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Satisfação com a Especialidade entre os Internos da Formação

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Satisfação com a Especialidade entre os Internos da Formação
Career Satisfaction of Medical Residents in Portugal
Maria João MARTINS1, Inês LAÍNS2,3, Bruno BROCHADO4, Manuel OLIVEIRA-SANTOS5, Pedro PINTO TEIXEIRA6,
Mariana BRANDÃO7, Rui João CERQUEIRA8,9, Ricardo CASTRO-FERREIRA10, Carlos BERNARDES11, Miguel NOBRE
MENEZES12, Bernardo SOARES BAPTISTA13, Ricardo LADEIRAS-LOPES14,15, Mariana CRUZ REI16, Gilberto PIRES DA
ROSA17, José Luis MARTINS18, Maria MENDONÇA SANCHES19, Manuel J. FERREIRA-PINTO8,20, Margarida RATO21,
Miguel COSTA E SILVA22, Catarina POLICIANO23, João BEATO24, João BARBOSA-BREDA24, João PIMENTEL TORRES25,26,
Inês LEAL27,28, Sílvia AGUIAR ROSA11, Bárbara CARVALHO RIBEIRO29, Francisco REGO COSTA30, Carolina PALMELA31,
Tiago CÚRDIA GONÇALVES32, Luis MORAIS4, Tiago REIS MARQUES33
Acta Med Port 2015 Mar-Apr;28(2):209-221
RESUMO
Introdução: A satisfação com a profissão médica tem sido apontada como um fator essencial para a qualidade assistencial, o bemestar dos doentes e a estabilidade dos sistemas de saúde. Estudos recentes têm vindo a enfatizar um crescente descontentamento
dos médicos, principalmente como consequência das alterações das relações laborais.
Objetivos: Avaliar a perceção dos médicos de formação específica em Portugal, sobre as expectativas e grau de satisfação com a
profissão, especialidade e local de formação; razões da insatisfação e intenção de emigrar.
Material e Métodos: Estudo transversal. A colheita de dados foi efetuada entre Maio e Agosto de 2014 através de um Inquérito online
sobre a “Satisfação com a Especialidade”.
Resultados: De uma população total de 5788 médicos, foram obtidas 804 respostas (12,25% do total de médicos internos). Desta
amostra, 77% das respostas correspondem a internos dos três primeiros anos de formação. Verificou-se que 90% dos médicos se
encontram satisfeitos com a especialidade, tendo-se encontrado também níveis elevados de satisfação com a profissão (85%) e local
de formação (86%). Por outro lado, constatou-se que estes diminuíam com a progressão ao longo dos anos de internato. A avaliação
global sobre o panorama da prática médica foi negativa e 65% dos médicos responderam que consideram emigrar após conclusão
do internato.
Conclusão: Os médicos internos em Portugal apresentam níveis positivos de satisfação com a sua profissão. No entanto, a sua
opinião sobre o panorama da Medicina e os resultados relativos à intenção de emigrar alertam para a necessidade de tomada de
medidas para inverter este cenário.
Palavras-chave: Internato; Medicina; Portugal; Questionários; Satisfação Profissional.
1. Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação. Universidade de Coimbra. Coimbra. Portugal.
2. Serviço de Oftalmologia. Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra. Coimbra. Portugal.
3. Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra. Coimbra. Portugal.
4. Serviço de Cardiologia. Centro Hospitalar do Porto. Porto. Portugal.
5. Serviço de Cardiologia A. Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra. Coimbra. Portugal.
6. Serviço de Cardiologia. Centro Hospitalar de Lisboa Central. Lisboa. Portugal.
7. Serviço de Oncologia Médica. Instituto Português de Oncologia Francisco Gentil. Porto. Portugal.
8. Serviço de Cirurgia Cardiotorácica. Centro Hospitalar São João. Porto. Portugal.
9. Departamento de Fisiologia e Cirurgia Cardiotorácica. Faculdade de Medicina da Universidade do Porto. Porto. Portugal.
10. Serviço de Cirurgia Vascular. Centro Hospitalar de São João. Porto. Portugal.
11. Serviço de Gastroenterologia. Hospital de Santo António dos Capuchos. Centro Hospitalar de Lisboa Central. Lisboa. Portugal.
12. Serviço de Cardiologia. Hospital de Santa Maria. Centro Hospitalar de Lisboa Norte. Lisboa. Portugal.
13. Serviço de Medicina. Hospital da Luz. Lisboa. Portugal.
14. Serviço de Cardiologia. Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho. Vila Nova de Gaia. Portugal.
15. Unidade de Investigação Cardiovascular. Faculdade de Medicina. Universidade do Porto. Porto. Portugal.
16. Serviço de Neurologia. Centro Hospitalar Entre o Douro e Vouga. Santa Maria da Feira. Portugal.
17. Serviço de Medicina Interna. Centro Hospitalar de São João. Porto. Portugal.
18. Serviço de Cardiologia. Centro Hospitalar do Baixo Vouga. Aveiro. Portugal.
19. Serviço de Dermatologia. Hospital de Santa Maria. Centro Hospitalar de Lisboa Norte. Lisboa. Portugal.
20. Serviço de Oncologia Cirúrgica. Instituto Português de Oncologia Francisco Gentil. Porto. Portugal.
21. Serviço de Dermatovenerologia. Hospital Distrital de Santarém. Santarém. Portugal.
22. Serviço de Dermatovenerologia. Centro Hospitalar de São João. Porto. Portugal.
23. Departamento de Ginecologia e Obstetrícia. Hospital de Santa Maria. Centro Hospitalar Lisboa Norte. Lisboa. Portugal.
24. Departamento de Oftalmologia. Centro Hospitalar de São João. Porto. Portugal.
25. Serviço de Urologia. Hospital de Braga. Braga. Portugal.
26. Instituto de Ciências da Vida e da Saúde. Universidade do Minho. Braga. Portugal.
27. Departamento de Ética e Deontologia Médica. Faculdade de Medicina de Lisboa. Lisboa. Portugal.
28. Serviço de Oftalmologia. Hospital de Santa Maria. Centro Hospitalar Lisboa Norte. Lisboa. Portugal.
29. Serviço de Ginecologia/Obstetrícia. Hospital de Braga. Braga. Portugal.
30. Serviço de Radiologia. Hospital de São João. Porto. Portugal.
31. Serviço de Gastroenterologia. Hospital Beatriz Ângelo. Loures. Portugal.
32. Serviço de Gastroenterologia. Centro Hospitalar do Alto Ave. Guimarães. Portugal.
33. Department of Psychosis Studies. Institute of Psychiatry, Psychology and Neuroscience. King´s College. London. United Kingdom.
Recebido: 13 de Outubro de 2014 - Aceite: 16 de Fevereiro de 2015 | Copyright © Ordem dos Médicos 2015
Revista Científica da Ordem dos Médicos 209 www.actamedicaportuguesa.com
ARTIGO ORIGINAL
Satisfação com a Especialidade entre os
Internos da Formação Específica em Portugal
Martins MJ, et al. Satisfação com a especialidade entre os internos da formação específica em Portugal, Acta Med Port 2015 Mar-Apr;28(2):209-221
ARTIGO ORIGINAL
ABSTRACT
Introduction: The satisfaction with the medical profession has been identified as an essential factor for the quality of care, the wellbeing of patients and the healthcare systems’ stability. Recent studies have emphasized a growing discontent of physicians, mainly as a
result of changes in labor relations.
Objectives: To assess the perception of Portuguese medical residents about: correspondence of residency with previous expectations;
degree of satisfaction with the specialty, profession and place of training; reasons for dissatisfaction; opinion regarding clinical practice
in Portugal and emigration intents.
Material and Methods: Cross-sectional study. Data collection was conducted through the “Satisfaction with Specialization Survey”,
created in an online platform, designed for this purpose, between May and August 2014.
Results: From a total population of 5788 medical residents, 804 (12.25 %) responses were obtained. From this sample, 77% of the
responses were from residents in the first three years. Results showed that 90% of the residents are satisfied with their specialty, 85%
with the medical profession and 86% with their place of training. Nevertheless, results showed a decrease in satisfaction over the final
years of residency. The overall assessment of the clinical practice scenario in Portugal was negative and 65% of residents have plans
to emigrate after completing their residency.
Conclusion: Portuguese residents revealed high satisfaction levels regarding their profession. However, their views on Portuguese
clinical practice and the results concerning the intent to emigrate highlight the need to take steps to reverse this scenario.
Keywords: Internship and Residency; Job Satisfaction; Medicine; Portugal; Questionnaires.
INTRODUÇÃO
A profissão médica é ainda uma das carreiras mais atrativas em Portugal. De facto, ano após ano, observa-se que
o curso de Medicina é aquele com maior procura e de mais
difícil acesso no Ensino Superior. Para isto contribui não só
a perceção da opinião pública sobre a Medicina, mas também a perceção sobre as vantagens sociais e financeiras
associadas a esta profissão. Torna-se portanto expectável
que os médicos sejam profissionais realizados e satisfeitos
com a sua vida profissional.
Hoje é reconhecido que a satisfação dos médicos com a
sua profissão tem implicações não só ao nível do indivíduo,
mas também na saúde dos seus doentes e em termos de
Saúde Pública. Os doentes de médicos que se consideram
muito ou extremamente satisfeitos com o seu trabalho têm
maiores níveis de contentamento com os cuidados médicos que receberam do que aqueles tratados por médicos
insatisfeitos.1 Por outro lado, médicos insatisfeitos têm mais
problemas de saúde, maior probabilidade de ausências laborais injustificadas2 e de sofrerem de mais problemas psicológicos e mesmo burnout.3 Em termos de saúde pública,
a necessidade de manter um correto equilíbrio entre todas
as especialidades médicas é fundamental para manter um
sistema de saúde com elevados padrões de qualidade. Este
balanço tem vindo a ser alterado com o êxodo de médicos
de especialidades menos atrativas para outras percebidas
como mais vantajosas.4,5 Também no panorama português
assiste-se anualmente a especialidades em que as vagas
não são ocupadas na totalidade ou a mudanças de especialidade, comprometendo o futuro dessas especialidades e
os cuidados de saúde em Portugal.
Vários estudos internacionais mostram, no entanto, que
a satisfação profissional na comunidade médica é elevada,
com aproximadamente 85% dos médicos moderadamente
ou muito satisfeitos com a sua profissão.6,7 Esta satisfação
é observada quer entre internos8,9 quer entre especialistas.10,11 No entanto, as diferenças entre especialidades são
significativas, sendo que no maior estudo feito até à data
são as especialidades de Doenças Infecciosas, Dermatologia e Pediatria as que geram maior satisfação entre os seus
profissionais, enquanto outras especialidades como Ginecologia, Pneumologia e Otorrinolaringologia se encontram
no extremo oposto.12
No entanto, nos últimos anos tem-se vindo a assistir a
uma redução da satisfação com a profissão médica, consequência de alterações no prestígio da profissão, perda de
autonomia, aumento do trabalho administrativo e do horário
de trabalho e redução da remuneração salarial. De facto,
num estudo de 2001, 58% entre 2608 médicos americanos referiram que o seu entusiasmo com a Medicina diminuiu nos cinco anos prévios, enquanto que 87% apontou
para uma redução da sua perceção de bem-estar nesse
período.13 É também de esperar que fatores conjecturais,
como a remuneração salarial e as condições de trabalho
afetem a satisfação profissional. A importância do ambiente
económico foi comprovada num estudo recente, onde a
satisfação dos médicos noruegueses foi comparada com
a dos seus colegas islandeses, a viverem uma recessão
profunda após a crise económica de 2008.14 Nesse estudo a satisfação dos médicos islandeses era significativamente menor que a dos pares noruegueses, já controlando
para fatores individuais e relacionados com o trabalho. Os
mesmos autores, num outro artigo, procuraram perceber
o impacto que a mesma crise teve sobre a migração dos
médicos islandeses. Duma amostra de 465 médicos, correspondendo a 55% de todos os médicos especialistas
islandeses, 63% dos médicos consideravam emigrar num
breve período temporal.15
Apesar da sua importância e relevância, a satisfação
profissional nunca foi avaliada entre os internos de formação específica em Portugal. Neste estudo procurou-se pela
primeira vez avaliar esta satisfação, bem como analisar as
diferenças entre especialidades.
MATERIAL E MÉTODOS
Participantes
Os médicos convidados para participar neste estudo
foram os médicos em formação específica que constam da
base de dados do projeto Exame da Especialidade (www.
examedaespecialidade.com), que forneceu os referidos
contactos. Esta base de dados contém 5788 médicos internos, correspondendo a 88,19% do total de 6563 médicos a
frequentar o internato médico em Portugal. O inquérito foi
Revista Científica da Ordem dos Médicos 210 www.actamedicaportuguesa.com
enviado por correio eletrónico e um total de 804 médicos
internos concordaram participar tendo respondido ao inquérito. Este número corresponde a uma taxa de resposta
de 12,25% do total de internos em formação em Portugal.
Instrumentos
Inquérito de satisfação com a especialidade
Este instrumento foi construído especificamente para o
presente estudo, sendo o seu modelo e questões semelhantes às publicadas em outros estudos que avaliaram a
satisfação com a especialidade.7,8,10-13 O inquérito consistiu
em 15 questões dicotómicas (Sim/Não) ou utilizando uma
escala de Lickert de 10 pontos. Esta escala numérica permitiu classificar os resultados em cinco grupos: Não Corresponde Nada/Nada Satisfeito = 1 e 2; Corresponde Pouco/Pouco Satisfeito = 3 e 4; Neutro = 5 e 6; Corresponde
Muito/Muito Satisfeito = 7 e 8; Corresponde Totalmente/Extremamente Satisfeito = 9 e 10. Este questionário avaliou a
perceção subjetiva do médico em relação à sua especialidade em termos de: correspondência das expectativas à
realidade; grau de satisfação; razões da insatisfação; satisfação com o local de formação; satisfação com a profissão;
prática da Medicina; intenção de emigração. O envio do
inquérito foi realizado através de correio electrónico, utilizando o software SurveyMonkey®, que permite uma única
resposta por utilizador eliminando desta forma qualquer duplicação de resultados.
Procedimento e análise estatística
A população em análise consistiu nos médicos que se
encontram a realizar o internato em Portugal. Para controlar possíveis vieses, foram realizadas análises por ano de
internato, por especialidade e por local de formação. De
forma a garantir o rigor estatístico e a representatividade
dos resultados, foram realizadas análises apenas para as
especialidades que contaram com 10 ou mais respostas,
tendo sido utilizado o mesmo critério para as análises por
local de formação. Em relação a esta última, de forma a que
se pudesse eliminar a influência que a insatisfação com a
especialidade pudesse ter sobre a avaliação da satisfação
com o local de formação, realizou-se uma análise ajustada a este factor apenas com os médicos que pontuaram
igual ou superior a 5 na satisfação com a especialidade
(valor que indica uma satisfação mínima com a especialidade, máximo = 10). Foi ainda analisada a subpopulação
de médicos cuja especialidade foi a primeira escolha. A
análise estatística foi realizada com recurso ao software
SPSS versão 20.0.
RESULTADOS
Amostra
O número de médicos por especialidade e por local
de formação podem ser analisados na Tabela 1a e 1b.
Relativamente à distribuição por ano de internato, verificase que a maioria das respostas obtidas correspondiam a
médicos nos primeiros anos da formação, com 32% (n =
238) encontrando-se a frequentar o primeiro ano de inter-
nato, 27% (n = 217) no segundo, 18% (n = 143) no terceiro,
15% (n = 118) no quarto, 5% (n = 37) no quinto e 0,2%
(n = 2) no sexto ano.
Resultados globais
Escolha da especialidade
Para a grande maioria a especialidade em que se encontram foi a sua primeira escolha (n = 611; 81%), enquanto que 19% (n = 191) entraram numa especialidade que
foi a sua segunda opção. Quando questionados se, caso
tivessem oportunidade, escolheriam de novo a mesma
especialidade, 85% referiu que sim (n = 632; 85%). Numa
sub-análise incluindo apenas os médicos em que a especialidade em que se encontram não foi a sua primeira opção (n = 191), verifica-se que 57% (n = 109) destes não
mudaria atualmente de especialidade.
Expectativas em relação à especialidade.
A grande maioria dos internos considera que a especialidade em que se encontram corresponde muito ou mesmo
totalmente ao esperado (Fig. 1A). Os resultados por ano de
internato mostram que a realidade da especialidade corresponde às expectativas em todos os anos do internato
analisados. No entanto, são os médicos do 1º ano do internato os que consideram as suas expectativas mais próximas da realidade (M = 4,28; DP = 0,83), decrescendo os
valores ao longo do internato (Fig. 1A).
Grau de satisfação com a especialidade
A maioria dos médicos indicou estar extremamente ou
muito satisfeito com a sua especialidade e somente 10%
dos médicos referem estar pouco satisfeitos ou muito insatisfeitos (Fig. 1B). Quando analisados por ano de internato,
verifica-se uma diminuição da satisfação ao longo do internato (1º ano – M = 4,29, DP = 1; 2º ano – M = 4,11, DP =
1,13; 3º ano – M = 4,06, DP = 1,01; 4º ano – M = 4,02, DP
= 1,09; 5º ano – M = 3,73, DP = 1,36). Quando questionados acerca das razões da insatisfação, 47% apontaram as
condições de exercício da prática clínica como a principal
razão de insatisfação, 23% indicaram a realidade da especialidade, 16% o local de formação e em 14% dos casos
outras razões.
Grau de satisfação com o local de formação
A maioria dos médicos encontra-se muito satisfeito ou
extremamente satisfeito com o local escolhido para a realização da formação específica (Fig. 1C), enquanto que
apenas 14% afirmou encontrar-se pouco satisfeito ou muito
insatisfeito com o local de formação. Com a progressão do
internato médico verificou-se uma diminuição da satisfação
com o local de especialidade.
Grau de satisfação com a profissão
Quando questionados se voltariam a escolher o curso
de Medicina, a grande maioria das respostas foi positiva (N
= 632; 85%), mas verifica-se uma diminuição dessa intenção ao longo do internato (1º ano: 92,2%; 2º ano: 75,4%; 3º
Revista Científica da Ordem dos Médicos 211 www.actamedicaportuguesa.com
ARTIGO ORIGINAL
Martins MJ, et al. Satisfação com a especialidade entre os internos da formação específica em Portugal, Acta Med Port 2015 Mar-Apr;28(2):209-221
Martins MJ, et al. Satisfação com a especialidade entre os internos da formação específica em Portugal, Acta Med Port 2015 Mar-Apr;28(2):209-221
Tabelas 1A - Número de médicos colocados por especialidade, número de respostas e respectivas taxas de resposta
ARTIGO ORIGINAL
Número de Médicos
Colocados
Número de
Respostas
Taxa de Resposta
Medicina Do Trabalho
10
4
40,00%
Medicina Desportiva
5
2
40,00%
Medicina Legal
32
11
34,38%
Cirurgia Cardíaca
13
4
30,77%
Dermatovenereologia
36
8
22,22%
Gastrenterologia
106
22
20,75%
Radiodiagnóstico
114
22
19,30%
Psiquiatria da Infância e da Adolescência
54
9
16,67%
Especialidade
Infecciologia
70
11
15,71%
Ginecologia / Obstetrícia
209
32
15,31%
Cardiologia
128
18
14,06%
Estomatologia
36
5
13,89%
Urologia
51
7
13,73%
Pediatria Médica
333
45
13,51%
Medicina Geral e Familiar
1674
220
13,14%
Ortopedia
199
25
12,56%
Anatomia Patológica
80
10
12,50%
Cirurgia Geral
345
42
12,17%
Neurologia
107
13
12,15%
Pneumologia
107
13
12,15%
Medicina Física e Reabilitação
124
15
12,10%
Nefrologia
85
10
11,76%
Cirurgia Plástica Reconstrutiva
43
5
11,63%
Oncologia Medica
161
18
11,18%
Psiquiatria
251
28
11,16%
Anestesiologia
329
35
10,64%
Angiologia e Cirurgia Vascular
49
5
10,20%
Saúde Pública
148
15
10,14%
Otorrinolaringologia
100
10
10,00%
Radioterapia
40
4
10,00%
Endocrinologia e Nutrição
63
6
9,52%
Oftalmologia
117
11
9,40%
Imunohemoterapia
75
7
9,33%
Medicina Interna
957
87
9,09%
Hematologia Clinica
83
7
8,43%
Reumatologia
48
4
8,33%
Cirurgia Pediátrica
24
2
8,33%
Neuroradiologia
45
3
6,67%
Cardiologia Pediátrica
18
1
5,56%
Genética Médica
18
1
5,56%
Medicina Nuclear
19
1
5,26%
Neurocirurgia
46
2
4,35%
Cirurgia Torácica
28
1
3,57%
Imunoalergologia
42
1
2,38%
Patologia Clínica
104
2
1,92%
Cirurgia Maxilo-facial
21
0
0,00%
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Martins MJ, et al. Satisfação com a especialidade entre os internos da formação específica em Portugal, Acta Med Port 2015 Mar-Apr;28(2):209-221
Respostas
Percentagem sobre as
respostas totais
Centro Hospitalar de São João
46
9,40%
Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra
44
9,00%
Centro Hospitalar de Lisboa Central
43
8,80%
Centro Hospitalar de Lisboa Norte
41
8,40%
Centro Hospitalar do Porto
37
7,50%
Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental
26
5,30%
Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia-Espinho
21
4,30%
Hospital Garcia de Orta
18
3,70%
Hospital Prof. Doutor Fernando Fonseca
17
3,50%
Hospital de Braga
16
3,30%
Centro Hospitalar Algarve
14
2,90%
ULS Matosinhos
14
2,90%
IPO Lisboa
11
2,20%
Centro Hospitalar Alto Ave
10
2,00%
Centro Hospitalar do Baixo Vouga
9
1,80%
IPO Porto
8
1,60%
Centro Hospitalar de Leiria
7
1,40%
Centro Hospitalar de Tondela-Viseu
7
1,40%
Centro Hospitalar de Setúbal
6
1,20%
Centro Hospitalar Trás-os-Montes e Alto Douro
6
1,20%
Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa
6
1,20%
Hospital Espírito Santo Évora
6
1,20%
Hospital Dr. Nélio Mendonça - Funchal
6
1,20%
ULS Nordeste
6
1,20%
ULS Alto Minho
6
1,20%
Centro Hospitalar Barreiro Montijo
5
1,00%
Centro Hospitalar Cova da Beira
5
1,00%
Centro Hospitalar de Entre o Douro e Vouga
5
1,00%
Hospital Distrital de Santarém
5
1,00%
ULS Baixo Alentejo
5
1,00%
Hospital Beatriz Ângelo
4
0,80%
Hospital Divino Espírito Santo Ponta Delgada
4
0,80%
Hospital Vila Franca de Xira
4
0,80%
HPP Cascais
3
0,60%
Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa
3
0,60%
IPO Coimbra
3
0,60%
Cuf Descobertas
2
0,40%
Hospital da Horta
2
0,40%
Hospital de Magalhães Lemos
2
0,40%
ULS Norte Alentejano
2
0,40%
ULS Guarda
2
0,40%
Hospital de Santo Espírito de Angra do Heroísmo
1
0,20%
Hospital Santa Maria Maior - Barcelos
1
0,20%
ULS Castelo Branco
1
0,20%
ULS Litoral Alentejano
1
0,20%
Hospital
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ARTIGO ORIGINAL
Tabelas 1B - Número de respostas por Hospital e respectivas taxas de respostae respetivas taxas de resposta
Martins MJ, et al. Satisfação com a especialidade entre os internos da formação específica em Portugal, Acta Med Port 2015 Mar-Apr;28(2):209-221
ARTIGO ORIGINAL
Corresponde totalmente
37%
Extremamente satisfeito
Corresponde muito
46%
Neutro
Corresponde pouco
Não corresponde nada
0%
10%
Muito satisfeito
36,2%
Satisfeito
5%
2%
10%
46,0%
20%
30%
40%
50%
Figura 1A – Expectativas em relação à especialidade
Pouco satisfeito
5,7%
Nada satisfeito
4,4%
0%
20%
40%
60%
Figura 1B – Grau de satisfação com a especialidade
38%
Extremamente satisfeito
Muito satisfeito
7,7%
Piorou muito
37%
34%
17%
Na mesma
14%
Satisfeito
Pouco satisfeito
Melhorou um pouco
9%
Nada satisfeito
Melhorou muito
5%
0%
10%
20%
30%
40%
2%
0%
0%
10%
20%
30%
40%
Figura 1C – Grau de satisfação com o local de formação
Figura 1D – Panorama da prática médica em Portugal
ano: 72,5%; 4º ano: 75,9%; 5º ano: 80%).
a opção “outro”, que na maioria dos casos se refere à
conjugação de várias destas hipóteses, e 10% refere a falta
de emprego.
Panorama da prática médica em Portugal
A maioria dos médicos acha que existiu uma deterioração da prática médica, nenhum médico considerando que
houve uma melhoria significativa (Fig. 1D). Quando analisados por ano de internato, há uma progressão negativa
com o avançar do internato.
Emigração e procura de trabalho fora de Portugal
Sessenta e cinco por cento (n = 484) dos médicos
consideram emigrar e procurar trabalho fora de Portugal
quando terminarem a especialidade. Quando analisado por
ano de internato, observa-se um aumento da taxa de médicos que pretende emigrar ao longo do internato. Assim, enquanto que no 1º ano somente 53% considera emigrar (2º
ano – 62%; 3º ano – 76% e 4º ano - 73%) já no último ano
de internato cerca de 75% dos médicos internos considera
esta hipótese. As razões mais apontadas como justificação
foram as razões financeiras (41%) a falta de oportunidades
de trabalho (31%). Cerca de 20% dos médicos selecionou
Resultados por especialidade
Com o objetivo de perceber a variação nas questões
dependendo da especialidade em que os médicos se encontram, realizaram-se sub-análises por especialidade.
Num universo de 47 especialidades médicas em Portugal,
foram analisadas somente aquelas em que se obtiveram
pelo menos 10 respostas. Assim, analisaram-se somente
22 das 47 especialidades existentes.
Expectativas em relação à especialidade
Apesar de diferenças importantes entre as especialidades, todas pontuam em média acima de 5, mostrando
que os resultados são globalmente positivos, sendo a
Anestesiologia, Ginecologia/Obstetrícia e Otorrinolaringologia aquelas onde médicos acham que a realidade mais
corresponde ao que esperavam (Fig. 2A).
Revista Científica da Ordem dos Médicos 214 www.actamedicaportuguesa.com
Anestesiologia
Ginecologia/Obstetrícia
Otorrinolaringologia
Nefrologia
Cardiologia
Neurologia
Gastroenterologia
Psiquiatria
Pediatria
Medicina Geral e Familiar
Ortopedia
Medicina Interna
Infecciologia
Oncologia Médica
Pneumologia
Radiodiagnóstico
Anatomia Patológica
Oftalmologia
Cirurgia Geral
Medicina Física e Reabilitação
Medicina Legal
Saúde Pública
M = 8,79; DP = 1,09
M = 8,66; DP = 1,12
M = 8,50; DP = 1,08
M = 8,30; DP = 1,25
M = 8,22; DP = 0,94
M = 8,09; DP = 0,94
M = 8,05; DP = 1,61
M = 7,96; DP = 1,07
M = 7,91; DP = 1,88
M = 7,89; DP = 1,78
M = 7,74; DP = 2,14
M = 7,72; DP = 2,01
M = 7,70; DP = 1,64
M = 7,65; DP = 1,50
M = 7,55; DP = 2,07
M = 7,50; DP = 2,15
M = 7,30; DP = 2,45
M = 6,90; DP = 2,08
M = 6,89; DP = 2,46
M = 6,71; DP = 2,61
M = 6,40; DP = 3,03
M = 6,00; DP = 2,20
0
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
Figura 2A - Expectativas em relação à especialidade
Otorrinolaringologia
Anestesiologia
Ginecologia/Obstetrícia
Neurologia
Psiquiatria
Gastroenterologia
Nefrologia
Cardiologia
Ortopedia
Oftalmologia
Medicina Geral e Familiar
Infecciologia
Radiodiagnóstico
Pediatria
Oncologia Médica
Pneumologia
Anatomia Patológica
Medicina Interna
Medicina Física e Reabilitação
Cirurgia Geral
Saúde Pública
Medicina Legal
M = 9,10; DP = 0,88
M = 8,9; DP = 0,94
M = 8,77; DP = 1,12
M = 8,55; DP = 0,93
M = 8,50; DP = 1,00
M = 8,37; DP = 0,83
M = 8,33; DP = 1,58
M = 8,33; DP = 1,08
M = 8,17; DP = 2,27
M = 8,00; DP = 1,83
M = 7,86; DP = 2,07
M = 7,80; DP = 2,44
M = 7,61; DP = 2,38
M = 7,60; DP = 2,11
M = 7,59; DP = 1,70
M = 7,45; DP = 2,34
M = 7,20; DP = 2,53
M = 7,18; DP = 2,23
M = 7,07; DP = 2,76
M = 6,47; DP = 2,79
M = 6,00; DP = 2,80
M = 5,50; DP = 3,03
0
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
Figura 2B – Grau de satisfação com a especialidade
Grau de satisfação com a especialidade
São os médicos de Otorrinolaringologia (M = 9,1; DP =
0,88), Anestesiologia (M = 8,97; DP = 0,94) e Ginecologia/
Obstetrícia (M = 8,77; DP = 1,12) que reportam um grau de
satisfação mais elevado. Níveis mais baixos encontram-se
na Medicina Legal (M = 5,5; DP = 3,03), Saúde Pública (M
= 6; DP = 2,80) e a Cirurgia Geral (M = 6,47; DP = 2,79).
Escolha da especialidade
Quando questionados se escolheriam novamente a
mesma especialidade, foram os médicos de Otorrinola-
ringologia, Psiquiatria e Anestesiologia aqueles que mais
referiram que permaneceriam na mesma especialidade. Já
na Saúde Pública, Cirurgia Geral e Medicina Legal observou-se um maior número de médicos a ponderar escolher
outra especialidade se lhes fosse dada essa oportunidade
(Tabela 2A).
Perspetivas de futuro e procura de trabalho fora de
Portugal
São os Médicos de Anestesiologia aqueles que consideram que a sua especialidade lhes dá mais perspetivas
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ARTIGO ORIGINAL
Martins MJ, et al. Satisfação com a especialidade entre os internos da formação específica em Portugal, Acta Med Port 2015 Mar-Apr;28(2):209-221
Martins MJ, et al. Satisfação com a especialidade entre os internos da formação específica em Portugal, Acta Med Port 2015 Mar-Apr;28(2):209-221
Tabelas 2A - Escolha de novo da mesma especialidade
ARTIGO ORIGINAL
Especialidade
Sim
Não
Otorrinolaringologia
100%
-
Psiquiatria
100%
-
Anestesiologia
97%
3%
Cardiologia
94%
6%
Radiodiagnóstico
94%
6%
Ginecologia/Obstetrícia
91%
9%
Neurologia
90%
10%
Medicina Geral e Familiar
89%
11%
Oncologia Médica
88%
12%
Medicina Interna
85%
15%
Pediatria
84%
16%
Gastrenterologia
84%
16%
Ortopedia
83%
17%
Anatomia Patológica
80%
20%
Infecciologia
80%
20%
Oftalmologia
80%
20%
Medicina Física e Reabilitação
79%
21%
Pneumologia
73%
27%
Nefrologia
70%
30%
Saúde Pública
67%
33%
Cirurgia Geral
61%
39%
Medicina Legal
60%
40%
Total
85%
15%
de futuro, seguida da Oncologia Médica e Medicina Geral
e Familiar. Por sua vez, somente a Pediatria pontua abaixo
do cut-off de 5 valores (Fig. 3). Quando questionados acerca da intenção de emigrar são os médicos de Medicina
Geral e Familiar, Medicina Legal e Saúde Pública aqueles
que menos consideram emigrar, com os internos de Cardiologia, Anatomia Patológica e Infecciologia com maior
propensão de emigrar (Tabela 2B).
Resultados por local de formação
Com o objetivo de perceber a variação na satisfação
com o local de formação, realizaram-se sub-análises por
Hospital. Por razões estatísticas, não foram analisadas
as USF uma vez que têm um número de médico internos
relativamente baixo o que impede uma análise estatística
robusta.
Grau de satisfação com o local de formação
São os grandes Centros Hospitalares (CH), como o CH
Universitário de Coimbra, o CH São João e o CH Lisboa
Norte, aqueles onde os médicos apresentam menor satis-
fação, enquanto que com maiores índices de satisfação
surgem o CH Vila Nova de Gaia e o Hospital Prof. Dr. Fernando Fonseca (Fig. 4). De forma a controlar o efeito que
a satisfação com a especialidade poderá ter na satisfação
com o local de formação, foi realizada uma sub-análise
ajustada a essa variável, considerando apenas os médicos
cuja satisfação foi igual ou superior a 5 (numa escala de 1
a 10). São os Hospitais de Braga, CH Vila Nova de Gaia/
Espinho e o Hospital Prof. Dr. Fernando Fonseca em que
houve maior satisfação, enquanto que no extremo oposto
se encontra o CH São João, CH do Algarve e o CH Universitário de Coimbra (Fig. 5).
Resultados para a subamostra de médicos cuja
atual especialidade foi a primeira escolha
Com o objetivo de controlar o facto de a especialidade
não ter sido a primeira escolha, realizaram-se as análises
tendo em conta apenas os médicos cuja especialidade
atual foi a primeira escolha.
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Martins MJ, et al. Satisfação com a especialidade entre os internos da formação específica em Portugal, Acta Med Port 2015 Mar-Apr;28(2):209-221
Especialidade
Sim
Não
Cardiologia
94%
6%
Anatomia Patológica
90%
10%
Infecciologia
90%
10%
Oncologia Médica
88%
12%
Ortopedia
87%
13%
Neurologia
82%
18%
Cirurgia Geral
81%
19%
Oftalmologia
80%
20%
Ginecologia/Obstetrícia
75%
25%
Anestesiologia
73%
27%
Medicina Interna
71%
29%
Nefrologia
70%
30%
Otorrinolaringologia
70%
30%
Pediatria
69%
31%
Radiodiagnóstico
67%
33%
Medicina Física e Reabilitação
64%
36%
Pneumologia
64%
36%
Gastrenterologia
61%
39%
Psiquiatria
54%
46%
Medicina Geral e Familiar
49%
51%
Medicina Legal
40%
60%
Saúde Pública
13%
87%
Total
65%
35%
Expectativas em relação à especialidade
A maioria dos médicos considera que as suas expectativas corresponderam muito (48%) ou totalmente (41%)
à realidade encontrada na especialidade, 7% deram uma
resposta neutra e 4% consideram que corresponderam
pouco ou nada.
Grau de satisfação com a especialidade
Verifica-se que 52% dos médicos se encontram extremamente satisfeitos, 36% muito satisfeitos, 7% satisfeitos, 3% pouco satisfeitos e 2% nada satisfeitos com a
sua especialidade. Quando questionados se escolheriam
a mesma especialidade novamente, 91% dos Médicos (n =
550) respondeu afirmativamente.
Análises por especialidade
Da subamostra de médicos cuja especialidade foi a
primeira escolha analisaram-se apenas as especialidades
que contaram com dez ou mais respostas.
Expectativas em relação à especialidade
As expectativas mais elevadas encontram-se na Anestesiologia (M = 8,97; DP = 0,95), Ginecologia/Obstetrícia (M
= 8,67; DP = 1,15) e Neurologia (M = 8,3; DP = 0,67); seguidas de Cardiologia (M = 8,24; DP = 0,97); Radiodiagnóstico
(M = 8,14; DP = 1,29); Gastroenterologia (M = 8,12; DP =
1,62); Medicina Geral e Familiar (M = 8,09; DP = 1,63); Medicina Interna (M = 8,06; DP = 1,65); Psiquiatria (M = 8,04;
DP = 1,02); Ortopedia (M = 7,73; DP = 2,19); Oncologia
Médica (M = 7,71; DP = 1,44) e Cirurgia Geral (M = 7,26;
DP = 2,14).
Grau de satisfação com a especialidade
A Anestesiologia obtém novamente a média mais elevada (M = 9,03; DP = 0,87), seguida pela Ginecologia/Obstetrícia (M = 8,76; DP = 1,12); Neurologia (M = 8,7; DP =
0,82); Psiquiatria (M = 8,52; DP = 0,96); Gastroenterologia
(M = 8,47; DP = 0,80); Radiodiagnóstico (M = 8,36; DP =
1,39); Cardiologia (M = 8,29; DP = 1,10); Medicina Geral e
Familiar (M = 8,17; DP = 1,73); Ortopedia (M = 8,14; DP =
2,32); Oncologia Médica (M = 8; DP = 1,47); Pediatria (M =
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ARTIGO ORIGINAL
Tabelas 2B - Emigração e procura de trabalho fora de Portugal
Martins MJ, et al. Satisfação com a especialidade entre os internos da formação específica em Portugal, Acta Med Port 2015 Mar-Apr;28(2):209-221
ARTIGO ORIGINAL
7,97; DP = 1,97); Medicina Interna (M = 7,71; DP = 1,84) e
Cirurgia Geral (M = 6,84; DP = 2,58).
Perspetivas de futuro
A maior perspetiva encontra-se na Anestesiologia (M =
8,26; DP = 1,48), Oncologia Médica (M = 8,07; DP = 1,27) e
Medicina Geral e Familiar (M = 8; DP = 1,61), Ortopedia (M
= 7,73; DP = 2,14); Radiodiagnóstico (M = 7,57; DP = 1,65);
Medicina Interna (M = 7,56; DP = 1, 56); Gastroenterologia
(M = 7,41; DP = 1,70); Ginecologia/Obstetrícia (M = 7,37;
DP = 1,30); Psiquiatria (M = 7,2; DP = 1,66); e Neurologia
(M = 7,2; DP = 1,69). Com menos perspetivas estão Cardiologia (M = 6,71; DP = 1,26); a Cirurgia Geral (M = 5,84; DP
= 1,86) e a Pediatria (M = 5; DP = 2,11).
DISCUSSÃO
O presente artigo é o primeiro focar-se na satisfação
com a especialidade entre internos da formação específica em Portugal. Os resultados sugerem que somente
10% dos internos se encontram insatisfeitos com a especialidade, enquanto que 78% referem apresentar-se muito
ou mesmo extremamente satisfeitos com a sua formação.
Estes resultados são comparáveis aos obtidos noutros estudos semelhantes realizados em Países Ocidentais, onde
estão descritas taxas de 85% de satisfação (satisfeito ou
muito satisfeito) com a sua profissão,7 sendo também concordantes com estudos efectuados entre internos de formação específica de outras nacionalidades. A literatura em
Portugal é muito escassa, mas num recente estudo entre
internos de Medicina Geral e Familiar da região norte de
Portugal observou-se que 91% dos internos estava satis-
feito ou muito satisfeito com a especialidade, corroborando
os resultados observados no presente estudo.17
No entanto, embora este não seja um estudo longitudinal, observa-se uma redução da satisfação ao longo do
internato, com os internos dos últimos anos a reportarem
uma menor satisfação com a especialidade quando comparados com os colegas mais jovens. Esta redução pode
ser devida a diversos fatores, como uma maior exigência
profissional nos anos finais do internato, o desvanecer do
entusiasmo inicial dos primeiros anos ou as diferenças nas
condições de trabalho experienciadas pelos internos dos
últimos anos, consequência da deterioração da condição
económica vivida em Portugal. Será desta forma importante
que se tente perceber a razão da insatisfação mas também
de encontrar formas de a combater. No futuro próximo, estudos mais pormenorizados devem tentar avaliar as razões
da insatisfação, enquanto que algumas acções devem ser
tomadas para prevenir a insatisfação, como a realização de
acções de esclarecimento, criação de comissões de internos, articulação com comissão de internato nos Hospitais,
entre outros. Assim, apesar da satisfação demonstrada, é
preocupante observar que 81% dos médicos considera que
o panorama da prática clínica em Portugal piorou muito ou
extremamente nos últimos anos, enquanto que somente
2% dos internos considera que esta atualmente melhorou.
Desta forma não será de estranhar que os níveis de satisfação se reduzam num futuro próximo.
Como provável consequência desta perceção de um
agravamento das condições de trabalho, 65% dos médicos internos refere que considera emigrar no final da especialidade. Estes valores elevam-se até 75% no último ano
Anestesiologia
M = 8,24; DP = 1,48
Oncologia Médica
M = 7,88; DP = 1,36
Medicina Geral e Familiar
M = 7,87; DP = 1,74
Ortopedia
M = 7,78; DP = 2,10
Radiodiagnóstico
M = 7,72; DP = 1,53
Ginecologia/Obstetrícia
M = 7,47; DP = 1,32
Gastroenterologia
M = 7,42; DP = 1,68
Psiquiatria
M = 7,39; DP = 1,66
Medicina Interna
M = 7,28; DP = 1,85
Otorrinolaringologia
M = 7,10; DP = 0,74
Neurologia
M = 7,09; DP = 0,64
Saúde Pública
M = 7,00; DP = 3,50
Medicina Legal
M = 6,80; DP = 2,53
Cardiologia
M = 6,78; DP = 1,26
Medicina Física e Reabilitação
M = 6,71; DP = 1,54
Oftalmologia
M = 6,70; DP = 1,25
Anatomia Patológica
M = 6,70; DP = 2,45
Nefrologia
M = 6,50; DP = 1,51
Pneumologia
M = 6,09; DP = 1,81
Cirurgia Geral
M = 5,66; DP = 2,10
Infecciologia
M = 5,60; DP = 2,17
Pediatria
M = 4,96; DP = 2,07
0
2
4
6
Figura 3 - Perspetivas de futuro, por especialidade
Revista Científica da Ordem dos Médicos 218 www.actamedicaportuguesa.com
8
10
Martins MJ, et al. Satisfação com a especialidade entre os internos da formação específica em Portugal, Acta Med Port 2015 Mar-Apr;28(2):209-221
Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia-Espinho
M = 8,12; DP = 1,36
ULS Matosinhos
M = 7,93; DP = 1,77
Hospital de Braga
M = 7,93; DP = 1,94
IPO Lisboa
M = 7,90; DP = 2,33
Centro Hospitalar Alto Ave
M = 7,60; DP = 1,07
Centro Hospitalar de Lisboa Central
M = 7,46; DP = 2,09
Centro Hospitalar do Porto
M = 7,40; DP = 2,44
Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental
M = 7,23; DP = 2,49
Centro Hospitalar Algarve
M = 7,89; DP = 1,78
Centro Hospitalar de Lisboa Norte
M = 7,74; DP = 2,14
Centro Hospitalar de São João
M = 7,72; DP = 2,01
Hospital Garcia de Orta
M = 7,70; DP = 1,64
Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra
M = 7,65; DP = 1,50
0
1
2
3
4
5
6
7
8
9
Figura 4A - Grau de satisfação com o local de formação
Hospital de Braga
M = 8,50; DP = 1,24
Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia-Espinho
M = 8,20; DP = 2,04
Hospital Prof. Doutor Fernando Fonseca
M = 8,12; DP = 1,36
Centro Hospitalar do Porto
M = 8,10; DP = 1,95
ULS Matosinhos
M = 7,93; DP = 1,77
Hospital Garcia de Orta
M = 7,86; DP = 1,41
Centro Hospitalar de Lisboa Central
M = 7,76; DP = 1,69
Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental
M = 7,61; DP = 1,89
Centro Hospitalar de Lisboa Norte
M = 7,38; DP = 2,41
Centro Hospitalar de São João
M = 7,21; DP = 2,24
Centro Hospitalar Algarve
M = 7,21; DP = 2,26
Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra
M = 6,24; DP = 2,02
0
2
4
6
8
10
Figura 4B - Grau de satisfação com o local de formação, controlando pela satisfação
de internato, período provável da tomada dessa decisão.
Estes dados são muito similares aos encontrados recentemente na Islândia, país que como Portugal foi muito afectado pela crise económica de 2008, com 63% dos médicos
islandeses ponderando emigrar num futuro próximo, tendo
nesse estudo a satisfação profissional um impacto estatisticamente significativo nesta decisão.15 Tratam-se de dados com relevância significativa que, exigem reflexão na
forma como a saúde deve ser gerida em Portugal. Num
momento em que o País enfrenta um envelhecimento significativo do seu corpo clínico e no qual existem locais com
rácios de médicos por habitante ainda bastante abaixo do
necessário, a emigração de médicos poderá tornar-se não
só um problema económico como também um problema de
saúde pública. As implicações da emigração médica são
enormes e devem gerar preocupações a nível económico
e social. A formação pré e pós graduada de um interno em
Portugal pode atingir valores entre os 300 e 400000 euros,
um valor demasiado elevado para ser desperdiçado com
a emigração após esta formação. Socialmente, a emigração agrava ainda mais a carência de médicos em Portugal,
sendo que a emigração dos jovens especialistas contribui
para um acentuar dramático do envelhecimento médico já
verificado neste país, ao mesmo tempo que priva a população de uma força de trabalho ambiciosa, de grande capacidade de trabalho e com contacto com as mais recentes
técnicas médicas.
Por outro lado, os resultados referentes à mudança de
especialidade ou mesmo de profissão médica merecem
uma reflexão. Devido ao facto do curso de Medicina ser
dos cursos mais desejados pelos estudantes do ensino
secundário, não seria expectável que uma percentagem
tão elevada de internos não considerasse escolher novamente o curso de Medicina se voltasse atrás. No entanto,
Revista Científica da Ordem dos Médicos 219 www.actamedicaportuguesa.com
ARTIGO ORIGINAL
M = 8,20; DP = 2,04
Hospital Prof. Doutor Fernando Fonseca
Martins MJ, et al. Satisfação com a especialidade entre os internos da formação específica em Portugal, Acta Med Port 2015 Mar-Apr;28(2):209-221
ARTIGO ORIGINAL
estes dados são muito similares ao de um estudo canadiano, envolvendo 415 internos da especialidade, em que 22%
considerava não escolher novamente o curso de Medicina,
enquanto 15% considerava mudar de especialidade.18 Percentagens ainda maiores foram encontradas em estudos
americanos, com 30% dos médicos referindo que não escolheriam de novo a carreira médica se lhes fosse dada
essa oportunidade,19 enquanto 40% não recomendariam o
curso de Medicina a um jovem prestes a entrar no mundo
universitário.20
Os dados que comparam as diferentes especialidades
entre si são difíceis de interpretar, quer devido ao reduzido
número de estudos similares quer aos resultados conflituantes. De facto, enquanto que alguns estudos mostram
que são especialidades como a Radiologia que apresenta
níveis de satisfação mais elevados,18 outros mostram a
Dermatologia ou a Infecciologia.12 A disparidade dos nossos resultados em relação a estudos anteriores pode dever-se a vários fatores, decorrentes não só da realidade
própria de Portugal como pelo facto da população estudada
no nosso estudo abranger somente internos. No sentido
oposto verificámos que foram as especialidades de Cirurgia
Geral, Medicina Legal e Saúde Pública aquelas que apresentaram níveis de satisfação mais baixos. Dado serem
especialidades cuja prática diária pouco têm em comum,
não nos é possível identificar um único factor responsável
pelos baixos níveis de satisfação. Podemos especular que
vários fatores, como a carga horária na Cirurgia Geral ou
a pouca relevância dada nos programas universitários à
Saúde Pública e à Medicina Legal as razões para a este
insatisfação. No entanto, até à realização de estudos mais
aprofundados qualquer justificação é meramente especulativa. Da mesma forma, em agregado observa-se que são
os Hospitais Centrais (como os CHUC, CH São João e Lisboa Norte) que apresentam médicos com níveis de satisfação mais baixo. Estes resultados podem ser indicativos
que a formação em Hospitais de maior dimensão, em que
a componente pessoal é menor e a competição é necessariamente maior, podem ser responsáveis por níveis de
satisfação menores. Outro dos fatores que potencialmente
pode levar a que os internos dos Hospitais Centrais sejam
aqueles com níveis de satisfação mais baixo é o serviço de
urgência. Os serviços de urgência dos Hospitais Centrais
servem por norma uma população maior e com maior grau
de complexidade, tornando o trabalho dos internos destes
Hospitais mais intenso, frequente e de maior exigência, o
que pode influenciar a satisfação que o interno apresenta
em relação à sua formação. É importante que estes resultados tenham em conta as diferenças entre Hospitais no
número de especialidades que apresentam e de que forma
estes podem influenciar os resultados. Assim, enquanto
que num Hospital Central o número de especialidades
onde há internos é bastante significativo, num Hospital de
menor dimensão os internos concentram-se num pequeno
número de especialidades. Tomámos em consideração
esse factor, e tentámos de alguma forma controlar pelas
especialidades existentes, selecionando somente aqueles
resultados acima de um determinado limiar. No entanto,
esta abordagem estatística é passível de ser criticada e
os níveis de satisfação entre Hospitais devem por isso ser
analisados com limitações.
Apesar dos resultados obtidos, várias são as limitações
deste estudo. Em primeiro lugar, a taxa de resposta, que
engloba apenas 12% dos internos de Portugal. Embora
reduzida é semelhante a outros estudos internacionais,
sendo que o número absoluto de respostas possibilita uma
análise estatística adequada. O facto de não ter sido contactada a totalidade dos médicos internos limitou também
o número de respostas obtidas. No entanto, o facto de ter
sido possível enviar o inquérito para 5788 médicos, correspondendo a 88,19% do número total de internos, torna esta
amostra muito representativa. Em segundo lugar, o nosso
estudo mostrou diferenças nas respostas entre os diferentes anos do internato. Devido à nossa amostra ter mais médicos dos primeiros anos de internato, e apesar de termos
efectuado análises separadas por ano, os resultados globais poderiam ter sido outros caso a amostra tivesse sido
mais equilibrada. Em terceiro lugar, a representatividade da
amostra por especialidade apresenta algumas limitações.
Apesar de terem sido analisadas apenas as especialidades
que contaram com 10 ou mais respostas isto pode ainda
introduzir um viés nos resultados uma vez que as especialidades variam em termos de número de colocados. Assim,
por exemplo, exatamente com o mesmo número de respostas, especialidades como ‘Medicina Legal’ (11 respostas
em 32 colocados – taxa de resposta de 34,82%) poderão
estar sobre-representadas; e especialidades como a ‘Oftalmologia’ (11 respostas em 117 colocados – taxa de resposta de 9,40%) poderão estar sub-representadas. Em quarto
lugar, utilizámos um questionário que não foi validado anteriormente. No entanto, não existem escalas internacionais
aferidas para avaliar a satisfação com a especialidade, e a
maior parte dos estudos utiliza inquéritos construídos especificamente para o efeito. Desta forma, optámos por criar
e adaptar o nosso questionário a partir desses inquéritos
internacionais. Por fim, o facto deste estudo se ter focado
somente nos internos não permite a extrapolação para a
restante população clínica.
CONCLUSÕES
A satisfação com o internato médico em Portugal é elevada, apesar das alterações na prática clínica decorrente
das recentes alterações salariais e de políticas de saúde.
No entanto, uma grande maioria dos internos considera
que há um agravamento significativo das condições para a
prática clínica em Portugal, o que pode justificar a percentagem elevada de médicos que considera emigrar no final
do seu internato.
Revista Científica da Ordem dos Médicos 220 www.actamedicaportuguesa.com
CONFLITOS DE INTERESSE
Os autores declaram não ter qualquer conflito de interesse relativamente ao presente artigo.
REFERÊNCIAS
1. Haas JS, Cook EF, Puopolo AL, Burstin HR, Cleary PD, Brennan TA. Is
the professional satisfaction of general internists associated with patient
satisfaction? J Gen Intern Med. 2000;15:122-8.
2. Kravitz RL, Shapiro MF, Linn LS, Froelicher ES. Risk factors associated
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Os autores declaram não ter recebido qualquer subsídio
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Revista Científica da Ordem dos Médicos 221 www.actamedicaportuguesa.com
ARTIGO ORIGINAL
Martins MJ, et al. Satisfação com a especialidade entre os internos da formação específica em Portugal, Acta Med Port 2015 Mar-Apr;28(2):209-221
Maria João MARTINS, Inês LAÍNS, Bruno BROCHADO, Manuel OLIVEIRA SANTOS, Pedro PINTO TEIXEIRA,
Mariana BRANDÃO, Rui João CERQUEIRA, Ricardo CASTRO-FERREIRA, Carlos BERNARDES, Miguel NOBRE
MENEZES, Bernardo SOARES BAPTISTA, Ricardo LADEIRAS-LOPES, Mariana CRUZ REI, Gilberto PIRES DA
ROSA, José Luis MARTINS, Maria MENDONÇA SANCHES, Manuel J. FERREIRA-PINTO, Margarida RATO, Miguel
COSTA E SILVA, Catarina POLICIANO, João BEATO, João BARBOSA-BREDA, João PIMENTEL TORRES, Inês
LEAL, Sílvia AGUIAR ROSA, Bárbara CARVALHO RIBEIRO, Francisco REGO COSTA, Carolina PALMELA, Tiago
CÚRDIA GONÇALVES, Luis MORAIS, Tiago REIS MARQUES
Satisfação com a Especialidade entre os Internos
da Formação Específica em Portugal
Acta Med Port 2015:28:209-221
Publicado pela Acta Médica Portuguesa, a Revista Científica da Ordem dos Médicos
Av. Almirante Gago Coutinho, 151
1749-084 Lisboa, Portugal.
Tel: +351 218 428 215
E-mail: [email protected]
www.actamedicaportuguesa.com
ISSN:0870-399X | e-ISSN: 1646-0758
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