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A representação do medo na descrição da peste em Atenas (V

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A representação do medo na descrição da peste em Atenas (V
História, imagem e narrativas
No 4, ano 2, abril/2007 – ISSN 1808-9895
A representação do medo na descrição da peste em Atenas (V século a. C.)
Lyvia Vasconcelos Baptista
Mestranda, UFG/FCHF
[email protected]
Resumo: A chamada “Peste em Atenas” acometeu os atenienses no ano de 430 a.C., durante a Guerra do
Peloponeso, no governo de Péricles. A desorientação que esse ataque ocasionou, potencializou-se, principalmente,
devido à própria Guerra, que assumia proporções cada vez mais grandiosas. Segundo o historiador grego Tucídides,
a peste era grande demais para ser suportada pela natureza humana. Através dessa afirmação podemos vislumbrar a
desestruturação simbólica e material que o ataque desta epidemia favoreceu, bem como o clima de medo e terror que
se instalou em Atenas, durante este período. Procuraremos, neste artigo, destacar pontos que nos permitam visualizar
a representação do medo na obra de Tucídides, encarando a descrição da peste como evento marcante e significativo
para essa percepção.
Palavras-chave: medo, peste, Tucídides, Guerra do Peloponeso.
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1. lôimos
“Virá um dia a guerra dória, e com ela a peste”.1
Freqüentemente, nos deparamos com situações que abalam nossa capacidade de
percepção e representação do mundo. Na História, os ataques de peste, oferecem exatamente esse
tipo de experiência, potencializados pela incapacidade dos seres humanos envolvidos de
resolverem a situação. Faz-se objetivo deste artigo realizar uma percepção sobre a representação
da peste que assolou os atenienses, em 430 a. C., na narrativa de Tucídides2, ressaltando os
elementos de desorientação e, conseqüente, medo dos atenienses, frente ao ataque epidêmico.
As pesquisas realizadas acerca das epidemias que acometeram populações, convergem,
em sua grande maioria, para a manifestação da chamada “Peste Negra”, ocorrida no século XIV,
por ter sido esta, a melhor relatada e a maior em termos espaciais, alojando-se em grande parte da
Europa. Nas descrições que o evento da “Peste Negra” possibilitou, podemos encontrar,
entretanto, traços da narrativa desenvolvida por Tucídides para relatar sua própria experiência
acerca da peste que assolou os atenienses em 430 a. C., durante a Guerra do Peloponeso.
A própria utilização de um conceito tão carregado de sentido, como é o termo “peste”,
para traduzirmos a palavra loimôs3, a qual Tucídides se refere em sua obra, segundo Jean-Charles
Sournia, evidencia essa relação. O termo foi transportado para o relato do historiador grego
devido às semelhanças com os escritos sobre a “Peste Negra”. Aceita-se o fato de que Tucídides
estabeleceu, desta forma, uma verdadeira tradição literária da qual muitos literatos da Idade
Média irão se apropriar. Sournia defende a idéia de que, apesar de alguns dos sintomas
aproximarem-se aos da Peste Negra, do século XIV, o flagelo ateniense não pode ser considerado
uma manifestação desta, pois não há a descrição de gânglios muito dolorosos: bubões que
1
(TUCÍDIDES. II. 54).
2
Tucídides nasceu entre os anos de 460 e 455 a. C., em Atenas. Provavelmente entre 430 e 427 a. C., foi gravemente
atingido pela epidemia que assolou os atenienses, tendo se recuperado em seguida. De acordo com Francisco Murari
Pires, sobre o método tucidideano, podemos dizer que, na tentativa de afastar o elemento mítico, ele potencializa seu
projeto historiográfico, almejando reduzir ao máximo a distância entre o tempo do acontecimento e tempo da
narrativa, libertando a memória do tempo histórico da confusão de sentidos que a memorização prolongada favorece.
Somente e tão-só através deste procedimento a verdade histórica conseguiria sobressair-se em relação aos
embelezamentos que falseiam a verdade dos fatos (PIRES, 2004, p. 96).
3
Tucídides, em sua obra destaca a confusão de sentidos que o termo loimôs ocasionou na interpretação do verso:
“virá um dia a guerra dória, e com ela a peste”. Segundo o historiador, isso se deu devido à semelhança da palavra
loimôs (peste/doença) com limôs (fome) (TUCÍDIDES. II. 54).
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apareciam nas axilas e nas virilhas, principal característica do ataque na Alta Idade Média
(SOURNIA, 1984, p. 79). Esta teoria é reafirmada pelo filólogo: Francisco Antonio Garcia
Romero que critica autores como Ozanam, Hooker e Williams, por terem considerado que a
epidemia em Atenas foi, realmente, de peste bubônica e não de varíola, tifus, sarampo, escarlatina
ou qualquer das demais enfermidades propostas (ROMERO, 2000, p. 259). Dentre os sintomas
mais característicos da doença a qual se refere Tucídides, encontramos:
“intenso calor na cabeça... vermelhidão e inflamação nos olhos, as partes internas
da boca ficavam imediatamente cor de sangue e passavam a exalar um hálito
anormal e fétido. No estagio seguinte apareciam espirros e rouquidão, e pouco
tempo depois o mal descia para o peito, seguindo-se tosse forte. Quando o mal se
fixava no estomago, este ficava perturbado e ocorriam vômitos de bile de todos os
tipos mencionados pelos médicos, seguidos também de terrível mal estar...
Externamente o corpo não parecia muito quente ao toque; não ficava pálido, mas
de um vermelho forte e lívido, e cheio de pequenas bolhas e ulceras...”(
TUCÍDIDES. II. 49)
A riqueza de detalhes, na descrição de Tucídides, surpreende ainda hoje os estudiosos. O
historiador enfatiza sua percepção direta até mesmo nos sintomas descritos, uma vez que foi, ele
mesmo, vitimado pelo mal; e preocupa-se, como no restante da obra, em depositar como herança,
um relato sempre útil, como nos informa na frase: “ ... descreverei a maneira de ocorrência da
doença, detalhando-lhe dos sintomas, de tal modo que, estudando-os, alguém mais habilitado por
seu conhecimento prévio não deixe de reconhecê-lo se algum dia ela voltar a manifestarse...”(TUCÍDIDES. II. 48).
A doença que atacou os atenienses é tratada hoje como epidemia, na medida em que este
termo, segundo escritos médicos, é explicado como sendo um tipo de doença passageira, porém
contagiosa (e isso implica as diversas formas de contágio existentes), que ataca ao mesmo tempo
e no mesmo lugar grande número de pessoas. Julga-se que este termo tenha sua origem no grego
clássico: epi (sobre) + demos (povo) e sabe-se ter sido utilizado por Hipócrates. Para o médico
grego, as epidemias relacionavam-se com fatores climáticos, raciais, dietéticos e do meio onde as
pessoas viviam.
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1. A peste: medo e desorientação
Podemos vislumbrar elementos que compõem a manifestação da peste que assolou
Atenas, através da narrativa elaborada por Tucídides. Este acontecimento torna-se objeto de
estudo do historiador no momento em que é representado pelos homens, e por isso expresso ou
“...materializado através de signos: sinais, emblemas, alegorias e símbolos” ( FALCON, 2000, p.
96 ). Etimologicamente, “representar” provém da forma latina repraesentare – fazer presente ou
apresentar de novo. Para Sandra Jovchelovitch o espaço da representação é constituído pelo
símbolo
pressupondo
a
“...capacidade
de
evocar
presença
apesar
da
ausência...”
(JOVCHELOVITCH, 2002, p. 74). Desta forma, a atividade simbólica compõe-se, em essência,
no reconhecimento de uma dada realidade compartilhada: a realidade do sujeito, do objeto e a do
“Outro”.
Segundo Tucídides a peste manifestou pela primeira vez alguns dias após a entrada dos
peloponésios e seus aliados na região da Ática. O desvio das condições normais de vida, segundo
este historiador, foi tão profundo e o caráter da doença tão desafiador, que a violência do ataque
foi “grande demais para ser suportada pela natureza humana.” (TUCÍDIDES. II. 50). O papel que
Tucídides atribui à figura política do estratego Péricles é de fundamental importância para
pensarmos o evento epidêmico, pois na tentativa de adquirir uma vitória para Atenas, o político
convence a população a se refugiar dentro das muralhas da cidade, (abandonando assim suas
casas em outras regiões), com a idéia de fazer guerra por mar, pois confiava no poderio de sua
esquadra.
Mais a diante, Tucídides esclarece que a esquadra espartana havia se aperfeiçoado
notavelmente, prolongando uma guerra que, segundo Péricles, seria rapidamente vencida.
Enquanto isso, os atenienses permaneciam aglomerados e sem condições de higiene. Como
plantações inteiras foram devastadas devido à guerra, faltou comida para suprir as necessidades
da população, o que gerou acentuada imunodeficiência e fraqueza.
Segundo o historiador grego, esses fatores, agravados pela longa duração da guerra,
acabaram gerando um ambiente favorável ao surgimento da peste. A característica mais notável
deste estado epidêmico era a apatia ou apatheia no grego clássico, situação caracterizada pelo
desinteresse absoluto, pela indiferença ou insensibilidade aos acontecimentos (REY, 1999, p. 15),
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que dominava as pessoas ao se verem entre as vítimas, pois a morte era quase certa, e esses
doentes eram praticamente abandonados, pois o contágio se dava de forma muito fácil, rápido e
desconhecido.
A experiência de Tucídides gerou uma descrição rica de informações e detalhes acerca
dessa catástrofe e dos sintomas que ela geraria. Segundo ele, aquele ano havia sido
excepcionalmente saudável quanto às outras doenças que geralmente ocorriam de forma muito
habitual na Grécia, como por exemplo: a pneumonia, a gota, a cirrose, a caxumba, a tuberculose,
a malária e a diarréia. Havia também relatos de doenças de pele muito comuns na sua forma
exantemática caracterizada por uma vermelhidão cutânea, como sarampo, catapora e escarlatina,
além de descrições de difteria e graves infecções na boca e no pescoço. O fato de ter ocorrido
uma diminuição perceptível desses casos gerava um clima anormal, pois até aquelas
enfermidades comuns de acontecerem naquele ano não aconteceram .
Sobre o caráter da epidemia em questão, a despeito da discussão biológica da doença, é
importante perceber sua relação com os aspectos culturais. Nota-se que a peste, constituiu-se,
entre os antigos historiadores, como uma espécie de arquétipo da doença, estando presente, além
da descrição encontrada na História da Guerra do Peloponeso, em mais duas obras essenciais
para o estudo da cultura grega: na Ilíada, e em Édipo Rei.. Em um dos artigos do livro História:
novos objetos, intitulado “O corpo”, de Jacques Revel e Jean-Pierre Peter, encontramos uma
verdadeira teoria sobre a peste. Segundo estes dois autores, ela é formada por dualismos, pois, em
si mesma, constitui uma história que, no entanto, vem do exterior mudo da historia, ou seja, se
pensarmos a história como um processo ou curso, a peste, parece ser um fator externo a ela, que
repentinamente invade a humanidade e se retira. A epidemia parece exterior para aquelas
populações que são acometidas por ela, que vivem o desenrolar dos acontecimentos, mas, no
entanto, quando realizamos uma análise dessa catástrofe percebemos que ela não surge sem
precedentes, mas que sua história se desenvolve paralelamente à vida dos homens, porém estando
ligada direta ou indiretamente às ações humanas. Quando peste e homem se defrontam, estes se
encontram desprevenidos, pois estão preocupados demais com suas próprias necessidades, não
sendo capazes de perceber uma história que não se desenvolve explicitamente, mesmo sendo,
muitas vezes, reflexo de seus comportamentos. Assim,
“a peste é por excelência social, porém seu lugar na sociedade não é assinalável;
ela é evidente, mas impalpável; coletiva (na medida que atinge populações), mas
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assinalável sobre um único indivíduo. O grupo encontra nela todas as
interrogações que traz em si mesmo (pois é em situações desse tipo, de desespero,
e melhor, desorientação, que vem à tona todos os preconceitos e medos.)”
(REVEL & PETER, 1976, p.142).
Desta forma, o acontecimento epidêmico caracteriza-se como um lugar privilegiado de
visualização dos mecanismos e práticas da população afetada, servindo como espelho refletor da
imagem que a sociedade tem de si mesma.
A descrição que Tucídides realiza do ataque de peste, comporta elementos de uma nítida
manifestação do medo entre os atenienses. Os temores coletivos são evidenciados pela
desconfiança naquilo que antes, oferecia certezas. Encontramos assim, dúvidas na relação entre
homens e deuses, na democracia, nos saberes, principalmente na arte médica, como evidencia o
trecho abaixo:
“Dizem que ela [peste] apareceu anteriormente em vários lugares (em Lemnos e
outras cidades), mas em parte alguma se tinha lembrança de nada comparável
como calamidade ou em termos de destruição de vidas. Nem os médicos eram
capazes de enfrentar a doença, já que de início tinham de tratá-la sem lhe conhecer
a natureza e que a mortalidade entre eles era maior, por estarem mais expostos a
ela, nem qualquer outro recurso humano era da menor valia. As preces feitas nos
santuários, ou os apelos aos oráculos e atitudes semelhantes foram todas inúteis e,
afinal, a população desistiu delas, vencida pelo flagelo.” (TUCÍDIDES. II. 47)
Vemos assim que a peste é, “quase sempre, um elemento de desorganização e
reorganização social” (REVEL & PETER, 1976, p.144), ou seja, devido à sua característica
súbita, quase sempre as técnicas existentes não são suficientes ou até mesmo adequadas para
contê-la ou exterminá-la. No caso ateniense, torna-se necessário, assim, desconstruir todo um
pensamento relativamente estável como se encontrava o pensamento médico e político na Grécia,
no V século a.C., devido às bases hipocráticas e à democracia sob o governo de Péricles, para se
construir outros suportes. Porém, esse movimento não se completa de forma imediata, e enquanto
temos essa tentativa de reestruturação, vemos instalada a desorientação e o caos.
Nas palavras de Tucídides: “de um modo geral a peste introduziu na cidade pela primeira
vez a anarquia total” (TUCIDIDES. II. 53). No âmbito político, o aparecimento da epidemia,
possibilitou um revigoramento no embate entre Cléon, hábil orador, e Péricles. O flagelo da
doença agravava o furor popular já açulado pela presença na cidade de uma enorme massa de
refugiados dos campos devastados pelos peloponésios. Os atenienses censuravam Péricles (que
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morreu posteriormente vitimado pela epidemia), pela decisão de manter todos confinados nas
muralhas da cidade. No campo dos saberes, houve uma perda sensível das certezas e descobertas
que haviam consagrado o século V, como um período de esplendor e efervescência artística e
cultural4.
2. História e medicina: relação de saberes
A medicina, no momento da manifestação da Peste, em Atenas, desenvolvida enquanto
saber especializado e eficaz contra os males do corpo encontrou, no ataque em questão, seu maior
desafio. Segundo Tucídides “não houve nenhum remédio, pode-se dizer, que contribuísse para o
alívio de quem o tomasse” (TUCÍDIDES. II.51). A prática médica, neste momento, resumia-se na
figura de Hipócrates5 e sua relação com a narrativa tucidideana é notável. O médico, assim como
o historiador e o político, é posicionado, na História da Guerra do Peloponeso, como o portador
do “justo meio”, “... como o ator do ideal da razoabilidade fundada exclusivamente sobre a
medida” (CAIRUS, 2005, p. 36), como podemos perceber no trecho a seguir:
“E tu, presidente, se pensas que teu dever é zelar pelo bem da cidade e se desejas
mostrar-te um bom cidadão, submete esta matéria novamente a voto e obtém uma
nova decisão dos atenienses. Se receias submeter a matéria novamente a voto,
considera que não há culpa se se transgride a lei em presença de tantas
testemunhas; ao contrário, tornar-te-ás o médico da cidade numa hora em que ela
deliberou mal; o bom governante é aquele que presta à sua cidade o maior número
4
Apesar do desenvolvimento artístico e cultural não ter ocorrido apenas em Atenas, a maior parte dos escritores do
século V, cuja obra driblou a ação do tempo, é formada por atenienses; nos permitindo vislumbrar o
desenvolvimento das idéias nesta cidade. Sobre o “Século de Péricles”, ver: MAFFRE, J. J. O século de Péricles.
Lisboa: Europa-América, 1993.
5
Hipócrates nasceu na ilha de Cós em 460 a.C. aproximadamente, e morreu na ilha de Thessaly em 370 a.C.. Foi
professor em Cós e praticante itinerante da arte médica. Desenvolveu estudos sobre: anatomia, fisiologia, patologia,
terapia, diagnóstico, prognóstico, cirurgia, ginecologia, obstetrícia, doenças mentais, ética e criou o famoso
juramento hipocrático. Tudo o que conhecemos sobre a medicina desenvolvida por Hipócrates está contido numa
coleção de 72 livros denominado Corpus hippocraticus e nos comentário que alguns autores como Sorano (300 a. C.)
e Galeno (médico no Império Romano) realizaram sobre ele. Segundo Wilson Ribeiro “as informações sobre a vida
de Hipócrates estão de tal forma mescladas a lendas que torna-se quase impossível averiguá-las de forma precisa.”
(JUNIOR, 2005, p. 11). Podemos afirmar, porém, que a existência deste médico coincidiu aproximadamente com a
Guerra do Peloponeso e que provavelmente ele foi um dos médicos pioneiros que, no século V a. C., empenhavamse em desvincular a medicina da filosofia e em reconhecê-la como uma “tekné”, uma “arte” autônoma, embora não
possamos desvincular as especulações filosóficas de Platão às idéias divulgadas pela “arte de curar”. Não é à toa que
o famoso Corpus Hippocraticum ou Coleção Hipocrática encontra-se no dialéto Jônico, apesar do dialeto dórico
prevalecer na região de Cós, sede da “Escola Hipocrática”. A Jônia freqüentemente fornecia escritores e sábios;
sendo o Jônico freqüente nos escritos filosóficos e poéticos.
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possível de bons serviços, ou pelo menos não a prejudica conscientemente.”
(TUCÍDIDES. VI. 14).
Tucídides também atribui esse papel de juiz ao historiador quando apresenta-se como
aquele que, quando não assiste diretamente o ocorrido, escuta as testemunhas e, através de um
rigoroso método, estabelece, a despeito da insuficiência da memória ou do engajamento cego dos
seus informantes o que realmente aconteceu. A palavra grega que acompanha esta idéia é histor,
caracterizando a figura de autoridade daquele que dará o aval daquilo que ficar convencionado
pelas duas partes, autenticando, porém, a verdade de apenas uma posição, ou seja, Tucídides não
se identifica necessariamente com quem presenciou e viu a manifestação do fato ocorrido no
passado, antes, é seu papel o fazer ver. O histor, assim, é aquele que alcança a verdade, porque
sabe separar o dizer verídico do falso.
A idéia de equilíbrio também compõe a figura de autoridade do médico hipocrático na
tentativa de restabelecer a saúde. A medicina de Hipócrates era norteada pela teoria humoral, que
reside na concepção de que, assim como a natureza, o mundo era formado pelos elementos: água,
ar, fogo e terra. O organismo humano, por sua vez seria formado pelo sangue, fleuma, bile
amarela e bile negra. Isto, porque buscava-se a explicação da saúde ou da doença pela observação
da natureza. Assim, segundo Jacques Le Goff:"...a saúde era, em primeiro lugar, o estado em que
as substâncias constituintes do organismo, estariam numa proporção correta de uma em relação à
outra, tanto em força quanto em quantidade, estando bem misturadas" ( LE GOFF, 1997, p. 45).
As doenças caracterizariam-se pela desordem, pelo desequilíbrio e era papel da natureza
restabelecer essa harmonia perdida, sendo que o médico deveria atuar apenas como um auxílio.
Peter Jones dirá que “a prática médica grega neste período, estava centrada no
prognóstico”(JONES, 1997, p. 305), isto é, na cuidadosa observação dos rumos que a doença
tomava. O médico observava os sintomas objetivando chegar a um diagnóstico. Podemos
observar também essa preocupação com a compreensão e, de certa forma, com a realização de
um diagnóstico, em Tucídides, na sua narrativa sobre a guerra. Na descrição que faz sobre a
epidemia que acometeu os atenienses, Tucídides, esforça-se por rastrear o caminho da doença,
procurando apontar possíveis causas para o mal. Além disso, é importante enfatizar que o elo de
ligação entre esses dois saberes, freqüentemente, ultrapassa a questão do discurso encontrando-se
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no próprio objeto de pesquisa, uma vez que o corpo transforma-se, na narrativa tucidideana, em
metáfora para a sociedade
“...que transformada em corpo social viria a sofrer males como a invasão de
doenças... Tucídides narra a crise do mundo helênico com o conflito do
Peloponeso. Essa crise mostra-se ao olhar do historiador como o corpo doente ao
olhos dos médicos hipocráticos” (MOLLO, 1995, p. 85).
Assim, para Francisco Marshall, “as relações do discurso historiográfico clássico,
particularmente o de Tucídides, com o ambiente cientificista do século V a. C., desde bastante
tempo chamara a atenção dos historiadores.”6 (MARSALL, 1999, p. 73). É considerável,
portanto, elucidar pontos de convergência entre os saberes médicos e históricos uma vez que a
sociedade “é produto de angústias, fantasias e sonhos, projetados nas utopias que elabora, ou seja,
para o sentimento de identidade coletiva, mais importante do que viver a mesma realidade
concreta é sonhar os mesmos sonhos” (RODRIGUES, 1988, p. 9). Destarte vemos disponível
uma relação, de fato, entre os saberes produzidos e, nesse caso, a influência que a medicina
hipocrática obtém na narrativa tudidideana é consideravelmente perceptível.
3. Desorientação nos “costumes”
A desorientação advinda da peste atingiu também, profundamente, o âmbito dos
costumes. O equilíbrio entre os vivos e os mortos foi alterado pelo temor do contágio. As práticas
fúnebres foram sensivelmente abandonadas e “muitos recorreram a modos escabrosos de
sepultamento” (TUCÍDIDES. II. 52). O caráter caótico proveniente desta situação torna-se
explicável ao percebermos a enorme importância dos ritos da morte na sociedade. Segundo José
Carlos Rodrigues “os rituais mortuários, comunicam, assimilam, e expulsam o impacto que
provoca o fantasma do aniquilamento” (RODRIGUES, 1983, p. 21).
Em Atenas, as orações fúnebres assumiam lugar de destaque na relação com os mortos. O
abandono desta prática representa, assim, uma desorientação, no universo simbólico dos
6
Essa preocupação é inaugurada pelos historiadores que se procuraram em estruturar a história como disciplina
acadêmica no século XIX, historiadores positivistas como Droysen, Ranke, Langlois e Seignobos, estão no cerne da
construção dessa formulação disciplinar da história. Talvez neste momento temos a formação e a consolidação da
imagem de um Tucídides rigoroso na definição e aplicação do método, modelo que adequou-se perfeitamente à
historiografia escrupulosa que então se projetava. (MARSALL, 1999).
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atenienses. Nicole Loraux destaca que a oração fúnebre é um gênero discursivo que foi, ao
mesmo tempo instância privilegiada da elaboração de um modelo de pólis genérica que nós
chamamos clássica (LORAUX, 1994, p. 9).
Os funerais públicos podem ser considerados como operações ideológicas fortemente
enraizadas, pois é uma relação que a coletividade estabelece, senão com a sua própria morte, ao
menos com a dos seus, numa tentativa de exorcizar o aniquilamento por meio da palavra de
glória, ou seja, na representação que os atenienses constroem da morte, visualizada por meio de
símbolos, cria-se uma espécie de identificação e de um sentimento de pertencimento, devido à
experiência
partilhada,
já
que
esta,
constitui
a
essência
da
atividade
simbólica
(JOVCHELOVITCH, 1995, p. 74). Isso porque o espaço dos símbolos é o espaço onde não
encontramos plenamente delineada a fronteira entre o Eu como realidade interna e o Um como
realidade compartilhada, contendo-os ao mesmo tempo, sendo , portanto, o espaço em potencial,
onde coisas diferentes podem significar umas as outras. Podemos dizer destarte que é “a
referência do mundo que garante a natureza criativa da atividade simbólica, de tal forma que a
experiência de outros, cria continuamente a experiência que constitui a realidade de todos7.”
(JOVCHELOVITCH, 1995, p. 74).
Nicole Loraux, enfatiza que os discursos fúnebres são importantes para a permanência do
ideal da pólis, ao funcionarem, mais do que como instrumento para a manutenção da “boa
lembrança” morto, como artifício para coesão social, uma vez que: “...encarregavam-se de
lembrar aos atenienses que, apesar da multiplicidade de seus atos, da diversidade das situações e
das vicissitudes do futuro, a pólis permanece uma e única.” (LORAUX, 1994, p. 151).
A pólis , assim, honra seus cidadãos mortos por meio da oração fúnebre e reencontra-se
a si própria, no discurso, estabelecendo-se como origem ou causa final da morte, como
encontramos em Tucídides quando este descreve o discurso de Péricles frente ao
descontentamento da população:
“...mesmo quando um homem é feliz em seus negócios privado, se a sua cidade
se arruína ele perece com ela; se, todavia, ele se encontra em má situação, mas sua
cidade está próspera, é mais provável que ele se saia bem. Portanto, se a cidade
7
É importante ressaltar que a construção simbólica insere-se numa “estrutura social”, onde alguns grupos adquirem
uma posição privilegiada à imposição de suas construções, sendo, portanto, essencial notarmos relações entre
construção simbólica e resistência sendo esta um elemento constitutivo das representações (BAUER APUD
GUARESCHI, 2002, p. 23).
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pode suportar o infortúnio de seus habitantes na vida privada, mas o indivíduo não
pode resistir ao dela, todos certamente devem defendê-la...” (TUCÍDIDES. II. 60).
Essa imagem de Atenas como uma unidade, como modelo de pólis una, indivisível e
equilibrada, configura-se, segundo Nicole, como um modelo historicamente construído para uso
dos atenienses e nosso, ou seja, é provável que, celebrando uma pólis conforme seus desejos, os
atenienses tenham elaborado, para uso próprio e para uma possível posteridade, uma figura de si
mesmos, que influenciou e influência ainda hoje toda a história de Atenas8 (LORAUX, 1994, p.
23). Percebe-se aí uma espécie de função do discurso fúnebre no interior da pólis, pois se o
discurso é inventado pelos atenienses, contribui reciprocamente na constituição identitária de
Atenas, atuando como prática dotada de sentido.
Em Tucídides9, vemos um exemplo claro dessa descrição de si próprio enquanto ateniense
e do ideal de unidade, vislumbrado explicitamente no discurso de Péricles em decorrência da
quantidade de mortos nas batalhas e no ataque de peste.
Estão presentes também, na História da Guerra do Peloponeso, elementos visíveis que
caracterizam os âmbitos do público e do privado. Segundo Serge Moscovici a relação entre o
individual e o coletivo é uma realidade fundamental da vida em sociedade. Segundo este autor
“todas as culturas possuem instituições e normas formais que conduzem , de uma
parte à individualização, e de outra, à socialização. As representações que elas
elaboram carregam a marca desta tensão, conferindo-lhe um sentido e procurando
mantê-la nos limites do suportável. Não existe sujeito sem sistema nem sistema
sem sujeito. O papel das representações partilhadas é o de assegurar que sua
coexistência seja possível.”(MOSCOVICI, 2002, p. 12).
Na sociedade grega o âmbito do público, reside na figura da pólis, enquanto que o privado
encontra sua manifestação na vida do lar. Na obra de Hannah Arendt, encontramos uma
discussão bastante profícua em relação a esses ambientes. A autora estabelece a idéia de que o
próprio surgimento da Cidade-Estado significou que homem recebera, além de sua vida privada,
uma espécie de segunda vida o seu bios politikos, havendo uma grande diferença entre aquilo que
lhe é próprio (idion) e o que lhe é comum (koinon) (ARENDT, 2005, p. 33). Desta forma, a
8
Mesmo sendo formuladas em 1981, as questões, presentes na obra de Nicole Loraux: A ivenção de Atenas,
concernentes à influência do discurso oficial na compreensão dos epitáphioi, validam-se ainda hoje.
9
A despeito das questões críticas acerca da precipitada postura de considerar os discursos fúnebres nas narrativas
atenienses como um bloco, desenvolvidas por Nicole Loraux, é necessário focar nosso estudo às manifestações
tucidideanas acerca do fenômeno.
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Guerra e a Peste promovem o caos, porque liquidam a fronteira entre os âmbitos, Tucídides dirá
que:
“as revoluções trouxeram para as cidades numerosas e terríveis calamidades,
como tem acontecido e continuará a acontecer enquanto a natureza humana for a
mesma;... Na paz e prosperidade as cidades e os indivíduos têm melhores
sentimentos, porque não são forçados a enfrentar dificuldades extremas; a guerra,
ao contrário, que priva os homens da satisfação até de suas necessidades
cotidianas, é uma mestra violenta....Na realidade, os laços de parentesco ficam
mais fracos que os do partido, no qual os homens se dispõem mais decididamente
a tudo ousar sem perda de tempo, pois tais associações não se constituem para o
bem público respeitando as leis existentes, mas para violarem a ordem
estabelecida ao sabor da ambição.” (TUCÍDIDES. III. 82)
O rompimento de uma ordem entre o bem da pólis e o dos indivíduos, é, de fato,
explicitado nesse trecho. O domínio da pólis era o espaço da liberdade, e se havia uma relação
íntima entre os dois âmbitos era que a vitória sobre as necessidades da vida em família constituía
a condição natural para a liberdade na pólis, sendo esta situação uma das condições primordiais
da vida grega (ARENDT, 2005, p. 40).
A guerra e a peste eram exatamente o tipo de configuração que propiciava o retorno à
condição humana tucidideana, reconduzindo o homem ao seu estado de origem. Nesse caso a
Guerra do Peloponeso seria um exemplo marcante de uma situação em que as forças libertadoras
da “natureza humana” atingiriam suas potencialidades, uma vez que se caracterizou pelo desejo
de imperialismo e poder de um lado e pelo temor da dominação de outro; além de demonstrar a
crueldade dos meios de que se valeram os cidadãos para cumprir os objetivos das batalhas:
vencer e subjugar o outro, pois, como afirma Tucídides: “é absurdo e seria ingenuidade crer que a
natureza humana, quando se engaja afoitamente em uma ação, possa ser contida pela força da lei
ou por qualquer outra ameaça” (TUCÍDIDES. III. 45).
Para Marshall Sahlins, impressiona, de maneira profunda, a quantidade de práticas
culturais e de instituições10 que, de forma direta ou indireta, são afetadas ou estão sujeitas aos
desígnios da “natureza humana”, na narrativa tucidideana (SAHLINS, 2006, p. 116). A crença de
Tucídides na regularidade da história refletiria a idéia de uma “natureza humana” imutável. A
História passa a ser concebida como ktêma es aieí (uma possessão para sempre) e a “natureza
10
Parentesco, amizade, afiliação étnica, império, lei, moralidade, honra, tratados, sagrado, religião e até mesmo a
linguagem estão na lista de instituições, práticas e condutas sujeitas à condição humana. (SAHLINS, 2006: 116)
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humana”, constituída, por vingança, inveja, esperança e “várias outras paixões igualmente
irreprimíveis” (TUCÍDIDES. III. 45), seria condicionada a leis necessárias e universais,
funcionando como motor dos acontecimentos devido ao seu caráter irrefreável.
4. Conclusão
Nas palavras de Tucídides: “...fora de toda previsibilidade, a peste caiu sobre nós
[atenienses] – único acontecimento que transcendeu a nossa expectativa.”(TUCÍDIDES. II. 64).
Assim, a epidemia em questão representa um elemento lídimo de desestruturação simbólica,
senão do cotidiano ateniense, ao menos dessa construção de Atenas como ideal de pólis , embora
estes âmbitos estejam em profunda relação, ou seja, não há uma separação nítida entre uma
“idealidade da pólis” e uma “realidade da pólis”. Visto desta forma, o advento da peste, ao
ocasionar uma ruptura nos costumes fúnebre, oblitera a fronteira existente entre o público e o
privado e interfere na história que os atenienses há mais de cem anos antes do desenvolvimento
da historiografia nacional contavam a si próprios, durante os funerais públicos, onde a pólis
assumia o papel de protagonista (LORAUX, 1994, p. 23).
Como os imaginários interferem ativamente na memória do grupo, para qual os
acontecimentos “...contam muitas vezes menos do que as representações a que dão origem e que
os enquadram” (BACZKO, 1985, p. 321), faz-se visível o enorme peso que eles exercem sobre as
práticas coletivas, pois constituem pontos de referência num sistema simbólico mais amplo,
produzido pela coletividade. Os imaginários atuam então como uma força reguladora da vida
coletiva e uma situação de caos, como o ataque da peste em questão, ao ocasionar uma condição
desorientadora no que concerne à percepção de si e do mundo, promove aquilo que Tucídides que
se refere como sendo “grande demais para ser suportada pela natureza humana” (TUCÍDIDES. II.
50).
Se a situação epidêmica provoca o medo, excessivamente compartilhado, da morte, é
também um período de solidão forçada, de “abolição da morte personalizada.” (DELUMEAU,
1989, p. 123). As necessidades para sobrevivência, pertencentes ao âmbito do familiar, da casa,
no tempo de peste, extrapolam o privado e encontram-se no domínio público, uma vez que a
morte configura-se como possibilidade constante, alterando o modo de lidar com o social. O
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homem não é mais livre para atuar socialmente, pois encontra-se preso à manutenção da sua vida,
mesmo quando passa ao domínio público.
Assim percebemos que a descrição da Peste, juntamente com a das batalhas ocorridas na
região do Peloponeso, na narrativa de Tucídides, oferece-nos um material rico na percepção de
um exemplo dos temores coletivos que sempre assaltaram a humanidade. Os relatos sobre a
experiência humana provaram que sempre que os homens são atingidos por uma calamidade
deste porte ocorre o abandono das regras morais impostas por um “corpo” político e religioso,
cuja função é socializar esse homem insociável. Essas “leis” feitas pelos homens e para os
homens são abaladas quando a estrutura ideológica de uma época em determinado momento é
questionada, tornando-se insuficiente para explicar os acontecimentos do mundo ao redor.
Destacar e compreender esses fenômenos favorece uma percepção cada vez mais
enriquecedora da experiência humana, uma vez que expressamos por meio da linguagem, não a
experiência em si, mas o sentido dessa experiência e a re-significação dos sentidos no tempo.
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