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DEFICIÊNCIA MOTORA Deficiência motora corresponde a uma

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DEFICIÊNCIA MOTORA Deficiência motora corresponde a uma
Agrupamento de Escolas de Rio de Mouro Padre Alberto Neto
EB2,3 PADRE ALBERTO NETO- EB1 RINCHOA Nº 2- EB1/JI RIO DE MOURO Nº1 –EB1/JI RIO DE MOURO Nº 2
CÓDIGO 170318
Sub-departamento de Educação Especial
DEFICIÊNCIA MOTORA
Deficiência motora corresponde a uma disfunção, de carácter congénito ou adquirido, que afecta a
motricidade dos indivíduos (mobilidade, coordenação, fala).
Pode ter um carácter definitivo – estável – ou evolutivo – com tendência a modificar-se com o
tempo. Pode decorrer de lesões:
Neurológicas (anomalias do Sistema Nervoso Central)
Neuromusculares (alterações nos grupos musculares)
Ortopédicas (alterações nas estruturas ósseas ou ósseo-articulares)
De mal formação (congénito).
Consoante a parte do corpo que se encontra afectada, denominam-se:
Monoplegias: paralisias num membro do corpo.
Hemiplegias: paralisias em metade do corpo.
Paraplegias: paralisias da cintura para baixo.
Tetraplegias: paralisias do pescoço para baixo.
Amputado: falta de um membro do corpo.
CAUSAS
As causas da Deficiência Motora podem passar por:
Paralisia Cerebral: por prematuridade, anóxia perinatal, desnutrição materna, Rubéola,
toxoplasmose, trauma de parto, subnutrição, etc.
Hemiplegias: por acidente vascular cerebral, aneurisma cerebral, tumor cerebral, etc.
Lesão medular: por ferimento por arma de fogo, ferimento por arma branca, acidentes de
trânsito, mergulho em águas rasas, traumatismos directos, quedas, processos infecciosos,
processos degenerativos, etc.
Amputações: causas vasculares, traumas, malformações congénitas, causas metabólicas, etc.
Malformações congénitas: por exposição à radiação, uso de drogas e causas desconhecidas.
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Artropatias: por processos inflamatórios, processos degenerativos, alterações biomecânicas,
hemofilia, distúrbios metabólicos, etc.
Patologias degenerativas do sistema nervoso central
(esclerose múltipla, esclerose lateral amiotrófica)
Lesões nervosas periféricas
Amputações
Sequelas de politraumatismos
Distúrbios posturais da coluna
Sequelas de patologias da coluna
Distúrbios dolorosos da coluna vertebral e das articulações dos membros
Reumatismos inflamatórios da coluna e das articulações
Lesões por esforços repetitivos (L.E.R.)
Sequelas de queimaduras
Síndromes vários (p.e.: Síndrome de Marfan)
A deficiência motora pode então ter origem em lesões cerebrais ou não.
No primeiro caso a causa pode estar em factores externos ou em factores internos. Podem ocorrer em diferentes períodos do seu desenvolvimento: pré-natal (infecções, alterações circulatórias e
vasculares, etc.), péri-natal (anóxias, hemorragias cerebrais, etc.) e pós-natal (traumatismos cranioencefálicos, meningites, etc.).
No segundo caso podem ocorrer deficiências motoras temporárias, das quais as mais frequentes
são as resultantes de traumatismos cranianos (e cujas consequências passam normalmente por
gestos e expressão verbal lentos e descoordenados, perdas de memória e alterações no comportamento) e definitivas (paralisias resultantes de lesões cerebrais ou medulares, adquiridas ou congénitas).
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CLASSIFICAÇÃO
Embora seja difícil encontrar uma classificação que englobe todos os tipos de problemáticas os
quadros de maior incidência são:
1. Lesão cerebral
2. Lesão medular
3. Miopatias
1. Lesão cerebral
1.1. Paralisia Cerebral
Define um conjunto de afecções caracterizadas pela disfunção motora decorrentes de lesão no
cérebro (uma forma de Encefalopatia Crónica não evolutiva) durante os primeiros estágios de
desenvolvimento. É uma desordem permanente que, embora definitiva, não é evolutiva. Não é
imutável, como tal, susceptível de melhoras. A deficiência motora expressa-se em padrões normais de postura e movimentos, associados a um tónus postural anormal. No entanto, algumas
características podem mudar com o tempo. A lesão atinge o cérebro quando ainda é imaturo e
interfere no desenvolvimento motor normal da criança. Os distúrbios mais relevantes são os motores, sem, necessariamente, implicar na existência de uma deficiência mental associada. Não tem
relação com o nível mental; a perturbação predominante é a perturbação motora. Pode surgir
durante todo o período de crescimento cerebral, sem referência a nenhuma etiologia precisa.
É uma perturbação complexa que compreende vários sintomas, a saber:
- Alteração da função neuromuscular com défices sensoriais (audição, visão, fala, etc.) ou não;
- Dificuldades de aprendizagem com défice intelectual ou sem ele;
- Problemas emocionais.
1.2. Espinha Bífida
A espinha bífida é uma afecção pertencente a um conjunto de alterações (malformações congénitas) conhecido como defeitos do tubo neural, conjunto este que engloba as malformações do
cérebro, espinal medula e seus revestimentos e que, ocorre quando o tubo neural do feto não se
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encerra adequadamente nos primeiros 28 dias após a concepção apresentando pois, como característica fundamental, uma fenda da coluna vertebral.
Existem vários graus desta lesão que vão desde o grau mais ligeiro (espinha bífida oculta) até ao
mielomeningocelo que corresponde à medula não protegida e à qual estão associadas as formas
mais graves desta deficiência como ausência de reflexos, descontrolo dos esfíncteres e perda de
sensibilidade em toda a região abaixo da lesão.
Os sintomas decorrentes da espinha bífida não são apenas físicos – dificuldades de coordenação,
controle muscular e mobilidade. Estes alunos poderão apresentar também problemas de aprendizagem, incluindo dificuldades:
- na atenção;
- na expressão e compreensão da linguagem falada;
- na leitura
- nos conceitos matemáticos;
- na organização de informação.
Também poderão necessitar de tratamentos ortopédicos e fisioterapia por longos períodos
para fortalecer os músculos e evitar problemas nas articulações.
Lesões associadas à Espinha Bífida
A) Hidrocefalia
Esta patologia é causada pela obstrução da circulação do líquido cefaloraquidiano produzido nos
ventrículos cerebrais, podendo apresentar-se logo no recém-nascido e ter um desenvolvimento
progressivo.
Está, com muita frequência, associado aos casos de mielomeningocelo, atrás referido.
A hidrocefalia manifesta-se pelo crescimento progressivo do volume do crânio, atingindo uma
desproporção crânio-facial e consequente congestionamento das veias do pescoço, pressão ocular para a frente e para baixo com o aparecimento frequente de estrabismo e nistagmus. No caso
de um aumento rápido do tamanho da cabeça é necessária a intervenção cirúrgica, colocação de
by-pass, uma vez que, se não tratada, pode levar a lesão cerebral, com cegueira e convulsões.
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B) Alterações neurológicas
Paralisias das extremidades inferiores, com perda de sensibilidade, abaixo do nível da lesão.
C) Alterações ortopédicas
Malformações dos pés, da cintura pélvica e da coluna vertebral (escoliose, cifose, lordose).
D) Alterações das funções urológicas e intestinais
Manifestam-se por incontinência dos esfíncteres.
2. Lesão medular
As lesões medulares são causadas por um traumatismo da coluna o qual danifica as fibras nervosas. Ocorre, normalmente, em consequência de uma situação acidental. A gravidade do comprometimento motor está relacionada com a secção da coluna que foi afectada. No caso de a lesão
ocorrer na secção superior da espinal-medula tanto os braços como as pernas ficam paralisados
(tetraplegia ou quadraplegia). No caso da lesão se situar abaixo do peito, afecta apenas a parte
inferior do corpo (paraplegia).
Estas lesões podem provocar perdas graves da sensibilidade, atrofia muscular, incontinência ao
nível da bexiga e intestinos e paralisia.
3. Miopatia (Distrofia Muscular)
É uma doença neuromuscular, ainda incurável, que afecta os tecidos musculares do corpo de
forma grave e contínua.
Considerada uma doença hereditária, caracteriza-se pela destruição e degeneração das fibras
musculares que vão sendo substituídas por tecido fibroso e adiposo (gordura), porém, a criança
apresenta as capacidades intelectual e mental preservadas.
Há formas diferentes de distrofia de acordo com os músculos atingidos. Podem ser de origem
neurogénica (por um mau funcionamento do sistema nervoso) ou miogénica (degeneração das
próprias fibras musculares). Em alguns casos evolui para uma paralisia total, impedindo a criança
de andar e correr, condicionando-a a uma cadeira de rodas, acarretando dificuldade de:
- Participação nas actividades da vida diária;
- Défice físico acentuado;
- Debilidade do sistema muscular respiratório.
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As maiores barreiras não são arquitectónicas, mas sim a falta de informação e o preconceito. Ainda assim, existem diversos tipos de barreiras arquitectónicas que limitam a acessibilidade das
pessoas com deficiência motora: escadas, elevadores e portas estreitas, buracos e carros estacionados no passeio, casas de banho mal equipadas, transportes mal preparados, ATM´s e estantes muito altas, rampas com inclinação igual superior a 45º, etc.
INTERVENÇÃO
Uma vez que, como vimos, a deficiência motora na maioria dos casos, não tem qualquer implicação ao nível intelectual estes alunos podem apresentar algumas dificuldades psicológicas e emocionais decorrentes das limitações de que têm consciência. Possuem igualmente alteradas a
consciência corporal e a sua relação com física com o espaço envolvente.
Deve-se promover o máximo de independência, tendo em conta as capacidades e limitações
do aluno.
Não se deve fazer de conta que o aluno não existe, negando-lhe a sua identidade na condição
de pessoa com deficiência; é fundamental que nos relacionemos com a pessoa e não com a sua
deficiência.
Quando se conversa com um aluno que utilize cadeira de rodas deve-se permanecer ao seu
nível, sentando-se se possível, visto que é muito incómodo conversar com a cabeça levantada. É
importante ter em conta que tocar na cadeira de rodas é como tocar num prolongamento do corpo
do aluno; como tal deve-se evitar fazê-lo, principalmente quando não há relação estabelecida.
Deverá existir coordenação entre professor, aluno e auxiliar de forma a minimizar constrangimentos inerentes aos seus cuidados de higiene.
Na sala de aula, sempre que se justifique, o aluno terá que ser acompanhado das tecnologias
de apoio que o auxiliam. Deverão ser proporcionadas todas as condições para que o aluno tenha
total acesso às situações de aprendizagem e a todo o tipo de actividades. Existem inúmeras Tecnologias de Informação e Comunicação das quais o aluno pode, e deve, dispor cujo aconselhamento poderá advir do Centro de Recursos Tic da zona abrangente. O CRTic que abrange o conselho de Sintra, juntamente com Mafra, Oeiras e Cascais, encontra-se sediado na EB 2,3 Padre
Alberto Neto – escola sede do nosso Agrupamento de escolas.
É fundamental que fique claro para todos os elementos da comunidade escolar, que se trata
de um aluno com recursos cognitivos, que apenas necessita de adaptações físicas e estruturais
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que maximizem o seu potencial de aprendizagem e de adaptação ao meio envolvente. Muitas
vezes a discriminação acontece por falta de conhecimento ou por não se saber lidar com uma
situação nova. Assim sendo é importante o papel do professor no seu esclarecimento e sensibilização.
Em todas as actividades da, e para a escola deverão ser consideradas as características de
mobilidade e comunicação dos alunos com deficiência motora:
- Adaptações de infra-estruturas (casa-de-banho, rampas, etc.), da sala de aula (situação, tipo
e distribuição do mobiliário, etc.) e do material didáctico (painéis de comunicação, computadores,
etc.).
- Adaptações ao nível do currículo – Estes alunos devem seguir o currículo regular, introduzindo as adaptações necessárias consoante as necessidades individuais (organização, metodologia, temporalização, conteúdos, materiais, etc.). Habitualmente necessitam de maior reforço
pedagógico nas áreas perceptivosensorial, linguagem, afectivo-social e autonomia.
- São aconselhadas estratégias que envolvam toda a turma no suporte/apoio ao(s) aluno(s)
com deficiência motora, como por exemplo a selecção de um aluno da turma para assumir a função de “companheiro mais íntimo”, que dará esse apoio sem pôr em causa a independência do
aluno com esta patologia.
Bibliografia
BAUTISTA, R. ed. (1997) Necessidades Educativas Especiais, Col. Saber Mais, Editora Dinalivro, Lisboa
NIELSEN, L. B., 1999, Necessidades Educativas Especiais na Sala de Aula – Um Guia para Professores, Colecção Educação Especial, Porto Editora, Lisboa
RODRIGUES, D. (1983). Educação especial: deficiência motora: colectânea de textos. Lisboa: ISEF-CDI.
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