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psicologia do desenvolvimento: ciclo vital

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psicologia do desenvolvimento: ciclo vital
PSICOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO: CICLO VITAL 1. INFLUÊNCIAS PRÉ E PERINATAIS NO DESENVOLVIMENTO: CONCEPÇÃO OU FECUNDAÇÃO, GESTAÇÃO E NASCIMENTO OU PARTO. 1.1 Concepção ou Fecundação Para alguns autores o nascimento do bebê marca o início do desenvolvimento da vida humana, mas outros acreditam que o verdadeiro início ocorre no momento da fecundação, em que há a união dos gametas, onde um espermatozóide paterno penetra no óvulo materno, formando um ovo humano ou zigoto, célula a partir da qual se desenvolverá o ser humano. Normalmente a mulher produz um óvulo (célula ovo) por mês, em um de seus dois ovários, no intervalo entre dois períodos menstruais. A fecundação ocorre por volta do 14º. dia do ciclo menstrual da mulher. Milhares de espermatozóides são ejaculados pelo homem que nadam até as trompas uterinas e apenas um penetra no óvulo feminino. Assim que um espermatozóide atravessa a grossa membrana que rodeia o óvulo, fecundando­o, ela se torna impermeável, impedindo a entrada de outros espermatozóides. O zigoto (ovo fecundado pelo espermatozóide) irá descer e se alojar nas paredes do útero, entre sete e dez dias após a fecundação, que está preparado para recebê­lo e alimentá­lo com o abastecimento sangüíneo aumentado. Caso o óvulo não seja fecundado, será expelido como parte da menstruação. Sintomas de cansaço, a falta da menstruação com a presença de náuseas e vômitos indicam para a mulher, as primeiras suspeitas de gravidez. Quando uma criança é concebida, os 23 cromossomos no ovário e os 23 cromossomos no espermatozóide se combinam para formar 23 pares ou 46 cromossomos que serão parte de cada célula no organismo que está em recente desenvolvimento. O par de cromossomos 23 determina o sexo da criança, sendo assim chamado de cromossomos sexuais (na mulher XX e no homem XY). Você sabia que é o cromossomo paterno que determina o sexo do bebê? Na maioria das vezes, nasce um bebê de cada vez, mas há nascimentos múltiplos. É o caso dos gêmeos fraternos quando mais de um óvulo é produzido e cada um deles é fecundado por um espermatozóide diferente. Esses gêmeos também chamados de dizigotos ou dizigóticos, não apresentam mais semelhanças genéticas do que qualquer outro par de irmãos, não necessitando ser do mesmo sexo. No caso de gêmeos idênticos ou monozigóticos, um único óvulo fertilizado pode dividir­se, sendo que cada metade desenvolve um indivíduo em separado; possuem heranças genéticas idênticas pelo fato de virem do mesmo ovo fecundado e são do mesmo sexo. 1.2 Gestação O período gestacional é dividido em três sub­períodos de duração desigual: • Período Germinal ou fase zigótica→ implantação do ovo nas paredes do útero (12 ou 13 dias depois da fecundação).
• Período Embrionário→ formação da placenta, cordão umbilical e saco amniótico com líquido que envolve e protege o embrião. O coração começa a bater no primeiro mês de vida e ao fim de dois meses todos os órgãos já se originaram e o embrião tem traços reconhecíveis. Esse período é muito importante pela velocidade em que se dá o desenvolvimento vital do embrião. Doenças infecciosas e desnutrição materna podem provocar muitos danos. O segundo e o terceiro mês constituem o período de maior risco de aborto natural. • Período Fetal→ por volta de oito ou nove semanas, com a formação dos órgãos e primeiras células ósseas, o embrião passa a ser um feto que irá continuar seu desenvolvimento até 38 a 40 semanas. Durante a gestação podem ocorrer algumas perturbações no desenvolvimento. São chamados de fatores teratogenos, as influências de ordem externa que podem afetar o desenvolvimento a qualquer momento, a partir da concepção, como doenças a mãe (rubéola, sífilis, sarampo, hepatite, catapora, tifo, herpes genital, aids) ou drogas (álcool, cigarro, drogas pesadas) ingeridas pela mãe durante a gravidez. Outros fatores de influência: dieta pobre, idade da mãe, radiações, fator RH e estado emocional materno. São chamados fatores ou erros genéticos as influências de ordem interna que ocorrem no momento da concepção e pouco podem ser feito para evitá­lo; as conseqüências podem ser anomalias cromossômicas (Síndrome de Down) e anomalias genéticas (Fenilcetonúria). 1.3 Parto ou Nascimento O nascimento é marcado pelo momento em que o feto é retirado do útero materno tornando­ se um bebê. Denomina­se parto esse momento de expulsão que pode ser de vários tipos: parto normal, fórceps, induzido, cesariana, cócoras, etc. Podem ocorrer alguns problemas durante o parto, entre eles: anoxia (falta de oxigenação), parto prematuro, baixo peso, RH negativo, depressão pós­parto, eclâmpsia ou eclampse. 2. PERÍODO DE 0 AOS 2 ANOS (1ª. INFÂNCIA) 2.1 Desenvolvimento Físico e Motor Ao nascer os meninos são maiores do que as meninas em todas as dimensões corporais e ambos triplicam o peso do corpo no primeiro ano de vida acrescentando de 30 a 38 cm ao comprimento antes dos 2 anos de idade. Com isso verifica­se que a criança apresenta um rápido ritmo de crescimento; aos dois anos tem a metade da altura que terá ao completar seu desenvolvimento físico. Somente na adolescência haverá um processo tão rápido de desenvolvimento. De acordo com Malina (apud Bee,1997) o desenvolvimento motor nos primeiros dois anos de vida pode ser dividido em três grupos: habilidades locomotoras (andar, correr, saltar e pular); habilidades não­locomotoras (empurrar, puxar e inclinar); e habilidades manipulativas (agarrar, arremessar, pegar chutar). Em nossa observação no cotidiano escolar identificamos os seguintes aspectos em relação ao desenvolvimento motor da criança nessa fase: • 1 mês – segura um objeto se colocado em sua mão;
• 2­3 meses – começa a bater em objetos ao seu alcance; • 4­6 meses – rola em superfície / alcança e segura os objetos; • 7­9 meses – senta sem ajuda / engatinha / transfere objetos de uma mão à outra; • 10­12 meses – fica em pé segurando em apoio / anda sem ajuda / agacha e inclina­se / segura uma colher; • 13­18 meses – caminha para trás e para os lados / corre / rola uma bola / empilha blocos / coloca objetos em recipientes. Há fatores que podem interferir no desenvolvimento físico e motor da criança de 0 a 2 anos, como: • Hereditariedade ­ A altura que cada indivíduo terá quando adulto é determinado por um fator hereditário, um fator herdado dos pais. • Nutrição e saúde ­ A má nutrição infantil, doenças na infância e situações de estresse podem ter impacto negativo sobre o crescimento físico; as crianças que não têm boa alimentação tendem a ser: mais baixas, pesar menos e apresentar um ritmo mais lento de crescimento. Quando a má nutrição ocorre nos primeiros dois anos de vida, as conseqüências são irreversíveis ao desenvolvimento da criança. No entanto, se ela ocorrer depois desse período, seu efeito pode ser reversível com medidas compensatórias. • Equilíbrios hormonais – Desequilíbrio hormonal decorrente do mau funcionamento da hipófise ou tireóide pode causar danos permanentes no crescimento da criança, como o hipotireoidismo que leva ao cretinismo, nanismo e deficiência mental. A avaliação da circunferência da cabeça da criança e exames de raios­X revela o nível de ossificação do corpo e servem de índice para estimar a situação presente e futura. • Estados emocionais – um ambiente cheio de tensão pode inibir o crescimento da criança, uma vez que estresse prolongado gera menor produção de hormônio do crescimento. 2.2 Desenvolvimento Cognitivo De acordo com Jean Piaget (1896­1980), em relação ao desenvolvimento cognitivo, a criança encontra­se no estádio sensório motor. O estádio sensório motor ocorre no período entre 0 e 2 anos e é dividido em 6 sub­estádios. No início ocorre um processo de total indiferenciação entre o eu e o mundo exterior e uma das funções da inteligência será a diferenciação entre objetos externos e o próprio corpo. No primeiro sub­estádio (0 a 1 mês) ocorre a construção dos primeiros esquemas; os reflexos inatos como sugar e olhar são construídos pela criança na interação com o objeto (seio) como esquemas de sugar e olhar. No segundo sub­estádio (1 a 4 meses) a criança apresenta as reações circulares primárias, que consistem na repetição dos esquemas recém construídos: o bebê pratica, incansavelmente, os esquemas de olhar um objeto, sugar chupeta, a língua, um objeto que encosta em sua boca, movimentar braços e pernas em ritmo constante. No terceiro sub­estádio (4 a 8 meses) a criança apresenta as reações circulares secundárias, em que um espetáculo interessante obtido ao acaso, leva a criança à repetição
de um esquema para rever a situação que lhe causar prazer: puxar um cordão para ver o movimento de um brinquedo em seu berço. No quarto sub­estádio (8­12 meses) ocorre a construção da noção de permanência do objeto: a criança compreende que um objeto continua existindo mesmo estando fora de seu campo visual. Segundo Piaget, nesse momento ocorre a construção da inteligência sensório motora. No quinto sub­estádio (12 ­18 meses) a criança apresenta as reações circulares terciárias, que consistem em um processo de experimentação do bebê em relação aos objetos. Ele tenta diferentes formas de brincar e manipular os objetos. Piaget observa três condutas inteligentes na criança nesse momento: suporte (para pegar um objeto que está sob uma base, a criança não vai até o objeto e sim puxa o suporte e traz o objeto até si mesma), barbante (um brinquedo preso a um barbante, a criança puxa o barbante e traz o objeto para si) e bastão (é utilizado pela criança para pegar algo que sua mão alcança). Faça essa observação: coloque um brinquedo que está sendo manuseado pela criança embaixo de uma almofada ou lenço e veja o que irá acontecer. A criança irá retirar o obstáculo, pois sabe que o objeto continua existindo mesmo fora de seu campo visual. Ela já construiu a noção de permanência do objeto. No sexto sub­estádio (18­24 meses) fase de transição para o estádio seguinte, ocorre o início do pensamento representativo, a criança começa a utilizar símbolos para representar objetos e eventos. O desenvolvimento da linguagem representa um marco nesse processo de transição. Marcos no Desenvolvimento da Linguagem dos 0 aos 2 anos
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2 a 3 meses – arrulhar e rir
6 a 10 meses – balbuciar
9 a 10 meses – imitação e utilização de gestos e sons
10 a 14 meses – pronunciar as primeiras palavras
16 a 24 meses – vocabulário de 50 a 400 palavras
18 a 24 meses – pronunciar sua primeira frase 24 meses – estabelecer diálogos 2.3 Desenvolvimento Afeti vo­Emocional A principal tarefa nesta etapa é a construção da noção do eu (eu corporal e eu psíquico) que irá permitir à criança a construção da consciência de si mesma como ser individual. Para a formação do eu corporal é necessário que a criança diferencie dois fatores: as sensações que têm origem em suas necessidades orgânicas e as respostas que o adulto dá às suas sensações. A consciência de si mesma surge quando o bebê é capaz de separar o interior (de si mesmo) do exterior (outro ­ mãe), ou seja, é capaz de separar as sensações das modificações ambientais causadas pela presença de outra pessoa. Nesse sentido, os cuidados que o bebê recebe nesse período fazem com que ele desenvolva o sentimento de confiança básica que consiste na certeza que suas necessidades serão atendidas assim que forem manifestadas – a criança passa a ‘confiar’ no adulto, mesmo quando não está presente. Se suas necessidades não forem satisfeitas (prazer em ser ninada, cantar, acariciar, colocar em contato com a pele, pegar no colo, falar com carinho) o mundo da criança torna­se fonte de ameaça e frustração. Pais hostis ou impacientes, que postergam suas necessidades,
criam no bebê uma desorganização interna, ansiedade, medo dos adultos, sensação de isolamento e abandono. De acordo com Freud (Rappaport, 1981), a estrutura sensorial mais desenvolvida nesse período é a boca. É pela boca que a criança irá lutar pela sobrevivência tanto física como afetiva, pois por meio dela irá provar e conhecer o mundo, sendo o seio materno o primeiro objeto de ligação infantil. Freud chamou esse período de fase oral, pela boca a criança explora o mundo (necessidade física: mamar e prazer no ato de sugar). 2.4 Desenvolvimento Social Etapas do desenvolvimento social dos 0 aos 2 anos (Bee, 1987; Papalia, 2006)
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0 mês sorriso social espontâneo;
2/3 meses primeiros sinais de apego; a criança pára de chorar com aproximação de alguém; chora quando se afasta;
6 meses apego definido;
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8 meses medo de estranhos e ansiedade da separação (distingue pessoas estranhas das familiares);
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12 meses brincadeiras de esconde­esconde, fingir dormir, dar adeus, bater palminhas;
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16/18 meses brinca com outras crianças com competição; 24 meses ingresso no ambiente social maior que o familiar. 3. PERÍODO DE 2 AOS 6 ANOS (2 ª. INFÂNCIA) 3.1 Desenvolvimento Físico e Motor A velocidade das mudanças físicas é mais lenta nesse período em relação ao que ocorre nos dois primeiros anos de vida (mudanças de peso e altura são lentas). Em relação ao desenvolvimento motor são desenvolvidas as seguintes habilidades: subir escadas, andar com equilíbrio, correr, saltar, pular, andar de bicicleta, usar lápis, tesoura, realizar colagens com coordenação, sob e desce de móveis, chutar, pegar e arremessar bolas, pular corda, movimento de pinça. O ingresso na escola auxilia o desenvolvimento dessas habilidades uma vez que faz parte das atividades pedagógicas o exercício das funções físicas e motoras da criança (coordenação motora ampla e fina). 3.2 Desenvolvimento Cognitivo De acordo com Jean Piaget (1896­1980), em relação ao desenvolvimento cognitivo, a criança encontra­se no estádio pré­operatório. O estádio pré­operatório ocorre no período entre 2 e 6 anos e é caracterizado pela construção da inteligência simbólica ou representativa. De acordo com Rappaport (1981), a criança usa “um objeto como se fosse outro (uma caixa de fósforos se transforma num carrinho para brincar), uma situação por outra (na brincadeira de casinha a criança estará
representando situações da vida diária) ou ainda a criança usa um objeto, pessoa ou situação por uma palavra”. O pensamento da criança nesse período é caracterizado pelo pensamento egocêntrico. A criança pensa o mundo a partir de si mesma, utiliza a si mesma como referência para pensar as situações e fatos, caracterizando o egocentrismo dessa fase (por exemplo, enquanto ela está andando as nuvens estão seguindo­a). Outra característica é o pensamento animista – a criança atribui vida a seres inanimados. Um exemplo clássico é quando a criança esbarra em um móvel cai e chora e a mãe ‘bate’ no móvel; a criança pára de chorar, sentindo­se vingada. Em relação à linguagem observam­se dois tipos de comunicação oral: a linguagem socializada – diálogo com intenção de comunicação; e a linguagem egocêntrica – aquela em que a criança conversa consigo mesma, pois não tem a função de comunicação e sim de organização do pensamento. Esse tipo de linguagem, chamado de monólogo coletivo é observado em crianças que, embora estejam juntas conversando, não há continuidade nos diálogos – a criança fala sozinha enquanto brinca, mesmo estando com outras crianças. 3.3 Desenvolvimento Afeti vo­Emocional Nesse período ocorre a construção da personalidade pela criança (Wallon, 1979­1962). No início (entre 2 e 3 anos) refere se a sua pessoa pelo próprio nome ou utiliza a 3ª. pessoa (Mariana não quer / Ela não gosta). A partir dos três anos começa a empregar o pronome “eu” (Eu não gosto, Eu não quero), indicando a construção do eu psíquico. Seu nome adquire significado e auxilia no estabelecimento de si mesma. Suas roupas, brinquedos, objetos de uso pessoal auxiliam na construção de si mesma como alguém diferente dos demais. A criança não separa o mundo real do mundo imaginário ­ interior e exterior se confundem em fortes situações emocionais. Opõe­se à s interferências, por isso resiste a qualquer coisa que não se harmonize com suas idéias e atitudes (negativismo). Exige que seus desejos sejam satisfeitos e quando contrariada, chora, esperneia ou grita. Muitos dos conflitos que os pais têm com os filhos nesse período surgem porque os pais precisam colocar limites ao filho, não apenas pela própria sobrevivência, mas para ensiná­lo a controlar seus impulsos. Pais que não controlam a impulsividade da criança fortalecerão o comportamento de desobediência e falta de limite. Nesse sentido, é um período marcado por muitos conflitos pessoais: opõe­se ao não eu com comportamentos de confronto = ciúmes, tirania, agressividade. Além disso, há a disputa de brinquedos, não pelo objeto e sim, pelo sentimento de posse; o desejo de propriedade conta mais do que o próprio objeto. Existem dois momentos: idade da graça e a atividade de imitação. Portanto, há expulsão e incorporação do outro com movimentos complementares e alternantes no processo de formação do “eu”. De acordo com Freud (Rappaport, 1981), esse período é denominado de fase anal: a libido passa da organização oral para a anal. De acordo com Rappaport (1981), a fantasia básica será ligada aos primeiros produtos, notadamente ao valor simbólico das fezes. Elas são objetos que vêm de dentro do próprio corpo e são partes da própria criança. São objetos que geram prazer ao serem produzidos e são dadas aos pais como prendas ou recompensas. Nesse sentido, o treino dos esfíncteres deve ser realizado com muito cuidado pela família e escola. Além disso, por volta dos três anos, a libido inicia nova organização, desenvol vendo na criança o interesse pelos órgãos genitais, cuja manipulação se torna freqüente e
há uma preocupação com as diferenças sexuais entre meninos e meninas. A esse momento Freud chamou de fase fálica. 3.4 Desenvolvimento Social Nesse período a criança está em processo de formação da consciência moral, o controle externo é substituído gradativamente pelo autocontrole. Em relação às regras, a criança é heterônoma, ou seja, governada pelo outro, influenciada inicialmente pelos pais, por meio da internalização das regras e valores dos familiares e, mais tarde, pelos amigos e professores (escola), a criança vai formando conceitos de bem e mal, justiça, entre outros. A escola e os professores têm um papel importante em relação a isso, pois podem orientar os pais em como lidar nessas situações e trabalhar as regras com as crianças, em grupo, no ambiente escolar. Os conceitos éticos da criança de 2 a 6 anos se baseiam na conseqüência das ações. Ela admite que os pais são poderosos e que deve obedecer­lhes por medo da punição e respeito à autoridade. Quando julga uma situação considerada errada, utiliza como referência a quantidade de erro cometido pelo sujeito e não a intencionalidade como fará crianças mais velhas. Em relação às brincadeiras, é o jogo simbólico ou brincadeira de faz­de­conta que marca as atividades lúdicas nesse período. Os amigos imaginários podem ser utilizados pela criança até por volta de 4 / 5 anos. A partir dessa idade observam­se as escolhas de amigos reais e favoritos. 1­ Assista aos filmes indicados abaixo e procure identificar os aspectos teóricos sobre o desenvolvimento humano estudados no curso:
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“Olhe quem está falando”
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“Olha quem está falando também”
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“Ninguém segura esse bebê”
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“Um tira no jardim da infância” “Paizão” Apresente relatório sucinto na página ao lado, caracterizando fase e desenvolvimento. (mínimo de 20 linhas). 2­ Faça uma entrevista com mães de crianças de 0 a 6 anos e identifique os principais aspectos sobre o desenvolvimento humano estudado no curso. Apresente, oportunamente, no Fórum as manifestações mais significativas das mães. 4. PERÍODO DOS 6 AOS 12 ANOS (3ª. INFÂNCIA) O período do desenvolvimento do ciclo vital entre 6 a 12 anos é chamado de meninice intermediária é marcado pelo início formal da escolaridade e pelo início da puberdade. O ingresso à escola de Ensino Fundamental possibilitará a aprendizagem da leitura, escrita (alfabetização), aritmética, além das habilidades básicas de convivência social.
Muito menos pesquisas têm sido realizadas sobre as crianças dessa idade se comparadas às pesquisas sobre pré­escolares ou adolescentes. No entanto, padrões e hábitos estabelecidos durante esse período irão afetar o adolescente e a vida adulta. 4.1 Desenvolvimento Físico e Motor Em relação ao desenvolvimento físico e motor não ocorrem mudanças notáveis na criança nesse período; as mudanças são contínuas, mas não surpreendentes. A maior parte das habilidades motoras mais importantes já está desenvolvida, de modo que nesse período haverá um exercício dessas habilidades construídas na fase anterior. Será por volta dos nove anos na menina e dez anos no menino que ocorrerá o início da puberdade, que será explica da a seguir. 4.2 Desenvolvimento Cognitivo Em relação ao desenvolvimento cognitivo ocorrem mudanças significativas nesse período. De acordo com Jean Piaget (1896­1980), a criança encontra­se no estádio operatório concreto. Por meio de uma lógica indutiva (P → G) a criança é capaz de pensar a partir de sua experiência concreta para um princípio geral ou lei, utilizando para isso categorias cognitivas (reversibilidade, inclusão de classes, conservação, etc). Dessa forma, as crianças nessa idade aprendem mais facilmente conceitos e teorias científicas se manusearem o material (de forma concreta), uma vez dessa forma, têm a oportunidade de utilizar o raciocínio indutivo. 4.3 Desenvolvimento Afeti vo­Emocional O sujeito estará construindo um conceito sobre si mesmo e os julgamentos a seu respeito são importantes e marcantes nesse período. Ele descobre que a aceitação ou rejeição social depende da forma como realiza suas tarefas e da forma que se comporta socialmente, por isso não resiste às pressões externas e seu auto­conceito irá depender do que os outros dizem a seu respeito. A criança encontra­se em idade escolar e em função do que está ocorrendo em seu desenvolvimento, a escola torna­se um elemento fundamental no processo de construção de sua identidade. A interação social­escolar (professor­aluno / aluno / aluno) é mais complexa que o relacionamento primário (familiar), pois a criança tem que aprender a comportar­se em grupo, conviver com a competição e crítica do outro e as brincadeiras cedem lugar ao trabalho (tarefas escolares) balizadas pelo relógio. No esforço de ser aceita ou para se defender da rejeição a criança pode desenvolver comportamentos inadequados, como agressividade, retraimento ou regressão. De acordo com Cória­Sabini (1998), os pais e professores devem ter sensibilidade para responder aos esforços da criança para agradar, encorajando a formação de traços e atitudes desejáveis, sem inibir sua espontaneidade. De acordo com Freud, esse período é denominado de período de latência, a erotização corporal está sublimada e toda a libido está projetada para fora do corpo da criança, portanto, no desenvolvimento intelectual e social da criança. Segundo Rappaport (1981), o período de latência caracteriza­se pela canalização das energias sexuais para o desenvolvimento social, através das sublimações e consiste em um período intermediário entre a genitalidade infantil (fase fálica) e a adulta (fase genital). 4.4 Desenvolvimento Social.
A criança em idade escolar continua precisando dos pais como fonte de segurança, sua presença e apoio exercem forte influência nas decisões. No entanto, encontra­se em processo de desenvolvimento da autonomia, não precisando, (como na fase heterônoma anterior) do gerenciamento absoluto dos adultos. Apresenta autonomia em relação às regras, permitindo maior independência: existe uma redução nas exigências disciplinares, incentivo a tarefas regulares e a família oferece as referências para o diálogo com o mundo. Quando não está realizando as tarefas escolares em casa ou na escola, as brincadeiras e jogos grupais com os companheiros, especialmente do mesmo sexo, consomem, em geral, todo o tempo da criança (andar de bicicleta, jogar bola, brincar de boneca, pular corda, etc.). Nesse sentido, a criança demonstra necessidade de amizades duradouras e da convivência com companheiros. As brincadeiras são grupais e em grupos homogêneos. Há uma redução da agressão física e um desenvolvimento da agressão verbal nos momentos de discórdia. Surge a reciprocidade e cooperação como forma de relação e o exercício da interação social formal (polidez nos diálogos, aprendizagem de tarefas domésticas),incentivado pelos adultos. 5. PUBERDADE E ADOLESCÊNCIA (12­18 ANOS) 5.1 Desenvolvimento Físico e Motor A puberdade ou adolescência é considerada o momento crucial do desenvolvimento do indivíduo, pois marca não apenas a aquisição da imagem corporal definitiva como também a estruturação final da personalidade (Osório, 1992). A puberdade (do latim pubertate – sinal de pêlos, barba, penugem) caracteriza­se pelas modificações biológicas dessa faixa etária e a adolescência (do latim adolescere – crescer) pelas transformações psicossociais que a acompanham (Osório, 1992). A puberdade inicia com o aparecimento dos pêlos no corpo da criança – axilas, região pubiana ­ em função da ação hormonal (desenvolvimento das gônadas ­ testículos nos meninos e ovários nas meninas) que desencadeia o processo puberal, com dois eventos marcantes por volta dos 12 aos 15 anos: a menarca ou primeira menstruação na menina e a primeira ejaculação ou emissão de esperma no menino (espermarca). A puberdade estaria concluída com o crescimento físico por volta dos 18 anos. O início e o término da adolescência dependem do ambiente sócio­cultural do indivíduo. O início é definido por alguns aspectos, como a perda do corpo infantil e aquisição do corpo adulto; independência simbiótica dos pais; estabelecimento de escalas de valores; identificação no grupo de iguais; conflitos com a geração precedente na busca de separação/individuação. De acordo com Osório (1992), o término ocorre por volta dos 25 anos (variando de acordo com as condições sócio­econômicas da família) e pode ser identificado pelos seguintes aspectos:
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Estabelecimento de uma identidade sexual e possibilidade de estabelecer relações afetivas estáveis;
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Capacidade de assumir compromissos profissionais emanter­se (independência econômica);
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Aquisição de um sistema de valores pessoais;
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Relação de reciprocidade com a geração precedente, sobretudo com os pais. 5.2 Desenvolvimento Cognitivo De acordo com Jean Piaget (1896­1980), em relação ao desenvolvimento cognitivo, a criança encontra­se no estádio operatório formal, atingindo sua forma final de equilíbrio. É capaz de formar esquemas conceituais abstratos (amor, fantasia, justiça) e realizar com eles operações mentais que seguem os princípios da lógica formal – raciocínio hipotético­ dedutivo. A partir desse estádio o sujeito é capaz de entender doutrinas filosóficas e teorias científicas. Com isso é capaz de criticar sistemas sociais e propor códigos de conduta, questiona os valores morais e constrói os seus próprios, gosta da discussão, das grandes polêmicas e oferece justificativas lógicas para seus julgamentos. Isso leva a uma mudança de atitude do adolescente que se torna mais crítico, na busca da identidade e autonomia pessoal. 5.3 Desenvolvimento Afeti vo­Emocional de acordo com Cória­Sabini (1998), o crescimento físico muito rápido e a maturidade sexual são pontos de desafio para o equilíbrio emocional. O jovem está em processo de aceitação da aparência física, das habilidades acadêmicas, esportivas e sociais, e a busca do amor pode gerar conflitos, expressos de muitas formas pelo adolescente. Segundo a autora, o jovem que sente segurança em relação à aparência física e as habilidades, mostra­se seguro para relacionar­se com o grupo e envolver­se afetivamente com o sexo oposto. Mas o jovem insatisfeito com sua aparência e habilidades, sente­se fraco, incapaz, colocando­se na defensiva,apresentando irritabilidade, depressão e sentimentos de amargura, usando a solidão como forma de fuga pelo medo de não ser aceito. Isso afetará as etapas subseqüentes. Segundo Freud, esse período é denominado de fase genital, momento em que o sujeito atingiu o pleno desenvolvimento do adulto normal, onde as adaptações biológicas e psicológicas foram realizadas. De acordo com Rappaport (1981), o sujeito desenvolveu­se intelectual e socialmente, é capaz de amar, estabelecer um vínculo heterossexual significativo e duradouro e sua capacidade orgástica é plena, possibilitando sua capacidade de amar. 5.4 Desenvolvimento Social Na adolescência, as relações com os pais continuam sendo muito importantes. (Bee, 1997). No entanto, isso é vivido de maneira ambivalente, pois é preciso conciliar a busca de autonomia e a manutenção da relação com eles. Assim, ao mesmo tempo em que o jovem mostra a sua autonomia por meio dos conflitos que estabelece com os pais (regras do cotidiano, notas escolares, vestimenta, trabalhos domésticos), expressa um forma apego pelos mesmos (busca de diálogo, apoio, conselhos, carinho). Em relação aos amigos, gastam grande parte das horas de um dia acordado e conversando. São amizades estáveis e íntimas, no sentido de que compartilham sentimentos e segredos, sendo a lealdade e confiança qualidades muito valorizadas. De acordo com Bee (1997) o grupo de amigos tem um papel social muito importante, pois ajuda na transição progressiva da vida familiar para a vida independente do adulto. No início, o grupo é formado por 4 ou 5 jovens do mesmo sexo (panelinhas) e depois as
amizades são ampliadas, formam­se várias ‘panelinhas’,denominadas “turmas”, compostas por ambos os sexos. 1­ Assista aos filmes indicados abaixo e procure identificar os aspectos teóricos sobre o desenvolvimento humano estudados no curso:
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“Esqueceram de mim”
“A Lagoa Azul”
“Diário de um adolescente”
“Aos treze” Apresente relatório sucinto na página ao lado, caracterizando fase e desenvolvimento. (mínimo de 20 linhas). 2­ Faça uma entrevista com adolescentes e seus pais e procure identificar os principais aspectos sobre o desenvolvimento humano estudado no curso. Apresente, oportunamente, no Fórum as manifestações mais significativas dos entrevistados. 6. JUVENTUDE OU 2ª. ADOLESCÊNCIA (18 A 25 ANOS) A Juventude é também chamada de segunda adolescência, adolescência superior ou período de amadurecimento adolescente. É uma etapa de transição até o indivíduo chegar à autonomia e à responsabilidade plena. As principais características do jovem nessa etapa são: • Estruturas intelectuais, morais e físicas atingem o auge; • Diminuem as mudanças fisiológicas; • Há estabilização afetiva; • Ingresso na vida social plena; • Início do trabalho e dos estudos superiores; • Início na vida matrimonial; • Há o auto­sustento social, psicológico e econômico. A vida matrimonial (escolha de um parceiro, namoro, noivado) e a escolha ou definição de um trabalho quando adiadas podem levar à dependência familiar e favorecer as flutuações afetivas, falta de experiências vitais e as idealizações. De acordo com vários autores a Juventude é um período marcado pelo conflito entre gerações; o jovem busca construir seus próprios valores e, por isso, contrapõe­se aos dos mais velhos. Inicia a construção de um projeto de vida e, de maneira positiva, irá tornar­se independente dos adultos, desenvolvimento ­ se como sujeito autônomo. É a época da plenitude do desenvolvimento físico, o jovem apresenta força, energia e resistência. Os homens atingem estatura máxima aos 21 anos e as mulheres por volta dos 18 anos. São menos propensos às doenças, mas há maior índice de morte por acidentes a atos de violência (brigas).
De acordo com Erik H. Erikson (1974), a juventude é um período da conquista da intimidade (solidariedade entre amigos, união sexual, intimidade do casal). O fracasso nessas conquistas pode levar ao isolamento. É a etapa em que se pode desenvolver a genitalidade: • Mutualidade do orgasmo; • Com um companheiro amado; • Do outro sexo; • Para partilhar confiança mútua; • Para partilhar os ciclos de trabalho, procriação e lazer; • Para garantir à descendência todas as etapas de um desenvolvimento satisfatório. • Portanto, a relação de intimidade marca o fim da adolescência e início da vida adulta. Estes podem ser preocupações durante o início da idade adulta. (Papalia et all, 2006:527). A intimidade pode envolver questões ou problemas físicos como: disfunção sexual, doenças sexualmente transmissíveis, problemas menstruais e esterilidade. Níveis de relação interpessoal 1º. Nível → O encontro com o outro é mediatizado por uma tarefa; o intercâmbio pessoal é facilitado pela tarefa comum (uma brincadeira, um trabalho) sem envolvimento ou compromisso pessoal nem contato com a interioridade do outro. 2º. Nível → A relação deixa de ser mediatizada pela tarefa e passa a ser regulada por um sistema de normas que supõe a internalização dessas normas e o desempenho de papéis para ser aceito no grupo. 3º. Nível → Abertura pessoal para o conhecimento mútuo em profundidade; a relação baseia­se na criatividade de ambos para construí­la (relação de intimidade supõe uma afetividade e uma sexualidade menos centradas no eu, menos narcisista – predomina a preocupação com o outro). Saúde do Jovem • Acidentes de carro (alta velocidade) • Consumo de drogas • Suicídio • Bulimia / Anorexia 6.1 VIDA ADULTA JOVEM OU PRECOCE (25 A 30 ANOS) A vida adulta começou a ser estudada em um período relativamente recente e hoje ainda se sabe muito pouco sobre suas etapas. Caracteriza­se pela continuidade de todos os aspetos da fase anterior (juventude).
A Psicologia do Desenvolvimento passou a ter um interesse especial pela vida adulta porque: • Houve um aumento da expectativa de vida pelos avanços da medicina, ausência de guerras, melhoria das condições sanitárias / políticas / ideológicas que propõem a diminuição do índice de natalidade. Como conseqüência há mais pessoas adultas e idosas do que crianças. Essa população apresenta exigências tanto para a ciência como para a industria. Os autores dividem a juventude e a vida adulta jovem em três estágios contínuos: 1) Saída do Lar (18 a 24 anos) • Passagem da vida pré­adulta para adulta; • Maior independência psicológica e econômica dos pais; • Contato com instituições que dão status (universidade, exército, empresa). 2) Ingresso no mundo adulto (24 a 28 anos) • Está mais no mundo adulto do que no lar • Adquire autonomia / independência • Constrói uma estrutura de vida estável 2) Transição para a quarta década (28 a 33 anos) • Período de reafirmação de compromissos com maior gama de possibilidades. Características comuns juventude e vida adulta jovem (18 a 30 anos) • Fisicamente o sujeito encontra­se no auge (saúde máxima e melhor época para ter filhos 20 a 30 anos). Máximo desempenho da capacidade cognitiva e mental. • A vida adulta representa tanto a plenitude física quanto o começo do declínio; é gradual e pode ser atenuado pelo estilo de vida. • São anos estressantes e difíceis em comparação com outras fases. • Período de aprendizagem e conflito de papéis (marido/ esposa; pai/mãe/ profissional). • O sucesso na vida adulta está relacionado ao amor e ao trabalho (satisfação em relação a sua profissão e realização afetiva). • Trabalho: 20 a 25 anos – estágio da tentativa (busca do trabalho certo); 30 a 35 anos – estágio de estabilização (auge aos 40 anos). • No entanto, parece que o amor é mais importante que o trabalho: a satisfação total na vida de uma pessoa é a felicidade relatada pelos indivíduos nas relações marital e familiar (busca do parceiro, casamento, filhos). A satisfação no trabalho, ainda que significativa, aparentemente não constitui elemento essencial quanto à satisfação amorosa. • Adultos que têm estrutura de apego (uma relação com base segura) possuem maior auto­ estima e não deixam que o trabalho impeça o lazer e a saúde (gostam de tirar férias)
• Adultos com apegos ansiosos (inseguros) são preocupados com o desempenho profissional, distraem­se com facilidade, não concluem projetos e são movidos a elogios. Trabalham sozinhos, são viciados pelo trabalho, raramente tiram férias – utilizam o trabalho para evitar a vida social e as relações de intimidade. • Adultos que tiveram uma infância problemática (perderam um dos pais devido à morte ou divórcio, pais rejeitadores ou ambivalentes), podem apresentar uma infinidade de problemas – depressão, sua própria separação ou divórcio, saúde física deficitária, problemas para estabelecer relações adultas seguras e experiências profissionais problemáticas. • A vida adulta é determinada por um conjunto de escolhas pessoais que são antecipadas pelo sujeito: acabar os estudos, casar, ter filhos, trabalhar, etc. • Quando a vida adulta não acompanha as expectativas do sujeito, pode gerar sofrimento psicológico, um efeito negativo de se estar fora do momento certo (casar tarde, ter filhos tarde (ou não ter), não entrar na faculdade como os colegas, não conseguir o emprego desejado, engravidar antes de casar). 6.2 VIDA ADULTA MÉDIA (30 A 50 ANOS) A Vida Adulta Média é também chamada de amadurecimento, idade madura, idade adulta propriamente dita ou idade da plenitude. O indivíduo pode avaliar o curso definitivo de sua vida, não está no início de um caminho, a direção já está dada ou pode concluir que ainda não encontrou um norte. De qualquer forma é um momento de avaliação. A passagem da vida adulta jovem para a vida adulta média: • Implica mais certo estado de ânimo e não mudanças corporais; • Em termos físicos destaca­se aumento do corpo; • O ímpeto juvenil é substituído pela capacidade de concentração, perseverança e resistência; • Há um aumento de experiências pessoais e delineia­se a individualidade; • Predominam a estabilidade, profundidade e sossego (sentimentos profundos e perduráveis); Capacidade Generativa ⇒ Consiste na preocupação em orientar as novas gerações; inclui produtividade e criatividade (se fracassa enfrenta a estagnação). Além de ser valorizado por aqueles que o sujeito orienta, também precisa sentir­se necessário, precisa do alento daquilo que produziu. Amadurecimento ⇒ Para Erikson (1974), o amadurecimento é atingido quando a pessoa, de alguma forma, cuida de coisas e de outras pessoas, consegue adaptar­se aos triunfos e às desilusões próprios, o que gera, de outros seres humanos ou produtos e idéias, marcas que testemunham sua passagem pelo mundo.
Amadurecer ⇒ É progredir paulatinamente em direção a uma meta. Maturidade ⇒ Palavra latina maturus, vem de mane que quer dizer ‘de manhã cedo’, aquele que se levanta cedo para fazer algo, que está preparado para tudo o que possa acontecer. Maturum ⇒ Refere­se ao que chegou a um ponto, do qual podemos nos beneficiar. Atinge­se gradualmente o amadurecimento pessoal ao orientar a sua vida segundo o sentido da sua existência, a partir da aceitação consciente dos seus limites e das suas disposições. Amadurecimento envolve: • Harmonia das funções que supõe o auto­governo; • Visão global objetiva do mundo; • Aceitação das limitações; • Aceitação de responsabilidades; • Autoconfiança e seriedade. 1­ Escolha e assista a um filme que aborde os aspectos teóricos sobre o desenvolvimento humano estudados nessa unidade. Elabore e apresente relatório sucinto na página ao lado, caracterizando fase, desenvolvimento e principais características (mínimo de 20 linhas). 2­ Faça uma entrevista com pessoas com idades entre 18 e 50 e identifique os principais aspectos sobre o desenvolvimento humano estudado no curso. 6.3 VIDA ADULTA TARDIA OU MEIA­IDADE (50­65 ANOS) Período de paradoxos: Satisfação conjugal e profissional X declínio físico Papéis profissionais e familiares se afrouxam (maior opção de escolhas) X aquisição de novos papéis Exercem influência sobre a saída dos filhos (casamento X nenhuma influência sobre o tempo certo dos netos ou incapacitação dos pais). Período em que ocorrem modificações corporais próprias e fantasiadas. O adulto começa a sentir o pêso do passado e a lenta aproximação do declínio. Os melhores anos (biológico) passaram, chegou­se ao auge e inicia­se o declínio crescente (elaboração do luto pela juventude perdida e pelas metas que não pôde ou não soube alcançar.) Período de questionamento: trabalho, família, amizades. A idade avançada dos pais (ou morte) contribui para a sensação de envelhecimento e de que faz parte da próxima geração destinada a envelhecer e morrer. A Vida Adulta Tardia é um período marcado pela restrição e pela redução ao essencial. A capacidade física está em declínio, rugas, cabelo branco, queda de cabelo, perda do vigor e tônus muscular (lentidão física, cansaço geral, perda de elasticidade).
Alguns negam esse período e vestem­se de acordo com a moda jovem, recorrem à cosmética, cirurgia para alisar a pele. Outros assumem atitudes hostis diante dos jovens na defesa de valores morais, mas para encobrir a inveja que sentem deles. Muitas vezes ocorre a cristalização da personalidade com dificuldade para mudanças. Crise da meia idade • Crise depressiva que deve ser superada (aceitação de uma incompletude básica, de uma finitude inevitável). • Essa crise ocorre em ambos os sexos. • Menopausa – 45 a 53 anos – período médio do climatério feminino – irritabilidade, insônia, ansiedade, depressão, acessos de calor provocados pelas mudanças hormonais, diminuição da libido, aumento do narcisismo, comportamentos agressivos, hiperatividade, perda óssea e muscular. • Andropausa – 50 anos climatério masculino. • A crise da meia­idade é a época de inventário, de balanço do que foi obtido. Alguns colhem frutos, outros se reencaminham e outros se lamentam, caem na desilusão e depressão. • Com a libido sublimada surgem atividades consagradas a valores espirituais (arte, ciência, cuidado com o outro). A aquisição de bens materiais e de status liberta o sujeito da busca de aceitação e ascensão social. • É o último instante da seqüência do tempo vivido para realizar o sentido da vida escolhida, para configurar sua própria figura/imagem. SÍNDROME DO NINHO VAZIO Filhos crescidos, casados (o último filho deixa o lar), independentes, deixam os pais com menos obrigações e mais sozinhos. O casal vê­se novamente sozinho e com necessidade de fixar nova meta em sua relação com a família e si mesmo. Tornam­se avós e muitas vezes precisam cuidar de seus próprios pais envelhecidos e debilitados. Relógio biológico Primeiros sinais de envelhecimento: uso de óculos, cabelos brancos, pele com vincos, difícil subir lances de escada (declínio da capacidade aeróbica), pessoas mais jovens o tratam como ‘uma pessoa mais velha’ (filhos adultos, colegas de trabalho jovens), incapacidade dos pais leva a perceber a própria incapacidade futura. Relógio social Sensação de maior conhecimento e experiência, maior sensação de controle e escolha, há mais tempo e energia para outros papéis (esposo, esposa, avô, avó), aposentadoria. A vida na meia­idade depende de três fatores: 1. Saúde : uma boa saúde nesse período permite a vivência muito melhor dessa fase. Os que se aposentam por doença, acabam recebendo salários irrisórios, o que leva à depressão ou sofrimento.
2. Momento certo para os acontecimentos familiares e profissionais : momento certo e exato para os vários acontecimentos familiares e profissionais. As mulheres que têm filhos mais tarde reduzem seus anos pós­paternidade (pós­parental); há maior probabilidade de conflitos e necessidade de se retardar a aposentadoria. 3. Crises: divórcio, perda do emprego, perda de filho ­ várias perdas levam ao aparecimento de doenças como consumo de drogas (álcool, medicamentos, depressão). Previsão de boa saúde e ajustamento emocional na meiaidade depende: 1. Não consumo de drogas na fase adulto­jovem; 2. Medicamentos que alteram o humor (tranqüilizantes); 3. Personalidade: adultos neurotizados são mais propensos a reagir a crises por meio de formas auto­destruidoras; 4. Padrões da personalidade da criança e adolescente, como timidez ou temperamento difícil, prevêem uma quantidade de comportamentos semelhantes na vida adulta; 5. Famílias afetivas, boa auto­estima na adolescência. 6.4 VELHICE OU ENVELHECIMENTO (65...) É muito recente a pesquisa científica sobre o processo de envelhecimento, assim como o desenvolvimento na Medicina e na Psicologia das especialidades em gerontologia (geriatria) e psicogerontologia (psicologia evolutiva da velhice). Por que hoje há maior preocupação com a velhice? • A expectativa de vida da população mundial aumentou à medida que melhoraram as condições sanitárias, educativas, econômicas e diminuiu a taxa de natalidade (famílias menores). Em alguns países desenvolvidos há predomínio populacional de adultos e idosos; • O aumento da expectativa de vida provocou prolongamento do estágio da velhice que se distingue em etapas: présenilidade, senilidade, terceira idade, quarta idade; • Parcela da população que pode consumir e gerar lucro (empréstimos, passeios, viagens, plano de saúde, etc.). Fatores que influenciam negativamente o processo de envelhecimento (Griffa e Moreno, 2001). 1. Privação de atividade ocupacional; 2. Desocupação, tempo livre não organizado para recreação e lazer; 3. Aposentadoria, passividade, condição econômica e social precária, sustento econômico pelos filhos; 4. Doenças físicas e enfraquecimento corporal; 5. Lentidão das funções psíquicas; 6. Diminuição ou exclusão das atividades prazerosas;
7. Medo diante da aproximação do final da vida. 8. Internações Geriátricas → segregação da família e da sociedade leva os idosos a uma morte social, provoca depressão, vulnerabilidade física, redução da esperança de vida. ASPECTOS FÍSICOS • Modificações Corporais: o idoso encurva­se, os ligamentos e articulações enrijecem­se, ossos frágeis, perda da elasticidade, do tecido muscular, atividades metabólica e respiratória diminuem, perda de mobilidade, agilidade, autonomia. Irrigação sanguínea diminui afetando as extremidades (cérebro). Diminui a função sensorial: visão, audição, perda gustativa, olfativa, (necessidade de próteses). A sociedade contemporânea tende a idealizar a adolescência, a juventude e tudo o que é novo. Como conseqüência, rejeita o idoso e desvaloriza tudo o que considera velho. Por isso, os idosos correm riscos de serem desvalorizados e marginalizados pela sociedade e pela família, que é seu apoio afetivo essencial. 6.5 MORTE A morte não faz parte do ciclo vital uma vez que ela interrompe o processo da vida, o ciclo da vida humana propriamente dito. Por isso, é estudada após a velhice quando há a perda das funções vitais do ser humano. Ao mesmo tempo, durante o ciclo vital há muitas vivências de morte a partir de todas as perdas que ocorrem ao longo do desenvolvimento, desde o nascimento, seguido pela primeira, segunda, terceira infância, adolescência, vida adulta e velhice. 1­ Faça uma entrevista com pessoas na fase da Meia­idade (50­65anos) e Velhice (65 anos em diante) e identifique os principais aspectos sobre o desenvolvimento humano estudado no curso. Apresente, oportunamente, no Fórum as manifestações mais significativas dos entrevistados. 2­ Elabore e apresente relatório sucinto na página ao lado (mínimo de 20 linhas), apresentando um projeto de intervenção em Pedagogia para o trabalho com pessoas nessa fase do ciclo vital. Bibliografia BEE, H. O Ciclo Vital. Porto Alegre: Artmed, 1997. CÓRIA SABINI, M.A. Psicologia do Desenvolvimento. SP: Ática, 1998. GRIFFA, M.C. Chaves para a psicologia do desenvolvimento. São Paulo: Paulinas, 2001. KOVÁCS, M.J. A Morte e o Desenvolvimento Humano. São Paulo: Casa do Psicólogo. 1992. OSÓRIO, L. C. Adolescente Hoje. Porto Alegre: ArtMed, 1992. PAPALIA, E.D. & OLDS, S.W. Desenvolvimento Humano. – 8ª. ed. – Porto Alegre: Artmed, 2006. RAPPAPORT, C. R.; FIORI, W. R.; DAVIS, C. Psicologia do Desenvolvimento. São Paulo: EPU, 1981. 5 10 15
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