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CadernoPedagogicoFinal 2 fazer PDF
FICHA PARA CATÁLOGO
PRODUÇÃO DIDÁTICO PEDAGÓGICA
Título: O valor literário da cultura Hip-Hop e a contribuição africana
Autor
Marta Tomé de Lima Soto
Escola de Atuação
Colégio Estadual Tânia Varella Ferreira – Ensino
Fundamental e Médio
Município da escola
Maringá
Núcleo
Regional
Educação
de Maringá
Orientador
Dr. Marciano Lopes e Silva
Instituição de Ensino
Superior
UEM
Disciplina/Área
Língua Portuguesa
Público Alvo
3° ano do Ensino Médio – Bloco - Matutino
Localização
Colégio Estadual Tânia Varella Ferreira
Rua Libertador San Martin, s/n°, Conjunto Guaiapó
Apresentação:
A elaboração desse caderno pedagógico nasceu da
necessidade de estimular o interesse do educando em
aprender a língua portuguesa, visto que a maioria dos
alunos apresenta resistência em fazer leituras e
aprender o ensino da língua materna por não estarem
familiarizados com a linguagem literária. Assim,
buscou-se criar um material que partisse de textos que
fazem parte do cotidiano dos educandos para,
gradativamente, passar para textos mais complexos.
Para isso, fundamentamos nossa pesquisa nos
Métodos Recepcional e Criativo, de Bordini e Aguiar.
Esse material também contempla a cultura
afrobrasileira para que o aluno possa conhecer a
contribuição africana para a formação da identidade
nacional. A implementação dessa produção didáticopedagógica na escola contribuirá com a superação dos
problemas encontrados no processo ensinoaprendizagem da língua portuguesa, garantindo assim
uma melhor qualidade de ensino.
Palavras-chave
Hip-Hop, aprendizagem, cultura africana, leitura
1) IDENTIFICAÇÃO
1.1)
ÁREA: Língua Portuguesa
1.2)
Professor PDE: Marta Tomé de Lima Soto
1.3)
Professor orientador IES: Doutor Marciano Lopes e Silva
1.4)
NRE/ Município: Maringá
1.5)
IES Vinculada: Universidade Estadual de Maringá - UEM:
1.6) Escola de implementação: Colégio Estadual Tânia Varella Ferreira - Ensino
Fundamental e Médio
1.7)
Público objeto de intervenção: 3º ano do Ensino Médio - matutino
1.8)
Tema do estudo: A influência da cultura Hip-Hop nos adolescentes dentro do
espaço escolar e o aproveitamento desse interesse em favor do ensinoaprendizagem, bem como o estudo da cultura afrobrasileira.
1.9)
Título: O valor literário da cultura Hip-Hop e a contribuição africana
INTRODUÇÃO
O ensino da língua portuguesa nas escolas públicas tem se tornado
enfadonho e monótono, muitas vezes pelas aulas pouco dinâmicas e sempre da
mesma maneira. O aluno, por sua vez, traz o desinteresse estampado e a cada dia
mais o espaço escolar é lugar para encontros e brincadeiras.
Para enfrentar esta realidade e tentar alterá-la no espaço social em que o
projeto será desenvolvido, algumas questões se impõem:
a) Como tornar essas aulas mais interessantes e produtivas?
b) Pensar em novos métodos de trabalhar a língua materna, com uma
proposta didática diferenciada, por meio do lúdico e partindo da realidade
do educando, motivará mais e acontecerá um ensino-aprendizagem com
mais eficiência?
c) É importante conhecer a cultura afrobrasileira e entender sua contribuição
na formação da identidade do povo brasileiro?
d) Estudar e compreender a cultura Hip-Hop, que faz parte do cotidiano do
aluno ajudará a melhorar a aprendizagem?
e) A cultura Hip-Hop em suas várias formas de manifestação tem valor
literário?
As diretrizes Curriculares do Paraná - DCEs - Língua Portuguesa (2008,
página 55), chamam a atenção para o fato de se partir da realidade do aluno, como
podemos observar em: “No processo de ensino-aprendizagem, é importante ter claro
que quanto maior o contato com a linguagem, nas diferentes esferas sociais, mais
possibilidades se tem de entender o texto, seus sentidos, suas intenções e visões de
mundo”.
Na comunidade em que se encontra o Colégio Estadual Tânia Varella
Ferreira, trabalhar com leitura, interpretação e compreensão de texto é uma tarefa
difícil porque os adolescentes são provenientes de famílias simples e muitas delas
desestruturadas, que não valorizam a escola, tendo nela um ponto de encontro, já
que não possuem lazer algum no bairro. Fazer leitura de livros, poemas, etc. para
eles não é algo interessante porque a leitura não é entendida como um fator
humanizador, ou seja, como elemento importante para a formação do sujeito.
Assim, os educandos chegam à escola apresentando resistência em realizar
leitura de textos, principalmente por não estarem familiarizados com a linguagem
literária. Por outro lado, o rap, o street dance, o grafite e todas as manifestações que
fazem parte da cultura Hip-Hop fazem parte do cotidiano deles, e é uma linguagem
pela qual eles se interessam e que prende muito a atenção desses educandos.
Além das manifestações artísticas que fazem parte da cultura Hip-Hop serão
pesquisados textos da cultura afrobrasileira para que o educando possa entender
melhor a contribuição africana para a formação da identidade nacional, mostrando
que aquela é vertente desta.
Diante de tais considerações, é que esse material didático foi pensado e
elaborado, para trabalhar com o 3° ano do Ensino Mé dio, utilizando como suporte
teórico os Métodos Recepcional e Criativo, de Bordini e Aguiar, acreditando-se que
dessa maneira possamos formar leitores críticos.
O Método Recepcional visa a ampliação do horizonte de expectativas do
aluno levando-o a descobrir o gosto pela leitura. Partiremos da leitura de textos
simples, que fazem parte do cotidiano destes alunos para chegarmos a textos mais
complexos que eles possam ler compreender e interpretar, fazendo as inferências
necessárias, o que provocará a ruptura de seus horizontes de expectativas
tornando-o um leitor cada vez mais crítico e preparado para uma boa e prazerosa
leitura.
Para que isso aconteça, percorreremos as cinco etapas do Método
Recepcional: A Determinação do horizonte de expectativa; o Atendimento ao
horizonte de expectativa; a Ruptura do horizonte de expectativa; o Questionamento
do horizonte de expectativa e a Ampliação do horizonte de expectativa.
Recorreremos ao Método Criativo, de Bordini e Aguiar, que é composto de seis
etapas: A Constatação de uma carência; a Coleta de dados desordenada; a
Elaboração interna de dados; a Constituição do projeto criador; a Elaboração do
material e a divulgação do material por meio de uma mostra.
Acredita-se que a implementação desse material didático na sala de aula
oferecerá condições para que os alunos possam ter um ensino aprendizagem de
fato, com significação para eles, percebendo, assim, a importância do ensino da
língua portuguesa para o seu dia a dia, e que desse modo possamos garantir uma
melhor qualidade de ensino nas escolas públicas do Paraná.
PRODUÇÃO DIDÁTICO-PEDAGÓGICA
O vídeo e a letra do rap na íntegra encontram-se disponíveis em:
http://letras.terra.com.br/mv-bill/97244/ acessado em 19/07/2011.
CONTRASTE SOCIAL - MV-Bill
Eu quero denunciar o contraste social
Enquanto o rico vive bem, o povo pobre vive mal
Cidade maravilhosa é uma grande ilusão
Desemprego pobreza miséria corpos no chão
As crianças da favela não tem direito ao lazer
Governantes muito falam e nada querem fazer
O posto de saúde é uma indecência
Só atendem se o caso for uma emergência
Sociedade capitalista de sorriso aberto
Rir de longe é melhor do que sofrer de perto
Miséria e morte é o nosso dia a dia
Pelo menos entre nós não existe judaria
[...]
Por isso que muito cara fica revoltado
Com o sistema
que deixa os pobres acorrentados
Deve ser muito fácil falar da cobertura
Mas daqui debaixo a realidade é bem mais dura
[...]
Se na sua cabeça, eu estou equivocado
Deça da
cobertura e passe aperto do meu lado
Contraste social, o povo pobre é que vive mal
Eles querem negão dentro da
prisão
[...]
INTERPRETANDO E COMPREENDENDO O TEXTO
1) O que o eu lírico quer denunciar? Justifique sua resposta com elementos retirados
do texto.
2) Podemos perceber que a voz poética do texto tenta chamar a atenção para as
diferenças sociais no Brasil.
a) Indique essas contradições com elementos do texto.
3) Leia com atenção o trecho abaixo e responda à questão que segue:
“Se liga então, nada mudou/ Se na sua cabeça, eu estou equivocado/ Desça da
cobertura e passe aperto do meu lado”
De acordo com o trecho, quem é o interlocutor da canção?
4) “O rap articula-se como atos de comunicação, através de rappers e DJs,
produzindo discursos, diferentes dos discursos dos grupos dominantes a serviço de
sua comunidade, a fim de modificar suas crenças, seus posicionamentos políticosocial e sua identidade étnica e transformar sua visão de mundo”. Na sua opinião, a
canção consegue alcançar seu objetivo?
5) Qual a importância desse tipo de poesia para os jovens?
6) Quais as inferências que podemos fazer a partir da mensagem desse texto?
O vídeo e a letra do rap na íntegra
encontram-se disponíveis em
http://letras.terra.com.br/racionais-mcs/88492/?domain_redirect=_es acessado em
19/07/2011.
TEMPOS DIFÍCEIS - Racionais Mc's
Composição : Edy Rock / KL Jay
Eu vou dizer porque o mundo é assim.
Poderia ser melhor mas ele é tão ruim.
Tempos difíceis, está difícil viver.
Procuramos um motivo vivo, mas ninguém sabe dizer.
Milhões de pessoas boas morrem de fome.
E o culpado, condenado disto é o próprio homem.
O domínio está em mão de poderosos, mentirosos.
Que não querem saber.
Porcos, nos querem todos mortos.
Pessoas trabalham o mês inteiro.
Se cansam, se esgotam, por pouco dinheiro.
Enquanto tantos outros nada trabalham.
Só atrapalham e ainda falam.
Que as coisas melhoraram.
Ao invés de fazerem algo necessário.
Ao contrário, iludem, enganam otários.
[...]
Tempos... Tempos difíceis! (4x vezes )
[…]
INTERPRETANDO E COMPREENDENDO O TEXTO
1) Compare os dois textos: Em que eles se parecem? Explique e justifique
comparando alguns trechos retirados de cada texto.
2) Para o eu-lírico, quem é o culpado do mundo estar tão ruim?
3) No texto II, o eu-lírico não deixa claro quem são os poderosos e mentirosos. Na
sua opinião, quem são estas pessoas?
4) Para você, como podem ser resolvidos os problemas listados no rap “Tempos
difìceis”?
5) Reúna-se com seus colegas de grupo e, juntos concluam: Quais são as principais
caracteristicas do rap? Respondam levando em conta os seguintes critérios:
finalidade do gênero, perfil dos interlocutores, tema, estrutura e linguagem
(variedade linguística).
OFICINA NO LABORATÓRIO DE INFORMÁTICA
Agora vamos separar a sala em grupos para pesquisar as definições de hip-hop em
diferentes sites. Pesquisem também a história do hip-hop geral e no Brasil.
PRODUZINDO UM RAP
Agora que você já ouviu os dois estilos musicais, vamos produzir um rap que tenha
como tema assuntos relacionados com a desigualdade social.
Após ter ouvido e analisado os raps “Contraste social” e “Tempos difíceis”, veja o
vídeo e a letra da canção “Classe Média”, de Max Gonzaga que estão disponíveis na
íntegra no site http://www.youtube.com/watch?v=otS-uONfS2c, acessado em
19/07/2011.
CLASSE MÉDIA - Max Gonzaga
Sou classe média
Papagaio de todo telejornal
Eu acredito na imparcialidade da revista semanal
Sou classe média
Compro roupa e gasolina no cartão
Odeio coletivos e vou de carro que comprei à prestação
[...]
Mas eu to nem aí se o traficante é quem manda na favela
Mas não to nem aqui se morre gente ou tem enchente em Itaquera
Eu quero é que se exploda
A periferia toda
[...]
Toda tragédia só me importa
Quando bate em minha porta
Porque é mais fácil condenar
Quem já cumpre pena de vida.
[...]
INTERPRETANDO E COMPREENDENDO O TEXTO
1) A qual classe social pertence o eu-lírico do texto?
2) Retire do texto dois versos que trazem a ironia.
3) Muitas vezes o enunciador troca uma palavra por outra criando um efeito
inesperado, aproveitando-se, assim, o efeito da surpresa entre o ouvinte e o leitor.
No final da música foi empregado este recurso estilístico. Leia os versos abaixo e
interprete-os:
“Toda tragédia só me importa
Quando bate em minha porta
Porque é mais fácil condenar
Quem já cumpre pena de vida”.
4) A atitude do eu lírico retrata com fidelidade o comportamento das pessoas da
classe média brasileira?
5) Na sua opinião, esse comportamento de indiferença contribui com a violência do
país?
6) Compare o texto “Classe Média” com os raps “Contraste social” e “Tempos
difíceis”.
a) No que se diferem os eu- líricos dos três textos?
b) Analisando a música “Classe média” e os raps “Contrastes sociais” e “Tempos
difíceis”, podemos observar que a visão da classe média e a visão que as pessoas
da favela têm dos problemas sociais do Brasil são diferentes. Na sua opinião, isso
se dá pela diferença cultural? Justifique sua resposta.
BODARRADA - (Quem sou eu?) Luiz Gama
Amo o pobre, deixo o rico,
Vivo como o Tico-tico;
Não me envolvo em torvelinho,
Vivo só no meu cantinho:
Da grandeza sempre longe
Como vive o pobre monge.
Tenho mui poucos amigos,
Porém bons, que são antigos,
Fujo sempre à hipocrisia,
À sandice, à fidalguia;
Das manadas de Barões?
Anjo Bento, antes trovões.
Faço versos, não sou vate,
Digo muito disparate,
Mas só rendo obediência
À virtude, à inteligência:
Eis aqui o Getulino
Que no plectro anda mofino.
Sei que é louco e que é pateta
Quem se mete a ser poeta;
Que no século das luzes,
Os birbantes mais lapuzes,
Compram negros e comendas,
Têm brasões, não – das Calendas,
E, com tretas e com furtos
Vão subindo a passos curtos;
Fazem grossa pepineira,
Só pela arte do Vieira,
E com jeito e proteções,
Galgam altas posições!
Mas eu sempre vigiando
Nessa súcia vou malhando
De tratante, bem ou mal,
Com semblante festival.
Dou de rijo no pedante
De pílulas fabricante,
Que blasona arte divina,
Com sulfatos de quinina,
Trabuzanas, xaropadas,
E mil outras patacoadas,
Que, sem pingo de rubor,
Diz a todos, que é DOUTOR!
Não tolero o magistrado,
Que do brio descuidado,
Vende a lei, trai a justiça,
– Faz a todos injustiça –
Com rigor deprime o pobre
Presta abrigo ao rico, ao nobre,
E só acha horrendo crime
No mendigo, que deprime.
– Neste dou com dupla força.
Té que a manha perca ou torça.
Fujo às léguas do lojista,
Do beato e do sacrista –
Crocodilos disfarçados,
Que se fazem muito honrados
Mas que, tendo ocasião,
São mais feros que o Leão.
Fujo ao cego lisonjeiro,
Que, qual ramo de salgueiro,
Maleável, sem firmeza,
Vive à lei da natureza;
Que, conforme sopra o vento,
Dá mil voltas num momento.
O que sou, e como penso,
Aqui vai com todo o senso,
Posto que já veja irados
Muitos lorpas enfunados,
Vomitando maldições,
Contra as minhas reflexões.
Eu bem sei que sou qual Grilo,
De maçante e mau estilo;
E que os homens poderosos
Desta arenga receosos
Hão de chamar-me tarelo,
Bode, negro, Mongibelo;
Porém eu que não me abalo,
Vou tangendo o meu badalo
Com repique impertinente,
Pondo a trote muita gente.
Se negro sou, ou sou bode
Pouco importa. O que isto pode?
Bodes há de toda a casta,
Pois que a espécie é muito vasta...
Há cinzentos, há rajados,
Baios, pampas e malhados,
Bodes negros, bodes brancos,
E, sejamos todos francos,
Uns plebeus, e outros nobres,
Bodes ricos, bodes pobres,
Bodes sábios, importantes,
E também alguns tratantes...
Aqui, nesta boa terra,
Marram todos, tudo berra;
Nobres Condes e Duquesas,
Ricas Damas e Marquesas
Deputados, senadores,
Gentis-homens, veadores;
Belas Damas emproadas,
De nobreza empantufadas;
Repimpados principotes,
Orgulhosos fidalgotes,
Frades, Bispos, Cardeais,
Fanfarrões imperiais,
Gentes pobres, nobres gentes
Em todos há meus parentes.
Entre a brava militança –
Fulge e brilha alta bodança;
Guardas, Cabos, Furriéis,
Brigadeiros, Coronéis,
Destemidos Marechais,
Rutilantes Generais,
Capitães-de-mar-e-guerra,
– Tudo marra, tudo berra –
Na suprema eternidade,
Onde habita a Divindade,
Bodes há santificados,
Que por nós são adorados.
Entre o coro dos Anjinhos
Também há muitos bodinhos. –
O amante de Siringa
Tinha pêlo e má catinga;
O deus Mendes, pelas costas,
Na cabeça tinha pontas;
Jove quando foi menino,
Chupitou leite caprino;
E, segundo o antigo mito,
Também Fauno foi cabrito.
Nos domínios de Plutão,
Guarda um bode o Alcorão;
Nos lundus e nas modinhas
São cantadas as bodinhas:
Pois se todos têm rabicho,
Para que tanto capricho?
Haja paz, haja alegria,
Folgue e brinque a bodaria;
Cesse pois a matinada,
Porque tudo é bodarrada!
Disponível
em:
http://www.america.org.br/personalidades/luis_gama.html,
acessado em 14/06/2011.
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VOCABULÁRIO
Enfunados- vaidosos, orgulhosos
Casta- raça, geração, qualidade, classe social
Marrar- Arremeter com a cornada (animal cornígero): bater com a cabeça
Emproadas- orgulhoso, vaidoso
Empantufadas- empavonada, ensoberbada
Repimpados-abarrotados, fartos, refestelados
Principotes- príncipe de meia-tigela
Fidalgotes- Fidalgos de poucos recursos,
fidalgo de meia-tigela
Militança- participação ativa em partidos, instituições, etc.
Fulge-brilha
Rutilantes- Que rutilam, muito brilhantes, resplandecentes
Chupitou- sugou, absorveu, chupou
Fauno-homens com pés de cabra e chifres que habita nos bosques e toca flauta
Plutão- o mais afastado planeta do sistema solar
Lundus- dança cantada de origem africana
Matinada- madrugada, estrondo, ruído, algazarra
CONHECENDO O AUTOR
Luiz Gama era filho de uma negra quitandeira que lutava pelas causas
abolicionistas e de um fidalgo português que o vendeu para pagar dívidas de
jogo. Foi para São Paulo e depois para o Rio de Janeiro onde ninguém o quis
comprar por ser escravo baiano. Aprendeu a ler e escrever com um amigo,
entrou para o serviço militar mas pediu baixa logo após ter sido insultado por
um oficial e respondido a altura. Seu ato foi visto como insubordinação. Foi
copista e amanuense, sempre perseguido e afastado de seu emprego por
pessoas racistas que não toleravam sua luta em favor do negro. Tornou-se
advogado e conseguiu libertar muitos negros através de seu empenho.
Jornalista, abolicionista eloquente, ligou-se ao Partido Liberal, e utilizou de
seus escritos como instrumento para achincalhar os exploradores e defender a
causa por que lutava.
INTERPRETANDO E COMPREENDENDO O POEMA
1) Leia com atenção o poema “Bodarrada”, de Luiz Gama, e explique o que você
entendeu.
2) Como é construído o discurso do poema? Quais os recursos estilísticos que o
autor utilizou?
3) Do ponto de vista do eu-lírico, como ele vê algumas pessoas da sociedade da
época?
4) Encontre e destaque os versos em que o eu-lírico critica a compra de negros
pelos brancos.
5) Na atualidade, como o negro é tratado? Vamos refletir sobre os discursos velados
e sobre o que está por trás de algumas falas.
6) O tema diversidade é assunto tratado com muita seriedade em todos os espaços
e vários segmentos da sociedade. E você, o que sabe sobre este tema?
7) O poema Bodarrada foi escrito em um momento histórico em que o negro ainda
era escravizado pelo branco. Luis Gama era um negro consciente de seu papel
na sociedade e usava a escrita para defender seus direitos e o de seus pares.
Quais os valores éticos que podemos observar nesse poema?
8) Apesar de Luís Gama ter vivido em outro momento histórico, é possível verificar
semelhanças entre o discurso empregado no seu poema “Bodarrada” e os dois
raps lidos? Trace um paralelo apontando semelhanças e diferenças entre os
textos.
No site http://poetasdobrasil.arteblog.com.br/221240/O-navio-negreiro-CastroAlves-por-Caetano-Veloso/ você vai poder ouvir o cantor Caetano Veloso
cantando em forma de rap o poema de Castro Alves, “O navio negreiro”.
Contemporâneo de Luiz Gama, e apesar de ter “sangue negro”, o poeta
Castro Alves nunca se inscreve em 1ª pessoa em seus poemas abolicionistas.
PRODUZINDO UM RAP
Agora que você conheceu o poema “Bodarrada”, vamos musicá-lo em forma de rap.
Forme grupos, escolha alguns versos, crie um refrão e coloque uma melodia.
Você acabou de conhecer um poema de um momento histórico em que o negro, em
sua grande maioria, vivia escravizado. Voltemos para a atualidade para que vocês
conheçam um poema que denuncia os maus tratos de negros por seus pares que
ocupam cargos que lhes permitem humilhar seu irmão.
O vídeo e a letra da música na íntegra encontram-se disponíveis em
http://letras.terra.com.br/caetano-veloso/44730/, acessado em 19/07/2011.
HAITI - Caetano Veloso e Gilberto Gil, letra de Caetano Veloso
Quando você for convidado pra subir no adro da
Fundação Casa de Jorge Amado
Pra ver do alto a fila de soldados, quase todos pretos
Dando porrada na nuca de malandros pretos
De ladrões mulatos
E outros quase brancos
Tratados como pretos
Só pra mostrar aos outros quase pretos
(E são quase todos pretos)
E aos quase brancos pobres como pretos
Como é que pretos, pobres e mulatos
E quase brancos quase pretos de tão pobres são tratados
[...]
E quando ouvir o silêncio sorridente de São Paulo diante da chacina
111 presos indefesos
Mas presos são quase todos pretos
Ou quase pretos
Ou quase brancos quase pretos de tão pobres
E pobres são como podres
E todos sabem como se tratam os pretos
[...]
Pense no Haiti
Reze pelo Haiti
O Haiti é aqui
O Haiti não é aqui
*Adro= pátio
INTERPRETANDO E COMPREENDENDO O POEMA
1) Na canção “Haiti”, podemos observar que é retratada uma situação observada
pelo eu lírico: “o soldado negro dando porrada no negro malandro”: em que se
fundamenta a crítica do eu lírico?
2) Com quem o eu lírico do texto está dialogando?
3) A qual episódio triste da história brasileira o autor está se referindo nos versos: “E
quando ouvir o silêncio sorridente de São Paulo diante da chacina/ 111 presos
indefesos”?
4) Para saber mais sobre o Haiti pesquise sua história. Qual foi a intenção do autor
ao escolher para título da canção o nome desse país?
5) Leia o seguinte trecho da canção com atenção e responda:
“Mas presos são quase todos pretos
Ou quase pretos
Ou quase brancos quase pretos de tão pobres”
De acordo com os versos acima:
a) Existe no Brasil um racismo declarado que separa as pessoas pela cor da pele?
b) Comparando essa canção com os raps estudados e a música “Classe média”, o
que realmente divide o povo brasileiro em pobres, classe média e ricos?
6) Pode-se dizer que a canção “Haiti”, ao mostrar as injustiças sociais está engajada
e comprometida em fazer uma denúncia social? Justifique com elementos do texto.
7) Que marcas da oralidade estão presentes na canção “Haiti”, e qual a intenção do
autor ao empregá-las?
8) Ouça a canção “Haiti” e responda:
a) Qual ritmo musical foi utilizado pelo autor?
b) Na sua opinião, por que o autor escolheu este ritmo?
MAMA ÁFRICA - Chico Cesar
Mama África
A minha mãe
É mãe solteira
E tem que
Fazer mamadeira
Todo dia
Além de trabalhar
Como empacotadeira
Nas Casas Bahia...(2x)
[...]
Mama tem calo nos pés
Mama precisa de paz...
Mama não quer brincar mais
Filhinho dá um tempo
É tanto contratempo
No ritmo de vida de mama...
[...]
O vídeo e a letra da música na íntegra encontram-se disponíveis em
http://letras.terra.com.br/chico-cesar/45197/, acessado em 27/07/2011.
INTERPRETANDO E COMPREENDENDO O POEMA
1) Qual problema social é tratado na música?
2) A qual classe social ela pertence? Justifique a sua resposta.
3) Você conhece alguma família que é composta por mãe é filhos? Como é a
convivência entre eles?
4) Na sua opinião, a vida é fácil para estas famílias? Justifique sua resposta com
elementos do texto.
5) A análise do poema permite inferir que a família brasileira:
a) Tem várias estruturas (
)
b) Possui uma padronização (
)
6) Leia o trecho abaixo:
“Mama tem calo nos pés
Mama precisa de paz...
Mama não quer brincar mais
Filhinho dá um tempo
É tanto contratempo
No ritmo de vida de mama...”
a) Qual é o estado da mama?
b) Do que a mama está necessitando?
7) Quais são os tipos de trabalhos feitos pela mama? Quais versos do poema
possibilitaram a você conhecer esses detalhes sobre a mama?
8) Qual a variedade linguística que predomina na canção?
GÊNERO: CRÔNICA
“A ÚLTIMA CRÔNICA” - Fernando Sabino
A caminho de casa, entro num botequim da Gávea para tomar um café junto ao
balcão. Na realidade estou adiando o momento de escrever.A perspectiva me
assusta. Gostaria de estar inspirado, de coroar com êxito mais um ano nesta busca
do pitoresco ou do irrisório no cotidiano de cada um. Eu pretendia apenas recolher
da vida diária algo de seu disperso conteúdo humano, fruto da convivência, que a
faz mais digna de ser vivida. Visava ao circunstancial, ao episódico. Nesta
perseguição do acidental, quer num flagrante de esquina, quer nas palavras de uma
criança ou num acidente doméstico,torno-me simples espectador e perco a noção do
essencial.Sem mais nada para contar, curvo a cabeça e tomo meu café, enquanto o
verso do poeta se repete na lembrança: "assim eu quereria o meu último poema".
Não sou poeta e estou sem assunto. Lanço então um último olhar fora de mim, onde
vivem os assuntos que merecem uma crônica.
Ao fundo do botequim um casal de pretos acaba de sentar-se, numa das últimas
mesas de mármore ao longo da parede de espelhos. A compostura da humildade,
na contenção de gestos e palavras, deixa-se acrescentar pela presença de uma
negrinha de seus três anos, laço na cabeça, toda arrumadinha no vestido pobre, que
se instalou também à mesa: mal ousa balançar as perninhas curtas ou correr os
olhos grandes de curiosidade ao redor. Três seres esquivos que compõem em torno
à mesa a instituição tradicional da família, célula da sociedade. Vejo, porém, que se
preparam para algo mais que matar a fome.Passo a observá-los. O pai, depois de
contar o dinheiro que discretamente retirou do bolso, aborda o garçom, inclinando-se
para trás na cadeira, e aponta no balcão um pedaço de bolo sob a redoma. A mãe
limita-se a ficar olhando imóvel, vagamente ansiosa, como se aguardasse a
aprovação do garçom. Este ouve, concentrado, o pedido do homem e depois se
afasta para atendê-lo. A mulher suspira, olhando para os lados, a reassegurar-se da
naturalidade de sua presença ali. A meu lado o garçom encaminha a ordem do
freguês. O homem atrás do balcão apanha a porção do bolo com a mão, larga-o no
pratinho -- um bolo simples, amarelo-escuro, apenas uma pequena fatia triangular.
A negrinha, contida na sua expectativa, olha a garrafa de Coca-Cola e o pratinho
que o garçom deixou à sua frente.
Por que não começa a comer? Vejo que os três, pai, mãe e
filha, obedecem em torno à mesa um discreto ritual. A mãe remexe na bolsa de
plástico preto e brilhante, retira qualquer coisa. O pai se mune de uma caixa de
fósforos, e espera. A filha aguarda também, atenta como um animalzinho. Ninguém
mais os observa além de mim.
São três velinhas brancas, minúsculas, que a mãe espeta caprichosamente na fatia
do bolo. E enquanto ela serve a Coca-Cola, o pai risca o fósforo e acende as velas.
Como a um gesto ensaiado, a menininha repousa o queixo no mármore e sopra com
força, apagando as chamas. Imediatamente põe-se a bater palmas, muito
compenetrada, cantando num balbucio, a que os pais se juntam, discretos:
"parabéns pra você, parabéns pra você..." Depois a mãe recolhe as velas, torna a
guardá-las na bolsa.
A negrinha agarra finalmente o bolo com as duas mãos sôfregas e põe-se a comêlo. A mulher está olhando para ela com ternura -- ajeita-lhe a fitinha no cabelo
crespo, limpa o farelo de bolo que lhe cai ao colo. O pai corre os olhos pelo
botequim, satisfeito, como a se convencer intimamente do sucesso da celebração.
Dá
comigo
de
súbito,
a
observá-lo,
nossos
olhos
se
encontram, ele se perturba, constrangido -- vacila, ameaça abaixar a cabeça, mas
acaba sustentando o olhar e enfim se abre num sorriso.
Assim eu quereria minha última crônica: que fosse pura como esse sorriso.
Disponível em:
14/06/2011.
http://www.lainsignia.org/2004/octubre/cul_025.htm
acesso
em
INTERPRETANDO E COMPREENDENDO O TEXTO
1) No inicio da crônica, o cronista para em um bar para tomar um café, adiando o
momento de escrever por falta de assunto. De repente ele vê uma cena que
passa o observar com atenção. Qual é esta cena?
2) Ao analisarmos a cena, podemos perceber que trata-se de uma família humilde,
mas com bastante dignidade. Retire do texto elementos que comprovam esse
argumento.
3) A ternura com que a mãe ajeita a fita e a satisfação do pai nos revela que o
objetivo da reunião foi alcançado? Justifique.
4) Na sua opinião, porque o pai ficou constrangido ao perceber que estava sendo
observado?
5) Toda crônica é um recorte de pequenos acontecimentos do cotidiano. A crônica
lida, apesar de também descrever uma cena comum, possibilita a reflexão de
vários aspectos da situação do negro em nosso país. Pelo comportamento da
família na comemoração, o que é possível inferir?
6) Explique a última frase: “Assim eu quereria minha última crônica: que fosse pura
como esse sorriso”.
CABEÇA DE PORCO, CABEÇA DINOSSAURO E OUTRAS CABEÇADAS
- Marciano Lopes
Aqui não tem terremoto. Aqui não tem revolução. É um país abençoado onde todo
mundo mete a mão. ("Bem Brasil", Premeditando o Breque – 1985)
Pois é, passados mais de dez anos, parece que a música do Premê (como é
conhecida a banda) continua atual, mas com uma ressalva: já não dá mais pra dar
aquela gargalhada de antes. Continuamos sem terremoto (salvo alguns leves
tremores) e sem revolução, mas estamos chegando lá, logo seremos primeiro
mundo, afinal, pelo menos agora já temos terrorismo. Só não vê quem não quer. A
guerra civil, antes mais restrita às favelas de Rio e São Paulo, por um lado, e à luta
no campo, por outro, começa a tomar foros nacionais... Os ataques coordenados
pelo PCC hoje extrapolam o espaço da grande São Paulo e até mesmo do estado
de São Paulo. E a tática é evidentemente terrorista, mas com uma pequena
desvantagem com relação a outras ações do mesmo gênero espalhadas pelo nosso
azulado planeta: a ação não tem nenhum programa político, nenhuma plataforma ou
proposta concreta que aponte para uma possível saída do buraco. É apenas uma
truculenta reação à truculência do Estado e aos séculos de opressão, exclusão e
miséria. E as cabeças de dinossauro com suas panças de mamute – que mandam,
desmandam e sugam este país – parecem não querer ver que o barco tá tá tá
descendo a corredeira... Mas por que fazer algo pra mudar a aviltante realidade
brasileira se do jeito que tá tá tão bom e tá tá dando tanto lucro... Segundo o ponto
de vista – polemicamente cristão – do antropólogo e cientista político Luiz Eduardo
Soares, ex-Subsecretário de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro e exSecretario Nacional de Segurança Pública, a violência e a estupidez dos excluídos
não é aceitável, mas deve ser perdoada, pois expressa a revolta de quem nunca
teve uma chance efetiva de ter sua identidade, cidadania e dignidade respeitadas.
Diversamente, a violência das elites – que lucram com a corrupção, a desigualdade
e a ignorância – é inaceitável, pois nada a justifica.
Em Araraquara, preso é içado pelo teto, em um pavilhão onde 1.600 homens se
aglomeram num espaço para 160. (Pequena nota escondida próxima ao canto da
página C7 do jornal Folha de São Paulo, 13 de julho de 2006).
Sem dúvida, não é fácil encontrar caminhos, mas ao menos é necessário ter
vontade de mudar. Para isso, o primeiro passo é reconhecer as razões do Outro, a
condição indigna em que os marginalizados estão mergulhados, ou, no mínimo, abrir
os olhos para a revolta e o ódio que crescem vertiginosamente, se espalhando por
todo o país. A cultura da favela e dos morros cariocas hoje é patrimônio nacional –
ou ao menos está se encaminhando rapidamente para esta condição. Quem não
acredita, que leia os relatos feitos por Luiz Eduardo Soares, MV Bill e Celso Athayde
em Cabeça de Porco (Rio de Janeiro: Editora Objetiva, 2005), título cuja expressão
significa “situação confusa e sem saída” na gíria das favelas cariocas. A seguinte
passagem, em que Celso Athayde relata a visita a uma favela de Joinville, em Santa
Catarina, é bastante exemplar disso:
Ele usava (referindo-se ao dono do morro) uma espada muito parecida com aquela
que a imprensa mostrou, muitas vezes, como sendo a que matou Tim Lopes – se
era mesmo, ninguém sabe. No início, achei que fosse coincidência, mas quando
começamos a filmar. Percebi que eles usavam as mesmas expressões do Rio de
Janeiro. Chamavam os inimigos de “alemão”, diziam-se do “Comando Vermelho”;
seus inimigos eram nomeados “Terceiro Comando”, e muitas outras gírias
totalmente cariocas eram empregadas. Eles reproduziam com precisão o dialeto das
favelas cariocas. Era a primeira vez que tínhamos visto um caso como esse, parecia
que os comandos do Rio de Janeiro tinham franchaises espalhadas por lá (Cabeça
de Porco, p. 55).
Aliás, não é preciso ler este e outros livros do gênero para tomar consciência desta
realidade, basta ler criticamente os jornais. Entretanto, é inegável que livros e
documentários com Carandiru o Cabeça de Porco, O abusado, Falcão - meninos do
tráfico, Cidade de Deus (os dois últimos levados ao cinema) podem contribuir em
muito para que a classe média e as elites possam ver a cara deste Outro Brasil sem
os estereótipos da imprensa e do poder estatal. Estereótipos que reduzem os
excluídos à condição de bandidos e monstros (engraçado, quando se trata de
criminosos do colarinho branco, que roubam milhões e também matam, digo,
mandam matar, tais palavras não são usadas...) e assim promovem a elevação do
muro que separa estes brasis e garante a ilusória tranquilidade do cidadão,
conforme argumenta Luiz Eduardo Soares. Em sua opinião, aquele, juntamente com
o Estado, fica desresponsabilizado pelo agravamento da barbárie. Afinal, malandro
sem-vergonha, ladrão, viciado e assassino são apenas os outros... Quando algum
fato similar ocorre em nosso meio, trata-se de uma aberração, algo inexplicável,
algum desvio genético ou trauma de infância... O MAL se encontra apenas no
Outro... A apologia – feita via mídia – do poder, do sexo, do luxo, do jeitinho
brasileiro, do consumo desenfreado como fórmula de felicidade estranhamente não
diz respeito ao cidadão, mas somente ao Outro... Não queremos olhar a nossa face
obscura, e assim muitos de nós arrancamos nossos olhos como se fôssemos um
Édipo às avessas. Como esperar que as pessoas que não têm nada a perder, que
não participam nem nunca foram convidadas a participar do pacto social
compartilhem do mesmo?! Como esperar que estas pessoas respeitem as leis e a
alteridade se nunca tiveram a chance de saber o que é isso e, pior, se vêem todos
os dias aqueles que não precisariam agir desta forma fazerem tais barbaridades?
Quando muitos “bandidos” vão incendiar um ônibus, mandam que seus passageiros
saiam, pois o alvo não são eles. Mas quando a polícia entra na favela, muitas vezes
entra atirando para perguntar depois. (...) em São Paulo, em 2003, houve 1.191
mortes provocadas por ações policiais, mais de 65% delas com características de
execução. Em 2004, houve 984; em 2005, foram 807 mortes (“Estes criminosos não
têm ideologia” – entrevista de Luiz Eduardo Soares concedida a Pedro Souza
Tavares, Diário de Notícias, 21/6/2006, p. 18). A manchete da Folha de São Paulo
do dia 13 de julho estampava em letras garrafais: “NOVOS ATAQUES DO PCC
MATAM 7”. Número desprezível quando pensamos no número de favelados –
muitos dos quais não são soldados do tráfico – que foram mortos sumariamente pela
resposta das polícias aos ataques feitos há dois meses atrás. Faz lembrar o discurso
dos governos norte-americano e de Israel. O primeiro, em poucos anos de ocupação
do Iraque, não perdeu muito mais que umas centenas de soldados – fato que é
alardeado como um horror que justifica o assassinato de milhares de civis do país
que tem a sua autonomia e dignidade diariamente ofendidas pelo mesmo. Com
respeito a Israel não é diferente. Porque dois soldados foram seqüestrados por
terroristas do Hizbollah, o governo israelense julga-se no direito de bombardear
alvos civis matando inúmeras pessoas no Líbano... – e isto não é barbárie?! Muito
estranha esta lógica. Talvez sejamos muito burros e cabeçudos, mas também gentis
homens como Zinedini Zidane dão as suas cabeçadas – e, no caso dele, com razão,
provavelmente. Afinal de contas, ele não tem sangue de “cucaracha”, né? Enquanto
isso, o governador Cláudio Lembo insiste em dizer que tá “tudo dominado” (opa, foi
mal!), quero dizer: “tudo sob controle”... He he he, como diz o Macaco Simão, “a
genti sofri mais goza”!
A crônica “Cabeça de porco, cabeça dinossauro e outras cabeçadas” está disponível
em: http://marcianolopes.blogspot.com/2011/01/apesar-dos-fogos-ainda-atual.html
acessado em 22/07/2011.
INTERTEXTUALIDADE
Para
ampliar
seu
conhecimento,
vamos
pesquisar
no
site
http://www.comunidadesegura.org/pt-br/node/10031, onde você encontrará mais
informações sobre o livro “Cabeça de porco”, de MV Bill, Celso Athayde e Luis
Eduardo Soares.
Também no site http://letras.terra.com.br/premeditando-breque-preme/381586/, você
poderá conhecer a letra da música “Bem Brasil”, do Premê, na integra e também ver
o vídeo.
EM http://www.youtube.com/watch?v=mjkpRQJFcmQfeature=related, você assistirá
a um vídeo que conta a história do CD dos Titãs, “Cabeça dinossauro”.
INTERPRETANDO E COMPREENDENDO O TEXTO
1) Qual é a finalidade da crônica “Cabeça de porco, cabeça dinossauro e outras
cabeçadas” ?
2) Qual é o autor do texto? Analisando o discurso do narrador, é possível identificar
o posicionamento do mesmo?
3) Assim como o tema dos raps “Contraste social” e “Tempos difíceis”, na crônica
“Cabeça de porco, cabeça dinossauro e outras cabeçadas” podemos perceber a
diferença entre dois “brasis”. Aponte essas diferenças.
4) A crônica “Cabeça de porco, cabeça dinossauro e outras cabeçadas” faz uma
reflexão de problemas sociais que ocorrem em nosso país. Apesar da seriedade
do assunto, o autor emprega uma linguagem leve, praticamente dialoga com o
leitor. Um dos recursos estilístico que emprega é a ironia. Identifique ironias que
provocam efeitos de humor na crônica.
5) Veja que o autor do texto utiliza duas formas diferentes de linguagens para
compor o texto. De que tipo são essas variações linguísticas?
6) Segundo a crônica, os grupos dominantes sugam o país e lucram com a miséria.
Por outro lado, o PCC “é uma reação á truculência do Estado e aos séculos de
opressão, exclusão e miséria”. Você concorda? Dê sua opinião.
7) A crônica “Cabeça de porco, cabeça dinossauro e outras cabeçadas”
foi publica na extinta coluna Literatura e Sociedade (do antigo site da Teracom)
no dia 23 de julho de 2006. Observando a data em que a 1ª versão da crônica
foi publicada, responda:
Na sua opinião, alguma coisa mudou desde a data da 1ª publicação até a
publicação da 2ª versão?
AGORA VAMOS CONHECER UM POUCO DA LITERATURA AFRICANA.
Os textos que iremos estudar pertencem à literatura africana e falam de uma
época em que alguns países africanos viviam sob o domíno de países
europeus e viviam uma situação de opressão e exploração pelas políticas
colonialistas. O processo de descolonização foi longo e difícil, com guerra dos
movimentos que lutavam pela independência de seus territórios.
Muitos autores africanos estiveram ligados diretamente com esses
movimentos, e suas obras trazem como tema o sofrimento de viver oprimido
pelas práticas colonialistas e também o chamamento de seus irmãos à luta
pela independência, e pela liberdade.
AS MÃOS DOS PRETOS - por Luís Bernardo Honwana
Uma história sobre a igualdade dos homens, para além das suas cores.
Já não sei a que propósito é que isto vinha, mas o senhor Professor disse um dia
que as palmas das mãos dos pretos são mais claras do que o resto do corpo porque
ainda há poucos séculos os avós deles andavam com elas apoiadas ao chão, como
os bichos do mato, sem as exporem ao sol, que lhes ia escurecendo o resto do
corpo. Lembrei-me disso quando o Senhor padre, depois de dizer na catequese que
nós não prestávamos mesmo para nada e que até os pretos eram melhores que
nós, voltou a falar nisso de as mãos serem mais claras, dizendo que isso era assim
porque eles andavam com elas às escondidas, andavam sempre de mãos postas, a
rezar.
[...]
A crônica “As mãos dos pretos”, de Luís Bernardo Honwana está disponível na
íntegra em http://asombradospalmares.blogspot.com/2003/09/lus-bernardohonwana-as-mos-dos-pretos.html acessado em 21/07/2011.
INTERPRETANDO E COMPREENDENDO O TEXTO
1) Podemos observar, através da leitura do texto, que o autor se utiliza da voz
ingênua de uma criança para mostrar, através de uma ironia sutil, os discursos
racistas que circulavam no mundo colonialista.
a) Qual foi o recurso utilizado pelo autor para narrar o texto?
b) O texto que você acabou de ler pertence ao gênero crônica. Quais
são
as
evidências no texto que comprovam essa acertiva?
2) O narrador da crônica é observador ou narrador personagem?
3) O narrador da crônica é branco ou negro? Justifique sua resposta com
elementos do texto.
4) Indique os personagens que apresentam uma história fictícia para justificar a cor
das mãos dos negros e a qual segmento da sociedade cada um deles pertence?
5) O racismo e a segregação racial aparecem nos discursos de cada um dos
personagens, através da chacota e do desdém com que eles se referem às mãos
dos negros. Segundo o texto, qual o posicionamento da mãe do menino?
6) O autor estrutura seu texto com base em uma figura de linguagem que representa
o todo através da parte, ou seja, neste caso a parte é representada pelas mãos.
Qual é o todo, e qual o nome dessa figura?
7) Assim como o autor questiona os discursos racistas das classes dominantes
através da voz de uma criança, sabemos que eles foram construídos ao longo dos
anos e se perpetuaram por meio de piadas, troças, etc. Na sua opinião, como
podemos desconstruir estes discursos?
CONHECENDO O AUTOR
Luís Bernardo Honwana nasceu em Moçambique, na cidade de Maputo, em 1942.
Cresceu em Moamba, no interior, e estudou jornalismo. Em 1964, tornou-se
militante na Frente de Libertação de Moçambique, foi preso e permaneceu
encarcerado por três anos pelas autoridades coloniais. Após a independência de
seu país, se tornou alto funcionário do governo e presidente da Organização
Nacional dos Jornalistas de Moçambique. Publicou o livro “Nós Matamos o Cão
Tinhoso” em 1964.
PRODUZINDO UMA CRÔNICA
Agora que você já conhece o gênero crônica, vamos produzir uma. Primeiro você
escolhe um fato qualquer colhido no seu dia a dia. Registre todos os fatos,
colocando sua visão pessoal. Lembre-se que a crônica é um texto curto em que
pode ser explorado o humor ou o lado sério, pode-se usar a ironia, crítica, enfim,
faça um texto leve, que traga prazer ao leitor.
HAVEMOS DE VOLTAR - Agostinho Neto
Às casa, às nossas lavras
às praias,aos nossos campos
havemos de voltar
Às nossas terras
vermelhas do café
brancas de algodão
verdes dos milharais
havemos de voltar
Às nossas minas de diamantes
ouro, cobre, de petróleo
havemos de voltar
Aos nossos rios, nossos lagos
às montanhas, às florestas
havemos de voltar
À frescura da mulemba
às nossas tradições
aos ritmos e às fogueiras
havemos de voltar
À marimba e ao quissange
ao nosso carnaval
havemos de voltar
À bela pátria angolana
nossa terra, nossa mãe
havemos de voltar
Havemos de voltar
À Angola libertada
Angola independente
Disponível em: http://www.ovimbundu.org/Cronicas/Sociedade/O-Grau-Zero-naEscrita-Poetica-de-Agostinho-Neto.html - acesso em 14/06/2011.
VOCABULÁRIO
Lavras- lavouras, extração de minério, fabricação, produção
Mulemba- árvore de copa volumosa
Marimba- instrumento musical
Quissange- instrumento musical
INTERPRETANDO E COMPREENDENDO O POEMA
Essa poesia traz uma mensagem de esperança e o desejo de libertação de um povo
sofrido. Em “Havemos de voltar”, o eu lírico pede o fim do sistema colonial e sonha
com o regresso do homem exilado à sua pátria-mãe.
1) Assim, podemos perceber a certeza da volta à sua terra e da independência da
mesma. Retire do texto versos que comprovem essa afirmação.
2) Que elementos de sua pátria o eu lírico exalta?
3) No verso “havemos de voltar”, o verbo em destaque está em que tempo verbal?
O que esse modo indica?
4) Crie suposições para a causa do eu lírico estar longe de sua pátria.
5) Se você fosse produzir uma poesia sobre sua terra natal, que elementos você
destacaria?
CONTRATADOS - Agostinho Neto
Longa fila de carregadores
domina a estrada
com passos rápidos
Sobre o dorso
levam pesadas cargas
Vão
Olhares longínquos
corações medrosos
braços fortes
sorrisos profundos como águas profundas
Largos meses os separam dos seus
e vão cheios de saudades
e de receio
mas cantam
Fatigados
esgotados de trabalhos
mas cantam
Cheios de injustiça
caladas no imo das suas almas
e cantam
Com gritos de protesto
mergulhados nas lágrimas do coração
e cantam
Lá vão
perdem-se na distância
na distância se perdem os seus cantos tristes
Ah!
eles cantam...
Disponível
em:
http://www.geledes.org.br/agostinho-neto/agostinho-neto10/05/2009.html - acesso em 14/06/2011.
CONHECENDO O AUTOR
Agostinho Neto nasceu em Catete, Angola, em 1922, e faleceu em 1979. Estudou
até o secundário em Angola e foi para Portugal com seus poucos recursos em
busca de um sonho que era formar-se em medicina. Licenciou-se pela
Universidade de Lisboa. Esteve envolvido na guerra anticolonialista, como outros
escritores africanos que também estiveram presos e foi exilado em Cabo Verde.
Foi o primeiro presidente da República Popular de Angola. Sua poesia traz como
tema a luta pela liberdade e é uma poesia engajada na luta anticolonial.
INTERPRETANDO E COMPREENDENDO O POEMA
Esse poema faz referência aos trabalhadores, chamados de “contratados”, que eram
submetidos a relações servis pelas práticas colonialistas. Podemos perceber que o
eu lírico expressa uma certa estupefação diante do fato de que nem o sofrimento
não lhes impede de cantar.
1) Na sua opinião, qual o motivo que levam estes trabalhadores a cantar, mesmo
sofrendo tanto?
2) Para entender melhor o discurso do poema vamos pesquisar o momento histórico
em que ele foi produzido.
3) Observe que a única pontuação do poema são as reticências:
a) O que esta ausência de pontuação expressa?
b) O que sugere o emprego das reticências no final do poema?
4) Leia atentamente essa estrofe:
“Largos meses os separam dos seus
e vão cheios de saudades
e de receio
mas cantam”
Classifique e indique o valor semântico da conjunção mas nesse contexto.
5) Leia os versos e apresente uma interpretação coerente para eles:
“Com gritos de protestos
mergulhados nas lágrimas do coração
e cantam
6) “Ah!
Eles cantam...”
a) Por que eles cantam?
b) O que o eu lírico quer enfatizar com a ação de cantar dos “contratados”?
CANTIGA DO NEGRO DO BATELÃO (José Craveirinha)
Se me visses morrer
Os milhões de vezes que nasci...
Se me visses chorar
Os milhões de vezes que te riste...
Se me visses gritar
Os milhões de vezes que me calei
Se me visses cantar
Os milhões de vezes que morri
E sangrei
Digo-te, irmão europeu
Também tu
Havias de nascer
Havias de chorar
Havias de cantar
Havias de gritar
Havias de morrer
E sangrar...
Milhões de vezes como eu
VOCABULÁRIO
Batelão- tipo de embarcação
Disponível em
http://www.educacao.org.br/eja/bibliotecadigital/codigoselinguagens/apoio/Documents/Dese
nvolvendo%20Habilidades%20-%20EM/Des_Habilidades_CL_EM_H23_Final.pdf
acessado em 19/07/2011.
CONHECENDO O AUTOR
José Craveirinha (1922-2003), nasceu em Moçambique, em Maputo e foi um dos
escritores mais influentes de seu país. Recebeu de Portugal o prêmio Camões em
1991. Ainda muito jovem frequentou a “Associação Africana” e colaborou no “O
Brado Africano”. Engajado na defesa da população mais desprotegida, fazia
campanha contra o racismo no jornal em que trabalhava e foi o primeiro jornalista
sindicalizado. Esteve preso por participar da resistência anticolonial. A sua poesia
tem um caráter social e reflete a sua consciência polìtica.
INTERPRETANDO E COMPREENDENDO O POEMA
1) No poema de José Craveirinha, O eu lírico dirige-se a um interlocutor.
a) Quem é o interlocutor? Identifique-o.
b) Agora que você já sabe como foi a luta pela liberdade no período colonialista, por
que o eu lírico sofre tanto?
2) No poema podemos observar o ressentimento e a crítica quanto ao modo como
se deu a relação entre o branco e o negro. Na sua opinião, por que se deu este
ressentimento?
3) Observe no poema as repetições no início das palavras. Que nome se dá a esse
recurso estilístico?
4) O emprego das reticências no final dos 2º,4º e 17º o que representam?
5) No verso “Os milhões de vezes que morri”, qual é a figura de linguagem em
destaque?
Para encerrar o nosso projeto, vamos ouvir e interpretar a música “Ninguém =
Ninguém”, de Humberto Gessinger. A letra da música e o vídeo estão disponíveis
na
íntegra
em
http://letras.terra.com.br/engenheiros-do-hawaii/12894/
e
http://letras.terra.com.br/humberto-gessinger/1636574/ acessos em 19/07/2011.
NINGUÉM = NINGUÉM
Engenheiros do Hawaii
Há tantos quadros na parede
Há tantas formas de se ver o mesmo quadro
Há tanta gente pelas ruas
Há tantas ruas e nenhuma é igual a outra
Ninguém = ninguém
Me encanta que tanta gente sinta
(se é que sente) a mesma indiferença
Há tantos quadros na parede
Há tantas formas de se ver o mesmo quadro
[...]
São todos iguais
E tão desiguais
uns mais iguais que os outros
[...]
INTERPRETANDO E COMPREEENDENDO A MÚSICA
1) Leia a estrofe com atenção:
“ Há tantos quadros na parede
Há tantas formas de se ver o mesmo quadro
Há tanta gente pelas ruas
Há tantas ruas e nenhuma é igual a outra
Ninguém = ninguém”
O eu lírico do poema afirma que nada precisa ser igual, no entanto podemos
perceber que quando algo ou alguém é diferente sofre com o preconceito e com a
discriminação. Na sua opinião, o que realmente é importante em uma pessoa?
2) Explique os versos: “Me encanta que tanta gente sinta/ (se é que sente) a mesma
indiferença”.
3) Nos versos: “São tão iguais/E tão desiguais/uns mais iguais que os outros”,
percebe-se uma ironia.Qual é esta ironia?
4) Nos versos “Há pouca água e muita sede”,”( a vida seca os olhos úmidos)”, quais
as figuras de linguagem que aparecem e qual a relação de sentido que há entre
essas palavras?
5) No 3° verso da 5° estrofe, o eu lírico faz uma r eferência ao romance “Vidas secas”
de Graciliano Ramos, e um jogo de palavra entre represa e aparthaid (separação). O
que ele quis dizer?
6) As pessoas são indiferentes à quase tudo, como diz Max Gonzaga na canção
“Classe média”, que estudamos no início do projeto: “Toda tragédia só me
importa/Quando bate em minha porta”. Observe que esta temática também aparece
na canção “Ninguém = ninguém”, nos versos: ”Entre duas pessoas/Entre quatro
paredes/Tudo fica claro/Ninguém fica indiferente”.
Apresente uma interpretação coerente sobre a questão da indiferença dos
problemas sociais, relacionando os versos das duas canções.
7) Leia os versos abaixo:
“Há pouca água e muita sede
Uma represa, um aparthaid
(a vida seca, os olhos úmidos)
Entre duas pessoas
Entre quatro paredes”
Escreva um parágrafo de aproximadamente 5 linhas, apresentando uma
interpretação para esses versos.
8) Em que estrofe o eu lírico ironiza o comportamento dissimulado do ser humano,
em relação ao preconceito e a discriminação?
CRONOGRAMA DAS AULAS PREVISTAS
Aula 1 - Conversa introdutória com os alunos;
Vídeo do rap “Contraste social”;
Análise da letra da música;
Interpretação e compreensão do texto.
Aula 2 - Vídeo do rap “Tempos difíceis”;
Análise da letra da música, comparando-a com o rap estudado na aula
anterior;
Interpretação e compreensão do texto.
Aula 3 - Oficina no laboratório de informática:
Pesquisa sobre definições de hip-hop em diferentes sites;
Pesquisa sobre a história do hip-hop geral e no Brasil;
Produção de um rap com tema relacionado à desigualdade social.
Aula 4 - Vídeo da canção “Classe Média”;
Análise da letra da canção, comparando-a com os dois raps estudados
nas aulas anteriores;
Debate sobre as diferenças e semelhanças entre as letras;
Interpretação e compreensão do texto.
Aula 5 - Leitura do poema “Bodarrada”;
Análise do poema;
Leitura do boxe “Conhecendo o autor” e complementação pela
professora;
Interpretação e compreensão do poema;
Ver o vídeo de Caetano Veloso, cantando em forma de rap o poema “O
navio negreiro”, de Castro Alves;
Ler alguna fragmentos do poema “O navio negreiro”, fazendo uma
análise comparativa.
Aula 6 - Produção de um rap com a letra do poema; (grupos);
Vídeo da canção “Haiti”;
Análise da letra da canção;
Interpretação e compreensão do texto.
Aula 7 - Vídeo da música “Mama África”;
Análise da letra da música;
Interpretação e compreensão do texto.
Aula 8 - Visita de rappers da comunidade e entrevista com os mesmos
laboratório de informática para criação de um blog.
Aula 9 - Leitura da crônica “A última crônica”;
Debate sobre o tema;
Interpretação e compreensão do texto.
Aula 10 - Leitura da crônica “Cabeça de porco, cabeça dinossauro e outras
cabeçadas”;
Debate sobre o tema, fazendo uma anlise comparativa com os temas
anteriormente estudados;
Interpretação e compreensão do texto.
Aula 11 - Boxe “Conhecendo a Literatura africana”; (comentário da professora
sobre o momento histórico em que esses textos foram produzidos);
Leitura da crônica “As mãos dos pretos”;
Debate sobre o tema;
Interpretação e compreensão do texto.
Aula12 - Leitura do boxe “Conhecendo o autor”, e complementação com
comentário da professora;
Laboratório de informática;
Produção de uma crônica e postagem no blog.
Aula 13 - Leitura do poema “Havemos de voltar”;
Análise do poema;
Interpretação e compreensão do poema.
Aula 14 - Leitura do boxe “Conhecendo o autor” e complementação com
comentário da professora;
Leitura do poema “Contratados”;
Análise do poema;
Interpretação e compreensão do poema.
Aula 15 - Leitura do poema “Na cantiga do negro do batelão”;
Análise do poema;
Interpretação e compreensão do poema;
Leitura do boxe “Conhecendo o autor” e complementação com
comentário da professora;
Aula16 - Laboratório de informática;
Produção de um poema;
Postagem no blog.
Aula 17 - Vídeo da música “Ninguém = ninguém;
Análise da letra da canção;
Interpretação e compreensão do texto.
Aula 18 - Street dance; (ensaio).
Aula 19 - Mostra das produções e do blog para a comunidade escolar.
REFERÊNCIAS
AGUIAR, Vera Teixeira de; BORDINI, Maria da Glória, Literatura e formação do
leitor: alternativas metodológicas. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1988.
PARANÁ, Diretrizes Curriculares da Educação Básica, Língua Portuguesa.
Curitiba: SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO DO PARANÁ
DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO BÁSICA, 2008.
OBRAS CONSULTADAS
BAKHTIN, Mikhail, Os Gêneros do Discurso. In. Bakthin, Mikhail. Estética da
Criação Verbal. Trad. Pereira, Maria Ermantina Galvão Gomes. São Paulo: Martins
Fontes, 1992.
FARACO, Carlos Alberto. Português língua e cultura. Ed. Base, 1ª edição,
Curitiba, 2005.
SITES CONSULTADOS
http://letras.terra.com.br/mv-bill/97244/ Acessado em 19/07/2011.
http://letras.terra.com.br/racionais-mcs/88492/?domain_redirect=_es Acessado em
19/07/2011.
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