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Antonio Batista Pereira - Sociedade de Ecologia do Brasil

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Antonio Batista Pereira - Sociedade de Ecologia do Brasil
XII CONGRESSO DE ECOLOGIA DO BRASIL
ECOSSISTEMAS DE ÁREAS DE DEGELO DA ANTÁRTICA E
SUAS POPULAÇÕES ÚNICAS E FRÁGEIS
Antonio Batista Pereira - Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA), Campus São Gabriel e Instituto Nacional
de Ciência e Tecnologia Antártico de Pesquisas Ambientais (INCT-APA).
INTRODUÇÃO
Antártica é o nome dados ao continente formado pelas terras localizado abaixo do paralelo 60o Sul. Os termos
Antártica e Antártida na língua Portuguesa do Brasil são sinônimos, entretanto a comunidade científica brasileira
prefere o nome Antártica, devido principalmente a designação internacional do continente como Antarctica e
também pela relação com Ártico (Pereira & Putzke, 2010).
A capa de gelo da Antártica englobando a que cobre a crosta e a parte flutuante corresponde a 10 % da superfície
da Terra. A camada de gelo que reveste a Antártica pode alcançar uma espessura de até 4.000 m, correspondendo a
70% da água doce do planeta. No continente Antártico (Estação Russa de Vostok) foi registrada a menor
temperatura do planeta, -89,2o C, em 21 de julho de 1983 (Turner & Marshall, 2011).
O continente antártico é o que reúne o maior número de superlativos, por ser considerado o mais frio (-89,2o C), o
mais seco (precipitação média anual não superior a 100 mm), o mais alto (altura média 2.300 m), o mais ventoso (a
velocidade do vento pode chegar a 327 Km/h), o mais desconhecido e o mais preservado (Brito, 2009).
Apesar de a Antártica ter sido descoberta em 1599, os primeiros estudos de botânica feitos em uma expedição
científica foram realizados por J. Torrey em 1823, o qual é considerado o primeiro botânico a coletar e descrever
uma espécie da Antártica, o líquen (Usnea fasciata Torrey = Usnea aurantiaco-atra (Jacq.) Bory. J. Eights foi o
primeiro botânico a coletar na Antártica liquens, briófitas, algas e a única gramínea nativa, em uma expedição
realizada entre 1829 e 1830 (Putzke & Pereira, 2001).
OBJETIVO
A presente palestra tem como objetivo principal apresentar e discutir as principais populações de plantas e de
animais que compõem os ecossistemas de áreas de degelo da Antártica.
MATERIAL E MÉTODOS
Os dados apresentados nesta palestras foram obtidos através das pesquisas desenvolvidas em ecossistemas de áreas
de degelo da Antártica nos últimos vinte anos. No estudo da vegetação utilizou-se a técnica de quadrados de BraunBlanquet (1964), adaptado a?s condiço?es da Anta?rtica. Para relacionar as populações de plantas com as colônias
de aves foi utilizada a metodologia de Lindenmeyer-Sousa et al. (2013).
RESULTADOS E DISCUSSÃO
A flora da Antártica está composta por duas espécies de Magnoliophyta: Deschampsia antártica Desv. (Poaceae) e
Colobanthus quitensis (Kunth.) Bart. (Caryophylaceae), aproximadamente 360 espécies de liquens (Øvstedal &
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Lewis Smith, 2001). As briófitas estão representadas por aproximadamente 110 espécies de musgos e 22 espécies
de hepáticas. Cabe destacar também que no ambiente terrestre, ocorre uma espécie de alga macroscópica - Prasiola
crispa (Lightfoot) Menegh. (Clhorophyta) que, por ser ornitocoprófila, apresenta considerável biomassa
principalmente em torno das pinguineiras (Putzke & Pereira, 2001). Os trabalhos sobre fungos macroscópicos,
tratam dos macromicetes das regiões Sub-Antárticas e da Antártica, não deixando claro quais as espécies que
realmente ocorrem na Antártica. Putzke & Pereira (1996), baseando-se em material coletado nas Ilhas do
Arquipélago das Shetlands do Sul, listam cinco espécies. A primeira citação da ocorrência de Myxomycetes na
Antártica é Trichia varia (Pers.) Pers. (Putzke et al. 2004).
Além das duas espécies de Magnoliophyta nativa na Antártica, ocorre também uma espécie invasora que é Poa
annua L., espécie de grama anual, cespitosa, nativa da Europa, a qual é encontrada com frequência no sul do Brasil,
como invasora de cultivos de inverno; muito resistente ao frio, é citada para a Ilha Rei George, Shetland do Sul,
crescendo em áreas de degelo nos arredores da estação antártica polonesa, que se localiza junto a Baia do
Almirantado (Pereira & Putzke, 2010).
Comunidade de aves está representada por seis espécies de pingüins: pinguim-adélie (Pygoscelis adeliae),
pinguim-antártico (Pygoscelis antactica), pinguim-papua (Pygoscelis papua), pinguim-macaroni (Eudyptes
chrysolophus), pinguim-imperador (Aptenodytes forsteri), pingüim-rei (Aptenodytes patagonicus). Alem destes
ocorrem também: petrel-gigante (Macronectes giganteus), pomba-antártica (Chionis alba), biguá-de-olhos-azuis
(Phalacrocorax antriceps), trinta-réis-antártico (Sterna vittata), petrel-das-tempestades (Oceanites oceanicus),
almas-de-mestre (Fregetta tropica), pomba-do-cabo (Daption capensis), skua (Catharacta (Stercorarius)
lonnbergi, Catharacta (Stercorarius) maccormicki e Stercorarius antarcticus), gaivotão (Larus dominicanus). Os
mamíferos estão representados pelo elefante-marinho (Mirounga leonina), lobo-marinho-antártico (Arctocephalus
gazella), foca-caranguejeira (Lobodon carcinophagus), foca-de-ross (Ommatophoca rossi), foca-de-weddell
(Leptonychotes weddelli), foca-leopardo (Hydrurga leptonyx) .
Agradecimentos: Trabalho desenvolvido com recursos do MCTI através CNPq Proc. N. 574018/2008-5 e
484020/2010-2, FAPERJ Proc. E-26/170.023/2008 e CIRM.
REFERÊNCIAS
BRAUN-BLANQUET, J. 1964. Pflanzensociologie. 3. Aufl. Wien, Springer. 865p.
BRITO, T. A. S. 2009. Antártica bem comum da humanidade. Ministério do Meio Ambiente. 69 p.
LINDENMEYER-SOUSA, L.A.; PETERSEN, E.S. & PETRY, M.V. 2013. Occurrence and mortality of Antactic
and Sub-Antarctic seabirds along the southern brazilian coast. Activity Repport 2013: 40-50.
ØVSTEDAL, D. O. & LEWIS SMITH, R. I. 2001. Lichens of Antarctica and South Georgia – A guide to their
identification and ecology. Studies in Polar Research. Cambridge University Press. 411p.
PEREIRA, A. B. & PUTZKE, J. 2010. Dicionário Brasileiro de Botânica. CRV, 434 p.
PUTZKE, J. & PEREIRA, A.B. 2001. The Antarctic Mosses – With Special Reference to the South Shetland
Island. Editora da ULBRA. 196p.
PUTZKE, J.; PEREIRA, A. B. & PUTZKE, M. T. L. 2004. New Record of Myxomycetes to the Antarctica. In:
Actas del V Simposio Argentino y I Latinoamericano de Investigaciones Antarticas. 1: 1-4.
TURNER, J. & MARSHALL, G.J. 2011. Climate change in the Polar Regions. Cambridge University Press. 434
p.
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