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Breaking The Habit

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Breaking The Habit
Esta história e todos os seus personagens pertencem a mim e
está registrada na Biblioteca Nacional, portanto não se dê ao
trabalho de plagiar.
PLÁGIO É CRIME.
Trata-se de um romance original.
Esta é uma obra de ficção, qualquer semelhança com
nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido
mera coincidência.
CAPÍTULO 1
GWEN
Ok, chega de lágrimas. O último ano foi triste e me marcou com
lembranças das quais eu jamais me esquecerei mas preciso me manter
forte e continuar com a minha vida que agora está para começar.
Cidade nova, apartamento minúsculo novo, escola nova e uma fase
nova estava para se iniciar, eu merecia tudo aquilo, não o que houve a
alguns meses atrás mas essa fase de mudança que estava começando.
E eu me sentia extremamente bem, parecia estranho estar bem depois
de tanta tristeza mas agora eu não deveria mais pensar em coisas ruins,
Mattew não me deu essa escolha, ele deixou bem claro que eu teria
que ser feliz para que tudo o que eu tivesse passado com ele tenha
valido a pena. Estava olhando sua foto agora, e dei um sorriso de
saudade e levei a fotografia em minhas mãos até o meu coração.
- Obrigada por tudo Matt. - Uma lágrima fugiu de meus olhos e caiu
lentamente sobre meu rosto, eu estava emocionada. Uma batida na
porta me chamou para a realidade e eu guardei a foto imediatamente
em uma caixa, juntamente com outras boas lembranças.
Era Maxine, minha recente melhor amiga.
- Olá Gwen! - ela disse sorridente me dando um beijo na bochecha e
um rápido abraço e olhou ao redor espantada- Nossa, você ainda não
terminou de desencaixotar sua mudança! Precisa de Ajuda?
Havia umas seis caixas espalhadas pela minha cozinha, eram coisas que
eu não tinha certeza se desencaixotaria nessa minha nova fase mas
precisava rever o conteúdo dela para decidir, porém preferia fazer isso
sozinha já que algumas lembranças vinham a tona e eu ainda não
estava preparada para dividí-las com ninguém.
- Obrigada Max mas ainda não vou tirar nada de dentro delas, estava
apenas procurando um baú mas eu já o encontrei. - disse apontando
para uma pequeno baú de madeira em cima do meu único sofá de
três lugares.
Maxine olhou com curiosidade para o baú e eu sorri. Ela estava ansiosa
para saber o que havia dentro dele mas eu também estava, afinal
Mattew me fez prometer que abriria apenas quando eu estivesse em
um novo lugar e um dia antes de retomar minhas aulas na escola. Ele
fazia questão de que eu voltasse a estudar para me formar no Ensino
Médio, já que por causa dele eu acabara perdendo meu último ano
letivo.
- O que tem neste baú, Gwen? Posso saber? - perguntou cautelosa
Havia me mudado para Beaufort na Carolina do Norte há 3 meses.
Assim que cheguei a cidade fui procurar algum apartamento para
morar por um tempo até que terminasse meu ano letivo e pudesse
decidir para qual faculdade eu iria.
Conheci Maxine Muller assim que cheguei a Beaufort, enquanto pedia
informações sobre um hotel ou pensão para me hospedar
temporariamente, ela foi muito gentil e prestativa e logo estavamos
conversando sobre diversos assuntos e percebi que tinhamos algumas
coisas em comum. Assim que me instalei em um pequeno hotel eu a
reencontrei no dia em que fui fazer minha matrícula no Northside High
School, e desde então nos tornamos grandes amigas. Apesar de não
saber tudo sobre meu passado, Maxine sabia que eu tinha dezoito anos
e que havia perdido o último ano letivo e por isso iria repeti-lo, ela
também estava no quarto ano e estudariamos juntas.
- Eu ainda não sei exatamente o que há neste baú, ele foi um presente
que alguém muito importante para mim deu-me antes de partir. Ainda
não me sinto preparada para falar sobre isso Max, sinto muito.
Não me sentia preparada para compartilhar minha história e de Mattew
com alguém, ainda doía pensar que não o veria novamente. Apenas
sorri tristemente para Maxine, sabia que ela me entenderia, ela era uma
boa garota. E assim ela fez, me deu um abraço sincero e sussurou
docemente em meus ouvidos:
- Tudo bem Gwen, só quero que saiba que estou aqui para o que
precisar.
-Sou grata por isso Max. - agradeci de coração.
Passamos a tarde pintando a parede de minha sala, que era
conjugada com a pequena cozinha. Meu apartamento tinha dois
comodos e um banheiro, sala e cozinha ficavam no mesmo ambiente,
apenas uma parede feita com madeira barata separava meu quarto
do restante do apartamento e o banheiro ficava ao lado possuia um
carro, eu bem poderia comprar um com o dinheiro que Mattew me
deixara, mas prometi a mim mesma que não esbanjaria e só usaria o
necessário para sobreviver dignamente até que eu me formasse e
arrumasse um bom emprego.
As aulas iniciariam no dia seguinte, o que significava que ainda hoje eu
precisaria ver o conteúdo do baú e aquilo estava me deixando um
pouco agitada. Eu precisava sair do apartamento por alguns intantes,
relaxar, pensar em algo que não fosse aquele baú.
- Ei Max - eu disse colocando o pincel de volta ao tabuleiro e retirando
meu avental. - Acho que precisamos de um bom capuccino e alguns
donuts para recuperar nossas forças. Que tal irmos até o Martin's?
Ela deu um sorriso travesso e fez que sim com a cabeça, retirou seu
avental e colocouo pincel juntamento com o que eu havia colocado
no tabuleiro.
- Adorei esse tom de amarelo limão que você resolveu colocar nesta
parede, Gwen. Vai dar mais vida ao seu apartamento.
Sorri.
- Vai sim, ainda vou conseguir deixar esse apartamento com cara de
lar, meu pequeno e minúsculo lar.
Soltando uma gargalhada gostosa Maxine passou o braço em volta do
meu ombro e fomos em direção ao Martin's.
- Sua camiseta está toda manchada de tinta - ela acusou divertida.
- Sim, é minha camiseta especial de pintura - eu disse acompanhando a
brincadeira - sempre que vou respingar tinta em alguma parede, eu
testo em minha camiseta antes.
Chegamos ao Martin's, uma pequena lanchonete que ficava a uma
quadra do prédio em que eu morava. Era um ambiente simples, mas
limpo e com um cardápio bastante variado de receitas deliciosas.
Sentamos em uma mesa próxima a janela, o lugar estava pouco
movimentado naquele horário, eram quase seis horas da noite, apenas
algumas amigas gargalhavam animadamente em uma mesa no lado
oposto a nossa, e cochichavam animadamente. Percebi que elas
estavam olhando discretamente para uma mesa em particular onde
dois rapazes estavam conversando distraídamente sem perceber que
eram o motivo das risadinhas do grupo de garotas. Maxine
acompanhou meu olhar para a mesa dos garotos e sua reação me
deixou curiosa, ela parecia um pouco surpresa ao ver de quem se
tratava, como se conhecesse os rapazes e como se não esperava vêlos por ali.
- Quem são eles? - perguntei casualmente, mas com uma certa
curiosidade.
- Ele voltou. - disse apenas.
Tomei um gole do capuccino que a garçonete acabara de deixar em
nossa mesa, ela já sabia nossa preferência pois iamos com frequência
ao Martin's, definitivamente a minha lanchonete favorita. Olhei
discretamente para a mesa onde os dois rapazes se encontravam e
prestei atenção em um deles, o que se sentava de frente para mim. Ele
vestia uma camiseta branca, sem nenhum tipo de estampa, e uma
jaqueta de couro preta, olhei para a parte de baixo da mesa tentando
ver o restante e percebi que usava um jeans surrado e um par de botas
pretas com o cadarço meio desamarrado, tinha a pele bronzeada e os
cabelos negros despenteados de maneira rebelde e um olhar
perigosamente intenso. De repente nossos olhares se cruzaram e senti
meu rosto corar, não consegui sustentar o olhar e então desviei para
meu copo e dei mais um gole no meu capuccino, percebi que ele
estava rindo e parecia estar se divertindo com a situação. Me senti uma
menina de doze anos quando vê o menino por que está apaixonada,
exceto por eu não ter doze anos e por não estar apaixonada pelo
moreno desconhecido.
- Max? Você está bem? - ela tomava seu capuccino em silêncio e não
havia tocado em nenhum dos donuts.
De repente ela despertou do transe e sorriu para mim.
- Sim, desculpe. Apenas fiquei um pouco surpresa ao vê-lo por aqui,
pensei que ele nunca mais voltaria a Beaufort depois de abandonar
sua mãe doente.
- Como assim? Você o conhece?
- Sim, eu tinha apenas doze anos quando isso aconteceu, mas me
lembro bem, ele não mudou nada embora esteja mais homem agora.
Ele se chama Brício, sua mãe é a melhor amiga de minha mãe, por isso
me lembro dele.
Olhei novamente para ele mas desta vez tentei ser mais discreta para
que ele não percebesse meu olhar, era um belo homem, o rapaz que
estava com ele vestia um moletom cinza com capuz na cabeça e
estava de costas para mim, não conseguia ver quem era, e nem
Maxine, portanto ela não soube dizer quem era.
- Por que você disse que ele abandonou a mãe doente? - Esse assunto
mexeu comigo de uma maneira que eu não pude evitar.
Ela tomou mais um gole de capuccino e se aproximou de mim, como se
o que fosse me dizer não poderia ser ouvido por mais ninguém.
- Ele morou em Beaufort a vida toda, até os dezoito anos quando
descobriu que seu pai era um empresário muito rico na Espanha, e foi
embora quando sua mãe estava iniciando uma luta contra o câncer.
De repente senti um mal estar ao ouvir aquilo, fiquei sem reação por
alguns minutos, sem saber o que dizer para Maxine. Como alguém
poderia ser capaz de abandonar uma pessoa doente quando essa
pessoa mais precisava? Havia perdido toda a fome naquele momento,
me senti nauseada e com uma terrível dor de cabeça, lembranças ruins
invadiram minha mente e precisei ser forte para que as lágrimas não
teimassem em cair. Me levantei apoiando-me mesa, como se não
tivesse a certeza de que conseguiria ficar de pé, Maxine me olhou
preocupada mas eu logo a tranquilizei:
- Estou bem Max, não se preocupe. - Retirei uma quantia de dinheiro do
bolso da calça e coloquei em cima da mesa. - Tenho que ir para a casa
terminar algumas coisas e deixar tudo pronto para iniciar as aulas
amanhã. Te encontro na escola, tudo bem? fique e termine seu lanche,
mal tocou nos donuts.
Não esperei pela resposta dela e saí em direção a porta, assim que fiz
menção de abrí-la percebi que os dois rapazes estavam olhando para
mim. Ignorei. Precisava sair daquele lugar.
Chegando em meu apartamento fui direto para o banheiro e tirei
minhas roupas entrando no chuveiro, me senia suja e com um imenso
peso nas costas, precisava daquele banho com urgência, como se ele
fosse tirar aquele peso enorme de minhas costas. Fiquei parada ali por
um tempo, apenas deixando a agua cair em meu corpo e as lágrimas
escorrerem pelo meu rosto. Eu precisava chorar, precisava por mais um
pouco da minha tristeza para fora.
Assim que me senti renovada, saí do chuveiro e fui para o quarto me
secar e colocar um par de pijamas para dormir. Fui até o meu pequeno
sofá e peguei o baú de madeira levando-o até o quarto e sentei-me
em cima da cama para abri-lo. Não estava cadeado, apenas fechado
com uma pequena tranca. Me senti um pouco apreensiva na hora em
que o abri, respirei fundo me controlando para contar mais lágrimas
que eu sabia que inevitavelmente caíriam sobre meu rosto, mais cedo
ou mais tarde. Consegui contê-las.
Dentro do pequeno baú havia um envolope branco, um cd, e uma
pequena caixa de acrílico com pequenos papéis coloridos dobrados
dentro dela. Primeiramente peguei o envelope e nele li meu nome
escrito. Havia uma pequena observação no evelope que dizia:
"Quero que ouça a música deste cd e preste atenção na letra, depois
quero que leia a carta.
Com Amor Matt".
Minhas mãos tremiam ao pegar o cd e colocá-lo no aparelho de som, a
melodia começou a soar em meus ouvidos então não pude mais conter
a primeira lágrima, reconhecia aquela canção, era Iris do Goo Goo
Dolls, trilha sonora do filme "A cidade dos anjos" o último filme que
assistimos juntos, no hospital.
E a música dizia:
"E eu desistiria da eternidade para te tocar
Pois eu sei que você me sente de alguma maneira
Você é o mais próximo do paraíso que já estarei
E eu não quero ir para casa agora
E tudo que posso sentir é este momento
E tudo que posso respirar é a sua vida
E mais cedo ou mais tarde se acaba
Eu só não quero ficar sem você essa noite
E eu não quero que o mundo me veja
Porque eu não acho que eles entenderiam
Quando tudo é feito para não durar
Eu só quero que você saiba quem sou eu
E você não pode lutar contra as lágrimas que não virão
Ou o momento de verdade em suas mentiras
Quando tudo se parece como nos filmes
É, você sangra apenas para saber que está viva"
Aquilo era de mais para mim. Esta música mexia comigo desde que
assistimos ao filme. Matt costumava dizer que aquela era nossa música,
que eu era o mais próximo do paraíso que ele já esteve, e que se
pudesse ele ficaria comigo para sempre mas que infelizmente o pra
sempre não existia para ele. Não consegui me conter e chorei por um
longo tempo, coloquei a música para repetir mais e mais vezes e chorei
até a exaustão.
Acabei adormecendo sem ler a carta que ele havia me deixado.
CAPÍTULO 2
BRÍCIO
Estava de volta a Beaufort, e estava puto com minha mãe. Como pode
ter mentido para mim esses anos todos? Voltar para meu antigo lar e ter
que encarar os olhares de desgosto daquelas pessoas que sempre me
olharam com carinho e adimiração, elas agora me desprezavam, como
se eu fosse o pior dos seres humanos. Tudo por causa de uma mentira
da qual eu havia sido vítima e não o vilão. Mas eles que se fodam, não
preciso dar explicações e não me sinto culpado de nada.
cinco anos haviam se passado desde o dia em que fui para a Europa
morar com meu pai e ingressar na faculdade. Eu ainda não o conhecia
o suficiente para me sentir a vontade em morar com ele em Madri, mas
por insistência de minha mãe acabei cedendo e fui embora para a
Europa. Sinceramente, a melhor escolha que fiz. Voltar para esta cidade
e encarar olhares depreciativos não era algo que eu esperava de
pessoas que um dia considerei amigas, mas era de se esperar já que
minha mãe não se preocupou em fazê-los mudar a impressão ruim que
tinham a meu respeito. Parabéns para ela.
Não voltei sozinho, trouxe meu irmão Benício comigo, ele estava ansioso
para conhecer a América e como nos davamos muito bem eu decidi
que trazê-lo poderia ser uma boa idéia já que eu estaria pisando em um
terreno desconhecido para mim, seria bom ter alguém por perto. Ele
era quatro anos mais novo do que eu, filho de minha madrasta Maria
com meu pai, Alerrandro Di Stefano. Assim que cheguei a Madri, eu e
Benício haviamos ficado muito próximos, além de irmãos nossa amizade
era o que eu considerava de mais precioso depois do amor que eu
sentia por minha mãe. Tinhamos uma ligação muito forte.
Me sentia um completo estranho na casa em que cresci, tudo estava
igual, nada havia mudado desde que eu havia ido embora, mas de
qualquer maneira eu não pertencia mais aquele lugar. Meu quarto
continuava intacto, apesar de cinco anos terem se passado, minha
mãe o manteve bem conservado e fez questão de deixar tudo como
antes. O que ela não sabia é que o garoto que viveu naquele quarto
por dezoito anos não existia mais, ele havia cedido o espaço para um
homem que embora aparentava ser um rebelde sem causa era um dos
mais novos empresários em ascenção na Europa. Meus
empreendimentos caminhavam rapidamente para o sucesso e eu vinha
me destacando no mundo dos negócios, meu pai dizia com orgulho
que eu tinha o "jeito pra coisa" e que aquilo vinha de berço.
A relação com meu pai embora de inicio tenha sido um pouco
tempestuosa foi de longe a melhor coisa que acontecera em minha
vida. Crescer sem um pai foi algo que eu sempre lamentei, havia
assuntos dos quais eu precisava conversar com um homem mais velho e
minha mãe não poderia suprir essa minha necessidade, eu não
conseguiria me abrir com ela sobre determinados assuntos e isso fez de
mim um adolescente irritado e um pouco brigão. Era minha maneira de
estravasar um pouco da raiva que eu sentia por não ter quem
conversar.
Estava em Beaufort a menos de vinte e quatro horas e a cota de olhares
especulativos e julgamentos precipitados já estava esgotada, fui com
meu irmão até o Martin's, uma pequena lanchonete que sempre foi a
minha preferida, e lá ficamos conversando por um longo tempo.
- Sua mãe é uma pessoa boa, irmão - dizia Benício, ele estava tomando
seu segundo capuccino e parecia que nunca havia tomado uma
bebida tão gostosa embora tivesse frequentado inúmeras cafeterias em
Madri.
- Ela é maravilhosa, mas ainda me sinto um pouco desconfortável pelo
que ela fez.
Com Benício eu não precisava fazer a pose de cara durão, era apenas
Brício, o irmão mais velho converversando com o irmão mais novo e
melhor amigo. Sem máscaras, sem barreiras de proteção.
- Eu sei hermano*, mas ela quis te proteger de certa maneira. Mães têm
essas coisas de querer isolar os filhos de qualquer tipo de sofrimento
como se fossemos para sempre seus bebês e coisas do tipo. - ele fez um
gesto vago no ar
Sorri.
- É pode até ser, mas voltar para cá e ver o desprezo desta gente me
enoja. Bando de idiotas! - disse com raiva.
A porta do Martin's se abriu e duas garotas acabavam de entrar na
lanchonete, uma era pequena e morena, a outra era um pouco mais
alta e loira, o que mais me chamou a atenção na garota loira foi ela
estar com uma camiseta toda manchada de tinta colorida e também
por se tratar de uma bela jovem, embora um pouco desarrumada.
Devia esta envolvida em algum projeto de pintura e ter parado ali para
um lanche.
- O que foi? É mulher? - Benício perguntou curioso mas estava de costas
para a porta e usando um moletom cinza com um capuz que o
impedia de vizualizar as duas garotas que se sentaram em uma mesa
do canto oposto da nossa.
Percebi que além das duas garotas havia um grupo de meninas perto
de nossas mesas, elas eram bonitas mas eu não prestei muita atenção,
com certeza eram menores de idade e aquilo significaria encrenca e
eu pretendia me manter bem longe disso. A moça morena se sentou de
costas para mim, tive a impressão de já conhecê-la mas não me veio a
cabeça nenhum nome conhecido, já a loura sentou-se de frente para
mim e esta eu tive certeza de nunca ter visto antes. Devia ter se
mudado para a cidade depois que fui embora, isso seria bem provável
e eu tinha a impressão de que se fosse alguém que morasse ali na
minha época eu com certeza reconheceria.
Sempre me dei bem com garotas, desde a adolescencia. Tinha
facilidade em me relacionar com elas e de certa forma algum tipo de
imã que as atraiam para mim, nunca reclamei.
- Sim, há algumas garotas cochichando na mesa atrás da nossa.
Acredito que seja sobre nós mas elas aparentam ser colegiais então
longe de mim olhar na direção delas. Não curto adolescentes.
Benício gargalhou. Ele me conhecia muito bem, e principalmente o
meu gosto para mulheres. Definitivamente adolescentes não me
atraiam.
- Hermano*, você é meu idolo. Tive sorte de ter você para me espelhar,
assim evito me meter em encrenca com as mulheres.
observei novamente as duas garotas no lado oposto da lanchonete, e
percebi que a garota loira estava me encarando mas assim que viu que
eu estava olhando corou rapidamente e desviou o olhar
envergonhada, não contive um sorriso de satisfação ao perceber que
ela não era imune ao meu contato visual, geralmente ele era infalível
com as mulheres. Benício notou meu sorriso debochado.
- Sério, você precisa me mostrar quem é a garota Hermano*. Conheço
essa expressão no seu rosto, esse olhar é aquele que eu tento imitar
sempre que quero impressionar uma garota no contato visual.
Não contive uma risada.
- Jura que você tenta me imitar? Não acredito nisso hermano*.
- Eu estou falando sério cara. Esse olhar é perigoso mas é infalível, eu
preciso aprender logo.
- Você precisa parar de tentar fazer as mesmas coisas que eu ou daqui
a pouco estaremos brigando pela mesma garota. crie seu próprio
método de conquista, hermano*.
Benício fez um gesto com as mãos, imitando uma facada em seu peito
e então começamos a rir. Vi que a garota loira estava indo em direção
a porta de saída e fiz um gesto com a cabeça pra que meu irmão se
virasse para vê-la.
- É ela.
Ele conseguiu vê-la antes que ela fosse embora. Fiquei curioso a
respeito daquela garota com a camiseta suja de tinta. O que ela estaria
fazendo para estar com aquela camiseta suja? Certamente estaria indo
para casa tomar um banho ... Como seria vê-la sem aquela camiseta?
- Ela me lembra Taylor Swift em "We Belong To Me" - disse Benicio
divertido.
- Que coisa mais Gay - comecei a gargalhar
- Ei! Não ria de mim, é por isso que parei de ficar com adolescentes. Ter
que assistir video clipes da Taylor Swift não é algo que eu realmente
curto. Prefiro transar.
- Não compare - eu estava me divertindo com aquilo, Benício havia
cometido uma gafe e sabia que eu iria debochar daquilo por um bom
tempo.
A garota morena se levantou e foi até o caixa para pagar a conta. Eu
sabia que a conhecia, mas não conseguia me lembrar o seu nome,
então ouvi moça do caixa falar com ela:
- Pronta para o início das aulas, Max?
- Mais ou menos. Mas este é meu último ano então vou aproveitá-lo ao
máximo.
- São quinze dolares.
- Ok. Até logo Joan.
- Tchau Max.
A garota estava saindo pela porta quando de repente me lembrei de
quem se tratava.
- Fique aqui, eu já volto - disse para Benício e me levantei da mesa indo
em direção a porta para falar com a garota morena antes que ela
fosse embora.
- Max? Maxine Muller? - chamei com receio de estar equivocado sobre
a identidade da garota.
Ela virou-se devagar e permaneceu onde estava.
- Sim, sou eu.
Ela me olhava com curiosidade, esperando que eu revelasse minha
identidade.
- Sou Brício, lembra-se de mim? Nossas mães são amigas.
Ela sorriu. Havia me reconhecido e o que me deixou espantado, não
me olhava com reprovação como os demais.
- Lembro sim, vocÊ cresceu.- ela disse simpática.
Eu me aproximei dela, retribuindo o sorriso.
- Acho que eu deveria ter dito esta frase, afinal você cresceu mais do
que eu. Estou quase igual.
- É verdade - ela concordou - Eu tinha apenas doze anos quando você
foi embora. Como você está?
- Estou bem. Vim passar um tempo com minha mãe. Quem sabe nos
esbarramos por aí um dia desses.
Ela sorriu novamente, parecia envergonhada mas não intimidada com
a minha presença, era apenas a falta de assunto. Tomei coragem e fiz a
pergunta que pensei em fazer assim que a abordei.
- Aquela garota que estava com você, eu não a reconheci.
Ela franziu a testa desconfiada, sabia que eu estava especulando. Ficou
um pouco pensativa e eu soube que ela estava pensando em uma
resposta adequada. Garota esperta.
- Ela é nova em Beaufort, se chama Gwen. - respondeu com cautela agora preciso ir, está ficando tarde. Foi bom rever você Brício, apareça
lá em casa, meu pai ficará feliz em revê-lo. Você é bem vindo.
- Obrigado. Irei assim que possível.
Ela se virou e foi embora.
Voltei para dentro da lanchonete e chamei meu irmão para voltarmos
ao Hotel
, ele pagou a conta e voltamos em meu Mercedes Classe A 200 Turbo
style que eu havia adiquirido assim que chegamos na Carolina do
Norte. Ao chegarmos no hotel cada um foi para seu quarto, e eu fui
direto para um banho quente e demorado. A imagem da garota loira
não saia de minha cabeça. Gwen. Esse era seu nome.
Após o banho me deitei na cama e abri meu macbook para verificar
meus e-mails. Não resisti e pesquisei no site de buscas pelo video clip da
Taylor swfit me sentindo um grande imbecil, Benício dissera que ela
estava parecida com a cantora naquele video clip, precisava tirar a
prova e ri de mim mesmo por estar me comportando como um
adolescente idiota.
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