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Presidente da Câmara e deputados do PSD cansados uns dos outros

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Presidente da Câmara e deputados do PSD cansados uns dos outros
águeda e região
02 novembro 2011
05
FERIADO MUNICIPAL
Porquê e quando?
Paulo Matos que, no anterior mandato, teve uma cooperação institucional quase de excelência com Gil Nadais, diz agora estar farto de ouvir o presidente da Câmara
ASSEMBLEIA MUNICIPAL
Debate sobre o estado do concelho sem ideias
Presidente da Câmara e deputados
do PSD cansados uns dos outros
“Estou cansado da conversa do PSD!”, desabafou o presidente
da Câmara Municipal de Águeda, Gil Nadais, decorridas quatro
horas e meia de uma sessão da Assembleia Municipal que, de
novo e substancial, pouco ou quase nada trouxe.
O objectivo seria debater o estado do concelho; porém, pouco se debateu. Ideia novas também não houve, prevalecendo
argumentos antigos, dirimidos praticamente entre a maioria socialista que governa a autarquia e a oposição social-democrata.
Se Gil Nadais confessou, em jeito de desabafo, estar “cansado
da conversa” dos social-democratas, estes também afirmaram
alto e bom som, através do deputado Paulo Matos, estar fartos
de ouvir o presidente da Câmara. A saturação entre as partes
tinha sido, de resto, evidenciado por reacções anteriores do
chefe do executivo socialista, que em vários momentos, sempre
perante intervenções dos social-democratas, não escondia o seu
estado de espírito perante intervenções que lhe dariam força
argumentativa para serem contrariadas.
ÁGUEDA COM
A ‘CARA’ DE GIL NADAIS?
Gil Nadais preferiu mesmo não responder às questões, optando por traçar as suas conhecidas opções para o município,
uma vez mais, procurando justificá-las. Não se coibindo,
contudo, de considerar que muitas das intervenções feitas pelos deputados revelavam desconhecimento e impreparação.
E para quem lhe chama teimoso, ripostou: “Assumimos as
nossas opções, não vamos pela cabeça dos outros!” Eunice
Neto (CDS/PP) atirou: “O sr. é pessoa para ouvir o que quer
que seja? Para si Águeda tem de ficar com a sua cara!”
Ambiente de crispação registou-se em mais dois momentos: quando o presidente da Junta da Trofa, Carlos Silva, voltou
a queixar-se do tratamento do município e, em particular, do
vice-presidente da Câmara, Jorge Almeida, obrigando-o a reagir
quando colocou em causa a sua seriedade; e quando o presidente
da Câmara falava do investimento do município nas freguesias
com os presidentes de Junta eleitos pelo PSD a provocarem um
ruído revelador de um colectivo desacordo. Também aqui nada
de novo. Até na afirmação de Gil Nadais, em tom mais elevado
e sempre a questionar: “Uma escola em Macinhata é na cidade?
Uma escola...” (etc)
FREGUESIAS A SECAR?
“A sua câmara está a secar as freguesias e está a provocar aversão
das freguesias em relação à cidade”, acusou Hilário Santos. “Somem
os investimentos e vejam onde está a maior fatia, se na cidade ou nas
freguesias”, ripostou Gil Nadais.
Uma certeza ficou nesta Assembleia Municipal para discutir o
estado do concelho: os nossos representantes políticos têm cada
vez menos tempo para discutir o concelho. Este debate anual tem
servido apenas para mais uma sessão de arrufos entre os dois principais partidos (PS e PSD), aqui e ali com o CDS/PP a procurar
tirar partido, nem sempre com sucesso, da situação. Quase cinco
horas de reunião para quê? Para aumentar o cansaço entre quem
se confessa cansado e entre quem já não se pode ouvir?
A.S.
(ver contributos na pág 6)
Uma aula
de história
no salão nobre
Discutir o feriado municipal – “porquê e
quando?” – foi ponto agendado para a sessão da Assembleia Municipal de sexta-feira.
A reflexão, mesmo que as intervenções suportadas na leitura de textos escritos provocassem evidente alheamento da maioria
dos deputados, ficou assinalada por uma
aula de história sobre o município de Águeda.
Os trabalhos de pesquisa apresentados
pelo presidente da Assembleia Municipal,
Celestino de Almeida, e pela deputada do
PSD, Nair Barreto, mereciam mais do que
uma simples leitura no salão nobre. Datas
como o 27 de Janeiro (Batalha das Barreiras) ou o da elevação de Águeda a cidade
(14 de Agosto) foram mencionadas como
possíveis.
Jorge Mendes (PS, presidente da Junta da
Borralha) deu conta da posição do seu partido: “Manter a data do São Geraldo”. Contudo, “há a necessidade de desenvolver parcerias para dignificar a sua comemoração” e
“há a necessidade de sensibilizar as pessoas
para dignificar o feriado municipal”.
Na introdução do tema, Celestino Almeida questionou se “vale ou não a pena ter
este feriado”, porquanto o feriado municipal deve ser um “dia de congregação de
interesse público, um sinal público de unidade, um dia de reconhecimento ao mérito,
de apresentação de estratégias e de orgulho aguedense”. Considera o presidente da
Assembleia Municipal que o actual feriado
está “desvalorizado”.
Nair Barreto (PSD) afirmou-se “espantada
por este ponto constar na ordem de trabalhos, com tantos pontos mais importantes
para serem introduzidos”, mas não deixou
de dissertar sobre algumas datas que “merecem reflexão profunda”.
A social-democrata, a exemplo do que aconteceu no Porto com o São João, sugeriu: “Porque não chamar a população toda a dar a sua
opinião?”
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