these species. Although some studies have been performed,
there is little data on the epidemiology of this disease in cats. Thus, this study has, as primary
goal, to determine the most prevalent tumors in cats and to associate the mammary tumors to
some prognostic factors. The files from the Veterinary Pathology Laboratory of the
Universidade Federal de Santa Maria were reviewed. Between the years 2000 and 2011, a
total of 1427 feline cases including necropsies and biopsies were found. Based on the
collected data from these cases, a relation between mammary tumors and some factors such as
sex, age, breed, reproductive status, use of contraceptives, number and location of affected
glands, presence of ulcerations, size of the tumor, and presence and location of metastases,
was studied. Mammary tumors were the second most prevalent tumors (39,57%), after skin
neoplasms (41,49%). All feline tumors were in females, mostly older and Domestic Shorthaired cats. Malignant neoplasms were the more frequently diagnosed (72,35%), followed by
non-neoplastic tumors (22,58%), and benign neoplasms (5,06%). The smaller tumors were
mostly carcinomas. Ulcers were observed in malignant tumors (92%) and non-neoplastic
tumors as well (8%). Distant metastases were found mainly in the lungs and skin.
Keywords: Mammary gland, mammary neoplasms, feline tumors.
7
LISTA DE QUADROS
QUADRO 1- Classificação histológica dos tumores mamários em gatas................................12
8
SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO ..................................................................................................................09
2. CAPÍTULO 1. Estudo retrospectivo de 207 casos de tumores mamários em
gatas..........................................................................................................................................15
3. REFERÊNCIAS..................................................................................................................22
9
1. INTRODUÇÃO
Nesta última década o número de exames em gatos aumentou sensivelmente no
Laboratório de Patologia Veterinária (LPV), sendo esse aumento de 61 para 172 casos ao ano,
entre os anos de 2000 e 2011, respectivamente. Isso sugere a necessidade de estudos
específicos nesta espécie. A prevalência no número de exames de tumores em animais de
companhia vem aumentando a cada ano. Há várias razões para justificar este aumento, porém,
pelo menos uma parte destas razões se deve ao aumento na expectativa de vida destes
animais. Sendo assim, presume-se que um em cada dez cães ou gatos será acometido por
doenças neoplásicas (RODASKI; PIEKARZ, 2009).
A importância dos tumores de mama em caninos tem aumentado devido à frequência
com que casos desse tipo surgem na clínica dos animais de companhia (FONSECA;
DALECK, 2000), sendo em cadelas a neoplasia mais comum (RODASKI; PIEKARZ, 2009).
Apesar de haver uma maior comparação da espécie canina com a humana, devido ao fato de
existirem mais estudos de tumores mamários em cães do que em gatos, sabe-se que a
histologia, o rápido crescimento do tumor e a tendência à recorrência e metastatização das
neoplasias das glândulas mamárias da mulher encontra-se mais próxima da gata (PREZIOSI
et al., 1995; PEREZ-ALENZA et al., 2004). Além disso, nos carcinomas mamários da mulher
e da gata há pouca participação mioepitelial, ao contrario do que acontece na cadela
(TRAVASSOS, 2004); assim como as alterações não neoplásicas, que são as alterações mais
comumente encontradas na mama de mulheres (GUINEBRETIERE et al., 2005), sendo
também encontradas com grande frequência na espécie felina (MISDORP et al., 1999).
A disposição anatômica das glândulas mamárias da cadela e da gata, é em duas
cadeias bilaterais que se estendem desde o tórax ventral até a região inguinal. Diferente da
cadela que possui cinco pares de mamas, a gata possui quatro pares. Logo, na gata, as
glândulas mamárias são denominadas, no sentido cranial-caudal, de torácicas ou primeiras,
abdominais craniais ou segundas, abdominais caudais ou terceiras e inguinais ou quartas.
Diferenciando da cadela apenas pela ausência das torácicas craniais (PELETEIRO, 1994).
Outras denominações são também encontradas, como primeira torácica (T1), segunda torácica
(T2), primeira abdominal (A1) e segunda abdominal (A2) (RAHARISON; SAUTET, 2007).
A glândula mamária é considerada uma glândula sudorípara modificada, um órgão
especializado da pele (CASSALI, 2003). A mama é composta de glândulas túbulo-alveolares
10
secretoras, que formam lóbulos separados por septos de tecido conjuntivo (BANKS,1992). A
drenagem dessas glândulas é realizada por uma vasculatura linfática que possui características
típicas na espécie felina, como drenagem das glândulas abdominal cranial e abdominal
caudal, que podem ter comunicação tanto com linfonodos craniais como com linfonodos
caudais (RAHARISON; SAUTET, 2007).
A origem de neoplasias mamárias não tem causa única, mas sim multifatorial (JONES
et al., 2000; MISDORP, 2002). De acordo com alguns pesquisadores na área de oncologia
veterinária, especula-se que 80% dos cânceres de cães e gatos são de origem ambiental
(RODASKI; PIEKARZ, 2009).
As causas primárias do câncer ainda não estão totalmente esclarecidas, mas sabe-se
que as neoplasias surgem em decorrência de mutações genéticas espontâneas ou induzidas por
agentes patogênicos (RODASKI; PIEKARZ, 2009). Estudos ainda são realizados neste
sentido com relação à obesidade, concentração e taxa hormonal e até mesmo partículas virais
como no caso do Vírus da Leucemia Felina (FeLV) (FELDMAN; GROSS, 1971; WEIJER et
al., 1974) e do Vírus da Imunodeficiência Felina (FIV) (RODASKI; PIEKARZ, 2009), que
podem ter interferência na patogênese das neoplasias mamárias nessa espécie.
Em algumas pesquisas realizadas em cães, constatou-se a possibilidade de fatores
nutricionais atuarem como agentes etiológicos em tumores de mama. Em humanos a
obesidade esta relacionada à concentração e disponibilidade de hormônios sexuais femininos
(RODASKI; PIEKARZ, 2009). Em animais sabe-se que dietas ricas em gordura e a obesidade
aumentam o risco de desenvolvimento de neoplasmas mamários (MISDORP, 2002).
Na carcinogênese hormonal, acredita-se que a proliferação celular antecede ou sucede
as mutações genéticas (RODASKI; PIEKARZ, 2009). Receptores de hormônios como o
estrógeno, a prolactina, a progesterona, os androgenos já foram encontrados em tumores de
mama em cadelas, logo podem estar envolvidos na carcinogenese mamária (MISDORP,
2002).
Acredita-se que exista relação entre o número destes receptores e a capacidade
proliferativa das células neoplásicas (COSTA et al., 2002).
A progesterona e o estrógeno desempenham um papel crucial no controle do
crescimento e desenvolvimento das glândulas mamárias, sendo também, fatores de risco no
desenvolvimento de neoplasias das mesmas (THURÓCZY et al., 2007). A progesterona
exógena em cães e gatos estimula a síntese de hormônio do crescimento na glândula mamária,
com isso gera a proliferação lóbulo-alveolar e consequente hiperplasia de elementos
mioepiteliais e secretórios (RODASKI; PIEKARZ, 2009). Progestágenos injetáveis são
usados para evitar o estro, isso aumenta ligeiramente o desenvolvimento de tumores mamários
11
benignos, mas não malignos em cães (MISDORP, 1988). Entretanto, somente a administração
regular de progesterona foi associada a um significativo aumento no risco de desenvolvimento
de neoplasmas mamários felinos (MISDORP et al., 1991). Lesões benignas da mama no gato,
como alteração fibroadenomatosa (hipertrofia mamária felina) e fibroadenoma, estão
claramente associadas com progesterona endógena (durante a gravidez) ou progesterona
exógena (ALLEN, 1973; HAYDEN et al., 1989; RODASKI; PIEKARZ, 2009).
A administração de estrógeno, que acaba por estimular o crescimento ductal, quando
contínua, em altas doses e combinada com progesterona, acarreta o risco de desenvolvimento
de tumores de mama malignos (RODASKI; PIEKARZ, 2009). Entretanto, em gatas foi
observado que os carcinomas apresentam expressão reduzida de receptores de estrógeno,
demonstrando a perda da dependência hormonal durante a progressão maligna (MISDORP,
2002; MILLANTA et al., 2005). Fato este que poderia explicar a alta agressividade biológica
dos carcinomas da gata (MILLANTA et al., 2005) visto que, neoplasmas malignos com
imunomarcação negativa para receptores hormonais, crescem a uma taxa mais alta do que
neoplasmas positivos (GERALDES et al.,2000). Além disso, considerando a classificação
histológica de cadelas, os carcinomas complexos apresentam maiores concentrações de
receptores de estrógeno e progesterona comparativamente ao carcinoma simples, logo os
carcinomas complexos possuem um melhor prognostico. Porém, este tumor não é encontrado
na espécie felina (MISDORP, 2002).
A ovariosalpingohisterectomia (OSH), realizada antes do primeiro estro em cadelas é
bastante aceita na redução do risco de desenvolvimento de neoplasmas mamários
(RUTTEMAN et al., 2007). Em gatas, segundo Overley et al. (2005), se castradas antes de
seis meses de idade têm uma redução de 91% no risco de desenvolvimento de carcinoma
mamário em comparação com gatas inteiras. Aquelas castradas antes de um ano têm uma
redução de 86% no risco. Quando a OH realizada no momento da exérese cirúrgica do tumor
de mama, não possui efeito protetor sobre o aparecimento de novos tumores, metástases ou
mesmo sobre o prolongamento de vida do paciente (FONSECA; DALECK, 2000).
A progressão tumoral também é um fator estudado no surgimento de neoplasias
malignas. Um estudo demonstrou que alguns neoplasmas mamários malignos de cadelas são
frutos de progressão tumoral a partir de neoplasmas benignos, podendo ter sofrido
transformação maligna espontânea (SORENMO et al., 2009). Assim como nas gatas, onde
sugere-se que alterações não neoplásicas podem estar envolvidas no processo de cancerização
(TRAVASSOS, 2004).
12
Tumores mamários são comuns em cães e gatos, mas raro em outras espécies animais,
sendo que somente para essas duas espécies, há uma classificação especial (HAMPE;
MISDORP, 1974). Em gatas, os tumores são classificados conforme o Quadro 1.
1 Neoplasmas malignos
2 Neoplasmas benignos
3
Alterações
não
neoplásicos
1.1 Carcinoma in situ
2.1 Adenoma
3.1 Hiperplasia ductal
1.2 Carcinoma túbulo-papilar
2.1.1 Adenoma simples
3.2 Hiperplasia lobular
1.3 Carcinoma sólido
2.1.2 Adenoma complexo
3.2.1 Hiperplasia epitelial
1.4 Carcinoma cribriforme
2.2 Fibroadenoma
3.2.2 Adenose
1.5 Carcinoma de células
2.2.1 Fibroadenoma de
3.2.3
Hiperplasia
escamosas
baixa celularidade
fibroepitelial
1.6 Carcinoma mucinoso
2.2.2 Fibroadenoma de 3.3 Cistos
alta celularidade
1.7 Carcinossarcoma
2.3 Tumor misto benigno
3.4 Ectasia ductal
1.8 Carcinoma ou sarcoma 2.4 Papiloma ductal
3.5 Fibrose focal
em tumor benigno
Quadro 1- Classificação histológica dos tumores mamários em gatas (MISDORP et al., 1999)
Diferentemente dos cães e humanos, os gatos apresentam uma maior taxa de tumores
mamários malignos, aproximadamente 85% (RUTTEMAN et al., 2007; DE NARDI et al.,
2009). Cadelas são as que apresentam maior frequência de neoplasmas mamários benignos
(60-70%), a mulher em segundo lugar com (40%), sendo os neoplasmas benignos em gatas
apenas 20% (MISDORP, 2002). Um estudo realizado pelo Laboratório de Patologia
Veterinária (LPV) da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) constatou que, de 309
neoplasias mamárias em cães, 26,62% eram benignas e 73,38% malignas (OLIVEIRA
FILHO, 2010). Na mesma instituição, das causas de morte e razão para eutanásia de cães, 7,8
% morreram em consequência de neoplasmas. Destes, 25,4% eram neoplasmas malignos de
glândula mamária (FIGHERA et al., 2008). Em gatos, Costa (2010) verificou que de 191
neoplasmas mamários de gatos avaliados, 185 eram malignos e apenas seis eram benignos.
Muitos estudos têm sido realizados com relação aos fatores prognósticos como idade,
tamanho do tumor primário, presença de células tumorais nos vasos linfáticos, necrose,
número de figuras mitóticas e o tipo de cirurgia. Definiu-se que, quanto maior a idade, maior
o diâmetro do tumor, maior o número de mitoses, presença necrose e de metástase em
linfonodos e realização da excisão cirúrgica incompleta, mais desfavorável torna-se o
prognóstico em felinos (WEIJER; HART, 1983). Porém sabe-se que em gatas frequentemente
o prognóstico é desfavorável em virtude da constante invasão estromal e da presença de
metástases já no momento da excerese tumoral (DE NARDI et al, 2009). Além disso, os
13
carcinomas mamários nesta espécie também apresentam um maior aumento na expressão de
receptor do fator de crescimento epidérmico humano (HER-2) quando comparados aos da
mulher e da cadela. O aumento deste HER-2, em tumores de mama, está associado a uma
maior ocorrência de metástases, redução no período livre da doença e a um menor tempo de
sobrevivência, demonstrando assim um pior prognóstico nos carcinomas de gatas
(MILLANTA et al., 2005; WINSTON et al., 2005).
De acordo com dados estatísticos, hoje o câncer é a principal causa de morte em cães e
gatos e os pacientes idosos, em geral, são os mais acometidos. Os felinos apresentam câncer
predominantemente na faixa etária acima de 11 anos, sendo as fêmeas acometidas em maior
número (RODASKI; PIEKARZ, 2009). Nos tumores mamários nesta espécie, um dado
importante é que, 95% dos animais afetados compreendem a idade adulta e idosa, de 5 a 16
anos (COSTA, 2010), de 2,5 a 13 anos (HAYES et al., 1981), 2 a 20 anos (CASTAGNARO
et al., 1998), e de 5 meses a 19 anos (TRAVASSOS, 2004).
Neoplasmas malignos tem alto grau infiltrativo/destrutivo, seja em tecidos ou em
vasos. Carcinomas mamários felinos são altamente infiltrativos, sendo que 88% infiltram
tecidos e 53% invadem vasos. Os linfonodos regionais são envolvidos em 27% (WEIJER;
HART, 1983). Em estudos recentes, concluiu-se que, figuras de mitose são significativamente
mais presentes em tumores malignos do que em tumores benignos no cão, mas não no gato,
discordando de trabalhos anteriores (PREZIOSI et al., 2002).
A necrose também varia conforme o tumor, sendo mais encontrada em tumores
malignos do que em benignos (BOSTOCK et al., 1992). Pleomorfismo celular e nuclear
(variação no tamanho e forma) e anaplasia (perda da diferenciação) são mais observadas em
tumores malignos do que em tumores benignos do cão e do gato (MOTTOLESE et al., 1994).
A ulceração cutânea também tem sido usada como um fator prognóstico em cães, sendo
encontrada principalmente em neoplasmas malignos (QUEIROGA; LOPES, 2002).
O tipo de cirurgia também interfere no prognóstico, pois gatas tratadas com cirurgia
radical possuem um maior intervalo de vida livre da doença do que gatas tratadas com
cirurgia conservadora (BOSTOCK et al., 1992), sendo, diferentemente das cadelas, raras as
indicações para cirurgias conservadoras em gatas (DE NARDI et al. 2009). Entretanto, o
procedimento a ser adotado deve ser analisado com cautela, pois há evidências de que a
remoção cirúrgica do tumor primário pode alterar o controle imunológico dos depósitos
metastáticos e permitir que eles se proliferem (CARPENTER et al., 1987).
Apesar de resultados relevantes sobre o controle do câncer, a literatura médica
veterinária brasileira dispõe de poucos levantamentos epidemiológicos sobre afecções
14
neoplásicas em cães e gatos (RODASKI; PIEKARZ, 2009). Portanto, este trabalho visa
estabelecer relações entre os tumores de mamários em gatos e alguns de seus fatores
prognósticos, a fim de auxiliar clínicos e patologistas na escolha terapêutica adequada e no
estabelecimento de um prognóstico mais fidedigno. Sendo os tumores mamários de grande
importância na espécie felina, estudos como este, tornam-se necessários para uma melhor
compreensão dos fatores prognósticos desta doença.
15
2. CAPÍTULO 1
Estudo retrospectivo de 207 casos de tumores mamários em gatas¹
Monique Togni2*, Eduardo K. Masuda3, Glaucia D. Kommers4, Rafael A. Fighera4
e Luiz Francisco Irigoyen4
(Artigo aceito para publicação na revista Pesquisa Veterinária Brasileira – 2013)
Pesq. Vet. Bras. 33(0):000-000, oooo 2013
Estudo retrospectivo de 207 casos de tumores mamários em gatas¹
Monique Togni2*, Eduardo K. Masuda3, Glaucia D. Kommers4, Rafael A. Fighera4
e Luiz Francisco Irigoyen4
ABSTRACT.- Togni M., Masuda E.K., Kommers G.D., Fighera R.A. & Irigoyen L.F. 2013. [A
retrospective study of 207 cases of mammary tumors in queens.] Estudo retrospectivo
de 207 casos de tumores mamários em gatas. Pesquisa Veterinária Brasileira 33(0):00-00.
Departamento de Patologia, Universidade Federal de Santa Maria, Camobi, Santa Maria, RS
97105-900, Brazil. E-mail: [email protected]
This study aimed to determine the most prevalent mammary tumors in cats and associate them to some prognostic factors. The files from the Laboratório de Patologia Veterinária (LPV) of the Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) were reviewed, and
1.427 feline biopsies and autopsy protocols between the years 2000 and 2011 were found.
Based on the information retrieved from the files, a relationship was established among
the tumors and some prognostic factors such as sex, age, breed, reproductive status, use of
contraceptives, number and location of affected glands, ulcers, size of the neoplasm, distant
metastases, and affected lymph nodes. Thus, it was observed that mammary cancer is the
second most prevalent diagnosis, following skin tumors. All cats with mammary tumors
were female, being the elderly and mixed breed the most affected. Malignant neoplasms
were the most frequently diagnosed, followed by non-neoplastic tumors, and benign neoplasms. Smaller tumors were mostly carcinomas. Ulcerations were present not only in
malignant neoplasms but also in non-neoplastic changes. Distant metastases were found
mainly to the lungs and skin.
INDEX TERMS: Mammary gland, mammary neoplasms, tumors in cats.
RESUMO.- Este estudo teve como objetivos determinar os
tumores mais prevalentes em gatos e relacionar os tumores
mamários a alguns de seus fatores prognósticos. Os arquivos do Laboratório de Patologia Veterinária (LPV) da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) foram revisados
e um total de 1.427 protocolos de biopsias e necropsias de
felinos, entre 2000 e 2011, foi encontrado. Com base nas
informações dos arquivos, foi estabelecida a relação entre
os tumores e alguns fatores como sexo, idade, raça, estado
reprodutivo, uso de contraceptivos, número e localização
das glândulas afetadas, ulcerações, tamanho do neoplasma, metástases distantes e para os linfonodos. Assim, ob-
servou-se que os tumores de mama foram o segundo diagnóstico mais prevalente, após os tumores de pele. Todos os
gatos com tumores mamários eram fêmeas, sendo os sem
raça definida e os idosos os mais afetados. Os neoplasmas
malignos foram diagnosticados com maior frequência, seguidos pelos tumores não neoplásicos e pelos neoplasmas
benignos. Os tumores menores eram, na sua maioria, carcinomas. Ulcerações estavam presentes não só em neoplasmas malignos, mas também em alterações não neoplásicas.
Metástases distantes foram encontradas principalmente
nos pulmões e na pele.
TERMOS DE INDEXAÇÃO: Glândula mamária, neoplasias mamárias, tumores em felinos.
Recebido em 2 de outubro de 2012.
Aceito para publicação em 3 de dezembro de 2012.
Parte da Dissertação de mestrado do primeiro autor.
2
Programa de Pós-Graduação em Medicina Veterinária, área de concentração em Patologia Veterinária, Centro de Ciências Rurais, Universidade
Federal de Santa Maria (UFSM). Av. Roraima 1000, Santa Maria, RS 97105900, Brasil. *Autor para correspondência: [email protected]
3
Médico Veterinário autônomo, Avenida do Forte 557, sala 203, Porto
Alegre, RS 91360-000, Brasil.
4
Departamento de Patologia, UFSM, Av. Roraima 1000, Santa Maria, RS
97105-900.
1
INTRODUÇÃO
1
O número de atendimentos, exames e necropsias de gatos
tem crescido consideravelmente nos últimos anos no LPV-UFSM, sendo esse aumento de 61 para 172 casos entre os
anos de 2000 e 2011, respectivamente.
Tumores mamários são comuns em cães e gatos, mas
raros em outras espécies animais, sendo que somente para
essas duas espécies, há uma classificação especial (Hampe
2
Monique Togni et al.
& Misdorp 1974). Há numerosos estudos sobre tumores
de mama em cadelas, porém ainda há poucos estudos relacionados a tumores de mama em gatas. Por apresentarem etiologia, patogenia, fatores prognósticos (Hayes et al.
1981, Hellmén et al. 1993, Weijer & Hart 1983) e histologia
(Misdorp & Weijer 1980, Pérez-Alenza et al. 2004) semelhantes aos da mulher, estudos sobre tumores mamários
em gatas são de grande interesse na pesquisa do câncer de
mama em humanos (Hayes et al. 1981, Weijer & Hart 1983,
Hellmén et al. 1993).
Tamanho tumoral, tipo de tratamento cirúrgico, envolvimento de linfonodos e tipo de crescimento são fatores
clinicopatológicos bem estabelecidos. Entretanto, associações entre aspectos clínicos, epidemiológicos e histopatológicos foram pouco descritas (Misdorp 2002). Dessa forma, o objetivo do presente trabalho foi organizar os dados
recolhidos dos arquivos do LPV-UFSM, a fim de estabelecer
os tumores mais prevalentes em gatos e as relações entre
os tumores mamários e alguns de seus fatores prognósticos, auxiliando assim clínicos e patologistas na escolha terapêutica adequada e no estabelecimento de um prognóstico mais fidedigno.
MATERIAL E MÉTODOS
Os protocolos compreendidos entre os anos de 2000 e 2011 do
arquivo do LPV-UFSM foram revisados, sendo encontrados 1.427
protocolos de felinos. Todos os tumores mamários classificados
como neoplásicos (malignos ou benignos) e não neoplásicos (hiperplasias ou displasias) foram incluídos neste estudo.
Do histórico clínico foram avaliados, quando constavam, a idade, sexo, raça, estado reprodutivo e o uso de contraceptivos. Os
animais foram classificados quanto à faixa etária em jovens (menos de ano), adultos (de um a oito anos) e idosos (acima de oito
anos de idade).
Das variáveis clinicopatológicas, foram estudadas as mamas
afetadas, a presença de ulcerações cutâneas, metástases (distantes e em linfonodos) e o tamanho do tumor. As cadeias mamárias
foram classificadas em dois grupos, de acordo com o padrão de
drenagem linfática existente nessas regiões. O primeiro grupo
(G1) compreende as mamas torácicas e as abdominais craniais.
O segundo (G2), é composto pelas mamas abdominais caudais e
inguinais. Com relação ao tamanho, esses foram classificados de
acordo com o sistema TNM (tamanho, envolvimento de linfonodos e metástases distantes), proposto pela Organização Mundial
de Saúde (OMS), pelo qual tumores menores que 3cm são classificados como T1, entre 3 e 5cm como T2 e acima de 5cm classificados como T3. Quando havia mais de um tumor, cada um foi
mensurado e avaliado separadamente. Para a avaliação das metástases distantes, apenas foi considerada ausência ou presença
de metástases, seja por avaliação clínica, biópsias ou necropsias.
O mesmo foi aplicado na avaliação dos linfonodos regionais mamários e para as ulcerações cutâneas.
Quanto à avaliação histopatológica, consideraram-se apenas
os diagnósticos morfológicos presentes nos protocolos, subclassificando-os pelo sistema de classificação vigente do Instituto de
Patologia das Forças Armadas - Organização Mundial da Saúde
(Misdorp et al. 1999) quando julgou-se necessário. Foram avaliados todos os diagnósticos morfológicos dos protocolos, mesmo
quando estes diagnósticos estavam presentes mais de uma vez.
Quando isso ocorreu, cada diagnóstico foi considerado separadamente obtendo-se, ao final, número maior de tumores do que de
gatas.
Pesq. Vet. Bras. 33(0):000-000, oooo 2013
RESULTADOS
Após a revisão de todos os protocolos de biópsias e necropsias de gatos, durante o período analisado, foram encontrados 1.427 casos, 53% (753/1427) de biópsias e 47%
(674/1427) de necropsias. Desses, 36,65% (523/1.427)
são protocolos com tumores, sendo os cutâneos, com
41,49% (217/523), os mais prevalentes, seguidos dos tumores mamários com 39,57% (207/523) e dos hemolinfopoéticos, com 6,50% (34/523). Os 12,42% (65/523)
restantes são tumores dos outros sistemas. A prevalência
dos tumores mamários de gatas com em relação ao total de
protocolos desta espécie, durante o período analisado, foi
de 14,50% (207/1.427), sendo 92,75% (192/207) oriundas de biópsias e 7,24% (15/207) de necropsias.
Foram encontrados 217 tumores mamários, em 207
gatas, incluindo tumores neoplásicos e não neoplásicos. O
maior número de tumores com relação ao número de gatas
deve-se ao fato de que 10 gatas apresentaram mais de um
tipo de tumor mamário.
Todos os animais eram fêmeas, sendo que 9,67%
(20/207) dos protocolos mencionaram a castração das gatas
e 23,19% (48/207) afirmaram que as fêmeas eram inteiras.
Nos demais casos, 67,14% (139/207), não havia informações suficientes para se determinar o estado reprodutivo das
gatas. Constatou-se que 26,08% das gatas afetadas receberam fármacos contraceptivos previamente (Quadro 1). Porém, não havia informações referentes à idade da primeira
administração, frequência, tipo e dose do fármaco utilizado.
Dentre as raças mais acometidas, cinco foram identificadas. Os animais sem raça definida foram os mais comumente diagnosticados com 54,10% (112/207), seguidos
pelas raças Siamesa com 25,60% (53/207), Persa com
7,73% (16/207), Himalaia com 2,42% (5/207) e Angorá
com 0,97% (2/207). Em 9,18% (19/207) dos protocolos a
raça não foi informada conforme o Quadro 1.
Quadro 1. Prevalência epidemiológica das gatas
acometidas por tumores mamários no LPV-UFSM
(2000-2011)
Nº de gatas
Frequência
afetadas(%)
1. Sexoa
1.1 Macho
-
1.2 Fêmeas
207
100
2. Raçaa
2.1 SRD
112
54,10
2.2 Siamês
53
25,60
2.3 Persa
16
7,73
2.4 Himalaia
5
2,42
2.5 Angorá
2
0,97
2.6 N.I.b
199,18
3. Idadea
3.1 Idosos
119
57,49
3.2 Adultos
60
28,99
3.3 Jovens
9
4,34
3.4 N.I.b
199,18
4. Estágio reprodutivoa
4.1 Inteiras
48
23,19
4.2 Castradas
20
9,67
4.3 N.I.b
13967,14
5. Uso de contraceptivoa54
26,08
a
Dados avaliados em 207 gatas, b N.I. = não informado.
Estudo retrospectivo de 207 casos de tumores mamários em gatas
A idade das gatas com tumores mamários variou de 6
meses a 20 anos (média de 8 anos e 6 meses ± 3 anos e
9 meses), observando-se maior frequência nas idosas, seguido das adultas e das jovens (Quadro 1). Dentre as gatas
jovens, apenas 11,11% (1/9) apresentavam neoplasia, sendo o restante, acometido por alterações não neoplásicas. A
idade de 9,18% (19/207) dos felinos não foi informada.
Na análise das glândulas mamárias, as mais afetadas foram às torácicas e/ou abdominais craniais (G1) e o restante
foi igualmente distribuído entre as gatas que apresentaram
tumor nas mamas abdominal caudal e/ou inguinal (G2) e
múltiplos nódulos em G1 e G2 (Quadro 2). Dos grupos G1
Quadro 2. Prevalência das variáveis clinicopatológicas
de gatas acometidas por tumores mamários no
LPV-UFSM (2000-2011)
Nº de gatas afetadas
Frequência
(%)
1. Grupo mamárioa
1.1 G1
44
21,25
1.2 G2
26
12,56
1.3 G1 e G2
26
12,56
1.4 N.I.b
11153,63
2. Ulceraçõesa
5024,15
2.1 Neoplasma maligno
464
92
2.2 Alteração não neoplásica
8
3. Metástasesa
3.1 Linfonodos
15
7,24
3.1.1 C. túbulo-papilar
10
66,7
3.1.2 C. cribriforme
3
20
3.1.3 Carcinossarcoma
1
6,65
3.3.4 Carcinoma sólido
1
6,65
3.2 Distantes
13
6,28
3.2.1 C. túbulo-papilar
8
61,53
3.2.2 C. cribriforme
5
38,47
4. Tamanho do tumorc
4.1 T1
94
43,32
4.2 T2
42
19,35
4.3 T3
4922,58
4.4 N.I.b
3214,75
a
Dados avaliados em 207 gatas, b N.I. = não informado, c Dados
avaliados em 217 tumores. G1 = glândula, mamária torácica e
abdominal cranial, G2 = glândula mamária abdominal caudal
e inguinal.
Fig.1. Metástase na pele de carcinoma túbulo-papilar. Há pequenos nódulos multifocais a coalescentes, alguns deles ulcerados.
3
Quadro 3. Prevalência dos diagnósticos
morfológicos de tumores mamários de gatas
no LPV-UFSM (2000-2011)
1. Tumores malignos*
1.1 Carcinoma
1.1.1 C. túbulo-papilar
1.1.2 C. cribriforme
1.1.3 C. sólido
1.1.4 C. in situ
1.2 Carcinossarcoma
2. Tumores benignos*
2.1 Adenoma simples
2.2 Fibroadenoma
2.3 Adenoma complexo
2.4 Tumor misto benigno
3. Alterações não neoplásicas*
3.1 Hiperplasia Fibroepitelial
3.2 Displasia cística
3.3 Hiperplasia ductal
3.4 Ectasia ductal
* Dados avaliados em 217 tumores.
Nº de gatas
afetadas
Frequência
(%)
157
72,35
154
98,08
86
55,84
47
30,52
20
12,99
10,65
3
1,91
11
5,06
7
63,64
2
18,18
1
9,09
1
9,09
49
22,58
29
59,18
12
24,49
5
10,21
3
6,12
Fig.2. Superfície de corte de um carcinoma cribriforme mamário.
São observadas áreas multifocais brancacentas e friáveis que
correspondem às áreas de necrose comumente evidenciadas
neste tipo de neoplasma.
e G2, em 21,73% (45/207) dos casos apenas uma glândula foi afetada. Nos demais protocolos, 53,63% (111/207),
não havia informações suficientes para determinar a localização do tumor. Ulceração foi observada em 24,15%
(50/207), das gatas, sendo encontradas em neoplasias malignas e alterações não neoplásicas (Quadro 1). Dentre os
neoplasmas malignos ulcerados, o carcinoma túbulo-papilar foi o mais prevalente com 54,34% (25/46). Com relação
às alterações não neoplásicas, todas as que apresentavam
ulceração eram hiperplasias fibroepiteliais.
Na avaliação dos linfonodos, foram encontrados metástases de carcinoma túbulo-papilar, carcinoma cribriforme,
carcinoma sólido e de carcinossarcoma. Nas metástases
distantes foram observados apenas carcinoma túbulo-papilar e carcinoma cribriforme (Quadro 2). Dentre os locais
de metástases distantes o pulmão com 76,92% (10/13) foi
o mais acometido, seguido da pele (Fig.1) 23,07% (3/13),
fígado e pleura ambos com 15,38% (2/13). Além disso, o
Pesq. Vet. Bras. 33(0):000-000, oooo 2013
4
Monique Togni et al.
baço, peritônio, ossos e músculos esqueléticos também foram acometidos, porém com apenas 7,69% (1/13) cada.
Em seis casos mais de um órgão foi acometido.
Avaliando o tamanho, os tumores classificados como
T1 foram os mais encontrados, seguidos de T3 e T2 (Quadro 2). Dos 43,31 % dos tumores classificados como T1,
82,97% (78/94) eram carcinomas.
Quanto ao diagnóstico morfológico (Quadro 3), os neoplasmas malignos foram os mais prevalentes, seguidos
das alterações não neoplásicas e dos neoplasmas benignos. A relação benigno:maligno para os neoplasmas foi de
1:14,27. Dos neoplasmas malignos, o carcinoma foi o mais
prevalente seguido de carcinossarcoma. Dos carcinomas,
o padrão túbulo-papilar foi o mais comum, seguido do padrão cribriforme (Fig.2 e 3), do sólido e do carcinoma in
situ. Dos neoplasmas benignos o adenoma simples o mais
prevalente, seguido de fibroadenoma, adenoma complexo
e tumor misto benigno. Nas alterações não neoplásicas a
hiperplasia fibroepitelial (Fig.4 e 5) foi a mais prevalente,
seguida de displasia cística (Fig.6), hiperplasia ductal e de
ectasia ductal.
Fig.3. Aspecto histológico de um carcinoma cribriforme. Observa-se uma área de necrose central circundada por células epiteliais formando pequenas aberturas semelhantes a uma peneira. HE, obj.20x.
Fig.4. Gata com hiperplasia fibroepitelial. Observa-se aumento de
volume acentuado de todas as mamas.
Pesq. Vet. Bras. 33(0):000-000, oooo 2013
Fig.5. Aspecto histológico da hiperplasia fibroepitelial. Observa-se a proliferação ductal circundada por acentuado estroma
fibroso. HE, obj.10x.
Fig.6. Fragmento de cadeia mamária com displasia cística contendo múltiplos cistos de variados tamanhos.
DISCUSSÃO
A prevalência de tumores de mama na população de gatos
estudados aproxima-se dos 12%, como encontrado por
Dorn et al. (1968). Cotchin (1952), em um estudo sobre
tumores em gatos, concluiu que o sistema mais acometido por tumores era o tegumentar, seguido pelo alimentar
e reprodutor feminino (incluindo glândula mamária). Anos
mais tarde outros autores demonstraram que em gatas o
tumor mamário é o terceiro mais frequente, após os tumores cutâneos e hemolinfopoéticos (Dorn et al. 1968, Hayes
et al. 1981). Porém, neste estudo há significativas diferenças, os resultados revelam que os tumores cutâneos são os
mais prevalentes, seguidos pelos tumores de mama e pelos
tumores do sistema hemolinfopoéticos.
A elevada porcentagem dos neoplasmas mamários em
relação aos outros tumores diagnosticados no LPV-UFSM poderia ser atribuída a dois motivos. O primeiro é que o método
de avaliação dos neoplasmas hemolinfopoéticos é feito primariamente através do uso da punção aspirativa por agulha
fina (PAAF). Como a PAAF não é utilizada como ferramenta
diagnóstica de rotina no LPV-UFSM, o número de diagnósticos de linfomas/leucemias torna-se menor, com consequen-
Estudo retrospectivo de 207 casos de tumores mamários em gatas
te elevação dos índices percentuais dos outros neoplasmas.
O segundo motivo da observação de baixo número de tumores hemolinfopoéticos, baseia-se na hipótese da pouca circulação do vírus da imunodeficiência felina (FIV) e do vírus da
leucemia felina (FeLV) na região de estudo. Visto que, alguns
tumores hemolinfopoéticos podem estar até 70% associados
à infecção por FIV e FeLV (Fighera & Graça 2011). Entretanto,
ainda não existem estudos regionais que sustentam essa hipótese. A causa do elevado número de tumores de pele deve-se principalmente à elevada taxa de diagnósticos de carcinoma de células escamosas (CCE), sendo a alta incidência solar
um dos principais agravantes para o desenvolvimento desse
neoplasma (Goldschmidt & Hendrick 2002).
Os neoplasmas mamários das gatas têm grande semelhança com a etiologia hormonal dos tumores de mama em
mulheres e em cadelas (Hayden et al. 1989, Hellmén et al.
1993, Russo & Russo 1995). Entretanto, no presente estudo
não foi possível estabelecer qualquer ligação entre o efeito
protetor da ovário-histerectomia (OH) nas gatas, devido à
falta dessa informação na maioria dos protocolos. Sabe-se
que, assim como ocorre em outras espécies, a taxa hormonal
tem uma grande influência no desenvolvimento de tumores
mamários em gatas e que, como em cadelas, a OH tem um papel importante na redução do risco de carcinoma mamário
felino (Dorn et al. 1968, Hayes & Mooney 1985, Overley et al.
2005). A proteção conferida pela OH é de 91% quando o procedimento for realizado antes dos seis meses de idade, 86%
quando realizado de sete a 12 meses e de apenas 11% quando o animal tem 13 a 24 meses. Não são observados benefícios na prevenção de carcinoma mamário felino quando a
OH é executada após 24 meses de idade (Overley et al. 2005).
A administração de fármacos contraceptivos obteve números pouco significativos neste estudo devido à ausência
de dados ou possível ocultação por parte dos proprietários
sobre a administração dessas substâncias. Em gatas, somente a administração regular de progesterona foi associada a um significativo aumento no risco de desenvolvimento de tumores mamários benignos e malignos (Misdorp
et al. 1991). Com relação às alterações não neoplásicas, o
segundo diagnóstico mais encontrado neste estudo, quase
a metade dos proprietários afirmaram a administração de
contraceptivos. Isso vem ao encontro do fato de que essas
lesões na mama de gatas, particularmente a hiperplasia fibroepitelial, estão associadas com progesterona endógena
ou exógena (Allen 1973, Misdorp et al. 1999).
A relação benigno:maligno de 1:14,27 encontrada nesse estudo, destaca-se quando comparado ao resultado de
1:2,75 encontrado em um estudo realizado no LPV-UFSM,
em cadelas (Oliveira Filho et al. 2010). Quanto ao diagnóstico morfológico, os neoplasmas malignos foram os mais
prevalentes, sendo o carcinoma o mais frequentemente
diagnosticado. Os tumores não neoplásicos foram mais
prevalentes do que os neoplasmas benignos concordando
com vários estudos realizados nos últimos anos em gatas
(Travassos 2004, Spader 2009, Costa 2010) e discordando
de estudos realizados em cadelas, onde os neoplasmas benignos são mais prevalentes do que tumores não neoplásicos (Hellmén et al. 1993, Oliveira Filho et al. 2010). Os
resultados obtidos neste estudo sugerem que os tumores
5
mamários não neoplásicos em gatas são mais comuns que
em cadelas e que, quando neoplásicos, esses são mais frequentemente malignos em gatas do que em cadelas.
As gatas SRD, assim como no estudo realizado por Silva
(2010), foram as mais acometidas por tumores mamários.
Já com relação às raças puras, os resultados concordam
com muitos autores que afirmam uma maior frequência da
raça Siamesa (Hayes et al. 1981, Hayes & Mooney 1985, Silva 2010). Porém, esses resultados diferem de Costa (2010)
e Travassos (2004) por que em ambos os estudos, a raça
Europeu Comum foi a mais prevalente, seguida da raça
Siamesa (Travassos 2004) e da Persa (Costa 2010). Essas
variações devem-se, possivelmente às diferenças na população felina de cada região.
A faixa etária no momento do diagnóstico foi semelhante à encontrada em outros estudos, sendo as gatas idosas
mais acometidas (Hayes et al. 1981, Castagnaro et al. 1998,
Travassos 2004, Costa 2010). Das gatas jovens apenas uma
tinha neoplasma, sendo o restante dos diagnósticos morfológicos tumores não neoplásicos. Dados esses muito semelhantes aos encontrados por Allen (1973).
A glândula mamária mais afetada nessa espécie ainda não
foi bem definida, sendo encontradas muitas divergências entre diversos estudos. Para Brondey (1970) todas as glândulas
mamárias de gatas possuem igual susceptibilidade para desenvolvimento de tumores mamários. Neste estudo, o grupo
mamário G1 foi mais acometido do que o G2, concordando
com Costa (2010) e divergindo de outros resultados encontrados em gatas (Travassos 2004, Amorim et al. 2006) e em
cadelas (Hayes et al. 1981, Oliveira Filho et al. 2010), nas quais
as glândulas distais (G2) foram as mais atingidas. Numerosos
casos neste estudo tinham ambos os grupos afetados, demonstrando assim que é relativamente comum na espécie
felina a existência de múltiplos tumores mamários (Hayes &
Mooney 1985, Misdorp 2002). Quando apenas uma glândula
é afetada, deve levar-se em consideração a vasculatura linfática normal dos gatos, que possui características típicas dessa
espécie, como na drenagem das glândulas abdominal cranial
e abdominal caudal, que podem ter comunicação tanto com
linfonodos craniais como com linfonodos caudais (Raharison
& Sautet 2007). Assim, alguns estudos sugerem que gatas que
são submetidas a cirurgias radicais tem um maior intervalo
livre da doença, mais do que as gatas tratadas com métodos
conservativos, contudo nenhum dos métodos altera o tempo
de sobrevivência (McEwen et al. 1984).
O tamanho dos tumores é um dos mais importantes
fatores clínicos avaliados para o prognóstico dos neoplasmas mamários de mulheres, cadelas e gatas (Misdorp &
Hart 1976, Hellmén et al. 1993). Embora haja uma maior
quantidade de T1, o que deveria indicar um melhor prognóstico (Else & Hannant 1979, Misdorp 2002), neste estudo observou-se que, desses, 82,97% eram carcinomas,
principalmente com padrão túbulo-papilar. Diferente dos
resultados encontrados por Oliveira Filho et al. (2010) em
cadelas, onde apenas 66% dos tumores classificados como
T1 eram neoplasmas malignos. Isso demonstra a necessidade da implementação de outros métodos prognósticos
para predizer o comportamento biológico dos tumores mamários em gatas, além do fator tamanho.
Pesq. Vet. Bras. 33(0):000-000, oooo 2013
6
Monique Togni et al.
Muitos autores descrevem o envolvimento de linfonodos como sendo um importante fator de prognóstico (Hellmén et al. 1993, Misdorp 2002, Queiroga & Lopez 2002).
A avaliação dos linfonodos no presente estudo não obteve
resultados significativos. Este fato deve-se, possivelmente,
à maioria dos protocolos terem origem de biópsias, onde a
excisão dos linfonodos ocorre, normalmente, apenas quando o seu envolvimento é clinicamente evidente.
Com relação às metástases, os resultados são semelhantes aos encontrados em alguns estudos, onde o pulmão é o
órgão mais acometido. Podendo ser encontradas também
na pleura, fígado, baço, rins, pele, esqueleto, encéfalo, glândulas adrenais e coração (Hayes et al. 1981).
A ulceração também tem sido usada como um fator
prognóstico, sendo descrita em cães, principalmente nos
neoplasmas malignos (Queiroga & Lopes 2002, Oliveira
Filho et al. 2010). Neste estudo essa lesão esteve associada geralmente a neoplasmas malignos, sendo o carcinoma
túbulo-papilar o mais comumente ulcerado. Porém, é importante ressaltar a presença de ulcerações também em alterações não neoplásicas como a hiperplasia fibroepitelial.
Não foi possível estabelecer se as ulcerações foram devido
à abrasão no solo por seu grande tamanho, ou por seu acelerado crescimento invasivo e destrutivo.
CONCLUSÕES
Através do presente estudo concluiu-se que, na área
de abrangência do LPV-UFSM, os gatos são afetados, em
ordem decrescente de prevalência, por tumores de pele,
mamários e hemolinfopoéticos, revelando assim a importância dos tumores de mama nessa espécie.
A alta prevalência dos neoplasmas mamários malignos
em relação aos benignos, a variação no tamanho dos neoplasmas malignos e a presença de ulcerações também em
alterações não neoplásicas, são resultados que reafirmam a
importância da avaliação de um conjunto de fatores prognósticos, tanto no histórico, como no exame clínico, associado ao diagnóstico histopatológico, remetendo assim a
um programa terapêutico adequado.
REFERÊNCIAS
Allen H.L. 1973. Feline mammary hypertrophy. Vet. Pathol. 10:501-508.
Amorim F.V., Souza H.J.M., Ferreira A.M.R. & Fonseca A.B.M. 2006. Clinical,
cytological and histopathological evaluation of mammary masses in cats
from Rio de Janeiro, Brazil. J. Feline Med. Surg. 8:379-388.
Brondey R.S. 1970. Canine and feline neoplasia. Adv. Vet. Sci. Comp. Med.
14:309-354.
Castagnaro M., Casalone C., Bozzetta E., De Maria R., Biolatti B. & Caramelli
M. 1998. Tumour grading and the one year post-surgical prognosis in
feline mammary carcinoma. J. Comp. Pathol. 119:263-275.
Costa M.M. 2010. Estudo epidemiológico e anatomo-patológico de tumores mamários na cadela e na gata. Dissertação de Mestrado Integrado
em Medicina Veterinária, Faculdade de Medicina Veterinária, Universidade Técnica de Lisboa, Lisboa. 135p.
Cotchin E. 1952. Neoplasms in cats. Proc. Roy. Soc. Med. 45:17-20.
Dorn E.R., Taylor D., Frye F.L. & Hibbard H.H. 1968. Survey of animal neoplasms in Alameda and Contra Costa County, California. I. Methodology
and description of cases. J. Natl. Cancer Inst. 40:295-305.
Else R.W. & Hannant D. 1979. Some epidemiological aspects of mammary
neoplasia in the bitch. Vet. Rec. 194:296-304.
Pesq. Vet. Bras. 33(0):000-000, oooo 2013
Fighera R.A. & Graça D.L. 2011. Sistema hematopoiético, p.337-422. In:
Santos R.L. & Alessi A.C. (Eds), Patologia Veterinária. Roca, São Paulo.
Hayden D.W., Barnes D.M. & Johnson K.H. 1989. Morphologic changes in
the mammary gland of megestrol acetate treated and untreated cats: a
retrospective study. Vet. Pathol. 26:104-113.
Hayes A.A. & Mooney S. 1985. Feline mammary tumors. Vet. Clin. North
Am., Small Anim. Pract. 15:513-520.
Hayes H.M., Milne K.L. & Mandell C.P. 1981. Epidemiological studies of feline mammary carcinoma. Vet. Rec. 108:476-479.
Hellmén E., Bergstrom R., Holmberg L., Spångberg I.B., Hansson K. & Lindgren A. 1993. Prognostic factors in canine mammary tumors: A multivariate study of 202 consecutive cases. Vet. Pathol. 30:20-27.
Hampe J.F. & Misdorp W. 1974. Tumours and dysplasias of the mammary
gland, p.111-133. In: International Histological Classification of Tumors
of Domestic Animals. Bull. 50, World Health Organization, Geneva.
Goldschmidt M.H. & Hendrick M.J. 2002. Tumors of the skin and soft tissues, p.44-117. In: Meuten D.J. (Ed.), Tumors in Domestic Animals. 4th
ed. Iowa State Press, Ames.
McEwen E.G., Hayes A.A., Harvey H.J., Patnaik A.K., Mooney S. & Passe S.
1984. Prognostic factors for feline mammary tumors. J. Am. Vet. Med.
Assoc. 185:201-204.
Misdorp W. & Hart A.A.M. 1976. Prognostic factors in canine mammary
cancer. J. Natl Cancer Inst. 56:779-786.
Misdorp W. & Weijer K. 1980. Feline mammary carcinoma. Am. J. Pathol.
98:573-576.
Misdorp W., Romijn A. & Hart A.A.M. 1991. Feline mammary tumors: A
case control study of hormonal factors. Anticancer Res. 11:1793-1798.
Misdorp W., Else R.W., Hellmén E. & Lipscomb T.P. 1999. Histological classification of mammary tumors of the dog and cat, p.63-64. In: Ibid. (Eds),
International Histological Classification of Tumors of Domestic Animals.
Second Series, Vol.7. World Health Organization, Geneva, Switzerland.
Misdorp W. 2002. Tumors of the mammary gland, p.575-606. In: Meuten
D.J. (Ed.). Tumors in Domestic Animals. 4th ed. Iowa State Press, Ames.
Oliveira Filho J.C., Kommers G.D., Masuda E.K., Marques B.M.F.P.P., Fighera
R.A., Irigoyen L.F. & Barros C.S.L. 2010. Estudo retrospectivo de 1.647
tumores mamários em cães. Pesq. Vet. Bras. 30:177-185.
Overley B., Shofer F.S., Goldschimitd M.H., Sherer D. & Sorenmo K.U. 2005.
Association between ovarihyst erectomy and feline mammary carcinoma. J. Vet. Intern. Med. 19:560-563.
Pérez-Alenza M.D., Jiménez A., Nieto A.I. & Pena L. 2004. First description
of feline inflammatory mammary carcinoma: clinicopathological and
immunohistochemical characteristics of three cases. Breast Cancer Res.
6:300-307.
Queiroga F. & Lopes C. 2002. Tumores mamários caninos, pesquisa de novos factores de prognóstico. RPCV 97:119-127.
Raharison F. & Sautet J. 2007. The topography of the lymph vessels of
mammary glands in female cats. Anat. Histol. Embryol. 36:442-452.
Russo J. & Russo I.H. 1995. The etiopathogenesis of breast cancer prevention. Cancer Lett. 90:81-89.
Silva M.N.S. 2010. Avaliação de neoplasias mamárias malignas felinas
quanto aos aspectos histopatológicos e a expressão imuno-histoquímica de Ki-67 e caspase 3 clivada. Dissertação de Mestrado em Anatomia
Patológica Humana e Veterinária, Universidade Federal Fluminense, Niterói. 93p.
Spader M.B. 2009. Estudo epidemiológico, classificação histológica e fatores prognósticos pela técnica de quantificação das AgNORS em tumores
mamários felinos. Dissertação de Mestrado em Patologia Animal, Programa de Pós-Graduação em Veterinária, Universidade Federal de Pelotas, Pelotas. 57p.
Travassos F.A.G.S. 2004. Lesões mamárias felinas: contributo para sua
caracterização biopatológica. Tese de Doutorado, Departamento de Ciências Veterinárias, Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Vila
Real. 251p.
Weijer K. & Hart A.A.M. 1983. Prognostic factors in feline mammary carcinoma. J. Natl. Cancer Inst. 70:709-716.
22
3. REFERÊNCIAS
ALLEN, H. L. Feline Mammary Hypertrophy. Veterinary Pathology. v.10, p.501-508, 1973.
BANKS, W. J. Histologia veterinária aplicada, 2. ed. São Paulo: Manole, 1992. cap. 20,
p.405- 410.
BOSTOCK, D.E.; MORIARTY, J.; CROCKER, J. Correlation between Histologic Diagnosis
Mean Nucleolar Organizer Region Count and Prognosis in Canine Mammary Tumors.
Veterinary Pathology. v.29, p.381-385, 1992.
CARPENTER, J. L. et al. Tumors and tumors-like lesions. In: HOLZWORTH, J. Dieses of
the cat: Medicine and surgery. Philadelphia: WB Saunders, 1987. p.406-583.
CASSALI, G. D. Patologia da glândula mamária. In: NASCIMENTO, E. F.; SANTOS R. L.
Patologia da reprodução dos animais domésticos. 2. ed. Rio de Janeiro: Guanabara
Koogan, 2003. cap. 12, p.119-133.
CASTAGNARO, M. et al. Tumour grading and the one-year post-surgical prognosis in feline
mammary carcinoma. Journal of Comparative Pathology. v.119, p.263-275, 1998.
COSTA, S. D. et al. Factors influencing the prognostic role of oestrogen and progesterone
receptor levels in breast cancer. European Journal of Cancer. v.38, p.1329-1334, 2002.
COSTA, M. M. Estudo epidemiológico e anatomo-patológico de tumores mamários na
cadela e na gata. 2010, 135f. Dissertação de Mestrado Integrado em Medicina VeterináriaUniversidade Técnica de Lisboa, Faculdade de Medicina Veterinária, 2010.
DE NARDI, A. B. et al. Neoplasias mamárias. In: DALECK, C. R.; DE NARDI, A. B.;
RODASKI, S. Oncologia em cães e gatos. São Pulo : Roca, 2009. p.371-384.
FELDMAN, D. G.; GROSS, L. Electron Microscopic Study of Spontaneous Mammary
Carcinomas in Cats and Dogs: Virus-like Particles in Cat. Cancer Research. v.31, p.12611267, 1971.
FIGHERA, R. A. et al. Causas de morte e razões para eutanásia de cães da Mesorregião do
Centro Ocidental Rio-Grandense (1965-2004). Pesquisa Veterinária Brasileira, v.28, p.223230, 2008.
23
FONSECA, C. S.; DALECK, C. R. Neoplasias mamárias em cadelas: influência hormonal e
efeitos da ovario-histerectomia como terapia adjuvante. Ciência Rural. v.30, p.731-735,
2000.
GERALDES, M.; GÄRTNER, F.; SCHMITT, F. Immunohistochemical study of hormonal
receptors and cell proliferation in normal canine mammary glands and spontaneous mammary
tumours. Veterinary Record. v.146, p.403-406, 2000.
GUINEBRETIERE, J. M. et al. Normal and pathological breast, the histological basis.
European Journal of Radiology. v.54, p.6-14, 2005.
HAYDEN, D. W.; BARNES, D. M.; JOHNSON, K. H. Morphologic changes in the
mammary gland of megestrol acetate treated and untreated cats: a retrospective study.
Veterinary Pathology. v.26, p.104-113, 1989.
HAYES, H. M.; MILNE, K. L.; MANDELL, C. P. Epidemiological studies of feline
mammary carcinoma. Veterinary Record. v.108, p.476-479, 1981.
HAMPE, J. F.; MISDORP, W. Tumours and dysplasias of the mammary gland. In:___.
Bulletin of World Health Organization. International Histological Classification of
Tumors of Domestic Animals. WHO, Geneva, Switzerland, v.50, cap.9, p.111-133, 1974.
JONES, T. C; HUNT, R. D; KING, N. W. Distúrbios do crescimento: aplasia até neoplasia.
In:____. Patologia Veterinária. 6. ed. São Paulo: Manole, 2000. p.95-103.
MILLANTA F. et al. Comparison of steroid receptor expression in normal, dysplasic, and
neoplastic canine and feline tissues. Research in Veterinary Science. v.79, p.225-232, 2005.
MILLANTA, F. et al. Overexpression of HER-2 in feline invasive mammary carcinomas: an
immunohistochemical survey and evaluation of its prognostic potential. Veterinary
Pathology. v.42, p.30-34, 2005.
MISDORP, W. Canine mammary tumours: protective effect of late ovariectomy and
stimulating effect of progestins. Veterinary Quarterly. v.10, p.26-33, 1988.
MISDORP, W. et al. Feline mammary tumors: a case control study of hormonal factors.
Anticancer Research, v.11, p.1793-1798, 1991.
24
MISDORP, W. et al. Histological classification of the mammary tumors of the dog and the
cat. In:_____. World Health Organization. International Histological Classification of
Tumors of Domestic Animals. Second series. WHO, Geneva, Switzerland, 1999. v.7, p.1158.
MISDORP, W. Tumors of the mammary gland. In: MEUTEN, D. J. Tumors in domestic
animals. 4 ed. Ames : Iowa State, 2002. cap.12, p.575-606.
MOTTOLESE, M. et al. Spontaneous canine mammary tumors. A model for monoclonal
antibody diagnosis and treatment of human breast cancer. Journal of Technical Methods
and Pathology. v.71, p.182-187, 1994.
OLIVEIRA FILHO, J. C. Estudo retrospectivo de 1.647 tumores mamários em cães. 2010,
69f. Dissertação (Mestrado em Patologia Veterinária)- Programa de Pós-graduação em
Medicina Veterinária, Universidade Federal de Santa Maria, 2010.
OVERLEY, B. et al. Association between Ovarihysterectomy and Feline Mammary
Carcinoma. Journal of Veterinary Internal Medicine. v.19, p.560-563, 2005.
PELETEIRO, M. C. Tumores mamários na cadela e na gata. Revista Portuguesa de
Ciências Veterinárias, v.509, p.10-34, 1994.
PEREZ-ALENZA, M. D. et al. First description of feline inflammatory mammary carcinoma:
clinicopathological and immunohistochemical characteristics of three cases. Breast Cancer
Research. v.6, p.300-307, 2004.
PREZIOSI, R. et al. Detection of proliferating cell nuclear antigen (PCNA) in canine and
feline mammary tumors. Journal of Comparative Pathology. v.113, p.301-313, 1995.
PREZIOSI, R. et al. Multiparametric survival analysis of histological stage and proliferative
activity in feline mammary carcinomas. Research in Veterinary Science. v.73, p.53-60,
2002.
QUEIROGA, F.; LOPES, C. Tumores mamários caninos, pesquisa de novos factores de
prognóstico. Revista Portuguesa de Ciências Veterinárias, Lisboa, v.97, p.119-12, 2002.
RAHARISON, F.; SAUTET, J. The Topography of the Lymph Vessels of Mammary Glands
in Female Cats. Anatomia Histologia Embryologia. v.36, p.442-452, 2007.
25
RODASKI, S.; PIEKARZ, C. H. Epidemiologia e etiologia do câncer. In: DALECK, C. R.;
DE NARDI, A. B.; RODASKI, S. Oncologia em cães e gatos. São Pulo : Roca, 2009. p.1-22.
RUTTEMAN, G. R. et al. Tumors of the mammary gland. In: WITHROW, S. J.;
MACEWEN, E. G. Small animal clinical oncology. 3. ed. 4. ed. St. Louis: Sauders
Company, 2007. cap.26, p.619-636.
SORENMO, K. U. et al. Canine mammary gland tumours; a histological continuum from
benign to malignant; clinical and histopathological evidence. Veterinary and Comparative
Oncology. v.7, p.162-172, 2009.
THURÓCZY, J. et al. Immunohistochemical detection of progesterone and cellular
proliferation in canine mammary tumours. Journal Comparative Pathology. v.137, p.122129, 2007.
TRAVASSOS, F. A. G. S. Lesões mamárias felinas. Contributo para sua caracterização
biopatológica. 2004, 251f. Tese- Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, 2004.
WEIJER, K. et al. Feline malignant mammary tumors. Immunologic and Electron
microscopic investigation into a possible viral etiology. Journal National Cancer Institute.
v.52, p.673-679, 1974.
WEIJER, K.; HART, A. A. M. Prognostic factors in feline mammary carcinoma. Journal
National Cancer Institute. v.70, p.709-716, 1983.
WINSTON, J. et al. Immunohistochemical detection of HER-2/neu expression in spontaneous
feline mammary tumors. Veterinary and Comparative Oncology. v.3, p.8-15, 2005.
Fly UP