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Plínio Doyle e o Arquivo-Museu de Literatura Brasileira: a formação

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Plínio Doyle e o Arquivo-Museu de Literatura Brasileira: a formação
CMI Centro de Memória e Informação
Dados do Projeto e do(a) Coordenador do Projeto
Título do Projeto Plínio Doyle e o Arquivo-Museu de Literatura Brasileira: a formação de
um acervo
Coordenador do Projeto: Rosângela Florido Rangel
Endereços para contato: Eletrônico: [email protected]
Telefônico: 3289-4671
Setor: Arquivo-Museu de Literatura Brasileira – AMLB
Data: 15 de março de 2010
1. Justificativa/Caracterização do Problema
Na crônica “Museu: fantasia?”, publicada a 11 de julho de 1972, no Jornal do Brasil, Carlos
Drummond de Andrade manifestou-se em relação a um sonho que cultivava há muito: “Velha fantasia
deste colunista – e digo fantasia porque continua dormindo no porão da irrealidade – é a criação de um
museu de literatura. Temos museus de arte, história, ciências naturais, carpologia, caça e pesca, anatomia,
patologia, imprensa, folclore, teatro, imagem e som, moedas, armas, índio, república... de literatura não
temos [...]”. Porém, cinco meses depois, a velha fantasia do cronista tornava-se realidade. Criava-se, na
Fundação Casa de Rui Barbosa, no Rio de Janeiro, o Arquivo-Museu de Literatura, a respeito do qual
Carlos Drummond se manifestaria mais uma vez a 4 de janeiro de 1973, na crônica “Em São Clemente,
134”, publicada no mesmo jornal: “Colecionador ou não colecionador, que tenha em casa um retrato, uma
carta, um poema, um documento de escritor brasileiro digno do nome de escritor, e pode com ele enulentar
[sic] o arquivo-museu menino, dirigido pelo espírito público de Plínio Doyle na Casa de Rui Barbosa: faça
um beau geste, mande isso para São Clemente, 134, e terá oferecido a si mesmo o prêmio de uma
satisfação generosa.”
O sonho realizado do poeta de A rosa do povo reserva hoje um grande acervo literário, com 124
arquivos, entre os quais os de Carlos Drummond de Andrade, Clarice Lispector, Cruz e Sousa, Fernando
Sabino, João Cabral de Melo Neto, José de Alencar, Manuel Bandeira, Pedro Nava, Rubem Braga e
Vinicius de Moraes, e mais de seiscentas coleções, sob a denominação geral de Coleção AML, na qual se
encontram pastas dedicadas às obras de João Guimarães Rosa, Joaquim Nabuco e Lauro Escorel.
Lembre-se aqui que essa coleção se formou justamente a partir do pedido de Carlos Drummond, feito na
crônica “Em São Clemente, 134”.
De um lado, os arquivos, em torno dos quais figura Plínio Doyle em busca da aquisição de acervos,
convencendo familiares e os próprios autores a doar os seus documentos ao Arquivo-Museu de Literatura
Brasileira; de outro, Carlos Drummond, convocando a sociedade civil a participar da formação e do
enriquecimento do acervo desse órgão recém-criado. São duas personalidades centrais nessa história de
dedicação ao patrimônio cultural brasileiro. Porém, este projeto de pesquisa, com a finalidade de estudar
as classificações de arquivos e coleções, vai analisar sobretudo o papel de Plínio Doyle, uma vez que sua
presença neste Arquivo-Museu vem sendo confundido muitas vezes, como sinal de sua importância, com a
própria instituição.
Plínio Doyle nasceu no Rio de Janeiro, a 1.o de outubro de 1906, cidade onde também faleceu, a
26 de novembro de 2000. Pesquisador e bibliófilo, diplomou-se em direito pela Faculdade do Rio de
Janeiro, em 1931.
Fundou a Sociedade dos Amigos de Machado de Assis em 1958. Tornou-se Procurador da
Fazenda Nacional em 1962, função ocupada até 1976. Membro do Conselho da Ordem dos Advogados do
Brasil, de que foi tesoureiro, primeiro secretário, bibliotecário e vice-presidente; do Instituto Histórico e
Geográfico Brasileiro a partir de 1971; diretor da Fundação Biblioteca Nacional de 1979 a 1982; membro
do Conselho Federal de Cultura em 1981. Além disso, fundou, com alguns companheiros das letras, a
Associação Profissional dos Escritores, que ele transformou, quando presidente, no Sindicato dos
Escritores do Rio de Janeiro. Por serviços prestados à cultura recebeu, da Academia Brasileira de Letras,
as medalhas Machado de Assis e João Ribeiro.
Contudo, a rica história de Plínio Doyle ficou marcada pela criação e direção do Arquivo-Museu de
Literatura Brasileira e também por outra atividade, que certamente serviu como estímulo fundamental para
que ele chegasse à rua São Clemente, 134, portanto, à Fundação Casa de Rui Barbosa: em 1964, em sua
residência, começaram a ser organizadas as reuniões aos sábados, que contavam com amigos ligados às
letras e dedicados amorosamente aos livros, entre os quais Alphonsus de Guimaraens Filho, Américo
Jacobina Lacombe, Carlos Drummond de Andrade e Pedro Nava. Tais reuniões ficaram conhecidas como
Sabadoyle, onde companheiros se encontravam em torno de livros raros, manuscritos e datiloscritos,
discutindo autores e obras, num convívio pessoal que mais parecia uma alternativa para o agrupamento
oficial da Academia Brasileira de Letras.
Faro arguto, dedicação comovente e curiosidade incansável são características frequentemente
ligadas à personalidade inquieta e perfeccionista de Plínio Doyle. Poucos bibliófilos no Brasil aplicaram,
como ele, atenção especial aos livros e originais de autores brasileiros do século XX.
Observa-se hoje, por meio desse acervo acumulado por mais de meio século, que Dr. Plínio, como
era chamado, valia mesmo por uma instituição, o que gerou – conforme constação a partir de trabalho
realizado pela arquivista Rosely Rondinelli – imensa dificuldade na identificação do que foi doado ao
homem e o que foi doado à instituição.
Por causa dessa avaliação minuciosa, verificou-se a necessidade de realocar algumas coleções,
formadas a princípio por doações de familiares diretamente feitas ao Arquivo-Museu e doações de Plínio
Doyle. Deve-se aqui esclarecer que um arquivo se configura como tal mediante a acumulação de todo o
acervo pelo próprio titular do arquivo, enquanto as coleções são formadas por mais de um doador.
Exemplo dessa realocação pode ser encontrado na coleção Ciro dos Anjos, a qual, depois de anos
classificada dessa maneira, revelou-se ter a natureza ou a configuração de um arquivo, o qual também já
existia. Desse modo, a distinção entre arquivo e coleção em torno do acervo de Ciro dos Anjos revelou-se
indevida, inapropriada. Diante desse problema, torna-se de fundamental importância, para organização do
acervo do Arquivo-Museu de Literatura Brasileira, fazer um estudo de caso para servir como modelo para
avaliação das demais coleções.
2. Objetivos
Pretende-se registrar a participação de Plínio Doyle na formação do Arquivo-Museu de
Literatura Brasileira, o que também vai servir como homenagem ao bibliófilo nos dez anos de sua
morte, a ser completada em novembro de 2010. A partir desse exame, buscar-se-á estudar a
organização do acervo de Ciro dos Anjos, de modo a servir como modelo para a avaliação das demais
coleções, muitas das quais, acredita-se a priori, devem ser reclassificadas como arquivos.
3. Metodologia e Estratégias de Ação
Os objetivos deste projeto devem ser alcançados mediante a pesquisa de arquivos pessoais do
Arquivo-Museu de Literatura Brasileira da Fundação Casa de Rui Barbosa, fazendo uso especialmente
de documentos reveladores da participação de Plínio Doyle e Carlos Drummond de Andrade na
formação do AMLB. Pretende-se avaliar os conceitos de arquivo e coleção, de modo a se chegar a um
modelo de critérios adotados pelo AMLB para classificar os seus acervo.
4. Resultados e os impactos esperados
Registrar historicamente a participação de Plínio Doyle na formação do acervo do ArquivoMuseu de Literatura Brasileira da Fundação Casa de Rui Barbosa. Desenvolver um modelo de
organização de acervo/coleção a partir do estudo de caso do acervo de Ciro dos Anjos do AMLB.
Como impacto dessa pesquisa, espera-se que dessa maneira se deixe um legado sobre parte
fundamental da história do Arquivo-Museu de Literatura Brasileira, especialmente a que está
relacionada com o bibliófico Plínio Doyle. Espera-se ainda que por meio do modelo de organização de
acervo/coleção conquiste-se maior precisão com o trabalho arquivístico do AMLB, o que se revela
inquestionavelmente importante ante o tipo de atividade desse setor da Fundação Casa de Rui
Barbosa.
5. Cronograma
Agosto-Outubro: Leitura e discussão, com a coordenadora do projeto, dos livros da bibliografia.
Novembro-Março: Pesquisa dos documentos do Arquivo-Museu de Literatura Brasileira que se
revelam importantes para o entendimento da formação de seu acervo, bem como de sua organização.
Abril: Entrevista com funcionários ativos e funcionários aposentados do AMLB que trabalharam com
Plínio Doyle.
Maio-Julho: Redação do texto da pesquisa e discussão do texto com o coordenador do projeto.
Agosto: Apresentação da pesquisa.
PS. A cada dois meses o pesquisador deste projeto deve apresentar breve relatório, apresentando
suas conquistas e dificuldades.
6. Referências Bibliográficas
COSTA, Célia M. Leite. Intimidade versus interesse público: a problemática dos arquivos. Estudos
Históricos, Rio de Janeiro, v. 11, n. 21, p. 189-200, jan./jul. 1998.
DOYLE, Plínio. Uma vida. Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 1999.
FRAIZ, Priscila. Arquivos pessoais e projetos autobiográficos: o arquivo de Gustavo Capanema. In:
GOMES, Ângela de Castro. Capanema: o ministro e seu ministério. Rio de Janeiro: Ed. FGV, p. 73102, 2000.
______. A construção do “eu” autobiográfico: o arquivo privado de Gustavo Capanema, 1994.
Dissertação (Mestrado em Literatura Brasileira) – Universidade Estadual do Rio de Janeiro, Rio de
Janeiro, 1994.
______. A dimensão autobiográfica dos arquivos pessoais: o arquivo de Gustavo Capanema. Estudos
Históricos, Rio de Janeiro, v.11, n. 21, p. 59-88, jan./jul. 1998.
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